TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO PROCESSO TC nº 03000/09 ENTIDADE: Prefeitura Municipal de Solânea OBJETO: Prestação de Contas Anuais (Ano 2008

) - Recurso de Reconsideração RESPONSÁVEL: Sebastião Alberto Cândido da Cruz ADVOGADO: Tainá de Freitas e Newton Nobel Sobreira PROCURADORA: Hélida Cavalcante de Brito RELATOR: Auditor Antônio Cláudio Silva Santos EMENTA: PODER EXECUTIVO MUNICIPAL – ADMINISTRAÇÃO DIRETA - PREFEITURA MUNICIPAL DE SOLÂNEA - PRESTAÇÃO DE CONTAS ANUAIS DO EX-PREFEITO SEBASTIÃO ALBERTO CÂNDIDO DA CRUZ, EXERCÍCIO DE 2008 – PARECER CONTRÁRIO À APROVAÇÃO DAS CONTAS (PARECER PPL TC 00030/2011) – ACÓRDÃO APL TC 0215/2011: I - DECLARAÇÃO DE ATENDIMENTO PARCIAL AOS PRECEITOS DA LRF; II - IMPUTAÇÃO DE DÉBITO; IIIAPLICAÇÃO DE MULTA; IV – REPRESENTAÇÃO À RECEITA FEDERAL DO BRASIL. RECURSO DE RECONSIDERAÇÃO – PREVISÃO DEFINIDA NOS ART. 31, II, C/C O ART. 33 DA LEI COMPLEMENTAR ESTADUAL N.º 18/93 – Presença de elementos novos e suficientes para alterar, em parte, a decisão recorrida. Conhecimento do recurso e provimento parcial, mantendo-se, no entanto, a decisão quanto à emissão de parecer contrário das contas.

ACÓRDÃO APL TC
RELATÓRIO

00211 /2013

Examina-se, nesta oportunidade, recurso de reconsideração interposto pelo ex-prefeito do Município de Solânea, Sr. Sebastião Alberto Cândido da Cruz, contra o Acórdão APL TC 215/2011, emitido pelo TCE quando apreciação de sua prestação de contas, referente ao exercício de 2008. O Tribunal, na sessão plenária de 13 de abril de 2011, ao apreciar a prestação de contas do aludido prefeito, decidiu emitir parecer contrário à sua aprovação, Parecer PPL TC 30/2011, em decorrência das seguintes irregularidades: 1. desequilíbrio da execução orçamentária, em razão da não consolidação integral das despesas da Câmara (despesa consolidada – R$ 699.163,39 e despesa total – R$ 846.849,90); 2. insuficiência financeira para pagar compromissos de curto prazo, no montante de R$ 523.017,92; 3. ausência de comprovação da publicação dos RGF em órgão de imprensa oficial; 4. falta de controle sobre o montante da dívida pública, porquanto não houve a escrituração da dívida com a CAGEPA; 5. inércia na correção ou justificativa de notificação desta Corte de Contas, relativa a alerta expedido pelo Tribunal, em razão de irregularidades na LOA; 6. insubsistência dos demonstrativos contábeis apresentados e incompatibilidade entre o SAGRES e a PCA, vez que não houve a consolidação integral das despesas da Câmara Municipal, gerando um saldo fictício; 7. omissão no registro de dívida municipal com a CAGEPA; 8. contratação com empresa inidônea (América Construções Ltda.), no montante de R$ 84.583,28; 9. aplicação de 12,10% das receitas de impostos ações e serviços púbicos de saúde, contrariando o art. 198 da CF; 10. indícios de burla ao concurso

