Introdução No ano de 1979, foi proferido o Colóquio Internacional, organizado pelo Instituto de Estudos Medievalistas de Leuven.

As palestras apresentadas foram reunidas nesta coletânea que além de abranger as conferências e comunicações também reuniu os debates do colóquio. Os autores examinam, por distintos pontos de vista, os costumes em presença da morte, ressaltando sua aparência como manifestação instituidora de cultura, sobretudo em suas amostras na literatura proporcionando uma análise sobre o temor de morrer não deixando de enfatizar o controle sobre o corpo na Idade Média.. Esse é um tema vem despertando grande interesse, especialmente por parte da nova historiografia francesa e dos adeptos da chamada história das mentalidades. Entre os catorze textos reunidos, nosso grupo irá apresentar as colaborações de nomes como Philippe Ariès, Herman Brael, Werner Verbeke,Michel Vovelle,Srandel e Blum entre outros, abordando aspectos históricos da presença literária da morte, que é analisada tanto em termos gerais como por meio do exame de casos exemplares.

Reproduzir a experiência vivida da morte seria não ver se não a aparência formal. continua sendo um revelador particularmente sensível. A morte. A História da Morte assume na nova história das mentalidades. 1. Pierre Chaunu pode dizer que toda sociedade se mede ou se avalia de certa maneira pelo seu sistema de morte. em parte inconsciente. O primeiro nível impõe por si mesmo o fato concreto da morte. torna se a imagem da morte boa no século XIX. os homens descobrem a Morte. nos momentos de sensibilidade em relação a morte é um discurso coletivo que se exprime. mas uma morte nas longas curvas das grandes evoluções seculares e multisseculares. A valorização desse momento da existência vem cercada de toda uma rede de mascaramentos. Para se tratar da História da Morte é preciso vê-la e concebê-la como vertical. Michel Vovelle O titulo dessa contribuição é à primeira vista. sobretudo desigualdade sentida. Ela se situa no fio direto da evolução que levou os pesquisadores interessados na evolução das culturas. A Morte na História. A morte que se torna desse modo em períodos de longa duração não é uma morte acrônica. a começar sobre a diferença de sexo. Dirão que é sutil a transição entre a “morte vivida” e o “discurso sobre a morte”. A história de viver a morte deságua na história do discurso coletivo da morte. a morte vivida e os discursos sobre a morte. 3. a agonia ao tumulo e ao além. A Morte Vivida. privado hoje do impacto aterrorizador de outrora: olhando se num espelho. ao cabo de toda a aventura humana. Os pintores souberam oferecer esse efeito de surpresa: uma jovem em seu toucador.A História dos homens no espelho da Morte. esquivanças e tabus. Ao fim e ao cabo. o que eu chamaria de morte sofrida. A Morte Sofrida. ao contrario das criações fantásticas e dos comportamentos mágicos. É um tema que a pintura do século XVI ao barroco alemão e espanhol retrata com bastante freqüência. de acordo com idade desigual. onde o velho casal Burgmeyr olha se no espelho. ontem. Entendo por isso uma História que deve desencadear sem suposição inicial uma relação de causalidade mecânica. É apreciar o contraste entre o campo/cidade: aclivagem maior continua sendo entre pobres e ricos. que lhes devolve a imagem em forma de caveira. ela poderia parecer ser artificial nos ritos funerários. A Coexistência de Diferentes Atitudes. 2. um pouco esotérico. O que é a História da Morte em longos períodos? Porventura tratar se de encontrar ao longo das grandes mutações da Idade Moderna uma morte do que chamaria “natural” ou “acrônica”? Esse longo período corre o risco de se fixar na interpolaridade e na mobilidade. um espaço que não é menor. A morte vivida é muito simplesmente um complexo de gestos de ritos que acompanham o percurso da ultima doença. um pouco gasto. A imagem da morte má. ma é um discurso. O Discurso da Morte. Esse nível de morte é o nível que leva avaliar a morte vivida. . Teme se o efeito “fácil”. Todas essas representações da morte estão imersas num contexto ou num banho cultural que é propriamente o banho histórico. Avaliar o peso desse tipo de Morte é apreciar os parâmetros os componentes sociais desse corte.

