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D I S C I P L I N A

Pré-Cálculo

Introdução à linguagem matemática
Autores
Rubens Leão de Andrade Ronaldo Freire de Lima

aula

01

Governo Federal
Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva Ministro da Educação Fernando Haddad Secretário de Educação a Distância – SEED Ronaldo Motta

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Secretaria de Educação a Distância- SEDIS
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Andrade, Rubens L. de. Pré-cálculo / Rubens L. de Andrade, Ronaldo F. de Lima. – 248 p. ISBN 85-7273-295-0

Natal, RN : EDUFRN Editora da UFRN, 2006.

Conteúdo: Introdução à linguagem matemática - Os números naturais e os números intereiros. - Frações e números decimais - os números racionais - Os números reais - Polinômios e equações algébricas - Inequações algébricas e intervalos - Funções I - Funções II - Funções polinomiais - Funções afins - funções quadráticas - As funções exponencial e logarítmica - Funções trigonométricas - Funções trigonométricas inversas. 1. Número real. 2. Equação. 3. Função. I. Lima, Ronaldo F. de. II. Título. CDD 512.81 RN/UF/BCZM 2006/ 29 CDU 517.13

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igual àqueles do Ensino Médio que tratam dos mesmos assuntos. daremos a ele um direcionamento que nos permita fazer uma abordagem mais madura. o pré-cálculo tem um caráter de “curso de revisão”. Newton e Leibniz. principalmente com os trabalhos de dois grandes cientistas desse período. O conteúdo é.Apresentação Estamos iniciando a disciplina Pré-Cálculo. Objetivos 1 Familiarizá-lo com os principais aspectos da linguagem matemática contemporânea. alguns aspectos da teoria dos conjuntos e da Lógica. No decorrer da aula. faremos nesta aula uma breve introdução à linguagem matemática. Por essa razão. discutiremos. No entanto. à Física. constituindo-se num dos fundamentos da Matemática teórica e aplicada. que são a base da linguagem matemática moderna. que visa dar subsídios ao estudo do cálculo diferencial. uma vez que o domínio da linguagem de uma teoria é essencial para o seu bom entendimento. Ao fim da aula. você deverá ser capaz de entender os significados das proposições e suas respectivas negações. Sendo assim. Isso favorecerá bastante o entendimento dos textos deste e de outros cursos que você vier a fazer. mais especificamente. O cálculo diferencial é uma teoria matemática que se desenvolveu ao longo do século XVII. Os objetos de estudo do cálculo diferencial são as funções. que conduza você a uma compreensão mais profunda dos conceitos e resultados envolvidos. feitas algumas exceções. bem como os métodos de demonstração direta e indireta de teoremas. 2 Aula 01 Pré-Cálculo 1 . então. fornecendo-lhe condições de estabelecer conexões e. Com esse propósito. sobretudo. esta disciplina tem como objetivo principal discutir os conceitos de número real e função. obter uma visão global da teoria. as funções reais de variável real. assim. dando-lhe capacidade de ler e interpretar textos das mais diversas áreas.

Se todos os elementos de A são elementos de B . não há uma definição para eles. dizemos que a não pertence a A e escrevemos Há pelo menos duas maneiras de se descrever um conjunto. e. se A é uma coleção qualquer de objetos e a é um deles. elemento e pertinência são conceitos ditos primitivos. por exemplo. x é vogal do alfabeto latino} e B = {x. dizemos que A não está contido em B . se todos os elementos de A são elementos de B e vice-versa. Nesse caso. que B contém A. isto é. o que acontece por exemplo com B = {x. x é elétron} são tais que C ⊂ A e D ⊂ B . Por exemplo. o. a∈ / A. a ∈ A. A = {x. x é vogal do alfabeto latino}. dizemos simplesmente que a é um elemento de A ou. 2 Aula 01 Pré-Cálculo . dados os conjuntos os conjuntos C = {a. A = {a. é impraticável. escrevemos A = B . no entanto. i} e D = {x. isto é. descrever-se um conjunto listando-se seus elementos. e escrevemos B ⊃ A. e o denotamos por A ⊂ B . x é partícula do universo}. equivalentemente. x é vogal. Uma é listando-se os seus elementos. Essa descrição deve ser entendida como: A é o conjunto de todos os x que satisfazem à condição. em que o símbolo “ . A relação A ⊂ B é chamada de inclusão. dizemos que A está contido em B e escrevemos A ⊂ B ou. Dois conjuntos A e B são ditos iguais. ” significa tal que. Assim. Por exemplo. x é partícula do universo}. e. que a pertence a A . Na maioria dos casos. Outra é identificando-os por uma propriedade que lhes seja comum. u}. Nesse caso. se existir pelo menos um elemento de A que não pertença a B .A linguagem da teoria dos conjuntos Conceitos básicos – propriedades Conjunto. Caso contrário. i. diz-se ainda que A é um subconjunto de B . o conjunto A acima poderia ser descrito por A = {x. quando não impossível. equivalentemente. e representamos isso simbolicamente por Caso contrário.

