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André Gustavo Campos Pereira

Joaquim Elias de Freitas
Roosewelt Fonseca Soares
Cálculo I
ß I 8 6 I F L I h k
Limite de funções reais em um ponto
Autores
auIa
01
kuIa 01  Cálculo I
Copyright © 2007 Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste material pode ser utilizada ou reproduzida sem a autorização expressa da
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FrasIdanIa da ßapúbIIra
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MInIsIro da Lduração
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8arraIárIo da Lduração a ßIsIânrIa – 8LLß
Carlos Eduardo Bielschowsky
ünIvarsIdada FadaraI do ßIo ûranda do horIa
ßaIIor
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VIra·ßaIIora
Ângela Maria Paiva Cruz
8arraIárIa da Lduração a ßIsIânrIa
Vera Lúcia do Amaral
8arraIarIa da Lduração a ßIsIânrIa· 8LßI8
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Nouraide Queiroz
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Carolina Costa
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Ivana Lima
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kuIa 01  Cálculo I 1
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Apresentação
h
a disciplina de Pré-Calculo, você trabalhou da aula 8 à aula 15 com uma das
ferramentas mais importantes da Matemática: as funções. Viu por meio de exemplos
a sua importância, entendeu sua defnição, estudou seu comportamento (crescimento
e decrescimento) e aprofundou tal estudo com exemplos mais importantes de funções: as
polinomiais, a exponencial, a logarítmica e as trigonométricas. Aprendeu, por exemplo, que
para saber o que acontece com a função
f : (1, 5) → R
x −→ 2x
no ponto 4 basta calcular
a imagem de 4, ou seja, calcular f(4) = 2.4 = 8, já que 4 ∈ (1, 5) = D
f
. Nesta aula, não
estaremos interessados em saber quem é
f(4)
, mas o que acontece com a função quando
estamos “bem próximos de 4”. Vamos aprender sobre o limite de uma função.
Objetivos
Ao fnal desta aula, esperamos que você: tenha uma idéia sobre o signifcado do
limite de uma função em um ponto; saiba calcular alguns limites simples; e utilizar saiba
as propriedades de limites.
kuIa 01  Cálculo I Z kuIa 01  Cálculo I
Limites de uma função real
O que lhe vem à cabeça quando alguém fala em limite?
Observe estes exemplos, quando você está querendo estudar cálculo e um amigo não
te deixa em paz, você olha para ele e diz “estou chegando no meu limite”, ou quando alguém
está enchendo um copo e o líquido vai se aproximando da borda, normalmente dizemos que
o líquido está chegando no limite do copo.
Nesses exemplos, o ponto limite foi atingido? Vamos verifcar. Quando você falou com
seu amigo, já pulou no pescoço dele? Parece que não, ou seja, você não atingiu seu limite,
mas esteve próximo dele. No segundo exemplo, o líquido tinha subido até a borda do copo?
Ainda não, mas estava se aproximando dela.
Pois bem, quando falamos do limite de uma função em um ponto a , não estamos
ainda no ponto a, mas nos aproximando desse ponto. Em outras palavras: não estamos
falando de f(a) mas dos valores de f nos pontos bem próximos de a.
Antes de tudo precisamos entender direitinho o que signifca “pontos bem próximos de
a”. Seja f : (b, c) →R uma função e a ∈ (b, c).
Observe o gráfco seguinte. Nele podemos nos aproximar de a por dois lados, tanto
pela direita, ou seja, por valores maiores que a, quanto pela esquerda, ou seja, por
valores menores que a.
ûráHro 1 · Signifcado geométrico de aproximação do ponto a, tanto pela esquerda quanto pela direita
kuIa 01  Cálculo I kuIa 01  Cálculo I 8
Lembre-se de que num gráfco o ponto a do domínio é marcado no eixo das abscissas
e o valor f(a) é marcado no eixo das ordenadas, conforme a Figura 1. Assim, para saber o
que acontece com o f(x)quando x varia, assumindo valores próximos de a, precisamos
nos concentrar apenas no eixo y através da imagem de tais pontos pela f .
Vamos deixar a idéia de aproximar pela direita e pela esquerda mais clara. Usemos a
Figura 1 como referência: dizer que um ponto
x
se aproxima de a pela esquerda, signifca
que x está assumindo valores cada vez mais próximos de a e sempre menores que a. Se
concordarmos em representar ∆x como uma quantidade positiva bem pequena, dizer, então,
que um ponto x se aproxima de a pela esquerda é dizer que x

