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D I S C I P L I N A

Pré-Cálculo

Funções trigonométricas inversas
Autores
Rubens Leão de Andrade Ronaldo Freire de Lima

aula

15

2006.com Free Pictures Photos – www.com Pixel Perfect Digital – www. II.Funções II .Governo Federal Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva Ministro da Educação Fernando Haddad Secretário de Educação a Distância – SEED Ronaldo Motta Revisoras de Língua Portuguesa Janaina Tomaz Capistrano Sandra Cristinne Xavier da Câmara Ilustradora Carolina Costa Editoração de Imagens Adauto Harley Carolina Costa Diagramadores Bruno de Souza Melo Adaptação para Módulo Matemático Thaisa Maria Simplício Lemos Pedro Gustavo Dias Diógenes Imagens Utilizadas Banco de Imagens Sedis (Secretaria de Educação a Distância) . Rubens L. ISBN 85-7273-295-0 Natal.USA. San Rafael.morguefile. Ronaldo F. CDD 512.freefoto. Lima.UFRN Fotografias . .Frações e números decimais . East.com FreeImages – www.Funções afins .www.pixelperfectdigital.Funções trigonométricas inversas.com MorgueFile – www.com OneOddDude.XCHG . 2.Funções polinomiais .net – www.com BigFoto – www.As funções exponencial e logarítmica .free-pictures-photos. Função.Adauto Harley MasterClips IMSI MasterClips Collection. 1.Funções I . de.oneodddude. de Andrade.13 Todos os direitos reservados. Ronaldo F.os números racionais . UFRN/Biblioteca Central “Zila Mamede” Universidade Federal do Rio Grande do Norte Reitor José Ivonildo do Rêgo Vice-Reitor Nilsen Carvalho Fernandes de Oliveira Filho Secretária de Educação a Distância Vera Lúcia do Amaral Secretaria de Educação a Distância.Os números naturais e os números intereiros.freestockphotos.uk FreeFoto. Conteúdo: Introdução à linguagem matemática .co. Nenhuma parte deste material pode ser utilizada ou reproduzida sem a autorização expressa da UFRN Universidade Federal do Rio Grande do Norte.masterfile. Título. RN : EDUFRN Editora da UFRN.SEDIS Coordenadora da Produção dos Materiais Célia Maria de Araújo Coordenador de Edição Ary Sergio Braga Olinisky Projeto Gráfico Ivana Lima Revisores de Estrutura e Linguagem Eugenio Tavares Borges Marcos Aurélio Felipe Revisora das Normas da ABNT Verônica Pinheiro da Silva Andrade.Inequações algébricas e intervalos . Número real.com FreeStockPhotos.Os números reais .hu Divisão de Serviços Técnicos Catalogação da publicação na Fonte.sxc. CA 94901.Funções trigonométricas .com – www. Pré-cálculo / Rubens L.bigfoto. MasterFile – www. de.com – www. – 248 p. 1895 Francisco Blvd. .Polinômios e equações algébricas .funções quadráticas .81 RN/UF/BCZM 2006/ 29 CDU 517. I. Equação. de Lima.net Stock.freeimages. 3.

porém. Com isso. Nesta aula. No estudo desses fenômenos. Para a resolução de equações desse tipo. as variáveis não são números. devido a suas propriedades. Química. discutiremos brevemente sobre o processo de inversão de funções. na qual concluimos o estudo das funções elementares introduzindo as funções trigonométricas inversas. definiremos então as inversas das principais funções trigonométricas. mas também suas inversas. E Objetivos 1 2 Definir as inversas das funções seno. essas funções constituem uma fonte bastante rica de exemplos nas teorias de Cálculo Diferencial e Análise. Verificar as principais propriedades dessas funções e construir seus gráficos. Biologia etc. verificaremos suas propriedades e construiremos os seus gráficos. Além disso. assim como é fundamental a existência de operações inversas na resolução das equações algébricas. surgindo em muitas equações que modelam fenômenos estudados pela Física. Nesta. mas sim funções. Conforme vimos na aula anterior. Aula 15 Pré-Cálculo 1 . soluções de uma ampla classe de equações diferenciais envolvem não somente funções trigonométricas. é comum nos depararmos com um tipo de equação denominada equação diferencial. Para finlizar.Apresentação sta é nossa última aula. Antes. torna-se vital o processo de inversão de funções. em contraste com as equações algébricas. as funções trigonométricas têm grande importância em Matemática pura e aplicada. cosseno e tangente. faremos uma última consideração sobre os aspectos essenciais dos conceitos estabelecidos ao longo desta disciplina.

