You are on page 1of 20

INCLUSÃO ESCOLAR DOS ALUNOS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL: UM ESTUDO NA E.M.E.I.E.F.

“MADRE CARMELA DE JESUS” 1

Júnior César Sidicleia Soares Santos3

2

RESUMO
O presente artigo pretende tecer uma discussão sobre o processo de Inclusão Escolar dos alunos com Deficiência Intelectual matriculados no Ensino Regular, enfocando quem são estes alunos e remeter à reflexão sobre este espaço educacional que os acolhe com o objetivo de criar condições de permanência no ambiente escolar. A Inclusão de alunos que apresentam necessidades educacionais especiais, vem mobilizando a sociedade e toda comunidade escolar frente a este novo paradigma, onde todos os alunos devem estar incluídos na sala de aula comum do ensino regular. O documento apresenta uma mudança conceitual para referendar o contingente de alunos caracterizados como da “educação especial”, bem como, lança as diretrizes para a educação especial, dentre elas, para implementação e funcionamento do Atendimento Educacional Especializado (AEE). Após analise no plano teórico, legal e conceitual, objetiva-se apresentar como estas modificações vêm acontecendo no contexto da Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental: “Madre Carmela de Jesus”.

PALAVRAS-CHAVE: Deficiência Intelectual; Política Nacional de Educação Especial; Atendimento Educacional Especializado; Formação de Professores ABSTRACT

This article aims to weave a discussion of the process of school inclusion of students with intellectual disabilities enrolled in regular education, focusing on who these students and refer to the reflection on the educational space that welcomes the objective of creating conditions of stay in the school environment . Inclusion of students who have special educational needs are mobilizing society and the whole school community towards this new paradigm, where all students should be included in the ordinary classroom of regular education. The document presents a conceptual shift to endorse the number of students characterized as "special education" as well as lays the guidelines for special education, among them, to implementation and operation of specialized educational services (ESA). After analyzing the theoretical, legal and conceptual aims to present how these changes are going on in the context of the Municipal School of Early Childhood Education and Elementary Education, "Carmela Mother of Jesus."

KEYWORDS: Intellectual Disabilities, the National Policy for Special Education, Educational Services Specialist, Teacher Training

1

Artigo científico apresentado ao curso de Especialização em Educação Especial e Inclusão Social, como requisito parcial para obtenção do Título de especialista. 2 Professor Orientador MSc. Júnior César - Docente das Faculdades Integradas de Ariquemes 3 Graduada em Pedagogia pela Universidade Federal de Rondônia/2007.

4

INTRODUÇÃO

A inclusão educacional é um direito do aluno e requer mudanças na concepção e nas práticas de gestão, sala de aula e de formação de professores, para a efetivação do direito de todos à escolarização. Fundamentado na Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, este trabalho tem como finalidade apresentar e discorrer sobre a temática da inclusão escolar do deficiente intelectual, analisando aspectos como o Atendimento Educacional Especializado, a Formação do Professor e as Práticas Pedagógicas Inclusivas na Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental: “Madre Carmela de Jesus”. A escolha do tema surgiu pelo interesse em compreender como a escola tem se posicionado frente ao processo de inclusão das crianças com deficiência intelectual. Para tanto, optou-se pela metodologia do estudo de caso, com coleta de dados fundamentando, sobretudo, nos procedimentos trabalhados por Ludke e André (1986): a observação, a entrevista e a análise documental. A pesquisa foi realizada através da técnica de leitura analítica, com fichamento conceitual embasada na pesquisa qualitativa. As referências teóricas norteadoras desta investigação são embasadas no viés do sociointeracionismo, por entender que a Inclusão Escolar do Deficiente Intelectual é um desafio para o sistema regular de ensino, mas também é um agente histórico presente no contexto educacional e na sociedade. O trabalho foi fundamentado nas bases filosóficas que sustentam a ação educacional e os fatores determinantes do paradigma da Inclusão Escolar, fazendo