x é ser humano} . u} . donde se conclui que A ⊂ C . São elas: a união e a interseção. nesses exemplos. Também {a. Então. se A ⊂ B e B ⊂ C . então. isto é. suponhamos que só há dois tipos de maçãs. Aula 01 Pré-Cálculo 3 . i. Convém observar que a conjunção “ou”. o} e B = {a. excluída a possibilidade de x ser elemento de A e de B . A ∪ B = {a. i. {b}} e B = {{a. que simbolizamos por A ∩ B . i. então. então. b} ∈ B e não {a. e. Então. i} . A ∩ B = {x. há as propriedades de reflexividade e anti-simetria. Dessa forma. pelo menos uma dessas possibilidades ocorre. A ∩ B = {x. Vale salientar que a anti-simetria é uma propriedade bastante utilizada em demonstrações de igualdade entre conjuntos. e. Por exemplo. obtém-se outros a partir destes. se A = {a.A inclusão tem propriedades que são conseqüências imediatas da definição. se A = {a. x ∈ A e x ∈ B }. e. Dados conjuntos quaisquer A . A união entre A e B . anti-simetria: se A ⊂ B e B ⊂ A. o} e B = {a. tem-se reflexividade: A ⊂ A. pois. Suponha que U = {x. se A é o conjunto de todas as maçãs verdes e B o de todas as maçãs vermelhas. o. x ∈ U e x tem mais de 30 anos} e B = {x. A = B . não ficando. x ∈ U e x tem menos de 50 anos} . A = {x. Então. Essa propriedade é chamada de transitiva. tem-se A ∩ B = {a. é o conjunto formado por todos os elementos comuns a A e B . isto é. A ⊂ C . A ∪ B é simplesmente o conjunto de todas as maçãs. u} . i. Por exemplo. as quais listamos a seguir. transitividade: se A ⊂ B e B ⊂ C . Um conjunto pode ter outros conjuntos como elementos. A interseção entre dois conjuntos A e B . {c}} . tem-se {b} ∈ A e não {b} ⊂ A. Além da transitividade. Note que. as verdes e as vermelhas. Sejam A e B dois conjuntos quaisquer. não tem o caráter de exclusão que tem na linguagem comum. e. B e C . efetuando-se certos tipos de operações como as que definiremos agora. deve-se entender que. temos que todo elemento de A é elemento de B e que todo elemento de B é elemento de C . em linguagem matemática. é o conjunto formado por todos os elementos que estão em A ou em B . i. u} . Esse é o caso de A = {a. Dados dois ou mais conjuntos. conforme veremos adiante. x ∈ A ou x ∈ B }. A ∪ B = {x. Essas são as três propriedades fundamentais da inclusão. x ∈ U e x tem idade entre 30 e 50 anos}. que simbolizamos por A ∪ B . quando dizemos x ∈ A ou x ∈ B . Logo. todo elemento de A é elemento de C . b}. b} ⊂ B . Como outro exemplo.