difusa e profusa. apesar da própria limitação a contribuição dos folcloristas é insubstituível. do tesouro da observação que os folcloristas acumulam desde o século passado. Uma História Convulsiva. As fontes prolixas Depois desses traços da morte vivida às formas de experiência do discurso diante da morte pode-se ter a impressão de que os silêncios ou a raridade das fontes cede lugar à prolixidade. É o surgimento do macabro no declínio da Idade Média (século XV) depois da peste negra é a crispação do tempo do barroco entre 1580 e 1660. o conjunto de ritos e de gestos da morte durou o que durou o antigo regime demográfico. é de deslizamento sucessivos que falarei. Seguramente fica a reconstituição de atitudes das massas anônimas. pela enorme quantidade de informação. Os silêncios A história da morte antes de qualquer coisa seria uma história de silêncios. ou de estratificações que fazem com que. quando os homens calam no silêncio da sua própria morte. igualitária reduz os homens à mesma sorte sendo nada mais desigual ou diferenciador que a morte. umas e outras portadoras de problemas científicos de leitura ou de interpretação: o historiador se move numa floresta de signos entrecortados de silêncio. coexistam atitudes tradicionais ou renovadas que resultem em diferentes modelos. Fontes pesadas e difíceis de manipular.Mais do que a imoralidade. é também o retorno das idéias negras no fim do século XVIII. no mesmo momento de acordo com o meio e os lugares. Igualmente no mundo rural da sociedade tradicional no Ocidente. O contraponto a essa inércia de representações coletivas. Outra qualidade do silêncio diferente do primeiro é o silêncio voluntário. na volta dos sentimentos dos cemitérios. que nos dá acesso a conhecimentos colhidos em pesquisa oral a que nenhuma pesquisa oral a que nenhuma fonte nos faria chegar. . Por exemplo. com as crispações da sensibilidade coletiva em relação à morte. a uma riqueza real. São três imagens simultâneas tanto quanto contraditórias da morte: somos herdeiros de todo um conjunto de estratificações desse gênero. Sr. Indicadores e traços Ao lado do silêncio encontram-se as fontes. Acontece que as riquezas que nos entregam os folcloristas não obedecem à norma oficial. O historiador das mentalidades faz de toda a sorte das fontes. O problema das fontes é que ao escrever uma história da morte será deparado com o silêncio. da nostalgia e do pré romantismo. na segunda metade do século XVIII. a morte niveladora. a narrativas “Mémoires de Madame de Genlis” fazem da morte de um de seus amigos um aristocrata. Fontes pobres. fica esmagado e perplexo. elementos de pesquisa em todas as direções. fontes prolixas. no momento em que se assiste ao teatro da crueldade do marques de Sade. a história convulsiva com golpes brutais. mas até certo ponto em algumas datas. De Puisieu. A demografia O final da Idade Média e o trágico século XVII demograficamente coincidem. Apesar de tudo aquilo que repetiam sobre as artes de morrer. O historiado. quando lê os folcloristas. essa tentação da antropologia histórica.

Basta acorda a razão. Essas crises são crises da sociedade em suas estruturas profundas. o que não era em absoluto de sua competência. ela é verdadeira. Essa tradição medieval englobava a visita. observem a morte tal como encontram tanto na literatura como na arte. a comunhão dos agonizantes. Da família aos sistemas de valores recebidos. Como exemplo a virada do século XVIII. o começo do século XX. Ariès estipula uma aventura autônoma. o Concilio de Latrão pediu aos monges que se abstivessem totalmente de fazer visitas publicas aos doentes. não do espírito. as representações que os prolongam.Em 1900. tudo é atingido. o imaginário. Depois colocara em evidencia do que trazem os livros sinodais. Essa leitura ainda é nossa. o sagrado. A PASTORAL DOS DOENTES E DOS MORIBUNDOS NOS SÉCULOS XII E XIII O texto de Joseph Avril expõe e analisa os atos litúrgicos e sacramentais que acompanham os últimos momentos do cristão sobre a terra nos séculos XII e XIII. nas mentalidades ocidentais em que tudo muda: a atitude diante da vida. e o mostro do medo e do pavor da morte se dissiparão. A profissão monástica feita na hora da morte era considerada como o melhor modo de alcançar a salvação. no tempo antigo modelo demográfico da morte. e por fim observaremos como foram postas em práticas as diretrizes pastorais preconizadas pelo papado e pelo episcopado. seguida da reconciliação e da absolvição dos pecados. Como a peste negra no declínio da Idade Média. Apesar das grandes alterações da sensibilidade coletiva não afetaram unicamente a representação da morte. o viático e a unção. Em 1123. as atitudes e os gestos que os exprimem e os ritos que os fixam. ‘’A morte é o revelador metafórico do mal de viver. É por aí que eu reencontro o tema com que se abriu essa intervenção’’. A pesquisa feita pelo autor se baseou fundamentalmente nos documentos “Manuais Pastorais”. A ideologia O tempo do medo. de 1900 a 1920. que se abre dentro do modelo pós-romântico. das epidemias. a família. a remissão das . além do perdão dos pecados. mas deixa sem solução o problema particular do ‘’inconsciente coletivo’’ que o autor invoca. De inicio o texto tentará descobrir qual era. na véspera do IV Concilio de Latrão. é a crise da sociedade feudal ou cavalheiresca a que determina a maior instabilidade geral da qual a chama macabra não é senão uma das expressões. visto que ela concedia. o casamento. Apesar disso os monges continuaram a dirigir-se ao leito dos moribundos ou ainda à acolhe-los no mosteiro. do fanatismo e da superstição estava encerrado. mas daquele nível da consciência onde se encontram os sonhos. por volta de 1760. A história inconsciente dos homens Os fios condutores são ao mesmo tempo satisfatórios e insatisfatórios. o comportamento adotado pelos vigários e relação aos doentes e moribundos. De que modo muda a imagem da morte? O autor afirma que ‘’sou sensível as limitações do fator alteração demográfica’’ ele era esmagador no tempo das pestes. a leitura de Philippe Ariès volta à individualização progressiva diante da morte. de conferir a unção ou de administrar a penitência.

