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D I S C I P L I N A

Pré-Cálculo

Funções II
Autores
Rubens Leão de Andrade Ronaldo Freire de Lima

aula

09

Governo Federal
Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva Ministro da Educação Fernando Haddad Secretário de Educação a Distância – SEED Ronaldo Motta

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Universidade Federal do Rio Grande do Norte
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Secretaria de Educação a Distância- SEDIS
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Andrade, Rubens L. de. Pré-cálculo / Rubens L. de Andrade, Ronaldo F. de Lima. – 248 p. ISBN 85-7273-295-0

Natal, RN : EDUFRN Editora da UFRN, 2006.

Conteúdo: Introdução à linguagem matemática - Os números naturais e os números intereiros. - Frações e números decimais - os números racionais - Os números reais - Polinômios e equações algébricas - Inequações algébricas e intervalos - Funções I - Funções II - Funções polinomiais - Funções afins - funções quadráticas - As funções exponencial e logarítmica - Funções trigonométricas - Funções trigonométricas inversas. 1. Número real. 2. Equação. 3. Função. I. Lima, Ronaldo F. de. II. Título. CDD 512.81 RN/UF/BCZM 2006/ 29 CDU 517.13

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para. estudaremos as propriedades elementares das funções reais que. as quais são passíveis da operação de inversão. esboçá-lo com base nas informações obtidas. em seguida. Definir funções bijetivas e obter suas inversas. introduziremos uma classe especial de funções. Construir gráficos de funções a partir de suas propriedades elementares. como veremos. Aqui.Apresentação sta aula é uma continuação da anterior. operação que discutiremos detalhadamente. bem como de transformações geométricas simples em gráficos pré-determinados. Veremos também como essas propriedades se refletem no gráfico de uma função. Finalmente. Faremos uma breve discussão acerca de algumas transformações geométricas simples que nos permitirão construir os gráficos de certas funções a partir de outros pré-determinados. desempenham um papel fundamental na análise do seu comportamento. E Objetivos 1 2 3 Introduzir as propriedades elementares de funções. Aula 09 Pré-Cálculo 1 . chamadas bijetivas.

e somente se. isto é. Exemplo 1 Determinar. o real 1 é um zero da função f (x) = x − 1 . caso existam. Um real x0 é um zero da função do item (a) se. um ponto x0 ∈ A é dito um zero ou raiz de f . como veremos. (b) f (x) = 2x2 − 3x + 1 . essa função tem um único zero que é o real x0 = 1/π . Mais precisamente: Definição 1 – Dada uma função f : A ⊂ R → R . No caso da função do item (b) . √ 1 πx − 1 = 0 ⇔ πx − 1 = 0 ⇔ x= · π Dessa forma. pois f (1) = 1 − 1 = 0 . Por exemplo. são referências importantes no estudo de seu comportamento.Propriedades elementares de funções reais Zeros Os zeros de uma função real. devemos resolver a equação quadrática 2x2 − 3x + 1 = 0 . para encontrarmos os seus zeros. os zeros das seguintes funções: (a) f (x) = √ πx − 1 . esse é o caso de f (x) = x2 + 1. se f (x0 ) = 0 . Aplicando-se aí a técnica de completar quadrados 2 Aula 09 Pré-Cálculo . Note que o conjunto de zeros de uma função pode ser vazio. No entanto. ele é raiz da equação √ f (x) = 0 . πx − 1 = 0 . Eles são definidos como os elementos de seu domínio que têm imagem nula.

obtém-se facilmente suas raízes. a função cujo gráfico aparece na Figura 1 tem como zeros os reais −4. 2 e 6. os zeros de uma função são os pontos de interseção entre o seu gráfico e o eixo dos x. que são x0 = 1 2 e x1 = 1 . Segue-se que: geometricamente. 0) pertence ao seu gráfico. Por exemplo. Figura 1 Aula 09 Pré-Cálculo 3 .ou a fórmula de Báscara (veja a aula 6 – Polinômios e equações algébricas). uma vez que f (x0 ) = 0 . o ponto (x0 . Observemos agora que se x0 é um zero de uma função f .

