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BACHARELADO EM GESTÃO PÚBLICA DA UFPR: UMA CONTRIBUIÇÃO AO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DO LITORAL DO PARANÁ
Rodrigo Rossi Horochovski Daniela Resende Archanjo Ivan Jairo Junckes Marcos Luiz Filippim Marisete T. Hoffmann-Horochovski 1 Mayra Taiza Sulzbach

1. Introdução O objetivo principal deste artigo é descrever e analisar o curso de Bacharelado em Gestão Pública da Universidade Federal do Paraná. Para tanto, dividimos o texto em três partes, além desta introdução. Num primeiro momento, realizamos uma descrição sucinta da unidade – denominada UFPR Litoral – em que o curso está inserido, em especial de seu Projeto Político Pedagógico (PPP). A seguir, debruçamo-nos sobre o curso em si, trazendo seu histórico e alguns elementos do Projeto Pedagógico do Curso (PPC) e do processo de Ensino-Aprendizagem. As considerações finais são dedicadas a um balanço dos ganhos até o momento bem como dos desafios que o curso deve enfrentar no presente e no futuro. A primeira turma do curso iniciou suas atividades em agosto de 2008, no campus avançado da universidade, denominado UFPR Litoral, no município de Matinhos, distante cerca de 120 quilômetros de Curitiba. Esta informação é crucial para compreender o cenário no qual se desenvolveram a ideia de criação e a própria concepção do curso.

Guaraqueçaba Antonina Morretes Paranaguá Pontal do Paraná Guaratuba

Matinhos

Fonte: Ipardes (2012)

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Professores do Curso de Bacharelado em Gestão Pública da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

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Figura 1 – Microrregiões geográficas do Estado do Paraná (em destaque, o Litoral do Estado) O litoral do Paraná2 é marcado por contrastes geográficos, ambientais, sociais e econômicos. Com pouco mais de 300 mil habitantes, abriga a maior reserva contínua de Floresta Atlântica original do Brasil e o segundo maior porto graneleiro do país, garantindo à cidade de Paranaguá uma expressiva geração de receitas e uma das maiores rendas per capita do país. Todavia, o porto acumula sérios problemas ambientais, sociais e epidemiológicos e a região abriga um dos quatro municípios de menor IDH – índice de desenvolvimento humano, do estado, Guaraqueçaba. A região apresenta uma espacialidade conurbada com mais de 60 quilômetros de extensão que "liga" os municípios de Guaratuba, Matinhos, Pontal e, também, Paranaguá. Esses três últimos possuem graus de urbanização superiores a 96% e são marcadamente ordenados por grupos imobiliários promotores de práticas especulativas e pela ocupação de áreas ambientalmente vulneráveis. Durante os verões, a população flutuante de veranistas e turistas chega a 1,3 milhão em seus balneários, gerando trabalho e renda e uma robusta arrecadação de tributos. Nos demais meses, a economia sofre os efeitos da sazonalidade e as oportunidades escasseiam, agravando a questão social e seus efeitos. Foge ao escopo deste trabalho uma discussão pormenorizada das causas desse quadro. Para isso, recomendamos a coletânea organizada por Denardin, Abraão e Quadros (2011), que sustenta nossas afirmações sobre a região. Interessa-nos principalmente reconhecer que ele acarreta desafios de monta, cujo enfrentamento demanda a constituição de uma governança alicerçada em políticas públicas inclusivas e consistentes. A implantação de uma unidade da UFPR no litoral do Estado está determinada pela articulação e promoção das políticas públicas para o local. Assumimos o papel de agente conector da rede de lugares do litoral na rede global de produção dos recursos materiais e simbólicos necessários à vida, pois sentido algum de emancipação e sustentabilidade em nossas políticas públicas poderia ser encontrado na inclusão subordinada de nossa agroecologia, aquicultura, turismo, educação, saúde e serviços logísticos aos fluxos mundializados presididos pela exclusão destrutiva que estrutura o sistema produtivo vigente.

2. A UFPR Litoral

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A região é formada por sete municípios: Antonina, Morretes, Guaraqueçaba, Paranaguá, Pontal do Paraná, Matinhos e Guaratuba, sendo os três últimos, cidades balneárias (Figura 1).

como índios e caboclos. 50 anos. uma tradição comum. Os novos paranaenses trouxeram suas próprias heranças culturais. Fundada em 19124. em permanente dificuldade para estabelecer uma identidade homogênea. a UFPR pode ser considerada o mais antigo estabelecimento com as características de universidade no Brasil em funcionamento ininterrupto.3 A UFPR Litoral3 é um campus avançado da Universidade Federal do Paraná. Em função do Programa Antártico. Os 3 Formalmente Setor Litoral. mineiros. acorreram japoneses. entre outros. respectivamente). a unidade só iria testemunhar uma expansão na segunda metade dos anos 2000. vale dizer. instala uma unidade de ensino fora da sede. que o distinguisse. o Paraná padecia de amplas dificuldades de transporte e comunicação. 4 O historiador e professor da universidade Ruy Wachowski escreveu denso relato da história da instituição na obra “Universidade do mate: história da UFPR” (1983). ainda que de forma bastante tímida. de outras universidades. a instituição ficou restrita à capital paranaense. mas a maioria da população formou-se a partir de levas de imigrantes e migrantes de várias localidades. Vale a pena discutir alguns deles. O Paraná é um estado no qual uma ocupação mais intensa é relativamente recente. Para agravar o quadro. 1947 e 1938. foram fundadas há poucas décadas (1934. no início dos anos dos anos 1980. Brasil Pinheiro-Machado (1930). ela inaugura o que é hoje o Centro de Estudos do Mar. a característica do Paraná e dos paranaenses foi o incaracterístico. que se subdivide em setores. era um dos estados menos populosos e menos povoados. como Londrina. Um exemplo pitoresco e ilustrativo é dado pelo futebol. a então Universidade do Paraná estabeleceu relação com um estado que servia mais de rota de passagem. suas identidades originárias e até os dias de hoje o tempo mostrou-se insuficiente para o fortalecimento de um tecido social mais tipicamente paranaense. institutos etc. Povos nativos e tradicionais. Grandes cidades do interior. a oeste. até poucas décadas. centros. com um único curso de graduação. começa a avançar para outras regiões do Estado. por muito tempo. na cidade de Palotina. Maringá e Cascavel. 40. Diversos fatores contribuíram para isso ao longo da história. com o advento do Reuni (Reestruturação e Expansão das Universidades Federais). Localizada a 600 quilômetros de Curitiba. principalmente a partir do chamado terceiro planalto. entre outras. o que acarretou barreiras à absorção dos recémchegados ao Paraná tradicional. paulistas e nordestinos. Desde sua constituição. Ao norte. diferentemente do que ocorreu em outros estados de colonização mais antiga. Parafraseando um famoso historiador local. equivalentes a faculdades. habitavam essas regiões. gaúchos e catarinenses oriundos do Rio Grande do Sul. Durante a maior parte de sua história. . Até o início do século XX. que começa a cerca de 400 quilômetros a oeste de Curitiba. Só recentemente. como resultado de processos de colonização agrícola. Somente nos anos 1990. conforme o organograma da UFPR.

