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1 de 21Work in Progress JUNQUEIRA ANTIGA - DOCUMENTO 2 – ANO 1940 - Nelson Ferreira da Silva

Ano de 1940

13 de Abril de 1940

Ricardo Severo
Ricardo Severo, que há dias se finou em S. Paulo, Brasil, foi um grande
português que com fervor religioso estudou as origens da sua terra,
amorosamente lhe quis e através da sua longa e afanosa vida sempre
procurou servi-la, pela sua preclara inteligência, o seu nobre carácter, a sua
vasta cultura, a sua fé sempre renascente, a sua incansável e fecunda
actividade.
No Brasil o seu nome aureolou-se dum extraordinário prestígio, brasileiros
e portugueses se irmanando no respeito e na admiração que lhe
tributavam.
E bem merecia a sua vida e a sua obra, que os anos não desluziram, esse
respeito e essa admiração de que mais uma vez teve em manifestações
calorosas, de expressiva unanimidade, o alto e consagrador testemunho.
Ricardo Severo era um cientista dos mais notáveis e um técnico dos mais
competentes.
Deixa em vários trabalhos assinalados o muito que sabia dos assuntos que
para o seu estudo preferia, e bem como sabia dizer do muito que
aprendera e descobrira. E S. Paulo, onde principalmente e no transcurso de
largos anos, a sua preciosa actividade se exerceu, afirma, nas
transformações notáveis por que passou, sobre a sua direcção e impulso, a
sua altíssima competência de trabalhador consciente e corajoso.
Ricardo Severo podia ter orgulho da sua vida e do respeito afectuoso de
que soube cercá-la.
Homem de princípios sempre aos seus princípios permaneceu fiel. Mas era
tal a elevação com que os mantinha, tão clara a sinceridade com que os
guardava que os adversários desses princípios nem por isso deixavam de ser
seus amigos e seus admiradores, sendo dos primeiros nas homenagens e
aplausos que à sua obra se prestavam.
O fundador e orientador da Portugalia, o director da Revista de Ciências
Naturais e Sociais, o autor proficiente e sempre brilhante de tantos estudos
sobre coisas portuguesas, o cidadão exemplar e o trabalhador sem férias
que tão alto, e só pelo seu esforço, soube impor-se, bem merecia, repetimos,
que assim lhe quisessem e assim o festejassem.
Era um grande português, que nunca se esqueceu de que o era, e que em sê-
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lo com todas as límpidas virtudes da sua raça sempre timbrou. Justificado é


assim o sentimento profundo que a sua morte causou em Portugal e Brasil,
sentimento que bem se mostrou na homenagem unânime que a imprensa
dos dois países rendeu à sua memória.
É que são cada vez mais raros os homens da sua estatura mental e moral,
são cada vez mais raras as lições de educadora nobreza como as que na
sua vida se compendiavam.
Renovação sente a morte do grande português, e envia a toda a sua ilustre
família a expressão das suas condolências muito sinceras.
Ricardo Severo, quando veio a Portugal em 1935, residiu na sua casa de
Casal de Pedro, Junqueira, deste concelho, onde tinha sua veneranda Mãe,
há pouco também falecida. Ali foram cumprimentá-lo representantes da
nossa Câmara, deferência que a Ricardo Severo muito penhorou.

Éditos de 20 dias
1.ª Publicação
Na 2.ª Secção da Secretaria judicial desta comarca, correm seus termos
uns autos de execução por custas e selos que o Ministério Público
move contra José Fernandes da Costa, solteiro, maior, residente na
freguesia da Junqueira, desta mesma comarca, e nos mesmos autos
correm éditos de vinte dias, citando os credores desconhecidos para no
prazo de dez dias, findo o dos éditos, a contar da última publicação do
presente anúncio, deduzirem os seus direitos naquela execução, nos
termos do art. 865 do Código do Processo Civil.
Vila do Conde, 5 de Abril de 1940.
O Chefe da 2ª Secção
Mário d´Oliveira Macedo
Verifiquei:
O Juiz de Direito
Alberto Direito

20 de Abril de 1940

Nomeações
Foram nomeados regedores efectivos e substitutos das freguesias de
Junqueira, (…), respectivamente os srs. Joaquim Gomes da Silva (…).

Junqueira, 15
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A Renovação voltou a ver a luz da publicidade. Vila do Conde


