Coerção

e s u a s im p lic a ç õ e s M u r r a y S id m a n

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COERÇÃO E SUAS IMPLICAÇÕES

Murray Sidman

COERÇÃO E SUAS IMPLICAÇÕES

Tradução Maria Amália Andery Tereza Maria Sério

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Tom bo ! Registrado por

Editora Livro Pleno
2009

Título original Coercion and its fallout Copyright Q 1989 by Murray Sidman

Conseli .o editorial

Glauci Estela Sanchez

Tradução Maria Amalia Andery Tereza Maria Sério

Coordenação editorial Glauce Estela Sanchez

ISBN: 87-87622-22-6

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Editora Livro Pleno email: edlivropleno@uol.com.br

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M inha visão era m atizad a não ap en as pela experiência pessoal. Nós não havíam os nos resignado à possibilidade de que nossa geração poderia ser a últim a. como se para confirm ar m eu desencanto. a II G uerra M undial com eçou ex ata­ m ente quando tin h a idade suficiente p ara participai' dela. Mesmo quando adolescente. opressão política e religio sa. traições de am i­ gos e am antes.Prefacio E u escrevi este livro p a ra dizer algum as coisas que de h á m uito pensava que precisavam ser ditas. que era b a sta n te lim itada. negócios políticos e em presariais inescrupulosos. não ap en as p ara colegas profissionais m as p ara todas as p esso as que estão p reo cu p ad as com nosso futuro como espécie. E. a s s a s ­ sinatos e outros tipos de violência pessoal. Logo após a II G uerra M undial. O ceticism o geral sobre se as coisas vii . a m aioria de nós ain d a não com preendia a enorm idade da força d estru tiv a que havia sido libera­ da. de algum modo tornei-m e consciente de que o m undo estava se com plicando. M inha família era relativam ente seg u ra e nãopunitiva e a m aioria de m eus estresses m ais severos vieram das gangs erran tes que de tem pos em tem pos assolavam n o ssa vizinhan­ ça em b u sca de garotos p ara bater. Mas eu era tam bém um leitor assíduo e o que lia sobre a crueldade sem sentido d as p esso as e su a hipocrisia era quase inacreditável. Como podiam os seres hum anos fazer a s coisas que estavam sem pre fazendo u n s aos ou tro s? Os tem as predom inantes n a s notícias ou rom ances eram g uerras. doença m ental e egocentrism o m esquinho. O m undo tin h a problem as reais e não os estava enfrentando.

Alguns afirm am que restos de n o ssa h eran ç a física geram sofrim ento e m iséria. m as em nós. A quelas instituições.poderiam algum dia m elhorar ain d a não havia se estabelecido. E o final d a II G uerra M undial parecia. parecia p ro n ta p a ra fazer? A m aioria d as soluções propostas envolvia m u d an ças em n o ssas instituições. ou m esm o p esso as m ais ve­ lhas. política ou educacional. As forças realm ente g ran d es do mal pareciam te r sido varridas do m apa: talvez pudéssem os agora conti­ n u ar. Q u aisq u er virtudes e fraquezas que n o ssas instituições tivessem eram n o ssa s próprias v irtudes e fraquezas. à alim entação m acia. Mas havia u m a arm ad ilh a em todas as propostas de reform a econôm ica. livrando-nos do resto da violência sem sentido a que c a ra c te ­ risticam ente subm etíam os u n s aos outros. o envelhecim ento traz com ele ain d a novas doenças. com a própria saú d e física desem penhando um papel cad a vez m enor n a determ inação da duração de n o ssa s vidas. Sofremos m u itas doenças e desconfortos porque n o ssa p o stu ra ereta não pro­ vê su sten ta ção ad eq u ad a nem p a ra nossos órgãos internos. prontos. abordagens racionais aos problem as que inevitavelm ente surgem quan d o grande núm ero de pesso as tem de com partilhar recu rso s lim itados. viii . u m a nova forma de governo era a resposta. Tornou-se claro que os problem as prim ários não estão em nossas instituições. ao prolongam ento da vida por meio de m edidas san itárias e de m edicina preventiva. m anifestam -se como alergias e. Como vam os m u d a r a n ó s m esm os? M uitos tipos de propos­ ta s tèm sido feitas. de form a m ais geral. nem p ara os arcos de nossos pés. ex au sta pela destru ição e pelo sofri­ m ento. ju s tiç a e. Nós m esm os os fizemos. m arcar u m possível recomeço. m uitos processos im unológicos não são m ais necessários p a ra nos proteger de m u d an ças am bientais e. De algum modo tem os que nos tran sfo rm ar se pretendem os co n stru ir sistem as que su sten te m coo­ peração. Mas não aconteceu deste modo. não nos eram dados de fora. antropólogos reconheceram que como espécie ain d a não com pletam os n o ssa ad ap tação física à n o s­ sa p o stu ra ereta. n o ssa s dietas estão to rn an d o nossos dentes b a sta n te desnecessários. solidariedade. Há m uito tem po. m antendo-nos em lu ta u n s co n tra os outros. O utros viam o progresso ap en as no contexto de m u d an ças no sistem a econômico. O utros ain d a acredi­ tavam que a educação era a chave. Ain­ da era fácil en co n trar com panheiros. em vez disso. de algum modo. que acreditavam que a s coisas não precisavam se r do modo como eram . aqueles sistem as. P ara alguns. Por que não? A grande questão era: "Como fazer isto ?” Como fazer as m u ­ danças que n o ssa sociedade.

E sa b e m o s a in d a m en o s so b re com o g en es e c o n d u ta se re la cio n am .E les su g erem que o m u n d o se ria u m lu g a r m e lh o r se n o s liv rá s s e ­ m o s de to d o s aq u e le s com os q u a is é im possível conviver p o r c a u s a do so frim en to físico. em vez de p ro lo n g a r a vida. A vanços m o d e rn o s n a g e ­ n é tic a in d ic a m q u e m u d a n ç a s rá p id a s to rn a r-s e -ã o p o ssív eis em u m fu tu ro n ã o tã o d is ta n te . E se n ó s te n tá s s e m o s atin g ir a “p u re z a g en é tic a” pelo o u tro lad o — elim in a n d o c ria n ç a s físic a e m e n ta lm e n ­ te d eficien tes — o p ro c e sso ev olucionário lev aria a in d a c e n te n a s de g eraçõ es. q u e d e sc o b rirem o s com o fazer isto v a n ta jo sa m e n te . elim in a n d o q u a lq u e r u m q u e so fra de d eficiên cias p re s u m id a s . E a an á lise c o m p o rta m e n ta l ta m b é m tem n o s m o stra d o q u e au to c o n tro le é re a l- ix . A p rá tic a re q u e r a s s a s s in a to s legalizados em la rg a e s c a ­ la e sem u m fin al à v ista. liv ran d o -se. Q uão próxim o é e ste fu tu ro n ã o podem os a in d a s a b e r com certeza. em a b s o lu to . E u ta n á s ia e x tre m a . Q ue tip o s de h e r a n ç a fa rão com q u e a p li­ q u e m o s to d a n o s s a in telig ê n cia em n o s so s p ro b lem a s m ais crítico s? Q u e tipo de m u d a n ç a s g en é tic as h ã o de n o s fazer re s p o n d e r à f r u s ­ tra ç ã o com a ra z ã o e n ã o com a a g re ssã o ? P odem os fazer clanes de p ro fe sso re s q u e u s a r ã o m éto d o s positivos em vez de coercitivos p a r a e n s in a r os jo v e n s? E a ss im p o r d ian te. a n te s q u e n o s envolvam os n isto . O que p o u co s têm co n sid erad o é a p o ssib ilid a d e de q u e p o d e ­ m o s fa zer m u d a n ç a s c o m p o rta m e n ta is se m a lte ra r n o s so s p ro c e sso s biológicos o u n o s s a c a rg a g en ética. As te n ta tiv a s d o s n a z is ta s to m a r a m óbvios os h o rro re s in e re n te s em d efin ir a rb itra ria m e n te o q u e é c o n sid e ra d o “d efic iên ­ c ia ”. E ste tem p o n ã o e s tá à n o s s a d isp o sição . P ro p o sta s p a r a p ro d u z ir u m a esp écie m a is sa u d á v e l e talvez m a is am igável p o r m eio de c ru z a m e n to s c o n tro la d o s têm o m esm o p ro b lem a — n ã o tem o s tem p o su ficien te. Nos ú ltim o s c in q ü e n ta a n o s a a n á lis e c o m p o rta m e n ta l tem n o s e n s in a d o m u ito so b re com o o a m ­ b ien te in flu e n c ia o co m p o rta m e n to . n o s s a c o n d u ta é fo rte m e n te c o n tro la d a pelo s e u setting a m b ie n ta l e s u a s c o n s e q ü ê n c ia s a m b ie n ta is . M esm o q u e se prove se r p o ssív el u s a r n o s s a c re sc e n te c o m p re e n sã o d a g en é tic a p a r a a c e le ­ r a r o p ro c esso evolucionário n o rm a lm e n te lento. D e n tro dos lim ites de n o s s a h e r a n ç a biológica a tu a l. n ã o e s tá claro. E lim in a r a p e n a s os id o so s e en ferm o s — a q u e le s q u e n ão m a is geram e cria m c ria n ç a s — n ã o te ria efeito so b re a evolução d a espécie. em esp e cificar o q u e é “u m p ro b le m a ” e em d e te rm in a r o q u e é “d esejáv el”. S u a s so lu çõ es in c lu e m m e lh o ria d a espécie p o r m eio d a e u ta n á s ia ra d ic al. d aq u e le s q u e n a s c e ra m com defeitos ou q u e os a d q u irira m p o rq u e vivem d em ais. foi te n ta d a em la rg a e sc a la pelo m en o s u m a vez.

é possível c o n stru ir m u d a n ças em nosso proprio am biente de form a a produzir m u d an ças em nosso próprio com portam ento. M udando n o ssa co n d u ta m udam os a nós m esm os. o que eles podem ver é o “você real”. P ara m uitos o “eu real” consiste daqueles sentim entos. Nós gostam os de ver a nós m esm os como agentes independentes. Isto é tu d o com que os outros podem lidar. E o que eles podem ver. são n o ssa s ações. que alterar algum as das relações críticas entre am biente e com portam ento é o único cam inho prático a percorrer se realm ente quiserm os m u d a r n o ssa co n d u ta an tes que seja tard e dem ais. m as até que adotem os outros m odos. neste livro. E isto é verdade. indicar um tipo crítico de m u d an ça que te rá que ocorrer em n o ssa s interações sociais se quiserm os m esm o fazer algo construtivo a respeito d a s m isérias que a tu alm e n ­ te infligimos u n s aos outros. C ontrolar a n ó s m esm os é m u d a r o am biente de m aneira tal que se m ude n o ssa própria co n d u ta e fazê-lo porque isso m u d a n o ssa própria conduta. U m a ciência do com porta­ m ento desenvolvida pode m ais u m a vez d a r às p esso as de boa v o n ta­ de razão p a ra otim ism o sobre n o ssas ch an ces de sobrevivência. M uitos ain d a acreditam que u m a análise d a s relações entre n o ssa co n d u ta e nosso am biente não atinge n o ssa n a tu re z a real. Um ponto de vista b a sta n te difundido m as erróneo afirm a que ap en as alterações superficiais podem se r realizadas d esta m a­ neira. m esm o sem m anipulação genética. se pretenderm os pelo m enos pospor a atu al investida em direção ã extinção da espécie. p en sam en to s e anseios. que não o coercitivo. n en h u m m éto­ do p a ra m elhorar fisicam ente n o ssa espécie im pedirá que o timer de no ssa sobrevivência continue andando. os m ais profundos. E u tentei. ninguém m ais pode m esm o conhecer n o ssa “p esso a in te r­ n a ” por meio de experiência direta. Coerção não é a raiz de todo mal. terem os de m u d a r o que nós fazemos. Podemos co n sid erar n o ssa pessoa in tern a como nosso verdadeiro self. não como u m locus de variáveis controladoras. Se pretendem os m u d a r n o ssas in te ra ­ ções u n s com os outros. m as p a ra o restan te do m undo. nós som os o que nós fazemos. . aquilo com o que podem lidar. Tom ando isto como certo. que ninguém m ais poderá seq u er conhecer.m ente controle am biental. p a ra controlar a co n d u ta u n s dos outros. deve­ m os tam bém reconhecer que n a m edida em que se considera o resto do m undo. Há ta n ta s possibilidades de m u ­ dança.

E u espero que ele goste d as m u itas m u d an ças que se u s com entários e questões sobre estilo e conteúdo produziram . professores e alunos nu m ero ­ sos dem ais p ara nom ear. seu encorajam ento me m anteve trab alh an d o . que com eçou como m eu aluno e se to rn o u m eu professor. Assim. colegas. Alguns eu preciso m encionar. facili­ tam a publicação. Rita Sidm an pacientem ente leu o m an u scrito várias vezes. a p e sa r de se r impossível agradecê-los n a m edida certa: Jo se p h DeRocco fez u m a revisão crítica e co n stru tiv a d a versão inicial do m anuscrito. s u a com pletude e profundidade dificilmente seriam esperadas m es­ mo do amigo próximo que ele tem sido desde que m oram os ju n to s n a graduação. guiou-m e através dos in trincados cam inhos do co m p u tad o r que. p aren tes.Agradecimentos E ste é um livro m elhor do que ele teria sido se eu não tivesse conhecido. em alguns mo­ m entos. . ele adicionou m ais um ato de am izade aos m uitos que já havia praticado. aprendido com e sido encorajado por m u itas pessoas especiais: am igos. E quando. ch am an ­ do atenção p a ra am bigüidades e ten tan d o — nem sem pre com su ­ cesso — tem p erar m inhas críticas. que se confrontavam com su a n a tu re z a gentil. algum as vezes agudas. o livro parecia te r pouca chance de ser realm ente publicado. hoje. G arth Fletcher.

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............................................ ...................................... .........................................................................................................................................vii Introdução............................... 55 Punição ...........44 Controle comportamental...........Sumário Agradecimento....................................................... 20 Análise do comportamento........................ 30 CAPITULO 1: ESTE MUNDO COERCITIVO..................................................................................................................................................................................................................................................... ................................................................ 39 CAPITULO 2: NEM TODO CONTROLE É COERÇÃO........................ 51 Reforçamento positivo e negativo ............ 27 Os não-humanos têm algo a nos dizer? ..........................................................................33 O ambiente hostil.............21 A complexidade da conduta desafia a análise......... xi Prefácio....................44 Comportamento................... 59 xiii ......................... 28 Nós já sabemos tudo?....................................... punição.................................................................. 17 Nós fazemos isso o tempo todo.............. 48 0 que é coerção? .......... ................................................................................................ ............................................. 44 Comportamento e suas consequências....................................................... ............................ 25 O laboratório pode nos dizer alguma coisa?.............51 Reforçadores e Reforçamento...................35 A comunidade hostil.......................................... 17 Análise do comportamento........................................................................................... terapia e le i .......

.......................................... Como se e s tu d a a p u n iç ã o ? ................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................. Mito #1: “ expectativas”como c a u sa s ........................................... 92 92 94 101 CApÍTulo 6: FuqA...................................................................................... Choque futuro? .......................................................................................................................................................................................................................................................................... Desistindo da escola ................................................................... 65 65 69 74 A c o n d u ta pode s e r a n a lis a d a ? ........................................ A puNiçÃo Funcíoina?................................ Esquiva sem sinais de aviso ............................ O q ue re a lm e n te a c o n te c e ? ............................. CApÍTulo 3: Esquíva.................................................................................................................................................................. O q u e significa “fazer u m ex p erim en to ”? .................................................... D e s is tin d o ....................... CApÍTulo 5: ToRNANdo^SE U M CHOQUE............................................................................................................................. Desistindo da família .................................................................................................................... U m a p ita d a de p re v e n ç ã o ........ ................................................................... R eforçam ento negativo e p u n iç ã o .................................................... P unição tem efeitos c o la te ra is................................................................... A prendendo p o r m eio d a fu g a .............................CApÍTulo 5: l_AboRATÓRÍo de iyiarF íiy i ou estu Fa dE vidRO?...................................................................... . Do ra to à h u m a n id a d e ................... A im p o rtâ n c ia d a p u n ição c o n d ic io n a d a ..................................................................................... Fazer nada ..................................................... xiv 135 135 136 137 139 140 144 ......................... CApÍTulo 4 ................................. Mito #2: “ medo”e “ansiedade " como causas ...................... Desistindo da sociedade ..................... Suicídio ................ De m al a pior: com o novos p u n id o re s são c o n s tr u íd o s ..... As c a u s a s d a e sq u iv a ................... Desistindo da religião........................... Deixe o Zé Jazer isso ............... 80 80 83 85 O q u e h á n ela p a ra n ó s ? ................................................. Crise de gerenciamento ........................................................................................................................ 104 107 111 CApÍTulo 7: Rotas òe fuqA.................... 113 113 114 115 116 117 118 124 125 129 132 D e slig a n d o -s e ..............

. C apítuIo 10: C omo nos esquívamos? ....................................................................................... Podemos confiar na consciência?-................................ E vitando o in e v itá v e l............... CApÍTulo 1 5: Entre a cruz e a caIc IeírínÍha............................................................................................................................................................................................................. Projeção.................... Regressão .............................................................................................................. C apítuL o 1 1: N eurose e doENÇA mentaI .................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................... Não é p ro b lem a m e u ....................................... Á economia da ansiedade ..................................................................................................... deve se r b o m ............................................ P erm an ecen d o fora do m u n d o ....................................................................................................... Se vende..................................................... Q uem p o rá a bo ca n o tr o m b o n e ? ........... Mate-os to d o s .............. Não pode acontecer comigo ................................................................................................................................................................................................................. Destruição nuclear: ela é evitável? ................................................................................................. C o n sciên cia e c o n tr o le .............................................................................. Fora do laboratório............... E squiva a d a p ta tiv a ...................................... M ecanism os de d efesa c o n tra a c o e rç ã o ......................................................................................................................... F uga d a e s q u iv a ........................................ Obsessões e compulsões ......................................................................................................................................................... O que m ais vem com a esq u iv a ? ...................................................................... O q u e é “a n o rm a l”? ....................................CApÍTulo 9: ApRENCÍEI\do POR meío c Ia esquíva.................................................................................................................................................................................................... Deslocamento ........ 146 149 149 150 151 152 153 154 155 156 157 162 165 165 167 168 173 176 179 179 180 182 183 184 185 186 187 189 190 193 197 198 202 203 207 208 211 216 XV ........... Espere até que d o a ........... F o b ia s ....................................................................................... A prendizagem le n ta .. fuga e personalidade múltipla ................................................................ Desordens de conversão .......................................................... O rigens d a c o n s c iê n c ia ..................................... CApíruio 1 2: C oerção e a conscíêncía...... Amnésia............................................................... S u p re s s ã o co n d icio n a d a.................................................................................................................................... Mantenha seu nariz longe de problem as ........................................................................................... Sub limação ........................................................................................................ S u p e rstiç õ e s.............................................. Formação de reação ........................................... Não balance a canoa ....................................

.................................. 276 2 76 2 76 2 78 279 281 283 286 2 88 2 90 291 293 R eforçam ento positivo em d ip lo m a c ia ... Time-out e seus a b u so s .................................. Cidadãos do m undo ............................................... Generais fam intos ................................................................................................ A lgum a coerção é in e v itá v e l.......................................................... U m p rin cíp io n o r t e a d o r .......................................................................................................................................................................................................................................................................................................... Aprendizagem por tentativa e erro.............................. C o n tra c o n tro le ....... Use o reforçamento positivo ..................................................... T rctgédia africana ................................................................................................................................................................................................. Bons vizinhos? ................................. R eforçam ento positivo n a e d u c a ç ã o ............................................................................................................................................................................................................. A policia: de que lado está ? .............................................................................. Terrorismo .............................................. O re fo rçam en to positivo e a le i............................................................................................ Caridade .............. Tentativa de quem? Erro de quem ? .............................................. O uso incorreto da privação ....................CApÍTulo 1 4 : C oerção qera coerção................ .......................... índice re m issiv o ................................................................................................................................ 220 2 20 2 24 228 A g re ssã o ............................. Pombas e águias ...................................................................................................................................................................... O refo rçam en to positivo em c a s a .................................................... 246 2 47 248 250 255 256 259 261 265 2 66 C apítuIo 1 7: Exíste AlquM outro camínN o? ( contíinuação) ................................................................................................................... Quem controla quem? ....................................................................................................... A tos de D e u s ..................................................................... C..................................................................... xvi ........................... Competição . CApÍTulo 1 6: ExÍSTE AlquM OUTRO CAMilNlho?...................................... O que é um programa de ensino? ....................... “C oerção é fácil".................................... 23 1 231 232 233 233 234 238 241 C ria tu ra s do m o m e n to .................... Autodefesa e vingança .ApÍTulo 1 5: P or que F azemos isso ?.................................................................................................................................................................................................................................. O refo rçam en to positivo em in s titu iç õ e s .......................................................................... A s prisões como ambientes de aprendizagem ................................................

Eles são in stân cias isoladas de u m fenômeno m uito m ais amplo: o uso q u ase exclusivo de coerção em to d as as esferas de interação h u m an a. Por coerção eu me refiro a nosso uso d a punição e da am ea­ ça de punição para conseguir que os outros ajam como nós g o staría­ mos e à n o ssa prática de recom pensar p esso as deixando-as escap ar de n o ssas punições e am eaças. ou "Dê-lhe u m doce. u m a vez ou outra. E ainda assim . Precisam os sab er m ais sobre coerção porque é como a m aioria d as pessoas te n tam controlar u n s aos outros: ‘T orça-o até que ele faça certo”. sérios como são. em geral in ­ ten sam en te polarizada m as raram en te b asead a em evidências. Nós fazemos isso o tempo todo Algumas pessoas acham difícil im aginar qualquer outro cam i­ nho. m as se ele não fizer o que você quer. estes problem as rep resen tam apenas a p onta do iceberg.Introdução A p en a de m orte detém a ssassin o s em potencial? A retaliação d u ra é a resp o sta a problem as de disciplina em n o ssa s escolas? A punição é um meio aceitável de im pedir crianças a u tista s e re ta rd a ­ d as de d estru ir a si m esm as e a seu am biente? É sequer um modo efetivo de tra ta r estes problem as? E stas e questões correlatas vêm gerando atu alm en te apaix o n ad a controvérsia pública. t. elas nem sem pre estão conscientes do que estão fazendo.-nta influenciar por meio de encoraja­ . tire-o”. Todo m undo.

ou deixando de se com unicar — im pe­ dindo que o ofensor receba seu afeto. realm ente. R ealm ente podem os levar crian ças a ap ren d er p u n in d o -as por não aprender. ab u so físico e verbal pode. como adultos. esposo. E sta é a p rática padrão. concedem os ou arranjam os estes resu ltad o s desejáveis principalm ente de modo que possam os. to rn an d o -se e n ­ raizadas no treino de professores e aceitas pela com unidade. m as ao m esm o tem po negligenciam ou evitam ativam ente oportun id ad es de educação ou treinam ento contínuos. lisonja. podem falar com adm iração dos professores que “não toleravam tolices”. Freqüentem ente dam os dinheiro. A aplicação de form as não-coercitivas de controle tem sido insignificante em com pa­ ração com o recurso h ab itu al da h u m an id ad e à coerção. A inda assim . m as q u an d o o fazemos. fadada ao fracasso. elogio ou recom pensa. d a h o stili­ dade e da rebelião. E crianças que te n h am sido expostas som ente ao ensino coercitivo provavelm ente deverão seguir o mesm o modelo qu an d o elas m esm as to m arem -se professores ou pais. Mas m u itas crian ças a quem ensinam os deste modo crescem m enosprezando professores. ou não atingem as exigências que estabelecem os. do iso­ lam ento d a sociedade. a longo prazo. d a neurose. Mais tarde. a evidência derivada d a análise do com porta­ m ento nos diz que m esm o quando a coerção atinge seu objetivo im ediato ela está. da rigidez intelectual. Em casa. s tatus.18 M urray S id m a n m ento. m a n ter filhos e esposos subservientes às n o ssa s próprias necessidades e aos n o s­ sos desejos. P ráticas coercitivas n a educação formal e no lar co n tin u am de geração em geração. m as quase sem pre inabilm ente em com binação com coerção. tom á-los de volta se nosso filho. As form as . punindo todas a s infrações. sócio ou aluno param de satisfazer n o ssas p ró ­ prias necessidades. N aturalm ente. plantam o s as sem entes do desengajam ento pessoal. Pais podem expressar desprazer com crianças e esposos u n s com os outros. Você pode reger s u a família “fazendo cu m p rir a lei”. retirándo posses e privilégios. pesso as u sam técnicas não-coercitivas. reconhecim ento e am or apenas p ara m an ter u m a vantagem em n o ssas interações com os outros. então. odiando a escola e evitando o trab alh o de aprender. Q uaisquer d estas punições to m a rã o a ofensa m enos provável de ocorrer novam ente. batendo neles ou isolando-os. m as ao m esm o tem po deixan­ do implícito que o não-atendim ento às exigências e às expectativas fará com que m esm o recom pensas que já ten h am sido g an h as sejam retiradas. podem os levar pessoas a fazer o que querem os por meio d a punição ou da am eaça de puni-las por fazer q u alquer o u tra coisa. Sim.

dos recu rso s financeiros e em ocionais da fam ília. A coerção tran sfo rm a o casam en to em escravidão e atos de am or em m eros ritu ais. ap ro p rian d o -se de m ais do que é a s u a p arte do tem po. o casam ento é u m a relação de coerção. abandono. Mas to d as e sta s form as de coerção fam iliar to rn am o lar um lugar do qual fugir. que ritualizou a d an ça de g u erra da am eaça. M uito freqüentem ente. m an ter seu s em pregados em seu s lugares am eaçando-os de despedi-los se eles saírem e tr a ­ balhadores podem asseg u rar salários m aiores am eaçando o patrão de fazer greve. Por c a u sa disso. doença m en tal e suicídio. form alidades a serem o bservadas com o objetivo de m a n ter a paz ou evitar o terror. A produtividade. D entre as conseqüências deste tipo de relação serão en co n trad o s divórcio. Da p arte dos proprietários e d a gerência. to rn am -se eles m esm os os tira n o s d a fam í­ lia. reduzido exploração e elevado os padrões de vida. um em pregador a quem se pediu algum sin al de que ele apreciava o bom trab alh o que seu s em pregados estavam fazendo. E ain d a assim . sim ples respeito pessoal e preocupação h u m a n a geral pelo bem -estar dos trab alh ad o res em contram oedas a serem valorizadas não m ais do que o necessário p ara por fim a u m a am eaça de greve ou en cerrar u m a paralisação do trabalho. benefícios indiretos. O su cesso do m ovimento tra b a lh ista tem. divisão de lucros. a negociação in sti­ tucionalizada torn o u com pensação. replicou: “O que você quer dizer com apreciar? Eu não estou pagan do-os por um bom trab alh o ?” Um resultad o freqüente d esta coerção m ú tu a é u m desloca­ m ento de energia e atenção dos objetivos originais de u m a organiza­ ção p a ra a m anu ten ção de posições de b arg an h a. Em u m a h istó ria que ainda continua. como pais. . a m oderna negociação in stitu ­ cionalizada. n ão conhecendo qualquer o u tra m aneira.Coerção e s u a s im plicações 19 m ais su tis de desdém intelectual e sexual tam bém podem efetiva­ m ente m a n ter o domínio geral de u m parceiro sobre o outro. realm ente. m uitos trab alh ad o res que excedem a cota de pro­ dução são colocados no ostracism o e atacad o s por seu s com panhei­ ros de trabalho. e parece claro agora que estes objetivos n u n c a teriam sido atingidos a não ser por técnicas coercitivas. n ão de am izade. Mais tard e. Em pregadores podem. to m o u a produtividade do trab alh ad o r u m a m oeda de b a r­ g an h a cujo valor não pode exceder o limite especificado no contrato. A ntes que a fuga real seja possível m uitos que são m antidos sob tiran ia aprendem eles m esm os as m an eiras de coerção e term in am como crianças-problem a. d a contraam eaça e da negociação (su sten tad a pelas am eaças reais de greve e lockout]. seg u ram en ­ te.

Um código legal coercitivo tam bém gera. podem os fazer m elhor do que sim ­ plesm ente ap elar p ara nossos preconceitos sobre o que é bom ou m au. E sta form a de “diplom acia” produziu a m o­ d ern a corrida por arm as nucleares.20 M urray S id m a n tan to do trab alh o qu an to da gerência. incluindo as superpotências. hoje as su p erp o tên cias anunciam ostensivam ente a q u an tid ad e de ogivas nucleares. Q uando a sobrevivência p a ssa a depender de contrapor am eaças. anim osidades e eventual contracontrole. ficou pelo cam inho. realm ente. subterfúgio e desobediência e. de que o “dono do poder" fale suavem ente. tem os m enos a perder. declina à m edida que o em ­ pregador e o em pregado finalm ente p assam a fazer pouco m ais do que é necessário p a ra co n trab alan çar a s am eaças um do outro. o m o­ derno terrorism o é um exemplo extremo. o u tro ra recom endada. o risco que correm os de iniciar u m a agressão aberta declina. afirm a e sta r b u scan d o a paz e arm ando-se som ente p ara a defesa. s u b ­ m arinos n u cleares e lançadores de m ísseis que possuem . Q uando um cálculo errado. n a tu ra l­ m ente. Um sistem a de ju stiç a que é baseado ap en as n a punição por tran sg red ir a lei realm ente m antém m u itas p esso as no cam inho certo e provê satisfação p a ra aqueles que b u scam revanche sobre os tran sg resso res. Q ualquer in stâ n cia de u m a cooperação n ão -au to rizad a pode desfa­ zer o delicado equilíbrio d a coerção e contracoerção. p ara m uitos que estão sujeitos ao sistem a. Tal coerção tam bém cria ciúm es. p a ra m uitos que adm in istram e fazem cu m p rir o sistem a. m an ter alinhados econom icam ente e m ilitarm ente outros países. só em retaliação co n tra agressão — pode. m uitos têm questionado a desejabilidade e a utilidade a longo prazo destes m étodos m uito utilizados de controle com portam ental. um blefe ou um ato de desespero colocará u m fim em tudo isto? Análise do comportamento Em b ases h u m a n itárias. ten tan d o asseg u rar que a am eaça de co n tra-ataq u e d eterá qualq u er tentativa de um prim eiro ataq u e. A coerção tem sido intensivam ente investiga­ d a no laboratório com portam ental. A ciência d a análise do com portam ento contém u m corpo de princípios e dados que podem prover algum a objetividade p a ra deci­ dir sobre p u n ir ou não. brutalidade. ninguém gosta de ser punido e alg u n s não gostam de p u n ir os outros. Mas. com coerção sim plesm ente p ro ­ duzindo m ais coerção. Mesmo a política. Uma política nacional de m an ter u m “pulso forte” — a ser u sad a. com fundos públicos — im postos . A m aioria das nações. não de produzir e d esfru tar d as boas coisas que a vida tem a oferecer.

não podem os lidar com eles de qualq u er form a perm an en te sem prim eiro co n sid erar o que sabem os sobre o uso de coerção em geral. o avô) e lu ta p a ra m an ter seu dom ínio adm inistrativo dentro d a Academ ia. neste caso. é onde o uso de punição tem recebido m aior a te n ­ ção do público. A judar a estabelecer a com unicação é a principal razão pela qual eu escrevi este livro. Q uando olham os p ara o quadro geral. m esm o quando o u tras abordagens fracassaram . violações de norm as sociais e co n d u tas que afligem a família e a com unidade. Aqui. A lgum as vezes p unim os porque som os seres h u m an o s falíveis e com etem os erros. an a lista s do com portam ento são ta l­ vez m ais freqüentem ente cham ados p a ra lidar com problem as de com portam ento — au todestruição em retard ad o s ou a u tista s. A com unicação pobre tem levado às conseqüências u su ais: prim eiro. Análise do com portam ento é a ciência do com por­ tam ento. A nálise do comportamento. é a ciência d a m ente. p u n ir ou não p u n ir deixa de ser um problem a gen u í­ no. Em bora te n h am m uito m ais a oferecer. A ciência da análise do com portam ento tem su a s raízes n a filosofia. punição. N aturalm ente. m étodos. A resp o sta clara é “n ão ”. concepções in corretas sobre a s questões. m as as lin h as de fra tu ra intelectual estão claras. . como o nom e sugere. segundo. Em bora problem as severos de com portam ento fre­ q üentem ente requeiram m edidas de em ergência. então distinguiu-se como um ram o da em ergente disciplina d a psicologia e está agora no processo de desengajar-se d essa psicologia. Um segundo propósito é fam iliarizar pessoas p reocupadas com a existência de u m a ciência que provê m étodos p a ra form ular e responder im p o rtan tes questões sobre a co n d u ta h u m an a. u m a falta de consciência da inform ação e técnicas que poderiam im pedir a coerção de c o n tin u ar a envenenar n o ssa s interações u n s com os outros. Muito do que sabem os sobre coerção. o controle do com­ portam ento por meio de punição e de am eaça de punição. m as pouco tem sido co n ta­ do ao público sobre o que tem os descoberto e q u ais são as im plica­ ções p ara a co n d u ta dos problem as do cotidiano. veio das ciências experim ental e aplicada d a análise do com portam ento. Psicologia. casos excepcionais surgem . n atu ralm en te. terapia e a lei. retratad o no capítulos su b seq ü en tes. quando os exploradores fazem isto por lucro). O progeni­ tor ain d a não a deixou ir (nem. Na m aioria dos casos. d es­ truição do am biente (exceto. eles reali­ zam bem a tarefa. en tretan to .Coerção e s u a s im plicações 21 — financiando a m aioria d as pesquisas. desco­ b erta s e im portância da pesq u isa com portam ental.

como poderem os ver. Mesmo q u a n ­ do m étodos que não envolvem punição tiveram quase que completo sucesso em elim inar a agressão de u m adolescente de q u ase 85 quilos. E. a análise do com portam ento produziu m u itas altern ativ as efetivas. Alguns an alistas do com portam ento. m as n u n c a como o tratam en to de escolha. Por reforçam ento positivo. eu m e refiro à p rática de recom pensar pessoas não por deixá-las fugir da punição. não é còrreto p ara o an alista do com portam ento reivindicar exceção da regulam entação pública com b ase no argum ento de que o seu treino qualifica-o p ara u s a r punição e o u tras form as de coerção. e sim aos qualificados profissionalm ente. dentro e fora do laboratório. u m a falta tem porária de inform ação relevante. Desde que eles se m an ten h am m arginais. o efeito supressivo im edia­ to de u m a ú n ica punição pode. U sar ocasional­ m ente punição como u m ato de desespero não é o m esm o que advogar o uso da punição como u m princípio de m anejo do com por­ tam ento. U ma tal reivindicação é incorreta porque com petência n a aplicação de punição não é a m arca de u m a n alista de com portam ento qualifi- . um reaparecim ento ocasional de um ataq u e que coloca em risco a vida req u ererá que ele seja “subjugado” e imobilizado até que o episódio passe. m as por deixá-las produzir algo bom. de como u s a r efetivam ente o reforçam ento positivo. como alguns psicólogos. ou u m a em ergência o ca­ sional podem ju stificar a punição como u m tratam en to de últim o recurso. coerção não é a b ase d a análise do com portam ento. o senso com um nos diz que tem os que u s a r qu aisq u er meios efetivos à mão. Eles resistem à reg u lam en ­ tação pública. E rros. com o argum ento razoável de que o tratam e n to do doente. C ontrariam ente ao quadro difundido por críticos desinform ados. do não-educado e do desenvolvim entalm ente incapaz não poderia ser deixado aos políticos ou ao público bem -intencionado m as desinform ado. realm ente. E stes tipos de casos m arginais não rep resen tam problem as. Além de nos m o strar que qualquer u so de punição deve ser deplorado.22 M urray S id m a n Algumas vezes nos falta conhecim ento relevante em situações esp e­ cíficas e nosso uso sem sucesso de outros tratam e n to s nos leva a aplicar punição p ara salvar alguém de autodestruição. nos d a r u m a o p o rtu n id a­ de p a ra aplicarm os técnicas não-punitivas efetivam ente. D estacarei m ais tard e as co n seq ü ên ­ cias fu ndam entais e a longo prazo d esses dois m étodos de influen­ ciar a conduta. Mas. alguns p siq u iatras e alguns educadores defendem e u sam coerção como técnica te rap êu tica e educacional. Uma contribuição ú n ica têm sido a s incontáveis dem onstrações.

Coerção e s u a s im plicações

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cado. E u não conheço program a de trein am en to ou form ação, seja em psicologia, psiquiatria, educação ou análise do com portam ento, que qualifique, quem o cursou, a u s a r punição. Aqueles que recom endam e u sam choque ou outros in s tru ­ m entos de coerção como u m a técnica terap êu tica estão agora desco­ brindo que têm de se defrontar com as conseqüências de seu próprio com portam ento. A preocupação pública ju stificad a a respeito dos padrões de com petência e de ética dentro d estas profissões está produzindo tentativ as em vários estados p ara restringir, pela lei, o uso de técnicas terap êu ticas coercitivas. Infelizmente, alg u m as d e s­ ta s leis proibiriam até m esm o a própria p rática de análise do com ­ portam ento. E ste su b p ro d u to do uso da coerção deveria te r sido previsto. Q ualquer um familiarizado com a literatu ra experim ental e qualquer observador experiente da co n d u ta fora do laboratório sabe que a coerção, se não p u d er ser en fren tad a de qualq u er o u tra m a­ neira, finalm ente gera contracontrole. Os que u sam coerção podem esp erar retaliação. (Eu espero te r consideravelm ente m ais a dizer sobre o contracontrole como u m a conseqüência d a coerção.) As boas intenções dos an alistas do com portam ento não os eximirão deste princípio empírico. Ainda pior, é provável que a co­ m unidade coloque ju n to s todos os an alistas de com portam ento sob o estereótipo de p ratican tes da coerção. Os perdedores, em ú ltim a instância, serão, n atu ralm en te, os clientes. A eles serão negados os benefícios das m u itas técnicas não-coercitivas de análise do com por­ tam ento que provaram ser efetivas, freqüentem ente as ú n ic as for­ m as efetivas de tratam en to . As s u a s boas intenções tam bém não eximirão os an a lista s do com portam ento de o u tras leis do com portam ento. D esde que u m a única in stâ n cia de punição pareça funcionar, interrom pendo o com ­ portam ento perigoso, ofensivo ou inconveniente de um único cliente, o uso de punição pelo an alista será reforçado. O que quer dizer, ele ou ela fará isto de novo... e de novo, e de novo, e de novo. O público está certo em ficar alarm ado. O uso bem -sucedido de u m aguilhão de gado produzirá m ais uso e ninguém , nem m esm o o te ra p eu ta, sab erá se ele ou ela está u san d o choque porque n a d a m ais funcio­ n a rá ou porque isto funcionou an tes em circu n stân cias que podem bem te r sido diferentes. T erapia coercitiva produz te ra p e u ta s coerci­ tivos. M uitos terap eu tas estão desejosos de aceitar restrições ao u so de terapia coercitiva, concordando, por exemplo, que não u sarão coerção exceto quando n en h u m procedim ento positivo solucionar o problem a. Em princípio, não posso discordar d esta condição razoá-

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M urray S id m a n

vel e bem -intencionada. De fato, creio que o pré-requisito — n ad a m ais funciona — raram en te é atendido. Eu iria tâo longe a ponto de dizer a qualquer um que afirm asse ter tentado tudo o mais: “Diga­ me tudo que você fez. Eu, então, sugerirei um procedim ento que você não te n to u .” Indubitavelm ente, eu seria, algum as vezes, in c a ­ paz de fazer isto, m as, creio, não m uito freqüentem ente. Considero com cuidado até m esm o a afirm ação do te ra p eu ta de que ele ou ela u s a a su p ressão tem porária pós-punição de com ­ portam ento indesejável como u m a o portunidade p ara en sin a r com ­ portam ento desejável. Em um videoteipe feito especificam ente p ara d a r suporte ao uso de choque em casos de au to d estru ição de a u tis ­ tas. vi a criança “tratad a" term in ar ch u p an d o seu dedão em frente de um a televisão. G ostaria de ter visto m ais dem onstração de ensino efetivo no filme, com m enos ênfase sobre a sofisticação técnica do sistem a liberador de choque, Com isto eu teria m ais confiança que procedim entos construtivos de follow up estivessem realm ente em ação. Em geral, eu me sen tiria m ais confortável com o arrazoado de que nada m ais funciona, se aqueles que u sam este arrazoado p ara ju stificar o que é cham ado ‘‘terapia aversiva” considerassem , em vez disso, cad a caso ap aren tem en te intratável como um desafio. Se eles enfrentassem todo desafio ten tan d o novas abordagens, seria m enos provável que eu su sp e ita sse de que eles estão desistindo m uito facilm ente. Q uando eles autom aticam ente recorrem à coerção, não consigo me im pedir de in d ag ar se eles estão sim plesm ente co n ­ form ando-se ao p adrão de p ráticas sociais, em vez de fazer a co n tri­ buição ú n ica p ara a qual s u a profissão su p o stam en te os treinou. Coerção b ru ta não é análise, de com portam ento. Mas sim , eu poderia ser um pouco m ais tolerante com rela­ ção à reivindicação de que eles estão u san d o intervenções coerciti­ vas porque n ad a m ais funciona. Se eu visse, então, não ap en as o com portam ento p aran d o , m as com portam ento sendo construído, m enos provavelm ente eu haveria de considerá-los como u san d o em vão o nom e de su a ciência, seja ela a psicologia ou a análise do com portam ento. Vale a pena repetir que punição u sad a em em ergências, ou por cau sa de ignorância total ou m om entânea de métodos altern ati­ vos, não dã à punição o sta tu s de um princípio terapêutico. Coerção não é um princípio da análise do com portam ento aplicada. Em bora alternativas ã coerção tenham sido freqüentem ente planejadas não para propósitos práticos, m as p ara o estudo de processos com portam entais fundam entais, os m étodos estão disponíveis p ara aplicação

Coerção e s u a s im plicações

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fora do laboratório. O fato de que m u itas das pesquisas são feitas com com putadores e m esm o com n ão -h u m an o s não deveria a p re ­ se n ta r dificuldades p a ra um bem -treinado observador do com porta­ mento. As incontáveis dem onstrações, d entro e fora do laboratório, de como u s a r efetivam ente m étodos positivos tèm sido u m a co n tri­ buição ú n ic a d a an álise do com portam ento. Princípios gerais e tec­ nologias educacio n ais e te ra p êu ticas específicas têm evoluído, p ro ­ vavelm ente com docum entação m ais sólida n a lite ra tu ra experim en­ tal e clínica do que q u alq u er o u tra metodologia ja m a is obteve. Reforçam ento positivo, não coerção, é a m arca d a an álise do com por­ tam ento. A nalistas do com portam ento e te ra p eu tas de todo tipo pode­ riam aju d ar-se m ais e ao m esm o tem po co n trib u ir de form a ú n ica para a sociedade, estim ulando restrições sobre o uso de punição dentro da profissão. Em vez de exigir que um público justificadam ente cético nos perm ita fazer o que desejam os, faríam os m elhor tan to p a ra nós m esm os como p ara o público em geral defendendo, tornando públicos e en sin an d o m étodos alternativos de educação e tratam en to que n o ssa ciência to m o u disponíveis. A análise do com portam ento é aplicável em contextos m uito m ais am plos do que ap en as no do com portam ento de incapacitados congênita ou desenvolvim entalm ente. Aplicações de punição a aq u e­ les tipos de problem as de com portam ento são exem plos isolados de um fenóm eno m uito m ais difundido: o u so q uase exclusivo de coer­ ção em qu ase todos os tipos de interação h u m an a. Uma vez que olhem os p ara os u so s e efeitos de punição em todos os aspectos de nossas vidas poderem os ver que n o ssa ciência tem contribuições positivas a fazer em m u itas esferas da atividade h u m a n a — ed u ca­ ção, diplom acia, o arranjo da lei, a un id ad e da família. Em vez de aceitar au to m aticam en te as p ráticas tradicionais n e ssa s áreas, e s tu ­ diosos do com portam ento poderiam e s ta r alertando o público que existe evidência considerável a favor de m udança. Em s u a prática profissional, em vez de sim plesm ente refinar m étodos trad icio n ais de aplicação de coerção, poderiam estar en sin an d o altern ativ as m enos conhecidas e, a longo prazo, m ais efetivas.

A complexidade da conduta desafia a análise?
Os fatores que governam n o ssa co n d u ta cotidiana realm ente interagem de m an eiras que são com plexas, m utáveis e freq ü en te­ m ente não diretam ente analisáveis. Em bora este livro descreva al-

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M urray S id m a n

g u n s m étodos e resu ltad o s de p esquisa básica, agi, tam bém , com b a sta n te liberdade ao mover-me do laboratório p a ra o m undo, ex tra­ polando das condições cuidadosam ente controladas que g aran tem a confiabilidade dos resu ltad o s experim entais. Acredito que as ex tra­ polações são ju stificad as; o laboratório tem nos ensinado sobre os a ssu n to s h u m a n o s m uitíssim o m ais do que até m esm o m uitos in ­ vestigadores gostariam de reconhecer. Bolas de aço descendo planos inclinados em laboratórios de física n a gradu ação parecem não ter relação com folhas caindo de árvores n as florestas, ain d a assim todos os corpos em q u ed a obede­ cem à s m esm as leis físicas. Podemos dizer, de modo sem elhante, que em bora a punição de sujeitos por a p ertar u m botão no laborató­ rio com portam ental ten h a,"à prim eira vista, p o u ca sem elh an ça com o espancam ento de u m a criança por dizer um “palavrão”, ain d a assim , todas as ações p u n id a s obedecem às m esm as leis com portam entais? N aturalm ente, u m a tal asserção não pode ser provada experim entalm ente; o resto do m undo não é sujeito aos controles do laboratório. Mas isto tam bém é verdadeiro a respeito de folhas em queda e era verdadeiro a respeito d aquelas extrapolações de re s u lta ­ dos de laboratório que colocaram, pela prim eira vez. o hom em n a Lua. A prova de tal aplicabilidade não vem de experim entos, m as da experiência prática. Teoricam ente é possível que algum as dim ensões da realidade (física, quím ica, biológica) sejam suscetíveis de estudo e verificação científica enquan to o com portam ento não. E ntretan to , e sta teoria, até onde fomos capazes de testá-la, no laboratório e fora dele, não funcionou. Por m uito tem po se afirm ou que o com portam ento era nãoanalisável m as, então, alguns pesquisadores pioneiros en co n traram ordem no com portam ento de organism os "inferiores” — insetos, c a ­ m undongos, ratos, gatos e cachorros. O grito im ediatam ente foi la n ­ çado. “Sim, m as não p esso as.” E ntão a m esm a ordem que foi vista em não -h u m an o s com eçou a ap arecer em estu d o s com p esso as e o grito m udou; “E stá certo, p esso as deficientes, talvez — os não-inteligentes e com lesões cerebrais — e m esm o assim , certam ente, ap en as em laboratórios artificialm ente controlados, escolas prim árias, in s ti­ tuições p a ra doentes m entais ou prisões.” Logo os resultados de laboratório com eçaram a ser aplicados com sucesso em am bientes clínicos, universidades e em presas. Mais ú m a vez ò grito m udou; “Sim, sim, m as com tipos de com portam ento hu m an o tão simples! E a respeito de linguagem , criatividade, d esen ­ volvimento m ental, o gosto artístico e as coisas intangíveis d a vida?”

Coerção e s u a s im plicações

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E agora que a an álise do com portam ento com eça a se am p liar erri algum as d essas áreas (não todas — as fro n teiras ja m a is d esap arece­ rão). os gritos ad q u iriram um tom de alarm e: “A plicando princípios gerais ao com portam ento h u m a n o vocês nos desu m an izam !” A astrono m ia tam bém já foi a c u sa d a de tira r a T erra do centro de Universo e a biologia evolucionária de d e stru ir nosso s ta ­ tus como criação especial de Deus. E porque an a lista s do com porta m ento bem -sucedidos estão identificando variáveis que controlam algum as de n o ssa s co n d u tas m ais com plexas e apreciad as, o p úbli­ co com eça a vê-los — como a outros cien tistas — como querendo, eles m esm os, exercer controle. Eles to rn aram -se su bm etidos ao este­ reótipo p o p u lar do cientista louco inclinado a controlar o m undo.

O laboratório pode nos dizer alguma coisa?
A suposição de que resu ltad o s do laboratório com portam ental, m esm o de su jeito s n ão -h u m an o s, podem ser estendidos p ara o m u n d o dos h u m a n o s até aq u i se confirm ou. G eneralizações de ob­ servações de laboratório estão se d em o n stran d o bem -sucedidas em m ais e m ais áreas da co n d u ta h u m a n a e m ais u m a vez a análise do com portam ento parece e s ta r d em o n stran d o o poder e a utilidade de um a abordagem científica a u m objeto de estu d o até então recalci­ tran te. H istoricam ente, o salto da torre de m arfim tem se justificado am plam ente. O avanço do conhecim ento, desde seu s inícios com a curiosidade h u m a n a, seguiu u m cam inho m uito trilh ad o e d em o n s­ trado. C om eçando com teoria a b s tra ta e os am bientes artificialm en­ te controlados da aren a intelectual, cam inham os p a ra os testes práticos no m ercado com ercial e daí p a ra o gerenciam ento m ais eficiente de nosso am biente físico. Agora, finalm ente, cam inham os para a excitante possibilidade de esten d e r e alarg ar as capacidades h u m a n a s. N aturalm ente, afirm ar u m a com preensão que não tem os é injustificado e pode ser perigoso. A inda assim , não com partilhar o que sabem os pode ser ain d a m ais perigoso, p articu larm en te quando esse conhecim ento dita a ação. Como enfatizarei seguidas vezes, o predom ínio d a coerção é responsável por m uitos dos m ais sérios problem as da sociedade; n o ssa dependência co n tín u a da coerção em relações internacio n ais am eaça agora nos levar ao exterm ínio m ú ­ tuo. N estes tem pos de crise, cuidado em dem asia, não inform ar aqueles que financiaram a p esq u isa com portam ental de que eles

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M urray S id m a n

precisam a te n ta r p a ra os resu ltad o s é m ais perigoso do que ex trap o ­ lar m uito am plam ente. Além disso, o que vemos nos experim entos dirige n o ssa ob­ servação fora do laboratório e nos auxilia a en co n trar consistência n a ap aren tem en te d eso rd en ad a vida cotidiana. Isso não é supersim plificação: é um modo especial de olhar p ara o m undo que pode nos aju d ar a com preendê-lo e, freqüentem ente, a fazer algo a respeito de seu s problem as. O an alista experim ental do com portam ento, que ten h a visto o quão poderosam ente conseqüências influenciam a co n ­ du ta, pode freqüentem ente cortar cam inho elim inando m u itas irrele­ vâncias e determ in ar exatam ente porque u m a crian ça faz b irras, porque um jovem ab an d o n a a escola ou porque um terro rista conti­ n u a a ra p ta r e a m atar. O an alista experim ental, que te n h a visto pequenas alterações do am biente interrom per u m a ação em a n d a ­ m ento e im ediatam ente iniciar novo com portam ento freqüentem ente será capaz de p a ra r a au todestruição de um cliente m ud an d o o am biente em vez de aplicar coerção. Penso que é im portante p ara an alistas do com portam ento, como p ara cien tistas de laboratório de todos os tipos, p artilh ar s u a s m aneiras especiais de o bservar e in te r­ p retar eventos cotidianos. P ara prom over u m a m aior com preensão da análise do com ­ portam ento e de como ela contribuiu p ara n o ssa com preensão da coerção, descreverei alguns arranjos básicos de laboratório. O bser­ var estes experim entos to rn a familiares, com u m a nitidez inesquecí­ vel, os produtos com portam entais de am b as a s p ráticas, coercitivas e não-coercitivas. N ada é tão instrutivo como as profundas m u d a n ­ ças que ocorrem no com portam ento de um sujeito experim ental quando, por exemplo, alteram os levemente a relação entre o que ele faz e o que acontece su b seq ü en tem en te no am biente. Ler não s u b sti­ tui o ver, m as as descrições ain d a podem nos aju d a r a nos to rn a r­ mos cientes de que é possível descobrir como a coerção funciona e que altern ativ as estão disponíveis. Os não hum anos têm algo a nos dizer? Fora do laboratório aprovam os a pu n ição e freqüentem ente a prescrevem os como o m é to d o . indicado p a ra controlar os outros. Na m aioria d as vezes infligimos privação, desconforto e dor em ocional e física severas u n s aos outros, m u itas vezes sem q u alq u er hesitação, m as re c u a ­ mos q u ando se tra ta de p u n ir p esso as em situ açõ es co n tro lad as de laboratório. Como um modo de vida, coagir os o u tro s p a ra o e n ­ grandecim ento pessoal ou social é a norm a. Coagi-los tem p o raria m ente em um experim ento, em nom e de se obter inform ação e de

m as que a p esq u isa tornou claram ente visíveis. é proibido. Devemos considerar todos os resu ltad o s potenciais. Faríam os u m a boa ação p ara a h u m an id ad e se nos proibís­ sem os de obter o conhecim ento que continuam os a derivar do e s tu ­ do científico de nossos p aren tes não -h u m an o s? Nós. crueldade fria deve ser condenada e odiada. no que eles p e r­ cebem como u m a necessidade urgente de inform ação sobre um grave problem a h u m an o e. A p esq u isa co m portam ental sobre coerção deve colocar n a b alan ça. podería­ mos te r o poder de negar a possibilidade de saú d e e até m esm o da própria vida p a ra aqueles que n asceram com ou ad q u iriram doen­ ças? A m aioria dos p esq u isad o res que infligem dor em se u s sujei­ tos com o propósito específico de e s tu d a r a coerção n ão e stá sendo im p en sad am en te cruel. Terei m uito m ais a dizer sobre tais práticas. a prevenção potencial de dor in te n sa que infligimos u n s aos o u tro s e a redução no nú m ero de vidas h u m a n as d estro çad as que são u m resu ltad o característico do controle coerci­ tivo.Coerção e s u a s im plicações 29 talvez to rn ar-se capaz de in terag ir m ais efetivam ente u n s com os outros. O mesm o é tam bém verdade p ara a ex perim enta­ ção e até mesm o p a ra a p rática terapêutica. este mesm o raciocínio é freqüentem ente utili­ zado p a ra ju stificar algum as form as de coerção h u m a n a. de outro. sujeitos n ão -h u m a n o s predom inaram . Eles são indivíduos com prom etidos. P esquisa com n ão -h u m an o s to m o u . preo­ cupados com n o ssa aceitação im p en sad a e m esm o com n o ssa p rá ti­ ca casu al de infligir dor e o u tras form as de coerção u n s aos outros. incapacitadoras. Obviam ente. n a convicção de que os n ão -h u m an o s fornecerão inform ações que podem a ju d a r a preve­ n ir sofrim ento h u m a n o adicional. Eles b aseiam su a experim entação. que somos afortunados o suficiente p ara nos m anterm os livres de desordens desconfortáveis. em segundo lugar. Tornar-seá evidente que. punim os crim inosos p ara o benefício da sociedade ou jogam os a bom ba atôm ica sobre o Ja p ã o p ara term in ar a g u erra m ais cedo e salvar vidas. prim eiram ente. de um lado. ou que am eaçam a vida. A pró p ria n a tu re z a do problem a im pede o u so de sujeitos h u m a n o s nos estu d o s de laboratório de p u n ição . P ortanto. Tam bém estes resu ltad o s têm de ser postos n a b alan ça quando pesam os os prós e os co n tras do controle coercitivo. Por exem ­ plo. N aturalm ente. além de se u s propósitos claram ente afirm ados. elas têm resu ltad o s indesejáveis que nem sem pre são evidentes. os choques e o u tro s desconfortos sofridos p o r um nú m ero relativam ente reduzido de sujeitos n ão -h u m a n o s e.

m as n ão -hum anos nos en sin aram m uito sobre nós m esm os. é u m fato. cães ou gatos? Mais tard e descreverei em m aiores detalhes como descobrim os se n o ssas observações realm ente se apli­ cam m ais generalizadam ente. Se já com preendêssem os a s conseqüências do controle coercitivo. Se realm ente entendêssem os que n o ssa aceitação geral da coerção como o meio de controlar outros produz e p erp etu a a desconfiança.” Eu desejaria que tudo isto fosse verdade. Mesmo que se prove haver d escontinuidades n a evolução dos processos com portam entais. em bora pudéssem os não ab an d o n a r a p u n i­ ção. em bora exclusiva dos hum an o s. p ássaro s. . Você tem de m ach u car m acacos p ara sab er que dor provoca ag res­ são? Nós não precisam os de pesq u isa de laboratório p a ra nos dizer o que já sabem os. Não podem os ap ren d er tu d o desse modo. real­ m ente seria desnecessário realizar os experim entos. deixe-me ap en as dizer que. m enos am eaçador. Este não é um tem a p ara debate. cam undongos. as regiões m ais antigas de n osso cérebro. seria triste que preconceitos sobre a superioridade e singularidade dos h u m an o s nos im pedissem de reconhecer as continuidades que realm ente exis­ tem de u m a espécie p ara a outra. a ag res­ são e a infelicidade geral que caracterizam ta n ta s relações indivi­ d u ais e sociais. tem m uitos aspectos não-verbais que o b ser­ vam os em não-hum anos. então. o medo. O que podem os aprender sobre nós m esm os observando m acacos. do ponto de vista da evolução. estão intim am ente envolvi­ das com com portam ento emocional. m enos gerador de estresse e um lugar m ais p ra ­ zeroso p a ra viver do que ele é hoje p ara milhões de pessoas. Neste ponto. M uitos m antêm a opinião de que anim ais n ão -h u m an o s n ad a podem nos dizer sobra a co n d u ta h u m a n a. Mais p recisa­ m ente. a linguagem com plexa. portanto. aprendem os m uito sobre nós m esm os observando outros anim ais em seu h áb itat e em laboratórios. ‘Todo m undo sabe que ser punido provoca fuga e esquiva. seríam os capazes de to rn ar o m undo m uito m ais seguro. ratos. não podem os ju stificar p esquisa de laboratório sobre punição seq u er como um meio de obter conhecim ento e com ­ preensão.30 M urray S id m a n possível avaliar os resu ltad o s de p ráticas coercitivas aplicadas por e contra hum anos. M uitos processos de aprendizagem são com uns a todos os mamíferos. diversam ente do que p o ssa parecer p a ra alguns. Nós j á sabem os tudo? Freqüentem ente ouvim os a opinião de que estudos experim entais sobre coerção n ad a nos dizem que já não saibam os. nós a usaríam os u n s com os outros parcam ente.

aplicação da lei. de modos não im ediatam ente ap aren tes. É im possível fugir da conclusão de que se os efeitos da coerção fossem com certeza am plam ente com preendidos ela não m ais seria o m étodo preferido p a ra influenciar os outros. não im por­ ta que cham em os essa influência de educação. Em cad a um a d essas áreas. diplom acia. e em o u tra s tam bém . vem os a n o ssa volta evidên­ cia esm agadora de que as conseqüências da coerção não são de modo algum com preendidas. disciplina. . fora do labo­ ratório. governo. relações h u m a n a s ou terapia. fomos capazes de ver claram ente como coerção e co n d u ta estão relacionadas.Coerção e s u a s im plicações 31 Com a vantagem d as condições controladas do laboratório.

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.1 'Este mundo coercitivo Nós vivemos em u m m undo coercitivo. O governo avisa: “O bedecer ã lei ou ir para a prisão .. O patrão ordena: “E steja aqui n a h o ra ou será despedido. em presariais e sociais com unicam -se conosco m ais freqüentem ente advertindo-nos sobre o que deveríam os fazer.” O proprietário n u n c a n o s agradece pelo aluguel m as. Educadores nos dizem: “Econom ia de p alm atória estrag a a criança".. am eaça ch am ar a polícia. b om bardeados por sinais de perigo e am eaças. nos diz: “Pague ou vá em bora.” Opções como “com a a s v erd u ras ou n a d a de so b rem esa” ou “diga isto o u tra vez e eu lavarei s u a boca com sab ão ” en sin am às crianças o que é bom p a ra elas. ou então.. puniçao am eaça de punição ou de p erd a ou verbalizações sobre o que . o banco.” Q uando os pagam entos de hipotecas são negligenciados. Em n o ssas igrejas ouvim os: “Que o pecado não te m oleste p a ra que tu a alm a não sofra no fogo do infem o. Coação. O significado com um de “com porte-se” é “faça o que eu quero que você faça'. u su alm en te tão com preensivo. e lam entam a sociedade perm issiva que lhes proíbe o uso d a p alm a­ tória e d a vara.” As agências m an ten ed o ras da lei p restam atenção em nós som ente quando fazemos algo passível de punição. se deixam os de pagar. Instituições legais.

porque a am eaça poderia te r tom ado u m a form a positiva em vez de negativa. não tem os que ficar preocupados se estam os coagindo tal pessoa. a coercitividade é b a sta n te clara. m as que ele poderia ficar seco. m esm o esse aviso benevolente ilu stra de u m a m an eira sim ples n o s sa aceitação da coerção. Em outro extrem o. É razoável a c u sa r u m médico de coerção quando ele nos diz dos perigos de co n tin u a r fum ando? E s­ tou preocupado. A esquiva do paciente em relação ao médico m o stra que o conselho. Ao contrário de sim plesm en­ te nos a lertar com relação às lam entáveis conseqüências de fum ar. O em purrão. em bora tecnicam ente coerci­ tivos.34 M urray S id m a n tem os de fazer p a ra fugir de. são ap en as bo n s conselhos. . ou evitar punição ou p erd a — é a técnica predom in an te p a ra nos levar a “co m portarm o-nos”. Médicos que sim plesm ente alertam u m p aciente sobre a m orte im i­ n en te a m enos que ele pare de fum ar. É m ais provável atingir o objetivo desejado en sin an d o a um paciente o que fazer do que alertando-o sobre o que não fazer. m as deixa de vir até o co n su l­ tório p a ra se r aconselhado. Mas. Q uando lem bram os a alguém para levar o g u ard a-ch u v a p ara que evite m olhar-se. funcionou como am eaça. a s p esso as nos avisam das horríveis conseqüências que virão de alguém m ais. algo com o que ap ren d e­ m os a lidar sem sofrer com os efeitos colaterais indesejáveis com os q uais estarei preocupado d u ra n te todo este livro. esses avisos. u m amigo nos em p u rra violentam ente para im pedir que um objeto que está caindo b a ta em n o ssa cabeça. E ntre esses extrem os. Em bora possam os não nos preo cu p ar com esse exemplo leve e sem im portância. vale a p en a n o tar que poderíam os chegar ao m esm o resultado — fazer alguém levar o g u ard a-ch u v a — lem b ran ­ do-lhe não que ele evitaria m olhar-se. reagim os à coerção evitando ou fugindo daqueles que nos coa­ gem. Em o u tras ocasiões. talvez m esm o de u m a n atu re za im pessoal. n este caso. Algumas vezes a s pessoas nos dizem o que elas farão co n o s­ co se não agirm os como elas querem . em bora tecnicam ente u m a form a de coerção. Q uando aquele que am eaça é tam bém aquele que deverá aplicar a punição. m ais provavelm ente descobri­ rão que o paciente co n tin u a fum ando. se p u d e r­ mos. o médico poderia te r ten tad o levar n o ssa família e am igos a serem especialm ente agradáveis conosco quando fizéssem os algo in com pa­ tível cóm fum ar. é n a verdade um tipo de “bom conselho" físico. ap esar de su a s boas intenções. tem os exem plos como o do médico que avisa “pare de fu m ar ou m o rrerá de câncer” e o dos am igos e p a re n ­ tes cuidadosos ecoando a am eaça. Como m ostrarei m ais tard e.

ele não é ap en as am eaça. 0 ambiente hosti! A própria n atu re za d á o exemplo. . Mas. A natu reza.” O bservar os céus e e sc u ta r as previsões de tem po to rn aram -se q u ase u m a se­ g u n d a natureza. ain d a que ap en as em n o ssa linguagem . N ossa co n d u ta segue }eis gerais que são independentes do c ará ter pessoal ou im pessoal daquele e d a intenção ou falta de intenção daquele que coage. Realm ente. o livro em si m esm o poderia ser considerado. ainda assim . até mesm o. neve. u m exemplo de coerção.Coerção e s u a s im plicações 35 Este livro fala tam bém sobre o predom ínio d a coerção em n ossas vidas. tendem os tam bém a personificar a n atu reza. calor. E n ­ tretanto. O am biente físico c o n sta n ­ tem ente am eaça nos esm agar com frio. Porque m uito freqüentem ente coagim os u n s aos outros. m uitos de nós consideram os a punição como ponto pacífico. am eaçando tom ar com u m a m ão o que deu com a outra. é claro. se fracassarm o s n a elim inação ou redução de n o ssa s p ráticas coercitivas. E. E scassez sem pre segue a fartu ra. Logicamente. “se você não quer congelar. arm azene alim entos. cu rso s específicos de ação — que nos perm itiriam aplicar técnicas não-coercitivas em vez de recorrer às “soluções” de coerção quando quiséssem os ou tivéssem os de in ­ fluenciar os outros. sendo im pessoal. Ele nos diz. Reagi­ m os a sinais de alerta do am biente inanim ado ex atam en te como fazemos com relação à coerção im posta por nossos com panheiros. D iante do poder esm agador d a n atu reza. tecnicam ente. ela cobra seu preço por todas a s coisas. ou en ch en tes levarão de roldão su as c a sa s”. descreve os efeitos colaterais d esastro so s d a coerção e. chuva. terrem oto e fogo. “escassez está chegando. a coerção tem seu s inícios em n o ssa s in te ra ­ ções com o am biente físico. enchente. a experiência nos diz que as forças d a n atu re za d esa­ barão sobre nós se não tom arm os precauções. aprendem os a ap re­ ciar s u a s dádivas — os recu rso s que ela to rn a disponíveis ao enge­ nho e ao dinam ism o e s u a beleza esto n tean te. co n stru a um abrigo”: “c o n stru a rep resas. E stam os sem pre lu tan d o com o am biente. não reconhecem os o im enso papel que ela d esem p en h a em n o ssas interações. Ele tam bém fornece princípios norteadores — em alguns casos. alerta sobre a catástrofe. não pode­ mos atrib u ir intenções à natureza. ela não pode realm ente nos levar a c o n stru ir rep resas e a arm azen ar colheitas. n u n c a nos diz o que tem os de fazer se quiserm os evitar desconforto e catástrofe.

req u er som ente a ordem de um louco p a ra g aran tir a fusão final. criando pobreza. óleo e gasolina. priva­ ções e tensões sociais que se expressam n a guerra. mesm o entre os que estão bem de vida. Pagam os esp e­ cialistas p a ra agirem como pára-choques en tre nós e a n atu reza. proposto p ara prevenir a guerra. m ilho e arroz p ara alim en tar o m undo. O estoque de arm as nucleares. em belezar e a u m en tar a eficiência da e s tru tu ra ? O custo crescente do com bustível que nos perm ite evitar tem p eratu ras que am eaçam a vida é u m lem brete de n o ssa vulnerabilidade à coèrção am biental e origina medo. Nós nos defendem os co n tra a coerção de nosso próprio corpo. am eaça produzir superpopulação n a Terra. O custo da m oderna tecnologia . E ste im perativo biológico. m as seu s resíduos m ortais j á estão envene­ nando o solo. m uitos de nós perdem os de vista a extensão n a qual a n atu re za m odela coercitivam ente n o ssa conduta. reduzindo n o ssa habilidade p ara nos ad ap tarm o s às re a ­ lidades da natu reza. A hibridização de p la n tas to rn o u possível produzir suficiente trigo. ou em conservar.36 M urray S id m a n Tam bém parecem os incapazes de lidar com m u itas d a s m a ­ ravilhas n a tu ra is que n o ssa inteligência descobriu. Tam bém nosso am biente interno nos am eaça com desconfortos físicos que podem term in ar em doença e morte. a ág u a e a atm osfera de nosso planeta. A m edida que envelhecem os. am eaças vindas de nosso in te­ rior se intensificam . A legislação de im ­ postos d á abonos de depreciação p a ra a m aquinaria. m as não p ara corpos hum anos. de que os nossos rendim entos e econom ias não serão suficien­ tes p a ra g ara n tir proteção fu tu ra. a reprodução sexual. Porque u m g rande segm ento d a sociedade tem sido b e m -su ­ cedido em su p e ra r os estresses externos e in tern o s que o am biente n a tu ra l impõe. su ste n ta n d o u m a im ensa e dispendiosa in stitu ição médica. Os prazeres que obtem os do álcool e de o u tra s drogas nos to m am d ep en d en tes biolo­ gicam ente. m as a redução d a diversidade genética deixa essas fontes críticas de alim entos vulneráveis à com pleta destru ição em u m a única catástrofe rápida. q u an to esforço foi necessário p ara obter o dinheiro que pagam os a eles? Q uanto de nosso rendim ento é gasto p ara alu g ar ou com prar o telhado sobre n o ssas cabeças que nos perm ite ignorar tem pestades e te m p eratu ras desconfortáveis? Quão grande é a p arte de nosso tem po e trab alh o que é g asta em rep arar goteiras neste telhado. ao m esm o tem po que nos tornam os vulneráveis à fria m ise­ ricórdia de u m a in d ú stria de seguros avarenta. A energia n u ­ clear prom ete com pensar o im inente esgotam ento d a s reservas de carvão.

p ara seu su sten to . ag ricu ltu ra e agropecuária — o b ru sco desaparecim ento d es­ ta s in d ú stria s e de in d ú stria s associadas e in terdependentes. como ficaria n o ssa sociedade se a s in d ú stria s de construção. de vestuário e de alim entos fechassem ? M oradia. A um entos inacreditáveis n a produtividade agrícola e eficiência de distribuição.Coerção e s u a s im plicações 37 m édica estã forçando difíceis decisões sobre quem deve sobreviver e quem se deve deixar m orrer. Em bora cad a indivíduo p o ssa desem pe­ n h a r som ente um pequeno papel em n eu tralizar diretam ente a coer­ ção da natureza. N este país. com prim idos. E ntretan to . não im porta quão inclem ente seja o tem po? A m a n u fa tu ra e m an u ten ção de vestuário. além disso. u n s poucos agricultores produzem alim entos p ara todos. Mesmo se considerarm os ap en as abrigo. a n atu re za tem cobrado altos trib u to s como preço pela seg u ran ça e esquecim ento. ves­ tuário. de re s ta u ­ rantes. algum as d as resp o stas p a ra a coerção da n a tu re z a parecem por s u a vez ter gerado novos tipos de am eaças. p íp u las de vita­ m ina e cáp su la s de energia originam novos tem ores sobre adaptação biológica e sobre a própria qualidade de vida. aum entos de custo. acom panhados de níveis de rendim ento pessoal an terio rm en te não sonhados têm to m ad o possível p ara a m aioria daqueles que vivem em p aíses econom icam ente desenvolvidos esquecer a am eaça de pri­ vação excessiva. A econom ia de nosso corpo req u er m ais do que sim ples calorias e quím icas e. Como aqueles que vivem em p arte s do m undo onde extrem os de frio ou calor força-os a u m a lu ta p recária pela existência. em pó e 1 em cáp su las? E assim . quem an seia por refeições que vêm em tu b o s. que já foi a principal ocupação da população fem inina do m undo. vestim enta e ali­ m entação. C om panhias farm acêuticas afirm am e s ta r p rep arad as p ara conter esta am eaça. de redes de distribuição e de em presas com erciais im ediatam ente expo­ ria n o ssa vulnerabilidade individual. Q uanto de nosso tem po e trabalho é gasto com vestuário que nos m a n ten h a confortáveis e secos. O esgotam ento do solo e d as reservas de ág u a n a tu ra l a serviço do aum ento d a produção de alim entos e a poluição d essas fontes a serviço d a produção de energia aguçaram n o ssa consciência sobre a s possibilidades de fome extrem a em m assa. em an o s recentes. têm levado m uitos a reto m arem ao lazer d a jardinagem e da cozi­ nha. m as seu s alim entos artificiais. O utros especialistas dedicam -se à preparação de alim en­ tos e m u itas pesso as dependem hoje. todos nós g astaríam os aproxim adam ente . p ersiste como um im portante segm ento da in d ú stria e conserva alto sta tu s como atividade de lazer m esm o entre os afluentes. de alim entos pré-cozidos e de refeições p ro n tas.

A coerção am biental se alojou em n o ssa linguagem por meio dos m odos com os quais descrevem os e explicam os n o ssa própria conduta: alguns de nós estão m uito fa m in to s por afeição. ardentes de paixão ou são fria m en te lógicos. trovão. epidem ias e. furacões. em vez de lu ta r co n tra a hostilidade d a natu reza.38 M urray S id m a n todo nosso tem po neutralizando pressões am bientais. De fato. passam os a considerar como gastos bem -justificados o enorm e com prom etim ento de tempo. Sim plesm ente aceitando a inevitabilidade da catástrofe. nós tem os personalidades arejadas. do dram a e do conhecim ento. Mesmo o sim bolism o religioso reflete coerção am biental.” Nem m esm o esperam os que com panhias de seguro providenciem reem bolso financeiro quando tem pestades. furacões ou terrem otos deixam -nos desabrigados. Aids. Aos deuses dos elem entos e dos fenôm enos n a tu ra is — fogo. en ch en tes ou erupções v u l­ cânicas ocasionalm ente relem bram -nos n o ssa vulnerabilidade. incêndios florestais. esforço e recu rso s que a socie dade devota à superação de form as sem pre p resen tes e norm ais de coerção am biental. Porque tem os sido suficientem ente capazes de relaxar n o ssa vigilância. enchentes. nós nos cegamos p ara seu cará ter coercitivo. . d esastres n a tu ra is são “atos de D eus”. fertilidade. d a ju stiça. m as tendem os a considerar estas coisas como exceções a n o ssa p rep o n ­ deran te liberdade em relação à s pressões am bientais. da m úsica. aceitam os isto com u m a racionalização filosófica: “Assim é a vida. eles são som ente casos extrem os de am eaças que estão sem pre p re se n ­ tes. A qualidade ilusória de n o ssa atu al liberdade em relação à coerção d a n atu re za torn ar-se-ia im ediatam ente evidente. tem pestuosas ou m esm o vulcânicas. sedentos de conhecim entos. oceanos. De acordo com a s m ais m odernas interpretações da vontade de Deus. Não tem os lidado de m an eira tão bem -sucedida com catástrofes n atu ra is. M uitos de nós não sobrevive­ riam . to m ad o s. M as aqui. S u a ira atinge a h u ­ m anidade n a form a de raios. calorosas. pragas. pen ú rias. estações do ano. corredores correm como o vento. sociais e biológicos. D esastres im ensos como terrem otos. os jovens que estão a ponto de su b ir n a carreira são aconselhados a não fazer onda-. seja porque s u a m agnitude é av assaladora ou porque su a interm itência e im previsibilidade im pedem qualq u er sistem a prático de controle. ventos — era atrib u íd o ta n to sta tu s quanto às divindades que se p resu m ia dirigir e ju lg ar os valores e p ráticas sociais h u m a n as — os deuses do am or. enchentes. contra a s quais estam os sem pre pagando resgate com n o ssas reservas de recurso s físicos. m ais recentem ente. erupções v u lcân i­ cas.

política. Alertas de desprazer iminente. dramaturgia e música reflete prioridades da comunidade. comumente bastante razoável. Esta distorção de uma noção basicamente decente vem. “Normalização” refere-se à noção. A indústria da televisão. nossas forças armadas atacam como raios. multidões explodemem violência. Tenho visto a punição defendida como uma técnica de ensino para os incapazes desenvolvimentalmente com o argumento de que qualquer método que não envolva punição vai contra o princípio de normalização. oradores empolgados dizem palavras incendiárias. para quando se defrontarem com uma faca ou um revólver. O proponente da punição. colocar seus pertences no seguro. honramos e recompensamos regiamente os profetas. ou tempo catastrófico e outros desastres naturais permitem-nos preparar defesas e desviar ou reduzir sua severidade. que cobra milhares de dólares por segundo e considera o tamanho da audiência como árbitro supremo de sucesso ou fracasso. A decisão de despender tal esforço. A despeito de nossa esperança de supremacia. Habitantes das grandes cidades do mundo tomam como certo que devem trancar suas portas. A comunidade hostil Talvez a coerção física presente seja responsável também pela aceitação geral da coerção social como um fato da vida. a má sorte desaba sobre nós. asnuvens da guerra se formam. e trancar as portas de seus carros mesmo quando dirigindo. neste caso. finanças estão estourando. Ela nos fascina com mecanismos meteorológicos e técnicas de vídeo maravilhosas e fabulosamente caras. para que um intruso não pule dentro do carro quando pararem em um sinal. ao mesmo tempo. Na verdade. de uma adaptação nãopercebida ao modelo coercitivo que a própria natureza nos fornece. custo e engenhosidade para relatar o tempo e. Nenhuma mulher e somente alguns homens incautos caminham depois que escurece no . ao qual ninguém deveria ser exposto. dedica milhares de segundos por ano para previsões de tempo. permanecemos subservientes à natureza mesmo durante nosso lazer. ciências. coerção social é aceita como natural. creio. argumenta que a sala de aula sem punição é um ambiente anormal. de que deveríamos trazer de volta os deficientes para o convívio normal em vez de segregá-los. idéias iluminam nossas cabeças. negligenciar a qualidade e quantidade de programação em educação.Coerçãoesuasimplicações 39 pais irados ãilminam seus filhos. carregar uma carteira extra com algumas poucas notas à mão.

Em seu próprio interesse. o ‘Common B oston’. este contracontrole tem se tornado cad a vez m enos efetivo. Nosso sistem a de “livre em presa”. estu p ro e roubo são inevitáveis ali e a polícia reage ap en as com desprezo pelo descuido ignorante d as vítim as. negam os emprego. Em escala cad a vez m aior. a restrin g ir su a b u sc a de riqueza. A m eaçam os com a g u erra p a ra im pedir que o u tra s nações se apropriem de n o ssas posses e corrom pam nossos valores. elas recorrem m ais rapidam ente a meios coercitivos p ara produzir resu ltad o s do que a outros meios. Dificilmente p assa-se u m dia . recu rso s e d esum anidade. o te rro ­ rism o tem se to m ad o u m a expressão-padrão do d esco n ten tam en to econômico. T rabalhadores en tram em greve p a ra forçar concessões de se u s em ­ pregadores e com p an h ias am eaçam de falência de form a a a n u la r acordos previam ente negociados. B urlando nós m esm os a lei. A im p ren sa e stá repleta de relatos de assassin ato e destruição. lucros. é m ais livre p a ra os fornecedores do que p a ra os consum idores. ele define co n d u ta desejável principalm ente de form a que possam os reconhecer e p u n ir desvios. os fornecedo­ res. Nosso código legal é n a s u a m aior p arte um catálo ­ go de penalidades p a ra todo tipo de infração civil e crim inal. cu jas recom pensas são lim itadas ap en as por s u a inteligência. escola e m esm o hospitalização p a ra p esso as que sofrem de doenças que poderiam ter ocorrido por meio de com portam ento sexual fora de padrão. assalto . s a lá ­ rios.40 M urray S id m a n famoso berço da liberdade. su p o stam en te baseado em princípios de oferta e procura. lim itados pela severidade de su a s necessidades. os consum idores. a relação proprietário-inquilino tra n sfo r­ m ou-se em antagonism o. Em bora pesso as influenciem u m a s à s o u tras de m u itas m a­ neiras. Por s u a vez. te n tam coagir os fornecedores. por meio da reg u ­ lam entação governam ental. Nos anos recentes. tax as de ju ro s. energia. análoga à coerção am biental que dá origem à “sobrevivência biológica do m ais ap to ”. Punim os crianças e crim inosos n a esp eran ça de im pedir repetições de co n d u ­ ta s inaceitáveis. C o n stru to res não h esitam em for­ çar se u s inquilinos a saírem de ap artam en to s que deverão se r tr a n s ­ form ados em condom ínios. religioso ou político em m u itas p artes do m undo. N ossa ten d ên cia cada vez m ais predom inante p ara deixar que o irrestrito au to -in teresse do m ercado determ ine preços. Mas não ap en as o infrator p ratica coerção social. a força superior é a b ase d a m o d ern a “diplomacia". o tam anho e o escopo d as corporações e a conservação de recu rso s é algum as vezes ch am ad a de darw inism o social — u m reconhecim ento direto de coerção econôm ica. sujeitam o resto da sociedade à coerção.

E segurança no trabalho é sempre um problema na disputa trabalho-gerência. Ameaças de punição. é ensinada a realizar sua tarefa por meio de intimidação. mesmo ao custo de com­ prometer questões de princípio e segurança nacional. Supõe-se que a virtude é sua própria recompensa. Temos a expectativa de ser alertados. ela passou a representar um poder a ser temido. fornecem as bases para atingir objetivos políticos e até mesmo dão colorido para as interações mais íntimas dentro das famílias. com estudantes pagando altas anuidades. a virtude ser sua própria recompensa significa simplesmente que ela nos mantém fora da prisão. protegem. em revanche por rebelião contra a liderança ou votos discordantes. estabelecem uma relação de dominação unidirecional entre polícia e cidadão. professores que não exigem presença esperam somente que uma fração dos estudantes matriculados realmente compareça às aulas.Coerçãoesuasimplicações 41 sem um registro de violência contra a criança por parte dos pais ou violência contra os pais por parte de filhos. uma instituição anteriormente benevolente que agora demanda subserviência. força e punição. ensinam. Punimos crimes mas apenas toleramos a legalidade. E nossa polícia. intimidados. Em nosso trabalho. privação ou perda são práticas-padrão nos locais de trabalho e salas de aula. empurrados e talvez espancados até mesmo por aqueles que nos empregam. mesmo na faculdade. Para muitos estudantes notas altas funcionam como recompensas principalmente porque elas significam a esquiva de notas baixas. . estamos acostumados a ser repreendidos por trabalho malfeito e ignorados por trabalho bem-feito. Com cínico divertimento. servidores municipais e estatuais estão bastante conscientes das conseqüências emjogo por não contribuir para campanhas políticas. Desde a escola primária e durante todo o caminho. A despeito das leis sobre campanhas eleitorais. indivíduos procuram con­ solidar seu poder ou prestígio desacreditando rivais. Nós nos resignamos a contribuições forçadas para instituições de caridade e mesmo para indivíduos dos quais não cuidamos. passando pelo colegial. observamos nossos legisladores enquanto se atacam uns aos outros. mas dentro do código legal. Nos escalões mais altos do governo. ameaçados. para a qual deixamos nossa segurança e proteção. governam ou amam. professores preocupam-se mais com técnicas coercitivas para manter a disciplina do que com métodos efetivos de instrução. Milhões de alunos fugiriam da escola imediatamente se a lei permitisse.

aprendem os rapidam ente que a coerção é o m odo-padrão p a ra fazer com que os ou tro s façam o que querem os. liberdade de expressão e liberdade de im prensa n u n c a teriam aberto cam inho em nosso vocabulário n ão fosse pela existência ou am eaça de censura. A n atu re za raram en te fornece outro modelo p a ra que im itemos. corrigir ou criticar. Mesmo quando bebês. Não ê difícil en co n trar pais que raram en te falam com su a s crian ças exceto p a ra adm oestar. B. No e n ta n ­ to. a coerção social é tão predom i­ n a n te que consideram os difícil im aginar a vida sem ela. A ssim que os bebês com eçam a mover-se por conta própria. e até m esm o sem significado. o prim eiro ato sexual é com freqüência desajeitado e algum as vezes h u m ilh an te. Isso não acontece porque som os cruéis ou m au s por n atu re za ou porque querem os in cu lcar essas qualidades em nossos filhos. não tem qualidades próprias. o princípio de liberdade dos m ares jam ais teria sido enunciado não fosse a p ira ta ­ ria e a guerra. quando F ranklin D. Roosevelt an u n cio u como u m a m eta nacional a obtenção da liberdade do medo. é a au sên cia de coerção que d á significado à liberdade. S kinn er ad ian to u a tese de que o conceito de liberdade seria desnecessário. A vida social de adolescentes en tre seu s am igos co n tin u a e intensifica o modelo coercitivo. Liberdade. a “m e­ xer” n as coisas. F. m as porque não conhecem os alte rn a ti­ vas efetivas. o conceito de liberdade da necessidade ja m ais teria surgido. Coerção fam iliar com eça cedo. a am eaça de expulsão daqueles que não seguem o grupo é su fi­ ciente p a ra em p u rra r o iniciante a su p erar e ssa s b arreiras iniciais. O prim eiro cigarro produz to n tu ra. a noção de livre em presa é u m a reação ao controle governam ental. assim como não deveríam os te r necessidade do conceito de p len itu ­ de n ão fosse por n o ssa experiência de privação. a prim eira bebida alcoólica tem u m gosto horrível. Como a coerção am biental. som os expostos ao modelo coercitivo. Se todos fôssem os supridos com as necessidades b ásicas da vida. um de nossos valores m ais prezados.42 M urray S id m a n N as fam ílias. ele tocou em um desejo u niversal que se origina de n o ssa co n stan te exposição a am eaças sociais e am bientais de todos os tipos. Se n u n c a tivéssem os escravizado u n s aos . a q u estão de “quem é o chefe” fre q ü e n te m e n ­ te tem que se r decid id a a n te s que ato s de doação p o ssa m to rn a rse possíveis. intim id ação e su b m issã o são freq ü en tem en te os prérequisitos p a ra a interação sexual. adultos recorrem à restrição e punição p a ra estab e­ lecer limites. se n o ssa socieda­ de p u d esse elim inar as condições pelas quais estávam os sem pre b u scan d o pela liberdade. o prim eiro cigarro de m aconha é d esap o n tad o ram en te insípido.

é im portante destacar que aq u e­ les que advogam e u sam coerção com propósitos terapêuticos — algum as vezes ch am ad a de “terap ia aversiva" — estão agindo de acordo com norm as sociais e costum es bem -estabelecidos e aceitos. é errado porque s u a ciência tornou possível fazer melhor. Na realidade. n a s su as conotações atu ais. . das técnicas coercitivas que u sam o s p a ra controlar a co n d u ta u n s dos outros. m as eles n ão são as cria tu ras dem onía­ cas e sem sentim entos. não co n trib u ir é errado. m em bros do poder judiciário e proem inentes m em bros da instituição educacional. nos en sin a­ ram tu d o o que jam ais precisaríam os sab er sobre como controlar os outros coercitivam ente.Coerção e s u a s im plicações 43 outros. jam ais teria sequer ad en trad o n o ssa linguagem . den u n ciaram S k in n er p orque acre­ ditaram que ele estava atacan d o o próprio ideal de liberdade. n esse caso. desde h á m uito. Porque m uitos de nós subestim am o s seu predom ínio. colocar os p ratican tes de te ra p ia aversiva no contexto de u m a sociedade n a qual controle coercitivo é u m a política estabelecida é d estac ar que. Os te ra p eu tas aversivos de hoje. Controle coercitivo perm eia n o ssa s vidas. Chefes de estado. Mais genericam ente. Creio que eles estão errados. que alguns de seu s críticos m ais virtuosos pintam . como terap eu tas. eles não estão fazendo n a d a que re ­ queira treino ou com petência especiais. m as o term o. de outros pontos de vista sensíveis. existir sem coa gir u n s aos outro s foi tão incom preensível que m uitos leitores. líderes m ilitares. Mas. se não ten tássem o s controlar u n s aos outros por am eaças de punição. eles não estão fazendo descobertas. Liberdade seria então u m fato da vida. como cientistas. todos teríam os sido livres sem que jam ais o conceito de liberdade tivesse surgido. por exemplo. dizendo e fazendo aquilo que sem pre foi dito e feito n ão estão contribuindo com n ad a de novo. privação. restrição e perda. A noção de que poderíam os. E n tretan to . o ideal de liberdade da servidão não teria sido necessário. possivelm ente. ele estava defendendo a elim inação daqueles “fatos da vida” dos quais todos nós desejam os nos libertar — em p articu lar.

Aqui é im portante olhar p ara as árvores e não ap en as p ara a floresta como u m todo. deixando aqueles de nós que nela vivem sem recursos não-coercitivos. Ainda assim . am eaça d estru ir a floresta. com o objetivo de fazer algo a seu respeito. tem os u m a ciência que reivindica que seu objeto de estudo é a análise do controle com portam ental. A noção de controle com portam en­ tal faz com que m uitos trem am e. gerando u m fruto am argo e u m a profusão de sem entes. A floresta é controle com portam ental e um tipo de árvore. m ais geral e freqüentem ente emocional. p ara alguns. é controle coercitivo. F. S kinner por querer aca b ar com o controle coercitivo — que ao produzir fuga origina o conceito de liberdade — tam bém condenaram a ciência do com portamento. que havia revelado claram ente que a coerção é indese- . é im pensável.2 5A (em todo controCe é coerção Interações coercitivas am eaçam nosso b em -estar e mesm o n o ssa sobrevivência como espécie. A árvore da coerção. terem os que desem baraçã-lo do tem a controle com portam ental. dentro dessa floresta. P ara olharm os objetivam ente p a ra o controle coercitivo. Controle comportamental Aqueles m esm os críticos que condenaram B.

defender ou oporse. ju n ta m -s e ao público em su a condenação da análise do com portam ento. E. como n as controvérsias atu a is sobre “terap ia aversiva”. Ignorando-o. a percepção do público é validada. o controle com portam ental e a análise do com portamento receberam u m a p u ­ blicidade ruim . m uitos vêem a análise do com portam ento como a ciência d a coerção. ou se opondo a ele. m as o público vê os a n alistas do com portam en to como defensores do controle e. os fatos sobre o controle não vieram de algum rom ance ou filme. a ser investigado e descrito. Mas. Por quê? A publicidade ru im é u m produto direto da predom inância do controle coercitivo em n o ssa sociedade.” E assim eles igualam os behavioristas aos controladores de Adm irável m undo novo .Coerção e s u a s im plicações 45 jável e desnecessária e que havia dem onstrado o poder de técnicas alternativas. algo com o que pode-se concordar ou discordar. Q uando. Por essa razão. Porque a coerção é tão generalizada. eles fornecerão justificativa p ara que outros o façam . Admirável m undo novo não inventou o controle. Seguindo este raciocínio. portanto. p o rtan to . Laranja mecânica e 1984. eles perguntam : “E por que alguém defenderia o controle da co n d u ta a m enos que quisesse ele m esm o exercer o controle?” Ou. de modo um pouco m ais generoso: “Se os próprios a n alistas do com portam ento não querem controlar o resto de nós. A nalistas do com portam ento vêem controle como u m fato da n atu re za. não deveria se r regulam entada. alguns esperam fazê-lo desaparecer. m as de opinião. pode-se aca b ar com controle co m p o rtam en tal? E con­ trole com portam ental é o m esm o que coerção? As p esso as que não estão fam iliarizadas com a ciência vêem a existência do controle com portam ental não como u m problem a de fato. . E ntretanto. o conceito de controle com portam ental am ed ro n ta as pessoas. a m aioria d as pessoas considera “controle” e “coerção” como tendo o m esm o significado. M uitos psicólogos. alguns poucos profis­ sionais defendem a posição de que a punição é u m a técnica terap êu ­ tica padrão e. A própria in ten sid ad e do debate convence o público em geral de que punição é tu d o que h ã em análise do com portam ento. da coerção. Hoje se sabe o suficiente sobre os u so s e conseqüências da coerção — um saber que pode servir como um guia p ara a conduta pessoal e políticas públicas. E porque q u alquer ciência do com portam ento deve conside­ ra r controle com portam ental como u m dado. porque seu trein am en to profis­ sional não os inform ou como deveria. ainda assim . n a mídia popular e no m undo m ais restrito da Aca demia. .

E quan d o a n alistas do com portam ento. Aqueles que acham que o argum ento filosófico pode fazer o controle desaparecer ju n ta m forças com m uitos que reconhecem a realidade do controle com portam ental. controle com portam ental não é u m a q u estão de filosofia ou de sistem as pessoais de valor a serem aceitos ou rejeita­ dos de acordo com n o ssa preferência. rejeitar ou defender o controle co m portam en­ tal. A com binação e separação de su b stân cias físicas são controladas e as leis de tais reações perm item aos quím icos saber exatam ente o que esp erar quando m istu ram su b stân cias. eles se u n em pelo medo. M ovimentos de objetos no espaço sâo controlados e a a stro ­ nom ia e a física se devotam a estu d a r as leis que descrevem tal controle. portanto. este medo deve ser respeitado. de m aneiras que consideram os n ão -n atu rais. forçados a fazer coisas que não estam os desejosos de fa­ zer. Não faz sentido. Leis bioló­ gicas e fisiológicas descrevem como nossos processos corporais são controlados: exercício. O controle da conduta pelo am biente físico e social é u m a característica do m undo. obrigados a fazê-las em m om entos m ais convenientes p a ra o esquem a de algum a o u tra pessoa e com pelidos a agir co n tra n o ssas próprias inclinações. tem em os o controle. m as as leis do com porta­ m ento são u m a característica do m undo em que vivemos. D ada a n atu re za coercitiva do controle a que m uitos de nós nos acostum am os. exatam ente como o controle de objetos físi­ cos. por exemplo. A n atu re za nos coage. Por que ta n to s parecem tão ansiosos p ara fazer exatam ente isto — repelir as leis do com portam ento? É aí que a coerção volta em cena. 1984 ou a análise do com porta­ m ento. reações quím icas ou processos fisiológicos. o governo nos coage. tem efeitos predizíveis sobre b a ti­ m entos cardíacos. Pelo contrário. e a análise do com portam ento considera como s u a tarefa a descoberta e o esclarecim ento da legalidade que é subjacente a tal controle. onde estará qualquer p la n eta em q u alq u er m om ento dado é predizível. amigos e família s nos coagem. A co n d u ta dos seres vivos tam bém é controlada. A noção pode nos d esag rad ar e m esm o am edrontar. Somos feitos assim . cien tistas que .46 M urray S id m a n nem o fizeram Laranja mecânica . Portanto. difíceis ou m esm o desagradáveis. E stam os sem pre à esp reita em b u sca de m an eiras de alcan çar a liberdade d a coerção e estam os perp etu am en te em g u ard a p a ra pro­ teger aquelas g aran tias que n o ssas leis. as leis do controle exigem investigação. professores nos coagem. não pode­ mos repeli-las. E stam os aco stu m ad o s a ser coagidos. considerando todo controle como coerção. É u m a questão de fato. P ortanto. costum es sociais e estilos de vida pessoais já conquistaram .