intelectuais. 1 EDUCAÇÃO ESPECIAL NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇAO INCLUSIVA O paradigma da inclusão educacional orienta o processo de mudanças desde a educação comum aos serviços de apoio especializados com vistas a promover o desenvolvimento das escolas. mas assegurar ao professor e à escola o suporte necessário à sua ação pedagógica. Devem acolher crianças com deficiência e crianças bem dotadas. constituindo um paradigma educacional que conjuga igualdade e diferença como valores indissociáveis. crianças que vivem nas ruas e que trabalham. não deve significar simplesmente matricular no ensino regular as crianças com deficiência. De acordo com a Declaração de Salamanca (BRASIL. na organização e implementação de serviços e nas caracterizações dos alunos que compõe este universo. traçando um paralelo comparativo entre os fatores socioculturais e pedagógicos determinantes no processo de inclusão escolar do deficiente intelectual. 1994). a inclusão é um desafio para a o sistema de ensino. emocionais. no que tange à formação de profissionais para atuarem na área. definida pela garantia do direito de todos à educação e pela valorização das diferenças. A nova Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva enquanto política pública tem sustentado novas delineações no campo da educação especial. Para impulsionar tais mudanças a Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva fundamenta-se na concepção de direitos humanos.4 abordagem interpretativa entre o referencial teórico e os dados apresentados na pesquisa. alem do mais tem se configurado uma tendência na consolidação de teorias que se baseiam numa visão mais integradora do ser humano em favor da diversidade. para além da igualdade de oportunidades. uma vez que estabelece que o direito à educação é para todos e não apenas para os ditos “normais” podemos observar no trecho abaixo que : As escolas devem acolher todas as crianças. crianças de populações distantes ou . constituindo práticas pedagógicas capazes de atender a todos os alunos. lingüísticas ou outras. sociais. independentemente de suas condições físicas. O ato de incluir.

A escola. sempre que possível. o desafio para uma escola inclusiva é o de desenvolver uma pedagogia centrada no aluno. classifica ou segrega indivíduos. crianças de minorias lingüísticas. como o currículo escolar. em horários estabelecidos de acordo com critérios de planejamento do professor especializado. de modo a romper com uma série de valores que tornavam intocáveis os elementos da sua organização. a escola inclusiva é aquela que não elege.CNE estabelece Diretrizes Operacionais para o AEE na Educação Básica. 1994). os quais podem colaborar nos serviços de apoio. o Conselho Nacional de Educação. ou seja.1 ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO (AEE) PARA ALUNOS COM DEFICIÊNCIA Com vistas a orientar a oferta do atendimento educacional especializado em articulação com o ensino regular. necessita de grandes modificações. Daí resulta alguns aspectos fundamentais para a construção da escola inclusiva. devem aprender juntos. independentemente de suas capacidades. incluindo aqueles com deficiências severas. também necessita expandir seus limites para além dos seus muros. Portanto. étnicas ou culturais e crianças de outros grupos ou zonas desfavorecidas ou marginalizadas. para ser inclusiva e conseguir concretizar as metas a que se propõe. uma pedagogia capaz de educar com sucesso todos os alunos.5 nômades. a partir da colaboração da comunidade e dos pais e da eliminação de barreiras arquitetônicas e atitudinais. realizado no turno inverso ao da classe regular.1994). a Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva deverá ser oferecida através do Atendimento Educacional Especializado – AEE nas salas de Recursos Multifuncionais. ao fomento de redes de apoio. mas que modifica seus ambientes. tais como: a flexibilização do currículo para atender à diversidade. 1. com vista apoiar a ampliação oferta de vagas e promovendo o processo de inclusão escolar das crianças com deficiência. trazendo para seu interior os pais dos seus alunos e a comunidade a que pertence. A Declaração de Salamanca defende a idéia de que todos os alunos. atitudes e estruturas para tornar-se acessível a todos. De acordo com a (UNESCO. por meio da .(Salamanca.

que dispõe sobre o atendimento educacional especializado. o ensino de linguagens e códigos específicos de comunicação e sinalização. Esse atendimento complementa e/ou suplementa a formação dos alunos com vistas à autonomia e independência na escola e fora dela. (. 2008). porem é necessário que os pais ou responsáveis e/ou pelo próprio aluno aceite. É importante esclarecer que esse atendimento refere-se ao que é necessariamente diferente da educação em escolas comuns e que é necessário para melhor atender às especificidades dos alunos com deficiência. O Decreto 6. elabora e organiza recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena participação dos alunos considerando suas necessidades específicas.FUNDEB ao atendimento educacional especializado. não sendo substitutivas à escolarização.. Será . 9394/1996.) Ao longo de todo o processo de escolarização. O AEE complementa a formação do aluno e visa a desenvolver a sua autonomia e independência na escola comum e fora dela. dentre outros. Aprender o que é diferente dos conteúdos curriculares do ensino comum.. As atividades desenvolvidas no atendimento educacional especializado diferenciam-se daquelas realizadas na sala de aula comum. A nova concepção de Educação Especial é uma das condições para o sucesso da inclusão escolar dos alunos com deficiência. esse atendimento deve estar articulado com a proposta pedagógica do ensino comum.571 de 17 de setembro de 2008. (SEESP-MEC. Ao longo de todo processo de escolarização. regulamenta o parágrafo único do Art. aprender o que é necessário para superação de barreiras. O Atendimento Educacional Especializado disponibiliza programas de enriquecimento curricular. destinando recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica . devendo estar disponível em todos os níveis de ensino.6 Resolução N°4/2009 que define o Atendimento Educação Especializado como um serviço da educação especial que: Identifica. 60 da Lei n. é um direito de todos os alunos com deficiência que necessitarem dessa complementação. esse atendimento deve estar articulado com a proposta pedagógica do ensino regular. ajudas técnicas e tecnologia assistiva.

