Universidade do Sul de Santa Catarina

Conflito, Negociação e Processo Decisório
Disciplina na modalidade a distância

2ª edição revista e atualizada

Palhoça UnisulVirtual 2008

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Créditos
Unisul - Universidade do Sul de Santa Catarina UnisulVirtual - Educação Superior a Distância
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Avenida dos Lagos, 41 Cidade Universitária Pedra Branca Palhoça – SC - 88137-100 Fone/fax: (48) 3279-1242 e 3279-1271 E-mail: cursovirtual@unisul.br Site: www.virtual.unisul.br Reitor Unisul Gerson Luiz Joner da Silveira Vice-Reitor e Pró-Reitor Acadêmico Sebastião Salésio Heerdt Chefe de Gabinete da Reitoria Fabian Martins de Castro Pró-Reitor Administrativo Marcus Vinícius Anátoles da Silva Ferreira Campus Sul Diretor: Valter Alves Schmitz Neto Diretora adjunta: Alexandra Orsoni Campus Norte Diretor: Ailton Nazareno Soares Diretora adjunta: Cibele Schuelter Campus UnisulVirtual Diretor: João Vianney Diretora adjunta: Jucimara Roesler Coordenação dos Cursos Adriano Sérgio da Cunha Aloísio José Rodrigues Ana Luisa Mülbert Ana Paula Reusing Pacheco Bernardino José da Silva Charles Cesconetto Diva Marília Flemming Eduardo Aquino Hübler Fabiano Ceretta Itamar Pedro Bevilaqua Janete Elza Felisbino Jucimara Roesler Lauro José Ballock Lívia da Cruz (auxiliar) Luiz Guilherme Buchmann Figueiredo Luiz Otávio Botelho Lento Marcelo Cavalcanti Maria da Graça Poyer Maria de Fátima Martins (auxiliar) Mauro Faccioni Filho Michelle Denise Durieux Lopes Destri Moacir Fogaça Moacir Heerdt Nélio Herzmann Onei Tadeu Dutra Patrícia Alberton Rose Clér Estivalete Beche Raulino Jacó Brüning Rodrigo Nunes Lunardelli Criação e Reconhecimento de Cursos Diane Dal Mago Vanderlei Brasil Desenho Educacional Daniela Erani Monteiro Will (Coordenadora) Design Instrucional Ana Cláudia Taú Carmen Maria Cipriani Pandini Carolina Hoeller da Silva Boeing Flávia Lumi Matuzawa Karla Leonora Dahse Nunes Leandro Kingeski Pacheco Luiz Henrique Queriquelli Lívia da Cruz Lucésia Pereira Márcia Loch Viviane Bastos Viviani Poyer Acessibilidade Vanessa de Andrade Manoel Avaliação da Aprendizagem Márcia Loch (Coordenadora) Cristina Klipp de Oliveira Silvana Denise Guimarães Design Visual Cristiano Neri Gonçalves Ribeiro (Coordenador) Adriana Ferreira dos Santos Alex Sandro Xavier Evandro Guedes Machado Fernando Roberto Dias Zimmermann Higor Ghisi Luciano Pedro Paulo Alves Teixeira Rafael Pessi Vilson Martins Filho Disciplinas a Distância Enzo de Oliveira Moreira (Coordenador) Gerência Acadêmica Márcia Luz de Oliveira Bubalo Gerência Administrativa Renato André Luz (Gerente) Valmir Venício Inácio Gerência de Ensino, Pesquisa e Extensão Ana Paula Reusing Pacheco Gerência de Produção e Logística Arthur Emmanuel F. Silveira (Gerente) Francisco Asp Logística de Encontros Presenciais Graciele Marinês Lindenmayr (Coordenadora) Aracelli Araldi Cícero Alencar Branco Daiana Cristina Bortolotti Douglas Fabiani da Cruz Fernando Steimbach Letícia Cristina Barbosa Priscila Santos Alves Formatura e Eventos Jackson Schuelter Wiggers Logística de Materiais Jeferson Cassiano Almeida da Costa (Coordenador) José Carlos Teixeira Eduardo Kraus Monitoria e Suporte Rafael da Cunha Lara (Coordenador) Adriana Silveira Andréia Drewes Caroline Mendonça Cláudia Noemi Nascimento Cristiano Dalazen Dyego Helbert Rachadel Edison Rodrigo Valim Francielle Arruda Gabriela Malinverni Barbieri Jonatas Collaço de Souza Josiane Conceição Leal Maria Eugênia Ferreira Celeghin Maria Isabel Aragon Priscilla Geovana Pagani Rachel Lopes C. Pinto Tatiane Silva Vinícius Maykot Serafim Relacionamento com o Mercado Walter Félix Cardoso Júnior Secretaria de Ensino a Distância Karine Augusta Zanoni Albuquerque (Secretária de ensino) Ana Paula Pereira Andréa Luci Mandira Andrei Rodrigues Carla Cristina Sbardella Deise Marcelo Antunes Djeime Sammer Bortolotti Franciele da Silva Bruchado James Marcel Silva Ribeiro Janaina Stuart da Costa Jenniffer Camargo Lamuniê Souza Liana Pamplona Luana Tarsila Hellmann Marcelo José Soares Marcos Alcides Medeiros Junior Maria Isabel Aragon Olavo Lajús Priscilla Geovana Pagani Rosângela Mara Siegel Silvana Henrique Silva Vanilda Liordina Heerdt Vilmar Isaurino Vidal Secretária Executiva Viviane Schalata Martins Tecnologia Osmar de Oliveira Braz Júnior (Coordenador) Jefferson Amorin Oliveira Marcelo Neri da Silva Pascoal Pinto Vernieri

Equipe UnisulVirtual
Avaliação Institucional Dênia Falcão de Bittencourt Biblioteca Soraya Arruda Waltrick Capacitação e Assessoria ao Docente Angelita Marçal Flores (Coordenadora) Caroline Batista Elaine Surian Enzo de Oliveira Moreira Patrícia Meneghel Simone Andréa de Castilho

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Apresentação
Este livro didático corresponde à disciplina Conflito, Negociação e Processo Decisório. O material foi elaborado visando a uma aprendizagem autônoma, abordando conteúdos especialmente selecionados e adotando uma linguagem que facilite seu estudo a distância. Por falar em distância, isso não significa que você estará sozinho. Nõ esqueça que sua caminhada nesta disciplina também será acompanhada constantemente pelo Sistema Tutorial da UnisulVirtual. Entre em contato sempre que sentir necessidade, seja por correio postal, fax, telefone, e-mail ou Ambiente Virtual de Aprendizagem. Nossa equipe terá o maior prazer em atendê-lo, pois sua aprendizagem é nosso principal objetivo.

Bom estudo e sucesso!

Equipe UnisulVirtual

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indb 4 20/12/2007 10:49:01 .conflito_negociacao_e_processo_decisorio.

indb 5 20/12/2007 10:49:02 . Negociação e Processo Decisório Livro didático Design instrucional Flavia Lumi Matuzawa Márcia Loch Carmen Maria Cipriani Pandini Adaptação e complementação Susana dos Reis Machado Pretto 2ª edição revista e atualizada Palhoça UnisulVirtual 2008 conflito_negociacao_e_processo_decisorio.Harrysson Luiz da Silva Conflito.

e atual. II. Pandini. 3. Harrysson Luiz da Con flito. IV. Loch. Negociação. Título. Carmen Maria Cipriani. 1.indb 6 20/12/2007 10:49:02 . Administração pública. Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Universitária da Unisul conflito_negociacao_e_processo_decisorio. V. Edição – Livro Didático Professora Conteudista Harrysson Luiz da Silva Design Instrucional Flavia Lumi Matuzawa Márcia Loch Carmen Maria Cipriani Pandini Luiz Henrique Queriquelli (2ª edição revista e atualizada) Adaptação e Complementação Susana dos Reis Machado Pretto Projeto Gráfico e Capa Equipe UnisulVirtual Diagramação Fernando Roberto Dias Zimmermann Revisão Revisare/B2B 658. I. ed. III. Susana dos Reis Machado. – Palhoça : UnisulVirtual. : il. 2008. Matuzawa. Márcia Loch. 138 p. Flavia Lumi. adaptação e complementação Susana dos Reis Machado Pretto . VI. .405 S58 Silva. design instrucional Flavia Lumi Matuzawa. Inclui bibliografia. Carmen Maria Cipriani Pandini [Luiz Henrique Queriquelli] – 2. Queriquelli. negociação e processo decisório: livro didático / Harrysson Luiz da Silva. Márcia. Pretto.Copyright © UnisulVirtual 2007 Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer meio sem a prévia autorização desta instituição. Processo decisório. 2. 28 cm. rev. Luiz Henrique.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 131 Respostas e comentários das atividades de auto-avaliação . . . . . . . . . 15 Unidade 2 – Processo de resolução de conflitos e negociação . . . . 129 Sobre os professores conteudistas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 133 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Sumário Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53 Unidade 4 – Definição de processo decisório . . . . . 137 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 79 Unidade 5 – Tratamento do processo decisório na administração pública . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 Unidade 1 – A estrutura do conflito .3 Palavras dos professores . . . 107 Unidade 7 – A memória institucional do processo decisório na administração pública . . . . . . . . . . . . . . . .9 Plano de estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 89 Unidade 6 – Processo decisório e participação popular na administração pública . . . . . . . . . . . . . .indb 7 20/12/2007 10:49:02 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 119 Para concluir o estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 Unidade 3 – Estratégias de negociação na administração pública . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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é importante você ter claro qual é a estrutura de um conflito e como ele se forma. aqui é que se aplica a distinção entre interesses e objetos de confl ito. com reflexos no seu campo profissional. conflito_negociacao_e_processo_decisorio. com repercussões em vários níveis. custos e responsabilidades civis. os conflitos surgem principalmente pela ausência de uma fundamentação científica que dê suporte aos processos de investigação e de intervenção. criminais e administrativas que poderiam incorrer se os objetos de conflitos não fossem trabalhados adequadamente. para possibilitar o controle de resultados decorrentes do que será através dela implantado ou deliberado. Dessa forma. Você está iniciando mais uma disciplina e esperamos contar com a sua participação de modo efetivo para que o processo de ensino que estamos empreendendo promova bons resultados na sua aprendizagem. pois fornece subsídios à tomada de decisão com maior clareza e previsibilidade de resultado. O processo decisório. A resolução de conflitos. inclusive as instituições públicas. antes trabalhado por um pequeno grupo.Palavra do professor Olá. Já a relevância do estudo do processo decisório na administração pública está ligada à análise dos elementos que compõem uma decisão. vem da redução de tempo. amigo(a). seja ela pela mediação (bens patrimoniais disponíveis) ou pela arbitragem (bens patrimoniais indisponíveis). agora é um fato coletivo. Na administração pública. comprometendo diversos grupos de forma direta ou indireta.indb 9 20/12/2007 10:49:02 .

indb 10 20/12/2007 10:49:02 . tampouco do resultado que poderá advir da tomada de uma decisão num ambiente diverso. Portanto. Bons estudos! 10 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. o que se tornou um problema a ser enfrentado pelo administrador público. não se tem controle de o que fazer.Hoje. o estudo dos conflitos e do processo decisório no âmbito da administração pública tem se mostrado uma área de grande interesse no mundo moderno.

O processo de ensino e aprendizagem na UnisulVirtual leva em conta instrumentos que se articulam e se complementam. eficácia e efetividade. portanto a construção de competências se dá sobre a articulação de metodologias e por meio das diversas formas de ação/mediação. conflito_negociacao_e_processo_decisorio. você encontrará elementos que o(a) ajudarão a conhecer o contexto da disciplina e a organizar o seu tempo de estudos.indb 11 20/12/2007 10:49:03 . São elementos deste processo: „ „ „ o livro didático. Negociação na administração pública.Plano de estudo O plano de estudo visa a orientá-lo(a) no desenvolvimento da disciplina Conflito. as atividades de avaliação (complementares. Etapas do processo de tomada de decisão. Avaliação dos resultados: eficiência. Nele. Participação nas decisões. o EVA (Espaço UnisulVirtual de Aprendizagem). Processo de resolução de conflitos e negociação. Ementa da disciplina: A estrutura do conflito. Negociação e Processo Decisório. Tipos de decisão. Os agentes envolvidos no processo de decisão. Centralização e descentralização. a distância e presenciais). Processo decisório.

Caracterizar os componentes fundamentais dos processos envolvidos na negociação em conflitos que envolvam instituições públicas. para garantir a avaliação dos resultados em termos de e. eficácia e efetividade „ „ „ „ „ 12 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. Objetivos: „ „ Apresentar a estrutura dos conflitos. Identificar as perspectivas de tratamento do processo decisório no campo da administração pública pelos tipos e pelas etapas do processo decisório. ciência. Apresentar a definição e os fundamentos do processo decisório. Avançar na compreensão da Memória Institucional e sua implicação com o processo decisório na administração pública.indb 12 20/12/2007 10:49:03 . Caracterizar o ambiente da administração pública diante do processo de participação pública (Centralização e Descentralização) nas decisões. Identificar os principais processos de negociação orientados para administração pública.Universidade do Sul de Santa Catarina Carga horária: 60 horas-aula.

Não perca os prazos das atividades. da realização de análises e sínteses do conteúdo. Registre no espaço a seguir as datas.Conflito. O sucesso nos seus estudos depende da priorização do tempo para a leitura. com base no cronograma da disciplina disponibilizado no EVA.indb 13 20/12/2007 10:49:03 . e da interação com os seus colegas e tutor. Use o quadro para agendar e programar as atividades relativas ao desenvolvimento da disciplina. Negociação e Processo Decisório Agenda de atividades/cronograma „ Verifique com atenção o EVA. organize-se para acessar periodicamente o espaço da disciplina. „ „ Atividades Demais atividades (registro pessoal) 13 conflito_negociacao_e_processo_decisorio.

indb 14 20/12/2007 10:49:03 .conflito_negociacao_e_processo_decisorio.

„ Diagnosticar os conflitos. Seções de estudo Seção 1 O que é um conflito? Seção 2 Como diagnosticar os conflitos na administração pública? conflito_negociacao_e_processo_decisorio.UNIDADE 1 A estrutura do conflito Objetivos de aprendizagem „ „ 1 Definir o que é um conflito. Identificar os tipos de conflitos e as partes envolvidas neles.indb 15 20/12/2007 10:49:03 .

então o processo é pela psicoterapia.indb 16 20/12/2007 10:49:03 . Isso é muito comum quando as pessoas ou grupos criam compreensões equivocadas de outras pessoas ou grupos acerca dos processos de relação. e que dessa relação surgiu algum confl ito passível de ser objeto de mediação ou arbitragem. isto é. para se resolver um conflito é necessário que primeiro se identifique se existe correlação entre as partes envolvidas. principalmente o campo pericial. a parte que estaria sendo objeto de conflito não tem conhecimento dessas ações isoladas. mais propriamente com a sociedade civil. Entretanto. Dessa forma é importante verificar que muitas vezes há “pessoas ou grupos em conflitos” isoladamente. Depois de encontrada solução para resolução do conflito. Caso os problemas sejam unilaterais. tornando necessária a sua reação. sendo necessários profissionais de várias áreas. São os chamados preconceitos ou estereótipos. Na leitura do texto desta disciplina você encontrará elementos que responderão essas questões. precisa envolver vários campos de conhecimento. 16 conflito_negociacao_e_processo_decisorio.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Nesta unidade você vai compreender o processo de definição de conflitos e sua estrutura. e não pela mediação ou arbitragem. Os conflitos na administração pública são de diversas naturezas. enfrentaremos uma nova etapa de crucial importância: o processo de verificação da resolução do conflito e seu monitoramento. daremos importância aos conflitos relativos ao desenvolvimento das relações entre o Estado e as comunidades locais. Um conflito surge quando uma parte “A” desenvolve algo que tem ação efetiva sobre uma segunda parte. Dessa forma. ou parte “B”. como uma forma de acompanhar se as decisões acordadas serão implantadas dentro do que foi proposto. Um segundo problema a ser considerado é que todo conflito. para ser resolvido.

SEÇÃO 1 . ocupação de áreas de proteção permanente. que se distinguem dos conflitos da área empresarial. Negociação e Processo Decisório Convém ressaltar que há necessidade de distinguir a perspectiva analítica dos conflitos na esfera da administração pública. é um tipo particular de conflito social. contaminação de mananciais. os problemas dos assentamentos urbanos. que estão sendo objetos de intervenção neste momento no país. pdf> Unidade 1 17 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. A ALCA ENTRE A RODADA DO DESENVOLVIMENTO DA OMC disponível em: <http://www. considerando o conjunto de interesses envolvidos.Conflito. em que a disputa se refere aos recursos existentes e ao modo de resolução deles. Veja bem. Aqui é que se estabelece a necessidade de distinção entre objetos de conflitos (o que efetivamente originou os conflitos) e interesses das partes envolvidas (o que cada parte interessada gostaria de obter no conflito com base em interesses pessoais e materiais).eco. excluindo-se as de caráter tão somente privado. se estabelecer estratégias que serão objeto das negociações dos conflitos. em um segundo momento. mais recentemente. em função da natureza de suas relações. por sua vez. O conflito na administração pública. as relações em conflitos analisadas são de caráter público. O administrador público não poderá perder de vista a possibilidade de que a resolução de um conflito deve partir de uma investigação para.indb 17 20/12/2007 10:49:03 . atendimento aos serviços de infra-estrutura básica e.O que é um conflito? Os conflitos são formas de interação social.br/asp-scripts/ boletim_ceri/boletim/ boletim2/07-PedroPaulo. unicamp. como confl itos entre usos de recursos naturais.

pode-se identificar um conflito quando estiverem envolvidos interesses da sociedade nas relações com a administração pública. pelo depósito de lixo e dejetos em locais próximos de vertentes de água que abastecem as cidades. Nesse sentido a administração deve ser previsiva. pelas edificações em manguezais que desequilibram o ecossistema. Uma das grandes dificuldades no desenvolvimento das estratégias da administração pública é a quantidade. 18 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. de operacionalizar a gestão pública (específico). com outros grupos. de dirigir. os gerados pela construção de hidroelétricas e barragens que afetam comunidades ribeirinhas. com distintos graus de organização. Ex. quer seja municipal. Direção. ele deve ser fruto da organização social. Todavia. pela falta de saneamento básico com esgoto a céu aberto que afeta a saúde da população.Universidade do Sul de Santa Catarina Nesse sentido. a relação entre os recursos necessários. igualmente organizados. e os riscos com relação às estratégias a serem tomadas para resolver os conflitos. os conflitos ocorrem de diversas formas no âmbito da administração pública. representado por pessoas. Assim. considerando três outras variáveis: o tempo exigido. estadual ou federal. onde as reivindicações sociais estão cada vez mais exigindo dos governantes locais ações efetivas e eficazes para a solução dos conflitos. que se trata do ato ou ação de gerenciar. Como você pode ver. nesta disciplina nosso estudo estará centrado na municipalidade. existentes e possíveis de serem utilizados ou conseguidos. entre outros. Administração. Isto caracteriza bem o conflito na esfera administrativa. O gerenciamento público trata da administração pública de um modo geral (genérico). pois se encaminha para a perspectiva da gestão pública e não de gerenciamento público.indb 18 20/12/2007 10:49:04 . tem-se especificamente: os conflitos ambientais causados pelas atividades portuárias. O conflito é sempre resultado da organização da sociedade civil em relação à administração pública municipal. pela ocupação desordenada dos grandes centros urbanos. velocidade e diversidade de conflitos que se apresentam para o administrador público municipal.

não conseguirão operar nem discutir um caminho para resolver os seus conflitos. Em uma pesquisa realizada numa comunidade. Entretanto. um morador perguntou se APP era Associação de Pais e Professores. Negociação e Processo Decisório Um conflito só existe quando uma parte desenvolve uma ação que é compreendida de modo equivocado ou não por uma segunda parte. Unidade 1 19 conflito_negociacao_e_processo_decisorio.indb 19 20/12/2007 10:49:04 . os resultados não serão passíveis de controle. lá no meio da conversa.Conflito. De outra forma. agora sob a égide da gestão social. para que os administradores públicos tenham a compreensão de administração de conflitos. toda a dinâmica iniciada com propósito de elucidação acabou por ter que ser refeita. Até então. se os mesmos partirem de uma compreensão baseada em experiências ou crenças. em outras situações. por exemplo. como são os Programas do Governo Federal. ou posicionamentos políticos partidários. também pode ser um confl ito. que se organiza e reage para fazer valer os seus direitos. um técnico fazia uma exposição sobre as APPs (Áreas de Preservação Permanente) e. A crescente atenção despertada pelos movimentos sociais tem servido para enriquecer o modo como a administração pública tem tratado as comunidades organizadas. a administração pública municipal não considerava o povo como um dos integrantes passíveis de intervenção na formação do processo de consenso em negociações. e certamente ocorreriam outros equívocos não só de interpretação. Dessa feita. num bairro da cidade de Florianópolis. mas o entendimento objetivo do que se está tratando. é necessário que os mesmos tenham uma fundamentação científica de compreensão de conflito. Isto significa dizer que. mas também de organização. O equívoco não se trata de interpretação de lei que. pois por falta de uma boa apresentção do tema os objetivos da discussão não seriam atingidos.

às questões em conflito. os mediadores e os árbitros que farão o papel de catalisadores do processo de mediação. grupos ou instituições que estão fora do processo de formação do conflito. uma empresa que desenvolve uma atividade sem licenciamento ambiental e despeja efluentes líquidos contaminados num rio que fica próximo a uma comunidade que utiliza o mesmo para pesca. como: os mediadores. para um outro grupo. Por exemplo. que participa do processo sem ser parte do mesmo. um projeto. terceira parte: são os indivíduos. mas que de alguma forma estarão envolvidos em algum momento do processo de negociação como. e que dá suporte à fase de levantamento de dados e informações. segunda parte: a segunda parte são os oponentes da primeira parte. Por exemplo. denúncia ou disputa. Em um caso de uma perícia sobre os níveis de contaminação do rio. Nesse caso. considerando as ações da primeira parte. os advogados. face ao rio contaminado. e o institui em termos legais. os juízes. É ela que estabelece a existência do conflito. a segunda parte pode ser a comunidade organizada que. pode acionar os órgãos de licenciamento e fazer uma denúncia no Ministério Público. que assume um papel dentro de um conflito. entre a primeira e a segunda parte. em termos de informações objetivas. os peritos oficiais. Um determinado grupo/indivíduo é uma parte quando o mesmo é visível para a sociedade. para uma classe social ou país. conforme você vai perceber a seguir: „ primeira parte: a primeira parte é aquela que inicia o conflito. ao assumir sua existência e implicações. a equipe técnica que teria função „ „ „ 20 conflito_negociacao_e_processo_decisorio.indb 20 20/12/2007 10:49:04 . É a parte afetada. para que seja instaurada uma ação civil pública. partes intermediárias diretas (equipe técnica): a parte intermediária direta é aquela que faz parte do conflito. A função da equipe técnica é dar suporte. por meio de uma reivindicação. uma idéia.Universidade do Sul de Santa Catarina As partes envolvidas nos conflitos A parte é alguém que representa. uma promessa.

