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André Gustavo Campos Pereira

Joaquim Elias de Freitas
Roosewelt Fonseca Soares
Cálculo I
ß I 8 6 I F L I h k
Derivadas de
funções compostas
Autores
auIa
05
kuIa 06  Cálculo I
Copyright © 2007 Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste material pode ser utilizada ou reproduzida sem a autorização expressa da
UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
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ûovarno FadaraI
FrasIdanIa da ßapúbIIra
Luiz Inácio Lula da Silva
MInIsIro da Lduração
Fernando Haddad
8arraIárIo da Lduração a ßIsIânrIa – 8LLß
Carlos Eduardo Bielschowsky
ünIvarsIdada FadaraI do ßIo ûranda do horIa
ßaIIor
José Ivonildo do Rêgo
VIra·ßaIIora
Ângela Maria Paiva Cruz
8arraIárIa da Lduração a ßIsIânrIa
Vera Lúcia do Amaral
8arraIarIa da Lduração a ßIsIânrIa· 8LßI8
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6oordanador da LdIção
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FrojaIo ûráHro
Ivana Lima
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Jânio Gustavo Barbosa
Thalyta Mabel Nobre Barbosa
ßavIsora das hormas da k8hT
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ßavIsoras da Língua ForIuguasa
Janaina Tomaz Capistrano
Sandra Cristinne Xavier da Câmara
ßavIsoras TárnIros
Leonardo Chagas da Silva
Thaísa Maria Simplício Lemos
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Nouraide Queiroz
IIusIradora
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Carolina Costa
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Ivana Lima
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Thaísa Maria Simplício Lemos
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Imagans üIIIItadas
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kuIa 06  Cálculo I 1
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Apresentação
h
a aula 4 (A derivada), vimos como utilizar as propriedades para calcular as derivadas
de somas, produtos e quocientes de funções deriváveis. Entretanto, existem
funções que não são expressas como somas, produtos ou quocientes de funções
deriváveis. Se voltarmos às aulas 8 (Funções (I)) e 9 (Funções (II)) de Pré-Cálculo, nos
depararemos com funções obtidas pela composição de funções e funções que são inversas
de uma outra função. Nesta aula, estudaremos a ragra da radaIa, que é utilizada para
calcular a derivada de composta de funções, e aprenderemos como calcular a darIvada da
Invarsa da uma Iunção.
Objetivos
Esperamos que ao fnal desta aula você saiba calcular a derivada
de funções compostas e de funções inversas.
kuIa 06  Cálculo I Z kuIa 06  Cálculo I
Regra da cadeia
Se você não está lembrando o que signifca composta de funções retome seu material
de Pré-Cálculo, mais precisamente a página 15 da aula 8 e faça uma leitura rápida para
relembrar. Lembre-se de que relembrar é viver.
Vamos começar a ragra da radaIa considerando um exemplo em que desejamos
calcular a derivada da função h(x) = sen(x
2
+ 1). Observe que a função h pode ser vista
como a composta das funções f(x) = sen x e g(x) = x
2
+ 1.
Usando a defnição de função composta, temos
(f ◦ g)(x) = f(g(x)) = sen(g(x)) = sen(x
2
+ 1).
Ou seja, a função h realmente pode ser vista como:
h(x) = (f ◦ g)(x)
ou
h(x) = f(g(x)).
Nosso objetivo agora é obter a derivada hg

(x) = 2x. em termos das derivadas fg

(x) = 2x. e gg

(x) = 2x. . Sabemos
que a função f(x) = sen x é derivável e que sua derivada é f

(x) = cos x. Com relação à
função polinomial g(x) = x
2
+ 1, sabemos que sua derivada é g

(x) = 2x.
Para determinarmos a derivada da função h(x) = sen(x
2
+ 1), devemos aplicar a regra da
cadeia. Essa regra aplica-se à derivada de funções compostas do tipo (f ◦ g)(x) = f(g(x)).
Teorema 1 (regra da cadeia)
Sejam f e g duas funções deriváveis, e suponhamos que seja possível obter a função
composta (f ◦ g)(x) = f(g(x)). Em outras palavras, estamos supondo que x pertence ao
domínio de g, que g(x) pertence ao domínio de f, e que existem as derivadas g

