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André Gustavo Campos Pereira

Joaquim Elias de Freitas
Roosewelt Fonseca Soares
Cálculo I
ß I 8 6 I F L I h k
Mais primitivas e
as somas de Riemann
Autores
auIa
09
kuIa 09  Cálculo I
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UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
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ûovarno FadaraI
FrasIdanIa da ßapúbIIra
Luiz Inácio Lula da Silva
MInIsIro da Lduração
Fernando Haddad
8arraIárIo da Lduração a ßIsIânrIa – 8LLß
Carlos Eduardo Bielschowsky
ünIvarsIdada FadaraI do ßIo ûranda do horIa
ßaIIor
José Ivonildo do Rêgo
VIra·ßaIIora
Ângela Maria Paiva Cruz
8arraIárIa da Lduração a ßIsIânrIa
Vera Lúcia do Amaral
8arraIarIa da Lduração a ßIsIânrIa· 8LßI8
6oordanadora da Frodução dos MaIarIaIs
Marta Maria Castanho Almeida Pernambuco
6oordanador da LdIção
Ary Sergio Braga Olinisky
FrojaIo ûráHro
Ivana Lima
ßavIsoras da LsIruIura a LInguagam
Eugenio Tavares Borges
Jânio Gustavo Barbosa
Thalyta Mabel Nobre Barbosa
ßavIsora das hormas da k8hT
Verônica Pinheiro da Silva
ßavIsoras da Língua ForIuguasa
Janaina Tomaz Capistrano
Sandra Cristinne Xavier da Câmara
ßavIsoras TárnIros
Leonardo Chagas da Silva
Thaísa Maria Simplício Lemos
ßavIsora TIpográHra
Nouraide Queiroz
IIusIradora
Carolina Costa
LdIIoração da Imagans
Adauto Harley
Carolina Costa
ßIagramadoras
Bruno de Souza Melo
Dimetrius de Carvalho Ferreira
Ivana Lima
Johann Jean Evangelista de Melo
kdapIação para MóduIo MaIamáIIro
André Quintiliano Bezerra da Silva
Kalinne Rayana Cavalcanti Pereira
Thaísa Maria Simplício Lemos
6oIaboradora
Viviane Simioli Medeiros Campos
Imagans üIIIItadas
Banco de Imagens Sedis - UFRN
Fotografas - Adauto Harley
Stock.XCHG - www.sxc.hu
kuIa 09  Cálculo I 1
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Apresentação
h
a aula 8 (A primitiva), estudamos a primitiva de uma função e calculamos muitas
primitivas. Nesta aula, continuaremos o estudo das primitivas e começaremos a trilhar
o caminho no sentido de explicar por que as estudamos. Além disso, introduziremos
a idéia de como calcular a área sob a curva de uma função.
Objetivos
Esperamos que ao fnal desta aula você tenha compreendido o
porquê do estudo das primitivas e saiba calcular a área sob a
curva do gráfco de uma função.
kuIa 09  Cálculo I Z kuIa 09  Cálculo I
Mais primitivas
Na aula 8, vimos que utilizando as regras da derivada da soma, da diferença e de uma
constante vezes uma função provamos que

cf(x)dx = c

f(x)dx

(f(x) + g(x))dx =

f(x)dx +

g(x)dx
e

(f(x) −g(x))dx =

f(x)dx −

g(x)dx.
E também que

(f

(x)g(x) + f(x)g

(x))dx = f(x)g(x) + K
e
 
f(x)
g(x)


dx =
 
f

(x)g(x) −f(x)g

(x)
g(x)
2

dx =
f(x)
g(x)
+ K.
Nesta aula, calcularemos a primitiva de uma função que envolva a regra da cadeia, ou
seja, que envolva compostas.
Consideremos g : I →J, f : J →R e F : J →R a primitiva de f. Vimos na aula 5
(Derivadas de funções compostas) que
(F(g(x)))

= F

(g(x)) · g

(x).
Por F ser a primitiva de f, temos que F

(y) = f(y) para todo y ∈ J , e podemos
reescrever a equação anterior como
(F(g(x)))

= f(g(x)) · g

(x).
Por outro lado, se essa igualdade é verdade para todo x ∈ I , então, por defnição,
F(g(x)) é a primitiva def(g(x)) · g