Ju stific ad am e n te tememos o controle com portam ental. Faz sentido d esco­ brir ta n to quanto possam os. Se ignorarm os a realidade. o u tras não. ele pode assu m ir m uitas form as. não deveriam ficar su rp reso s quan d o as pessoas reagem a eles como se fossem os ara u to s dos tem pos ruins. Devemos respondê-la de novo e de novo. Todos eles ten tam controlar o que os outros fazem. O que. algum as coercitivas. O controle está sem pre aí. mesmo tap an d o n o sso s ouvidos às m ás notícias. A validade d a q u estão “Q uem exerce ou deve exercer o controle?” é independente de n o ssa o rien ta­ ção filosófica ou científica. Nâo poderem os opinar sobre se este controle deve ser coer­ citivo. O medo do controle é realista. podem os fazê-lo tra b a lh a r em nosso beneficio. que a ciência da análise do com portam ento e n tra em cena. não reconhecê-lo é esconder-se da realidade.Coerção e s u a s im plicações 47 investigam o controle da conduta. Se reconhecerm os a existência do controle com portam ental e o estu d arm o s. é m ais im portante dizer o que se sab e do que sim plesm ente m aravilhar-se diante dos m istérios ain d a por resolver. vendedores. Os m istérios da n atu re za são profundos. n este m om ento. Q uando m étodos de controle existentes forem coercitivos. reivin­ dicar dem asiado conhecim ento é ap en as convidar p a ra u m ceticism o justificado. E ain d a assim . atores. Com portam ento. No entanto. descobrirem os que freqüentem ente po­ dem os su b stitu í-lo s por m étodos não-coercitivos. N atu ralm en te. m as m anterm o-nos n a ig n o rân ­ cia ap en as g aran tirá que o que tem em os p assará. Se co n ­ trole e coerção fossem a m esm a coisa teríam os que classificar como coercitivos todos os professores. tem m uitos m istérios. o controle com portam ental sim ­ plesm ente acontecerá. podem os definir objetiva­ m ente coerção. é aí. m esm o d as ciências m ais avançadas. os controladores exercerão o controle à s u a m aneira. identificá-la em situ açõ es p ráticas e fazer algo a este respeito. secretários. Coerção é um a subcategoria do controle. tam bém . exatam ente. A única certeza é que a resposta não pode ser “Ninguém”. os a n a ­ listas do com portam ento vêem? . o controle não p recisa ser coercitivo. ju stifican d o ap en as hum ildes reivindicações de progresso. tratam o s seus arautos como se eles as tivessem causado. E m bora não possam os evitar o controle. C ontrole existiria m esm o que não houvesse a n a lista s do com portam ento p a ra nos co n tar a seu respeito. m uito é sabido e. anunciam : “Controle com portam ental é um fato da vida”. Como verem os. em vez de ignorá-lo. com ediantes e oradores. na realidade. sedutores.

p esso as obesas. m as a in ­ da perm anecem dentro do cam po d a análise do com portam ento. cavalgar. p re sta r atenção. pessoas cuja m u sc u la tu ra vocal to rn o u -se p aralisad a descobrem -se sendo tra ta d a s como se não tivessem inteligência. fazer u m a lista de p resen tes de Natal. escovar os dentes. Nosso nível de in teresse em q u alq u er com portam ento p a rti­ cu lar u su alm en te depende de su a im portância corrente em n o ssas vidas. cozinhar. Uma p arte do com portam ento é privado. Todas e sta s ações são públicas: o u tras p esso as podem vê-las. P essoas que perdem su a habilidade de a n d a r percebem repentinam ente que não m ais se esp era que co n trib u am p a ra a sociedade. ler. comer. política. en trev istar u m candidato a emprego. exercitar-se. gerencia­ mento pessoal. estu d ar. personalidade ou linguagem. ouvir m úsica. do m ercado de ações. com positores e críticos de m úsica freqüentem ente es­ peculam de onde vem a criatividade. até m esm o falar ou escrever. médica ou econômica. an d ar. com por u m poem a ou u m a canção. m as àquilo que nos vê e ouve fazendo.48 M urray S id m a n Comportamento. preocupar-se. to m ar remédio. pegar algo. som ar. quererão sab er m ais sobre o que a s faz comer. divertir-se. ag arrar. inform a­ das de que tam bém são diabéticas. can tar. C om portam entos p ri­ vados colocam problem as especiais de m edida e descrição. m edi-las e descrevê-las. tra ta r u m doente. O m undo não reage a nossos p en sam en to s e sentim entos. quan d o ocorre um acidente ou u m a doença. dirigir u m carro. percebem os a extensão n a qual som os o que fazemos. pagar o aluguel. tocar piano. pro g ram ar um com putador. a ciência da análise do com portam ento é n eu tra em relação à im portân­ cia de qualquer com portam ento particular. correr. regime e program ação de com putador. esculpir. ensinar. escrever. falar p a ra si mesm o. como quando um derram e nos im pede ou a u m a p esso a querida de movi­ m entar-se ou falar. aprendizagem. da m úsica. sen tar. ela b u sca leis . tão autom áticos que raram en te ad en tram n o ssa consciência: respirar. im aginar. vender carros. com prar alim en­ tos. você pode encontrar livros sobre a “psico­ logia” do esporte. ir dorm ir. E ntretanto. levantar. fazer u m regime. rela tar u m a dor de dente. Em adição a categorias acadêm icas tradicionais como desenvolvimento infantil. M as. Muitos cientistas limitam su a atenção a atividades de im por­ tância social. O utros tipos de com portam ento podem p arecer triviais. falar. ver televisão. não d iretam en te acessível a outros: p ensar. da arte. sen tir-se triste ou alegre. lu tar. relaxar. Idealmente. Pais p restarão atenção ao e se p reocuparão com o com porta­ m ento em desenvolvim ento de se u s filhos. O que estam os ch am an d o de “com porta­ m ento”? Q uando falam os sobre com portam ento nos referim os a coi­ sas que fazemos: an d ar. lavar roupa. fazer am or. en tre ter u m a a u ­ diência.

localização geográfica e. Eles são independentes de personalidade. A lguns alu n o s são “diligentes". eles fre­ qüentem ente questionam o professor. dentro de am plos limites. A ciência da análise do com portam ento p ergunta: “O que to rn a m ais ou m enos provável que u m indivíduo aja de m odos p arti­ culares? Por que u m a p esso a faz certas coisas m ais ou m enos fre­ q üentem ente que o u tra? O que faz alguém agir de um modo particu- . background educacional. a todas as espécies de mamíferos. M uito d a linguagem com um sobre a co n d u ta se refere a freqüências. “cético” ou “feliz” não explicam o com portam ento. ocupação. que aspecto de u m a su b s­ tância é m ais fundam ental. C ham am os alguns alu n o s de “falan tes”. elas sem pre chegam tard e a se u s com prom is­ sos.Coerção e s u a s im plicações 49 que se apliquem a toda a conduta. du ração ou in tensidade de atos. o que eles estudam ? Todas as ciências se defrontaram com o problem a de definir seu objeto de estudo. Mede quão freqüentem ente u m indivíduo faz algum a coisa • — a freqüência de seu com portam ento. a análise do com portam ento considera como fu ndam ental a probabilidade de que u m a ação ocorrerá. as classificam os como “n e­ gativas” ou “p essim istas”. em grande medida. m as se elas carregam um sem blante co n stan tem en te som brio. poderia ter-se ocupado em medir a força. como em entrevistas e questionários. até mesmo de capacidade intelectual e idade cronológica. A análise do com portam ento te n ta descobrir o que to rn a os nossos com portam entos tão freqüentes ou tão raros. Em vez de qualquer d essas alternativas. o que observa­ mos é que eles falam b astan te. poderia ter conside­ rado como seu dado crítico as afirm ações que as pessoas fazem sobre si m esm as. Todos conhecem os p esso as que “não têm o sentido do tem po”. Elas sim ples­ m ente refletem a alta freqüência de certas ações. C aracterizações como “falan te”. em bora n a prática ela u su alm en ­ te tenha de especificar limites. “diligen­ te”. Os princípios m ais fundam en­ tais se aplicam a formas m uito distintas de conduta e. C ham am os a s pesso as de “fe­ lizes" se elas sorriem e riem freqüentem ente. grupo social. U m a criança “m im ada” é aquela que controla seu m undo por meio de b irras freqüentes. cor ou peso? A física sê prfeocupa m ais com o ta m an h o absoluto dos objetos ou com su a m assa? A análise do com portam ento poderia ter dirigido s u a atenção p ara a im portân­ cia pessoal ou social do com portam ento. Se a im portância cotidiana do com portam ento não é seu aspecto científico m ais relevante e se os an alistas de com portam ento consideram as distinções acadêm icas u su a is artificiais. O utros alu n o s são "céticos”. status eco­ nômico. ve­ mos que eles estu d am m uito. No entanto. Na quím ica. em m uitos casos a ciên­ cia atingiu generalidade significativa.

Provavelm ente. por seu tu rn o . Padrões de ação in ato s podem ser peculiarm ente complexos. quan to s de nós estaríam os acionando in ­ terru p to res se n a d a ja m ais acontecesse quan d o o fizéssem os? C onti­ n u aríam o s a escrever (comportamento ) com u m a can e ta que não m ais produzisse m arcas no papel (conseqüência)? Q uão freq ü en te­ m ente falaríam os (comportamento) com alguém que n u n c a resp o n ­ desse com palavras. As conseqüências que aplicam os às ações de o u tra s p esso as determ in arão quão provavelm ente elas fa­ rão a m esm a coisa novam ente. P ara onde a evolução teria nos levado se a probabilidade de agir de qualquer modo p articu lar não fosse afetada pelo que acontece a seguir? A m ariposa freqüentem ente se b ate con­ tra u m a luz acesa e formigas continuam em seu cam inho fixo m esm o sobre os corpos esm agados daquelas que foram p isadas. Algumas espécies de insetos. Som os afortunados por nosso com portam ento ser sensível a s u a s conseqüências. a elas e a o u tras pessoas. m as poderia u m a espécie que não responde às conseqüências de s u a própria co n d u ta té r se adaptado tão efetivam ente como os h u m an o s às dem an d as de um am biente con stantem ente em m u d an ça? (Refiro-me ap en as à adaptação com portam ental. As conseqüências do que fizemos determ in arão quão provável é que façam os a m esm a coisa novam ente. As m u d a n ças em su a s ações. m ais ad ap - . O que fazemos é fortem ente controlado pelo que aco n ­ tece a seguir — pelas conseqüências da ação. determ inarão quão provavelm ente aplicarem os a s m esm as conseqüências novam ente. Eventos precedem e seguem cad a u m a de n o ssas ações. e que a ignorância d as conseqüências não é desculpa. As conseqüências de n o ssa s próprias ações agora influencia­ rão o que fazemos m ais tarde. Algum as fazem com que nos com portem os m ais freqüentem ente. a m ais fu n d am en tal lei d a co n d u ta é: conseqüências controlam com porta­ m ento. o u tra s m enos freqüentem ente e algum as são n eu tra s. O com portam ento não ocorre em um vácuo. gestos ou expresses faciais (conseqüências )? Tudo que fazemos tem conseqüências. ro ­ m an cistas e escritores te atrais n a m aioria d as vezes consideram como seu tem a o fato de que nossos atos têm conseqüências. Fazem os algo — nos com portam os — e então algo acontece. A consciência d as conseqüências é a essên cia d a responsabilidade. alg u ­ m as trágicas. Q uando acionam os u m in terru p to r (comportamento) luzes se acendem (conseqüência ).50 M urray S id m a n lar m ais freqüentem ente sob certas condiçoes e m enos freq ü en te­ m ente em o u tra s ? ” Comportamento e su a s conseqüências. Filósofos.

“Ju g o ” e “am eaça”. a inform ação e o p razer con­ trolam n o ssa leitura. m as todas a s ações que incluím os n essas categorias são controladas por p esso as e lugares. em bora m uito freqüente­ m ente coercitivas. en tretan to . que controlam nosso com portam ento. É possível aprender. não classificam os esse controle como coercitivo. apreciar e am ar sem coerção. podem muito bem sobreviver a nós em um m undo devastado por explosões nucleares. ser coagido é ser compelido sob jugo ou am eaça a fazer algo “co n tra n o ssa vo n tad e”.) C onseqüências com portam entais. E m pri­ meiro lugar. o ato vem prim eiro e o reforçador a seguir. G enericam ente falando. h á três tipos de relações controladoras entre conduta e conseqüências. 0 que é coerção? Na linguagem cotidiana. um elem ento n a definição tem a ver com o tempo. n ão precisariam ser assim . n este sentido. ou por cau sa desse fenômeno pobrem ente com preen­ dido. reforçam ento positivo. aprendendo a se a rra sta r. am b as diretam ente observáveis. Os reforçadores têm d u a s ca­ racterísticas definidoras. M as an alistas do com portam ento afirm am que todo nosso com portam ento é controla­ do e. en g atin h ar e a n d a r e stá sendo controlado p o r podero­ sos processos desenvolvim entais e por experiências que seguem seus novos desem penhos. reais ou potenciais. tu d o que fazemos é “co n tra n o ssa vontade”.Coerção e s u a s im plicações 51 táveis fisiologicam ente a m u d an ças am bientais extrem as. reforçam ento neg a­ tivo e punição. am bos. m as não coercitivam ente. esses term os se referem a classes de conse­ qüências. em segundo. um reforçador deve seguir u m a ação. em u m a relação de reforçam ento. se aproxim am de u m a definição comportam ental de coerção. Um reforçador deve d em o n strar te r am b as as características. Lemos porque livros e outros m ateriais n o s fornecem in­ formação útil. Um bebê. o “prazer d a lite ra tu ra ”. Controle por reforçam ento positivo é não-coercitivo. Reforçadores e reforçamento. Assim. um reforçador deve fazer com que essa ação seja rep etid a ou ocorra m ais freqüentem ente. Elogio que fazemos a J a n e depois que ela te n h a term inado seu problem a de aritm ética pode bem fu ncionar como u m reforçador — se ele tam bém preencher a segunda p arte da definição — m as elogio dado antes que ela te n h a resolvido o problem a não reforça . coerção en tra em cena quan d o n o ssas ações são controladas por reforçam ento negativo ou punição.

to rn a aquele ato m ais provável no futuro. O segundo elem ento n a definição é funcional. ou o que q u er que seja que ela estivesse fazendo exatam ente an tes que disséssem os coisas agradáveis p a ra ela. conseqüências com portam entais que cham am os de recom pensas u su alm en te tam bém são reforçado- . então. Não com preendendo a necessidade de verificar se qualq u er conseqüência p articu la r realm ente funciona como um reforçador. Pais e p ro ­ fessores que dão aten ção a seu s filhos ap en as quando eles estão cau san d o problem as descobrem -se com críanças-problem a em su a s mãos. s u a atenção reforça o com portam ento errado. p o r seu tu m o . auxílio p ara sair de dificuldades. Como u m a q u estão prática. Reforçam ento. Insistência em am b as a s p artes d esta definição não é ap en as u m a bobagem acadêm ica. então. a m enos que reforçadores verbais. op o r­ tu n id ad es de brinquedo. O elogio pode d a r prazer a J a n e e pode reforçar o sorrir ou o sen tar-se quietam ente. ele to m a rá m ais provável que a pessoa faça aquela m esm a coisa novam ente. Mas.52 M urray S id m a n aquele desem penho p articu lar. não h á razão no m undo para esp erar que estas conseqüências façam a crian ça se “com por­ ta r”. O utros te n tam fazer com que u m a crian ça se “com porte” dando-lhe o que incorretam ente assu m em ser reforçadores. os gestos de am or e o u tras conseqüências que valem a p en a por to rn a r nossos amigos. família e com panheiros felizes. eles próprios criam as crianças-problem a. Se o evento que segue um ato for u m reforçador. porque não estão cientes do m om ento crítico. segue u m a ação e. eles n u n c a te n taram reforça­ m ento realm ente. Reforçando o com portam ento e rra ­ do.” Em bora eles ten h am tido boa intenção. elogios e gestos simbólicos sejam apoiados por algo m ais su b stan cial. Elogios. talvez u san d o expressões como "boa m en in a” e “bom trab a lh o ” e coisas sem elhantes depois que u m a criança te n h a feito o que eles querem . P ara ser classificado como um reforçador. a conseqüência de u m a ação deve levar à repetição da ação. os professores dizem: “E u ten tei o reforçam ento e ele não fun cio n o u . ap arecerá em q u alq u er outro com portam ento que não o seu com portam ento de solução de problem as. não é u m reforçador a m enos que faça Zé fazer m ais do m esm o tipo de coisa. realização ou aprendizagem . sorrisos e outros sinais de aprovação to rn am -se refor­ çadores ap en as depois que ten h am o s experienciado as coisas e re­ su ltad o s m ais sólidos a que eles levam: guloseim as especiais. em circu n stân cias se­ m elhantes. m as o efeito do elogio. B ater n as co stas de Zé depois de um desem penho excep­ cional e dizer: “Bom trab alh o ”.

reforçador e reforçam ento. um reforçador. Não precisam os dizer que u m a a lu n a vai p ara a universidade porque acred ita que a rra n ja rá um em prego melhor. am bos. m esm o n esses casos. a crença e os atos que levam à s u a m orte vieram d a m esm a história. como às vezes o faz. nós nos descobri­ mos relu tan tes em atrib u ir valor de recom pensa à dor. não quereríam os u s a r essa definição de pés p a ra d eterm in ar os limites de te rra que vam os com prar. Todas estas considerações falam d a desejabílidade de su b sti­ tu ir alg u n s iten s da fala com um — recom pensas. E s­ ta s variações significam que n o ssa s interpretações e percepções d e­ term inam se algo é u m reforçador? Freqüentem ente. m esm o q u a n ­ do a dor prova ser. são elas m esm as produtos d a m esm a h istó ria de reforçam ento que a dos eventos que elas su p o stam en te explicam. Percepções e crenças são im p o rtan tes e podem d esem p en h ar um papel n a determ inação d a conduta. definido objeti­ vam ente por seu efeito — m an ter o com portam ento. m antendo-os envolvidos em u m a ‘ cor­ rida de ra to s ” que eles consideram longe de agradável. m as são elas p ró p rias com­ portam ento. Veremos que isto acontece m ais freqüentem ente do que poderíam os esperar. Oferecer dinheiro a um bom amigo em troca de um favor.Coerção e s u a s impficações 53 res. Fre­ qüentem ente descrevem os como prazero sa u m a situ ação n a qual algo que fazemos ê reforçado. provavelm ente. a am i­ zade. n o ssas crenças. não . como quando obtem os u m prêm io por fazer um excelente trabalho. Em bora a m edida do com prim ento de um quarto contando o núm ero de vezes em que colocam os um pé n a frente do outro p o ssa fornecer u m a estim ativa com a qual se pode trab a lh ar. prazeres e crenças — por term os técnicos. d estru irá. o prêmio efetivam ente os m antêm n a arm adilha. percepções e interpretações se igualam ao que é objetivam ente refor­ çador. a crença e s u a p erm anência n a univer­ sidade foram eng en d rad as pelos m esm os reforçadores. a despeito d a desagradabilidade d a situação. m as nem sem pre. U sá-las p ara explicar por que algo é u m reforçador som ente em p u rra a necessidade de explicação um passo a trá s — o que produziu aqu elas percepções e crenças particulares. em vez de fortalecer. o prêmio ê u m reforçador. alg u n s vêem tal reforça­ m ento como u m a arm adilha. E ntretan to . E ntretanto . am b as. No en tanto. em vez de explicar o que é reforçador. A relaçáo inversa tam bém não é consistente. Não precisa­ mos dizer que a crença do fanático religioso de que o m artírio irá conduzi-lo ao paraíso to m a a crucificação u m reforçador. Nem prazer e reforçam ento sem pre se correspondem . As percepções e interpretações d as p esso as sobre o que é recom pensador ou prazeroso variam de fato consideravelm ente. é provável que d escu b ra­ mos que a s crenças.

. podem os usá-lo em vez de drogas. ou sim plesm ente algu­ m a atenção calorosa e am orosa toda vez que a crian ça b rin casse calm am ente por u n s poucos m in u to s ou b rin casse gentilm ente com um irm ão. em n o ssa linguagem cotidiana. Q uando quer que queiram os conhecer porque alguém age de um a m aneira particu lar. Nossa definição com d u a s p arte s perm ite-nos identifi­ car reforçadores independentem ente de q u aisq u er o u tras considera­ ções. su b stitu iria as b irras? Se sim. ou sim plesm ente q u an d o ela obtém a atenção de um pai ou outro m em bro d a família. S u p o n h a que déssem os o brinquedo. psicoterapia ou restrição física p a ra elimi­ n a r a s birras. então. O que explicaria as b irras freqüentes de u m a criança? Primeiro deveríam os perg u n tar: “O que acontece im ediatam ente de­ pois da b irra ? ” Se observarm os cuidadosam ente. Tendo identificado u m a conseqüência. . sab er se elas são ou n ão reforçado­ res — elas são responsáveis pelo com portam ento com o q u al nos preocupam os? Como veremos. se agirm os de algum a o u tra m aneira.. A desco­ b e rta de reforçadores pode aju d ar a resp o n d er questões que fre­ qüentem ente fazemos sobre a co n d u ta dos outros e a n o ssa própria. podem os descobrir que b irra s freqüentem ente term in am quan d o é dado à crian ça um brinquedo anterio rm en te retirado.54 M urray S id m a n acham os difícil incorporar o significado técnico de "pé” em n o ssa linguagem cotidiana. C om portam ento aceitável. então. se não quiserm os sofrer com explicações im precisas de n o ssa própria co n d u ta e da co n d u ta de outros. Reforçadores específicos não são assim predefinidos. Sim plesm ente observam os se conseqüências p articu lares a u ­ m entam a probabilidade fu tu ra de ações que a s precedem . n ó s os descobrim os. Reforçam ento pode se r expresso como u m a relação “se. ou quando ela recebe perm issão p a ra fazer algo que tin h a sido proibido. po­ dem os então u sá-lo p ara s u b stitu ir co n d u ta indesejável por co n d u ta desejável. e n ­ tã o ”. então um reforçador virá. u m a contingência: se nós agirm os de u m a m an eira p articu lar. farem os bem em incorporar o term o preciso. ou a perm issão. teríam os identificado u m reforçador im portante. a atenção. a prim eira coisa a p erg u n ta r é: “Q uais são as conseqüências d esta ação?" Se puderm os observar conseqüências co n sisten tes quererem os. “reforçador". Sim ilarm ente. tendo identificado u m reforçador. devemos então p erg u n ­ tar: “E sta atenção é um reforçador? Ela é responsável pela co n tin u i­ dade das b irras d a crian ça?” Uma m an eira de descobrir seria d ar e sta m esm a atenção depois que a criança fizesse o u tra coisa q u alq u er que não u m a b irra e observar se esta o u tra atividade to rn a-se m ais freqüente.

cooperati­ vas e produtivas: respondem os com afeto ao afeto. desenvolvim ento da personalidade. C ontin­ gências de reforçam ento são u m a fonte fu n d am en tal de controle com portam ental. p isar no acelerador de um autom óvel pode produzir u m a alta velocidade positivam ente reforçadora ou a esquiva de u m a colisão . Ao fazer isso. produção ou ap areci­ m ento de algo novo. algo que não estava lá an tes do ato.Coerção e s u a s im plicações 55 então este reforçador não virá. estu d a r pode produzir um A’ (positiuo) ou elim inar u m ‘incom pleto’ (negati­ vo ). elas não precisam ser sinônim o de coerção. m as conseqüências que cham am os de coercitivas diferem de form a im portante daquelas que até aqui tem os cham ado de reforçadoras. Porque coerção perm eia n o ssa cultu ra. Reforçamento positivo e negativo. Colocar m oedas em u m a m áq u in a (comportamento ) pode produzir u m a b a rra de chocolate (reforçamento positivo ) ou pode rem over a b arreira de u m a catraca {reforçamento negativo ). então conse­ qüência. fazendo com que algum a condição ou coisa que estava lá an tes do ato d esa­ parecesse. Professores dão n o tas altas (presum ivelm ente estas são reforçadores) contingente a resultados altos — e não baixos — em exames. “Se com portam ento 1. m as não (u su al­ mente) à hostilidade. cognição e linguagem . De fato. a ação de u m a pessoa é seguida pela adição. aprendizagem . algum as pessoas consideram q u alquer tipo de controle como coerci­ tivo. remove ou elim ina algo. som ente oferecemos boas referências a sócios ou em prega­ dos se eles agiram de m aneiras que julgam os am igáveis. elas têm sido incapazes de conceituar controle em q u aisq u er outros term os. Coerção envolve a aplicação de conseqüências. então não-co n seq ü ên cia. C onseqüências não são os únicos tipos de eventos que influenciam a conduta. percepção. dam os vários sinais de aprovação à s crianças cujas ações são co n sisten tes com — e não conflitantes com — p rá ti­ cas da com unidade e nossos próprios padrões de co n d u ta. um prim eiro passo é identificar contingências de reforçam ento que são fu ndam entais p ara cada u m deles. m as s u a classifi­ cação nos perm ite se p a ra r influências coercitivas de não-coercitivas. m as se com portam ento 2. m em ória. Se quiserm os en ten d er ou influenciar processos complexos como motivação. No reforça­ m ento negativo u m a ação su b trai. Em bora contingências de reforçam ento controlem com portam ento. interação so­ cial. No reforçam ento positivo.” O re­ forçador segue um ato m as não um outro e assim é contingente ao ato crítico. descobrirem os vá­ rios tipos de contingências de reforçam ento e eles fornecerão a base para um a definição formal de coerção.

E n q u an to a contingência positiva prevalecer. m as. reforça­ dores negativos estão no controle. fugim os. é a punição). freqüentem ente não-esperados. E m p u rran d o o botão o anim al rem o­ ve a luz brilhante. Q uando nosso com portam ento é reforçado positivam ente obtem os algo. A distinção n ão é arb itrária. Q uando nosso rato co n tin u a a a p e rta r o botão. ap ren d e rá a a p e rta r um botão com seu focinho se derm os a ele u m pequeno pedaço de alim ento (reforçador positivo ) cad a vez que ele fizer isso. m as eu não c h a ­ mo reforçam ento positivo de coerção. O rato tam bém ap ren d erá a ap ertar o botão se esta for a m aneira pela qual ele pode desligar u m a luz b rilh an te por poucos segundos [reforçador negativo). E m p u rra n ­ do o botão o anim al produz o alim ento. reforçadores. fugimos ou esquiva­ m os de algo. Como verem os seguidas vezes. ou fuga d a luz brilhante) em tais arran jo s de laboratório são m ais sim ples do que as interações h u m a n a s n as quais estam os m ais in teressad o s. . o rato co n tin u ará ap ertan d o o botão. Podemos u s a r contingências positivas ou negativas p a ra e n ­ sin ar com portam ento novo e p a ra m an ter com portam ento que está ocorrendo. estam os sob o controle de contingências posi­ tivas. desligando a luz b rilh an te. perigosos ou am eaçadores. Reforçam ento negativo é a prim eira de d u a s categorias m aio­ res de controle que eu defino como coercitivo. reforçadores positi­ vos e negativos. tem os u m a clara dem onstração de reforçam ento negativo. ou ag ra­ dáveis em si m esm os.56 M urray S id m a n negativam ente reforçadora. ao atra v essa r u m a porta. O com portam ento (em purrar o botão) e a s conseqüências (alimento. ou esquiva­ mos de eventos p ertu rb ad o res. controle coercitivo — reforçam ento negativo é u m a categoria — engendra efeitos colaterais. Ambos são. Mas q u and o nos livramos. como dem onstrações de laboratório em qualquer ciência. que envenenam n o ssa s relações in stitu cio n ais e sociais cotidianas. a ser d iscu tid a m ais tard e. Ambos os tipos de conseqüências to rn am m ais provável que façam os a m esm a coisa o u tra vez. Um rato de laboratório. tais arran jo s perm item que processos básicos a p a ­ reçam m ais claram ente. Q uando produzim os coisas ou eventos que u su alm en te consideram os úteis. p o rtanto. dim inuím os. Ambos. (A seg u n d a categoria. quando reforçado negativam ente removemos. podem os e n ­ co n tra r m úsica b o n ita ou podem os escap ar de cacofonia. inform ativos. por exemplo. com este tipo de controle eu falo de coerção. controlam nosso com portam ento. E n q u an to a contingência negativa prevalecer o anim al a p e rta rá o botão sem pre que a luz acender.

refletir-se-ã em s u a personalidade e em sua adaptação às d em andas d a sociedade. ou é reforçador a esquiva de adm oestações. S u p o n h a que deixem os nosso rato de laboratório produzir alim ento e ap ag ar u m a luz b rilh an te qu an d o ele ap ertar o botão. desaprovação. p articu larm en te se reforçam ento negativo é forte ou co n s­ tante. Mas ela ap ren d erá? Boas n o tas nem sem pre predizem desem penho futuro. Algum as vezes é difícil dizer qual é o controle. U m a razão é que as habilidades n ecessárias p a ra se sa ir bem em cu rso s podem ter sido m an tid as por coerção. A can d id ata obteve su a s n o tas altas por meio de reforçam ento positivo — talvez o novo conhecim ento que levou à obtenção de h o n ras acadêm icas e elogios fam iliares e abriu opções de emprego? Ou su a s n o tas altas foram o . tendo con stan tem en te de fugir de ou evitar “coisas ru in s ”. ridículo ou abuso físico — tal controle coercitivo tam bém in fluenciará s u a s in te­ rações com o u tra s p esso as e poderá alterar su a visão geral da vida. As condições restritas de laboratório perm item u m a resp o sta direta p a ra n o ssa questão. mesm o que decisões im p o rtan tes pos­ sam depender da resposta. reforçam ento positivo ou negativo ou am bos. sim plesm ente poderem os rem over e ssa s co n ­ seqüências. Em bora a jovem agradável d ian te de nós não te n h a todas as habilidades que o trab alh o exige. um a de cada vez. s u a s boas n o tas escolares provam s u a habilidade p a ra aprender.Coerção e s u a s im plicações 57 Freqüentem ente é im portante sab er se reforçadores positivos ou negativos são responsáveis por u m a co n d u ta p articu lar. a valorização de seu s pais. talvez. Se su a s interações fam i­ liares são m antidas principalm ente por reforçam ento negativo — por seu sucesso em desviar-se de cen su ra. freqüentem ente produzindo “coisas b o as”. Como verem os. ou su rra s que ele receberia se ele não tivesse feito o trabalho? A diferença. se ela se estende tam bém a outros aspectos da vida fam iliar do m enino. Uma pesso a que é am plam ente m an tid a por reforçam ento positivo. e ver se o anim al co n tin u a a ap ertar o botão. podem esp alh ar-se p ara esferas d a co n d u ta ap aren tem en te não-relacionadas. É refor çador p ara um m enino que lava o carro da família o carro brilhando e. Podemos. a produção de alim ento ou a fuga da luz brilhan te. os efeitos de coerção. sen tirá a vida de m aneira m uito d istin ta da de u m a pessoa que está em contato m ais freqüentem ente com reforçam ento negativo. por exemplo. Se quiserm os então descobrir o que é responsável por su a atividade de ap ertar o botão. ter que en trev istar recém -form ados p ara u m em prego em n o ssa com panhia. D escobrir se reforçam ento positivo ou negativo exerce controle fora do laboratório provavelm ente não se m o strará tão sim ples assim .

58 M urray S id m a n produto de reforçam ento negativo — esquiva de desaprovação fam i­ liar. ele então p ersistiria em p u rran d o o botão m es­ mo se nós interrom pêssem os am bos os tipos de reforçam ento — não m ais dando-lhe alim ento e deixando a luz acesa não im portando o que ele faça. E stas inconsistências to m a m difícil identificar as conseqüências que m an têm a co n d u ta de u m a pessoa. Além disso. C laram ente. to m a-o m ais p ersisten te e resisten te à modificação. se ela foi coagida n a escola. é necessário m ais inform ação sobre a can d id ata. e ap en as algum as vezes a p ag á sse­ mos a luz b rilh an te. Só algum as vezes u m e stu d an te obtém u m “A” depois de e s tu d a r b astan te. estu d o s de laboratório têm revelado u m fato que co n traria a in tuição sobre o com portam ento. longe de en fra­ quecer u m a ato. então p odere­ m os esp erar que a jovem continue ap rendendo porque o em prego to m a ria os m esm os reforçadores — novos conhecim entos e h ab ilid a­ des — disponíveis p a ra ela. um p siq u iatra poderia atrib u ir esta atividade n eu ró tica a um trau m a de treino de toilette n a infância. raram en te podem os . m as ao fazer tais distinções fora do la b o rató ­ rio. Po­ deríam os te r u m problem a sim ilar p ara en ten d er a b irra a p a re n te ­ m ente inefetiva de u m a crian ça se não soubéssem os que os pais reagiram inconsisten tem en te no passado. Por outro lado. algum as vezes não. m as não podem os fazer u m experim ento. nem sem pre u m a crian ça consegue fugir d a b r u ta ­ lidade correndo. Ao p ro cu rar en ten d er p o r­ que as pessoas agem d a m an eira como o fazem. P oucas de n o ssa s ações produzem sem pre seu s reforçadores u su ais. s u a atividade co n tin u ad a pareceria b a sta n te m isteriosa. poderíam os n ão identificar a s origens da lin g u a­ gem ch u la de um executivo. se não soubéssem os que tal linguagem fez com que os oponentes de s u a política ocasionalm ente encolhes­ sem os om bros e cedessem . Se déssem os ao n osso rato alim ento ap en as ocasionalm ente depois que ele em purrou o botão. freqüentem ente tem os de u s a r to d a e qualq u er inform ação que esteja disponível. A m enos que um observador conhecesse a h istó ria do anim al. poderem os esp erar que ela ap ren d a som ente n a m edida em que necessite evitar perd er o emprego. O rato de laboratório docum entou a realidade dos dois tipos de reforçam ento. ap o stan d o n a sorte e então esperando p a ra ver o que acontece. reforçam ento inconsistente. algum as vezes cedendo. hu m ilh ação pessoal ou conseqüências econôm icas fu tu ra s de um histórico escolar pobre? Se contingências positivas tiverem prevalecido. sem ter observado que o lavar a mão com pulsivo de um p aciente psiquiátrico algum as vezes produziu su a liberdade em relação a s u a fam ília e a o u tra s resp o n sab ilid ad es sociais.

eles au m en tam a probabilidade fu tu ra de ações às quais seguiram . a punição ê u m a contingência entre conduta e conseqüências. Eu defino estas d u as contingências de punição — a perda de reforçadores positivos e a produção de reforçadores negativos — como coercitivas.Coerção e s u a s im plicações 59 fazer um experim ento no m om ento. Definim os reforçadores — positivo ou negativo — p o r seu efeito especial sobre a conduta. Então. Punição. alim ento é u m reforçador posi­ tivo. Da m esm a forma que cham am os de “re­ forçadores” conseqüências que reforçam . E n tretan to . p ortanto. ou a produção de um reforçador negativo. reforçadores negativos to m a m m ais prová­ veis as ações que os term inam . assim como é um pu n id o r quan d o produzida. Um tipo de punição confronta-nos com o térm ino ou retirad a de algum a coisa que com um ente seria u m reforçador positivo. ela difere de am bos: da definição técn ica de reforçam ento e de n o ssas preconcepções m ais u su ais. E stas co n trap artes sim étricas de reforçam ento positivo e negativo constituem a punição. Mas definim os punição sem ap elar p ara qüalquer efeito com portam ental. punição é a seg u n d a m aior categoria de controle coercitivo. a dor é com um ente um reforçador negativo. E sta definição n a d a diz sobre o efeito de um pu n id o r sobre a ação que o produz. no caso geral: “O que a punição faz ao com portam ento?” Os . Porque a definição n a d a p ressupõe sobre os efeitos de p u n i­ dores sobre a conduta. de modo que su a perda é u m punidor. R eforçadores positivos tornam m ais prováveis as ações que os produzem . p u n id o res vêm de­ pois do com portam ento. algum as vezes produzim os re ­ forçadores negativos. Ela não diz que punição é o oposto de reforçam ento. podem os perguntar: “Q uais efeitos a punição tem ?” ou. C om um ente. R eforçam ento difere de u m modo im p o rtan te d a punição. C ada tipo de reforçam ento tem tam bém u m a co n trap arte sim étrica: algum as vezes fazem os coisas que term inam reforçadores positivos. Sem pre que vemos u m a ação produzindo a perd a de um reforçador positivo. punição ocorre quan d o q u er que u m a ação seja seguida ou pela perda de reforçadores positivos ou ganho de reforçadores negativos. o laboratório tem nos dado indícios. assu m ir u m a de d u a s form as. Como o reforçam ento. Como reforçadores. Punição pode. cham am os conseqüências que p u n em de “p u n id o ra s”. o outro tipo confronta-nos com a produção de algo que norm alm ente seria um reforçador negativo. dizemos que a ação está sendo punida. Ela não diz que pu n ição reduz a probabilidade fu tu ra de ações punidas. dizendo-nos que tipos de co n seq ü ên cias procurar.

a se sen tar. m as. ele obtém alim ento por se n ­ tar-se. co n tin u an d o a fazê-lo até que acontecesse de o cachorro se se n ta r (um a técnica com um no "treinam ento de obediência”). o cachorro aprende a se se n ta r por c a u sa d a contingência de reforçam ento negativo. tem os que desco­ b rir o que eles são. nós o deixam os com er de u m p rato de com ida próximo. se punição tem o efeito que as p esso as u su alm en te esp e­ ram . s u a rem oção é u m a punição. A s u rra é com um ente um reforçador negativo. S u p o n h a que quando dizemos “sente-se!”. o cachorro pule quando se ordena que se sente. to d as a s o u tras ações produzem u m a su rra. será m ais provável que o cachorro se sen te q u a n ­ do novam ente ordenado. punição som ente o en sin a o que não fazer. jogam os a com ida no lixo. “Sente-se!” to m a-se u m a am eaça que o cachorro pode en cerrar sentando-se. nós não o ensinam os. o cachorro ap ren d e a se se n ta r por c a u sa da contingência de reforçam ento positivo. ele ap ren d e a se se n ta r quan d o orde­ nado a fazê. No m elhor dos casos. exceto sentar-se. A punição não o en sin a como obter alim ento. Uma vez que o alim ento é u su alm en te um reforçador positivo p ara um cachorro fam into. poderíam os u s a r reforçam ento negativo p ara coagir o cachorro a se sen tar. U m a vez que ali­ m ento é coraum ente um reforçador positivo. “sente-se!”. isso não é p arte de s u a definição. Neste exemplo. N unca sabem os com certeza o que . Mas ap en as p u n ir o anim al por fazer algo m ais não o en sin a a sen tar-se. Isso faz com que p u n id o res freqüentem ente tornem as ações p arti­ culares às quais se seguiram m enos prováveis. A s u rra tam bém p u n e tudo o que o cachorro faz. sen tar-se previne ou term ina a su rra. S u p o n h a que tentem os en sin ar um cachorro a sen tar-se diante de u m com ando. e se o cachorro se senta. S u p o n h a que to d a vez que o rd en ásse­ m os. tam b ém b atêssem o s no anim al. Q uando m uito. será m enos provável que. Nós então.lo.60 M urray S id m a n efeitos da punição nao sao a ssu n to de definição. no futuro. como vimos. Q uando o cachorro se le­ vanta. o cachorro pule sobre nós. E n tretan to . novam ente dam os a ordem e batem os. Dizemos “sente-se!”. punidores são contingentes às ações. Neste exemplo. d esta form a é provável que o cachorro faça o que quer que encerre a su rra. por decorrência. paran d o som ente quando o anim al se se n ta r o u tra vez. punição en sin a o anim al que ele perderá alim ento por p u la r qu an d o lhe é ordenado que se sente. M as m esm o se n ó s coagíssem os o anim al por meio de p u n i­ ção a não pular. Como os reforçadores.

Coerção e s u a s im plicações 61 a punição fará. irreal. não é coercitivo. eles se to m am in stru m en to s de coerção. ob­ te r alim ento em retribuição por subserviência. “n a d a além de su b o rn o ”. s u a efetividade é um produto de reforçam ento negativo. E p a ra o u tro s. d esta forma. Não seria su rp reen d en ­ te que m uitos deles considerem “ap ren d er por ap ren d e r” u m concei­ to não-fam iliar. u m a criança que age m al à m esa é obrigada a não com er sobre­ mesa. refo rçam en to positivo é a p e n a s um sonho “.. A m aioria das pesso as entende reforçam ento negativo e punição sem dificuldades. O utro m au u so de reforçam ento positivo é deliberadam ente criar os tipos de privações que to rn am os reforçadores efetivos: pri­ sioneiros prim eiro são colocados em solitária e. funciona p a ra m uitos alunos e e stu d an tes como u m a ro ta de fuga. um aluno desaforado deve fazer sacrifício d u ra n te o recreio. em vez de to m a r-se um reforçador por si m esm o. P ara elas. Liberdade e alim ento parecem reforçadores positivos. um legislador que vota co n tra seu partido perde a liderança. eles podem. então. controle por meio de reforçam ento negativo e punição é. úteis p ara coagir o u tro s a se com portarem como elas gostariam .. então. se perm ite a eles ter contatos sociais como reforçam ento por docilidade. o m undo não funciona d esta m an eira”. prim eiro subm etidos à privação extrem a de alim ento. reforçadores positivos são apenas algo a se r tom ado de volta diante de u m com portam ento in ad eq u a­ do. tem os que ver por nós m esm os.” Reforçam ento positivo fre­ qüentem ente parece m ais difícil de com preender. Controle por meio de reforçam ento positivo. M uitas pessoas vêem reforçadores positivos ap en as como algo valioso que pode ser retirado e. m as quando eles são contingentes à cessação de privações artificialm ente im postas. “É assim que o m undo é. Alguns professores Consideram -no até m esm o ruim . O que vemos no laboratório e a to d a n o ssa volta no m undo cotidiano não é conforta­ dor. Lutam os p a ra selecionar cursos de ação que aju d arão a nos libertar dos m uitos tipos de restrições físicas. então. P u n i­ ção por meio da rem oção de reforçadores positivos é bem -com preendida. Dedicam os m uito de n o ssas vidas a elim inar ou prevenir estresses atu ais e fu tu ro s que a n atu re za e a sociedade nos impõem. A prender. e em vez de proverem conseqüências positivas qu an d o seu s alu n o s ap ren ­ dem. Realidades físicas deter­ m inam como podem os nos m an ter protegidos dos elem entos da na- . eles ap en as os p unem quando eles falham . governam entais e sociais a que estam os con stantem ente subm etidos.

em bora ab a n d o n a r o servi­ ço de ônibus signifique coagir crian ças que pertencem a m inorias a freqüentar escolas abaixo do p adrão e coagir todas a s crian ças a um am biente social restrito. F reqüentem ente. Ao controlar o u tra s pessoas coerciti^ vãm ente.62 M urray S id m a n tureza. em bora caras e freqüentem ente inconve­ nientes. ou fora de hora. E ntretanto. tem os poucas opções disponíveis p a ra prevenir ou evitar desprazer ou situações perigosas. com unidades lutam co n tra o serviço de ônibus escolar considerando-o coercitivo. Tam bém aceitam os algum a coerção reconhecendo que neces­ sitam os de lei e de seu cum prim ento p ara m an ter interações civiliza­ d as entre pessoas com in teresses conflitantes e que reg u lam en ta­ ções de saú d e e segurança. Freqüentem ente. a tra n sfo r­ m ação d a aprendizagem de u m m ecanism o de fuga p ara u m a fonte de reforçam ento positivo jam ais ocorre. m a ch u car e am eaçar som ente quando elas agem diferente­ m ente. é u m a experiência com um que algum as coisas feitas pela prim eira vez sob com pulsão se dem onstram tão prazerosas ou valiosas que. com panhias de cigarro com batem leis an titab ag istas ro tu lan d o -as como coercitivas. N aturalm ente. são proteções necessárias co n tra os poucos que d escu id a­ dam ente colocariam em risco os dem ais. Novas h ab ilid a­ des. em bora aceitem sem q u estio n ar as proibições co n tra vender arsênico e o u ­ tros venenos sem receita. de form a a fugir ou esquivar de p ressões físicas e in terp esso ais com uns e extraordinárias. m u itas vezes nos descobrim os tam bém u san d o coerção pfira com pelir outros a agir como querem os que façam. abrem m uitos novos cam inhos p ara reforçam ento positivo. Ê u m a infelicidade que esta descoberta seja tão freqüentem ente deixada ao acaso. desagradáveis. P ara m uitos. au to -in teresse algum as vezes p roduz algum as contradições e stra n h a s. su b se ­ qüentem ente. se . som os forçados a ações que consideram os n ão -n atu rais. desde a leitu ra até o raciocínio. param os de privar. A prender pelo aprender pode em ergir m esm o a p artir de u m começo coercitivo. fazendo o que consideram os aceitável. . m esm o que aceitem os leis que nos fa­ zem p a ra r d ian te de u m sinal vermelho. n o ssa s leis dizem -nos como nos m a n ter fora d a prisão e costum es sociais codificam as fronteiras com portam entais que nos perm item desviar da c en su ra de nossos vizinhos. descobrirm os que as coisas que aprendem os capacitam -nos a fazer m ais do que ap en as esquivar de punição na escola. F reqüentem ente coagidos à ação (ou inação). privam os e m agoam os ou am eaçam os privá-las e m agoá las quando fazem coisas que consideram os indesejáveis. as perseguim os por elas m esm as. Votamos contra leis que regulam entam o cinto de seg u ran ça em autom óveis considerando-as coercitivas.

Em bora possam os descobrir m u itas exceções individuais. Não precisam os ter sido coagidos a pensar ser errado roubar. em bora a coerção não precise ser diretam ente resp o n sá­ vel por nosso sentido de que u m a co n d u ta p articu lar é errada. que significam a au sên cia de formas relacionadas de coerção. F reqüentem ente ouvim os dizer. a sociedade. a noção co n tra stan te de certo tam bém jam ais surgiria. ela se desenvolve. n atu ralm en te. Para m uitos — alguns diriam . m en tir ou m atar. Nem surgiria a noção de consciência. em u m capítulo posterior. se en raíza quando a conduta é punida. como u m a regra geral. n a infância. p a ra a m aioria — coerção gera e perpetua o sentido de errado. inicial­ mente. que algum a co n d u ta p articu la r é m á som ente se for pega no ato. Como as várias liberdades. Primeiro. diretam ente do controle coercitivo.Coerção e s u a s im plicações 63 Alguns lideres religiosos argum entam : “É diabólico pagar crianças p ara se com portarem . o rótulo “errado” pode então ser aplicado a casos p articulares sem coerção posterior. ainda a s ­ sim têm consciências fortes. viverá segundo um código moral forte. Dado o estabelecim ento d a noção geral por meio de coer­ ção. C ontudo. líderes religiosos. tal trein am en to dá origem a aquilo que gostam os de ch am ar n o ssa consciência. aprendem os que podem os fazer o errado quando. porque errado seria então u m conceito d esn ecessá­ rio. Aqueles a quem nós confiam os as tarefas de m onitorar e dirigir nosso com portam ento — n o sso s pro­ fessores. Como verem os. isto é. em vez de d ar à crian ça algo bom quando elas se com portam adequadam ente. realmente. Reforçamento positivo como u m a ferra­ m enta de política pública é raro. agências sociais e governantes — levam-nos a nos com portar h o n esta e eticam ente. aqueles que concordam com esta versão da m oralidade ap en as a s p u n em quan d o elas se comportam inadequadam ente. b a s ­ tante abertam ente. S u p o s­ tam ente nosso sentido de certo e errado. Mas. polícia. em si m esm a. aqueles afortunados dentre nós que não foram sujeitos a m u ita punição d u ran te seu crescim ento. n o ssa consciência é. Alguém educado de modo am oroso a ser sensível e solidário com ou tro s e a adm irar modelos de virtude. te n ta m an ter n o ssas consciências utilizando m eios coercitivos.” Então. provavelm ente. experienciam os punição por algum as de nossas ações. Se n u n c a fôssem os punidos. elas deveriam ser bem -com portadas porque esta é a coisa certa a fazer e não porque recebem algo em troca. “certo” pode ser definido som ente em contraste com “errad o ”. a própria noção de errado. som ente u m sentido de errado. em conform idade . toda a n o ssa co n d u ta seria certa m as.

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M urray S id m a n

com princípios legais e m orais que aju d am a a sseg u rar a sobrevivên­ cia d a sociedade. Mas, som ente o ingênuo esp era que nós realm ente nos ajustem os a esses princípios a m enos que sejam os obrigados a fazê-lo. N ossas consciências in tern as devem ser s u ste n ta d a s por coerção externa, por punição e am eaça de punição vindas do exte­ rior. Q uão freqüentem ente cada u m de nós teve a experiência de ter recebido algo ou a p ro m essa de algum a coisa p ara, então, descobrir que tem os de en fren tar o u tras obrigações p a ra que o presen te não seja tom ado de volta ou a prom essa voltada a trá s? E assim nos to m am o s cínicos. Ficam os abism ados se nos oferecem u m a cen o u ra que não tem a trá s u m a vara.

Laboratório de marfim ou estufa de vidro?

A conduta pode ser analisada?
Infligimos dor u n s aos outros d iariam ente com n o ssa s p ráti­ cas coercitivas e estam os p restes a infligir a dor final a nós mesm os no fu tu ro próximo. Este estado em ergencial de fato em p resta um a certa urgência à necessidade de to m ar conhecim ento da ciência da análise do com portam ento. M uitos de nossos m ais sérios problem as originam -se de n o ssa inabilidade p a ra predizer e lidar com o com ­ portam ento. O que as o u tras p esso as estão fazendo no m om ento e o que estão pretendendo fazer no fu tu ro ? Como poderíam os m elhor influenciá-las considerando nosso próprio interesse, seu próprio in ­ teresse ou o interesse d a m aioria? T rabalhadores podem ob ter salá­ rios m ais altos d a direção? O dirigente pode a u m e n ta r a produtivi­ dade do trab a lh ad o r? As m u ltas e a prisão são n ece ssárias p ara impedir os capitães da in d ú stria de poluir n o ssa atm osfera e rios? Como podem os levar os m ilitares a p a ra r de envenenar n o ssa te rra e . oceanos com lixo atôm ico? Tem sentido m a n ter um ap arato m ilitar tão enorm e que su a s dem an d as insaciáveis por recu rso s am eaçam destruir a própria form a de vida que su p o stam en te ele defende? O que farem os p ara convencer as auto rid ad es de que esta é u m a q u es­

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tão razoável? E existe alguma m aneira de impedir que algum gover­ nante paranóico ou louco pelo poder aperte o botão que destruirá a todos nós? Cada um de nós também está preocupado com su as próprias ações. Todos temos de controlar a nós mesmos. Problemas sérios de saúde podem estar envolvidos: nós podemos levar nós mesmos a p arar de fumar, a perder peso, a selecionar alimentos mais sab ia­ mente, a fazer exercícios? Muitas pessoas precisam aprender habili dades sociais básicas: como superar a solidão? Como fechar aquele acordo de negócios? O tem a “como ganhar amigos e influenciar pessoas” tem sido a fonte de sobrevivência para m uitos escritores. A análise do comportamento lida com o manejo de nosso próprio comportamento e do comportamento dos outros. Estamos sempre ajustando nossas ações às dem andas do m undo ao nosso redor. Analisar comportamento é simplesmente estu d ar esses a ju s ­ tam entos. Assumindo que pessoas, lugares e coisas estão sem pre controlando as ações de qualquer indivíduo, analistas do com porta­ mento tentam descobrir como estabelecer, facilitar, impedir ou evitar esse controle. A descoberta de princípios gerais tom a possível p red i­ zer nossas próprias ações e as de outros e modular o controle que já existe. Análise do comportamento não defende, m as simplesmente investiga controle com portamental. É tarefa da sociedade determ inar quando o controle deliberado da conduta é desejável e quando ele não é, e se ela quer ou não tipos particulares de controle. Práticas pessoais e culturais confirmam nosso reconhecimento geral de que comportamento pode ser analisado e modelado. Usamos m uitos m é ­ todos diferentes p ara m udar nossa própria conduta e a de outras pessoas. Ser a favor da educação é reconhecer que o comportamento é analisável e controlável. O trabalho de um professor é controlar o comportamento de seus alunos. Eu não estou falando aqui sobre a disciplina em sala de aula, m as sobre a tarefa fundam ental do p ro ­ fessor de levar os estudantes a dizer e a fazer coisas que eram incapazes de dizer e fazer antes. Eu chamo isso “d ar a eles novo conhecimento”, ou “levá-los a apreciar” o que o m undo tem a ofere­ cer-lhes, m as novo conhecimento e apreciação só podem ser d e­ m onstrados por novas ações. Um professor bem-sucedido é aquele que m uda o comportamento de seus alunos de m aneira que de­ m onstrem suas novas capacidades. A maioria dos pais estabelece m ais ou menos claramente padrões definidos para seus filhos, alguns sabendo exatamente o que querem que seus filhos se tom em e outros contentes apenas em

Coerção e s u a s im plicações

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criar seres hu m an o s decentes, felizes. No final d as contas, todos nós querem os que nossos filhos desenvolvam as habilidades que neces sitarão p ara a sobrevivência. P ara atingir este fim u sam o s toda a influência à n o ssa disposição p a ra en sin ar n o sso s filhos a com porta­ rem -se adaptativam ente. Tam bém fu ndam entam os a “au to rid ad e d a lei” n a controlabilidade da conduta. Leis são afirm ações de contingências. Se pessoas agem de certa m aneira, seguir-se-ão certas conseqüências. Nosso ' sistem a legal claram ente reconhece que m anejam os p esso as ligando conseqüências à s su as ações. A certando u m d esp ertad o r arranjam o s o nosso am biente para controlar o nosso próprio com portam ento. Tam bém co ntrola­ mos a nós m esm os quan d o escrevem os lem bretes, removemos certos alim entos de nosso refrigerador, com pram os um equipam ento de ginástica, entram o s p a ra u m clube de encontros, fazemos u m curso de propaganda, nos desfazem os de nosso revólver, desligam os as luzes n a h o ra de dorm ir, trocam os u m a lâm pada queim ada em u m a lum inária, ligamos ou desligam os u m aparelho de ouvido, percorre­ m os o alfabeto p a ra lem b rar o nom e de alguém . P ortanto, em m uitos aspectos de n o ssa s vidas im plicitam en­ te reconhecem os que o com portam ento é controlado. O controle tem que ser coercitivo? Infelizmente, m uitos responderão: “O que m ais existe?” Seu conseqüente dissabor com a noção de controle tem evitado que eles entrem em contato com a análise do com portam en­ to, a ciência que pode ajudá-los a en ten d er a n atu re za do controle com portam ental. Ignorar as realidades do controle tem im pedido que eles aproveitem os m étodos não-coercitivos p ara produzir m u d an ça com portam ental desejada. Uma sim ples afirm ação de que fam iliarizar-se com a análise do com portam ento seria vantajoso su b estim a perigosam ente este caso. D ados os d esastres que nosso m undo e s tá sofrendo por cau sa de nosso fracasso em conduzir a nós m esm os e os ou tro s efetiva­ m ente, é m ais do que razoável afirm ar que não podem os sobreviver sem u m a tal ciência. E ssa afirm ação m ais forte deve se r tom ada literalm ente: sem u m a ciência do com portam ento não p erm an ecere­ m os vivos. N aturalm ente, não h á g arantia. Podem os não sobreviver m esm o com u m a ciência do com portam ento. M as, sem u m a ciência p a ra nos m o strar como m u d a r a m an eira de conduzir nossos proble­ m as, o m undo cam in h ará p a ra a m orte por negligência ou suicídio. E stam os poluindo nosso am biente em larga escala, q ueim an­ do com bustível fóssil, au m en tan d o o dióxido de carbono n a atm osfe­ ra e elevando a te m p eratu ra do m undo até o m om ento em que o

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derretim ento d as cam adas de gelo fará d esap arecer n o ssa s civiliza ções costeiras. A educação tem talvez aguçado n o ssa consciência do perigo, m as não tem fornecido soluções. Evitarem os esse desastre global som ente aprendendo a m anejar nosso próprio com portam ento e o com portam ento dos outros — tam bém em escala global. A tecnologia m oderna tem originado novos problem as. E sta ­ m os arm azenando lixo radioativo em containers que garan tid am en te vazarão daqui a algum as gerações. A publicidade tem ajudado a expor o problem a, m as a indignação pública d as pessoas h o n rad as não ê suficiente p a ra resolvê-lo. Uma ciência de análise do com por­ tam ento, consideravelm ente m ais avançada do que ela é atu alm en te, terá que descobrir como podem os fazer com que tais conseqüências rem otas influenciem o com portam ento atu a l de solução de proble­ m as. Um conflito cad a vez m aior en tre as restrições biológicas e econôm icas tem intensificado a influência coercitiva do am biente sobre a condição h u m an a. A população do m undo está se ex p an d in ­ do em u m a tax a que excede de m uito a su a produtividade. Provo­ cando um rápido aum ento no núm ero daqueles que n a d a têm. Nem um alto interesse ilum inado, nem u m sentido de fraternidade têm sido capazes de m elhorar a resu ltan te m iséria da h u m an id ad e. Será necessário u m a ciência d a análise do com portam ento altam ente de­ senvolvida p ara n o s m o strar como aju d ar outros a aplicar as infor­ m ações tecnológicas que já possuím os, p ara criar condições de vida que suportem o crescim ento da população. As superp o tên cias duelam no O riente Médio realizando m a­ n obras p a ra o acesso continuado ao petróleo necessário p ara a so ­ brevivência de su a s m áq u in as m ilitares. O esgotam ento d as reservas de energia d a T erra am eaça fazer explodir um conflito internacional que provavelm ente term in ará em u m holocausto n uclear. Podemos depender de nosso in stin to de sobrevivência ou colocar n o ssa fé no espírito e intelecto h u m an o s p ara co rtar este im pulso suicida? Con­ siderações econôm icas têm nos im pedido de d a r alta prioridade p ara o desenvolvim ento de novas fontes de energia. O dinheiro a p a re n te ­ m ente vence o medo. O d esastre n u clear com que nos defrontam os é de u m tipo que ja m a is experienciam os e é provável que serem os capazes de experienciã-lo ap en as u m a vez. A despeito de s u a m agnitude, o fato de ser rem oto lhe d á som ente u m fraco controle sobre n o ssas ações. A im ediaticidade dos gastos econômicos e dos tran sto rn o s dá a estas conseqüências consideravelm ente m ais poder sobre n o ssas co n d u ­ tas do que o m ais destrutivo m as tam bém m ais d ista n te conflito

Coerção e s u a s im plicações

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para o qual nos dirigimos. Será necessário ta n to u m a ciência de análise do com portam ento básica, como u m a ap licada p a ra desco­ brir como colocar aq u elas conseqüências que são não-fam iliares e a tra sa d as em contato com as form as de política a tu a is. Talvez estes problem as não sejam solucionáveis. A ciência da análise do com portam ento tem m ostrado que conseqüências a tra s a ­ das afetam fracam ente a conduta. Uma análise rigorosa pode levar à conclusão de que as leis do com portam ento ap o n tam p a ra o nosso desaparecim ento como u m a espécie inevitável. Ter a ciência não fornece g aran tia de sobrevivência. Ainda assim , o fracasso em fo rta­ lecer nosso entendim ento de n o ssa própria co n d u ta seguram ente nos privaria de u m recu rso efetivo n a b u sc a de m aneiras que e sta n ­ quem a n o ssa corrida em direção à extinção.

0 que significa “fazer um experimento”?
A análise do com portam ento é am bos: u m a ciência experi­ m ental e aplicada, m as, m esm o n a aplicação, an alistas m ais efetivos assum em u m a abordagem experim ental. Experim entos podem ocor­ rer em laboratórios, em clínicas, em salas de au la s e em qualquer outro lugar. O que faz exatam ente o an a lista do com portam ento quando ele experim enta? Primeiro de tudo, u m experim ento não é sim plesm ente um a tentativa, um teste ap en as p ara ver o que acontecerá, ou u m a b u sca para descobrir se algo atingirá ou não seu objetivo. Tocar m úsica p a ra ver o que acontece com a produtividade de trab alh ad o res não é em si m esm o um experim ento, nem o é m arcar um período tentativo para novas m edidas disciplinares n a escola, nem o é o estabeleci­ m ento de u m currículo novo p a ra faculdade n a esperança de a u ­ m en tar o valor da educação liberal. M era incerteza sobre resultados não faz um experim ento. F altam em tais testes os controles necessários p a ra a in ter­ pretação clara dos resultados. U m a característica fu n d am en tal de experim entos é que eles produzem dados e técnicas de coleta de dados acessíveis à avaliação pública. Um experim entador deve dizer exatam ente o que fez e sob quais condições, de modo que seja possível a crítica inform ada e a repetição do estudo por outros. Na análise do com portam ento, devemos identificar o com por­ tam ento no qual estam os interessados e especificar q u aisq u er ele­ m entos da situação que acreditam os poder influenciar o com porta­ m ento. Primeiro, quais ações m edirem os? Se n ó s estiverm os in teres­ sados n a produtividade do trabalhador, registrarem os o nú m ero de

é crítico que outros sejam capazes de d eterm in ar . Além de especificar as condições experim entais relevantes. devemos tam bém descrever as condições de teste com pleta e acu rad am en te. devemos tam bém descrever outros aspectos do estudo que poderiam ter influenciado os resultados. Se um teste não deve estar sujeito a interpretações conflitan­ tes. Q uais eram as condições de ilu m in a­ ção. m elhorias m ecânicas ou negociações salariais ocorreram en q u an to o teste estava acontecendo? Os trab alh ad o res estavam conscientes do estudo? Um experim ento bem-feito te n taria asseg u rar que n en h u m fatpr im portante exceto a m úsica poderia ter influenciado os re s u lta ­ dos. s u a s conclusões perm anecerão ob scu ras. A não se r que descrevam os este e outros aspectos da m úsica que podem in fluenciar a resp o sta à n o ssa p erg u n ta básica. quão freqüente e por qu an to tem po a m úsica tocará? Q uão alta ela será? Devemos tam bém descrever como to d as e sta s características serão m edidas e a fidedignidade d as m edidas. ou quão felizes eles são no trab alh o ? U saríam os a m édia dos dados de m uitos trab alh ad o res ou exam inaríam os am o s­ tra s d etalh ad as de u n s poucos indivíduos? É necessário. alguém m ais tam bém registrou as m esm as ações de form a que dois conjuntos de observações pu d essem ser com parados p a ra avaliar consistência? E stas especificações to rn arão os dados e as técnicas de m edidas disponíveis p ara avaliação por outros. sem pre su jeitas à d isc u s­ são. Quem fez a s m edidas? As pessoas que reg istraram os dados têm qualquer interesse nos resu ltad o s? As observações foram reg istrad as autom aticam ente ou m an u alm en te? Se m anualm ente. modificações no produto. “a m úsica afeta a produtividade do trab a lh ad o r?” Mas o que querem os dizer por “m ú sica”? Clássica? O rquestra? Jazz? Rock? C ountry? Q uais com positores e m úsicos serão ap resen tad o s? Todos os trab alh ad o res ouvirão a m esm a m úsica? Q uando. Mas é necessário mais. especificar as m edidas com portam entais. Devemos tam bém descrever os p asso s p ara te r certeza de que as m edidas foram co n sisten tes e acu ra d as.70 M urray S id m a n faltas ao trab alh o ? H oras g astas por dia em u m a escrivaninha ou m áq u in a? A quantidade de energia corporal g asta em cada item produzido? O núm ero de iten s produzidos por ho ra? O núm ero de itens defeituosos? Talvez algum a m edida que com bine todas e stas? Ou sim plesm ente perguntarem os aos trab alh ad o res quão produtivos eles têm sido. seria m elhor que não fizéssem os o estudo. a estação do ano e o nível de desem prego predom inante naquele setor p articu lar? A direção fez m u d an ças. E ntretanto. então. O que estam os ten tan d o avaliar? N ossa questão principal pode ser.

então nós podem os interrom per a punição e ver se o sujeito volta a a p e rta r o botão. obje­ tivas. Esse tipo de repetição controlada nos dá confiança de que a condição que especificam os realm ente causou a m udança. Ao e stu d a r como políticas públicas. am biente e com portam ento. E ver isso acontecer com o com portam ento individual como objeto de estudo é u m a d as características m ais . O laboratório nos perm ite alterar o am biente de u m sujeito e então retom á-lo a seu estado original. Tal restrição perm ite definição e m edida p recisas. Se nós não fornecerm os u m a descrição com pleta de todas a s condições experim entais.Coerção e s u a s im plicações 71 por si m esm os se as conclusões do experim ento são válidas. eventos incontrolados que não aqueles com os quais estam os prim ariam ente in teressad o s sem pre obscurecerão o problema. Se estiverm os p reo cu p a­ dos com os efeitos d a punição. livres para m u d a r incontrolavelm ente. podem os fazer ap arecer e desap arecer as ações p articu lares de u m sujeito aplicando e rem ovendo su cessi­ vam ente u m a condição relevante. Com o sujeito de laboratório podem os criar u m a a m o stra de com portam ento a ser analisada. Podemos então conduzir estu d o s experim entais sem precisar nos preocupar com eventos desconheci­ dos que poderiam influenciar a atividade que escolhem os exam inar ou que poderiam te r feito isto no passado. por exemplo. nós poderíamos co n tin u ar p u nindo o sujeito até que ele p are de ap ertar o botão. Se as ações do sujeito m u d am a cad a m om ento. Por exemplo. certos de que n a d a m ais que poderia afetar a atividade do sujeito está acontecendo ao m esm o tempo. ta n to da co n d u ta que nos preocupa como d as condições de observação. podem os estar b a sta n te certos de que a punição e não algum a o u tra coisa causou as m udanças. condições econôm icas ou d esastres n a tu ra is se relacionam com a conduta das pessoas. Mas no laboratório. estu d o s que não são de laboratório deixam am bos. Poderíam os então p u n ir o sujeito por pressio n ar o botão. Seguidas vezes podem os reaplicar e remover a punição. Uma função principal do laboratório é aco m p an h ar to d as as m udanças n as condições experim entais relevantes p a ra a p erg u n ta que fazemos. poderíam os prim eiro ensinar um sujeito experim ental a obter su a com ida apertando um botão. Tal controle sobre as condi­ ções experim entais to rn a possível descobrir se um evento particular realm ente faz um indivíduo agir diferentem ente. outros sem pre serão capazes de a p o n ta r possíveis contam inações relativas à validade do estudo. A possibilidade de estabelecer relações cau sais é u m a v an ta gèm fundam ental de experim entos controlados.

m antém problem as im p o rtan tes ao seu alcance supersim plificando-os não podem os obter dele o tipo de inform ação que necessitam os como guia p rático. rem ovendo irrelevâncias e descobrindo as condições fu n d am en tais . cau sad a s até m esm o por p eq u en as m anipulações am bientais. Q uando n o ssa s extrapolações p a ra a vida cotidiana fracassam . ganham os m ais confiança de que estam os no cam inho certo. Se estiverm os constru in d o u m corpo de conhecim ento estabelecido. Em um certo sentido. podem os fazer algum as inferências fu n d am en tad as. No pior dos casos. a pesq u isa de laboratório selecionará das condições da vida cotidiana exatam ente aq u elas características que são p ertin en tes p a ra as p erg u n tas em discussão. a investigação de laboratório e s tu d a rá irrele­ vâncias. com eçam os de n o ­ vo. freqüentem ente ouvim os. individualm ente e em com binação. pode-se ver im ediatam ente m u d a n ças com portam entais im portantes. devem os — tra z e r c ria n ç a s p a ra o labo rató rio p a ra estu d o s co n tro lad o s sobre a efeti­ vidade d a p u n iç ão ? “O laboratório”. No m elhor dos casos. Como podem os sa b e r antecip ad am en te que condições da vida cotidiana são p ertin en tes às p erg u n tas que tem os? C laram ente. à m edida que n o ssa s extrapolações com eçam a se m o stra r bem su ced id a s. As situações problem áticas cotidianas estão repletas de complicações que freqüen­ tem ente não têm relevância seja como cau sas ou como soluções. Então. quan d o bem -sucedido. m as que. M as podem os e s tu d a r algo como p ro d u tiv id ad e in d u s tria l no lab o rató rio ? A experim en tação com n ã o -h u m a n o s pode nos dizer se a d u ra rep rim en d a é a re sp o sta aos p ro b lem as de d iscip li­ n a n a s n o ssa s esco las? Podem os — ou m esm o. im pedem resp o stas inequívocas a n o ssa s p erg u n ­ tas. à m edida que a investigação procede. o laboratório pode ser m ais real que a vida cotidiana. som os capazes de validar n o ssas suposições iniciais sobre o que é relevante. testam o s o conheci­ m ento obtido em laboratório aplicando-o fora do laboratório. O controle experim ental to rn a possível investigar u m con­ ju n to restrito de condições. sem ter que esp erar até que dados de grupos de sujeitos ten h am sido tratad o s estatisticam ente. ele revela o que é básico. Mas e sta é s u a virtude prim ária.” É verdade que u m laboratório não duplica todas a s condições da vida cotidiana. entretanto. Mas não tem os que jogar u m a m oeda p ara decidir p ara o que olhar. quando u m a investigação com eça não podem os sab er com certeza o que é crítico. Nesse ponto.72 M urray S id m a n excitantes da análise do com portam ento. e a descobrir quais dizem respeito a nosso problem a. “isola­ se do m undo real.

que se origi­ nou com o estudo de p la n tas e flores. criticam ente cônscios do precedente histórico. Os produtos da p esquisa de laboratório alteraram profundam ente a existência h u m an a. chegou a u m a nova tecnologia. Uma lei básica que govem a o m ovim ento dos corpos em queda poderia ser verificada apenas em u m vácuo. esta suposição não tem necessidade lógica. a despeito de seu sta tu s lógico incipiente. aceitaram a su p o si­ ção de que s u a ciência. por exemplo. Felizmente. em sua prim eira tentativa. cad a u m a d a s o u tras ciências já esteve n a m esm a posição. o progresso já feito e a possibilidade de m ais progresso. E.Coerção e s u a s im plicações 73 que fazem o m undo operar do modo como ele opera e que nos fazem agir do modo como o fazemos. a torre de m arfim não é tão isolada do resto do mundo como m uitos gostariam que acreditássem os. q u í­ mica e biologia p ara a p esq u isa com portam ental. provaria ser aplicável à vida coti­ diana. é colocar-se voluntaria- . para “m a n u fa tu ra r” novas variedades de anim ais. Ainda assim . Pode-se legitim am ente p erg u n ta r se estam os corretos em ex­ trapolar de p esq u isas de laboratório bem -sucedidas em física. u m a condição artificial que não existe em lugar algum da T erra com exceção dos laboratórios. fazer clones de vacas que são m áq u in as incrivelm ente efi­ cientes de produção de leite. não podem os ter dúvidas de que os resultados de procedim entos refinados de laboratório são aplicáveis em outros lugares. F racassos em áreas específicas ainda podem estar por vir. ainda que ap en as m odelos te n h am sido testados previam ente n a s condições artificialm ente con tro lad as de um túnel de vento. tem os o direito de assum ir que a pesquisa com portam ental é capaz de aplicações bemsucedidas porque a s o u tras o foram? Claram ente. mais rápida e até m esm o m ais confiável que o acasalam en to seleti­ vo. recebeu ju stifi­ cação em pírica. m as negar arb itrariam en te am bos. Em bora possam os deplorar m u itas das m u d an ças. ain d a assim . Pilotos de teste voam em novos tipos de aviões com sucesso. a su p o si­ ção de que os dados de laboratório eram extrações da experiência cotidiana. Tivemos confirm ação suficiente d esta suposição p a ra conti­ n u ar a cam in h ar em frente. A ciência da genética. N ossa com preensão dos m ecanism os de hereditariedade e stá a ponto de produzir u m a ciência aplicada da genética h u m a n a que já e stá originando tem ores sobre novos tipos de controle com portam ental. a descoberta d essa lei tornou finalmente possível enviar pessoas à n o ssa Lua e explorar as frontei­ ras externas de nosso universo. os pioneiros do laboratório de com portam ento. Em todos os casos. tam bém . é possível.

Os alunos. infelizm ente. C ursos universitários proliferam . isolado de sons estran h o s. seja diante do problem a de m an ejar a si próprios. perigoso. m esm o. de program ação de com putadores a doença. algum a ação que. U sar validade de face como critério p a ra decidir o que observar e m edir inibe o desenvolvim ento de u m a ciência do com portam ento por criar m iniciências in d e­ pendentes. m ental. E ncontram os especialistas em psicologia de todas as coi sas.74 M urray S íd m a n m ente em u m estado de ignorância que é provavelm ente incorreto e. Selecionar u m a am o stra arbitrária. vivendo em um espaço ecológica e socialm ente estéril possivelm ente pode nos dizer sobre a co n d u ta h u m a n a? E sboçar algum as das considerações que su ste n ta m tais arran jo s experim entais h á de nos auxiliar a ilu stra r s u a utilidade. não sofre de q u aisq u er d as lim itações e restrições im postas por nosso julgam ento pessoal sobre validade de face. e não podem os fazer generalizações além d as fronteiras de cada área. u m in teresse em coerção poderia nos induzir a investigar prisões. O ganho potencial é que a au sên cia de ta is restrições pode to m a r a am o stra arb itrária . A ntes de iniciar um estudo. Por outro lado. Tais estu d o s podem levar a inform ações in teressa n tes e úteis. um a preocupação com criatividade poderia nos levar a a n alisar com positores de m úsica. Do rato à humanidade Em um laboratório de com portam ento isolam os no sso sujeito — digam os. de xadrez a sexo. U m a altern ativ a p a ra e stu d a r ações que parecem im p o rtan ­ tes por si m esm as é fazer exatam ente o oposto. u m rato — em u m espaço relativam ente confinado. m atrícu las e direitos au to ra is rolam . M uitos p esquisadores observam ap en as essas form as exatas de com portam ento que os interessam . O que pode esta c ria tu ra in telectu alm en te lim itada. não obtêm u m a descrição sistem ática da co n d u ta h u m a n a que p u d essem aplicar a m u itas de su a s preocupações. com luz. seja diante do problem a do m anejo de um cava­ lo. porque é delim itada e artificial. todo pesq u isad o r tem de decidir: “O que vou olhar?” Nosso prim eiro im pulso pode ser observar so­ m ente ações que têm “validade de face”: se quiséssem os m elhorar o desem penho de cavalos de corrida poderíam os confinar nosso e s tu ­ dos à pista. te m p eratu ra e um idade co n s­ ta n te s e mobiliado ap en as com os iten s relevantes ao procedim ento experim ental. até m esm o de p ro ­ blem as práticos altam en te específicos. e s ta abordagem ap aren tem en te d ireta a longo prazo lim itará severam ente nosso entendim ento.

Ficam os instigados. sujeitos a lim itações identificáveis. Nossos resu ltad o s seriam estendidos. Exam inem os o am biente e a co n d u ta do rato de laboratório para descobrir o que podem os ap ren d er sobre nós m esm os. nosso sujeito n ão m ais obtém com ida apertan d o o botão. u m d isp en sad o r autom ático do lado de fora pode d isp en sar com ida n a b an d eja p a ra o rato. o registro m ostrando intervalos m ais e m ais longos an tes que ele aperte novam ente o botão. O anim al. generalidade com pleta é um ideal.Coerção e s u a s im plicações 75 representativa de todo com portam ento. A descoberta de princípios gerais. por volta de 30 vezes por m inuto. A ntes que p asse m uito tem po. qualquer ciência experim ental deve conter m ecanism os de autocorreção p ara especificar lim ites à generabilidade de se u s m étodos e resultados. Poderíam os ter descoberto u m princípio geral do com portam ento? Vimos o rato ap ertando o botão quando ele obteve com ida deste modo e parando quando a com ida não m ais . Nos exem plos seguintes. então. A lguns m e­ canism os eletrônicos sim ples dão conta disso e tam bém perm item que u m a pelota de com ida im ediatam ente caia n a b an d eja quando quer que o anim al aperte o botão. dim inui o ritmo. U m a p eq u en a b an d eja se estende de u m a parede da caixa. coloca u m a ciência em u m a m elhor posição p ara esten d er s u a relevância. validade ou generalidade de métodos. a com ida poderia ser responsável? P ara descobrir desligam os o d ispensador. então. assim nos perguntam os sobre s u a causa. p a ra m uito além d as ações específicas que sele­ cionam os p ara observação e medida. abordável m as in atin g í­ vel. Agora nos sen tam o s e esperam os. C onfinar a p esq u isa a problem as da su p o sta ap are n te valida­ de restringe a generalidade de seu s resultados. N atu ­ ralm ente. vam os registrar quão freqüentem ente o anim al ap erta o botão. U m a vez que nosso in teresse geral é quão freqüentem ente as p esso as agem de modos p articu lares. O h o rá­ rio do ja n ta r está se aproxim ando p ara nosso sujeito. A pertar botões não é u m com portam ento típico de ratos. Isso estabelece nosso experim ento. dados e princípios serem julgados p ela opinião ou esp ecu ­ lação. Decidimos observar o ato de a p e rta r o botão de nosso sujeito — esse ato é n o ssa am o stra arb itrária de com portam ento. o registro m o stra o a n i­ mal pressionando o botão com ra 2 oãvel rapidez. de m ais ou m enos m eia polegada de diâm etro. a análise experim ental do com ­ portam ento não deixa a fidedignidade. E stes são a ssu n to s de teste experim ental. que e stá acos­ tum ado a com er u m a refeição por dia. Mais ou m enos d u a s polegadas acim a da b an d eja há' um botão ilum inado.

p ro d u ­ zimos um anim al extrem am ente m eticuloso. Tam bém pedim os a algum a o u tra pessoa. te rá m aior ou m enor probabilidade de d esem p en h ar um ato de que é capaz. Afirmado sem lim itações. p en d u ram o s u m a corrente no teto. dependendo do que acontece como conseqüência? C laram ente. gatos. que não esteja ciente do que o anim al e stá fazendo. do que vimos. A lim entando u m m acaco toda vez que ele se lim pa. Então. agora. em vez disso. ligam os e desligam os o disp en sad o r m u itas o u tra s vezes.76 M urray S id m a n aparecia. assim como galinhas. E stes experim entos dão grande generalidade en tre espécies p a ra nosso princípio. Podemos concluir daí que qualquer um . cachorros. O que dizer de diferentes tipos de com portam ento? P ara d e s­ cobrir. D escobrim os então que peixes tam bém ap ertarão botões que produzem com ida. chim panzés e gorilas. estava m antendo o anim al ap ertan d o o botão. que nosso rato ap e rta rá um botão se ele obtiver alim ento desse modo e p a ra rá se não obtiver o alim ento. Tais . inferim os um princípio geral: “co n se­ qüências determ inam com portam ento”. este é realm ente u m princípio m uito geral. E assim . a to d as as espécies e a todos os tipos de conseqüência. Podemos concluir. obtem os os m esm os resultados. além d a dúvida razoável. O rato puxa a corrente freq ü en ­ tem ente quando obtém alim ento deste modo. rapidam ente tem os u m p ássaro que g asta seu tem po girando em círculos. m acacos. pom bos. fazemos nosso experim ento novam ente com outros ratos. de que n o sso s experi­ m entos identificaram u m a relação causal. deve se aplicar a to d as as con d u tas. dando com ida a um pom bo to d a vez que ele gira em torno de si m esm o 360 graus. Uma vez que ele não especifica restrições. não algum a o u tra coisa na situação. p a ra conectar e d esco n ectar o dispensador. E stas generalizações são corretas? E stabelecem os. que o com portam ento é determ inado por su a s conseqüências? A ntes que possam os tira r tal conclusão. D essas observações. C him panzés parecem adqu irir grande sabedoria quando obtêm alim ento por m an ip u lar sím bolos de m an eiras que são significativas p a ra h u m an o s. rem ovem os o botão da parede da caixa e. D escobrim os que a sim ples operação de ligar e desligar a conexão elétrica entre o disp en sad o r de com ida e o botão operado pelo rato é suficiente p a ra iniciar e p a ra r a atividade de a p e rta r o botão do anim al. u m tal princípio geral precisa de m ais s u s te n ta ­ ção. E stam os razoavelm ente certos. S abem os sequer se outros rato s irão se com portar como nosso prim eiro sujeito? Assim. h u m an o ou não-h u m an o . precisam os prim eiro ter certeza de que a s pelotas de comida.

tam bém são sensíveis às conseqüências de seu s com portam entos. puxarão correntes e farão m u itas outras coisas se fazendo-as podem desligar u m a luz b rilh an te ou podem aquecer u m a caixa fria. sem perceber o que estão fazendo. então. n a escola ou em casa. m ais e m ais dem andas (“Eu quero u m biscoito. Eles. Eles não sabem . têm revolucionado a educação e treinam en to de pessoas retard ad as. nem mesmo alim entam -se sozinhas. Reforçam ento tem provado ser u m a m an eira poderosa p ara gerar novos com portam entos em pessoas que têm sido consideradas incapazes de aprender. podem en sin ar a u m a criança com portam ento desejável ou pro­ blemático. pais ou outros e s ta ­ belecem. e então. dam os a elas u m a colhe­ rada de com ida to d a vez que fazem algum a coisa que observam os apenas raram ente. G atos sedentos ap ertarão rep etid a­ mente um pedal que faça com que obtenham u m a s p oucas gotas de água cada vez que o fazem. Desco­ brim os que rato s ap ertarão botões. como dizer claram ente u m a palavra. esperam até que a criança choram ingue: “Pelo am or de D eus. Eles com eçam inicialm ente não prestando atenção. exigindo m ais e m ais pedidos da criança ("Posso comer um biscoito. por favor. C rianças norm ais. As conseqüências controlarão tam bém seu com portam en­ to? Fazem os nossos prim eiros experim entos com crianças que são institucionalizadas porque elas não parecem se r capazes de ap ren ­ der m uito. No almoço.. Macacos m achos ap renderão a operar um tipo especial de fechadura se este for o modo p a ra ab rir u m a porta e obter acesso a u m a fêmea receptiva. tornam o-nos destem idos o suficiente p a ra te s ta r a aplicabilidade de nosso princípio a seres hum anos. Por exemplo. posso com er um biscoito”). algum as vezes deliberadam ente e algum as vezes sem s a ­ ber. pais podem a u m en tar gradualm ente as exigências que eles fazem a u m a criança que b u sca su a atenção. pare de choram ingar!” Endure- . m as acabarão tendo um a difícil criança-problem a...Coerção e s u a s im plicações 77 experim entos nos dizem que nosso princípio se aplica a m uitas espécies e a m u itas atividades diferentes. . Novas técnicas instru cio n ais. E stes e m uitos outros eventos provaram ser conseqüências efetivas p a ra m uitos dos com­ portam entos de vários anim ais. seja no laboratório. Elas fazem poucas coisas que são construtivas. Tendo feito estes experim entos.. a experim entação fornece a resposta. dê-m e um biscoito") antes que eles atendam . Em breve essas crianças retard ad as estão falando. E ste princípio é válido ap en as p ara atividades que produzem alim ento? Novamente. b asead as no uso efetivo de contingências de reforçam ento. Contingências de reforçam ento que professores.

“o que você fez p a ra ser in tern ad o d esta vez?”. a descoberta de novos conhecim entos. Depois disso. sem levar em conta considerações m onetárias. m as isto não funcionou mais. a cria- . provavelm ente não instituirem os um program a de terap ia infantil sem tam bém te n ta r reeducar os pais. o g u ard a da vizinhança. eu poderia m ach u car alguém. A dem onstração de que conseqüências determ in am com portam ento adulto norm al e com distúrbios esten d eu o princípio ain d a m ais am plam ente. Isto funcionou e aqui estou eu . não p restan d o aten ção até que a criança bata. D inheiro é u m reforçador poderoso p a ra q u ase todo m undo. eles então d esp ertam p a ra a existência de u m problem a — um a criança que caracteristicam en te obtém atenção fazendo b irras. "trabalhos b o n s”. m orde-se ou se agride de o u tras m aneiras. m as m eu velho amigo. eles sem sab er refinam a contingência de reforçam ento ain d a m ais. “ano p assad o tu d o que eu tive que fazer foi d e rru b a r algum as la tas de lixo n a ru a. peguei o m artelo de carn e e fui a trá s da m inha m ulher. sim plesm ente estão sob o controle de ou tro s tipos de conseqüências: prestígio. Pais que fazem isto descobrirão que eles obtêm o que in c o n s­ cientem ente têm pedido p ara a criança. e então eles teriam que me levar p a ra a cadeia.78 M urray S id m a n cendo s u a resolução. influência.” As contingências não poderiam se r d escritas m ais vividam ente. po­ der. Tendo grad u alm en te escalonado a violência que eles exigiram an tes que a crian ça p u d esse obter su a atenção. eu atirei u m a p e­ dra n a vitrine de u m a loja. Experim entos. freqüentem ente obterem os u m a resp o sta direta: “Bem ”. arran h e. Finalm ente. eles então fazem a crian ça chorar. Q uantos de nós co n tin u ariam em seu trab alh o a tu a l se n ão h o u v es­ sem m áis contrach eq u es? Os poucos que são suficientem ente afor­ tu n a d o s por serem capazes de fazer o trab alh o “por si m esm o”. Se p erg u n ­ tarm os a um paciente que tem gasto s u a vida d entro e fora de hosp itais psiquiátricos. o p a ­ ciente pode replicar. E ntão eu fui p a ra casa. ap en as me disse p a ra não fazer m ais isto. eles co n ­ sentem ap en as quando a crian ça b ate s u a cabeça no chão. então eles ap en as m e fizeram levantá-las. a hospitalização é claram ente um reforçador p ara algum as p esso as e elas fazem tu d o que for necessário p ara chegar lá. aplicações clínicas e program as educacionais têm dem onstrado repetidam ente que o princípio de reforçam ento aplica-se ao com portam ento de crianças. Então. b e rra r e g ritar a n te s de atendê-la. Estabelecer u m a co n tin g ên ­ cia de reforçam ento é u m a m aneira de dizer não verbalm ente ã criança como obter certos fins. ch u te e m orda. Se entenderm os o background com portam ental.

o com portam ento p articu la r e a conseqüência que é con­ tingente ao com portam ento. Se a sociedade q u isesse exercer sobre a h istó ria genética e a histó ria de vida de u m a p esso a o tipo de controle que seria necessário p a ra produzir u m g ran d e com positor de m úsica. . ou um físico teórico criativo. seguram ente. mas. este tipo de verificabilidade é fácil. então. acab a sendo am p lam en ­ te aplicável. Tanto do com portam ento h u m a n o é n ão u su a l e raro — como com por H am let ou o Lago dos cisnes. n a au sên cia de m anipulação experim ental. pode ser possível descobrir como produzir tipos sim ilares de com portam ento. “conseqüências determ inam com portam ento”. ou chegar por indução ao princípio de que a energia é igual a m a ssa vezes o quadrado da velocidade d a luz. conseqüências não explicam tu d o sobre no ssa conduta. "Fazer o que querem os fazer” indica a operação de reforçam ento positivo. “fazer o que tem os de fazer” especifica contingências de reforçam en­ to negativo. E nós. E assim . que descobrim os observando u m rato de lab o rató ­ rio apertando um botão e obtendo alim ento. Experim entação controlada com não -h u m an o s. não é possível pro­ var que o que é plausível é o que realm ente acontece. não sabem os como explicar todo com portam ento. Podemos indicar d eterm inantes plausíveis que são co n sis­ tentes com leis com portam entais. outros fatores tam bém devem ser levados em consideração e sua generalidade tam bém deve ser te stad a. um princípio básico. m as o princípio de controle com portamental por contingência de reforçam ento é am plam ente generalizá­ vel. As espécies podem variar. m esm o naqueles casos aparen tem en te intratáveis. E m bora não possam os explicar com certeza in stân cias espe­ cíficas que já ocorreram . nós poderem os ja m a is ser capazes de dizer com certeza que qualquer princípio de com portam ento é univ ersal­ mente aplicável. poderia ser possível confirm ar a ação de princípios conhe­ cidos. ou u m explorador do e sp a ­ ço.Coerção e s u a s im plicações 79 ção de um a grande obra de arte ou contribuições à sociedade. Os detalhes diferem de situ a ­ ção para situação. seria b a sta n te su rp reen d en te se n ão desco b rís­ semos contingências de reforçam ento en tre os d eterm in an tes mais poderosos de tais com portam entos. como podem v ariar o ambiente. tornou possível explicar m uito do com portam ento h u m a ­ no identificando as conseqüências de su a s ações. Dado o que conhecemos agora. Porque m istérios sempre perm anecerão. em am bientes artificiais. N aturalm ente. m esm o a seres hu m an o s. ou circu lar a te rra n a Discovery — que provavelm ente n u n c a serem os capazes de provar como todo ele apareceu.

Mas seguram ente não procuram os revanche ao p u n ir a crian ça que se com porta mal. ou aquela que im pulsivam ente atrav essa correndo u m a ru a que tem tráfego intenso. Se não e sp e ­ rássem os im pedi-las de se com portar mal.A punição funciona ? 0 que há nela para nós? Por que pu n im o s? O que querem os obter? A principal razão é controlar o u tra s pessoas. P unim os alguém cuja co n d u ta consideram os m á p a ra a . ou aquela crian ça que coloca em perigo a si m esm a ou aos ou tro s ao b rin ca r com o fogo. deveríam os en ca rar a punição de crian ças como n a d a a não ser crueldade. U sualm ente querem os p a ra r ou evitar ações p articulares. ou de a rrisc a r tolam ente s u a s vidas. Punim os p esso as b asead o s n a crença de que as levarem os a agir diferentem ente. Se o propósito d a punição não é controlar com portam ento — d esen co rajar infrato­ res e ou tro s crim inosos potenciais de fazer a m esm a coisa o u tra vez — então a motivação p a ra a punição só pode ser revanche. Aqueles que relu tam em adm itir a p ossibi­ lidade de controle com portam ental deveriam se p erg u n ta r porque desejam ver m u ltas. ordens de prisão e talvez m orte d istrib u íd as p a ra aqueles que praticam crim es contra a sociedade.

m á p ara algum outro indivíduo. económ ica e física de um outro país apro p rian d o -n o s de parte de seu território. outros u sam punição p ara nos controlar. R aram ente invocam os ju s tiç a como u m a razão p a ra d a r al­ guma coisa boa p a ra alguém que te n h a se com portado bem . privam . em vez de re tira r reforçadores positivos. Algumas vezes. Alguém que obtém “ap en as so b rem esa” não recebeu algo doce como um retom o razoável por bom com portam ento. J u s tiç a p asso u a significar punição. ele é u m a ameaça. de fam iliares e amigos. usamos ou toleram os punição. a fim de parar ou im pedir q u aisq u er de n o ssas ações que os m achucam . A dm inistram os todos os tipos de punição de for­ ma a controlar o u tras pessoas a fim de p a ra r ou im pedir q u aisq u er de su as ações que nos m achucam . Por su a vez. nos faz sen tir seguros já que sab e­ mos que a punição será aplicada a outros que se com portam mal. “a ju stiç a prevalecerá”.Coerção e s u a s im plicações 81 com unidade. O princípio. repreendem os ou ridicularizam os u m a criança que se com porta mal. Na m edida em que o princípio se aplica tam bém a nós. Ao contrário. concordado que punição é u m a m an eira aceitável para a com unidade controlar n o ssas próprias ações. Ela funciona? Ela atinge seus propósitos? Ela é realm ente u m a m an eira efetiva p a ra im pedir ou nos livrar de com portam ento? Seria conveniente se essas p erguntas tivessem sim plesm ente “sim” ou "não” como respostas. batem os em prisioneiros que d esresp eitam as regras. aju d a-n o s a nos m a n ter n a linha quando som os ten tad o s a nos desviar. A lgumas vezes punim os u san d o a rem oção de reforçadores positivos: retiram os brinquedos de crian ças depois que elas se com ­ portaram mal: m an d am o s infratores p a ra a prisão. prontam ente. R aram ente perguntam os se punição é a única ou m esm o a m elhor m aneira de fazer as pessoas agirem como querem os. isolando-os d a ­ queles que os am am . Elas não têm. O alerta de que serem os am eaçados com ju s tiç a serve como uma m uleta p a ra o autocontrole. in su ltam ou desagradam . O tópico é excessiva­ mente complexo. Q uerem os colocar um fim à co n d u ta indesejável. ou m esm o m á p a ra a própria pessoa. in su ltam ou d esag ra­ dam. Ainda assim . tentam o s p a ra r u m a atividade aplicando reforçadores n e ­ gativos: espancam os. atiram os bom bas em cidades de u m outro pais em retaliação por seus ataques. E speram os que outros façam ju s tiç a e concordam os em fazê-la nós m esm os. privam. Punição é trivial em nosso m undo. Por meio de leis e costum es sociais cada um de nós tem até m esm o. recebeu uma punição por agir mal. Ninguém gosta de ser punido. S u a resolução requer algo m ais do que m era espe- . respondem os ã ag res­ são social.

m as pode­ m os sem pre disco rd ar d as interpretações e conclusões. Talvez a conform idade a p a ­ rentem ente não-coagida dos cidadãos reflita o u tro s tipos de coerção — o estado pode ter leis estritas de controle de arm as ou a polícia pode realizar um program a de prevenção de crim es m ais efetivo. exterm inando aquele que se com por­ ta. preceitos religiosos. viés filosófico ou emocional. colocar as p ar- . É aqui que a análise do com portam ento pode contribuir. O assassin ato pela sociedade realm ente reduz o a s s a s sin a to por indivíduos? Colocar p esso as n a prisão tam bém pode elim inar com ­ portam entos — é m ais difícil. se não decência com um . senso co­ m um . Ninguém gosta de ser punido e alguns descobrem desp razer em aplicar punição. ou p o s tu ­ ra s m orais. O argum ento de que punição não deveria ser u sa d a é freqüentem ente su ste n ta d o por apelos a religião. m oralidade e. descobrir como cad a elem en­ to tra b a lh a independentem ente dos outros e. Por outro lado. Inúm eros fatores devem se r considerados. em bora certam ente não im possível com eter assassin ato . roubo. Por outro lado. a punição capital elim ina com portam entos — faz isto b a sta n te diretam ente. No laboratório é possível dividir o m undo. m oralidade e decência comum. Confiscos ocasionais os m antêm ho n esto s en tre a u d i­ torias ou elim ina a evasão de im postos por outros que têm m ais a g an h ar? E statísticas sociais podem aju d ar a resp o n d er tais questões. a baixa incidência de crim es violen­ tos em estados que proibiram a p en a capital ju stificaria e sta políti­ ca? M ais u m a vez.82 M urray S id m a n culação. D ados coletados em si­ tu açõ es não-contro lad as podem fornecer indicações valiosas e h ip ó ­ teses in teressa n tes sobre questões sociais im portantes. O que real­ m ente acontece à co n d u ta que é pu n id a? C ertam ente. não necessariam ente. aqueles que acred itam que a punição é necessária e desejável tam bém s u ste n ta m s u a posição por apelos a religião. fraude ou estu p ro a trá s das grades. escolas inefetivas ou sim plesm ente u m a p o p u la­ ção m ais densa. m as estão notoriam ente ab ertas à m anipulação e viés interpretativo. isto significaria que a p en a capital é necessária? Não n eces­ sariam ente. A ssassin ato s freqüentes poderiam refletir u m a econo­ m ia em depressão. Só ocasionalm ente ouvimos solicitações de dados. O encarceram ento im pede p esso as de com eter esses crim es depois que elas saem ? P enalidades financeiras podem aca b ar com o lucro dos sonegadores. Q uando opi­ nião pessoal e política pública são s u ste n ta d a s por estatísticas cor­ relacionais o ceticism o é justificado. então. Se m ais assa ssin a to s ocorressem em estados que proibiram a p en a capital.