para o que se exigem professores titulados e com dedicação exclusiva. No Paraná. pelo desenvolvimento dos meios de comunicação e transporte. era uma instituição majoritariamente voltada ao ensino. O início da UFPR Litoral remonta às transições nos governos federal e estadual em 2003. por todo o território paranaense. principalmente nas áreas de ciências humanas. apesar do nome. mais do que isso. Por um lado. Por outro. pode ser entendida como culminância desse processo. era de se esperar. que atraem muitos alunos de outras partes do Brasil e cuja formação de quadros da carreira científica voltou-se a centros mais consolidados. como São Paulo. Roberto Requião (PMDB) era . inclusive na preparação de quadros profissionais e políticos. a penetração da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) ou da USP (Universidade de São Paulo) em seus estados. Há que se acrescentar. que a instituição exercesse forte influência. por exemplo. por muitos anos a UFPR foi mais uma universidade de Curitiba do que do Paraná e. criou-se um sistema de instituições de ensino superior. No norte do estado. do ponto de vista da universidade. que vinha se formando desde meados dos anos 1970. podemos dizer que. Somado à histórica timidez intelectual e um direcionamento das reflexões sobre a sociedade distinto do que se fazia nos centros de produção de conhecimento. a universidade brasileira conquista certa autonomia e consolida o tripé fundamental – ensino. pesquisa e extensão. ainda.4 grandes times da capital só possuem torcidas expressivas nas regiões próximas a Curitiba. o processo de integração do próprio Estado do Paraná. num movimento que coincide com a redemocratização do país e um novo arcabouço institucional para a educação brasileira. como ocorre em outras unidades da Federação. a UFPR ressentiu-se da ausência de um enfoque na pesquisa. O que a universidade tem a ver com tudo isso? Em princípio. Uma das propostas da campanha do governador eleito. Até poucas décadas. A criação de campi fora da sede. os times paulistas atraem a maioria dos torcedores. no oeste. qualificadas em centros de pesquisa desenvolvidos. um espaço da elite curitibana. times gaúchos. Rio Grande do Sul e mesmo Santa Catarina. à preparação de quadros qualificados para o mundo do trabalho. a realização de concursos para provimento dos cargos atraiu pessoas de várias partes do país. permitiu um adensamento das relações entre as instituições de ensino e a própria expansão da UFPR para outros pontos do território paranaense. diferentemente do que acontecia em estados próximos. contando com sete universidades. Este quadro começou a sofrer mudanças mais significativas a partir dos anos 1980. sob a responsabilidade do Governo do Estado. Simplificando. que. mas que se consolida com o novo sistema constitucional. como a própria UFPR Litoral. Tal não aconteceu com a intensidade verificada em outros locais – veja-se.

responsabilizou-se por segurança. por meio de extensões de universidades existentes para o interior do país. à época tendo Francisco Carlim dos Santos (PSDB) à frente. o projeto político pedagógico pode ser uma inovação metodológica que provoca contraditórios e promove rupturas no quadro educacional local. . Maria Isabel da Cunha (2004) aponta que embora tenhamos "nichos acadêmicos que abrigam práticas pedagógicas" emancipatórias. tal qual tem sido analisado por Ilma Veiga (2003). e. um elemento de diferenciação. No segundo semestre de 2005. pode-se afirmar que a institucionalidade acadêmica tem reciclado a racionalidade instrumental mediante uma descentralização tecno-gerencial pautada por padrões de competitividade e quantificação. A UFPR Litoral resultou de uma pactuação de diferentes níveis de governo e instituições. a arcar com a administração do campus. uma prática social que além de estar junto à sociedade está também na comunidade na condição de instituição instituinte de um espaço plural de expressão das distintas opiniões. entre outras formas. ou melhor. reformar e edificar as instalações físicas. equipamentos. implicando a vivência democrática entre os segmentos da comunidade acadêmica. Constava no programa de Governo de Lula (PT) a expansão do ensino superior. Em uma perspectiva emancipatória ou edificante. predominantemente.5 instalar uma universidade na região. limpeza e serviços como luz e telefonia. no caso em exame. o que é por si só. por meio da UFPR. O governo municipal também foi envolvido e a Prefeitura de Matinhos. Constata-se uma nefasta dinâmica que conjuga descentralização operacional e persistência da centralização política. atitudes e projetos que disputam a legitimação social na região. se encontraram de fato. Determinada a incentivar o desenvolvimento emancipatório no litoral e no Vale do Ribeira. bolsas etc. Os programas convergiam. O principal diferencial da UFPR Litoral é possuir um Projeto Político Pedagógico (PPP) inovador. a UFPR Litoral destaca no seu PPP a concepção de academia universitária como uma ação social. tendo como resultado a frustração das estruturas coletivas de trabalho formadas por escolas-famílias-comunidades autorresponsabilizadas por assumir um direito universal em uma unidade atomizada do sistema. A análise dessa trajetória dos projetos político pedagógicos no Brasil aponta para uma acentuada esquizofrenia entre regulação instrumental e emancipação. portanto. incluindo a contratação de professores e servidores técnicoadministrativos. a persistência de acentuados padrões tecnocráticos de gestão em nossas unidades educacionais – poucas são as comunidades escolares que tentam implementar mudanças expressivas. O governo federal. iniciam-se os primeiros cursos. O Governo estadual comprometeu-se a disponibilizar. A análise das experiências de PPPs no Brasil indica. sobretudo para áreas carentes.