obtemos esses conjuntos-solução facilmente. que f é positiva em A1 (se A1 = ∅) e negativa em A2 (se A2 = ∅). −1) ∪ (2. respectivamente. caso existam. sua ordenada y é negativa. Neste caso. −1 < x < 2 } . esse ponto estará “abaixo” do eixo dos x se. A1 e A2 serão. Assim. os zeros das funções seguintes: (a) f (x) = (3x − √ 2)(2x + x−1 √ 3) . Analogamente. no eixo dos x. +∞) e negativa em (−1. sua ordenada y é positiva. Observemos agora que um ponto (x. e somente se. então. os conjuntos-solução das inequações x2 − x − 2 > 0 e x2 − x − 2 < 0 . f (x) > 0} e A2 = {x ∈ A. Sinal Estudar o sinal de uma função real f : A ⊂ R → R significa determinar os seguintes conjuntos A1 = {x ∈ A. Estudemos o sinal da função f (x) = x2 − x − 2 . Dizemos. o conjunto A1 (respectivamente A2 ) é obtido pela projeção. temos: do ponto de vista geométrico. f (x) < 0} . 2) . x < −1 ou x > 2 } e A2 = { x ∈ R. Dessa forma. e somente se. da parte do gráfico que está acima (respectivamente abaixo) desse eixo. y ) do plano cartesiano localiza-se “acima” do eixo dos x se.Atividade 1 Determine. (b) f (x) = x2 − 3x + 2 . São eles A1 = { x ∈ R. Aplicando-se então as técnicas desenvolvidas na aula 7 (Inequacões algébricas e intervalos). 4 Aula 09 Pré-Cálculo . podemos dizer que essa função é positiva em (−∞.

−4) ∪ (2. a função da Figura 1 é positiva em (−4. Aula 09 Pré-Cálculo 5 . Definição 2 – Uma função f : A ⊂ R → R é dita crescente se.Por exemplo. Crescimento Conforme visto na aula anterior. tem-se f (x1 ) < f (x2 ) Por outro lado. em muitos casos. (b) f (x) = −7x2 + √ 2x . Isso nos leva à seguinte definição. 2) ∪ (6. 6) . sempre que x1 < x2 . uma função define uma relação entre duas grandezas. dados x1 . sempre que x1 < x2 . Assim. x2 ∈ A . Atividade 2 Estudar o sinal das funções seguintes: (a) f (x) = 5x − π . +∞) e negativa em (−∞. quando analisamos o seu comportamento. se tivermos f (x1 ) > f (x2 ) f é dita decrescente . uma parte importante consiste em determinar quando uma dessas grandezas cresce ou decresce em relação à outra.