(x) e f

(g(x)).
Então, a função composta, f ◦ g, é derivável em x e sua derivada é dada por
(f ◦ g)

(x) = f

(g(x)) · g

(x).
A seguir, apresentamos outras notações que você pode encontrar em alguns livros
de cálculo.
Fazendo u = g(x), podemos escrever a regra da cadeia da seguinte forma, usando a
notação de Leibniz, vista na aula 4 (A derivada):
d
dx
f(u(x)) =
df
du
·
du
dx
.
kuIa 06  Cálculo I kuIa 06  Cálculo I 8
Na notação que omite a variável independente, temos
d
dx
f(u(x)) = f

(u) · u

,
ou ainda
[f(u(x))]

= f

(u) · u

.
ûbsarvação – Embora a regra da cadeia seja de fundamental importância para o
estudo do cálculo, sua demonstração não faz parte dos objetivos desta disciplina.
Exemplo 1
Vamos voltar a considerar as funções h(x) = sen(x
2
+ 1), f(x) = sen x e
g(x) = x
2
+ 1. Desejamos encontrar a derivada h

(x) em termos das derivadas
f

(x) e g

(x). Como vimos anteriormente, f

(x) = cox x e g

(x) = 2x. Então, pela regra
da cadeia, a derivada h

(x) será obtida do seguinte modo
h

(x) = [f(g(x))]

= f

(g(x)) · g

(x) = cos(g(x)) · g

(x) = cos(x
2
+ 1) · 2x,
h

(x) = cos(x
2
+ 1) · 2x.
A função exponencial e
x

e sua derivada
Uma pergunta interessante que se pode fazer é “existe uma função cuja derivada seja
ela própria?”. Surpreendentemente, a resposta é sim. Para isso, vamos tentar uma função
exponencial a
x
, (a > 0 e a = 1). Nesse caso,
(a
x
)

= lim
∆x→0
a
(x+∆x)
− a
x
∆x
= lim
∆x→0
a
x
(a
∆x
− 1)
∆x
=
lim
∆x→0
a
x
· lim
∆x→0
a
∆x
− 1
∆x
= a
x
· lim
∆x→0
a
∆x
− 1
∆x
.
kuIa 06  Cálculo I 4 kuIa 06  Cálculo I
Atividade 1
1
Z
Para concluir que existe uma função cuja derivada é a própria função, basta mostrar
que existe um número a tal que
lim
∆x→0
a
∆x
−1
∆x
= 1.
Esse número especial a existe e o chamaremos de e, o qual é defnido pelo limite
e = lim
∆x→0
(1 + ∆x)
1
∆x
.
Em cursos mais avançados de cálculo, prova-se que esse limite existe e que é um
número irracional com valor e = 2, 71828 · · · . Agora com a = e, procedamos ao cálculo
do limite
(e
x
)

= lim
∆x→0
e
x
· lim
∆x→0
e
∆x
− 1
∆x
= e
x
· 1 = e
x
.
Resumindo, (e
x
)

= e
x
.
ûbsarvação – Devido à propriedade vista anteriormente a respeito do número e,
diz-se que ele é a base natural das funções exponenciais. Note que se c é uma
constante também temos (ce
x
)

= ce
x
.
Considere f(x) = e
x
e g(x) = u = 3x. Então, a função composta
de f com g é dada por
(f ◦ g)(x) = f(g(x)) = f(u) = e
u
= e
3x
.
Determine a derivada da função (f ◦ g)(x) = e
3x
.
Determine a derivada da função composta de g com f que é dada por
(g ◦ f)(x) = g(f(x)) = 3f(x) = 3e
x
.
kuIa 06  Cálculo I kuIa 06  Cálculo I 6
Derivada da função inversa
Agora é um bom momento para você reler a aula 9 de Pré-Cálculo, a partir da página 14,
quando tratamos de funções invertíveis. Seria bom termos em mente que f
−1
(x) =
1
f(x)
.
Teorema 2
Se f tem derivadas em todos os pontos de um intervalo I, no qual f