2. "diferentemente do entendimento de conhecimento que preponderou na modernidade" a prática pedagógica na UFPR Litoral está comprometida com a superação da concepção reprodutivista e da fragmentação do conhecimento. de uma globalidade que se faz pelo local. ou seja. o propor a transformação e o agir coletivamente pela emancipação. torna-se fundante do projeto político pedagógico porque contém um potencial de conectividade global para subverter os controles de apropriação mercantil e subsunção ideológica que vivemos. (re)fundam-se a universalidade e a localidade contestatórias da tecnocracia modernizante que assalta as experiências de projetos político pedagógicos no país. Expressão desta glocalidade. Esta disposição está bem expressa no PPP da UFPR Litoral. Desta forma a ação orienta-se para a constituição de um crescente curricular que abrange o conhecer e compreender pela exploração da totalidade da situação. Assim.litoral.ufpr. tal qual apontado por Marilena Chauí (2001) ao discutir a universidade sob uma nova perspectiva. Estas três fases de des-cobertas 5 A íntegra do projeto está disponível no sítio eletrônico do Setor.br/sites/default/files/PPP%20-%20UFPR%20-%20LITORAL.1 O enfrentamento com a instrumentalidade modernizante através das práticas curriculares Tal qual expresso no próprio PPP5. como afirma Moacir Gadotti (2000). por este grupo social litorâneo. a UFPR Litoral questiona-se sobre os fins de sua intervenção em uma academia mundializada que está imersa em uma sociedade multicultural. em: http://www. a concepção de lugar é fundante para o projeto da UFPR Litoral. e mais propriamente a rede de lugares do litoral. o qual assume para si a corresponsabilidade da conexão entre os lugares que compõem o litoral paranaense e Vale do Ribeira quanto de sua conexão com o mundo nos mais diversos campos do saber e atuação produtiva. Tal disposição se contrapõe à corrente hegemônica das reformas educacionais globais que transformam a instituição universidade em organizações de serviços mercantis de escolarização superior. O lugar. donde o poder local emerge com cada vez mais legitimidade.6 É notável no projeto político pedagógico da UFPR Litoral a determinação para reafirmar-se como instituição autônoma e expressão de um direito social. Verifica-se que muito além de métodos tradicionais ou modernos. Esta escolha implica toda a sua equipe e fóruns intra e extra-Universidade na promoção de uma leitura crítica do mundo como o elemento articulador de saberes que tanto sejam constituídos pelos locais e lugares do Litoral quanto sejam deles constituintes em uma perspectiva emancipatória.pdf .

as quais constituem um recurso privilegiado que fusiona tanto os fundamentos teórico-práticos quanto os projetos em curso através de atividades de encontro e pertencimento tanto do corpo discente. Na UFPR Litoral vislumbra-se. e Aprendizagem Insuficiente (AI). havendo quatro possibilidades: Aprendizagem Plena (APL). no entanto. em especial dos estudantes. Os projetos (PA) poderiam a princípio ser pensados como aqueles trabalhos clássicos desenvolvidos por alunos e orientados por professores. por deliberação das instâncias do Setor. aquela que entrega o conhecimento pronto ao educando. Aprendizagem Suficiente (AS). Constitui-se de forma assim um ciclo de aprendizagem compreendendo elementos interdependente: comunidade-alunos- professores-instituição-teoria-prática-comunidade. No caso de obter conceito AI. com o que Paulo Freire (2002) denomina de educação bancária. o PPP tem o objetivo de promover uma educação emancipatória. um rompimento com os paradigmas pedagógicos tradicionais. Outro diferencial da unidade é o sistema de avaliação. é possível realizar um processo denominado Plano de Recuperação da Aprendizagem Estudantil (PRAE). Nos dois primeiros casos o estudante é aprovado no módulo cursado. mas sim por projetos que integram diversos conhecimentos em sua realização prática. por meio de um mecanismo denominado Semana de Estudos Intensivos (SEI). Os fundamentos teórico-práticos (FTP) – espaço dos conteúdos mais específicos dos cursos – baseiam-se numa metodologia interdisciplinar. também. pautados na divisão cartesiana do saber. todavia na UFPR Litoral ocorrem projetos de professores. Almeja-se romper. projetos e interações culturais e humanísticas. Para tanto. É interessante mencionar que ao fim de cada semestre letivo o conjunto dos docentes reúne- . que não é por notas e médias. Aprendizagem Parcialmente Suficiente (APS). Desse modo. no terceiro. administrativo e docente quanto das comunidades constituintes e constituídas pela UFPR seus Litoral. de alunos e de ambos articulados entre si na comunidade. pode buscar a recuperação da aprendizagem. na qual o conteúdo não está condicionado por uma única disciplina encerrada em si mesma. tomando-o como um ator passivo.7 e ação coletiva são organizadas e realizadas em três espaços curriculares de aprendizagem: fundamentos teórico-práticos. O terceiro espaço-momento são as interações culturais e humanísticas (ICH). com que se busca traduzir a aprendizagem obtida pelo estudante. prevê uma atuação para além dos muros da universidade. com a dominância absoluta da ciência em detrimento das formas tradicionais e populares. articulada com atores da esfera pública local e com os sistemas educacionais públicos de todos os níveis. que compartimentaliza o conhecimento em disciplinas estanques e distingue as modalidades do conhecimento. deve cursar novamente o módulo. mas sim por conceitos. a princípio. em essência. fundada na autonomia e no protagonismo dos sujeitos.

Pesquisa e Extensão) no final de 2011. no qual se previu a construção coletiva da própria estrutura organizacional. Todo este conjunto implica um grande desafio de gestão pública da educação. Pensar a relação entre um projeto que aspira a autonomia. . por exemplo) e de cursos. depende de alterações prévias no Regimento e Estatuto da UFPR. foi composta em 2012 por três cargos – um diretor geral. os quais a academia está existencialmente condenada a discutir e assimilar. pois. programas de qualidade e índices de produtividade torna-se. A UFPR Litoral pretende-se. em função de inovações propostas. Os demais órgãos componentes do organograma são câmaras. O órgão máximo de deliberação é o Conselho Diretor. Cerca de trezentas pessoas compõem este órgão no qual. Desta forma a autonomia se realiza na preservação da educação como um direito universal e sem que as políticas acadêmicas estejam dependentes da mercantilização da pesquisa e da própria docência. equivalente a um terço do número total de membros do órgão colegiado. seguindo o regimento proposto para o Setor. segundo a proposta de regimento do Setor6. e dela é dependente. a gestão do projeto político pedagógico é assumida como um espaço constituído dos contraditórios próprios da sociedade política suscitados por toda intervenção institucional. foi encaminhada diretamente ao COUN (Conselho Universitário) visto que sua aprovação. no caso da UFPR Litoral. a instituição aspira à universalidade enquanto uma organização depende de sua particularidade instrumental. distintas posições e interesses. um projeto de gestão participativa. Comportam-se. servidores técnico-administrativos e estudantes. especialmente no campo da educação. com a heteronomia universitária capturada por contratos de pesquisa. tal qual aponta Marilena Chauí (2003). Nos dois primeiros casos. ainda. apresentada ao CEPE (Conselho de Ensino. arena paritária composta por três categorias: docentes. escolhida pelos seus pares. As decisões do Conselho Diretor são implantadas por uma Direção que. todos os servidores são membros do referido conselho e. horizontal e preconiza a participação do maior número possível nas decisões. O organograma resultante espelha esse pressuposto. são tomadas as decisões que afetam o conjunto dos sujeitos que o compõem. Dado o desafio. essas últimas cumprindo funções semelhantes às de colegiados de cursos e departamentos. sob pena de um lamentável ostracismo intelectual.8 se no Comitê de Avaliação de Ensino Aprendizagem (CAEA). estes possuem uma representação. Pode-se depreender que se trata de desenho institucional participativo e com diversas inovações vis-à-vis as IES tradicionais. um aprendizado adicional. 6 A proposta de Regimento do Setor Litoral. É simples. Há uma câmara administrativa e câmaras técnicas temáticas (PA e ICH. no espaço gestor. assim. um administrativo e um pedagógico. no caso dos estudantes. no qual a situação de todos os cursos e estudantes é avaliada coletivamente.