Para identificarmos os intervalos de crescimento e decrescimento de uma função através de seu gráfico. +∞) e decrescente em (x0 . |x1 |2 |2 Logo. para quaisquer x1 . Como exemplo. Além disso. vemos que esta é crescente em (−∞. Por outro lado.Quando. 0] e x1 < x2 . verifiquemos que a função f (x) = x3 é crescente. dados x1 . ao gráfico da função f da Figura 1. e vejamos que ela é crescente. tem-se x1 < x2 ⇔ 3x1 < 3x2 ⇔ 3x1 − 1 < 3x2 − 1 ⇔ f (x1 ) < f (x2 ). f (x1 ) > f (x2 ). observando-se as propriedades fundamentais das relações de ordem (veja a aula 7 – Inequações algébricas e intervalos). O caso em que x1 e x2 são ambos negativos é tratado de maneira análoga. consideremos a função f (x) = 3x − 1 . donde se conclui que f é crescente em [0. é imediato que 3 f (x1 ) < f (x2 ). Tomemos então x1 . x2 ∈ (−∞. teremos |x1 | > |x2 |. x2 ∈ A satisfazendo x1 < x2 . é igual à distância a que o mesmo está da origem. 6 Aula 09 Pré-Cálculo . Como último exemplo. Tomemos agora a função f (x) = x2 . multiplicando-se ambos os membros de x1 < x2 3 2 3 3 2 2 por x2 1 . o módulo de um real x . relembremos que. Com efeito. f é dita não-decrescente (respectivamente nãocrescente). x2 ∈ Dom(f ) = R . pois f (x1 ) = x3 1 < 0 e f (x2 ) = x2 > 0. |x| . que é o sentido de crescimento da variável x . Agora. Fazendo referência. pois nesse caso x1 < x2 . Em qualquer um desses casos (incluindo os da definição 2). 0] e crescente no intervalo [0. f é dita monótona. geometricamente. obtemos x1 < x2 x1 . x0 ) ∪ (x1 . como se vê facilmente. teremos |x1 | < |x2 | . cujo domínio. x1 ). +∞) . De fato. ou seja. devemos imaginar um ponto que se desloca ao longo do mesmo da esquerda para a direita. é R . x2 = |x|2 . 0]. em que x0 (aproximadamente igual a −2) e x1 (aproximadamente igual a 4) são os respectivos valores de x para os quais f (x) atinge um valor máximo e um valor mínimo. x2 ∈ [0. Segue-se que f é decrescente em (−∞. uma vez mais. se x1 . se x1 e x2 são positivos. Daí temos f (x1 ) < f (x2 ) . x2 ∈ R tais que x1 < x2 . se x1 . o que nos dá > |x2 |2 . +∞) e x1 < x2 . tem-se f (x1 ) ≤ f (x2 ) (respectivamente f (x1 ) ≥ f (x2 ) ). implicando |x1 < |x2 |2 . Se x1 < 0 < x2 . +∞) . Daí segue-se que x1 < x2 . A função será então crescente (respectivamente decrescente) nos intervalos correspondentes aos movimentos ascendentes (respectivamente descendentes) do ponto. Provaremos que essa função é descrescente no intervalo (−∞. o qual deixamos como exercício.

Além disso. que é x = 0 . Verifique! No entanto. Figura 2 – Gráfico de f (x) = x2 Aula 09 Pré-Cálculo 7 . e considerando-se as propriedades (a). não determinam a função f . se (x. tampouco seu gráfico. também o será o ponto (−x. a partir do estudo de seu comportamento relativo às propriedades elementares. Essas propriedades. para todo x ∈ R . Para tanto. 0] e crescente em [0. que está exibido. existem funções diferentes de f (x) = x2 que possuem as mesmas propriedades. tem-se f (x) = x2 = (−x)2 = f (−x) . (b) e (c). Isso significa que. retomemos a função f : R → R dada por f (x) = x2 . c) é decrescente em (−∞. por exemplo g (x) = |x|. Pelo que vimos no item anterior. podemos ter uma idéia bastante aproximada deste gráfico. com precisão. constatamos que f a) tem um único zero. y ) . isto é. por si só. marcando-se num sistema cartesiano alguns pontos do gráfico de f . +∞) . na Figura 2 (na disciplina Cálculo Diferencial. você estudará outras propriedades de funções que lhe permitirão esboçar gráficos com esta precisão).Construção de gráficos Vejamos agora como podemos esboçar o gráfico de certas funções. donde se conclui que o gráfico de f é simétrico com relação ao eixo dos y . y ) for um ponto do gráfico de f . b) é positiva em R − {0} .

Além disso. 0) e positiva em (0. na Figura 3. Como outro exemplo. para todo x ∈ R. (x. +∞) . que é x = 0 . y ) é um ponto do gráfico de f se. Neste caso. Segue-se que esse gráfico é simétrico com relação à origem do sistema cartesiano. Assim. também com precisão. é negativa em (−∞. temos que f  tem um único zero. isto é. levando-se em conta essas propriedades e marcando-se alguns pontos do gráfico de f no plano cartesiano. e somente se. o gráfico de toda função par é simétrico com relação ao eixo dos y . tem-se f (−x) = (−x)3 = −x3 = −f (x) . o qual exibimos.Convém observar que uma função definida em R e satisfazendo f (x) = f (−x) para todo x real é chamada de par.   Logo. (−x. é crescente . −y ) também o é. consideremos a função f (x) = x3 . temos uma idéia aproximada do mesmo. Procedendo-se de forma análoga. Figura 3 – Gráfico de f (x) = x3 8 Aula 09 Pré-Cálculo .

