You are on page 1of 17

Herbert Spencer, fragmentos biográficos, idéias e críticas.

Maristela Bleggi Tomasini Herbert Spencer, autobiographic fragments, ideas and critiques. Resumo Um apanhado genérico, acompanhado de fragmentos autobiográficos, que ilustra pressupostos básicos que deram sustentação à filosofia de Herbert Spencer, a saber, evolucionismo, mecanicismo, homogeneidade, e algumas críticas que visaram ao questionamento desses mesmos pressupostos, a começar por Henri Bergson, inicialmente seu seguidor, mas que acabou por tomar uma linha própria, dando relevo à intuição. Em segundo lugar, Bertrand Russel, que se opôs, seja aos pressupostos sustentados por Spencer, seja à filosofia de Bergson. Em terceiro lugar, Gabriel Tarde e seu questionamento à evolução, à suposta homogeneidade das coisas e à idéia de organismo social. Palavras-chave: Herbert Spencer, Henri Bergson, Bertrand Russell, Gabriel Tarde. Abstract A general selection, whit biographic fragments, that lists the basic sustentation presupposes of the Herbert Spencer philosophy, that was the evolutionism, the mechanics, the homogeneity and some critiques about this presupposes, beginning by Henri Bergson, Spencer’s disciple, who gives importance to the intuition. In second place, Bertrand Russell, who had questioned the presupposes sustained by Spencer and the presupposes sustained by Bergson. Also Gabriel Tarde and his contestation of evolution, about the suppose homogeneity of the things and about the idea of the social organism. Keywords: Herbert Spencer, Henri Bergson, Bertrand Russell, Gabriel Tarde. Por quê? O nome Herbert Spencer surgiu numa conversação sem qualquer formalidade. Alguém me perguntou o que tinha sobre ele, e acabei reunindo algum material. Pensando no assunto, ocorreu-me que freqüentemente se encontram referências ao seu sistema, hoje desacreditado. Do próprio Spencer, do homem que ele foi, pouco se fala. Menos ainda do que o levou a pensar o que pensou, das influências que sofreu, das bases que serviram de alicerce à sistemática que propôs e no que tais bases foram criticadas. Constato uma certa despreocupação em relação às fontes, o que tem levado muitos de nós a fazer uso de uma bibliografia recente, moderna, atualizada. De certo modo, a raridade das obras antigas não permite sua consulta e isso nos afasta da pesquisa direta, tanto quanto da informação original, muitas vezes surpreendente, porque se expressa com franqueza e, até mesmo, com humor, fazendo-nos sentir mais perto de quem escreveu, mais íntimos do tempo em que viveu, das experiências e influências sofridas e transformadas individualmente. Daí a idéia de reunir esses fragmentos biográficos, procurando dar relevo a aspectos pessoais, particulares a cada um dos personagens que aparecem no texto. Perto de mim, algumas coisas de Spencer, tal como sua Educação Intelectual, Moral e Física, editada em Porto, em 1888, onde destaca a importância de uma metodologia educacional. Há também Recent Discussions in Science, Philosophy, and Morals, quase intacto, desde 1890. Lembro-me

um ano depois. diz (p. os Princípios de Biologia (1864). adotou o princípio evolucionista que procurou ampliar ao mundo moral e social. são fundamentais os Primeiros princípios (1862). Spencer acabou por tornar-se o filósofo do sistema evolucionista.de haver lido sua obra intitulada A Justiça. fazendo uso de um vocabulário acessível aos não-iniciados. opondo-me sempre a que. Na biblioteca pública. ainda que em formato virtual. Nascido em Derby. Paris. o que lhe tornou difícil a leitura de livros sérios. desde cedo. dois volumes da edição francesa de seus Principles de psychologie. 1903 e. Foi uma criança curiosa. sua Introdução à Ciência Social. não fui adiante”. mas ainda protestava contra os atos de meus companheiros. mas onde ele me pareceu haver pregado uma concepção próxima à luta pela vida. Além disso. embora estes tenham sido temas sobre os quais muito falou. de acordo com as suas crenças.102. Curioso.29. assim como um dos fundadores da sociologia. apesar de. Tenho certeza de que vai ser surpreendente. mas. I). “mas. não apenas eu me abstinha. poeta então recentemente falecido (p. O indivíduo contra o Estado. Um alerta bem intencionado. todavia. que costumava tudo observar e. tendo em mãos a Crítica recentemente traduzida. se fizesse mal aos animais e a que se divertissem. gratuitamente. I). no período compreendido entre 1846-48 (p. Ele próprio reconhece que a receptividade passiva lhe era estranha. justificando o triunfo do mais forte. até perto dos trinta anos. I). 34)”. Escreveu também uma Introdução à ciência social e muitas outras obras e opúsculos. sem dúvida. ler isso. 1885. não ter uma idéia precisa do que fosse a filosofia.103. Talvez por isso não tenha lido Kant. fala-nos da criança que ele foi entre os anos de 1820 a 1827. Herbert Spencer veio ao mundo em 1820. entre estas. De certo modo — ainda que devamos considerar a época em que escreveu sua própria história — mostrou-se uma criança sensível: “Ainda que me acontecesse atirar pedras em pássaros por esse amor à brincadeira no qual a destreza manifestada constitui o principal prazer. deixando-o oitenta e três anos depois. que pouca atenção lhe mereceram os livros escritos sobre moral e política. para alguns. embora não ler Kant pudesse parecer inviável a alguém que pretendesse a condição de filósofo. E tenho ainda outras coisas bem interessantes e reveladoras. cujas idéias fossem fundamentalmente diferentes das suas (p. era-lhe impossível ler um. 128. No que Spencer acreditava. onde ele nos conta também como nasceu o evolucionismo liberal. em todos os casos em que havia aí imposição de sofrimento sem o elemento da habilidade. o primeiro volume aparecido em 1874 e o segundo. torturando insetos (p. por fim. de livros fáceis. De seus trabalhos. de 1889. método e precisão. No terceiro capítulo de sua autobiografia [1] que data de 1889. I) haver lido as primeiras páginas. É que Spencer sabia se comunicar. todavia. livro que perdi. Em 1944. Ele escrevia com simplicidade. não se deixando impressionar pelo pensamento . compunha teorias sobre os objetos de suas percepções. cuja tradução foi feita por ninguém menos que Ribot e Espinas. seu pai chamou-o Herbert em razão da admiração que tinha por Herbert Knowles. por exemplo. Diz-se um leitor impaciente. sua detalhada autobiografia. sem data. franqueza. é encontrar em sua autobiografia. a 27 de abril. Dados biográficos. tendo desaprovado a leitura ali contida. editada em Lisboa. Partindo do princípio de que tudo passa naturalmente de um estado de homogeneidade confusa para uma heterogeneidade definida. e não exageram aqueles que o consideram como o maior filósofo inglês de seu tempo.

