Anais VI Simpósio Regional de Geoprocessamento e Sensoriamento Remoto - Geonordeste, Aracaju, SE, Brasil, 26 a 30 de novembro de 2012, UFS.

CORREÇÃO GEOMÉTRICA DE UMA CENA LANDSAT 5 TM UTILIZANDO O BANCO DE PONTOS DE CONTROLE GNSS DO INPE E O MOSAICO GEOCOVER Bruno Marascalki¹, Elias Fernando Berra2
1,2

Estudante de Mestrado Programa de Pós Graduação em Sensoriamento Remoto. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Av. Bento Gonçalvez, 9500, Porto Alegre, RS, Brasil. E-mail: {bruno.marascalki@gmail.com; eliasberra@yahoo.com.br}

RESUMO: O objetivo deste trabalho foi georreferenciar uma cena Landsat 5 TM (L5 TM) por meio de álgebra matricial utilizando duas bases de dados como referência cartográfica: 1) o Banco de Pontos de Controle GNSS do INPE e, 2) uma imagem GeoCover. Assim, a coordenada da imagem TM (linha x coluna) foi associada com as coordenadas UTM oriundas do GNSS ou da GeoCover pelo método dos mínimos quadrados. A precisão da correção geométrica foi avaliada pelo valor e vetor dos resíduos gerados em cada ponto utilizado. Os resultados indicaram que, tanto o GNSS quanto a GeoCover corrigiram a imagem L5 TM com precisão, ou seja, resíduos inferiores a um pixel (30 m). Contudo, os resíduos gerados utilizando a base GNSS foram menores, sugerindo uma melhor precisão para este tipo de trabalho. Ao final, conclui-se que os pontos GNSS são uma base confiável e precisa, porém, ressalta-se a dificuldade de encontrar pontos distribuídos por toda a cena. Além disso, nessa escala de trabalho nem sempre foi possível localizar os pontos GNSS na imagem TM. PALAVRAS-CHAVE: GNSS, georreferenciamento, resíduos. INTRODUÇÃO: De acordo com Bernstein (1983) uma imagem está geometricamente corrigida, se possuir um sistema de coordenadas cartográficas da mesma área a qual representa. As imagens geradas por sensores remotos estão sujeitas a uma série de distorções que podem ser corrigidas através de técnicas denominadas de correção geométrica. Existem dois níveis de correção (IBGE, 2001): a) correção dos erros sistemáticos, cujas correções são feitas na estação de recepção do satélite, e; b) correção de precisão: Esta é a correção geométrica propriamente dita, que remove os erros residuais, depois que os erros sistemáticos forem corrigidos. A correção geométrica produz o georreferenciamento da imagem, ou seja, estabelece uma relação geométrica entre os pixels da imagem e as coordenadas cartográficas da área correspondente. Cada vez mais surgem dados cartográficos disponíveis na internet com capacidade de serem utilizados para georreferenciamento de imagens de satélite. Atualmente, o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) disponibilizou o Banco de Pontos de Controle GNSS (Global Navigation Satellite Systems). Segundo INPE (2012) a ferramenta permite a correção geométrica de imagens como Landsat, averiguar dados e garantir a localização mais precisa das áreas mapeadas. Uma base de dados bastante utilizada para fazer correção geométrica de imagens é o Mosaico GeoCover 2000® (NASA, 2012), distribuído sem custos pela NASA. As imagens desse projeto são ortorretificadas e apresentam resolução espacial de 14,5 metros. Assim, o objetivo deste trabalho foi analisar o comportamento dos resíduos dos pontos de controle, apresentados pela correção geométrica da imagem Landsat 5 TM, utilizando como referência o Banco de Pontos de Controle GNSS do INPE e a imagem GeoCover.

MATERIAL E MÉTODO: A metodologia adotada neste trabalho consiste em duas etapas:
seleção das coordenadas dos pontos de controle e cálculo dos resíduos vetoriais. A seleção dos pontos de controle para georreferenciamento da imagem Landsat 5 TM foi realizada com base no Banco de Pontos de Controle GNSS para o Nordeste, disponíveis no sítio do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). A coleta das coordenadas dos pontos foi efetuada com técnicas de posicionamento global, através do método de estático relativo. A seleção da cena Landsat 5 TM foi realizada atendendo os critérios de disponibilidade de pontos de controle dentro da área de estudo, cobertura de nuvens e data da imagem. A área de estudo selecionada foi a região norte do estado do Rio Grande do Norte, que corresponde a órbita 215 e ao ponto 064 do

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Landsat 5 TM. As imagens foram transformadas para o sistema de projeção UTM zona 24S, e sistema de referência WGS84. Os pontos de controle selecionados no sítio do INPE se encontram na Tabela 1. No sítio do INPE é possível obter informações como altitude dos pontos, coordenadas geográficas do ponto, relatório descritivo, visualização espacial e fotografia (ver Figura 1 e 2).