geometricamente. y0 ) é um ponto do gráfico de g . y0 ) é um ponto do gráfico de f . basta fazermos um cisalhamento horizontal de fator 2 em todos os pontos do gráfico de f . isto é. Cisalhamentos horizontais e translações Veremos agora como obter o gráfico de algumas funções a partir de certas transformações geométricas aplicadas a gráficos previamente conhecidos. Por outro lado. P0 = (x0 . para todo x ∈ R . y0 = f (x0 ) = g (2x0 ). para obtermos o gráfico de g . e somente se. 4 Dessa forma. conforme mostramos na Figura 4. Além disso. 1 g (2x) = (2x)2 = x2 = f (x) . Observe que o gráfico de uma função ímpar é simétrico com relação à origem. P1 = (2x0 . f (−x) = −f (x) é dita ímpar. obtemos o ponto P1 deslocando o ponto P0 ao longo da reta horizontal y = y0 até que este ocupe a posição daquele.Uma função definida em R e satisfazendo. vamos determinar o gráfico da função g (x) = 1 4 x a partir do gráfico de f (x) = x2 . 2 Para ilustrar essa técnica. 2 Figura 4 – Gráficos de f (x) = x2 e g (x) = 1 4x Aula 09 Pré-Cálculo 9 . e somente se. Observemos inicialmente que o domínio de ambas as funções é o conjunto R . se. se. Assim. para todo x real. A essa operação geométrica chamamos cisalhamento horizontal (de fator 2).

é chamada de cisalhamento horizontal de fator a . y0 ) é um ponto do gráfico de f . P1 = (x0 +1. Obtemos então o gráfico de g aplicando-se essa translação ao gráfico de f . e somente se. como as translações. y0 ) . Figura 5 – Gráficos de f (x) = x2 e g (x) = (x − 1)2 10 Aula 09 Pré-Cálculo . segue-se que o gráfico de g é obtido a partir do cisalhamento horizontal do gráfico √ de f . se g é a função dada por g (x) = (x − 1)2 . A transformação que leva P0 em P1 é dita uma translação horizontal à direita de magnitude 1 . Essa técnica aplica-se igualmente a outros tipos de transformações geométricas. de fator igual a 1/ a .De modo geral: a transformação que leva um ponto P0 = (x0 . Se duas funções f e g são tais que g (ax) = f (x) . Por exemplo. se. a Daí. a > 0 . P0 = (x0 . conforme a Figura 5. então o gráfico de g é obtido pelo cisalhamento horizontal de fator a do gráfico de f . y0 ) é um ponto do gráfico de g . e f (x) = x2 . Assim. a ∈ R − {0} .   x g √ = x2 . temos que g (x + 1) = (x + 1 − 1)2 = x2 = f (x) . então. Note também que se g (x) = ax2 . y0 ) num ponto P1 = (ax0 .

caso contrário. ela é dita à esquerda. se a < 0 . Uma análise semelhante às anteriores. y0 ) num ponto P1 = (x0 + a. Se a > 0. conforme ilustrado na Figura 6. consideremos a função g (x) = x2 − 1 . e à esquerda.De modo geral: a transformação que leva um ponto P0 = (x0 . o gráfico de g é obtido pela translação horizontal de magnitude |a| do gráfico de f . nos leva facilmente à conclusão de que o gráfico de g é obtido por uma translação vertical para baixo do gráfico de f (x) = x2 . então. a translação é dita à direita. Por fim. Se duas funções f e g são tais que g (x − a) = f (x) . Figura 6 – Gráficos de f (x) = x2 e g (x) = x2 − 1 Aula 09 Pré-Cálculo 11 . Esta será à direita. é chamada de translação horizontal de magnitude |a| . a ∈ R − {0} . se a > 0 . y0 ).

