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Ortografia

No Brasil, quem dita as normas para a correta escrita das palavras
é a Academia Brasileira de Letras (ABL). Em seu Vocabulário ortográfico da
língua portuguesa (VOLP), a instituição mantém registrada a forma oficial de
escrever as palavras.
Apesar da vigência do novo Acordo Ortográfico, as regras antigas e
as atuais estarão em vigor até 31 de dezembro 2012. Por quê? Porque o então
presidente Lula, por meio do Decreto nº 6.583, de 26 de setembro de 2008,
além de ter promulgado o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa – que foi
assinado em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990 –, também estabeleceu um
período de transição: “de 1º de janeiro de 2009 a 31 de dezembro de 2012,
durante o qual coexistirão a norma ortográfica atualmente em vigor e a nova
norma estabelecida”.
Você e eu sabemos que é humanamente impossível decorar a
grafia de todas as palavras da nossa Língua. Só para você ter uma ideia da
dificuldade que é isso, saiba que a nova edição do VOLP, lançada oficialmente
pela ABL em 19 de março de 2009, tem 976 páginas, 381 mil verbetes e
outras coisas mais. Você se atreve a decorar tudo isso?!
Entretanto podemos sistematizar a grafia de certas palavras, em
decorrência, por exemplo, da sua origem, do seu radical. É isso que você verá
aqui. A experiência nos permite dizer que esse processo é muito útil no
momento de resolver uma questão de concurso. Não estou dizendo que tudo
se resumirá ao que será demonstrado nestas poucas linhas. O que você
precisa entender é que a prática de leitura de livros, jornais, revistas e
dicionários deve ser somada à minha explicação.
Comecemos pelo EMPREGO DE ALGUMAS LETRAS. Sempre que for
preciso, trarei para nossa aula as mudanças das novas regras ortográficas

• Usa-se, normalmente, a letra X:
LÍNGUA PORTUGUESA - ORTOGRAFIA OFICIAL COMPLETA
durante o qual coexistirão a norma ortográfica atualmente em vigor e a nova
norma estabelecida”.
Você e eu sabemos que é humanamente impossível decorar a
grafia de todas as palavras da nossa Língua. Só para você ter uma ideia da
dificuldade que é isso, saiba que a nova edição do VOLP, lançada oficialmente
pela ABL em 19 de março de 2009, tem 976 páginas, 381 mil verbetes e
outras coisas mais. Você se atreve a decorar tudo isso?!
Entretanto podemos sistematizar a grafia de certas palavras, em
decorrência, por exemplo, da sua origem, do seu radical. É isso que você verá
aqui. A experiência nos permite dizer que esse processo é muito útil no
momento de resolver uma questão de concurso. Não estou dizendo que tudo
se resumirá ao que será demonstrado nestas poucas linhas. O que você
precisa entender é que a prática de leitura de livros, jornais, revistas e
dicionários deve ser somada à minha explicação.
Comecemos pelo EMPREGO DE ALGUMAS LETRAS. Sempre que for
preciso, trarei para nossa aula as mudanças das novas regras ortográficas

• Usa-se, normalmente, a letra X:
QUANDO EXEMPLO CUIDADO
1 – depois de ditongos ameixa, frouxo, peixe Recauchutar
2 – depois da sílaba EN enxame, enxergar
encher, encharcar,
enchova, enchumaçar e
derivados dessas
palavras
3 – depois da sílaba ME,
quando “fechada”
mexa (verbo), mexerico
mecha (substantivo) =
pronúncia “aberta”

• Usa-se, normalmente, a letra G:
QUANDO EXEMPLO CUIDADO
1 – nos sufixos AGEM, viagem (substantivo), pajem, lajem,
3 – nas palavras
derivadas daquelas que
possuem G no radical
(você perceberá que
esse princípio vale
também para o emprego
de outras letras)
margem/margear,
homenagem/homenagear
monge/monja, eu dirijo
(flexão do verbo dirigir).
Imaginem se
mantivéssemos a letra
“g” nas palavras
derivadas...

• Usa-se, normalmente, a letra J:
IGEM e UGEM vertigem, ferrugem lambujem
2 – nos sufixos AGIO,
EGIO, IGIO, OGIO e
UGIO
pedágio, colégio,
prestígio, relógio,
refúgio

IGEM e UGEM vertigem, ferrugem lambujem
2 – nos sufixos AGIO,
EGIO, IGIO, OGIO e
UGIO
pedágio, colégio,
prestígio, relógio,
refúgio

3 – nas palavras
derivadas daquelas que
possuem G no radical
(você perceberá que
esse princípio vale
também para o emprego
de outras letras)
margem/margear,
homenagem/homenagear
monge/monja, eu dirijo
(flexão do verbo dirigir).
Imaginem se
mantivéssemos a letra
“g” nas palavras
derivadas...

• Usa-se, normalmente, a letra J:
QUANDO EXEMPLO
1 – nas palavras de origem indígena,
africana e árabe
pajé, jiboia, jeca, jenipapo, jirau, jiló,
cafajeste, jerico, jequitibá
2 – nas flexões dos verbos que
possuem J no radical
viajar (verbo) – que eles viajem;
bocejar – eu bocejei
3 – nas palavras derivadas daquelas
que possuem J no radical
gorja – gorjeta; lisonja – lisonjeado
4 – nas palavras de origem latina
jeito, hoje, majestade, injetar, objeto,
ultraje

• Usa-se, normalmente, a letra Ç:
QUANDO EXEMPLO
1 – nas palavras derivadas daquelas
que possuem T no radical
exceto – exceção, setor – seção, cantar
– canção
2 – nas palavras de origem indígena,
árabe e africana
miçanga, paçoca, muriçoca,
muçulmano, açougue, açoite
4 – depois de ditongo compleição, feição, beiço

• Usa-se, normalmente, a letra S:
3 – nos sufixos AÇU e AÇO
babaçu, Paraguaçu, Nova Iguaçu,
golaço, poetaço, atrevidaço
3 – nos sufixos AÇU e AÇO
babaçu, Paraguaçu, Nova Iguaçu,
golaço, poetaço, atrevidaço
4 – depois de ditongo compleição, feição, beiço

• Usa-se, normalmente, a letra S:
QUANDO EXEMPLO
1 – nos substantivos que designam
origem, título honorífico e feminino
chinês, japonês, baronesa, duquesa,
sacerdotisa, poetisa
2 – Nos sufixos ASE, ESE, ISI e OSE fase, ascese, eletrólise, apoteose
3 – nos sufixos OSO e OSA formoso, formosa, gostoso, gostosa
4 – nas palavras derivadas daquelas
que possuem D, RT ou RG no seu
radical
iludir – ilusão, defender – defesa;
divertir – diversão, inverter – inversão;
imergir – imersão, submergir –
submersão
5 – no prefixo TRANS e nos seus
derivados
transatlântico, trasladar (ou
transladar)
6 – após os ditongos maisena, Sousa, coisa
7 – nas formas verbais derivadas dos
verbos QUERER e PÔR
quis, quisera, pusera, compusera

• Usa-se, normalmente, SS:
QUANDO EXEMPLO CUIDADO
1 – nas palavras
derivadas daquelas que
possuem as expressões
CED, GRED, PRIM, MIT,
MET e CUT no radical
suceder – sucessão,
regredir – regressão,
comprimir –
compressão, demitir –
demissão, intrometer –
intromissão, discutir –
discussão

2 – prefixo terminado
em vogal + palavra
começada por S
pre + sentir = pressentir
(repare que o “s” foi
duplicado”)


• Usa-se, normalmente, a letra Z:
QUANDO EXEMPLO CUIDADO
1 – nas terminações EZ
e EZA, formando
substantivos
abstratos derivados de
adjetivos
insensato – insensatez,
nu – nudez; claro –
clareza, belo – beleza

2 – nas terminações
IZAR, formando
infinitivos verbais
sintonia – sintonizar,
real – realizar, visual –
visualizar
a) se a palavra possuir
S em sua parte final, o
infinitivo verbal também
levará S: análise –
analisar, paralisia –
paralisar;
b) Hipnose – hipnotizar;
Síntese – sintetizar;
Batismo – batizar;
Catequese – catequizar;
Ênfase – enfatizar.
(Lembre-se da sigla de
um famoso banco, só
que com E no final:
HSBCE).
3 – como consoante de
ligação
pé + udo = pezudo; guri
+ ada = gurizada


• Usa-se, normalmente, a letra H:
QUANDO EXEMPLO CUIDADO
1 – nas palavras ligadas
por hífen em que o
segundo elemento
começa com H
anti-higiênico, pré-
histórico, super-homem
desarmonia, lobisomem
2 – na palavra Bahia
as palavras derivadas
não possuem H: baiano

• Verbos terminados em EAR e IAR:
1 – são irregulares os
verbos terminados em
EAR; eles recebem a
letra I nas formas
rizotônicas (eu, tu, ele,
eles – a sílaba tônica
integra o radical)
passear: passeio,
passeias, passeia,
passeamos, passeais,
passeiam

2 – são regulares os
verbos terminados em
IAR
premiar: premio,
premias, premia,
premiamos, premiais,
premiam
Mediar, Ansiar,
Remediar, Incendiar,
Odiar (MARIO): apesar
de terminarem em IAR,
são irregulares e
recebem a letra E nas
formas rizotônicas (eu,
tu, ele, eles): odeio,
odeias, odeia, odiamos,
odiais, odeiam

Passemos agora ao EMPREGO DE ALGUMAS EXPRESSÕES que,
certamente, já deixaram muita gente com dúvida na hora de optar por uma ou
outra forma. Selecionei para esta aula apenas alguns vocábulos que, volta e
meia, surgem em diversos textos. Vejamos quais são.