É num campo mais especificamente político. as dezenas de unidades abertas nos setores de alimentação e lazer. A criação de um campo de formação na área pública é decorrência lógica deste processo que. centenas de estudantes de outros municípios próximos e até de outros estados e países foram atraídos para os cursos ofertados. No campo econômico. foi a necessidade de incrementar a gestão pública na região. professores atuantes neste curso concluíram que ele não contemplava especificamente temas relacionados à esfera pública. Apesar de seu projeto dar ênfase a todas as dimensões do desenvolvimento. O curso de Gestão Pública No processo de instalação da UFPR Litoral. dança. principalmente em nível local – patronagem. não se faz de forma imediata. Do ponto de vista da formação de quadros. que de resto valeriam para qualquer contexto no Brasil. Dar conta desta tensão não está nos objetivos deste artigo. De todo modo. além da abertura de livrarias. de trabalho e renda. com efeito. pode-se observar um crescimento da participação crítica de amplos estratos populacionais na formulação de políticas públicas e no controle social. . que funcionam o ano inteiro. em grande medida propiciada pelo projeto inovador. assim como a geração de externalidades positivas na região pela mera presença da universidade. Podem-se citar. teatro. clientelismo. culminou na criação do curso em exame. processo que induz a avanços na governança e na accountability democrática em seus sentidos de prestação de contas e responsividade dos governos às demandas societais. de transporte. no caso da UFPR Litoral. incluindo música. É evidente que a ultrapassagem dos elementos que caracterizam a política brasileira. corrupção etc. não obstante. que se podem esperar alguns dos principais avanços. como consequência. –. Ademais. o cotidiano da UFPR Litoral é marcado por uma tensão permanente entre o ideal normativo e o real. representando incremento da massa salarial da região e o consequente desenvolvimento de oportunidades permanentes. No campo cultural.9 O plano empírico não é. 3. uma das constatações. cinema. imobiliário. é necessário reconhecer a melhoria dos indicadores educacionais quantitativos e qualitativos. assistese ao desenvolvimento de expressões artísticas. foi criado o curso de Gestão e Empreendedorismo que se iniciou no segundo semestre de 2006. No entanto. com o aumento do capital circulante na região e da própria arrecadação de tributos. um fac-símile do plano prescritivo e como em qualquer experiência social. a instalação de uma estrutura federal resultou no estabelecimento de duas centenas de trabalhadores e suas famílias.

conforme prescrição do pensador chileno Carlos Matus (1993). marcaram a construção do PPC. livre de conflitos e contradições. O processo culminou.litoral. quando passou a ofertar 35. não a quase totalidade do currículo. Todos tiveram de ceder para que se chegasse a um consenso em que todos os concernidos tivessem suas posições consideradas de alguma forma. Mais de 30 reuniões. Merece destaque o fato de o curso estar em andamento durante a formulação do PPC. 7 O curso ofertava 30 vagas anuais até 2011. o Conselho Universitário (COUN). no primeiro semestre de 2008. seja por meio de enquetes ou mediante a representação discente na câmara do curso. Tratou-se de um teste para a capacidade de negociação dos atores envolvidos. Em função de uma crescente percepção de que os desafios ao desenvolvimento residiam principalmente no funcionamento da esfera pública. citamos aqui a dificuldade de encaixar todas as demandas que todos e cada um consideram importante. . ainda que com foco no empreendedorismo de comunidades.ufpr. Desse modo. na decisão. o Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão (CEPE) e.br/gp. o Conselho Diretor do Setor Litoral. A proposta foi apresentada e aprovada no Conselho Diretor da instituição e o curso iniciou-se em agosto de 2008. Como ocorre em outras ações coletivas.10 na medida em que se voltava mais ao fomento de iniciativas empreendedoras. em 2011. Esse foi um aspecto especialmente problemático em um curso cujos espaços de aprendizagem especificamente voltados à formação profissional – os chamados FTPs (Fundamentos Teórico-Práticos) – ocupam pouco mais de três quintos da carga horária. profissionais e mesmo políticas daquela primeira turma do curso. em função de suas formações e trajetórias particulares. nas instâncias competentes da UFPR8 – a própria Câmara do Curso. foram realizadas até chegarmos ao documento que foi aprovado. como em geral acontece. finalmente. debates foram se avolumando no âmbito da câmara do curso de Gestão e Empreendedorismo. de propor a criação imediata de um curso presencial de Bacharelado em Gestão Pública. Presidiu o processo a concepção de um planejamento estratégico permanente e participativo. Muito pelo contrário. 40 novos estudantes serão incorporados. resultantes de diferentes formações e posições na correlação de forças políticas dentro da universidade. na medida em que isso possibilitou que os estudantes participassem. com duração média de duas horas cada uma. pudemos de algum modo colocar para dentro do projeto aspirações pessoais. o processo não se deu de maneira linear. com uma turma de 30 alunos7. expressa em um abaixo assinado entregue à Direção do Setor. e não como mera agregação de preferências ou imposição desta ou daquela corrente. 8 Este e outros documentos estão disponíveis na página do curso na internet: www. A construção do Projeto Pedagógico do Curso foi processual. No vestibular de 2012. Entre os inúmeros exemplos das referidas tensões. tensões as mais diversas.

