You are on page 1of 20

André Gustavo Campos Pereira

Joaquim Elias de Freitas
Roosewelt Fonseca Soares
Cálculo I
ß I 8 6 I F L I h k
Taxa de variação
Autores
auIa
03
kuIa 08  Cálculo I
Copyright © 2007 Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste material pode ser utilizada ou reproduzida sem a autorização expressa da
UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
Divisão de Serviços Técnicos
Catalogação da publicação na Fonte. UFRN/Biblioteca Central “Zila Mamede”
ûovarno FadaraI
FrasIdanIa da ßapúbIIra
Luiz Inácio Lula da Silva
MInIsIro da Lduração
Fernando Haddad
8arraIárIo da Lduração a ßIsIânrIa – 8LLß
Carlos Eduardo Bielschowsky
ünIvarsIdada FadaraI do ßIo ûranda do horIa
ßaIIor
José Ivonildo do Rêgo
VIra·ßaIIora
Ângela Maria Paiva Cruz
8arraIárIa da Lduração a ßIsIânrIa
Vera Lúcia do Amaral
8arraIarIa da Lduração a ßIsIânrIa· 8LßI8
6oordanadora da Frodução dos MaIarIaIs
Marta Maria Castanho Almeida Pernambuco
6oordanador da LdIção
Ary Sergio Braga Olinisky
FrojaIo ûráHro
Ivana Lima
ßavIsoras da LsIruIura a LInguagam
Eugenio Tavares Borges
Jânio Gustavo Barbosa
Thalyta Mabel Nobre Barbosa
ßavIsora das hormas da k8hT
Verônica Pinheiro da Silva
ßavIsoras da Língua ForIuguasa
Janaina Tomaz Capistrano
Sandra Cristinne Xavier da Câmara
ßavIsoras TárnIros
Leonardo Chagas da Silva
Thaísa Maria Simplício Lemos
ßavIsora TIpográHra
Nouraide Queiroz
IIusIradora
Carolina Costa
LdIIoração da Imagans
Adauto Harley
Carolina Costa
ßIagramadoras
Bruno de Souza Melo
Dimetrius de Carvalho Ferreira
Ivana Lima
Johann Jean Evangelista de Melo
kdapIação para MóduIo MaIamáIIro
André Quintiliano Bezerra da Silva
Kalinne Rayana Cavalcanti Pereira
Thaísa Maria Simplício Lemos
6oIaboradora
Viviane Simioli Medeiros Campos
Imagans üIIIItadas
Banco de Imagens Sedis - UFRN
Fotografas - Adauto Harley
Stock.XCHG - www.sxc.hu
kuIa 08  Cálculo I 1
Copyright © 2007 Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste material pode ser utilizada ou reproduzida sem a autorização expressa da
UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
Apresentação
h
as aulas 1 (Limite de funções reais em um ponto) e 2 (Funções contínuas), estudamos
os conceitos de limite e continuidade de uma função que me respondem perguntas
sobre o que está acontecendo com a função em pontos específcos, como, por
exemplo, se está havendo saltos ou se está fuindo de modo contínuo. Entretanto, quando
estudamos um processo qualquer, gostaríamos de ter idéia do que podemos esperar dele
logo após o ponto em que o observamos. Esse tipo de questão começará a ser discutida
nesta aula por meio do estudo das Iaxas da varIação tanto mádIa quanto InsIanIânaa. Ao
fnal, introduziremos os conceitos e as propriedades da derivada de uma função, discussão
que se estenderá por mais algumas aulas.
Objetivos
Ao fnal desta aula, esperamos que você tenha entendido a
diferença entre taxa de variação média e instantânea, saiba
calculá-las e aplicá-las em alguns casos simples.
kuIa 08  Cálculo I Z kuIa 08  Cálculo I
Taxa de variação
û
que vem a sua mente quando alguém fala que a taxa de natalidade no Brasil cresceu?
Se cresceu é porque está nascendo mais gente, não é isso? Mas, como se mede isso?
Você tem que ter um período de tempo fxo para comparar, por exemplo, um ano.