A unção dos enfermos encontrou problemas devido a ações dos envolvidos nessa cerimônia. Muitas vezes isso acontecia não pela vontade dos fiéis que queriam o viático. Muitos fiéis morriam sem sacramento ou sem a unção dos enfermos. Os estatutos de Cambrai relatam como se tornou usual. com o risco de morrer sem sacramentos. tem a necessidade invocada. comparar essas formulações às advertências previstas nos estatutos sinodais: num e noutro caso. alegando que eles esperavam até o último momento para chamar o padre. Apesar de suas numerosas diferenças. porém nem sempre eram. Porém. a liturgia dos enfermos que se encontravam dividida em dois títulos diferentes: a comunhão e a extrema-unção. no manual se encontra a confissão dos enfermos. e na sua última confissão esforçava-se para conseguir verdadeira penitencia e morte cristã. tanto que o mesmo já registrava as últimas vontades do moribundo. Poder-se-ia. sendo dando ênfase maior para a confissão e a comunhão. esses manuais só traduzem na legislação a prática dos pastores e a vida espiritual dos fiéis. No século XIV. os estatutos de Nantes lançavam a responsabilidade não mais sobre o clero. A veneração para com o corpo de Cristo. A respeito das pompas da comunhão dos enfermos. por outro lado. da disciplina eclesiástica e da administração dos sacramentos. como no século precedente. Os livros sinodais são manuais que tratam sobre o plano sistemático. A pastoral dos doentes ocupava um lugar importante no ministério dos padres. portanto do ministério junto aos doentes e moribundos. No sinodal do Oeste os estatutos tratam da questão do ministério do padre junto aos doentes. Porém esses ritos eram reservados para uma determinada elite. mas pelo desvio doutrinal do clero. é o mesmo reconhecimento do Deus Criador e Redentor de quem se esperar misericórdia e perdão. o caráter religioso do testamento é afirmado no prefácio desse ato.penas. no interior das dioceses uma legislação bastante complexa que faz do vigário um oficial público a serviço da hierarquia. por meio da administração do viático. O cristão temia sobretudo morrer em pecado. no momento da fundação das paróquias. Por vezes os vigários de algumas paróquias após ter dado a extrema-unção. mas sobre as pessoas que cercam o doente e sobre os próprios doentes. Havia sido impregnada uma grande importância na visita do padre. O sinodal de Saint-Malo evidenciará a marca das preocupações dos prelados na época. A totalidade de fontes reafirma a idéia de que a visita aos enfermos. levavam consigo as roupas dos doentes. A Velhice e o medo da morte de acordo com a Exegese Bíblica da alta Idade Média Autor: Rolf Sprandel . que deviam ser privilegiados com qualidades humanas e espirituais. a procissão da comunhão dos enfermos continha solenidades de praxe do culto eucarístico. A igreja tentava garantir tudo o que devia ser empregado para que o fiel não morresse sem sacramentos. Ao longo do século XIII desenvolveuse. era ato concedido somente ao padre. A unção dos doentes perdeu a importância. e essa imperiosa necessidade era invocada na maior parte das cartas de fundação de paróquias. que representa uma profissão de fé.

