Temporada 03 Capítulo 42

A Tortura do Medo
By We Love True Blood

Imagine... someone coming towards you... who wants to kill you... regardless of the consequences.

Tara saiu da boate perto das quatro da madrugada. Ainda tinha na cabeça todo o acontecido desde que Sookita foi embora. Tentou ir atrás da amiga, mas foi impedida por Mariano. No momento Tara ficou brava com ele, mas depois entendeu que Sookita iria preferir ficar sozinha a ouvir as reprimendas que ela tinha na ponta da língua. Nem em um milhão de anos Tara sonharia em encontrar Sookita daquela maneira, fazendo sexo num escritório e com Eric. Se alguém tivesse falado meses atrás, ela sentaria no chão de tanto rir. No fundo sentia um pouco de inveja, pois a amiga tinha a vida sexual mais agitada que a dela. E Sookita com vida sexual era realmente o fim do mundo. Uma das amigas mais caretas e certinhas que Tara podia ter. Até falar de beijo era o suficiente para Sookita corar, agora as coisas tinham mudado e Tara teria que se acostumar com a nova faceta da amiga. O chocante de toda a história foi o retorno de Eric. Tara não esqueceria tão cedo os gritos raivosos dele para Pam e vice-versa. Os funcionários não ousavam cochichar e muito menos desviar o olhar dos dois. Quando Eric e Pam perceberam o show particular que estavam dando, Eric mandou todo mundo trabalhar ou seriam todos despedidos. Em seguida, ele saiu arrastando Pam pelo braço até os fundos da boate, só que mesmo lá de fora dava para ouvir os gritos e coisas quebrando. Mesmo a boate aberta, lotada, só se comentava o que tinha acontecido. Pam não voltou, só Eric e se trancou no escritório. Ninguém ousaria ir até lá perguntar se tudo estava bem, todos prezavam a cabeça que tinham sobre os ombros. Tara perguntou para Mariano o motivo da peruca rosa de Pam, mas ele mudou de assunto brincando quando seria o segundo encontro dos dois. Ela respondeu prontamente só quando ele contasse sobre Pam. Tara sabia ser persuasiva quando queria, ainda mais sabendo do interesse que Mariano tinha nela. Só que ele se manteve firme, nada disse e ela foi embora emburrada, negou a carona oferecida por ele.

Tara se sentou no último banco do ônibus que estava praticamente vazio, era o primeiro da linha, tinha desacostumado a pegar, pois Mariano a levava de carro. Sentia-se arrependia por ser tão cabeça dura de vez em quando. Ligou várias vezes para o celular de Sookita. Até que Bastian atendeu e falou que estava tudo bem, logo a levaria para a mansão. Tara questionou onde ele levou Sookita, e o vampiro desconversou insistindo para não se preocupar. Como Bastian parecia ser cachorrinho de Eric, não resolveu discutir e exigir pela amiga. E ela estava cansada também, só queria chegar em casa pra dormir. Ela caminhou correndo do ponto de ônibus até o apartamento onde morava. Já foi assaltada algumas vezes e não queria dar sopa para o azar. Girou a chave na porta, quando abriu para entrar, sentiu duas mãos nas costas que a empurraram com força para o pequeno Hall de entrada caindo aos pedaços como o resto dos apartamentos. “Pegue o que quiser. Meu celular não tem créditos.”, ela remexia na bolsa procurando pela carteira. “Não quero seu dinheiro, amada.” Tara levantou os olhos encontrando Lafayette parado com um sorriso cínico. Ele usava um boné e óculos escuros, se surpreendeu pela roupa dele não ser espalhafatosa. Seu primo era mais diva do que ela, disputavam esse posto desde criança. “O que faz aqui?”, ela deu um tapa no braço dele. “Hey, doida, não precisa me machucar. Já estou tão machucado aqui dentro.”, ele respondeu fazendo uma pose dramática. “Achei que estava vivendo à custa da polícia e bem longe daqui.” “Estava, amada, estava. Cansei de ficar trancafiado num motel cheio de baratas. Você sabe bem que não posso com bichos nojentos.”, ele disse irritado. “Eles te deixaram sair? Não iria depor... essas coisas?”, ela perguntou preocupada. “Eu sai fora. Enganei os vigias e me mandei. Sorte que uma das meninas me devia favores e aqui estou.”, ele disse estufando o peito orgulhoso. “Você é foragido e vem justo atrás de mim? Não quero me envolver nessa zona não, me deixa fora disso.”, ela começou a subir as escadas.

