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Revista

ISSN 1983-0734

.SOLICITAÇÃO DE EXEMPLARES.

UNIABEU – Centro Universitário Pró-Reitoria de Relações Institucionais Rua Itaiara, 301 – Centro CEP: 26113-400 – Belford Roxo – RJ Tel. (+55-21) 2104-0460 – Fax (+55-21) 2104-0461 Site: www.uniabeu.edu.br E-mail: prmc@abeu.com.br

Revista UNIABEU – Centro Universitário. Ano II, nº 4, jul./dez. 2009. Belford Roxo – RJ, (2008 84 p., 21 x 28cm Semestral ISSN 1983-0734

).

1. Educação - Periódicos. 2. Ciências Biológicas e da Saúde - Periódicos. I. UNIABEU – Centro Universitário. CDD 001.50

A Revista UNIABEU EDUCAÇÃO E SAÚDE (ISSN 1983-0734) é um periódico semestral, um instrumento de divulgação oficial da UNIABEU Centro Universitário, destinado a publicar a produção acadêmico-científica das áreas de ensino de Graduação e Pós-graduação, de Pesquisa e de Extensão. As informações e opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade dos autores. A citação de matérias é livre, desde que seja indicada a fonte.

UNIABEU Centro Universitário
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Reitor Júlio César Furtado dos Santos Pró-Reitor de Relações Institucionais Paulo Roberto de M. Chaves Coordenadora Geral de Graduação Denise de Oliveira Gerente de Pós-graduação, Pesquisa, Extensão e Responsabilidade Social Marcelo Mariano Mazzi Gerente de Organização e Sistemas Eduardo Brito Gonçalves Marazo Pesquisador Institucional Rodrigo Rodrigues dos Santos Supervisora de Biblioteca Magda Almada Assessor de Comunicação Social Cleber dos Santos Tito

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UNIABEU – C entro U ni versitári o -

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Revista UNIABEU

Educação e Saúdes
Fundação

Campus Sede Belford Roxo (RJ), abril/2002.

Editor Carlos Eduardo M. Araújo Conselho Editorial Anderson Figuerêdo Brandão Andréa Pessanha Antonio Neres Norberg Augusto César Freitas de Oliveira Lígia Cristina Ferreira Machado Ricardo Joseh Lima Secretaria Executiva Paulo Roberto M. Chaves Carlos Alberto de Oliveira Cleber dos Santos Tito Caio Coelho dos Santos Magda Almada

Normalização
Biblioteca Central

Revisão
Franklin Magalhães

Capa
ABEU Comunicação e Marketing

Produção Gráfica
Franklin Magalhães

Periodicidade
Semestral

Tiragem
500 exemplares

UNIABEU – C entro U ni versitári o

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-SUMÁRIOArtigos Diálogos entre música e literatura: Um estudo bakhtiniano sobre narrativas musicais s VIRNA MAC-CORD CATÃO 09 - 19 - O trabalho com argumentação na escola: cartas de leitores e produção textual s SOLANGE NASCIMENTO DA SILVA 33 .Instruções para colaboradores . s WANDERLEY LEMGRUBER SOUZA 55 71 Currículo.Controle ambiental de leveduras e fungos filamentosos nas praias da Baía de Guanabara s RENATA CORRÊA HEINEN s JANE DA COSTA VALENTIN REGO s ELVIRA CARVAJAL s MARIA INEZ DE MOURA SARQUIS s ADRIANA SOTERO-MARTINS 77- Cursos de Pós-graduação – Especialização 79 . avaliação e aprendizagem no contexto da Educação a Distância s ISABEL ANDREA BARREIRO-PINTO s GRAYCE LEMOS .A sistemática da avaliação do curso na Educação a Distância (EaD).Unidades acadêmicas por campus 81 .

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cantadas em verso e prosa pelos compositores há mais de um século. tratada como linguagem literária. Quando se tem a oportunidade de refletir academicamente esses dois temas em conjunto. Se a avaliação é a grande preocupação de Sousa. passa a ser interlocutor ativo com o conhecimento e principalmente com o conteúdo/currículo. a autora destaca a importância do uso desse alternativo material pedagógico em sala de aula. nº 4 – p. traz importantes contribuições para a reflexão do desempenho institucional e dos cursos promovidos por organizações que atuam em Educação a Distância. são lugar de lazer mas também podem ser um grave problema de saúde pública. Maria Inez M. Os avanços adquiridos nas novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) criam – quando bem aplicadas – as condições necessárias para que o educando desenvolva diversas visões de mundo antes emperradas pelo currículo tradicional. As praias cariocas.as areias tornaram-se importante fator de risco para a saúde dos banhistas. há outras possibilidades para além dos livros e do quadro negro. Esperamos que os artigos aqui presentes despertem o interesse pela pesquisa acadêmica nos alunos de dentro e de fora da UNIABEU e transformem-se em ponto de partida para as reflexões teóricas e aplicações práticas de pesquisadores e docentes. A identificação de microorganismos nocivos. em A sistemática da avaliação do curso na Educação a Distância (EaD). 7 . em Currículo. Elvira Carvajal. Boa leitura! Carlos Eduardo M. Valentin Rego. Wanderley L. A partir de uma ampla pesquisa bibliográfica. não podemos abrir mão.Educação e Saúde -EDITORIALÉ inquestionável a importância de se pensar a saúde e a educação na busca da melhoria da condição humana. apresenta os aspectos teóricos das análises sobre a música na escola. além das águas . avaliação e aprendizagem no contexto da Educação a Distância. Como podemos ver. Sousa. A partir das queixas e opiniões publicadas em um jornal de grande circulação. Em Controle ambiental de leveduras e fungos filamentosos nas praias da Baía de Guanabara.que contam com as análises de qualidade . as autoras Isabel Andréa Barreiro-Pinto e Grayce Lemos analisam a EaD sob a ótica das teorias de currículo. Virna Mac-Cord Catão. A expansão dos cursos on line trouxe com ela a necessidade – como em todos os instrumentos pedagógicos – de uma ampla avaliação não apenas do conteúdo. da eficácia educacional desse (nem tão) novo método de ensino. em seu artigo Diálogos entre música e literatura: um estudo bakhtiniano sobre narrativas musicais. a recuperação das condições sanitárias e a preservação dos ecossistemas dessas áreas degradadas são o grande objetivo do trabalho apresentado pelas pesquisadoras. antes receptor. Uma das constatações das autoras é que o currículo tradicional disposto em grades curriculares engessa a aprendizagem. Renata Corrêa Heinen.84 jul-dez 2009 . Para encaminhar a resolução desse problema que aflige parte dos profissionais em educação. Em O trabalho como argumentação na escola: cartas de leitores e produção textual Solange Nascimento Silva traz um rico material didático: as cartas dos leitores. mas. Um dos grandes entraves às teorias pedagógicas reside na dificuldade de sua aplicação prática. Araújo Revista UNIABEU 7 Belford Roxo – RJ V. A liberdade que os cursos on line proporcionam aos alunos transformou as formas de aprender. a autora traz a sua experiência como docente em escola pública – espaço tão carente de reflexões teóricas – e como a música contribuiu na formação de seus alunos enquanto sujeitos críticos. e principalmente. O aluno. Essa é a proposta da Revista UNIABEU Educação e Saúde: o diálogo entre esses dois campos do conhecimento. Sarquis e Adriana Sotero-Martins trazem importantes contribuições para a saúde de brasileiros e estrangeiros que frequentam anualmente o litoral do Rio de Janeiro. O grande objetivo desse texto é contribuir para o estabelecimento de procedimentos sistematizados e adequados para garantir os melhores resultados. Jane C.

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A música contribui com a representação literária. tratando da relação entre a literatura e a música. a arte literária é ilustrada musicalmente. As palavras têm sons. enquanto arte sensibilizadora. ABSTRACT . As for the practical aspects it relates to my experience teaching in public school. que chegarão a sentir a beleza da literatura. Virna Mac-Cord Pedagoga (UERJ). A relação música e literatura. proporcionada pela beleza musical. eis aqui o objeto de estudo deste trabalho.This paper presents theoretical aspects of a research project that aims to analyze the presence of music in school. pois a arte é o social em nós. which brings occasional reflections on the contributions of music literature and training of the subject. o misto de beleza e eficácia que há nas ciências e nas técnicas (p. da alegria. . Já os aspectos práticos referem-se à minha vivência docente numa escola pública. especificamente na/como linguagem literária. Narrativas Musicais. Literature. é mais profunda. Its reasoning studies of language of Bakhtin (2003) and Adorno and Horkheimer (1985) with the criticisms of the cultural industry. tem um alcance interdisciplinar na educação escolar. no canto. which contributes to the construction of meanings and senses. que objetiva analisar a presença da música na escola. que traz reflexões pontuais sobre as contribuições da música na literatura e na formação do sujeito. Key-words: Music. Hoje. SNYDERS (1997) ressalta essa construção quando afirma que: Para alguns alunos é a partir talvez da beleza da música. INTRODUÇÃO A música.Educação e Saúde DIÁLOGOS ENTRE MÚSICA E LITERATURA: UM ESTUDO BAKHTINIANO SOBRE NARRATIVAS MUSICAIS CATÃO. Especialista (UERJ) e Mestranda em Educação (UFRJ).84 jul-dez 2009 . além de ser também uma forma literária poética e metafórica. nº 4 – p. pois. enquanto produtora de sentido. o misto de beleza e verdade existente na matemática. because art is social in us. Professora do curso de Pedagogia do Centro Universitário UNIABEU RESUMO . entre outros. Literatura. as producers of meaning. no entanto. 135).Este trabalho apresenta aspectos teóricos de uma pesquisa em andamento. among others. Revista UNIABEU 9 Belford Roxo – RJ V. que contribui com a construção de significados e sentidos. 9 . Tem como fundamentação os estudos da linguagem de Bakhtin (2003) e de Adorno e Horkheimer (1985) com as críticas à indústria cultural. Musical Narratives. tão frequentemente presente em suas vidas de uma outra forma. o conteúdo é a poesia declamada melodiosamente. specifically in/as literary language. Palavras-chave: Música.

a música está imersa no dialogismo. ao designar a polifonia e o dialogismo em suas formas narrativas.ciencialit. o ato de musicalizar contribui para um crescimento integral do ser humano. Se é dialógico. a função estética da música inclui os pontos de vista do criador e do contemplador que.. estão relacionados com a vivência interior e com a harmonia das personas individuais e coletivas. pois Só me torno eu entre outros eus. sem fundamentação teórica específica. a linguagem assume a função planejadora. a produção de narrativas musicais. já que. é gerada a partir de inscrições que por sua vez geram novas inscrições. coordenado pela Professora Patrícia Corsino. não apenas para a sua formação técnica. Assim. A música conta. Em suma. pois a linguagem musical constitui um inacabamento2.ufrj. pois. no site http://www. No sentido mais amplo da palavra. A linguagem representa um papel decisivo na constituição dos processos mentais. É nesta relação simbólica que o ato criador do homem se constitui. duas vozes” (FIORIN. a criança incorpora novos e importantes aspectos à estrutura dos processos mentais que estão em desenvolvimento. a musicalização desenvolve os instrumentos de percepção necessários para que o indivíduo possa ser sensível à música. possuindo duas funções distintas: a comunicação externa com outras pessoas e a articulação interna de nossos pensamentos. mas uma das vias régias que conduzem à realização de cada um. Esta relação implica numa ação: musicoliterar3.. como representação literária. mas também na sua formação ética. pois “.ufrj. porém.. 2 Bakhtin aponta o inacabamento como a possibilidade de ressignificações infinitas na relação do sujeitoleitor com as narrativas.) ouvem-se sempre.br/ensino/posgrad_stricto/gupos depesquisa/Leduc_2008. pois expressa e traduz formas de pensamento. Segundo Vygotsky (2005). (SOBRAL. a literatura. Expressão encontrada em buscas na internet. A narrativa musical. 24). p. pois “. enfim.html. A música é. Disponível em http://www. apreendê-la. 33). por sua vez. representativa) e dos discursos envolvidos. ainda que se defina a partir do outro. 32). no mínimo o original. p.pdf.” (TODOROV. enquanto enunciação. organizada e estruturada culturalmente. nunca teremos o todo. 10 . recebendo o material sonoro/musical como significativo. à medida em que se internaliza. Mas o sujeito. os estudos bakhtinianos promovidos pelo grupo LEDUC1 despertaram a curiosidade de investigar a música como gênero discursivo. por meio dela se comunica. interage com o nosso imaginário. a linguagem se constitui como processo social. expressa seus sentimentos. Revista UNIABEU 10 Belford Roxo – RJ V. pois “é uma réplica a outro enunciado (. tão rico de ressonâncias filosóficas. numa relação mediada pelo outro. 32).” (VICTORIO. é o “outro” do outro: eis o não acabamento constitutivo do Ser. p. 2008.educacao.. portanto.br/garrafa5/22. toca e dialoga com o leitor. 2008: 1 p. contudo.Educação e Saúde Neste sentido. “estética” (BAKHTIN.84 jul-dez 2009 . canta. Ao constituir sua linguagem. ao mesmo tempo o define. pois “sendo uma linguagem artística... ao menos. sentidos e ações. 2009. 2008. nº 4 – p.22) A música na literatura manifesta-se verbalmente ou não. 3 Grupo de Pesquisa do Programa de Pós Graduação da UFRJ. “um símbolo nos níveis objetivos e subjetivos” (p. sentimentos e valores individuais e/ou coletivos. o conhecimento da literatura não é um fim em si.letras. O dialogismo depende da parceria da comunicação verbal (por vezes imagética. discursivas e outras. 2003) de vida.

destacando relatos de experiências numa escola pública na zona oeste da Cidade do Rio de Janeiro nos anos de 2002 a 2005. Assim.84 jul-dez 2009 .. predominantemente a “Arte sem sonho” (MACEDO. formação e experiência estética.. nº 4 – p. na versão bakhtiniana. 51) Metodologicamente o trabalho em questão caracteriza-se por qualitativo.Educação e Saúde a música. 56). pautado na transmissão escolar. na arte musical. 33). no discurso de Adorno e Horkheimer ao criticarem a indústria cultural. priorizam a instrumentalização literária. uma vez que estas. Portanto. a imagem do mundo manifestada na palavra” (p.. “não diz respeito à palavra.. (ADORNO e HORKHEIMER. 86). 1990: p. 85). é um objeto. O termo 'volitivo-emocional'. encontramos nas narrativas musicais esta possibilidade. de cunho social. repudiando as demais produções musicais. mesmo quando não verbalizada. 2009. Bakhtin mostra que. construindo novos conhecimentos a partir da realidade vivenciada. A música na sala de aula pode ser um elemento de reprodução. Esta opção justifica-se por aproximar teoria e prática. 1990. por via de 4 regras. muito usado por Bakhtin no livro 'Estética da criação verbal'. o que vem sendo refletido por Todorov (2009) quando pondera críticas às correntes estruturalistas e formalistas na literatura. Adorno nunca deixou de conceber a música como um instrumento criativo de denúncia. representa 'uma vontade para a demonstração de emoções' e constituição de valores por parte do autor e a personagem. de emancipação. juntamente com o código de sua construção. liga-se a enunciações anteriores e a enunciações posteriores produzindo e fazendo circular discursos” (CORSINO apud BRAIT. A escola é uma realidade complexa e dinâmica: produto histórico da sociedade na qual se insere. p. pelos esquemas perceptivos de que dispõe. enquanto obra. Um sentido de troca. não deixa de influenciá-la. o “objeto da visão estética possui uma forma espacial interna artisticamente significativa” (p. 394). mas ao objeto que esta exprime.) nessa medida. “. a pretensão da arte é sempre ao mesmo tempo ideologia”. 2009. 107-108) Considerando a música e a arte em geral como forma de conhecimento. em face da transformação social e da barbárie que se instalou no mundo contemporâneo. mesmo que este não se realize na consciência como imagem visual” (p. uma vez que hierarquiza os bens culturais das classes dominantes. por ser considerada. 11 . por isso. A música. Neste caso. sua estratégia deve partir de sua própria cultura. ainda que seja a cultura do oprimido. Revista UNIABEU 11 Belford Roxo – RJ V. mas. pois “Se a educação e a arte devem estar a serviço do homem. como elemento cognitivo. a escolha e o consumo de música estão direcionados e limitados pelos instrumentos de apropriação. também. legitima o reprodutivismo músicocultural. mas como arte possui historicidade. visão esta um tanto reducionista da literatura. exclusivamente. p. histórica e. é um fato histórico e social” (PENNA. Podemos destacar que este paradigma mecanicista. é um lugar de conflito. categorizando-as como subculturas. como uma disciplina. ou seja. percebemos que nas escolas predomina a literatura como matéria escolar. 2003. já que os sujeitos em interação são produtores de enunciados: “o enunciado é de natureza constitutivamente social. “a complexa dialética do interior e do exterior” (BAKHTIN. ou seja. p. 20). possivelmente. 1985: p. p. também produzindo essa mesma sociedade dialógica “(. 398) cantada ou não. realizando-se no campo volitivo-emocional4. Nestas observações.” (PENNA apud TACHUCHIAN. assim como a literatura.

gerando resistência. fragmentada e especializada. A linguagem é parte constituinte da significação do mundo. Assim. p. 12 . Assim a literatura infantil passar a ser entendida como a iniciação do homem ao mundo literário. A MÚSICA NA LITERATURA INFANTIL É a propósito da literatura que a importância do sentido do texto se manifesta em toda a sua plenitude. o meio e o fim de qualquer trabalho com o texto. instaurando-se. torna-se um instrumento de validação da literatura na infância. já que “a personagem e o autor acabam não sendo elementos do todo artístico da obra mas elementos de uma unidade prosaicamente concebida da vida psicológica e social” (BAKHTIN. 2008. pois há uma confusão conceitual entre educação musical e musicalização. 38) São diversas as formas atuais da literatura. até então a criança era vista como um adulto em miniatura. constituinte e produtora de significados. ou seja. a música foi se distanciando da funcionalidade artística. aproximou a educação. instrucional.84 jul-dez 2009 . quando vista como única e universal. 2006. condicionante. mas. p. uma forma lúdica e significativa de aproximar o leitor da obra literária. um fetichismo musical. Tal perspectiva também é muito presente na realidade educacional brasileira. um sentimento pela infância é despertado.. consequentemente. Procuramos. analisar as linguagens vigentes.. Tal abordagem. p. (COSSON apud LAJOLO. p. manifesta-se por rótulos do consumismo e pelo ouvido treinado. de uma abordagem técnica. Todas as atividades escolares das quais o texto participa precisam ter sentido. 7). (FARACO. caracterizando peculiaridades infantis e sua preparação para a vida adulta. 2003. nos diz o que somos e nos incentiva a desejar e a expressar o mundo por nós mesmos” (COSSON. Com a ascensão da família burguesa. pois “. Há conflitos sobre o uso da música em sala de aula. 51) A literatura infantil é constituída como gênero em meados do século XVII. portanto. com a culminância do tecnicismo educacional. embevecida de preceitos empíricos. para que Revista UNIABEU o texto resguarde seu significado maior.Educação e Saúde Ao longo desse devir histórico. 2009. da produtividade. nº 4 – p. no último século. 17). É essa plenitude de sentido o começo. impede que a constituição do sujeito se edifique num “conjunto de discursos vivos” (TODOROV. contudo a literatura. consequentemente seus discursos e sentidos. então. p. a tematização literária se manifestou também musicalmente. ao ser reduzida em mercadoria. que faz com que as 12 Belford Roxo – RJ V. a realidade vivida (já em si atravessada por diferentes valorações sociais porque a vida se dá num complexo caldo axiológico) é transposta para outro plano axiológico (o plano da obra): o ato estético opera sobre sistemas de valores e cria novos sistemas de valores. os temas musicais encontrados nas histórias narram as próprias histórias. pois. 22). 2006. que. O fetichismo é ideologicamente determinado pelo liberalismo moderno. respostas “significativas” sobre qual a importância da música na formação do leitor: As narrativas musicais contribuem para o letramento literário? Esta realização irá abrir novos caminhos e desmistificar algumas abordagens relacionadas ao processo de musicalização e letramento literário. pois No ato artístico especificamente.

p. sua abrangência também é sinestésica. 13 . mas devem tornar-se algo singular em mim. O lugar da literatura. Muitos atribuem à “musicalização” a competência técnica. As práticas de leitura e escrita ainda sustentam-se em versões estruturalistas. 22). os sons. Ao mesmo tempo que os recursos das escolas 13 Belford Roxo – RJ V. p. fixa-se enquanto disciplina. torna-se mediadora entre a infância e o mundo.) musicalizar é desenvolver os instrumentos de percepção necessários para que o indivíduo possa ser sensível à música. numa turma de alfabetização. não somente à escrita. A linguagem. que estão disponíveis na tela do computador e em muitos materiais impressos que têm transformado o letramento tradicional (da letra/livro) em um tipo de letramento insuficiente para dar conta dos letramentos necessários para agir na vida contemporânea (ROJO apud MOITALOPES e ROJO. 1990. nº 4 – p. distanciandose de seus usos sociais. que até então era apenas um lugar para armazenar livros. recebendo o material sonoro/musical como significativo – pois nada é significativo no vazio. numa coleção de discos de vinil chamada “Disquinho”. Neste projeto resgatamos algumas “narrativas musicais” que estiveram presentes nos anos 70 e 80. foram quase extintos a partir dos anos 90. Mas a ampliação e a caminhada com a literatura ocorreram com o “Projeto Contart”. assim como os demais materiais fonográficos infantis. enquanto narrativa musical. como uma ciência a ser estudada pelo alunado. 2009. AS NARRATIVAS MUSICAIS NO CONTEXTO ESCOLAR: PRÁTICAS DE LETRAMENTO LITERÁRIO (RELATO DE EXPERIÊNCIA) Arte e vida não são a mesma coisa. tradicionalmente. assim. mas apenas quando relacionado e articulado no quadro das experiências acumuladas. O contexto escolar da escola pública demanda renovação de fazeres para atender os novos saberes que pertencem à sociedade atual. apreendê-la. pois Revista UNIABEU Lecionando numa escola pública da cidade do Rio de Janeiro.. que. uma transposição de “arte” para “disciplina escolar”. assumindo-se. p. 107) O letramento literário é uma forma diferenciada do uso social da escrita. 2003. neste sentido. Assim a palavra escrita não simboliza exclusivamente a literatura. que despertou o meu desejo pela literatura e o da escola também. 22). fiz um trabalho de musicalização objetivando uma aprendizagem mais significativa. suscita o imaginário ao sujeito do conhecimento que “como tal não ocupa um lugar concreto determinado na existência” (BAKHTIN. já que na escola predomina a didatização da literatura. na unidade da minha responsabilidade (Bakhtin) Nisso entendemos que a musicalização. deve ser encarada como um letramento multissemiótico. além do reavivamento da sala de leitura. O conhecimento e as capacidades relativas a outros meios semióticos estão ficando cada vez mais necessários no uso da linguagem. tendo em vista os avanços tecnológicos: as cores. o design etc..84 jul-dez 2009 . uma ampliação do conceito geral de letramento conduzindo a outras semioses. Assim: (.. em que o acabamento da obra não dá asas à imaginação. as imagens.Educação e Saúde práticas literárias fiquem aprisionadas em formalismos e estruturalismos. quando compatível com os esquemas de percepção desenvolvidos (PENNA.

tínhamos cerca de trinta crianças sentadas. daí o desejo de mudança. e o que ela(s) faz(em) conosco? Juntamente com outra colega de trabalho. Quando demos por conta. que. Certo dia. estabelece uma relação emocional.a empatia simpática6. Há uma identificação com a personagem.84 jul-dez 2009 . O “Gato de Botas” também fez sucesso com a música que resumia o enredo da história. a professora de sala de leitura implantou um projeto chamado “Biblioteca Ambulante” em que as turmas recebiam trimestralmente uma caixa com cerca de vinte títulos. pois “a imagem externa pode ser vivenciada como algo que conclui e esgota o outro. que acompanham a empatia “autor com sua criação”. A escola de horário integral. estas aproximações entre as artes. como Dona Baratinha (que na autoria original já tem uma narrativa musical). em seu projeto original. significa que.Educação e Saúde públicas são limitados em vários sentidos: os gêneros textuais são restringidos e os espaços literários não são explorados de modo a incentivar a formação do leitor. Cabe aqui lembrar que a escola em questão é um CIEP5. Este silêncio. tornou-se um estorvo em que crianças permanecem na escola. contava com os animadores culturais que representavam. Ali estava categorizado um silêncio. Então tivemos a idéia de musicalizar histórias e romper com o silêncio instaurado na sala de leitura. o personagem toca o seu espectador de acordo com as suas vivências. com a mesma professora. Revista UNIABEU 14 Belford Roxo – RJ V. E nesse encontro único do espectador com a obra o acontecimento estético vai tomando vida na 6 Centro Integrado de Educação Pública. após o governo Brizola. verifiquei que a sala de leitura que dispúnhamos continha até um bom acervo. porém. faço minhas. o projeto. quantitativamente falando. com práticas ritualísticas de sala de aula. a musicalização. sentimento provocado ao contemplar a cena. como. na história de João e Maria com uma paródia com o funk “A eguinha Pocotó”. Noutras histórias criávamos. supracitado. Contudo. ouvindo e cantando. permanecia sempre fechada. ponto principal da inquietação desses escritos: O que fazemos com a linguagem literária. percebendo a sua forma interior e exterior tendo clara a diferenciação do eu e do outro . especificamente na hora do recreio. Inicialmente pegamos os clássicos infantis. o dia todo. Até que pegamos um violão que estava guardado. em que o resgate de minha própria infância fez com que incorporássemos na narrativa. mas eu não a vivencio como algo que me esgota e me conclui” (p. rodeado por um contexto ético-cognitivo. um contexto de mundo e de alma. era consequência des5 tes limites pedagógicos. por exemplo. 37). que conduzia estas possibilidades de narrativas. na relação “autor-personagem”. nº 4 – p. Nos anos anteriores a 2002. Aos poucos os alunos que ali se encontravam foram se aproximando. vimos o quanto este espaço era dispendioso. Nestas narrativas musicais. histórias e contextos. No aspecto dinâmico. que é viva e dinâmica. Não havia uma coordenação. uma contextualização. um incentivo e nem idas à sala de leitura para que os alunos vislumbrassem aquele mundo de palavras. 14 . as palavras de Bakhtin (2003). sentamos no pátio e começamos a tocar e cantar. há sempre um contexto interno e externo. cultura e linguagens. perdeu forças. A transgressão era necessária. contudo musical. de certa forma.