precisava, na verdade, de possuir ao menos um jornal que lhe enalteça
as suas belezas, lhe advogue as suas necessidades, lhe defenda os seus
direitos e até lhe aponte os seus erros, não para denegrir quem muitas
vezes na melhor das intenções os comete, mas para os emendar, os
corrigir.
O concelho ignorava-se. Apenas de longe em longe, no cantinho dum
jornal diário, lá vinha uma notícia de qualquer freguesia do concelho, a
descrição muito sucinta de qualquer facto nele ocorrido. Não bastava. É
preciso que se saiba que Vila do Conde existe, e Vila do Conde era um
concelho em hibernação.
Por isso, saudámos o campeão que reaparece, gentil e com os bons
propósitos de sempre, desejando-lhe vida longa e sem abrolhos, assim
como saudámos, com a mesma veemência, sinceridade e simpatia, o seu
ilustre director, nosso prestante conterrâneo, sr. Dr. Carlos Pinto
Ferreira.
- Esta freguesia, com aspirações modestas, viu as suas necessidades mais
instantes satisfeitas. As suas estradas estão em regular estado de
conservação, para que o muito tem concorrido a actividade e zelo do
digno vereador, nosso conterrâneo, sr. Horácio Nogueira, que com a
mesma solicitude cuida dos interesses das restantes freguesias do seu
pelouro; viu satisfeito o seu pedido da criação do segundo lugar da
escola masculina; e conseguiu, embora com sacrifício enorme, o grande
melhoramento da luz eléctrica. Mas, parara dizem que é morrer. E nesse
caso a freguesia deseja agora ver convenientemente instalada a escola
feminina e aqui montado um posto telefónica. Esperamos confiados.
- Foi aqui muito sentida a morte do grande português e nosso ilustre
conterrâneo, sr. Dr. Ricardo Severo, há dias ocorrido no Brasil. Na
próxima quinta-feira, às nove horas, celebra-se na nossa igreja uma
missa por sua alma.
- Aguardam, ansiosos, licença para emigrarem para a França, numerosos
indivíduos desta freguesia, artistas e jornaleiros.
- Foi nomeado regedor efectivo desta freguesia o sr. Joaquim Gomes da
Silva, proprietário, do lugar do Folão. É uma pessoa prudente e recta. O
que é preciso é que ele assuma, de facto, as suas funções.
- Tem estado doente o sr. Manuel Ferreira Amorim, vogal da Junta desta
freguesia. Desejamos as suas melhoras. - C.

Éditos de 20 dias
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2.ª Publicação
Na 2.ª Secção da Secretaria judicial desta comarca, correm seus termos
uns autos de execução por custas e selos que o Ministério Público
move contra José Fernandes da Costa, solteiro, maior, residente na
freguesia da Junqueira, desta mesma comarca, e nos mesmos autos
correm éditos de vinte dias, citando os credores desconhecidos para no
prazo de dez dias, findo o dos éditos, a contar da última publicação do
presente anúncio, deduzirem os seus direitos naquela execução, nos
termos do art. 865 do Código do Processo Civil.
Vila do Conde, 5 de Abril de 1940.
O Chefe da 2ª Secção
Mário d´Oliveira Macedo
Verifiquei:
O Juiz de Direito
Alberto Direito

27 de Abril de 1940

Doentes
Encontra-se completamente restabelecida a exma. Sra. D. Mariana
Barrosa da “Quinta da Boa-Vista”, da Junqueira.

18 de Maio de 1940

Junqueira, 23
(Retardada na Redacção)
Na passada quinta-feira, às nove horas, celebrou-se na nossa igreja uma
missa pela alma do sr. Dr. Ricardo Severo, há pouco falecido em S.
Paulo, tendo aquele religioso acto sido muito concorrido.
- Encontra-se bastante doente o nosso conterrâneo sr. José Gomes da
Costa, proprietário, do lugar da Garrida.
- As mordomas trabalham activamente nas ornamentações para a festa
do Ssmo. Sacramento, que se realiza no mês de Maio em dia que
oportunamente noticiaremos.
- A Primavera continua a fustigar-nos (-) com vento, chuva e até (-).
Cerejeiras, (-) e outras árvores ainda (-) repletas de flores, que (-) o
encanto dos nossos olhos e a esperança dos seus donos, pelo produto
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que delas contavam colher, num instante ficaram despojadas dos seus
lindos enfeites multicolores.
Primavera agreste, Primavera hostil. - C.

Junqueira, 7
Faleceu segunda-feira, após curtos dias de sofrimento, o sr. Manuel
Fernandes das Neves, proprietário, do lugar da Garrida. O seu funeral
realizou-se ontem às oito horas da tarde, tendo sido bastante
concorrido.

25 de Maio de 1940

Regressos
De Benguela, regressou à sua casa na Junqueira a exma. Sra. D. Maria
José Patrício, acompanhada de seu marido e gentil filhinha.

Junqueira, 20
No próximo domingo realiza-se nesta freguesia, com grande
brilhantismo, a festa anual em honra do Ssmo. Sacramento.
Da parte da manhã haverá na nossa igreja missa solene, às 10 horas, e
outras cerimónias religiosas, e de tarde, após o sermão que está
confiada a um distinto pregador, sairá uma majestosa procissão, na qual
se incorporarão todas as irmandades e confrarias com as suas
respectivas insígnias e emblemas, percorrendo o préstito o costumado
itinerário. A rua, desde a igreja à capela da Senhora da Graça, será
caprichosamente ornamentada, em cujos enfeites trabalha há muito a
briosa juíza, a menina Isménia Ferreira de Azevedo, filha do sr.
Francisco de Azevedo Ramos e várias mordomas.
- Chegou a esta freguesia, após uma longa ausência em África,
acompanhada de seu marido e filhinha, a sra. D. Maria José Patrício,
sobrinha do sr. José da Costa Faria, nosso benquisto conterrâneo.
(…)
- Foram há dias cortadas algumas videiras americanas, pela respectiva
brigada móvel, a alguns proprietários mais rebeldes desta freguesia e de
Rio Mau. Que os que ainda teimam em quererem ser mais de que os
outros, ponham os olhos naquele exemplo…
- A Junta da Freguesia de Junqueira enviou um telegrama de felicitações
ao sr. Presidente do Conselho e Ministro dos Estrangeiros pela
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assinatura da Concordata entre Portugal e a Santa Sé. - C.

