You are on page 1of 20

D I S C I P L I N A

Pré-cálculo

Os números reais
Autores
Rubens Leão de Andrade Ronaldo Freire de Lima

aula

05

Governo Federal
Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva Ministro da Educação Fernando Haddad Secretário de Educação a Distância – SEED Ronaldo Motta

Revisoras de Língua Portuguesa Janaina Tomaz Capistrano Sandra Cristinne Xavier da Câmara Ilustradora Carolina Costa Editoração de Imagens Adauto Harley Carolina Costa Diagramadores Bruno de Souza Melo Adaptação para Módulo Matemático Thaisa Maria Simplício Lemos Pedro Gustavo Dias Diógenes Imagens Utilizadas Banco de Imagens Sedis (Secretaria de Educação a Distância) - UFRN Fotografias - Adauto Harley MasterClips IMSI MasterClips Collection, 1895 Francisco Blvd, East, San Rafael, CA 94901,USA. MasterFile – www.masterfile.com MorgueFile – www.morguefile.com Pixel Perfect Digital – www.pixelperfectdigital.com FreeImages – www.freeimages.co.uk FreeFoto.com – www.freefoto.com Free Pictures Photos – www.free-pictures-photos.com BigFoto – www.bigfoto.com FreeStockPhotos.com – www.freestockphotos.com OneOddDude.net – www.oneodddude.net Stock.XCHG - www.sxc.hu
Divisão de Serviços Técnicos Catalogação da publicação na Fonte. UFRN/Biblioteca Central “Zila Mamede”

Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Reitor José Ivonildo do Rêgo Vice-Reitor Nilsen Carvalho Fernandes de Oliveira Filho Secretária de Educação a Distância Vera Lúcia do Amaral

Secretaria de Educação a Distância- SEDIS
Coordenadora da Produção dos Materiais Célia Maria de Araújo Coordenador de Edição Ary Sergio Braga Olinisky Projeto Gráfico Ivana Lima Revisores de Estrutura e Linguagem Eugenio Tavares Borges Marcos Aurélio Felipe Revisora das Normas da ABNT Verônica Pinheiro da Silva

Andrade, Rubens L. de. Pré-cálculo / Rubens L. de Andrade, Ronaldo F. de Lima. – 248 p. ISBN 85-7273-295-0

Natal, RN : EDUFRN Editora da UFRN, 2006.

Conteúdo: Introdução à linguagem matemática - Os números naturais e os números intereiros. - Frações e números decimais - os números racionais - Os números reais - Polinômios e equações algébricas - Inequações algébricas e intervalos - Funções I - Funções II - Funções polinomiais - Funções afins - funções quadráticas - As funções exponencial e logarítmica - Funções trigonométricas - Funções trigonométricas inversas. 1. Número real. 2. Equação. 3. Função. I. Lima, Ronaldo F. de. II. Título. CDD 512.81 RN/UF/BCZM 2006/ 29 CDU 517.13

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste material pode ser utilizada ou reproduzida sem a autorização expressa da UFRN Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Dito de outra forma. e que isso é uma conseqüência da propriedade fundamental dos números reais que. os conjuntos R e Q. no que diz respeito à realização de medições. um dos objetivos de nossa disciplina é introduzir o conceito de número real. denominados irracionais. juntamente com suas operações e relações de ordem. geometricamente. estudaremos o conjunto formado por esses números. Aula 05 Pré-Cálculo 1 . Distinguir. Assim definido. Objetivos 1 2 Definir o conjunto dos números reais juntamente com suas operações e relações de ordem. mas sim por números de uma natureza distinta destes. Veremos que. o conjunto dos números racionais é insuficiente. há medidas que não podem ser realizadas por números racionais. Definiremos então o conjunto dos números reais como sendo a união do conjunto dos números racionais com o dos irracionais. Nesta aula.Apresentação C onforme mencionado anteriormente. do ponto de vista estrutural. traduz-se pelo fato de estes estarem em correspondência biunívoca com os pontos de uma reta. veremos que uma medida qualquer é sempre realizada por um número real.