Esse é o maior erro que se comete em todos os processos de negociação. quando algumas decisões são tomadas sem a presença de uma das partes. Da mesma forma.indb 21 20/12/2007 10:49:04 . Unidade 1 21 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. identificar as partes não é suficiente para que se tenha certeza de que o conflito poderá ser negociado. por um inventário da sustentação de suas opções e forças em jogo. Negociação e Processo Decisório pericial faria as coletas. Portanto. Dessa forma. existem várias microbacias. indiretamente envolvida no conflito. necessariamente. se perde toda a possibilidade objetiva de se resolver o conflito e de atender cada parte em particular no processo de relação com o conflito. „ partes intermediárias indiretas: a parte intermediária indireta é aquela que não faz parte do conflito. a situação fica insustentável. no processo de negociação. Não se fundamenta um processo de negociação de conflitos nos interesses das partes envolvidas. os exames e expediria os laudos. Por isto. face às dificuldades técnicas que o processo de formação de consenso desenvolve para se chegar ao acordo. para então iniciar o processo de negociação. O processo de negociação entre as partes requer experiência em negociações.Conflito. para subsidiar as partes e os mediadores na resolução dos conflitos. Muitos processos de gestão de conflitos enfatizam a questão da importância de representação de grupos de interesse para iniciar o processo de negociação. A identificação dos tipos de partes presentes num confl ito passa. mas é afetada indiretamente pelos resultados de toda negociação. dentro de uma bacia hidrográfica. e a ação de uma parte numa microbacia poderia atingir outra microbacia. As partes que nunca participaram de um processo de negociação certamente terão dificuldades de se encaminhar para o consenso. Por exemplo. aconselha-se que todas as partes interessadas estejam representadas na mesa de negociação.

Comunicação: são conflitos relacionados com os diálogos e seus respectivos entendimentos pelas partes envolvidas no conflito. que todos os exames sejam realizados. Objetivos: são conflitos em que os objetivos das partes nas mesas de negociação não estão claros. Problemas de comunicação em mediação de conflitos são fatais para o bom desenvolvimento do processo de relação entre as partes envolvidas. várias classificações de conflitos. mas que exigem. como parte integrante do processo de formação do consenso. Constatações de ocorrências objetivas: são conflitos originados pela falta de informação objetiva sobre as ocorrências que dão origem aos conflitos e estão relacionados com a situação analisada. principalmente quando estão em conflito partes com línguas e costumes diferentes. Você sabia? Existem. pois fundamentam seu conflito nos seus interesses pessoais e quando esta situação é revisitada e alterada. nem para elas. não consegue dimensionar o que está envolvido. Um exemplo de constatação objetiva que pode levar a um conflito é fazer afirmações em auditorias sem exames. tais como: Estruturais: são conflitos em que a parte interessada tem dúvidas de definição estrutural. Muitas vezes as partes têm uma compreensão equivocada do objeto de conflito. para que tal laudo surja. Cada uma destas classificações se orienta por critérios específicos. na literatura. ao ter que estabelecer parâmetros de avaliação para as partes que sequer têm experiência e fundamentação técnica para iniciar o processo de negociação.indb 22 20/12/2007 10:49:04 . Por outro lado. fica difícil. quem está envolvido e quais os objetivos a que pretende chegar. por exemplo. o encaminhamento da negociação pode tomar um rumo distinto do previsto.Universidade do Sul de Santa Catarina A função do gestor público. quando os órgãos públicos sucumbem às demandas e necessidades de grupos organizados que não têm sustentação científica de suas reivindicações. verifica-se que os objetivos não são outra coisa que os objetos de conflitos. se o gestor público intervir em benefício da parte inexperiente. 22 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. ou seja.

para manterem relações. Por exemplo. Sistemas integrativos: são conflitos relacionados com os tipos de relacionamentos entre pessoas ou grupos de interesse. você vai estudar as etapas fundamentais para diagnosticar um conflito. são abordagens que beneficiam uma das partes. A seguir.Como diagnosticar os conflitos na administração pública? As atividades básicas a serem descritas visam a informar o que cada parte deverá verificar antes de iniciar as negociações. como é o caso da instalação formal de infraestrutura em áreas de preservação permanente. que virá adiante. em detrimento da outra. 23 Unidade 1 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. Aqui podem ser citados os conflitos resultantes de instauração de padrões internacionais de normalização que. ou seja. Força: são conflitos originados a partir do uso coercitivo da força. SEÇÃO 2 . que deveria formalmente levar a audiência pública.indb 23 20/12/2007 10:49:04 . precisam se pautar em novos códigos de controle e monitoramento. Estes conflitos têm nas redes de relacionamentos seu fator fundamental. uma lei que determina e regula uma ação do Estado ou municipalidade sem consulta pública. Um exemplo desse tipo de conflito é o encaminhamento de um processo consubstanciado num objeto de conflito mal identificado. ganhando proporções de integração de diversos grupos envolvidos em diferentes localidades. Intercâmbio: são conflitos relacionados com questões nas quais as trocas não se pautam em situações de ganho para as partes. e se constituem num espelho da situação que será encontrada. tanto comercial como social e cultural.Conflito. As atividades básicas para diagnosticar conflitos não devem ser confundidas com a metodologia de mapeamento de conflitos. os conflitos vão surgindo por adesão ou solidariedade. ou sem perícia técnica. ou seja. dentre outros. Negociação e Processo Decisório Encaminhamento de procedimentos: são conflitos em que as partes procuram determinar quem tomou decisões que deveriam ser advindas da justiça ou da construção de um processo de formação de consenso.

seja ela pró-ativa ou reativa. por entender que executar seria “mandar matar”. que as mesmas desenvolvem para estabelecer o processo de negociação e o acesso às informações. Dessa forma. e que no estágio atual não teria como ser recuperada. Um fator de complicação para a resolução é sua possibilidade de irreparabilidade.Universidade do Sul de Santa Catarina Partes envolvidas no conflito O reconhecimento das partes envolvidas num conflito depende exclusivamente do tipo de postura. Uma das partes. Em uma sessão judicial. A construção de barragens. assinou prontamente o termo proferido. pois dessa forma poderemos com propriedade esclarecer o que estamos tratando e o que queremos resolver. Estratégias para confrontar objetivos dos conflitos As estratégias deverão estar fundamentadas nas possibilidades efetivas de verificação e mapeamento do conflito. em função do grau que atingiu ao longo do tempo. cabe ao mediador utilizar de metodologias que tornem possível a identificação dos objetivos fundamentais e das necessidades humanas dos grupos em conflito. que os objetos nunca aparecem. 24 conflito_negociacao_e_processo_decisorio.indb 24 20/12/2007 10:49:05 . Fatores de complicação para o conflito Os fatores de complicação para a solução dos conflitos podem ser os mais complexos e difíceis de serem identificados. Conflitos de comunicação Os conflitos de comunicação derivam da interpretação dos canais de informação e do conteúdo dos discursos proferidos pelos emissores. de seu imediato entendimento pelo receptor. mas somente compensada através de algum meio. Há que se fazer uma distinção entre informação (o que as partes acreditam ser o fundamento do conflito) e conhecimento (a compreensão objetiva do que estamos tratando). um juiz citou que quem não assinasse a documentação mandaria executar. Em alguns conflitos os interesses são evidências tão fortes.

Assim. seu desenvolvimento. e a partir dele podem ser indicadas inclusive as estratégias viáveis à resolução do conflito. mediação ou arbitragem. convoca-se um terceiro imparcial que deliberará uma solução que a princípio será considerada uma deliberação final. Na mediação. o resultado obtido com o mapeamento serve para nortear a tomada de decisões do órgão público quanto às atividades a serem realizadas para alcançar a melhor solução para o conflito. mas alguns direitos terão que ser discutidos e garantidos. o planejamento das ações a serem tomadas pela administração pública torna-se mais visível. esquecendo-se da parte que em princípio exigiria níveis apurados de discussão e controle de resultados dos processos analisados. para o conjunto das partes envolvidas. Negociação e Processo Decisório Abordagens sobre força utilizadas para solução dos conflitos As soluções podem ser encaminhadas para conciliação.indb 25 20/12/2007 10:49:05 . Com o conflito perfeitamente identificado pelo seu mapeamento. bastando a livre escolha de uma solução que atenda as partes envolvidas. as partes envolvidas e os interesses suscitados. Uma abordagem de força utilizada para solução de um conflito é convocar uma reunião em que o conflito será resolvido. Mapeamento de conflitos A metodologia mais comum para identificar conflitos é chamada “mapeamento de conflitos”.Conflito. Acompanhe a seguir as etapas dessa metodologia: Unidade 1 25 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. tenta-se resolver o conflito sem nenhum procedimento instaurado. as partes estão dispostas a negociar. Na conciliação. Tudo dependerá das possibilidades das partes envolvidas e dos seus objetivos na mesa de negociação. As soluções podem ser encaminhadas para conciliação. Através da utilização desta metodologia pode-se efetuar o levantamento da situação conflitante de forma a identificar quais determinantes deram origem ao conflito e todos os problemas ocasionados. O mapeamento possibilita perceber o conflito como um todo. mediação ou arbitragem. E na arbitragem. sua origem.

indb 26 20/12/2007 10:49:05 . médio ou longo prazo? O conflito está sem rumo? Existem algumas variáveis que ainda não foram identificadas? Etapa 5: o comportamento do conflito Quais são as dinâmicas do conflito? O conflito está se acirrando.Universidade do Sul de Santa Catarina Etapa 1: as partes envolvidas Quais são as partes envolvidas? Quem está diretamente envolvido no conflito? Quem não está potencialmente afetado? Etapa 2: o posicionamento das partes envolvidas Quais são as posições das partes envolvidas? Etapa 3: os fundamentos dos objetivos dos conflitos entre as partes O que está por trás dos objetivos? O que as partes realmente dizem que querem? Etapa 4: a variável tempo-espacial Onde o conflito se situa? Qual o desenvolvimento histórico do conflito? Quais são os fatores que influenciaram o desenvolvimento do conflito? A solução do conflito aponta para curto. ou ainda existem dúvidas sobre o seu objetivo central? Etapa 6: o processo de negociação Quais são as abordagens utilizadas pelos grupos para solução dos conflitos? Os grupos estão utilizando a persuasão ou negociação para influenciar o outro lado? 26 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. envolvendo cada vez mais pessoas? O conflito está parado ou caminha para o consenso? O conflito está definido.

como ações de planejamento urbano que deram resultados em outras áreas. Partes interessadas: as partes envolvidas num conflito diferem em termos de direção de seus envolvimentos e importância.indb 27 20/12/2007 10:49:05 . O contexto histórico é fundamental para conhecer o conflito e evitar que erros já cometidos não sejam repetidos. promotores e peritos. comunidades e Estado. para se mapear um confl ito é necessário incluir as seguintes variáveis: Contexto do conflito: a equipe técnica responsável pelo mapeamento do conflito deve considerar o contexto histórico em que o conflito se desenvolveu. Podemos considerar exemplos de primeira parte empresas. Unidade 1 27 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. juízes. constitui um exercício de prospecção interessante para validar o processo de negociação. Negociação e Processo Decisório Os grupos estão confiantes de suas estratégias para forçar a solução a seu favor? Que estratégias de poder cada uma das partes está utilizando? Quais são as expectativas de ganho? Etapa 7: equilíbrio de forças Quais são as fontes de poder de cada lado? Qual é o equilíbrio de poder? Quem tem mais poder? Etapa 8: comprometimento com o acordo Qual é o potencial financeiro de cada parte para arcar com as soluções? Existem possibilidades de rompimento de acordo? As partes estão conscientes de seus compromissos? Existe uma terceira parte que pode monitorar os resultados do acordo? As decisões tomadas serão aceitas de comum acordo pelas partes? Além das questões listadas acima. árbitros. sejam primeiras.Conflito. de segunda parte também empresas. Identificar as partes. e de terceira parte mediadores. segundas ou terceiras. e que precisam ser avaliadas para serem utilizadas como modelo. comunidades e Estado.

Diferenças de valores: a diferença entre crenças e valores emerge vigorosamente no desenvolvimento de um conflito. dessa forma. Dinâmica do conflito: um conflito está em constante movimento e mudança. não devemos considerá-los no conjunto do processo de negociação. procurando mudar a situação para. Quando estamos querendo dizer relação de função. Conhecendo as conseqüências de cada função. não poderemos trabalhar com relações de causa-efeito. ele é fundamental para que possamos esclarecer o conflito. pois os efeitos podem não remeter às mesmas causas.Universidade do Sul de Santa Catarina Relações de função entre variáveis: nem sempre é muito fácil identificar num conflito suas ocorrências objetivas e sua relação com as conseqüências. 28 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. Os valores são morais e políticos. caso mude o peso das variáveis de função. iniciar o processo de negociação. dependendo da função que o conjunto das variáveis exerce. pois se fundamentam no certo e no errado. já verificou num processo de negociação que terá que desenvolver um projeto de recuperação de uma área. algumas das partes envolvidas podem ficar em “estado de espera”. então. podendo ocorrer o inverso. não é relação de causa e efeito.indb 28 20/12/2007 10:49:05 . Como já citamos anteriormente. como valores possuem pontuações diferentes para o conjunto das partes envolvidas. A opinião negativa de uma parte sobre a outra dificulta a abertura de canais de comunicação e a realização de acordos. A relação de função é um conjunto de variáveis que efetivamente promoveram o conflito. Crenças e valores não fundamentam conflitos. dentre aqueles que são resultantes do conflito. Funções do conflito: as funções do conflito são seus objetivos. No caso dos conflitos na administração pública. Uma empresa que. porém devem ser esclarecidos e compreendidos. e as conseqüências positivas sobre a sua oposição entre as partes. pode se retirar estrategicamente do processo. de antemão. Entretanto. Uma função ambiental terá um peso maior do que uma função social dependendo do conflito a ser analisado. podemos rever os caminhos que o conflito produz em direção de uma solução cooperativa. na tentativa de se capitalizar financeiramente para poder efetivar a solução que lhe será devida no final da negociação.

econômica. pois podem durante o seu percurso sofrer alterações significativas.Conflito. Bancos de dados: um ramo da informática tem proporcionado o surgimento de softwares para desenvolvimento de bancos de dados de conflitos ambientais. entre as partes interessadas. Mapas cognitivos: esta metodologia procura identificar. em termos de soluções. Unidade 1 29 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. Em uma cidade na qual um projeto precisa ser votado. Em todo processo de negociação. Negociação e Processo Decisório Regras potenciais: o contexto do conflito contém em si mesmo elementos de limitação interna. procurando ponderá-las. os resultados terão que se efetivar neste caminho. dentre as propostas apresentadas. como o software MEDIATOR. política e socialmente? Dependendo da eleição feita. O grande conflito dessa metodologia é que ela está fundamentada nas representações sociais das relações objetivas que são de natureza idealista. Os mapas cognitivos são pictográficos (cheios de figuras e desenhos). quais os significados atribuídos aos conceitos que estruturam a compreensão do conflito. Em uma quarta etapa é realizada uma avaliação de sensibilidade das variáveis tratadas. As regras do processo de negociação devem-se constituir objetivas e não potenciais.indb 29 20/12/2007 10:49:05 . análise e decisão do conflito. como o processo de mediação possui regras claras para o processo de negociação. tanto as partes envolvidas possuem suas regras individuais em processo de relação. através de pesos que são atribuídos. quais as variáveis a serem consideradas pela população para aprová-lo. em três etapas: estruturação. como os desejos das partes em manter suas relações. apontando para a melhor saída. Análise multicriterial de conflitos complexos: esta metodologia utiliza os pontos de vista fundamentais das partes interessadas.

confiando-a aos agentes de intervenção e à administração pública municipal. os mesmos abriram mão da unilateralidade do processo. mas sim a resolução dos conflitos. mesmo considerando todo o ambiente de risco e insegurança em que estão inseridos. Consideram-se bens patrimoniais disponíveis aqueles que podem ser alienados ou gravados. em função de que alguns bens indisponíveis acabam sendo objetos de transação. é isto sim. nestes casos.” (CARVALHO FILHO. não teremos como resolver os conflitos na esfera municipal.Universidade do Sul de Santa Catarina Você sabia? A partir do momento em que a gestão social foi assumida como fundamentação da administração pública municipal por muitos administradores públicos. Estas condições são: licitação. a negociação de conflitos só é possível a partir de bens patrimoniais disponíveis. entendendo a administração dos conflitos e dos processos de negociação como realização conjunta das comunidades. o que já é um conflito. Torna-se cada vez mais importante. O que vem acontecendo é que dificilmente se discute a fundamentação dos objetos de conflitos. 2005. pelo Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta formalizado pelo Ministério Público. sem alterar a fundamentação que sustenta o processo de negociação e de desenvolvimento de estratégias. 30 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. avaliação prévia e.indb 30 20/12/2007 10:49:05 . É o caso do meio ambiente. a disponibilidade dentro das condições legalmente fixadas. nos termos e condições estabelecidos em lei. verificar que mudando de metodologia. No Brasil. “O fato de serem disponíveis não implica a possibilidade de livre alienação. no caso de bens imóveis. lei que autorize. 854).

porque nem se destinam ao público em geral. Esta compreensão. neste momento. Negociação e Processo Decisório Os bens patrimoniais disponíveis são os bens dominicais em geral. continuarão indisponíveis enquanto estiverem afetados aos fins públicos. verificamos que é necessário primeiramente identificar o que motivou as partes a entrarem em conflito. 854). Como exemplos tem-se os bens de uso especial. Caracterizamos a necessidade da integração do diagnóstico e do mapeamento como instrumento diferencial para se identificar os níveis de conflitos passíveis de serem negociados e terem uma primeira aproximação relativa das possíveis soluções. para podermos encontrar objetivamente uma solução que atenda a todas as partes envolvidas. quando a administração pública municipal quiser levar à frente o processo de resolução de conflitos. Já quanto aos bens patrimoniais indisponíveis entende-se aqueles que. que levarão à mediação ou à arbitragem e ao controle dos resultados das negociações. Síntese Nesta unidade você conheceu os principais processos que fundamentam as estratégias e negociações em conflitos. Unidade 1 31 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. mesmo passíveis de avaliação pecuniária e mesmo que terceiros venham a usá-los.Conflito. é fundamental para se fazer a elaboração e avaliação do conflito nas fases subseqüentes. 2005. como os prédios públicos. nem são utilizados para o desempenho normal das atividades administrativas (CARVALHO FILHO. Com relação à compreensão científica do conflito.indb 31 20/12/2007 10:49:05 .

) O administrador determina ações administrativas. ) Determinar quem deverá arcar com diferentes níveis de custos nas soluções. ) Avaliar objetivamente o conflito para encaminhar as estratégias. no estabelecimento de estratégias para atingir os seus objetivos. Atividades de auto-avaliação Assinale a única alternativa correta para cada enunciado: 1) Quando ocorre um conflito na esfera da administração pública: a) ( b) ( c) ( d) ( e) ( ) Uma segunda parte é atingida pela primeira parte e estabelece uma resistência. ) Somente quando a população se mobiliza em torno de alguma causa. ) Identificar os culpados e estabelecer regras de negociação. ) Quando a câmara municipal não realiza audiência pública. ) Identificar quem vai coordenar o processo de negociação. ) Todas as anteriores estão corretas. bem como. 2) As atividades de mapeamento de conflitos são fundamentais para: a) ( b) ( c) ( d) ( e) ( ) Encontrar rapidamente a solução. considerando que as partes envolvidas ainda utilizam mecanismos de poder para fazer valer as suas posições. 32 conflito_negociacao_e_processo_decisorio.indb 32 20/12/2007 10:49:05 . em situações de negociação.Universidade do Sul de Santa Catarina A situação presente ainda reflete a necessidade da mediação como instrumento de resolução de conflitos.

Conflito. ) O plano de ação a ser implementado pelas partes envolvidas. Várias estratégias têm começado por temas sociais e de infra-estruturas que estão Unidade 1 33 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. 4) Identificar o que motivou o conflito é fundamental para: a) ( b) ( c) ( d) ( e) ( ) Saber quem realizou a ação que motivou o conflito. ) A primeira e segunda parte. ) O estabelecimento da estrutura de custos das soluções. ) Caracterizar o que colocou os interesses das partes em questão. Negociação e Processo Decisório 3) O Mapeamento de Conflitos proporciona: a) ( b) ( c) ( d) ( e) ( ) A identificação dos principais elementos constitutivos do conflito. ) A primeira. na maioria dos casos. 5) Quais são as partes mais importantes para resolução dos conflitos? a) ( b) ( c) ( d) ( e) ( ) Todas as partes envolvidas. Saiba mais Nas estratégias locais. ) A equipe técnica. Tem-se comprovado que. ) Mover ações contra o governo federal. ) A solução mais adequada para o conflito. as comunidades deixam a conservação dos recursos naturais em segundo plano. ) Identificar o grau de compreensão do conflito pelas partes envolvidas. ) Desenvolver o plano diretor urbano.indb 33 20/12/2007 10:49:05 . as comunidades são a garantia da aplicação da prática e da continuidade do processo. ) Nenhuma das anteriores. a segunda e a terceira parte. ) Garantir o desenvolvimento local.

1986. dado ao seu caráter eminentemente direcionado. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. experimental. 2. proporcionando sua resolução de forma mais rápida e eficiente. ou melhor. Para tanto. seria elaborado um projeto-piloto contendo uma série de estratégias e um plano de ação que viesse a atingir diretamente os objetos de conflito. até porque são de fácil desenvolvimento. Assim. São Paulo: Melhoramentos. 34 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. Ainda complementando: Piloto. muito utilizados atualmente. poder-se-ia visualizar um conflito entre dada comunidade e a administração pública. como adjetivo. viabilizam a implantação de certos processos para solucionar conflitos locais. As ferramentas utilizadas com maior êxito são os projetospiloto. que são também as que apresentam facilidades de fomento. ed. adaptação de certos processos tecnológicos: ensino-piloto. piloto é o “que serve de modelo e/ou campo de experimentação para métodos ou processos inovadores: “usina-piloto”**.indb 34 20/12/2007 10:49:06 . para experimentação. ** Novo dicionário da língua portuguesa. podem-se estabelecer a partir dele as metas e diretrizes a serem atingidas a longo e médio prazo. projeto-piloto. em que a referida comunidade estivesse exigindo a solução dos problemas de infra-estrutura e saneamento básico do bairro.Universidade do Sul de Santa Catarina ligados diretamente aos seus objetos de conflitos. é “uma realização em dimensões reduzidas. Estes projetos. para num segundo momento se estabelecerem os planos de médio e longo prazo. *Dicionário Melhoramentos da língua portuguesa. Tomando-se por base as questões do livro didático. laboratório-piloto”* ou. como em determinada comunidade. 1977. Todos concordam que é necessário respeitar os ritmos e prioridades das comunidades quando estas estão em conflito com a administração pública municipal. no dizer de Aurélio.

mediação e arbitragem em alguns dos processos de negociação. que poderão ser utilizados pela administração pública municipal para resolução de conflitos. conciliação. „ 2 Seções de estudo Seção 1 Quais os princípios éticos nos processos de Seção 2 negociação? Quais os diferentes tipos de transação? conflito_negociacao_e_processo_decisorio.indb 35 20/12/2007 10:49:06 . „ Estabelecer a diferença entre negociação.UNIDADE 2 Processo de resolução de conflitos e negociação Objetivos de aprendizagem Identificar os princípios éticos a serem considerados nos processos de negociação.

diante de tendências como a do aumento do poder da sociedade civil. que parecem requerer o apelo a alguma instância superior de decisão para serem arbitrados. o seu conjunto não parece funcionar adequadamente para orientar as decisões concretas que precisam ser tomadas. Existem conflitos potenciais e reais entre eles. SEÇÃO 1 . por menos contestação que ocorra. Entretanto. a partir daí. Entretanto. Comece seu estudo entendendo os princípios éticos nos processos de negociação. a importância da ética na condução de processos de negociação. implica o direito a ter assegurados pela sociedade todos os recursos necessários para o desenvolvimento pleno de suas capacidades e necessidades básicas. Conflitos potenciais são aqueles que todos estão verificando que vai ocorrer. identificar a fundamentação da ética que preside e organiza a mediação de conflitos para. podermos garantir com controle de resultados o processo de negociação. seria necessário.Quais os princípios éticos nos processos de negociação? Existe um corpo de princípios já bem estabelecidos. tais como os princípios da autonomia e da justiça que expressam os pontos de vista das partes que costumeiramente estão envolvidas nos conflitos. para fundamentar um caminho seguro.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo É cada vez mais relevante. e precisam ser resolvidos. por exemplo. conforme visto na Unidade 1. mas quem está envolvido diretamente não consegue ter essa compreensão. Um dos caminhos apontados para a resolução desse impasse é pela ética. para toda a sociedade. que é devido a todo indivíduo.indb 36 20/12/2007 10:49:06 . e conflitos reais são aqueles que de uma forma ou de outra já se manifestaram. O que fazer. 36 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. em relação ao seu poder de participação e de intervenção na condução das decisões de suas respectivas coletividades? O direito à vida.