(x) > 0 ou no qual
f

(x) < 0, é possível mostrar que:
a) se y = f(x), então, a imagem de f é um intervalo J e existe uma função x = f
−1
(y)
que satisfaz às relações
f
−1
(f(x)) = x e f(f
−1
(y)) = y,
dita a inversa de f, e possui
derivadas em todo intervalo J;
b) a derivada da função inversa é
d
dy
f
−1
(y) =
1
f

(f
−1
(y))
d
dy
f
−1
(y) =
1
f

(x)
.
Note que
d
dy
f
−1
(y) =
dx
dy
e f

(x) =
d
dx
f(x) =
dy
dx
, o que nos permite escrever
dx
dy
=
1
dy
/
dx
.
Isto é, a derivada da função inversa é o inverso da derivada da função dada.
Demonstração
Não faremos a demonstração do item (a). Uma demonstração rigorosa desse
item é feita em cursos mais avançados de cálculo.
Para uma demonstração do item (b), derivamos ambos os membros
da igualdade
f
−1
(y) = x
com relação a x,
kuIa 06  Cálculo I 6 kuIa 06  Cálculo I
d
dx
f
−1
(y) = (x)

,
e usando a regra da cadeia pelo fato de y = f(x), temos:
d
dy
f
−1
(y) · y

= 1,
d
dx
f
−1
(y) =
1
y

=
1
f

(x)
.
Logo,
d
dy
f
−1
(y) =
1
f

(x)
.
Como na função inversa a variável independente é y, devemos expressar f

(x)
em termos de y,
portanto,
d
dy
f
−1
(y) =
1
f

(x)
=
1
f

(f
−1
(y))
.
Resumindo,
d
dy
f
−1
(y) =
1
f

(f
−1
(y))
.
ûbsarvação · Note que foi extremamente importante o fato de termos
f

(x) > 0 ou f

(x) < 0 (na verdade, f

(x) = 0), para que o quociente
anterior fzesse sentido.
Exemplo 2 (Derivada do logaritmo natural)
Como visto na aula 13 de Pré-Cálculo (Funções exponenciais e logarítmicas), a função
inversa da exponencial y = e
x
é a função logaritmo natural x = ln y. Aplicando a fórmula da
derivada da função inversa a x = ln y, e sabendo que f(x) = e
x
, f

(x) = e
x
e f
−1
(y) = ln y,
temos:
d
dy
ln y =
1
f

(f
−1
(y))
=
1
f

(ln y)
=
1
e
ln y
=
1
y
.
Resumindo,
d
dy
ln y =
1
y
. Finalmente, podemos reescrever essa fórmula usando x
como variável independente, conforme é mais usual, obtendo:
d
dx
ln x =
1
x
.
kuIa 06  Cálculo I kuIa 06  Cálculo I 7
Exemplo 3 (Derivada da função exponencial
a
x
, a > 0)
Ainda remetendo à aula 13 de Pré-Cálculo, vimos que a = e
ln a
e a regra de potências
(b
c
)
d
= b
cd
, portanto, elevando ambos os membros a x, obtemos
a
x
= (e
ln a
)
x
= e
x ln a
,
ou seja,
a
x
= e
x ln a
.
Derivando a igualdade anterior, obtemos
d
dx
(a
x
) =
d
dx
(e
x ln a
),
e utilizando a regra da cadeia, fazendo u = x ln a, temos
d
dx
(a
x
) =
d
du
(e
u
)
d
dx
(u) = e
u
ln a = e
x ln a
ln a = a
x
ln a.
Resumindo,
d
dx
(a
x
) = a
x
ln a.
O logaritmo natural também é chamado de logaritmo neperiano.
Exemplo 4 (Derivada da função x
r
, x > 0,
r ∈ R, r fxo)
Como x = e
ln x
elevando ambos os membros a r, obtemos:
x
r
=

e
ln x

r
= e
r ln x
d
dx
(x
r
) =
d
dx

e
r ln x

Utilizando a regra da cadeia, fazendo u = r Inx temos
d
dx
(x
r
) =
d
du
(e
u
)
du
dx
= e
u
· r ·
1
x
= e
r ln x
·
r
x
= x
r
·
r
x
= r · x
r−1
Resumindo,
d
dx
(x
r
) = r · x
r−1
para todo r ∈ R
h

