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Superior Tribunal de Justiça

RECLAMAÇÃO Nº 3.433 - MT (2009/0037215-1) RELATOR RECLAMANTE ADVOGADO RECLAMADO INTERES. ADVOGADO : : : : MINISTRO LUIS FELIPE SALOMÃO PEDRO PEREIRA DE SOUZA DIOGO LUIZ BIONDO DE SOUZA E OUTRO(S) DESEMBARGADOR VICE PRESIDENTE DO JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO : BANCO DO BRASIL S/A : CARLOS ALBERTO BEZERRA E OUTRO(S) EMENTA

TRIBUNAL

DE

CABE RECLAMAÇÃO APENAS PARA PRESERVAR A COMPETÊNCIA DO TRIBUNAL OU GARANTIR A AUTORIDADE DE SUAS DECISÕES, INTERPOSTA PELA PARTE INTERESSADA OU O MINISTÉRIO PÚBLICO (RISTJ ART. 187). NÃO É ESSA A HIPÓTESE DOS AUTOS. DECISÃO 1. Cuida-se de reclamação, com pedido de liminar, oferecida por Pedro Pereira de Souza, pleiteando seja declarada a usurpação da competência recursal desta Corte, requerendo a adequação ou cassação da decisão do Vice-Presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Mato Grosso, que deferiu efeito suspensivo a recurso especial ainda a ser interposto. Consta dos autos que, na Ação de execução n. 19/2002, foi confirmada a existência de fraude à execução, determinando-se a constrição sobre quantia pertencente ao Banco do Brasil S/A no valor de R$ 12.164.670, 54 (doze milhões, cento e sessenta e quatro mil, seiscentos e setenta reais e cinqüenta e quatro centavos), para garantir o cumprimento da respectiva obrigação. Acatando embargos de declaração do ora reclamante, o juízo singular ampliou o âmbito da fraude à execução, atingindo outros dois processos, nos quais já haviam sido homologados, por sentença, acordo entre as partes, e determinou a transferência em três dias da importância objeto da avenca e de seus consectários legais, sob pena de multa diária de R$ 2.000,00 (dois mil reais). Em relação à decisão que estendeu a fraude à execução a outros dois processos, foi interposto agravo de Instrumento, ao qual foi dado provimento para afastar a fraude. Inadmitido o recurso especial por ausência de procuração do recorrente, o agravo de instrumento da decisão denegatória aguarda julgamento nesta Corte. No entanto, no julgamento da apelação interposta na Execução n. 19/2002, por maioria, a Câmara julgadora negou provimento ao recurso do Banco, e manteve sentença que julgou improcedentes embargos de terceiro, reconhecendo fraude a execução, validando a constrição da quantia de mais de doze milhões de reais. Enquanto aguardava a publicação do acórdão, o Banco do Brasil ajuizou medida cautelar objetivando atribuir efeito suspensivo ao recurso especial a ser interposto. O Vice-Presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Mato Grosso, deferiu o pedido nestes termos:
“Posto isso, defiro a medida liminar para conceder o efeito pretendido, com o fito de suspender, até o julgamento em caráter definitivo, a eficácia do
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acórdão prolatado na Apelação Cível n. 19.799/2008. (...) Cumpra-se a presente medida com urgência, dando ciência incontinenti ao Presidente da Corte e ao Juiz de primeiro grau responsável pela eventual expedição do alvará. (fls. 55)

Alega o reclamante que a referida decisão extrapolou os limites da cognição sumária da medida cautelar ao suspender a expedição de alvará para levantamento do crédito e ao determinar o envio de cópia de sua decisão aos recursos especiais. Assevera que o Vice-Presidente do Tribunal de origem usurpou a competência desta Corte ao conceder efeito suspensivo até o julgamento definitivo do recurso especial, uma vez que após o juízo de admissibilidade a competência para conceder efeito suspensivo ao recurso especial é desta Corte. 2. Sem razão o reclamante. Quanto ao juízo competente para apreciar o pedido de concessão de efeito suspensivo ao recurso especial, o Tribunal tem adotado o entendimento exarado nas Súmulas 634 e 635 do Supremo Tribunal Federal que dispõem:
Súmula 634. - Não compete ao Supremo Tribunal Federal conceder medida cautelar para dar efeito suspensivo a recurso extraordinário que ainda não foi objeto de juízo de admissibilidade na origem; Súmula 635 - Cabe ao Presidente do Tribunal de origem decidir o pedido de medida cautelar em recurso extraordinário ainda pendente do seu juízo de admissibilidade.

Pela simples leitura das peças anexadas pelo próprio reclamante, fica claro que, neste caso, competia ao Tribunal a quo o exame do referido pedido, porquanto ainda não realizado o juízo de admissibilidade do especial a ser interposto.. Quanto as demais assertivas, ressalto que o reclamante, a pretexto de invasão da competência desta Corte quer, na verdade, discutir o teor da decisão, o qual deve ser impugnado através de recurso próprio, pois desborda dos limites traçados para esta ação. 3. Ante o exposto, com fundamento no art. 38 da Lei nº 8.038/90, c/c. o art. 34, inc. XVIII, do RISTJ, nego seguimento ao pedido. Publique-se. Intimem-se. Brasília, 06 de março de 2009.

Ministro Luis Felipe Salomão Relator

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