Então.C. os quais representam medidas que não são realizadas por frações. por volta do século IV a. que dois segmentos de reta quaisquer eram sempre comensuráveis. cabe duas vezes em AB e três vezes em CD . se existe um segmento de reta P Q que cabe uma quantidade inteira de vezes em AB e em CD . pois. que AB tem comprimento 1 e CD tem comprimento 3/2 . Para tanto. se AB tem medida a/b e CD tem medida c/d . dois quaisquer deles seriam sempre comensuráveis. 2 Aula 05 Pré-Cálculo . Definição 1 – Dois segmentos de reta AB e CD são ditos comensuráveis. Suponhamos. De um modo geral. consideremos um quadrado ABCD cujos lados têm medida igual a 1 (Figura 1). Suponhamos agora que as medidas de AB e CD sejam respectivamente iguais a 2/3 e 5/2 . Não é difícil ver que um segmento P Q de medida 1/6 cabe quatro vezes em AB e quinze vezes em CD . AB e CD são comensuráveis. então. O conjunto dos números reais é obtido pela união do conjunto dos números racionais com o conjunto dos números irracionais. Vejamos agora como Pitágoras e seus discípulos descobriram que isso não é verdade. por exemplo. AB e CD são comensuráveis. são incomensuráveis. causou um impacto de tal magnitude que gerou o que é conhecido como a primeira crise filosófica da Matemática. isto é. Dessa forma. AB e CD são comensuráveis. pois um segmento P Q . até então. pois um segmento P Q de medida 1/bd cabe ad vezes em AB e cb vezes em CD .. de comprimento 1/2.Segmentos incomensuráveis e números irracionais A inesperada descoberta dos números irracionais por Pitágoras e seus discípulos. equivalentemente. Provaremos que a diagonal AC desse quadrado e um qualquer de seus lados não são comensuráveis. pensava-se que qualquer medida podia ser representada por uma fração ou. Logo. se as medidas de todos os segmentos fossem representadas por frações.

pois. Segue-se que n2 . m e n são. Denotando-se esses números inteiros por m e n . por absurdo. caso contrário. pela definição de fração. (1) Essa equação nos diz que m2 é um múltiplo de 2 . existe um inteiro a tal que m = 2a . ambos. temos que d2 = 2 . Logo. Sabemos que segmentos representados por frações. números racionais. obtemos (veja a Figura 1)  m 2 n = 2 ⇒ m2 = 2n2 . Nesse caso. um número par. isto é. respectivamente. Tal fato. contradiz a hipótese de que a fração m/n está na forma reduzida.D � A � � � � � � d � � � � � C d2 = 12 + 12 = 2 1 1 B Figura 1 – O lado e a diagonal de um quadrado são segmentos incomensuráveis Suponhamos. Dessa forma. isto é. Sendo assim. a medida de AC não é um número racional. Combinando-se essa igualdade com a equação (1). Chamando√ se essa medida de d . que AC e BC são comensuráveis. Portanto. pares. que o segmento P Q tem medida 1/n e AC tem medida m/n . teremos (2a)2 = 2n2 ⇒ 4a2 = 2n2 ⇒ n2 = 2a2 . Aplicando o Teorema de Pitágoras ao triângulo retângulo ABC . Podemos supor que a fração m/n está na forma reduzida. Não é difícil verificar que o quadrado de um número ímpar é também um número ímpar. denotamos esse número por 2 . são sempre comensuráveis. porém. poderíamos eliminar os fatores comuns a m e n e obter uma fração reduzida e equivalente a esta. teremos. e portanto n . concluímos que m é par. existe um segmento P Q que cabe um número inteiro de vezes em AC bem como em BC . Aula 05 Pré-Cálculo 3 . Por essa razão. é um número par. o que nos leva a concluir que AC e BC são incomensuráveis.