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TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO PROCESSO TC nº 03000/09 público para preenchimento dos cargos (contratos temporários, elemento 04, representaram 59,37% do valor gasto com vencimentos e vantagens fixas – elemento 11); 11. falta de envio de contratos para este Tribunal, conforme Resolução TC nº 103/98; 12. pagamento ilegítimo referente à construção de um matadouro, vez que a obra encontrava-se abandonada; 13) não obediência à Resolução RN TC nº 06/2008, relativa à transição de governo; 14) dano ao erário decorrente de multa pelo atraso no recolhimento de contribuição previdenciária, no montante de R$ 13.575,30; 15) não contabilização e não recolhimento de despesa com contribuição previdenciária patronal, no montante de R$ 1.270.492,47; 16). despesas não licitadas, no montante de R$ 1.331.257,53; 17) despesas não comprovadas através de documentos hábeis, no total de R$ 14.495,60 e 18) despesas sem comprovação com recolhimento de contribuições previdenciárias, no valor de R$ 73.999,09. Decidiu também, através do Acórdão APL TC 215/2011, em: I. declarar parcialmente atendidos os preceitos da Lei de Responsabilidade Fiscal, em razão do desequilíbrio da execução orçamentária; insuficiência financeira para pagar compromissos de curto prazo; ausência de comprovação da publicação dos RGF em órgão de imprensa oficial e falta de controle sobre o montante da dívida pública; II. imputar débito ao ex-gestor, Sr. Sebastião Alberto Cândido da Cruz, no valor total de R$ 88.494,69, sendo R$ 14.495,60, alusivos a despesas pagas, mas desacompanhadas de documentos comprobatórios hábeis (notas fiscais e recibos) e R$ 73.999,09, referentes a despesas tidas como pagas, relativas a recolhimento de contribuições previdenciárias, mas não comprovadas; III. aplicar multa pessoal, ao Sr. Sebastião Alberto Cândido da Cruz, no valor de R$ 2.805,10 (dois mil oitocentos e cinco reais e dez centavos), com fundamento no art. 56, II, da LOTCE-PB, pelas irregularidades constatadas; e IV. representar à Receita Federal do Brasil, para as ações cabíveis, no tocante não recolhimento de contribuições previdenciárias patronais; Inconformado com a decisão prolatada, o Sr. Sebastião Alberto Cândido da Cruz interpôs a peça recursal de fls. 5311/5659. O Grupo Especial de Auditoria - GEA, ao analisar o Recurso, elaborou o relatório, fls. 5661/5667, apresentando o seguinte entendimento: Totalmente sanada: despesas sem comprovação com recolhimento de contribuições previdenciárias, no montante de R$ 73.999,09. Parcialmente sanadas: despesas não licitadas, que passou de R$ 1.331.217,53 para R$ 1.229.863,53; e despesas diversas pagas e não comprovadas com notas fiscais e recibos, que passou de R$ 14.495,60 para R$ 1.727,00. Permanecem as seguintes irregularidades:
• DESEQUILÍBRIO DA EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA

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Recorrente – Alegou-se que este desequilíbrio ocorreu pela ausência de consolidação integral de despesas da Câmara, o que ocorreu em virtude do não encaminhamento tempestivo dos balancetes de responsabilidade da Câmara Municipal para fins de incorporação de resultados pela contabilidade da Prefeitura. Auditoria – Não acata as alegações apresentadas. Em nenhum momento foi trazido aos autos comprovação que o Sr. Sebastião Alberto Cândido da Cruz, Prefeito do Município em 2008, tenha olvidado esforços para cobrar o envio dos balancetes da Câmara para consolidação. Ademais, como forma de mascarar a presente falha, a administração aumentou o sado financeiro do exercício, conforme já exposto no relatório de defesa. Por esses fatos e por outros contidos nos autos, esta Auditoria entende que a alegação da defesa não prospera, permanecendo, assim, a irregularidade. • FALTA DE CONTROLE SOBRE O MONTANTE DA DÍVIDA PÚBLICA Recorrente – Reafirma que a falta do registro da dívida com a CAGEPA, não havia sido registrado pelo fato de existir uma negociação com a referida empresa para parcelar a mesma. Afirmou, também, que no ano de 2007, esta irregularidade teria sido apontada e relevada. Auditoria – Não acata as alegações apresentadas, tendo em vista que é dever da Administração conhecer e registrar seus compromissos. Nos seus argumentos o recorrente demonstra o conhecimento da dívida. No entanto, não efetuou os registros necessários. Sendo assim, permanece a irregularidade. • INSUFICIÊNCIA FINANCEIRA PARA PAGAR COMPROMISSOS DE CURTO PRAZO Recorrente – Alegou que o valor constante do Acórdão (R$ 523.017,92), não trata do valor referente à insuficiência financeira para honrar compromissos a curto prazo. Este valor refere-se ao Déficit Financeiro existente, conforme o entendimento da Auditoria ao analisar o Balanço Patrimonial. Na verdade, a Auditoria teria relatado que há divergência entre os números de saldos para o exercício financeiro seguinte que foram apresentados pela contabilidade do Município e os valores apurados pela Auditoria. Em seguida, citou que a Auditoria não teria apontado o saldo da insuficiência, nem especificou quais seriam os compromissos de curto prazo e que os valores informados no relatório técnico divergem do foi registrado no Balanço Patrimonial, tendo em vista a inclusão de outras obrigações financeiras a pagar não acumuláveis com os balanços apresentados. Auditoria – Verificando o Balanço Patrimonial (fls. 88), o Relatório inicial (fls. 971) e a disponibilidade registrada no SAGRES, a Auditoria refaz os cálculos do referido valor do modo seguinte: a) Disponível R$ 511.726,37 b) (-) Despesa da Câmara (não consolidada) R$ 167.703,49 c) (=) Saldo existente (SAGRES) R$ 344.022,88 d) (-) Obrigações a curto prazo R$ 867.040,80 e) (=) Insuficiência financeira R$ 523.017,92 Conforme demonstrado, o valor de R$ 523.017,92, constante nas decisões desta Corte (Acórdão TC Nº 215/2011 e Parecer PPL TC nº 030/2011), corresponde à insuficiência financeira para quitar as obrigações de curto prazo, existentes em 31/12/2008. Sendo assim, permanece a irregularidade. • NÃO COMPROVAÇÃO DA PUBLICAÇÃO DOS RGF EM ÓRGÃO DE IMPRENSA OFICIAL Recorrente – Alegou que a ausência da publicação do RGF em órgão de imprensa seria uma falha formal, não possuindo impacto algum sobre as contas. O recorrente juntou ao processo a comprovação do encaminhamento para divulgação do RGF (1º semestre/08) e REO (2º bimestre/08), junto aos seguintes órgãos: Correios, Igreja, Câmara, Sindicato Rural e Cartório (fls. 5654/5659). Em seguida pede a relevação desta irregularidade. Auditoria – Não acata as alegações apresentadas, por considerar estas alegações insuficientes para modificar o entendimento inicial, pois não foi comprovada a publicação dos seguintes relatórios: RGF (2º semestre/08) e REO (1º, 3º e 4º bimestres/08). Sendo assim, permanece a irregularidade.
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• DESPESAS SEM O DEVIDO PROCESSO LICITATÓRIO NO MONTANTE DE R$ 1.331.217,53