O conjunto que não tem elementos é chamado de conjunto vazio. Figura 2 – Diagrama de Venn do complementar de um conjunto A ⊂ U Consideremos. respectivamente. por exemplo. 4 Aula 01 Pré-Cálculo . Do ponto de vista teórico. Então. se considerarmos. conforme indicado na Figura 1. uma vez que A e B não têm elementos em comum. x = x}. o caso em que U = {x. por exemplo. Partindo-se do princípio de que qualquer coisa é igual a ela mesma. é importante definirmos um conjunto que não tenha elementos. temos que A ∩ B é um conjunto sem elementos. é comum nos depararmos com situações em que há vários conjuntos que são todos subconjuntos de um conjunto-universo U . chamado de complementar de A (com relação a U ). pode-se querer considerar o conjunto formado pelos elementos de U que não estão em A . e é denotado por ∅. b. x é ser humano} . Figura 1 – As partes hachuradas representam. se A ⊂ U . No entanto. temos ∅ = {x. e denotado por Ac (Figura 2). pode parecer estranho. A ∪ B e A ∩ B Em Matemática. a princípio. o que.Operações entre conjuntos podem também ser representadas por diagramas de Venn. Nesse caso. h} . A = {a. c} e B = {g. x ∈ U e x é do sexo masculino} e B = {x. A = {x. x ∈ U e x é do sexo feminino} . Ac = B e Bc = A .

quinta-feira}. o conjunto formado por todos os subconjuntos de A . então. isto é. {a. ∅ ⊂ A . b) B = {Rio de Janeiro. {b}}. A ∩ (B ∪ C ) = (A ∩ B ) ∪ (A ∩ C ). b}. b.No fim desta aula. (a) A = B ( ) (e) A ⊂ D ( ) (i) A ∈ D ( ) (c) A ⊂ C ( ) (g) B ⊂ D ( ) 3 4 Dado um conjunto A. Determine P (A) . D = {{a}. Aula 01 Pré-Cálculo 5 . c} (não esqueça que o vazio ∅ e o próprio A são subconjuntos de A ). e denotase por P (A). A ∪ (B ∩ C ) = (A ∪ B ) ∩ (A ∪ C ). {a. C = {{a}. provaremos que o vazio é subconjunto de qualquer conjunto. (b) A ⊂ B ( ) (f) B ⊂ C ( ) B = {{a}. através de exemplos e diagramas de Venn. (d) A ∈ C ( ) (h) B ∈ D ( ) assinale V (verdadeiro) ou F (falso). b}}. Atividade 1 1 2 Descreva cada um dos conjuntos abaixo pela propriedade de seus elementos. Verifique. Espírito Santo}. chama-se conjunto das partes de A. a) A = {quarta-feira. Dados os conjuntos A = {a. as identidades abaixo. Minas Gerais. que se A é um conjunto qualquer. b}}. São Paulo. {b}. sabendo-se que A = {a.

conclui-se a tese. Uma proposição desse tipo seria: Se um triângulo é isósceles. então dois dos seus ângulos são congruentes. tem o mesmo significado de “se P . então. pode-se ainda escrever Q ⇐ P . Para tanto. 6 Aula 01 Pré-Cálculo . 3) Uma condição necessária para que um triângulo seja isósceles é a de que dois de seus ângulos sejam congruentes. isto é. requer uma linguagem que não dê lugar a afirmações imprecisas ou de sentido dúbio. P ⇒ Q significa que Q é uma conseqüência de P e. a sentença P é chamada de hipótese e Q de tese. isto é. devido ao seu caráter de ciência exata. (I) Assim. Nesse caso. 1) Dois dos ângulos de um triângulo x são congruentes. discutiremos alguns aspectos dessa linguagem. então. ser enunciada como x é triângulo isósceles ⇒ dois dos ângulos de x são congruentes. que será utilizada em todo o decorrer do nosso curso. Pode-se ainda enunciar a proposição (I) das seguintes maneiras. A seguir. que é fundamentada numa teoria chamada Lógica. A Implicações e recíprocas As proposições em Matemática são do tipo “se P . feita a hipótese de um triângulo ser isósceles. Proposições desse tipo podem ser enunciadas simbolicamente por P ⇒ Q. então. somente se dois de seus ângulos são congruentes. 2) Um triângulo é isósceles. Q”. que dois de seus ângulos são congruentes. Q”.Linguagem básica da Lógica Matemática. A proposição (I) poderia. faz-se uso da linguagem proposicional. O símbolo (⇒) significa implica . se x é um triângulo isósceles. em que P e Q são sentenças. 4) Uma condição suficiente para que dois dos ângulos de um triângulo sejam congruentes é a de que ele seja isósceles. Nesse caso. portanto.