“Não sou foragido, sua doida. Eu era testemunha... testemunha.”, ele repetiu como se fosse algo importante. “Só que cansei de brincar de polícia e ladrão.” “Por acaso você viu alguma coisa mesmo? Ou mentiu pra aparecer?”, Tara perguntou sentando-se no degrau da escada. “Nossa, priminha. Pegou pesado agora. Eu amava Jason, ainda amo, não me recuperei, apesar de aparentar que estou bem. Não estou bem?” Ela confirmou com a cabeça, jamais diria o contrário, senão teria que aguentar horas de reclamação de Lafa se estava gordo, se a pele estava enrugada. “Eu vi o vampiro que atacou ele.” “Quem foi?”, Tara levantou de uma vez não escondendo a excitação. “Bem... ele era alto, forte, usava preto e era diabolicamente bonito. Te lembra alguém?”, Lafa assoprou as unhas da mão. “Não creio, não creio... Tem certeza que é Eric mesmo?”, Tara colocou a mão no peito tentando se acalmar. “Tem outro vampiro como ele nas redondezas?” “Lafa, pelo amor. Você tem certeza ou não?”, ela deu um tapa na cabeça dele. “Eu vi com esses olhos lindos aqui, amada. Arrancando o coração de Jason... nem gosto de lembrar.”, ele balançou a cabeça. “E agora você fugiu. Quando iria depor?” “Sei lá, estava demorando muito. Dependia de sei lá quem, uns vampiros chegarem.”, Lafa deu de ombros. “Sookita perguntou de você.”, Tara disse abaixando a cabeça. “Coitadinha dela... nem pude falar com ela o quanto Jason a amava.”, ele enxugou uma lágrima. “Lafa, se for Eric... isso irá destruir Sookita.”, Tara não deixou que ele a interrompe-se. “Depois eu explico, é complicado... muito complicado. Nem eu entendo.” Ela voltou a subir as escadas fazendo um movimento para que ele a seguisse. Lafa foi logo atrás de Tara, caminhava incomodado com o tênis que usava, não era acostumado a andar sem salto, sentia-se nu. “Nem posso ir para o La Puta Madre. Vão me procurar primeiro lá.”, ele disse pesaroso.

“Precisamos te esconder.”, ela abriu a porta do apartamento. --------------------------A primeira coisa que Sookita viu foram os olhos azuis de Eric, frios e distantes como era de costume. Ele a segurava pelo colarinho, falava entre dentes ameaçando. Ela tentava ouvir o que ele dizia, mas não conseguia. Ele a trouxe de encontro ao corpo, só que bem diferente da paixão das outras vezes. Ela tentou se soltar cravando as unhas no braço dele, não obteve sucesso, Eric era muito forte. De repente um barulho foi ouvido ao longe, ele a afastou olhando para os lados, parecia preocupado. Ela aproveitou a distração dele dando um chute no joelho. Eric a largou pelo susto com o ataque surpresa. Sookita tentou correr, mas como em todo sonho, mal conseguiu se mover. Ela gritava desesperada quando caiu no chão. Ele se aproximava cheio de más intenções, ela tinha certeza que não sairia viva. Sentiu um toque gelado no corpo, ela abriu os olhos encarando o teto acima. Não era a mansão de Bill, não tinha dúvidas quanto a isso. A cabeça doía do sonho estranho que teve. Eric a atacava e ela nem imaginava o motivo disso. Tinha um pressentimento ruim, mas queria afastar essa suspeita do coração. Ele tinha prometido, ela acreditaria até o final. Ela sentou na cama de solteiro tentando apagar da mente o sonho e o acontecido na boate. A vergonha e humilhação a perseguiriam por um bom tempo, ainda mais se a reconhecessem como a mulher do prefeito. Meu Deus, ela transando com Eric daquela maneira, isso passava longe de ser cristã, ela pensou esfregando as mãos. “Moça, você está bem?” Sookita levantou a cabeça se deparando com uma adolescente pálida como os vampiros. A menina estava sentada na outra cama de solteiro, passava as mãos na calça jeans nervosamente. Usava uma camiseta preta, muito maior do que ela. Sookita imaginou se não era uma roupa de Bastian. Respirou aliviada ao se lembrar do vampiro, ele atendeu ao seu pedido, provavelmente estava na casa dele. “Sim, bem melhor. Onde estou?”, Sookita perguntou sorrindo para a menina. “Na casa de Santiago. Ele está te esperando na sala.”, Maya devolveu o sorriso. “Desculpe minha pergunta, mas quem é você?”, Sookita disse ajeitando a saia, corou ao se lembrar de que estava sem calcinha. “Maya.”, ela estendeu a mão para Sookita. “Bastian é meu dono.”

