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CONVERGÊNCIA DO PARA PSICOLOGIA MODERNA E PENSAMENTO TEOSÓFICO

VERN HADDICK Por estranho que pudesse parecer Nenhuma visão mortal poderia predizer Que, no futuro, suas histórias se ligariam Ou, mesmo, que elas tenderiam Para caminhos coincidentes, Cedo se tornando metades de um grande evento. Até que a Tecedeira do Tempo Disse: "Agora"! Todos ouviram E a consumação se deu, como o choque de dois hemisférios. (THOMAS HARDY) Quando a Sociedade Teosófica foi fundada há um século, a psicologia e a sabedoria eterna, que H. P. Blavatsky e H. S. Olcott esperavam revitalizar no mundo moderno, pareciam tão separadas quanto a "iceberg" e o "Titanic" do poema de Hardy. Entretanto seus caminhos, como os mencionados pelo poeta, mostram-se coincidentes e o "agora" do encontro torna-se cada vez mais provável. Durante a década de mil oitocentos e oitenta a psicologia ocidental ocupava-se principalmente com os estudos em laboratório da sensação e da percepção. Figuras proeminentes como Hermann Helmoltz e Wilhelm Wundt dominavam o campo e analisaram os fenômenos mentais em unidades tão simples quanto possível, tentando demonstrar como os processos neurológicos fundamentam todas as funções mentais. Contudo, como Blavatsky escreveu na época com tanta energia, esse enfoque não era produtivo, representando apenas um redemoinho temporário no fluxo da compreensão holística em surgimento. De acordo com ela as leis em que repousam a existência e o comportamento humanos são de outra espécie, tais como: "a identidade fundamental de todas as Almas com a Superalma... e a peregrinação obrigatória de todas as Almas, através do Ciclo de Encarnação (ou Necessidade) de acordo com a lei Cíclica e Cármica". (Doutrina Secreta) E assim ela continuou, até sua morte em 1891, a denunciar a limitada orientação fisiológica e materialista da nova ciência, e defendeu, na medida do possível, as primeiras objeções sobre as premissas da ciência do século dezenove levantadas por alguns psicólogos tais como George T. Ladd da Universidade de Yale. Mesmo assim, suas idéias, que poderiam ter sido úteis no esboço de uma psicologia baseada na metafísica. revelaram-se avançadas para sua época, e ficaram desconhecidas ou foram rejeitadas naquele tempo. Ao principiar o século vinte a situação era essencialmente a mesma. Em 1900 Sigmund Freud publicou seu primeiro trabalho de vulto, A interpretação dos Sonhos, e por seis décadas suas teorias forneceram a estrutura em torno da qual foram edificadas a psicologia profunda e a psicoterapia modernas. As hipóteses de Freud ainda foram as da ciência materialista, ele construiu um modelo da mente que poderia explicar os fenômenos psicológicos que observou em si próprio e em seus clientes. Embora ele visse apenas um fragmento do total do quadro, estendeu-o além dos fenômenos conscientes estudados pelos psicólogos experimentadores precedentes, e estabeleceu a premissa que as atividades primárias mentais são inconscientes, mesmo quando, como nos processos conscientes, operam segundo as regras da causalidade mecanicista. Enquanto as contribuições de Freud incorporavam as hipóteses materialistas em voga no seu tempo, alguns pesquisadores no campo psíquico e investigadores pioneiros dos estados místicos de consciência abriam-se para as idéias da sabedoria eterna tais como as que Blavatsky estava tentando disseminar. Muitos reconheceram mesmo suas ligações teosóficas: F. W. H. Myers e Richard Bucke, que cedo publicaram livros importantes sobre parapsicologia e misticismo, e estudaram Teosofia; Edward Carpenter procedeu a investigações pioneiras a respeito dos estados místicos de consciência e algumas vezes fez conferências para lojas teosóficas. William James, freqüentemente denominado o pai da psicologia americana, escreveu além de um livro didático de sucesso sobre Os Princípios da Psicologia (The Principles of Psychology, um outro As Variedades da Experiência Religiosa (The Varieties of Religious Experience) no qual cita A Voz do Silêncio (The Voice of the Silence) de Blavatsky. Nos dois trabalhos James concluiu que a psicologia é uma ciência incompleta e carente de sistemática, ou talvez nem mesmo seja uma ciência, pois a evidência subjetiva inegável, sua e de outras pessoas, demonstrou os efeitos do livre arbítrio e liberdade de escolha - uma opinião já expressa por Blavatsky em afirmativas como a seguinte: "Há um poder divino em todos os homens para governar sua vida, e no qual ninguém pode influenciar no sentido do mal, nem mesmo o maior dos mágicos. Que os homens se pautem por esta direção e nada