Pode-se provar também que o conjunto dos números irracionais é infinito. Um outro fato geométrico relacionado aos números irracionais é o de que quando se divide o comprimento de uma circunferência qualquer pelo seu diâmetro. Façamos agora α= α2 4 · + 10 100 4 Aula 05 Pré-Cálculo . Por exemplo. define-se um número irracional negativo. temos que √ √ 1 < 2 < 2 . que é o oposto √ daquele. são chamados de irracionais. H. é um tanto delicado. podemos nos convencer da veracidade desse fato através da representação decimal desses números. Para se ter uma idéia disso. No entanto. em contraste com a de 2 . Prove que d é um número irracional (o √ qual denotamos por 3 ).Atividade 1 Seja d uma medida tal que d2 = 3 . o que. do ponto de vista formal. como vimos. Sendo assim. π é um número irracional. Lambert. que. Uma vez que o quadrado desse número é 2.C. No entanto. 4 é o maior número decimal que é menor que 2 e que tem uma casa decimal. Fazendo-se então α = α1 /10 . o qual é simbolizado pela letra grega π . podemos dizer que 2 = 1 + α com 0 < α < 1 . os quais representam medidas que não podem ser realizadas por frações. a demonstração desse fato é bastante difícil. podemos dizer √ que 1. √ Assim como 2 . Para cada número irracional positivo. foi feita por volta do século IV a. √ Números como 2 . o oposto do número irracional positivo 2 é o número irracional √ negativo − 2 . vale salientar que a irracionalidade de π só √ foi demonstrada no século XVIII por J. mais especificamente. vê-se que 4 é o maior valor de α1 . α1 2 <2 ⇒ 1+ 10  10 + α1 10 2 <2 ⇒ (10 + α1 )2 < 2. Logo. irracionais positivos. 100 (2) Uma vez que (10 + 4)2 = 142 = 196 e (10 + 5)2 = 152 = 225 . α1 ∈ N . teremos  o que nos dá (10 + α1 )2 < 200 . para o qual a desigualdade (2) é verdadeira. √ Vejamos o caso de 2 . obtém-se sempre o mesmo número.

Com efeito. consideremos a semi-reta com origem em A e que contém a diagonal AC do quadrado da Figura 2. 1. neste contexto. obteríamos nas cinco etapas seguintes as aproximações 1. 4 1 4 (i) começando-se por 1 e adicionando-se sucessivamente . se estará mais próximo dele. se fosse esse o caso. 4 . porém. que na representação decimal de 2 não há um número que se repete ao longo desta. 3 etc.. P3 . a partir dessa representação decimal. obtendo-se a cada etapa uma √ aproximação decimal de 2 com um número maior de casas decimais. isto é. √ 2 quanto se queira. a representação decimal de 2 tem infinitas casas decimais e não constitui uma dízima periódica. são as mesmas que caracterizam como tal uma fração representada por uma dízima √ periódica. √ Dessa forma. Aula 05 Pré-Cálculo 5 . 2 é o limite de uma soma infinita: √ 2=1+ 4 1 4 2 1 3 5 + 2 + 3 + 4 + 5 + 6 + 7 + · · · = 1. 4142135 . essa é a propriedade que distingue os números irracionais dos racionais. de forma a constituir um período. as propriedades (i) e (ii). 41 é o maior número decimal que é menor que 2 e que tem duas casas decimais. porém. 414213 e 1. P2 . 2 . que caracterizam 2 como limite de uma soma infinita. 1. Se assim o fizéssemos. + 1 102 = 1. Observe. AP2 tem medida 1 + AP3 tem medida 1 + 4 10 4 10 = 1. (ii) a soma das n primeiras parcelas pode ficar tão próxima de bastando para tanto que se tome n suficientemente grande. 1. 414 . 41421 .Procedendo de maneira análoga. Esse processo pode ser continuado indefinidamente. isto é. para o qual a desigualdade   4 α2 2 1+ + <2 10 100 √ é verdadeira. a cada etapa. conclui-se que 1 é o maior valor de α2 . 4142 . √ Como se vê. 1. 41 . assim como as frações representadas por dízimas periódicas. 4142135 · · · . 10 10 10 10 10 10 10 (3) A interpretação da equação (3) é a mesma de antes. A fim de interpretarmos geometricamente a equação (3). √ obteríamos. √ Sendo assim. · · · pontos dessa semi-reta tais que: AP1 tem medida 1 . contradizendo o fato de que esse número é irracional. nunca se 10 10 10 √ atingirá 2 . Sejam P1 . Veremos adiante que. uma fração igual à 2 .