• MAL x MAU
a) Ela se houve mal na prova. (advérbio de modo, contrário de bem,
refere-se a um verbo)
b) Mal entrou, os portões foram fechados. (conjunção subordinativa
adverbial, equivale-se a assim que, quando, indica circunstância de tempo)
c) Apesar do mau tempo, foi à praia. (adjetivo, refere-se a um substantivo,
contrário de bom)
ATENÇÃO! Quero que você perceba que o vocábulo MAL não possui a mesma
classificação gramatical nas alternativas “a)” e “b)”. Isso é importante porque
a banca examinadora pode sugerir o contrário. O Cespe/UnB, por exemplo,
pode selecionar duas frases de um texto em que esses vocábulos aparecem,
destacá-los e formular a seguinte assertiva: “Nas linhas X e Y, os vocábulos
em destaque possuem a mesma classificação gramatical”. Muito cuidado antes
de responder. Como vimos anteriormente, isso nem sempre será verdade.
Quero que note ainda as diferentes classificações dos vocábulos que surgirão
nos próximos exemplos.

• POR QUE x POR QUÊ
a) Por que você não veio? (advérbio interrogativo de causa, usado no início
da oração, equivale-se a por qual motivo, o “que” é átono)
b) Quero saber por que você não veio. (a única diferença é que a frase
interrogativa é indireta)
c) Você não veio por quê? (agora a expressão aparece no final da frase, e
o “que” é tônico)
d) Quero saber o motivo por que você não veio. (preposição + pronome
relativo, usado no início da oração, equivale-se a pelo qual)
ATENÇÃO! Note a colocação no final da frase ou no final de oração,
antes de pausa, com sentido de motivo, razão pela qual, sendo tônico.
Ex.: O cantor estava inquieto, sem saber por quê. (Sem saber por quê, o
cantor estava inquieto.
Advertido pelo presidente da Mesa, o deputado quis saber por quê.
Ninguém lhe dava atenção. Por quê?

• PORQUE x PORQUÊ
a) Não vim porque estava cansado. (conjunção subordinativa adverbial,
indica circunstância de causa)
b) Fique quieto, porque você está incomodando. (conjunção coordenativa
explicativa)
c) Quero saber o porquê da sua falta. (vem precedido de artigo, é
substantivo, equivale-se a motivo, razão, causa)
ATENÇÃO! Sempre que estiver diante de uma pergunta (direta ou indireta),
use a expressão separada.

• SENÃO x SE NÃO
a) Estudem, senão ficarão reprovados. (pode ser substituído por ou, indica
alternância de ideias que se excluem mutuamente)
b) Não fazia coisa alguma, senão criticar. (equivale-se a mas sim, porém,
a não ser)
c) Essa pessoa só tem um senão. (significa defeito, mácula, mancha; é
substantivo)
d) Se não houver dedicação, ficarão reprovados. (“Se” = conjunção
subordinativa adverbial condicional; “não” = advérbio de negação)

ATENÇÃO! É muito útil perceber que a expressão será separada apenas
quando introduzir uma oração subordinada adverbial condicional.

• ACERCA DE x A CERCA DE x HÁ CERCA DE
a) Hoje falaremos acerca dos pronomes. (locução prepositiva – “dos” = de
+ os –, equivale-se a sobre, a respeito de)
b) Os primeiros colonizadores surgiram há cerca de quinhentos anos.
(refere-se a acontecimento passado)
c) Estamos a cerca de quatro meses da prova. (equivale-se a
aproximadamente)


• AFIM x A FIM DE
a) Temos ideias afins. (adjetivo, refere-se a um substantivo, varia em
número para com ele concordar)
b) Estudou muito, a fim de tirar o primeiro lugar. (locução prepositiva,
denota finalidade, objetivo, intenção)

• DEMAIS x DE MAIS
a) Estudei demais. (advérbio de intensidade, liga-se a um verbo,
equivale-se a muito, bastante, demasiadamente, em excesso)
b) Eu estudo muito; os demais, pouco. (pronome indefinido, equivale-se a
outros, restantes, vem precedido de artigo)
c) Surgiram candidatos de mais. (locução que se contrapõe a de menos)
ATENÇÃO! Com relação a de menos, a professora Maria Tereza de Queiroz
Piacentini ensina que nem sempre tal expressão tem como oposto de mais.
De menos pode se referir a substantivo ("gente de menos") e verbo ("saber
de menos"), segundo a autora do livro Português para redação (edição
esgotada). Moral da história: junto a substantivo, use de mais e de menos;
junto a verbo, use demais e pode usar de menos também.

• ONDE x DONDE x AONDE
a) Onde você está? (usa-se onde com verbo estático que pede a
preposição em, na língua portuguesa não existe a suposta contração nonde,
indicada por em + onde; é errada sua utilização para substituir nomes que
não indicam lugar: Na reunião onde estávamos, houve muita discussão.
Nesse caso, prefira a locução em que.)
b) Donde você vem? (usa-se com verbo de movimento que peça, em
razão sua regência, a preposição de, caso do verbo “vem”: “Donde” = de +
onde)
c) Aonde você vai? (usa-se com verbo de movimento que exige, também
por causa de sua regência, a preposição a, caso da forma verbal “vai”:
“Aonde” = a + onde)

• MAS x MAIS
a) Ela estudou muito, mas não foi aprovada. (conjunção coordenativa
adversativa, conecta orações que guardam entre si ideias opostas)
b) Ela era a aluna mais simpática da turma. (advérbio de intensidade,
refere-se a adjetivo, outro advérbio ou verbo)

c) Menos ódio e mais amor. (pronome indefinido adjetivo, refere-se a
substantivo)
• HÁ x A
a) Ele chegou da Europa há dois anos. (refere-se a acontecimento passado)
b) Ela voltará daqui a um ano. (refere-se a acontecimento futuro)

• DE ENCONTRO A x AO ENCONTRO DE
a) O ônibus foi de encontro ao carro, causando a morte de duas pessoas.
(indica posição contrária, colisão, confronto)
A proposta da diretoria foi de encontro aos anseios dos funcionários.
b) O filho foi ao encontro do pai, abraçando-o. (sugere posição favorável,
concordância)

• À TOA (o novo Acordo retirou o hífen, a diferença se dará pelo
contexto)
a) Ele era uma pessoa à toa. (locução adjetiva invariável; refere-se a um
substantivo; significa desprezível, sem valor, insignificante)
b) Ele andava à toa na rua. (locução adverbial; indica maneira, modo, sem
rumo certo, a esmo, sem fazer nada)

• DIA A DIA (o novo Acordo aboliu o hífen, a diferença se dará pelo
contexto)
a) O dia a dia do operário brasileiro é desgastante. (substantivo, precedido
por artigo, equivale-se a cotidiano)
b) Os preços das mercadorias aumentam dia a dia. (locução adverbial de
tempo, equivale-se a diariamente)



• TAMPOUCO x TÃO POUCO
a) Não realizou a tarefa, tampouco apresentou qualquer justificativa.
(advérbio de negação, equivale-se a também não)
b) Tenho tão pouco entusiasmo pelo trabalho. (tão = advérbio de
intensidade; pouco = pronome indefinido adjetivo, alude a um substantivo)
c) Estudamos tão pouco. (tão = advérbio de intensidade, refere-se a outro
advérbio: pouco = advérbio de intensidade, refere-se ao verbo)
A respeito do EMPREGO DO HÍFEN, várias mudanças foram
introduzidas pelo novo Acordo Ortográfico. Resumirei aqui os casos
importantes.
Prefixos Usa-se hífen Não se usa hífen
Agro, ante, anti, arqui, auto,
contra, extra, infra, intra,
macro, mega, micro, maxi,
mini, semi, sobre, supra,
tele, ultra...
Quando a palavra
seguinte começa com h
ou com vogal igual à
última do prefixo: auto-
-hipnose, auto-
-observação, anti-herói,
anti-imperalista, micro-
-ondas, mini-hotel
a) Em todos os demais
casos: autorretrato,
autossustentável,
autoanálise,
autocontrole,
antirracista, antissocial,
antivírus, minidicionário,
minissaia, minirreforma,
ultrassom... (perceba
que as letras R e S
são duplicadas).
b) Quando se usam os
prefixos des- e in-,
caem o h e o hífen:
desumano, inabitável,
desonra, inábil.
c) Também com os
prefixos co- e re- caem
o h e o hífen: coordenar,
coerdeiro, coabitar,
reabilitar, reeditar,
reeleição.
Hiper, inter, super
Quando a palavra
seguinte começa com h
ou com r: super-homem,
inter-regional
Em todos os demais
casos: hiperinflação,
supersônico
Sub, sob, ob, ab
Quando a palavra
seguinte começa com b,
h ou r: sub-base, sub-
-reino, sub-humano (ou
subumano)
Em todos os demais
casos: subsecretário,
subeditor
Vice, ex, sem, além, aquém,
recém, pós, pré, pró
Sempre: vice-rei, vice-presidente, além-mar,
além-túmulo, aquém-mar, ex-aluno, ex-diretor,
ex-hospedeiro, ex-prefeito, ex-presidente,
pós-graduação, pré-história, pré-vestibular,
pró-europeu, recém-casado, recém-nascido,
sem-terra
Pan, circum, mal
Quando a palavra
seguinte começa com h,
m, n ou vogais: pan-
americano, circum-
hospitalar
Em todos os demais
casos: pansexual,
circuncisão
Quero enfatizar as seguintes mudanças:
1 – Com prefixos, usa-se o hífen diante de palavra iniciada por h.
Exemplos: anti-higiênico, anti-histórico, macro-história,
mini-hotel, proto-história, sobre-humano, super-homem, ultra-humano.
2 – Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal diferente da vogal
com que se inicia o segundo elemento.
Exemplos: aeroespacial, agroindustrial, anteontem, antiaéreo, antieducativo,
autoaprendizagem, autoescola, autoestrada, autoinstrução, coautor, coedição,
extraescolar, infraestrutura, plurianual, semiaberto, semianalfabeto,
semiesférico, semiopaco.

