You are on page 1of 21

FESTAS RELIGIOSAS

NO RIO DE A IRa:
perspectvas
de controle e tolerânca no
século XIX
través da discussão sobre a T
lização de ''batuque de preto"
e sobre a decadência da festa religiosa
mais popular da cidade do Rio de Ja­
neiro, a festa do Divino Epírito Santo,
Msegunda metade do século X, pro­
curarei aprofundar, de um lado, a T
fexão sobre as pssíveis continuida­
de e mudanças do chamado "catolicis­
mo colonial", e de outro, complemen­
tarmente, as ambigüidades das etra­
tégias de controle e tolerância, exerci­
da tanto por autoridades municipais
como por representantes do pna­
mento católico reformador, sobre Q
cmemoraçóes religiosas populare.
Martha Ab
J.Mherança religiosa do
século 7Ì7
L século X recebeu de herança o
que fcou conheido pr "religiosidade
clonial" (811,1986:88) ou "ctlicis­
mo DI¯,como m is rentemente
denominou João Reis. Lsja, um c­
tolicismo Mdo pla eptculares
manifetações exter da fé preen­
W na pmpa D,"celebrdas
pr dezens de padre O acompna­
das por crais O orquetra"; no "fune­
rais gdioso, procissõe cheia de
alegorias", e Mfestas, onde centenas
de Q o das mais variadas cndi-
Nota Ete artigo é a veJO rvista de u cmunicço ap' sntda n Con@ Améric Û
(UF/USPI e é grw ÌÞw@Þw de minh pouisa de doutormento. Agradeç a cntribuiço dO
bolsits de Iniciaço Cientre Andréia Maisna e Rob8n Martin, o deate 11idD cm mu
clena de deprtmento e ( cmentrio do ( :riat de Í80w8Jw¼rma.
Í80d8JÍðÞrÍo . Rio de Janeir, voL Ý,n Å4,Å gÅÛZÛ·
184 EbS ISTRCS -I9MI4
ções se "alegravam com a múica, dan­
g, Mrada e fogos de artifcio"
(Reis, 1991:49).
1
Em geral, dentro desta prátic reli­
gios, o clero scular tinha um atua­
ção que se limitva à celebração de
algun sacramentos (batismos, mis­
sa, comunhões, caamentos e ext1
ma-unçõe) em dat especíicas. Seu
trabalho de evangelização sempre foi
puco expresivo, devido aos limitdos
TIU8 que a Croa enviava, à sua
defciente forl!ação religosa e à gran­
de depndência dos leigos. P orden
religiosas, por sua vez, mais prepara­
das para disseL um catolicismo
tridentino, dentro da ortodoxia religio­
sa, não coneguiam atingir todos o
fiéis. Dest forma, os leigos tornram­
se os maiores agentes do "catolicismo
bal"oco", repleto de sobrevivências
pagãs, com seu pliteísmo disfarçado,
suprstições e feitiços, que atríram
também os negros, facilitando sua ade­
são e paralela tranforl!ação (Rmos,
s/d:31-32).
Uma das expresõ mais típica
desse catolicismo foram a confrarias
organizdas plos leigos. Entr elas,
exiatiam a irmandade e as orden
terceiras, que se diferenciavam das
primeiras pr estarem suboDdas
æ ordens religiOS. podiam reunir
memros de diferentes origen socii,
estabelecendo solidariedade verti­
cais, mas também servir como Asoia­
ções de classe, profissão, ncionlidade
e "cor", Organizavam-se para incenti­
var a devoção a um santo protetor e
para Ü benefcentes detinados ao
seus irmos, que se comprometiam
com ur efetiva participação M ati­
vidades da irmandade. Ese fn
benefcientes, tai como auxílio n
doença, na invalidez e n mort, varia­
vam de acordo com os recuro da ir­
mandade, diretamente proprcionis
æ psse de seus membrs (&schi,
1986:12-29).
P fet organizadas pla "an­
dade em homengem ao snt p­
dm, ou oub de devoção, erm o
momento mmo d vida dWW
ciaç. Pa desagrdo de muit au­
toridade civi e rligios. prcupdas
com a continuidade da ordem e om o
não cumprimento das deteDçõs
tridentins, W Cetas oU
comir as prática sgada e prfa­
O¿ tnto M comemorç eter
como I que erm æda dentro
das igejas. Além da Dom músi­
C mu, srmõe, T-Dum, M
VeD e procisõs, erm part impr­
tnte a dançs, ort, fogos de artif­
cio e D ca de omidas e bebidas. Em
geral a ppulaço ecrava e/ou neg
não prdiA a opMdade de ÞBUB
músic e 'atuque" e d BQ
danças. Ïprivilegado Qa ma­
nifetção da religosidade ppular
João Ris viu esas fetas omo riÞ
de interâmbio de energias entre os ho­
men e a diVde, um invetimento
no ft, trndo a vida mais intare­
sant e s@(Reis, 1991:61-70). M
dei Prior anlisou a fest oloniai
prouo Îzr a participção dos
difernt atore, setore da elite, in­
dios, ppum, negros e escrvo, o que
torva o seu signicado batant
multifcetdo e dinámic: pdiam ser
um epço de solidariedade, alegia,
prazer, critividade, troc cultural e, ao
memo temp, um local de lut, violên­
ci, eucação, contrle e manutenção
dos privilégos e hierrquias (PriOl,
1994).
Implantado juntamente com a colo­
nizção prtuguea, graça ao direito
de "droado", et catolicismo form­
va um sistema "único de pder e legiti­
mação", As ociando numa interpne­
tração etreita "o Etado e a Igreja", o
sagado e o profano (Gomes, 1991:26 e
FTA REUGIOA NO RIO DE JANEIRO
185
Azzi, 1977:39-73). Por iso, cmo des­
tca Mar dei Priore, as festa rligio­
UH e oficii pareciam também acen­
tuar a identificação entre o ri e U
religião, conolidando a aliança dos O
lonizadores (Priore, 1994, capo 2 e 7.
Z. Continuidades e sinais de
mudança
L novo Edo Imprial inde
pndent mantri, ap algumas d-
ceis negociaçe com a Santa Sé, a au­
toridade sobre a Igreja e gtiria o
caráter ofcial do catolicismo Mprópria
Cnstituição, orgulhando .. e de sr o
mior pi ctólico do mundo. Entre
tnto, apsar d hernça reebida do
príodo clonial, a trdicional prátic
católic enfrntria M série de d-
foe derrnt das transformaçes da
socieade brsileira ao longo do século
/ gande prte das elite plític,
dentro do epírito liberal do século, B
sumiu uma piço anticlerical e, pro
gresivamente, associou o catolicismo
ao obscMtimo e ao atraso; al@
autoridde pliciais e municipis cn­
deO a fests O I¿ com UO
barrca e diversõe, por serem lO
de jogo e vagabundagem; oe méic
g a cniderr as festividade
religioas como bárbar, vulg e
ameaçdoras da ''amília higiênic"
(Cst, 1979:133); e, Üente, a lide­
ranç rligiosa cmeçu a s preupr
com a "deficiências" do catolicismo br·
sileiro, marcdas plo deprepro do
clero e pla prática religioa puc ro
ma nizada. 1 esa preupç
das diver autoridades asumiriam
M imenáo espeial n cidade do Rio
de Janeiro, pis er a mor cidade do
paí e a cpital do Imprio, além de tr
reebido um gde cntingente d afi­
cano até 1850 . . .
No Ílúcio do século X as princi­
pais cmemoraçõe rligioss da cida­
de, t com origem no perlodo ante­
rior, ainda eram muito concorridas: as
prisõs do pdroeiro São Sebastião,
Ci, Semana Santa (passo, En­
doenças, Entelo) e Coro d Du; as
festas em homenagem aos Santo Reis,
Santana, São Jorge, Santo António,
São João e, a maior delas, a do Divino
Espírito Santo. Devemo levar em cn­
ta tmbém a pristéncia de.inÚlneras
comemoraçõe de outro santos prote­
tore, com UM procissõe de menor
extenão e pmp, e as celebrações
exclusivamente negras, como as coroa­
çõe do reis do Congo, realizdas pla
igreja Nossa Senhora do Rosário, e os
cucumbis, a danças coreográfcas que
acompanhavam os funerais dos filhos
do rei africanos aqui falecidoe (Coa­
re, 1965:157-217, 313-349; Moraes
Filho, 1979; Karah, 1987:214-302).
Em diferente príodos do século
/ encontramos nos jornais indícios
de que a organizção da festa dos san­
tos protetores continuava sendo a mola
metra da vida das irmandade gran­
de ou puens,2 Era o momento de
afll r a força daquela devoção, e de
seus próprios membros, e de reunir os
fundos necessário para a assistência,
já que se aproveitava a ocasião para a
cobrança das menalidade aUdas.
O d da fet também era o momento
solene da distriuição doe benefícios.
Entretnto, começamos a prceber
algun indicativos de mudança. Aps
1830, a comemorações negras e os
Ubatuques" Q ram a ser cerceados.
Até o Ül do séulo, o número e a
pompa das procissões diminuíram; as
trdicionais fetas prderam ppu­
laridade, e a do Divino Espírito Santo
trformou-e numa fest de paró­
quia (Coaracy 1965; Moraes Filho,
1979).
186
À antigas sQlidariedade nacio­
nais, raciais e profsionaj das ilan­
dades tmbém sofreram sugetiva al­
terações. Pelos compromisso novo e
reformados que conultamos, aps
1850, as condiçõe para a entrada de
· .
Ì lrll05 pasaram a ser menos exc u-
sivista e mais flexíveis. Algun ap­
n recomendavam que o pretendente
fose "om ca tálico"; outros s6 exgiam
que tivese condições de pagar a entra­
da e as anuidades ou que fsse de con­
dição bV. Mesmo que na prática te­
nham se ma ntido as sepraçõe raciais
e sciais, elas deiavam de ser uma
intenção inicial. Aria-se caminho pa­
ra uma ma ior diversidade entre o
membro, ampliando-se a cadeia de
solidariedade e a condiçõe de sobre­
vivência de uma inandade (Krh,
1987:84), pelo menos para as mais Q
pulare, como a de Santo Antôcúo 10s
Pobres e Nossa Senhora das Dores.
