OS IMORTAIS DA LITERATURA.

UNIVERSAL Aldous Huxley Contraponto #

Point Counter Point 1-0, Edi‡ão Outubro - 1971 Tradu‡ão de Erico Verissimo e Leonel Vallandro Comlicen‡a da Edit"ra Globo S.A., P"rto Alegre, detentora do "copyright" pan~ a l¡ngua portuguˆsa. (C- 1971 Oh, wearisome condition of humanity, Born under one law, to another bound, Vainly begot and yetforbidden vanity, Created sick, commanded to be sound. What meaneth nature by these diverse laws, Passion and reason, sey'division's cause? FULKE GREVILLE

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CAPITULO I - Não vais voltar tarde? - Havia ansiedade na voz de Marjorie C arling, qualquer coisa que parecia uma s£plica. - Não, eu não voltarei tarde - respondeu Walter, com a certeza infeliz e criminosa de que não estava dizendo a verdade. A voz dela o aborrecia. Era um pouco arrastada, tinha um refinamento excessivo, mesmo na dor. - Não passes da meia-noite. Marjorie podia ter-lhe lembrado o tempo em que nunca sa¡a ... noite

sem ela. Podia ter feito isso; mas não queria; era contra os seus princ¡pios; não pretendia for‡ar de nenhum modo o amor de Walter. -Bem, digamos 1 hora... Tu sabes o que são estas reuniões ... Na realidade Marjorie não sabia, pela boa razão de que, não sendo espâsa dˆle, não era convidada para tais festas. Tinha deixado o marido para viver com Walter Bidlake; e Carling, que aliava aos seus escr£pulos cristãos um mole sadismo, desejando vingar-se, negava-lhe div¢rcio. Havia então dois anos que viviam juntos. Apenas dois anos; e j Walter tinha deixado de am -la, principiava a amar uma outra. O pecado ia perdendo a sua £nica desculpa, e os dissabores de ordem social, o seu £nico paliativo. E, al‚m de tudo, Marjorie estava gr vida. - Meia hora depois da meia-noite - implorou ela, sabendo embora que a sua insistˆncia importuna conseguiria apenas aborrecˆ-lo e fazer que ˆle a amasse ainda menos. Mas não podia deixar de falar; amavao muit¡ssimo e estava torturada pelo ci£me. As palavras lhe escapavam, a despeito de seus princ¡pios. Teria sido melhor para Marjorie e talvez para Walter que ela tivesse menos princ¡pios, que desse aos seus sentimentos a expressão violenta que ˆles exigiam. Mas Marjorie tinha sido educada na pr tica do mais estrito autodom¡nio. Sabia que so as pessoas sem educa‡ão fazem "cenas". Aquˆle implorativo "Meia hora depois da meia~ noite, Walter" foi tudo quanto conseguiu romper a barreira de seus Princ¡pios. Demasiadamente fraco para o comover, o t¡bio protesto não faria mais do que aborrecˆ-lo. Ela o sabia, e mesmo assim não se podia calar. - Se ror poss¡vel. . . - Ali estava o que ela tinha feito. Havia exaspera‡ão na voz dˆle. - Mas não posso garantir; não me esperes com muita certeza. Porque, sem d£vida nenhuma, pensava Walter, assediado pela inexor9 #

I da ciz vel imagem de Lucy Tantamount, não voltaria ... meia hora depois meia-noite.

Deu os toques finais na gravata branca. Bem junto do rosto dˆle, dentro do espelho, o rosto de Marjorie o vigiava. Era uma face p lida e tão magra, que a luz que tombava da lƒmpada el‚trica suspensa por cima dˆles fazia uma sombra nas cavidades abaixo das ma‡ãs. Os olhos estavam cercados de c¡rculos escuros. O nariz reto, que ela sempre tivera um tanto longo, mesmo no maior vi‡o da sua beleza, sobressa¡a agora duramente na face descarnada. Marjorie dava uma impressão de fealdade, de cansa‡o e de doen‡a. Dentro de seis meses lhe nasceria o bebˆ. Algo que tinha sido uma c‚lula £nica, um grupo de c‚lulas, um saquinho de tecidos, uma esp‚cie de verme, um peixe em potˆncia, com guelras, agitavase-lhe no ventre e um dia viria a ser um homem - homem adulto, que sofre e goza, que ama e odeia, que pensa, que recorda, que imagina. E o que tinha sido uma ampola gelatinosa dentro de seu corpo inventaria mais tarde um deus e o adoraria; o que tinha sido uma esp‚cie de peixe haveria de criar e, tendo criado, se transformaria num campo de batalha entre o bem e o mal; o que tinha vivido nas trevas dentro dela, como um verme parasita, haveria de olhar para as estrˆlas, escutar m£sica e ler poesia. Uma coisa se transformaria numa pessoa, uma massa minuscula de mat‚ria se converteria num corpo humano, num humano esp¡rito. O maravilhoso processo da cria‡ão progredia nas suas entranhas, mas Marjorie s¢ tinha consciˆncia da doen‡a e da lassitude; o mist‚rio para ela nada significava senão fadiga, fealdade e uma ansiedade cr"nica com rela‡ão ao futuro: era a tortura doesp¡rito aliada ao mal-estar do corpo. Ao sentir os primeiros sintomas da gravidez, tinha ficado ou pelo menos procurara ficar alegre, a despeito dos seus temores obsessivos quanto ...s conseqˆncias r¡si~ cas e sociais de tal acontecimento. O bebˆ, julgava Marjorie, faria com que Walter voltasse para ela. (Òle j come‡ava então a andar arredio.) Faria nascer nˆle novos sentimentos que poderiam compensar o que quer que parecia faltar no seu amor para com a companheira. Ela temia a dor, temia as dificuldades e embara‡os inevit veis. Mas as dores e as dificul-

dades ficariam bem pagas se no fim de contas lhe valessem um renovamento, um reavivamento do amor de Walter. A despeito de tudo, Marjorie estava contente. E a princ¡pio suas previsões pareceram justificar~se. A not¡cia de que ia nascer um bebˆ estimulara a ternura de Walter. Durante duas ou trˆs semanas ela foi feliz: reconciliou-se com as dores e os inc"modos. Foi então que, dum dia para outro, tudo mudou; Walter encontrara a outra mulher. Nos momentos em que não andava a perseguir Lucy, ˆle ainda fazia o poss¡vel para guardar uma aparˆncia de solicitude. Mas Marjorie percebia nessa solicitude um certo rancor; compreendia que ˆle era terno e atencioso por um sentimento de dever e que odiava o filho porque ˆste o compelia a fazer-se gentil com a mãe. E porque Walter odiasse a criatura que ia nascer, ela come‡ava a odi -la 10 tamb‚m. os seus temores, que a felicidade não mais conseguia apagar, vieram ... tona, encheram-lhe o esp¡rito. Dor e desconf"rto - eis o que o #

que de

futuro lhe reservava. E por enquanto: fealdade, doen‡a e fadiga. Como ~a ela lutar em tal estado? -Tu me amas, Walter? - perguntou Marjorie s£bitamente. Walter desviou por um momento os olhos castanhos da imagem da gravata que o espelho refletia, e olhou para a imagem dos olhos dela, cinzentos e tristes, contemplativamente fixos. Sorriu. "Quem me dera ela me deixasse em paz!", pensou consigo. Franziu os l bios e abriu-os

n"vo, na sugestão de um beijo. Mas Marjorie não lhe retribuiu o sorriso. Seu rosto permaneceu impassivelmente triste, f`ixo numa ansiedade intenM Os olhos ganharam um brilho trˆmulo e de repente lhe apareceram l grimas nos c¡lios. - Não podias ficar comigo esta noite? - implorou, a despeito de t"das as suas resolu‡ões her¢icas de não exercer nenhuma coa‡ão exasperante sâbre o amor dˆle, de deix -lo livre para fazer o que quisesse. · vista daquelas l grimas, ao som daquela voz trˆmula e cheia de censura, Walter* foi inv adido por uma emo‡ão que era ao mesmo tempo remorso e ressentimento; ¢dio, piedade e vergonha.

"Mas então não compreendes" era o que ˆle tinha vontade de dizer, o que realmente diria se não lhe faltasse coragem, "não compreendes que as coisas não são nem podem ser mais como eram? E mesmo, para falar a verdade, elas nunca chegaram a ser o que acreditavas que f"ssem refiro-me ao nosso amor -, nunca foram o que eu procurei fingir que f"ssem. Sejamos amigos, sejamos companheiros. Gosto de ti, tenho-te muita afei‡io. Mas, pelo amor de Deus, não me envolvas em amor como fazes agora; não me queiras impingir o amor ... for‡a. Se soubesses que coisa 11 terr¡vel ‚ o amor para quem não quer amar, que viola‡ão, que ultraje ... Mas ela estava chorando. Por entre as suas p lpebras cerradas as l grimas brotavam, g"ta a g"ta. Tremia-lhe o rosto no esgar da ang£stia. E o verdugo era ˆle. Walter se odiou. "Mas por que hei de me deixar levar pela chantagem dessas l grimas?", perguntava ˆle; e, perguntando, odiava-a tamb‚m. Uma l grima rolou ao longo do comprido nariz de Marjorie. "Ela não tem o direito de fazer isso, não tem o direito de ser tão pouco razo vel. E porque não pode ser razo vel?" "Porque me ama." "Mas eu não quero o amor dela, não quero." Walter sentiu que a c ¢lera se avolumava dentro dˆle. Marjorie não tinha o direito de am -lo daquela Maneira; pelo menos agora. " uma chantagem," repetia interiormente, . uma chantagem. Por que hei de ser v¡tima do amor dela e do fato de j tˆ-la arriado tamb‚m um dia. . . Mas ser que cheguei a am ~la de verdade?" Mariorie tomou de um len‡o e come‡ou a enxugar os olhos. Walter sclitiu-se envergonhado de seus pensamentos odiosos. Mas ela era a causa II i #

I

mari-

de sua vergonha; a culpa era dela. Marjorie devia terficado com o

do. Poderiam manter uma liga‡ão. Entrevistas ... tarde num est£dio. Teria sido romƒntico. "Mas, no fim de contas, fui eu que insisti para que ela viesse comigo." "Mas devia ter tido o bom-senso de recusar. Devia saber que isso não podia durar para sempre." Marjorie, no entanto, fizera o que ‚le lhe havia pedido; tinha abandonado tudo, tinha aceito os dissabores sociais por amor a ˆle. Outra esp‚cie de chantagem. Walter ressentia-se do apˆlo em que os sacrificios dela importavam para os seus sentimentos de decˆncia e honra. "Mas, se ela tivesse um pouco de decˆncia e de honra", pensava, "não haveria de explorar os meus sentimentos." Mas l estava o bebˆ ... "Por que diabo permite ela que a crian‡a venha ao mundo?" Odiou o filho. Ôle fazia crescer a sua responsabilidade para com a mãe, tornava-o ainda mais culpado por fazˆ-la sofrer. Walter olhou para o rosto de Marjorie, £mido de l grimas. A gravidez fazia-a tão feia, tão velha... Como podia uma mulher esperar ... ? Mas não, não! Walter fechou os olhos, sacudiu a cabe‡a num estremecimento quase impercept¡vel. O pensamento ign¢bil. devia ser repudiado, definitivamente afastado. "Como posso pensar em tais co.sas?", perguntava de si para si. Ouviu-a repetir: - Não v s! - Como aquela voz fininha, refinada e arrastada lhe exasperava os nervos! - Por favor, Walter, não v s. Sentia-se um solu‡o na voz de Marjorie. Mais chantagem. Ali, como podia ela ser tão baixa? Entretanto, a despeito de sua vergonha, e de certo modo, por causa mesmo dessa vergonha, Walter continuou a sentir as emo‡ões ignominiosas com uma intensidade que mais parecia aumentar do que diminuir. O seu desamor para com Marjorie crescia porque ˆle se envergonhava dˆsse sentimento; as sensa‡ões dolorosas de vergonha e de 1 ¢dio de si mesmo, que ela o fazia experimentar, constitu¡am para Walter outra fonte de desafeto. O rancor gerava a vergonha, e a vergonha por sua vez criava mais rancor. "Oh, por que ela não me deixa em paz?" Desejava isso furiosamente,

intensamente, com uma exaspera‡ão que era tanto mais selvagem quanto mais contida. (Porque lhe faltava a coragem brutal para dar expressão a ‚sse desejo; tinha pena dela, queria-lhe bem, apesar de tudo; era incapaz de ser aberta e francamente cruel - era cruel apenas por fraqueza, contra a sua vontade.) "Por que ser que ela não me pode deixar em paz?" Havia de querˆla muito mais se simplesmente ela o- deixasse em paz; e Marjorie mesma se sentiria muito mais feliz. Muito, muito mais feliz. Seria para o seu pr ¢prio bem ... Mas de s£bito Walter se deu conta da pr¢pria hipocrisia. "Afinal 12 de contas - que diabo! -, por que ‚ que ela não me deixa fazer o que #

con-

eu quero?" ueria9 Mas o que Šle queria era Lucy Tantarnount. Queria O que ˆle q contra a razão, contra todos os seus ideais e princ¡pios, loucamente,

tra os seus pr¢prios desejos, mesmo contra os seus pr¢prios sentimentos - porque ˆle não gostava de Lucy; na verdade, odiava-a. Um fim nobre pode justificar meios vergonhosos. Mas quando se trata dum fim vergonhoso? ... Era por causa de Lucy que ˆle estava fazendo Marjorie sofrer - Marjorie, que.o amava, que tinha feito sacrificios por amor a ˆle, que era infeliz. Mas essa infelicidade redundava numa chantagem. - Fica comigo esta noite - implorou ela mais uma vez. Havia uma parte do esp¡rito de Walter que recebia bem as s£plicas da amante, que queria que ˆl‚ desistisse da festa e ficasse em casa. Mas a outra parte era mais forte. Walter respondeu a Marjorie com mentitas meias mentiras, que, em virtude do elemento de verdade que encerravam, justificativo mas hip¢crita, eram mais graves que mentiras inteiras e francas. Walter passou o bra‡o em t"rno do corpo de Marjorie. Òsse gesto era em si uma falsidade.

pre-

- Mas, minha querida - protestou ˆle no tom de adula‡ão de quem pede a uma crian‡a que se comporte razo...velmente -, eu realmente ciso ir. Como sabes, meu pai estar presente. Era verdade. O velho Bidlake ia sempre ...s festas dos Tantamounts. Preciso ter uma palestra com ˆle. Neg¢cios - acrescentou vagamente e com importƒncia, interpondo, com essa palavra m gica, uma esp‚cie de cortina de fumo

de

interˆsses masculinos entre a sua pessoa e a de Marjorie. Mas a mentira, pensou ˆle, devia estar transparentemente vis¡vel atrav‚s da fuma‡a. - Não podias conversar com ˆle noutra ocasião? - importante - respondeu Walter, sacudindo a cabe‡a. - Al‚m disso - ajuntou, esquecendo que v rias desculpas ...s vˆzes são menos convincentes do que uma £nica -, Lady Edward convidou o diretor dum jornal americano especialmente por minha causa. O homem me pode ser £til; tu sabes que Šles pagam como nababos. - O que Lady Edward lhe dissera era que convidaria o jornalista se ˆle j não tivesse voltado para a Am‚rica, como ela supunha. - Realmente, pagam muito bem - conti~ nUou Walter, engrossando a cortina de fumo com particularidades f£teis de ordem impessoal. - o £nico lugar do mundo onde ‚ poss¡vel a um escritor ser pago em excesso. - Tentou rir. - E eu na verdade preciso dˆsse regime para compensar o nosso: 2 guin‚tis por mil palavras. Apertou Marjorie com mais f"r‡a, inclinou a cabe‡a para beij -la. Ela, por‚m desviou o rosto. - Marjorie - implorou-, não chores.Por favor. Sentiu-se culpado e infeliz. Mas - oh! - por que ela não o deixava em paz, em paz? 13 I # I

-- Não estou chorando. Mas os l bios de Walter tocaram uma face £mida e fria. - Mariorie, eu não vou, se não queres que eu v . - Mas eu quero que v s - retorquiu ela, conservando ainda o rosto voltado. - Não queres. Eu fico. - Não deves ficar. - Marjorie olhou para o companheiro e Fez um esfor‡o para sorrir. - uma tolice minha. Seria absurdo deixares de falar com o teu pai e com o jornalista americano. Os seus pr¢prios pretextos, que lhe eram devolvidos daquela maneira,

pareceram-lhe particularmente vãos e pouco convincentes. Walter fez um sua gesto que traduzia uma esp‚cie de repugnƒncia. -- Òles podem esperar - respondeu. Havia uma nota de c¢lera em voz. C¢lera para consigo mesmo, por ter apresentado desculpas tão mentirosas (por que não lhe podia dizer a crua, a brutal verdade sem rebu‡os? no fim, das contas, ela j sabia); e Walter irritou-se contra

Mar-

jorie porque ela lhe lembrava as suas mentiras. Desejava que elas ca¡ssem no po‡o do esquecimento e ali ficassem como se nunca tivessem sido proferidas. -- Não, não; fa‡o questão. . . Foi uma tolice. Desculpa. A princ¡pio Walter resistiu, recusou partir, insistiu em ficar. Agora que não havia perigo de ser obrigado a fazˆ-lo, ˆle podia insistir. Porque Marjorie, naturalmente, estava firme na resolu‡ão de deix -lo ir. Era uma oportunidade que ˆle tinha para mostrar-se nobre e disposto ao sacrificio: custava-lhe pouco, era mesmo gr tis. Qua com‚dia odiosa! Mas representou o seu papel. Ao cabo, concordou em ir, como se, por não ficar, fizesse ... amante um favor especial. Marjorie atou-lhe no pesco‡o o len‡o de sˆda, trouxe-lhe o chap‚u alto e as luvas e deu-lhe um beijo leve de despedida, mantendo uma corajosa aparˆncia de contentamento. Tinha o seu orgulho e o seu c¢digo de honra no amor; e, a despeito da infelicidade, a despeito do ci£me, conservava-se fiel a seus princ¡pios - ˆle devia ser livre; não tinha direito de se intrometer na vida de Walter. De resto, a melhor pol¡tica era mesmo não intervir nos assuntos dˆle. Pelo menos era o que lhe parecia ... Walter fechou a porta atr s de si e p"s~sc a caminhar dentro da frescura da noite. Um criminoso que fugisse do local do seu crime, que fugisse ao espet culo da v¡tima, que fugisse ... compaixão e ao remorso, não poderia sentir-se mais profundamente aliviado. Na rua, respirou fundamente. Estava livre. Livre de recorda‡ões, livre de antecipa‡ões. Livre: por uma hora ou duas podia recusar-se a admitir a existˆncia do passado e do futuro. Livre de viver apenas no tempo e no lugar presente, no lugar onde acontecesse achar-se o seu corpo. Livre - mas o alarde era vão; ˆle continuava a recordar. Fugir não era coisa tão f cil. A voz dela o perse~ guia. "Insisto em que v s." O seu crime era ao mesmo tempo fraude e

assass¡nio. "Fa‡o questão." Com que nobreza ˆle tinha protestado! E, por 1A fim, corri que magnanimidade tinha cedido! Era a trapa‡a a coroar a crueldade. - Meu Deus! - disse Walter quase em voz alta. - Como pude fazer

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isso? - Estava assombrado, al‚m de revoltado contra si mesmo. - Mas se ao menos ela me deixasse em paz! Por que não pode ser razo vel? A c¢lera fraca e f£til explodiu de nâvo dentro dˆle. Pensou no tempo em que seus desejos eram diferentes. A sua ambi‡ão t"da era nao ser deixado em paz por ela. Tinha encorajado a devo‡ão de Marjorie. Lembrou-se da vivenda em que ambos tinham morado, s¢s um com o outro, mˆs ap¢s mˆs, entre as colinas solit rias. Que vista, a de Berkshire! Mas 1 milha e meia os separava da aldeia mais pr¢xima. Oh! - o pˆso daquele bornal cheio de provisões! A lama, quando chovia! E o balde que era preciso i‡ar do po‡o por meio da manivela. Um po‡o de mais de 30 metros de profundidade. Mas, fora das obriga‡ões penosas, como a de puxar o balde, tinha aquela temporada sido realmente satisfat¢ria? Teria ˆle sido verdadeiramente feliz com Marjorie - tão feliz, pelo menos, como imaginara que havia de ser, que devia ser em tais circunstƒncias? Aquilo podia ter sido como o Epip~ychidion; mas não fora... talver. porque ˆle desejara demasiado conscientemente que assim f"sse, porque procurara com delibera‡ão modelar os seus sentimentos e a vida de ambos de acƒrdo com a poesia de Shelley. - Não devemos tomar a arte muito ao p‚ da letra. - Lembrava~se Walter do que o seu cunhado, Philip Quarles, lhe dissera uma noite em que estiveram falando de poesia. - E especialmente no que diz respeito ao amor. - Nem mesmo quando ‚ verdadeira? -- perguntara ˆle. - A poesia pode ser demasiadamente verdadeira. Pura como gua destilada. Quando a verdade não ‚ nada senão a verdade, ela ‚ antinatural; uma abstra‡ão que com nada se parece do mundo real. Na natureza h sempre tantas coisas estranhas misturadas ... verdade essencial! Eis por que a arte nos comove: precisamente porque est depurada de t"das as impurezas da vida real. As orgias verdadeiras nunca são tão excitantes como os livros pornogr ficos. Num volume de Pierre Louys t"das as

raparigas são jovens e tˆm formas perfeitas; não h solu‡os de bebedeira, nem mau h lito, nem fadiga, nem t‚dio, nem lembran‡as s£bitas de contas a pagar ou de cartas comerciais a responder; nada disso para interromper os arrebatamentos. A arte nos d a sensa‡ão, o pensamento, o Sentimento absolutamente puros; isto ‚: quimicamente puros. - E acrescentara, com uma risada: - Não moralmente. Mas o Epipsvehidion não ‚ pornografia - objetara Walter. Não, mas ‚ igualmente puro sob o ponto de vista qu¡mico. Como ‚ aquˆle sonˆto de Shakespeare? My mistress's eyes are nothing like the sun; Coral isfar more red than her lips'red: 15 #

16 I If snow be white, why then her breasts are dun, If hairs be wires, black wires grow on her head. I h ave seen roses damasked, red and white, But no such roses see I in her cheeks; And in someperfumes is there more delight Than in the breath thatfrom my mistress reeks ... E assim por diante. Òle tinha tomado os poetas muito ... letra e estava reagindo. Que isso te sirva de advertˆncia! Philip tinha razão, era claro. Aquˆles meses na vivenda não tinham sido absolutamente como o Epipsychidion ou La Maison du Berger. Havia o po‡o e a caminhada at‚ a aldeia ... Mas, ainda que não houvesse o po‡o nem a caminhada, ainda que ˆle tivesse Marjorie absolutamente

pu-

ra, aquilo tudo teria sido melhor? Talvez f"sse at‚ pior. Marjorie quimicamente pura podia ter sido pior do que Marjorie temperada pelas impurez as. Aquˆle refinamento dela, por exemplo, aquela virtude fria, sem sangue e espiritual eram coisas que ˆle admirava a distƒncia e te ¢ricamente. Mas na pr tica e de perto? F"ra por aquela virtude, por aquela espiritua-

pensava ˆle então (porque tinha apenas 22 anos . acabara de deixar Oxford. Esfor‡ou-se por sˆ-lo. # isso era o mesmo . Walter. admirava a bondade e a pureza dela.Tu ‚s tão boa . Ardentemente puro. dessa pureza adolescente dos desejos sexuais virados pelo avˆsso. em Marjorie.quele tempo. então os seios dela são escuros. abarrotado de poesia e das lucubra‡ões de fil¢sofos e m¡sticos). . Sob aquela aparˆncia de timidez hesitante. A piedade transformara Walter num cavaleiro andante. Walter . era ardentemente puro. E ficou sensibilizado .Parece que tudo isso te vem tã6 naturalmente. .inevit vel. com a chama dos desejos mo‡os artificialmente ensinada a arder no plano ang‚lico. mas tais rosas não veio nasfaces dela. o coral ‚ muit¡ssimo 1 mais vermelho que o vermelho dos l bios dela. amar era trocar id‚ias. Enquanto isso. " (N.lidade refinada. o amor era comunhão espiritual e camaradagem. Enquanto se dirigia agora para a esta‡ão de Chaik Farin.que desejar ser meio morto. porque Carling era um sujeito inqualific M. porque infelizmente os s‚res humanos tinham corpos. Amar.e ˆle não o percebia . por aquela virtude e pela infelicidade de Marjorie.pela devo‡ão daquela criatura. Tenho visto rosas adamascadas. e em alguns perfumes mais deleite encontro do que no h lito que de minha amante se exaia. Era-lhe na verdade dificil ser bom da maneira como o era Mariorie. A parte sexual era apenas uma coisa acess¢ria .. .pelo menos at‚ o momento em que come‡ou o aborrecimento e a exaspera‡ão . era o produto duma frieza natural. era ardentemente vivo. se a neve ‚ branca. muito sens¡vel. do T. .dissera-lhe. vermelhas e brancas. se os cabelos são fios. . quisera ser bom como tu. sentia-se lisonjeado pela admira‡ão que lhe inspirava. Òsse era o amor verdadeiro. * "OS olhos da minha amante não se parecem em nada com o sol. negros fios lhe crescem na cabe‡a. duma vitalidade congˆnitamente pobre..) . ˆle admirara aquela pureza refinada e serena que. contudo. cultivada e sem ardor que ˆle se apaixonara. mas uma impureza que devia ser conservada tanto quanto poss¡vel em £ltimo plano.

podia-se conceber coisa mais baixa e s¢rdida do que tal classifica‡ão? Walter ouvia em imagina‡ão a risada sonora e gorda do pai. proprio un frullino . vindas duma pessoa para quem não nos sentimos atra¡dos. a pureza. em oposi‡ão . confessava.. nem mesmo chegava a ser realmente bonita." Por tr s do mon¢culo John Bidlake piscava o âlho. "‚ da outra esp‚cie. Aquˆles sentimentos sensuais eram vis.. sensualidade jovial e I # . Com que gra‡a o velho costumava contar a anedota! Elas podem ser bonitas como a gente quiser. E. apesar de tudo.s pessoas.lembrou-se s£bitamente da hist¢ria que seu pai costumava contar a respeito de um chofer italiano com o qual um dia falara s¢bre o amor. era um ser semimorto. "as mulheres da outra esp‚cie.) Algumas mulheres. at‚ mesmo a lisonja da admira‡ão são insuport veis. Via-se justificado e ao mesmo tempo sem desculpa. eram ign¢beis.) "Dˆemme". mas Marjorie não tinha sangue. como um velho s tiro perverso e jovial.. segundo o chofer. Seu amor por Lucy era uma coisa louca e vergonhosa. Walter odiava Marjorie por causa de sua frieza paciente de m rtir e acusava-se de sensualidade bestial.s do chofer. mas de que nos serve ter um belo guarda-roupa nos bra‡os? De que nos serve? (E Marjorie. Mas de perto e na pr tica são menos atraentes. mesmo criados. Mas principalmente sem desculpa. Ô unfrullino. mesmo oper rios. Sono come dassettoni. Batedor de ovos e guarda-roupa . Walter invejava-lhe ˆsse talento... Pelo menos sabia por experiˆncia pessoal que (cada vez que o amor "verdadeiro" era temperado pelos acess¢rios sexuais) ˆle não apre~ ciava muito as mulheres do tipo guarda-roupa. mesmo que sejam feias. dizia o chofer. A rigidez dum guarda-roupa ou a vivacidade dum batedor de ovos? Walter tinha de confessar que suas preferˆncias eram idˆnticas . principalmente sem desculpa.. A distƒncia.. tâda esp‚cie de gente. Horr¡vel! T"da a vida consciente de Walter havia sido orientada em oposi‡ão .. (0 velho tinha verdadeiro gˆnio para puxar pela l¡ngua . A minha pequena". a bondade e a espiritualidade refinada são coisas admir veis. Confusa e simultƒneamente..um verdadeiro batedor de ovos. te¢ricamente. do pai. at‚ a devo‡ão. refletia Walter.. eram como guardaroupas.

os anos de conv¡vio com Marjorie tinham-no enchido de repugnƒncia pela virtude fria. tinha tão bom cora‡ão. vergonha daquilo que ˆle chamava os seus desejos bestiais. Ela tinha lido livros e lembrava-se dˆles. E. pelo menos metade dˆle. Walter seria feliz por ter em troca a amizade da companheira. continuava Walter a refletir.. do refinamento. o silˆncio est cheio de esp¡rito e sabedoria em potˆncia. Os silenciosos nunca depõem contra si mesmos. Essa cultura era autˆntica.. . do lado da pureza. Mas tˆ-los~ia compreendido? Podia ela compreendˆlos? As observa‡ões com que quebrava os seus longos. E agora.porque gostava dela sinceramente. era o mesmo que o do Pai. tão leal e devotada. apesar da sua cultura . como eram sem gra‡a e falhas de compreensão! Fazia bem em ser tão calada. Mas amor. assim como o m rmore não trabalhado est cheio de grandes esculturas. Walter levara algum tempo para . vergonha de seu amor por Lucy.lasandois descuidosa do velho Bidlake. . Mas o seu gue. se bem que ao mesmo tempo sentisse vergonha dˆsse horror.isso era sufocante. ao imaginar que estava combatendo a outra mulher com as suas pr¢prias armas. era tão boa. Uma verdadeira t"la. como eram pesadas. com a sua seriedade pesada e sem sensibilidade. Marjorie era no fundo uma criatura ma‡ante.. não havia d£vida. do esp¡rito.oh! como isso era terr¡vel.. E quando. f"r‡a! Se ao menos cessasse de ser tão terrivelmente dedicada! Òle lhe podia dar amizade . verdadeiramente terr¡vel! E depois. quando quebrava o silˆncio.longos silˆncios observa‡ões s‚rias e cultas -. Walter lhe tinha um horror consciente. Mas se ao menos Marjorie o deixasse em ~az! Se ao menos se abstivesse de reclamar a volta ao amor indesej vel que ela insistia em lhe impor . Conscientemente. Marjorie sabia escutar bem e com simpatia. Porque tinha boa mem¢ria e adquirira o h bito de aprender de cor os grandes pensamentos e as passagens brilhantes.ou talvez por causa disso mesmo. a metade das coisas que dizia eram cita‡ões. Marjorie violentava a sua pr¢pria frieza virtuosa e tentava reconquist -lo pelo ardor de suas car¡cias . sempre se colocara do do da mãe. .

Houve uma colisão violenta. "Devo voltar para casa. .disse o jovem Bidlake autom. # ---Devovoltar". Òle sempre f"ra temperante. devo." E apressava-se. odiando Marjorie s¢ porque a tornava assim tão infeliz. Era uma fuga de sua consciˆncia e ao mesmo tempo uma corrida rumo ao objeto de seu desejo. se não tivesse tornado Marjorie tão desgra‡ada . Marjo~ 18 rie come‡ara a chorar. Quando chegou a descobrir. Se Šsse homem não rosse tão detest vel.ela estava chorando. Mas. acelerando a .Walter tinha a certeza . Sempre tagarelando a respeito de casulas. Lembrou-se: dos olhos vermelhos e inchados de Marjorie. de santos e da Imaculada Concei‡ão..descobrir a estupidez espˆssa e dram¡lticamente desprovida de compreensão que se escondia debaixo daquele silˆncio e daquelas cita‡ões.. não teria amado.s costas. pensou ˆle s£bitamente. e ao mesmo tempo um. em vez disso. no momento em que Walter passava.. Carling pelo menos tinha a descuippa do u¡sque. tão repugnante. Não teria sentido piedade. Sabia que no momento em que a porta se lhe fechara . Bˆbedo e religioso. porque ˆles não sabem o que fa7em. retaguarda..Perdão! .que se teria passado então? Walter imaginava-se livre. era tarde demais. ap¢s uma daquelas cenas desagrad veis com Carling. acelerou o passo.. beberrão indecente. at‚ que se achou quase a correr rua abaixo. E naquele momento . Que brutalhão asqueroso! ---Eeu?".ticamente.. disse ˆle de si para consigo. perdoai-lhes. Pensou em Carling. Um homem que estava olhando a vitrina duma tabacaria deu de repente um passo .

sua alegria irreverente.. " O seu mal era ter tempo demais para pensar. Marjorie tinha entrado como s¢cia numa loja de arte decorativa ao tempo em que ˆle a conhecera. Tempo demais para pensar nˆle. .O' seu cartola de chamin‚! .gritou-lhe o homem . o culpado disso era o pr¢prio Walter. Ele temia encontros daquela natureza. . perguntou mentalmente. algo que a mantivesse ocupada. . seu? .. No entanto.Aonde vai. Se ao menos ela tivesse algo que fazer.razo vel?". Os quebra-luzes. Cole. . Quem ‚ que vocˆ pensa que ‚9 Algum f‚lizardo que ganhou no Derby? Dois gffiatos explodiram numa gargalhada feroz. muito ao sabor das damas da sociedade. ouvir mexericos. e entregar-se ao que as raparigas colegiais chamam uma "paixa" por # 20 uma mulher mais velha. com algo de internato de meninas. . dando expansão .. O velho Bidlake o teria esmagado com uma palavra.s costas. nos intervalos. um mundo feminino. Seus pensamentos voltaram para Marjorie. O ru¡do dos vitup‚rios do desconhecido apagou-se-lhe nos ouvidos. Sra. parte do de Carling.. as classes inferiores o enchiam de mˆdo... e imaginar. tomado de raiva pelo cavalheiro vestido de gala. "Simplesmente razo vel. Mas para Walter a £nica solu‡ão que se apresentava era a fuga.continuou o homem em tom de mofa. Era odioso! Walter sentiu um calafrio. a s¢cia principal. a companhia das mulheres jovens que os pintavam e sobretudo a devo‡ão .. compensavam para Marjorie o seu casamento infeliz. um mundo em que Marjorie: podia falar a respeito de vestidos e lojas. que existem em Kensington.marcha sem olhar para o lado. fazendo que a criatura concentrasse o seu esp¡rito exclusivamente nˆle. era um dˆsses estabelecimentos art¡sticos de amadores. O mais acertado seria virar~se e devolver os desaforos ao sujeito. que ela estava partici- . com raiva.. f"ra ˆle que lhe roubara a sua ocupa‡ão. "Por que ela não pode ser. Tinha criado um pequeno mundo seu.

Ao cabo de pouco tempo Marjorie abandonou aquela ocupa‡ão antinatural e f£til. e um homem deve. Sob a influˆncia do n"vo companheiro.um ref£gio. Walter a tinha persuadido a renunciar a tudo aquilo . como Marjorie não se cansava de lhe dizer. que Walter detestava como sendo a encama‡ão tirimica. Walter se tornou reticente. Mas seria lisonjeira? Punha-se a fazer conjeturas. Walter oferecia o que esta prov. em seus trabalhos liter rios. F"sse como f"sse. pensava Walter..) Sim. no fundo. "Se ao menos". Òste se tornou a razão de ser de sua existˆncia. positivamente. E ˆle aceitara então essa "diferen‡a" como uma distin‡ão lisonjeira. Ademais. Cole se tornou insuficiente como elemento compensador. a base s"bre que t"da a sua vida repousava. não falou mais em tal coisa. Cole. Porque a felicidade que lhe trazia o seu devotamento para com a Sra.velmente não podia e positivamente não queria dar . não era homem. ˆles não valiam nada. Cole. nada lhe restara al‚m de Walter. Mas Carling se revelou de tal maneira abomin vel que at‚ a Sra. mas era "diferente dos outros"..pando do trabalho universal e favorecendo a causa da Arte. Mas.Tens aptidões para ser muito mais que uma estofadora diletante. Depois de a ter encorajado. constitu¡am quase uma compensa‡ão .s suas mis‚rias com Carling. mesmo quando (conclusão a que o jovem Bidlake chegara a respeito de Marjorie) uma mulher. ser amado. pusera-se Majorie a escrever ensaios. Dizendo-lhe isto ˆle a lisonjeara. Depois disso. (Outra vez o efeito da literatura! Walter lembrou-se dos coment rios de Philip Qua‡les a respeito da desastrosa influˆncia que a arte pode exercer sâbre a vida. movido pela confian‡a sincera que tinha então nas capacidades intelectuais de Marjorie. ela o achava "diferente dos outros". novelas. Walter era um homem. Marjorie tinha consentido em abandonar a loja e com ela a Sra. E essa base agora cedia sob os seus p‚s . por tradi‡ão. a sua "paixa" sentimental por ela. "ela me deixasse em paz!" .. Ela podia ajud -lo. duma Maneira ainda indeterminada.. prote‡ão e aux¡lio financeiro. entretanto. autorit ria e vampiresca da vontade feminina. impelida pelas brutalidades de Carling. Encantada pelas palavras persuasivas de Walter. não goste dos homens e se Sinta naturalmente melhor na companhia das outras mulheres.. ela mesma poderia escrever tamb‚m. ˆle era um homem. . entretanto. de sorte que podia auferir dois proveitos ao mesmo tempo: possu¡a um homem que..não sem dificuldade.

OS SOCIµLISTAS E O SEU PROJETO DE ROUBO. Achou um. Walter leu a not¡cia com prazer.. decidiu não se mover. A fuma‡a acre lhe irritava a garganta. "Que patifes!" pensou Walter ao lˆ-lo. "Que patifes W repetiu. Possu¡do pela alegria da luta pol¡tica. demasiadamente vis¡vel. Na entrada um homem vendia os jornais da noite. Na esta‡ão de Camden Town. se não as podemos comer sem sen~ tir n useas. o que não acontecia com o redator do jornal da noite. . A linguagem do artigo de fundo era de uma violˆncia feroz. "Devemos ser leais para com os nossos gostos e instintos". refletindo num segundo. Fugir ao cheiro pestilencial seria agir de uma maneira ofensiva. com um len‡o vermelho amarrado ao pesco‡o. nos detentores dos monop¢lios. Tinha id‚ias pol¡ticas avan‡ad4s. num cartaz.. primeira leitura.maior e mais simples. O fedor do cachimbo do homem era de tal maneira sufocante que Walter passeou o olhar pelo carro. tornou-se de algum modo maior do que ˆle mesmo . um . PRIMEIRA LEITURA.. Contente com ˆsse pretexto para distrair o esp¡rito. ultrapassou as suas limita‡ões. procura dum lugar vago. O artigo despertou nˆle um # delicioso ¢dio aos capitalistas e aos reacion rios. vivas. um velhinho encarquilhado. Da mesma maneira que ser loucura crer na excelˆncia das ostras. "Para que serve uma filosofia cuja premissa maior não ‚ a expressão racional de nossos sentimentos? Se nunca tivemos um acesso de fervor religioso.. Walter tossiu. sentou-se ao lado dˆle. mas. As palavras destacavam-se. abolidas as complica‡ões pessoais. pensando nos opressores. ‚ loucura crer em Deus.Entrou na esta‡ão do metropolitano... As barreiras de sua individualidade se viram momentaneamente derribadas. dizia Philip Quarles. O projeto de lei do govˆrno liberal-trabalhista sâbre a nacionaliza‡ão das minas tinha sido aceito ." entusiasmo vivificante por tudo o que o jornalista atacava. Walter comprou jornal. pela maioria de um cos- tume. e poderia ocasionar coment rios da parte do malcheiroso .

Veio . O velhinho se inclinou para a frente e cuspiu. . leitura do jornal: "Os socialistas chamam a isso nacionaliza‡ão. Mas era ao menos um roubo infligido a ladrões. com os vap"res de nicotina. Levava cada um dˆles um buquˆ de primaveras. mas não trabalhava desde o mˆs anterior.Vamos parar um minuto para ver o pobre Wetherington .. "Devemos ser leais para com os nossos gostos e instintos. entre os dois p‚s.. Wetherington não o interessava muito... Passeava com a mie pelos campos que havia perto de Gattenden. Chamamos a isso .. . . e em proveito de suas v¡timas. porta da cabana. Uma mulher abriu a porta. Com o salto da botina espalhou o cuspe S"bre o soalho. Wetherington. H princ¡pios eternos. Walter desviou os olhos.Òle est muito doente. Sra. quisera poder amar pessoalmente os oprimidos.. Walter tinha lembran‡a de que ˆle era um homem p lido e magro que tossia. Com certeza tinham ido a Batt's Comer. era o unico lugar onde havia primaveras nas redondezas. . E s£bitamente Walter se reviu aos nove anos de idade. mas n¢s outros temos um nome mais curto e mais simples para o que ˆles se propõem fazer." Mas os nossos gostos e instintos sio acidentes.disse a mie. cuidadosa e verticalmente. uma baforada de suor azido.Boa tarde.. Mas se acontece que os princ¡pios axiorn ticos não são a nossa premissa maior pessoal? . um homem nada comunicativo.s narinas de Walter. e pessoalmente odiar os ricos opressores. Wetherington f"ra segundo jardineiro na herdade.. Entraram.roubo". Walter voltou . i I I I # Bateu .

igreja.pode ela ser boa?" Walter quisera am -los. escorado por travesseiros. Um cheiro nâvo.. Esticada sâbre os salientes. por mais forte e desagrad vel que fosse.. incrivelmente delgado.. a decomposi‡ão adocicada daquele cheiro de quarto de doente que o tornava particularmente insuport vel.. a contemplar. Walter. enquanto a mãe conversava com o morimbundo e com sua esp"sa. igreja. Acendeu um cigarro para desinfetar a mem ¢ria. crian‡a ainda.. "Talvez sejamos educados de maneira demasiadamente higiˆnica. mas arrastado pela fascina‡ão do horror. pensou ˆle. misturado . por‚m. parecia.Wetherington estava deitado na cama. demasiadamente ass‚ptica". vam fixamente do fundo de ¢rbitas cavernosas. O seu olhaossos rosto era terr¡vel. de pupilas dilatadas. pensando naquilo.. O ar estava quente e carregado dum horr¡vel bafo ran‡oso e doentio. Um par de olhos enormes. do que o rosto.. f"r‡a de amadurecer tanto tempo dentro do calor fechado.. No quarto em que Wetherington jazia doente. com um par de imensas mãos esquel‚ticas prˆsas na ponta. F"ra educado no h bito dos banhos e das janelas abertas.um cheiro antigo que. se tornara pestilencialmente adocicado . os bra‡os. era o pesco‡o. como ancinhos na extremidade dos cabos finos. at‚ mesmo a piedade era dificil florescer. a pele estava branca e viscosa de suor. E. A primeira vez que o levaram. Mais aterrador. . e respirar atrav‚s de seu ramilhete de primaveras o ar quente e -nauseabundo. Mas o amor não floresce numa atmosfera que infunde ao que ama uma repugnƒncia incoerc¡vel.s exali‡ões do corpo enfermo . malgrado seu. o cheiro daquele quarto de doente! As janelas se achavam hermŠticarnente fechadas. depois. o apavorante esqueleto sentado na cama. Era a velhice. deixou-se ficar sentado. Walter sentia arrepios at‚ agora. fresco. seria menos horr¡vel. E das mangas da camisa de dormir emergiam duas estacas nodosas. "Uma educa‡ão cujo resultado ‚ dar-nos n useas na companhia de nossos semelhantes. De mistura com o perfume fresco e delicioso das flàres ˆle . o abafamento e o cheiro de humanidade o deixaram mareado. havia fogo na pequena lareira. A mãe nunca mais o levou .. de nossos irmãos .s pressas.. Teve de ser conduzido para fora .

O espet culo dessa dor fˆ-lo s¢rnente dese22 jar a fuga com mais ardor ainda: sair daquele horr¡vel quarto para o ar infinito e puro. Durante os £ltimos anos o contribuinte aprendeu .. bem o que tinha sentido. depois contava at‚ quarenta antes de expirar e de absorver o ar de n"vo. Wetherington se pâs a chorar. Não chegava quase a sentir piedade. mˆdo e desg"sto. Walter teve vergonha dessas emo‡ões. desviando o rosto a fim de que o doente não lhe visse as l grimas. para não ter de inalar muito repetidamente o ar pestilencial do quarto do doente. Respirava profundamente atrav‚s das primaveras.sentia os miasmas persistentes do quarto do doente. o f"lego por muito tempo contido e encheu de . " Walt‡r fechou os olhos e reviu o quarto de Wetherington. num suspiro explosivo.... recordando-as. O velhinho que estava sentado a seu lado tornou a acender o cachimbo. levantou a mão por um instante e deixou-a cair de nâvo. Mas ˆles não se deixavam vencer com fidade. não para com os maus: preciso resistir a ˆstes £ltimos. Walter lembrou-se de que tinha contido a respira‡ão o maior tempo poss¡vel. . Walter deslizou os seus dedos sob aquˆles dedos mortos e descarnados. "Devemos ser leais para era com # era faci- nossos instintos. sua custa a significa‡ão do contrâle burocr tico." Não. para o sol . . mas apenas horror. Walter virou-se e esfre~ gou dissimuladamente a palma da mão no sobretudo. "A id‚ia de que a nacionaliza‡ão far crescer a prosperidade dos trabalhadores ‚ absolutamente ilus¢ria. E mesmo quando a Sra. Chegara o momento da despedida: ˆle apertou na sua a mão esquel‚tica do doente. Deixou escapar. O velho se inclinou outra vez para cusp~r. No entanto. Se os trabalhadores imaginam. o que sentia ainda. a mão que jazia inerte s¢bre a coberta. Walter sentiu ainda menos compaixão do que mal~estar e embara‡o. não para com todos. O contato era frio e £mido.

i 23 # . mamãe . . eram obst culos enormes. Òle se lembrava de a ter visto parar diversas vˆzes no caminho de volta para casa. ˆle se sentava s"bre a pequeno traseiro chato. . sem d£vida. para ˆle. Fant stico e inveross¡mil como um pequeno dragão chinˆs..gritava com impaciˆncia. E ficava perplexa com muita freqˆncia. "Devemos ser leais para com nossos gostos e instintos. A cozinheira tinha assado b"los na chapa. sua mãe j se dirigia para a porta. Era sem d£vida a £nica pessoa na Inglaterra. sem nada dizer. e havia ainda uma torta de ameixas do dia anterior e um pote rec‚m-aberto de gel‚ia de aciA cerejas de Tiptree. Corria. gritava. sorrindo interiormente com ternura. quando estava pensativa ou perplexa. pensava Walter agora. olhando com os olhos redondos e bojudos por cima dos tufos de relva. . para o ch .Sossega. Foi a £ltima vez que teve de inal lo. T'ang 1 -. quando a relva era muito alta. Voltaram para casa pela senda que cortava os campos. latindo.Apressa-te. saltava levemente para vencer o que.O pobre Wetherington." Mas um dente de nascimento tinha aeterminado nˆle ˆsses gostos e instintos. O pequeno pequinˆs saltitava em t"rno dela. e.n"vo os pulmões daquele ar nauseante.Vamos chegar tarde para o ch . A cada instante se detinha um momento e fechava os olhos. Era um h bito que tinha. Sua cauda peluda flutuava ao vento. pensava agora Walter. Sob o claro c‚u multicolorido Walter se sentira como um prisioneiro libertado. Algumas vezes. como se estivesse pedindo a‡£car. lhe dera bastante que refletir. A mãe caminhava devagar.disse ela com a sua linda voz clara. procurava orientar-se. que pronunciava regularmente o ap¢strofo na palavra T'ang. T'ang corria diante dˆles.

mas os sub£rbios de Leeds e Sheffield tinham come‡ado a espalhar-se s"bre a região que seus antepassados haviam roubado aos mosteiros. a mais desej vel . austeramente cl ssica.. o elevador subiu. Alguns metros mais al‚m. trezentos anos atr s. Tantamount House.. a caridade e o amor fraterno eram belos." A honra e a fidelidade eram boas coisas. fa‡am o favor! O debate amea‡ava recome‡ar. CAPITULO II Trˆs espectros italianos assombram discretamente a extremidade oriental de Pall Mali. por melhor que ela seja. o Travellers' Club. severa como uma prisão e negra defuligem. Mas a premissa maior pessoal de sua filosofia presente se resumia no seguinte: Lucy Tantamount era a mais bela. instru¡da pelo Santo Esp¡rito. Uma centena de oper rios trabalhou nela durante um ano ou dois. Pall Mail. luz do seu sol natal. as recorda‡ões que Sir Charles guardou da casa cuja planta Rafael desenhou para os Pandolfimi erguem-se atrav‚s do ar brumoso de Londres. plataforma e caminhou para os ascensores. belos precisamente causa de tais coisas. Sob a sujeira que se incrusta na fachada do Reform Club. o gˆnio arquitetura] de Charles Barry os invocaram. "Mas". Na rua. aprendeu das escrituras sagradas e das velhas tradi‡ões dos . malgrado o por cachimbo do velhote e o quarto de Wetherington. E o terceiro marquˆs pagou as contas. Leicester Square. A riqueza da Inglaterra recentemente industrializada e o entusiasmo.Todos os bilhetes. negar a premissa maior pessoal. Walter tomou um t xi. e ‚ bem dificil acre~ ditar numa premissa maior não-pessoal.. Deliberadamente. Barry desenhou-a em 1839. O trem diminu¡a a marcha... "‚ dif¡cil. ergue-se uma versão reduzida (mas ainda enorme) da Cancelleria.justi‡a era eterna.Tantarnount House. O ascensorista bateu as portas. Walter desceu . Walter pâs-lhe uma pedra em cima. arrancando-os ao passado e .velrnente o Pal cio Farnese. Eram somas pesadas. . E entre ˆles. . ia pensando... o âlho da f‚ reconhece algo que lembra agrad. "A Igreja Cat¢lica..

e o Papa Clemente VII.Padres que h um Purgat¢rio e que as almas ali detidas são ajudadas peterlos sufr gios dos fi‚is. Os seus contemPorƒneos os consideravam como "homens que vivem como se não houvesse Deus. houve crian‡as que ficaram sem receber educa‡ão para que os Tantarnounts pudessem ser ricos.. para tirar delas o melhor proveito. homens que nunca estão satisfeitos". Os trabalhadores. florestas e pastagens.." Homens ricos. foram suprimidos. Um ex‚rcito de mendigos. Exploraram essas terras cient¡ficamente. engordavam e iam para o matadouro. deixaram suas ras aos monges para que suas almas pudessem receber aux¡lio no trƒnsito pelo Purgat¢rio.. gra‡as ao cumprimento perp‚tuo do agrad vel sacrif¡cio da missa. ru¡na geral". de pobres diabos e de doentes morreu # miser. não lhe quis conceder o div¢rcio. Os animais nasciam. em conseqˆncia disso. Os mosteiros. homens que não querem tleixar nada para os outros. que estava sob a influˆncia do primo da filha da primeira mulher de Henrique. Alguns anos mais tarde. Mas Henrique VIII tinha cobi‡ado uma rapariga jovem e desejado um filho. Lever os acusava: "ofenderam a Deus e arrastaram uma comunidade . o dinheiro entrava regularmente. O trigo era semeado. de consciˆncia pouco tranqila. crescia e era colhido ano ap¢s ano. A terra lhes pertencia.. mas principalmente pelo sacrif¡cio agrad vel da missa. Mas os Tantamounts adquiriram algumas dezenas de milhas quadradas de terras ar veis. roubaram ˆles a propriedade de duas escolas desoficializadas. sob Eduardo VI. os . 25 I I # Do alto do p£lpito de São Paulo. Os Tartamounts ficaram imperturb veis.velmente de fome. homens que desejam ter tudo nas suas mãos.