Então, a taxa de natalidade seria expressa em número de nascimento por ano. Se em 2005
tivessem nascido 34.000 pessoas e em 2006 34.001, então, a taxa de natalidade cresceu.
Quando alguém diz que a taxa de juros ao mês é de 4%, o que ele está querendo dizer?
Isso quer dizer que se você deposita R$ 100,00 no início do mês, ao fnal você terá R$
104,00 na sua conta. Por quê?
O juro não é de 4% ao mês? Então, se você aumentasse R$ 100,00, dobraria o seu
dinheiro e ganharia 100% do valor investido, não é isso?
Montando uma regra de 3, teremos
Reais −− juros
100 −− 100%
x −− 4%
; resolvendo, teremos que
x = 4 reais, ou seja, ganhará R$ 4,00 de juros que, juntamente com os R$ 100,00 investidos,
você terá ao fnal do mês R$ 104,00.
Vemos nesses exemplos que uma taxa é qualquer relação entre uma quantidade de
referência (sob a qual você tem algum controle, pode escolher o tamanho, por exemplo: mês,
ano etc.) e alguma coisa que depende dessa referência (juros cobrados ao mês, número de
nascimentos ao ano etc.).
Na aula 8 (Funções I) de Pré-Cálculo, vimos que uma função f : A → B
x → y = f(x)
é uma
correspondência que a cada elemento de A associa um único elemento de B. Ou seja, fca
implícito que os elementos y , as quais serão escolhidos em B, dependerão dos valores x
do domínio, já que a relação é dada pela função e expressa por y = f(x). Por esse motivo,
muitos livros referem-se aos pontos do domínio como os valores da variável independente x
(você pode escolher o ponto) e os valores da imagem da f como sendo os valores da variável
dependente y = f(x) (depois de escolhido x, o valor do y é automaticamente determinado).
Então, se você quisesse calcular uma taxa, quem seria a referência, algo que você pode
escolher (um ano, um mês) ou algo sob o que você não tem controle, ou seja, uma coisa que
depende de outra quantidade para poder se fazer expressar?
Seria mais coerente aquilo sob o qual tem controle (que você pode escolher). Com isso
em mente, podemos começar a estudar taxa de variação.
A taxa de variação estuda e quantifca a razão entre o incremento da variável dependente
e o correspondente incremento da variável independente, isto é, o resultado da divisão do
kuIa 08  Cálculo I kuIa 08  Cálculo I 8
incremento da variável dependente pelo incremento da variável independente, que será o
ponto de partida para chegarmos ao conceito de Derivada, fundamental no Cálculo Diferencial.
A partir desse conceito, fca fácil defnir Velocidade, Aceleração, Densidade de Massa, Lucro
Marginal, e muitos outros conceitos usados na Física, na Economia, na Biologia, nas Ciências
Sociais, enfm, em todas as áreas do conhecimento científco.
Nesta aula, vamos usar a notação y = f(x) para representar uma função, em que x
é a variável independente e y é a variável dependente de x, como discutido anteriormente.
Para representar um valor fxo da variável independente x, usamos a notação x
0
, e y
0
para
o valor de f(x
0
) , isto é, y
0
= f(x
0
).
Um incremento na variável independente x será denotado por ∆x (lemos delta x) e,
diferentemente do ∆x que estudamos em limites (veremos mais adiante por que essa
permissão não terá problema), poderá ser ∆x > 0 ou ∆x < 0. Da mesma forma, o valor
do conseqüente incremento da variável dependente, que representamos por ∆y (lemos
delta y), no ponto x = x
0
, é calculado do seguinte modo:
∆y = f(x
0
+∆x) −f(x
0
)
.
ûbsarvação 1 · Note que as expressões x = x
0
+∆x e y = y
0
+∆y podem ser reescritas
como ∆x = x −x
0
e ∆y = y −y
0
. Os incrementos podem ser positivos, negativos ou
nulos, dependendo da posição relativa dos pontos inicial (antes do acréscimo) e fnal (depois
do acréscimo). Um incremento é posIIIvo se o valor do ponto fnal for maior que o valor do
ponto inicial, é nagaIIvo se o valor do ponto fnal for menor que o valor do ponto inicial e
nulo se o valor do ponto fnal for igual ao do ponto inicial.
