Pareceres/Diversos Contencioso: Data: Processo: Nº Processo/TAF: Sub-Secção: Magistrado: Descritores: Data do Acordão: Disponível na JTCA

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Tribunal Central Administrativo Sul - Contencioso Administrativo
Administrativo 20-02-2003 05289/01 00000/00/0 1ª. Subsecção Clara Rodrigues PROCESSO DISCIPLINAR PRINCIPIO "IN DUBIO PRO REO" PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE 02-10-2008 NÃO

I – O recorrente interpôs recurso contencioso do despacho do Sr. Ministro da Justiça, de 08 - 11 2000, notificado ao recorrente em 20/11/2000, que indeferiu o recurso hierárquico por si interposto do acto do Sr. Director Geral dos Serviços Prisionais que o puniu com a pena disciplinar de 90 dias de suspensão nos termos dos arts. 24º nº 1, 11º nº 1al. c), 12º nº 3 e 4 al. a), 13º nºs 2 e 3 todos do Dec. Lei nº 24/84 de 16/01. Imputa ao acto recorrido o vício de ilegalidade, por violação do princípio “ in dubio pro reo “ e do princípio da proporcionalidade. O recorrido, na sua resposta e em alegações, defende a improcedência do recurso invocando que o acto recorrido é legal, não enfermando de qualquer dos aludidos vícios. II – Da matéria vertida nos autos e no processo instrutor resultam os seguintes factos. 1 – Com base na participação elaborada pelo 2º subchefe de Guardas do Estabelecimento Prisional de Pinheiro da Cruz, a fls. 2 do processo instrutor, foi determinada a instauração de um processo de averiguações por parte do Sr. Director daquele

Estabelecimento Prisional. 2 – O referido processo de averiguações com o nº 366/SJ/98 culminou com o relatório de fls. 35 e 36 do processo instrutor, que aqui se dá por inteiramente reproduzido, concluindo pela existência de fundamento para a instauração de procedimento disciplinar contra o ora recorrente, o que foi proposto, nos termos do nº 3 al. c) do art. 88º do Dec. Lei nº 24/84 de 16/01. 3 – Concordando com a proposta do relatório do processo de averiguações, o Director daquele Estabelecimento Prisional determinou a instauração de processo disciplinar tendo sido o instrutor nomeado pelo Serviço de Auditoria e Inspecção ( não ligado hierarquicamente ao E.P.C.C. ) a solicitação do referido Director por se tratar “ de um caso institucionalmente delicado “. 4 – Na sequência de processo disciplinar, foi deduzida contra o recorrente a acusação constante de fls. 105 a 107 do processo instrutor em apenso, cujo teor aqui se dá por reproduzido, após o que o recorrente apresentou a defesa constante de fls. 116 a 118 do mesmo processo em apenso, cujo teor aqui se dá igualmente por reproduzido. 5 – Em 09/03/2000, a instrutora do processo disciplinar elaborou o relatório constante de fls. 135 a 140 do processo instrutor apenso, cujo teor aqui se dá por reproduzido, onde conclui pela violação, pelo recorrente, do dever de correcção que sobre ele impende nos termos do art. 3º nºs 1, 4 al. f) e 10 do Dec. Lei nº 24/84 de 16/01 e os deveres especiais do art. 7º al. c) e art. 31º nº 1 al.

i) do Dec. Lei nº 174/93 de 12/05, infracções a que corresponde a pena disciplinar prevista no art. 25º nº 1 do Dec. Lei nº 24/84 punível com a pena de inactividade 6 – Propõe o mesmo relatório em conclusão que: « Tendo em consideração o que antecede, bem como os critérios
gerais previstos no art. 28º do Dec. Lei nº 24/84 de 16.01, nomeadamente atendendo à natureza do serviço e à carreira e categoria profissional do arguido e às inerentes exigências funcionais de adopção de um comportamento correcto e de exemplo, à consciência e deliberação com que agiu, assim como às circunstâncias que rodearam a prática da infracção, cujo pano de fundo e contexto é o de um relacionamento não distanciado, não firme, de uma atitude familiar e não serena do arguido com o recluso C .............. e outros reclusos que depõem nos autos, sendo evidente a indiferença do arguido para com as exigências da profissão a nível do relacionamento com os reclusos e as razões que lhe subjazem. Cremos, porém, que no sancionamento concreto do arguido pesa com relevo a finalidade da prevenção especial, a necessidade de atenuar a pena para induzir ao arguido um comportamento diverso. Propomos nestes termos que lhe seja aplicada a pena de suspensão efectiva de 30 dias ( art. 24º nº 1, art. 11º nº 1 al. c), art. 12º nº 3 e 4 al. a) e art. 13º nºs 2 e 3 todos do Dec. Lei nº 24/84 de 16.01) ».

7– Acompanhando na generalidade aquele relatório final, a Sr.ª Inspectora Coordenadora emitiu o parecer fls. 142 do p. instrutor, no sentido da exigência de uma censura mais grave, propondo a aplicação da pena de suspensão efectiva, mas graduada em 90 dias, com os seguintes fundamentos: « - o arguido guarda prisional de 1ª classe, é funcionário com
vários anos de experiência profissional em diversos estabelecimentos, o que faz subir o grau de exigibilidade quanto à correcção de comportamentos; - averba anterior punição (ainda que cumprida há dez anos e por distintos factos); - a concreta agressão praticada, relevando ao nível da violação do

dever de correcção face ao recluso, não deixa de relevar, parece – me ao nível do respeito devido aos superiores hierárquicos, que o arguido também desconsidera quando alheando - se do poder disciplinador e regulamentador destes, se permite violar direitos fundamentais na presença e no gabinete de trabalho dos mesmos; - perpassa dos autos que a agressão não resultou de uma situação inopinada emergente das vicissitudes do desempenho das missões da guarda prisional, mas antes porque o arguido tem uma atitude profissional de excessiva familiariedade ou nivelamento face aos reclusos. Estas circunstâncias envolvem um desvalor disciplinar elevado: o estalo na cara do recluso parece ser o fruto de uma atitude disciplinarmente incorrecta, ao invés de ser esse estalo a única manifestação da indisciplina ».

8 – Por despacho de 16/03/2000, o Sr. Director Geral dos Serviços Prisionais, concordando com o relatório final da Sr.ª Instrutora, bem como com o parecer da Sr.ª Inspectora Coordenadora e com os fundamentos de facto e de direito neles invocados, puniu o recorrente com a pena disciplinar de 90 dias de suspensão. 10 – Deste despacho o recorrente interpôs recurso hierárquico para o Sr. Ministro da Justiça solicitando que « a final revogue a douta decisão condenatória por outra que absolva o Recorrente ». 11 – Sob parecer da Auditoria Jurídica a fls. 157 e segs. do p. instrutor, que, com os fundamentos ali invocados e que aqui se dão por reproduzidos, concluiu « Não se vislumbrarem assim, razões para alterar o despacho do Sr. Director Geral dos Serviços Prisionais de 16/3/2000, pelo que deve ser negado provimento ao recurso », o Sr. Ministro apôs o seguinte despacho «Concordo, pelo que indefiro o recurso». 12 – É deste despacho que o recorrente interpõe o

quer do STA. vigorando em caso contrário o princípio da presunção da inocência do arguido e do princípio “ in dubio pro reo “. de . 264. TCA p. STA 32232 de 25/11/98. em matéria probatória. nesse sentido. imputando . os casos de erro manifesto de apreciação e o desvio de poder no âmbito da discricionariedade volitiva. entre outros.presente recurso contencioso. Mas se o ónus da prova dos factos constitutivos da infracção cabe ao titular do poder disciplinar. acs. a punição tem que assentar em factos que permitam um juízo de certeza sobre a prática da infracção pelo arguido.lhe os vícios supra referidos. ( Vide. nem por isso poderá deixar de ser aferida pela análise conjunta da prova produzida e com base em vários indícios a que o arguido não contrapõe outros suficientes para gerarem a dúvida razoável quanto à autoria dos factos que lhe são imputados. III – Relativamente à invocada violação do princípio “in dubio pro reo“ Em processo disciplinar. conforme é jurisprudência dominante. ac. E. o certo é que a administração goza de larga margem de valoração das provas. apenas incumbindo ao controlo judicial. tal como no sucede no processo penal. essa convicção e certeza jurídica de que o arguido praticou os factos que fundamentam a punição aplicada. quer deste TCA. se a prova recolhida tem de legitimar uma convicção segura sobre a prática dos factos pelo arguido para além de toda a dúvida razoável.

135 e segs.... 3056 de 17/05/2001 ). aquele refere que “ nervoso como estava.o aí.. Ora.. ao esbracejar.... que se revelam ter sido objecto de correcta apreciação e qualificação jurídico . atingiu .. da prática pelo arguido dos factos que lhe são imputados. do p. instrutor sobre que expressamente se fundamentou a pena aplicada. nos termos amplamente explanados no relatório final de fls. ) na cara em local que não pode precisar “.o ( ao C . inexistindo. atingindo . . “ acabando o arguido por dar um estalo na cara do recluso C . em nosso entender. por parte do titular do poder disciplinar. Todavia..... p..disciplinar.. resulta que a divergência essencial entre o afirmado pelo ora recorrente e os factos descritos na acusação é que enquanto nesta se afirma. IV – Quanto à violação do princípio da . 6º.. acompanhamos a autoridade recorrida quanto à existência de elementos probatórios seguros da prática pelo recorrente dos factos pelos quais veio a ser punido. da análise dos elementos probatórios constantes do processo disciplinar. a conjugação dos vários depoiamentos existentes no processo disciplinar legitimam uma convicção segura. “. Assim...04/07/2002. na presença dos subchefes referidos e do recluso O .. no art.. qualquer “ non liquet “ em matéria de prova que conduza à aplicação do princípio “ in dubio pro reo “ e de violação da lei por erro nos pressupostos de facto.

improcedendo. sendo jurisdicionalmente insindicável. em nosso entender. p. entre outros. salvo caso de erro manifesto ou grosseiro ( cfr. com a pena aplicada que considera manifestamente excessiva. embora o recorrente o não invoque no recurso. a argumentação do recorrente a nosso ver não procede.. Ora. ser de consignar que a infracção disciplinar em causa. o titular do poder punitivo goza de poder discricionário na escolha e aplicação da dosimetria da pena. 1458/98 de 18/03/99.10999/01 de 07/11/2002. os critérios gerais do art. não se denotando qualquer violação do princípio da proporcionalidade. no mesmo sentido. atento o disposto no seu art. sendo claro o teor da infracção praticada e considerados. Acs. 2º al. Lei nº 24/84. do STA 028794 de 09/07/91. b).proporcionalidade Invoca o recorrente não se ter atendido. 10174/00 de 11/10/2001 ). embora cometida em 14/10/98. em matéria disciplinar. que foram. afigura . mas sendo o conhecimento e aplicação da amnistia de cariz oficioso. em . 28º do Dec. 035241 de 14/02/95 e TCA p.nos.se . V – Em face de todo o exposto. p. não está amnistiada pela Lei nº 29/99 de 12/05. aos seus bons antecedentes profissionais e disciplinares e que é bom elemento e é respeitador dos seus deveres profissionais. Como é consabido. Por último. respeitados que sejam os requisitos estabelecidos na lei quanto aos pressupostos de cada sanção.

os vícios apontados nas conclusões das alegações da recorrente. de que o arguido praticou os factos que lhe são imputados. O arguido não tem de provar que é inocente da acusação que lhe é imputada dado o ónus da prova dos factos constitutivos da infração impender sobre o titular do poder disciplinar. VII. A condenação deve estribar-se em provas que permitam um juízo de certeza. presunções ou conjeturas subjetivas. na certeza de que um “non liquet” em matéria de prova terá de ser resolvido em favor do arguido por efeito da aplicação dos princípios da presunção de inocência do arguido e do “in dubio pro reo”. No processo disciplinar o ónus da prova dos factos constitutivos da infração cabe ao titular do poder disciplinar. ser negado provimento ao recurso.º 287/93 e que não usaram da faculdade de opção pela aplicação do regime jurídico do contrato individual de trabalho (art.nosso parecer. III.1913). entre os atos práticos e operações materiais necessários para a plena reintegração da ordem jurídica violada. deve incluir-se o pagamento de juros de mora [arts.º.ºs 1 e 2 do CC]. IV. O regime legal em matéria disciplinar aplicável aos trabalhadores da CGD que se encontravam ao serviço da mesma até à entrada em vigor do DL n. No processo sancionador a prova da prática da infração que é exigida deve ser conclusiva e inequívoca no sentido de que o sancionado é o autor responsável. os quais são necessários para corrigir não só a falta do pagamento mas a falta da sua tempestividade.º. n. V.º 2 daquele DL) é não o ED/84 mas antes o Regulamento Disciplinar dos Funcionários Civis de 1913 (Decreto 22. em consequência. que esteja para além de toda a dúvida razoável. a) e b). porquanto nada obsta a que o julgador administrativo sobreponha o seu juízo de avaliação àquele que foi adotado pela Administração.º.Contencioso Administrativo 20-01-2012 TCAN Carlos Luís Medeiros de Carvalho PROCESSO DISCIPLINAR CGD ERRO PRESSUPOSTOS FACTO NULIDADE DECISÃO JUDICIAL EXECUÇÃO JULGADO ANULATÓRIO CASO JULGADO ABUSO DIREITO JUROS MORA CADUCIDADE/PRESCRIÇÃO I. O princípio do respeito do caso julgado não impede a substituição do ato anulado por outro idêntico desde que a substituição se faça sem repetição das ilegalidades determinantes Sumário: . VIII. n. não podendo impor-se uma sanção com base em simples indícios.º 2.5BEPRT 1ª Secção . uma convicção segura.ºs 1 e 2. mormente por reputar existir uma situação de insuficiência probatória VI. 07. e 806. als. 804. Tendo ficado a Administração obrigada a reintegrar a ordem jurídica violada como efeito da anulação judicial do ato administrativo impugnado então entre o pagamento das quantias que deviam ser processadas e liquidadas em momentos determinados.02. Na fixação dos factos que funcionam como pressupostos de aplicação das penas disciplinares a Administração não detém um poder insindicável em sede contenciosa.º. n. n. 805. sendo que nele o arguido assume uma posição de sujeito processual e não dum seu mero objeto. Acórdãos TCAN Processo: Secção: Data do Acordão: Tribunal: Relator: Descritores: Acórdão do Tribunal Central Administrativo Norte 00851/07. deverá. II.

condenando-se a Ré a reintegrar o A.] e já não a data de 01. O exercício por parte do ente demandado das suas competências e poderes em matéria disciplinar após trânsito em julgado da decisão judicial anulatória exequenda não se mostra ilegítimo ou abusivo quando.2006 [data da deliberação do CA da CGD que deu execução ao acórdão anulatório da anterior deliberação disciplinar punitiva de 01.11. regime esse que afasta o quadro normativo previsto na matéria no Código de Trabalho. / Caixa Geral de Depósitos.. subsídio de férias e de Natal) que o A.2009).02. julgando-se improcedente o pedido de pagamento. inconformados.º do ED/84 aos trabalhadores da CGD ao mesmo sujeitos. na ausência de preceito legal nesta matéria no RDFC/1913.. XIII. pelos termos dos limites definidos por aquele julgado.Recorrente: Recorrido 1: Votação: Meio Processual: Decisão: Aditamento: Parecer Ministério Publico: 1 Decisão Texto Integral: da anulação. S.2006]. 330 e segs. datada de 01. subsídio de refeição.A. Unanimidade Acção Administrativa Especial para Impugnação de Acto Administrativo (CPTA) Recurso Jurisdicional Conceder parcial provimento ao recurso jurisdicional / Negar total provimento ao recurso jurisdicional Não se pronunciou Acordam em conferência na Secção de Contencioso Administrativo do Tribunal Central Administrativo Norte: 1. que julgou parcialmente procedente a acção administrativa especial por este deduzida contra “CGD" e que anulou “… a deliberação impugnada.2009 (com a retificação de 16. paginação processo suporte físico tal como as referências posteriores a paginação salvo expressa indicação em contrário). suspensão essa que se mantém até ao trânsito em julgado da decisão proferida naquele processo judicial. quanto a usar ou não do poder sancionador. devidamente identificados nos autos. de forma consciente.02. Para efeitos do operar da prescrição o conhecimento pelo dirigente máximo do serviço tem de se reportar a todos os elementos caraterizadores da situação de modo a poder efetuar uma ponderação criteriosa.2006 [data da dedução de acusação na sequência da deliberação do CA da CGD de 01. Formula a R.2001 [data da deliberação do CPDA da CGD que. com todos os direitos decorrentes da sua qualificação profissional e antiguidade. tal poder não cessou ou se extinguiu. por parte da Ré. É de admitir.02. XI. presente o relatório do inquérito realizado.* * Sumário elaborado pelo Relator S. diuturnidades.. IX. XII.A. vieram cada um interpor recurso jurisdicional da decisão do TAF do Porto.2001] ou a de 04.08. Caixa Geral de Depósitos. de juros de mora sobre as referidas quantias …”. não auferiu por força do ato impugnado. SA” (doravante «CGD») e S…. as seguintes conclusões que se reproduzem: ..10. RELATÓRIO “CAIXA GERAL DEPÓSITOS. ao seu serviço. / S. e para se determinar. 04./recorrente nas respetivas alegações (cfr. determinou a abertura do procedimento disciplinar contra o A. a aplicação a título subsidiário do regime vertido no art. X. Nessa medida a data relevante para a aferição do operar ou não da previsão deste preceito é a data de 13. O prazo prescricional fica suspenso na sua contagem durante o período em que a primitiva deliberação disciplinar punitiva foi objeto da competente impugnação contenciosa. fls. bem como a pagar a este todas as retribuições (salário base.08. S.