· · · converge para P . · · · ∈ r tais que: OP1 tem medida α . P2 . pode-se provar que a soma infinita α+ α1 α2 α3 αn + 2 + 3 + ··· + n + ··· 10 10 10 10 possui sempre um limite. isto é. ··· A propriedade (i) nos diz que. De um modo geral. P1 . · · · . se tomarmos uma reta r e pontos O . bastando para isso tomar-se n suficientemente grande (Figura 2). Pn . Além disso. Nesse caso. αn . dados α ∈ N ∪ {0} e uma seqüência de algarismos α1 . quanto maior for n . · · · . + α2 102 . · · · . 414 . para todo n . Já pela propriedade (ii). o ponto Pn está entre A e C . Pn . e quanto maior for n mais próximo de P estará Pn . temos que o segmento Pn C pode ser tão pequeno quanto se queira. P2 . · · · converge para C .AP4 tem medida 1 + ··· ··· 4 10 + 1 102 + 4 103 = 1. ··· teremos que existe um ponto P em r tal que a seqüência de pontos P1 . mais próximo de C estará Pn . o ponto Pn está entre O e P . α2 . · · · . P2 . · · · . diz-se também que a seqüência de pontos P1 . ··· + α2 102 OPn tem medida α + ··· ··· + α3 103 + ··· + αn−1 10n−1 . bastando para tanto tomar-se n suficientemente grande. 6 Aula 05 Pré-Cálculo . Pn . o segmento Pn P pode ser tão pequeno quanto se queira. OP2 tem medida α + OP3 tem medida α + ··· ··· α1 10 α1 10 α1 10 . significando que: para todo n .

α1 α2 α3 · · · αn · · · . Atividade 2 Obtenha a representação decimal de meiras casas decimais. Assim. temos que o conjunto dos números irracionais é infinito. que a representação decimal de π é π = 3. de tal modo que esta não seja uma dízima periódica.Figura 2 – Descrição geométrica do limite A medida do segmento OP é então representada pelo número decimal α. assim como 2 . Note que. pode-se obter até milhões de casas decimais de um número irracional como π . como sabemos. um número é irracional se. sua representação decimal tem infinitas casas decimais e não constitui uma dízima periódica. e somente se. todo número irracional tem uma representação decimal como em (4). Assim. Com o auxílio de computadores. será irracional. Não é difícil ver que há infinitas maneiras de se obter uma representação decimal infinita. isto é. no entanto. √ Reciprocamente. Verifica-se. o conhecimento de uma delas. as casas decimais de um número irracional distribuem-se de maneira aleatória. em contraste com o comportamento das dízimas periódicas. não dá informação alguma sobre o valor da próxima. prova-se que. 14159 · · · . por exemplo. indicando pelo menos as quatro pri- Aula 05 Pré-Cálculo 7 . Caso contrário. por si só. esse número será racional. (4) Se essa representação for uma dízima periódica. √ 3 .