Exemplo 1
Considere a função y = f(x), sendo f(x) = x
2
.
Vamos construir uma tabela na qual a variável independente x tem o valor fxo x
0
= 1,
relacionando os incrementos ∆x = −0, 1; ∆x = −0, 01; ∆x = 0, 01 e ∆x = 0, 1 com
seus respectivos incrementos ∆y na variável dependente.
Vejamos o primeiro caso em que f(x) = x
2
, x
0
= 1 e ∆x = −0, 1. Desejamos obter
o incremento ∆y nessas condições. Como sabemos, ∆y é calculado do seguinte modo
∆y = f(x
0
+∆x) −f(x
0
).
Portanto,
∆y = f(1 + (−0, 1)) −f(1) = f(1 −0, 1) −f(1),
∆y = f(0, 9) −f(1) = (0, 9)
2
−1
2
,
∆y = 0, 81 −1 = −0, 19,
∆y = −0, 19.
Resumindo, temos f(x) = x
2
, x
0
= 1, ∆x = −0, 1 e ∆y = −0, 19.
kuIa 08  Cálculo I 4 kuIa 08  Cálculo I
Atividade 1
Atividade 2
Atividade 3
Calcule o caso em que ∆x = 0, 1.
Calcule o caso em que ∆x = −0, 01.
Para ∆x = 0, 01, temos
∆y = f(x
0
+ ∆x) −f(x
0
) = f(1 + 0, 01) −f(1),
∆y = f(1, 01) −f(1) = (1, 01)
2
−1
2
,
∆y = 1, 0201 −1 = 0, 0201.
Resumindo, temos f(x) = x
2
, x
0
= 1, ∆x = 0, 01 e ∆y = 0, 0201.
Devemos ter chegado ao seguinte resultado.
TabaIa 1 - Relaciona incrementos ∆x e ∆y na função f(x) = x
2
para x
0
= 1.
∆x -0,1 -0,01 0,01 0,1
∆y -0,19 -0,0199 0,0201 0, 21
Construa outra tabela para a função f(x) = x
2
na qual a variável independente
x tem o valor x
0
= 2 , novamente relacionando os incrementos ∆x = −0, 1;
∆x = −0, 01; ∆x = 0, 01 e ∆x = 0, 1 com seus respectivos incrementos ∆y.
kuIa 08  Cálculo I kuIa 08  Cálculo I 6
Atividade 4
Na Figura 1, a seguir, ilustramos os diferentes valores de ∆y obtidos quando utilizamos
dois valores distintos de x
0
, e o mesmo valor de ∆x.
Legenda: ∆x
____
∆y
____
FIgura 1 · a) Representação da função
y = x
2
, em x
0
= 1, com ∆x = 1, e
∆y = 3
; b) representação da função y = x
2
, em
x
0
= 2, com ∆x = 1, e ∆y = 5.
Utilizando gráfco da fgura anterior, encontre os valores de ∆y quando
x
0
= 1, e dois valores distintos de ∆x = −1 e ∆x = 1.
kuIa 08  Cálculo I 6 kuIa 08  Cálculo I
Taxa de variação média
Considerando a função y = f(x) defnimos como Iaxa da varIação mádIa de y entre
os valores x
0
e x
0
+∆x o valor da razão entre a variação ∆y da variável dependente y, e
a variação ∆x da variável independente x, que denotamos por
∆y
∆x
.
Portanto, a taxa de variação média de y entre x
0
e x
0
+∆x é defnida como
∆y
∆x
=
f(x
0
+∆x) −f(x
0
)
∆x
.
Podemos calcular também a taxa de variação média de y = f(x) quando x varia entre
x
0 e x
1
,
f(x
1
) −f(x
0
)
x
1
−x
0
;
basta que identifquemos x
0
e x
0
+∆x = x
1
.
Vamos tornar esse conceito mais claro utilizando o exemplo 2 a seguir.