3 – Quando o prefixo termina por consoante, usa-se o hífen se o segundo
elemento começar pela mesma consoante.
Exemplos: hiper-requintado, inter-racial, inter-regional, sub-bibliotecário,
super-racista, super-reacionário, super-resistente, super-romântico.

4 – Quando o prefixo termina por consoante, não se usa o hífen se o segundo
elemento começar por vogal.
Exemplos: hiperacidez, hiperativo, interescolar, interestadual, interestelar,
interestudantil, superamigo, superaquecimento, supereconômico,
superexigente, superinteressante, superotimismo.

Acentuação Gráfica
A partir de agora, vamos falar sobre acentuação gráfica, que
também é mais um tópico do programa. Novamente, enfatizarei as regras
novas. Tudo da forma mais clara e objetiva possível. Comecemos assim:

REGRAS GERAIS DE ACENTUAÇÃO GRÁFICA
O propósito delas é sistematizar a leitura das palavras de nossa
língua; assim sendo, baseiam-se na posição da sílaba tônica, no timbre da
vogal, nos padrões prosódicos menos comuns da língua. Em relação aos
vocábulos:
1 – MONOSSÍLABOS TÔNICOS o acento é empregado naqueles
terminados por A(S), E(S) ou O(S)
Ex.: Elas são más. / Pisaram o meu pé. / Ninguém ficará só.
CUIDADO! Quando os prefixos PRÉ e PRÓ vierem separados por hífen, eles
serão acentuados: pré-técnico, pró-labore.
Quando não estiverem, não serão acentuados: pressentir,
prosseguir.
Nas formas verbais terminadas em R, S ou Z e seguidas por
pronomes oblíquos átonos A(s) ou O(S), essas consoantes são suprimidas, as
vogais A, E ou O da terminação verbal recebem acento gráfico e os pronomes
oblíquos átonos A(S) ou O(S) recebem a letra “L”: dar + o = dá-lo; pôs + os =
pô-los; fez + a = fê-la.

2 – OXÍTONOS (a sílaba tônica da palavra é a última) usa-se o acento
quando terminarem em A(S), E(S), O(S), EM, ENS:
Ex.: cajá, cafés, cipó, armazém, armazéns
CUIDADO! Os vocábulos oxítonos terminados por I ou U não serão
acentuados, salvo se estiverem em hiato.
Ex.: Bangu – Grajaú // dividi-lo – construí-lo
3 – PAROXÍTONOS (a sílaba tônica é a penúltima) são acentuados aqueles
que terminam em I(S), US, Ã(S), ÃO(S), UM, UNS, L, N, R, X, PS, DITONGO
ORAL.
Ex.: júri, íris, vírus, ímã, órfãs, órgão, sótãos, médium, álbuns, amável,
abdômen, mártir, látex, bíceps, íon, íons, vôlei, jóquei, história, gênio.
CUIDADO! Não serão acentuados os vocábulos paroxítonos terminados por EM
ou ENS: item, itens, hifens (mas: hífen ou hífenes), polens (mas: pólen ou
pólenes)
Os prefixos paroxítonos terminados por I ou R não serão
acentuados: semi-histórico, super-homem.
4 – PROPAROXÍTONOS (a sílaba tônica é a antepenúltima) todos são
acentuados.
Ex.: histórico, cântico, lâmpada, hífenes, pólenes.

REGRAS ESPECIAIS DE ACENTUAÇÃO GRÁFICA (note as mudanças
introduzidas pelas novas regras)
1 – HIATOS
a) Não se acentua mais a primeira vogal dos hiatos OO, EE.
Ex.: voo, enjoos, creem, deem, leem, veem. (3ª pessoa do plural dos verbos
crer, dar, ler e ver)
ATENÇÃO! De acordo com as novas regras, o acento circunflexo deixa de
existir, mas até 31/12/2012 é possível usá-lo (vôo, crêem etc.).
b) Acentuam-se as vogais I(S) e U(S), quando formam a sílaba tônica e
ocupam a segunda posição do hiato, sozinhas ou acompanhadas de S.
Ex.: saída, saúde, país, baús, incluí-lo.
Compare com mia, via, lua, nua. Nessas palavras, as vogais I e U não ocupam
a segunda posição do hiato, ainda que constituam a sílaba tônica.
CUIDADO! Se as vogais I ou U formarem sílabas com L, M, N, R, Z ou vierem
seguidas de NH, não haverá acento gráfico: pa-ul, ru-im, a-in-da, sa-ir, ju-iz,
ra-i-nha.
Se as vogais I ou U formarem hiato com uma vogal idêntica, não
se usará acento gráfico: xi-i-ta, va-di-i-ce, su-cu-u-ba (nome de uma planta).
O acento só surgirá se a palavra for uma proparoxítona: fri-ís-si-mo.

ATENÇÃO! Conforme as novas regras, se essas vogais surgirem após ditongos
e a palavra for paroxítona, não levarão acento: baiuca, feiura. Ressalto que até
31/12/2012 você decidirá se quer ou não usar o acento: baiúca, feiúra.
Interessante é o que acontece, por exemplo, com o vocábulo
Piauí. Observe que, agora, a vogal tônica I ocupa a última posição, a palavra é
oxítona. Casos como esse não foram atingidos pelas mudanças ortográficas.

2 – DITONGOS
a) EU, EI, OI: deixam de receber acento agudo quanto tônicos, abertos e
como sílabas tônicas de palavras paroxítonas; mas o recebem quando a
palavra for oxítona ou monossílaba tônica.
Ex.: chapéu, assembleia, jiboia, céu, herói.
ATENÇÃO! Ressalto que até 31/12/2012 é facultativo recorrer ao novo Acordo
Ortográfico. Portanto até lá ainda é possível escrever jibóia, assembléia etc.

3 – GUE, GUI e QUE, QUI
a) Diante de E ou I, a letra U que compõe os grupos GUE, GUI e QUE, QUI
receberá trema quando for pronunciada fracamente; sendo, pois, semivogal.
Ex.: agüentar, pingüim, lingüiça, eloqüente, qüinqüênio.
b) A letra U receberá acento agudo quando for pronunciada fortemente;
sendo, pois, vogal.
Ex.: averigúe, apazigúe, argúi, obliqúes.
CUIDADO! Quando a letra U não for pronunciada, não receberá trema nem
acento agudo: quilo, quente, guerra, guincho. O que temos aqui é
simplesmente um dígrafo representado pelas letras “qu” e “gu”.
Diante de A e O, a letra U não receberá trema: água, quota (ou
cota), mesmo sendo semivogal. Mas receberá acento agudo, sendo vogal, em
flexões dos verbos aguar (agúo), apaniguar, apaziguar, apropinquar, averiguar
(averigúo), desaguar, enxaguar, obliquar, delinqüir e afins.
ATENÇÃO! O trema foi abolido pelas novas regras. Também o foi o acento
agudo no U tônico dos grupos verbais mencionados acima (averiguar,
apaziguar, arguir, redarguir, enxaguar e afins). Exemplos: arguo, arguis,
argui, arguem, argua, arguas, arguam, redarguo, averiguo, enxague, oblique.
Repito: até 31/12/2012 estaremos no período de transição, sendo aceitas as
duas formas.

4 – ACENTO DIFERENCIAL (com a vigência das novas regras, foi
abolido, salvo algumas exceções, que estão destacadas abaixo; todavia
o período de transição – que vai até 31/12/2012 – dá-nos a faculdade
quanto ao uso)
Ele tem – eles têm (verbo TER na 3ª pessoa do plural do presente do
indicativo)
Ele vem – eles vêm (verbo VIR na 3ª pessoa do plural do presente do
indicativo)
ATENÇÃO! Repare que as formas TEM e VEM constituem monossílabos tônicos
terminado por EM. Lembre-se de que apenas as terminações A(S), E(S) e O(S)
recebem acento: má, fé, nó. É muito comum as bancas examinadoras
explorarem questões envolvendo esses verbos. Elas relacionam, por exemplo,
um sujeito no singular à forma verbal TÊM (com acento circunflexo mesmo) e
perguntam se a concordância está correta. Obviamente, se a forma verbal
empregada é TÊM, o sujeito deve ser representado por um nome plural. Fique
atento para esse detalhe.
Atente ainda para o fato de o acento circunflexo (diferencial)
não ter sido abolido desses verbos nem de seus derivados. Portanto,
continue a usá-lo.
Ele detém – eles detêm (verbo DETER na 3ª pessoa do plural do presente do
indicativo)
Ele provém – eles provêm (verbo PROVIR na 3ª pessoa do plural do presente
do indicativo)
ATENÇÃO! Agora, a “pegadinha” é outra. As bancas gostam de explorar o
motivo do acento nos pares detém/detêm, mantém/mantêm, provém/provêm,
todos derivados dos verbos TER e VIR. Repare que a forma correspondente à
terceira pessoa do singular recebe acento AGUDO em virtude de ser uma
oxítona terminada por EM. Já a forma correspondente à terceira pessoa do
plural recebe acento CIRCUNFLEXO para diferenciar-se do singular.
Pôde (3ª pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo)
Pode (3ª pessoa do singular do presente do indicativo)
ATENÇÃO! O novo acordo não aboliu o acento diferencial de PÔDE. Você deve
usá-lo.