14. comoveram o solteirão que não experimentou nenhuma dificuldade em relacionar-se com elas. mas não do modo como eles entendem (p. em Londres. II). a conselho médico. Reconhece dever-lhe. Não é raro encontrar o nome de Spencer associado ao de Comte. 29. quando se lhes dá inteira liberdade.68. — conscientemente ou não. — diz ele (p. I)”. Educação Intellectual. É certo que adotou a palavra altruísmo. e cuja mulher tentava aumentar a renda da família com um pensionista (p. na falta de outra. talvez. no modo pelo qual as trato. Embora a hereditariedade representasse. contra essa falta à sua dignidade e. serviu-lhe de guia. “Os discípulos de Comte estimam que eu lhe devo muito: isso é verdade. 14. ainda que celibatário. Seu interesse por esse campo começou após um esgotamento nervoso que o levou. senão exteriormente. com quem Spencer relacionou-se durante muitos anos. todavia. II)”. sobretudo. colocam-se a acariciá-las sem saber se isso lhes apraz. Em sua obra. como a constituição hereditária deve ser sempre o principal fator na determinação do caráter. I). elas mostram freqüentemente uma preferência por aqueles que as tratam assim (p. Spencer logo chegou a algumas conclusões a respeito do comportamento infantil: “Pude observar en passant que é preciso pouco tempo para estar em bons termos com as crianças. II)”. um aspecto nada desprezível em relação ao desenvolvimento individual. Com isso. pois reconhecia nele mesmo “um desejo natural de estar cercado de crianças. “naturalmente. As crianças revoltam-se muitas vezes interiormente. se não rejeitados imediatamente. e esta natureza sempre foi acentuada em mim (p. 13. “Tal é a natureza de todos aqueles que pensam verdadeiramente por si mesmos. o “antagonismo que existe em nós”. Em 1857 pôs-se a escrever um artigo sobre a educação moral das crianças. vai residir com uma família em SaintJohn’s Wood: “um advogado arruinado por sua negligência. assim como sociologia. (1888). sua conclusão de a justiça explicar-se do mesmo modo que a bondade. 83. por outro lado.dos outros (p. dedicou-se à obra A Educação. “Uma das concepções iniciais é que. I)”. Muito freqüentemente. moral e phisica. é absurdo supor que não importa qual sistema de disciplina moral possa produzir um caráter ideal ou nada mais que um progresso moderado na direção desse caráter (p. A matéria de suas conclusões deveria desenvolver-se interiormente. sendo censurado por isso. para Spencer. explica-se. de meninas (p. Daí. a fé é mais forte que o ceticismo (p. Suas idéias sobre filosofia e psicologia ter-se-iam formado a partir de conversações. em 58. I)”. coisas .128. nessa idade. 82. O casal tinha duas filhas pequenas que. II)”. Pareceu simpatizar. parece. e quando se as deixam fazer os primeiros avanços. a procurar não viver só. com a conclusão de Adam Smith quanto à excitação simpática dos sentimentos agradáveis como sendo a origem das ações beneficentes (p. Interessou-se pela frenologia quando jovem e. isso se deve a que. A casa encontrava-se perto da residência de Huxley. eram ao menos aceitos com indiferença e logo abandonados. Escreveu muitas obras sobre educação. Idéias e sentimentos estranhos. 155. Como costumava teorizar sobre tudo aquilo que observava. I). respeito sua individualidade. A teoria da evolução. a falta de método e a ignorância também contribuíam para com o aparecimento de doenças e conseqüente debilidade dos jovens. algumas leituras e muita observação. 29)”.

e enquanto se cumprir os diferentes deveres. abstém-se de dizer aquilo que pensam em seu foro íntimo a respeito das reputações tradicionais (p. examinando. a procura do prazer pelo prazer é perfeitamente legítima e dispensa escusa (p.95. Essa maioria. O segundo volume estava reservado à parte analítica: “Trata-se agora de dissecar nosso edifício intelectual e os produtos de sua atividade até atingir os últimos elementos que o constituem. tal como ela se revela quando se retraçam as fases sucessivas de seu desenvolvimento (p. sequer abria biografias ou livros de história. sobretudo quando eles são jovens. Spencer preferia os romances. preferindo viajar e observar tudo o que se relacionasse a crenças. II)”. onde visou a parte sintética construtiva do trabalho. Completo erro. Ao contrário. “uma tentação à qual é preciso resistir (p. instituições. é preciso notadamente mostrar que a estrutura do espírito. elevome deliberadamente contra este ascetismo que considera como um pecado o fato de fazer-se uma coisa apenas pelo prazer de fazê-la. mas no seu maior número são provenientes dos métodos errados (p. Embora desse ênfase à disciplina. II)”. entendem que os males sucedem sem causas. 43)”.94. II)”. Spencer visita a Itália e não se deixa impressionar pelas obras de arte em toda parte cultuadas. e não se desculpava por isso: “É-me bastante amar o bilhar. mostrava-se intolerante com qualquer . Ora. Foi durante os quatro meses que precederam essa viagem que Spencer se dedicou quotidianamente aos Dados da psicologia.essas muitas vezes consideradas pelos pais como uma “provação da Providência” (p. porém.85. caracteres e usos dos nãocivilizados. Há muito tempo. Da Itália. não propôs a via ascética. Aos 47 anos. enquanto nós mesmos não sofrermos mais tarde. Em muitos casos essas causas são indubitavelmente herdadas. uma educação de caráter espartano. assim como existiria uma ortodoxia religiosa. e vejo como um motivo suficiente gozar esse prazer. enquanto ninguém sofrer por isso. II)”. tenho pretendido sempre que. existiria também uma ortodoxia estética. Para ele (p. compreende todos aqueles que estão no poder. menos ainda. porque não ousava consagrar-lhes parte de sua capacidade de leitura em detrimento do trabalho. II)”. ou que essas causas são sobrenaturais. de ordinário. Outra ocupação que lhe tomava muito tempo era o bilhar: “uma excelente maneira de passar o tempo: isso me impedia de pensar e suprimia a tentação de ler (p. livros relacionados a esses aspectos. Os artistas. vale lembrar que Spencer via a ascensão àquilo que percebia como sendo formas superiores de vida como conseqüência da “disciplina fornecida pelo gozo dos prazeres e pelo sofrimento das dores que se seguem após tal ou qual conduta (p. preferiu as paisagens à pintura. primeira divisão da obra começada em 1867. Gostava de jogar. 85. II). tal como ela se revela por esse meio corresponde à sua estrutura. inclusive obras de teologia. Esse conformismo irritava Spencer: “Raciocinando por essa forma caótica. De hábito. II)”.96. “temendo ofender as autoridades.30. Lia para observar a direção da opinião.96. Foi um homem peculiar que confessa raramente haver lido um artigo do início ao fim. com o primeiro volume publicado três anos depois. assim como lia também para observar as críticas dirigidas aos seus trabalhos: eis os seus motivos. 43). e afastar-se de ambas implicaria em reprovação por parte da maioria.