Procurando delirutar melhor eses
sinais de mudança e entender as ps­
síveis continuidades, privilegiarei, p­
los limites dete artigo, a análise de
duas expresões da religiosidade ppu­
lar no Rio de Janeiro no século ? os
"batuques de pretos" e a história do fm
daquela que foi a festa símbolo do cha­
mado "catolicismo banoco" na cidade,
a do Divino Espírito Santo no Camp
de Santana. Avaliando a pstura da
autoridades religiosas e civis, especil­
mente da prefeitura e da polícia, res­
ponáveis pla autorização das festa
religiosas, será possível refletir sobre
as prspctivas de controle e os cami­
nhos da toleráncia religiosa ...

Û. Batuques, danças e tocatas de
pretos no Rio de Janeiro
. Em junho e em julho d 1866 o ÜO
da frgueia d Santan enviou algun
ofcio à CâMMucúcipal comucúcn­
do que o "atuque, dan e tocats de
pretos, proiido plo Cdigo Mucúcipl
de PosÞ, têm continuado toos os
dom. No último ofcio O flI in­
forma que no domin 29 de julho "do­
brarm æ batuque, cm muito incô­
modo pra a vizinhanç; havendo dois
n r da Alcântr, com fndos pra a
T São Lpldo, e M n T de S.
Diogo, canto de Sant R". O fato
ainda era U@V, segundo a decri·
ção do prque M do batuques
tinha um "cde reber as ertu­
las (teta) d entrada, depitda U
cima do ps eio", e, quando ele próprio
aproximou�e, "rondano cm os guar .
das" mucúcipis, reebeu "apupdas
(V) e foguete". O fscl exlicva
que ainda no havia multado o batu­
que, como detervam as J5Þ,
pi agva a Câmara "deliberar
qual deveria sr o seu comprtmento
com smelhante ajuntmento".4
Não são pucas as surpresas reuni­
da netes ofcios de um fscal de fe­
gueia. Primeirament, a existéncia de
três "batuques de pretos" em plenos
anos 60 do século X localizados em
áreas urbans, n freguesia de Santa­
na, a mai ppulosa da cidade plo
ceno de 1872. Como os endereços não
são muit distantes entre si, o barulho
conjunto dos batuque deveria ser re­
almente intenso e pssivelmente re­
percutia por tda a circunvizinhança
do Camp de Santan, o centro urbano
do regme imprial, onde s resliza­
vam as festas oficiais e se situavam
vários prédios públicos contruídos ao
longo do século X como o Quartal
(1818), o Museu Nacional (1818), a Câ­
mara (1824), o Senado (1826), a Estra­
da de Ferro (1856), a Casa da Moeda
(1859), o Corpo de Bmbeiros (1864) e
a Escla NOll (1880) (Santos, 1965;
Coarac, 1985, Crul, 1985). Mai pre­
cisamente, os ba tuque aconteciam a
IRUGlOA NO RO DE 4AÌW
187
Um puena distância da igja de
Santana e do largo do Rsio Pequeno,
cnhecido algum temp depis como
praça OIl2e, local celebrizAdo como
beryo do smba carioca.
E de admirar tmbém que um fIcal
da prefeitura, preumidamenta conhe­
cedor do Cdigo Municipal de Postura
e de sua aplicação, etivesaguardan­
do a Câmara "deliberar qual devia ser
o seu comprtamento com semelhan­
te ajuntamentos". Por eta conduta,
pdemos pnsar que a psturas não
eram muito claras, ou que. num outro
sentido, eram suscetíveis de diferente
interpretações. Como veremos, a psi­
ção do fscal revelava muito sobre a
própria dinâmica dos batuques.
Diferentes títulos, parágrafos e pu­
niçõe diziam respeito ao batuque no
Código de Posturas vigente, indicando
que a suas possibilidade de oorrên­
cia eram variadas. No caso em quetão,
como o flScal apenas mencionou as
mults para estabelecer a punição, in­
ferimo que os batuque não estavam
se realizndo em lugares públicos.
O Código proibia netes locais os
"ajuntamentos de pssoas com tocatas,
dança ou vozeria" (título 7, artigo
10), correndo risco os infratores de
irem direto para a cadeia, caso não
tivesem dinheiro para o pagamento
da multa, como era de presumir, ao
menos em tese, a situação dos "pretos"
envolvidos M tocata. Dest forma,
supmos que o Ubatuque se realizava
em casa ou chácara particular e, asim,
as mults pnadas plo fIscal pode­
riam .er pagas plo repctivo proprie­
tário.
Contudo, a simple ligação com o
particular não esgotava as psibilida­
des de existência dos batuque. O C­
digo deteninava que eram proibidas
as "casas conhecidas vulgarmente Q
lo nomes de casa de zungu e batu­
ques" (título 4, artigo 7). L donos ou
chefes de tis W seriam punidos
com pen de prisão e multas. Cmo
também não foi esta a opão defnida
plo fIScal Q reprimir a mção,
cncluimos que o referido batuques
não se Asumclaramente cmo um
loal forlI e epcial par aquelas
manifetaçõe.
A terceira e última alterntiva do
fIcal, seguindo as psturas, era proi­
bir"o batuque, cntrias e danças de
pretos dentro das W e chácara",
WUincomoda ..em a vizinhança (títu­
lo IÛ, artigo 28). A pnalidade era o
estabeleimento de multas apnas pa­
ra o dono da propriedade. Ora, se foi
este o instrumento legal usado plo
fIcal, é fácil prceber que havia um
espaço psível de realização do batu­
que, ou seja, através do conentimen"
to do proprietário e da complacência
do vizinho. Com eta condição, en­
trava .. e num terreno bastnte subjeti­
vo, que envolvia a noção de incômodo e
a cumplicidde, ou não, dos vizinhos.
Se juntarmos esta consttação com
o ft narrado plo fIcal de que, ao
pasar pr prto de um dos batuques,
teria reebido "apupdas e foguetes",
desconflBremos que o "pretos" deve­
riam pssuir imprtante aliados pla
vizinhança, não ðpara realizr os ba­
tuque numa caa particular, como p­
ra repaldar este comprtmento fren­
te a uma autoridade da prefeitura.
Sem dúvida, pelo desenrlar dos
acontecimentos, descobrimos que OU
batuque eram autorizdos nada me­
no do que pelo subdelegado de plícia
do 1· distrito da freguesia de Santana.
Agra começam a fIcar mais claras as
hesitações do fIScal. Seu problema não
era o deconhecimento das psturas:
existiam pssoas que protegiam os "ba­
tuque" e, ceMente, nem todos os
vizinhos incomodavam-e com ele.
O referido subdelegado ecreve 1ma
longa carta à Câmara, em agosto, não
188 ES¯OS HISTRICOS -I0MI4
concordando com a proibição dos batu­
ques e desqualificando as alegções do
fIScal. Seus argumentos ilustram
exemplalmente a relação entre as au­
toridades do governo e os teimosos con­
tinuadore dos "batuques" alHcano
na cidade do Rio de Janeiro, que, como
pretendo mostrar, "deenvolveram",
da mema forma que seus compatrio­
ta baianos, conforme detcou João
Reis, "com inteligência e criatividade,
uma ÎJ ma !ícia psoal e uma des­
concertante ousadia cultural".
Nas ''malhas do poder escravt",
numa sociedade tradicionalmente ca­
tólica e no centro da capital do Imprio,
os "pretos" conseguiram barganhar a
continuidade e a recriação de seus cos­
tumes (Reis e Silva, 1989:33), mesmo
em locais particulares ...
Procurando mostrar que os ''atu­
ques" não eram excepionis, o subde­
legado afirmou que o ''fato era muito
antigo, sempre tolerado pr tdos os
chefes de polícia e subdelegados",
inclusive pelo próprio fIScal, que só
agora resolveu considerá-los "prtuba­
dore do cômodo público". Tmbém ale­
gou que sempre mandava pliciar es­
se lugares por irJptore de quartei­
rão, pdestre e ofciais dejustiça, sen­
do que algumas veze compareceu ps­
soalmente encontrando "psoas da vi­
zinhança, até famílias, assistindo a es­
se divertimentos que, principiando de
tarde, terminm sempe ao escurecer".
Se realmente os batuques inomo­
dassem, continuou, os vizinho "quei­
xar.e-iam, não sofreriam sem gemer",
e ele próprio, "único repnável plo
sosseg público do distrito, não tolera­
ria sua continuação".
Procurando salientar que o fato era
mais um "prevenção do flSca1", t-
mou ser "muito comum" "atcarem.se
foquete no dia 29 (de julho), dia de
Santana", em Þa cidade, "apsar de
ser uma infração da lei".
6
Tolerr ou reprimir?
Ldebate entre o fscal e o ðelega­
do rett a cntinuidde de dua anti­
g concpes acerc da atitude em
relaço æ prãtica religioas, ''atu­
que" e divertimento africanos. ¯Como
apntou João Ri Q a cidade de
Salvador d anos 30, a atuação das
autridade (e Um de muitos se­
nhor), "do mais alto gvernte æ
autoridades pliciais mais miúda", al­
trnva entre a represão e a tolerância
como etratégias par o mais eficiente
contrle e Qse evitar ma Îpior. Rpri­
mir ou tolerar, dependia da hor e das
ciruntãll<ia (Reis e Silva, 1989:37-
38). Já que não mVMclar plític
expresa I leis, a dua tendências,
tmbém O Rio de Janeiro, erm mar­
cadas plo etilo psoal d cda autori­
dade ou snhor, O cao o prprietário
da C ou o vizinhos. A própria pstu­
ra municipal em quetão deixava livre
a intrprtção e a autorizaço pssoal.