é da forma x = a −∆x. E
“se aproximar” signifca fazer esse valor ∆x fcar cada vez menor. De maneira análoga, dizer
que x se aproxima de a

pela direita é dizer que x é da forma x = a +∆x e, novamente,
“se aproximar” signifca fazer esse valor ∆x fcar cada vez menor.
Assim, se queremos saber o que acontece com f(x) quando x se aproxima de a pela
direita, devemos estudar f(x) = f(a +∆x) com o ∆x cada vez menor. E se queremos
saber o que acontece com
f(x)
quando x se aproxima de a pela esquerda, devemos
estudar f(x) = f(a −∆x) com o ∆x cada vez menor.
Exemplo 1
Considere f : R →R dada por f(x) = x
2
+ 2 . O que acontece com
f(x)
quando x
se aproxima:
a) de 4 pela esquerda?
b) de 4 pela direita?
Solução
a) Queremos estudar o que acontece com f(x) quando x se aproxima de 4 pela esquerda.
Devemos então considerar x = 4 −∆x e observar se f(x) = f(4 −∆x)se aproxima
de algum valor, à medida que ∆x fca cada vez menor. Calculemos, então:
f(x) = f(4 −∆x) = (4 −∆x)
2
+ 2 = 4
2
−2.4.∆x + ∆x
2
+ 2
= 16 −8∆x + ∆x
2
+ 2 = 18 −8∆x + ∆x
2
.
kuIa 01  Cálculo I 4 kuIa 01  Cálculo I
Atividade 1
Façamos agora o ∆x fcar pequeno.
∆x = 0.1 − f(4 −∆x) = 18 −8.0.1 + (0.1)
2
= 17.210000000000
∆x = 0.01 − f(4 −∆x) = 18 −8.0.01 + (0.01)
2
= 17.920100000000
∆x = 0.001 − f(4 −∆x) = 18 −8.0.001 + (0.001)
2
= 17.992001000000
∆x = 0.0001 − f(4 −∆x) = 18 −8.0.0001 + (0.0001)
2
= 17.999200010000
∆x = 0.00001 − f(4 −∆x) = 18 −8.0.00001 + (0.00001)
2
= 17.999920000100
∆x = 0.000001 − f(4−∆x) = 18−8.0.000001+(0.000001)
2
= 17, 999992000001
Note que f(4 −∆x) está fcando cada vez mais próximo de 18.
b) Queremos estudar o que acontece com
f(x)
quando x se aproxima de 4 pela direita.
Devemos então considerar x = a +∆x

e observar se f(x) = f(4 + ∆x)