A solução encontrada para essa incompatibilidade entre a visão de Santo Agostinho e essa interpretação do salmo. Hesdin disse que na verdade “os velhos semeiam e esperam pelos frutos porque acreditam que nunca morrerão”. é atingido por uma morte especialmente prematura”.” discorre sobre as diversas interpretações sobre salmos e cartas de São Pedro que tinham como centro a condição da velhice em relação à morte. enquanto Cícero dizia que “os velhos cultivam seu jardim e também o semeiam. Já a segunda via. Ele fez uso do pensamento de Cícero de forma distorcida. por enfraquecer a carne. deixa a alma mais abandonada na luta contra o pecado. Essa ressalva é importante. Na Alta Idade Média a segunda via. em que faz interpretação do salmo 70. Deste modo podemos ver que a velhice no séc. que foi um dos poucos que produziram interpretações entre o período dos frades medicantes e o movimento bíblico do séc. de Aristóteles. é a visão que Cassiodoro tem sobre este mesmo salmo. que disse: “existem homens que acreditam que jamais morrerão”. algo que ele negava. Desde a antiguidade. Com os franciscanos. . como o autor acentuou. quando minha força definhar”) da seguinte forma: “Deseja-se o encurtamento de uma vida que. se deu pela reelaboração e retomada do pensamento de S. Exemplo disso esta na visão de Ivo de Chartres sobre o versículo 24 do Salmo 54 (“Os maus não chegarão nem à met ade de suas vidas”) da seguinte forma: “Quem não dedicar a segunda parte de sua vida à penitência. acentua que a velhice algo ruim. há um retorno da interpretação literal dos textos sagrados. além de utilizar informações externas a esse período que auxiliam no sentido de um maior entendimento do caso. pois evidencia que a nova produção interpretativa acontece no coração do “mundo” Medieval. A primeira é a de Cícero. Para essa afirmação o autor cita um texto de autoria anônimo encontrado em um convento em Longchamp. XVI. pois. Algo que confirma essa ideia. de que ao invés de Deus encurtar a vida literalmente ele a faz curta frente aos desejos dos maus. Agostinho na elaboração da glosa escolástica. que aparece no seu livro de “De Senectute” em que a forma de se enxergar a velhice deve ser apoiada por um sentimento de consolo e compreensão. O que ocorre é que essa interpretação sobre este salmo é oposta a visão de Santo Agostinho por ser ela condizente com a ideia de predestinação. o que o levou a crer que essas novas interpretações estão permeadas pelo espírito de seu tempo. A interpretação dele quanto a esse salmo. surge a imagem de Jean Hesdin. Paris. foi apropriada e reutilizada por Jacobos Parez de Valência. e posteriormente com o movimento bíblico de 1500. em Paris. Como método para a produção de sua pesquisa o autor faz um recorte que vai do século XII ao XV. não estar mais apta a servir a Deus”. de que por motivos físicos e psíquicos a velhice. XIV era vista como um empecilho para a salvação. renovando assim a antiga interpretação escolástica e do período Carolíngio. que pode por vezes receber criticas e censuras. devido à fraqueza da idade. que se encontra na “Retórica” de Aristóteles. Já na segunda metade do século XIV.9/18 (“Que Deus não me abandone na velhice. que irá perpassar por toda a Idade Média tendo altos e baixos de aceitação entre essas duas interpretações. é a que terá maior influência sobre os exegetas. mesmo sabendo que não colherão”. houve uma dupla via de interpretação sobre a velhice. Antes de qualquer exposição o autor ressalta que por volta de 1200 a interpretação bíblica passa a ser executada em Paris.Rolf Sprandel em seu artigo intitulado a “A velhice e o medo da morte de acordo com Exegese Bíblica da alta Idade Média.

