RESENHA : IANNI,Octavio. A Sociologia e o mundo moderno. Tempo Social; Rev. Sociol. USP, S. Paulo, 1(1): 7-27, 1.sem.

1989 Ademir Oliveira Souza Filho – 21000766
O referido ensaio analisado nesta resenha, de autoria de Octavio Ianni, nós dá um panorama sobre a sociologia e como que se deu a sua construção como disciplina e referência para termos uma noção das várias conjunturas que constróem nossa realidade, seja ela no campo material, intelectual ou social. Pode-se afirmar que o seu nascimento não foi por acaso do destino; e sim por uma série de fatores e processos que inevitavelmente convergiriam para um estudo do que estava acontecendo. Por que amplas revoluções sociais, filosóficas, cientíticas, econômicas e culturais estavam acontecendo? Como que a modernidade ocupou o papel de estruturar nossas vidas, quebrando barreiras geográficas e culturais? Como que podemos explicar as transições de uma vida campestre e servil para uma industríária burguesa? Essas foram só umas das perguntas que norteariam o que viria a ser o pensamento sociológico. Ianni apresenta os primeiros homens que pensaram sobre a sociedade, e que depois iriam ser considerados como precursores da sociologia, devido à identificação com os seus estudos: Rousseau, Locke, Montesquieu, entre outros. Outro ponto ressaltado foi que a preocução com a validação do conhecimento criado sempre foi presente na construção do saber da realidade social. A sociologia possui um grande diferencial: desde seu nascimento, o pensamento sobre si própria sempre aconteceu e semrpe norteou seus estudos. Uns tomaram referência nas ciências naturais; outros criaram um viés próprio, advindo do próprio objeto estudado. Ianni divide as inúmeras tendências, correntes e teorias em três campos. Causação funcional, conexão de sentidos e contradição. Mesmo assim, todas elas possuem um princípio básico: tentar explicar, analisar, compreender e responder às crises e funcionamento da realidade social. Ressalta inúmeras vezes a última, que exalta como sendo a reveladora, a que mostra todas as chagas e desigualdades sociais; a que traz consigo as ferramentas de revolução social, a que mostra a face nua e crua da ''missão civilizatória do capital''. O texto também apresente os inúmeros temas que compõem o campo científico da sociologia: processo e estrutura, ideologia e utopia, multidão, burguesia, capital, sociedade civil, estado nacional, socialismo, comunismo, capitalismo, classe social ,modernidade, entre outros. E vários estudiosos criaram teorias diferentes sobre cada tema. O último termo nos traz um dos maiores desafios da realidade emergente. Octavio Ianni chama a atenção para pensadores que se preocuparam em criar uma trajetória para explicar o fenômeno, como Rousseau e Locke. Também as palavras ''ordem e progresso'' tiveram uma atuação marcante no pensamento do século XX. Positivistas criaram um caminho a ser continuado por todos, rumo ao desenvolvimeno da humanidade. E mais tarde, autores como Weber marcaram a sociologia desconstruindo a modernidade e baseando-se na ideia do desencantamento da mundo para explicar as problemáticas da chamada ''ilusão'' moderna. Uma das tentativas interessantes do autor foi a introdução da ideia de que todas os modelos e teorias que tentam explicar, compreender e responder aos questionamentos da vida e do mundo moderno terminam por constituir um drama. O drama social. A epopeia da sociologia na sua busca por respostas para explicar o passado, entender o presente e recriar o futuro. E os vários atores dessa grande espetáculo, como Weber, Durkheim e Marx. À este último, tem um papel indiscutível na criação desde ensaio. Ressoa as ideias deste autor do século XIX em todas as páginas. É um tanto quanto demasiado, e termina por criar uma imagem messiânica do companheiro de Engels. Finaliza seu texto com termos marxistas e o exalta no final como sendo um ''profeta iluminado''. Mas sua narrativa, mesmo um tanto tendenciosa, nos dá um horizonte inicial de pensarmos a sociologia como ferramenta fundamental, e que sem ela, como disse Ianni, '' o Mundo moderno seria mais obscuro, incógnito''.

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