não é aquele que ministra u m „ensino diversificado‟ para alguns. mas quando inevitavelmente se deparam com aluno com necessidades especiais na sala de aula justificam-se que não são capacitados para tal. Sabe que a formação é .AEE é um serviço da Educação especial que tem como objetivo eliminar barreiras que dificultem a participação dos alunos no ensino regular considerando as suas necessidades especifica. Enfim. e resistirem à inclusão.7 contabilizado duplamente no âmbito do FUNDEB. destaca Mantoan (2005. para não terem responsabilidade. pois é preferível não aperfeiçoar-se. Sabe-se que algumas atitudes do educador são fundamentais para que a inclusão ocorra de maneira satisfatória. Existe a preocupação em oferecer os cursos de Formação Continuada. já virou um dilema. O que se nota é que os professores nunca estão preparados. precisam realmente de uma boa formação para ensinar a qualquer um. mas aquele que prepara atividades diversas para seus alunos/as (com e sem deficiência intelectual).” Hoje. na perspectiva da educação inclusiva. “O professor. e saber que não existem receitas prontas para trabalhar com os alunos. a receberem alunos público-alvo da especial em sua sala de aula. p. ao trabalhar um mesmo conteúdo curricular. a questão de formação de professor para atender alunos com deficiência nas escolas regulares. tendo deficiência ou não. no geral. p. portanto cabe ao gestor da escola buscar alternativa e não esperar que as soluções venham de fora. mas o que observa é que muitos professores se recusam fazer. Além do mais. a responsabilidade é de todos.13). o atendimento educacional especializado . Os professores precisam ter consciência de que seu papel é ensinar. o aluno matriculado na classe do ensino regular público que tiver matrícula concomitante no AEE. 26): Os professores. 2 A FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES Segundo o MEC/SEESP (2007.

além disso. pois a inclusão vai. independente se o professor tem aluno com deficiência ou não. não basta que se preocupe apenas com a formação. É possível visualizar no contexto educacional que há preocupação sobre a ampliação dos serviços de Educação Especial. o forte investimento na formação continuada aos professores do ensino regular para a construção de práticas pedagógicas inclusivas que contemplem as diferenças e as especificidades nos processos de aprendizagem dos alunos. que serviu de fundamentação teórica ao trabalho.8 importante para tal processo. Vale ressaltar que a proposta de formação de professores do MEC é prepará-los para perceber a singularidade de cada caso e atuar frente a eles. mental/intelectual ou pessoa com surdez. através do trabalho intensivo de campo. bem como. visual. pois promove a aquisição de conhecimentos e a reflexão acerca do tipo de discurso que se produz na prática. mas. realizando uma análise a partir da realidade prática da temática em questão. isso requer muito estudo e reflexões diante desse paradigma. Para isso realizou uma pesquisa qualitativa que se desenvolveu em dois momentos: sendo o primeiro a técnica de leitura analítica. A Secretaria de Educação Especial (SEESP/MEC) tem investido em curso de formação continuada aos professores para a realização do Atendimento Educacional Especializado e também na sala de aula comum. contemplando a perspectiva sócio-histórica . 3 ASPECTOS METODOLOGICOS DA PESQUISA O presente trabalho teve como objetivo analisar o processo de inclusão escolar do deficiente Intelectual na Escola: “Madre Carmela de Jesus”. No segundo momento. Durante a pesquisa foi possível analisar o ambiente e a situação investigada. porem cabe aos mesmos terem consciência disso. algo essencial nesse processo. desenvolveu-se a técnica do estudo de caso que supõe ás características gerais da pesquisa qualitativa. A formação continuada do professor é sem dúvida uma das premissas fundamentais para que a inclusão aconteça de maneira satisfatória. com objetivo de capacitá-los para atender alunos com deficiência física.