FIGURA 1. Visualização espacial do ponto A311H.

FIGURA 2. Fotografia da coleta por GNSS.

A coleta das coordenadas dos respectivos pontos na imagem Landsat GeoCover e da imagem Landsat 5 TM da área de estudo ocorreu de forma visual, pela ferramenta de localização do cursor no software Envi 4.5, tendo como parâmetro de localização um vetor do tipo ponto, com as coordenadas dos pontos de controle do INPE, e as características físicas espaciais da localização, como feições dos cruzamentos de estradas, construções, vegetação, entre outros.

FIGURA 3. Diferença de localização entre o ponto de controle e a coordenada da imagem GeoCover. O modelo polinomial linear utilizado neste trabalho consiste em uma função polinomial cujos parâmetros foram determinados a partir de coordenadas dos pontos de controle, sendo necessário três ou mais pontos para solucionar o sistema de equações do polinômio de primeiro grau (Sartori, 2006). O modelo polinomial é descrito como:

Onde: - varia de 1 até o número de pontos de controle, tendo 2n equações; e são as coordenadas da imagem; e são as coordenadas do sistema de referência (pontos de controle); - , , , , , , são as variáveis independentes a serem estimadas.

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Para efetuar os cálculos no software Matlab, utilizou-se matrizes matemáticos matriciais, descritos a seguir.
x  1 0   x2 0     xn 0 

y
0

1

0
1

0
1

x y
2

y
0 

0
2

0
2

x y

n

 0
n

y
0

0
n

x y

1 0  0 1  1 0 0 1     1 0 0 1 

 X1    Y1   X 2   Y2       X N   Y N 
(6x1)

Aplicando a equação , , , e .

, se obtém a matriz
 a   b     d  P   e  C   x C y   

com parâmetros de correção ,

Para que haja qualidade no georreferenciamento, aplica-se o ajustamento pelo método dos mínimos quadrados, descrito como:

Onde e são os resíduos dos eixos e . Aplicando a equação , se obtém a matriz , com os resíduos:
Vx1    Vy1  Vx   2 V  Vy 2       Vxn    Vy n   

Onde:

é o resíduo do ponto 1 no eixo x; é o resíduo do ponto 1 no eixo y; é o resíduo do ponto 2 no eixo x; é o resíduo do ponto 2 no eixo y; é o resíduo do ponto n no eixo x; é o resíduo do ponto n no eixo y.

RESULTADOS E DISCUSSÃO: Para o georreferenciamento da cena Landsat 5 TM foram encontrados 5 pontos GNSS com potencial para georreferenciamento nesta escala. As coordenadas UTM dos cinco pontos, tanto do levantamento GNSS quanto da imagem GeoCover, e as respectivas coordenadas em pixels da imagem a ser corrigida geometricamente são apresentadas na Tabela 1. TABELA 1: Pontos de dados utilizados para corrigir geometricamente a imagem Landsat 5 TM. Pontos de referência Imagem a ser corrigida Coordenadas GNSS Coordenadas Geocover Landsat 5 TM X (m) Y (m) X (m) Y (m) x (col.) y (lin.) ID ID A031L 815940 9424518 P1 815984 9424471 5043 1173 A090L 805458 9370992 P2 805496 9370934 4695 2961 A037L 802398 9357386 P3 802446 9357339 4593 3417 A218H 767888 9323241 P4 767904 9323182 3442 4557

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A311H

783295

9273743

P5

783323

9273678

3959

6212

Onde: X: Coordenada UTM WGS84 leste (E) do arquivo de referência; Y: Coordenada UTM WGS84 norte (N) do arquivo de referência; x: Coordenada da imagem original referente à posição do ponto na coluna da matriz; y: Coordenada da imagem original referente à posição do ponto na linha da matriz.