1 de Junho de 1940

Profilaxia da Tuberculose Bovina


Pedem-nos para avisar os donos ou responsáveis pelas fêmeas bovinas
de raças leiteiras, ou resultantes dos seus cruzamentos, existentes na
área do nosso concelho, para apresentá-las, a fim de serem registadas e
tuberculizadas, no dia, hora e local abaixo mencionados:
(…)
No dia 15, Junqueira, junto ao Talho, às 8 horas.
(…)

22 de Junho de 1940

Comemoração Centenárias
O Cruzeiro da Independência, afortunada iniciativa do nosso querido
amigo e ilustre colaborador Rev. Padre Moreira das Neves, foi acolhida
pelas freguesias do nosso Concelho com aquele superior sentido patriótico e
cristão que requeria e tanto as enaltece.
Já várias freguesias, segundo testemunham correspondências insertas neste
jornal, realizaram a sua festa do Cruzeiro, todas elas pondo o melhor do
seu desvelo e carinho na elaboração do seu programa.
Ultimamente outras se lhes seguiram. O que elas foram, dizem-no os relatos
que a seguir publicamos.

Junqueira, 17
Festas Centenárias e Cruzeiro da Independência - As comemorações
centenárias da Fundação e Restauração, que aqui tiveram o seu início
no dia 2 do corrente, conforme o programa geral, com várias
cerimónias patrióticas nas escolas oficiais desta freguesia, atingiram
ontem o maior brilhantismo, associando-se a todos os actos numerosa
multidão de povo desta e das freguesias vizinhas. Bastantes casas
ostentam, desde a gloriosa jornada de Guimarães, às respectivas janelas,
bandeiras da Fundação, o que mostra que nesta terra já sopra uma
salutar rajada de civismo. Às cinco horas da tarde surgiu lá em cima,
junto à capela da Senhora da Graça, a Bandeira Nacional conduzida por
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uma aluna da escola feminina, vindo atrás todas as alunas da mesma


escola com pequeninas bandeiras da Fundação e lindos ramos de flores,
marchando duma forma impecável em direcção à escola masculina
onde se encontravam também já formados os alunos daquela escola.
Organizou-se então um vistoso cortejo com os alunos das escolas dos
dois sexos com as respectivas bandeiras, o reverendo Pároco, gente da
freguesia, regedor, dr. Carlos Pinto Ferreira, Delegado de Saúde, várias
outras pessoas de representação social e muito povo. Começou então a
deslizar o lindo cortejo em direcção à igreja, cantando as crianças no
percurso lindas canções patrióticas. O vasto templo encheu-se de povo.
Após várias cerimónias religiosas o cortejo pôs-se de novo em marcha
em direcção ao lindo Cruzeiro que fica próximo e onde se ia proceder
à inauguração da lápide comemorativa dos dois centenários.
O reverendo Pároco procedeu à descerração da lápide, sendo este um
momento de intensa emoção.
As crianças, aproximadamente em número de 150, fizeram continência,
cantaram o hino nacional, repicaram os sinos e subiram foguetes ao ar,
enquanto o augusto símbolo subia, lentamente, desfraldado ao vento.
Seguiu-se depois uma sessão solene no mesmo local, num estrado
previamente preparado, que decorreu com o maior interesse e elevação.
Falaram os srs. Reverendo Pároco, que presidiu, dr. Carlos Pinto Ferreira,
professores D. Ernestina Sá, Figueiredo e Costa, tendo numerosos alunos
e alunas recitado com muita arte lindas poesias e proferidos patrióticos
discursos, tendo sido todos os oradores muito aclamados.
Proferiram discursos e poesias os seguintes alunos:
Manuel Corval, A nossa história; Mário Soares, Portugal; José Amorim,
Egas Moniz; Alfredo da Costa, Nuno Álvares Pereira; Adilia Costa,
Migalhas; Manuel Cerqueira, Sonho de Pomba; Rui Lopes da Costa, Lenda
Polaca; Orlando Pinto Ferreira, A nossa Pátria; Adília Costa, Os
pobrezinhos; Manuel Corval, Fidalgo toleirão; Idalina Curval, Um Rico que
passa; e Maria Emelina Pinto Ferreira, Jesus em Pequenino.
Tomaram assento na mesa a Junta de freguesia, regedor, e o sr. Horácio
da Silva Nogueira, vereador da Câmara.
Foi uma verdadeira lição de civismo, que deixou a numerosa assistência
muito bem impressionada. - C.

29 de Junho de 1940
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Arrematação
1ª Publicação
No dia 23 de Julho, próximo, pelas 12 horas, à porta do Tribunal
Judicial desta comarca, há-de proceder-se à arrematação em hasta
pública, por maior lanço que for oferecido acima do seu valor, seguinte
PRÉDIO
Uma morada de casas com quintal, sita no lugar da Boucinha, freguesia
de Junqueira, desta comarca descrita sob o número 16.757, avaliada na
quantia de 5.000$00.
Procede-se a esta arrematação por virtude da execução por custas e
selos que o Ministério Público nesta comarca move contra José
Fernandes da Costa, solteiro, da referida freguesia da Junqueira.
Vila do Conde, 22 de Junho de 1940.
O Chefe da 2ª Secção
Mário de Oliveira Macedo
Verifiquei:
O Juiz de Direito,
Alberto Direito

6 de Julho de 1940

Junqueira, 2
S. Pedro foi aqui bastante festejado. A cada passo se nos deparava com
uma artística cascata em honra do venerado detentor das Chaves
Celestes, com mastros e cordas e mais decorações bizarras. À noite não
faltavam também as girândolas de fogo real, aqui e acolá, mantendo-se
e evidenciando-se as velhas tradições de muita simpatia do povo pelo
santo claviculário.
- No próximo sábado realiza-se na igreja paroquial desta freguesia o
auspicioso enlace matrimonial da gentil menina Alice da Costa
Fernandes, filha do sr. Marcelino Joaquim Fernandes, já falecido, e da sra.
D. Aurora da Costa Campos, com o sr. Jaime Vilaça, funcionário
público em Famalicão.
- Têm chegado a esta freguesia muitos conterrâneos nossos que se
encontravam em França há muitos anos.
- Consta-nos que anda em ensaios uma linda comédia que deve subir à
cena muito em breve no salão-teatro desta freguesia. Por hoje nada
mais poderemos acrescentar a tal respeito, o que faremos
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oportunamente, logo que obtenhamos as necessárias informações.