Pôr (verbo)
Por (preposição)
ATENÇÃO! O novo acordo também não aboliu o acento diferencial de PÔR.
Você deve usá-lo.
Fôrma (substantivo = molde)
Forma (substantivo = disposição exterior de algo)
ATENÇÃO! É facultativo o uso do acento circunflexo para diferenciar as
palavras forma/fôrma. Em alguns casos, o uso do acento deixa a frase mais
clara: Qual é a forma da fôrma do bolo?

Significação Contextual das Palavras
Para você compreender melhor a mensagem transmitida por meio
de um texto, às vezes não é suficiente conhecer o significado isolado das
palavras nele utilizadas. Há momentos em que a interpretação só é possível se
você considerar o contexto em que as palavras estão inseridas. Tenho
percebido que as bancas examinadoras também exploram esse fato em provas
de concursos públicos. Por isso é importante que você estude um pouco de
semântica na sua preparação.
Semântica é a parte da linguística que estuda a significação das
palavras, que pode variar de acordo com o contexto. A palavra GATO, por
exemplo, apresenta diversos significados em um dicionário (considerada
isoladamente): animal mamífero da família dos felídeos; indivíduo esperto;
erro, engano; etc.
Ex.: O cão correu atrás do gato.
O ladrão foi muito ligeiro, e a polícia não conseguiu pegar o gatuno.
A fiscalização flagrou um gato na instalação telefônica do prédio.
Trarei à sua memória alguns conceitos sobre semântica que,
acredite, serão muito úteis na hora de resolvermos questões de prova,
principalmente quando elas tratarem de interpretação de texto.

• Antônimos
São palavras de sentido contrário. Assim como é difícil encontrar
um par perfeito de sinônimos, o mesmo ocorre com os antônimos. Em alguns
casos, é mais adequado falar em graus de antonímia.
Ex.: velho – novo / bom – mau
Um objeto velho, em princípio pode ser o oposto de um objeto
novo. Porém, dizer que um objeto é menos velho, em certos casos, pode ser
equivalente a dizer que ele é mais novo. O que torna relativa a antonímia entre
novo e velho. O mesmo ocorre com o par bom/mau.
O par emigrante – imigrante, aparentemente são antônimos
perfeitos, já que a primeira palavra se refere àqueles que saem de
determinado lugar (cidade, estado, país); e a segunda, àqueles que entram.
Contudo, o emigrante, no momento em que chega a outro lugar, não passa a
ser também, obrigatoriamente, um imigrante?

• Sinônimos
São palavras de sentidos idênticos ou aproximados, que podem ser
substituídas uma pela outra em diferentes contextos. Embora se fale em
palavras sinônimas, também existem frases sinônimas.
Ex.: Você já vacinou seu cão? / Você já vacinou seu cachorro.
Joana é a mulher de Marcelo. / Marcelo é o marido de Joana.
“O uso de palavras sinonímias pode ser de grande utilidade nos
processos de retomada de elementos que inter-relacionam as partes dos
textos.” (Cipro & Neto, 1999:565)
Ex.: Alguns segundos depois, apareceu um menino. Era um garoto magro, de
pernas compridas e finas. Um típico moleque.

• Polissemia
É a propriedade de uma palavra apresentar vários sentidos.
Compare este par de enunciados:
a) Não consigo prender o fio de lã na agulha de tricô.
b) Enrosquei minha pipa no fio daquele poste.
Observe que, nas duas ocorrências da palavra fio, ela apresenta
sentidos diferentes: “fibra”, no primeiro enunciado, e “cabo de metal” no
segundo. Apesar disso, há um sentido comum entre elas: sequência, fiada,
eixo, alinhamento, encadeamento.

• Campo semântico, hiponímia e hiperonímia
Leia o enunciado abaixo:
Comprou um computador, um monitor, um teclado e uma
impressora para o escritório, pois, sem esse equipamento, não conseguiria dar
conta do trabalho.
Palavras como “computador”, “monitor”, “impressora” e “teclado”
apresentam certa familiaridade de sentido pelo fato de pertencerem ao mesmo
campo semântico, ou seja, ao universo da informática. Já a palavra
“equipamento” possui um sentido mais amplo, que engloba todas as outras.
Nesse caso, dizemos que “computador”, “monitor”, “impressora” e “teclado”
são hipônimos de “equipamento”. Por sua vez, “equipamento” é um
hiperônimo das outras palavras.



• Homônimos
São palavras diferentes no sentido, tendo a mesma escrita ou a
mesma pronúncia.
Ex.: são (verbo ser – eles são) / são (saudável) / são (santo); como (advérbio
interrogativo) / como (verbo) homônimos perfeitos;
caçar (apanhar) / cassar (anular); concerto (harmonia) / conserto
(remendo) homônimos homófonos
ele (pronome pessoal) / ele (substantivo, nome da letra L); almoço
(verbo) / almoço (substantivo); sede (vontade de beber) / sede (residência)
homônimos homógrafos

• Parônimos
São palavras diferentes no sentido, na escrita e na pronúncia,
apesar de se assemelharem nos dois últimos aspectos.
Ex.: flagrante (evidente) / fragrante (perfumado)
arrear (por arreios) / arriar (abaixar)
mandado (ordem judicial) / mandato (procuração)
inflação (alta dos preços) / infração (violação)
eminente (elevado) / iminente (prestes a ocorrer)
comprimento (extensão) / cumprimento (saudação)

• Denotação
Em semântica, a denotação de um termo é o objeto ao qual o
mesmo se refere. A palavra tem valor referencial ou denotativo quando é
tomada no seu sentido usual ou literal, isto é, naquele que lhe atribuem os
dicionários; seu sentido é objetivo, explícito, constante. Ela designa ou denota
determinado objeto, referindo-se à realidade palpável.
Ex.: O papel foi rabiscado por todos. (papel: sentido próprio, literal)
A linguagem denotativa é basicamente informativa, ou seja, não
produz emoção ao leitor. É informação bruta com o único objetivo de informar.
É a forma de linguagem que lemos em jornais, bulas de remédios, em um
manual de instruções etc.

• Conotação
Além do sentido referencial, literal, cada palavra remete a
inúmeros outros sentidos, virtuais, conotativos, que são apenas sugeridos,
evocando outras ideias associadas, de ordem abstrata, subjetiva.
Conotação é, pois, o emprego de uma palavra tomada em um
sentido incomum, figurado, circunstancial, que depende sempre de contexto. A
linguagem conotativa não é exclusiva da literatura, ela é empregada em letras
de música, anúncios publicitários, conversas do dia-a-dia, etc.
Ex.: “Declarou-lhes, pois, Jesus: Eu sou o pão da vida; o que vem a mim
jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede”. (João 6:35)

Pois bem, prezado aluno, que tal você colocar em prática tudo isso
que aprendeu e resolver algumas questões de provas anteriores?
Lembre-se sempre de que o novo Acordo Ortográfico está em vigor
e que a Academia Brasileira de Letras já lançou oficialmente o novo VOLP.
Portanto nada impede que a banca examinadora exija de você conhecimentos
a respeito dele.
[...]

1. (Cespe/EBC/Cargos de Nível Superior/2011) Na linha 26, “por que”
poderia, sem prejuízo para a correção gramatical, ser grafado porque,
em razão de estar empregado como conjunção causal, tal como ocorre em
“mas o mandamento de agir unicamente porque se trata de um dever”
(L.31-32).
Comentário – Questão muito fácil. Você nem precisa ter o trabalho de
analisar tudo o que a banca propôs. De acordo com o que foi explicado sobre o
assunto, jamais a expressão por que (com separação; equivale-se a pela
qual, no caso sob análise) poderá ser substituída corretamente pela expressão
porque (sem separação; conjunção causal ou explicativa, dependendo do
caso). O texto é até dispensável. Assim, você não desperdiça tempo durante
uma prova.
Resposta – Item errado.

2. (Cespe/EBC/Cargos de Nível Superior/2011)
[...]

[...]
No período “Parece que sim, porque (...) receberão efeitos.” (l.11-16), a
substituição do ponto final por ponto de interrogação manteria a coerência
do texto, mas, nesse caso, de acordo com a prescrição gramatical, o
vocábulo “porque” deveria ser grafado como por que.
Comentário – A forma porque serve para introduzir uma explicação ou causa
de um acontecimento. No texto sob análise, o enunciador apresenta uma
justificativa para se considerar importante o que foi declarado anteriormente.
Já a forma por que, associada a um ponto de interrogação e no início de
orações interrogativas diretas ou indiretas, deve ser escrita separadamente e
sem acento. No entanto, estaria prejudicada à coerência textual. No trecho não
cabe uma pergunta, mas sim a apresentação de um motivo que justifique
aquela importância.
Resposta – Item errado.

