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André Gustavo Campos Pereira

Joaquim Elias de Freitas
Roosewelt Fonseca Soares
Cálculo I
ß I 8 6 I F L I h k
A integral defnida
Autores
auIa
10
kuIa 10  Cálculo I
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UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
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ûovarno FadaraI
FrasIdanIa da ßapúbIIra
Luiz Inácio Lula da Silva
MInIsIro da Lduração
Fernando Haddad
8arraIárIo da Lduração a ßIsIânrIa – 8LLß
Carlos Eduardo Bielschowsky
ünIvarsIdada FadaraI do ßIo ûranda do horIa
ßaIIor
José Ivonildo do Rêgo
VIra·ßaIIora
Ângela Maria Paiva Cruz
8arraIárIa da Lduração a ßIsIânrIa
Vera Lúcia do Amaral
8arraIarIa da Lduração a ßIsIânrIa· 8LßI8
6oordanadora da Frodução dos MaIarIaIs
Marta Maria Castanho Almeida Pernambuco
6oordanador da LdIção
Ary Sergio Braga Olinisky
FrojaIo ûráHro
Ivana Lima
ßavIsoras da LsIruIura a LInguagam
Eugenio Tavares Borges
Jânio Gustavo Barbosa
Thalyta Mabel Nobre Barbosa
ßavIsora das hormas da k8hT
Verônica Pinheiro da Silva
ßavIsoras da Língua ForIuguasa
Janaina Tomaz Capistrano
Sandra Cristinne Xavier da Câmara
ßavIsoras TárnIros
Leonardo Chagas da Silva
Thaísa Maria Simplício Lemos
ßavIsora TIpográHra
Nouraide Queiroz
IIusIradora
Carolina Costa
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Carolina Costa
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Ivana Lima
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kuIa 10  Cálculo I 1
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Apresentação
h
as aulas 8 (A primitiva) e 9 (Mais primitivas e as somas de Riemann), calculamos as
primitivas de diversas funções, introduzimos as somas de Riemann e utilizamos em
particularuma soma de Riemann para calcular a área sob o gráfco de uma função
contínua positiva. Nesta aula, voltaremos a tratar das somas de Riemann no sentido de
ampliar o cálculo de áreas sob o gráfco de funções não mais necessariamente positivas,
defniremos a integral defnida de uma função e, fnalmente, faremos a conexão entre
primitivas e a integral defnida utilizando o importante teorema fundamental do cálculo.
Objetivos
Esperamos que ao fnal desta aula você tenha compreendido por
que estudamos as primitivas das funções e saiba como utilizá-las
para calcular as integrais defnidas de funções.
kuIa 10  Cálculo I Z kuIa 10  Cálculo I
Somas de Riemann
Na aula 9, vimos que para calcular a área pretendida executamos os seguintes
procedimentos:
1) subdividimos o intervalo fechado [a, b] em n subintervalos usando um
conjunto P = {x
0
, x
1
, . . . , x
k−1
, x
k
, . . . , x
n−1
, x
n
} com n + 1 pontos, onde
a = x
0
< x
1
< . . . < x
k−1
< x
k
< . . . < x
n−1
< x
n
= b , defnindo n subintervalos
[x
0
, x
1
], [x
1
, x
2
], . . . , [x
k−1
, x
k
], . . . , [x
n−1
, x
n
]
. O conjunto P é chamado de
parIIção de [a, b] ;
2) em cada subintervalo fechado [x
k−1
, x
k
] , com k = 1, 2, . . . , n, escolhemos ¯ x
k
um
ponto tal que x
k−1
≤ ¯ x
k
≤ x
k
. Denotamos por S
k
a área do retângulo de base ∆x
k
e
altura f(¯ x
k
) , ou seja,
S
k
= f(¯ x
k
)∆x
k
;
3) denominamos por A
n
a soma das áreas dos n sub-retângulos defnidos anteriormente,
isto é,
A
n
=
n

k=1
S
k
=
n

k=1
f(¯ x
k
) · ∆x
k
;
4) fazemos a quantidade de pontos da partição crescer indefnidamente, ou seja, tender
para infnito.
Denominamos por norma de P, denotada por P, o comprimento do maior
subintervalo [x
k−1
, x
k
], k = 1, 2, . . . , n.
kuIa 10  Cálculo I kuIa 10  Cálculo I 8
ûbsarvação 1 · Note que dizer que P → 0 é equivalente a dizer que n →∞, pois se o
comprimento do maior intervalo está se aproximando de zero quer dizer que a quantidade de
pontos da partição está crescendo indeterminadamente. Logo, podemos escrever
lim
P→0
A
n
= lim
n→∞
A
n
= lim
n→∞
n