Recorrente – Alegou que na defesa teria justificado parte das despesas que foram apontadas como não licitadas no relatório inicial e que neste recurso, juntou cópias de três licitações, a seguir comentadas: a) Carta convite nº 012/2008 – aquisição de material de construção no valor de R$ 74.554,00, junto ao fornecedor: Elicleide Pereira Gerônimo (fls. 5513/5595); b) Pregão eletrônico n º 01/2008 – aquisição de material permanente no valor de R$ 9.800,00, junto à RIAUTO Comissária de Veículo Ltda (fls. 5322/5435); c) Carta convite nº 01/2008 – Aquisição de medicamentos no valor de R$ 62.280,00, junto ao fornecedor Leonardo Oliveira Mafra – ME (fls. 5436/5512). A soma destas licitações totalizou R$ 146.634,00. Em seguida, afirmou que o valor não licitado passaria para R$ 1.184.583,53 (R$ 1.331.217,53 – R$ 146.634,00), conforme relação às fls. 5216, e que em sua maioria trata-se de despesas com aquisição de medicamentos, transporte escolar, aquisição de material de limpeza, hidráulico, elétrico, imprescindíveis ao bom funcionamento da entidade, itens que vem sendo relevados em recentes julgados, citando, como exemplo o resultado com relação ao Processo TC nº 3548/03. Informou, também, que o valor com obras sem licitação teria sido inexpressivo e que a Auditoria em momento algum teria indicado a existência de preço superfaturado, nem argumentou a falta de prestação do serviço ou da entrega dos produtos. Por estes fatos pede a relevação desta irregularidade. Auditoria – Verificando os valores contidos na relação das despesas não licitadas (fls. 5216), constatou-se que as licitações enviadas pelo recorrente foram: Elicleide Pereira Gerônimo - R$ 116.728,56, sendo R$ 74.554,00, referente à Carta convite nº 012/2008 – permanecendo sem licitado R$ 42.174,56; RIAUTO – Comissária de veículo Ltda - R$ 9.800,00, referente à carta convite nº 01/2008 de igual valor e Leonardo de Oliveira Mafra – R$ 17.000,00, referente à parte da carta convite 01/2008 (o valor desta licitação foi R$ 62.280,00). O valor a ser excluído das despesas não licitadas é de R$ 101.354,00 (R$ 74.554,00 + R$ 9.800,00 + R$ 17.000,00). Assim, o valor das despesas não licitadas passa a ser de R$ 1.229.863,53 (R$ 1.331.217,53 – R$ 101.354,00). Com base nestas informações a Auditoria: acata (em parte) as alegações com relação às licitações apresentadas no valor total de R$ 101.354,00. - Não acata com relação às demais despesas, tendo em vista que estes gastos foram acima do limite de dispensa. Portanto, a administração deveria ter realizado os procedimentos licitatórios. O valor não licitado passou a ser de R$ 1.229.863,53. Sendo assim, as alegações foram insuficientes para modificar o entendimento contido nas decisões prolatadas por esta Corte com relação às despesas não licitadas. • NÃO APLICAÇÃO DO PERCENTUAL MÍNIMO EM SAÚDE (12,10%) Recorrente – Argumentou que a Auditória entendeu que as aplicações em saúde somaram R$ 1.729.277,11, representando 13,92% da receita de impostos, tendo em vista que o relatório técnico teria excluído deste cálculo, as despesas em programa de suplementação alimentar no montante de R$ 226.299,88, alegando tratar-se de Assistência Social. O recorrente informa que o referido programa foi especificado no orçamento como: Programa de Assistência Alimentar a Pessoa com Disfunção Nutricional. A sua finalidade foi combater a desnutrição. Citou que o Ministério da Saúde conceitua: “A desnutrição é uma doença de natureza clínico-social multifatorial cujas raízes se encontram na pobreza”. Ressaltou que o Ministério da Saúde implementou com recursos próprios, programa e suplementação alimentar de combate à desnutrição, demonstrando assim, a relação entre combate à desnutrição e as ações e serviços públicos de saúde. Não podendo ser excluído dos cálculos com saúde. Além destes gastos, também, deve ser acrescida parte das amortizações de dívida junto ao INSS, (25,16% de R$ 489.278,45 = R$ 123.102,46), tendo em vista que em saúde a despesa com pessoal representou 25,16% do total com pessoal. Em seguida, o recorrente apresentou um cálculo adicionando o valor de R$ 123.102,46 que totalizou o montante de R$ 1.852.379,57 (R$ 1.729.277,11 + R$ 123.102,46), que representa 14,91% da receita de impostos, ficando abaixo do limite o percentual de 0,09%, correspondente a R$ 11.181,77.

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Auditoria – Considerando que as alegações apresentadas pelo recorrente, são as mesmas que foram apresentadas quando da sua defesa, e que nada de novo foi acrescentado, a Auditoria entende que deve ser mantido o seu posicionamento, quando da análise da defesa (fls. 5217/5218). Além do mais, esta Auditoria ressalta que, com relação à dívida contratual com o INSS, este órgão técnico, posiciona-se no sentido de que o rateio do INSS para o computo da Saúde, tem o mesmo raciocínio das sentenças judiciais (precatórios), ou seja, tais recursos aplicados em despesas de exercício anteriores, não devem ser considerados, tendo em vista que são decorrentes de obrigações surgidas em exercícios anteriores. Sendo assim, permanece a irregularidade. • DESPESAS NÃO COMPROVADAS NO MONTANTE DE R$ 14.495,60 Recorrente – Alegando dificuldades para coletar documentos junto à atual administração, para comprovar as despesas relacionadas às fls. 5293, o recorrente entrou na Justiça com uma Ação Cautelar de Exibição de Documentos, com pedido de Liminar, sendo atendido pela Autoridade Judicial (fls. 5621/5653), e, em seguida, juntou ao Processo a comprovação referente aos empenhos nºs 05853-0 (R$ 7.504,02), 0792-7 (R$ 2.284,58), 00712-9 (R$ 2.500,00) e 01867-8 (R$ 480,00), totalizando R$ 12.768,60 (fls. 5609/5616 e 5635/6), permanecendo sem comprovação o valor de R$ 1.727,00. Em seguida, solicita a relevação desta irregularidade por se tratar de um pequeno valor. Auditoria – Acata as alegações apresentas referentes à comprovação dos empenhos de nºs 05853-0, 0792-7, 0712-9 e 01867-8 no valor total de R$ 12.768,60. Não acata o pedido de relevar a irregularidade (parte), referente ao valor não comprovado (R$ 1.727,00). • DANO AO ERÁRIO DECORRENTE DE MULTA PELO ATRASO NO RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NO MONTANTE DE R$ 13.575,30