“Eu sou Sookita Montenegro.”, Sookita devolveu o aperto de mão. “Bastian é seu dono?”, ela perguntou sem entender. “Não meu dono, ele me transformou.”, ela se levantou indo até o guarda-roupa ao lado da cama onde Sookita estava. “Quando aconteceu?”, Sookita se virou na cama para observar Maya. “Algumas semanas. Eu sou neófita.”, ela disse rapidamente remexendo numa das gavetas. “Por que ele te transformou?”, Sookita não conseguia esconder a estranheza com a situação. “Não me lembro e ele não me contou nada.”, Maya disse com uma pontada de ressentimento. “Você tem o direito de saber. É muita nova... não tem família?” “Não sei, talvez...”, Maya pegou uma calcinha na mão estendendo para Sookita. “Essa aqui está limpa, não usei ainda. Você parecia desconfortável.” Sookita se colocou em pé sentindo o rosto queimando. Se Maya tinha visto, outros também tinham. “Ah, não precisa ficar nervosa não. Eu vi porque te arrumei aqui na cama. E foi coisa rápida... fechei os olhos depois.”, Maya colocou a calcinha em cima da cama. “Obri... obrigada.”, Sookita agradeceu o gesto da vampira. “Você é muito gentil.” “Eu tive vontade de te morder. Não sou tão gentil assim.”, ela disse retorcendo as mãos. “E não mordeu. Pelo menos não vejo nenhuma marca.”, Sookita sorriu se olhando no espelho ao lado do guarda-roupa. “Aquele Eric é seu namorado?” Sookita engasgou após ouvir isso, nunca imaginaria essa palavra junto de Eric. Namorado só se o inferno congelasse, o que era impossível. “Não, não... nunca.”, ela respondeu olhando em volta do quarto. “Aquela é a porta do banheiro?”, ela perguntou na esperança de mudar o assunto. Maya confirmou com a cabeça indicando a porta da direita. Sookita entrou no banheiro, colocou a calcinha o mais rápido que conseguiu. Ainda nem tinha processado a leitura da mente que fez de Eric. Talvez isso a fez passar mal?

Ela balançou a cabeça fechando os olhos para relembrar o que tinha visto. Não conseguia se concentrar, sua mente estava agitada. Saiu do banheiro encontrando Maya sentada na beirada da cama, a vampira estava com uma expressão de preocupação. “Se quiser eu posso te fazer esquecer ele. Eu vi Pam fazendo isso antes.” “Eric...”, Sookita soltou um longo suspiro. “Hipnose não funciona comigo, sou imune.” “Eu acho que me apaixonei quando era viva. Gostaria de lembrar.”, Maya disse batendo levemente na cabeça com a mão. “Vou tentar uma coisa.” Sookita se aproximou de Maya, tomou as mãos da menina entre as suas. Fechou os olhos começando a se concentrar, igual fez com Jason naquela triste noite que parecia ter acontecido anos atrás. Puxava o ar e soltava em seguida. Se tinha conseguido um vislumbre raro da mente de Eric, talvez conseguisse algo com Maya. Apertou com força a mão da menina, se concentrou o máximo que conseguiu, só que nada surgiu em sua mente. Nem uma imagem, uma palavra, um pensamento. Apenas a própria mente de Sookita trabalhando sem parar. “E aí?”, Maya perguntou ansiosa. “Você fez alguma magia?” “Eu tentei ler a sua mente. Pelo jeito não funciona como imaginei.”, Sookita notou que Maya a encarava com os olhos arregalados. “Sou telepata.” “Deve ser muito legal. Imagina ler a mente da professora numa prova. Queria ter uma amiga como você.”, Maya bateu palmas. “Tara teve sorte...”, Sookita soltou uma risada alta. “Eu também, não posso negar.” Bastian abriu a porta do quarto fazendo uma careta vendo Sookita se divertindo com Maya. “Maya, saia fora.”, ele disse irritado. A vampira levantou de uma vez saindo rapidamente do quarto. “Bastian, por que tratou a menina dessa maneira?”, Sookita perguntou chocada. “Ela é uma encheção de saco.” “Você fez uma bela imitação de Eric.”, Sookita disse severamente.

“Eu te ajudei e é assim que me agradece?”, ele disse cruzando os braços. “Agradeço pelo que fez, mas não vou aprovar tratar Maya dessa maneira.” “Você conhece ela faz cinco minutos, só dizendo...”, ele revirou os olhos. “Cinco minutos foi o suficiente. Por que você a transformou?”, ela se aproximou dele na porta. “Uepa, o bichinho da Autoridade te mordeu?”, Bastian perguntou rindo. “Até você me interrogando.” “Uma menina inocente sendo transformada por um vampiro como você. Tem coisa errada nessa história.” “Um vampiro como eu? Agora me ofendeu, Sookita.”, ele franziu o cenho. “Não sou todo fodão como Eric. Se fosse ele você estaria toda... Oh, Eric... você pode tudo... porque é lindo!” Sookita desferiu um tapa na cara dele. Bastian levou a mão até o rosto assustado. Ela manteve a mão levantada demorando a perceber o que tinha feito. “Santiago está te chamando.”, ele disse num fio de voz. “Bastian... Bastian... por favor, me desculpe.”, Sookita disse tentando tocar no braço dele. “Você também me ofendeu como se eu fosse uma tarada por presas qualquer.” “Pelo menos fode como uma.”, Bastian disse se desvencilhando do toque dela saindo pelo corredor. As palavras dele tocaram fundo em Sookita. Ela colocou a cabeça entre as mãos, sentia vontade de sumir. Não sabia o motivo de perder o controle daquela maneira com Bastian. Ele sempre tinha sido tão bom e prestativo com ela. E agora ela tinha péssima fama, igual àquelas meninas na escola quando beijavam um garoto e a história se espalhava como fogo, depois todo mundo ficava olhando e apontando. Ela caminhou de cabeça baixa tentando recuperar o controle. Não havia sinal de Bastian no longo corredor. Havia várias portas e uma no fim dele. Sookita caminhou rapidamente abrindo a porta que dava para uma sala ampla, decorada com esmero. Até parecia com a mansão de Bill, as obras de arte também enfeitavam ali, deveria ser uma tendência entre os vampiros. Santiago estava sentado em frente uma janela dupla, havia uma mesa de xadrez a frente dele. A noite caía lá fora estrelada, Sookita nem fazia ideia de