adequações físicas e formação dos professores. pois realizou-se um estudo de caso com coleta de dados através da aplicação de questionários fechados aos professores e gestores da escola. Essa comparação foi possível. Para que a inclusão aconteça de fato. foi necessário conhecer as características da escola. A chegada desses alunos produz impasses no cotidiano escolar. destacando o conceito de inclusão escolar na visão de vários autores.E.F. procedeu-se a coleta de informações através de questionários fechados 4 de cunho pedagógico aos professores e gestores da escola pesquisada. teoria e prática.: “MADRE CARMELA DE JESUS. fazendo uma associação do pensamento desses autores com a situação real da escola pesquisada. Para analisar algumas implicações referentes à prática inclusiva na Escola: “Madre Carmela de Jesus”. além de averiguar as condições de vida das pessoas envolvidas.É preciso repensar as práticas pedagógicas. é fundamental que a escola tenha condições e que gestores professores e comunidade escolar estejam atentos a todos esses aspectos que são fundamentais no processo inclusivo. Os aspectos investigados serviram de subsídios para a constatação dos resultados finais da pesquisa.1 CARACTERISTICAS DA E. A pesquisa teve um caráter teórico-metodológico. As informações nesta seção estão dispostas em histórico da escola e apresentação dos dados obtidos durante a pesquisa. 4. Para isso.” 4 Pesquisa realizada com 29 % dos docentes. 4 PROCESSO DE INCLUSÃO DOS ALUNOS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUALUM ESTUDO DE CASO NA ESCOLA DE EDUCAÇAO INFANTIL E ENSINO FUNDAMENTAL: “MADRE CARMELA DE JESUS” A inclusão de crianças com necessidades educacionais especiais na sala de aula comum é um desafio para o sistema de ensino.9 uma vez que exigiu um contato constante com o dia-a-dia escolar.E. .M.I.

A escola possui uma estrutura de alvenaria. gestores. O espaço físico do prédio é inadequado. a sala mede 5 x 3 m e tem um banheiro interno. encontra-se situada na Avenida Presidente Médice. precisando de alguns reparos e significativa ampliação de suas dependências. dificultando o estabelecimento de suas medições e sua dimensão total com precisão. principalmente no que refere-se a acessibilidade. depósito. Partindo desse pressuposto.destacando as ações que estão sendo realizadas .2 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS Ensinar crianças com necessidades educacionais especiais ainda é desafio para o sistema regular de ensino. despensa. professores. alunos e pais. A Escola é mantida pela Secretaria Municipal de Educação. mas não tem seu projeto de construção. Apesar de todos esses fatores considerados negativos para um bom desempenho educacional. nº. mas a mesma é ocupada pela direção e supervisão. atende a Educação Infantil e 1º e 2º ano do Ensino Fundamental de 9 anos. uma sala para secretaria. banheiros masculino e feminino. Num contexto geral encontra-se em estado regular de conservação na sua estrutura. A mesma conta com 07 salas de aula medindo 6 x 5 m. há uma preocupação e um esforço muito grande por parte dos gestores e funcionários com a questão buscando recursos e pessoal de apoio que fazem da inclusão um projeto da escola. Todos os dias as crianças têm uma hora de recreação. foi criada pelo decreto nº1. 394 de 30 de abril de 2004. 4011 centro de Machadinho D‟Oeste. A Escola atende a trezentos e vinte e oito alunos e conta atualmente com vinte e um funcionários.10 A Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Funda mental: “Madre Carmela de Jesus. as crianças lancham na varanda da Escola (espaço aberto) e após o lanche brincar no pátio. RO. é fundamental refletir sobre o processo inclusivo na Escola Municipal “Madre Carmela de Jesus” em uma perspectiva sociointeracionista. possui uma cozinha. e cada dia duas professoras ficam responsáveis pelas atividades lúdicas. Participaram dessa pesquisa. estando apenas de certa forma consonante com as condições mínimas de funcionamento determinada pela legislação. 4. A instituição não tem refeitório adequado.

18% acreditam que por vezes a atenção devida aos alunos com deficiência prejudica o sucesso dos outros alunos da turma. Para 21% dos entrevistados as pessoas que defendem a inclusão educacional não estão preocupadas em melhorar a qualidade do ensino e 18% acreditam que os alunos com deficiência não se comportam adequadamente no ensino regular. 10% dos professores já trabalharam com alunos com deficiência auditiva. 21% confirmaram ter alguma formação em educação inclusiva. Os sete professores entrevistados são habilitados em Pedagogia. 16% deles tiveram contato com alunos com deficiência visual em sala de aula. tem entre dois a quinze anos de docência. mas. foi elaborado questionário. O relato será de forma sequencial. percebeu-se que tanto os gestores e a maioria dos professores. a partir das perguntas propostas nos questionários e nas entrevistas.2. apenas sete responderam o questionário. Ao serem questionados sobre o processo de inclusão do aluno com deficiência na rede regular de ensino. já 32% saberiam reconhecer todas as categorias de deficiência elencadas na pesquisa e 32% sabem definir o conceito de acessibilidade. Partindo das observações feitas. com vistas a abordar questões que contemplavam toda a problemática encontrada durante as visitas. 4. 22% dos entrevistados afirmaram conhecer o conceito de inclusão. demonstraram preocupação em receber crianças com deficiência na Escola. os gestores e professores foram questionados sobre o processo de inclusão na Escola. A Escola tem dezoito professores.11 em prol da inclusão escolar das pessoas com deficiência intelectual nesta instituição matriculada. a .1 A visão dos gestores e professores a respeito da Inclusão Educacional Após as observações necessárias. 10% declararam ter atendido alunos com deficiência física durante sua experiência profissional. e tem se dedicado ao máximo para atender todas da melhor maneira.