se aproxima
de algum valor, à medida que ∆x fca cada vez menor. Calculemos, então:
f(x) = f(4+∆x) = (4+∆x)
2
+2 = 4
2
−2.4.∆x+∆x
2
+2 = 16+8∆x+2 = 18+8∆x.
Façamos agora o ∆x fcar pequeno.
∆x = 0.1 − f(4 −∆x) = 18 + 8.0.1 + (0.1)
2
= 18.810000000000
∆x = 0.01 − f(4 −∆x) = 18 + 8.0.01 + (0.01)
2
= 18.080100000000
∆x = 0.001 − f(4 −∆x) = 18 + 8.0.001 + (0.001)
2
= 18.008001000000
∆x = 0.0001 − f(4 −∆x) = 18 + 8.0.0001 + (0.0001)
2
= 18.000800010000
∆x = 0.00001 − f(4 −∆x) = 18 + 8.0.00001 + (0.00001)
2
= 18.000080000100
∆x = 0.000001 − f(4 −∆x) = 18 +8.0.000001 +(0.000001)
2
= 18.000008000001
Note que f(4 + ∆x) está fcando cada vez mais próximo de 18.
Agora é sua vez!!!
Considere f : R →R dada por f(x) = x
2
+ 2x + 4. O que acontece com
f(x) quando x se aproxima:
a) de 1 pela esquerda?
b) de 1 pela direita?
kuIa 01  Cálculo I kuIa 01  Cálculo I 6
Muito bem, agora que já temos a idéia do que signifca f(x) se aproximar de algum
valor quando x se aproxima de um ponto dado, estamos prontos para entender as defnições
de limite à direita, limite à esquerda e limite de uma função.
Defnição 2
Seja f : A →R uma função e a ∈ R tal que existe um intervalo
(c, a), (a, d) ⊂ A. Dizemos que o limite de f(x) quando x tende a a pela direita
é igual a L, se ao tomarmos 0 < ∆x < d −a e, de todas as formas
possíveis, o fzermos se aproximar de zero, obtermos que f(a + ∆x) se
aproxima de L. Chamamos L de limite de f(x) quando x tende a a
pela direita e denotamos isso por lim
x→a
+
f(x) = L.
Defnição 1
Seja f : A →R uma função e a ∈ R tal que existe um intervalo (c, a) ⊂ A.
Dizemos que o IImIIa da f(x) quando x Ianda a a paIa asquarda é igual
a L, se ao tomarmos 0 < ∆x < a −c e, de todas as formas possíveis, o
fzermos se aproximar de zero, obtermos que f(a + ∆x) se aproxima de L.
Chamamos L de limite de f(x) quando x tende a a pela esquerda e denotamos
por lim
x→a

f(x) = L.
Defnição 3
Seja f : A →R uma função e a ∈ R tal que existam intervalos
(c, a), (a, d) ⊂ A. Dizemos que o limite def(x) quando x tende a a é igual a
L, se os limites à esquerda e à direita de f(x) quando x tende a a, existem e
são iguais a L. A esse valor comum chamamos o limite de f(x) quando x tende
a a, e denotamos por
lim
x→a
+
f(x) = lim
x→a

f(x) = L = lim
x→a
f(x) .
kuIa 01  Cálculo I 6 kuIa 01  Cálculo I
Algumas explicações se fazem necessárias neste momento.
n Por que na primeira defnição precisamos que ter 0 < ∆x < a −c ?
Para garantirmos que a −∆x com ∆x pequeno pertence ao domínio da f e podermos
assim calcular a imagem destes pontos f(a −∆x) sem problemas.
n Por que a frase: de todas as formas possíveis que fzer ∆x se aproximar de zero,
obtermos que f(a −∆x) se aproxima de L.
Porque pode acontecer que ao fazermos ∆x se aproximar de zero da seguinte
maneira:
∆x = 0.1, ∆x = 0.01, ∆x = 0.001, ∆x = 0.0001, ∆x = 0.00001, ∆x = 0.000001,
. . .
f(a −∆x) se aproxima de L
E ao fazermos ∆x se aproximar de zero da seguinte maneira:
∆x = 1/2, ∆x = 1/4, ∆x = 1/8, ∆x = 1/16, ∆x = 1/32, ∆x = 1/64, . . .
f(a −∆x) se aproxima de L
1
com L
1
= L.
Quando tal situação ocorre não podemos dizer que o limite à esquerda é igual a L. Na verdade
quando tal situação ocorre dizemos que não existe o limite à esquerda e conseqüentemente
não existirá o limite, pois, pela defnição de limite, precisamos que os limites laterais existam e
sejam iguais. Como um deles não existe, a defnição de limite não é satisfeita.
Exemplo 2
Seja f : (−∞, 0) →R defnida por f(x) = sen