temam do homem ou do demônio." Dinâmica do Mundo Psíquico (Dynamics of the Psychic World, pág. 29). Dentro do próprio movimento teosófico, durante os primeiros anos do novo século, três livros de Annie Besant impulsionaram o desenvolvimento da psicologia com bases mais amplas. Seus livros Estudo sobre a Consciência (A Study of Consciousness), Teosofla e a Nova Psicologia (Theosophy and the New Psychology) e o Poder do Pensamento (Thought Power) foram logo reconhecidos como clássicos sobre as dimensões da consciência. Duas décadas depois as discussões de Krishnamurti sobre condicionamento e consciência abriram outro campo atraente para investigações psicológicas e começaram a influenciar alguns preeminentes escritores teosóficos, embora os psicólogos ortodoxos não usassem muito suas deduções. Conquanto tópicos como este ficassem além do âmbito da maioria dos profissionais tradicionais, eles produziram impacto no público em geral, e possivelmente influenciaram psicólogos da nova geração, desbravadores das profundidades, como Carl Jung e Roberto Assagioli. Ainda que após a morte de William James os psicólogos e psicanalistas acadêmicos continuassem firmados em suas hipóteses mecanicistas e materialistas, Jung começou a ampliar a compreensão do inconsciente para abranger uma dimensão coletiva, e Assagioli discutiu abertamente um "inconsciente superior" com possibilidades de desenvolvimento rico, criativo, e um "Eu transpessoal" que pode servir como foco para relacionar a personalidade a um processo evolutivo que deixa de ser fragmentário para ser uma totalidade, um conjunto, uma unidade. Tal reconhecimento de possibilidades como realidades em potencial para o futuro, não apenas fantasias, equiparam-se às idéias de Blavatsky e Besant, não mencionando os outros escritores teosóficos que comentaram com tanta lucidez os postulados do karma, intuição, escolha. Mas, até um pouco mais tarde, mesmo depois de ter Abraham Maslow organizado a psicologia humanística em 1963, como um abrigo para o movimento no qual os terapeutas centralizados nos clientes, os existencialistas e outros puderam estudar os potenciais humanos antes ignorados, a maioria dos psicólogos profissionais não estava ainda preparada para considerar as opiniões metafísica e mística da consciência humana. Essa relutância começou a se dissipar no final da década dos sessenta, quando o movimento em psicologia veio a ter vida própria. Foi então que os trabalhos de inovadores como Otto Rank, Assagioli, Ira Progoff e Martha Crampton popularizaram a opinião de que as obstruções ao auto desenvolvimento representam resistências ao fluxo para frente da experiência, que constantemente tenta superar tais obstruções por novos "encontros do espírito", novas invasões simbólicas e intuitivas que podem estar relacionadas à vida diária do indivíduo. 0 movimento da psicologia transpessoal, lançado em 1969, reuniu alguns cientistas behavioristas, terapeutas e educadores a fim de pesquisar e integrar a parapsicologia, a psicologia da prática espiritual, a psicologia Oriental-Ocidental e soluções psicoespirituais para a terapia, sob o título Psicossintese. Realizou-se assim um fórum profissional onde seria possível relacionar as idéias tradicionais teosóficas ao trabalho mais avançado da moderna psicologia de profundidade, se os estudiosos e os clínicos estivessem dispostos a cultivar a necessária perícia nos dois campos. Quando os membros de ambos os grupos chegarem assim a apreciar livros como O Espectro da Consciência (The Spectrum of Consciousness) de Ken Wilbert e a Verdade Esquecida (The Forgotten Truth) de Huston Smith e quando alguns educadores e psicólogas procurarem