(x)
kuIa 06  Cálculo I 8 kuIa 06  Cálculo I
Atividade 2
1
Z
8
Polinômios centrados em a
Denominamos de polinômio centrado em a de grau n o polinômio
apresentado na forma:
P
n
(x) =
n

k=0
a
k
(x−a)
k
= a
0
(x−a)
0
+a
1
(x−a)
1
+. . . +a
k
(x−a)
k
+. . . +a
n
(x−a)
n
,
P
n
(x) = a
0
+ a
1
(x −a) + . . . + a
k
(x −a)
k
+ . . . + a
n
(x −a)
n
,
onde a, a
0
, a
1
, . . . , a
n
são números reais com a
n
= 0.
Exemplo 5
Consideremos o polinômio P
2
(x) = 1 + 2(x −1) + 3(x −1)
2
. Então,
a = 1 , a
0
= 1 , a
1
= 2 e a
2
= 3.
Exemplo 6
No polinômio P
2
(x) = 1 + 3(x −1)
2
, temos
a = 1 , a
0
= 1 , a
1
= 0 e a
2
= 3
Considerando a função h(x) =

x
2
+ 1

3
, encontre sua derivada h

(x).
Dada a função h(x) =

x
2
−3x + 1

34
, encontre sua derivada h

(x).
Encontre a derivada de (x −a)
r
, x > a , a, r ∈ R. com a e r
fxos.
ßIra · Utilize a regra da cadeia, fazendo u = x −a.
kuIa 06  Cálculo I kuIa 06  Cálculo I 9
Exemplo 7
No polinômio P
3
(x) = x + 5x
3
, temos a = 0 , a
0
= 0 , a
1
= 1 , a
2
= 0 e a
3
= 5,
o que dá um polinômio centrado em 0, a saber
P
3
(x) = x + 5x
3
= 0 + 1(x −0)
1
+ 0(x −0)
2
+ 5(x −0)
3
Derivada do polinômio centrado em a, P
n
(x) =
n

k=0
a
k
(x −a)
k
. Neste caso, usamos
a notação de Newton para derivadas.
P

n
(x) =

n

k=0
a
k
(x −a)
k


=

a
0
+ a
1
(x −a)
1
+ . . . + a
k
(x −a)
k
+ . . . + a
n
(x −a)
n


.
Como a derivada de uma soma é a soma das derivadas, temos
P

n
(x) =
n

k=0

a
k
(x −a)
k


= (a
0
)

+ [a
1
(x −a)]

+ . . . + [a
n
(x −a)
n
]

P

n
(x) =
n

k=1
a
k

(x −a)
k


= 0 + a
1
(x −a)

+ a
2

(x −a)
2


+ . . . + a
n
((x −a)
n
)

P

n
(x) =
n

k=1
a
k
k(x − a)
k−1
=
0 + a
1
· 1 · (x − a)
1−1
+ a
2
· 2 · (x − a)
2−1
+ . . . + a
n
· n · (x − a)
n−1
P

n
(x) =
n

k=1
ka
k
(x −a)
k−1
= a
1
+ 2a
2
(x −a) + . . . + na
n
(x −a)
n−1
Observe que nos últimos somatórios o k varia de 1 a n, pois a primeira parcela para
k = 0 a derivada é nula, uma vez que a

0
= 0, sendo totalmente desnecessário explicitá-la.
Resumindo,
P

n
(x) =
n

k=1
ka
k
(x −a)
k−1
ou

n

k=0
a
k
(x −a)
k


=
n

k=1
ka
k
(x −a)
k−1
.
kuIa 06  Cálculo I 10 kuIa 06  Cálculo I
Calcule a derivada das funções dos exemplo 5, 6 e 7.
Atividade 3
Funções
trigonométricas inversas
Vimos na aula 15 de Pré-Cálculo (Funções trigonométricas inversas) que as funções
trigonométricas seno, co-seno, tangente, quando restritas a domínios adequados, admitem
função inversa. Vejamos mais alguns exemplos.
Exemplo 8 (Função arcsec(x))
Na Figura 1a, vemos que a função secante não possui inversa em todo seu domínio,
mas se considerarmos essa função restrita à união dos intervalos abertos