testemunhas que comprovaram nos seus depoimentos..º. 1.. 12. ocupar-se da apreciação de um vício que o Recorrido não imputara ao ato impugnado. importa ainda sublinhar que a ponderação feita pelo Instrutor do processo disciplinar movido ao ora Recorrido não merece qualquer censura. Não obstante a clara nulidade de que padece o douto Acórdão recorrido.º 1. salvo o devido respeito. 8. havendo contradição dos depoimentos da testemunha M…. O que o Tribunal não poderia fazer. o Recorrido impugnou a matéria de facto que consta dos pontos 1. 9.i. o vício que o Recorrido imputou ao ato impugnado respeitava à discussão sobre se o Recorrido praticou ou não os factos que lhe foram imputados e não aos meios de prova em que o Instrutor do processo se suportou para os julgar provados.º e 3º da Acusação . não poderia o douto Acórdão recorrido. R… e C….que tal matéria pudesse vier a ser objeto de produção de prova em sede de audiência de julgamento. 10. quer nas suas doutas alegações. designadamente a constante dos pontos 1. quanto à sanção a aplicar.º do Código de Processo nos Tribunais Administrativos e Fiscais.ª C…. admitindo . o douto Acórdão recorrido ocupou-se de questão que não fora suscitada por nenhuma das partes. Por outras palavras. Quer na sua douta p.º 1. aplicável ex vi do disposto no artigo 1. Ao fazê-lo. nula nos termos do disposto no artigo 668. na verdade.º e 3. destinada a debater tais factos. concluindo. ter havido errada ponderação.. aliás. proferindo decisão que conhece de questão de que não poderia tomar conhecimento. Note-se que o Recorrido invocou o vício em causa para concluir que a ter praticado alguma infração a mesma justificaria outra sanção disciplinar que não a de demissão.o que poderia levar o Tribunal a abrir a possibilidade de produção de prova em audiência de julgamento. limitandose. 6. por força do disposto no artigo 95. em consonância com os depoimentos prestados pelas testemunhas Dr. salvo o devido respeito. a impugnar tais factos afirmando que os não praticou. Na tese do Recorrido. alínea d). n. O Recorrido não invocou qualquer vício relativo à forma como o Instrutor do processo considerou provada a matéria de facto. 3. o vício que o douto Acórdão recorrido imputou à Deliberação impugnada não foi invocado pelo Autor pelo que. Deste modo.º da Acusação que lhe foi movida pela Ré. 11. nulidade que aqui expressamente se invoca. por isso. 2. porquanto. assim. poder-se-ia ponderar o depoimento prestado por aquela testemunha em sede de processo de averiguações. 2.º e 3. do Código de Processo nos Tribunais Administrativos.“. ocupar-se daquela questão.º da Acusação.º. Nos presentes autos. 2.º.º. o Autor não suscitou qualquer vício da Deliberação impugnada decorrente de um erro nos pressupostos de facto. a primeira e terceira também já no próprio processo disciplinar o que lhes fora transmitido. Tal decisão é. cuidadoso na apreciação que fez. de . era considerar não haver matéria de facto controvertida para. aliás partilhada pela Recorrente. 7.ao que se julga . n. 4. pelo menos nos termos que vieram a constar do douto Acórdão recorrido. haveria matéria de facto controvertida .saber se o Recorrido praticou ou não os factos que lhe foram imputados nos pontos 1. 2. do Código do Processo Civil. o qual estava. Diga-se que o Instrutor foi. de seguida. 5.º. por parte da ora Recorrente. como se disse. Dr.

pois além .. 2ª Está em causa. citado no douto Acórdão recorrido. decorrentes da prolação do ato anulado. A Deliberação impugnada não padece. 2 e 3 dos autos. o mesmo fez uma errada apreciação ao julgar que os factos constantes dos pontos 1. que o segundo depoimento da testemunha M… é que não coincide com o que foi demonstrado em sede de processo de averiguações e que. 4ª Só com o pagamento de juros de mora que são devidos ao recorrente pelo atraso no pagamento das suas retribuições. permite atingir um grau de certeza da sua verificação que garante a segurança na aplicação do direito sancionatório. 2 e 3 do processo. ainda que o douto Acórdão recorrido não padecesse da nulidade acima apontada. este ser revogado …”. Ação que. pela testemunha M…. foi mantido pelas testemunhas Dr. os factos descritos nos pontos 1.ª C…. como também nos depoimentos das testemunhas Dr. A prova produzida no processo disciplinar. foi afirmado pela testemunha M…. R…. por decisão da aqui recorrida. em sede de processo disciplinar. 19. 16. com fundamento na sua ilicitude.o Instrutor do processo disciplinar. pois. 13.viva voz. 1.ª Em 08-02-2007. obviamente suspeita./recorrente deduziu igualmente alegações (cfr.º e 3. os quais. 5.e bem! .º. 6. não só no documento de fls. gera a obrigação da reconstituição da situação que existiria se o ato anulado não tivesse sido praticado. Verifica-se. 17. O A. se reconstituirá a «situação que existiria se o ato não tivesse sido praticado». A mudança. foi aplicada e comunicada ao aqui recorrente a pena disciplinar de demissão com efeitos a partir do dia seguinte. C…. como se disse.ª Foi essa deliberação e consequente aplicação que o recorrente impugnou nos presentes autos. 14. assim. em sede de processo de averiguações. 15. ocorrida no depoimento da testemunha M…. nos presentes autos. uma ação administrativa especial na qual é peticionada a anulação de ato administrativo. 18. do vício que lhe foi apontado pelo douto Acórdão recorrido.º a 3.. estavam em perfeita consonância com o que.ª O aqui recorrente trabalhava na Agência …. julgada procedente. 340 e segs. 274 a 291. 3ª Pela prolação do ato anulado. não pode senão concluir-se que a apreciação feita no douto Acórdão do Supremo Tribunal Administrativo de 07-06-2005. gerando uma situação de mora no cumprimento da obrigação. a recorrida deixou de pagar as retribuições que o recorrente tem direito.) que conclui nos seguintes termos: “.º da Acusação não se encontravam demonstrados provados em sede de processo disciplinar. Dr. SA. assim. devendo.ª C…. 7. ao serviço da aqui recorrida. não poderia pôr em causa a veracidade e autenticidade dos depoimentos das testemunhas Dr. Assim sendo. Salvo o devido respeito. 2. Por assim ser. concretamente no que respeita à prática das infrações de foi o Recorrido acusado. tal como considerou . nem a veracidade dos factos relatados no documento de fls. C… e Dr. em Vila Nova de Gaia. R… e C….ª Vem o presente recurso interposto do douto Acórdão de fls. fls.ª C… e C…. tem plena correspondência na matéria dos presentes autos.º da Acusação encontramse fundamentados.

8. solidificou-se na esfera jurídica do aqui recorrente o seu direito à efetiva reintegração no seu posto de trabalho. a lacuna terá que ser suprida por recurso à analogia. assim.ª Precludiu-se o seu direito de invocar qualquer causa legítima de inexecução daquela sentença anulatória do seu acto punitivo de 2001 e. exigido pelos artigos 162. a aqui recorrida violou. cujo art. a aqui recorrida não teve êxito e as suas pretensões foram-lhe sendo negadas. comunicou ao recorrente.ª É que. 20. pois. nas suas próprias palavras.º CPTA. pretendendo a recorrida alicerçar a sua nova deliberação punitiva como uma operação material de execução de sentença anulatória da sanção anteriormente aplicada no mesmo procedimento disciplinar. art. simultaneamente os preceitos legais aqui em causa. 21. 9.ª Estamos. em total afronta das normas legais vigentes e dos interesses que estas visam proteger.º prevê a prescrição do direito de instaurar procedimento disciplinar decorridos que estejam três meses após o conhecimento da falta pelo dirigente máximo do serviço ou três anos sobre a data em que a falta ocorreu. em frontal violação do direito do recorrente à ocupação efetiva e fora de tempo. 16. porém.ª Fundamentou a aqui recorrida a sua nova deliberação punitiva no ED 1913 que é omisso quanto à matéria de caducidade e da prescrição e. praticou a recorrida um novo ato anulável.ª Apenas em 02-08-2006 é que foi enviado ao Instrutor nomeado o processo disciplinar 05/2001 e só então é que «foram iniciadas as funções de Instrutor». contra as normas legais vigentes.ª Com o seu ato ilegal e extemporâneo. assim sendo. em boa .º do CC). transitando aquela decisão em julgado em 14-11-2005. 10. por carta recebida a 07-08-2006.ª No entanto. perante um claro ato ilegítimo e ainda um exercício abusivo do direito por parte da recorrida (cfr. por outro lado. 22. de qualquer causa legítima para o incumprimento.ª Fê-lo. nas palavras da própria arguente «a repetição dos trâmites do procedimento disciplinar» de 2001.ª O ato da recorrida … ofende o caso julgado. 15. 18. a recorrida obrigada a reconstituir a situação que existiria se o seu ato ilegal não tivesse sido praticado. 19. 12. 23. 11. deve-se lançar mão do regime previsto sobre o assunto no ED 84.ª Com a nova sanção. 4. 334.do mais verificou-se ofensa de caso julgado. os prazos de prescrição.ª A recorrida.ª À data do início do novo procedimento disciplinar tinham já decorrido. alteração e substituição ilegal de ato punitivo anterior.ª A revogação de atos inválidos só pode ter lugar dentro do prazo do respetivo recurso contencioso ou até à resposta da entidade recorrida. 24. caducidade e prescrição. ao deliberar em 2006. 17. a recorrida não cumpriu voluntariamente aquela sua obrigação. «a repetição dos trâmites do procedimento disciplinar».ª Apesar de haver interposto sucessivos recursos. a aqui recorrida.ª Para suprir a apontada lacuna.ª Não podemos aceitar a tese de que se verificou a interrupção ou suspensão dos prazos em causa. nem tão pouco notificou o recorrente dentro do prazo de três meses após o trânsito em julgado. abuso de direito.ª Ficou. os termos de uma nova acusação disciplinar visando. desrespeita a decisão judicial a que a recorrida ficou obrigada a cumprir e em relação à qual não notificou tempestivamente o recorrente de qualquer causa de inexecução. 13. 14.º e 163. há muito. para garantir a paz jurídica e a proteção das legítimas expetativas.

fls..ª Para este efeito.. 26.ª Além de expressamente o ter invocado.. 5. pelo menos. 30ª O procedimento disciplinar. 12. em que conclui da seguinte forma: “. prescrevendo a infração disciplinar ao fim de um ano a contar do momento em que teve lugar..erro sobre os pressupostos de facto .ª O recorrente suscitou expressamente o vício da deliberação nestes autos impugnada decorrente de erro nos pressupostos de facto no artigo 64. ocorreram as referidas prescrições e o ato impugnado é também anulável por tal fundamento. ou com a instauração de procedimento prévio de inquérito . relevam os prazos decorridos entre a prática dos factos imputados ao aqui recorrente e a notificação da acusação e início do procedimento disciplinar. nova fundamentação jurídica. 25. sob pena de caducidade. transitada em julgado a sentença anulatória em 14-11-2005. a recorrida teve deles conhecimento em 04-02-2001 e a nota de acusação que deu origem à sanção aqui impugnada só foi notificada ao recorrente em Agosto de 2006. não há sustentação legal para a recorrida ressuscitar o procedimento disciplinar. em Agosto de 2001.ª Toda a prova considerada relevante para considerar verificados os itens da acusação que redundaram na deliberação impugnada. apresentou contra-alegações (cfr. O A.ª Tendo o anterior procedimento disciplinar findado com a deliberação da primeira punição.ª Mesmo perfilhando-se o entendimento de que a nova deliberação punitiva foi proferida no mesmo processo e com os mesmos fundamentos de facto. 3. determinou a instauração de um novo procedimento disciplinar onde foi feita nova acusação.ª Face às discrepâncias entre as declarações prestadas pela testemunha. mantém nos quadros boa parte dos seus trabalhadores integralmente sujeitos ao regime jurídico do contrato individual de trabalho.. 28. sob pena de se incorrer na violação do art. .i. teria de iniciar-se nos 60 dias subsequentes àquele em que o empregador. ou o superior hierárquico com competência disciplinar. enquanto recorrido. até ao fim de Dezembro de 2000. e foi proferida e aplicada nova sanção.”. Termina pugnando pela procedência do recurso jurisdicional e da pretensão formulada na presente ação. 27. o vício da deliberação impugnada .ª Tendo em conta que a aqui recorrida é uma sociedade com fins lucrativos e tem natureza de sociedade anónima e. sendo que tais prazos apenas se interrompem com a comunicação na nota de culpa.é por demais evidente. por outro lado.verdade.). 357 e segs. teve na sua génese comportamentos e declarações tidos e efetuados pela testemunha M…. teve conhecimento da infração. 4.. 1. nova instrução. 2. 29ª Os factos imputados ao recorrente ocorreram.º 1 da Constituição da República Portuguesa. que depois foram desmentidos e não confirmados por esta.º n. o despacho punitivo sanciona o arguido considerando factos que no processo disciplinar não se apuraram. e. não se afigura haver razão suficiente para que a solução da referida lacuna do regime prescricional e de caducidade não seja feita preferencialmente pelo recurso ao regime estabelecido no Código do Trabalho.ª Há erro sobre os pressupostos de facto quando.º da sua p. em processo disciplinar.

onde o Autor peticiona a anulação de um ato administrativo. No que aos presentes autos diz respeito. assim. mandando repetir de imediato os trâmites do procedimento disciplinar prejudicados com a anulação da decisão punitiva. não podem proceder. Nos presentes autos está em causa uma ação administrativa especial.. em causa procedimentos e infrações distintas. termina da seguinte forma: “. devendo manter-se.º do CPTA não apresentou qualquer parecer/pronúncia (cfr. com a segurança exigida pela aplicação do direito sancionatório. apresentou por sua vez contraalegações (cfr. 2. 4. nesta parte. também aqui. fls. concluir pela prática dos factos considerados provados …”. O Ministério Público (MºPº) junto deste Tribunal notificado nos termos e para efeitos do disposto no art. importa sublinhar que está em causa o mesmo procedimento disciplinar e a mesma infração disciplinar.). Tal Deliberação não viola o caso julgado dado que a mesma se limitou a mandar repetir os trâmites do procedimento disciplinar aplicando-se o disposto no Regulamento Disciplinar dos Funcionários Civis de 1913.ª A recorrida fez uma ponderação da prova produzida.. concluindo. Deste modo. as exceções de caducidade e de prescrição. Juízes-Adjuntos foram os autos submetidos à Conferência para julgamento. Não estão. 5. 6. 3. lugar à condenação no pagamento de juros de mora. não merece o douto Acórdão qualquer censura. ao contrário do que pretende o Recorrente. 2. julgada procedente impõe apenas a obrigação da reconstituição da situação que existiria se o ato não tivesse sido praticado o que. que não permite. 9. que. porquanto. assim. 146.2. determinando a reconstituição da situação que existiria se o ato não tivesse sido praticado.não poderia a recorrida ter dado como provados os itens 1.) em que.º e 3. posteriormente. tratando-se tão só da repetição dos trâmites processuais necessários para expurgar o mesmo dos vícios apontados pelo Supremo Tribunal …. Improcedem. A R. O douto Acórdão recorrido decidiu bem ao absolver a Recorrida do pagamento dos juros de mora sobre as quantias em que foi condenada. DELIMITAÇÃO DO OBJETO DO RECURSO . as exceções invocadas pelo Recorrente. assim. não se vislumbra qualquer limitação à possibilidade da Ré repetir a tramitação do procedimento disciplinar expurgado dos vícios que lhe haviam sido apontados pelo Supremo Tribunal ….QUESTÕES A APRECIAR . 8. 7. significa o pagamento das retribuições. limitouse a Ré a dar cumprimento ao Acórdão condenatório do Supremo Tribunal Administrativo. desmentido por esta. no caso. 1. o douto Acórdão recorrido …”. aqui também recorrida.º da acusação. alicerçada em relatos da referida testemunha cujo teor foi. 6.2006. Com a Deliberação do Conselho de Administração de 1. 10. Colhidos os vistos legais juntos dos Exmos. Também no que respeita à decisão proferida sobre o alegado abuso de direito. 371 e segs.. fls. 392 e segs. Não havendo.