Os juízos de fatos acabam sendo suplantados pelos juízos de valor nas deliberações das decisões a serem implantados. por persuasão. pois além de não considerarem os objetos de conflitos. Em termos de administração pública. não restando. traduzindo-a como um padrão moral de grupos. dúvidas relativas à condução das estratégias a serem adotadas e dos resultados a serem atingidos. podem gerar novas situações e conflitos. é necessário se identificar e esclarecer quais princípios éticos serão utilizados na negociação para se garantir que as partes tenham pleno entendimento do processo que será iniciado. na medida em que ela não se aplica. quem vai garantir a ética na negociação não são os princípios aceitos por todos. A moral de grupos é institucionalizada pelos grupos e não por princípios objetivos. daí as dificuldades de fazer valer uma moral para todos num processo de negociação. as soluções acordadas não se sustentam ou são objeto de novas intervenções. uma fundamentação que não dá conta da realidade objetiva.Conflito. Por isso. a moral partidária ignora que exista uma ética comunitária que regule os princípios básicos de cooperação e de resolução de conflitos. na maior parte das vezes. Dessa forma. neste caso. Nesses casos.indb 37 20/12/2007 10:49:06 . e nessa direção a negociação previsivamente está fadada à não-resolução do conflito que veio a se interpor. Negociação e Processo Decisório Isso ocorre porque a fundamentação que sustenta os princípios éticos não se garante objetivamente a partir da realidade objetiva. em que ocorrem os conflitos. O que queremos demarcar é que a natureza do conflito traz. Para garantir que os conflitos estejam sustentados em princípios éticos objetivos. e não como princípios gerais que regulariam a atividade humana e suas condições em ambientes de conflitos na relação com a esfera pública. mas princípios políticos que. para resolução de conflitos. na sua estruturação. existe um poder discricionário que determina o que é a ética. portanto. Unidade 2 37 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. sustentam todas as argumentações nos interesses das partes envolvidas que são de natureza política.

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Temos que distinguir os princípios éticos das partes envolvidas, dos princípios éticos a serem adotados pelos mediadores e árbitros no processo de negociação de conflitos, conforme veremos mais à frente.
Assim, o que estará em jogo e deverá ser garantido são os princípios éticos do processo de negociação que resguardarão as negociações, e não os princípios éticos e morais de cada parte envolvida no conflito.

Todas as partes envolvidas têm diferentes soluções, a partir de diferentes concepções do que seja o bem-comum. Temos também que ter claro que o bem comum deve ser definido a partir do que ele é, e não do que deveria ser, com base numa argumentação política, pois, dessa forma, teremos outro conflito: definir o que é bem-comum. As diferentes partes envolvidas em conflitos, além da administração pública, acreditam que a sua compreensão e ética são universais e deverão acabar predominando. O conflito é estabelecido no momento em que a moral de um grupo pretende ser a ética universal de todos.
Um exemplo rotineiro na administração pública é achar que a compreensão político-partidária pode ser considerada como princípio ético de todos, pelo fato de os mesmos terem sido eleitos pela população. Dessa forma, a moral político-partidária de um grupo passaria a ser o princípio ético que regularia todas as relações entre os homens, o que não é possível num ambiente democrático.

Nesse ambiente pluralista há necessidade de estabelecimento de padrões que não se reduzem às percepções e a conflitos de comunicação, conforme colocado na Unidade 1, para justificarem os conflitos como uma ocorrência comum nas relações humanas. É preciso reconhecer a administração pública, seus modelos de estratégias, seus modos de

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relação com os seus interlocutores, para que os conflitos existentes sejam resolvidos ou administrados. Uma nova consciência de solidariedade faz contraponto à exacerbação do individualismo para tratamento de conflitos. Os temas ambientais, a mobilização em torno das mais diversas questões coletivas, característica das ações das organizações não-governamentais, a solidariedade ativa em relação a grupos desfavorecidos ou discriminados mostram que, se não há uma consciência ética baseada numa experiência comum aos diversos segmentos da sociedade, existem forças capazes de assegurar um novo tipo de coesão intergrupal não-homogêneo. Aqui está a grande diferença.

Reconhecer que nem todos os conflitos legítimos são conciliáveis é renunciar ao ideal (ou ao mito) da verdade, do bem ou da razão supremos, e contentarse com o difícil e precário equilíbrio possível.

Destacamos a idéia de participação, em oposição ao simples debate público, que já se tornou “chavão” receitar como saída para toda espécie de impasse. A idéia do debate ainda é resultante do ideal de uma razão universal, capaz de apontar, uma vez eliminados os preconceitos e a ignorância, para o velho objeto do desejo totalizante: o interesse geral, o “bem-comum”. A seguir você vai estudar o código de ética utilizado por mediadores em processos de negociação em conflitos.

Código de Ética para Mediadores
Este código de ética foi aprovado pelo CONIMA - Conselho Nacional das Instituições de Mediação e Arbitragem, e se aplica à conduta de todos os mediadores, quer nomeados por órgãos institucionais ou partícipes de procedimentos.
Disponível em: <http://www.conima. org.br/etica_mediadores. html>

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Autonomia da vontade das partes
A mediação fundamenta-se na autonomia da vontade das partes, devendo o mediador centrar sua atuação nesta premissa. O caráter voluntário do processo da mediação garante o poder das partes de administrá-lo e estabelecer diferentes procedimentos, e a liberdade de tomar as próprias decisões durante ou ao final do processo.

Princípios fundamentais
O mediador pautará sua conduta nos seguintes princípios: Imparcialidade, Credibilidade, Competência, Confidencialidade e Diligência. Veja, a seguir, mais detalhes de cada uma delas. Imparcialidade - condição fundamental ao mediador; não pode ser afetada por qualquer conflito de interesses ou relacionamento: o mediador deve procurar compreender a realidade dos mediados, sem que nenhum preconceito ou valor pessoal venha a interferir no seu trabalho. Aqui, é preciso ter uma formação que estabeleça a diferença entre avaliação moral, política e científica do conflito. Credibilidade - o mediador deve construir e manter a credibilidade perante as partes, sendo independente, franco e coerente. Competência – capacidade para efetivamente mediar a controvérsia existente. Por isso o mediador somente deverá aceitar a tarefa quando tiver as qualificações necessárias para satisfazer as expectativas razoáveis das partes. Confidencialidade - os fatos, situações e propostas ocorridos durante a mediação são sigilosos e privilegiados. Aqueles que participarem do processo devem obrigatoriamente manter o sigilo sobre todo conteúdo a ele referente, não podendo ser testemunhas do caso, respeitado o princípio da autonomia da vontade das partes, nos termos por elas convencionados, desde que isto não contrarie a ordem pública.

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Negociação e Processo Decisório Diligência . a seguir os termos convencionados. Do mediador frente à sua nomeação Aceitará o encargo somente se estiver imbuído do propósito de atuar de acordo com os princípios fundamentais estabelecidos e normas éticas.Conflito. abstendo-se de promessas e garantias a respeito dos resultados. utilizar a prudência e a veracidade. quais os pontos sigilosos e quais aqueles que podem ser do conhecimento da outra parte.cuidado e a prudência para a observância da regularidade. somente transferível por motivo justo e com o consentimento expresso dos mediados. ao finalizar uma sessão em separado. suscitar aparência de parcialidade ou quebra de independência. „ Do mediador frente às partes A escolha do mediador pressupõe relação de confiança personalíssima. antes de aceitar a indicação.indb 41 20/12/2007 10:49:06 . mantendo íntegro o processo de mediação. O mediador deverá: „ garantir às partes a oportunidade de entender e avaliar as implicações e o desdobramento do processo e de cada item negociado nas entrevistas preliminares e no curso da mediação. „ obrigar-se-á. para que as partes tenham elementos de avaliação e decisão sobre sua continuidade. „ „ „ „ Unidade 2 41 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. esclarecer quanto aos honorários. esclarecer para a parte. dialogar separadamente com as partes da mesma forma. custas e forma de pagamento. „ avaliará a aplicabilidade ou não de mediação ao caso. interesse ou relacionamento que possa afetar a imparcialidade. se aceitar a nomeação. „ revelará. assegurando a qualidade do processo e cuidando ativamente de todos os seus princípios fundamentais.

indb 42 20/12/2007 10:49:07 . suspender ou finalizar a mediação quando concluir que sua continuação possa prejudicar qualquer dos mediados ou quando houver solicitação das partes. interromper o processo frente a qualquer impedimento ético ou legal. sugerir a busca e/ou a participação de especialistas à medida em que suas presenças se façam necessárias a esclarecimentos para a manutenção da equanimidade. eximir-se de forçar a aceitação de um acordo e/ou tomar decisões pelas partes. com os mediados. „ „ „ „ „ „ 42 conflito_negociacao_e_processo_decisorio.Universidade do Sul de Santa Catarina „ assegurar-se de que as partes tenham voz e legitimidade no processo. assegurar-se de que as partes tenham suficientes informações para avaliar e decidir. esclarecer quanto ao sigilo. „ „ „ „ Do mediador frente ao processo O mediador deverá: „ „ descrever o processo da mediação para as partes. para tratar de questão que tenha correlação com a matéria mediada. garantindo assim equilíbrio de poder. zelar pelo sigilo dos procedimentos. inclusive no concernente aos cuidados a serem tomados pela equipe técnica no manuseio e arquivamento dos dados. utilizando todas as técnicas disponíveis e capazes de levar a bom termo os objetivos da mediação. definir. observar a restrição de não atuar como profissional contratado por qualquer uma das partes. todos os procedimentos pertinentes ao processo. recomendar às partes uma revisão legal do acordo antes de subscrevê-lo. assegurar a qualidade do processo.

„ „ „ A mediação transcende à solução da controvérsia. entre outros). Com freqüência. Negociação e Processo Decisório „ fornecer às partes. no qual a responsabilidade das decisões cabe às partes envolvidas. É um processo confidencial e voluntário. O Código de Ética para Mediadores adiciona critérios 43 Unidade 2 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. manter os padrões de qualificação de formação. em conjunto. e a construir. o mediador deve restringir-se a assuntos que esclareçam e informem o público por meio de mensagens de fácil entendimento. aprimoramento e especialização exigidos pela instituição ou entidade especializada. da conciliação e da arbitragem. dispondo-se a transformar um contexto adversarial em colaborativo. O mediador deve proceder.Conflito. no desempenho de suas funções. Difere da negociação. quando por elas solicitado. visando ao consenso e à realização do acordo. terapeutas. auxilia as partes a identificar os seus conflitos e interesses. por escrito. comunicando qualquer violação às suas normas. O mediador é um terceiro imparcial que. constituindo-se em uma alternativa ao litígio e também um meio para resolvê-lo. os mediadores também têm obrigações frente a outros códigos éticos (de advogados. por meio de uma série de procedimentos próprios. as conclusões da mediação. alternativas de solução. Do mediador frente à instituição ou entidade especializada O mediador deverá: „ cooperar para a qualidade dos serviços prestados pela instituição ou entidade especializada.indb 43 20/12/2007 10:49:07 . contadores. preservando os princípios éticos. submeter-se ao código e ao conselho de ética da instituição ou entidade especializada. acatar as normas institucionais e éticas da profissão. Nas declarações públicas e atividades promocionais.

se identifica com as técnicas da mediação e trabalha com o esforço do terceiro conciliador. a negociação é um processo lógico. o que no conjunto forma uma atividade ordenada. Já a conciliação é bastante conhecida na cultura jurídica brasileira. ou entendimento direto.Universidade do Sul de Santa Catarina específicos a serem observados pelos profissionais no desempenho da mediação. É um processo voluntário e pacífico que cria um ambiente propício para as partes se concentrarem na procura de soluções definitivas. racional. o conciliador propõe uma solução que. Contudo. ser empregada na própria negociação direta ou nas demais formas de solução pacífica de divergência. a seu critério. Na negociação direta. as partes não estão obrigadas a aceitar a proposta do conciliador. é a solução natural e instintiva de onde resulta a própria sociedade. é a mais adequada para aquela contenda. na condução de um entendimento que ponha fim ao conflito entre as partes. representado por uma série de encontros em que se conversa com o objetivo de compor interesses divergentes ou de entabular um acordo. racional. Uma negociação se caracterizará como adversarial se as partes utilizarem estratégias competitivas e buscarem soluções de ganha/perde. as partes sem a interferência de terceiros estabelecem um diálogo com a intenção de chegarem a um acordo. quando o fato não se caracteriza como um direito incontroverso e diz respeito a um direito patrimonial privado. Na aplicação da técnica.indb 44 20/12/2007 10:49:07 . consciente e planejada e que pode. quando trabalhada na esfera dos procedimentos extrajudiciais. na hipótese em que as partes não cheguem a um entendimento. ou seja. No caso de profissionais vinculados a instituições ou entidades especializadas. Sua principal característica é de que. somam-se suas normativas a este instrumento. Você sabia? A negociação direta. 44 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. o resultado deverá ser ganha/ganha. inclusive. Caso a administração pública busque um caminho pelo lado não-adversarial.

Quais os diferentes tipos de transação? Nesta secção você vai conhecer os fundamentos normativos existentes e utilizados para o desenvolvimento de programas de mediação. transformando adversários em colaboradores. O mediador.indb 45 20/12/2007 10:49:07 . Mediação de conflitos A mediação busca soluções para as controvérsias. e têm como principal objetivo proporcionar às partes uma ótima solução ao seu conflito. a mais justa e eqüitativa. com foco no acordo. identifica os interesses das partes e constrói com elas.Conflito. O regulamento da mediação A mediação é um processo não-adversarial e voluntário de resolução de controvérsias. e a que melhor satisfaz os interesses das partes envolvidas. A mediação pode ser conceituada como um processo confidencial e voluntário. em que a responsabilidade das decisões cabe às partes envolvidas. buscam obter uma solução consensual. visando ao consenso e/ou realização de acordo. SEÇÃO 2 . além dos cuidados que se deve tomar no início de um processo de mediação. a co-mediação é um processo realizado por mais de dois mediadores. físicas ou jurídicas. sem caráter vinculativo. opções de solução. Por sua vez. por meio de uma série de procedimentos e de técnicas próprias. em torno de uma causa que é comum para as partes. propiciando melhor controle da qualidade da mediação. Unidade 2 45 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. que permitem uma reflexão ampla da visão da controvérsia. que possibilite preservar o relacionamento entre elas. a proposta a ser oferecida às partes deve lhe parecer a melhor alternativa para composição daquele conflito. por intermédio do qual duas ou mais pessoas. Dentro da óptica do conciliador. Negociação e Processo Decisório As técnicas utilizadas na conciliação são as mesmas da mediação.

Na impossibilidade comprovada de fazê-lo. entidades especializadas ou mediadores. as partes serão preparadas após a escolha do mediador. Preparação O processo se inicia com uma entrevista que cumprirá os seguintes procedimentos: as partes deverão escrever a controvérsia e expor suas expectativas. As partes podem ser acompanhadas por advogados e outros assessores técnicos. qualquer pessoa jurídica ou física considerada capaz pode requerer a mediação para a solução de uma controvérsia para instituições.indb 46 20/12/2007 10:49:07 . A solicitação da mediação. deverá preferencialmente ser formulada por escrito.Universidade do Sul de Santa Catarina Recomenda-se a todas as instituições e entidades. Representação e assessoramento As partes deverão participar do processo pessoalmente. Quando a outra parte não concordar em participar da mediação. com procuração que outorgue poderes de decisão. bem como o convite à outra parte para participar. podem-se fazer representar por uma outra pessoa. acompanhe os procedimentos formais para um processo de mediação de conflitos. as partes deverão 46 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. pessoas de sua confiança ou escolha. com a sua orientação. Início do processo Para se iniciar um processo de mediação de conflitos. governamentais e privadas. a primeira será imediatamente comunicada por escrito. e pelo Código de Ética de Mediadores. que pautem sua atuação pelo regulamento modelo da mediação. desde que estas presenças sejam convencionadas entre as partes e consideradas pelo mediador pertinentes ao necessário equilíbrio do processo. A seguir.

O mediador cuidará para que haja equilíbrio de participação. quanto à igualdade de oportunidades e quanto ao sigilo. respeitado o disposto no Código de Ética dos Mediadores. interrogar quem entender necessário. poderá recomendar a co-mediação. Havendo necessidade e concordância das mesmas. e a própria celeridade do processo. a qualquer momento. o mediador pode: aumentar ou diminuir qualquer prazo. as regras de procedimento.Conflito. sempre que julgar benéfica ao propósito da mediação. A informação é um poder decisório entre as partes. o que foi estabelecido na negociação com as partes. o mediador poderá reunir-se separadamente com cada uma das partes. Um mediador poderá conduzir os procedimentos da maneira que considerar mais apropriada. os custos e a forma de pagamento da mediação. ou ainda. levando em conta as circunstâncias. Negociação e Processo Decisório firmar o contrato onde ficam estabelecidas: a agenda de trabalho. pedir a apresentação de documento ou classe de Unidade 2 47 conflito_negociacao_e_processo_decisorio.indb 47 20/12/2007 10:49:07 . Escolha do mediador O mediador será escolhido livremente pelas partes em lista de mediadores oferecida por instituição ou entidade organizadora do serviço ou. os objetivos da mediação proposta. se assim o desejarem. mediante procuração com poder de decisão expresso. deixar a critério da instituição ou entidade organizadora do serviço. como único escolhido para conduzir o processo da mediação. O mediador. A atuação do mediador As reuniões de mediação serão realizadas preferencialmente em conjunto com as partes. ou as acompanharão. ou. indicada pela referida instituição. ainda que sujeitas à redefinição negociada. solicitar às partes que deixem à sua disposição tudo o que precisar. para o bom desenvolvimento do processo. as pessoas que as representarão. profissional escolhido pelas partes. se for o caso. se as partes assim o desejarem. o lugar e o idioma da mediação. durante o processo. Salvo se as partes dispuserem em contrário ou a lei impedir.

Dos custos As despesas administrativas e os honorários do mediador serão rateados entre as partes. por uma declaração conjunta das partes. Impedimentos e sigilo O mediador fica impedido de atuar ou estar diretamente envolvido em procedimentos subseqüentes à mediação. de acordo com as normas éticas e regras com as partes acordadas. salvo disposição em contrário. Os demais deverão ser destruídos ou arquivados. custódia ou poder de disposição.indb 48 20/12/2007 10:49:07 . a menos que as partes disponham diferentemente. e para o mediador com o efeito de encerrar a mediação. conforme o convencionado. Os documentos apresentados durante a mediação deverão ser devolvidos às partes. por qualquer das partes. após a análise. quando uma parte presta declaração escrita para outra. tais como na arbitragem ou no processo judicial. o corpo ou qualquer das partes. dirigida ao mediador com o efeito de encerrar a mediação. 48 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. quando a mediação obtiver êxito ou não. estes custos deverão seguir as respectivas tabelas. e que fiquem em sua posse. No caso de mediação realizada por instituição ou entidade especializada. Responsabilidade do mediador O mediador não pode ser responsabilizado. no sentido de que não se justifica aplicar força para buscar composição. desde que entenda ser relevante para sua análise. por ato ou omissão relacionada com a mediação conduzida. Encerramento do processo de mediação O processo de mediação encerra-se: quando ocorre a assinatura do termo de acordo pelas partes.Universidade do Sul de Santa Catarina documentos. solicitar das partes que procurem informação técnica e legal necessária para a tomada de decisão. por uma declaração escrita do mediador.

planalto. caberá às partes deliberarem sobre lacunas do presente regulamento.Conflito. Disponível em : <http://www. que dispõe sobre a transação de bens patrimoniais disponíveis. Tal qual os demais procedimentos. as partes convencionam desde já que primeiramente irão buscar uma solução por meio da mediação fundada no princípio da boa fé. com base nos princípios gerais do direito. durante o curso da contratação. podendo delegar essa tarefa à instituição que estiver vinculada à mediação. Arbitragem em conflitos A arbitragem é um dos mais antigos processos de resolução de conflitos. Se uma controvérsia surgir em razão desse contrato ou posteriores aderidos. pelas partes dos árbitros. Finalmente. Negociação e Processo Decisório Disposições finais É recomendável que as partes passem a inserir cláusula de mediação nos contratos em geral que venham a firmar. antes de recorrer a outros meios judiciais ou extrajudiciais para a resolução das controvérsias. a critério das partes. tendo fundamento o princípio da autonomia da vontade.br/ccivil_03/leis/ L9307. o seu descumprimento. que decidirão a controvérsia com força de sentença judicial (o cumprimento de decisão é de cunho obrigatório nos termos da lei). ou nas regras a serem utilizadas em cada caso.307/96. que ainda. a arbitragem é fundada no consenso. gov. pela não-validade ou invalidade ou qualquer questão relacionada com o mesmo. que se estabelece por oportunidade da contratação entre as partes por meio da inserção nos contratos da cláusula compromissória. ou ainda como alternativa negociada por oportunidade do surgimento da controvérsia. se assim desejarem. poderá ser uma arbitragem de direito ou eqüidade. incluindo. passando pela escolha das regras que servirão de base ao procedimento e ao exame da matéria.indb 49 20/12/2007 10:49:07 . por meio de um acordo para resolução por esta via. sem limitação.htm> Unidade 2 49 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. Esta autonomia da vontade das partes se espelha no procedimento em todos os seus desdobramentos. No Brasil a arbitragem é regulada pela Lei 9. que vão desde a possibilidade de nomeação.

o de discernir o que é direito patrimonial disponível (âmbito de abrangência da arbitragem) nas questões estatais e o possível conflito entre dois dispositivos da lei de licitação. Constatou que a mediação e a arbitragem têm objetivos distintos nos processos de negociação. em que diferentes partes envolvidas precisam ser esclarecidas sobre o que objetivamente está sendo tratado. Já quando adota condutas para operacionalizar os interesses públicos primários que possam ser quantificados e tenham expressão patrimonial. Por sua vez. um que elege o foro judicial e o outro que determina a aplicação dos princípios dos contratos empresariais. Não se trata de examinar nem decidir sobre a legitimidade de atos administrativos (interesse primário). quando a administração atua no interesse da coletividade. é tema que suscita muitos debates. são interesses fora do mercado (indisponibilidade absoluta). Um bom guia é partir da premissa de que. são interesses públicos primários.Universidade do Sul de Santa Catarina Solucionar controvérsias contratuais por arbitragem.indb 50 20/12/2007 10:49:07 . mas de suas conseqüências patrimoniais (interesse derivado) externadas nos contratos administrativos. adotando políticas referentes à segurança e ao bem-estar da sociedade. e que são metodologias de resolução de conflitos cada vez mais utilizadas com o processo de democratização e descentralização das funções do Estado. Síntese Nesta unidade você conheceu os principais mecanismos de transação de conflitos que podem ser utilizados pelos administradores públicos municipais: a mediação e a arbitragem. quando a administração esteja envolvida. portanto disponíveis e suscetíveis à arbitragem. 50 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. a função de mediador e árbitro é importante num processo de democratização. Entre eles. estamos diante dos interesses públicos derivados.