[...]
22 Os grandes líderes de mercado parecem ainda ter
dificuldade para entender o que está acontecendo de fato. O
discurso e a prática dessas empresas ainda estão baseados em
25 modelos ultrapassados, que veem os custos ainda da maneira
tradicional, deixando as externalidades para a sociedade.
E mais, não são apenas os grandes líderes do setor
28 privado que demonstram essa dificuldade. Uma manchete
recente em um grande jornal diário mostra que pesquisadores
e jornalistas também não entenderam as oportunidades que
31 estão surgindo a partir das transformações que estamos
vivendo. Eis o título da matéria: “Só estagnação econômica
pode reduzir aquecimento global, diz estudo”.
[...]
Ricardo Young. Mudanças no consumo. In: CartaCapital,
26/2/2010. Internet: <www.cartacapital.com.br> (com adaptações).
3. (Cespe/AGU/Administrador/2010) O trecho “a partir das” (l.31) poderia
ser substituído, sem prejuízo sintático ou semântico ao texto, por um dos
termos a seguir: por razão das, em consequência das, com as.
Comentário – De acordo com o texto, “as oportunidades” (l. 30) são o efeito
das “transformações que estamos vivendo” (l. 31-32). Essa ideia é corroborada
pela expressão “a partir das”, que ajuda a expressar essa noção de causa (ou
motivo, razão) e consequência (ou efeito). Não há prejuízo sintático ou
semântico ao texto devido às mudanças propostas. Vamos reescrever a
passagem e tirar a dúvida:
– “...pesquisadores e jornalistas também não entenderam as
oportunidades que estão surgindo por razão das transformações que estamos
vivendo.”
– “...pesquisadores e jornalistas também não entenderam as
oportunidades que estão surgindo em consequência das transformações que
estamos vivendo.”
– “...pesquisadores e jornalistas também não entenderam as
oportunidades que estão surgindo com as transformações que estamos
vivendo.”
Resposta – Item certo.

4. (Cespe/AGU/Administrador/2010) Na linha 22, o deslocamento do
vocábulo “ainda” para imediatamente antes da forma verbal “parecem” —
ainda parecem — alteraria a ideia original do vocábulo substituído, que
passaria a significar também.
Comentário – O significado do vocábulo “ainda” é o mesmo; ele não se altera
por causa da mudança proposta pela banca. A ideia, já presente no texto
original, é de continuidade (noção de tempo), e não de inclusão. O período
seguinte fortalece essa ideia:
“O discurso e a prática dessas empresas ainda estão baseados
em modelos ultrapassados, que veem os custos ainda da
maneira tradicional, deixando as externalidades para a
sociedade” (l. 23-26).
Resposta – Item errado.


[...]
5. (Cespe/STJ/Analista Judiciário/Área Judiciária/2012) O vocábulo “epígrafe”
(L.2) significa inscrição sobre a lápide de túmulos ou sobre
monumentos funerários e é usado no texto como metáfora tanto da
materialidade tumular da biblioteca de Alexandria, quanto do tempo
decorrido desde sua existência até o presente.
Comentário – A palavra “epígrafe” pode ser entendida metaforicamente no
contexto como algo que, à semelhança de um título, frase ou texto no início de
um livro, conto, capítulo ou poema, resume seu sentido, expressa sua
motivação, apresenta sua temática.
O que o examinador disse tem a ver com a palavra epitáfio.
Resposta – Item errado.

6. (Cespe/Correios/Agente de Correios/2011 – adaptada) Na opção a seguir,
é apresentado trecho adaptado de texto extraído do sítio dos Correios na
Internet. Julgue-a quanto à correção gramatical.
O progresso comercial advindo da chegada da família real no novo mundo
abriu caminhos afim de que o serviço postal se desenvolvesse. Esse fato
permitiu a elaboração do primeiro Regulamento Postal do Brasil, o
funcionamento regular dos Correios Marítimos e a emissão de novos
decretos que criassem os Correios Interiores.
Comentário – Repara na expressão “afim de”, usada para exprimir finalidade,
propósito, intento. Nesse sentido, a grafia correta é separada: a fim de.
Resposta – Item errado.

[...]
O planejamento caiu em descrédito com a queda do
16 Muro de Berlim, a implosão da União Soviética e a
contrarreforma neoliberal baseada no mito dos mercados que
se autorregulam. Seria ingênuo pensar que esse mito
19 desapareceu com a recente crise, mas, que ele está mal das
pernas, está. Chegou, portanto, o momento de reabilitar e
atualizar o planejamento. Até Jeffrey Sachs — diretor do Earth
22 Institute, da Columbia University, em Nova Iorque, e
conselheiro do secretário-geral das Nações Unidas —
pronuncia-se em favor de um planejamento flexível a longo
25 prazo, voltado para o enfrentamento dos três desafios
simultâneos da segurança energética, segurança alimentar e
redução da pobreza, buscando uma cooperação tripartite entre
28 os setores público e privado e a sociedade civil.
[...]
34 O fenomenal crescimento da economia mundial no
decorrer dos dois últimos séculos, baseado no uso das energias
fósseis, provocou um aquecimento global de consequências
37 deletérias e, em parte, irreversíveis. Seria, no entanto, um erro
considerar que o clima é a bola da vez e as urgências sociais
podem esperar. Em 2007, existiam, no Brasil, 10,7 milhões de
40 indigentes e 46,3 milhões de pobres. E, enquanto os latifúndios
de mais de mil hectares — 3% do total das propriedades rurais
do Brasil — ocupam 57% das terras agriculturáveis,
43 4,8 milhões de famílias sem-terra estão à espera do chão para
plantar.
[...]
Ignacy Sachs. Voltando ao planejamento.
Internet: <www.envolverde.com.br.> (com adaptações).
7. (Cespe/Aneel/Cargos de Nível Superior/2010) O sentido da expressão
“mal das pernas” (l.19-20), característica da oralidade, seria prejudicado
caso se substituísse “mal” por mau.
Comentário – Em linguagem figurada, a expressão nos comunica que o “mito
dos mercados que se autorregulam” está desacreditado, já não produz o
mesmo efeito, sua sustentabilidade está abalada, enfraquecida.
O vocábulo “mal”, no contexto, é o contrário de bem
(advérbio) e não pode ser trocado por mau, antônimo de bom (adjetivo).
Resposta – Item certo.

8. (Cespe/Aneel/Cargos de Nível Superior/2010) O termo “consequências
deletérias” (l.36-37) significa resultados que não podem ser
apagados, alterados.
Comentário – Não adianta resmungar. Tem hora que o examinador abre o
dicionário e de lá retira uma palavra (que quase ninguém usa) para montar
uma questão de prova. Literalmente, o adjetivo deletério significa algo que
prejudica a saúde, é insalubre; que destrói, causa dano. Figuradamente, indica
aquilo que corrompe, que é degradante.
Resposta – Item errado.

1 O poder político é produto de uma convenção, não
da natureza, como postulava Aristóteles, e nasce juntamente
com a sociedade, quando os homens decidem abrir mão de
4 toda a sua liberdade natural, a fim de protegerem os seus
direitos naturais, consubstanciados na propriedade, na vida,
na liberdade e em outros bens. Mesmo antes do estado de
7 sociedade, o homem não é um ente isolado, avesso ao
contato com outras pessoas. De um lado, a sociedade
conjugal tem o escopo de possibilitar a perpetuação da
10 espécie. De outro lado, a sociedade política visa à
preservação da propriedade.
[...]
Daniela Romanelli da Silva. Poder, constituição e voto. In: Filosofia,
ciência & vida. Ano III, nº 27, p. 40-1 (com adaptações).
9. (Cespe/Anatel/Nível Superior/2009) A organização do texto permite a
substituição da expressão “ao contato” (l.7-8) por à convivência, sem
prejuízo para a coerência entre os argumentos e para a correção
gramatical.
Comentário – A palavra “contato” foi empregada figuradamente para indicar
relação de proximidade, relacionamento contínuo, coexistência, mesmo
significado que “convivência”.
Resposta – Item certo.

10. (Cespe/Anatel/Nível Superior/2009) Na linha 3, a argumentação do texto
mostra que “a sociedade” e “os homens” podem ser considerados, em
significação conotativa, como sinônimos textuais; por isso, a troca de
posição entre esses dois termos preservaria a coerência e a correção
gramatical do texto.
Comentário – Não se deixe levar pelo “canto da sereia”. Esse jogo de
palavras tem a finalidade de distraí-lo. Vá ao texto e troque os dois termos de
posição: “...e nasce juntamente com os homens, quando a sociedade
decidem...”. Apesar de os dois termos serem sinônimos textuais e de estarem
empregados em sentido conotativo (a “sociedade” não nasce literalmente e
“homens” não representa apenas seres do sexo masculino), a troca causa
prejuízo à correção gramatical do texto, pois desfaz-se a concordância entre o
verbo “decidem” e o sujeito correspondente.
Resposta – Item errado.

1 Com um alto grau de urbanização, o Brasil já
apresenta cerca de 80% da população nas cidades, mas,
como advertem estudiosos do assunto, o país ainda tem
4 muito a aprender sobre crescimento e planejamento urbanos.
[...]
o alerta: onde morar em metrópoles? É melhor optar por uma
28 casa ou um apartamento o mais distante possível — a dois
quarteirões, no mínimo — das ruas e avenidas mais
movimentadas. [...]
Gazeta do Povo (PR), 8/1/2009 (com adaptações).
11. (Cespe/Detran-DF/Analista/2009) A substituição de “cerca de” (l.2) por
acerca de manteria a correção gramatical do período.
Comentário – Cerca de e acerca de são locuções prepositivas, mas elas não
devem ser confundidas. A primeira é usada para indicar quantidade
aproximada; a segunda equivale-se à preposição sobre.
Resposta – Item errado.

12. (Cespe/Detran-DF/Analista/2009) Manteria a correção gramatical e o
sentido do texto a inserção de há dois quarteirões no lugar de “a dois
quarteirões” (l.28-29).
Comentário – A forma verbal “há”, nesse contexto, causaria incoerência, visto
que indicaria a existência de dois quarteirões. Não é isso o que se pretende
dizer no texto. O autor pretende indicar a distância mínima da localização do
imóvel. Nesse sentido, o vocábulo adequado é “a”.
Resposta – Item errado.