(x) e podemos então escrever

f(g(x))g

(x)dx = F(g(x)) + K.
Na aula 4 (A derivada), fzemos alguns cálculos determinando u = g(x), o que implica
du
dx
= g

(x)
ou, em forma de diferencial, temos du = g

(x)dx . Substituindo essa notação
na equação (1), temos

f(u)du = F(u) +K. (Equação 2)
(Equação 1)
kuIa 09  Cálculo I kuIa 09  Cálculo I 8
O processo de transformação da equação (1) na equação (2) pela substituição de
u = g(x) e du = g

(x)dx é chamado de máIodo da subsIIIuIção u.
ûbsarvação Algumas condições sobre as funções g : I →J, f : J →R são necessárias
para que possamos realizar tal substituição, entretanto, para um primeiro curso de cálculo,
as funções que utilizaremos estarão satisfazendo tais condições.
Exemplo 1
Calcule

(x
2
+ 1)
50
2xdx.
Pelo que foi explicado anteriormente, devemos identifcar as funções envolvidas,
ou seja, a g : R →R e a f : R →R. Neste exemplo, se olharmos bem, veremos uma
composta (x
2
+ 1)
50
envolvendo as funções f(x) = x
50
e g(x) = x
2
+ 1. Note que se
considerarmos tais funções temos que

(x
2
+ 1)
50
2xdx =

f(g(x))g

(x)dx, cujo
resultado é F(g(x)) +K, onde F é a primitiva da f. Calculemos então F:
F(x) =

f(x)dx =

x
50
dx =
x
51
51
.
Portanto,

(x
2
+1)
50
2xdx =

f(g(x))g

(x)dx = F(g(x))+K =
g(x)
51
51
+K =
(x
2
+ 1)
51
51
+K
E a substituição u?
Outra maneira é fazendo a substituição u. Se tomarmos u = x
2
+1, então,
du
dx
= 2x ⇒du = 2xdx. Assim, podemos reescrever a integral anterior como

(x
2
+ 1)
50
2xdx =

u
50
du =
u
51
51
+K =
(x
2
+ 1)
51
51
+K.
ûbsarvação · É importante dar-se conta de que no método da substituição u você controla a
escolha de u, mas, uma vez feita a escolha, você não tem controle sobre a expressão resultante
para du. Desse modo, no exemplo anterior, asroIhamos u = x
2
+1, mas du = 2xdx foi
raIruIado. Afortunadamente, a nossa escolha de u, combinada com du calculado, funcionou
perfeitamente para produzir uma integral envolvendo u fácil de calcular. Porém, em geral,
o método da substituição u falhará, se o u escolhido e o du calculado produzirem um
integrando, no qual persistem expressões envolvendo x, ou se não for possível calcular a
integral resultante. Dessa forma, por exemplo, a substituição u = x
2
+1, du = 2xdx não
irá funcionar para a integral

(x
2
+ 1)
50
2xcos(x)dx,
kuIa 09  Cálculo I 4 kuIa 09  Cálculo I
pois a substituição transformará a integral anterior em

u
50
cos(x)du
,
que ainda contém uma expressão envolvendo x.
De uma forma geral, não há um método seguro e rápido para escolher u e, em alguns
casos, nenhuma escolha de u funcionará. Em tais casos, outros métodos serão necessários,
alguns dos quais serão estudados nas próximas aulas. Fazer a escolha apropriada de u virá
com a experiência, mas será útil seguir o roteiro seguinte combinado com um domínio das
integrais básicas. (ANTON, 2000, p. 392).
Roteiro
1. Faça a escolha para u, digamos uu == gg((xx)).
2. Calcule
du du
dx dx
== gg

((xx)).
3. Faça a substituição uu == gg((xx)), du du == gg

((xx))dx dx.
Neste ponto, toda a integral deve estar em termos de u; nenhum x deve
continuar. Se isso não acontecer, deve-se tentar uma nova escolha para u.
4. Calcule a integral resultante, se possível.
5. Substitua u por g(x); assim, a resposta fnal estará em termos de x.
(ANTON, 2000, p. 392).
Exemplo 2
Calcule

sen(x + 9)dx.
Solução
De imediato, vemos uma composta
sen(x + 9)
das funções f(x) = sen(x) e
g(x) = x + 9. Note que g