Projetos de Aprendizagem e Interações Culturais Humanísticas. mantendo. deixar de lado a diversidade de caminhos possíveis numa profissão tão vasta. Ou seja. que o campo vem procurando aprovar definitivamente junto ao Conselho Nacional de Educação9. há dois eixos em Fundamentos Teórico-Práticos. porém escasso. que está disponível em: http://portal.br/index. Moveu-nos a ideia-força de que os módulos não são estanques. construímos um curso. Resguardando os espaços de aprendizagem que constituem todos os cursos do Setor. nosso quadro docente enxuto nos impôs a necessidade de juntar diferentes turmas num único módulo. a Angrad – Associação Nacional de Cursos de Graduação em Administração e o CFA – Conselho Federal de Administração interpuseram recurso contra o parecer. Os princípios em torno dos quais começamos a discutir foram a governança. 3. A rigor. Podemos afirmar que um elemento essencial para isso ser possível foi tomar como ponto de partida princípios e não conteúdos programáticos. PA e optativos.mec. a consolidação de um longo processo de maturação. Todavia. a cidadania em todas as suas expressões. maximizando o emprego de um recurso essencial.gov. contudo. a adoção de um currículo flexível nos possibilita resolver desafios que a todo o momento aparecem. a flexibilidade e a autonomia nos percursos formativos e o permanente diálogo entre teoria e prática. o estudante tem liberdade de escolha nos módulos de ICH. Essa é a razão principal para termos decidido pela inexistência de co ou pré-requisitos ou ainda. No coletivo. desde o início tínhamos a convicção de que a “grade curricular” é a resultante. participa da discussão.php?option=com_content&view=article&id=12991&Itemid=866. o desenvolvimento sustentável e multidimensional. sem. a coerência com a formação do profissional com as competências e habilidades almejadas. a cada final de semestre.11 A despeito das dificuldades. Por outro lado. na qual todos os partícipes têm o mesmo status.1 Mapa curricular À luz desses princípios. que somam no mínimo 400 horas no âmbito dos Fundamentos Teórico-Práticos e podem ser feitos em qualquer graduação da UFPR e mesmo de outras universidades. Em diversas ocasiões. dentro dos quais se distribuem os módulos: Estado e Política e Território e Gestão. que deve ser pautado na discussão franca e aberta. mas sim formas operacionais de mediar um processo de ensino-aprendizagem com unidade. nível de informação. que são os professores. . Frisamos que esses princípios já estão em consonância com as diretrizes dos cursos da área pública. Aquilo que poderia parecer uma solução para um problema administrativo 9 O Parecer 266/2010 da Câmara de Ensino de Superior do referido conselho aprovou as Diretrizes Curriculares Nacionais do Campo de Públicas. de quais módulos de FTP serão oferecidos no semestre seguinte. portanto. para reservarmos uma carga horária razoável para módulos optativos. o Curso de Bacharelado em Gestão Pública da UFPR está estruturado em eixos e módulos (Anexo 1). capacidade e contribuição.

sugerindo artigo e monografia como possibilidades.3 Atividades formativas complementares A formação de profissionais e. unidade de análise e procedimentos. A experiência foi muito rica porque naquele momento o país estava vivendo um período de Eleições Gerais. a serem incorporados nas versões finais.2 Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) O PPC de Gestão Pública prevê. sobretudo da região. A flexibilidade no TCC vai. professores e estudantes. Reconhecendo. na biblioteca ou por outros meios. como requisito para obtenção do grau de bacharel. Quando regulamentamos o TCC. a . Ele é realizado sob a orientação de um professor e apresentado a uma banca composta por professores e/ou profissionais da área de gestão pública e correlatas. cidadãos não se resume ao espaço da escola e ao percurso formativo previsto nos currículos escolares. mas também o suporte do trabalho. no qual todos os estudantes expõem seus trabalhos no estado em que eles se encontram (concluídos ou não) e recebem sugestões de ajustes. conferir em tempo real e in loco os conteúdos abordados. o desenvolvimento e a apresentação de um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) pelos estudantes do último ano. principalmente. sendo um deles o orientador. incluindo um exercício de planejamento de campanha com a presença de políticos e assessores avaliando os trabalhos. Participação Política e Dinâmica Eleitoral. Exemplo disso ocorreu no segundo semestre de 2010 quando todas as três turmas de então se uniram em um de nossos módulos obrigatórios. no entanto. Desse modo. que serviram como caso de estudo para todos os objetivos que compõem a ementa do módulo em questão. da universidade ou da sociedade em geral. oferecer oportunidades inigualáveis do ponto de vista pedagógico. além dessas escolhas. com dados e ideias. que pode durar um ou mais dias. enfim. Uma particularidade da apresentação é que todas as bancas se realizam em um único seminário. com o que se espera que as pesquisas e propostas de intervenção constituídas contribuam para o desenvolvimento. mas mantê-lo flexível. Prevê-se que estas sejam disponibilizadas à comunidade. por exemplo. 3. 3. desde que haja um acordo coletivo entre todas as partes envolvidas – câmara do curso. conforme demandas dos próprios estudantes. abrem-se potenciais para o desenvolvimento. Nos demais aspectos. de programas ou políticas públicas em consonância com os atores políticos locais. então. o TCC segue dinâmica semelhante à de qualquer curso de bacharelado no Brasil. deixamos a cargo do estudante a escolha não apenas de tema. permitindo a realização de propostas diferenciadas. objeto. contudo. Os estudantes puderam.12 pode. optamos por não prendê-lo em um formato único. Nesse sentido.

o PPC de Gestão Pública prevê a realização de Atividades Formativas Complementares (AFC). ICH e PA. Congressos. As AFCs integram o currículo. devendo somar pelo menos 80 horas ao longo do curso. ou seja. ou seja.5% da carga horária do curso) Tipo-Natureza (Resolução 70-04 Cepe – Art.5% da carga horária prevista. FTPs.) . 4º) Disciplina ou Módulos Eletivos Carga Horária Máxima Revalidável 60 Horas ou 4 Créditos (De 15 h/a cada) 100 Horas 100 Horas 100 Horas 100 Horas 30 Horas 30 Horas 30 Horas 60 Horas 100 Horas 60 Horas Equivalência em Horas 60 Estágio Não Obrigatório Monitoria Atividade de Pesquisa – Iniciação Científica Atividade de Extensão Ead – Ensino à Distância Atividades de Representação Acadêmica Atividades Culturais Não Vinculadas Ao ICH Eventos (Seminários. 2.13 necessidade de estimular os estudantes a frequentar e desenvolver atividades que contribuam para sua formação e seguindo a legislação sobre o tema e as normas internas da UFPR. etc.Como Participante (Ouvinte) PET – Programa Especial de Treinamento Projetos Ligados a Ações em Educação Pública do Litoral do Paraná (Não Vinculados ao Projeto de Aprendizagem) Oficinas Didáticas Complementares Programa de Voluntariado Programas e Projetos Institucionais Empresa Júnior Apresentação de Trabalhos em Eventos Publicação de Artigos Científicos em Revista Indexada Participação Em Cursos (Como Ouvinte) 100 100 100 100 30 30 8 30 100 60 100 Horas 30 Horas 30 Horas 30 Horas Até 5 Trabalhos Até 5 Artigos 60 Horas 100 30 30 30 Cada Trabalho = 15 Horas Cada Artigo = 60 Horas 30 . não podendo as horas excedentes substituir carga horária de outros espaços formativos. As atividades são validadas conforme o quadro a seguir: TABELA DE ATIVIDADES COMPLEMENTARES CURSO DE GESTÃO PÚBLICA UFPR LITORAL Carga horária mínima total: 80 horas (2.