que horas poderia ser. Bastian estava emburrado sentado numa poltrona na outra ponta da sala. “Bem-vinda a minha casa.”, Santiago disse com a costumeira educação. “Sente-se aqui, cara Sookita.”, ele apontou a cadeira do outro lado da mesa de jogo. “Obrigada.”, ela disse sem graça, não tirava da cabeça o tapa que deu em Bastian. “Bill virá busca-la daqui algumas horas.”, ele a encarou por baixo das lentes grossas dos óculos. “Seu segredo está seguro conosco.”, ele apontou para Bastian. “Eu disse que você veio nos visitar e conhecer Maya.” “Não precisava fazer isso, Santiago.”, ela disse agradecendo com a cabeça. “Logo Bill saberá que é corno.”, Bastian disse dando de ombros. “Bastian, não te ensinei a tratar as pessoas dessa maneira.”, Santiago disse constrangido. “Peça desculpas para Sookita.” “Não.” “Deixe-o... eu entendo.”, Sookita disse rapidamente. “Ele sabe que será punido.”, Santiago cerrou os olhos para Bastian. “De qualquer maneira, cara Sookita. Esperamos que o acontecido não se espalhe.” “Essa altura a cidade toda está comentando.”, Bastian deu uma risada maldosa. “Não me faça ir até aí, Bastian.”, Santiago disse entre dentes. “Nós tivemos uma pequena discussão.”, Sookita disse se mexendo na cadeira constrangida. “O tapa ainda está doendo.”, ele falou passando a mão na bochecha. “Não entendo vocês jovens.”, Santiago balançou a cabeça confuso. “Santiago, por que Maya foi transformada?”, ela perguntou de supetão. “Bastian foi punido por ajudar a filha do prefeito a escapar da Autoridade.” “O que ela fez?”, Sookita perguntou sabendo qual seria a resposta. “Eu dei a punição enquanto era Magistrado por ela ter te atacado. Não quisemos te trazer novamente para mais uma confusão na Autoridade.”

Sookita o olhou surpresa, isso deveria ter acontecido no mesmo momento que foi feita refém pelo Senador Morales. Depois com a morte de Jason, ela nem se lembrou de Jessica. “Não é mais Magistrado?” “Temporariamente. Em parte foi Bastian o culpado e a morte de seu irmão.”, ele retirou os óculos e os limpou com um lenço. “Não agi corretamente no problema envolvendo Jason.” “Tudo deu errado, tudo... eu não me conformo.”, ela escondeu o rosto novamente nas mãos. “Eu pedi para ele não se envolver com V.” “Eu não pretendia matar seu irmão. Muito menos a Autoridade. Não agimos assim com humanos. Ele receberia uma punição... mas, infelizmente a história não terminou como gostaríamos.”, ele disse com pesar. “Sophie-Anne foi me visitar, ela contou que logo um suspeito será preso.”, Sookita disse sentindo um nó na garganta. Estava preocupada com o rumo da conversa. “Aquela vaca foi te visitar?”, Bastian interrompeu horrorizado. “Bastian!”, Santiago gritou. “Ela quem me ferrou porque eu não falei...” “Não falou o que?”, Santiago se voltou para sua cria. “Não posso falar.”, ele se levantou da poltrona. Sookita olhava de Santiago para Bastian, o medo aumentando em seu coração. As imagens do que tinha sonhado e da mente de Eric dançando em sua cabeça. “Está com muitos segredinhos, Bastian.”, Santiago disse balançando as pernas que não alcançavam o chão. “Eu posso te obrigar a falar.” “Sookita não pode saber.”, Bastian juntou as mãos implorando. “Você sabe alguma coisa sobre Jason?”, ela perguntou ansiosa. “Talvez.” “Não me obrigue, sabe que não gosto de fazer isso.”, Santiago disse com os olhos marejados, ele se emocionava com facilidade. “Vou tapar os ouvidos. Não terá efeito.”, Bastian colocou as mãos nos ouvidos.