π
x

. Verifque se existe ou não o
limite à esquerda no ponto x = 0.
Primeiramente, note que não podemos substituir o ponto x = 0 na expressão da função,
uma vez que a função não está defnida no ponto 0 (esse ponto não pertence ao domínio da f).
Consideremos duas maneiras de ∆x se aproximar de zero.
1ª Maneira
∆x =
1
2
,
1
4
,
1
8
,
1
16
,
1
32
, . . . para esses valores, temos
f(0 −∆x) = f(−∆x) = sen

π
−∆x

=
= sen(−2π), sen(−4π), sen(−8π), sen(−16π), sen(−32π), . . .
f(0 −∆x) = f(−∆x) = sen

π
−∆x

=
= sen(−2π), sen(−4π), sen(−8π), sen(−16π), sen(−32π), . . .
kuIa 01  Cálculo I kuIa 01  Cálculo I 7
Note que cada um desses valores é igual a zero, portanto temos que f(0 −∆x) se
aproxima de (na verdade, é igual a) 0.
2ª Maneira
∆x =
2
3
,
2
7
,
2
11
,
2
15
,
2
19
, . . .
para esses valores temos
f(0 −∆x) = f(−∆x) = sen

π
−∆x

=
sen



2

, sen



2

, sen


11π
2

, sen


15π
2

, sen


19π
2

, . . .
Note que cada um desses valores é igual a um, portanto temos que f(0 −∆x) se
aproxima de (na verdade, é igual a) 1.
Ou seja, maneiras diferentes de se aproximar de x = 0 está nos levando a f(0 −∆x)
se aproximando de valores diferentes. Ou melhor, não estamos tendo f(0 −∆x) se
aproximando sempre do mesmo valor independentemente da maneira como ∆x se
aproxima de zero. Portanto pela defnição, temos que o limite à esquerda não existe, pois,
caso existisse, teríamos que ter que f(0 −∆x) se aproximando sempre do mesmo valor
independentemente da maneira como ∆x se aproxima de zero.
Mas, então, nunca conseguiremos calcular um limite, uma vez que teremos que testar
todas as maneiras possíveis de ∆x se aproximar de zero?
Calma, não precisa fcar nervoso!!!
Os casos em que não existe o limite é que são complicados; quando o limite existe,
esses cálculos não são, em geral, tão difíceis e alguns argumentos nos asseguram que não
precisaremos passar o resto da vida fazendo ∆x se aproximar de zero de todas as formas
possíveis. Vejamos alguns exemplos para constatar o que acabamos de dizer.
Exemplo 3
Verifque se o limite lateral à direita de f : R →R defnida por f(x) = x
2
+ 3 no
ponto 2 existe. Caso exista, calcule-o.
Solução
Vamos lá, queremos saber se os limites laterais existem, comecemos com limite lateral
à direita. Para mostrar que o limite lateral à direita existe, precisamos fazer ∆x se aproximar
de zero e verifcar o que ocorre com f(2 + ∆x). Calculemos f(2 + ∆x).
f(2 + ∆x) = (2 + ∆x)
2
+ 3 = 4 + 4∆x + ∆x
2
+ 3 = 7 + 4∆x + ∆x
2
kuIa 01  Cálculo I 8 kuIa 01  Cálculo I
Atividade 2
1
Z
Neste ponto é que precisamos garantir que qualquer que seja a forma pela qual ∆x se
aproxime de zero, f(2 + ∆x) sempre se aproximará de um mesmo valor.
Aqui, entra em ação dois argumentos simples:
n prImaIro argumanIo. se posso fazer uma quantidade tão pequena quanto eu queira,
então, qualquer múltiplo dessa quantidade também pode ser feito tão pequeno quanto
eu queira, ou seja, se ∆x se aproxima de zero, então, K∆x também se aproxima de
zero, sendo K uma constante fxa;
n sagundo argumanIo. se posso fazer uma quantidade tão pequena quanto eu queira,
então, qualquer potência dessa quantidade também pode ser feita tão pequena quanto
eu queira, ou seja, se ∆x se aproxima de zero, então, ∆x
n
também se aproxima de
zero, para qualquer n natural.
Com esses argumentos em mente, podemos afrmar que qualquer que seja a maneira
pela qual ∆x se aproxime de zero, temos que 4∆x +∆x
2
também se aproxima de zero,
o que implica f(2 + ∆x) = 7 + 4∆x + ∆x
2
se aproximar de 7. Como esse argumento
vale, qualquer que seja a forma pela qual ∆x se aproxime de zero, temos então, pela nossa
defnição, que o limite à direita de f no ponto x = 2 existe e vale 7, ou seja,
lim
x→2
+
f(x) = 7
Use os argumentos anteriormente enunciados para garantir que o
limite à esquerda também existe e calcule-o. Verifque ainda se o
limite de f no ponto x = 2 existe.
Considere a função f : (−∞, 0) ∪ (0, ∞) →R defnida por
f(x) =
|x|
x
. Verifque se os limites laterais no ponto x = 0 existem;
em caso afrmativo, calcule-os. Verifque se também existe o limite
no ponto x = 0.
kuIa 01  Cálculo I kuIa 01  Cálculo I 9
Atividade 3
FroprIadadas
Sejam f, g : A →R e a ∈ R tais que existem lim
x→a