) Não-adversarial. ) Não interferir no resultado das negociações. ) Aconselhar antes das negociações. ) Legal. ) Denunciar publicamente o conflito. ) Contratado para implantar o plano de monitoramento. ) Nenhuma das anteriores está correta. ) Existem recursos para financiar as soluções. Negociação e Processo Decisório Atividades de auto-avaliação Assinale a única alternativa correta para cada enunciado: 1) A mediação é um processo de resolução de conflitos: a) ( b) ( c) ( d) ( e) ( ) Adversarial. Unidade 2 51 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. ) Não se sabe qual solução adotar para uma negociação. ) Todas as partes querem chegar a um consenso. quando as partes são reativas. 3) O mediador é um profissional: a) ( b) ( c) ( d) ( e) ( ) Contratado para identificar os interesses das partes envolvidas. ) Contratado para fazer avaliações periciais. 4) O árbitro é um profissional contratado para: a) ( b) ( c) ( d) ( e) ( ) Arbitrar uma solução.indb 51 20/12/2007 10:49:08 . ) Todas as anteriores estão corretas.Conflito. ) Contratado para orientar a formação do consenso no conflito. ) Involuntário. 2) A arbitragem é um processo de mediação utilizado quando: a) ( b) ( c) ( d) ( e) ( ) Encontrou-se rapidamente a solução. ) Desenvolver um plano de implementação de soluções. ) Não existe meio de se chegar a uma solução.

que é a própria sociedade juridicamente organizada. solução estatal ou jurisdicional. 2. nasceram instituições e sobreveio o Estado. entendimento direto. diligência e amizade. 3. traziam perigo à manutenção da paz social. negociação direta. competência. 52 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. diligência e amizade. independência. com funções essenciais e precípuas. nos conflitos de interesses que não solucionados. Verificando que nem sempre as normas atuavam com eficiência para a efetividade de sua ação. Saiba mais Desde os primórdios da civilização.Universidade do Sul de Santa Catarina 5) Quais os princípios que garantem com competência o trabalho do mediador e do árbitro? a) ( b) ( c) ( d) ( e) ( ) Imparcialidade. três são as formas de gestão de conflitos dos interesses mais comuns: 1. independência. independência. competência e diligência. como declarar as regras em abstrato (função normativa). ) Imparcialidade e independência. competência. gerir a coisa comum (função administrativa) e declarar as regras em concreto (função jurisdicional). ) Imparcialidade. ) Imparcialidade. ) Competência. diligência e confidencialidade.indb 52 20/12/2007 10:49:08 .

você deve ser capaz de: Identificar as estratégias e suas peculiaridades relativamente à negociação de conflitos.UNIDADE 3 Estratégias de negociação na administração pública Objetivos de aprendizagem Após o estudo desta unidade.indb 53 20/12/2007 10:49:08 . „ 3 Seções de estudo Nesta unidade você vai estudar os seguintes assuntos. Seção 1 Estratégias para resolução de conflitos Seção 2 Estratégias de negociação conflito_negociacao_e_processo_decisorio. „ Identificar as principais estratégias de negociação.

em cada caso analisado. ou pela adaptação das soluções para as condições locais. em que predomina um conhecimento linear e por etapas.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo A partir de experiências acumuladas na mediação de conflitos. Nessa perspectiva. vamos orientá-lo acerca dos cuidados que se devem tomar quando iniciar-se um processo de mediação. estão consubstanciadas nos princípios do desenvolvimento sustentável.Estratégias para resolução de conflitos Toda estratégia visa a aplicar os meios disponíveis com vistas à consecução de objetivos específicos. e numa tentativa de integração com os objetivos das comunidades locais. ainda que os planos sejam uma parte importante das estratégias. listaremos a seguir algumas estratégias que consideramos importantes para a resolução de conflitos e dos processos de negociação. com base no desenvolvimento sustentável. 54 conflito_negociacao_e_processo_decisorio.indb 54 20/12/2007 10:49:08 . metodologias e conteúdos desenvolvidos a partir dos relatórios de cada conflito analisado. por sua vez. após vários anos de trabalho consubstanciados em conceitos. Isto não impede de extrairem-se lições comuns. Essas buscas. SEÇÃO 1 . com ênfase na produção dos relatórios técnicos das deliberações dos processos desenvolvidos nos fóruns de discussão. As estratégias fazem parte dos planos. Entretanto. Sobre as estratégias de resolução de conflitos O processo de gerenciamento de conflitos tem adotado sistematicamente o conceito de “estratégia” como aproximação gradual do conceito de planejamento das ações a serem desenvolvidas pelas partes. o termo “estratégia” pode ser interpretado como “plano de longo prazo”. principalmente porque não existe uma receita única para cada conflito.

acreditam que a execução de procedimentos é puramente operacional. A possibilidade efetiva de intervenção das estratégias nas soluções Os processos de negociação devem gerar soluções possíveis de serem implantadas e alcançadas. ou seja. Unidade 3 55 conflito_negociacao_e_processo_decisorio.indb 55 20/12/2007 10:49:08 . para criar a expectativa de resolução dos conflitos em questão. Negociação e Processo Decisório As estratégias ganham maturidade na medida em que indicadores de avaliação são utilizados para verificação da viabilidade das medidas a serem propostas e implementadas. para comunidades socialmente realizáveis. os objetivos devem ser política e economicamente viáveis. O planejamento exaustivo. Esta é uma compreensão científica. Existe uma tendência a planejar e documentar procedimentos que muitas vezes pode ser perda de tempo e de recursos. Da mesma forma. não sistêmica do conflito. A necessidade dos procedimentos de documentação A documentação é um procedimento fundamental a ser adotado nos processos de gerenciamento de conflitos. todas as atividades devem caminhar simultaneamente. Quando uma estratégia é adotada e aplicada. colocando em risco as estratégias. sem ações práticas. Neste sentido. passa a ser influenciada pela realidade objetiva. Para os políticos. que não reverterá em ações estratégicas.Conflito. A simultaneidade: planejamento e ações As análises demonstram que em matéria de gerenciamento de conflitos não existe precedência. por não executarem as ações acordadas. é muito importante demonstrar sua objetividade. os planejadores. acaba gerando a perda de interesse e credibilidade das partes envolvidas.

„ Um dos grandes conflitos na negociação é que na maior parte das vezes existe reelaboração das situações em que as partes se encontram envolvidas. 56 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. mas inexiste apropriação por parte das mesmas. particularmente pelos setores econômicos e os organismos responsáveis pela promoção de políticas de crédito e de isenções fiscais. nacionais ou locais Quanto menor é a escala de intervenção territorial da solução a ser adotada. porque as estratégias de uma dimensão tempo-espacial local são de conhecimento de todos e passíveis de serem realizadas. O êxito neste campo deve-se a: „ as estratégias não considerarem aspectos macroeconômicos e de desenvolvimento regional que são prioritários para os governos. mesmo com a reelaboração. pois não houve tempo para que esse fenômeno ocorresse.Universidade do Sul de Santa Catarina A escala das intervenções: internacionais. Como evitar a descontinuidade dos processos Internalizar as estratégias Geralmente. maior é o impacto sobre a realidade objetiva das comunidades locais. as estratégias e as ações desenvolvidas não são oficiais. o saber-de-ser continua equivocado.indb 56 20/12/2007 10:49:08 . As estratégias necessitam ser acolhidas por todos os participantes. As estratégias locais são as que têm apresentado melhores resultados práticos. Dessa forma. nem se vinculam aos setores governamentais. o setor de interesse das ONGs estar apresentando certas resistências.

As pesquisas de campo que pareciam estratégicas acabam por se extinguir. A equipe deve estar motivada. A definição dos papéis das partes no processo de mediação. assim como a persistência de grupos de trabalho (técnicos) entre instituições. não é conveniente forçar a existência de comitês externos. Mas. deve-se buscar um contato mais estreito e direto com as comunidades locais. A equipe técnica Com ou sem comitê formal. as partes requerem uma fonte de energia para mantê-las no caminho da motivação.Conflito. As organizações governamentais podem levar a lideranças. Financiamento dos processos e das soluções Para manter vivo o processo de gerenciamento de conflitos é necessário um número mínimo de recursos que assegurem a dedicação de uma equipe promotora. Os compromissos escritos (contratos celebrados) são instrumentos apropriados para fortalecer os compromissos de cooperação. a divisão das responsabilidades e os resultados de campo são os incentivos que mantêm vivas as partes em negociação. para além de seus termos contratuais. Assim. A existência de equipes interdisciplinares de trabalho comprometidas é fundamental. a dedicação e comprometimento das ONGs e de líderes carismáticos está por trás das experiências promissoras. Unidade 3 57 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. não só por meio de seus líderes.indb 57 20/12/2007 10:49:08 . para assim prover as soluções. A falta de pessoal técnico e especializado é uma limitação que aparece em todos os casos analisados. Negociação e Processo Decisório Instâncias organizacionais Os níveis de organização devem ser dinâmicos e flexíveis. com freqüência. para que as partes se sintam na necessidade de requerê-los.

para levar a cabo a missão que lhe cabe. Assim. evita-se a duplicação de esforços e aproveita-se a capacidade local. não dos mediadores. nas análises propostas e aplicação de programas. A prática da participação As partes necessitam de incentivos para participar do processo de gerenciamento de conflitos. que esteja de acordo com elas. Deve-se aproveitar as iniciativas e organizações já existentes.Universidade do Sul de Santa Catarina Fortalecer a capacidade local É preciso que se tenha gerado a participação suficiente para internalizar as recomendações necessárias para fortalecer a capacidade local de intervenção das partes envolvidas. A participação se concretiza na divisão das responsabilidades. a partir das responsabilidades que passarão a assumir. Uma forma de atrair sua atenção é ter um objetivo comum. A clareza dos papéis é fundamental para evitar conflitos internos. A importância da participação As estratégias são de todos. 58 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. Todos os casos assinalam que a participação ampla. e não deve ser entendida somente como uma simples consulta popular. Em geral.indb 58 20/12/2007 10:49:08 . fortalecendo-as em seus objetivos de desenvolvimento sustentável. delegando para elas os resultados que deverão ser atingidos. identificam-se as informações existentes. são o fator principal para garantia dos resultados das negociações. as partes que possuem um esclarecimento dos seus objetivos têm uma performance assegurada nas negociações. a integração de setores governamentais e a integração dos setores sociais e as ONGs.

Conflito. Unidade 3 59 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. a participação dos grupos deve limitar-se aos seus representantes. Algumas comunidades se mantêm fechadas ao desenvolvimento de estratégias. As autoridades formais: representantes/líderes A autoridade formal não é necessariamente representativa da comunidade. Da participação. A participação não pode nem deve ser de 100 por 100. mesmo com a intervenção de equipes técnicas que queriam negociar diretamente com elas. a participação das partes deve ser plena. no nível de estratégias comunais. Entretanto.indb 59 20/12/2007 10:49:08 . Mas a maior parte faz um esforço adicional relativamente menor para manter informados os meios de comunicação. ainda que venham a acontecer no futuro. sem reverter informação para comunidades. Negociação e Processo Decisório Os impedimentos à participação Todo planejamento sério toma tempo e recursos para ser viabilizado concretamente. e o interesse das partes no processo de participação. afloram conflitos que estavam latentes. Em nível local. Sua amplitude e profundidade dependem da escala e do enfoque de cada estratégia. e dos planos de ação. alguns casos chamam atenção pela falta de representatividade de lideranças locais. que participam na formulação de estratégias. A implementação das estratégias As comunicações As partes fazem enormes esforços para manterem a coerência dos processos de mediação por meio das comunicações realizadas. Em conflitos nos quais existem muitas partes envolvidas.

conforme veremos a seguir. inação e retirada. Existem conflitos que necessitam de mais tempo para atingir a maturidade. ao tentar estabelecer acordos num momento em que as partes não estão ainda preparadas para negociar.Universidade do Sul de Santa Catarina Você sabia? Muitos negociadores acabam tomando decisões precipitadas no transcorrer dos processos de negociação. Existe uma unidade interna de perspectivas e objetivos em termos institucionais que a administração pública deve permitir para o desenvolvimento de negociações. se as lideranças políticas que se encontram bem definidas. quando as partes terão claros os objetivos reais em discussão.Estratégias de negociação Existem cinco tipos de estratégias utilizadas durante uma negociação de conflitos: rendição. se as iniciativas dos dois lados em conflito são recíprocas. no conjunto. se os envolvidos concordam sobre o que deve ser incluído. entretanto a solução e a formalização do acordo possuem um momento exato para serem implementados.indb 60 20/12/2007 10:49:08 . A antecipação de negociações pode colocar em risco a possibilidade futura de formação de consenso. Não há um tempo pré-determinado para se iniciar qualquer negociação. combate permanente. Cada uma delas possui características específicas e adequadas para determinadas situações ou fases do processo de negociação. a partir das inúmeras variáveis que compõem o processo de negociação. as condições para a busca do consenso deverão observar se há as possibilidades de negociação e de formalização dos acordos numa dimensão temporal. solução do conflito. e se há o que deva ser omitido no processo de negociação. O ambiente de conflito apresenta pólos positivos e negativos mas. 60 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. SEÇÃO 2 . se a relação de poder entre as partes está equilibrada.

uma das partes é envolvida de tal maneira que não lhe resta nenhuma alternativa. a não ser ceder ou render-se à outra parte. Isto acontece. com compensações financeiras que permitam às partes desdobrarem seus custos ou outras ações de integração. 3) Solução de conflitos A estratégia de solução de conflitos. Tudo fica entregue ao vencedor. as estratégias incluem uma preocupação fundamental em focalizar o que é mais importante. 2) Combate permanente Na estratégia de combate permanente. buscando uma aproximação completamente nova entre as partes. a competitividade se acirra e os objetivos estão dirigidos para ganhar tudo que se puder. custos e responsabilidades. Negociação e Processo Decisório 1) Rendição Na estratégia de rendição. isto é benéfico. É uma estratégia adotada quando uma das partes está mais preocupada do que a outra. que satisfaça seus interesses. mas é para o outro. a parte rendida não se envolve com os resultados das soluções. 4) Inação Na estratégia de inação o envolvimento entre as partes é mínimo.Conflito. quando o assunto em disputa não é muito importante para um dos contendores. se a demora otimizar as chances de obtenção de melhores acordos mais tarde. utiliza propostas com soluções que sejam boas para todos os envolvidos. pressão ou truques para obter concessões da outra parte. Isto pode ser obtido ampliandose a participação nas decisões. especialmente. Às vezes. Unidade 3 61 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. As estratégias de combate utilizam coerção.indb 61 20/12/2007 10:49:09 . Nesta abordagem. Nestes casos. também chamada de “baseada em interesses”.

mas também do processo de negociação em si. que inclui adiar as decisões finais. identificar o grau de preocupação das partes com a possibilidade de solucionar os conflitos. quando se constata que o conflito a resolver é maior. Negociar exige tempo. Se o oponente parece fraco ou descomprometido. e a formalização dos acordos. em cada uma das etapas do processo de negociação.Universidade do Sul de Santa Catarina 5) Retirada Resolver conflitos é possível quando interesses não são diametralmente opostos. com grupos pré-selecionados. A construção do consenso A construção do consenso é vista de diferentes maneiras. Entretanto. as equipes debatem os assuntos mais difíceis. Entre eles. o consenso assume novos contornos. não só da implementação das propostas. os recursos financeiros existentes e a viabilidade de implementar as propostas. retirar-se é preferível a fazer oposição forte e determinada. a construção do consenso é realizada em 5 etapas: 62 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. podem ser adotadas algumas alternativas. pesquisas e vários investimentos. aproximar-se de grupos menores: adotar negociações seqüenciais. Além destas estratégias. Após esta aproximação. a negociação propriamente dita. e de levar muito tempo para ser solucionado. as partes se reúnem para os últimos acertos. Retirarse de uma negociação pode ser mais lucrativo. que inclui a pré-negociação. tais como: „ tratar individualmente cada participante e cada conflito: após os acordos iniciais. Na fase de pré-negociação. A retirada pode ser motivada. quando se chega na negociação propriamente dita. por questões relativas aos custos. „ Vários fatores determinam a estratégia que deve ser utilizada numa mesa de negociação. também. É um momento de previsão para encaminhar resultados futuros.indb 62 20/12/2007 10:49:09 .

Estratégias em jogo no processo de negociação Outros aspectos a serem considerados na negociação de conflitos são os jogos definidos pelas partes para o desenvolvimento da formação do consenso. é necessário monitorar alguns fatores. as condições para a negociação nos locais de encontro.indb 63 20/12/2007 10:49:09 . Negociação e Processo Decisório „ „ „ „ Quem será envolvido diretamente no conflito? Onde e como as negociações terão lugar? Como as partes estão estruturadas? Qual a agenda que será estipulada para solução dos conflitos? Qual o encaminhamento a ser realizado. o número de participantes envolvidos em cada etapa. tabus e estereótipos devem ser eliminados para propiciar uma melhoria no clima das discussões. Estas observações são importantes para um bom andamento das negociações e formação do acordo. os procedimentos desenvolvidos em cada etapa devem ser de consenso entre as partes. tais como: os propósitos de negociação de cada reunião. conforme será descrito a seguir: Unidade 3 63 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. e esforços empreendidos para alcançar os objetivos. Para que cada reunião tenha resultado positivo sobre a formação do consenso.Conflito. a existência ou não de observadores da mídia durante os processos de negociação. mediação ou arbitragem? „ Cuidados a serem observados no processo de negociação As possibilidades efetivas de formação do consenso entre as partes estão vinculadas à capacidade de cada uma delas em identificar as etapas anteriores.

Tipos de estratégias em negociações na administração pública O princípio fundamental das duas tendências é a alternância de poder. as partes podem desenvolver várias estratégias de atuação. c) Estratégia alternativa É uma estratégia que toma a iniciativa de tornar-se autônoma no conflito. e das situações graves. b) Fechar para controlar a outra parte A linha é dura e golpista.indb 64 20/12/2007 10:49:09 . Existe mais de um nível de prática de formulação de acordos e saídas para a negociação. evitando ficar descobertos. corresponde a uma reação igual e contrária. 64 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. Esta perspectiva parte do princípio de que sua única base de sustentação de poder é a coerção. pensando nos meios de defesa. e possibilitando que as partes tenham mais espaço para discussão. para cada ação. Esse grupo de conflito tenta institucionalizar a ordem autoritária mesmo que para isso tenha que usar um processo de abertura nas negociações. apontando caminhos não-convencionais. Os movimentos sociais procuram se defender dos ataques. as partes não têm proposta de ataque nem alternativas para fazer frente à estratégia da parte que domina as negociações. Neste caso. A partir das situações expostas anteriormente.Universidade do Sul de Santa Catarina a) Abertura nas negociações para cooptar a outra parte A linha de atuação é liberal e institucionalizante. a) Estratégia defensiva Nesta estratégia estão presentes as partes que fazem oposição. b) Estratégia reativa Nesta estratégia a reação está em nível de acirramento e. ampliando o escopo das negociações.

uma das partes se transforma em carcereira de si própria. a) Coerção econômica Procura-se evidenciar o custo da solução. como mecanismo de pressão sobre o conflito.indb 65 20/12/2007 10:49:09 .Conflito. as partes se organizam em ONGs (Organizações Não-Governamentais) para fazer frente aos conflitos de natureza ambiental em determinadas localidades. conforme descrito abaixo: a) Associações de Moradores e Conselhos Comunitários Uma das formas mais elementares de organização de fóruns de conflitos está relacionada às Associações de Moradores e de Conselhos Comunitários de bairros. daí sua eficiência como arma de dominação. Aliam-se a este fator todas as sanções. b) ONGs Em alguns casos. que é adotada pelos participantes em cada fase do processo de negociação. porque se estabelece na subjetividade do próprio sujeito. Negociação e Processo Decisório Formas de controle estratégico A cada estratégia corresponde uma forma de controle. Por meio da resignação. Pela resignação. existem vários tipos de fóruns. b) Coerção social A resignação é um dos mecanismos mais eficientes de controle social. Fóruns de discussão Atualmente. o controle de uma das partes sobre a outra se perpetua numa negociação. impossibilitando qualquer encaminhamento para a formação de acordo. Unidade 3 65 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. multas e penalidades decorrentes pelo não-cumprimento de um acordo. nos quais se encontra espaço para serem discutidas e analisadas as diferentes propostas da sociedade. que terá por objetivo a solução de um conflito qualquer.

Universidade do Sul de Santa Catarina c) Fóruns da Agenda 21 O Fórum da Agenda 21 é um ambiente de discussão planejada. „ „ „ 66 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. g) A estratégia na construção dos acordos Os acordos são construídos a partir da postura expressa de cada uma das partes. e) Câmaras Municipais e Assembléias Legislativas As Câmaras Municipais e as Assembléias Legislativas são fóruns deliberativos de discussão. verificando se: „ a definição da estrutura das soluções para resolver os conflitos foi avaliada concretamente pelas partes envolvidas. as cláusulas estabelecidas levam em consideração as limitações das partes no desenvolvimento da solução acordada.indb 66 20/12/2007 10:49:09 . pois se vinculam aos conflitos de planejamento regional. que dizem respeito aos interesses das comunidades em confl ito. d) Conselhos Municipais e Estaduais de Meio Ambiente Nos Conselhos Municipais e Estaduais. urbano e ambiental. para não gerar novos desdobramentos. a formalização do acordo inclui o monitoramento e cumprimento da implementação das soluções. cada parte tem conhecimento de suas limitações. principalmente de projetos de lei. onde as partes possuem princípios comuns que devem ser observados para se conduzir qualquer conflito identificado na área ambiental. é necessário cumprir várias etapas. f) Ministério Público O Ministério Público é a instância em que os conflitos são resolvidos. os conflitos assumem a esfera pública. perdas e ganhos. face às dificuldades de negociação e formação de consenso em outras estruturas formais de discussão. Antes que um acordo seja formalizado.

e durante a definição das cláusulas não restou nenhum conflito de comunicação que possa inviabilizar a assinatura do acordo após a lavratura. Uma parte deve receber bem qualquer proposta construtiva feita pela outra parte. o facilitador deve preocupar-se com a etapa posterior. „ Todas estas condições devem ser verificadas para tornar o acordo viável. as exigências técnicas estabelecidas para o desenvolvimento da solução são de conhecimento das partes. É recomendável a presença de advogados representando as partes na confecção dos acordos. estabelecendo-se o compromisso de cumprir as penalidades. e deve: 67 Unidade 3 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. Deve enfatizar o que está buscando. Não pressionar por uma concordância que faça os oponentes se sentirem acuados. Assim. É recomendável fazer perguntas e propostas hipotéticas. ao selecionar as propostas. que todos os requisitos legais serão atendidos. Se não quiser aceitá-la. Todo o processo de negociação deve ser trabalhado com a possibilidade de realização do acordo. bem como os desdobramentos que deverão ser cuidados para o perfeito monitoramento das ações propostas. Uma boa orientação técnica e legal facilitará a obtenção do consenso. O planejamento das atividades de negociação Torna-se necessário implantar um modelo de planejamento para desenvolver as soluções acordadas. para dar ao outro lado uma rota de fuga.Conflito. embora ela não esteja em pauta. poderá rejeitá-la mais tarde. assim.indb 67 20/12/2007 10:49:09 . um resultado favorável para todos. Negociação e Processo Decisório „ foram considerados critérios de avaliação tecnológica e capacidade das partes para implantação da solução acordada. evitando que os acirramentos conduzam a disputa para a esfera judiciária. caso alguma das partes tente protelar o andamento do que foi acordado durante o processo negociação. Garante-se. A flexibilidade de negociar é diretamente proporcional aos resultados auferidos.