0,
π
2



π
2
, π

,
como vemos nessa fgura, a função secante torna-se injetiva. Desse modo, admite uma função
inversa, a qual denominamos de arco secante e representamos por arcsec(x), defnida no
domínio (−∞, −1) ∪ (1, ∞) com imagem

0,
π
2



π
2
, π

, como mostrado na Figura 1b.
Cabe observar que na função arcsec(x), usualmente, quando tentamos encontrar seus
valores, lê-se o arco cuja secante é x.
Se y = arcsec(x), então, x = sec(y)
Exemplo 9
Na Figura 1a, sec

π
3

= 2 e na Figura 1b, arcsec(2) =
π
3
, as quais estão de acordo
com a leitura: o arco cuja secante é 2 é
π
/
3, como pode ser visto na Figura 1b.
kuIa 06  Cálculo I kuIa 06  Cálculo I 11
As funções arccos(x), arccotg(x) e arccosec(x) podem ser determinadas da
mesma forma que as outras vistas anteriormente, no entanto, é mais simples usar as
identidades seguintes:
arc cos(x) ≡
π
2
−arc sen(x),
arc cotg(x) ≡
π
2
−arc tg(x),
arc cosec(x) ≡
π
2
−arc sec(x).
Figura 1 - Gráfcos da sec(x) e de sua função inversa arcsec(x)
Gráfco de sec(x),
destacando-se que na união
dos intervalos abertos

0,
π
2



π
2
, π


função sec(x) torna-se
injetiva, tendo como imagem
(−∞, −1) ∪ (1, ∞)
.
Gráfco da função
arcsec(x), cujo domínio
é a união dos intervalos
(−∞, −1) ∪ (1, ∞).
a
b
kuIa 06  Cálculo I 1Z kuIa 06  Cálculo I
Cálculo das
derivadas das funções
trigonométricas inversas
Exemplo 10 (Derivada da função arcsen(x))
ûbsarvação · Para facilitar a aplicação das fórmulas da derivada da função
inversa, optamos considerar x = arcsen(y), sendo y tratada como a
variável independente.
Como visto anteriormente, arco seno é a função inversa da função seno. Quando
y = sen x, tem-se x = arcsen(y). Aplicando a fórmula da derivada da função inversa,
d
dy
f
−1
(y) =
1
f

(f
−1
(y))
,
a x = arcsen(y), com y = f(x) = sen x, f

(x) = cos x e x = f
−1
(y) = arcsen(y),
temos:
d
dy
arcsen(y) =
1
f

(f
−1
(y))
=
1
cos(arcsen(y))
,
pois f

(x) = cos x, x = arcsen(y), e mais
cos(arcsen(y)) = cos(x) =

1 −(sen x)
2
=

1 −y
2
,
a raiz quadrada é positiva, porque cos(x) é sempre maior ou igual a zero, quando x está no
intervalo


π
2
,
π
2

.
.
Concluímos que
d
dy
arcsen(y) =
1

1 −y
2
.
kuIa 06  Cálculo I kuIa 06  Cálculo I 18
Finalmente, podemos reescrever essa fórmula usando x como sendo a variável independente,
de acordo com o que é mais usual, obtendo:
d
dx
arcsen(x) =
1

1 −x
2
.
Exemplo 11 (Derivada do arctg(x))
ûbsarvação - Para facilitar a aplicação das fórmulas da derivada da função
inversa, optamos por considerar x = arc tg(y), sendo y tratada como a
variável independente.
Conforme vimos anteriormente, arco tangente é a função inversa da função tangente.
Quando y = tg x, tem-se x = arctg(y).
Aplicando a fórmula da derivada da função inversa a x = arctg(y), com
y = f(x) = tg x, f