caso contrário. e para baixo. Se duas funções f e g são tais que g (x) = f (x) + b . Segue-se que o gráfico de g é obtido do gráfico de f aplicando-se sucessivamente a este as seguintes transformações geométricas (veja a Figura 7): √ cisalhamento horizontal de fator 1/ 3 . se b > 0 . Completando-se o quadrado na expressão de g . y0 ) num ponto P1 = (x0 . obtemos g (x) = 3x2 − 6x + 5 = 3(x − 1)2 + 2 . translação vertical para cima de magnitude 2 .Temos então: a transformação que leva um ponto P0 = (x0 . é chamada de translação vertical de magnitude |b| . y0 + b). então. ela é dita para baixo.    12 Aula 09 Pré-Cálculo . b ∈ R − {0} . Esta será para cima. Se b > 0. translação horizontal à direita de magnitude 1 . Exemplo 2 Obter o gráfico da função g (x) = 3x2 − 6x + 5 . se b < 0 . o gráfico de g é obtido pela translação vertical de magnitude |b| do gráfico de f . a translação é dita para cima.

(c) g (x) = 4x2 − x − 1 . 3 e construa os gráficos das funções g (x) = − 1 8x g (x) = −4x2 + x + 1. descreva essa transformação geométrica com detalhes e. em seguida.Atividade 3 1 Construir os gráficos das funções: 3 (a) g (x) = 1 8x . o gráfico de g é obtido do gráfico de f por reflexão deste em torno do eixo dos x. Verifique que se f e g são funções definidas em R e tais que g (x) = −f (x) para todo x ∈ R. À luz do que foi feito nesta aula. 2 Figura 7 – Gráficos de f (x) = x2 e g (x) = 3x2 − 6x + 5 Aula 09 Pré-Cálculo 13 . (b) g (x) = 2x3 − 1 . então.

e somente se. Então. N a aula anterior. para todo x ∈ R . para cada y0 ∈ B existe uma única solução (em A) da equação f (x) = y0 . vimos que dois elementos distintos do domínio de uma função podem ter imagens iguais. e é injetiva se. Daí. 1 Já a função f : R − {0} → R definida por f (x) = é injetiva. a equação f (x) = y0 é 3x − 1 = y0 . y0 + 1 x= . a solução existe para cada y0 ∈ B . pois Im(f ) = [0. +∞) ⊂ R e. Definição 3 – Uma função f : A → B é dita sobrejetiva. f (x) = f (−x) . se Im(f ) = B . Se f (x1 ) = f (x2 ) sempre que x1 = x2 . essa solução é única. porém. como sabemos. Observemos que uma função f : A → B é bijetiva se. e somente se. x2 ∈ R − {0} tais que x1 = x2 . cuja solução. Logo. dado y0 ∈ R . pela Definição 3. Uma função que é sobrejetiva e injetiva é dita bijetiva. se para todo y0 ∈ B existe x0 em A tal que f (x0 ) = y0 . f (x1 ) = f (x2 ) . isto é. Veremos agora que quando essa correspondência acontece pode-se inverter a função.Funções invertíveis Essas considerações nos levam a concluir que. Com efeito. f é dita injetiva. isto é. realizando então uma operação que. nem sempre. é semelhante à inversão de números reais. é única. num certo sentido. 3 Perceba que a função f : R → R dada por f (x) = x2 não é sobrejetiva nem injetiva. e somente se. x1 x2 14 Aula 09 Pré-Cálculo . consideremos x1 . Igualmente. vimos que o conjunto-imagem de uma função pode ou não ser igual ao seu contra-domínio. Para vermos isso. f é sobrejetiva se. f é injetiva. segue-se facilmente que a função f : R → R dada por f (x) = 3x − 1 é bijetiva. uma função estabelece uma correspondência biunívoca entre o seu domínio e o contra-domínio. De fato. não é x sobrejetiva. 1 1 = .