[...] Tendo como principal propósito a
13 interligação das distantes e isoladas províncias com vistas à
constituição de uma nação-Estado verdadeiramente
unificada, esses pioneiros da promoção dos transportes no
16 país explicitavam firmemente a sua crença de que o
crescimento era enormemente inibido pela ausência de um
sistema nacional de comunicações e de que o
19 desenvolvimento dos transportes constituía um fator crucial
para o alargamento da base econômica do país. [...]
Olímpio J. de Arroxelas Galvão. In: Internet: <www.ipea.gov.br> (com adaptações).
13. (Cespe/Detran-DF/Analista/2009) A palavra “crucial” (l.19) está sendo
empregada com o sentido de árduo, difícil.
Comentário – Cuidado com as aparências. Em se tratando de significação
contextual de palavras e expressões, a melhor coisa que você deve fazer é ir
ao texto. O adjetivo crucial pode realmente ser utilizado para caracterizar algo
árduo, difícil, espinhoso: Deixar a casa paterna foi uma decisão crucial. Mas,
no texto em que surge, ele expressa a importância para que algo aconteça,
ocorra, ou exista; é o mesmo que capita; essência; fundamental.
Resposta – Item errado.

1 No mundo moderno em que vivemos, é certamente
difícil reconstituir as sensações, as impressões que tiveram os
primeiros homens em contato com a natureza. [...]
José Leite Lopes. Tempo = espaço = matéria. In: Adauto Novaes (Org.). Tempo e
História. São Paulo: Companhia das Letras, 1996, p. 167 (com adaptações).
14. (Cespe/Antaq/Especialista – Economia/2009) No desenvolvimento da
textualidade, a substituição do trecho “em que vivemos” (l.1) por no qual
vivemos ou por onde vivemos não acarreta prejuízo para a coerência
nem para a correção gramatical do texto.
Comentário – A ênfase aqui será dada ao emprego de onde, que é usado
com verbo estático (“vivem”) que pede a preposição em; na língua
portuguesa não existe a suposta contração nonde, supostamente indicada por
em + onde.
O pronome relativo que pode ser substituído por o/a qual.
Logo, a forma em que pode ser trocado pela forma no/na qual, conforme o
caso.
Resposta – Item certo.

1 Nossos projetos de vida dependem muito do futuro
do país no qual vivemos. E o futuro de um país não é
obra do acaso ou da fatalidade. Uma nação se constrói.
4 E constrói-se no meio de embates muito intensos — e, às
vezes, até violentos — entre grupos com visões de futuro,
concepções de desenvolvimento e interesses distintos e
7 conflitantes.
[...]
Plínio Arruda Sampaio. O Brasil em construção. In: Márcia Kupstas (Org.). Identidade
nacional em debate. São Paulo: Moderna, 1997, p. 27-9 (com adaptações).
15. (Cespe/MJ-DPF/Agente/2009) Na linha 2, mantendo-se a correção
gramatical do texto, pode-se empregar em que ou onde em lugar de “no
qual”.
Comentário – Esta foi só para confirmar o que eu disse anteriormente e como
o Cespe, volta e meia, explora o emprego dessas expressões. Quando
tratarmos de pronomes, falaremos mais sobre o uso dos relativos.
Resposta – Item certo.

[...]
A coisa é mais complicada na modernidade, em que
10 os cidadãos comuns (como você e eu) são a fonte de toda
autoridade jurídica e moral. [...]
16. (Cespe/PF/Agente/2012) Suprimindo-se o emprego de termos
característicos da linguagem informal, como o da palavra “coisa” (l.9) e o
do trecho “(como você e eu)” (l.10), o primeiro período do segundo
parágrafo poderia ser reescrito, com correção gramatical, da seguinte
forma: Essa prática social apresenta-se mais complexa na
modernidade, onde a autoridade jurídica e moral submete-se à
opinião pública.
Comentário – O que pretendo demonstrar com esta questão é o uso
inadequado do vocábulo onde. Ele deve ser empregado para substituir termo
que designe lugar, não uma situação, um conceito etc. Observe que na
reescritura o termo substituído é “modernidade”, que não expressão sentido de
lugar.
Resposta – Item errado.

17. (Cespe/MRE–IRBr/Bolsas-Prêmio/2009) As palavras “líderes”,
“empréstimo”, “Econômico” e “públicas” recebem acento gráfico com base
na mesma justificativa gramatical.
Comentário – Sim, todas são proparoxítonas.
Resposta – Item certo.

18. (Cespe/TRE-ES/Técnico/Operação de Computadores/2011) As palavras
“catástrofe” e “climática” recebem acento gráfico com base em
justificativas gramaticais diferentes.
Comentário – A justificativa é uma só. Ambas são palavras proparoxítonas e
devem ser acentuadas por isso.
Resposta – Item errado.

O protocolo de adesão, assinado em julho de 2006,
ainda precisa ser aprovado pelo Senado para entrar em vigor.
7 Os congressos do Uruguai, da Argentina e da própria
Venezuela já votaram pela entrada do país no MERCOSUL.
Apenas o Paraguai e o Brasil ainda não chancelaram o
10 acordo. [...]
Maria Clara Cabral. Folha de S.Paulo,18/12/2008.
19. (Cespe/MRE–IRBr/Bolsas-Prêmio/2009) A palavra “chancelaram” (l.9) está
sendo empregada com o sentido de sancionaram.
Comentário – Sim, ela significa dar aprovação ou aceitação a; confirmar,
ratificar; aprovar; sancionar: O presidente chancelou a proposta do ministro.
Resposta – Item certo.

Canção do Ver (fragmento)
1 Por viver muitos anos
dentro do mato
Moda ave
4 O menino pegou
um olhar de pássaro –
Contraiu visão fontana.
7 Por forma que ele enxergava
as coisas
Por igual
10 como os pássaros enxergam.
As coisas todas inominadas.
Água não era ainda a palavra água.
13 Pedra não era ainda a palavra pedra. E tal.
As palavras eram livres de gramáticas e
Podiam ficar em qualquer posição.
16 Por forma que o menino podia inaugurar.
Podia dar às pedras costumes de flor.
Podia dar ao canto formato de sol.
19 E, se quisesse caber em uma abelha, era só abrir a
[palavra abelha e entrar dentro dela.
Como se fosse infância da língua.
Manoel de Barros. Poemas rupestres. Rio de Janeiro: Record, 2004.
20. (Cespe/MRE-IRBr/Diplomata/2009) A respeito do vocabulário do texto
acima, assinale a opção incorreta.
a) “Moda” (v.3) significa conjunto de opiniões, gostos e apreciações críticas,
assim como modos de agir, viver e sentir coletivos, aceitos por
determinado grupo humano em um dado momento histórico.
b) O sentido do vocábulo “Contraiu” (v.6) restringe as possibilidades
semânticas de “pegou” (v.4).
c) Na expressão “visão fontana” (v.6), o vocábulo sublinhado, adjetivo
derivado de fonte, foi metaforicamente empregado com sentido de
originário, gerador, causal, seminal.
d) Em “As palavras eram livres de gramáticas” (v.14), o vocábulo sublinhado
alude a regras gramaticais.
e) O vocábulo “posição” (v.15) refere-se à sintaxe, entendida como
disposição harmoniosa de partes ou elementos da frase.
Comentário – Mais uma vez quero frisar que o contexto não deve ser
desprezado durante a resolução de questões sobre o significado de palavras.
No texto, a expressão “Moda ave” significa maneira ou modo distinto e peculiar
como o menino vivia: de acordo com os hábitos de uma ave.
O contato com vários alunos me fez perceber que muitos
ficaram com dúvida em relação ao item “b”. Esclareço que o verbo pegar
admite a ideia de um agente desencadeador da ação, sendo ele mesmo o
responsável por ela. O verbo contrair sugere um sujeito paciente, alguém que
é acometido de algo (independentemente da sua vontade). Este é o sentido no
texto.
Resposta – A

A diferença na linguagem
1 “Para os gramáticos, a arte da palavra quase se esgota na
arte da escrita, o que se vê ainda pelo uso que fazem dos
acentos, muitos dos quais fazem alguma distinção ou evitam
4 algum equívoco para os olhos mas não para os ouvidos.”
Neste texto Rousseau nos sugere que, para ler bem, é preciso
prestar ouvidos à voz original, adivinhar as diferenças de
7 acento que a articulam e que se tornaram imperceptíveis no
espaço homogêneo da escrita. Na leitura, o olho treinado do
Gramático ou do Lógico deve subordinar-se a um ouvido
10 atento à melodia que dá vida aos signos: estar surdo à
modulação da voz significa estar cego às modalidades do
sentido. Na oposição que o texto faz entre a arte de falar e a
13 arte de escrever, podemos encontrar não apenas as razões da
desqualificação da concepção gramatical da linguagem, mas
também a indicação do estatuto que Rousseau confere à
16 linguagem. O que é importante notar aqui é que a oposição
entre falar e escrever não se funda mais na oposição entre
presença e ausência: não é a ausência do sujeito falante que
19 desqualifica a escrita, mas a atonia ou a homogeneidade dos
signos visuais. Se a essência da linguagem escapa à
Gramática, é porque esta desdobra a linguagem num elemento
22 essencialmente homogêneo.
Bento Prado Jr. A retórica de Rousseau. São Paulo: Cosac Naify, 2008, p. 129-130.
21. (Cespe/MRE/IRBr/Diplomata/2009) Com relação às ideias do texto 3,
julgue (C ou E) o item a seguir.
A palavra “acentos” (l.3) refere-se a sinais gráficos, ao passo que “acento”
(l.7) designa qualidades como inflexão ou modulação.
Comentário – Esta questão é para você constatar como o Cespe
recentemente cobrou noções de polissemia em uma de suas provas. Creio que
não é difícil perceber os sentidos das palavras destacadas, mas é bom ficar
atento e não se deixar levar pelas “aparências”.
Na linha 3, a palavra “acentos” se refere a sinais gráficos
(como acento circunflexo, agudo, til, grave etc.) usados para marcar, por
exemplo, nasalização, diferença entre plural e singular (têm/tem) entre classes
de palavras (preposição por, verbo pôr), fusão de sons iguais etc.
Na linha 7, a palavra "acento" se refere ao timbre, à
pronúncia tônica ou átona, à melodia e ao ritmo, aspectos que não são visuais,
e sim audíveis, não se identificam por meio dos sinais gráficos.
Resposta – Item certo.