- Os exames de 3ª classe dos dois sexos das escolas desta freguesia
realizam-se nos dia 8 e 9 do corrente. É presidente do júri o professor
sr. Abel Dantas. Serão submetidos às respectivas provas 16 alunos do
sexo masculino e 8 do feminino.
- Não tem havido à venda sulfato para o conveniente tratamento das
videiras. E as condições atmosféricas que tão insistentemente
recomendam a intensificação desse tratamento… - C.

13 de Julho de 1940

Casamento
Conforme noticiamos realizou-se no último sábado, na freguesia da
Junqueira, o enlace matrimonial da sra. D. Alice da Costa Fernandes,
prendada filha do sr. Marcelino Joaquim Fernandes, já falecido e da sra.
D. Aurora da Costa Campos, com o sr. Jaime Vilaça, de Famalicão.
Serviram de padrinhos, por parte da noiva a sua tia sra. D. Maria
Ferreira Campos e o sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, e por parte do noivo,
sua mãe, sra. D. Ermelinda dos Prazeres da Costa Vilaça e o sr. Serafim
da Costa Rêgo.
Após o acto religioso, realizado na igreja paroquial da Junqueira, foi
servido em casa da sra. D. Maria Ferreira Campos e Silva um abundante
“copo de água”, do Ao Bom Doce, desta vila.
Entre outras pessoas assistiram ao acto os srs. Reinaldo Ferreira
Carvalho e sua esposa D. Maria Augusta Lima Carvalho, Aparício Mariz,
José Araújo Brandão, Laurindo Ferreira Loureiro, Serafim da Costa Rêgo,
Ermelinda dos Prazeres da Costa Vilaça, Maria de La Salette Pontes,
Padre António José da Costa, dr. António Sampaio de Araújo e sua
esposa D. Emelina Campos Costa de Araújo, dr. Eduardo Campos Costa,
dr. Carlos Pinto Ferreira e sua esposa D. Felismina Campos Costa Pinto
Ferreira, Serafim da Costa Campos e José da Costa e sua esposa.
Na corbeille dos noivos viam-se muitas e valiosas prendas. Os noivos
seguiram em viagem de núpcias para o Minho.

Fim de curso
Completou, com distinção, o curso de Farmácia na Faculdade de
Farmácia da Universidade do Porto, o nosso prezado amigo sr. Dr.
António Ferreira da Costa, da Junqueira, filho do nosso amigo e
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assinante sr. António José da Costa, proprietário e gerente da Farmácia


Costa.

20 de Julho de 1940

Junqueira, 17
Encontram-se nesta freguesia, a passar uma parte do verão, os srs. José
da Costa Magalhães e Joaquim Moreira Brites, de Vila do Conde, com
suas respectivas famílias.
- Concluiu o curso de farmácia na Faculdade de Farmácia do Porto o
nosso conterrâneo sr. António Ferreira da Costa. Parabéns.
- O nosso reverendo e estimado Pároco tem distribuído várias esmolas
pelas famílias mais necessitadas desta freguesia, da quantia que para tal
fim lhe foi confiada pela família do falecido José Fernandes da Silva,
dessa vila.
- Relação das alunas da professora desta freguesia sra. D. Ernestina Sá
que há dias fizeram exame de 3ª classe e que foram aprovadas: Idalina
Lopes Ferreira, Síria da Costa Fernandes, Olga de Oliveira Curval, Ana
Alves da Silva, Maria Elisa R. Campos, Maria Albina de Azevedo, Alcina
F. Lopes da Costa e Adília F. Lopes da Costa.
Pelo professor sr. José Lopes da Costa, também foram propostos os
seguintes alunos, ficando todos aprovados: Mário F. Ribeiro de Faria,
Fernando Cerqueira F. da Costa, Carlos A. F. da Ressurreição, Manuel da
Costa Ferreira, António Gonçalves das Neves, José Alves da Silva, José
Maria da C. Amorim, Eduardo Cândido B. da Costa, José Nunes da Silva,
Orlando da Costa Pinto Ferreira, José da Costa Ramos, Joaquim Lopes
Ferreira, António Oliveira Curval, António Ferreira Lopes, Horácio
Fernandes Maciel e José Correia de Azevedo. - C.