Como se estuda a punição? Que tipos de experim entos to rn am possível an alisar os efei­ tos da punição? Uma exigência é u m sujeito que esteja fazendo algo regularm ente e previsivelm ente. Os reforça­ dores alim entares. Na m edida em que a lin h a de b ase é estável. Alimento é freqüentem ente o reforçador positivo que gera e m antém a atividade de lin h a de base de u m sujeito. C hoque elétrico é um punidor com um ente usado. por exemplo. convicções reli­ giosas ou m orais. ou dados incorretos. m antêm o anim al pressionando a b arra em u m a ta x a estável. u s a pelotas de alim ento como reforçadores p ara en sin ar um rato de laboratório a p ressio n ar u m botão — u m a b a rra de metal m ontada n a parede acim a do d isp en sad o r de alim entos. a punição. em bora claram ente efetiva no controle do com portam ento. to m an d o m ais provável o com portam ento que os produz. E como punidores p a ra atos que os produzem . Na ter a- . então.) Os choques u sad o s como p u nidores no laboratório não são como os choques eletroconvulsivos u sad o s algum as vezes n as te n ta ­ tivas p a ra aliviar depressão severa e debilitante de p essoas. podem os então p u n ir o anim al em vez de (ou em adição a) dar-lhe alim ento quan d o ele p ressio n a a b arra. podem os confiavelm ente atrib u ir q u aisq u er variações a q u alq u er novo ele­ m ento que o experim entador introduza — n este caso. Reforçam ento é u m in stru m en to poderoso p ara produzir li­ n h as de b ase com portam entais que facilitarão a análise e perm itirão generalizações a p a rtir de sujeitos individuais. e que nós precisam os desesperadam ente de alternativas. tem sérias d esvantagens. A punição faz com que ele p are de p ressio n ar a b arra? C om um ente. u m a linha de b ase de atividade e s­ tável em an dam en to nos dá u m in stru m en to de m edida confiável. (Mais tard e terem os o p o rtu n i­ dade de considerar as circu n stân cias n a s quais choques funcionam realm ente como reforçadores positivos. Os dados de laboratório s u sten ta m fortem ente a posição de que punição. Choques q u ase sem pre funcionam como reforçadores negativos p ara atos que os term inam . p a ra ver como elas in te ra ­ gem u m a s com a s o u tras. sabem os que n en h u m fator desconhecido está fazendo o sujeito m u d ar seu com portam ento. u m a de cada vez.Coerção e s u a s im plicações 83 tes ju n ta s novam ente. Com este com portam ento confiável como um a linha de base. podem os chegar a conclusões racionais b asead a s em evidência válida. quando um a lin h a de b ase com portam ental perm anece co n stan te. Em vez de b a se a r n o ssa opinião sobre a desejabilidade da punição em nossos sentim entos. Um arranjo.

u sarm o s form as de punição que não podem os controlar adequadam ente. nosso trab alh o é m aldirigido cientí­ fica e m oralm ente. que é forte o suficiente p a ra c a u s a r convulsões e perd a de consciência. então. Choque eletroconvulsivo. m édicos podem repetidam ente p a s s a r u m a cor­ ren te elétrica in ten sa através da cabeça de um paciente. Se.84 M urray S id m a n pia eletroconvulsiva. porque sentim os que o uso de choque elétrico é m oralm ente repugnante. A ntes que padrões éticos to m em -se relevantes. Além disso. Isto não é ap en as u m a s ­ su n to de conveniência de laboratório. Em vez disso. tipos de com portam ento e situações. Uma inabili­ dade p a ra controlar p recisam ente e sta relação tem poral levará o pesquisador a conclusões que podem ser não ap en as não-inform ativas. som os obrigados a u s a r técnicas de com provada generali­ dade. Uma razão im p o rtan te p a ra u s a r choque é que seu efeito p u n iti­ vo m ostra ser am plam ente generalizável en tre espécies. m as realm ente enganosas. m as se u s efeitos são facilm ente su p e ­ rados por aspectos não-controlados da histó ria com portam ental de um sujeito ou por aspectos irrelevantes de um am biente experim en­ tal. E xperim entos que provocam dor nos sujeitos devem sem pre p a ssa r por escrutínio crítico. Luzes b rilh an tes. n ad a pode ju stificar o experi­ m ento. o choque atrav essa dois pontos da superfície da pele do sujeito e é suficientem ente forte p a ra se r doloroso. Se formos p u n ir u n s poucos sujeitos p a ra obter conhecim ento que aju d a rá m u itas pessoas. m ecanism os autom áticos podem liberar choques exatam ente quand o o experim ento exige. p erd a de s u s te n ta ­ ção e outros eventos desagradáveis têm sido tam bém u sad o s experi­ m entalm ente como punidores. não é um a técnica de análise de com portam ento aplicada. como quando retiram os a m ão de u m fogão quente. Q ual é o ganho esperado? O alívio de sofrim ento antecipado se sobrepõe ao sofrim ento que será infligido? Temos justificativa p a ra pedir heroísm o? A prim eira consideração ao fazer tais ju lg am en to s não é o dano potencial p a ra os sujeitos. u m a terap ia controvertida. Na m aioria dos estud o s de punição em laboratórios. u m experi­ m ento deve aten d er a padrões científicos. a ponto de até m esm o produzir conclusões enganosas. m as não cau san d o q u alq u er reação física exceto o retraim ento reflexo. talvez. produzindo assim dados que não são claros. Se o controle de um experim entador sobre fatores críticos é frágil a ponto de im pedir interpretação clara dos resu ltad o s ou. O tem po en tre o ato e a co n se­ qüência determ in a criticam ente os efeitos da punição. lufadas de ar. . sons altos. devemos prim eiro avaliar a adequação técnica dos experim entos.

A punição funciona? Este tipo de coerção elim ina atividades indesejáveis? Neste prim eiro experim ento. ganhando s u a vida de acordo com as contingências que seu m undo estabeleceu. que sofra u m a experiência sem elhante. antes um a ocupação respeitável. O choque é relati­ vam ente suave e d u ra ap en as u m a fração de segundo. adequação técnica ê u m pré-requisito p a ra avalia­ ção ética. o anim al acab a pressionando a b a rra tão rap id am en ­ te como sem pre.Coerção e s u a s im plicações 85 Portanto. A q u an tid ad e total de punição que um sujeito obtém influenciará crucialm ente o que a punição produz. a atividade g rad u alm en ­ te se recupera. O anim al tra b a lh a estavelm ente. não é m ais co n sid erad a desejável. ju n to com a pelota de alim ento o anim al recebe u m choque em seu s pés quan d o qu er que pressione a b arra. O anim al finalm ente com e­ ça de novo. 0 que realmente acontece? Com ecem os com u m rato de laboratório que a p ren d e u a pressionar u m a b a rra e obter pelotas de alim ento que caem em um a b an d eja abaixo d a b arra. Choque elétrico provê a precisão de m edida que é necessária an tes que possam os delinear conclusões a cu ra d as e generalizáveis sobre o papel que a punição desem penha no controle d a conduta. P ressio n ar a barra. ju n to com a in ten ­ sidade e d u ração de cad a punição individual. devemos considerar o núm ero total de punições. Mas a histó ria não term in a aqui. assim. P ara verificar q u a n ta punição u m sujeito recebe. A m aioria de nós recebeu um choque acidental de u m a fiação elétrica. Novamen­ te. m esm o que receba u m choque cada vez que o faz. eles não elim inaram o com portam ento p erm anentem ente. Após um período de su p ressão . E sse m undo agora m u d a su a s regras. os choques im pediram o anim al de pressio n ar a b a rra ap en as tem porariam ente. precisão não é ap en as um ritu al científico. Poucos se surpreenderão pelo ap aren te sucesso d a punição. Nós nos surpreenderíam o s ao observar qualquer u m m an ten d o u m ato que produz choques. fazendo com que o anim al pare s u a ativida­ de “indesejável"? O anim al realm ente p á ra de p ressio n ar a b arra. Se não tivéssem os . E sta punição atenderá seu propósito. É n este contexto que a relativa facilidade de m edir choques elétricos aju d a a ju stificar seu uso no estu d o d a punição. ou viu alguém receber um choque e podem os facilm ente em patizar com qualquer um. Um experim ento que não satisfaz padrões técnicos já não é ético. h u m a n o ou não.

Q uanto m ais tem po o anim al parou. n atu ralm en te. Nosso experimento. finalm ente o reforçam ento positivo por p re s­ sionar a b a rra to rn o u -se m ais poderoso que a punição. Vimos que o choque que de inicio efetivam ente parou o com portam ento do anim al. . As d u a s conseqüências de p ressio n ar a b a rra — alim ento e choque — estavam . poderíam os te r concluí­ do que a punição foi um com pleto sucesso. então. Com p u ­ nição m ais e m ais forte descobriríam os que o anim al p á ra de p re s­ sionar a b a rra por períodos cad a vez m ais longos.86 M urray S id m a n continuado a observar o anim al. a o utra m enos freqüentem ente. p o rtanto. que nosso sujeito recebesse choques m ais fortes. perdeu esta função. por exemplo. ap en as colocou um a nova questão que precisam os responder an tes que cheguem os a u m a decisão m ais fu n d am en tad a sobre a efetivida­ de da punição. O anim al retornou a s u a atividade “ilegal” porque aquela era a s u a ú n ica m aneira de obter alim ento. De que outro modo eles irão ob ter seu s reforçadores? Eles não têm o u tras b a rra s p a ra pressionar. Em bora fatores com plicadores m odifiquem este quadro sim ples. Jovens são libertados de reform atórios e adultos de prisões com repertórios de com portam entos não m ais aceitáveis p a ra a sociedade do que os atos d elinqüentes que os levaram ao encarceram ento. n o ssa p ri­ m eira observação de laboratório fornece u m ponto de p artid a tão direto que só podem os nos su rp reen d er com o fato de a sociedade ter ignorado s u a relevância. m ais fam into se tornou. A in ten sid ad e do choque dem onstra ter u m efeito poderoso. Não deveria ser su rp reen d en te que os “choques” que a socie­ dade dá em seus delinqüentes não p u n am eficientem ente. Devemos agora perguntar: “Como pode um punidor. O anim al estava gan h an d o todo seu su ste n to pressio n an d o a barra. S uponham os. o am biente experim ental relativam ente descom plicado nos perm ite ob­ servar um m ecanism o sim ples que indiscutivelm ente produz m u ita crim inalidade reincidente. to rn ar-se incapaz de servir ao propósito pretendido?” U m a resp o sta possível to rn a-se clara quan d o perguntam os: “Por que. o anim al estava tão assid u am en te p re s­ sionando a b a rra ? ” O alim ento. u m a tendendo a fazer o anim al p ressio n ar m ais freqüentem ente. Poderíam os checar experim entalm ente e sta conclusão alte­ rando á efetividade relativa de alim ento e choque. em com petição direta. que originalm ente s u p ri­ m iu a atividade. Q ualquer coisa que afastasse o anim al de seu trab alh o a p e n a s o deixaria m ais fam into. entretan to . Mesmo n este estágio inicial de n o ssa avaliação d a punição. Com choques m uitíssim o . era responsável. em vez de resolver o problem a original. em prim eiro lugar.

o anim al ja m a is volta à sua ocupação anterior. preferiria reforçar ações alternativas em vez de utilizar punição p ara fazer com que nossos filhos e outros m udassem . Então. Nosso sujeito de laboratório. ele presum ivelm ente m orreria de fome. O diálogo freqüentem ente não os p ersu ad e a ab an d o n ar um curso de ação que j á funciona. m as ainda indesejável. de obter o reforçam ento for possível. Podemos. a não ser que seja extrem am ente intenso. Mas. to d a vez que ele p u x a a corrente obtém alim ento. E assim . O que freqüentem ente não é avaliado é que a elim inação completa da com petição entre reforçam ento positivo e punição pode fazer com que m esm o a punição suave pareça funcionar. se n tir que a punição é o único recurso. embora n en h u m experim ento te n h a ido tão longe. Se u m a ocasião assim surge podem os usar punição suave. pode­ mos então substituí-lo por meio do reforçam ento positivo de u m a atividade m ais desejável. Devemos reconhecer que se algum modo novo. Ele jam ais volta à su a vida de crim es. o indivíduo punido . A m aioria de nós. então. T rab a lh ar p ara viver p u x ando a corrente é uma ocupação “aprovada” e o anim al m u d a de emprego. Se ele não p u d esse en co n trar algum a o u tra m aneira de obter comida. E se tivéssem os aproveitado a su p ressã o tem po­ rária da atividade do anim al c a u sa d a pela punição e ensinado-lhe um novo modo de g a n h a r s u a vida? Q uando o anim al p á ra tem pora­ riamente de p ressio n ar a b arra. Com portam ento inadequado p ersiste a despeito da punição porque é tam bém reforçado. A su p ressão tem porária do ato p u nido nos dá uma oportunidade p a ra en sin ar ao indivíduo algo novo. vemos u m a b ase p ara a aparentem ente interm inável lu ta entre aqueles que b an iriam p u n i­ ções cruéis e n ão -u su ais e aqueles que in sistem que ap en as m edi­ das severas podem conter a ilegalidade. indiscutivelm ente. algum a ou­ tra m aneira de obter os m esm os reforçadores. Algum as vezes. poderíam os p en d u rar u m a corrente no teto da caixa. a atividade não m ais se recupera. mas não recebe o choque. o com portam ento indesejado é tão forte que ele im pede o indivíduo que se com porta in ad eq u ad am en te de te n ta r qualquer o u ­ tra coisa. pode até mesm o por um fim à produção de reforçadores positivos que su sten ta m a vida.Coerção e s u a s im plicações 87 intensos. se a punição for suficiente­ mente forte. voltou a p ressio n ar a b a rra a despeito dos choques porque esta era a ú n ica m an eira que tin h a para obter comida. Tendo p arad o m o­ m entaneam ente um ato indesejável punindo-o suavem ente. em com petição com reforçam ento positivo. por exemplo. finalm ente o choque perde s u a efetividade como u m agente coercitivo. entretanto.

o sujeito con­ tin u a rá a p ressio n ar a b arra. então. ' O próprio choque te rá se tornado. au m en tarm o s g rad u al­ m ente a intensidad e do choque. Agora. te rá infligido dor d esn ecessariam en te. então. Como podem os m o strar isto? Primeiro in terro m p a am bos: o alim ento e o choque. u m a pessoa que te n h a ad m in istrad o punição. voltando p a ra o trab alh o a despeito do choque. por q u erer que nosso sujeito p are de p ressio n ar a barra. a próxim a vez que o anim al . No início. atos que os produzem . m as se então ela agredisse todas as s u a s bonecas. um reforçador positivó. reintroduza ap en as o choque. Isto é facilm ente dem onstrado no laboratório. ain d a que o choque finalm ente se to m e tão forte a ponto de derrubá-lo. Q uando isto ocorre. m as pode alguém ju stificar o u so incom petente d a punição? Podemos ir u m p asso além. A nova co n d u ta pode não se r m ais do nosso gosto que a antiga. ele o come. m as vale a p en a lem brar que a m enos que tenham os deliberada e habilidosam ente usad o o efeito su p ressiv o inicial d a punição suave p ara in sta la r a nova co n d u ta que q u ere­ mos. A efetividade e mesm o a ética do uso da punição p a ra controlar a co n d u ta de outros podem se r tem as de debate. o alim ento vem a ele. Agora n a d a acontece quando o anim al pressio ­ n a a b a rra e depois de um pouco ele a pressio n a ap en as raram en te. talvez com tristeza e pesar. m as ele se to m a m ais fam into e recom eça. podem os d ar-lh e u m choque suave e breve quando ele a pressiona. Por exemplo. Tudo que tem os de fazer é to rn a r o choque u m a précondição necessária p a ra comer. E u direi m ais sobre isto m ais tard e. Podemos p u n ir u m a criança p o r b a te r em seu novo irm ão.88 M urray S id m a n pode descobrir esta opção an te s que tenham os a chance de e n sin a r n o ssa alternativa preferida. Se. Como vimos. em pequenos p asso s. podem os tran sfo rm a r a dor e o sofrim ento em reforçadores positivos. O anim al te rm in a p ressio n an ­ do a b a rra e sem pre recebendo u m choque in tenso im ediatam ente a n te s de comer. eventos desagradáveis e dolorosos podem p e r­ der su a efetividade como p u nidores quan d o colocados em com peti­ ção com reforçadores positivos poderosos — u m a ju stap o sição su fi­ cientem ente com um n a vida cotidiana. O resu ltad o de tal transform ação se rá u m a pessoa que b u sc a a punição. agora. em vez de elim i­ nar. nós ain d a teríam os u m problem a em n o ssas mãos. A creditando incorretam ente que certos eventos são inerente e im utavelm ente punidores. o choque pode im pedir o anim al de p ressio n ar a b arra. O anim al recebe o choque. n a d a g aran te que a su b stitu ição será desejável. Eventos considerados como p u nidores então su sten ta rã o .

Sem investigação é impossível sab er se o tipo de h istó ria coercitiva que podem os criar no laboratório tam bém é responsável por estes casos. que parecem sem pre trazer sobre si m esm os a ira de seus colegas de trab alh o . uma com unidade coercitiva subverte s u a pró p ria racionalidade por recorrer ã punição em prim eiro lugar. A ú n ic a razão do a n i­ mai para p ressio n ar a b a rra é o choque conseqüente. que se to m o u um reforçador positivo. o au to -ab u so cessa. a ad m in istrar dor a si m esm as como o único meio de obter atenção. Mas elas à s vezes desco­ brem que se cau sarem danos a si m esm as. Eles p u n em severam ente . Usando punição de modo tal a convertê-la em reforçam ento positivo. a p ró ­ pria dor to rn a-se um reforçador positivo. sem querer. m as a p lau si­ bilidade parece clara. m antendo o au to -ab u so . incapazes de apreciar ou ad ap tar-se a seu am biente. m or­ dendo. Mas. Ele co n tin u a a p u x a r a corrente. M uitas crianças reta rd ad as e a u tis ta s são com um ente ignoradas porque são consideradas como vegetais em ocional e intelectualm ente. Porque trouxe atenção. Nos lares. em bora sem o co­ nhecimento deles. elas se to m am o centro d a atenção. em alg u n s casos o au to -ab u so pode continuar. algum as vezes encontram os pais. As pesso as freqüentem ente trab a lh am por choques? Todos conhecemos indivíduos que parecem d esab ro ch ar em seu próprio sofrimento. E sta s crianças foram en sin ad as por seu s professores. A prova aparece quando então provem os a m esm a atenção por atos construtivos. famílias. Um resu ltad o pode ser a conduta patológica. O choque to r­ nou-se um reforçador positivo tão efetivo que pudem os u sã-lo p ara ensinar ao anim al algo novo — p u x ar a corrente — sem prover qualquer o u tra conseqüência. sem alim ento. P siq u iatras h á m uito estão conscientes d as te n ­ dências au to d estru tiv as que caracterizam m uitos de se u s pacientes (e mesmo de pesso as que não são pacientes). professores ou “autoridades". então. coçando. Ele im ediata­ mente com eça a p ressio n ar a b a rra rapidam ente. produzindo u m choque cada vez que o faz. A prim eira vez que o sujeito p u x a a corrente novamente recebe o choque. e s­ tabelecendo u m a situação sem elhante. m as não o alim ento. m esm o que agora ela produza n a d a além de choques intensos. Evidência m ais d ireta pode ser en co n trad a no com portam en­ to de au to -in jú ria de algum as p esso as institucionalizadas. tirarm os a b a rra e p en d u rarm o s uma corrente no teto. lacerando-se e retirando sangue de si m esm as trazem to d a a com unidade p a ra si. batendo.Coerção e s u a s im plicações 89 pressionar receberá o choque. E sta m u d an ça no valor do choque pode ser m o strad a ain d a mais conclusivam ente se.

Então. Então.” Podemos ir tão longe a ponto de dizer que m asoquism o. cobrem a crian ça com afeto p ara com pensar a punição. sem in terferên ­ cia do com portam ento inadequado. o prazer da dor — particu larm en te em conjunção com a atividade sexual — surge de u m a fonte sem elhante? E xperim entos que res­ ponderiam a esta p erg u n ta jam ais foram feitos. sem choque. Q uando isto acontece freqüentem ente a crian ça aprende: “J á sei. u m a o u tra b a rra p roduziria ap en as o parceiro. O anim al m u d aria p a ra sexo sem choque. em vez de prover alim ento como um reforçador positivo por p ressio n ar a b arra.90 M urray S id m a n u m a criança que fez algo inaceitável. a punição faz m u itas o u tra s coisas. n este ponto. O outro é a d m in istrar punições suaves p a ra fazer a pessoa p a ra r de se com portar in ad e­ q u ad am en te pelo m enos tem porariam ente e. então. Além de su p rim ir co n d u ta indesejada. ou co n tin u aria tam bém a infligir choques a si m esm o? Um modelo experim ental válido n ão -h u m an o p a ra m asoquism o patológico seria extrem am ente útil p a ra descobrir como aliviar p arte do sofrim ento que pessoas infligem a si m esm as. produzindo prim eiro um choque e depois um parceiro sexual. Uma m aneira de ab o rd ar o problem a seria um experim ento como aquele que acabei de descrever. O objetivo m ais razoável do uso da punição é p a ra r com por­ tam ento indesejável. Q uando levamos em consideração todos os seu s efeitos. assim como quando precede alim ento. Os experi­ m entos que vimos até aqui não contam to d a a história. após en sin a r o sujeito a aceitar choques como um p recu rso r inevitável do sexo. a s su sta d o ra s ou que consideram os in ad eq u ad as. As o u tras m u d an ças que ocorrem n as p esso as que são p u n id a s e. no qual. Uma b a rra funcionaria como an tes. im orais ou anorm ais. Um é ad m in istrar punições m uito fortes: “b a te r até fazer o gato m orto miar". fazer com que ele me p u n a e então ele vai me a m a r. sentindo-se culpados. a m an eira de realm ente conseguir o afeto de p apai é fazer algo ruim . Q ue n en h u m leitor acredite. que foi aco n selh a­ do ou que lhe foi dito como u s a r punição efetivam ente. en sin ar-lh e o modo correto de agir. M as estas d u a s m an eiras de u s a r punição não são recom en­ dações. provavelm ente d e s­ cobriríam os que o próprio choque teria se to m ad o u m reforçador positivo. o su cesso da punição em livrar-se de com portam ento parece inconseqüente. déssem os ao sujeito ace s­ so a um parceiro sexual. im pedir pessoas de fazer coisas que são perigo­ sas. o que . Mas su p o n h a agora que déssem os ao sujeito u m a escolha. d esv an tajo ­ sas. Vimos dois m odos de u s a r a pu n ição que parecem aten d er a este objetivo. m as.

p ara m uitos de nós a punição j á é indesejável sim plesm ente porque acham os pessoalm ente aversivo coagir os ou­ tros. indesejável e m ais fundam entalm ente destrutivo de controle da conduta. N aturalm ente. levam inevitavelm ente à conclusão de que a punição é o método m ais sem sentido. olhar além dos efeitos im ediatos d a punição fornecerá b ases racionais p a ra te n tar alterar a orientação q uase universal d a sociedade em direçáo ao controle coercitivo. Mas podem os fazer m ais que isto. Além de q u alq u er falta de inclinação pessoal com a qual podem os com eçar. . a s m u d an ças que ocorrem n aq u e­ les que executam a punição.Coerção e s u a s im plicações 91 é às vezes ain d a m ais im portante.

podem os obter este resultado com punição intensa. “disciplinam os” crianças espancandoas ou penalizando-as. Assim. A punição em rep re­ sália a algum malfeito tem raízes em ocionais. Independentem ente de n o ssas motivações reais p a ra aplicar punição. destruição de propriedade e assassin ato . nossos governos apontam m ísseis p ara o u tras . m anteve-se com um por to d a a histó ria d a h u m an id ad e até o seu presente. é apenas parcialm ente u m a brincadeira. Como vimos. O conselho freqüentem ente ouvido. assim seu s p ratican tes não são receptivos à crítica ou a argum entos com b ase racional ou factual. C apítulos posteriores considerarão as c a u sa s d a ju s tiç a retributiva e as razões p ara s u a p ersistên cia e predom inância.‘ Tomando-se um choque Punição tem efeitos colaterais Retaliação por meio de b rutalidade. ain d a que ética e legalm ente condenada. “Não leve desfeita p ara c a sa ”. Tam bém se supõe que p u n ir m au com portam ento en sin a bom com portam ento. im oralidade e loucura. agressão. m ais freqüentem ente argum entam os que seu propósito é o controle de com portam ento indesejável — a lim itação da destruição. ou com binando habilidosam ente p u ­ nição suave com reforçam ento p a ra ações alternativas. terrorism o.

que algum as p esso as defen dem hoje. Não se pode esp erar que q u alq u er pessoa não-ciente destes efeitos colaterais considere razoável ou m esm o desejável su b stitu ir controle coercitivo por controle não-coercitivo. Tam bém . A punição severa pode ter tornado os p ratican tes m ais . P ortanto. A lternativas estão disponíveis. ainda que eles sejam não-fam iliares e algum as vezes difíceis de aplicar.Coerção e s u a s im plicações 93 nações a fim de “ensinar-lhes respeito” e de “m ostrar-lhes como negociar com boa-fé”. Em casos sem esperança. M uitos pacientes. Se a punição pode ou não infun­ dir novo com portam ento é um problem a sobre o qual falarei m ais adiante. vou rever toda a série de efeitos colaterais p ara m o stra r como eles invalidam qualquer justificativa que a punição po ssa ter. Se o paciente perdesse u m olho. u m a filosofia educacional predom inante afir­ ma que a am eaça do fracasso motiva os alu n o s a aprender. podem em algum a m edida ter tido su cesso em asseg u rar á com petência dos p ratican tes d a m edicina. O que os to rn a necessários. Alguns jovens b rilh an tes provavel­ m ente evitavam a m edicina como u m a carreira por c a u sa do perigo pessoal. m uitos m édicos provavelm ente não desejavam receitar sequer p a ra alívio da dor e desconforto. E sta s regras d u ras. então. assim professores universitários que não reprovam u m núm ero "razoável” de alunos são considerados por seu s colegas como tendo dado um "curso qualquer" que n a d a ensina. alguns m étodos não-coercitivos não são tão fáceis de aplicar ou tão rápidos em su a ação. com doenças que não tin h am um tratam e n to confiável. é o vasto catálogo de efeitos colaterais da punição — conseqüências da punição que cancelam seu s benefícios e são responsáveis por m uito do que está errado em nossos sistem as sociais. m as podem os estar certos de que a penalidade infligida aos m édicos tam bém teve outros efeitos colaterais. p a ra se opor a seu uso seria n ece ssária u m a dem onstração de altern ativ as nãocoercitivas que atingem os m esm os objetivos. um braço ou u m a p ern a. O antigo código de H am m urabi prescrevia que um médico cujo tratam en to fracassasse teria o m esm o destino de seu paciente. indubitavelm ente sofreram negligência porque n en h u m médico desejava arrisca r seu pescoço — ou q u al­ quer o u tra p arte do corpo — ten tando u m a cura. não-fam iliares. mesm o p ara a m aioria dos psicólo­ gos. u m a vez que poderiam ser acusados da m orte do paciente. tam bém o perderia o médico. Se os efeitos da punição fossem confinados ao s objetivos construtivos que se reinvindica p a ra seu uso. m as elas são não-tradicionais. e eu m ostrarei algum as no percurso. como u m a precisa e in ten sa punição ou reforçador negativo.

m as como processos im p o rtan tes por si m esm os. b aru lh o s extrem am ente altos ou irritan te s ou luzes ofuscantes. Efeito colateral é um term o que freqüentem ente se refere a conseqüências não-p reten d id as e su p o stam en te pouco im portantes ou im prováveis de drogas. De mal a pior: como novos punidores são construídos U sualm ente adm itim os como certo que determ inados eventos agirão como punidores. provocam extrem o calor ou frio. m as. A penas sob condições inco­ m u n s a m aioria de nós ingere alim entos ácidos ou am argos. C rian­ ças rapidam ente aprendem a não tocar em um fogão quente. Morfina. em vez da sobrevivência de seu s pacientes. tam bém escraviza seu s u su ário s. tin h a um trágico efeito colateral. são dolorosas. Pes- . A ciência d a análise do com portam ento provê u m a descrição d as conseqüências da coçrçào racional. a crian ça algum as vezes tin h a u m ou m ais braços e p ern as parcialm ente desenvolvidos e seriam ente deform a­ dos. longe de serem secundários. E speram os ver pessoas p a ra r de fazer q u al­ quer coisa que produza conseqüências que am eaçam a vida. Os efeitos colaterais da punição tam bém . m as. os efeitos colaterais de u m a droga freqüentem ente são s u a característica m ais im portante. no nascim ento.94 M urray S id m a n cuidadosos. que dim inuia a n á u se a m a tern a d u ran te os prim eiros m eses de gravidez. Talvez u m a avaliação m ais com pleta d as p ráticas coercitivas tam bém fará com que elas sejam retirad as d a lista dos aprovados. u m a bênção quan d o elim ina u m a dor in su p o r­ tável. siste-ijiãtica. Se não. certam ente. como m u itas drogas. T om ou-se um fato com um que efeitos colaterais perigosos p ro ­ voquem a retirad a de circulação de drogas que foram introduzidas no m ercado sem testes adequados. ou b u scam o s circunstã n cias m itigadoras e a adm iram os e respeitam os por disciplina e autocontrole incom uns. tam bém foram introduzidas em n o ssa c u ltu ra sem testes adequados. como todos sabem os. m uito do que eles ap ren d eram como u m a conseqüência do código de H am m urabi orientou-se p ara su a própria sobrevivência. condenam os como anorm al u m a p essoa que não m o stra as reações esperadas. R esultados de testes estão agora disponíveis. Talidom ida. freqüentem ente têm significação com portam ental con­ sideravelm ente m aior que os esperados “efeitos p rincipais”. m uito depois de a m ãe ter p arado de to m ar a droga. não como fenôm enos secundários. M uitos dos efeitos colaterais d a punição foram isolados p lanejadam ente e estu d ad o s no laboratório. Punição e o u tras form as de coerção.

deriva s u a extraordinária habilidade de p u n ir e stu d an tes? Mesmo reforçadores positivos n a tu ra is podem to m a r-se punidores. adm iram os e recom pensam os atos de auto-sacrificio. eles são assim . dolorosa. Exceto sob circu n stân cias extraordinárias. E stes são os punidores n a tu ­ rais. encaram os como anorm al e n ecessitando de tratam en to aqueles que b u scam dor em si m esm os infligida por u m parceiro sexual. A palavra “Não”. a b u sca de alim ento por u m anim al nem sem pre é bem -sucedida. Na natu reza. ain d a que não sejam inerentem ente aversivos. incom um . ap en as no laboratório u m sujeito produz reforçadores ou p u n id o res in d e­ pendentem ente de o u tras características do am biente. sim plesm ente u m padrão de linhas sobre o papel. Eventos que são u su alm en te n eu tro s podem to rn ar-se punidores. O que. pelo m enos tem po­ rariam ente. às preocupações do sujeito com a b arra. confidentem ente esperamos que q u alq u er estim ulação excessiva. A lguns aspectos do am biente tam bém podem fu ncionar como punidores. aqueles que injetam in su lin a em si m esm os p ara evitar com as diabéticos tam bém recebem com ­ preensão e sim patia. u m sinal n a . Q uando van tag en s p ara a com unidade su p e ­ ram o valor que atribuím os a u m a vida individual. Tam bém vimos breves choques elétricos funcionando como punidores. m antendo nosso sujeito diligentem ente pressio n an d o a b arra peló seu pão de cad a dia. Mas. porque su a habilidade p ara nos fazer p a ra r de fazer algo é condicional a o u tras circunstâncias. Como a palavra adquire este poder? De que fontes o “0". colocando u m fim. por exemplo. to rn a o in tercu rso sexual rep u g n an te p a ra alguns? E stes são cham ados “p u nidores condicionados”. S u a habilidade p ara p a ra r com portam ento em curso u su a lm e n ­ te não depende de q u alq u er o u tra circunstância. O relógio nos diz se é provável que o ja n ta r estçja pronto se formos p a ra c a sa naquele m om ento. tão tem ida por m u itas crian ças e m esm o por adultos. E n tretan to .Coerção e s u a s im plicações 95 soas que espetam ag u lh as em si m esm as ou b u scam dor e d escon­ forto fisico o fazem ap en as porque algum reforçam ento com pete com sucesso com a punição auto-infligida. “O pássaro m adru g ad o r pega a m inhoca” descreve u m a condição n a qual um a contingência de reforçam ento m an tém -se verdadeira. soldados que se ferem no resgate de cam arad as recebem m edalhas. ou perigosa sirva como u m punidor. é ape­ nas um conjunto complexo de sons que não tem poder em si de controlar com portam ento. Pou­ cas de n o ssas ações produzem seu s reforçadores característicos em todas as circun stân cias. Q uais são e sta s circu n stân cias? Como as e s tu d a ­ mos? No laboratório vim os o alim ento fu ncionar como um reforçador.

Se vam os ou não obter nossos reforçadores e p u nidores de­ pende. em u m am biente p articu lar. crian ças desco­ brem que serão penalizadas por “palavrões” ap en as se forem tolas o suficiente p a ra os dizer n a p resen ça de adultos. Em um nível m ais corriqueiro. Em algum as circu n stân cias podem os nos sa ir bem com con d u tas que de outro modo seriam penalizadas. Sensibilidade à probabilidade d a punição res­ tringirá ou encorajará agressão pessoal e internacional. Podemos estu d ar o processo em u m nível simples instalando u m a luz n a caixa experimental. A presen ça ou au sên cia de algum a característica do am b ien ­ te nos diz se u m a conseqüência p articu la r ê provável no caso de agirm os de um dado modo. m uitos m otoristas consideram su a velocidade ex­ cessiva ap en as se u m a p atru lh a policial está à vista. u su alm en te falam os ap en as n a p resen ça de u m ouvinte. como verem os. Um m acaco de baixa ordem social no bando pode ro u b ar alim ento de u m outro ainda m ais inferior n a hierarquia. Avós tradicionalm ente deixam crianças fazer coisas p ara as quais seus pais franzem as sobrancelhas. então. Agora. apenas enquanto a luz está ligada o sujeito pode obter comida pressionando a barra. é provável que realizem os o ato. a m enos que ele esteja desafiando as relações de dom inância estabelecidas. Se ele a pressiona enquanto a luz estiver apagada n a d a acontece. m as au m en ta a rep u tação e o apelo de bilheteria das estrelas de Hollywood. crianças rapidam ente aprendem a aju sta r su a s dem andas de acordo com isso. E. do am biente físico e social presente. se ele sinaliza punição. agimos ou deixam os de agir de acordo com a probabilidade de que g anharem os ou sofrerem os a s conseqüências. estes am bientes controladores tam bém adquirem as funções reforçadoras ou punitivas dos eventos que eles sinalizam . ou de o u tras crian ­ ças linguarudas. Porque a luz . A dicionar este terceiro elem ento ã con­ tingência básica de reforçam ento ou punição nos perm ite descobrir que características do am biente g anham controle sobre a conduta. além de sinalizar a probabilidade de co n seq ü ên ­ cias. p articulares. prom iscuidade sexual indiscreta pode ser c e n su ra ­ da em Boston. ele jam ais te n ta pegar a com i­ da do “m acaco líder”. O m esm o é verdade p ara a punição. “Q uando os gatos saem os rato s se divertem ” descreve u m a condição n a qual contingências de punição são su sp en sas. é provável que façam os algum a o u tra coisa. A prendem os quais situações levam a e quais situações su sp en d em contingências de reforçam ento e punição. Se u m elem ento situacional sin ali­ za a disponibilidade de u m reforçador. m as.96 M urray S id m a n porta nos inform a se em p u rran d o -a ou pu x an d o -a ela se abrirá.

não tocam os fios descascados com a s m ãos desprotegidas. A n o ssa sensibilidade ao controle am bien­ tal to rn a possível ad aptarm o-nos a contingências de reforçam ento e punição variadas e em co n stan te m udança. ela tam bém p assa a con­ trolar a atividade do animal. .Coerção e s u a s implicações 97 controla a contingência de reforçamento. A luz em si deveria agora ser capaz de reforçar ou p u nir. parando assim que é apagada. ver que um organism o tão inferior qu an to um rato de laboratório é tão sensível ao controle am biental. não nos enrolam os em cobertores m olhados p ara elim inar o frio. nosso sujeito reagiu à luz trab a lh an d o ou p a ­ rando. dependendo de se ela sinalizasse ap en as alim ento ou alim ento m ais choque. como ele deve ser. ela não sobreviveria por m uito tempo. O processo é b a s ta n te geral. Pouca coisa su rp reen d erá n estes experim entos exceto. a m enos que andem os cuidadosam ente ou que coloquem os sap ato s com cravos. Acender e apagar a luz inicia e p ára o com portam en­ to do animal. Para m ostrar isso. continuam os a d ar ao sujeito alim ento se ele pressiona a b a rra no escuro. sinalizando um reforçador ou p unidor p articu lar. m as dam os a ele alim ento e choque se ele pressiona en q u an to a luz está acesa. Por exemplo. m esm o o rato de laboratório tra b a lh a rá ou p a ra rá de . Uma ovelha que se deite d ian te de um leão certam ente será comida. dizer “azu l” foi reforçado n a presença de objetos azuis. e em breve o registro m ostra o anim al pressionando a barra apenas quando a luz é ligada. re­ forçadores e punid o res condicionados são criados d e sta m aneira. Agora vem os o anim al passar a tra b a lh a r quan d o a luz se apaga e p a ra r assim que a luz se acende. talvez. C onseqüências com portam entais significativas. A luz pode tam bém ad q u irir controle ao sinalizar punição. não de objetos verm elhos. Um evento que com eça n eu tro to m a-se um reforçador ou pu n id o r potencial como resu ltad o de n o ssa experiência com ele. p a ra que u m a form a de vida tão com plexa q uanto o homo sapiens te n h a evoluído. o sin al em si m es­ mo to rn a-se-á um reforçador ou p u n id o r potencial. Como re su l­ tado disso. Aprendem os que gelo sinaliza u m a queda. S u a função p a r­ ticular dependerá do tipo de contingência por meio d a q u al ele p a s­ sou a controlar. se u m a espécie não pudesse fazer uso de indicações am bientais p ara reforçam ento e punição. O sinal torna-se um símbolo. rep resen tan d o u m a conseqüência p articu lar que ele p asso u a indicar e tendo aproxim adam ente o m esm o efeito. Uma vez que u m elem ento do am biente adquire controle. dependendo d a contingência que a luz controlava. ou vestim os u m maiô em uma tem p estad e de neve. C ertam ente.

Reforçadores condicionados controlam m uito daquilo que fa­ zemos. Logo. sim patia e concordância. ou u m a balanço de cabeça. Assim que observarmos que ele trab alh a na presença da luz e p ára quando a luz se apaga. D aqui em diante. D inheiro é tão poderoso — u m reforçador qu ase universalm ente efetivo — que algum as vezes pensam os ser n atu ra l. como antes. Porque a luz sinaliza cinco segundos de reforçam ento com alim ento p a ra p ressio n ar a b arra. Ele p u x a a corrente. adm ira- . agora. u m sorriso. acende a luz. Para descobrir se podemos transform ar u m evento neutro em u m reforçador. Reações dos ouvintes como “S im ”. a luz se acende por cinco segundos. Então. u m toque. e d u ra n te este tem po ele pode obter alim ento pressionando a b arra. to d as reforçam n o ssa conversação porque elas sinalizam . Sim ilarm ente. devemos primeiro p en d u rar um a corrente no teto da caixa do sujeito. dam os ao anim al algum controle sobre a luz. como um reforça­ dor. “É”. Toda vez que ele p u x a a corrente a luz se acende por cinco segundos. n o tas e cheques não têm valor inerente. ela p a s s a a servir como u m refor­ çador p ara p u x ar a corrente. a pres­ sionar u m a b arra dando-lhe alimento por fazer isso. nosso contracheque. m as som ente quando a luz está acesa. “S eg u ram en te”. vem os o anim al aju stan d o -se sensivelm ente às novas d em an d as de seu am biente de trabalho. Eles adquirem s u a habilidade p a ra reforçar q u aisq u er ato s que os produzem porque eles to m am possível com prar e ad q u irir inúm eros outros reforçadores. que sinaliza todos os reforçadores que u m a ida su b se q ü en te às com pras pode obter. n en h u m alim ento está disponível no escuro. u m a piscada. Toda vez que o anim al p uxar a corrente. m as essas m oedas. m as que se to rn aram significativas porque elas sinalizaram reforçam ento ou punição. e então tra b a lh a n a b a rra nos próxim os cinco segundos. estarem os prontos paratestar a luz novam ente p ara ver se ela servirá. A m enos que ele puxe a corrente. ensinam os o animal. a luz perm anecerá apagada. em últim a in s ­ tância. Tão logo a luz se apaga ele p u x a novam ente a corrente e com eça um novo período de trabalho. A plauso en tu siástico reforça u m a perform ance no palco porque ele sinaliza críticas favoráveis. N aturalm ente. tam bém serve como u m reforçador que m antém nosso trabalho sem analm ente. Neste ponto o registro m ostra o anim al puxando a corrente apenas raram ente: a luz não é ainda u m a conse­ qüência significativa.98 M urray S id m an tra b a lh a r por c a u sa de conseqüências que com um ente ignoraria.

ele deixaria a b arra. D u ran te esta fase p rep arató ria do experim ento. o anim al p á ra de trab alh ar. ele não p u x aria a corrente a tem po e a luz se acenderia. P ressionar a b a rra n a p resen ça de luz ain d a leva o anim al a obter seu alim ento. Pequenos sinais que indicam em últim a in stâ n cia p razer reforçam investidas am orosas. P uxar a corrente en q u an to a luz e s tá acesa não tem conseqüência. p u x á-la en q u an to a luz e stá apagada garan tiria que ela perm anecesse ap ag ad a nos próxim os cinco segundos. Depois de cada cinco segundos de escuridão. O anim al p a ra rá . O casionalm ente. levando o anim al a p a ra r de tra b a lh a r até que o escuro reto rn asse. u m a luz se acende e perm anece acesa p o r outros cinco segundos. o sujeito pode sem pre obter alim ento ao p ressio n ar a b arra. m as quando acendem os a luz. de fazer q ualq u er coisa que produza luz? P ara descobrir. e então vemos se acender a luz fará com que ele pare. m as ju n to com cad a pelota de alim ento vem u m cho­ que breve. provavelm ente m ais fre­ qüentem ente. E ntretan to . se dirigiria à corrente e a puxaria várias vezes an te s de voltar a tra b a lh a r n a b a rra . Se o anim al p u x a a corrente com suficiente freqüência — pelo m enos u m a vez a cada cinco segundos — ele evitaria que a luz jam ais se acendesse. m as que p ressio n ar q u an d o a luz está acesa tam bém produzirá u m choque. Agora estam os prontos p ara descobrir se u m evento que si­ nalizou punição tornou-se ele m esm o um punidor. um evento que au m en ta a freqüência de ações que o . ago­ ra. O anim al g astaria a m aior p arte de seu tem po no escuro pressionando a b a rra e obtendo alim ento. Como vimos no início. O m esm o processo pode criar p u n id o res condicionados? S u ­ p o n h a que nosso rato de laboratório ap ren d eu que p ressio n ar a b a rra lhe tra rá alim ento. já que p u x ar a corrente no escuro asseg u ra que a luz não aparecerá o u tra vez pelo m enos por cinco segundos. que sinaliza punição.Coerção e suas im plicações 99 çao pessoal e trab alh o s futuros. Ao fim desta fase p reparatória. deixar o anim al pospor a luz ao p u x ar a corrente. por exemplo. m antendo assim a função sinalizadora da luz. As observações prelim inares dão u m forte indício. prim eiro dam os ao anim al u m a boa razão p ara p u x ar u m a corrente. De vez em quando ele tam bém p ressio n aria a b a rra en q u an to a luz estivesse acesa e levaria um choque. observaríam os o efeito de todas as contingências. Podemos. u m reforçador negativo. o sujeito pode evitar que a luz jam ais se acenda. esteja a caixa ilum inada ou escura. Alimento e s tá sem pre disponí­ vel se o sujeito tra b a lh a por ele. Pelo m enos u m a vez a cad a cinco segundos e.

elas isolam crim inosos e pecadores de reforçadores positivos físicos. com a conseqüente perd a de op o rtu n id ad es p ara aprender. o anim al agora acende a luz por cinco segundos sem pre que ele puxa a corrente. agora ela m esm a p u n e o anim al por p u x ar a corrente. em vez de a p resen tar reforçadores negativos? Nem sem pre adm in istram o s conseqüências desconfortáveis ou dolo­ ro sas quando querem os colocar u m fim às ações de alguém .) A m aioria d as cu ltu ra s ab an d o n o u práticas como co rtar a s m ãos de batedores de carteira. econômicos e sociais que.100 M urray S id m a n encerram ou im pedem de acontecer. (N aturalm ente. Podemos conduzir o teste crítico revertendo a função d a cor­ rente. çegar aqueles que assistem a ritu ais proibidos e esticar heréticos religiosos com in stru m en to s de to rtu ra. no escuro. como punição por desfalque ou sonegação de im ­ postos foi su b stitu íd o por m u ltas em dinheiro e confisco de proprie­ dade. Ela to m o u -se um sinal p a ra punição e u m pu n id o r em si m esm a. Em vez de esp an ca r u m a criança que se com portou mal. ele tra b a lh a altern ad am en te n a barra. Escolas. ele não m ais puxa a corrente. Porque esquiva d a luz m an tém o anim al p uxando a corrente freqüentem ente. onde n en h u m de seu s b rinquedos e stá d ispo­ nível. é falacioso a ssu m ir que estu d a n te s pos­ sam ser efetivam ente punidos privando-os d a o portunidade de ser coagidos a aprender. u su alm en te p u n irá qualquer ação que é seguida por ele. de o u tra forma. tam bém to m ar-se-iam eles m esm os punidores potenciais? . como sinais de dor. que sinalizava ao anim al que p ressio n ar a b a rra seria punido. E ssas form as m enos b ru tais e presum ivelm ente m ais h u m a n a s de punição têm tam bém o efeito colateral de to rn ar os elem entos am ­ b ien tais n eu tro s em punidores? S inais de perda ou retirad a de refor­ çadores positivos. sabem os que a luz to m o u -se um reforçador negativo. ab an d o n aram punição corporal em favor de expulsão. por cinco segundos e então perm anece longe da b a rra e n ­ q u an to a luz está acesa. em larga escala. E sta punição fará com que o anim al pare de p u x ar a corrente? Não dem ora m uito p a ra que a atividade do sujeito reflita a nova contingência. P ortanto. podem os retirar seu s b rinquedos ou fazê-la “ficar de pé no can to ”. A luz. c a stra r estu p rad o res. Chicotear. Fre­ qüentem ente ten tam o s atingir este objetivo im pedindo a s pessoas de obter ou m a n ter algo que queiram . A m esm a coisa acontece se punirm os por meio da retirad a de reforçadores positivos. nos cinco segundos su b seq ü en tes. em vez de pospor a luz. teriam estado disponíveis p a ra eles. Em vez disso. é provável que ela tam bém p u n a q u alq u er com portam ento seguido por ela. Em vez disso.

O anim al rapidam ente aprende o significado da luz. o experim ento procede ex atam ente como aquele que tornou a luz um sinal de choque. ele freqüentem ente interrom pe seu trab alh o n a b a rra p ara fazê-lo. ela não está funcionando ain d a como um punidor. com um anim al que aprendeu a g an h ar seu alimento pressionando u m a barra. tom ando um reforçador positivo não disponível. parando de trab a lh ar tão logo a luz se acenda e voltando a seu trabalho cinco segundos mais tarde. O . exceto que a luz agora sinaliza a não-disponibilidade de alim ento. um elem ento que leva à punição. ainda. u m a punição efetiva. um sin al am biental para não-disponibilidade de reforçam ento positivo. não ficarem os tão su rp reso s com os re s u lta ­ dos n a fase final. A importância da punição condicionada O prim eiro efeito colateral d a punição. D aqui em diante. já que ela não é um a conseqüência de q u alq u er ato. períodos de cinco segundos de luz e escuro são alternados. Privação da oportunidade p ara tra b a lh a r por alim ento to rn a ­ se. Primeiro. to m a-se ele m esm o u m punidor. Ela serve ap en as como um sinal de que alim ento não m ais está disponível. m as em vez de receber choques. o sujeito sim plesm ente não obtém alimento se ele pressiona a b arra enquanto a luz está acesa. A luz. Precisam os. em vez de pospor a luz puxando a corrente. E m bora a luz term ine a atividade de p ressio n ar a b a rra do anim al. Em vez de dar choque no sujeito por “m au com portam ento”. Agora. descobrir se este sin al tam bém im pede o sujeito de fazer qualquer coisa que o produza.Coerção e s u a s im plicações 101 Voltemos ao laboratório p ara u m a resposta. porque o anim al pode pospor a luz to d a vez que ele puxa a corrente. Novamente. to rn a-se ela m es­ m a um reforçador negativo e u m punidor. o anim al ap ren d e a fazer algo que a protele. então. J á que a m aioria dos reforçadores negativos funciona ta m ­ bém como punidores. é d a r a q u al­ quer sin al de punição a habilidade p a ra p u n ir por si mesm o. como o choque. O anim al logo p á ra de p u x ar a corrente. A luz funciona como u m reforçador negativo. quan d o m udam os as regras. querem os agora desco­ brir se podemos fazê-lo parar. Podemos fazer isto retirando a oportunidade de o animal comer? S uponha que o experimento comece. Assim como um elem ento am biental que leva a reforçam ento positivo perde seu sta tu s n eu tro e to rn a-se ele m esm o um reforçador positivo. m ais u m a vez. o sujeito n a verdade a acende.

em vez de destrutivas. n a m edida em que nosso am biente g an h a novos reforçadores positivos. n o ssa s vidas tornam -se potencialm ente m ais gratificantes. As ú n icas coisas que estam os ansiosos por aprender são novos m odos de evadir ou de d e stru ir objetos e p e s­ soas que estão em nosso cam inho. n o ssas vidas to rn am -se m enos satisfatórias. a escola torna-se um punidor. A m bientes em que som os punidos tornam -se eles rnesm os punitivos e reagim os a eles como a punidores n atu ra is. A confiança n a punição coloca o selo "Coercitivo” em todo o sistem a e p a ra m uitos jovens u m segm ento im portante de seu am ­ biente é aversivo. respeito de seu s professores e adm iração de se u s colegas provavel­ m ente freqüentam regularm ente a escola. E stu d a n tes que são reforçados por n o tas altas. a se esquivar de todo proces­ so de aprendizagem formal. Se encontram os punição freqüentem ente. Por que este efeito colateral deveria cau sar qualquer preocupação? Afinal de contas. E stu d a n tes que são p u n i­ dos por n o tas baixas. Opções novas e satisfatórias tornam -se disponíveis. Ficam os cad a vez m ais sob controle coercitivo e dependem os cada vez m ais de contracoerção p a ra nos m anterm os à tona. a punição os leva a se evadir do am biente onde a aprendizagem s u ­ postam ente ocorre e talvez. Novos reforçadores e punidores são criados d esta m an eira — sinalizando outros reforçadores ou punidores. a sim ples visão de n o ssa mão erguida será suficiente p ara p a ra r m au com por­ tam ento. os odiam os ou tem em os. u m a vez que ten h am o s batido em u m a criança. O processo é potencialm ente explosivo. Nós nos congratulam os por cad a dia que p a ssa sem catástrofe. Aproximação pode p re­ dom inar em relação a fuga e esquiva e podem os ap ren d er com b ase em conseqüências produtivas. desaprovação e hum ilhação por p arte de seu s professores e falta de reconhecim ento e até mesm o desprezo de seu s colegas provavelm ente se m antêm fora da escola ta n to q u an to p o ssí­ vel. ap ren d e­ mos que nosso cam inho m ais seguro é ficar quietos e fazer tão pouco quanto possível. E ntretanto. Q uando qu er que sejam os punidos. A m bientes inteiros podem se to rn a r reforçadores ou p u n id o ­ res por si m esm os. até mesm o. P ara alunos que são pu n id o s em classe. m ais e m ais elem en­ tos de nosso am biente to rn am -se reforçadores negativos e p u n id o ­ res. Aí está porque punição condicionada é um efeito colateral “tóxico” da punição.102 M urray S id m a n som d a la ta de biscoitos sendo ab erta reforçará um criança por ser boazinha. Não gostam os deles. m ais desesperadas. com a adição de cad a novo elem ento pu n id o r em nosso am biente. Em vez de fazer com que eles aprendam . evitando-os com pleta- .

colocarem os u m fim ao que qu er que seja que estejam fazen­ do. eles fugirão. u m a vez que punidores condicionados gerarão. Se ap en as am eaçam os de nos aproxim ar. Punição condicionada é u m efeito colateral com o q u al não precisam os lidar m uito longam ente neste m om ento. eles mesmos. por exemplo. os m esm os efeitos colaterais que os pu n id o res dos quais derivam. É o am biente social. ou escapando deles assim que for possível. nós tam bém gerarem os. Se sim ­ plesm ente nos aproxim am os daqueles a quem co stu m eiram en te p u ­ nimos. nós tam bém nos tornam os punidores. . m uito m ais com uns que as realidades que prognosticam . odiarão e se esquivarão delas. são u m a experiência universal. N ossa própria p resen ça se rá punitiva. O utros a s tem erão. p ortanto. com unicadas em p ala­ vras ou ações. Considerando o choque como o p u n id o r prototípico.Coerção e s u a s im plicações 103 mente se puderm os. capazes de gerar todas a s reações que o choque gera. Se punim os o u tras p essoas. podem os dizer que situações n a s quais recebem os choques to rn am -se choques elas mesmas. Todos os efeitos colaterais que os choques geram . reconhecer que um a p arte particu larm en te im portante de nosso am biente é uma fonte im portante de punição condicionada. A m eaças de punição. É crítico. Tanto de um ponto de vista prático como de um pessoal. talvez a coisa m ais significativa a lem brar sobre o prim eiro efeito colateral da coerção é que as p esso as que u sam punição tornam -se elas m esm as punidores condicionados. Ele co n tin u ará aparecendo ã m edida que nosso quadro do controle coercitivo se desenvolver. Q ualquer um que u se choque to rn a-se u m choque.

Análise de contingências è u m procedim en­ to ativo. ver se o com portam ento m uda.6 Juga Se quiserm os en ten d er a co n d u ta de q u alq u er pessoa. m as estas prim eiras p e rg u n ­ ta s freqüentem ente hão de nos d ar u m a explicação prática. podem os m u d a r as conseqüências e ver se a co n d u ta ta m ­ bém m uda. m u d a r a contingência de reforça­ m ento — a relação en tre ato e conseqüência — pode ser a chave. m as nem sem pre tem os controle sobre as conseqüências que são responsáveis por s u a conduta. F reqüen tem en te gostaríam os de ver algum as p esso as em p articu lar m u d a r p a ra m elhor. m as. identificar as conseqüências do com portam ento. Ou podem os prover a s m esm as conseqüências p a ra co n ­ d u ta desejável e ver se a nova su b stitu i a antiga. não u m a especulação intelectual. no . Se q u i­ serm os m u d a r o com portam ento. identificar o com portam ento. A seg u n d a p erg u n ­ ta é: “O que aconteceu então?” O que significa dizer. m es­ mo a n o ssa própria. É u m tipo de experim en­ tação que acontece não ap en as no laboratório. C ertam ente. alterar as conseqüências. m ais do que co n se­ qüências determ inam n o ssa conduta. E sta é a essência d a análise de contingências: identificar o com portam ento e as conseqüências. Se o tem os. tam bém . a prim eira p erg u n ta a fazer é: “O que ela fez?" O que significa dizer.

ten tam a tra sa r os resu ltad o s u su ais — lavar. quando ela u s a a d e ­ quadam ente o banheiro. talvez q u an d o ela esteja brincando construtivam ente. a análise de contingências h á de se dem ons­ trar auto-inform ativa. reforçam ento negativo e não positivo é re s­ ponsável pelo que fazemos. eles em breve verão seu filho p assan d o m ais tem po em b rincadeiras construtivas e situações de aprendizagem e não m ais u san d o a e n u ­ rese para obter atenção. tran sfo r­ mando-as e testan d o su a s análises. notam que geralm ente lhe dão m uita atenção quando ele m olha su a cam a. se perg u n tam se m olhar s u a cam a e stá trazendo a seu filho algum reforçador positivo que ele não obtém de o utro modo. observando se o com portam ento crítico m udou. então. fica fora de casa ta n to qu an to possível e. Se a análise for correta. Observando cuidadosam ente. Pais de u m a crian ça com en u rese n o tu rn a crônica. ou m uito in ten sam en te. Novam en­ te. A nalistas do com portam ento eficientes estão sem ­ pre experim entando. Se s u a análise for válida. m as porque im pede ou nos livra de algo ruim . A tenção. talvez. Aqui tam bém . a análise de contingências pode n o s a ju d a r a com preender con­ duta problem ática e a en co n trar u m a solução. trocar. se for incorreta. q u an d o em casa. perm anece calada. é provável que os pais notem que s u a filha de 16 an o s não parece m ais q u erer falar com eles. po­ dem ser vistos como introm etidos e controladores. Neste exemplo. Pais que cuidam dem ais. a continuação da enurese tam bém to rn a rá isto evidente. ou aprendendo algum a coisa nova e. m u d a n ças n a s con­ tingências m udarão a conduta. A tenção. por exemplo. funcionará como u m reforçador negativo. alguns dos reforçadores dos próprios p ais — a responsividade de su a filha a eles e. Não é necessário haver trabalho de adivinhação. a au sên cia de m u ­ dança com portam ental d em an d ará u m a abordagem diferente. seu b em -estar — estão em jogo. Podemos fazer algo não porque nos traz algo bom. S u sp eitan d o que s u a atenção pode ter encorajado a enurese. E stes pais com eçaram a an alisar as contingências que po­ dem ter m antido a en u rese de seu filho. certam ente. por exem ­ plo. A lgum as vezes. Quando nossos próprios reforçadores estão em risco. Se s u a análise não for válida. sem pre an alisan d o contingências. n o ssa visão é . falar e tocar — até a m anhã. u su alm en te u m reforçador positivo p a ra u m a crian ça. pode colocar problem as delicados depois que a crian ça to rn o u -se um adolescente. Em vez disso. gu ard am suas interações calorosas e afetivas com a crian ça p a ra o u tras oca­ siões.Coerção e s u a s im plicações 105 mundo cotidiano.

tam bém terem os cuidado p ara não fazer b aru lh o s altos que . tendem os a ver o que querem os ver. Ainda que possam os p a ra r o choro d a cria n ­ ça. eles descobrirão que a co n d u ta de s u a filha m uda. aju d a r u n s aos outros. ela in terag irá m ais freqüentem ente. afastar-se deles e evitar com unica­ ção não m ais será reforçador. Infelizmente. M antendo o olho aberto p ara reforçadores negativos. ela m o strará que este triste estad o de coisas tem au m en tad o enorm em ente a d em an d a por psicólogos clínicos. assisten tes sociais. to rn am -se ligados em um círculo vicioso. punição u su alm en te to rn a u m a ação m enos provável. con­ fiando. m u itas pessoas en co n tram reforçam ento positi­ vo cada vez m ais raram en te à m edida que saem d a infância. m as se pegar a crian ça no colo faz com que ela ' grite ainda m ais — punição — tentarem os algum a o u tra coisa. são os m es­ mos eventos funcionando de m an eiras diferentes. D esligar-se de seu s pais. Punição e reforçam ento negativo. A m edida que m in h a história da coerção se desdobrar. Se o encontram os novamente. P ortan­ to. portanto. Em vez disso. confidenciando.) Reforçadores negativos e punidores. Se u m bebê p á ra de ch o rar quando o pegam os no colo — reforça­ m ento negativo — responderem os aos seu s choros su b seq ü en tes pégando-o no colo. cad a um de nós se to m a rá capaz de com ­ preender m elhor e. Reforçadores negativos tam bém podem ser usados como p u n i­ dores. Um choque do qual fugimos tam bém pune o que quer que ten h am o s feito antes do choque. Reforçamento negativo gera fuga. Q uando encontram os u m re ­ forçador negativo fazemos tudo que podemos p ara o desligarmos. ou podem os to ­ m ar choques — punição. é raro m esm o d u ran te a infância. os pais podem p recisar da aju d a de um observador não-envolvido. quando trazidos à cena pelo m esm o evento. psiquiatras. Podem os fazer choques desaparecerem — reforçam ento negativo. que eles m ostrem não ap en as seu s tem ores em relação ao seu bem -estar. Para algum as. m as sem bisbilhotar. Uma m aneira de p u n ir pessoas é atingi-las com reforçadores negativos como u m a conseqüência de algo que ten h am feito. O observador pode recom endar que eles respondam às confidências de s u a filha com afetuoso interesse. (Como vimos a outra m aneira de p u n ir é reü rar reforçadores positivos. p ara escapar dele. faremos o que funcionou antes. com partilhando experiências. m udando de fuga e esquiva p a ra aproxim ação. talvez. Se m odular s u a atenção a tran sfo rm ar um reforçador negativo em um reforçador positivo.106 M urray S íd m a n algum as vezes lim itada. an alistas aplicados do com ­ portam ento e o u tro s profissionais. m as su a confiança em s u a integridade e capacidade de julgar. Reforçam ento negativo to m a u m a ação m ais provável.

Punidores. se possível. além de seu efeito pretendido u s u a l — red u ­ zir co n d u ta indesejável — tam bém au m e n ta rá a probabilidade de outro com portam ento. ain d a que paguem salários de m ercado. punição. eventos ou pes­ soas suprim em ações que os produzem . aquele que recebe punição irá desligá-la ou fugir. m agoados e bravos. Do ponto de vista daquele que está punindo. Assim. Uma vítim a de pu n ição que pode desligá-la. fica com pletam ente estupefato diante do desejo do outro de ir em bora. Incontáveis casam entos term inam por c a u sa d a confiança excessiva em controle coercitivo por p arte de u m ou de am bos os parceiros. fazer o punido escap ar pode ser u m resultado não-pretendido e altam ente indesejável. E o que dizer de vandalism o e de incendiários de escolas? Que m elhor modo h á de fugir da coerção d a sala de au la do que queim ar a escola? Punição está tão enraizada em n o ssas interações u n s com os outros que freqüentem ente sequer sabem os que estam os usando-a. ou pode de algum modo sa ir da situação. é crítico que saibam os m ais sobre este com portam ento que cham am os de “fuga”. por exemplo. e o punido. ele reforçará o que quer que façam os p a ra desligá-lo ou escap ar dele. Não com­ preendendo nosso próprio papel como coercedores e não reconhe­ cendo que outros estão n a realidade fugindo de nós. n eu ro ­ se. P ortanto. vacilação e. O p u n id o r pode nem sab er da conexão en tre a punição e a fuga. até m esm o. freqüentem ente. Aprendendo por meio da fuga A m aneira m ais direta de estu d a r a fuga é a p resen tar refor çadores negativos e ao mesm o tem po d a r ao sujeito u m a rota de . am izades e outros em preendim entos e relações pessoais im p o rtan tes repentinam ente fracassam . os acu sam o s de infidelidade. Elas deveriam investigar a possibilidade de que se u s em pregados estejam fugindo de p ráticas coercitivas de supervisão. estupidez. sejam coisas. que talvez te n h a encontrado um outro am or. experienciam u m a alta ta x a de tum over de seu pessoal. Por s u a vez. h á de fazê-lo. A inda que o início do choro p u n a nosso falar alto. u m choque que p u n e tam bém estab e­ lece o potencial p a ra reforçam ento negativo. casam entos. lugares. O punidor. ficamos desapontados. E então. m as tam bém geram fuga como um de se u s efeitos colaterais. nestes casos. quand o nossos negócios. deslealdade. não percebe que o de­ sejo de um novo parceiro é motivado pela fuga. A lgum as em presas.Coerção e s u a s im plicações 107 produzem choro. freqüentem ente. o térm ino do choro reforça pegar a criança no colo.

nem bem o anim al desligou um choque e ele deve im ed iata­ m ente pressio n ar novam ente a b a rra p a ra desligar um outro. e aqui tam bém o anim al ap ren d e m ais do que sim plesm ente a p ressio n ar a .108 M urray S id m a n fuga. E sta dem onstração de laboratório nos diz que reforçam ento negativo é u m a m aneira efetiva de en sin ar? Mais geralm ente. ele possivelm ente diria o ditado: “M elhor p re ­ venir do que rem ed iar. choques se seguem em rápida s u ­ cessão. n as escolas. n atu ralm en te. algum as vezes m uitos segundos. pronto p ara p ressio n á-la tão rapidam ente q u an to possível. Ele realm ente não pode se a rrisc a r a fazer q u alq u er o u tra coisa qúe n ão seja ficar n a b arra. Todos nós aprendem os a p re s­ sionar m u itas b arras. algum as porque trazem “alim ento” e o u tras porque desligam “choques”. que fosse n o ssa intenção to m a r o sujeito u m autóm ato. O a n i­ mal to rn a-se u m a m áq u in a de pressão à b arra. m as aconteceu m ais do que esperávam os — a m e­ nos.” A contingência de reforçam ento negativo certam ente ensinou algo ao anim al. se olharm os m ais de perto o anim al. no trab alh o e em q uase todos os lugares? Aqui chegam os ao ponto crucial da questão. coagido por reforçam ento negativo a p ressio n ar a barra. parece ter aprendido m uito bem su a lição: ele n u n c a deixa que o choque p erm aneça ligado m ais que u m a p equena fração de segundo. S u p o n h a que ten h am o s program ado os choques p a ra aco n te­ cer im previsivelm ente. podem os nos p erg u n ta r se realm ente ensinam os efetivam ente. Algum as vezes alguns segundos são o in te r­ valo entre choques. Este procedim ento sim ples m o stra que reforçam ento n eg ati­ vo e positivo com partilham pelo m enos u m a característica: am bos podem en sin ar novo com portam ento. Uma contingência de reforçam ento sim ples — o anim al produz com ida pressio n an d o u m a b a rra — tam bém ensina. a coer­ ção por reforçam ento negativo é u m a m aneira efetiva de controlar co n d u ta? Ela ju stifica a prática predom inante de coerção n a família. o anim al te rá aprendido a p ressio n ar a b a rra assim que o choque com eça. não se arriscan d o a n a d a m ais. algum as vezes alguns m inutos. fazendo seu tr a b a ­ lho devotadam ente e com precisão. O casionalm ente. Mas. Em pouco tem po. O que é um en sin ar “efetivo”? O que significa controle “efetivo”? Como podem os dizer se m udam os efetivam ente o com portam ento de alguém ? Nosso sujeito experim ental. o anim al não pode se a rrisc a r a ir p a ra longe da b a rra . ao prim eiro sin al de choque. Se ele p u d esse falar. deixando que o anim al desligue im edia­ ta m en te o choque ao p ressio n ar u m a b arra. Podem os d ar u m choque em u m rato de laboratório u san d o o chão d a caixa experim ental. Com tal im previsibilidade.

m ecânica ou com pulsiva. Am­ bos. em bora talvez de u m a m an eira estereotipada. da com pletude de n o ssa análise. p articu larm en te se intenso e contínuo. e n ad a m ais. sejam eles ditadores m ilitares. Por o utro lado. sendo subm etidos. a contingência de reforçam ento negativo. m as elas tam bém en sin arão o u tras coisas. pode restrin g ir estreitam ente nossos interesses. A contingência positiva deixa o anim al em posição p ara tira r vantagem de outros reforçadores que podem se to rn ar disponíveis e de novas op o rtu n id ad es p ara aprender que possam surgir. o cam inho é u m forte reforçam ento negati­ vo. que coage o anim al a p ressio n ar a b a rra p a ra desligar choques. todos eles caem porque o reforçam ento negativo. no momento. ele leva o que podem os ch am ar de um a “vida de quieto desespero”. an te s de tudo. Ele perm anece relaxado o suficiente p a ra explorar seu am ­ biente de tem pos em tem pos. Reforçam ento negativo. exceto o estresse a que estam os. ou sim plesm ente p ara d escan sar. estarem os sem pre olhando por sobre os om bros p ara ver que novo d esastre está a ponto de d esab ar sobre n o ssas cabeças. seu único critério de su cesso sendo sua efetividade em red u zir a q u an tid ad e de choques que ele tom a. torna-o incapaz de relaxar s u a vigilância. objetos e lugares à no ssa . Reforçam ento positivo deixa-nos livres para satisfazer n o ssa curiosidade. deixando-nos tem erosos de novidades. Se nosso objetivo for criar u m ser que fará exatam ente aquilo que querem os.Coerção e s u a s im plicações 109 barra. reforçam ento negativo conti­ nuado transform a m ais e m ais pessoas. produz ain d a m ais efeitos colaterais. Se julgam os ou não reforçam ento negativo u m meio efetivo de controlar a co n d u ta tam bém dependerá de n o ssa s intenções. reforçam ento positivo e negativo. têm que perm anecer etern am en te vigi­ lantes. Finalm ente. então. Mas déspotas. É aí que elas diferem. Em casos extrem os. Em posição de não fazer e de não aprender q u alq u er o u tra coisa. tiran o s desprezí­ veis ou opressores fam iliares. Assim. um julgam ento de se reforçam ento negativo en sin a efetivamente dependerá. Nós podem os d ar conta m uito bem de rotinas estabelecidas. Refor­ çam ento negativo in culca u m repertório com portam ental estreito. O que o aluno realm ente aprende? As contingências que estabelecem os u su alm en te en sin arão m ais do que planejam os. p a ra fazer o u tras coisas que podem te r sido reforçadas no passado. Em um segundo efeito colateral. efetivam ente en sin arão o que as contingências especificam. como verem os. p a ra descobrir se algo novo e stá acon­ tecendo. até m es­ mo cau san d o u m a espécie de “visão de túnel" que nos im pede de a ten tar p ara qualq u er coisa. p a ra te n ta r novas opções. com m edo de explorar.

pelo teto. lugares e pessoas. A fuga ocorre dentro de um contexto am biental e finalm ente aprendem os os sinais p ara cada contingência. Se puderm os. nosso am biente p assa a sinalizar a im inência de cada tipo de choque e a im inência da necessidade de fugir. Prisioneiros fogem d a ca­ deia. dos lugares onde tal coerção ocorreu — e de nós. ou m esm o b en e­ volente. Sim plesm ente remova o teto de um a caixa onde u m rato de lab o rató ­ rio está pressionan d o s u a b a rra p ara desligar choques. torna-se ta m ­ bém um reforçador negativo por si m esm a. s u p la n ­ tando os agentes controladores pretendidos e estendendo a coerção p ara m uito além de seu escopo original. S erá fácil perceber porque não é feito. pagam entos m aio­ res e tem po livre como resultado da produtividade. O domínio sob o qual estam os s u ­ jeitos a controle coercitivo se alarga. to m a-se um sinal de reforçam ento negativo. Patrões que dizem aos trab alh ad o res p a ra “p ro ­ duzir o u . Assim tam bém se to rn am as pessoas que nos controlam por reforçam ento negativo. soldados desertam do exército. fugirem os de am bos.. Lugares onde experienciam os reforçam ento negativo tornam se eles m esm os reforçadores negativos. Q uando fazemos outros cum prirem n o ssas ordens “aper- . Uma vez c ria ­ dos. eles tam bém fugirão. Se conseguim os que outros façam o que querem os. qualquer reforçam ento negativo tam bém estabelece o a m ­ biente no qual ocorre como u m reforçador negativo. Q uando u m a situação que com eçou n eu tra. se possível. deixando-os fugir de algo desagradável ou nocivo. Poderíam os facilm ente dem onstrar a transform ação de todo um am biente em um reforçador negativo fazendo u m experim ento que ninguém jam ais fez. estes coercedores condicionados p assam a controlar. trab alh ad o res fazem intervalos am pliados e estão fora do trab alh o assim que o relógio m o stra o tim do dia de trabalho. A ssim como q u alquer punição to m a tam bém punidores as circu n stân cias que a acom pa nham . Pacientes prova­ velmente ab an d o n arão os cuidados de u m médico que lhes diz que não deveriam com er tan to porque estão m uito gordos e p rocurarão um outro que lhes diz o que deveriam com er p ara to rn ar-se m agros. Os in s tru ­ m entos de registro em breve ficariam silenciosos: o anim al teria ido em bora — literalm ente.110 M urray S id m a n volta em reforçadores negativos. controle por reforçam ento negativo tam bém to rn a ­ rá o am biente coercitivo.” experienciam um turnover de pessoal m ais alto do que aqueles que sim plesm ente arran jam promoções. em lugares específicos e em o u tras circunstâncias distintivas.. Portanto. À m edida que desligam os os vários tipos de choques que nos atingem em certos mom entos.

Na prática. ain d a que ele não te n h a realm ente trazido o choque. se formos os proprietários. qu alquer um que não te n h a de p erm an ecer em contato conosco irá em bora. O que estávam os fazendo quando o choque apareceu? O que q u er que seja. Se formos professores coercitivos. Eventos que são reforça­ dores negativos em um m om ento podem ser punidores em outro. nossos alunos não estarão disponíveis p ara receber n o s­ sa instrução. se formos um credor. Q ualquer elem ento fisico ou social de u m a situ ação em que somos reforçados por desligar ou fugir de algo doloroso. ele provavelm ente receberia um choque d u ran te su a explora­ ção. Se formos policiais coercitivos. to rn a-se ele m esm o um lugar ou u m a pessoa da qual fugir. Em bora o som não te n h a causado o choque e n ad a do que o anim al te n h a feito realm ente te n h a produzido o choque — ele teria vindo naquele mo­ . Eles descobrirão b arras que podem pressio n ar para interrom per ou d esco n tin u ar a relação. C onhecidos. reforçam ento negativo e punição estão ainda m ais im ediatam ente interligados. tam bém é provável que parem os de fazer qualquer coisa que faça a cara feia reaparecer — punição. E por cau sa do tem po necessário p ara o sujeito voltar â b arra. sendo seu papel p articu lar determ inado por su a relação com no ssa conduta. o choque provavelm ente d u raria m ais que o u su al. é m enos provável que repitam os esse ato no futuro. É provável que nos m an ten h am o s fazendo qualq u er coisa que rem ova a cara feia do chefe — reforçam ento negativo. que n o ssas vítim as ab an d o n aram seu apartam ento. p aren tes. que elas saíram da cidade. ta m ­ bém nos tornam os objetos de aversão. descobrirem os que o nosso é um cam inho solitário. Q ualquer interesse futuro em sons m isteriosos seria enorm em ente reduzido. colegas de trabalho. Reforçamento negativo e punição As d u as form as de coerção — reforçam ento negativo e p u n i­ ção — perm anecem de perto relacionadas. Se formos pais coercitivos. am edrontador ou repugnante. se formos os patrões. deixasse a b a rra p ara investigar um ruído no fundo da caixa. podem os descobrir. Se controlam os outros por reforçam ento negativo. prim eiro o evento tem de ocorrer. P ara que o térm ino de um evento seja reforçador.Coerção e s u a s im plicações UI tando os parafusos" até que eles as cum pram . que elas ab an d o n aram o em pre­ go. Se o sujeito experim ental. nossos filhos sairão de casa assim que puderem . o choque tem de acontecer an tes que possam os desligá-lo. desligando choques ao p ressio n ar u m a b arra.

Eles podem nos d a r choques por fazerm os o que os desagrada. Um am biente do qual fugimos p u n irá qualquer ação que nos coloque de novo em contato com ele. Portanto. Ao c o n tin u ar a an alisar os efeitos colaterais da coerção será conveniente ju n ta r estas d u as técnicas coercitivas. No m om ento. m ais tarde. Se a escola é um reforçador negativo.112 M urray S id m a n m ento. E stes tipos de conseqüências acidentais — ações e seu s contextos am bientais correlacionados ap en a s por acaso com o a p a ­ recim ento de um reforçador negativo — podem ser responsáveis por su p erstiçõ es e por co n d u ta que parece anorm al ou m esm o doente. reduzindo n o ssa inclinação p ara nos aproxim arm os e e n ­ trarm os. a m enos que m edidas especiais sejam tom adas p ara n eu tralizar o sta tu s de p u n id o r recém -adquirido pelo oceano. Pode­ m os até m esm o ab an d o n a r barcos como meio de tran sp o rte. O elo entre punidores e reforçadores negativos se estende tam bém a seu s efeitos colaterais condicionados. punição e refor­ çam ento negativo. de q ualquer m aneira — am bos. o som e o com portam ento exploratório. ou podem nos d a r choques até que façam os o que os agrada. ele p u n irá a u to ­ m aticam ente o que qu er estejam os fazendo ex atam en te an tes do seu início. p u n id a e o som to m o u -se u m sinal de aviso. Uma criança não ap ren d e rá ap en as a fugir do fanfarrão d a vizinhança. que não o nadar. fortalecendo nosso com portam ento de deixá-la. Exploração foi. tenderem os a en co n trar outros m odos. É provável que u m salvam ento de afogam ento nos reforce poderosam ente por sair da água. eu falarei sobre alguns d esses efeitos colaterais da punição e do reforçam ento negativo. ela provavelm ente é tam bém um punidor. A ntes que um reforçador negativo po ssa fortalecer o que q u er que façam os p a ra desligá-lo. p a ra nos exercitarm os ou nos m anterm os sem calor. por acaso precederam o choque. por­ tanto. talvez correndo m ais que ele. a punição aci­ d ental que inevitavelm ente aco m p an h a reforçam ento negativo pode ser vista como ain d a u m a o u tra indicação d a íntim a relação en tre as d u a s form as de coerção. aqueles que nos controlam coercitivam ente podem u s a r os m esm os eventos como punidores p a ra p a ra r o que estam os fazendo ou como reforçadores negativos p ara nos obrigar a fazer algo p a ra fugir. m as tam bém a se m a n ter d istan te de seu território. .

tendem os a fugir tom ando-nos cegos ou surdos a elas. Algum as vezes tran cam o s o am biente coercitivo ligando-nos em literatu ra. experienciam os m uitos tipos de choques ju n to com m uitos eventos e situações que se to rn aram equivalentes a choques. A rrienos que m ás notícias dem andem ação im ediata. m as persistentes. N algum a m edida. C ada u m de nós encontrou m uitos tipos de b a rra s com as quais desligá-los. realizam os u m a q uase ilim itada variedade de ro tin as de fuga. balançando a cabeça ou assentindo ocasionalm ente. Mesmo reforçadores negativos e p u nidores suaves. Desligando-se F reqüentem ente desligam os o que qu er que nos desagrade. Fora do labo­ ratório. podem to rn ar h ab itu al a fuga. teatro e filmes de "escape”. aprendem os a "fechar nossos ouvidos”. m as escutando pouco. vemos e ouvimos ap en as aquilo que q u ere­ . Tendo u m pai ou esposo que fala incessantem ente. Com o controle pelo reforçam ento negativo e punição predom i­ nantes em praticam ente todas as áreas d as relações h u m a n as.7 9{otas defuga Um arranjo p adrão de laboratório m an tém um sujeito rap i­ dam ente desligando choques ao p ressio n ar u m a b arra.

u m a carrei­ ra de gerenciam ento de crises é. Ú lceras. m as desligar perigo e sinais de perigo não é adaptativo. Algumas vezes desligar parece ju s ti­ ficar-se. realm ente desaparecem . olhe prim eiro p a ra as conseqüências im ediatas em vez das conseqüências finais. u m a existência com pletam ente coagida. É bobagem co n tin u a r fum ando com o argum ento de que “a evidência é ap en as esta tístic a ”. Reforçam ento negativo — fuga — dom ina n o ssas vidas. seu reforçam ento negativo im ediato por desligar. a próxim a crise nos agarra. Mas. alguns proble­ m as. Ignorar u m a curva de vendas decrescente porque “é apenas o ciclo n a tu ra l dos negócios” provavelm ente levará o negócio à falência. m as que. ain d a que não -trab alh ad o s. Eles se movem de crise em crise. E assim . Não faz sentido provocar a m orte dirigindo u m carro em s u a veloci­ d ad e m áxim a porque “isto não pode acontecer comigo”. Por que tão freqüentem ente nos engajam os em tal fuga irreal? Por que desligam os a realidade? P ara u m a explicação. desligar faz com que o evento ou perigo d e sa ­ p areça d a consciência — ele realm ente parece sum ir. estafa e outros problem as nos quais a coerção pode de­ . ataq u es cardíacos. o resultad o de u m a crise severa ou com plicada dem ais p a ra resolver. C ada em ergência nos m antém em s u a s g ar­ ras. m esm o a longo prazo. O fracasso. No processo. paradoxalm ente. aplicam efetivam ente su a s m ais desenvolvidas habilidades de técn i­ cas. p a ra lid ar com cad a u m d esses problem as à m edida que s u a severidade finalm ente força s u a a te n ­ ção. Então. A curto prazo. sociais e de gerenciam ento. o reforçam ento ocasional quando u m problem a negligenciado se resolve sozinho. então. ocupando toda n o ssa atenção e controlando todas as n o ssa s ações até que a tenham os resolvido.114 M urray S id m a n m os ver e ouvir. M as finalm ente a realidade não prevalece? Podemos sobrevi­ ver ignorando o desagradável. ignorando realidades desagradáveis até que elas se tornem persisten tes ou fortes o suficiente p a ra p erfu rar nosso e sc u ­ do de insensibilidade. Podemos salvar u m a relação aprendendo a ignorar pequenas am olações. Todo m undo conhece p esso as que generalizadam ente colocam problem as “no gelo”. tudo isto produz um ganho final. Por não a p re se n ­ ta r o u tras reações em relação a alguém que ofende ou a u m evento ofensivo ou perigoso. em bora possam os fugir d as coerções da vida por algum tem po desligando-as até que dem andem n o ssa atenção. o feio ou o perigoso? Crise de gerenciamento. desligar realm ente funciona. e seu sucesso em finalm ente lidar com problem as difíceis. parece u m a possibilidade rem ota.

esperando não ser o d esafortunado recebedor de um p asse p a ra o gol. pode lidar com ele diretam ente. en q u an to isso. os benefícios d a influência. m as. ‘‘Deixe o Zé fazer isso” foi form alizado como “Delegação de responsabilidade”. A cúrto prazo. F reqüentem ente fugim os à responsabilidade. to m a -se ain d a m ais provável que desliguem os as d em andas m enos agradáveis d a vida. exercem p o u ­ ca influência até que realm ente aconteçam conosco. m as raram en te atingem qualquer indivíduo p articu lar. C ada novo elo n a “cadeia de com ando” su p o stam en te remove d a atenção im ediata do chefe algum a área problem ática. ou que cau sarão conseqüências desagradáveis. ain d a que estas adaptações devam se d em o n strar finalm ente autoderrotadas. Deixe o Zé fa z e r isso. No governo. E ntretan to . É como u m a partida de futebol sem fim. ain d a que a lógica nos diga que ignorância d a realidade não pode prom o­ ver a sobrevivência. no governos a u m a em aran h ad a e s tru tu ra a d ­ m inistrativa de d epartam entos. gerentes. Nossa sorte finalm ente acabará. Na in d ú stria. portanto. n a s u n i­ versidades e hosp itais a u m a “e s tru tu ra de su p o rte” que consom e ela m esm a consideravelm ente m ais recu rso s que a pró p ria m issão educacional ou de saú d e que a e s tru tu ra su p o stam en te su sten ta . cada delegação de responsabilidade recebe reforça­ m ento negativo forte e im ediato — fuga dos trab alh o s necessários para se chegar a ju lg am en to s fu n d am en tad o s e liberdade dos confli- . n a in d ú stria e n a s g ran d es instituições. E assim tem os a solução “deixe o Zé fazer isso ” p ara problem as desagradáveis. Eles. O utros reforçadores tam bém podem s u ste n ta r o desligar como u m modo de lid ar com problem as. m as alguém m ais. e sta ro ta de fuga tem levado à proliferação de diretores. cad a jogador habilidosam ente p assan d o a bola p ara um outro. Q uando ela funciona. ren d a e p oder reforçam nossos líderes por m an ter e expandir su a s bu ro cracias p articulares.Coerção e s u a s im plicações 115 sem penhar um papel são freqüentes n a população. líderes de projetos e consultores técnicos. p assan d o -a p a ra algu­ ma o u tra pessoa. tem os com pa­ nhia. co n sid e­ rando aquele m esm o perigo m ais am eaçador. Podemos ignorar u m a situ ação perigosa porque não estam os pron to s p a ra enfrentá-la. secretarias e m inistérios. a longo prazo. m uitos fogem “vendo tu d o cor-de-rosa” ou “b rincando de Polian a ”. . Q uando decisões requerem conhecim ento que não tem os. O crescim ento da b urocracia in d u strial e governam ental é usu alm en te justificado como u m a m edida de eficiência. atribuím os responsabilidade a Zé ou M aria.

está fadada ao fracasso q u alq u er coisa que não seja a total desistência de todas as aplicações d estru tiv as desse conhecim ento. F u g a da realid ad e e d a r e s p o n s a ­ bilidade co n tin u am . Mas. n o sso s líderes fingem que a catástrofe não pode acontecer. De q u alq u er modo. “não h á u m a em ergência”. líderes nacionais fingem que sabedoria convencional será suficiente p a ra fazer com que este problem a totalm ente inconvencional desapareça. cu ja existência m arginal lhes dá p o u ca razão p a ra tem erem su a própria destruição.116 M urray S id m a n tos que to d a decisão gera. com dem onstrações cuidadosas de pêlos eriçados. ranger de dentes e b atid as de pés. A possibilidade de holocausto n u clear parece ter paralisado os líderes das nações. Incapazes de su p e ra r as dificuldades p ráticas que tal com prom isso total colocaria. R ecusando-se a agir agora. eles afirm am que a possibilidade seria rem ota. Fazer nada. Portanto. E. não hesitariam em u sá-las. a im possibilidade de restringir o crescim ento do conhecim ento científico e de en genha ria rapidam ente to rn aria obsoletas as provisões técnicas de qualq u er acordo lim itado. Elas tam bém estão se to rn an d o disponíveis p ara terro ristas. “deixar Zé fazer isso" tam bém significa que m ais tard e “Zé pode levar a cu lp a”. repleto de p ro n u n cia m en to s e p o s tu ra s de au to superioridade. caso p udesse. grunhidos. O medo de proliferação n u clear n ão -d etectad a im pede acordos de d e ­ sarm am en to m ultinacionais. A rm as n u cleares estão se tornando crescentem ente m ais acessíveis a indivíduos que possivelm ente não poderiam com preender seu potencial destrutivo e que. A diplom acia in tern acio n al to rn a -se u m enig­ m a sem sentido. portanto. Um movimento errado pode trazer um d esastre tão enorm e que não realizar qualquer m u d a n ça parece o cam inho m ais seguro. natu ralm en te. S u a decisão foi a de autodes- . O perigo de lim itar a proliferação de arm as n u cleares faz com que nossos líderes ignorem o perigo m aior de deixar que ela continue. Ou. C onfrontados com estoques de arm as n u clea­ res cad a vez m aiores. eles n a realidade escolheram . eles olham em o u tra direção. E assim eles n ad a fazem. A inda assim . o único elem ento novo é que a am eaçada destru ição de algum modo to m a-se m ais e m ais total. iludindo-se. Portanto. acreditando que eles ain d a não têm que fazer su a escolha. u m a desistência total não teria significa­ do sem um m onitoram ento irrestrito de todos os p aíses signatários. A chantagem n u clear que poderia se seguir a q u alq u er d e ­ sarm am ento u n ilateral im pede cada nação de d a r esse passo. eles co n tin u am a am eaçar u n s aos outros com destruição. A fuga da solução de problem as to rn a-se ain d a m ais reforçadora quando u m a decisão e rrad a poderia produzir c a ­ tástrofe.

de algum modo. um pro d u to d a excessi. E ste fato do com portam ento — conseqüências im ediatas nos influenciam m ais fortem ente que conseqüências a tra sa d a s — ju stifi­ ca u m a previsão pessim ista: a probabilidade de que a espécie h u m a­ n a sobreviverá não ê grande. Em vez de sim ples­ m ente desligar-se. Temos aqui u m a situ ação n a qual não podemos esp erar que a experiência nos ensine. Porque o alívio de ter que tom ar u m a decisão potencialm ente perigosa é im ediato. O problem a fu n d am en tal é com portam ental e a análise do com portam ento o expõe. Eu terei m ais a dizer sobre isso m ais tarde. com o Zé sendo nossos filhos e netos. ap en as a d a ta perm anece incerta. ele os con­ trola m ais fortem ente do que a conseqüência catastrófica. m as mui to a tra sa d a . Desistindo Um outro tipo de b a rra de fuga que m uitos aprendem a p ressio n ar é parecida com a b a rra de desligar. ao d iscu tir altern ativ as à coerção no controle do com portam ento. Sem ter tido o portunidade de descobrir u m a b a rra que p u d es­ se trazer alívio.Coerção e s u a s implicações 117 truir. to rn ar a am eaçada destruição da espécie u m deter. D esistir. m as ninguém ain d a experienciou o im inente choque final. Mas colocar a a u to ­ destruição n a gaveta ro tu lad a “su p ersecreto ” de n o ssa consciência não a fará desaparecer.' m in an te m ais poderoso de n o ssa co n d u ta do que n o ssa s p reo cu p a­ ções económ icas e ideológicas atu ais? Nossa tendência p a ra enfren­ ta r problem as difíceis desligando-nos deles. passam o s a p ressio n ar b a rra s que trazem o desastre p ara m ais perto. é Mm im portante problem a social de . A decisão de n a d a fazer de construtivo p ara prom over a sobrevivência fornece alívio im ediato d a n ecessid a­ de de considerar o im pensável: ela nos deixa livres p a ra perseguir n o ssas preocupações e problem as cotidianos. o reforçam ento negativo ne­ cessário p a ra s u ste n ta r e sta ad ap tação p articu lar jam ais pode ocor­ re r porque ninguém sobreviverá â prim eira experiência. com s u a m ui­ ta s n u a n c e s de significado. A prendizagem vem da experiência. eles realm ente desistem . em vez disso. Há u m pouco de “Deixe o Zé fazer isso” aqui. Podemos reduzir o controle que contingências p a ssa d a s e presentes exercem sobre n o s­ so com portam ento presente? Podemos. O problem a é único n a histó ria h u m a n a. nos colocar sob ! o controle de u m a contingência que ain d a não aconteceu? Podemos.va exposição à coerção. de algum modo te rá que se r co n to rn ad a. de não to m ar qualquer decisão óbvia. m as não está claro que n o ssa espécie esteja equipada com portam entalm ente p a ra resolvê-lo.

que m ais de u m significa m enos do outro. a in d a é de uso com um . Em ou tro s m o­ m entos. Este se supõe ser o tra b a ­ lho do professor. . o reforçam ento negativo tom a a form a de fuga. Fazer com que os alunos ap ren d am punindo-os quando eles fracassam . E xponha alu n o s lentos ao ridículo. A sociedade ta m ­ bém é a perdedora quando u m indivíduo p á ra de participar. devolva se u s trab alh o s cheios de com entários escritos em destaque e com n o tas baixas p a ra que outros alu n o s vejam à m edida que p assam os trab alh o s da frente p ara trás. quebram os o contato. nós.118 M urray S id m a n nosso tempo. faça-os p a ssa r m ais horas n a escola e fazer trabalho extra n a escola e em casa. escrevendo-as em seu s boletins com tin ta verm elha. da cidadania. da vida pode em pobrecer severam ente n o ssa existência. literalm ente e figurativam ente. do veio principal d a sociedade. O elem ento com um em todos os tipos de d esistência é refor­ çam ento negativo. D esistir de aspectos coercitivos. seja p ara o b em -estar geral. da vida. saím os. a coerção ain d a é a principal ferram enta pedagógica. Eu discutirei esquiva. ou com paciente exasperação. nós nos im pedim os de nos envolver. u se-os como exem plos do que acontece com alu n o s fracassados. m as im portantes. Temos d esisten tes da educação. enfatize su a s n o tas b ai­ xas. D esistentes não contribuem . d a religião. Supõe-se que a aprendizagem pro­ vê su a s próprias recom pensas. m as ninguém confia no fracasso como provedor de s u a s próprias punições. U sar um a b a rra de d esistência p a ra fugir d a coerção é u m a ad ap tação não-produtiva. de responsabilidade pessoal e da com unidade. d a própria sociedade. m as os priva tam bém de b rin ca r e de outros divertim entos. Escolarização não precisa ir longe an tes que a s crianças concluam que aprendizagem e prazer são m u tu am en te exclusivos. sen te-o s no fundo d a classe. revele su a s in a ­ dequações p a ra eles m esm os e p ara os outros cham ando-os em testes orais. tendo nos envolvido. então. fale com eles rispidam ente. um outro efeito colateral da coerção. Em bora m u itas com unidades não deixem m ais os professores u s a r punição corporal. Se eles não conseguem lidar com a carga de trab alh o norm al. da família. O chapéu de bu rro . g a ra n ta que o fracasso em ap ren d er não apénag os to m a p árias sociais. seja p a ra o seu bem estar. Algumas vezes ele tom a a form a de esquiva. dê-lhes m ais. D esistentes d a escola são u m exemplo p articu larm en te trágico. nos próxim os capítulos. D esistindo d a escola.

As p ráticas tradicionais persistem . professores que rejeitam a coerção como u m a ferram en­ ta pedagógica o fazem a despeito de seu treinam ento. em vez de p u n ir fracas­ sos. agora pais. Em todo am biente coercitivo. A coerção sem pre foi p raticad a n as . nem todos os professores p raticam a coerção e m uitos m erecem adm iração por s u a dedicação e com petência. m udando p a ra doenças fictícias. o professor d eixará que eles se percam em seu s próprios sonhos. o resu ltad o final é aerda de suporte p ara o sistem a por p arte daqueles que sofreram . to d as e sta s form as ié controle coercitivo estavam sem eando a destru ição do sistem a. o trein am en to prático não u s a o que é sabido sobre o en sin ar não-coercitivo. o coagido finalm ente en co n tra naneiras de voltar-se co n tra os coercedores. E ntão. Em bora a filosofia da educação atu alm en te e n sin ad a em nossos cu rso s de pedagogia seja anticoercitiva. submètiam-se a serem m antidos n a escola depois da au la e até m esm o se resignavam a ap an h a r. Isto não significa dizer que a coerção no sistem a educacional : a ú n ica cau sa da desistência. O cu sto de encontrá-los e trazê-los de volta to rn a-se exorbitante. Pode-se te r s a u ­ dades dos dias em que os alunos tem iam se u s professores. Dnde e quando q u er que a coerçáo seja praticada. C ontracontrole. em vez disso. As crises a tu a is de disciplina e d esistência são o resultado inevitável de u m a h istó ria de coerção educacional. A lguns alu n o s sim plesm ente se desligam. n a idade legal. N aturalm ente. Eles e se u s professores estabelecem u m pacto implícito: Desde que eles "se com portem ”.Coerção e s u a s im plicações 119 De fato. daí p ara “c ab u lar a u la s” e. iniciandose com a n d a r devagar e se atra sa r. desli­ gar-se to rn a-se impossível. u sa m reforçam ento positivo efeti­ vamente. Aqueles que conduzem os seu s alu n o s com su cesso a cada passo. a fuga é inevitável. e as vítim as anteriores. verenos m ais tarde. Mas se a coerção au m en ta. não criam desistentes: eles não dão aos seu s alu n o s qualq u er razão para fugir. assim a com unidade os ignora até que. p a ra raram en te — ou n u n ca — aparecer. Diz-se a fu tu ro s professores que a coerção é ruim . aceitavam trab alh o extra como puniçáo. falavam com eles com respeito. a d esistên cia com eça.óm ele. é u m outro efeito colateral do controle coercitivo. reforçando positivam ente sucessos. Mas através dos anos. Jma relação de adversários desenvolveu-se entre alu n o s e professo­ es. finalm ente. m as não se m o stra a eles como u s a r alte rn a ti­ vas efetivas. eles obtêm a libertação d a servidão. não m ais apóiam o sistem a :ontra seus próprios filhos. M ui­ tos rejeitam reforçam ento negativo como u m m étodo p ara induzir alunos a ap ren d er e. Mas.

cancelam ento de privilégios. ain d a que no início tragam ain d a m ais coerção. àqueles que por u m a razão ou o u tra não descobriram a s resp o stas certas em sala de aula. ganhem u m a perm issão legal p a ra não-participação? A tragédia é que é negado acesso posterior àqueles que m ais precisam d a escolarização. nem tentam o s rem ediar as falhas da natu reza. até m esm o. a expulsão do sistem a. alunos reagem a o u tro s estresses. E ain d a assim . ain d a assim os d esisten tes to rn aram -se u m problem a agudo ap en as em anos recentes. Uma m aneirapadrão de o aluno d esistir é conseguir ser expulso. Q uando u m ob­ jeto cai no espaço. Não é irônico que alu n o s que foram bem -sucedidos em fugir da coerção norm al do sistem a educacional. a estabilidade geográfica e em ocional que a e s tru tu ra fam iliar costum ava prover se deteriorou drasticam ente.120 M urray S id m a n escolas. ab u so verbal. relatos ru in s p a ra os pais. surgem problem as de disciplina. telefonem as à autoridade adm inistrativa su p erio r ou à polícia e. a tri­ buição de trab alh o extra. A gressão e outros tipos de disrupção são ro tas de fuga-padrão. Nos últim os cin ­ q ü e n ta anos. A solução m ais freqüentem ente oferecida p a ra o proble­ m a da disciplina é au m e n ta r a severidade d as contram edidas coerci­ tivas. não culpam os algum a força m isteriosa dentro do objeto. em vez de focá-la n a p rep aração de um futuro que pode não existir. A ceitam os a . outros fatores tam bém estão envolvidos. se os elem entos coercitivos do sistem a e d u c a ­ cional não fossem tão avassaladores. q u ei­ x as penais. desistindo. Perm ite-se a professores que m a n ten h am a disciplina por meio de reprim enda. "Negado o acesso ?” pode-se objetar. Q uando o en sin ar não é b e m -su ­ cedido. a sem pre presen te am eaça de destruição n u clear foca a aten ção dos jovens e de todos os dem ais no presente. O problem a da d esistência reflete deficiências dos a lu ­ nos ou d a sociedade m ais am pla. Q uando se im pede o desligar-se ou o d esistir fisicam ente. Não tem os q u alq u er evidência de que n o ssa s escolas sejam m ais coercitivas hoje do que no passado. “N ada é negado a eles. Eles ficam e eles co n tin u am a aprender. A educação está disponível p a ra todos. C la­ ram ente. sendo a punição últim a. No laboratório e n a s s itu a ­ ções fam iliares em que a aprendizagem su p o stam en te ocorre. não do sistem a educacional. este sistem a teria se descober­ to capaz de enfren tar as o u tras pressões. cau san d o problem as e sendo expulsos. o abuso de drogas e s tá afetando to d as as instituições e não ap en as as escolas. a evi­ dência indica que o en sin ar bem -sucedido e não-coercitivo m an tém os alunos que estão sob p ressão física ou em ocional no lugar. ou é feito por reforçam ento negativo em vez de positivo.” R esponsabilidade não é a questão prim ária.