consideremos novamente a proposição (I). d) Q. para se concluir que um triângulo possui dois ângulos congruentes. então. ter (pelo menos) dois ângulos congruentes é uma condição necessária para que um triângulo seja isósceles. A proposição “todo ser humano é mortal”. podemos reuni-las em uma única. Vejamos um outro exemplo. Q ⇒ P. isto é. A recíproca de uma proposição P ⇒ Q é. pode ser ou não uma proposição verdadeira. então. g) P é condição suficiente para Q têm o mesmo significado.A expressão “somente se” na proposição (2). Por outro lado. então. pode ser enunciada em linguagem matemática das seguintes formas: a) se x é ser humano. independentemente do fato de P ⇒ Q ser verdadeira ou falsa. Como exemplo. c) Q ⇐ P . verdadeiras. e) P . Sabe-se da Geometria que (I) e sua recíproca são. sua recíproca. nos diz que se um triângulo não possui dois ângulos congruentes. x é mortal. então ele não pode ser isósceles. somente se Q. f) Q é condição necessária para P . Sua recíproca é Dois dos ângulos de um triângulo x são congruentes ⇒ x é um triângulo isósceles. f) uma condição suficiente para que x seja mortal é a de que x seja humano. ambas. b) x é ser humano ⇒ x é mortal. Esse é. isto é. se P . c) x é mortal ⇐ x é ser humano. Em suma. e) uma condição necessária para que x seja humano é a de que x seja mortal. Q. o caso em que são verdadeiras a proposição e também a sua recíproca. ser isósceles é uma condição suficiente para que dois dos ângulos de um triângulo sejam congruentes. b) P ⇒ Q. se x é ser humano. as proposições a) se P . escrevendo (no caso do nosso exemplo) Aula 01 Pré-Cálculo 7 . Quando isso acontece. a proposição dada por Q⇒P. por definição. d) x é mortal. Observemos que. basta que ele seja isósceles.

2) x é triângulo isósceles se. Assim. d) x é quadrado ⇔ as diagonais de x são congruentes e perpendiculares. isto é. Note que essa proposição é falsa. e somente se”. b) x é quadrado ⇒ x é retângulo. equivalentemente. paralelogramos como conjunto-universo. a condição “ser mortal” não é equivalente à condição “ser ser humano”.x é triângulo isósceles ⇔ dois dos ângulos de x são congruentes. por exemplo. o fato de um triângulo ser isósceles é equivalente ao fato desse triângulo ter dois ângulos congruentes. os retângulos são os únicos paralelogramos cujas diagonais são congruentes e os quadrados. Segue-se. Exemplo Em Geometria. Os gatos. e somente se. retângulos são paralelogramos cujos ângulos são retos e quadrados são retângulos cujos lados são congruentes. pois há seres vivos que são mortais e não são seres humanos. dois dos ângulos de x são congruentes. (II) Sua recíproca é x é mortal ⇒ x é ser humano. 1) x é triângulo isósceles ⇔ dois dos ângulos de x são congruentes. que triângulos isósceles são aqueles que têm dois ângulos congruentes. são verdadeiras as seguintes proposições: a) x é retângulo ⇒ x é paralelogramo. Logo. pode-se dizer que triângulos isósceles são aqueles que têm dois lados congruentes ou. 3) Uma condição necessária e suficiente para que um triângulo seja isósceles é a de que dois de seus ângulos sejam congruentes. Note que as recíprocas das proposições (a) e (b) não são verdadeiras. todas. as sentenças P e Q são ditas equivalentes. que as proposições a seguir têm. Dito de outra forma. Dito de outra forma. então. Retomemos agora a proposição x é ser humano ⇒ x é mortal. Além disso. 8 Aula 01 Pré-Cálculo . os únicos retângulos Considerando-se então o conjunto dos cujas diagonais são perpendiculares. e é sugerido pelo fato de P ⇔ Q ter o mesmo significado de P ⇒ Q e P ⇐ Q . pode-se caracterizar um triângulo isósceles por qualquer uma dessas propriedades. o mesmo significado. a recíproca da proposição (II) não é verdadeira. O símbolo ⇔ significa “se. Nesse caso. c) x é retângulo ⇔ as diagonais de x são congruentes.