sustentado tratar-se de um equívoco: “É um erro em toda a amplitude da nossa aquisição dos conhecimentos. onde as previsões positivas são impossíveis. nem ele nem seus leitores quase nunca duvidaram da crescente divisão do trabalho que caracteriza em toda parte a evolução social. são logo rejeitados pela memória depois de passarem pelo exame a que foram submetidos (p. 300). . deram pouca atenção. Criticava historiadores relativamente aos métodos dos quais se utilizavam ao escrever : « Não apenas os historiadores não concebem a possibilidade da sociologia. as intrigas da corte. na medida em que esta ciência deveria fornecer verdades à sociologia. Ocupados como estiveram sempre em narrar os eventos da vida das sociedades. Daí a importância da educação física. vitórias e derrotas internacionais. mostra o quanto era necessário expor o objetivo e a natureza da ciência social (p. precisar suas analogias : eis a sua pretensão. meio de fazer com que a educação « útil para a luta da vida (p. bem depressa serão rejeitados: em vez de contribuírem para a edificação da fábrica intelectual. ignorando assim todos os fenômenos da formação e de funções do corpo. e esquece assim as estruturas que se desenvolvem tranqüilamente enquanto se passam as coisas das quais se fala. rítmico. Nesse sentido. absorvido pelas ações dos reis. 300)”. que precisava justificar e precisar essa marcha da evolução social. ou mesmo nenhuma. diz ele em sua A Educação. Porque o espírito. Para ele. II) ». visto que uma sobrecarga de conhecimentos seria logo rejeitada pela memória. Obviamente. nas sociedades. ressaltando que a organização desse conhecimento mostrava-se o mais importante : « Não são os conhecimentos amontoados. à vista dessa idéia de organismo social. não pode assimilar mais do que uma certa porção. Se um biógrafo. que têm valor. Aproximar a sociedade do organismo animal. detalhes biográficos — bem como a narrativa de fatos históricos que apresentam sempre particularidades e imprevisibilidades — não se mostravam muito atraentes para Spencer. como o corpo. à evolução de sua organização. as querelas. um subnível orgânico. 301) ». mas aqueles que se tranformam em músculo intelectual (p. haveria. precisando-lhe finalidade e natureza. e se o sobrecarregarem com mais fatos do que aqueles que ele pode assimilar.excesso em relação ao estudo. de 1888 (p. afirma que não há ciência social. ele seria semelhante ao historiador ordinário que. também a psicologia importava muito. mas eles a negam. 301) ». constatável e capaz de traduzir seu objetivo e sua natureza. como uma gordura intelectual. assim. em que pesem as inúmeras diferenças de detalhe objetos da historização. Para Spencer.105. durante tantos séculos. Determiná-la parecia-lhe fundamental. — porque os incidentes da vida de seu herói não comportam previsão científica. — dizia que não há ciência do homem. Apenas o fato de que. as ações individuais deveriam sofrer uma certa desqualificação. Criticava a idéia de que o conhecimento importaria mais que tudo.

enfim. Estado. nasceriam dos fenômenos físicos e cósmicos. por sua vez. o desenvolvimento da individualidade deve ser estimulado. 153. Ele recorreu à idéia de uma força e de uma substância universais. os fatos psicossociológicos teriam sua origem nos fatos biológicos e estes últimos. etc. surgiriam as diversas funções mentais. pois. se encontram ligadas todas as minhas idéias. por sua vez.Note-se que foi apenas em 1859 que apareceu A origem das espécies. a sobrevivência daqueles que são objeto de uma seleção é uma causa de desenvolvimento. entre os não-civilizados. I)”. Seu tratado de psicologia é extremamente detalhado. Assim. seria um processo aplicável a todas as formas de existência cósmica.. abrangendo seus 38/40 anos. o controle é estabelecido pelo costume: “o jovem não pode escapar à tatuagem. porque. de geração a geração. e deve deixar que se lhe arranquem os dentes. posteriormente. quanto mais inferiores fossem os povos. Ele mesmo nos conta as implicações que a obra de Darwin teve na formação de suas idéias. maior o poder que a sociedade exerceria sobre os indivíduos. onde tudo se transformaria — ou evoluiria — do homogêneo ao heterogêneo. Spencer aí encontrava um organismo social formado por órgãos particulares: família. ou sofrer a circuncisão.. é exercido também nas fases primitivas das sociedades civilizadas pelas instituições políticas e eclesiásticas. Esta adaptação ao espaço e ao tempo apresentaria uma complexidade crescente de funções nervosas das quais.. Evidentemente. Os princípios racionais humanos seriam inatos e evoluiriam de geração a geração. constituindo-se. como vimos. uma sorte de homogeneidade social: o estado gregário e a promiscuidade. mecânicas. além do mais. II). Spencer acreditava em uma evolução natural e via nisso uma lei.. repleta de fatalismo. Igrejas. A biologia refletiria essa passagem do homogêneo ao heterogêneo. como é prescrito pelo uso e desejado pela opinião (p. que uma conduta correta. E esta evolução. I). O movimento a explicar a vida e o pensamento: materialismo e mecanicismo. época em que Spencer já trabalhava em seus ensaios sobre O Organismo Social. Vê-se ali. Em contrapartida. como ponto de partida. em um sistema mecânico. uma inexorável lei de passagem. o caráter subjetivo que acompanha as emoções humanas apresenta-se como um desafio frente a uma proposta de pretensões reducionistas. Acreditando assim. diz ele em sua autobiografia (p. Todos os fenômenos da natureza formariam uma série ininterrupta. e eis a receita que lhe pareceu suficiente para explicar a .) Ver confirmar a teoria da evolução orgânica era ganhar um novo apoio para esta teoria da evolução em geral à qual. às opiniões políticas e às idéias dos homens sobre a vida humana (p. como eu o fazia. eu esperava que se veriam logo os efeitos quantos aos métodos educativos. e a psicologia não poderia explicar a origem dos processos psíquicos senão que por uma adaptação progressiva. 39-40. Ampliando o paradigma às sociedades. considerava que a principal causa da evolução orgânica era a hereditariedade de modificações produzidas pelo exercício das funções: “. Nele há grande atenção aos sentimentos. onde não haveria muito lugar para a criação. a ampliação que concedeu ao paradigma evolucionista. Também esse organismo social exibiria a complexidade crescente e uma densidade cada vez maior que teria. depende da aceitação do ponto de vista evolucionista aplicado ao espírito e à sociedade. Esse despotismo. 153. Acrescente-se a complexidade crescente. entre os seres vivos. a Moralidade das Prisões e A Fisiologia do Riso. (. O progresso e a civilização deveriam levar à emancipação do homem em relação ao agregado. claramente. do simples ao complexo. 1858-1860. à época. no capítulo XXI. tanto individual quanto social. Porém.

ódios e simpatias. fossem eles orgânicos ou inorgânicos. Parece que metafísicos e religiosos mostraram-se profundamente melindrados com tal forma de ver as coisas. Em seu Recent Discussions in Science. achar-se compelido por: “. foi acusado de mostrar-se favorável à anarquia. No último ano de sua vida. Ali. Spencer pensava sistematicamente e não parecia à vontade diante de situações ou circunstâncias que não tivessem a devida explicação. que atacava a idéia de Justiça do adepto do organicismo. declara: “A grande superstição da política de outrora era o direito divino dos reis. Por outro lado. reconhecê-la formalmente. ser referida com segurança. sem que se tome cuidado. refiro-me a uma acusação formulada contra ele por um certo Reverendo Davies. desliza de uma única cabeça sobre aquelas de um grande número. O filósofo do evolucionismo sustentou. para sentir-se indignado com o “espetáculo de uma agressão ou de um malefício qualquer” . Nessa obra. Spencer tinha preocupações políticas acentuadas. explicações de ordem religiosa que lhe pareciam pueris. vou arriscar citar uma passagem extraída justamente do livro que perdi. 59)”. Pode-se dizer que sentia profundamente a necessidade de encontrar uma lógica das coisas. o que subentenderia que “somente homens que aceitem as crenças correntes têm direito a indignar-se perante a iniqüidade”.aparição dos reinos superiores da natureza. ao falar de Spencer. and Morals. dadas as conclusões a que chegara no que concerne à moral social e à política. are due to experiences of utility (p. O óleo de unção. num breve histórico das principais correntes sociológicas. consagrando a eles e aos seus decretos (p. razoavelmente. fossem matéria bruta ou vida. Davies sustentou que Spencer subentendia a existência de uma lei que regeria a conduta e a razão humana.. mesmo atos que costumamos ver como heróicos: como associar determinismo e liberdade? Para Spencer. uma causa ligada a uma outra causa na sucessão dos fenômenos. todavia. sem a influência de qualquer preceito divino. Spencer sustentou não precisar “pedir emprestado a Deus o fogo celeste”. 1890. tratava-se simplesmente de encontrar a utilidade. atreve-se a considerações bastante sugestivas: Um governo sem eqüidade não pode sustentar-se senão que pelo apoio de um povo proporcionalmente falto de eqüidade em seus sentimentos e em seus . de Gabriel Tarde. sem consideração de nenhuma espécie acerca de castigo ou recompensa neste ou noutro mundo”. A resposta foi bastante expressiva. Em sua obra O indivíduo contra o Estado. pois a anotei em uma obra publicada. estudo sociológico. 2002. surge sua Introdução à ciência social. todavia. O ajuste de uma concepção mecânica. foi enfático ao aduzir que: “Even sympathy. todavia. de certa forma. arquivo da Editora Supervirtual [2]. cujo prefácio data de julho de 1873. Nisso mostrou-se bem um filho de seu tempo. Está em minha tradução de As transformações do Direito. 1903. um sentimento que acorda em mim sem a mínima intervenção da noção do dever. enfim. poderia tornar-se difícil frente à constatação de que existem. matéria ou espírito. graças às marcadas tendências individualistas que o levaram a desejar o enfraquecimento progressivo do Estado. pela maneira franca com que se expressava.27)”. Philosophy. 1885. Rejeitava. Para que não tenhamos de Spencer uma imagem tirante ao que comumente se tem por um materialista insensível. entre os homens.. A grande superstição da política de hoje é o direito divino dos parlamentos. parece. mas que pode. sem. acusação esta publicada no Guardian de 16 de julho de 1890. and the sentiments that result from it.