ampliado. aproximações entre música e literatura. 87).. palavras. como afirma Bakhtin (2003): “Só na vida assim percebida. interdisciplinarmente. A música é uma das opções. relações.” (p. sempre que possível. Tínhamos um cenário móvel e fazíamos sessões de histórias ao longo do dia para que todas as turmas sentissem o prazer da literatura.. pois o corpo da música é dado. a partir das narrativas musicais..) Por isso. integrada a outras linguagens (p. promoviam trocas e sentidos para a arte literária. tais como: Narciso.” (BAKHTIN. As narrativas musicais proporcionavam vivenciamentos. A outra professora criou uma música que virou o hino naqueles dias.. a partir de suas fronteiras exteriores. p. 297). O trabalho rendeu ampliações. não no contexto de minha autoconsciência. naquele espaço. Este trabalho foi intitulado “Projeto Contart”. reflexão e fruição. p. por meio de vivenciamentos.. O significado e sua produção axiológica. 96). Penna (1990) apud Tacuchian (1982.84 jul-dez 2009 . como o resgate das histórias gregas à época das Olimpíadas. Havíamos exterminado o silêncio literário. Estas narrativas musicais constituem a existência do homem.. elaboração e justificação (BAKHTIN. na categoria de outro. Revista UNIABEU sons. torna-se ambiente de vida. 2009. A literatura nesta escola. 2003. ou seja. No enunciar são formadas as narrativas. constituíram a formação dos “nós” e do “eu”. p. Os vivenciamentos personificavam os sujeitos. 2003. p.. As narrativas musicais contam as histórias. Os personagens são apresentados com os temas musicais 15 Belford Roxo – RJ V.) Porque o enunciado ocupa uma posição definida em uma dada esfera da comunicação (. ocupou um lugar na constituição dos sujeitos. meu corpo pode tornar-se esteticamente significativo.Educação e Saúde relação nascida entre o sujeito e a obra e na sua enunciação. cada enunciado é pleno de variadas atitudes responsivas a outros enunciados de dada esfera de comunicação discursiva. Até que conseguimos “abrir” a sala de leitura para. CONCLUSÃO A música colabora com o imaginário e representação infantil.) é construído nas relações” (GUIMARÃES. Selecionamos algumas histórias. utilizarmos as narrativas musicais.‟ experiências. 74). A sala de leitura tornou-se um espaço de enunciados. até então silenciada.. para as demais áreas do conhecimento. nas vozes musicais. criações. por meio de volumes. 15 . necessitando de quatro elementos nesta construção: a recepção estética. pois a “arte é o social em nós”. desatando “nós” que limitavam a formação do sentido e da expressividade subjetiva. Agora o espaço torna-se “„lugar de. a partir das experiências que nele compartilhamos (. nº 4 – p. 61) afirma que: As diferentes linguagens artísticas são meras opções para a ativação dos mecanismos de criação. recriação. no contexto de minha vida para mim mesmo. A caixa de Pandora e Rei Midas. 54). porém. Tudo que constituía a narrativa. Cada enunciado deve ser visto antes de tudo como uma resposta aos enunciados precedentes de um determinado campo (aqui concebemos a palavra “resposta” no sentido mais amplo) “(. não. pois. Deve ser usada conforme a conveniência de cada situação e. desde a entonação aos signos utilizados.

pode. uma outra situação. propiciar a abertura de canais sensoriais. verifiquei uma professora dizendo ao aluno para não cantar determinada música em sala de aula porque ali era uma escola e não um baile funk. e sim. 118). ampliando a cultura geral e contribuindo para a formação integral do ser. se estabelece aproximações com o sujeito-leitor. Contava que numa apresentação da data comemorativa do folclore. contudo do leitor. A experiência com a leitura literária pode ajudar as outras leituras e viceversa. coloca a música de bailarina?” ou então: “Tia. mas falemos sobre isto num próximo artigo. por exemplo. Falas reais. cedeu. Uma negação ao sentido polifônico na/da música: “Nem sempre eles são ignorantes ou inexperientes. “partindo-se da convicção de que a consciência 16 Belford Roxo – RJ V. 1994. Que significado social tem a música? E o sentido atribuído subjetivamente a ela? Certa vez. Tem a ver com harmonia entre os elementos. a orquestra. que caracterizam a construção deste movimento estético.. Manifestado até mesmo em outra fala: “Não quero ouvir esta música!” (neste caso. é traduzida de diversas maneiras ao trazer o discurso do outro ao seu. além de. uma monofonia musical. são as vozes musicais. Esta “intertextualidade”. Ao ponto de escutar de uma aluna: “Tia. neste caso.84 jul-dez 2009 . A criança resistia. atua como um “meio” na produção de significados.. uma professora arrumava as crianças para dançar “O cravo brigou com a rosa”. ela te faz sair do teu lugar para entender a lógica do outro. metaforicamente. por meio do relato da Professora Patrícia Corsino sobre as fronteiras internas e externas do corpo que são também demonstradas através da música. não exatamente vivenciada por mim. tampouco inconsciente. que surgiu no grupo de pesquisa supracitado. Seria a professora a “dona” do corpo das crianças? Além do ouvido. a estética musical é constituída hegemonicamente. Insistia para que uma das crianças colocasse uma máscara de flor.)” (BENJAMIN. Na escola os acabamentos são únicos. Poucas Revista UNIABEU possibilidades de produção de estética. Assim como o funk é negado. nº 4 – p. Mas. percebemos que a escola é monofônica e reprodutora. temos também o corpo treinado. sentido e crítica social a partir da musicalização. a criança referindo-se a relação religiosa). Muitas vezes. ao levantar quais fios se entrelaçam. O efeito da literatura é se deslocar como sujeito. as vozes dos personagens. agora temos o nosso repertório”. constituir-se como conhecimento. que não é disfarçada. através desta ligação. a música clássica também. Desta forma. simbolizar a fala. podemos afirmar o oposto: eles “devoram” tudo. assim como a música. negando qualquer possibilidade diversa que se encontre no contexto. sempre vai haver uma “refração”. facilitando a expressão de emoções. a “cultura” e os “homens (. p. A constituição da estética musical debruça-se sobre a possibilidade do vivenciamento. A transposição musical (mudar a música de tom). em minha docência em escolas públicas. Tenho como exemplo. 16 . Foucault aborda tal questão.Educação e Saúde que identificam suas características. ao mesmo tempo que atua como um “fim”. mesmo contrariada. através da vivência e compreensão da narrativa musical. rompendo com as fronteiras do pensamento cartesiano. pois. Percebemos então que a música é um elemento que. sem muita opção. A “polifonia” se relaciona com as partes e a relação destas com a totalidade. A musicalização na escola não visa a formação de músicos.

Ω bReferências Bibliográficas ADORNO. 2003) são únicos. 1997. ela só não pode ser o único objeto constituinte na produção literária. a musicalidade. 12). a literatura ultrapassa estas barreiras. Arte e Política: Ensaios sobre Literatura e História da Cultura. a razão não se estabelece como privilégio: os homens sonham e pensam. afinal “propiciar uma alegria que seja vivida no presente é a dimensão essencial da pedagogia. regente. sentidos a aprender. HORKHEIMER. Magia e Técnica. dentre estes sentidos possíveis. em seus diferentes tipos de leitor: ouvinte. letrista etc. 2009. pelo inacabamento. ainda é uma produção artificial. BENJAMIN. 10). pois predominam certos didatismos. como instituição. nº 4 – p. Tradução de Sergio Paulo Rouanet. Tradução de Paulo Bezerra. In: CORSINO. ao buscar a organização educativa. 1985. cantor. compensados e recompensados por uma alegria que possa ser vivida no momento presente” (SNYDERS. Mas a escola pode fornecer o sentido polifônico. Já a literatura escolar. E. M (2003). 17 . Dialética do Esclarecimento. pela descoberta e pelo ato criador nas narrativas musicais. Walter (1994). que não são transparentes. de seus modos de valoração” (SNYDERS. a linguagem das formas. os gestos. Revista UNIABEU 17 Belford Roxo – RJ V. A música pode contribuir para tornar esse ambiente mais alegre e favorável à aprendizagem. 7a ed. Theodor W. Música é emoção. Educação Infantil: Cotidiano e Políticas. Eu diria que a linguagem é constituída pelos sentidos: sentidos que não nos dizem tudo. a nossa “vocação de ser humano” (p. Estética da Criação Verbal. proselitismos e doutrinarismos. Somos personagens e autores dos discursos. para o ser humano. p. São Paulo: Martins Fontes. p. Letramento Literário: Teoria e prática. e é preciso que os esforços dos alunos sejam estimulados. Intrínsecos a estas linguagens estão os sentidos.Educação e Saúde estética das pessoas é construída ao longo de suas vivências. não pode cometer equívocos e separar o mundo das emoções do mundo da razão. São Paulo: Contexto. COSSON. BAKHTIN. Concluímos que a linguagem que se aprende compreende várias outras linguagens: a língua. Patrícia (2009). pois. Max (1985). das pausas e também dos silêncios. 4ª ed. Não que a estrutura deva ser totalmente ignorada ou “invalidada” (TODOROV. A escola. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. Patrícia (org). CORSINO. 14). A Brincadeira com as Palavras e as Palavras como Brincadeira. nos mostra “outros mundos e ou- tras vidas” (p.. em qualquer nível. 1997. p. 7). 24). São Paulo: Brasiliense. Rildo (2006).84 jul-dez 2009 . Campinas: Autores Associados. pois. executante. Na escola os acabamentos (BAKHTIN. alguns significam na linguagem musical.

SNYDERS. In: BRAIT. Rio de Janeiro: Wak. Bakhtin: Conceitos-Chave. Rio de Janeiro: DIFEL. Impressões Sonoras: Música em Arteterapia. Educação Infantil: Cotidiano e Políticas. Bakhtin: Conceitos-Chave. Campinas: Autores Associados. Lev S (2005). São Paulo: Cortez. São Paulo: Martins Fontes. 3ª ed. Ato/atividade e evento. Patrícia (org). 2a reimp. Adail (2008). PEREIRA. São Paulo: Loyola. Educação Infantil: Espaços e Experiências. Escola e Inclusão Social. Petrópolis: DP&A. nº 4 – p. Márcia (2008). George (1997). São Paulo: Contexto. VYGOTSKY. Roxane (2009). Nélia Maria R. Tradução de Jefferson Luiz Camargo.Educação e Saúde FARACO. Pensamento e Linguagem . ROJO. Tzvetan (2009). Beth (org). 18 . In: PASSOS. Infância. 2a reimp. TODOROV. Maura L (1990). Tradução de Maria José do Amaral Ferreira.84 jul-dez 2009 . VICTORIO. Reavaliações e Buscas em Musicalização. PENNA. MACEDO. Daniela (2009).. Mailsa Carla P. SOBRAL. A Literatura em Perigo. In: CORSINO. A Escola pode Ensinar as Alegrias da Música? 3ª ed. In: BRAIT. Música e Mídia: A Produção Cultural em Debate (2009). Tradução de Caio Meira. Diversidade: Práticas Culturais em Pesquisa . 4a ed.Ω Revista UNIABEU 18 Belford Roxo – RJ V. 4a ed. Autor e Autoria. São Paulo: Contexto. Beth (org). Carlos Alberto (2008). São Paulo: Parábola Editorial. Letramentos Múltiplos. Rita Marisa R (orgs). GUIMARÃES. Identidade.

há um espaço reservado para manifestação dos leitores – as cartas dos leitores. 19 . possibilitando aos leitores o acesso a diferentes pontos de vista sobre um assunto. Key-words: argumentation. eleitores. making possible to the readers the access to differents points of the view about a subject. This kind of text introduces specific characteristics and has an argumentative nature. Solange Nascimento da Mestre em Língua Portuguesa – UERJ Doutoranda em Língua Portuguesa – UERJ Professora e coordenadora de Ensino Médio – IFRJ – campus Volta Redonda RESUMO .Educação e Saúde O TRABALHO COM ARGUMENTAÇÃO NA ESCOLA: CARTAS DE LEITORES E PRODUÇÃO TEXTUAL SILVA. críticas. como consumidores. Um dos espaços reservados para isso é a seção do jornal para onde leitores enviam suas cartas e seus e-mails. sua forma de apresentação e seu posicionamento no texto e considera a importância do trabalho com esse material em sala de aula. INTRODUÇÃO N a sociedade encontramos vários lugares e oportunidades em que podemos nos manifestar. do jornal O Globo. The analysis featured in this article points out the identification of the theme. No jornal O Globo. elogios e sugestões a respeito de fatos noticiados na semana ou de outras questões referentes a situações de nosso dia a dia. there is a room for readers called the readers‟ letters. fonte para este trabalho. cartas dos leitores. their presentation form and their location in the text and considers the importance of it as a material to be worked in the classroom. Essas cartas ficam normalmente no caderno do jornal onde se situam o Editorial e outros textos de opinião. elas ficam exatamente no caderno chamado Opinião. possibilitando ao público do jornal o acesso a diferentes pontos de vista sobre um assunto. Uma característica importante dessas cartas refere-se à macroestrutura. produção textual. ABSTRACT . Palavras-chave: argumentação. com questionamentos. Esse tipo de texto apresenta características específicas e tem uma natureza argumentativa.84 jul-dez 2009 . A análise apresentada neste artigo aponta a identificação do tema. Esse tipo de texto apresenta características específicas e tem uma natureza argumentativa. An important characteristic of the letters tells us about their macrostructure. textual production. reclamações. in O Globo newspaper. Nesse espaço os leitores apresentam seus pontos de vista acerca de diferentes assuntos. nº 4 – p. readers‟ letters. cidadãos etc.In the Opinions section. Acreditamos que a análise das estratégias utilizadas nesse texto em Revista UNIABEU 19 Belford Roxo – RJ V.No caderno Opinião. expondo e defendendo suas ideias.

As cartas analisadas para esta pesquisa foram retiradas da seção Cartas dos Leitores. no segundo caso. 1 – AS CARTAS COMO GÊNERO3 ARGUMENTATIVO Uma das definições mais comuns para a argumentação como modalidade textual se refere à questão da intenção comunicativa.84 jul-dez 2009 . Por isso. Neste trabalho. 20 . acreditamos que o trabalho com gêneros argumentativos na escola é de fundamental relevância para desenvolver nos estudantes habilidades de leitura e escrita com o objetivo de formar um perfil de usuário da língua crítico e consciente do seu discurso.Educação e Saúde sala de aula pode colaborar para o desenvolvimento de habilidades específicas nos estudantes de ensino médio. organizados de maneira coerente e consistente. Os gêneros têm um caráter histórico e social. à discussão e à produção textual. procurou-se verificar: a) Os fatores que delimitam as cartas de leitores de jornal como um gênero textual1 específico de caráter argumentativo. do jornal O Globo.” Por enquanto. o receptor.. Desse modo.2 Com isso.. discutiremos a aplicabilidade do trabalho com esses textos no ensino médio. analisaremos um grupo de cartas. mas sem fazer distinção com “gênero de discurso”. Para isso. Em relação ao trabalho com as cartas de leitores. persuadi-lo ou influenciá-lo. Por fim. do caderno Opinião. nº 4 – p.) determinada prática social (discurso)..) as expressões géneros de discurso e géneros de texto permitem focalizar aspectos diferentes: usando a primeira formulação. verificando a relação entre temas e propósitos comunicativos nos textos e a forma como o enunciador apresenta e se posiciona em relação ao tema e à tese. o meio. o aluno tem uma oportunidade valiosa no que diz respeito à interpretação... c) A abordagem para o tema argumentação em três livros didáticos adotados no ensino médio. argumentar seria defender um ponto de vista em contraste com outros. p. o lugar.. fala-se de géneros que pertencem a (. que inclui diferentes posicionamentos sobre um mesmo tema e construções argumentativas particulares para defesa de ideias.. Novas 1 palavras. como em COUTINHO (2005.) dispositivos de comunicação que só podem ap arecer quando certas condições sócio-históricas estão presentes” (p. de Amaral e outros. tomam-se em consideração as codificações que se impõem às tarefas de produção e de interpretação textuais. e Português: linguagens. Mas há outros que apresentam uma distinção. mediante apresentação de razões. adotaremos aqui a expressão “gênero de texto”. são variáveis de acordo com a época e o lugar. dados. exemplos etc. Em seguida. a época. considerando que se apresentam como um rico material argumentativo. Revista UNIABEU 20 Belford Roxo – RJ V. Alguns elementos que vão compor esse caráter histórico e social são importantes para situar um gênero: o produtor do texto. e descreveremos como a argumentação é apresentada em três livros didáticos de ensino médio: Português.80): “(. convencer o receptor de algo. 3 Adotamos aqui a definição de Dominique Maingueneau (2004). a função do texto. 2 Alguns autores usam as expressões “gêneros de texto” e “gêneros de discurso” indiferentemente. não têm nada de eterno. A referência completa dos livros analisados aparece no item 3. isto é. iremos situar e definir mais apropriadamente o conceito de argumentação. 61). b) As possibilidades e estratégias para o trabalho com esses textos em sala de aula do ensino médio. Para o autor. Por isso. essa distinção não é fundamental para esta pesquisa. estabelece-se uma relação de pertença. de Maia.1. de Cereja e Magalhães. os gêneros são “(. configurando uma espécie de “retrato” da sociedade em que são construídos. como estratégia produtiva para leitura e produção de textos. sobre o qual apresentaremos brevemente algumas perspectivas teóricas.

com predomínio de um ou outro tipo. o gênero terá uma natureza argumentativa. É o que Marcuschi apresenta como “sequências de base”. em relação a outros possíveis. dados estatísticos e testemunho de autoridade. já que o leitor que escreve tem o intuito de apresentar seu ponto de vista. assim como não há gênero puramente descritivo ou narrativo. em que no gênero de natureza argumentativa há um locutor (quem tem a voz) que está de acordo com um ponto de vista de um enunciador.. ilustrações. Quando se nomeia um certo texto como “narrativo”. mas este esteja servindo a um propósito argumentativo. na classificação do texto. (. Para Ducrot. 2003. mesmo ocupando menos espaço ou tempo. há um privilégio do qualitativo sobre o quantitativo. não existe gênero textual puramente argumentativo. com a Teoria dos Blocos Semânticos. O locutor é aquele que produz as palavras no momento da enunciação e por elas se responsabiliza (às vezes. Nas cartas dos leitores. ou narrativas no mesmo gênero. e será qualitativo quando uma sequência. a Teoria dos Blocos Semânticos. O autor considera que a existência de um ato de argumentação se dá quando o locutor se identifica com um enunciador que argumenta. o predomínio será quantitativo quando ocupar mais espaço ou mais tempo na composição do gênero. como uma contribuição. defendendo-o. atualmente. O que há são sequências argumentativas. apresenta uma nova configuração à Teoria da Argumentação na Língua. Isso quer dizer que. 21 Belford Roxo – RJ V. em contraposição a outros pontos de vista de outros enunciadores. “descritivo” ou “argumentativo”. tiver uma outra a serviço dela. essa evidência seria uma certeza a que se chega pelo raciocínio ou pela apresentação de provas. A coerência e a consistência residem essencialmente na evidência. Nesse sentido. usa-se a primeira pessoa. Segundo Oliveira (2007). não se está nomeando o gênero e sim o predomínio de um tipo de sequência de base (Apud DIONISIO. O destinatário é o alvo desses atos.. Para o autor.Educação e Saúde A base para esse tipo de construção textual é a demonstração por argumentos. Ao enunciador é atribuída a responsabilidade dos pontos de vista presentes no enunciado e incorporados pelo locutor na enunciação. percebe-se – mesmo que haja algum enunciado descritivo ou uma breve narração – um propósito argumentativo. Entretanto. Revista UNIABEU Considerando um aspecto diferenciado na constituição da argumentação. nº 4 – p.) os gêneros são uma espécie de armadura comunicativa geral preenchida por sequências tipológicas de base que podem ser bastante heterogêneas mas relacionadas entre si. uma vez que o enunciado apresenta um certo número de pontos de vista que ele chama de “enunciadores”. Para Garcia (1998).84 jul-dez 2009 . mesmo que um gênero tenha um grande bloco narrativo. mas não sempre). pode-se dizer que. de Marion Carel. 28). 21 . p. exemplos. Isso configura o ato de argumentação. o ser a quem se destinam (p. ou descritivas. também por Marion Carel (1995/1997). seriam cinco tipos básicos de “provas”: fatos. a concepção de sentido está baseada no conceito de polifonia. Toldo (2003) trata da questão buscando o conceito de polifonia. coincidindo com o autor do discurso. Esse predomínio pode ser quantitativo ou qualitativo. de modo geral. 27).4 Ela defende 4 A Teoria da Argumentação na Língua (TAL) foi desenvolvida por Oswald Ducrot e Jean-Claude Anscombre (1983) e.

que seria a identificação do tema dos textos e o modo como este é apresentado. comportamentos que queremos ver desencadeados. de maneira geral. para a análise da argumentação nos gêneros. cinco do dia 13 de julho e cinco do dia 20 de julho de 2008. Consequentemente. o espaço se reporta ao território nacional ou regional. privilegiando-se os dois últimos.84 jul-dez 2009 . 22 . dirigindo-se para outros leitores também do jornal. quinze cartas. pretendemos atuar sobre o(s) outro(s) de determinada maneira. mas não independentes. fins a serem atingidos. Neste primeiro momento. participantes no ato comunicativo. sendo retiradas cinco do jornal O Globo do dia 12 de julho. outra associada à Linguística Textual. que atenta mais para o estudo das marcas linguísticas que configuram a argumentação no texto. Na análise de algumas cartas apresenta a seguir. indicadores modais etc.. obter dele(s) determinadas reações (. procurou-se pontuar elementos como: estatuto dos participantes. com o papel dos 5 Para este trabalho. 2 . nº 4 – p. que é o próprio leitor do jornal. o meio.).. a autora se posiciona: Quando interagimos através da linguagem (. Em outras palavras. O primeiro diz respeito à identificação dos elementos que caracterizam as cartas de leitores do jornal como um gênero específico. Isso é algo que se pretende verificar em estudos futuros. Para isso. isto é. buscamos nos ater à delimitação dos elementos constitutivos do gênero e à identificação de aspectos da macroestrutura dos textos. a escolha das palavras já é argumentação em si. que se preocupa. são apresentadas algumas: operadores argumentativos. Revista UNIABEU 22 Belford Roxo – RJ V. a função e a temática. ainda é possível identificar duas posturas diferenciadas. efeitos que pretendemos causar. não desenvolvemos uma análise do léxico como constituinte da argumentação.. Em Koch (2001).5 De outra perspectiva. o meio (canal) é o jornal impresso.UMA BREVE ANÁLISE DAS CARTAS: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Foram selecionadas. Sob esse aspecto. estudos da Linguística Textual focam a análise de determinadas marcas que vão compor o texto argumentativo. O primeiro aspecto diz respeito aos seguintes pontos: os interlocutores se definem como um autor. Uma relacionada à Análise do Discurso. É por isso que se pode afirmar que o uso da linguagem é essencialmente argumentativo: pretendemos orientar os enunciados que produzimos no sentido de determinadas conclusões (com exclusão de outras). Em relação à temática. com o quadro de espaço e tempo. procuramos dotar nossos enunciados de determinada força argumentativa (p. Quanto à questão da natureza argumentativa da língua.. foi destacado dos textos o enunciado que refletiria o as- Considerando uma perspectiva mais ampla. para esta análise. com as condições de produção do texto. 29). mais com o aspecto sociocultural.).Educação e Saúde que é a relação entre as palavras no enunciado que torna o discurso argumentativo. O segundo se relaciona com uma questão ligada à macroestrutura. a linguagem é uma prática que nunca é neutra. quadro de espaço e tempo. com a finalidade da comunicação. marcadores de pressuposição. com o suporte utilizado e com a organização geral do texto. o tempo se refere ao momento presente (normalmente considerando a semana em que o fato é noticiado). temos sempre objetivos. pois a argumentação é um fenômeno que está inscrito na própria língua. há relações que desejamos estabelecer. o foco se voltou para dois aspectos.

a segunda mostra em quais cartas o tema aparece de forma explícita ou subentendida e em quais o tema corresponde ao fato discutido ou à tese. Revista UNIABEU 23 Belford Roxo – RJ V. acompanhado ou não já de uma espécie de opinião do autor do texto. vir o comentário do leitor apresentando um ponto de vista. na maioria das vezes. na forma de um enunciado claro e objetivo. tema aquilo que representa a ideia central do texto. em outros. para em seguida. esse tema somente se refere à notícia comentada. o tema está explícito no texto.84 jul-dez 2009 . mas em algumas ele fica subentendido. apresentando-se de forma mais subjetiva no texto. ao fato ocorrido ou à fala de outros. 6 Para esclarecer. o tema traduz diretamente a opinião do autor sobre o fato. Percebemos que em algumas vezes esse tema se refere puramente ao fato discutido em si. Em alguns textos. a ideia que quer apresentar ou defender na carta – o que estamos chamando de tese. nº 4 – p.Educação e Saúde sunto tratado na carta.6 Também verificamos que. um ponto de vista acerca dele. no decorrer do texto. consideramos. que se liga diretamente ao assunto. podendo sofrer mudanças em pesquisas e análises futuras. em outras. 23 . A seguir apresentamos duas tabelas: a primeira informa os temas e as funções comunicativas dos textos. nesta análise. à tese defendida pelo autor. Esta é uma abordagem provisória.