Por sâbre o que tinha sido as pastagens e os campos de lavoura dos Tantamourits. um banco. Elizabeth fˆ-los barões. O pavimento . Tantamount sucedia a Tantamount. entre outras coisas. os vaqueiros trabalhavam desde antes da alvorada at‚ o pâr do sol. exageradamente p£blico. serviu. Com as suas arcadas e a sua galeria. constru¡ram-se casas e f bricas. do Peru. at‚ a morte. Mas.10 milhas quadradas do Nottinghamshire. uma planta‡ão e seiscentos es cravos na Jamaica. O. iluminado por pequenas janelas quadradas. a metade duma f brica de cerveja. Desposaram herdeiras ap¢s herdeiras . Em târno de um quadril tero central correm duas alas de arcadas abertas com um tico. Naquela noite. em lugar de se abrir para o c‚u. homens obscuros andavam ideando m quinas que fabricavam as coisas mais r. O interior de Tantamount House ‚ tão nobremente romano quanto a sua fachada. entretanto. E. e as almas dos piedosos contemporƒneos do Pr¡ncipe Negro continuaram. os excrementos de 10 O00 gera‡ões de gaivotas. a se estorcer nas chamas inextingu¡veis do Purgat¢rio. Os filhos tornavam-lhes os lugares. condes sob Guilherme e Maria. Os vagonetes carregados eram arrastados por meninos e mulheres. j que não eram socorridas pelo agrad vel sacrificio da missa.past"res. O dinheiro que. trigo cresceu mais basto. duas ruas de Bloomsbury. para fazer surgir em Pall Mall um niodˆlo ieduzido da Chancelaria Papal. marqueses sob Jorge II. Trouxeram por mar. as novas b"cas foram alimentadas. as cidades em grandes centros. Debaixo da relva de seus prados homens serrinus espica‡avam a face negra e brilhante do carvão. constitui ˆle um salão muito nobre .. os Tantamounts ficavam cada vez mais ricos.pidamente do que elas se podiam fazer a mão. para enriquecer-lhes os campos. o hall justificava a sua existˆncia.. Lady Edward Tantamount dava ali uma de suas festas musicais. dum ano para ontro. uma vez bem empregado. 50 O00 libras. tornaram-se viscondes sob Carlos II. Entretanto. sem d£vida. teria podido encurtar-lhes a permanˆncia no meio das chamas. ao alto. demasiadamente semelhante a uma piscina ou a uma pista de patina‡ão para que se possa habit -lo. sem descanso. o quadril tero est coberto por um telhado de vidro que o converte num imenso hall a ocupar t"da a altura do edificio.por‚m excessivamente vasto. As aldeias se transformavam em cidades.

não deixes de reparar .Psiu! . e. · m¡ngua de exerc¡cio.. a maior parte de seu ser espiritual nunca se tinha desenvolvido. uma esp‚cie de crian‡a. vinham bem do fundo da garganta. Era uma esp‚cie de crian‡a. Durante a sua estada em Montreal.Podes acreditar .estava cheio de pessoas sentadas. os seusinstintos eram os de um menino. ..Nio deves interromper a m£sica..que nunca me interessei tanto pela osmose nem antes nem depois . Mas os seus sentimentos. e no espa‡o arquitetural vazio que havia por cima delas a m£sica flutuava em pulsa‡ões complicadas. mas Lorde Edward ficou no Canad . A m"‡a aproveitou a oportunidade.a um tempo violentos e t¡midos.. Lorde Edward foi h¢spede do pai de Hilda. Mas.. Minha queridi Hilda. O seu cochicho era colonial e os rr de "interromper" eram carregados. Aos quarenta anos Lorde Edward era em tudo. Se‡io de Biologia.disse o velho John Bidlake . Hilda correu em aux¡lio daquela paralisante timidez de quarenta anos. Hilda tamb‚m conhecia o seu papel de mulher. Os ardores d‚le eram juvenis . E. porque Lady Edward procedia de # Montreal e sua mãe era francesa. . Em 1897 a British Association reuniuse no Canad .protestou Lady Edward por tr s de seu leque de plumas. as suas intui‡ões... mas com h bitos infantis inveterados por quarenta anos de vida...confiara Hilda certa vez a uma amiga . E deuse conta de um fato que não havia notado antes: de que Hilda era muit¡ssimo"bonita. eu j estou olhando .. Lorde Tantamount leu um trabalho muito admirado . para os que não eram profess"res.. "Um dos nossos homens do futuro". O interˆsse pela osmose despertou a aten‡ão de Lorde Edward..Que pantomima! .. dona da casa. um Tantamount niffion fio podia ser olhado como homem do presente . Hilda Sutton era partid ria decidida desta opinião. p tria.. de resto. . ˆle se revelava tão velho como a pr¢pria ciˆncia. desesperados e . . A British Association voltou .. 26 . A tarefa não lhe foi dificil. disseram dˆle os profess"res. sua mesa de trabalho. menos no intelecto.. No laborat¢rio. ela ia encontr -lo a meio cam¡nho. sempre que o terror o impedia de fazer as arremetidas necess rias.

Sim. e conduzir a conversa‡ão em t"das as dire‡ões ditadas pela estrat‚gia amorosa. despreocupado. na tua maneira especial de ter afei‡ão. repito. tˆ-lo-ia alarmado.sinceramente! . tˆ-lo-ia afugentado. sem disfarce. Olha-te naquele espelho! 27 ~11a~ ~~ " ^~ V'I # i Hilda olhou e viu a imagem de seu corpo nu. Discretamente . . meio mergulhado nas almofadas fundas. bebedor e arreba~ .· tua pr¢pria maneira.· tua pr¢pria maneira. Mas deves concordar em que felizmente não ‚ essa a maneira de t"da a gente. . Na primavera de 1898 tornou-se Lady Edward Tantarnotint.P"s-se a rir. . Havia então cinco anos que Hilda estava casada: tinha trinta de idade. sem d£vida. Mas. pondo-lhe a mão s"bre a b"ca. Aquilo se passara um quarto de s‚culo atr s.. graude amigo do riso. Lady Edward fˆ-lo calar-se. John Bidlake tinha 45 e estava na plenitude de seu talento e de sua reputa‡ão de pintor. . Hilda falava por ambos e era discretamente atrevida. . porque ˆste estivera a ridicularizar o pobre Edward -. O atrevimento claro. grande trabalhador. ‚ uma boa coisa que.Animal! Mas isso não faz nenhuma diferen‡a na minha afei‡ão por ˆle . Lucy era uma menina de quatro anos.dissera um dia com raiva a John Bidlake. . E teve a sua recompensa. exuberante. . criar t"das as oportunidades.Mas eu te asseguro . grande.porque as no‡ões que tinha Lorde Edward de como as raparigas se deviam portar derivavam principalmente dos Pickx?ick Papers.mudos. ‚ claro! .. grande comedor.ca‡oou Bidlake.. mas procurava ao mesmo tempo fazer t"das as avan‡adas.. Hilda conservou t"da a aparˆncia de uma donzela de Dickens. era belo. eu te asseguro que o amo sinceramente . estendido s¢bre um divã.

tornava-se por isso mesmo absolutamente indesculp vel. Mas na pr tica e emotivamente era uma crian‡a. pedindo desculpas. mas por uma resolu‡ão silenciosa de ignorar. . mas amava-a como podia amar uma crian‡a f¢ssil da d‚cada de 1860 .Ningu‚m pode pintar um nu se não aprendeu de cor o corpo humano com as suas mãos. com os seus l e com o seu pr¢prio corpo.A pintura ‚ um ramo da sensualidade . com todos os incr¡veis princ¡pios e preju¡zos absorvidos de mistura com as esquisitices do Sr. . muito amadas e muito virtuosas. Seu amor foi um longo e t cito pedido de desculpas pela sua pr¢pria existˆncia. pedindo desculpas dos seus ardores. de resto. Se precisa ser justificado por uma razão exterior. . "Não esperes de mim que eu te fale das estrˆlas. revela com isso ser uma coisa sem justifica‡ão. Levo minha arte a s‚rio. dos l¡rios virginais e do cosmos". que lhe tinham substitu¡do a mãe morta. Para Hilda.replicava ˆle aos que lhe censuravam o modo de vida. . com o bom prazer animal dum filho da natureza. ˆle se justificava plenamente por si mesmo. t"das suas possibilidades fisicas. e.bios ao as e uma tador de virgindades. e que ˆstes. crian‡a f¢ssil dos meados da era vitoriana. pedindo desculpas do seu pr¢prio corpo e at‚ do corpo de Hilda. Intelectualmente. "Não ‚ o meu gˆnero. Bidlake trouxe a revela‡ão de seu pr¢prio corpo. f"r‡a de ser t¡mida. fazia o seu amor francamente.. não sendo mais do que uma desculpa. Sou incans vel nos meus estudos preliminares.. ˆle compreendia os fen"menos sexuais. le amava a sua jovem esp"sa. um menino f¢ssil conservado no corpo dum homem muito alto de idade madura. no calor. Pickwick e de Micawber. naturalmente. seus olhos coruscavam como os dum s tiro jovial.timidamente. uma maneira silenciosa de fingir que os corpos não tˆm realmente nada que ver com os ardores. Não de modo expl¡cito. no contato terno. John Bidlake não pedia desculpas da modalidade de amor que tinha para dar. no prazer. porque a crian‡a f¢ssil era muda . dizia. não existem realmente. O amor deve justificar-se por seus resultados na intimidade do esp¡rito e do corpo. Lorde Edward não passava duma esp‚cie de crian‡a. naturalmente. conservada intata com tâdas as timidezes infantis naturais e todos os tabus adquiridos das duas tias solteironas.E sua pele se dobrava em pregas de riso redor do mon¢culo. Sensualista vigo28 roso. Na medida do poss¡vel. no laborat¢rio.

Foi capaz de contemplar o seu pr ¢prio prazer. Não com um arrebatamento excessivo. bom na medida de suas limita‡ões . E John Bidlake louvava a maneira como a amante sabia aproveitar o que havia de melhor dentro de dois mundos. arriscaria perder com ela Tantamount House. parte e por cima do torvelinho. . De sorte que conservou a cabe‡a. Eu acredito ‚ em.# Não acredito nˆles. Divertiu-se. em seguran‡a. em mat‚ria de amor. bem~humorada e feliz. por sˆres uma mulher sensata. a sua cabe‡a s¢lida. foi uma revela‡ão. John Bidlake tinha sido impiedosamente cruel. Porque as mulheres em cuja opinião vale a pena sacrificar o mundo pelo amor podem tornar-se uma verdadeira calamidade . por s¢bre os arrebatamentos tumultuosos.. entretanto. mas nunca em detrimerito de sua posi‡ão social.uma sensualidade decente.como ˆle bem sabia por experiˆncia pessoal." E suas palavras se transformavam então naquilo que uma conven‡ão misteriosa decretou imposs¡vel de imprimir.dizia ˆle muita vez -. os milhões dos Tantamounts e o t¡tulo dos Tantamourits.. Se tivesse perdido a cabe‡a. friamente. manteve-a bem alto. o amor era um prazer indispens vel. Era a luta do "tudo pelo amor" contra o "não . Mas ningu‚m merece que por sua causa nos envolvamos em complica‡ões aborrec¡veis . Amava as mulheres. como um rochedo que se ergue acima das ondas. sendo natural. . que. mas quente e natural. . vida. Descobriu-se a si mesma. Coisas mortas dentro dela tornaram ..Rendo gra‡as ao c‚u. Com as mulheres que não se tinham mostrado sensatas e que haviam levado o amor muito a s‚rio. num arrebatamento. Nunca perdeu a cabe‡a. Para Hilda. deliberadamente. Hilda . E Lady Edward não tinha a menor inten‡ão de perder tudo isso.. a sua vontade de conservar a posi‡ão social mantiveram-se . Era um amor sem pretensão. e. não conhecia nada senão os ensaios t¡midos duma crian‡a f¢ssil.não h nada que compense o sacrificio de uma vida transtornada.

. .importa quˆ por uma existˆncia tranqila". Quando se dava o trabalho de cochichar. essa ‚ boa! murmurou. Nessa luta por uma existˆncia tranqila.. o velho John. Hilda Tantamount era tão apegada . . embara‡ada. Mas seu rosto ficou s£bitamente sereno. -Olha! Outra retardat ria. Ou antes.Mas eu estou cochichando. .Como um leão. A retardat ria sorriu em resposta. Aqu‚les "psius" cont¡nuos o aborreciam. existˆncia tranqila quanto o pr¢prio John.. 29 I # O que devias fazer era ficar simplesmente calado . .Como uinleão .. . ria s¢zinho. Agora estavam rindo. dona da casa.. Lady Edward tratava de manter o dec"ro. Lan‡ou o olhar em târno. tudo se extinguira com suavidade.. enviou . . Tinham sido bons amantes.ao ponto de serem chamados conspiradores. conspiradores maliciosos mancomunados para se divertirem . que detestava a m£sica. Mas John Bidlake não lhe dava mais aten‡ão. Não gostava de ouvir que o que ˆle admitia como verdade não o era. onde a £ltima das convidadas se achava indecisa entre o desejo de desaparecer discretamente no meio da multidão silenciosa eo dever social de fazer saber sua chegada .Mas ‚ que não percebes como tudo isto ‚ incrivelmente c¢mico! -insistiu Bidlake.velmente o espa‡o de alguns anos..... A liga‡ão de ambos tinha durado bastante agrad.Psiu! Psiu! -. Estava olhando na dire‡ão da porta. Quanto queres apostar como ela vai fazer o mesmo que os outros? -. indignado.Psiu! -. ficaram bons amigos . .repetiu Lady Edward. um aceno do leque de plumas longas e um sorriso. ao cabo. custa do mundo.cochichou ela. presumia que a sua voz não podia ser ouvida senão pela pessoa a quem se dirigia.Não posso evitar..respondeu ˆle com c¢lera. ˆle não recuava diante de nenhum horror. Lady Edward lhe fez um sinal por cima das cabe‡as da multidão que se interpunha entre arribas. com mais exatidão.

. quando ela pusera um dedo sâbre a bâca. Bidlake delirava de alegria. Uma d£zia de violinistas e de violoncelistas an"nimos arranhavam os instrumentos. mim muito sˆde. ‚ costume evitar os maus olhados. com a gra‡a inimit vel e habitual. curvando o busto em ondula‡ões de cisne e sua # tra‡ando no ar. E. as medita‡ões de Bach enchiam o quadril tero romano. Mim fome. Havia-lhe retribu¡do com juros extravagantes o beijo soprado de longe. Tinha repetido cada um dos gestos da pobre senhora. em N poles. para o lugar que ficara vago.Dir-se-ia estarmos numa casa de surdos-mudos. ao seu comando. exagerando-o grotescamente at‚ fazer que ˆle exprimisse um desespˆro rid¡culo. No largo da abertura. ˆle tinha coberto a sua com a mão inteira. alongou as duas num pequeno gesto que queria exprimir um pedido de desculpas por chegada tardia e o desespˆro de não poder. quando a dama retardat ria se tinha afastado nas pontas dos p‚s. . Repetira o gesto de pesar. soerguendo os ombros e encolhendo-se de modo que ocupasse o m¡nimo de espa‡o. Voltou-se triunfante para Lady Edward. arabescos brilhantes. depois. . dirig¡ti-se nas pontas dos p‚s. imitou os gestos de quem bebe num copo.. p¢s o indicador s"bre a b"ca. com o rosto todo enrugado de riso. e a bater na testa. Lady Edward bateu nˆle com o seu leque de avestruz. em vista das circunstƒncias. com infantis precau‡ões ao longo de uma coxia. Ou falando a pigmeus da µfrica Central. Bidlake pusera-se a contar nos dedos. Soprava na embocadura. 30 Entrementes a m£sica continuava . apontou para mãos sua uma cadeira vazia na outra extremidade do salão. ir falar com a dona da casa. a fazer os gestos com os quais. com o .um beijo na ponta dos dedos.cochichou. e. medida que ela os fazia. como se dan‡asse ao som da m£sica.Abriu a b"ca e apontou para dentro dela com o indicador esticado. Era o jovem Tolley que dirigia a orquestra. Johan Sebastian.Eu bem te havia dito . -.a Su¡te em Si Menorpara Flauta e Cordas de Bach. E o grande Pongileoni beijava viscosamente a sua flauta. e uma coluna cil¡ndrica de ar se punha a vibrar. . com os bra‡os.

na solidão. "Eu sou eu". e ainda outra vez sob a forma da coluna de ar vibrante de Pongileoni. . esquisita e simplesmente melodioso. Mas. para se apresentar outra vez sob um aspecto n"vo. . s¢rnente considerando uma ou duas partes ao mesmo tempo que o artista pode entender alguma coisa. Parece que achamos a verda~ de. ela nos ‚ anunciada pelos violinos. quase uma can‡ão popular. insiste a flauta. de tempos em tempos. por exemplo.que aux¡lio dos bei‡os de Pongileoni e da coluna de ar. uma parte isolada. Ali estava. s"bre a sua unidade (a despeito de tanta diversidade desnorteante). enquanto as nuvens passam por s"bre a sua cabe‡a. mas nenhuma para o artista. reclama o violoncelo. Mas de uma terra. ah! tão complexa e m£ltipla. e nenhum dˆles quer escutar os outros. precisa. . Na fuga humana h 1 800 milhões de partes. E todos igualmente tˆm razão e igualmente se enganam. separada e individual. Os pensamentos que ela lhe provocou estão na "Sarabanda" que segue o "Rond¢".mas s¢rnente para tornarem a separar-se mais uma vez. uma rapariga jovem que canta para si mesma. h conquistadores verdadeiros. tinha feito uma declara‡ão: H grandes coisas no mundo. senhores autˆnticos da terra. "Em târno de mim". afirma o violino. "o mundo gira em târno de mim". inilud¡vel. uma bondade. Cada uma ‚ sempre s¢. O "Rond¢" come‡a. Mas eis que ela nos escapa. Uma rapariga que canta entre as colinas. "Em t"mo de mim". uma beleza. mas cuja realidade se impõe ao esp¡rito. que a an lise destr¢i. uma medita‡ão lenta e maravilhosa s"bre a beleza~ do mundo (a despeito da esqualidez e da estupidez). bruscamente. . um poeta escutou a can‡ão. e Johan Sebastian Bach expõe o caso. continuara ˆle a refletir no allegro em fuga. nobres coisas. seus caminhos se cruzam. h homens nasceram para ser reis. combinam-se um instante para criar o que parece uma harmonia final e perfeita. clara. de amor. ternamente melanc¢lica. solit rio como uma das nuvens flutuantes. sobre a sua bondade profunda (a despeito de todo o mal). uma unidade que nenhuma indaga‡ão intelectual pode descobrir. elas se tocam. entre os violoncelos. O ru¡do resultante tem talvez alguma significa‡ão para o estat¡stico. As diversas partes vivem suas vidas separadas. n¢s a temos e retemos triunfalmente.

continuou John Bicilake. Bidlake teve um gesto de terror fingido e cobriu a b¢ca com a mão.. para que fingir que gosta de m£sica.Fala-se do tributo que o v¡cio paga . os violinistas esfregavam. .E agora fa‡o questão de que cales a b"ca. . permitir-se essa franqueza. essa gente t¢cia o est pagando agora .Tˆm o ar de quem est na igreja. atrav‚s da longa "Sarabanda".Pois deves ficar agradecido por Šles pagarem a ti em guin‚us! disse Lady Edward. fica quieto. meditava sâbre a verdade e a beleza.. . em caretas piedosas e num silˆncio religioso! . os m£sicos esfregavam as suas crinas de cavalo impregnadas de resina nas das esticadas de tripas de carneiros.. J não h senão a hipocrisia intelectual. . . arte. . sobretudo quand" se tratava de m£sica..Quem ‚ aquela mulherzinha de pr‚to . Tolley agitava os bra‡os voluptuosamente... e. o poeta.. poeta medi!ava lentamente sâbre a sua certeza maravilhosa e consoladora. quando estava comovida. e ti- nha a franqueza de o dizer. incorrig¡vel.Mas na nossa ‚poca tudo ‚ permitido.Essa m£sica est come‡ando a ficar bem cacˆte ... Quem sabe pintar como John Bidlake. . e..que revira os olhos e balan‡a o corpo como Santa Teresa em ˆxtase? ..murmurou John Bidlake . Olha . quando realmente não gosta? O pintor passeou o olhar por sâbre o audit¢rio e sorriu. não h mais necessidade de hipocrisia moral. Pongileoni soprava. . Podia.respbndeu Lady Edward em voz baixa.. o tributo que o filistinismo paga .Mas fica quieto. Que dizes? .Ser que ainda vai muito longe? O velho Bidlake não tinha nem g"sto nem talento para a m£sica. Mesmo uma manhã bonita ‚ suficiente. Ilusão ou revela‡ão da mais 11 1 # i coro profunda das verdades? Quem o sabe? . Uma rapariga jovem que canta para si mesma sob as nuvens basta para criar essa certeza.. Lady Edward levantou o leque num ar de protesto. de resto. Tinha a emo‡ão f cil. Fanny Logan sentiu que as l grimas lhe brotavam nos olhos. não se esfor‡ava para reprimir a como‡ão.in¡vencivel mente. Pongileoni soprava.continuou o pintor . dona da casa. mas entregavase- . E Bach. virtude .Fanny Logan ..

que tudo. sua filha. morto havia quase dois anos. Exprimia tâda a tristeza do mundo. # mas eram . que tivesse sofrido em sua doen‡a. relutado em deixar a vida a m£sica admitia tudo. Mas Polly estava sentada em outra fileira do audit¢rio. contudo. como era triste e. como se sentisse que a mãe estava olhando para ela. a despeito de sua tristeza. Os olhos da mãe de Polly não eram os £nicos que olhavam na dire‡ão da jovem. das profundezas dessa tristeza. duas filas na frente. mas de maneira irresistivel. E. alguns meses apenas antes de morrer. coando-se lisamente. tranqila32 mente. Logan ficou completa. Logan. como uma corrente de sensa‡ões deliciosas. Fanny as enxugou. Vantajosamente colocado atr s dela. Como era encantadora! Pergunta- . e o pequeno pesco‡o delicado onde se viam as p‚rolas que o seu querido Eric lhe dera por ocasião de seu d‚cimooitavo anivers rio. Hugo Brockle estudava-lhe o perfil com admira‡ão. As l grimas cresceram. Seu pr¢prio corpo fremia e se balan‡ava em cadˆncia com a pulsa‡ão e a ondula‡ão da melodia. e no entanto consolava .tão jovem ainda. reconfortante! Ela a sentia dentro de si mesma. e. morto . sem declama‡ões excessivas. mais ampla. tinha o poder de afirmar.. A m£sica era infinitamente triste.fosse como f¢sse -.. Ela inclu¡a a tristeza dentro de alguma felicidade mais vasta. A Sra.lhe de tâda a alma. era bom e aceit vel. Poily se voltou e lhe dirigiu um sorriso r pido. muito querido. por assim dizer: que o pobre Eric tivesse morrido prematuramente. por todo o labirinto complexo de seu ser. Ela quisera exprimir a PoIly. como se compreendesse o que ela experimentava. de certo modo. A felicidade triste e musical da Sra. deliberadamente. s£bitamente.l grimas felizes. Fanny pensou no marido: a lembran‡a dˆle lhe veio na corrente da m£sica a lembran‡a do seu Eric muito. as costas. a um lado. Logan via-lhe a cabe‡a. Admitia tudo. o que sentia. As l grimas continuaram a brotar dos olhos da Sra. Como aquela m£sica era bela.

Bidlake olhou... nunca fizera obje‡ões a uma gordura razo vel .. Mas a madeira. Estas mulheres de hoje. John Bidlake sentia-se mais tranqilo se podia tocar num objeto de madeira. a madeira.. Reviu-se s¢bre o seu cavalo negro. num baio.va-se mentalmente se teria coragem para lhe dizer que tinham brincado juntos. velha. Bidiake. Terminada a m£sica. Mas não para o seu. Ou. nem ousava pensar em quantos anos fazia que aquilo se passara.. Detestava-a por v‚-la tão repulsiva. dera com Mary Bettertori. .havia nela qualquer coisa.aquˆle monstro! P"s a mão em baixo da poltrona e tocou na madeira..J fomos apresentados um ao outro. que querem dar a impressão de postes de ilumina‡ão p£blica . depois de j ter sido tão encantadora. Nesse tempo ainda costumava montar. gostava de contar hist¢rias ofensivas a respeito dos padres. para se mostrar espirituoso duma maneira menos convencional: . . E Šle era quase vinte anos mais velho do que aquela mulher. Tinham ido muitas vˆzes passear juntos. Mary. Que quadro. dentro dos nossos carrinhos de bebˆ... Era na ocasião em que estava pintando o terceiro e o melhor de seus grupos de Banhistas.. naturalmente. havia vinte. correndo os olhos irrequietos pelo salão. Não acreditava em Deus. quando crian‡as. 22 .. esfor‡ou-se por pensar em qualquer coisa que não f"sse Mary Betterton.. .. iria ter com Polly e lhe diria afoitamente: . Mary Betterton em pessoa . . nos jardins de Kensington. . bom Deus! Mas ..Foi vocˆ que me bateu na cabe‡a com uma raqueta de volante . . Mas as recorda‡ões da ‚poca em que Mary era jovem se lhe impunham. E lembrar-se de que chegara a amar loucamente aquela mulher. Como estava gorda.ainda um instante para Mary e estremeceu..quela ‚poca Mary j era uM tanto fornida para o g"sto de muitos .. horrenda! A mão tornou a descer ao p‚ da cadeira. T¢das as vˆzes em que via alguma coisa desagrad vel.. # 33 CAPITULO III . Bidlake desviou os olhos. .

o mundo não tinha lugar para ˆle. A matan‡a de aves. inconstantemente.dizia. mesmo em companhia do Pr¡ncipe de Gales. Mas como odiava o falar em p£blico! E quando se encontra um poss¡vel eleitor. Não.Òsse rapaz ‚ um imbecil .. era um fracasso. (N. Lorde Edward Tantamount estava ocupado em seu laborat¢rio. Mas de que servia isso? Matar o tempo com um livro não era melhor.Se ao menos ˆle fizesse as suas farrinhas de m"‡o. se tal era poss¡vel. como o herdeiro fosse um inv lido.. quando não lhe inspirava uma leve repulsa. O melhor que dela se podia dizer era que afastava os pensamentos tristes e matava o tempo. carreira que os filhos mais velhos tinham sempre iniciado tradicionalmente nos Comuns e majestosamente continuado na Cƒmara dos Pares. um pouco de tudo. intrinsecamente. que diabo se deve dizer? Muito longe de se entusiasmar. nisso estava a dificuldade.Mas que ‚ que te interessa? . . Mal atingira Lorde Edward a maioridade. deram-lhe um eleitorado para cultivar. Mas ‚ claro que não podemos passar t"da a vida a ouvir concertos. Preferia ficar em casa a ler. a pol¡tica não era decididamente a'sua voca‡ão. O quarto marquˆs não p"de dissimular a sua c¢lera e a sua decep‡ão. . (N. . E Lorde Edward não sabia. . Não prestava para nada. . pol¡tica. o pai de Lorde Edward o havia destinado . deixava Lorde Edward completamente frio . Mas o jovem. Lorde Edward nem sequer se lembrava dos pontos essenciais do programa do partido conservador. Mas a pr¢pria leitira era incapaz de satisfazˆ-lo. entre o piano nobile* e a mansarda que servia de alojamento aos criados. . A £nica coisa que lhe dava verdadeiramente prazer era ouvir concertos. interessava-se ainda menos pelas farras do que pela pol¡tica.perguntara-lhe o pai. do E) ** Esportista. Os mais jovens dos Tantamourits eram em sua generalidade militares.. .E não ‚ nem mesmo um sportsman**! -continuava a acusa‡ão. . Cultivou-o como filho obediente.lamentava-se o pai.. Mas. vagamente. E o pr¢prio Lorde Edward estava inclinado a dar-lhe razão. do que matar *Andar nobre. Era verdade.Dois andares acima. do E) 34 . . Havia ocasiões em que pensava no suic¡dio.

grande harmonia natural que faz com que as coisas se adap- . "Deve ser muito importante". com uma espingarda.mas isso não o levaria jamais a realizar fosse o que fosse. e o tempo por cima. Era modesto demais para atribuir aos outros a idiotice.pidamente a p gina. o fim de tudo. Lorde Edward apanhou a. era uma cita‡ão tirada dos pr¢prios escritos de Claude Bernard: "O ser vivente não constitui uma exce‡ão . Lorde Edward descobriu que era incapaz de pensar no que quer que fosse com aten‡ão e de um modo coerente . "Sou um caso perdido. ao seu lado. A pr¢pria morte era fastidiosa. Nunca tinha ouvido falar em Claude Bernard. Na tarde de 18 de abril de 1887. Talvez a revista o enfastiasse menos do que a morte..faisões." Gemeu em voz alta. Ap¢s ter escutado durante algum tempo o que se dizia no clube.orde Edward sentado na biblioteca de Tantamoutit House. se voltasse duma caminhada de 50 quilâmetros. voltou para casa desesperado. O £ltimo n£mero da Quarterly Rewiew estava em cima da mesa. Seus olhos percorreram r. "Devo ser um idi¢ta". E que viria a ser a fun‡ão glicogˆnica do f¡gado? Algum assunto cient¡fico. como.. um caso perdido. e sâbre qual das duas maneiras de lhe p"r tˆrnio era prefer¡vel: afogar-se ou meter uma bala no corpo. Òle podia bem cont¡nuar a ler assim o resto de seus dias . o rev¢lver .. sentindo-se extremamente sem f"r‡as. Devia ser um francˆs. Passou o tempo. supunha ˆle. Havia uma passagem entre aspas. não cessava de repetir Lorde Edward de si para si. e no silˆncio erudito da vasta biblioteca aquˆle ru¡do era aterrador. A morte. o rio..nem mesmo na morte.. estava 1. A porta da biblioteca se achava aberta: entrou e atirou-se numa cadeira. evidentemente. em que ˆste se solidarizava com os assassinos de Phoenix Park. No clube.. Foi no dia em que o Times publicara a carta de um fals rio. atribu¡da a Parnell. Mas foi-lhe imposs¡vel inter‡ssar-se sŠriamente pelo parnellismo ou pelo crime duma maneira geral. afirmava a si mesmo ao pensar nos entusiasmos pol¡ticos dos outros e na sua pr¢pria indiferen‡a. não se falava noutra coisa. O quarto marquˆs se # encontrava num estado de agita‡ão apopl‚tica desde o alm¢‡o da manhã. abriu-a ao acaso e surpreendeu-se a ler um par grafo no meio de um artigo a respeito de algu‚m que se chamava Claude Bernard. pensando s"bre se a vida valia a pena de ser vivida.

E chegara o dia em que 36 anos de prazeres. Mudaria .. por sua vez. destruir não era a palavra exata. ˆle não rompe nenhum acorde. Peda‡os de animais e de plantas se transformavam em s‚res humanos..de m£sica. num estado de grande agita‡ão.riamente emocionante. Òsse despertar da consciˆncia foi extraordjn. de apetites. p"s-se a caminhar dum lado para outro no compartimento. por seu turno .. "A vida animal não passa dum fragmento da vida total do universo. cujos corpos.s outras. de pensamentos. por exemplo. S£bitamente e pela primeira vez ‚le teve consciˆncia de sua solidariedade com o mundo.. e tornou a ]‚-las v rias vˆzes.. não est em contradi‡ão nem em luta com as for‡as c¢smicas gerais. Mudaria apenas o seu modo de existˆncia. O jovem Tantarnount leu estas linhas.. mas para Lorde Edward foi uma revela‡ão.tem umas . do c‚rebro que concebeu o movimento lento da S¡qfonia J£piter.. Longe disso. ‚ um elemento do concˆrto universal das coisas.. tinham vindo adubar um recanto desconhecido num cemit‚rio vienense. o marquˆs se ergueu da cadeira. depois 35 # i com mais cuidado. ociosamente a princ¡pio. Tudo isso era evidente. ˆsse fragmento universal não se poderia destruir mesmo que o quisesse." E o suic¡dio. juntamente com infimitas potencialidades não realizadas de melodia e de harmonia. de sofrimentos. O que foi um dia a coxa dum carneiro ou f"lhas de espinafre se tornou mais tarde parte integrante da mão que escreveu. de am"res. e a vida do animal. para se transformarem em relva e em flores relva e fl"res que. tinham voltado de nf3vo a ser carneiros. mas a . então? Um fragmento do universo que se destru¡a? Não. não passa dum fragmento da vida total do universo". for‡ando a aten‡ão. Seus pensamentos eram confusos. cujas coxas por seu turno tornaram a transformar-se em outros m£sicos.

canibalismo. No final de contas tudo se reduz . deram-lhe tamb‚m uma reputa‡ão. E aquela representa‡ão perfeita da Flauta M gica . gra‡as a Eton. ~ então quarenta anos se passaram. . eu hei de aprender. comunhão f¡sica. .. contraponto e modula‡ões. " (Nr.) 'E~S. Milanesa.. Na primavera e& outro ano estava em Berlim. que lhe haviam dado indiretamente um casamento. "Talvez. ou mesmo num copo de cerveja. ‚ de dar raiva. as vacas Muilo gordaS tra.. Seus trabalhos sâbre a assimila‡ão e o crescimento eram c‚l~ Mas o que Šle considerava como a obra verdadeira de sua vida . E o resto. .. "A vida do animal não passa dum fragmento da vida total do universo. trabalhando com Du Bois-Reymond. ou talvez a mesma.. 'Um elemento do concˆrto universal das coisas. .. sim. No dia seguinte fez pilb&w um an£ncio em que pedia um professor particular.-eM as ffias distendidas.no que me diz respeito. . O concˆrto universal . e não mais sombria e brumosamente lƒnguida como de ordin rio. Transubstancia‡ão. tudo qu¡mica.. .outra esp‚cie de comunhão. Versos latinos. Fun‡ão glicogˆnica do f¡gado. tinha tomado uma decisão.o grande tratado te¢rico de biofisica .confusão agora era brilhante e violenta. que ‚? Oh! Não saber . Comunhão. isto ‚ m£sica chinesa para mim. do E. ‚ como se f¢sse l¡ngua bantW. Pernas de carneiro e espinafre . no fundo. Para que diabo serviram ˆles? 'En! distentaferuni perpingues ubera vaccae **~ Por que não me ensinaram coisas sensatas?.. quando estive em Viena o ano passado. . do E. " Bife . qu¡mica. .. de dar raiva! Aquˆles anos todos passados em Eton. " não se compreende patavina. ‚ claro. eu tenha consumido mesmo um peda‡o da substƒncia de Mozart... eu hei. harmonias. Ainda agitado pelas revela‡ões da manhã a respeito do # ~ismo. Podia ter sido num wiener Schnitze]*. qu¡mica.. Mas ‚ preciso ter estudado para compreender.estava ainda inacabado. Os estudos s"bre a osmose. o velho ficou furioso. nunca se sentir* t¡0 feliz em t"da a sua vida. oxigˆnio .) 36 Lwde Edward foi tomado de uma alegria extraordin ria." As paiwas de Claude Bernard tinham sido o tema de t"da a sua existˆncia. Hidrogˆnio. (N. Naquela noite anunciou ao pai que não se apresentaria como candidato ao Parlamento. . .' Dir~se-ia que isto ‚ m£sica. Lorde Edward permaneceu absolutamffite imperturb vel. Que humilha‡ão! Mas eu posso aprender. . M£sica chinesa. ou numa salsicha.

e voltou-se com o f ¢rceps PUA o Ia& da lagartixa anestesiada que estava estendida sâbre a mesa W~81 de opera‡ão.O f¢rceps .veimente barulhentas. ·s 9 ou 9 e meia. n¢ laborat¢rio...Pronto! . Em cima.. Era o sotaque de Lancashire. Lorde Edward jantava e aproximadamente ...respondeu Šle com uma inflexão de voz que certamente não tinha sido adquirida em nenhum dos antigos e dispendiosos templos do saber. As horas do dia lhe eram desagrad. e voltava para ler ou escrever at‚ a hora do lanche. empertigando-se o quanto lhe P~am as costas curvadas de reumatismo. · 1 hora da manhi. filidge era um ho- . dissera dela sua filha Lucy.. indistinta. .. discussão de seus problemas.h= como a sua inspira‡ão original.s 8. a Su¡te em Si Menor vinha flutuando do IWan& hall e chegava aos ouvidos dos dois homens. ou entregavam-se .Acho que tudo foi bem. duma ilustr~ matem tica e quantitativa dela. quando a" crian‡a.. noite. Que dizes? 37 # Elidge fŠz com a cabe‡a um gesto de aprova‡ão.. Illidge o observava com um "lho cr¡tico e aprovador. O livro no qual trabalhava havia tutos anos não passava dum desenvolvimento daquela tese.Perfeitamente b‚m . tarde. Ningu‚m julgaria que uma criatura grande e pesada como ˆle fosse capaz de trabalho tão delicado. ~ -lo era um prazer. e de alguma maneira sem cont"rno bem definido. o trabalho di rio tinha justamente come‡ado.disse por -fim o marquˆs. `Uma voz felpuda". . Lorde Edward preferia trabalhar . fazia um passeio a p‚ de uma hora ou duas . 1 e meia.. Lorde Edward emitiu um ru¡do Profundo que significava "obrigado". Tinha a voz profunda. .. Òles estavam demasiadamente ocupados para ter consciˆncia de que a ouviam. .s 4 ou 5 ia para a cama.O velho operava not velmente bem. . Midge lhe estendeu o belo instrumento brilhante.pediu Lorde Edward ao assistente.. no laborat¢rio.. terminados os quais punham-se ambos a trabalhar de noite no grande livro. fazia trabalhos pr ticos com seu assistente. Almo‡ava ... Am~cida e em fragmentos..

os dois cientistas haviam assim fabricado um monstro que tinha uma cauda onde devia ter um membro. desatando a rir. O mal não tinha cauda. perdera-a. Ou achas que isto tem algo que ver com a tensão el‚trica? Porque ela varia..Segundo penso. o rebento se transformaria em pata ou continuaria a se desenvolver incongruen~ temente como cauda? A primeira experiˆncia tinha sido feita com um rebento de cauda rec‚m-formado: e ˆle se transformara devidamente em pata. naturalmente... que Lorde Edward não dava nenhum sinal de achar gra‡a.disse em tom meditativo. por que não nos contentamos com proliferar ao acaso.. com o "Velho". com a sua voz profunda e indistinta. antes de o transplantar.. fora removido e enxertado no c"to da pata dianteira prŠviamente amputada. . Transplantado para essa nova posi‡ão. -. segundo as partes do corpo. Ia sendo inconveniente outra vez . ? Est claro que não pode ser o sangue. e naquela noite o peque~ no rebento de tecido rejuvenescido.O rebento ter dificuldade na escolha. .. Lorde Edward tirou um cachimbo do b"lso e se p"s a enchˆ-lo.velmente. . por‚m. ao passo que olhava a lagartixa com ar meditativo. Vendo. como os cƒnceres . estamos justamente no fimite entre..Por que mecanismo? Peculiaridades qu¡micas na vizinhan‡a dos. desrazo.O rabo se transforma em pata . . era-lhe sempre dir¡cil achar as palavras exatas para exprimir os seus pensamentos. havia oito dias. Ficou aborrecido consigo mesmo e tamb‚m..Deixou a frase incompleta. na seguinte. ."Tâ be or not to be disse Blidge gaiatamente.disse. . Depois. . e ˆle se revelara demasiadamente avan‡ado em sua evolu‡ão caudal para poder adaptar-se . Naquela noite ˆles faziam a experiˆncia com um rebento de idade intermedi ria. . Lorde Edward encheu o cachimbo. A lagartixa come‡ava a acordar.mem pequeno. .Ser interessante ver o que vai acontecer desta vez -. que normalmente se transformaria numa cauda nova. . haviam dado ao rebento o tempo de se desenvolver consider velmente. ? Crescer de ac"rdo com uma forma definida ‚ coisa . conteve-se. Illidge p"-la em lugar seguro.s condi‡ões novas. Afinal. que tinha cabelos ruivos e um rosto infantil pintalgado de anisardas.

um grande n£mero de milagres obscuros se efetuaram no c‚rebro... estribo -.perguntou Lorde Edward num murm£rio. bigorna. O ar p"sto em vibra‡ão havia sacudido a membrana tympani* de Lorde Edward...Sorriu de prazer. que cortamos um fragmento da espinha. O s"pro de Pongileoni e a esfrega‡ão dos violinistas ariânimos tinham sacudido o ar do grande ha11. "(N. tinham p¢sto em vibra‡ão os vidros das janelas que davam para ˆle. e Lorde Edward murmurou ext ticamente: . seus olhos cintilaram.( pr¢ximo experimento que vamos fazer com estas lagartixas # sim s"bre os problemas maiores e fundamentais da biologia. como se estivesse fazendo um esf"r‡o para apanhar e recordar qualquer coisa.. a cadeia de ossos .. Illidge deteve-se no meio da frase e Ficou tamb‚m escutando . do lado mais afastado. Tinha retirado o cachimbo da bâca e erguido a cabe‡a. criando unia tempestade infinitesimal no fluido do labirinto..Bach? . Franzia as sobrancelhas. .tinha sido posta em movimento e fora agitar a membrana da janela oval. Francamente. com ar de reprova‡ão. e estas por sua vez tinham sacudido o ar do apartamento de Lorde Edward..Bach! . filidge escutava. E então o disse ˆle Com sua mais animada voz profissional . A rapariga cantava para si mesma sob as nuvens flutuantes. por exemplo.. . não se sistema nervoso e ver se h alguma influˆncia sâbre os enxertos.muito improv vel. se pensarmos bem. filidge estava decidido a impedir que uma coisa tão ignominiosa acontecesse naquela noite. Muito misterioso e . Mas Lorde Edward não escutava o assistente. ¡nclinando-a ao mesmo tempo para um lado. Quando o Velho se lan‡ava assabia "Ser ou não ser..) 8 nunca onde ia parar. Um desenho de melodia se tracejou levemente no silˆncio. do E.ser atacar o . E a sua voz deg~nerou num murm£rio profundo e rouco. Era capaz at‚ de se p"r a falar s"bre Deus . Levantou a mão num gesto que ordenava silˆnci o.martelo. at‚ fazia corar . Os filamentos terminais do nervo auditivo estremeceram comor algas num mar bravo. Suponhamos.

. .. .Não posso descer assim como estou. não o tinha melhorado. pensava.fil¢sofo solit rio como a nuvem se p"s a meditar poŠticamente. Ningu‚m dar pela nossa presen‡a.Lembro-me de ter ouvido minha mulher dizer . Vestido de azul. . E nem tâdas as noites temos ocasião de escutar coisas como esta. .) 39 I # a de jia de seu apetite musical .Mas.Desconfio que não se trate duma pequena reunião. . mas metido numa roupa preta de mau talhe (como criado).perguntou filidge.. Levantou-se. estaria sem d£vida exposto aos olhares. . . E a idade. . Algo muito sem ceriniˆnia.disse o dono da casa. ..saindo diretamente do laborat¢rio.obtemperou.n¢s nos podemos insinuar l dentro sem que. -. como ˆle tinha notado das outras vˆzes em que penetrara no mundo brilhante de Lady Edward. .do que com seu velho terno de noite. E al‚m disso . Oh! Isso não tem importƒncia.continuou ˆle.. num tom de d£vida. Mas talvez. horrivelmente rid¡culo.Examinou-se.Vem . inventando novas desculpas para justificar a violˆn*Membrana timpƒnica.apenas uma festinha. como uma curiosidade. num desejo irreprim¡vel de Bach. e as nossas roupas? . empurrou-o para a porta e o levou ao longo do corredor. j se vˆ.interrompeu-o Lorde Edward.ser um visitante que ca¡sse de outro planˆta intelectual . não importa ... por tentar difeum um .Não importa.O que devemos fazer mesmo ‚ descer para escutar . mesmo quando n"vo. com o seu reluzente terno de sarja azul.. refletindo bem. ..O trabalho pode esperar. do E. . ..do que um imitador esnobe de d‚cima-quinta ordem. tinha ouvido chegar os autom¢veis. .velmente ordin rio e mal cortado. no flun de contas. e sob prote‡ão do dono da casa (que por sua vez tamb‚m vestia um jaquetão tweed) . seria desprezado.acrescentou. (N. nunca passara dum terno barato. . era deplor. Fosse ainda melhor aparecer vestido de sarja azul e brilhante . O seu terno. Havia de parecer rid¡culo. Illidge deixou de resistir. o qual. -. Tomou o assistente pelo bra‡o. seria desdenhosamente ignorado. Melhor seria rir em tudo dos ricos e dos elegantes . baixando os olhos. rumo da escada. filidge tinha as suas d£vidas.convidou.Um cão que farejasse lebre não revelaria uma impaciˆncia mais indecente do que Lorde Edward ao som da flauta de Pongileoni..

em fileiras cerradas. na frente da Vˆnus de Canova.se levanta s"bre um pedestal num nicho.. filidge encheu-se de coragem para representar com firmeza e mesmo com agress¡vidade o papel de visitante marciano.. Lorde Edward.. Levantaram-se lunetas. em movimentos desencontrados. domina o hall e vˆ.orgulho da cole‡ão do terceiro marquˆs . fumando o seu cachimbo e vestido com um jaquetão de tweed. com ar de conspiradores. numa s¢ catarata arquitetura] de m rmore de Verona. os largos degraus e as balaustradas brilhantes que sobem at‚ um patamar onde uma Vˆnus de Canova . pois cada observador procurava enxergar por tr s do obst culo que se lhe antepunha. o que manifestamente não era. atrav‚s do arco central da arcada fronteira. Lorde Edward tinha vaganiente O ar dum fantasma familiar pâsto . escondendo. sâlta. da rua. para se precipitarem no ha11. sem ˆxito. no meio de um dos lados do quadril tero coberto. Quem entra. A grande escada de Tantamount House desce do pr¡meiro andar em duas ramifica‡ões que se juntam. Uma rajada de curiosidade sacudiu os convidados reunidos. em face do vest¡bulo e da porta de entrada. na frente dos m£sicos. os seus marm¢reos encantos. Quando filidge e Lorde Edward dobraram o ƒngulo. A apari‡ão daquele enorme velho curvado que sa¡a dum mundo tão diferente do dˆles. direita e . com um gesto pudico mas faceiro de ambas as mãos. não teriam mais # suscitado mais interˆsse do que Lorde Edward. 40 pareceu-lhes estranha e cheia de press gios. melhor. ou de um d‚sses inonstros que s¢ assombram os pal cios das melhores fam¡lias. A entrada de ambos foi ainda mais embara‡osamente not vel do que Illidge imaginara. seus convidados estavam sentados. esquerda. A Bˆsta de Glamis. ou. como um par de rios iguais. esticaram-se pesco‡os . F"ra ao p‚ dˆsse declive triunfal de m rmore que Lady Edward tinha instalado a orquestra. procurando esconder sem o conseguir. Desemboca sob as arcadas. caminhando na ponta dos p‚s.. o Minotauro em pessoa. e aproximando-se da m£sica e da multidão de ouvintes viram-se de s£bito convertidos no foco de uma centena de pares de olhos.aparentar. das aristocr ticas. sentindo s£bitamente todos aquˆles ...

sem exce‡ão. depois para o outro. beira duma queda. malgrado os seus receios. aquela escada de degraus desmesuradamente largos e baixos. firmando-se milagrosamente nos p‚s. Parou. Por um instante teve desejos de bater em retirada. agora corri um ar mais acentuado de conspirador . a despeito dˆsse embara‡o. num agitar desordenado de bra‡os.. Demasiadamente ocupado com fazer o papel de habitante de Marte. Retomou a descida com tâda a dignidade que lhe foi Poss¡vel conseguir no momento. De repente sentiu faltar-lhe o apoio sob os p‚s naquela escada monumental com que não estava familiarizado. mas que esperasse ainda. contra tâda a razão. irresoluto. fazendo com todo o seu corpo..era como um Guy Fawkes descoberto. todos. o assistente seguia Lorde Edward com uma esp‚cie de fanfarronice. Seu rosto tinha uma expressão divertida e desdenhosa. Estava furioso e odiava os convidados de Lady Edward. bem como ao Tribunal de Div¢rcios. portando-se como se a Conspira‡ão da P¢lvora continuasse a desenrolar-se de ac"rdo com o plano estabelecido. tirou o cachimbo da b"ca. um sorriso nos l bios. no bâlso do jaquetão. era como o amante que est pronto a fazer face ao marido armado e exasperado. como a oscila‡ão lenta e pesada dum pesco‡o de camelo. Fugir ou avan‡ar? Voltou-se para um lado. poder fugir aos olhares. Escorregou e ficou a se debater violentamente . ou talvez por causa dˆle. . uns dois ou trˆs degraus mais abaixo. at‚ que conseguiu equilibrar-se. Avan‡ou. Illidge caminhava atr s dˆle. a visitar o campo dos ca‡adores. so para passar uma hora nos bra‡os da amada.que olhares curiosos. uma das mãos no b"lso. ficou tomado de mˆdo. mas. guardou-o. furnegante ainda. Mas o amor a Bach foi mais forte que o terror. Lorde Edward parecia um urso que o cheiro de mela‡o obriga. Voltava os olhos com calma dum lado para outro. curvado desde as ancas. balou‡asse num curioso movi- mento pendular. dominando a multidão. Illidge não olhava o caminho. A consciˆncia de ter cometido um ~o social apoderou-se dˆle. descendo os degraus na ponta dos p‚s. Seu rosto tinha ficado muito vermelho no embara‡o do primeiro momento. todos.

