CARTA ABERTA DA COMISSÃO DE JUDEUS SEFARDITAS PORTUGUESES A VIVER FORA DE PORTUGAL Há exatamente treze anos, entre muitas viagens

a Portugal, nos anos em que fui estudante em Israel e nos que vivi em Paris, para ver as cidades onde originaram-se os antepassados que tiveram que abandonar as terras lusitanas, começou uma verdadeira odisséia, até chegarmos a este lugar singelo na história de Portugal. Assim como minha própria família em sua grande parte exilada na Itália, milhares de outros judeus, onde quer que fossem, sempre carregaram consigo, além dos Sifrê Thorá (Rolos da Lei), o espírito cheio do lusitanismo, seus sobrenomes, seus pratos típicos e sua língua. Comunidades tão fortes e pujantes, mas que não puderam sobreviver aos horrores do nazismo, que somente na Holanda, dizimou mais de 80% da comunidade dos judeus lusocastelhanos. Apesar da amargura do desterro, comparado ao desterro da Terra de Israel, jamais ocorreu a cada um dos nossos antepassados olvidar-se das origens em Portugal, pois, ao fazer isto, seria olvidar a si mesmo. Longe da querida terra, nossos avós formaram comunidades nos mais diversos países, levantaram escolas, educaram mestres e sábios. Todos, simplesmente todos, orgulhosamente parte daquilo que seria, então, conhecido de Judeus da Nação Portuguesa. Então e sempre. Junto a outros correligionários, pensamos que era já mais que tempo de reencontrar com o Portugal de nosso querer. Com o Portugal que nos abraçasse. Um abraço apertado e sentido, quem uma época corrupta e devoradora do bem, não pôde interromper. Do mesmo modo que jamais nos esquecemos de Portugal, Portugal tampouco esqueceu-se de nós. Neste momento, faltam-nos palavras para expressar a imensidão de nossa felicidade e contentamento. Consequentemente, a palavra com mais peso e justeza, que não tropeçaria em buscas de múltiplos significados é, obrigado. E é com o coração cheio de agradecimentos que temos a honra em citar o Instituto da Democracia Portuguesa-IDP, como esse representante do Portugal que não se esqueceu de nós. Como aquele amigo, paciente e dedicado, que prontificou-se a levar tal delicado assunto até sua exitosa conclusão. Temos que, exaltadamente, agradecer ao presidente da direção do IDP, Professor Mendo Henriques, por todos o incentivo que nos proporcionou desde o começo e, por colocar o instituto à frente desta, entre muitas outras grandes iniciativas para o progresso, em todos os níveis, de um Portugal que anela e pode mais.

Ao nosso querido irmão de fé, o pacientíssimo Artur de Oliveira, sempre mui confiante no sucesso desta medida, uma vez que sempre depositou imensa fé nos amigos do IDP. Ao Dr. Bruno Cabecinha, por cuidadosamente auxiliar-nos no tangente às leis existentes e possíveis soluções dentro do marco constitucional português. Nossos descomedidos agradecimentos aos parlamentares do PS, que mui carinhosa e rapidamente, acolheram a medida, em especial ao Dr. Carlos Zorrinho e à Drª Maria de Belém. . Não poderíamos, ainda, deixar de agradecer ao deputado José Ribeiro e Castro, CDS-PP, que tomou informações junto aos órgãos responsáveis sobre este caso e nos deu sugestões, para além de comunicar.se connosco e elaborar um projeto semelhante e apresentado posteriormente ao dos amigos do PS. À Aline Gallasch-Hall de Beuvink, que chegou a apresentar dados na Câmera de Lisboa, para despertar pessoas sobre o tema. Finalmente, cabe-nos não economizar palavras no crucial papel de um grande amigo, que tivemos a honra e felicidade de conhecer durante as conversações sobre esta medida. Nosso querido Prof. Francisco Cunha Rêgo, sem o qual, teria-nos sido praticamente impossível, em tão curto espaço de tempo, com todas as questões que demandam total atenção para o presente e futuro de Portugal, conectar tantas e tão diversas pessoas que, por fim, reuniram-se ao redor do projeto. Foram muitas correspondências, esclarecimentos, sugestões e, acima de tudo, muita destreza e paciência de sua parte.

Nosso mais puro e indelével obrigado, 12 de Abril de 2013

A Comissão: Luciano Lopes, rabino Rosangela de Paiva Lopes, empresária Carlos Zarur, antropólogo Ariel Shemtob, médico Luciano Oliveira, médico David Neria Ramirez, administrador de empresas Sérgio Mota, jornalista e genealogista Simon Albuquerque Senior, genealogista

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