foi admitido ao serviço da R.º. conhecendo de facto e de direito” reunidos que se mostrem no caso os necessários pressupostos e condições legalmente exigidas. por outro lado. do disposto nos arts.º e 146.º» como certamente por lapso se refere face aos termos/motivação das alegações) [cfr.º do CPTA o tribunal de recurso em sede de recurso de apelação não se limita a cassar a sentença recorrida. de 16. 144. 01. 3. 12. de nulidade [conhecimento de fundamento de ilegalidade não imputado pelo A.º.º 1 todos do CPC “ex vi” arts. todavia. em determinar: A) Quanto ao recurso jurisdicional da R.º 24/84.º e 140. . n.1980. de erro de julgamento traduzido na incorreta e ilegal análise do fundamento de ilegalidade consubstanciado no erro sobre os pressupostos de facto assacado à deliberação disciplinar punitiva. em suma.º e 173. 660.ºs 3 e 4 e 690. por um lado.º.º 2. porquanto ainda que declare nula a sentença decide “sempre o objeto da causa. nos termos dos arts.º CC.º do CPTA.Cumpre apreciar e decidir as questões colocadas pelos recorrentes. na verificação da caducidade do procedimento disciplinar e prescrição da infracção disciplinar.º e 353. não tendo optado pelo regime do contrato individual de trabalho em 1993 facto admitido por acordo das partes.º. que. 04. n. 162. n. temos. nos termos do art. à deliberação punitiva impugnada e que como tal não poderia ter sido objeto de pronúncia .º. n.º da CRP (não «art.1.º do ED/84 (DL n. e b) improcedência do pedido de condenação no pagamento de juros de mora relativos às retribuições que o mesmo deixou de receber com a aplicação da pena disciplinar de demissão até efectiva reintegração] enferma de erro de julgamento traduzido na incorrecta e ilegal aplicação. d) CPC e 95. 352.º 1. 329. sendo certo que.06. n.º CPTA] e.arts.º do CPTA. 664. DE FACTO Da decisão recorrida resultaram provados os seguintes factos: I) O A.º do CPTA.01). As questões suscitadas resumem-se. B) Quanto ao recurso jurisdicional do A.º. em 23. o objeto do recurso se ache delimitado pelas conclusões das respetivas alegações. se a decisão judicial recorrida enferma. al. 163. FUNDAMENTOS 3. por outro lado.º. n.º 2. nomeadamente. 668. 149. alegações e demais conclusões supra reproduzidas].º 3 do Código Trabalho (doravante «CT») e 13.º. pese embora por um lado. se a decisão judicial recorrida no segmento em que julgou improcedente a pretensão anulatória/condenatória [a) improcedência dos fundamentos de ilegalidade consubstanciados: na alegada violação do caso julgado e do abuso de direito. 334. 684.

2002 . . fls. Dr.08.05.II) No dia 13. VII) O referido acórdão foi notificado à R. Repetir de imediato os trâmites do procedimento disciplinar prejudicados com a anulação do despacho punitivo. 05 junto com a p. sobrevivência e Serviços Sociais). doc.1969 . da qual se extrai o seguinte: “… Tendo sido nomeado instrutor do referido processo. bem como os descontos para efeitos fiscais e previdenciais (aposentação.04.cfr. 4. através de carta registada datada de 02.. III) Por deliberação do Conselho de Administração da R..2006. 49 do «PA». levando designadamente em conta nesse cálculo as promoções por antiguidade que teriam ocorrido. ponderando a possibilidade de ser aplicada a sanção expulsiva de demissão ou de aposentação compulsiva.18/08/2001. por oposição de julgados. interpôs recurso. doc. e posterior pagamento nos termos legais. 3.cfr. tendo.º 104/93 violava o disposto no art. IX) No dia 04. Dada a gravidade dos factos imputados e o disposto no art.09. IV) A referida deliberação foi anulada por sentença proferida pelo extinto Tribunal Administrativo do Círculo do Porto em 30.2004 . 31. que decidiu verificar-se a referida oposição de julgados.º 48953.cfr.08. foi aplicada ao A.i. devendo o Instrutor produzir novo Relatório com base no Regulamento Disciplinar dos Funcionários Civis de 1913 e legislação complementar.02..cfr.02.cfr. seguindo-se demais termos consequentes. 2. por acórdão datado de 25.10. 80 dos autos.2006 foi elaborada a respetiva acusação. VI) A Caixa Geral de Depósitos. a pena disciplinar de despedimento com justa causa .cfr. Determinar à Direcção de Pessoal que promova o cálculo. V) A referida sentença foi confirmada por acórdão proferido pelo TCA Norte no dia 27. proferiu deliberação com o seguinte teor: “… 1. com exclusão de todas as outras.º do DL n. de 05. o empregado ficará de imediato desligado do serviço até ao termo do procedimento. por despacho de 01/02/2006 e tendo-me os presentes autos sido enviados em 02/08/2006. VIII) O Conselho de Administração da R.2001 foi deliberado pelo Conselho Delegado de Pessoal e Assuntos Administrativos da CGD instaurar processo disciplinar ao A.i.2001. 5. Contar como tempo de serviço do empregado S… o período decorrido desde a data de produção de efeitos do despacho contenciosamente anulado . Advogado …” cfr. J…. em 01. 01 junto com a contestação. fls. Designa-se instrutor do processo disciplinar o Sr. fls. 37. 06 junto com a p. em face dos elementos de prova reunidos nos mesmos. para o STA. proferida em 01. 153 do «PA». sem prejuízo do direito à totalidade das remunerações. fls.2005 .. doc.º do Regulamento Disciplinar dos Funcionários Civis de 1913. deduzo contra o Arguido .11. 78 dos autos. dos montantes a processar ao empregado S… por forma a eliminar as consequências danosas imputáveis ao despacho anulado.2005 decidido que o Regulamento Disciplinar aprovado pelo Despacho n.

M… e seu marido. em relação ao comportamento do Arguido tendo acrescentado ainda que logo que tomou conhecimento dos factos. para obter informação sobre disponibilidades financeiras dos clientes e tentar desviá-los para outras instituições para quem. segredo bancário. veio declarar. Em 04 de junho de 2001.º a 5. É manifesto e por demais evidente que os depoimentos referidos da .º Face à insistência com o Arguido abordou a cliente e as deslocações que efetuou a casa da mesma. J…. transmitiu-os ao Director Regional pelo telefone. mas sim o que constava de fls. mas que terá ocorrido na última semana de dezembro de 2000.º Em data que não pode precisar-se.º a 3. 2. cuja identidade não foi possível apurar. C… e Dra.a presente acusação.A. a cliente M…. De resto.º da mesma. a identificá-las.2006 foi elaborado o relatório final do qual se extrai o seguinte: “… 4. procurou aliciar a D. trabalha. 4. por outro lado. que o arguido se serviu dos meios a que tem acesso para o exercício da sua função na C…. o Arguido.º da Acusação. Dr. na Agência …. em especial sobre a matéria contida nos artigos 1. na qualidade de mediador de seguros. 96 e verso dos autos.º Aliás. 3. C….I. 155 a 157 do «PA» que se dão por integralmente reproduzidas.cfr.º Refira-se. que sua mulher trabalhava para outras seguradoras. durante as averiguações. violando deste modo. em 23 de janeiro de 2001. deslocar-se a casa dos mesmos.7 Sobre os factos descritos nos artigos 1. constatase que este estava fortemente determinado em convencê-la a aplicar os seus dinheiros em produtos de outra entidade que não a C…..12. posteriormente. 178 e verso dos autos que reitera todo o conteúdo da sua comunicação de 10/01/01 dirigida ao Director Regional da Região de Gaia. ser o mediador n. ainda. tendo acrescentado. desempenhando o Arguido a função de «front-office» nem sequer lhe competia exercer junto dos clientes este tipo de ação comercial. 5.º Salienta-se ainda o facto de o Arguido se encontrar a exercer uma atividade exterior à C…. por este ter praticado os seguintes atos ilícitodisciplinares 1. X) No dia 14.º 60502 da F…. durante as averiguações em 23 de janeiro de 2001. a aplicarem fundos que têm depositados na C… em produtos financeiros de uma companhia de seguros estrangeira. como Mediador de Seguros e possuindo a respetiva carteira de seguros. Esta última testemunha refere no seu depoimento de fls. foram ouvidas as testemunhas. nos dias 30 e 31 de dezembro de 2000. não era o que tinha prestado à DAI. no entanto. com a cliente M…. para efeitos de instrução do processo que o depoimento que considerava relevante. na sequência de que o mesmo se encontrou. sem que tenha obtido a necessária autorização do Conselho de Administração da CGD …” . fls. desde 1985 até à presente data. e muito menos. R…. ao fim de semana (30 e 31 dezembro) quando a C… está encerrada. o próprio arguido declarou à D. escusando.

2007. Os factos contidos nos artigos 4. 6 do relatório de inquérito n. Conselho de Administração da CGD. SA que. fls.º. Em conclusão: Tendo como fundamento a prova documental e testemunhal constante dos autos. aplicar ao A. na sua defesa. R…. XIII) O subsídio de refeição pago pela R. em 17. C… e Dr.º a 5.º. a reclamação da cliente». fls.cfr. 2 e 3 dos autos. 4..facto admitido por acordo das partes. relatando os factos que envolvem o arguido. o certo é que os mesmos como vem referido a fls.ª L… cujo depoimento se encontra a fls.º e 5.º da Acusação. Verifica-se assim que os factos descritos nos artigos 1º a 3º da acusação encontram-se fundamentados não só nos documentos de fls. 2. esteve presente na conversa que a cliente M… teve com o Diretor Regional. 3. não só elementos que compunham a gerência …. o Arguido apresentou a depor uma única testemunha à matéria factual constante dos artigos 1. nomeadamente do Inspector Sr. ao Diretor Regional da Região de Gaia. Sem por em causa a credibilidade do depoimento desta testemunha. a retribuição mensal de 1.º da Acusação ainda que tenham sido objeto de impugnação por parte do Arguido. 2 e 3 encontra-se a comunicação subscrita pela Gerência . cinco diuturnidades no valor global de 228. 213 a 231 do «PA» que se dão por integralmente reproduzidas. mas que ocorreu no início do ano. Dr. como também nos depoimentos das testemunhas. poderá ser passível da aplicação da pena de demissão …” .ª C…. pagava ao A.584.80 € . Dr.01.349. D.8. a pena disciplinar de demissão . teremos de nos alicerçar no conjunto da prova documental e testemunhal constante dos autos.. de acordo com as normas regulamentares da CGD. J… consideram-se: Provados: Os factos descritos nos artigos 1. para efeitos do apuramento da matéria de facto dada como provada. 242 do «PA». (…) Tudo visto e ponderado (…. face à gravidade do comportamento do Arguido. Por outro lado.. XII) A R. XI) O Conselho de Administração da R. Vejamos: De fls. tendo recebido instruções do mesmo para formalizar. (…) 4. Tomaram conhecimentos dos factos aí referidos.º e 5.10. todavia para efeitos do apuramento da matéria de facto. como também o próprio Diretor Regional como se infere do depoimento prestado pela Dr.º 041/01.00 € e outra designada por diuturnidade vincenda no valor de 7.80 € que integrava o salário base de 1. este não fez prova de ter a sua situação regularizada. a conduta do mesmo. por escrito. sendo que a referida testemunha é a esposa do Arguido. 185 e verso dos autos.cfr. como seja o caso de mediador de seguros. de fls. 54 dos autos. sobre o exercício de atividades exteriores à CGD. (…) 4. deliberou.ª C… no qual esta refere o seguinte: «Em data que não sabe precisar.00 €.º da Acusação.º.) submete-se à consideração do Exmo. na nossa opinião. era no montante de .testemunha M… enfermam de graves contradições pelo que não nos podemos socorrer dos mesmos.

n. 141. termos em que a presente ação administrativa deveria ter sido julgada totalmente improcedente. pelo que julgou a acção administrativa especial em presença parcialmente procedente e anulou a deliberação impugnada. não auferiu por força do ato impugnado. ao seu serviço. XV) É dado como integralmente reproduzido o teor do «PA». de juros de mora sobre as referidas quantias …”. condenando a R.90 € por cada dia de trabalho efetivo. subsídio de refeição. bem como pagamento de todas as retribuições que deixou de receber desde a aplicação da pena de demissão até à sua reintegração. que tal decisão judicial para além de nula fez errado julgamento já que a deliberação impugnada não se mostra eivada da ilegalidade que lhe foi imputada e considerada procedente. DA DECISÃO JUDICIAL RECORRIDA O TAF do Porto em apreciação da pretensão deduzida pelo A. π 3..2.º 1. julgando-se improcedente o pedido de pagamento. Por sua vez o A. π 3.2. π DO MÉRITO DOS RECURSOS 3.º 1 e 147.9.1.º. 3. 139. subsídio de férias e de Natal) que o A. DO RECURSO JURISDICIONAL DA R. DAS TESES DOS RECORRENTES Argumenta a R.º do CPA. «» 3. XIV) A retribuição mensal referida em XII) era paga em dobro nos meses de Janeiro e Novembro. com todos os direitos decorrentes da sua qualificação profissional e antiguidade. b).2.2.ofensa caso julgado/abuso de direito. SA” [anulação da deliberação disciplinar punitiva. bem como a pagar a este todas as retribuições (salário base. n. e de seguida passando ao deduzido pelo A. considera que a mesma decisão judicial enferma de erro de julgamento nos segmentos em que desatendeu os demais fundamentos de ilegalidade imputados à deliberação disciplinar punitiva e no que improcedeu o pedido de condenação no pagamento de juros moratórios pelo que a ação deveria ter sido julgada totalmente procedente.2. valores esses acrescidos de juros de mora à taxa legal] concluiu no sentido de que “in casu” tal ato apenas padecia da ilegalidade de erro sobre os pressupostos de facto que lhe foi assacada [desatendendo as demais ilegalidades .3. al.1.2. DE DIREITO Considerada a factualidade supra fixada importa.º. a “… a reintegrar o A. agora. violação dos arts. caducidade procedimento disciplinar/prescrição da infração disciplinar]. contra a “CGD. por parte da Ré. com consequente reintegração ao serviço e reconstituição da sua carreira. . começando pelo da R.3. diuturnidades. entrar na análise dos fundamentos dos recursos jurisdicionais que se nos mostram dirigidos.

arts. a sentença quando: … o juiz deixe de pronunciar-se sobre questões que devesse apreciar ou conheça de questões de que não podia tomar conhecimento . As questões suscitadas pelas partes e que justificam a pronúncia do Tribunal terão de ser determinadas pelo binómio causa de pedir-pedido. 668. 668. V.º.º 1 do art. d) do CPC e 95. assim como deve identificar a existência de causas de invalidade diversas das que tenham sido alegadas.. II. na sentença ou acórdão.º 2 CPC e 95. de fora aquelas situações em que conhece oficiosamente.º 1 do art. n.º 1.º 1 do art..º. cuja enumeração é taxativa. n. n.º do CPTA estipula-se que sem “… prejuízo do disposto no número seguinte. Vejamos.º. As situações de nulidade da decisão encontram-se legalmente tipificadas no art. sendo que a qualificação como nulidade de decisão de ilegalidades integradoras de erro de julgamento não impede o Tribunal “ad quem” de proceder à qualificação jurídica correta e apreciar. o tribunal deve pronunciar-se sobre todas as causas de invalidade que tenham sido invocadas contra o ato impugnado.º.º. bem como os pressupostos processuais de ordem geral e os pressupostos específicos de qualquer ato (processual) especial. comportando causas de nulidade de dois tipos [de caráter princípio do contraditório …” formal .art. 668.º. os fundamentos do recurso. n. V./recorrente [cfr. Caracterizando em que se traduz a nulidade da decisão por infração ao disposto na al.º 1. 668. excetuadas aquelas cuja decisão esteja prejudicada pela solução dada a outras.1. sendo que nos “… processos impugnatórios.º do CPC em conjugação com o n. I. A. exceto quando não possa dispor dos elementos indispensáveis para o efeito. salvo quando a lei lhe permita ou imponha o conhecimento oficioso de outras …” (n.. o tribunal deve decidir.º 1. 95.º 1).e várias causas respeitantes ao conteúdo da decisão . 95. 668.” e no art.2. 143). Varela in: RLJ. J. quando realmente debatidos entre as partes …” (cfr.º. sendo que. nessa base. Preceitua-se na al. Questões para este efeito são “. apenas poder resolver as questões que as partes tenham submetido à sua apreciação (cfr. 668.º do CPC que é “… nula 3.º do CPTA por parte do acórdão sob impugnação..º 2). a) CPC . n. d) do n. Alberto dos Reis in: “Código de Processo Civil Anotado”. pág. todas as questões que as partes tenham submetido à sua apreciação. quando o exija o respeito pelo (n..ª)] a invocação da existência de nulidade decorrente da preterição alegadamente do disposto nos arts. IV. d) do n.º 1 do CPC. Teixeira .ª) a 10. e não pode ocupar-se senão das questões suscitadas. n. ouvidas as partes para alegações complementares pelo prazo comum de 10 dias. pág. vol. todas as pretensões processuais formuladas pelas partes que requerem decisão do juiz. al.art. III. as questões que os litigantes submetem à apreciação e decisão do tribunal com as razões (de facto ou de direito). como afirma neste âmbito M.. Ano 122. b) a e) CPC].1.º do CPTA temos que a mesma se prende com a infração ao dever que impende sobre o tribunal. als. 112) e não podem confundir-se “. os argumentos. al.3. os pressupostos em que a parte funda a sua posição na questão …” (cfr.DA NULIDADE DECISÃO Deriva das alegações da R.º 1 CPTA). conclusões 01. 660.