Inventário de prédios e fogos


(…)
O sr. Presidente da Câmara nomeou, para efeitos do inventário de
prédios e fogos, os seguintes agentes:
(…)
Junqueira - José Lopes da Costa e Padre António José da Costa.
(…)
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27 de Julho de 1940

Profilaxia da Raiva
Em cumprimento do decreto que torna obrigatória a vacinação contra a
raiva de todos os caninos do país, avisam-se os donos ou responsáveis
pelos cães existentes da área deste concelho com idade superior a
quatro meses, para apresentá-los a fim de serem vacinados, no local, dia
e hora abaixo mencionados:
(…)
No dia 27, Junqueira, junto ao talho, às 8 horas.
(…)

17 de Agosto de 1940

Por Terras do Minho


Excursão dos alunos da escola masculina da Junqueira
(Retardada na Redacção)
Há quatro anos que o professor desta freguesia sr. José Lopes da Costa,
proporciona, com o auxílio da Caixa Escolar, uma excursão anual aos
alunos sócios da mesma Caixa, a que se associam os melhores elementos
da nossa terra.
Pequenos e adultos aguardam com ansiedade esse passeio, com o qual
se procura dar aos pequenos escolares, além dumas horas de verdadeira
alegria, conhecimento exacto da bela terra portuguesa, sempre tão cheia
de encantos naturais, mas agora alindada pela patriótica e sábia
administração do governo do Estado Novo.
Guerra Junqueira, que a classificou de - a mais formosa e linda -, se
ainda hoje fosse vivo teria escassez de termos para condignamente a
classificar.
Foi, pois, no passado domingo a 4ª excursão promovida sob o
patrocínio da Caixa Escolar.
A 1ª foi a Braga e seus encantadores subúrbios; a 2ª, a Valência; a 3ª a
Aveiro e a de ontem foi ao Gerês com visita às terras do percurso.
As camionetas chegaram aqui às sete e meia. Os excursionistas também
foram pontuais e traziam as suas cestas bem providas. Na excursão
tomaram parte os seguintes senhores, com as respectivas famílias:
pároco da freguesia; componentes da Junta - José Baptista da Costa, José
Amorim e Manuel Ferreira Amorim; regedor - Joaquim Gomes da Silva;
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dr. Carlos Pinto Ferreira, Carlos G. da S. Capela, Manuel G. da S. Capela,


Adelino Gomes da Costa, Abílio da C. Araújo, etc., e muitas crianças da
escola.
Às oito horas as camionetas dão sinal de partida e, mesmo com
velocidade moderada, depressa atingem Famalicão e depois Braga, terras
que nos eram bastante familiares. Depois Ponte do Bico, onde corre o
Cávado, que deixava ver o seu leito bastante descoberto. Povoações
lindas, casas e muros - donde pendiam flores - muito caiados. A seguir
Carrazade, e Rendufe ao lado com o seu mosteiro de duas torres. Em
breve alcançamos Amares, linda e bem cuidada, vaidosa do seu remoto
avoengo Gualdim Pais, a quem, num preito justo de gratidão, levantaram
uma estátua na melhor praça daquela vila.
A flora, como num filme, toma outro aspecto, pois as oliveiras, em
ranchos começam agora a surgir nos terrenos que marginam a estrada
de mistura com carvalhos, em grande profusão. Aparece depois
Dornelas. A sua igreja, com uma só torre, emerge lá em cima, muito
caiada no meio do arvoredo verdejante. A seguir a igreja de Santa
Marta, com a sua torre muito esguia. Grupos de homens e mulheres
conversam sossegadamente, usando a mesma indumentária da gente da
nossa terra.
Povo respeitador, pois cumprimenta-nos com um sorriso de bondade,
que nós retribuímos com sinceridade.
De repente, numa curva de estrada, aparece-nos a igreja do Bouro, com
duas torres, com o seu casario anexo mal-tratado, quase em ruínas.
Revela-nos ainda, porém no seu aspecto exterior, a opulência dos seus
moradores em tempos idos. Percorremos as suas salas com cuidado,
pois tudo aquilo ameaçando ruína, é agora habitação quase exclusiva de
animais daninhos.
Aqui, tomamos uma estrada, à esquerda, para visitarmos o Mosteiro da
Abadia. Estrada estreita e íngreme, mas que os motores vencem com
relativa facilidade. No percurso desta ladeira encontramos o reverendo
Abade Paulo Lourenço Rodrigues, pároco no concelho de Amares, que,
montado numa anafada égua seguia também para o santuário.
Chegamos.
Os que não conheciam a Abadia admiram aquele reconcavo de
natureza, aquele oasis no meio da montanha. Havia ali missa nova, a ser
celebrada pelo reverendo João de Deus, também conhecido pelo Padre
Pascoal, de Santa Isabel do Monte. Por isso se viam ali tantos
eclesiásticos…
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Visitamos o santuário, cercado de montanhas, oramos e meditamos na