Nesse caso. é o conjunto formado pela união do conjunto dos números racionais com o conjunto dos números irracionais. Podemos dizer. o comprimento de qualquer segmento de reta é igual a um número real positivo. como fizemos com o conjunto Q . 1 3. . − 11 5 −2 √ − 2  −π −1 2 −1 0 1 2 √ 2 11 5 π 3 −3 1 2  r Figura 3 – A reta real Como conseqüência dessa propriedade. representarmos nesta o conjunto R . isto é: existe uma correspondência biunívoca entre R e os pontos da reta r . Neste contexto. teremos que. R = {x. 14159 ··· . Segue-se dessa definição que N ⊂ Z ⊂ Q ⊂ R. Diz-se também que x é o limite da seqüência dada. Diz-se então que uma tal conseqüência converge para x ∈ R . é o conjunto R − Q . se tomarmos uma reta r e. “o ponto 2 ”. Além disso. por exemplo. isto é. defininem-se seqüências de números reais. se a correspondente seqüência de pontos de r converge para o ponto associado a x . A propriedade fundamental do conjunto R é que uma medida qualquer é sempre representada por um número real e reciprocamente. para cada número real corresponderá um único ponto de r e vice-versa. x é racional ou x e irracional} . Por exemplo. fazer referência aos √ números reais como pontos de r e vice-versa. por economia. Mais precisamente. r é dita a reta real (Figura 3). 1415 3. π é o limite da seqüência 3 8 Aula 05 Pré-Cálculo 3.Números reais Definição 2 – O conjunto dos números reais. denotado por R . isto é. Assim. costuma-se. o conjunto dos números irracionais é o complementar de Q . √ ao invés de “o ponto de r associado à 2 ”. 14 3. no universo dos números reais.

equivalentemente. ou tomando-se representações decimais. diz-se que x < y ou. A teoria de seqüências. α1 α2 α. y ∈ R . 2 < 3/2 e 3 < π. Dados x. No caso de um número irracional α. α1 α. temos que este é limite da seqüência α α. de um número real x . 4142 1. 47564738283 · · · | = 3. o fato de R estar em correspôndência biunívoca com os pontos de uma reta caracteriza esse conjunto como um espaço completo. α1 α2 α3 α. contrariamente ao que se pensava antes da descoberta do primeiro número irracional. entretanto. que y > x . é definido por |x| =  x −x se x ≥ 0 se x < 0. que não é um número racional. denotado por |x| . um número real negativo é menor que qualquer número real positivo. A definição precisa desse termo envolve conceitos avançados e não a daremos aqui. Aula 05 Pré-Cálculo 9 . 41 1. Do ponto de vista formal. ou valor absoluto. Veja que no universo dos números racionais a seqüência 1 1. não será difícil nos convencermos de que todo a número real é igual ao limite de alguma seqüência de números racionais. na reta real. Observe que. as relações de ordem menor que (<) e maior que (>) são definidas como se segue. Em R. Por exemplo. |x| ≥ 0 e |x| = 0 ⇔ x = 0 .Vale salientar que o conceito de limite de seqüências é mais geral. como vimos. e que lidamos apenas com casos particulares. se. Convém mencionar. O módulo. seqüências crescentes (cada termo é maior que o precedente) e limitadas (existe um número que é maior que todos os termos da seqüência). mesmo se considerarmos apenas esses casos. diz-se que Q não é um espaço completo. sempre têm um limite. ela converge para 2 . 4 1. No entanto. Nesse sentido. α1 α2 α3 α4 ··· . pois. para todo x ∈ R . somas infinitas e seus limites. √ Assim. |3. 414213 ··· √ não tem limite. será discutida com mais detalhes ao longo dos cursos de cálculo diferencial. raciocinando-se geometricamente. 41421 1. x está à esquerda de y . a saber. dentre as quais as que mencionamos. 47564738283 · · · e | − π | = −(−π ) = π . que essa característica está relacionada com o fato de que certos tipos de seqüências de números racionais. α1 α2 α3 α4 · · · .