(x) = 1, o que nos garante que a integral anterior pode ser
escrita como

sen(x + 9)dx =

f(g(x))g

(x)dx . Encontrando a primitiva da f, temos

sen(x)dx = −cos(x)
e, portanto,
kuIa 09  Cálculo I kuIa 09  Cálculo I 6

sen(x + 9)dx =

f(g(x))g

(x)dx = F(g(x)) + K
= −cos(g(x)) + K = −cos(x + 9) + K.
Outra forma é chamar u = x + 9 ⇒
du
dx
= 1 ⇒du = dx ; substituindo u, ud na
integral, temos

sen(u)du = −cos(u) + K = −cos(x + 9) + K.
Exemplo 3
Calcule

cos(5x)dx.
Solução
De imediato, vemos uma composta cos(5x) das funções f(x) = cos(x) e g(x) = 5x
. Temos, então, que g

(x) = 5. Agora não temos mais que a integral está escrita na forma

f(g(x))g

(x)dx, pois para que isso ocorresse deveríamos ter a seguinte integral

cos(5x)5dx = 5

cos(5x)dx.
Ora, mas podemos fazer manipulações com

cos(5x)dx para obtermos essa integral.
Basta verifcar que

cos(5x)dx =
5
5

cos(5x)dx =
1
5

cos(5x)5dx

=
1
5

f(g(x))g

(x)dx

=
F(g(x))
5
+ K.
Calculando a primitiva de f, temos

cos(x)dx = sen(x)
e, portanto,

cos(5x)dx =
sen(g(x))
5
+ K =
sen(5x)
5
+ K.
Outra forma é chamar u = 5x ⇒
du
dx
= 5 ⇒
du
5
= dx; substituindo u, ud na integral,
temos

cos(u)
du
5
=
1
5

cos(u)du =
1
5
sen(u) + K =
sen(5x)
5
+ K.
kuIa 09  Cálculo I 6 kuIa 09  Cálculo I
Atividade 1
Exemplo 4
Calcule

sen(x)
2
cos(x)dx.
Calcule as seguintes integrais indefnidas (tente encontrar a substituição u.
Caso não consiga, poderá enconrar algumas sugestões ao fnal desta aula)
a)

22xx((xx
22
+ 1) + 1)
23 23
dx dx
b)

55xx
44
xx
55
+ 1 + 1
dx dx
c)

ee
xx
1 + 1 + ee
xx
dx dx d)

ee
22xx
dx dx
e)

ee
22tt

1 + 1 + ee
22tt
dt dt f)

cos cos(4 (4θθ))

11 −−sen sen(4 (4θθ))dθ dθ
g)

xx
√√
xx −−33dx dx h)

xcosx xcosx(3 (3xx
22
))dx dx
i)

ee
sen sen((xx))
cos cos((xx))dx dx
Solução
Podemos observar uma composta das funções f(x) = x
2
e g(x) = sen(x).
Note que g

(x) = cos(x), o que nos garante que a integral anterior pode ser escrita como

sen(x)
2
cos(x)dx =

f(g(x))g

(x)dx. Encontrando a primitiva da f, temos

x
2
dx =
x
3
3

e, portanto,

sen(x)
2
cos(x)dx =

f(g(x))g

(x)dx = F(g(x))+K =
g(x)
3
3
+K =
sen(x)
3
3
+K

sen(x)
2
cos(x)dx =

f(g(x))g

(x)dx = F(g(x))+K =
g(x)
3
3
+K =
sen(x)
3
3
+K.
Outra forma é chamar u = sen(x) ⇒
du
dx
= cos(x) ⇒du = cos(x)dx; substituindo
u, du na integral, temos