Q ualquer um . Alguns argu m entam que os baixos salários indicam o baixo valor que a socieda­ de atribui à profissão de ensinar. m as ela não é suficiente. M as agora. sujeito à coerção. a sociedade não teve que prover as recom pensas fin an ­ ceiras que teriam sido n ecessárias se o dinheiro fosse a ú n ica razão de u m professor p a ra continuar. estão operando. m as desenvolvem sistem as de contracoerção estão to m an d o a fuga u m a alternativa ainda m ais com pelidora p a ra os professores. e m uitos aprendem m uito. e as h o ras extras necessárias p a ra a preparação d a s aulas. A maioria dos alun o s realm ente ap ren d e algum a coisa. P ara a m aioria dos professores a razão de fundo é o su cesso de seu s alu n o s em ap re n ­ der. Com s u a s instituições de treinam ento fracassan d o em lhes fornecer m étodos náo-coercitivos p ara m a n ter a disciplina em . A coerção não leva ap en as alu n o s a sair do sistem a ed u ca­ cional. professores tam bém estão saindo. professores m o stram que o u ­ tros reforçadores. N algum a m edida esta in te rp re ta ­ ção pode ser verdadeira. se possível. eles carregam com eles novos modos de se com portar que não tin h am qu an d o com eçaram ? Porque estes e outros tipos especiais de reforçadores m antêm os professores ensinando. intenções. algum as vezes como resu ltad o de ensino efetivo e algum as vezes a despeito de u m m au ensino. a dificuldade do tra b a ­ lho. Neste ponto. filosofias da educação e m esm o teorias do com portam ento não são relevantes. De modo sem elhante. A fuga de u m organism o vivo. dados a duração e custo do treinam ento requerido. Tradicionalm ente estabele­ cemos o salário de professores em níveis relativam ente baixos. que não dinheiro e prestígio. como u m a conseqüência da coerção. D esistir é sim plesm ente u m a das m uitas form as de fuga. Q uando os alu n o s progridem . correção de trab alh o s e atendim ento de alu n o s e pais. Porque ela produz fuga.Coerção e suas im plicações 121 inevitabilidade de u m a q u ed a como u m a conseqüência de qualquer perda de su sten tação física. ela não explica porque professores se m antiveram como tal a despeito dos salários inadequados e. da baixa estim a social. não ê m enos um fato da n atu reza do que a q u ed a de um objeto como u m a conseqüência de perda de su p o rte físico. Perm anecendo em seu s postos. cairá fora. P ara um professor. a fuga é u m a conseqüência inevitável da coerção. m ais e m ais professores descobrem -se alc a n ç a n ­ do aq u ela tão im portante razão de fundo cad a vez m enos freq ü en te­ m ente. cada desistente é u m a o u tra o p o rtu n id a­ de perdida p a ra en sin ar com sucesso. Aqueles alunos que p erm an e­ cem fisicam ente. atribuição de culpa. a coerção é u m a recu sa de acesso tan to qu an to o é bater a p o rta d a escola n a cara do aluno. talvez.

um recente dirigente da burocracia educacional em nosso governo. m as consistentem ente recu saram -se a aceitar d em an d as p ara au m e n ta r a com petência do professor. S u a tax a de sucesso e stá decli­ nando. E stam os de volta à ed u ca­ ção por meio da coerção. aritm ética e raciocínio parece e sta r declinando. “A prendam . ele mesm o. descobrim os que “padrões m ais altos” significam “n o tas m ais a lta s”. E h á suficiente evidência de que professores que esp e­ ram altos níveis de desem penho de seus alunos são provavelm ente os que obtêm m elhor desem penho. Eles sim ples­ m ente deverão ser testad o s e. Mas isto não acontece por m ági­ ca. Som ente se professores puderem com binar altas expectativas com altos níveis de com petência p ara en sin ar. E em n en h u m lugar das propostas de rédeas m ais cu rta s p a ra a prom oção de u m a série p ara a próxim a existe qualquer sugestão de que escolas de educação precisam tre in a r professores m ais efetivam ente p a ra aju d a r alu n o s a atingir os novos padrões im postos. O que se quer dizer com “padrões m ais alto s”? Quem te rá que atingir estes padrões m ais altos? E como vão fazê-lo? Exam inando a s propostas. eles m esm os estão se to m an d o objetos de coerção. As associações de professores aceitaram a dem an d a do M inistro de Educação por requisitos de m aior com petência dos alunos. Como um remédio p ara os m ales da escola. os alu n o s poderão descobrir como atingir as expectativas. São os alunos que devem atingir a s notas m ais altas.” Não se pode ter q u alquer argum ento co n tra altos padrões enquanto tal.. líderes da educação propõem resolver este problem a im pondo m edidas coercitivas ain d a m ais estritas. Professo­ res. A com petência em leitura. O processo educacional está. tam bém . recebendo notas baixas. vem reivindicando padrões m ais altos nas escolas. ou atingirão níveis m ais altos de com petência. o u . escri­ ta.122 M urray Stdman sala de aula. ou não serão promovidos. as m aio­ res recom pensas financeiras disponíveis p ara outros tipos de tra b a ­ lho estão. portanto. Mas n a d a é dito sobre como os alu n o s vão ser levados a atingir estes novos critérios de desem penho. E. dizendo aos alunos.. to m an d o -se m ais e m ais ten tad o ras. estão se to rn an d o desistentes. m antendo no ssa longa confiança n a coação p a ra fazer com que n o ssa s cria n ­ ças aprendam su a s lições. eles estão se descobrindo não ap en as fracassan d o em en sin ar efetivam ente. m as incapazes até m esm o de m an ter u m a m ­ biente que conduza à aprendizagem . apoiado pelas principais organizações de professores. . M uitos alu n o s estão ap aren tem en te p assan d o de série a série sem terem aprendido o básico.

cada fracasso do aluno é tam bém u m fracasso do professor. seu s professo­ res devem ser promovidos de q u alq u er modo. N aturalm ente. Bons profes­ sores sabem disso e cada n o ta de reprovação que eles têm de d ar os arrasa. Eles devem atingir padrões m ais altos ou arc a r com a s co n seq ü ên ­ cias. Q uando testam os alunos tam bém estam os testan d o professores.Coerção e s u a s im plicações 123 Mesmo que os alunos continuem a “ficar p ara tr á s ”. tem os que reconhecer que as c a u sa s de al­ guns fracassos estão além do controle de q u alq u er professor. D esistir é. podem os tam bém ju l­ gar o desem penho de seu s professores. m ais bem -sucedido o professor. com portam ento: u m a m aneira de torná-lo m ais ou m enos provável é a rra n ja r conseqüências ap ro ­ p riadas. C ada sucesso do aluno é u m su cesso do professor. portanto. Poucos parecem questionar n o ssa habilidade de identificar bo n s alunos. alu n o s terão que fazê-lo sozinhos. Q uanto m elhor um . não é difícil identificar bons professores. em geral. Teremos m ais desisten tes do que n u n ca. Uma vez que educadores não terão que en sin a r professores como in stru ir m ais efetivam ente. E sta su p o si­ ção é certam ente questionável. Em princípio. o sistem a educacional ain d a m ais coercitivo do que já é. sociais. Q uanto m ais b em -su ced i­ dos os alunos. um prim eiro passo útil seria u m a análise com portam ental. e com a devida consideração de variações econôm icas. ninguém discorda de que bom ensino deveria ser reconhecido e recom pensado. N inguém duvida de que alguns professores são ru in s e que alguns m au s professores são promovi­ dos. Comece exam inando interações en tre alu n o s e professores. Se querem os dim inuir a d esistência d a escola e a u m e n ta r a participação. E sta im posição unilateral de m elhores níveis de resu ltad o s tornará. alunos e outros alunos: identifique e eli- . m as n a m edida em que podem os validam ente ju lg a r os resu ltad o s dos alunos. Mas quando tentam os delinear meios in stitu cio n ais p a ra id en ti­ ficar os b o n s e os m aus. Mas. m elhor o outro. incorrem os n a s an tiq ü íssim as questões que todo professor consciencioso ain d a se faz: como definir bom ensino? Como identifi­ car os bons professores? Quem ju lg ará e quem selecionará e su p er­ visionará aqueles que julgarão? O critério m ais im portante p ara identificar boa in stru ção e bons professores é o com portam ento dos alunos. fam iliares e regionais n a preparação dos alu n o s p a ra as dem andas sucessivam ente crescentes que a escola coloca sobre eles. alunos e adm inistradores. p ara prom over os prim eiros em vez dos últimos. afinal de contas.

quan d o se to m a possível desistir. produzir reforçadores positivos e nem sem pre é o resu ltad o de controle coercitivo. Eles prim eiro se desligam da vida fam iliar e. não podem os deixar de nos en tristecer quan d o ve­ . A sociedade provê um conjunto de descu lp as aceitáveis p ara deixar a família. au x iliad o s por cid ad ão s não-profissionais m as interessados. em vez de propor punições m ais severas p a ra alunos quan d o fracassam . o casam ento ou a previdência pode. o trabalho. autocorreção — inteligibilidade — é p arte constitutiva da análise do com portam ento. Em m uitos estados. Ir p a ra escola longe de casa é u m a técnica de fuga aprovada. Se a m aior p arte da atenção que obtêm vem n a form a de punição. D esistindo d a fam ília. E lem bre-se. Eles podem com eçar p restan d o pouca atenção ao que é dito a eles e ainda m enos ao que é dito à s u a volta em casa. assim como en co n trar u m bom emprego m uito d istan te. tal rota de fuga pode to rn ar possível u m a vida m elhor p ara o fugiti­ vo. Gravidez é um modo tradicional p a ra adolescentes conseguirem p er­ m issão p a ra se casarem . eles se vão. Q uaisquer fracassos n a obtenção de resu ltad o s desejáveis rap id am en te to rn a r se-ão evidentes e podem os te n ta r novas ro ta s p a ra o b te r os r e s u l­ ta d o s desejados. é u m a rota de fuga d a família socialm ente aceita. Mesmo quando o é. T reine professores no u so de técn icas in stru c io n ais nãocoercitivas p a ra aju d a r alunos a atingirem os padrões desejados. então. Um outro fugitivo trágico é o que d esis­ te d a família. com pouco reforçam ento positivo com pensatório. F racasso s e su cesso s de p ro fesso res podem ser ju lg a d o s pelos pro fissio n ais de ensino. pode ser feito não-coercitivam ente. M uitos jovens vivem com punição freqüente em casa. ser m ãe solteira perm ite a u m a garota fugir de s u a família p a ra os braços d a previdência pública. ou por atingir a idade legal. possibilitado por gravidez precoce. eles nem dão nem solicitam afeto. C asa­ m ento. até m esm o dos pais m ais relu tan tes. eles n ão assum em m aiores responsabilidades n a casa além d as que são forçados. e não precisa envolver coerção institucionalizada. tam bém .124 M urray S id m a n m ine os elem entos coercitivos que to rn am a fuga d estas interações reforçadora. que a s u ste n ta em seu p ró ­ prio domicílio. é provável que eles deixem a velha c a sa p atern a assim que su rja u m a oportunidade. n atu ralm en te. o M inistro d a Educação poderia ter sugerido reforçadores p ara educadores que planejem tecnologias de ensino que façam com que m ais alu n o s sejam bem -sucedidos. S air de casa p ara a escola. E ntretanto. Isso.

Poderíam os esp erar que a religião organizada fosse a in stitu i­ ção social m enos com prom etida com a coerção. em geral. Não falo aqui da crença religiosa como tal. Um dos problem as m ais difíceis da p atern id ad e é seg u rar os filhotes até que eles estejam prontos p a ra voar. freqüentem ente m uito cedo e despreparados. se eles com eterem um erro. Religiões estabelecidas estão descobrin do ser m ais e m ais difícil reter su a s congregações e re c ru ta r jovens para o hábito. a m enos que ten h am o s um outro modelo p a ra seguir. criam os n o ssa própria cópia. nossos filhos m antêm a tradição coercitiva viva. Intuitivam ente reconhecendo divórcio e separação como fuga. organizam . Algum as vezes. excesso de tra b a ­ lho ou excesso de televisão — o modelo de fuga está ali p a ra as crianças im itarem quando elas criarem su a s próprias fam ílias. b u scam controlar a crença e a co n d u ta religiosas. D esistindo d a religião. não hesitarão em vir a nós p a ra ajuda. N ada podem os fazer qu an d o isso acontece. “Sim ” e “Não”. podem os en si­ nar nossos filhos a aceitar am bos. como um conselho de alguém querido sobre o que funcionará e o que não funcionará. Mas. então. especialm ente quando amigos os convenceram de que os pais não podem em q u alquer hipótese com preender su as necessidades. a não ser esperar e observar. Religiões clam am promover o am or. Podemos fugir do am b ien ­ te coercitivo de n o ssa família. em vez de serem cap a­ zes de aproveitar aquele estágio da vida como u m a fonte de novas satisfações. nem fazendo-os ficar tem po dem ais. todos fortes . entretan to . Como pais. Fuga da família tem um modo de se p erp etu ar. se j á não os tiverm os desligado por te n ta r coagilos a fazer as coisas à n o ssa m aneira. M as não precisam os to m a r o “Não” u m punidor. eles insistem em d escobrir coisas por si m esm os. sem pre tem os que estabelecer lim ites p ara n o sso s filhos e esta n e ­ cessidade pode facilm ente nos jo g ar n a arm ad ilh a do controle coerci­ tivo. O problem a se estabelece quando pais desistem da família. alcoolismo. nem forçando-os a ir-se cedo dem ais. m esm o que u m dos pais fuja ap en as em espírito — por meio de doenças p siquiátricas incapacitadoras. o respeito. E então.Coerção e s u a s im plicações 125 mos jovens terem de fugir p a ra as resp o n sab ilid ad es d a vida adulta. m as. as crianças freqüentem ente se culpam pela p artid a de um dos pais. governam e. como um auxílio n a aprendizagem d as regras pelas q u ais o m undo opera. Não ap en as a escola e a família sofrem do problem a d a desistência. a paz e a serenidade. m as das e stru tu ra s institu cio n ais que promovem.

Mas os cordões estão am arrados. pelo m enos ocasionalm ente. C ada u m a reivindi­ ca u m a fra n ch ise única. não im ­ porta se as resolvem os efetivam ente ou não. Como vim os. e con­ trole coercitivo gera fuga. C om pletar u m ritu al prescrito alivia. Mais do que n u n ca. Com cad a religião reivindicando controle exclusivo sobre os portões do paraíso. Som os autorizados a com ­ p artilh ar d a glória prom etida som ente se seguirm os as regras e os ritu ais prescritos. Portanto. a vida depois da morte. levar a u m cho­ que. A q u alq u er um que saia do cam inho e não faça as reparações ad eq u ad as “através dos can ais” são negadas as satisfa­ ções da vida após a m orte. divinam ente g aran tid a e n e n h u m a pode provar su a autoridade. podem os realm ente nos to m a r céticos. A rgum en­ tos conflitantes e improváveis enfraquecem enorm em ente as am eaças de excluir pecadores e ateu s d a boa vida após a morte. É possível que todas estejam errad as? Come­ çam os a duvidar d a habilidade de q u alq u er igreja p a ra controlar nosso destino últim o. Incerteza sobre seu poder enfraquece co n sid e­ ravelm ente a força de qualquer religião que recuse g aran tir p asses p a ra a vida etern a exceto em seu s próprios term os. A m enos que a coerção espiritual seja su ste n ta d a por controle secular. As regras e ritu ais de n o ssas igrejas fornecem forte reforçam ento negativo perm itindo-nos fugir desse pe­ rigo.126 M urray S id m a n fontes de reforçam ento positivo. E n tre ta n to . a não-obediência deve. No aqui e agora. por exemplo. am eaças — sin ais de p u n ição ou reforçam ento negativo im in en te — to rn am -se elas m esm as reforçadores negativos. são coercitivas. p a ra q u alq u er am eaça m a n te r-se efetiva. M uitas pessoas sensíveis b u scaram e descobriram . não experienciam os estas satisfações. sabem os im ediatam ente que tem porariam ente removemos a am eaça. Alguns desistem d a religião formal sim ­ plesm ente porque a consideram repressiva. Algumas prom etem o reforçam ento últim o. m as ap en as a am eaça de que elas não se to m a rã o disponíveis. Este aspecto d a coerção tam bém auxilia a explicar os d esiste n ­ tes d a religião. hoje som os capazes de exam inar e av a­ liar instituições e estilos de vida dos q u ais estivem os isolados antes. alguns desistem não p ara fugir da coer- . n atu ralm en te. as am eaças são inexeqüíveis. Mas am eaças. O poder coercitivo disponível p ara u m a religião organizada que reivindica ap en as autoridade espiritual é inerentem ente in s tá ­ vel. A realidade de um choque que pode ocorrer ap en as após a vida m antém -se indem onstrãvel. que as regras e ritu ais diferem de u m a organização religiosa p a ra o u tra e de u m a seita p ara o u tra dentro de u m a religião. farem os tu d o que p u d erm o s p a ra rem over u m a am eaça.

de­ pendente d a s conseqüências do m undo real. não têm sido capazes de alcan ­ çar a selvageria deste recorde. religiões for­ mais têm acum ulado um enorm e recorde — por meio de tirania. como no Irã dom inado pelos aiatolás. F re­ qüentemente tom ando o cam inho do controle tem poral. A religião esp era que acreditemos a despeito daquilo que a vida traz. b u sc a r em outro lugar as fontes de sua força? Alguns peregrinos voltam a Lourdes ano após ano em bora as enferm idades que os ten h am levado p a ra lá pela prim eira vez não tenham sido curadas. como em u m a com unidade local rigidam ente convencional. coagindo publicam ente candidatos a cargos públicos. líderes religiosos de alto escalão estão novam ente ativa­ mente no processo político.Coerção e s u a s implicações 127 ção. e não pode haver dúvidas de que p a ra m u itas p esso as o é. nos países do terceiro m undo. s a ú ­ dam o Papa quando ele lhes diz que o Senhor h á de provê-los. Uma suposição básica da religião é que a crença é incondi­ cional e não. quando provê reforçam ento negativo e punição tangíveis e p resen tes. com binando seu controle sobre a vida após a m orte com controle tem poral. ou com a prisão e a morte. deve ser contingente à experiência. Uma d as principais soluções da religião p a ra a instabilidade de seu controle coercitivo tem sido m u d ar s u a b ase de p oder do futuro esp iritu al p a ra o presen te m undano. depois de m a n ter longam ente u m silêncio cuidadoso fora de suas igrejas. Por o u tro lado. como a análise do com portam ento argu m en taria. com a perd a do direito de voto. Governos p u ra ­ mente seculares. Devemos. milhões. a reli­ gião consistentem ente se ato u à política. Uma análise com portam ental pode explicar tal p e r­ sistência de crença? . portanto. onde provisões constitucionais específicas p reten d iam m a n ter religião e governo separados. E agora. ainda que Ele até aqui de n ad a te n h a provido a não ser de pobreza e sofrimento físico. m as sim plesm ente porque a inabilidade d a religião de fazer valer su a s am eaças espirituais dim inui seu controle sobre s u a con­ duta. Algumas religiões. como em eleições. Mesmo nos E stad o s U ni­ dos. líderes religiosos cam uflam ap en as levemente serm ões que pretendem influenciar escolhas eleitorais. muitos m antêm a s u a fé m esm o confrontados com u m a realidade contraditória. m esm o em guerra. pode ser forte o suficiente p a ra to rn ar a fuga difícil e dolorosa. Coerção eclesiástica. guerras e inquisições — de m orte. C rença. to rtu ra. considerada como com portam ento. p u n em os infrato­ res com ostracism o. ap risionam ento e can ce­ lamento de direitos sociais. H istoricam ente. econôm icos e políticos.

os dados não são nem de perto tão claros. De q u alq u er modo. m as porque recebem atenção devotada e n ão -u su al d u ­ ra n te s u a viagem e cuidado afetuoso d u ra n te os ritos n a gruta. ou se sim plesm ente se afastaram porque a coerção não era suficientem en­ te fortè. E ntretanto . ab an d o n em s u a fé pessoal. . Alguns p ere­ grinos de Lourdes co n tin u am a ir. E n tretan to . a s religiões podem se tran sfo rm a r em d istrib u id o ras de reforçam ento positivo. a s igrejas fornecem u m foco p ara atividades sociais d a com unidade. su b stitu in d o coerção por reforçadores positivos deste m undo. Tradicionalm ente. C erta­ m ente. aplicações de análise co m portam ental à religião não significam ten tativ as de ab alar a crença de q u alq u er pessoa. E então. alg u n s ain d a p ersistem acreditando que o m undo é plano. Se os d esisten tes da religião são fugitivos d a coerção. aqueles que arg u m en tam que a crença é in d e­ pendente do que acontece no m undo real podem co n sid erar até m esm o dados observacionais irrelevantes. Elas tam bém oferecem facilidades físicas e pessoais p a ra aju d ar a aliviar o sofrim ento e o desconforto quando surgem d esastres n a tu ra is ou pessoais. D istribuindo reforçam ento positivo no aqui-e-agora de fato. Como to d as as in stân cias em que o p o rtu n id ad es p a ra verificar u m a análise são improváveis. n este assu n to estam os fora d as fronteiras d a ciência com portam ental. M urray S id m a n Algum as vezes não è difícil identificar reforçadores que pode­ riam plausivelm ente m a n ter u m a cren ça não-realizada. Em a ssu n to s de cren ça religiosa.1 28. e agindo co n tra o u tras fontes de coerção. estes casos perm anecerão discutíveis. A lguns tam bém se descobrem nos jo rn ais e n a televisão e até m esm o estrelando em sh o w s populares. em vez de am eaçar de punição depois da m orte. capazes de influenciar a co n d u ta não-coercitivam ente. outros exem plos de persistên cia de afiliação reli­ giosa são m ais complexos e não tão facilm ente analisados. Não h á n a d a de in trin secam en te coercitivo sobre u m a cren ­ ça pessoal. E u me preocupei aqui com a possibilidade de que p ráticas coercitivas dentro de religiões organi­ zadas estejam fazendo com que a s p esso as deixem s u a s igrejas e talvez. a religião tem ten tad o inverter a corrente. não em b u sc a de u m a c u ra im possível. tan to de ad u lto s como de jovens. até m esm o. coerção é ap en as u m modo de influenciar a co n d u ta e é ap en as u m a característica do controle exercido por religiões formais. ap en as quando trad u zid a em ação social u m a crença q ualquer pode se to rn a r coercitiva. O fato de que igrejas ain d a sobrevivem não invalida u m a análise de su a s p ráticas coerciti­ vas.

Coerção e s u a s im plicações 129 Seria tam bém injusto ap o n tar ap en as p a ra a rep ressão cor­ poral e espiritual. se admite a suposição de que a arte é grande n a m edida em que de algum modo evoca experiências universalm ente co m p artilh ad as. Como podem pen sam en to s tristes. presum ivelm ente reforçadores positivos? N inguém — p sic a n a lista . vitrais ou tapeçarias. “n o ssas canções m ais doces são aq u elas que nos falam dos pensam en to s m ais triste s”. Como diz Shelley. por exemplo. n as representações do Ju ízo Final. m as pacíficos. am ed ro n tad o res p o r cau sa de seu total desprezo pela vida h u m a n a e pelos se u s produtos. Q ualquer que seja a validade d essa suposição. m uito d a a rte religiosa in corpora valores coercitivos. como recu rso p a ra m a n ter e expandir seu s dom ínios. arte. m úsica e lite ra tu ra m agníficas e valiosíssim as que ela tem inspirado. O outro cam inho que a religião tem tom ado é rep resen tad o pela arq u i­ tetura. Alguns se retiraram ap en as dos aspectos ab ertam en te com petitivos da vida . alguns ten tam m u d a r a direção da corrente e alguns te n ta m explodir os diques e afu n d ar todos nós. Toda catedral medieval contém lem bretes dos perigos do fogo do inferno em m aravilhosas escu ltu ras. D esistindo d a sociedade. a n a lis ta do co m p o rtam en to ou antianalista — pode realm ente responder a esta questão. E ain d a assim . pertu rb ad o res em s u a disposição de ser explo­ rados — ao extrem o oposto do continuum de desisten tes. também características da religião formal. se to rn arem tem as de artes belíssim as. Alguns ap en a s flutüam n a s ág u as estag n ad as. Fugitivos de u m outro tipo desistem com pletam ente do fluxo principal da sociedade. Mas. e n ­ tão a representação da coerção poderia m uito bem ser tão freqüente em grandes trab alh o s de arte precisam ente porque a coerção real­ mente toca a ta n to s de nós tão profundam ente. podem os ape­ nas lam en tar que a tendência histórica construtiva e positiva das contribuições religiosas à grande arte pareça ter term inado. os terro ris­ tas de hoje — au to cen trad o s e violentos. Podemos ap en as ser gratos por este enriquecim ento da vida n a terra. Eles vão d as crian ças “d a paz e do am or” dos anos 60 e seu s sucessores guiados por g u ru s — autocentrados. que tem acom panhado a s lu ta s da religião in s titu ­ cionalizada. como. Também encontram os m uitos em estágios interm ediários. A análise do com portam ento não tem u m a resp o sta a questões como “por que isto aconteceu” ou “por que as tendências negativas e repressivas. p in tu ras. alguns lu tam em ág u as tu rb u le n ta s. persistiram nos tem pos m odernos”. presum ivelm ente reforçadores negativos.

cam p an h as p u b li­ citárias. A com unidade vê desisten tes que en co n tram seg u ran ça nos ritu a is e despotism o benevolente de u m auto -in titu lad o profeta como am ea­ ças a m odos estabelecidos de conduta. u m a análise com portam en tal dos indivíduos e su a sociedade to m a -se n ecessária. F reqüentem ente. até m esm o trazendo. dirige ab u so social e político a eles. É provável que descubram os. que m uitos que parecem ter desistido ja m ais tiveram acesso a reforçadores positivos s u p o sta ­ m ente disponíveis.130 M urray S id m a n m as m antêm -se artística ou intelectualm ente criativos. filiação em partid o s ou d e­ m onstrações não-violentas. D issidentes. Ainda outros te n tam m u d a r o sistem a p o r meio de m ecanism os socialm ente aceitos como legislação. Eles podem . ro tulando como caronas aqueles que adotam estilos de vida não-produtivos. pode-se p erg u n tar. A so ­ ciedade se opõe até m esm o àqueles que podem se r cham ados de desistentes construtivos — aqueles que u sam recu rso s-p ad ráo e m o­ ralidade convencional n a ten tativ a de m u d a r a e s tru tu ra d a so cied a­ de — invocando os m esm os m ecanism os e m oralidade socialm ente aprovados p a ra p reserv ar o sta tu s quo. n a verdade. como p a ra a preservação. m as podem os cham á-los de d esisten tes se a socieda­ de n u n c a os assu m iu como m em bros. tra ta d o s como desistentes. classificando-os como m entalm ente doentes ou incom petentes. apoio a candidatos políticos. Longe de desistir. "por que ta n to s tom am este cam i­ n h o ?” Q uando indivíduos insistem em ab rir m ão dos reforçadores positivos que u m a sociedade to rn a disponíveis. Ela in terp reta s u a fuga como um ta p a n a cara dos pais e outros responsáveis p o r in teg rar os jovens n a com unidade. A sociedade. E m bora tratad o s como desistentes. especialm ente se rep ressão so ­ cial. “Se as conseqüências de d esistir são tão opressivas e m esm o perigosas”. elas foram excluídas do grupo. . se r fugiti­ vos da coerção. descobrem -se alvos de ab u so verbal. H istó­ rias individuais revelarão que m uitos que são classificados como desistentes jam ais foram realm ente adm itidos nos grupos dos quais eles su p o stam en te se retiraram . O utros devo­ tam su a s energias não ta n to p a ra a produtividade. então. físico e econômico. p a ra com eçar? Eles n ão esco­ lheram u m a vida de opressão. em vez disso. ten tan d o tira r s u a liberdade. eles realm ente são banidos. pesso as que são rejeitad as pelos d esisten tes voltam -se co n tra eles. punição severa sobre si m esm os. C rianças de m inorias sociais freqüentem ente crescem sem escolarização efetiva. política e econôm ica im pediu s u a com unidade de desenvolver um a tradição de m obilidade social ascendente. eles não tiveram alternativa.

os desconfortos de u m estilo de vida alter­ nativo e o ab u so adicional que um am biente coercitivo aplica ao ten tar reclam ar de volta seu s desistentes. temos que consid erar todas as alternativas e opções que desistir to m a disponíveis. drogas podem aju d ar a m itigar am bos. podem facilm ente co n trab alan çar u m am biente an terio r que provia todas as necessidades físicas. E m bora esses d esisten tes possam ap en as tro car u m a situ a ­ ção ruim por ou tra. O crescim ento do indivíduo cessa e a sociedade perde as contribuições potenciais de seu m em­ bro desistente. a quem jam ais se ensin o u responsabilidade social ou financeira. sacrificaram seg u ran ça econôm ica por seg u ran ça emocio­ nal. ju n to com estas desvantagens. Eles vão dos que sofreram ab u so s físicos e se­ xuais a aqueles que sim plesm ente descobriram como repulsivas as inconsistências e hipocrisias d a civilização. repressões e agressões d a vida. E n tretan to . P ara eles. estes podem recom ­ pen sar as novas dificuldades. E assim encontram os m uitas crian ças privilegiadas. . jogarão fora seus recu rso s facilm ente obtidos em b u sc a de q u aisq u er reforçadores positivos que p assem ao seu alcance. C onsidera-se que certas drogas “au m en tam a consciência”. sa ir do fogo para cair n a frigideira pode ser u m ato de desespero. ou podem en co n trar novos tipos de reforçadores p ara su b stituí-los. m esm o em u m refúgio onde a fome e o desconforto físico preva­ lecem. D esistentes de setores privilegiados d a sociedade. Portanto. Ao te n ta r en ten d er por que os d esis­ tentes parecem tão desejosos de trazer p a ra si a ira d a sociedade. algum as vezes se descobre. E stes jovens em ocionalm ente privados. m as p u n ia calor emocional. tam bém encontram os m uitos p a ra quem p u ­ nição e reforçam ento negativo a n u laram q u aisq u er reforçadores po­ sitivos disponíveis. ab ertam ente d ad as e recebi­ das. m ovendo-se p a ra fora de seu vazio social e em ocional em direção à cultura d a droga. em bora n a realidade reduzam a acuidade sensorial. eles ain d a podem obter acesso a reforçadores dos quais anteriorm ente estavam excluídos. as drogas tam bém podem produzir esquecim ento das restrições. Controle coer­ citivo que faz isso desperdiça vidas. Por outro lado. co rtad as dos laços fam iliares norm ais.Coerção e s u a s im plicações 131 Em fam ílias econom icam ente bem -sucedidas. o único apoio paterno que alguns adolescentes conhecem é o m onetário e mesm o esse apoio não é contingente a q u alq u er coisa que eles façam ou deixem de fazer. Amizade e afeição. distorçam a percepção e prejudiquem o julgam ento.

revelará algum as das condições que levaram a um suicídio. Ali. a despeito de s u a crença de que é o cam inho p ara o paraíso. É pelo m enos plausível que cada ato individual n esta cadeia de eventos seja u m p roduto d a história de reforçam ento de u m m ártir-por-vir. Se os elem entos finais do ato complexo de ser crucificado são reforçadores não pode ser determ inado. E m bora aqui e acolá indivíduos realm ente encontrem um nicho não-tradicional p ara si m esm os. n a realidade. então a crucificação não pode ser ch am ad a de um reforçador p a ra ela. freqüentem ente. su a s conseqüências não podem p reencher a definição de u m reforçador. a m enos que a pesso a sobreviva. E ntão. Suicídio é u m ato que tem m uitos com ponentes. não tiverm os cometido crim es. explicar a au todestruição de u m indivíduo apelando p a ra u m a história de reforçam ento p a ra o ato. Precisam os de outros princípios? O cristão que acred ita que o m a rtí­ rio o enviará ao céu pode perceber a crucificação como desejável. u m a vez que ele ja m a is pode acontecer m ais que u m a vez. podem os observar se ela con­ tin u a ou não a fazer coisas que a levem a ser crucificado de novo. A sociedade sobrevive a seu s m em bros e su a paciente coerção esm aga rebeliões n ão-construtivas. sair da sociedade não funciona. u m a n o ta de suicídio enfatiza sentim entos de culpa e indignidade in su p o rtá ­ veis. su a agonia produz reações in te n sa s naqueles que a assistem . Se elá não as faz. n atu ralm en te.132 M urray S id m a n A longo prazo. s u a crença explica por que a crucificação funciona como um reforça­ dor para ele? Não necessariam ente. você só pode m atar-se u m a vez. Suicídio é a fuga últim a d a s g arras de necessidade e coação repentinam ente esm agadoras. U m a pessoa que tom a o cam inho da crucifica­ ção an tes pratica atos que a to m am n o tad a pelas au to rid ad es civis ou religiosas. Algumas vezes. com cad a ação produzindo seu s próprios reforçadores. o destino u su a l de u m d esisten te é a inefetividade — verdadeiro esquecim ento. Se. ela en cara seu s algozes com u m a p o stu ra corajo­ sa. recu san d o -se a retratar-se. E la então faz afirm ações provocativas. Suicídio. O desperdício é enorm e. Suicídio. é um problem a especial. A análise do com portam ento não pode. ou de u m a vida dom inada p o r reforçam ento negativo e punição. No final. é u m a supersim plificação nom eá-lo por seu ponto term inal — a m orte. ocasionalm ente até tendo su cesso n a alteração de p ráticas de com unidades. seja gen erica­ m ente ou p a ra o indivíduo. atra i m ultidões a seu julgam ento e produz in tenso in teresse público até o ato final de seu dram a. o que m ais . No caso extrem o u m a p esso a literalm ente d esiste d a vida. Um a análise retrospectiva. não im porta s u a forma.

tom ou-se o cuidado de dar à paciente a atenção de que ela necessitava — contingente a . o recebedor de afeto e sim patia. é prová­ vel que encontrem os o suicida to m an d o -se u m objeto de atenção e preocupação. O líder do grupo gritou: “Saia daqui. F reqüentem ente. A sim patia que se to m a disponível ap en as depois de suicídios “m alsucedidos” tom a prováveis novas tentativas. identificando o que realm ente suced eu depois d a s ten tativ as de au to d estru ição . você vai m an ch ar todo o tap ete com sangue!” A paciente docilm ente virouse e saiu da sala. E h á ap en as u m modo de escaparm os de nós mesm os. pelo m enos. algum as vezes não-intencionada. Tais sinais tornam -se eles m esm os p u n id o res e reforçadores negativos. a bondade é destrutiva. E m bora bem -intencionada. am igos e com uni­ dade. u m a inabilidade p ara satisfazer e sta s d em andas nos to rn a u m fracasso. M as a ten tativ a de suicídio funcio­ nou an tes. E n tretan to . finalm ente. n atu ralm en te. afrouxa restrições e s u b stitu i am eaças por pro m essas de ajuda. m as freqüentem ente deliberada. ou a aju d a não chega a tem po e u m a ten tativ a de suicídio se to rn a “bem -sucedida”. É u m a m an eira de fazer as pesso as se ap ru m arem e p restarem aten ção e m esm o de fazer com que façam o que se quer. vemos um processo cíclico. assim . iniciado por p ressões coercitivas e então m antido por b o n d a­ de. O próprio suicídio é u m a form a de coerção. em vez de p ro ­ duzirem reforçam ento positivo — su cesso — têm sido ignoradas ou punidas — fracasso. M as elas são u su alm en te m al­ sucedidas ap en as por falh ar em c a u s a r a morte. cortando seus pulsos com u m a lâm ina. A cu lp a am acia vozes duras. Se seguirm os a prática-padrão d a análise do com portam ento. E então. q u an d o u m a paciente adentro u a sala e p aro u em frente do gm po. Tudo que fazemos se to m a um reforçador negativo. por que não te n ta r de novo? E assim .Coerção e s u a s im plicações 133 pode te r dado origem a sentim entos de cu lp a e indignidade? Que tipo de culpa poderia ser resolvida ap en as com a d esistên cia da vida? Uma fonte óbvia de tal pressão são d em an d as não-passíveis de serem satisfeitas colocadas sobre n ó s pela família. M embros da equipe de u m a clínica p siquiátrica estavam certa vez em u m a reunião. Ao nossos próprios olhos. à m edida que o tem po p a ssa o am biente coerciti­ vo volta à s su a s práticas-p ad rão . N ossa própria co n d u ta to m a-se u m conjunto de sinais de im inente punição e reforçam ento negativo. Ser um fracasso significa que n o ssa s ações. u m a dose é m alcalculada. realm ente encontram os u m a h istó ria de tentativas de suicídio m al-sucedidas. Mais tarde. nos punim os por sim plesm ente nos com portarm os.

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açoes racionais. Ela não m ais precisou de tentativas de suicídio coercitivas. Um a pessoa tam bém pode com eter suicídio p a ra p u n ir aq u e­ les que, n a realidade ou im aginação, exerceram coerção in su p o rtá ­ vel. Se ou n ão é assim intencionada, a au to d estru ição sem pre vem como um choque punitivo p ara a família, am igos e com unidade. Então, responsabilidade é algum as vezes in ju stam en te atrib u íd a, ou mesm o incorretam ente aceita. O que é im portante depois de um suicídio não é a atribuição de culpa, m as a adm issão d a fuga. Controle coercitivo produz suicídio e, p o r s u a vez, suicídio é ele m esm o coercitivo. A penas reconhecendo a existência de p ressõ es coercitivas terem os u m a chance de resolver o problem a últim o de desistir.

: Esquiva

Uma pitada de prevenção...
U m a vez atingidos pela punição, farem os o que p u d er p a ra desligã-la ou ir em bora. Se não podem os fugir, ou se a situação provê reforçadores positivos suficientes p a ra c o n tra b alan ç ar os n e­ gativos, podem os ap en as nos desligar p o r algum tem po. Se no.ssa família, am igos ou colegas de trab alh o d istrib u em choques m uito freqüentem ente, ou se seu s choques são m uito in ten so s, podem os ir ao extrem o de desistir, m esm o que isso signifique ab d icar de refor­ çadores positivos. Não sofreríam os m enos se, em vez de esperar receber um choque p ara então fugir, pudéssem os im pedir o recebi­ mento do choque? Não faríam os m elhor esquivando-nos de cho­ ques? C rianças u su alm en te não esperam pelo ta p a ou pela b ro n ca dos pais, esperando p a ra fugir depois que a punição te n h a com eça­ do. Em vez disso, elas se escondem , correm , dão d escu lp as ou im ­ ploram por perdão. Poucos m otoristas esperam que seu s carros m orram no meio d a e strad a an tes de encher o ta n q u e de gasolina. Dámos poder à s agências governam entais p ara co n stru ir b arrag en s para o controle de en ch en tes e p a ra estocar grãos em antecipacão à

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fome. Perm itir que choques ocorram an tes de fazer algo a seu resp ei­ to significa desconforto, dor ou d esastre. Muito de nosso com porta­ m ento negativam ente reforçado, p o rtanto, parece su sten ta d o pela prevenção em vez da cessação dos choques d a vida. E sta é a b ase p a ra a d istin ção en tre fuga e esquiva. Algo ruim tem que acon tecer realm ente an tes que p o ssam o s fugir; ao fugir, colocam os u m fim a u m a situ ação ruim . E squiva im pede que um evento indesejado aconteça, em prim eiro lugar. E squiva bem sucedida m antêm afastados os choques, to rn an d o a fuga desn eces­ sária. Esquiva, então, é u m a o u tra form a de reforçam ento negativo. A coerção n ão som ente gerará e s u s te n ta rá diferentes tipos de fuga, m as tam bém fará com que nos esquivem os. Nós n ecessariam en te não esperam os receber um choque an tes de agir; algum as vezes agimos an tes do tempo. No en tanto, a despeito de s u a ap aren te orientação p a ra o futuro, a esquiva realm ente acab a sendo com por­ tam ento de fuga. E stu d o s de laboratório têm m ostrado que a esquiva bem -sucedida de choques fu tu ro s é u m a conseqüência secu n d ária da fuga de choques que já foram experienciados.

As causas da esquiva
O laboratório expõe u m conjunto de características d a e sq u i­ va que seriam difíceis ou im possíveis de observar de q u alq u er o utro modo. Ele aju d a a esclarecer algum as interações en tre esquiva, fuga e punição que são críticas p a ra a com preensão d a coerção. Em um tipo de experim ento u m a luz fraca ocasionalm ente ilum ina a caixa de u m rato de laboratório. O anim al receberia um choque breve se deixasse a luz ficar acesa por cinco segundos, m as ao p ressio n ar u m a b a rra ele pode desligar a luz e cancelar o choque. A luz é um sinal de aviso útil. Pressionando a b a rra em tem po, o anim al pode evitar o choque e por um fim ao sinal. Se o anim al não p ressio n a a b a rra dentro de cinco segundos, ele recebe um breve choque assim que o sinal de aviso term ina. Algum tem po depois, a luz reaparece e, novam ente, ou o sujeito receberá u m choque depois de cinco segundos ou p ressio n ará a b a rra e m a n terá o choque longe. O ciclo repete-se de novo e de novo: prim eiro, u m período de escuro, u m tem po seguro e, então, u m a luz fraca, um sinal de aviso. O aniiriàl pode p ressio n ar a b a rra dentro de cinco segundos, term i­ n a r o sinal, im pedir o choque e e n tra r em u m período seguro, com e­ çando u m novo ciclo. Se o anim al não p ressio n a a b a rra dentro de cinco segundos após o início d a luz, ele recebe u m breve choque, o

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sinal term ina e, entao, um período seguro de escuro inicia o novo ciclo. A prender a m an ter afastados choques breves u su alm en te de­ mora m ais do que ap ren d er a desligar choques, m as depois de sufi­ cientes exposições ao ciclo, m esm o o organism o inferior, que é o rato de laboratório, p ressio n ará s u a b a rra quan d o quer que a luz de aviso se acenda. Um sujeito experiente resp o n d erá ao sin al quase todas as vezes, conseguindo im pedir q u ase todos os choques am ea­ çados. Não in esp erad am en te, as p esso as fazem a m esm a coisa. Como a fuga, a esquiva é b a s ta n te generalizada en tre a s espécies. Nosso am biente freqüentem ente sinaliza a im inência de punição; por que esp erar por ela? E n tretan to , ad ap tativ a como é a esquiva, ela tam bém tem seu o utro lado. Recebem os choques de o u tra s pessoas e a m aioria de n ó s tam bém d istrib u i choques a outros. Aceitamos punições e am eaças de pu n ição como ocorrências n o r­ mais do dia-a-dia: “faça o que eu digo... ou então... zap!” J á vimos que qualquer um que u se punição to rn ar-se-á u m p u n id o r condicio­ nado. Agora podem os ver que q u alq u er u m que p u n e tam bém h á de se tornar um sinal de aviso condicionado. Ao prim eiro sinal de su a aproximação, as pesso as que eles geralm ente p unem afastar-se-ão. Uma vez que te n h am se to m ad o sin ais de aviso, a s pessoas vão se esquivar deles. Esquiva é geralm ente u m aju stam en to m ais adaptativo ã p u ­ nição do que é a fuga. Faz m ais sentido im pedir um choque do que escapar depois que ele te n h a começado. Portanto, esquiva parece antecipatória por n atu reza, ap aren tem en te controlada pelo nãoacontecimento de algo no futuro. Q uando p erguntados por que p re s­ sionamos n o ssa s várias b a rra s de esquiva, é possível que resp o n d a­ mos: “P ara m a n ter os choques afastad o s.” Choque futu ro ? Se o fu tu ro p u d esse co n tro lar o p resen te , a ciência seria im possível. Um n ú m ero infinito de eventos a in d a não aconteceu; m u ito s tipos de ch o q u es m a n têm -se n ão ocorrendo. Traçar relações c a u s a is en tre co n d u ta p re se n te e u m n ú m e ro infi­ nito de n ão -o co rrên cias fu tu ra s seria im possível. Q u ais d estes diferentes tipos de choques que não recebem os e s tá reg u lan d o nossas ações p re se n te s? A vida seria u m caos; q u an d o u m sin al de aviso aparece, q u ais daq u eles m il e u m ch o q u es fu tu ro s deve­ mos im pedir? Devemos c o n tin u am e n te p e rco rrer todo n o sso re p e r­ tório de esquiva?

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A síntese de laboratório do com portam ento de esquiva m os­ tra que su a s cau sas verdadeiras não estão no futuro. Não a p ren d e­ m os a p ressio n ar b a rra s de esquiva an tes de experienciar choques.* A prim eira c a u sa d a esquiva e s tá em nosso p assad o , n o s choques que j á tom am os. E stes nos levaram a fugir ou esquivar; se tiverm os sorte suficiente p ara en co n trar u m a b a rra de esquiva, nós a pressio ­ narem os. P ressionar a b a rra reduz o núm ero de choques que to m a­ mos. Portanto, a seg u n d a cau sa d a esquiva está no p resen te, n a freqüência reduzida atu al de choques. P ressionam os a b a rra não porque choques não virão no futuro, m as porque já experienciam os choques no p assad o e porque p ressio n ar a b a rra provoca u m m enor núm ero de choques agora. Ficar sem alim ento estabelece o alim ento como u m reforçador, fortalecendo q u aisq u er ações que n o s ajudem a obtê-lo. Receber choques estabelece a redução de choques como u m reforçador, for­ talecendo q u aisq u er ações que nos ajudem a to m ar m enos choques. As c a u sa s de qualq u er coisa que façam os devem ser b u sc a d a s em am bos, no que nos aconteceu e no que e stá nos acontecendo agora — reforçam ento positivo e negativo p assad o e presente. O laborató­ rio to rn a os dois co n ju n to s de fatores cau sais visíveis. Vemos esq u i­ va sendo gerada não p o r choques que não ocorrerão no futuro, m as por um decréscim o no núm ero de choques que o sujeito experiência agora. Fazer choques virem m enos freqüentem ente é realm ente u m a form a de fuga, de m ais punição p a ra m enos punição. Im pedim os o acontecim ento de choques, m as a ap aren te antecipação não será suficiente p a ra explicar n o ssa s ações. Podemos dizer que estam os p ressionando a b a rra p a ra im pedir choques fu tu ro s, m as o fazemos porque é assim que som os bem -sucedidos em fazer com que os choques venham m enos freqüentem ente agora. N ossa experiência estabeleceu relações entre co n d u ta e conseqüência que carregam os p ara o presente. Em bora o que façam os agora realm ente te n h a con­

* Nós podem os, com certeza, ap ren d er por meio de regras, em vez de e sp e rar p o r conseqüências. Uma criança não tem de se r atro p elad a por u m carro p a ra ap ren d er que não deve correr n a rua: u m aviso será suficiente p a ra m antê-la n a calçada. Esquiva governada por regras, com um ente observada fora do laboratório, não req u er que realm ente experienciem os os choques, m as o seguir as regras precisa, em princípio, ser estabelecido por contato com contingências. Análise de laboratório revela as contingências b ásicas das quais nós derivam os as regras.

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seqüências fu tu ras, n o ssa experiência de choque no fu tu ro explica nossos atos de esquiva atu ais. A esquiva é ap e n a s um produto secundário da fuga. E squiva é um produto inevitável da coerção, m as facilm ente podemos não reconhecê-la pelo que ela ê, porque o que ela faz é raram ente visível. U sualm ente ficamos intrigados to d a vez que u m a pessoa se m an tém fazendo algo que não tem u m a van tag em óbvia. Isso sem pre nos deveria fazer su sp e ita r de esquiva. Se u m a crian ça resiste a ir p ara a escola to d as as m an h ãs e talvez n ão ap are ça n a escola depois de ter sido levada a sair de casa, ela pode m uito bem estar se esquivando d a dor e hum ilhação diárias que o fanfarrão da escola inflige a ela. O p roduto presen te d e sta esquiva — o contato reduzido da crian ça com seu ato rm en tad o r — é invisível p a ra nós porque ele requer com paração com eventos p assad o s, assim , a con­ duta da criança pode p arecer m isteriosa. Sem pre que tiverm os que fazer algum a coisa sobre a no ssa esquiva induzida pela coerção, ou a de q u alq u er o u tra pessoa — começar terapia, defender-nos ou ap ren d er a nos ad a p ta r — n ad a conseguirem os fazer a m enos que dois p asso s p reparatórios sejam dados: prim eiro, reconhecer o com portam ento-problem a como esqui­ va: segundo, a n alisar am bas, a s contingências p assad as e atu ais que podem e sta r m antendo o com portam ento. As dificuldades fre­ qüentem ente en co n trad as n a identificação d essas contingências, com binadas com a ap aren te orientação p ara o fu tu ro d a esquiva, nos levaram a incorporar em n o ssa linguagem alg u n s m itos podero­ sos sobre a s c a u sa s d a esquiva. Mito #2: “ex p ectatiu as” como causas. Q uando defrontados com a im possibilidade lógica de controle pelo futuro, freqüentem ente usam os um conceito como “expectativa” p a ra trazer o ap aren te con­ trole futuro de volta ao presente. ‘T u d o bem , eu concordo que a ausência fu tu ra de choque não pode controlar o que esto u fazendo agora, m as a experiência realm ente me diz agora p a ra esp erar um choque do futuro. Eu realm ente tenho esta insuportável expectativa e me livro dela pressionando a b a rra .” A tribuím os no sso p ressio n ar a barra, não à s u a prevenção de choques futuros, m as à s u a re d u ­ ção de n o ssas expectativas presentes de choque. Em bora o efeito último seja esquiva do choque, su sten tam o s que o reforçador n eg ati­ vo presente é a fuga da expectativa de choque. B uscar as c a u sa s d a ação no p assad o e p resente, em vez de no futuro, é um avanço n a análise com portam ental. E ntretanto, postular expectativa como explicação é u m tru q u e verbal. N atural-

Mito #2: “m edo” e “a n sied a d e ” como caiisas. Em troca. N enhum a delas é casualm ente relacionada com a ou tra. E stes conceitos corriqueiros tam bém encontram seu cam inho nos vocabulários da psicologia e psiquiatria. m as as m esm as experiências cau sam n o ssas expectativas e nossos atos de esquiva. cada u m a é um produto independente dos choques — as interações d a criança com o fanfarrão. Seja como conceitos explanatórios. fugir de ou reduzir estad o s in ter­ nos a tu a is de medo e ansiedade. sim u ltan eam en te afetam os as expectativas e as ações que a s expectativas su p o stam en te c a u s a ­ ram . não chegarem os a lu g ar algum ten tan d o reduzir su a s expectativas sem prim eiro m u d ar su a experiência. seja como g u ias p ara ação efetiva. realm ente. Em vez de explicar. Fazê-lo obscurece as cau sas das expectativas e das ações. em vez de a choques e reduções de choques m ensuráveis. podem os afirm ar n o ssa s expectativas sobre o futuro e algu­ m as vezes agimos consistentem ente com estas afirm ações. Experienciando os estados internos como sentim entos e emoções. atribuím os sta tu s cau sal aos sentim entos. m uitos psicólo­ gos e p siq u iatras postulam fontes in tern as de controle. tendem os a negligenciar os choques externos que provocaram a p ertu rb ação in ­ terna. expectativas requerem explicação. Medimos expectativa de choque m edindo a probabilidade de choques e redução de expectativa pela redução de choques. Isso dim inuirá as expectativas da crian ça e s u a esq u i­ va. A ú n ica m aneira de dim inuir a expectativa de dor e desconforto de u m a criança no consultório do p ed iatra é fazer com que a crian ça realm ente experiencie u m a co n su lta sem estes acom panham entos. Se quiserm os reduzir as expectativas de perseguição pelo fan ­ farrão da escola de u m a criança. expectativas são excesso de bagagem. Por que e sta form ulação profissional parece tão consistente com o senso com um ? O que explica a aceitação q u ase universal de medo e an sied ad e como explicações p a ra a esquiva — co n d u ta go­ vernada por n o ssas interações com o m undo externo? U m a razão im portante é a im ediaticidade e in ten sid ad e d as reações in tern as que freqüentem ente acom panham n o ssas ações abertas. Em vez de ap o n tar p a ra n o ssa experiência com choques p ara explicar nossos atos de esquiva. . Eles s u s te n ­ tam que ações ap aren tem en te dirigidas p a ra a esquiva de eventos fu tu ro s perm item -nos. terem os que reduzir a própria perseguição. Apenas se quiserm os s u b stitu ir fato por teoria atribuirem os sta tu s c a u sa l a expectativas não passíveis de serem m edidas.140 M urray S id m a n m ente. Ao fazer algo a respeito de experiências relevantes.

tam bém produzirão m u d an ças in tern as. tendem os ain d a m ais a atrib u ir a s ca u sa s de n o ssa s ações a nossos sentim entos. em bora b astan te reais. Os m esm os choques que e sta ­ belecem o potencial p ara esquiva tam bém geram medo e ansiedade. dam os aos sentim entos prioridade sobre as contingências externas que eles acom panham . não explicam como coerção por punição e reforça­ m ento negativo dão origem à esquiva. frio glacial ou a cessa­ ção sú b ita de qualquer u m deles alterará nossos b atim en to s cardía­ cos. Ao b u sc a r explicações de n o ssa própria conduta. O coração p alp itan ­ te ou o súbito su o r frio podem ser m uito m ais salientes do que o m ostrador do relógio ou o passo silencioso que produziram o com ­ portam ento aberto. em vez de aos sinais que cau sam as ações e os sentim entos que as acom panham . secreção g lan d u lar e outros sistem as corporais. Podemos agir apropriadam ente. Sinais p a ra reforçadores fortes. reduzim os medo e ansiedade fazendo os choques surgirem m enos freqüentem ente. como a luz que prom ete alim ento ou am eaça choque a no sso sujeito de laboratório. sentim os im ­ paciência. E stes sentim entos. pressão sangüínea. quan d o sin ais exter­ nos vagos indicam u m a catástrofe im inente m as não-identificada. a boca cheia de saliva quan d o vemos ou sentim os o cheiro de u m a refeição apetitosa. as lágrim as incontroláveis quando som os inform ados da m orte im inente de u m a pessoa querida? Ao enfren tar presságios claros de um d esastre conhecido. Sinais de aviso — am eaça — derivam s u a habilida- . o com ichão n a pele quan d o e n tra ­ mos em u m a situação sin istra e imprevisível. dor. Como expectativas. sexo. ap esar disso nos sentim os ansiosos. quando tudo é indicativo de reforçam ento positivo prom issor. E assim interpretam os o sentim ento de medo — o estado interno que o sinal externo de choque produz — como a cau sa de n o ssa esquiva. A lgum as vezes não estam os conscientes dos sinais de aviso em nosso am biente. Q uem não se n ­ tiu a p an ca d a no coração que acom panha os sin ais do reto m o do am ado de u m a longa ausência. Q uando os avisos externos não cham am n o ssa atenção. esquivando de choques im inentes sem ser­ mos capazes de dizer o que causou a ansiedade. m otilidade in testin al. o su o r frio bro tan d o antes de u m a punição im inente. Alimento. provavelm ente reconhecem os um sentim ento de ansiedade. estados de medo e ansiedade. são tão íntim os que tendem os a considerá-los precu rso res de nosso com portam ento aberto. calor intenso.Coerção e s u a s im plicações 141 Reforçadores positivos ou negativos fortes ativam processos internos. pessoais e privados. descrevem os nossos sentim entos como medo.

Primeiro. prescrevendo drogas adicionais n a esp eran ça de elim inar efeitos in ­ desejáveis e m esm o perigosos dos agentes ansiolíticos. Ao esquivar de contato com q u alq u er parte de nosso am biente. falando raram ente. T entar lidar com os sentim entos sem alterar as contingências será infrutífero. Alguns psiq u iatras to m aram -se pouco m ais que p assad o res de pílulas. S entim entos e emoções. por exemplo. palpitações no coração. ficamos apreensivos ou paralisad o s com terror. A quelas relações entre sinais. Por cau sa de nosso intenso sofrim ento interno. tran sp iran d o mesm o quando frio e chorando sem causa. então. sofremos de d u a s m aneiras. o remédio . fazemos m uito pouco. conseguim os um tipo im portante de su c e s­ so: m antem os todos os choques longe. Sofrem os cólicas in testinais. C om pletam ente an g ustiados. talvez sen tad o s em casa. a terapia p ara n o ssa depressão provavelm ente deve se co n cen trar em te n ta r a te n u a r nossos sentim entos. m as o remédio não necessariam ente re s ta u ra atividade construtiva. nosso curso m ais efetivo será identificar as contingências controla­ doras. em bora deixando o paciente com portam entalm ente de­ primido. perm anecem os em um contínuo estado de a n sied a­ de. atribuím os n o ssa an g ú stia a nossos sentim entos. tem erosos de todo contato pessoal. Drogas que agem som ente p a ra reduzir estad o s fisiológicos de ansiedade podem fazer os severam ente deprim idos relatarem que eles se sentem m elhor. exceto p ara lam entar-se. ou m antem os higiene pessoal. e s u a redução. não podem expli­ car a esquiva porque eles próprios são cau sad o s pelos m esm os cho­ ques e a redução do choque é que produz esquiva. Segundo. Se estam os severam ente deprim idos. A lterar as contingências m u d a rá o ato de esquiva e seu s acom pa­ nh am en to s em ocionais. de cad a d em an d a am biental. com portam ento e choques ge­ ra ra m as ações e o medo ou ansiedade e agora m antêm am bos. Uma droga que acalm a o sistem a nervoso autônom o. calafrios e dores de cabeça. Mesmo sem motivo óbvio. não nos e n ­ volvendo em n en h u m a d as relações fam iliares n a s quais o u tro ra ocupam os p arte im portante. Se quiserm os fazer algo sobre o com portam ento de esquiva.142 M urray S id m a n de de in stig ar ação de s u a relação atu al e p a ssa d a com reforçadores negativos. prescrevendo drogas p a ra aju d a r a a te n u a r sentim entos de ansiedade que acom panham a depressão e. C om panhias farm acêuticas destinam im ensos orçam entos p ara o desenvolvim ento e teste clínico de d ro ­ gas antidepressivas. pode produzir u m com entário como: “Oh sim. N ossa co n d u ta pode e s ta r tão severa­ m ente em pobrecida que não nos alim entam os ou nos vestim os.

A prendem os m uitos tipos de esquiva útil. provavelm ente não devem produzir crian ­ ças an sio sas ou m edrosas. algum a coisa poderia ter sido feita p ara colocá-la de pé e m ovendo-se novam ente. p a tin a r no gelo fino ou ir embora com estran h o s. m uitos dos efeitos colaterais da coerção. tais punições. C rianças não devem tocar no fogão quente. Ao considerar se a punição fu n ­ ciona. irrealistas ou não-adaptativos. não por meio da experiência real com os cho­ ques que evitamos. E ntretanto. pode tê-la convencido de que o m u n d o externo é m uito perigoso p a ra se av en tu rar nele. A pessoa que padece de ansiedade é talvez u m a esposa es­ pancada. conceituados por psicólogos clínicos e p siq u iatras como formas de ansiedade. p asso u por hum ilhações pessoais e doenças físicas? Q ualquer um de u m a série de eventos.Coerção e s u a s im plicações 143 ajuda. recu ­ sando-se a servir de in stru m en to p ara a enferm idade? Se. seu te ra p e u ta se co n cen tras­ se em te n ta r identificar os choques e os reforçadores que estavam m antendo su a au sên cia de com portam entos. em bora exasperada e m agoada com s u a indiferença. N aturalm ente. m as agora não me incom oda. Todos devem ap ren d er quan d o falar e q u a n ­ do perm anecer em silêncio. ela descobre que sua família. Portanto. pode ainda p a s s a r todo o dia n a cadeira de balanço. n a verd a­ de não é atropelada por carros. esquiva tem sido um tópico de grande in teresse p ara aqueles que lidam profissionalm ente com patologia com portam ental. o paciente. Esquiva útil conduziu à noção de ansiedade útil e ã concepção de que a ansiedade não deve sem pre ser elim inada. fracassou n o s negócios. E ntretanto. Se devemos sobreviver. envolvem atos de esquiva que são d esn ecessá­ rios. quando av an çar e qu an d o retroceder. ou um m em bro do grupo cad a vez m ais reconhecido de idosos m altratad o s? Ou ela experienciou recentem ente u m a série de mortes n a família.” Não mais trêm ulo. E. ainda h á de su p o rtá-la e cu id ará dela. fazendo-a sa ir d aq u ela cadeira. chorando. sentindo dor. evitando com suces so choques reais ou im aginários. em vez de tentar a b ra n d a r s u a an g ú stia interna. Dado um am biente fam iliar onde predom ina reforçam ento positivo. reais ou im aginários. profes­ sores e parceiros. m as e stá realm ente esquivando de repreensões e o u tra s indicações de desaprovação de seu s pais. tem os que ap ren d er a nos esquivar de situações potencialm ente perigosas. como veremos. E u ainda estou deprim ido. m as por meio do controle verbal de pais. fracas ou fortes. freqüentem ente ela é útil. en tretan to . . A família poderia ter feito mais por ela sendo insensível. esquiva não é sem pre ruim . Uma criança que perm anece n a calçada. então. sa ir da calçada p ara a ru a. tem os de levar em conta esses efeitos colaterais.

pressionando logo após cada choque ele pode dim inuir os choques p a ra um a cada 30 segundos. o anim al pode u s a r s u a b a rra p a ra afastar choques. m as n en h u m sinal diz ao sujeito quan d o o choque virá. a cada vez pospondo o próximo choque por 30 segundos. P ressionar a b a rra perm ite ao sujeito ad ap tar-se com êxito. Um segundo tipo de procedi­ m ento de laboratório clareia algum as d as cau sas m ais su tis d a es­ quiva e fornece um fundam ento p ara en ten d er a análise da coerção e seu s efeitos colaterais a u m contexto m ais amplo. têm aprendido a com portar-se adaptativam ente nesse tipo de s itu a ­ ção. M acacos ficarão dias sem u m choque. n en h u m choque p o ssa vir dentro dos seguintes 30 segundos. Se o sujeito fizer qualq u er o u tra coisa que não p ressio n ar a barra. Com este arranjo. Nem sem pre somos avisados quando estam os p a ra ser punidos. eles pressionam a b a rra com freqüência suficiente p ara receber choques ap en as ocasional­ mente. o anim al poderia receber choques a cad a 20 segundos se n u n c a p ressio n asse a b arra. quanto ao resto. pressionando m ais freqüentem ente. ain d a assim . desde ratos de laboratório até seres h u m an o s. pode-se observá-lo pressionando a b a rra ho ra . Nosso rato de laboratório com eça recebendo u m choque b re ­ ve a cada 20 segundos. Este tipo de desvio tem retardado m uito o entendim ento prático e o tratam en to efetivo de desordens com portam entais. Se não se conhecer a história do sujeito. são norm ais. Esquiva sem sinais d e aviso. em bora saibam os que estam os em perigo. Eles com portam -se com u m a p ersistên cia e u m a com pulsividade qüe se assem elha ao com portam ento patologicam ente rígido e infle­ xível que freqüentem ente vemos ao nosso redor — algum as vezes em pessoas que. choques virão m ais freqüen­ tem ente. Sujeitos. Felizmente. ele pospõe choques e reduz s u a freqüência total. S u p o n h a que u m a vez que o sujeito te n h a pressionado a barra. n en h u m sinal específico nos diz de onde e quando o choque virá. A lgum as vezes. Toda vez que ele p ression a a b arra. Como de costum e.144 M urray S id m a n hipotetizar medo e ansiedade como cau sas da esquiva desvia a a te n ­ ção do terap eu ta dos observáveis que cau sam os estad o s in tern o s e a conduta. o anim al pode evitar receber qualquer choque. U m a vez que ten h am aprendido. ele pospõe o próximo choque que deveria tom ar. som os capazes de lidar com choques não-sinalizados. Agindo de acordo com as d em andas de seu am biente. raram en te dim inuindo o suficiente a velocidade p ara receber u m lem brete da contingência.

im agine como tipos sem elh an tes de coerção podem co n tin u ar não-reconhecidos no m undo exterior. Mas. p ressio n ar a b a rra real­ mente evita o choque. Q uando choques são sinalizados. R aram ente se pode ver q u a is­ quer resultados im ediatos do com portam ento de esquiva de alguém mais. criando a ilusão de que a esquiva difere em princípio da co n d u ta que é consistentem ente reforçada por fuga ou por conseqüências positivas. Se a coerção não é im ediatam ente evidente m esm o em condi­ ções controladas de laboratório. Pode-se som ente con jectu rar sobre por que o sujeito p ressio n a a b arra todas as vezes que o sinal surge. Ob­ servar um sujeito que está se esquivando de choques não-sinalizados to m a claro por que o com portam ento de esquiva freqüentem ente parece m isterioso e por que mesm o profissionais clínicos freqüente­ mente deixam de avaliar como o controle coercitivo pode g erar con­ duta aparentem ente patológica. assim o próprio sucesso do ato m an tém su a verdadeira cau sa escondida. Com esquiva não-sinalizada.Coerção e s u a s im plicações 145 após h ora sem razáo ap aren te e p erg u n tar-se sobre as fontes de su a estranha preocupação. . E sta ap aren te falta de contato cora a realidade é u m a c a ra c ­ terística inevitável da esquiva. pode-se ver que os sinais são ocasiões p ara p ressio n ar a b arra. o que o sujeito faz parece com pleta­ mente não-relacionado a qualquer coisa mais.

Portanto. P ressionar a b a rra é o único ato q ue o choque jam ais segue. Se acontece de ele p ressio n ar exatam ente quando o choque e stá p ara vir.Aprendendo por meio da esquiva A prendendo como se esquivar de choques. finalm ente to rn ar-se-ia perigoso. sujeitos aprendem que não ap e n a s p ressio n ar a b a rra . Até que o sujeito a p ren d a a p ressio n ar s u a b a rra de esquiva. U sando a vantagem dos sinais de aviso. fazendo a ú n ica coisa que n u n c a será punida. o anim al desliga o próximo choque. Todo choque. aquele choque será cancelado. sujeitos de lab o ­ ratório estão tam bém ap rendendo m uito m ais. m as qualq u er ato que realizam tem algo a ver com o choque. Portanto. pega o rato fazendo algo m ais. ele pressio- . Porque é m enos provável que ele repita aquele ato. Pressionar a b a rra é seguro. por exemplo. Mesmo o rato de laboratório ap rend erá a m an ter-se sem re ­ ceber choques. choques su b se q ü en tes hão de encontrá-lo fazendo algum a o u tra coisa. m esm o sem sinais de aviso. fazer q u alq u er coisa. até m esm o sen tar-se quieto. Pressionando a b arra. o sujeito aprende a tom ar o cam inho reto e seguro. Se o anim al fracassasse em descobrir s u a b a rra de esquiva. Tudo que eles fazem é relacionado com o que acontece com eles. a punição segue m ais e m ais de s u a s ações.

A com petência de um trab a lh ad o r ra ra ­ m ente produz um prêmio ou u m a promoção: o retorno m ais com um para um trab alh o bem-feito é sim plesm ente u m risco dim inuído de ser despedido. as m u itas form as de esquiva. to rtu ra r e ap risio n ar pessoas suficientes p ara d ar choques em todas as ações da existência. ou en tão . dentro e fora do laboratório. Se não lhe dam os q ualq u er sinal de aviso. m as a contingência p assa adiante a m ensagem efetivamente: “pressione a b a rra. O anim al não entende linguagem . podem fazer o mesm o. se tiverm os sorte. o núm ero de pessoas envolvidas e o período de tem po d u ra n te o qual e sta s e o u tras práticas coercitivas cotidianas evoluem as to rn am difíceis de an ali­ sar. Fora do laboratório. exceto obediência não-questionadora. M uitos passam pela escola tão silenciosam ente q u an to possível. M uitas crianças “com portam -se” em casa porque ê o modo de prevenir abuso verbal e físico. ações que diferem de e. Pou­ cos alu n o s estu d am por As. então. m as sim plesm ente o punim os por tudo. não dom ina toda n o ssa existência. À m edida que experienciamos diferentes sinais de aviso.. a m aioria se esquiva de Fs. descobrir que a s pessoas. F re­ qüentem ente ouvimos descrições de interação sexual em term os de dom inação e subm issão. abstendose de situações de sala de au la potencialm ente h u m ilh an tes — ou antevendo condenação dos colegas por desem penho superior. ele seguirá este cam inho segu ro. Em itim os u m a q u an tid ad e im pressionante de esquiva. C ondensar todo este processo coercitivo em ap en as algum as horas de laboratório nos perm ite ver d iretam ente o que de outro modo é difícil de reconhecer. isso acontece co nosco por períodos de tem po m ais longos e. . conflitam com padrões estabelecidos em casa im pedirão a perd a de sta tu s no grupo de amigos. exceto p ressio n ar a barra..” Não será u m a su rp resa. a enorm e m a ssa de com portam ento sendo esm agado. ou à m edida que punições vêm sem aviso. Pais que consideram a punição como o único cam inho podem g a sta r m uitos an o s p a ra d a r choques em todas as ações indesejáveis de seu s filhos. u m a esposa esp an cad a pode tom ar m uitos choques an tes de descobrir que ir em bora ê s u a ú n ic a b a rra segura. todos descobrim os quais de n o ssas várias b a rra s trazem segurança. mesmo.. Fora de casa.. A variedade de choques. O laboratório m o stra as características críticas com im pressio­ n a n te clareza. m antendo-os “com portan­ do-se” em casa sim plesm ente porque n a d a m ais é seguro: pode levar um a geração p ara um tirano m atar.Coerção e s u a s im plicações 147 n ará s u a b a rra de esquiva exatam ente nos m om entos certos.

filhos am eaçam fugir de casa. trab alh ad o res am eaçam fazer greve. interações fam iliares. e os outros o fazem conos­ co. ou então . m ostram seu s cadernos de m ultas. A m aioria d as p esso as no m undo trab a lh am não p ara prover a si m esm as com educação. aparelhos de televisão.148 M urray S id m a n Igrejas nos am eaçam com o fogo do inferno. iates e sta tu s social.”. Usam os extensivam ente contingências de esquiva p a ra e s ta ­ belecer e m an ter habilidades acadêm icas.. Líderes governam en­ tais respondem à coerção internacional.”... P atrões am ea­ çam com desem prego seu s trab alh ad o res. Praticam os m uito o am eaçar. Pais am eaçam seu s filhos com a privação de seu s reforçadores.”. julgam ento e encarceram ento.".. costum es grupais. a fuga é a regra. G rupos sociais am eaçam os não-conform es de expulsão. congelam ento e sede. associações de negócios e alia n ­ ças internacionais... Policiais soam su as sirenes. m as en tre as duas.”. m u ltas. am eaçando com retaliação. A m aior p arte do m undo oferece p oucas alternativas. A polícia am eaça com prisão. Se a esquiva não for possível. com putadores pessoais.” E sta é a m an eira como m ais com um ente ensinam os os ou tro s o que consideram os ser certo. não deveria c a u sa r su rp resa descobrir que fazemos o m esm o com os outros. m as p a ra prevenir fome extrem a. se não acreditarm os em su as verdades. obediência à s leis. Aqueles p ara quem sexo significa dom i­ nação m antêm relações sexuais pela am eaça de violência... p rá ­ ticas sexuais.. Professores am eaçam alu n o s com Fs. valores m orais. Contingências de esquiva “funcionam ”. “Não perg u n te porque.. elas realm ente en- . Fazemos tudo isso e m ais com os outros.. “F aça do m eu m odo. prevenindo a perd a de território ou prestígio e evitando a guerra.. adequado e bom. Tal coerção é o modo m ais efetivo de en sin ar co n d u ta apropriada? E as contingências de esquiva s u ste n ta m m ais efetivam ente aquilo que foi aprendido? Como em relação à s co n tin ­ gências de punição e fuga. autom óveis. relações sociais. “Fique n a linha. Uma vez que percebam os o q uanto de esquiva nos é im posto. ou seu equiva­ lente. ". Coerção por meio de esquiva é nosso modo m ais com um de fazer com que a s pessoas façam o que querem os. Agências governam entais se devotam a evitar sanções econô­ m icas ou m orais internacionais. afiliações políticas. Padres lem bram seu s reb an h o s d as conseqüências do pecado. a resp o sta toca em n o ssa definição de “efetivo”. “F aça o que eu digo.. ap en as faça.. levantam seu s cassetetes e em p u n h am seu s revólveres. trab alh o ex tra ou ex­ pulsão. “Faça como eu d isse. con­ certos. livros. se não obedecerm os as leis. a esquiva predom ina. alunos am eaçam com disrupção ou violência.

um com cad a mão. No entanto. Ele n ad a faz que o afaste da seg u ran ça de su a b arra. aridez. Um m acaco n e sta situ ação não mais explora. um p roduto de punição freqüente e intensa. m agros rebanhos e colheitas esparsas. “a u tis ta ”. Populações in teiras não conhecem o u tra existência. A contingência cria u m d esistente real. C onsiderando tu d o o m ais perigoso. quando olham os m ais de perto p a ra o que é aprendido. Tudo o m ais é punido. Se su a aprendizagem se deu principalm ente por esquiva. No laboratório. . Toda ação p a ssa a ser dom inada pela sem pre presen te am eaça de calor ou frio excessivos. particularm ente. a vida se to rn a estreitam en te restringida. u m caso extremo. a com unidade se devota ao básico da sobrevivência. no entanto. Se não estivéssem os cientes d a história do anim al. e raram en te come ou bebe. o sin al interrom pe tudo o m ais. O que mais vem com a esquiva? M antenha se u nariz longe de problem as. m as incapazes de experim entar e de tira r vantagem de oportunidades de livrar-se do estabelecido. puxando o anim al de volta p a ra a b a rra como por u m elástico. haveríam os de nos d efro n tar com a dificuldade de explicar su a e s tra n h a d upla preocupação — pressão à b arra. Existência sob a am eaça de punição freqüente e in te n sa não é incom um . é a se esquivar e pouco m ais. C ontingências de esquiva podem afinar as pessoas tão bem que elas se to rn am autôm atos. fazemos isso u n s aos outros. As pessoas podem ap ren d er por meio de contingências de esquiva. dois atos que pode desem pe­ n h a r sim ultaneam ente.Coerção e s u a s im plicações 149 sinam . Q uando o am biente n a tu ra l provê ap en as recu rso s lim itados. Ver isso acontecer no laboratório faz com que nos apercebam os de que am eaças co n s­ ta n tes podem d estru ir o potencial p ara ap ren d er de u m ser vivo. '‘ritu alística”. Ele g a sta seu tempo pressionando a b a rra e lim pando-se. desde que ele não se afaste p ara m uito longe. en tre sin ais ele pode deixar a b a rra e fazer o u tra s coisas em segurança. co n tin u am en te am eaçando de retirad a ou dim inuição severa d esses recursos. provavelm ente fazendo seu trab alh o efi­ cientem ente. e lim par-se. E ntretanto . m as que tam bém p assa a finalm ente fazer pouco m ais que isso. E ntretanto. Um sujeito neste estado é. elas vão se confi­ n a r ao seguro e previsível. podem os a c h a r o que descobrim os p ertu rb ad o r. não vemos ap en as que o sujeito im pede os choques pressionando su a barra. Avisos explícitos dão ao sujeito m ais liberdade. brinca ou se exercita. n atu ralm en te. quando não h á sinais de aviso de choque im inente. o que elas aprendem .

” Nós todos certam ente nos lem bram os de professores que insistiam que cada problem a que nos davam tin h a apenas um m étodo de solução. prom oven­ do u m a gloriosa vida após a morte. m anten d o -se próxim a de s u a s b a rra s de esquiva. a vida nôm ade dos caçadores n a calota polar do Norte ou no deserto. Eles atacam e stu d a n te s e professores violentam ente p o r­ que universidades são lu gares onde o p en sar ocorre. Pessoas envolvidas nesse tipo de coerção aprendem ap en as a sobreviver. a ú ltim a coisa que u m a d ita d u ra civil ou m ilitar q u er é u m cidadão p en san te . E squivar-se de desconforto severo ou de d esastres n a ­ tu ra is — atos de D eus — to rn a-se a preocupação que tudo consom e das pessoas. co n d en a afastam entos d a co n d u ta tra d i­ cional como pecam inosos ou heréticos. ou en sin ar o u tro s como a tacar e resolver problem as. ou to rn ar possível p a ra outros funcionar efetivam ente.150 M urray S id m a n A daptações às várias am eaças da n atu re za incluem a quase sonolência das pessoas nos trópicos (provavelm ente tam bém u m a a d ap tação fisiológica). ou fornecer servi­ ços. te r opções os am edronta. O am biente físico pode su p o rta r pouco m ais. Nós todos j á tivemos con­ ta to com adm inistradores que postergam cada decisão interm inavel­ m ente e. ou reli­ giões. m as prim itiva. vendo a m aior p arte d as inovações p ro n tam en te p u ­ n idas pelo am biente hostil. d ecretando como ilegal q u alq u er com portam ento não-desejado ou n ã o -u su al e p u n in d o quan d o um cidadão sai fora da linha. Indivíduos que levam u m a vida de esquiva sé tornam negativos e inflexíveis. m uitos de nós têm d e s­ coberto que outros critérios realm ente determ inam n o ssa seg u ran ça . G overnos repressivos criam existências sim ilarm ente confi­ n a d a s e estreitas. A população. “Regras não foram feitas p a ra serem q u eb rad as”. m esm o que o regim e não te n h a p u n id o q u a lq u e r d e sta s te n ta tiv a s como n ão conform idade perigosa. Não balance a canoa. a sociedade agrícola m ais estável. Em bora nossos em pregadores nos digam que nosso trab alh o é en co n trar resp o stas. se finalm ente colocados n a parede. Produtividade to rn a-se secu n d ária em re la ­ ção à segurança. sem pre dizem: '‘Não. eles dizem. E squivadores raram en te fazem o inesperado. que freqüentem ente p roduz um único produto. isso não pode ser feito. tem pouco tem po ou en erg ia p a ra novas ap ren d izag en s. m isticism o ou m etafísica que perm eiam todos os aspectos da existência e ajudam a co n trab alan çar a m iséria presente. A com unidade. T entativas de ap ren d er q u alquer o u tra coisa desviam a atenção e recursos d as sem pre p resen tes contingências de esquiva. Eles exercem controle estabelecendo co n tin g ên ­ cias de esquiva.

“Não” é m ais seguro que “Sim ”. Finalm ente. Como bolhas subindo em um líquido — apenas aquelas que se esquivam de b a te r em o u tra s bolhas chegam ao topo — funcionários de instituições p úblicas e privadas que con­ seguem escapar de conflitos tam bém chegam ao topo. O sistem a é autoperpetuador. Era u m a burocracia. Qualquer aprendizagem que atrav essa o cam inho de esquiva bem sucedida é perigosa. Elas vêem te rra s onde a sim ples sobrevivência raram en te está em questão. decisões são perigosas. n a am eaça d a privação da propriedade. aq u e la j pessoas. Elas vêem cu ltu ras n as quais a coerção consiste. Hoje. ao aprenderm os novas m an eiras de a tin ­ gir nossos objetivos de trab alh o não serem os reconhecidos ou sere­ mos rotulados como cau sad o res de problem as. Pessoas extrem am ente pobres. políticas e religiosas rece­ bem im agens televisionadas de lazer. Elas têm forçado os privilegiados do m undo a p ressio n ar u m a b arra de esquiva não-fam iliar: “Dê-nos o que vocês têm ou destruirem os tudo que vocês valorizam . em to d as as p artes do m undo. vítimas das m ais severas coações sociais. sujeitas à co n tin u ad a repressão que am eaça a vida. segurança. Podemos criar novas m an eiras de esquivar da censura. trazendo exemplos vivos deste ilimitado luxo ao alcance d as m ãos.Coerção e s u a s im plicações 151 e promoção. a ráp id a difusão de inform ação perm ite a todos. não tomando qualquer decisão. Mate-os todos. C ontingências de esquiva criam especialistas em esquiva. A prendem os a trilh ar os caminhos certos. arquive o problem a ou passe-o adiante para o u tra pessoa. m ais cbm umente. Com as m aravilhas do tran sp o rte m oderno. não sim plesm ente pelo que contribui p a ra a sobrevivência física e econô­ mica do grupo. m ais p ro ­ váveis de trazer cen su ra do que elogio. É m uito m ais difícil p ara os outros ap o n tar u m dedo acu sad o r p a ra algo não-feito do que p a ra u m a ação identificável. conforto e riqueza inim aginados. em todo lugar. m as. Elas vêem a vida h u m a n a valorizada por si m esm a. têm descoberto e explorado u m a nova forma de coerção — o terrorism o. os esquivadores m ais bem -sucedi­ dos se to m am os chefes. Esquivam os de ser culpados por u m a decisão errada. eles não po­ dem nos cu lp ar por fazê-lo errado.” . e não de inovação ou produtivi­ dade. a inação dom ina a ação. Q uando u m a prom oção depende de esquiva bem -sucedida da culpa. Se n ad a fazemos. ver todas as variedades de existência h u m a ­ na. con­ veniência ou liberdade — qualidades da vida que elas ja m ais conhe­ ceram.

sala de aula. escola. então. ninguém ganha. con­ tram edidas tom arão deles essa opção. n ãc lhes restaria q u alquer esperança. em pobrecem os a nós mesm os. an u lan d o am eaças e restringindo-se a ações e em preendim entos que não entrem em com petição com a sem pre presente necessidade de esquivar-se. d isp en san d o um único choque coercitivo — m atan ça indiscrim inada. loja ou família. reagem d estru in d o indiscrim inadam ente o u ­ tros ap en as porque eles parecem te r tudo. Inevitavelm ente. A gu erra co n tra o terrorism o indiscutivelm ente será vencedora. Aprendizagem cessa. tal reforçam ento ap en as g aran tiria m ais atos de terrorism o. Aprendizagem lenta C ontingências de esquiva. Aí está porque é tão difícil lidar com terroristas. O rçam entos de defesa das nações ricas finalm ente u su rp am os próprios recu rso s que eles s u ­ postam ente defendem e to rn am im praticáveis as qualidades d a vida que su p o stam en te eles preservam . S u a s opções foram reduzidas à sim ples represália. n en h u m a m an eira de extorquir algum a p arte dos recursos do m undo p ara si m esm os. Dirigidos por pressões n a tu ra is e sociais in ten sas p ara p raticar esta form a extrem a de coerção social.152 M urray S id m a n Porque terro ristas têm pouco a perder e. eles estão p ro n ­ tos p a ra d e stru ir mesm o a si próprios no processo de executar su a s am eaças. então as opções dos privilegiados se to m am restritas tam bém . vivendo sob am eaça constante. Esqui- . freqüentem ente. m as deixar u m grande segm ento do m undo sem qualquer outro m étodo p a ra m elhorar s u a sorte não é hu m an o e não é u m a perspectiva confortadora. Q uando recorrem os à coerção social p a ra m a n ter na lin h a aqueles em pobrecidos pela coerção n atu ra l. Não podem os fazer com que abandonem e ssa opção cedendo às su a s dem andas. Todo m undo acaba perm anecendo perto do m aior núm ero possível de b a rra s de esquiva. ci­ dade. hospital. Eles. eles possuem o m ais estreitam ente restringido de todos os repertórios com portam entais. estab ele­ cem o rígido controle que caracteriza a tirania. fábrica. a quem faltam até m esm o as necessidades básicas. C riatividade e produtividade to m am -se coisas do passado. raram en te cau sam su rp resas. Não podem os fazê-los ab an d o n a r s u a ú n ica opção. im postas a u m a nação. Q uando os que n a d a tém . então. acreditam que têm m uito a g an h ar depois da morte. E xistências em pobrecidas são a carga de q u aisq u er cidadãos que têm que g astar seu tem po pressio­ nando b a rra s de esquiva. sem ela. Vítimas da tirania. n a d a terão em que se apoiar a não ser desespero.

mais rapidam en te aprenderem os e m ais p ersisten tem en te c o n tin u a­ remos a p ressio n ar n o ssa barra. m esm o p a ra um tira ­ no. pode ser b a s ta n te frágil enquanto estam os no processo de aprendê-la. logo de início. O sistem a educacional responde de novo e de novo à falta de engenheiros. em vez de im pedir. E ntretan to . pode p a s s a r u m longo perío do an te s que possam os sab er se ou não estam os sendo bem -su ced i­ dos em dim inuir a q u an tid ad e de punição que obtem os. é possível ap ren d er esquivas seguido regras. até mesm o p a ra o seu vencedor. Q uando o pico de um crescim ento populacional p assa. estabelecem os tu rn o s extras e com eçam os a co n stru ir novos edifícios escolares. Esquiva. não é sem pre fácil de en sin ar. estarão pro n to s exa­ tam ente quando a população escolar m ais u m a vez declinar. A m enos que experienciem os u m a ataq u e cardíaco. estes. transform am os edifícios escolares em shopping centers e quando o próximo pico de crian ças em idade escolar chega. Todo m undo “conhece” essas contingências. Os exemplos são m uitos. em bora extrem am en­ te forte u m a vez que a ten h am o s aprendido. Com choques infreqüentes. Uma . Ai está por que fre­ qüentem ente acabam os esperando pelos choques e então desliga­ mos. Q uanto m ais forte e m ais freqüente os choques que tom am os. N aturalm ente. ain d a assim não tom am os contram edidas efetivas. ain d a não aprendem os a evitar os ciclos de escassez e excedentes do m ercado de trabalho. portanto. algum as vezes. a acelerada dim inuição de reservas de en er­ gia está inexoravelm ente levando à g u erra as principais potências m undiais. E nq u an to isto. A d es­ peito de periódicas faltas de energia. cad a um deles consom e ta n ta eletricidade quanto u m a cidade razoavelm ente grande. g u erra que pode ap en as tem p o rariam en te a tra s a r a exaustão final desses recursos. Podemos ter que tom ar m uitos choques an tes que possam os e sta r certos de que estam os fazendo algum bem p ara nós mesm os. m esm o sem jam ais ter experíenciado o evento temido. sabem os apenas o que ouvimos os outros dizerem sobre os perigos do colesterol. falhas no pressio n ar n o ssa b a rra de esquiva podem ap en as raram en te tra ­ zer um a punição forte. Isso porque o conhecim ento comum ente é indireto. médicos e professores com superprodução. natu ralm en te. podem os "aprender n o ssa lição” lentam ente. cientistas. Espere até que doa. construím os a rra n h a -c é u s que poúco utilizam de tecnologias de conservação de energia. Nesse caso.Coerção e s u a s im plicações 153 va. entretanto. A imediaticidade da fuga nos controla m uito m ais efetivam ente do que os indicadores atra sa d o s da esquiva bem -sucedida. Ainda b aseam os nosso sistem a de cuidado com a saú d e n a cura em vez da prevenção. que eles aconteçam .

À m edida que p assam os m ais e m ais tem po sem u m choque. E sta contingência é u m caso especial. A análise do com portam ento provê u m a b o a razão p a ra este fato.154 M urray S id m a n criança não precisa se queim ar p a ra aprender. Q uando a au sên cia de choques faz com que a esquiva se enfraqueça. diz-se que o ato de esquiva se extingue. a esquiva autom aticam ente parece m enos e m enos necessária. de u m com ando dos pais. Além do m ais. a u m en ta a probabilidade de a vida h u m a n a tam bém se extinguir. su a eficácia autom aticam ente dim inuirá. com o quase ilim itado potencial destrutivo . refletin­ do a len ta aprendizagem d a esquiva que ocorre quan d o choques. Po­ dem os p a ra r de fum ar sem ter p assad o por u m a cirurgia cardíaca. vêm ap en as pouco freqüentem ente. E ntretanto. não terem os u m a seg u n d a chance de ap ren d er a evitálo. Ameaças de destruição m u tu am en te asseg u rad as. reais ou am eaçados. F inalm en­ te um choque será necessário p a ra rein stalar n o ssa esquiva de su i­ cídio nuclear. u m a vez que o experienciem os. u m a vez que o choque — a destruição to tal da h u m an id ad e — é de um tipo que ninguém ja m a is experienciou. apoiadas em fo­ guetes. a n ão tocar no fogão quente. Avisos verbais são freqüentem ente inefetivos. devemos te r ocasionalm ente algo m ais que um lem brete verbal de que o choque está por vir. e m ísseis cad a m aiores e m ais poderosos. E assim . m as u m ataque cardíaco m enor realm ente acelera o processo de aprendizagem . O padrão de coerção da política diplom ática aproxim a os dois tipos de extinção. Avisos verbais não foram suficientes p a ra m an ter o nível de esquiva que as explosões atôm icas originais geraram . Destruição nuclear: ela é evitável? Um exemplo extrem o de aprendizagem lenta por cau sa de choques infreqüentes é nosso fra­ casso em resolver a m ais terrível contingência de esquiva de todas. até aqui funcio­ naram . à m edida que n o ssa esquiva da g u erra n u clear se extingue. ‘extinção”. Se formos co n tin u ar a pressio n ar n o ssa b a rra de esquiva. a am eaça do holocausto nuclear. É característica da esquiva que o sucesso origina fracasso. aplicam os o term o técnico. m as u m a p eq u en a q u eim ad u ra inquestionavelm ente produziria u m a aprendizagem m ais rápida. Mas agora. N ossa inabilidade em d estru ir os instrum entos que to m am a destruição n u clear possível m antém viva a am eaça. O term o agora adquire u m duplo sentido. à m edida que estas am eaças fracassem em ser levadas adiante. o horror de H iroshim a e N agasaki se esvanece à m edida que os choques não recorrem .

Os frios fatos eobre o tabaco são de conhecim ento com um . e algum as vezes aparen tem en te venal. O com portam ento re s u lta n ­ te. sujeito a leis. C onseqüências ra ra s e rem otas parecem irreais. Não pode acontecer comigo. no sentido de que a total au sên cia até mesm o de com bate convencional enfraquecerá n o ssa esquiva de conflitos m ais perigosos. D estruir arsen ais n u cleares in ­ discutivelm ente estenderia o tem po de seg u ran ça d a h um anidade. Ainda que se saib a que o u so crônico . Esquiva bem -sucedida de toda g u erra pode n a reali­ dade provar-se au to d erro tad a. tam bém . o conhecim ento voou livremente. m as. Até que a doença nos atin ja de modo suficientem ente fre­ qüente ou sério. u san d o arm am entos não-nucleares. encorajados por um governo que vê a s tard ias am eaças do tabaco à saúde como m enos com pelidoras do que as im ediatas am eaças polí­ ticas d a in d ú stria do tabaco. as leis do com portam ento podem im pô-la a nós. m ilhões co n tin u am a fum ar. m as quan d o o verda­ deiro choque chega é tard e dem ais p ara en sin a r a nós m esm os técnicas de esquiva bem -sucedidas. P ara indivíduos. ain d a que a obesidade au m en te a probabilidade de m orte prem atu ra. apenas sabem os que outras pessoas m orrem . Indivíduos são notoriam ente negligentes em separar dinheiro e outros recu rso s pessoais p ara aten d er a em ergên­ cias raras. no entanto. está. É grave o pensam ento de que nosso conhecim ento de contro­ le coercitivo por contingências de esquiva deve nos levar a questio­ n ar a probabilidade de que serem os capazes de c o n tin u ar a nos esquivar da au tod estru ição nuclear. O know -how p ara a co n stru ção de m ecanism os capazes de destruição universal perm anecerá disponível p ara a m a n u fa tu ra de su b stitu to s. continuam os a com er em excesso. este choque não deixará ninguém p a ra se preocupar com s u a recorrência. m as inevitáveis. é n ecessá­ rio p a ra que atos de esquiva não se extingam . freqüentem ente incapazes de apoiar nova aprendizagem mesmo quando n o ssa vida está em jogo. u m “lem brete”. cho­ ques infreqüentes e atra sa d o s podem reduzir a efetividade d as con­ tingências de esquiva. D esagradável e pavorosa como é esta alternativa. em bora não-inteligente. G uerras lim itadas — lim itadas em com pa­ ração com a guerra n u clear — serviriam p a ra m an ter u m a lin h a de base de choques que fortaleceria n o ssa esquiva de lu tas m ais d es­ trutivas. como com o ab rir a caixa de Pandora. podem os te r que perm itir conflitos “convencionais” ocasionais. Um vez que um choque ocasional. afinal de contas.Coerção e suas im plicações 155 das arm as nucleares.

m as a falta de feedback. portanto eles acabam em itindo am bos. conhece a relação precisa en tre ação e choque. por exemplo. a entes queridos ou a estran h o s esquiando em m o n tan h as p a ra especialistas. álcool e o u tras drogas en q u an to estão grávidas? O elo entre drogas tom adas d u ra n te a gravidez e deform i­ dades. esquiva bem -sucedida im pede que algo aconteça e. Sujeitos sob a am eaça de punição forte provavelm ente n u n c a tentariam fazer o teste. Q u an tas pessoas aleijam ou m atam a si mesm os. portanto. parece não produzir qualquer efeito im ediato. Ainda pior. Como alguns sujeitos. Um observador. D iferentem ente de ações que produzem um óbvio reforçador positivo ou fuga de um punidor. im edia­ to pode obscurecer a situação p ara o sujeito. em . ela parece sem propósito. deficiências e retardam ento que se to rn a visível n a crian ça ao nascim ento ou m ais tard e é real. De fato. Alguns m ais terão de m orrer jovens a n ­ tes que a conseqüência rem ota sobrepuje o encanto de u m a m eda­ lha olím pica e s u a conseqüente fortuna em contratos. é m uito tard e p ara ap ren d er como im pedi-las de acontecer a nós m esm os. Como resultado. dirigindo bêbados e engajando-se em o u tras variações de roleta ru s sa ? Q u an ­ do a afirm ação “estas coisas só acontecem com os o u tro s” prova-se falsa. p atin an d o em gelo fino. nadando sozinhos. m as não pressioná-la. Superstições T entar en sin ar estabelecendo contingências de esquiva pode trazer um outro resultado problem ático. Q u an tas m u ­ lheres abrem mão do tabaco. incontáveis atletas de e s ta tu ra olímpica u sam estas drogas p ara enganar. am bos po­ dem ser necessários — eles certam ente não podem p ressio n ar a b a rra sem estar perto dela — m as eles não têm qualq u er m an eira de saber se a sim ples aproxim ação seria suficiente. fundam entado em estu d o s de laboratório. nem u m dos dois atos ja m ais é punido. já se ouviu de alg u n s que não se im portariam de m orrer em alguns anos se p u d essem vencer agora. sujeitos verbalm ente com petentes podem perguntar: “O que exatam ente im pede o choque de vir? E u realm en­ te te n h o que pressio n ar a b a rra ou ê suficiente me aproxim ar dela?” A ú n ica m a n eira de descobrir seria se aproxim ar da barra. eles podem e sta r b a sta n te convencidos de que u m a ação é crítica quando ela é realm ente irrelevante. Uma vez que eles pressio n am a b a rra q u a n ­ do q u er que se aproxim am dela. correndo dem ais em autom óveis. Por exemplo. o ato de esquiva pode se to m a r b a sta n te diferente daquilo que o professor pretendia.156 M urray S id m a n de esteróides anabolizantes produz falhas orgânicas. m as remoto.

