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Tribunal de Justiça do RN - DJe

Gab. Desembargador - Amaury Moura

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO RIO GRANDE DO NORTE Gabinete do Desembargador Amaury Moura Sobrinho Agravo de Instrumento Com Suspensividade N° 2013.006013-0 - Vara Única da Comarca de Alexandria Agravante: Leomar Ferreira de Sousa Advogado: Dr. Francisco Josmário de Oliveira Silva Agravado: Município de Alexandria Advogado: Dr. Glaydstone de Albuquerque Rocha Relator: Desembargador Amaury Moura Sobrinho Decisão Trata-se de recurso de Agravo de Instrumento interposto por LEOMAR FERREIRA DE SOUSA, por meio de advogado habilitado, contra decisão do Juízo de Direito da Vara Úncia da Comarca de Alexandria/RN que, nos autos da Ação de Reintegração de Posse (Registro Cronológico nº 010000174.2013.8.20.0108), deferiu a liminar requerida de expedição de mandado de reintegração de posse da área objeto do lítigio, em favor do ora agravado, Município de Alexandria, por configurar bem público ocupado sem permissão. Aduz, inicialmente, que a decisão a quo que determinou a reintegração do agravado está em total descompasso com a legislação que rege a matéria, uma vez que, embora o Município de Alexandria alegue ser legítimo proprietário e possuidor do imóvel denominado Sítio Baixio, em verdade, o Município agravado, na data de 30 de novembro de 2011, realizou uma permuta da referida área com um imóvel do ora agravante, conforme cópia do contrato de permuta de bens imóveis e sua respectiva publicação no Jornal Oficial do Município de Alexandria, não mais detendo, o agravado, a referida posse ou mesmo propriedade do mencionado bem. Alega que, a decisão de reintegração de posse foi proferida em data anterior a juntada do referido contrato pois, embora citada na audiência prévia de justificação e na contestação, a liminar fora concedida de forma precipitada e em dissonância com o parecer ministerial, divergindo da primeira decisão que negará o pedido de liminar, bem como que, a decisão atacada refere-se a área superior à permutada. Afirma que o referido imóvel é parte de patrimônio do agravante e de sua ex-esposa, cujo processo de partilha de bens tramita na Comarca de Alexandria, inclusive integrando o patrimônio do casal há quase dois anos e, bem ainda, que é através da exploração do imóvel rural que o agravante consegue auferir uma parte de sua renda financeira que é utilizada para a sobrevivência de toda família, além de outros investimentos feitos pelo agravante no referido imóvel, como a construção de cercas e o fato de que entregou imóvel bem mais valiosa para pavimentação da Rua do Fórum da Comarca de Alexandria, através de permuta devidamente legalizada. Registra, ainda, que a decisão interlocutória é considerada nula, em decorrência de vários erros processuais apresentados na peça vestibular do autor, que viola os artigos 282, 284 e 295 do CPC, portanto, inapta a dar início ao processo. Ao final, requer atribuição liminar de efeito suspensivo à decisão atacada. No mérito, o provimento do
Edição disponibilizada em 12/04/2013

recurso para reformar a decisão agravada e suspender a imediata expedição de mandado de reintegração em favor do autor, ora agravado, mantendo o agravante na posse do imóvel. Para tanto, junta documentos de fls. 11/78. Decido sobre o pedido. Em resumo, é o que importa relatar. A permissibilidade de concessão do efeito suspensivo ao agravo de instrumento decorre hoje dos preceitos insculpidos nos artigos 527 e 558 do Código de Processo Civil, sendo que este último condicionou-a à demonstração pelo recorrente da possibilidade de ocorrência de grave lesão e de difícil reparação, sendo ainda relevante a fundamentação do pedido. No caso sob exame, inobstante o pedido de suspensividade, observo que o agravante cuidou, satisfatoriamente, em demonstrar a existência de um dos requisitos necessários a alcançar o postulado, de forma parcial, pelo menos inicialmente. A relevância da fundamentação que, nesses casos, deve incutir, de logo, no espírito do julgador a previsão de que o recurso poderá ser provido, se reveste, in casu, de força suficiente para alcançar tal desiderato, pois, ao que parece, a decisão agravada esta em desacordo com as provas contidas nos autos, especialmente, o "Contrato de Permuta de Bens Imóveis" e a sua publicação no Jornal Oficial do Município de Alexandria, na data de 30 de novembro de 2011, que foi realizado entre as partes, e informado quando da audiência de justificação, que deixa claro que o imóvel ora reintegrado foi objeto de permuta realizada pelo Município com outro do recorrente, de modo que, aparentemente não estão comprovados os requisitos do art. 927 do Código de Processo Civil em favor do agravado. Noutro enfoque, agora em contraposição às razões recursais, observo a necessidade de averiguação das circunstâncias em que se deu a mencionada permuta, notadamente em razão do Princípio da supremacia do interesse público sobre o privado. Além disso, constato que a decisão combatida não assume caráter de irreversibilidade, podendo ser melhor analisada quando do julgamento do mérito do presente recurso. Pelo exposto, DEFIRO PARCIALMENTE a tutela recursal pretendida, para, em consequência, determinar a suspensão da execução do mandado reintegratório do imóvel objeto da querela, condicionando tal suspensão a manutenção do imóvel no estado em que se encontra. Comunique-se o inteiro teor da presente decisão ao Juízo agravado, com a urgência que o caso requer. Intime-se o agravado, por seu advogado habilitado nos autos, para responder, querendo, em 10 (dez) dias, facultando-lhe juntar cópias e peças entendidas necessárias (art. 527, III, do CPC). Após, vista ao Ministério Público. Em seguida, conclusos. Publique-se. Intime-se. Natal, 11 de abril de 2013. Des. Amaury Moura Sobrinho Relator
DJe Ano 7 - Edição 1304

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