k=1
f(¯ x
k
) · ∆x
k .
ûbsarvação Z · Vimos também na aula 9, que se considerarmos a norma P como
uma constante, todos os subintervalos
[x
k−1
, x
k
]
terão o mesmo comprimento e, se
f : [a, b] →R for positiva e ronIínua em [a, b], então, a área sob a curva y = f(x) no
intervalo [a, b] é defnida por A = lim
n→∞
A
n
= lim
n→∞
n

k=1
f(¯ x
k
) · ∆x.
Note que a observação 2 é um caso particular da observação 1, pois nesta nada foi
dito sobre como é a partição e nenhuma suposição foi feita para a função em estudo. Ou
seja, na 1. a partição e a função podem até ser iguais a 2, mas isso seria apenas um dos
casos possíveis.
Na aula 6 (Aplicações da derivada), vimos o Teorema da Existência de Valores
Extremos, de acordo com o qual se f é uma função contínua no intervalo fechado [a, b],
então, f tem máximo absoluto e mínimo absoluto em [a, b]. Note que quando fazemos a primeira
etapa das somas de Riemann, subdividimos o intervalo fechado [a, b] em n subintervalos
usando a partição
P = {x
0
, x
1
, . . . , x
k−1
, x
k
, . . . , x
n−1
, x
n
}
com n + 1 pontos, onde
a = x
0
< x
1
< . . . < x
k−1
< x
k
< . . . < x
n−1
< x
n
= b , defnindo n subintervalos
[x
0
, x
1
], [x
1
, x
2
], . . . , [x
k−1
, x
k
], . . . , [x
n−1
, x
n
]
. Portanto, se a função f com a qual
estamos trabalhando for contínua, existirão em cada intervalo
[x
k−1
, x
k
]
dois pontos x
m
k
,
e x
M
k
onde a função f tem máximo absoluto e mínimo absoluto em
[x
k−1
, x
k
]
, sendo para
esses pontos f(x
m
k
) ≤ f(x
M
k
).
Por 2) – soma de Reimann –, temos que ∆x
k
é a largura do intervalo
[x
k−1
, x
k
]
e, portanto, um valor positivo. Assim, multiplicando ambos os lados da desigualdade
f(x
m
k
) ≤ f(x
M
k
) por ∆x
k
, obtemos f(x
m
k
)∆x
k
≤ f(x
M
k
)∆x
k
; como isso vale para
qualquer intervalo [x
0
, x
1
], [x
1
, x
2
], . . . , [x
k−1
, x
k
], . . . , [x
n−1
, x
n
], teremos
f(x
m
1
)∆x
1
≤ f(x
M
1
)∆x
1
f(x
m
2
)∆x
2
≤ f(x
M
2
)∆x
2
.
.
.
f(x
m
n
)∆x
n
≤ f(x
M
n
)∆x
n
.
Somando os membros da desigualdade anterior, obedecendo a desigualdade, teremos
n

k=1
f(x
m
k
)∆x
k

n

k=1
f(x
M
k
)∆x
k
kuIa 10  Cálculo I 4 kuIa 10  Cálculo I
a b
4
3
2
1
0
0 1 2 3 4
x
4
3
2
1
0
0 1 2 3 4
x
a b
4
3
2
1
0
0 1 2 3 4
x
4
3
2
1
0
0 1 2 3 4
x
Note ainda que qualquer outro ponto ¯ x
k
, tal que x
k−1
≤ ¯ x
k
≤ x
k
, temos
f(x
m
k
) ≤ f(¯ x
k
) ≤ f(x
M
k
)
, e repetindo o procedimento anterior, obteremos
n

