You are on page 1of 8

Lei 9.784/1999 – Regulamenta Processo Administrativo no Âmbito da Administração Pública Federal.

É uma Lei de âmbito FEDERAL, abrange a administração direta e indireta, de todos os poderes da União no desempenho da função administrativa. De caráter supletivo ou subsidiário (ex. PAD da lei 8.112/90, aplicar-se-á subsidiariamente as normas da lei 9.784/99). _ órgão = unidade de atuação que integra a estrutura da administração direta e indireta; _ entidade = unidade de atuação dotada de personalidade jurídica; _ autoridade = servidor ou agente dotado de poder de decisão. Princípios:                   Legalidade Finalidade Motivação Razoabilidade Proporcionalidade Moralidade Ampla Defesa Contraditório Segurança jurídica Interesse público Eficiência Informalismo Oficialidade Verdade material Gratuidade Indisponibilidade do interesse público Publicidade Celeridade processual

Direitos e Deveres dos Administrados Direitos: ser tratado com respeito; ter ciência da tramitação dos processos administrativos; formular e apresentar documentos antes da decisão; fazer-se assistir, facultativamente, por advogado. Súmula vinculante 5 “A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição”

Deveres: expor os fatos conforme a verdade; proceder com lealdade e boa-fé; não agir de modo temerário; prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. - Direito a tramitação prioritária: Lei 12.008/2009 acrescentou o art. 96ª à Lei 9.784/99 estabelecendo hipóteses em que haverá tramitação prioritária: a) pessoa com idade igual ou superior a sessenta anos; b) pessoa portadora de deficiência, física ou mental; c) pessoa portadora de doença grave. Início do processo De oficio ou por provocação. Requerimento Inicial Regra: requerimento escrito -> salvo nos casos em que é admitido de forma oral e reduzido a termo. Elementos:      Órgão/entidade a que se dirige; Identificação do interessado ou do representante; Domicílio do requerente ou local para comunicação; Formulação do pedido, com exposição dos fatos e fundamentos; Data e assinatura do requerente ou representante.

Obs.: a administração não pode recusar imotivadamente, devendo orientar o requerente quantos as falhas. Competência => é irrenunciável, salvo delegação e avocação admitidas em lei. Delegação – não há necessidade de ser para um subordinado hierarquicamente inferior. Não pode haver impedimento legal. O ato de delegação deverá especificar as matérias, os poderes, os limites, a duração e os objetivos. É revogável a qualquer tempo. NÃO PODEM SER OBJETO DE DELEGAÇÃO: ANOREX Competência Exclusiva Decisão em Recurso Atos Normativos

Avocação: excepcional e por motivos relevantes, temporária e de órgão hierarquicamente inferior. Impedimento – interessado e o servidor (sob pena de falta GRAVE) Suspeição – cabe ao interessado, sob pena de PRECUSÃO. Forma – regra: informalismo, mas a lei 9.784/99 estatui exige algumas exigências, quais sejam, devem ser escritos, em vernáculo, contenham a data e local em que foram assinados e que as paginas serão numeradas sequencialmente e rubricadas. Reconhecimento de firma – exigido se houver disposição legal que imponha ou que haja dúvida quanto à autenticidade. Fica dispensada também (segundo o decreto 6.932/2009), em qualquer documento produzido do Brasil que se destine a fazer prova junto a órgãos e entidades da administração pública federal, quando assinado perante o servidor público a quem deva ser apresentado. Tempo – Regra geral: em dias úteis, no horário normal de funcionamento da repartição. Mas poderá ser concluído depois do horário normal se o adiamento prejudicar o procedimento ou causar dano ao interessado ou à administração os atos já iniciados. Local – regra: devem ser praticados na sede do órgão. Mas poderão ser realizados em outro local, hipótese em que o interessado deverá ser informado. Prazo – quando não há lei especificando o prazo para pratica do ato será o prazo genérico de 5 dias, salvo motivo de força maior, podendo ser prorrogado por mais 5 dias se houver justificava. Intimação do interessado – dar ciência ao interessado de ato praticado no processo em que deva, dependendo ou não, comparecer. “devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e atos de outra natureza, de seu interesse”. Intimação: identificação do intimado e nome do órgão; finalidade; data, hora e local em que deve comparecer; se deve comparecer pessoalmente ou fazer-se representar; informar da continuidade do processo independente do comparecimento; indicação dos fatos e fundamentos legais pertinentes. Se for indispensável o comparecimento do interessado, a intimação deverá ser feita com, no mínimo, 3 dias úteis de antecedência. Forma da intimação: a) Pessoal, provada pela ciência no processo, anotado por ocasião do comparecimento à repartição do interessado ou do representante; b) Por via postal, com AR (aviso de recebimento), ou por telegrama; c) Por outros meios, desde que assegurem a certeza da ciência do interessado; d) Por meio de publicação oficial, no caso de interessados indeterminados, desconhecidos ou com domicílio indefinido.