.Corta em peda‡os sapos e lagartixas e o mais que segue . respondeu Polly.. Perna de pato.. sentindo um calafrio. Que feiticeiro! . E continuou: . inclinando-se para a frente e arregalando os olhos. Gostava de dar a t"das as coisas um sabor sensacional. Os axiomas euclidianos.Mas se o Velho s¢ se interessa por coisas dessa ordem. mist‚rio do velho m gico. proclamaram feriado.Não achas que o Velho estava maravilhosamente engra‡ado? Polly Logan encontrara uma amiga. at‚ os m£sicos an"nimos se inclinaram.disse Norah. a lgebra fˆz cabriolas. ao mesmo tempo que em palavras. Recitou com del¡cia.Por que foi que ela casou com ˆle? . . O audit¢rio afastou as cadeiras e levantou-se. Eu julguei que ia morrer de tanto rir . A m£sica findou numa orgia de folguedos matem ticos. . Houve aplausos.tão excitante e sensacional como o que tinham ainda para ela. como para exprimir em pantomima dram tica. Pongileoni inclinou-se. de mãos dadas com as f¢rmulas da est tica elementar.Mas que ‚ que ˆlefaz l em cima? .Um bruxo! . rabo de arraia. ‚ o que eu acho. âlho de rato. p‚ de cobaia.Pareciam Mutt e Jeff.Ui! . . T"da a tagarelice contida explodiu em torrentes.I o .Havia muito boas razões para isso.Aqui a voz de Polly desceu de n"ve a um murin£rio teatral. Contava apenas vinte anos. com t"da a sua gra‡a habitual. E tamb‚m o homenzinho de cabelos c"r de cenoura.Polly falava agora num cochicho vibrante de emo‡ão. .. embriagada pelas palavras. . por que foi então que casou com Hilda? Isto ‚ que eu sempre desejei saber . A aritm‚tica celebrou uma b rbajra saturnal. Podes imaginar isto: uma cruza entre uma cobra e uma cobaia? .Sim.41 # I CAPITULO IV Pongileoni excedeu-se a si mesmo na "Badinerie" fimal. -. . .gritou a outra. excitante .Pois Šle pega as cobaias e cruza-as com serpentes.Sim. . Tolley inclinou-se num cumprimento.

falava vagarosamente. Dito isto passou adiante. em vestido decotado. onde o sorriso se apagara. o que torna as razões ainda inais fortes-admira ‚ de como Lucy . enquanto ú seu rosto. possu¡am aquˆle desassombro.Ambas se njostraram enormemente surpreendidas e encantadas.Pongileoni ‚ italiano . . ..42 . Os seus olhos.respondeu Polly. gritando como se estivesse nun. a arte do cabeleireiro explicavam o negrume de azeviche da sua cabeleira. . carregando vigorosamente nos rr.Estavam? .continuou.E lembra-te de que ela era canadense.fez Lady Edward. nos £ltimos tempos. como se tudo quanto dizia rosse s‚rio e importante. . da mesma maneira que os belos tra‡os aquilinos de seu rt)sto alongado e fino.Est vamos justamente falando da maneira maravilhosa como Pongileoni tocou. sorridente. Tinha uma voz profunda e cheia. Tinha a pele branca e opaca. . Lady Edward era uma mulher pequena e delgada. debaixo de sobrancelhas negras e arqueadas. Uma mãe francesa e talvez.Psiu! A outra se voltou. ileoni? . .Admirabil¡ssimo! .Ah! A¡ vem Lady Edward. assumia um ar grave. . olhando ora para uma ora para outra.E ‚ o que ú torna ainda mais admir vel..Vocˆs são verdadeiramente am veis .exclamou ela # .acrescentou.Mas não estava mesmo esplˆndido o Pong em voz muito alta e com uma presen‡a de esp¡rito supinamente exagerada. deixando as duas m"‡as a se entreolharem. aquela insistˆncia no olhar que ‚ a caracter¡stica de todos os olhos muito sombrios num ros- . atarantadas e vermelhas. tinha uma elegƒncia de linhas que.A gente se . come‡ava visivelmente a tender para a angulosidade ¢ssea. . palco de Drury Lane. .

como se tentasse recapturar uma lembran‡a apagada.Mas não se trata de com‚dia.. E ‚ assim que o tratas! .Não me venhas com as tuas com‚dias .exclamou por fim. pensando bem no assunto. Chamou-a . A ˆsse desassombro gen‚rico Lady Edward juntava certa insolˆncia cƒndida do olhar fixo e da expressão de vivacidade ingˆnua que era muito sua.) # 43 I Ii Nunca os olhos vivos e negros de Lady Edward brilharam com um bri mai lho mais c ndido. Esta ‚ forte demais! * Mas de uma crian‡a ferrivel.. escrevera que Šstes eram obra dum imbecil ou dum gaiato. . segundo lhe conviesse ser a menin ingˆnua da estepe norte-americana ou a aristocrata inglˆsa.. Eram olhos de crian‡a. De tâdas as pessoas que conhe‡o. com ar inocente. do E. lembro-me de que falamos do artigo d‚le não faz ainda uma semana! Lady Edward franziu o sobrolho.. nem sua voz revelou um timbre franco -canadense desconcertante ..verdade! -. não tenho menor id‚ia.. e lhe disse francamente o que pensava: . . ¢pria referindo-se aos seus quadros. . entabulara uma discussão s"bre arte. Lady Edward.. .. Mas eu esque‡o sempre . "mais diun enfant terrible` como John Bidiake tinha prevenido um amigo francˆs que levara para la. os olhos arregalados.Tu sabias tão bem como eu. . a que tem melhor mem¢ria ‚s tu. Bidlake lhe explicou o caso do cr¡tico. Não sei a que te referes..ve- to p lido.porque ela sabia modificar seu acento . a . olhando para o amigo com uma expressão de horror e arrependimento.Mas que ‚ que ‚ forte demais? Que foi que eu fiz desta vez? . vontade tornando-o mais ou menos colonial.Que desgra‡a! Mas tu sabes que minha mem¢ria ‚ um caso perdido . .Diabos levem tudo isso! O homem ‚ meu amigo. Na mesa do alm"‡o viu-se sentado ao lado do cr¡tico que. E agora. Trago-o para te ver.protestou ela. (N. . Òsse colega francˆs teve ocasião de fazer a descoberta por sua pr conta. John Bidlake ficou furioso. parte. findo o repasto..

isso ‚ que não! .. e que os cat¢licos piedosos não tˆm muito prazer em ouvir blasfˆemias da b"ca de ateus profissionais.prosseguiu Bidlake -. se a tua mem ¢ria f"sse m . anos. eu não ponho a menor obje‡ão a que fa‡as brincadeiras com outras pessoas.disse Hil~ da com uma voz submissa. Mas. . Pela primeira vez desde o in¡cio da conversa‡ão Lady Edward abandonou o ar s‚rio e ingˆnuo. meu caro John. No entanto. mas não amada. a sociedade de Tiotamount House era variadamente e algumas vˆzes excˆntricamente . Que insensatez! Se tivesses m mem¢ria . poderias de vez em quando esquecer que os maridos não devem ser convidados para encontros com os amantes not¢rios de suas mulheres. Nas rodas em quc ela se movia. ela era temida. Divirto-me com elas. Estas coisas acontecem de uma maneira excessivamente regular para serem acidentais . Os outros riam. tu ‚s supinamente rid¡culo! Bidlake.disse -. podias esquecer algumas vˆzes que os anarquistas e os autores dos artigos de fundo do Morning Post não podem ser l muito bons amigos. por sua vez..Tu s¢ esqueces o que sabes que deves lembrar.. Mas que tu as fa‡as comigo -. ‚ preciso uma mem¢ria de primeira ordem para esquecer sempre e sempre. P"s-se a rir: . enquanto falava.Realmente. p"s-se tamb‚m a rir. ela tinha cumprido a palavra e não pMara mais pe‡as ao amante. Mo havia v¡timas demais. Uma mem¢ria de primeira ordem e tamb‚m um grande desejo de fazer travessuras. O muito que se lhe perdoava era por causa do dinheiro do marido. ol¡bando para o interlocutor com uma ingenuidade tão impertinente que Bidlake não p"de deixar de rir. Mas com os outros continuava a mostrarse t¡o embara‡o samente inocente e esquecida como sempre.riamente esquecer. eu te garanto. 4. seu cozinheiro.Farei o poss¡vel para me lembrar disso na pr¢xima vez . seu provador de ~ e seu fornecedor eram de primeira classe. que tu resolves volunt. ag suas festas eram muito concorridas.Toma nota .. suas fa‡anhas eram legend rias. De resto.1 # Uso se passara havia muito. Podias acidentalmente esquecer tudo isto. tinha recobrado o bom humor.

Vinha do ~o Mundo. Entre muitas coisas chamavam-lhe esnobe e ca‡adora de celebridades." Hilda sem tirar nem p"r. . . desejando renovar mais tarde a camaradagem. Everard Webley.fez ˆle." "Muito prazer em conhecˆ-los% diz o americano. Abandonando as duas m"‡as desconcertadas. . e ˆste ‚ meu amigo. fingindo não ter sentido a mão que lhe segurava a manga e não ter ouvido a voz que pronunciava o seu nome. continuou a 45 # I . . .~tre. Uma ca‡adora que colecionava celebridades com o fim de atorment -las. nome". Lady Edward se mostrava gaiatamente irreverente. Diminuiu a velocidade da marcha e deu um Passo para o lado.Realmente muito estranho. achou-os encantadores e. Lady Edward alongou o bra‡o e apanhou o homenzarrão pela manga.cilmente. presuin¡velmente humano.Bidlake sacudiu a cabe‡a.Ela poderia ser muito bem a hero¡na daquela anedota do americano e dos dois pares inglˆses . Lady Edward foi quase derribada por um homem muito grande e corpulento. de maneira a contornar o obst culo. Num meio em que uma inglˆsa da classe m‚dia se haveria de mostrar *dwia e servil. que atravessava com velocidade perigosa o salão cheio de gente.Perdão! . "Meu. sem baixar o olhar para ver quem estivera prestes ajogar ao chão. Mas o obst culo não era dos que se podem evitar f.. estranho. perguntou-lhes os nomes.dissera um dia o velho Bidlake.mas uma brincadeira pitoresca pela qual valia a pena viver. "Permitam-me que lhes apresente meu f£lio Jesus Cristo.tinham de conceder aos defensores dela .Lembramise? O americano entabulou conversa‡ão com os dois inglˆses no trem. Seus olhos seguiam os movimentos de algu‚m que se achava na outra eXUMIdade: do salão.gritou.Webley! . "‚ Duque de Hampshire. diz um dˆles.. visto como todos os obst culos das redondezas eram humanos. Aceitavam os convites de Lady Edward e tiravam desforra falando geial dela pelas costas. o homem tinha consciˆncia s¢rnente dum pequeno obst culo. . para ela as hierarquias tradicionais eram uma brincadeira . E acontece ainda que ela passa a vida precisamente a convidar pessoas cujos t¡tulos lhe parecem assim c"micos e a se fazer convidar por elas.que ria das pompas e das grandezas em que vivia. Mas uma esnobe . o Senhor de Ballantrae.

.gritou Lady Edward com unia expressão de terror que era francamente uma caricatura.. A cordialidade do sorriso de Lady Edward não chegava a compensar de todo o insulto do esquecimento de seu nome.Webley. ˆste ‚ o Sr.Se ‚ tudo o que me querias dizer. com mˆdo de atrair a aten‡ão e a hilaridade dos outros convidados. .Boa noite -.Desculpa. .P ra! Òpa! E soube imitar o carroceiro do campo com tanto escƒndalo e dum mo do tão verossim il mente r£stico que Webley foi obrigado a escut -la.disse com dureza. Sr. enquanto isso. Webley. ‚s tu -. . Não ‚ mesmo.I 1i 1~ Mas caminhar. como se não pudesse protelar um momento mais a proclama‡ão de sua grande e s£bita descoberta . cravando nˆle os seus olhos cƒndidamente impertirentes.Meu Deus! . O aborrecimento que ˆle exprimia com o franzir das sobrancelhas e com as palavras pouco corteses era metade sincero. numa inclina‡ão de cabe‡a. Baixou o olhar para a dona da casa. estivera a examin -lo com esp¡rito cr¡ti co.disse o homenzinho. não tinha prazer nem vagar para falar com Lady Edward. Webley achava que muita gente tem mˆdo da c¢lera alheia. metade fingido. . sempre agarrada a ˆle. . . Babbage? Dirigiu-se por acaso a filidge.Desejas alguma coisa? . que passava no momento.perguntou ˆle no tom de voz que teria usado para se dirigir a um mendigo de rua que o importuriasAe. evitando-ihe aborrecimentos. . interrompendo-o no meio da frase.que devias representar o papel de Capitão Hook. esta não admitia que sua presen‡a Fosse esquecida: deixou-se arrastar ao lado do homem. . cultivava por isso a sua ferocidade natural. no Peter Pan? Pois ‚ verdade.Pareces muito mal-humorado. Lady Edward. Babbage. . que auxilia o meu marido em seus trabalhos.repetiu. E essa ferocidade conservava os outros a grande distƒncia.Webley! . . eu não tinha prestado aten‡ão. julgo que então posso . Tens a cara ideal para fazer o rei pirata. tomou remotamente conheci- .continuou ela. desconsoladamente solit rio no meio da multidão de estranhos. .Oh.Tu sabes .

inclinando a cabe‡a. "existern para garantir a posi‡ão da inteligˆncia no mundo. Urna deriorrina‡ão inevit vel.E que . . alicio samente. o extremamente bem informado correspondente do Mgaro. pensava filidge. penIllidge sorriu ri.Est claro .. Everard Webley. ou a quem parecesse distinguir-se de uma maneira ou de outra." A caricatura mostrava Wcbley e meia d£zia de seus bandidos fardados matando um oper rio a . em artigo dedicado aos Inglˆses Livres.explicou Lady Edward. "Grande asno!" .Espero que não tenhas ficado ofendido por nada do que eu disse. O chefe dos "lˆses Livres. ont. como os coristas das operetas?Aquˆle.Sim.Se j terminaste os teus gracejos . Illidge riu. Na vida real. une signification plut¢t p‚jorative"**. porque. Sr. "les initiales B. era Everard Webley.a B. B. Webley? # Everard Webley riu desta vez. "Os Inglˆses Livres". F." filidge tinha um ¢dio especial e pessoal a quem quer que fosse alto e belo. Não ‚. . pois. ‚le ‚ mesmo um rei pirata. Quanto a ˆle. B.insistiu Lady Edward.. ou the Bloody Buggering Fools*.Mas o senhor não acha.exclamou Lady Edward -. F. O senhor j viu ˆsses homens que usam uniforme verde. "E foi feito mesmo para representar ˆsse papel. filidge recordou-se duma caricatura pol¡tica do Daily Herald. .Examine-o bem. Brotherhood of Br¡tish Freemen. Webley tivera a insolˆncia de dizer. sava o assistente de Lorde Edward. Webley não tinha pensado naquilo quando dera tal nome ao seu bloco.. eu me retiro. era pessoalmente um homem pequeno. ˆste ‚ o Sr. . . como lhe chamaVam os ~os. voltando-se conf¡dencialmente para Illidge -.rei mento da existˆncia de Illidge. como observara certa vez.. pour le public anglais. filidge sentiu prazer em refletir que ˆle agora era obrigado a lembrar-se da sua distra‡ão com muita freq£ˆncia.disse Everard -. não tenho visto muitos reis piratas. que ˆle se parece corri um pirata? . . constrangido.. O fundador e chefe da Confraternidade dos Inglˆses Livres . parecia um gar"to de rua crescido. eu tinha esquecido de explicar. Ficaste? Lady Edward formulou a pergunta com um ar de ansiedade e contri‡ão. porque ˆste . Babbage. 1'Mussolini de meia tigela!".

Acontece que.disse Lady Edward. E s"bre o seu ventre enorme se lia a palavra "INTELIGÒNCIA". . (Os rr de Lady Edward rugiam como leões).. um sign~ficado bastante pejorativo. . Parecia mesmo estar. . Illidge desejou que a alfinetada tivesse sido dada por outro qualquer..Nem por sombras. Descobria agora que tinha uma simpatia real por Lady Edward.Para falar a verdade.. Quer ser tratado como se f"ss j a sua pr¢pria est tua colossal. do lado da razão. Atr s do bando. A dona da casa continuou: . Que vaidade! E o meu caro * ~sfortemente injuriosos que não se podem traduzir com exatidão em portuguˆs. Tu compreendes . . Acontece apenas que tenho um pouco de pressa. Webley deixou-os..Não est s ofendido. . . . Babbage? O homenzinho fez uma careta. Tipo abjeto! Illidge era comunista. . .Parece uma m quina a vapor. Duma maneira p¢stuma. .come‡ou. Aquela criatura sentia as coisas como elas devem ser sentidas. . Webley? . . . Sempre me engano. Que energia! Mas tão suscet¡vel .Não acha. Lady Edward viu-o abrir caminho atrav‚s da multidio. um capitalista de cartola olhava a cena com ar de aprova‡ão. se ‚ que me fa‡o entender. tˆm. tomando-o simplesmente por Webley. erguida por uma na‡ão cheia de admi ra‡ão reconhecida. Trabalho. Sr.pontap‚s e cacetadas. Òstes pol¡ticos são piores do que atrizes. do EJ ** "As iniciais B_8.explicou ˆle com a sua voz mais acetinada tenho que fazer.) Webley não tem l muito senso de humor. filidge riu.repetiu Lady Edward. se ‚ que tu sabes o que isso significa. Como uma grande figura hist¢rica. para o p£blico inglˆs. "(N # # do E. em mat‚ria de pol¡tica.F. (N. nunca me lembro de que ˆle ‚ na realidade Alexandre Magno.Não ‚ que ˆsses Inglˆses Livres deixem de ser coisa muito boa. A simpatia de Illidge come‡ou a dissipar-se com a mesma rapidez com que brotara.A prop¢sito . interrompendo o que teria sido . quando o vejo.

em todo caso .Lagartixas? Òsses bichinhos que andam pelas paredes? . No fim de contas ela não era tão m .a transforma‡ão # das em pata do rebento de cauda transplantado -. ao ponto verdadei.Bem.Sim.. ao perceber a imbecilidade do que tinha dito. . .E perdem porque n¢s as cortamos. o senhor deve ter mais prudˆncia ao descer aquela escada.Venha comigo. .. estivemos trabalhando na regenera‡ão das partes desaparecidas das lagartixas. . corando ainda mais forte. Tinhajustamente che ramente importante e significativo das experiˆncias -. .dward.s vˆzes. . um homem muito divertido .Oh! .. . pousou uma mios no bra‡o do interlocutor. ..velmente sarc stico aos Inglˆses Livres de Webley -. .Quais foram os trabalhos que o senhor Rez esta noite com Edward? . que eu quero apresent ~lo ao General Knoyle. entusiasmava-se tamb‚m por Lady 48 E gado ao ponto decisivo. filidge corou. .Deus meu! .Entre as lagartixas ˆle se sentia mais . vontade: um pouco da sua simpatia por Lady Edward voltou. . bastante escorregadia. carregando eriffiticamente nos rr.Sim.Mas como ‚ que ˆles perdem as partes de que o senhor falou? . .um coment rio admir.Nem imagina como isso me interessa.continuou. . se bem que.. crescem de n"vo. . .explicou o outro.fez Lady Edward. Porque ela ‚ terT¡velmente escorregadia. .insistiu polidamente Lady Edward.. sem querer! A exposi‡ão de filidge morreu-lhe s£bitamente na garganta..filidge fez com a cabe‡a um sinal afirmativo. filidge come‡ou a explicar.No laborat¢rio . Entusiasmando-se pelo assunto. quando Lady Edward. cujos olhos tinham ficado a errar dum lado para outro..murmurou ˆle. transformando-se numa verdadeira beterraba at‚ a raiz dos cabelos c"r de cenoura.. ..E dizer-se que eu não sabia-disso! Como são fascinantes essas coisas! Conte-me algo mais. Illidge sorriu.. A sua simpatia baixou ainda mais de n¡vel. de modo nenhum. ..E elas crescem de nˆvo? . se a ~enhora realmente quer saber.

A confusão do General Knoyle era verdadeira. Babbage. Lady Edward fez notada a sua presen‡a. sim . . disse eu. com Pongileoni. realmente. foi muito am vel da sua parte.Foi uma grande amabilidade de sua parte protestou ˆle. disse Lady Edward. Retire-o do p reo."Meu caro".entre a Barcarola de Haendel e a Su¡te em Si Menor. Foi então que pensei rio senhor e me decidi por Bach. general.. "meu caro. Sorriu um £ltimo sorriso e abalou.OM se ‚. tinham passado um sarau maravilhoso. o General Knoyle conversava com um outro senhor de aspecto militar. (s dois militares olharam no por um momento e decidiram que aquela I i . "Seria uma rematada loucura. ~ . não sabia que fazer do presente musical que a dona da casa lhe dera.ral . E ˆle retirou. não fa‡a ˆsse cavalo correr agora.. .e que nem mesmo se dera o trabalho de prestar-lhe a menor aten‡ão.E agora . com um pouco da encantadora confusão de uma rapariga que confessa um pecado amoroso. disse eu. Pigarreou e retomou a palavra.concordou Illidge.continuou Lady Edward no mesmo tom deliberadarnente ¡ntimo . ˆste ‚ o General Knoyle e ‚ste o Coronel Pilchard. medida que se aproximavam -. Seus olhos' observavam o embara‡o que se estampava no rosto vermelho do general. .. . disse-lhe eu .. Mas sei do gosto.O que sempre digo ‚ que. que auxilia Edward em seus trabalhos e que ‚ um verdadeiro perito em mat‚ria de lagartixas. .Bem. . . de amargar.Foi para o senhor que eu escolhi especialmente Bach. Sr.. Babhage. seguiu-a num silˆncio de ressentimento.Compreendeu que a dona da casa não tinha tomado o menor interŠsse no que ˆle lhe havia explicado .exclamou o general. Seria um crime". . e esta? . Odiando-a por isso.. sei do que gosto.. .Não que ‚ que eu tenha a pretensão de entender muito de m£sica.. vivamente.Oh! .interveio Lady Edward. retire-o".Lady Edward e Illidge ouviam o gene. Tinha uma voz marcial e asm tica. . concluindo triunfalmente quero apresentar-lhe o Sr.A frase pareceu dar~lhe um sentimento de seguran‡a.Hesitei . . Os dois militares se mostraram exageradamente polidos. .

tinha os cabelos curtos e ros untados de ¢leo. e penteados para tr s. como a mãe..pelo menos . foi tão intencionalmente ofensiva que Illidge teve vontade de dar-lhes uns pontap‚s. a partir da testa. tão fora de seu mundo. . Era uma criaescutura magra e de estatura meã. O general não fez nenhum coment rio verbal e o coronel se limitou a expressar a sua desaprova‡ão com o olhar.porque Lucy tinha casado com um primo em segundo grau. Os bons cat¢licos podem bem permitir-se pequenas brincadeiras s"bre os santos e os h bitos dos padres. como se estivessem s¢s. Naturalmente p lida. Havia então mais de dois anos que Henry Tantamount morrera .# O coronel disse que ela era # Ao i I observa‡ão. Uni vestido negro acentuava a brancura dos bra‡os e das esp duas. mas levam muito a mal as mesmas fac‚cias quando elas brotam dos l bios dum ¡mpio.. O negro lhe ficava tão bem! . Lucy. luz artificial.. partindo como partira de quem se achava tão manifestamente abaixo.. Mas a maneira como ˆles se voltaram um para o outro e continuaram a sua discussão interrempida s"bre corridas de cavalos. era uma impertinˆncia. S¢rnente: os l bios finos estavam pintados e havia um pouco de azul em târno dos olhos. minha pequena! .. o que lhes dava um negrume completo. não usava rouge. Mas ainda usava luto . noite.Tio John! Lucy Tantamount voltou-se e sorriu para o tio adotivo.

admitiu Polly elegantemente .Polly falava Com hesita‡ão. gt lu~ as sobrancelhas e abrindo muito os olhos -. E. Mas ˆle deve ter hoje mais ou menos uns cem anos. não ‚ assim9 . Brilhava-lhe o mon¢culo no "lho. . . 50 . -. A minha necessidade ‚ maior do que a tua. .Nio anda longe disso. Foi nesse momento que Hugo Brockle achou coragem para se apre~ sentar. continuou a pux -la na dire‡ão da sala dejantar.continuou. # -.. parecia a cabe‡a duma serpente com a b"ca aberta num bocejo. -Teve pelo menos quinze esposas .perguntou ela.Esta ‚ muito boa . notando. de qualquer dessas coisas que as pessoas de costumavam ser na mocidade... sempre julguei q. A orqu¡dea que John Bidlake tinha .Quero que me sirvas de pretexto para ir cear.Dizes que aquˆle ‚ Bidlake? .enfim. de pirata ou ]Belo Brummei .Pois eu não . teme cometer erros rid¡culos. . mer.Comerei pelos dois.que o homem nio mostra ter essa idade.Bidlake? Aquˆle que .Eu sŠzinho me encarrego de comer declarou ˆle. Estou com uma fome canina. .perguntou Polly Logan quando ˆles passaram. botoeira. ao pronunciar estas palavras.Ela não admitia que o velho a domi~ nasse. que pintou Os quadros? .o velho Bidlake..Como est s? .disse John Bidlake. Ela se sentiu w~vehriente aliviada. Lucy abandonou a luta. . . . Tomou-lhe do bra‡o familiarmente.. como tão justamente observou Sir Philip Sidney.F"r‡a ‚ confessar . . qw ale losse um daqueles pintores da Renascen‡a...Estou morrendo de fome . Mas Tio John não cedeu.afirmou Norah.Quem ‚ ˆsse velho que vai ali com Lucy? . que rosse conduzida em vez de conduzir. conhecendo as lacunas da pr¢pria OW&‡io. Abriram caminho atrav‚s da multidão. . com a sua grande mão estriada de veias azuis.Mas eu não quero co . Òle tem ainda um ar de leão. . rindo jovialmente. . segurando-o logo acima do cotovˆlo. .Não importa.Norali tinha tamb‚m menos de vinte anos.A companheira fez um sinal afirmativo. num tom de quem. que o tio come‡ava a ficar com uma forte aparˆncia de velhice. dum amarelo esverdeado e cheio de pintas.

.. mastigando sandu¡ches de caviar. não gostava de insistir nˆles. era de mogno. ao lado da companheira. -. Atrav‚s daquela coroa de carne nacarada (porque os pr¢prios rostos das banhistas eram apenas carne sorridente.velmente bem. Estendeu um dedo c tocou o aparador. uma esp‚cie de grinalda (completada por cima pela folhagem duma rvore) ao redor do centro da tela.. de poder espantar os pensamentos 51 # i 1. o "lho se alongava rumo duma p lida paisagem brilhante de dunas. -.. Sentiu-se prˆsa de uma emo‡ão em que se misturavam orgulho e tristeza. Perfeito equil¡brio. e no entanto não h tra‡o de repeti‡ão ou de arranjo artificial. Dir-se-ia uma alavanca longa erguendo pesada ga.Olha o corpo da direita. madeira leg¡tima.Est bem . de ondula‡ões moles e de nuvens. . Era uma pintura alegre e vistosa. o velho Bidlake. Oito banhistas de carnes fartas e nacaradas se agrupavam na gua e nas margens de um arroio.Mas o corpo de bra‡os erguidos era Jenny Sinith. indesej veis. de maneira a formar.disse ˆle -. est admir. .Como aquilo parecia idiota! O rapaz sentiu que ficava todo vermelho. com os corpos e os membros em movimento. com os bra‡os erguidos. . E sobretudo muito melanc¢licos. Fxam tio numerosos e confusos que não seria f cil enunci -los.Vˆ como ˆle est em equil¡brio com o grande corpo nu e carcurvado da esquerda.Deixou inexprimidos outros pensamentos e sensa‡ões que o quadro tinha evocado em seu esp¡rito. de colora‡io muito pura e brilhante. O terceiro e o mais bonito quadro das "Banhistas" de John Bidlake estava pendurado por cima da chamin‚ da sala de jantar de Tantarnount House. . Com um prato na mão. contemplava a sua obra. sem um tra‡o de espiritualidade que pudesse distrair o observador da contempla‡ão das belas for~ mas e do que com elas se relacionava). o mais belo . de tons muito claros.Prosseguiu na sua exposi‡ão t‚cnica a fim de poder reprimir. Olha s¢ a maneira como foi composto.A senhorita não se lembra de mim. . Fomos apresentados nos nossos carrinhos de brinquedo. ali.

ou quando se lhe fechava a b¢ca com beijos.. existia implicitamente nas suas criaturas. Uma deusa enquanto estava nua e mantinha a bâca fechada. perguntando a si mesma por que as pinturas do velho tinham piorado tanto nos £ltimos tempos. ao verdadeiro John Bidlake. para mudar de assunto ..uma vez que ela descerrasse os l bios.Não h d£vida de que ‚ uma boa tela .Devo confessar. vinha mendigar-lhe dinheiro. . Finalmente o que restava dela havia morrido. Encarna‡ão da beleza. na tela. do John Bidlake de 25 anos atr s. entretanto ." Isso fizera que Jenny chorasse ainda com mais f"r‡a. . "Em Paris h sol demais. Mas no fim de contas . era um desafio ao seu pr¢prio passado.velmente bom mesmo.modˆlo que ˆle j tivera.repetiu ˆle. e o tom de sua voz era doloroso. encama‡ão da estupidez e da vulgaridade. "que ˆle tenha envelhecido bastante nestes £ltimos rrii . olhando para o pintor. ao tempo e . assim como tesouros de beleza. depois ourria pequena pausa. no fim de contas. mas . .repetiu ˆle. E no fim de contas seria ˆle o verdadeiro Bidiake . "Tu devias andar a‡aimada. uma vez que se vestisse e enfiasse aquˆles chap‚us assustadores!. formid.acrescentou. Aquela rapariga possu¡a tesouros de sensualidade.Não h d£vida .Sim.. Na pr¢xima vez iremos a Spitzberg .. luzes artificiais em demasia. . Teve de recambi -la dentro de oito dias. continuou Šle. seu criador. no inverno. ‚ uma boa tela . ˆste mesmo haveria de desaparecer. o rosto que olhava o quadro estava triste.ajuntou Lucy. Mas a Jenny verdadeira permanecia ali. "Isto.. com os bra‡os al‡ados e os m£sculos peitorais soerguendo os seios pequeninos. John )3idlake se recordou da ‚poca em que a levara a Paris. O que restava de John Bidlake. não irri pensava a m"‡a. relativamente falando. com uma explosão repentina de riso volunt rio -. . que gastava em bebida. E o verdadeiro Bidlak-e. Òle pr¢prio. achava-se tamb‚m ali na tela.. tudo o que ‚ meu ‚ bom. velhice.quando a mulher avinhada e balofa que tinha morrido não era a verdadeira Jenny? A verdadeira Jenny vivia entre as banhistas de n car. Jeri disse-lhe. entretanto. Jenny chorou.disse Lucy. Um outro John Bidlake existia ainda para contemplpr o seu pr¢prio fantasma. Mais tarde dera para beber e deca¡ra. A £ltima exposi‡ão fora deplor vel. conservava-se tão jovem. que tinha pintado a verdadeira Jeri e que a tinha feito silenciar ao pˆso de seus beijos. -.Òsse ‚ o ponto de vista verdadeiro. no fim de contas.ah! . ao acabar a exposi‡ão. Era um desafio aos cr¡ticos est£pidos que tinham visto sinais de decadˆncia em suas telas recentes. "Foi um ˆrro ir a Paris". L as noites duram seis m-:ses. Em breve.

na minha opinião..recordava-se disso duma paixão por Burne-Jones. Betterton.s M~Ias papadas carnudas. enf tica.disse -. Lui e John Bidlake se voltaram e viram a Sra. compreenda-se. que se arrebitava de maneira tão encantadora nos dias em que Bidlake montava o cavalo negro e ela o cavalo baio. Betterton! . Achas na realidade que somos tão profundamente tâlas como nos pintas? .. sua exigˆncia. .Pousou a mão no bra‡o de Lucy. A Sra.Sim.Um insulto? 111) # . e cabelos que eram.Vamos John .que..Querida Sra. que ela falava naquele momento a John Bidiake. "como consegui evit Ia totalmente. nossa pergunta. .um encontro agadabilissimo. .Falo como mulher. Mas Bidlake disfar‡ava muito mal a sua aversão. as tuas banhistas são de certo modo um insulto. ‚ preciso que respondas . era agora absurdo... Òle teve de fingir que estava contente por tomar a vˆ-la depois de tantos anos. .. em propor‡ão . f"r‡a atrav‚s de uma abertura estreita. debaixo duma pressão emocional. ai! livr -la do seu preconceito de virtude. qual se unia uma certa sentimentalidade significatival. A Sra. acha-nos verdadeira~te assim tão t61as? Era uma voz insistente. Era com t"da a seriedade de outrora. Betterton tinha falado de arte com uma seriedade ingˆnua de colegial que o pintor achara encantadora. pensava ao lhe apertar a mão. . . um pouco antes de pintar aquelas banhistas. uma coisa grotescamente fora de prop¢sito naquele rosto de mulher madura. Seu nariz.. . e as palavras sa¡am em jorros. sim .. associando-a assim . castanhos." Não se lembrava de lhe ter falado mais do que duas ou quatro vˆzes durante o quarto de s‚culo que transformara Mary Betterton num ~ento mori*.perguntou uma outra voz -. como se estivessem passando . com bra‡os (pensou o velho Bidlake) que ~am coxas.... . " extraordin rio". emosivamente.s bochechas e . maci‡a no seu vestido cinzento-pomba. ridiculamente curtos. Betterton o chamou pelo primeiro nome: . como a de quem se recorda do passado e deseja fazer uma troca não s¢ de id‚ias gerais mas tamb‚m de reminiscˆncias. O verdadeiro BidIake andara passeando a cavalo em companhia dela. Bidlake a curara .. encaracolados e. mas não conseguira.exclamou o velho.

replicou. Voltou-se para Lucy. Sem d£vida.. preferira darlhes rostos que eram simplesmente o prolongamento de seus corpos encantadores e não s¡mbolos enganadores duma espiritualidade que não existia.tˆm um ar de juiz cheio de sabedoria. Noto que os homens que gostam muito das mulheres são precisamente os que exprimem o maior desprˆzo por elas. e. Aquela familiaridade da partC dum memento mori era intoler vel. com a volta do bom humor. os memento mori deixam de nos trazer recorda‡ões.Mas ˆle não leva a s‚rio sequer uma palavra do que disse. Porque são os que as conhecem mais intimamente . Mary Betterton tinha pretensões intelectuais e era muito ciosa de tudo quanto dizia respeito . John Bidlake sentiu que lhe voltava o bom humor . (N. O velho Bidlake se p"s a rir. aquela mulher fazia jus a uma resposta descortˆs. muitas dentre elas tinham um rosto interessante. pelo contr rio. os bois. quando ruminam. O mesmo acontecia com as mulheres. Os cães policiais -. parecem meditar s¢bre os problemas da metafisica.acrescentou ‚le com ˆnfase . medida que ia falando. E algumas .disse a Sra. ... mais de acârdo com os fatos fundamentais. Achou que a pergunta fora bem escolhida para o fim que ˆle agora tinha em vista. mas isso não significava nada.John. Òle preferira pintar suas banhistas sem m scaras e sem roupas. Quando estamos espiritualmente bem dispestos.nem chegavam a ter ˆsses atributos indispens veis. sorrindo: . . .. Betterton com indulgˆncia. que ˆle est absolutamente convencido de tudo quanto disse. a sua antipatia por Mary Betterton parecia dissipar-se. Isso lhe parecia mais verdadeiro. Havia de dar-lhe uma li‡ão.Quer-me parecer. um louva-a-deus d a Impressão de estar rezando. tu ‚s incorrig¡vel . do E) # 53 54 par de pernas. alma.O velho Bidiake ficou literalmente indignado. Recordando-se disto. mas estas aparˆncias são totalmente enganosas.explicou . o velho Bidlake afirmou que jamais Conhecera mulher que possu¡sse coisa de valor al‚m de um corpo e de um * Lembra-te de que morrer s.

prosseguiu a Sra.O baile da temporada de ca‡a. N¢s não costum vamos "gastar a fina ponta do prazer infreqente" pelo uso cotidiano. . Citou Shakespeare: # Portantofestas h . est s vendo? Mas para n¢s eram verdadeiras.insistiu a Sra. .Um prazer demasiadamente repetido produz a insensibilidade. Mas eu te garanto . . Hoje em dia os mo‡os estão entediados e cansados do Inundo antes de chegarem . ..Falsas.ajuntou ir"ni- . ainda por cima.As crian‡as são educadas hoje em dia duma maneira est£pida.E falsas. Eu o conheci no tempo em que nem eras ainda nascida. Esta lan‡ou-se numa persegui‡ão encarni‡ada. .concordou Lucy. não o sentimos mais como prazer. Pois eu nunca entrei num teatro senão depois dos dezoito anos .a educa‡ão . . .explicou ela.. . O memento mori tornava a sorrir escancaradamente por tr s da m scara fl cida de Mary Betterton. .Minha pobre senhora! . Não ‚ de admirar que saiam c¡nicas.. Continuou a falar com eloqˆncia. A Sra.declarou com orgulho.Nos dias de hoje as festas são ros rios de p‚rolas. e muito cedo.confessou Lucy.que John não pensa assim. ..Comecei a freqentar os teatros aos seis anos . Tinha levantado uma das lebres favoritas da Sra.Naquele tempo talvez ˆle fosse diferente . Saturam-nas de distra‡ões.. maioridade.Ou talvez porque lhes desgoste o poder que temos s"bre ˆles . lindas e raras. tio John. Betterton. então! . porque raras. Deve ter sido contagiado pelo cinismo da gera‡ão mais m"‡a. Betterton .Dão-se muitas coisas as crian‡as. Betterton estava triunfante.. Por escassas e no tempo separadas Como engastefrugal depedras caras. minha querida. .inquiriu John Bidlake.E os bailes. Somos m companhia. .E qual ‚ o seu rem‚dio? .. acostumam-nas a todos os prazeres desde o ber‡o.. Betterton. . A alegria desapareceu do rosto de John Bidlake.Se ‚ que um membro da congrega‡ão tem licen‡a de fazer perguntas .disse Lucy. que acontecimento! Era porque s¢ havia uma dessas festas durante o ano.. . . Deves tomar cuidado.

objetou John Bidlake. Mas os Inglˆses Livres não fazem guerra aos pobres.Mas onde iria terminar essa esp‚cie de progressão? .Sim: da classe pobre. . encolerizada.Mas eu não quero ter menos diversões . .Como as pulgas num cão . .‚: .Pois eu acho detest vel .dizia Polly.Quem sabe? Hugo Brockle e PoIly j estavam em disputa.Nesse caso .Est . 55 # P11 . ‚ preciso que elas sejam mais fortes.Mas o que ˆle faz est de acârdo com as suas palavras. . lutando com as dificuldades da . .continuou Hugo. . Depois. Betterton num tom apavorante de brincadeira.O rem‚dio . Uma classe oper ria forte.De qualquer classe .mover guerra aos pobres. . . .Ou em combates de gladiadores9 Em execu‡ões p£blicas. mesmo que se tratasse de coisa s‚ria. . que reclama sal rios altos.disse Lucy -.Òste ‚ o fundo de sua doutrina.Fazem.Nas corridas de touros? . . Betterton.insistiu Hugo com ardor. com o rosto vermelho de C¢lera . .S¢ leio o que se escreve a respeito do que ˆle faz.sugeriu John Bidlake. como naquele caso. Quando uma id‚ia c"mica se lhe apresentava. mant‚m ativa a classe m‚dia das profissões liberais. . .Progressivamente? .gritou a Sra.sugeriu Polly. . numa volta ao bom humor.Não fazem . ela não podia deixar de exprimi-la. . pondo-se a rir.As profissões liberais? preciso a todo custo que elas sejam inventivas e progressivas .Maroto! . mesmo que ela estivesse.afirmou Hugo. . sim. A £nica coisa contra a qual ˆle se opõe ‚ a ditadura duma classe. .Leia os discursos de Webley. . progressivamente.repetiu a Sra.continuou -. então? Ou nos divertimentos do Marquˆs de Sade? Onde? Lucy encolheu os ombros.camente. ficando novamente s‚ria: menos diversões. preciso que as classes sejam igualmente fortes.Não esta.

paz e felicidade.eis o aspecto sob o qual as reuniões sociais se apresentavam sempre . Quer que elas vivam num estado de tensão.De sorte que a ditadura duma classe ‚ um absurdo . Apesar de tudo. procurava abrir caminho atrav‚s de seu emaranhamermu imagi per # luxuriante.Pe‡o perdão .Porque a democracia permite que criaturas abomin veis conquistem o poder. Havia trˆs meses que vinha atuando como um dos ajudantes-de-campo de Webley. . e tamb‚m papagaios e os macacos tagarelas. O que significa sal rios mais elevados.sim.Pois bem: e por que não? Se soubesses que tipo admir vel ˆle ‚! Hugo entusiasmou-se.. por exemplo. . As pessoas eram as raizes das rvores e as suas vozes era-r. Na escola tinha passado pelos mesmos entusiasmos.Nunca encontrei ninguem como ele. e realizar lucros para si mesmas.tornou Polly. corou de simbiose hostil. . Os cientistas dizem que os diferentes ¢rgãos do corpo são assim. . . Vivem num estado.Sem isso elas não poderiam pagar aos trabalhadores o que ˆles exigem. CAPiTULO V Uma seiva de inumer .Am‚m. . Unia seiva de ru¡dos: e ˆle se achava agora dido na selva.Cruzes! . E.Ele ‚ contra a democracia. na‡ão de Walter Bidlake. Webley quer que os melhores governem. . .eis rvores e trepadeiras pendentes . Ela se sentia velha e superior. gostou da lealdade do rapaz. ~s. Polly escutava essas efusões com um sorriso. ao mesmo tempo. . . sarc stica.disse Hugo com humildade. . .hesitou. uma classe m‚dia forte e inteligente ‚ proveitosa para os trabalhadores.Porque as greves são imbecis.exposi‡ão clara. .. . . . . . de tal maneira que o Estado possa tirar o seu equil¡brio do fato de cada uma puxar com t"das as ror‡as para o seu lado. ˆle não quer permitir que os homens fa‡am greve..Não obstante. os troncos e os ramos flex¡vcis e os festões de lianas .continuou Hugo.Os melhores? Òle. falando naquele mesmo tom a respeito da profess"ra de economia dom‚stica.Webley quer conservar tâdas as classes e torn -las fortes. porque ˆstes ganham assim uma boa lideran‡a e uma boa organiza‡ão. .

vulgares. na dire‡ão de Illidge. Infelizmente.. Os romƒnticos sat¡ricos devem ser esguios. de movimen- . diminuindo .. poderiam ganhar.. . como o p‚ de feijão m gico da hist¢ria do"Matador do Gigante".clevando~se mais e mais. . unidas. ". O riso estrepitoso. t"das estas vozes como seriam esquisitas e min£sculas l no alto! Mas no entanto. no matagal . pensava Walter. Walter pintou-as mentalmente a subir cada vez mais alto. . " . at‚ que l em cima não fâsse mais do que um tinir delicado sob o luar. por exemplo. . Sua atitude e seu sorriso. Ele as imaginou a ondular l no alto. fez um excelente discurso.. at‚ a altura de trˆs andares. . tâlas. Ah! Eram estridentes. Mas neste salão singular. .. eram byronianos: lan‡ava em tˆrno um olhar lƒnguidamente divertido.. cheias de fatuidade! Olhando por cima das cabe‡as das pessoas que o cercavam..derradeiros ram¡culos de ru¡do. medida que subisse. encostado a um pilar. s¢zinho. uma fâr‡a viva suficiente para romper o fraco telhado de vidro que as separava da noite exterior. aquˆle pobre rapaz não tinha o direito f¡sico de ser byroniana# mente superior. . " . ininterruptamente. encurvavam-se de n"vo para o. na luz da lua . .. tˆnues e a‚reos.a subir em pleno c‚u . fugiu com o chofer. ali embaixo. E tâdas estas vozes (que estavam elas dizendo? " . ". esta gargalhada expl¢siva do homem gordo da esquerda -. refletia Walter. as ondas de som que cresciam.. como se estivesse a observar as travessuras dum bando de macacos. ao mesmo tempo cansados do mundo e desdenhosos...haveria de subir e subir. Walter viu Frank Illidge.". que aborrecimento. s¢ depois de experimentar um dˆstes cintos de borracha poder s ter uma id‚ia de como são c"modos.As rvores se elevavam at‚ o teto e do teto. chão. nesta extravagante combina‡ão de trio romano e da estufa de palrneiras do Jardim Botƒnico de Kew.. enquanto abria caminho por entre os convidados. carregadas de orqu¡deas e de cacatuas coloridas a subir atrav‚s Ja n‚voa persistente de Londres at‚ a luz transparente do luar."'). como mangues. " . al‚m da fuma‡a.

que não autorizava precisamente aquˆle ar de languidez desdenhosa. . Correu os olhos em târno.disse filidge. . E não ‚ isso antes um consâlo para a ciˆncia? . vistos de pequena distƒncia. . .continuou ˆle . b"ca largamente rasgada.. Apertaram-se as mãos. . A arte não gosta de andar na moda. enfim. por exemplo? Seria bem agrad vel a gente sentir a cabe‡a afagada por uma uvinha dessas.Vocˆ veio para mostrar as suas habilidades e receber afagos na cabe‡a. perguntando a si mesmo onde estaria Lucy.fez Bidlake. quem sabe? Illidge p"s-se a rir. ainda tinha viva a lembran‡a da escorregadela na escada. Illidge era pequeno. . Que me diz dela. uma cara de moleque muito inteligente e ladino. graciosos e belos. pensou Walter ao pronunciar estas palavras. . .. mas cara. da falta de interˆsse de Lady Edward para com as lagartixas e da insolˆncia dos dois militares. como um leão se dissolve no deserto. Aquela que parece uma negrinha branca. Illidge encolheu os ombros.Ol ! . E que uma cara c"mica! Era como a dum moleque . De resto.Bem .olhou em t"rno. procurando tirar uma pequena desforra.Esta noite tenho visto aqui a metade das notabilidades que aparecem na se‡ão de literatura e pintura do whos who. não ‚ mesmo? Mas. .para aquela m"‡a de cabelos escuros e crespos que l vai vestida de prata. Não a via desde que a m£sica cessara. Pobre Illidge! A atitu~ de byroniana dava-lhe antes uma aparˆncia rid¡cula. O ambiente fede a arte.Como vai a ciˆncia? ."Que pergunta t"la!". as sobrancelhas c"r de laranja e as pestanas tinham uma tonalidade protetora ˆsse vermelho amarelado da areia. Olhada da outra extremidade do salão. como o rosto de uma est tua esculpida num bloco de gr‚s. aquela face parecia despida de fei‡ões e de olhar.Acha? Então por que motivo vocˆ veio? .nariz arrebitado.perguntou Walter. vivo e saltitante. a julgar por esta festa . hein? . quem ‚ que pode ser superior quando tem sardas? O rosto de filidge estava pintalgado delas.Menos na moda do que as artes.Olhe s¢ -.tos lentos.Realmente: por quˆ? Walter aparou a pergunta com uma risada. sumiamse na pele. . . logo que chegou a distƒncia de poder ser ouvido pelo outro. .Vocˆ assume uma atitude superior e filos¢fica. Os olhos castanhos.

Talvez. vocˆ est um ponto acima da maioria dˆles .concedeu Illidge~ .. vocˆ est acima dˆles. Acredite que j fui prˆso duas vˆzes.meu caro. Nio se trata apenas do desprˆzo das mulheres . Mas acontece que a pol¡cia se recusa a não fazer caso da gente. reconhe‡a que tudo isso ‚ impostura. porque assumo a sucesso mesma atitude.prosseguiu. e bem sabe disso. chego . mas ‚ um terr¡vel insulto ao meu corpo. pelo menos. Nem imagina que coisa molesta ‚ ter a aparˆncia de um intelectual das classes inferiores. que não tˆrn um d‚cimo da minha inteligˆncia.. Vocˆ tem sorte.que eu tenho uma aparˆncia de anarquista.Não. . dando desta vez um valente puxão. ..Illidge tinha dolorosamente consciˆncia do seu fisico.Como eu.. . invejo o de vocˆs. Tem o ar dum gendeMan. ao passo que # ninguˆn. . E.. no dente nevr lgico . Sabia que era feio e de uma aparˆncia absolutamente despida de distin‡ão.s vˆzes a ficar furioso. . mesmo que eu tivesse o esp¡rito de Newton. Se ˆles nos cortejam ‚ porque podem entender mais ou menos o que fazemos. A indiferen‡a dessa gente ‚ uma homenagem ao seu esp¡rito. 58 . ou pelo menos dum artista. simplesmente para ter certeza de que a dor continua. gostava de tenlembrar a si mesmo ˆsse fato desagrad vel: era como um homem que. simplesmente porque me pare‡o com ˆsses tipos que fabricam m quinas . ela toma um interˆsse abomin velmente curioso por mim. explora‡ão de maneira excruciante.Se eu fosse um brutalhio como ˆsse Webley1 ˆles não me desprezariam. Puxou-o com mais f"r‡a ainda. Eu sei. . a fazer dinheiro e a ser cortejados. est volta e meia a meter o dedo no ponto dolorido.destas mulheres. sabendo-o.Mas quando veio ˆsses malditos escribas. por exemplo. do um dente que d¢i. Isto por si s¢ j ‚'bastante desagrad vel. Fico verdadeiramente furioso quando vejo certos escritorezinhos tolos e meio idiotas .Vocˆ devia encarar ˆsse fato como uma homenagem. . Mas não entendem vocˆ. A verdade ‚ . que traficam com a arte. me d importƒncia. Para falar-lhe honestamente a verdade..O dente respondia .

inevit vel..Mas ‚ verdadeira. Bem. no fim de contas. -. Algum petardeiro tinha atentado contra a vida de Mussolini. guisa de escusa. mas uma cara não ‚ uma prova. um bando de malfeitores de camisa preta obrigou-me a descer do trem em Gˆnova e me revistou da cabe‡a aos p‚s. . . . Perto de Chesterfield. Seja como ror. juro-lhe.. Se eu continuar a fazer cita‡ões b¡blicas vocˆ ficar pensando que sou cristão -acrescentou filidge num parˆntesis. segundo parece. Havia uma greve de mineiros. . O dinheiro produz uma esp‚cie de insensibilidade de gangrena. O homem tinha bom senso. . ign¢bil e m¢rbido nos ricos. As boas rela‡ões entre vizinhos são a pedra de toque que revela os ricos.disse Walter com cepticismo. como mero espectador. A primeira vez foi aqui mesmo no nosso pa¡s. Meu Deus! Que prazer eu teria em mat -los # 59 todos! . . sim. Intoler vel! E isso tudo simplesmente por causa da minha cara subversiva.Sim.A lembran‡a do quarto em que Wetherington jazia doente fez logo com que Walter sentisse vergonha da pergunta.. E lembre-se daquele outro trecho a respeito do amor ao pr¢ximo.A hist¢ria ‚ boa .Mais horr¡veis do que os pobres? . Acontece que eu estava. . Aquela passagem a respeito do camelo e o "lho da agulha ‚ a simpless exposi‡ão de um fato.. sem d£vida .Mas ‚ preciso dar a C‚sar o que ‚ de C‚sar. Jesus compreendeu isso.A qual.Sim.Não tinha ˆle escorregado na escada e sofrido a desfeita de um imbecil carniceiro de homens? . Os ricos simplesmente não tˆm vizinhos.acrescentou Illidge num parˆntesis -. . não ‚ um crime.infernais.Pois a dˆle ‚ um crime capital. Um homem como aquˆle merece nada menos que a f"rca.Walter fez com a cabe‡a que SinL . A outra vez foi na It lia. A pol¡cia não gostou da minha cara e me deitou a unha.s suas id‚ias. sabia compreender as coisas. Conhece o General Knoyle? . olhando uma luta entre grevistas e oper rios que tinham quebrado a greve.Como eu detesto os ricos! Detesto-os! Não acha vocˆ que ˆles são horr¡veis? . algumas caras são talvez crimes. corresponde . Existe algo de particularmente vil. Levei horas para me livrar dela.