º.º 1. então. Lex.º 1. n. 264.º. do quadro normativo especial relativo aos poderes de pronúncia dos tribunais administrativos. al. então. al. em particular da nulidade de que importa cuidar e. (.ª parte CPC) tal “… significa que o tribunal deve examinar toda a matéria de facto alegada pelas partes e analisar todos os pedidos formulados por elas. pelo que a sentença ou o acórdão podem estar viciados de duas causas que poderão obstar à eficácia ou validade da dicção do direito: . a hipótese cabe na nulidade prevista no art. n. al. 668. matéria não alegada ou condena ou absolve num pedido não formulado. nelas os mesmos conhecem do pedido e da causa de pedir ditando o direito para cada caso concreto. E nesse âmbito. n.ª parte]..º 1 do art. na certeza de que “. 668. VI.º do CPC ou mesmo do n. Munidos dos considerandos de enquadramento antecedentes quanto ao conceito de nulidade de decisão judicial. podem ter atentado contra as regras próprias da sua elaboração e estruturação ou contra o conteúdo e limites do poder à sombra do qual são decretados e. tornam-se passíveis de nulidade nos termos do art. d) do n. mesmo utilizando os fundamentos admissíveis. o caso inclui-se na previsão do art.º. 668. a decisão é nula quando o tribunal conheça de questões de que não podia tomar conhecimento [art.. desde já. diga-se. com exceção apenas das matérias ou pedidos que forem juridicamente irrelevantes ou cuja apreciação se tornar inútil pelo enquadramento jurídico escolhido ou pela resposta fornecida a outras questões.º.º.º 1.ª parte.. quando a decisão esteja viciada por excesso de pronúncia. bem assim. d) 2. a consequência é a sua revogação. ou seja. Daí que constituindo as decisões proferidas pelos tribunais no exercício da sua função jurisdicional pronúncias destinadas a dirimir os conflitos de interesses (públicos e/ou privados) que lhes são submetidos. n.º.. a nossa análise na sua apreciação.º 1 e 664. 2. n.º.º do CPC. podem ter errado no julgamento dos factos e do direito e. que salvo melhor entendimento a arguida nulidade improcede não ocorrendo infração à al. d) 2. como atos jurisdicionais.Por um lado. (.de Sousa..º 1 . págs. pela seguinte razão: . 668. e) …” (in: “Estudos sobre o novo Processo Civil”.º. mas ele é distinto do excesso de pronúncia previsto no art.se o tribunal condena no pedido formulado. . então. como fundamento da decisão. e)]. centremos. condena em quantidade superior ou em objecto diverso do pedido. al.º 1 e 668. enquanto corolário do princípio da disponibilidade objetiva (arts. Verifica-se este excesso sempre que o tribunal utiliza.) O excesso de pronúncia pode ser parcial ou qualitativo. 661. 668.Por outro. consoante o tribunal conheça de um pedido que é quantitativa ou qualitativamente distinto daquele que foi formulado pela parte. 220/223). n..º 1. . 668. mas utiliza um fundamento que excede os seus poderes de conhecimento. n.ª parte. Lx 1997. Este excesso de pronúncia parcial ou qualitativo também conduz à nulidade da decisão [arts.) Também a falta de apreciação de matéria de conhecimento oficioso constitui omissão de pronúncia …”. al. bem como quando conhece de matéria alegada ou pedido formulado em condições em que está impedido de o fazer.mas se o tribunal.º 1. VII. VIII. d) 2.

por lei. Saber se o juízo que foi feito da decisão judicial recorrida se mostra acertado ou não tal já não releva em sede de nulidade.º do CPTA].2. 64. 95.º 4 do art.. já que no juízo ali feito se atendeu à invocação feita pelo A. invocação essa reiterada em sede de alegações produzidas nos autos nos termos do n. enquanto erro de julgamento que se cuidará de seguida.do art. 91.º e segs. para garantia do bom funcionamento dos seus serviços.ª) a 10. temos que no caso em apreço não ocorre a invocada nulidade por excesso de pronúncia. em sede própria quanto à negação da prática dos factos qualificados como ilícitos disciplinares e à falsidade da sua imputação. e da perceção/valoração dos elementos probatórios que os sustentam).1. arts. aqui ora recorrente. invocou efetivamente o fundamento de ilegalidade consubstanciado no erro sobre os pressupostos de facto [cfr. X. permitindo a prova recolhida no processo disciplinar fundar um juízo de certeza de verificação dos ilícitos disciplinares imputados ao arguido e pelos quais o mesmo foi sancionado com a pena de demissão. fundamento esse sobre o qual se impunha emitir pronúncia e que teve lugar na decisão judicial sob recurso. no nosso entendimento. improcedendo nesse âmbito e medida a sua arguição [conclusões das alegações 01. mas.2. I. 3. constituindo um poder de auto-organização ou de autodisciplina e que só pode ser exercido sobre pessoas que se encontrem numa . Nessa análise o tribunal “a quo” apreciou do erro no juízo de acertamento feito pela Administração na fixação dos factos tidos por provados no procedimento disciplinar e nos quais se estribou a decisão punitiva considerando os elementos probatórios insertos naquele procedimento e da correção da sua valoração na formação daquele juízo de facto. ainda reconduzida ao âmbito dos poderes decisórios que delimitam e impendem sobre o tribunal no julgamento daquela concreta alegação de ilegalidade enquanto abarcando o erro no juízo de facto e sua fundamentação (incorreta fixação/imputação dos factos apurados integrantes da responsabilidade disciplinar ao A. ao invés. da petição inicial e pedido ali formulado. DO ERRO DE JULGAMENTO Alega a R.ª)]. que a decisão judicial padece de erro de julgamento visto que a ponderação e valoração probatória feita pela deliberação disciplinar punitiva estribada no juízo do instrutor se mostra totalmente acertada. De harmonia com o atrás exposto. IX. Tal pronúncia mostra-se. XI.º do CPTA porquanto o A. Analisemos. No quadro da responsabilidade disciplinar administrativa o poder sancionatório conferido à Administração é reconhecido.3.

VIII.1995]. de que o arguido praticou os factos que lhe são imputados. no âmbito do processo disciplinar. o direito a um «processo justo». não podendo impor-se uma sanção com base em simples indícios. entre outros.especial situação de sujeição perante a mesma e que.dgsi.º 59/95 de 16. É que o arguido não tem de provar que é inocente da acusação que lhe é imputada dado o ónus da prova dos factos constitutivos da infração impender sobre o titular do poder disciplinar. STA de 28. pela aplicação de algumas das regras e princípios de defesa constitucionalmente estabelecidos para o processo penal na certeza de que a tendência que se tem verificado para a progressiva autonomização do direito disciplinar relativamente ao direito penal “… é contrabalançada pelo progressivo alargamento das garantias do direito penal ao direito disciplinar …” [cfr..pt/jsta»]. ainda. sendo que nele o arguido assume uma posição de sujeito processual e não dum seu mero objeto. à semelhança do que sucede no processo penal. mormente por reputar existir uma situação de insuficiência probatória [cfr. presunções ou conjeturas subjetivas. Ac. Além disso a condenação deve assentar ou estribar-se em provas que permitam um juízo de certeza. V.02. na fixação dos factos que funcionam como pressupostos de aplicação das penas disciplinares a Administração não detém um poder insindicável em sede contenciosa.pt/tc/acordaos» e publicado no DR I Série. Atente-se.º 0900/10 in: «www. A responsabilidade disciplinar corresponde. sendo que um “non liquet” em matéria de prova terá de ser resolvido em favor do arguido por efeito da aplicação dos princípios da presunção de inocência do arguido e do “in dubio pro reo”. VI. Por outro lado.1995 consultável in: «www. VII. pois.tribunalconstitucional. de 10. II. a uma garantia dum modelo/padrão de comportamento que é exigível a determinada pessoa no quadro duma relação jurídica de emprego público em que a mesma é um dos seus sujeitos. É que no processo sancionador a prova da prática da infração que é exigida deve ser conclusiva e inequívoca no sentido de que o sancionado é o autor responsável. n.2011 Proc. passa. Ac. designadamente. III. uma convicção segura que esteja para além de toda a dúvida razoável. Ao arguido assiste. por causa dela. porquanto nada obsta a que o julgador administrativo sobreponha o seu juízo de avaliação àquele que foi adotado pela Administração. direito esse que.1913 [diploma .02. IV. que quer o Decreto de 22. No processo disciplinar. do TC n.06. ficam vinculados à observância de certos deveres garantísticos do bom funcionamento do serviço.03. o ónus da prova dos factos constitutivos da infração cabe ao titular do poder disciplinar.

º da mesma.01. podendo e devendo concluir-se que no caso vertente a deliberação disciplinar punitiva se mostra inquinada de erro sobre os pressupostos de facto como ali se considerou. na Agência ….12.que continha o «Regulamento Disciplinar dos Funcionários Civis» e que por ser o que.Proc.pt/jtcn»). Na verdade. STA/Secção de 02.º da Acusação. Extrai-se daquilo que constitui a fundamentação expendida pelo instrutor do processo em sede de análise/motivação do juízo de facto firmado e no qual se estriba a deliberação disciplinar punitiva que “… Sobre os factos descritos nos artigos 1. em matéria disciplinar. a cliente M…. não era . n. de 02. XII.dgsi. com a cliente M…. a prova coligida no processo disciplinar deve legitimar uma convicção segura da materialidade dos factos imputada ao arguido.º 0755/04.Proc.ª C….º 0846/10 in: «www. do STA/Pleno de 24.º a 5. termos em que.º 0927/02. Acs. n. de 20.º 8162. de acordo com o Decreto n. Dr. já que a prova coligida no processo disciplinar não nos permite fundar ou formular. uma convicção segura/certeza apodítica da prática dos factos que ao mesmo são imputados. R….6BEPRT in: «www. n.2009 Proc. X. C… e Dr.2010 .cfr. de 05. que está em causa. foram ouvidas as testemunhas. entre outros..09.º 287/93 e que não usaram da faculdade de opção pela aplicação do regime jurídico do contrato individual de trabalho . 178 e verso dos autos que reitera todo o conteúdo da sua comunicação de 10/01/01 dirigida ao Diretor Regional da Região de Gaia.1922 (primitivo «Regulamento da C….º 0310/09.Proc. na sequência de que o mesmo se encontrou.07.º a 3.02. ali arguido.05. quanto a quaisquer normas em matéria de padrão e de ónus de prova. Crédito e Previdência») era o aplicável.Proc. XI. cumpre convocar as regras insertas no processo penal sobre tal matéria. Essa é a convicção que no caso emerge e se deve extrair do acervo factual dos autos disciplinares em referência no que tange à prova da aludida factualidade essencial integradora da imputação ao A. n.Proc.pt/jsta».05.2005 . IX. posteriormente. para além de toda a dúvida razoável. mormente. para efeitos de instrução do processo que o depoimento que considerava relevante. Cientes dos pressupostos de enquadramento antecedentes e considerandos neles desenvolvidos temos que analisada a situação sob apreciação não vislumbramos enfermar a decisão judicial sindicada do erro de julgamento que se lhe mostra apontado. aos funcionários civis se mantém como aplicável aos trabalhadores da C… que se encontravam ao serviço da mesma até à entrada em vigor do DL n. transmitiu-os ao Diretor Regional pelo telefone.1993 . (…) Esta última testemunha refere no seu depoimento de fls. Acs.º 01599/07.dgsi. de 29. em especial sobre a matéria contida nos artigos 1. TCAN de 23.. n.2005 . quer o ED/84 e o CPA são omissos. neste âmbito. (…) Em 04 de junho de 2001. Ac. para além de toda a dúvida razoável. em relação ao comportamento do Arguido tendo acrescentado ainda que logo tomou conhecimento dos factos.º 029972. veio declarar.2011 . n.

em 23 de janeiro de 2001. efetivamente. (…) De fls. É que. nem os respetivos elementos documentais à mesma anexos (fls. como também o próprio Diretor Regional como se infere do depoimento prestado pela Dr.ª C… no qual esta refere o seguinte: «Em data que não sabe precisar. desde logo. (…) Por outro lado. esteve presente na conversa que a cliente M… teve com o Diretor Regional. (…) É manifesto e por demais evidente que os depoimentos referidos da testemunha M… enfermam de graves contradições pelo que não nos podemos socorrer dos mesmos. subscrita pela gerência da agência da C… e que relata os factos que vieram ser objeto de averiguação e ulterior processo disciplinar. sendo que a referida testemunha é a esposa do Arguido. 96 e verso dos autos. teremos de nos alicerçar no conjunto da prova documental e testemunhal constante dos autos. a informação/participação constante de fls. nem está dotada de qualquer relevância especial nesta sede. tendo recebido instruções do mesmo para formalizar.º a 3. (…) Tomaram conhecimentos dos factos aí referidos. a reclamação da cliente». Ora o juízo acabado de transcrever enferma. ao Diretor Regional da Região de Gaia. para efeitos do apuramento da matéria de facto dada como provada. XV. relatando os factos que envolvem o arguido. de segurança que se deve exigir nesta matéria. mas que ocorreu no início do ano. (…) Sem por em causa a credibilidade do depoimento desta testemunha. A informação/participação não goza de qualquer valor probatório. a acusação teve na nomeadamente sua génese comportamentos/declarações prestados pela testemunha . 04/10 do processo instrutor) demonstram ou comprovam igualmente aquela aludida realidade factual. Dr.ª L… cujo depoimento se encontra a fls. R…. D. 2 e 3 dos autos. Depois temos que a prova testemunhal com e na qual a acusação e ulterior decisão disciplinar punitiva se fundam assenta num pressuposto/versão que não foi confirmado no âmbito do inquérito.ª C… …”. (…) Verifica-se assim que os factos descritos nos artigos 1. já que não corporizam minimamente qualquer prova de atuação do A.º a 5. por escrito. durante as averiguações. 02/03 dos autos disciplinares.o que tinha prestado à DAI. C… e Dr.º da Acusação. como também nos depoimentos das testemunhas. 2 e 3 encontra-se a comunicação subscrita pela Gerência …. 185 e verso dos autos.º da acusação encontram-se fundamentados não só nos documentos de fls. da ilegalidade que lhe foi assacada e assim julgada na decisão judicial recorrida porquanto a prova tida por relevante para considerar apurados/provados os factos da acusação ali aludidos não se mostra dotada do grau de certeza apodítica. XIV. todavia para efeitos do apuramento da matéria de facto. o Arguido apresentou a depor uma única testemunha à matéria factual constante dos artigos 1. Com efeito. não pode “de per si” constituir e não configura minimamente prova documental idónea para sustentar qualquer imputação ao arguido quanto aos factos de que o mesmo foi acusado. mas sim o que constava de fls. não só elementos que compunham a gerência …. nos termos que lhe são imputados. XIII.

não se mostra como suficiente e bastante para dela e nela se poder extrair ou fundar um juízo de certeza. desde logo. uma convicção segura. fls. XIX. pelo que deve concluir-se que. declarações essas que a mesma. “de per si”. desmentiu categórica e reiteradamente no âmbito do inquérito quando ouvida de novo em declarações (cfr. fls. entretanto. XVII. não podendo para sustentar determinada imputação de ilícito disciplinar aceitar-se. XVI. uma mera conjetura ou suposição já que não assente em elementos minimamente objetivos ou objetiváveis e que. fls. XVIII. por isso. que presenciaram ou lhes foi comunicado. da materialidade dos factos imputada ao arguido. 15/19 do processo instrutor). sejam suscetíveis de afastar toda a dúvida razoável. tal constitui. 105 do mesmo processo). do processo instrutor) e por carta que a mesma pelo seu próprio punho escreveu e remeteu ao instrutor (cfr. 13/14 do processo instrutor) que foram relatados/confirmados pelas testemunhas funcionários da “C…” intervenientes nas diligências feitas naquele procedimento (cfr. à verdade. sem mais. como foi feito pelo senhor instrutor e nisso se louvou a deliberação disciplinar punitiva. elementos probatórios (prova testemunhal como a acima aludida) que assentam unicamente naquilo que foi o relato. 96/96 v. por testemunha. no caso vertente. a deliberação disciplinar punitiva se mostra inquinada de erro sobre os pressupostos de facto tal como foi considerado pela decisão judicial impugnada. Se subjetivamente nos podemos inclinar em termos de opção por uma das versões que foram apresentadas pela aludida testemunha. . eventualmente. testemunha essa cujas versões sobre os factos alegadamente ocorridos não se mostram coincidentes e sem que se haja apurado/esclarecido com suficiência qual desses depoimentos corresponde.M… em sede de averiguações (cfr. O juízo que é imposto e se exige nesta sede reclama uma objetivação que encontre justificação cabal e idónea em elementos probatórios que. aquela que era a testemunha “chave” [por referência à qual toda a demais prova testemunhal vivia em termos de relato/imputação dos factos]. fls. Tais depoimentos e consequente prova não se mostram como suficientes e bastantes para corporizarem base idónea para um juízo de certeza. de segurança. todavia. Ora a prova com base na qual a acusação havia sido estruturada e formulada não veio a ser confirmada/mantida no âmbito do inquérito disciplinar porquanto. veio a negar expressa e repetidamente aquilo que havia sido a sua anterior versão dos acontecimentos e que tinha relatado sem que dos autos haja sustentação e a mínima consistência probatória quanto a qual das versões era ou é a verdadeira. que se reclama neste âmbito.