Não há ordem de preferência nas 3 primeiras, e na 4ª só no caso de interessados desconhecidos, indeterminados ou com domicílio indefinido. As intimações que desatendam as prescrições legais serão nulas, mas supridas com o comparecimento do interessado. (principio da instrumentalidade das formas – mesmo que não seja obedecida a forma prescrita, considera-se suprida a falta se atingida à finalidade). Principio da verdade Material – não se pode, pelo fato de desatendida a intimação, imputar ao interessado a presunção de culpa, ou de confissão, ou de renúncia a direito. Não há preclusão do direito de defesa, a qualquer tempo pode o interessado assumir sua defesa, entretanto, o faz com o prosseguimento do processo, sem a retroação das fases processuais.

Instrução: averiguação e comprovação dos dados necessários à tomada de uma decisão fundamentada. Pode ser de oficio – princípio da oficialidade -> adotar providencias que se mostrem necessárias à adequada instrução do processo para fundamentar a decisão. Não obsta que o interessado também pratique atos. Inadmissibilidade de provas obtidas por meios ilícitos. Ônus da prova – cabe ao interessado nos fatos por ele alegados. Salvo, fatos e dados registrados em documentos existentes na administração, que proverá de oficio os documentos. Consulta pública – assunto de interesse geral, faculdade da administração, em que terceiros, os que não são legitimados para estar no processo, podem fazer alegações por escrito à administração, e ela responderá a todas, podendo dar respostas iguais as que forem substancialmente idênticas. Audiência pública – quando a autoridade entender ser relevante a matéria, poderá realizar audiência pública para debates sobre a matéria do processo. Os interessados podem, durante toda fase instrutória até antes da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligencias e pericias e aduzir alegações. A administração só pode recusar, fundamentadamente, provas propostas pelo interessado quando forem ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Quando for necessária a prestação de informação por terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionando a data, prazo, forma e condições de atendimento. Caso seja para a produção de prova ou realização de diligencia, a intimação será feira com antecedência mínima de 3 dias úteis mencionando data, hora e local da realização. Não sendo atendida uma determinada intimação, o órgão competente poderá suprir de oficio se entender relevante a matéria, suprida ou não, não exime a administração de proferir uma decisão. Contudo, se ficar entendido que é de vital importância, poderá a administração

determinar o arquivamento do processo (caso em que a decisão será devidamente fundamentada). Regras relativas à produção de pareceres por órgãos consultivos: a) O prazo para emissão de parecer é de 15 dias, salvo norma especial ou necessidade comprovada de maior prazo. b) As consequências da não emissão de parecer no prazo fixado são as seguintes:  Tratando-se de parecer obrigatório e vinculante: paralisação do processo até a apresentação do parecer, com responsabilização de quem deu causa ao atraso;  Tratando-se de parecer obrigatório e não vinculante: o processo poderá ter prosseguimento e ser decidido com dispensa do parecer, responsabilizando-se quem deu causa à omissão no atendimento da exigência de emissão do parecer. Laudos técnicos – não cumpridos os prazos, a autoridade determinará que outro órgão de capacidade e qualificação equivalentes o façam. Encerrada a instrução – abre-se prazo de 10 dias para manifestação do interessado, salvo outro prazo legalmente fixado; Em caso de risco iminente pode a administração motivadamente adotar providencias acauteladoras sem a prévia manifestação do interessado. Concluída a instrução, a administração tem o prazo de 30 dias para proferir uma decisão, prorrogável, por igual período, motivadamente. Caso o órgão responsável pela instrução não seja competente para proferir a decisão, elaborará um relatório e a proposta objetivamente justificada de decisão, encaminhando-o à autoridade competente para decidir. Desistência e extinção do processo. O interessado poderá desistir total ou parcialmente do pedido por manifestação escrita, ou, ainda, renunciar a direitos DISponíveis. A desistência ou renuncia não prejudica a continuidade do processo se houver interesse público e nem aos demais interessados. O órgão competente poderá declarar extinto o processo quando exaurida sua finalidade ou o objeto da decisão se tornar impossível, inútil ou prejudicado por fato superveniente.