infundir a nova psicologia holística com aspectos da sabedoria eterna, a convergência, pelo menos nos segmentos da psicologia moderna e do pensamento teosófico, se aproximará da realidade. A tradição teosófica atesta que através da história muitos indivíduos têmse preocupado com os impulsos e o progresso no sentido de uma consciência de maior abrangência. No mundo moderno isto tomou pelo menos um século antes que os psicólogos desenvolvessem tal preocupação. Todavia, o interesse em encontrar meios de edificar o processo de iluminação, a união mística, a transcendência e a unidade cósmica no relacionamento para cura formal e informal é, finalmente, uma parte notável da cena. Atualmente, vários professores e estudantes de programas de psicologia no Instituto da Califórnia para Estudos Asiáticos em São Francisco, sob a direção do Dr. Paul E. Herman, num plano de terapia teosófica, financiado parcialmente pela Fundação Kern, estão explorando o espaço interfacial entre a teosofia moderna e a psicologia profunda do século vinte, procurando formular uma teoria e prática características da terapia baseada na sabedoria eterna. Eles muito se valeram dos estudos exploratórias de Laurence e Phoebe Bendit e outros membros do Centro de Pesquisas Teosóficas de Londres. Até hoje o movimento teosófico não desenvolveu, verdadeiramente, algo equivalente à psicologia profunda moderna. A contribuição da sabedoria eterna tem sido mais forte na área da filosofia ou metafísica, explorando a fonte suprema de toda existência e da configuração evolutiva dos processos cósmicos. Por outro lado, durante a maior parte de uma centena de anos de desenvolvimento independente, a psicologia ocidental tem sido predominantemente uma ciência de fenômenos, não de estados de percepção, uma procura de técnicas de execução, não de relacionamento holístico entre o Eu e o ambiente. Entretanto, à medida que a moderna psicologia profunda foi se desenvolvendo, clínicos como Jung, Rank, Assagioli, Progoff e alguns outros psicólogos transpessoais verificaram que o ser humano, através da experiência direta de sua natureza espiritual básica, pode ativar recursos e

criatividade de magnitude até então não suspeitada. Eles colocaram assim a psicologia em posição de dialogar proveitosamente com a sabedoria eterna, bem coma desenvolveram meios práticos de colocar certos aspectos do pensamento teosófico experimentalmente ao alcance de um público mais generalizado do que no passado. Desse lado a tradição teosófica está altamente qualificada para fornecer ao mundo moderno reformulações sempre novas da "mais antiga das filosofias... a herança de todas as nações". (John B. S. Coats ma Prefácio da Chama Universal - The Universal Flame). Além de sua convergência. a Teosofia e a psicologia profunda necessitam produzir e disseminar para toda a rede de relacionamento adjutório formal e informal, parte tão importante da cena contemporânea, maneiras de trabalhar com energias superiores que possam impulsionar-nos para o próximo estágio do nosso progresso. Mesmo sendo verdade, como Laurence Bendit considerou, que cura e progresso são processos "tendo lugar inteiramente na mente do paciente" e que "a mente do analista age como catalisador (para) a liberação de energias até então mantidas sob pressão ou impedidas de se expressarem de maneiras normais" (Uma Introdução ao Estude da Psicologia Analítica - An Introduction to the Study of Analytical Psychology, p. 11) a Teosofia mostra que as energias disponíveis são? E maior amplitude do que o compreendido realmente pela psicologia e estão por ser descobertas novas maneiras de oporá-Ias. Blavatsky tinha em mente tais energias e a solução para trabalhar com elas quando escreveu passagens como a seguinte: "Esse pensar sobre si mesmo como isto ou aquilo, é o principal fato na produção de toda espécie de fenômenos psíquicos ou mesmo físicos." (Dinâmica do Mundo Psíquico - Dynamics of the Psychic World. p. 11) e "Há outra espécie de oração; nós a chamamos oração - vontade, e é mais uma ordem interna que um pedido. Quando oramos, dirigimo-nos ao "nosso Pai que está no Céu" - em seu significado esotérico... A