se não for injetiva. e somente se. a fim de representarmos f e f num mesmo sistema de coordenadas. a qual denominamos inversa de f . e denotamos por f −1 . enquanto. intercabiamos as variáveis x e y e escrevemos f −1 (x) = x 1 + · 3 3 Na Figura 8. estão esboçados os gráficos de f e f −1 . Exemplo 3 Determinar a inversa de f : R → R dada por f (x) = 3x − 1 . a condição imposta pela palavra “cada” será violada.A não-sobrejetividade segue-se do fato de 0 não pertencer ao conjunto-imagem de f . Note que se f não for sobrejetiva. Seguese que: uma função é invertível se. para cada y de B existe um único x de A que lhe é correspondente. 1 uma vez que a equação = 0 não tem solução. então. Nesse caso. Fazendo-se y = f (x) . a condição violada será a imposta pela palavra “único”. Observemos agora que: x uma função bijetiva f : A → B estabelece uma correspondência biunívoca entre seu domínio A e seu contra-domínio B . devemos escrever x como função de y . y = 3x − 1 ⇔ x= y 1 + · 3 3 1 −1 Assim. definindo assim uma função de B em A. é bijetiva. Aula 09 Pré-Cálculo 15 . para obtermos a inversa de f . temos f −1 (y ) = x = y 3 + 3 · No entanto. então. que f é uma função invertível. Dizemos. Temos.

basta observarmos que se (a. o ponto (b. b) num ponto (b.Figura 8 – Gráficos de f (x) = 3x − 1 e f −1 (x) = x/3 + 1/3 Observemos agora que se f : R → R é uma função bijetiva. então. +∞) → [0. a transformação que leva um ponto (a. f (a) = b . b) é um ponto do gráfico de f . Porém. isto é. +∞) dada por f (x) = x2 é bijetiva. 16 Aula 09 Pré-Cálculo . a) é justamente a reflexão em torno da reta y = x. (f ◦ f −1)(y ) = f(f −1(y )) = f(x) = y e (f −1 ◦ f )(x) = f −1(f(x)) = f −1(y ) = x. e determine sua inversa. Para vermos isso. as funções compostas f ◦ f −1 : R → R e f −1 ◦ f : R → R estão bem definidas. Além disso. essas funções são ambas iguais à função identidade de R . a) pertence ao gráfico de f −1 . Quando representados num mesmo sistema de coordenas cartesianas. Verifique! Exemplo 4 Prove que a função f : [0. os gráficos de uma função bijetiva e de sua inversa são simétricos com relação à reta y = x (observe a Figura 8). isto é. o que implica f −1 (b) = a .

o que nos dá x = y . fazemos y = f (x) = x2 . f −1 (y ) = y . juntamente com o da função y = x2 . √ isto é. faça o mesmo para a função g : R → R tal que g (x) = −2x − 3 . +∞) e verifiquemos que a equação f (x) = y0 admite uma única solução em [0. x0 = única solução de f (x0 ) = y0 .Tomemos y0 ∈ [0. Note que. Em seguida. intercambiando as variáveis x e y . √ y0 é a √ Para determinarmos sua inversa. cujo gráfico. na última equivalência. Figura 9 – Gráficos de f (x) = x2 . Finalmente. determine sua inversa e construa. e f −1 (x) = √ x Atividade 4 Verifique que a função f : R → R dada por f (x) = x3 é bijetiva. Aula 09 Pré-Cálculo 17 . provando que f é bijetiva. os gráficos de f e f −1 . usamos o fato que x ≥ 0 . Assim. num mesmo sistema de coordenadas. +∞) . está esboçado na Figura 9. x ≥ 0 . Temos que √ √ √ √ f (x) = y0 ⇔ x2 = y0 ⇔ x2 = y0 ⇔ |x| = y0 ⇔ x = y0 . obtemos a fun√ ção f −1 (x) = x .

Referências CARVALHO. construímos gráficos de funções a partir de suas propriedades elementares. 1. funções bijetivas e vimos como obter suas inversas. 2001. 2.v. 2000. determine suas inversas.ed. 18 Aula 09 Pré-Cálculo . Herbert. introduzimos as propriedades elementares de funções reais. você determinou algumas funções. Definimos. A matemática do ensino médio. COURANT. Paulo César et al. O que é matemática?: uma abordagem elementar de métodos e conceitos. Rio de Janeiro: Sociedade Brasileira de Matemática. ainda. Richard. Auto-avaliação Na auto-avaliação da aula 8 (Funções I). Verifique quais delas são bijetivas e.Resumo Nesta aula. bem como de transformações geométricas simples em gráficos prédeterminados. em caso afirmativo. ROBBINS. Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna.

Anotações Aula 09 Pré-Cálculo 19 .

Anotações 20 Aula 09 Pré-Cálculo .