„ „ „ „ A comunicação da solução acordada será mais difícil.Universidade do Sul de Santa Catarina „ „ buscar o planejamento para implantar a solução. selecionar as propostas que apresentam possibilidades efetivas de monitoramento. Nada mais enganoso: o planejamento permite que as soluções sejam implementadas de forma controlada. Ela ocorre quando o acirramento provoca um fechamento das negociações. Muitas vezes. adequar as soluções a um possível planejamento.indb 68 20/12/2007 10:49:09 . Além disso. Retiradas estratégicas A retirada estratégica é diferente da retirada definitiva numa mesa de negociação. Prazos. os participantes acreditam que o planejamento é mera burocracia. identificar. Já a retirada estratégica é aquela em que as partes pedem licença. e situações fora do ambiente de negociação. estruturar o planejamento e a forma de internalizá-lo na cultura organizacional das partes em conflito. para rever posições. e a possibilidade de reinício dos debates só acontece com a presença de uma terceira parte mais forte. A falta de estruturação impede que os processos sejam bem-sucedidos e utilizados como sistema de apoio às decisões em negociações formais de conflitos. quais são passíveis de serem planejadas com base num cronograma. que retardará o desfecho do conflito. dentre as soluções apresentadas pelas partes. fazer a projeção dos futuros níveis de desempenho. pois não foi pensado um programa de comunicação externa (que faz parte do planejamento). 68 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. é impossível medir se a solução atingiu ou não as metas propostas. e sem desgastes desnecessários para as partes envolvidas. uma pausa. as práticas não se incorporam ao processo de negociação. custos e responsabilidades geralmente ficam sem orientação. Como não existem marcos nem indicadores de desempenho.

psicológica. Se os conflitos surgirem durante o processo. porque. os organizadores fornecem suporte técnico (telefone.indb 69 20/12/2007 10:49:09 . social e espiritualmente seguras. Como os dados influenciam diretamente nos resultados das negociações. Negociação e Processo Decisório A saída de uma das partes pode significar uma ação reativa.Conflito. Conflitos de identidade A identidade é um sistema de convicções. Tais agressões são consideradas profundas e ameaçam as negociações. e um modo de interpretar o mundo. a quebra de estereótipos negativos e a redução do senso de ameaça da identidade podem ser suficientes para a retomada das negociações. Eventualmente. face ao desdobramento das negociações. Unidade 3 69 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. que serão desdobradas no plano de ação. Negociação tradicional Na negociação tradicional normalmente não se trabalha com conflitos de identidade profundos. este é um processo longo e lento. internet etc. tais como: o líder sinaliza a saída. fax. Ela é fundamental porque envolve tanto o sentimento do que as partes são ou representam. Porém. caso eles existam. Outro objetivo da retirada antecipada é permitir a formulação de diretrizes ou reorientação de decisões. as partes nem concordam em participar da mesa de negociação. Conflitos de identidade envolvem agressão entre as partes em relação e a individualidade de cada uma delas.) para satisfazer as necessidades de informações. sua falta de incongruência acaba provocando saídas estratégicas das partes das mesas de negociação. Inclui também o senso de segurança. tendendo para um acirramento rápido. o sentimento de que as partes estão física. como também a maneira que se relacionam com o mundo. as partes preparam-se logisticamente para o retorno aos debates. é necessário adotar estratégias psicológicas para conciliar os participantes. bem como a necessidade de mais informações. indicando que é o momento de retirada para reflexão ou busca de confirmação de informações. permitindo a discussão dos pontos em disputa. ou seja.

o facilitador pode intervir propondo uma pausa para reduzir as animosidades e permitir reflexões. o facilitador pode ratificar resultados parciais já obtidos ou enfatizar as perdas que os participantes terão. as negociações sobre conflitos chegam num determinado ponto em que não ocorre nenhum avanço possível. e marcar nova data para retomar as conversações. Nestes casos.Universidade do Sul de Santa Catarina Intervenção transformadora A intervenção transformadora é um processo que a terceira parte desenvolve durante a negociação com o objetivo de alterar o rumo das negociações. Adiamento Nem sempre uma simples pausa é suficiente.indb 70 20/12/2007 10:49:10 . o facilitador realiza uma intervenção técnica para dar sustentabilidade ao processo de negociação. Para contornar o impasse. para que as partes restabeleçam o equilíbrio nas discussões. Ratificação de resultados Freqüentemente. no futuro. Pausa para reflexão Quando as negociações acirram-se. a técnica é encerrar a reunião. 70 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. Esclarecimento de dados e informações Caso existam controvérsias com relação à origem e legitimidade de algumas informações. inclusive de algumas dinâmicas propostas inicialmente para a solução dos conflitos. caso as negociações não prossigam. O atraso provocado pode ser pior que um resultado desfavorável para uma das partes.

A mudança de foco pode ajudar na formação do consenso.Conflito. esclarecer interesses. muitas vezes. relações antagônicas com a mídia devem ser evitadas. Seja em que caso for. sem simplificar aspectos que devem ser profundamente analisados. „ „ „ Unidade 3 71 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. as partes devem ser cautelosas com as informações divulgadas. O processo é retomado sob novos termos e condições. instrumentalizar o público em geral. com apoio a programas de educação ambiental. de forma contraditória. para não quebrar normas de confidencialidade. mas sim para criar novas oportunidades de discussão.indb 71 20/12/2007 10:49:10 . Por um lado é importante aproximar-se dos veículos de comunicação. Por outro. embora seja o último recurso a ser utilizado. A mídia deverá desenvolver os seguintes papéis: „ servir de elo entre as partes. para comunicar questões relativas ao processo de negociação. para tornar mais visível socialmente as questões em disputa. avaliando e ajudando a confirmar as reivindicações das partes com transparência. Estratégias com a mídia As relações com a mídia se apresentam. muitas vezes é indispensável para restabelecer as condições necessárias aos procedimentos de negociação. Negociação e Processo Decisório Contratação de um poder coercitivo A contratação ou a simples ameaça de uso de um poder coercitivo. promover a aproximação entre os adversários (inclusive com debates programados). É claro que a intervenção não é realizada para direcionar os resultados. A intervenção transformadora deve estabelecer uma ponte entre o que acontecia antes da intervenção e aquilo que se espera que venha a ocorrer depois dela. pois poderão ser danosas ao andamento do processo de negociação. necessidades e dificuldades das questões em debate.

Ao transmitir fatos com transparência. as conclusões apresentadas devem ser corroboradas por outras fontes e as metodologias utilizadas necessitam de análise criteriosa. instituições. com o objetivo de desacreditar uma das partes envolvidas no conflito e induzir estereótipos. ONGs ou representantes das partes em confl ito devem ser elaboradas tendo como princípio os direitos humanos. Os dados. É possível trazer também. só podem ser utilizados como fontes de referência durante os processos de negociação. Mesmo se tratando de jornalismo científico. fatos e elementos veiculados. que ajudam a arruiná-la. pois pela exposição pública que provoca. no entanto. e dão mais credibilidade aos procedimentos adotados pelas partes. não censurar informações ou deturpá-las.Universidade do Sul de Santa Catarina „ divulgar informações sobre recursos utilizados e casos de sucesso na resolução de conflitos. com ressalvas. pode ser um elemento de reequilíbrio de forças. a análise de especialistas ou opiniões de outras partes interessadas que. não teriam espaço na mesa de negociações. geralmente inibe os participantes. „ A mídia pode colaborar para manter as negociações em um clima de tratabilidade. a mídia deve respeitar a necessidade de privacidade e confidencialidade em algumas fases do processo de negociação. de outra forma. a mídia dá um grande passo neste sentido se realizar coberturas sobre conflitos em que todas as partes envolvidas possam expor seus pontos de vista. éticos e morais envolvidos nas disputas. No entanto.indb 72 20/12/2007 10:49:10 . permitindo que as duas partes tenham igual destaque. As mensagens veiculadas pelas empresas. evitando que adotem ações mais agressivas. 72 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. Além disso. pela mídia. os veículos de comunicação eliminam os efeitos negativos de rumores e boatos. A imparcialidade absoluta é uma utopia. Da mesma forma.

Seu fundamento é a complementaridade entre as partes. no entanto. para resolução das disputas ambientais. As diferentes propostas apresentam pontos em comum. Antes de finalizar o estudo desta unidade. quais deles são passíveis de negociação. Para que os modelos de interdependência possam ser aplicados. produtores x consumidores e escritores x leitores. Os conflitos se estabelecem onde existem diferenças. Tais modelos não escapam da necessidade de estratégias de avaliação. Unidade 3 73 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. homogeneizando conceitos para estabelecer o consenso. É necessário estabelecer objetivos que possam ser trabalhados em conjunto. as diferenças não precisam ser excludentes. Ao contrário. Questões relativas ao conflito que poderiam ser conflitos. Existem aspectos físicos e comportamentais que podem ser monitorados para melhorar a comunicação. dentre os objetivos propostos. Negociação e Processo Decisório Modelos de interdependência Os modelos de interdependência são aqueles que procuram estabelecer uma relação amistosa para identificar. elas podem ser complementares. se trabalhadas como relações de interdependência poderão ser produtivas e encaminhar o consenso. os conflitos necessitam possuir características específicas. permitindo que uma análise da relação custo-benefício identifique a mais viável para as duas partes. Antes de adotar a metodologia de ênfase na interdependência. coisas e esforços humanos para possibilitar a formação de consenso. verifique se as partes estão conscientes que procedimentos e encaminhamentos equivocados podem ser aproveitados e reorientados numa estrutura de complementariedade. O processo para tornar a comunicação mais inteligível é longo. atente para o seguinte: Em uma negociação não existem processos de comunicação completamente eficientes e definitivos.Conflito. dentre as quais se inclui o mapeamento do conflito.indb 73 20/12/2007 10:49:10 . É o caso de patrões x funcionários. Estabelecer modelos de interdependência entre as partes envolve premissas sobre o papel causal de eventos.

– A seguir. não só se aceleram os trabalhos. a presença em todas as atividades programadas (reuniões. o envolvimento das partes deve se dar em todas as etapas. realize as atividades de auto-avaliação e aprimore seus conhecimentos consultando as indicações do Saiba Mais. 74 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. A habilidade de saber ouvir e de comunicar-se deve ser desenvolvida como parte integrante do processo de negociação de conflitos. para legitimar os procedimentos adotados. anote os pontos centrais. Quando se trata de conflitos. Com uma boa comunicação.Universidade do Sul de Santa Catarina A otimização da comunicação é fundamental para o pleno desenvolvimento do processo de negociação das partes em conflito. leia a síntese da unidade. Assim. O envolvimento efetivo gera comprometimento na formação do consenso e obtenção de acordos. auditorias.indb 74 20/12/2007 10:49:10 .) é imprescindível para que os resultados esperados sejam alcançados. mas com um número menor de reuniões se evitam futuros conflitos originados em falhas de entendimento. monitoramento de dados etc.

como evitar a descontinuidade dos processos de negociação e mediação de conflitos.Conflito. Em cada situação existe uma configuração que precisa ser analisada com cuidado. ) Todas as anteriores estão erradas. Unidade 3 75 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. ) Identificar as partes envolvidas. Foram lhe passadas as principais estratégias de negociação que são necessárias nos diferentes momentos do processo de negociação. ) Todas estão corretas. Negociação e Processo Decisório Síntese Nesta unidade você constatou as principais etapas sobre o processo de desenvolvimento estratégico na resolução de conflitos. Atividades de auto-avaliação Assinale a única alternativa correta para cada enunciado: 1) As estratégias são fundamentais para: a) ( b) ( c) ( d) ( e) ( ) Antever os encaminhamentos a serem adotados. O financiamento dos processos e das soluções é outro dado fundamental para que as negociações encontrem seu caminho no que concerne à prática da participação e à implementação do processo de planejamento das estratégias. Constatou-se também que não existe um processo estratégico para os conflitos.indb 75 20/12/2007 10:49:10 . ) Conseguir apoio financeiro dos órgãos de fomento.

) Todas as anteriores. ) Objeto de conciliação. ) Identificar retrocessos em posições já assumidas. ) Objeto de mediação. 3) Um conflito que não esteja espaço-temporalmente identificado pode ser utilizado como: a) ( b) ( c) ( d) ( e) ( ) Objeto para arbitragem. 76 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. ) Acompanhar o processo de negociação. ) Fazer uma retirada definitiva.Universidade do Sul de Santa Catarina 2) Quando as partes envolvidas não estiverem preparadas para negociação. ) Fazer uma retirada estratégica. 4) A documentação é um processo necessário para: a) ( b) ( c) ( d) ( e) ( ) Avaliar se as estratégias permaneceram as mesmas. ) Ignorar a situação e partir para a negociação. ) Nenhuma das anteriores.indb 76 20/12/2007 10:49:10 . é estratégico: a) ( b) ( c) ( d) ( e) ( ) Encontrar rapidamente a solução. ) Mudar o processo para arbitragem. ) Avaliar se as estratégias alteraram. ) Objeto de negociação.

na verdade. que escreve os procedimentos. ao identificar as estruturas e motivos que impedem os processos de negociação de conflitos. Com os mediadores. Negociação e Processo Decisório Saiba mais Facilitar significa tornar possível a implementação de determinadas soluções. a posição do mediador é de apoio às deliberações. normalmente. Unidade 3 77 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. O papel dos mediadores é possível na medida em que estes agentes resignificam certos contextos. O mediador. propicia a adoção de saídas conciliatórias. o mediador é requisitado para reuniões em que existem várias partes debatendo. mas superar suas restrições operacionais. estruturas e responsabilidades. abrange somente partes dos processos de gerenciamento.indb 77 20/12/2007 10:49:10 . chamado “registrador”. A atividade do mediador. Em uma negociação. Seu objetivo não é desestruturar as organizações vigentes. são figuras de fundo no processo e geralmente têm um assistente. idéias. Os mediadores. posições. se ganha flexibilidade. garantindo-se que as limitações podem ser vencidas. permitindo ao mediador prestar mais atenção à discussão.Conflito. Geralmente. pois qualquer atitude independente pode provocar novos conflitos e prejudicar o andamento das negociações. ou para auxiliar na construção do processo de consenso.

indb 78 20/12/2007 10:49:10 .conflito_negociacao_e_processo_decisorio.

indb 79 20/12/2007 10:49:10 . você deve ser capaz de: „ „ 4 Compreender o que é processo decisório. Seções de estudo Nesta unidade você vai estudar os seguintes assuntos.UNIDADE 4 Definição de processo decisório Objetivos de aprendizagem Após o estudo desta unidade. Identificar a racionalidade que fundamenta o processo decisório. Seção 1 Definição e fundamentos do processo decisório conflito_negociacao_e_processo_decisorio.

coordenação). Para Fayol. São poucas as publicações sobre processo decisório na administração pública que discutem essa dinâmica no âmbito estatal. durante o desenvolvimento de suas atribuições e responsabilidades. as instituições públicas. diferentemente das instituições privadas. que necessitam de processos decisórios para serem resolvidos. Não temos mais como improvisar para tomar uma decisão num ambiente onde a exigência de controle de resultados é que movimenta o processo democrático e de atendimento às demandas diversas. b) comercial (compra. os homens são vistos como apêndices das máquinas no desempenho de tarefas produtivas (rotinas). A literatura sobre processo decisório versa principalmente sobre empresas privadas. é preciso identificar o objeto do conflito. No nosso caso. como entidades representantes da população de uma maneira geral. sustentam-se em fundamentos distintos. a organização deveria ser vista como corpo empresarial e.indb 80 20/12/2007 10:49:10 . d) segurança (proteção da propriedade). Aqui o processo decisório assume uma perspectiva participativa. organização. para verificar a sua eficiência. venda). Entretanto. O homem deixa o papel de ator coadjuvante para assumir o papel de protagonista do processo decisório. era composta pelas seguintes funções: a) produção. comando. uma voltada para interesses coletivos e a outra para interesses particulares. para poder se decidir. Na visão de Taylor. em busca da eficiência do processo decisório. Não seria possível imprimir às instituições públicas o movimento mecanicista proposto pela Escola Clássica. 80 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. em que o elemento humano é dotado de sentimentos e desejos. e) contábil e f ) administrativa (planejamento. c) financeira. As instituições públicas sempre foram submetidas a diferentes análises. o processo de sua negociação. na denominada Escola Humanista. acabam por promover conflitos de diversas naturezas. eficácia e efetividade em termos de processo decisório. como tal.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo As instituições públicas.

o curso da ação a ser tomada e executada além da sua estrutura interna. A seguir você vai estudar algumas definições de processo decisório. passa a ser também a comunidade. entre aquelas que são fisicamente possíveis para o agente público. Essas experiências são utilizadas para determinar suas atitudes. hoje em todas as etapas.Definição e fundamentos do processo decisório O administrador público. escolhas pessoais e a seleção das ações para realizar uma determinada tarefa. dentre as alternativas possíveis. O homem é um ser deliberativo e age segundo um critério para a escolha da solução. sempre. ou seja. Processos administrativos são processos decisórios. então.indb 81 20/12/2007 10:49:11 .Conflito. ao desempenhar qualquer papel na sociedade ou nas instituições públicas. SEÇÃO 1 . procura agir de acordo com suas experiências. Para Simon (1971). Ele escolherá a alternativa que maximizará os resultados em termos econômicos na empresa. pois consistem no isolamento de certos elementos nas decisões. escolher a melhor solução. Taylor orientou os homens nas organizações a discernir determinado problema num conjunto de variáveis. A importância de se estudar o processo decisório está na possibilidade de conhecer as variáveis envolvidas na dinâmica institucional e. e em termos sociais na administração pública. controlá-las para atingir o objetivo maior das instituições públicas e dos indivíduos: a maximização do bem comum. Com isso procura-se. o processo decisório é uma ação humana que envolve a seleção de determinadas ações. bem como suas alternativas de solução e conseqüências. e para aquelas pessoas sobre as quais ele exerce influência e autoridade. como ele estrutura o seu processo decisório. que organizada influencia e dirige o processo decisório. portanto. Negociação e Processo Decisório A atividade administrativa pública está imbuída de processos decisórios e. Unidade 4 81 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. o ator principal tomando decisões e escolhendo.

Universidade do Sul de Santa Catarina dos membros das instituições públicas. no estabelecimento de métodos de rotina para solucionar e determinar esses elementos. categorizou as decisões nas instituições públicas em estratégicas. as decisões estratégicas visam a potencializar os produtos da empresa no mercado. . TGA) . do curso de ação que a pessoa deverá seguir. administrativas e operacionais. A partir do exposto acima. como fluxos de informação. otimizando o retorno sobre o investimento da mesma. podemos estruturar o processo decisório nas seguintes etapas: Decisão é o processo de análise e escolha. (Chiavenato. As decisões operacionais estão voltadas à distribuição e aplicação desses recursos na empresa. e na sua comunicação àqueles por eles afetados. entre várias alternativas disponíveis. 82 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. fluxos de trabalho. Ansoff (1990). autoridade e responsabilidade. Já as decisões administrativas estão voltadas à estruturação dos recursos da empresa.indb 82 20/12/2007 10:49:11 . por exemplo. Para o autor.

indb 83 20/12/2007 10:49:11 . nesta qualidade. Etapa 3: Relação entre especificação e solução. ou seja. na maioria das vezes se depara com um complexo sistema de componentes afins. Para ele. Há compatibilidade entre as condições desejadas e as soluções. Unidade 4 83 conflito_negociacao_e_processo_decisorio.Conflito. será determinada pela racionalidade subjacente ao processo. muito embora esteja motivado pela necessidade de prever resultados ou controlar situações. A solução já foi testada anteriormente. tais como recursos. A ele. invariavelmente. a que se presume. pessoas ou grupos de pessoas. o executivo eficaz é o que detém conhecimento de todos os elementos envolvidos no processo. considera que a tomada de decisão é uma tarefa do executivo. Etapa 5: Relação solução adotada e ações concretas. Entretanto. Etapa 2: Definição do problema. pois seu objeto é a decisão. Drucker (1967). Ensina que para tomar uma decisão com eficácia. Etapa 4: Relação solução encontrada e condições desejadas. A decisão. Negociação e Processo Decisório Observe que o tomador de decisões. interessa a análise desse sistema. Identificar as variáveis relativas a soluções dos problemas. identificando com qual prioridade deve-se analisar o problema. Verificar se é comum ou específica a primeira manifestação do mesmo. Não podemos esquecer que o processo decisório é uma etapa política. Enfocar o negócio da instituição. conhece cada passo a ser dado e a seqüência a ser seguida para a obtenção de um melhor desempenho nas decisões. conjugada com o grau de satisfação do indivíduo que tomou a decisão. melhor será a sua decisão a esse respeito (RIBEIRO. toda decisão deve ter como suporte um processo de investigação que proporcione o desenvolvimento e controle dos resultados do que foi decidido. do administrador. permitindo avaliação do resultado e até a adoção de uma nova ação. pois. Ainda que seja possível programar as respostas (reações) do indivíduo. 2003). Etapa 6: A solução proposta já foi testada. resultados ou objetivos desejados. A solução a ser adotada está suportada com ações concretas. o mais conceituado administrativista da modernidade. a partir de indicadores de controle. a escolha não ocorre simplesmente quando se elege uma alternativa de resposta. é necessário o cumprimento das seis etapas a seguir: Etapa 1: Classificação do problema. quanto melhor for seu entendimento desta complexidade.

Isto significa que todo administrador público. ou seja. Esta técnica é validada quando há o cumpri- 84 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. seja ele positivo ou negativo para os diversos segmentos da sociedade. A avaliação estratégica de política pública visa a identificar os impactos da legislação ou alguma medida governamental em termos sociais. Dado que os fins são determinados. econômicos e financeiros. que determinam a lógica na qual a razão é determinada pela técnica.Universidade do Sul de Santa Catarina Você sabia? Para operarmos mudanças em termos de administração pública e poder trabalhar com avaliação estratégica de política pública. conjunto de pressupostos burocráticos. de regulamentação interna e de desenvolvimento de novos procedimentos operacionais.APO. além dos dispositivos legais existentes que controlam a atividade pública. tem agora um instrumento para avaliar o impacto. uma vez que a um fim sempre se pode contrapor outro. baseado em outro sistema de valores. bem como de um país de uma maneira geral. ambientais.indb 84 20/12/2007 10:49:11 . Os fundamentos do processo decisório O conceito de racionalidade é utilizado para denominar uma ação praticada pelo administrador e sua relação com referência aos fins pretendidos. é necessário que a estrutura institucional das instituições públicas seja redimensionada em termos de sua estrutura de pessoal. e não em “objetos de decisão” sujeitos à operacionalização na administração pública. é extremamente difícil chegar-se a um acordo quanto à sua racionalidade. A operacionalização na administração pública ocorre com a racionalidade burocrática. Aqui está um grande problema de sustentar o processo decisório em valores. ou comumente chamada de Administração por Objetivos .