“Esse menino não aprende nunca.”, Santiago piscou para Sookita. “Fale tudo que sabe sobre Jason, Bastian.” O jovem vampiro soltou um grito de desespero, ele tirou as mãos dos ouvidos, desabou na poltrona. “Não quero ser dedo duro, eu sei o que acontece com eles.”, Bastian disse com um olhar distante. “Vamos. Eu e Sookita estamos esperando sua brilhante história.” Bastian balançou a cabeça resignado. Não tinha como fugir e muito menos mentir, Santiago saberia assim que abrisse a boca. Ele sabia que Sookita seria a mais prejudicada nessa história toda. Apesar de sentir bronca pelo que ela falou no quarto, gostava dela e não queria que sofresse. “Eu ajudei Jessica a fugir porque ela sabia o paradeiro de Jason. Não sei como, mas ela sabia, acho que tinha algum tipo de contato com ele.”, Bastian abriu os braços encarando Sookita. “Eu não faço ideia de que Jason estava de volta. Ele foi transferido.”, ela tentou manter a história criada por Bill, não trairia a confiança dele. “Seu casamento pode ter sido o motivo, cara Sookita.”, Santiago ajeitou os óculos no nariz para observá-la melhor. “Pode ser.”, ela disse baixo o suficiente para só os vampiros ouvirem. “Não ouvi direito.”, Santiago disse apontando para o ouvido. “Desculpe. Eu apenas concordei com o que disse, Santiago.”, ela sorriu, havia se esquecido que ele não tinha os poderes como o resto dos vampiros. “Está certo.”, ele sorriu de volta e virou-se para Bastian. “Continue, continue.” “Então... deixa eu lembrar... eu fui até o lugar que ele estava, um motel de beira de estrada. Esperei por um tempo ele aparecer, e quando saiu da toca, eu o segui até um puteiro.”, ele deu um sorriso de canto. “Acho que ele queria se divertir.” Sookita apenas meneou a cabeça. O relato de Bastian era sobre os últimos momentos de Jason vivo, ela começava a sentir fisicamente o impacto do que ele dizia. Respirou fundo algumas vezes, sentiu os olhares dos dois em cima dela. “Eu observava Jason de longe, não queria que ele me visse. Eu estava esperando o momento de chamar a SWAT da Autoridade.”, ele soltou uma risadinha, mas parou quando viu o gesto irritado de Santiago. “Só que ele se

assustou com um barulho, veio na direção de onde eu estava. Me escondi rapidamente no alto de um predinho... e ele foi para dentro de uma lixeira.” Algumas imagens começavam a fazer sentido para Sookita. A cena descrita por Bastian começava a se encaixar em seu quebra-cabeça mental. Ela tinha certeza de que realmente viu Jason ser atacado e morto. “Ah, cara... não sou bom pra contar histórias. Eu vi um vampiro tirando Jason da lixeira e o ameaçando. Droga... não quero fazer isso... por favor, Santiago.”, ele juntou as mãos implorando novamente. Santiago fez um movimento impaciente, Bastian olhou desolado na direção de Sookita. Ela estava petrificada na cadeira, não conseguia mover um músculo, nem sabia se ainda continuava viva diante da expectativa de descobrir o maldito assassino de Jason. “Eric pegou Jason da lixeira... foi Eric...”, ele abaixou a cabeça, não tinha coragem de encarar Sookita. “Ele... ele o pegou como?”, ela perguntou sem sentir o resto do corpo, parecia que estava fora dali, voando longe, onde não existia dor. “Pela gola da camisa, meio que sacudiu ele... essas coisas... você entendeu.”, ele disse olhando preocupado para Santiago. Santiago olhou entristecido para ela, estava tão pálida quanto ele e Bastian. Ele percebeu que ela agarrava o encosto da cadeira até os dedos não terem mais cor. “Sookita, minha cara Sookita... olhe pra mim.”, ele disse apreensivo, temia pelo pior. “Eu vi... eu senti Jason morrendo... aqui no meu peito.”, ela bateu no peito com força várias vezes. “A mente dele, meu Deus, a mente dele me mostrou... eu ignorei... eu... eu... não quis acreditar. Ele... o tempo todo...” “A mente de quem?”, Santiago perguntou com delicadeza. “Eu vi uma moça de cabelos negros, vi um rapaz de cabelos negros e... Jason. Eu não estava sonhando, estava alucinando de novo... eu estava onde ele esteve. O tempo todo na minha frente, eu nunca reparei... nos sinais... sou uma estúpida.”, ela continuava batendo no peito. “Bastian, vá até a cozinha, traga um copo de água com açúcar.”, Santiago olhou para o rapaz que estava imóvel observando Sookita. “Vá de uma vez, menino.”