Exemplo 2
Vamos calcular a taxa de variação média da mesma função y = x
2
quando x varia entre
x
0
= 1 e x
1
= 2. Temos
f(x
1
) −f(x
0
)
x
1
−x
0
=
f(2) −f(1)
2 −1
=
2
2
−1
2
2 −1
=
4 −1
1
= 3.
Outra maneira seria; identifcando, temos x
0
= 1 e x
0
+∆x = x
1
= 2 , ou seja,
∆x = 2 −1 = 1 e, portanto,
∆y
∆x
=
f(x
0
+ ∆x) −f(x
0
)
∆x
=
f(1 + 1) −f(1)
1
=
f(2) −f(1)
1
=
4 −1
1
= 3.
Resumindo, a taxa de variação média da função
y = x
2
quando x varia entre x
0
= 1 e
x
1
= 2 é igual a 3, isto é,
f(x
1
) −f(x
0
)
x
1
−x
0
= 3.
Exemplo 3
Vamos calcular a taxa de variação média da mesma função y = x
2
quando x varia entre
x
0
= 2 e x
1
= 3. Temos
f(x
1
) −f(x
0
)
x
1
−x
0
=
f(3) −f(2)
3 −2
=
3
2
−2
2
1
=
9 −4
1
= 5.
kuIa 08  Cálculo I kuIa 08  Cálculo I 7
Outra maneira seria: identifcando, temos x
0
= 2 e x
0
+∆x = x
1
= 3, ou seja,
∆x = 3 −2 = 1 e, portanto,
∆y
∆x
=
f(x
0
+ ∆x) −f(x
0
)
∆x
=
f(2 + 1) −f(2)
1
=
f(3) −f(2)
1
=
9 −4
1
= 5.
Observe que a taxa de variação média vai depender dos pontos inicial e fnal que
estamos considerando, pois note que o ∆x foi igual a 1 em ambos os casos, mas a taxa de
variação média mudou.
Exemplo 4
Vamos calcular a taxa de variação média da função y = sen(x) quando x varia entre
x
0
= 0 e x
1
= π. Temos
f(π) −f(0)
π −0
=
sen(π) −sen(0)
π
=
0 −0
π
= 0 .
Exemplo 5
Vamos calcular a taxa de variação média da função y = sen(x) quando x varia entre
x
0
= 0 e x
1
=
π
2
. Temos
f(
π
2
) −f(0)
π
2
−0
=
sen(
π
2
) −sen(0)
π
2
=
1 −0
π
2
=
2
π
.
Você deve estar se perguntando depois desses dois últimos exemplos: “Como a taxa
de variação média de uma função pode ser maior em um intervalo pequeno do que num
intervalo maior que contém esse intervalo menor”? A resposta é bastante direta! Na taxa
de variação média, consideramos apenas valores da função nos pontos dados (fnal e
inicial), e não o comportamento geral da função. É como se apenas aqueles valores fossem
levados em consideração.
Podemos fazer a seguinte associação. Você chama um amigo para marcar a
quilometragem de uma corrida; você diz para ele que vai correr durante cinco minutos (em
volta de uma praça); quando o sinal tocar, você pára e então ele fará a medição do ponto de
partida até onde você parou pára calcular a quilometragem do número de voltas dadas e, por
fm, somar tudo. Entretanto, quando você deu a partida, ele adormeceu, você deu 1,2,3,4,...,
n voltas e ao toque do relógio ele acordou, mandou-lhe parar e fez a medição cujo resultado
foi 100m. Então ele olha em sua direção e diz: você correu apenas 100 metros em 5 minutos?
Ou seja, ele não viu o que aconteceu durante o período, só no início e no fnal.
kuIa 08  Cálculo I 8 kuIa 08  Cálculo I
Atividade 5
Atividade 6
Atividade 7
Usando novamente a mesma função dos axampIos 1 a Z, y = x
2
, e os cálculos
já obtidos, preenchamos as tabelas com mais uma entrada na qual escreveremos
as respectivas taxas de variação média.
Mostre que a taxa de variação média da função
y = x
3
quando x varia entre
x
0
= 1 e x
1
= 3 é igual a 13.