k=1
f(x
m
k
)∆x
k

n

k=1
f(¯ x
k
)∆x
k

n

k=1
f(x
M
k
)∆x
k .
A partir disso, podemos concluir que para qualquer partição do intervalo [a, b],
P = {x
0
, x
1
, . . . , x
k−1
, x
k
, . . . , x
n−1
, x
n
}, a desigualdade (Equação 1) ocorre quando f é
uma função contínua no intervalo fechado [a, b].
A soma que utiliza o valor f(x
m
k
) como altura do retângulo em cada subintervalo
[x
k−1
, x
k
] é chamada soma inferior. A soma que utiliza o valor f(x
M
k
) como altura do
retângulo em cada subintervalo [x
k−1
, x
k
] é chamada soma superior.
Ilustramos nas Figuras 1a e 1b a seguir as somas inferior e superior, respectivamente,
da função f : [0, 4] →R, defnida por f(x) = x, utilizando uma partição com 10 pontos.
Figura 1 - (a) Área referente à soma inferior; (b) área referente à soma superior.
(Equação 1)
kuIa 10  Cálculo I kuIa 10  Cálculo I 6
a b c
4
3
2
1
0
0 1 2 3 4
x
4
3
2
1
0
0 1 2 3 4
x
4
3
2
1
0
0 1 2 3 4
x
a b c
4
3
2
1
0
0 1 2 3 4
x
4
3
2
1
0
0 1 2 3 4
x
4
3
2
1
0
0 1 2 3 4
x
A primeira observação que podemos fazer é que as somas superiores sempre são
maiores ou iguais à área que desejamos aproximar e as somas inferiores sempre menores
ou iguais; cabe ainda observar que as somas superiores são sempre maiores ou iguais a
somas inferiores quando estamos calculando-as com base na mesma partição.
A segunda observação é que, se tomamos uma partição e vamos acrescentando cada
vez mais pontos a ela, a soma superior vai diminuindo e a inferior vai aumentando. Ilustramos
isso na Figura 2, na qual começamos com 4 pontos, depois acrescentamos os pontos médios
aumentando para 8, e em seguida acrescentamos outra vez os pontos médios aumentando
o número de pontos da partição para 16.
Figura 2 - (a) Área relativa à soma inferior de uma partição com 4 pontos; (b) acréscimo dos pontos
médios à partição anterior, fazendo uma nova partição com 8 pontos; (c) acréscimo dos pontos médios
à partição anterior, fazendo uma nova partição com 16 pontos.
Figura 3 - (a) Área relativa à soma superior de uma partição com 4 pontos; (b) acréscimo dos pontos
médios à partição anterior, fazendo uma nova partição com 8 pontos; (c) acréscimo dos pontos médios
à partição anterior, fazendo uma nova partição com 16 pontos.
kuIa 10  Cálculo I 6 kuIa 10  Cálculo I
Exemplo 1
Calcule a soma inferior da função f : [0, b] →R defnida por
f(x) = x, utilizando a partição P = {x
0
, x
1
, x
2
, . . . , x
n−1
, x
n
} do
intervalo [0, b], tal que 0 = x
0
< x
1
< x
2
< . . . < x
n−1
< x
n
= b e com
x
0
= 0, x
1
=
b
n
, x
2
=
2b
n
, x
3
=
3b
n
, . . . , x
n−1
=
(n −1)b
n
, x
n
=
nb
n
= b .
Solução
Note que o gráfco da função é o da Figura 5 da aula 9. Assim, se observarmos em cada
subintervalo [x
k−1
, x
k
], o menor valor da função será assumido sempre no ponto inferior
do intervalo, ou seja, em x
k−1
. Dessa forma, a soma inferior será
s(f, P) =
n

k=1
f(x
m
k
)∆x
k
=
n

k=1
f(x
k−1
)∆x
k
=
n

k=1
x
k−1
b
n
=
b1
n
n

k=1
x
k−1
=
b
n

0 +
b
n
+
2b
n
+ . . . +
(n −1)b
n

s(f, P) =
b
n

b
n
+
2b
n
+ . . . +
(n −1)b
n

=
b
2
n
2
(1 + 2 + . . . + (n −1))
=
b
2
n
2

(n −1)n
2

=
b
2
(n −1)
2n
.
Note que se quisermos saber o que acontece com essa soma inferior quando fzermos
P → 0, temos que fazer n →∞.
Para visualizarmos melhor, reescrevemos s(f, P) =
b
2
2