u
2
du =
u
3
3
+K =
sen(x)
3
3
+K.
kuIa 09  Cálculo I kuIa 09  Cálculo I 7
y
x
b a
y = f(x)
A área sob uma curva e
as integrais defnidas
V
ocê já parou para se perguntar alguma vez na vida qual o signifcado da área da região
limitada superiormente pelo gráfco de uma função y = f(x), que consideraremos por
um instante não-negativa em seu intervalo de defnição a ≤ x ≤ b; inferiormente pelo
eixo x; e lateralmente pelas retas verticais x = a e x = b, como mostrado na Figura 1?
FIgura 1 · Área A limitada superiormente pelo gráfco da função y = f(x); inferiormente pelo eixo x; e
lateralmente pelas retas verticais x = a e x = b.
Vamos pensar juntos: se a curva representa a velocidade instantânea de um automóvel
no tempo, então, a área representará a distância percorrida por esse automóvel do instante
a ao instante b.
Se o gráfco representa a vazão instantânea de um líquido que está fuindo por um dado
duto, então, a área representará a quantidade de líquido que fuiu do instante a ao instante b.
De maneira geral, sempre que um gráfco é construído para representar algum fenômeno,
a área sob o gráfco tem algum signifcado relativo ao problema modelado.
Começaremos tratando do problema de encontrar a área da região limitada superiormente
pelo gráfco de uma função y = f(x), que consideramos inicialmente não-negativa em
seu intervalo de defnição a ≤ x ≤ b; inferiormente pelo eixo x; e lateralmente pelas retas
verticais x = a e x = b, como mostrado na Figura 1.
Suponhamos que a função y = f(x) é contínua no intervalo [a, b]. Ou seja, relembrando,
isso signifca que lim
x→c
f(x) = f(c) ou, ainda, que o gráfco de f não tem saltos nem furos
em todo o intervalo fechado [a, b].
kuIa 09  Cálculo I 8 kuIa 09  Cálculo I
Além disso, suponhamos também que f seja limitada superiormente e inferiormente,
o que signifca dizer que existe um número real positivo K, tal que |f(x)| ≤ K para todo x
em [a, b], e que existem os valores máximo e mínimo de f em [a, b].
Somas de Riemann
Para calcular a área pretendida, executaremos os seguintes procedimentos:
1. Subdividir o intervalo fechado [a, b] em n subintervalos usando um conjunto
P = {x
0
, x
1
, · · · , x
k−1
, x
k
, · · · , x
n−1
, x
n
} com n + 1 pontos, onde
a = x
0
< x
1
< · · · < x
k−1
< x
k
< · · · < x
n−1
< x
n
= b, defnindo n subintervalos
[x
0
, x
1
], [x
1
, x
2
], . . . , [x
k−1
, x
k
], . . . , [x
n−1
, x
n
]. A um tal conjunto P denominamos de
parIIção de [a, b];
2. Em cada subintervalo fechado [x
k−1
, x
k
], com k = 1, 2, . . . , n, escolher x
k
um ponto,
tal que x
k−1
≤ x
k
≤ x
k
. Denotamos por S
k
= f(x
k
)∆x
k
a área do retângulo de base ∆x
k
e altura
f(x
k
), ou seja, S
k
= f(x
k
)∆x
k
;
3. Denominar por A
n
a soma das áreas dos n sub-retângulos defnidos anteriormente, isto é,
A
n
=
n

k=1
S
k
=
n

k=1
f(x
k
) · ∆x
k ;
4. Façamos a quantidade de pontos da partição crescer indefnidamente, ou seja, tender
para infnito.
Só para termos a noção de que esse limite de fato é a área: faremos o gráfco de
f(x) = x
2
+ 1 no intervalo [−1, 1]; faremos a aproximação por 4, 10 e 30 divisões do domínio
[−1, 1]; e tomaremos x
k
como sendo o ponto médio do subintervalo correspondente.
kuIa 09  Cálculo I kuIa 09  Cálculo I 9
2
1,5
1
0,5
0,5 1 -0,5 -1
0
0
a
2
1,5
1
0,5
0,5 1 -0,5 -1
0
0
x
c
2
1,5
1
0,5
0,5 1 -0,5 -1
0
0
x
b
FIgura Z · a) Aproximação da área sob a curva quando tomando partições de 4 e tomando x
k
como
sendo o ponto médio do subintervalo correspondente; b) aproximação da área sob a curva quando
tomando partições de 10 e tomando x
k
como sendo o ponto médio do subintervalo correspondente;
c) aproximação da área sob a curva quando tomando partições de 30 e tomando x
k
como sendo o ponto
médio do subintervalo correspondente.
kuIa 09  Cálculo I 10 kuIa 09  Cálculo I
y
f (-0,6)
3
2
1
-1
-1 1 2 3 4
x
f ( 0,6)
f ( 1,3)
f ( 2,5)
f ( 3,2)
FIgura 8 · Uma soma de Riemann da função f(x) =
((x −7)sin(x))
9
+ 2 para a partição
P = {−1, 0, 1, 2, 3, 4} e com a escolha dos x
k