Recalcule as taxas de variação média da atividade anterior usando a equação1.
(Eq. 1)
Para a função f(x) = x
2
, temos que a taxa de variação média em um ponto (x
0
, y
0
),
onde y
0
= f(x
0
) e ∆y = f(x
0
+∆x) −f(x
0
) , é dada por
∆y
∆x
=
f(x
0
+∆x) −f(x
0
)
∆x
=
(x
0
+∆x)
2
−(x
0
)
2
∆x
,
∆y
∆x
=
x
2
0
+ 2x
0
∆x + (∆x)
2
−x
2
0
∆x
= 2x
0
+ ∆x
.
kuIa 08  Cálculo I kuIa 08  Cálculo I 9
Taxa de variação instantânea
Considerando a função
y = f(x)
, se olharmos para a taxa média entre x
0
e x
0
+∆x
percebemos que a única quantidade passível de alteração é ∆x, ou seja, podemos ver
F
x
0
(∆x) =
∆y
∆x
=
f(x
0
+∆x) −f(x
0
)
∆x
como uma função de ∆x.
Defnimos como Iaxa da varIação InsIanIânaa de y no ponto x
0
o valor do limite de
F
x
0
(∆x) quando ∆x tende a zero, que denotamos por
lim
∆x→0
F
x
0
(∆x) = lim
∆x→0
∆y
∆x
= lim
∆x→0
f(x
0
+ ∆x) −f(x
0
)
∆x
Em termos de notação, lim
∆x→0
F
x
0
(∆x) = lim
x→0
F
x
0
(x). Ora, mas o último limite
sabemos calcular, caso exista!
Devemos mostrar que o limite tanto à direita quanto à esquerda existem e são iguais.
Lembra como se faz?
Tínhamos que tomar ∆x positivo e verifcar se os valores
F
x
0
(0 −∆x)
e F
x
0
(0 + ∆x)
sempre se aproximavam do mesmo valor quando ∆x tendia para zero. ∆x positivo
F
x
0
(0 −∆x) =
∆y
∆x
=
f(x
0
−∆x) −f(x
0
)
∆x
foi o que chamamos no início desta aula de
acréscimo negativo, e F
x
0
(0 + ∆x) =
∆y
∆x
=
f(x
0
+ ∆x) −f(x
0
)
∆x
era o que estávamos
chamando de acréscimo positivo. Por isso, começamos esta aula já aceitando acréscimos
positivos e negativos sem muita distinção, pois no cálculo do limite anterior sabemos como
proceder sem problemas.
Para ajudar você a entender melhor o que isso signifca, vamos começar com um
exemplo simples usando a mesma função vista anteriormente a fm de que possamos
observar a diferença entre a taxa de variação média e a taxa de variação instantânea.
Exemplo 6
A taxa de variação instantânea da função f(x) = x
2
no ponto x
0
é dada pelo limite
lim
∆x→0
∆y
∆x
= lim
∆x→0
f(x
0
+ ∆x) −f(x
0
)
∆x
= lim
∆x→0
(x
0
+ ∆x)
2
−x
2
0
∆x
,
lim
∆x→0
∆y
∆x
= lim
∆x→0
x
2
0
+ 2x
0
∆x + (∆x)
2
−x
2
0
∆x
= lim
∆x→0
2x
0
∆x + (∆x)
2
∆x
,
kuIa 08  Cálculo I 10 kuIa 08  Cálculo I
Atividade 8
Atividade 9
1
Z
lim
∆x→0
∆y
∆x
= lim
∆x→0
(2x
0
+ ∆x)∆x
∆x
= lim
∆x→0
(2x
0
+ ∆x) = 2x
0
.
Resumindo, a taxa de variação instantânea da função f(x) = x
2
num ponto x
0
,
lim
∆x→0
∆y
∆x
, é igual a 2x
0
.
6omanIárIo · Observe que a taxa de variação instantânea depende apenas do valor do ponto
x
0
e não depende do valor de ∆x (já que a mesma fzemos ir para zero). Para f(x) = x
2
e
x
0
= 2 , temos que a taxa de variação instantânea é 4 (2 · x
0
= 2 · 2 = 4).