Conflito. pois é o meio de transformar uma ação comunitária em ação societária. naturalmente. o administrador tem total conheci. o indivíduo ao decidir estabelece a função-utilidade de sua preferência ou seleciona um conjunto de conseqüências de sua preferência. Ela tem um caráter “racional”: regras. Cada alternativa deve traduzir de maneira clara a escolha. pois as decisões são tomadas por seres humanos. a somatória destes pontos não garante a tomada de decisão ‘correta’. no risco.indb 85 20/12/2007 10:49:12 . Negociação e Processo Decisório mento dos objetivos propostos à organização. Complementando essa situação. „ „ Entretanto. Unidade 4 85 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. A burocracia promove. na incerteza. o conhecimento do ambiente a decidir é montado e estabelecido sobre probabilidades. “decidir” pressupõe que o indivíduo tenha diante de si um conjunto de alternativas. associada às suas conseqüências: „ na certeza. um modo de vida “racionalista”. meios. fins e objetivos dominam sua posição. ao decidir. que podem influenciar ou serem influenciados por outrem.mento e domínio sobre a decisão tomada. Portanto. com execução de tarefas segundo regras calculáveis e sem relação com as pessoas. não conhece por completo as conseqüências. Simon (1971) mantém a racionalidade econômica utilitarista ao propor a troca da unidade de estudo da racionalidade. dentre as quais ele fará sua escolha.

é fundamental para se fazer a elaboração e avaliação dos problemas que levarão ao processo decisório das negociações. tudo é remetido ao juízo de valor de quem avalia. para garantir que sua intuição seja a mais adequada para resolver o problema. E o mais curioso é que tanto a razão quanto a intuição. dentro da mesma racionalidade. que são apresentadas como contraditórias. acabaram arranjando uma solução provisória. Esta compreensão. A percepção é um processo psicológico.indb 86 20/12/2007 10:49:12 . querendo encontrar uma saída para o problema. ou seja: de produção de conhecimento. não podemos garantir a intuição pelos sentidos como caminho para resolução dos problemas institucionais. Na intuição. portanto não epistemológico. na percepção. têm a mesma fundamentação. neste momento. Caracterizamos a necessidade de seguir um conjunto de etapas para tomada de decisão como instrumento diferencial para se identificar os níveis de conflitos passíveis de serem negociados e terem uma primeira aproximação relativa das possíveis soluções. Os administradores. Síntese Nesta unidade você estudou os fundamentos e alguns processos que fundamentam a decisão na administração pública.Universidade do Sul de Santa Catarina Você sabia? A intuição está sustentada nos sentidos. ou seja. 86 conflito_negociacao_e_processo_decisorio.

Unidade 4 87 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. b) ( ) Consegue soluções fora do formalismo tradicional. c) ( ) Utilizar sempre a audiência pública. d) ( ) O estabelecimento da estrutura de custos das soluções é confiável. d) ( ) Todas as anteriores estão corretas. c) ( ) Proporciona plena liberdade na definição dos critérios de negociação. c) ( ) Suas decisões são pautadas em pesquisas e levantamentos. d) ( ) Desconsiderar os impactos resultantes das decisões tomadas. e) ( ) Todas as anteriores estão erradas. b) ( ) Ter investigações como sistema de apoio ao processo decisório.indb 87 20/12/2007 10:49:12 . Um processo decisório eficaz necessita: a) ( ) Fundamentar-se em juízos de valores. b) ( ) Consegue efetivar com controle todas as soluções. A negociação é o caminho mais acertado para fundamentar processos decisórios pois: a) ( ) Possibilita a plena compreensão do objeto que será a solução.Conflito. Negociação e Processo Decisório Atividades de auto-avaliação Assinale a única alternativa correta para cada enunciado: 1. e) ( ) Todas as anteriores estão erradas. A intuição é o caminho mais adequado para se tomar decisões pois: a) ( ) Proporciona autonomia para o administrador público. e) ( ) Não realizar avaliação estratégica do processo decisório. 3. 2.

88 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. Sanvicente. H. Estratégia Empresarial. BETHLEM.Universidade do Sul de Santa Catarina 4. Em um processo decisório o que é mais importante? a) ( ) Todas as partes envolvidas. e) ( ) A vivência na administração pública. d) ( ) As experiências. 1990. Antônio Z. teremos o seguinte resultado: a) ( ) Um processo decisório com avaliação de impacto. S. Ao utilizarmos a intuição como fundamento de processo decisório. vol. Saiba mais Para obter mais informações sobre a racionalidade do processo decisório. e) ( ) A garantia do desenvolvimento econômico e social. jul/set 1987. 22:50-58. c) ( ) Não teremos controle dos resultados das decisões que serão implementadas. Administração. b) ( ) Os valores. A. vol. São Paulo: McGraw-Hill.indb 88 20/12/2007 10:49:12 . b) ( ) A garantia de uma decisão que agrade a todos. N. Metodologia. Trad. consulte as seguintes referências: ANSOFF. 22(3): 27-39. BRAGA. d) ( ) As ações contra o poder público municipal estarão resguardadas. São Paulo. I. “O Processo Decisório em Instituições públicas Brasileiras”. jan/ mar 1988. Rio de Janeiro. Modelos de processo decisório. Rev. c) ( ) Os objetos de decisão. 5.

UNIDADE 5 Tratamento do processo decisório na administração pública Objetivos de aprendizagem „ 5 Identificar os fundamentos da teoria da administração e suas implicações no processo decisório.indb 89 20/12/2007 10:49:12 . Seções de estudo Seção 1 O processo decisório na teoria da administração e das instituições públicas conflito_negociacao_e_processo_decisorio.

Assim. não poderemos garantir que a abordagem utilizada seja adequada para analisar o processo decisório de que estamos tratando. pelas diferentes perspectivas analíticas que suportam a análise do processo decisório. 90 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. mas. torna-se difícil a sua compreensão objetiva. é apenas um no campo da ciência. O processo decisório. Entretanto. precisa de uma fundamentação que garanta que a tomada de decisão proporcione uma intervenção com controle de resultados. na maior parte das vezes. não tem tido muita diferença e tem alcançado poucos avanços em termos da sua estruturação.indb 90 20/12/2007 10:49:12 . para ser conseqüente. pois o que não é passível de mensuração não é objeto de controle administrativo. para tomada de decisão. com controle de resultados. para ter consistência. do que seja o processo decisório. já que a ciência é responsável pela elucidação das ocorrências objetivas dos fenômenos que investiga. quanto de gestão (ações vinculadas ao planejamento estratégico da instituição).Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo A compreensão do processo decisório nas organizações e nas instituições públicas. tanto em termos de gerenciamento (ações pontuais emergenciais). Você vai estudar. não podemos esquecer que o processo decisório é um processo político. e sendo tratado isoladamente como uma atividade que não necessita de investigações. precisa se sustentar numa investigação. Pelo fato de o processo decisório ser a segunda etapa de um processo de planejamento. Só assim poderemos garantir. Esta situação será demonstrada. considerando seus diferentes graus e objetivos. Inexiste uma compreensão única a partir da ciência. que o processo decisório. nesta unidade. a seguir. que aquilo que foi proposto poderá alcançar os resultados esperados. como objeto de investigação.

Partindo-se deste contexto.1 Abordagem racional Para tratar da questão do processo decisório.O processo decisório na teoria da administração e das instituições públicas Os processos de tomada de decisão têm sido historicamente alvo de diversos estudos.Conflito. O objetivo desta seção é aprofundar aspectos relevantes das seguintes abordagens sobre processo decisório: racional.indb 91 20/12/2007 10:49:13 . torna-se mais claro verificar os atores e as variáveis que norteiam as decisões no setor público e especificamente nas instituições brasileiras. sintetizando as idéias centrais de cada uma. garantindo uma multiplicidade de compreensões que levam a diversos equívocos. proliferou-se uma diversidade de outras publicações que. incremental e política. a partir dos diferentes tipos de conhecimento que fundamentaram suas perspectivas analíticas. de uma forma ou de outra. Diversos autores. conforme constataremos a seguir. ou seja. Desfeitos tais equívocos que davam à tomada de decisão uma simplicidade “quase irracional”. passaram sempre a considerar as limitações no processo decisório tradicional. que pode ser uma doutrina. resultantes dos diferentes tipos de conhecimento que fundamentam o processo decisório. uma política Unidade 5 91 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. os “a prioris”. é preciso levar em conta os aspectos da racionalidade que o fundamenta. as razões. Negociação e Processo Decisório SEÇÃO 1 . tanto no contexto da administração quanto fora deste. comportamental. de diversas áreas. sendo este um ponto em comum em quase todas as obras atuais que tratam do assunto. 1. e sabendo que a ciência da Administração dá às gestões nas instituições públicas um enfoque diferenciado das organizações privadas. contribuíram de maneira significativa para enriquecer as análises sobre esta temática. sob o ponto de vista de autores consagrados que discutiram e propuseram modelos de análises dos processos decisórios.

o processo decisório racional poderá estar configurado da seguinte forma: „ Detecção do problema. a fim de atribuir-lhes relevância para serem utilizadas na solução do problema. Análise criteriosa de informações. „ Fluxo de produção do processo decisório: „ Coleta de informações. que podem levar decisões semelhantes a produzirem resultados completamente diversos. a decisão sob a perspectiva da racionalidade. Segundo Motta (1988). é baseada no pressuposto de que o fluxo de produção e análise de informações “ocorrerá num processo seqüencial em que os participantes contribuirão eficientemente e desinteressadamente para o melhor desempenho institucional”. que possibilita a reunião da maior quantidade de dados possíveis. comprometendo. e não da objetividade com que os fenômenos ocorrem. Representa a fase de diagnóstico.Universidade do Sul de Santa Catarina ou uma idéia de um grupo. Representa o estabelecimento de uma correlação das informações coletadas com variáveis presentes no ambiente. assim. „ 92 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. as discussões que seguem já pressupõem na existência do processo decisório uma racionalidade a priori que determina o passo-a-passo da estrutura do processo para tomada de decisão. promovendo uma classificação e análise das informações. Isso se deve ao fato de o processo decisório ser permeado de variáveis abstratas. A estrutura do processo decisório em uma perspectiva racional está determinada por um processo que precisará ser utilizado para dar conta da decisão no plano da razão.indb 92 20/12/2007 10:49:13 . a consecução de suas metas. no âmbito das instituições públicas. Nesse sentido. a partir dos quais os processos decisórios serão elaborados. Dessa forma. Efetuada pelos meios que as instituições públicas possuem e que possibilitam aos administradores tomarem conhecimento das não-conformidades organizacionais que as levam a caminhos diferentes dos planejados.

A grande falha é utilizar os resultados dos métodos quantitativos sem avaliação qualitativa para tomada de decisão. poderá levar a resultados incompatíveis. consultorias. por meio das decisões baseadas na lógica da racionalidade: „ „ „ variáveis humanas: motivação. por uma lista de quesitos com pesos e importância para a organização (ex: custo. Deve-se buscar alternativas por meio dos mais variados mecanismos: brainstorming.indb 93 20/12/2007 10:49:13 . Os métodos quantitativos não são problemas para o processo decisório. segundo um mecanismo pré-definido por um grupo representativo. Unidade 5 93 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. resultado). Uma ação no sentido de reduzir ou eliminar as restrições é a socialização do indivíduo. concursos. Pela implementação da alternativa tida como sendo a melhor. Aplicado o critério de seleção da melhor alternativa. a postura do elemento na organização deve ser analisada levando-se em consideração as variáveis organizacionais. isto é. „ „ Motta (1988) classifica algumas variáveis como restrições para o alcance dos objetivos organizacionais. variáveis sociais: grupos de referência. Deve-se eleger um critério para julgamento das alternativas propostas. benchmarking etc. prazo. Não podemos explicar comportamento administrativo por variáveis não-organizacionais. que possa assegurar a legitimidade da escolha. Opção pela melhor alternativa. diferentemente disso.Conflito. espera-se que isso redunde na consecução dos objetivos organizacionais no tempo previsto. variáveis políticas: auto-interesse e agrupamento de poder. Negociação e Processo Decisório „ Identificação das alternativas. Consecução dos objetivos organizacionais. personalidade. buscando adequá-lo aos meios que levarão aos fins. faz-se efetivamente a escolha. conflito. pois.

mesmo que colocadas como contrárias. 1. também denominada Teoria do Behaviorismo. apesar de intuitiva. são as seguintes: Disponível em: <http://www.Universidade do Sul de Santa Catarina Como a ciência é colocada como uma perspectiva racional. Dessa forma. e pessoas intuitivas fazem avaliações dos negócios com mais facilidade. e não com a realidade objetiva em que os fenômenos acontecem. ficando na razão a possibilidade de resolução dos problemas. não se baseia ou contradiz na lógica dos fatos conhecidos e sistematizados. pois ambas estão fundamentadas nos mesmos princípios. então a produção do conhecimento científico é desconsiderada como caminho para resolução dos problemas administrativos.org/2007/05/ teoria-comportamental-daadministracao> 94 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. para tratamento do processo decisório: a abordagem das ciências do comportamento. Motta (1988) diz que o processo decisório baseado na intuição se dá pelo uso ativo dos instintos e percepções individuais. a ciência se inviabiliza como procedimento de investigação. Daqui decorre o problema de se utilizar a abordagem racional (razão) e comportamental (intuição). o abandono das posições normativas e prescritas e a adoção de posições explicativas e descritivas.indb 94 20/12/2007 10:49:13 . A partir disso. que é moral e político. As origens da Teoria Comportamental da Administração. Isso produz a decisão que.2 Abordagem comportamental A abordagem comportamental trouxe uma nova direção para a teoria administrativa. porque elas são consideradas intuitivas. porque estes estarão sempre em conformidade com o senso comum e o juízo pessoal. a intuição é a chave que tem aberto espaço para a aceitação de mulheres executivas em grandes instituições públicas. Agora tudo que esteja sustentado nessas bases lógicas só poderá ser conferido com ela mesma. portaldaadministracao.

A decisão envolve seis elementos. 2. havendo autores que vêem no behaviorismo uma verdadeira antítese à teoria da organização formal. 5. situação. preferências. Unidade 5 95 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. 3. 4. ao conceito de autoridade formal e à posição rígida dos autores clássicos. Negociação e Processo Decisório 1. 4.indb 95 20/12/2007 10:49:13 . de Herbert Simon. É um ataque aos princípios da Teoria Clássica e à aceitação – com os devidos reparos e correções . a decisão é o processo de análise e escolha entre as alternativas disponíveis de cursos de ação que a pessoa deverá seguir. a Teoria Comportamental representa um desdobramento da Teoria das Relações Humanas.das principais idéias da Teoria das Relações Humanas. a Teoria Comportamental critica a Teoria Clássica.Conflito. a oposição ferrenha e definitiva da Teoria das Relações Humanas (com sua profunda ênfase nas pessoas) em relação à Teoria Clássica (com sua profunda ênfase nas tarefas e na estrutura organizacional) caminhou lentamente para um segundo estágio: a Teoria Comportamental. resultado. mas amplia o seu conteúdo e diversifica a sua natureza. É o início da Teoria das Decisões. tomador de decisão. a saber: 1. objetivos. o behaviorismo na Administração não somente subdivide as abordagens. em 1947 surge um livro que marca o início da Teoria Comportamental na administração: “O Comportamento Administrativo”. estratégia. 3. A abordagem comportamental surge no final da década de 1940 com uma redefinição total dos conceitos administrativos: ao criticar as teorias anteriores. 2. rejeitando concepções ingênuas e românticas da Teoria das Relações Humanas. aos princípios gerais da administração. Nessa abordagem. 6.

pois a fundamentação que sustenta o behaviorismo é a mesma 96 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. fundamentado no conhecimento empírico das pessoas de uma instituição. 5. avaliação e comparação das alternativas. 2. a abordagem comportamental. 6. Por sua vez.indb 96 20/12/2007 10:49:13 . e) racionalidade administrativa. 2. o tomador de decisões evita a incerteza e segue as regras padronizadas da organização para tomar suas decisões. ele mantém inalteradas as regras e as define somente quando sob pressão ou crise. percepção da situação que envolve algum problema. procura de alternativas de solução ou de cursos de ação. Ela tenta utilizar o seu modelo atual para lidar com as condições modificadas. Dessa forma. 3. 4. análise e definição do problema. como tentativa de superação de problemas na definição do processo decisório.Universidade do Sul de Santa Catarina Na teoria comportamental as etapas do processo decisório são as seguintes: 1. O resultado do processo decisório com base na teoria comportamental. acabou por não dar conta do processo decisão nas organizações. 3. o processo decisório típico do homem administrativo é assim exemplificado: 1. O processo decisório permite solucionar problemas ou defrontarse com situações. é o seguinte: a) racionalidade limitada. 7. b) imperfeição nas decisões. c) relatividade das decisões. d) hierarquização das decisões. escolha (seleção) da alternativa mais adequada ao alcance dos objetivos. quando o ambiente muda subitamente e novas situações afloram ao processo decisório. implementação da alternativa escolhida. f) influência organizacional. a organização é lenta no ajustamento. definição dos objetivos.

valores e políticas são escolhidos simultaneamente. Inseridos numa realidade social complexa e marcada pela diversidade de atores. a seqüência incremental perde seu sentido. suas conseqüências. por outro lado há de se considerar que na falta dessas últimas. O tomador de decisão não alcança grau completo. busca-se um método de maior praticidade e capaz de reduzir a complexidade da realidade que o permeia.Conflito. os incrementalistas assumem que a seleção de valores e a análise empírica não se realizam distintamente no tempo e sem influência mútua. do universo de alternativas possíveis. a abordagem incremental também vem questionar os pressupostos da visão racional de decisão. 1. Se por um lado são os processos marginais os que desenvolvem e especificam decisões fundamentais. A partir da constatação das limitações inerentes ao processo em que se insere o agente de decisão e à posição que ocupa. ou mesmo significativamente elevado grau de compreensão. uma vez que seu valor cumulativo é afetado pelas formulações fundamentais.3 Abordagem incremental Assim como a teoria comportamental. Negociação e Processo Decisório que sustenta o modelo de decisão racional. os incrementalistas assumem que existem limitações de natureza compreensiva na análise de problemas sociais. Dessa forma. o processo decisório acaba se realizando sem que ocorra uma clarificação prévia de todos os objetivos. A própria cadeia de incrementos deve ser entendida como sendo uma sucessão de decisões Unidade 5 97 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. valores envolvidos etc. Nesses casos. o processo decisório. Sendo assim. vinculando-a a uma abordagem mais sintonizada com o cotidiano do decisor. Dessa forma. Ao contrário. e não se rever a fundamentação que sustenta os modelos de processo decisório. o que se fez foi mudar de metodologia para tentar resolver o mesmo problema. o decisor não se isenta dos conflitos e discordâncias em torno de objetivos e variáveis relevantes.indb 97 20/12/2007 10:49:14 . num processo marcado pela interdependência. Tais conflitos se manifestam até mesmo em nível individual e somam-se à limitação de compreensão quanto à multiplicidade de opiniões e alternativas.

visualizado como uma série cronológica. Dessa forma. a forma de avaliação de políticas também assume contornos diferentes. A esfera de validação reside na concordância em termos das políticas em si. Além disso. independentemente da existência de concordância entre os agentes decisores em termos de valores e objetivos. seguindo enfoque semelhante ao de Simon (1971). as políticas seriam mais sensíveis aos diversos grupos de interesse envolvidos. por meio de sua descrição e de políticas alternativas. A reflexão tem como centro de análise não a argumentação de que objetivos estão sendo atingidos. e não de valores/ objetivos. No modelo incremental. Operando por meio de um processo de “ajustamento mútuo”. marginalmente da política em questão. outra característica do modelo incremental seria a elevada capacidade de aprimoramento e adaptação. mas uma aproximação sucessiva em direção ao objetivo almejado. uma política pode ser classificada como adequada ou não. o processo de decisão incremental assume um caráter de contínuo “fazer e refazer”. também se transforma continuamente.indb 98 20/12/2007 10:49:14 . Na perspectiva incremental não se busca trabalhar com todas as opções viáveis. 98 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. a exclusão de variáveis no modelo incremental não é acidental como pressupõe a abordagem racionalista. na qual uma decisão anterior assume o caráter de básica para a posterior e assim sucessivamente. sua distinção só seria possível de maneira marginal ou incremental. por sua vez. o qual. ou seja. mas a de que uma política é preferível à outra.Universidade do Sul de Santa Catarina fundamentais e marginais. Assume-se. Esse encadeamento leva os incrementalistas a rejeitarem o pressuposto racional de que meios e fins são esferas distintas e independentes de escolha. Com isso. As políticas passam a ser consideradas não como o passo final. ao passo que no modelo racional não. mas sistemática e deliberada. Além disso. Dessa maneira. o que faria do enfoque racionalista uma abordagem limitada e inapropriada. que a definição entre meios e fins se dá simultaneamente. mas sim com aquelas que diferem em menor grau. A validade de uma política é demonstrada paralela e comparativamente.

ciente de que apenas parte do que deseja será alcançado e de que conseqüências não antecipadas se produzirão. Unidade 5 99 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. ou seja. novamente as abordagens incremental e comportamental compartilham pressupostos na medida em que rompem com a abordagem racional da escolha “ótima/máxima”. e conheça as alternativas e resultados da obediência e da desobediência. mas é relacional. mediante aplicação de sanções. força. na perspectiva incremental. Também é necessário que a pessoa perceba a sanção como efetivamente ameaçadora e esteja convencida de que ela não é vã: seria mesmo imposta no caso de desobediência. Na primeira. A idéia é estruturar processos decisórios de forma que o centralismo dê lugar à manifestação da pluralidade das partes envolvidas. no entanto. promover continuamente mudanças/ajustes incrementais. que a pessoa tenha mais estima pelo valor que seria sacrificado do que pelo valor que seria promovido no caso de desobediência. os decisores só podem ser entendidos como atores sociais. Para que ele exista é necessário que haja um conflito de interesses entre duas ou mais pessoas ou grupos. os autores buscam esclarecer que atributos dariam base para qualquer estudo de decisão. Com vistas a assentar as bases desse modelo. Negociação e Processo Decisório Nesse ponto.Conflito.4 Abordagem política Bacharach e Baratz (1963) sugerem a necessidade de um modelo que permita analisar a tomada de decisão. levando-se em consideração aspectos como poder. elementos dotados de limitações cognitivas que se encontram em contínua interação com outros agentes e a construção social em que se inserem. 1.indb 99 20/12/2007 10:49:14 . É necessário ao resultado dessa sanção que a pessoa em posição de subordinação tenha consciência daquilo que se espera dela. influência e autoridade. Cabe ao decisor. demonstrando que o poder não é posse de alguém. finalmente. e. e que um ou uma parte se curve aos interesses ou desejos da outra. Incorporando pressupostos da abordagem comportamental. a opção pela escolha “satisfatória” assume um caráter dinâmico.

identificar as pessoas que tomam parte ativa na elaboração de decisões. de forma mais ou menos intensa e de acordo com características peculiares a tais sistemas. essa vertente se preocupa em: selecionar para estudo um certo número de decisões políticas chave . O poder só é exercido quando pode haver resistência e ela não ocorre. etc. A primeira limitação desse modelo é que não se oferece um critério objetivo para a distinção entre questões “importantes” e “não-importantes” surgidas na arena política. elas nunca estão ausentes de todo. bem como o número de pessoas afetadas. obter um relatório completo de seu comportamento durante o período em que o conflito estava sendo resolvido. a necessidade de se levar em consideração o peso do poder.possam ser amiúde apressadas ou apenas superficiais. ou evitá-la. que não ameacem o próprio poder.Universidade do Sul de Santa Catarina Os autores asseveram.indb 100 20/12/2007 10:49:14 . em vez de se preocupar com os “poderosos”.reunião de fatos. 100 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. ainda. e determinar e analisar o resultado específico desse conflito. Também nesse contexto está o fato de não se admitir espaço para o exercício do poder por meio da não-decisão. acreditam que poder significa ‘participação na elaboração de decisões’ e pode ser analisado somente depois de ‘um exame cuidadoso de uma série de decisões concretas’” (BACHARACH & BARATZ. outras vezes por rejeições. A análise técnica está presente em todos os sistemas políticos. Embora as atividades de análise técnica . É nesse contexto que o autor introduz uma análise que contribui para se tecer uma relação entre poder e decisão. de modo que entrar por caminhos nos quais ela não exista. A segunda é que o modelo não considera o fato de que o poder pode ser exercido por meio da restrição de elaboração de decisões a questões relativamente “seguras”.importantes . e os resultados que delas surgem passem por contestações. mas em seu exercício. ou seja: o grau em que os valores são afetados e sua amplitude. eles “concentram sua atenção não nas fontes de poder. não seria exercício de poder. . Assim. discussão racional de temas. 1963). Na medida em que os pluralistas defendem que o poder é amplamente difuso.em oposição às “rotineiras” – não-importantes.