e o que este último disse a respeito — e. trago Gabriel Tarde. Spencer precisou enfatizar o utilitarismo. porém.atos. Nem por isso a soberba pode lhe ser atribuída em matéria de saber. e foi arbitrário em muita coisa do que presumiu em matéria de psicologia. por sua vez. ele estimará. Ao final de sua Introdução à sociologia. Em primeiro lugar. 280). Bergson foi por outra via. Em segundo lugar. Spencer não foi exatamente o modelo do que atualmente se considera como o politicamente correto. Todavia. e é justamente isso que me pareceu interessante desenvolver como tema deste artigo. e que via os sentimentos de forma diferente. Ainda que compreendendo quão pouco. e daí a conceber um sistema mecânico que tudo explicasse foi apenas um passo. dificilmente poderia ser questionada. reconhece a necessidade de uma certa dose de ilusão. se não se encontrarem multidões de eleitores para vender seu voto. Ao contrário. E assim em toda parte e em todos os escalões: a má conduta daqueles que estão no poder é correlativa à má conduta daqueles sobre quem se exerce o poder (p. unindo assim a energia do filantropo à calma do filósofo (p. Como se pode ver. deve perseverar sem nada rebaixar de seus esforços. Spencer. ao mesmo tempo. pode-se fazer. As formas orgânicas. a evolução e o chamado sistema evolutivo foram passados em revista por Russell. ainda que em reconhecendo que as ilusões nas quais ele se compraz sejam úteis. à época. Essas seriam verdades às quais nós deveríamos conformar nossas esperanças. sem a qual alguns homens não poderiam viver: “Assim. todavia. à vista da marcha inexorável do universo. ainda que admitindo que antecipações temerárias sejam um estimulante necessário ao fanático. Deve ter visto no desenvolvimento uma promessa. A injustiça não pode reinar. Para isso. 283)”. melhor ainda. Desse modo. onde reconhece a impotência do homem diante das forças que modelam o universo. o homem pertencente a um tipo mais elevado deve contentar-se com esperanças mais limitadas e. marcha que não pode ser abreviada. surgiriam a partir de um processo tão lento. Um tirano não tiraniza um povo senão que sob a condição de que esse povo seja bastante maldoso para fornecer-lhe soldados que lutarão por sua tirania e que manterão seus irmãos na escravidão. precisou basear-se em premissas. Uma classe não pode manter sua supremacia comprando votos. tinha bastante consciência dos limites da esfera do conhecimento humano. que não apenas duvidava diretamente de . marcou época e teve seguidores do quilate de Henri Bergson. porque elas se adaptam à sua própria natureza e à sua função particular. deixa-nos uma página que me parece digna de nota. que seus resultados não seriam quase nunca apreciáveis. desenvolvendo silogismos cuja lógica. Teve de ajustar muita coisa para que suas idéias se tornassem acreditáveis. forças que não produzem mudanças visíveis durante o breve tempo durante o qual podemos observar sua ação. que esse pouco vale a pena ser feito. um discípulo que desertou. Spencer foi partidário da idéia de progresso que contagiou o século XIX. relativamente. a maneira como o disse — merece ser posto em relevo. tais premissas foram passadas em revista. 283)”. se a comunidade não fornece uma certa quantidade de agentes injustos. “é preciso segui-la com a paciência necessária (p. Em terceiro lugar. Filósofo do darwinismo.

ela mesma. afirmou ele em 1911. inteligência que seria. a intuição. Mais tarde. bem como da nascimento e morte dos autores são indicadas com precisão. porém. Bergson foi ainda mais longe. Para ele. a intuição poderia constituir-se numa forma de saber. tempos onde prevaleciam idéias sombrias que faziam de nós mero efeito de um universo frio e mecânico. o que em nada compromete a clareza. nasceu cem anos de mim. Por aí distinguimos nitidamente a metafísica da ciência (p. dirigindo-se à observação sensível. se considerarmos a época em que formulou esse pensamento. a questionar. daí dizermos da arte que ela é verdadeira. e um método especial. ele insistiu na possibilidade de um convívio pacífico entre ciência e metafísica. um homem reconhecidamente inatacável em sua formação científica e moral. O artista não criaria. desde que observados alguns pressupostos: método e objeto de cada uma delas. E na introdução da obra citada que vamos encontrar essa distinção: “Nós assinamos.Spencer. à metafísica. pois. A filosofia proposta por Bergson. o que vem a ser uma observação chocante. visto que as datas das obras referidas. que permanece cativante até hoje. publicada em La pensée et le mouvant (p. que não mereceram muitos encômios da parte de Spencer. e ela está tão segura de ser bem acolhida. ainda que ele mesmo reconhecesse a facilidade com que sua proposta poderia ser criticada: “A crítica de uma filosofia intuitiva é tão fácil. Evidentemente. por sua vez. conseqüentemente. em especial. No início mostrou-se um diligente seguidor de Spencer. Coisa estranha tal idéia lançada em meio à prevalência do mecanicismo. Além disso. 150). poderá vir o . o determinismo poderia dar lugar a uma escolha de caráter criador. também conquistou simpatias. Foi essa a reação do filósofo do intuicionismo que. No homem. sem dúvida. em 1859. Já a ciência positiva. Filho de seu tempo. Bergson. um sistema mecânico estaria em franco desacordo com tais aspectos sublimes e delicados que Bergson ressaltou. um prolongamento de nossos sentidos. encontrava aí uma extensão de nossas faculdades perceptivas. mas logo descobriu fraquezas no sistema que o seduzira à primeira vista. Muito estranha ainda sua homenagem ao artista e à arte. convívio possível. de certa forma. 34)”. sobre a relatividade do conhecimento e a impossibilidade de atingir o absoluto (p. à qual estaria confiada “a elaboração da faculdade de abstrair e de generalizar (p. A ordem cronológica do surgimento de tais críticas foi propositadamente alterada por mim no desenvolvimento dos temas. não tardou em conquistar adeptos. ao “rejeitar as teses sustentadas pelos filósofos. bem como do fatalismo que a adoção dessa idéia implica. que tentará sempre o debutante. Ele morreu em 1941. Ora. idéia que fez sucesso. do fundo homogêneo das coisas bem como da teoria organicista. numa conferência feita na Universidade de Oxford. antes de tudo. 33)”. como ainda da evolução. Bergson. fez-se brilhante matemático e físico. se tudo evolui fatalmente da matéria. como explicar a vida? Bergson reconhecia um élan vital que não poderia ser desprezado e destacava uma nítida diferença entre matéria e vida. o corpo e a mente também mereceriam uma apreciação distinta e. principalmente o espírito. Henri Bergson. ele veria e nos entregaria o precioso produto de sua visão. ofereceu aos seus contemporâneos uma maneira de fugir à frieza da concepção mecânica do universo. Era judeu e francês. o que não o impediu de tomar o rumo da metafísica. Bergson. exigiria o uso da inteligência. 33)”. aceitas pelos sábios. porque acabou por levar muita gente a duvidar. um objeto limitado.