Para os "rtos" cnem Þr
seus "atuque", a cdeia de acrdo
g sis tinha que fnionr: era prci-
80 que um senhor, proprietário da W¡
pl'utisse, a vizinhanç concrdse e
alguma autoridade suprisioI .
Ma, pr outro lado, sempre mV al­
@prig de a cadeia pssol ser rom­
pida e atuar de forJ! a rprsora (e
ainda bem, prque do contrário não sa­
beríamo dete episôdio).
Pelo documento do subdelegado, a
imprtncia do encaminhamento g-
80al aparece nitidamente quando o au­
tor "proteg" Obatuque empltando
8eu carg e sua própria reputção g-
80al de "chefe de uma grande família e
de um imprtante etabeleimento". A
política da tolerância é textualmente
af da
'
-
-
re • em OpslçaO a repressora,
com argumentos de que é uma prática
antig e genemda, principalmente
em dias de festa de uma santa católica.
FESA REUGlOA NO RIO DE JANEIR
189
Mais ainda, é uma form eficaz (e bas­
tante antiga) de manter o controle so­
bre os ecravos e a ordem numa socie­
dade ecravista. Nas próprias palavras
do subdelegado:
"confio em que a Câmara me fr
justiça de crer que eu, chefe de uma
grande família e de um importante
estabelecimento, não tolerai que
se pretenda quebrar uma só das mo­
las da máquina governativa da so­
ciedade em que vivo ... "
Interessante a concepão de tole­
rância de n0550 subdelegado: a intran­
sigência na manutenção das baes de
sua sociedade, sem sombra de dúvida
a própria ecravidão, incluía ur tole­
rante prspectiva em relação aos "ba­
tuques de pretos .....
Pelos pucos argumentos do fscal e
pla incisiva psição do subdelegado,
pdemos supor que a tendência da t­
lerância em relação a06 "batuque" era
muito forte nos anos 1860. Principal­
mente se levarmos em conta a decisão
da Câmara, que concorda com Usubde­
legado afirmando que "não se deve
proibir divertimentos inocentes sem
motivo algum".
Cmo vimos, até o início do século
X eram pl'mitidos o grande encn­
Ddas ppulaçõs negl n cidde do
Rio de Janeiro, como as cngadas e os
cucumbis. Entretanto, Mar Karash
demonstra que a partir dos anos 1820 a
plícia começou a prender os "que dan­
çavam o batuque" e pssou a pribir as
danças e prcissõe organizadas plas
irll andades de escrvo, cmo a do Û
sário no Camp de Santana, por CHUH
das deorden, bebedeiras e ameaças à
ordem pública (h, 1989:243). Em
1820, talvez cmo uma forma de se pre­
venir, a própria Irmandad do Wio
e São Benedito decretava o fim do cal'
gde rei e rainha em sua comemora­
çõe (Ci, 1886).
P psturas dos anos 1830 deixa­
ram transparente as preocupações
da autoridade municipis, pi da­
tam desta épca as proibições dos
"ajuntmentos de psoas com tocats,
dança ou VZ1¯em locais públicos
e a legslação sobre a ocorrência dos
"batuque" em locais particulares.
Mais precisamente após os levantes
negros baianos de 1835, os "batuques"
na cidade do Rio de Janeiro não mais
foram vistos como inocente, e surgi­
ram muitos motivos para a sua proibi­
ção ou, ao menos, para a tendência de
que a represão falasse mais alto. Co­
mo mv1ma deconança de que es­
tava sendo organizada uma inunei­
ção de "negros" m provínciss do Rio
de Janeiro e Ãm Gerais, algun ofi­
cios do Ministério da Justiça ao chefe
de polícia da cidade do Rio de Janeiro
solicitavam que fosem investigdos
"alg preto que parecem exercer
uma autoridade religiosa" (17 de mar­
gde 1835) e "as irmandades religiosa
de homen de cor para se decobrir
alguma tendência sediciosa" (13 de
maio de 1835), e que fossem dissolvidos
quaisquer ajuntamentos de escravos
(11 de setembro de 1835).
7
Tinta anos depis, proibidos os en­
contros em locais públicos, afastada a
ameaça de rebelião e inexistindo o p­
rigo de "se quebrar uma das molas da
sociedade", a tolerância pdia ser de­
fendida, juntamente, é claro, com um
determindo tip de controle e fcali­
zação psoal. Desta forma, os batu­
ques tinham condições de ser vistos
como ('divertimentos inocente", e mui­
tas autoridade imperiais cariocas,
dentre elas o subdelegado e a maioria
das de Câmara, pareciam não ver ou­
tros inconveniente de ordem religiosa
ou moral, pr exemplo, para conviver
com ele.
190 ESTDOS H$MO~I9NI4
Os sentidos dos "batuques'
Infelizmente, nem o fIScal nem o
subdelegado oferecem detlhe sobre
como eram eses batuque. Apns O
último revela algumas informaçõe.
Rebatendo a críticas do fIcal em I
lação à cobrança de espórtulas, argu­
menta que "não há lei que o proíba, pois
æUe baile também os tm". Assim
continua:
"cada preto que quer tomar parte no
divertimento paga 80r de entrada;
ora, reunindo-se sempre pouco
mais, ou menos, 50 pssoas, eleva­
se a receita a 4$000r; eis aqui ao
que fca reduzida a tal caixa de es­
prtulas .. ."
Pela decrição é psível penar que
os batuques não eram reuniõe epn­
Uæ, mas envolviam uma cert or­
ganizção, como a cobrança de entra­
das para algum Ü (certamente ap­
nas para cobrir peqUenA despeas),
além das necessárias converações
com a vizinhança e com o próprio sub­
delegado. Apsar de as nossa autori­
dade e de o próprio Código de Postu­
ras referirem-e aos "batuques, canto­
ria e danças" como práticas de "pre­
tos", terlllo que na épca sigcava
ecravos, há sufcientes indícios para
se pensa� que eles eram feqüentados
pr ur variedade maior de psoas,
puco definidas, como os "vizinhos".
Diante da menção de que "até fmílias"
eram encontradas nos batuques, que­
rendo da impresão de que pssoas
de respito acompanhavam os diverti­
mentos, podemos considerar também
a presença de mulheres, 'ÀV" O
"brancos", nem que este último esti-
.
-
.
vesem apnas numa pslçao passiva
e fossem representados plas autori­
dades.
Segundo Arthur Rmos, em Ö fol­
clore m@dBrCil, editado em 1935,
o "atuque" no século X referia-se a
Ima dança de carátr geral, onde os
negros em círculo executavam cantos,
pasos, sapateados em ritmo marcado
cQm palmas e intrumentos de prcus­
são (atbaques). Para o meio do círculo
ia um dançarino ou dançarin, æ ve­
ze dois, p fazerem evoluçõe de
grande agilidade, com requebros do
corp em movimentos individuais.
NQevoluçõe eram comun as um­
bigadas, chamadas em Angla de
"semba", que sica movimentos
pélvicos, de onde provavelmente se ori­
ginou o termo samba, de ilÚcio tomado
como sinônimo de batuque. Os "atu­
que" prolongavam-s dia e noite, des­
de que circulasse a "pinga" e os ânimos
se mantivessm exaltdos. P danças
possuíam movimentos lascivos, 'ois a
mulher ou o homem dançando no meio
do grande círculo produziam maior ex­
citação na assistência, atordoada com
as baterias, o sapateio, o canto geral e
o para ti, que circulava horas a fio"
(Ramos, sfd:1l8-147).
Karash conidera que a palavra "ba­
tuque", o termo mais comum para de­
nominar a dança afiC no século
X, vem do "ba tuco", as danças sociais
de Angola. Reforçando a idéia de f
thur Rmos, considera que dentre as
dança escrava, como pr exemplo U
lundu, a capoira, a dança dos velhos O
a jandineira, aquela que era conhecida
no século X pr "ba tuque" é a que
estaria mais próxima do samba carioca
modero. P descrições mostram a
existência de vários ingredientes do
samba atual: os tambores, o coro, dan­
çarinos dos dois sexos e um leve movi­
mento dos pés. O interesante, contu­
do, é que o teIo "samba" não é encon­
trado na fonte do século X¡"atu­
que" é a exprs o dos viajante, d8
códigs da reprsão (as psturas) O
FTA RElJGIOSA NO RIO DE JAEIRO 191
dos jornais. 1a Karah que isto é
bastante curioso prque o termo "sm­
ba" pssui uma clara origem ælan.
O verbo '1usamba", que sigicava
saltear e pular, devia expresar uma
grande snação de felicidade (h,
1987:244 e 245).
À dança negras da cidde do Rio
de Janeiro, na primeira metde do sé­
culo X realizavam-se na fest J
ligioS ou acontecimentos sociais, co­
mo as coroações ou nscimentos de
reis, todos eles ótimas Osiões para o
encontro dos ecravos. O ofcio do sub­
delegado e a repsta da Câmara pro
curaram dar ên ao fto de que os
batuque eram apena "inocentes
divertimentos". Contudo, é difcil pn­
sar que em meados do século X esti­
vese tão clara esta sparação ente o
sagdo e o profano danças de "pre
tos". À próprias declaraçõe do fiScal
indicam o caráter religioo dos batu­
ques, prque eles acontcia m dede ju­
nho, épca do início de um imprtante
ciclo de festes católicas no Rio de Ja-

nelro, que começava com a comemo-
rações do Divino Epírito Santo, pas­
sava pelos ppulares santos católicos,
Santo António, São João Ð São Pedro,
e terminava com a festes para Santa­
na, exatamente quando o "atuque"
se tornavam mis intenso.