718294765 · · · . 124 · · · . 124 < 0. 123 · · · = 9 9 9 3 2 1 3 2 1 + ··· = + + + + + + ··· < + + 10 102 103 104 105 106 10 102 103 0. uma vez que 5 < 7 < 9. 007620349 · · · . Vejamos agora como comparar dois números irracionais a partir de suas representações decimais. Por exemplo. não é difícil ver que uma solução para esse problema seria z = 1. dados x = 3. dentre estas. 123 · · · e 0. Temos que 0. obtenha dois irracionais x. Esse exemplo justifica a seguinte regra. 123796587 · · · . 007619706897657 · · · . y = 3. o que nos leva a concluir que o problema dado tem infinitas soluções. 12377959 · · · z = 3. No caso de as partes inteiras serem iguais. Atividade 3 Coloque em ordem crescente os seguintes números irracionais 2. e Exemplo 1 Dados os irracionais x = 1. geometricamente. Pelo critério estabelecido. 2. Por exemplo. 7182889123 · · · 2. Observe que da oitava casa decimal em diante temos plena liberdade de escolha. tem-se x < y < z . 10 Aula 05 Pré-Cálculo .Além disso. é facil ver que o menor deles será o que tiver menor parte inteira. sendo menor o irracional que tiver. 12375658 · · · . obtenha um irracional y tal que x < y < z . o módulo de um número real é igual à distância a que o mesmo está da origem. Se eles têm partes inteiras distintas. 007619658 · · · e z = 1. 7182897534 · · · 2. 00047648465743 · · · . Em seguida. a casa decimal de menor valor. Consideremos agora os números irracionais 0. 124 · · · . comparamos casa decimal por casa decimal até encontrarmos duas distintas. y que estejam entre o menor e o maior desse números. 17639685474 · · · < 3.

para adicionarem-se π e 2 . uma vez mais. se entre dois elementos quaisquer de R. isto é. se os elementos de A estão espalhados por toda a reta real. 414213 · · · . entretanto. para adicionar-se a um número irracional um número inteiro. De um modo geral. isto é. por exemplo. bem como infinitos números irracionais.Já havíamos visto que há infinitos números racionais entre dois números racionais dados. basta adicionar-se este à parte inteira daquele. deve-se √ usar o conceito de limite. o irracional 2 . 414213 · · · = 2. 1+ √ 2 = 1 + 1. Para isso. para adicionar-se um irracional a um número real qualquer. 365209 · · · . assim como em Q . Operações em R No que se segue. Neste caso. 14159 · · · e 5 + (−9. as operações de adição. o que pode ser provado rigorosamente. 365209 · · · ) = −4. Por exemplo. −3 + π = −3 + 3. bem como entre números racionais e irracionais. temos que: dados dois números reais distintos x e y . tomam-se inicialmente Aula 05 Pré-Cálculo 11 . deixando-se inalteradas as casas decimais. a convergência das seqüências correspondentes. Uma vez que sua parte inteira é 1 . resta-nos definir tais operações entre números irracionais entre si. o que sugere a existência dos limites mencionados. √ Tomemos. os conjuntos Q e R − Q são ditos densos em R . é razoável definirmos. V ejamos agora como estender as operações já definidas em Q para o conjunto R . 14159 · · · = 0. isto é. existem. não importando quão próximos eles estejam. Um subconjunto A ⊂ R é dito denso em R. existirem infinitos elementos de A. entre eles. que estamos supondo tacitamente a existência desses limites. multiplicação e divisão de números reais positivos podem ser feitas geometricamente. Assim. Observemos ainda que. definiremos alguns resultados de operações em R como limites de certas somas infinitas. Convém observar. Pelo exemplo 1. Note que N e Z não são densos em R. infinitos números racionais. Como regra geral. vemos que o mesmo acontece com números irracionais.