UMA ANTIGA CONCEPÇÃO DO ALÉM Philippe Ariès. Com a teologia do século XII. O Quarto Livro de Esdras era um apócrifo que foi parcialmente utilizado nos cantos dos ofícios dos mortos porque abordava mais precisamente a descrição de céu. abandonam a ideia de primeira ressurreição. mais banais. designava-se com mais ênfase a espera do último dia de glória pelo homem após sua morte. D. os textos romanos são discretos. eram sinal de uma intolerância que estava por ser superada. Apesar disso. porque mais vale saber como os justos serão recompensados do que como os criminosos serão punidos”. em seu artigo “Uma Antiga Concepção do Além”. . mas não a ideia de um lugar interim. Tal relação é mais bem explicitada por Santo Ambrósio no seguinte excerto: “Tudo isso foi mais completamente explicado do que o que diz respeito à condenação dos ímpios. mostra a compreensão do pós-morte ao utilizar textos litúrgicos do período anterior a Carlos Magno que se assemelha as crenças da Antiguidade pagã. mas sim nas atitudes tomadas pelos indivíduos frente às perspectivas de vida que eles esperam ter. dois grandes momentos: o primeiro por uma visão que censura a velhice. Começa-se também a observar a concepção do seio de Abraão que se refere ao lugar de espera entre a primeira ressurreição e o fim dos tempos. de grosso modo. em que tanto a morte quanto a velhice passam por reformulação que as deixam relativizadas. Alguns textos litúrgicos mais explícito no que diz respeito ao habitaculum ad interium. que os salmos não estariam dizendo literalmente que o tamanho da vida estaria proporcionalmente ligado a bondade da pessoa. vários outros textos. Porém esta imagem foi posteriormente desconstruída pelos padres que mantiveram somente a imagem do além-túmulo e o conceito de descanso e espera. Assim os bem-aventurados encontrariam a “Jerusalém celeste” e os que não praticavam boas obras seriam lançados ao fogo. e uma oração do primeiro ritual galicano da morte que ressaltava um estado intermediário de um lugar de espera da morte física e o fim dos tempos. mais numerosos. portanto.que posteriormente com o conhecimento de Santo Agostinho alcançou-se a concepção de Purgatório. são anglicanos. Inicialmente a morte era pautada na visão do Apocalipse descrito por São Paulo na sua Primeira Epístola aos Tessalonicenses que assegurava o julgamento do homem segundo suas obras. a iconografia funerária era essencialmente o tema do descanso. a hipótese de um lugar de repouso antes da ressurreição dos corpos foi extinta ao recusar a ideia de um acesso direto ao gozo de Deus sem purificação da alma. segundo Esdras. ou seja. num segundo momento. Desta forma. transparecendo uma lembrança de um lugar de espera posterior à ressurreição. nas liturgias. isto é. Sicard traçou alguns paralelos entre Santo Ambrósio. Algumas incertezas em relação à ressurreição e ao local de espera. por ser ela mais sujeita ao pecado e.Podemos concluir que a partir dessas explanações do autor que a visão vigente sobre a velhice e a morte na Idade Média teve. um lugar de requies e alguns textos já mostravam indícios de um lugar de interim. as reflexões desta época se referiam mais à espera ou à glória do que à condenação ou à punição.

O homem vive constantemente cercado pelo medo materialista. o que não pode ser explicado. Este medo e preocupação com a morte se deve ao precoce conhecimento do homem sobre o fim da vida. a pós-morte é a preocupação dos indivíduos. era o principal meio para a salvação das almas. que na maioria das vezes enxerga a morte como a hora de se encontrar com Deus. a cerca de novos ritos e de mudanças consideráveis no sentido original da situação. A morte é o fim de uma vida miserável e um encontro com a paz espiritual. situações em volta da cultura e do pensamento do homem. Santo Agostinho. parte em busca e explicações. sendo conduzido pelo medo e consequentemente a sua mentalidade o atrai para o pior inimigo: a morte.A iconografia funerária testemunha a persistência e a caminhada para a noção de repouso feliz. o faz questionar e pensar no que os espera quando é chegado o momento de abandonar a vida e o que estaria reservado a ele após a morte. já que são eles o grupo onde a proximidade com a situação se faz presente. Sofrendo influências da religião. que vai além da vida. A hora da morte era o momento dentro da tradição medieval que englobava a visita. Os velhos. a morte nos é vinculada por meio de representações imersas num contexto ou num banho cultural. O convívio com a morte de pessoas. o que não soluciona o medo. o viático e a unção. Nesta jornada o homem. o futuro dentro das incertezas humanas. doentes e moribundos são os principais pontos para ressaltar de tal fenômeno. arte. Diferentemente dos outros animais. O desconhecido. literatura. são pontos que caracterizam a situação do conceito “morte” dentro da sociedade medieval e são esses pontos que contribuem cerca de comportamentos. o homem sabe que vai morrer. o receio do desconhecido por parte da maioria das culturas medievais. inserida em uma tradição religiosa oral. o que é propriamente um fato histórico. A morte muitas das vezes vinculada a perca da consciência leva os autores a pensar no “inconsciente coletivo”. Santo Ambrósio. são filósofos que como já foi colocado no trabalho muito contribuíram para as discussões a cerca desse tema. muitas vezes próximas. com todos os temores e tradição. ou seja. São muitas as teorias do homem em relação ao além. seguida da reconciliação e da absolvição dos pecados. a comunhão dos agonizantes. um momento de descanso e espera para os cristãos. Conclusão Nas linhas gerais da obra nos é apresentada uma morte cuja visão se transforma com o tempo. A requies parece ser a representação ingênua do pós-morte. .

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