Considerando as exigências da Educação Inclusiva. Um dado bastante relevante . atividades e materiais diferenciados para o aluno com deficiência. desde que seja trabalhada a auto-estima. devido às dificuldades que enfrentam em uma classe de ensino regular. já 16% acreditam que atender alunos com deficiência no ensino regular não é benéfico nem para o aluno com deficiência. estas afirmações são corroboradas por 24% dos entrevistados que entendem que a inclusão desse alunado ocasiona mais problemas que benefícios. foi questionado se a Escola: “Madre Carmela de Jesus” tem respeitado essas exigências. 12% dos professores apontam para o grave problema de que não há investimento na formação dos professores.12 Todos afirmaram acreditar no potencial dos alunos. gestão e apropriação curricular. de que haja mudanças no sistema regular de ensino quanto à sua organização. O que se observa com base nos dados extraídos da pesquisa é que os professores acreditam na possibilidade de inclusão. Para 23% dos professores a escola não disponibiliza recursos materiais e humanos. nem apoio complementar para os docentes. pois este aluno apresenta potencial para aprender. desde que a escola e os professores estejam preparados para recebê-los. tanto de professores. desde que sejam oferecidas condições para tal. quanto de alunos. 24% dos entrevistados apontam para o fato de que os professores de ensino especial deveriam apoiar os seus colegas professores e não diretamente os alunos. nem para o aluno dito “normal”. A opinião dos entrevistados a respeito deste novo alunado foi à seguinte: 16% declararam que a presença do aluno com deficiência nas classes de ensino regular proporciona novas situações de aprendizagem aos outros alunos. Assim. Torna-se importante registrar que 23% dos docentes revelaram que raras vezes adotam estratégias. A estas informações soma-se 20% dos docentes que deixam claro que a aprendizagem acadêmica desses alunos ocorre mais lentamente.19% dos entrevistados entendem que a escola não tem respeitado a legislação e medidas alternativas previstas sobre a inclusão. apesar de 15% dos entrevistados declararem que a gestão municipal e administração escolar defendem uma política de inclusão. A estas informações somam-se as afirmações de 19% dos entrevistados de que não há atitude de sensibilidade por parte de alguns professores em receber os alunos com deficiência nas salas de ensino regular.

a Escola em análise neste trabalho recebeu nestes últimos três anos.F: “Madre Carmela de Jesus”. 4.I. quatro ainda permanecem na escola.M.2 Os alunos com deficiência intelectual em processo de inclusão Segundo os gestores.13 para a compreensão do problema suscitado na pesquisa é que 23% dos docentes declaram não ter uma prática pedagógica diferenciada. sendo: um PC (Paralisia Cerebral) um com (Deficiência Intelectual). para compreender como se dá a inclusão educacional na E. banheiros muito pequenos e sem barra de proteção. O foco será então no alvo da pesquisa. e a falta de cursos de formação de professores. mas devem ser transformados pela própria ação dos indivíduos e por sua própria produção de conhecimentos para a construção do processo educativo e social. Desses cinco alunos.E. e que foram muito bem aceitos pelos colegas. As dificuldades enfrentadas foram no aspecto físico do prédio escolar. cinco alunos com deficiência.2. que são os alunos com deficiência intelectual e deficiência múltipla. Assim. também vale ressaltar que 16% dos professores informaram que raras vezes tem a oportunidade de promover a aprendizagem e o ensino cooperativo. pensar uma escola inclusiva é entender que as ações pedagógicas devem atender a diversidade. Entre todas as dificuldades encontradas. um foi transferido para outra escola do Município.E. portas estreitas e outros. um com DMU (Deficiência Múltipla) e dois com SD (Síndrome de Down). Lamentalmente não são apenas os fatores elencados acima que marcam determinados momentos históricos. . reside na estrutura crítica da Escola. através da troca de experiências e partilha de valores e conhecimento. destacaram por ordem de relevância que o grande problema da inclusão educacional.