oração é um processo oculto acarretando resultados físicos. O poder da vontade torna-se uma força viva." (A Chave da Teosofia). A energia do amor altruísta, tão intimamente associada ao primeiro objetivo da Sociedade Teosófica, é outra dessas áreas para o trabalho conjunto em que a sabedoria eterna pede ajudá-la a salvar-se da omissão que sofreu até hoje nas mãos da psicologia moderna. Há alguns anos atrás Progoff escreveu sobre esses assuntos sob o ponto de vista de sua psicologia profunda. Como afirmou, "A importância e objetivo da vida do homem é que ele preenche em si mesmo as potencialidades da existência presentes na semente de sua natureza orgânica" (Psicologia Profunga e o Homem Moderno - Depth Psychology and Modern Man, p. 252). Nessa perspectiva torna-se tarefa de uma terapia holística incorporar o conhecimento dos princípios do desenvolvimento espiritual que operam no ser humano, tanto quanto permitam as circunstâncias históricas e culturais da época. Uma pessoa procura a terapia, ou outro auxilio qualquer, quando alguma coisa não está funcionando bem em sua vida e não consegue encontrar resposta ou mudar as coisas para melhor. Uma terapia eficiente deve ajudá-la a examinar velhas crenças sobre si mesma e sobre o mundo, e a tentar novas maneiras de compreender a si mesma, a outras pessoas, sua situação e seu ambiente. Em outras palavras, necessita auxílio para transcender suas crenças limitadas e tornar-se capaz de ter as experiências que fazem a vida mais plena, mais completa. Neste sentido o verdadeiro auxílio restabelece o senso de conjunto do cliente, em seu interior, e aumenta seu sentimento de relacionamento com c resto do mundo. Ainda aqui, a psicologia moderna, tal como se desenvolveu a partir da visão de Freud sobre os desejos reprimidos integrados no domínio da vida consciente. até a de Progoff ligando a pessoa, através da "experiência vital", à potência serrental de sua natureza, coincidem com a sabedoria que a Teosofia vem pregando pelas idades afora; e as duas disciplinas têm um solo comum para futuramente trabalharem juntas. Algumas idéias, dentro do movimento teosófico, de como realizar sua integração mais ampla foram, pelo menos, contemporâneas do trabalho de Besant, Palestras de Aula (Talks with a Class). Nesse livro ela enfatizou diversos princípios para transmutar as paixões da personalidade individual em veículos para posterior desenvolvimento. Ela sentiu que, primeiro, a ciência da espiritualidade é a ciência da realização experimental cósmica, coletiva e pessoal; segundo, o processo do desenvolvimento espiritual requer a concentração da consciência de alguém em planos permanentes, unitivos do ser; e terceiro, posto que no processo evolutivo natural a energia transmite-se do Eu permanente à personalidade, como um meio de adquirir experiência no reino físico, o procedimento sensato é cultivar a transmutação espiritual de maneira que não viole a integridade individual ou separe desnecessariamente o indivíduo dos outros seres humanos. Desde que toda a vida que permeia o universo é, no final das contas, "una", a restauração ou adoção de uma vida maior dentro dum indivíduo é um processo "permissivo e não ativo". Laurence Bendit continua: "Seja qual for o método externo usado, quer seja psicológico, químico (pílulas ou remédios) ou manipulativo, ninguém e nada cura uma pessoa a menos que a liberte das coisas que lhe impedem de curar a si própria." (Os Mistérios de Hoje, p. 27 - The Mysteries Today)

Essa orientação reconhece que por todo o universo a vida é guiada e desenvolve-se "de dentro para fora". 