Negociação e Processo Decisório Os governos procuram tornar mais racionais as suas análises por meio de processos de planejamentos formais. como explicação para a prevalência da política em tais processos. o fato de a análise ser lenta e custosa. que se pretende sistemática. também tem sido utilizada na busca de aumentar a racionalidade desse processo. Esta. Embora sejam óbvios os méritos das análises técnicas e suas contribuições em processos de decisão. a falibilidade do analista. na realidade apresenta uma série de limitações.indb 101 20/12/2007 10:49:14 . freqüentemente as decisões permanecem no âmbito político. sem considerações técnicoanalíticas. Os partidos políticos contrários.Conflito. nos quais muitas vezes são consideradas posições alheias ao governo em si. procuram freqüentemente promover o debate acerca de fatos e dados.que tem como exemplos mais comuns a votação. quais problemas precisam ser abordados. abrangente. „ „ „ „ Com estas limitações da análise. essas e outras atividades analíticas não-governamentais contribuem grandemente para a formulação das políticas governamentais. o fato de que a análise nem sempre poder determinar. Segundo Lindblom (1980). proporcionando feedbacks que dão importância a tal avaliação. o embate Unidade 5 101 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. portanto. não convencem a todos por causa de seus valores e interesses diversos e adversos. de modo conclusivo. No processo decisório político a “interação” . o fato de que os resultados não agradam e. ou de oposição. Lindblom (1980) refuta a insuficiência de análises. tradicionalmente alegada. que seria uma fase final do processo político de decisão. não-fragmentária. Dessa forma. a negociação. muitas destas pretensões devem ser relativizadas juntamente com todo o processo de análise técnica. Alguns dos motivos que levam à supremacia da política sobre a técnica são: „ as divergências entre os próprios analistas e os resultados de análises sobre o mesmo problema. imparcial e politicamente neutra. A avaliação profissional das políticas.

. sejam elas de produção.teria plenas condições de substituir a análise técnica pura e com freqüência poderia atingir soluções que essa análise não alcançaria. A comunicação e a articulação entre esses agentes assumem fundamental importância. Seu comportamento acaba por definir variações no processo de tomada de decisão. 102 conflito_negociacao_e_processo_decisorio.Universidade do Sul de Santa Catarina etc. Percebe-se uma estreita relação entre estratégias ou métodos de decisão e estruturas organizacionais. Tais conhecimentos oferecem grandes benefícios para as organizações. a interação parece superar parte considerável das limitações da análise. as organizações precisam descobrir que o “tecnicismo” da análise técnica. Sendo assim. Diante dessa realidade. explicando-se variações e abrindo-se valiosas possibilidades de aplicações práticas e teóricas do conhecimento sobre a decisão e os processos decisórios. Antes de divergências profundas. que se apresentam relacionado tanto a limitações cognitivas. Dessa forma. válido a priori para qualquer contexto organizacional. verificam-se pontos de complementaridade entre as mesmas. se mostra insuficiente para alcançar resultados satisfatórios quanto à tomada de decisão. deve ser relativizada a idéia de um modelo ideal ou definitivo. Ganha centralidade a figura do decisor. Isso exige um permanente pensar e repensar do processo decisório na organização. Antes de “ótimos” ou definitivos. não se encerrando em si mesmos. na maioria das vezes.indb 102 20/12/2007 10:49:14 . As abordagens estudadas apresentam enfoques e níveis explicativos diferenciados. no qual sua dinâmica se desenrola por uma contínua interação entre atores. tanto a perspectiva comportamental quanto a política devem ser consideradas nos processos decisórios. que a cada dia se torna mais complexa e exige respostas mais rápidas. Assim. comércio e prestação de serviços. propondo reflexões sobre aspectos e variáveis relevantes do processo de decisão. eles se apresentam em contínua construção. cobrindo-se lacunas. ainda que importante. Esse contexto deve ser entendido como um construto social inacabado. políticas. públicos e privadas. quanto a condicionantes de natureza ideológica e valorativa próprios ou de outros grupos/indivíduos envolvidos. comunitárias e grupos sociais diversos.

para identificar em qual deles os administradores estão sustentados para tomarem decisões. acabam muitas vezes mudando simplesmente de processo metodológico. Síntese As abordagens de processo decisório. – Leia. para resolver o problema. não basta mudar de metodologia. que é a terceira etapa do processo de decisório. nos possibilitam constatar a dificuldade de uma abordagem que dê conta do mesmo. Unidade 5 103 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. a seguir. na maior parte das vezes. Entretanto. O que isto quer dizer? Os administradores públicos. tanto na administração pública quanto privada. e não a mudança de metodologia. para se propor mudanças em termos de investigação. para se chegar a esse algoritmo científico. pois o princípio básico da eficiência administrativa é a demarcação do objeto de conflito a ser resolvido. por não conseguirem dar conta dos problemas a que estão submetidos ou pressionados para resolverem por meio de uma decisão. a partir de uma teoria científica e de uma metodologia científica. desenvolvidas pelos teóricos da administração. é necessário identificar os diferentes tipos de produção de conhecimento.Conflito. intervenção e avaliação. realize as atividades de autoavaliação e consulte o Saiba mais para complementar os conhecimentos.indb 103 20/12/2007 10:49:14 . estaremos reproduzindo os mesmos erros que os outros administradores já cometeram. centrados dentro de uma mesma perspectiva de decisão e de administração. Acontece que o processo de resolução de um problema qualquer começa pela sua demarcação. ressaltamos que. fundamentações estas que também são utilizadas para avaliar processos decisórios nas instituições privadas. a síntese da unidade. Negociação e Processo Decisório E para finalizar o estudo desta unidade. A partir destas considerações você verificou as inconsistências das fundamentações apresentadas sobre o processo decisório nas instituições públicas. De outra forma.

sem antes ter conhecimento dos impactos positivos e negativos. Atividades de auto-avaliação Assinale a única alternativa correta para cada enunciado: 1. b) ( ) Incremental.Universidade do Sul de Santa Catarina Mesmo as abordagens racionais. verificamos que a intuição também não é a saída para a tomada de decisão. principalmente pelo caráter muitas vezes emergencial do processo decisório que deverá ser tomado para dirimir um problema circunstancial. 104 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. Pois qualquer decisão tomada sem bases objetivas é uma aventura administrativa e não um processo decisório responsável. c) ( ) Política. cabe a você.indb 104 20/12/2007 10:49:14 . Desta feita. Nesses casos. d) ( ) Comportamental. qual fundamenta cientificamente o processo decisório: a) ( ) Racional. incrementais e políticas utilizadas pelos administradores se constituem em dificuldades apontadas para resolução do processo decisório na administração. administrador. nem mesmo alegar desconhecimento. não poderá no futuro ficar contra os resultados desdobrados. ter claro que qualquer decisão tomada. e) ( ) Nenhuma das anteriores. pois está centrada nas mesmas bases conceituais das abordagens estudadas anteriormente. Dentre as abordagens apresentadas. principalmente por envolver interesses difusos.

b) ( ) Incremental. b) ( ) Verificar que meios e fins se dão isoladamente. A abordagem racional no processo decisório possibilita: a) ( ) Uma compreensão a priori do que se vai decidir. b) ( ) Encontrar uma decisão que irá mudar a realidade objetiva. d) ( ) Todas as anteriores estão corretas.Conflito. c) ( ) Um direcionamento múltiplo das decisões. A abordagem incremental no processo decisório possibilita: a) ( ) Verificar que meios e fins se dão simultaneamente. b) ( ) Um processo decisório democrático e participativo. c) ( ) Suas decisões são pautadas em pesquisas e levantamentos apurados. Unidade 5 105 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. d) ( ) Todas as anteriores estão corretas. d) ( ) A relação entre a perspectiva técnica e o decisor. 3. c) ( ) Política. e) ( ) A garantia de decisões que atendam a todos. 4. e) ( ) Nenhuma das anteriores. c) ( ) Uma decisão completamente diferente. Negociação e Processo Decisório 2. tomando como pressuposto as suas idéias sobre o problema em questão? a) ( ) Racional. A abordagem centrada no poder possibilita: a) ( ) Um processo decisório discricionário. Dentre as abordagens citadas anteriormente. d) ( ) Todas as anteriores. qual você utilizaria para fundamentar o processo de decisão em sua administração. e) ( ) Todas as anteriores estão erradas.indb 105 20/12/2007 10:49:14 . 5. e) ( ) Todas as anteriores estão erradas.

em Riga na Lituânia.br/cursos/publicacoes_EP/2000-Teoria%20 da%20decisão%20-%20Difícil%20decidir.pdf> 106 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. Disponível em: <http://www.Universidade do Sul de Santa Catarina Saiba mais Para obter mais informações sobre as abordagens do processo decisório. consulte em “buscadores de internet” o International Congress Business Intuition desenvolvido em novembro de 2004.uvv. que estão sendo reativadas recentemente com fundamentação na abordagem racional. presidido pela “FOIL – Fostering Ontontopsychological Leadership Skills”.indb 106 20/12/2007 10:49:14 .

numa perspectiva de centralização e descentralização.indb 107 20/12/2007 10:49:15 . Seções de estudo Seção 1 A participação popular na administração pública conflito_negociacao_e_processo_decisorio.UNIDADE 6 Processo decisório e participação popular na administração pública Objetivos de aprendizagem „ 6 Caracterizar a importância do processo decisório em termos de administração pública.

Estamos na era da ética. sociais. pela via da repressão. quanto privadas. em todos os níveis. configurando um colonialismo interno no processo de desenvolvimento regional.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Com a democratização do processo político no Brasil. foi construído todo um processo institucional e sociológico de organizações sociais com vistas à participação popular no processo decisório tanto nas organizações públicas. 108 conflito_negociacao_e_processo_decisorio.indb 108 20/12/2007 10:49:15 . da responsabilidade social empresarial e da gestão social da instituição pública. seja ele por meio de audiência pública. pesquisa de opinião. Pretendemos que. pelos menos sociologicamente só teremos como retroceder no que diz respeito à participação popular. o processo decisório na administração pública basicamente foi sempre centrado para atender os interesses dominantes internos e externos. mesmo que ainda sustentada por problemas relacionados à formação da classe política brasileira. econômicos. Pois democraticamente ao longo das últimas décadas. políticos e ideológicos. A partir desse momento histórico. herdada do processo de colonização. essa condição passa a ser considerada ponto fundamental em qualquer processo decisório. consulta pública. ou outra forma estabelecida para tal. deliberações e impactos. em suas mais diferentes formas. Com o avanço da organização popular e a sistematização dessa participação em diversas instâncias do setor público. nesta unidade. Todas essas ocorrências nos remetem à compreensão de que a participação popular é um dado histórico incontestável no processo político. vinculado ao processo decisório. você tenha subsídios para identificar os mecanismos existentes de participação popular que poderão ser utilizados e deverão ser publicizados para tornar eficiente o processo decisório na administração pública.

por exemplo. sob várias formas. em termos explícitos.A participação popular na administração pública Participar significa intervir num processo decisório. por cidadão ou representante de grupos sociais nacionais. moralidade. Negociação e Processo Decisório SEÇÃO 1 . a participação relacionada à garantia de situações individuais da participação ocupada com garantia da legalidade. Para qualificar o que seja participação popular interessa distinguir.indb 109 20/12/2007 10:49:15 . É necessário. como o serviço militar obrigatório. A questão da participação vincula-se estritamente à interferência na realização e controle das funções estatais e na própria elaboração do direito positivo (MODESTO. distanciadas de qualquer manifestação autêntica da sociedade civil. isso significa que o cidadão pode participar da criação da ordem jurídica”. No entanto. recusar a qualificação de participação cidadã a atividades compulsórias. idealmente com vistas ao interesse geral e sem vínculo jurídico com o poder público. também. A participação administrativa corresponde a todas as formas de interferência de terceiros na realização da função administrativa do Estado. Unidade 6 109 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. excluir do rol das formas de participação popular a simples incorporação profissional e individual do cidadão. Nesta direção. cuja motivação econômica é evidente. mediante concurso público. implementada a favor de interesses da coletividade. diversa é a situação dos agentes privados aptos a interferir. 1995). Não devem ser consideradas formas de participação popular a prestação de serviço público por um concessionário delegado do Estado. no desenvolvimento de funções estatais. embora de forma mais específica. impessoalidade e eficiência da gestão da coisa pública. torna-se necessário distinguir participação administrativa de participação popular administrativa. bem como a atuação de particulares em busca do resguardo de direitos estritamente individuais. Kelsen (1990) definia os direitos políticos como “as possibilidades abertas do cidadão de participar do governo. aos quadros funcionais do Estado.Conflito. A participação popular na administração pública trata da interferência no processo de realização da função administrativa do Estado. Entretanto. Parece necessário ainda.

Reivindica-se. deve ser enquadrada como forma de participação subjetiva. Exemplos de participação cidadã: a participação do cidadão na composição do Conselho de Contribuintes. relacionada à tutela dos interesses individuais dos agentes que tomam parte da decisão administrativa. parece urgente refletir exatamente sobre as formas básicas de participação e os instrumentos processuais que lhe podem servir de veículo de expressão. participação popular. A segunda. Diversas abordagens do tema têm incorrido em discursos retóricos. 110 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. a fragilidade da democracia representativa neste final de século como processo legitimador da ordem jurídica e das políticas públicas. Denuncia-se. encarecedora da participação direta dos cidadãos na tomada das decisões coletivas. a qual Brito (1992) recusa nomear como forma de participação. sobretudo um discurso. pois a participação popular tem sido entre nós. mas não realizam. não se traduzindo de modo constante e relevante. pouco ocupados com questões de um detalhamento mais sistemático e realista das formas de operacionalização da participação popular. a denúncia de irregularidades ou do abuso de poder. qualificando de “controle social da administração”.indb 110 20/12/2007 10:49:15 . forma de participação cidadã em sentido estrito se refere a formas de participação objetiva. bem como sobre as condicionantes extralegais da participação cidadã.Universidade do Sul de Santa Catarina A primeira forma de interferência. com absoluta razão. por outro lado. de fato. Diante da dificuldade na objetivação do tema. a superação da democracia representativa pela democracia participativa. entre outras formas. mas não de participação popular. semidiretas ou diretas do povo na condução da função administrativa do Estado. com veemência. a participação em conselhos deliberativos onde são debatidos temas de interesse geral. a participação em audiências públicas à reclamação relativa à prestação dos serviços públicos. mediante representação.

A participação popular é. A apatia política relaciona-se à falta de informação sobre os direitos e deveres dos cidadãos. freqüentemente cumpre papel inverso. estabelecendo mecanismos de neutralização e acomodação extremamente sutis.indb 111 20/12/2007 10:49:15 .Conflito. uma questão política. relacionada ao grau de desenvolvimento e efetivação da democracia. dificultando a participação. O aparato jurídico é incapaz de induzir a participação popular. acracia política: não poder participar da ação cidadã. Negociação e Processo Decisório Por outro lado. sobretudo. recusar a participação. relacionada unicamente à definição de instrumentos normativos de participação. abulia política: não querer participar da ação cidadã. à falta de vias de comunicação diretas realmente ágeis do cidadão face ao aparato do Estado. Problemas relacionados à participação popular no processo decisório A necessidade de analisar as demandas e as dificuldades reais de participação deve ser o eixo da análise e crítica geral dos instrumentos de participação popular na administração pública. ou reduzida a uma questão meramente jurídica. que merecem reflexão. parecem realmente úteis as distinções relativas à participação popular em três níveis de dificuldades: „ „ „ apatia política: falta de estímulo para a ação cidadã. Unidade 6 111 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. à falta de tradição participativa e à excessiva demora na resposta de solicitações ou críticas. é ingênuo pensar que a participação popular na administração pública possa ser isolada da questão da participação popular nos demais setores do Estado. mais ainda. Neste setor. extraídas da análise política. à falta de respostas às solicitações. Essas são as situações gerais.

bem como do modo de utilizá-los quando necessários para tornar as decisões públicas de conhecimento da coletividade. conselhos administrativos. por sua vez. A participação popular quanto à eficácia de sua ação pode ser: „ „ „ „ vinculante (participação em conselhos de instituições públicas). Tipologia da participação popular na administração pública Agora vamos estabelecer a tipologia de participação popular na administração pública. decisória (ex. bem como pela falta de reconhecimento e estima coletiva para atividades de participação cidadã. além dos graves problemas de ordem política e econômica no nosso país. à falta de esclarecimento dos direitos e deveres das partes nos processos administrativos.indb 112 20/12/2007 10:49:15 . ao formalismo administrativo e à ausência da prática de conversão de solicitações orais em solicitações formalizadas. condicionadora (ex. para possibilitar a você a compreensão dos principais mecanismos existentes. conselhos meramente consultivos). A tipologia da participação na administração pública pode ser classificada conforme veremos a seguir. que limitam discricionariedade da autoridade superior. 112 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. não-vinculante (ex. com o ceticismo quanto à manifestação do cidadão efetivamente ser levada em consideração pela administração pública.Universidade do Sul de Santa Catarina A abulia política relaciona-se. exigindo motivação extensa em pronunciamentos divergentes). Os enfrentamentos dessas três situações reclamam muitas vezes providências simples. A acracia política diz respeito diretamente ao baixo grau de escolarização dos requerentes. co-gestão). à complexidade excessiva das normas administrativas. perfeitamente realizáveis por decisão infra-constitucional e mesmo administrativa. A questão é mais facilmente visualizada quando consideramos os tipos de intervenção do cidadão na administração pública.

instituições públicas sociais. denúncias.indb 113 20/12/2007 10:49:15 . audiências públicas). com o auxílio ou concordância da administração.Conflito. coletiva (ex. administração não corporativa. Negociação e Processo Decisório A participação popular. autônoma (ex. mas em atividades materialmente públicas. colegial (ex.: direito de ser ouvido e a enquete (consulta à opinião pública sobre assunto de interesse geral). Unidade 6 113 conflito_negociacao_e_processo_decisorio.: consultas públicas. técnicas de representação de interesses e técnica de colaboração de especialistas. em órgãos da estrutura do poder público. sugere uma classificação didática: „ participação direta: realizada sem a presença de intermediários eleitos. Ex. exercício de ações populares. ainda. como tais (não como funcionários ou políticos). entidades de utilidade pública). petições e propostas. conselho de gestão). participação funcional: atuação cidadã fora do aparato administrativo. colaboração especializada). sem exercer função materialmente pública. Enterria (1998) elaborou outra classificação de participação na administração pública. com apoio do poder público. „ „ Di Pietro (1993). Ex.: as corporações públicas. Ex. participação cooperativa: atuação do cidadão como sujeito privado. b) executiva „ „ co-gestão (ex. mas em atividades de interesse geral. quanto à matéria e à estrutura de sua intervenção pode ser: a) consultiva „ „ „ individual (ex. ONGs. conselhos consultivos). atividades de entidades de utilidade pública. por sua vez. descrita a seguir: „ participação orgânica: inserção dos cidadãos. Ex. entre outras.

Instrumentos processuais de participação popular na administração pública Vários são os instrumentos processuais de participação utilizados pela administração pública. Difere da representação administrativa.Universidade do Sul de Santa Catarina „ participação indireta: realizada por intermediários. do direito de integrar órgão de consulta ou de deliberação colegial no poder público. participação popular em órgão de decisão. denúncia pública: instrumento de formalização de denúncias quanto ao mau funcionamento ou responsabilidade especial de agente público. podemos ordenar os diversos mecanismos processuais de participação popular na administração pública. relatórios ou diagnósticos sobre questões a serem decididas. assessoria externa: convocação da colaboração de especialistas para formulação de projetos. em matéria de interesse geral. aberta ao público. sobre tema ainda passível de decisão. A partir dessas tipologias. Ex. colegiados públicos: reconhecimento a cidadãos. Nos limites desta intervenção. eleitos ou indicados. participação por meio do ombudsman e participação via poder judiciário.indb 114 20/12/2007 10:49:15 . „ „ „ „ „ 114 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. audiência pública: sessão de discussão. quando empregados para tutela de interesses sociais: „ consulta pública: abertura de prazo para manifestação por escrito de terceiros. ou a entidades representativas. antes de decisão.: participação popular em órgão de consulta. cabe referir em especial os seguintes.: representação administrativa. pois se fundamenta em relação jurídica entre o Estado ou concessionário do Estado e o particular-usuário. reclamação: relativa ao funcionamento dos serviços públicos. com maior ou menor grau de autenticidade e integração social. Ex.

decisões justas. OAB. Unidade 6 115 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. ação civil pública.. de participação de entidades representativas em bancas de concursos públicos. sem intuito lucrativo. a facilidade para as partes indicarem o juiz arbitral. a participação popular somente ocorrerá quando for possível identificá-la como manifestação de poder político e não como simples expressão de direito público subjetivo. que dispõe sobre a mediação e arbitragem. homologações e sentenças. justiça a baixo custo. homenageando interesses exclusivamente privados. transparência.indb 115 20/12/2007 10:49:15 . mandado de segurança coletivo. podendo. v. ação de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. por exemplo. ombudsman (ouvidor).g. sem a obrigatoriedade da presença de advogados. Saiba mais A lei 9307-96. Neste sentido. „ „ „ Esses instrumentos podem servir à participação popular. em alguns casos. participação ou “controle social” mediante ações judiciais: ação popular. caracterizar meros instrumentos de participação pessoal. entre outras.Conflito. Negociação e Processo Decisório „ colaboração executiva: instituições públicas que desenvolvam. à expressão política da coletividade. mesmo quando forem desencadeados por indivíduos singulares. instituiu no Brasil a justiça privada que oferece uma série de vantagens. atividades de colaboração em áreas de atendimento social direto. com alcance amplo ou comunitário. Mas nem sempre receberam esse matiz. a total possibilidade de acordos. tais como: rapidez. como bem assinala Brito (1992). fiscalização orgânica: obrigatoriedade.

para fazer valer o processo decisório e a tão propalada participação popular nos processos decisórios da administração pública. e os principais problemas relativos à participação popular. Constatamos que. antes de fazer leis.indb 116 20/12/2007 10:49:16 . é necessário se estabelecer processos de reconhecimento da cidadania legal. e) ( ) Nenhuma das anteriores. porque rica no plano normativo e pobre no plano da vivência efetiva da participação. A situação brasileira é eminentemente paradoxal. Verificamos todos os mecanismos legais. qual é o maior? a) ( ) Abulia. c) ( ) Apatia. Dentre os problemas enfrentados por você diariamente para fazer valer suas decisões. 116 conflito_negociacao_e_processo_decisorio.Universidade do Sul de Santa Catarina Síntese Ainda falta uma clara compreensão das dimensões nãonormativas da administração pública e a exploração mais atenta das normas existentes. d) ( ) Todas as anteriores. que é de natureza política e segunda na vida de relações dos indivíduos. b) ( ) Acracia. Atividades de auto-avaliação Assinale a única alternativa correta para cada enunciado: 1.

c) ( ) Não existe prazo para participação. d) ( ) Na consulta pública há abertura de prazo para manifestação por escrito de terceiros. 3. em órgãos da estrutura do poder público. Qual a definição de participação orgânica? a) ( ) Participação centrada em órgãos colegiados. d) ( ) É aquela que agrega todas organizações não-governamentais. b) ( ) Mecanismos de orientação para participação popular. em matéria de interesse geral. c) ( ) Sessões de mediação e arbitragem. b) ( ) Participação democrática e participativa.indb 117 20/12/2007 10:49:16 . o processo se desenvolve no tempo. sobre tema ainda passível de decisão. d) ( ) Todas as anteriores estão corretas. Em um processo decisório público. e) ( ) Todas as anteriores estão erradas. e na audiência pública ocorre sessão de discussão. o que é mais importante: a) ( ) Mecanismos legais de participação popular. congregado pelas organizações da sociedade civil. 4. até que se chegue a algum resultado que seja comum. aberta ao público. c) ( ) Participação que considera a inserção dos cidadãos como tais (não como funcionários ou políticos). antes da decisão. Qual a diferença entre consulta e audiência pública: a) ( ) Não existe diferença.Conflito. Unidade 6 117 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. e) ( ) Nenhuma das anteriores. b) ( ) As duas formas de participação são condicionadas a mecanismos de seleção de documentos. e) ( ) Possui um colegiado de decisão superior. Negociação e Processo Decisório 2.