1 −
1
n

. Pelo que
estudamos na aula 9, vemos que quando n →∞ teremos lim
P→0
s(f, P) =
b
2
2
.
Denotemos as somas superior e inferior de uma função f relativa a uma partição P por
S(f, P) e s(f, P), respectivamente. Pelo que vimos até o momento, temos que à medida
que acrescentamos mais pontos à partição P, ou seja, que fazemos P → 0 , S(f, P)
decresce e s(f, P) cresce. Além disso, s(f, P) ≤ S(f, P). Com essas informações,
podemos garantir que os limites lim
P→0
s(f, P) e lim
P→0
S(f, P) e existem.
kuIa 10  Cálculo I kuIa 10  Cálculo I 7
Atividade 1
a) Calcule a soma superior da função f : [0, b] →R defnida por f(x) = x,
utilizando a partição PP == {{xx
00
, x , x
11
, x , x
22
, . . . , x , . . . , x
nn−−11
, x , x
nn
}} do intervalo
[0 [0, b , b]], tal que 0 = x
0
< x
1
< x
2
< . . . < x
n−1
< x
n
= b e com
x
0
= 0, x
1
=
b
n
, x
2
=
2b
n
, x
3
=
3b
n
, . . . ,x
n−1
=
(n −1)b
n
, x
n
=
nb
n
= b
b) Depois de calculada a soma superior, encontre lim
P→0
S(f, P).
Se tomarmos outra partição lim
P

→0
s(f, P

) e lim
P

→0
S(f, P

)e fzermos o mesmo procedimento, teremos que os
limites lim
P

→0
s(f, P

) e lim
P

→0
S(f, P

) e existem.
Duas perguntas surgem naturalmente neste momento:
lim
P→0
s(f, P) = lim
P

→0
s(f, P

) ? lim
P→0
S(f, P) = lim
P

→0
S(f, P

) ?
Caso as perguntas sejam respondidas positivamente, outra pergunta ainda pode surgir:
lim
P→0
s(f, P) = lim
P→0
S(f, P)?
Caso as perguntas sejam respondidas positivamente, para quaisquer que sejam as
partições P, lim
P

→0
s(f, P

) e lim
P

→0
S(f, P

)tomadas, temos pela equação 1 que
s(f, P) =
n

k=1
f(x
m
k
)∆x
k

n

k=1
f(¯ x
k
)∆x
k

n

k=1
f(x
M
k
)∆x
k
= S(f, P)
e pelo teorema do confronto visto na aula 2 (Funções contínuas)que
lim
P→0
s(f, P) = lim
P→0
S(f, P) = lim
P→0
n

k=1
f(¯ x
k
)∆x
k .
kuIa 10  Cálculo I 8 kuIa 10  Cálculo I
A notação

b
a
f(x)dx foi introduzida por Leibniz, em que o símbolo

foi construído
a partir da letra S de soma, a f(x) denominamos de InIagrando, ao a, de limite inferior (da
integral), e ao b, de limite superior (da integral); o dx indica que x é a variável independente que
está assumindo valores no intervalo fechado [a, b] e é denominada varIávaI da InIagração.
Agora, vem aquela pergunta que não quer calar: precisaremos calcular a soma superior
e inferior de todas as partições possíveis e verifcar se, quando o número de pontos da
partição crescer, os limites coincidirão? Mas não existem infnitas partições?
Pois é!!!!
Mas não se desespere, agora vai entrar em ação o que estamos estudando este tempo
todo, as primitivas. Socorro, primitivas!!!
E assim podemos defnir
Defnição 1
Integral defnida – Dizemos que uma função f é integrável no intervalo fechado
[[a, b a, b]] se lim lim
PP→ →00
ss((f, P f, P) = lim ) = lim

) = lim ) = lim ) = lim ) = lim
PP
) = lim ) = lim ) = lim ) = lim
→ →
) = lim ) = lim ) = lim ) = lim
00
SS((f, P f, P)) , para qualquer partição P de [[a, b a, b]]
(o que implicará lim lim
PP→ →00
ss((f, P f, P) = lim ) = lim

) = lim ) = lim ) = lim ) = lim
PP
) = lim ) = lim ) = lim ) = lim
→ →
) = lim ) = lim ) = lim ) = lim
00
SS((f, P f, P) = lim ) = lim

) = lim ) = lim ) = lim ) = lim
PP
) = lim ) = lim ) = lim ) = lim
→ →
) = lim ) = lim ) = lim ) = lim
00
nn

kk=1 =1
ff(¯ (¯ xx (¯ (¯ (¯ (¯
kk
)∆ )∆xx
kk

para qualquer ¯¯ xx
kk
escolhido em [[xx
kk−−11
, x , x
kk
]]. Representaremos esse limite por

bb
aa

ff((xx))dx dx, que se lê integral defnida de a até b de ff((xx))dx dx. Temos então que

bb
aa

ff((xx))dx dx = lim = lim
PP→ →00
nn

kk=1 =1
ff(¯ (¯ xx (¯ (¯ (¯ (¯
kk
)∆ )∆xx
kk
..
kuIa 10  Cálculo I kuIa 10  Cálculo I 9
Teorema fundamental
do cálculo
Acabamos de defnir a integral de uma função e constatamos que se f é integrável no
intervalo fechado [a, b] o valor do limite lim
P→0
n

k=1
f(¯ x
k
)∆x
k
será sempre o mesmo para
qualquer ¯ x
k
escolhido em [x
k−1
, x
k
] e o valor desse limite será igual a

b
a
f(x)dx.
Suponhamos que f é integrável no intervalo fechado [a, b] e que f admita uma primitiva
F em [a, b], isto é, F