x = 0 . é dada por 4+ isto é. 5 = 2 Logo. isto é. 14159 · · · + 0.suas representações como somas infinitas de frações decimais √ 2 = 1+ = 3+ 4 1 4 2 1 + 2 + 3 + 4 + 5 + ··· 10 10 10 10 10 1 4 1 5 9 + + + + + ··· 10 102 103 104 105 π √ Define-se então 2 + π como sendo o limite da soma infinita         4 1 1 4 4 1 2 5 (1 + 3) + + + + + + + + + 10 10 102 102 103 103 104 104   9 1 + ··· + 105 105 que. prova-se que existe z ∈ R. Geometricamente. 64159 · · · . tal que yz = 1 . verifica-se que a adição e a multiplicação de números reais têm as propriedades fundamentais da Aritmética. isto é. π+  1 4 1 5 9 + 2 + 3 + 4 + 5 + ··· 3+ 10 10 10 10 10  + 5 · 10 1 6 4 1 5 9 + 2 + 3 + 4 + 5 + · · · = 3. enquanto o produto de reais de mesmo sinal é positivo. 5 5 5 7 10 5 5 5 8 + 2 + 3 + 4 + 5 + ··· = 4 + + 2 + 3 + 4 + ··· . Por exemplo. 1 π + = 3. De maneira análoga. por sua vez. qualquer que seja x ∈ R . Assim definidas. Dado um número real y = 0 . define-se a subtração x − y por x − y = x + (−y ) . o produto de dois números reais de sinais contrários é negativo. obtidas a partir de suas representações decimais. 10 10 10 10 10 10 10 10 10 √ 2 + π = 4. como limite de somas infinitas. Diz-se então que z = 1/y . Vejamos agora como se define a divisão em R . y ∈ R. No caso dos produtos que envolvem números negativos. através de construções como as que foram feitas na aula anterior. 12 Aula 05 Pré-Cálculo .0 = 0. obtém-se 1/y (quando y > 0 ). observam-se as mesmas regras de produto de sinais. Convenciona-se ainda que x. 5558 · · · . Procede-se igualmente quando efetuamos a adição de um irracional a um racional. define-se a multiplicação de dois números reais quaisquer. =3+ 2 10 10 10 10 10 Dados x.

Por exemplo. Lembre-se de que Q . teremos √ π − 2 ≈ 3. a divisão de x por y é denotada por x/y e definida por 1 x =x· · y y Note que. Logo. Em geral. se considerarmos π ≈ 3. estão bem definidas as operações de adição. procede-se como na adição e na multiplição. 141”] e √ 2 ≈ 1. em R . 727 . π 3 2 O importante é sabermos que essas operações estão bem definidas. ou seja. y = 0 . y ∈ Q . Na prática. x ∈ R e n ∈ N . não é completo. as potências xn e x−n são definidas como em Q .Atividade 4 Descreva os detalhes dessa construção geométrica. . 414 = 1. após algumas operações. como √ √ π 2 2 . se x. apesar de ser um corpo ordenado. √ etc. e que o distingue dos demais conjuntos numéricos. isto é. Aula 05 Pré-Cálculo 13 . obtém-se o resultado como limite de uma soma finita (se este for um número racional que não é uma dízima periódica) ou infinita (se este for um número irracional ou dízima periódica). y ∈ R . temos que esse conjunto é um corpo ordenado. No caso em que x ou y é irracional. subtração. “pi é aproximadamente igual a 3. deixando-os apenas indicados. isto é. podemos dizer que R é um corpo ordenado completo. opera-se com números irracionais através de aproximações destes. Essa é a propriedade fundamental de R. Dados. 414 . multiplicação e divisão. π − 3 2. 141 [lê-se. evitam-se os cálculos com números irracionais. Definição 3 – Se x. que têm como resultado um número real. 141 − 1. Uma vez que. tomam-se as representações decimais de x e y e. bem como uma relação de ordem. essa definição coincide com a que foi dada anteriormente.