podemos sempre restringir o seu contra-domínio B ao conjunto-imagem Im(f ) = B  ⊂ B . você viu que uma condição necessária e suficiente para que uma função f : A → B tenha inversa g : B → A é que f seja injetiva e sobrejetiva ou. o que significa que para cada y em B . em casos específicos. o conjunto f −1 (y ) tem um único elemento x ∈ A . esse tipo de construção pode ser de alguma valia. No estudo geral das funções. Ficam assim estabelecidas as igualdades: y = f (g (y )) N e x = g (f (x)) . Nelas. vimos em aulas anteriores que a função f : R → R dada por f (x) = x2 não é sobrejetiva nem injetiva. não sendo este. em uma palavra. quando f : A → B  não é injetiva. para qualquer y ∈ B . Observemos ainda que. vemos facilmente que f −1 (−2) = ∅ e f −1 (4) = {−2. no caso de f : A → B não ser sobrejetiva. como veremos nos tópicos abordados a seguir. iniciamos o estudo da teoria das funções. um elemento x ∈ f −1 (y ) para cada y ∈ B  e tomar o conjunto A como aquele formado por esses elementos. como no de algumas funções reais de variável real. bijetiva. f (x) = y } . de forma que a restrição dessa função a A seja injetiva. a restrição do domínio a certos subconjuntos que as tornam injetivas é bastante natural. Essa solução é indicada por x = g (y ) . o que acontecerá quando y não pertencer ao conjunto-imagem de f . Por exemplo. tomamos B  como novo contra-domínio. a nova função f : A → B  é sobrejetiva. Uma forma artificial de se obter um tal subconjunto A é escolher. naturalmente definido (como Im(f )) . Também. em geral. 2 Aula 15 Pré-Cálculo . Assim. não há. Quando a função f : A → B não é sobrejetiva. o nosso caso. nenhuma forma imediata de se tomar um subconjunto A ⊂ A . e podemos escrever g (y ) = f −1 (y ) . e somente se. particularmente as funções trigonométricas. a equação y = f (x) tem uma e somente uma solução x ∈ A . A notação f −1 (y ) é usada para representar o conjunto f −1 (y ) = {x ∈ A.Invertendo funções as aulas 8 (Funções I) e 9 (Funções II). o conjunto f −1 (y ) poderá ser vazio. arbitrariamente. dependendo do contexto. Por outro lado. se f : A → B não for injetiva. isto é. o valor da função inversa de f no ponto y ∈ B é o único elemento do conjunto f −1 (y ) . então. no entanto. Concluímos. Considerando-se os casos y = −2 e y = 4. o conjunto f −1 (y ) poderá ter mais de um elemento. que f : A → B é injetiva e sobrejetiva se. 2} . Nesse caso. Porém.

como você já observou antes. Definição 1 – Uma função f é dita periódica. estamos considerando a função sen : R → R . Assim considerada. basta tomarmos a restrição sen : R → [−1. essa função tem uma propriedade peculiar: o seu comportamento se repete em intervalos de comprimento 2π . basta que o façamos no intervalo [0. pois tal gráfico repete-se nos intervalos da forma [2nπ. 2nπ + 2π ] . Aula 15 Pré-Cálculo 3 . isso traduz-se pelo fato de que. ∀x ∈ R .A inversa da função seno Tomemos a função seno. cujo gráfico esboçamos na Figura 1. essa função não é injetiva nem sobrejetiva. 2π ] . n ∈ Z. Naturalmente. se existe um número real L = 0 tal que f (x + L) = f (x) . como mostra o gráfico. para construirmos o seu gráfico em R . Figura 1 – Gráfico da função seno Além disso. que tem como domínio e contra-domínio o conjunto dos números reais R . Para passarmos daí a uma função sobrejetiva. Geometricamente. 1] . quando nos referimos à função seno.

a função seno é periódica e seu período é p = 2π . observemos que qualquer que seja L = 2πn . se x ∈ [−1. vê-se que sen : [−π. nos pontos x0 = −π/2 e x1 = π/2 . 2π é o menor valor positivo de L para o qual f (x + L) = f (x) . ela é periódica. No caso da função seno. π ] → [−1. sen−1 : [−π/2. 1] . Figura 2 – Gráfico da função seno restrita a [−π.Exemplos triviais de funções periódicas são dados pelas funções constantes. π/2] → [−1. que essa função atinge seus valores mínimo e máximo. Perceba que uma função constante não tem período. Assim. 1] . cujo gráfico exibimos na Figura 2. desse mesmo gráfico. Além disso. chamamos inversa da função seno ou função arco-seno (denotada por “arcsen”). Uma vez que o comportamento da função seno num intervalo da forma [a. infere-se que a restrição sen : [−π/2. Esse menor valor positivo é chamado de período. porém. isto é. não é injetiva. 4 Aula 15 Pré-Cálculo . portanto. podemos tomar a = −π e considerar a função sen : [−π. temse f (x + L) = f (x) . π ] → [−1. 1] é sobrejetiva. 1] é bijetiva e. o qual denotaremos pela letra p . entretanto. n inteiro. invertível. À inversa dessa função. π ] Com isso. respectivamente. ou seja. Observando-se. arcsen (x) = sen−1 (x) . 1] . π/2] → [−1. a + 2π ] determina o seu comportamento em R .