Provavelmente, para a tolerant
autridde da cidade, a ên O ba­
tuque omo divertimento er a únic
alternativa de se admitir a sua reliza­
çáo e uma forlla de devalorizar as
práticas religiosa neg, cmmcæ
vendo-as num univero inconseqüent,
quase infntil e, prtnto, ontroláveL
Par os praticnte dvários batuque
de Santn, entretanto, os sigcdo
pderiam ser bem direntes.

Em 1866 a ppulação ecrava da
cidade ainda sentia o efeitos do enor­
me fuo de africanos chegado at
1850. Uma parte grande do ecravos
era de origm africana ou l"sula vín­
culo bem próximos com a Afica, prin­
ciplmente com a rgião central (Ang­
la e Cngo), de onde provinha a gde
maioria. Imprtante pquisas reve­
laram que os diferentes pvos desta
regão comprtilhavam uma série de
traços religioso e culturais, uma mes·
ma bae ltica e um mesmo siste­
ma de parentesco, que psivelmente
prmitiram a formação de uma deter­
minada "identidade bant" no Sudeste
do Brasil (Slenes, 1991/1992:53-59).
Com esta perpectiva, memo em
1866, pdemos supr que os ''atu­
que: (termo que também tem origem
na Afica Central), realizados como
uma prática religiosa e lúdica, seriam
uma ótima oprtunidade não só para o
encontro entra os representntes dos

pvos da Aica banta e seu mais di-
retos descendentes, como também pa­
ra a troca com o. negros de outras
regõe e etniAS.
Em trmos prpriamente religiosos,
os pvo de origem banta ompartilham
o chdo omplexo culturl ventu­
ra/even. tur Iortn-miforn} e a
contante emergência de movimentos
religosos, que reombim e difundem
entre W omnnidade da rgão novos
smlos e rituis, objetivando trzer
um nvo ciclo de fortun e felicidade. O
imprnte é que ete pI o não im­
plica o abandono da antig rligião, ma
a jrpração e aceitção de símbolos
e ritos "estrangeiro" (Craemer, Vani·
na e Fox, 1976).
Ao serem obrigdo a viver no Rio de
Janeiro, o africano de origem banta e
seus dendnts iriam tentr de algu­
M f OI diminuir o infortúnio (a de·
ventura) e encontrar meio par reali­
Z su valor ma m imprtantes (a
ventura): eaúde, fecundidade, segn­
g fsic, Donia, pder, sttus e ri­
quez. Apar da Ovidão, a cidade
do Rio de Janeio ofereia vários bon
192 ES¯S mSTRCS -199114
espíritos que piam cntribuir para a
boa fo1, os diveros santo católios
e BQ imagen. Dfene Mar Karash
que eta opraço não sicva O
sariamente a cnverão dos ecravo,
muito menos o sincretismo rligioso -
M parte ctólica e outra parte afic­
na - ou o ato de econder os "dew
aficans atrás d santas imagen.
Significva, principhnente, a incorp
raço d imagen ctólicas, do novo
,
símbolos, à religião da Africa Central
Esta flexibilidade toru-se a marca da
prática rligiosa dos africanos e sus
herdeiro no Rio de Janeiro (Karah,
1978:261-284).
8
Dentre O vários santos que encn­
trarm seguidors entre Oescrvos c­
rio, Santna e o c�pírito SantoU ocu­
pavam lugar de detaque.
9
Santna,
mãe de Nosa Senhora, psuía M
imagem n igreja de São Gonçalo, ond
se runiam várias undades wg.
Na igreja que recebeu o seu nome, havia
M antiga tradição dos escravos de se
encontrarem Q eventos soiai aos
sábados. O Divino Espírito Santo, pr
sua vez, sem deixar de prder sua iden­
tidade epífc, repreentada pr1ma
pomba ou pr um pássaro de prata,
provavehente foi incrprado e
reonhecido como os espíritos cntro
africanos encontrados nos pásaros, os
que maT O limite entre a vida e a
morte (Karash, 1987,275).
Em 1866, como vimos, os "batuques"
aumentaram no dia de Santana, em
locais muito próximos da sua igreja.
Poderia ser uma boa ocasião para os
"pretos" "divertirem-se", como havia
declarado o delegado. Mas, tendo como
referência a religião centro-africana, é
plausível pnsar que o grupo dos 50
"pretos" reunidos para batucar e dan­
çar buscava um importante caminho
para melhorar BU8 dificeis condições
de vida. A música e o canto eram for­
ma de cura e de comunicação com o
mundo invisível. Santn, pr sua vez,
a avó de Jesu Cristo, repreentda
por uma senhora sentda ensinando à
sua fl Maria um lição, era um
atraent fetiche para se obter algun
objetivo do grup, como a proteção
familiar, geradora de harmonia, segu­
rança e saúde. O respeito aos anciãos
O a08 m velho é praticamente uni­
veral nas culturas aficanas (Slenes,
1991/1992:61 e Gome, 1993:355).
Negociando com 08 vizinhos e auto­
ridade a realizção de 81s D­
taçõe, "diverlindo-se" em dde sn­
ta católicas ou, mais apropriadamen­
te, incorporando sua imagen e feti­
che, o "pretos" conseguiam manter
sua tradições ao memo tempo que
criavam identidades próprias, como os
"batuques", que m tarde se amplia­
riam e contribuiriam, através do "sam­
ba", para a contrução da identidade
coletiva da própria cidade (Caralho,
1986:136). No fundo, com seus "batu­
que, cantorias e dança", desencoraja­
vam os intolerantes, burlavam a re­
pressão, diminuíam as agruras da es­
cravidão e afrmAvam a sua existência
na cidade do Rio de Janeiro (Ris e
Silva, 1989:53).
4. Os casos do Divino
Várias irmandades pela cidade
pretavam homenagens ao Divino Es­
pírito Santo, M a grandes festas
realizavam-se em três locais - no largo
do Estácio, no largo da Lpa e no Cam­
po de Santana. A irmandade mais rica
era a da Lpa, ma a festa mais con­
corrida era a do Camp.
Os preparativos iniciavam-e muito
antes. No sábado de Aleluia saíam d
igrejas as fmosas folias recolhendo
donativos e anunciando a festa. Elas
percorriam a cidade com a bandeira do
FA REUGlOSA NO RIO DE JAEIRO 193
Divino e o Imprador em detaque,
geralmente uma criança eleit tdo
ano. Desse foliõe, alg tocavam
pandeiro, outros viola e tambor, sendo
que tmbém estava preente a fanhosa
música dos barbeiros, compst de es­
cravos negros, que ensaiavam dobra­
dos, quadrilhas e fndangs (Fazenda,
1920; Coarac, 1965; Almeida, s/d).
Miturando em dose variadas uma
devoção religiosa, uma corta impril
ppular e músicas profana, a festa no
Campo de Santan ainda prometia
mais. Assinal Câmara Cascudo que a
ppularidade do Imprador do Divino
era tanta que motivou José Bnifácio a
decidir pelo título de Imperador para o
fturo chefe plítico do país (Cascudo,
1979:294).
A duração de fest variou muito ao
longo do século. 2 Em geral, a ir­
mandade requisitava a autrizção da
Câmara para realizar as comemora­
ções do dia de Pentecostes (dia do Es­
pírito Santo) até o de Santana, em 26
dejulho, o que muitas vezes signifcava
mais de dois meses de atividades.
Além das novenas, missas solenes e
Tc-Lcum¸ armava-se o "Império", um
pavilhão com uma caplinha ao fundo
e terraço na frente, onde, em seu trono,
o Imprador do Divino recebia as ho­
menagens dos seus ''úditos''. No Cam­
p de Santana e n Lapa o "Império"
chegou a receber uma contrução def­
nitiva de pdra e cal. Mesmo sem estar
programado nos compromisos, ou
anunciado nos jornis, þ festa incluía
coretos de música, feira livre, banacas
de sorte, comidas e bebidas, jogos e até
"batuques". As negras com seus tabu­
leiros vendiam cuscuz e cocadas, angu
ou mocotó. Para o final do século XIII
e início do X Coaracy registra a pre­
sença das congada, luta de mouros e
cristãos, muito barulho e alegria, in­
telompida de vez em quando com a
viita de autoridades, como os vice-
reis, ou com a chegada do africanos da
Lampadosa, que, cantando U músi­
cas, Vhomengear o Divino. Tu­
do teCi njnava sempre com muits fogos
de articio (Coarac, 1965:167)
Mello Moraes Filho, o maior crnis­
ta da festa, descreve, provavelmente
para os anos de 1840/50, outras varia­
da atraçõe das barracas, como lei­
lõe, cenas acrobáticas, cosmoramss
(vistas de regiões divers obseradas
por lentes que a amplivam), mági­
cas, um bezerro de cinco perna, traba­
lhos de equihôrio, exercícios eqüetres,
tablado para a dança e ambulantes
vendendo de tudo. L saltimbancos e
os circos de cavalinho erm uma gan­
de atração. Pela manhã, saíam plas
ruas anunciando o que aconteceria à
noite: dançarina de corda, ginsts
dando saltos mortais pr sete e nove
cavalo, macacos e plhaços, um ver­
dadeiro circo.
Segundo Mello, entretanto, a maior
das barracas era a do Tle, a famosa
" Cidra. do Amor', "freqüentada
pela plebe e burguesia, plo escravo e
a família, plo aristocrata e homem de
letra". 1 apresentvam-se os teatri­
nhos de bonecos, coméds, cantoria
de duetos, mágicas e ginátic. O tea­
tro do Tles era ilumindo a velas e a
azeite e pgava-se 500 réis a entrada,
com direito a uma rifa. Ele próprio,
"homem inculto e gracioso", apresenta­
va-se fzendo mágicas, engolindo fog
e espadas e representado comédias de
Martin Pena, que, aliás, costumava
aparecer por lá, juntamente com João
Caetano, Gonçalves Dia e outros im­
portntes bacharéis. Em seguida vi­
nha o esptãculo de bonecos, gênero
que tinha enorme popularidade. Conta
Mello Moraes dua aplaudidas pças,
a ÏdGd fia e a Lrígô dmun¸
que, cheias de palavras com sentido
dúbio e senuais, acabavam com re­
quebros de chula, catereté e umbiga-
194 ES¯S ISTRCS -I00|
das, sendo que na segunda ainda des­
flavam um padre e prongen bíbli­
cos (Moraes Filho, 1979:117-127). Por
último, entrava em cena Mjongo de
bonecos negros que, "ao ferver de um
batuque rasgdo e licencioso", canta­
vam o estribilho:
Dá de comê
Dá de bebê
Santa Casa é quem paga
A você!