Há equilíbrio de gênero. Gestão Pública é um curso noturno na UFPR. na medida em que os atributos do publico alvo exercem forte influência no funcionamento do processo de ensino-aprendizagem. . alguns dados que permitem caracterizar nosso alunado atual10. mais de 54 2 2% 2% 45-54 10 11% 13% 35-44 9 9% 22% 25-34 30 32% 54% 17 -24 43 45% 99% Sem resposta 1 1% 100% Total 95 100% Fonte: NCA Tabela 2 – Estudantes de Gestão Pública UFPR – Gênero Resposta n % Feminino 43 45% Masculino 51 54% Sem resposta 1 1% Total 95 100% Fonte: NCA 10 Os dados provêm de duas fontes: o Núcleo de Controle Acadêmico (NCA). 3. de jovens adultos entre 17 e 24 anos (Tabela 1). a maioria dos estudantes pode ser considerada madura.4 Perfil dos estudantes Até 5 Publicações 60 Horas 20 Horas 60 O perfil dos estudantes. o Programa de Apoio à Aprendizagem (Proa). a seguir. Trazemos. Tabela 1 – Estudantes de Gestão Pública UFPR – Idade Resposta n % % acum.14 Ouvinte) Publicação em Periódicos Não Indexados Cursos de Línguas Estrangeiras Fonte: UFPR (2011). e. tanto o projetado quanto o efetivado. que compilou dados dos vestibulares entre 2008 e 2011. Tal como acontece em outras graduações que funcionam à noite. que realizou diagnóstico com os estudantes da UFPR Litoral em 2011. encontrando-se em faixas etárias superiores à esperada para frequência em um curso superior. deve ser considerado no planejamento e replanejamento de um curso. com ligeira vantagem masculina (tabela 2).

e estudo e vida pessoal e familiar influenciam (muito ou pouco) suas trajetórias universitárias (Tabelas 3 e 4). Tabela 3 . tendo de se deslocar vários quilômetros todas as noites para estudar (Tabela 5). cidade que sedia o curso.15 A idade dos estudantes repercute noutras variáveis. Número significativo deles (26) têm filhos. A maioria afirma que conciliar estudo e trabalho.Onde reside Resposta n % Matinhos 47 49% Outras cidades da região 36 38% Sem resposta 12 13% Total 95 100% Fonte: NCA Os fatores analisados acima constituem desafios à formação e permanência dos estudantes na universidade.Estudantes de Gestão Pública UFPR .Conciliar Estudo e Trabalho Resposta n % Muita influência 33 35% Pouca influência 43 45% Sem influência 16 17% Sem resposta 3 3% Total 95 100% Fonte: Proa Tabela 4 . Tabela 5 . eles parecem estar satisfeitos com o curso .Estudantes de Gestão Pública UFPR . parcela expressiva vem de outras cidades da região.Conciliar Estudo e Vida Pessoal e Familiar Resposta n % Muita influência 19 20% Pouca influência 39 41% Sem influência 36 38% Sem resposta 1 1% Total 95 100% Fonte: Proa Embora a maior parte do corpo discente viva em Matinhos. A despeito disso.

em prefeituras. Tabela 6 . 3. sendo pouco expressivas as quantidades que avaliam o curso como pouco ou excessivamente exigente. dividimos o número de abandonos (30) pelo total de vagas ofertadas no período de 2008 a 2011 (125). da ordem de 24%.6 A pesquisa e a extensão no tripé da aprendizagem . como tal. não é incomum encontrar estudantes que iniciaram ou até mesmo concluíram outros cursos de graduação e pós. atrai um perfil de estudante trabalhador. Pode-se depreender disso da avaliação que fizeram do nível de exigência do curso (Tabela 6). diante do quadro geral do Ensino Superior no Brasil e das próprias dificuldades enfrentadas por estudantes que precisam dividir seu tempo entre os estudos. câmaras municipais. o trabalho e a vida familiar. Praticamente metade afirmou que este nível é bom (resposta mais frequente).Estudantes de Gestão Pública UFPR . estagiários e mesmo como políticos e assessores – na esfera pública da região. Embora reconheçamos a necessidade de medidas de redução do índice de evasão. optamos pelo estágio não obrigatório. comarcas judiciais etc. deslocamento para chegar à instituição. O curso é exclusivamente noturno e. podemos considerá-lo aceitável.5 Política de estágio O PPC de Gestão Pública prevê a realização de estágio como espaço de aprendizagem que integra as atividades formativas complementares. Ademais.Nível de exigência do curso Resposta n % Excessivo 3 3% Bom 46 48% Regular 36 38% Fraco 9 9% Sem resposta 1 1% Total 95 100% Fonte: Proa Esses números se refletem na evasão registrada pelo curso. Desse modo. Parte significativa dos estudantes atua – como funcionários.16 que escolheram. Para chegar a esta porcentagem. 3. por vezes de uma faixa etária mais madura. Em tal escolha considera o supra-analisado perfil do estudante.

dos diversos períodos. quedando-se como grande desafio o . como o Programa de Educação Tutorial – Pet Litoral Social. o qual desenvolve atividades formativas nos três eixos do conhecimento. Os principais documentos apresentados para comprovação das horas são certificados de eventos. contando atualmente com cinco alunos. os professores pertencentes à Câmara do Curso disponibilizam programas e projetos específicos para atuação de alunos do Curso. que contempla entre outros os Projetos: Consciência cidadã. A consciência política e econômica de crianças e adolescentes do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil do município de Paranaguá e a emancipação política de suas famílias. com alunos do Curso são: Fragilidade financeira do Litoral do Paraná. das quais os estudantes tiveram oportunidade de participar durante o curso de graduação. A ampliação e a produção do conhecimento são observadas nos alunos que desenvolvem atividades além do ensino. poucos são os alunos que dispõem de tempo para desenvolver atividades de projetos de pesquisa e/ou extensão que complementem a aprendizagem e que fazem parte da PPP da instituição. 4. que equivale em média a meio salário mínimo. solteiros e que residem com os pais. mesmo os alunos que não estão interagindo nas atividades de pesquisa e/ou extensão têm se destacado na vida pública ou nas organizações sociais. cinco alunos vêm atuando no Programa Inclusão social e produtiva dos municípios do Litoral do Paraná.17 As atividades complementares buscam incorporar outras formas de receber conhecimento. No campo da pesquisa os projetos de pesquisa registrados em 2012. A participação em projetos de pesquisa ou de extensão é exercida geralmente por alunos na faixa etária mais jovem. o que lhes permite participar dos projetos com auxilio de bolsa. Entre os diversos programas e projetos disponibilizados no setor para a participação dos alunos do Curso. ou estes lhes proporcionam suporte complementar de renda. Salienta-se ainda que. Nesse sentido. quatro estudantes candidataram-se a vereador (dois conseguiram se eleger) e vários deles têm atuando ativamente no movimento estudantil no campus. envolvendo quatro alunos. e ICMS – Ecológico nos municípios do Litoral do Paraná. Transferência de renda a unidades domiciliar nos municípios do Litoral do Paraná. Emprego e renda nos municípios do Litoral do Paraná. À Guisa de Conclusão – Os Desafios A experiência da UFPR no Litoral destaca-se positivamente em relação ao conjunto dos projetos político pedagógicos no Brasil. Nas Eleições Municipais de 2012. Na extensão. através do esporte e da saúde no Programa de Erradicação do Trabalho Infantil do município de Paranaguá.