(x) = f(x) em [a, b], seja P = {x
0
, x
1
, x
2
, . . . , x
n−1
, x
n
} uma
partição qualquer do intervalo [a, b], com a = x
0
< x
1
< x
2
< . . . < x
n−1
< x
n
= b .
Note que podemos escrever F(b) −F(a) =
n

k=1
(F(x
k
) −F(x
k−1
)), pois
n

k=1
(F(x
k
) −F(x
k−1
)) = (F(x
1
) −F(x
0
)) + (F(x
2
) −F(x
1
)) + (F(x
3
) −F(x
2
))+
. . . + (F(x
n
) −F(x
n−1
)).
Note também que o primeiro termo de cada parcela se cancela com o segundo termo
da parcela seguinte. Fazendo esses cancelamentos, temos que a expressão anterior se reduz
a
n

k=1
(F(x
k
) −F(x
k−1
)) = F(x
n
) = F(x
0
) = F(b) −F(a) .
Como F é derivável (F

(x) = f(x)), pelo teorema do valor médio estudado na aula 6,
podemos garantir que existe um ponto x
k−1
≤ ¯ x
k
≤ x
k
, tal que
F(x
k
) −F(x
k−1
) = F

(¯ x
k
)(x
k
−x
k−1
) = F

(¯ x
k
)∆x
k
= f(¯ x
k
)∆x
k .
Dessa forma,
F(b) −F(a) =
n

k=1
(F(x
k
) −F(x
k−1
)) =
n

k=1
f(¯ x
k
)∆x
k.
Aplicando o limite quando
P → 0
, temos que
lim
P→0
(F(b) −F(a)) = lim
P→0
n

k=1
f(¯ x
k
)∆x
k
=

b
a
f(x)dx.
Note, entretanto, que F(b) −F(a) é um número fxo, e é a diferença de dois números
(F(b) −F(a))
, ou seja, é uma constante. Vimos na aula 1 (Limite de funções reais em um
ponto)que o limite de uma constante é a própria constante, assim, a equação anterior pode
ser reescrita da seguinte forma
F(b) −F(a) =

b
a
f(x)dx .
kuIa 10  Cálculo I 10 kuIa 10  Cálculo I
Teorema 1 (Teorema fundamental do cálculo)
Se f for integrável no intervalo fechado [[a, b a, b]] e f admite uma primitiva F em
[[a, b a, b]], então,
FF((bb)) −−FF((aa) = ) =

bb
aa

ff((xx))dx dx.
Mostra-se que toda função contínua no intervalo fechado [a, b] é integrável nesse
intervalo, assim podemos enunciar uma outra versão do teorema 1, a qual usaremos mais
freqüentemente, já que as funções que trabalharemos nesta disciplina serão em sua maioria
funções contínuas.
Teorema 2 (Teorema fundamental do cálculo)
Se f for contínua no intervalo fechado [[a, b a, b]] e f admite uma primitiva F em
[[a, b a, b]], então,
FF((bb)) −−FF((aa) = ) =

bb
aa

ff((xx))dx dx.
Exemplo 2
Calcule a integral defnida

π/2
0
sen(x)dx.
Solução
Identifquemos cada elemento necessário à aplicação do teorema. Primeiro o intervalo
[a, b], neste caso, temos que a = 0 e b =
π
/
2, logo, o intervalo é [0,
π
/
2
]. Sabemos da aula
2 que a função seno é contínua e sua primitiva é −cos(x), logo, pelo teorema 2 temos que

π/2
0
sen(x)dx = −cos

π
2

−(−cos(0)) = 0 −(−1) = 1.
Acabamos de demonstrar o famoso teorema fundamental do cálculo.
kuIa 10  Cálculo I kuIa 10  Cálculo I 11
Exemplo 3
Calcule a integral defnida

3
2
e
x
dx.
Solução
Identifquemos cada elemento necessário à aplicação do teorema. Primeiro
o intervalo [a, b], neste caso, temos que a = 2 e b = 3 , logo, o intervalo é [2, 3].
Sabemos da aula 2 que a função exponencial é contínua e sua primitiva é e
x
, logo, pelo
teorema 2 temos que