Os resíduos da correção geométrica nas posições X (Vx) e Y (Vy) e seus vetores são apresentados na Tabela 2 e Figura 4, respectivamente. No geral, a correção geométrica da imagem L5 TM foi precisa pelos dois métodos, uma vez que os resíduos dos pontos apresentaram valores inferiores a resolução espacial do pixel TM (30 m). Também, os vetores residuais não apresentaram a mesma tendência, possuindo diferentes direções. TABELA 2: Resíduos da correção geométrica da imagem L5 TM utilizando como pontos de controle o Banco de Pontos de Controle GNSS do INPE e a imagem GeoCover. GNSS GeoCover Vx (m) GCP GCP Vx (m) Vy (m) Vy (m) A031L -5,5922 6,1273 P1 8,0069 5,5324 A090L -0,5165 -22,6756 P2 -4,1778 -28,107 A037L 10,4632 15,5467 P3 18,9773 22,9083 A218H 0,3706 -0,3687 P4 0,5362 -0,3206 A311H -4,7252 1,3703 P5 -7,3288 -0,0131 ∑ -1,0E-4 2,0E-15 16,0138 3,33E-16

a) GNSS b) GeoCover FIGURA 4: Campo vetorial com os resíduos da correção geométrica da imagem L5 TM utilizando como pontos de controle o Banco de Pontos de Controle GNSS do INPE (a) e a imagem GeoCover (b). Entre as duas bases de dados utilizadas como referência cartográfica, o Banco de Pontos de Controle GNSS do INPE forneceu os menores resíduos, indicando melhor precisão que a GeoCover neste tipo de trabalho. Observa-se que os vetores residuais, Figura 4, não estão distribuídos por todo o gráfico, indicando a inexistência de pontos de controle em toda a cena. Além do que, foram utilizados somente 5 pontos, Tabela 1. Patrocinio (2004) realizou trabalho visando identificar o número de pontos de controle levantado com receptor GPS que garantisse uma boa correção geométrica na imagem do sensor CCD do CBERS-I; Ele encontrou um número satisfatório em torno de 40 GCP’s (Ground Control Points) e também enfatiza a importância destes pontos estarem distribuídos de forma homogênea na imagem.

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O uso de poucos pontos pode levar a situações de falsa melhora. Pontos concentrados numa pequena área da imagem podem apresentar ruídos baixos, mas o polinômio daí decorrente pode distorcer ainda mais as áreas não cobertas pelos pontos de controle (Silva et al., 2007). CONCLUSÕES: Tanto a imagem GeoCover quanto o Banco de Pontos de Controle GNSS do INPE foram precisos na correção geométrica da imagem Landsat 5 TM, com resíduos menores que 30 m. Entre os dois métodos, o GNSS forneceu os melhores resultados. O Banco de Pontos de Controle GNSS do INPE apresenta, sem dúvidas, uma base precisa e confiável para georreferenciamento. Contudo, neste trabalho, foram encontradas dificuldades em encontrar pontos distribuídos por toda a cena. Além disso, alguns pontos não puderam ser aproveitados em vista da impossibilidade de identificação da feição do terreno na imagem L5 TM onde o ponto GNSS foi levantado. Ao final, puderam ser utilizados somente 5 pontos GNSS. REFERÊNCIAS: BERNSTEIN, R. Image Geometry and Retification. In r, N Colwell (ed.) Manual of Remote Sensing, 2c, Charter 21, Falls Church, Va American Society of Photogrametry, Virginia. 1983. D'ALGE, J. C. L. Geoprocessamento - Teoria e Aplicações - Parte I - Cap. 6 - Cartografia para Geoprocessamento. INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, 2001. Disponível em <www.dpi.inpe.br/gilberto/livro/introd/>. Acesso em 30 ago 2012. IBGE. Introdução ao processamento digital de imagens. Manuais técnicos em geociências-número 9. Rio de janeiro, 2001, 91 p. INPE. Banco de Pontos de Controle GNSS está disponível na web. Ferramenta ajuda a mapear cidades do Nordeste. 2012. Disponível em < http://www.inpe.br/noticias/noticia.php?Cod_Noticia=2966> Acesso em: 31 de ago. 2012. NATIONAL AERONAUTICS AND SPACE ADMINISTRATION – (NASA). Geocover. Disponível em: < http://zulu.ssc.nasa.gov/mrsid>. Acesso em 29 de ago. 2012. PATROCÍNIO, R. B. Análise quantitativa de pontos de controle para correção geométrica de imagens orbitais. 2004. Dissertação (Mestrado em Sensoriamento Remoto) - UFRGS, Porto Alegre. 2004. SARTORI, L.R. Métodos para extração de informações a partir de imagens multiespectrais de escalas grandes. 2006. Dissertação (Mestrado em Ciências Cartográficas) - UNESP, Presidente Prudente. 2006. SILVA, M. A. O.; COSTA, E. R.; NEVES, P. E.; MACHADO E SILVA, A. J. F. O uso de pontos de controle no processamento de imagens CBERS. In: Anais... XIII Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, 2007, Florianópolis,Santa Catarina.

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