(xp )q = xp. Então. tem-se xp . essa solução é representada por n a . y ∈ R. dados p. x = 0 . √ 2 é o número real x tal que x2 = 2 . b números reais não negativos e m. como em Q . Assim. Note que. xq = xp+q .x · · · x. (6) √ o qual simbolizamos por n a [lê-se raiz n -ésima de a]. n b = n ab. √ √ Por exemplo. a > 0 . Como anteriormente. √ √ √ i) n a. Prova-se ainda que a equação (6) admite uma única solução. adotando-se um procedimento análogo àquele da √ √ demonstração da irracionalidade de 2 . 14 Aula 05 Pré-Cálculo . y p . Dessa forma. √ √ ii) m n a = mn a. enquanto y = 7 π satisfaz y7 = π . uma potência de expoente par sempre resulta num número real não-negativo.y )p = xp . se a ∈ N . 3 −5 é o número real x tal que x3 = −5 . n ∈ N . x−n = 1 . Relembremos agora que. Proposição 1 – Sejam a.x. a equação (6) não admite solução. se n é par e a é negativo. (x. prova-se que. então n a é um número inteiro ou irracional. o número real x = 3 é tal que x2 = 3 . existe um único número real positivo x tal que xn = a.x. então. se n ∈ N e a ∈ R . (5) Além disso. por definição. xn x0 = 1 . prova-se que.xn = x.q . De um modo geral. Igualmente. q ∈ Z e x. x = 0 .x (n fatores). se n é ímpar e a é √ √ negativo ou nulo. Vale observar também que. dessas definições segue-se que.

que xn = a e y n = b . como definir a potência ap/q com a ∈ R . finalmente. nos diz que (z m )n = a . por √ definição. o que nos sugere a definição a1/q = Agora. obtemos (xy )n = ab . Definimos. Essa igualdade. porém. então. Temos. Vejamos. de tal forma que a equação (5) permaneça válida para expoentes racionais. √ √ A fim de provarmos (ii) . ap/q = Por fim. o que prova (i) . temos  �√ p 1/q 1/q 1/q q = a a =a · a · · · a    p vezes 1/q +1/q +···+1/q p vezes a  1/q   = a1 = a. Segue-se. Devemos ter  · a  · · · a  = a 1/q 1/q q vezes 1/q +1/q +···+1/q q vezes Fazendo-se x = ap/q . por definição. a ≥ 0 . z m = n a . então. o que prova (ii) . q > 0 . Consideremos inicialmente a1/q .√ √ Demonstração – Sejam x = n a e y = n b . façamos z = m n a . o que implica z mn = a . √ q a. que √ z = mn a . 31/2 = √ 3 1 p �√ q a . xy = n ab . se p > 0 . essa igualdade nos diz que xq = a . isto é. se p < 0 e a > 0 .   = ap/q . e p/q ∈ Q . definimos ap/q = Por exemplo. Logo. Multiplicando-se essas igualdades membro a membro. 1 = √ −p · ( q a) a−p/q e π − 2/ 3 = 1 π 2/3 1 = √ 2· 3 ( π) Aula 05 Pré-Cálculo 15 .

Atividade 5 Dados a ∈ R . Paulo César et al. Referências CARVALHO. a > 0 . COURANT. Foram definidas operações com números reais e suas relações de ordem. Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna. 2000. Em seguida. multiplicação e divisão. faça uma redação sobre as suas conclusões.v. O que é matemática?: uma abordagem elementar de métodos e conceitos. Além disso. 1. Richard. Auto-avaliação Faça uma pesquisa nos livros de Matemática do Ensino Médio. p ∈ Z. n ∈ N . b) a q Resumo Nesta aula. sobre os números reais. R . m/n  p p/q ∈ Q. = apm/qn . Rio de Janeiro: Sociedade Brasileira de Matemática. adotados nas escolas de sua cidade. em R estão bem definidas as operações de adição.ed. e m. prove que são verdadeiras as igualdades: √ � √ p a) n a = n ap . 16 Aula 05 Pré-Cálculo . Avalie os textos e tente destacar as diferenças entre estes e a nossa aula. A matemática do ensino médio. 2. subtração. vimos que o conjunto dos números reais é um corpo ordenado (ou seja. Vimos que R é a união de Q com o conjunto dos números irracionais. Herbert. sobretudo no que diz respeito à completude de R . ROBBINS. 2001. estudamos o conjunto dos números reais. bem como uma relação de ordem) e completo (há uma correspondência biunívoca entre R e os pontos de uma reta).