conseqüentemente. Para Bergson. porque a filosofia.. e não por análise. 119)”. em sua Introdução à metafísica. pois a realidade exterior também seria uma espécie de duração sempre variável. Tornou-se depois um reformador. pretende que esta duração não se restringiria apenas à consciência. morrendo em 1970. escrita em 1900 e publicada pela primeira vez em 1903. ela também. rebelando-se contra a guerra e contra a propriedade privada. um aspecto frágil que dissimulava bem a força com que sustentou suas convicções. verifica-se que: “. afilhado de John Stuart Mill. identificou um tipo de evolucionismo relacionado ao élan vital e. ressentimento pessoal à vista de tudo aquilo que não é redutível à letra. Bertrand Russell nasceu em 1872. chegasse jamais a analisar o instinto completamente (p. Era magro. se esta se mostrasse insustentável. — ensaio que apareceu em 1903 e que aparece também em La pensée et le mouvant. nesta sua Evolução criadora. por despeito. Bertrand Russell. resultado de uma concepção que emprestaria aos ódios e às simpatias uma aparência mecanicista. Este seria nosso eu que dura através do tempo (p. Nobel de literatura em 1950. Isso irritou profundamente a alguém muito especial que não apenas combateu Bergson. Ele visou ai resolver vários problemas filosóficos.arrependimento. Uma de suas obras mais famosas. interior. com seus processos de explicação atuais. o qual. cambiante. confessadas francamente na autobiografia que escreveu ao final dos anos 60. de tudo aquilo que é propriamente espírito. em outro. tais como liberdade e determinismo. valorizou o instinto. de certo modo. era “duvidoso que a ciência. 182)”. de dentro. defendendo o comunismo e mostrando-se intolerante para com toda e qualquer forma de arbitrariedade.the existence of universe is an empirical fact. nossas ações teriam origem no eu profundo. sei que teve paixões fulminantes. Sua obra A Evolução Criadora aparecida em 1907 teve muita repercussão. este. Ora. — a menos. talvez a mais conhecida e celebrada delas é The principles of mathematics. À psicologia de Spencer teria faltado esse ingrediente. como pensava Spencer. 1907. “por intuição. exterioriza-se e absorve-se na utilização da matéria bruta (p.. Ao analisar a intuição. como também outros fundamentos acalentados por Spencer. A segunda edição surgiu em 1937. Assim. It is true that if the word did not exist. Foi de uma lealdade e sinceridade notáveis e jamais temeu abandonar uma idéia. 119)”. tinha o rosto afilado. logic-books would not exist. ao menos. Bergson concluiu que esta divergência revelava uma “incompatibilidade radical e mesmo uma impossibilidade para a inteligência de assimilar o instinto (p. permanece interior a ele mesmo e. à vista do rigor que a lógica impõe quanto a fatos empíricos. tem seus escribas e seus fariseus (p. moral ou religiosa. Mais: o que haveria de essencial no instinto “não saberia exprimir-se em termos intelectuais (p. but the existence of logic-books is not one . 118)”. o que não o impediu de rejeitar a herança e trabalhar para o seu próprio sustento. um eu que teria duração. fosse ela política. 33)”. Para ele. Bergson. uma vez admitido. todavia. alteraria consideravelmente os resultados. aos 98 anos. 118)”. — refere-se a uma realidade. que todos nós compreenderíamos internamente. época em que Russell fez algumas considerações na introdução que elaborou especialmente para essa edição. Daí apresentar a impossibilidade de sua análise. Isso acontece. Pertencia a mais pura aristocracia inglesa. que haja aí incompreensão nativa e. Instinto e inteligência seriam dois desenvolvimentos divergentes de um mesmo princípio que “num caso.

Provavelmente — diz — “a intuição dos cães excederia a que se encontra entre os homens”. pois na conferência “Herbert Spencer”. em todo caso. Tal obra. essa outra paixão que arrastou Spencer. Russell fez ressaltar a grande polêmica gerada em torno da questão atinente a um ancestral comum entre homens e símios.of the premises of logic. desde A origem das espécies. mas. É ali que ele desenvolve um ataque a Bergson e ao valor que este atribui à intuição.32)”. antes de tudo. em particular. Não é incomum encontrar-se nesses homens uma maneira admirável. Em que pese o darwinismo ter seguidores do quilate de Huxley. Para ele. 387)”. Lembremo-nos.. Escreveu uma História do pensamento ocidental de leitura fácil a atraente. foi a presunção humana. publicado no Brasil em 1957. Ainda quando escreve sua História do Pensamento Ocidental. 24)”.. “via de regra — diz ele — maior nas crianças que nos adultos. Simon and Schuster. nos incultos que nos instruídos (p. O processo que levou da ameba ao Homem pareceu aos filósofos um progresso patente — conquanto não se saiba se a ameba concorda com essa opinião (p. obras e implicações históricas e psicológicas das idéias filosóficas. pois “a doutrina da sobrevivência dos mais adaptados inspiraria em parte o ideário político dos ditadores do século XX (p. viii)”. Oxford. não os protozoários. 8). aparecido em julho de 1914 no Hilbert Journal. incluídos outros ensaios. a teoria que teria deixado Spencer satisfeito. editada no Brasil em 2001. conforme referencia do autor no prefácio (p. revelandonos personagens. Assim. New York. a quem as verdades evolucionistas não passavam de . foi uma conseqüência de outra obra intitulada A History of Western Philosophy: And Its Connection with Political and Social Circumstances from the Earliest Times to the Present Day. quase insolente.. inclusive às ciências sociais e mesmo à psicologia. é o filósofo. “chocada com a revelação de seu parentesco com o macaco”. 24)”. pouca gente se aborrece com isso nos dias de hoje (p. nor can it be inferred from any proposition that has a right to be in a logic-book (p. quando sofreu tradução em termos políticos. Ali analisa as conseqüências do darwinismo. os que enxergam nestes fatos uma recomendação da intuição devem voltar à vida selvagem do mato. que encontrou um meio de se afirmar: “esse meio é a filosofia da evolução. desenvolvimento que nos garantem ser indubitável melhora. Mas vamos ao evolucionismo. e posteriormente tornado um livro de mesmo título. que o afirmam. pintando-se com urucu e vivendo de pitangas e mel-de-pau (p. 1945. afirmou: “Dizem-nos que a vida orgânica se desenvolveu gradualmente dos protozoários ao filósofo. do matemático e do físico. Um breve ensaio intitulado Misticismo e Lógica. Bertrand lamentou muitas coisas dessa filosofia darwinista. 387)”.. Infelizmente. de expressão. ele não foi nada complacente com os filósofos. cuja leitura talvez nos apresente esse filósofo melhor do que qualquer retrato seu. 1914. teoria que remonta a Anaximandro. Wisdom of the west. desabusada. mantém-se crítico em relação à originalidade de A origem das espécies. Não. de que o livro de Darwin foi o marco inicial de onde partiram inúmeras ampliações do paradigma biológico. Dentre seus muitos livros existe um. publicada na obra referida sob o título Sobre o método científico em filosofia. Deste modo: “. “Eu desconfio — disse ele — que tal suposição possa ofender aos macacos. (p.120)”. Surpreendente? Não. mostra-se falha aos olhos do lógico.