XX.2005 (Proc. não se encontra garantida. n. porquanto não se descortina ocorrer a ilegalidade/erro de julgamento que é apontada pela R. pretensão que observa o quadro legal previsto no n. tem de atingir um grau de certeza que permita desferir um juízo de censura baseado em provas convincentes para um apreciador arguto e experiente. II.2.º 2 do art.2. III. DO RECURSO JURISDICIONAL DO A. 47. Analisemos. pode e deve ser apreciada e decidida na sua integralidade em sede da presente ação administrativa especial.2. também este fundamento do recurso jurisdicional que se nos mostra dirigido. I.dgsi. total ou parcial.3. Mas se a anulação da decisão disciplinar implica ou impõe a reposição da legalidade que foi infringida com necessária .pt/jsta»). Da anulação do ato disciplinar impugnado extrai-se como consequência a necessidade do refazer ou do repor da legalidade violada. do ato praticado.06. a “… «prova dos factos integrantes da infração disciplinar cujo ónus impende sobre a entidade administrativa que exerce o poder disciplinar. pelo que. Da análise dos autos deriva que o A.2. citando acórdão do STA de 07./recorrente que é ilegal e errado o juízo de improcedência da sua pretensão condenatória no pagamento de juros de mora relativos ao atraso na liquidação dos montantes devidos a título de retribuição mensal em sede de reintegração/reconstituição da situação que existiria não fora a emissão do ato anulado.º do CPTA que o “… pedido de anulação ou de declaração de nulidade ou inexistência de um ato administrativo pode ser nomeadamente cumulado com: a) O pedido de condenação à prática do ato administrativo devido. 47. o que se concluiu e decidiu na decisão judicial impugnada a qual apenas improcedeu o pedido de condenação no pagamento de juros de mora. 3. deduziu pretensão impugnatória com a qual cumulou o pedido de condenação da R.º do CPTA e que. enquanto seu funcionário em e com todas as implicações.º 0374/05 in: «www. com reintegração ao serviço da R. soçobra. através do instrutor do processo. …. segurança essa que.1. dado a prova coligida no processo disciplinar não legitimar uma convicção segura da materialidade dos factos imputados ao arguido. de modo a ficar garantida a segurança na aplicação do direito sancionatório». Concluindo. como tal. em substituição. Decorre do n. IV. 3. aqui recorrente. do A. DA OBRIGAÇÃO DE PAGAMENTO JUROS DE MORA Alega o A. b) O pedido de condenação da Administração à adoção dos atos e operações necessários para reconstituir a situação que existiria se o ato anulado não tivesse sido praticado e dar cumprimento aos deveres que ela não tenha cumprido com fundamento no ato impugnado …”.º 2 do art. Como na mesma se alude. à adoção dos atos e operações necessários para reconstituir a situação que existiria se o ato anulado não tivesse sido praticado.3. pois. assim não sucedendo … a deliberação impugnada deve ser anulada …”.

a) e b). n. que tomá-los em consideração. termos em que quando as consequências a extrair do julgado envolvem o pagamento de abonos devidos a partir da prática do ato ilegal e o pagamento de juros se apresente como uma forma de compensar a temporária indisponibilidade desses abonos.dgsi.º 2. É que a situação a reconstituir envolve o pagamento atempado de certos abonos. os quais são necessários para corrigir não só a falta do pagamento mas a falta da sua tempestividade. e 806. . a situação que existiria na hipótese de. IX. Como acabámos de referir a execução dos julgados anulatórios passa pela reconstituição da situação atual hipotética de molde a que se reponha a situação que existiria não fora a emissão ato ilegal.ºs 1 e 2. de Natal e de refeição que o A. VII. deve incluir-se o pagamento de juros de mora [arts.º 27208A in: «www. 805. subsídios de férias. n.pt/jsta»).pronúncia na ação “sub judice” em termos da fixação dos atos e operações que permitam a reconstituição da situação atual hipotética. entre os atos práticos e operações materiais necessários para a plena reintegração da ordem jurídica violada. na certeza de que. Daí que ficando a Administração obrigada a reintegrar a ordem jurídica violada como efeito da anulação judicial do ato administrativo impugnado então entre o pagamento das quantias que deviam ser processadas e liquidadas em momentos determinados. ou seja. V. deixou de auferir no período correspondente à produção de efeitos da pena disciplinar que lhe foi aplicada. Assistirá. ao A.2002 (Proc. n. nomeadamente. als.º. VIII.º. na medida do possível. tivesse sido praticado um ato legal. então temos que tal reposição passa.10. como foi considerado pelo STA no seu acórdão de 23. o direito aos pretendidos juros de mora relativamente às diferenças salariais que tardiamente serão pagas? VI.º. n.ºs 1 e 2 do CC]. “… em execução de julgado anulatório são devidos juros de mora sobre as diferenças de abono devidas a funcionário em consequência da aplicação de pena disciplinar …”. refazendo-se. 804. E pode sê-lo já em sede de ação administrativa especial quando na mesma seja cumulado com a pretensão anulatória um pedido de condenação da Administração à adoção dos atos e operações necessários para reconstituir a situação que existiria se o ato anulado não tivesse sido praticado. no entanto. há. reconstituição essa que poderá fazer-se pelo modo legalmente previsto para compensar o credor das consequências negativas do atraso por parte do obrigado ao pagamento. mediante a liquidação dos competentes juros moratórios sobre as prestações em atraso. pelo pagamento dos montantes relativos a vencimento. em vez do ato ilegal.

sujeito ao regime legal em matéria disciplinar de direito público inserto do Regulamento Disciplinar decorrente do Decreto de 22.dos atos e operações materiais necessárias à reintegração da ordem jurídica violada de molde a que seja restabelecida a situação que o interessado tinha à data do ato ilegal e a reconstituir. fazendo-se a correção dessa falta de oportunidade na satisfação dos abonos através do pagamento de juros moratórios calculados à taxa legal sobre as prestações em atraso. mediante a execução do .1922 (primitivo «Regulamento da C…. a ver corrigida não só a falta do pagamento de todas as retribuições.1) desta decisão. DA VIOLAÇÃO DO CASO JULGADO Sustenta neste âmbito o A. à data dos factos em apreciação. 173.2. «» 3. pelo que quando emitiu a deliberação disciplinar punitiva fê-lo para ludibriar o decidido e os efeitos do julgado anulatório ali firmados.05. III. estava.2. 162.º 948/01 do então TAC Porto no prazo que dispunha para o efeito nem a mesma invocou qualquer causa legítima de inexecução (arts. Crédito e Previdência»)]. de 29. como resulta do n. a situação que o mesmo teria se o ato não tivesse sido praticado. assiste razão ao recorrente quanto a este fundamento impugnatório. Vejamos. aliás. Pelo exposto. como pressuposto.. II.2. Com efeito. que o A. constatação e conclusão essa que conduziu. o da reconstituição da situação que existiria se o ato ilegal não tivesse sido praticado.X. não deu cabal cumprimento ao que havia sido julgado nos autos sob o n.º 1 do art. procedente que se mostrava o pedido impugnatório da deliberação disciplinar punitiva temos que assiste ao A.a quem incumbe tirar as consequências da anulação . no quadro do pedido cumulado de fixação de atos e operações destinados à reconstituição da situação hipotética decorrentes daquela anulação.º e 163. à invalidação da anterior deliberação disciplinar punitiva que lhe foi imposta. o direito.1913 [diploma que é o aplicável por força do Decreto n. I. mas também a falta da sua tempestividade./recorrente que se mostra como errado o juízo de improcedência do fundamento de ilegalidade em epígrafe já que a R. se for caso disso.º 8162. nomeadamente.º do CPTA). Tem-se. na sequência do aludido sob o considerando VIII) do ponto 3.3. ou seja.2. impondo-se a revogação da decisão nesse segmento.º do CPTA os deveres em que a Administração pode ficar constituída por efeito da anulação de um ato administrativo podem situar-se em três planos.3.02. Nessa medida. A execução duma decisão judicial anulatória de ato ilegal consiste na prática pela Administração .

n.05. sem reincidir na ilegalidade anteriormente cometida (3. pode ter de atuar por referência à situação jurídica e de facto existente no momento em que deveria ter atuado (art.pt/jsta»). Ac.º). VI. determina-se pelo vício que fundamenta a decisão …” (cfr. n. X.º 2. o limite objetivo do caso julgado das decisões anulatórias de atos administrativos “… seja no que respeita ao efeito preclusivo. Nessa medida. atos administrativos retroativos. o princípio do respeito do caso julgado não impede a substituição do ato anulado por outro idêntico desde que a substituição se faça sem repetição das ilegalidades determinantes da anulação. n. IV. n. desde que esses atos “não envolvam a imposição de deveres. do STA/Pleno de 08. dever esse que proíbe a reincidência. mantém. art. a situação ilegal. nomeadamente. V. 173. É que.º. Se assim deve ser entendido então não se vislumbra em que medida ocorra erro de julgamento na decisão judicial sindicada quando desatendeu a arguição de ilegalidade em epígrafe. sem fundamento válido. durante a vigência do ato ilegal. . aliás.º.º). preclusivo ou inibitório da decisão judicial). quando for caso disso. Tal significa ou quer dizer que o respeito pelo caso julgado não fica abalado se a Administração. Atente-se que o conceito de desconformidade com o julgado anulatório deve ser entendido enquanto abarcando quer as situações de ofensa ao caso julgado quer aquelas em que o ato administrativo. excluindo a possibilidade da Administração reproduzir o ato com as mesmas ilegalidades individualizadas e assim declaradas pelo juiz administrativo sob pena de incorrer em nulidade [cfr. em execução de decisão judicial anulatória. pese embora dirigido a fazer o que é devido. E na observância e cumprimento destes deveres.dgsi.Proc. porque este ato disso a dispensava (2. al. a aplicação de sanções ou a restrição de direitos ou interesses legalmente protegidos” (cfr. VII.º 40821A in: «www. a Administração. IX. h) do CPA]. acaba por determinar um resultado que não corresponde àquele que deveria ser produzido na medida em que. o do cumprimento tardio dos deveres que a Administração não cumpriu. Atente-se que sobre a Administração impende o dever de respeitar o julgado (efeito conformativo. dependendo dos casos. seja no que respeita ao efeito conformador do futuro exercício do poder administrativo.º 1 CPTA) e de praticar.º) e da eventual substituição do ato ilegal. retomar o procedimento e emita no mesmo nova decisão desde que expurgada das ilegalidades que a inquinavam. VIII.º 2 do citado normativo).efeito repristinatório da anulação (1.2003 . 133.

todavia.2006) e que volta a decidir o inquérito disciplinar movido contra o A. não contendem minimamente com aquilo que era e é conteúdo decisório do acórdão exequendo. com a sua emissão.2006 e de 17. XIV..º 1 do art.2007). sancionando-o (a de 17.º VIII) dos factos apurados]. De igual modo não se descortina da análise dos termos do procedimento e da atuação desenvolvida pela R. bem como com a que prolatou em 01. na parte em que. n.02. não ter cumprido voluntariamente a decisão judicial motivando a necessidade de instauração de ação executiva e de não ter invocado qualquer causa legítima de inexecução no prazo de três meses após trânsito em julgado daquela mesma decisão judicial anulatória proferida nos autos em referência.º do CPTA não impunha à R. É que do facto de a R. sendo que este face ao âmbito material da sua pronúncia não gerou. na certeza de que as deliberações em apreço (de 01.2006 [cfr. uma qualquer recusa disfarçada de executar. pretendeu vir a dar-lhe cumprimento determinado a reconstituição da situação que existiria se o anterior ato punitivo não tivesse sido praticado. na esfera jurídica do A. expressamente a possibilidade de prática dum novo ato desde que no estrito respeito pelos limites ditados pela autoridade do caso julgado que se haja formado. não deriva minimamente qualquer infração pela deliberação disciplinar punitiva do caso julgado que se havia formado. XIII. enquanto ilegalidade assacada ao ato impugnado.02.2006 não lhe haver sido notificada. XII. não se vislumbra ocorrer qualquer obstáculo à prática de novo ato desde que o mesmo não enfermasse de idêntico erro. nem mesmo a emissão de uma nova definição jurídica da situação que desrespeite aquilo que era .01. bem como facto da decisão da CGD de 01. respetivamente manda repetir de imediato os trâmites do procedimento disciplinar prejudicados com a anulação da decisão punitiva (a de 01. XV. na sequência da anulação contenciosa.01. Ora no caso vertente tendo o ato que aplicou a pena de disciplinar de despedimento ao A. a prática de novo ato administrativo no âmbito do procedimento disciplinar mas no mesmo admite-se.2007). tanto mais que a respetiva pronúncia se mostra observada naquilo que ali.02. 173. foi julgado como procedente e que não impedia o retomar do procedimento nos termos em que foi desenvolvido e decisão agora com conteúdo e fundamentação normativa diversos. sido invalidado com fundamento em erro nos pressupostos de direito [quadro legal aplicável a que estava sujeito o funcionário e o procedimento disciplinar de que o mesmo foi alvo]. o direito à reintegração plena no seu posto de trabalho com arquivamento do procedimento disciplinar. Note-se que o n. nem poderia gerar.XI.02. A R.

nesse âmbito considerando que o processo disciplinar passou a ser processado nos termos consagrados no referido Regulamento Disciplinar dos Funcionários Civis de 1913 em consonância com aquilo que havia sido o entendimento fixado no julgado exequendo quanto ao quadro normativo pelo qual se deveria reger o exercício da ação disciplinar. como se conclui e entendeu com pleno acerto na decisão judicial impugnada. O mesmo pressupõe a existência do direito (direito subjetivo ou mero poder legal). improcedendo o mesmo. quando se “… decidiu dever o A. 334.julgado anulatório exequendo.3. constituindo o seu carácter típico no facto do seu titular na utilização que faz de tal poder contido na estrutura do direito realiza a prossecução de um interesse que exorbita o fim próprio do direito ou do contexto em que ele deve ser exercido (cfr. IV. pelos bons costumes ou pelo fim social ou económico desse direito . Face ao acabado de expender não assiste razão ao recorrente quanto ao fundamento de recurso em análise. com o propósito ou. já que não é necessária a consciência de se excederem. Pires de Lima e Antunes Varela in: "Código Civil Anotado". I. 4. O nosso ordenamento adotou uma conceção objetiva de abuso do direito.º do CC que é “… ilegítimo o exercício de um direito. vol. Apreciemos.3. XVI.. ficar desligado do serviço até ao termo do procedimento disciplinar …” no âmbito da deliberação de 01. dado bastar que se excedam esses limites. pág.. como referimos.2. pelos bons costumes ou pelo fim social ou económico do direito. quando o titular exceda manifestamente os limites impostos pela boa fé. «» 3. o caso julgado firmado com a decisão judicial exequenda não obsta à reabertura do procedimento e emissão de novas pronúncias administrativas no seu quadro enquanto emanação dos poderes que assistem à R. a intenção com que o titular tenha agido.2006 porquanto. Tal não significa que ao conceito de abuso do direito sejam alheios fatores subjetivos. II. no quadro do erro de julgamento em epígrafe que a deliberação disciplinar. 300. o alcance de afastar a reconstituição da situação que deveria existir se aquele ato não tivesse sido praticado. os limites impostos pela boa fé. Também não se constata ocorrer tal violação. pelo menos. Nas palavras de Vaz Serra constitui o . para o que importa tecer breves considerandos de enquadramento. Decorre do art. nota 7). com o seu exercício. como por exemplo.02.ª edição revista e atualizada. I. padece de abuso de direito já que o processo disciplinar e a decisão no mesmo proferida foram-no como represália pela instauração da ação executiva pelo recorrente.”. III. ao invés do entendido pelo acórdão impugnado.2. DO ABUSO DE DIREITO Argumenta o A.