3
2
e
x
dx = e
3
−e
2
.
Usaremos a notação F(x)|
x=b
x=a
ou simplesmente F(x)|
b
a
para denotar F(b) −F(a).
Assim, quando usarmos os teoremas anteriores, escreveremos

b
a
f(x)dx = F(x)|
x=b
x=a
= F(x)|
b
a
= F(b) − F(a) .
Na aula 9, vimos que se f : [a, b] →R for positiva e ronIínua em
[a, b], então, a área sob a curva y = f(x) no intervalo [a, b] é defnida por
A = lim
n→∞
A
n
= lim
n→∞
k

k=1
f(x
k
) · ∆
x
. Vimos nesta aula que esse limite é um caso particular
das somas de Riemann estudadas nesta aula, ou seja, se a função tiver primitiva F, então,
A = lim
n→∞
A
n
= lim
n→∞
k

k=1
f(x
k
) · ∆
x
=

b
a
f(x)dx = F(b) − F(a) .
Exemplo 4
(Refazendo o exemplo 5 da aula 9)
Seja f : [0, b] →R a função defnida por f(x) = x , a função identidade. Calcule a
área sob o gráfco da f.
Solução
Pelo que foi discutido, queremos calcular

b
0
f(x)dx . Como a função f é contínua e
tem primitiva F(x) =
x
2
2
, temos pelo teorema 2 que

b
0
f(x)dx = F(b) −F(0) =
b
2
2

0
2
2
=
b
2
2
.
kuIa 10  Cálculo I 1Z kuIa 10  Cálculo I
Atividade 2
Exemplo 5
(Refazendo o exemplo 6 da aula 9)
Vamos considerar agora a função f : [0, b] →R defnida por y = f(x) = x
2
. Calcule
a àrea sob o gráfco da f.
Solução
Pelo que foi discutido, queremos calcular

b
0
f(x)dx. Como a função f é contínua e
tem primitiva F(x) =
x
3
3
, temos pelo teorema 2 que

b
0
f(x)dx = F(b) −F(0) =
b
3
3

0
3
3
=
b
3
3
.
Sabendo que todas as funções a seguir são contínuas no intervalo em que as
estamos integrando, calcule as integrais defnidas.
a)

22
11

xx
55
dx dx
b)

ππ
10 10
00

cos cos(5 (5xx))dx dx
c)

bb
aa

kdx, k kdx, k −−cte cte
d)

15 15
10 10

11
xx
dx dx
e)
 ππ
22
00

sen sen((xx))
22
cos cos((xx))dx dx
f)
 ππ
22
00

sen sen((xx + 2 + 2ππ))dx dx
g)

11
00

ee
22xx
dx dx
h)

22
11

55xx
44
xx
55
+ 1 + 1
dx dx
i)

22
11

((xx + 1) + 1)dx dx
j)

bb
aa

22tdx tdx
kuIa 10  Cálculo I kuIa 10  Cálculo I 18
Resumo
Nesta aula, revisamos as somas de Riemann, introduzimos as somas superior
e inferior e vimos como elas foram utilizadas na defnição da integral defnida.
Vimos o teorema fundamental do cálculo que fez a ligação da integral defnida
com as primitivas que estudamos nas aulas 8 e 9.
Auto-avaliação
Sabendo a primitiva de uma função contínua, vimos como é fácil calcular
sua integral defnida. Monte alguns exemplos utilizando a regra da cadeia, da
soma, diferença, produto e quociente para calcular a integral defnida, como o
modelo seguinte.
Sabemos que a primitiva da soma é a soma das primitivas, assim, considerando
f, g : [a, b] →R funções contínuas com primitivas F, G : [a, b] →R, temos

b
a
(f(x) + g(x))dx = (F(x) + G(x))|
b
a
= (F(b) + G(b)) − (F(a) + G(a)) =
(F(b) − F(a)) + (G(b) − G(a))
=

b
c
f(x)dx +

b
c
g(x)dx.
Referências
ANTON, Howard. 6áIruIo: um novo horizonte. 6. ed. Porto Alegre: Bookman, 2000. v 1.
GUIDORIZZI, Hamilton Luiz. üm rurso da ráIruIo. 5. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2001. v 1.
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Anotações
kuIa 10  Cálculo I kuIa 10  Cálculo I 16
Anotações
kuIa 10  Cálculo I 16
Anotações
kuIa 10  Cálculo I