Mau estado da sala de periódicos da Criticar as autoridades responsáveis. Mostrar-se contrário ao radicalismo da Lei Seca. pudemos verificar alguns aspectos que podem suscitar uma análise mais profunda. Das quinze cartas. Falta de harmonia entre os três poderes. por senadores.Protestar sobre atuação do Senado. sem critério claro. por senadores. Pedir solução. um ponto de vista. gos. Propor soluções equivalentes para outros problemas. em uma o leitor faz um elogio (à atuação da Polícia Federal). alguns políticos sobre seu patrimônio.Educação e Saúde 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 Tabela 1: Temas e funções das cartas de leitores selecionadas. Prisão e soltura de criminosos investiga. por solução.Protestar contra a atuação do Senado. Caos social e ambiental para o qual o Criticar os governantes. Biblioteca Nacional.Criticar autoridades pelo despreparo dos PMs e por des incompetentes e corruptas. Injustiça de culpar somente os PMs pelas Criticar autoridades pelo despreparo dos PMs. Criticar os goverCidade da Música e destaque para outros nantes. Reclamação de alguns candidatos sobre Concordar com a reclamação. Estado de falência da ordem pública e da Criticar os governantes. Mostrar-se contrário ao radicalismo da Lei Seca. sem concurso e com salários altos. Criticar os três poderes. 24 . dos pela Polícia Federal. em treze o leitor critica. da Procuradoria da República e do sem critério claro. TEMA FUNÇÃO Prisão e soltura de criminosos investiga. Declaração aparentemente enganosa de Criticar a atitude desses políticos. aparentemente sem critério claro. sem concurso e com salários altos. Brasil caminha. Prisão e soltura de criminosos investiga.84 jul-dez 2009 . Com base nessa tabela. Punição aos maus policiais e a autorida. Criação aparentemente suspeita de car. outros problemas sociais. paz social no Brasil. Protragédias ocorridas ultimamente. Radicalismo da Lei Seca no trânsito. questiona algo ou alguém – sendo que em duas essa crítica é atenuada por concessões (no caso da Lei Seca). aparentemente apresentar um posicionamento claro. cancelamento do ato. Sugerir o gos. Judiciário de 1ª Instância. porém sem dos pela Polícia Federal. com concessões. mas tratando especificamente do caso do banqueiro Daniel Dantas. Radicalismo da Lei Seca no trânsito. Propor soluções equivalentes para outros problemas.Criticar a atuação do presidente do STF e elogiar a dos pela Polícia Federal. Exigir solução. nº 4 – p. e em uma o leitor Revista UNIABEU 24 Belford Roxo – RJ V. com concessões.Criticar a atuação do presidente do STF. tipos de gastos. mas ressaltando tamos gastos da prefeitura do Rio com a bém os gastos com o Pan 2007. Pedir solução. aparentemente atuação da PF.Expor um parecer. Exigir solução. Criação aparentemente suspeita de car.

84 jul-dez 2009 .. Tabela 2 – Como o tema é apresentado nas cartas de leitores. a) (1) “É espantoso assistir à prisão e à soltura de criminosos investigados pela Polícia Federal. sem tomar uma posição mais radical contrária ou a favor (no caso da atuação do Judiciário relacionada a Daniel Dantas). mostramos a seguir alguns trechos das cartas em que isso acontece. nº 4 – p. 25 . é revoltante saber que. A seguir. os senhores senadores criam mais 97 cargos.. Isso pode levar a crer que o tom geral adotado nas cartas é de reclamação.)” (7) “Culpar somente os despreparados PMs pelas tragédias ocorridas nos últimos tempos considero uma distorção!” c) Revista UNIABEU 25 Belford Roxo – RJ V.. ponto a ser inves- tigado de forma mais detida em um número maior de cartas. apresentamos a tabela referente à forma como o tema aparece e à correspondência do tema à notícia em si ou à tese propriamente dita. Enunciado do tema Nº Explícito Subentendido Posicionamento do autor no tema Fato Tese 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x Pelo que foi possível verificar nessa análise. sem concurso. na calada da noite. A título de exemplo..Educação e Saúde expõe um parecer. Essa pode ser a motivação básica para o envio de cartas ao jornal. com salário mensal de R$ 10 mil (. em sua maioria (onze cartas). o tema apresenta-se nos textos na forma de um enunciado claro e objetivo.” b) (4) “.

. revoltante. caminhando para o caos..” A seguir. que solta.) são soltos (. nº 4 – p. c) (6) “Como são pobres os candidatos a prefeito do Rio.” Nessa carta. como dissemos antes. por exemplo.” (4) “. refletindo de alguma maneira seu ponto de vista a respeito do assunto.. 26 .” (15) “É lastimável o estado de penúria em que se encontra a sala de periódicos da Biblioteca Nacional.Educação e Saúde d) (12) “Vejo o Brasil a passos lentos. Ou seja. Isso. a como os autores constroem a sustentação do ponto de vista nas cartas. ou seja.” Revista UNIABEU Embora seja possível identificar determinadas marcas de pessoalidade nos enunciados (como. na maior parte dos textos (treze cartas).” Como pode-se ver..)” (10) “Estou entre aqueles que consideram a Lei Seca radical demais.).. o tema se transfigura no formato de tese. na apresentação do tópico tratado na carta já há um engajamento do autor.. a seguir. b) (3) “E o povo espuma de raiva contra o presidente do Supremo. na calada da noite.)” O autor quer se referir nesse caso a prisões pela Polícia Federal e a solturas pelo Judiciário de Daniel Dantas. Contudo. no que se refere à prática das habilidades de 26 Belford Roxo – RJ V.. que a linguagem por si só não é uma atividade neutra. Apresentamos. uma análise deste tipo já pode ser bastante importante para o trabalho com textos argumentativos em sala de aula.)” É o mesmo caso anterior. Como os limites de tempo e espaço para este trabalho são mais restritos e como seria necessário um maior número de cartas para uma análise mais apurada. (1) “É espantoso assistir à prisão e à soltura de criminosos investigados pela Polícia Federal.. sem concurso. define um posicionamento explícito em relação ao tema (Estou entre aqueles.. veio a Lei Seca!” c) (13) “Alguns candidatos a prefeito da cidade do Rio de Janeiro reclamam dos gastos exorbitantes que a atual prefeitura vem fazendo com a Cidade da Música. outros ricaços (. os senhores senadores criam mais 97 cargos.” b) (9) “Devido ao grande número de acidentes e vítimas provocados por pessoas dirigindo bêbadas ou alcoolizadas. juntamente com a estrutura frasal construída. a) (8) “Fala-se muito em punir os maus policiais. esses enunciados se contrapõem visivelmente a um engajamento mais explícito apresentado em outros textos.. por ter uma natureza argumentativa. Além disso.). porém firmes. o léxico reflete essa posição mais claramente engajada (espantoso. de forma irônica. lastimável. penúria). alguns casos em que o tema apenas descreve o fato.. a escolha lexical) e de considerar. apresentamos alguns exemplos em que o tema aparece de forma mais subjetiva: a) (2) “Enquanto muitos réus pobres estão apodrecendo na cadeia (.. das declarações aparentemente enganosas de alguns políticos sobre seu patrimônio. o autor vai tratar. deixamos esse estudo para um momento posterior. como podese constatar a seguir. existe a perspectiva de análise de um amplo e complexo campo no que diz respeito ao estudo da argumentação em si. com salário mensal de R$ 10 mil(. é revoltante saber que. e aplaude o juiz que prende de novo (...84 jul-dez 2009 . reportando-se à voz de um outro enunciador. Ainda.

Um importante corpus desse gênero para leitura na escola está nos jornais e nas revistas: são cartas e e-mails de leitores que opinam sobre tema(s) comum(ns). sua organização e os propósitos do autor. atuando efetivamente em seu mundo.. identificando seus elementos constituintes. seu estado. elementos fundamentais na estruturação desse gênero. Fazer com que os alunos analisem esse tipo de texto propicia que eles tomem conhecimento de uma oportunidade de cidadania e democracia. Uma das formas significativas em que se pode verificar um posicionamento linguístico do cidadão frente ao mundo é no espaço do jornal dedicado à publicação de cartas dos leitores. seu bairro. tendo 27 Belford Roxo – RJ V. Dutra (2007) destaca a importância dessa abordagem: É necessário que os alunos convivam com o texto de opinião escrito.AS CARTAS DE LEITORES EM SALA DE AULA DO ENSINO MÉDIO Estudar e produzir textos argumentativos com base em diferentes gêneros textuais é fundamental para que o estudante tenha condições de entrar em contato com formas diferenciadas de defender um ponto de vista e entender seu mundo de maneira mais reflexiva. a partir de uma perspectiva do conceito do gênero. capaz de opinar. o quadro de espaço e tempo delimitado. 27 . o aluno faria uma leitura orientada dos textos com o professor. de se informar sobre o tema debatido pelos leitores. analisando seu conteúdo e suas estratégias de estruturação. É preciso guiar a leitura do aluno para que ele perceba qual é a questão abordada (fato). a opinião do autor do texto (tese) e sua justificativa (argumentos). onde eles podem se manifestar textualmente sobre e para a sociedade em que vivem. incluindo uma análise sucinta do tratamento dado à argumentação em três livros didáticos adotados no ensino médio. com isso. escritos por diferentes autores. ele se torna capaz de discutir sobre os diversos papéis na sociedade e a construção de si próprio como cidadão. ampliando assim as possibilidades de interpretação textual. Após isso. sobre um mesmo assunto. após o momento de tomar ciência do fato e/ou da ideia discutidos nas cartas dos leitores. argumentar etc. Revista UNIABEU Ler textos de opinião. Apresentaremos isso a seguir. ou seja. a função do texto. nº 4 – p. possibilita ao aluno conhecer diferentes pontos de vista e suas respectivas fundamentações. questionar. que afetam a vida de seu país. Com isso. com destaque para a delimitação social do gênero. participando de discussões sobre os pontos de vista apresentados e sobre as diferenciadas formas de apresentação do mesmo. O objetivo. como cidadão. Assim. o meio de divulgação. Uma atividade prática em sala de aula no ensino médio seria a análise do texto de forma geral. como também de se posicionar diante de sua realidade como indivíduo social. sua função.Educação e Saúde leitura e de produção de texto que visem à construção de uma postura crítica. 3 . a turma poderia enumerar os elementos colaborativos para o sentido dos textos: o papel dos interlocutores na situação comunicativa. geralmente problemas ou acontecimentos ocorridos recentemente. com a possibilidade de atuação direta sobre a realidade pela linguagem. seria o aluno desenvolver a capacidade leitora. sua cidade. É possível sugerir aqui duas atividades básicas para o trabalho com esse material em sala de aula.84 jul-dez 2009 . com atenção à construção de uma criticidade.

3. em uma parte do capítulo 3. Com isso. consciente e crítica. os alunos poderiam ler e discutir as cartas de leitores sobre um assunto específico em comum. devem ser analisados e produzidos em sala de aula. A seguir.84 jul-dez 2009 . Outra atividade que poderia ser desenvolvida dá ênfase à habilidade de produção textual. 2005. Após tomar conhecimento do fato ou da notícia. Após isso.). considerando a questão da adequação vocabular em contextos discursivos diversos. Em seguida. Um exercício possível também seria a substituição de algumas palavras por sinônimos e a discussão sobre os efeitos de sentido gerados. após a leitura de um artigo de jornal. No decorrer dos capítulos do livro. em outros jornais ou na internet. O objetivo com esse exercício seria praticar a produção de texto dissertativo/argumentativo de maneira mais fundamentada. são trabalhados diferentes gêneros textuais. um trabalho não deve substiRevista UNIABEU tuir o outro. para que aluno pudesse formar sua opinião com base em diferentes abordagens. Volume único. menos automatizada conforme modelos de redação tradicionais trabalhados na escola. há uma breve descrição do que foi encontrado em cada uma. não deixando de analisar também a forma como isso é apresentado. As cartas produzidas pela turma poderiam. ser enviadas ao jornal. 28 . a partir da discussão. a tese e os enunciados relativos à fundamentação do ponto de vista do autor do texto. mas nenhum deles diz respeito à carta de leitor. o aluno teria condições de produzir uma carta se posicionando acerca do tema. todas aprovadas pelo MEC. sobre o tema. na qual se define esse tipo de texto e se apresentam suas partes (introdução.) No livro de Maia. No capítulo 12. gêneros e modos de organização textual. assim como a escolha das palavras utilizadas. apresentam-se os tipos de textos. São Paulo: FTD. Como defende Oliveira (2007). em muitos casos esvaziados de sentido. narração e dissertação-argumentação. não se quer dizer que é improdutivo trabalhar puramente com os modos de organização textual (descrição. A fim de verificar. São Paulo: Ática. grifando os trechos que traduziriam o tema. desenvolvimento e conclusão). 2003.1 – A argumentação em três livros didáticos * Português (Autor: Maia. após ter acesso a variadas fontes de informação e variados pontos de vista. Por fim. conjuntamente. Após isso. * Novas palavras (Autores: Amaral e outros. inclusive. há uma parte dedicada especificamente à dissertação. para que o aluno identifique o tipo de texto correspondente. Volume único.Educação e Saúde a linguagem como uma poderosa ferramenta. há uma atividade com trechos de textos diversos (fragmentos de notícias. a forma como é abordado o tema argumentação em livros didáticos do ensino médio. da formação e da organização de ideias e opiniões. narração e dissertação). deveria ser feita uma pesquisa. mesmo que inicialmente. 28 Belford Roxo – RJ V. com um breve resumo do que é cada modalidade textual: descrição. há uma atividade em que se propõe. nº 4 – p. de forma equilibrada e crítica. que se redija um texto dissertativo-argumentativo sobre um determinado tema relacionado ao artigo. Pelo contrário. priorizando antes da escrita a fase de planejamento do texto. de textos de romance e de revista). foram selecionadas três obras para análise.

As cartas argumentativas (cartas de leitores). Após isso.. os autores apresentam a Estrutura do texto dissertativo – com a tríade básica de introdução. No trabalho de Cereja e Magalhães. As atividades concentram-se em identificar exemplos em textos e buscar exemplos para determinadas ideias apresentadas pelos autores do livro. os autores utilizam textos retirados de revistas e jornais (artigos de opinião) em que isso acontece. * Português: linguagens (Cereja e Magalhães. com textos verbais e não verbais. porém contextualizados na análise e na produção de gêneros textuais diversos. foca-se que dissertação é debater um tema. na função de argumentos. em que se focam aspectos relativos à escrita formal e à norma padrão. São Paulo: Atual.). Para isso. apresenta uma carta de leitor direcionada à revista Galileu como parte de uma coletânea de textos que servirá de motivação à produção de um texto dissertativo pelo aluno. desenvolvimento e conclusão. e por fim apresenta-se A linguagem dissertativa. As atividades do capítulo também se centram na análise de textos diversos. histórico etc. na parte Redação e Leitura.84 jul-dez 2009 . Em A importância do exemplo. Assim. No primeiro. 1 O capítulo sobre Argumentação causal demonstra a “técnica” do “raciocínio lógicocausal” – comentando a relação de causas e consequências entre as ideias de um texto. apresenta-se o conceito de dissertação e suas partes constitutivas (introdução. Volume único. comentam-se textos de gêneros diversos de natureza dissertativa. 29 . Além disso. há os seguintes capítulos: O debate regrado público. A entrevista. trata também O O fragmento é extraído de O pensamento vivo de Einstein. com atividades de análise textual em que o aluno deve reconhecer e produzir esses tipos com base em textos diversos retirados de vários livros. com atividades de reescrita de trechos e frases. A argumentação causal. com uma proposta de tema predefinido. Revista UNIABEU 29 Belford Roxo – RJ V. O artigo de opinião. os Jogos lógico-expositivos como forma de expor ideias – definição. expõe atividades em que os alunos têm de identificar as opiniões dos autores dos textos relacionados e de produzir dissertações a partir de temas propostos. no capítulo 8. A crítica. que trata da apresentação de ponto de vista. Os textos da coletânea não são comentados. pedindo que o aluno identifique o tema. Jogos lógicoexpositivos e Linguagem dissertativa. não diferindo muito das propostas dos capítulos anteriores. A delimitação do tema. os pontos de vista e os argumentos de cada texto. O terceiro. desenvolvimento e conclusão). O editorial. 1984.Educação e Saúde Na obra de Amaral e outros autores. A importância do exemplo. Em seguida. desde letras de música até artigos de opinião. Para isso. há uma atividade em que se propõe analisar um fragmento de texto dissertativo de Albert Einstein. São Paulo: Martin Claret. Assumindo um ponto de vista. 2005. nº 4 – p. são apresentados oito capítulos dedicados à dissertação: O mundo dissertativo.1 Na parte final do livro. jornais e revistas. em busca da adequação linguística. comparação. o tema argumentação é desmembrado também em vários capítulos. destaca-se o papel dos exemplos na fundamentação de um ponto de vista. A estrutura do texto dissertativo. O segundo – que trata da questão da importância da delimitação do tema. citação.

em textos em que apresentam a função básica de reclamar ou questionar algo ou alguém. construção de pontos de vista e forma de apresentação).Educação e Saúde texto dissertativo-argumentativo como um gênero específico: o escolar. com práticas de sala de aula. há um afastamento de uma Em nenhum dos livros. Portanto. inclusive no último. que se atém a aspectos e fatores de construção de texto argumentativo com uma abordagem mais teórica. 30 . com a finalidade de buscar melhorias nas redações dos alunos. com vistas à clareza e à adequação. solicitação. foram notadas algumas tendências: na maioria delas. mais prática. que podem ser aprofundados. Ocupando o espaço de opinião. apoiar. da linguagem e da forma de cada um e a produção com base em modelos. a influência sobre o outro. no que se refere a estratégias de análise desse texto argumentativo. o tema aparece de forma explícita. além disso. mostram-se como material adequado para desenvolver as habilidades argumentativas em sala de aula. elogiar.84 jul-dez 2009 . uma abordagem mais teórica. houve uma atenção especial ao gênero cartas de leitores como texto argumentativo. e o terceiro. No que diz respeito à análise das cartas. Dos três livros analisados. a persuasão. Revista UNIABEU 30 Belford Roxo – RJ V. uma abordagem mais discursiva e contextualizada. foram encontradas atividades que se detivessem especialmente sobre o léxico dos textos influenciando o processo argumentativo. buscando também analisar aspectos vistos em outros gêneros. algo que talvez mereça uma atenção especial por conta do papel significativo das escolhas das palavras como fator de argumentatividade no contexto comunicativo. no jornal O Globo. De modo diferente da obra citada anteriormente. criticar etc. análise de conteúdo e linguagem. além dos diferentes propósitos apresentados nas cartas: reclamação. Essas posturas visam apresentar pontos de vista e buscam o convencimento. tanto teoricamente quanto empiricamente. O foco deste trabalho está voltado para o ensino médio porque nesse ciclo os alunos estão mais maduros para o exercício intensificado e aprofundado dessas habilidades. juntamente com artigos e o editorial. elogio etc. 4 – CONSIDERAÇÕES FINAIS Estudar as cartas de leitores de jornal como um gênero argumentativo extremamente produtivo para o trabalho com produção textual na escola suscitou um destaque preliminar de pontos importantes. o primeiro apresentou uma abordagem tradicional. As atividades concentram-se em interpretação de textos variados (conteúdo. evidenciando a análise do conteúdo. Esses pontos são úteis para a delimitação de roteiros de leitura e discussão dos textos em sala de aula. com um enunciado objetivo. Somente no terceiro. produção de textos a partir de outros textos como modelos e análise de linguagem. nº 4 – p. adequação e sentidos. o segundo. como identificação de temas e tipos de argumentos. as cartas expõem determinadas posturas dos leitores: reclamar. e não simplesmente em temas. Com isso. focando norma. a fim de destacar elementos que contribuem para construção do texto argumentativo e conscientizar os alunos acerca dos papéis críticos de leitor e produtor de textos na prática social cotidiana. o livro Português: Linguagens trata a argumentação em alguns gêneros especificamente com uma abordagem mais prática. o tema já é apresentado na maior parte delas com certo engajamento do autor.

que merece uma atenção especial por conta de seu papel significativo na construção da argumentação. nº 4 – p. esses pontos não são apresentados neste trabalho como resolvidos ou definitivos. para se configurar uma conclusão melhor delimitada sobre isso. mas que ainda não é comum. 31 . 2 Temos consciência de que. A análise dos três livros didáticos destacados mostrou que essa perspectiva é possível.Educação e Saúde perspectiva tradicional da redação dissertativa. Pelo contrário.Certamente. conforme abordado em Cereja e Magalhães.84 jul-dez 2009 . a análise se pautou. é necessário analisar um número maior de livros didáticos – algo que será adotado na pesquisa para a tese no Doutorado. em que esses elementos e propósitos práticos são por vezes esvaziados de sentidos. por isso não é possível chegar a conclusões precisas no momento. Pretendemos continuar essa análise em um corpus de maior extensão e em uma bibliografia mais ampla sobre o assunto no decorrer de nossas pesquisas. sobre um número pequeno de cartas e restrito de obras. já que não apareceu nos outros dois livros.2 Um componente que ainda não se faz presente nas propostas de atividades e análises nos livros é a questão lexical. Revista UNIABEU 31 Belford Roxo – RJ V. como já se esclareceu.

173-190.). Rio de Janeiro: Lucerna. OLIVEIRA. G. (1988). p. ______ (2008). 6ª ed. O texto de opinião no ensino fundamental. S.br/ixcnlf/10/13. Gêneros textuais e conceitos afins: teoria. (Org. ______ (2007). São Paulo: Cortez. Rio de Janeiro: Rocco. Para uma linguística dos géneros do texto. Cotia: Ateliê Editorial. R.filologia. (2006). Braga: n. I. A. Gêneros textuais e ensino. 11ª ed. nº 4 – p.htm. 3ª ed. Comunicação em prosa moderna. (2005). P.Ω Revista UNIABEU 32 Belford Roxo – RJ V. RS: UPF. Frankfurt: TFM. A.org. 2ª ed. São Paulo: Contexto. et al (Eds. V. de (2000). Categorias do modo argumentativo de organização do discurso e relatores. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas. M. A arte de argumentar. KOCH. Disponível em: http://www. Estudos de linguística textual do português. Argumentação e linguagem. DIONISIO. L. H. V. M. (2004) Análise de textos de comunicação. São Paulo: Cortez. O. A inter-ação pela linguagem. et al (2003). D. (2003) Questões de linguística.). DUTRA. (2000). Passo Fundo. In GÄRTNER. COUTINHO. TOLDO. E. Língua portuguesa e identidade: marcas culturais. (2001).19 (1).Educação e Saúde bReferências Bibliográficasb ABREU. 17ª ed. In: VALENTE. A. S. (2007). 73-88. Educação pelo argumento. BERNARDO. GARCIA. C. Rio de Janeiro: Caetés.84 jul-dez 2009 . p. MAINGUENEAU. 32 . A. 11ª ed. Diacrítica. F.

We have adopted as methodology the bibliographical research. recorremos a Kirkpatrick (1998). Justiça Federal de 1ª Instância – Seção Judiciária do Rio de Janeiro. consideramos os estudos de Carlini e Ramos (2009). partimos de Marshall Junior (2008) e Ricardo (2009). para sugerirmos procedimentos e instrumentais capazes de operacionalizarem a metodologia em situações de educação online corporativa. and. A partir desse estudo. onde os textos disponíveis foram levantados. pretende-se contribuir para o estabelecimento de procedimentos sistematizados adequados à realização deste tipo de avaliação para situações específicas de cursos online. As discussões e estudos conduzidos fornecem as principais diretrizes metodológicas e sistematizações para a avaliação somativa do curso. Wanderley Lemgruber Pós-graduando em Educação a Distância pela Universidade Castelo Branco / Exército Brasileiro e Chefe de Equipe de Educação a Distância da Justiça Federal do Rio de Janeiro. Moore and Kearsley (2007) and the Ministry of Education (2007). we have resorted Kirkpatrick (1998). Palavras-chave: Avaliação do curso. as the “Strategic Planning” and “PDCA cycle”. Adotamos como metodologia a pesquisa bibliográfica. In order to know how the evaluation of virtual courses can be systematized to ensure the more effective results. to identify as a system of evaluation can be based in conceptual of administration. como “Planejamento Estratégico” e “Ciclo PDCA”.84 jul-dez 2009 . we have thought over Carlini and Ramos studies (2009). capazes de conferirem os resultados mais consistentes aos programas em Educação a Distância. we started from Marshall Junior (2008) and Ricardo (2009). where the available texts have been raised. para reconhecer as melhores diretrizes capazes de estabelecerem uma metodologia. Moore e Kearsley (2007) e Ministério da Educação (2007). nº 4 – p.Educação e Saúde A SISTEMÁTICA DA AVALIAÇÃO DO CURSO NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA (EaD). for recognizing the best guidelines able to establish a methodology. SOUZA. selecionados e analisados. RESUMO . selected and analyzed. Com o objetivo de saber como a avaliação dos cursos virtuais pode ser sistematizada para garantir os resultados mais efetivos.The evaluation process of institutional performance and the courses promoted by organizations acting in Distance Education makes perfect the own system of management and even the adopted pedagogic systems. to suggest procedures and instruments able performing methodology in situations of corporate education on-line. The discussions and conducted studies provide the main methodological guidelines for systematic and conclusive evalu- Revista UNIABEU 33 Belford Roxo – RJ V. ABSTRACT . e. Educação a Distância. Gestão em Educação. para identificarmos como um sistema de avaliação pode ser fundamentado em conceituais da administração. 33 .O processo de avaliação do desempenho institucional e dos cursos promovidos por organizações que atuam em Educação a Distância possibilita aperfeiçoar o próprio sistema de gestão e até mesmo os sistemas pedagógicos adotados.

Educação e Saúde ation of the course. A avaliação de processos representa uma etapa envolvida na administração de um modo geral e. Distance Education. Management in Education. INTRODUÇÃO U ma iniciativa fundamental à gestão das organizações que atuam em Educação a Distância (EaD) refere-se ao procedimento de avaliação adotado para verificar seu desempenho. e foi fundamentada em estudos conduzidos por Martins (2007). apresenta uma síntese para as atitudes e etapas gerenciais. Assim. Por esta razão. A tabela 1. convém apresentar alguns esclarecimentos sobre conceitos básicos relacionados à gestão que serão importantes à compreensão deste capítulo introdutório. Key-words: Evaluation of the course. nº 4 – p. From this study.84 jul-dez 2009 . Em linhas gerais. na gestão de qualquer processo e são inerentes a qualquer forma de administração. a seguir. a definição e execução das estratégias para atingi-las (O que fazer para atingir as metas? Como fazer?). able to give most consistent results to the programs in Distance Education. Inicialmente. o estabelecimento de metas a serem alcançadas (Quem queremos ser? Onde queremos chegar?). como etapas e atitudes. planejar. o problema que adotamos para esse estudo é o de saber como a avaliação dos cursos virtuais pode ser sistematizada pelas organizações que atuam em EaD. 34 . é importante esclarecer que a gestão de qualquer empreendimento. Revista UNIABEU 34 Belford Roxo – RJ V. there is the intention to contribute to the establishment of systematized appropriate procedures for performing this kind of evaluation for specific situations of courses online. nosso tema de estudo insere-se no contexto amplo da gestão. executar e avaliar sempre estarão presentes. É pela avaliação institucional que se faz possível aperfeiçoar o próprio sistema de gestão e até mesmo os sistemas pedagógicos adotados. sempre envolverá a análise do contexto no qual ele está inserido (Quem somos? Onde estamos?). por isso. segundo Martins (2007). de forma a garantir os resultados mais efetivos ao aperfeiçoamento dos cursos promovidos e da própria instituição. e a avaliação dos resultados obtidos (Estamos fazendo o que foi definido? Estamos indo em direção às metas traçadas? Somos quem queríamos ser? Chegamos onde queríamos chegar?).