0 Eu interior representa uma atração do futuro para onde se dirige o caminho do crescimento. A representação mais clara daquilo que ainda cumpre ser atingido encontra-se no interior do indivíduo, e deve ser respeitado e amado como uma centelha única do Ser que a todos inclui. Esse reconhecimento foi exposto de outra maneira em O Mistério da Cura (The Mystery of Healing) produzido pelo Grupo Médico do Centro de Pesquisas Teosóficas, Londres: "Pode-se dizer que a saúde normal está presente quando uma pessoa está em paz consigo mesma e num relacionamento harmonioso com todo seu ambiente." (p. 6). O relacionamento adequado com a experiência pessoal pode variar largamente de um dia para outro, de uma época da vida para outra, porque este relacionamento representa os sucessivos ajustamentos que constituem o pro cesso de crescimento, compreendido no mais amplo sentido do termo. De acordo com a sabedoria eterna e as verificações de Rank, Assagioli, Progoff e outros psicólogos modernos, a interação harmoniosa entre as partes, trate-se de um indivíduo, de uma família, um grupo ou do universo inteiro, sempre repousa em base de aceitação e amor. A maneira oriental de ver a vida, como no Taoísmo, Budismo e algumas filosofias hindus, tem sido desde muito tempo aceitar e amar as coisas mais ou menos como são, suficientemente completas por si mesmas. Entretanto, tal não tem acontecido no ocidente. Desenvolvimentos ainda recentes na psicologia profunda indicam que uma pessoa vive mais satisfatoriamente, mais esteticamente, mesmo sob condições de grandes tensões superficiais, quando os níveis mais profundos estão calmos, aceitando e amando. Essa tardia convergência das duas tradições no ponto do amor e Tranqüilidade dinâmicos ilumina outro elemento importante para teoria e prática distintas da terapia teosófico. 0 verdadeiro auxílio deve prover meios para que uma pessoa possa compreender, aceitar, amar e integrar suas várias partes, bem como as partes maiores dos mundos que a cercam. A psicologia moderna tem feito muitos estudos sobre os impulsos agressivos, competitivos e violentos dos seres humanos, mas quase nenhuma pesquisa sobre o poder do amor. 0 sociólogo Pitirim Sorokin, da Universidade de Harvard, começou algumas pesquisas sobre o altruísmo criativo, depois da Segunda Guerra Mundial, mas de acordo com o Dr. Tom Tonto da Universidade Estadual de São José, na Califórnia, exceto por suas próprias pesquisas, o assunto de amor e comportamento apreciativo é inteiramente ignorado, hoje em dia, por outras autoridades. A Teosofia leva adiante a longa tradição de conhecimento metafísico que toda a vida é "uma" e que a fraternidade universal é um valor digno de intenso cultivo. Essas verdades podem constituir a mais valiosa contribuição para a psicologia contemporânea. Em seu livro Autoconhecimento: uma Ioga para o Cadente (Self Knowledge: a Yoga for the West) Laurence Bendit esboçou um modelo constituído de elementos da psicologia ocidental e pensamento oriental, para um programa teosófico de auto desenvolvimento, que envolve a aquisição de experiência em quatro níveis de nova percepção, cada um dos quais abre uma gestalt mais ampla que pode vir a ser a arma para um viver mais integrado consigo mesmo, com seu semelhante e, finalmente, com a realidade total. Os sucessivos estágios podem ser convenientemente chamados: "catarse", "imaginação ativa", "atenção passiva" e "aproximação do Ser". Acontece, porém, que não adianta apenas denominálos e descrevê-los, como dizem tanto a tradição teosófica quanto a psicologia moderna. É necessário que as pessoas, trabalhando isoladas ou em grupes, traduzam-nos em experiências imediatas em cada nível 0 exercício seguinte, usando o modelo de Bendit, resultou do trabalho do "Programa de Terapia Teosófica no Instituto da Califórnia para Estudos Asiáticos" corno exemplo da possibilidade de cooperação das elementos da psicologia moderna e da sabedoria eterna na tradução em uma chave para o conceito terapêutico do amor altruístico em termos experimentais, comteniente para o uso de pessoas em seu próprio trabalho interior, ou com um cliente ou, ainda. na organização de um grupo. Pode-se verificar que é um desafio tentar esse exercício por si mesmo, com outra pessoa, ou na organização de um grupo abrindo possibilidades para nova compreensão e desenvolvimento. Um exercício para uso da Energia - Amor. 1. Sente-se confortavelmente e feche os olhos. Conscientize-se da respiração passando para dentro e para fora do corpo. Inspire um hausto de ar e ao expirar diga para si mesmo a palavra "Relaxe". Cada vez que disser "Relaxe" sinta que isto atila nas várias partes de seu corpo: cabeça, face, ombros, braços, pernas e pés. Preste altera atenção ao processo do pensamento e quando você disser "Relaxe" sinta que a mente está se tornando clara e flexível. Proceda da mesma maneira com os sentimentos, não permitindo ai nenhuma tensão e livrando-se de qualquer preocupação emocional. Do mesmo modo que você experimenta o corpo, o processo do pensamento e das sensações como uma unidade, relaxada e confortável, veja agora o que esta unidade pode dizer-lhe sobre o papel que o amor, ou a energia do amor, tenha representado em sua vida em conjunto. 