s
x
1
= −0, 6, x
2
= 0, 6, x
3
= 1, 3, x
4
= 2, 5 e x
5
= 3, 2.
Cálculo da área utilizando essa partição
A
P
=
5

k=1
f(x
k
)∆x
k
,
A
P
= f(−0, 6) · 1 + f(0, 6) · 1 + f(1, 3) · 1 + f(2, 5) · 1 + f(3, 2) · 1
A
P
= 2, 5 · 1 + 1, 6 · 1 + 1, 4 · 1 + 1, 7 · 1 + 2, 5 · 1
A
P
= 9, 2
kuIa 09  Cálculo I kuIa 09  Cálculo I 11
x
y
f(x)
a b
FIgura 4 · Aproximação da área sob a curva usando sete retângulos
Denominamos por norma de P, denotada por P, ao comprimento do maior
subintervalo [x
k−1
, x
k
], k = 1, 2, . . . , n.
ûbsarvação 1 · No item 1) se representarmos por ∆x
k
o comprimento do k-ésimo
subintervalo [x
k−1
, x
k
], k = 1, 2, 3, . . . , n, teremos, portanto, ∆x
k
= x
k
−x
k−1
e
n

k=1
∆x
k
= b −a, pois
n

k=1
∆x
k
= ∆x
1
+∆x
2
+∆x
3
+· · · +∆x
k
+∆x
k+1
+· · · +∆x
n−1
+∆x
n
,
e como ∆x
k
= x
k
−x
k−1
= −x
k−1
+x
k
, temos
n

k=1
∆x
k
= −x
0
+x
1
−x
1
+x
2
−x
2
+· · ·
−x
k−1
+x
k−1
−x
k
+x
k
+· · · −x
n−1
+x
n−1
+x
n
.
Note que nessa soma todas as parcelas intermediárias se cancelam, restando apenas os
extremos –x
0
e x
n
. Portanto,
n

k=1
∆x
k
= −x
0
+x
n
= −a +b = b −a
.
kuIa 09  Cálculo I 1Z kuIa 09  Cálculo I
Defnição 1
Se : [ : [a, b a, b]] →→RR for positiva e ronIínua em [[a, b a, b]], então, a área sob a curva
yy == ff((xx)) no intervalo [[a, b a, b]] é defnida por AA = lim = lim
nn→∞ →∞
AA
nn
= lim = lim
nn→∞ →∞
nn

kk=1 =1
ff((xx
kk
)) ·· ∆∆xx.
A observação seguinte é muito importante e, mesmo não sendo oportuno
prová-la neste momento do curso, convém deixá-la registrada.
ûbsarvação 8 · Esta defnição é satisfatória para nossos propósitos nesta disciplina. Conforme
já destacamos, queremos ressaltar que apenas a usaremos quando: f : [a, b] →R for
ronIínua, porque nesse caso podemos mostrar que o limite anterior não depende da escolha
dos pontos x
k
, x
k−1
≤ x
k
≤ x
k
, k = 1, 2, . . . , n escolhidos.
Antes de apresentarmos os exemplos, discutiremos um pouco sobre o procedimento 4 (das
somas de Riemann), a saber, fazer a quantidade de pontos da partição crescer indefnidamente,
ou seja, tender para infnito.
Vamos lá! Quando tomamos a partição no procedimento 1), iniciamos então com n + 1
pontos, certo? Se queremos que essa quantidade cresça, quem deve crescer: o n ou o 1?
Ora, o 1 não tem como crescer, pois ele é fxo, a única quantidade passível de crescimento
é o n. Assim, fazer a quantidade de pontos da partição crescer é fazer com que esse
n seja cada vez maior, e fazer uma quantidade fcar cada vez maior é fazê-la crescer
indefnidamente, e fazê-la crescer indefnidamente é fazê-la se aproximar do infnito ou,
em outras palavras, fazê-la tender ao infnito. Então, teremos que o n tomará valores cada
vez maiores, por exemplo, n = 10, 100, 1000, 10000, .... .
Se isso acontece com n, o que acontece com o valor de
1
n
? Quando trabalhamos
com frações, quando o numerador (> 0) está fxo e o denominador cresce, o que
acontece com a fração? Ela decresce! Ilustrando isso com os valores anteriores, temos
1
n
= 0.1, 0.01, 0.001, 0.0001, . . . Então, se o denominador tender para infnito (ou seja,
assumir valores cada vez maiores), temos que a fração assumirá valores positivos cada vez
menores. Mas se a fração está assumindo valores positivos cada vez menores, teremos que
cada vez mais ela estará se aproximando de zero (0), ou seja, a fração tenderá para 0 quando
o denominador tender para infnito. Em linguagem de limites, podemos escrever isso como
lim
n→∞
1
n
= 0 .
ûbsarvação Z · No item 2), se considerarmos a norma P como uma constante, todos
os subintervalos
[x
k−1
, x
k
]
terão o mesmo comprimento. Assim,
∆x
k
= ∆x
, onde
∆x =
b −a
n
, e podemos escrever A
n
da seguinte forma
A
n
=
n