nossa pequenez antes aqueles gigantes de terra e pedra que penetravam
nas nuvens e que nos cercavam.
Votamos a Bouro e tomamos a direcção de São Bento da Porta Aberta.
Passamos Dornes com a sua igreja asseada. Pela encosta de um monte, à
direita, descia apressado um ribeirinho, que ia juntar-se lá muito no
fundo ao rio Caldo, que se arrastava entre penedos. E então aqui o
cenário é grandioso, empolgante.
À nossa direita, vasto horizonte limitado ao longe pelas montanhas
cobertas de arvoredo verdejante e profuso. Dava-nos a impressão do
arvoredo do Bom Jesus de Braga, em fantásticas dimensões.
E em frente, num contraste flagrante, o Gerês escalvado, de aspecto
carrancudo, de quem um jornalista disse há anos:
Eu sou aquele inculto e grande monte,
A quem vós outros chamais o do Gerês.
É das minhas entranhas que promanam,
As águas que em baixo brotar vez.
E as camionetas lá iam seguindo na direcção de São Bento. Terreno
íngreme, mas que os motores vão vencendo sem esforço de maior. Aqui
todos ficam bem impressionados porque o local é lindo, o horizonte é
largo e a povoação denuncia, - com o seu coreto elegante, com as suas
avenidas de tílios e com o seu parque bem cuidado - civilização e
progresso.
Mas os excursionistas, unanimente, proclama a necessidade de se
atender as solicitações do estômago, tanto mais que eram treze horas. E
as cestas descem dos tejadilhos, das camionetas e todos pressurosos, se
dirigem para o parque. Momentos de bem-estar, de alegria, de
satisfação. Harmonia completa e perfeita fraternidade. Os sinos repicam
modinhas conhecidas e trechos do filme A Aldeia da roupa branca.
Depois visitamos templo e cumprimos o nosso dever de cristãos.
Mas o tempo urgia, e o programa tinha de ser cumprido. Por isso de
novo retrogradamos. As camionetas avançam e em breve alcançamos o
Gerês.
Povoação linda e asseada, - um éden no meio da natureza bravia. Aqui
demoramos um bom bocado a visitar a famosa estância termal e a
fazermos as nossas compras - recordações - e voltamos quase com
saudade à povoação do rio Caldo. E agora começa a escalada abrupta
da ladeira do mesmo nome. São oito quilómetros de ascensão difícil em
que os motores rangem e um deles manifesta certa indecisão. O abismo
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que se nos desenha do lado direito é horroroso.


Mas, briosamente, as camionetas lá chegam ao cimo da ladeira pavorosa
do Rio Caldo onde ainda adeja a água e vive o lobo. E naquelas alturas
incomensuráveis, escondida no meio do arvoredo pujante, vê-se uma
povoação que nos é denunciada por uns pequeninos campos de milho,
pois onde a cultura é possível mesmo em pequenas dimensões, logo o
povo estabelece o seu poiso e ali se aclimata.
E os motores lá arrancam para Póvoa de Lanhoso, que é asseada e onde
são evidentes os anseios de progresso. Um edifício de grandes linhas ali
se vê em construção e que nos dizem ser os Paços do Concelho. O
jardim também é bonito e asseado. Mas o sol vai baixando no
horizonte. Fazem-se compras e avançamos para as Taipas.
Aqui de novo se atacam, com energia e decisão, os farnéis ainda com
bastantes provisões. O lugar presta-se. Arvoredo, relvado.
Permutam-se as vitualhas, com franqueza, com liberalidade.
Mas a tarde com grande saudade de todos vai-se escoando lentamente.
Por isso, terminado, com muita calma o repasto, lá seguimos para
Guimarães afim de visitarmos o Castelo onde ainda há pouco se
celebraram as mais patrióticas festas.
Contornámo-lo com devoção e carinho, e memoramos o papel
importante que ele desempenhou no começo da nossa nacionalidade.
Foi uma lição de história feita ao vivo às crianças e a alguns adultos,
sendo também ali posto em foco o quanto o governo de Salazar tem
feito por Portugal, tão evidentemente patenteado nas belas estradas que
percorremos, nas escolas lindas que vimos, nos diversos edifícios em
construção que presenciamos e até naquele e noutros castelos
restaurados que atestarão à posteridade a nossa grandeza passada.
E assim os alunos sócios da Caixa Escolar tiveram ocasião de ver a
terra-berço da nossa nacionalidade, onde há oitocentos anos se
desenrolaram factos que por completo influenciaram nos destinos da
nossa Pátria. Tudo isto foi dito aos alunos excursionistas, que
contornaram aquele vetusto monumento de granito com curiosidade e
admiração, assim como admiraram a estátua do 1º rei de Portugal - o
valoroso D. Afonso Henriques.
A noite vinha descendo.
Atravessamos a cidade para onde emergiam ranchos que regressavam
das aldeias, cantando. Passamos por Negrelos, onde vimos as diversas
fábricas que fazem a felicidade daquelas terras.
As crianças cantavam. Depois Santo Tirso, muito iluminada. A seguir
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Trofa, Fornelo, Macieira e… Junqueira.


29-7-940.
- C.

17 de Agosto de 1940 (continuação)

Junqueira, 13
Esta freguesia está a ser servida por distribuidor rural talvez
temporariamente, como há muito se desejava, não só pela seriedade de
que já tem dado provas, mas também pela sua educação e outros
predicados apreciáveis. Oxalá ele fique definitivamente no lugar que
com tanto zelo está a ocupar.
- Casou-se há dias o nosso conterrâneo sr. Bernardino José Fonseca, com
uma menina da Póvoa de Varzim. Embora tarde, enviamos-lhe os nossos
parabéns.
- A Festa ao Coração de Jesus, que todos os anos se costuma realizar
nesta freguesia, foi adiada, por motivos justos, para o mês de Novembro.
- Embarcou há dias, para Pernambuco, o nosso conterrâneo sr. António
Ferreira Boucinha. Que seja muito feliz, são os nossos votos.
- Na próxima quinta-feira haverá missa, segundo o costume de São
Mamede, em Casal Pedro, outrora Matriz desta freguesia. Consta que
um sacerdote ali celebrará missa durante alguns meses, o que
representa uma grande comodidade para o povo daquele populoso
lugar.
- Informam-nos que este ano se realizará na capela da Senhora da
Graça e em homenagem a Santa Luzia uma linda festa com bazar e
música, como nos anos anteriores.
- Também nos informaram que no próximo mês de Setembro se realiza
no lugar de Ponte d´Ave, na capelinha ali erecta, a festa em honra de N.
S. da Ajuda, outrora de grande nomeada. - C.