Com tos U variado acntci­
mentos, a fet do Divino reu O in­
gredient da festa mais ppular da ci­
dade: as atrações eptaculars e ilui.
nistas deafvam a simplicidade d
dia·a�a; muit música, danç, senu­
lidade, comida e jogos cmpletavam o
ambiente profno de ufet religi.
Ø. A prsença e a vivência da feta pr
diferents setores sciais também g .
rantia que ela fose um loal de encontro
e, principalmente, de De circulaço
entre as divers manifetçõe cultu­
rais (Soibet, 1994:19-25): do batuque ao
teatr de Martin Pen; do ambunte
que tirava a sr aos exerícios eqües­
Ue csmorar interncionis. Er
U local, como diria khti onde o
pvo se torva imortal, onde cntan­
temente se rnovava e deava em
plen pmça pública o pderes cnti­
tuídos atravé da abundáncia, liberda­
de, irreverência e ironia, exprs as O
umbigada. Ipa sobre a criação d
mundo, D saudaçõe ao "Imprdor"
prfano e no etribilho abusando da
caridade da Venerável Sant C d
Misericrdia (Bakhtin, 1987, p. 223).
Por uma história do Divino
Os próprios memorialistas não che­
garm a um acordo sobr a razõe da
decadência da feta. Vivaldo Carac
apnt a destruição do "mprio" pr­
manente, pra dar lugar à cnstrução
do Qwl, logo aps a chegada da
famüia real, como principal motivo de
seu enfaquecimento. Mello Mome já
æI que até o ano de 1855 "nenhu­
ma feta ppular no Ri de Janeiro foi
mais atraent". Prvavelmenta seu
MI é a demolição da sede da Hn­
dade, a igra de Santn, Qa cons­
trução da Estrada de Ferro D. Pedro II
nesa mema épca. Entretnto, com
uma sede provisória, a igreja foi trn­
ferida Qbem prto, ao lado do Ros­
sio Pequeno, futura pmça One, e a
irxsncde continuou orgnizando as
fetas no Camp de Santna. Lima
Barreto, pr su vez, em Feia e HO
fá, com uma abordagem bem mais
política, creditou a repnabilidade
pelo fm das "folganças" de junho no
Camp de Santn ænovas diretrizes
da República preguindo a De­
taçõe ppulare (Barreto, 1956).
Acompanhando as licnças para fe­
ta no século X foi psível localizar
os momentos marcados pela tradicio­
nal toleráncia e delimitr aqueles em
que se procurou estabelecer alglm tip
de controle. ¯¯ Da mema for"a que
para os batuque, numa conjuntura
nacional ameaçada por inurreições
escmvas, o juiz de paz da fegueia de
Santan recomendava em maio de
1836 que a Câmara não autorizasse a
contrução das barraca para a festa
do Divino, pis os "ânimos etavam
muito indispstos ( ... ) e é muito mais
profcuo prevenir o ajuntamentos que
separá-los ( ... ) pelo interese da tran­
qüilidade pública". O problema chegou
ao próprio regente que, através do mi­
nitro dos Negócios da Justiça, orde­
nou que a Câmara seguise as orienta·
çõe do juiz e só permltisse as barracas
no três dda feta, e não com muita
antdência. Pouco temp depi, em
1838 e 1839, a licença continuavam
FESTA RElJGlOA NO RIO DE JANEIRO 195
a ser dadas apnas para três dia, e os
proprietários eram obrigdos a Assinar
um tel'lIlO de "não pern tir ajuntamen­
tos". Mas, a partir dos anos 40, as
licenças voltam a ser concedidas sem
condiçõe e até por um més ou um més
e meio, retomando a fest o brilho do
velhos temps e comprometendo as ex­
plicações dadas por Vivaldo Coarac.
Contudo, elas não mai deum de
receber críticas, se é que um dia isto
deixou de acontecer. O fIcal da fregue­
sia de Santna, por exemplo, em 189
tentou convencera Câmara a não apr
var as barracas, pois promoviam "de­
sorden, desrespito æleis, violência e
anrquia".
Acrescentva ainda que "esta festa
de aldeia, no centro da cidade capital
do Imprio, é já olhada plo homem
civilizado como imprópria", Não cone­
gui descobrir se este funcionário da
prefeitura era o mesmo que pretendeu
multr os batuque algun anos mais
tarde. De qualquer forlla, os fIScais da
populosa freguesia de Santana, pr
suas opiniões, pareciam repreentar
na cidade uma posição bem puco tole­
rante.
Os anos 1870, finalmente, foram
cruciais para o ftur da feta do Divi­
no. Por um lado, assistiu-se à retma­
da da construção da igreja de Santana,
e, ceriamente, ao revigoramento da ir .
mandade, que naqueles anos solicitou
autorização para realizar tudo o que a
festa tinha de mais popular: Império,
barraca, arraial de feira franca e fogo
artificial, para durar até o dde San­
tana, 26 de julho!
Por outro, encontramos indicações
de que a tradicional toleráncia e convi­
vência com a festa iria conviver com
algumas ações intolerantes mai orga­
nizada, embora aind indiretas e am­
bíguas, tanto pr parte do governo mu­
nicipal como de autoridade eleiásti­
cas.
Novos usos e costumes no Campo
de Santana
Por iniciativa da própria Câmara
Municipal, que vinha dicutindo dife­
rente projetos dede o fnal dos anos
60, e com o apio do Mintério do
Imprio, que acabou entrando com o
fnanciamento, o famoso Camp de
Santana entrou em obras em 1873.
Com iso, a festa passou a ser realiza·
da no adro da igrea de Santana e
circunvizinhanças, não muito longe do
antigo local, mas O sufciente para dei­
xar de ser a ma is concorrida festa da
cidade. O Camp de Santana, plo seu
Þnho e posição cenb al, facilitava a
popularidade da festa; era ali que ela
sempre havia ocorrido ... A irmandade
sabia que a realização de sua festa
naquele local era fundamental, e os
seus insistentes pedidos de licença
comprovam isso, pi afrmam que se·
ria mais cômodo para o público que em

ande número comparece às festivi·
dades quando são feitas no Camp de
Santana". Em uma solicitação de feve­
reiro de 1873, feit com uma antece­
dência incomum, a irmandade apla
para a sua própria história e para uma
prática católica antiga que devia ser
respeitada:
"etas festividades se fazem desde
muitos anos, tranmitindo-se das
gerações passadas às presentes, o
zelo e a Religião Católica de nossos
Progenitores que sempre foram au­
xiliados pelo antigo Senado ... "
Em 1874, a Cãmara ainda concedeu
que se levantassem coretos, jogos pú­
blicos e barracas n área do Camp,
ma bem em frente à Secretaria da
Guerra, que logo protestou e pdiu pa­
ra que no futuro não s prmitisse tal
licença nquele local. Naquele ano a
feta se dividiu, levantaram-se bana-
196 ES¯OS msTrcs -I001II4
cas no Campo de Santana e ao redor da
igreja, para onde ela acabou sendo
transferida definitivamente depis da
inauguração da nova praça.
A decisão de ajardinamento e gla­
deamento do Camp de Santana aten­
dia a variadas reclamações sobre o seu
mau uso, inclusive como depósito de
sujeiras, que desde os anos 1850 se
faziam nos jornis. O Campo de San­
tana, dizia lima notícia publicada no
Diário d Rio d Jairo no dia 8 de
janeiro de 1850, "era o coração da pri­
meira cidade da América Meridional e
pderia se tornar uma das ma i belas
praças do univero".
P obrs completaram um prceso,
que se iniciara no inicio do X de s
edifcar ao reor do Camp 0 principis
marcos do pder imprial, cmo já vi­
mos. Form, igente, Mimprtan.
te sinal de que a antiga sociabilidade,
prticada TIe fetas de uda­
de, começava a ser limitada e afstada
do cntro do pder, expIndo Mno
vo tip de oupaço, reração, encontro
(os Q ios "fmiliares'1 e saúde (em
busc de ar puro) nos espaços público.
Sem dúvida, es e pTo ligava-e a
Mtenttiva de æção e deleite da
aristocracia imprial, impdindo ne­
B áI outros usos e cotumes. No
caso do Camp de Santan, além de a
hitóric fet do Divino ter sido
inviabilizda, foram demolido o famo
so "chafariz das lavadeiras", pnto de
encontr e trabalho de mulheres escra­
vas e livres pobres da cidade, e o popular
Tatro Provisório.
Com o apoio do jovem engenheiro
Pereira Passos, o botânico francês
François Glaziou foi encarregado da
obra e projetou um grande parque à
inglesa, ornado com alamedas, lagos e
grutas artificiais, sem deixar de apro­
veitr motivos oferecidos pla própria
fora brasileira. Era grande também a ·
quantidade de anima is, como veados,
pavões, cisnes, irerês e cotias, das
quais restaram poucas sobrevivents
ao tempo. O novo jardim foi inugura­
do em 7 de stembro de 1880, com a
preença do Imperador e grande públi­
co, em comemoração à Independência
Nacional (Geron, 1954; Amaral e Sil­
va, 1905; Garcia Junior, 1938).