Calcule a taxa de variação instantânea da função
f(x) = x
2
no ponto x
0
= 3.
Mostre que a taxa de variação instantânea da função f(x) = x
2
+ x
no ponto x
0
é 2x
0
+ 1 .
Mostre que a taxa de variação instantânea da função f(x) = x
2
+ x
no ponto x
0
= 3 é igual a 7.
kuIa 08  Cálculo I kuIa 08  Cálculo I 11
Aplicações de taxa de variação
Velocidade
Vamos começar com um exemplo de uma corrida de automóvel em um circuito
automobilístico. A letra t representa o tempo, contado a partir da largada, s representa a
distância percorrida por um determinado carro participante da corrida. Desse modo, t é a
variável independente e s é a variável dependente de t, isto é, s = s(t). Vamos estabelecer
que no instante t = 0 a distância percorrida s(0) é nula, isto é, s(0) = 0. Vamos considerar
também que uma volta completa do circuito tenha 4,5 km e que esse carro completou a
primeira volta em 1 min e 30. Desejamos calcular a taxa de variação média
∆s
∆t
do carro
nesta primeira volta. Para facilitar os cálculos, usaremos o tempo da primeira volta na forma
1,5 min, em vez de 1 min e 30. Assim, com essas considerações, podemos escrever:
∆s
∆t
=
s(t + ∆t) −s(t)
∆t
=
s(0 + 1, 5) −s(0)
1, 5
=
4, 5 −0
1, 5
= 3 .
Observe que podemos escrever a taxa de variação média levando em conta as unidades
de medida
∆s
∆t
=
4, 5km
1, 5min
= 3km/min . Quando a variável independente é o tempo t e
a variável dependente é o espaço s, a taxa de variação média é denominada de velocidade
média. Assim, para este exemplo, a velocidade média daquele determinado carro na primeira
volta foi de 3 km /min.
Velocidade média
Quando a variável independente é o tempo, a representamos pela letra t. Usualmente, a
variável dependente será denotada por s (t), que representa o espaço percorrido por um objeto
até o instante t. Nesse caso, a taxa de variação média é denominada de velocidade média.
Se ∆s
∆t
representa o deslocamento do objeto entre os instantes t e t +∆t, isto é,
∆s = s(t +∆t) −s(t), então, sua velocidade média, que denotamos por v
m
, nesse
intervalo de tempo é
v
m
=
∆s
∆t
=
s(t +∆t) −s(t)
∆t
.
kuIa 08  Cálculo I 1Z kuIa 08  Cálculo I
Velocidade média de um corpo em queda livre
Imaginemos um corpo em queda livre, como, por exemplo, um objeto que cai da janela
de um prédio. Sabemos por meio da Física que a equação de seu movimento, com velocidade
inicial nula, é dada por s(t) =
1
2
gt
2
= 4, 9t
2
, sendo s(t) o espaço percorrido pelo objeto em
queda livre até o instante t, considerando a aceleração da gravidade,
g = 9, 8m/seg
2
.
Vamos calcular a velocidade média,
∆s
∆t
, entre t
0
e t
0
+∆t .
∆s
∆t
=
s(t
0
+∆t) −s(t
0
)
∆t
=
9,8
2
(t
0
+∆t)
2

9,8
2
t
2
0
∆t
,
∆s
∆t
=
9,8
2

t
2
0
+ 2t
0
∆t + (∆t)
2


9,8
2
t
2
0
∆t
,
∆s
∆t
=
4, 9t
2
0
+ 9, 8t
0
∆t + 4, 9(∆t)
2
−4, 9t
2
0
∆t
,
∆s
∆t
= 9, 8t
0
+ 4, 9∆t .
Portanto, a velocidade média de um corpo em queda livre entre t
0
e t
0
+∆t é
∆s
∆t
= 9, 8t
0
+ 4, 9∆t .