k=1
S
k
=
n

k=1
f(x
k
) · ∆x.
kuIa 09  Cálculo I kuIa 09  Cálculo I 18
0
1
2
3
4
0 1 2
x
3 4
FIgura 6 · Gráfco de f : [0, b] →R, a função defnida por f(x) = x.
Solução
Na Figura 5, vemos que a região limitada superiormente pelo gráfco, inferiormente pelo
eixo x e lateralmente pela reta vertical x = b é um triângulo com base b e altura b. Logo, sua
área A é dada por A =
b
2
2
.
No entanto, estamos interessados em verifcar que o processo de aproximação pela
soma das áreas de pequenos retângulos dá o mesmo resultado.
Seja P = {x
0
, x
1
, x
2
, . . . , x
n−1
, x
n
} uma partição do intervalo [0, b], tal que
0 = x
0
< x
1
< x
2
< · · · < x
n−1
< x
n
= b .
Do mesmo modo, temos, quando n tende a infnito,
n
2
, n
3
, . . . ,
ou seja, todos tenderão para
infnito, o que implicará pela explicação anterior:
lim
n→∞
1
n
2
= lim
n→∞
1
n
3
= lim
n→∞
1
n
4
= . . . = 0.
Com essa idéia em mente, partamos para os exemplos.
Exemplo 5
Seja f : [0, b] →R a função defnida por f(x) = x, a função identidade. Apresentamos
a seguir o gráfco dessa função.
kuIa 09  Cálculo I 14 kuIa 09  Cálculo I
Note que essa função é contínua, então, podemos tomar valores para os pontos da
partição de modo que o comprimento da norma da partição seja constante. Tomemos os
seguintes pontos como os da partição
x
0
= 0, x
1
=
b
n
, x
2
=
2b
n
, x
3
=
3b
n
, . . . , x
n−1
=
(n −1)b
n
, x
n
=
nb
n
= b
.
Desse modo, as bases dos retângulos são todas de comprimentos iguais a ∆x =
b
n
, ou seja, ∆x =
b −0
n
, que é o comprimento do intervalo [0, b] dividido pelo número de
pontos da partição, menos um. Vamos considerar as alturas dos retângulos como sendo
f(x
k
), onde k = 1, 2, 3, . . . , n.
Então, f(x
1
) = x
1
=
b
n
, f(x
2
) = x
2
=
2b
n
, ..., f(x
n
) = x
n
=
nb
n
= b. Logo,
se chamarmos de S
n
a soma de todos os n retângulos de base ∆x
k
e altura f(x
k
),
obteremos
S
n
=

b
n

b
n

+

2b
n

b
n

+ . . . +

(n −1)b
n

b
n

+

nb
n

b
n

=
b
2
n
2
[1 + 2 + . . . + (n −1) + n].
Usando a fórmula 1 + 2 + . . . + (n −1) + n =
n(n + 1)
2
, temos
S
n
=
b
2
n
2
·
n(n + 1)
2
=
b
2
2
·
n + 1
n
=
b
2
2
·

1 +
1
n

.
Portanto, concluímos que a área da região é igual ao limite
lim
n→∞
S
n
= lim
n→∞
b
2
2
·