Apesar de relativamente novo. acaba por se ancorar em poucos docentes com resultados dificilmente gerenciáveis quando um deles fica impossibilitado de assumir módulos. Em um quadro enxuto. Aparentemente. sobretudo na alta administração federal. sobretudo no eixo de gestão. Mais importante que o número em si é o reconhecimento do esforço realizado. Os avaliadores analisaram as condições de funcionamento do curso e concederam a nota 5. em agosto de 2011. que se licenciou para assumir cargo no governo federal. o curso passou. Se por um lado elas são bem-vindas conquanto busquem . foi ficando nítida a dificuldade de escalar professores para os módulos mais especializados. médio e longo prazos. porém. como o pretendido. social entre outras. esses desafios estruturais guardam relação com uma problemática mais ampla. tão ou mais importantes na formação de um gestor público generalista. demandam a presença de docentes com conhecimento e experiência nas áreas. todavia em um quadro tão reduzido tal experiência pode ser desencorajada. A avaliação positiva não deve obscurecer. com a participação dos estudantes (incluindo os egressos da primeira turma).18 aprimoramento das formas de gestão pública que superam o padrão tecnocrático hegemônico rumo a uma instituição efetivamente universal e pública de ensino. malgrado constituir um processo participativo e aberto. por qualquer razão – podemos mencionar o exemplo de um professor. ao menos aquelas mantidas pelo Governo Federal. não havia como prever que algumas áreas tivessem suas cargas horárias superestimadas. são insuficientes para atender aos diversos cursos. que parece atingir as expansões universitárias no Brasil. No processo de planejamento participativo que culminou no PPC. já que os eixos de política e economia estão bem equacionados. por avaliação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). gestão de informações e serviços. o que deve ocorrer neste ano de 2012. que pretendemos realizar ao longo de 2013. entre outros. Isso gera sobrecarga de trabalho. gestão de suprimentos e materiais. Ao longo do tempo. a máxima possível. Antes mesmo de formar sua primeira turma. na UFPR Litoral como um todo. como o que nós temos. Módulos como gestão de finanças. o fato de que o curso tem inúmeros desafios a enfrentar em curto. o currículo necessita passar por uma reforma. em detrimento de outras. e que era responsável por diversos módulos. saúde. habitação. que. educação. explicitam-se as dificuldades num caso como este e expõe-se um paradoxo: é interessante que um membro docente de um curso de gestão pública exerça cargos de gestão pública. economia. O planejamento pedagógico do curso. Um dos casos que se pode citar como exemplo é a existência de três módulos destinados a Economia Política e a reduzida carga horária de dois semestres para discutir o amplo campo das políticas públicas: sociais.

tinham a princípio intencionalidades por vezes opostas às resultantes. A horizontalização dos organogramas. a obra de Michel Crozier (1981). tem-se uma centena de professores abrigada num mesmo nível hierárquico. Departamentos permitem. no entanto. que esses tomem a iniciativa de complementar sua formação e realizar estudos e projetos por conta própria. No Setor Litoral. ao menos formalmente. A ausência de um controle mais estrito das atividades desenvolvidas pelo corpo docente pode até ser aparentemente vantajosa para os atores individualmente considerados. pressupondo. que desse modo podem investir mais seu tempo nas atividades fins de planejamento pedagógico. com um docente que mais faz as vezes de mediador do que de transmissor de conteúdo. menos presa às disfunções burocráticas apontadas por vasta literatura – veja-se. um nível de rotinização do trabalho docente que possibilita uma organização mais ou menos serena e funcional por parte das coordenações de curso. nem sempre small is beatiful . neste sentido. a experiência internacional revela que se pode estar diante de uma confluência perversa de conceitos – para usar o termo da socióloga Evelina Dagnino (2004) –. a estrutura formal na qual está lotado o conjunto de professores é o Setor em si. mas gera um potencial entrópico para o sistema. Processo análogo parece ocorrer na relação docente-estudante e deste com os espaços de aprendizagem. como a gestão dos tempos. A necessidade de realizar dezenas de reuniões todos os anos é uma das várias consequências indesejáveis. gastando menos energia com tarefas operacional. não havendo propriamente uma estrutura intermediária. os dirigentes da unidade não encontraram uma fórmula de vincular formalmente/organicamente um corpo docente mínimo nos cursos e cada um destes procura resolver o problema por si mesmo. por outro lado. Como vimos. A questão que se coloca é se todos os estudantes estão preparados para isso. com a eliminação de uma estrutura departamental pode gerar uma organização mais flexível. tendo-se aqui um caso de efeitos impremeditados de ações que. Um exemplo disso é a incerteza constante que aflige os coordenadores de curso quando do planejamento semestral de disciplinas. A par das concepções teóricas que influenciaram um projeto como este.19 equacionar a necessidade de inclusão dos estudantes na educação superior pública e de qualidade. Até o momento. o PPP da UFPR Litoral está alicerçado no protagonismo e na autonomia estudantil visando a uma proposta emancipatória. com contribuição decisiva de pensadores brasileiros como Paulo Freire. inclusive. tendo de atender demandas de 14 cursos de graduação. O PPC de Gestão Pública absorveu estes princípios e previu um percurso formativo flexível e fortemente calcado na proatividade dos estudantes. pela qual uma gramática emancipatória é empregada para justificar projetos que seguem modelos desenvolvidos pelo . Como resultado. para usar uma expressão cara às modas organizacionais do fim do século passado.

