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PROCESSOS DE FORMAÇÃO DE PALAVRAS

Os processos mais produtivos na língua portuguesa para formação de palavras são os de derivação e composição.

1 DERIVAÇÃO
A derivação consiste em agregar os afixos (prefixos e/ou sufixos) ao radical. Souza e Silva e Ingedore Koch admitem que duas possibilidades devem ser preenchidas para que haja realmente derivação. A primeira delas é a possibilidade de depreensão sincrônica dos morfemas que compõem a palavra, por exemplo, em submisso não podemos admitir “misso” como radical e “sub” como um prefixo agregado ao radical. Neste momento que estamos, a língua não admite este radical, somente num processo histórico. A segunda condição é a possibilidade de o afixo estar à disposição dos falantes para a formação de novos derivados, no entanto vão existir afixos com maior ou menor produtividade para formar palavras como em casebre só se observa o sufixo “ebre” nesta formação de palavra, ou seja, ele não é muito produtivo para formação de palavras na língua portuguesa. Quanto a essas duas condições apenas essas duas autoras as admitem para a formação de palavras por derivação. Seguindo essas condições, todos os outros autores concordam quanto aos tipos de derivação que podem ser: 1. Prefixal: quando um prefixo é adicionado ao radical (morfema lexical). Temos palavras como: infeliz, ilegal, refazer. 2. Sufixal: quando um sufixo é adicionado ao radical (morfema lexical). Temos palavras como: aguaceiro, realidade, papelão. 3. Prefixal e sufixal: quando tanto o prefixo e o sufixo são adicionados ao radical, mas não simultaneamente. Temos palavras como: deslealdade, infelizmente. 4. Parassintética: quando o prefixo e o sufixo são acrescentados simultaneamente ao radical. Temos palavras como: entardecer, esfarelar. 5. Derivação regressiva: ocorre a subtração de morfemas, como em caça (de caçar), pega (de pegar). Nestes casos o verbo passa a designar nomes abstratos de ação.

É um processo mais sintático-semântico que morfológico. Quando todos os componentes são passíveis de serem pluralizados ou apenas o primeiro dizemos que são locuções. Adicionados a uma base – nominal. adjetivos e advérbios. Existem palavras em que a aglutinação só é perceptível a um estudioso da história da língua portuguesa. Monteiro ainda diferencia um vocábulo composto de uma locução pela pluralização. as palavras se fundem todo fonético. Para que ocorra a composição é necessário que se combinem dois radicais. Já na aglutinação. em girassol. Existem sufixos que são muito produtivos na língua. sem perca fonética e de letras. O sufixo vel adicionado a uma base verbal forma um adjetivo. ou seja. em palavras como fidalgo (filho de algo). 3 OUTROS PROCESSOS DE FORMAÇÃO DE PALAVRAS . Os sufixos ção. como aponta Souza e Silva e Koch. Pois com o tempo os falantes da língua perdem a depreensão de dois radicais nestas palavras. como em: beija-flor (beija-flores). E o sufixo mente adicionado a uma base adjetiva forma um advérbio. O vocábulo é composto quando admite a pluralização apenas do último componente. A composição pode se dar por justaposição ou por aglutinação. Os sufixos idão e idade adicionados a bases adjetivas também formam nomes. Derivação imprópria: processo ocasionado pela mudança de classe de palavras.6. Na justaposição as palavras se combinam. as palavras continuam acentuadas e com todos os fonemas que as constituem. pé-de-moleque (pés-de-moleque). adicionados a uma base verbal formam nomes. agem e dor. O sufixo udo adicionado a uma base nominal forma também um adjetivo. verbal. por exemplo: mula-sem-cabeça (mulas-sem-cabeça). Acontece a aglutinação em palavras como planalto. aguardente. vaivém (vaivéns). beija-flor. por isso ocorre a perda de acento e fonemas. agrícola (habitante do campo) e aqueduto (condutor de água). auriverde (auriverdes). como por exemplo. quinta-feira (quintas-feiras). por isso fica difícil a um falante comum defini-las como compostas. etc. 2 COMPOSIÇÃO A composição consiste em formar palavras pela combinação das que já existem no vocabulário dando origem a um novo significado a elas. ou adjetiva – podem formar nomes.

como em PMDB (Partido do Movimento Democrático). pois os falantes comuns não têm essa apreensão histórica. Quando é imitativa. pois há a junção de dois radicais ou em casos de derivação quando é formado pela combinação de afixo e radical. apenas um estudioso histórico da língua pode perceber e averiguar tal informação. Com o tempo. O hibridismo será considerado um caso a parte no final. as siglas. zum-zum.Além da derivação e da composição que são os principais processos para formar palavras. ou seja. acompanhada quase sempre de alternância vocálica para formar uma palavra imitativa. A reduplicação consiste na repetição de vogal ou consoante. . televisão (grego e português). a língua e os falantes nativos assimilaram as palavras estrangeiras. As siglas consistem na redução de longos títulos. Souza e Silva e Ingedore Koch consideram mais adequado enquadrar palavras híbridas em casos de justaposição. misturadas em seu léxico. A forma abreviada passa a constituir uma nova palavra e nos dicionários tem até um tratamento à parte. contanto que não prejudiquem a compreensão. colocando-se apenas as iniciais das palavras que as compõem. Exemplos: foto por fotografia. burocracia (francês e grego). onomatopéia. tem-se as onomatopéias: tique-taque. reduplicação. como em automóvel (grego e português). tornando-as próprias de sua língua. A abreviação consiste no emprego de uma palavra pelo todo. reco-reco. procura reproduzir sons. como a abreviação. existem outros recursos para adicionar palavras à língua. auto por automóvel. Quando se diz que em automóvel temos uma palavra híbrida. Chamamos hibridismo palavras formadas com elementos de outras línguas.