14 4. Fazem uso do transporte escolar para chegar à escola. o que se observa é que a mãe sempre foi muito presente em todo o processo e sempre buscou o melhor atendimento para seu filho. turma A. três vezes por semana e conta com atendimentos fonoaudiológico. A respeito da inclusão deste aluno.se a dedicação integral da mãe. com pai.APAE. ela permanece na cidade o dia inteiro. por vários quilômetros. pode-se vislumbrar o seguinte perfil: é uma família bem estruturada.2. o que vem gerando vários conflitos familiares. turma de Alfabetização – Atendimento Complementar. Essa é apenas uma das dificuldades. é do sexo masculino. Assim. o filho deficiente. por vezes esse trajeto é marcado por dificuldades extremas. a esta soma . a mãe cabe o papel de acompanhar o filho em todas as suas atividades e assim ela o faz. o que acarreta longas caminhadas a pé em que a mãe tem que carregar no colo. mãe e dois filhos que residem em um sítio nas imediações da cidade. Lucas freqüenta a Escola de Educação Especial: “José de Castro Pereira dos Santos” . Ele é um menino muito afetuoso com a professora e colegas. Tem boa motricidade. assim o fez há dois anos. mas nas atividades propostas é bastante lento. mas como qualquer outra criança quando contrariado demonstra agressividade. estatura normal . com base em entrevistas e relatos da mãe do Lucas. tais como: chuvas. isso fica claro quando ela relata que achava melhor quando ele freqüentava só a APAE. mas como foi orientada a matriculá-lo no ensino regular. não podendo se ocupar de seu outro filho. nem das lidas domésticas. onde a pai é o provedor do lar. turno vespertino. seu peso é considerado desejável para sua altura. Traçar o retrato familiar é importante para entender o comportamento e as características do aluno investigado. sendo assim nesses dias. psicológico e participa de atividades na piscina. que por três dias da semana tem que se deslocar de casa no período matutino para que o Lucas seja atendido na APAE. tem oito anos de idade.3 Retratando o processo de inclusão do aluno: Lucas Izé de Oliveira O aluno 1 estava matriculado no 1º Ano. . lamaçais e as péssimas condições dos ônibus destinados ao transporte escolar.

Ver Figuras 02 e 03 a seguir: . estatura normal. o que pode explicar seu comportamento. É do sexo feminino. ajudando com as tarefinhas. levando seu filho ao banheiro e alimentando-o no horário do lanche. vem de um ambiente totalmente isolado.2.15 No início do processo a mãe permanecia o tempo todo na escola.4 Retratando o processo de inclusão da aluna: Rhayane Stheffany da Silva Rhayne está matriculada no 1º Ano na turma A. inclusive em sala de aula. seu peso é considerado desejável para sua altura. tem sete anos de idade. Ela é uma menina extremamente tímida. turno matutino. porém participa de todas as atividades propostas pela professora. não interage com os colegas nem professores. As figuras 01 e 02 abaixo demonstram a dedicação com o aluno Lucas que tem muitas limitações. é deficiente intelectual. Figura 01 – Lucas e a professora Fonte: Arquivo pessoal Figura 02: Lucas em sala de aula Fonte: Arquivo pessoal 4.

mora com seis irmãos. sua dificuldade em se comunicar com colegas e professores.04. O padrasto da criança afirma que a mãe nunca foi fumante. nem fez uso de bebidas alcoólicas. O padrasto declara que a menina é fruto de uma gravidez não planejada. A mãe. as condições emocionais eram bastante conturbadas. no período de gestação. ao nascer a criança não apresentou má-formação. mas apresenta dificuldades motora. O parto foi normal. a menina nasceu na cidade de Machadinho D‟Oeste. Chácara Belém. durante a gravidez as condições da família era um tanto complicada. começou a caminhar com aproximadamente 1 ano e 4 meses de idade. não teve doenças infecciosas e nem precisou de nenhum tipo de medicamento. não tinham boa alimentação. porém segundo o padrasto não faz uso de frases . mesmo não tendo feito o prénatal regularmente. expulsou a mãe da Rahyne de casa. ela então perambulou pelas ruas. com gestação de 9 meses. sua tristeza e falta de habilidade em lidar com essa nova situação de aprendizagem. Durante a evolução da linguagem a criança começou a balbuciar as primeiras palavras com 1 ano de vida. segundo ele. atualmente reside na LJ . pois a família ao ter conhecimento da gravidez. De acordo com informações. A mãe tem 28 anos de idade e é deficiente auditiva. Não houve ameaças de aborto na gravidez. sem auxílio dos pais. a mãe e o padrasto.16 Figura 03 – Rahyne em sala de aula Fonte: Arquivo pessoal Figura 04: Rayne em casa Fonte: Arquivo pessoal Para compreender o retraimento de Rahyne Sthefany na escola. morando de favor em casas de amigos e parentes. foi fundamental buscar informações junto à família.