f(x) = L e lim
x→a

g(x) = M.
Então, vale:
a) lim
x→a

(f(x) +g(x)) = lim
x→a

f(x) + lim
x→a

g(x) = L +M;
b) lim
x→a

(f(x) −g(x)) = lim
x→a

f(x) − lim
x→a

g(x) = L −M;
c) lim
x→a

(f(x) · g(x)) =

lim
x→a

f(x)

·

lim
x→a

g(x)

= L · M;
d) Se lim
x→a

g(x) = M = 0, então, vale lim
x→a

f(x)
g(x)
=
lim
x→a

f(x)
lim
x→a

g(x)
=
L
M
;
e) lim
x→a

(Kf(x)) = K

lim
x→a

f(x)

= K · L, sendo K

uma constante.
Essa mesmas propriedades valem para o caso de limite à direita e limite no ponto a ∈ R .
Enuncie as propriedades para os casos de limite à direita e limite no ponto
a ∈ R
.
Está fcando cada vez mais fácil, não é?
kuIa 01  Cálculo I 10 kuIa 01  Cálculo I
Atividade 4
Exemplo 4
Seja f : A →R defnida por f(x) = K para todo x ∈ A, ou seja, f é a função
constante igual a K, e a ∈ R é tal que existem intervalos (c, a), (a, d) ⊂ A. Calcule os
limites laterais de f no ponto a, caso existam, e verifque se f possui limite nesse ponto.
Solução
Vamos lá, queremos saber se os limites laterais existem; comecemos com limite lateral à
direita no ponto a. Para mostrar que o limite lateral à direita no ponto a existe, precisamos fazer
∆x se aproximar de zero e verifcar o que ocorre com f(a + ∆x). Calculemos f(a + ∆x).
f(a +∆x) = K
Neste ponto, é que precisamos garantir que qualquer que seja a forma pela qual ∆x se
aproxime de zero, f(a + ∆x) sempre se aproximará de um mesmo valor.
Ora, note que qualquer que seja o valor de ∆x temos que
f(a +∆x) = K
, ou seja,
f(a + ∆x) já é um valor específco (não se aproxima), assim, temos que o limite lateral à
direita no ponto a existe e vale K.
Mostre que o limite lateral à esquerda no ponto a existe e também vale 3.
Conclua com isso que o limite no ponto a também existe e vale K.
Exemplo 5
Seja f : A →R defnida por f(x) = x para todo x ∈ A, e seja a ∈ R tal que existem
intervalos (c, a), (a, d) ⊂ A. Calcule o limite lateral à direita de f no ponto a.
Solução
Vamos lá, queremos saber se os limites laterais existem; comecemos, então, com o
limite lateral à direita no ponto a. Para mostrar que o limite lateral à direita no ponto a
kuIa 01  Cálculo I kuIa 01  Cálculo I 11
Atividade 5
existe precisamos fazer ∆x se aproximar de zero e verifcar o que ocorre com f(a + ∆x).
Calculemos f(a + ∆x).
f(a +∆x) = a +∆x.
Neste ponto, é que precisamos garantir que, qualquer que seja a forma de ∆x se
aproximar de zero, f(a + ∆x) sempre se aproximará de um mesmo valor.
Note entretanto que qualquer que seja a forma pela qual ∆x se aproxime de zero, a
quantidade a +∆x se aproxima de a. Dessa forma, temos então que o limite lateral à direita
no ponto a existe e vale a.
Mostre que o limite lateral à esquerda no ponto a existe e também vale a.
Conclua com isso que o limite no ponto a também existe e vale a.
Exemplo 6
Com base nos exemplos anteriores, mostre que se f : A →R é defnida por
f(x) = Kx +B para todo x ∈ A, e a ∈ R é tal que existem intervalos (c, a), (a, d) ⊂ A,
então, os limites laterais existem e o limite também existe.
Solução
Se defnirmos g, h : A →R por g(x) = x e h(x) = B, temos então que
f(x) = Kx +B = Kg(x) +h(x). Pelos exemplos anteriores já vimos que lim
x→a