(x) = 1 + tg
2
x e x = f
−1
(y) = arctg(y), temos:
d
dy
arctg(y) =
1
f

(f
−1
(y))
=
1
1 + tg
2
(arctg(y))
=
1
1 + [tg(arctg(y))]
2
=
1
1 + y
2
.
Resumindo,
d
dy
arctg(y) =
1
1 + y
2
.
Finalmente, podemos reescrever essa fórmula usando x como variável independente,
conforme o que é mais usual, obtendo:
d
dx
arctg(x) =
1
1 + x
2
.
Exemplo 12 (Derivada da função arcsec(x))
ûbsarvação - Para facilitar a aplicação das fórmulas da derivada da função
inversa, optamos por considerar x = arcsec(y), sendo y tratada como a
variável independente.
Como visto anteriormente, arco secante é a função inversa da função secante. Quando
y = sec x,
tem-se x = arc sec(y).
kuIa 06  Cálculo I 14 kuIa 06  Cálculo I
Aplicando a fórmula da derivada da função inversa a x = arc sec(y), com
y = f(x) = sec x, f

(x) = sec x tg x e x = f
−1
(y) = arc sec(y), temos:
d
dy
arcsec(y) =
1
f

(f
−1
(y))
=
1
sec(arc sec(y))tg(arc sec(y))
,
pois f

(x) = sec x tg x, x = arcsec(y), (tg x)
2
= (sec x)
2
− 1, |tg x| =

(sec x)
2
− 1
e mais
tg(arcsec(y)) = tg(x) = ±

(sec x)
2
−1 = ±

y
2
−1
d
dy
arcsec(y) =
1
±y

y
2
−1
,
a indefnição do sinal (+) ou (-) é decorrência da descontinuidade da função arco secante,
mas, como vemos no gráfco dessa função, para pequenos valores positivos do acréscimo
∆x, temos valores positivos de ∆y, portanto, essa derivada sempre será maior ou igual a
zero. Podemos então eliminar o sinal (-) utilizando a função valor absoluto:
d
dy
arcsec(y) =
1
|y|

y
2
− 1
.
Finalmente, reescrevemos essa fórmula usando x como variável independente,
conforme é mais usual, obtendo:
d
dx
arcsec(x) =
1
|x|

x
2
−1
.
Derivadas laterais
Poderíamos ter procedido ao estudo da derivada de uma função de modo análogo ao
que fzemos em limites. Assim, defnimos, primeiramente:
a) darIvada à dIraIIa: chamamos de derivada à direita da função f no ponto x
0
o limite da
taxa de variação média quando ∆x tende a 0 por valores sempre positivos, desde que
esse limite exista. Deste modo, a derivada à direita da função f no ponto x
0
, denotada
por f

+
(x
0
), é
f

+
(x
0
) = lim
∆x→0
+
∆y
∆x
= lim
∆x→0
+
f(x
0
+ ∆x) −f(x
0
)
∆x
;
b) darIvada à asquarda. chamamos de derivada à esquerda da função f no ponto x
0
limite
da taxa de variação média quando ∆x tende a 0 por valores sempre negativos, desde que
esse limite exista. Desse modo, a derivada à esquerda da função f no ponto x
0
, denotada
por f


(x
0
), é
f


(x
0
) = lim
∆x→0

∆y
∆x
= lim
∆x→0

f(x
0
+ ∆x) −f(x
0
)
∆x
.
kuIa 06  Cálculo I kuIa 06  Cálculo I 16
Em seguida, com a ajuda do Teorema 3, diríamos que uma função é derivável num
ponto x
0
se, e somente se, as derivadas laterais em x
0
, f

+
(x
0
) e f


(x
0
), existem e são
iguais; a esse valor comum daríamos o nome de derivada da função f no ponto x
0
.
Defnição
Uma função f é derivável no intervalo fechado [a, b] se for derivável em todos
os pontos do intervalo aberto (a, b), possuir derivada à esquerda em a e
derivada à direita em b.
Exemplo 13
Calcular as derivadas laterais da função valor absoluto de x, ou módulo de x,
f(x) = |x|, em x
0
.
Derivada à direita em x
0
= 0:
f