Recorrente – Alegou que se trata de cobranças efetuadas pelo INSS, referentes a encargos de exercícios passados. Alegou, também, que o ex-gestor teria adotado várias medidas para regularizar as pendências financeiras da edilidade. Auditoria – Não acata as alegações apresentadas, tendo em vista que não foi comprovado, pelo recorrente, se o referido débito foi originado durante outra gestão e qual o seu período. Portanto, permanece a irregularidade. • NÃO CONTABILIZAÇÃO E NÃO RECOLHIMENTO DE DESPESAS COM CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL NO MONTANTE DE R$ 1.270.492,47

Recorrente – As alegações (fls. 5319/5320) são as mesmas apresentadas, quando da sua defesa (fls. 1019/1020), com relação ao relatório inicial (fls. 5221/5222). Auditoria – Não acata as alegações apresentadas (fls. 5319/5320), tendo em vista que nada de novo foi acrescentado que fosse suficiente para modificar o entendimento da Auditoria, quando da análise destas alegações (fls. 5221/5222). Sendo assim, permanece a irregularidade. • CONTRATAÇÃO COM EMPRESA INIDÔNEA (AMÉRICA CONSTRUÇÕES) NO MONTANTE DE R$ 84.583,28

Recorrente – As alegações (fls. 5320/5321) são as mesmas apresentadas, quando da sua defesa (fls. 997), com relação ao relatório inicial (fls. 5221/5222). Auditoria – Não acata as alegações apresentadas (fls. 5320/5321), tendo em vista que nada de novo foi acrescentado que fosse suficiente para modificar o entendimento da Auditoria, quando da análise destas alegações (fls. 5214/5215). Sendo assim, permanece a irregularidade.

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• INÉRCIA NA CORREÇÃO OU JUSTIFICATIVA DE NOTIFICAÇÃO DESTA CORTE DE CONTAS, RELATIVA AO ALERTA EXPEDIDO PELO TRIBUNAL, EM RAZÃO DE IRREGULARIDADES NA LOA, NÃO ATENDIDAS A TEMPO INSUBSISTÊNCIA DOS DEMONSTRATIVOS CONTÁBEIS APRESENTADOS E INCOMPATIBILIDADE ENTRE O SAGRES E A PCA, VEZ QUE NÃO HOUVE A CONSOLIDAÇÃO INTEGRAL DAS DESPESAS DA CÂMARA MUNICIPAL, GERANDO UM SALDO FICTÍCIO INDÍCIO DE BURLA AO CONCURSO PÚBLICO PARA PREENCHIMENTO DOS CARGOS (CONTRATADOS TEMPORÁRIOS, ELEMENTO 04, REPRESENTANDO, 59,37% DO VALOR GASTO COM VENCIMENTOS E VANTAGENS FIXAS – ELEMENTO 11) FALTA DE ENVIO DE CONTRATOS PARA ESTE TRIBUNAL, CONFORME RESOLUÇÃO TC Nº 103/98 PAGAMENTO ILEGÍTIMO REFERENTE À CONSTRUÇÃO DE UM MATADOURO, VEZ QUE A OBRA ENCONTRAVA-SE ABANDONADA NÃO OBEDIÊNCIA À RESOLUÇÃO RN TC Nº 06/2008

• • •

Recorrente – As alegações, referente às irregularidades constantes nos itens acima, foram no sentido de que estas irregularidades não teriam causado dolo. Comentou que o objetivo da reprovação da prestação de contas apresentadas pelos gestores públicos a esse Tribunal, é punir aqueles que agem em desconformidade com os princípios da administração pública, causando danos aos cofres públicos, em atitudes dolosas e de má-fé, o que não seria o caso do recorrente. Citou que a Lei Orgânica do TCE-PB tem o escopo de punir os atos dolosos perpetrados pelos responsáveis no cumprimento das obrigações dispostas através das decisões do órgão colegiado, nunca os atos que visaram desconstituir o ato apontado por este Tribunal como irregular. Registrou que a atitude desta Corte ao enquadrar o recorrente no rol dos administradores públicos que infringem a norma legal com o firme propósito de causar dano ao erário, é uma injustiça. Citou que as falhas apontadas pela Auditoria tem por base indícios, e tratam de problemática enfrentada pela maioria dos entes públicos. Auditoria – Não acata as alegações apresentadas, tendo em vista que o recorrente, limitou-se a informar que as irregularidades, anteriormente, citadas não indicam a existência de dolo, e que o mesmo não poderia ser incluído entre os gestores público que agem em desconformidade com os princípios da administração pública, por não ter praticado dolo, não apresentando nada de novo que fosse suficiente para modificar o entendimento contido nas decisões (Acórdão APL TC nº 0215/2011 e Parecer PPL TC nº 030/2011), com relação aos itens 12 a 17, ora analisados. Sendo assim, permanece a irregularidade.