Note-se que a alegação do A. Daí que existirá abuso de direito quando. pág. Segundo Batista Machado esta última figura é considerada como uma modalidade especial da proibição do “venire contra factum proprium”. à injustiça de proporções intoleráveis para o sentimento jurídico inoperante em que redundaria o exercício de um direito. É que o exercício por parte da R. O instituto mais claro deste abuso é a chamada conduta contraditória (“venire contra factum proprium”) em combinação com o princípio da tutela da confiança. Nessa medida. das suas competências e poderes em matéria disciplinar após trânsito em julgado da decisão judicial anulatória exequenda não se mostra ilegítimo ou abusivo já que tal poder não cessou ou se extinguiu. V. e que movida por esta confiança. não sendo legítimo naquele e daquele quadro um qualquer “convencimento” do A. para sustentação desta ilegalidade esbarra inequivocamente com o quadro fáctico apurado nos autos. duma válvula de segurança. VII. ainda que ajustados ao conteúdo formal do direito. essa contraparte orientou em conformidade a sua vida. Revertendo ao caso vertente e analisada situação em presença temos que não assiste a mínima razão ao ora recorrente na impugnação que faz quanto àquele segmento decisório da decisão judicial em crise. a contraparte chegue à convicção justificada de que o direito já não será exercido. IX. mas existem duas figuras próximas: a renúncia e a "neutralização do direito". Nada resulta dos factos provados no sentido de que a R. 253). sendo que para que esta “neutralização” se verifique é necessária a combinação das seguintes circunstâncias: que o titular de um direito deixe passar longo tempo sem o exercer. para obviar ou obtemperar à injustiça gravemente chocante e reprovável para o sentimento jurídico prevalente na comunidade social. de que não iria prosseguir ou ser retomado o procedimento. . tomou medidas e adotou programas de ação na base daquela confiança.º 85. pelo que o exercício tardio e inesperado do direito em causa lhe acarretaria agora uma desvantagem maior do que o seu exercício atempado. que com base neste decurso de tempo e com base ainda numa particular conduta do dito titular ou noutras circunstâncias. XI.mesmo uma “clamorosa ofensa do sentimento jurídico socialmente dominante" (in: BMJ n. X. VIII. embora exista quem acentue mais ou menos a sua posição autónoma no quadro do abuso do direito. trata-se duma cláusula geral. admitido em tese geral o mesmo como válido. VI. todavia em concreto surge exercitado em termos clamorosamente ofensivos da justiça. XII.

º do CPA porquanto como com total acerto se sustentou na decisão judicial impugnada. face ao teor das referidas decisões judiciais .que anularam o ato com fundamento na circunstância de a referida deliberação ter sido tomada tendo por base um procedimento disciplinar que não seguiu a tramitação referida no Regulamento Disciplinar dos Funcionários Civis de 1913 . substituída ou revogada “… dentro do prazo do respetivo recurso contencioso ou até resposta que deu nesse recurso …” (arts. referir que não se descortina qualquer razão na pretensa infração ou erro de julgamento quanto ao entendimento e subsunção do quadro normativo que se extrai dos arts. aplicou pena . 142. na sequência da anulação do referido ato e alicerçada em processo disciplinar tramitado de acordo com o referido Regulamento. 141. errando a decisão judicial recorrida que assim não entendeu. sendo que a deliberação punitiva apenas poderia ter sido alterada.º CRP) e VIOLAÇÃO ARTS. Reiterando-se aqui o pressuposto do vertido no considerando VIII) do ponto 3.º. 13. aqui recorrente.2.3.3.º do ED/84 e. DA CADUCIDADE PROCEDIMENTO DISCIPLINAR/DA PRESCRIÇÃO DA INFRAÇÃO DISCIPLINAR (ARTS. Não procede.º. que a decisão judicial recorrida incorreu em erro de julgamento porquanto o procedimento disciplinar de que o mesmo foi alvo se mostra caduco e a infração disciplinar prescrita já que. 329.4. 139.º. Passemos a analisar da bondade deste fundamento impugnatório..º.º. mas tão só.º CPA Defende o A.º e 147. 352.º e 147. 139. neste âmbito e em suma.2. desde já. por um lado. Além disso.deliberação que. por outro lado. a nova deliberação punitiva infringe o art. no sentido de. 13.º e 353. a admitir-se como se tal fosse possível. na certeza de que não se vislumbra na sua atuação um qualquer excesso dos limites impostos pela boa fé e pelos bons costumes.º e 147.º da CRP). por conseguinte. na ausência/omissão dos termos do Regime Disciplinar de normativos em matéria de fixação de prazos de caducidade e de prescrição tal lacuna deverá ser preenchida com apelo às normas do CT em epígrafe sob pena de violação do princípio da igualdade (art. renunciar ao exercício dos seus poderes disciplinares. 141.º ED/84. «» 3. substituição ou revogação da deliberação proferida em 01 de agosto de 2001 que aplicou a este a pena disciplinar de demissão. este fundamento de recurso assacado à decisão judicial recorrida por pretenso erro de julgamento.º CT. 142.º do CPA) a sua emissão mostra-se ilegal por desconforme com este quadro normativo.. I.º. 142. não está “… em causa a alteração. 139.tivesse efetuado ou manifestado qualquer declaração de vontade. 04. que aqui se acompanha sem necessidade de outros desenvolvimentos.2. 04. nem uma qualquer represália ou “revanche” decorrente da instauração da ação executiva por parte do A.1) desta decisão importa. expressa ou tácita. 141.

quer a título principal quer a título subsidiário. (…) Sendo assim. acrescentar-se que a tese sustentada pela Recorrente . Para além disso a situação fáctica apurada nos autos e que se mostra documentada nos mesmos conjugada com o regime legal decorrente do RDFC/1913 ou. à invalidação da anterior deliberação disciplinar punitiva que lhe foi imposta. desde logo. termos em que o mesmo não poderá fazer apelo./recorrente. estava afastado o recurso ao regime subsidiário previsto no ED/84. preceitos esses que regulam realidade distinta daquela que motivou a deliberação em apreço …”. em caso de aplicação subsidiária com o do ED/84. II. na certeza de que este juízo não envolve qualquer infração ao art. o seguinte “… Sabemos já que Aresto considerou que. …. a tal a regime privatístico por ao caso eventualmente “lhe fazer mais jeito”. o qual não fixava nenhum prazo para a autoridade competente instaurar o procedimento disciplinar. 13. n. pelas razões expostas. aliás. IV. apesar do RDFC de 1913 ser o regime aplicável à Recorrente. III. aponta clara e inequivocamente no sentido da insubsistência da tese defendida pelo A. e sendo que a invocação deste vício tinha como fundamento a violação do ED de 1984 e que este diploma não se aplica improcede a alegação da alegada prescrição. se deveria lançar mão do regime previsto do ED de 1984 visto a sua aplicação se traduzir na solução que lhe era mais favorável entendimento que. (…) A resolução desta questão far-se-á.de demissão ao A. inclusive» e ordenou a «repetição dos correspondentes atos.dgsi. Por outro lado.12. todavia. Explicitando nosso juízo temos que a seguir-se a jurisprudência sufragada no acórdão do STA de 02. na ausência de normativo do RDFC/1913 que definisse um prazo para a instauração de procedimento disciplinar. parece-nos de afastar a aplicação dos normativos do Código Trabalho invocados para efeitos de integração da lacuna porquanto como concluímos o A. se mostra como improcedente a argumentação relativa à alegada caducidade e prescrição da ação disciplinar porquanto. com apelo ao regime constante do Decreto de 1913. pois. estava.pt/jsta»).. V. certo era que. se assim se entenda. não se subscreve. à data dos factos em apreciação. não violando o ato impugnado os preceitos invocados ….º da CRP visto não estarmos em face de estatutos ou vínculos jurídicos idênticos e que tenham merecido tratamento violador do princípio da igualdade.º 0310/09 in: «www.que partia do pressuposto que a deliberação do Conselho de Administração da C….2009 (Proc. aprovado pelo . Extrai-se da fundamentação do citado aresto. sujeito a regime legal em matéria disciplinar de direito público. (…) Deve. em matéria de prescrição. no segmento que aqui releva. que anulou toda a tramitação do processo disciplinar instaurado em … «a partir da Nota de Culpa. constatação e conclusão essa que conduziu. agora em conformidade com o disposto no Estatuto Disciplinar dos Funcionários Civis.

Proc. qualquer que seja o regime jurídico a que se recorra. sob a epígrafe de “prescrição do procedimento disciplinar”. 2062 e segs.º do ED/84. isto é. DR de que é de admitir. . 50. não for instaurado o competente procedimento disciplinar no prazo de 3 meses …“ (n.º daquele Estatuto deriva que logo que seja recebida a participação ou queixa “… deve a entidade competente para …” instaurar procedimento disciplinar decidir se há lugar ou não a procedimento disciplinar …” (n. n. n. sendo que se entender que não “… mandará arquivar a .1986.º do ED no âmbito do regime disciplinar relativo aos magistrados do MºPº . Mas ainda que se entenda. ainda que neles não tenha sido delegada a competência de punir e do art.º.º do ED/84 àqueles trabalhadores da CGD [cfr.02. E. neste sentido.Proc. de 01.cuja legalidade foi posta em causa em virtude de terem sido tramitados à luz de legislação inaplicável .º 2).1982 . VII.º 1 do ED que “… são competentes para instaurar ou mandar instaurar processo disciplinar contra os respetivos subordinados todos os superiores hierárquicos.cfr.º 5). n. a aplicação a título subsidiário do regime vertido no art. Estipula o art.º 3). págs.pt/jsta»].2010 Proc. o Ac.º 01599/07.dgsi. tendo a deliberação … por único propósito a repetição de um determinado número de atos . a prescrição conta-se desde o dia em que tiver sido praticado o último acto …” (n. de 27. que se “… antes do decurso do prazo referido no n. de 28.º 4) e que suspendem “… nomeadamente o prazo prescricional a instauração do processo de sindicância aos serviços e do mero processo de averiguações e ainda a instauração dos processos de inquérito e disciplinar. entre outros.º 015874 in: Ap. 04. por isso.07. temos que também no caso improcede a argumentação propugnada pelo A.º 1). págs. que prescreverá “… igualmente se. TCAN de 23..2010 (Proc. 04.10. 2686 e segs. (…) Sendo assim.04. resulta do art. agora de harmonia com o que se disciplinava no RDFC de 1913 deixando incólume todo o processado anterior.1986. 39. designadamente a deliberação … que mandara instaurar o processo disciplinar e a posterior nomeação do Instrutor. na ausência de preceito legal nesta matéria no RDFC/1913. n..é evidente que mesma não afetou a validade da deliberação que mandara instaurar o processo./recorrente.09.dgsi..01.1983 16. Ac. que se “… o facto qualificado de infração disciplinar for também considerado infração penal e os prazos de prescrição do procedimento criminal forem superiores a 3 anos. conhecida a falta pelo dirigente máximo do serviço.º 0551/09) in: «www. como se nos afigura mais curial e estribando-nos em jurisprudência igualmente daquele Supremo [cfr. coligindo o quadro normativo pertinente a atender. aplicar-se-ão ao procedimento disciplinar os prazos estabelecidos na lei penal …” (n. a referida deliberação limitouse a anular os termos do processo posteriores à nota de culpa e a ordenar a repetição dos atos anteriormente praticados. n.º 1).6BEPRT in: «www. Acs. que o “… direito de instaurar procedimento disciplinar prescreve passados 3 anos sobre a data em que a falta houver sido cometida …“ (n.º 16343 in: Ap. DR de 04. mas nos quais venham a apurar-se faltas de que seja responsável …” (n. 04. recentemente aquele Supremo admitiu a aplicação subsidiária do art. como o Acórdão recorrido deixou bem claro.pt/jtcn».º 1 alguns atos instrutórios com efetiva incidência na marcha do processo tiverem lugar a respeito da infração.é totalmente improcedente já que. a conclusão é sempre a mesma: não ocorreu a invocada prescrição do procedimento disciplinar …”. VI.Decreto de 22 de fevereiro de 1913» . mesmo que não tenham sido dirigidos contra o funcionário ou agente a quem a prescrição aproveite. Com efeito.].

2007 . de 13. por seu turno. para todos os efeitos.2006 (Pleno) .inédito. 04..02.º 0205/06. de 14.º 2 do art.diploma que.Proc.Proc.º 01599/07.05. importa normalizar as relações da vida social e de serviço que foram perturbadas pelos factos que justificaram a instauração do procedimento disciplinar.12 (que contém o Regulamento da C… e que veio complementar/executar. c) do Estatuto da C… (publicado em anexo ao DL n. os Acs. e de 23. de 23.º do DL n. Sufragando nós este entendimento temos que. de 09.6BEPRT in: «www.º 3). n. na situação .2009 .0BEBRG . e que se mostrava previsto nos arts.Proc. as razões que conduziram à aplicação da punição ou ao cumprimento de uma pena e que.Proc. de 07. entretanto revogado. de modo a poder efetuar uma ponderação criteriosa. 99.º 106/07.2010 . no art. estabelecendo as respetivas condições contratuais. e por razões de segurança e de paz jurídica. Sendo aquele antecedente quadro legal o que importa considerar temos que constitui entendimento jurisprudencial uniforme o de que o conhecimento pelo dirigente máximo do serviço referido no n.2007 . n.º. de 22.04. objeto de alteração pelo DL n. de 01. sendo que esta competência em matéria ação disciplinar conferida ao CA da C… já remontava e decorria no anterior quadro legal. de 03. com vista a evitar que a perspetiva da punição de uma eventual falta fosse mantida como uma ameaça suspensa indefinidamente sobre o trabalhador. XI.11).06.º 021/03.Proc. n.º 8 e 108.(n. ao participação …” conselho de administração: … c) Contratar os trabalhadores da sociedade. do TCA Norte de 08.2006 (Pleno) .01. três anos contados da prática da infração e três meses a partir do momento em que o dirigente máximo do serviço toma conhecimento da falta).º 287/93 .º 2) e se entender que sim “… instaurará ou determinará que se instaure o processo disciplinar …” (n.º 0135/06.Proc. n.Proc. n.09.2009 .º 694/70.º 461/77.pt/jsta».2007 (Pleno) .º 48953 (objeto de nova redação nomeadamente pelo DL n.º 01058/06. e para se determinar.11. 18.dgsi.º 0180/09 todos in: «www.º 02054/02. do STA de 23. A “ratio” do instituto da prescrição funda-se no pressuposto de que com o decurso do tempo se apagam. n.º 01012/08. de 31.pt/jtcn»]. n. por ser assim. VIII. Acs.º 00354/04. de 19. se retirou à autoridade administrativa não só o poder de acionar o seu direito sancionador “ad eternum” como também o poder de aplicar a pena correspondente à infração a todo o tempo.03. Prevê-se. de forma consciente. quanto a usar ou não do poder sancionador [cfr. nessa medida. 36. manteve intocada tal alínea) que compete “… em especial.º 48953). IX. nomeadamente. aquele DL n. Daí que na transcrita norma se tenham estabelecido prazos limite para a prescrição daquele procedimento (por regra.º ambos do Decreto n.dgsi. entre outros.2007 .06. XII. al.05.º.Proc. n. X.º do ED/84 se tem de reportar a todos os elementos caraterizadores da situação.º 0957/02.2007 . e exercer em relação aos mesmos o correspondente poder diretivo e disciplinar …”. é que.09.Proc.Proc. E. n. n. n.