11
Muito embora não s preguisse
diretamente a fet do Divino Espírito
Santo, esboçava-se seu controle indire­
to através dos "melhoramentos" urba­
nos reclamados e impdia-se, no mes­
mo sentido, a manutnção do maia im­
portante epaço público ppular cario-
,
ca da épca. E claro que as festas reli­
giosa comandadas plas irma ndades,
cuja expressão máxima era o Divino,
não acabaram. Mas, certamente, en­
fraqueceu-se o seu potencial de atrair
todos os habitante da cidade para
uma mesma comemoração e local. Ou­
tras mamtações, paralelament,
aumentaram em muito sua ppu­
laridade em direção ao fnl do século
X e, de alguma forma, substituíram
o espaço cultural deixado pelo Divino
Espírito Santo. Foi este o caso do Car­
naval e da festa da Penha. Esta última,
apar de ser ua tadicional come­
moração religiosa organizada pla ir­
mandade, ocorria numa æbem dis­
tante do centro da cidade. Sem dúvida,
no fnal das contas, cercou-se o Camp,
limitou-se o Divino, mas não se conse­
guiu acabar com a fest ppular ...
12
Catolicismo reformado e
religiosidade popular
Para a tranforil ação das fetas re­
ligiosa M cidade do Rio de Janeiro foi
fundamental também uma ação mais
intolerante em termos propriamente
religiosos, ou seja, uma ação empreen­
dida por autoridade da Igreja. Na se­
gunda metade do século Xsitua-<e o
FESA RELGIOA NO RO DE JANEIRO 197
irúcio de um movimento de reforma da
prática católica, entendida em seu sn­
tido tridentino e rormte, marea­
do pla maior aproximação com Rm
e pela moralização do clero (Gome,
1991; Azzi, 1977).
Recentemente, Francisco Gome,
em seu trabalho sobre a Reforma Ca­
tólica na Diocese do Rio de Janeiro,
motrou que o grande objetivos des­
te reformadores romanizants, desta­
cando·se no Rio de Janeiro a ação do
bisp dom Lacerda, eram "reforçar a
etrutura hierárquica e pirmidal da
Igreja no Brasil", diminuindo o pder
dos leigos organizados na irmandades
e do próprio Estdo; incentivar Mno­
vo clero que substituiria o antigo, libe­
rai e regalista, e, através dele, fOI mar
os católicos num modelo de Igreja tri­
dentina, sacralizando os locais de culto
(Gome, 1991:44).
O combate do católicos reformado
re no Rio de Janeiro æ irmandade
pde ser acompnhado através do jor­
nal ÖAós/ol em seus divero artigos
e eitoriais, principalmente a partir de
1873, aps o acirramento do conito
entre a autoridde dos bisps brsilei­
ro, a maçome o governo imprial.
A principal etra tégia usada plo
jornal foi a publicação de severa críti­
cas æ irmandades. Porém, não se
abriu mão do apio æque seguiam as
norma da Igreja, da divulgação das
corretas comemorações e festas, como
também da inteligente medida de não
se noticiar as festas organizadas exclu­
sivamente plas irmandades. Em g
ral, as críticas apontavam a preença
de maçons nas irolandades e a ausên­
cia do perfeito sentimento católico, de­
montrado pela disposição de não-obe­
diência ao papa, pautoridade dioce­
sanas, ou mesmo aos vigários das igle
ja. Pirmandades também eram acu­
sadas de não estar fazendo valer os
seus compromissos no tocante æcele-
braçõe das missa em homenagem p
alma do fdo irmãos ou ao próprio
santo padroeiro; de organizr cultos
para a otntação e não para a santif­
cção dos féi; de Mter os compro­
misso muito mis preocupados com o
mundo tempral (su ben, imóveis,
cargos, disput eleitorais) que com o
mundo espiritual e a caridade. Pfe­
Worganizadas pla irmandade, pr
sua vez, foram vitas apna como
meios de mostrar riquez e pder; suas
música profana e sensuais, "com ce­
nas teatrais", responabilizdas pla
perda do epiei to religioso e plo eque­
cimento de que o mais importnte
eram os sacramentos da confIS ão e da
comunhão. No ano 1880, a críticas
perma neceram e ÖAóstl chegou a
noticiar algun conflitos abertos do bis­
pado com certas irmandades, eviden­
ciando que elas etavam tentando
manter sua autonomia.
l3
Observando com atnção tods es­
sas críticas preente no jornal católi­
co, pdemos prcebr que elas etão
principalmente preocupdas com a au­
toridade leiga sbre o culto e com as
.
- . . .
perlgosas conequenc1s que WUgera-
va. Mai do que acusações contra B
prática religiosa ppular, se quer inter­
ferir na liderança e orientação do culto.
Contudo, até mesmo esta interfe­
rência não teve condiçõe de ser com­
pleta. Como salientou Francisco Go­
me, os recuros eram limitados, prin­
ciplmente pla depndência em rela­
ção ao Etado, que autorizava e prote­
gia as irmandades, e pla auência de
um clero romanizado numeroso (Go­
me, 1991:556-560). Mmal, o catoli­
cismo leigo era também o oficial...
Paralelamente, o catolicismo etava
sendo duramente atacdo pl0 libe­
rais, maçons, anticlericais e protetan­
tes, atravé d imprena e O próprio
CQ Nacional, cmo respnável
plas diculdades d moderzação do
198 ES lSTRCS ~ Í9W
pis e pr atrair apnas a ppulaço
ignorant e analbeta.14 O jornl Ö
Al, na luta contr o forças
'mternacionis", coniderdas inimigas
da rligião e da Igreja, mesll o que criti­
case e desvaloru e a prátic católic
no rornizada e leiga, precisou refo ..
çar o ctolicismo como um todo e, Asim,
nunca pde cniderar aquela prática
como um sistema rligioo divergente
(Gomes, 1991:581-588).
Procurando aprofundar est última
direção, foi posível loalizr no jornl
Ö Aóstlo um imprnte epço de
tolerância no pnamento e ação católi­
ca reforll sdora. Não utolerância p­
ra com a in nancde autônoma, pis,
como vimos, etas foram duramente cri­
ticadas e delegitimadas, mas pra cm
as prátiCs religioss ppulars e æ1
braileiras, e, fundamentalmente, e isso
é muito imprtnte, para cm os pró­
prios ppulares. Na luta cntra o mate­
rialismo, a liberdade de culto, o Ca­
rento e o registro civil, acabav8-e va­
lorizndo a tradição ppular ctólic do
país, como bae pra a própria ncion­
lidade brsileira e em opsição a tudo
que era importado.
Uma das fOt de tlerância foi a
valorizaço da atitude autêntic da
fé ppular. Assim, por exemplo, memo
que se combaæ o jog e as bebida,
procurva-e deixar clar que nâo se
queria uarrefecero entuiasmo d pvo",
que concrria em grande nÚmer æ
festas. Cmentando a festa de N æ
Senhor do Boru em Salvador, quatro
arig do Astlo no mê de janeiro de
1888, publicdos n seço de varied­
des, rfetem e exprs am exemplar­
mente a admiraço pr aquela manife­
tção rligosa, indepndentemente das
exigências da ortodoxia:
''Dsflam também, partindo do ar­
rabalde do comércio em long pro­
cissão, crioulos e africanos
carregados d'água com sus burIg
e os clássicos quatro barris que con­
tituem a carga d'água para a lava­
gem ( ... ) Já desde o amanheer o
tamplo etá franqueado æ devotas
lavadeiras ( ... ) Se o católico sabe que
nem tudo é mmg (referindo-se à
sala do milagns), tudo edifca e
encant, todo oberador sente-se
ali vivamente tocado pla fé viva e
autêntica das multidões ( ... ) A nós
compte somente reconhecer, que
ali, no templo do Sr. do Bonfm, na
fest de seu santo nome, todo o joe­
lho se dobra ... "
Outr sntido det tolerância pde
ser encontrado na difícil tarefa dos ca­
tólico rformistas de terem que manter
a prática do culto extro, preente m
próprias determinaçes de 'fnt, sem
fcar subordinados æundades. Ï
cisavam fzer fente ao avanç do ''r­
cionalismo" do séulo e, ao mesmo tm­
p, através da ppularidade das procis­
sõ, rpnder æcríticas do que con­
sideravam oprátic um aDpa­
ra a civililçO do país. L seja, os
"on" católios foram obrigados a de­
fender o catolicismo da "æignoran­
te e analfbeta"; a mostrar aos prot­
tante que "no havia idolatria pr par­
te dos ctólico", que as prow"não
eram optas à civzação do séulo", e
que "apmp do ctolicismoJ} e "o culto
do Ûteram benéfco pra o pvo"
e par o próprio gover, evidenciano,
ao memo temp, a glnde força do culto
católic e a harmonia soial do país.15
Mi ainda, para combater os seus
maiore inig, Uliberalismo e o pro­
tetantismo, LAóstolo foi veiculo de
um tip de tolerância que complemen­
tava todas as outras. Armava a exis­
tência de u nacionalidade católica,
incorprando todos os brasileiros, in­
clusive os ecravos (em geral, nâo ''tão
bon católioos assim''), numa 56 fam-
FETA RUClOA NO ro DE JAEI 199
lia, com uma mesma religião, costu­
mes e língua. Dest psição, inclusive,
emerge, .principalmente nos anos
1880, Mcombate radical contra a imi­
gração estrangeira e uma defea da
e - d ' - lib r
t
16
ucaçao os mgenuos e e
Em meio a uma plítica rligiosa
mais ordoxa, em princípio mais in�
lernte, que estbeleia o catolicismo
certo, o rmzdo, a tolerância inter­
n foi rconhecida como uimprn­
te arma na luta cntra outl rligiõe
e ideologia estrangeira. Nete cntex­
to, o ppular e, mais surprendent
mente, os liberto Q rm a ser vistos
como aliados n defsa do ctolicismo.