é necessário um lapso ocasional. Portanto.Coerção e s u a s im plicações J57 vez de sim plesm ente sen tar e p ressio n ar a b arra. em pregados. alunos. m ais tarde. É n ecessária a punição p ara conseguir que comecemos a nos esquivar e. E m bora a esquiva de choque nos en sin e a cu m p rir ordens. contingências de esquiva podem en si­ n a r consideravelm ente m ais do que é desejável. pode fortalecer o que quer que aconteça de estarm o s fazendo ex ata­ m ente an tes que v en h a u m reforçador. Mas em u m a situação de reforçam ento positivo. Esticam os n o s­ so braço e. eles correm em volta d a caixa. Com esquiva. não somos punidos por te sta r as contingências reais. podem os ap ren d er a d escarregar o excesso de bagagem. algum a coisa nova. eu desco­ bri! Tudo que eu tenho a fazer é ser rápido com os pés. E sta sem ente congênita de s u a própria d es­ truição tem sido ch am ad a o paradoxo d a esquiva. Com tal falta de precisão. Q uando usam os contingências de esquiva p ara e n sin ar filhos. a distância. apertando aquele botão cada vez que passo por ele e eles me deixam em paz. Se nos esquiva­ . é altam en te provável que nós tam bém estejam os sobrecarregando-os com superstições. por te n ta r novas opções. prisioneiros. Nós então incorporam os a ação irrelevante ao nosso com portam ento aprendido. a noiva veste algum a coisa velha. ritu ais e com pulsões.” Eles terão obtido a liberdade dos choques desem penhando u m ritual q uase que com pletam ente desnecessário que e n tre tan to “funciona”. p articu larm en te quando imprevisível. cancelando choques ao p ressio n ar a b a rra cada vez que p assam por ela. cidadãos ou escra­ vos o que eles devem e o que não devem fazer. Quão freqüen­ tem ente um falante com pulsivo p ára o tem po suficiente p a ra desco­ b rir se seu s ouvintes discordam dele? Q uantos em pregados obse­ quiosos p ararão de beijar os pés de seu s chefes p a ra descobrir se então serão despedidos? Apenas crianças que ain d a não ap ren d e­ ram a lição. sobrecarregandonos com excesso de bagagem com portam ental. algum a coisa em p restad a e algum a coisa azul. continuam ente testarão os lim ites p a ra ver com o que elas podem se safar. a especificação de como exatam ente cu m p rir ordens pode ser im preci­ sa. p ara m an ter a esquiva funcionando. Evitando o inevitável Como vimos. o próprio su cesso da esquiva g aran te que ela finalm ente enfraquecerá e cessará. Eles podem até se vangloriar: "Rapaz. com u m a retom ada de punição. é m uito perigoso fazer qu aisq u er testes. É verdade que reforçam ento positivo tam bém . retiram os a bola de boliche d a valeta: b ate­ mos n a m adeira p a ra d ar sorte.

sucesso origina fracasso. torná-lo ainda m ais for­ te. roubarão em sua declaração de imposto de renda. o com portam ento continua. estranham ente. finalmente um outro choque vem. o comportamento enfraquece e parará a não ser que outro choque o traga de volta. Uma vez aprendida. O paradoxo da esquiva revela u m a diferença crítica entre reforçamento positivo e reforçamento negativo por esquiva. Cidadãos que se m antêm n a lei por cau sa dos benefícios de participar de u m a com unidade ordenada não se defrontarão com tentações cíclicas de b u rlar a lei. sucesso origina m ais sucesso. ’ ■ ■ Remover seu componente realista original pode to m ar a e s­ quiva em u m a preocupação que a tudo consome. será n ecessá­ rio para mantê-lo estudando. o paradoxo da esquiva to m a disponível um a poderosa arm a para qualquer um interessado em nos m anter no caminho da esquiva. particularm ente. cada vez que ele pressiona. darão ou aceitarão caixinhas ou pior. Um aluno que estuda por cau sa das opções que um a nova aprendizagem tom a disponíveis p arará apenas se os produtos da aprendizagem se tom arem irrelevantes. Se a única razão p ara u m aluno estu d ar for impedir a reprovação. esperando mais e mais antes de pressionar nossa barra. Se eles tiverem controle sobre o choque. a esquiva é inerentem ente cíclica. m as falhas ocasionais no esquivar são n eces­ sárias para m anter a esquiva funcionando.158 M urray S id m a n mos com tanto sucesso que os choques jam ais voltam a ocorrer. De­ pois de receber um choque. podem eliminar completamente a função adaptativa de nosso com porta­ mento de esquiva e. Então. garante um período livre de cho­ que de duração variável e imprevisível. eles eventualm ente excederão o limite de velocidade. se antes evitamos choques por longos períodos com sucesso. gradualm ente nos tom am os m ais descui­ dados. trabalham os assiduam ente para m anter choques distantes. algumas vezes alguns seg u n ­ .. Se cidadã­ os m antêm -se n a lei apenas porque isto os m antêm fora da cadeia. Uma vez que tenham os nos tom ado tão eficientes na esquiva que choques vêm apenas raram ente. Os intervalos entre choques podem se to m ar b a s ta n ­ te longos. O experimento básico tem um sujeito esquivando de choques pressionando u m a barra. O paradoxo da esquiva to m a possível um tipo de controle coercitivo que é horrível até mesmo de se p en sar sobre ele. nos levando de novo a esquivar eficientemente. um fracasso eventual. Com a esquiva. ou quase fracasso. a esquiva finalmente se enfraquece e precisamos experienciar o ch o ­ que de novo antes que o ato de esquiva seja reinstalado. assim. Com reforça­ m ento positivo.

inevitáveis. a despeito do que o rato estiver fazendo. são suficientes p a ra m antê-lo n a linha. um choque ocasional­ m ente vem. ainda assim . de modo que c sujeito te n h a pouca oportunidade de descobrir que eles viriam não im porta o que ele te n h a feito. u m a vez que o sujeito tenha aprendido a im pedir os choques. estoicam ente aceitando su a ra ra punição. S eus p ratican tes foram e são os m ais b ru tais e d esum anos seres h u m an o s. sem qualquer com preensão científica do que estão fazendo. Os pouco choques “im erecidos”. a expe riência lhe ensinou que tudo o m ais. ou jogar basquete habilidosam ente sem conhecer fisica. As­ sim como se pode cozinhar sem n ad a conhecer de quím ica. as pessoas têm u sad o esta técnica p ara controlar o com ­ portam ento hum ano. Ele se n ta rá ali. ainda assim . ê aterrorizador. Agora. Se os choques inevitáveis forem infreqüentes. O principal efeito de cada choque agora é restabelecer as condições que de início levaram à esquiva. Então. ou en sin ar efetiva­ mente sem te r qualquer conhecim ento formal de análise do com por tam ento. E. A m aioria dos choques ainda co n tin u am aparecendo após um período d u ra n te o qual ele não pressionou a b arra. dia após dia. Aí está porque . algum as vezes m uitos m inutos. “E squiva” persistente do inevitável não é um resu ltado da punição tão óbvio que alguém previsse an tes que os experim entos fossem feitos. exceto p ressio n ar a b arra. Até onde o sujeito pode dizer. Agora um choque ocasional vem logo depois que ele ten h a pressionado a b arra. m as. Assim ele p a ssa todos os seus dias esquivando-se de cho­ ques que de qualq u er m aneira jam ais viriam. tão sim plesm ente e sem esforço. o experim entador tom a p ara si o controle real sobre os choques. são agora os únicos que o sujeito recebe. é perigoso. A queles poucos choques. ain d a que não estejam de modo algum sob seu contro­ le. O controle que a punição in discrim inada to rn a possível. ele co n tin u ará a agir indefinidam ente como se estivesse realm ente esquivando de choques. a técnica de prim eiro g erar esquiva real e então aplicar punição indiscrim inadam ente era u sa d a fora do laboratório m uito antes que te n h a sido observada e e stu d ad a experim entalm ente. Afinal. ele co n tin u a bem -sucedido a m aior p arte do tem ­ po.Coerção e s u a s im plicações 1 bd dos. M anter a esquiva funcionando com punições que são n a verdade inevitáveis certam ente p areceria contra-intuitivo. paciente e calm am ente pressionando sua barra. ele não receberia outros m esm o que ele p arasse de p ressio n ar a barra. hora após hora. esse ato u su alm en te não é punido.

com a rudeza de u m a m áquina. Estes eram os choques inevitáveis por meio dos quais m an tin h am controle sobre seu s prisioneiros. alguns co­ m entadores têm criticado os ju d e u s nos cam pos de concentração por te r se deixado levar como ovelhas. Os prisioneiros ap ren d eram a se esquivar de destruição agindo como se s u p u n h a que deviam. E ntretanto. A não ser que tenham os observado como choques não-contingentes podem u s u rp a r o controle que con­ tingências de esquiva válidas ten h am originalm ente estabelecido. podem os facilm ente não reconhecer que aqueles d esafo rtu n a­ dos não tinham escolha. sem resistência. Do ponto de vista dos carce­ reiros. As leis do com portam ento estavam tra b a ­ lhando contra eles. aos fom os. E n tretan to . am eaçadores. p ressionando s u a s b a rra s de esquiva assid u am en te. Aquele choque. era costum e dos carcereiros nos cam pos de concentração n azistas selecionar arb itrariam en te algum as vítim as p a ra destruição em m om entos imprevisíveis e inesperados. Mais tarde. d istribuindo a punição últim a p a ra q uaisquer atos não-conform es. com a própria m orte como o choque. E stes choques. eles selecionavam p essoas b aseados no que elas tin h am feito ou não. n a realidade inevitáveis. a fuga da m orte era a contingência controladora. pode-se facilm ente su b estim ar seu poder. De m aneira sem elhante. era de inicio contingente às ações dos prisioneiros. acolhendo a m orte como a fuga últim a. os j u ­ deus poderiam ter resistido. portanto. Não tendo visto este tipo de controle no laboratório.160 M urray S id m a n todos devem com preender a técnica e devem ap ren d er a d etectar seu uso. o procedim ento era extrem am ente efetivo. liberado freqüentem en­ te. Se os choques tivessem sim plesm ente sido dolorosos. no início. eram suficientes p a ra m a n ter os prisioneiros cujo m om ento ainda não havia chegado. Se não entenderm os a significação com portam ental d a s contingên­ cias históricas e p resen tes a que os ju d e u s cativos estavam su b m eti­ dos. Eles tam bém po­ diam realizá-lo com u m a esq u isita econom ia de esforço. conturbadores ou inconvenientes. Por exemplo. podem os erradam en te concluir que os sujeitos estão infligindo cho­ ques inevitáveis em si m esm os. os choques não guardavam qual- . não-relacionados com q ualquer coisa que as vítim as fizessem ou deixassem de fazer e. A plicando choques ocasionais in d iscrim inadam ente — a r ­ bitrariam en te selecionando u n s poucos e enviando-os p a ra fora p a ra n u n ca m ais re to m a r — eles se livravam da necessidade de realm en ­ te observar os prisioneiros. eles então simplificavam seu trabalho. U ma vez que os carcereiros tivessem estabelecido este com ­ portam ento de esquiva “apropriado".

podem os ver este tipo de controle mais próximo de casa. o confinam ento em solitárias. assa ssin a to s em m a ssa não ocorrem n estas instituições. Esquiva é um produto característico do controle coercitivo em prisões. abuso verbal e isolam ento social não-contingente p a ra reduzir a disrupção de s u a própria rotina diária. Ele ocorre m ais freqüentem ente em in stitu i­ ções p ara onde enviam os aqueles que não querem os ver in tro m eten ­ do-se em n o ssas vidas cotidianas. cooperação e “re s ­ peito pela au to rid ad e”. Mas se quiserm os olhar. p esso as que confiam os a “g u a r­ diães". pessoal sobrecarregado e sem treinam ento ainda u s a violência física. A penas raram en te encontram os controle por punição nãocontingente sendo praticado em situações ab ertas a escrutínio p ú ­ blico. “h o sp ita is” p a ra os m entalm ente doentes e casas de “repouso" p ara os idosos. entretanto. Em prisões. “escolas” p ara retardados. ab u so s e falha em proteger os internos uns dos outros. cadeias.Coerção e s u a s im plicações 161 quer relação com q u alquer coisa que eles realm ente fizessem ou deixassem de fazer. A m u d a n ça n as regras aconteceu sem aviso. a s velhas p ráticas . tam bém são p ráticas-p ad rão . então. doentes m en tais e idosos. À m edida que o problem a desaparece m ais u m a vez d as vistas do público. para intim idar os in tern o s a ad q u irir form as de esquiva que to m am o trabalho dos guardiães m ais sim ples e que. podia ver que su a quieta m arch a p ara o forno era inútil. ab u so físico que não deixa m arcas. e aqueles que estavam a ponto de serem assassin ad o s estavam sim plesm ente fazendo o que as contingências originais os havia ensinado como sendo necessário para a sobrevivência. são aplicadas não-contingentem ente p ara m an ter a docilidade. ou um historiador. O casionalm ente. estes choques arbitrário s reduzem eficientem ente sérias violações d a s re­ gras. O clam or público su b seq ü en te produz nova legislação. a rem oção de p ri­ vilégios. Porque as contingências originais haviam gerado o com portam ento de esquiva requerido — docilidade — os su b se ­ qüentes choques não-contingentes m antiveram essa form a de esq u i­ va acontecendo. N atu ral­ mente. Confinam entos. edifícios m odernos ou um a m u d an ça n a equipe da instituição. prim eiro. ou por n en h u m a razão aparente. m as encontram os outro s tipos de punições severas u sad as. Em instituições p ara retardados. privação. Um observador de fora. adm inistrados por infrações sem im portância. tais práticas cham am a aten ção de um g ru ­ po de defesa dos direitos hu m an o s ou de u m jo rn alista. e olhar p a ra o outro lado quando intern o s atacam u n s aos outros são m aneiras-padrão de p u n ir qualquer um que am eace a seg u ran ça dos carcereiros.

eles irão. N atu ral­ m ente. as p esso as estão sem pre fugindo das prisões e de o u tras instituições. ain d a que tem porária e provável de term in ar em morte. podem os razoa­ velm ente su p o r que as contingências de esquiva dentro d a prisão èrajn tão severas que to rn aram a fuga. O nom e “escola”. conseguindo que pessoas evitem punição. não m onitora o que é en si­ nado ali ou como é ensinado. em bora ocasionalm ente preocupada com o am biente físico em s u a s escolas p ara retardados. n o ssa su sp e ita algum as vezes seria infunda. é. alunos. no entanto. Fuga deste am biente nem sem ­ pre indica pouca inteligência. podem os nos perg u n tar por que alguém escolheria a existência in se ­ gura e necessariam en te breve de u m anim al caçado. Uma vez que nossos prisioneiros. Ainda assim . tal controle tam bém produz todos os efeitos colaterais d a p u n i­ ção. quando aplicado a tais instituições é m uito freqüentem ente um eufemismo.162 M urray S id m a n retornam . en tretan to . Coerção d esum ana. proibida por lei. Q uando lemos que u m assassin o condenado fugiu da p en i­ tenciária e é perigoso e que e stá n a lista dos “m ais pro cu rad o s”. . não por piedade. tendem os a a trib u ir estas ações ap aren tem en te n ão -ad ap tativ as à falta de inteligência do fugitivo. Tam bém pode rep resen tar u m ajuste perfeitam ente racional a controle coercitivo. O casionalm ente estare­ mos corretos. em m uitos desses casos. a fuga au to m a­ ticam ente ain d a se to rn a m ais reforçadora que a esquiva. Por c a u sa da equipe freqüentem ente m al trein ad a e da au sên cia de prestação de co n tas pública. Deveríamos ver a fuga dos retard ad o s como gritos. E ste resultad o é fam iliar p a ra todo m undo. m as este é o prim eiro lugar p ara onde olhar procurando u m a explicação. m as por ajuda. em vez da relativa seg u ran ça da prisão. Interpretam os a escolha do fugitivo como evidência adicional de s u a depravação. Freqüentem ente lemos sobre fugas de escolas p a ra retard ad o s e reagim os com pena. A sociedade. tão predom inante n as . os resi­ dentes de tais “escolas” aprendem a ad ap tar-se a contingências de esquiva que os funcionários estabelecem p ara su a própria conve­ niência. pacientes ou filhos tenham aprendido a se esquivar de punição severa. Se for possível p ara eles ir em bora. Eles aprendem pouco m ais. Mas. A au sên cia de supervisão pública estabelece terreno ap ro ­ priado p a ra form as de punição cruéis e incom uns que criam docili­ dade e su b m issão facilm ente garantidas. Fuga da esquiva C ertam ente podem os controlar co n d u ta estabelecendo con­ tingências de esquiva. um poderoso reforçador.

Eles podem ad o tar ro tas alternativas de fuga. pacientes e os deficientes que são incapazes de homicídio podem descobrir o suicídio como m ais factível. Tendo criado esses am bientes. A sociedade precisa algum dia ace rtar a s co n tas com seu próprio papel em criar tais am bientes. em si m esm a. fuga irracional algum as vezes reflete a depravação dos carcereiros. As leis do com­ portam ento nos perm item prever os resultados de qualquer que seja . u su alm en te são incapazes de fugir. tendo aprendido ap en as o que era necessário p ara a sobrevivência d entro das instituições ou gostaria mos que eles tivessem aprendido a fu n cio n ar com su cesso do lado de fora? As posições públicas em relação a esta q u estão têm sido inconsistentes e. assassin ato e outras form as de violência são com uns em instituições p en ais e outras instituições. seja p a ra nos proteger.Coerção e s u a s im plicações 163 instituições penais que' se tornou a no rm a de fato en tre os funcioná­ rios a serviço da ju stiça. tom ar as decisões necessárias. que nos protejam contra aqueles que se m o straram perigosos e que sirvam como in stru m en to de revanche? Q uerem os que aqueles a quem con­ finamos saiam sem m u d an ças. Aqueles a quem confiamos. É previsível que m uitos dos responsáveis que contratam os serão tão brutais em su a s tarefas qu an to o perm itirm os e que m uitos dos rejeitados que confinam os vão se vingar tão bru talm en te quanto possível de seu s guardiães. O que querem os de n o ssas instituições penais e m entais? Elas devem servir como la tas e cestas de lixo n as quais jogam os nossos refugos e os esquecem os? Preten demos que as prisões ap en as p u n am os que b u rlam a lei. seja em seu próprio benefício. M uitos dos que não praticam eles próprios a bru talid ad e m antêm seu s em pregos olhando p ara o outro lado. Se não se pode fugir fisicam ente. Suicídio. prisioneiros. devemos aceitar responsabili­ dade pela desum an id ad e que acontece dentro deles. que outro modo m elhor h á de term in ar a coerção do que term in ar com o coercedor? S ujeitos a estu p ro s e a outros tipos de violência e h u m i­ lhação. E stá claro que as políticas mais pre­ dom inantes — negligência com o deficiente e revanche com o crim i­ noso — gerarão o tipo de am biente coercitivo que hoje predom ina. A penas um fio de cabelo distingue a conduta de alguns carcereiros d a co n d u ta de seu s prisioneiros e distingue as ações de alguns funcionários d as instituições mentais das ações de seu s pacientes. A parentem ente. freqüentem ente. m as pode m o strar quais a s conseqüências prováveis de qualquer decisão. Uma análise com portam ental não pode. diferem com pletam ente dos tipos de instituições que de fato criamos. não dos fugitivos.

Q uando as p erg u n tas surgem . Assim como dizem os g uardiães de nosso sistem a legal quando inadvertidam ente saím os da linha. ou se s u a s vidas devem ser plenas ou vazias. o m esm o pode ser dito d as leis com portam entais. a análise do com portam ento pode sugerir m aneiras de en co n trar as respostas. Q uando n o ssas decisões determ inam se outros devem viver ou m orrer.164 M urray S id m a n o tipo de am biente que criamos. . pacíficas ou violentas. “a ignorância d a lei não é desculpa”. a ignorância dos efeitos de n o ssa s decisões sobre os o u tro s é in d escu l­ pável.

im pedim os fracassos en saian d o u m desem ­ penho no palco ou u m a apresentação de negócios. a esquiva tem m u itas faces. Esquiva adaptativa P arte de nossos com portam entos m ais úteis são de esquiva: nos preparam os p ara extrem os de te m p eratu ra vestindo-nos p e sa d a ­ m ente no inverno e levemente no verão. Se quiserm os entender e. prevenim os infecções colocando soluções a n ti­ sépticas em cortes e arranhões. evitam os o esquecim ento "am arrando um b arb an te no dedo”. fazer algo a respeito da esquiva. fazemos seguros . evitam os acidentes de au to ­ móveis "dirigindo defensivam ente”. prim eiro tem os que reco­ nhecê-la. todos tem os m uitos tipos de b a rra s p ara prevenir vários tipos de choques. evitam os de nos qu eim ar u san d o um crem e protetor. algum as form as de esquiva são m ais problem áticas que outras. N enhum ato p a rti­ cu lar define a esquiva. m antem os d istân cia d as superfícies quentes de fogões e lareiras.10 Como nos esquivamos? Como a fuga. talvez. Ainda assim .

incapazes de colocar de lado qualquer quantia para os inevitáveis “dias difíceis”. Mas manter-se sem ciência da natureza comportamental do problema não atende aos interesses de seus clientes e pacientes. ou por instrução verbal. n ão são trein ad o s p ara reco n h ecer e an alisar problem as com portam entais. Alguns choques vêm tão raramente que mesmo esquiva útil é difícil de aprender ou manter. fortalecendo as contingências de esquiva.166 M urray S id m a n e in v e s tim o s em fu n d o s d e a p o s e n ta d o r ia s . . obesidade permanece sendo um problema nacional. não um traço irremediável de personalidade. Contadores e médicos não foram ensinados como obter mudanças comportamentais e. Estas características de personalidade não explicam nossas ações. ou contingências de esquiva em geral têm regulado suas vidas de tal maneira que elas agora automaticamente se preparam para o pior. vendedor de seguros e contador condenam nossa imprevidência como fraqueza de caráter. Eles poderiam nos ajudar mais reconhecendo o problema pelo que ele é. de parar de fumar. Em vez de prescrever uma dose de autocontrole. milhões ainda fumam. E s ta s s ã o a s a ç o e s d e p e s s o a s q u e “s ã o p re v e n id a s" e “m a n tê m o c o n tro le ". a despeito da perspectiva de doença fatal. ou provendo outros reforçadores para o comportamento que desejaríamos ter. Entretanto. Nossos amigáveis gerente de banco. ainda que seja altamente conelacionada com diabetes e hipertensão e de ser um convite para a morte prematura. os “choques” dos quais agora se esquivam tão efetivamente. pacientes que não conseguem seguir suas recomendações sobre dietas. As causas de nossa antevisão devem ser encontradas nas contingências de esquiva arranjadas pelo nosso ambiente. Pessoas prevenidas já conhecem diretamente. mas rearranjar o ambiente externo. drogas e medicação deixam-nos desamparados. tam bém . Alguns de nós que nos descobrimos incapazes de economizar. o problema real não é um controle fraco pelo se//-mas um controle fraco pelo ambiente. despreocupadas com os danos causados em seus filhos por nascer. O que precisamos não é fortalecer nossa vontade interior. mas uma esquiva fraca que pode ser remediada. Muitos gastam todos os seus centavos. de qualquer maneira. Médicos. assim. ainda é comum encontrar mulheres grávidas bebendo álcool. fumando e tomando outras drogas. médicos fariam melhor apelando para o ambiente social do paciente — amigos e família — em busca de apoio para obediência. de desistir das drogas ou de perder peso freqüentemente suspiramos por e desejamos um autocontrole mais forte. diriam que não têm tempo suficiente para tanto.

tam bém . Fam ílias. Q uando a dor de um choque é atra sa d a. T am bém relações pessoais d estru tiv as freqüente­ m ente contêm elem entos positivos que por algum tem po sobrepujam nossas inclinações de nos esquivarm os de situações aversivas. Jovens desisten tes podem ad o tar u m estilo de vida tão dife­ rente daquele do qual fugiram que s u a com unidade original os ju lg a como tendo se tom ad o indesejáveis e até mesm o perigosos. ab an d o n am ten tativ as de tr a ­ zer de volta a ovelha desgarrada. considerando a nova filosofia. O que isto significa é que a s u a abdicação de resp o n sab ilid a­ de e de tom ada de decisões perm ite aos m em bros de cultos ignorar e.Coerção e s u a s im plicações 167 Permanecendo fora do mundo Uma vez que d esisten tes ten h am fugido de su a s famílias. Tendo se libertado de um am biente aversivo. um longo tem po pode se p assar entre c a u sa e efeito. podem os te r de aceitar m uitos choques an tes de aprender a evitá-los. a aprendizagem da esquiva será lenta. os novos costum es. Viver um a vida de isolam ento social ou intelectual pode im por privações. ou com unidades coercitivas. A m bien­ tes pobrem ente m antidos e in salubres trazem perigos p a ra os fugiti­ vos m as servem p a ra u m a im portante função. Toda a renda vai p ara o g u ru que é. se esquivar de pressões p a ra voltar à cena d a qual eles desistiram . eles m an têm s u a distância. presum ivelm ente. são incom patíveis com reforçadores como o amor. eles se oferecem a u m líder carism ático p ara explo­ ração. U m a atração im portante de com unidades e seitas m argi­ nais é seu sucesso em proteger m em bros daquele outro m undo onde suas vidas foram dom inadas por fuga e esquiva. Drogas que cau sam adição têm com po­ nentes reforçadores que tornam ain d a m ais difícil ap ren d er a se esquivar delas. como pagam ento por trabalho ou talento. M anter-se sem envolvimento é u m ato de esquiva. negativos. Ju n ta n d o -se a u m a com unidade com estilo de vida alternativo. na s u a m aioria. Pode levar tem po para que eles descubram que seus novos reforçadores tam bém são. o novo am biente e a aparên cia física de seus filhos objetáveis e assu stad o res. eles en tão fazem tudo que estiver ao seu alcance p a ra im pedir que esse am biente restab e­ leça seu domínio. a afeição e o com partilhar que se originam de relações p es­ soais não-egoístas. desistentes freqüentem ente são atraídos p ara com unidades “m argi­ nais” que afirm am que reforçadores m u n d an o s. escolas. . em troca de proteção co n tra a sociedade que rejeitaram . incorruptível por dinheiro e pelos confortos que ele to rn a disponíveis. Tendo fugido de indivíduos e instituições sociais coercitivos. eles m an têm o resto da sociedade a u m a certa distância. portanto. Com drogas.

poderem os identificar os choques que to rn am as b a rra r de "desistir” efetivas. pelo m enos tem porariam ente. Aquilo que prim eiro pareceu afetuoso paternalism o to m ase u m a o u tra form a de exploração. fechando seu acesso à oportunidade p a ra in d e­ pendência intelectual. Se a sociedade pretender ter u m a abordagem co nstrutiva p ara o problem a de g a n h a r de volta seu s m em bros perdidos. . p o rtas terão se fecha­ do para eles. Q uando os elem entos destrutivos de seu s novos estilos de vida se to m am óbvios o suficiente p ara gerar u m novo ciclo de esquiva. Mesmo que se m an ten h am saudáveis. C om preender as origens da esquiva iria nos levar a exam inar nosso próprio am biente. ainda assim m ais construtivas. Então. perm anece o fato de que eles consideram a nova coerção. p a rti­ cularm ente seu s jovens. um prim eiro passo necessário é adm itir que o com portam ento de desistir é esquiva. Mas a falha está n a coerção que perm eia as interações sociais “norm ais”. jovens d esisten tes podem já ter se prejudicado irrecuperavelm ente. Tendem os a colocar a cu lp a n as com u n id a­ des ou co n tra cu ltu ras que atraem os desistentes. O reconhecim ento dos com ponentes de esquiva n a co n d u ta dos d esisten tes da sociedade to rn a-se m ais im portante quan d o q u e­ rem os trazê-los de volta. A falha corrigível não e stá n a ap aren te atratividade dos alternativos. ou em seu s estilos de vida alternativos. m enos aversiva que a antiga.168 M urray S id m a n desconfortos físicos e estresses biológicos que term in am em doença e inabilidade p a ra m an ter n o ssa independência. m as freqüentem ente é m uito tard e p a ra ação efetiva. deve­ m os perguntar: “De onde eles vieram ?” Não é problema meu A m aioria d as pessoas se esquiva de particip ar d as re sp o n sa ­ bilidades da com unidade — um outro tipo sério de desengajam ento. Os com ponentes aversivos de su a s novas vidas podem finalm ente to m ar-se suficientem ente fortes p ara sobrepujar os atrativos originais. Eles descobrem que seu novo am biente desaprova cu rio sid a­ de intelectual. econôm ica ou política m ais convencionais. D esistentes do veio central d a sociedade freqüentem ente sofrem d esses resu ltad o s a tra ­ sados. Em vez de p erg u n tar “p a ra onde foram os d esiste n tes?”. Ainda que um observador não-envolvido p ossa ver as novas form as de coerção a que m uitos d esisten tes se subm etem . faz com que se sin tam culpados por q u alq u er sinal de individualidade e considera desconforto e doença como form as de distinção. m as n a relativa coercitividade d a lin h a de base “n o r­ m al”.

Coerção e s u a s im plicações

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Em quase todas a s eleições, a m aioria dos eleitores possíveis deso­ briga-se, fazendo do princípio de governo representativo u m a piada. Um serviço tradicional oferecido por políticos locais é a rra n ja r p ara que cidadãos sejam excluídos da tarefa de ju rad o . A udiências p ú b li­ cas são u su alm en te tão pouco freqüentadas que políticos e m em bros de órgãos reguladores as vêem com desprezo, como gestos vazios de adesão a procedim entos dem ocráticos, ú teis ap en as como proteção contra fu tu ra s críticas à s su a s decisões. P esquisas de opinião de­ m onstram repetidam ente a extensão n a qual o público se isola do conhecim ento e da com preensão dos eventos locais, nacionais e m undiais. M uitos to rn aram -se cínicos sobre a possibilidade de q u al­ quer conexão positiva entre políticos e o bem público. Aceitam sem protesto a corrupção daqueles eleitos ou indicados p a ra cargos p ú ­ blicos. até mesm o fom entando a corrupção quan d o ela serve a seus próprios fins. Médicos, advogados, professores, psicólogos, enferm eiros e assistentes sociais ativam ente resistem ao m onitoram ento público de su a s práticas. Ao m esm o tem po, raram en te agem co n tra colegas profissionais incom petentes. A penas sob in te n sa pressào estabele­ cem procedim entos disciplinares p a ra proteger o público e, então, indivíduos se esquivam de indicar ou de voluntariam ente se envolver eles m esm os n estes procedim entos. No governo, n as forças arm adas e nas organizações em presa­ riais hierarquicam ente organizadas, trabalhadores subalternos não to­ mam oficialmente ciência dos erros de julgam ento, atos de fraude, quebras nos padrões éticos ou crimes de seus superiores. Eles im itam os três m acaquinhos: “Não vejo nada, não ouço nada, não falo n ad a.” A filosofia “não m eta a colher em cu m b u ca alh eia” é d o cu ­ m entada freqüentem ente em n o ssa própria experiência e nos even­ tos que a m ídia relata todos os dias. Experim entos controlados ofe­ recem confirm ações im pressionantes desse tipo de não-envolvim ento que m ostram como indivíduos ab an d o n am u n s aos o u tro s quando ocorrem acidentes de ru a, violência e outros problem as. ; M ais e m ais. nós, os afortunados, estam os colocando d is tâ n ­ cia em ocional e social en tre nós m esm os e n o sso s sem elh an tes que estão com problem as. Ironicam ente, à m edida que as distinções entre os que têm e os que n ad a têm se to rn am m ais visíveis, to rn a ­ se m ais fácil negar a existência dos que n ad a têm do que fazer algo por eles. Poucos têm prazer com a visão da m iséria h u m an a, não Vê-la é um modo sim ples de esquivar-se. Lidar com o sofrim ento dos outros é custoso: c u sta dinheiro, tempo, esforço e a disrupção de

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M urray S id m a n

prioridades pessoais. Se, em vez disso, m enosprezam os os fam intos, desabrigados e doentes, considerando-os estúpidos, preguiçosos e im previdentes, nós que estam os saciados, abrigados e saudáveis podem os corretam ente nos recu sar a vê-los. Assim nos protegem os da desagradabilidade e inconveniência. O desengajam ento social foi proposto como política nacional. A “S egunda Revolução A m ericana” iria rem over as algem as que prendem o governo aos pobres e desafortunados, libertando-os p ara terem sucesso por seu próprio esforço e engenhosidade. D isseram nos que as necessidades de defesa m ilitar nos proibiam de co n tin u ar a nos preocupar com aqueles que não se fizeram por si m esm os: “de qualquer modo, eles não têm a quem culpar, a não ser eles m esm os por seu s problem as.” Agora que políticos e generais g aran tiram p ara si m esm os am plos benefícios e pensões, não im porta quão grande seja su a incom petência, todos aqueles que não tiveram a m esm a perspicácia podem se virar por si mesm os. Mais cedo ou m ais tard e u m a política nacional de evitar a responsabilidade social deve term in ar em catástrofe nacional. A po­ larização econôm ica inevitavelm ente leva à convulsão social violenta. Evitando problem as atu ais, garantim os choques severos m ais tarde; os gatos gordos de hoje estão criando seu s filhos e netos p a ra o desastre. E ntretanto , conseqüências a tra sa d a s controlam fracam en­ te: “Deixe que eles se defendam sozinhos." Abstem o nos de votar; nos evadimos d a obrigação de júri; nos au sen tam o s de audiências públicas e de outros m ecanism os da dem ocracia participativa; nos m antem os deliberadam ente desinform ados d a coisa pública; olham os p ara o u tra direção quan d o vemos um roubo, assalto, coerção sexual no trabalho, incom petência em n o ssa profissão, apropriação indébita de dinheiro público, solicita­ ção ou aceitação de p ropinas e atos de hum ilhação e b ru talid ad e da polícia. N ada disso nos classifica como d esisten tes. Talvez seja por isso que não ver e não agir, diferentem ente de desistências abertas, perm item que nos m an ten h am o s fora do alcance de visão. Pelo m e­ nos, não parecem os desistentes. Mas, nos desengajarm os, p erm an e­ cerm os não-envolvidos em questões de políticas públicas, seg u ran ça e integridade é, a longo prazo, m ais perigoso p a ra a sociedade do que qualquer su b c u ltu ra m inoritária. Dando os om bros p a ra a re s­ ponsabilidade sobre a com unidade, criam os um vácuo n as in stitu i­ ções de governo representativo, segurança pública, ju s tiç a social e o portunidade econômica. E stes espaços são inevitavelm ente p reen ­ chidos pelos incom petentes, pelos sem -princípio, pelos venais e p e­ los crim inosos.

Coerção e s u a s im plicações

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F reqüentem ente consideram os a falta de ação como exemplo de “não-decisão”, m as não h á realm ente tal coisa como não fazer nada. A au sên cia de u m “sim ”, será in terp reta d a como “n ão ”; a não-proibição será considerada como perm issão; “talvez” significará “sim ” p a ra alguns e “n ão ” p ara outros, completo silêncio freq ü en te­ m ente significa “faça o que quiser, ap en as não me incom ode”. Ao não se m a n ter inform ado, u m executivo está dizendo a se u s su b o r­ dinados: ‘Tom em su a s próprias decisões.” R ecusar-se a to m ar u m a decisão é em si m esm o u m a decisão; acred itar que realm ente nos abstivem os de envolvimento, que nos isentam os de resp o n sab ilid a­ de, é um a ilusão. Som os cria tu ras sociais e m esm o nos refreando de agir te rá se u s efeitos em outros. Se quiserm o s rev erter as te n d ên cia s a tu a is q u e vão em direção ao egocentrism o, ao isolam ento em relação ao envolvim en­ to ativo e evasão de resp o n sab ilid ad e, m a n te n d o -n o s desinform ados e fingindo que n ão existem p roblem as, en tão tem os de o lh ar m ais de p erto p a ra os d e term in a n tes d e s s a c o n d u ta. O que cria o não-envolvim ento? O que o m antém ? Q uando exam inadas de perto, descobrirem os que q uase todas as form as de inação via desengajam ento contêm fortes com ponentes de esquiva. Sem pre que outros deixam de fazer o que poderíam os esp e­ rar que fizessem, tem os razão p a ra su sp e ita r que punição é a re s ­ ponsável. U m a análise com portam ental nos levaria a perguntar: “Que choques a participação pode produzir? M anter distân cia p er­ mite a esquiva de choques?” P unições por nos envolverm os d em o n stram -se suficiente­ m ente fáceis de identificar. Algumas são relativam ente suaves. E m ­ bora dificilm ente com parável a u m choque doloroso, a sim ples in ­ conveniência, a pertu rb ação de n o ssa rotina com um que a p articip a­ ção freqüentem ente impõe é suficiente p a ra explicar m uito do nãoenvolvimento. Não votando nos esquivam os de te r de re a rra n ja r n o s­ sa agenda, esp erar n a fila, ab rir cam inho através d a boca de u m a feita pelos in sisten tes candidatos e cabos eleitorais que nos em p u r­ ram su a s filipetas; p assam o s ao largo do desconforto de a n d a r até a u rn a e esp erar ali no m au tempo; ou adiam os a s difíceis decisões que votar em um candidato ou um tem a freqüentem ente requerem . Podemos fazer n o ssa esquiva ainda m ais cedo não nos registrando para votar, um processo separado que é freqüentem ente m ais incon­ veniente que o próprio votar. Publicidade e encorajam ento verbal n ão serão suficientes para a u m e n ta r o núm ero de eleitores. C ontingências com portam entais reais estão envolvidas. Resolver o problem a req u ererá elim inar

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Murray Sid man

ou reduzir a severidade das punições que im pedem as pessoas de colocar seu voto n a u m a . As m elhores m aneiras de fazer isto são bem conhecidas; não é necessário ser u m an a lista do com portam en­ to p a ra ver a efetividade de deixar trab alh ad o res saírem cedo do trabalho em dia de eleição, prover tran sp o rte conveniente e grátis p ara os locais de votação, fornecer g u ard a-ch u v as quando n ece ssá­ rio, d istrib u ir panfletos com antecedência, au m e n ta r o núm ero de u rn a s e m áquinas, perm itir o registro pelo correio e auxiliar aqueles não-fam iliarizados com os procedim entos de registro e votação. A eficácia d essas m edidas é a te sta d a pelo vigor com o qual se resiste a elas. Aqueles que g an h aram controle sobre o processo político nem sem pre consideram o sufrágio universal como vantajoso p a ra a m an u ten ção de seu poder. A participação naquela instituição dem ocrática fundam ental, o jú ri, c a u sa inconveniências que são m ais difíceis de elim inar. Q uanto m ais ganham os, quanto m aior o poder que tenham os, ou m ais pesad as a s responsabilidades sobre nossos om bros, m ais seve­ ra s são as perdas que provavelm ente sofrerem os por ter que tira r tem po do trabalho p ara o júri. Os m ais afluentes, os m ais influentes e os m ais proem inentes são os que têm m ais a perder. É u m a coincidência que raram en te os encontrem os em jú ris? Tam bém raram en te vem os seu s crim es sendo trazidos a ju l­ gam ento pelo jú ri. Q uando eles com etem ofensas civis ou crim inais, seu s recursos lhes dão acesso a advogados que são habilidosos em prolongar o litígio. Finalm ente, eles conseguem acordos que g aran ­ tem a im unidade de acusação. Eles raram en te são encontrados em julgam entos, seja como ju rad o s, seja como réus. Ao desengajar-se deste modo, esquivando-se d as inconve­ niências pessoais relativas ao desem penho de responsabilidades da com unidade, os ricos, os poderosos e os proem inentes criaram um sistem a de ju s tiç a duplo. Aqueles com m enos influência e recursos são, em certo sentido, tão incom odados q uanto os ricos por partici­ p ar do jú ri. Tam bém , seu s atos ilegais, n a m édia, provavelm ente ferem m enos pessoas. Ainda assim , eles m ais provavelm ente são forçados a participar do sistem a de jú ri, de u m lado ou de outro. A um entar a participação no sistem a de jú ri e dim inuir a evasão requer m u d an ças n a conduta. Novamente, o problem a fu n ­ dam ental é com portam ental. P ara a m aioria, fatores que c o n stran ­ gem são, no presente, m ais fortes que fatores que encorajam o en ­ volvimento. N enhum a q u an tid ad e de exortação so b rep u jará as p ri­ vações e perdas reais a que m uitos estariam sujeitos se aceitassem constar da lista de ju ra d o s possíveis. E sta é u m a in stâ n cia n a qual

Coerção e s u a s im plicações

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as punições por participação não podem ser elim inadas. Uma parte im portante d a solução do problem a, então, deve ser to rn a r a esquiva m ais difícil. Algum as com unidades retiraram o poder dos rep resen tan tes eleitos de intervir em favos de qualquer um selecionado como ju r a ­ do. R aram ente elas foram tão longe a ponto de re tira r esse poder de todas a s autoridades, eleitas ou indicadas, de modo que aqueles com influência política, financeira ou social ain d a podem se m an ter não-envolvidos. P ara im pedir a esquiva do serviço por meio de solici­ tações políticas, pressões sociais ou sim plesm ente corrupção a s co­ m unidades terão que elim inar as vias de influência. Elas tam bém terão de to m a r o u tras form as de evasão mais difíceis. Por exemplo, tendo sido cham ado p a ra com por o jú ri, podese facilm ente não p articipar em qualquer caso p articu lar fazendo com que um advogado de defesa ou prom otor desconfie de su a im parcialidade. Pode-se arg u m en tar oposição à p en a capital, crença em que estupro sem pre é provocado pela vítima, ser a favor ou contra o m ercado, e s ta r convencido de que televisão in cita a violên­ cia, afirm ar que in san id ad e não é desculpa p a ra o assassin ato , já ter form ado u m a opinião sobre o caso, ou ser filosoficam ente u m a n a r­ quista. U m a vez que se te n h a sido acu sad o p o r cau sa dos problem as que tal viés provocará, freqüentem ente se está livre de ch am ad as posteriores. P ara to m a r esta ro ta de esquiva m enos vantajosa, aq u e­ les cham ados p a ra p articip ar do jú ri poderiam ser requisitados a m an ter-se disponíveis por u m período fixo de tempo. Então, ainda que recu sad o s em u m caso p articu lar, eles não poderiam ir em bora antes daqueles que se perm itiram ser selecionados.

Quem porá a boca no trombone?
G eralm ente relutam os em “pôr a boca no trom bone” em rela­ ção a com panheiros de trabalho, colegas e chefes que vem os agindo irresponsavelm ente, incom petentem ente ou ilegalm ente. O lhar p ara o outro lado é u m a ato de esquiva, nos m antém fora de problem as. T razer tais observações à atenção de estran h o s é especialm ente peri­ goso. Em agências m ilitares, governam entais e em presariais esp era­ se que p assem os ad ian te descobertas, reclam ações ou acusações através dos can ais com petentes, ain d a que exatam ente aqueles que vimos agindo incorretam ente terão o privilégio de avaliar n o ssa preci­ são e julgam ento. Os sujeitos de nosso relato serão tam bém seus juizes.

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M urray S id m a n

O m esm o acontece em organizações profissionais. E stas m antêm u m a m ística de “irm an d ad e”: “O que fere u m fere todos, assim , m a n te n h a tudo em fam ília.” E sta regra u su alm en te é b a se a ­ da m ais em econom ia do que em afeto e respeito m útuos. E m bora se su p o n h a que padrões profissionais im peçam a prática incorreta, a im posição de padrões é perigosa. Ações disciplinares in tern as contra os incom petentes ou os crim inosos têm possibilidade de vazar p ara a m ídia e tornar-se escândalos. Q uando m edidas co n tra u m colega colocam em risco a im agem pública de u m a profissão, a am eaça ao prestígio e à prosperidade to rn a-se prioritária em relação à proteção do público. P ortanto, organizações profissionais não m onitoram rigo­ ro sam en te o com portam ento de seu s próprios m em bros. M anter u m a reclam ação “em família" geralm ente significa que n a d a será feito a seu respeito. P essoas que realm ente vão a público, vão se descobrir reb ai­ xadas, despedidas com deso n ra ou sim plesm ente despedidas, ou tran sferid as p a ra u m local em algum tipo de “Sibéria”. O rótulo “não-confiáver viajará com elas em seu s p rontuários pessoais. A nti­ gos associados n a d a terão a ver com elas. É su rp re sa que a reação m ais com um diante daqueles que m entem , enganam , roubam , acei­ tam caixinhas e colocam em perigo a segurança, os direitos civis ou a saú d e de outros seja o com entário, “não é da m in h a co n ta” ? As com unidades até mesm o atrib u em um certo estigm a m o­ ral àqueles que não praticam este distanciam ento. Nós todos p e rte n ­ cem os a vários “clubes", unidos aos outros m em bros por traços de interesse pessoal ou objetivos com uns. “D edo-duro”, “rato ”, “traid o r” atribuem deslealdade a m em bros que escu tam o cham ado de um a lei m aior que a dos seus clubes. C hoque por “pôr a boca no trom bo­ n e ” exerce controle m ais forte do que ab straçõ es como “h o n estid a­ de”, “ju s tiç a ” ou o “bem público”. Indivíduos vêem ‘tocadores de trom bone’ sendo punidos e eles finalm ente traduzem esta observa­ ção no im perativo moral: “Botar a boca no trom bone é errad o .” Relatos nos noticiários sobre ab u so s nos m ais altos níveis do sistem a de defesa aparecem tão regularm ente que os incidentes rela­ tados, acidentalm ente descobertos ou revelados por u m raro ‘tocador de trom bone’, devem ser ap en as a po n ta do iceberg: preços extorsi­ vos cobrados pelas co n tratad as da defesa, assen to s de privada de 400 dólares, uso de funcionários como serviçais feito por a u to rid a ­ des, planejam ento inadequado e incom petência n a execução de ope­ rações m ilitares das m ais variadas im portâncias, discordâncias tá ti­ cas não-resolvidas entre correntes das forças arm ad as e falsificações de dados de testes sobre seg u ran ça e eficácia de equipam ento. A

aqueles a quem confiam os n o ssa seg u ran ça pessoal desem penham su a s pró­ prias tarefas e m antêm -se alheios à s dos outros. p a ra m a n ter p arq u es nacionais. O corpo do iceberg m antém -se escondido. As raízes da conduta que cham am os de “m oral b aix a” devem ser b u scad as n as contingências coercitivas que dom inam todas a s interações. Superiores. econômicos e hu m an o s. rapidam ente colocam a ta b u leta “criador de problem as” no p ro n tu á ­ rio pessoal que segue o crítico a todos os lugares. E stão sendo ap resen tad o s modelos a carreiristas m ilitares que não inspiram nem eficiência nem integridade. sem vazam ento p ara a mídia. p ara alim en tar os su b n u trid o s. Mesmo críticas confinadas a m em o­ randos internos. Esquivando-se de um térm ino prem atu ro da carreira e da perseguição de um a b u ro cracia m agoada e que não perdoa. u m a crise verdadeira en co n trará n o s­ so sistem a m ilitar incapaz de fazer o seu trabalho. p ara conservar recu rso s n atu ra is. p a ra descontam inar águas e te rra s poluídas. não u m a cau sa. florestas e litorais. Sob o peso desta coerção. vendo objeções por meio dos can ais com pe­ tentes como um prim eiro passo potencial p a ra se to rn arem públicas. Esquiva gerada por coerção que com eça no próprio topo é um a preocupação central de nosso sistem a de defesa. p ara retreinar os desem pregados tecnológicos. Uma am eaça mais im ediata é o apetite dos m ilitares por nossos recu rso s n atu rais. eles subordinam seg u ran ça nacional a seg u ran ça indivi­ dual. severa e d u rad o u ra a qualquer um que exponha incom petência e desonestidade. O governo federal não tem m ais recursos p a ra aju d ar a ed u ­ car s u a s crianças e jovens. p ara g aran tir cuidados médicos p ara todos. p ara apoiar a s arte s ou p a ra subvencionar a pesquisa cientifica. as m otivações são em grande p arte negativas. A m enos que olhemos m ais de perto a s contingências. com um a perspectiva de m udá-las. Governos estad u ais e m unicipais podem arca r . É fácil p a ra eles p er­ ceber que a e stra d a p ara o topo está ab erta ap en as p ara aqueles que im plicitam ente toleram incom petência e desonestidade de superiores que poderiam im pedir s u a promoção. A resu ltan te au sên cia de re s­ peito e preocupação m ú tu o s é freqüentem ente a trib u íd a à m oral baixa. colocarão u m a carrei­ ra em risco. A própria mídia não é im une a am eaças de su p ressão e o u tras form as de retaliação. a inépcia m ilitar revela-se apenas quando é m uito tarde. m as m oral é um resultado. Nosso protetor está se transform ando ele mesmo em um a am eaça p ara a própria cu ltu ra que o criou p ara defendê-la.Coerção e s u a s im plicações 175 burocracia das forças arm ad as im ediatam ente aplica punição ju sta . Infelizmente.

não instituições. m as nós nos enganam os se o conceberm os como u m a n ecessid a­ de de m u d a r “com portam ento in stitu cio n al”. terem os que descobrir m an eiras de impedilo de suprim ir a crítica. Em bora nosso sistem a nom inalm ente coloque um civil como seu chefe. coleta e disposição de lixo e m an u ten ção de pontes. Indivíduos agem p ara proteger seu s em pregos. deve ser bom Podemos ver o m esm o tipo de controle coercitivo em in s tâ n ­ cias legislativas. C ontin­ gências tradicionais de punição e esquiva dentro d a organização rapidam ente d estru iriam q u alquer tendência deste tipo. universidades e hospitais encontram os a m era sobrevi- . m as responsável ap en as p ara com o público. to d as as agências e instituições requerem con­ tingências externam ente im postas p a ra estabelecer e m an ter a u to ­ controle responsável. em d ep artam en to s de polícia e de bom beiros. em conselhos de escolas. n a prática. suprim ento de água. asseg u ­ rando su a própria sobrevivência m esm o com o custo de su b v erter os objetivos organizacionais iniciais. edifícios e p arq u es públicos. O custo de alim entar o protetor já e stá to rn an d o im praticáveis m u itas d as instituições dem ocráticas que ele deveria aju d ar a preservar. Se vende. estrad a s. Apelos ao patriotism o. como policia e proteção co n tra o fogo. su a autoridade. Em grand es corporações. faculdades. integridade. elas vêem o público como u m introm etido. No entan to . Talvez o que necessitem os seja u m corpo de m onitores especialm ente treinado e tecnicam ente com petente. Mais u m a vez o problem a é com portam ental. As altas p aten tes argum entam que é necessário proteger-se de criticas am ad o ras p ara que possam fazer trab alh o profissional. ê tolerada desde que não tente ser o “dono d a bola". Não podem os esp erar que indivíduos que estão n a s forças arm ad as aceitem voluntariam ente responsabilidade pública. P ara alterar u m a in stitu ição tem os que m u d ar a co nduta dos indivíduos que são a instituição.176 M urray S id m a n com estas obrigações ap en as ao custo de dim inuir serviços básicos. lim itada a in d ica­ ção de chefes. A penas controle externo pode elim inar os tipos de coerção pelos quais as forças arm ad as se protegem a si m esm as d a vigilância e responsabilidades públicas. grupos científicos e profissionais. em prisões e em outros serviços m unicipais e estaduais. Se quiserm os fazer com que o sistem a m ilitar p asse por u m a limpeza. Indivíduos se com por­ tam . ou autopreservação inteli­ gente não são suficientes. Revisão e avaliação vindas de fora são fortem ente recu sad as.

” As contingências são b astan te explícitas: não im porta quão inferior o produto. m unido com um g rau de m estre em adm inistração de em presas. fundadas para m an ter ou m elhorar a qualidade de vida. livres dos com prom issos irrealistas com a educação. se supõe. a faculdade põe à disposição: os vendedores assu m iram o controle d a adm inis­ tração universitária. durável. Os vendedores assu m iram a direção: a qualidade de u m produto é secundária em relação ao sucesso em vendê-lo. E sta ética da sobrevivência propagou-se p a ra a educação. sendo s u b ­ vertidas p a ra asseg u rar a sobrevivência da equipe adm inistrativa e instalações físicas. bonito e benéfico seu produto. se você p u d e r vendêlo será aclam ado. Faculdades e universidades agora com petem ativam ente por alunos. V ice-reitores responsáveis por adm issão de alunos ab ertam en te classificam o recru tam en to de estu d an tes como um problem a técni­ co de marketing. então. Em todo tipo de organização é dito a executivos e adm inistradores que se preocupam com a qualidade e utilidade de seus produtos e serviços: "Você não está afinado com a m oderna prática de negócios. am bos. Em um de n o s­ sos m aiores ho sp itais ouvlu-se u m ad m in istrad o r financeiro recémcontratado.Coerção e s u a s im plicações 177 vência assum indo a direção como o objetivo d a adm inistração. com entar como ele inspecionou o orçam ento em exercício do hospital: “Meu Deus! Vocês g astam um dinheirão em cuidado com p acientes. lem bre-se dela. por reform as educacio nais que su a s equipes com treinam ento especializado em em presas não entendem nem apreciam . po ssam g astar seu tem po adm inistran d o a dotação.” A dm inistradores de n o ssas universidades ricas são persegui­ dos por dem andas de e stu d an tes e docentes. se você não p u d er vendê-lo. A dm inistradores de hospitais. você e seu produto serão desprezados. Eles anseiam pelo dia em que possam excluir todos os estu d an tes. A crítica pú b lica de deficiências n e ssa s á re a s não-fam iliares sim plesm ente am eaça s u a seg u ran ça no em prego. dem itir todos os professores e. contrariados e irritados com p es­ quisadores que exigem espaço e recu rso s p ara desenvolver novos . cuidado de pacientes ou p es­ quisa. “Mar­ keting" é o mote. U niversidades e hospitais m odernos estão sobre­ carregados de adm inistradores de em presas que têm pouco ou n e ­ nh u m conhecim ento sobre educação. A "venda” de u m a faculdade a e stu d a n te s poten­ ciais tornou-se independente do p roduto que. aborrecidos e ressentidos com m édicos que pressionam por m elho­ rias no cuidado com os pacientes. adm irado e recom pensado generosam ente: não im porta quão útil. E assim vem os as m issões originais de m u itas organizações.

pode-se perguntar: ‘T em sentido m anter-se financeiram ente saudável se o preço ê a falência de propósitos?” R espostas a estas questões não vêm da lógica. S eus critérios de sobrevivên­ cia e seu s frutos — riqueza. prestígio. Não deveria c a u sa r su rp re sa que sobrevivência im ediata con­ trolasse a co n d u ta m ais poderosam ente do que o fazem conseqüên­ cias a longo prazo: “Como podem os proporcionar educação ou cu id a­ dos com a saú d e de qualidade se nos tornarm os falidos financeira­ m ente?” Por outro lado. com a justificativa de co n tin u ar existindo. s u b stitu a a ap recia­ ção e o suporte positivo p ara o cum prim ento de objetivos públicos. orientado ap en as em direção à sobrevivência financeira. portanto. E stam os perm itindo que o controle coercitivo. O livre m ercado é cruelm ente coercitivo. m as d as leis do com portam ento: as conseqüências financeiras são im ediatas e as conseqüências educacionais atra sa d as. exigem m anutenção pública.178 M urray Sidm an m étodos p a ra a cu ra e prevenção de doenças e receosos dos riscos p a ra se u s próprios em pregos que tais considerações não-fam iliares representam . . O lucro está su b stitu in d o a qualidade no cuidado de pacientes e a produtividade d a pesquisa. deixam os o li­ vre m ercado determ inar a sobrevivência de instituições que surgi­ ram de necessidades públicas e que. estão grad u alm en te su b stitu in d o objetivos relaciona­ dos à sa ú d e por objetivos financeiros. Nas e s tru tu ra s ad m in istrati­ vas m odernas as pressões coercitivas reprim em q u aisq u er ações que am eacem a u m e n ta r a qualidade às cu stas da lucratividade. esquivando-nos de envolvimento. C ostum ávam os concordar em pag ar im postos v o lu n taria­ m ente e em contrib u ir privadam ente p ara a m an u ten ção de serviços cuja integridade necessitava independência de considerações de lu ­ cratividade. Agora. privilégio e lazer — estão em conflito fu ndam en tal com os objetivos do serviço público.

neu ro se ou doença m ental. fam iliares e a sociedade vêem com alarm e. lidando com ela por meio de u m a ou o u tra form a de fuga ou esquiva. Dizer que toda neurose e doença m ental é com portam ento de esquiva sim plificaria perigosam ente estes problem as. su g e­ riu que m uitos padrões de com portam ento surgem d a necessidade de nos protegerm os co n tra as an sied ad es que a coerção provoca. significa u m a ú n ica doença. reconhecendo a predom inância do controle coercitivo. d esaju stam en to e cap a­ cidade reduzida p a ra engajam ento construtivo. N enhum dos term os. Mesmo a esquiva bem -sucedida pode levar a cu sto s pessoais e so­ ciais tão severos que u m a pessoa é classificada como m entalm ente doente. Por su a dependência do controle coercitivo. que tom a tem po e atenção incom uns. ou que amigos. a sociedade paga um preço em term os de sofrim ento hu m an o. en tretan to . . Sigmund Freud.11 ü\(eurose e doença mentaC Mecanismos de defesa contra a coerção A esquiva pode tom ar formas bizarras ou neuróticas. Algumas vezes. O lidar com a coerção. não é tão adaptativo. a esquiva pode preo cu p ar ta n to u m a pessoa que ela interfere no seu funcionam ento cotidiano. A m aioria de nós se ad ap ta à coerção m ais ou m enos efetivam ente.

rep resen tam m edos a n o r­ m ais. notam os a au sên cia de certas ações: a pessoa com u m a fobia de m ultidões não participa de organizações sociais. n u n c a come em re sta u ra n te s ou vai a festas. Por outro lado. a h eran ça e as histó rias com portam entais. Porque choques evitados com su c e s ­ so raram en te ocorrem. de algum outro modo. teatro s ou eventos esportivos. Q uando se te n ta salvar alguém que u ltrap asso u as fronteiras. freqüentem ente é útil b u s c a r por contingências de esquiva que poderiam e sta r su ste n ta n d o o com portam ento desadaptativo. que alguém “te m ” u m a fobia de m ultidões? Dois tipos de observações u su alm en te form am a b ase p ara esse diagnóstico. todas podem e sta r envolvidas. A quím ica do corpo. As origens do “com portam ento doente” e os fatores que o m antém diferem de p e s­ soa p a ra pessoa. não vai a liquidações em grandes lojas de d epartam ento e n u n c a u s a tran sp o rte público. O que nos faz dizer. diz se que tem os u m a fobia de m ultidão ou u m a fobia de altura. por exemplo. faz viagens de avião apenas em horários em que o aeroporto provavelm ente e stá vazio e cancela a viagem se o avião estiver lotado. poderia im pedir tratam en to bem -sucedido e u m d es­ necessário prolongam ento de sofrim ento. Primeiro. não freqüenta show s m usicais. m as específicos. viaja localm ente apenas em táxi ou carros alugados. C hoques p assad o s — experiências dolorosas. Segundo. ou de nos encontrarm os no alto em relação ao chão. As várias fobias. faz longos desvios quando m ultidões são vistas à frente. eles nem sem pre são fáceis de ser e n co n tra­ dos. po ssa ser um produto de coerção tam bém sim plificaria perigosam en­ te o problem a. em baraçosas ou in ten sam en ­ te desconfortáveis sofridas co njuntam ente com grupos sociais — podem te r tornado m ultidões u m a ocasião p ara fuga e medo. são n o ­ m es que sum arizam observações sobre o com portam ento. d esadaptativa. p ertu rb ad o ras. neurótica ou. O . co n tra ta professores particu lares em vez de ir â escola.180 M urray S id m a n n e n h u m a “b u la m ágica” jam ais cu ra rá to d as os casos. Um tal conjunto de com portam entos — p o u ca participação em atividades de grupo. Se som os tom ados de pânico incontrolável perante o próprio pensam ento de estarm os em u m a m ultidão. com freqüente fuga e esquiva — deveria nos fazer su sp e ita r de u m a história de punição. Mas nós não “tem os” fobias. desconsiderar a possibilidade de que a co n ­ d u ta bizarra. Medos não são coisas. Fobias. vem os algum as ações ocorrendo m ais freqüentem ente que o esperado: a pessoa se vira e corre quando a ponto de en co n trar u m grupo n a ru a. supõe-se.

a s características positivas d a interação social podem com eçar a to m ar o lugar. ela pode p ersistir por m uito tem po depois de te r se to m ad o desnecessária. Diz-se que a fobia é c a u sa d a pela ansiedade. desordem que então . por s u a vez. Em vez disso. palpitações cardíacas. A análise do com portam ento não faz q u alq u er ten tativ a de descobrir que experiências podem ter tran sfo rm ad o m ultidões em choques.Coerção e suas im plicações 181 sofredor. Em bora a esquiva p o ssa te r com eçado em circ u n stân cias perfeitam ente realistas. eles n ad a te n h am a ver com m u lti­ dões. Final­ m ente. am bos. então. como F reud salientou. O tratam en to d estes tipos de "doença m en tal” é baseado ap en as na reversão do controle coercitivo no am biente a tu a l do paciente. ela tra ta os atos de esquiva p resen tes do paciente diretam ente. A terap ia tradicional concentrar-se-á. em vez disso. a esqui­ va e os sinais de p ertu rb ação in tern a. Talvez. afirm ando as fobias como defesas con­ tra a ansiedade. forta­ lecendo a aproxim ação enquanto a esquiva dim inui. o p a ­ ciente ap ren d e g radualm ente a se aproxim ar u m pouco m ais de pequenos grupos de pessoas. sem conhecim ento d as experiências p articu lares que leva­ ram à s ações fóbicas. te n ta descobrir os choques originais responsáveis. Dado que a fobia é realm ente n ão -realista — aí e stá porque n a verdade a consideram os anorm al — u m te ra p e u ta com portam ental e n sin a o paciente a não reagir a m ultidões como se elas fossem choques. À m edida que cada passo não traz choque. progressivam ente. estôm ago em brulhado e re sp ira ­ ção difícil que u m a am eaça de envolvimento no grupo traz. Com eçando a u m a distân cia que não evoca a fuga. sente ap en as o desconforto in tern o e a p e rtu r­ bação que as m ultidões evocam. E sta “dessensibilização sistem ática” é hoje tão b em -sucedida em elim inar fobias que quase pode ser aplicada p o r fórm ulas. as reações fóbicas desaparecem . que é. então. E sta suposição to rn a fácil hipotetizar que m ultidões origi­ n am im pulsos sexuais proibidos e estão sendo evitadas por cau sa disto. inferida do trem or incontrolável. se to rn am m ais fracos. A psiquiatria clássica. relacionados com atividade sexual. m as ten h am sido. Agora. T era­ p e u ta s por algum tem po tem eram que estivessem tratan d o apenas sintom as de um a desordem fóbica subjacente. n a descoberta dos problem as sexuais do paciente. a p esso a se to m a capaz de ju n ta r-s e a u m grupo pequeno e. um esquivador bemsucedido não tem meios de ap ren d er que o choque original não virá novam ente. talvez dando u m passo por dia n essa direção. tran sp iração . a grupos m aiores. Finalm ente.

som os dilacerados por im pulsos conflitantes. incapazes eles m esm os de d em o n strar am or abertam ente. v an tajo ­ sa p a ra todo m undo. ou de como aprendem os a m an ter afastados choques p articulares. provocados p ara agir de m aneiras que produzem am bas. A form a que a esquiva tom a depende de n o ssa história.182 M urray S id m a n se m anifestaria de outros modos. Ou. parecendo não-envolvidos. S inais de perigo podem vir do am biente externo ou de n o ssas próprias ações e d iscu rso s incipientes. Conflitos intensos entre ações com petidoras são altam ente prováveis quando tem os que s u ­ prim ir fortes tendências n atu rais. o único cam inho seguro a seguir é m o stra r grande afeição. podem os agir casualm ente. pais e outros adultos são suprim idas com forte punição e desaprovação por p arte dos poderosos m ais velhos. -Formação de reação não difere em princípio de q u alq u er o u ­ tra ad ap tação à coerção. F reud enfatizou o período de de­ senvolvimento d a sexualidade como a fonte de m uitos conflitos. n o ssa reação pode ser nos voltar e correr. assim tam bém o pode n o ssa própria inclinação de erguer nosso próprio punho. O p u n h o erguido de u m a o u tra pessoa pode nos alarm ar. que acabou de ser repreendido in ju stam en te por su a mãe. ela tam bém pode lim itar n o ssas opções. Algumas vezes. Q uando o perigo se aproxim a. Formação de reação. pode reagir a seu próprio ressentim ento e raiva depois de ter ouvido incontáveis vezes que ele deve som ente am ar seu s pais? Q uando som os fortem ente im pelidos em direção a u m a ação que inevitavelm ente tra rá u m choque. conseqüências positivas e negativas. as ações hostis ou agressivas de cria n ­ ças contra seu s irm ãos. em ocasiões que com um ente tr a ­ riam proxim idade e afeição. O que devem fazer as pessoas jovens quando são ten tad as a u su fru ir de relações sexuais sobre as quais lhe disseram serem su jas e proibidas? Mais geralm ente. então. Seja o p u n h o de u m a o u tra pessoa ou p nosso próprio. se n o sso s pais. a im plem entação inicial (prematura) de proibições cu ltu rais co n traria o forte reforçam ento positivo que a n atu reza provê p ara atividade se­ xual. Podemos ter aprendido quando crian ças que exatam ente naqueles m om entos em que estam os m ais bravos com nossos pais. u m a m an eira efetiva de nos im pedirm os de fazê-lo é fazer o oposto. Como um rapaz. Em bora a form ação de reação po ssa ser adaptativa. impe- . p u n iram n o ssa s ex­ pressões infantis de am or. nós o evita­ mos. Ou podem os co n trariar os atrativos proibidos dos prazeres do m undo ju n ta n d o nos a u m a ordem religiosa celibatária. Tais tem ores d em o n straram -se infundados. Isto ê “formação de reação”.

mas ela não precisa ter n ad a a ver com sublim ação. esta noção persiste n a teoria p siq u iátrica e recorre como um tem a em poesia e literatura.Coerção e suas im plicações 183 dindo-nos de nos expor a oportunidades de experiência e crescim en­ to. Sublimação. “ren ú n cia ao p razer”. “m artírio”. proibidos pelo costum e social e pela lei de b a te r u n s n o s ou tro s. podem os evitar a conde­ nação e obier adm iração acertando-os com câm eras. Em vez de n o s im pedirm os de fazer algo fazendo o oposto. estão lim itando a qualidade e a am plitude de su a s vidas tão efetivamente q u an to se estivessem fisicam ente restringidos. Se classificados como sublim ação. A grande arte se rem ete a experiências universais e o sofrim ento. “inabilidade p ara receber”. Tais “sublim ações” são um modo perfeitam ente adaptativo de evitar a censura. Pode haver algum a verdade nisto. em vez de fezes. . a responder à generosidade com desconfiança ou a co n sid erar a sexualidade suja. xadrez e dam as. As d e s­ vantagens potenciais de form ação de reação são reconhecíveis em expressões com uns como “medo do su cesso ”. T en h a ou não validade. Seu poder de perm an ên cia dem o n s­ tra. luta-livre ou box. que tam bém são form as socialm ente aprovadas de agressão competitiva. “p u d o r vitoriano” ou “negação da realidade”. que artista s têm que sofrer an tes que possam atingir a grandiosidade. como adaptações à coerção. bridge. A freqüência de tais referências em n o ssa linguagem sugere u m a generalizada fam iliaridade com os tipos de coerção que geram form ação de reação. diz-se que as p esso as sublim am voltando-se p a ra as artes e p ara as ciências — m eios de expressão socialm ente aprovados p ara su as energias criativas. a generalizada aceitação de como a coerção perm eia n o ssas vidas. Aqueles que apren d eram a reagir ao am or com fuga. ain d a de um outro modo. científica e de outros tipos. é do conhecim ento de todos. E sta visão é a fonte da crença de que agonia e dor devem n u trir a criatividade artística. em vez de m a ta r anim ais selvagens. mesmo os m ais altos trab alh o s artísticos e in telectuais devem ser vistos como form as de esquiva. podem os canalizar a m esm a ação ou u m a sem elh an te em um a direção aprovada. significativo porque envolve dor e privação ou perda. assistim o s a futebol am ericano. As crian ças aprendem por meio d a d esap ro ­ vação e outros tipos de punição a b rin c a r com lam a. Um tipo de sublim ação não-vista em qualquer laboratório é o suposto recanalizar de im pulsos sexuais proibidos p a ra a criativida­ de artística. Sob a am eaça de punição por sexualidade não-restringida.

S uas origens não precisam ser coercitivas. Segue-se daí que algum as vezes nos encontram os fazendo coisas que aprendem os a tem er nos outros e a d esaprovar em nós mesm os. no en tan to acu san d o todo m undo de traição: ‘T odos vocês estão a trá s do m eu em prego. Algumas co n d u tas que a com unidade am eaça punir. fraude e m en tira em relações políticas. E assim vem os colegas de trab alh o subindo ao topo sobre as costas en san g ü en tad as e as carreiras d estru íd as de se u s com pa­ nheiros. objetos inanim ados e anim ais n ão -h u m an o s não são necessariam ente en rai­ zadas em coerção. m as que reclam a: “Eu não consigo estu d ar. “p ro jetan ­ do-a” nos outros. prom essas não -m an tid as e contratos q u eb ra­ dos. Não reconhecendo projeção como a esquiva de autoconsciência. b u rla da lei e desconsideração pelo b em -estar dos outros são vistos com m au s olhos. observações clínicas e cotidianas confirm am s u a realidade. agressão sexual. a com unidade in ternacio­ nal im ediatam ente reconhece a desajeitada tentativa do agressor de m ascarar su a s intenções hostis até mesm o de si m esm o atribuindoas à vítim a potencial. perpetuam os sérios problem as de interação social: reconhecendo-a pelo que ela é. quando o ávido leitor de pornografia se to rn a um estriden te defensor da cen su ra. Competição social e com ercial subreptícias.184 M urray S id m a n Projeção.” J á se disse que m entirosos são punidos não tanto porque os outros não acreditam neles. como am eaças ao fino verniz de civilização que nos im pede de p u la r n a g arg an ta u m do outro. portanto estabelecendo-as como ruins. A inda assim . poderia ter gerado tais ações contraditórias. De que outro modo. tais tran sg ressõ es contra padrões éticos freqüentem ente valem a pena. no en tre tan to trazem sucesso. é difícil im aginar o que. exceto esquiva de auto-ridículo e da desaprovação d a com unidade. E m bora a projeção não te n h a sido m o strad a em laboratório. as g arotas não me deixam em paz. A inda assim . podem os en ten d er a ação de um professor não-produtivo de negar a u m colega prom oção ou estabilidade com b ase em su a s publicações insuficientes? Q u an ­ do o líder de u m a nação poderosa am eaça de retaliação co n tra a p o stu ra agressiva de u m pequeno vizinho.” E stu d a n tes estão fam iliarizados com o m acho sexualm ente agressivo cujos avanços são públicos e prom ís­ cuos. a freqüentem ente observada projeção d as qualidades h u m a n a s em plan tas. A realidade nem sem pre está em harm o n ia com os valores que a sociedade te n ta inculcar. Uma m aneira de esquivar do conseqüente autodesprezo é nos cegar­ mos à n o ssa própria co n d u ta atrib u in d o -a a alguém m ais. C ertam ente. pessoais e de negó­ cios. a não ser como esquiva de auto-reconhecim ento. to m am o s possíveis soluções. m as porque eles não podem acreditar nos outros. .

é conhecido por toda a universidade por su a crueldade em relação às e stu d a n te s do sexo feminino. como u m a forma de esquiva. ele rapidam ente estaria sem emprego. perdendo um a grande venda. se su rp reen d eria se lhe fosse dito que ele está pagando o preço por esta h arm o n ia com su a s alu n as. Deslocamento pode ser difícil de tra ta r porque su a s raízes não sâo óbvias. o p atrão o ch am a e o adm oesta por algo que não é su a falta. podem os sim plesm ente dirigir a co n d u ta desaprovada a alguém que não é provável de nos punir. O dia de trabalho term ina exatam ente quando ele está a ponto de explodir. O professor Y sem pre se descobre de algum modo n a defensi­ va quando ele critica ou contradiz s u a m ulher. culpado pela form a como tra ta su a família. a cada oportunidade que tem . discutindo com seu s colegas. O bom professor. O pequeno Z. Refreando-nos de descortesia.Coerção e s u a s im plicações 185 Deslocamento. o sen h o r X chega em casa e e sp a n ­ ca su a m u lh er e seu s filhos. de u s a r a mão pesada da autoridade. ain d a fervendo. Agora. que rapidam ente aprende a sair do cam inho de seu antigo com panheiro de brinquedo. Ele discute com o patrão por s u a in ju stiça? Ele conta su a s frustrações do dia? Ele b ate no p atrão ou am eaça de retaliar contra toda a injustiça? N aturalm ente não. Assim. não reconhece que estresses no trabalho estão sendo despejados em s u a vida familiar. da crítica ou da violência em relação a p es­ soas que estão em posição de devolver a agressão com agressão. ele atinge o cachorro d a família. que não m ais se engaja em argum entos dom ésticos. Em vez de evitar autocondenação ou co n d en a­ ção social. podem os não reconhecer a fonte de su a relação m u d ad a com o cachorro. ou atribuindo n o ssas próprias tendências culpáveis a ou tro s. O sen h o r X teve u m m au dia no escritório. Q uando ele está saindo. Nós a recanalizam os em direção a alguém que não está desejoso ou não pode retaliar. pode d em onstrar-se difícil identificar u m a atividade p a rticu la r de deslocamento. o professor Y. esquecendo um com prom isso e vendo u m p ro ­ blema no com putador apagar s u a folha de dados. su b stitu in d o ações proibidas por ações aceitáveis. O sen h o r X. descobre que te n ta ­ tivas de tirar de cena s u a p equena irm ã não serão toleradas. Porque os choques iniciadores estão escondidos d a visão. d erru b an d o café em papéis im portantes. . u m a criança de dois anos. “deslocam os” a ação objetável. Agora que o pequeno Z sempre tra ta su a irm ãzinha com afeto. cuja vida fam iliar é harm oniosa.

Tal co n d u ta “regressiva" fre­ qüentem ente perm ite evitar punição. provavelm ente. E ntretan to . u m adolescente evita as tarefas e responsabilidades que a em ergente idade ad u lta com um ente reque­ reria. reco­ nhecim ento. sem lar. tornando-se dependente e choram ingando. Regressão. o te ra p eu ta precisa ap en as en sin ar ao paciente m aneiras m ais efetivas de adaptar-se. Podemos en sin ar um jovem rato de laboratório a obter alim ento correndo em círculos.186 M urray Sidm an Como sugerem estes exem plos facilm ente reconhecidos. punim os ou sim plesm ente param os de reforçar o ato que o sujeito aprendeu m ais recentem ente. O sujeito rapidam ente reto rn a­ rá a um de seu s m odos m ais antigos de obter alim ento. E n ten d er isso é to m a r possível tratam en to efetivo. Um adulto algum as vezes agirã como u m a crian ­ ça. Então. ou u m a criança como u m bebê. veste ro u p as velhas. Podemos d em o n strar facilm ente a regressão. O processo é b a sta n te norm al e razoável. Provavelm ente é im portante descobrir m anei­ ra s de reagir à fru stração e à punição que não nos conduzam a problem as m ais sérios. ele re to m a rá à s u a atividade anteriorm ente bem -sucedida de bicar um botão verde. depois que ele atinge a idade ad u lta. privação ou dificuldade. injusto e desg astan te req u er tratam ento. um hom em de m eia-idade. m as a coerção que a origina. Em vez de b u scar fan tasias infantis. O problem a real não é a n atu re za regressiva do com portam ento. se nós tornarm os a b a rra im produtiva. tornando-se "pato­ lógico" som ente quando o aju stam en to e n tra em conflito com n o r­ m as sociais e expectativas estabelecidas. um aluno de universidade foge da com petição por n o tas. Então. complexos sexuais ou anorm alidades desenvolvim entais. que se m antém sujo. fala e faz gestos p a ra si m esm o em público e tem b irras é levado p a ra u m a in stitu ição m en­ tal onde ele perm anece seguro das grandes privações. prim eiro en si­ nando u m sujeito experim ental várias m an eiras de obter alim ento. quando o deslocam ento se to m a m al-adaptado. u m a ad ap tação à coerção m ais ccm um do que alguns de nós adm itim os. nós o ensinam os a p ressio n ar u m a b a rra — u m a ocupação m ais m adura. . des­ locam ento é. Uma criança de quatro anos descobre que defecando em s u a s calças pode desviar a atenção da m ãe dirigida a seu novo irm ão. o anim al reto rn ará ã s u a atividade juvenil de correr em círculos. Ela não n ecessariam en te ap resen ­ ta dificuldades sérias. Se u m pombo não pode m ais obter alim ento bicando um botão vermelho. am izade e afeição deixando a escola e voltando ao calo­ roso e protetor círculo familiar.

m as coerção social ou o u tra coerção am biental é responsável por m u itas obsessões e com pulsões. u m livro. Com todo este lavar de m ãos. Rigidez repetitiva é tão freqüen­ tem ente u m a form a de esquiva que u m a b u sc a por s u a b ase coerci­ tiva freqüentem ente fornecerá u m bom ponto de p artid a p ara se fazer algum a coisa a respeito. que ele é sexualm ente violento. Atos podem se to rn a r tão freqüen­ tes e autoconsum idores a ponto de serem cham ados de "obsessivos" ou “com pulsivos”. são críticas. tem os que sab er o que to m a a su a esquiva de interações com a família reforçadora. ela precisa im ediatam ente d ar às s u a s m ãos u m a esfregada com pleta com ág u a quente e s a ­ bão. talvez fóbico. dever-se-ia im ediatam ente su sp e ita r de que esquiva está ocorrendo. ela não consegue term inar n ad a que comece. As condições que m antêm o com portam ento. A sen h o ra Q tornou-se física e em ocionalm ente não-funcional. p a s s a r por seu ritu al de se lavar. Que punições infli­ gidas â sen h o ra Q pela família to m aram im portante p ara ela tornarse não-funcional? Que tipos de coerção to m a ra m a família da se­ n h o ra Q choques? Q uando tivermos descoberto. talvez. que o sen h o r Q é infiel. em vez de olhar p a ra s u a história. A ssim que ela toca qualq u er coisa. O perigo pode ser real ou im aginado. Para a ju d a r a sen h o ra Q e s u a família. podem os nos im pedir de fazer algo perigoso. que ele reclam a incessantem ente sobre s u a comida. Q uando se vê u m a pessoa exces­ sivam ente preocupada. então. u m lápis ou um telefone sem. quan d o quer que ela toque seu m arido ou seu s filhos ela p recisa im ediatam ente se lavar. um asp irad o r de pó. Mas e sta investigação não resolveria o problem a im ediato. Ela não pode m an ip u lar um utensílio de cozinha. olharm os p a ra a s conseqüências im ediatas de seu s atos com pulsivos. Ironicam ente. u m alimento. u m a peça de roupa. O bsessivam ente repetindo algo seguro. que ele a hum ilha . cuidado da casa e aparência. A sen h o ra Q tem u m a debilitante com pulsão de lavar as m ãos. Ela e su a família precisam de ajuda. Podemos ter u m a chance m elhor de d ar aju d a se. O com pulsivo lavar as m ãos da sen h o ra Q perm ite a ela esquivar-se d as tarefas e dos contatos afetivos que são p arte do envolvimento familiar. não a s u a forma. Pode ser in teressan te p erg u n ta r por su a s experiências de infância p a ra descobrir porque ela voltou-se p a ra o lavar as mãos compulsivo. como s u a m aneira de desengajar-se d a família.Coerção e s u a s im plicações 187 O bsessões e compulsões. as conseqüências que to r­ nam o lavar a s m ãos p ertu rb ad o r — a inabilidade d a sen h o ra Q de interagir com su a família — são o próprio resu ltad o que m antêm ocorrendo o com portam ento problem ático.

ele teria deixado a ja n e la do q uarto ab erta? Ele pega su a s chaves. quando u m a com pulsão to rn a-se debilitadora. Agora. ele sobe de volta p a ra descobrir. por s u a própria n atu reza. Se o m arido realm ente quiser a com pulsão de s u a m ulher cu rad a. tornando-os difíceis de identificar. d estran car a p o rta do ap artam en to e checar o . A esquiva bem -sucedida. já n a m etade d a escada. E ntão. Com pulsividade é um tipo de técnica de autocontrole. Ele encontra a TV silenciosa e desligada. então a sen h o ra Q pode ter que ser aju d ad a a fugir de fato. D esta vez. assim ele volta p ara checar. a experiência pode d a r ao te ra p e u ta pistas sobre o que procurar. tudo parece em ordem. a p o rta da ru a se fecha a trá s do sen h o r S an te s que ele se lem bre de que a privada.” Lá vai ele de volta. os elem entos de u m ato com pulsivo. Em seguida. pode ser b a sta n te adaptativa. Observem os o sen h o r S quando ele começa a sa ir de seu ap artam en to p ara u m a entrevista de trabalho. ele se p erg u n ta se fechou a to rn eira d a pia do banheiro. E ntretanto. ele te rá que aceitar terap ia p ara si mesmo. Assim que ele abre a porta p a ra sair. tudo está bem. Se o sen h o r Q recu sa-se a aceitar s u a responsabilidade por s u a condição. su b ir as escadas de novo. Ele a tin h a fechado. não n ecessitando de tratam e n to especial. depois de ferver água p ara o chã. tem continuado a correr ág u a depois de ser dada a descarga. Aí está porque ações que realm ente são esquiva podem parecer m isteriosas ou inexplicáveis. terem os desco berto o que precisa ser feito. m antendo-nos no cam inho reto e estreito. a ju ­ dando-nos a não afundar. assim que a p orta se fecha a trá s dele. Finalm ente. o sen h o r S não consegue se lem brar se ele havia desligado o fogão. A penas p aran d o de distrib u ir choques ele pode im pedir su a m u lh er de reagir a ele como a um choque. a terap ia efetiva re ­ quer a identificação dos choques p articulares que estão sendo esq u i­ vados. ele se lem bra.188 M urray S id m a n publicam ente e que as crianças seguem su a linha. m antém os choques afastados. Tam bém . Mas. A com pulsão de su a m ulher está sendo m an tid a por seu sucesso em protegê-la de s u a s p ráticas coercitivas. necessitando de um aju stam en to n a válvula. assegurado em relação à água e u m a vez m ais a cam inho. podem ser perfeitam ente razoáveis. ele te rá que ap ren d er como controlar su a própria conduta. que a previsão do tem po previu chuva. pega su a s chaves e novam ente e n tra no apartam ento. Com m oderação. ele chega ao final d a escada an tes de parar: “Será que eu ouvi vozes en q u an to checava o fogão? É m elhor voltar e me asseg u rar de que desliguei a TV. E n co n trar a s chaves d a p o rta de baixo. d estran c a a porta e vai checar a janela. quando não-repetitivos. Novamente.

ele p e n sa ter ouvido o telefone tocar: “Eles devem estar cancelando a entrevista. en tretan to . um am biente am eaçador to m o u o sen h o r S um a u tô ­ m ato. a pressões coercitivas. a coerção tom ou conta. A privada está OK. como com o u tra s fobias. Se olharm os de perto p ara o senhor S. Se u m a am eaça real existe lá fora. freqüentem ente aprendida cedo n a vida. liga as luzes. com eça a ferver ág u a n a chaleira. “cãibras de escri- . de novo um lance de escadas abaixo. Finalm ente.Coerção e s u a s im plicações 189 banheiro. um encontro e stressan te ou u m a obrigação difícil? Desenvolver pro­ blem as corporais reais é u m a adaptação sim ilar. com tu d o ap aren tem en te em ordem . verem os este tipo de coisa ocorrendo repetidam ente. chave n a mão. "talvez eles liguem de novo. m as m ais íncapacitadora. no meio d a escada ele estala seu s dedos: “E u acabei de deixar acesa a luz do banheiro. E stá desligada. de esquiva da vida restrita e com petitiva de um violinista concertista. um program a de dessensibilização sistem ática seja suficiente p a ra livrálo da esquiva.” Ele tira seu casaco. está sendo m an tid a por e s ta m esm a razão. liga a TV e relaxa. m ais tarde. T om ar-se cego. o telefone e stá silencioso. Ele raram en te consegue sa ir do p ré­ dio. p a ra checar a luz. vai ao banheiro. De qualquer modo. p a ra filhos talentosos de pais am biciosos." De volta. assim não h á por que ir. ele decide. um te ra p e u ta deve te r que descobrir o que é an te s de ser possível en si­ n a r ao sen h o r S meios m ais adaptativos de m anejá-la. A com pulsividade do senhor S. “Bem”. S aber exatam ente o que tornou o seu am biente em um grande cho­ que pode se provar irrelevante. Hipocondria. m udo ou incapaz de a n d a r pode aliviar al­ guém de todos os tipos de obrigações e responsabilidades. Mais u m a vez. não fingiu u m a doença p ara não ir à escola ou. D esordens de conversão. Quem. quando criança. agora é m uito tarde.” M as quando ele consegue e n tra r no a p a r­ tam ento. abre a s ja n elas. Que choques esperam pelo sen h o r S lã fora? A cidentes? Rou­ bos? A ssaltos? F racasso no em prego? Rejeição? Pode não im portar. E ntretan to . p a ra pospor u m exame. Doença é presum ivelm ente incontrolãvel. Talvez. p ertu rb a d o ra porque ela o im pede de sair p ara o m undo. desde h á m uito tem po tem sido reconhecida como u m a m aneira de se evadir de punição ou de sim plesm ente se proteger da desagradabilidade. Dor per­ sistente nos om bros ou p aralisia nos dedos são m an eiras resp eitá­ veis. E sta observação define o problem a e a solução. ela lhe perm ite esquivar de contato com o m undo externo. assim a com unidade aceita-a como u m a d escu lp a legítima para tratam e n to especial.

Com a falta de uso. Em todos estes casos. Q uando quer que o “toque da c u ra ” faça com que paralíticos de longa d ata saiam de su as cadeiras de rqdas. podem os nos to rn a r com portam entalm ente incapazes. Am nésia. Por exemplo. sem pre deve se su sp e ita r de desordens de conversão. Em vez de esquivar da coerção. m as a vítim a é tão incapaz de erguer-se e an d ar como se a c a u sa fosse esclerose m últipla ou derram e. Em vez de reagir a pressões coercitivas in ten sas com prom etendo algum a função física. ou m udos voltem a falar. A continuação de u m a desordem de conversão req u er que a coerção sendo evitada perm aneça m ais problem ática do que a s pe­ nalidades que a própria desordem impõe. a perd a da m em ória freqüen­ tem ente tem as m esm as origens no estresse am biental que a perda histérica de u m a função corporal. S intom as histéricos sem pre produzem seu s próprios desconfortos. sendo totalm ente incapazes de lem brá-las ou transform ândo-as e reinterpretando-as. um aju stam en to com portam ental ao estresse parece ter sido “conver­ tido” em u m ajustam ento físico. podem os perder n o ssa memória. “confir­ m ando”. é razoável b u s c a r por in d ica­ ções de que a desordem de conversão havia se to m ad o m ais estressan te que s u a s condições originadoras. a b ase física d a doença. O term o “h isteria” é freqüentem ente aplicado. Como livrar-se da doença física sem a rris­ car a acusação de fingim ento deliberado? A fé no cu ran d eiro provê um cam inho seguro. Todo m undo tende a esquecer seletivam ente. o m em bro pode se deteriorar. O com ponente de esquiva do esque- . Uma desordem de conversão não precisa im plicar u m fingi­ m ento consciente. fu g a e personalidade múltipla. É p a rtic u la r­ m ente provável que lem brem os incorretam ente de experiências d e sa ­ gradáveis. desvantagens e m esm o p u n i­ ções. Se a doença realm ente se to rn a m ais aversiva do que a coerção que a iniciou. cegos voltem a ver.190 M urray S id m a n to r” dão a u m au to r sem sucesso u m a alternativa aceitável p a ra um beco sem saíd a n a carreira sem ter que adm itir o fracasso. Em bora não classificada com um ente como u m a desordem de conversão. O controle externo sobre a co n d u ta pode ser tão invisível para o sofredor como o controle dentro do corpo e igual­ m ente poderoso. Em casos de c u ra s m ilagro­ sas. tornando-nos fisicam ente incapaz. assim . Uma paralisia pode ser histérica. convul­ sões de tipo epiléptico têm sido vistas dim inuir quan d o elas deixam de provocar a solicitude u su al da família. podem os to rn a r inativa u m a função com portam ental. o p aciente pode e sta r em um a arm adilha.

efetivam ente tira de cena especificidades insuportáveis do passado. E n tre­ tanto. Assim tam bém o an d ar. sem n en h u m a m em ória do que ocorreu du ran te a fuga. pode re s­ tabelecer um ciclo recorrente. a linguagem u su alm en te se m antém intocada. Se a nova vida finalm ente d esen ­ volve seu s próprios estresses insuportáveis. como um im enso ato de esqui­ va. m uito com portam ento perm anece. to rn ad a legítima pelo diagnóstico médico. algum as vezes experienciamos um conjunto de infortúnios. u m a vez que a s c a u sa s iniciadoras da am nésia histérica e da am nésia falsa podem ser as m esm as. fazer aritm ética e nom ear as cores. os estresses que originalm ente levaram à fuga provavelm ente voltarão à tona e. Mesmo n a am nésia total. escrever. form as e funções dos objetos. Uma pessoa em tal "estado de fuga” pode perm anecer fora por ap en as u m breve período. m esm o a am nésia “geral". em bo­ ra a distinção po ssa ser difícil. A tolerância inicial. seguida pela retom ada do controle coercitivo. que não é incomum. vestir-se. a seletividade do esquecim ento ap o n ta p ara a utilidade de considerar. Mas m esm o quando o retorno é fortem ente reforçado. ou pode desaparecer por tem po suficiente p a ra en co n trar um novo emprego e estabelecer novas relações pessoais. racio­ cinar. torna-se im portante te n ta r descobrir que choques intensos ou que pressões coercitivas persisten tes a am nésia perm ite que o sofredor evite. endereço. “am nésia". E ntretanto. hum ilhações ou p erd as tão visíveis p ara todo m undo que esquecê-los seletivam ente não seria obviam en­ te razoável. talvez até mesm o casar-se de novo e com eçar u m a o u tra família. Então. do m em bro da família que freqüentem ente desaparece e que . a fuga am nésica. família e amigos. a solução pode ser um retom o à vida anterior. A m nésia não precisa rep resen tar fingim ento.Coerção e s u a s im plicações 191 cimento seletivo é evidente. ler. O te ra p e u ta deve prim eiro se asseg u rar que a perd a de m em ória não veio de u m a recente p an cad a n a cabeça ou de u m a doença do sistem a nervoso. Temos então o caso. Podem os então sofrer u m a perda geral de memória. tornando-nos incapazes de lem brar nosso nome. tam bém . U m a perda defensiva de m em ória pode ser m ais fácil de su ste n ta r realm ente fugindo do am biente norm al. assu m in d o um a nova identidade em um lugar novo. altam ente reforçadora. comer. Uma tal perda de identidade. h istó ria educacional e profissional ou trab alh o atu al. exibir m aneiras e costum es u su a is e dirigir um carro. O indivíduo com am nésia ain d a pode conversar. O m arido ou a esposa por m uito tem po au sen te s são fre­ qüentem ente recebidos de volta n a antiga família com os braços abertos.