orientando-o na construção/utilização de múltiplas linguagens e de conhecimentos histórico-sociais. mental e auditivo. não faz amigos. Segundo a professora ela não tem iniciativa. trocando letras as vezes. às vezes reage com medo e certa tímidez diante de situações novas. Não tem autonomia na higiene pessoal. nem no recreio. Nesta perspectiva. inclusive fazendo as necessidades fisiológicas dentro da sala de aula. não consegue repetir pequenas histórias. Enfim. no entanto não é capaz de transmitir recados. pois se percebe que os professores não tem conhecimento da realidade dos alunos. facilitando seu acesso aos conhecimentos socialmente produzidos. nem das situações que acontecem na própria Escola. pois a escola regular se torna inclusiva quando reconhece as . necessitando ajuda da mãe. Cumpre ordens simples. A criança em questão nunca teve doenças visíveis.17 completas. reagindo bem quando contrariada. é fundamental que sejam realizadas adequações necessárias para proporcionar seu engajamento no processo educacional. não interage com as outras crianças em sala de aula. as vezes canta pequenos trechos de cantigas infantis. Com os irmãos tem um bom relacionamento. realiza variadas brincadeiras no quintal de sua casa. mas seus antecedentes patológicos familiares apontam que algumas pessoas da família apresentam algum tipo de distúrbios dentre eles alcoolismo. Tem bom comportamento. não se comunica nem para as necessidades mais básicas. preparando o sujeito para compreender e transformar o mundo. quando não está ajudando a mãe nos afazeres domésticos e cuidando dos irmãos menores. como tomar água ou ir ao banheiro. para atender as singularidades de todos os alunos. é preciso buscar alternativas a partir das diferentes histórias de vida das crianças e da família. promovendo os valores culturais e políticos de uma sociedade democrática e participativa. nem consegue se vestir sozinha. foi possível notar que os educandos com necessidades educacionais especiais necessitam de atendimento educacional especializado e acima de tudo uma escola que tenha condições físicas para atender a diversidade e que possa estabelecer vínculo entre escola e comunidade. Na Escola a aluna não conversa.

18 diferenças dos alunos diante do processo educativo e busca a participação e o progresso de todos. mobiliário e material didático para o atendimento aos deficientes intelectuais. que resulte em uma nova maneira de perceber e atuar com as diferenças de todos os alunos em sala. dificultando assim o acesso. permanência e o trabalho dos profissionais. a inclusão. adotando novas práticas pedagógicas. O que detectou.se durante a pesquisa é que a maioria dos alunos encaminhados a Avaliação Psicológica na Escola de Educação Especial é constituída pelos que não conseguem acompanhar seus colegas de turma. assim como da necessidade de refletirem constantemente sobre a sua prática. Observou-se que o processo educativo inclusivo traz sérias implicações para os docentes e a escola e requer-se. mas de suas próprias condições para ensiná-los em um ambiente inclusivo. Esses alunos correm o risco de serem admitidos e serem . especialmente. a fim de modificá-la quando necessário. na luta para incluir e oferecer educação de qualidade a todos. visando constituir cidadãos críticos e participativos. uma efetiva preparação de profissionais da educação. CONSIDERAÇÕES FINAIS Pensar na inclusão escolar das pessoas com deficiência intelectual implica em considerá-la como prática permanente na escola. e pela ausência de laudos periciais competentes e de queixas escolares bem fundamentadas. enfim. Preparação que os façam conscientes não apenas das características e potencialidades dos seus alunos. firmada no projeto político pedagógico da escola e efetivado pela ação consciente do educador. atuando como agente transformador da realidade. para que os mesmos possam proporcionar um contínuo desenvolvimento pedagógico e educacional. O contexto educacional revela que apesar do esforço da maioria. a escola pesquisada não dispõe de espaço físico apropriado.