A metodologia adotada em nossas investigações é a da pesquisa bibliográfica. PLANEJAMENTO ETAPA EXECUÇÃO AVALIAÇÃO Avalia se a execução está seguindo o planejado e se alcançará as metas. precisamos ainda justificar a razão do nosso interesse recair especificamente sobre a importância da sistemática da avaliação do curso virtual para a gestão em EaD. Planeja como adequar à realidade as estratégias estabelecidas. Neste momento. tratando-se justamente do momento que o gestor pode comprovar se os objetivos traçados foram atingidos. qual a forma mais eficaz à realidade. nº 4 – p. Avalia os resultados dentro do contexto da gestão e Executa os procedimentos fornece informações releavaliativos. ATITUDE PLANEJAR Analisa o contexto Estabelece metas Define estratégias. Entretanto. Este fato permite visualizar a relevância da realização de estudos sobre a dimensão gerencial envolvida em EaD. informações e conhecimentos capazes de aumentarem continuamente a efetividade dos treinamentos virtuais promovidos e conferirem as performances mais eficientes e os resultados mais consistentes às organizações que atuam em EaD. selecionada e analisada a partir da nossa principal Revista UNIABEU 35 Belford Roxo – RJ V. é importante notarmos que a forma como a avaliação é sistematizada influencia na qualidade das informações obtidas. 35 . vantes para medidas corretivas.Educação e Saúde TABELA 1 – Atitudes e etapas envolvidas no processo de gestão. por isso. EXECUTAR Executa técnicas e procedimentos de operacionalização do planejamento em diretrizes. identificando oportunidades de melhorias para as futuras edições e ciclos do referido curso. Executa as estratégias definidas.84 jul-dez 2009 . precisa estar fundamentada em dados. Planeja como realizar a avaliação. Ao considerarmos que a atividade de administração (de um modo geral e de treinamentos virtuais em particular). A avaliação do curso constitui um momento crucial à administração em EaD. é importante esclarecer que a Educação a Distância (EaD) é uma atividade específica que se vale de princípios administrativos para fundamentarem sua atuação e. referenciais e planos. para ser caracterizada como uma intervenção científica. AVALIAR Avalia dados e informações para diagnosticar e fundamentar o planejamento. informações e conhecimentos confiáveis e significativos. A realização de estudos e análises. envolvendo teorias e práticas sobre a implantação sistematizada da avaliação de cursos virtuais. Além disso. A bibliografia disponível foi levantada. planejar. permite discutir e compreender a dinâmica da avaliação e seu papel na gestão em EaD. Nosso estudo se insere neste contexto e tem como objetivo geral. desenvolver e avaliar também constituem etapas e atitudes inerentes à gestão educacional. investigar como a etapa de avaliação pode ser sistematizada na gestão em Educação Online de forma que se torne uma estratégia efetiva para obtenção de dados. perceberemos que a avaliação torna-se uma estratégia gerencial fundamental.

com isso. Planejamento Estratégico é um tipo de planejamento feito no nível estratégico de uma organização. necessariamente. a Ricardo (2009) e Moore e Kearsley (2007) para relacioná-los aos aspectos envolvidos na gestão em EaD. identificando as melhores estratégias para sistematizar avaliações eficazes. estabelecimento de metas a serem atingidas e definição de ações para alcançá-las. Planejamento estratégico. para classificarmos os diferentes tipos de avaliação do curso. envolve a alta gerência e considera o longo prazo para fazer análises abrangentes e estabelecer macroobjetivos. nº 4 – p. Na visão de Martins (2007). Cabe esclarecer aqui os conceitos de missão e visão em EaD. objetivamos identificar como a avaliação de cursos online no contexto gerencial da educação a distância pode ser fundamentada a partir dos conceitos da administração como “Planejamento Estratégico” e “Ciclo PDCA”. 2.1. Ou seja. Missão representa o estabelecimento de uma diretriz de longo prazo. sugerir procedimentos operacionais adequados à realização da avaliação de cursos virtuais em situações específicas de educação online promovida no ambiente corporativo. em Moore e Kearsley (2007) e em estudos do Ministério da Educação (2007). o papel da avaliação do curso para a gestão em EaD. Objetivamos. nosso estudo busca compreender. 2. No capítulo 2.84 jul-dez 2009 . A etapa de planejamento inicia o processo de gestão de qualquer atividade e representa o momento onde os atributos relacionados ao que vai ser gerenciado são alinhados e direcionados a uma finalidade. Orientamos as discussões sobre estes conceitos gerenciais principalmente por Marshall Junior (2008) e recorremos. As discussões envolvidas no capítulo 3 buscam identificar as principais diretrizes metodológicas e sistematizações para a avaliação do curso capazes de conferirem as performances mais eficientes e os resultados mais consistentes aos programas em EaD. basicamente.Educação e Saúde questão de estudo. No capítulo 4 recorremos a Kirkpatrick (1998) para apresentar uma metodologia de mensuração e avaliação de treinamentos capaz de funcionar também para treinamentos online. planejar é uma atividade que. demarcando claramente o lugar que a instituição ocupa na sociedade em relação à Educação a Distância. capazes de promover o alinhamento da organização como um todo em uma estratégia única. As principais considerações e conclusões obtidas sobre a relevância e melhores diretrizes. para abordarmos a questão da sistematização da avaliação como ferramenta para a gestão em EaD. Em EaD o processo de gestão não foge a essa regra e também é iniciado com o planejamento. ou seja. projeto educacional e avaliação. metodologias e instrumentais utiliRevista UNIABEU zados para sistematizar a realização da avaliação do curso no contexto da gestão em Educação Online estão reunidas e apresentadas no capítulo 5. 36 . Este local (e respectiva função social desempenhada) fornecerá um ponto seguro de referência aos respon- 36 Belford Roxo – RJ V. como a “missão” e a “visão” da instituição. Gestão em EaD: a importância do monitoramento e da avaliação. a partir de uma pesquisa bibliográfica. envolve análise do ambiente onde o processo transcorrerá. Fundamentamos nossas discussões principalmente em Carlini e Ramos (2009).

quem são as pessoas que a constituem. como é sua estrutura. a elaboração de um projeto educacional é o primeiro passo do planejamento em EaD corporativa. permitindo que interfiram na operacionalização das ações educa- Revista UNIABEU 37 Belford Roxo – RJ V. das empresas e da sociedade e das opções tecnológicas que surgem e trazem maior eficiência. nº 4 – p. como funciona sua dinâmica e qual é sua realidade e seu contexto. 2008). e de garantir a qualidade da educação efetivamente oferecida. O projeto estratégico/educacional elaborado deverá necessariamente estabelecer as diretrizes da organização. 2008). respectivas filosofias e estratégias (administrativas/educacionais) que serão adotadas. definindo estratégias e alinhando o todo em uma direção única. Conforme determinado pelo Ministério da Educação (2007). podemos afirmar que o projeto educacional representa para a Educação a Distância corporativa o mesmo que o projeto político-pedagógico representa para a Educação a Distância universitária. Gerenciar estrategicamente a função treinamento em uma organização é possibilitar que a educação seja definida e compreendida pela organização e por todas as pessoas que a integram. os princípios e diretrizes que fundamentarão o processo de ensino e aprendizagem (políticas. a partir disso. Este documento será fundamental ao planejamento e precisará detalhar os pontos fortes e fracos da organização e o vínculo estabelecido entre a ação educacional a ser promovida e a política. conclu- iremos que são procedimentos correlatos. objetivos e metas). de comunicação e de avaliação (estratégias). De certa forma. objetivos e metas organizacionais. escolher as estratégias que viabilizem alcance das metas traçadas. a organização (e seus gestores) poderá refletir e encontrar sua identidade. Uma das principais responsabilidades dos dirigentes de uma instituição é o planejamento estratégico relativo à Educação a Distância. Este local futuro que a instituição pretende chegar. identificando seus talentos (pontos fortes) e deficiências (pontos fracos). Durante a elaboração do projeto educacional. avaliar as tendências que se alteram na demanda dos alunos. Já a visão representa a definição do local que a instituição ocupará na sociedade em um tempo futuro determinado. Se compararmos as propriedades que o projeto educacional tem para o desenvolvimento da função treinamento em uma organização com as funcionalidades que o planejamento estratégico tem para a gestão de qualquer processo organizacional. tecnologias que precisarão ser incorporadas e as práticas cotidianas. que significa definir uma visão. uma missão. 2010). fornecerá o segundo ponto de apoio à tomada de decisão fundamental ao planejamento estratégico em EaD (MOORE E KEARSLEY. do ponto de vista institucional. evidenciando que tipo de instituição é. Tal gestão é apontada como capaz de fortalecer a escola. metas e objetivos para a instituição em relação à EaD. com qualidade e com os recursos disponíveis.84 jul-dez 2009 . estabelecendo como se desenvolverão os processos de produção do material didático. (PAES DE CARVALHO. 37 . estabelecendo objetivos. Conforme Ricardo (2009). em seus contextos interno (identidade) e externos (ambiente).Educação e Saúde sáveis por tomar decisões. de tutoria. Os dois promovem a análise da organização. e projetar as necessidades futuras de recursos para adotar as medidas necessária a concretizá-las (MOORE E KEARSLEY. o projeto políticopedagógico deve expor a opção epistemológica de educação da instituição (identidade) e definir. É importante ressaltar que o gerenciamento estratégico dos sistemas educacionais vem sendo estimulado e intensificado bastante nos últimos anos.

confere materialidade à gestão. correlatamente à Ciência que. afirma que o sucesso das organizações torna-se cada vez mais dependente de uma administração por indicadores e medidas de desempenho.Educação e Saúde cionais e no alcance dos respectivos objetivos estabelecidos. podemos afirmar que a avaliação só poderá acontecer se houver a definição dos elementos fundamentais ao planejamento e. em sua função estratégica. (CAMARGO. não é todo indicador que se revela essencial à gerência. O projeto educacional. 2000). podemos concluir que o projeto educacional é extremamente relevante para a avaliação e para a gestão como um todo. 2000). ao padronizar os processos organizacionais. 2000). A padronização e uniformização de procedimentos são práticas adotadas tanto no campo científico quanto no da gestão. A padronização concretiza a possibilidade do gestor analisar criticamente os procedimentos e métodos adotados pela organização. otimizarem resultados e garantirem maior consistência ao processo de gestão.2. informações e conhecimentos confiáveis e significativos. Entretanto. funcionará como o articulador capaz de dar sentido único ao sistema e conduzir ao alcance dos macroobjetivos organizacionais. No planejamento ocorre a definição do estado atual. identificando oportunidades concretas de implementar melhoria nos processos rumo à excelência (MARSHALL JUNIOR. mais. precisa estar fundamentada em dados. inclusive. Dessa forma. Cabe mencionar que o planejamento e o projeto educacional constituirão os principais fundamentos para a realização da avaliação. Padronização de processos. 1) Seletividade ou importância: os indicadores devem informar sobre uma característica relevante do produto. indicadores e avaliação.84 jul-dez 2009 2) 38 . A gestão de qualquer organização. Assim. para ser efetiva. para quem os indicadores da qualidade e desempenho são indispensáveis e fundamentais a qualquer gestão que se faz por fatos. Simplicidade e clareza: os indicadores devem ter a capacidade de serem compreendidos e aplicados facilmente em qualquer nível da organização. (CAMARGO. nº 4 – p. De uma maneira geral. os indicadores adotados na gestão somente serão relevantes se confeccionados e escolhidos a partir dos seguintes critérios e parâmetros. a projeção do estado desejável futuro e a definição das estratégias que conduzirão de um estado ao outro. 38 . processo. A administração. Ideia reforçada por Takashina (1999). objetiva verificar a veraciRevista UNIABEU dade dos fatos e garantir maior confiabilidade aos resultados (MARCONI e LAKATOS. serviço ou processo. 2. qualquer gestão é direcionada a partir de dois princípios fundamentais: padronização e melhoria dos processos. atividade e tarefa. 2008). Belford Roxo – RJ V. Uma realidade organizacional padronizada possibilita a adoção de indicadores para sistematizarem e racionalizarem comportamentos. via método científico. cabe mencionar a ressalva de Camargo (2000) ao afirmar que. que a qualidade da avaliação depende diretamente da qualidade do planejamento. Para ele. Sveiby (1998). embora a gestão deva ser baseada em indicadores.

2000). 2000). (CAMARGO. Comparabilidade: os indicadores devem possibilitar a comparação com referenciais apropriados. Os estudos aqui conduzidos. Rastreabilidade e acessibilidade: os indicadores devem permitir o registro. 5) 6) 7) Revista UNIABEU 39 Belford Roxo – RJ V. pois a gestão e seus mecanismos devem ser postos a serviço da educação e não o contrário. manutenção e disponibilidade de todos os dados associados. Devem ser priorizados indicadores que representem situações ou contextos globais e não aqueles específicos para situações particulares ou extraordinárias. mas possibilitar encontrar mecanismos gerenciais adaptáveis à realidade da educação.Educação e Saúde 3) Abrangência: os indicadores devem ter a máxima representatividade possível. preservando a memória do cálculo e viabilizando consultas posteriores. (CAMARGO. Estabilidade e rapidez de disponibilidade: os indicadores devem ser estáveis no tempo e no espaço. otimizar resultados e garantir maior consistência ao processo de gestão. acreditamos que servem adequadamente como referenciais de construção de instrumentais para avaliação que sirvam à gestão em EaD. 2000). mantendo-se ao longo do tempo e para diferentes condições. portanto. As categorias descritas por Camargo (2000) funcionam perfeitamente a qualquer situação que busque adotar indicadores para avaliação de desempenho. Apesar de ser uma situação específica. como qualquer área humana. 2000). comparáveis com outros referenciais. Afinal. Baixo custo de obtenção: os indicadores não podem onerar a organização. abrangentes. qualquer instrumento sempre será um meio para se obter algo e não um fim em si mesmo. 4) Embora os parâmetros apresentados relacionem-se a indicadores para avaliação do desempenho institucional. 2000). (CAMARGO. a média do ramo e o referencial de excelência) ou da própria realidade em outros anos/condições. que pode ser o desempenho em outra realidade (o melhor concorrente. 39 . é importante não restringir o fenômeno “educação” apenas aos seus aspectos padronizáveis. rapidamente disponíveis e de baixo custo de obtenção. e incorporados às atividades inerentes ao negócio da organização. Ao mesmo tempo. nº 4 – p. viabilizando sua disponibilidade rápida e fácil. (CAMARGO. não pretendem adequar a educação à filosofia produtiva. este aspecto não deve servir como obstáculo para justificar a não adoção de indicadores ou a não proposição de mecanismos de uniformização para procedimentos gerenciais da educação. Ressalto que a educação. simples e claros. Assim. devem ser gerados por procedimentos de baixo custo e utilizar unidades simples de fácil compreensão. envolve aspectos subjetivos que dificultam o processo de padronização. facilmente rastreáveis e acessíveis. fundamentando a obtenção de informações e conhecimentos generalizáveis. a avaliação de um curso também visa a sistematizar e racionalizar procedimentos. Entretanto.84 jul-dez 2009 . podemos concluir que os indicadores adotados para avaliar cursos em EaD também precisam ser seletivos e relevantes. (CAMARGO. estáveis.

Conforme Marshall Junior (2008). 40 . as metas desejadas são avaliadas em relação aos resultados alcançados e também aos previstos para o final do processo.84 jul-dez 2009 2) 3) 4) 40 . procedimentos e padrões para alcançá-los. (MARSHALL JUNIOR. praticadas de forma cíclica e ininterrupta. 2008). independentemente da natuRevista UNIABEU reza do negócio ao qual está relacionado.3. de uma organização não é o bastante. mas também consolida a padronização de práticas organizacionais (MARSHALL JUNIOR. Do (Execução): Ocorre a implementação do que foi planejado. caso as metas não tenham sido alcançadas. por isso. um método gerencial dividido em quatro fases que. Vamos nos interessar particularmente pelo Ciclo PDCA não só por ser um método capaz de operacionalizar o princípio da melhoria dos processos. produtos etc. mas também por estruturar o ciclo em etapas relacionáveis ao processo tradicional de gestão em educação: planejamento (Plan). Se a padronização dos processos organizacionais representa a materialidade necessária à atuação gerencial. métodos.Educação e Saúde 2. A melhoria dos processos organizacionais representa a força motriz e a própria justificativa para a administração. (MARSHALL JUNIOR. que pode ser correlacionado ao projeto educacional e ao projeto político-pedagógico em educação. Ciclo PDCA e avaliação. fornecedores. nº 4 – p. o Ciclo PDCA estrutura-se em quatro fases: 1) Plan (Planejamento): São estabelecidos objetivos e metas (normalmente desdobrados a partir do planejamento estratégico) para que sejam desenvolvidos métodos. Essa comparação deve basear-se em fatos e dados objetivos e não na subjetividade. verificação (Check) e ação corretiva (Act). 2008). O Ciclo PDCA é um método que pode ser utilizado para gerenciar processos. busca-se identificar as causas fundamentais e Belford Roxo – RJ V. execução (Do). executase o plano de ação. 2008). Da mesma forma que os indicadores representam uma excelente possibilidade para operacionalizar a padronização da gestão. acionistas. é usual utilizar instrumentos (baseados em indicadores) para monitorar e fundamentar a avaliação. Aqui o detalhamento deve ser tal que produza os procedimentos e orientações técnicas necessárias à execução rumo às metas. 2008). Act (Ação corretiva): A partir da avaliação feita. a busca pela melhoria dos processos organizacionais caracteriza a própria dinâmica da gestão. A confecção e escolha de indicadores é muito relevante nesta fase. Padronizar os processos. 2008). (MARSHALL JUNIOR. treina-se os colaboradores e coleta-se dados para avaliação. é preciso melhorá-los continuamente para que alcancem a satisfação e a superação das expectativas de todas as partes envolvidas: clientes. a filosofia do melhoramento contínuo dos processos encontra uma ótima representação prática no Ciclo PDCA. Como resultado desta fase tem-se um plano de ação. sociedade e colaboradores (MARSHALL JUNIOR. Check (Verificação): O planejado é confrontado com o executado. promove não só a melhoria contínua e sistemática na organização. Melhoria contínua de processos. desde seu nível macro (organização) até seu nível micro (tarefa).

Filatro (2005). a fim de facilitar a aprendizagem humana a partir dos princípios de aprendizagem e instrução conhecidos (FILATRO. o ciclo PDCA é denominado como processo em espiral (PACHECO et al. Assim. identifica-se as causas para serem evitadas. executar. no novo ciclo poderão ser corrigidos os erros cometidos no anterior. no caso de qualquer problema. compreendido como: (..84 jul-dez 2009 . as atitudes de planejar. defende que o desenho instrucional de um curso online seja aberto. contextualizado. Caso as metas tenham sido bem sucedidas. fundamentando a tomada de decisão e a atuação. 64 e 65). O monitoramento acontece junto com a execução para que o gestor identifique e corrija imediatamente os problemas e. melhorando a performance do processo e propiciando a sua melhoria contínua. e em caso de insucesso. constitui um mecanismo fundamental para que a gestão possa acon- Revista UNIABEU 41 Belford Roxo – RJ V.. A consideração de cursos e programas de treinamentos EaD segundo os princípios de padronização e melhoria contínua dos seus processos permite constatar que a avaliação do curso. O planejamento é o momento da gestão onde são estabelecidos os objetivos a serem alcançados.Educação e Saúde prevenir a repetição dos efeitos indesejados. nº 4 – p. A etapa de avaliação possibilita a realização de julgamentos e obtenção de informações fundamentais à correção e ao planejamento do novo ciclo a ser iniciado. na verdade são sobrepostas durante todo o processo para viabilizar o êxito pretendido. cíclico e ascendente. não-linear e com suas fases articuladas e não isoladas.) a ação intencional e sistemática de ensino. p. materiais. O modelo proposto no Ciclo PDCA é uma eficiente ferramenta de gestão e capaz de ser generalizada para processos relacionados à administração em EaD. como recomendado para a utilização do Ciclo PDCA. os procedimentos que serão adotados para alcançá-los e os resultados que permitirão concluir se houve êxito ou não à empreitada. o desenvolvimento e a utilização de métodos. que envolve o planejamento. 2007. revendo e adequando melhor um objetivo à realidade encontrada. 2008). um erro de planejamento poderá ser reparado durante o desenvolvimento de um curso. Juntamente com elas também é adotado um conjunto de medidas com o objetivo de monitorar se a execução vai na direção certa. Da mesma forma.. As práticas relacionadas à etapa de desenvolvimento são aquelas que garantem a execução do que foi planejado. 2010). embora apresentadas como consecutivas no modelo. atividades. A avaliação permite reconhecer os fatores de sucesso e as oportunidades de melhorias e fundamenta a ação. monitorar e avaliar. Por evidenciar um movimento de superação. conforme apresentado por Araújo (2008). busca-se desenvolver um padrão para o ciclo seguinte. 41 . eventos e produtos educacionais em situações didáticas específicas. assim. técnicas. tanto como atitude quanto como etapa. É importante ter em mente que o objetivo de qualquer gestão é obter sucesso no alcance dos objetivos traçados na etapa de planejamento e. (MARSHALL JUNIOR. Conforme podemos verificar ao compará-lo com o modelo que Filatro (2007) estabelece para o “Design Instrucional” em EaD.

Os futuros alunos. 2009. a avaliação sempre deverá ter como objetivo fundamentar a tomada de decisão e a elaboração de estratégias para obtenção da excelência. Ela é realizada ao final do curso e tem como objetivo avaliar o curso desenvolvido e identificar oportunidades de melhorias para as futuras edições. 161) Já a avaliação formativa é aquela que mais se assemelha à etapa “check/monitoramento” do Ciclo PDCA. Classificação da avaliação do curso. 3. os docentes e os discentes. as informações obtidas na avaliação somativa são utilizadas na avaliação diagnóstica das tur- 42 Belford Roxo – RJ V. Conforme Carlini e Ramos (2009). p. será responsável pelo sucesso de uma tarefa. pois tem como objetivo reunir dados e informações relevantes durante o desenvolvimento do curso. A avaliação somativa é a mais comumente empregada e conhecida.1.Educação e Saúde tecer e ser bem sucedida. “podendo ser ou não combinada com a avaliação formativa” (CARLINI e RAMOS. capazes de indicarem a ocorrência de problemas em tempo hábil para que sejam adotadas as respectivas medidas corretivas. A avaliação caracteriza um momento que fundamentará a tomada de decisão que. pode ser classificada em diagnóstica (realizada antes do curso). Ela deve ser feita em momentos intermediários relevantes como finais de módulos ou unidades didáticas (CARLINI e RAMOS. formativa (durante o desenvolvimento do curso) e somativa (ao final do curso). 2009.162). a avaliação. mas. como ferramenta para gestão em Educação a Distância. nº 4 – p. indiretamente. Os gestores buscam informações fundamentais ao planejamento e desenvolvimento do curso. uma atividade. Tanto a instituição de ensino e a equipe docente quanto os futuros alunos realizam uma avaliação diagnóstica. p. A avaliação diagnóstica busca reunir informações relevantes antes do desenvolvimento e realização de um curso a distância e é realizada por todos os envolvidos: os gestores. A avaliação sistematizada do curso em EaD. valendo-se inclusive de avaliações existentes para outras edições do curso ou de cursos correlatos. entre outros aspectos. 2009).84 jul-dez 2009 . por sua vez. Frequentemente. investigam a seriedade e a competência da instituição de ensino e a adequação da proposta às suas condições educacionais e financeiras. Os primeiros o fazem quando executam o levantamento de dados sobre a viabilidade. em última análise. no decorrer do processo de planejamento e de criação da proposta do curso. Ela se vale dos comentários. independentemente do nome (e do momento de realização). Este tipo de avaliação tem como objetivo verificar a adequação do curso às expectativas dos alunos e. um processo e até mesmo de uma organização. (CARLINI e RAMOS. as condições de realização. 42 . conferindo o sucesso dos objetivos traçados para a gestão e para a aprendizagem. 3. o público-alvo e suas características. o êxito do planejamento gerencial e pedagógico do curso. os recurRevista UNIABEU sos materiais e humanos necessários. sugestões e críticas que os alunos se disponham a fazer no decorrer do curso.

Cada tipo de avaliação tem seu papel e relevância. A gestão exerce suas funções primordiais de padronizar e melhorar processos através da avaliação. é importante salientar que não é qualquer avaliação que serve a este propósito. a avaliação formativa é aquela capaz de produzir as informações mais adequadas ao monitoramento da execução. Moore e Kearsley (2007) aprofundam esta ideia ao afirmarem que não basta adotar uma sistemática de avaliação em EaD. 2009). 43 . Para eles. e o fundamental é que os programas de EaD adotem uma sistemática que envolva todas as formas. A avaliação somativa é feita quando é possível aos envolvidos emitirem julgamentos definitivos. Se considerarmos o Ciclo PDCA. Embora a avaliação permita que o gestor exerça conscientemente o poder de dirigir. quando empregado isoladamente. 3. ou seja. A avaliação somativa é uma boa estratégia para levantar informações para a realização da avaliação diagnóstica de futuras turmas do mesmo curso ou de cursos correlatos. 2009). Representa um registro pontual que. os dados necessários sobre o desempenho dos diversos Revista UNIABEU 43 Belford Roxo – RJ V. nº 4 – p.84 jul-dez 2009 . Afirmação que encontra apoio em Heimann (2010) quando diz que monitorar constitui uma atividade fundamental à gestão.Educação e Saúde mas subsequentes. Para Carlini e Ramos (2009). configurando uma estratégia avaliativa capaz de cumprir os três requisitos/tipos/momentos avaliativos apresentados. para o início de um novo ciclo. não revela ser um instrumento de monitoramento eficaz por desconsiderar as sutilezas do processo que aconteceram ao longo do curso (CARLINI e RAMOS. diz com relativa segurança se os objetivos finais serão alcançados e adota as medidas necessárias para confirmar ou corrigir a ação. Conforme o próprio Heimann (2010) ressalta. quando o curso estiver finalizando ou finalizado. frequente e rotineiramente. Por outro lado.2. ou seja. um monitoramento eficaz requer produção sistemática de informações relevantes e em um ritmo adequado à tomada de decisões. auxiliando no processo de planejamento do novo ciclo do curso. um sistema de monitoramento e avaliação em EaD eficaz só é alcançado a partir de uma rede de indicadores que gere. sendo este tipo de avaliação o que melhor possibilita ao gestor identificar problemas e corrigi-los a tempo de garantir o sucesso da ação. Nesta avaliação é possível identificar o nível de satisfação dos participantes em relação à experiência pedagógica em fase de conclusão ou já concluída (CARLINI e RAMOS. Por intermédio da avaliação o gestor acompanha e avalia os resultados obtidos. não havendo compromisso da equipe docente comentar as respostas obtidas. preenchidos pelos alunos. a sistemática da avaliação de um curso a distância deve ser feita em processo e orientada por instrumentos capazes de identificarem qualquer alteração e fundamentarem a adoção dos procedimentos que garantam a reorientação rumo ao que foi planejado. É um tipo de avaliação baseada em formulários. Sistema de monitoramento e avaliação. percebemos que a avaliação somativa permite produzir dados que servirão como input para a fase de planejamento.