É clar que era M ad de segunda
catgoria, psto que visto cmo infntil
e ma is do que nunca neesitado d u
tutela, como a do cler romanizdo. Não
pdemos decrtar a hiptee de que
et prpctiva do reformdore, pre
senta no jornal ÖApwlo, objetivas
mostrar o papl, a eficiência e Bmoer
nidade do ctolicismo, capz d discipli­
nr o ppue ex-mvo cm no
çõs de obeiência e resignação.
Entretanto, em um outro sentido,
esta posição talvez represente uma das
pucas vozes que, mesmo depois da
Abolição, incorprou o libertos como
"ncionis" e não como Udegenera­
dos", incapazes de serm educado
(Schwarcz, 1987, e Azevedo, 1987). A­
nal, ecrevia o editorial doApóswlo em
8 de julho de 1888, aps um mês_de
comemorações ppulares pla Li Au­
T¿ "todos éramos uos e flhos do
mesmo Deus", no maior paí católico
do mundo, o "Imprio de Sant Cruz",
apsar de nem tdos serem tão "on"
católicos assim.
A tolerância presente no pensamen­
to católico reformador só pde ser com­
preendida nesta corüuntura epcífca
do fnl do séulo X e em U a
dimenões analisadas: religiosa, social
e política.
5. Conclusão
Procurei demonstrar ao longo dest
artigo, através de uma análise mais
detalhada sobre os "atuque" e fets
religiosa n cidade do Rio de Janeiro,
reprentadas pel festa do Divino Es­
pírit Santo, que, apsar das mudan­
ças em relação à vivência religiosa co­
lonial e do etahlleimento de algumas
polfticas represoraa, sempre se man­
teve um caminho e uma pssibilidade
para a tlerância religiosa no século
2 Mesmo cm as prpctivas de
controle das autoridades e psturas
municipais sobre o "batuque" e fes­
tas do Divino; mesmo com as perigosas
conuntura plíticas do século X
mesmo com o aprofundamento da se­
jção entre O"catolicismos"; e mes­
mo com a criação de novos locais de
sociabilidade e diverão, em prejuizo
da festa do Divíno Epírito Santo no
Camp de Santna, busquei pnar
como foi psível a continuidade de
prâticas religiosas leigas, ppulare e
negras, a despito de todas as críticas
que receberam.
Assim, detacaram-se o caráter pes­
soal das petll lissõe, exemplarmente
expresos nos casos dos "batuques", a
superfcialidade da intolerância, as
ambigüidades darepresão indireta æ
fests religiosas tradicionais, que al­
ternavam interdiçõe e convívio, e OU
dilemas de um catolicismo ncionl,
popular e ofcial. Tdo isso, sem dúvi­
da, etve preente na plítica dos re·
preentantes da Igreja e das autorida­
des municipai da cidade no Rio de
Janeiro no século 2Entretanto, náo
se pde deixar de coniderar a força de
peristência da heranças africana e
das exuberante ma nifestaçõe da fé
populr, expresa ns fetas religio­
sas que plmaneceram. Ambas, ap­
sar das prguiçõe, crítica e etra-
200 EÜÜHTRC - 191 .
nhamento, de alguma forma foram
aceita e incorpradas à vida da cida­
de, memo que em decorrência de uma
etratégia plítica e de controle mai
efcz que a simple represão ...
Lima Ûto (1881-1922) lembrva­
Ð da 'Iaqu que s 81'avam
M Lp s Santana", M larg em
frnte ao Ql-Generl, Mtemp em
que era menio. Rnbilizou a W
pública pr ter acbado cm "aquela
folgnça do mês". Entretanto, a feta do
Divino Epírito Santo M Camp havia
sido condenada muito ante de 1889 ...
Mais ainda, O ano 1880, a LM,
com apio da plícia, não havia autri­
zdo a BlçãO de barrac ou a prr­
rogação de UU licnça, pis ela na
verdade agenciavam 'jogos pribido",
a balacs da sorte.
Não pnm, contudo, que ÎÜ
reto etava de too erado. Ele deve ter
asistido, sim, a M feta, a únic de
que temos notícia, que s ralizou entr
ma io e julho de 1888. Dizia o jornl Ö
Al que algveradol não B-
biam e não entendiam como a Cmar
havia ddo licnça para a 'jogtína",
"ob a cap da religião". Cmentva-s,
denunciava o memo jorl, que o mi­
nistr da Jutiça, o conelheiro Feneira
VJna, havia ps Oente plmitido a
contrço d D qu.17 Prova­
velmente, evidenciando a ambigüida­
de do cntrole e tolerância sobre a fe­
t, o Cnelheiro aind etava sb o
efeitos da licnas que haviam sido
concdidas pra a gde comemor­
çõs oficiais e ppulare pla Aboliço
da escrvidão ...
Notas
1. PU@UD ¼eOet a0o½U aeX wæo
"ææbcmoU0ÍOoDa¡¯eODeDUgUe oU-
baU½WQteÍetmaeX o"ææb-
OSDo QQu¡aP, BeD eDOUDlu DU:U d:8-
UDgoeDPeÌagoaoBoUOo8oDæÍtoBÇet-
nt 1987:17-18).
2.ÆÎoDæ básics Ue mQguISa
Båo! o goM æÞÌIO O /8loÍo, eDQe
18661901, QtÍoUoUeeXISæDCIaUogoOÌ¡
ogoMDiáio d Rio e dmm Dos QPÍo
UoB 1850-1853 e 1869-1871; e æ ¡ÍCeDgB
gÎeSUDgUePÍUæ Q¡æÍtDaDUBUe8å
LåData dNeDaUote8eDD 1830 e 1910
(PtgUIVoLeta¡dLIUaUe Uo Îo UeJaDeÍ-
to).ÎaW æU æugÎotaD UDUéDDu½
ÍDQtUDteB 0 DeDotIa¡I8US cIUUoB n
UID¡Io@aÜa.
,
3. Net UDUèD Ri, 1991:54. ÏQDVå-
VeÎ gUe eBUS DUdDgBÍ@¡DeDUBÍ@Í-
ÜæSSeD w adQtagåo Uæ oDQtoDI8-
808 Ua8uUaUæåSUÍVÍSOeSQÌÍUCa8Uo
ÜtaSÍÎIDUeQDUeDto,eDQeCIUaUåo8eDåo
cÍUaUåæ.LutPaDUUaDggUeQUeÍDdIcat
u gUUamDoVo8UDQ8èaÍDmu8åoUo
UeDeÜOo Uo ewÍDo @tUI½go8 ÜÞoB
Uæ ÍtDåoB QUteB. P ÍD8OUgo @atUIU
et× u dUzUa Q¡ÍUca ÍDQePIa¡, eD-
Uota gUæe nunc eXoUt8Ua (ÀaHez,
1994). O oD¿m o8 ODSU¡WUæ ÎO
taD UaB 8eguÍDU ÍtDaDUaUeS: LÌoPIoSo
Po ÜåoÀÍgue¡eP¡Dæ, 1848; L¡oP:o
BoMuÜåoLoDgaÎoLatOa, 1853; ÜaD½
PDÞD:o Um ÎoUtæ e ÌoS8a ÜeD¤ota d
ÎtaZete8, 1859; ÜaDWÎDo ÜaODeDto
UaÎD@æÍaUe ÜaDUD, 1865; ÜaDU C
cÜIa, 1869; ÎÍVIDo ÜaD½ Ua ÎQaUo ÎeB-
teOo, 1873; ÎI¡ÞoB Ua ÎDaCuaUa ÜeDÞota
Ua8 ÎoDB 1875; ÜaDtÍSS:Do ÜaCaDeD½
Ua BU@ Üé, 1877; ÜaDtÍS8IDo ÜaCa-
DeD½ dLaDUeÎåPIa, 181; Ìo88a bmo
taUoÛoSåtIoeÜåoÜeDeUͽ, 1891. ÎDUo
taaIDUaBega D BBáPÍoDaÍotaQPoÎILUa-
DeDto, éÍDQtUDte UeSUcat Ç aSQCto
Ua8 ItDaDUaUe8 QQU1ateS¦aSU Dåo ¡oD-
ga UuPagåo.æmta¡VezQ88a8eteXQÌÍæUo
QÌacDOaUeroSeQ¡aDeæS8IUa-
UeUes Du,øDStBDæDeDU,Ue BaDto
QPototut(Ïta8Þ, 1987:272).
4. U UocuDeDU DÍeteDU a e8Bæ
¯UalUgUeB¯ eDODU¬o Do PtgUÍVo U
taÌ Ua LÍUaUe 0o Wo d úaDeÍD, odc
42-ö-I4,eW8A0aLåm 0egUÎÞud
1866.
FETA RLGI0A MLÜlLÜÄJPMÄ¡ÜL 201
5. O dia de Santn é na verdade 26 de
julho. Prsuo que a onfão das_ dat
deve tr acntcdo prue o dia 29 de
julho ciu num domingo, quando geral­
ment se realizavam O "batuques". Deve­
se resaltr que as disputs entr as aut­
ridades da prfeitura e da plíca no erAm
incmW nest príodo.
6. Sgndo Lu de Mello • Suza,
essa duas attude estvem preente
n cultura das elite dede o iníco do p­
ríodo colonial, sendo que "dominou quase
sempre a cndenaço e o horror a ele"
(Souza, 1986:99).
7. Esses documentos encntam-se no
Aquivo Nacional, cdice 334, 1833-180.