Há um discurso que. até mesmo para a formação de quadros técnicos. a necessidade de retomar o processo que engendrou o curso. por um lado. como pensar exclusivamente a formação de quadros voltados à reflexão acadêmica. O que perguntamos é se é possível transplantar para a realidade brasileira. adotar posição intermediária. que se retroalimenta e por isso se corrige. na qual a educação básica – que reúne os ensinos fundamental e médio – é sabidamente insuficiente para preparar os estudantes para enfrentar os desafios postos por um ensino superior com elevado padrão de qualidade. Nesse sentido. Não se lhes é possível dar as costas. por outro. de planejamento estratégico em ciclo permanente. Outro ponto que merece ser discutido são os questionamentos permanentes e constantes dos estudantes quanto ao seu futuro profissional. no entanto. Neste tipo de projeto é possível identificar rasgos da reforma educacional europeia. participativo. encontra-se fora do campo científico. nas esferas pública ou privada. Pode-se. pois não há. por vezes. que incorpore ambas as preocupações. as áreas de atuação etc. observamos que se evita. o curso de Gestão Pública da UFPR Litoral busca um ponto de equilíbrio. de que a estrutura de conselhos profissionais é um emblema. A agenda de debates no campo pedagógico parece apresentar. que não se encontra exclusivamente no desenho formal. Afinal praticamente a totalidade dos espaços de atuação profissional de qualquer egresso do ensino superior. discutir inserção profissional em certos círculos. Na tensão dialética presente neste debate. ser tratada dicotomicamente. conciliando a necessidade de formação integral e de qualidade de um cidadão que desse modo contribua para uma sociedade mais justa e fraterna. sobretudo nas ciências sociais aplicadas. no entanto. reprovando-se tanto uma suposta defesa corporativa das profissões (isso está claramente presente nas falas de dirigentes sindicais e universitários) quanto à necessidade de se ouvir o que os atores que afinal empregam têm a dizer. pouca receptividade à noção frequentemente propagada de que a universidade deve preparar para o “mercado de trabalho”. sem deixar de se observar os constrangimentos institucionais. podemos dizer que ele cumpre de fato seu . por exemplo.20 mainstream do pensamento econômico e político. por mais essenciais que sejam os saberes produzidos e transmitidos dentro deste. em suma. mas também na dinâmica cotidiana dos espaços de aprendizagem. defende que as dinâmicas hodiernas do mundo do trabalho deslocariam o sentido tradicional da organização das profissões. enfim. ouvindo prioritariamente os agentes que o representam. privilegia a formação do cidadão e a transformação da sociedade e. Todos esses desafios colocam. conforme atestam avaliações comparativas nacionais e internacionais. Só assim. sintetizados na Declaração de Bolonha (1999) e que estão em linha com as reformas preconizadas pelo Banco Mundial para a educação superior. A questão costuma.

) Políticas de ciudadanía y sociedad civil em tiempos de globalización. Valdir Frigo. Cinthia M. Inovações pedagógicas e a reconfiguração de saberes no ensinar e no aprender na Universidade. Paulo. Perspectivas atuais da educação. D.ed. v. Matinhos: 2011. Poços de Caldas. de Sena.pdf. participação e cidadania: de que estamos falando? Em: MATO. Curitiba. Acesso em: 18 jun. MATUS. v. Curitiba: APUFPR. MACHADO. DAGNINO. Brasília: Editora Universidade de Brasília. Maria Isabel da. Reunião Anual da ANPEd. (Org.pt/LAB2004>. O desnorteamento da união brasileira. FREIRE. 143). 2002.. CHAUÍ. Conferência de abertura da 26a.. (2004). E. Diomar Augusto de. “Sociedade civil. Litoral do Paraná: reflexões e interações. Brasil Pinheiro. Rio de Janeiro. Dec.gov. Ruy. Rio de Janeiro: Paz e Terra. Acesso 23 set. In: GADOTTI. In: Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais. Moacir et al. UFPR – Setor Litoral – Câmara do Curso de Gestão Pública.Matinhos: UFPR Litoral. São Paulo: Editora UNESP. Mapa do Estado do Paraná – Microrregiões Geográficas. 2009. 32. ou melhor. Carlos. O Projeto Político Pedagógico da Escola na perspectiva de uma educação para a cidadania. 23. Marilena.ces. sua concepção inicial: contribuir para o desenvolvimento sustentável do litoral paranaense. n.. Inovações e projeto político-pedagógico: uma relação regulatória ou emancipatória?. Litoral do Paraná: reflexões e interações. 2004. Porto Alegre: Artes Médicas. WACHOWICZ. 2000. 61. p. IPARDES – Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social. 2003. 1993. Universidad Central de Venezuela. 2011. (Serie IPEA. Moacir. Anais. Ilma Passos Alencastro.uc. Referências CHAUÍ. A universidade pública sob nova perspectiva. 2004.). A Universidade do mate: história da UFPR. Projeto Pedagógico do Curso (PPC) de Gestão Pública. CUNHA. 1930. fev.ipardes. planejamento & governo. 2t. Disponível em: http://www. VEIGA. . 2001. DENARDIN. 1981. 2012. ABRAHÃO. Michel. VIII. CEDES. 2003. 1983.21 destino. QUADROS. 95-110. Escritos sobre a universidade. Pedagogia do oprimido. O fenômeno burocrático. GADOTTI. Faculdade de Filosofia. Brasilia: IPEA. Disponìvel em: <www. MG. Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.br/pdf/mapas/base_fisica/microrregioes_geograficas_base_2010. Cad. CROZIER. Campinas. (coord. Caracas: FACES. Coimbra. Revista A Ordem: Órgão do Centro Dom Vital. 2010. Marilena. Política. 5.

UFPR Litoral NÍVEL I: CONHECER E COMPREENDER NÍVEL II: COMPREENDER E PROPOR NÍVEL III: PROPOR E AGIR ÓRBITAS 1º SEM. Módulo ICH CH 80 7º SEM. Módulo CH 80 2º SEM.000 400 2.800 400 3. Módulo ICH CH 80 6º SEM. Módulo ICH CH 80 4º SEM.600 400 2. Módulo ICH CH 80 8º SEM.Matriz curricular com a distribuição dos módulos MATRIZ CURRICULAR CURSO SUPERIOR DE GESTÃO PÚBLICA .200 Atividades de PESQUISA E EXTENSÃO (associadas aos projetos de pesq. ext.400 400 2. Módulo ICH CH 80 5º SEM. devidamente aprovados no curso): 100 h Legenda: ICH PA Interações Culturais e Humanísticas Projetos de Apreendizagem . Módulo ICH CH 80 ICH PROJETOS ICH Orientação ao Protagonismo Acadêmico 80 Orientação ao Protagonismo Acadêmico 80 PA 80 PA 80 PA 80 PA 80 Seminário de Orientação de TCC 80 Seminário TCC 80 ESTADO E POLÍTICA Economia Política I 80 Economia Política II 80 Economia Política III 80 Políticas Públicas I 80 Políticas Públicas II 80 Gestão do Território I 80 Gestão do Território II 80 TERRITÓRIO E GESTÃO Turmas mistas Teorias Políticas 80 Teorias Políticas Reconhecimento 80 do Litoral Legislação aplicada à Gestão Pública 80 Gestão de Finanças 80 Gestão de Suprimentos e Materiais 80 Gestão de Informações e Serviços Participação Política e Dinâmica Eleitoral 80 Relações Internacionais 80 TCC 240 Reconhecimento do Litoral 80 Teorias das Organizações 80 Planejamento Estratégico 80 Gestão da mudança nas organizações 80 Gestão de Pessoas 80 80 Poderes Legislativo e Judiciário 80 CH Semestral CH Acumulada 400 400 400 800 400 1.22 Anexo 1 .200 400 1. Módulo ICH CH 80 3º SEM.