é negativa em [−1. ao discutirmos a inversão de funções. vemos que. o gráfico da função sen : [−π/2. 1] . que é x0 = 0 .Na aula 8. Dessa forma. em torno dessa reta. obtemos facilmente o gráfico de sen−1 refletindo. é crescente. no tocante às propriedades elementares. 0) e positiva em (0. 1] . π/2] → [−1. vimos que os gráficos de uma função bijetiva e o de sua inversa são simétricos com relação à reta y = x . Observando-o. a função sen−1 : tem um único zero. conforme exibido na Figura 3.    Figura 3 – Gráfico da função sen−1 Aula 15 Pré-Cálculo 5 .

f (L) = f (−L) = f (0) . então. Mostre que se existe um número real L tal que f (x + L) = f (x) . 2 Considere uma função f : R → R . x ∈ R − Q. Conclua que não existe o menor L positivo que define o período de f . Em particular. Figura 4 – Gráfico da função cosseno 6 Aula 15 Pré-Cálculo . é periódica e que a igualdade f (x + L) = f (x) é verdadeira para qualquer L racional. f (x + nL) = f (x) para todo n inteiro. A inversa da função cosseno Considerações análogas às do item anterior são feitas a respeito da função cosseno cos : R → R (Figura 4). dada por f (x) =  0 se 1 se x ∈ Q.Atividade 1 1 Verifique que a função f : R → R.

ou função arco-cosseno (denotada por “arcccos”). é positiva em [−1. A escolha do intervalo [π/2. é decrescente. Analogamente.   Relembremos que para invertermos a função seno. 1] . 1] . que a restrição a qualquer intervalo da forma [nπ − π/2. cujo gráfico esboçamos na Figura 5. π/2] . Figura 5 – Gráfico da função cos−1 Note que a função cos−1 :  tem um único zero. obtém-se a função bijetiva cos : [0. nπ + π ] . restringindo-se o seu domínio ao intervalo [0. no entanto. π ] para o cosseno é meramente convencional. restrigindo-se o contra-domínio da função cosseno a [−1. restringimos o seu domínio ao intervalo [−π/2. essa função torna-se invertível.Vê-se que essa função é periódica de período p = 2π e que. Aula 15 Pré-Cálculo 7 . π/2] para o seno e [0. que é x0 = 1 . 1] e o domínio a qualquer intervalo da forma [nπ. nπ + π/2] torna a função seno (com contra-domínio [−1. Verificamos. 1] → [0. A sua inversa cos−1 : [−1. 1] ) invertível. π ] → [−1. 1) . π ] e seu contra-domínio ao intervalo [−1. π ] chama-se inversa da função cosseno.

8 Aula 15 Pré-Cálculo . Segue-se que seu domínio é o conjunto {x ∈ R. n ∈ Z} . definida nos pontos da forma nπ + π/2. ∀x ∈ [−1. x = nπ + π/2 . Como cos(cos−1 x) = x . tem-se sen (cos−1 x) =  1 − x2 . cos x não estando. temos sen(cos−1 x) ≥ 0 .Exemplo 1 Verifique que. Considerando-se a relação sen2 y + cos2 y = 1 e fazendo-se y = cos−1 x . segue-se que sen2 (cos−1 x) = 1 − x2 e. 1] . obtemos sen2 (cos−1 x) + cos2 (cos−1 x) = 1 . Atividade 2 √ Verifique que cos (sen−1 x) = − 1 − x2 .  Observando-se que 0 ≤ cos−1 x ≤ π . que são justamente os zeros da função cosseno. que  sen(cos−1 x) = ± 1 − x2 . para todo x ∈ [−1. portanto. portanto. n inteiro. a função tangente é dada pela expressão tg x = sen x . 1] . A inversa da função tangente Conforme visto na aula anterior. e então sen (cos−1 x) = 1 − x2 .