3. ambiente virtual. deve ser possível determinar precisamente que tipo de ajuda é necessária para uma determinada pessoa. a revisão e a manutenção do curso. a avaliação em EaD assume especial relevância por possibilitar aferir a eficácia do curso. (MOORE e KEARSLEY. permitindo identificar e caracterizar imediatamente qualquer alteração para adoção das medidas de reorientação necessárias. Um bom sistema de monitoramento também informa os administradores a respeito dos problemas que afetam os instrutores e os alunos.84 jul-dez 2009 . discentes. Com o tipo adequado de dados de avaliação. 2007. (MOORE e KEARSLEY. rever a caracteriRevista UNIABEU 44 Belford Roxo – RJ V. 2007). (MOORE e KEARSLEY. de forma que possibilitem o monitorar tempestivamente à ocorrência de eventuais problemas. Esse aspecto assume especial importância no caso da gestão em Educação a Distância. e indica se ocorrem atrasos ou interrupções nos sistemas de comunicação. (MOORE e KEARSLEY. frequentes e imprevisíveis. p. zação do público-alvo e analisar as estratégias pedagógicas e tecnológicas implementadas.) em uma complexa rede de relações. além disso. segundo Moore e Kearsley (2007). Para a autora. o fato do aluno estar distante do instrutor e da entidade administrativa condiciona o sucesso de qualquer ação em EaD à existência de um sistema eficaz de monitoramento e avaliação. conteúdos.Educação e Saúde atores e fatores envolvidos. 2007). Os cursos contam com objetivos de aprendizagem bem especificados. somente pelo uso de materiais de avaliação e pela adoção de procedimentos criados pela instituição de ensino é que podem saber se os alunos estão tendo dificuldades. A coleta de dados. docentes. Somente uma adequada sistemática de avaliação será capaz de fornecer dados que possibilitem diagnosticar tempestivamente problemas pedagógicos e administrativos e elaborar estratégias efetivas para solucioná-los. 130). pois. produção de relatórios e análise de resultados dos cursos acontecem cotidianamente. As variações são muitas. Os cursos são desenhados para que os alunos produzam muitas e frequentes tarefas de aprendizagem. Carlini e Ramos (2009) reforçam que um curso à distância envolve inúmeros componentes (instituição. propiciando o acompanhamento. 2007). estes dados precisarão ser analisados de forma a fundamentar a revisão e a tomada de decisão. Esta característica do sistema é tão importante pelo fato de que são as tarefas realizadas pelos alunos durante o curso online que fornecerão os indicadores necessários ao monitoramento da ocorrência de problemas. os bons sistemas de monitoramento e avaliação apresentam três características: 1. 44 . gestores. e. Para Moore e Kearsley (2007) a importância do sistema de avaliação e monito- Para os instrutores. Prosseguindo neste raciocínio. metodologias etc. nº 4 – p. e o sistema deve prover uma avaliação contínua e instrumentalizada. enquanto ainda há tempo suficiente para uma ação corretiva. 2. Encontramos em Filatro (2007) reforço para aprofundar este raciocínio referente à relevância de ser desenvolvida e adotada uma sistemática capaz de operacionalizar um processo de avaliação de cursos à distância.

Educação e Saúde ramento é tão grande que creditam a ele boa parte do sucesso de um programa de EaD. métodos e ferramentas capazes de produzirem dados e informações relevantes de forma ordenada e coerente. c) Cursos desenhados para exigirem dos alunos realização de análises. Referenciais para avaliação da qualidade do curso EaD.84 jul-dez 2009 . 2007) a) Adoção de padrões para criação. a seguir. sínteses e avalia- Organização DidáticoPedagógica Revista UNIABEU 45 Belford Roxo – RJ V. didático-pedagógico e motivacional. sua adequação aos estudantes e às tecnologias de informação e comunicação. ou seja. b) Práticas educacionais dos professores e tutores. nº 4 – p. Ministério da Educação (2007) – permite formularmos uma lista de fatores e respectivos indicadores para referenciar uma avaliação em EaD. ético. possibilitando o desenvolvimento de instrumentos que sirvam efetivamente a avaliação da qualidade de em educação a distância A consideração das informações presentes nos documentos “Marcos de Referência para o Sucesso da Educação a Distância Baseada na Internet” e “Referenciais de Qualidade para Educação Superior a Distância” – produzidos a partir de estudos conduzidos. os indicadores poderão ser criados e selecionados. desenvolvimento. expostos na tabela 2. Entretanto. o uso de instrumentos como questionários e for- mulários são recursos bastante objetivos. 2008) e pelo MEC. cultural. criação e veiculação do curso: os resultados do aprendizado determinam a tecnologia e não o contrário. Portanto. Somente uma sistemática de avaliação inserida no contexto de gestão será capaz de apoiar e orientar a tomada de decisão. Camargo (2000) propõe uma lista de critérios gerais a serem adotados para criação e seleção de indicadores. desde que contem com os melhores e os mais significativos indicadores. estes parâmetros só poderão ser aplicados após a determinação dos aspectos fundamentais e válidos de serem avaliados nas diversas situações de educação a distância. c) Material didático (seus aspectos científico. neste sentido. contando com princípios. b) Materiais instrucionais atualizados: revistos periodicamente para assegurar os padrões do programa. construído a partir de uma rede de indicadores e instrumentais capazes de produzirem as informações necessárias a tomada de decisão.) e às ações dos centros de documentação e inforMinistério da Educação (BRASIL. TABELA 2 – Fatores e indicadores para avaliação do curso em EaD INDICADORES FATORES Institute for Higher Education and Policy (MOORE e KEARSLEY. A partir do momento que houver a definição desses fatores. respectivamente. 3. 2008) a) Aprendizagem dos estudantes. a avaliação em EaD precisa ser sistematizada. pelo Institute for Higher Education and Policy (MOORE e KEARSLEY. Onde a adoção de um sistema ruím de monitoramento leva ao fracasso certo do programa. A padronização e sistematização da avaliação irá conferir maior consistência à gestão do processo e. técnicas. estético. sua capacidade de comunicação etc. 45 .3. As discussões conduzidas até aqui demonstram que a avaliação do curso EaD deve ser feita via sistema de monitoramento e avaliação eficaz.

d) Apoio à participação dos estudantes nas atividades pertinentes ao curso. 46 . 2007) Corpo Docente. e) Divulgação de informações sobre o curso: os objetivos. 2008) mação (midiatecas). b) Corpo de tutores com qualificação adequada ao projeto do curso. com um Apoio insti. relevância. encadeamento lógico. a) Corpo docente. c) Corpo de técnico-administrativos integrado ao curso e que presta suporte adequado.acervo mínimo para possibilitar acesso aos estudantes à bibliografia. vinculado à própria instituição. (BRASIL. 2008) Ministério da Educação (BRASIL. b) Infraestrutura material dos pólos de apoio presencial. d) A interação dos alunos com o corpo docente e com outros alunos é uma característica essencial e amplamente estimulada e facilitada. f) Os alunos recebem todas as instruções e orientações necessárias para garantir aprendizagem efetiva. f) Disponibiliza recursos suficientes para pesBelford Roxo – RJ V. além do disponibilizado no pólo. avaliação do desempenho dos estudantes. tanto na sede como nos pólos. (MOORE e KEARSLEY. f) Modelo de educação superior à distância adotado (uma soma dos itens anteriores combinada com análise do fluxo dos estudantes. contextualização. (MOORE e KEARSLEY. bem como em eventos externos e internos. d) Sistema de empréstimo de livros e periódicos ligado à sede da IES para possibilitar acesso à bibliografia mais completa. interação. com formação e experiência na área de ensino e em educação a distância. orientação aos estudantes. d) Currículo (sua estrutura.84 jul-dez 2009 Revista UNIABEU 46 . nº 4 – p. de atendimento aos estudantes em momentos a distância e presenciais. tempo de integralização do curso. integridade e validade da informação. científico e instrumental ao curso. (MOORE e KEARSLEY. b) Tecnologia confiável: a prova de falhas. 2008). avaliação dos pólos de apoio presencial). conceitos e ideias do curso.Educação e Saúde INDICADORES FATORES Institute for Higher Education and Policy (MOORE e KEARSLEY. avaliação de desempenho dos professores e tutores. evasão. e) Sistema de orientação docente e à tutoria (capacidade de comunicação através de meios eficientes. dentre outros). período de integralização. e os resultados do aprendizado devem ser disponibilizados aos alunos. Corpo de Tutores. 2007) ções para serem aprovados. c) Sistema centralizado de suporte à infraestrutura de EaD. atitudes e outros). 2008) a) Plano de tecnologia estruturado e seguro: garante qualidade. e) Feedback das tarefas é construtivo e rápido. c) Existência de biblioteca nos pólos. g) Realização de convênios e parcerias com outras instituições. organização. d) Avaliação diagnóstica: antes do início do curso os alunos são avaliados quanto a sua automotivação e compromisso e quanto a seu acesso à tecnologia mínima exigida. Corpo TécnicoAdministrativo e Discentes - a) Infraestrutura material que dá suporte tecnológico. além do material tucional didático utilizado no curso.

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INDICADORES FATORES Institute for Higher Education and Policy (MOORE e KEARSLEY, 2008) Ministério da Educação (BRASIL, 2007) quisa e consulta: biblioteca acessível pela Web. g) Auxílio técnico aos docentes: dispõem de suporte para tecnologia. h) Suporte pedagógico aos docentes: dispõem de orientações para atuação docente em EaD, antes e durante o curso. i) Divulgação de informações administrativas: requisitos para admissão, taxas, aprovação, prazos etc. j) Disponibilização de orientações sobre conteúdos: treinamentos e tutoriais para acessar todos os conteúdos e recursos. l) Apoio técnico: alunos contam com suporte permanente para lidarem com a tecnologia. Todas as questões são respondidas rapidamente. (BRASIL, 2007) a) Meta-avaliação: um exame crítico do processo de avaliação utilizado: seja do desempenho dos estudantes, seja do desenvolvimento do curso como um todo. b) A Instituição deve considerar as vantagens de uma avaliação que englobe etapas de autoavaliação e avaliação externa. (MOORE e KEARSLEY, 2008) a) Processo de avaliação analisa a eficácia educacional aplicando padrões específicos e utilizando métodos diversificados. b) Dados sobre matrículas, cursos e usos da tecnologia são adotados como critérios para avaliação da eficácia. c) Avaliação deve ser formativa, confrontando regularmente os resultados planejados com os obtidos. (BRASIL, 2007)

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É importante mencionar que os indicadores apresentados representam categorias gerais e, portanto, devem ser contextualizadas às diferentes realidades. Entretanto, já representam referências fundamentais para o desenvolvimento de instrumentos adequados à condução da avaliação de programas de treinamento EaD via procedimentos padronizados. Até agora, nossas discussões levaram a verificar que o desenvolvimento de uma sistematização para a avaliação do curso em EaD depende da definição de referenciais que, por sua vez, orientam o estabelecimento dos fatores, indicadores e critérios que

integrarão os instrumentais utilizados para avaliar. Entretanto, é importante completar que um sistema de avaliação para ser operacionalizado exige o estabelecimento de uma metodologia capaz de modelar todo o processo de avaliação e articular os diferentes níveis do sistema à realidade. A metodologia adotada em uma sistematização da avaliação do curso será capaz de integrar os aspectos mais abstratos, representados pelas diretrizes fornecidas pelos referenciais, com os aspectos mais concretos do sistema, expostos nos instrumentos utilizados para avaliar.

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4. Metodologia para avaliação do curso no ambiente corporativo. A partir do momento que já contamos com referenciais para criação e seleção dos indicadores que integrarão os instrumentos padronizados para a avaliação do curso EaD, o próximo passo é identificar uma metodologia adequada para uniformizar e garantir coerência ao processo avaliativo a ser adotado para treinamentos virtuais. A avaliação somativa do curso é aquela realizada ao final do curso - por intermédio de instrumentos padronizados e construídos com o objetivo de colher as opiniões e os julgamentos definitivos dos envolvidos tendo como objetivo aferir a eficácia do curso no contexto da gestão em EaD. No modelo da educação corporativa, proposto por Kirkpatrick (1998), este tipo de avaliação guarda relação com a denominada “avaliação de reação”, um tipo de avaliação também realizada ao final do curso, mediada por instrumentais padronizados e que objetiva fundamentar a gestão do curso. A metodologia envolvida na avaliação de reação pretende mensurar a reação dos participantes ao programa de treinamento, medindo a satisfação do aluno e obtendo informações cruciais para a avaliação e o planejamento do curso. Segundo Marras (2000), uma organização só promove ações de capacitação que representem aumento direto da produtividade e/ou da qualidade do que é produzido. Mesmo treinamentos que visam ao incentivo motivacional, à otimização pessoal e organizacional e ao atendimento de exigências das mudanças, representam estratégias indiretas para a formação profissional, a especialização e/ou a reciclagem de conhecimentos, conceitos e práticas de trabalho.

Para as organizações, a promoção do treinamento representa, na verdade, um investimento, pois o capital empregado retornará acrescido de lucros. Neste ambiente, os programas de treinamento que não apresentam êxito (entendido como o sucesso em atingir os objetivos planejados) são revistos ou até mesmo cancelados. Por esta razão, a adoção de mecanismos para avaliação da efetividade dos treinamentos promovidos é uma prática muito difundida no ambiente corporativo. Nas organizações qualquer investimento feito precisa ser justificado e, no caso de treinamentos, o usual é se fundamentar em Kirkpatrick (1998), considerado o precursor da análise do retorno do investimento feito em treinamento. Para ele, o êxito do treinamento só pode ser verificado a partir da sua relação com o desempenho profissional e organizacional. A partir deste pressuposto básico, Kirkpatrick (1998) constrói uma metodologia de mensuração e avaliação de sistemas de treinamentos que acontece em quatro níveis: 1) 2) 3) 4) Avaliação de reação; Avaliação de aprendizado; Avaliação de comportamento; Avaliação de resultados.

No nível de reação, os alunos são orientados a fazerem uma avaliação crítica sobre o sistema de treinamento com o objetivo de fornecerem informações importantes para a realização de modificações capazes de melhor adequar o curso ao público-alvo, aumentando sua eficiência pedagógica. No nível de aprendizagem, objetivase verificar o grau de aquisição que os alunos tiveram dos conhecimentos pré-

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definidos para o treinamento. Embora possa ser adotada uma avaliação de aprendizagem somativa, ao final do curso, é importante que neste nível a avaliação de aprendizagem priorize mecanismos formativos capazes de acompanharem a evolução dos aprendizes para identificar e corrigir fragilidades durante o desenvolvimento da ação. No nível de comportamento, pretende-se verificar as mudanças de comportamento decorrentes do aprendizado proporcionado pelo treinamento. Avaliam-se os efeitos do curso no desempenho do aluno e em sua produtividade no trabalho. Este momento da avaliação acontece algum tempo após a participação no treinamento, o aluno precisa de tempo e oportunidade para praticar o que foi aprendido. O objetivo de qualquer treinamento é promover mudança de comportamento, entretanto, conforme Kirkpatrick (1998), para que isso aconteça é necessário que se cumpram cinco requisitos: desejo de mudança, o conhecimento de o quê fazer e de como fazê-lo, um clima de trabalho adequado, auxílio na aplicação do aprendizado e recompensa pela mudança no comportamento. Portanto, a avaliação neste nível deverá investigar necessariamente a satisfação destas condições. No nível de resultados, objetiva-se comprovar, a partir de indicadores concretos, o efetivo retorno do investimento feito no treinamento, ou seja, quais foram os resultados advindos do treinamento do funcionário. Segundo Kirkpatrick (1998) é o mais importante e mais difícil dos quatro níveis, porque na maioria das situações o que existem são evidências dos resultados. Faltam indicadores confiáveis e incontestáveis capazes de fornecerem a mensuração requerida neste nível de avaliação.

Para Kirkpatrick (1998), conforme apresentado por Hack (1999), o processo de avaliação de um programa de treinamento sempre deve iniciar no nível 1 e incluir os demais níveis conforme o curso for consolidado. Kirkpatrick (1998) ressalta, ainda, que é um julgamento incorreto considerar que os primeiros níveis (avaliação de reação, nível 1, e avaliação de aprendizagem, nível 2) não são tão importantes quanto os demais (avaliação de comportamento, nível 3, e avaliação de resultado, nível 4), como costuma acontecer. A realização de um nível de avaliação é pré-requisito para a realização do nível posterior. Cada um dos níveis fornece dados e informações que interferem de forma específica no processo de planejamento e desenvolvimento dos cursos. Esta concepção metodológica é reforçada por Schröeder (2000) que propõe adequar a estrutura de avaliação de Kirkpatrick (1998) conforme a realidade de cada organização e de curso. Assim, as avaliações de reação (nível 1) e de aprendizagem (nível 2) serão feitas para todos os cursos; a avaliação de comportamento (nível 3) será feita apenas quando o principal objetivo do treinamento for o do aluno mudar seu comportamento no trabalho; e a avaliação de resultado (nível 4) acontecerá quando os resultados representarem alta prioridade para a organização. Esta orientação relativa à aplicação diferenciada da metodologia proposta por Kirkpatrick (1998), adequando o nível da avaliação à necessidade prática do treinamento corporativo, independe da modalidade em que o curso é oferecido, se presencial ou a distância. Entretanto, conforme Hack (1999), o mesmo não se aplica aos instrumentos utilizados para garantir os diferentes níveis de avaliação. A avaliação que se faz em um ambiente presencial se vale de fer-

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ramentas que precisarão ser adaptadas à realidade dos programas de treinamentos conduzidos via internet. Assim é que Hack (1999) adapta o modelo de Kirkpatrick (1998) para realização da avaliação de programas de treinamento realizados pela Internet, utilizando a cibercultura e as tecnologias de informação e comunicação (TICs) disponíveis para obter as informações necessárias a cada nível do modelo. A orientação relativa à adoção dos níveis é mantida e os níveis 3 e 4 só serão alcançados quando a mudança de comportamento for importante (nível 3) e quando os resultados forem prioridade (nível 4). Na proposta de Hack (1999), a avaliação de reação em EaD objetiva investigar a satisfação do aluno com o material apresentado via Web, verificando se o aluno se sente estimulado a acessar o curso. Este indicador pode ser monitorado via questões diretas sobre o nível de interesse despertado pelos conteúdos, formuladas em questionários em páginas HTML, correio eletrônico, fórum e chat. O ritmo de evolução no curso também é capaz de revelar se o estímulo para acessar o curso foi alto ou baixo e pode ser avaliado via rastreamento das páginas acessadas e das ferramentas utilizadas. No nível 2 (avaliação de aprendizagem), para Hack (1999), pretende-se verificar se o aluno aprendeu, conforme estabelecido nos objetivos de aprendizagem. A utilização de testes formais em páginas HTML e, neste caso, a utilização do pré-teste pode ser uma boa estratégia para objetivar a avaliação. A realização de questionamentos durante o desenvolvimento das aulas pode auxiliar na fixação do conteúdo e auxiliar na avaliação formativa da aprendizagem. O rastreamento de listas de discussões e outros dispositivos colaborativos são boas estratégias para a avaliação neste nível.
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A realização da avaliação nos níveis 3 (comportamento) e 4 (resultados) utilizando apenas a internet, conforme apresentado por Hack (1999), pode se dar pela formulação de questionários via Web sobre o comportamento e os resultados do aluno após o curso. Questionários para serem respondidos pelo chefe imediato e pelo aluno (autoavaliação) e confrontados. Também podem ser conduzidas listas de discussões ao longo do tempo, tendo como objetivos investigar os resultados obtidos após o curso, a mudança no comportamento do aluno e os obstáculos enfrentados para colocar em prática o que foi aprendido. A apresentação da metodologia estabelecida por Kirkpatrick (1998) refere-se à demonstração de uma possibilidade já devidamente estabelecida e sedimentada, uma vez que é utilizada, há bastante tempo e de forma bem sucedida, pelas organizações para avaliação de treinamentos corporativos. Procuramos nos deter na avaliação de reação do seu modelo pelo fato de poder ser correlacionada diretamente com a avaliação somativa do curso, na classificação de Carlini e Ramos (2009). Assim, a partir das discussões que conduzimos sobre os referenciais, fatores e indicadores propostos pelo MEC (2007) e pelo Institute for Higher Education and Policy (MOORE e KEARSLEY, 2008), e sobre a metodologia proposta por Kirkpatrick (1998), acreditamos ter fornecido as principais diretrizes metodológicas e sistematizações, para a avaliação somativa do curso ou avaliação de reação, capazes de conferirem os resultados mais consistentes aos programas em EaD. Queremos crer também que, a partir desse estudo, será possível aos interessados estabelecerem procedimentos sistematizados adequados a realização da avaliação somati-

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Cabe chamar a atenção para este fato. sociais e políticos adotados pela instituição e de orientar todos os processos organizacionais. ideológicos. constataremos que o projeto educacional é o documento correlato ao projeto estratégico. As opções feitas para a avaliação devem refletir a escolha feita sobre a educação que será oferecida pela instituição. adequado às especificidades da educação e que incorpora em sua configuração princípios do planejamento estratégico e da uniformização e melhoria contínua dos processos. e a avaliação. a filosofia do contínuo melhoramento dos processos garante a dinâmica para o seu funcionamento. 5. 51 . ao mesmo tempo. é por intermédio da avaliação do curso que o planejamento e a execução são comprovados e os acertos e os erros identificados. via seus resulta- Revista UNIABEU 51 Belford Roxo – RJ V.Educação e Saúde va em situações específicas de cursos online e de forma que forneçam dados e informações relevantes à gestão em EaD. A avaliação serve à gestão ao apoiar a decisão de repetir o que deu certo e de corrigir aquilo que não deu. Conclusão. A discussão empreendida sobre nossa questão de estudo (“saber como a avaliação dos cursos virtuais pode ser sistematizada pelas organizações que atuam em EaD. Se considerarmos esta orientação para a gestão em Educação a Distância. ao alinhar a função educação ao propósito da organização e ao estabelecer a opção epistemológica da educação. nº 4 – p. É através dela que é gerada uma grande quantidade de dados e informações fundamentais à análise e à tomada de decisão. O projeto educacional. que evidencia uma dimensão política para avaliação em educação a distância e reco- menda que as decisões tomadas sobre ela considerem não somente aspectos técnicos e gerenciais. define princípios e diretrizes fundamentais ao desenvolvimento do ensino e aprendizagem. Pudemos verificar que a forma como a avaliação é estruturada e conduzida interfere diretamente na qualidade dos resultados gerenciais e pedagógicos obtidos em EaD. causa e consequência do planejamento. A efetividade da gestão educacional depende da avaliação do curso. de forma a garantir os resultados mais efetivos ao aperfeiçoamento dos cursos promovidos e da própria instituição”) permitiu compreender melhor a dinâmica da avaliação envolvida no processo de gestão em EaD. A avaliação. é capaz de refletir os princípios filosóficos. ao mesmo tempo. incluindo o processo de avaliação do curso que representa um momento subsequente. representando a materialização dos referenciais do planejamento estratégico. A busca pelo aperfeiçoamento constante determina que a avaliação seja. As melhores performances e os resultados mais consistentes para avaliação do curso em EaD são aqueles obtidos a partir da adoção de um sistema de monitoramento inserido em um modelo de gestão.84 jul-dez 2009 . dependente e determinado a partir dele. Além disso. A gestão estratégica em EaD é caracterizada pela presença de um projeto pedagógico que. precisará ser estruturada e conduzida a partir dele. como qualquer processo organizacional inserido neste contexto. A adoção de uma gestão estratégica pressupõe que qualquer processo organizacional será conduzido de forma alinhada com as diretrizes estabelecidas para todos os níveis de planejamento e documentada no projeto estratégico da instituição. Se o projeto educacional estabelece um embasamento para edificar a avaliação.