Santiago se levantou indo até Sookita. Tocou devagar no ombro dela, precisava descobrir a mente de quem ela leu. Pelas descrições que ela deu, ele tinha uma vaga ideia de quem seriam. E como ela conseguiu ler a mente de um vampiro? “Sookita, Sookita.”, ele a chamou algumas vezes. “Você leu a mente de Eric?” “Coisa pouca... eu me assustei, não prestei atenção no que vi. Agora tudo faz sentido.”, ela olhou para ele com se não o visse. Bastian voltou correndo com o copo protegido nas mãos. Estendeu para Santiago que levou até a boca de Sookita, obrigando que tomasse. Ela bebeu alguns goles, fez uma careta e olhou para os dois vampiros para ter certeza de que não tinha morrido, desmaiado ou alucinado. “Vou ter que falar isso pra Delilah?”, Bastian perguntou para Santiago. “Talvez seja o mais acertado. Ela não ficará feliz por ter escondido algo tão importante.”, Santiago respondeu batendo levemente no rosto de Bastian. Sookita focava para entender a conversa dos dois, enquanto era inundada com as imagens de Jason e Eric. O que a tinha deixado tão cega? O impacto da morte de Jason? O surto que teve durante um mês? Ou o amor que sentia por Eric? Ele a tinha manipulado com maestria, principalmente quando a alertou que talvez algo acontecesse. Ele sabia que seria pego, fez toda aquela encenação sobre confiança, fez sexo com ela. Não podia ser verdade, ela balançou a cabeça em negação, ele não seria tão monstro assim. Ela tinha que confirmar se Eric era mesmo o principal suspeito. “Ela é responsável pelas investigações?”, Sookita disse depois de um tempo. “Sim e irá me comer vivo quando eu contar essa história. Pior, Eric também irá me pegar.”, Bastian disse voltando a se sentar na poltrona. “Não se preocupe.”, Sookita se colocou em pé. “Eu falarei com ela.” “Você?”, os dois vampiros gritaram juntos. “Leve-me até a Autoridade, Santiago.”, ela disse caminhando para a porta. -------------------------Santiago a levou com os olhos tapados, igual da primeira vez que foi com Bill. Ir até a Autoridade estava virando um hábito perigoso, só que agora ela tinha um motivo forte para estar ali, não era mais por causa de missão fracassada. Ela olhou para cima piscando para o único ponto de luz na sala de interrogatório. Estava sentada do outro lado da mesa retangular, a sala era parecida quando esteve ali anteriormente.

Só se sentia incomodada com a pouca luz, não entendia esse mistério todo. Santiago a levou para a sala indicada por Delilah. Ela estava esperando impaciente a chegada da moça. Pelo pouco que conversou com Santiago durante o trajeto até a Autoridade, Delilah era cria dele, foi transformada muitos anos antes de Bastian. Um novo foco de luz surgiu por baixo da porta que foi aberta por Delilah. Sookita lembrou imediatamente dela, a tinha visto no dia da punição para Bill e depois quando quase foi atacada por ele. E salva por Eric, todos os pensamentos que tinha acabavam nele. “Sookita Montenegro, finalmente nos encontramos de novo.”, Delilah sorriu enquanto se sentava na cadeira em frente à mesa. “Quem é o suspeito da morte de Jason?”, ela perguntou deixando as formalidades de lado. Delilah arregalou os olhos com a pergunta direta. Ela jogou uma pasta em cima da mesa, começou a revirar os papéis. “Sophie-Anne não te contou? Achei que foi te visitar para isso.” “Não me contou nada.”, Sookita disse impaciente. “Só é uma suspeita. Infelizmente os exames de sangue na cena do crime foram inconclusivos. As amostras foram contaminadas pelos policias incompetentes.”, ela deu uma leve batida na mesa. “Estamos nos guiando pelo testemunho de uma pessoa que está sob custódia da policia.” “Lafayette Escobar. Eu sei quem é.” “Como sabe? É confidencial. O assassino está à solta, não podemos perder nossa única testemunha.”, Delilah mexeu nos papéis buscando o testemunho de Lafayette. “Quero saber o que ele viu.”, Sookita se inclinou para encarar Delilah, a luz fraca só batia no meio da mesa. “Um vampiro alto, forte, todo de preto como um padre e lindo de morrer... ele descreveu dessa maneira o suspeito.”, Delilah deu um sorriso de lado ao se lembrar de Lafayette falando. “Pelas provas que coletei... tudo aponta para Eric Henrique Colunga.” “O que falta para o prenderem?”, ela perguntou fechando as mãos com raiva, apertaria até sentir o sangue escorrer. “O que temos até o momento é circunstancial, não podemos jogá-lo aos leões sem algo concreto.”, ela empurrou os papéis para Sookita.

“Eu o vi junto de Jason.”, ela disse sentindo o corpo estremecer. “Como? Não faz sentido ter escondido isso o tempo todo.” “Eu li a mente dele.” Sookita ouviu um barulho na parte de trás da sala, como se alguém tivesse se mexido. Ela encarou Delilah assustada, não imaginava que tinha mais alguém ali. O tremor no seu corpo aumentou, o medo crescente de que algo ainda iria acontecer. “Traga-o aqui.”, uma voz masculina disse na penumbra. Delilah concordou com a cabeça olhando para algo atrás de Sookita. Ela foi se virar para ter um vislumbre do que era, quando Delilah agarrou o braço de Sookita e mexeu a cabeça de um lado para o outro. “Deixe-nos.”, a voz falou novamente. Delilah arrumou rapidamente os papéis na pasta, saindo em alta velocidade da sala. Sookita sentiu vontade de gritar quando a pesada porta foi fechada. Ela não ousava se movimentar, levaria a sério o aviso no olhar de Delilah. “Como leu a mente do vampiro?” Sookita não o ouvia se movimentar pela sala, apenas a voz baixa e num tom ameaçador. Percebia o olhar dele nas costas, não conseguiu evitar certo desconforto em não poder vê-lo. Pelo menos saberia o que estava enfrentando. “Não sei, apenas vi as imagens.”, ela respondeu virando a cabeça de lado. “Consegue ler a minha mente?” Ela fechou os olhos, tentou se concentrar na figura dele na sala, mas não conseguiu captar nada. Apenas a mente dela estava ativa. “Não.”, ela disse olhando novamente de lado. “Faça um esforço.” Ela soltou um suspiro, não queria perder tempo com isso, queria resolver de uma vez a situação com Eric, ter certeza da culpa dele. Fechou novamente os olhos, manteve a mente livre de qualquer pensamento. Tentou se concentrar na presença dele, mas não viu nada. “Não consigo.”, Sookita disse se movimentando na cadeira. “Como saberei se não está mentindo que leu o vampiro?”