Além disso. π/2) . também denominada função arco-tangente e denotada por “arctg ” . π/2) → R . temos que a função tangente é periódica de período π e tem R como conjunto-imagem. O intervalo (−π/2. Daí. π/2) é então o escolhido para se definir a sua inversa tg −1 : R → (−π/2. do gráfico de tg : (−π/2. Ele é obtido pela reflexão. nπ + π/2) . encontra-se esboçado na Figura 7. exibido na Figura 6. vemos que o seu gráfico. Figura 6 – Gráfico da função tangente O gráfico da função tg −1 . repete-se nos intervalos da forma (nπ − π/2. em torno da reta y = x . Figura 7 – Gráfico da função tg −1 Aula 15 Pré-Cálculo 9 .

quando x cresce (respectivamente decresce) indefinidamente. após discutir alguns aspectos básicos da linguagem matemática. Estendemos. então. é crescente. esses conjuntos (com suas operações) ao dos números racionais e em seguida ao dos números reais. infere-se que a função tg −1 tem um único zero. finalmente. Assim. 1 + x2 Considerações finais No decorrer desta disciplina. o de número real e o de função real. Relembremos que. introduzimos os números naturais e inteiros juntamente com suas operações. preocupamo-nos em definir as operações no novo conjunto de tal modo que estas tivessem as mesmas propriedades que as do anterior. 0) e positiva em (0. o que significa que: 10 Aula 15 Pré-Cálculo . estudamos. essencialmente.Observando tal gráfico. Vejamos como isso se deu. passamos de N a Z a Q e.    Além disso. dois conceitos fundamentais da Matemática. Por essa razão. +∞) . a R . tg −1 x se aproxima de π/2 (respectivamente −π/2) . Nesse processo de extensão. Este último foi caracterizado como um corpo ordenado completo. é negativa em (−∞. as retas horizontais y = −π/2 e y = π/2 são chamadas de linhas assintóticas da função tg −1 . que é x0 = 0 . Atividade 3 Verifique que cos2 (tg −1 x) = 1 .

multiplicação e divisão. em R . derivada e integral. consideramos apenas as funções ditas elementares: as polinomiais. Nesta disciplina. mas também ter despertado o seu interesse pelos aspectos conceituais da Matemática. iniciamos o estudo das funções de um ponto de vista global e.  há. o que o caracteriza como um corpo ordenado. em nossa aula de número 8. Na disciplina de Cálculo Diferencial. lacuna a ser preenchida pelas duas referências bibliográficas dadas ao fim de cada aula.  existe uma correspondência biunívoca entre R e os pontos de uma reta. subtração. em R. Convém mencionar que os conceitos aqui introduzidos são resultado de um processo evolutivo no decorrer da história da Matemática e. objetivamos a preparação para tal aprofundamento. Estudamos então o comportamento de tais funções segundo alguns aspectos gerais como sinal e crescimento para. tiveram a forma bem acabada que apresentamos. Esperamos não só ter fornecido os subsídios necessários para isso. nem sempre. que são os de limite. o que o caracteriza como um corpo ordenado completo. inclusive. para a resolução de equações polinomiais de baixo grau. passamos ao estudo das equações e inequações algébricas. Finalmente. o que o caracteriza como corpo. as funções exponencial e logarítmica e as funções trigonométricas. a partir daí. continuidade. Até a próxima! Aula 15 Pré-Cálculo 11 . aplicamos a teoria na resolução de alguns problemas simples de otimização. De posse dos números reais. Por questões de espaço e objetividade. uma relação de ordem bem definida. o estudo das funções será consideravelmente aprofundado com a introdução de quatro novos conceitos. nas aulas seguintes. caracterizá-las e obtermos os seus gráficos. deixamos de mencionar diversos desses aspectos históricos. desintegração radioativa e crescimento populacional). Além disso. desenvolvendo métodos. estão bem definidas as operações de adição. bem como problemas relativos a taxas de variação (juros compostos. também fundamentais em Matemática.

v. estabelecemos suas principais propriedades e construímos os seus gráficos.ed. então. suas propriedades e construa seus gráficos. Paulo César et al. 2. defina as inversas dessas funções. Descreva. A matemática do ensino médio. definimos as inversas das funções seno. O que é matemática?: uma abordagem elementar de métodos e conceitos. Auto-avaliação Na auto-avaliação da aula anterior. cossecante e cotangente. cosseno e tangente. Referências CARVALHO. Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna. Herbert. COURANT. ROBBINS. você estudou as funções trigonométricas secante.Resumo Nesta aula. Rio de Janeiro: Sociedade Brasileira de Matemática. Richard. 2000. 1. 2001. 12 Aula 15 Pré-Cálculo . De acordo com o procedimento adotado nesta aula.