19 considerados como Deficientes Intelectuais. jovens e adultos com necessidade especial no sistema de ensino. as pessoas com deficiência continuam vivenciando situações discriminatórias em todos os segmentos da sociedade. mas não oferece subsídios necessários para que isso aconteça de modo satisfatório. Talvez seja esse o grande desafio. pois quando se fala de inclusão escolar. Devemos buscar enquanto educadores e família revertermos à exclusão de crianças. deixando a desejar e fazendo com que os professores fiquem a mercê da realidade em que se encontram. é importante avaliar o que está sendo oferecido a estes alunos e como devemos organizar o sistema educacional em nosso município de forma a atender plenamente naquilo que eles devem ter por direito. construir uma cultura de inclusão que garanta as pessoas com necessidades educacionais especiais um lugar na sala de aula. A Lei determina incluir. Existe uma teia de contradições e um fosso entre o discurso e a ação. Tais observações podem parecer pouco otimistas e talvez o sejam por representarem à realidade de quem presencia a inclusão x exclusão nas cenas do cotidiano escolar. quando resistem à inclusão. Incluir uma criança deficiente intelectual em uma sala de aula regular é algo a se fazer cuidadosamente. pois o mundo continua representado por "nós. O argumento mais freqüente dos professores. é de não estarem ou não terem sido preparados para esse trabalho. por pura falta de informação dos professores e profissionais da educação que trabalham em escolas regulares. Eles esperam uma preparação para ensinar os alunos com deficiência ou dificuldades de aprendizagem. que é por natureza um dos espaços imprescindíveis para o desenvolvimento pessoal e da cidadania. . aprendendo e acima de tudo desenvolvendo as potencialidades dos alunos. para que possa tornar realidade à inclusão escolar. Portanto. não trata apenas de reunir os diferentes adaptando o ensino igual para todos. participando. o que leva a uma tentativa de normalizá-los para que convivam numa mesma sala de aula. os ditos normais" e "eles".

069/90. São Paulo: EPU. . Campinas. n. 20. ___. Antônio Joaquim.Ministério da Educação e do Desporto. Lev S. S. Inclusão Escolar: O que é? Por quê? Como fazer? São Paulo.ed. Ministério da Justiça. ___. 2. Brasília: Secretaria de Educação Especial (SEESP). C.E. Moderna. 1997. BATISTA. Declaração de Salamanca. A. 1990. ANDRÉ. Lei Nº. A Formação social da mente. Moderna. Apresentação e análise das definições de deficiência mental propostas pela AAMR – Associação Americana de Retardo Mental de 1908 a 2002. DF. MANTOAN. 1996. n. Secretaria de Educação Especial. Ministério da Educação e do Desporto. São Paulo. PUC-Campinas.2007. e MANTOAN. M. São Paulo: Cortez. 2003. Secretaria Nacional dos Direitos Humanos. 1994.16. L. M.Aspectos Legais e Paulo: MEC/SEESP. Série Atualidades Pedagógicas n. orientações Pedagógica – São ___. Brasília. 8.T. e linha de ação sobre necessidades educativas especiais.1. SEVERINO. BRASIL.Ministério da Educação e do Desporto.A. INCLUSÃO: Revista da Educação Especial / Ministério da Educação. 33-48. 6. ed. 3. 1996. Brasília. 2004. SP: Martins Fontes. M. VIGOTSKI. M.Estatuto da Criança e do Adolescente. Revista de Educação. 1996.20 REFERÊNCIAS ALMEIDA. p.E. Favero. 1994.Pantoja e Mantoan. 1978. Brasília : CORDE. Programa de Capacitação de Recursos Humanos do Ensino Fundamental/deficiência Mental.. 1998 Metodologia do trabalho científico.ed. nº9394/96. VYGOTSKY. DF.1 (out. jun 2004. Brasília: MEC/SEESP.T. São Paulo: Martins Fontes. ___. Política de Educação Especial. Menga. Marli: Pesquisa em educação: Abordagens qualitativas.Pensamento e linguagem. Secretaria da Educação Especial v. Educação Inclusiva: Atendimento educacional especializado. LÜDKE. Lei de Diretrizes e bases da Educação Nacional. 2005).

Assinale dentre as categorias abaixo aquelas com as quais teve/tem contato como professor (alunos em sala de aula regularmente inscritos na instituição de ensino): ( ) 1. Superdotação (altas habilidades) ( ) 6.Quais são as dificuldades que sente mais freqüentemente no exercício da sua atividade docente.Conhece o conceito de inclusão? ( ) Não ( ) Sim: 4. baixa visão) ( ) 2. Deficiência Física (uso de cadeira de rodas.Conhece o conceito de acessibilidade? ( ) Não ( ) Sim: 5.Teve alguma formação/capacitação em Educação Especial e/ou em Educação Inclusiva durante a sua trajetória profissional? ( ) Não ( ) Sim 7. grave) ( ) 3. Psicoses ( ) outras______________________________________________________________ 2. para a inclusão dos alunos com Necessidades Educacionais Especiais no ensino regular? ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ . muletas) ( ) 5. próteses.21 ANEXO I Modelo de Questionário aplicado aos Gestores e Professores Escola ________________________________________________________ Data_________________/_____________________/___________________ Professor______________________________________________________ Formação______________________________________________________ Anos de docência________________________________________________ 1. Deficiência auditiva (surdez moderada. Síndromes ( ) 7. Paralisia cerebral ( ) 4. Deficiência visual (cegueira.Quais das categorias descritas você saberia reconhecer: ___________________________________________________________________ 3.