2006 [data de dedução da acusação na sequência da deliberação do CA da CGD de 01. presente o relatório do inquérito realizado.02.2001.2001 tiveram lugar diligências de averiguação que se desenvolveram sucessivamente ao longo do tempo.2001 e remetido ao CPDA da C… este.º. com inquirições várias.2001 [cfr.2006 [data da deliberação do CA da C… que deu execução ao acórdão anulatório da anterior deliberação disciplinar punitiva de 01.01. determinou a abertura do procedimento disciplinar contra o A. XIII. Dos autos de processo disciplinar não se descortinam minimamente existirem elementos que permitam concluir que o órgão/dirigente máximo do serviço tivesse. antes de 12. 04./recorrente. determinou a instauração de procedimento disciplinar.º 54/01 e em 23. XIV.. vindo a ser nomeado instrutor por despacho de 16. no qual o inspetor nomeado conclui propondo a instauração de procedimento disciplinar ao A. logo na reunião de 13. tomando conhecimento dos factos que lhe foram presentes. Tal relatório foi objeto de decisão concordante ao nível da Direção.03. E nem o mesmo se pode concluir que tal órgão/dirigente haja deixado decorrer tal prazo a quando do reexercício da ação/poder disciplinar na sequência do trânsito em julgado da decisão invalidatória da anterior deliberação punitiva proferida porquanto notificada que a mesma foi à R. da eventual responsabilidade disciplinar do A. n. 01 a 62 do Processo Instrutor apenso].2001 da mesma foi notificado o A.2001] ou a data de 04.2001 logo em 15.02. fls.2005 [cfr. aqui recorrente. qualquer violação do art.2001. E elaborada nota de culpa em 06. desde logo.02.02.º do ED/84..01.01.2001 [cfr. Ora vista esta realidade factual não deriva da mesma que possa considerar-se haver decorrido o prazo definido no n. n. datado de 30.01.] e nunca a data de 01.02.2006] como parece sustentar o A.02. por carta datada de 02. não ocorre.2006 a determinar a .º 41/01. por carta registada com A/R recebida em 08. fls.º 2 daquele ED porquanto sendo dada notícia dos factos na agência … em comunicação datada de 10. estado já na posse dos elementos que lhe permitissem aferir.08.2001 foi aberto processo de inquérito n.vertente. pelos factos que fundamentaram o ato punitivo. 63 a 77 do Processo Instrutor apenso].2001. logo tomou deliberação na sua reunião de 01.º 2 do art. em execução daquela decisão. na certeza de que a data relevante para a aferição do operar ou não da previsão deste preceito é a data de 13. XV.02.2001 [data da deliberação do CPDA da C… que.02.08. 04. desde logo. na pessoa do seu ilustre mandatário.ºs VI) e VII) dos factos provados] o CA da C…. diligências essas que culminaram com relatório n. datado de 12.11. pesquisa e busca de documentação dos serviços da C… para recolha de elementos.03.

º VIII) dos mesmos factos]. 152/153 do processo instrutor apenso). mormente em termos de interrupção e suspensão dos prazos. tem-se como . pelo que «… ainda que anulado parcialmente um procedimento disciplinar. Não pode aceitar-se à luz do quadro normativo vigente como válida a argumentação/tese do A. fls.º do CPTA. 173.11. pelo art. DR de 12.08. n.». Como expressamente deriva dos termos/considerandos da deliberação do CA da C… de 01. ou pelo menos assim parece sustentar.2000 . agora.º 1 do art..02./recorrente quando defende.08.02. o ato nela firmado visou dar cumprimento ao dever de executar. inexiste qualquer impedimento ou obstáculo que impeça à prática de novo ato desde que este não enferme de idêntico erro. de que tudo o que ocorreu no procedimento disciplinar que culminou na deliberação disciplinar punitiva de 01. XX.). tendo o primitivo ato que aplicou a pena de disciplinar ao A. tratando-se efetivamente de um «novo acto» como expressamente se refere na 1.2001 não acarreta necessária e logicamente uma invalidação de todo o seu processo até à sua génese. Contudo. XIX. 173. com base no RDFC/1913 [cfr. estando-se. Ac. XVIII.Proc. em caso algo similar. XVII. face ao um novo processo disciplinar.02.. em cujo sumário consta que a «… execução de um acórdão anulatório de um ato punitivo final há-de atingir o momento procedimental em que se localiza a lesão efetiva do recorrente com aproveitamento de todos os anteriores elementos procedimentais regularmente adquiridos . mormente da deliberação datada de 13. págs. no caso em apreço há que entender que a invalidação operada pelo julgado anulatório da deliberação prolatada em 01.2006 (cfr.2003.2001.reinstrução e o prosseguimento do procedimento disciplinar movido ao A.2001.2001 [declarada inválida por decisão judicial transitada] ficou sem efeito ou que desapareceu por completo da ordem jurídica. mas apenas e quanto muito de todos os formalismos e procedimentos que após a mesma foram desenvolvidos ao arrepio daquele que deveria ter sido o quadro legal empregue [RDFC/1913] [cfr.º 44984 (in: Ap. sido invalidado com fundamento em erro nos pressupostos de direito. Referimos já supra que no caso vertente. XVI. n. o mesmo para efeitos de prescrição.. Tem-se ainda como improcedente a argumentação do A. 8354 e segs. que era imposto à R.ª parte do n. STA de 21.º do CPTA. que o procedimento disciplinar que o sancionou com a pena disciplinar de demissão teve seu início apenas em agosto de 2006 negando qualquer valor e utilidade a tudo quanto até ali ocorreu em sede do procedimento que foi alvo. do julgado anulatório oportunamente transitado proferido nos autos de recurso contencioso de anulação no qual foi sindicada e declarada nula a deliberação disciplinar punitiva de 01.08.

n.º 1 e 321. como aludimos supra.2010 (Proc. visando libertá-lo dos vícios de que estava inquinado …”. enquadra-se no n. (…) A «reinstrução» do procedimento disciplinar visou precisamente dar execução ao acórdão anulatório do STA de 13. XXII. XXV. que culminou com a aplicação de uma determinada pena disciplinar ao A. Cientes deste pressuposto temos como inviável ou insubsistente a argumentação desenvolvida pelo A.pt/jsta»). Frise-se que o prazo de prescrição do alegado ilícito disciplinar imputado ao A. XXIII.º 1 do art.o processo disciplinar que culminou com a pena aplicada pelo ato anulado pelo acórdão de 13.6.º do ED/84 [ou seja 03 anos].º do ED) . por resultado a eliminação pura e simples da sanção imposta. a prescrição não corre enquanto o titular do direito estiver impossibilitado de exercê-lo. dando assim continuidade ao procedimento disciplinar que já havia sido instaurado. 306.. sendo que na sua contagem importava e importa ter presentes os factos geradores de suspensão ou interrupção. Aliás. não teve. também aplicável no âmbito do processo disciplinar. tal como foi sustentado no acórdão do STA de 12.»].º do CC. isto é. a renovação do ato sancionador..º.08. estribada em princípio geral de direito com consagração nos arts. 04. n. do STA. 4..dgsi..instaurado no momento em que o mesmo se iniciou (art. revelando-se a mesma também improcedente por não colher cabimento na factualidade apurada nos autos e no quadro normativo decorrente do art. pelo que a prescrição do procedimento disciplinar não corre entre a data do ato que o decidiu e a da decisão que julgou com trânsito o meio contencioso que apreciou a sua . nem tem.08 e o processo disciplinar que culminou com a pena aplicada pelo ato impugnado nos presentes autos .05. “… ao contrário do entendido pelo A. 04. através da sanação das irregularidades procedimentais que o acórdão lhe apontara e que determinaram a anulação do anterior ato punitivo.º 0116/09 in: «www. XXI.2006.02. que com ele diretamente conflitua. em caso com contornos algo idênticos. antes permitindo a sua substituição por outra no quadro do mesmo procedimento disciplinar uma vez desenvolvidos e observados os formalismos e procedimentos que se mostrem legalmente impostos pelo quadro normativo a atender em face do que foi decidido com trânsito em julgado nos autos de recurso contencioso de anulação em referência. pena essa que posteriormente viria a ser anulada por ac. XXIV.º do ED/84. não estamos perante dois processos disciplinares distintos e independentes .02.mas perante um único processo disciplinar instaurado em 27. É que como vem sendo entendido de forma uniforme pela jurisprudência. Na situação em presença o fundamento de ilegalidade no qual se estribou a invalidade da primitiva deliberação disciplinar não impede.

entre outros. n.º 042203.2010 .º 0857/08. interrupções essas que implicaram o reinício.2005 . suspensão essa que se manteve até ao trânsito em julgado da decisão proferida naquele processo judicial [ou seja.º 0774/07.º 01599/07. num segundo momento.º 4 do ED/84.01. nos termos do art. 160. primeiramente.º.01. n.Proc.º.º 1 do CC). Acs.pt/jsta».º 2 do Código Penal e 326.12.12. arts.2008 . Só com o respetivo trânsito em julgado é que se reabre a possibilidade da Administração.º.Proc. diferentemente da suspensão.2010 . começando a correr novo prazo a partir do ato interruptivo (cfr. de harmonia com os poderes conferidos pelo art. 202.09.Proc.º 01127/04. no caso à aqui R. 4.2001 até pelo menos 14. n.04. em: A) Negar total provimento ao recurso jurisdicional deduzido .11. XXVII.º. prazo esse que. acordam em conferência os juízes da Secção de Contencioso Administrativo deste Tribunal.º 1. STA de 14. para reabrir o procedimento disciplinar tal como deriva do preceituado no art. TCAN de 23.dgsi.2009 .º 1 do ED/84). n. recolha de variados elementos documentais [suporte papel]. n. termos em que quando foi proferida a decisão disciplinar punitiva objeto de impugnação [17. 126.º. XXVIII. com a realização em sede de processo de inquérito [oportunamente convertido em processo disciplinar] de várias diligências instrutórias com efetiva incidência na marcha do processo. 04.pt/jtcn»]. do CPTA. DECISÃO Nestes termos. n.2007] não havia decorrido ou não se esgotou minimamente o aludido prazo prescricional supra enunciado como aplicável ao caso vertente (art. 04. designadamente inquirições de testemunhas e interrogatório ao arguido.º da Constituição da República Portuguesa. Daí que vista a factualidade apurada nos autos e considerando a data da alegada prática do ato ilícito (dia não apurado da última semana do mês dezembro 2000) temos que o prazo de prescrição começou a correr. n. E.dgsi.legalidade/validade [recurso contencioso de anulação (antes) e ação administrativa especial (atualmente)] [cfr. de 16. de 27.2005 (Pleno) .05.6BEPRT in: «www.2005]. XXVI. após cada um desses atos.Proc. n.10. Na verdade. de 02. Nessa medida e sem necessidade de outros desenvolvimentos temos que improcede também este fundamento de recurso.º 0551/09 in: «www. se interrompeu sucessivamente. de 14. n. aquele prazo prescricional veio entretanto a ficar suspenso na sua contagem durante o período em que a primitiva deliberação disciplinar punitiva foi objeto da competente impugnação contenciosa (à data o recurso contencioso de anulação).Proc. a interrupção do prazo inutiliza para a prescrição todo o tempo decorrido anteriormente. Ac.Proc. n. entre 12. n. daquele prazo prescricional.

mantendo-se no mais todo o demais julgado. punível com pena de demissão. no pagamento ao A. 20 de janeiro de 2012 Ass.º do CPC e 189. sem justificação. n..º e 140. n. mantendo no segmento sindicado a decisão judicial recorrida. Porto. Notifique-se. B) Conceder parcial provimento ao recurso jurisdicional deduzido pelo A. sendo que na mesma a taxa de justiça é reduzida a metade nos termos legais [arts.º do CPC e 189. 446. não constitui a infracção prevista no artigo 26. 73. Custas nesta instância a cargo da R. em consequência com a fundamentação antecedente.º-A. 73. Antero Pires Salvador Ass. na proporção respetivamente de ¾ e ¼.ª instância a cargo da R. Carlos Luís Medeiros Carvalho Ass. 73. Rogério Martins Acórdãos TCAS Processo: Secção: Data do Acordão: Relator: Descritores: Acórdão do Tribunal Central Administrativo Sul 03834/99 Contencioso Administrativo -1º juízo liquidatário 01-07-2004 Fonseca da Paz PROCESSO DISCIPLINAR FALTAS AO SERVIÇO DEMISSÃO INVIABILIZAÇÃO DA RELAÇÃO FUNCIONAL 1 . 138.º do CPTA). tendo sido revisto e rubricado pelo relator (cfr.º do CPTA].º do CPTA]. e do A.º.º. 73.º 3) do CCJ. sem a prova de factos e respectiva alegação na nota de culpa de que esses factos tornem inviável a relação funcional.º 1. al.º 5 do CPC “ex vi” arts. por violação daquela norma. 18.É portanto de anular.º 2 todos do CCJ. D. n.º 1. Restituam-se. n. no pagamento dos juros de mora.º do ED.. C) Condenar a R.º 1. e.º-D. 2 .A falta ao serviço por cinco dias seguidos ou dez interpolados. Custas em 1. n. n. revoga-se a decisão judicial impugnada no segmento em que julgou improcedente o pedido de condenação da R.pela R. fixando-se a taxa de justiça em 06 (SEIS) UC’s [arts. 01.N. dos juros de mora à taxa legal calculados sobre cada uma das prestações retributivas referidas. um acto que aplicou ao arguido a pena Sumário: .º-A. os suportes informáticos que hajam sido gentilmente disponibilizados.. 446. oportunamente. art.º-E. a). Processado com recurso a meios informáticos.

º JUÍZO.. sempre se dirá que o conjunto da prova produzida não permite afirmar. M Mas. padece de vício de violação de lei. N Com efeito. G Por via disso. 26º. haverá que ter em conta que a aplicação de qualquer pena expulsiva. .de demissão ligando automaticamente essa consequência jurídica à verificação do aludido facto sem previamente ponderar se as circunstâncias concretas do. do art. o referido ofício só chegou ao DGA em 31 de Julho de 1998. art. L Princípio esse que foi ofendido pelo acto recorrido que.. com efeito. A entidade recorrida respondeu. J Em caso de dúvida insanável sobre elementos essenciais do ilícito disciplinar. nº 1.. do E. indiciavam a inviabilização da manutenção da relação funcional. SECÇÃO. do E. do Ministro dos Negócios Estrangeiros. interpôs recurso contencioso de anulação do despacho. há-de ter sempre por fundamento primeiro a inviabilidade de manutenção da relação funcional.). sem mais. 1ª. com a necessária segurança. do art. atento o normal e regular funcionamento dos serviços. assim. E Este prazo inicia-se na data do conhecimento da infracção pelo dirigente máximo do serviço ou na data em que aquele conhecimento poderia e deveria ter ocorrido. para além do prazo de 3 meses fixado no nº 2. pela sua gravidade.D. Ana . não basta que a conduta protagonizada pelo arguido seja subsumível a qualquer das alíneas constantes dos nºs 2 e 4 daquele preceito para. enferma de vício de violação de lei. F O despacho recorrido é. NO 1. se também assim não se entender. do RSTA. que a recorrente. gerador da sua ilegalidade.D. 3º. que lhe aplicou a pena disciplinar de demissão. se encontrava em condições de gerir autonomamente a sua vida e capacitada para entender. em Algés. ser de aplicar a pena de demissão. H Para o caso de assim não se entender. Cumprido o preceituado no art. a recorrente apresentou alegações. do E. concluindo que o recurso não merecia provimento. querer e determinar-se de acordo com essa avaliação. B Por razões que só aquele Ministério poderá explicar. o acto terminal de um procedimento que se encontrava prescrito... onde enunciou as seguintes conclusões: “A A falta disciplinar subjacente ao acto punitivo recorrido foi comunicada ao MNE por ofício datado de 7 de Julho de 1998.. a culpabilidade da recorrente...D. EM CONFERÊNCIA.. residente na Calçada . Aditamento: 1 Decisão Texto Integral: ACORDAM. à data da prática dos factos. de 8/10/99. DO TRIBUNAL CENTRAL ADMINISTRATIVO SUL 1. 67º. de harmonia com o preceituado no nº 1. determinante da sua ilegalidade. requisito imprescindível à sua punição (cfr... assim. 4º. a solução jurídica a adoptar não pode deixar de decorrer do princípio geral “in dubio pro reo”. D Ou seja. C A autoridade recorrida só determinou a instauração do competente procedimento disciplinar em 12 de Outubro de 1998. I Não se demonstrou.