deve-se fazê-lo explicitamente. existe um único x. Em sentenças desse tipo. 2. obtêm-se facilmente. Estes são 1. ∃! γ . Quando se deseja enunciar a unicidade de x com respeito a uma propriedade qualquer. tal que ABC é um triângulo isósceles de base AB . Por exemplo. a variável  foi quantificada pela expressão existe uma única. C ∈ γ . B. ∃! – existe um único. existe uma única reta  que os contém”. As sentenças (4) e (5). claramente.Quantificadores – negações As sentenças matemáticas. existe um. para todo segmento de reta AB existe um triângulo isósceles cuja base é AB . Aula 01 Pré-Cálculo 9 . ∀ – para todo. qualquer que seja x. para todo segmento de reta AB existe um ponto C . 2. na proposição “dados dois pontos distintos. triângulos isósceles cuja base é AB . existe um x. Uma proposição clássica da geometria euclidiana estabelece que três pontos não colineares determinam uma circunferência. quaisquer que sejam os pontos não colineares A. em (1) e (2). ∀ A. Vejamos um exemplo. como no caso de (3). Note que. C não colineares. qualquer que seja. pois o artigo “um” em (2) tem o sentido de “algum”. tal que γ é uma circunferência e A. 3. Esse fato pode ser enunciado também como: 1. 5. podemos dizer isso das seguintes maneiras: 1. Convém observar que as sentenças (1) e (2) anteriores têm o mesmo significado. em geral. pode-se ainda substituir a expressão “para todo” por “qualquer que seja”. B e C . 2. para todo x. Dado um segmento de reta AB . Expressões desse tipo são chamadas de quantificadores. existe uma única circunferência γ que contém A . C . 4. B. 3. ∀AB . B. podem-se usar os símbolos ∃ – existe. Usando-se quantificadores. existe x. tal que ABC é um triângulo isósceles de base AB . ∃C . têm o mesmo significado. envolvem variáveis que são quantificadas.

∼ P2 − ∃A. para negarmos o fato de que todos os triângulos são isósceles. B . é “existe um triângulo que não é isósceles”. ∼ P1 − ∃. existe uma única reta  que os contém. B ∈  . B ∈  ∩ m . ∃P . é muitas vezes necessário negar certas sentenças segundo as regras da Lógica. A = B . verdadeiras. A negação de uma sentença S é denotada por ∼ S [lê-se não S ]. basta exibirmos um que não o seja. Dessa forma. tais que  ∩ m = ∅ . de 1. tais que mais de uma reta os contenha. 2. A proposição P1 afirma que quaisquer que sejam as retas distintas  e m. tais que  ∩ m = ∅ . portanto. m . Para finalizar esta seção. isto é. Exemplo Negar as seguintes proposições: P1 − Dadas duas retas distintas  e m . Esse é o caso. são ambas verdadeiras ou ambas falsas. B . x tem a propriedade P ” é “existe um x ∈ A . a negação de uma sentença do tipo “para todo x ∈ A . P2 − ∀A. m . a negação da sentença “existe um único x com a propriedade P ” é “não existe x com a propriedade P ” ou “existe mais de um x com a propriedade P ”. e vice-versa. isto é. sua negação é: ∼ P1 − Existem duas retas distintas  e m . tais que A. por exemplo. e não “nenhum triângulo é isósceles”.Ao longo de uma argumentação matemática. existe um ponto P . tal que P ∈  ∩ m . essas proposições escrevem-se como: P1 − ∀. outra seria obter A. A = B e ∃. Quanto à proposição P2 . B . A = B .  = m . a negação de P2 é: ∼ P2 − Existem pontos distintos A. estas têm um ponto em comum. ∃! . tal que A. a negação de “todo triângulo é isósceles”. P2 − Dados dois pontos distintos A e B . x é ser humano ⇒ x é mortal. tal que P ∈  ∩ m . 10 Aula 01 Pré-Cálculo . portanto. x não é mortal ⇒ x não é ser humano. B . tais que nenhuma reta os contenha. ambas. Nesse contexto. tais que reta alguma os contém ou existem pontos distintos A. tal que x não tem a propriedade P ”. tais que mais de uma reta os contém. Em linguagem simbólica. B . A ∈ /  ou B ∈ /  ou ∃A. m . tais que ∀ . observemos que as proposições P ⇒ Q e ∼ Q ⇒∼ P têm o mesmo significado e. B . que são. B . Assim. Uma seria obter um par de pontos A. observemos que há duas formas de contrariá-la.