Os fatores e indicadores estabelecidos são boas opções de partida para as análises necessárias à criação e seleção de indicadores de desempenho a serem adotados para a avaliação somativa do curso EaD. Uma adequada metodologia para avaliação do curso precisa se orientar por referenciais que funcionem como modelos para a realidade e disponibilizem indicadores relevantes e capazes de serem sistematizados em procedimento e instrumentais. os referencias propostos pelo Institute for Higher Education and Policy (MOORE E KEARSLEY. compreendida como instrumento para a melhoria contínua. É importante concluir este estudo ressaltando que a sucessiva sistematização da avaliação do curso. estabelecidos para monitorar o desempenho dos diversos atores e fatores envolvidos em EaD. o estabelecimento de procedimentos operacionais e instrumentais a partir dos fatores e indicadores escolhidos. a sistemática da avaliação em EaD. revela uma conduta gerencial que busca materializar princípios 52 Belford Roxo – RJ V. A finalização do processo. nº 4 – p. partindo do planejamento estratégico. pode ser conduzido a partir das orientações estabelecidas por Kirkpatrick (1998) e Hack (1999). Embora específicas para realização da avaliação de cursos virtuais em educação online corporativa. Consideramos que a adoção destes documentos possibilitam às instituições que desenvolvem cursos em EaD partirem de bons referenciais para o estabelecimento de metodologias adequadas a suas realidades. O projeto educacional estratégico e a filosofia do melhoramento contínuo são princípios importantes para orientarem a gestão e. ao mesmo tempo. Assim. que possibilitam o primeiro passo para o desenvolvimento de metodologias adequadas a situações específicas. A sua amplificação para o contexto mais amplo da avaliação do curso em educação a distância é capaz de fornecer importantes diretrizes e procedimentos operacionais capazes de conferirem os resultados mais consistentes aos programas em EaD. consequentemente. influenciará o projeto educacional que. buscando consolidar uma metodologia capaz de operacionalizar os princípios mais gerais da gestão estratégica. representando um caso prático onde uma metodologia está completamente instrumentalizada. deflagradores. pois fundamentarão o diagnóstico necessário ao planejamento e aprimoramento constante do curso. representando modelagens gerais para a educação a distância. ou seja. é determinada e determinante do planejamento estratégico. configurando um processo contínuo que busca se superar a cada rodada. está montado o fundamento necessário para conduzir ciclicamente um sistema de gestão em EaD que busca a excelência e não perde de vista seu objetivo primordial: servir à educação. até chegar aos indicadores e instrumentais.84 jul-dez 2009 .Educação e Saúde dos. passando pelos referenciais/ modelos da realidade. A adoção do “Ciclo PDCA” viabiliza um método gerencial onde os dados e informações obtidos na avaliação são conclusivos e. a estruturação de uma avaliação eficaz deve ir além. as sugestões feitas por Kirkpatrick (1998) e Hack (1999) parecem complementar perfeitamente as discussões conduzidas. 52 . A avaliação do curso. definirá a própria estruturação da avaliação do curso na próxima rodada. por sua vez. Dessa forma. 2007) são recursos importantes. Entretanto. Assim é que o “Ciclo PDCA” representa uma importante ferramenta para materializar a filosofia da melhoria contínua e garantir maior efetividade à gestão da avaliação do curso em EaD. Revista UNIABEU Estes referenciais contam ainda com uma rede de indicadores. 2008) e pelo Ministério da Educação (BRASIL.

53 . A Avaliação do curso.84 jul-dez 2009 . Alda Luiza. Disponível em: http://www. por isso.pdf CARLINI. p.fgvsp. sem a qual não teria produzido o presente texto. São Paulo. Agradecimentos. FILATRO. (2007). pela orientação fundamental. Disponível em: http://teses. Disponível em: http://www. Agradeço à Profª Isabel Andréa BarreiroPinto.pgie. (orgs. Ministério da Educação.br/seed/arquivos/pdf/referenciaisead. como todo mecanismo gerencial. Mecanismos complementares para a avaliação do aluno na educação a distância. Secretaria de Educação a Distância – SEED (2007). 161-165.ufsc. Monica Parente (2009). Essa derradeira consideração tem como objetivo deixar evidente que o processo de avaliação do curso em EaD. (2000).ufrgs. Andrea. Andréa. In: LITTO. Maristela Midlej Silva de.gov. 5. Disponível em: http://portal. Dissertação de Mestrado. (1999).pdf HACK. estabelecido pela própria subjetividade relacionada à área gerenciada. Uso de indicadores da qualidade para o gerenciamento estratégico de empresas do ramo comercial. 142 f. Disponível em: http://www. nº 4 – p. Desenho didático para cursos dinamizados em ambientes online: o caso do curso de formação para professores em serviço do ensino médio .Ω bReferências Bibliográficasb ARAÚJO. M. Integração de Objetos em Atividades de Aprendizagem: Padrões para Desenho de Cursos. precisa e afetiva. FILATRO. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de Santa Catarina.html Revista UNIABEU 53 Belford Roxo – RJ V. Leônidas Lemos.. Luciano Emilio.Educação e Saúde organizacionais e a opção epistemológica da EaD estabelecidos pela e para a instituição. RAMOS. M. 1ª ed. São Paulo: Person Education.br/pgl2005/sec_arquivo/2005/artigos/A2005T00021.pdf BRASIL. 2000. 2 ed. artífices e parceiros no desafio cotidiano de aperfeiçoar a educação corporativa na Justiça Federal para. é um meio que serve a um propósito final e.abed. e a meus companheiros de trabalho.br/defesa/pdf/4429. FORMIGA. Design Instrucional Contextualizado. (2005). assim.org. deverá ser instrumentalizado até o limite do possível.br/congresso2008/tc/562008113802AM. F. (2008).eps. Referenciais de qualidade para a educação superior a distância.br/webfolioead/biblioteca/artigo7/artigo7.) Educação a distância – o estado da arte. Universidade Federal do Rio Grande do Sul.mec.pdf CAMARGO. garantir efetividade à cidadania brasileira. SP: SENAC.

C. 1ª ed.pdf. São Paulo. (1998).pdf SVEIBY. M. RJ: Editora Campus. 2ª ed. Marina de Andrade. M. SP: Páginas & Letras Editora e Gráfica. 1ª ed.. 54 . http://www.sp. Rio de Janeiro. Administração de recursos humanos: do operacional ao estratégico.br/pdfs2/ana. Educação a distância: uma visão integrada.ufrgs. 1ª ed. São Paulo. São Paulo. A nova riqueza das organizações. Educação corporativa e EAD: elaborando o projeto político-pedagógico. Disponível em: http://www.anped. R. 2010. C. CA: Berret-Koehler Publisher. (orgs. F.. (2008) Informação para a gestão: o Sistema de Monitoramento e Avaliação do Sistema Único de Saúde (SUS) a partir da Atenção Básica no Estado de São Paulo (SisMasus). São Paulo. Metodologia científica.pdf KIRKPATRICK. p. FLORES. RJ: Brasport. 7ª ed. RJ: Editora FGV.gov. (2005). http://www. 3 ed. São Paulo.84 jul-dez 2009 .isaude. MARTINS. (2008). (1998). Christine da Silva. MARCONI.pdf. Michael. SCHRÖEDER. MARRAS. (1996). RICARDO.br/smartsitephp/media/saudebucal/file/anexos/Atencao%20basica/IS-cap7. MOORE. Eleonora Jorge (2009). 1ª ed. RJ: Editora Qualitymark. (2000). 2010. Indicadores da Qualidade e do Desempenho. Luiza et al. Eva Maria.ea. A. Jean Pierre. TAKASHINA. Isnard et al.Educação e Saúde HEIMANN. et al. Newton Tadachi. nº 4 – p. Evaluating training programs: the four levels. KEARSLEY. 1ª ed. (orgs.) Educação a distância – o estado da arte. Universidade Federal do Rio Grande do Sul.br/artigos/disserta_cris. Contribuições para a análise da gestão das Secretarias de Educação . PACHECO. LAKATOS. Donald L. P. In: LITTO. Acesso em: 26 jan. Gestão educacional: planejamento estratégico e marketing. 237-241.usp. Mario Xavier. Rio de Janeiro. Disponível em: http://navi.isssbrasil. OLIVEIRA. Dissertação de Mestrado. A. (2008). O ciclo PDCA na gestão do conhecimento: uma abordagem sistêmica.. Rio de Janeiro. SP: Editora Atlas. M.) Atenção básica no Sistema Único de Saúde: abordagem interdisciplinar para os serviços de saúde bucal. Gestão da qualidade. FORMIGA.org. (2007). San Francisco.br/reunioes/29ra/trabalhos/trabalho/GT05-2483--Int..Ω Revista UNIABEU 54 Belford Roxo – RJ V. Critérios e indicadores de desempenho para sistemas de treinamento corporativo virtual: um modelo para medir resultados. In: BOTAZZO. Karl Erik. 9 ed. (2000). PAES DE CARVALHO. Acesso em: 26 jan. MARSHALL JUNIOR. 1ª ed. Greg. SP: Person Education. SP: Cengage Learning. Marcos Amancio P. Rio de Janeiro. SP: Editora Futura.

ABSTRACT . O currículo em EaD é observado sob a ótica das Teorias de Currículo ressaltando os modelos comunicacionais envolvidos nos processos de ensinoaprendizagem. AVALIAÇÃO E APRENDIZAGEM NO CONTEXTO DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA BARREIRO-PINTO. Santella (2004) and Warschauer (1993). Curriculum. Grayce UCB em convênio com Exército Brasileiro e UNIABEU RESUMO . É destaque a escrita como elemento articulador entre aprendizagem e avaliação no currículo em EaD. currículo.This article is resulting production of the Course Conclusion Work in the Distance Education area and is based on the methodology of bibliographic research. Assessment. Isabel Andrea UCB em convênio com Exército Brasileiro e UNIABEU LEMOS. Key-words: Distance Education.O presente artigo é produção resultante do Trabalho de Conclusão de Curso na área da Educação a Distância e fundamenta-se na metodologia da Pesquisa Bibliográfica. avaliação. The main objective is to Investigate and produce reflection on the interweaving of curriculum in Distance Education. O objetivo central é Investigar e produzir reflexões sobre o imbricamento entre currículo em EaD.Educação e Saúde CURRÍCULO. 55 .84 jul-dez 2009 . 2008). aprendizagem e avaliação e tem base em autores como Silva (2007. 2008). It highlighted the writing as an articulation between learning and assessment in the curriculum in Distance Education. nº 4 – p. Luckesi (2002). Palavras-chave: Educação a Distância. The curriculum in Distance Education is observed under the Curriculum Theories optics emphasizing the models of communication involved in the teaching-learning processes. learning and assessment and is based on authors like Silva (2007. Santella (2004) e Warschauer (1993). Revista UNIABEU 55 Belford Roxo – RJ V. Luckesi (2002).

A velocidade e o dinamismo com que se acessa e conecta informações tem imputado a essas gerações uma nova relação com o saber. tem-se observado uma preocupação com uma educação baseada na colaboração. Os capítulos que se seguem procuram responder os seguintes questionamentos: 1. interatividade. Como apoio. optou-se pela fundamentação mais pertinente ao trabalho. Leitura analítica: leitura. As Teorias do Currículo existentes auxiliam na formulação de um currículo para EaD? 2. com maior ênfase. destaque e aprofundamento acerca dos materiais selecionados. análise. Como se dá a aprendizagem e a avaliação no currículo da EaD? O presente trabalho fundamentou-se na metodologia da pesquisa bibliográfica como principal alicerce investigativo. No currículo praticado em muitos cursos a distância. 3. nº 4 – p. diversos discursos foram elaborados a fim de orientar as práticas pedagógicas nas escolas. Dado o contexto da cibercultura e as novas relações que impulsionam a educação formalizada. a aprendizagem e a importância do papel da avaliação enquanto parte integrante e essencial deste currículo. com base em um modelo de comunicação que visa a transmissão de conteúdos. presente em muitas culturas escolares e em prática desde Bobbitt (SILVA. mas permeado por intencionalidades específicas a respeito de que tipo de sujeito se quer formar (SILVA. Levantamento da bibliografia: exploração e seleção de artigos. vídeos e autores que cerquem o tema através de páginas de busca na internet. 2. aprendizagem e avaliação. Livros e revistas impressos que abarcam os assuntos desta investigação. reproduz um tipo de subjetividade bastante passivo. Esse estudo justifica-se pela necessidade de investigação e reflexão para produção de trabalhos que levem em consideração o pano- rama sobre o currículo praticado em EaD. 2007). qual o papel da EaD na formação de novos paradigmas educacionais? 3. são utilizadas observações registradas enquanto participantes de pósgraduação a distância. Essa formatação curricular. Nas últimas décadas o incremento nas Tecnologias de Informação e Comunicação propôs novos desafios à compreensão dos processos de aprendizagem das novas gerações. A pesquisa bibliográfica consistiu nas seguintes etapas: 1. tem colocado em curso experiências educacionais que afetam diretamente a forma como o currículo é praticado. Revista UNIABEU 56 Belford Roxo – RJ V. 2007). coprodução e autonomia. Seleção da bibliografia: a partir dos materiais examinados.84 jul-dez 2009 . publicações. sendo que a formação vigente ainda se relaciona profundamente às primeiras Teorias de Currículo formuladas: as teorias tradicionais de currículo. Tem como objetivo investigar e produzir reflexões sobre o imbricamento entre currículo em EaD. 56 . Por se tratar de uma modalidade que utiliza-se das tecnologias de comunicação para realizar o seu fazer pedagógico. Nenhum sistema educacional funciona desinteressadamente.Educação e Saúde INTRODUÇÃO H á muito as Teorias de Currículo fundamentam a ciência por trás da formatação curricular praticada nos sistemas educacionais. Ao longo da história das Teorias de Currículo.

que tinha como foco uma educação para a classe dominante. este escolhido e sancionado como o saber válido e reconhecido. a educação passa a ser processada. 57 . de forma sistematizada e racionalizada. Dentro de um universo de conhecimentos. dentro deste modelo. portanto. sendo que o meio ao qual essa ordem seria imposta era a educação. TEORIAS DO CURRÍCULO O que é currículo? Teorias e modelos de currículo para a educação emergiram no início do século XX nos Estados Unidos da América com intuito de atender às novas necessidades políticas e econômicas instauradas. O conteúdo selecionado irá fundamentar crenças. Questões como: quem é o público alvo? O que se espera deste sujeito? (neste ponto pode-se refletir sobre as clas- Revista UNIABEU 57 Belford Roxo – RJ V. Bobbitt propunha uma teoria de currículo que formulava tais procedimentos. constituídos.Educação e Saúde 4. intrínseco às relações de poder. O currículo é. A constituição de uma mão-de-obra mais qualificada se enquadrava em uma nova necessidade: construir uma educação voltada para a massa. as teorias – ou discursos – de currículo que surgiram nesse período. O educador “depositava” o conhecimento. com a finalidade de melhor administrá-los. a Teoria do Currículo “é um dos componentes centrais dessa „ciência educacional‟ voltada para o conhecimento da criança e do adolescente. Nesse aspecto. A forma de organização social se tornou preocupação de líderes políticos e industriais. as teorias tradicionais tinham como objeto atender às massas e formular uma educação para a sociedade posta. nº 4 – p. As Teorias do Currículo tradicionais fundamentaram a prática de um currículo que ainda persiste em muitas escolas brasileiras. Além da pesquisa bibliográfica contouse com a participação das autoras em um curso de pós-graduação realizado na modalidade da Educação a Distância que serviu de apoio para o caráter empírico do trabalho. demonstrando uma arbitrariedade e tentativa de dominação. e nisto tem em si o próprio poder. Nesse sentido. mas o “discurso sobre o currículo”. Modos de produção material e de vida se adequavam – e eram produzidos – ao sistema econômico vigente. construiu uma teoria própria baseada em um sistema que buscava ordem e controle. Conhecer para governar” (SILVA. Uma concepção – que mais tarde seria denominada por Paulo Freire como uma educação bancária – para homogeneizar e uniformizar sujeitos. 2008. p. normatizações e padrões de comportamento do sujeito envolvido em um processo educativo. idéias. controle. De acordo com o explanado por Silva (2007). responsável pela formação da identidade e subjetividade do indivíduo. 191). Vivenciar tal modalidade educacional contribuiu para as reflexões acerca dos questionamentos sugeridos. existente desde a Antiguidade Clássica.84 jul-dez 2009 . partindo de uma lógica administrativa. A Revolução Industrial provocou um processo de imigração e inchaço das áreas industrializadas tornando a sociedade mais urbana. Fichamento: registro de trechos e reflexões pertinentes destacados nos materiais examinados. não é somente o currículo enquanto o conjunto de matérias e ações desenvolvidas no âmbito escolar. Como bem ressalta Silva (2008). o currículo é responsável pela escolha criteriosa dos saberes e também a forma como esses saberes serão repassados. possuíam em seu interior uma reação ao currículo humanista. Seguindo critérios de produção industrial.

teóricos como Paulo Freire. A ciência produzida nas Teorias de Currículo fundamenta a manifestação do currículo praticado. p. 2007). em uma relação dominantedominado. estão dividias em: tradicionais. destinado desinteressadamente a transmitir o legado da cultura humana. p.). A distinção entre as teorias críticas e as pós-críticas pode ser observada na perspectiva como o poder é referido (SILVA. raça. a desconfiança e a transformação radical. Sendo assim. nº 4 – p. As teorias críticas possuem influências da teoria marxista. “As narrativas do currículo contam histórias que fixam noções particulares sobre gênero. mas sim analisa o poder em meio a uma teia de relações sociais em que se reconhece o poder de variadas formas. moldando visões de mundo e também as formas de atuar nele. Uma e outra são fundamentadas em críticas sobre as teorias tradicionais. que têm M. Possuem em seu âmago o questionamento. classe – noções que acabam também nos fixando em posições muito particulares ao longo desses eixos” (SILVA. perdura uma cultura escolar fundada nos ideais das Teorias de Currículo 58 Belford Roxo – RJ V. As teorias críticas e pós-críticas têm foco na seleção de conteúdos (o quê? Por quê?). Bourdieu. Ambos se preocupavam com o “como?” e não com o “por quê?” ou “o quê?” ensinar.84 jul-dez 2009 . 2008. o poder se concentra nas mãos do Estado. O que ele(a) deve se tornar? Tais questões orientam a reflexão acerca do próprio currículo e da caracterização do poder intrínseco nas Teorias de Currículo (SILVA. mas sim possuidor de intencionalidades específicas na constituição de sujeitos e sociedade. apesar de possuir diferenças entre os métodos de uma e outra teoria. 2007). mas como uma relação de forças dissipadas por entre as instâncias sociais. Ocorre que. 192). “o currículo está envolvido na produção de sujeitos particulares. Nessa visão. 58 . étnicas. do que é certo ou errado. o currículo não pode ser considerado neutro. Defendem a idéia de que o conhecimento não possui imparcialidade e o recorte deste incorpora saberes que irão constituir sujeitos. Constituem a idéia de que nenhuma teoria é neutra. Aqui se reprime uma visão que vitimiza sujeitos. o ajuste e a adaptação dos indivíduos à sociedade colocada. em muitos sistemas educacionais. dos conhecimentos legitimados e os papéis sociais a se desenvolver. imposto de cima para baixo. O currículo. 195). A Teoria do Currículo está envolvida na busca da melhor forma de produzi-los” (SILVA. constitui uma operação de poder quando seleciona determinados conhecimentos e legitima-os. críticas e pós-críticas. O poder aparece por meio do recorte de conteúdo fundamentado na ideologia da classe dominante. A ideologia daquele contexto histórico e político foi o propulsor da seleção de conteúdos para as escolas da Revista UNIABEU época. História do Currículo As Teorias de Currículo. ambos fundamentaram suas teorias de currículo no método. As teorias tradicionais têm como principais representantes Bobbitt e Dewey. de gênero etc. Foucault como um representante. portanto. ele é vertical. As teorias pós-críticas. 2008. observa o poder não como uma relação de servo e soberano. segundo SILVA (2007). Apple.Educação e Saúde ses sociais. M. Do currículo emergem narrativas que dão forma aos preceitos de organização social. As teorias tradicionais contêm a aceitação. entre outros contemplam os ideais propostos por Marx. sendo que Bobbitt possuía uma visão industrial da educação e Dewey uma visão progressista.

2008. a inocência. Segundo a autora “As organizações que criam esse currículo cultural não são instituições educacionais. Nas mídias de massa. Entra em jogo a questão do poder cultural e da forma como ele influencia compreensões públicas sobre o passado. transmitindo as informações reconhecidas e legitimadas aos estudantes que. Entretanto. mas da vantagem individual. eletrônicos. existe algo mais em jogo que a simples mentira.” (STEINBERG. Ela é também um dispositivo para ensinar as pessoas a se localizarem em narrativas históricas. Nesse contexto. nº 4 – p. Como coloca Giroux sobre a política da inocência liderada pela corporação Disney. Pode-se dizer que essas corporações – tendo a Disney como um ícone – criam um currículo cultural com finalidades comerciais voltado para a infância. a cultura das mídias também prescreve um currículo próprio. O polo emissor enviando informações para o polo receptor. em vez disso. As corporações responsáveis pela produção de conteúdos veiculados nas mídias de massa baseiam-se em um modelo comunicacional de transmissão. jornalísticos. Situação semelhante ocorre nas instituições escolares. Diversas instituições de poder produzem conteúdos que mascaram intencionalidades de grupos bastante particulares. ela a reinventa como um instrumento pedagógico e político para assegurar seus próprios interesses e sua autoridade e poder. as práticas escolares demoram a se transformar. Quando a política se veste com o manto da inocência. Seu compromisso tem base em interesses comerciais. torna-se importante não tanto por seu apelo à nostalgia. O segmento que tem demonstrado transformações paradigmáticas em sua atuação é a Educação a Distância. representações e práticas culturais particulares. crítica e renovação. (GIROUX. Os meios telemáticos utilizam uma gama de estímulos sensoriais de grande impacto e altamente persuasivos. A Disney não ignora a história. p. passivos. p. entre outros não possuem um compromisso pedagógico libertador e emancipatório. a um consumo estilizado ou a uma idéia unificada de identidade nacional.Educação e Saúde tradicionais. as corporações dedicadas à produção de conteúdos para meios televisivos. Currículo das mídias Para além dos discursos oficiais prescritos nos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) e outros documentos. eles ocorrem a todo o momento e em lugares distintos. absorvem-nas. mas. Revista UNIABEU 59 Belford Roxo – RJ V. interesses comerciais que agem não em favor do bem social.137) A educação e o aprendizado não estão delimitados ao espaço escolar. 1997. sobre a coerência nacional e sobre a memória popular como um local de injustiça. A inocência do mundo do Disney torna-se o veículo através do qual a história é reescrita e expurgada de seu lado menos edificante. Apesar dos documentos oficiais – desenvolvidos pelos órgãos do governo – expressarem mudanças em seus discursos. corporações formulam programações que utilizam representações para a constituição de significados que influem diretamente nas subjetividades dos espectadores. e mais por representar um sinalizador que permite reconhecer o passado como um terreno de luta pedagógica e ideológica. tendo o professor como porta-voz autorizado do saber. o que Steinberg denominou de kindercultura.102). 59 . como um constructo ideológico.84 jul-dez 2009 . A inocência não representa apenas a face de uma dominação discursiva. não representando de fato os interesses da maioria da população.

computadores e redes de comunicação passam assim por uma revolução acelerada no seio da qual a internet. rede mundial das redes interconectadas. Vygotsky quando ressalta que O processo de apropriação do conhecimento se dá. do sujeito com o mundo. e ainda pelo modo como sua vida se forma nestas condições. portanto. A produção de conteúdos não está mais restrita às instituições. (PALANGANA. 2004. Esse pano- 60 Belford Roxo – RJ V. A forma de ensinar a submissão é através da passividade. p. p. mas são determinadas pelas condições históricosociais concretas nas quais ele está inserido. a informática permite que esses dados cruzem oceanos. Essa relação pode ser observada através de Palangana sobre o trabalho de Lev S. continentes. o advento da internet e as novas tecnologias de informação e comunicação tem provocado transformações na forma de comunicar e informar. a interação toma papel central na constituição do sujeito. Vale ressaltar que estas relações não dependem da consciência do sujeito individual. caótica. uma identidade social pouco atuante. 131) Revista UNIABEU Constitui-se. wikis e outras ferramentas são utilizadas para a produção e compartilhamento de conteúdos coletivos. nº 4 – p. (SILVA. Partindo do pressuposto que a forma de conhecer o mundo e de se comunicar influi diretamente na construção da identidade e subjetividade. 2004. pode-se perceber que as instituições abordadas – incluindo a escola – utilizam representações em favor da constituição de identidades sociais. Para exercer controle social deve-se construir uma subjetividade coletiva suscetível às vontades de quem comanda. Catalizados pela multimídia e hipermídia. Como coloca Silva. Também os blogs. efetivas. A informática aliada à telemática resultou “na constituição de novas formas de socialização e de cultura que vem sendo chamada de cultura digital ou cibercultura” (SANTAELLA. O espaço e o tempo se tornaram plásticos e permitem interação entre pessoas que estão distantes territorialmente e possuem horários diferenciados. superabundante. por meio do modelo de transmissão. nas últimas décadas. Porém. É dessa forma que representação – como uma forma de saber – e poder estão estreitamente vinculados. explodiu de maneira espontânea. Há uma mudança nos polos de comunicação. Aliada à telecomunicação. Como coloca Santaella. governável. pensável e. portanto. administrável.84 jul-dez 2009 . 60). conectando potencialmente qualquer ser humano no globo numa mesma rede gigantesca de transmissão e acesso que vem sendo chamada de ciberespaço. Esse modelo prevaleceu dominante até meados da década de 1980. Os significados carregam a marca do poder que os produziu. p. no decurso do desenvolvimento de relações reais. hemisférios. 60 . 71) Todos se tornaram potenciais emissores ao mesmo tempo em que também são receptores. mas aberta a todos que queiram compartilhar conteúdos próprios através do ciberespaço. atuam para tornar o mundo social conhecível. 2008. As redes sociais têm possibilitado novas maneiras de relacionamento social. (SANTAELLA. p.Educação e Saúde Com base nesse panorama. 2001. em sistemas de categorização. Esses significados. organizados em sistemas de representação. 200) A comunicação baseada na transmissão direciona a uma forma de conhecer o mundo bastante passiva.