Walter Fez um sinal de aprova‡ão.s suas necessidades. os ricos . desde que.Mas não tˆm vizinhos no mesmo sentido em que os pobres os Quando minha mãe se via obrigada a sair. a vizinha da esquerda. Vocˆs pagam pessoas para atenderem . E como me lembro bem de. não possa deixar de dar. era a Sra. a vizinha. desnecess rio. mora-lhe no quintal. E quando algu‚m quebrava uma perna.. Cada um . venha 60 olhar pelos seus bebˆs. e. Para principiar. por assim dizer. . não tˆm vizinhos verdadeiros. quando eu era menino. a vizinha da direita. que diabo! ˆles não são anacoretas. não h meio-tˆrmo.e isso duma maneira tão urgente e tão repetida que não h lugar para recusas. Cradock. E desde que vocˆ seja obrigado a dar. como ser humano.tˆm.Mas. Ignorar a sua presen‡a duma maneira refinadamente filos¢fica? Não ‚ poss¡vel. Vivem longe dˆles. necess rio odiar ou amar. E minha mãe fazia o mesmo para a Sra. Não precisam que a Sra. Mas vocˆs. ‚ melhor que trate de amar a pessoa a quem de qualquer modo vocˆ ter de dar. h uma necessidade atroz de se portar como cristão. em suma. mais cedo do que esperava! Quando a gente vive com menos de 4 libras por semana. de amar o pr¢ximo. ‚ prefer¡vel vocˆ procurar amar o vizinho. em geral vocˆs nem mesmo chegam a consciˆncia da existˆncia dos vizinhos. quando vocˆs saem. vocˆ não pode fugir dˆle: o pr¢ximo. Podem alugar criados que hão de simular dedica‡ão a 3 libras por mˆs e mais a comida. Não. Foster. que ficava olhando por n¢s. a gente o ajudava com dinheiro e comida. Cradock.continuou Illidge -. . ou perdia o emprˆgo. Evidentemente.. me terem mandado um dia correr at‚ a aldeia em busca duma enfermeira. H nurses* e governantes que ter fica fazem isso por dinheiro. porque pode precisar do aux¡lio dˆle assim como ˆle pode precisar do seu . tinha sido s£bitamente atacada das dores do parto. Cradock quando chegava a vez de esta sair. Nunca praticam um ato de boa vizinhan‡a e nunca pedem aos vizinhos que lhes fa‡am uma gentileza como retribui‡ão. porque a jovem Sra.

irremedi.A flor consumada desta nossa encantadora civiliza‡ão .Que podridão! . o £ltimo c¡rculo do inferno! São como aquela filha dela.sofrimentos que ˆles não podem de forma alguma compreender . Em geral. de olhos fechados. . Ningu‚m se comove com as desgra‡as que não conhece. Sabendo de tudo.. Walter o escutava com uma aten‡ão dolorosa e tensa. Uma imita€io refinada e perfumada de selvagem ou de animal. Os sentimentos de boa v£inhan‡a estão em exerc¡cio constante. num tom de voz diferente -.Gra‡as a Deus 1 . . O mais que podem fazer ‚ ficar sentimentais diante dos sofrimentos de seus ~res . era tamb‚m a mais esquisita e maravilhosa das criaturas.Não h d£vida: vocˆs podeni dar gra‡as a Deus.e mostrar-se condescendentemente compadecidos. Mas o luxo se paga. a¡ o tem vocˆ..fez filidge. . . . Tinha falado uma vez a Lucy Tantamount. Muito agrad vel.isolado na sua casa secreta. mas ˆle a amava com mais for‡a por causa do tormento e por causa da verdade odiosa. Pode haver trag‚dias atr s dos postigos.. perdida. quia indignum**.exclamou Walter. trabalhamos at‚ . no entanto. . concordo. grandiloqente. Mas os ricos nunca tˆm um ensejo de se mostrarem bons vizinhos para com os seus iguais. ." As palavras eram verdadICiras e torturantes. . . . mas # os vizinhos do lado não ficam sabendo de nada.. O isolamento ‚ um grande luxo. A ignorƒncia ‚ f‚lici~ ~ que nada sente . mais desesperadamente ˆle a amava. Quanto ao pior aspecto.prosseguiu filidge. "Credo quia absurdum. . Amo quia ~.São como Lady Edward. E a m"‡a parecia mal ter dado pela presen‡a dˆle. " . quanto mais atrozes eram os vitup‚rios.velmente corrupta .Aqui Illidge fez uma careta e encolheu os ombros. Eis a que chega l¢gicamente a maioria das pessoas que tˆm dinheiro e lazer. Horr¡vel! E isso ainda são os ricos sob o seu melhor aspecto. pensando em Lucy.Apontou para o salão cheio de gente. Era verdade. e por um breve momento.Bem .eis o que ela ‚. "Uma imita‡ão perfumada de selvagem ou de animal. Luey era tudo o que dela se dizia por inveja ou censura. Walter o escutava. preciso ir ver se o Velho quer continuar o trabalho esta noite. . . pensava Walter. A vida ‚ demasiadamente p£blica.continuou filidge. . ˆle podia escutar tâdas as coisas que a respeito dela se dissessem.. como um profeta acusador. casualmente.Maldita. . . E. Numa rua pobre a desgra€a não pode ser escondida.

a cada coisa que Webley dizia.. dormindo at‚ a hora do lanche. quando a gente vˆ que os bandidos se aproximam. de certa maneira agrad vel viver assim . . . era t"da distin‡ão natural de qualquer gˆnero que f"sse. amas-sˆcas (N. Não era apenas a propriedade que estava amea‡ada. era a iilteligˆncia. Webley estava eloqente. sem muita convic‡ão.. . . Os inimigos eram numerosos e ativos.Não me interesso pela pol¡tica.E abalou. estavam armados para proteger a individualidade contra o homem das massas. do E) # 1 e meia ou 2 horas. do E. . não eram apenas os interˆsses materiais de uma classe. a disciplina e a f"r‡a eram necess rias.E repetia a frase obstinadamente. -.. Walter abriu caminho atrav‚s da multidão.Precisamos jantar juntos uma destas noites lembrou Walter. estavam lutando pelo reconhecimento da superioridade natural em t"das as esferas..) "Creio porque ‚ absurdo.. Os homens de boa vontade. os homens que tinham interˆsses no pa¡s deviam unir-se para resistir . . come‡ando o trabalho depois do ch . Os Inglˆses Livres tinham-se unido para resistir ..At‚ breve. contra a turba. era a iniciativa pessoal..Mas eu não me interesso pela pol¡tica -.Pagens de crian‡as. Everard Webley tinha levado Lorde Edward para um canto e estava tentando persuadi-lo a dar o seu apoio aos Inglˆses Livres. Amo porque ‚ torpe. . Mas um homem prevenido vale por dois. os seus discursos eram cheios de espadas.) A organiza‡ão. forma em ordem de batalha e arranca da espada. (Webley tinha um fraco pelas espadas.Vamos escolher um dˆstes dias.s avessas. ‚ muito agrad vel. . Os m‚todos parlamentares eram perfeitamente adequados . ditadura dos n‚scios. porque ‚ indigno. Na verdade. a sua casa estava eri‡ada de pan¢plias.. procurando .Estendeu a mão. A luta não se podia travar mais no terreno constitucional. . "(N. usava uma quando os Inglˆses Livres faziam parada. Illidge sacudiu a cabe‡a afirm ativamente.s for‡as de destrui‡ão. era a tradi‡ão inglˆsa. com uma teimosia muar.protestava o Velho com voz rouca. fosse o que f"sse.

. mas. havia an Ö os. . para consultar o cliente a respeito dum emprˆgo de capitais. .disse Webley -.. . . fazendo girar o corpo curvado a partir da cintura. . eu não me interesso por dinheiro. pelo futuro da sua fam¡lia.. .Lorde Edward ia ficando desesperado.Mas eu não me interesso pela pol.Sim. Lorde Edward. como um urso acossado por cães. . ainda que o senhor não se interesse pela pol¡tica .. devemos preparar-nos para a luta. Eu.Estive cinco anos no Parlamento . (Òste dever ser então algo muito diferente da cole‡ão rid¡cula de rica‡os eleitos pelo populacho.) Enquanto esperamos isso. E s¢ depois que ela estiver salva ‚ que poderemos come‡ar a pensar outra 62 atual vez no parlamento. gra‡as a essa prepara‡ão para a luta. Não. Um dia.a despeito das ordens expressas de Lorde Edward que proibia em absoluto que o viessem aborrecer com assuntos de neg¢cios -. ‚ a £nica esperan‡a. pela sua posi‡ão. deve interessar-se pelos seus bens. Lorde Edward oscilava # pesadamente dum lado para outro. Fatigado. amea‡a de uma a‡ão direta. quando estavam em j"go os princ¡pios fundamentais não se podia permitir que a pol¡tica continuasse a ser tratada como um jâgo parlamentar. a £nica esperan‡a.. Tratava-se de umas 80 O00 . .Estava agitado demais para ~terminar a palavra. Creia-me. poderemos conquistar uma vit¢ria pac¡fica. A Inglaterra s¢ pode ser salva pela a‡ão direta. tempo suficiente para ficar convencido de que hoje em dia nada se pode fazer por meio do parlamentarismo. a‡ão direta. Era preciso recorrer . E.Mas. .. a administra‡ão de seus neg¢cios tinha vindo procur -lo .. Lembre-se: tudo vir abaixo na destrui‡ão geral. o chefe da firma de procuradores a que ˆle entregara t"da.quando os dois partidos concordavam sâbre os princ¡pios fundamentais e Mas discordavam apenas no que dizia respeito a detalhes insignificantes. ou pelo menos .continuou Webley num tom persuasivo -.

que os senhores propõem fazer com rela‡ão ao f¢sforo? Esta pergunta valia por uma acusa‡ão pessoal. Mais motores.Mas tudo isto est completamente fora do assunto .. Quando tomou conhecimento da causa fr¡vola da interrup‡ão. . A f£ria de Lorde Edward o surpreendeu e apavorou. recordando-se de que era um Tantamount que estava falando a um servidor assalariado.. atacando de outro setor -. os pol¡ticos.libras que estavam em disponibilidade. . Lorde Edward foi arrancado .. "Òstes ricos!". . por exemplo. que se aproximara dos interlocutores.repetia agora o Velho.disse Webley com impaciˆncia. O progresso. do progresso. filidge. Era como se. ouviu esta declara‡ão e explodiu numa gargalhada interior. . . 63 # . ficou irreconhecivelmente furioso. estas tinham sido infringidas e a sua solidão violada de maneira injustific vel.Mas. estava acostumado. que de ordin rio era manso. Como se f"sse uma coisa destinada a durar indefinidamente. . mais tudo . o Velho. Se fato semelhante se tornasse a reproduzir. E com isso desejou muito boa tarde ao Sr.Eu não me interesso por dinheiro.repetiu ˆle. .O progresso! . Figgis. mais filhos. Era inadmiss¡vel. "Òstes porcalhões dos ricos!" Eram todos os Mesmos. espera de um ensejo para se dirigir ao Velho.s equa‡ões fundamentais da est tica dos organismos vivos. em entrevistas anteriores. em sua c¢lera. Figgis.. Biofisica. pensou. O Sr. Havia dado ordens. e para sempre.se-lhes nas proximidades . mais alimentos. . E o tom de sofrimento e embara‡o de sua voz cedeu o lugar a um acento de firmeza.O progresso! Os senhores. .insistiu Webley. cuja voz era forte e cuja maneira era cheia de confian‡a. mais an£ncios. Os senhores deviam mas era tomar algumas li‡ões da mat‚ria de minha especialidade. se não ‚ pelo senhor. ˆle havia de confiar os seus neg¢cios a outro procurador. mais dinheiro.. Ela tocara num gatilho. ‚ boa! Que ‚.. libertara uma torrente de energia. Lorde Edward sobressaltou-se a esta palavra. estão sempre falando nˆle. man tendo. a levar as coisas a seu modo. que seja pela causa da civiliza‡ão. o velho tivesse voltado por atavismo ao fundo do passado feudal.

E enquanto isso andam por a¡ tentanto fazer-nos arrepiar a pele com essas conversas s"bre revolu‡ões. ‚ criminoso. Òle vai desaparecendo completamente de circula‡ão. Òsses sistemas modernos de esgotos! . .disse Webley entre zangado e divertido .Então. poss¡vel obje‡ão do outro. Fosfatos.Eis o mal dos senhores. .Mas eu nada tenho que ver com isso . Nem mesmo chegam a pensar em coisas importantes.Lorde Edward sacudiu um dedo esticado em sinal de advertˆncia.disse . .Mas que diabo! . . Mais de meio por cento por ano. . Os senhores julgam que estamos em progresso porque vivemos do.Na terra. os pol¡ticos. Na terra. Vivem"a falar do progresso e do bolchevismo e deixam que todos os anos milhões de toneladas de anidrido f¢sf¢rico corram para o mar. ficava realmente forte..O tom de sua voz agora estava cheio de um desd‚m fulminante. basta ver como os senhores deitam fora centenas de milhares de toneladas de anidrido-fosf¢rico nesses esgotos! Derramandoo dentro do mar. . e os dep¢sitos se extinguirão.o seu 64 f¢sforo pode esperar.t"da a~ questão reside nisto. ‚. Este outro perigo est iminente. . ˆle se sentia forte na mat‚ria que discutia agora. sentindo-se forte..Lorde Edward viu Webley abrir a b¢ca para falar e apressou-se a antecipar uma resposta . e. O f¢sforo transformara-o num homem n"vo.Coni essa agricultura intensiva .os senhores julgam que essa perda pode ser compensada por meio das rochas f¢sfatadas.Bateu com o dedo no peito da camisa de Everard.Ao contr rio . salitre esbanje-se tudo! Eis a pol¡tica dos senhores.continuou ˆle -. . . que diz? Mais duzentos anos apenas. Mas que ‚ que vão fazer quando se exaurirem os dep¢sitos? . E ˆle falava com um grau de coerˆncia muito maior que de ordin rio. E a isso os senhores chamam progresso. idiota. carvão. ..Sem d£vida . .retorquiu Lorde Edward . Franziu o sobrolho e repetiu: .Os senhores deviam era rep"-lo no lugar de onde ˆle saiu. . Depois. os senhores estão simplesmente roubando ao solo o seu f¢sforo.replicou Lorde Edward severamente. O senhor quer uma # revolu‡ão pol¡tica e social? .Sua voz agora era forte e severa.nosso capital. petr¢leo.protestou Webley. O urso atacado transformava-se em atacante. . ‚ o mesmo que tanger a lira enquanto Roma arde. ‚ o que lhe digo.Pois devia ter .

o requinte do g"sto . a m£sica estava realmente. Quem paga pode escolher. eu lhe desejo uma boa noite.disse Lorde Edward ao abrir a porta do laborat¢rio. a espiritualidade.de .Pois bem.. No entanto. O essencial ‚ ter dinheiro para pagar. ciˆncia . a sensualidade e todos os produtos menos elegantes do lazer e da renda certa podiam ser perdoados. se essa ‚ a sua opinião. filidge deu de ombros. Mas. . ‚le não temia as conclusões l¢gicas.Os pensamentos do velho estavam dentro da escala geol¢gica. em voz alta: .diversões alternadas para os ociosos. Faltaram-lhe as palavras para exprimir a sua admira‡ão. terão desperdi‡ado todo o seu capital..Naturalmente.Que al¡vio! -. rumo do seu mundo . . a pregui‡a. Os senhores estão transtornando o equil¡brio. um instante ‚ suficiente para chegar . A queda ser tão r pida como o foi a ascensão. . parte. Ao cabo. E o processo ser muito desagrad vel para os senhores.O £nico resultado dˆsse progresso dos senhores ser que dentro algumas gera‡ões h de vir uma revolu‡ão verdadeira .. mas Lorde Edward o interrompeu: .Não h d£vida! Illidge a custo continha o riso. c¢smica. . Um homem rico gasta algum tempo para realizar todos os seus recursos.Essa revolu‡ão vai reduzir a popula‡ão e restringir a produ‡ão? .tudo isso eram qualidades tidas comumente como dignas de . a incorruptibil idade. m£sica.principiou Webley. . Mais r pida at‚. Riu duma maneira desagrad vel. disse de si para si.uma revolu‡ão natural. Lorde Edward.. Assim. E. a natureza o h de restabelecer. porque os senhores estarão falidos. precisamente porque eram vergonhosos. .Pois então não h d£vida: eu quero uma revolu‡ão. Um minuto depois o Velho e o assistente subiam a escadaria triunfal. . . Mas o desinterŠsse. uma vez isso feito.As linhas retas paralelas nunca se encontram. Afastou-se. Aspirou voluptuosamente o odor leve do lcool absoluto em que estavam conservados os seus esp‚cimes. "Velho imbecil e lun tico!". Webley encolheu os ombros. mis‚ria. a sensibilidade refimada. .Festas. A glutoneria.Estas festas! A gente sente-se feliz em poder voltar para a ciˆncia. filidge sentia-se muito mais ultrajado pelas virtudes dos ricos do que pelos seus v¡cios. . . .

adir¡ravalhe verdadeiramente o talento e o car ter. Illidge sempre se apressava a esclarecˆ-las. t"das as suas excentricidades e absurdos encantadores s¢ eram poss¡veis gra‡as . o elogio e a admira‡ão eram permitidos a ˆle.. .. As outras pessoas nem sequer compreendiam que havia alguma coisa a perdoai.s propor‡ões verdadeiramente escandalosas de sua conta no banco. O riso. galanteria complicada e prolongada.. leitura. ..isto ‚: que a raiz de t"das as suas virtudes ‚ um bom emprˆgo de capital.isto ‚: por terem o bas tante para viver sem serem for‡ados a trabalhar e sem se preocuparem com dinheiro. porque compreendia e podia perdoar. segundo filidge. Depois. arte. outra condecora‡ão por poderem permitir-se o luxo de recusar gorjetas. . Que o mundo não percebesse isso.. . Porque essas virtudes.Se o Velho não fosse descendente de espoliadores de mosteiros costumava dizer aos elogiadores e admiradores -.. eis a razão pela qual ˆle as detestava tão particularmente. filidge.. E esta desaprova‡ão latente tornava-se aguda t"da vez que ouvia os outros elogiar Lorde Edward. E apesar de tudo filidge gostava sinceramente do Velho.criticou o homenzinho . no entanto. eram um produto tão fatal da riqueza como a sˆdc cr"nica e o pequeno almâ‡o das 11. a 5 por cento? A afei‡ão divertida que filidge sentia por Lorde Edward era temperada por uma contrariedade cr"nica que lhe vinha de pensar que t"das as virtudes intelectuais e morais do Velho.admira‡ão.Òsses burgueses . Por que não tˆm ˆles a franqueza de dizer abertamente o que estão constantemente dando a entender . E ainda outra por terem tempo de consagrar-se . .vivem a condecorar# 65 se m£tuamente por serem tão desinteressados . era perdo vel. estaria hoje num asilo de mendigos ou num hospital de alienados.. "Desagrad vel" era a palavra que geralmente se empregava para comentar o assistente de Lorde Edward. admir -lo ou mesmo rir dˆle. bem seguro. E mais uma por terem dinheiro bastante para comprar todo h aparato da cultura refinada.

Uma expressão de antipatia pelos homens de neg¢cios de cabe‡a s¢lida. . Não tinha mˆdo de ser l¢gico nem de 66 I ridicularizar o seu pr¢prio ¡dolo.Girinos assim‚tricos! Que . aos milhões dos Tantamounts.. Tentou mudar de assunto.Girinos assim‚tricos! . tinha de admitir que a ciˆncia pura.E os nossos girinos? . ciˆncia pura suscitava um coment rio ir"nico. Lorde Edward dirigiu-se para o tanque de vidro onde mantinham os esp‚cimes.repetia ˆle. . causa da justi‡a... de indiferen‡a pelos interˆsses materiais. . como cidadão dotado de consciˆncia de classe. como o bom g"sto -e o t‚dio. ..perguntou. a perversidade e o amor plat"nico. Nem mesmo o Velho era poupado.repetiu. . provocava uma referˆncia imediata. . mas sempre sarc stica.Mas o fato de ser desagrad vel aos ricos e de ach -los tamb‚m desagrad veis constitu¡a. Illidge o seguiu.. aos olhos de filidge.Os assim‚tricos. Havia dias (e aquŠle era um dˆles. sua classe. mas. Tinham uma ninhada de girinos sa¡dos de ovos que haviam sido conservados numa temperatura anormalmente quente dum lado e anormalmente fria de outro. mais ou menos velada.Eis o essencial. de simpatia pelos pobres. Illidge era um entusiasta da biologia.. ao futuro. Òle devia isso .. # O Velho olhou para o assistente com o ar de quem se sente culpado. por causa da escorregadela na escada e da descortesia do general) em que at‚ uma referˆncia . Aquelas censuras veladas causavam-lhe um certo mal-estar.. Ter dinheiro para pagar 1 . não s¢rnente um prazer mas tamb‚m um dever sagrado. Bastava-lhe exalar uma palavra em favor da alma (porque Lorde Edward tinha o que o seu assistente não podia considerar senão como uma paixão vergonhosa e ad£ltera pela metafisica idealista) para que Illidge logo saltasse sâbre ˆle com coment rios sarc sticos a respeito da filosofia capitalista e da religião burguesa. ‚ um produto da riqueza e do ¢cio. . sociedade em geral.

e a Sra. (N. o diretor do Literary World era uma mistura de vilão de cinema e dum * S¢sia.repetiu mais uma vez. que sabia tão bem fazer caricaturas com palavras como com o l pis. espessos e crespos. Betterton -. ‚ estranho que um grande artista possa ser tão c¡nico. uma personagem que se achasse situada ao lado da interlocutora . proeminentes.talvez o seu dem"nio familiar. Segundo o velho Bidlake. Burlap. Betterton gostava de ser edificada.requinte! Quase tãc bom como tocar Bach na flauta ou ser conhecedor de vinhos! Pensou no seu irmão Tom. f"r‡a de permanecerem na agua. Na companhia de Rurlap ela preferia acreditar que John Bidlake levava realmente a s‚rio tudo quanto tinha dito.acrescentou ela . Não estava olhando diretamente para a Sra.que Bidlake ‚ um grande artista.disse a Sra.Girinos assim‚tricos! . . Tinha cabelos escuros. Burlap meneou a cabe‡a num gesto lento de aprova‡ão. emitia pensamentos edificantes. Lembrou-se dos dias de lavagem em sua casa e da pele vermelha e enrugada. Betterton. mas mantinha os olhos desviados dela e voltados para baixo. para não mencionar as que tinha sâbre a arte. do E. dum Lot rio trapa- . Não menos edificantes eram as id‚ias dˆle s"bre a grandeza. . mas bem formados. pintor barroco. discorrendo sâbre o cinismo.Porque ‚ preciso admitir . o nariz e o queixo. como se estivesse a falar com alguma pequena personagem invis¡vel para todos menos para ˆle. amolecidas . Seus olhos cinzentos eram muito profundamente metidos nas ¢rbitas.. um pequeno DoppeIgd ger*. com uma tonsura natural do tamanho duma medalha. recortada em rosa na coroa da cabe‡a. bâca de l bios carnudos e um tanto larga. das mãos de sua mãe. curvado e um tanto desajeitado no andar.) # Santo Ant"nio de P dua feito por um. estranho .. uma emana‡ão de seu pr¢prio eu. que tinha os pulmões fracos e que trabalhava numa m quina de mandrilar em certa f brica de autom¢veis de Manchester. Burlap era um homem de estatura mediana. E p"s~se a rir.

exclamou a Sra. um grande artista -. "A lƒmpada não deve ser escondida debaixo dum alqueire. Betterton." A Sra. ruminando.Olhou para o rosto voltado de Burlap e o achou tão espiritual. Betterton o reconhecesse. s¢ Deus sabe por que ‚!" O diabo foi violentamente empurrado. Porque h mais experiˆncias espirituais do que corporais. .Precisamente por causa daquele cinismo. -. isso não apagaria a impressão pessoal que ˆle havia de lhe dar. . Betterton explodiu talvez um pouco prematuramente. Infinitamente mais! .‚ um homem que sintetiza tâda a experiˆncia. recitando~o. decidido j a despejar o artigo em cima da interlocutora. "Mas por que queres produzir-lhe impressão?". Menos da metade.concordou ˆle -. com um golpe de forcado. . absurdo negar uma ou outra classe de fatos. E no entanto temos consciˆncia dos fatos espirituais de maneira tão direta e indubit vel como temos consciˆncia dos fatos fisicos. Burlap tinha uma corsciencia permanente e exclusiva de sua pr¢pria importƒncia. mas não dos maiores. Mesmo que a Sra.continuou ˆle. especialmente para as pessoas de boa vontade. naturalmente! . .O aplauso da Sra." absurdo negar-me" -.disse o dem"nio familiar. a sua lealdade devia ser consolidada. O c¡nico come‡a por negar a metade dos fatos . Betterton estava do lado dos anjos. Falava lentamente.. o seu entusiasmo estava sempre em ebuli‡ão.o fato da alma. interviera um diabo brincalhão. explicou apressadamente um anjo.continuou Burlap em voz alta . preciso deixar que ela brilhe.Não dos maiores . o fato de Deus.Um grande artista .Quanta verdade h nisso! . para o lugar de onde viera.Quanta verdade! -.repetiu vagarosamente. -. .Como pode um c¡nico ser um grande artista? . como se falasse para dentro. o fato dos ideais. "Se não ‚ porque ela ‚ rica e te pode ser £til.Sim. tão belo no seu gˆnero .ceiro e dum devoto ext tico. T"da essa conversa‡ão era um di logo com o seu pr¢prio eu ou com aquˆle Doppelgãngerque ali se achava invisivelmente ao lado da pessoa com quem se supunha ˆle: estava conversando. ˆle tinha estado a escrever um artigo em târno dum tema de arte para o pr¢ximo n£mero do Literary World.. Ela juntou as mãos. Naturalmente. absurdo! O c¡nico se limita a uma s¢ metade da experiˆncia poss¡vel. Devia citar-se a si mesmo? pensou ˆle. "A gente tem as suas responsabilidades". . metendo a cabe‡a na realidade consciente de Burlap. enfrentando embora o risco de ela o reconhecer quando o visse impresso na tˆr‡a~feira seguinte. Casualmente.

"ela precisa de encorajamento. "Sim. dissera John Bidlake . que lembrava um Leonardo ou um Sodoma . Be'terton -. ou pelos menos t-.suspirou a Sra. uma luz nova e favor vel . então serias verdadeiramente um grande artista. . . costumava eu dizer-lhe. reinter# a pretando os argumentos de sua juventude a respeito do pr‚-rafaelismo.Mas ˆle sempre aplicou as suas for‡as a coisas pequenas.. Mas o que escreveram foi poesia muito pequena. o assunto não faz a obra de arte. €'Òle pintava". E Bidlake.No entanto.. quando o conheci.. exprimindo o seu assentimento num sorriso. .Tinha . de interior. Whittier e Longfellow estavam razo..algo de misterioso. eu dizia sempre a John Bidlake." O dem"nio piscou o âlho. por mais bem acabados que sejam. interrompendo-o. Havia algo no sorriso de Burlap. Òle tem todo o talento puro dos artistas mais consumados. .disse a Sra. Tem. Betterton. A gente tem a sua responsabilidade.Esta observa‡ão trazia impl¡cita a id‚ia de que fora a sua influˆncia que fizera ]3idlakc pintar tão bem. o faz. ali est Walter .e como ela tinha ficado chocada~ profundamente ofendida . .disse ˆle. Betterton. frase por frase -. e que obras em t"rno de assuntos pequenos.nha. nunca são tão boas como ."Considera Burnejones". .riam ente bem.apressou-se a acrescentar. Betterton. d‚le ".Mas os seus assuntos eram nobres.Quanta verdade! .fez a Sra.A lembran‡a da enorme risada rabelaisiana de John Bidlake repercutiu-lhe aos ouvidos. .A £nica generaliza‡ão que podemos arriscar ‚ que as maiores obras de arte tˆm tido grandes assuntos. ela est do lado dos anjos". expelindo o seu artigo lentamente.Isso foi o que eu sempre lhe disse . de sutil."como se nunca tivesse visto em t"da a sua vida um par de n degas." Burlap inclinou a cabe‡a. tome nota . . pensou.Olhe. Extr aord in . . "Se tu tivesses os sonhos . refletia a Sra.") . "se tu tivesses os ideais dˆle.. .Não que Burne-jones fosse particularmente um bom pintor .. sua pr¢pria reputa‡ão. concordo.velmente recheados de Grandes Pensamentos. - .O c¡nico pode tratar bem o seu tema limitado. O que ˆle sintetizou na sua arte era limitado. . relativamente sem importƒncia. .

Seria aquela a razão? Walter olhou Burlap.velmente calma. Betterton fez uma pausa.E por quˆ? Burlap Fez um esfor‡o e sorriu o seu sorriso . A gente nunca sabia que atitude devia assumir diante de Burlap.em sucessivas explosões entusi . Burlap estava dizendo coisas tão Profundas! E p"s-se a repetir as profundezas para proveito de Walter. naquela mesma manhã. Sodorna. perguntava a si mesmo por que a maneira de lap para com ˆle tinha sido tão fria. coisa caso ou gua por Walartigo corrigindo sticas tanto para o que havia de mau naquele homem.Est vamos justamente discutindo s"bre a grandeza na arte explicou a Sra.com base na reprodu‡ão verbal de Burlap.protestou ela. O rosto dˆste tinha uma impassibilidade de pedra. Est -se demais com o mundo . Uma luz alvoreceu. hostil mo.Acho que devo retirar-me .. Mas a Sra. a emo‡ão flu¡a sempre. ainda mais penosa..bom Deus! E Burlap! For‡ou um sorriso. Betterton continuou com a sua exposi‡ão das profundezas. Raras vˆzes havia intervalos de agrad.cenas de hostilidade ou. . tão distante. Òste. . . 69 mesEra # odiava.disse Burlap abruptamente. ˆle estivera para a impressão. Mas que corria ela. Num noutro.Mas não . A mar‚ estava sempre em movimento. cenas de afei‡ão. Betterton. Walter voltou-se. na opinião de Walter. . A Betterton .disse ˆle. agora. Ou bem ˆle amava ou bem A vida com ˆle era uma s‚rie de cenas .. ter as achava curiosamente an logas a certos par grafos daquele de Burlap cujas provas. para o lado da hostilidade? A Sra. tão fechada.O Sr. Reproduzido .Bur- Errando como uma alma penada. Walter! Ao som do seu nome. numa cita‡ão misteriosa 1 i . enquanto isso. quando a Sra. Betterton e o seu colega do Literary World eram as £ltimas pessoas no mundo que ˆle desejava ver naquele momento. .. o artigo parecia um rid¡culo.

Walter de quˆ? .Algumas de suas id‚ias são de primeira ordem .Gostava de dizer coisas misteriosas: deixava-as cair de surprˆsa no meio da conversa‡ão. Queria mal aos filhos pelo fato de terem crescido. Como hei de dizer? Na qualidade espiritual do homem..Ao cabo de algum tempo fico prˆsa de pƒnico. A qualidade espiritual de Burlap era justamente o que não lhe despertava l muito entusiasmo.continuou a Sra. . . Eu me poria a dar gritos se ficasse.Deve ser uma coisa maravilhosa para ti trabalhar com ˆle. nascera apenas ontem. devia agora ter 25 anos. . pai e filho tomavam a encontrar-se. rumo do abismo das trevas.exclamou a Sra.adulou a Sra. o velho Bidlake não revelou muito interˆsse. crescendo. . duma maneira muito vaga. Tenho a sensa‡ão de que ˆles me esmagam mortalmente a alma. Ali estava Walter. .disse Walter.. No entanto. Burlap ‚ um o sis no deserto da frivolidade t"la e do cinismo.O teu Walter.disse Lady Edward. Estava a perguntar a si mesmo qual seria o m¡nimo de tempo que precisaria para empreender uma fuga decente.Mas eu est-ava pensando napersonalidade dˆle.Mas tu nunca est s bastante conosco . . para tr s.Li esti o Walter . cauteloso.perguntou Bidiake. . o patife! .um bom chefe de reda‡ão . . Walter Rez um aceno afirmativo com a cabe‡a e disse: "Sim". Betterton.concordou Walter.Ali! O meu . Betterton -. 70 . . . Que homem admir vel! . Foi-se. ˆles o empurravam para o passado. .Erva daninha 1 .explicou ˆle. ano ap¢s ano. . Levados pelas correntes mundanas. Betterton antes que Burlap estivesse fora do alcance de sua vez.disse ˆle. mas seguiu a dire‡ão do # e olhar da interlocutora.Numa ‚poca como a nossa .a multidão .

Pois eu vi.s aproxima‡ões diretas e pessoais: era dolorosamente t¡mido.a voz do velho subiu de nâvo a um falsete de bebˆ: . Tenho outro exemplar que hei de tornar a ler para ter o prazer de acompanh -la. Desatou a fita e examinou-as unia por uma. . não est l com muito boa aparˆncia. . mesmo a distƒncia. Como uma suave donzelinha inocente. não. Interrompeu a imita‡ão com a sua risada profunda. envio-lhe num inv¢lucro separado o volume das Cartas de Keats de que lhe falei hoje. .protestou Bidlake. quando ˆle j lhe havia escrito muitas vˆzes. .Não." . Marjorie leu-a de princ¡pio a fim e recapturou na mem¢ria um pouco da surprˆsa agrad vel que aquela frase sâbre a aventura espiritual evocara nela originalmente.Como? Vulgar~ . E tão s‚ria..disse Bidlake. Não se dˆ o trabalho de mo devolver. horrorosa. Eu gostaria que fosse . terrivelmente requintada. . Marjorie acostu# 71 I i . T"das as cartas de Walter.Bidlake tornou a soltar uma risada hom‚rica. Na conversa‡ão Walter tinha sempre parecido esquivar-se ." Era a primeira. E fala assim.Que imbecil! E tem um nariz de pelo menos 10 cent¡metros de comprimento! Marjorie tinha aberto a caixa em que guardava os seus pap‚is particulares. "Prezada Sra.Nunca via mulher. Ela não esperara do rapaz uma carta como aquela. que era a imita‡ão da voz de Marjorie. Ela disse . . .Pobre Walter.Parece que tem bichas ."Penso que h lugar para Fra Ang‚lico e para Rubens. pe‡o-lhe. Carling.Como vai aquˆle lament vel caso dˆle? BidIake encolheu os ombros. . .requintada. . suponho.Como de costume.Aqui o velho come‡ou a falar num falsete arrastado. na mesma aventura espiritual. feroz..Sabes o que ela me disse uma vez? Devo explicar que ela sempre me fala a respeito de te. Mais tarde. não. .Ar- . Arte com A mai£sculo. tão superior. .

Mas t"das estas qualidades põem a cabe‡a para fora da concha.. Era horr¡vel. A pobre Marjorie não estava acostumada a ter pessoas que se interessassem por ela.. Carling. Supunha que Walter fâsse mais afoito com todo fazia a dispo* pena do que frente a frente. pensava e sentia. da tua do‡ura e da tua inteligˆncia. Sentiu um calafrio lembrando-se de . "Esfinge". no tempo em que ˆle lhe c"rte. por que te escondes dentro de tua concha de silˆncio? Dir-se-ia que tens vergonha da tua bondade. Um curso de paixão por correspondˆncia era. tão terno e gentil! E agora.. E depois o rapaz se mostrava interessado duma maneira tão profunda e lisonjeira em tudo quanto ela fazia. "O amor". " Sim.s suas singularidades. leu ela na carta seguinte. Walter tinha." As l grimas brotaram nos olhos de Marjorie. lhe daria nomes menos po‚ticos. Gostava da id‚ia do amor. lera ela na terceira das cartas de Walter. não gostava era de amantes.. Melhor ainda seria ter rela‡ões pessoais com mulheres. Walter tinha sido tão bondoso para com ela. era mais ou menos ardente . com a vantagem de estarem efetivamente presentes. "o amor pode transformar o desejo f¡sico em desejo espiritual. Todos os homens tinham. (Òle lhe chamara "esfinge" por causa de seus silˆncios enigm ticos. com o olhar turvo de l grimas. Tamb‚m ˆle. Podem ficar num quarto com a pessoa amada e no entanto não exigem dela nada mais do que exige um homem que est na outra extremidade de um sistema de correios. . ˆle tem o poder m gico de converter o corpo em pura alma.pelo menos * amor que era exprimido. porque as mulheres tˆm t"das as boas qualidades que os homens s¢ apresentam a distƒncia.estava em suas cartas. Todo o amor do jovem . Com a sua timidez e com a sua liberdade e ardor epistolares. para ela. Aquela si‡ão convinha perfeitamente a Marjorie. ˆle tivera aquˆles desejos tamb‚m. a forma perfeita e ideal das rela‡ões entre mulher e homem.. pela mesma razão.mou-se . supunha ela. aos olhos de Marjorie. exceto a distƒncia e em imagina‡ão. Gostaria de continuar indefinidamente a cultivar um amor refinado e ardente pelo correio.) "Esfinge. malgrado teu. e todo o que. parecido reunir as melhores vantagens de ambos os sexos. ..

. mesmo Walter. o verdadeiro Walter. . lembrando-se mesmo de Walter. . Era uma considera‡ão.Como pode ˆle ser assim de um modo tão decidido? Òle. quando ela raiava pela fraqueza. a despeito de ser ˆle um homem que abrigava "aqu‚ies" desejos. Estava sempre pronto a sacrificar os seus pr¢prios direitos.Como ‚ que ˆle pode ser tão cruel? . ˆle se tivesse transformado noutra pessoa.Carling. Era o que tornava ainda mais extraordin ria a sua atitude atual. Marjorie chegara a arnar at‚ as manifesta‡ões -pouco admir veis dessa suavidade de temperamento. Sim. com um pouco do mesmo horWalror. sua devo‡ão era t"da para aquˆle Walter atencioso.perguntava Marjorie a si mesma. compreendera Marjorie. numa esp‚cie de animal selvagem. era tão gentil e tão cheio de compreensão e deli‡adezas. consentia muitas vˆzes em ser injusto para consigo mesmo. tão bom! F"ra por causa daquela bondade e daquela gentileza 72 # que ela o amara. A sua sensibilidade era exageradamente viva no compreender o ponto de vista alheio. preferivelmente a correr o menor risco de infringir os direitos do pr¢ximo. ter compreendera o que ela sentia. tinha amado Walter mesmo quando ‚le se deixava roubar pelos choferes de t xi e pelos carregadores de bagagens. Era como se. Walter9 O seu Walter. era tão maravilhosamente despido de ego¡smo. com t"das as crueldades e com todos os apetites animais. que se transformara em fraqueza. s£bitamente. embora tivesse sido tão gentil e atencioso. que estava a ponto de se tornar um v¡cio. Na sua ansiedade de ser justo para com os outros. quando ˆle dava mancheias de dinheiro a vagabundos que lhe contavam hist¢rias manifestamente falsas a respeito de empregos na outra extremidade do pa¡s e da necessidade de arranjar dinheiro para o transporte. temo e altru¡sta que ela havia conhecido e admirado depois que tinham come‡ado a morar juntos.

por exemplo.. que se devia .Marjorie levantou o livro de contas com o qual se achava ocupada quando a conversa‡ão come‡ara. mas tamb‚m os da companheira. pre‡os das verduras 1 Walter corara s£bitamente e deixara o compartimento sem dizer palavra. e ao mesmo passo que estava sendo cruel para consigo mesmo. . . -E mesmo que estivesse. . Walter nunca tinha sido deliberadamente cruel para com ela.quele desejo melindroso de fugir a qualquer conflito.Não estou sendo explorado.Burlap est te explorando. Walter sempre tinha desculpas para as negligˆncias dos outros em rela‡ão a ˆle.considera‡ão.Mas por que te deixas explorar? .semelhantes a muitos Outros. . Apesar de tudo ela o amava por isso. ..meu! . por um excesso de considera‡ão para com os outros.Se tu soubesses dos # 73 1 o apenas por engano. Pelo fato de ter chegado a olhar Marjorie como um ser que estava aqu‚m do limite que o separava doresto do mundo. A conversa‡ao e o incidente eram t¡picos . . Walter tinha algumas vˆzes. este caso s¢ diz respeito a mim: ‚ um assunto Meu.. e tamb‚m a todo o contato desagrad vel. para ˆle o mais odioso de todos. fora. al‚m disso. eu preferia continuar assim a regatear a minha libra de carne. . sacrificado não s¢ os seus pr¢prios direitos. a exaspera‡ão de um homem que sabe que est em ˆrro.Havia uma nota de exaspera‡ão na voz dˆle.Mas ojornal ‚ muito pobre. Marjor¡e lhe objetara que ˆle estava sendo mal pago pelo trabalho que Fazia no Liferary World! Marjorie pensou na £ltima das conversa‡oes que tinham tido a respeito de um assunto. amava-O mesmo quando ˆsses sentimentos o levavam a trat -la de uma maneira menos justa. sua timidez.. em sua excessiva deferˆncia para com os direitos dos outros. No finn de contas. Walter . Quantas vˆzes.dissera-lhe ela.

. . reencetando a conversa‡ão no ponto em que fora interrompida. outro que. "Deve ter sido aquˆle caviar".. . .John Bidiake falava num tom de voz melanc¢lico.Obrigado! . agora não havia da de acidental na crueldade dˆle. . Elas provavam o quão naestreitamente ˆle estava associado a ela. Como estava se sentindo mal! . agora.Pobre Walter! . O Walter gentil e atencioso tinha desaparecido para dar lugar a outro .Mas que ‚ que a gente pode achar em outra pessoa? -.. Sempre depois de comer. Mudou de assunto.Exceto as pessoas presentes .E Elinor? Quando ‚ que a tua Elinor estar de volta? Elinor e Quarles? .Nestes assuntos . todos somos igualmente loucos. pensava Bidlake. .disse. uma sensa‡ão de n usea.Eu s¢ queria saber o que Walter poderia ter achado nela. .Não reparas se eu me sento? Ficar todo ˆsse tempo por a¡ de p‚.Deixam Bombaim amanhã . fazendo uma tentativa para ser galante: .respondeu John Bidlake em estilo telegr fico. Lady Edward pâs-se a rir.disse o ." E odiou violentamente o caviar. a estava fazendo sofrer. Lady Edward olhou para ˆle com uma certa solicitude. doen‡a ou . -. se a mulher ‚ tão deplor vel como tu a descreves. Mas.disse Lady Edward. 74 CAP€TULO VI . £ltimamente isso acontecia com freqˆncia. "Aquˆle maldito caviar. de uma maneira deliberada. fraqueza fisica.acrescentou -. rindo. puramente por engano. uma tendˆncia para o solu‡o.outro que era implac vel e cheio de ¢dio -.Marjorie não lhe queria mal por aquelas injusti‡as. com um sorriso e uma ligeira mesura. Sabia o quanto Bidlake detestava qualquer referˆncia .. .E Šle tem tanto talento! John Bidlake bufou com desd‚m. desta vez. masnadadisse. idade. . Lady Edward percebeu que tinha dito o que não devia .. O bicarbonato não parecia fazer-lhe l muito bem. E o velho Bidlake.flez Lady Edward. Estava demasiadamente ocupado a pensar no caviar e nas suas sensa‡ões viscerais para poder dar uma resposta mais expl¡cita... Abafou um nâvo solu‡o. Uma opressão no est"mago. Em cada estuijão do mar Negro ˆle tinha agora um inimigo pessoal.Os indianos bebˆram o seu liberalismo nas vossas fontes . Deixou-se cair pesadamente s"bre: uma cadeira.por engano. Bruscamente come‡ara a sentir-se doente.

Sita Ram.disse o Sr. Apontou para Philip Quarles um dedo acusador..Tu sabes o quanto detesto ˆsses bichos. -desagrad vel ser interrompido no meio de uma perora‡ão. fauna tropical. 75 # .Sapo não faz mal a ningu‚m . O Nu rosto exprimia a agonia interior. minha querida . Havia (e a palavra verdadeira. .continuou o Sr. Elinor deixara o seu intato. Uma das g¢tas estava pendurada. Mas sabia esconder ‚sse sentimento com estoicismo. luz das lƒmpadas.A voz de Elinor Quarles tinha despedido um grito agudo de alarma. acostumado . como se algu‚m deixasse cair repetidamente uma esponja £mida no chão. Fulgia e tremia enquanto o homem falava.baques moles. Milton e Macaulay . .perguntou o hindu em tom de aborrecimento. como uma j¢ia iridescente . E o olhar com que ˆle lhe respondeu foi de desaprova‡ão. dir-se-ia que ˆle estava pranteando a Mãe india. Sita Ram sonoramente -. .Com efeito. na ta de seu nariz. ... como se ~se tamb‚m agitada por sentimentos patri¢ticos. conseguira comˆ-lo. plenamente expressiva. depois do primeiro bocado. Acontecia o mesmo com a alimenta‡ão. Sita Ram. Elinor lan‡ou para o marido um olhar de s£plica. Sita Ram.de # Sr. aos pulos. As gâtas pon- Wor escorriam uma ap¢s a outra ao longo de suas bochechas pardas e f~as. .. Apesar disto. Ela se ergueu tão s£bitamente que sua cadeira caiu para tr s.. Elinor estendeu o bra‡o. olhem! -.. ocorria-lhe agora) Uma qualidade "sapal "no peixe que tinham comido. Ôle Pr¢prio tinha forte antipatia aos animais viscosos. . Houve um momento em que ˆsses sentimentos se mostraram demasiadamente fortes para ela.Não ser inc"modo para ti p"-lo para fora? ..murmurou ela. Dentro do silˆncio os seus movimentos eram aud¡veis .Que ‚ que h ? .protestou Philip Quarles. A palavra "fonte" a gotinha pendente teve uma derradeira convulsão violenta e caiu entre os bocados de peixe partidos do prato do Sr. laboriosamente.Oh. mostrando um sapo cinzento muito grande que tratava de atravessar a varanda. citando um de seus pr¢prios discursos na Assembl‚ia Legislativa. .Burke e Bacon .

Sita Ram. Estendendo o para fora. duzia.H algumas frases boas -. Mas o primeiro arroubo admir vel e despreocupado do Sr. Mas dificilmente se poderia esperar que o Sr. . Sita Ram .Para que servem mesmo? Quatro ou cinco criados desalinhados surgiram do interior da casa e trocaram a lou‡a.Estive relendo hoje algumas das obras de Morley . a fim de lhe assegurar que nunca comia carne. Philip enxugou o rosto e tomou a sentar-se . Sita Ram apanhasse a significa‡ão completa daquele "Papagaio!" -.Sem d£vida.Procurou nos bolsos. Elinor lan‡ou um olhar desesperado ao marido e depois se voltou para o Sr. era natural. medida que a noite avan‡ava. de empregar propositadamente tˆrmos da g¡ria escolar...Como o senhor dizia. Philip.. O sapo tombou sonoramente no jardim..Eu as anotei. Isso pro-1.. Bebˆram o cham- ..anunciou ˆle. Mas aquela obscuridade sufocante . Sr..Não faz mal. muito alto e esbelto. Fazia um calor enorme. . .Papagaio? .O marido p"s-se a rir. As vˆzes lemos todo um j li- vro sem achar uma simples frase de que nos possamos lembrar para fazer uma cita‡ão.continuou o hindu. . que gostava. de vez em quando. Sita Ram. e atravessou a varanda a manquejar. conduziu o animal at‚ a beira plataforma. . comendo est¢icamente. . . eu lhe pergunto? .. Mas eram boas frases.prosseguiu o Sr. Nem uma f"lha se movia. um calor parecia ir aumentando . . Depois de pedir desculpas ao Sr. mas não conseguiu achar o livro de notas. mesa. Para que servem livros assim. O calor sob o tolerava-se. Com da olhar das conque sol a ponta de sua pesada botina ortop‚dica. aprovou a sabedoria da mulher.exclamou Philip Quarles.Que pensador! . ergueu-se. sempre o seu efeito no meio de uma conversa‡ao seria. Sita Ram se evaporara.. . Apareceu um prato de croquetes de aparˆncia duvidosa.Que grande pensador! E seu estilo ‚ tão puro . A lua tinha subido e a folhagem tufada se recortava negra fra o c‚u. Philip vislumbrou o mar.. . Sita Ram. que brilhava por entre as estipes palmeiras. .

Significava algo muito dif‚rente agora que ˆle estava prestes a deix -lo. ao mesmo tempo viscosa e granu a. no futi de contas. Aquelas descri‡ões de fam¡lias enormes lhe davam c&1~ Lembrava-se de quanto tinha sofrido quando lhe nascera o pequeno Phil. Sob a influˆncia do champanha.disse Šle . O chefe da esta‡ão de Ilhowanipore. o Sr. e cujo gos o e gor ura e carneiro persistia raves a do‡ura. . Sita Rarri recobrou a eloqˆncia. Seu £ltimo discurso foi pronunciado uma segunda vez. Sita Ram? perguntou Elinor. Mas Philip recusou-se a consider -lo.disse Phi# w O Sr.. Estremeceu. tanto mais violenta quanto era impotente. tinha uma rolha de servi‡os sem mancha e nove filhos. pensava que a £nica esperan‡a era o sufr gio universal e a autonomia. Sita Ram não lhe deu aten‡ão. Elinor ouvira falar nos m‚todos das parteiras indianas. E.e outra para os hindus. 76 . Ao passo que. que ˆle j não controUva.Sou levado a crer que tenha mudado de significa‡ão . Continuou c‚m a hist¢ria do chefe de .bolas grandes e p lidas (muito manuseadas. Estava cheio de uma indigna‡ão sagrada.Considere o caso . estava. tremia) .panha doce.. -.. Sita Ram. .Não ‚ acaso a £nica esperan‡a para a ¡ndia? O Sr.se vendo. Estava'a pensar na maneira como a palavra "justi‡a" muda de significa‡ão. As alm"ndegas foram seguidas por doces . Ajusti‡a para a ¡ndia signific&va uma coisa antes de ˆle visitar o pa¡s. de alguma substƒncia equ¡voca. prolongada e carinhosamente roladas entre as palmas das mãos).prosseguiu (e sua voz. Sr.usti‡a" ou desapareceu do vosso vocabul rio ou então mudou de significa‡ão. pelo visto. A palavra ". que estava quase tão quente como o ch .a mulher do chefe da esta‡ão de ffiowanipore. no entanto. .H uma lei para os inglˆses . ela tinha tido clorof¢rmio e duas enfermeiras e Sir Claude Aglet. uma para os opressores e outra para os oprimidos.daquele desgra‡ado chefe de esta‡ão de Bhowanipore.Mas por que não lhes ensinam a limitar a natalidade.

"Talvez seja. Quatro vˆzes. O homem tinha passado em todos os exames com ˆxito. e sempre em favor de europeus ou de mesti‡os. subiram para o autom¢vel que os esperava e se foram.sapateiam. sâbre as suas pacientes. era apenas escritor de romances. Finalmente. cujo tom de voz # tornava bem claro que ˆle não gostava de Daulat Singh. Sita Ram. empregam uma pasta feita de estrume de vaca e de vidro mo¡do. Òle se lembrou daquele rosto velho e negro. O sangue do Sr.O senhor chama a isso justi‡a? . . de espiritualidade hindu.Pareceu-me uma excelente pessoa . cinicamente espezinhados.segundo ouvira dizer .Isto ‚justi‡a. as parteiras ." Elinor estava ainda pensando nos nove filhos.O senhor devia escrever a respeito do assunto .Conhece o velho Daulat Singh? Aquˆle que mora em Ajmere? . Philip se desculpava. e não pol¡tico Ou jornalista. E. pensou Philip) não tinha deixado boa impressao nˆle. Sita Ram. Chegou a hora da partida. E.Devia desmascarar o escƒndalo.sugeriu o Sr. numa inconseqˆncia aparente.Bateu na mesa. devaneava Philip.disse o Sr. na pessoa do chefe da esta‡ão de Ilhowanipore.Não. E. Compreendendo que se esperava dˆle alguma resposta. no entanto. de superioridade moral hindu. "Quem sabe?". Philip sacudiu a cabe‡a e disse: . . . . Sob as palmeiras de Joohoo o solo estava crivado de moedas . Sita Ram. ajuntou: .repetia o Sr.esta‡io. Despcdirain-se com uma cordialidade quase excessiva. pelos inglˆses. por quatro vˆzes deixara de ser promovido.disse PhiIip.J encontrei ˆsse homem . Sita Ram ou para o chefe da esta‡ão de Bhowanipore. . em vez de ergotina. Para homens como Daulat Singh a justi‡a devia significar alguma coisa muito diferente do que significava para o Sr. Se ao menos o homem se pudesse abster de mascar b‚tel. os seus t¡tulos eram os melhores poss¡veis. pergunto? . . dos olhos brilhantes e da paixão contida de suas palavras. ou que talvez (mais provilvelmente. Sita Ram fervia quando ˆle pensava nos 5 O00 anos de civiliza‡ão hindu. . Para conseguir um parto r pido.

salpicado de po‡as de merc£rio. o progresso e o futuro? A verdade ‚ que nada disso me importa. O resultado disso se pode ver em Burlap. 110h . mas tão grande como o imp‚rio russo. Variando na razão direta do produto das massas e na razão inversa do quadrado das distƒncias. Òles rolavam atrav‚s de uma cintila‡ão trˆmula e cont¡nua de luz e de sombra . A semente que caiu em terra m . Nem um tiquinho. exceto para ocasiões especiais. a justi‡a. .de prata refulgente. não vale a pena fingir ser o que não somos. a liberdade. Impressionamme f cilmente. seria bom saber o que ‚ a gente acreditar em alguma coisa at‚ o ponto de ficar disposto a matar ou morrer. na ponta do bra‡o. Pequena como 1 florim. Não creio que existam hip¢critas conscientes. pestanejando diante daquele fulgor redondo. Eu s¢ queria saber como ser ˆsse barco italiano que vamos tomar amanhã. fazia exerc¡cios de respira‡ão e tentava convencer-me de que eu realmente não existia! Que asneira! Era o resul~ tado das palestras com aquˆle idiota do Burlap.. " Elinor tinha erguido o rosto para o mesmo disco brilhante. pensou Philip. triforme H‚cate!". . Lua. como um barco deixa a sua marca na gua. Inclusive a si mesmo. de Daulat Singh e do chefe de esta‡ão? E a velha ¡ndia lament vel.o cinema de h vinte anos atr s -. emergindo de baixo das palmeiras. mas não devemos ter vergonha da pr¢pria indiferen‡a? Aquela par bola do semeador. a tifatina. positivamente. E no entanto. Mas a gua torna a se fechar. 'Felizmente'. suponho. at‚ que. eu disse. Mas felizmente os outros não deixam em mim uma impressão muito duradoura. acharam-se em pleno clarão de uma lua enorme. vergonhoso. Que comediante! Mas ˆle ilude uma por‡ão de gente. São milhares.. As mar‚s. Não ‚ poss¡vel continuar representando um mesmo papel sempre e sempre. Europa outra vez! E pensar que houve um tempo em que eu lia livros a respeito da ioga. E as formas de H‚cate não são trˆs. Seria uma grande experiˆncia. A deusa nemorense. Que conf"rto estar de volta . "Mas que dizer de Sita Ram. De qualquer modo. são milhões. Maior do que a ¡ndia. lua 78 . Todos os barcos do LJoyd Triestino tˆm a reputa‡ão de serem bons. Mas não me importa.

s"bre o jardim de Hertfordshire. Mas estava irritado por ter sido interrompido.. xou os olhos e voltou-se para o marido.Eu formulo uma pergunta simples . ‚ tamb‚m uma humilha‡ão. Elinor. E tu me respondes com a queixa de que eu não te amo. Lembras- # vin- te.. desejando meramente saber o que querias dizer. . Depois do primeiro momento. naquele momento.Bai- cheia. tomou-lhe da mão e se apoiou ~amente contra ˆle. não gostava de que o censurassem. Não consigo perceber a rela‡ão l¢gica entre uma coisa e outra.perguntou. e com aquela voz incolor e sem inflexão do homem que responde a um chamado teler"nico importuno. ‚ verdade. . ‚ como se eu fosse uma pe‡a da mob¡lia. . Tu não me tens mais amor. pondo na voz um espanto exagerado. nio se sentia interessado. na casa da mãe dela. falando como que do fundo de abismos.. de que ‚ que est s falando? . Com¢ se f"sse poss¡vel estar-lhe falando de noites outras que não aquelas maravilhosas noites de verão que ambos tinham passado. que noites? .Nem sequer tomas o menor nterˆsse por mim. em Gattenden. emergindo das profimdezas do seu devaneio. Ao som dessa voz de telefone Elinor se afastou vivamente do marido. . agora. . e era forte a tenta‡ão de se sentir vitorioso num torneio orat¢rio com a espâsa. Podia ter dito isso. de resto. .Por que não me amas mais? .continuou ˆle -. logo ap¢s o casamento..quela lua que brilhara.disse Elinor. havia oito anos.perguntou Philip.Mas tu sabes perfeitamente bem do que eu estava falando . Teria facilitado a reconcilia‡ão. quando j tivera tempo de vir . tinha ligado a lua da ¡ndia .E. Na verdade. . superficie. muito menos do queum livro..perguntou Elinor com desespˆro. Conchegar-se a gente a algu‚m cujos pensamentos estão longe não ‚ s ¢ decepcionante. porlassim dizer.Mas. naturalmente. ˆle conseguira entender o que a mulher queria dizer..Que noites? .. Philip despertou com relutƒncia. Phil? As palavras de Elinor chegaram aos ouvidos do escritor como que das duma grande distƒncia e de um mundo pelo qual.Lembras-te daquelas noites? No jardim. E instantƒneamente ela trasladou-se no tempo e no espa‡o. ..