Um teorema pode também ser chamado simplesmente de proposição . Aula 01 Pré-Cálculo 11 . Por exemplo. enquanto a proposição (T) – se ABC é um triângulo. No caso de um teorema ser uma conseqüência imediata de um outro. o “ponto de partida” da teoria. em Geometria. Um teorema cujo resultado é utilizado apenas na demonstração de um outro que lhe é subseqüente é chamado de lema. por isso. chamamo-lo corolário. então a soma dos seus ângulos internos é igual a 180◦ – é um teorema. Qualquer outra proposição que não seja um axioma é dita um teorema. então existe uma única reta  que contém A e B – é um axioma. podem ser deduzidos a partir dos axiomas. por assim dizer. isto é. Assim. teoremas são proposições que admitem uma demonstração. a proposição (A) – se A. então a soma dos seus ângulos agudos é igual a 90◦ . não são passíveis de demonstração. Um corolário do teorema T anterior seria (C) – se ABC é um triângulo retângulo. Os axiomas são proposições consideradas intrinsecamente verdadeiras e. São.Teoremas e demonstrações As teorias em Matemática são estabelecidas através de um conjunto de proposições divididas em duas categorias: a dos axiomas e a dos teoremas. B são dois pontos distintos.

a tese. como queríamos provar. Demonstração – Temos. e de outros resultados previamente estabelecidos. B e C são tais que A ⊂ B e B ⊂ C . isto é. Em seguida. Pela definição de inclusão. Logo. que A. 12 Aula 01 Pré-Cálculo . x é elemento de A e B ou elemento de A e C . o que nos dá (A ∩ B ) ∪ (A ∩ C ) ⊂ A ∩ (B ∪ C ) . devemos provar que. Uma técnica de demonstração bastante utilizada em Matemática é a tão chamada redução ao absurdo. deve-se chegar a uma contradição. x é um elemento de A e de B ou um elemento de A e de C . B e C são conjuntos. de definições. isto é. x é elemento de A e elemento de B ou C . Suponhamos então que x ∈ (A ∩ B ) ∪ (A ∩ C ) . como os axiomas. B e C são conjuntos. acrescentando-se a negação da tese Q ao conjunto de hipóteses. por meio de uma argumentação lógica legítima. tem-se x ∈ C . Então. isto é. tais que A ⊂ B e B ⊂ C . (A ∩ B ) ∪ (A ∩ C ) ⊂ A ∩ (B ∪ C ) . valendo-se da hipótese P . logo. que é a negação da hipótese ou de algum resultado previamente estabelecido. também chamada de absurdo. Como provamos que A ∩ (B ∪ C ) ⊂ (A ∩ B ) ∪ (A ∩ C ) e (A ∩ B ) ∪ (A ∩ C ) ⊂ A ∩ (B ∪ C ) . Porém. vamos enunciar a propriedade de transitividade da inclusão de conjuntos na forma de um teorema e fornecer a sua demonstração. Suponhamos então x ∈ A. é a de que A ⊂ C . Como A ⊂ B . Em ambos os casos. x ∈ (A ∩ B ) ∪ (A ∩ C ). Teorema 1 – Se A. então A ⊂ C. Essa técnica consiste em demonstrar uma proposição P ⇒ Q. concluímos que A ∩ (B ∪ C ) ⊂ (A ∩ B ) ∪ (A ∩ C ).Relembremos que uma proposição matemática. Pela definição de inclusão. por hipótese. Provemos agora a inclusão contrária. segue-se da propriedade de anti-simetria da inclusão que A ∩ (B ∪ C ) = (A ∩ B ) ∪ (A ∩ C ) . Demonstrar um teorema significa concluir a tese Q a partir de uma argumentação lógica legítima. Nesse caso. Demonstração – Vamos provar inicialmente que A ∩ (B ∪ C ) ⊂ (A ∩ B ) ∪ (A ∩ C ). Teorema 2 – Se A. o que implica x ∈ C . x ∈ A ∩ (B ∪ C ) . Vejamos agora como se pode usar a propriedade de anti-simetria da inclusão para se demonstrar a identidade do item 4(a) da Atividade 1 desta aula. temos que x ∈ B . Como exemplo. para todo x ∈ A. suponhamos que x ∈ A ∩ (B ∪ C ). enquanto. B ⊂ C . x é um elemento de A e também um elemento de B ou C . isto é. sempre pode ser escrita na forma P ⇒ Q. em particular um teorema. que é o que queremos concluir. Para isso. x é elemento de A . então A∩(B ∪C ) = (A∩B )∪(A∩C ). uma série de argumentos baseados nos princípios básicos da Lógica.