ou seja. mais do qualquer outro esforço humano. A filosofia científica.. jamais se deixando impressionar por miragens. Enfim. as esperanças. embora não possamos prevê-lo.. nem por isso se trata de uma premissa maior. Para tanto. simples ficções convenientes. argumentando que este vocábulo jamais ocorre nas ciências avançadas. Queria dele que reconhecesse essa impotência. de que a natureza humana não tinha chance de ser transcendida e que em nós sempre permaneceria algo de subjetivo. explica o que se pode entender por sistema determinista. t3. via o homem pequenino em comparação às forças da natureza.67)”. surpreende com A adoração dos homens Livres: “O escravo é condenado a adorar o Tempo. em Sobre a noção de causa. O que seria um sistema determinista? Russell julgava abusivo o emprego de certos termos. embora a prática da ciência suponha a uniformidade da natureza.. será melhor que o passado ou o presente: o leitor é como a criança que espera um doce porque lhe disseram que abra a boca e feche os olhos (p. necessariamente. Mostrava-se consciente. e até que ponto. é mister que eventos “e” se relacionem a tempos “t”. Nem o mundo do espírito nem o da matéria refletem um sistema rigorosamente mecânico. Em que pese todo esse rigor. Mecanicismo? Esse outro pressuposto spenceriano também é corrigido. conferência presidencial da Sociedade Aristotélica. de uma causa primeira que teria evoluído com precisão e complexidade. hoje verdadeiras.crenças. “De um modo qualquer — diz ele — sem afirmativa explícita. todavia. tn . respectivamente. não pode. t2. e por isso humilde e árdua.199).219). cuja extensão não poderia ser deliberadamente ampliada.. e2. 41)”. pois um sistema mecânico só pode ser assim definido corretamente quando possui uma série de determinantes puramente mecânicas. porque são maiores do que tudo o que ele encontra em si mesmo. deveria empenhar-se por manter-se fiel à objetividade. os desejos. quem não desconfiaria de algo assim. esta filosofia científica nos daria “a constante mais íntima e a relação mais chegada com o mundo exterior que se pode conseguir (p. . tais como a astronomia gravitacional (p. não excluiria o outro. ou seja. pois. Trata-se de um sistema que não poderia conter nenhum acaso.221-222)”. Ora. 33)”. e1. porém. Algo possível de maneira isolada. en em ocasiões t1. Em A noção de causa (p. Dedica-se com afinco a tecer uma minuciosa crítica à luz da lógica e da matemática. e3. Bertrand sonhava com uma filosofia que fosse legitimamente científica. a questão de saber. e o desejo de que seja teleológico não é base para se desejar que seja mecânico (p. o Destino e a Morte.. Talvez um sistema teleológico abrigasse tal pretensão. Bertrand Russell pretendia a extrusão da palavra causa do vocabulário filosófico. aquele no qual os propósitos se realizassem. e porque todos os seus pensamentos são de coisas que essas forças devoram (p. poderia haver um sistema mecânico no qual os desejos se realizassem e outro no qual malograssem. o nosso mundo real é teleológico. reclamando responsabilidade e precisão no emprego de quaisquer termos que fossem usados em questões científicas. congelamentos imaginários tão bem abordados em Misticismo e lógica. insinua-se a garantia de que o futuro. E um sistema.. amanhã falsas. ser resolvida pela prova de que é mecânico. ensaio incluído na obra Misticismo e Lógica. único modo de superar-se talvez. “. mas difícil de precisar no que concerne ao universo. 1912. Em 1902. explicando e justificando tudo? Determinismo? Lei de causalidade? Ora.

Direi apenas que nasceu em Sarlat. Tarde duvidava de Spencer. mais especificamente sobre evolução e sobre o fundo homogêneo ou heterogêneo das coisas e sobre a idéia de organismo social. por sinal. com uma rara sensação de coerência. contemplando corajosamente seu Destino. ao mesmo tempo em que imitador em todo resto de sua conduta? Quem não deixa atrás de si. diga-se de passagem.139).. é que. uma modificação despercebida de linguagem. porque se fosse falar sobre ele e sobre sua obra. que foi jurista. para desespero de quem busca aquele gênero de exposição tipicamente germânica.Mas o “homem livre. pois já vimos que Spencer extraiu disso quase todas as suas conclusões. sociólogo. poesias. de sentimentos? (p. Gabriel Tarde. interessou-se pela criminologia. 140)”. ressalta que. morrendo em 1904. de idéias. Todavia. De tudo o que escreveu sobre esta última prédica nada me pareceu mais contundente do que a passagem que se encontra em sua obra intitulada As Transformações do Direito. e um livro que marcou época: As leis da imitação. Permite-se divagar. sobre a importância que outorgou à psicologia e sobre o lugar de destaque que a ela reservou. Notável.8). em 1890. escreveu um romance. por fim. Reservei para o final algumas passagens escritas por Gabriel Tarde. Assevera ele que a história das sociedades parece submissa a leis bastante precisas “que teriam inspirado a pretensão de poderem ser formuladas” (p. porém. Integrou o Collège de France em 1900. a 12 de março de 1843. pois o próprio fado é vencido pela mente que nada deixa para ser expurgado pelo fogo purificador do Tempo (p. nem sempre mantendo o foco sobre o assunto que analisa. perguntou: “Mas quem de nós não inventa e não inova em algum grau. mesmo partindo de temas aparentemente sem relação. escreveria dezenas de páginas. inclusive no que concerne à psicologia. Em 1917. . e maneiras. Foi justamente ao fim desse capítulo que encontrei a passagem reveladora que me deu muito que pensar. Sobre Jean-Gabriel de Tarde vou limitar-me. desprezar esse aspecto individual levaria a conclusões apressadas. Não é de estranhar. ao prefaciar a obra que reúne esse e outros ensaios. seriam necessários ajustes e extensões abusivos. Para Tarde. Para meu espanto. da qual Spencer imaginou.67)”. de algum lado. encontraria em si mesmo a libertação. mecanicistas e organicistas houve quem delas duvidasse. freqüentemente imitada pelos juristas. pretensão esta. confessa que já não mantinha a mesma convicção no que concerne à objetividade do bem e do mal (p. Duvidava também do evolucionismo. Mas Russel corrigia sempre seu pensamento. admira certa dose de imprecisão nas estruturas. “. Suas idéias não são expostas seqüencialmente. ao final do capítulo dedicado às obrigações. porque Tarde freqüentemente tergiversa sobre vários temas. comprometendo a concepção da própria história humana e. e. e não é iniciador obscuro. um hábito novo no que lhe toca. após a leitura. Para que tal visão do homem e do mundo pudesse manter-se. Direi que sua obra foi recentemente reeditada em toda a Europa. a iniciativa pessoal (p. Tarde consiga nos deixar. sobretudo para quem. a formulação destas leis não poderia deixar de fora a importância capital do que chamou de “acidentes individuais do gênio. num círculo mais ou menos amplo ou restrito. poeticamente. o que torna sua leitura encantadora. mesmo no auge da aceitação das idéias deterministas. Note-se que a base sobre a qual Spencer concebeu seu sistema não era sem fragilidade. como eu. psicólogo. reclamou ao indivíduo uma parcela nada desprezível de contribuição à própria história humana.140)”. como vimos mais acima.. 1891. poder desincumbir-se. orgulhoso e triunfante”. e.