Lizei ainda 1ma crt que o chefe de
plíca, Euzébio de Queirós, envia ao pre­
sident d Câmara da cidade do Rio de
Janeir pedindo para avaliar lma props­
t de pstura feita plo juiz de p de
Jacutnge, em juho de 1833, que proibia
o "uso do tmbr na danç do. escvo
denoqda - cndomblé - o qul deixan­
do-se ouvir de uma léga de distncia atai
os eaca vos das fzendas crcunvizim;
podendo de tis runiõs orignarm-se
males ..... (Arquivo Geral da Cidade do Rio
de Janeiro, cdic 6-1-25)
8. Da mesma forma cmo incrpraram
08 santos ctólico, os aficnos de origem
bant iriam incrprar 0 on dos cn­
domblés iorubás-gêges (Karash, 1987,
28). Detc Karah que a fexibilidade
dos pvos de origm bant contast cm
a maior rigidez das tadiçes dos pvos da

cultua iorubá (Aic Central). Uma int-
rssante e nova prspctiva sobre o "sin­
cetsmo" tmbém pode ser encntrada em
Vogel, Mello e Banos. Para os autre, o
sincetismo deve ser vist cmo "uma ñ
art do cmpromisso que assent no pres­
supto de um mundo pvoado de deuse,
os quais é prudente, sempr que pssível,
coptr" (Vogel, Mello e Barros, 1993:166).
9. Os santos de maior preferênca foram
São Jorge, Sant Antamo de Pádua e São
Benedit (Karash, 1987:282).
10. Ælicnça a que faç referênca se
encntram no Arquivo Geral da Cidade do
Rio de Janeiro, cdics 58-3-35 e 43-4-7. A
long do períoo clonial, de 1a maneir
gral, a Igeja tve u rlação conde­
cendente cm 8 fsts populares, pis
eram ua forma de atrai 08 ne6fto e
eninar-lhe 08 ideais d Igeja e do Et­
do. Entetnto, etva sempr atnt ao
exCsoB ontáro às determinaçe ti­
denm(priore, 194, cpo 7).
11. Outros jard Coram planejados pr
Glaziou n segnda metade do século X
Passeio Públic, Quint da Boa VISt, cais
da Glória, dentre outs (Arquivo SPH,
inventário de ben tmbados). Até o mo­
mento levanti a segunt documentaço
sobre os projetos de reforma no Cmp de
Santna: jor Diáio dHm ddmm,
mese de dezembro de 1850, janeiro e fe­
verir de 1851; AGCR, documentaço
sobre Jardin Públic (cdics 15-4-22 a
15-4-54). O primeir projet arquittmc
par o Camp foi de Grandean de Mon­
tignyem 1827, prém não foi levado adian­
t. E bm eclarecer que o Camp de San­
U rcbeu diferent denominações ao
longo do séulo XCamp da Alamaço,
aps a croaço de dom Pedro Î;Campo de
Hona no príodo regncal; novament
Camp da Aclamaço om dom Pedro II; 9,
fnlmente, praç da Repúblic, em 1889.
Entretnt, até hoje a gande praç é co­
nhecda por sua desigação colonial, Cam­
p de Santna.
12. Æ Cests da Glória pranecram
batant cnrrridas ao long do século
X at prque cntvam cm a prticpa­
çáo da prpria fmíia imprial. Entretn­
t, destca Moraes Filho, elas nunc tve­
ram a ppuaridade do Divino. Sobre as
fests da Penha e o Caraval, ver Soihet,
1994.
13. O jorl O Astolo crculou na ci­
dade do Rio de Janeir entr os anos de
1866 e 1901 e Coi uma espcie de órgáo
ofcial do bispado. 'das as críticas pdem
ser encntrdas no seguints dias: 19 e 21
de abril, 19 de maio, 22 de setembr e 27
de outubro de 1876, 12 de fevereiro e Zde
junho de 1879, 27 de novembr de 1881, 1
de agsto e 18 de dezembro de 1886.
14. Ver jor O A6tolo, dentre város
outr dia, 17 de març de 1873, 28 de

202
ESTDOS HSTRCOS - 1001(
abril de 1879, 1 e 29 de feveriro e 16 e 19
de maio de 1880, 24 de julho e 5 de agoto
de 1887.
15. Ver joral O Apóstolo, respctva­
mente, 23 de abril d1879, 29 de fevereiro
de 1884, 27 de janeiro de 1870, 14 e 21 d.
fevereiro de 1886.
16. Sobr o abolicionismo ctlico, ver
Abreu, 1994. Ver tmbém O Apstolo, en­
tre outos das, 1 de outubro de 1871, 9 de
març de 188, 25 de outubro de 1885, 3 •
17 de març e 17 de novembr de 1886, 5
e 10 de outubro de 1887, 22 de abril, 25 •
27 de maio e 5 de outubro de 1888.
17. O Apóstolo, 16 de maio, 3 de junho,
6 e 15 de julho de 1888. Atas dCâmara,
ZIde junho de 1879, 28 de abril de 1881,
23 de fevereiro de 182.
Referências Bibliográficas
1. Memorialists
AIDA, Manuel Atônio de. s/do Me­
m.órias dum sagen.to dmiUciu. Rio
de Janeiro, Edições de Ouro.
A, Alexandrino Freire e SILVA,
Ernesto dos Santos. 1905. Consolida
ção da leis e psturas municipais. Rio
de Janeiro, Oficinas Tipogáfics de
Paula Souza.
BA TO, Lima. 1956. Fcir" e ma(uÓ.
São Paulo, Brasiliense.
CACUDO, Luis da Câmara. 1979. Dicio
nário dfolclore brasileiro. São Paulo,
Melhoramentos.
COACY, Vivaldo. 1965. Memóri" da
cida dRio dJanciro. Rio de Janei­
ro, José OUmpio.
COSTA, Joaquim José. 1886. Breue notí
cia da Irmada dNossaSenhora d
Rosário e São Benedito d Homens
Petos dRio. Rio Janeiro, Tipgafa
Politécnic.
CRULS, Gastão. 1965. Aparência d Rio
dJaeiro. Rio de Janeiro, José Olím�

piO.
WNDA, Vieira. 1940. "Antiqualhas e
memórias da cdade do Rio de Janeiro",
Revista d Institut Hiswric Geográ
flBrasileiro, tmo 88, vaI. 142.
GACIA JIOR. 1938. " Camp de
Santna e a su história", em Sul Amé
rica. Rio de Janeir.
HOLDA, Nestr. 1965. Hnó d
paisagem caioa. Rio de Janeir, Le­
tras e A.
MOHS FILHO, Mello. 1979. Fest" e
tradições ppulaes no Br"il. Belo Ho­
rizonte, Itatiaia.
SANTOS, Noronha. 1965. As (reguesi"
dRio auigo. Rio de Janeiro, Cruzeiro.
2. Obr gerais:
ABREU, Marth. 1994. "Mães escavas e
flhos libertos: emancipaço e espaço
femno nas discusóes da Lei do 'Ven­
u Livre'. Rio de Janeiro, 1871" . A
Arbor, Universit of Michigan (wor­
king papr 5).
AEVEDO, Célia. 1987. Olld nega me
dbranco. Rio de Janeiro, Paz e Terra.
A, Riolando. 1977. "Evangelizaço e
presenç junto ao povo: aspectos da
história do Brasil", em Religião e cat�
licismo d pvo. Curitiba, Uno Cato do
Paraná.
BATIN, Mikhail. 1987. A cultura ]
pular na Idade Média e no
RelwcimcTto. São Paulo, Hucitec.
BOSCHI, Caio Csar. 1986. Os leigos e o
,
podr. São Paulo, Atc.
CARVPO, José Murilo de. 1988. "O Rio
de Janeiro e a Rpública", Cultura e
Cid, São Paulo, Marc Zero, AN­
PUH, n ô.
COSTA, Jurancir Freir. 1976. Ordm
méica e nonna{wnilia. Rio de Janei­
ro, Oraal.
CHMER, Wlly, VANSINA, Jan, e FOX,
Renée. 1976. "Religious movement in
Cental Aica: a theoreticl stud", em
Compw,atile studies in societ ad his­
tor. Cambridge, Cambridge
Universit Press.
GOMES, Flávio dos Santos. 1993. "Hist­
rias de quilombolas". Campinas,
Unicamp ( mimeo/tese de mestrado).
GOMES, Francis" José Silva. 1991. "
projet de néo-hrétienté dans le diocese
de Rio de Janeir". 'ulouse, Univeri­
té de 'lbulouse L. Mirail (tese de
doutorado).
FEA RUGIOA MLÛL DE JAIR 203
KH, Mar. 1987. Sla !ife in Rio t
Jaeiro. Princtn. Princetn Univer­
sity Prsa.
�T1�Z, A.ssanda. 1994. "ducre
insU: a educaço da criança ppular
no Rio de Janeiro no fmal do século
7. Niterói, UFF (monogafa ga­
duaçãoJ,
PRIORE, Mar deI. 1994. Fesla e utopiCl
no Brasil Clonial. São Paulo, Brasi­
liense.
bOS, Athur. s/d. O folclore neclO n
Brasil. Rio de Janeiro, Livraria Casa
do Estudante.
REIS, João José. 1991. A mor/ e uma
fesla. São Paulo, Cia das Ltras.
REIS, João José e SILVA, Eduardo. 1989.
Negociação e confito. São Paulo, eia
das Letas.
SCHWARCZ, Lilia. 1987. Relralo em
bra e m.São Paulo, eia dos L­
tras.
SLE�S, Rbr,t. 1991/1992. "Malug,
Ngoma vem: Afric cobert e decber-

t no Brail", Revista d USP, São Pau­
lo, n 12.
SOlHT, RcheI. 1994. "Subversão plo
riso: refexóes sobre reitênca e mc-
laridade cultural no caraval crioc,
1890-95". Niterói, UFF (mimeo/tes.
de profssor titular).
SOUZA, Lm Mello. 1986. O diabo e a
terra t SaÍa Cr. São Paulo, Cia d
Ltras.
VOGEL, Ao, MELLO, Marc Atnio
d Silva e BJ OS, José Flávio Pes­
soa. 1993. Agalinha d'angala. Rio de
Janeiro, Pallas.
WERNET, Augstn. 1987. A igrej,apa­
lisla n século XIX. São Paulo, Atic.
ØeæbíJ¡o¡ublícqdem@æmd1994)
Martha Abreu é prfesora de história
da Aérica na UFF e doutranda em his­
t6ria na Unicmp .