.citarnente subentendidas. Tu me amas tão ~~O em que me arriavas verdadeiramente nada signie~ o.~. o contato de ~i ~44 A odo . como um pequeno S¢crates. Sempre h ~~51 1~ pr para a esperan‡a. questão. mais preIi~N pente "aquelas noites" e f icaste esperando que eu te referias. com o seu question rio.. . bem que em vão. Mas Elinor estava mais interessada no amor do que na l¢gica. tenho. como ˆle sabia) no dom¡nio da dial‚tica.'0estejarn t.. eu sei que não queres dizer que não me amas . E fere mais porque dura mais tempo. . a lua que subia.Mas acontece que tenho. Enquanto as palavras ~~ciadas de modo definitivo. sˆ.. Mas tu me feririas menos se me dissesses tudo redondamente.. pa -protestou Philip -. h sempre uma possi~0o quando sabemos que elas estavam subenten. .Mas o que eu realmente quero saber ‚ como chegamos a igo ponto. em t"rno de cada detalhe precioso da f‚li- . ‚ mais cruel. Plifi.`o ‚ mais gentil fugir . . fiquei. Não queres ferir os meus sentimentos.~. ~ ~ questão. Porque esta esquivan‡a vale jissao nua. k~VorOso. Principiamos com noites e agora.. e. e os dois grii . eu Posso esquecer aquelas noites? com as suas flores invisiveis e perfumadas. sim .interrompeucla. ainda escaramu‡ando (se. espera.relembrou com a precisão minuciosa de €NV e reconstruir o passado.Pelo menos em palavras. os seus beijos. Tu nem mesmo te o nos casamos.. Tu terias sabido se isso ~M ( pouco. prosseguiu. ~'. ˆle lhe tinha dito. E onde h esperan‡a h ~. 1. Por que haveria de fugir.volveu Philip. uma vez que ~COmo ‚ que me amas? Não ‚ da maneira como /~I Ou talvez tenhas esquecido. a repeti‡ão da dor. por favor. ~(ii s¢bre o relvado. Tu devias saber. de quem sempre anda ~~ . Eis de que me queixo. em vez 79 # o de como fazes agora. partindo do lugar em que come‡amos. a ~[ ~1~~ ~1.0eritidade do Muro baixo do terra‡o onde os dois € 1 wi( ~'4V~0.Oli.

em sua inexperiˆncia. Ela sentia agora um prazer perverso em rebaixar retrospectivamente a sua felicidade. Elinor as negava. A sua alma. numa Para ela. o jardim sombrio e perfumado. ~. rejeitava a felicidade que elas . A lua. Sempre. inteiramente. com um abandono total. Tens o teu traba r uP Jo. aconteceu que eu estava 1 ~fN k i . as intimidades de seu ser . €ir q. ~N i~ -' g de ti.. nem mesmo no princ¡pio. Eis o meu i~ ~ra t. Nunca a quisera p~amente.0 eu pel ‡ intelecto e pelo teu talento. Elinor fora feliz então ._.\~ J~ . ~~ oJ iam in outras coisas em que pensar.ˆle lhas recusara sempre. Mas Iti~ii`Penhuma defesa contra os meus sentimentos. Philip ~itara o que ela lhe dava.1. simbolizavam em sua mernoria. k . itOs momentos de sua vida atual. por sua vez. E sou eu que necessito de defesa e de # a f~* que chereragio. pensava ela. kuil oplesmente no teu esp¡rito . Não. tudo. Òle nunca gwa a am -la de verdade. as tuas id‚ias. i~ hei eu de te arriar tanto? Por quˆ? Não ‚ justo. lhe oferecera tudo. Porque sou eu que amo de verdade. mesmo no princ¡pio.~J -4. No fun de contas.s suas perguntas.. mesmo quando mais a amava. que te servem de escudo. com impaciˆnq O gue a gente não pode reajustar instantƒneamente q %~o fio Primeiro inomento. que o amor podia ser diferente e melhor... Porque mesmo no ~pio Phil tinha fugido . Tu não amas. Não existe nada contra precises ser protegido. a grande rvore negra e a sua sombra veludosa sâbre a relva. Elinor. o me lembro .ajuntou ela. porque não tinha compreendido. em devastar as suas lembran‡as. não ‚ justo.redargiu Philip. tinha recusado entregar-se completamente a ela.mas £nicamente porque tinha sido suficientemente ingˆnua para ser feliz.eisaquestão. aquelas noites eram ainda mais reais. '11kor o. mas sem retribuir. tinha sido sempre assim. não ‚justo. .

inclusive as emo‡ões que não era capaz de sentir e os instintos pelos quais tinha o cuidado de se não deixar levar. Realmente não havia nada gria dizer. quando Philip lhe falara do livro de Koehler s"bre os maca- . não dizia nada..repetia ˆle constantemente -. . .. um riso entrecortado de solu‡os. Fam esfor‡os tão grandes . beijou-lhe a testa e as p lpebras trˆmulas.Amo-te muito. que podia entender tudo. e finalmente com sua inteligˆncia . pensava ela. quase instantƒnearn ente..Tu me amas um pouquinho? .Philip Quarles.. .Minha querida--. ela os possu¡ra.. Elinor deixou-se consolar. Os habitantes dum mundo mental tão afastado do mundo de Philip e Elinor como as estrˆlas espreitavam de dentro de suas rechinantes carrˆtas de bois o casal que passava veloz num relƒmpago. ‚ verdade.f bricas e pequenas cabanas e enormes habita‡ões-fantasmas uma brancura de ossadas sob o luar. não podiam ser negados. entrementes.... Foram dela. que estavam £midas de l mas. ub¡qua. Pedestres pardos e de pernas de finas apareciam por um momento ao clarão dos far¢is. # RI sas tentativas de conseguir uma intimidade ernocional. s muito gentil. cheia de compreensão. Os s¢rdidos arrabaldes de Bombaim passavam deslizando ao lado dˆles . .S margens da estrada. para desaparecerem outra vez. Um dia. Ela chegou a rir. dentro de vazio das trevas exteriores. Cingiu com o bra‡o o corpo da esp"sa e puxou-a contra si. Aqui -C ali. aquˆles dias de Gattenden tinham sido verdadeiramente cheios de felicidade. mas no fim de contas ainda era um riso . como verdades apreen~ didas por intui‡ão e com uma certeza imediata. o lume duma fogueira sugeria mistei:jsamente a existˆncia de membros e rostos sombrios.E depois de tudo.aquela inteligˆncia r pida.Fazes o poss¡vel para ser gentil comigo. . minha querida.

inconscientemente. Elinor agia tamb‚m direta e pessoalmente como int‚rprete entre Philip e os terceiros com quem ˆle talvez desejasse entrar ern contato. aos olhos de Elinor. bem no limite. ligava-o a outras experiˆncias. Entregue a si mesmo. uma vez estabelecido. era divertido servir de dragornano. Est s em equil¡brio inst vel. criando a £nica atinosfera prop¡cia ao intercƒmbio de personalidades e preservando a coriversa‡ão contra o dessecamento intelectual. A £nica diferen‡a est em que ˆles procuram elevar-se ao pensamento com suas sensa‡ões e instintos. Philip voltava a ser indisfar‡adamente o superhornem. ˆle compreendia e simpatizava por meio da inteligˆncia. confirmado uma teoria ou servido de exemplo a alguma generaliza‡ão interessante. meu pobre Phil. Elinor se admirava de ver que ela pr¢pria e suas amigas tirilham.divertido. O simples e o individual se tornavam nas mãos dˆle parte de um sistema. Elinor lhe dissera: . Nas geineraliza‡ões a que ˆle se entregava ap¢s as experiˆncias que a esp"sa lhe tornara poss¡veis. Elinor fazia-1lhe o relat¢rio de seu conv¡vio com os naturais do dom¡nio da emo‡ão. Mas era algo mais dc> que . classificava-o. e Philip compreendia imediatamente. Havia os livros dˆle a considerar.Tu ‚s como um rracaco do lado super-homem da humanidade. Suas fun‡ões de dragornano não se limitavam apenas aos reconhecimentos e -aos relat¢rios. um dever. (Era menos divertido quando ela tinha de se interpretar a si mesma. como os pobres chimpanz‚s. ao passo que tu procuras descer corri o teu intelecto. descobria analogias e paralelos. Òle compreendia tudo duma maneira tão perfeita! Eis porque era tão divertido servir-lhe de dragornario e interpretar para ˆle as outras pessoas. Mas quando Elinor ali estava para estabelecer e conservar ˆsse contato. no dom¡nio dos sentimentos. a um turista de inteligˆncia tão excepcional. Quase humano. s quase humano. Sim. Philip não seria capaz de estabelecer o contato pessoal ou de conserv -lo.seus cos. era tamb‚m. duma maneira que Elinor lhe afirmava ser tudo menos humana. generalizava para Elinor o que ela sentia.) Tudo quanto a inteligˆncia podia apanhar ˆle apanhava. .

depois. nesse caso. sua maneira. pelo menos uma vez na vida. Elinor aceitou o risco. se o deixasse.. sim e ~. um tanto pesaroso. Tinha bastante inteligˆncia para conhecer os seus defeitos. ~Cate ao ponto de ser quase humano. Tinha de pensar em si O~ E.Ali! Phil .. receber ao inv‚s de estar perp‚tuamente a .dava-lhe informa‡ões de primeira mão a respeitc) dos h bitos dos nativos. As inf¡delid~ de Philip iriontavam a muito pouco e não tinham tido efeito apre‡¡ wl sâbre ˆle. ˆle seria sinceramente ". mesmo acima de sua pr¢pria felicidade. ao inv‚s de 11 211it-se apenas a amar. em seu foro interior.. seria uma puni‡ão para Phil. sem d£vida. instintos. Elinor quisera que Phil aquˆle h bito de impessoalidade e aprendesse a viver pelas sensa‡ões. da mesma maneira que vivia pela cia. Uma puni‡ão. at‚ agora não tinha mostrado nenhuma efic cia. se ‚ que era se operaria docemente. O homem podia apaixonar-se te. Continuava o mesmo. mas pelo romancista que ˆle podia vir a ser. entretanto. enlouquecedoramente o mesmo -. F"sse co Ç6 O58se. ·s vˆzes e preciso que a gente pense na #~ felicidade. de que de fato não existia nenhum de que ˆle jamais perderia a cabe‡a completamente. vendo-o olhar ma mulher m"‡a com admira‡ão. Elinor estava certa de que. gentil mas long¡nquo.. Elinor fazia o poss¡vel para compens -los .i a. um dia ela o deixaria realmente. impessoalmente terno. tentara estabelecer para o o contato pessoal que ˆle não teria sido capaz de estabelecer por . e tamb‚m porque persuadida. mais de uma vez. Um dia ela havia de deix -lo .. ela o tinha encorajado mesmo em suas # - de paixão por outras mulheres. a ponto de fuoutra mulher. Her¢icamente. se tu f"sses um pouco menos super-homem.~Iiz. Ser amada. que belos romances havias de escreven! Philip concordava com Elinor. Não s¢rnente por ela. A cura pelas aventuras sentimentais. Era de ~quecer. e. porque pensava que a fun‡ão de escritor devia ser posta acima o mais. Era imposs¡vel levar mais longe o WwCumento e o altru¡smo.dizia ela -. Era arriscado.Tal era o seu desejo de fazer bem a a qualidade de romancista que... . Sim. agia como intermedi ria quando o marido desejava 84 em contato pessoal com algaim dˆles.s deveras. de alguma outra mulher. Elinor estava certa de saber ' _Mitar os felizes efeitos que ela havia de produzir em Phifip. Isso lhe poderia fazer bem ~as aventuras sentimentais. apaixo~ e sensual durna maneira desprendida. tanto quanto lhe f"sse poss¡vel ser infeliz. E talvez . Por que continuaria ela a arn -lo?.. perguntava Elinor a si me~ Era quase o mesmo que continuar amando uma biblioteca. podia esquecer-se da sua intelectualidade e corrigir-se.

fez Elinor. depois voltaram . Tinha orgulho do seu inglˆs... dcsPertou-a do devaneio. A ausˆncia de cio ‚ equivalente. . Mesmo na Sic¡lia.no dom¡nio moral.. posi‡ão normal.velmente que na primavera a imagina‡ão das pessoas jovens . Talvez rosse seu dever torn -lo infeliz .gritou Elinor.disse ˆle.A culpa foi dˆle . .A moral seria muito curiosa . Com que surpreendente rapidez o ani-.o mais 4~ de seus deveres . arreganhando os dentes que Philip e Elinor viram brilhar no escuro.se n¢s am ssemos por esta‡ões. houve um solavanco fofo.Dog! . Um outro cão surgiu de s£bito no lugar do primeiro. o que acontece quando um animal corre atr s duma rernea da sua esp‚cie.00 ~. Mas em parte alguma ‚ s¢ na primavera. e não durante todo o ano. .o que prova incontest.. correndo desesperadamente ..Oh! . o que ‚ moral ou imoral variaria dum mˆs para outro. Uma reputa‡ão m na mulher exerce a mesma atra‡ão que os sinais de cio na cadela.. O mau renome anuncia que ela ‚ acess¡vel. mas a pedra latiu. Houve um silˆncio. Exceto acrescentou .. Perseguindo-o. aos h bitos e aos princ¡pios da mulher casta.depois desapareceu de n"vo na escuridão. A vista de um cão que atravessava a estrada correndo. ..disse. esmagado . bem na frente . . no animal. pessoal. . arrepiada. .concluiu ela. . .Ele vai ser... do outro lado do miundo luminoso.Pobre animal! . i Ö ade pudesse operar o milagre que ela tinha ardentemente deseee em R Prol d‡> qual vinha trabalhando havia tantos anos.Não olhou. como se uma das rodas tivesse passado por cima de uma pedra. No homem não h nada de inteiramente an logo ao cio das ‚guas ou das cadelas.W Se Precipitara para dentro do estreito universo dos far¢is 1 Existiu 85 # durante uma fra‡ão de segundo. pensando em voz alta . . O chofer indiano voltou a cabe‡a para ˆles. Talvez conseguisse fazer dˆle um O escritor.As luzes se desviaram. . J foi esmagado. h duas vˆzes mais nascimentos em janeiro do que em ag"sto . As sociedades primitivas tˆm mais tendˆncia para o amor peri¢dico do que as cultivadas. talvez a ~idade o tornasse sens¡vel. Foi Philip quem o quebrou.disse Philip.. Elinor escutava corri interˆsse e ao mesmo tempo com uma esp‚cie de .

uma generaliza‡ão psicol¢gica brilhante. evitando-os. pois. . o esmagamento trivial de um animal infeliz f"ra sufirociente para por em movimento aquela inteligˆncia r pida e infatig vel. pois. De repente Lucy se moveu.. Um pobre cão p ria. Era surpreendente. sem se afastar dˆles. "Bolas". esperando com impaciˆncia a oportunidade de se dirigir a Lucy. Meio s tiro. desapareceu-lhe das vistas. Ergueu uma das mãos para tocar os cabelos negros e lisos. acenara de longe para o pai para LadY Edward. Walter a seguiu. mas -.Estive a procurar-te t"da a noite. quase morto de fome. . e ˆste incidente evocava em Philip uma sele‡ão das estat¡sticas de natalidade na Sic¡lia.Apanhada finalmente! .horror. olhando com indecisio dum lado para outro. não # havia justifica‡ão.com o General Knoyle. era inesperado. Passando diante da entrada da sala de jantar.disse o general. quebrava a espinha sob as das do carro. lembrando-se de suas pr¢prias aventuras com Moily d'Exergillod. falando maldi‡ão 1 . E eue procurava. Por quˆ? Não havia razão. Òle. e a esmeralda do anel enviou a Walter um sinal verde atrav‚s da sala. que j não era mais o anacoreta: bebia agora champanha e ouvia a conversa‡ão da Condˆssa d'Exergillod. deu com Burlap. CAPITULO V11 Walter se tinha livrado da Sra. Lucy Tantamount ti hajustamente surgi por fim achou o q -ri do da sala de jantar e ficara im¢vel sob as arcadas. Com "lho cr¡tico. meio titio.quase lhe dava ganas de gritar. com uma esp‚cie de frio ¢dio intelectual. pensou Walter. . podia. " Mas l estava ela de nâvo. batendo na mão da jovem. "Mas Burlap proviivelmente a adora. era interessant¡ssimo. Walter ficou atento. uma especula‡ão sâbre a relatividade da moral. Bettertori. o contraste com o luto do vestido tornava a sua pele luminosamente branca. capaz disso .oh! .. continuar na sua busca. . o general tinha uma franqueza de velho por . Walter olhava para ela e perguntava a si mesmo por que a amava. Assim. Tâdas as razões eram contra aquˆle amor. Trazia no corpete um buquˆ de gardˆnias.

Walter a estudava.Lucy. Não havia resposta.Duma maneimocira geral ˆle preferia raparigas mais jovens. audaciosamente. De seu p"sto de observa‡ão Walter contemplava a cena. Voltando a cabe‡a. a primeira vez que lhe pusera os olhos em cirria.gostava de dizer. em tempos passados. galante oficial da guarda. Os preconceitos que o velho militar alimentara t"da a sua vida contra a Am‚rica e os americanos se tinham transformado em admira‡ão entusi stica desde que. . .s vˆzes. Para ˆle Lucy andava ainda pelos dezessete.. Sorrindo levemente. .arirmori Lucy~ com uma polidez sarc stica. queria uma justifica‡ão. o seu corpo alto ainda conservava a postura militar. (N. O general f"ra homem bonito. ˆle visi~ tara a Calif¢rnia e vira asflappers* de Hollywood e as lindas banhistas das praias do Pac¡fico.Que f igurinha encantadora ~ Que olhos 1 .. Acenou-lhe e chamou-o pelo nome. .af irmava ˆle a todos os que queriam ouvi-lo. Bateu-lhe na mão novamente e disse: . Nem mesmo era bonita. . Por quˆ? A pergunta se repetia com insistˆncia. de prop¢sito. Espartilhado. Lucy estava perto dos trinta.disse. * Gar"tas que mostram. Òle se tinha simplesmente apaixonado por ela . Walter finigiu-se admirado e encantado pelo encontro. E ˆle sorria. j se transformava no velho. . com um ar de divertimento. continuava a trat -la cxno se ela fosse ainda a menina dos primeiros tempos. Então por quˆ. uma liberdade na conduta e na maneira de se tra^ fier. protetor e confidencial. .Espero que não tenhas esquecido o nosso compromisso . mas o general a conhecia havia anos. na idade de 65 anos. . cofiava o bigode branco. Lucy deu pela presen‡a dˆle. .loucamente. Volvido um momento.Que pequena encantadora! .Ser divertido .Vamos ter uma boa Palestra. - . titio brincalhão. desprendido e impiedoso. Lucy fitava nˆle os olhos durn cinzento p lido. por quˆ? Òle queria razões. do E) # 87 um .Não h nada como a dade! .Mas quando ‚ que eu esque‡o? Salvo .

Podem-se obter efeitos inesperados com as pessoas.respondeu com dureza.H muito que não o vejo . com o tom de voz e o sorriso que a gente erriprega quando fala . Gostava de fazer experiˆncias..Mas Spandrell ‚ tão bom companheiro! O general ficou mais vermelho ainda e franziu o sobrolho.E tão inteligente! . Com um sorriso interior. "sa¡do de X Sandhurst no rabo da lista. as coisas que ˆle tivera o top‚te de dizer a £ltima vez em que encontrara o padrasto. beberrao e bilontra. desonrava o nome da fam¡lia. . pâ-las em situa‡oes curiosas e esperar para ver o que acontece depois. Fazia a mãe infeliz."o homem est reagindo.s indiscri‡ões sociais propositadas. come‡ava o resumo.Walter e eu com que vamos ver o seu enteado esta noite . um ocioso. z! E como ˆle se tinha mostrado ingrato. Q5Z Depart# atingindo durante a guerra um alto p"sto no Military Intelligence . Era o m‚todo de Darwin e Pasteur. de que maneira abomin vel se tinha portado sempre! Era despedido de todos os empregos que o general lhe arranjava.precisou ela com unia risadinha. Lucy tinha herdado da mãe todo o seu amor .--Reformado compuls¢riamente em Harrow".. Quanto havia feito por aquˆle rapa . e a isso misturava um toque de desprendida curiosidade cient¡fica. teve uma carreira distinguida no Ex‚rcito... não com rãs e cobaias.anunciou. por ocasião da cena habitual! Era l poss¡vel o General Knoyle esquecer que lhe tinham chamado "velho impotente e trapalhão"? .s pessoas a respeito dos lhes são caros. que lhe vinha do pai. "Bom". E a insolˆncia do sujeito. Um pr¢digo. vivia do que lhe podia extorquir. Mas entre Spandrell e o padrasto havia uma desaven‡a que a jovem bem sabia mortal. mas sim com s‚res humanos.continuou Lucy. Voltou-se para o general. disse elade sipara si. . em voz alta: . ela relembrou o resumo que Spandrell fazia da carreira do padrasto." E. O que aconteceu dessa vez foi que o rosto do General Knoyle ficou extremamente vermelho.

e tua mãe.. Sentia que a rapariga o ofendera. Era o pr¢prio Times que se fazia aud¡vel.. Um instante mais tarde.Não posso correr o risco de ver reproduzir-se de nâvo uma cor como esta.Eis a palavra: jaula de ursos . O caso em si j seria bastante desagrad vel. . Uma mulher não tinha direito de ter um f ilho como aquˆle. Meu padrasto ‚ um esp‚cime consumado da Inteligˆncia-Militar...No fim de contas. . E depois. "ach -la-emos classificada debaixo de trˆs rubricas..Mas . eu sei . exasperado. Nem mesmo a sua juventude.Tão inteligente. Knoyle havia expiado muitas vˆzes diante do marido as faltas do filho. Lucy lan‡ou um olhar r pido para o vulto que se afastava e voltou~-~ em seguida para Walter. Nunca vi ningu‚m que tenha como tu essa mania de sossˆgo.. E o general. sentindo-se s£bita mente cheio de esperan‡a. .tomou o General Knoyle corn muita aspereza..Vamos sair furtivamente para algum lugar onde haja sossˆgo." . punia na mãe os pecados Jo filho. mamãe pode cuidar s¢zinha da sua jaula de ursos. ainda r¡gido. Aquela era a sua opinião pessoal. . InteligˆnciaAn¡maL Inteligˆncia-Militar. e os deveres sociais? . . Aquˆle cusco insolente! Sua existˆncia era constante motivo de ressentimento do general para corri a espâsa. ment. nem mesmo aquˆles ombros nus compensavam para ˆle a. não tinha direito. Lucy deu de ombros.Mas pessoalmente . referˆncias laudat¢rias a Maurice Spandreil. Vamos? Walter não desejava nada melhor. as suas observa‡ões s"bre a Inteligˆncia Militar em geralf "Se procurarmos a palavra 'inteligˆncia' na nova edi‡ão da jEnciclop‚dia Britƒnica".perguntou..Meu pobre Walter! . . . mesmo que não cheirasse tão mal. Pigarreou com violˆncia.Hum an a...H quem pense assim. 1 . afa.repetia Lucy. .Os olhos dela estavam cheios de zombaria. A pobre Sra. Mas acontece que eu não quero sossˆgo. . . a saber: Inteligˆncia. cra frac-~i demais para resistir. Ela estava presente." A maneira como Spandrell desenrolava aquela not¡cia necrol . dizia o rapaz. podia ser punida. tou-se de Lucy e Walter.disse Walter.¢gica antecipada era realmente magn¡fica. ainda colericam ente digno..

Não 89 # a Os h nada que eu odeie mais do que o barulho de pessoas eminentes.. respeit veis e cultas como as criaturas que aqui estão.A esperan‡a do rapaz se evaporou. então? -.Mas eu preferia antes ..propâs Lucy. E. .Não. Sorrindo. . . . O tom de sua voz era resignado e infeliz.. Spandrefi. .explicou ela. .. convivas de Lady Edward eram j bastante maus. Como os podia ela tolerar? Lucy pareceu adivinhar os pensamentos do companheiro. Aquˆles olhos o consideravam calmamente. Walter fez um gesto de aprova‡ão. como se j tivessem visto tudo ej não se interessassem muito. não ponho obje‡ão a escutar a barulheira do Rampion . acharemos provilvelmente Mark Rampion e a esp"sa. Mau ser se nos surpreendem e nos fazem ficar .ajuntou jovialmente. As palavras evocavam em Walter lembran‡a de noitadas horrendas passadas com Lucy na companhia de gente pouco educada. numa tentativa de sarcasmo.. mas não disse nada. . de m reputa‡ão. Walter fugiu ao olhar dela. friamente. . como para o sentitem- perar a afoiteza de suas palavras -.perguntou. .Sacudiu a mão num gesto que abrangia tâda a sala.disse ˆle -. uma c¢lera impotente. com uma esp‚cie de terror. a seguir.Sejamos furtivos. fazendo uma careta.. ainda por cima embriagada. . muito leve e friamente irânicos. se Spandrell não ‚ bastante distinto para ti. Mas os outros eram seguramente piores. .fez ela.Est bem . fazendo um esf"r‡o para vencer a timidez que sempre emudecia quando chegava o momento de dar expressão aos seus mentos: . . . se não chegarmos tarde demais.Animo! . Eram apenas levemente irânicos. Lucy sorriu. partamos.Por que não ficar em casa. L teremos Spandrell . deixando uma pequena amargura d‚bil.repetiu Walter. .Isto aqui não est suficientemente barulhento? .disse. Ao ouvir o nome do pintor e escritor. E. eu preferia antes escutar em p ticular o ru¡do que tu fazes .Ah! mas ˆste não ‚ o barulho de que gosto . segurou-lhe o bra‡o num gesto tranqilizador.Desta vez não te vou levar para m s companhias.Vamos sair na surdina .

..Dize-lhe que eu irei vˆ-lo amanhã . Entrementes. implorativa.Boa noite. . . Ela pousou uma das mãos no bra‡o de Lucy. numa ~tina impulsividade t¡mida. .. Molly d'Exergillod estava ainda falan- .Amanhã . J se aprode volximavam da porta quando se ouviu atr s dˆles um sussurro e um som passos apressados.acrescegtou.Mas est claro que sim . # . que podia ser sua filha. ap¢s um momento de hesita‡ão embara‡osa. Lucy j se tinha instalado no seu canto. . Pelo espa‡o de um instante as duas m quinas se revelaram sob o aspecto perturbador de sˆres humanos. inclinou-se para a frente e beijou Lucy Tantamount.. . obsequiosamente autom ticos. quando atravessava o vest¡bulo em companhia de Walter .que ela estava marcando um encontro com o amante e não com o filho .Eu te fico tão reconhecida.respondeu Lucy. E desapareceu no meio da multidão... A Sra. tarde. Dois lacaios lhes abriram a porta..Inclinou-se para a frente.Est visto que não contarei. cheia de gratidão. a esp¢sa do general.Mas não conseguiram escapar inteiramente despercebidos. tarde.disse a Sra. sem contudo explicar que o general lhe contara aquilo £nicamente porque queria desafogar a ira dizendo algo de desagrad vel a algu‚m que lhe não pudesse retribuir a grosseria. Ao jech -la. qualquer coisa muito m¢‡a e suave naquelas fei‡ões de mulher madura. queres? . . um piscou o . . Knoyle.Havia qualquer coisa de patŠticamente jovem e desamparado naquele modo de falar.disse. E. . signif icativamente. Ambos se taram e viram a Sra.comentou Lucy. . Walter deu o enderˆ‡o do Sbisa's Restaurant ao condutor e penetrou nas trevas fechadas do t xi. .Entre 4 e 4 e meia.. Knoyle.Por favor! 90 .Acabo de saber que vais ver Maur¡ce esta noite . . Diante de Lucy. na sala de jantar..Dir-se-ia .Queres? . . .lho para e outro. Knoyle sorriu. E não contes isso a ningu‚m mais. Uma voz pronunciou o nome de Lucy. ela implorava como se se dirigisse a uma pessoa mais velha e mais forte. . minha querida.D -lhe um recado meu. . .

Molly teria de for‡osamente ser conversadora pelo casamento. B. Refrescaria ela a mem¢ria passando os olhos por *Ruelas notas cada vez que se vestia para ir a um jantar? Os mesmos amitos que a tinham ouvido a cultivar paradoxos na cama tamb‚m a tinham descoberto. trabalhava assiduamente para desenvolver o dom natural. de manhã. Amigos maliciosos diziam que Molly era ouvida a estudar os seus paradoxos na cama. sua £ltima viagem a Hollywood.do. Ela pr¢pria não negava que tinha di rios nos quais anotava. com a hist¢ria complexa de seus pr¢prios sentimentos e sensa‡ões. t"das as figuras de ret¢rica. *Obrernesa. as anedotas de W. D'Exergillod fora disc¡pulo de Robert de Montesquiou e merecera a distin‡ão de ser mencionado em Sodome et GomorMe de Mareei Proust. as hist¢rias de contar . ela não se contentava em ter apenas talento. de Mr. Era industriosa. Como todos os profissionais conscientes. Moily era muito econ"mica corri o seu esp¡rito e corri a sua sabedo- . decorando laboriosamente os epigramas de Jean Cocteau s"bre arte. Geoghegans de Dublim. Al‚m do mais. t"das as anedotas e todos os ditos espirituosos que lhe tinham ca¡do em gra‡a.. O pai era aquˆle juiz Brabant. tão conhecido pela sua conversa‡ão a mesa e pelas suas frases ticas no tribunal. Yeats a respeito de GeorF Moore e o que Charlie Chaplin tinha dito a ela e dela por ocasião de 91 11 ti # 11 1 11 . Sentia-se orgulhosa de sua palestra. como estudante em v‚spera de exame. ela havia feito um casamento de conversa‡ão. A natureza e o meio tinham conspirado para fazer dela uma atleta profissional da l¡ngua. antes de levantar. A conversa‡ão era um dom de fan£lia.. Birreil. Como todos os conversadores prof¡ssionais. se j não o f"sse de nascen‡a. Sua mãe tinha sido uma das c‚lebres Srtas.

por Tommy Fitton.disse Burlap. oferecendo os seus olhos negros. que era um de seus jovens galãs. mesmo. Como boa dona de casa.Sabes o que Jean disse de mim? .prosseguiu Molly. . Sacudiu . A conversa‡ão girava em t"rno do t¢pico favorito de Molly. cheia de esp¡rito e ao mesmo tempo profunda. Molly estava servindo a conversa que j tinha sido servida e apreciada. Uma esp‚cie de camponesa. A rea‡ão de Burlap foi inesperadamente diversa da dos outros. Se bem que extenso. no alm¢‡o oferecido por Lady Benger. que era outro. Sempre me considerei como uma filha da natureza. pelos convidados do fim de semana em Gobl‡y. Não existem bons mots* em quantidade suficiente para prover uni conversador industrioso de um nâvo sortimento a cada ocasião mundana. . perfeitamente simples e franca. Que eu parecia mais um esp¡rito dos elementos do que uma mulher. como se tivesse dito uma coisa um tanto ousada. dando ao pr¢prio rosto um ar malicioso e sutil. pelo embaixador americano e pelo Barão genito Colien.Mas eu nem mesmo acho que isso seja verdade . . ela sabia utilizar as migalhas sobradas da palestra do jantar da noite anterior para prover o lanche da manhã. . Burlap respondeu devidamente que não sabia.repetiu com insistˆncia. Achas que ‚~ um elogio ou um insulto? . o seu decote.perguntava ela (Jean era o marido). como o de outros conversadores mais c‚lebres. porque tinha o curioso h bito de exigir respostas a perguntas meramente ret¢ricas.Sabes? -. limitado. Uma esp‚cie de fada. os seus dentes.Não tenho em absoluto a impressão de ser um esp¡rito dos elementos ou uma fada. por Vlad¡mir P vlov. Os assados do funeral de segunda-feira serviam para as bodas de tˆr‡a.ria. Para Derinis Burlap. O Barão Benito Cohen declarara com veemˆncia que ela era "uma das imperratrrizess rornanass da natureza".Pois ˆle disse que eu não era inteiramente humana.Isso depende do g"sto de cada um . . o repert¢rio de Molly era. .Neste ponto da representa‡ão de Molly todos os outros ouvintes tinham rompido num c¢ro de protestos cheios de risadas. Inclinouse para Burlap.

. Um.(N. O ser humano vulgar . como um gato.. do E) # 92 ljp lhe podia fazer. Tinha ficado igualmente deliciada com as nega‡ões dos outros quanto . oferecendo o seu rosto e o seu seio.Mas ˆles se divertem tanto .Podias do mesmo modo invejar um balão . E o esp¡rito dos elementos do outro.Sˆres humanos e fadas: eis uma classifica‡ão muito boa. do E) * * Apesar de tudo. um gato que vai e vem - vai tio alegremente como veio. envolvido num sem-n£mero de coisas sentimentais . maigr‚ tout*~ Tu usasdisfarces. ]Burlap. . dum lado. sorriu com uma esp‚cie de expressão long¡nqua e extravagante.insistiu ela.eu sou Wrfivelmente sentimental. Ah! Eu lhes invejo essa liberdade a‚rea! . . mas nunca encantado. (-Maiss ou menos tão ~timental como as serreiass na Odiss‚ia". eu acho que ‚ verdade. O redator do Literary World sempre tomava o partido do cora‡ão. não whas? .Burlap aborrecera-se por ter sido interrompido.. A inten‡ão lisonjeira.Não achas? . uma intimidade. o interˆsse pela sua personalidade eram o que importava.Inclinou-se para a frente. 11 .a cabe‡a. o elemento da natureza. Molly cortou-lhe bruscamente a palavra e trouxe a eonversa‡ão de volta para o tema original. Uma filha da natureza. iegundo o coment rio cl sdeo do Barão Benito.disse Burlap gravemente. estava desenvolvendo a ant¡tese de Rousseau entre o ]Elomem e o Cidadão.Sim . absolutamente lique vre e desligado das coisas. fazendo os outros sentir. repetindo a pergunta Talvez.) O outro. Pouco a preocupavam as op inibes reais de seus admiradores. (N. . no entanto. mas nunca realinepte sentindo ˆle pr¢prio.disse -.sim. admitamo-lo -. sua qualidade de camp"nia. .. todo ~avado. diga-se de passagem. Molly ficou deliciada com o que julgava ser o mais alto elogio que Bur* Ditos espirituosos. mas a criatura sincera e simples se mostra atrav‚s dˆsses disfarces.. Aquelas nega‡ões e protestos eram tamb‚m o melhor elogio. encantador. o que ‚ demasiada~te humano.

Para se poderem divertir.O sorriso persistia. nem particularmente 93 11 li # # ‚ em inteligente.. . Veja Philip Quarles.*#e Burlap não tinha sorrido tantas vˆzes como devia ‚ absolutamente oposto de uma fada.Um homem como Philip deve ach -la . e isto o menos que se pode dizer.. Eis a razão pela qual são tão iavej veis.Òles não tˆm sentimento suficiente para se poderem divertir. . Escrevia cartas tão divertidas. Pelo =nos ‚ o que me quer parecer . Sobretudo quando inteligentes.Mas. de todo. C'Quandje vetix brifier dans le monde " Molly gostava de repetir os elogios do marido -. nem instru¡da.Ao passo que a mulher . do seu efei10 mais brilhante. transformado agora sorriso de quem est satisfeito consigo mesmo. . luz despojado.concluiu ela. quase fraco tão divertidas como as dela. "Zoologista da fic‡ão".. . . não o tim tamb‚m bastante para serem infelizes. se ‚ que existem homens assim.. "Puck cient¡fico" . "elfo iutru¡do".Molly sorria com um ar um pouco superior. na certa. Eis um homem-fada. e um tanto desfigurado.. por exemplo. Desesperadamente Moily p ¢s€a a dar-lhe ca‡a. .eram algumas de suas frases. fora disso ‚ unia criatura extremamente . E.Pobre Elirior 1 ·s vˆzes ela ‚ um pouquinho cacˆte . Nem elfo. sentindo dolorosamente .mas talvez aio tenham sentimento suficiente para serem felizes. note bem..14011y tinha da particularidade esquecida e pelos esfor‡os desesperados 4uc ela fazia para reparar a falta. mas a frase zombava das suas tentativas.. pela consciˆncia que . desta vez. enquanto despejava o discurso.s vˆzes um tanto insuficiente . Mas a melhor delas lhe tinha fugido da mem¢ria. i.. Philip tinha tido um po‡ ela. e continuava a ter ainda. 'ye cite des phrases de tes leitres*") .precisou ela . .continuou Molly. .. Aquˆle retrato &maneira de Teofrasto teve de vir . .. tˆm.Molly se lan‡ou na sua descri‡ão cl ssica de Philip.

quando os reunira. . quanto a igto não havia d£vida.encantadora. pensou ela com piedade. por mais rijamente carnudo (porque os gostos de Philip eram um tanto fora de moda) e por mais convidativamente calip¡gio que seja. o quanto ˆle tinha ficado impressionado.seria agrad velmente renovada quando ˆle voltasse. citofrases de tuas cartas. A palestra . percebendo-a. da parte da mulher de Philip. . por mais bonito. Não dormia com os maridos das outras. Ningu‚m se apaixona com desespˆro por um altofalante.Mas est claro .que a inteligˆncia nunca deve casar com a inteligˆncia..antecipava Molly . palestrava muito. Mas o escritor se ausentara para fazer uma viagem ao redor do mundo. a conversa‡ão era tudo quanto Molly concedia . Seus sentimentos podiam ter sido um pouco menos cristãos se ela soubesse que a pobre Elinor tinha percebido a expressão de admira‡ão nos olhos do marido. T"la demais para perceber. (N. As maneiras cheias de confian‡a ingˆnua de Elinor a tinham picado ao ponto de fazer que ela se mostrasse mais gentil que de ordin rio para com Philip. Encantadora. A £nica esperan‡a de Elinor era que as paixões despertadas por essas qualidades de beleza e de carnosidade seriam tão inadequadamente satisfeitas pela conversa‡ão (porque.. E certas esp"sas se tinham mostrado ciumentas. "Pobre Elinor!". do 94 . mas não se parece em absoluto com uma Hipatia. ) que o pobre Philip ficaria reduzido a um estado de raiva e desespˆro muito prop¡cio ao trabalho liter rio. de ac"rdo com os boatos. como uma esp‚cie de insulto. Não que tivesse muita esperan‡a ou temor de que Molly lograsse operar o milagre transformador. No entanto. Eis por que Jean me est sempre amea‡ando E. Não que ela tivesse dado motivo real para ci£mes. e isso antes que a camaradagem dˆles se pudesse desenvolver.Elinor era t"la demais para compreender que Philip teria de se sentir fatalmente atra¡do para uma mulher que tivesse a mesma estatura mental que ˆle.continuou Molly . se pusera a representar conscientemente o papel de dragornano e de intermedi rio.) * Quando eu quero brilhar no mundo. ainda antes que Molly desse por ela. Conhe‡o-a desde quando ‚ramos meninas. T61a demais para ser ciumenta. Molly sentira a ausˆncia de ci£me. uma mulher a quem ˆle pudesse falar em p‚ de igualdade... apenas palestrava com ˆles. e que.

de Poniatovsky. educar um leprechaun. não acha? .Seja como for. interrompendo-o. -.Sim? .Est vamos de ac"rdo em que ela ‚ como uma fada. Burlap . por exemplo.Havia momentos em que a pequena chegava a me dar verdadeiros sustos. devo confessar que gosto de Lucy. .. Burlap lhe disse o quanto tinha apreciado a m£sica.. sutil e cristão.. Moily continuou: . . de Tom Trivet. ..continuou ela sem esperar resposta. fada ou BRO9 . Mas não tirando para si mesma nada mais al‚m do prazer. daquele vem francˆs que escreve pe‡as de teatro .Gosto da maneira como ela passa pela vida: flutua. ela volita .repetiu Lady Edward. O senhor não imagina.Mas não a ponto de ser um leprechaun. Tão leve e tão livre .Lady Edward sacudiu a cabe‡a.perguntou Lady Edward. Confesso que a invejo um flutuar. outra vez com um ar profundo.. . diz ˆle. Burlap sorriu. pouco. .Mais razão tem ela de invejar-te a ti .Não.perguntou Molly.como ‚ mesmo que Šle se ma9 .o que ‚ talvez uma descri‡ão demasiadamente botinica e po‚tica de Bentley.. Eu quisera ser Unia fada e poder Tu não me entendias o bastante. (N. dˆsse pobre Reggie Tantamotint. e ˆle necessita ‚ "unefemme s‚dative** " E eu julgo que meu marido realmente tem razão. Causando grandes estragos nas ffires. .com o div¢rcio.Est vamos justamente falando de Lucy -. como ‚ dificil..concordou Lady Edward. Sr. Diz que sou por demais estimulante. meneando a cabe‡a.disse Moily d'Exergillod. em vez de rastejar. .observou Burlap. irrompendo no meio do grupo naquele instante. do E.Quem ‚ infeliz? . . Gosto do modo como ela volita de flor em flor . devo admitir. Lady Edward.Ela ‚ como um leprechaun***. ..Um bocadinho . "Tu ne mennuies pas assez* ".Mas quer-me parecer que a senhora tamb‚m tem alguma coisa de fada. Sr. .Boa noite. Jim Conklin. .e de v rios outros que a gente esqueceu ou de que nunca ouviu falar. Seria um desastre. todos sorriam neste ponto.) jocha- . .Uma fada! . Burlap. de Maurice Spandreil.Invejar-me por eu ser infeliz? . Imaginese um homem-fada inteligente como Philip casado com uma mulher # igualmente inteligente do mesmo reino.Molly voltou-se para o seu armaz‚m interior de frases teofr sticas. -.Lucy Tantarnount. Philip Quarles foi s bio. . .Mas Lucy não seria um desastre para qualquer homem.

o qual se recortou por um momento. Walter? Lucy voltou-se para o rapaz e. inclinando-se para a frente. Atrav‚s da janela do ve¡culo em movimento a luz do foco caiu s"bre o rosto de Lucy. para fazer que ˆle a desejassŠ com mais violˆncia.Tu me amas....Eu podia dizer o mesmo. ~ Eu te amo.Uma mulher sedativa. Houve um silˆncio.respondeu Walter. do E) # 95 . Eis tudo. . afastando-se para o seu canto. encarou-o intensamente na semi-obscuridade.Não.Eu estava justamente a perguntar isso a mim mesmo . E. Walter abriu os olhos. . a voz dela s£bitamente se fez ouvir.Então? . o s¡mbolo perfumado daquela mulher envolvia. tu sabes. pensava Walter. . sacudia a cabe‡a lentamente e sorria. como um eco sonoro de seus pensamentos. beijou-o na bâca.velmente seu escravo.Então? O carro arrancou. (N. ˆle ainda a amava? "Por quˆ? Por quˆ?". doce e tropical. branco contra a escuridão. Por que. sabendo disto. E repetiu: ..Por que me amas? . "Eu devia ter insistido". um langor duro.. quando Walter se sentou ao lado dela no t xi. se não fora justamente para o provocar. continuava a repetir mentalmente.Tu me amas? .E. tomando o rosto dˆle entre ambas mãos. enquanto falava. Walter obedeceu e deixou-a. Passavam naquele instante por um combustor da rua. Depois..disse Lucy. mas malandro. as o . . Walter tomou a mão dela e levou-a aos l bios. Era a resposta ao desafio. Parecia estar-lhe lan‡ando uma esp‚cie de desafio. volvendo depois . Walter enla‡ou-a com os bra‡os. não protestava ela. Tu não ‚s l muito especialmente divertido quando te portas assim . "Brutalmente.m scara p lida que j tinha visto tudo e que trazia uma expressão de indiferen‡a ir"nica. O perfume de Lucy era de gardˆnia.de seu canto. invisibilidade . Devia tˆ-lja hei~ jado muito e muito. Por que não o fiz? Por quˆ?" Não sabia nem tampouco por que ela lhe tinha dado aquˆle beijo..perguntou Lucy. para torn -lo ainda mais irremedi. .Não. mas Lucy se livrou do abra‡o. .E tamb‚m achando que seria melhor não te amar . . . do E) ***Folclore irlandˆs: Juende bondoso. (N. um pouco cansado.. Devia tˆ-la obrigado a me amar.

sabia ser um companheiro agrad vel. o rapaz era inteligente. eis justamente o que ˆle não era. contra o seu pulso. "os homens que imaginam que ningu‚m nunca amou antes de os ver!" Apesar de tudo.Acho que nem tens pulso . aquela sua doen‡a de amor o tornava pelo menos muito fiei. Não.Onts* constantemente a seu lado para atendŠ-la. Havia nˆle algo que agradava muito. . Por mais aborrec¡vel que fosse. Isto.disse ela. Um amante convidativo. cravou-lhe na carne as unhas pontudas e afiadas a lima. -Não o sinto em parte alguma. pensava Lucy.Lucy tateava a pele macia . "Que tolo!".repetiu. Mas Lucy gostava de Walter. Walter soltou um grito de surprˆsa e de dor.. Lucy fechou os olhos e se abandonou molemente. procura das lepulsa‡ões da art‚ria.Onde est o seu pulso? . E s£bitamente. . um pouco frios. Mas por que motivo tinha ˆle algumas vˆzes a aparˆncia dum cão chicoteado? Era abjeto. Creio que o teu sangue est estagnado. Atraente. . Ela temia a solidão e necessitava ter os seus cavaliers 96 SWV. trocista. Walter sentia a car¡cia da ponta daqueles dedos.. hein? . Walter a servia com a fdelidade dum cão.disse a rapariga. sem resistˆncia. era importante. # . Òle era atraente. "atraente" não era o tˆrnio exato.O tom da voz dela era desdenhoso. "Convidativo" era palavra que convinha melhor. Não era precisamente o seu gˆnero. E r¡ti-lhe na cara. . refletia ela. . Sentiu brotar-lhe na epiderme t"da. gostava de ter. com uma mal¡cia repentina. em pequenas antecipa‡ões de g"zo. va e palpitantes.Os seus dedos esfregaram numa car¡cia e~ca o dorso da mão dˆle e se lhe fecharam em tâmo do pulso. Al‚m do mais. A Mera lhe tinha exacerbado o desejo: seus beijos eram uma vingan‡a. Walter . Que imbecil! Lucy se sentiu sibitamente enfadada diante da abje‡ão dˆle. Walter segurou-a pelos ombros e come‡ou a beij -la selvagemente.Walco- "Como são enfadonhos". por que não me falas? Walter não respondeu.Bico calado. .Completamente estagnado . um . "Que desprez¡vel bobalhão!" .. .tornou a perguntar ao cabo de um momento.. mo um amante poss¡vel. para Lucy.Bem.Tu mereces isto. pousando a sua mão na do rapaz -.

disse por entre os dentes cerrados .perguntou. parte . Com ambas mãos tomou-lhe do pesco‡o fr gil. Por que implorava ˆle daquela manei ra? Por que era tão abjeto? Imbecil.Então? . (N. Houve um momento de silˆncio. * Homens que acompanham uma dama. no segundo desafio daquela noite.Lucy . ˆle se tornava outra vez abjeto. sua provoca‡ão. Walter sentiu todo o corpo dela estremecer involunt. O t xi chegou a Solio Square. aguda. Outra parte em que possamos ficar a s ¢s. estremecer como se tivesse sido s£bitamente ferido. ... Walter inclinou-se e beijou-lhe a b"ca que ria. Tinham chegado. Beijando-a..disse ˆle -. em pizicato. quase uma dor que trespassasse insuportilvelmente. Walter deixou cair as mãos e afastou-se de Lucy. Devia simplesmente ter ordenado ao chofe que continuasse. As maripâsas agitadas esvoa‡avam por s"bre o seu corpo todo. parou.Por favor. . Não para . porfavor! . devia ter tomado Lucy de n"vo nos bra‡os. Walter fez uma pressão suave. Lucy não esperava de Walter aquˆles ardores tão brutais e selvagens... O contato dos l bios do rapaz contra os seus produziu-lhe uma sensa‡ão fina.suplicou. Seus polegares tocavam-lhe a traqu‚ia. do E) # (7 11 . vamos para alguma outra aqui.Sua voz tremia...Um dia . como um cao. diminuiu a marcha. ˆle ficou a pensar se Lucy esperava ou não que ˆle reagisse daquela maneira .implorava ˆle.velmente surpreendida. . seus olhos imploravam. E de s£bito dedos pontudos pareceram dedilhar. as as das de seus nervos. Vamos dizer ao chofer que continue .. para ˆste lugar horr¡vel.riamente em seus bra‡os.eu te hei de estrangular. Lucy sorriu e sacudiu a cabe‡a. cão chicoteado! . Estava agrad. A mâ‡a abriu os olhos e olhou para ˆle. Lucy limitou-se a rir. A brutalidade tinha desaparecido de seu desejo. Mas devia ter ordenado.formigamento bom que era como o adejar de marip"sas tomadas de pƒnicorco.