para uma atividade observada por meio da participação de “anônimos” através da rede. O modelo educacional que mais absorveu essas transformações trazidas pela cibercultura foi a Educação a Distância. A tutoria também era realizada por correspondência e as relações eram pouco dialógicas. antes observada nos modelos baseados na transmissão. utilizando as tecnologias telemáticas. o uso do aparato audiovisual traz uma sensação de menor isolamento aos estudantes. um modelo de comunicação mais democrático. sejam elas impressas. a geração digital (KRATOCHWILL. de se relacionar com o saber. A segunda geração passa a se caracterizar pelo uso das tecnologias de televisão e rádio. CURRÍCULO EM EaD História da EaD A Educação a Distância não é uma modalidade recente. Se o modelo clássico de comunicação da grande mídia se resume a um polo emissor que transmite a um polo receptor – equivalente ao modelo comunicacional da escola “convencional” –. é a geração textual. assim. a EaD tem se pautado na web para viabilizar ações pedagógicas.Educação e Saúde rama tem influenciado as formas de comunicação nos ambientes escolares e a maneira de aprender. e por último. caracterizada pelo uso da correspondência. nº 4 – p. Esse modo de praticar EaD é centrado na transmissão e na autoinstrução. A partir da tentativa de reprodução das aulas tradicionais. através do ciberespaço se estabelece com maior ênfase uma relação em que todos se tornam emissores ao mesmo tempo em que são também receptores. construindo o que Lèvy (2000) denomina de inteligência coletiva. Apesar das ponderações de Santaella (2004. p. analógicas ou digitais. guardar. Constitui-se. 2009). Estabelecem-se formas de diálogo mais abrangentes. 61 . textos. é a analógica.84 jul-dez 2009 . O modelo co- Revista UNIABEU 61 Belford Roxo – RJ V. Há uma mudança comportamental da passividade. e até abrangentes. o diálogo e a interatividade. A aprendizagem consistia no acesso às informações contidas no material impresso enviado via correio por uma instituição responsável. A EaD difere da educação presencial em termos de controle do aprendizado. há a ressalva de que a natureza caótica da internet permite que movimentos aconteçam. administrar. A falta de restrição e controle inerentes ao funcionamento da internet abre espaço para diferentes. A facilidade em recolher. Há algum tempo esta modalidade é desenvolvida a fim de levar formação/educação para estudantes que estão distantes no espaço e/ou tempo de cursos ministrados presencialmente. É viabilizada pelo uso de tecnologias de comunicação. 72-75) a respeito das providências que as grandes corporações encaminham para maximizar sua dominação também no ciberespaço. vídeos. Essa modalidade pode ser dividida historicamente em três gerações: a primeira. Por se tratar de uma modalidade que utiliza tecnologias para por em prática seu saberfazer. compartilhar sons. gráficos e imagens permite a participação. a segunda. 2009). produzir. A geração textual surgiu da necessidade em levar educação para aqueles que não dispunham de oportunidades educacionais em suas localidades. centrando no sujeito aprendiz a responsabilidade e a autonomia por organizar seu tempo e formas de estudo (KRATOCHWILL. com base na televisão e no rádio. manifestações que décadas atrás poderiam ser contidas.

a aprendizagem coletiva. enfim. 62 . V. A natureza do curso e as reais condições do cotidiano e necessidades dos estudantes são os elementos que irão definir a melhor tecnologia e metodologia a ser utilizada. bem como a definição dos momentos presenciais necessários e obrigatórios. Foi formulado em 2007 com a necesRevista UNIABEU Entretanto. trabalhos de conclusão de curso. A criação e uso de Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA) possibilita acesso e troca de textos. A terceira geração. Material didático. II. previstos em lei. Destacam-se aqui as indicações curriculares contidas nos Referenciais de Qualidade para Educação Superior a Distância. IV. As orientações contidas nesse documento não pretendem determinar o currículo em EaD. documento produzido pelo Ministério da Educação e Secretaria de Educação a Distância em 2007. práticas em laboratórios de ensino. sendo também base para “os demais níveis educacionais que podem ser ofertados a distância” (BRASIL. O documento tem como objetivo fornecer orientações especialmente para os cursos a distância de educação superior e pós-graduação. chamada de digital. Concepção de educação e currículo no processo de ensino e aprendizagem. A geração digital ocorre em meio à cibercultura e utiliza as potencialidades comunicacionais desta para promover uma educação interativa. 2007. de infraestrutura e de recursos humanos. III.02) Indicações curriculares Durante a história da EaD muitos documentos foram produzidos para dar orientações na criação e manutenção de cursos à distância.01). demarca um salto em relação às gerações anteriores. fez-se necessária a estruturação de um documento apropriado ao contexto. Sistemas de comunicação. tutorias presenciais nos polos descentralizados de apoio presencial e outras estratégias. videoconferências etc. estágios supervisionados. fóruns. p.Educação e Saúde municacional aqui ainda se baseia na transmissão. p. quando for o caso. Avaliação. 62 Belford Roxo – RJ V. imagens. sidade de atualização das diretrizes produzidas até aquele momento. as instituições que pretendem produzir um curso a distância devem possuir um Projeto Político Pedagógico (PPP) que contemple as dimensões pedagógicas. mas dar parâmetros mínimos para garantir a qualidade dos cursos nessa modalidade. vídeos. 03) que o PPP deve conter se referem a: I. Os principais tópicos abordados nos Referenciais de Qualidade (2007. agora no sentido de um para muitos. Com as possibilidades criadas pela informática e internet. Equipe multidisciplinar. p.84 jul-dez 2009 . sons. podendo ser síncronas (ao mesmo tempo) ou assíncronas (em tempos diferentes) estimulando o diálogo e a interação. nº 4 – p. Dada a conjuntura histórica da cibercultura e as transformações na modalidade de Educação a Distância (geração digital). Segundo o documento. além de permitir a socialização entre todos os participantes do processo de ensino-aprendizagem por meio de chats. Não há um modelo único de educação a distância! Os programas podem apresentar diferentes desenhos e múltiplas combinações de linguagens e recursos educacionais e tecnológicos. extrapolam-se as formas de comunicação. (BRASIL. 2007.

em que o Revista UNIABEU 63 Belford Roxo – RJ V. A avaliação é abordada em duas dimensões: avaliação da aprendizagem e avaliação institucional. por meio do AVA. em rede. Por esse motivo a escolha do sistema de comunicação e a forma como será utilizado é essencial. nessa perspectiva. menos verticalizadas. separados em disciplinas e dimensionados em etapas para apreensão. Dentre as explanações de cada tópico. A estrutura curricular passa de hierarquizada para ramificada. De uma forma geral os Referenciais de Qualidade não representam um rompante com o currículo tradicional. Infraestrutura de apoio. Porém. nº 4 – p. As avaliações devem ocorrer à distância. Essas tecnologias devem servir de ferramenta para promover a interação e interatividade entre todos os sujeitos envolvidos no processo educativo. 63 . Conteúdos são selecionados..Educação e Saúde VI.. Sustentabilidade financeira. A avaliação da aprendi- zagem é destacada como processo contínuo. Gestão acadêmico-administrativa. Os organizadores de um curso a distância devem se preocupar com a escolha das tecnologias que fará uso para alcançar os objetivos pedagógicos préestabelecidos. mas também em momentos presenciais obrigatórios e claramente definidos no Plano de Ensino. em uma perspectiva de compromisso com a construção de uma sociedade mais justa” através de uma configuração curricular que facilite “[. p. torna-se responsável por transmitir o conhecimento legítimo. definem novos paradigmas educacionais quando transforma o modelo de comunicação baseado apenas na transmissão de conteúdos para o aprendizado em rede. como exemplo pode-se destacar a obrigatoriedade dos momentos de avaliação presencial em cursos ministrados a distância.. é fonte reconhecida do saber.03. tempo e objetivos a serem alcançados.] superando a visão fragmentada do conhecimento” (BRASIL. tornando o conhecimento fragmentado e distante da realidade. pois o estudante é colocado como o centro do processo educacional. VII. Freire (1996) denomina esse sistema de modelo bancário de educação. Por este motivo há a necessidade de polos presenciais que possuam estruturas que deem conta de atender as necessidades dos estudantes na localidade em que residem. “o desenvolvimento humano.84 jul-dez 2009 . Funcionamento semelhante ao de uma fábrica. possibilitando relações mais democráticas. em que o progresso dos estudantes é constantemente observado com o intuito em identificar prováveis dificuldades e estimular a aprendizagem. tutores e colegas deve ser prezada a fim de minimizar a sensação de isolamento e estimular a cooperação e a aprendizagem. A definição dos materiais didáticos – em diferentes mídias – as formas de acompanhamento da aprendizagem e também a avaliação necessitam ser desenvolvidas por uma equipe de diversos profissionais trabalhando de forma integrada a fim de evitar a disciplinaridade e a fragmentação do conhecimento. a previsão de um cronograma contendo prazos e datas de avaliação é vital para facilitar a organização do estudante. de forma colaborativa e integrando saberes. O professor. Novos paradigmas educacionais O currículo baseado nas Teorias de Currículo tradicionais tem como principal característica o esquadrinhamento do espaço. A facilidade de comunicação com os professores. Igualmente. VIII. 2007.] a integração entre os conteúdos e suas metodologias [. ressalta-se como principal objetivo. grifo nosso)..

O modelo hipertextual de simultaneidade. não-linearidade e interdisciplinaridade integrada provoca a escola. são incabíveis dentro da perspectiva de um currículo em rede (RAMAL. além de conferir a ideia que o professor é proprietário do saber. Sobre a hipertextualidade. trocar informações e conhecimentos. Como manter as práticas pedagógicas atualizadas com esses novos processos de transação de conhecimento? Não se trata aqui de usar as tecnologias a qualquer custo. pré-requisitos que funcionam como degraus. que pressupõem etapas a serem vencidas. 22). 2009) é deslocado da tradicional posição de fonte e transmissor de conhecimento para o de gestor do conhecimento em rede. 2000. O respeito ao ritmo e formas de aprendizado permeiam o processo educacional colaborativo (KRATOCHWILL. com sua organização fragmentada de saberes. mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção” (FREIRE. grifo do autor). emitindo atestados de saber.84 jul-dez 2009 . com seus currículos sequenciais e pseudolineares. em lugar do conteúdo. SILVA.Educação e Saúde estudante é colocado como receptáculo no qual o professor deve depositar o conhecimento. as mentalidades e a cultura dos sistemas educacionais tradicionais e sobretudo os papéis de professor e de aluno.. p. O acesso à informação não se encontra restrito ao espaço escolar e as relações se tornaram mais horizontais. co-produzir. O papel do aluno se movimenta da passividade imputada pela escola tradicional até a construção de sua autonomia intelectual e humana. no sentido de haver apenas uma forma de aprender e de avaliar o aprendizado. 2002) em que a construção do conhecimento sobrepõe em importância a própria questão do conteúdo curricular. No contexto da cibercultura.. A aprendizagem se torna foco do trabalho docente. pois deriva de pressupostos epistemológicos impostos pela cultura da 64 Belford Roxo – RJ V. nº 4 – p. O fazer do educador “[. A cibercultura trouxe uma nova relação com o saber. p. Ramal destaca. O modelo de escada não nos serve mais. Lèvy coloca. 172. 2009). podendo atribuir notas através de exames que funcionam como “saques de conhecimento”. atuante e responsável pelo seu próprio Revista UNIABEU aprendizado e pela colaboração no aprendizado de outros (KRATOCHWILL. de mediador na produção de diversos saberes. Conforme ressaltado anteriormente. relação essa que vem impulsionando os modos de se fazer educação. O currículo na EaD assume novos paradigmas quando transforma a linearidade e imutabilidade do currículo tradicional para a prática de outro em que o hipertexto e o diálogo se tornam centrais no aprendizado individual e coletivo.] não é transferir conhecimento. a transformação do modelo de comunicação aliada à apropriação pedagógica das possibilidades do ciberespaço pela EaD ampliaram as formas de fazer educação. são ações que fazem parte do novo papel do aluno. muito mais dinâmico. A hierarquia de saberes e o aprendizado “correto”. 64 . (LÉVY. abertas às manifestações pessoais. respeitar diferentes pontos de vista. mas sim de acompanhar consciente e deliberadamente uma mudança de civilização que questiona profundamente as formas institucionais. 1996. a prática desse currículo instiga à submissão e passividade do estudante. 2009). O papel do professor no paradigma da educação interativa (SANTOS. documentos de aprovação e reprovação. Orientar seus estudos. buscar fontes.

] crenças inconscientes que se manifestam nas falas. Essas representações sociais em relação à avaliação derivam do exercício de um currículo tradicional que faz parte da história da própria escola. classifica e categoriza por meio da nota. opiniões. podendo obter mais ou menos acertos. exatamente pelos aspectos que rompem com a lógica da submissão. A avaliação da aprendizagem no ambiente escolar. registros. 65 . diagnosticar. enfim. É subsídio para analisar em que ponto da caminhada o sujeito se encontra e qual a orientação necessária para atingir os objetivos propostos.Educação e Saúde palavra impressa.] como padrões inconscientes de conduta. A avaliação. promove ainda uma cultura da construção do conhecimento. A avaliação é o instrumento de retroalimentação do processo de ensino-aprendizagem. As transformações paradigmáticas impulsionadas pela EaD configuram uma contribuição ao currículo praticado nos sistemas presenciais de ensino. mas do estímulo à criatividade e à produção individual e coletiva de informações. conhecimento. nº 4 – p. 2002. (RAMAL. nesse sentido. O autor faz uma diferenciação entre esses dois atos. agir e pensar sobre determinados fenômenos ou experiências da vida prática” (LUCKESI. segundo abordagem do autor. ideias. em contrapartida. A sala de aula monológica e limitada à voz única é questionada pelos novos perfis cognitivos que se organizam a partir da abertura de múltiplas janelas.. Esse é o instrumento que oferece reconhecimento ao saber adquirido pelo estudante. como transformação do currículo tradicional para outro que se adeque às necessidades sociais e possibilite a atuação crítica dos sujeitos no contexto atual. nas piadas e. Luckesi (2000) observa a prática da avaliação no ambiente escolar sob o prisma das representações sociais. que formam nosso modo de ser. nos discursos.. 2000). A avaliação é responsável por trazer à luz a forma como o estudante compreende determinado assunto e os significados que constrói acerca dele. está a favor da apren- Revista UNIABEU 65 Belford Roxo – RJ V. Avaliação é o ato de investigar. p. intervir e orientar. como se pode pensar. mas como um aprimoramento nas formas de se fazer educação. O primeiro aspecto abordado por Luckesi leva em consideração a representação social que iguala exame à avaliação. especialmente. nos chistes.. possibilidade natural da mente humana que é potencializada pela hipertextualidade digital. não mais da padronização dos saberes. O exame ressalta que no momento de sua realização o estudante soube responder a certo número de perguntas. é praticada por meio de representações sociais que professores possuem acerca desse instrumento. passividade e enquadramento de pessoas em padrões pré-estabelecidos. O exame se baseia em acertos e erros. na ação cotidiana” (LUCKESI.84 jul-dez 2009 . O autor define o conceito como “[. Representações sociais consistem em um conjunto de preceitos que orientam a compreensão e o modo de agir individual e coletivo acerca de determinado fenômeno. ou ainda “[. é instrumento investigativo acerca dos processos de aprendizagem. 2000).. Em especial. serve para observar se o estudante está alcançando as finalidades educativas. A avaliação. 184) A ideia da formatação de um currículo em rede surge não como uma afronta à escola em si. APRENDIZAGEM E AVALIAÇÃO EM EaD Avaliação e currículo A avaliação da aprendizagem é aspecto fundamental no currículo.

trabalhos.] Dar oportunidade é um ato de quem tem autoridade para fazer isso. nº 4 – p. concede-lhe nova oportunidade. Especialmente porque se conecta aos momentos de aprendizagem. Num processo de avaliação. um novo olhar sobre as formas de avaliar. contudo. portanto o professor concede nova oportunidade de praticar o exame. O foco dos educadores se torna a coerência dos saberes sendo trabalhados de forma integrada. Luckesi ressalta que.Educação e Saúde dizagem. está a preocupação em consti- O autor destaca ainda que provas.84 jul-dez 2009 . A abordagem apresentada segue de acordo com configuração de um currículo que tem como centro o sujeito aprendiz. sua aprendizagem. momentos que são registrados e compartilhados permitindo a possibilidade de observação mais atenta ao aprendizado do aluno. dar ênfase nos procedimentos qualitativos que aprimoram o ensino e a aprendizagem com a finalidade de atingir os objetivos educacionais. Eles devem ser usados em todo o percurso de aprendizagem com intenção em acompanhar e orientar o aprendizado do estudante. um processo contínuo de orientação e reorientação da aprendizagem. (LUCKESI. mas. É originária da ideia do exame enquanto avaliação. no intuito de ampliar os meios e as formas dos estudantes exprimirem suas aprendizagens e reflexões. diagnosticar a aprendizagem é um ato de quem faz parceria com o educando. auxiliando-o a construir seu caminho. caracterizando um modo de avaliação processual. O estudante não “foi bem” no exame. de acordo com Luckesi. sim. É necessário. Nota é resultado do exame e serve tão somente para classificar. exige-se uma constância na participação dos estudantes. no lugar da oralidade. Trata-se da socialização do saber por meio do Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA). No cerne das questões que envolvem a EaD.. Na EaD a comunicação se pauta mais fortemente na escrita. no lugar da fragmentação do conteúdo e dos resultados classificatórios. alimentando-a e estimulando-a. para não se dizer que ele não teve uma nova chance de ser aprovado. [. O segundo aspecto está ligado ao primeiro. entre outros são instrumentos de avaliação e estão a serviço da avaliação e da ação de diagnosticar para orientar. Revista UNIABEU 66 Belford Roxo – RJ V. A terceira reflexão levantada pelo autor se refere à representação social em que professores concedem novas oportunidades aos estudantes em suas “avaliações”. Para diminuir a sensação de isolamento e ter subsídios para observar a participação do estudante à distância. enfatizando os processos de comunicação do pensamento e da opinião do estudante através da escrita. 2000). Escrita como articuladora entre aprendizagem e avaliação A avaliação na Educação a Distância tem papel central. 66 . Não se trata de uma escrita formal como nos casos de trabalhos acadêmicos – salvo os momentos em que esse é o caso – mas com nuances da informalidade que permeia a oralidade. A expressão „dar nova oportunidade ao aluno‟ significa que o educador já julgou classificatoriamente o aluno como reprovado. avaliando e orientando os estudantes em seus caminhos para a construção do conhecimento. Ainda vale realçar a importância de se variar os instrumentos avaliativos. Diz respeito à nota enquanto sinônimo de avaliação. romper com o padrão que confunde exame com avaliação. não reflete a avaliação como um todo. exercícios.. inexiste a possibilidade de „dar uma nova oportunidade‟. para obter-se o melhor resultado possível.

o estudante pode desenvolver a escrita de maneira flexível. presentes em seu inconsciente. Já com a escrita é diferente. O ato de escrever para participar dos fóruns implica em registrar ideias. A maior parte dos instrumentos de comunicação através do AVA pauta-se fundamentalmente na escrita. fórum. a reflexão/decisão de quais interfaces inserir é fundamental. fundamenta-se no escrever certo. Essa possibilidade permite uma constante avaliação de como os estudantes estão interpretando conceitos e como os significam. buscando atender à diversidade. de promover a autonomia e o compartilhamento de idéias. desenvolvimento do pensamento e a comunicação destes aos outros participantes do curso. primados do nosso pensamento cartesiano (WARSCHAUER. tendo temas definidos e critérios avaliativos que podem engessar a criatividade do estudante. 64). torna-se obrigatório e padronizado no sentido de estar de acordo com as normas gramaticais. sendo essas algumas das possibilidades”. a fim de oferecer espaços para estudos de casos. tudo mediado pelo professor/tutor e registrado por meio do AVA (BARREIRA-PINTO. Na EaD (comprometida com o aprendizado do estudante) a avaliação processual/diagnóstica mescla-se com os momentos de aprendizagem em que o aluno desenvolve na escrita suas reflexões e as registra no AVA. observando-a em um contexto de aprendizado em co-produção com outros estudantes e educadores. O momento de escrever. Ideias faladas ou pensadas são fugazes. permitindo que o professor acompanhe seus passos. Isto o deixaria vulnerável a críticas. pois não obedece. Talvez por isso encontremos dificuldades em escre- ver aquilo de que não temos certeza. terá por princípio o compartilhar de ideias. assemelhando-se às formas orais de comunicação. mais solta. Escrever o que “vem na cabeça” (e no coração) é “perigoso”. tornando a escrita técnica e não a encarando como instrumento de desenvolvimento do pensamento e da autoria. Podemos mudar de ideias mas as anteriores estão registradas. interpretação de gráficos. No currículo tradicional. por exemplo.Educação e Saúde tuir uma modalidade educacional que alcance sujeitos localizados em diferentes regiões. reflexões. Revista UNIABEU 67 Belford Roxo – RJ V.84 jul-dez 2009 . 2009). necessariamente. Abreu (2006) sinaliza que o “[. Acho que outra possível explicação para as dificuldades com a escrita está no fato de que escrever compromete muito mais do que falar ou pensar. nº 4 – p. 1993.. realizada apenas nos momentos de trabalho e provas que. ou seja. Por este motivo há a atenção – indicada nos próprios Referenciais de Qualidade – com a escolha dos meios de interação. Há o esforço em contemplar diferentes formas de aprender através de múltiplos instrumentos. por serem produções textuais que objetivam a análise criteriosa e avaliativa do professor que as requisitou (ABREU. portfólios. Os chamados “bloqueios” de escrita pelos estudantes são frequentes. a relação com a escrita é mais formal. claro. Em uma atividade que propõe o debate de um tema realizado por meio de fórum. Por meio dos variados instrumentos de participação disponíveis no AVA.. em geral. por isso a importância de se desenvolver uma nova relação com essa forma comunicacional: menos rígida. dentro de um contexto onde a valorização recai somente sobre o que é lógico e objetivo. O currículo tradicional aborda o erro de forma negativa. diário de bordo. p. 2006). “valem nota”. 67 . a uma ordem lógica ou linear. Além. expondo contradições ou possíveis incoerências do autor. Sobre a relação com a escrita.] planejamento. assim.

As novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) influenciam as formas de aprender. se fundamenta em uma lógica textual que sugere a conexão. Assim como o diário. a escrita no fórum também estimula o autoconhecimento e a autoavaliação. que interliga discursos e que são constituídos pelo interlocutor. Nesse currículo a submissão ao que é imposto para se aprender e a pouca tolerância ao erro resultam em uma prática curricular engessada. Revista UNIABEU Ω 68 Belford Roxo – RJ V. que se relaciona com o conteúdo e os relaciona entre si. mas avaliação e aprendizagem ocorrem simultaneamente em todo o percurso de ensino-aprendizagem tendo a escrita como elemento integrador. nº 4 – p. também na pesquisa. cria condições históricas para a origem de visões de mundo antes dificultadas pela uniformização imputadas. transformam. Avaliação e aprendizagem. A ideia do hipertexto. possibilita a reinvenção de significados e conceitos.84 jul-dez 2009 . Os sistemas em EaD produzem uma possibilidade curricular que se fundamenta em especial nas formas de comunicação escrita e colaborativa. A importância da participação escrita faz-se essencial na modalidade à distância e é ponto fulcral no currículo em EaD. O tempo para o aprendizado de cada conteúdo é dimensionado em etapas e exames que são impostos ao final de cada uma para analisar se o conteúdo “dado” foi devidamente interiorizado pelo estudante. tratados como verdades absolutas e imutáveis. trazida através da cibercultura.Educação e Saúde possibilitando a arguição. Com o surgimento de novas maneiras de aprender-ensinar através do ciberespaço. Essa forma de leitura/escrita faz parte de um modelo comunicacional que envolve um interlocutor ativo. fomentador da aprendizagem e propiciador da avaliação processual. as formas de constituir conhecimento ampliaram-se. A memorização de “matérias” e o bom desempenho em exames resultam em uma atuação considerada pelos professores como referentes à de um “bom aluno”. o modelo comunicacional baseado na simples transmissão e imputam novas formas de ensinar-aprender. O hipertexto representa a integração de saberes por meio dos links. seguindo um caminho próprio. A idéia de currículo em rede se encaixa em uma perspectiva que estimula a criatividade e a autonomia. A formatação desse currículo intenciona desenvolver identidades que possibilitem a atuação crítica sobre a realidade que as cercam e a promoção da construção do conhecimento em si. ainda praticado em muitas escolas brasileiras. o diálogo e a interação. É o processo de comunicação principal nessa modalidade. assim. compartilhamento e co-produção. trabalha com as grades curriculares que nada mais são que o conhecimento dividido em disciplinas e séries. pois o sujeito pode rever seu desenvolvimento e observar-se perante outros posicionamentos. A ausência da contenção de um currículo que torna os saberes padronizados. O ato de avaliar não se resume a uma situação pontual e desconectada da aprendizagem. 68 . por exemplo. indefinido. CONCLUSÃO O currículo tradicional. o diálogo entre diferentes narrativas. especialmente. se misturam alimentando o processo de ensinoaprendizagem. não demarcado.

alunos e conhecimento.rieoei. Paulo. 1997. São Paulo: Paulus Editorial. 170 p. Belo Horizonte: Autêntica. ed.79 a 88. Petrópolis: Vozes. Endereço eletrônico: <http://www.Educação e Saúde bReferências Bibliográficasb ABREU. 3. Pierre. Universidade Castelo Branco e Fundação Trompowsky. Porto Alegre: Secretaria Municipal de Educação. Tomaz Tadeu da. São Paulo: Ed. Culturas e artes do pós-humano: da cultura das mídias à cibercultura. 2007. KRATOCHWILL. BARREIRO-PINTO. In_Eccos Revista Científica. Porto Alegre: Artmed. Lúcia. Universidade Castelo Branco e Fundação Trompowsky. vol. Rio de Janeiro. Realizado de 20-11-2006 a 05-12-2006. 190-207. fac. Susan. Marco. Cecília. Isilda Campaner. Universidade Nova de Julho. SANTAELLA. PALANGANA. SANTOS. nº 4 – p. Isabel Andréa. 2008. Rio de Janeiro. Petrópolis: Vozes. 190-207. 69 . Tomaz Tadeu da. Currículo e identidade social: territórios contestados. 2.org/rie49a11. Avaliação em EaD: valorizando os dizeres dos alunos. Edmea. Educação na cibercultura: hipertextualidade. Ministério da Educação e Secretaria de Educação a Distância. In_Revista IberoAmericana de Educação. 2007. Cipriano Carlos. SILVA. 2000. escrita e aprendizagem. p. III Congresso online – Observatório para a cibersociedade. 2. Memória e Pedagogia no maravilhoso mundo da Disney. ed. Shirley R. São Paulo: Paz e Terra. 2001. Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo. ed. Cibercultura. Andrea Cecilia. Ω Revista UNIABEU 69 Belford Roxo – RJ V. 1993.. 2009. 7. Avaliação da aprendizagem na escola e a questão das representações sociais. A roda e o registro: uma parceria entre professor. RAMAL. Conhecimento aberto sociedade livre. In_ Alienígenas na sala de aula: uma introdução aos estudos culturais em educação. São Paulo. 2002. Identidade Social e a Construção do Conhecimento. São Paulo: Summus. Acesso em 07/09/2009. LÉVY.htm>. STEINBERG. 1996. In: SILVA. Caderno da disciplina Avaliação em Educação a Distância. WARSCHAUER. Desenvolvimento e aprendizagem em Piaget e Vygotsky: a relevância do social. 4. leitura. 2009. 2008. SILVA. 357 p. SILVA. p. Henry A. AZEVEDO e SANTOS (orgs.). Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. Referenciais de Qualidade para Educação Superior a Distância.84 jul-dez 2009 . Caderno da disciplina Fundamentos da educação a distância. Kindercultura: a construção da infância pelas grandes corporações. ed. FREIRE. 2002. 2004. Ana. GIROUX. ed. O desenho didático interativo na educação online. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 02. BRASIL. 7. 2 ed. pág. LUCKESI. 34. In_ Alienígenas na sala de aula: uma introdução aos estudos culturais em educação.