vale salientar / B. Antes. Então. distintas e nãoparalelas. cujo significado é existe x ∈ A . por definição. Bem. existe uma única reta que os contém.Tomemos como exemplo a proposição “duas retas de um plano. isto é. então existe um único ponto P tal que P ∈  ∩ m . P2 ∈  ∩ m . uma vez que os pontos P1 e P2 são distintos. Teorema 3 – Se  e m são retas de um plano. distintas e não-paralelas. por absurdo. pois estas são não-paralelas. Demonstração – Observemos inicialmente que. P2 . pois. mostrando que o vazio é subconjunto de qualquer conjunto A . Como a hipótese ∅ ⊂ A nos levou a uma contradição. de fato. que ∅ ⊂ A. Vamos enunciá-la na forma de teorema e demonstrá-la usando a técnica de redução ao absurdo. pelo axioma (A) anterior. P2 ∈  ∩ m . Isso. Finalizaremos agora com outro exemplo de demonstração por redução ao absurdo. isso nos leva a concluir que  = m . tais que P1 . é uma contradição. que o ponto de interseção entre  e m é. por hipótese. Vamos supor que seja este o caso e chegar a uma contradição. tal que x ∈ / A. que a negação de A ⊂ B é A ⊂ B . Uma vez que a negação da tese nos levou a uma contradição. único. Então. tal que x ∈ Teorema 4 – Se A é um conjunto. concluímos que ∅ ⊂ A . então ∅ ⊂ A . No entanto. o conjunto vazio não tem elementos. as retas  e m devem intersectar-se em algum ponto. a negação da tese é: existem pontos distintos P1 . Como estamos supondo P1 . porém. porém. Aula 01 Pré-Cálculo 13 . existe x ∈ ∅. essa igualdade nega a hipótese de  e m serem retas distintas. Demonstração – Suponhamos. concluímos que a proposição é verdadeira. o que é absurdo. intersectam-se num único ponto”.

a) Todos os matemáticos são cientistas. b) Alguns cientistas são filósofos. a) Alguns matemáticos são filósofos. Suponha ainda que A1 ⊂ B1 e A2 ⊂ B2 . c) Alguns filósofos são professores. B2 subconjuntos de um conjunto-universo U . A2 e B1 . 14 Aula 01 Pré-Cálculo . usando quantificadores. Sejam A1 . 2 Reescreva cada uma das afirmações abaixo. 3 Tome as cinco afirmações dos exercícios 1 e 2 como hipóteses e verifique quais das afirmações abaixo são verdadeiras. ele é professor. b) Nem todo filósofo é cientista. e) Alguns filósofos são matemáticos. b) Todos os filósofos são cientistas ou professores.Atividade 2 1 Reescreva cada uma das afirmações abaixo. Reescreva todas elas em linguagem matemática. Suponha que A1 ∪ A2 = U e B1 ∩ B2 = ∅. 4 5 Enuncie a identidade do item 4(b) da Atividade 1 desta aula na forma de teorema e demonstre-o. usando a linguagem proposicional. Prove que A1 = B1 e A2 = B2 . a) Alguns matemáticos são professores. d) Se um filósofo não é matemático. c) Nem todo professor é cientista.

vimos a técnica de demonstração por redução ao absurdo. Paulo César et al. 2. Referências CARVALHO. Aula 01 Pré-Cálculo 15 . Auto-avaliação Tente encontrar proposições em livros de Matemática. Caso esteja familiarizado com a teoria do texto que você escolheu. ROBBINS. e reescreva-as de uma maneira diferente daquela que está no texto. estudamos as relações de inclusão e as operações entre conjuntos.ed. sobretudo de Geometria. Herbert. Verifique quais são as recíprocas e se elas são verdadeiras ou não. 2001. Rio de Janeiro: Sociedade Brasileira de Matemática. Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna. bem como os conceitos de teorema e demonstração. 1. suas recíprocas e negações. 2000. COURANT.Resumo Nesta aula. Richard. Por fim. Vimos o significado das implicações lógicas. O que é matemática?: uma abordagem elementar de métodos e conceitos.v. tente demonstrar algumas dessas proposições e também identificar demonstrações por redução ao absurdo. A matemática do ensino médio.

Anotações 16 Aula 01 Pré-Cálculo .