g(x) = a

e lim
x→a

h(x) = B e, pelas propriedades, temos que lim
x→a

(Kg(x)) = K

lim
x→a

g(x)

= K · a
lim
x→a

(Kg(x)) = K

lim
x→a

g(x)

= K · a , portanto,
lim
x→a

(Kg(x) +h(x)) = lim
x→a

Kg(x) + lim
x→a

h(x) = Ka +B
.
kuIa 01  Cálculo I 1Z kuIa 01  Cálculo I
Grafcamente, a representação de limite em um ponto a ∈ R é a seguinte: se caminharmos
sobre o gráfco da função da forma (0 + ∆x, f(0 + ∆x)), ou da forma (0 −∆x, f(0 −∆x)),
ambas com ∆x se aproximando de zero, chegaremos ao mesmo ponto. Ou seja, se
considerarmos a distância entre esses dois pontos (vista em Geometria Analítica e Números
Complexos), essa distância se aproxima de zero quando ∆x se aproxima de zero.
E este ponto comum será justamente o
(a, f(a))
,certo?
Note que na defnição de limite não pedimos que o ponto a, para o qual calculamos o
limite, faça parte do domínio, ou seja, pode acontecer de não existir f(a) .
Você deve estar pensando: “Agora complicou tudo de vez!”.
Não complicou nada, analise os exemplos gráfcos abaixo e veja como é simples.
Exemplo 7
Considere a função f : R →R defnida por f(x) =





−1 x < 0
0 x = 0
1 x > 0
. Se esboçarmos
o gráfco dessa função, temos:
ûráHro Z
Para mostrar que o limite lateral à direita no ponto a = 0 existe, precisamos fazer ∆x se
aproximar de zero e verifcar o que ocorre com f(0 + ∆x). Calculemos f(0 + ∆x) = f(∆x).
Note que ∆x > 0, logo, f(∆x) = 1.
Neste ponto, precisamos garantir que, qualquer que seja a forma de ∆x se aproximar de
zero, f(∆x) sempre se aproximará de um mesmo valor. Ora, sabemos que ∆x se aproxima
de zero e que é diferente de zero, certo? Mas se ∆x é diferente de zero e é positivo, então
f(∆x) = 1, pela própria defnição da função. Assim, independentemente da forma pela qual
kuIa 01  Cálculo I kuIa 01  Cálculo I 18
Atividade 6
0 0
0 0
∆x se aproxima de zero, temos f(∆x) = 1, ou seja, f(0 + ∆x) = 1 assume um valor que
não muda com a variação de ∆x, logo o limite à direita existe e é igual a 1.
Mostre que o limite à esquerda no ponto a = 0 existe e é igual a -1.
Como o limite à direita no ponto a = 0 é diferente do limite à esquerda no ponto a = 0,
concluímos que não axIsIa o limite da função no ponto a = 0.
Podemos também concluir a não existência desse limite observando o que acontece
com a distância entre os pontos (a + ∆x, f(a + ∆x)) e (a −∆x, f(a −∆x)), à medida
que ∆x se aproxima de zero (Gráfco 3).
Gráfco 3
A distância entre os pontos (a + ∆x, f(a + ∆x)) e (a −∆x, f(a −∆x)) é:
d ((0 + ∆x, f(0 + ∆x)), (0 −∆x, f(0 −∆x))) = d((∆x, f(∆x)), (−∆x, f(−∆x))) =