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the beaches Revista UNIABEU 71 Belford Roxo – RJ V. RJ. Elvira UERJ. independentemente de poder aquisitivo. consequentemente. Manguinhos. Maria Inez de Moura IOC .FIOCRUZ. nível cultural ou social. Sendo assim. apesar do contágio por este meio não ter sido demonstrado em estudos epidemiológicos. Belford Roxo. microorganismos.FIOCRUZ.The beaches of Rio de Janeiro (MRJ) represent one of the main visiting cards of the city and country. Até recentemente. RJ. RJ SOTERO-MARTINS. Moreover.Educação e Saúde CONTROLE AMBIENTAL DE LEVEDURAS E FUNGOS FILAMENTOSOS NAS PRAIAS DA BAÍA DE GUANABARA HEINEN. A cidade do Rio de Janeiro continua ocupando o primeiro lugar entre os destinos brasileiros escolhidos por turistas estrangeiros. RESUMO . SARQUIS. Bioquimica e Biotransformação de Fungos. RJ CARVAJAL. Entretanto. being an important factor for the development of tourism and economy. considered the window of Brazil to the world. RJ.As praias do Município do Rio de Janeiro (MRJ) representam um dos principais cartões de visita da cidade e do país. Palavras-chave: qualidade bacteriológica.84 jul-dez 2009 .FIOCRUZ. modificada pela Resolução CONAMA 274/2000. RJ. existe um consenso de que a areia de praia também pode atuar como fonte ou vetor de doenças. Manguinhos. sendo considerada a janela do Brasil para o mundo. Dept. Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental. 71 . sendo um importante fator de desenvolvimento do turismo e da economia. Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental. com base na Resolução CONAMA 20/86. as praias representam uma das principais atividades de lazer dos habitantes da cidade. The city of Rio de Janeiro continues to occupy first place among the Brazilian destinations chosen by foreign tourists. o monitoramento das condições sanitárias das praias no Município do Rio de Janeiro era feito apenas através da avaliação da qualidade bacteriológica das suas águas. de Taxonomia. condições sanitárias ABSTRACT . Além disso. Manguinhos. nº 4 – p. Renata Corrêa ENSP . Adriana ENSP .FIOCRUZ. REGO. Faculdade de Farmácia. de Biologia Celular . o presente trabalho visa contribuir com a identificação de microorganismos – leveduras e fungos filamentosos – e a recuperação das condições sanitárias nestas comunidades e. Maracanã. Jane da Costa Valentim ENSP .IBRAG. UNIABEU. Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental. incluindo o ecossistema da Baía de Guanabara. Lab. Manguinhos. com a qualidade do ambiente em que vivem.

Embora a resolução 274/00 do CONAMA. Therefore. a areia úmida foi pesada e diluída em 200ml de tampão fosfato e. 72 . que trata de balneabilidade. através da sua Secretaria de Meio Ambiente. cultural or social level. as amended by Resolution CONAMA 274/2000. pombos e línguas negras) podem veicular doenças como: hepatite. nº 4 – p. verminoses e micoses (Campos. 2003). MATERIAL E MÉTODOS As coletas e os isolamentos foram feitos no período de 12 meses (junho/ 2008 a junho/ 2009) sendo 6 campanhas nas praias da Ilha do Governador – Praia da Bica (BI) e Praia de Tubiacanga (TU). consequently. monitoring the health conditions of the beaches in Rio de Janeiro was made only by evaluating the bacteriological quality of its waters. identificar microrganismos com potencial biotecnológico para biorremediação dos ecossistemas. onde se destaca o esgoto sanitário. No laboratório. recomendou aos órgãos ambientais que fossem feitas as análises microbiológica e parasitológica de areia. dermatoses em unhas. Key-words: bacteriological quality. quando contaminados por microrganismos oriundos de várias fontes (lixo. Until recently. despite the contagion in this way has not been shown in epidemiological studies. sanitary conditions INTRODUÇÃO A tualmente não existe legislação brasileira relacionada com a avaliação da qualidade sanitária de areia de áreas de recreação. based on CONAMA Resolution 20/86. inoculada 0. também. e nas praias da Ilha de Paquetá – Praia de José Bonifácio (JB) e Praia de Tamoios (TA). Os recursos hídricos e a areia associada. However. criptococose. contudo essa não considerava a frequência dos fungos como parâmetro de avaliação de risco à saúde pública. gastroenterites. As principais doenças fúngicas correlacionadas são: candidíase. microorganism. pretende-se. em seguida. 78g de areia úmida e 50ml de água coletados por ponto de coleta. O município do Rio de Janeiro. lançado diariamente em suas águas ou nas praias através das vias clandestinas que deságuam nas vias fluviais.1ml dessa diluição em meio sólido Agar Sabouraud Dextrose com 100mg/l de cloranfenicol. pele e cabelos. Foram analisados 62g de areia seca. animais domésticos. there is a consensus that beach sand can also act as a source or vector of disease.Educação e Saúde are one of the main leisure activities of city residents.84 jul-dez 2009 . Revista UNIABEU 72 Belford Roxo – RJ V.yeasts and filamentous fungi . em que a proposta de avaliação da poluição de sistemas que possuem alta atividade industrial esta inserido. including the ecosystem of the bay. this paper aims to contribute to the identification of microorganisms . A Baía de Guanabara é um ecossistema impactado por diferentes poluentes. regardless of purchasing power. editou em caráter provisório em 2000 a resolução 081/SMAC. Neste contexto. the quality of their environment.and the restoration of sanitary conditions in these communities and.

70% foram obtidas de areia seca.30ºC. era feita uma cultura em lâmina para a observação das estruturas e identificação e. Os fungos filamentosos. RESULTADOS 1) Avaliação do total de leveduras em coleção de cultura.84 jul-dez 2009 . finalmente. são processados da seguinte maneira: a) por avaliação da diversidade fenotípica. Analisando-se os resultados preliminares representando as 6 campanhas realizadas nos meses do ano – inverno. areia úmida e água.Educação e Saúde As leveduras foram isoladas 24/48h após o crescimento. os fungos eram observados através de exame direto na lâmina para a definição inicial das possibilidades de gênero. 74% foram obtidas de areia úmida e 77% foram obtidas das águas. Revista UNIABEU 73 Belford Roxo – RJ V. b) após o isolamento e crescimento em meio SAB. nº 4 – p. (tabela 1). transferidas para meio YPD fresco líquido e mantidas em coleção a -20ºC em glicerol 40%. a preservação dos fungos filamentosos em meio de cultura específico. foram obtidos os seguintes resultados: das 318 leveduras isoladas e que estão em coleção. d) após 7 dias de crescimento. levando à conclusão que 73% das leveduras eram típicas do gênero Candida. após 5-7 dias de cultura a 25ºC . primavera e outono – em matrizes como areia seca. 73 .

VBB-verde-azulada filamentosa borda branca. BPeq. MA.laranja espraiada algodanosa. e as leveduras em 47% em areia seca e 32% em areia úmida. NFA-negra filamentosa algodanosa.levedura branca ou amarela crescida com 24 horas. 32% (23) foram identificadas como Penecillium SP. para fungos filamentosos. e das 42 isoladas como NBB. 55% em areia úmida e 10% em água. (Fig 2 ). BEC.84 jul-dez 2009 .marrom algodanosa. A primavera foi a segunda estação de maior ocorrência de fungos.negra com borda branca. 58% em areia seca e 26% em areia úmida. NBB (negra com borda branca) e BEA (branca espraiada algodanosa).branca espelhada. nº 4 – p. sendo encontrados. BE-branca esfumaçada.Educação e Saúde 2) Avaliação da frequência de fenótipos dos fungos filamentosos. NBB. LEA. 33% em areia úmida e 18% em água. BEA. 3) Análise dos fungos de maior ocorrência por estação do ano e por matriz. (Figura 1 SBM) Figura 1– Frequência dos Fenótipos dos Fungos encontrados por ponto de coleta. AR. foi 48% em areia seca.amarela redonda.branca espraiada algodanosa. O inverno foi a estação de maior ocorrência de fungos. Para leveduras. sendo encontrado para fungos filamentosos: 34% em areia seca. Revista UNIABEU 74 Belford Roxo – RJ V.branca pequena. Do total de 70 cepas isoladas com o fenótipo VBB. L24h. 74 . Os fungos filamentosos de maior frequência por ponto (placa) foram VBB (verdeazulada filamentosa borda branca). 78% (33) foram identificadas como do gênero Aspergillus sp. LCRlevedura laranja redonda.

nº 4 – p.84 jul-dez 2009 . Revista UNIABEU 75 Belford Roxo – RJ V.Educação e Saúde Figura 2 – Análise dos Fungos de Maior Ocorrência. por estação do ano e por matriz. 75 .

nº 4 – p. Rio de Janeiro. 2005. G. M. Groundwater Pollution Microbiology. 76 . Vigilância ambiental em saúde e sua implantação no Sistema Único de Saúde. A. Hartz. . K. vol 54 (9). Resolução N. Ω bReferências Bibliográficasb .Barcellosa. D.Qualidade Ambiental do Ecossistema da Baía Hidrográfica da Baía de Guanabara em 1990. Nowosielsk . C. T. 2006. Rio de Janeiro.Boukai.D.Y. CONAMA. 40 (1):170-177. 1472-1482. os resultados obtidos para o verão foram inconclusivos. Ω Revista UNIABEU 76 Belford Roxo – RJ V. foram observados os maiores índices de crescimento destes microorganismos. Eds. NBB e BEA. N. Dissertação de mestrado na Universidade do Estado do Rio de janeiro (UERJ). Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (FEEMA). de 29/11/2000. Auvelier. Prevalence and distribuition of fecal indicator organisms in South Florida beach sand and preliminary assessment of health effects associated with beach sand exposure. Outubro. Entretanto.Bitton. FEEMA . L. N. Gerba.. Wiley. A. Krieger Pub.. Marine Pollution Bulletin. CONAMA.Dentre as leveduras observadas. Qualidade sanitária da areia das praias no Município do Rio de Janeiro: Diagnóstico e estratégia para monitoramento e controle. Green. Saúde Pública. . 1984 Bonilla.84 jul-dez 2009 .P. Resolução N274. .C.A frequência fenotípica de fungos filamentosos foi VBB. Quitério. Co. respectivamente. de 18/06/1986. sendo identificados os gêneros Penicillium e Aspergillus como os principais representantes destes microorganismos.A frequência de leveduras e fungos filamentosos por estação do ano indica que o inverno e a primavera foram as estações em que. 73% são típicas representando o gênero Candida. 2007. .Educação e Saúde CONCLUSÕES . Rev.. M..

Os cursos são oferecidos em diversas áreas do conhecimento: EDUCAÇÃO Docência na Educação Infantil e no Ensino Fundamental Docência no Ensino Superior Educação Física Escolar Educação Matemática Gestão Escolar e Pedagógica História do Cristianismo Índios e Africanos na História do Brasil Orientação e Supervisão Educacional Psicanálise e Educação Psicopedagogia Clínico-Institucional GESTÃO Gestão de Competências Organizacionais Gestão Fiscal e Tributária MBA em Controladoria e Finanças Corporativas MBA em Gerenciamento de Projetos MBA em Gestão de Responsabilidade Social e Ambiental MBA em Gestão Empresarial MBA em Gestão Estratégica de Serviços MBA em Logística Empresarial MBA em Marketing MBA em Recursos Humanos LETRAS Exegese Bíblica Literatura e Cultura Brasileiras Revista UNIABEU 77 Belford Roxo – RJ V.GR A DU AÇ ÃO L AT O SE N S U E S P EC IA LI Z AÇ ÃO Cada vez mais os profissionais recorrem à universidade para obter o conhecimento essencial e indispensável à sua evolução no mercado. 77 .84 jul-dez 2009 . nº 4 – p. Para esses. conta com uma equipe de professores de reconhecida qualificação e identificados com as exigências de um mercado de trabalho altamente competitivo e globalizado. Para isso. A UNIABEU Centro Universitário oferece cursos de pós-graduação focados no interesse dos profissionais que buscam a especialização em uma área da formação e a atualização dos seus conhecimentos.Educação e Saúde C UR SO S D E PÓ S . além do acompanhamento dos avanços tecnológicos. os cursos de pós-graduação tornaram-se uma exigência e um diferencial.

84 jul-dez 2009 . Projeto e Gerência de Sistemas MBA em Gerência e Segurança de Redes Tecnologia da Produção de Biocombustíveis MULTIDISCIPLINAR Políticas Sociais Terapia Familiar Revista UNIABEU 78 Belford Roxo – RJ V. nº 4 – p.Educação e Saúde SAÚDE Anatomia Funcional e Biomecânica: Clínica e Desportiva Enfermagem de Alta Complexidade em UTI Enfermagem do Trabalho Farmácia Hospitalar Farmacologia Clinica Fisioterapia Pneumofuncional em Terapia Intensiva Medicina Desportiva e Ciências da Atividade Física Musculação e Treinamento de Força: Biomecânica e Fisiologia Programa de Saúde da Família TECNOLÓGICA Análise. 78 .

br EDUCAÇÃO .LETRAS (PORTUGUÊS/LITERATURA) Modalidade: Licenciatura .GESTÃO EM MARKETING Modalidade: Tecnológico . 79 .PSICOLOGIA Modalidade: Bacharelado ●UNIABEU Campus 2 – Escola Superior de Professores / ESP Nilópolis Rua Professor Alfredo Gonçalves Filgueiras.GESTÃO EM RECURSOS HUMANOS Modalidade: Tecnológico .LETRAS (PORTUGUÊS/INGLÊS) Revista UNIABEU 79 Belford Roxo – RJ V.84 jul-dez 2009 .SERVIÇO SOCIAL Modalidade: Bacharelado SAÚDE .GESTÃO AMBIENTAL Modalidade: Tecnológico . nº 4 – p.EDUCAÇÃO FÍSICA Modalidade: Licenciatura e Bacharelado .FARMÁCIA Modalidade: Bacharelado .CIÊNCIAS CONTÁBEIS Modalidade: Bacharelado .com.Educação e Saúde UNIDADES ACADÊMICAS .ENFERMAGEM Modalidade: Bacharelado . 301 – Centro. CEP: 26113-400 – Belford Roxo – RJ Tels: (21) 2104-0450 – Fax: (21) 2104-0461 E-mail: uniabeu1@abeu.br HUMANAS E SOCIAIS .FISIOTERAPIA Modalidade: Bacharelado .com.ADMINISTRAÇÃO Modalidade: Bacharelado .HISTÓRIA Modalidade: Licenciatura .POR CAMPUS ●UNIABEU Campus 1 – (SEDE) Belford Roxo Rua Itaiara. 537 – Centro CEP: 26525-060 – Nilópolis – RJ Tels: (21)3214-8200 – Fax: (21) 2691-1140 E-mail: uniabeu2@abeu.

ANÁLISE E DESENVOLVIMENTO DE SISTEMAS Modalidade: Tecnológico Maiores informações sobre os cursos de Graduação.com.www.br TECNOLOGIA . acesse: Portal da UNIABEU .MATEMÁTICA Modalidade: Licenciatura .DIREITO Modalidade: Bacharelado ●UNIABEU Campus 4 – Angra dos Reis Rua Bruno Andréa.84 jul-dez 2009 . 80 .ANÁLISE E DESENVOLVIMENTO DE SISTEMAS Modalidade: Tecnológico ●UNIABEU Campus 6 – ABEU Cetec Nova Iguaçu Rua Bernardino de Mello.edu.PEDAGOGIA Modalidade: Licenciatura HUMANAS E SOCIAIS . 1879 – Centro CEP: 26255-140 – Nova Iguaçu – RJ Telefax: (21) 3214-1400 E-mail: uniabeu6@abeu. 38 – Parque das Palmeiras CEP: 23900-000 – Angra dos Reis – RJ Telefax: (24) 3221-5500 E-mail: uniabeu4@abeu.uniabeu.br Central de Atendimento – Call Center – Tel: (21) 2104-0450 faleconosco@uniabeu.com.ADMINISTRAÇÃO Modalidade: Bacharelado TECNOLOGIA .Educação e Saúde Modalidade: Licenciatura .edu. nº 4 – p.br Revista UNIABEU 80 Belford Roxo – RJ V.REDE DE COMPUTADORES Modalidade: Tecnológico .br HUMANAS E SOCIAIS .

e destinam-se a publicar trabalhos de áreas e temáticas diversificadas. ligadas ou não aos cursos ministrados pela instituição. A UNIABEU não deterá a exclusividade de publicação do artigo. Para isto. Revista UNIABEU – EDUCAÇÃO E SAÚDE – destina-se à publicação de trabalhos que tratem de temáticas relacionadas às áreas da Educação e da Saúde. Deverão ter no máximo 40 páginas. incluindo figuras. resultantes de pesquisa.84 jul-dez 2009 . Artigos de Revisão: são os destinados à apresentação do conhecimento acumulado em determinada área. são de responsabilidade do(s) autor(es).Educação e Saúde INSTRUÇÕES PARA COLABORADORES As Revistas UNIABEU são publicadas pelo ABEU – Centro Universitário. para o endereço: revista@uniabeu. as sugestões e recomendações serão enviadas para os autores para revisão e comentários sobre as modificações realizadas. Os artigos apresentados. inéditos ou não. incluindo figuras. em arquivo anexado. Revista UNIABEU 81 Belford Roxo – RJ V. fluxogramas etc. SUBMISSÃO DOS ARTIGOS Os manuscritos devem ser encaminhados à Revista UNIABEU por e-mail. São aceitos para publicação as seguintes categorias de artigos: Artigos Originais: são considerados artigos originais os trabalhos inéditos. Artigos fora dos padrões e normas da Revista não serão aceitos para análise. porém caberá ao(s) autor(es) notificar ao Conselho Editorial se a matéria é inédita ou não. objetivando uma visão crítica desse conhecimento. fluxogramas etc. Recomenda-se uma cuidadosa revisão ortográfica e gramatical do texto. A aceitação dos manuscritos está condicionada a pareceres dos membros do Conselho Editorial ou de colaboradores ad hoc e quaisquer sugestões ou recomendações somente serão incorporadas após anuência dos autores. 81 . No corpo do e-mail.br.edu. assim como a categoria de artigo (original ou de revisão). se para a Revista UNIABEU Educação e Saúde. tabelas. após o parecer. o autor deverá indicar a revista para a qual o seu manuscrito deve ser apreciado. se para a Revista UNIABEU Humanas e Tecnológicas. nº 4 – p. Deverão ter no máximo 25 páginas. tabelas. Revista UNIABEU – HUMANAS E TECNOLÓGICAS – destina-se à publicação de trabalhos que tratem de temáticas relacionadas às áreas das Ciências Humanas e de Tecnologia.

As notas de rodapé devem ser exclusivamente explicativas. respeitando o conteúdo do trabalho. A segunda página deverá conter o resumo do trabalho em português e em inglês (abstract). página). jargões e neologismos desnecessários deve ser evitado. As menções a autores no corpo do texto devem ser sob a forma (AUTOR. ao final do artigo. Todas as notas deverão ser resumidas ao máximo e colocadas no pé da página. conclusão. PREPARAÇÃO DE MANUSCRITOS Todos os trabalhos deverão ser digitados em espaçamento simples. O corpo do texto de artigos originais deve ser estruturado contendo introdução. etc. tabelas. no texto. Por exemplo: (CORRÊA. com no máximo 100 (cem) palavras. resultados e discussão. quando necessário. qualificação acadêmica e profissional e nome da instituição de vínculo do(s) autor(es). nome. O resumo deve representar o conteúdo do trabalho de forma condensada. com 3 cm de margens e numeradas. metodologia. que. pequenas alterações nos manuscritos. 2008a). Indicar a referência e a(s) página(s) de onde foi retirada a citação. ano. na ordem alfabética. ano) ou (AUTOR. depois do ano. Não deve conter referências.Educação e Saúde A Revista UNIABEU reserva-se o direito de efetuar. As mesmas letras devem acompanhar a referência na seção Referências Bibliográficas. Revista UNIABEU 82 Belford Roxo – RJ V. Diferentes títulos do mesmo autor publicados no mesmo ano deverão ser diferenciados por adição de uma letra. O título deve ser um indicativo do assunto do trabalho e não deve conter abreviações. O uso de abreviaturas. ordenadas por números. conclusão. usar um tamanho menor da fonte e separá-las do texto principal por uma linha em branco e recuo. A folha de rosto deve conter em linhas separadas: título do trabalho. 2008b). e a indicação de 3 palavras-chave em português e 3 em inglês (keywords). o desenvolvimento do tema. 82 . Para as transcrições (citações literais). nº 4 – p. figuras ou abreviações. (CORRÊA. As páginas devem ser configuradas para o tamanho A4. utilizando Microsoft Word ou outro programa compatível. O autor para correspondência deverá ser indicado por um asterisco (*) e seu e-mail informado ao final.84 jul-dez 2009 . O corpo do texto de artigos de revisão deve conter uma introdução. de modo a adequá-los às normas da revista ou tornar seu estilo mais claro. deverão ser colocados logo depois do trecho a que se referem. de modo a ser significativo àqueles que só tiverem acesso a esse texto. agradecimentos (opcional) e referências bibliográficas. Os termos à que se referem as siglas devem ser apresentados por extenso na primeira vez que surgirem no texto. agradecimentos (opcional) e referências bibliográficas.

F. In: NASCIMENTO. RS: Editora Mediação. gráficos etc. Júlio César Furtado dos. Se o colorido for extremamente necessário. Livros: SANTOS. Andréa Santos (2008).. As figuras escaneadas ou fotografias que não apresentarem boa condição de reprodução gráfica não poderão ser publicadas. Obs: a) se o livro for uma tradução. Para figuras. Tradução de Maria Cristina Monteiro. Esse valor só poderá ser informado aos autores quando o trabalho estiver previsto para ser publicado. 2. fotografias etc devem ser colocadas abaixo destas. separar os nomes por vírgula.. indicando. A. o lugar em que devem ficar inseridos. dois pontos e vírgulas e à ordem das informações): 1. Rio de Janeiro: FAPERJ / E-papers.84 jul-dez 2009 . PEREIRA. devidamente legendadas e numeradas com algarismos arábicos. fotografias etc. indicar o nome do tradutor no final (Tradução de . M. W. As legendas das tabelas devem ser colocadas acima destas. As Referências Bibliográficas devem conter exclusivamente os autores e textos citados no trabalho e ser apresentadas ao final do manuscrito. modificada após o parecer da Revista). L. devem ser em alta resolução.Educação e Saúde As figuras. Figuras coloridas devem ser evitadas. As legendas das figuras. os autores devem solicitar a permissão à empresa/sociedade/organização que detenha os direitos autorais e enviá-la à Revista UNIABEU. no texto.. obedecendo os exemplos abaixo (atente-se às letras em itálico. junto com a versão final do manuscrito (versão final do autor. aos pontos. (orgs. em ordem alfabética. Capítulos de livro e coletâneas: PESSANHA. A. Revista UNIABEU 83 Belford Roxo – RJ V. tabelas. Porto Alegre: Artes Médicas. Fotografias devem estar em formato jpg ou tif. OLIVEIRA. maiúsculas e minúsculas. com alta definição. 2ª ed. culturas e territórios negros na educação: reflexões docentes para uma reeducação das relações étnico-raciais. idênticos aos já publicados anteriormente na literatura. o custo de publicação será repassado aos autores.. tabelas.) Histórias. quando da publicação. 83 . se escaneadas. deve ser verificada a necessidade de solicitação de permissão de publicação. 121-136. nº 4 – p. p. 2ª ed. gráficos. Porto Alegre. (1989). (2009). Exemplo: APPLE. André Rebouças e a questão racial no século XIX.) b) para mais de um autor. Em caso positivo. deverão ser colocados após as referências bibliográficas. Educação e poder. ocasião em que a gráfica fornece o orçamento. Aprendizagem significativa: modalidades de aprendizagens e o papel do professor.. Devem ter qualidade gráfica adequada (usar somente fundo branco) e.

Bill. Webpage OBSERVATÓRIO Brasileiro de Informações sobre Drogas (OBID). Conferências. Comunicações em eventos (Simpósios.C. 3.. no. J. Revista UNIABEU Educação e Saúde. January 1964. Álcool e Redução de Danos. 6. (2000). 84 . Produção de aroma de coco em fermentação semi-sólida. etc): MEDEIROS.br/portal/arquivos/pdf/Livro%20Alcool. Hydroxylation of 10-deoxoartemisinin by Mucor ramannianus. Disponível em: http://portal. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Revista UNIABEU 84 Belford Roxo – RJ V. 870.H.F.. S. Brasília: Editora MS. http://obid. de Oliveira.G. Teses e dissertações acadêmicas: RAMOS. R. E. Tradução: Mariane A.C. Versão traduzida e ampliada.senad. Pat. A.2. 41 Annual Meeting of the American Society of Pharmacognosy.V. WA. separada b) se o livro for uma tradução.G. Aline de Souza. 5.pdf 8. Dissertação de Mestrado. 117. LEITE.. U. b) para mais de um autor. Roberto Corrêa dos. 3.S.gov. nº 4 – p. (2004) Álcool e redução de danos. (2006).. VAKALERIS. In: BRASIL. R. Secretaria de Atenção à Saúde. FREITAS.gov. 1a ed.84 jul-dez 2009 . p 19-26. Publicações na WEB: STRONACH. 7. WILLIAMSON.. MARTH.) c) para mais de um autor. Seattle.. Da heteronomia à autonomia: uma abordagem desenvolvimentista da formação de valores através do desporto escolar. Obs: a) o nome do periódico deve vir por extenso. Ministério da Saúde.Educação e Saúde Obs: a) se houver mais de uma edição. Ano 1. esta deve ser indicada após o título da obra.S. Acesso em: 13 de outubro de 2008. Artigos: ANJOS. Manufacture of cottage cheese.br. Uma abordagem inovadora para países em transição. separar os nomes por vírgula. indicar o nome do tradutor no final (Tradução de . Universidade Federal do Rio de Janeiro.. EUA. separar os nomes por vírgula. por ponto. 4. D.F. (2008). Patentes: HUSSONG. S.saude.