Motivação: os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública;

IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII – importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.

Da anulação, revogação e convalidação. A administração DEVE anular seus próprios atos, quando eivados de vicio de legalidade, e PODE revogá-los por motivo de conveniência e oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. O direito de a administração anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para o destinatário decai em 5 anos, contados da data que foram praticados (se possuem efeitos contínuos, conta-se à partir do 1º pagamento), SALVO comprovada má-fé. Se não acarretar lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros poderão ser convalidados os ato que apresentam defeitos sanáveis pela própria administração.

Recurso: por motivo de legalidade ou discussão de mérito administrativo, o recurso é hierárquico. No máximo 3 instancias (na lei 9.784/1999, não se excluindo outras disposições legais, lembrando que a lei 9.784/99 é usada de forma subsidiária). Prazo – 10 dias da ciência da decisão. (Prazo preclusivo, próprio = interposto fora do prazo não será conhecido). Legitimidade: I – os titulares de direitos e interesses que forem parte no processo; II – aqueles cujos direitos ou interesses forem indiretamente afetados pela decisão recorrida; III – as organizações e associações representativas, no tocante a direitos e interesses coletivos; IV – os cidadãos ou associações, quanto a direitos ou interesses difusos.

O recurso é recebido pela autoridade que proferiu a decisão, que se manifestará no prazo de 5 dias pela aceitação ou não do recurso. Aceitado o recurso = reconsideração pelo próprio servidor prolator da 1ª decisão.

Recusado o recurso = encaminha a autoridade superior. – 30 dias para decidir, prorrogável por igual período. (prazo improprio = descumprimento não acarreta nulidade – apura-se responsabilidade) Nos casos da decisão contrariar Súmula vinculante, a lei 11.417/2006 dispõe que a autoridade que recusar recurso com base em súmula vinculante deverá expor os motivos da aplicabilidade ou não da mesma. Esgotada as vias administrativas, pode o interessado interpor reclamação no STF. Garantia de instância (caução) – Lei 9.784/1999 = pode haver com previsão legal. STF – Súmula vinculante 21 = “É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo”. O recurso, salvo disposição em contrario, não tem efeito suspensivo, ou seja, a execução da decisão não se suspenderá pela interposição de recurso. Entretanto, pode a autoridade recorrida ou superior, de oficio ou a pedido, se houver receio de prejuízo de difícil ou incerta reparação. O recurso não será conhecido quando interposto: I – fora do prazo; II – perante órgão incompetente; (deverá ser indicada a autoridade competente e devolvido o prazo para recurso) III – por quem não seja legitimado; IV – após exaurida a esfera administrativa. A administração pode rever de oficio ato ilegal (principio da autotutela), mas não quando ocorrido à preclusão administrativa (impossibilidade de apreciar novamente a matéria na via administrativa) e na situação de prescrição judicial (Decreto 20.910/1932 – prescrição quinquenal das ações contra a fazenda pública). O órgão competente para decisão do recurso possui poderes para confirmar, modificar, anular ou revogar, total ou parcialmente a decisão recorrida. Inclusive, a possibilidade de a instância superior reformar a decisão em prejuízo do recorrente (Reformatio in pejus), situação em que se dará ciência ao interessado para que formule suas alegações antes da decisão. Os processos que resultem em sanções podem ser objeto de REVISÃO a qualquer tempo, quando surgirem fatos novos ou circunstâncias relevantes suscetíveis de justificar a inadequação da sanção aplicada. A revisão pode ocorrer de oficio ou mediante provocação, sendo proibida a revisão dos processos de que resultem sanções que acarretem o agravamento da penalidade. Recurso ≠ Revisão No recurso pode haver o reformatio in pejus.

Na revisão é defeso o reformatio in pejus.

Contagem dos Prazos A) Os prazos começam a correr da data da cientificação oficial, excluindo-se o dia do começo e incluindo-se o do vencimento; B) Se o vencimento cair em dia em que não houve expediente, ou este foi encerrado antes da hora normal, considera-se prorrogado o prazo até o primeiro dia útil seguinte; C) Os prazos expressos em dias cotam-se de modo contínuo; D) Os prazos fixados em meses ou anos contam-se de data a data; se no mês do vencimento não houver o dia equivalente àquele do início do prazo, tem-se como termo o último dia do mês; E) Salvo motivo de força maior devidamente comprovado, os prazos processuais não se suspendem.