O Processo foi encaminhado à audiência do Ministério Público Especial que se pronunciou, através do Parecer nº 1358/12, da lavra do procurador Marcílio Toscano Franca Filho, pugnando em preliminar, pelo conhecimento do presente recurso, por atender aos pressupostos de admissibilidade, e, no mérito pela sua procedência parcial do pedido, considerando firme e válida a decisão consubstanciada através do Acórdão APL TC 00215/2011, sendo retificado tão-somente no que concerne às alterações verificadas pela Auditoria em sua manifestação de fls. 5.661/5.667. PROPOSTA DE DECISÃO DO RELATOR Das conclusões da Auditoria, constantes no relatório de fls. 5661/5667, o Relator tem as seguintes considerações a fazer:
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TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO PROCESSO TC nº 03000/09 Permanecem as seguintes eivas, já que o gestor não trouxe nada de novo ao processo: desequilíbrio da execução orçamentária; falta de controle sobre a dívida pública, insuficiência financeira para pagar compromissos de curto prazo; não comprovação da publicação dos RGF em órgão oficial de imprensa; inércia na correção ou justificativa de notificação desta Corte de Contas; insubsistência dos demonstrativos contábeis apresentados e incompatibilidade entre o SAGRES e a PCA, decorrente do registro de saldo financeiro fictício; contratação de empresas inidônea (América Construções Ltda.); indícios de burla ao concurso público para preenchimento dos cargos; falta de envio de contratos para este Tribunal, conforme Resolução RN TC nº 103/98; pagamento ilegítimo referente à construção de um matadouro; não obediência à Resolução RN TC nº 06/2008, quando da transição do governo; e dano ao erário decorrente de multa pelo atraso no recolhimento de contribuição previdenciária. Tangente ao não recolhimento de obrigações patronais, no valor de R$ 1.270.492,47, o recorrente informa que não reconhece tal valor e impetrou recurso ordinário, com efeito suspensivo, junto 2º Conselho de Contribuinte do Ministério da Fazenda, o qual se encontra pendente de análise, não cabendo, portanto, a esta Corte discutir o montante a ser pago a título de contribuição previdenciária. Examinando a documentação apresentada, em sede de recurso, o Relator não localizou qualquer documento comprovando o alegado. Por outro lado, a defesa apresentou memorial acompanhado de pedido de parcelamento previdenciário feito à SRF. Entretanto, tal pedido foi feito na gestão de seu sucessor, o prefeito da gestão (2009-2012), Sr. Francisco de Assis de Melo, o qual declara, inclusive, a inexistência de impugnação ou recurso administrativo, de embargos à execução de ação judicial, de incidente processual ou recurso, além de renúncia ao direito que tenha por objeto a discussão de débito a serem incluídos no parcelamento que está sendo solicitado por ele. O Relator informa que, das obrigações patronais estimadas, R$ 2.094.137,41, foram pagas apenas R$ 823.644,94, representando apenas 39,33% do total previsto pela Auditoria. Permanece, portanto, a irregularidade. Atinente às despesas para as quais houve imputação de débito, a Auditoria entendeu por totalmente sanada àquelas relativas ao recolhimento de contribuições previdenciárias, no valor de R$ 73.999,09, e parcialmente sanadas àquelas desacompanhadas de documentos comprobatórios hábeis (notas fiscais e recibos), que passou de R$ 14.495,60 para R$ 1.727,00. O Relator entende que este valor não deve ser imputado, pois se trata da contra-partida da prefeitura para aquisição de ônibus escolar, através de convênio do FNDE. No que diz respeito às despesas que necessitavam de procedimento licitatório, de acordo com a Auditoria, o total foi reduzido para R$ 1.229.863,53. O Relator aceita os seguintes procedimentos licitatórios apresentados no recurso ora em análise: Licitação nº 25/07, no valor de R$ 12.000,00 (Josué Pereira dos Santos), para aquisição de material e serviços pirotécnico; Licitação nº 26/07, no valor de R$ 72.770,00 (Elicleide Pereira Jerônimo), para aquisição de material de construção, no valor restante de R$ 42.174,56; Licitação nº 04/07, no valor de R$ 606.886,70 (Construtora CONSTRAL), referente a serviços de engenharia, no valor pago de R$ 123.053,30. O total sem licitação passa a ser, por tanto, de R$ 1.052.635,67. Deste total, R$ 499.052,00 diz respeito à locação de veículos para transporte de professores e estudantes; R$ 48.269,76 se refere à recuperação do meio ambiente; e R$ 505.313,91 trata das despesas com gás, material de construção, de limpeza, hidráulico e elétrico, e aquisição de medicamentos, realizados ao longo do ano.