192 M urray S id m a n inevitavelm ente reto rn a depois de recu p erar s u a memória. ain d a que “ele esteja tom ando seu pão e o com endo tam bém ”. Porque os com ponentes de fuga e esquiva do ciclo são tão fáceis de detectar.) Na am nésia sim ples u su alm en te dividimos n o ssa vida em d u as zonas de tempo. o controle am biental não é anorm al. frágil. as sen h o ritas X. exigente e dependente física e em ocional­ m ente de s u a família e de seu s amigos. não afirm ou estar sofrendo de am nésia. Os três modos de co n d u ta são independentes. Y e Z não sabem d a existência um as d as ou tras. À m edida que os estresses associados com um padrão de com portam ento se to rn am insuportáveis. Estes ajustam entos. A sen h o rita X. são freqüentem ente cham ados “personalidade m últipla”. . sem n ad a que obviam ente o provoque. A respei­ tabilidade p siquiátrica d a “am nésia" e da “fuga” to m a possível p ara a família tolerar este tipo de ajustam ento. algum as vezes — sem qualq u er m u d an ça de localização — to rn a-se repentinam ente infantil. dividimos n o ssas vidas. natu ralm en te. u m a pessoa que m aneja de modo m aduro e capaz s u a própria vida e a de su a família. m enos em períodos de tem ­ po e m ais em zonas geográficas. m as dividimos n o ssa vida em zonas de co n d u ta independentes. ou em casa. Então. um período no p assad o d ista n te não m ais existe p ara nós. Um professor age diferentem ente n a sala de au la e em reuniões de departam ento. ela seletivam ente esquece os outros. perm anecem os m ais ou m enos no m esm o am biente e n a m esm a referência de tem ­ po. com cada am biente controlando um repertório com portam ental diferente e im pedindo os estresses do outro am biente. sem seguir qualquer seqüência p articu la r de tempo. que acontecem sem qualq u er relação óbvia com tem po ou lugar. ou em u m a festa. E n q u an to engajada em cada p adrão p articular. N aturalm ente. o professor pode se lem brar do que aconteceu em cad a u m deles. estes não são isolados u n s dos outros. Ela é agora a senhorita Y. ela se to rn a a sen h o rita Z. (O pai que recebeu de volta o Filho Pródigo talvez te n h a sido cuidadoso para não reintroduzir controle coercitivo e o Filho Pródigo.) Em um estado de fuga. por si mesmo. m as diferentem ente dos am bientes controladores d u ran te um estado de fuga. um a reclu sa que não m ais reconhece fam ília e amigos. freqüentem ente. ela m u d a p ara outro. Em u m a terceiro aju stam en to am nésico. fam ílias que são m ais inform adas sobre a biologia e o com portam ento h u m an o s m e­ nos provavelm ente toleram estados de fuga recorrentes. (Uma pessoa cuja am n ésia é produto de u m dano cerebral pode se lem brar do p assad o distante. m as ser incapaz de lem brar qualquer coisa que aconteceu depois do dano.

m uitos p siq u iatras e psicólogos agem como se tal com preensão não fosse possível. é regida por leis. m as. aceitável. a personalidade m ú ltipla é m ais provável de se r aceita sem alarme. vem os doença m ental n a conduta. em vez disso. tam bém . u sam grosseiros cri­ térios estatísticos. P ara definir anorm alidade eles não especificam processos com portam entais m as. O que é “anormal”? J á deveria ser evidente que a crise com portam ental é um resultado direto de processos de controle norm ais. Elas certam en te não conside­ ram que ela requeira tratam en to médico ou com portam ental. no entanto. fuga e esquiva. freqüentem ente descobrim os que as leis do controle coercitivo. e até m esm o reforçada com a te n ­ ção especial. então. que o problem a da influenza poderia ter sido resolvido do modo m ais duro — livrando-se dela — . Assim como a pesq u isa sobre reações coiporais norm ais a ataq u es virais levou à possibilidade de prevenir a influenza. U m a su p erstição com um s u s ­ te n ta que personalidades são m anifestações externas de seres in te­ riores. E m bora u m a com preensão do cará ter ordenado do com porta­ m ento p o ssa trazer a prevenção e a c u ra de m u itas doenças m en­ tais. Uma publicidade generalizada n a m ídia e reem bolso financeiro por edito­ res exploradores tam bém têm ajudado a p erp etu ar esse a ju sta m e n ­ to. C om preender e fazer algo sobre a anorm alidade requer análise com portam ental. E sta crença tornou possível p ara algum as com unidades conti­ n u a r vendo a personalidade m últipla como. P ara onde nos teria trazido a m edicina científica se tivesse considerado a influenza anorm al apenas porque era relativam ente rara? A lógica teria nos dito. u m aju stam en to incom um . m uitos fatores podem co n tribuir p ara a doença m ental e qualquer caso p articu lar requer a consideração de todas as possibilidades: sociais e individuais. em vez de resultados de processos biológicos e com portam entais. atu an d o por meio de contingências de punição. fornecem bases efetivas p ara tratam en to . a pesquisa sobre aju stam en to s com portam entais n o r­ m ais ao controle coercitivo tem levado à possibilidade de m elhorar algum as form as de doença m ental. Q uando efe­ tuam os essa análise. C laram ente. co n d u ta anorm al.Coerção e s u a s im plicações 193 Como o estado de fuga. Mas no final. talvez. se os entes queridos são relativam ente desinform ados sobre as cau sas do com portam ento. in tern as e externas. Eles vêem com su sp eita e ten tam c u ra r qualquer ação que se desvie do usual.

a rotulação da criatividade como an o r­ mal realm ente ocorre m ais freqüentem ente n a arte. que grupo. criatividade é a produção do não-usual. Eles q u ase sem pre requerem con­ form idade a crenças que são pouco m ais que preconceitos pessoais .194 M urray S id m a n ou do modo m ais fácil — p assan d o -a p ara todo m undo e. Algumas organizações profissio­ nais listam critérios absolutos p ara o que é norm al. A doença m ental. em bora baseados nos vocabulários da m edicina e d a psicologia. não são. freqüentem ente. poderia logicamente ser elim inada como um problem a to r­ nan d o todo m undo m entalm ente doente. lim itado n a s u a adap tab ili­ dade geral — um tipo de sábio desligado e idiota. têm levado a o u tras definições de anorm alidade. U sando seu s critérios. Quem deve dizer que am biente. u m a o u tra conde­ n a ou proíbe. infelizm ente. Porque não conseguim os nos conform ar aos co stu m es de um segm ento p articu lar d a sociedade. o gênio científico é estereotipado como superespecializado. elas estabelecem padrões de saú d e m ental. definida e statistica­ m ente. Sob a capa do cuidado acadêmico. T entativas de q u eb rar o raciocínio circular não-produtivo. envia os cidadãos de B oston p ara terapia. Mais u m a vez. Infelizmente. A definição estatística de anorm alidade levanta m ais do que um problem a sim plesm ente lógico. assim . universidades e em presas atra em pessoas que não poderiam aceitar ou sobreviver aos costum es u n s dos ou­ tros. que ro tu la qualquer coisa n ão -u su al como anorm al. m enos a rb itrá ­ rios que os critérios estatísticos. E stes padrões absolutos de norm alidade. igualm ente — que condena em todos os outros lugares. encontros universitários encorajam detalhism o e sofisticação que não seriam tolerados em qualq u er reunião de negócios entre executivos. to rn an d o -a “norm al”. ações que são anorm ais fora da prisão são norm ais dentro dela. C onduta que seria ricam ente recom pensada em Los Angeles. por definição. Isto tam bém ro tu laria todo desem penho superior como anorm al. isto to rn a nosso com portam ento doente? Precisam os de tratam en to ? Seguir estritam en te este critério elim inaria toda criatividade. os m ais com petentes são freqüentem ente rotulados como anorm ais: atletas excepcionais freqüentem ente são vistos como estran h o s. tam bém . lite ra tu ra e ciên­ cias do que é com um ente assum ido. Vivemos em u m a sociedade com ­ plexa e o que u m a com unidade adm ira ou tolera. os m ais capazes den tre os alu n o s de segundo grau são colocados no ostracism o e até m esm o persegui­ dos por seu s colegas m enos intelectualizados. é anorm al — se algum o é? Na prisão a sociedade releva e até m esm o en co raja a m esm a violência — pelos que a g u ard am e a habitam . per­ form ers p ara nosso divertim ento.

$empre envolve julgam entos de valor. mesm o que eles não dese­ jem aceitar tratam ento. norm al ou an o r­ mal. não em análise científica. ap en as podem os adm itir n o ssa ignorância e colocá-los onde eles não possam nos m achucar.” Os padrões absolutos de norm alidade fem inina são b asead o s em trad i­ ção cultural. não podemos negar a realidade d a depressão. não é neg ar a existência da an o rm a­ lidade. algum as vezes. ou doentes. m olestadores de crianças. E o m ais efetivo . Algumas co n d u tas ch am ad as de anorm ais. E assim . No en tanto.Coerção e s u a s im plicações 195 sobre o que é e o que não é saudável. n ecessitan d o de tratam en to . Se não sabem os como chegar às fontes de su a s anorm alidades. Nesses casos. M uitos psicólogos. a seg u ran ça da com unidade está em jogo. po­ dem ser valiosas p ara a com unidade. Em bora b an h ad o s em respei­ tabilidade profissional. eles rotulam o fem inism o m oderno como não-saudável. M uitos p siq u iatras estão descobrindo que su a s teorias sobre relações “n o rm ais” entre sexos. são elas m esm as norm ais. a pro n u n ciam como desviante e oferecem cu ras. E. Dizer que as fontes de todo com portam ento. das fobias e de outros “m ecanism os de defesa” e de vários tipos de esquizofrenia: todas elas precisam ser tra ta d a s tão efetivam ente q uanto saibam os. T entativas de im por critérios absolutos de norm alidade se ­ xual não consideram que m uitos hom ossexuais se sentem perfeita­ m ente bem consigo m esm os e que m uitos ou tro s iriam se sen tir bem se não fosse pelas pressões coercitivas que são exercidas sobre eles. precisando ser curado. m as porque realm ente cau sam sofrim ento. e se deveria ser tratad a. do que cu rará sofrimento. crim inosos sexuais e outros casos de violência patológica são seguram ente anorm ais com bases o u tras do que s u a relativa raridade. Uma situação sem elhante existe com relação à preferência sexual. Ainda que elas sejam freqüentem ente difíceis de classificar. A ssassinos de m assa. eles raram en te têm validade científica ou clínica. espancadores de m ulheres. Tam bém precisam os tratá-los. A própria coerção que a socieda­ de coloca sobre as m ulheres que seguem cam inhos diferentes d a­ queles que foram m apeados p ara elas é citada como prova d a an o r­ m alidade fem inista: “Elas estão ap en as p ro cu ran d o p roblem as. m u itas for­ m as incom uns de com portam ento nos incom odam não ap en as por­ que são diferentes. estão sendo desafiadas p o r m ulheres que se recusam a desem p en h ar papéis tradicionais. ou podem sim plesm ente ser diferentes. refletindo a hostilidade pública em rela­ ção à hom ossexualidade. Mas se u m a anorm alidade é desejável ou não. o rótulo “doença” m ais provavelm ente cau ­ sa rá sofrim ento.

abrim os a possibilidade de ir além de nossos julgam entos de valor. Na m edicina. Identificando as contingências norm ais que su sten ta m o que decidim os ser um com portam ento-problem a. Na análise do com portam ento. a definição de u m a doença req u er a identifica­ ção de processos internos que estão produzindo os sin to m as exter­ nos. . a definição de doença req u er a identificação de processos que estão produzindo e m antendo q u a is­ quer ações que considerem os como nos incom odando.196 M urray S id m a n dos tratam e n to s sem pre su rg irá de u m a com preensão do estado norm al.

m u ltas e prisão. não m agoando ninguém m ais e m antendo-nos livres do risco de punição. sabem os exatam ente como fazer a s coisas que nos sentim os im pelidos a fazer e qual será o resu ltad o de cad a opção. ou in ­ ventando dados que receberão bolsas de p esq u isa e prêm ios. Conflitos sem elhantes surgem quando a lata de biscoi­ tos te n ta u m a criança. continuando a ter u m a existência financeira m ar­ ginal. Podemos en co n trar oportunidades de fazer n o ssa fortuna to­ m ando certo cam inho. quando um candidato a emprego pode assu m ir um a . ou “enganando viúvas e órfãos”. freqüentem ente. correm os o risco de serm os descobertos. sem m u ita atenção ao que estam os fazendo ou se deve­ ríam os fazê-lo. aceitando su b o rn o s e deixando outros “se safarem com assa ssin a to ”. quando um e stu d an te em prova pode ver a folha do colega. nós vacilam os porque os resultados conflitam. em purrados de um lado p ara o outro. de condena­ ção pública. Mas. Ao m esm o tempo. de u m a ação p ara outra: “Devo oü não devo?” Podemos não e sta r certos sobre como fazer algo corretam ente ou sobre o que acontecerá depois. Ou podem os nos m a n ter no cam inho seguro e estreito.12 Coerção e a consciência U sualm ente nos movemos suave e facilm ente de u m a ação p ara outra. Mas algum as vezes nos sentim os divididos pela inde­ cisão.

N aturalm ente. C rianças p eq u en as são b a s i­ cam ente egoístas. podem os não m ais sen tir as tentações. D u ran te seu s prim eiros anos. consciência é um nome conveniente. M uitos consideram a consciência. m esm o sem conflito. Tendo sido . Mas ninguém que te n h a observado crian ças crescendo pode acred itar que elas te ­ n h am nascido com u m a consciência. a habilidade p a ra d istin ­ g uir o certo do errado e de rejeitar o errado em favor do certo. O conflito entre certo e errado freqüentem ente nos atinge tão fortem ente que parece que sentim os o p u x ar e esticar de forças in terio res. particularm ente. ações incipientes e tentações. Uma vez que te n h am o s u m a co n sciên cia bem -desenvolvida.198 M urray S íd m a n história educacional não-existente ou quando alguém em regime se defronta com um cardápio cheio de com idas proibidas. responsavelm ente. como sendo u m a qualidade p articu larm en te h u m an a. decentem en te. não sentim os u m a coisa ch am ad a consciên­ cia. nos com portam os legalm ente. D estas forças. quando pelo m enos u m a d essas con­ tingências levariam ã punição. com portam ento preparatório verbal e de outro tipo que precedem ações abertas. u m term o que rep resen ta a transform ação de u m a criança de u m organism o au to cen trad o em u m ser h u m an o ético e resp eitad o r d a lei? Origens da consciência As raízes da consciência estão no controle coercitivo. os seu s desejos e a s su as vontades. crian ças — pelo m enos aquelas em sociedades econom icam ente a b a s ta d a s — m a n ­ têm -se os suprem o s egoístas. Punição real ou am eaçada nos en sin a o significado de "ruim ’'. u m a m a­ neira resu m id a de nos referirm os à n o ssa tendência de fazer a coisa certa quando contingências conflitantes nos em p u rram p ara dire­ ções opostas. em penhadam ente e com integridade. A penas algum escorregão ocasional d esperta as antigas dores de consciên­ cia. Mas leva tem po até atingirm os aquele estado exaltado no qual au tom aticam ente rejeitam os toda tentação. certas de que o m undo gira a seu redor e existe ap en as p a ra satisfazer todas as s u a s necessidades. Elas não vêm eq u ip ad as com preocupação pelo b em -estar e pelos direitos dos outros. eticam ente. Uma coisa ch am ad a consciência não dirige ou su p ri­ me nossa atividade. Como se desenvolvem as noções de certo e errado? Como essas noções se traduzem no que cham am os de consciência. Sentim os ten d ên cias p a ra agir. S u a s p ró ­ prias prioridades dom inam . a co n sciên cia su p o sta m e n te n o s m a n ­ tém do lado dos anjos.

que se supõe su rg ir dos conflitos que acontecem dentro de nós ã m edida que a sociedade im põe su a m ora­ lidade sobre nós. Inventam os m ecanism os in tern o s como consciên­ cia e superego p a ra aju d ar a explicar porque inibim os im pulsos anti-sociais. em vez de obter alim ento. Por algum a razão. podem os real­ m ente ver o início d a consciência. por assim dizer. o ato de p ressio n ar a b arra tem u m a longa h istó ria de reforçam ento. as contingências m udam . im orais ou antiéticos. m as ele indiscutivel­ m ente diria que estava fazendo a coisa certa: “Quem e stá falando de felicidade? Você faz o que tem de ser feito.Coerção e s u a s im plicações 199 punidos nos refream os de ações m ás (punidas). No pensam en to freudiano. Entàct. p ressio n ar a b a rra se torna ruim . m as p u la de volta como se tivesse recebido u m choque — ain d a que ele não te n h a realm ente tocado a bárra. O anim al co n tin u a a vacilar entre aproxim ação e afastam en ­ to. atribuím os à consciência os atos de esquiva que a punição gerou. em bo­ ra cuidadosam ente. O anim al se retira p ara o outro canto d a caixa. O conceito freudiano de superego ê valioso porque enfatiza a s origens sociais de n o ssa s defi­ nições de certo e errado. não h á certeza de que ele afirm asse se r feliz. Ele te n ta a b a rra m ais u m a vez e de novo é punido. não m ais deve ser tolerado. U sualm ente falam os de consciência quando pessoas — não o am biente inanim ado — nos aplicaram a s punições que produzem conflitos posteriores. Novamente ele se aproxim a. como freqüentem ente acon­ tece em nosso m undo. a b a rra co n tin u a a te n ta r o anim al. Q ual­ quer um engajado naquele ato proibido deve ser punido.” Agora. Se ele p u d esse falar. ain d a que proibida agora. Consciência é u m fenômeno social. O anim al p a ssa seu tem po tra b a ­ lhando e ganhando a vida respeitavelm ente. a sociedade sem pre o encorajou como um modo re s ­ peitável de g an h ar a vida. o anim al recebe um breve choque em s u a p a ta — u m a palm ad a na mão. Assim. dam os à voz crédito por n o ssa co n d u ta ética e m oral e culpam os nossos lapsos por su a s deficiências. consciência é sim plesm ente um outro nom e p a ra o superego. Com eçando m ais u m a vez com um rato de laboratório que aprendeu a p ressio n ar u m a b a rra e obter alim ento. . Portanto. Esquecem os a h istó ria de coerção so­ cial da qual a voz se origina. Confiando n a “p eq u en a voz in te­ rior” p ara nos m an ter no cam inho d a correção e afabilidade. até m esm o criminoso. Mas. Tendem os a esquecer as fontes p rim árias de coerção das quais derivam os a noção de consciência. egoístas. e se estica. algum as vezes voltando p a ra trá s ou m esm o pu lan d o p a ra trá s . n a próxim a vez em que p ressio n a s u a barra.

Nosso sujeito. Notam os que o sujeito com eçar a ficar longe da b arra. por pegar blocos e deixá-los cair através de buracos. p u x ar e em purrar. cores. a crian ça foi ab raçad a e b eijada por te n ta r alcan çar e tocar a face d a m ãe. por ligar e desligar botões e in terru p to res de luz. com eçando a avaliar os d anos potenciais no universo em expansão de seu filho. lum inosidades. ela dá um pulo. por virar as páginas de livros. vemos o anim al se orientando em direção à b a rra m enos e m enos freqüentem ente e. d á u m a palm ada e grita: “Não. Algumas vezes ele reage como se tivesse levado u m choque depois de sim ples­ m ente virar s u a cabeça em direção à b arra. Q ue prazeres g u ard a este novo objeto? M as m am ãe. como o faria em resp o sta ao choque. E xatam ente quando o pequeno e stá a ponto de em p u rra r o vaso. não! Não toque! É feio! . agora provavelm ente nos di­ ria que ele não estava. O que realm ente aconteceu aqui? Por que falar sobre co n s­ ciência? Onde estã a p equena voz interior? Agora observe u m a criança. está m antendo os olhos bem abertos. E n corajada a reagir a novos sons e objetos vistos. A luz refletida d a superfície de u m vaso de cristal em u m a prateleira baixa abre novas possibilidades de experiência e o en g atin h ad o r está a cam inho p ara tocar. Logo. por te n ta r p u x ar os d en tes do avô. b aru lh o s.200 M urray S id m a n depois de d a r apenas alguns p asso s em direção à b a rra e ocasional­ m ente aproxim ando-se e esticando seu corpo q u ase até alcançã-la. Agora ela se a rra s ta e engatinha. se p u d esse falar. finalm ente. S eu universo g randem en­ te aum entado coloca a exploradora em contato com inum eráveis novas form as. No entanto. N ada acontece quando o anim al olha p a ra ou se m ovim enta em direção à barra. fazendo a coisa certa. m antendo a ten tação à distância. R aram ente ele vai tão longe a ponto de realm ente p ressio n ar a b a rra e levar u m choque. Pres­ sionar a b a rra acabou sendo ruim . u su alm en te ele p á ra quan d o a ponto de to car a b arra. ele se retrai fortem ente cad a vez que m ostra tentação. S u a consciência tin h a se to m ad o forte o suficiente p a ra resistir à diabólica ten tação da barra. ele age como se a b a rra não m ais existisse. ain d a que agora tivesse renascido. odores e tex tu ras. afinal de contas. poderia confessar que havia sido um pecador. que n a d a experienciou a não ser adm iração por toda nova evidência de habilidade sensorial e m otora. que e stá deixando de ser um bebê de colo. Se nosso sujeito fosse u m fre­ qüen tad o r de igreja cheio de fé.

a “p eq u en a voz interior”. tam bém . de volta ao vaso. . Mas d esta vez. ta m ­ bém. e sta crian ça p asso u grande parte de s u a vida explorando. por su a vez. eles envolvem os m esm os princípios. C ada um deles afastou-se em reação aos avisos que s u a própria co n d u ta pro­ via. Daí. M as a tentação perm anece. não! Feio! Não toque!" tendo produzido seu próprio sinal de aviso. um sinal diferente p ara cada ação punida. As reações d a mãe. A proxim ação. o vaso não m ais o tenta. “Feio!” e.Coerção e s u a s im plicações 201 Bem. não podia falar. A consciência da criança é d esp ertad a não ap e­ n as por tendências à ação diretam ente p u n id as. Ambos. “Ilegal!” ou “Imoral!". m as se u s próprios m ovim entos em direção à b a rra tiveram a m esm a função de aviso que teve a fala p a ra a criança. ain d a inexplorado e a tentação é forte. E ntretanto. avisaram a crian ça de punição im inente. Finalm ente. m as tam bém por palavras que levam a ou acom panham punição. como um sinal de aviso e. diz rispidam ente: “Não! É feio!" O bebê rapidam ente tira su a mão e en g atin h a em o u tra direção. isto é algum a coisa nova. criança e rato. difiram consideravelm ente. o bebê m ais u m a vez se afasta. C ontinuan d o a vacilar entre aproxim ar-se e afasta r-se a criança diz o sinal de aviso m ais e m ais baixo até que o sinal se torna com pletam ente silencioso — internalizado. O anim al. olhando exatam ente q u an d o a mão de novo te n ta alcan çar o vaso. Em bora as p articularidades d estes dois exemplos. p a ra que m ais serve o m undo? Assim. o b e b ê ó íh a e vê o vaso. traz à to n a a esquiva. A principal diferença e stã n a habilidade d a criança de co n d en ­ sar m uitos sinais de aviso diferentes em ap en as u m a p oucas p ala­ vras: de início. se to rn a m enos freqüente à m edida que o bebê en co n tra o u tras coisas para explorar e m anipular. Removido p a ra o outro lado da sala. quando m ais velha. Afinal de contas. a consciência é com posta de com portam ento que serve. verbal ou não-verbal. do rato de laboratório e d a criança. à m edida que a mão se levanta nós ouvimos a criança dizer: “Não. ele mesmo. ain d a brilhando. g radualm ente reduziram a m agnitude de seu s sinais com portam entais de aviso até que estes fossem final­ m ente internalizados — não m ais visíveis p ara q u alq u er o u tra p e s­ soa. M amãe. n atu ralm en te. Ambos foram punidos e ten d ên cias de repetir seus atos punidos p assaram a servir como sin ais de aviso. A consciência do rato pode consistir ap en as de sin ais não-verbalizados de seu próprio com portam ento incipiente. aproxim ar-se do vaso ain d a atrativo m as proibido provo­ cou n a criança tan to o afastar-se como a reprodução do aviso da mãe.

Restrições durante a infância e a adolescência. Após u m a breve “lua de mel”. os m ais cínicos entre nós h á muito abandonaram a fé n a consciên­ cia como um mecanismo p ara garantir a decência e moralidade adultas. todas as outras vão para o saco intitulado “cons­ ciência”. agressão.202 M urray S id m a n Atualmente é sabido o suficiente sobre a ação da punição e sobre seus efeitos colaterais destrutivos. aprendem a pressionar q u ais­ quer barras que não lhes tragam choques. m as tam bém para eliminar sinais de deso­ bediência. Quando a supervisão direta se to r­ na impossível. punindo toda condu­ ta que não está de acordo com nossos padrões. a vigilância se to m a de algum a m aneira ainda mais cerrada. é quase universal. quando o controle direto é factível. Assim como o animal de laboratório. Qualquer ação não-punida se tom a segura. quando impomos poucas re s­ trições sobre as crianças. para socializar nossos filhos basicam ente egocêntricos. as pessoas. Apenas d u ra n ­ te a infância a completa supervisão é m ais ou menos factível e o desenvolvimento da consciência é u m dos principais objetivos do treinam ento e educação iniciais. D urante a adolescência. Quase sempre o fazemos punindo-as quando elas ultrapassam os limites. pessoas que têm um a consciência forte . confiamos n a consciência p ara m anter a integridade de nossos direitos e liberdades. Consciência e controle Monitorar todas as ações de todas as pessoas não é apenas repugnante por princípio. professores e o público em geral m antêm os olhos constantem ente abertos sobre eles. descortesia. Inculcamos a cons­ ciência cedo. simplesmente nos refreamos de puni-las. furto ou destruição de propriedade e linguagem "feia”. que gasta todo seu tem ­ po esqUivando-se de choques. não apenas p ara proteger sua saúde e segurança. começamos a ensiná-las o que é permitido e o que não é. Raram ente lhes damos algo bom simplesmente por perm anecerem dentro dos lim i­ tes. Certamente. também. desordem. um tem a co­ m um h a poesia e no romance. Como o animal de laboratório que pressiona su a barra porque é punido por fazer q u al­ quer outra coisa. um produto de coerção. a emergente sex u a­ lidade coloca o adolescente em contato com novos tabus. Estabelecemos limites. p ara que questionemos s o ­ bre o princípio de confiar n a consciência. Cientes de que os jovens ainda não aprenderam todos os caminhos da civilização — ou seus perigos — pais. m as é tam bém impossível.

Ela confia n a “voz interior” . crença ou aparência não-convencionais am eaçam su a seguran­ ça. ela considera o diferente como não-confiável. Elas são confiáveis. quando a sociedade relaxa algu­ m as contingências e estreita outras. Sim plesm ente ad o tar u m estilo de vida incom um pode nos colocar em conflito com a com unidade m ais am pla. ação. T erap eu tas podem b u sc a r resolver nossos conflitos interiores te n tan d o to rn a r n o ssa consciência u m m ediador m ais efetivo entre n o ssa s n a tu re z a s predatória e altru ísta. Tam bém podem os nos sen tir em g u erra conosco quando som os fortem ente ten tad o s a fazer coisas que aprendem o s a ch am ar de “ru in s ” ou “perig o sas”. n en h u m te ra ­ p e u ta tem acesso a n o ssa “n atu re za”. E quando as condições m udam . m udanças as ultrap assam . E stas características distintivas de de­ sordens de personalidade e de neu ro ses são su b p ro d u to s adicionais d as p ráticas coercitivas que a com unidade u s a p a ra estabelecer a consciência individual. não ap en as com os resultados.Coerção e s u a s im plicações 203 podem an d ar em um curso estreito. com relações en tre co n d u ta e conseqüência. portanto. podem os nos descobrir com problem as. Mesmo sem b u rla r a lei. ou quando nos descobrim os realm ente “indo co n tra n o ssa consciência”. m as com contingên­ cias reais do m undo. Terapia efetiva te rá de lidar não com forças interiores. ele tran sfo rm a n o ssas ações incipientes n esses sinais de aviso que cham am os de consciência e nos coage p a ra a esquiva que então cham am os de m oralidade ou civilização. a com unidade haverá de nos con sid erar como tendo consciência fraca e sendo. E stes subprodutos infelizes de coerção “efetiva” tam bém devem ser esperados quando a com unidade constrói consciências individuais por meio de punição. tran sp are n tes e reverentes. Podemos confiar na consciência? A sociedade depende da consciência individual p ara sobreviver. Não ap en as a com unidade deixa de confiar em nós porque não podem os nos controlar. Elas obedientem ente fazem o que é esperado. corajosas. a terap ia deve chegar a term os com as cau sas. elas freqüentem ente consideram criatividade u m a coisa perigosa. O m undo externo im põe sobre nós a consciência. perigosos. entretanto. m as ê provável que não confiemos ou que desprezem os a nós mesm os. E ssas contingências geram nosso com portam ento adaptativo e n o s­ so com portam ento-problem a. desaprovando-a em si m esm as e nos outros. Elas freqüentem ente consideram a singularidade perturbadora. E ntretanto. J u n to com estas inq u estio n á­ veis virtudes pessoais. elas freqüentem ente são in cap a­ zes de adaptar-se. Se frutos proibidos co n tin u am a nos atra ir. raram ente ten tando algo novo.

treinados p a ra tira r vantagens de todas as proteções in scritas . m as todos sabem os que m uita conduta ilegal jam ais será detectada. G igantes económicos m antêm enorm es equipes de advoga­ dos. Os fortes reforçadores positivos que a im oralidade e a crim inalidade colocam ao nosso alcance são m uito freqüentem ente bem -sucedidos em d e stru ir a consciência coercitivam ente inculcada. g ra n ­ des corporações e o u tras instituições podem g an h ar ta n to b u rlan d o a lei que m esm o gran d es penalidades não têm q u alq u er significado prático. sob a proteção de u m a organização crim inosa. A sociedade ta m ­ bém alistou a religião organizada p ara aju d ar a c o n stru ir e a m an ter a consciência adicionando a força do com ando divino. d em o n stra que a s contingências coercitivas da sociedade não atingiram se u s pretendidos propósitos. A sociedade desaprova afas­ tam entos de seu s códigos m orais e legais. Indivíduos ricos. “ouve o diabo” ou “perde a b atalh a contra as forças do m al”. am edrontam punidores potenciais am eaçando-os ou su a s famílias. A posse de inform ação im portante perm ite considerável ganho ilegal sem que q u alq u er o u ­ tra pessoa sequer saiba o que está ocorrendo. “cede à ten tação ”. Uma pessoa que tem “u m a consciência defeituosa”. fraude. Uma posição de poder político ou institucional to rn a fácil silenciar su b o rd in ad o s e asso cia­ dos qüe poderiam revelar s u a desonestidade. algum as vezes até m esm o colocan­ do-os fora do cam inho por meio de execuções. corrupção governam ental. A voz interior é facilm ente corrom pida. S upõe-se que a consciência suprim e estes tipos de co n d u ta porque elas b en e­ ficiam o indivíduo às cu stas do grupo. A consciência coercitivam ente gerada alcançou s u a p reten d id a função? Ela re s trin ­ ge o indivíduo p ara benefício d a com unidade? É um segredo bem guardado o de que a p siq u iatria. a conciliação prática e a acom odação necessárias p ara su b o rd in ar necessidades individuais àquelas d a com unidade e da cu ltu ra. Crim inosos endurecidos. O fisicam ente forte corre m ais rápido ou b ate n a ­ queles que os puniriam . agressão e crim inalidade. desonestidade nos negócios ou m á prática profissional. As pessoas podem p rontam ente descobrir m an eiras de se esquivar da punição ao m esm o tem po que obtêm ganho considerável por b u rla r a lei. a psico­ logia e a análise do com portam ento jam ais "cu raram ” com sucesso ações como furto. sem q u alq u er co n s­ ciência. No caso extrem o d a “personalidade p sico p ata”. a coerção da sociedade fracassou com pletam eijte. Q uais são as fontes destes fracassos? Eles são in eren tes à nossa confiança n a coerçáo p a ra co n trab alan çar os ganhos d a autoindulgência.20 4 M urray S id m a n p a ra m a n te r a s afabilidades d a interação civilizada. assassin ato .

Pode-se confiar n a consciência su ste n ta n d o e s ta hipocrisia apenas por um tem po limitado. ações que. já e n ­ fraquecida. Q uando a consciência. a coerção gera contracontrole. e os donos de bancos e em presas financeiras que enganam o público. então a m ino­ ria governante não conhece outro cam inho p ara preen ch er o vazio além de a u m e n ta r s u a coerção. por esta razão. a co n s­ ciência devia suprim ir. Em todo o terceiro m undo. A m ora­ lidade é freqüentem ente u m a ferram enta p a ra m an ter a consciência daqueles que não podem correr o risco de serem pegos b u rlan d o a lei. assim . d e stru ir u m a consciência e ao mesm o tem po colocá-la acim a da lei. com eça a m orrer entre a m aioria coagida. A África do Sul corre em direção à s u a inevitável b atalh a sangrenta. Não p erm ita que ninguém o a tra p alh e. Os desprivilegiados estão seguindo a pista dos bem -aquinhoados: “Agarre tu d o aquilo com que você p u d er se safar. Mais cedo ou m ais tarde. todos m antêm os estilos de vida que seu s ganhos to m a ra m possíveis. en qu an to que os E stad o s U nidos grad u alm en te recriam o m esm o cenário apoiando facções im piedosam ente coercitivas n a Aiiiérica C entral e América do Sul. u m duplo padrão. se s u p u n h a . m as os b u rlam n a prática. e u sam -n as.” Nos centros de terro rism o. Reforçadores positivos fortes m as ilegais podem . M ais e m ais vem os o pequeno crim inoso. ar. Ela ê apoiada. em vez disso. Mesmo organizações religiosas estão hoje incitando os até então su b m isso s a b u s c a r s u a p arte por meio de apropriação violenta e sangrenta. Ninguém m ais finge que a morali- . o socialm ente im por­ ta n te. por aqueles que defendem os padrões. o pobre e o explorado sendo p u n id o s en q u an to que o crim inoso do colarinho branco. os presidentes de corporações que poluem n o ssa terra. e água potável em grande escala. A m ídia hoje relata tais con­ tra ste s tão freqüentem ente que se to rn a cada vez m ais fácil p ara o cínico arg u m e n tar que podem os confiar n a consciência p ara m an ter apenas os fracos e pobres n a linha. eles colocam a consciência púb lica co n tra a com unidade. N ossa dependência do controle coercitivo p a ra m a n ter as afabilidades da civilização trouxe. o duplo padrão já e stá caindo por terra. portanto. o rico. D escom prom etidos com s u a pró p ria consciência. a consciência já fracassou. . com a consciência individual dando lu g ar à com petição por reforçadores positivos e negativos m ais im ediatos. A civilização está se n ta d a em m uitos vulcões. p a ra to rn a r a acusação dos culpados m uito difícil e cara. A m oralidade e stá se to m an d o obrigatória a p en a s p a ra aqueles que têm pouco a g a n h a r por b u rla r o código.Coerção e s u a s im plicações 205 n a lei com o propósito de proteger os inocentes.

Não im porta com q uanto sucesso nos esquivem os de choques. Precisam os de um su b stitu to p ara a consciência. m as essa m oralidade te rá que se r b asead a em algo m ais d u rad o u ro do que controle coer­ citivo. Há algum outro modo. além de coerção. Controle coercitivo é ab ertam en te justificado como u m a m a n eira p ara os fortes se protegerem dos fracos e p ara os anteriorm ente fracos alcançarem seu lu g ar no topo.206 M urray S id m a n dade é a questão. de c o n stru ir co n d u ta que s u s te n ta rá u m a coexistência harm oniosa? Alguma form a de m o­ ralidade prática é n ecessária se a sobrevivência não perm anecer como um privilégio ap en as dos m ais fortes. . finalm ente farem os o m elhor que puderm os p ara fugir da n ecessid a­ de de esquiva. A vida dom inada pela consciência se to rn a opressiva.

em vez disso.13 Entre a cruz e a caídeirinha A tal ponto consideram os a coerção como certa que não nos surpreendem os ao nos encontrarm os do lado que recebe a p au lad a ou do lado que m aneja o bastão. G u ard as p en iten ­ ciários podem to m ar-se m onstros. algum as vezes figurativam ente. fuga e esquiva raram en te ocorrem isoladam ente um as das ou tras. um terapeu ta. aqueles que são punidos por nós fogem quando nos aproxim am os. batem os nelas. continuam os com m ais punição. fazendo. governantes podem to rn ar-se ti­ ranos. estabelecem os contin­ gências de punição. continuam os batendo nelas até que façam o que querem os. alu n o s que são p u n i­ dos param de estu d ar. Q uando ten tam o s forçar ações particu lares. assim . Mesmo quando pretendem os ap en as p u n ir. P ara fazer com que a s pessoas parem de fazer coisas que nos desagradam . P ara fazer com que as p esso as façam coisas que nos agradam . Todos nós estam os sujeitos às leis do com portam ento. g era­ mos fuga e esquiva. algum as vezes literalm ente. estabelecem os contingências de fuga e esquiva. tendo u m a vez curado u m a crian ça desespe- . coisas que conduzem a conseqüências positivas. quando u m a punição que estabelecem os p a ­ rece funcionar. Punição. o u ­ tra s inevitavelm ente se to m am ligadas a elas. ou am eaçam os de b a te r se elas fizerem q u alquer o u tra coisa.

de qualquer modo. sem pre em d isp u ta com seu s colegas de trabalho. D uas pessoas reagindo diferentem ente ao que p are­ ce ser a m esm a situação podem sugerir que am bos os atos são pu ram en te voluntários — que n en h u m controle está envolvido. hum ilhação. o trabalho do anim al é pago . As pessoas reagem ã coerção de m an eiras diferentes. u su alm en te obtem os m ais do que querem os. a p artir daí prescreve punição p a ra todos os com portam entos-problem a. protegem os ou curam os por meio de punição. desem prego. aprende a obter alim ento pressionando u m a b arra. Supressão condicionada No experim ento básico. se olharm os m ais de perto. E n ­ tretanto. Amea­ çadas com a perd a de u m emprego. o sujeito. m ais u m a vez um rato de laboratório. Algum as d as contingências que o m undo nos impõe nos dei­ xam sem escolhas adaptativas. Q uando ensinam os. Uma grande q u an tid ad e de acontecim entos sub-reptícios ocorre n a s contingências coercitivas do m undo cotidiano. U m a co n seq ü ên ­ cia d esta negligência foi o fracasso em reconhecer quão com um o controle coercitivo realm ente é e em avaliar como ele nos m antém interagindo de m an eiras que am eaçam em vez de prom over a so b re­ vivência. Elas não nos perm item nem desligar nem prevenir choques. eles desconsideraram a coerção a que todos estam o s sujeitos. Inconsistên cias no modo como as p esso as m anejam coerção. pobreza ou perd a de su p o rte emocio­ nal inevitáveis. Prezando n o ssa ap are n te liberdade. a ponto de p ro cu rar um novo emprego. quando não tem os lugar onde nos esconder ou p a ra onde correr em b u sc a de seg u ran ça? E sta questão tem recebido m u ita atenção no laboratório e os experim entos revelaram um poderoso tipo de controle coerciti­ vo. dor. ain d a que passíveis de serem traç ad as em s u a s h istó rias com portam entais. que dá significado aos nossos conceitos de liberdade. mas. como m uito de nosso próprio trabalho. estava. Podemos estar n o s defrontando com morte.208 M urray S id m a n ran çad am en te au to d estru tiv a aplicando-lhe choques por a rra n h a r seu s próprios olhos e pele. O que acontece quando tais choques in ten so s nos am eaçam e som os incapazes de fazê-los desaparecer. poderem os descobrir que a prim eira pessoa ap ren d eu quando crian ça a com bater todo fracasso e que a segund a pessoa. u m a pessoa trab a lh a m ais duro e o u tra desiste. levaram alg u n s a in terp reta r a variabilidade como um sinal de liberdade do controle.

N enhum a restrição física é colocada sobre nós e. u m a vez a cad a 30 segundos ele obtém alim ento quand o pressiona a b arra. . Se ele pudesse falar. ele perm anece por u m m inuto e term i­ na com o choque inevitável. a s u a sala p a ra explicar n o ssa decrescente curva de vendas. m as o tem po en tre tentativas bem -sucedidas é imprevisível. mas pode co n tin u ar a obter alim ento d u ran te e en tre os sinais de aviso. p assa-se um intervalo de duração imprevisível an tes que o sinal ap areça de novo. não tem os opções. Agora. ligamos um sinal. algum as vezes por dois m inutos. o u tra s p o r apenas dois segundos. m as estam os n a m esm a posição que o anim al. o sujeito experiencia este paream ento entre tom de u m m inuto e choque breve. De quando em quando. por que lu ta r contra o m undo?” M as não é isto que u su alm en te aconte­ ce. com relação ao choque. d u ran te os sin ais de u m m inuto. confrontados com um choque inevitável. o sujeito pode co n tin u ar a pressionar a b a rra d u ra n te o tom e o alim ento ain d a virá como antes. um breve choque (um décimo de segundo) aparece. Ao final do m inuto. E ste esquem a m antém o sujeito tra ­ balhando estavelm ente. E stam os livres p a ra co n tin u ar ligando para clientes e assim fazer n o ssas v endas au m en tarem . ainda assim . Uma vez que o anim al n ad a pode fazer em relação ao choque im inente. No laboratório. ou p ara conversar com a secretária. u m requisito im portante porque vam os pro­ cu rar por variações em s u a taxa norm al de trab alh o quando um choque inevitável o am eaça. D iferentem ente do choque que o sujeito pode prevenir. O nde vemos isto fora do laboratório? O chefe nos ordena para irm os. o sujeito não tra ta o sin al de aviso com tal resignação filosófica. en q u an to o sujeito e stá trab alh an d o por seu alimento. este é inevitável. n a d a que o sujeito p o ssa fazer o m a n terá longe. não h á m aneira de fugir ou esquivar. depois do tom e do breve choque. P ara que n o ssas observações sejam confiáveis precisam os de u m a linha de b ase de produtividade e s tá ­ vel. poder-se-ia esp erar que ele sim plesm ente se m antivesse trabalhando p a ra viver. Uma vez que ele volte. ele sim plesm ente poderia dizer: “A vida é assim . Em bora desam parado co n tra o choque im inente. dentro de cinco m inutos. Algumas vezes ele pode tra b a lh a r por cinco m inutos sem sucesso. Na média. u m tom que d u ra um m inuto. ou p a ra beber u m copo de água.Coerção e s u a s im plicações 209 apenas ocasionalm ente. E speram os não en co n trar este tipo de situação com freqüência. ele não obtém alim ento toda vez que p re s­ siona a b arra. da qual possam os m edir q u aisq u er afastam entos. assim que o tom cessa.

Drogas ou cirurgia podem mitigar o pânico. O anim al trabalha produtivam ente entre sinais de aviso. o tom coloca o sujeito em um a severa depressão com portamental. pára completamente durante cada sinal e. Os sinais de pânico e terror. seu pelo eriçado. tendo se tom ado um sinal de choque inevitá­ vel. Analistas do comportamento cham am isto de “supressão condicionada”. Usamos o term o do cotidiano. a depressão de longo prazo requer um a análise com portam ental para ser tratada . Não há proble­ ma em cham ar de ansiedade a reação. o tom não tin h a qualquer efeito discemível sobre o animal. defecando. Ainda que ele pudesse continuar a obter alimento. trabalhando estavelmente até que o tom apareça nova­ mente. Em vez de tra b a ­ lhar. tremendo. o sujeito m uda drasticam ente seu comportamento quando o tom é ligado. ele sinaliza u m período seguro. ele faz com que o sinal de aviso coloque o animal em pânico. sem aliviar a depressão comportamental. quando algo ruim está por acon­ tecer e nada podemos fazer para impedi-lo ou fugir. Preocupando-nos. Nós também provavelmente não continuarem os a trab alh ar produtivam ente depois que o chefe ligou o sinal de aviso p ara o choque que ele está a ponto de infligir. então.210 M urray S id m a n Depois de algumas experiências com a seqüência tom /choque. colocando um fim em su a atividade construtiva. ele p ára de pressionar a barra assim que ele ouve o sinal. u rin a n ­ do. então. o sujeito de laboratório volta a su a o cu p a­ ção normal. Um paciente que relata sentir-se menos ansioso pode não reagir ao sinal de aviso mais construtivam ente do que antes. talvez até mesmo sentindo necessidade de correr para o banheiro. desde que não nos engane­ mos acreditando que o nome explica algum a coisa. facilmente visíveis p ara os o u ­ tros e intensam ente sentidos por qualquer um confrontado com cho­ ques inevitáveis. Agora. O choque parece fazer duas coisas: primeiro. Depois do choque. provavel­ mente nos sentarem os tensam ente em nossa mesa. talvez com um pouco de enjôo de estômago. são freqüentemente considerados como sendo as características definidoras da ansiedade. com su a atividade normal completamente su p ri­ mida. a supressão não p re ­ cisa ser acom panhada por sinais de angústia interior. "ansiedade”. Em bo­ ra o pânico possa requerer tratam ento de emergência. Mas. recomeça o tra b a ­ lho im ediatamente depois de cada choque. Originalmente. ele agora se agacha tensam ente. liberando o animal das garras de su a reação emocional e permitindo que ele recomece o trabalho produtivo. Ele m ostra todos os sinais que usualm ente atribuím os à ansiedade avassaladoram ente paralisante.

Na guerra. Tornam o-nos incapazes de funcionar efetivam ente. A su p ressão condicionada rep resen ta a an sied ad e de quem ? Infelizmente. ela acaba sendo despedida. Fora do laboratório. A depressão usu alm en te acom panha sinais de m orte im inente.Coerção e s u a s im plicações 211 com sucesso. lavando-m e. diz-se: “Mais u m erro de datilografia e você será despedida. A reação do sujeito ao sinal de aviso de choque inevitável é tão d esad ap tad a q uanto qualquer com portam ento visto no laborató­ rio. algum as das pessoas que viviam n a m o n tan h a sim plesm ente fecharam su a s p o rtas n u m gesto inefetivo de desafio e esperaram . fre­ qüentem ente como efeitos colaterais não-pretendidos d as várias for­ m as de coerção que im pensadam ente im pomos u n s aos outros. “p ara que eu preciso de um agasalho? Que diferença faz se eu ficar resfriado?”. esco­ vando m eus dentes? Não im porta m ais”. algum as vezes negligenciando até mesm o pequenas necessidades de sobrevivência: “eu não tenho apetite”: “por que perder tem o vestindo-m e. a coerção internacional últim a..” Incapaz de datilografar o u tra s c a rta s naquele dia. pânico e de- . barbeando-m e. O utros sinais de choques inevitáveis vêm de p esso as. A u m a secretária. podem os ser incapazes de falar com n o ssa família. indivíduos fre­ qüentem ente se defrontam com d esastre q u ase certo. “. “qual o sentido de levantar d a cam a?”. p reocupada a ponto de distrair-se por c a u sa de su a m ãe seriam ente doente. Podemos descobrir que tem os u m a doença fatal. sem qualquer com portam ento. Q uando o Monte S a n ta H elena en tro u em erupção.. A gachados em u m abrigo. quem se im p o rta?” As am eaças inescapãveis d a n atu re za tam bém podem nos to m a r incapazes de funcionar. esperando pelo furacão que se aproxim a p ara levar n o ssa casa. ou que a l­ guém que am am os vai m orrer em breve. jo g ar ou comer. Não podem os perder de v ista as cau sas: (1) os sinais de aviso p ara (2) choques inevitáveis. levando o sujeito a p erd er todo o alim ento que teria ganho se co n tin u asse a tra b a lh a r d u ra n te o sinal de aviso. escrever. A ansiedade — o pânico e a cessação de todo com portam ento produtivo — ê contraproducente. não precisam os p ro cu rar m uito p a ra reconhecer sinais de eventos severam ente aversivos sobre os quais não tem os controle e co n tra os quais não tem os m edidas efetivas. pelo rio de lava que se aproxim ava p a ra afogá-los. de ler. sobrepostos a (3) u m a linha de b ase de atividade positivam ente reforçada.

perda de m em bros ou captura.212 M urray S id m a n pressão são bem conhecidos. incapaz de se com portar p a ra todos os propósitos práticos. em baraço e fracasso. em u m estado de depressão comportam ental. Mesmo d u ra n te recessões econôm icas m enos severas. impõe penalidades terríveis ao fracasso. a criança. vive o resto do dia à som bra daquele sinal de aviso de choque inevitável. Porque a coerção social é tão predom inante. m u itas p esso as to m am -se s u ­ pressores condicionados u n s dos outros. Preparações p a ra a b a ta lh a sinalizam a inevitável p erd a de com panheiros e possivelm ente a própria morte. a ansiedade severa produzida por sinais de aviso de punição. m as. o an tes orgulhoso chefe de família perm anece n a cadeira de balanço. D urante a grande depressão. e n fren tan ­ do a perda de sta tu s n a com unidade e n a família e privado da auto-suficiência que costum eiram ente s u ste n ta o auto-respeito. alguns se atirando das ja n elas de seu s escritórios nos arran h a-c éu s. esto u ram seu s miolos. eles agora suprim em todo o com portam ento adaptativo da criança. Professores ou pais algum as vezes descobrem que não conse guem m ais co n tatar com u m a criança a quem p u n iram severam ente. A rep en tin a inabilidade dos indiví­ duos p a ra funcionar efetivam ente tem sido um problem a im portante p ara a p siq u ia tria m ilitar d u ra n te todas a s g uerras. m uitos corretores que viram se u s negócios. confrontado com o desem prego perm anente. Uma crian ça d esobe­ diente a quem se te n h a dito: “espere seu pai chegar em casa!”. a criança m antém -se passiva. su a s reputações e seu s próprios recu rso s e os de seu s clientes prestes a serem dizimados. S eu ato de coerção tornou-os um sinal de aviso p ara punição inevitável. A rrependidos de su a ação. não cau sa m ais problem as naquele dia. A su p ressão condicionada não precisa ser confinada a d e sa s­ tres que acontecem ap en as raram ente. De m aneiras sem elhantes. ao mesm o tempo. perda. tentam b rin ca r com ela ou diverti-la e te n tam de o u tras form as dissip ar os efeitos daquilo que acab aram de fazer. fracasso ou em baraço inevitáveis tam bém surge fre­ qüentem ente em n o ssas interações cotidianas. rep en tin am en te confrontados com a dissolução de seu s im périos. a b u s ­ ca de em pregos por um trab alh ad o r desem pregado freqüentem ente origina um a sucessão de sinais de rejeição. Finalm ente. G igantes da in d ú stria e d as finanças. A criança torna-se incapaz de agir construtivam ente n a p resen ça de alguém que acabou de liberar um choque. A am eaça “funciona”. com su a s p ráticas coerciti- . O m ercado financeiro to m a disponíveis gran d es recom pen­ sas pelo sucesso. en traram em “p arafu so ” emocional. m as a com unica­ ção to rnou-se impossível. eles falam gentilm ente com a criança.

esposos. “eu cheguei ao final de m in h a paciência”. ainda que sabendo a resp o sta correta. p arado por u m policial. pânico. paralisia e depressão. m as não sou bom em provas. fuga e esquiva freqüentem ente degeneram em situações que sinalizam choques ine­ vitáveis. s u a inefetividade vai nos deixar frustrad o s. o uniform e de polícia se to m o u sinal de aviso de um choque em aproxi­ mação. quan d o cham ado em sala de aula. Porque o cum prim ento d a lei é sinônim o de punição e am eaça de punição. Coerção d a qual não se pode fugir ou que não se pode im pedir traz à ton a a debilitação e o desam paro da su p ressão condi­ cionada. sem qualquer opção a não ser finalm ente colocã-las em efeito: “isto dói em mim m ais do que em você”. dem onstrações de forças de “m a­ n utenção da paz” cau sam desam paro e desespero entre aqueles que ainda não p assaram a ver a guerra como um sinônim o de paz. alunos. então. Podemos então nos descobrir p u n in d o os outros mesm o quando não querem os realm ente fazê-lo. Uma crian ça pode ouvir co n tin uam en te que se ela conti- . Mesmo quando bem -intencionadas. O policial não tem escolha exceto responder com m edidas de autodefesa ou com su sp eita diante dos “sinais de culpa”. Q u an ­ do descobrim os um erro em n o ssa co n ta b an cá ria e o trazem os p ara o banco. trem e. Por c a u sa de u m a histó ria de fracassos em provas. M as n em sem pre estabelecem os as contingências efetivam ente. to rn a-se confuso e tom ado por culpa." O pro­ fessor não tem o u tra opção que não d ar u m a n o ta baixa. em pregados. to m a-se m udo n a pre­ sença do chefe. um aluno sen ta-se paralisado diante de u m a prova final p ara a qual veio bempreparado: “Eu sei a m atéria. tran sp ira . aparece u m pânico cego ou um a subm issão resignada. su a “falta de cooperação" produz coerção ain d a m ais severa. ou m esm o trazendo u m a sugestão positiva. Com governos m antendo a paz internacional por meio de atos de agressão e am eaças de guerra. Aos olhos de alguns pais. Um tra b a lh a ­ dor em b u sc a de u m a aum ento. tom am o -n o s obsequiosos e defensivos. com a esquiva impossível. U sualm ente aplicam os coerção com a in ten são de en sin ar n o sso s filhos. eles os p unem indiscrim inadam ente. incapaz de falar racionalm ente. “nós tem os que salvá-lo de você m esm o”.Coerção e s u a s im plicações 213 vas gerando ansiedade. gagueja e fala incoerentem ente. n o ssas contingências de punição. vizinhos ou concida­ dãos como m an ter-se afastados de serem punidos. algum as vezes os cho­ ques que querem os que as pessoas evitem se to m am inevitáveis. seu s filhos não conseguem fazer n a d a co rreta­ m ente e. ou ten tan d o ex p ressar u m a crítica. Um aluno. Um m otorista. “é p ara seu próprio bem ”. Se fazemos am eaças não-cum pridas. “é de pequeno que se torce o pepino”.

encontros com o u tras p esso as tam bém farão com que as crianças entrem em u m estado de su p ressão condicionada. Finalm ente. A p ró ­ pria inabilidade dos controladores de exercer supervisão consistente pode to rn ar a esquiva ad ap tativ a impossível p ara os controladores e trazer. m as alguns casos têm sido atribuídos a u m a h istó ria de punição excessiva. . exceto. a ponto de a p a n h a r do pai que está com su a paciência esgotada porque su a s am eaças nãoefetivadas não funcionaram . seja com cortesia com um . seja com decência h u m a n a. Portanto. O casionalm ente. são as ú n icas p esso as com as quais tiveram contato. Porque a observação co n stan te de todo m undo não é factível. em vez disso. exceto ocasionalm ente como recom pensas por subm issão. a criança se colaca n a m esm a posição do sujeito experim ental — diante de um cheque inevitável ao final de um sin al de aviso. a coisas inanim adas. As prisões e as forças arm adas. m as s u a característica m ais consistente é a au sên cia de com portam ento adaptativo. pai seguido por choque produz u m a criança essencialm ente sem com portam ento na p resen ça do pai. Como o u tras crianças a u tistas. A depressão do adulto tam bém tem m u itas cau sas. que se to rn aram sin ais de aviso de choques inevitáveis. A m ais leve su sp e ita de qualquer afastam en to d as regras traz as auto rid ad es como um raio sobre toda a população interna.214 M urray S id m a n n u a r a provocar su a m ãe “verá o que lhe acontece”. Porque seu s pais. d esum ana. Padrões com uns de ju s tiç a são su sp en so s n estas cidadelas de cum prim ento d a lei. m as tu d o que de fato obtém são m ais am eaças. a im possibilidade de realm ente observar todos os prisioneiros em todos os m om entos faz com que g u ard as e supervisores inseguros e cheios de su sp eita d istrib u am penalidades que não estão relacionadas com qu aisq u er atos específicos. onde a coerção é explici­ tam ente a técnica de controle escolhida. a atribuição precisa de cu lp a por instigar a desordem é impossível. Mais ainda. elas não dem onstram responsividade so­ cial. são cam pos férteis p a ra a depressão com portam ental que sinais de choques inevitáveis criam. Aqui. de modo que mesm o a conform idade a reg u ­ lam entos não g aran te a esquiva de punição. O autism o infantil tem m u itas cau sas. u m a su p ressão condicionada desadaptada. indiscrim inada e caprichosam en- . o pai é o sin al de aviso. talvez. raram en te reagindo construtivam ente. Prisões proíbem a privacidade e não reconhecem q u alquer necessidade de tra ta r prisioneiros. crianças são resg atad as depois de terem p assad o a m aior p arte de su a s vidas com pletam ente isoladas em pequenos quartos ou ja u las. Elas se fecham e su a falta de responsividade social faz com que pareçam viver em seu próprio m undo privado.

o com portam ento que ela conhecia tornou-se não-funcional. Ainda assim. n en h u m de seu s h ábitos costum eiros fu n ­ cionam m ais. o prédio. em u m a espaçosa casa de cam po pela m aior p arte de su a vida. a indisponibilidade de seus reforçadores costum eiros transform a a vida de su cesso em fracasso. tudo passo u a funcionar como sinais sem pre presen tes de s u a inutilidade e fracasso inevitáveis. com endo pouco. cabelos desalinhados e recu san d o -se a perm itir que antigos amigos a visitem. S u as ro tin as diárias u su a is — dirigir a preparação d as refeições. S u a nova vizinhança. Mesmo quando eles estão confortavelm ente instalados e tratad o s com compaixão. m esm o de institucionaliza­ ção benevolente. Sem que ninguém p reten d esse este resultado. esta m ulher m udou p a ra u m am biente repleto de choques e privações. Ela tornou-se um resto. Os guardas. tendo vivido pacificam ente. interrogatórios cruéis. revogação de privilé­ gios e m aldade sub-reptícia. Todos os reforçadores d esta sen h o ra to rn aram -se indisponíveis p a ra ela. receber visitas. u san d o ro u p as am arro tad as e rotas. m esm o alguém que a m a ­ mos. u m a privação total rep en tin a que é m uito pior que o breve choque que um sujeito de laboratório experiencia. o ap artam en to com su a m obília nova. seu s uniform es. em protegi­ da calm a. O significado do fracasso é a au sên cia de reforçam ento e o novo am biente a atinge com fracasso a todo mo­ mento. u m a lem brança de p erd a e u m sinal de fracasso. o p lan eja­ m ento do lazer. Ela se to m a um a reclusa. . todos os sistem as que s u s te n ta ­ vam s u a vida se foram. em u m a situ ação onde a privação inevitável traz depressão. é p ersu ad id a por seu irm ão a m u d ar-se p a ra um ap artam en to n a cidade. não é considerada um problem a sério. Podemos inadvertidam ente colocar. Toda ocasião p a ra ação é agora vazia.Coerção e s u a s im plicações 215 te eles adm inistram as m edidas aprovadas de confinam ento em soli­ tária. encarceram ento. não está m ais ali p a ra trazer ordem à s u a vida. o próprio som de seu s passos e todos os aspectos do am biente da prisão se to m am sinais de punição inevitável. m an ter correspondência social — não são m ais possíveis. Por exemplo. Seu marido. porque ela os m antêm “bem -com portados". A depressão é com um en tre os prisioneiros. que costum ava cu id ar de todas a s q u es­ tões financeiras e em tom o de cu jas atividades de negócios su a vida social girava. as com pras. um a m u lh er idosa. que requereria m uito m enos trabalho. D epressão é um a conseqüência comum. que não é necessário a ninguém . m as que recentem ente enviuvou. a lim peza d a casa. O m esm o freqüentem ente acontece quando colocamos fam iliares em instituições p a ra idosos. R epentinam ente.

A tradição hum ana. é m áis provável que su rja a supressão condicionada. embora renuncie ao prêmio imediato. se to m ar útil. o animal derrotado cessa de lutar. freqüentemente desenvolvem “fadiga de com bate”. m as durante a calmaria. Exi­ bindo depressão incapacitante ou pânico incontrolável. nossa própria inabilidade para funcionar pode algumas vezes levar mais tarde a um grande reforçador que supera as perdas imediatas. deixando o perdedor indefeso. Então. n e ­ gligenciando as contingências com portamentais. ocasionalmente. Estranham ente. estes são apenas períodos seguros ilusórios. gatos e outros anim ais e em combates sérios entre adultos de dadas espécies. as mortes por razões p siq u iá­ tricas têm sido um a fonte séria de perda de hom ens aptos. C on­ frontados com a certeza de derrota em um a lu ta de morte por causa de u m a com panheira ou território.216 M urray S id m a n A economia da ansiedade. Nas guerras dos Estados Unidos. A fadiga de combate usualm ente aparece não em meio ao combate. Portanto. estão cheios de sinais de aviso do próximo ataque. novos planos de batalha formulados e os com batentes têm um descanso momentâneo. como se estivesse pedindo o golpe finai. em vez de curar o proble­ ma. a supressão con­ dicionada pode. Um antigo e duradouro tratam ento p ara a fadiga de combate exigia retirar o combatente incapacitado das linhas de frente e colo- . Tratando supressão condicionada m edicam entosam ente. A natureza construiu em m uitas espécies u m m eca­ nismo de rendição que converte supressão com portam ental em e s ­ quiva bem -sucedida. derrotados n u n ca se rendem antes de estabelecer algum entendim ento com os vitoriosos. E sta cessação de toda resistência. quando oponentes caem ou expõem su a jugular é ir para a m atança. Q uanto mais próximo estiver o retom o à batalha. eles. T om an­ do-a adaptativa. quando as forças estão sendo reagrupadas. Q uanto mais d u ra a pausa. o tratam ento intensifica. Embora um sinal de aviso possa nos jogar em u m a depressão. n a verdade. Partici­ pantes de combates. n a verdade desli­ ga o atacante. confrontando-se com am eaças sem pre p resen ­ tes de sofrimento e morte e sobrecarregados com a necessidade de m atar outros. embora obviamente aterrorizado. um a dem onstração de desam paro — a bandeira branca — traz o perdão. ele adota u m a postura de subm issão. o perde­ dor protela o desastre último. podemos d ar a esta reação à coerção um a função adaptativa de longo alcance. Exemplos elementares ocorrem n as brincadeiras de filhotes de cachorros. eles rep en ti­ nam ente se tornam incapazes de funcionar. mais cedo será o choque inevitável. Mas.

Em vez de m a n d ar os sofredores de fadiga de com bate todo o cam inho de volta p a ra hospitais de base. A com bi­ nação de respeito p a ra com a integridade do soldado fatigado e a im possibilidade de fuga e esquiva reduziu enorm em ente o núm ero de m ortes em b a ta lh a atribuíveis à fadiga de com bate. Reconhecendo a realidade do proble­ ma. o tratam e n to não m ais o su sten tav a. Tam bém algum as drogas tranqüilizantes que costum eiram ente reduzem ativi­ dade e até m esm o produzem letargia. por exemplo. E ntretanto. Eles deixavam claro. p a ra tratam ento. u m anim al que u su alm en te e n tra em um pânico paralisador n a presen ça de sinais de choques inevitáveis. Dali.Coerção e s u a s implicações 217 cá-lo em um hospital de base. desconsidera os sinais e co n tin u a a trab a lh ar. dim inui dram aticam ente a su p ressã o condicionada. Na verdade. Finalm ente. Isto não significa que fadiga de com bate seja u m a form a de fingimento. Aqui vem os fadiga dc com bate. em bora u m bom ato r p o ssa fazê-lo. inevitável. tam bém gerava culpa e perda de auto-respeito n aqueles que haviam fugido. o sofredor é incapaz de controlar a su p ressão condicionada e s u a conseqüente incapacitação. rein stalarão p ro ­ dutividade em sujeitos d u ran te sinais de aviso de choques inevitá- . esquiva de combate. u m a form a de su p ressã o condicionada. Depois desse tratam en to . o resu ltad o m ais provável era u m a d isp en sa por incapacidade ou u m a realocação p a ra u m posto longe d a b atalh a. A fadiga de com bate p er­ deu su a função como um m ecanism o de esquiva legítimo. em bora perm itisse fuga d as condições precipitadoras. que o tratam e n to devia ser breve e que o próximo p asso deveria ser um retorno ã un id ad e de com bate. eles os removiam ap en as p ara e sta ­ ções de cam po. a ansiedade desabilitadora reto m a m ais ou m enos um m ês depois de term inado o tratam en to . os p siq u iatras m ilitares descobriram que dim inuir a probabilidade de d isp en sa ou realocação reduzia enorm em ente a perda de hom ens aptos por fadiga de com bate. é suficientem ente real. a p e sa r disto. T erapia eletroconvulsiva. servindo p a ra u m a função finalm ente adaptativa. em vez disso. tam bém . Fazia-se com que eles sen tissem que s u a própria fraqueza havia feito com que ab an d o n assem su a s responsabilidades e seu s com panheiros. No entanto. A análise de laboratório da su p ressão condicionada to m o u possível avaliar vários tratam en to s. A seqüência precipitad o ra de sinal de aviso seguida por choque intenso. esta “c u ra ” é ap en as tem porária. conseqüências ain d a podem exer­ cer su a influência. a inabilidade de u m indivíduo p a ra im pedir s u ­ pressão condicionada por meio de autocontrole não to m a a su p re s­ são im une ao controle am biental. o tr a ta ­ m ento tradicional.

perdendo todo alimento que teria ganho. enquanto o sinal está ligado e volta ao trabalho produtivo apenas depois que o sinal e o choque terminam. Se uma dose particular de uma droga alivia ou não a supressão condicionada pode depender. de quão freqüentes e quão grandes são os reforçadores que comumente mantêm a atividade suprimida. aprofundarão a su p re s­ são. nossa reação a choques inevitáveis dependerá de se nossa conduta é comumente mantida por contingências positivas ou coercitivas. O que este ex p erim en to m o strará? O su jeito to rn a r-se -á mais . por outro lado. redução ou prevenção de ansiedade severa. trabalhando ainda mais diligentemente durante o sinal de aviso. ambas não-produtivas. Alguns ambientes realmente mantêm as pessoas continuamente se esquivando. o que é chamado de ansiedade pode se referir a depressão ou a hiperatívidade. por exemplo. ou se vale muito pouco. de freqüência de sinais de aviso e de esquem as e tipos de conseqüências que m antêm a produtividade norm al. E stu d o s quantitativos de in ten sid ad e e probabilidade de cho­ que. Um sujeito sendo coagido por contingências de esquiva fará exatamente o oposto. todos revela­ ram fatores am bientais que contribuem p ara a severidade. Alguns estim ulantes. Ele pára de trabalhar. Suponha que agora esquematizemos os sinais para que algumas vezes venham muito freqüentemente e algumas vezes apenas raramente — um tipo de mudança ambiental que não é prática em condições cotidianas. Um sujeito cuja conduta usualmente produz reforçadores positivos. comumente cairá em um estado de inatividade não-produtiva ou de pânico nãodirecionado durante um sinal de choque inevitável. Portanto. ou por que varia até mesmo para um indivíduo. Acontece que mesmo ratos de laboratório ajustam sua ansiedade à realidade econômica. mas que o controle de laboratório torna possível. então é maior a probabilidade de que nossa produtividade cessará sob o estresse de punição ou perda iminentes. Vimos no experimento prototípico que um sinal de aviso de ch oque in ev itáv el p o d e levar um an im al à an sied ad e cpntraprodutiva. Se nosso trabalho raramente vale a pena. ameaças ocasionais de punição inevitável em tais ambientes dão origem aos episódios de hiperatívidade que vemos em algumas crianças e adultos? E esta a base para o aparente desejo de crianças de aumentarem sua conduta objetável diante de uma punição inevitável? Interações sutis entre supressão condicionada e outras contingências freqüentemente ajudam a explicar por que um procedimento terapêutico parece ajudar algumas pessoas e não outras.218 M urray S id m a n veis.

Mas. E ste é um fenômeno b a sta n te delicado. O que estava acontecen­ do ficou claro quando percebem os que o sujeito perdia m uito pouco alim ento se ele p arasse de pressio n ar a b a rra d u ra n te os sinais infreqüentes. . em qualquer m om ento que u m a punição inevitável seja im inente. F reqüen­ tem ente consideradas como u m a forma de ansiedade. estas reações são u su alm en te tra ta d a s — raram en te com sucesso — com rem édios psiquiátricos e farmacológicos. assim u m a reação de ansiedade ocasio­ nal não lhe custav a muito. m enos ansiedade. Este experim ento su rp reen d en te m o stra o anim al ansioso som ente n a m edida em que ele pode. m ais ansiedade. dependendo d a duração relativa dos sinais de aviso e dos períodos seguros. o sujeito modifica s u a rea­ ção. o sujeito p ára de p ressio n ar a b a rra d u ran te os sinais. P ara evitar de p erder m ais.Coerção e s u a s im plicações 219 ansioso quando exposto m ais freqüentem ente a sinais de aviso e choques? M enos ansioso? F ará algum a diferença? Se os sin ais aparecem com p o u ca freqüência. m enos s u a atividade produtiva é DISRUPTADA. F reqüentem ente tem se s u s ­ peitado que a ansiedade in capacitadora é u m a doença dos afluentes. constitui um dos efeitos colaterais m ais custosos de n o ssa sociedade coercitiva. quando os sinais apareciam fre­ qüentem ente. vemos a com pleta su p ressão da atividade produtiva. preocupação inútil e sofrim ento físico. De início. Muitos escritores n o taram paralelos h u m an o s. Q uanto m ais freqüentem ente aparecem os sin ais de aviso e os choques. dependente de um a ju stam en to b a sta n te fino. m anifes­ ta d a grosseira ou sutilm ente. daqueles que podem se d ar ao luxo de p a ra r de tra b a lh a r e de cessar o u tras responsabilidades quando a s coisas se to m am difíceis. Mesmo rato s de laboratório parecem dispostos a deixar que s u a ansiedade lhes cu ste ap en as um certo tan to — n e sta situação. A su p ressão condicionada. ap en as u m a certa proporção do ali­ m ento disponível. Ele p assav a a m aior p arte do seu tem po entre sinais trabalhando em segurança. em u m a extensão m aior ou m enor. o anim al teria perdido u m a porção significativa de s u a alim entação se tivesse p a ra ­ do com pletam ente de pressionar a b a rra d u ra n te os sinais de perigo. m as ele é vigoroso e reprodutível. ele c o n tin u a a trab a lh ar. como no experim ento origi­ nal. ficamos b astan te intrigados com este resultado: sinais de aviso e choques m ais freqüentes. M as. sinais e choques m enos freqüentes. se os sinais aparecem m uito freqüentem ente. seu s sinais de aviso podem produzir incapacitação com pleta ou parcial. havia pouco tem po seguro disponível. Então. eles se ad ap tam a sinais de aviso freqüentes continuando a tra b a lh a r produtivam ente em vez de entreg ar-se à su a ansiedade.

Agressão induzida por punição tem sido en co n trad a em m u i­ ta s espécies. Portanto. colocando um segundo sujeito ao lado do prim eiro. e s ­ . podem os investigar agressão induzida por coer­ ção sem realm ente fazer com que os sujeitos tentem m a ta r u n s aos outros. Veremos algum a coisa nova. Isto porque se n en h u m ser vivo estiver por perto. Se aplicarm os u m choque em ap en as u m dos dois su jei­ tos. este a tacará o outro. um sujeito que recebeu um choque m orderá objetos inanim ados.14 Coerção gera coerção Agressão Os estud o s de laboratório que tem os visto até aqui investiga­ ram os efeitos d a coerção sobre indivíduos em am bientes que não incluíam outros sujeitos. O atacan te e o atacado nem m esm o precisam ser da m esm a espécie: u m cam undongo que rece­ beu um choque atacará u m rato. A agressão não é nem ritu alística. nem m om entânea: se não separarm os os dois. um rato a tacará um gato. incluindo a n o ssa própria. Agora com pliquem os u m pouco o arranjo. Felizmente. o ataq u e term in ará com um assassin ato .

algo (ou alguém) que sinalize privação im inente la n çará ao ataque u m sujeito. Se o anim al punido p u d er chegar ao outro pressionando u m a b a rra p a ra ab rir a porta. Portanto. P essoas em situações sem elh an tes de laboratório provavel­ m ente atacarão objetos inanim ados. punição e privação levam a agressão. O trab alh ad o r ignora o recém -chegado en quanto o disco estiver verde. rapidam en te ap ren d erá a fazê-lo. a própria oportunidade p ara a ta c a r prova ser u m reforçador positivo. provê sinais de p erd a poten- . A aproxim ação de m em bros de o u tras espécies. m esm o sem choques. ou ap en as am eaça de dor ou de perda poderia te r evoluído. O anim al punido pode ser colocado em um com partim ento e u m p a r inocente em outro com partim ento. força. Depois de ser punido. Punição não precisa ser fisicam ente dolorosa p a ra incitar agressão como um efeito colateral e a m aioria dos experim entos hoje não infligem dor aos sujeitos.Coerção e s u a s im plicações 221 tudos m odernos tendem a u s a r “b a rra s de m ordida” especialm ente co n stru íd as que au to m aticam en te registram a freqüência. e algum as vezes de indivíduos d as m esm a espécie. e a prevenção pelo ataque. u m m acaco. um a alm ofada ou q u alquer coisa que esteja à mão. Por exemplo. d u ­ ração e o u tras características do ataque. têm promovido sobre­ vivência. diante de um sinal que diz “Não h á m ais com ida” a ta c a rá u m a b a rra de m order. esm u rran d o e ch u tan d o a p are­ de. m as quan d o ele se to m a vermelho. o alim ento se to m a não-disponível e o bicar sem sucesso. com u m a p o rta fechada en tre eles. Um m ecanism o de ataq u e inato. De m aneira sem elhante. E spécies cujos m em bros não reagissem ad ap tativ am en te à dor e à am eaça de dor não teriam sobrevivido por m uito tem po. libe­ rado pela experiência de. Vemos isto acontecer quando u m pom bo de laboratório pode obter grãos bicando u m disco verde. m as p á ra quan d o o disco se to rn a vermelho. A dor em si ê u m sinal de d esastre im inente. o trab a lh ad o r viciosam ente ataca o outro pássaro. indicando que não h á m ais alim ento. A prevenção de dor por meio d a fuga. colocamos um segundo pom bo n a caixa. P ara alguém que acabou de ser punido. se o ataq u e p arecer m uito arriscado. ao mesmo tem po que ap ertam seu s dentes e contraem os m axilares agressiva­ m ente. Agora. se fugir for impossível. um sujeito fará q u alquer coisa que p o ssa p a ra ter aces­ so a outro sujeito que ele p o ssa então atacar. A m aioria d as espécies de m am íferos vive em am bientes s u r ­ p reendentem ente coercitivos. O pom bo ap ren d e facilm ente a bicar o disco quando está verde e a p a ra r quando ele se to rn a vermelho. Mas coerção induz m ais do que ap en as o ato agressivo em si mesm o.

222 M urray S id m a n ciai de alim entos. m as tam bém nos descobrim os recebendo pagam ento em espécie. Portanto. E ntretanto. o objeto do nosso co n tra-ataq u e não precisa ser o verdadeiro culpado: “Atire em q u al­ quer coisa que se m ova.” No laboratório. um objeto de contra-agressão im erecida. fica sob controle do am biente local. policiais. por c a u sa do m ais leve indício — alguém que se p arecia com ele foi visto n a s vizinhanças quan d o u m a crian ça foi a ssa ssin a d a — ouve a família chocada exigindo s u a vida em troca. assassin ad o por terro ristas em reação à prisão de m em bros do grupo terrorista. Q ualquer choque é provável de vir de algo ou alguém próximo. líderes m ilitares. torna-se o bode expiatório. Isto pode acontecer em nossos papéis como pais. u m a vez que tenham os recebido um choque. ap en as por ter estado p resen te em um m om ento de dificuldade ou calam idade. a consciência de agressão induzida por punição poderia nos fazer p a ra r toda vez que nos encontram os a ponto de infligir punição. Professores que se concentram n a disciplina em vez da in s ­ trução descobrem -se cad a vez m ais sujeitos à contraviolência dentro e fora d a sala de aula. objetos de contraataque induzido por punição. cujos lares e fam ílias foram to talm en te d e stru íd o s no ciclo de violência e contraviolência em que se en red aram seu s governos. choque ou privação exter­ nam ente im postos incitam o ataque. territórios. ad m in is­ tradores. aind a que aquele indivíduo p o ssa não te r sido de modo algum responsável pelo choque. n a d a além disso é necessário p ara que o m ecanism o te n h a evoluído. então. o qual. N ão-realista? Diga isto p ara qualquer um que.” Um m ecanism o de ataque inato não funcionaria se exigisse identificação acu ra d a da fonte de punição ou am eaça. esposos. com panheiros e parceiros sexuais. O sujeito reage com a agressão co n tra um indiví­ duo próximo. Diga isto p a ra os pacíficos m oradores de vilarejos do Líbano e de Israel. Agressão que surge como u m efeito colateral próprio d a coer­ ção coloca m u itas questões que ain d a precisam se r respondidas. m esm o neste ponto. Como punidores. professores. não ap en as nos estab ele­ cemos como alguém de quem se foge ou esquiva. Um problem a im portante p a ra ju izes em julgam entos de divórcio é d istinguir en tre necessidades econôm icas . a ta ­ ques a e stran h o s ou a m em bros de outros grupos têm sido um m ecanism o de sobrevivência p ara o indivíduo e a espécie: “A m elhor defesa é um bom ataq u e. em pregadores ou funcionários governam entais — quando quer que estejam os envolvidos em atividades que se referem a in ­ fluenciar a co n d u ta de outros. Diga isto p a ra a pessoa que. Diga isto ao viajante inocente.

” A mera presença da polícia em um piquete é suficiente para liberar violência. a descoberta de “observadores” americanos nas escolas de polida toma tudo e todo americano objeto de desprezo.Coerçãoesuasimplicações 223 e um esposo rejeitado. gera uma contra-reação quase automática. Quando milhares de cidadãos de um país governado coercitivamente desaparecem depois de terem sido levados pela polícia. professando o pacifismo e abominando a violência. têm. então. montam campanhas lobistas contra “a interferência do estado na livre competição”. umas poucas traições da confiança pública para transformar todos os políticos em objeto de desprezo público. Práticas coercitivas podem gerar contra-ataque contra indivíduos e grupos dos quais eles são membros. aqueles que eram os temidos opressores agora buscam seu favor. Políticos atingidos por notícias desfavoráveis criam legislação para calar a imprensa. entretanto. exploram o sistema legal como um instrumento de revanche. Indústrias atingidas por regulamentos que as forçam a devolver ao público seus lucros excessivos e a limpar sua própria poluição. uns poucos casos bem-divulgados de “terapia aversiva” para originar um clamor público pela abolição da ciência da análise do comportamento. É fácil ver como a agressão poderia tom ar-se um novo modo de vida para os inicialmente subservientes. o ciclo de coerção e represália repete-se incessantemente. Aqueles que estavam por baixo tornam-se os poderosos. Aqueles que anteriormente nada tinham agora tudo têm. . A agressão que levou às novas vantagens pode agora ser usada para ajudar a mantê-las. ricas e poderosas. Uns poucos “conselheiros militares” entre grupos revolucionários em um outro país são suficientes para fazer com que o governo daquele país se alinhe com inimigos dos Estados Unidos. ódio e represália violenta. tendo sua venalidade exposta pelas notícias da mídia. A todo momento vemos revolucionários transformarem-se em cópias carbono dos regimes que derrubaram . faminto por revanche. Quantos daqueles que. “Uma laranja podre estraga o resto. O próprio sucesso da contra-agressão pode colocar em movimento uma estrutura autoperpetuadora de um modo de vida agressivo. Retaliação bem-sucedida provê reforçamento rápido e poderoso. São necessários apenas uns poucos tiros descuidados para produzir o ódio de toda uma comunidade sobre toda a força policial. Mas isto não termina aí. pensado que poderíamos resolver o problema do lixo nuclear transformando uma das nações terroristas em uma lata de lixo? Coerção severa. Figuras públicas. drenando recursos financeiros da mídia que os ofende.

eles distraem outros alunos e disruptam toda a situação de aprendizagem. o controle coercitivo continua a funcionar somente se o controlador tiver uma população cativa. A tecnologia agrícola tomou possível que todos no mundo tenham alimento suficiente. Se o professor é muito forte. envenena seu hospedeiro. mesmo se os punidos forem confinados ou restringidos fisicamente e não puderem escapar. ou as autoridades muito poderosas para que os alunos os enfrentem. ou realmente tomam-se doentes. alunos atacam fisicamente o professor. Contracontrole A longo prazo. eles copiam de outros alunos.224 MurraySidman Como nosso apêndice. elas descobrirão uma outra maneira de acabar com punições ou ameaças de punição. elas aprenderão como controlar seus controladores. ao contrário. ou. Fome e ausência de habitação tornaram-se tragédias desnecessárias. ou. em uma direção aparentemente oposta. embora esteja longe de prover todas as respostas de que necessitamos. que supostamente uma vez teve uma função útil. A análise científica do comportamento. Seu contracontrole pode ou não envolver agressão aberta: eles fingem doenças. a civilização não pode se dar ao luxo de reações automáticas e impensadas às pressões coercitivas. ele não mais provê uma vantagem para a sobrevivência e. Ela também nos deu o conhecimento técnico necessário para eliminar a fome e a pobreza que têm freqüentemente instigado a agressão internacional. um a m ed id a de . A informação pode agora ser transmitida com tal velocidade que a ignorância não é mais uma desculpa para o conflito. Alunos que são punidos por não aprenderem suas lições. Com tais recursos construtivos disponíveis. Se as pessoas não podem fugir ou esquivar-se. como parece estar acontecendo cada vez mais freqüentemente. a coerção inevitavelmente produz um de seus mais proeminentes efeitos colaterais: contracontrole. o mecanismo inato de agressão induzida por punição e privação é um anacronismo evolucionário. mostrou como ensinar efetivamente e como influenciar a conduta não-coercitivamente. um estudante explora sua personalidade envolvente. Materiais e tecnologia de construção colocaram a habitação adequada ao alcance de todos. Mas. à noite eles destroem ou ateiam fogo n a escola. V andalism o na escola. A ciência transformou a guerra em um instrumento de autodestruição. rapidamente aprendem como lidar com a situação. tornando impossível para o professor distingui-los. “jogando charme” e desviando o professor de uma avaliação válida de seu desempenho.

educação e coerção significam a m esm a coisa. Nas prisões. S u p ressão co n tín u a e severa d as ten tativ as de indivíduos p ara satisfazer su a s necessidades econôm icas e atingir outros objetivos pessoais finalm ente produz revolta. T antos professores u sam de coerção como s u a técnica-padrão de controle que alunos os p in tam a todos com a s m esm as cores. De o u tra forma. Novos adm inistradores.Coerção e s u a s im plicações 2 25 contracontrole co n tra a coercitividade d a escola. com novas dem an d as e su p o rte de fora. Q uando u m novo professor aparece. provocam rearran jo s de interesses de grupos entre os prisioneiros e entre prisioneiros e guardas. A ssassin a­ to. m as contracontrole. contracontracontrole e assim por diante — finalm ente leva a u m a supressão tão severa que deixa as pessoas com n a d a a g anhar por subm eter-se e n a d a a perder por rebelar-se. os guardas ou os prisioneiros. “às 2:45. olhe em o u tra direção e ninguém ja m ais sab erá sequer o que aconteceu. populações realm ente cativas têm aperfeiçoado o contracontrole a um tal refinam ento que algum as vezes é difícil dizer quem são os controladores. A deposição de um governo que controla todos os recursos m ilitares e econômicos não é fácil. Tiranias não reconhecem que o ciclo de escalad a de coerção e contracoerção pode te r ap en as u m fim . contracontrole. alu n o s desenvolveram su a s próprias m edidas-padrão de contracontrole. você jam ais se rá capaz de se virar novam ente": “m eus amigos lá fora cuidarão de s u a m ulher. de início algo que ap en as incom oda aq u e­ les no poder. m esm o entre aqueles que dizem condená-lo. estupro e outros tipos de violência física são m an tid as em vigor m enos por tran c as e b a rra s do que por acordos não-escritos: "você m antém a s drogas en tran d o e nós m anterem os tu d o em p az”. Com professores como um grupo tendo se to rn ad o choques condicionados. gradualm ente se acelera até que seja bem -sucedido. Governos repressivos finalm ente su cu m b em ao co n traco n tro ­ le. Todos os pro­ fessores su b stitu to s sabem e tem em o que vão en co n trar quando entram pela prim eira vez em u m a sala de aula. Novos prisioneiros. G aran ta que eu te n h a um trab alh o de escritório com acesso ao telefone”. com novas filosofias de ju s tiç a e . M as prisões não são sistem as fechados. em alguns lugares. algum as vezes leva m ais do que o tem po de vida indivi­ dual. O tipo de cuidado dependerá do que eles souberem de mim. no pátio. A lunos nos anos básicos e interm ediários d em o n stram todo seu repertório de contracontrole quando u m a professora s u b stitu ta assum e a aula. recebe u m a certa dose de sim patia. O ciclo coercitivo — controle. s u a prim eira prioridade é descobrir o que funcionará m elhor e eles fazem com que o professor p asse por seu estoque de contram edidas.

coagindo seus pais. ou a repressão tom a-se insuportável. reduzirá ou eliminará a hiperatividade perturbadora. _O contracontrole inevitável transform a mesmo o mais gentil dos prisioneiros em u m m onstro — aos olhos dos guardas. O equilíbrio de poder n unca é constante. u m a técnica de contracon­ trole particularm ente útil p ara terapeutas que são incapazes de ou que não estão dispostos a identificar as causas am bientais da co n ­ duta qúe supostam ente devem tratar. elas mesm as. instituem restrições mais rígidas. a program as terapêuticos ou à dignidade de su as interações com a equipe prova­ velmente receberão drogas “p ara acalmá-los”. reforçamento positivo p ara atividades construtivas. ela é ainda freqüentemente controlável com portam entalm ente. de todo. nem todas elas justificáveis como medidas protetoras. onde a pressão pública reduziu enormemente o uso de restrição física para controlar o retardado ou o psicótico. m ais um a vez a seu favor. naturalm ente. Drogas têm substituído a cam isa de força como u m a m aneira de controlar pacientes que não colaboram. Não-cientes de que técnicas com portam entais estão . Entretanto. A sociedade também pratica ou su sten ta outras formas de contracon­ trole. Nas instituições. um a rebelião tom a-se a técnica de contracontrole escolhida. E u m a vez que u m a droga se dem onstre bem -sucedida em to m ar o paciente cooperativo é improvável que alguém faça mais tarde u m teste para determ inar se a dose é muito alta ou se a droga ainda é. é em si um a forma de contracontrole que a sociedade produz contra aqueles que quebram su as regras. restrição química é ainda praticada extensivamente. prisões transform am mesmo o mais hum ano dos guardas em um bruto — aos olhos dos prisioneiros. Inerentemente coercitivas. durante u m a rebelião. Elas disruptam classes. drogas continuam sendo o tratam ento u su al p ara crian ­ ças superaüvas. professores e terapeutas a prestar-lhes constante atenção. fre­ qüentem ente. Pacientes institucionalizados que m ostram distúrbio visível — talvez justificado — com relação à alimentação. quebram coisas. A violência indescritível de ambos os lados. Se a criança m ostrou um a razoável habilidade p ara aprender. Prisão. necessária. Crianças hiperativas exigem m uito de seus am bientes. fogem e criam u m estrago gene­ ralizado. À medida que as dem andas dos prisioneiros tom am -se irrazoáveis. Mesmo quando a hiperatividade se origina de um problema orgânico.226 M urray S id m a n punição. assegura aos prisioneiros divulgação e freqüentem ente m uda o equilíbrio de p o ­ der. Drogas psiquiátricas são.

coerção produz co n traco n tro ­ le. an a lista s do com portam ento freqüentem ente desconsideram o con­ tracontrole quando avaliam ou aconselham os outros a respeito de punição.Coerção e s u a s im plicações 227 disponíveis. No am biente familiar. Porque eles têm fracassado em ver e investigar contram edi­ das que seu s sujeitos poderiam tom ar se fossem m enos confinados. A nim ais de circo. Pais que estão desanim ados porque a extrem a agressividade de se u s filhos os coloca diante de problem as com a lei poderiam m uito bem exam inar como eles m esm os controlam o com ­ portam ento de seu s filhos. Q ualquer consideração de punição como u m m étodo de con­ trole com portam ental deve levar em consideração este efeito colate­ ral im portante. A am eaça de b irra de u m a crian ça m im ada pode tran sfo rm ar um “n ão” em um “sim ”. n atu ralm en te. u m a c e rta m edi­ d a de rev an ch e c o n tra observ ad o res que os aborrecem e incom o­ dam . u m a criança esquiva-se de com er alim entos de que não gosta. não podem atingir o experim entador e s u ­ jeitos h u m a n o s sim plesm ente são pouco freqüentes. esvazia a crítica. contraagressão raram en te é possível. em ap resen taçõ es púb licas. por s u a vez. Um silêncio im p assí­ vel do tran sg resso r. não -h u m an o s reagem. O aparelho de som a todo volum e de um adolescente im pede os pais de confiná-lo em casa. assim . o am b ien te de labo rató rio p erm ite ao s su jeito s n ão -h u m a n o s pouco contato com os experim entadores. ^ C ontracontrole não é visto no laboratório com freqüência. Mesmo h u m a n o s cativos finalm ente desenvolverão m edidas de co n tracon­ trole. V om itando n a m esa. en clau su rad o s em um espaço experim ental. Lágrim as brilhando nos olhos de u m a criança freqüentem ente transform am punição im inente em desculpas. m édicos d esesperados recorrem à restrição quím ica como u m a últim a m edida de contracontrole. Filhos de pais extrem am ente coercitivos. Algumas vezes. . S ab e-se que a n i­ m ais. anim ais que vivem em zoológicos e anim ais de laboratório ocasionalm ente vol­ tam -se violentam ente co n tra seu s encarregados. O fracasso dos cien tistas em obser­ var contracontrole no laboratório deve-se em grande p arte ao fato de que s u a s próprias técnicas de investigação o im pedem . E n tre ta n to . A razão é b a s ta n te simples: sujeitos não -h u m an o s. a tiram objetos ou dirigem um jo rro de u rin a aos esp ectad o res. m antido até que a p arte ofendida ofereça um gesto de reconciliação. tam bém . Uma esposa reage à c h a n ta ­ gem sexual com infedilidade. em n en h u m lugar fora do laboratório tal controle é possível. aprend erão form as de contracontrole excessivo. tom ando. A p esq u isa de laboratório tem sido bem -sucedida em pro­ duzir conhecim ento exatam ente por c a u sa do controle que perm ite.

dado o controle existente. com u m a astúcia sarcástica em relação ao analista do com­ portam ento. Estes e outros problemas potenciais causam desconfiança em relação ao controle comportamental e estão subjacentes à q u es­ tão de “quem ”. a vigilância de movimentos e da fala leva à restrição e à censura. ele tam bém to m a p o ssí­ vel um a exploração mais fundam entada. m as aqueles a quem confiamos este controle — os legisla­ dores e os que fazem cum prir a lei. então. agências regulado­ ras de todos os tipos — algumas vezes abusam de seu poder. eles tentam modificá-lo em direções que indivíduos e comunidade considerem desejáveis. o oponente do controle quase inevitavelmente pergunta: “Mas quem vai controlar?” Analistas experimentais do com porta­ mento não defendem controle comportamental: eles o estudam . Isto é análogo a ver físicos não como investigadores. Comportamento está sempre sendo controlado. A na­ listas aplicados do comportamento não tom am a conduta controlá­ vel. V oluntariam en­ te entregamos am plas áreas de controle sobre nossa própria conduta a outros. professores. Embora um entendim ento crescente da coerção traga consigo a possibilidade de m elhorar m u i­ to aquilo que está errado em nossas vidas.228 M urray S id m a n Quem controla quem? Analistas do comportamento conside­ ram como certo o controle da conduta. E algum as vezes nos descobrimos sobrecarregados com controle ao qual não nos submetemos voluntariam ente — o govemo tom a-se ditatorial. as leis são aplicadas seletivamente. Pessoas que não estão familiariza­ das com a disciplina. ou imunologistas como pessoas que te n ­ tam “fraudar” o sistem a imunológico. “Comportamento deveria ser controlado?” é para o analista do comportamento u m a questão sem significado. Todas as tecnologias são passíveis de m á aplicação e a tecno­ logia com portam ental não é exceção. Discussões que começam com a questão “o comportamento é controlado?” freqüentem ente term i­ nam com a questão “o comportamento deveria ser controlado?” E. nós não temos opção. ou que se incomodam com a noção de que a su a própria conduta é determ inada algumas vezes vêem analistas do com portamento como defensores do controle comportamental. p a r­ ticularm ente quando controle coercitivo predomina. estudando e tentando e n te n ­ dê-lo no laboratório e na clínica. Contracontrole provê o mecanismo corretivo contra tal . punições cruéis e não-usuais são adm inistradas. m as como “propulso­ res” das leis da gravidade. Mas a questão de quem vai controlar permanece u m a preocupação p ara todos. Analistas do comportamento são vistos como suspeitos de querer aplicar este conhecimento em seu próprio beneficio. fria e efetiva de técnicas coercitivas.

que o lado m ais pesado com eça a aplicar pressões coercitivas contra o outro. atos-relâmpago de violência mantêm a polícia e forças militares em posições defensivas. medidas menores abrem seu caminho. Reconhecer a universalidade do controle. Em tempos de receitas municipais decrescentes. Leste e Oeste. Ao mesmo tempo. atletas. um cidadão coagido aplica contracontrole que ajuda a equilibrar a severidade da repressão governamental. concluindo que ele representa apenas aqueles que votaram nele. em vez de assumir a tarefa impossível de eliminar o controle. Nos Estados Unidos. Estes variam de pais e escolas a representantes eleitos e forças militares. enquanto isto. am eaçando de falência para coagir seus empregados a aceitarem reduções em seu salário. em vez de suprim idas. para proteção policial e m ilitar contra agressão local e internacional. Pode levar muitos anos antes que o contracontrole final seja bem-sucedido mas. mecanismos para ação legal contra aqueles que executam atos anti-sociais. escritores e artistas famosos exilam-se em outros países. é o primeiro passo para o contracontrole efetivo. vemos prefeitos e agências públicas sacrificando amplas áreas de suas cida . perm itindo que posições opostas — trabalho e gerenciamento. algumas vezes parecendo pender tão com pletam ente. vemos um presidente. a colheita não atinge as expectativas. comércio e preservação. panfletos. conservador e liberal — sejam ouvidas. De algum modo. deliberadam ente atribuímos responsabilidade pelo controle com portam ental a indivíduos e instituições específicos. Estabelecemos mecanismos para excluir do cargo executivos e legisladores que exploram a confiança neles depositada. eleito por ampla maioria. Mais cedo ou mais tarde. pichações expressam sentimentos hostis. livros e outras publicações “subversivas” evitam a censura por rotas tortuosas. Tal negativa apenas deixa o controle nas mãos daqueles que coagiriam o resto de nós em seu próprio beneficio. Encontramos empresas afundando por causa de dificuldades econômicas gerais. introduzim os contracontrole em nosso sistem a social e legal. a produção industrial fica aquém das cotas exigidas. Os ap licad o res de choques descobrem -se ocupados desviando-se dos contrachoques. Negar a existência do controle não provê resposta segura à questão de quem controlará. tiranos poderosos e egoístas têm o seu castigo. Mesmo antes de uma revolução real. com seu amplo componente coercitivo. Os mecanismos de equilíbrio são frágeis. E assim.Coerçãoesuasimplicações 229 exploração respondendo à nossa preocupação sobre quem controlará.

seja legal ou ilegal. Se eles co n ti­ n u arão a funcionar ou se serão colocados p ara operar a cu rto prazo pode depender de n o ssa disposição de estabelecer m ecanism os for­ m ais de contracontrole que tirem proveito de. p ara se beneficiar d as vantagens financeiras do desenvolvimento imobiliário. a exploração coercitiva. in teresses em vários m om entos. física. não tem persistido. os m ecanism os de contracontrole funcionaram . p ara diferente . Mas. negro como tem sido o panoram a. social e esteticam ente.230 M urray S id m a n des. . A longo prazo. em vez de neg ar a realidade do controle com portam ental.

subverte a aprendiza­ gem. a prim eira questão a fazer é. tran sfo rm a a alegria em sofrimento. gera violência e nos to m a doentes. terem os dado um enorm e passo n a direção da com preen­ são de nossa própria conduta e. “Qual é o reforçador?’’ Q ual é o nosso pagam ento por p u n ir e am eaçar pu n ir? Se puderm os en co n trar o reforçador. O reforçam ento negativo produz vidas de desespero. de fazer algo por ela. confiança em medo e am or em ódio. Criaturas do momento Por que acreditam os tão fortem ente n a punição? Por que controlam os os outros levando-os a fugir ou esquivar de punição? .15 Por que fazemos isso? Por que a coerção é tão universal? A punição envenena rela­ ções. Sem pre que quiserm os conhecer as razões de qualquer conduta. então. m as devemos ser capazes de fazer algo m ais constm tivo sobre a n o ssa própria coerção. em p u rra crianças p ara fora da família. Precisam os entender n o ssa própria conduta. A coerção é responsável por ta n ta m iséria. . esm aga a engenhosidade e a produtivi­ dade. por que ela p ersiste? Podemos apenas te n ta r n o s a d ap tar o m elhor que p u ­ derm os à coerção da natureza.