O filme português Feitiço do Império exibe-se, amanhã, na Junqueira


No lugar da Senhora da Graça, da freguesia da Junqueira, será exibido a
favor do Hospital da Misericórdia de Vila do Conde, pelas três da tarde,
o grandioso filme português, Feitiço do Império.
Contribuindo para uma obra de assistência a todos os títulos digna do
nosso carinho, vamos apreciar a riqueza do nosso vasto Império
Colonial.
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31 de Agosto de 1940

Junqueira, 27
Foram hoje apresentados à vacinação anti-rábica, que se realizou no
lugar da Senhora da Graça, 148 cães pertencentes a vários proprietários
desta freguesia.
- O novo processo de casamento suscitou dúvidas e hesitações na Junta
desta freguesia por causa das normas a seguir nos atestados que para
esse fim tem de passar.
Vários interessados aguardam que lhes sejam passados esses atestados,
motivos porque o sr. Presidente da Junta oficiou ao exmo. Sr.
Conservador do Registo Civil pedindo esclarecimentos acerca desses
documentos.
- Faleceu a sra. Rosa da Costa Souto, mãe do sr. Joaquim da Costa Souto
e que contava 74 anos de idade. Pêsames. - C.

7 de Setembro de 1940

Doentes
Encontra-se doente a exma. Sra. D. Guilhermina Ferreira Campos,
esposa do nosso querido amigo e assinante sr. José Baptista da Costa, da
Junqueira.

14 de Setembro de 1940

Madeira
Para obra e lenha, vendem-se 1200 bons pinheiros na Quinta da
Espinheira, Vila do Conde. Mostra Joaquim Cerqueira da Costa.
Proposta em carta fechada dirigida ao mesmo, em S. Simão da
Junqueira, Vila do Conde.

Reunião de curso
Na passada terça-feira, reuniu em Braga, num jantar de
confraternização, o Curso Teológico de Braga de 1903, com a
assistência de S. Exª. Rever. O sr. Arcebispo Primaz, do qual faz parte o
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nosso querido amigo e assinante sr. Pe. António José da Costa, Abade da
Junqueira.

28 de Setembro de 1940

Regressos
De Lisboa, onde se encontravam de visita à Exposição do Mundo
Português, regressaram à Junqueira os nossos amigos e assinantes srs.
Pe. António José da Costa, prof. José Lopes da Costa e seu irmão
Joaquim Lopes da Costa, António Araújo Ramos e esposa e António de
Sá.

19 de Outubro de 1940

Junqueira, 9
(Atrasada na Redacção)
Estão em pleno e regular funcionamento os dois lugares da escola
masculina desta freguesia.
Nesses dois lugares já estão matriculadas perto de 100 crianças.
O professor do segundo lugar é o sr. Elias Lopes Cardoso, que em
Macieira, donde veio transferido a seu pedido, era muito estimado.
- Tem experimentado sensíveis melhoras, o que muito estimamos, p sr.
Manuel Ferreira Amorim, tesoureiro da Junta desta freguesia.
- Já retirou para essa vila, depois de aqui passar uma temporada, o sr.
Humberto Ferreira e família.
- As vindimas já há dias que estão terminadas. Ano verdadeiramente
escasso, pois até para consumo próprio não têm os lavradores ensachas
para grandes liberalidades.
- Retiraram para os respectivos colégios e outros estabelecimentos de
ensino secundário e superior os diversos estudantes desta freguesia.
Fazemos votos porque todos colham no presente ano lectivo os mais
fecundos resultados nos seus estudos.
- Nessa vila casou-se há dias o nosso conterrâneo e amigo sr. José Lopes
da Silva Félix com a menina Maria da Piedade Lopes de Oliveira.
Embora tarde, enviamos-lhe os nossos parabéns, com os desejos muito
sinceros de que tenham uma infindável lua de mel.
- Em Casal de Pedro, populoso lugar desta freguesia, faleceu ontem,
18 de 21Work in Progress JUNQUEIRA ANTIGA - DOCUMENTO 2 – ANO 1940 - Nelson Ferreira da Silva

realizando-se hoje, com muita concorrência, o seu funeral, a sra. Rosa


da Silva, que contava 89 anos de idade. A seu filho, sr. Domingos Lopes
Faria, enviamos os nossos sentidos pêsames.

2 de Novembro de 1940

D. Maria Pires Bouça Quinteira


Com 66 anos de idade, faleceu em Agarez, Vila Real, a sra. D. Maria
Pires Bouça Quinteira, mãe do nosso querido amigo sr. José Quinteira,
comerciante na freguesia da Junqueira.

Junqueira, 29
Na próxima 6.ª feira, dia de Todos-Os-Santos, realizam-se na nossa
igreja diversas solenidades religiosas pela alma dos mortos desta
freguesia. Da parte da tarde, haverá naquele templo exéquias e sermão,
e no fim sairá uma procissão ao cemitério.
- Recomeçaram as carreiras de camionetas desta freguesia para o Porto
às segundas, terças, quintas e sábados. O lugar da partida é no Padrão,
às 7,5 horas da manhã, Às segundas e sábado partirá também do
mesmo lugar uma camioneta ao meio dia e vinte minutos em igual
destino. Estas carreiras, cujo proprietário é o sr. Agostinho de Lino,
constituem uma notável comodidade para esta freguesia e freguesias
vizinhas.
- Continua a experimentar melhoras a senhora D. Guilhermina Ferreira
Campos, esposa do sr. José Baptista da Costa, presidente da Junta desta
freguesia, que há tempo, como então noticiamos, foi vítima de um grave
desastre.