etc. foi matemático. coisa utilizada em cálculo. Gabriel Tarde não nega. — de acordo com Russell em sua História do pensamento universal.? Ora. psicológicas e sociais (p. seja ele popular ou mesmo científico. porque não poderíamos supor a homogeneidade das coisas. 68). ao mesmo tempo em que retoma o caráter infinitesimal da realidade. que se dirá da história humana. um ser individual. argumentando com o espaço euclidiano. inexplicável. de poeta e de romântico. mas que. — no que concerne à evolução e às linhas gerais formuladas como leis. para Tarde. a pretensa instabilidade do homogêneo. É preciso acrescentar que se trata daquilo que foi descoberto por Leibniz e Newton. — ou parecendo tal. Dei-me conta de que. fez ressaltar também a questão do fundo homogêneo ou heterogêneo das coisas. “No fundo. — deu margem a “algumas noções infundadas (p. falsa e arbitrária.139). a lei da diferenciação em suas aplicações orgânicas ou sociais. das sociedades. Convidando-nos a refletir sobre esse estranho fenômeno. — na Natureza (p. mais ainda. inexplicável fundamento de suas explicações (p. 68) — indestrutível e. mesmo poeta. ou seja. a tomar o “infinitesimal como insignificante. tomavam o rumo das repetições universalmente notadas e. porque não me convenci do que dali pude depreender. — postulou “esta floração espontânea e incessante de variações individuais. Considerando-se que Tarde. que levaria um Spencer ou mesmo um outro qualquer. 68)”. a origem das espécies tinha muito a ver com o aparecimento espontâneo de indivíduos mutantes que. essa quantidade infinitesimal é um dos mais bolorentos esqueletos dos armários da matemática. da sociologia. espanta-se com que chama de a força do preconceito. quando vemos brotar de um óvulo. por exemplo. Confesso que voltei ao texto inúmeras vezes. (. pois remonta à unidade dos pitagóricos. 1959. Afirma que unicamente o heterogêneo poderia desfrutar dessa instabilidade. sem nada de característico nem de espiritual. imaginada “. cada um dos aspectos sociais e cada um dos estados sociais não seriam senão integrações de invenções infinitesimais (p. Essa questão. homogêneo..404)”. realmente. argumentando com o espaço geométrico mesmo.) Ilusão indestrutível!” — lamenta (p. mas julga-a mal compreendida.. expressamente para conciliar-se com o preconceito de crer indiferenciado em si o indistinto a nossos olhos. o emprego da expressão integral sugeriu-me tratar-se da operação inversa da diferenciação. ou seja.68)”. “que não teria mudado desde Euclides” (p. apenas depois. tenha ou não Gabriel Tarde ampliado um paradigma matemático além do que lhe seria permitido. O universo visível ao qual nossas observações têm acesso procederia do invisível e do impenetrável. mas é em As Leis Sociais. Antecipando a crítica que suas suposições poderiam merecer. — para poder dar contas da evolução. que é uma versão similar dessa entidade (p. chama isso de uma pretensa lei. das exuberantes variações viventes. todavia. ao menos no que dizia respeito a certas convicções que eu mesma nunca havia me preocupado em submeter a uma revisão crítica. quando tudo a desmente. o cálculo infinitesimal do século XVIII.. de certa forma. “de um nada aparente de onde surge toda realidade de maneira inesgotável (p. permeia toda sua obra.141)”. sempre que impedir a uniformização crescente aí misturada e entrelaçada: . neutro. “única coisa perfeitamente homogênea. se. esboço de uma sociologia (1898) que ele se opõem frontalmente a Spencer. — fazia falta tal consideração. de onde tudo vem e para onde tudo retorna. da psicologia. passei a ver em Gabriel Tarde um questionador muito incômodo. De fato.68)”. a evidência das diversidades fenomenais.mesmo Darwin..405)”. De qualquer sorte.

sem dúvida. 1898 (p.70)”. 20)”. individualmente. Gabriel Tarde publica o artigo A idéia do Organismo social na Revue philosophique. Não obstante a aceitação e o crescimento dessas idéias. De meras engrenagens mecânicas. cada um forneceria uma data. “Eu conjuro os historiadores a dizerem-me. A tentativa de conformar a sociologia à biologia implicava em “torturar os fatos” para fazê-los inserir nas “fórmulas rígidas da evolução. a começar por Spencer (p. A indução que levaria a presumir algo que não dependeria da facticidade seria sustentável? Os empiristas dizem não. deixa-nos uma observação. Para ele. onde o homem. Enfim. há cinqüenta anos. 127)”. o misticismo parece errôneo. As diferenças existentes entre corpos vivos e corpos sociais seriam de tal monta. 120-135). entre estes. em junho de 1896. impostas ao curso da história (p. Possivelmente.126)”. o que pensar? Eis aí. mas em diversidades distintas. Mas. conquistava adeptos. ao contrário do que se poderia esperar desse lógico rigoroso. individualidade esta que nos é constantemente negada no mecanicismo. no mínimo. há um século atrás. estéril em verdades. René Worms. quando nasceu a nação francesa atual (p. Traduzo sua obra por prazer. via aí um “disfarce positivista do espírito de quimera (p. Fosse a sociedade um organismo. resumidamente. bem poderia existir aí “um elemento de sabedoria que se pode aprender da maneira mística de sentir. o que encontrei de mais expressivo dentre as críticas que visaram a fulminar a base do sistema formulado por Herbert Spencer. Além disso. os racionalistas dizem sim. mas. espécies de viagens circulares e idênticas em todo o mundo. no organicismo e em outras teorias que têm por conseqüência a desvalorização do homem frente ao todo social. tornado um mero detalhe. 123)”. pode ser descartado. nela existiriam outros organismos. há dez anos. “mas fecunda em ilusões e em cegueiras sistemáticas” (p. mais tarde reunido a outros em Études de Psychologie Sociale. sem as quais ela nos declara que a sociologia não saberia existir. “Ela nos força a fechar os olhos à plena luz da história e a arregalá-los na penumbra histórica e préhistórica onde nos lança na perseguição de fantásticas leis da história. quanto o estágio das realidades superficiais (p. que lhe pareceu espantosa a assimilação dessa idéia por tantos “espíritos eminentes.127)”. passamos a nos compreender a partir de um pressuposto repleto de individualidade. instigante. 128)”.“De sorte que o subsolo misterioso do mundo fenomenal seria tão rico em diversidades. porém. É . O que há de mais interessante na obra de Gabriel Tarde talvez seja a importância que seu trabalho pode ter diante de cada um de nós. se exercido com suficiente moderação. e jamais poderíamos precisar seu nascimento ou sua morte. e que não parece ser atingível de nenhuma outra maneira (p. ele mesmo um dos teóricos do organicismo. Mas sou confessadamente suspeita em relação a Gabriel Tarde. Sacrificálas seria sacrificá-la (p. porém com afastamentos mais que seculares. A visão da sociedade como um organismo social. desconsiderado. campo em que atuo profissionalmente. o próprio fundador do Instituto Internacional de Sociologia. Bertrand Russel dá inicio ao seu artigo Misticismo e lógica lembrando-nos duas posturas comumente empregadas pelo homem frente ao universo e às formas que empregamos para dele tomar conhecimento: a razão e a intuição. e devo a ele haver me revelado tudo o que eu ignorava mesmo sobre as ciências jurídicas. Têm-se insistido em ver a sociedade como um ente dotado de autonomia. 127)”.