Velocidade instantânea
de um corpo em queda livre
Vamos agora calcular a velocidade instantânea, v(t
0
), de um corpo em queda livre
no instante t = t
0
, que signifca o valor limite das velocidades médias entre t
0
e t
0
+∆t ,
calculadas no parágrafo anterior, quando ∆t tende a zero, ∆t →0 , isto é,
v(t
0
) = lim
∆t→0
∆s
∆t
= lim
∆t→0
(9, 8t
0
+ 4, 9∆t),
v(t
0
) = lim
∆t→0
9, 8t
0
+ lim
∆t→0
4, 9∆t = 9, 8t
0
+ 0 ,
v(t
0
) = 9, 8t
0
.
6omanIárIo · Observe que a velocidade instantânea em um instante t
0
pode ser vista como
a taxa de variação instantânea da função s(t) no ponto t
0
.
kuIa 08  Cálculo I kuIa 08  Cálculo I 18
Atividade 10
1
Z
8
4
6
Considere a função
y = f(x)
, sendo f(x) = x
2
+ x.
Construa uma tabela na qual a variável independente x tem o valor fxo
x
0
= 1 , relacionando os incrementos ∆x = −0, 1, ∆x = −0, 01,
∆x = 0, 01 e ∆x = 0, 1 com seus respectivos incrementos
∆y
.
Considerando
y = x
2
+x
, construa uma tabela na qual a variável
independente tem o valor x
0
= 1, relacionando os incrementos
∆x = −0, 1 , ∆x = −0, 01 , ∆x = 0, 01 e ∆x = 0, 1 com os
respectivos ∆y e as taxas de variação média entre os valores x
0

e x
0
+∆x .
Calcule a taxa de variação instantânea da função f(x) = x
2
−x no
ponto x
0
= 2 .
Em uma corrida de automóvel com um total de 62 voltas, realizada
em um circuito de rua com 4.500 metros de extensão, o primeiro
colocado completou a prova em 1 hora e 30 minutos. Encontre a sua
velocidade média em quilômetros por hora.
Calcule a velocidade instantânea, v(t
0
), de um corpo em queda livre
no instante t
0
= 10s.
kuIa 08  Cálculo I 14 kuIa 08  Cálculo I
Resumo
1
Z
Vimos que a palavra taxa signifca uma relação existente entre duas grandezas,
uma sob a qual controle (independente) e outra que depende da primeira
(dependente). Dentre as taxas que podemos montar, estudamos as taxas de
variação média entre dois pontos x
0
e x
0
+∆x, que representamos por
∆y
∆x
,
em que ∆y representa a variação da variável dependente y, e ∆x, a variação da
variável independente x. Já a taxa de variação instantânea no ponto x
0
é obtida
da taxa de variação média entre os pontos x
0
e x
0
+∆x fazendo ∆x tender
a zero, ou seja, lim
∆x→0
∆y
∆x
= lim
∆x→0
f(x
0
+ ∆x) −f(x
0
)
∆x
. Vimos que essas
taxas recebem nomes como velocidade média e velocidade instantânea quando a
função f representa o espaço percorrido e a variável x representa o tempo.
Auto-avaliação
Suponha que a função f represente o valor de suas economias no tempo. Suponha
que no tempo 0 você tenha R$ 100,00 e que, depois de 1 ano de retiradas e
depósitos, você chegou a R$ 110,00.
a) Qual a taxa de variação média de suas economias?
b) Para este cálculo, você levou em consideração todas as retiradas e todos os
depósitos ao longo do ano?
c) A taxa de variação foi positiva ou negativa?
d) O que isso signifca (você tinha mais dinheiro antes ou agora)?
Com base na questão anterior, faça uma análise do sinal da taxa de variação com
relação à quantidade de dinheiro no início e no fnal do ano.
kuIa 08  Cálculo I kuIa 08  Cálculo I 16
Anotações
Referências
ANTON, Howard. 6áIruIo. um novo horizonte. 6. ed. Porto Alegre: Bookman, 2000. v 1.
SIMMONS, George F. 6áIruIo. com geometria analítica. São Paulo: McGraw-Hill, 1987. v 1.
THOMAS, George B. 6áIruIo. São Paulo: Addison Wesley, 2002.
kuIa 08  Cálculo I 16
Anotações
kuIa 08  Cálculo I