Disc. 2.. do E. cinco atestados médicos assinados pelo Dr. 4. atestando a impossibilidade de comparência ao serviço pelo período de 30 dias respectivamente. 4 de Agosto. c) O Ministro dos Negócios Estrangeiros.P. do nº 2. x 2. data em que terminou o período legal de férias relativo ao ano civil de 1997 e 5/11/97. foi levantado. a instrutora do processo disciplinar deduziu. onde se concluía que deveria ser instaurado à recorrente procedimento disciplinar por faltas injustificadas. foi o processo submetido à Conferência para julgamento. os seguintes “Artigos de Acusação”: 1. e 72º. R O acto recorrido.. 3 de Novembro de 1998 e 4 de Fevereiro de 1997. Colhidos os vistos legais. 71º. contra a recorrente. 8 de Setembro. do Est. por despacho de 12/10/98. 5 de Maio. Q Porém. 10 de Setembro e 10 de Outubro de 1997. A entidade recorrida contra-alegou. ao não atender ao pressuposto nuclear da aplicação da pena de demissão. datados de 11 de Junho.1. 6 de Outubro. 7 de Abril.O É necessário invocar.. ao invocar-se a impossibilidade. Simão Roque de Oliveira. segundo o estatuído nos arts. de suspender a execução da pena de demissão. nomeou a instrutora do processo disciplinar instaurado contra a recorrente. num mínimo de 3 dias por semana e de 2 períodos de verificação diária de 3 horas cada um . d) Em 19/1/99. onde concluíu que se devia conceder provimento ao recurso. exprimiu concordância com uma informação de serviço. 7 de Julho. 9 de Março. Consideramos provados os seguintes factos: a) Em 27/3/98. incorre em vício de violação de lei. está a reconhecer-se. 11 de Agosto. em concreto. limitando-se a enquadrar a conduta da recorrente na previsão constante da al. 2 de Junho. e demonstrar. inviabilizadores da manutenção da relação de emprego. por despacho datado de 6/4/98. 11 de Julho. b) O Secretário-Geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros. pelo que o recurso não merecia provimento.D. 5 de Dezembro de 1997. muito menos. contra a recorrente. um auto por falta de assiduidade. que os factos praticados pelo arguido são. datados respectivamente de 5 de Novembro. determinante da sua ilegalidade”. Não se apresentou ao serviço entre os dias 9 de Junho. emitiu parecer. que não havia motivos conducentes à inviabilidade de manutenção da relação funcional. P A autoridade recorrida não invocou nem. datada de 30/3/98. implicitamente. meramente legal. do art. h). como justificação destas faltas. 3. 26º. A partir de 5/11/97. Apresentou. apresentou atestados médicos assinados pelo Dr. O digno Magistrado do M. demonstrou aquele requisito. mantendo a sua posição de que não se verificava nenhum dos vícios imputados ao acto impugnado. 5 de Janeiro. Henrique de Alves Borges. Nenhum destes atestados médicos veio acompanhado de documento indicando os dias e horas em que pode ser efectuada a verificação domiciliária da doença.

pois o mesmo se destina a justificar a não comparência ao serviço pelo período de 30 dias. 187/95 de 26/7. Pelo que devem as faltas dadas a partir de 4 de Fevereiro de 1998 ser consideradas como faltas injustificadas. de 30/12. com a redacção que lhe foi dada pelo D. adiante designado por DGA. de 3/12/97: ”doente ausente às 17. previstos no art. Em 13/10/97. datado de 4/2/97. de 19 de Março. nº 497/88 de 30/12.L. mas sem mencionar os dias e horas em que poderia ser efectuada nova visita domiciliária de verificação da doença. foi solicitada à arguida apresentação dos meios de prova adequados. no dia 25/11/97 às 17.10 horas do dia 25/11/97”. para justificação da ausência no domicílio no dia 4/2/98. O que consubstancia a infracção disciplinar consistente na violação do dever de assiduidade. nem mesmo assim o referido atestado se poderá considerar como meio de prova adequado para justificar uma ausência no dia da visita domiciliária. tendo os serviços da ADSE informado através do ofício 18725 de 10/2/98. aprovado pelo D.30 horas do dia 4/2/98”. expedido por correio registado com aviso de recepção. Não foi apresentada qualquer justificação da ausência no dia da visita domiciliária.L. nº. sem indicação da data do início da doença e da duração previsível da mesma. nº 24/84 . especialmente prevista no art. 497/88. foi efectuada nova visita domiciliária para verificação da doença. nº 3 do D. O referido atestado médico não pode ser considerado como meio de prova adequado para justificar a ausência do domicílio no dia 4/2/98.compreendidos entre as 9 e as 21 horas. conforme determina o art. 7. pelos serviços da ADSE. 1180 do DGA.L. foi efectuada uma visita domiciliária para verificação da doença. h) do Estatuto Disciplinar dos Funcionários e Agentes da Administração Central. do D.L. com a redacção que lhe foi dada pelo D.L. nº 2 al. isto é. Foi efectuada uma insistência através do ofício nº.10 horas. 9. 8. com a informação transmitida através do ofício nº 132941. mesmo que se pudesse aceitar que se tratou de lapso de escrita do médico. Em 10/3/98 através do ofício nº. pelo que seriam consideradas injustificadas todas as faltas que o mesmo atestado se destinasse a justificar. 13. através do ofício nº 4142 do Departamento Geral de Administração. Além disso. Simão Roque de Oliveira. Por solicitação do DGA. 1323. mencionando que a doente foi aconselhada a não permanecer no seu domicílio. 31º. 6. Como justificação daquela ausência apresentou um atestado médico assinado pelo Dr. justificando a sua ausência no dia 4 de Fevereiro através do atestado médico. atestando que a arguida se encontrava impossibilitada de exercer a sua actividade profissional por motivo de doença psíquica. 26º. dado que o mesmo se encontra datado de 4/2/97. foi notificada da irregularidade dos atestados médicos apresentados até essa data e de que não seria considerado válido o próximo atestado médico apresentado nas mesmas condições. Regional e Local. O referido atestado médico foi acompanhado de uma carta datada de 18/3/98. 10. pelo período de 30 dias. “doente ausente às 15. Em 4/2/98. 31º. 12. 5. 178/95 de 26/7. do Ministério dos Negócios Estrangeiros. 11.

nº 451/85 de 28/10. com a pena de demissão. a recorrente apresentou defesa.) Provada a existência de infracção disciplinar de falta de assiduidade. a deliberação da Junta de 7/7/98 com a menção “Faltou”. infracção prevista no art. através do ofício nº. punida. desde o dia 4/2/98. h) do Estatuto Disciplinar à Secretária de 1ª. aplicável ao pessoal assalariado das missões.L. embaixadas e consulados de Portugal por determinação do art.L. 497/88. não existindo circunstâncias atenuantes e não admitindo a pena prevista pela lei para este tipo de infracção a possibilidade de suspensão. a instrutora do processo disciplinar elaborou o relatório final constante de fls. Em 29/5/98. 19.. c) do art. al. 14. por suspeita de comportamento fraudulento.. 39º. consistente em no mesmo ano civil dar mais de 5 faltas seguidas injustificadas. do D. 2413 do DGA. aplico a pena de demissão prevista no art. 17. No mesmo momento os serviços da ADSE informaram ter procedido à convocação directa da doente.. por ter sido provada a existência de infracção disciplinar de falta de assiduidade. do D. nº 497/88 de 30/12. o Ministro dos Negócios Estrangeiros proferiu o seguinte despacho: “Nos termos e pelos fundamentos descritos no relatório final do processo disciplinar. expedido por correio registado com aviso de recepção. o DGA notificou a arguida. nº. pelas 14 horas. a Junta Médica da ADSE comunicou ao DGA. e onde se concluía o seguinte: “(. Em 7/7/98. g) Em 8/10/99. classe do quadro do pessoal do Consulado Geral de Portugal em Genebra”.de 16/1. Ora. Secretária de 1ª. sob a forma continuada. Ana . a não comparência à Junta Médica para que o funcionário ou agente tenha sido convocado implica que sejam consideradas como injustificadas as faltas dadas desde o termo do período de faltas anteriormente concedido. no Hospital Júlio de Matos. 26º. Em 15/6/98.. Disciplinar e punida nos termos do mesmo Estatuto com a pena de demissão”. esta comunicação veio devolvida com a indicação dos correios “não reclamado”. proponho a aplicação da pena de demissão à arguida. Não foi apresentada qualquer justificação idónea para a falta à Junta Médica para que foi devidamente convocada. f) Em 19/7/99. al. 15.L. nos termos daquela disposição legal. 21º. pelo que se manteve a prática. que se devia apresentar a uma junta médica no dia 7/7/98. 16.. h) do Est. cujo teor aqui se dá por reproduzido. de 30/12. onde concluía pelo arquivamento do processo disciplinar. salvo impedimento justificado. 20. que as faltas dadas vinham já sendo consideradas como injustificadas.. 34º. classe do quadro de pessoal do Consulado-Geral de Portugal em . por no mesmo ano civil ter dado mais de 5 faltas injustificadas. nos termos da al. foi solicitada ao Presidente da Junta Médica da ADSE a submissão a junta médica da arguida. foi comunicado ao DGA pela Junta Médica da ADSE a marcação da referida junta médica para o dia 7/7/98. da infracção disciplinar de falta de assiduidade. Em 24/6/98. 294 a 302 do processo administrativo apenso. 26º. nº 2 do D. e) Notificada da acusação transcrita na alínea anterior. através do ofício nº 91132.. Nos termos do art. através do ofício nº 2742. 18.

. a recorrente. Além disso.. a resposta à aludida questão deve ser negativa. pelo dirigente máximo do serviço. b) e d) do art. aplicou à recorrente a pena disciplinar de demissão. ocorrera naquela data. em virtude de não se ter demonstrado que. à data da prática dos factos. resulta claramente que. no seu entendimento.D. é o despacho transcrito na al. consequentemente. devido ao seu estado psíquico. 32º. ou seja. A) a G) das conclusões da sua alegação. não pode proceder o alegado vício de violação de lei... Entende. por se dever ao seu estado psíquico a não comparência à Junta Médica da ADSE de 7/7/98.. o processo disciplinar. Nas als. da prova produzida no processo disciplinar. de 16/1. não era suficiente para que se pudesse concluir que ele fora enviado ou recebido nessa data nem. querer e determinar-se de acordo com essa avaliação. não resultar a sua culpabilidade. 59º. Ora. correspondendo o aludido despacho de 12/10/98 à mera nomeação da instrutora daquele processo (cfr. Cremos.. o facto de o ofício em questão ser datado de 7/7/98. ele se encontrava em condições de gerir autonomamente a sua vida e capacitada para entender. 4º. Portanto. Objecto do presente recurso contencioso. x 2. g) do número anterior que. tendo sido inquirido sob a matéria constante do art. porém. do depoimento do Dr. do E. nº 24/84. que esse vício não se verifica. H) a L) das conclusões da sua alegação. Estando em causa a questão de saber se. que. após o decurso do prazo prescricional de 3 meses previsto naquele preceito. a recorrente imputa àquele despacho um vício de violação de lei. assim.2. Nas als. por infracção do nº 2 do art. a recorrente invoca um outro vício de violação de lei. num determinado momento. com fundamento no relatório final. é evidente que se tem de atender fundamentalmente ao depoimento do médico que a acompanhou nesse período detentor de conhecimentos especializados que o habilitavam a proceder a tal avaliação e que ela indicou como testemunha. em virtude de a falta disciplinar subjacente ao acto punitivo ter sido comunicada ao MNE por ofício datado de 7/7/98 e a instauração do processo disciplinar só ter sido determinada por despacho de 12/10/98. Efectivamente. da defesa da recorrente onde esta alegava que “por força da sua doença e terapêutica que lhe vinha sendo .L. por infracção do nº 1 do art. se devesse considerar provado que o conhecimento da falta.. e do princípio “in dubio pro reo”. als. que se deveria ter considerado que ela beneficiava das circunstâncias dirimentes fixadas nas als. aprovado pelo D. estava incapaz de avaliar a sua conduta e de se determinar de acordo com essa avaliação.D. na sequência do qual veio a ser aplicada à recorrente a pena de demissão. b) e c) dos factos provados). Ana .D. conforme resulta da matéria fáctica provada. do E. 3º. À IDIC para os efeitos convenientes”. por. Simão Roque da Silveira.Genebra. com base nele. foi mandado instaurar por despacho do Secretário-Geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros datado de 6/4/98. Vejamos se lhe assiste razão. Efectivamente. do E.

839/98. punível com pena expulsiva”.. citado Ac. se darem 5 faltas seguidas ou 10 interpoladas sem justificação. 3º do E. a subsunção automática na al. Por isso. 26º nº 1 e nº 2. que podia durar 2 ou 3 meses. Assim.-280. poderá constituír infracção disciplinar punida com a pena de aposentação compulsiva ou de demissão se implicar a inviabilização da manutenção da relação funcional (cfr. de 8/7/93 in BMJ 429º.). não se podendo afirmar que ele exprimiu uma tendência de evolução em relação aos doentes em geral.352 e de 10/7/97 – Rec. de 5/5/99 – Rec. resultante de. considerando-se esse comportamento subsumível à norma do . No caso em apreço. após este tempo. em concreto. por infracção do nº 1 do art.. sem a prova dos factos e respectiva alegação na nota de culpa de que esses factos tornam inviável a relação funcional.D. já os doentes estavam capazes de uma vida relativamente autónoma. “a falta ao serviço por 5 dias seguidos ou 10 interpolados sem justificação. nº 40. de 21/4/99 – Rec. 26º. 26º. sendo ainda necessário que tal infracção inviabilize a manutenção da relação funcional (cfr. h). al. à excepção das primeiras semanas de tratamento”. g) do nº 3 do art.D. do TCA de 28/6/01 – Rec. dentro do mesmo ano civil. por se ter aplicado a pena de demissão sem invocação nem demonstração que os factos que praticara eram. sem justificação. este último do Pleno e Ac. art. nas conclusões M) a R) da sua alegação. h) do nº 2 do art. neste sentido. não constitui a infracção prevista no art. em determinados dias. o aludido depoimento incidiu claramente sobre a situação concreta da recorrente. A verificação de 5 dias de faltas seguidas ou de 10 interpoladas sem justificação não implica.administrada” encontrava-se num tal estado de prostração que estava incapaz de “agir de modo próprio” .D. tendo-lhe sido perguntado “se a doença invocada pela arguida e por si constatada em sucessivos atestados médicos e que alegadamente a incapacitava para o exercício da sua profissão acarretava alguma outra consequência em matéria de capacidade de entender e querer. nº. A falta de assiduidade. do STA de 8/7/93). Assim. inviabilizadores da manutenção da relação de emprego. (cfr. nomeadamente se a impossibilitava de cumprir a sua obrigação de informação à entidade patronal sobre o seu regresso”. 32435. os Acs. 26º. nº 37834. a recorrente invoca o vício de violação de lei. da acusação formulada contra a recorrente apenas consta que ela faltou. Finalmente. 84. do E. o facto de um funcionário. Posteriormente. pois. Vejamos se lhe assiste razão. do STA de 3/5/88 in BMJ 377º.-542. nº. mas que. do STA de 5/5/99. improcede o alegado vício de violação de lei.D. dentro do mesmo ano civil. respondeu que tal só se verificava na fase inicial do tratamento. respondeu que “não. de que foi relator o mesmo do dos presentes autos). do E. dar 5 faltas seguidas ou 10 interpoladas sem justificação não implica automaticamente a aplicação de uma pena expulsiva. entre muitos. do E. como se escreveu no citado Ac. Portanto. apenas autorizando o levantamento de auto por falta de assiduidade por estar preenchido o elemento antijurídico de uma falta disciplinar violadora do dever de assiduidade previsto na al.

punido com a pena de demissão (cfr. Portanto. Refira-se. d) dos factos provados). procedendo o invocado vício de violação de lei. o relatório final não contém um reconhecimento implícito da não verificação da inviabilidade da manutenção da relação funcional.. No relatório final. Assim sendo. anulando o despacho impugnado Sem Custas. x 3. por infracção do nº 1 do art. à recorrente nunca poderia vir a ser aplicada a pena de demissão. de cuja fundamentação se apropriou o despacho recorrido. al. que. 1 de Julho de 2004 as. do E. 26º.. do E. nº 2. não foram dados como provados quaisquer factos que permitissem concluír que a falta de assiduidade inviabilizava a manutenção da relação funcional. porém. Pelo exposto. da Tabela das Custas). visto que tal não se pode inferir da alusão à impossibilidade legal de suspensão da pena de demissão.. por a entidade recorrida delas estar isenta (cfr.art. deve ser anulado o despacho recorrido.) José Francisco Fonseca da Paz (Relator) António Ferreira Xavier Forte Carlos Evêncio Figueiredo Rodrigues de Almada Araújo . art. h). al. x Entrelinhei: termo do x Lisboa. 26º. ao contrário do que pretende a recorrente.D.D. acordam em conceder provimento ao recurso. 2º.

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