1 +
1
n

=
b
2
2
,
conforme esperávamos.
Exemplo 6
Vamos considerar agora a função f : [0, b] →R defnida por y = f(x) = x
2
, a função
quadrática. Desejamos encontrar a área A da região limitada superiormente por esse gráfco,
inferiormente pelo eixo x e lateralmente pela reta vertical x = b.
Estamos interessados em usar o processo de aproximação pela soma das áreas de
pequenos retângulos para obter a área desejada A.
Seja P = {x
0
, x
1
, x
2
, . . . , x
n−1
, x
n
} uma partição do intervalo [0, b], tal que
0 = x
0
< x
1
< x
2
< · · · < x
n−1
< x
n
= b .
kuIa 09  Cálculo I kuIa 09  Cálculo I 16
Atividade 2
Tomemos novamente os mesmos valores utilizados no exemplo 5 para os pontos da partição:
x
0
= 0, x
1
=
b
n
, x
2
=
2b
n
, x
3
=
3b
n
, . . . , x
n−1
=
(n −1)b
n
, x
n
=
nb
n
= b.
Desse modo, as bases dos retângulos são todas de comprimentos iguais a ∆x =
b
n
.
Vamos considerar as alturas dos retângulos como sendo f(x
k−1
), onde k = 1, 2, 3, . . . , n.
Então, f(x
0
) = f(0) = 0, f(x
1
) =

b
n

2
, f(x
2
) =

2b
n

2
, . . . , f(x
n−1
) =

(n −1)b
n

2
.
Logo, se chamarmos de s
n
a soma de todos os n retângulos de base ∆x e altura f(x
k−1
),
obteremos
S
n
= 0 ·

b
n

+

b
n

2

b
n

+

2b
n

2

b
n

+ . . . +

(n − 1)b
n

2

b
n

=
b
3
n
3
[1 + 2
2
+ . . . + (n − 1)
2
].
Usando a fórmula 1 + 2
2
+ . . . + (n − 1)
2
=
(n − 1) · n · (2n − 1)
6
, fcamos com
S
n
=
b
3
n
3
·
(n − 1) · n · (2n − 1)
6
=
b
3
6
·
n − 1
n
·
n
n
·
2n − 1
n
,
S
n
=
b
3
6
·

1 −
1
n

·

2 −
1
n

.
Portanto, concluímos que a área da região é igual ao limite
lim
n→∞
S
n
= lim
n→∞
b
3
6
·

1 −
1
n

·

2 −
1
n

=
b
3
6
· 2 =
b
3
3
.
Resumindo, lim
n→∞
S
n
=
b
3
3
.
Calcule as seguintes somas de Riemann utilizando as partições dadas a seguir.
a) Usando a escolha dos pontos ¯¯ xx
kk
== xx
kk−−11
, mostre que a área A sob o
gráfco da função yy == xx
33
no intervalo [0 [0, b , b]] é AA ==
bb
44
44
.
b) Usando a escolha dos pontos ¯¯ xx
kk
== xx
kk
, ache a área sob o gráfco da função
identidade y = x no intervalo [0 [0, b , b]].
c) Usando a escolha dos pontos ¯¯ xx
kk
== xx
kk
, ache a área sob o gráfco da função
yy == xx
22
no intervalo [0 [0, b , b]].
kuIa 09  Cálculo I 16
Resumo
Nesta aula, a continuação do estudo das primitivas nos permitiu: encontrar
primitivas utilizando a técnica da substituição u; e mostrar como se aproxima
uma área abaixo de uma curva por retângulos, introduzindo as somas de
Riemann, bem como usá-las para calcular áreas de regiões limitadas por
gráfcos de funções contínuas positivas.
Auto-avaliação
Descreva com suas palavras o procedimento de aproximação da área sob um
gráfco utilizando retângulos.
Se no procedimento 2) das somas de Riemann você escolhesse como
x
k−1
≤ x
k
≤ x
k
:
a) tal que f(x
k
) é o menor valor que a f assume no intervalo [x
k−1
, x
k
];
b) tal que f(x
k
) é o maior valor que a f assume no intervalo [x
k−1
, x
k
].
O que poderíamos dizer sobre a soma obtida em a) com relação à soma obtida em b)?
Referências
ANTON, Howard. 6áIruIo. um novo horizonte. 6. ed. Porto Alegre: Bookman, 2000. v 1.
SIMMONS, George F. 6áIruIo. com geometria analítica. São Paulo: McGraw-Hill, 1987. v 1.
THOMAS, George B. 6áIruIo. São Paulo: Addison Wesley, 2002.
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Z
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