s¢ para servir a freguesa. feroz como um instrumento cortante. si. Subentendia-se que não s¢rnente aquelas pessoas estavam l . . tu tamb‚m não ‚s exatamente um cordeiro .Imposs¡vel .. O mundo ‚ d¢cil. Eu estava falando a respeito do mundo e não a nosso respeito. se estivesse dentro de suas f"r‡as.E a signora? Molto bene. Como um dˆsses horrendos gatarrões castrados. ma que lagosta! Falando sempre.‚ a mansidão horr¡vel e doentia do nosso mundo.disse Mark Rampion . Mas duas pessoas não são um mundo. certo que não havia nada de particularmente manso na aparˆncia de Mark Rampion. agitou as gordas mãos brancas e o seu sorriso expansivo gerou uma sucessão de ondas na carne de suas enormes bochechas.Ora. Sbisa em pessoa recebeu-os .perguntou ela. . .disse ela descendo do t xi. o consumo de champanha tendia a aumentar.. ao menor s"pro.comentou ela . submisso ‡ infeliz.disse Rampion.Tu não dirias isto . Sbisa teria fornecido at‚ dois exemplares de cada uma delas. cujo ouro puxava um pouco para o vermelho.O Sr.. .se fosses a tua mulher em vez de sˆres tu mesmo. esvoa‡avam ao mais leve movimento.E o casal Rampion? . quase oriental. como tal devia ser tratado. Era uma cliente distinta. CAPITULO VIII . afirmo.. Curvou-se.-mas tamb‚m. Era uma risada que a gente nao podia ouvir sem desejar rir tamb‚m.. como l¡nguas de chama que o vento agita. O seu perfil era incisivo: tinha um nariz adunco. O mundo ‚ manso? Eu te poderia contar algunia coisa wrespeito da mansidão . conduziu-os ao interior do restaurante.O que eu lamento .Ooh! Si. e os cabelos muito finos.. porta. Quando Lucy chegava. .repetia o velho Sbisa com uma insistˆncia napolitana. espero . . Walter a seguiu. . Spandrell est aqui? . e um queixo pontudo. Se o rapaz se portava como um cão escorra‡ado. com um riso que lhe vinha do fundo dos pulmões. .. Temos lagosta questa noite. Os olhos eram azuis e penetrantes. # . Mary Rampion riu gostosamente.

disse Spandrefi. se não tomares cuidado.disse Rampion. e. isso . ia porque era bom cidadão... .Mas tu te podias mostrar um pouco mais polido em p£blico.Ali! Ora.. .perguntou Spandrell.disse ela bemhumoradamente.Se tens vontade de jogar um prato nˆle . que compartilhava as opiniões do marido. ‚ a ciˆncia. ‚ a respeitabil idade.. ‚ a nossa educa‡ão .ajuntou Mary Rampion. que eu não te sirva de obst cu~ . ‚ o cristianismo. . compartilhava a maior parte de seus sentimentos. consciente ou inconscientemente. . Ia porque tinha ordem de ir.Foi uma calamidade domesticada. . 99 99 # .São as f bricas.O que digo ‚ o que eu digo.explicou ela. pelo amor de Deus.ter s de suportar uma t"laquete dar unia li‡ão -. alcan‡ando-lhe um enquanto falava -. ..Tudo isso pesa sâbre a alma moderna.Mas não ‚ o que dizes? . ou. o racioc¡nio nunca foi o meu forte -. para falar com mais exatidão. Estava ˆle sentado. equilibrando a cadeira nos p‚s traseiros e apoiando o respaldo . . .Pois.amea‡ou a mulher. parede. cala a b"ca! .E que vai ficando dia a dia mais dom‚stico . jogado para tr s. . falando do fundo da semi-obscuridade que se estendia al‚m dos limites do pequeno mundo de luz rosada dentro do qual ficava a mesa do casal. E eu o censuro por ser um animal dom‚stico. A expressão irritada que aparecera no rosto de Mary Rampion se dissipou. tomava-lhe emprestada uma opinião quando queria exprimi-los. sorridente. "O homem ‚ um animal de combate% como gosta de dizer o teu padrasto em seus discursos. Pâs-se a rir. isso lhe suga t¢da a vida.Não posso suportar os tolos de boa cara.Mesmo a guerra .Oh. A gente não ia lutar porque tivesse o sangue a ferver. .Achas a guerra mansa tamb‚m? . Fica muito diferente quando ‚s tu que I dizes.disse Rampion. .

continuou Rampion. ..Experimenta.. uma esp‚cie de endurecimento interior. que tornou a empinar a c~deira para tr s. como uma dupla. Sem o perceber. sens¡vel e expressiva.10 . E a dela. . se para Spandrefi. e a luz limpada interposta entre ambos o ofuscava. pensou Spandrell.disse Spandrell. .disse..respondeu. era Rampion que tinha nascido camponˆs. Foi como se ˆle tivesse voltado a si por efleito duma sacudidela brusca. eram ainda melhor. Quase sentiu raiva de si mesmo.Aposto meu dinheiro em Mary . no entanto. falando s‚rio . se ‚ que existiu alguma vez mão de aristocrata".Dez rounds . "Uma mão de aristocrata. e ela aristocrata. era ¢timo. . Era uma mão fina. Sorrindo com um prazer que ˆle teria achado dif¡cil explicar. Aceito o desafio com uma mão amarrada . Que adiantava ˆle ficar-se ali a fazer considera‡ões sentimentais em târno dum casal feliz? . separadamente. tentando decifrar a expressão do # da rosto do outro..insistiu ˆle. . redonda. .. era a mão duma camponesa. então.. e Rampion vislumbrou amargura na alegria dˆle. . -. mas juntos. Havia de fazer-lhe bem . O que provava simplesmente que os genealogistas podem dizer tolices . Spandrell tinha s£bitamente come‡ado a sentir-se feliz.Òle anda tão presun‡oso! E não te faria mal .disse.se eu em paga te desse um tapa-olhos. Todos romperam a rir. Mary agradeceu~lhe.Qualquer dia dˆsses vamos ter uma boa explica‡ão .Tu devias casar . olhava de um para a outra . pousando sua mão por um momento na da mulher.VoltouA felicidade de Spandrell desvaneceu-se de s£bito.s costas.Nada de luvas. Cada um dˆles. . -.disse Rarnpion.replicou Rampion .Não. Mas a cabe‡a de Spandrell estava na sombra.do homenzinho magro e feroz para a mulhera‡a dourada.Não sei boxear . E. forte e honesta.

como dois vergões espessos. s¢ a b"ca era carnuda . fincou os cotovelos na mesa e o queixo nas mãos.. dir-se-ia uma opera‡ão de apendicite com comissuras ir"nicas. como um eco.repetiu ela.Quando ˆle sorri . "uma girgula num boudoir r¢seo.A menos. que idade ter 9" Pˆs-se a fazer c lculos e concluiu que Spandrell não podia ter mais de 32 ou 33. o seu copo de licor cheio pela metade. .Devias. Tu te deleitas com o teu estado malsão. Justamente a idade apropriada para sentar o juizo." Havia uma em Notre-Dame.uma bâca larga. e exprimia determina‡ão. falando s‚rio . As ma‡ãs e os maxilar*es se revelavam numa linha dura sob a pele estirada. s"bre a mesa. Uma face emaciada. Não queres que te curem. Os olhos cinzentos estavam profundamente cavados nas ¢rbitas.Sim.dissera certa vez de Spandrell Lucy Tantamount -. pensou Mary. "Como uma g rguia". mas firme ao mesmo tempo. Spandrell era um ser real e não uma caricatura.Um outro homem . tão extravagantemente diab¢lico que não se lhe podia levar a s‚rio a qualidade de diabo.Fez Mary.Spandrell podia contamin -la com a sua pr¢pria gangrena. "E. no entanto. IBrnpurrou para um lado a x¡cara de caf‚.Mas eu não tenho grande desejo de tornar-me outro homem. que ˆle venha a ser a desgra‡a da mulher . do mesmo modo oqueixo. O grosso cabelo castanho tinha come‡ado a se retirar da testa. inclinada para a frente. . .disse Rampion. Havia rugas em t"rno dos olhos e nos cantos dos l bios. Naquela m scara cadav‚rica. Spandrell. Tens prazer em ficar cozinhando no teu pr¢prio m"lho corrupto e repulsivo. A cicatriz vermelha era sensual. . com sua face de dem"nio entre as garras. estava pensando Mary Rampion.insistiu Mary. . exatamente naquela atitude. naturalmente.O casamento seria a cura . Seu rosto entrou na zona de luz rosada. "Quem olha para ˆle d -lhe cinqenta anos". eis porque o seu rosto parecia tio mais sinistro e tr gico. . propagandista entusi stica e infatig vel do sacramento ao qual devia t¢da a sua vida e tâda a sua felicidade. . O casamento faria de ti outro homem. Mas a g rgula era um dem"nio c"mico.Sim. . Spandrell emitiu uma risada breve e bufada e. deixando sua cadeira cair s"bre as quatro pernas. . eis o teu mal. Talvez mesmo tenhas orgulho dˆie. com l bios que se salientavam fortemente na pele. inclinou-se para a frente. Mark Rampion sacudiu a cabe‡a.

E como o outro parecia deliciado com as suas pr¢prias perversidades! Qual uma crian‡a est£pida. tinha pouco faro para as almas...perguntou Rampion franzindo ligeiramente as sobrancelhas.s rela‡ões humanas. Eis porque. era forte. mas. "Òle fareja a alma das pessoas". nela.Fui eleito pelos deuses para corromper a juventude. .. .. . .Faz agora mais de quinze anos que estamos casados . tinha uma confian‡a absoluta no julgamento de Rampion. . a fim de se poder convencer da sua pr¢pria presen‡a. mas não imitar.Mas se ao menos soubesses o que o casamento pode significar . prudentemente.Admir vel! O primeiro argumento 101 # I verdadeiramente bom que eu tenho ouvido em favor do matrim"nio.exclamou ˆle. . minha querida.Se f¢rsse tu não gastaria o meu latim. costumava Mary dizer do companheiro. O esp¡rito mission rio. ˆle achava o seu caminho com um tato seguro que ela s¢ podia invejar..uma explosão muda. . ˆle naturalmente sabe .Se ao menos soubesses . Rampion.Admir vel! . Mas hei de passar-lhe os umbrais na pr¢xima vez. .Levaste quˆ? . Quanto a ela.O processo de infec‡ão. Rampion olhava para ˆle com desg sto. ... Rampion olhava fixamente para dentro . .interveio Mary com seriedade. .Spandrell jogou a cabe‡a para tr s e riu profundamente. se deixava guiar pelo marido. em suma.continuou.Mas.prosseguiu Mary. . Sempre parei do lado de c do registro civil.Bebeu um pouco mais de brandy. Tenho por missão educ -la e lev -la para o caminho que ela não deveria tornar. mais particularmente a juventude feminina. . Eu nunca realmente levei a coisa o casamento. duma maneira quase inaud¡vel . Quaat‚ se chegas a convencer-me.Atirou a cabe‡a para tr s e soltou aquela risada af¢nica muito sua. . . Observou-o. Mary olhou inquiridoramente para o marido.interrompeu-a Rampion com impaciˆncia. . como era SCU costume. . Como Spari drell era teatral! Dir-se-ia que exagerava o seu papel. .Sou como S¢crates . Atrav‚s daqueles labirintos.E eu te asseguro . . Em tudo o que dizia respeito . Não gostava daquela maneira de falar c¡nica e um tanto melodram tica..

crista do morro e lan‡ou o olhar para o vale.disse Mary.Que borrão! . . # as nuvens arrastavam sombras enormes atr s de si. .A nossa pobre paisagem! Devia ser interditada. nariz em gancho. acendendo outro cigarro. com uri quase triunfante. As charnecas se erguiam e es~iam al‚m da cidade.pois ˆle não trazia chapeu. e umas cal‡as grandes de flanela cinzenta. as suas chamin‚s cheias de fuligem e a sua fuma‡a. Mary fechou os olhos e pensou no tempo em que ela e Rampion eram jovens. . Um desconhecido subia o morro na dire‡ão dˆles. devia ser interditada...disse Mary.. O homem se aproximava. no mesmo tom c¡nico. olhos azuis e umq p lida cabeleira de sˆda que flutuava ao vento . Sua testa estava franzida em rugas de descontentamento. . assim que o grupo chegou .disse a jovem Mary.Pois muito bem! .Que diabo ‚ aquilo? Os outros se voltaram para o lado que ˆle indicava. Stanton-inTee~ jazia aos p‚s dˆles. Gravata vermelha. Andava sem bengala. . A aprova‡ão da m"‡a encheu o jovem militar de felicidade. mal cortada e feita de fazenda barata.Eu uso uma t‚cnica uniforme com as jovens . fazendo uma cita‡ão. Era um jovem de pouco mais de vinte anos. a perder de vista. desnudas. l embaixo. . s¢ o homem ‚ vil .sugeriu ˆle .e mandar uma centena de tiros l para baixo .T"da paisagem agrada. Realmente. .disse ˆle.Seria mesmo ¢timo.Seria ¢timo . negro com os seus telhados de ard¢sia. o outro jovem tinha o esp¡rito mais pr tico: .Se pud‚ssemos colocar uma bateria aqui . Vestia uma jaqueta Norfolk. Era evidente que tinha falado a s‚rio.Obuses pesados alvitre.Não tenho a menor id‚ia . olhando para o vulto apontado.. . O sol brilhava. Spandrell olhou de um para outra.disse o seu irmão George. 102 CAPfTULO IX .disse Mary enf ticamente.de sua x¡cara de caf‚. Estava perdidamente apaixonado. Mas George o interrompeu: . .

" um dos futricas do lugar". do alto da superioridade de sua casta. empertigando o corpo ma~ acrescentou. . Tinha o sotaque da gente do campo. Olhou para os trˆs sombriamente. "Que cara extraordin ria!".Invadi a propriedade sem licen‡a . pensou Mary. de fato. .D a impressão de que nos quer falar. Os dois jovens o examinavam do outro lado das grades. como se trouxesse uma missão muito importante. . Tinham notado a r¢tipa do rec‚m-chegado.repetiu ˆle. como se estivesse numa parada.com . Desinteressava-se de to- . uma expressão de desafio ardente no seu rosto. Houve um silˆncio. "Mas que aparˆncia doentia! Tão magro. enquanto o estranho se aproximava. examinando-os um por um.Isto os perturba9 . O desconhecido parou na frente do grupo. de longe. tão p lido. o jovem vinha direto a ˆles.li li # II i gro mui rigidamente. Nos seus olhos havia hostilidade e desd‚m." Teria sido muito mais f cil. mas musical. Havia um ar de desafio na sua atitude. " Mas os olhos d‚le a impediam de sentir compaixão. Fazia um esfor‡o enorme para falar. sem que dessem por ˆle.disse. Encarou o grupo fixamente com seus olhos fulgurantes. . . Mas falar era preciso.O ardor de seu desafio se acentuou.disse George. .disse o desconhecido. Mary respondeu pelos outros: .Boa tarde! . . Fâra essa a razão por que quisera enfrent -los.Sou um intruso . Havia tamb‚m uma esp‚cie de temor. Sua voz era um tanto aguda. esquivo. tentando melhorar o seu pr¢prio 103 . Eram brilhantes de energia. "Um instruso. F. Caminhava com rapidez e um ar de resolu‡ão. .Boa tarde! . justamente por causa do ar insolente de interroga‡ão que liavia naquelas caras mexpressivas de ricos. estava pensando George. muito mais agrad vel passar de largo. O militar voltou as costas.

Se nos perturba?---Maldito sujeitinho pretensioso e insolente! George ati‡ava a sua virtuosa indigna‡ão. voltando-se irado para a irmã. e estendeu a mão. ." . princ¡pios da mais alta gravidade. ..Sorriu para ˆle.Qual! Isso não nos incomoda absolutamente! Nem um pouquinho. Seu rosto estava muito vermelho. cala a bâca! . . que diabo! . Olhando bem dentro daqueles olhos cintilantes. afastou-se com um passo r pido. No rim de contas. pensou Mary.Que queres dizer com isso. o estranho liesitou um segundo. .Mas não nos incomoda nem um bocadinho. um novilho que cora.continuou George a protes- . Òle era apenas um h ¢spede.sujeito. Foi George quem quebrou o silˆncio.disse tamb‚m. Nem um bocadinho.Mas tu . olhando para o invasor. mais astralmente alheio .do aquˆle caso desagrad vel.disse ˆle. cena do que nunca.insistiu Mary. Mas Mary não sabia por que eram graves nem de que modo Cram importantes.Passe bem! . Não havia brincadeira naquilo tudo..e ficou a contemplar a cidade negra que se estendia no vale.respondeu ela com impaciencia.Oli. obscura e profundamente."Aprendi o meu refrão: sempre alegre e folgazão" . .. esta. a mâ‡a tamb‚m de repente ficou s‚ria. percebeu ela imediatamente. .. não havia. fazendo meia volta. .perguntou com f£ria. Apenas sentia.Pois eu acho que nos incomoda.At‚ a vista! .disse ela com voz alterada. repetindo as palavras do estranho.Apertando a mão dˆss-. nada tinha que ver com o desconhecido. E.Se isso nos perturba? .Vou sair do parque o mais depressa poss¡vel. . depois tomou a mão dajovem na sua. . mas a face do jovem desconhecido ficou tão orgulhosamente s‚ria como antes.. . O parque pertencia ao pai de Mary. e muito! Vou pedir-lhe o favor de . "Parece um novilho. Mary? .principiou George. .uma propriedade privada. O rosto do irmão ficou ainda mais vermelho. "Que ar rid¡culo ˆle tem". . Mary rompeu a rir. cantarolava o militar. que não havia motivo para riso. . quando as pessoas tˆm a franqueza de nos vir comunic ar.) . # 104 Princ¡pios importantes estavam em j"go. P"s-se a cantarolar: . ("Sempre alegre e folgazão". . . .. como o senhor.

. mas tinha de concordar em que ela era . ainda encolerizado. Sua mãe morava numa casinhola que ficava num correr de residˆncias iguais.sugeriu a sua filha.Meu Deus. o .) 105 ¥Zcontrap2. do E. . Que est£pidos!. O jovem militar emitia sons deprecativos. com garden-pariy* de caridade no reitorado. .continuou o reitor. Os seus desenhos são talvez um pouco excˆntricos.E. .tar. (N.fez o amigo militar. Mark fora contemplado com uma bâlsa de estudos. . gente de sociedade ali reunida. . o rapaz sabe desenhar. Estava apaixonado por Mary. * Fesla dada num parque ou numiardim..Um jovem muito not vel .. Algumas crian‡as da escola dominical tinham representado uma pequena pe‡a ao ar livre. um pouco .. sorrindo do alto da sua burguesia. resmungando. alguns dias mais tarde.Absolutamente sem aux¡lio. .Fant sticos . Seus irmãos mais mo‡os e menos talentosos estavam j trabalhando.e fazia alguns xelins extras com costuras. Tinha ela então 22 anos e Mark Rampion era um ano mais m"‡o.um verdadeiro cis- .exclamou George. ... Era o seu £nico defeito.. . não o achaste? . a Hesitou. Tinha uma pequena pensão o marido f"ra carteiro .txt## 11 .s vˆzes um tanto sem linha. A m"‡a olhou de um para o outro sem falar e se afastou. O dramaturgo era Mark Rampion.prosseguiu George. Aquˆle f"ra o primeiro encontro de Mary e Mark Rampion.insistiu o reitor mais de uma vez durante a sua r pida exposi‡ão da carreira de Mark Rampion. Havia terminado o seu segundo ano na Universidade de Sheffield e voltara a Stanton para as f‚rias de verão.Apertando a mão daquele pelintra! . Foi por ocasião de uma quermesse de igreja. orgulhosa de sua falta de compreensão.Um tanto plebeu.Os dois jovens a seguiram.Mas cheios de talento .. perto da esta‡ão..afirmara o diretor . al‚m do mais. quando sci que Mary vai aprender a portar-se convenientemente? .

mas recusar sem se mostrar rude ou ofensivo.Pe‡o-lhe que venha ...Eu j o vi antes . "Como ˆle h de nos estar achando imbecis a todos!". Os homens estavam fora. . A gente de sociedade sorriu perf£nct¢riamente. O Shakespeare da aldeia.ajuntou com um risinho de vaidade pessoal. Era o mecenas de saias da aldeia..insistiu ela. O pai de Mary veio apresentar felicita‡ões. seja bem recebido ou não . Quando a Sra. naturalmente. Mark não disse palavra. Tinha um fraco pelas alusões liter rias.Estas palavras fizeram Rampion sorrir um sorriso um pouco ir"nico.Terei muito prazer em ir . temerosa de haver dito algo que pudesse ter um ar protetor.. No fim de contas as inten‡ões daquela pobre mulher erarri excelentes. .. Felpham. ia at‚ o ponto de oferecer duas x¡caras de ch e uma fatia de plumcake*. Rampion quis recusar o convite . parecia ela dizer. Mary retorcia-se aflita. Com a gravata tão vermelha como sempre. o visitante foi recebido por Mary e pela mãe. "Formid vel" foi substitu¡do por "um amor". o seu sorriso exprimiam uma esp‚cie de contri‡ão divertida e tamb‚m um pedido de escusa..disse Mark. irremedi. Acontecia apenas que ela era um pouco rid¡cula. . Mary se associou ao convite. mas sacudiu a cabe‡a afirmativamente. . . O dia combinado chegou. . Tudo aquilo soava falso. bem compreendia. Felpham o convidou para o ch . para proteger a arte. esmagadores. sorrindo ainda. Felpharn aproveitou a ocasião para tentar mostrar-se .. " . Exceto pedir desculpa. altura. Seus elogios ca¡ram.Mas suponho que o senhor continuar a viol -lo. A emenda não prestava: era irremedi. sâbre a delicada pecinha como o tropel dum bando de elefantes. . Enquanto Rampion hesitava. devia interessar-se pelo drama. Mary reconheceu nˆle o invasor. Via o absurdo da situa‡ão. Depois chegou a vez de sua mãe. voltando-se para a Sra. O papel era c"mico. segundo pareceu . O prod¡gio foi apresentado. A Sra. Rampion se apresentou.velmente falso. "Absolutamente nada. "Mas que ‚ que eu posso fazer?". e. E seus olhos.Ele est ao seu dispor. Mark tinha sempre o mesmo sorriso ir"nico nos l bios.Violando o seu miradouro.vel mente fora de prop¢sito. Mary corou.. pescando. Ela o sentia.acrescentou. dizia consigo. era que nem ela mesma podia ter dito nada melhor. .ne do Tees . . Mas o pior.. um risinho quase de culpa.disse ela. com uma risadinha nervosa. m"‡a.

Caminharam abaixo e acima entre as rosas aquelas rosas que Mary devia renegar. S ¢rnente mais tarde.Oh! Est claro que não . Mas a nega‡ão e as desculpas seriam uma ofensa. o animal ergueuse sâbre as patas traseiras e pousou nela as dianteiras. . Um perdigueiro.s faces de Mary. chegou-se para ˆles saltando. .Não gosta das pe‡as dˆle? .Obrigado. .protestou Mary. a casa gris e austera.. Era melhor ficar calado do que dizer o que penso a respeito de Barrie. o tanque com o repuxo.disse ˆle. O sangue subiu .Se gosto? Eu? . ao fundo..Temo que sua mãe me tenha achado muito mal-educado .A senhora pode fazer esta pergunta aqui. . do E) # 106 . Porque eu fui mesmo descortˆs. de estilo georgiano. Barrie ‚ um insulto.* Mo recheado com uvas passas. quando a Sra. Felpharn o abandonou. Fui descortˆs para não ser mais descortˆs ainda. fiâres pelas quais devia pedir desculpas. Continuou a falar nesse tom. o terra‡o alto com as pimentas-das-paredes e as aubri‚cias que sa¡am de entre as pedras. Mary gritou-lhe o nome. para come‡ar a apreciar Barrie. .Mark Rampion deteve-se e olhou para a interlocutora. Mas naturalmente ela achou. Houve uni silˆncio.E fez um gesto que mostrava as ffires. Quando nos achamos sentados s"bre os fatos nus. garantidas. parecia-lhe. L ca¡mos na realidade dura.. que teria ela dito? .Não gosta das pe‡as de Barrie? Sou louca por elas. Rampion não fez coment rios. retou‡ando desajeitadamente. como a um "osso duro de roer" e encarregou Mary de lhe mostrar o jardim. Rampion p"s-se a rir.. .Mas venha comigo a Stanton e fa‡a-me l a mesma pergunta. . com uma cordialidade excessiva. nâvo ainda mas j enorme. enquanto ambos caminhavam ao longo das lisas al‚ias ladrilhadas entre as roseiras. preciso que a gente tenha pelo menos umas cinco libras por semana. (N. foi que Rampion descerrou os l bios. sem uma boa almofada de ar entre n¢s e os fatos.

Parece-me que gosto mais de animais do que de gente . depois de curta pausa: .Riu.O senhor bem sabe que não era isso que eu queria dizer . . Nas pessoas de sua pr¢pria classe a tolice era antes uma virtude do que um defeito. Mary não queria permitir que ˆle fâsse simplesmente polido.Encarou o rapaz. estava a ponto de protestar. . pelo menos ˆles são sinceros.Porque. não ‚ mesmo? . . Se ver os bairros prolet rios. não? .Mas não poderemos descobrir..Não somos um jardim zool¢gico.disse Mary enquanto se defendia das festas pesadas do cão. Terrivelmente tolos. Ser inteli- .Haveria alguma utilidade na minha volta? Isto se parece um pouco com uma visita interplanet ria. mas não pense que eu lhe v servir de cicerone . . ..respondeu ˆle com ironia. # quer # 107 Mary corou fortemente.Est bem certa de que não era? Quando se ‚ rico.Pode ser atravessado. Ambos andaram a conversar por entre as rosas alguns minutos mais.Sim.Mas o tom de sua voz era de d£vida. Mary ficou abismada e deliciada com essa compreensão tão r pida. gente que não usa almofadas de ar. . . olhe l . com certa melancolia. se tentarmos" . . . E ajuntou. não vivem sâbre almofadas de eo ar como a classe de gente com quem a senhora trata . .afirmou ela -. fazendo ressaltar a obscura rela‡ão que havia entre a observa‡ão dela que ˆle tinha dito antes.Mas h de voltar.. não acha? . Mark tinha arqueado as sobrancelhas. o caso do peixe. Uma pessoa como a senhora não pode absolutamente ter uma id‚ia do que ‚ não ser rico. no fundo.respondeu ela.Eu gostaria de conhecer melhor as pessoas do seu meio .Pois eu não tive essa impressão . suponho que possa. ou coisa que o valha.Suponho que o senhor nos acha a todos muito tolos. n¢s somos tolos. .. não somos ind¡genas que usam costumes esquisitos.H um abismo enorme. depois Rampion olhou o rel¢gio e Xisse que era hora de partir.disse Rampion. Como pode um peixe imaginar como ‚ a vida fora da gua? .Sim.Bem. ‚ dificil pensar de outro modo. . gente sincera. dirija-se ao reitor.

sindicato.pelo menos ainda não o estava. Rampion.A senhora esta me parecendo um agent provocateur* .) 108 "Ela parece uma for‡a da natureza".gracejou ˆle . ou ainda no curso de alguma manifesta‡ão. * Pessoa que. era um menino delicado. Mas são v¡timas do seu gˆnero de vida. Rampion tinha levado Mary a indagar se não existiam coisas melhores do que a seguran‡a social que tem sua origem no fato de ser gentleman. investia contra o vento £mido. A inteligˆncia não era uma coisa. Ela tou do elogio. Òle as envolveu numa crosta e lhes p"s uma venda nos olhos. que. em um partido. afim de provocar uma repressão violenta. Disse-lhe isto um dia. (N. Mary não era corrompida . Mas devemos reconhecer que o seu gˆnero de vida não estimula precisamente a inteligˆncia. Rampion sorria para ela. Mary e Mark se encontraram v rias vˆzes no decorrer daquele verão. minhas opiniões não tˆm absolutamente nada de descorteses. Admirava as qualidades f¡sicas que pessoalmente não possu¡a.-Wasfiir ein Atavismus!* "Era o que dizia sempre de mima minha .absolutamente segura. Gostava da sua franqueza. . Mas. do E. Mary era uma gosCW‚cie de Diana guerreira das charnecas. Na presen‡a dˆle a m"‡a não sentia nenhum orgulho de ser t"la. sociedade secreta. impele outras a cometer excessos. Era magn¡fico. As pessoas do seu meio não são mais n‚scias do que as outras.gente demais era arriscar-se a não ser gentleman. na verdade. Em geral passeavam juntos pelas charnecas. que for‡a e que sa£de. de cabe‡a baixa. Quanto a # ˆk. . Uma grande or‡a f¡sica. Por natureza uma tartaruga não pode ser mais n‚scia do que uma ave. Havia algo de sincero naquela mâ‡a. Que energia.que procura levar-me a dizer coisas descorteses e subversivas com rela‡ão aos meus superiores sociais. pensava Mark olhando para a . que vivia sempre doente. Não são mais n‚scias por natureza.

. Foi um verão chuvoso e frio. o rapaz estava p lido e magro. Quando ela lhe perguntou pela sua saude ˆle a interrompeu. Pode-se ser um b rbaro do intelecto. do E) 109 . . o instinto. com todo o conf"rto moderno. Felpham". mas como se lembrava pouco dessas coisas! Para ela não tinham passado de velhas e curiosas obras de arte. E come‡ou a falar a respeito de Casamento do C‚u e do Inferno. bem como um b rbaro do corpo.velha governante alemã.Blake era civilizado . como t"das as * Mas que atavismo! (N.insistiu -. .. o sentimento. Grandes animais dotados de alma. leu ela. Rampion riu. Um atavismo . "Apanhei est£pidamente um resfriado. Primitivos inteligentes. A razão.continuou depois. a vida do corpo Blake conseguiu englobar e harmonizar tudo.Palavra que a invejo. A civiliza‡ão ‚ harmonia e plenitude. Blake foi o £ltimo homem civilizado.porque não tenho palavras para lhe dizer como estou aborrecido e indignado comigo mesmo . Mary sentiu-se terrivelmente envergonhada. a tosse ainda o atormentava. Acho que ela tinha razão: eu sou uma esp‚cie de Atavismus. .Viu os originais? . Um b rbaro da alma e dos sentimentos. A barb rie consiste em pender mais para um lado do que para outro. quase col‚rico: .‚ o que dever¡amos ser todos n¢s.perguntou ˆle.Em alemão isso parece absurdo. O cristianismo nos fez b rbaros da alma e agora a ciˆncia nos est fazendo b rbaros do intelecto. Atavismos.e me perdoar se eu pedir o adiamento do passeio para daqui a uma semana?" Na pr¢xima vez em que Mary viu Rampion.disse em tom brusco. vista da letra de Mark sentiu um estranho prazer. E mudou de assunto.. e . civilizado. Tinha visto as sepulturas pintadas de Tarq¡nia.Estive relendo Blake .Estou perfeitamente bem . bem como da sensualidade. Quer a senhora mostrar-se mais condescendente do que eu . Falou dos gregos e daqueles etruscos nus e tostados de sol das pinturas murais dos sepulcros. . Mas em si mesmo não ‚ de todo absurdo. Na manhã do dia fixado para um daqueles passeios Mary recebeu uma carta de Mark: "Prezada Srta.

.Por falar em barb rie. It lia no ano anterior. Sua maneira de falar era vagarosa e tranqila. Deveria dizer algumas palavras de simpatia s"bre a tosse. revela uma fraqueza que de ordin rio se d penosamente o trabalho de esconder. Ramp¡on não pareceram achar dificuldade em estabelecer contato espiritual. A Sra.J ouviu algo de mais b rbaro do que a tosse? Uma tosse como esta não devia ser permitida numa sociedade civilizada. . em companhia da mãe. . como a que a gente sente quando se vˆ diante de um homem que.. . ou fingir que não a tinha percebido? Rampion resolveu o problema aludindo pessoalmente ao assunto. sabiam viver harmoniosamente. S¢ uma vez Mary viu alterar-se~lhe a maneira de ser: foi quando. e que tinha uma expressão f¡sionâmica de calma dignidade e resigna‡ao. As mulheres são t"das as mesmas. Falava em tom de aborrecimento. Cacarejando como galinhas atr s dos pintinhos . .disse ˆle quando o acesso passou. . Estava inquieta e experimentava ao mesmo tempo uma sensa‡ão de embara‡o e de vergonha.Mark levou Mary para ver sua mãe.. Mary e a Sra.com um pouco de apreensão . por descuido. impaciente.As mesmas palavras de minha mãe! Palavra por palavra. . por ocasião de sua viagem . estando Mark fora do quarto a preparar o ch . ainda bonita. era como se não as tivesse visto..come‡ou ˆle. . Rampion era uma mulher de perto de cinqenta anos. se tivesse recursos para ir . com todo o seu ser. contra si mesmo.Mas pense em com~ os homens seriam desgra‡ados se n¢s não cacarej ssemos! Alguns dias mais tarde . Mary esperou que o paroxismo passasse.. mas foi interrompido por um violento acesso de tosse. Em suma. As apreensões eram infundadas.Òsses eram civilizados . Ao passo que Mark. . It lia. Òle se pâs a rir. ela come‡ou a falar do filho.# ii outras velhas obras de arte inumer veis que ela visitara regulamentarmente. como se estivesse encolerizado contra o mundo.Falava com uma esp‚cie de paixão... Mary ofereceu o reconforto de sua solicitude e bons conselhos. . .dizia Rampion -.N¢s somos todos b rbaros . seu sorriso era amargo e tra¡a a c ¢lera. talvez. . completamente..

Não sou bastante impertinente para me arvorar em juiz dos meus superiores.Não tem direito. não deve ser resignado. . Por‚m com mais conforto. m . . ' . mesquinha. quando a acompanhou at‚ a sua casa. .Ela ‚ de fato admir vel. em condi‡ões mais higiˆnicas. Corajosa.Não. .ra- .Se ao menos Mark fosse mais forte! Se ao me110 nos eu tivesse tido recursos para o educar melhor! Òle foi sempre delicado. . Mary não fŠz coment rios.Seu rosto se tornou grave.Que pensa dˆle? .Que achou de minha mãe? . Mas est se vendo que o paz ‚ algu‚m. sorrindo com prazer. forte e perseverante. Gostei muito.Òle ‚ algu‚m .Soltou um pequeno suspiro e..Ela não tem direito de ser.Mas essa me pareceu justamente uma de suas qualidades dignas de admira‡ão! . inclinando-se para a frente s"bre a visitante. olhos postos no chão. resignada . . Deve antes ser revoltado. Mais uma vez se sentiu cheia de vergonha. . com um brilho s£bito nos olhos. .Que ‚ que penso? . inclinando-se para tr s na sua cadeira.. . .respondeu Mark. não sabia que dizer.Mary riu. Devia ter sido educado com um cuidado maior do que o que me foi # poss¡vel dar-lhe. Rampion. mas eu adivinhei quando a vi . Quando a gente tem unia vida como a dela. acabrunhadoramente cheia de vergonha. Mas qual! Não tive meios para isso. . deixou-se ficar ali sentada em silˆncio.Sacudiu a cabe‡a. Rampion fez com a cabc‡a um gesto de assentimento. .Foi o que eu sempre disse..perguntou-lhe Rampion mais tarde.perguntou a Sra. . muito mesmo.Não. A Sra. algu‚m de importƒncia. essa maldita religião.Gostei dela.repetiu ela. Mas ‚ resignada demais. Eu lhe disse que ela era religiosa? . os bra‡os cruzados. . . franzindo a testa. Rampion sacudiu a cabe‡a num gesto de aprova‡ão. não digo com mais cuidado .. Embora ela me tenha feito sentir pequenina. 1 1 sto tamb‚m ‚ outra maneira de dizer que eu admirei a sua mãe e qVe gostei dela por causa dessa admira‡ão. Eis a hist¢ria... Eu lhe dispensei todo o carinho poss¡vel.

Ao cabo de algum tempo a mâ‡a escreveu para lhe perguntar o nome dum livro a respeito do qual ˆle tinha falado em uma de suas palestras.Eu me revoltarei por milhões de pessoas.respondeu ˆle. No fim do verão Rampion voltou para Sheff ield e pouco tempo depois os Felphams floram para o sul.E eu lhe agrade‡o por sˆ-lo . por enquanto. Rampion foi a Londres. Mark Rampion ficou comovido com a franqueza da confissão.Mas o senhor não ‚ um dos meus amigos? . intelecto.Mas o senhor sabia que eu ia ficar contente. . . Mary esperou uma carta dˆle. para a sua residˆncia de Londres. Não deixou Mary saber de sua presen‡a senão na v‚spera da partida. Mark respondeu. ainda que sem razão.S¢ pensa na alma e no futuro. ficou desapontada por não recebˆ-la.perguntou ela em tom de censura. O pretexto era bem fr gil.ricos. . S¢ a alma e o futuro e.continuou Rampion. . Para ela não h presente. E o sorriso ir"nico trazia impl¡cito o adjetivo . nem corpo. Esperava ter noticias do amigo.Deixemos que sua mãe fique como ‚. Mas. As semanas passaram. quando soube que o amigo estava em Londres havia dias. . tivera alguns trabalhos aceitos pelos jornais e estava rico como nunca: tinha 10 libras para fazer com elas o que quisesse. fazendo que não percebia o subentendido. Haver sa mais b rbara do que isso? Ela devia rebelar~se. . O senhor pode se revoltar pelos dois . Rampion riu. . Não havia nenhuma razão boa para escrever.A senhora tem os seus amigos.respondeu ela.nem coi- . com a .. Ser mais feliz assim. nem passado. .Mas por que não me disse antes? . -. ..Agrade‡o-lhe por dizer isto. sem afeta‡ão nem faceirice.perguntou ela. Foi Mary quem escreveu a primeira carta. a resigna‡ão. ficou assim estabelecida a correspondˆncia# III Por ocasião do Natal. mas Mark não escreveu.uma b rbara da alma .Não quis infligir-lhe a minha presen‡a . mas serviu. ela agradeceu.

. . mas saber duma verdade e ouvir essa verdade são coisas diferentes. Encontraram-se outra vez em Stanton na semana da P scoa. Feipliam. mo . absurdamente felizes. .quele tom ir"nico com o qual fazia t"das as suas alusões . quando chegou a hora da separa‡ão. Passaram a tarde juntos. vida que Mary levava como membro da classe rica. Por que come‡ara ˆle de s£bito a destruir retrospectivamente a tarde que tinham passado juntos? . . o não lhe haver ‡scrito antes ..disse ela. "Vocˆ mesmo saber ?" Estava claro que sabia.repetiu.Não sei por que fala dessa maneira . então. Não ‚ uma noite ideal? Sua voz estava saturada dum desd‚m selvagem.repetiu ela..Vocˆ h de se divertir -. Era idiota ter tais sentimentos. exager damente felizes. gente distinta. . . com mais amargura. não queria aceitar nada dela. Não tinha recursos para sair com a m"‡a.Vocˆ mesmo saber ? 112 A pergunta ficou ressoando no c‚rebro de Rampion ainda muito tempo depois que ambos se separaram. o teatro. era claro. depois. e imediatamente arrependeu-se destas palavras.Eu não teria tomado ˆste compromisso aborrecido para a noite. Porque elas eram hip ¢cri~ tas.. Mas tamb‚m sabia da existˆncia dum abis# dade. conversa‡ão espirituosa e. . Que interˆsse havia naquela felicidade de dois sˆres que se achavam separados por um abismo? .sinceridade e simpleza do sentimento da Srta. . . A expressão de felicidade fugiu do rosto de Rampion. voltando . s£bitamente cheio de desgâsto por se ter sentido feliz na companhia dela. Sabia. bons vinhos. Bom jantar. fâra orgulho. Mary fitou os olhos nˆle: utis olhos cheios de tristeza e de dor. No intervalo tinham trocado muitas cartas e Mary recebera uma proposta de . que o admirava..Vocˆ h de se divertir . .Perdoe-me.afirmou-lhe Mark. A verdadeira razão pela qual se conservara afastado de Mary não f"ra o mˆdo de ser mal recebido.disse ˆle.Se ao menos me tivesse avisado. que ela gostava dŠle.

.continuou Mary -. disse ela de si para si. ." Os dias passaram. Mary sentiu-se desapontada e ao famesmo tempo envergonhada d9 seu desapontamento.Mas o seu acabrunhamento tinha outras causas al‚m da perspectiva de ter de se consagrar ao ensino. A £nica que se lhe apresentava de imediato porque ˆle não tinha recursos para esperar -. Não passa duma massa informe.pois eu sei -. Quando Mary lhe perguntou a razão disso. Parecia-lhe que não. Mark não fez coment rios. Rampion andava silencioso e sombrio.casamento do amigo militar que falara em trazer a artilharia pesada para arrasar Stanton.A gente não pode casar com um fantasma. "Ser que ela vai rir de mim se eu a pedir?". ensinar! Espianta-se por eu me sentir deprimido? .dizia o rapaz com um horror enf tico -. . Houve um longo silˆncio. perguntava interiormente. ˆle falou com tristeza de seus projetos de futuro. No fim do verão terminaria o curso da universidade. do seu solid¡ssimo fantasma militar. E porque não? E al‚m disso . a m"‡a recusou o pretendente. seria tempo de pensar numa carreira. Explodiu numa gargalhada. A gente não pode casar com uma pessoa que não existe. ela parecia arder. . Com surprˆsa e uma tal ou qual tristeza dos pais. "Eu acho". Mas acontece simplesmente que ˆle não pode ser levado a s‚rio. Passeando com Rampion pelas charnecas.Pensou na face violentamente viva de Mark Rampion.era o magist‚rio. ‚le na realidade não existe.garantiu Mary.Não sei de que est s falando tornou a Sra.Ensinar .Eu sei muito bem. isto ‚ o que importa no caso. Mas uma vez que ela não tivesse a inten‡ão de recusar. parecia palpitar e irradiar luz. mesmo quando ‚sse fantasma ‚ tang¡vel e consistente sobretudo quando ‚ consistente. Felpham com digni. Não ‚ duma maneira completa. "eu acho que estava procurando zer que ˆle me pedisse em casamento.Eu sei.Mas ‚ um ¢timo rapaz . seria correto de sua parte pedir-lhe? Seria direito fazˆ-la entrar naquela esp‚cie de vida que teria de ser a de 113 .insistira a mãe. no fim de contas. . E. . Mary lhe contou da proposta do seu s¢lido. .

. Mary voltou-se para ˆle e. Casou com um dramaturgo que nunca tivera uma pe‡a representada. . Foi Mary quem fez que ˆle abandonasse todos os projetos de ensinar e confiasse exclusivamente no seu talento para fazer carreira. sujeita a ser despedida com notifica‡ão pr‚via de uma semana. casou com um pintor que nunca vendera um quadro. Antes e depois do casamento Rampion teve muitas ocasiões de admirar aquelas virtudes que a riqueza alimenta. Eu apenas estou tentando p"r-me de ac"rdo com as suas regras morais.' . O pedagogo era o seu bode expiat¢rio.Então? .Pois então. Caminharam durante muito tempo em silˆncio. Ela tinha confian‡a por ambos. dentro dessa medida. .disse Rampion por fim. Coragem e confian‡a em nos mesmos! Pois vou lhe dizer que a amo. O espectro da fome o .# ambos uma vez casados? Talvez at‚ ela tivesse dinheiro seu. Não h nada como o dinheiro para dar coragem e confian‡a em n¢s mesMOS. . Rampion pâs-se a rir. o dinheiro ‚ um bem.Não vou casar com um mestre-escola . -.perguntou Mark em voz alta.Tentou rir. vocˆ mesma o diz..Vocˆ não faria essa pergunta se tivesse de viver de um ordenado semanal.Mas ser que posso? Pelo menos a pedagogia ‚ garantida . levou-a aos l bios.Bem. le esperava..insistia. .Vamos morrer de fome .confian‡a em n¢s mesmos são virtudes. E não casou mesmo. . . A coragem e a. . e neste caso a honra dˆle estava em j"go.perguntou Mary.perguntou por fim.Mas por que haver de ser pedagogo. . . tomandolhe da mão. seu cora‡ão batia como se tivesse mˆdo. bem . quase com desd‚m. . exceto na festa de caridade de Stanton.. .A coragem e a confian‡a em n¢s mesmos são virtudes. quando sabe escrever e desenhar? Pode viver do seu talento .. olhando para a companheira vocˆ ‚ a culpada.profetizava ˆle. Houve outro silˆncio longo.Por que ˆsse desejo de garantia? . .Pode imaginar-me no papel de pedagogo'.

. tua custa . Rampion o tinha visto demasiadas vˆza para poder desdenh lo. taxa corrente. Se não fosse por um certo sentimento de responsabilidade que tinha para com o seu pr¢prio talento. fazia Rampion hesitar em optar por uma carreira aleat¢ria era que s¢rnente o podia fazer . Viver s do meu dinheiro por um ano ou dois.. no que dependesse dˆle. .. Tinha razão. # .s dificuldades. ou teria enveredado pelo caminho seguro da pedagogia. nenhuma ainda passara fome. na carreira liter ria..era f cil demais. . Das pessoas que conhecia.insistia ela -. minha custa. era furtar-se .. não viver s por muito tempo ...Não que ˆles estejam l muito ansiosos por me dar alguma coisa... era prevalecer~se de uma vantagem injusta. trata-se simplesmente de um emprˆgo de capital. .Não posso viver . Quando por fim consentiu em aceitar o dinheiro.ajuntou ela com uma risada.dizia Mary. Fˆ-lo com relutƒncia.. 114 . em qualquer caso . firme na certeza de que ningu‚m morre de inani‡ão. . acima de tudo. Come‡ar a vida com 800 libras . . não corria o menor perigo de Ficar rica.continuou ela -... O que. Mary. tua custa o resto de minha vida. . O horror do pai diante do mau casamento foi tão profundo quanto ela esperava. .Mas não me est s privando do meu dinheiro .E.perseguia. Rampion teria recusado aquˆle dinheiro e se teria lan‡ado terner. Mary concordou. custa de Mary. . Tolices! E venceu.Tolices! . Òle concordou por fim em tomar-lhe emprestadas 800 libras .. no fim de contas. sentindo que de alguma maneira estava traindo a sua pr¢pria gente.Não posso aceitar o teu dinheiro.. e então eu viverei . f-e-lo com a condi‡ão de que nunca aceitaria nada dos parentes da mulher. um negocio.riamente. Mark Rampion teve de rir.dizia ˆle. Eu emprego um capital na ~an‡a de obter bom lucro. ‚ at‚ uma esperteza. cabe‡a baixa e bolsos vazios. Oitocentas libras não duram uma eternidade.

Hei de aprender a caminhar de p‚s descal‡os. Rampion sugeriu que voltassem para buscar os sapatos. parecia absolutamente estranha e extraordin ria. S¢ muito tarde ‚ que deu pela falta. Tomaram o trem at‚ Dijon e dali seguiram a p‚ para sudoeste. Jesus era um pobre.Não vale a pena incomodar-se.insistiu. E aprendeu mesmo.Lembra-te de que não ‚s mais rica .Não te posso dizer da felicidade que sinto em não ser "gente fina".respondeu ela.Casaram-se em ag"sto e imediatamente partiram para o estrangeiro. no entanto . aos olhos de Rampion. Mark. em que ela deixou o par de sapatos esquecido na fazenda em que tinham passado a noite. por exemplo. num celeiro.acrescentou ela.Os nossos recur115 # sos não permitem que joguemos fora um bom par de sapatos. . .E. Ele nasceu com o t¡tulo.Estão perdidos . parodiando Longl`ellow. -. Ela não tinha s¢mente aquela confian‡a em si mesma. vivem terrivelmente preocupados . Rampion nunca tinha sa¡do da Inglaterra.. detentor de um direito divino. da nova liberdade que tinha adquirido. Em sua fam¡lia o pão e o cal‡ado do amanhã deviam importar muito e muito. Incidentes m¡nimos causaram-lhe impressão.declarou ela uma noite em que dormiam s"bre feno. . . E o Atavismus que se revela.Nasci para ser vagabunda .disse. Que os sapatos enterrem os sapatos .respondeu ela impacientemente.Porque Jesus era um dos duques criados pela natureza . Os milion rios que fazem a sua pr¢pria fortuna estão sempre pensando em dinheiro. . mas tamb‚m era senhora duma aud cia que. .meditava Rampion -. Tu te atormentas demais.Eu sei. E a pr¢pria Mary não era menos simb¢licamente nova do que o pa¡s que ambos atravessavam.. eu sei . . O que havia de estranho na Fran‡a era para ˆle o s¡mbolo da vida nova que acabava de iniciar. Mark ficou muito zangado com a mulher. . como um rei. Como podia ˆle então falar do futuro como um milion rio? . rumo da It lia. Não poderemos comprar um nâvo antes de voltarmos para casa. . Considera os l¡rios do campo . Aquela ocasião. Mary não lhe quis dar ouvidos.Eis o porquˆ.

que cuides da casa. não pobres com 1000 libras por ano. uma m quina costura autˆntica .. aquˆle entusiasmo infantil. . era um gˆnio.Pensa bem .Pois quem h de achar isso desagrad vel ser s tu . que remendes a roupa. maneira de Maria Antonieta. -.avisara ˆle antes do casamento.sobreviveu aos primeiros meses de novidade e tz‡¡o. do que o cal‡ado e do que o amanhã. . . -Vamos ser pobres.Isto havia de me matar de aborrecimento. Não haver criados. como os teus amigos pobres. para fazer as coisas . Não se comprazeu menos com a vida mais prõsaica e sedent ria que ˆles levaram depois. Mas meditou sâbre as palavras da esp"sa e s"bre a sua maneira de viver espont nea.para cozinhar num fogão de verdade de exci..Pelo menos enquanto eu não aprender a cozinhar .lhe o Aiavismus.disse Ram-pion. Mary nem sequer sabia fritar um âvo quando casou corri Mark Ram~ pion. usando uma verdadeira m quina de varrer tapˆtes. Mary limitou-se a rir. Mary continuou a divertir-se. Elas tˆm a sua recompensa. Deus # .assim lhe chamou Rampion quando a viu trabalhar na cozinha.E. "Maria Antonieta no Trianon" . Não era apenas da vagabundagem que Mary gostava. Mas. era artista. al‚m disso. Não tinha nada dˆsses fabricantes de sabão nem dˆsses financeiros que se fazem nobres.com o arrianhã. . Coisa bastante estranha. . al‚m do mais.Eu nunca poderia voltar a ser uma perfeita dama de sociedade costumava ela dizer. Verdadeiramente pobres. E invejou.respondeu ela. natural e imperturb vel. Tinha preocupa‡ões mais importantes do que o pão. e Mary fazia aquˆle trabalho com um entusiasmo tão infantil! -. Não cuidava das aparˆncias. quando voltaram para a Inglaterra. Jesus tinha o sentimento verdadeiramente ducal de jamais decair da sua condi‡ão. depois acrescentou: -. pouco se me d que tenhamos ou não o aspecto de espantalhos. quanto a mim. E. Ser preciso que v s para a cozinha...Tu te mimoseaste com uma bela por‡ão de elogios -. Mary ficou silenciosa por um momento. Jesus não era "fino". Era um aristocrata autˆntico.

estaria a dizerlhe p¢sturnamente que ˆle. era fino demais para levar a vida que ela levara. sua pr¢pria gente. porque sentia que ela o estava compelindo a fazer coisas t"las e rid¡culas.Porque não? . . Mas viver completamente sem contato com os fatos ordin rios da existˆncia. Viver como rico. .‚ muito pior.protestara ˆle. diante do h bito que Mary tinha de ficar na cama de manhã! Quando ela sentia pregui‡a. Mesmo quando ˆle j estava tendo um rendimento perfeitamente razo vel. .Porque não? Porque não podes.Elas precisam de humo e argila e estˆrco. não se levantava e acabouse.Posso e fico. Opunha-se a transformar a arte e o pensamento em desculpas para viver uma vida de abstra‡ão. por exemplo. odiando-a. e. Rampion era da mesma opinião. o casal mantinha apenas uma criada e continuava a fazer s¢zinho uma grande parte do trabalho dom‚stico. Como ficara absurdamente escandalizado. .j traba- SaU como pode ser cac‚te e exasperante dirigir uma casa. A primeira vez que isso aconteceu. Mark Rampion... ˆle ajudava Mary no trabalho dom‚stico.sentia ˆle uma especie de trai‡ão . . Havia ocasiões em que Mark odiava aquela obriga‡ão moral. numa confort vel abstra‡ão dos cuidados materiais. Se se deixasse ficar sentado na sua cadeira e pagasse criados para fazer o servi‡o.disse Mary calmamente. Era ˆste o seu argumento.. viver num planˆta distante do mun~ do cotidiano. sua classe.Não se pode esperar que brotem fl"res num v cuo bem limpinhQ. Era para ˆle um caso de noblesse obl¡ge* . Para Rampion havia tamb‚m uma esp‚cie de obriga‡ão moral de viver a vida dos pobres. estaria de alguma maneira insultando a mem¢ria de sua mãe.Mas etiposso. de roture oblige**. fazer lhos dom‚sticos. tentava revoltar-se contra ela. Nos intervalos entre seus trabalhos de pintor e escritor.Mas tu não podes ficar na cama t"da a manhã . seria . Assim C a arte. . . Rampion ficou verdadeiramente angustiado.ou antes. Achou aquilo chocante. . como percebeu ˆle mesmo ao ten- . da realidade f¡sica . Sem motivo.. cuidar dos filhos.

pensava Mark. Ficou escandalizado porque Šle sempre se levantara cedo. Levantar tarde era. Mark ficava escandalizado quando Mary não se levantava de manhã. de certo modo. Procurava não ficar.Imagine-se um grego com ˆsses sentimentos! Era inimagin vel. Mary era assim. at‚ meio~dia. permanecia algumas vˆzes na cama tamb‚m. do E. por mais que ˆle desaprovasse aquˆle sentimento. Roture signirica '~piebeismo ". E. "a nobreza obriga". Era seu dever não ser um b rbaro da consciˆncia. Rebelando-se... (N. ‚ um sacrificio propiciat¢rio para apaziguar a pr¢pria consciˆncia. expressão que signfflca. uma afronta.) " F-Vressio criada por analogia com noblesse oblige. o fato permanecia inalterado. por princ¡pio. Ser um perfeito ani mal e ao mesmo tempo uma criatura humana perfeita. Não passam as noites em claro.* Literalmente.a pessoa que nasce nobre deve comportar-se como tal. a verdade era que o sentimento continuava a existir nˆle. . eis o ideal . chorando os seus pecados". no entanto. co~ mo descobrir-se numa igreja. "Não se deve pensar assim". E. Ficou escandalizado porque não se devia ficar na cama enquanto os outros estavam de p‚ a trabalhar. Mas foi preciso muito tempo para que ˆle pudesse gozar verdadeiramente da sua pregui‡a. Levantar quando nada nos obriga a isso ‚ simplesmente um tributo de respeito. do E. apesar de tudo. Apesar de tudo. "Mary ‚ mais sã do que eu". E.. mas ficava.) # 117 tar analisar os pr¢prios sentimentos. E leinbrou-se dˆste verso de Walt Whitman sâbre os animais: "Òles não padecem nem se lamentam por causa de sua condi‡ão. porque toda a sua gente tinha sido obrigada a deixar sempre a cairia cedo. (N. era bom ser assim. no entanto. o fato de uma pessoa levantar cedo sem necessidade não auxiliava em nada as outras que levantavam cedo por obriga‡ão. refletia Mark Rampion. ao mesmo tempo. ficou escandalizado. Mas. .