O que vemos acontecer prim eiro — a co nduta p u n id a p á ra — influencia-nos m ais fortem ente. m as aprender como fazê-lo exige trabalho. a lógica por si m esm a não com pete com êxito com o refor­ çam ento im ediato. E sta é provavelmente a principal razão porque nos agarram os à punição como nosso p rin ­ cipal meio p a ra controlar com portam ento. A lógica necessita su sten ta ção do am biente. Podemos estar totalm ente não-conscientes d as repercussões a tra sa d a s — a fuga e a esquiva. U m a vez que saibam os o que a punição realm ente faz. Este é o nosso reforçam ento. lógica e princípios do com portam en­ to estão em desavença aqui. A curto prazo. Todos os efeitos colaterais vêm m ais tarde. cônjuges ou alu n o s in ter­ rom pam o que estão fazendo. É isto que querem os? Podemos ficar satisfeitos quando um problem a parece desaparecer. m as “fácil” é u m a coisa relativa. Punição é fácil no . Em bora Bobby F isher fizesse p are­ cer fácil participar de um cam peonato de xadrez e M artina Navratilo­ va jo g a r tênis. não é fácil p ara nós im itá-los. u m refém aprisionado. o contracontrole. a cessação im ediata do ato punido é a b ase p a ra nossa crença n a punição. Mas. seu efeito im ediato é for­ tem ente reforçador — p ara nós. m as reaparece m ais ta rd e de um a form a m ais séria? Infelizmente. “Coerção é fácil” • U m a ação p u n id a p ára im ediatam ente. Este é o sentido no qual som os cria tu ras do mom ento. um grito. tam bém . m as geralm ente eles trab alh am duro p ara fazê-las parecer assim . p u n ir pessoas as faz interrom per o que estive­ rem fazendo. olhe p a ra o que acontece im ediatam ente depois. Com um esforço mínimo. Um tapa ligeiro. E m bora talvez não p er­ m anente. aju d an d o a criar a ilusão de que a punição realm ente cum pre su a tarefa. Coisas feitas por espe­ cialistas sem pre parecem fáceis. um oficial assassin ad o ou u n s poucos cidadãos depor­ tados ou baleados m antêm -se instituições.232 M urray S id m a n P ara descobrir o que nos reforça por p u n ir os outros. a supressão. a punição é freqüentem ente o cam inho fácil. quando se p assa p a ra o controle de nossa conduta. influenciar com portam entos de m aneiras não-punitivas e fazer isto p arecer fá­ cil. com unidades e nações n a linha. a rigidez e a incapacitação que n o ssa punição engendra. É possível. ou ap en as u m gesto ou olhar am eaçador podem ser suficientes p a ra fazer com que crianças. E ste prim eiro efeito pode ser claro e dram ático. como punidores. a lógica nos diz que deveríam os en co n trar algum outro cam inho.

descobrim os se r difícil m udar. os m ovim entos corretos não são m ais difíceis que os movimentos incorretos. hábitos de coerção já se to rn aram fixos. Não h á razão porque m an eiras nãocoercitivas p a ra influenciar e g u iar u n s aos outros precisem p erm a­ necer re strita s a especialistas. Alguma coerção é inevitável Atos de Deus. aqueles que com eçam corretam ente descobrem ser fácil c o n tin u ar m elhorando. freqüentem en­ te. tem pestade. Em bora ela p areça funcionar. o uso do reforçam ento positivo e o u tras técnicas não-coercitivas pode to rn ar-se a segunda natu reza. O prim eiro efeito de q u al­ qu er m u d an ça é nos fazer te r um desem penho pior e não melhor.Coerção e s u a s im plicações 233 sentido de que não req u er treinam ento especial. Nos próximos capítulos vou sugerir algum as dire­ ções às quais tal com preensão poderia nos conduzir. N ossas p ráticas coerciti­ vas solidam ente arraig ad as to rn am difícil que nos libertem os. exceto talvez em casos como deficiên­ cias desenvolvim entais. é m uito tarde p a ra resolvê-los. u m a vez tendo aprendido os movimentos errados. J u n to com s u a in trin cad a beleza. a m u d an ça to rn a as coisas inicialm en­ te piores. Q uando aprendidos desde o início. recu rso s ú teis e o p o rtu ­ nidades p a ra descoberta e criatividade. . com exposição adequad a à análise do com portam ento. Mas. no presente. tênis ou piano. Existem o u tras m an eiras de fazer o que a punição faz. os problem as que surgem m ais tarde consom em esforço. afinal de contas. Não podem os ter a expectativa de elim inar toda a coerção d a vida. Os efeitos colaterais atrasad o s devem ser contados como custos. Por u m a razão: a n atu re za é inerentem ente coercitiva. E então. Eu direi m ais sobre isso nos capítulos finais. Sim ilarm ente. Como no golfe. parecendo até mesm o tão fácil q u an to a coerção e agindo não m enos rapidam ente. nos quais esforços especiais são requeridos. vem os im ediata­ m ente que a punição não ê realm ente tão fácil. na época em que atingim os a idade ad u lta. E n tretan to . estam os atad o s. De algum modo tem os que com eçar com nossos filhos se quiserm os reverter o padrão tradicional que faz com que altern ativ as à coerção pareçam im praticáveis. quando am pliam os n o ssa visão. dinheiro e sofrim ento em ocional. m as sem os se u s efeitos colaterais? Podemos produzir m u d an ças em n o ssa própria co n d u ta rearran jan d o nosso am biente p a ra encorajar alternativas à punição? C om preender as leis do com portam ento é o prim eiro passo. a n atu re za tam bém nos for­ ça a co n stru ir e m an ter salvaguardas co n tra incêndio.

Em bora inevitável. poder. determ inando como e quando g astam os m uito de nosso tempo. aqueles cujos “atos de D eus” deixaram feridos. erupções vulcânicas. sob o controle de advogados e contadores. estão se tornando cada vez m ais escassos à m edida que os proprietários e u su ário s destes b en s afirm am seu “direito” de gastá-los. estas lu ta s co n tra a n atu re za tam bém fornecem um modelo p a ra n o ssa s interações. Muito freqüentem ente. Recursos ú teis ou valiosos. A certeza de deixar este m undo nos engaja em ritu al espiri­ tu alm en te orientado. Nós a promovemos explicitam ente por meio da com pe­ tição institucional. educacional oü profissional são ab ertas ap en as p ara u n s poucos.234 M urray Sidm an fome. Conflitos de in teresses p essoais en tre indivíduos tam bém são tão inevitáveis que consideram os a com petitividade como u m traço a ser adm irado. ela nos envolve em ritos de testam en to s. propriedades e heranças. enchente e do^rjça. freqüentem ente já lim itados em q u an tid ad e. os que têm sorte heroicam ente acorrem p a ra resg ata r os m enos afortunados. sob o controle da religião institucionalizada. com bates atléticos . Mesmo a inevitabilidade da m orte controla m uito de nossa conduta. desabrigados ou sem família. ain d a som os dirigidos por algum as disposições heredi­ tá ria s em relação à possessividade territorial e sexual. ela é fre­ qüentem ente adiável: escolhem os com cuidado onde construirem os n o ssa casa e seguim os padrões de co n stru ção que reduzem a pro­ babilidade de desastres fatais. Alocamos recu rso s públicos e privados su b stan ciais p ara o adiam ento da morte. estabelecem os sistem as de inspeção p ara g aran tir a seg u ran ça de aviões. ônibus e autom óveis. ela nos coloca co n tra o cobrador de im postos que reclam aria de nossos filhos u m a porção considerável de nossos recu rso s ard u am en te obtidos depois que nos formos. A alta probabilidade de d esastre n a tu ra l e a inevitabilidade da m orte são fontes im p o rtan tes de coerção. M uitas o portunidades de desenvolvim ento econômico. D esde que não h á riquezas. preservação e p reparação de alimentos. Alguma coerção social tam bém é inevitável. Então. A m orte é o coercedor último. Q uando ap en as defesas triviais são possí­ veis: corro em terrem otos. to m ad o s e ressacas de m arés. político. tren s. recu rso s e sucesso suficiente p ara ser dividido. dependem os de m ecanism os de aviso com antecedência p a ra nos dar tem po suficiente p a ra escapar. Competição. energia e recursos. o ganho de u m a pessoa significará a perd a de u m a outra. Pro­ vavelm ente. b u scam o s tratam en to médico quando a doença am eaça e prevenim os epidem ias com im unização e aplican­ do padrões de saneam ento. Idolatram os heróis do esporte.

em exames que dependem quase exclusiva­ m ente de nossa posição em relação a outros. Interesse pessoal. Conce­ demos bolsas de estudos por mérito aos melhores estudantes. Garantimos prêmios monetários aos líderes nas artes. recebe deferência. Ter ganho significa ter infligido ou ter desviado u m choque em um a outra pessoa. ciências e profissões. Estam os tão ocupados adm irando vencedores que não n o ta­ mos a coercitividade essencial da competição. equipamento ou competência vêm em auxílio de outros que passam por sofrimento agudo. m as desprezamos aqueles que se recusam a competir. tom a a distribuição geral de recursos e tecnologia em inentemente sensata. na política. prostituição e jogo. Seja no esporte. certamente podemos reduzir a necessidade de competir pelas necessidades da vida. ou em um vôo para a morte em um avião ou a cavalo. freqüente­ mente ignorando os meios que utilizaram para chegar aí. corrupção e fraude. Respeitamos vencedores e temos p ie­ dade dos perdedores.Coerção e s u a s im plicações 235 de todos os tipos traz grandes som as de dinheiro p ara os gladiado­ res. m uitas vezes até mesmo estendendo a eles licença especial p ara operar fora das leis que restringem a todos os outros. aqueles que possuem um excedente de alimento. nos negócios. dei­ xando os quase-melhores à su a própria sorte. Em inum eráveis ocasiões a generosidade realmente prevalece. o “Chefão” que se tom ou im portante por meio de assassinato. estim a e até mesmo admiração de herói da mídia e de um amplo segmento do público em geral. iluminado pelo conhecimento das conseqüências de longo prazo da privação forçada. Nosso troféu. Precisamos esperar por emergências antes que com partilhe­ mos nossos recursos? O com partilhar não precisa depender de altruísmo. m as n a medida em que a escassez a sustenta. nosso ‘10’ no curso. dos seus patrocinadores e dos milhões de espectadores. O reforçador de um a pessoa precisa ser o punidor de um a outra? Provavelmente não podemos eliminar completamente a com­ petição. o sucesso competitivo vem ãs custas de alguém. enquanto tentam os persuadir o resto de que a honestidade e a objetividade na busca de conhecimento não têm preço. Porque vencer sempre vem às . explorando o outro por meio de drogas. nosso lucro nos negócios ou o próprio presente da vida derivam valor — algumas vezes seu único valor — do fato de terem sido tom ados indisponíveis p ara alguém mais. ter sujeitado um outro a privação ou ter tomado de um outro a vida. ou com u m soldado inimigo. É disto que trata a competição. nosso escritório político. Concedemos privilégios espe­ ciais para aqueles que subiram ao topo em seus campos.

com prar proteção m ilitar e policial nos coloca finalm ente sob o controle coercitivo dos protetores. não a p e n a s protegendo-a. Tam bém não ad ia n ta rá m an ter o problem a controlado e manejável criando sistem as policiais e m ilitares poderosos. nossos filhos e seu s filhos terão de enfrentá-la. b u s ­ cando tam bém controle político a fim de proteger o que se tornou seu próprio interesse. a longo prazo os executorcs. porém cres­ cente. Se a explosão não acontecer em n o s­ sa vida. Os despossuídos de u m a com unidade.236 M urray S id m a n cu sta s de alguém. D entro de um a com unidade. Os E stados U nidos são odiados e tem idos m undialm ente por aqueles que vêem su a extraordinária riqueza como sendo possível ap en as às c u sta s de su a pobreza. necessidades de “defesa” finalm ente to m ara impossível m an ter o modo de vida para cuja proteção estabelecem os o sistem a de defesa. e seu contracontrole por meio de terrorism o. ap en as g aran te a co n tin u a­ ção do ciclo de atrocidade e contra-atrocidade. como defesas em espécie co n tra a m orte e violência cotidianas im postas a eles pelos frios vencedores. Internacionalm ente. m as fazendo-a. a represália m ilitar ao terrorism o. E n ão im p o rta quão bem -sucedidas possam ser operações m ilitares globais. Eles justificam s u a agressão esporádica. O sistem a m ilitar se apropria de todos os recursos p ara seu próprio uso. fortalecer a força policial ap en as intensifica o conflito. A co n tín u a p o stu ­ lação m oral — “a oportunidade e stá disponível p a ra todos” — ap en as produzirá m ais am arg u ra e contracontrole violento. a n ecessid a­ de de m antê-las e intensificá-las nos to m a perdedores. a polícia perde de v ista os direitos sociais e p essoais que a lei e a ordem devem proteger. Sorte que não é com partilhada não co n tin u ará. B u scan d o estre ita m e n te m ais e m ais poder p a ra cu m p rir a lei e m a n te r a ordem . os perdedores do m undo finalm ente reagem a seu s vencedores como o fariam em relação a q u alq u er fonte de choques e privações. ac a b a por to m ar a lei em s u a s p ró p rias m ãos. em ­ bora provavelm ente inevitável agora que se perm itiu ao terrorism o ser tão freqüentem ente bem -sucedido. agem fora d a lei p a ra redirecionar o equilíbrio. D ependência exclusiva d a proteção da polícia . Não ad ian tará os com placentes vencedores sim plesm ente se ressentirem de u m a tal visão acu san d o -a de im precisa e injusta: “por que não copiar n o ssa prosperidade. cu lp a n ­ do aqueles que obviamente têm m ais por su a s próprias d esv an ta­ gens. em vez de te n ta r d estruirn o s?” E sta justificativa auto-indulgente ignora as realidades de a m ­ bientes duros e de falta de treinam ento que negam a incontáveis pessoas o acesso a recu rso s e a ganho potencial. Ainda pior. dom inam seu s em pregadores.

E ainda assim . m as nem seus sucessos nem seu s fracassos têm recebido a análise que merecem. coerção produz afastam ento.se em su a s conseqüências a tra sa d a s. m as a análise do com portam ento to m a clara a dificuldade. Não acham os fácil agir agora se não ve­ mos os benefícios im ediatos. A lguns indivíduos tam bém parecem fortem ente orientados em relação ao futuro. o problem a não pode ser insolúvel. Os efeitos destrutivos da com petição e os resu ltad o s construtivos da cooperação são freqüen­ tem ente m uito atrasad o s e a co n d u ta é relativam ente insensível a conseqüências atra sa d as.Acabam os subservientes aos nossos defensores. Som ente alterando as contingências. grupos ativistas . E stas com unidades relativa­ m ente pequenas não resolvem o problem a p ara todos. O que podem os fazer p ara aju d ar a cobrir o espaço en tra ação e conse­ qüência. m u itas p esso as privam -se de gratifi­ cação presente p ara fazer um seguro contra em ergências. Os vence­ dores de hoje se to rn am os perdedores de am anhã. sofrendo dificuldades presen tes p ara to rn ar as coisas m ais fáceis m ais tarde. o problem a é com portam en tal. A questão não é lógica ou moral. reconhecendo-a como contraprodutiva em ú ltim a in s tâ n ­ cia? Ninguém sabe a resp o sta a esta questão. A substituição da com petição pelo com partilhar aparen tem en te teve algum sucesso nos kibbutz de Israel. esquiva e. inconveniências e até mesmo necessidades p ara g u ard ar dinheiro p ara a educação de seus filhos. m uitos econom izam s u a ren d a atu al p ara prevenir-se co n tra a m enor cap a­ cidade de obter recursos depois da aposentadoria. as interações entre con­ d u ta e am biente por meio d as quais as leis com portam cntais ope­ ram . eles reagirão a nós como ao próprio choque — lógica. precisão e ju stiça não im portando. Pode­ ríam os realm ente co n stru ir u m a sociedade que desvaloriza a com pe­ titividade. contracoerção.Coerção e s u a s im plicações 237 e m ilitar m ais cedo ou m ais tarde cria um estado policial. as leis do com­ portam ento prevalecerão. finalm ente. para colocar o que estam os fazendo agora sob controle de seu s resultados de longo prazo? O que iria nos fazer m u d ar um a atividade atual com bt. com eçarem os a ver cooperação su b stitu ir contracontrole. E nquanto outros nos virem como u m a fonte de choques. em algum as com unidades u tópicas e em outros grupos m enos estru tu ra d o s socialm ente nos E stados Unidos e em outros lugares. M uitos pais p assam por desconfortos. Não nos beneficiam os d as lições que elas têm p ara nós. ainda que a s conseqüências im ediatas pareçam van tajo sas? Pode-se ap o n ­ ta r p a ra pequenas indicações de que processos ú teis realm ente exis­ tem. Competição é inevitavelm ente coercitiva.

Com a sobrevivên­ cia da espécie em jogo. u m a é sim plesm ente to m ar todas as pos­ ses das d u a s m etades e dividi-las entre os despossuídos. m as p a ra to rn a r disponíveis dados que serviriam de b ase p a ra ju lg a m e n ­ tos sobre a validade de práticas sociais. poder-se-ia esp erar ver experim entação so ­ cial sendo efetuada. . questões não-respondidas levam a experim entos. não p ara provar qualquer ponto p articular. Que' tipo de h istó ria com portam ental foi n ecessária p ara que conseqüências m ui­ to a tra sa d a s tivessem controle tão poderoso sobre a co n d u ta desses indivíduos? A análise do com portam ento e stá ap en as com eçando a te n ta r responder a esta questão. Um resultado de com petitividade desenfreada é o nosso m undo partido em possuidores e despossuídos. o suficiente p ara prover estabilidade p ara todos. m as eles nem im pediram o alargam ento da lacu n a econôm ica nem reduziram a am eaça de instabilidade social.238 M urray S íd m a n procuram deter o previsível esgotam ento de recu rso s n a tu ra is. não p roduzirá estabilidade. Q uais são as contingências aqui? Vencer. a destruição d a cam ad a atm osférica co n tra raios danosos e tem p era­ tu ra s extrem as e a am eaça do holocausto nuclear. D ados to m am possível decisões bem -inform adas. J á sabem os o suficiente sobre coerção p a ra ter certeza de que finalm ente ela leva ao d e s a s ­ tre. A inerente coercitividade d a com petição e stá sufi­ cientem ente clara. Se a capacidade não existir. Na ciência. é finalm ente punido. Se o potencial existe de fato. Uma solução m uito defendida p ara o problem a de u m a socie­ dade dividida em dois é im por a igualdade por meio da redistribuição de toda a riqueza e recursos. A caridade institucionalizada e priva­ da e as “redes de segurança" governam entais te n tam prover níveis m ínim os de apoio p a ra os m ais severam ente privados. em bora seja recom pensado de início. em bora po ssa apelar p ara o sentido de ju s tiç a de alguns. tem os que descobri-lo e então explorá-lo. Caridade. R edirecionar o desequilíbrio atu al confiscando e red istrib u in ­ do. u m a e s tr u tu ­ ra que agora se prova instável. am bas coercitivas. apenas veríam os ciclos repetitivos de concentração e su b seq ü en te redistribuição forçada de riqueza. m as não sabem os se a espécie h u m a n a é capaz de existir sem m ortal com petitividade. os h u m an o s hão de se ju n ta r a seu s an cestrais n a extinção. Aqueles que exigem u m a d estas soluções não as p e n sa ­ ram até seu s resultad o s finais. a o u tra é a p esada taxação pelo governo. D ada a con tin u idad e da com petitividade. a q u estão e s ta ­ rá au tom aticam en te respondida. E sta proposta tom a u m a de d u as form as.

onde a falta de moradia popular está levando governos locais a impor pressões confiscatórias contra proprietários de terra. embora punido de início. Não demora muito e alguns agricultores ganharam tudo para si e mais uma vez o governo e os ricos experienciam ataques violentos de proponentes revolucionários da reforma agrária. Mas. não mais satisfatória e produtiva e provavelmente não mais estável que a atual. Naturalmente. outros fatores modulam esta primeira lei. A ferramenta coercitiva produzirá apenas uma nova geração de monopolistas.Coerçãoe suasimplicações 239 perder. No futuro . Tais análises podem ser úteis por nos mostrar para onde nos dirigimos se não modificarmos as contingências. entre humanos. em grande escala. aqueles que pegaram as menores parcelas e a juntam novamente para seu próprio beneficio. que pretende eliminar pelo menos os extremos de riqueza e pobreza. mas raro. Isto não é um julgamento de valor. Uma conseqüência destas contingências serão ondas crescentes de opressão severa crescente por parte daqueles que ganharam tudo e desejam mantê-lo e contramedidas crescentemente violentas por parte daqueles que nada têm a perder. Podemos ver um processo semelhante se iniciando em nossas cidades. Quão freqüentemente vimos este processo se repetindo no terreno da propriedade? O governo se apropria de toda a terra e a devolve para “o povo” — os pequenos agricultores. E uma conclusão que a análise do comportamento toma inevitável. Já podemos ver os primeiros resultados da segurança econôm ica. conseqüências não agem isoladamente. o outro. quais são os dois níveis a serem esperados do com partilhar não-contingente de todos os recursos da comunidade e como surgirão estes dois níveis? Um lado da socieda_ . habitacional e de saúde que é provida independentemente de qualquer coisa que o indivíduo faça ou deixe de fazer — o que quer dizer. perda e ganho simplesmente mantenam eternamente os grupos em disputa. Um estado de bem-estar viola a primeira lei da conduta: o que as pessoas fazem é ditado pelo que acontece. é finalmente recompensado. sem relação contingente entre conduta e conseqüência. então. hospedeiro e parasita. acabará em uma sociedade dividida em dois de um outro tipo. freqüentemente visto na natureza. Tais ciclos de ganho e perda. primeiro um dominando e. sem intervenção . é freqüentemente revelador examinar projeções que não reconhecem como fontes de interferência os processos básicos de reforçamento. O que se supõe vir a ser uma sociedade sem classes está a meio caminho de tornar-se uma nova estrutura de dois níveis. nem um ataque ao liberalismo. A política governamental de bem-estar.

recostados com su a s bocas ab ertas à espera de alim ento. freqüentem ente. até m esm o. com su a s necessidades b ásicas satisfeitas. garan te que aqueles que preci­ sam de caridade porque não têm capacidades produtivas m anter-seão incapazes. P arasitas. os trab alh ad o res levarão vidas produtivas e potencialm ente satisfa­ tórias. to m a n ­ do doadores em hipócritas e recebedores em seres vegetativos. co n struindo repertórios de co n d u ta variados em resp o sta à s contingências n a tu ra is e sociais. alienados de seu s am bientes. Vimos que te n ta ­ tivas p ara elim inar com portam ento são finalm ente autoderrotadas. os p arasitas perm anecerão infantis e não-produtivos. Aqueles d a classe de p arasitas receberão tu d o em troca de nada. ten tan d o im pedir contra-reações. A satisfação de n o ssas necessidades independentem ente do que quer que seja que façam os ou deixemos de fazer to m ar-n o s-á essencialm ente sem com portam ento. m udando-o. seja reforçando a passividade. P essoas da classe trab alh ad o ra irão se engajar interativam ente em seu am bien­ te. entregando-lhes u m a parte. deixando nele su a m arca. C ontingências am bientais ge­ ram novo com portam ento. D oar cega­ m ente. Por que ser u m p ro d u to r quan d o ou­ tros estão dispostos a fazê-lo por você? Por qu an to tem po os pro d u ­ tores vão se m a n ter produtivos n estas circu n stân cias? Por quanto tem po vão se m an ter dispostos a dividir. nós ou não conseguim os ap ren d er ou aprendem os.240 M urray Sidm an de do b em -estar conterá produtores. Q uando essas conseqüências vêm inde­ pendentem ente do que quer que seja que façam os ou deixemos de fazer. seja elim inan­ do os despossuídos. satisfatório com par­ tilh a r os frutos do sucesso com os m enos afortunados. ou outro. Problem as que se originam de acesso desigual aos recursos do m undo não serão resolvidos aplicando-se m edidas cad a vez mais severas p a ra m an ter os despossuídos em seu lugar ou. nós aprendem os. p arasitas. sim plesm en­ te. a crian ça m im ada. C aridade não-contingente pode ser igualm ente devastadora. e stá longe de ser caritativo to rn ar este com partilhar não-contingente. n a realida­ de. h á de se generalizar para toda u m a sociedade. em nom e do hu m an itarism o . a fazer nada. A m bas a s soluções abordam o pro­ blem a ao contrário. quando nossos atos produzem conse­ qüências. têm pouco incentivo p a ra m udar. Este bem conhe­ cido problem a familiar. nós os con- . quando virem os frutos de seu trabalho desviado p ara aqueles que os obtêm sim plesm ente p a­ rando e esperando? A relação é inerentem ente instável. Em bora seja sen sato e. não interagindo com e. Não im porta quão desagradável considerem os a noção de controlar os outros por meio de doação contingente.

que saibamos agir sempre sabiamente não importa quais as pressões do momento. eles finalmente se tomam alvo de hostilidade e repressão. a despeito. Erros ocasionais não precisam nos preocupar. ofendidos por e temerosos de conduta não-convencional. Atingidos por choques. E demais esperar de nós mesmos que saibamos reagir o mais efetivamente possível em cada situação. desesperados por trabalhar incessantemente para nos afastar da pobreza. Portanto. ou na ignorância. assim. Crianças e alguns adultos estão sempre testando limites. ou assum ir as conseqüências” . nos voltamos contra o sistema. uma punição defensiva aqui e ali provavelmente será tratada menos como um choque do que como um sinal de que um limite razoável foi ultrapassado. Manter as pessoas sem comportamento não é um favor para elas. a se manterem no mesmo estado que os toma objetos de caridade. por um a criança m alcom portada. fazendo aquilo que traz alívio imediato. Autodefesa e vingança. um governo ambicioso. a caridade em si mesma não provê solução para os problemas que a coerção competitiva coloca. com a conseqüente inabilidade de seus membros para deixar essa classe ou mesmo para se sustentarem a si mesmos dentro dela. revidamos. retaliamos. O mundo é imperfeito e assim somos nós. Uma classe social definida por incompetência e ignorância. gritam os. nós sempre cometemos erros. do que possa acontecer mais tarde.Coerçãoe suasimplicações 241 trolamos de qualquer modo— inadvertidamente. em nome da humanidade. Tendo sido forçados. Os pequenos erros de momento cuidarão de si mesmos. Com um background de reforçamento positivo. finalmente tomará o restante da sociedade ressentido. as destrói. conquanto que não os deixemos escapar de controle. fazemos os não-conformistas “andar na linha. nos rebelamos e praticamos revanche sobre nossos antigos exploradores. esgotaaa a nossa paciência. mas da mesma forma efetivamente — por meio de caridade que não está relacionada a qualquer coisa que eles aprendam ou consigam fazer. oprimidos por um poder insensato. Uma repreensão ou um tapa de pais que são usualmente amorosos. A caridade não-contingente produz e perpetua a pobreza. E. acometidos por pânico. preocupados e protetores provavelmente não causará qualquer dano. pela violência dos outros. O poder das conseqüências imediatas garante que a coerção nunca desaparecerá completamente. De maior preocupação é a necessidade de defesa de agressão aberta e de alguns dos mais sutis ataques sobre as frágeis acomoda . estapeam os e espancamos.

sem pre estarão conosco. a ú n ic a função válida de guerras. não im porta quão não-coercitivo. Em bora indivíduos pos­ sam efetivam ente conter violência com não-violência. a despeito de todas as evidências de que estes objetivos desejáveis co n tin u am não-atingidos. exploração. ninguém está acim a das leis do com portam ento. M eram ente escondem os esta verdade sobre nós mesmos. A utoproteção co n tra crime. A análise do com portam ento torna claro porque as infrações continuam . prisões e p en a de morte. Mesmo quando n o ssa própria com unidade é cu lp ad a pela violência individual. favorecidos por p ressões am bientais incontroláveis e por processos biológicos norm ais. A privação é relativa. Temos de nos defender do ataque. colocando em perigo o resto. esquiva e contracontrole. ignorância e m alícia sem pre será necessária. ou que estam os estabelecendo um exemplo que im pedirá ou tro s de trilh ar aquele cam inho. Se reduzíssem os fuga violenta. ou que estam os obedecendo a u m im perati­ vo moral. E stes elem entos coercitivos pro­ vavelm ente não desaparecerão mesm o em u m a u to p ia com portam ental. deixará outros descontentes. quando tentam os ju stificar prisões e p en a capital afirm ando que elas reform am crim inosos e m antêm outros no cam inho certo. nem experienciarão exatam ente o m esm o am biente. Cri­ m es capitais contin u am a despeito da pen a de m orte e prisões pro­ duzem m ais crim e que previnem. C ontinuam os a ju stificar contraviolência como u m método de correção e reeducação. Mesmo gêm eos idênticos não m anterão exatam ente os m esm os equilíbrios horm onais e ritmos biológicos. pode gratificar todo m undo e alguns sem pre dem andarão m ais do que outros estão dispostos a dar. su b stitu in d o controle coercitivo por não-coercitivo. afirm ando que estam os reabilitando aqueles que erraram .242 M urray S id m a n ções que perm item às com unidades sobreviverem a despeito de inte­ resses individuais em competição. racionalizando n o ssa pró p ria violên­ cia. . algum a coerção ain d a desliza­ rá por meio do processo de aculturação. Não poderíam os esp erar agir de o utra m aneira. o que satisfaz alguns. Novamente. engano. Os pecados clássicos. N enhum am biente. Uma vez que nosso m ecanism o de controle coercitivo te n h a produzido contracontrole violento contra nós. A utodefesa é a ú n ica justificativa inte­ ligente p a ra responder à violência com violência. não se pode esp erar que m ergulhem os n a culpa e perm itam os que a violência continue incontida. tem os de responder à agressão com nossos próprios m étodos de contracontrole. d a r a o utra face não funcionará p a ra a sociedade como u m todo. incom petên­ cia. E n tretan to encarceram os ou assassin am o s tran sg resso res.

a com unidade. privando os tran sg resso res de confortos. ela só pode reconciliar su a s ações com seu s padrões sim ulando e s ta r fazendo algum a o u tra coisa. A cu ltu ra e religião ocidentais prescrevem vin­ gança.Coerção e s u a s im plicações 24 3 olhar p ara as conseqüências pode to m a r n o ssa co n d u ta com preen­ sível. medo que a co nd uta não-padrão origina. e elas fecham seu s olhos à perseguição b asead a n a preferência sexual. A persistência de u m a p o stu ra m oral diante de fatos contraditórios sugere fortem ente u m a cam uflagem . concretizar retaliação. Adm itir que a perseguição é u m a represália p ara a inveja. a sociedade asseg u ra que a ju s tiç a retributiva co n tin u ará a dom inar seu tr a ta ­ m ento de agressores. S u a p o stu ra m oral im pede a com unidade de reconhecer o papel de su a s próprias práticas coercitivas n a produção de infrações d as quais ela m esm a te rá que se defender. J u s tiç a p asso u a significar revanche. ciúm e. E assim fecham os nossos olhos a absurdos. Afirmamos que m an ter revólveres generalizadam ente dispo­ níveis é a única m an eira de evitar os crim es que a disponibilidade de . O que conseguim os. p raticando retaliação. Ignorando a n atu re za retaliadora de su a s leis. inve­ jo sa ou cium enta freqüentem ente m ais in te n sa do que s u a s reações à violência aberta. privilégios e liberdades. quando ela se com pro­ m ete com a violência e ela m esm a p ratica assassin ato . O fensas não-violentas. u su alm en te não-ilegais. Ju stific a r su a s contram edidas repressivas e violentas como reações defensivas perfeitam ente n atu ra is. M antem os intocadas as p ráticas coerciti­ vas que iniciam a violência e contraviolência. A sociedade descobriria se r m ais vantajoso dizer a ela como ela ê. elas cerram fileiras n a su sten ta ção de leis que p unem m ulheres grávidas não -casad as. A sociedade proclam a que violência e a ssassin ato são perniciosos. S u as justificativ as autosu ste n ta d a s afastam -n a do exame d as cau sas d a co n d u ta an ti-so ­ cial que ela q u er im pedir. Reconhecer que prisões fazem ap en as d u as coisas: prim eiro. segundo. proteger-nos. a d o u trin as religiosas. tirando os agressores de circulação. forçando-as a m a n ter a g ra­ videz até o final: elas cen su ram só ap aren tem en te ju izes que punem m ulheres pela au d ácia de queixar-se que seu s m aridos as m altra­ tam . sim ulando m a n d ar tran sg resso res p a ra o cativeiro p a ra seu próprio benefício ou afirm ando u m a justificativa m oral p ara tira r a vida de u m assassin o ? E stas autojustificações funcionam como u m m ecanism o de esquiva. a infração e contra-infração recíprocas. disfarça isto em ju stiça. a padrões de co n d u ta sexual e de concepções tradicionais de relações m aritais levam com unidades a u m a fúria vingativa.

n a s re la çõ es n a c io ­ n a is e in te rn a c io n a is . c o lo ca n - . V oltam os n o s s a s c o s ta s p a r a jo v e n s v ítim a s de in c e sto . c ita n d o n o s s a re lu tâ n c ia em p a g a r p e la esc o lh a p riv ad a q u e levou à gravidez n ã o -d e se ja d a . m a s u s u a lm e n te n ã o -re c o n h e c id a . E n tão . Talvez c ria n ç a s n ã o d ev essem s e r e x p o sta s à violência do m u n d o real. em vez disso. os m eios de c o m u n ic a ç ã o têm s u s c ita d o in d ig n a ç ã o p ú b lic a em re la ç ã o ao q u e é co n sid e ra d o c o e r­ ção in aceitáv el. q u e ela fre q ü e n te m e n te te n h a m e n o s de 18 a n o s p a re c e n ã o in v a lid a r e s te s a rg u m e n to s. fr e ­ q ü e n te m e n te ju s tific a n d o n o s s a in a ç ã o a p e la n d o p a r a a n e c e ss id a d e de p ro te g e r os d ireito s d a fam ília de co n tro le e p riv acid ad e. m a s to m a a v in g a n ç a possível. q u a n d o a s v ítim as p a s s a ra m a s e r m e n in o s e os in fra to re s os g u a rd a s e n ã o os p a is. C ria n ç a s — m esm o jo v e n s a d u lto s — p e n s a m q u e são im o rta is. é a q u e s tã o aq u i. P rá tic a s co ercitiv as são tão fre q ü e n te m e n te a n o rm a q u e n o s s a sen sib ilid a d e foi e m b o tad a . vam o s em fre n te e c u lp a m o s a vítim a p o r desejo de p a rtic ip a ç ã o . Se p u d é s s e m o s levar n ó s m esm o s a a d m itir a b e rta m e n te que a p risio n a m o s e m a ta m o s tra n s g re s s o re s p a r a n o s p ro teg e r. Nós m e sm o s cria m o s a violência. a q u e s tã o re a l é re p re s á lia c o n tra aq u e le s q u e se e n tre g a m a p ra z e re s p ro ib id o s. n ã o os d eterá. A p ro p rie d a d e p riv a d a de a rm a s de fogo n ã o ev ita crim e. em id a d e precoce. S o licitam os q u e n o sso trib u n a is d ec id a m se a m o rte é u m a p u n iç ã o p erm issív el p a r a q u a lq u e r u m com m e n o s de 18 a n o s q u e c o m e ta u m crim e. A h ip o c ri­ sia a p a re c e c la ra m e n te se s u b s titu irm o s “e sc o lh a ” p o r “p ra z e r”. o u m esm o p o r sed u ç ão . com a q u a l a c o m u n id a d e c o n ta p a r a se p ro te g e r. J u lg a m o s a d o lesc en tes in c a p a z e s de d ec id ir se s u a gravidez d ev erá s e r in te rro m p id a e. e m b o ra m u ito d a v iolência d a te la re tra te p rá tic a s de cu m p rim e n to d a lei ou to m e ex p lícita a in tim id a ç ã o -p a d rã o . n ã o -c o m p e tê n c ia . e n ã o a exceção. M as re v a n c h e é m a is fácil q u e p r e ­ venção. A c o n tra d iç ã o óbvia su g ere q u e re v a n c h e . Só re c e n te m e n te . a s fo rçam o s a to m a re m -s e m ã e s. D izer ao s jo v e n s q u e eles m o rre rã o p o r u m crim e. só p e sso a s v elh as m o rrem . o u e x ib a a co n tra v io lê n cia q u e ê a reg ra. c a lm a m e n te a c e i­ ta m o s os g a s to s m u ito m aio re s de m a n te r a m ãe e o filho. A c u sa m o s a televisão de e n c o ra ja r a violência. E n tã o . R etirar s e u to c a -fita s p o rtá til s e ria u m a a m e a ç a m a is eficaz.244 M urray S id m a n revólveres to r n a possível. m a s ilu d im o s a nós m e sm o s q u a n d o a c u sa m o s a televisão d e c ria r a violência q u e ela a p e n a s im ita. A poiam os leis q u e p ro íb em a s s is tê n c ia p ú b lic a p a r a a in te r ­ ru p ç ã o d a gravidez.

. então. então. pode­ ríam os nos perm itir exam inar o conteúdo coercitivo desses códigos. e p ara exigir vingança.Coerção e s u a s im plicações 245 do-os fora do cam inho. A lei n a tu ra l governa n o ssa s ações quando outros nos dão choques. poderíam os. poderíam os. R econhecen­ do a inveja e o ciúm e que su ste n ta m nosso sentido de deslealdade quando outros vão co n tra os códigos tradicionais de co n d u ta. Adm itindo que m atam os assassin o s p a ra im pedi-los de tom ar m ais vidas e p ara vingar as vidas que eles já tom aram . Ten­ do reconhecido isto. podem os revelar n o ssa auto -ilu são e ir adiante p a ra fazer algo construtivo em relação às p ráticas coercitivas que nos to m am . descobrir ser possível estabelecer os m esm os lim ites não-coercitivam ente? Adm itir a necessidade de autodefesa n ão é vergonhoso. to m á-las verdadeiram ente reabilitadoras. por s u a vez. nem o é o reconhecim ento da vingança como u m a reação à coerção. podem os então tira r o peso do dilem a m oral sem solução e en fren tar com determ inação o que é necessário p ara a prevenção real. poderíam os descobrir ser possível olhar objetivam ente p a ra o que realm ente ocorre n a s prisões. objetos de contra-agressão e rancor.

o in teresse pessoal nos diz secreta­ m ente que é m elhor e s ta r do outro lado. poderíam os te r sido os sofredores em vez de serm os os sim p atizan ­ tes.16 Existe algum outro caminho? E m patizam os com as pessoas que sofrem de dor e m iséria e com aqueles que foram m utilados ou privados pela violência e pela repressão. q u er sejam os a favor ou co n tra o controle coercitivo. que algum as vezes aparecem m uito tem po depois. anulam o sucesso im ediato. No final das contas. Mas as objeções ã coerção apóiam -se em outros fatores além das tendências em ocionais. S erã que o desejo de elim inar a coerção de n o ssas interações m ú tu a s é ap en as um viés pessoal. tam bém observam os e até m esm o invejam os o conforto que m uitos coercedores desfrutam . Mesmo quan d o la stim a­ mos o sofrim ento d as vítim as. a coerção invalida . que não é m ais legítimo que seu oposto? C ertam ente aí reside um a q uestão de valor. não fosse a sorte. Por outro lado. O interesse pessoal nos lem bra que. O sucesso im ediatam ente visível d a coerção m u itas vezes parece ju stificar seu uso. m as os efeitos colaterais não-pretendidos. Os m últiplos p rodutos da punição e do reforçam ento negativo nos fornecem bases racionais p ara concluir que estes tipos de controle contribuem p ara m uitos problem as e enferm idades sociais.

Coerção e suas im plicações 247 seu s próprios objetivos. Mas os riscos são m uito altos p ara continuarm os apo stando n a s soluções coercitivas que são. é h o ra de exam inar o que m ais poderia ser utiliza­ do. Os efeitos colaterais podem tam bém p ossuir vida própria. reforçam ento positivo e punição são trê s fontes poderosas de controle com portam ental. A opção de escolha entre o controle coerci­ tivo e o não-controle não e stá disponível. algum a coisa ruim cessou ou foi-se em bora. O reforçam ento positivo nos deixa com algo que desejam os. biológicas. As sugestões que seguem não salvarão o m undo. continuando a produzir problem as m uito depois das cau sas iniciais terem desaparecido. E sta incom ­ preensão básica do controle com portam ental é um motivo p ara o fracasso geral d a sociedade n a exploração e no desenvolvim ento de alternativas p ara a coerção. m u itas vezes im aginam os que n o ssa ú n ica opção é o não-controle. som os obrigados a concluir que a au sên cia do controle é u m a ilusão. Os reforçadores positivos fortalecem q u aisq u er ações que os te n h am produzido. de p esso as e de lugares m ode­ lam tudo o que fazemos. Ao descobrirm os e an alisarm o s as ori­ gens do com portam ento cada vez m ais complexo. ou em condição de fazer ou obter algo vantajoso. A observação controlada da co n d u ta no laboratório e em outros lugares forneceu princípios gerais e algum as técnicas especí­ ficas. U m a vez que ten h am o s nos libertado do mito do não-controle. m as a m aioria dos problem as n a sociedade em geral são in ­ trinsecam ente complexos. A observação e a experim enta­ ção sistem áticas tiram a d iscu ssão do domínio dos ju lg am en to s de valor. bem -sucedidas ap en as a cu rto prazo. m as pequenos começos podem m odelar nosso próprio com portam ento em novas direções. O único aspecto benéfico que o reforçam ento negativo nos proporciona é u m sentim ento de alívio. n a m e­ lhor das hipóteses. Um princípio norteador J á que o predom ínio do controle coercitivo nos leva a aceitar a punição e a am eaça como n a tu ra is e inevitáveis. Que tipo de controle querem os? C onstruirem os u m am ­ biente social coercitivo ou não-coercitivo? Reforçam ento negativo. im pondo u m a b u sc a séria de alternativas. A associação de influências hereditárias. com com portam entos e recu rso s que nos ocupam produ- . Os reforçadores negativos fortalecem q u aisq u er ações que os façam cessar ou d esa­ parecer. Sabem os o que a coerção faz. opções g en u ín as realm ente se evidenciam. Pode ser difícil aplicar estes princípios e técnicas e avaliar se u s efeitos.

co n tin u ará agindo desta forma. sem criar os su b p ro d u to s típicos da coerção — violência. A aceitação da coerção é tão difundida que alguns acharão difícil acred itar que efetivam ente poderiam influenciar os o u tro s por meio de reforçam ento positivo. dente por d en te”. m as de satisfa­ ção. Mas se u m a p esso a estiver fam inta a cen o u ra fará o trab alh o sozinha. “aqui se faz e aqui se paga": “é preciso com er o pão que o diabo am asso u p ara ser digno do reino dos céu s”. auto d estru ição e destruição dos dem ais. quan d o esti­ ver faminto. ódio. Justificam os a coerção em nom e da educação.” Use o reforçamento positivo. “quem com ferro fere. Q ual­ quer um que já te n h a recebido cen o u ras por se com portar de certa forma quando faminto. doenças e estado geral de infelicidade. . O reforçam ento positivo realm ente controla com portam ento ta n ­ to q u an to a coerção. com ferro será ferido. agressão. da civilização. fortaleça as ações desejáveis que s u b sti­ tu irão a indesejável. sem produzir os indesejáveis efeitos colaterais d a coerção. Mas não precisam os p u n ir p ara evitar ou im pedir as p esso as de agirem mal. Nem é necessário oferecer a cen o u ra como u m suborno. Provavelmente esta e a principal técnica prática não-coercitiva de controle do com portam ento. “É de pequenino que se torce o pepino”. Podemos alcan çar o m esm o fim com reforçadores positivos. Uma p arte incorreta e m uito difu n d i­ da d a sabedoria po p u lar afirm a que “a cen o u ra não tem utilidade a m enos que seja apoiada pela v ara”. “olho por olho. A am eaça não é n ece ssá­ ria. Som os punid o s quando acontece algum a coisa que seria n eg ati­ vam ente reforçadora se pudéssem os cessá-la — talvez o chefe que nos repreende após chegarm os a tra sa d o s ao trab alh o — ou quando perdem os algo que seria positivam ente reforçador se pudéssem os produzi-lo — o pagam ento d as d u a s h o ras que o chefe descontou. Mas ele pode nos en sin ar novas form as de agir ou m a n te r aquilo que já aprendem os. opressão. depressão.248 M urray S id m a n tivam ente e com sentim entos que não são de alívio. d a m oralidade e da defesa própria. infle­ xibilidade em ocional e intelectual. Em vez de in terro m p er u m a co n d u ta indesejada com um choque. Coerção é controle por meio de reforçam ento negativo e p u n i­ ção. U m a m an eira de im pedir que as p es­ soas façam algo sem p u n i-las é oferecer-lhes reforçadores positivos por fazerem algum a o u tra coisa. N orm alm ente punim os com o intuito de evitar u m a co n d u ta que consideram os prejudicial. perigosa ou indesejável por o u tras razões.

doenças m entais. reabilitação crim inal. n a form ação de conceitos e n a linguagem . fortalecê-las com reforçam ento positivo. educação superior. problem as do com portam ento infantil. Ele não precisa ser. Pais. a seguir. pais. obediência a recom endações m édicas. m as este argum ento geralm ente apóia-se no p ressu p o sto de que todo controle é coercitivo. tabagism o. Mais recentem ente um sucesso considerável tem surgido n a análise d a econom ia. pelo m enos ap resen taram u m a m elhora por meio dos m étodos b a ­ seados no reforçam ento positivo. Além disso. em bora controlem n o ssa co n d u ta m uito efetivam ente. n atu ralm en te os an alistas do com portam en­ to estão ansiosos por se lan çar n as áreas de m aior com plexidade. aconselham ento de casais. R ara­ m ente e sta s pessoas são en sin ad as a p ro cu rar por ações desejáveis para. elim iná-las por meio d a coerção. auto-exam e p a ra detecção de câncer de m am a. U m a a um a. treino de habilidades. Professores. Na realidade. líderes religiosos. . Al­ g u n s arg u m en tariam que tal controle. As p o u cas p es­ soas que tipicam ente utilizam o reforçam ento positivo destacam -se. to d as e sta s áreas de problem as com ple­ xos d em onstraram -se tratáveis e se não tiveram com pleta solução. políticos e o u tro s que trab alh am desta m aneira são m uito am ados. ain d a que possível. N ossa educação não proporciona condi­ ções p a ra isto. em vez de concen­ tra r a atenção em algo p ara punir. então. não estarei. T entarei ilu s­ tra r como o controle não-coercitivo poderia a ju d a r a m inorar ou prevenir alguns dos problem as que a coerção realm ente cria.Coerção e s u a s im plicações 249 O bviam ente o reforçam ento negativo e a punição não causam todos os problem as do m undo. P rocurar algo p ara reforçar positivam ente. não seria desejável. controle de peso e outros tantos. não é n o ssa m an eira típica de interagir u n s com os outros. lixo em parques públicos. podem os não e sta r em situação de controlar e stas im portantes conseqüências da co n d u ta alheia. A análise do com portam ento com eçou com alg u n s anim ais de laboratório pressionando b a rra s p ara obter alim ento e nos 50 an o s seguintes produziu princípios com provados experim entalm ente e aplicações clinicam ente verificadas em m u itas áreas da co n d u ta hu m an a: ensino e aprendizagem em escolas p a ra alu n o s norm ais e deficientes. Com esta h istó ria de reforçam ento por se u s próprios esforços. professores. ten tan d o dizer ao m undo como resolver todos os seu s problem as u san d o o reforçam ento positivo. te ra p e u ta s — todos aq u e­ les cujo trab alh o é influenciar os outros — aprendem a p ro cu rar por ações indesejáveis e. nem o reforçam ento positivo solucio­ n a rá todos eles. produtividade in d u strial. guagueira. policiais. então. E stou sim plesm ente sugerindo u m princípio norteador: o reforça­ m ento positivo funciona e a coerção é perigosa.

250 M urray S id m a n Se c o n sid e ra rm o s a p u n iç ã o com o a ú n ic a fo rm a de in flu e n ­ c ia r os o u tro s . Um p o u co d e p rá tic a de re fo rça m en to positivo a ju d a ­ r á a n o s c o n v e n cer d e q u e vale a p e n a te n ta r sa lv a r n o sso m u n d o . c o n d u z ir a m éto d o s m a is eficazes p a r a os p rin c ip a is p ro b lem a s so ciais. A p ren d em o s ra p id a m e n te . T en ta m o s e lim in a r u m c o m p o rta m e n to in desejável. ineficiência e coação p o r m eio d a força. A u to m a tic a m e n te a d o ta m o s u m a ab o rd a g e m d e s tru tiv a p a r a c o n tro la r o co m p o rta m e n to . Se n ã o d e m o n strá s se m o s. e n c o n tra re m o s m u ita s ocasiões n a s q u a is po d em o s a lc a n ç a r os re s u lta d o s q u e d e se ja m o s se m p ro v o c ar os in d esejá v eis efeitos c o la ­ te ra is q u e a c o m p a n h a m a coerção. O re fo rça m en to positivo pode a in d a p ro d u z ir u m efeito c o la ­ te ra l no táv el. Se n ã o p e rd e rm o s de v is ta n o s so p rin cíp io de o r ie n ta ­ ção. d e m o n s tra n d o q u e a co m plexidade p o r si p ró p ria n ã o é u m em p ecilh o p a r a a efetiva a n á lise do co m p o rta m e n to . q u a lq u e r fu n c io n á rio e q u a lq u e r u m q u e e x e ­ c u ta a lei d ev eriam a n a lis a r a s itu a ç ã o c o m p o rta m e n ta lm e n te (ou dev eriam m a n d a r fazer e s ta análise) em b u s c a de a lte rn a tiv a s. p ro c e d e n ­ do p o r p e q u e n o s p a s so s. sem p e rc e b e r a p o ssib ilid ad e de q u e p o d e ría m o s n o s liv rar do c o m p o rta m e n to in d e se ja d o p e la sim p les c o n s tru ç ã o d e u m novo c o m p o rta m e n to p a r a su b s titu í-lo . O reforçamento positivo em casa ■ T o m a m o -n o s p a is sem q u e n in g u é m n o s te n h a e n s in a d o com o d a r c o n ta d e s ta re sp o n sa b ilid a d e . As s u g e s tõ e s a p r e s e n ta d a s a se g u ir p re te n d e m a p e n a s in d ic a r com o ta is a n á lis e s p o d e ria m re v elar c a m in h o s de a ç ã o não-coercitivos. pelo m e n o s o c a sio n a lm e n te . facilm en te n o s c o n v e n cería m o s de q u e o m u n d o é co m p o sto ex c lu siv a m e n te de c o rru p ç ã o . d eix an d o e s c a p a r a p o ssib ilid ad e de in s ta la r a m e s m a c o n d u ta desejável re fo rç a n d o -a p o sitiv a m e n te. ap lica n d o m e d id a s de a u to c o rre ç ã o a c a d a p a s s o e n o s a p ro x im a n d o g ra d u a lm e n te de á re a s com p ro b lem a c a d a vez m a is a m p la s p o dem os s u rp re e n d e r a té m esm o os m ais cético s. e s te s c a m in h o s p o d eriam . q u a lq u e r e m p re sário . O u e n tã o . c o n s tru ím o s u m novo c o m p o rta m e n to e n s in a n d o à s p e s s o a s com o im p e d ir o u fu g ir dos c h o q u e s q u e lh e s infligim os. p o r s u a vez. A p rin cíp io . é im provável q u e p re ste m o s m u ita a te n ç ã o a c o n d u ta s desejáv eis. E m b o ra n ã o sejam tra d ic io n a is e a té a q u i n ã o te n h a m sido te sta d o s . Q u a lq u e r e s ta d is ta . q u a lq u e r p ro fesso r. e n tã o . Q u a n d o s u rg e u m d e te rm in a d o p ro b le m a a s p e s s o a s r e s p o n ­ sáv eis p o r resolvê-lo dev eriam re c o n h e c e r os perigos de te n ta r re c o r­ re r à s “so lu ç õ e s” d a coerção. n o s s o ap re ç o p o r aq u ilo q u e fu n c io n a e p o r a q u e le s q u e fazem as co isas fu n c io n a re m .

n en h u m cam inho p ara ad ap tar-se construtivam ente. se ain d a não ap ren d eram o u tras form as de com uni­ cação. m u itas vezes podem os p a ra r o choro com a apresentação de u m brinquedo. En- . Não é difícil criar m o nstrinhos. dep aram -se com crian ças feli­ zes. o reforçam ento positivo pode fortalecer con­ d u ta que é tão indesejável q u an to q u aisq u er efeitos colaterais da coerção. A princípio choram e gritam. Proporcionar u m a di­ versão no lugar de u m a punição faria a crian ça in terag ir alegre e produtivam ente com o meio am biente. elas ap ren d em a expressar e im por o cum prim ento de exigências pelos únicos m eios de que dispõem . Em vez de rep reen d er ou isolar um a criança chorosa. cada vez m ais freqüentem ente relatados. Se n u n c a dam os atenção.Coerção e s u a s im plicações 251 que as crianças fazem exigências especiais. A ntes que po ssam falar. a agir m ais vezes d esta form a? Realm ente isto acontece. esquivam os e.” Utilizado inabilm ente. freqüentem ente em com binação com outros estresses. Reforçar tais p ráticas p erp etam -n as q u ase sem pre transform ando crian ças adoravelm ente alegres em objetos dos quais fugim os. autoconfiantes e com petentes. Q ualquer pessoa que te n h a refletido sobre esta possibilidade está no cam inho certo p ara um entendim ento proveitoso de como a co n d u ta é controlada. Até m esm o os bebês podem desenvolver um a rsen al de p ráti­ cas coercitivas. As fam ílias que praticam reforçam ento positivo desfrutam de u m benefício adicional: raram en te s u r­ gem motivos p ara punição. afeição e outros reforçadores. Isso. o resu ltad o será m au com portam ento contínuo. pela destrutividade e por o u tra s form as m ais su tis de m au com portam ento. está por trá s dos incidentes de abuso co n tra crianças. isto não tran sm ite u m a m ensagem ? Será que a criança não ap ren d erá a com portar-se mal. trocam o choro e o grito pela agressão. Posteriorm ente. m ais. A punição pode produzir a paz que pais desesperados neces­ sitam — às c u sta s dos inevitáveis efeitos colaterais — m as não oferece à criança q u alq u er cam inho alternativo de ação. m as eles são legais. O princí­ pio foi apreendido com precisão por u m a tira de q u ad rin h o s que ap resen tav a u m a criança dizendo p a ra a outra: “M eus pais não p restam m u ita atenção em mim. Se os reforçadores positivos to m am -se disponíveis sem pre que u m a criança age mal. exceto quando n o ssa s crianças com portam -se mal. agredim os. m as oferecem às su a s crian ças o p ortunidades p a ra o recebim ento de reforçadores positivos. Tudo o que eu preciso fazer é dizer ‘blip’ e eles m e dão tu d o o que eu quero. Os pais que reagem não com a punição. E stes com­ portam entos colocam a satisfação im ediata de su a s n ecessidades no prim eiro lu g ar da lista de prioridades do adulto.

D istribuídos inabilm ente. Todos conhecem os adultos m im ados. se aprenderm os que os relacionam entos desabrocham com reforçam ento positivo. Pais atento s aprenderão a reconhecer sinais de problem as im inentes. rejeitar os b rinquedos e a s atividades favo­ ritas. en sin ará a crian ça que q u alq u er coisa funciona. não im porta o que ten h am ou não feito. m esm o e n ­ quanto estiverm os m antendo as contingências. Temos que m an ter as contingências positivas e ao mesm o tem po g erar confiança e segurança. se o reforçam ento positivo geralm ente predom ina n a fam í­ lia. N ossas crianças devem sa b e r que podem co n tar conosco mesm o se não conseguirem enfrentar u m a contingência com êxito. agarrar. Elas podem reclam ar. Pais aten to s não esperarão pelo distúrbio. E n q u an to conside­ rarm os a coerção n ecessária. que esperam que tudo lhes seja dado. que saib am que essa proteção e afeição — todo o conjunto de reforçadores — estarão ainda disponíveis mesm o se eles fizerem algo errado. A análise do com portam ento não fornece fórm ulas q u antitativas. Ninguém nos en sin a como fazer isto. Tem os que en co n trar o equilíbrio. O resu ltad o extrem o do prêm io com pletam ente in ­ condicional é a criança m im ada. sem se im portar com a s conseqüências que su a s ações possam trazer p ara os dem ais. As crianças geralm ente não irrom pem em m au com porta­ m ento sem terem dado sinais de que as coisas não vão bem. m as ten tarão fazer com que a criança faça algo bom e então m an terão este com portam ento com reforça­ m ento positivo. a s crianças aprenderão que não precisam p in ta r o sete p ara fazer com que atendam os aos seu s desejos. o m au com portam ento ocasional p erm anecerá exatam ente assim — ocasional. que pode c o n tin u ar assim até a idade adulta. irrita r o irm ão m ais novo ou m o strar várias form as de n eg ati­ vism o que caracteristicam ente precedem u ra distúrbio. pelo m enos saberem os p ro cu rar por form as não-coercitivas de p ro ­ duzir seg u ran ça e autoconfiança em n o ssas crianças. m as sem fazê-las sen tir que sem pre precisam fazer algo especial p a ra obter nosso am or e n o ssa p ro te­ ção. não nos questionarem os a este resp ei­ to. Mas.252 M urray S id m a n tretanto. Q uerem os u s a r reforçadores positivos p a ra en sin á-las a ter u m a vida produtiva e feliz. O bviam ente não querem os te r com n o ssas crian ças ap en as um relacionam ento do tipo “você coçou as m in h as costas. eu coçarei as s u a s ”. que agem como bem entendem . A d istribuição de reforçadores in d ep en d en te­ m ente daquilo que a criança faz. os reforçadores positivos podem c a u s a r problem as. . Q uerem os que elas se sintam seguras.

ser malvada com o irmãozinho mantém a mamãe constantemente atenta. Essas ocasiões não . o ensino deveria ser uma interação reforçadora tanto para a criança como para seus pais. esses reforçadores estão mantendo suas ações. Em vez de esperar que ela choramingue antes de ler uma história para ela. As vezes as coisas parecem ter ido longe demais para serem tratadas de outra forma que não a punição. A criança nos enfurece com suas lamentações. Em vez de ignorar a criança dê a ela esses mesmos reforçadores quando fizer alguma outra coisa. E às vezes. Deveríamos apenas parar de lhe fornecer esses reforçadores? Apenas ignorá-la? Esta é uma sugestão comum. cometemos erros e acabamos tendo de lidar com uma descarga emocional que possivelmente nenhum tratamento sensato pode resolver. dança ou brinca construtivamente. mas ela não funcionará. um afago na cabeça não é suficiente. mesmo quando estiver ocupado com outras coisas mantenha um contato freqüente com a criança. Por si só. às vezes sem compreender. senão alguém sairá machucado. E claro que as coisas podem ir longe demais. O segredo é estabelecer contingências realistas que a criança possa enfrentar. distribua reforçadores autênticos. seus empurrões no bebê estão levando nossa paciência ao limite. seus acessos de raiva a tomam o foco de atenção. O que devemos fazer? Primeiro. surgem emergências que precisam ser resolvidas imediatamente. N a verdade. Elas precisam desses reforçadores. As vezes preocupados. aplauda e elogie-a quando ela recita um verso. verifique o que a criança tem ganhado por agir desta forma. Finalmente. E. os acessos de raiva estão se tomando assustadores. inspecionando suas atividades e interagindo com ela. a punição pode ser necessária para colocar um fim rápido a uma situação perigosa. os inevitáveis fracassos deveriam ser usados como oportunidades para ensinar e não para punir. Além disso. Não há nada que produza segurança e autoconfiança como o sucesso. pode ser necessário um abraço caloroso.Coaçãoe suasimplicações 253 mas realmente formula o problema em termos que permitem sua solução. não faça com que ela ameace o bebê para interagir com ela. As crianças encontram meios censuráveis para obter reforçadores porque não podem obtêlos de outra forma. em vez de esperar que ela bata a cabeça contra a parede para obter atenção. Suas queixas lhe proporcionam qualquer coisa que queira. leia quando ela estiver brincando calmamente por algum tempo. Não exija coisas complexas muito cedo. conseqüências que satisfaçam a criança e não apenas aos pais. um biscoito será mais eficaz que um beijo. As vezes. também.

Os pais ou avós que d esfru ­ tam de todos os benefícios da família sem terem que fazer s u a parte podem to rn ar-se egocêntricos. Não deveria haver su rp re sa quando u m esposo coagido. O reforçam ento positivo não serve ap en as p a ra crianças. m as seu s próprios pais podem o cupar u m a posição anôm ala. Os idosos precisam de reforçam ento positivo ta n to q u an to as crianças p a ra c o n stru ir e m an ter seu próprio senso de seg u ran ça e valor. Mas. Filhos m ais velhos. ingrato e violento trarão m ais exigência. Q uantos alcoólatras e pessoas que trab a lh am em excesso e com pulsivam ente. do progresso de seu s filhos. m as sem pedir n a d a em troca. u m im enso vazio pode su rg ir em s u a existência. foge p a ra braços mais com preensivos. a ajuda. E ntretanto. fugitivos da coerção conjugal? O am or não-contingente tam bém pode m im ar u m adulto tão eficientem ente quanto m im a u m a criança. o am or que é dado sob coerção som ente m a n ­ te rá a continuidade d a coerção. Não sendo m ais necessários — sem a com unidade p ara lhes d em o n strar adm iração pelo que podem fazer — eles terão poucos motivos p ara se com portar. eles são sinais de perigo. não m ais dependentes. E sp erar ser coagido a fornecer reforçadores é o mesm o que pedir p a ra ser coagido. a bondade e todas as am abilidades e resp o n ­ sabilidades recíprocas d a vida conjugal m an terão a con tin u id ad e de u m casam ento. espo­ sos que se subm etem a u m com panheiro. Não a d ian ta tra ta r os m ais velhos ap en as com respeito e bondade. Em q u alq u er idade. Em u m relacionam ento baseado em reforçam ento positivo forte e freqüente. viciados em drogas e televisão são. podem receber refor­ çam ento positivo quase autom ático. Como pais que garantem o m au com portam ento de seu s filhos por reforçá-lo. indicando um relacionam ento que está se deteriorando. exigindo cada vez m ais atenção p ara su a s próprias von­ tades. ingratidão e violência sobre si m esm os. desatenciosos e geralm ente coercitivos. u m a punição esporádica não c a u s a rá p re­ juízo algum a a longo prazo. O apoio afetivo. cujos filhos precisam deles. podem ain d a dedicar todo re s ­ peito e consideração aos pais. n a realidade. A m enos que os m ais velhos ten h am u m a vida própria bem -sucedida e reforçadora. Pais jovens. Eles podem acab ar deprim idos e descuidados. aproveitando-se de q u al­ qu er oportunidade de reforçam ento negativo. o am or que é sem pre dado incondicionalm ente en sin ará quem o rece­ be que “d a r é u m a ru a de m ão ú n ic a”. sem n a d a pedir a eles. Eles precisam dos reforçadores positivos que sem pre vieram do uso de su a s habilidades e d as inte- . ingratos.254 M urray S id m a n são preocupantes. se esses erros ou em ergên­ cias com eçam a ocorrer freqüentem ente.

faça com que eles participem d as viagens fam iliares. a localização d estas instalações em áreas relati­ vam ente despovoadas e de difícil acesso (pelo m enos inicialm ente. E n tretan to . F reqüentem ente justificam os estas instituições como in stru m en to s p a ra m u d an ças benéficas: “escolas” para deficientes su p o stam en te en sin am a seu s alunos novas h abili­ dades p ara ajudá-los a su p e ra r su a s lim itações. s u a aju d a no cuidado d as crianças. seu s m uros. nos tra n sp o r­ tes. n a ad m in is­ tração das finanças d a casa. E spera-se que elas m a n ten h am o retardado. professores. encoraje e registre recor­ dações e dados d a histó ria familiar. Mesmo a senilidade de ordem fisiológica pode ser m elhorada em certo grau. A perd a de o p o rtu n i­ dades p ara obter reforçadores positivos equivale ao choque inevitá­ vel. O reforçamento positivo em instituições Aqueles que rep resen tam am eaças p ara si m esm os ou p a ra a sociedade em geral.Coerção e s u a s im plicações 255 rações que elas tornavam possíveis. o auxílio de s u a influência. E ntregam os e sta s instalações “h u m an as" a m em bros de profissões assistenciais — médicos. nos consertos. “institu içõ es” correcionais su p o stam en te reabilitam infratores. são en treg u es às instituições. proibim os. fisioterapeutas. “h o sp itais” p ara doentes m entais su p o stam en te curam -nos. privam os os m esm os de liberdade de m ovim ento e de op o rtu n id ad es de tom ar decisões. enferm eiros. s u a isen ­ ção da obrigatoriedade de p re sta r contas ao público tran sfo rm a a . freqüentem ente. n a s tarefas d a cozinha. n a s ligações telefônicas. o louco e o crim inoso fora de c irc u la ç ã o . fonoaudiólogos. u m a forma de punição não-contingente à qual sem sab er s u b ­ m etem os nossos idosos. grades. n a correspon­ dência e n a s o u tras obrigações fam iliares. portões e torres de seguran ça e a tendência pública de ignorar o sim ples fato de s u a existência deixam essas instituições q u ase que com pletam en­ te sem controle externo. ainda. a m aioria d as com odidades que eles desfrutariam no m undo exterior. perm itim os a eles ap en as relações sociais lim itadas. an tes que a s cidades ou su b ú rb io s ten h am crescido à s u a volta) indicam o que realm ente pretendem os com elas. Sejam q u ais forem os im pulsos h u m a n itá ­ rios que possam de início ter gerado seu estabelecim ento. assisten tes sociais e funcionários penitenciários — e lavam os n o ssa s m ãos dos problem as. Peça-lhes conselhos. Seu isolam ento geográfico. a n alistas do com ­ portam ento. por meio de solicitações e até mesm o exigências que eles possam aten d er com êxito. psicólogos. no jardim . Ali.

real ou im aginário. funcionários públicos — estão tão acostum ados com a coerção que freqüentem ente não podem com preender outro meio. U m a instituição que funciona principalm ente p a ra o benefi­ cio do corpo de funcionários dá pouca im portância aos nocivos efei­ tos colaterais d a coerção. O uso incorreto d a privação. . encontram os a p red o m in ân ­ cia d a coerção no tratam en to de p esso as retard ad as. m ilitares. A coerção to m a-se a técnica preferida p a ra fazer os in tern o s “se com portarem ”. policiais. distribuíam -no em p eq u en as p o r­ ções. tornando-o irreconhecível. os privavam de alim entos e. Se te n tam o reforçam ento positivo. R aram ente u m a investigação avalia de fato a racionalidade e a aplicação d as técnicas de controle do com portam ento. Isto ê exatam ente o que acontecia em alguns sistem as penitenciários abom ináveis que afirm avam e s ta r utilizando reforçam ento positivo. se eles agissem com subserviência. ela é efêm era e geral­ m ente ineficaz. a conveniência adm inistrativa. davam -lhes u n s poucos in sta n tes de intim idade se eles não tivessem sido vistos envolvendose em intercâm bios sociais suspeitos com outros prisioneiros. seu prim eiro im pulso ê s u b tra ir algum a coisa de seu s controlados. já que concentra a atenção n a s instalações físicas e nos procedim entos adm inistrativos.256 M urray S id m a n m aioria delas em um pouco m ais dos que depósitos p a ra os social­ m ente desajustado s. dos doentes m entais e de crim inosos de todos os tipos. de modo que possam devolvê-lo em tro ca de “bom com portam ento”. Por c a u sa d a incom preensão e d a incom petên­ cia. a qualquer deslize. alguns dirigentes institu cio n ais e m em bros d as profissões assistenciais d etu rp am e alteram o conceito de reforçam ento. voltavam a im p o rá s privações. ten tan d o tran sfo rm ar até m esm o o reforçam ento po­ sitivo em um in stru m en to de coerção. Q uando a pressão públi­ ca ou judicial por reform a surge efetivam ente. E então. D esta forma. desde que eles dem o n s­ trassem o arrependim ento adequado. carcereiros. terapêuticos ou correcionais de longo prazo. negavam -lhes a privacidade e. a docilidade do interno e a obediência às norm as e regulam entos su b stitu e m os objetivos ed u ­ cacionais. d a ­ vam aos detentos tarefas dom ésticas e os transferiam p a ra um tr a ­ balho m ais agradável se eles a executassem sem reclam ação e re sis­ tência. As prioridades im ediatas d as equipes de fu n ­ cionários. Aqueles que designam os p ara posições de controle sobre nós m esm os e sobre os dem ais — profes­ sores. Eles im punham o confinam ento em prisão solitária aos detentos e então os deixavam sa ir por cu rto s períodos. então.

A punição por meio de choques ou de privação to m a a fuga reforçadora. rapidam ente se interrom pe a priva­ ção. M inha preocupação aqui ê o u so da privação como in s tru ­ m ento de coerção. quartéis e salas de aula. alunos. b en s. crian ças ou outros de s u a s necessidades. u sa-se a privação ap en as p ara a u ­ m e n tar a atratividade de u m reforçador positivo e n ão p a ra p u n ir o com portam ento insatisfatório. use o alim ento como reforçador p ara algum com portam ento básico. a privação de fato contribui p ara a efetividade dos reforçadores positivos: tem os pouco in teresse p o r com ida logo após u m a boa refeição. Uma vez que a criança ap ren d a a l­ gum com portam ento adaptativo. então. direitos e privilégios b ásicos p a ra criar reforçadores. a privação por um breve período pode produzir conseqüências desejáveis que n ão são possíveis de algum a o u tra forma. m as tam bém produzirão os efeitos de longo prazo do controle coercitivo. E ntretan to . R etirar alim ento. ta n to a criança como a com unidade ach arão a privação tem porária benéfica. sem am eaçar utilizá-la novam ente. o que fazem p ara g a n h a r dinheiro e o que fazemos com o dinheiro ganho depende m uito da q u an tid ad e de dinheiro que já possuím os. em bora a privação to rn e os reforçadores positivos m ais fortes. Eles podem servir tem porariam ente p a ra m an ter a ordem em pavilhões p en iten ­ ciários. Se privam os prisioneiros. esses reforçadores são negativos e não positivos. pri- . poder-se-á d esen ­ volver outros reforçadores e su sp e n d er a privação de alim ento. geralm ente não é neces­ sário m uito extra p a ra descobrir os reforçadores que já são eficientes sem privação adicional. ou quando u m tratam en to an terio r incom ­ petente tornou u m a criança insensível aos m étodos-padrão de in s­ trução. Elas são b asead a s n a privação socialm ente im p o sta e n a fuga e esquiva que tal privação gera. após u m a longa viagem no m ar. Primeiro. Em certos casos extrem os.Coerção e s u a s im plicações 257 É claro que tais técnicas são com pletam ente coercitivas. deixe-a com fome. m as a com ida influencia poderosam ente n o ssas ações quando a h o ra d a refeição se aproxim a: o apetite sexual dos m arinheiros. N inguém tem o suficiente de tudo. Depois que todos os ou tro s já desistiram ain d a se pode conduzir u m a criança re ta rd a d a no cam i­ nho d a aprendizagem efetiva. Mesmo n essas ocasiões. ain d a assim não é necessário im por privações deliberadam ente p a ra fazer u so de reforçadores po­ sitivos. Contudo. Em casos de retardo extrem o. Uma vez que a criança te n h a aprendido esses com portam entos. como com er sozinho ou seguir in stru çõ es sim ples. é lendário: em bora os indivíduos variem m uito.

ensinando habilidades básicas para iniciantes e para aqueles com deficiências de aprendizagem. sexo e outras privações biologi­ camente determinadas são inatas. Seu m undo começa a se ampliar. Q ualquer um que use privação dessa m aneira pode esperar que os controlados fujam. por exemplo. Muitas existem mesmo sem a intervenção social: é a s ­ sim que o mundo funciona. Mesmo que ainda não tivéssemos desenvolvido um program a institucional completamente eficiente. Alimento. Ele é igualmente útil no ensino de crianças normais. a conduta aprendida durante as refeições permite aos alunos retardados atu ar de m aneira adaptativa tam bém em o u ­ tras ocasiões. defendam-se e exerçam contracontrole exatam ente como reagiriam a qualquer sistem a coercitivo. É m uito mais efetivo tirar vantagem das privações que ocorrem naturalm ente. Dessa forma. escolher a comida oferecida dizendo “por favor” e “obrigado” — tom am possível levá-los a restau ran tes e lanchonetes. Pessoas re ta r­ dadas e algumas das m entalm ente doentes parecem sensíveis a a p e ­ nas um pequeno núm ero de reforçadores. Nesses locais. S uas habilidades recém-descobertas — carregar um a bandeja do balcão de serviços para a mesa. quase sempre podemos fazer bom uso destas privações. Enquanto aperfeiçoa­ mos nosso plano institucional sempre podemos deixá-los ganhar u m a refeição completa pela repetição daquilo que eles aprenderam anteriormente. Métodos de ensino que g a ra n ­ tem a aprendizagem estão atualm ente disponíveis. Este tipo de ensino não requer que privemos nossos alunos das refeições se eles não aprenderem. assim não é n e ­ cessário que refeições sejam perdidas por cau sa do ensino m alsuce­ dido. O uso do alimento como reforçador nas horas da refeição é um a forma poderosa e comprovada de ensinar habilidades básicas aos m entalm ente retardados. Sem tom á-las ainda mais severas do que seriam no curso normal das coisas. subverte o princípio do reforçamento positivo. À medida que se aproxim a a hora da refeição. apenas de forma que eles possam ser devolvidos em troca de bom comportamento e então tirados novamente para punir m au comportamento. novas escolhas tom am -se disponíveis e eles experienciam novos am bientes. A caminho do restau ran te habilidades de viagem podem ser ensinadas. alunos com dificuldade de aprendizagem não precisariam ficar com fome.258 M urray S id m a n vilégios ou direitos. utilizar um garfo e u m a colher. Por fim. novos reforçadores tom am -se efetivos à medida que eles aprendem como interagir com diferentes am bientes e com . m as o alimento é um dos mais seguros. o alimento se tom a um reforçador cada vez m ais forte.

a s drogas os transform am em zum bis e as celas acolchoadas os transform am em m aníacos selvagens. Time-out e se u s abusos. O isolam ento. Uma form a discutível de punição n as instituições p ara retard ad o s e doentes m en tais é o procedim ento de time-out. E ste raciocínio equivale a ju stificar o u so de drogas no lugar das cam isas de força. de form a que a s reações d as p esso as to rn am -se significativas. A cm eldade encontra-se m enos no m étodo do que no resultado. exceto por várias form as de fuga e esquiva que servem como m ecanism os de contracontrole. a restrição física e a restrição quím ica tiram a s vítim as do contato com todos os reforçadores que to rn am a vida significativa e preciosa. os reforçadores positivos. m as já que o time-out não inflige dor é freqüentem ente justificado como u m tipo de punição benigna. a depressão assu m e o lugar. esquece-se que até m esm o u m time-out re­ lativam ente m oderado som ente será u m p u n id o r eficaz se o punido for retirado de u m am biente positivam ente reforçador. como o alim ento. O ali­ m ento. Na prática. É a isto que o nom e time-out se refere. F reqüentem ente. Em breve. não precisam estar sem pre im ediata­ m ente disponíveis. ele significa um período sem reforçam ento. o atraso da gratificação to m a-se possível. cordas ou co rren tes p a ra im obilizar um pa­ ciente rebelde. Isto geralm ente significa retirar alguém fisicam ente de um am biente que to m a disponível os reforçadores positivos p ara outro local onde n en h u m reforçam ento é possível. time­ out pode v ariar entre colocar u m a crian ça desordeira n u m canto até a colocação de u m paciente violento n a solitária — a clássica cela acolchoada. to rn a n ­ do-se reforçadoras por si só. Os dois tipos de punição colocam u m fim a tod a a aprendizagem . d esperta esses internos aparen tem en te sem repertório d a in stitu ição local p a ra retardados. u m dos poucos reforçadores efetivos a princípio. Q uando isso acontece. Q uando o poder d as au to rid ad es é grande dem ais p a ra represália ou fraude.Coerção e s u a s im plicações 259 pessoas que são im portantes p ara eles. Eles aprendem a reconhecer sinais de aprovação como precu rso res de outros reforçadores. O que é ííme-ouí? O que ele faz? S erá que ele difere de form a significativa de outros tipos de punição? A característica básica de u m time-out é a retirad a de reforçam ento positivo. A retirad a do reforçam ento positivo é tão coercitiva q u an to a aplicação de u m choque. estarem os aptos a a b an d o n a r o alim ento e a u s a r reforçadores recentem ente aprendidos p a ra en sin ar com­ p ortam entos m ais complexos. A rem oção de u m a crian ça disruptiva p ara u m falso time-out não im pedirá distúrb io s futuros a m enos que a situ ação original fosse .

Se não. A modelagem do com portamento — ensinar novo com portamento reforçando gradualm ente aproximações sucessivas ao que é desejado — pode transform ar o método de tentativa e erro em tentativa e sucesso no ensino de habilidades m otoras tais como a produção de sons em instrum entos m usicais ou a pronúncia de palavras. em primeiro lugar. O remédio não é colocar a criança em time-out. onde você terá que sentar comigo e me abraçar p ara evitar que eu bata a m inha cabeça contra a parede. escrever e dizer as letras do alfabeto. Uma criança que precisa ser repetidam ente colocada em time­ out está nos enviando um a mensagem: “Eu não gosto daqui. preferi­ ria que você me carregasse. * Uma vasta literatura técnica m ostra que os erros não são u m a parte necessária do processo de aprendizagem. estudantes de m edicina podem aprender a e stru tu ra básica do sistem a nervoso sem cometer nenhum erro. J á que nosso aluno não a p re n ­ dia.260 M urray S id m a n reforçadora. até o quarto vazio ao lado. Desta vez. fomos incapazes de aplicar o reforço e nosso aluno encontrou outros cam inhos para “ter sucesso”.” Nossa resposta a essa mensagem precisa ser um exame de nossa própria conduta. soletrar palavras ou program ar com putadores pode avançar sem erros se o professor parte do final da seqüência e trab alh a de trás p ara frente. Com a modelagem am biental habilidosa — ensinar novas relações entre com portamento e ambiente. Se estávamos tentando ensinar. E então. avance m ais lentam ente e tire vantagem dos m ais recentes métodos disponíveis p ara reduzir e até mesmo eliminar os erros do processo de aprendizagem. Volte até a últim a coisa que a criança aprendeu com sucesso. tom ando o com­ portam ento disruptivo futuro ainda mais provável. gritando e esperneando. de modo que o reforça­ mento positivo tom e novam ente possível que se comece tudo de novo. m as revisar nosso método de ensino. m udando gradativam ente o am biente de formas familiares para desconhecidas — as crianças podem aprender sem erros a copiar. O ensino de seqüências longas de ações tais como am arrar sapatos. Fortaleceremos a m esm a conduta que pretendemos punir. de modo que a princípio acharão difícil acreditar . provavelmente descobrire­ mos que não fomos bem-sucedidos. Quando isto acontece. quando removemos a criança. o próprio time-out tom a-se um reforçador positivo. eliminando oportunidades adicionais de ap ren ­ dizagem. m as os analistas do com portamento ainda não ofereceram este m aterial em um a linguagem mais acessível p ara leigos. retirar a criança dessa s itu a ­ ção pode realm ente reforçar o com portamento disruptivo.* de aprendizagem. nossa interação pode proporcionar reforços positivos m ais forte do que qualquer coisa que a criança estava obtendo n a situação original.

não lêem m ais do que an úncios e m an ch etes de jornal. mesmo an tes de s u a s prisões. eles p ossuíam ap en as u m conjunto restrito de habilidades adaptativas. até m esm o as crianças clinicam ente diagnosticadas como hiperatlvas participarão construtivam ente n a sala de au la por longos períodos. e ao m esm o tem po não possuem tradição de ascen são econôm ica. não cau san d o agitação ou distração contanto que estejam sendo reforçadas pela aprendizagem bem -sucedida. D esde o princípio. As prisões como am bientes d e aprendizagem . Eles eram efetivam ente tão privados como se tivéssem os deliberadam ente retirado a comida. . Tais com unidades não valorizam — não forne­ cem reforçadores p a ra — a conversa sobre q u aisq u er a ssu n to s que não sejam as necessidades b ásicas. ler. com novos m étodos e aplicações em rápido desenvol­ vimento. o abrigo. Nas re ­ giões carentes. Algumas priva­ ções não-biológicas são socialm ente im postas. os jovens to rn am -se adultos incapazes de conversar. E n sin a r sem erros é u m a área ativa de pesquisa. Procedim entos que estabelecem relações de eqüivalència entre palavras faladas. Um professor tam bém pode u s a r estas privações sem que elas sejam d eliberadam ente im­ p ostas. Delitos graves ocorrem em todos os níveis econômicos e sociais. o suporte financeiro e todas as possibilidades de alcan çar as form as de sucesso que a educação e o treino to rn am possíveis. As am bições são n ecessariam en te lim itadas à resolução im ediatam ente previsível de que realm ente estão aprendendo algo.Coerção e s u a s im plicações 261 M ais freqüentem ente do que se pode im aginar. palavras escritas e figuras proporcionam às crianças vocabulários sim ples de leitu ra e de linguagem que n u n c a foram explicitam ente en sinados e que elas utilizam corretam ente m esm o n a prim eira vez. Mas os lares e as com uni­ dades que sofrem as m ais severas privações sociais e econôm icas. O ensino efetivo to m a rá desnecessário p u n ir a criança po r seu com portam ento. Isto não quer dizer que a crim inalidade e stá restrita aos pobres ou aos socialm ente m arginalizados. tam bém reproduzem em larga escala a s form as m ais visíveis de crim inalidade juvenil. ou n ão calculam m ais do que as operações m ais elem entares com dinheiro. A m aior parte dos jovens presos em reform atórios tem rep er­ tórios de com portam ento em pobrecidos. O preenchim ento de form ulários e as entrevistas de emprego estão fora de cogitação. M uitos reforçadores estavam fora de seu alcance e outros eram desconhecidos. não escrevem n a d a além de su a s a s s in a tu ra s e talvez alguns palavrões próprios p ara pichação. escrever ou fazer contas.

Após cu m p rir su a s p en as eles geralm ente voltam p a ra seu s antigos territórios. n a verdade. reduzir a inci­ dência da crim inalidade por meio do replanejam ento dos am bientes que a originam é u m a tarefa infinitam ente complexa. ap en as por c a u sa de noções preconcebidas que p o s­ suem pouca ou n en h u m a b ase em pírica. N ossa p reo cu p a­ ção não é com o conceito ab strato “crim inalidade” m as com as ações crim inosas. elim i­ n a r os reforçadores negativos em uso e su b stitu í-lo s pelos positivos. Poderia se m o stra r incorreto p re ssu p o r que as ações crim inosas são su jeitas aos m esm os princípios que controlam todos os tipos de com portam ento. E sses fracassos devem ser esperados. álcool. S u as vidas giram em torno de reforçadores que estão restrito s ao alim ento. R aram ente é possível obter o controle necessário dos reforçadores cruciais. Mas em todas as su a s variações ain d a é com portam ento. sujeitos a restrições ain d a m aiores. . o controle coercitivo não deixa altern ativ a p ara o infrator que carece de certas habilidades socialm ente desejáveis.262 M urray S id m a n contingências coercitivas im postas de u m lado pela lei e de outro pelas privações cau sad a s pela incapacidade. abrigo. A am eaça de prisão não foi suficiente p a ra im pedir su a s prim eiras ações ilegais e o próprio confinam ento não im pede s u a repetição. não ousam os elim inar n o ssas prisões. M uitos realm ente são cap tu rad o s novam ente. drogas e dinheiro p ara adquiri-los. sem u m novo modelo de com portam ento e desta vez rotulados como crim inosos. por que. isto terã acontecido por meio de um aprim oram ento de su a s habilidades p ara escap a r da captura. O que eles aprendem . C ertam ente. As privações im postas dentro dos m uros d as prisões dificilm ente são m ais severas do que os conhecidos rigores de fora. sexo. sem te­ rem aprendido qualquer coisa que p u d esse ajudá-los a sair daquele am biente e até mesm o inconscientes da desejabilidade d esta m u ­ dança. dever-se-ia esp erar que eles agissem de modo diferente do que agiram an tes? A crim inalidade é u m problem a complexo — n a realidade. Portanto. E n tretan to . Jogados de volta ao mesm o e antigo cenário. Q uando estes jovens fracassam são enviados p ara as in sti­ tuições “correcionais” que devem “reform á-los”. é o cam inho m ais seguro — às vezes o único viável — p ara a obtenção de reforçadores básicos: tirá-los de o u tra s pessoas. engloba m uitos problem as diferentes e com m u itas raízes. não podem os negligenciar essa im por­ tan te classe. então. Se eles tiverem sido de algum a form a reform ados. d ad as a s extensões bem -sucedidas d a análise do com portam ento p a ra outros tipos de co n d u ta h u m a n a complexa.

quando os alu n o s são “crim inosos”. ao deixar a prisão. A ntes de deixar a prisão. L. p articularm en te. O reforçam ento positi­ vo tem sido usado com êxito p ara s u b stitu ir por habilidades cons­ tru tiv as a incapacidade de infratores juvenis. A m aioria dos program as educacionais dentro de prisões fracassou porque baseava-se no controle coercitivo. E n q u an to os infratores são tem porariam ente incapazes de se engajar nos atos que os leva­ ram p a ra a prisão é possível u s a r o reforçam ento positivo p ara en sin a r a eles form as m ais aceitáveis e ad ap tativ as de conduta. o infrator poderia s e i preparado com novas opções e meios legais de sobrevivência. seu fracasso em im pedir a repetição do crim e rep resen ta oportunidades perdidas ou até m esm o tragé­ dias. to m an d o novos refor­ çadores disponíveis p ara eles. Filipczak. . CA: Jo ssey-B ass. A redução do núm ero de infratores reincidentes tam bém reduziria a crescente necessidade de novas prisões. A new learning enviror nent. O uso do confinam ento como oportunidade de educaçao a l­ cançou tão pouco sucesso que os profissionais responsáveis pelo cum prim ento da lei vêem esta noção com ceticism o q u ase total. a falta de sucesso e o ceticismo daí re su lta n te originam -se da falsa noção de que o ensino som ente pode ser realizado por meio da coerção. não im porta como alguém se sin ta q u an to à desejabilidade do aprisionam ento. Neste projeto novas h ab i­ lidades perm itiram que.* * H. pela prim eira vez. Sao Francisco. Todos os funcionários correcionais deveriam ser treinados a usá-las. um program a de reforçam ento positivo autêntico. instituído an te s que os jovens ten h am se tornado infrato­ res h ab itu ais. As técnicas p ara levá-los ao su cesso não são difíceis. Além disso. 1971. C ohen e J . no final d as contas.Coerção e s u a s im plicações 26 3 Contudo. c u sta consideravelm ente m enos do que s u ste n ta r o sistem a-padrão de controle coercitivo. que m ostrou a eficácia de u m sistem a de reforçam ento positivo bem -elaborado e com petentem ente ad m in is­ trad o foi com pletam ente ignorado pelos profissionais d a ciência com portam ental e do cum prim ento d a lei. os proponentes da teoria são “ignorantes bem -intencionados”. C ontu­ do. Com o reforçam ento positi­ vo é possível realizar correções verdadeiras em trajetó rias de vida m aldirigidas. os jovens in gressassem em novos am bientes sem en tra r em conflito com a lei. Um extraordinário projeto de dem onstração. Prisões e reform atórios controlam reforçadores em u m a exten­ são que não é perm itida no m undo exterior. Isto não é ap en as teoria im praticável.

independentem ente de como agissem n a prisão. Nesta altu ra. Ninguém era forçado a fazer os cursos. o projeto pagava-os p a ra aprender. a loja. pagam ento. se os prisioneiros n u n c a tin h am experienciado os benefícios que as habilidades acadêm icas b ásicas podem trazer. um aspecto crucial do sistem a. com e­ çando com leitu ra básica. não estariam disponíveis de modo algum . p arte do program a escolar — o trab alh o — e eram desfrutados ap en as d u ra n te as h o ras de escola — en q u an to os p ri­ sioneiros estavam no trabalho. Os conteúdos e as seqüências dos cu rso s foram cuidadosam ente program ados. a punição não ocorria p a ra quem preferisse a ro tin a u su a l da prisão. Afinal. Isto to rn o u possível àqueles que se engajaram no processo de aprendizagem a obtenção de coisas que. do contrário. n a verdade. de início. escrita. N otas altas no exam e beneficiavam o aprendiz com um espaço privativo. o espaço privativo e o u tro s privilégios eram . P ara que os prisioneiros se engajassem . eles podiam então obter créditos por co n tin u ar m ostrando aprendizados em se u s cursos. Os créditos. De que m aneira esperava-se que eles obtivessem esses recu rso s? Depois de conseguir o espaço. de acordo com as preferências pessoais e recu rso s do proprietário. cálculo e m em ória e então p rosseguiu p a ra habilidades m ais avançadas que em pregavam esses pré-requisitos. reforçam ento positivo pela aprendizagem . u m a prateleira de livros e u m a lâm p ad a — artigos que tornavam viável a contin u id ad e do estudo — o espaço poderia ser posteriorm ente equipado. de acordo com a s preferências daqueles que estavam trab alh an d o pelos créditos. Não era suficiente ap en as proporcionar os cu rso s. que estava disponível p a ra os detentos. P agar os e stu d an tes por ap ren d er sim plesm ente estabeleceu a escola como um outro trabalho. em vez de participar. Em bora a princípio escassam e n ­ te mobiliado com u m a m esa. u m a cadeira. en tro u em cena. O estoque d a loja era feito sob encom enda. por que deveriam es­ ta r interessados em p articipar? Portanto. foram n ece ssá­ rios reforçadores artificiais até que as novas h ab ilidades dos alunos os colocassem em contato com conseqüências m ais n a tu ra is. A g aran tia de que cad a cu rso p rep a­ rava o aluno para o seguinte e a exigência de n o tas a lta s p ara que eles pu d essem avan çar asseg u raram o sucesso — reforçam ento con­ tinuado.2 64 M urray S id m a n O projeto proporcionou cu rso s p a ra os prisioneiros. n a realidade. O fato de que esses reforçadores que os participantes desfrutavam eram . conversação. Podiam ju n ta r e u s a r os créditos como dinheiro p a ra com prar objetos n u m a loja. prova­ velm ente aju d a a com preender a relativa au sên cia de ressentim ento .

aparelhos de som e TV tom aram . m as agora. perseverança. a habili­ dade p a ra en fren tar u m a entrevista de trab alh o to rn o u determ in a­ dos tipos de ro u p as desejáveis p ara os estu d a n te s que em breve estariam com pletando su a s penas.se artigos pelos quais valia a p en a trab a lh ar e a aprendizagem co ntinuou. Ninguém e ra im pedido de participar. a habilidade de leitu ra gerou um novo prazer e os livros to rn aram -se b en s desejáveis. pelo m enos. As evidências indicam que m uitos investiram em no­ vas o p o rtu n id ad es que a abordagem n ão -p u n itiv a havia to m ad o possível. por si só. a s recom pensas por agir fora d a lei são ain d a maiores. O retom o à prisão se reduziu. Posteriorm ente. visitas privativas de p aren tes e amigos. como podem os co n sta ta r todos os dias pela im prensa. Os reforçadores estavam disponíveis p a ra qualquer um que o p tasse por este trab alh o como p arte de seus deveres n a prisão. o medo do fracasso. não havia g aran tias de que as an ti­ gas contingências do am biente fam iliar não assu m iriam novam ente o controle. O bviam ente. to rn o u -se evidente e os estu d an tes. E n­ feites de parede. As propriedades privativas criaram novos reforçadores.Coerção e s u a s im plicações 265 e hostilidade por p arte dos prisioneiros que não participavam do program a. p a ssa ra m a utilizar alguns de seu s créditos p ara p ag ar os cursos que eles solicitavam — u m a exigência que teriam fora dali. eles tin h am u m a chance de fazer algo diferente. Infelizmente. mobília. da punição ou da deso n ra ê recom pensado pela perspectiva de todos os tipos de recom pensas em troca de concordância. Q uando esses e stu d an tes p artiram estavam ap to s a fazer coisas que tornavam nó vos reforçadores dísponíveis: seu m undo h a ­ via se expandido. a loja tornava-os acessíveis. Todos tin h am s u a oportunidade de trab alh o . . a habilidade de escrever cartas tornou os artigos de p apelaria e m ateriais de escrita em b en s úteis. As novas habilidades criavam o potencial p a ra m ais reforçadores ainda. quando os estu d a n te s se to rn aram capazes de com portam entos no­ vos e m ais complexos p u d eram com eçar a u s a r seu s créditos p ara com prar regalias que an tes não podiam im aginar que alcançariam . priva­ cidade e passeios externos supervisionados que iniciavam ju n ta m e n ­ te com os cursos. ch am ad as telefônicas. espírito inventivo e envolvimento cons­ trutivo. O reforçamento positivo e a lei Todas as sociedades realm ente fornecem reforçadores positi­ vos p ara os com portam entos que querem encorajar. Em nosso siste­ m a. O valor da aprendizagem . por fim.

A lterar as contingências não altera a n atu reza h u m a n a. despossuídos e dos jovens idealistas aum en ta. Incapazes de dem o n strar as vantagens m ateriais d a ho n estid ad e e legalidade em relação ã ilegalidade encoberta. punim os q u alquer p esso a que su rp re e n d e ­ mos agindo com desonestidade. . poder e p re s­ tígio violando a lei — sem serem p resas — do que perm anecendo dentro dela. Atê agora. estad u a is e federais são. a polícia tam bém está sendo levada a agir m enos seletivam ente. De fato. tendendo a tra ta r q u alq u er encontro com ó público em geral como am eaça em potencial p a ra s u a própria segurança. como p artes d a n atu re za h u m a n a. As forças policiais m unicipais. Na m edida em que as recom pensas por vício u ltra p a ssa m aquelas por virtude. Ela ê flexível e passível de m u d an ça. geralm ente. m as faz uso d a plasticidade da n atu re za h u m an a. Mesmo considerando a s restrições p ráticas óbvias. o vício p erm anecerá conosco. N ossa tradição legal aceita a m á co n d u ta e o crim e como inevitáveis. a coerção policial em m u itas regiões está se to rn an d o m ais severa e violenta do que erá. O governo cada v=z m ais freqüentem ente solicita auxílio poli­ cial p ara proteger segm entos ricos e poderosos d a sociedade das pessoas q ue são m enos favorecidas. apoiados por esse princípio de honestidade. um sistem a legal sem punição co n tin u ará im praticável. em vez de am eaçando com punição m ais severa? A polícia: d e que lado está? A auto rid ad e que cum pre a lei em u m a sociedade é a polícia. E à m edida que a contraviolência dos pobres. decretam os que a virtude deve ser a s u a p rópria recom pensa. N ossa co n d u ta é sem pre o resultado de m u itas contingências. algum as positivas e o u tra s negativas. pode­ ríam os m ais efetivam ente encorajar a conform idade aos pad rõ es de co n d u ta civilizada fornecendo reforçam ento positivo m ais forte e com m aior freqüência. in stru m en to s de coerção. preconceito racial e outros problem as sociais complexos. O que m ais poderia ser? M as a n atu re za h u m a n a não é im utável.266 M urray S id m a n Uma vez q ue as pessoas podem g an h ar m ais dinheiro. as principais tarefas a elas a trib u íd as são am eaçar de co n tra-ataq u e q u alq u er pessoa te n ta d a a desviar-se de nossos p a ­ drões legais de paz e decência e aplicar a força da rep ressão contra q ualquer um que realm ente se desviar. C ontra um cenário de pobreza. Salvo algum as exceções. é n atu re za h u m a n a. Assim. alteram os a s contingências em u m a ú n ica direção. ap esar dos seu s riscos. A tradição da punição to rn a-se a in ­ da m ais fortem ente m arcad a quando a sociedade to rn a a tra n s g re s ­ são m ais cu sto sa p a ra os poucos que ela consegue d etectar e a c u sa r com êxito.

como a atividade crim inosa tornouse m ais violenta. com seu s olhos vigilantes e su a s expressões de desconfiança. Como alguns infratores su sp eito s te n ta ra m atro ­ pelar os policiais. assaltan tes. autom aticam ente o rdena que eles saiam do carro. Em situações sem elhantes. m otoris­ ta s negros ou hispânicos são obrigados a a ssu m ir aq u ela posição aviltante e indigna que todos os telespectadores sabem que é in ten ­ cional. a ação policial seguiu o exemplo. Ela preferiria o p ressu p o sto d a culpa como o princípio n o rteador do cum prim ento d a lei. este tam bém gerou os costum eiros efeitos colaterais. O aum ento d a p ressão coer­ citiva está levando m uitos cidadãos em todas as classes econôm icas e sociais a tem er e desconfiar d a polícia. M as como todos os sistem as coercitivos. Assim. a m era su sp e ita de delito ju stificaria a detenção violenta. os h ab itan te s locais raram en te cu m p ri­ m entam seu s defensores. tro m b ad in h as e estu p rad o res que vêm de regiões vizinhas. Q uando a polícia das grandes m etrópoles p ára m otoristas jovens por violações de trân sito . a polícia agora considera os carros como arm a e sente-se ju stificad a por a tira r em u m m otorista que não p á ra q u a n ­ do ordenado. A polícia tem feito ap en as aquilo que a m aioria dos contri­ b u in te s exige. a prisão e o uso de arm as. . indi­ cam que consideram todo pedestre que se aproxim a u m agressor em potencial e provocam medo e ansiedade mesm o en tre aqueles que são gratos por s u a presença. A polícia não considera o p ressu p o sto da inocência como u m a proteção válida do público. De um modo m ais geral. onde os problem as que dividem a sociedade se destacam m ais visivelmente. conversam com eles ou d em onstram q u al­ q u er sinal de gratidão por su a presença. Mesmo n a s regiões tra n q ü i­ las e p rósperas d as cidades. caso os “su sp e ito s” tentem fugir ou co n tra-atacar. p a ra d a r vantagem à polícia. Os policiais. que n ecessitam de p a tru lh a s policiais p a ra deter desordeiros. m as como u m a am eaça co n tra s u a pró p ria eficiência profis­ sional e seg u ran ça pessoal. por s u a vez. um núm ero sem pre crescente de segm entos d a população está com eçando a encará-la m enos como u m dispositivo de proteção do que como choques e sinais de choque — dos quais se deve fugir. Como n o ssa polícia to rn a-se cada vez m ais severam ente coercitiva. en­ q uanto inspecionam à procura de drogas. esta é u m a experiência h u m ilh an te p a ra m uitos jovens. esquivar e os quais se deve até mesm o tra ta r como objetos de contra-agressão.Coerção e s u a s im plicações 267 E sse aum ento de coerção policial vem ocorrendo de forma m ais proem inente em n o ssas grandes cidades.