22. (CESPE/MRE/IRBr/Diplomata/2009 – adaptada) Com relação às ideias e
aos aspectos gramaticais do texto, julgue as opções abaixo.
a) O uso recorrente de vocábulos pertencentes aos campos semânticos da
visão e da audição prejudica a coerência e a coesão do texto.
b) É a mesma a justificativa para o uso de inicial maiúscula em “Gramático”
(l.9) e em Gramática (l.21).
Comentário – Alternativa A: é o contrário! Pela afinidade de sentidos
existente entre elas, as palavras do mesmo campo semântico contribuem com
a coerência e a coesão do texto.
Alternativa B: os motivos são diferentes. Na linha 9, o termo
designa o profissional; na linha 21; designa o nome de uma disciplina, uma
área do conhecimento.
Lemos em Cegalla (Novíssima gramática da Língua
Portuguesa, 2008, página 66) que o emprego de iniciais maiúsculas é
facultativo nos dois casos (repare como a mesma palavra surgiu na linha 1). O
autor nos dá os seguintes exemplos: Doutor Paulo ou doutor Paulo; Professor
Renato ou professor Renato; Matemática ou matemática.
Resposta – Itens errados.

Receita – 96:924$985
1 No orçamento do ano passado houve supressão de
várias taxas que existiam em 1928. A receita, entretanto,
calculada em 68:850$000, atingiu 96:924$985.
4 E não empreguei rigores excessivos. Fiz apenas
isto: extingui favores largamente concedidos a pessoas que
não precisavam deles e pus termo às extorsões que afligiam
7 os matutos de pequeno valor, ordinariamente raspados,
escorchados, esbrugados pelos exatores.
[...]
Graciliano Ramos. 2.º relatório ao sr. governador Álvaro Paes pelo prefeito do
município de Palmeira dos Índios. In: Relatórios Graciliano Ramos.
Record/Fundação de Cultura de Recife, 1994, p. 51.
23. (Cespe/Sefaz-AC/Fiscal da Receita Estadual/2009) Considerando os
sentidos e aspectos gramaticais do texto, julgue a opção abaixo.
A expressão explorados pelos cobradores de impostos, embora
menos enfática, é coerente com o sentido geral do trecho “ raspados,
escorchados, esbrugados pelos exatores” (l.7-8).
Comentário – Para acertar esta questão, você precisa saber (ou pelo menos
“perceber”) o significado das seguintes palavras:
a) “raspados” – deixados sem nada, furtados, roubados;
b) “escorchados” – diz-se de quem foi explorado (O fiscal
corrupto tinha até uma lista dos comerciantes
escorchados.);
c) “esbrugados” – que está sem carnes, descarnado (Osso
esbrugado.); figuradamente, diz-se de quem ficou sem
nada, sem nenhum recurso, foi exposto totalmente;
d) “exatores” – cobrador de impostos.
Resposta – Item certo.

[...]
10 A declaração não previu que o desenvolvimento
capitalista chegasse à sua atual etapa de globalização e de
capitais voláteis, especulativos, que, sem controle, entram e
13 saem de diferentes países, gerando instabilidade permanente
nas economias periféricas. [...]
Francisco Alencar. Para humanizar o bicho homem. In: Francisco Alencar (Org.).
Direitos mais humanos. Brasília: Garamond, 2006. p. 17-31 (com adaptações).
24. (Cespe/TRT-21ª Região/Analista Judiciário/2011) Preservam-se a correção
gramatical e o sentido original do texto ao se substituir “sem controle” (l.
12) por aleatoriamente.
Comentário – Não, pois aleatoriamente tem a ver com o acaso, com fatores
incertos ou acidentais; que ocorrem fortuita ou casualmente. Essa ideia
afasta-se do sentido original, que transmite a noção de uma situação
repetitiva, sistemática, mas sem sofrer qualquer tipo de controle ou gerência.
Resposta – Item errado.
25. (Cespe/MPS/Análise de Comprovantes/2010) As palavras “últimas”,
“trânsito”, “econômica” e “contribuírem” recebem acento gráfico por
serem proparoxítonas.
Comentário – São proparoxítonas apenas “últimas”, “trânsito” e “econômica”.
A palavra “contribuírem” é paroxítona e é acentuada porque:
a) a letra I representa a segunda vogal do hiato formado
com a vogal representada pela letra U,
b) ela (a letra I) representa a sílaba tônica da palavra e
c) está só na sílaba.
Resposta – Item errado.

26. (Cespe/TRE-ES/Técnico/Operação de Computadores/2011) Em
“contribuíram”, o emprego do acento gráfico justifica-se pela presença de
ditongo em sílaba tônica.
Comentário – Então, o que achou? A explicação da acentuação da palavra
“contribuírem” (questão acima) serve perfeitamente para a acentuação da
palavra contribuíram.
Resposta – Item errado.

27. (Cespe/SEDU-ES/Agente de Suporte Educacional/2010) As palavras
“metrópoles”, “acúmulo”, “inúmeros” e “mínimas” recebem acento gráfico
com base em justificativas gramaticais diferentes.
Comentário – Todas as palavras são proparoxítonas, sendo acentuadas por
esse motivo.
Resposta – Item errado.

28. (Cespe/TCU/Auditor Federal de Controle Externo/2010) O uso das letras
iniciais maiúsculas em "Império Romano", "Cristianismo" e "Revolução
Francesa" são exemplos de que substantivo usado para designar ente
singular deve ser grafado com inicial maiúscula, como, por exemplo, Lei
nº 8.888/1998.
Comentário – Além de sempre usada no início de períodos, nos títulos de
obras artísticas ou técnico-científicas, a letra maiúscula (caixa alta) é
convencionalmente usada na grafia de substantivos singulares para indicar
deferência e, ainda, nos casos abaixo:
• nomes, sobrenomes (José Ferreira) e cognomes (Ivan, o Terrível) das
pessoas;
• alcunhas (Sete Dedos); pseudônimos (Joãozinho Trinta); de nomes
dinásticos (os Médici);
• topônimos (Brasília, Paris);
• regiões (Nordeste, Sul);
• nomes de instituições culturais, profissionais e de empresa (Fundação
Getúlio Vargas, Associação Brasileira de Jornalistas, Lojas Americanas);
• nome de divisão e de subdivisão das Forças Armadas (Marinha, Polícia
Militar);
• nome de período e de episódio histórico (Idade Média, Estado Novo);
• nome de festividade ou de comemoração cívica (Natal, Quinze de
Novembro);
• designação de nação política organizada, de conjunto de poderes ou de
unidades da Federação (golpe de Estado, Estado de São Paulo);
• nome de pontos cardeais (Sul, Norte, Leste, Oeste);
• nome de zona geoeconômica e de designações de ordem geográfica ou
político-administrativa (Agreste, Zona da Mata, Triângulo Mineiro);
• nome de logradouros e de endereço (Av. Rui Barbosa, Rua Cesário
Alvim);
• nome de edifício, de monumento e de estabelecimento público (edifício
Life Center, Estádio do Maracanã, Aeroporto de Cumbica, Igreja da Sé);
• nome de imposto e de taxa (Imposto de Renda);
• nome de corpo celeste, quando designativo astronômico (“A Terra gira
em torno do Sol”);
• nome de documento ao qual se integra um nome próprio (Lei Áurea, Lei
Afonso Arinos).
Resposta – Item certo.

29. (Cespe/CEF/Arquiteto/2010) Os vocábulos “políticas”, “desperdício” e
“carcerária” recebem acento gráfico com base na mesma regra de
acentuação.
Comentário – O vocábulo “políticas” é acentuado por ser proparoxítono; mas
“desperdício” e “carcerária” recebem acento por serem palavras paroxítonas
finalizadas em ditongo oral.
Resposta – Item errado.

30. (Cespe/TRT-21ª Região/Analista Judiciário/2011) O emprego de acento
gráfico no vocábulo “barbárie” deve-se à mesma regra que se observa no
emprego de acento em “caleidoscópio”.
Comentário – Sim, o emprego do acento em ambas as palavras justifica-se
porque elas são paroxítonas terminadas em ditongo oral.
Resposta – Item certo.

31. (Cespe/STM/Técnico Judiciário/2011) A regra de acentuação gráfica que
justifica o emprego do acento gráfico em “aeroportuário” é a mesma que
justifica o emprego do acento em “meteorológica”.
-ria; a segunda é proparoxítona: me-te-o-ro-ló-gi-ca.
Resposta – Item errado.

32. (Cespe/PC-ES/Cargos de Nível Superior/2011) Os vocábulos "espécies",
"difíceis" e "históricas" são acentuados de acordo com a mesma regra de
acentuação gráfica.
Comentário – As duas primeiras são paroxítonas terminadas em ditongo oral:
es-pé-cies, di-fí-ceis. A última, entretanto, é proparoxítona: his-tó-ri-cas.
Resposta – Item errado.