E. Òsse sistema. Mark fora educado exclusivamente por uma mãe virtuosa e religiosa que fizera o poss¡vel para abolir nˆle todos os componentes instintivos e fisicos de seu Ser. escandaliz -lo ainda mais profundamente. come‡ava a falar naquela sua maneira calma e # terra-a-terra de coisas de que ˆle s¢ tinha ouvido falar longinquamente e duma maneira deprecat¢ria. ap¢s refletir um instante. o canto. pela espâsa. admirava a maneira franca como ela gozava a comida. para que o filho lhes negasse a existˆncia. secretamente e contra seus proprios principios. Mary cedo aprendeu a reconhecer os sinais da desaprova‡ão inexprimida do companheiro e adotou como regra.s um velho puritano rid¡culo . mas s¢rnente em esp¡rito e não na pr tica. o teatro. porque ˆle sabia que era bem fundado. e ainda mais por educa‡ão. cada vez que percebia que o tinha escandalizado. o rapaz se tinha revoltado contra os ensinamentos maternos. no entanto. as feiras.disse uma vez ao marido. -. o vinho.Os h bitos de dorminhoca não eram a £nica coisa que o atormentava em Mary. sob o nome de fornica‡ão e adult‚rio ~ se sentia chocado. os beijos. os prazeres de t"da esp‚cie. sempre que Mary. nos primeiffis tempos do casamento. mas numa camada mais profunda de seu ser. aprovava Mary). a dan‡a. Te ¢ricamente Mark aprovava a tolerƒncia larga e aristocr tica de Mary para com um gˆnero de comportamento que . Mark era meio puritano. O conceito da vida contra o qual se rebelara era uma parte integrante do seu pr¢prio eu. não em sua razão (porque a sua razão. At‚ certo ponto de ber‡o. pensava ela. E essa mesma parte de seu eu sofria obscuramente por causa . Crescendo. Morrera-lhe o pai quando ˆle era ainda crian‡a.segundo lhe ensinara a mãe 118 eira horrivelmente pecaminoso. Durante aquˆles primeiros meses do casamento ˆle foi muitas vˆzes chocado. s¢ lhe poderia fazer bem. ˆle estava em guerra contra si mesmo. O gracejo o aborreceu.

de choques e surprˆsas. Mais tarde.Não: uma mulher. numa argumenta‡ão coerente sob o ponto de vista emotivo. . para provar isso . Mas eu gostaria de saber continuou ela com uma ausˆncia de conexão que era ape~ nas aparente onde estarias tu hoje sem mim. . por causa da sua risada f cil. as alternativas. melhor do que ningu‚m. .Eu estaria onde estou e a fazer exatamente o que estou fazendo agora. Sentia-se alegre por terem-no as circunstƒncias obrigado a aprender penosamente a sua nobre selvageria. estou quase 119 # . Mas divertia-se com aborrecˆ-la. . quando j tinham atingido o grau de intimidade rec¡proco imposs¡vel nos primeiros meses de novidades. Rampion pâde falar a Mary a respeito daquelas questões. .A vida te vem f cilmente demais . companheira. da sua sensualidade franca. Houve momentos em que o seu amor . .O que ‚ uma maneira polida de dizer a mesma coisa.Estava claro que Mark não falava s‚rio..acrescentou ela -. sim.. o quanto tinha aprendido de seu exemplo e de seus preceitos.Ela não tinha direito de me educar daquela itianeira . Rampion levou muito tempo para desaprender o puritanismo de sua meninice.. .Tu não conquistaste a tua sabedoria. mãe quase se transformou em ¢dio. E.daquela grande e irrestrita capacidade que a mulher revelava para o prazer e para o divertimento. simples demais. Prosseguia de etapa em etapa.Era como um jardineiro japonˆs que propositalmente det‚m o crescimento duma rvore. sou uma imbecil. nunca compreendeste as outras maneiras de viver.verdade.mentira. .Bem sabes que isso não ‚ verdade. v rios anos depois do casamento. . Ela não tinha direito! E entretanto sentia-se feliz por não ter nascido selvagem nobre. o quanto devia .Tu vives pelo instinto. MarY estava indignada. . .dizia ˆle. Tu sabes o que ‚ preciso fazer duma maneira perfeitamente natural.tentou ˆle explicar-lhe. Porque sabia.disse Mary -. simples demais. como Mary.. .Em outras palavras . .Sacudiu a cabe‡a. . assim como um inseto quando sai do casulo. do seu excelente apetite.

como são rejeitadas.Pois eu me arranjaria perfeitamente bem . Eu quisera s¢ ver como te havias de arran- nhando no teu pr¢prio jar sem mim.Escolhem^se infelizes. . as revistas e. . o caso da pobre Hilr ct Watkins. come se o caso dela f"sse apenas um dentre cen. . . Mary corou.Mas lembras-te de que. passam. . pois ambos eram de temperamento arrebatado.Vai . Se tivesse contado. ƒmes incomprises*. Se me deixas. . era -orno unia das receitas da Sra. pareceria cinicamente impressionante.repetiu Spandrell. Mas.. em suma.-esc: lhem-se as infelizes". o seu caso coni a rapariga. e depois. nas.le general izava. muito bondoso .. est cla ro.continuou ˆle muito prudente.s deveras. estava come‡ando a zangar-se . contada numa linguagem de livro de receitas culin rias . simultƒneamente.Principia-se sendo muito.cozi- decidida a ir embora com as crian‡as e a te deixar por alguns meses mâlho. eu te deixo. nunca encontraram ningu‚m que não f"sse homem de cidade. * Qualquer uni a poderia ter conquistado.' porque. Beeton** hist¢ria. desataram a rir. ‚ste não teria dado a ijnpressao d'. ou as descontentes ou as que querem entrar para o teatro.s.continuou ela amea‡adoramente. .Que ‚ que h comigo? . Veremos como te arranjas sem mim . gabola.. ou que procuram escrever pa. general. julgava Spandreil. ainda que mal. zada daquela maneira. tanto pode ir um como outro. corn . nessa hist¢ria de ir. .Imaginas que podes viver melhor sem mim do que eu sem ti? Olharam-se um e outro por algum tempo.Pois muito bem .retrucou ela -. então eu me vou mesmo. Harriet era uma criaturinha tão sentimental.: fa‡anha muito grande. G. conseqentemente a julgai -_.disse Rampion. E elas nos acham verdadeiramente admir veis. 120 CAPiTULOX Uma t‚cnica unifor11^1~ . em silˆncio. e p2rfeitainente puro: uma esp‚cie de irmão mais velhC . Desta vez vou de verdade.) abandonada. J tinha feito antes a mesma amea‡a: o casal brigava freqenternerite.garantiu ˆle com uma calma exasperante.E tu? .

tão brilhantemente cosmopolitas e West-End (j ouviram um morador de sub£rbio falar do West-End***?) Somos bem como aquˆle cavalheiro condecorado com o Tosão de Ouro que se vˆ nos an£ncios dos cigarros De Reszke. N¢s as compreendemos tão bem. do E.. nas prinieiras semanas.. lembrando-se da expressão de admi ra‡ão assustada que vira no rosto da pequena Harriet... E elas tamb‚m nos votam um certo te mor respeitoso . tamb‚m ocasionalmente. elas nos temem um pouco. (N. com efeito.. do E. Almas incompreendidas... nem um pouquinho..id‚ias e ambi‡ões citadinas. Tão perversos mas ao mesmo tempo tão extraordin. .. E enquanto isso. mas ao mesmo tempo nos adoram.. (N. Acham-nos simplesmente admir veis porquz conhecemos t"das as coisas de arte.) # E não somos nem um pouquinho amigos do flˆrte. Temos de habitu -las .. Elas sentem que podem em n¢s absolutamente.homens . nem atrevidos como os confiar homens vulgares. conselhos pr ticos para as donas de casa. Beeton. . Tão instru¡dos. podem .Autora dum alentadissimo volume de quase 3 O00 p ginas. etc. que tra¡a de assuntos dom‚sticos: receitas cuiii.riamente bons. T ƒÖ o desembara‡ados e tão familiarizados com as grandes obras e os grande. ou dos beijos castos de titio que lhes damos na testa. por meio da .. e.. fomos apresentados a t"das a celebridades e não pensamos exclusivamente em dinheiro nem nos mes mos tˆrmos do jornal da manhã. armadilha.. .~rias. .ajuntou Spandrel]. tão viajados. regras de bOm-lom.) Sra. do T.. Sim.) *** Bairro elegante de Londres (N..Somos tão # 11 sem-cerimƒnia" e ao mesmo tempo tão "classe superior" .. conhecemos tanto a vida em geral e as almas delas em particular . ‚ preciso que elas fiquem de tal maneira mansas e confiantes que não se assustem das palmadinhas inocentes que lhes damos nas costas ao passar.

Isso se pode fazer. de modo que não h pressa. ainda falando s"bre a filosofia amorosa. O crep£sculo se acentua.biamente. trazemos coquet‚is . -. indignada. Ch no nosso apartamento ... .prosseguiu -. e elas vão depois jantar fora conosco. quando elas j se acham integralmente domesticadas e não se assustam mais. suavemente. N¢s lhes desenvolvemos os pequenos temperamentos.. mas ainda sentimentais com rela‡ão aos mist‚rios do amor.. quanto mais inocentes forem elas. palpitante e formid. Assim pelo menos sempre achei eu .. quando temos de p"r em a‡ão todos os nossos talentos socr ticos. mas ali! . Mas qual ‚ o proveito disso tudo? .n¢s as habituamos tão completamente a vir com absoluta impunidade . Pois bem: afinal.um divertimento . Faz passar o tempo e d -nos um pequeno al¡vio ao t‚dio. E. ao grau mais espantoso da deprava‡ão. . o resto não ser dif¡cil. mais f cil ser a tarefa. lhes vamos arrancando as confian‡as pequeninas.como ficam lisonjeadas. Essas criaturinhas podem ser trazidas. . . uma vez que elas se tornam nossas amantes. e elas acham isto terrivelmente chocante (embora não o confessem).. domesticamo~las.bem fortes ..velmente lisonjeadas! E passam simplesmente a nos arriar por isso.lisonja. falamo-lhes a respeito de n¢s mesmos da mesma maneira mo se estiv‚ssemos falando de homem para homem.Não tenho d£vidas a ˆsse respeito . Se elas não se zangam e o coquetel fez o seu trabalho. de maneira a que elas nos devorem as palavras. come‡amos com muita ternura a acariciar-lhes os tornozelos duma maneira inteiramente plat"nica. abstratamente.Mas ‚ então . quando o momento nos parece maduro. . falamos num tom desiludido. e. fazerno-las facolar de amor. nossa casa. em perfeita ingenuidade..disse Mary.em todos os excessos da sensualidade. sentado no soalho a seus p‚s. Spandrell encheu o seu c lice de brandy e bebeu ..e continuamos a falar.tornou Spandrell com um cinismo teatral. como se elas tivessem a mesma idade que n¢s e Fossem tão tristonhamente desiludidas e tão amargamente sabidas quanto n¢s mesmos. sem refletir. pomos em cena o desenlace. pacientemente . que come‡a verdadeiramente a brincadeira. garanto-lhes. como se em absoluto não tiv‚ssemos consciˆncia do que estamos fazendo.. e iniciamo-las sempre s.

e se transformavam a seguir. tu o odeias. Rampion estava impregnado do assunto. onde se misturavam com as da mulher acutilada que jazia sangrando no primeiro plano. O teu mal. porque os cientistas são tão respeit veis quanto os cristãos.. os olhos claros e brilhantes para o rosto do outro -.Com um gesto brusco de cabe‡a Rampion indicou os outros convivas. Arrancaram a vida de nos~ sos corpos e nos entulharam de ¢dio. Tu odeias a fonte mesma da tua vida. Da mesma forma os homens de neg¢cios. pensando bem. .E acima de tudo . ‚ uma vingan‡a. Eu lhe chamo "mal de Jesus" por analogia com o mal de Bright.Eu? Era uma acusa‡ão in‚dita. ‚ uma maneira de exprimir ¢dio contra n¢s mesmos. acima de tudo. Spandrell estava acostumado a ouvir censuras por causa de seu excessivo amor . .. ‚ uma maneira de puni~las por serem mulheres e por serem tão atraentes. o mal de Jesus. E tu o odeias. Quase tâda a gente.s mulheres e aos prazeres sensuais. de Newton e de Henry Ford.E tâdas essas pessoas que se dizem respeit veis. . Dum talho terr¡vel no ventre se lhe escapavam em novˆlo as entranhas.Não s¢rnente tu. ‚ uma maneira de exprimir o nosso ¢dio para Com elas e para com o que elas representam. acusadoramente. uma maneira de nos desforrarmos das mulheres. levantando de s£bito. ‚ que no fundo tu te odeias a ti mesmo. jazia crucificado um homem meio dissecado. o sexo ‚ uma coisa fundamental. Passara o dia todo ocupado com um desenho que o ilustrava sim b¢licam ente. e um cirurgião de avental eram representados a empunhar escalpelos. Ou melhor: mal de Jesus e de Newton. Spandrell . Jesus. porque. não h # negar. com a tanga da manhã da execu‡ão. em esc"r‡o. Os trˆs juntos nos liquidaram completamente. Todos ˆstes. . com as solas dos p‚s voltadas para o espectador. a sua base derradeira. a doen‡a do homem moderno. sem erguer os olhos da x¡cara de caf‚ -.continuou Mark.interveio Mark Rampion. numa metamorfose aleg¢rica. . a um lado e outro duma mesa de opera‡ão na qual. . em todo um . que ca¡am por terra. tamb‚m..

eu sei.Eu sei. Mas essa esp‚cie de vergonha ‚ tão artificial como qualquer outra. Mais forte agora.Besteira absoluta e natural! . assim como os alfaiates de Savile Row inventaram a vergonha de usar sapatos. dois anjos produto espiritual das mutila‡ões dos vivisseccionistas . Acaso o amaria mais naquela ‚poca do que agora? Spandrell erguera uma de suas mãos longas e ossudas. isso ‚ um sinal da inferioridade absoluta e natural do corpo. os etruscos. Nobres. No fundo se esfumava uma paisagem de colinas.objetou Spandreil. Podemos fazer unia pesde soa ter vergonha de tudo: ter uma vergonha agoniante de usar sapate. Em vão. não podiam deixar a terra.Para # 123 principiar: a vergonha nada tem de espontƒnea. Mark era sempre o mesmo. naquele dia! Mary sentira vergonha de ser rica e sã. O fato da nossa vergonha ‚ significativo. . com as asas estendidas. picando os nossos corpos em pedacinhos. Temos espontƒneamente vergonha do nosso corpo e de suas atividades.continuou Mark Rampion. Dum lado do desenho. . indignado.Talvez ˆles tenham sido criados para isso mesmo. Os cristãos a inventaram. . Os nomes antigos transportaram Mary para as charnecas de Stanto . Mas eu julgo que ˆles são uma . Ela estava muit¡ssimo pouco divulgada antes da era cristã. . nus e antigos. amarelos com casaco prˆto ou de falar com pron£ncia defeituosa. porque seus p‚s se achavam presos no emaranhado de serpentes. amarelos com casaco prˆto.Mas no fim de contas. Que ar de doente tinhe. ou ter uma g"ta pendurada na ponta do nariz. . pontilhada de vultos negros de instala‡ões de minas de carvão e de chamin‚s.disse Rampion. Veja os gregos. atr s do corpo de Jesus. Ter vergonha de tudo sein exce‡ao. A despeito de todos os esfor‡os. por que não? .povo de serpentes vivas. inclusive do corpo e de suas fun‡ões. que pensava no seu desenho -.Jesus e os cientistas nos estão vivisseccionando .estavam tentando erguer-se.

outra e. de Anatole France? Spandrell sacudiu a cabe‡a. . davam de mamar aos bebˆs em p£blico.retorquiu Spandrell. pensando nas pinturas de Tarq¡nia. e se abra‡avam umas .Lˆ.come‡ou o outro. Ela as tinha tornado a ver em companhia de Mark . .. Sim. Mas ningu‚m deve crescer sem primeiro ter lido todos os livros para meninos. daqui a milˆnios.. que me dizes do ascetismo como condi‡ão preli~ minar da experiˆncia m¡stica? Rampion bateu as mãos uma de encontro .com igualdade -. # . Depois vem me falar a respeito de ascetismo e de experiˆncias m¡sticas. haver s de atingir egados de consciˆncia desconhecidos para os ascetas vivisseccionistas. .Ai.Por ora.. Pois lˆ Tha . sob uma nov a forma.disse Mary por sua vez.Sim. inclinando-se para tr s na cadeira..disse Spandreil. . Pois eu quisera que fosse assim! . ˆsses pagãos de gin stica sueca.Hei de lˆ-lo ... tudo quanto quero diIIA são zer ‚ que h certos estados de consciˆncia conhecidos dos ascetas que desconhecidos para aquˆles que não são ascetas.Pois lˆ .Não.Mas veja.disse Rampion.Sem d£vida alguma. E depois . .se a arte dˆles . O ¢dio que o fornicador nutre pela vida.e dessa vez as vira realmente. E. j lˆste a Thaik. .s outras completamente nuas nos jardins. hão de dizer que as londrinas do s‚culo vinte usavam fâlhas de parreira.Quando a sala de escultura da Royal Academy fâr desenterrada.Mas o estado de consciˆncia dos vivisseccionistas ‚ melhor do que . .aconselhou Rampion. . elementar. -. minha madrinha! Então j chegamos a isso. Mas não ‚. est claro. ergueu os olhos para o alto.. . mas falando s‚rio. falando s‚rio. se tratas o teu corpo da maneira como a natureza quis que o tratasses . baila cada vez que desejamos agastar os cristãos. . trazemos . heiti? Experiˆncia m¡stica e ascetismo.deixando de parte por um momento essa questão de vergonha -. Mas ser mesmo que ˆles existiram? Tenho as minhas d£vidas. e veja-se tamb‚m a nossa . . .inven‡ão inteiramente moderna. Um livro para os meninos. N¢s os .

no fundo! . que não eram sãos de esp¡rito.disse Spandrell -. O grego são e harmonioso tira tudo quanto pode de ambos ˆsses estados.continuou ˆle. Não ‚ f cil. O desd‚m do asceta pelo corpo exprimido de maneira diferente..s atividades da parte inconsciente.o dos gozadores.Simplesmente são de esp¡rito.Um velho puritano cl ssico! . pois. dirigindo-se a Spandrefi. .. Desd‚m e ¢dio.riu Mary Rampion.continuou o outro. v¢s odiais a vida. O que eu nego. Ora.. a idade urea da intemperan‡a. f¡sica e instintiva do ser total. A alma consciente quer mal .Mas se tu soubesses como Mark ‚ puritano. tempo de fazer uma revolta a favor da vida e da plenitude. Prefiro ficar vivo. moderna e civilizada ‚ a mesma coisa que aquˆle saud vel .Mas não ‚ a mesma coisa . Spandrell gemeu e sacudiu a cabe‡a. As for‡as a reconciliar são intrinsecamente hostis.Poupa-nos aos exerc¡cios de gin stica sueca.. e vice-versa.Em outras palavras. A vida de uma ‚ a morte de outra. Os Pr¢prios cristãos compreendiam o falismo muito melhor do que esta gera€io sem deus. Os cristãos.Nada do puritano .Pareces imaginar que a lasc¡via fria. Tu ‚s como t"da a gente . parece que a nossa ‚poca não precisa de nenhuma reforma.. se imaginas que isso tem algo que ver com a promiscuidade # 125 . de ac"rdo com o teu ponto de vista .s avessas. . .eis o falismo autˆntico. Não ‚ bastante idiota para desejar matar uma parte do seu pr¢prio eu.s gentes que elas deviam lan‡ar uma metade de si mesmas na lata do lixo. . Era o que eu estava dizendo h pouco. disseram . lˆste Os Acarnanos?) -. . naturalmente: ‚ at‚ dif¡cil como o diabo.como direi? . E agora os cientistas e os homens de neg¢cios vieram para nos dizer que devemos jogar fora a metade que os cristãos nos deixaram.aquˆle saud vel falismo (esta palavra exprime bem a qualidade religiosa do velho modo de existˆncia. dos antigos. As vossas £nicas alternativas são a promiscuidade ou o ascetismo . E. Como ‚ aquela frase do ritual do casamento? "Com meu corpo vos hei de adorar." Adorar com o corpo .duas formas de morte. . Conserva o equil¡brio. V¢s vos odiais a v¢s mesmos.precisamente o cristianismo . . os lun ticos são superiores aos homens sensatos.disse o marido. .. do esporte e do amor em p£blico. Mas o homem são de esp¡rito pelo menos procura guardar o equil¡brio. inteiramente vivo.Mas. aquˆle falismo.

respondeu Sparidrefi. estou absolutamente de do. .Pois bem.civilizada e sem paixão dos nossos jovens mais avan‡ados.durante algum tempo. Aquela maneira que ˆle tinha sempre de mentir. . . Estou cansado de Jesus e de São Francisco. .exclamou Rampion. que a atmosfera do inferno .perguntou Spandrell. aquela mentira tremenda da alma. verdadeiramente escandaloso. nada de ossos verdadeiros. est claro . -. não h d£vida.disse Rampion.. deve ser composta disso. irias simplesmente dois anjos que se davam as mãos. .. Sacudiu a cabe‡a com convic‡ão.‚ escandaloso.Em certos pontos ... Tão espiritual .. por favor.. um misto de fada e de lˆsma branca.Ora. Eu muitas vˆzes penso . E durante tâda a vida ˆle: não passou dum jovem colegial que tinha desejos sensuais iguais aos de todos os outros. est s na verdade muit¡ssimo enganado. -. Apenas polpa e sumo branco.. Durava pelo menos at‚ o dia em que lhes vinha a vontade de suicidar-se. -.. E depois..de perfume barato . e de imund¡cia ran‡osa.. mas que se persuadia a si mesmo e aos outros de que ˆle era Dante e Beatriz feitos um ser £nico. Shelley tem qualquer coisa de verdadeiramente assustador. Dava-lhes um tal sentimento de espiritualidade .protestou Spandrell.Jogou fora o f¢sforo.. . não. Ah! Lembra-te de como ˆle tratava as mulheres . Mas cheio de um muco viscoso e sem sangue 1 Nada de sangue.Shelley? -. e muito mais ainda. e os poetas? . .Òles estavam mortos em certos pontos. E que dormir com mulheres não era realmente dormir corri elas. por exemplo.Não. de fingir. As mulheres adoraram isso. terrivelmente cansado dˆles. . isso ‚ que não! Era j tempo de deixarem de falar dˆles. Muit¡ssimo vivos em outros. .Não podes dizer que Shelley seja um cad ver! .Oh! Esquisito. não. em benef¡cio pr¢prio e em beneficio dos outros.Mas a outra alternativa nada tem de mortal. . . entre chupadas no charuto meio consumido que estava procurando reacender .Não me fales de Shelley. Não h nada de mortal em Jesus São Francisco. ou ac"rNão.. que o mundo não era realmente mundo.H um certo cheiro continuou ˆle a falar sincopadamente. . não ‚ um homem.. mas sim c‚u ou inferno. .Oh! estou pronto a admitir o car ter moi-tal dos nossos divertimentos civilizados . ou de entranhas. e tudo mais que quiseres .. Mas deixaram simplesmente metade da existˆncia fora de j¢go. Não ‚ humano.

‚ preciso que escrevamos s"bre l‚sinas. Quando somos lˆsmas. apenas fingindo e Mentindo a si mesmo como sempre.. Era-lhe preciso sempre fingir que se tratava dum gˆnio dom‚stico ou duma id‚ia plat"nica. tremendo! A £nica desculpa. Òle não podia permitir que a cotovia fosse um simples p ssaro.. E depois.acrescentou Rampion. era apenas uma esp‚cie de lˆsmafada com os apetites sexuais dum menino de escola.. esp¡rito jucundo! P ssaro jamais fo-ste!" -. suponho.Fingindo. Mas.. com uma explosão s£bita de fšria extravagante -. seria demasiado # grosseiro.Rampion recitava fazendo uma par¢dia 126 rid¡cula da "expressão" dum declamador. Não nasceu homem. não! isso não seria bastante po‚tico. Esp¡rito jucundo. eu quisera que essa cotovia tivesse tanto esp¡rito como os pardais do Livro de Tobias e deixasse cair no "lho de Shelley uma cataplasma bem grande! Seria bem feito para o poeta não andar dizendo que a cotovia nao era passaro. Oh. essa ‚ boa! Esp¡rito jucundo ! 127 # CAPITULO XI Na vizinhan‡a de Lucy a vida sempre tendia a tornar-se excessiva- . ‚ que ˆle não podia deixar de ser assim. ningu‚m pode verdadeiramente escrever s¢bre coisa alguma que não seja o pr¢prio eu .Tremendo. com sangue e penas e um ninho e um apetite de comer lagartas. eu quisera . ainda que o nosso assunto pare‡a ser uma cotovia. no fun de contas. Não se esperar outra coisa. A cotovia tinha de ser um esp¡rito desericarri ado . pensa naquela formid vel incapacidade de chamar gato a um gato. Lembras-te da "Ode a uma Cotovia"? "Salve. e. por Deus. . Privado de podia sangue e de ossos. O pr¢prio Shelley era uma esp‚cie de lˆsma volante. Uma esp‚cie de lˆsma et‚rea e volante.

Dentro de cinco minutos a contar de sua chegada. o canto no qual Spandrell e os Rampions tinham estado sentados t"da a noite. de De Quincey.e fazendo isso ˆle se convencia de que estava servindo as artes . . Atr s dˆle.. vociferando sauda‡ões. ¢culos escarranchados no nariz comprido. seu gˆnero na altura e tamb‚m munido de ¢culos. com olhos verdes e saltados.. se "mais alegres" não fâsse o tˆrnio apropriado. dum vermelho de bife sangrento. Weaver ‚ o mesmo depois do primeiro frasco e Cuthbert Arkwright ilustra os resultados aterradores do tratamento completo. mais barulhentos.disse Spandrell ao ver o grupo que se aproximava. . quando a gente pede a Sodoma do Conde de Rochester na Biblioteca Bodleiana.Meu anjo! Mas por que. "Quantos mais somos. em nome do 128 . sentia-se alinhado ao lado dos anjos. porque Bowdier tinha revisado Shakespeare. não menos que por amor ao lcool. ˆle se aproximou. contra a massa amor~ fa e sem espiritual idade.Lucy! . vinha Peter Slipe. um grande rosto reluzente. Arkwright ganhava a sua vida . foi invadido e num piscar de olhos devastado por um bando gritalhão e avinhado que surgira do salão particular. encolhido e silencioso. na intimidade duma conversa‡ão tranqila. de Edgar Allan Poe. borbulhante de bom humor e de verbosidade inexaur¡vel. Willie Weaver o seguia airosamente. os bibliotec rios não na entregam senão diante de um atestado de que estamos empenhados numa pesquisa liter ria s‚ria. . brio. arte. .exclamou ˆle. Louro. ou pelo menos.mente p£blica. Lucy ria ainda da brincadeira quando Cuthbert lhe tomou da mão. mas grisalho.Slipe ‚ o doente antes. E se se vangloriava de suas libertinagens era porque as pessoas respeit veis haviam tratado Blake de louco.imprimindo edi‡ões limita~ das e caras dos mais escabrosos esp‚cimes da literatura nacional e estrangeira. Tinha a id‚ia de que por berrar e por se portar de maneira revoltante ˆle defendia a arte contra os filisteus. mais alegres ficamos" era o seu princ¡pio. homenzinho de sorriso perp‚tuo. mais tumultuosamente perturbadores. apagado. de Baudelaire. porque o autor de Madame Bovary f ¢ra processado e porque.Parecem um reclame de especialidade farmacˆutica . Cuthbert Arkwright era o mais ruidoso e o mais embriagado por princ¡pio e por amor .

Para não falar nas belas.Que gape! ..Prefiro antes comprar uma caneta estilogr fica .Positivamente.continuou Willie Weaver na sua ef‚rvescˆncia. .. da expressão verdadeiramente contundente.Que vem a ser "efusões aten¡enses"? .perguntava Cuthbert em tom persuasivo.Julgas que eu tenha a ambi‡ão de ver meus livros .. e.protestou Cuthbert. . escreves sempre a l pis? Eu simplesmente não posso ler o que inclinando-se sâbre a mesa para interpelar Peter Slipe. .. Pecksniff. afastando-se dela..perguntou Spandrell.Hesitou um momento . .Que efus¢es atenienses! orgia mais do que plat"nica! .. Rampio-1 olhou para ˆle com animosidade.. Aquˆle tipo vulgar e tolo.. Walter observava a cena.. ... .. # c‚u. abatido. sua.Fico com os dedos tão sujos quando uso pena.rugia Cuthbert. . E. . .escreves.perguntou Lucy.Com "efus&-s" eu quero me referir ao contraste com a nossa estreita respeitabilidade burguesa. venda nas que vendem artigos de borracha? Que lojas . Seria poss¡vel? Um palha‡o est£pido e odioso como aquˆle? .Que festim! Que.Pois eu havia de fazer que a tinta desaparecesse a beijos . por mero acaso que estou aqui esta noite. inclinando-se s"bre a mão que mantinha prˆsa . Willie Weaver ficou mais satisfeito do que ofendido. Willie sentou-se e come‡ou a explicar. Willie Weaver apertou as mãos de Mary Rampion e de Mark. deu uma palmada no ombro de Mark e simultƒneamente acenou para Mary com a outra mão. . Lucy p"s-se a rir. O bico estava voltado para Lucy.Sempre ocupado com o bricabraque? . . ..Fˆz uma reverˆncia a Mary. Então ela tinha escrito para dizer~lhe que a esperasse ali? pensou Walter. aquˆle alarve . . . come‡ou a beijar-lhe os dedos finos. . isto ‚ a Mermaid Tavern*! .. procura da expressão justa. .disse Cuthbert. Peter era assiri¢logo e trabalhava no British Museum. por que a l pis? . co mo uma chaleira.disse. que se tinha sentado junto de Walter.Por que não me d s algum trabalho teu para publicar? . -.Mas ‚ preciso que eu fale com Rampion.Ingrata! . . que explodiu numa risada estrepitosa e masculina. . .Eu não tinha a menor id‚ia de que ia encontrar aqui os grandes disse ˆle.Mas por que a l pis.

.D -lhe lembran‡as quando a vires .s melhores de suas frases.Eu quisera rir. o disp‚ptico 1 .. lisonjeava-se ˆle.. constitu¡do por intelectuais contemporƒneos de Sliakespeare e pelos seus sucessores.) 129 # ‚po~ nao e .* Taverna da Sereia ern Londres -local onde se reunia o Mermaid Club. .Tu a vˆs frequˆntemente.estava Spandrell dizendo .declamou Willie Weaver..citou ˆle erradamente. .. Walter a via trˆs vˆzes por semana e sempre a encontrava de boa sa£de.Tu gorjeias naturalmente as tuas agrestes can‡oes nativas' disse Willie. . acho.Beatrice Gilray? .. Sorriu. O vinho apenas lograva dar realce .As obras de Arist¢teles.. Estertoroso . .Peter Slipe estava lamuriento.E que me dizes de Beatrice? . .perguntou ˆle a Walter.perguntou Lucy... estava feliz e eloqente.. eu quisera aplaudir .Posso servir-me de um pouco desta nobre aguardente? A rubra Hipocrene.Estariam em boa companhia . sua falta de brilho sua melancolia. .disse Willie Weaver.. _ O borgonha tinha produzido em Peter Slipe um efeito deprimente e estimulante. repetindo a tossezinha satisfeita. . . quˆ? . .Veio-lhe um solu‡o e procurou fingir que tinha tossido. do T. ..os prazeres l¡quidos são conhecidos apenas dos filhos de Sião .. mas a mod‚stia o impede.disse Spandreli. Weaver tossiu aquela tossezinha que era o seu coment rio invari vel . . (N.Mas não quero que ela pense que eu guardo rancor .Lembra-te bem de que não recebi instru‡ão de esp‚cie alguma .assim se podia interpretar a tossezinha -.. . .‚ que ˆle nunca .Cuthbert rugiu um protesto. .As alegrias s¢lidas e. E seu4 olhos brilharam de alegria atrav‚s das lentes dos ¢culos. extremamente mal. Willie Weaver estalou a l¡ngua depois de provar um gole de brandy. dificilmente poderia ser mais esquisitamentejuste..Os borborignios estertorosos de C arlyle. .Beatrice me tratou mal.. O mot. .O mal de Cuthbert .pediu Slipe.Comparem um eminente vitoriano corri um grande homem da ca de P‚ricles .. agora que ela trabalha no Literary World. .

tanto mais prazer.se j f"ste alguma vez bicado por uni ganso.Beatrice ‚ assim.. fazendo um esfor‡o para fixar a aten‡ão.s vˆzes eu pergunto a mim mesma se os vitorianos não se divertiam mais do que n¢s . Ela bica. . 1 .disse Peter Slipe .Mas .Slipe Fisgou o ar com o indicador amarelado pelo fumo.Tu preferes Pecksniff a Alcib¡ades . se n¢s representa# mos. A Inglaterra da ‚poca vitoriana conheceu o regime sˆco em todos os setores. ‚ preciso ir .Quanto mais restri‡ões.. ˆle achava dificil tomar interˆsse na narrativa. e se põe a dar bicadas se a gente não gosta da coisa.sticarnente como os americanos se atiram ao u¡sque.. Em qualquer outro momento Walter teria escutado com del¡cia a versao que o pobre Slipe: dava daquela curiosa hist¢ria... corri Lucy ali ao seu lado. Bicar faz parte de sua bondade.Não sei . Am‚rica..Se fui quˆ? . sˆca.continuou Peter Slipe: .. . . . Mas.. sua maneira. havia uma d‚cima 130 nona emenda* a respeito do amor..Nunca.aprendeu bem a distinguir a arte da pornografia. A comida Teve um calafrio. que me lembre.. Não sei se no fundo sou partid ria das efusões atenienses . .. . . . . Faz questão cerrada de mostrarse boa .Não tenho nenhuma experiˆncia de Pecksniff . . .. Tive de ficar numa casa de pensão durante trˆs semanas. por que motivo me expulsar de casa como se eu fosse um criminoso? E ‚ tão dificil achar um apartamento agora. duma hora para outra.uma sensa‡ão dura. Walter não p"de deixar de sorrir. Nunca lhe fiz obje‡ões . gosta de bicar .inquiriu Walter. pelo menos foi o que sempre achei.dizia ela.Est claro . Devem ter-se atirado a ˆle tão entusi.Bicado por um ganso.. Mas sabe tamb‚m mostrar-se muito boa..concluiu Willie Weaver. .confessou.. Por exemplo.que ela tem perfeitamente o direito de fazer o que quer em sua pr¢pria casa. Mas.. . Se quisermos ver as pessoas bebˆrern corri unia alegria verdadeira. Mas botar-me para fora daquela maneira..isto ‚. . Lucy encolheu os ombros..

- Beatrice decerto tinha muita pressa de instalar Burlap no teu lugar... Mas por que uma pressa assim? Quando se trata de se desfazer do amor velho para acolher o novo ... - Mas que ‚ que o amor tem a ver com isso, no caso de Beatrice? - Tem muita coisa - interrompeu Willie Weaver. - Tem tudo. Es sas virgens que estão caindo na compuls¢ria são sempre as mais apaixonadas. - Mas ela nunca teve um caso amoroso na sua vida. - Da¡ a violˆncia - concluiu Willie triunfantemente. - Beatrice tem uma pedra em cima da v lvula de seguran‡a. E minha mulher afirma que suas roupas de baixo são verdadeiramente frineanas. Isso ‚ pra l de sinistro ... - Talvez ela goste de andar bem vestida - sugeriu Lucy. Willie Weaver sacudiu a cabe‡a. A hip¢tese era demasiadamente siniPles. *· Constitui‡ão dos Estados Unidos. Lucy Tantamount incorre aqui num pequeno lapso, Pois a emenda que diz respeito ... proibi‡ão das bebidas alco¢licas ‚ a 18." e não a 19.1. Esta roefere-se ao votofeminino. (N. do T.) # 131

- O inconsciente daquela mulher ‚ um buraco negro. - Willie hesitou por um instante. - Cheio de abra‡os batraquiais na treva -- concluiu ˆle. E tossiu modestamente para comemorar a sua fa‡anha. Beatrice Gilray estava consertando um corpete de baixo, de sˆd . a cârnão nas e de-rosa. Tinha 35 anos, mas parecia mais jovem ou, melhor, parecia ter idade. Uma pele fresca e clara. Os olhos brilhantes engastavam-se ¢rbitas pouco fundas e sem rugas. O rosto tinha qualquer coisa de vivo

de volunt rio, e não era destitu¡do de beleza; mas a forma e a inclina‡ão . e ligeiramente do nariz eram um tudo-nada c"micas, havia um que d absurdo no brilho de mi‡anga dos olhos, na bâca ainuada, no queixo

redondo e cheio de desafio. Mas a gente ria com ela não menos que dela; porque a postura de seus l bios era humor¡stica e a expressão de seus olhos redondos e espantados, trocista e maliciosamente curiosa. Beatrice cosia. O rel¢gio tiquetaqueava. O instante em movimento que, segundo Sir Isaac Newton. separa o passado infinito do infinito futuro avan‡ava inexor...velmente atrav‚s da dimensão do tempo. Ou, a crer em Arist¢teles, um pouco mais do poss¡vel a cada instante se tornava real; o presente imobilizava-se e ia incorporando a si o futuro, como um homem que ficasse engolindo para sempre uma fita de macarrao sem fim. De quando em quando Beatrice tornava real um bocejo em potˆncia. Num cˆsto ao lado do fogo uma gata preta estava deitada de ilharga e dava de mamar a quatro gatinhos cegos e mosqueados. As paredes do quarto eram dum amarelo de p‚talas de primavera. Na prateleira superior da biblioteca a poeira engrossavas"bre os manuais de ass¡riologia que a Srta. Gilray tinha comprado quando Peter Slipe era locat rio do seu andar inferior. Um volume dos Pensamentos de Pascal, corri anota‡ões a l pis feitas por Burlap, jazia aberto sâbre a mesa. O rel¢gio continuava a tiquetaquear. S£bitarnente a porta da frente bateu. Beatrice largou o corpete de sˆda c"r-de-rosa e ergueu-se num salto. - Não esque‡a que vocˆ tem de beber todo o seu leite quente, Denis - disse ela, olhando para o hafi. Sua voz era clara, aguda e imperativa. Burlap pendurou o sobretudo e chegou ... porta: - Não devias levantar por minha causa - observou, numa reprimenda terna, sorrindo para ela um de seus graves e sutis sorrisos ... Sodoma. alho que fazia questão de terminar - mentiu - Eu tinha um trab Beatrice. - ora, vocˆ foi mesmo muit¡ssimo camarada... Estas pequenas expressões familiares com que Burlap gostava de IV) mais apimentar a sua conversa‡ão tinham, para os ouvidos sens¡veis, a

curiosa das ressonancias. -Òle fala g¡ria", dissera uma vez Mary Rampion, "como um estrangeiro que dominasse perfeitamente o inglˆs - mas dominasse como estrangeiro. Não sei se j ouviram um hindu dizer'urn sujeito macanudo'.

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A g¡ria de Burlap me lembra isso." Para Reatrice, no entanto, aquˆle "muit¡ssimo camarada" parecia inteiramente natural e sem nada de estrangeiro. Ela corou com um prazer t¡mido de donzela. Mas: - Entre e feche a porta - disse num tom sˆco de comando. S"bre aquela jovem e delicada timidez havia uma c¢rnea casca exterior; havia uma parte de seu ser que dava bicadas e que era essencialmente pr tica. - Sente-se ali - ordenou; e, enquanto se punha a lidar vivazmente com o pote de leite, com a ca‡arola e com a torneira do g s, ela perguntou a Burlap se tinha gostado da festa. Buriap sacudiu a cabe‡a: - Fascinatio nugacitatis - disse ˆle. - Fascinatio migacitatis. Tinha estado a ruminar a fascina‡ão da futilidade durante todo o caminho, desde Piccadilly Circus. Beatrice não entendia latim; mas podia ver pelo rosto de Burlap que aquelas palavras exprimiam desaprova‡ão. - As reuniões sociais, no fundo, são uma perda de tempo, não ‚ mesmo? - disse ela. Burlap moveu a cabe‡a num sinal afirmativo. - Uma perda de tempo - repetiu num eco, com a sua lenta voz de ruminante, fixando os olhos vagos e preocupados no dem"nio familiar invis¡vel que se achava um pouco ... esquerda de Beatrice. - Chegamos aos quarenta, deixamos para tr s mais de metade da vida, o mundo ‚ maravilhoso e misterioso. E, no entanto, ainda passamos quatro horas a palestrar a respeito de coisa nenhuma em Tantamount House. Como se explica que a trivialidade seja tão atraente9 Ou existe alguma outra coisa atr s da trivialidade, alguma outra coisa que nos atrai9 Ser alguma vaga e fant stica esperan‡a de que se possa encontrar o ser messiƒnico que sempre estivemos procurando, ou ouvir a palavra revela~ dora? Burlap meneava a cabe‡a enquanto falava, com um curioso movimento desconjuntado, como se os m£sculos de seu pesco‡o estivessem perdendo a elasticidade. Beatrice estava de tal maneira familiarizada com aquˆle movimento que j não via nˆle nada de estranho. Esperando que o leite fervesse, ela escutava com admira‡ão, contemplava Burlap com uma cara

s‚ria de quem est na igreja. Um homem cujas excursões aos salões dos IriCOS eram Como simples epis¢dios numa vida tâda dedicada ...s pesquisas esPirituais podia razo...velmente ser considerado como equivalente ao oficio divino das manhãs de domingo. # 133

- Apesar de tudo - acrescentou Burlap, levantando s£bitamente os olhos para a interlocutora, com um riso gaiato e muito arreganhado, surpreendentemente diverso do sorriso ... Sodoma do momento anterior -, o champanha e o caviar estavam realmente maravilhosos. - Era o dem"nio familiar que tinha bruscamente interrompido as rumina‡ões filos¢ficas do anjo. Burlap lhe permitira falar em voz alta. Por que não? Achava divertido ser desconcertarite. Olhou para Beatrice. Beatrice estava devidamente desconcertada. - Não tenho d£vidas a Šsse respeito - disse ela, modificando a expressão de seu rosto de fiel na igreja para harmoniz -lo com o riso gar¢to de Burlap. Riu um pouco nervosamente e se afastou para deitar o leite numa, ta‡a. - Est aqui o seu leite -- ofereceu ela num tom sŠco, refugiando-se na irriperiosidade cheia de solicitude para fugir ao seu embara‡o. - E fa‡a por bebˆ-!o enquanto est quente. Houve um longo silˆncio. Burlap bebericava devagar o leite fumegante e Beatrice, sentada num tamborete diante da lareira apagada, esperava, ofegando um pouco, esperava nem ela mesma sabia o quˆ . . . - Vocˆ parece a pequena Srta, Muffett* sentada no seu banquinho disse por fim Burlap, numa alusão ... velha poesia infantil. Beatrice sorriu. Felizmente não est aqui a aranha grande ... Obrigado pelo elogio, se ‚ que isso ‚ elogio ... --- Siri, ‚ -- afirmou Beatrice. Ali estava, pensou ela, o que havia de verdadeiramente encantador em Denis, era uma pessoa tão digna de confian‡a! Com os outros homens havia o perigo dos agarramentos, das apalpadelas, dos beijos ... E aquilo era horr¡vel, supinamente horr¡vel. Beatrice nunca se refizera completamente do choque que tinha recebido quando, sendo ainda menina, o cunhado de sua tia Maggie, um homem que ela considerara sempre como um tio, pusera-se um dia a dar-lhe apertões dentro de um t xi. O incidente

de tal maneira a assustara e revoltara que, quando Tom Field, de quem ela verdadeiramente gostava, a pediu em casamento, Beatrice o repeliu, simplesmente porque ˆle era um homem, como aquˆle horr¡vel tio Ben, porque ficava apavorada ... simples id‚ia de que pudessem cortej -la, porque tinha um terror pƒnico de qualquer contato. Beatrice estava com mais de trinta anos e jamais permitira que pessoa alguma a tocasse. A suave e trˆmula rapariguinha que havia nela, debaixo da casca de mulher pr tica, tinha-se apaixonado muitas vˆzes. Mas o terror de ser apalpada, de ser tocada mesmo, f"ra sempre mais forte do que o amor. Ao primeiro sinal de perigo, Beatrice se punha desesperadamente a dar bicadas, enrijava a cascajugia... Quando afinal se via a salvo, a rapariguinha aterrada sol* Alusão ao poema infantil ingl‚s cuja hero¡na, a pequena Srta. Muff‚lt, se vˆ perseguida por uma aranha horrenda e enorme, (N. do T.) 134 tava um longo suspiro. Gra‡as aos c‚us I Mas um pequeno suspiro de desapontarnento estava sempre, inclu¡do no grande suspiro de al¡vio. Bea~ trice quisera não ter m‚do, quisera que a camaradagem feliz que existia antes das apalpadelas tivesse podido continuar para sempre, #

indefinidamente. Algumas vˆzes ela se enchia de ¢dio contra si mesma; com mais freqˆncia pensava que havia no amor algo de fundamentalmente mau, e algo de fundamentalmente assustador nos homens. Eis o lado admir vel de Denis Burlap: era uma criatura tão tranqil¡zadora... Não pensava em tomar familiaridades, em apalpar. Beatrice o podia adorar sem a menor sombra de receio. - Susan tamb‚m costumava sentar-se em tamboretes, como a pequena Srta. Muffett -- continuou Burlap depois de uma pausa. A sua voz era melanc¢lica. Tinha passado os £ltimos minutos a ruminar o tema de sua

mulher morta. Haviaquase dois anos que Susan Fora levada por uma epi' demia de influeriza. Perto de dois anos; mas a sua dor - Buriap garantia a si mesmo - não tinha diminu¡do, o sentimŠnto de sua perda permanecia tão avassalador como sempre. Susan, Susan, Susan - repetira o nome dela muitas e muitas vˆzes. Nunca mais a veria, ainda que vivesse um milhão de anos. Um milhão de anos, um milhƒo de anos. Abriam-se abismos em t"rno destas palavras. - Ou no chão - prosseguiu Burlap em voz alta, reconstruindo a imagem da mulher o mais vividamente poss¡vel. - Acho que ela preferia sentar-se no chão. Como uma crian‡a. -- Uma crian‡a, uma crian‡a, repeliu ˆle interiormente. Tão jovem ! Beatrice continuava sentada em silˆncio, contemplando a lareira vazia. Seria indiscreto, sentia ela, quase indecente, olhar para Burlap. Pobre criatura! Quando por fim se voltou para ˆle, notou que tinha l grimas nas faces. · vista dessas l grimas Beatrice sentiu -se invadida por uma onda subitƒnea de piedade maternal. "Como uma crian‡a", dissera ˆle. Mas ˆle, Denis, ˆle pr¢prio era como uma crian‡a! Como uma pobre crian‡a infeliz. Inclinando-se para a frente, Beatrice afagou com os dedos o dorso da mio que Burlap deixava pender molemente... - Abra‡os batraquiais! - repetiu Lucy. E pˆs-se a rir. - Essa foi uma fa¡sca de gˆnio, Willie. - T"das as minhas fa¡scas são fa¡scas de gˆnio - disse Willie modestamente. Estava representando; era Willie Weaver no papel c‚lebre de Willie Weaver. Explorava artisticamente aquˆle amor da eloqˆncia, aquela paixão da frase bem redonda e retumbante com a qual nascera -num atraso de trˆs s‚culos. Na ‚poca da mocidade de Shakespeare ˆle teria sido uma celebridade da literatura. Entre seus contemporƒneos, os eufu¡smos de Willie provocavam apenas riso. Mas ˆle apreciava os aplau11,; #