A polícia urb an a está direcionando su as energias m enos em direção à proteção dos cidadãos e m ais em direção de su a autoproteção contra a hostilidade pública. Como conseqüência. Em m uitas comunidades. o público estará sem proteção alguma. Com su a continuidade consentida. o pouco apreço pela polícia d esen­ coraja inúm eros jovens e pessoas capacitadas de escolher esta c a r­ reira. essa crescente separação pode perfeitam ente atingir seu auge quando os policiais com parti­ lharem su a sorte com um líder político que prom eta tirá-los de sua posição como servidores do público para. a dependência da coer­ ção é menos evidente n as com unidades menores do que n as cida­ des. Logo. quando os próprios membros da força policial apresentam -se como criminosos. Ironicamente. a polícia provocou o apoio da indústria turística am eaçando visitantes e excursionistas. a polícia tom a-se ainda m ais hostil e insolente em relação àqueles que deve proteger. o pri- . é difícil distinguir entre os m uitos que escolhem pelo cum primento da lei e aqueles que atravessam p ara o outro lado. quando os dois candidatos cortejaram ativamente o apoio das organizações policiais. a polícia e seus adversários tom am -se cada vez mais semelhantes. o sindicato esmera-se p ara im pedir o processo legal.268 M urray S id m a n O objetivo de reconciliar o público com a polícia é um esforço digno de consideração. A contraagressão em relação à polícia está se propagando p ara outros prote­ tores fardados. em vez disso. É possível que este processo já ten h a começado n a cam panha presidencial dos Estados Unidos de 1988. Quando algumas cidades não a te n ­ deram às reivindicações por salários mais altos. apenas um tipo de patologia social em vez de um a ocorrência habitual. a brutalidade e a coerção policiais já são adm itidas como certas e podemos observar a evidência de um a tendência sem elhante n as nações altam ente d e ­ senvolvidas da Europa. Mas o abismo está aum entando. Em resp o s­ ta ao crescente descrédito de um a com unidade. dentro de suas próprias tropas. Na maioria dos países do terceiro m undo. Nos Estados Unidos. em alguns bairros os bombeiros não se surpreendem m ais quando são insultados e apedrejados enquanto executam seus deveres — por certo. Com cada lado dependendo da coerção para alcançar seus objetivos. O público começa a esquecer que necessita da polícia como p ro te­ ção. de suborno e de outras formas de corrupção e de fraudes em exames de promoção. eles resistem a e retardam as investigações de abuso de bebidas alcoóli­ cas e de drogas. a polícia começa a esquecer que deve ser protetora. mas que se origina diretam ente das in tera­ ções coercitivas entre a polícia e a população. colocá-los no comando.

algum dia. É provável que a polícia atu al não aceite u m a m u d an ça em seu papel de coercedora p a ra reforçadores positivos. u m revólver ao seu lado diz p a ra q u alquer um m an ter-se n a linha. os policiais estão protegi­ dos das represálias. mesm o que ap en as acrescentássem os técnicas positivas ao seu arsenal. Não podem os retirar seu s in stru m en to s coercitivos de prote­ ção se os deixam os sujeitos à m esm a coerção por p arte de outros. Não im porta a q u an tid ad e de reforça­ m ento que se distribua. os revólveres são am eaças e q u alq u er pessoa p o rta n ­ do u m revólver é u m a am eaça. O coercedor últim o é o revólver. De form a sem elhante. Afinal de contas. que todo policial esteja. Será que podem os im ped:r esta inversão de funções da polí­ cia? Provavelm ente. Por que g astar esforços extras p a ra aprender novos m étodos de controle — quer sobre o tráfego ou sobre o crime — ap en as porque eles devem dim inuir a hostilidade? E sses m étodos funcionariam ? Todo m undo sabe que “os bonzinhos não têm vez”. ■ E contudo.Coerção e s u a s im plicações 269 meiro grupo policial a apoiar publicam ente um candidato foi o m es­ mo que havia afugentado os tu rista s no aeroporto de Boston.. com revólveres generalizadam ente disponíveis. os revól­ veres não são necessários p ara controlar o trânsito. a coerção é fam iliar e cômoda. pronto p ara executar todas as tarefas. o ceifador de vidas. d estitu ir a polícia de su a s arm as a deixaria exposta a enorm es riscos. se um banco estivesse sendo ro u b a­ do ou um pedestre sendo assaltad o eles não seriam cham ados a intervir. não poderia se to rn a r a s u a única responsabilidade? D esta forma. senão. com a fonte de seu poder p en d u rad a em seu s cinturões. Eles tam bém não p recisariam de revólveres. elim inar s u a im agem coercitiva en q u an to con­ tin u a r portando arm as? Provavelm ente não. E quando eles . Visto que eles carregam u m a arm a. principalm ente àqueles que en tram em contato com o público. a polícia n u n c a e sta rá com pletam ente cap acita­ d a p ara m u d a r s u a im agem coercitiva.. S erá que não podería­ m os rep artir as responsabilidades d a polícia? C ertam ente. Q uando este trab alh o é atribuído a u m policial. o tempo todo. todas a s o u tras form as possíveis de controle to m am -se insignificantes. por exemplo. Será que a polícia poderá em algum m om ento. Talvez um ponto de p artid a p u d esse ser provocado pela m u d an ça de algum as das concepções tradicionais que subjazem ao trab alh o da polícia. E spera-se. poderiam ser atrib u íd as responsabili­ dades lim itadas no cum prim ento da lei aos policiais em trab alh o s burocráticos.' m as será que o u so em maior escala do reforçam ento positivo podéria aju d á-la a p en d er a b alan ça em direção ao seu papel original? Não se rá fácil. Mesmo em bainhados. sem retirar seu s poderes coerciti­ vos.

a freqüência e ferocidade crescentes d esta coerção e a conseqüente deterioração d a relação entre protetores e protegidos. é difícil conceber m edi­ das não-çoercitivas p ara to rn ar arm as não-disponíveis p ara todos os . não podem os. A ntes que elas possam ser tirad as da. Mas os grupos de p ressão pública agiram com êxito contra as leis que regulam entariam a posse pessoal de arm as de fogo. D ispensar os revólveres dos policiais en q u an to estivessem em ta re ­ fas de rotina. Mas. devem prim eiro ser tirad as de todos os dem ais. seria um passo n a direção correta. S erá que. resp eitad o r da lei. Ainda assim . geralm ente não têm sido consideradas no debate sobre o controle de arm as. Uma vez que a violência contra policiais te n h a ocorrido. polícia. m as é um começo.270 M urray S id m a n investigam delitos que já foram praticad o s — arrom bam entos. D ada a necessidade geral de reduzir a freqüência e a força d as pressões coercitivas em n o ssa sociedade. d ep en ­ dendo d a atribuição em curso: o público rapidam ente ap ren d eria seu s significados e o que esperar de cada um . afinal de contas. seria possível te r u m a força policial q u ase com pletam ente d esarm ad a? D ados os atu ais aspectos práticos. a princípio restrito a tarefas seguras e estendendo-se ap en as depois que os “germ es” te n h am sido descobertos e elim inados. esp erar que eles “dêem a o u tra face” e respondam de form a pacífica. Por outro lado. estes aspectos práticos são dignos de exame. È sta é u m a questão com plexa que envolve m uito m ais do que sim plesm ente a coerção policial. O controle de arm as deve ser "um a via de mão d u p la ”. aju d aria a enfatizar as funções do serviço que m ais freqüentem ente coloca a polícia em contato com o público em geral e d esace n tu aria seu papel coercitivo. O desarm am ento policial em p equena escala. u m a pequena experim entação social não parece fora de hora. isto não é provável. C ertam ente é u m pequeno p a s ­ so. levando-se em consideração as v antagens que poderiam re ­ su lta r se pudéssem os de algum a forma contorná-los. A redução da posse privada de arm as poderia tam bém reduzir a necessidade de funcionários da segurança pública de p o rtar arm as no cum prim ento de su a s resp o n ­ sabilidades. sensatam ente. Muito em bora o poder policial máximo conti­ n u e sendo coercitivo. u m a redução do potencial p a ra violência a ju ­ daria a deter o crescente relacionam ento de antagonism o en tre a polícia e a população. por fim. A m aior parte dos deveres do policial não os coloca em risco e a m aior p arte do público é. in cên ­ dios crim inosos ou m esm o hom icídios — será que eles precisam p o rtar revólveres en q u an to exam inam o local e interrogam te ste m u ­ n h a s? Os uniform es da polícia poderiam até m esm o variar.

reduzir a probabilidade de violência co n tra a polícia. n o ssa s leis teriam que especifi­ car p en as severas.Coerção e s u a s im plicações 2 71 dem ais e desse modo. A fim de aju d ar a evitar que a polícia te n h a que responder à força com a força que lhe é peculiar. Além do m ais. Isto poderia d ar espaço p ara que o u so do reforçam ento positivo co n stru ísse a co n d u ta legal. Poderia ser n ecessá­ ria u m a certa dose de “coerção preventiva” p ara d esarm ar p arte suficiente da população. é óbvio que existem aqueles cujo "negócio” é a violência co n tra a sociedade — aqueles que precisam de arm as p a ra salv ag u ard ar su a s práticas coercitivas. como parece provável. Sem arm as — e. . m as pelo seu porte n a s proxim idades de equipe policial. ain d a que. O resultado poderia ser u m a redução geral do controle coercitivo. com seg u ran ça ad eq u a­ da contra o uso de arm as pelos dem ais — seria possível p a ra a polícia re c ru ta r jovens que não estivessem ain d a com prom etidos com a violência e a revanche como meio de vida. Poderíam os. m as que elas fossem g u a r­ dad as pela polícia que. de modo a perm itir aos policiais executa­ rem a m aior parte de seu s deveres desarm ados. Um a lei como esta. d esta forma. Mas os reforçadores por p o ssu ir arm as freqüentem ente são negativos — proteção pessoal e da propriedade — e p ara m uitos. é claro. Assim. Em bora a m aior parte daqueles que en tregariam su as arm as jam ais iriam se envolver violentam ente com a polícia. não só p ara a propriedade de arm as letais. em vez de ap en as p u n ir os que desrespeitam a lei. poderia controlar s u a disponibi­ lidade. oferecer recom pensas su b stan ciais p ara as pessoas que entregassem su a s arm as? Tam bém poderíam os p e r­ m itir que as pesso as p ossuíssem arm as. E stas e o u tras m edidas sem elhantes são provavelm ente dig­ n as de u m a tentativa. em bora ela própria severam ente coerciti­ va. a m era posse de u m a arm a n a presença de um policial poderia c a u sa r quase a m esm a p en a que seria estip u lad a pelo seu u so efetivo. não ten h am êxito total. talvez. P ara lidar com os m ais inflexíveis — aqueles cidadãos respei­ tado res da lei que insistirão em se a g arrar às s u a s arm as p ara autoproteção e aqueles que as utilizam como “in stru m en to de tra b a ­ lho” — é bem possível ser necessário que n ó s m esm o tenham os de estabelecer algum as novas m edidas coercitivas. A au sên cia de arm as poderia aju d ar a a te n u a r a percepção pública de que a polícia deve ser tem ida por todos e a reduzir a extensão n a qual a polícia conserva e sta imagem coercitiva. n e n h u m reforçador positivo te rá m ais valor do que este. algu­ m as oportunidad es de confronto teriam sido elim inadas. finalm ente perm itiria à polícia ab an d o n a r su a s arm as com segu­ rança.

as modificações poderiam . concertos e m u seu s? E sta inversão d a prática característica da polícia poderia não se m o stra r tão n atu ralm en te im praticável como parece a princípio. Ela não exigiria que os policiais aborrecessem os m otoristas. m as su b stitu to s práticos n ecessi­ tam de u m a avaliação cuidadosa. peças de teatro. S ab e­ m os que a coerção se au toderrota. pro­ porcionar um sucesso crescente. S erá que as polícias m unicipais e estad u a is poderiam aju d ar a restabelecer a am izade com su a s com unidades. ainda que n a d a conhecêssem os so­ bre a análise do com portam ento. p aran d o no sinal verm elho e em p arad as obrigatórias. atacá-los duram en te. Existem o u tras áreas n a s q u ais a polícia poderia te n ta r incli­ n a r a b alan ça do controle negativo p ara o positivo? A tualm ente. em vez disso. a experim entação social será necessária. então. filmes. p aran do-os quando estivessem ap ressad o s p ara chegar ao seu destino. tran sp o rta n d o crianças inadequadam ente ou com la n te rn a s e faróis defeituosos. d istribuindo refor­ çam ento positivo? Assim como os d ispensadores de choques to r­ nam -se eles m esm os choques. reforçando a co n d u ta desejável em vez de ap en as esp erar que os problem as aconteçam para. dirigindo sem u s a r cinto de segurança. concursos culinários e o u tras atividades educativas relevantes p ara os jovens. O reforçam ento positivo não fu n ­ ciona por m agia. É sim ples em princípio. o reforçador seria fornecido en q u an to o m otorista estivesse p arado em . u ltrap assa n d o sin al verm e­ lho ou p a ra d a obrigatória. Precisam os saber se ela é bem -sucedida e se não for. u san d o o cinto de segurança. m as difícil de executar n a prática. os dispensadores de reforçadores po­ sitivos tornam -se eles próprios reforçadores positivos. Tal cooperação entre a polícia e a com unidade pareceria inteiram ente razoável. porque fracassa. N ossa avaliação d as técnicas de reforçam ento positivo deve­ ria com eçar an te s que a subversão da função policial te n h a se to rn a ­ do irreversível. O que aconteceria se. eles “a p a n h a sse m ” os m otoristas obedecendo os lim ites de velocidade. os policiais distribuem notificações de m u ltas aos m otoristas que são ap an h ad o s dirigindo em alta velocidade. m as os dados sobre a eficiência da prática são insuficientes.272 M urray S id m a n Novamente. talvez gerando até m esm o exten­ sões do patrocínio d a polícia p ara feiras científicas. tran sp o rta n d o a s crianças de forma seg u ra ou com as luzes de sinalização do autom óvel em perfeito estado — e d istrib u íssem in ­ gressos gratuitos p ara eventos esportivos. então. Associações atléticas patrocinad as pela polícia são exem plos existentes de te n ta ­ tivas de prevenção d a delinqüência. m o stras agríco­ las.

eles com eçariam tim idam ente. m as quando se m antém a atitu d e experim ental. o policial poderia levá-lo pessoalm ente. ou m elhor. Sem dúvida. A evidência do poder d a s contingências positivas é forte o b asta n te p ara g aran tir alg u n s experim entos so­ ciais seguindo esta ótica. Em bora o reforçam ento positivo não seja u m a função trad i­ cional da polícia. aind a melhor. Igualm ente im portantes seriam os efeitos colaterais — desta vez. ro u p as e abrigo p ara aqueles que necessitam ? Na cabine de votação. Temos motivos p ara crer que o reforçam ento posi­ tivo p ara a co n d u ta desejável reduziria a necessidade de punição p ara a s ações indesejáveis. No controle de m ultidões — em desfiles. a polícia pode­ ria ocasionalm ente d istrib u ir reforçadores p a ra as p esso as que se m antivessem dentro dos lim ites? Poderíam os não ap en as solicitarlhes que evitassem saq u es em episódios de inu n d açõ es e incêndios. m as a antecipação de encontros . então as p ráticas m alsucedidas são aban d o n ad as. m as que ajudassem a providenciar com ida. averigüou-se que os reforçadores fornecidos ocasionalm ente m antêm o com portam ento — u m a vez que te n h a sido aprendido — ain d a m ais efetivam ente do que os reforçadores oferecidos p a ra to d a ocor­ rência de co n d u ta desejável (um fato contra-intuitivo sobre o contro­ le com portam ental que tem sido am plam ente docum entado). p a ra onde o reforçador seria enviado ou. são m odificadas até que realm ente funcionem . casos individuais se defrontariam com dificuldades práticas. Temos boas razões p ara acred itar que o reforçam ento por m an ter-se dentro da lei funcionaria em m uitos casos tão efetiva­ m ente quanto o atu al sistem a de esp erar até que a lei seja violada p ara então punir. não é difícil produzir novas possibilidades. Os carros da polícia não sinalizariam medo e apreensão. não seria possível ocasionalm ente oferecer algo extra p a ra as pessoas cujos nom es são encontrados? . Em o u tras áreas de responsabilidade d a polícia. efeitos colaterais de reforçam ento positivo. eventos esportivos e m anifesta­ ções de vários tipos — em vez de ap en as esp erar que a s pessoas passem o cordão de isolam ento p a ra fazê-las recuar. u m a vez que se te n h a acostum ado a p en sar d esta forma. em vez de ap en as desqualificar as pessoas cujos nom es não constam da lista. T am pouco seria necessário d istrib u ir reforçadores positives p a ra to­ dos ou m esm o p a ra a m aioria dos m otoristas que obedecessem à lei. m as chega­ riam a atingir objetivos im portantes.Coerção e s u a s im plicações 273 um sem áforo ou pedágio. o reforçam ento positivo tam bém poderia aju d á-la a atingir se u s objetivos. ou o policial poderia an o tar o núm ero de s u a carteira de habilitação e por meio de um com putador localizar rapidam ente o endereço do m otorista.

respeitados e dignos de n o ssa confiança. m as a confiança. to rnando conseqüências visíveis e valiosas contingentes a desem pe n ho desejável? Se o fizéssem os seria m ais provável ver ta is d esem p e­ n h o s aparecendo novam ente. m as a am izade. Em vez de ap en as reagir àquilo que não gostam os na co nduta dos policiais. percebem os n o ssa polícia principalm ente q u a n ­ do detectam os desvios da co n d u ta aceitável e então estam os prontos p a ra punir. Como distribuidora de reforçam ento positivo. n a s ciências sociais o term o significa diferentes coisas p a ra diferentes pessoas. lealdade e integridade proem inentes não serão suficientes. M uito freqüentem ente ele . Q ue tal m enções h o n ro sas indi­ viduais. S erá que tam bém poderíam os estabelecer u m sistem a de re ­ forçam ento positivo que cam inhe n a o u tra direção? Poderíam os de form a m ais efetiva m o strar nosso apreço pelos serviços d a polícia.274 M urray S id m a n am istosos e gratificantes. Um sistem a eficaz provavelm ente exigiria m aior precisão do que estam os acostum ados n a descrição daquilo que consideram os ser a co n d u ta desejável. eles p assariam a ser adm irados. Especificações vagas como estas deixam m u itas la cu n as p a ra ju lg am en to s arbitrários. poderíam os tam bém reforçá-los positivam ente por aquilo que realm ente gostam os. integridade ou o que q u er que seja. As p ráticas do cu m p ri­ m ento da lei são influenciadas por forças políticas e econôm icas de larga escala. sinais bem -vindos de que tudo está bem. não geraria a hostilidade. tem os de ser cuidadosos. E ntretanto . folgas e pontos que seriam contados p a ra prom o­ ção? Obviam ente. G eneralidades como honestidade. m as a aproxim ação. p a ra evitar que o sistem a de to m e corrupto. A tualm ente. caprichosos e até m esm o fraudulentos. Poderíam os ver o restab e­ lecim ento d a fé e da confiança pública em n o ssa s instituições p rote­ toras. A penas as ciências físicas definem força de m an eira com a qual todos podem concordar. a polícia não g eraria a esquiva. o público te rá que adm inistrá-lo. não geraria o medo. como indivíduos. A im agem pública dos policiais como adversários d esap arece­ ria. Da m es­ m a forma. Obviam ente. seria u m a atitu d e sim plista propor o reforça­ m ento positivo recíproco como u m a panacéia p ara o relacionam ento deteriorado entre a polícia e a população. prêm ios. tem os pouco controle. apelar p a ra tais “for­ ça s” pode nos desencorajar de te n ta r aperfeiçoar n o ssas p ráticas sociais. lealdade. sobre a s quais nós. Teríam os de descrever o que realm ente os policiais teriam de fazer p ara ju stificar u m a m enção h o n ro sa por honestidade. teríam os que especificar o que desejam os.

pelas variáveis de reforçam ento. E reforçam ento positivo e negativo é u m dos fatores mais poderoso n a determ inação do que fazemos. as “forças” que influenciam a relação en tre a polícia e o público penderão u m pouco m enos p a ra o lado da aversão e da contra-agressão e m ais p ara o lado do respeito m ú tu o e d a coopera­ ção. Variáveis com portam entais governam estas interações. O cum prim ento d a lei é u m processo social que envolve inte­ rações entre pessoas. . estas forças serão. fornecendo reforçam ento po­ sitivo.Coerção e s u a s im plicações 2 75 serve ap en as p a ra evitar que ten h am o s que especificar as verdadei­ ra s variáveis. elas m esm as. pelo m enos em parte. n a m edida em que a polícia u s a r o reforçam ento positivo em vez da coerção p a ra cum prir a tarefa a ela atrib u íd a de controlar nosso próprio com portam ento e n a m edida em que puderm os g erar e m a n ter a co n d u ta desejável da polícia. Na m edida em que a redução d a confiança d a polícia n a s arm as p ara im por práticas coercitivas p o ssa a ju d a r a produzir relações en tre a polícia e o público sob controle de reforçadores positivos. Seja q u al for o sta tu s cau sal que queiram os atrib u ir a "forças sociais”. determ inadas.

O segredo to m a o processo diplom ático difícil de analisar. Nós. sabem os pouco sobre o que realm ente acontece d u ra n te negociações diplom á­ ticas. “Á guias” defendem u m a p o stu ra crescentem ente agressiva. Porque poder. R ecursos m ilitares e econôm icos — reforçadores potenciais — são recru tad o s a serviço da política externa por meio de ro tas m iste­ riosas. a diplom acia-padrão expandiu um sis­ tem a de intim idação. as nações provavelm ente sem pre terão que m an ter forças m ilitares p ara ijnpedir aqueles que tom ariam tudo p ara si m esm os. “Pom bas” que defendem a am izade internacional. do lado dos espectadores. g aran tid a por um sistem a m ilitar irresistível.17 r £?(iste aCgum outro caminho? (continuação) Reforçamento positivo em diplomacia Pombas e águias. M as não h á m istério sobre os resultados. beligerância e agressão a ssa ssin a que funciona p ara satisfazer a ganância econôm ica e a sede de poder. Eles argum entam que a prontidão p ara ataicar é autoproteto ra e insistem que ap en as a força superior pode proteger u m a nação contra o ataque. argum entam que a am eaça de agressão gera contra-agressão e insistem que ap en as o desarm am en to g ara n tirá a . recursos e prestígio são reforçadores potentes. Defendendo a g u erra como um a alternativa viável à paz.

quereria a restrição de arm am entos p ara arm as m enos destrutivas. Por e ssa razão. ele colocará um fim em todc. Intim idação por meio de a rm a s n ucleares sofre de u m a desvantagem especial. Mesmo com u m a paz que m an ten h am o s pela intim idação m ú tu a. C ertam ente. ê.Coerção e s u a s im plicações 277 paz. Um conflito arm ado ocasio­ nal que não d e stru a todo m undo poderia então servir como o lem- . de sim ples­ m ente pedir a autodestruição. Uma nação dando a u m a o u tra tudo o que e sta o u tra quer. É realm ente im praticável te n ta r influenciar o u tras nações não-coercitivam ente? A analogia d a pom ba-e-águia tem u m segundo sentido curioso. as crian ças não aprenderão n a d a de útil p a ra si m esm as. Q uando o cho­ que inevitável vier. As pom bas acu sam as águias de cau sar. ain d a assim . Se pais dão a seu s filhos tudo o que eles querem in d e­ p en d en tem en te de como eles agem. a noção de força superior tem . n en h u m país pode fechar os seu s olhos à possi­ bilidade de ataq u e por u m outro e. o d a r não-contingente tam bém é u m a form a de controle e pode se r destrutivo. p a ra seu s pais ou p a ra a sociedade em geral. várias nações têm agora explosivos nucleares suficientes p a ra d e stru ir todo m undo. e a s águias acu sam a s pom bas de irrealism o. enquanto que as águias são u m a espécie em extinção. reforçadores positivos devem ser contingentes à co n d u ta e à s cir­ c u n stâ n c ia s em que a co n d u ta ocorre. en tretan to . produz seu s próprios efeitos colaterais destrutivos. em bora não gere a inim izade e a contra-ag ressão que vem a trá s da coerção. o desarm am ento n u clear seria necessário. Em bora não-coercitivo. o paradoxo da esquiva (Capítulo 9) im pedirá q ualquer política coercitiva de m anutenção da paz de se r com pleta­ m ente bem -sucedida. se to m ad o irrealista. m as as pom bas parecem ser sobreviventes. não significa d a r tu d o em tro ca de nada. ninguém pode co n tin u ar se esquivando p ara sem pre sem receber u m choque ocasional. refor­ çam ento positivo ain d a é controle com portam ental. P ara serem efetivos. independentem en te do que esta faça. u m a co n tin ­ gência. a co n d u ta h u m an a. em vez de im pedir. as guerras. a m enos que o m au uso o transform e em reforçam ento negativo. D ar incondicionalm ente não é o oposto de coerção. não conseguirá que a que recebe funcione produtivam ente ou pacificam ente n a sociedade m undial. gerando com portam ento que não é de interesse p a ra ninguém . u m a política exeqüível p a ra intim idação m ú tu a re­ . É igualm ente n a tu ra l ser q u alq u er dos dois tipos de p á s s a ­ ro e am bos têm valor. Por outro lado. D ar não-contingente não significa generosidade. Como vimos. Reforçam ento positivo. ela m esm a.

todas a s arm as finalm ente queim am . ipso facto. Esse círculo poderia ser quebrado s u b stitu in ­ do coerção por reforçam ento positivo como u m in stru m en to p ara a m anutenção de interações civilizadas entre nações. Generais fam intos. explodem ou apodrecem . A penas um a porção m in ú scu la do orçam ento m ilitar vai p a ra a produção de bens. provêm cuidados de saú d e ap en as p ara os seus. A m aioria dos recurso s de que se apropria vai p ara o lixo.278 M urray S íd m a n brete necessário que nos m antém esquivando de m ais g u erras por algum tempo. M as seguidas vezes tem os visto controle pred o m in an ­ tem ente coercitivo m ais cedo ou m ais tard e produzir a pró p ria contraviolência que pretendia impedir. ou com ujn espírito de cooperação internacional. E m bora provavelmente ja m ais possam os elim inar com pleta­ m ente a coerção das políticas diplom áticas. deveríam os m antê-la ap en as p a ra em ergências. Nações ricas e pode­ rosas poderiam descobrir ser possível dim inuir su a s forças com se ­ gurança. e em tem pos de paz. um forte background de reforçam ento positivo pode im pedir que um ocasional uso da força p roduza efeitos colaterais devastadores. Instituições m ilitares não produzem alim ento ou abrigo exceto p a ra si m esm as. requer u m a reta g u ard a m ilitar: retaliação é inevitável. Coerção internacional. m as pelo m enos abri- . estabelecem escolas q u ase que exclusivam ente p ara educação nos m étodos e n a tecnologia da g u erra e estabelecem labo­ ratórios de pesquisa p ara descobrir novas m aneiras e p a ra refinar antigas m aneiras de d estru ir adversários potenciais. não podem os depender dela como o principal m ecanism o de m an u ten ção da paz. O m undo poderia reduzir enorm em ente este desperdício re­ duzindo o tam an h o de seu s sistem as m ilitares. em tem po de guerra. Elim inar a n e ­ cessidade dè s u ste n ta r organizações m ilitares crescentem ente m ais vorazes to rn a ria disponível p ara todos um conjunto de recursos significativam ente m aiores. No m elhor dos casos. conhecim ento ou educação genericam ente úteis. vidas h u m a n a s se escoam pelo ralo. Para se r exato. tran sfo rm an d o -a principal­ m ente em suprim en to s consum íveis e arm as. não m a­ n u fatu ram b en s p ara u so civil. tecnologia. a sim ples disponibilidade de recursos não significa que eles serão distribuídos igualm ente. S u sten tam o s a diplom acia coercitiva com a construção sem pre crescente de um aparato m ilitar que produz um desperdício ainda m aior de recursos h um anos e m ateriais. su b stitu in d o por reforçam ento positivo a coerção que atualm ente p a ssa por diplomacia. Como com fam ílias. O sistem a m ilitar se apropria e u s a u m a enorm e porção d a riqueza do m undo.

no processo. Bons vizinhos? Porque as ap o stas são tão altas. Com eçando com áreas de concordância p eq u en as e até m es­ mo não-im portantes. Envolve en co n trar algum a co n d u ta que consideram os desejável e to rn ar e sta co n d u ta m ais provável fornecendo reforçadores positivos. faz com que novo com portam ento ap areça pela prim ei­ r a vez. C om partilhar contingente. an alistas do com portam ento e especialistas em metodologia científica? E stes "cientistas e s tra ­ n h o s ao serviço” poderiam iniciar estu d o s experim entais. m as ela produzirá novas form as de co n d u ta m ais próxim as daquela que finalm ente querem os. Em vez de te n ta r d estru ir u m governo não-am istoso apoian­ do a violência in tern a e o terrorism o — e. Podemos.Coerção e s u a s im plicações 279 ria u m a possibilidade. no processo. é desejável a experim entação prelim inar. m as freqüentem ente p assam o s por cim a d as n ecessidades de u m a nação não-am isto sa que poderíam os satisfazer sem nos colocar em perigo e não consideram os a possibilidade de que a o u tra nação p u d esse e s ta r desejosa de concordar com pelo m enos algum as pe­ q u en as exigências n o ssas. D iscordâncias são fáceis de identifi­ car. d o taria anti- . gradualm ente reforçar com portam ento que é m ais e m ais im portante p a ra nós. prover suprim entos m édicos em troca de privilé­ gios m ínim os em aeroportos com erciais colocaria cidadãos e funcionãrios do governo de cada país em contato construtivo. entre outros. fornecendo reforçadores — algum as vezes m u d an ças em nosso próprio com portam ento — que satisfaçam as necessidades da o u tra nação. portanto. Por exemplo. E. Uma certa q u an tid ad e de m ú tu o “coçar a s co stas” é sem pre possível. então. o processo se to rn a recíproco: am b as as nações gradualm ente m udam a n atu re za de su a s interações u m a com a outra. Em relações internacionais isto significa reu n ir-se p a ra e n ­ co n tra r áreas de concordância. dim inuiria a necessidade d as nações de recorrer à agressão e à contra-agressão. A prim eira co n d u ta reforçável pode se r relativam ente não-im portante. o reforçam ento fortalece co n d u ta desejável e. tran sfo rm a n ­ do velhos amigos em inimigos — poderíam os m odelar cooperação e am izade? Modelagem é um procedim ento com portam ental testado e verdadeiro. em bora diplom acia b asead a em dados em píricos dificilmente te n h a sido u m a tradição em q u alq u er lugar. Faria sentido p a ra o d epartam ento de estado estabelecer um ram o de p esq u isa que incluísse. alguns talvez perg u n tan d o se nosso conhecim ento em acu m u lação sobre o com portam ento pcderia ser aplicado a serviço d a paz internacional.

aju d ar a co n stru ir fábricas e trein ar pessoas p a ra possuí-las e operá-las. poderíam os ver então que o u tras áreas de cooperação poderiam ser encontradas. Tendo feito pequeno progresso.280 M urray S id m a n gos inimigos de características de reforçadores positivos e estabele­ ceria a s b ases p a ra a confiança. ela teria deixado problem as igualm ente sérios em seu rastro. Poderíam os enviar m áq u in as agrícolas. no processo. naquilo que parece. fornecer oportunidades de educação p ara pessoal civil e m ilitar. como u m a m a ssa confusa de g an ân cia individual por poder e riqueza? Poderíam os g aran tir que reforçadores enviados a um outro país alcançariam a população em geral. Nem deveria a forma ou estilo de governo ter que ser envolvido n a s contingências. a N icarágua — poderia receber d a R ússia e Cuba. q u alq u er que seja a aju d a que u m governo não-am istoso — digamos. cuja co n d u ta querem os influenciar? Reforçadores seriam enviados aos m ais ne- . N inguém pode g aran tir que as coisas funcionariam deste modo. ações não -am isto sas não o fariam. trazendo com ele um arrefecim ento d as ten sõ es que o controle coercitivo som ente piora. As contingências de reforçam ento não deveriam incluir o uso de força. de fora. de n o ssa parte. e cad a u m a receberia. não m ais teria que tolerar a p resen ça de b ases m ilitares estran g eiras potencialm ente hostis. Mesmo u m a ação m ilitar an tiam erican a não deveria trazer destruição sobre su a s cabeças. aproveitando o apoio de p eq u e­ nos e grandes vizinhos. Ações am istosas trariam reforçadores positivos. Em vez d as conseqüências de desconfiança e hostilidade que as práticas coercitivas u su a is teriam produzido. Em troca de am izade e cooperação poderíam os fazer m ais do que sim plesm ente remover p ressões coercitivas. prover su p rim en to s e m édicos p a ra ini­ ciar program as de saú d e pública e estabelecer escolas que a ju d a ­ riam a g a ra n tir a autoconfiança do país. A riqueza de dados que possuím os do laboratório e d as apli­ cações tecnológicas a outros problem as da co n d u ta h u m a n a forte­ m ente enraizados realm ente poderia prover guias p a ra a ação efetiva n a com plexa aren a das relações internacionais? Os efeitos desejáveis do reforçam ento positivo sobreviveriam aos predadores. E m bora a coer­ ção p u d esse te r derrubado o governo. Reforçamento positivo p o r coopera­ ção poderia provar-se tão efetivo internacionalm ente como n a família individual. portanto. nós poderíam os facilm ente su p erá-la e. Finalm ente. m a n ter seu auto-respeito. am izade e paz pode­ riam prevalecer n a área. Talvez pudéssem os pedir a liberdade de prisioneiros políticos e. atingir nossos próprios objetivos diplom áti­ cos tam bém . am b as pode­ riam . Cada nação daria. O governo.

continuam os com m uitos dos m esm os problem as que estivem os ten tan d o elim inar — governos e p o p u la­ ções não-am istosos. a ciência sem pre supersim plifica. ain d a que o u tras variá­ veis neutralizem s u a ação em algum as localidades. d es­ truição e traição. Mas. seu s efeitos provavelm ente vão se m o strar am plam ente. V aleria a pena b u s c a r o u tras oportunidades p ara experim entar com reforçam ento positivo como u m su b stitu to d a coerção em relações internacionais. então. m as em toda u m a região. O m esm o poderia ser verdade a respeito de problem as não-previstos. Obviam ente. m as não pode piorar. Não saberem os até que te n te ­ mos. Se os ne- . nossos oponentes acum u lam enorm es lucros. não ap en as em u m país. Diplom acia coercitiva nos to rn a um perdedor final. nos descobrim os aliados à co rru p ­ ção e à m aldade. Por exemplo. Reforçam ento positivo poderia não funcionar. estas sugestões envolvem supersim plificações. Tragédia africana. reforçam ento positivo poderia m o strar a l­ gu n s de seu s efeitos desejáveis. Portanto. gradu alm en te acrescen ta as com plexidades que colocam experim entos controlados em contato com condições não-controladas do m undo cotidiano.Coerção e s u a s im plicações 281 cessitados em países onde os ricos concluíram que s u a própria so­ brevivência depende de m a n ter a m aioria d a população pobre e não-educada? Estes e outros problem as previsíveis poderiam se r resolvidos de várias m aneiras. Reforçamento positivo é u m poderoso determ i­ n an te do com portam ento. descobrim os n o ssa posição de liderança ain d a m ais difícil de su ste n ta r. Todos nós com pram os o argum ento de que n a África do Sul ap en as os brancos possuem as habilidades de que o país necessita p ara m an ter processos ordeiros. talvez n en h u m a delas fornecendo u m a solução com pleta. E nquanto nossos agentes de coerção regozijam -se pela elimi­ nação à força de u m a b ase m ilitar potencialm ente perigosa. D ados existentes sugerem que a ten tativ a valeria a pena. de início. os E stados Unidos e a m aioria do resto do m undo têm apoiado o governo da m inoria d a África do Sul a despei­ to de s u a opressão inom inável. Ela. Mesmo quando políticas coercitivas são bem -su ced id as em d e stru ir governos não-am istosos. Isolados e sem a confiança de nossos vizinhos. Seguidas vezes pressões coercitivas aparen tem en te bem -sucedidas têm levado os E stad o s Unidos a s u ste n ta r governos que se m antêm a si m esm os por meio d a violência. Aplicado em larga escala. su p ressão . Ainda assim . Os efeitos desastroso s d as técnicas de controle a tu a is n a diplom acia internacional torn am a ten tativ a necessária.

O m undo b ran co ou deu aos exploradores sul-africanos tu d o de que eles necessitavam . S u a m eta é influenciar co n d u tas daqueles que governam o u tras nações — n a África do Sul. os servi­ ços públicos e o governo em operação. seja retiran d o reforçadores que já foram obtidos. reforçando prim eiro p eq u en as m u d a n ças e gradualm ente acrescen tan d o p asso s posteriores. Nem m esm o desistindo de seu m ando v o luntariam ente a m inoria b ra n c a im pedirá o im inente derram am ento de sangue. em bora certam ente u m a técn ica de con­ trole. Controle sim . Q uem sabe se nós e o u tras nações tivéssem os u sado indução positi­ va p a ra p ersu ad ir o governo sul-africano a en sin a r à m aioria negra as habilidades sociais. As políticas p a ssa d a s e atu a is dos governos bran co s do m u n ­ do p ara lidar com a África do Sul incluíram u m a m istu ra de métodos contraditórios p a ra controlar com portam ento. C o n d u ta indesejável não é p u n id a seja dando “choques". a s escolas. Os brancos. a s fábricas. Apoio contingente.282 M urray S id m a n gros tom assem o poder. s u a falta de h abili­ dades de gerenciam ento e de tecnologia iria im pedi-los de m an ter as m inas. não precisa incluir os elem entos coercitivos da punição e refor­ çam ento negativo. nem o u tras nações fizeram q u alq u er ten tativ a p a ra a ju d a r a retificar e s ta situação. Os objetivos da diplom acia são com portam entais. prossegue o argum ento. Reforçamento positivo não envolve am eaças: apoio sim plesm ente vem depois que a co n d u ta d esejada ocorreu e em n en h u m outro m om ento. as instituições financeiras. As técnicas de controle comportam ental u sa d a s p ara te n ta r atingir esses objetivos n a África do Sul provaram ser com pletam ente inefetivas e estão a ponto de chegar ao . independentem ente do que eles fizeram ou deixaram de fazer — reforçam ento positivo não-contingente — ou ten to u forçar m u d an ças negando apoio econôm ico — reforçam ento negativo. não estão dispostos a com partilhar o poder e a riqueza com u m a m aioria negra que eles temem. m as não controle coercitivo. nem nós. nu m ericam en te inferio­ res. Ja m a is u so u reforçam ento positivo com petentem ente — contingente à co n d u ta real. É b a sta n te possível que esta racionalização co n ten h a ele­ m entos de verdade. técnicas e políticas de que eles necessitariam p a ra assu m ir responsabilidade de u m a m an eira ord en ad a? Agora é m uito tarde. qu an d o o problem a é claram ente racial. E sta racionalização tem p er­ m itido à s nações do m undo a p re se n ta r o problem a como sendo m eram ente de atraso político e tecnológico dos negros. Mas se assim for. m as dom inantes. O ciclo de coerção e contracoerção cam inha. . J a m a is to m o u o apoio dependente de reduções específicas na política de apartheid. a m inoria governante.

os reforçadores im portantes que m antêm exce­ lência acadêm ica são positivos. m as não podem os ignorar a possibilidade de que técnicas com portam entais m ais efetivas poderiam ter im pedido a tragédia que é im inente. Nas artes. m as no efeito que o trab alh o produz sobre u m a audiência. E porque os E stados Unidos foram percebidos como a nação m ais capaz de im pedir que tu d o isto acontecesse. Em geral. Talvez n e n h u m estrangeiro p u d esse ter im pedido o sofrim ento dos negros sul-africanos. ain d a assim nosso fracasso em exercer u m a influência efetiva ajudou a g aran tir que os dias d a m inoria b ra n c a — seja no poder ou fora dele — estão contados.Coerção e s u a s im plicações 283 seu térm ino tão temido. A produção colaboradora e o com parti­ lh a r de teorias científicas. no futuro previsível. tam bém . . o comércio por aqueles que são tecnológica e gerencialm ente não-treinados e a educação por aqueles que não receberam ed u ­ cação. ensaios ou performances. Precisava te r acontecido? E sta experiên­ cia horrorosa levar-nos-á a te n ta r alternativas? Cidadãos do mundo. C ientistas e outros in telectuais viajam co n stan tem en te p a ra to d as as p arte s do m undo p a ra en sin ar e aprender. Como u m resu ltad o d estas interações positivas. dram as. E m bora um a rtis ta (e u m cien tista tam bém ) p o ssa levar u m a vida d u ra. C ientistas descobrem seu trab alh o como reforçador quando ele é útil a outros cien tistas ou quando adiciona algo ao bem -estar geral. dados. a m aioria dos cientistas considera rep u g n an te o p ensam ento de se engajar até m esm o em u m a g u erra “lim itada” co n tra seu s colegas cientistas. A rtistas. O resto do m undo não pode ser resp o n sab i­ lizado pela coerção ali p raticad a pelo governo branco. perm anecerão. Violência sem perdão não é m ais evitável. Os prêm ios públicos e prestigiosos por resu ltad o s científicos são am plam ente basead o s no critério “Q uão útil outros cien tistas acharam este trab alh o ?” Revistas in ternacionais dissem inam os re ­ su ltad o s de investigação teórica e experim ental a despeito do pais onde o trab alh o foi feito. Como a aud iên cia da ciência. o princi­ pal reforçam ento por produtividade artística não e stá no reforça­ m ento negativo de fuga do tradicional sótão e d a fome. escu ltu ra. como um objeto de ódio n aq u ela p arte do m undo. m úsica. reforçam ento é positivo. tam bém . R ealm ente o governo será tom ado por aqueles que não têm habilidades p a ra o governo. contingente à beleza e originalidade d as criações do a rtista — p in tu ras. a audiência d as artes é internacional. tecnologia e o u tro s pro d u to s do trab alh o in telectual estabeleceram u m a com unidade m undial de in ­ telectuais. rom ances. A noção de que a criatividade cien tí­ fica pode ser m otivada por punição é tão co n trária à experiência que é risível.

to rn aram -se u m modo de vida. o Program a Acadêmico Fullbright — m antido pelo Con­ gresso am ericano fora dos canais diplom áticos u su a is (e. p a ra quem interações pacíficas. mesmo seu s soldados. por esta razão. Q uando aqueles na m esa de negociação não têm laços positivos. u m a vez que seu s cidadãos já ten h am estabelecido interações am istosas e cooperativas. a rtista s e cientistas. e ste n ­ dendo o modelo de reforçam ento positivo que funcionou p ara tecno­ logia internacional. devotados à pesq u isa. O Corpo de Paz jam ais foi avaliado por seu sucesso em e s ta ­ belecer e m an ter boa vontade internacional em relação aos E stados Unidos. trab alh o intelectual e arte a todas as áreas da atividade h u m a n a ? Q uando problem as e conflitos de in teresses s u r ­ gem. não poderíam os estab e lece r in s titu to s in tern acio n ais. ao en sin o e à aplicação de conhecim ento e tecnologia . m as nós ainda não param os p a ra analisá-lo e apren d er com ele. E ntretanto. aprendendo e divertindo. A com unidade artístic a internacional. concedidas como reforçadores positivos por realizações. é m ais n a tu ra l propor soluções. eles sim plesm ente fa­ zem exigências. Aqui estão dois grandes grupos internacionais. Bolsas Fullbright. b asead a s em reforçam ento positivo m útuo .2 84 M urray S id m a n viajam constantem en te p ara todas as p artes do m undo. P ara p a tro c in a r e s ta m eta de c ria r laços en tre indivíduos. m as a despeito da diplom acia-padrão. sujeito a co n stan tes pressões d estru tiv as dos funcionários do D epartam ento de Estado) — é u m pequeno experim ento que tem estado em an dam en to por anos. entre artistas e en tre estes pro d u to res de conhe­ cim ento e beleza e seu s alunos e audiências por todo o m undo. têm au m en tad o significativa­ m ente a boa vontade em troca de u m investim ento financeiro relati­ vam ente pequeno. Um outro m ecanism o positivo p ara encorajar cooperação in ­ ternacional. E sta boa vontade e cooperação m undiais se desenvolveram não por c a u sa de. M uitos testem u n h o s inform ais sugerem que ele tem sido enorm em ente efetivo em co n trab alan çar as divisões que a diplom a­ cia coercitiva oficial cria. to rn aram -se amigos. Governos acharão difícil am eaçar ou fazer g u erra se seu s cidadãos. como a científica. Por que não au m e n ta r o escopo d estes experim entos. entre outros intelectuais. considera o próprio p en sam en to da g u erra odioso. é m ais provável que indivíduos com u m a h istó ria de reforça­ m ento positivo recíproco in sistam com seus governos p ara que en ­ contrem soluções construtivas e não destrutivas. o apoio deste país ao Corpo de Paz torna-se m enor todo o tempo. Reforçam ento positivo tem estabelecido relações positivas entre cien tistas. ensinando.

p ráticas e co s­ tum es cu ltu ralm en te específicos que de início pareciam e stran h o s ou m esm o am ed ro n tad o res. adm inistração de em presas.Coerção e s u a s im plicações 285 em área s caracterizad as por im p o rtan tes problem as p rático s nãoresolvidos? Eles poderiam incluir ag ricu ltu ra. Poderíam os localizar estes in stitu to s em m u itas nações. ap re se n ta r se u s próprios p e n sa ­ m entos e descobertas e avaliar os m éritos relativos de várias so lu ­ ções p ara um dado problem a. . a costum eira diplom acia coercitiva perderia apoio popular. Tais tro cas positivas to rn ariam difícil p a ra partici­ p an tes individuais m anter-se como ou to m ar-se inimigos. então. Significa ser tratad o com re s­ peito e consideração. Se fosse possível d a r e sta h istó ria a um núm ero sufi­ ciente de cidadãos. em vez de reforçam ento negati­ vo p a ra levar outros governos a te n ta r fugir e esquivar de am eaças. como u m visitante in teressa n te e valorizado. interagindo d u ra n te o trab alh o e o lazer. a troca seria cara m as se perm itisse finalm ente u m a redução significativa no custo da m an u ten ção de sistem as m ilitares. ap ren d er o que os outros estão p ensando ou descobriram . A sugestão não se pretende como a c u ra p a ra todos os m ales. sem exclusão de n e n h u ­ ma. eles teriam u m a chance de ver o “inimigo” p o r si m esm os. a su b stitu ição de u m a d espesa por o u tra seria facilm ente justificável. Interações positivas en tre p esso as de nações diferentes ta m ­ bém poderiam ser p atro cin ad as por um program a de troca de cida­ dãos. fazendo p arte das intim idades da família. educação e m uitos outros. ap rendendo u m a nova língua e tornando -se fam iliarizado com habilidades. to rn ar o u tro s p asso s construtivos possíveis. Tais trocas claram en te não resolveriam os problem as do m undo. O princípio geral é de que os governos aliviem e im peçam ten são internacional u san d o reforçam ento positivo p a ra fortalecer relações positivas en tre populações. H ospitalidade é um term o que cobre m uitos reforçadores positivos. jovens poderiam viajar p a ra outros países. sendo "levado p ara ver a cidade”. tec­ nologia de com putadores. Todos que com parecessem deveriam ser capazes de fazer s u a s próprias p erg u n tas. m as como u m prim eiro passo que poderia. prevenção de doenças. arq u itetu ra. com partilhando com ida e abrigo. C ada u m convidaria especialistas e leigos p a ra sem inários e conferências internacionais. D urante o processo. vivendo com fam ílias tem po suficiente p ara to r­ n ar-se realm ente fam iliarizados com u m a o u tra c u ltu ra e p a ra for­ m ar laços de am izade d u radouros. nutrição. Isto significa ad q u irir u m a ex ten sa h is ­ tória de trocas positivas que será difícil de se r revertida por qualq u er circunstância. Em u m a larga escala. Com apoio nacional e internacional. legislação.

seja em dinheiro. o próprio terrorism o é u m a técnica coercitiva. R es­ ponder a pedidos an g u stiad o s d as fam ílias de reféns pagando resg a­ te p a ra a libertação de um grupo tem garantido que outros serão m ais ta rd e tom ados como reféns. ci­ clos repetidos de coerção e contracoerção são difíceis de in terro m ­ per. troca de prisioneiros. O esforço relativam ente pequeno envolvido em tom ar alguns reféns pode tira r u m grupo do an o n im a­ to. tendo feito su a s am eaças e contra-am eaças. Atividades terro ristas são ap en as u m efeito colateral de p ressões coercitivas que têm estado presen tes por m uito tem po (Capítulo 9). e n ­ contram -se p ara avaliar a s sugestões u n s dos outros p ara fugir das tensões que eles criaram . m as tam bém em cada casa. Uma vez colocado em movimento. do jo rn al e de revistas de cad a ato terrorista. do rádio. transp o rte. Cada lado tem e que q u alq u er relaxam ento em su a s defesas (o eufem ismo u su a l p a ra ofensas) h á de deixá-lo ã m ercê de um inim i­ go impiedoso. u sado ineptam ente. Terrorismo. R epresentantes dos m ais poderosos go- . não im porta o quão insignificante e sem poder o grupo p o ssa ser por q ualquer critério usual. E a m elhoria n a qualidade de vida. não-obscurecida pelo medo da destruição parcial ou total. ajudou a p atro ci­ n a r o terrorism o. n a tu ra l­ m ente. Uma o u tra fonte de forte reforçam ento positivo que aju d a a p erp etu ar o terrorism o é a in ten sa cobertura da televisão. Eles encontrar-se-iam . com ecos se estendendo não ap en as em cad a conselho de estado. gera contram edidas. O im pulso p ara a paz viria de baixo. assim . T erroristas descobri­ ram que jo g ar u m a pequena ped ra pode fazer um b aru lh o in te rn a ­ cional. Reforçam ento positivo. arm am entos ou qualquer outro retorno po­ sitivo.286 M urray S íd m a n A técnica é exatam ente o oposto de “reuniões de cúpula" n a s quais chefes de estado. A longo prazo. em vez disso — provavelm ente com m ediadores p resen tes — p ara d eterm in ar como cada nação poderia m elhor aten d er às s u a s necessidades. eles estarão felizes em nos agraciar com mais. E n ­ q u an to pagarm os terro ristas pelo que eles fazem. seria incalculável. e. O pagam ento de resgate. tem garantido que o to m ar e m a ta r reféns co n tin u ará. program as que fornecem reforçam ento positivo p a ra as ações construtivas de cidadãos individuais m ais do que pagariam a si m esm os. Este não é u m problem a de opi­ nião pessoal: é o modo como reforçam ento positivo funciona. Reforçamento positivo poderia aju d a r a acab ar com o terrorism o tam bém ? Talvez. m as não rapidam ente. ele tam bém . com a população em geral estabelecendo as regras básicas p ara a co n d u ta nos negócios internacionais.

A m ídia coloca as negocia­ ções no palco central do m undo: ap en as as finais de futebol am eri­ cano e de futebol internacional obtêm ta n ta publicidade. O que deve significar para p esso as que o m undo tra to u com desprezo superior.Coerção e s u a s im plicações 287 vernos e das m ais influentes igrejas perm item ser levados com os olhos vendados p ara ru d es negociações onde discutem pagam ento com raptores hostis e que os desprezam . a cen su ra. O reconhecim ento de seu papel no reforçam ento dos ato s de terrorism o e de seu próprio perigo deveria. E ssa solução p ara o problem a d a m ídia é im pensável. governos e m ídia têm estado su prindo reforçam ento positivo que garan te a continuidade do terrorism o. O problem a real é que a m ídia n u n c a desenvolveu critérios p a ra decidir o que rela tar e o que não dizer. en g en d rar um a certa auto-restrição responsável por p arte da mídia. o contínuo apoio da m ídia ao terrorism o está tornando difícil p ara cidadãos conscientes m a n ter s u a oposição à censura. No entanto. O reforçam ento do terrorism o pela m ídia trouxe de volta o ressurgim ento de u m a velha am eaça. Aqueles que prefeririam . Talvez seja m uito tarde agora para governos utilizarem reforçam ento positivo como deveriam ter u sad o originalm ente p a ra criar alternativas aceitáveis como m eios de protesto ou p a ra to rn a r o protesto desnecessário. por o u tras razões. portanto. A livre com unicação de notícias e opinião é u m a d as m ais fortes proteções que um povo pode ter contra aqueles que atingiriam seu s objetivos por meio de coerção. A desculpa de que toda notícia tem de ser p u b licada ê paten tem en te falsa. apontando como justificação a exploração bem -sucedida d a mídia pelo terrorism o. Im agine o sentim ento de poder e grandeza no peito dos terro ­ rista s à m edida que se vêem e ouvem seu s feitos discutidos de canal em canal e de página em página da mídia. descobrir que eles foram capazes de virtualm ente v arrer do m ap a a in d ú stria do tu rism o in ternacio n al sim plesm ente detonando algum as poucas bom bas em aeroportos? Há m an eira m ais sim ples de to rn ar conheci­ da s u a existência do que ra p ta r e m a ta r alg u n s poucos indivíduos sem defesa. D ada a polarização atu al. pode ser que governos não ten h am q u alq u er esco­ lha a não ser contracoerção violenta p a ra p a ra r o terrorism o. jam ais foi possível rela tar tu d o e editores sem pre tiveram de escolher o que publicar. ou p la n tar u m a bom ba relógio ou m etralh ar um in d u s­ trial ou político im portante? Os feitos de q u alq u er herói receberam m ais reconhecim ento? Negociando e pagando resgate e fornecendo publicidade ili­ m itada. ver n o ssa s fontes de inform ação am ord açad as já estão fazendo b aru lh o n e s s a direção. C onsiderar as conse- .

Parar todas as negociações. podemos não ter outra alternativa além de responder ao aumento da violência com nossa própria violência. O que é importante é que a mídia estabeleça estes critérios por si mesma. que existem somente por causa de sua proteção. Mas eles tiveram de descobrir por conta própria. Entretanto. Um único grande reforçamento é suficiente para manter um ato por muito tempo. ainda que dificilmente tenham ouvido falar dele em seu treinamento. o início da extinção trará um aumento temporário das atividades terroristas. Parar de aumentar o prestígio e o poder de governos que fazem do apoio ao terrorismo uma questão de política nacional. Reforçamento positivo na educação Quando usado efetivamente o reforçamento positivo é a mais poderosa ferramenta de ensino que temos. podemos esperar que continue por muito tempo. de que qualquer coisa permanentemente construtiva possa ser obtida desse modo. a primeira coisa a ser feita é parar o reforçamento. Tendo permitido que as coisas chegassem a este ponto. uma política de extinção — retirada de reforçamento — requererá um tempo considerado para ter efeito. ainda que nunca mais seja bem-sucedido. Desconhecedores da riqueza de dados confirmatórios de laboratório e de sala de aula que os apóiam. . apenas perpetua suas práticas. O resto do mundo terá de rever sua confiança na diplomacia coercitiva se quiser eliminar a ameaça de contracoerção desesperada. Raramente o treinamento equipa futuros professores com qualquer proficiência no uso de reforçamento positivo.288 MurraySidman qüências comportamentais de suas práticas auxiliaria a prover bases racionais e objetivas para tais decisões. Para usar um termo técnico. Além disso. humilhação social e repressão política. a atividade terrorista e sua sustentação devem ser extintas e não reforçadas. A coerção colocou um grande segmento do mundo em um estado de privação econômica. dada a história de sucesso do terrorismo. aqueles que usam reforçamento positivo o fazem apenas porque descobriram que funciona. N inguém deveria ter a ilusão. Quanto à política governamental em relação ao terrorismo. O terrorismo levou a um enorme retomo — muitos reforçadores grandes. entretanto. aí também. mesmo a “diplomacia discreta”. que é apesar disto adequado. Usá-los como intermediários para obter concessões dos próprios grupos terroristas. Muitos professores sabem disto.

à m e d id a q u e o v o c a b u lá rio de J u a n i t a a u m e n ta . os p o u co s a p re n d iz e s re lu ta n te s se d e sta c a m dos o u tro s. o p ro fesso r te m de e lim in a r to d o s e ss e s s u p o rte s ex te rn o s e e s ta b e le c e r a ap ren d izag e m com o s u a p ró p ria re c o m p e n ­ sa . q u a n d o J o s é escrev er p a rá g ra fo s sim ples. e n s in e -a com o e n s in a r e s ta s n o v as p a la v ra s p a r a s e u s p a is em c a s a . deixeo e x p re s s a r s u a o pinião so b re algo q u e se ja im p o rta n te p a r a ele em u m a c a rta p a r a o jo m a l local. q u a n d o p re e n ­ ch id o. c o n se g u ir que o a lu n o faça algo novo e. E les valorizam o p eq u e n o g ru p o de rá p id o s a p re n d iz e s em c a d a c la sse . P ro fesso res tê m m u ito m e n o s o p o rtu n id a d e s d e d a r re fo rç a ­ m e n to positivo do q u e se pode im ag in ar. O p ro b le m a se in te n s i­ fica à m e d id a q u e a s c ria n ç a s são filtra d a s pelo s is te m a e d u c acio n al. ig n o ran d o os a lu n o s q u e fazem c o rre ta m e n te a lição e p u n in d o aq u e le s q u e a fazem errad o . c u m p rim e n te -o . d a r-lh e re fo rça m en to positivo tão ra p id a m e n te q u a n to possível. à m e d id a q u e Zé m e lh o ra em aritm é tic a . E n tre ta n to . A p re n d er se to m a re fo rç a d o r p o r si m esm o q u a n d o leva a o u tro s re fo rça d o res. n e m são algo novo. ta n to a lu n o s fra c a ss a ria m q u e a fa lê n cia do s is te m a ed u c a c io n a l to m a r-s e -ia im e d ia ta m e n te a p a re n te . elogie-a p o r s e r tão boa em a ritm é tic a . Q u a n d o Zé so le tra c o rre ta m e n te u m a p a la v ra . H á a p e n a s u m m o d o de fazer isto: dê ao s a lu n o s o p o rtu n id a d e s d e u s a r s u a n o v a ap ren d izag em . a b a la n ç a m u d a . escrev a u m b ilh ete e n tu siá stic o p a r a q u e ele leve a s e u s pais. lh e d a r á algo especial. Nos p rim e iro s an o s. R efo rçad o res po sitivos n ão sã o difíceis d e e n c o n tra r. p rim eiro . Se os d ip lo m a s d e p e n d e sse m de c o n h e c im e n to do m a te ria l. a rru m e tem p o p a r a que ela leia livros q u e esco lh eu . m o stre -lh e com o fazer m elh o ria s e létric as sim p le s n a ca sa. coloque a lg u n s m a is em u m q u a d ro q u e. a m aio ria deles a p re n d e com v o n ta d e .Coerção e s u a s im plicações 289 O p rin cíp io geral p a r a o p ro fesso r é. depois q u e J ú l i a tiver a p re n d id o os p rin cíp io s d a eletricid ad e. Isto n ã o é ra zão p a r a a p rá tic a . Os m elh o re s p ro fesso res se m p re os u s a ra m . d ê-lhe p o n to s p a r a re c e b e r u m p rê m io e s ­ p ecial. F in a lm e n te . e n tã o . c h a m e o u tra p ro fe sso ra p a r a q u e ela p o s s a m o s tra r s e u ta le n to . a p rá tic a m ais u s u a l é sim p le sm e n te ir de u m tópico do c u rríc u lo p a r a o se g u in te . b em -o rg a n iz a d o s e co rreto s. À m e d id a q u e J o a n a co m eça a le r e a e n te n d e r o q u e e s tá lendo. P ro fesso res de u n iv e r ­ sid a d e a d m ite m a b e rta m e n te q u e s u a ta re fa é to m a d a su p o rtáv e l p o r u m ou dois a lu n o s em u m a c lasse q u e e stã o a p a r do m a te ria l do cu rso . q u a n d o M aria s o m a e s u b tra i c o rre ta m e n te . deixe-o ir à s c o m p ra s e p a g a r p o r algo q u e e ste ja q u eren d o . A p a r tir dos g ra u s in te rm e d iá rio s e d a escola s e c u n d á ria até a u n iv e rs id a d e . e s tu d a n te s sem v o n tad e p re d o m in a m .

D ar notas a alunos apenas em relação uns aos outros. Aprendizagempor tentativa e erro. A razão disto. Tentativa de quem?Erro dequcmTEntretanto mesmo com aprendizes capazes o reforçamento positivo não tirará de cena a coerção por si mesmo. embora pareça paradoxal. O dito predominante em educação é que aprender ocorre por meio de tentativa e erro.290 Murray Sidman comum de atribuir notas “pela curva”. e assim. o pouco reforçamento positivo que o sistema provê não é contingente a aprender. Mas um professor eficiente jamais reforçará erros. Nossos alunos farão o mesmo. Reforçar o sucesso dos alunos na clássica aprendizagem por tentativa e erro é mais efetivo que a prática usual de ignorar seus sucessos. o não reforçamento dos erros manter-se-á um elemento coercitivo. mas desenvolvimentos técnicos têm tornado o objetivo algo que vale a pena perse­ guir. um resulta­ do tão baixo quanto 25% de acerto provavelmente terá uma nota que permite passar. mesmo que só acertem 50% das questões. . A maior parte do reforçamento em educação é negativo — fuga de notas baixas e punições asso­ ciadas. Alunos com o resultado mais alto na prova recebem A. que aprendemos a partir de nossos erros. mas não elimina a coerção. alunos podem aprender sem erros. Um dos resultados mais estimulantes da análise experimental foi a descober­ ta dè modos de ensinar sem produzir erros. Podemos resolver este problema? Podemos remover toda coerdtividade do processo edu­ cacional? A única maneira de eliminar a extinção do processo de ensino seria elimi­ nar o fracasso. aprenderemos a nos esquivar dela. Se não pudermos nem fiigir nem nos esquivar. abandonando qualquer pretensão de que suas notas signifiquem competência. este é um modo seguro de perpetuá-los. Naturalmente. Novas aplicações de técni­ cas de ensino sem erro estão continuamente sendo descobertas e refinadas. demons­ tra porque o ensinar bem-sucedido envolve mais do que simplesmente dar reforçamento positivo a alunos que conseguiram aprender algo. reter reforçamento é punir. Descobriu-se que aprender não precisa ser tentativa e erro. Faremos tudo que puder­ mos para sair de uma situação na qual o reforçamento não está vindo. contra-atacaremos. Desde que tratemos a educação como um processo de tentativa e erro. toma possível ao sistema passar para diante um número “respeitável”. nunca eliminaremos completamente os fracassos. Aqui é que a coerção volta à cena. a extinção dos erros ainda é necessária na aprendizagem por tentati­ va e erro. Se não pudermos fugir.

O que é um programa d e ensino? Q ualquer coisa a ser ap ren ­ dida tem seu s pré-requisitos — todas a s o u tras coisas que o aluno tem que sab er prim eiro. Keller. 1977. m as p en e tran te em su a crítica. relevantes e instrutivos. teach er. C ham paign. É papel do professor a rra n ja r o m aterial em u m a seqüência de passos relacionados. fino em núm ero de páginas. Crofts. Kalamazoo. MI 49008. A prendizagem por ten tativ a e erro realm ente acontece. grande em s u a h u m an id ad e e generosidade. ou quando o ensino não é bem -sucedido. através de habilidades m an u ais. m as ap en a s quan d o n ão e stá acontecendo n en h u m ensino.. ‘T en tativ a e erro” ain d a existe. a derivação de con­ ceitos ou os conceitos básicos da análise do com portam ento. Ele pode ser obtido n a ABA. W estern Michigan University. S. Keller em um artigo intitu lad o “Good-bye. m as a possibilidade de aprendizagem sem erro tran sferiu tan to a tentativa como o erro do aprendiz p ara o professor. S. Vezes sem conta m ostrou-se que os erros dos aprendizes vêm do program a de ensino: quan d o o program a é m udado. cad a p asso sucessivo utilizando o que já foi aprendido. R esulta daí que os alu n o s que realm ente têm os pré-requisitos p a ra cad a p asso cam in h arão sem qu aisq u er erros. 1968. os erros desaparecem . F. Illinois: R esearch Press. ju n to com outros de interesse. o significado d as palavras. Summers and sabbaticals. pode ser encontrado em: F. u m a frase tom ada d a bem conhecida canção de liberdade can tad a pelas crianças ao final do ano escolar. Um trabalho germinal sobre m étodos efetivos de in stru ção é: B.Coerção e s u a s im plicações 291 O que to rn a a aprendizagem sem erro possível é a program a­ ção efetiva. Pedagogue’s progress. perceptivas e cognitivas com binadas envolvidas n a p ro n ú n cia e escrita de letras e p alavras e através do que freqüentem ente é cham ado de aquisição de conheci­ m ento — aritm ética. o aluno j á te rá aprendido tudo o m ais que ele tem de saber. 260 Wood Hall. Um program a de ensino efetivo g aran tirá que an tes de te r que ap ren d er algo. Isto é algo que o professor tem que fazer. Este artigo. Um outro livro. D este modo é possível levar u m aprendiz sem erros através de habilidades m an u ais tais como a m a rra r sap ato s e ali­ m entar-se. Skinner.. Keller. é u m clássico a in d a não-descoberto: F. ' . Um sistem a que aplica a m aioria dos princípios conhecidos de reforçam ento positivo n a educação e que ac resc en ta alguns novos elem entos criativos foi introduzido por Fred S.* * Três livros n e sta área são especialm ente com preensíveis. crista ­ lografia ou neuroanatom ia. Nova lorque: A ppleton-C entury.’’. The technology o f teaching. não o aluno.

então é possível planejar e testar programas para ensinar tal apreciação. . possibilitaria aos professores fazerem efetivamente seu trabalho. Um segundo efeito colateral positivo seria uma mudança de ênfase das escolas na “disciplina” para uma ênfase renovada na educação. Alunos qué estão recebendo reforçamento positivo por aprendizagem bem-sucedida não têm necessidade de buscar reforçamento negativo por meio de fuga e contracontrole. Sua relevância aqui é seu potencial para remover os últimos vestígios de coerção do processo educacional. pressupõe a habilidade do professor de especificar o que o aluno deve aprender. manter alunos em um caminho contínuo de sucesso e prover reforçamento positivo para cada passo bem-sucedido. alunos bem-sucedidos raramente fogem da escola. Saber como deverá ser o produto final permite que a programação. é escrever bem? Se o professor pode definir comportamentalmente a boa redação. mas uma vez que tenhamos tomado estas decisões. Mas. Que comportamento. Eliminar a necessidade de extinguir erros. então programação efetiva pode ser realizada. identificada por seu sucesso em tomar alunos capazes de novos comportamentos ao mesmo tempo que eliminando erros durante a aprendizagem.292 MurraySidman Programação efetiva. podemos então aplicar tecnologia comportamental para ensinar sem erros. Também transformaria a escola em uma experiência recompensadora para os alunos. então não será possível especificar o modo mais efetivo de fazer com que alunos melhorem suas habilidades de redação ou sua sensibilidade poética. objetivam ente. Uma tecnologia de ensino não pode nos dizer que habilidades ou matérias deveríamos ensinai'. a análise comportamental pode nos ajudar a dizer se fomos ou não bem-sucedidos. O que. se não for possível identificar comportamentalmente boa redação ou a apreciação de poesia. A busca por novos modos de coagir os alunos a uma conduta ordeira daria lugar a uma busca por novas maneiras de programar a aprendizagem com sucesso. Uma vez que possamos identificar sucesso ou fracasso. Aprendizagem sem erros é uma área de pesquisa grande e ativa e ainda há muito por ser descoberto sobre suas possibilidades e limitações. por exemplo. ou qualquer outra técnica seja avaliada. mostra que alguém entende e aprecia poesia? Se o professor sabe como dizer se um aluno entende e aprecia poesia. Um efeito colateral positivo indiscutivelmente seria um abrandamento do problema dos desistentes. O debate sobre o uso da punição corporal seria visto como irrelevante no processo educacional.

177-178. 195-196 A nsiedade. 244. 239-240 A queles que tudo têm. 147-148 político. 1 8 1 -1 8 2 . 166-167. 229. 2 8 9 -2 9 0 . 291 A prendizagem sem erro. 2 0 5-206. 205 -2 0 6 Am érica do Sul. 131 Adm inistradores. 123. 121 A cuidade sensorial. 190-192 A n álise de contingências. 220. 282-283 A pêndice. 183 A ssem bléias municipais. 223 -2 2 4 A prendizagem por tentativa e erro. 242.2 1 3 . 21 aplicada. 130 verbal. 283 A gressão induzida por privação. 143 econ ôm ico. 45 -4 6 A d vogados. 235 A lunos. 130 físico. 289-292 A m biente de laboratório. 269 Artes e ciências.2 1 9 . 131 social. 276. 110. 150-151 A dm irável m undo n ovo. 267 A ltruísm o. 2 1 1 . 207.2 3 5 . 105 A nálise do com portam ento. 130. 131. 1 6 9 . 253-254. 183. 292 A queles que nada têm. 140-144. 156. 237-238 A rm as/revólveres. 39 Á lcool. 82-83. 130 sexual. 2 23 -2 2 4 A gressão. 213. 235. 35-36. 151-152.2 1 7 . 205-206 A m nésia. 20.2 5 2 A fogam ento. 150. 169. 2 8 1-282.2 6 7 A parth eid. 291. 264. 237-238. 234 A feição. 125. 223-224 A gressão induzida por punição. 147-148 A cesso negado. 130. 278-279 Á guias. 170 .índice remissivo Abuso: do idoso (idosos maltratados). 222. 45-46 Anorm alidade fem inista. 149. 260.2 1 6 . 147-148. 227 Am érica Central. 168. 276 A ids. 268-271 controle de. 180-181. 105 e coerção.2 5 1 . 104. 220-225. 209-210. 111-112 África do Sul.

89 Autoconfiança. 241. 30 Bom beiro. 287 Campo de concentração.. 155 Camisa de força. 161-162 C asos m arginais. 259 A u dições públicas. 66. 3 7 -3 8 .2 2 3 -2 2 4 -2 7 6 A utojustificação. 125. 247 Comportam ento incipiente. 243 Autômato. 259 M urray S id m a n Campeonato de futebol am ericano. 110. 247 A utodesprezo. 50. 109 Cohen. 90 A uto-alim entação (com er sozinho). 239 Comportamento com plexo. 127 Coerção: e controle. 154 lixo. 34-39 ver tam bém A m biente hostil da sociedade. 84. 154 Compartilhar. 107-108.294 Ataque. 250 A utodefesa. 179-197 v er tam bém Desordens com portame itais . 189 A utom óveis. 253-254 Casas de repouso para idosos. 245 C oerção eclesiástica. 220 Batedores de carteira. 89. 188. 144. 111-112. 233 Atraso de gratificação. 78. 119 Chefão. 252 Bode expiatório. 17.2 5 2 Atôm ico: exp losões. 212. 183 Censura. 49 e suas conseqüências. 245. 237-238 Com petição. 245 A uto-interesse (interesse pessoal). 276 Ataques cardíacos. 104. 145 Comportam ento. 209-210. 198-19. 57. 89. 44 -6 4 definição da. 139 Choro. 159-164 Caixa de Pandora. 34-35. 256-257 A uto-controle. 95. 132. 4 0 cidadãos de. 213. 48.1 5 0 . 280 Autocorreção. 280 Auto-restrição. 65 v er tam bém Nuclear A tos de D eus. 235. 238-239 Birra. 65. 202.2 0 8 . 1 0 5 . 197. 1 5 5 . 175. 150. 242. 1 5 0 -1 5 1 . 253-254 Bandeira branca. 288 Autocom portam ento injurioso. H . 33. 114-115. 166-167. 245 C lasse parasita. 93 C ódigos de conduta. 217 A uto-engano. 106-107 Cientistas estranhos ao serviço. 237-241 Casam ento(s). 234 Chefe. 51 desordens do.278-279 Ciúm es. 166. 217 Choques futuros. 250 Bem -estarism ó de estado.9. 235. 221.2 6 3 C olesterol. 95 Choque eSetroconvulsivo. 241 Caridade. 226-238. 21 C ela acolchoada. 267 B oston.L . 117. 137-138. 154 Atenção. 159 Caridade não-contingente. 173. 160-161 Campo de concentração/nazistas.2 5 1 . 168 A utism o. 266 B ebês. 220. 198-199 Chapéu de burro. 239 -2 4 0 C lasse trabalhadora. 147-148 A vós. 77. 108. 216 Barras de mordida. 214 A uto-abuso. 56. 39-43 v er tam bém Comunidade hostil C oercedores condicionados. 203 Comportamento inflexível. 95. 185. 213 macaco lfder. 268 Boston Com m on. 259 Celibato. 51-62. 176. 221 Bom ba atômica. 239 -2 4 0 C ódigo de Hamurabi. 17. 288 Certo e errado. 184 Autodestruição. 110. 194 Cadeia. 2 3 9-240. 57 da natureza.133-134. 246 A uto-respeito. 226. 243.

190 Curiosidade.259 .122. 179-197 amostra de. 120. 263 punidores. 244 Contra-reação. 203. 223-224. 284-285 Depravação.2 3 6 . 187-189 Comunidade mundial. 235. 285-286 Curandeiro. 241 compartilhar. 183. 289.258 295 Contramedidas. 283 Corretores. 223-230. 237-238. 248 Crise de gerenciamento.265. 162-163 Depressão. 151-152 Controle de peso. 278-279.267 Crença e Consequências.50 patologia do. 156 Delegação de responsabilidade.227. 223-224 Contracoerção. 250 molestadores de crianças. 143 Cooperação. 155 Consciência. 181-182. 2 0 7 . 193-196 Conduta patológica.266 prevenção. 242 Conduta anormal. 262 reabilitação.2 1 2 -2 1 4 .236. 154. 40. 212 Corrupção.210-218.288 Contracontrole.198-199. 243.236. 251 Dar não-contingente.236.169. 282-283 Comunidades marginais.149.202. 74.207 ver também História comportamental medido pela frequência. 181-182 ver também Terapeuta comportamental Compulsão de lavar as mãos.75 modelagem do. 278-279 Dar não-condicional.143.167 Comunidades Utópicas. 280 Cúpula. 262 criminalidade. 115-116 Demandas inatingíveis. 190 Curas milagrosas. 195-196. 248 Controle verbal. 238-239. 102.Coerção e s u a s im plicações história do.2 4 5 .197. 132 Democracia participativa. 115-116. 2 2 2 . 103 Consequências: acidentais.292 ver também Tecnologia do ensino terapeuta do. 277. 254. 204-205. 168. 49.290 Confinamento em solitária. 222 Contra-atrocidade. 224-225. 77.2 6 6 .195-196 Conferencistas.223-224. 197-206 Consequências atrasadas. 110.226. 76-79 Contingente: dar. 251 Criança(s)-problema: 52. 278 Controle de multidões. 276.283 Corpo de Paz. 179. 151-152.2 5 1 abuso contra a criança. 89. 84. 69. 291. 63-64. 193-196 Crucificação. 278-279 Contra-ataque induzido por punição. 198-199.145. 152-153. 285-286 Contraviolência. 78 Criatividade. 166-167 D ados. 221. 203.2 4 4 . 152-153 Criança Mimada.153. 203-204.2 3 3 . 78 Crianças/filhos. 94. 142. 82-83 criminoso(s). 152.2 5 0 .278-281.245. 282-283 Contra-Agressão. 144. 260 tecnologia do. 114-115 Critérios estatísticos de anormalidade.283 Crime. 277-278 Deformidades. 194. 161. 186 Compulsões. 278-279 apoio. 128 Crescimento Populacional. 234 Conflitos convencionais.184. 144. 117. 111-112 generalidade do controle das. 261. 170 Departamento de estado.154. 157. 237-238 Consequências naturais. 285-286. 195-196 terapia infantil.2 4 5 . 263 Contra-infração. 132 Cuba. 228. 127. 255-256 Conflito. 271-272. 267.177-178. 166.

292 D iscovery. 152-153. 234 Dissidentes.rtuma. 139. 1 2 5 . 47 da educação. 131 D uplo padrão. 204-205 Econom ia.2 3 7 -2 3 8 . 117.2 8 1 -2 8 3 Esteróides anabolizantes. 288 Educação. 292 D esligando-se. 248. 124. 130 Ditadura.ie. 131. 9 2-94. 136. 143. 186 Desordens de ■onversão. 130 D essen sibilização sistem ática. 256-2 57. 170 Desistindo. 226. 222. 189 Diplom acia. 40.2 5 3 -2 5 4 Expectativa. 177-178. 122. 1 6 7 . 67-68. 266. 205-206. 109. 142. 242 Europa. 124. 260. 222. 232 F ísicos. 227. 66.176. 267 viciado em . definição de. 120. 140. 253 -2 5 4 cultura da. 155. 217 Falência. 111-112. . 224-225 Escrever/escrita. 219. 217 Fischer. 123. 291. 224-225. 291 ■Ensinar. 131. 280. 123 para os retardados. 120. 168. 149 Entrevistas de em prego. 159 e reforçamento negativo. 109. 143. 155 Esclerose múltipla. 79 D isposição hereditária.. 41. 111-112. 21. 142 Experimento. 262. 190 Déspota(s). 288-292 Efeitos colaterais. 2 2 4-225. 229. 118. 158-162 Esquizofrenia. 191. 248. 112 F em inism o. 175. 135 do inevitável. 40. 291-292 Espancar/espancamento. 118-134. 161-162. 255-256 Extinção. 120.2 1 8 . prestação pública de Contas. 239 -2 4 0 Estados Unidos.2 4 9 Editores. 291 Fadiga de com bate. 125 D ocilidade. 161-162. 1 7 7 -1 7 8 . 31. 176.2 5 9 . 147-148. 147-148. 263 Filosofia. 261 Enurese r. 1 4 4 . 1 5 5 . 192 Filipczak. 102. 31. 177-178 Droga(s).2 1 0 -2 1 1 .inteligibilidade (supervisão pública. 190 M u rra y S id m a n E scola(s). 194 Filho pródigo. responsabilidade pública). 288. 104 Envolvii. 150-151 Energia. 120. 141. 158 demonstração de laboratório de.2 6 6 abuso de. 69-74 Explicabilidade . 152-153 Ensinar sem erro. 254. 246. 154. 258 Dom inação. 231-2 33. 280. 2 16. 292 Entradas/multas. 135-178 extinção automática de. 190. 150-151 E sposa espancada. 248. 31.1 4 5 Esquiva. 109. B oby. 2 4 9-250. 160-161. 41. 35-36. 253-254 Empregadores. 222. 2 6 7 . 34-35. 157. 282-283. 267 E xcesso de trabalho/trabalho em excesso. 161-162. 2 2 7 . 261. 158. 195-196 Estado do bem-estar. 106-107. 166. 292 E m oção(ões). 219. 230 Fam ília. 142.296 Desengajam ento. 120. 103. 156. 149 D otação. 144. 247. 202. 229. 156 Estresse. 120. 255-256. J. 150 D ivórcio. 154. 144. 276-288 D isciplina. 228 . 163. 192. 179-196. 250-254 Fanfarrão da vizinhança. 109.’ . 69. 292 de educação. 113-117 D eslocam ento 185. 162 D oença mental. 235. 260. 147-148 Esquiva não-sinalizada. 147-148. 2 20. 93. 119 Fingim ento. 181-182. 147-148. 162-163 vandalism o. 47. 100 Especialistas em esquiva.102.to limitado.2 1 7 . 189. 273. 139. 121-123.

222 . 65. 66. 243 K eller. 250. 198-199 Fuga e esquiva. 254 H ospitalidade. 248 G êm eos idênticos. 287 sem inários. 261 Líbano. 110 burocracia. 214.2 1 3 . 176 administradores de.2 5 4 -2 6 0 Intelectuais. 1 4 3 . 1 7 7 -1 7 8 . 179-182. 226. 214 exército. 169. 172. 179 Fobias.1 7 5 . 147-148 Forças armadas. 160-161 Jugular. 277-278 Guru. 161-162. 174.2 1 5 . 129 Julgamento pelo júri. 76 Herança. 147-148. 147-150.C oerção e s u a s im p lica çõ es Fobia de altura. 189. 1 1 5 -1 1 6 . 253-254 Idosos. 2 8 1-283. 270-271 infratores da lei. 212. 284 Fumar. 125. 2 2 2 . 214.. 285-288 Gravidez. 79 L aranja m ecân ica . 131 H ippies.2 9 1 Fraude. 291 Hamlet. 113 Fuga. 218. 265. 35-36 Hiperatividade. 285-286 com unidade artística. 170 Idoso(s). 150-151. 243. 127 Israel. 161-164. 249 Form ação de reação. 189 Hipocrisia. 284-285 relações. 2 3 8-239. 177-178 para os mentalmente doentes. 265. 283 instituto.4 7 . 163-164. 228. 265-275 lei e ordem. 260 Hipocondria. 127. 166-167 H abilidades cognitivas. 115-116. 263 Instituição(ões). 283 Internacional: negócios. 195-196 F ogo do inferno. 132. 283. 261 Indústria do turismo. 287 v er tam bém R eligião Im unologistas. 291-292 L ago dos cisnes. 122. 222-225. 228 Incesto. 263. 179 Fobia de multidão. 244 Guerra limitada. 3 1 . 120. 242 G overno. 283 Guerra(s). 244 Incom petência. 245. 228. 179-182. 163-164. 1 7 3 . 171 Justiça. 154 Histeria. 175. 129 v er tam bém Crianças da paz e do amor H iroshim a. 190 H ollyw ood. 222. 244. 124. 169 Freud. 162-163. 254 297 cumprimento da lei. 2 3 8-239. 127. 195-196 H ospitais. 179. 172 Infratores juvenis. 227. 170. comparação de. 81-82. 222. 276. 115-116.2 4 8 Influência política. Sigm und. 277-278 Irã. 204-205. 2 16. 31. 265 Leitura. 284-285 Humanitarismo. 241 Humilhação. 92. 213. 124. 40. 261. 234 Hibridização de plantas. 287 Indústria. 156. 190-192 Fulbright. 284-285 Intimidação mútua. 4 5 -46 Lei. 248 Gagueira. 267.F red S. 236 sistem a legal. 213. 95 H om ossexualidade. 237-238 Judeus. 135 Fuga irreal. 119.2 1 2 . 255-256. 280-282 finais de futebol. 215 Igrejas. 262. 216 Juízo Final. 181-183 Fracasso. 174 v er tam bém M ilitares Formação de conceito.

93. 48. 229. 66. 130 M odelagem . 176. 69 energia. 40. 127. 285-286 inépcia. 4 2 -4 5 . Í49 Linguagem . 210-211. 155 deposição de lixo. 244 moral. 214. 253-254 Palpitações cardíacas. 195-196. 115-116. 175. 194. 105. 93 Morte. 128 Manutenção da paz. 90 M ecanism o de rendição. 132 M asoquism o. 194 Lourdes. 202. 142. 194. 154. 198-199. 2 12 M ídia. 155 O bsessões. 216. 17. 211-21% Paraíso. 193. 265. 158. 184. 233. 128. 120.. 173. 261 Líbano.2 5 0 Pecado. 110. 177-178. 223 -2 2 4 O besidade. 149. 210-211 Lixo radioativo. 282 orçamento. 4 0 mercado livre. 149. 249 Linha de base. 280 Norm atização. 232. 65. 276. 236. 155 intimidação. 2 1 0 -2 1 1 . 233-235. 169 Padrões. 212.204-205. 122. 265 Pais. 199 Percepção. 154 Natureza humana. 143. 117 destruição. 123. 174 psiquiatras. 213. 236 Moralidade. 281. 35-36. 222. 140-144. 245 postura moral. 163-164. 265 Leitura. 2 0 4-205. 289-290 Nuclear: chantagem. 249. 123. 173. 222 Liberdade. 254. 242. 216 M ecanism os de ataque inatos. 177-178 entradas grátis. 217. 217 Ministro da Educação. 146. 2 7 8-279. 210-211 . Martina. 244. 243 Nagasaki. 69 Padrões de ação inatos. 132. 2 0 6 .2 3 6 . 276*281 M arketing . 85. 271-272 Limpar-se (autista). 187-189 Oriente M édio. 232 N egócios. 84. 277-278 conselheiros. 221 M ecanism os de defesa. 278-279 Monte Santa Helena. 39 Notas “ pela curva” . 243. 265 Natureza. 66.'. 236 L os A ngeles. 247 dilem a moral. 237-238. 190-193 sistem a legal. 149 Lim peza. 127. 82-83. 130 M obilidade ascendente. 51. 168. 277-278 desarmamento. 174 M orfina. 67-68 Lógica. 243. 169 ditadores. 227. 109 sistem a. 127 Paternidade. 287 M ilitar(es). 174. 276 suicídio. 234 Navratilova. 124 Minoria branca. 212. 229. 133-134. 277-278 desastre. 155 arsenal. 244 pena de. 209-213. 281-282 M inorias. 267 M ercado. 234. 131 Perda de memória. 230. 280 M edo. 222. 250 Nicarágua. 251.98 1J M urray S id m a n e ordem. 110. 173. 208. 51 Padrões éticos. 223-224 livre empresa. 1 2 5 . 222 bases. 35-36 explosões. 156 M édicos. 195-196 Medalha olím pica. 208 livre com petição. 203. 176 Martírio. 47. 166. 218 Paradoxo da esquiva. 277-278 defesas. 180-181 Pânico.

136. 59-61. 136 demonstração experim ental do. 242. 181-1182 Pré-requisitos. 4 0 . 270-271 prática. 193 Personalidade psicopata. 147-148. 144. 85 número de. 111-112 e mudança comportamental. 223-224 Pôr a boca no trombone. 185 Prática incorreta. 141. 142. 105.2 1 9 P ersistência. 194. 2 0 3-204. 100. 192. 168. 2 1 6 . 103. 193. 207. 125 rem édios psiquiátricos. 203 -2 0 4 Personalidade. 147-148. 22 f. 114-115 Policia. 236 uniforme. 194 Punição capital. 258 econôm ica. 2 5 6 -2 5 7 . 160-161. 261 guardas penitenciários. 110. 140. 82-83 extrapolações da. 71. 150.Coerção e s u a s im plicações Perdedores. 89. 105. 255-256. 215. 254. 87.26.2 1 2 . 215. 273 responsabilidades. 80 duração de. 168. 119. 110. 151-152. 222. 30. 9 8 -9 9 . 255-256. 190. 74. 170. 236. 224-225 Professores. 163-164. 245 Punição condicionada. 228. 72 -7 4 generalidade da. 81-82. 193. 261 de alim ento.4 1 . 214. 241 Poliana. 288-292 professor substituto. 192. 273 estadual. 256-259 socialm ente im posta. 110. 80 e controle.2 0 9 -2 1 0 . 195-196. 161-164. 9 5 . 2 6 3 -2 6 4 Psicanalista. 212 casualidades psiquiátricas. 238-239. 141 Pressuposto de culpa. 88-90 . 268 Política. 82-91 intensidade. 194. 2. 266 Princípio norteador. 2 45. 203 -2 0 4 299 p sicólogos. 213. 149. 184. 247-249 Prisão. 98-101 Punição corporal. 176. 222. 31. 168. 216 doença psiquiátrica. 53. 254 Psiquiatria. 292 Punição não-contingente. 176 revolta. 265-275 associações atléticas. 49 Pressão sangüínea. 130 Privação. 249. 1 5 0 -1 5 1 . 276 População cativa. 255-256 Problem as desenvolvim entais. 144 Personalidade múltipla. 219 psiquiatras. 1 4 6 -1 5 1 . 80 definição. 87-88 transformação em reforçamento positivo. 121-124. 85 estudos experim entais. 172. 243. 140. 263 guardas. 281-282 Período seguro. 22-26 supressão temporária por. 232 P rocessos internos. 173 Prazer/satisfação. 173-176 Pornografia. 271-272 serviços. 291 Pressão à barra (ritualístico). 268. 83. 255-256 ge-enciam ento. 74-79 Pobreza. 165. 180-181. 203 Pesquisa de laboratório: vantagens da. 244 Prazeres mundanos. 249. 234-236. 177-178 Projeto de dem onstração. 261 Privacidade. 26-2 9. 280 P risioneiros. 129 P sicologia. 226 Prisioneiros políticos. 119. 142 Produtividade artística. 92.2 1 3 . 271-272. 144. 242. 47. 255-256. 222 Pom bas. 263 Privação em ocional. 283 Professor(es). 243. 250. 226. 169.9 5 . 222 Poluição. 261 -2 6 4 instituições correcionais. 168 P olíticos. 72. 85 com o um princípio de m anuseio (controle) do com portam ento. 161-162 Punição(ões): acidental. 97. 147-148. 21. 128. 224-225.

54 inconsistente. 54 contingências de. 108-109 Reforçamento. 82-83 trabalhadores. preferência. 105. 244 Resolução interior. 132.nanos. 238-239 Reféns. 162-163 Sujeitos não-hu. 147-148 estatísticas. 149. 161-162. 2 2 1 . 125-129. 247 v e r tam bém Efeitos colaterais Sufrágio universal. 170. 269. 208. 6 9 .ção. 214 Subornos. 270-271. 151-152. 61. 127 pressão. 142 Serviço do júri. 243. 238-239 Redistribuição de riqueza. 43.7 7 . 156 Roosevelt. 95-97 e recom pensa.300 Quím ica do corpo. 53. 141. 150. 170 Sublim ação. 8 9 .2 3 7 -2 3 8 Social(is): darwinism o. 194 Rebelião. 53. 195-196. 114-115 Secreção glandular. 183. 166 Regras. 40 Relações de equivalência. 226.2 0 9 -2 1 9 Skinner. 260 Religião organizada. 259 Restrição química. 186. 184 Subm issão. 151-152. 42 Rússia. 222. 172. 52-55 artificial. 146. 170-172 Sexual: coerção. 226 esquiva governada por regras. 187 Relação proprietário-inquilino. 194 Sair de m ansinho.1 1 7 . 110-112 Reforçamento positivo e negativo. 255-256 Sociedade agrícola. 287 Reforçador positivo condicionado: demonstração experimental de. 273 forças. 202 Shelley.2 1 4 . 280 M urray Sidm ari Sábio idiota. 234. 160-161. 183. 95 Reformatório. 168. 236. 263 e crenças e percepções. 262 Regime. 203. 129 Sibéria. 58. 106-107. 254 Sentim entos. 125-129 Religião. 2 0 0 -2 0 3 . B. 244 Ritual(is). 30 . 219 Represália e retaliação. 183. 223-224. 147-148. 169 experim entação. 77-79. 137-138. 168. 149 justiça. 174.142. 171 Suicídio. 169 Senilidade. 203-204.! 37-138 Regressão. 274-275 grupos. 150 Siibcuitura. 87. 249 Remédios farm acológicos. 291-292 Sobrem esa. 227. F. Franklin D-. 141 Segunda revolução americana. 97-99 Reforçamento negativo: e aprendizagem . 131 Redes de segurança. 179 R aciocínio circular. 44-45. 243. 259 v e r tam bém Drogas Retardamento. 130. 141. 133-134. 181-182. 166 Restrição física. 254-259 ! ■ Retribuição e revancht. 55-58 e pur. 234 Roleta russa. 170 molestadores 195-196. 261. 227. 41 não-envolvim ento. 92. 157.. 125-126. 205-206. 226. 29. 170 ostracismo. 55. 54 positivo e negativo. 136. 172 ciências. 136 Sinal de aviso.2 2 3 -2 2 4 . 59 e prazer. 226. 149. 53. 274-275 estatura.1 5 6 . 176. 213. 243 Sexualidade. 2 0 3 -2 0 4 . 237-238. 150 Sobrevivência. 253 -2 5 4 Sinal de aviso condicionado. 107-110 e punição. 173 Sinais de perigo. 1 3 7 -1 3 8 . 267 Subprodutos. 1 7 .

245 Visão do túnel. 285-288 Time-out.Coerçãoe suasimplicações Superego. 176 Vida adulta.75 Vandalismo.2 0 3 . 222 demonstração experimental da. 127. 198-199. 45-46.266 Terapia.115-116. 190 Trabalhador(es). 40. 107-108. 259-260 Tirania. 170.202. 125 Tribunais. 7 8 .2 4 4 253-254. 238-239 Vendedores. 208-219.204-205. 194 U so indevido da privação. 244 Troca de cidadãos.129.1 4 7 -1 4 8 .1 4 2 .236. 234-236. 25. 31. 141 Televisão. 125-126.212. 249 aversiva. 156.147-148. 248 Validade Aparente.1 2 8 .2 0 4 . 110.149. 221. 150. 255-259 301 Vida após a morte. 107.244. 177-178.226 229 Toque de cura. 155. 127. 40.223-224. 227. 93 Taxa Cardíaca.1 2 5 . 3 9 .273 Voz interior. 284-285 Tumores de mama. 150 Vida após a morte. 208-211 Tabaco.171. 43. 267 Terrorismo. 74. 109 Votar. 157 Supressão Condicionada.156. 241. 203-204 .2 0 7 . 205.152-153.1 8 8 . 110 Universidades.235.108 Vencedores. 222 Terceiro Mundo.1 7 2 . 111-112. 127. 125-126 Vingança. 151-152 Vida eterna. 198-199 Superstições. 248 Tumover.213 Treino de habilidades. 204. 176.207. 278-279.248 Talidomida.

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