2. Sentado confortavelmente, com seus olhos fechados, corpo, sentimentos e mente como uma unidade atenta e repousada imagine-se num sitio que você ache atraente, confortável e serem. Você está numa campina ensolarada, que vai atravessar lentamente a fim de galgar uma ladeira suave até o topo de uma

colina, que fica no outro lado. À medida que você vai cruzando a campina, durante os minutos seguintes, e galgando a colina, passe em revista em seqüência inversa os principais acontecimentos de sua vida, exatamente do ponto em que está agora, o que fez mais cedo no dia, o que fez ontem e assim recuando no tempo tanto quanto possa lembrar-se. Nesta revista, que sua atenção se focalize no papel que o amor, ou a energia do amor, representou no segmento de sua vida que você esteja considerando. A que se assemelham suas experiências de amor? Quanto de amor você deu e quanto recebeu em cada experiência? 3. Na revista para trás, à medida que você vai chegando ao seu nascimento. aproxima-se mais e mais do topo da colina. Aí, à sua frente, aparece um brilho de um branco azulado que vem ao seu encontro. Nada há aí, ou na experiência, que possa causar medo. Ao aproximar-se o fulgor você vê que se trata, na verdade, de uma pessoa, de um "ser" amigo. Você percebe então detalhes de sua aparência e compreende que é o seu Sábio: é o reservatório da mais pura sabedoria que você pode obter. Você contempla-o de frente, sob a luz do sol da colina, e o Sábio fala-lhe sabre o propósito, importangia e possibilidades do amor em sua vida, tanto no passado quanto no futuro. Dê tempo para permitir que a conversa prossiga o máximo possível; faça ao Sábio qualquer pergunta que ache necessária; entre em contacto, tanto quanto lhe seja possível, com a mensagem sobre o amor e a energia do amor; que o Sábio participa com você. 4. Decorrido o diálogo com o Sábio, você se dirige para o caminho de volta e começa a descer a colina. A medida que lentamente regressa em direção à campina, você vai revendo os principais acontecimentos de sua vida, já agora na ordem cronológica apropriada, começando de sua primeira infância para a frente. Estando plenamente consciente da mensagem sobre o amor e a energia do amor, que o Sábio fez que você participasse, focalize sua atenção no padrão que a energia do amor assumiu ao expressar-se em sua vida até agora. Como tem esse propósito aparecido por seu intermédio? Come tem você estado cooperando e interferindo com ele? Que mudanças faria, à luz do que o Sábio explicoulhe sobre o amor e a energia do amor? 5. Ao chegar de volta ao centro da campina você está regressando à época atual, revendo o meio e o modo de se expressar de sua energia-amor, através de sua vida. Ao atingir seu ponto de partida original, aí você encontra o Sábio. Tome alguns minutos mais para fazer-lhe mais perguntas, que por acaso necessitem respostas, sobre o propósito, o significado e as possibilidades do amor em sua vida. Digalhe, resumidamente, sobre o próximo desenvolvimento e desdobramento do processo em sua vida, como você chegou a compreendê-lo. 0 que pode você fazer para cooperar com esse propósito? Foi sua escolha empreendê-lo? Ao encerrar a experiência pode ser que você deseje dizer ao Sábio alguma coisa sobre esse assunto, enquanto ele se despede. 6. Ao finalizar a experiência respire profundamente diversas vezes e, mais uma vez, relaxe seu corpo, sentimentos e mente; vá então abrindo os olhos lentamente. Registre ou reparta com outra pessoa várias das coisas adquiridas neste exercício. o Traduzido do "The American Theosophist", nº especial, primavera de 1980. por Milton Lavrador.