+
(0) = lim
∆x→0
+
∆y
∆x
= lim
∆x→0
+
f(0 + ∆x) − f(0)
∆x
=
lim
∆x→0
+
|0 + ∆x| − |0|
∆x
= lim
∆x→0
+
|∆x|
∆x
.
Como ∆x tende a 0, por valores sempre positivos, temos que |∆x| = ∆x, portanto,
f

+
(x
0
) = lim
∆x→0
+
|∆x|
∆x
= lim
∆x→0
+
∆x
∆x
= 1.
Derivada à esquerda em x
0
= 0:
f


(0) = lim
∆x→0

∆y
∆x
= lim
∆x→0

f(0 + ∆x) − f(0)
∆x
= lim
∆x→0

|0 + ∆x| − |0|
∆x
= lim
∆x→0

|∆x|
∆x
Como ∆x tende a 0 por valores sempre negativos, temos que |∆x| = −∆x,
portanto,
f


(0) = lim
∆x→0

|∆x|
∆x
= lim
∆x→0

−∆x
∆x
= −1.
Como as derivadas laterais em x
0
= 0 são diferentes, temos que a f(x) = |x| não é
derivável nesse ponto.
Teorema 3
Seja x
0
um ponto em (a, b). Uma função f é derivável em x
0
se, e somente se, as
derivadas laterais em x
0
, f

+
(x
0
) e f


(x
0
) existem e são iguais.
kuIa 06  Cálculo I 16 kuIa 06  Cálculo I
Atividade 4
Resumo
1) Monte uma tabela com as funções vistas até o momento, de modo
que na primeira coluna tenhamos a função e na segunda sua
derivada. Por exemplo:
Função Derivada
f(x) = x
n
f

(x) = nx
n−1
2) Considere a função h(x) = (x
3
+ 3x
2
−4x + 1)
5
e encontre a derivada
h

(x).
3) Considere o polinômio P
2
(x) = 1 + 2(x −1) + 3(x −1)
2
e obtenha a
derivada P

2
(x) do polinômio
P
2
(x).
4) Considere o polinômio P
20
(x) = 1 + 2(x −1) + (x −1)
20
e obtenha a
derivada P

20
(x) do polinômio P
20
(x).
5) Considere a função f(x) = (x −2)
5
/
2
e obtenha a derivada f

(x).
6) Considere a função f(x) = e
5x
e obtenha a derivada f

(x).
7) Considere a função f(x) = e
x
2
e obtenha a derivada f

(x).
8) Considere a função f(x) = 2
x
e obtenha a derivada f

(x).
9) Considere a função f(x) = arcsen(2x) e obtenha, aplicando a regra da
cadeia, a derivada f

(x).
Nesta aula, vimos como derivar funções compostas através da regra da cadeia,
calculamos a derivada de várias funções utilizando a mesma regra, inclusive
as funções exponenciais de base qualquer. Vimos também como calcular a
derivada da função inversa, o que possibilitou determinar as derivadas da
função logaritmo e das funções trigonométricas inversas.
kuIa 06  Cálculo I kuIa 06  Cálculo I 17
Auto-avaliação
Imagine um processo qualquer composto de duas fases em que a última só se
realiza depois da primeira ter sido encerrada. Ou seja, o processo total pode ser
visto como uma composição dos dois estágios. Seja h(x) = f(g(x)) a função
que representa tal processo, no qual a função g(x) representa a primeira etapa
e a função f(x) representa a segunda.
a) Qual o sinal da derivada de h(x) se as derivadas de g(x) e f(x) têm sinais
iguais?
b) Qual o sinal da derivada de h(x) se as derivadas de g(x) e f(x) têm sinais
diferentes?
Referências
ANTON, Howard. 6áIruIo: um novo horizonte. 6. ed. Porto Alegre: Bookman, 2000. v 1.
SIMMONS, George F. 6áIruIo: com geometria analítica. São Paulo: McGraw-Hill, 1987. v 1.
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Anotações
kuIa 06  Cálculo I kuIa 06  Cálculo I 19
Anotações
kuIa 06  Cálculo I Z0
Anotações
kuIa 06  Cálculo I