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TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO PROCESSO TC nº 03000/09 No tocante à locação de veículos, os pagamentos foram diluídos entre 30 prestadores de serviços, o que afasta, em tese, o favorecimento a determinadas pessoas. A despesa com recuperação do meio ambiente, decorreu de TAC firmado entre MPF, FUNASA e Prefeitura. Quantos aos demais gastos, o Relator não evidenciou, de acordo com o levantamento feito no SAGRES, necessidade de procedimento licitatório, foram aquisições feitas ao longo do ano e em valores individuais abaixo do necessário para o procedimento licitatório, exceto quanto as aquisições de medicamentos feitos aos seguintes credores: Edvandro de Medeiros Santos (4 aquisições, no total de R$ 12.164,13, entre 02/01 e 01/02/08) e Marycleid Santos Costa (duas aquisições de R$ 6.707,43 cada, nos dias 30/06 e 01/07/08). Ante o exposto, o total de despesas sem licitação, de acordo com o Relator, passa a ser de R$ 572.900,75, o qual representa 2,9% da despesa total realizada. Entretanto, considerando o tipo da despesa remanescente, e não havendo indicação de sobrepreço por parte da Auditoria, o Relator entende que a irregularidade não deve macular a prestação de contas, sendo o caso, no entanto, de multa, por inobservância a Lei nº 8.666/93. Por fim, quanto a não aplicação do percentual mínimo em ações e serviços públicos de saúde, o recorrente, inicialmente, discorda da exclusão procedida pela Auditoria, no valor de R$ 226.299,88, referente a despesas como o Programa de Assistência Alimentar a Pessoas com Disfunção Nutricional, criado pela Prefeitura, por entender que não se trata de um programa que visa evitar a desnutrição da população, mas sim de tratamento efetivo desta moléstia. O Relator, examinando a documentação de fls. 657/664, observa que aquele valor excluído pela Auditoria não diz respeito totalmente ao programa citado pelo recorrente. As parcelas das despesas são as seguintes: R$ 24.960,00 se referem à aquisição do suplemento alimentar PREGOMIN (leite especial), por decisão judicial; R$ 9.398,82 alusivos à serviços prestados na distribuição do leite a famílias carentes; e R$ 191.941,06 destinados a aquisição de gêneros alimentícios e outros para confecção de sopão comunitário para distribuição a pessoas com risco nutricional. Apesar de a Unidade técnica considerar que as despesas não são condizentes com ações e serviços públicos de saúde, o Relator entende que se deve manter a mesma metodologia utilizada nas contas do governo do estado, ou seja, aceitar apenas aquelas despesas realizadas em decorrência de decisão judicial, no caso, as aquisições do PREGOMIN, no total de R$ 24.960,00, mantendo-se as exclusões das demais despesas, como ocorre também nas contas estaduais de governo (cito o caso dos restaurantes populares do Estado - que tem como objetivo a disponibilização de alimentos à população com insegurança alimentar, cuja secretaria responsável pela sua execução é a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Humano, não sendo sua despesa contabilizada em ações e serviços públicos de saúde). Quanto ao segundo questionamento feito pelo Recorrente, acerca da inclusão nos gastos com saúde, das despesas com amortizações de dívidas parceladas junto ao INSS, o Relator concorda também com a inclusão do valor de R$ 129.120,581, o que elevaria, considerando as duas despesas, o percentual para 13,34%, não atingindo, ainda, o percentual constitucionalmente exigido.