16 de Novembro de 1940

O 8º Recenseamento Geral da População


Terá lugar às 0 horas do dia 12 de Dezembro próximo
(…)
Agentes recenseadores
(…)
Junqueira - Padre António José da Costa, José Lopes da Costa e António
Gonçalves Ramos de Araújo.
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(..)

Partidas
Para Benguela, partiu da sua casa da Junqueira, o nosso amigo sr.
António Patrício, acompanhado de sua esposa e filhinha.

23 de Novembro de 1940

Banda dos Bombeiros agradecida


Publicamos hoje a relação dos subscritores do nosso concelho que,
amavelmente, contribuíram para a compra dos novos instrumentos de
que a nossa banda de música está sendo dotada.
(…)
Junqueira - D. Ana Rosa Leite de Sá, 10$00; António Magalhães, 7$50;
Padre António J. da Costa e Horácio Dias, 5$00; e Viscondessa Costa,
2$00.

Junqueira, 19
Foi a primeira vez nesta freguesia que se realizou uma Missão.
Os sermões, três por dia, estiveram a cargo do ver. Frei Gil Alferes,
dominicano muito ilustre que deixou nesta terra as mais gratas
impressões.
Versou nas suas interessantes palestras os assuntos mais variados e
palpitantes, quer sob os aspectos religioso e moral, quer social.
A concorrência foi muito numerosa, havendo dias em que o vasto
templo era pequeno para conter a enorme multidão desta freguesia e
das vizinhas. A doutrina por aquele sacerdote expendida era para todos
salutar, quer fossem religiosos ou não. Não fazia mal a ninguém ouvi-
la… e segui-la.
Até para os inteligentes e falsos protectores dos pobres, que tem sempre
os lábios abertos para os defender, mas sempre a sua bolsa fechada para
os socorrer nas suas necessidades, até a esses fazia bem banharem-se
naquelas verdadeiras doutrinas sociais, tão clara e sinceramente
expendidas.
A festa terminou com uma tocante comunhão solene, tendo o menino
Orlando da Costa Pinto Ferreira pronunciado um lindo discurso
dedicado aos seus companheiros e ao povo da freguesia, e a menina
Adília Ferreira Lopes da Costa, pronunciando uma comovente prece a
20 de 21Work in Progress JUNQUEIRA ANTIGA - DOCUMENTO 2 – ANO 1940 - Nelson Ferreira da Silva

Nossa Senhora de Fátima.


- Retirou na quinta-feira desta freguesia, acompanhado de sua esposa e
filhinha, o nosso amigo sr. António Patrício, devendo embarcar em
Lisboa, num dos próximos dias com destino a Benguela onde vai
continuar a exercer a sua actividade comercial. Boa viagem lhe
desejamos e muitas felicidades.
- Realiza-se no dia 12 do próximo mês de Dezembro um dos actos
mais importantes da vida portuguesa, o recenseamento da sua
população e a respectiva inquirição das suas condições de vida e de
trabalho, etc. Há toda a conveniência que esse trabalho seja feito com a
maior perfeição e verdade, e, para isso, seria conveniente, para evitar
erradas interpretações, que o preenchimento dos boletins obedecesse a
um critério uniforme, quer na classificação das profissões quer na
classificação de analfabetos, título que a nosso ver devia ser dado em
menores de oito anos ou pelo menos de sete anos.
Esperamos que aos agentes recenseadores sejam dadas instruções muito
claras nesse sentido, para bem daquele importante serviço. - C.

30 de Novembro de 1940

Fazem anos
(…)
No dia 4, o sr. Pe. António José da Costa, pároco da freguesia da
Junqueira.
(…)

7 de Dezembro de 1940

Casamentos
Na igreja paroquial da freguesia da Junqueira, realizou-se no último
sábado, o enlace matrimonial da sra. D. Ana Ferreira Tavares, dilecta
filha da sra. D. Ilda Ferreira Tavares e do sr. Tibério Faustino Tavares,
comerciante nesta vila, com o sr. Amaro Gonçalves Cunha, comerciante
nesta vila.
Foi celebrante o rev. Prior desta vila sr. Porfírio Alves, que no final
dirigiu aos noivos uma tocante alocução alusiva ao acto, tendo
celebrado a missa o rev. Pároco da freguesia da Junqueira, sr. Padre
21 de 21Work in Progress JUNQUEIRA ANTIGA - DOCUMENTO 2 – ANO 1940 - Nelson Ferreira da Silva

António José da Costa.


Serviram de padrinhos, por parte da noiva, seus tios, a sra. D. Ana
Ferreira Ribera e o sr. José Ribera, industrial na Senhora da Hora, e por
parte do noivo, sua mãe, a sra. Delfina Gonçalves Cunha e o sr. José
Dias de Araújo, negociante em Gaia.
Aos noivos, que seguiram para o sul em viagem de núpcias, desejamos
uma perene lua de mel.

N o t a d o a u t or :
Os textos que constam deste documento foram todos retirados do jornal Renovação, a partir do site www.bmjoseregio.
com/periodicos . Mais informações sobre este projecto – metodologia e objectivos – podem ser obtidas em
http://junqueiraantiga.wordpress.com.
Nelson Ferreira da Silva, 25 de Março de 2009