“Eu jamais estaria aqui se não tivesse certeza do que vi.”, ela apertou as mãos, gostaria de nunca ter visto o que viu e muito menos o que Bastian contou. “Todos aqui sabem da minha telepatia, nunca falhei no que me pediram.” “Está falhando agora.” “Afinal, quem é você? Fica se escondendo no escuro. Nem sei por que estou perdendo tempo falando com um estranho.”, ela ficou em pé. “Falando? Tem certeza?” “Não, estamos jogando conversa fora.”, ela começou a caminhar, quando a realidade dos fatos se fez presente, Sookita ficou estática. “Você... você... está na minha mente.” “Está tão acostumada a viver na mente dos outros.” “Como... como você faz isso? É um vampiro.”, ela se virou esperando encontrálo, mas não conseguiu vê-lo no escuro, nem um movimento sequer. “Eu não faço isso, eu sou isso. Assim como você também o é.” “Existem outros iguais você?”, ela não ousou dizer igual a ela, pois não era uma vampira e nem queria ser. “Não. Existem outros iguais você?” “Nunca encontrei ou soube de outra pessoa como eu.”, ela se sentou na cadeira esperando conter o assombro que sentia. “Só você.” “Eu tinha ouvido rumores de uma telepata no México.” “Por que eu não leio a sua mente?”, Sookita não quis focar no fato de existirem rumores sobre ela entre os vampiros, nunca parou para pensar no risco que correu em se expor para Bill e depois para a Autoridade. “Ainda tem muito que aprender.”, ele se movimentou na sala. “Não é mais virgem.” “O que?”, ela gritou envergonhada no quanto ele captou em sua mente. “Sua telepatia está evoluindo. Ler o vampiro foi apenas o começo. Eles virão até você.” “Eles quem? A Autoridade?” “Oh, eles já vieram.”, ele disse surpreso. “Quando?”, Sookita perguntou sentindo as mãos tremendo. “Seu longo sono.”

Ela não conseguia esconder o pavor que sentia. Ela não se lembrava de nada, por mais que tentasse. Ele tinha visto de alguma maneira em sua mente. Será que ele era também Eles? “Quem é você?”, Sookita perguntou. “Chamam-me de Executor.” Ela colocou a mão na barriga como se tivesse levado um soco. Ela estava diante da lenda que mais apavorava os vampiros de acordo com Sophie-Anne. Sookita começava a entender o pavor que ele provocava. Se como vampiro ainda conseguia ler mentes, provavelmente lia também os vampiros. E se descobrissem que ela leu a mente de Eric? Correria algum tipo de risco? Meu Deus, ela tinha se entregado de bandeja para Santiago e Delilah. “Eu irei extrair a verdade do vampiro. Com as imagens que vi em sua mente, encontrarei facilmente na dele.”, ele aproximou lentamente dela. “Esconda a sua nova habilidade.” “Eu já contei...”, ela disse num fio de voz. “Irei consertar o seu deslize.” “Você irá interrogá-lo?”, ela não teve coragem em pensar o nome de Eric. “Sim.” “Posso acompanhar?”, Sookita levantou da cadeira, mas foi contida pela mão fria dele que a obrigou a sentar novamente. “Não seria prudente. Você tem sentimentos pelo vampiro.” “Eu preciso descobrir a verdade.”, ela tentou se desvencilhar do toque dele, mas não teve sucesso, os dedos finos e longos dele a prendiam duramente. “A verdade nem sempre é o melhor caminho. A ignorância é uma benção.” “É o meu irmão... eu tenho esse direito.”, ela esfregou os olhos, não queria chorar na frente dele. “Que assim seja.” Ele se afastou dela. Sookita viu a porta abrir e se fechar, mas não conseguiu vê-lo passando por ali. Que tipo de vampiro ele era? Tão rápido que nem os olhos dela conseguiam captar. Ela desabou em cima da mesa, mexia a cabeça de um lado para o outro. Tanta coisa acontecendo de uma vez. O mais pavoroso de tudo era ter a mesma habilidade do Executor. E o mais doentio era querer que ele tirasse a verdade de Eric, não importando o que fosse preciso fazer.