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Cálculo: a) o valor total pago pelo Município ao INSS foi de R$ 489.278,45; b) a folha de pessoal da saúde (R$ 2.533.682,71) em relação ao pessoal do município (R$ 9.600.841,40) representou 26,39%; c) a despesa com o pagamento de parcelamento do INSS relativo à Saúde foi de R$ 129.120,58; d) somando-se o valor de R$ 129.120,58 aos gastos efetivos com saúde (R$ 1.502.977,23), chega-se a um valor de aplicação de R$ 1.632.097,81 e a um percentual de 13,14%.

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TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO PROCESSO TC nº 03000/09 Quanto aos pleitos novos trazidos em sede de memorial, o Relator tem as seguintes considerações a fazer: Discorda da exclusão da base de cálculo da receita o valor dos precatórios pagos, R$ 14.315,96, tendo em vista que o mesmo já constava na Lei Orçamentária nº 13/07; Concorda com a apropriação do PASEP, no total de R$ 49.965,57 (utilizou-se a mesma metodologia acima para o cálculo da parcela relativa à amortização da dívida); Discorda da inclusão em Saúde dos gastos contabilizados na Função 8 (R$ 10.125,00), por se tratar de ajudas financeiras; e Com a inclusão do PASEP, o total gasto em ações e serviços públicos em saúde passa a ser de R$ 1.707.023,38, representando 13,74% das receitas de impostos, ainda abaixo do mínimo exigido pela CF. Ante o exposto, o Relator propõe ao Tribunal Pleno que: (1) tome conhecimento do Recurso de Reconsideração interposto pelo ex-Prefeito do Município de Solânea, Sr. Sebastião Alberto Cândido da Cruz, pela sua tempestividade e legitimidade e; (2) quanto ao mérito, conceda-lhe provimento parcial para: a) considerar sanada a irregularidade relativa às despesas sem comprovação com recolhimento de contribuições previdenciárias, no valor de R$ 73.999,09, e desacompanhadas de documentos comprobatórios hábeis, no total de R$ 14.495,60; b) altere o valor das despesas sem o devido processo licitatório, que passou do total de R$ 1.331.217,53 para R$ 579.900,75; c) altere o percentual de aplicação em ações em serviços públicos de saúde, que passou de 12,10% para 13,74%; d) mantenha as demais irregularidades, inclusive o Parecer PPL TC 30/2011, contrário à aprovação das contas; e e) torne sem efeito o item II do Acórdão APL TC 215/2011, relativo à imputação de débito, permanecendo, no entanto, as demais decisões ali contidas. DECISÃO DO TRIBUNAL PLENO Vistos, relatados e discutidos os autos do Processo TC n° 03000/09, no tocante ao recurso de reconsideração apresentado, os Conselheiros do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba, na sessão realizada nesta data, por unanimidade de votos, com declaração de suspeição de voto do Conselheiro Arnóbio Alves Viana, ACORDAM: (1) TOMAR conhecimento do Recurso de Reconsideração interposto pelo Prefeito do Município de Solânea, Sr. Sebastião Alberto Cândido da Cruz, pela sua tempestividade e legitimidade e; (2) quanto ao mérito, CONCEDER-LHE provimento parcial para: a) considerar sanada a irregularidade relativa as despesas sem comprovação com recolhimento de contribuições previdenciárias, no valor de R$ 73.999,09, e desacompanhadas de documentos comprobatórios hábeis, no total de R$ 14.495,60; b) alterar o valor das despesas sem o devido processo licitatório, que passou do total de R$ 1.331.217,53 para R$ 579.900,75; c) alterar o percentual de aplicação em ações em serviços públicos de saúde, que passou de 12,10% para 13,54%; d) manter as demais irregularidades, inclusive o Parecer PPL TC 30/2011, contrário à aprovação das contas; e e) torne sem efeito o item II do Acórdão APL TC 215/2011, relativo à imputação de débito, permanecendo, no entanto, as demais decisões ali contidas.

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TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO PROCESSO TC nº 03000/09

Publique-se e intime-se. TC – Plenário Min. João Agripino, em 24 de abril de 2013. Conselheiro Fábio Túlio Filgueiras Nogueira Presidente Auditor Antônio Cláudio Silva Santos Relator Isabella Barbosa Marinha Falcão Procuradora Geral do Ministério Público junto ao TCE-PB

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