mas “combinar nessas fórmulas todo suco de uma com a essência da outra (p. Companhia Editorial Nacional. La pensée et le mouvant. (1872). Referências Bibliográficas Bergson. Jean-Marie Tremblay. seja inspiradora do que há de melhor no Homem (p. Recent Discussions in science. Gerschet. rejeitando corajosamente filosofias e teses aceitas pelos sábios de então. Presses Universitaires de France. emoção. B. Velloso. Moral e física (Emygio d’Oliveira. (1903-1923). pelo simples fato de poder compartilhar suas idéias. Presses Universitaires de France. quando faz da intuição uma forma de saber.. sob a direção do Prof. que o obriga a confessar essa “perversa simpatia pelo credo metafísico” que ele negou como sendo um “resultado errôneo da emoção. seja nosso saber. parece-me.20)”. Trad. seja todo o conjunto das impressões colhidas ao longo da vida. A. Sem deixar de observar uma rigorosa exatidão no que for possível. 1890. 2001. 293 pág. H. quando. sociólogo. Spencer. The Principles of Mathematics. Londres. creio certo que.141)”.doc” com 245 p. 464 pág. Educação Intelectual. porém que. Spencer. Paris. George Allen & Unwin Ltd. H. trad. Jean-Marie Tremblay. arquivo “. Ediouro Publicações S. não apenas “sublimar a ciência e destilar a arte”. (1885). 534 pág. História do Pensamento Ocidental (Laura Alves e Aurélio Rebello.. trad. Paris. 254 pág.. seja nosso sentir. (1903). arquivo “. colorindo e informando todos os outros pensamentos e sentimentos. com as quais vamos construir nossa própria concepção de mundo e de nós mesmos. Essais et conférences. Misticismo e Lógica (W. nossa “diferença essencial. 27ª ed. H. . 372 pág. (1901-1915)..). cada vez que contatamos com as obras dos grandes homens. permanecerei em perpétuo culto àqueles indivíduos geniais e singulares que despertam em mim um sentimento de profunda gratidão. aprender a não desprezar o que existe de único em cada um nós. Paris. enfim. 309 pág. disponível na coleção Les Classisques de Sciences Sociales. sob a direção do Prof. 1885. única razão de ser de nosso ser (p. sua visão de mundo.141)”. São Paulo. Da mesma forma. Russell. 86ª ed. H. Alcan. L’évolution créatrice.. Bergson. 1888. Casa Editora Alcino Aranha & Cia. (1888). seu sentir. L'individu contre l'État (J. 349 pág. trad).doc” com 85 pág. D. Rio de Janeiro. (1959). Russel. (1907). Bergson presenteia-nos idéias repletas de um sentido quase místico.1950. H. B.. Porto. 1950. sociólogo. philosophy and morals. abre-nos a possibilidade de atingir o absoluto. disponível na coleção Les Classisques de Sciences Sociales. de toda sua herança generosamente deixada a gerações que eles sequer supunham herdeiras à época em que construíram sua obra. Ainda que contrariando frontalmente muitos pensadores da atualidade. nosso mais valioso patrimônio existencial. Appleton and Company. auferindo a herança de seu saber. B. Spencer. Russell. indo ainda mais longe. Finalmente. New York.sua rigorosa honestidade.). por que não pensar no que Gabriel Tarde sugere ser a tarefa do filósofo? Caberia a ele. 1957. pode sempre ser retificado e melhorado.).

. a partir do livro de Herbert Spencer (1889) Autobiographie. (1903). 2002. ambas citadas na bibliografia. formada em Direito pela Universidade do Vale dos Rios dos Sinos. também de Gabriel Tarde. Jean-Marie Tremblay. G. em dois arquivos “. Naissance de l’évolutionnisme liberal. com versões para o português de três obras de direito publicadas.doc”. com páginas numeradas. Les lois sociales. G. Trad. 2002. Paris. Ed. Jean-Marie Tremblay. Tomasini. Jean-Marie Tremblay. para as citações destacadas no presente artigo. Autobiographie. O Homem Delinqüente. o primeiro (I) com 171 páginas e o segundo (II) com 191. 2002. Alcan. Lenz. Paris. RS.. mtomasini@cpovo.doc” com 70 pág. versão para e-books Brasil.uqac. sob a direção do Prof. Alcan. Étude sociologique. Félix Alcan.). disponível em dois arquivos . disponível na coleção Les Classisques de Sciences Sociales.). RS.uquebec. Ed. 7ª edição. Alcan.). 1907. H. H. Tarde. Esquisse d’une socilogie. sociólogo. (1898). 465 pág. Supervirtual. sociólogo. entre parênteses. Notas [1] Trata-se de uma edição eletrônica realizada sob a direção do sociólogo canadense Prof. Tarde. versão para ebooks Brasil. Paris. de Gabriel Tarde. 1907. Supervirtual.net . É tradutora da língua francesa por amadorismo. sob a direção do Prof. Paris : Félix Alcan. de Gabriel Tarde. 2001. sob a direção do Prof. a saber.doc” com 283 pág. Ed. (1891). publicada sob o título de As Transformações do Direito. As Transformações do Direito. Tarde. Estudo Sociológico (M. Outras obras virtuais estão listadas na bibliografia. 1907. G. conforme a citação se encontre no primeiro ou no segundo arquivo. Estudo Sociológico (M. 2004. pela E-Books Brasil. (1891). Todos os trabalhos de tradução foram anotados e comentados com finalidade didática. trad. 1912. Tomasini. Jean-Marie Tremblay. e podem ser encontradas em http://www. 208 pág. Paris.Spencer. (Henry de Varigny. As Transformações do Direito. com habilitação específica em direito civil. Ed. Oscar Antonio Corbo Garcia.com. arquivo “. sociólogo. 1898. Estudo Sociológico. apenas uma comercialmente. Alcan.ca/zone30/Classiques_des_sciences_sociales/index. de César Lombroso. Naissance de l’évolutionnisme liberal. em conjunto com o Dr. disponível na coleção Les Classisques de Sciences Sociales.doc. Supervirtual e A Criminalidade Comparada. Dados pessoais da autora Maristela Bleggi Tomasini é advogada em Porto Alegre. (1889). arquivo “. 208 pág. em 1983.html [2] Esta passagem aparece no arquivo informatizado de minha tradução realizada sobre a obra Les Transformations du droit. traduzido do inglês e comentado por Henry de Varigny. Dessa forma. Spencer. disponível na coleção Les Classisques de Sciences Sociales. LesTransformations du droit. 7ª edição. 1912. destaco o número da página seguido de I ou II. Trad. Étude sociologique. Introduction à la Science Sociale. Paris. 1903. Porto Alegre.