---------------------------Delilah esperou os últimos clientes irem embora da boate de Eric. Estava parada do outro lado da rua quase uma hora, os dois guardas que trouxe em caso da situação sair de controle já demonstravam impaciência. Quando o segurança que tomava conta da entrada entrou na boate, Delilah sentiu que era o momento de agir. Ultimamente sobrava pra ela lidar com Eric, e ela gostaria de evitar isso o máximo que conseguia. Só que toda a investigação levava para ele, não tinha como escapar de mais um encontro. Ela o levaria para o Executor e voltaria a juntar as provas necessárias para Sophie-Anne divulgar na imprensa. A preocupação maior da Autoridade nesse momento era manter intacta a relação com os humanos, mesmo que só na superfície. Iriam manter escondida a suspeita de Jason ser envolvido com tráfico de V. Se divulgassem recairia sobre eles uma possível implicação na morte do rapaz. Era muito melhor tratar o policial como um nobre cidadão que foi atacado por um vampiro descontrolado. Delilah se voltou para os dois guardas, pediu que aguardassem ali fora, qualquer coisa os chamariam se precisasse conter o suspeito. Em seguida, ela entrou na boate. Fazia certo tempo que não visitava o local, uma das últimas vezes foi ainda na fase de investigação da identidade do policial. Ela passou várias noites no escritório de Eric. Mas, isso não significou que criaram algum tipo de vínculo. A boate já se encontrava vazia, apenas alguns funcionários cuidando da limpeza. Ela tocou no balcão chamando a atenção de Mariano. “Eric está por aqui?”, ela perguntou friamente. “No escritório.”, ele apontou para a porta com um olhar preocupado. Ela caminhou contando quantas pessoas continuavam ali, queria evitar o máximo possível em chamar atenção para quando o levasse. Ela bateu na porta duas vezes, esperou ele dizer alguma coisa. Ouviu ele resmungar algo e acreditou ser uma confirmação para entrar no escritório. Abriu a porta e se deparou com Eric sentado com a cabeça apoiada nas mãos em cima da mesa. “Eric?”, ela o chamou. Ele levantou a cabeça lentamente, fez um movimento com o ombro esquerdo sem dizer uma palavra sequer. “Acho que sabe por que estou aqui.”, ela disse se aproximando com cuidado da mesa.

“Sua chefa me alertou.”, ele retrucou com sarcasmo. “Não é para prendê-lo. É apenas mais um interrogatório.”, ela balançou as mãos. “Você não sabe jogar como eles. Seu tremor deixa claro que está mentindo.”, ele deu uma risada. “Estou fazendo o meu trabalho. E você faz parte dele.”, ela levantou a cabeça com altivez. “O Executor quem irá me interrogar?”, ele ficou em pé. “Infelizmente.”, ela disse com pesar, não gostaria de estar no lugar dele. “Uma plateia enorme deve estar ansiosa para assistir o show.”, ele pegou a jaqueta preta na cadeira e a vestiu. “Acho que só será você e ele.” “E toda a Autoridade olhando pelos buracos como se fosse um reality show.”, ele passou por ela indo até a porta. “Eric, me desculpe. Eu nem sei como ele se envolveu nessa história. Não sabia que o México teria a atenção dele.”, ela deu de ombros. “Não é o México, nem a Autoridade daqui. Os americanos me querem, não vão deixar a oportunidade escapar.”, ele segurou no trinco com tanta força quase arrancando a porta. “Está dizendo que armaram uma cilada?”, ela franziu o cenho. “Talvez. Não tenho mais certeza de nada.”, ele apontou a saída pra ela, em seguida saiu batendo a porta com raiva. Ele caminhava de cabeça baixa atrás dela, parou no balcão entregando uma chave para Mariano, passou algumas instruções e que ele avisasse Pam do que estava acontecendo. Eric nem sabia se Pam faria alguma coisa, a briga dos dois foi intensa e violenta. Ele tinha perdido completamente a razão após mandar Bastian levar Sookita embora. Sentia arrependimento pela briga com Pam, ela não merecia sofrer pelos erros dele. E iria sofrer mais ainda dependendo do que acontecesse na Autoridade. Ele sentia que talvez não saísse vivo de lá, era uma situação que fugia de seu controle, coisa que ele sempre manteve com muito afinco durante séculos. Quanto a Sookita, ele esperava que o amor dela fosse o suficiente para acreditar na verdade. Ele não queria machucá-la mais do que já tinha feito. Cometeu a bobagem de ir atrás de Jason, até chegou a perder o controle, só

que não foi as vias de fato, pois faltou coragem. Naquele momento ele descobriu que não sentia apenas desejo por Sookita, sentia algo profundo que ele manteve escondido o máximo que pode de si mesmo. Eric não queria perdê-la, não queria imaginá-la vivendo ao lado de Bill. Mas, não acreditava que Sookita o aceitaria por inteiro, com o lado negro que o consumia. Ele era um monstro, nunca foi diferente disso e sabia que o monstro não conseguia a mocinha no fim da linha. Por que ele deixou a redoma de proteção que usava ruir dessa maneira? Bastou sentir algo após tantos anos e novamente estava em perigo. Parou entre os dois guardas do lado de fora da boate, ele estendeu os braços para prendê-lo. Não existiam mais formalidades, por mais que Delilah quisesse disfarçar. Ele sabia da fama do Executor, pior do que a dele próprio, o que era até reconfortante. Eric estava cansando de ser sempre o pior da turma, pelo menos a presença do Executor deixava tudo meio empatado. Ele sentiu a prata das algemas queimando em sua pele, era apenas o prenúncio do que viria pela frente.