(∆x −(−∆x))
2
+ (f(∆x) −f(−∆x))
2
=

4∆x
2
+ (1 −(−1)) =

4∆x
2
+ 4 =

4(∆x
2
+ 1) = 2

∆x
2
+ 1 .
A quantidade fnal anterior é sempre maior que 2, pois ∆x
2
+1 é sempre maior
que 1 e, conseqüentemente, sua raiz também é maior que 1. Ou seja, a distância entre os
kuIa 01  Cálculo I 14 kuIa 01  Cálculo I
Atividade 7
1
Z
pontos (0 + ∆x, f(0 + ∆x)) e (0 −∆x, f(0 −∆x)) não se aproxima de zero quando
∆x tende a zero, logo o limite não existe, como já tínhamos comprovado analiticamente
(por meios de cálculos).
Note que outra coisa interessante aconteceu nesse exemplo: os limites laterais existiram,
mas nenhum deles foi igual ao valor da função no ponto a = 0, que vale f(0) = 0 . Ou seja,
mesmo que os limites laterais existam, nenhum deles é obrigatoriamente igual ao valor da
função no ponto (quando esta estiver defnida no ponto).
Dados as funções e seus gráfcos a seguir, verifque se os limites laterais nos
pontos pedidos existem. Em caso afrmativo, calcule-os. Baseado nos limites
laterais, verifque se o limite no ponto dado existe. Caso exista, verifque se o
limite coincide com o valor da função no ponto dado.
O ponto: a = 0. A função f : R →R defnida por
f(x) = x
2
.
Gráfco 4
O ponto: a = 0. A função f : R →R defnida por
f(x) =

x
2
x = 0
1 x = 0
.
kuIa 01  Cálculo I kuIa 01  Cálculo I 16
8
-3
3
3
Gráfco 5
O ponto: a = 3. A função f : R →R defnida por
f(x) =

−x x < 3
x x ≥ 3
Gráfco 6
kuIa 01  Cálculo I 16
Resumo
1
Z
Nesta aula, vimos que existem duas formas de nos aproximarmos de um ponto
na reta: por valores menores (à esquerda) ou por valores maiores (à direita).
Tais formas de aproximação nos levaram à defnição de limites laterais com os
quais pudemos defnir o limite de uma função real quando nos aproximamos
do ponto em estudo. Vimos que o limite pode ser calculado inclusive em pontos
nos quais a função não está defnida e que, quando tratamos de limites, estamos
interessados no valor da função em pontos próximos do ponto em estudo e não
no ponto em si.
Auto–avaliação
Sabemos que, na maioria das vezes, uma função representa um fenômeno físico
que está sendo estudado. Você conseguiria imaginar um fenômeno cujos limites
laterais em algum ponto fossem diferentes? Iguais? Iguais, mas diferentes da
função no ponto em questão?
Você conseguiria imaginar um fenômeno cujos limites laterais não existissem? Ou
existissem, mas a função não fosse defnida no ponto em questão?
Referências
ANTON, Howard. 6áIruIo. um novo horizonte. 6. ed. Porto Alegre: Bookman, 2000. 1 v.
GUIDORIZZI, Hamilton Luiz. üm rurso da ráIruIo. 5. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2001. 1 v.
kuIa 01  Cálculo I