Juana Bignozzi. Trad. Ariel. 1988. Barcelona. d) ( ) Todas as anteriores. consulte a seguinte referência: BOBBIO. 118 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. b) ( ) Concurso público. Saiba mais Para aprofundar um pouco mais o entendimento da participação pública no processo decisório. c) ( ) Assessoria externa (convocação da colaboração de especialistas para formulação de projetos. relatórios ou diagnósticos sobre questões a serem decididas). e) ( ) Nenhuma das anteriores.indb 118 20/12/2007 10:49:16 . Uma das formas de legitimação do processo decisório junto à comunidade é por meio de que mecanismo? a) ( ) Contrato administrativo.Universidade do Sul de Santa Catarina 5. Norberto. Las ideologias y el Poder em Crisis.

verificando a sua eficiência. Seções de estudo Seção 1 Memória institucional na administração pública conflito_negociacao_e_processo_decisorio.indb 119 20/12/2007 10:49:16 .UNIDADE 7 A memória institucional do processo decisório na administração pública Objetivos de aprendizagem „ 7 Avaliar os resultados de qualquer processo decisório. eficácia e efetividade.

Universidade do Sul de Santa Catarina

Para início de estudo
Um dos maiores problemas das instituições públicas é a retenção de todo conhecimento produzido pelo seu staff durante todas as etapas do seu processo decisório. Esta situação se agrava com as aposentadorias, em que todo o conhecimento das instituições públicas vai junto com os funcionários aposentados, caracterizando a perda da “memória institucional das mesmas”. Entretanto, por falta de planejamento estratégico, as instituições públicas desconhecem procedimentos de estruturação, análise e decisão das informações, para gerar conhecimento de modo parametrizado, colocando-as num nível de desempenho e excelência, tornando possível recuperar a estrutura do processo de decisão desenvolvido em qualquer época de sua existência. A perda de todo o ativo considerado intangível (processo decisório) é uma das grandes preocupações das instituições atuais. Isto se deve à rotatividade e às aposentadorias, após uma geração de desenvolvimento tecnológico, do staff permanente. A “perda de memória institucional” poderia ser considerada uma ação de improbidade administrativa, face aos investimentos realizados durante toda a existência das instituições públicas e que precisam em cada legislatura utilizar recursos para desenvolver novamente tais procedimentos. Historicamente nunca houve preocupação com a sistematização do conhecimento de processo decisório das instituições públicas em uma modelagem que possibilitasse a recuperação dessas informações de modo simples e fácil, por meio de alguma técnica específica. A perda da memória institucional tem sido um dos maiores problemas para quem exerce a atividade de administrador público, pois implica refazer processos decisórios para resolver problemas idênticos ou semelhantes já resolvidos. Nesta seção pretendemos demarcar para você o fato de a estrutura do processo decisório perder-se a cada legislatura, em termos de memória organizacional, por não documentar parte de todos os procedimentos adotados, bem como não garantir uma avaliação da continuidade de processos que historicamente vêm sendo trabalhados nas instituições públicas, e que são de domínio público.
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conflito_negociacao_e_processo_decisorio.indb 120

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Conflito, Negociação e Processo Decisório

Garantir a permanência dos registros de todas as atividades da administração pública constitui-se, hoje, um procedimento inestimável para tomada de decisão, pois todas as informações estarão armazenadas de modo passível de recuperação a qualquer tempo, garantindo a transparência da atividade pública.

SEÇÃO 1 - Memória institucional na administração pública
Na gestão pública contemporânea é o reconhecimento das etapas do processo decisório que agrega valor às instituições públicas, considerando a complexidade e dificuldade de sua mensuração devido à falta de sistematização da estrutura do processo decisório. Entretanto, a prática da gestão pública tem sido profundamente influenciada pelo avanço da habilidade de processar informação e de se comunicar por meio de diferentes tecnologias. Os administradores públicos reconhecem que a informação e o conhecimento são ativos valiosos, que precisam ser devidamente compreendidos e gerenciados por meio de ferramentas apropriadas para otimizar o processo decisório.

Não é somente por meio das tecnologias de comunicação e informação que o processo decisório pode ser otimizado, mas também pela estrutura de planejamento de seu processo decisório, conforme você viu na unidade anterior.

Faremos uma breve exposição do que é a Memória Institucional e os seus reflexos sobre a estrutura da administração pública.

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Memória institucional
A memória institucional trata da captura, armazenamento e utilização das informações existentes nas instituições, passíveis de serem utilizadas para fundamentar as etapas do processo decisório da instituição pública. A estrutura do conhecimento produzido sobre o processo decisório pode estar armazenada na forma de documentos ou materiais. Estes conhecimentos podem ser armazenados e disponibilizados para os diversos setores da instituição pública.

Para que o processo decisório traga resultados, as instituições públicas precisam gerenciá-lo de forma pró-ativa, tornando-o independente de qualquer funcionário. Isto só acontece, de fato, no momento em que as instituições são capazes de capturá-lo através de seus sistemas, processos, produtos, regras e cultura.

Na realidade, a partir do uso de processamento de informação, as instituições públicas incorporam algum tipo de memória, que pode ser organizada em sistemas de informação. Entretanto, o desenvolvimento de tais sistemas se constitui num desafio aos administradores públicos no sentido de que os aspectos psicológicos, sociológicos e contextuais são importantes na criação do processo decisório. Até o momento, estas ferramentas são limitadas para adequar a informação ao contexto, pois desconsideram os campos disciplinares listados acima. Para criar uma memória institucional útil, precisamos seguir alguns passos simples:
„ „ „ „ „ „ „ „ „

estabelecer princípios objetivos; estabelecer indicadores; mapear o material existente; definir os assuntos e as fontes; mapear os agentes e mediadores; definir a estrutura de armazenamento; criar “massa crítica” de documentos, textos etc.; criar procedimentos de consulta e atualização; definir política de incentivo;

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Conflito, Negociação e Processo Decisório

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criar o “Programa de disseminação”; liberar o uso gradual aos colaboradores da instituição; apurar os indicadores; prover feedback às críticas e sugestões; avaliar a iniciativa e redirecionar a abordagem.

A volatilidade do conhecimento representa um dos grandes problemas no processo decisório. Nesse sentido, a natureza da memória institucional depende das necessidades e esforços necessários para estruturá-la e do tamanho da instituição e do conjunto de relações internas que ela desenvolve em termos institucionais. Esta estrutura de memória institucional permite que ela possa ser acessada de qualquer parte do mundo pela ferramenta computacional selecionada via internet, porque a informação armazenada dispõe de chave de acesso que garante sua segurança. Entretanto, existe a necessidade de uma pessoa ou grupo de pessoas para manter o processo atualizado e desenvolvendo mecanismos de aperfeiçoamento. Ter uma memória institucional permite que a instituição pública aproveite os conhecimentos passados resultantes de situações emergenciais, administrativas, legais e estratégicas, para atacar problemas novos. Permite ainda que os funcionários novos conheçam e utilizem as experiências dos indivíduos que estiveram anteriormente na instituição. Além disso, evita repetição de erros. Aqui você viu que não basta sistematizar, é preciso modelar as informações em uma estrutura que seja passível de ser recuperada e ser objeto do processo decisório.

Apesar dos inúmeros benefícios, desenvolver uma memória institucional é muito difícil, não pela questão tecnológica, mas porque muitos dos integrantes das instituições públicas não se dispõem a compartilhar o que sabem.

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a seguir. como instrumento de apoio à decisão. destacam-se alguns itens importantes para serem refletidos. face à complexidade das inter-relações dos aspectos levantados. um dos fatores de adoção do sistema proposto pelas instituições públicas. Numa segunda etapa certamente seria visto como ativo tecnológico. Acompanhe: „ para muitos administradores públicos. 124 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. memória institucional torna-se um instrumento eficaz para verificação da posição dos processos decisórios empreendidos pelas instituições públicas.indb 124 20/12/2007 10:49:17 . para fundamentar processos de decisão. realize as atividades de autoavaliação e consulte o Saiba mais para complementar os conhecimentos. Síntese Nesta seção queremos demarcar que a memória institucional é um dos recursos computacionais atuais mais bem organizados para classificar e sistematizar informações passíveis de serem recuperadas em qualquer instituição. seria pela redução de custos que o mesmo proporcionaria em termos de desenvolvimento tecnológico. „ „ – Leia. a memória institucional pode ser considerada limitada como aplicação. para concluir esta unidade. a síntese da unidade.Universidade do Sul de Santa Catarina E. paralelo à relação custobenefício. convém ressaltar que este modelo não esgota a aplicação. nem circunscreve todas as variáveis relativas aos diferentes sistemas de administração pública. numa perspectiva de participação popular. Entretanto. numa primeira etapa. seja ela pública ou privada.

o sistema deve ter um bom entendimento das experiências. quando se referenciou a possibilidade de criação de memórias de processos decisórios acessórios. „ a estrutura formada por uma hierarquia de Pacotes de Memória. O sistema utiliza a similaridade medida para recuperar (lembrar) suas experiências (casos passados). numa segunda fase seria passível de recuperação para tomada de decisão. isto é. O controle das inferências no sistema por meio das medidas de similaridade permitiu simular os raciocínios pertinentes a uma lógica não-uniforme. que são na verdade conjuntos de variáveis que estruturam partes do processo decisório. simular uma base de conhecimentos possível de ser sistematizada. Diferente das outras propostas que buscam dados sistematizados. inclusive. „ o sistema baseado em casos guarda os casos recuperados na memória para seu posterior uso em situações similares. „ a ativação dos conhecimentos é feita por um conjunto formado pelos métodos de busca e pelas medidas de similaridade. o que irá constituir a memória institucional. possibilita um desenvolvimento do referido sistema. Negociação e Processo Decisório A partir da demarcação da memória institucional. e um método claro para organizá-los. intensificando qual será o nível de memória mais adequado para tratar esta situação. bem como cada atividade desenvolvida pelas mesmas. é uma das vantagens do referido sistema. esse modelo sistematiza informações que estavam desorganizadas numa proposição de modelo que. „ na modelagem do sistema identificaram-se características importantes para representar os processos decisórios na memória. já que a inclusão de uma nova atividade do processo decisório consistirá na especialização de uma classe (memória) e na inclusão de seu conhecimento — como já foi tratado anteriormente. Unidade 7 125 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. incorporando-as na memória de processos decisórios. tornamos possível que cada unidade funcional das instituições públicas.indb 125 20/12/2007 10:49:17 . seja passível de representação por meio de uma memória de processo decisório. „ quando se recuperam processos decisórios já armazenados. podemos fazer as seguintes constatações: „ a memória institucional é resultado de aplicações já desenvolvidas em instituições públicas. Ao modelarmos o mesmo.Conflito. para melhorar sua performance por meio de ferramentas de Inteligência Aplicada. Esta.

pode-se predizer as diferentes etapas de planejamento de resolução dos problemas das instituições públicas. 126 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. Por meio desta ferramenta. em diversas rotinas operacionais. voltando a usá-los em situações semelhantes. bem como as rotinas de trabalho. „ os processos decisórios recuperados com sucesso reforçaram a necessidade de sistematizar os conhecimentos adquiridos ao longo do tempo. avaliação tecnológica e identificação dos processos decisórios. „ em termos de modelagem. avançou-se pelo seguinte: os resultados obtidos mostram que as identificações de problemas utilizando memória institucional podem ir além dos conhecimentos adquiridos para formular os processos decisórios. Todos estes módulos otimizaram o sistema.Universidade do Sul de Santa Catarina „ a estrutura da memória e o mecanismo de aprendizado necessitam apoiar a máquina de inferência dando-lhe habilidade de integrar novos casos bem-sucedidos. intensificando esforços na resolução de problemas. melhorando sua performance operacional.indb 126 20/12/2007 10:49:17 . fornecendo ao administrador público um conjunto de informações para apoio à decisão no momento de implantação de algum programa ou projeto nas instituições públicas. „ a integração dos vários módulos da memória institucional dota o sistema de características de previsão para tomada de decisão.

b) ( ) A garantia de que todo conhecimento da instituição pública está preservado.Conflito. c) ( ) Todos os funcionários terão que estruturar o seu processo decisório. 3. b) ( ) Redução de tempo de desenvolvimento tecnológico das soluções. O que a Memória Organizacional proporcionaria para as instituições públicas: a) ( ) Redução de custos. e) ( ) Nenhuma das anteriores. d) ( ) Todas as anteriores estão corretas. e) ( ) Nenhuma das anteriores. Negociação e Processo Decisório Atividades de auto-avaliação Assinale a única alternativa correta para cada enunciado: 1. e) ( ) Todas as anteriores estão erradas. 2. c) ( ) Encontrar a solução ideal para o processo decisório em questão. d) ( ) Todas as anteriores. A Memória Institucional possibilita: a) ( ) A organização do processo decisório numa modelagem computacional. c) ( ) Evita que decisões tomadas equivocadamente sejam repetidas. A Memória Institucional proporciona às instituições públicas: a) ( ) Armazenar processos decisórios já desenvolvidos indexados por variáveis. b) ( ) A recuperação do processo decisório mais próximo da solução a ser buscada. Unidade 7 127 conflito_negociacao_e_processo_decisorio.indb 127 20/12/2007 10:49:17 . d) ( ) Encontrar as informações necessárias para tomada de decisão.

consulte as seguintes referências: ABECKER. 5.. ACM Transactions on Information Systems. p. Communications of the ACM. 1998. HALVERSON. et al. p. c) ( ) Processo decisório. 1. 43. ACKERMAN.Universidade do Sul de Santa Catarina 4. 203. A. jan. v. A. M. jul. 128 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. 40-48. Saiba mais Para aprofundar os seus conhecimentos sobre processo decisório. 3. Como proceder para implantar uma Memória Organizacional em uma instituição pública? a) ( ) Começar pela identificação de todo o organograma funcional. b) ( ) Concurso público. d) ( ) Todas as anteriores estão corretas. M. IEEE Intelligent Systems. n. c) ( ) Fazer pesquisa histórica em documentos administrativos. C. ACKERMAN. 16. S.indb 128 20/12/2007 10:49:17 . p. A Memória Organizacional é um instrumento auxiliar para: a) ( ) Contrato administrativo. 59-64. maio/jun 1998. S. Augmenting organizational memory: a field study of answer garden. d) ( ) Todas as anteriores. v. e) ( ) Nenhuma das anteriores. 13. 2000. e) ( ) Nenhuma das anteriores. Toward a technology for organizational memories. b) ( ) Primeiramente identificar relações entre os diversos departamentos. Reexamining organizational memory. n. v.

Para isso não é preciso não só mudar de perspectiva metodológica. você estudou o modo atual de gerenciamento de informação nas instituições públicas para garantir a transparência do processo decisório a partir do estabelecimento da memória organizacional. como comumente se faz. mas mudar a fundamentação que sustenta a mediação de conflitos.indb 129 20/12/2007 10:49:17 . e verificou que para existir um conflito é preciso primeiro que exista uma reciprocidade em relação a alguma exigência que está sendo feita de uma parte para outra. conflito_negociacao_e_processo_decisorio. você verificou que nossa perspectiva analítica não se fundamenta nos interesses envolvidos entre as partes que estão em conflito. Somente através dessa perspectiva é que se torna possível encaminhar uma solução para a resolução de um conflito em qualquer direção.Para concluir o estudo Nesta disciplina você entrou em contrato com os princípios básicos do processo de mediação de conceitos. mais sim nos objetos de conflito que os colocam em questão. E. por fim. Diferentemente de como é tratado na literatura sobre conflitos.

Susana 130 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. Prof. A proliferação de publicações na área sem base científica confirma a necessidade de que sejam revistos os fundamentos da teoria geral da Administração Aplicada.Universidade do Sul de Santa Catarina Esperamos ter contribuído para seu aprimoramento profissional. para tratamento não só do processo decisório. Sucesso nos estudos. lembrando que ainda falta muito para que a Administração seja uma ciência com controle dos seus resultados. mas também dos outros objetos de investigação que compõem o fenômeno administrativo público e privado. tanto para instituições públicas quanto privadas.indb 130 20/12/2007 10:49:17 . Harryson e Profa.

Engenharia Civil (UFSC).indb 131 20/12/2007 10:49:17 . Bacharel em Geografia. Banco Mundial – avaliação de projetos da Corporação Financeira Internacional – na ONG ProCFI. Possui trabalhos publicados na área de planejamento com perspectivas ambientais. Mestre em desenvolvimento regional e urbano. Áreas de atuação: empresarial. Coordenador de um Grupo de Pesquisa no CNPq: Resolução Científica de Conflitos. Atua como consultor no SEBRAE para programas de qualidade total. mais recentemente. conflito_negociacao_e_processo_decisorio. Doutor em Inteligência Artificial Aplicada ao Meio Ambiente. educacional. psicológica. É professor dos cursos de pós-graduação em Engenharia Ambiental. político econômico-financeira. Natura International. Presidente do Conselho Deliberativo do Instituto de Geração de Tecnologias do Conhecimento – IGETECON. psicopatológica e de produção intelectual.Sobre os professores conteudistas Harrysson Luiz da Silva É pós-doutor em ergonomia cognitiva. Engenharia de Produção e. E possui formação em psicologia existencialista. Environmental Resources Management. É coordenador do Programa Institucional de Meio Ambiente da UFSC. Produção de conhecimento e propriedade intelectual.

congressos relacionados às áreas de atuação profissional e acadêmica. igualmente. Possui experiência na área de Direito. Atualmente é advogada e professora da Universidade do Sul de Santa Catarina. Direito Previdenciário. especialista em Advocacia e Dogmática Jurídica pela Escola Superior de Advocacia e Universidade do Sul de Santa Catarina . Ciências Contábeis e Turismo. Tem trabalhos realizados na área jurídica e publicação de artigo científico. no estágio supervisionado e na orientação de monografias do curso de direito da Unisul e como professora tutora de inúmeros cursos de graduação da UnisulVirtual.ESA/UNISUL (2002) e mestre em Relações Internacionais para o MERCOSUL pela Universidade do Sul de Santa Catarina . possuindo os cursos da Escola Superior da Magistratura do Estado de Santa Catarina .Universidade do Sul de Santa Catarina Susana dos Reis Machado Pretto É graduada em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina ..UFSC (1988).ESMESC (1989).FASC.Informações Objetivas e Publicações Jurídicas Ltda. tais como: Administração Pública. Direito Civil e Direito Processual Civil. Direito Acidentário. e da UnisulVirtual . atuando principalmente na advocacia e na docência do ensino superior. Foi consultora trainee da IOB . Atua. da Magistratura do Trabalho e Universidade do Vale do Itajaí .UNISUL (2005). Administração Legislativa. em diversos cursos de pós-graduação telepresencial da Rede LFG/ UNISUL.indb 132 20/12/2007 10:49:18 . participação em seminários. procuradora “ad hoc” do INSS Instituto Nacional do Seguro Social e professora da Faculdade do Estado de Santa Catarina . palestras. como professora na graduação presencial.Capacitação para Tutores (2004/2005). Direito Administrativo.AMATRA/UNIVALI (1999). 132 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. participação como examinadora em bancas de monografia. com ênfase em Direito Constitucional.

conflito_negociacao_e_processo_decisorio.Respostas e comentários das atividades de auto-avaliação Unidade 1 1) Quando ocorre um conflito na esfera da administração pública: a) Uma segunda parte é atingida pela primeira parte e estabelece uma resistência. 5) Quais são as partes mais importantes para resolução dos conflitos? a) Todas as partes envolvidas.indb 133 20/12/2007 10:49:18 . 2) As atividades de mapeamento de conflitos são fundamentais para: e) Avaliar objetivamente o conflito para encaminhar as estratégias. a) A identificação dos principais elementos constitutivos do conflito. 3) O Mapeamento de Conflitos proporciona. 4) Identificar o que motivou o conflito é fundamental para b) Identificar o grau de compreensão do conflito pelas partes envolvidas.

diligência e confidencialidade.indb 134 20/12/2007 10:49:18 . 2) Quando as partes envolvidas não estiverem preparadas para negociação. Unidade 3 1) As estratégias são fundamentais para: a) Antever os encaminhamentos a serem adotados. 4) O árbitro é um profissional contratado para: a) Arbitrar uma solução. 134 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. independência. competência. 5) Quais os princípios que garantem com competência o trabalho do mediador e do árbitro? a) Imparcialidade. é estratégico: b) Fazer uma retirada estratégica. 2) A arbitragem é um processo de mediação utilizado quando: b) Não existe meio de se chegar a uma solução. 3) O mediador é um profissional: b) Contratado para orientar a formação do consenso no conflito. quando as partes são reativas.Universidade do Sul de Santa Catarina Unidade 2 1) A mediação é um processo de resolução de conflitos: b) Não-adversarial.

Negociação e Processo Decisório 3) Dentre os espaços de negociação.Conflito. qual deles é fundamental para que as soluções sejam implementadas dentro da lei? d) Ministério Público. 4) Um conflito que não esteja espaço-temporalmente identificado pode ser utilizado como: e) Nenhuma das anteriores.indb 135 20/12/2007 10:49:18 . Unidade 4 1) alternativa “b” 2) alternativa “d” 3) alternativa “e” 4) alternativa “c” 5) alternativa “c” Unidade 5 1) alternativa “e” 2) alternativa “a” 3) alternativa “a” 4) alternativa “d” 5) alternativa “a” 135 conflito_negociacao_e_processo_decisorio. 5) A documentação é um processo necessário para: c) Identificar retrocessos em posições já assumidas.

indb 136 20/12/2007 10:49:18 .Universidade do Sul de Santa Catarina Unidade 6 1) alternativa “b” 2) alternativa “b” 3) alternativa “d” 4) alternativa “c” 5) alternativa “c” Unidade 7 1) alternativa “a” 2) alternativa “d” 3) alternativa “d” 4) alternativa “d” 5) alternativa “c” 136 conflito_negociacao_e_processo_decisorio.

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