33. (Cespe/EBC/Cargos de Nível Superior/2011) Levando-se em consideração
o que está previsto na ortografia oficial vigente, é correto afirmar que: o
vocábulo “têxtil” (L.2), que segue o padrão de flexão do vocábulo pênsil,
é acentuado também na forma plural; “obsolescência” (L.12) é vocábulo
que segue o padrão do vocábulo ciência, no que se refere ao emprego de
sinal de acentuação; a acentuação gráfica do vocábulo “déspotas” (L.18)
também é empregada quando o vocábulo é grafado na forma singular.
Comentário – Vamos com calma! Os vocábulos têxtil e pênsil pluralizam-se
assim, respectivamente: têxteis e pênseis. A terminação átona
–il dá lugar à terminação –eis. Não confunda com a terminação tônica: funil
> funis, em que o –l dá lugar ao –s. No singular, o acento circunflexo em
têxtil e pênsil ocorre porque as palavras são paroxítonas terminadas em L.
No plural, o acento permanece porque as palavras são paroxítonas terminadas
em ditongo oral.
As palavras obsolescência e ciência também recebem acento
porque são paroxítonas terminadas em ditongo oral: ob-so-les-cên-cia,
ci-ên-cia.
Déspota(s) recebe acento por ser proparoxítona (todas são
acentuadas, independentemente de estarem no singular ou no plural).
Resposta – Item certo.

34. (Cespe/Serpro/Técnico – Operação de Redes/2010) No trecho “O episódio
colocou em xeque a viabilidade do modelo”, a palavra “xeque” poderia
ser, facultativamente, grafada da seguinte forma: cheque. Nesse caso,
seriam mantidos a correção gramatical do texto e seu sentido original.
Comentário – Também existe no léxico da nossa Língua a palavra cheque, o
seu significado nada tem a ver com xeque. Entenda:
– cheque: documento fornecido por um banco a quem nele
tem conta, que equivale a dinheiro, uma vez preenchido com determinada
quantia e assinado pelo titular da conta.
– xeque (conforme usado no trecho): situação que representa
ameaça, perigo, risco, contratempo, transtorno: A paz está em xeque.
Resposta – Item errado.

35. (Cespe/DPU/Técnico em Assuntos Educacionais/2010)
[...] e sendo cada vez mais urgente a tomada de decisões em tempo
recorde [...]
O vocábulo “recorde” também poderia ser corretamente grafado com
acento – récorde.
Comentário – Existem inúmeras palavras que são proferidas erroneamente
por pessoas menos familiarizadas com a norma linguística – são casos de
silabadas. O conhecimento do que está na tabela abaixo evitará que esses
equívocos aconteçam.

Oxítonas Paroxítonas Proparoxítonas
Cateter austero ádvena
Cister avaro aeródromo
Condor aziago aerólito
Gibraltar batavo édito (ordem judicial)
Hangar ciclope elétrodo
Masseter edito (lei, decreto) ínterim
Mister filantropo lêvedo
Negus fortuito arquétipo
Nobel gratuito aríete
Novel ibero crisântemo
Obus látex hieróglifo
Oximel maquinaria ímprobo
Ureter misantropo lúgubre
necromancia munícipe
rubrica notívago (ou noctívago)
nenúfar protótipo
pudico recôndito
recorde trânsfuga
vermífugo
zênite
Resposta – Item errado.

36. (Cespe/Inca/Técnico em Análise Clínica/2010)
[...] Criada em 1983 pela doutora Zilda Arns, a Pastoral da Criança
monitora atualmente cerca de 2 milhões de crianças de até 6 anos de
idade e 80 mil gestantes [...]
Mantém-se a correção gramatical do período ao se substituir “cerca de”
por acerca de.
Comentário – Cerca de e acerca de são locuções prepositivas, mas elas não
devem ser confundidas. A primeira é usada para indicar quantidade
aproximada; a segunda equivale-se à preposição sobre e à locução prepositiva
a respeito de.
Resposta – Item errado.

37. (Cespe/Inca/Técnico em Análise Clínica/2010) As palavras “Único”,
“críticas” e “público” recebem acento gráfico porque têm sílaba tônica na
antepenúltima sílaba.
Comentário – Sim, a sílaba tônica delas é a antepenúltima, outra maneira de
dizer que são proparoxítonas.
Resposta – Item certo.

38. (Cespe/Ibama/Analista Ambiental/2010) As palavras “amazônico” e
“viúva” acentuam-se de acordo com a mesma regra de acentuação
gráfica.
Comentário – Não. A primeira é acentuada porque é uma proparoxítona; a
segunda se enquadra na regra do hiato: letra I o U representando a segunda
vogal do hiato, constituindo a sílaba tônica da palavra e estando só ou
acompanhada de S (país, saúde, Grajaú etc.).
Resposta – Item errado.

39. (Cespe/Ibama/Analista Ambiental/2010) Estaria de acordo com o que
estabelece a prescrição gramatical para textos escritos no nível formal da
linguagem, tais como documentos oficiais, a substituição da expressão
“dali para a frente” por dali pra frente.
Comentário – A forma pra representa uma variação linguística conhecida
como linguagem informal ou popular, que não tem aceitação em documentos
oficiais, justamente por se distanciar da norma gramatical. Abaixo há um
quadro que assinala a diferença entre a variação padrão (formal, culta) e a não
padrão (informal ou popular) por meio de outros exemplos:
FORMAL INFORMAL
Está Tá
Falar Falá
Queijo Quejo
Vamos Vamo
Vou Vô
Regência do verbo visar Ele visa o bem público. (deveria ser ao)
Resposta – Item errado

40. (Cespe/Correios/Cargos de Nível Superior/2011) As palavras “ônibus” e
“invioláveis” são acentuadas de acordo com a mesma regra de acentuação
gráfica.
Comentário – A primeira recebe acento por ser proparoxítona (ô-ni-bus); a
segunda, por ser paroxítona terminada em ditongo oral (-eis).
Resposta – Item errado.

41. (Cespe/Correios/Agente de Correios/2011 – adaptada) Os vocábulos
“quilômetros”, “emblemático” e “picolé” são acentuados de acordo com a
mesma regra de acentuação gráfica.
Comentário – Os dois primeiros são acentuados por serem proparoxítonos
(qui-lô-me-tro / em-ble-má-ti-co); “picolé” é oxítona terminada em E.
Resposta – Item errado.

42. (Cespe/TJ-ES/Analista Judiciário/Taquigrafia/2011) Os vocábulos
“analítica” e “teríamos” recebem acento gráfico com base na mesma regra
de acentuação.
Comentário – Sim, os dois acentos são usados porque as palavras são
proparoxítonas (todas são acentuadas): a-na-lí-ti-ca / te-rí-a-mos.
Resposta – Item certo.

[...]
19 Para se ter uma ideia, apenas os alunos de ótimo boletim têm
direito à inscrição e, ainda assim, 85% deles ficam de fora.
[...]

43. (Cespe/FUB/Cargos de Nível Médio/2011) Em razão do contexto, o acento
gráfico empregado na forma verbal “têm” (L.19) é obrigatório.
Comentário – Sim, o acento é obrigatório. Este acento serve para diferenciar
a terceira pessoa do plural (“os alunos de ótimo boletim” = eles) da terceira
pessoa do singular (ele). Nem mesmo a vigência do novo Acordo o aboliu.
Resposta – Item certo.

44. (Cespe/TJ-ES/Cargos de Nível Superior/2011) Os vocábulos “países” e
“áreas” são acentuados de acordo com a mesma regra de acentuação
gráfica.
Comentário – Negativo. O acento agudo em países justifica-se pela regra dos
hiatos. A vogal I é a segunda do hiato (pa-í-ses), está sozinha na sílaba e
constitui a sílaba tônica da palavra. Em áreas, o acento ocorre porque a
palavra é paroxítona terminada em ditongo (á-reas).
Resposta – Item errado.

45. (Cespe/PC-ES/Perito Criminal Especial/2011) Os vocábulos “público” (L.9)
e “caótico” (L.12), que foram empregados no texto como adjetivos,
obedecem à mesma regra de acentuação gráfica.
Comentário – Sim, pois ambas são palavras proparoxítonas (pú-bli-co,
ca-ó-ti-co). Todas as proparoxítonas são acentuadas.
Resposta – Item certo.
46. (Cespe/EBC/Gestor de Atividade Jornalística/2011)

No texto 2, o vocábulo “joça” poderia ser substituído por coisa, sem
prejuízo para o sentido original e para a correção gramatical do texto.
Comentário – Leia como o dicionário eletrônico Aulete apresenta um dos
significados da palavra “joça”: “Aquilo que não se consegue definir com
precisão, por desconhecimento ou por esquecimento momentâneo do seu
nome: Nunca soube para que servia aquela joça!”. O mesmo dicionário
apresenta um dos significados da palavra “coisa”: “objetos indeterminados ou
que se não querem especificar: Contou-me coisas e loisas. O negócio tem suas
coisas, é intricado, difícil.”. Portanto a substituição proposta mencionada pelo
examinador é adequada.
Resposta – Item certo.

[...]

[...]
47. (Cespe/TC-DF/Auditor de Controle Externo/2012) Na linha 13, a
substituição do vocábulo “senão” por se não, embora gramaticalmente
correta, prejudicaria o sentido do texto.
Comentário – O sentido realmente estaria prejudicado, passaria a indicar uma
condição em vez de uma ressalva, equivalente a mas sim, porém, a não ser.
Em relação à gramaticalidade, o segredo é você analisar a oração subordinada
“embora gramaticalmente correta” depois da principal. Assim, percebemos que
a utilização da forma se não constitui erro de ortografia no contexto.
Resposta – Item errado.