~, I

sos, mesmo que ˆstes fossem esc~_minhos. Al‚m do mais, as risadas nunca traduziam mal¡cia; porque Willie Weaver era tão bom rapaz e tão obsequioso que tâda a gente gostava dˆle. Era pois diante de um aud drio jocosamente aprovador que ‚le representava agora o seu papel; e, sentindo a aprova‡ão atrav‚s da hilaridade, representava-o com t¢da a alma. - T"das as minhas fa¡scas são de gˆnio - repetiu. A observa‡ão harmonizava~se admir...velmente com o papel. E era verdadeira - quem sabe?! Willie gracejava, mas com uma convic‡ão secreta. - Tomem nota de minhas palavras - ajuntou: um dˆstes dias os batr quios se insurgem e saltam para fora. - Mas por que batr quios? - perguntou Slipe. Nada menos parecido com um batr quio do que Beatrice - E por que hão de ˆles saltar para fora? - inquiriu Spandreli. - As rãs não dão bicadas. Mas a voz fina de Slipe foiafogada pela de Mary Rampion. -- Porque as coisas encerradas acabam sempre por saltar para fora - gritou ela. - Saltam mesmo. - Moral - concluiu Cuthbert: - nunca encerres coisa alguma. Eu nunca o fa‡o. -- Mas talvez a gra‡a esteja no salto dos batr quios - filosofou Lucy. - Que proibicionista perversa e paradoxal! - Mas ‚ l¢gico - falou Rampion -- que se produzam revolu‡ões internas não menos que externas. No Estado, são os pobres contra os ricos. No indiv¡duo, ‚ o corpo e os instintos oprimidos contra o intelecto. O intelecto foi exaltado, como as classes superiores, no dom¡nio do esp¡rito; as classes inferiores no mesmo dom¡nio se revoltam. - Apoiado! Muito bem! - gritou Cuthbert, batendo na mesa. Rampion franziu o sobrolho. A aprova‡ão de Cuthbert era-lhe um insulto pessoal. Eu c sou contra- revolucion rio - disse Spandrell. - Coloquemse as classes inferiores espirituais nos seus lugares. - Menos no teu pr¢prio caso, heiri? - disse Cuthbert, arreganhando os dentes. - Não se pode expor uma teoria? - H s‚culos que n¢s as vimos reprimindo, ... fâr‡a - disse Rampion -, e vejam o resultado. Tu, entre outras coisas. Olhou para Spandrell, que jogou a cabe‡a para tr s e riu afànicamente. Olhem o resultado repetiu. - A revolu‡ão pessoal interior, e, em conseqˆncia dela, a revolu‡ão exterior e social. - Vamos, vamos! - disse Willie Weaver. - Falas como se as carr‚tas de Termidor j andassem estrondando na rua. A Inglaterra conti-

nua mais ou menos no mesmo lugar. 136 #

do

- Mas que sabes tu da Inglaterra e dos ingl‚ses?---retorquiu Rampion, - Nunca sa¡ste de Londres, nem da tua classe social. Vai para o norte... - Deus me livre! - exclamou Willie, fervorosamente. - Vai ver o pa¡s do carvão e do ferro. Conversa um pouco com os oper rios metal£rgicos. Não ‚ a revolu‡ão por uma causa. a revolu‡ão como um fim em si. A demoli‡ão pelo amor ... demoli‡ão. - Isso me parece bastante simp tico - disse Lucy. - espantoso. simplesmente inumano! Extraiu-se-lhes tâda a humanidade sob a pressão da vida civilizada, sob o pˆso do carvão e

ferro. Não ser uma revolta de homens. Ser uma revolu‡ão de seres elementares, de monstros, de monstros pr‚~humanos ... E tu te contentas com fechar os olhos e fingir que tudo isso ‚ absolutamente perfeito. - Pense s¢ na despropor‡ão - dizia Lorde Edward, ao passo que fumava o seu cachimbo. - positivamente. . . - A voz lhe faltou. -Tome o carvão, por exemplo. O homern o consome hoje 110 vˆzes mais e do que consumia em 1800. Mas a popula‡ão atual ‚ apenas duas vˆzes

meia o que era naquele tempo. Com os outros animais ... Certamente ‚ bem diverso. O consumo ‚ proporcional ao n£mero de indiv¡duos. filidge apresentou algumas obje‡ões. - Mas quando os animais dispõem de um excesso s¢bre aquilo que lhes ‚ necess rio para subsistir, ˆles não o rejeitam, não ‚ mesmo? Quando h uma batalha ou uma peste, as hienas e os abutres tiram proveito da abundƒncia para comer mais do que a sua fome exige, para se superalimentar. Não se passa o mesmo conosco? Morreram florestas em grandes quantidades, h alguns milhões de anos. O homem exumou-lhes os cad veres, descobriu que os podia usar, se est dando o luxo de um farto banquete enquanto dura a carni‡a. Quando a provisão se exaurir ˆle voltar ...s ra‡ões reduzidas, como fazem as hienas nos intervalos entre as guerras e as epidemias. - Illidge falava com vol£pia. Discorrer s"bre sˆres humanos como se não fosse poss¡vel distingui-los dos macacos enchia-o duma satisfa‡ão particular. - Descobre-se uma jazida

carbon¡fera, um po‡o de petr¢leo. Brotam cidades, constroem-se estradas de ferro, navios vˆm e vão. Para um observador experimentado que morasse na lua, ˆsse enxamear, ˆsse vaiv‚m deveria parecer uma pulu[a‡ão de formigas e m"scas em târno dum cão morto. O salitre do Chile, o petr¢leo do M‚xico, os f¢sfatos da Tun¡sia -- a cada descobrimento, um n¢vo formigar de insetos. poss¡vel imaginar os coment rios dos astrânomos lunares: "Aquelas criaturas tˆm um tropismo notavel e talvez £nico para as carni‡as f"ssilizadas". # 137

- Como avestruzes - disse Mary Rampion. - Vocˆs vivem como avestruzes. - E não ‚ s¢rnente no que diz respeito ...s revolu‡ões - acrescentou Spandrell, ao mesmo passo que se ouvia Willie Weaver dizer algo sâbre "as fil¢sofias estrut¡ocamelinas". - Mas no que diz respeito a t"das; as coisas importantes que porventura sejam desagrad veis. Houve um tempo em que não se andava por ai a fingir que a morte e o pecado não existem. "Au d‚tour diun sentier une charogne infƒme*" - citou ˆle. - Baudelaire foi o £ltimo poeta da Idade M‚dia, ao mesmo tempo que o primeiro poeta moderno. "Et pourtant " - continuou ˆle, olhando para Lucy com um sorriso e erguendo o copo: Etpourtant vous serez semblable h celte ordure, A cette horrible infection, boile de mes yeux, soled de ma nature. Vous, mon ange et mapassion! Alors, ¢ ma beaut‚, dites ... Ia vermine Qui vous mangera de baisers... ** to. - Meu caro Spandreil! - Lucy levantou a mão num sinal de prote

- Realmente, e necr¢filo demais! - objetou Willie Weaver. "Sempre o mesmo ¢dio da vida", pensava Rampion. "Diferentes gˆneros de morte: as £nicas alternativas." Olhou para o rosto de Spandrell escrutadoramente. - E, pensando bem - dizia Illidge -, o tempo que foi preciso para

formar as jazidas de carvão, dividido pela dura‡ão da vida humana, não difere tão enormemente da vida de uma sequ¢ia dividida por uma gera‡ao de bact‚rias de fermenta‡ão p£trida. Cuthbert olhou para o rel¢gio: -- Mas bom Deus! - exclamou -- faltam 25 para 1 hora. "No desvio de uma vereda, uma carni‡a nojenta. "(N. do E.) "E, contudo, vocˆ ser semelhante a essa imund¡cia, a essa horr¡velfedemina, estr‚la de meus olhos, sol de minha naiureza. Vocˆ, meu anjo e minha paixão! Então, ¢ minha maravilha, diga ao verme que a devorar de beUos. . - "(N. do E.) 138 Fxgucu-se num pincho. - Prometi que aparecer¡amos na festa dos Widdicombe. Peter, Willie! Acelerado, marche! - Mas vocŠs não podem ir - protestou Lucy. - Não podem ir as~ sim tão absurdamente cedo ... - o chamado do dever - explicou Willie Weaver. - Austero Filho do Verbo Divino. - Soltou a sua tossezinha de auto-aprova‡ão. - Mas ‚ rid¡culo, ‚ inadmiss¡vel. Lucy olhou de um para outro com uma esp‚cie de ansiedade col‚rica. #

o pavor da solidão era nela um sentimento cr"nico. Era sempre poss¡vel, se ˆles ficassem sentados cinco minutos mais, que acontecesse algo verdadeiramente divertido. De resto, era insuport vel que as pessoas fizessem coisas contra a sua vontade. - E n¢s tamb‚m, parece-me. . . - disse Mary Rampion, erguendose da cadeira. "Gra‡as aos c‚us!", pensou Walter. Esperava que Spandrel¡ seguisse o exemplo geral. - Mas ‚ imposs¡vel! - gritou Lucy. - Rampion, eu não posso permitir isso! Mark Rampion limitou-se a sorrir. "Estas sereias profissionais!", penLucy o deixava completamente frio, causava-lhe horror. Desesperada, a m"‡a apelou para a outra mulher que havia no grupo. - Sra. Rampion, a senhora deve ficar. Mais cinco minutos. Apenas cinco minutos - pediu, com uma voz cheia de adula‡ão. SOU.

Tudo debalde. O criado abriu a porta lateral. Furtivamente, ˆles deslizaram para a escuridão. - Mas por que insistem em ir embora? - perguntou Lucy, num queixume. - Por que insistimos n¢s em ficar? - perguntou Spandrell. Walter descoro‡oou; aquilo significava que o homem não pretendia ir embora com os outros. - Pois isso ‚ muito mais incompreens¡vel ... Supinamente incompreens¡vel! O calor e o lcool produziam em Walter o efeito habitual. Òle se sentia doente e ao mesmo tempo desgra‡ado. Para que ficar ali, sem nenhuma esperan‡a, naquele ar envenenado? Por que não voltar logo para casa? Marjorie ficaria contente. - Tu pelo menos ‚s fiei, Walter. Lucy sorriu para ˆle. Walter decidiu retardar a partida. Fˆz-se um silˆncio. todo I # 139 Cuthbert e os companheiros tinham tomado um t xi. Recusando os convites, os Rampions preferiram seguir a p‚.

de-

A prop¢sito - disse Lucy, voltando-se para Spandreil. - Eu tenho um recado de tua mãe. Deu-o. Spandrell sacudiu a cabe‡a afirmativamente, mas não fez coment rios. - E o general? - inquiriu ˆle, logo que Lucy terminou de falar. Não queria que se falasse mais na mãe. - Oh, o general! - Lucy fez uma careta. - Tive pelo menos meia hora de Inteligˆncia Militar esta noite. Para falar a verdade eu não lhe via permitir isso. Que me dizes de uma Sociedade contra os Generais? - Inscrevo-me como membro fundador e honor rio. - Ou por que não uma sociedade para a aboli‡ão dos velhos, j que estamos no assunto? - continuou Lucy. - Os velhos realmente são imposs¡veis. Exceto o teu pai, Walter. Òle ‚ perfeito. Perfeito mesmo. O £nico velho poss¡vel. - justamente um dos raros que são completamente imposs¡veis, tu 40 - Gra‡as a Deus! - disse Mary, quando o t xi arrancou. - Òsse medonho Arkwright! -- Sim, mas a mulher ainda ‚ mais atroz - contrap"s Rampion.

Verdadeiramente deplor vel. Julgara-se sempre em tudo diferente do pai. em potˆncia. para no fim ficar decepcionado porque não o consegue. Ao pronunciar estas palavras Walter s£bitamente lembrou-se de Marjorie. . então. um ser humano muito decente. A zoologia de Rampion era inteiramente simb¢lica. E ‚ bem feito. Dostoi‚vski. .E Sprandreli. Eu chego a gostar dela. um Peter Pan .Isso ‚ sindicalismo masculino.Entre os Bidlakes da gera‡ão de Walter a impossibiUdade do velho John era quase axiom tica. nunca ficou adulto. -. E incapaz de viver.. O sangue subiu-lhe . homens.. Teve mulheres e filhos e o resto. maior parte das pessoas velhas ficaram com a vida esmagada sob o de suas responsabilidades.disse Walter.. . mais a d‚cada de 90. deplor vel. . Spandrell ‚ uma esp‚cie de Peter Pan . concordo . Mas como ‚ agrad vel para n¢s outras! . .. mais Bunyan. e em Deus e na verdade e no misticismo e em tudo mais que segue. Tanto mais deplor vel quanto h nˆle. O teu pai nunca se deixou esmagar. . Mas estava procedendo bem como o pai procedera.. um dem"nio. . Mary p"s-se a rir. . -. . se o vamos escolher como marido ou como pai # A pˆso retorquiu Lucy -...s faces. o tolinho do Bidlake! Est l como um coelho diante duma fuinha. Aquˆle pobre menino.Ela me d arrepios. --.Admito. ‚ que não sabes. demasiadamente ocupado em pensar nos pecados e em tentar cometˆ-los.at‚ mesmo muito pior do que esse repugnante abortinho de Barrie.o mesmo que gostar de uma cobra-capelo. que poderemos esperar? Pois ˆle ‚ poss¡vel como velho justamente porque e assim imposs¡vel como marido e como pai. mais Byron e mais o Marquˆs de Sade. Mas viveu sempre como um gar"to na gari~ daia. .Oh! naturalmente.. porque Lucy faz que vocˆs.Acho que terei de fiar-me na tua palavra. mais Musset. . Torturando o c‚rebro com t"das essas coisas que preocupam os adolescentes.Tu não o acharias tão perfeito se f"sses mulher ou filha dˆle. porque anda por demais ocupado em pensar na morte. Não percebeste ainda? um adolescente eterno. . porque est acorrentado a uma ‚poca mais n‚scia. Coisa que não ‚ l muito agrad vel para as mulheres e os filhos.Esse nunca cresceu. se agitem um pouquinho. .Parece um colegial b"bo---afirmou Rampion com ˆnfase. . j que estamos tratando de horrores? Parece uma g rgula.

Mas acontece que os velhos não pertencem .. sua maneira...Lucy sacudiu a cabe‡a. Botar as coisas de nˆvo nos lugares ‚ uma das ocupa‡ões tradicionais dos velhos ..Pois tenta e h s de ver que tenho razão.. . . Mas fizeram questão de que eu comesse uns b"los intrag veis .. levadas em conta as circunstƒncias.. .. e prov velmente: um memento mori.disse Spandrell. .Bem. Vou tentar ...tudo e Pensa nˆle fazendo abstra‡ão do sentimento filial. Sa¡ do meu casulo durante a guerra.. Falavam mal o francˆs. Eu simplesmente não posso conceber que a arteriosclerose me fa‡a um dia acreditar em Deus. . Eram tão am veis..Sim. Então. sugeriu Spandrell. Compara-o com os outros. ...Vocˆs falam dos velhos como se fossem cafres ou esquim¢s. . ainda por cima . não se pode tratar com ˆles. . Hei de me lembrar sempre daquela vez em que fui tomar ch em casa de umas senhoras rabes.. E eu não tinha absolutamente nada para dizer-lhes . Teu pai ‚ um dos poucos velhos poss¡veis. In£til. Não vejo como nossos netos possam fazer uma derrubada mais completa do que a que se fez naquela ‚poca.. por que haveria de vir o desentendimento? # 14 .Ou então tu mesma poder s ter feito isso. E estavam tão horrorizadas com as minhas saias curtas e com o fato de eu não ter filhos . Que devia ˆle: pensar de si mesmo? .Talvez ‚les tenham P"sto tudo de nâvo nos seus lugares. Lucy f icou silenciosa por um momento. .Mas o que torna os velhos tão parecidos com um ch rabe são as suas id‚ias. .. Spandrell riu.. tão hospitaleiras . na moral e no mais que segue. . na Tun¡sia... São estranhos. .. E maravilhosamente inteligentes . e ˆles não são mais ou menos isso? Cora‡ões de ouro e mais que segue . nossa civiliza‡ão.uma questão de arteriosclerose. quando tudo estava fora dos eixos.. Vocˆs acham que n¢s seremos um ch rabe quando ficarmos velhos? .Nunca pensei nisso . As pessoas velhas sempre me fazem lembrar aquˆle ch rabe..

retirou-se. .continuava Illidge. Lorde Edward tinha de se contentar com presunto frio e l¡ngua com salada. servindo uma costeleta a Illidge -. nas personagens reais.disse Illidge. . maneira de banquete. como um cuco libertado pela badalada.continuou filidge.disse Lorde Edward. e como a imortalidade da alma.. .que o carneiro deve estar passando de moda . de nunca dizer o verdadeiramente se pensa e de guardar as aparˆncias tende sempre a duzir nos diplomatas.. . . *s tˆr‡as e .Lorde Edward não ca¡a no la‡o. curioso que o n£mero de carneiros não aumente. Era numa quartafeira: duas costeletas de carneiro assadas na grelha revelaram-se . nos altos funcion rios cos e nos mordornos. Sem o menor ru¡do p"s a mesa para dois e...Curioso -. do E.Para não falar nos rontancistas da ‚poca vitoriana . e. Simirions era um que prohomem maduro e tinha aquela dignidade ministerial de postura que a necessidade de refrear a l¡ngua e de manter a calma. p£blianun- ciando que a ceia de milorde estava servida. olhando fixamente para o rosto do velho---. Aos domingos. Aos s bados.. Segundas.s quintas havia bife de entrecosto com batatas fritas cortadas em aparas finas. Sinim"ns apareceu na biblioteca trazendo uma bandeja. e a virginite. Ficou a mastigar em silˆncio. (N. . luz quando Lorde Edward levantou a tampa de prata.O rel¢gio bateu uma hora e. Òle tinha escorregado na escada.E a pureza . quartas e sextas-feiras eram dias de costeletas. das cobaias e das rãs. . Era de se esperar . e a £nica literatura que Lorde Edward lera em t¢da a sua vida fora a de Dickens e nackeray. Como Deus -.Lorde Edward tomava um interˆsse cient¡fico pelas atividades sexuais dos axolotles e dos frangos. visto que a simbiose ‚ tão ¡ntima..E as donzelas inocentes.. Simmons preparava um mixed-grill*.. provocador -. sa¡a. Mas o velho mastigava calmamente.s atividades correspondentes dos humanos dava-lhe um doloroso mal-estar.acrescentou.. * Diversos tipos de carnes e vegetais grelhados servidosjuntos... Não com a mesma rapidez que a popula‡ão humana.. . mas qualquer referˆncia .) 142 .

Não ser que isto demonstra a cria‡ão do universo por um poder infinito.disse Illidge. ajuntou: . P"s o fone no ouvido. Falar ao telefone deixava-o sempre nervoso. . .Sou eu.o assistente foi interrompido. pelo tilintar da campainha do telefone. O que vale dizer que um n£mero positivo ‚.Um descobrimento verdadeiramente not vel. ser que.Oh. .Lorde Gattenden. que vinha de 40 milhas de distƒncia. Eu quisera a tua opinião a respeito.exclamou Lorde Edward.AIâ! Edward. e Lorde Edward salvo do resto daquela persegui‡ão. Correu para o aparelho. suas perguntas eram ardentes e insistentes. não diferente da do pr¢prio Lorde Edward. sendo m um n£mero positi~o.Charles.gritou Illidge. Que velho admir vel de imbecilidade! Iflidge se sentiu vingado de tâdas as humilha‡ões. ‚s tu? -. A participa‡ão em s¡ mesma era uma zombaria. .Não demonstrar .perguntou uma voz profunda. Vou chani -loVoltou-se para o Velho: . o produto de zero pelo infinito.. acabo justamente de descobrir uma prova matem tica das mais extraordin rias da existˆncia # em de Deus ou. . a partir do nada? Não ser ? -. melhor. Qualquer coment rio acompanhado de riso havia de torn -la menos e não mais rid¡cula. Edward. mais s‚rio do que nunca. .Ah. .Espere. Acaba de descobrir uma nova prova da existˆncia de Deus. Edward! -.gritou a voz sem corpo do chefe da fam¡lia. como se algo deplor vel tivesse acontecido.Uma prova matem tica.O quinto marquˆs passa- . O homem falava r pidamente.. erguendo-se num salto de seu lugar. . distante dali 40 milhas.Eu atendo . -. sem tomar f"lego. . E.Mas eu não sou Lorde Edward . Pois bem: por que não reduzir a equa‡ão a uma forma mais simples multiplicando os dois membros por zero? Nesse caso ter¡amos m igual ao infinito multiplicado por zero. A gravidade tais circunstƒncias era o esc rnio mais feroz. Não sorriu ao dizer isto: o tom de sua voz era grave. . meu Deus! .O diafragma do receptor estava contaminado pela superexcita‡ão de Lorde Gattenden. Tu conheces a f¢rmula: m sâbre zero ‚ igual ao infinito. -. da. a voz que partia de Gattenden. Edward? -. Trata-se de Deus.

Um dia . E como ficam desconcertados quando descobrem que se enganam. se bem que ao tempo da guerra ˆle de fato não passasse de um menino de escola.come‡ou Lorde Edward. Walter tamb‚m meneou a cabe‡a.Que hist¢ria? .Qual ‚ a tua opinião. .continuou Lucy . algu‚m quase me quebrou literalmente uma garrafa de champanha no corpo . Era a unica ca‡a que se permitia a um inv lido.Não me lembro de ter ouvido nada a respeito do jardim de inverno disse Spandreil. Edward? . . na sua cadeira de rodas. Walter tamb‚m sacudiu a cabe‡a negativamente. . 40 milhas distante.disse Lucy -.principiou Lucy. vocˆs devem estar lembrados.Aquela do jardim de inverno. Fiquei um tanto alarmada. Vocˆs sabem como os velhos imaginam que n¢s vivemos. a respeito de meu pai? . eu j contei a algum de vocˆs aquela hist¢ria. que ‚ verdadeiramente maravilhosa. . . Naquela ‚poca a gente se divertia de maneira um tanto febril. o mais dos Tantamounts ficou sabendo. . que sua prova não prestava. pelo tom com que aquela simples vra fora pronunciada. . para .ra tâda a sua vida . .deram-me um recado: queria eu ter a bondade de subir e ver milorde? Era um pedido sem precedentes. . cheio de experiˆncia. ..A prop¢sito dos mais velhos . A cauda do Absoluto ainda estava virgem de sal... diga-se de passagem.Ora.Foi durante a guerra . Spandrell fez um sinal afirmativo.P¢s-se a rir e. Rec‚m-lan‡ada ao mar.A simples lembran‡a do caso fazia-a sorrir. . Durante cinqenta anos ˆle havia rolado. . E. tão f cilmente.. 143 # ~ :I velho palaE da outra extremidade do fio el‚trico. . atr s da prŠsa arisca. Seria poss¡vel que a tivesse apanhado agora. parece. procura do absoluto. e num lugar tão improv vel como um manual de classe elementar s"bre a teoria dos limites? Era algo que justificava a excita‡ão. o mesmo caso do ch com as senhoras rabes.Eu estava beirando os dezoito.

superficie. Urdir as historias de seus am"res juvenis e inocentes tinha sido uma das consola‡ões permanentes de Walter. e imediatamente.Então subiste at‚ o velho com a sensa‡ão de quem sobe para o cadafalso . poderia obrig ~lo a fazer algo de rid¡culo . DesatokI a rir.. . mas as profundezas de sua infelicidade permaneceram inalteradas.repetia Lucy. a imagina‡ão mesma não podia achar pra~ zer naquele romance consolador. temia ˆle. . E suas palavras sa¡am numa lufada de j£bilo explosivo. E mesmo Walter teve de rir.. Lucy tinha rido.. com um prop¢sito determi# nado. -. ela imitou a fala profunda e surda de Lorde Edward que a mandava sentar. Walter não ousava erguer os olhos. Minha chegada realmente o aterrorizou... . Walter olli ava fixamente para o seu c lice. a cabe‡a nas mãos.aplaudiu ˆste £ltimo. mesa de Walter e Spandrell.E achei meu pai na sua biblioteca. Vocˆs deviam ter visto a cara dˆle 1 144 As lembran‡as c"micas eram irresist¡veis para ela. .continuou . Vocˆs podem imaginar como os terrâres dˆle fizeram crescer os meus. . Que seria? Entrementes o Velho sofria agonias. Com os cotovelos f meados na mesa. creio que ˆle me teria dito que tornasse a voltar para baixo.O Velho levou possivelmente uns bons cinco minutos -.gritar com t"da a for‡a ou desfazer-se em l grimas. como se estivessem resolvidas a ser livres e felizes a todo o custo. aquˆle riso devastou todos os anos que Lucy tinha vivido antes de ˆle a conhecer. Sentimentos assim poderosos deviam ter uma causa tamb‚m forte. mudando o tom de voz.Walter. A m¡mica era admir vel.O terror mal o deixava falar. As pequenas borbulhas brilhantes subiam precipitadamente . daquele momento em diante. . A vista do rosto de Lucy retorcido pelo riso. Se o seu sentimento do dever não f"sse forte. Pobre homem! Nunca vi ningu‚m tão horrivelmente embara‡ado e abatido. declarando-lhe (gaguejante e cheia de hesita‡ões dolorosas) que tinha algo a lhe dizer.De s£bito.. o fantasma embara‡ado de Lorde Edward estava ali sentado .Pobre homem! . concordando.Admir vel! . uma a uma. fingindo que estava a ler. Spandrell sacudia a cabe‡a.

como se ela estivesse solu‡ando perdidamente. O velho Pr¡ncipe de Gales. me disse que tinha ouvido dizer que eu . ainda enxugando os olhos -.Esta ‚ boa demais ... tirando de dentro um len‡o. o perfume forte de gardˆnia encheulhe as narinas. oh.s vˆzes permitia que os rapazes me beijassem nos bailes. o s¡mbolo de seu poder e dos desejos insanos d‚le. come‡ou a enxugar os olhos. Mas adivinhem o que ˆle queria dizer. Walter al‡ou os olhos. Seu rosto ainda estava agitado com o riso. .para se reanimar e ficar em condi‡ões de falar. refor‡ando as lembran‡as desmaiadas de gardˆnias que cercavam Lucy. Deus. Eu estava agoniada. como uma segunda personalidade UpCctral.E de repente Lucy come‡ou a rir de nˆvo. As novelas de Zola. Uma rajada de perfume saiu com o len‡o..presseguiu ela. pela primeira vez .com o c lice meio .O Velho me disse . . Deus! 145 # I Lucy tomou um f"lego profundo. . e o rapaz ficou a respirar o que para ˆle era a essˆncia mesma daquele ser arriado. Meu pobre pai querido! Disse esperar que eu nio deixasse aquilo acontecer de n"vo. deixando cair as mãos e inclinando-se para tr s na cadeira.Adivinhem. como se pode bem imaginar.Que rasgo admir vel! Tão de acârdo com a ‚poca! 1880. tinha l grimas nas faces. Olhou para Lucy com uma esp‚cie de terror. Jardins de inverno. Walter olhou para ela e respirou-lhe o perfume. Todo o seu corpo se sacudia. que se moviam com ela para onde quer que ela f"sse. . .Boa demais.. Cobriu o rosto com as mãos. nosjardinsde inverno. .Lucy . ainda rindo espasm¢dicamente.repetiu. respireu os seus pr¢prios desejos e o terr¡vel poder de atra‡ão daquela criatura.continuou ela.. Walter. .. Oh. Nosiardins de inverno! . O riso finalmente se acabou. E pareceu-lhe que estava a v‚-la pela primeira vez.Que era? . sem se poder conter. Minha mãe haveria de ficar terrivelmente aborrecida se soubesse da hist¢ria. ofegante.Lucy abriu a bolsinha de contas que jazia sâbre a mesa na sua frente e. . Agora.

" Que algaravia! Que verborragia! Bidlake jogou todo o ma‡o de recortes para onde tinha lan‡ado o primeiro. quando ˆles o . ~I John Bidlake subia vagarosamente a escada. o pai de Walter. essa ‚ muito boa. . O tom da cr"nica era quase de desd‚m. pensava ˆle. .. Essa ‚ mesmo muito boa! .Jardins de inverno . .equivalia a "ˆsse pobre velho Bidlake". Acima da cama estavam penduradas duas caricaturas que Max Beerbohrn fizera dˆle. "Que festas pavorosas!". de caligrafia r¡tmica. vocˆs devem admitir . Exceto. O Daily Mail chamava-lhe "o veterano da arte inglˆsa" e assegurava aos seus leitores que "a mão dˆle nada perdeu da sua destrez ". o cinzeiro sujo. condenando-a. Mas mal e mal chegam a ser poss¡veis.Maravilhosos! . que se acham atualmente em Tantamount House. Julgavam-lhe a £ltima exibi‡ão. exausta de tanto rir. Sim. A primeira continha recortes de jornais que falavam de sua £ltima exposi‡ão. enxugando os olhos cheios das l grimas do riso. de plasticidade tridimensional que. Duas cartas se achavam encostadas de modo vis¡vel contra as bordas da bandeja. Nestas p£lturas triviais e vazias buscamos em vão aquelas qualidades de equil¡brio harmonioso. de Walter Sickert. . com um sifão e um copo.vazio na sua frente. O outro recorte era de um dos hebdomad rios superiores. "Veterano da arte inglˆsa" . Acendeu a luz de seu quarto.Os velhos são realmente maravilhosos.disse Lucy. John amarrotou o recorte e jogou-o raivosamente na lareira. Estava muito cansado. a garrafa. .repetia Spandrell. Em cima do consolo da lareira uma das mulheres do realismo pouco sedutor de Degas estava na sua banheira redonda de lata. John Bidlake abriu-as. e uma outra de Rouveyre. " dificil acreditar que trabalhos tão baratos e superficiais . da Tate Gallery.e superficiais sem produzirem efeito.Jardins de inverno. Havia uma garrafa de brandy s"bre a mesa. note-se . Na parede fronteira uma rapariga de Renoir tocava piano entre uma paisagem do pr¢prio Bidlake e uma das visões de Dieppe. tentando esfregar as costas. est claro. Mas seu desprˆzo com rela‡ão-aos cronistas foi impotente para neutralizar os efeitos daquelas cr¡ticas. e das Banhistas. E.como os colecionados na presente exposi‡ão tenham sido produzidos pelo pintor das Viradoras de Feno.. agora que ela se inclinava para tr s na sua cadeira. mais magn¡ficas ainda.

estavam a dar-lhe em tom protetor a certeza de que. Òle.. est claro. como as imagens que costumavam vir impressas nas caixas de ch . em honra do irmão pr¢digo.. de licen‡a.. Quando estamos aqui ‚ que vemos que o estilo ‚ necess rio. A filha tinha sempre algo de . Continha uma carta de sua filha Elinor. Com as suas pulula‡ões e com os seus che¡ros. estamos afurar um queifo.. mas ˆle estava aqui. o que h de entristecedor em t"da esta atmosfera oriental ‚ que ela se parece em absoluto com aquelas pinturas de cenas do Oriente que sefaziam na Fran‡a em meados do s‚culo passado. atravessando-os. Imolamos os bezerros gordos de que o hotel dispunha. Tu lhes conheces o gˆnero: polidas e brilhantes. Eu não o via desde o tempo em que era menina." divertido a dizer em suas cartas. Estava datada de Lahore. Via as coisas com os olhos com que elas se deviam ver. Bidlake chegou quase a desejar que nunca # tivesse pintado as Banhistas. Mas de s£bito franziu o sobrolho. A tez parda toma as caras uniformes e o suor d um verniz .. dão a impressão de que.cumprimentavam porque a sua mão não perdera nada da antiga destreza." BidIake continuou a ler com del¡cia. nunca tinha visto Phil. para um velho cadu146 co que se achava na segunda infƒncia. imagina tu quem nos veio ver. Seria preciso pintar com uma superj¡'ciepelo menos tão lisa quanto um Ingres. Abriu o outro envelope.. Podes imaginar a minha surprˆsa quando um enorme cavalheiro de postura militar e bigode grisalho chegou e me chamou pelo primeiro nome. Poisfoi John Bidlake Junior. pele. N6s ofaziamos em Waziristan. Sob o ponto de vista art¡stico. ˆle ainda pintava admir velmente bem A £nica diferen‡a entre o cr¡tico hostil e o cr¡tico favor vel era que um dissera brutalmente e em tˆrmos expl¡citos o que o outro deixara entrever num elogio protetor. " Ontem. "Os bazares são bem o artigo autˆntico: cheios de bichos.

Não havia dinheiro suficiente para conservar os fedelhos a distƒncia e pagar profissionais para fazer os trabalhos penosos e menos limpos. o objeto dessa paixão não era mais o mesmo. " Lembrou-se das palavras de seu lho mestre na escola de arte de Paris. Cƒncer do intestino. O casal altercava.quela ‚poca. Òle lhe parecera muito velho . "Se Manet não tivesse morrido prematuramente.refletiu John 147 ve- # Bidlake.. Bidlake filho tinha cinqenta anos.um rapaz casado com uma mulher jovem e rica. O seu est£dio se transformou em nursery*. os primeiros dois dentro de 25 meses. os cheiros tornaram-no desgostoso da paixão. E o irmão dˆle estava morto e enterrado no outro lado do mundo. Mas prov velmente não tinha mais de sessenta anos.. Bem depressa os resultados da paixão os berreiros e as fraldas molhadas.. "Mas Manet morreu assim tão Jovem" O velho mestre sacudira a cabe‡a. E agora o seu pr¢prio filho tinha a idade corri que Manet morrera.. . quando as disputas se podiam conciliar por meio de efusões de sensualidade tão violentas como as pr¢prias f£rias que elas apaziguavam. Tinha apenas 22 anos quando casara pela primeira vez. tamb‚m. .. Amaram-se um ao outro frenŠticarnente.John John Bidlake inclinou-se para tr s na cadeira e fechou os olhos. Al‚m do mais.) "Manet tinha apenas 5 V% respondeu o professor. Seu rosto rez-se balofo. Depois do nascimento dos bebˆs.riamente entre ambos .. (Velho9 -. . Houvera um tempo em que cinqenta anos pareciam uma idade de Matusal‚m. duma maneira um tanto divertida a princ¡pio. John Bidlake pensou na primeira mulher. e Bidlake a custo reprimiu uma risada. Rose ainda não completara vinte.. Cinqenta. A paternidade de John Bidlake nada tinha de sinecura. com uma paixão tigrina. Rose come‡ou a engordar. e que iludia a lei s‚ca na propor‡ão de uma garrafa de gim consumida di. Mas o encanto come‡ou a se apagar quando vieram os filhos. os sonos interrompidos. Um enorme cavalheiro de postura militar e bigode grisalho.. Elinor encontrara-lhe o filho em Santa B rbara . na Calif¢rnia. O enorme cavalheiro de postura militar e bigode grisalho era seu filho. a mãe do cavalheiro de aspecto militar e do californiano que morrera de cƒncer do intestino.

o corpo engrossava e as carnes se tornavam fl cidas.. temperado por cenas de escƒndalo. John Bidlake não os vira mais... Depois ela morrera de par&0. John Bidiake não podia deixar de ficar deliciad¡ssimo por se ver livre do bando. agora. os wais belos. Rose ¡ˆz as malas e foi morar em casa dos pais. Depois do div¢rcio John Bidlake prometera a si mesmo que nunca mais haveria de ca ar-se de nâvo. As disputas não se sua dias Rose. E o outro tinha morrido de cƒncer do intestino. desgostava-o francamente. John teve um caso amoroso extremamente s‚rio com uma senhora casada que tinha vindo . Mas quando a ge apaixona desesperadamente por uma jovem criatura virtuosa e de fam¡lia. Depois dum atrito particularmente violento. desde que os rapazes tinham 25 anos. Ao mesmo tempo tornavam-se mais amiudadas. sua volta. estava j na sepultura havia quinze anos. A recorda‡io era-lhe demasiadamente dolorosa. Entre a imagem rememorada eo . Os modelos lhe ofereciam consola‡ões f ceis.. Ela tamb‚m tinha morrido. mãe... A arte lhe fornecia pretextos para ir a Paris. Uma vez partiu por quinze e ficou ausente quatro meses. John fazia o poss¡vel para nunca pensar nela.. resolviam mais tão f cilmente. (V. As disputas recome‡aram . os mais felizes de t"da a sua vida. est¢pidamente. do E) 148 Gato escaldado . A vida em casa era um aborrecimento cont¡nuo. Os filhos tinham permanecido fi‚is . Levou consigo os filhos. e aquˆles dois gente boa bre# ves anos passados com Isabel tinham sido os mais extraordin rios. casa dˆle para que o pintor lhe fizesse um retrato. * Lugar onde se cr¡am as criancas. agora. O mais velho dos berradores e molhadores de cueiros era agora um cavalheiro enorme de ar militar e bigode grisalho. que ‚ que pode fazer? John casou-se outra vez.. a paternidade irritava os nervos de John Bidlake.

tudo f"ra por ˆle destru¡do ou vendido. o presente. os m¢veis de seu quarto . produzindo pequenas crepita‡ões fimas de fa¡scas el‚tricas: . como min£scula batalha. Bidlake nunca falava nela. canhoneio espectral. espichando as vogais longas e fazendo-as redondas e puras. sibilando nos ss. e quanto podia trazef-lhe recorda‡ões da morta . aquela era uma horr¡vel advertˆncia do futuro. como se as recitasse diante dum audit¢rio. ern escutar com um ouvido apreciador. Mas a mem¢ria sobrevivia. in-fi-ni-te-sima]. Bidlake não se podia acautelar contra as recorda‡ões fortuitas. fosse ˆle qual f"sse. o retroar das s¡labas que eram absorvidas pelo silˆncio. seus livros.suas cartas. im¢vel. Ela as prolongava amorosamente. "Mas se isso me diverte . John Bidlake deixou-se ficar sentado por muito tempo.Min£sculas fa¡scas. min£sculos. embora ˆle nunca procurasse aviv -la deliberadamente. POIly sempre gostara de falar s¢zinha. parecia p lido. zumbindo como uma abelha nos mm. A mais larga foi aberta pela carta de Elinor. Min£scula batalha. O acaso tinha descoberto muitas brechas em suas defesas. min£sculo espectro da metralha da batalha. Mergulhado na sua poltrona. os abismos do tempo e da separa‡ão eram mais E. todo morte tudo vastos do que qualquer outro precip¡cio entre o presente e o passado.momento da recorda‡ão. aquela noite. Polly pronunciava estas palavras com uma monotonia sonora. "Metralhar espectral de espectrais metralhas. John BidIake queria ignorar tudo quanto não f"sse o lugar e o momento presentes. positivamente glutão. e embora os objetos que haviam pertencido a Isabel estivessem destruidos. min£sculos espectros trepidantes. al‚m disso. Passava o pente los cabelos. Era um h bito infantil do qual não se queria desfazer. pePolly Logan estava sentada diante do seu espelho. queria ter a impressão de que acabava de chegar ao mundo e estava destinado a ser eterno." Lindas palavras! Ela experimentava uma satisfa‡ão especial em fazˆlas rolar daquela maneira. em compara‡ão com o passado que ˆle tinha partilhado com Isabel.protestava ela quando os . carregando nos rr.

-. tu não estavas mal esta noite! "Minha querida. .O pente se lhe havia enredado num tufo de cabelos emaranhados. -. Betterton. Tu es vieille*." 149 # 11 E recusava-se a deixar que lhe tirassem o vŠzo . Estava claro que ela ouvira tudo. .por que não hei de o fazer? Nio faz mal a ningu‚m.El‚trica. el‚trica . Senhor! -Ergueu-se dum salto e. O rosto refletido se aproximou. Polly sentou-se na cairia e procurau . . Norah! Oh. f"r‡a de rirem d‚le.exclamou ela em outra l¡ngua -.-. Tz. vestindo o seu roupão enquanto caminhava."15 ver s com surprˆsa quanto por ti fez o Senhor.C‚us! -.continuou. -. . Ui! . Logan. E quando penso que foi para Norah que eu desperdicei o meu latim.respondeu a Sra..A gafe! Que "rata" enorme e farit stica! . tz! .Fuzilaria el‚trica.. Achas que hei de ser parecida com um elefante quando tiver sessenta anos? Enfim.Mamãe! . .. ridicularizando-lhe o h bito .O tom de sua voz exprimia urgˆncia e ang£stia. Devias ervergonhar-te de ti mesma.Mas como foi que eu me arrisquei a fazer aquela referˆncia ao fato de ela ser canadense? .s apalpadelas o comutador . c‚us! -.O mesmo te desejo e muito mais ainda.Ma chŠre .e‡a. -. . conta-as corri amor" -. .s faces..Tinha pensado s£bitamente em Lady Edward. .Mamãe! -.Largou o pente." Oh. tu as Eairfatigu‚..Fˆz estalar a l¡ngua nos dentes num ar de desaprova‡ão e sacudiu a c ' . Poily inclinouse para a frente a fim de ver melhor no espelho o que estava fazendo..Assim não serve. suponho que a gente deve ficar agradecida mesmo pelos elogios de um elefante. . baixando a voz e falando num sussurro dram tico. como ficas deliciosa de branco!" -'Imitou a voz enf tica da Sra. "Conta as tuas bˆn‡ãos. estremeceu violentamente e cobriu o rosto com as mãos. .cantaroloM Polly docemente. do fundo da sombra. Logan estavaj deitada e tinha apagado a luz. A Sra.Poily lamentou-se. . afogada de vergonha restrospectiva e de embara‡o. precipitou-se corredor abaixo rumo ao quarto da mãe.o que acontece a quem quer dizer a todo o custo coisas brilhantes .Polly sentiu que o sangue lhe subia . biscoitaria m‚trica.chamou ela. assim não serve! Enfim. Polly abriu a porta e entrou na escuridão..Outros riam. inquieta.Que ‚ que h ? ..

.disse PoIly. polly ergueu os olhos para a mãe.A luz brotou com um clique. se tu soubesses que gafe temÖvel eu cometi com 1.Ob. Poily falou. .. mamãe.Mas agora ‚ Ö preciso que eu te conte a minha rata. E muito. Logan emitiu uni simulacro de suspiro resignado e. . .E eu não poderei dormir enquanto não me contares a hist¢ria. Poily tomou-lhe da mão e beijou-a. Logan tentou mostrar se severa e sarc stica. Logan ficou quase zangada por se ter sentido ansiosa em pura perda. . A Sra. -.Mas se tu soubesses que rata espantosa eu dei! # A Sra.perguntou ela com irrita‡ão.falou ela. Quando pomos em jâgo t¢cia a nossa f"r‡a para levantar o que nos parece ser um pˆso enorme.continuou Poli Y. A Sra. e que teria sido poss¡vel erguˆ-lo com dois dedos .Fico..Que ‚ que h ? -.Não adianta tentares dar-me trotes . arrependida. Logan não p"de deixar de rir. . ‚ desagrad vel perceber que se trata apenas de um halter de papelão. Est s velha. .A Sra. Haviam discutido não s¢rnente a gafe e Lady Edward. e todos que nela haviam tomado parte. est s com um arfatigado. do E) 150 con-tarEcra necessario que me viesses acordar do meu primeiro sono par ssa hist¢ria? . minha querida? Polly atirou-se sâbre a cama e escondeu o rosto nos joelhos da mãe.ady Edward! Se tu soubesses! Esqueci-me de te contar. Poily tinha discutido e a os Sra. . Mas os olhos e o sorr-so a tra¡ram. fechou os olhos. (N.Eu te pe‡o perdão. . melhor.Eu sabia que não ficarias zangada. .Que ‚. fingindo estar cheia de sono. mamãe . mas tamb‚m tâda a festa. Eram mais de 2 horas e meia e ela ainda não tinha voltado para o seu quarto. .da cabeceira.Eu não teria podido dormir sem primeiro te contar tudo . Ou. * Minha querida.

maioridade. tu não devias dizer que as pessoas se parecem com elefantes. Polly. . fâsse muito alto. Um pouco depois da 1 hora chegam . As noites são como sˆres humanos: s¢ come‡am a interessar depois que ficam adultas.Mas a Sra. Poily . Betterton tem nariz curto.repreendeu ela -. conforme lhes apetecesse. . Um gar‡om suplementar chegava . Òles podiam ficar l a despeito da lei.Como se faz com a cauda dos cachorrinhos or aram-lhe a ponta quando ela era 151 Ö1 # At‚ CAPITULO XII Para os clientes privilegiados Sbisa nunca fechava o seu restaurante. elevando-se de uma fantasia para outra ainda mais surpreendente: o n ariz dei a parece um a trom ba ." 1 bebˆ. acrescentou. Walter e Spandrell deixaram o restaurante. e consumir intoxicantes at‚ horas bastante avan‡adas da madrugada.. Era mais ou menos 1 hora e meia . para a casa. a verdade. gemera Lucy quando esta.uma tromba artinut-4. com o seu dram tico sussurro teatral..Foi assim que Sprandrell comentou a noite. O murm£rio de Polly tornou~se ainda mais dram tico: .. A sua plenitude est entre 2 e 2 e meia.Mas a Sra. como essas mulheres devoradoras de homens e ˆsses homens maduros em decl¡nio que andam por a¡ a saltitar .jovem ainda. meia-noite para servir ˆsses clientes de valor que desejavam infringir a lei. Jovem e um pouco ins¡pida.."apenas 1 e meia". Uma hora mais tarde elas vão ficando cada vez mais desesperadas.Mas. . . . rido e protestado a rir quando os coment rios da filha se tornavam demasiadamente ricos de e~kuberƒnc¡a mordaz..E.Logan escutado. O velho Sb¡sa tratava de fazer que o valor dˆles.replicou Polly. .. L pela meia-noite elas atingem a puberdade. Betterton parece mesmo um elefante -. O lcool era mais barato no Ritz do que no estabelecimento de Sbisa.

. Walter olhara o rel¢gio e declarara que era tempo de partir. Depois das 4 horas.dissera ˆle. Mas Lucy protestara. mas sim apenas para se deixar rIcar ali aborrecido. Walter sabia como a noite ia morrer para ˆle: . luz dos fins que se podem julgar os princ¡pios e os meios. Walter sabia. disso mas recusou admiti-lo.disse Lucy. perguntando a si mesma por que o companheiro não tinha voltado. Verdadeiramente. pedira num tom bajulador. Antes disso não podemos julg -la. quando as garrafas estão vazias..Estou convencida disso. numa explosão de ¢dio contra si mesmo e de ¢dio . mulher para com a qual ˆle se mostrara cruel.Acho que j ‚ tempo de veres que aspecto tem um comunista .horr¡vel.no meio das l grimas de Marjorie e de sua pr¢pria ang£stia complicada com exaspera‡ão. Tenho um fraco pelas cenas de leito de morte. Ele a torturava. doente. mal havia come‡ado. Isso acontecera havia mais de meia hora. as noites entram em plena decomposi‡ão. ordenara.ajuntou Spandrefi. . Quando faltavam cinco minutos para 1 hora. E a sua morte ‚ horr¡vel. ao nascer do sol.. A noite acaba de atingir a maioridade. Resta ver como h de morrer.E ‚ s¢rnente .num p‚ s¢ mais violentamente do que nunca. Não lhe restava nem essa justificativa para fazer Marjorie sofrer. # . as pessoas tˆm um aspecto de cad veres e o desejo se desfaz em desg"sto. e agora os trˆs se achavam em Solio Square e a noite. como tamb‚m recusava admitir que j f"sse 1 e meia e que Marjorie estivesse acordada... exasperado.. na esperan‡a de se convencerem a si mesmos de que não são velhos. No fim de contas Walter tornara a sentar-se. não para que pudesse ser feliz. impacientemente infeliz. Ficar para quˆ? Spandrell não se 152 mexia. Eu tenho mesmo-de ir . Nenhuma esperan‡a de ficar por um morriento a s¢s com Lucv. a crer em Lucy e Spandrell. erguendo-se.. confesso . . .

Não vejo nada de particularmente horrendo. deitado sâbre um leito. se não acreditas na UtOpia9 -perguntou Lucy. a sua risada silenciosa. Gfics.Òles tˆm olhos e não vˆem. .disse. . ‚ deveras tocante. os edit"res do Whos Who..o pal cio do Duque de Monmouth. . segundo espero .prosseguiu ˆle.Esperem um momento .A f brica de conservas deserta. a4 parturientes e o Whos Who. . E assim por diante. logo que mergulharam na obscuridade refrescante.. . . Ou de I-Cly? Monmouth e conservas. Ofereceuse para lev -los l .disse Spandrell a Lucy.Spandrell f-ez alto. pensa um pouco . -.Intensamente. dinamite. com o len‡ol puxado at‚ o queixo. .Mas eu sou um esteta nessas mat‚rias. Tocou a campainha. . . . a dan‡a e o champanha de Sbisa . . . fazendo aos outros um sinal para que mergulhassem na sombra.respondeu Lucy.Perten‡o a uma esp‚cie de clube .. . na maioria. . A porta se abriu .pensa um pouco em tudo isso. Estou pensando . transformada em salão de bailes. Spandrell fˆ-los parar. Alguns dˆles parecem acreditar sinceramente que uma revolu‡ão possa tornar o povo mais feliz. Mas ridiculamente pueris.Emitiu. .Hão de estar vis¡veis ainda alguns inimigos da sociedade. . E outrora .Bons sujeitos. Dinamite por amor . Tu podes imaginar os fantasmas: Ou inspirado dum desAVà mais divino O pai* o gera com requinte bem maisfino . . Lucy não queria outra coisa..ajuntou ˆle -. de maneira que não se possa ver o lugar em que o pesco‡o foi cortado? de Kneller. Conheces o retrato dˆle depois da execu‡ão.A utilidade? Mas não tens olhos? Lucy olhou em t"mo. a maternidade. 153 li # I . a casa de Sbisa. tomou o bra‡o dela com uma das mãos e com a outra apontou a pra‡a.explicou Spandrell. encantador.revolucion rio . Diante da porta duma casinhola em St.Mas qual ‚ a utilidade da Oinamite. E ainda perguntas qual ‚ a utilidade da dinamite? Continuaram a caminhar.

pensou ˆle.. seria o impacto de seu corpo contra a terra dura. O homem de cabelos ruivos era filidge. quebrando o silˆncio num brusco sobressalto. irregularmente . Dois homens se achavam de p‚ junto da lareira.. direita da casa. ˆles se voltaram. sentia o terror do vazio. o motor roncou mais agudamente.embora tivesse ansiado tão dolorosamente por ela..imediatamente. Arquejava. como uma vespa assanhada.disse ela com um sorriso cordial de quem reconhece um amigo.. mais perto. ela sabia. subiram uma escada atr s dˆle e entraram numa pe‡a brilhantemente iluminada do primeiro andar.. E que diria e faria Walter? quais seriam os seus pensamentos? Marjorie tinha mˆdo de imaginar . o condutor engrenou em segunda. da descida. Era o t xi de Walter. surpreendeu-se a retribuir o sorriso da mâ‡a. O carro se aproximava cada vez mais. Lucy avan‡ou com as mãos estendidas. escuta. Mais perto ainda. Cada vez mais e mais perto. o som passava . batia.batia. Mais perto. batia. retardada. Houve um breve col¢quio na obscuridade. .Spandrell? Bidlake? . vista dˆle. era como se sob os p‚s dela se tivesse aberto um al‡apão s"bre o v cuo.. o cora‡ão lhe batia forte. depois Spandrell se voltou e chamou os companheiros. que se preparava para dar ao rosto uma expressão de frieza hostil. Um t xi desembocou na rua.Somos conhecidos velhos . dessa vez ela tinha certeza. Illidge. Òstes o seguiram at‚ um vest¡bulo sombrio. Marjorie chegava quase a temer a volta de Walter . as censuras que não deixaria de lhe fazer.. Marjorie sentou-se na cama e pos-se . Ao p‚ da pequ‚na eleva‡ão que ficava . Marjorie estava possu¡da por uma ansiedade que era ao mesmo tempo do corpo e do esp¡rito...e a batida seguinte. a despeito de si mesma. Temia as emo‡ões que havia de sentir . da queda . O ronco da m quina ia ficando cada vez mais forte. . Ao som de passos. e depois parecia estacar: a batida esperada não se fazia ouvir. "E que andar fazendo por aqui essa mulher?". um hindu de turbante e um homenzinho de cabelos ruivos. as l grimas que havia de derramar.Al‡ou as invis¡veis sobrancelhas c"r de areia num sinal de espanto.

indicevam 3 horas menos um quarto. como uma morta pronta para a inuma‡ão. E a rea‡ão fisica do mˆdo evocavalhe # no esp¡rito uma emo‡ão de pavor. Walter era cruel de prop ¢sito.justamente por baixo da suajanela`I afastava-se. Òle esperava. era. Marjorie permitiu que a sua ang£stia viesse . imaginava-se estendida.falou Marjorie em voz alta.. diminu¡a. . -. Se ao menos tivesse podido dormir! Mas aquela ansiedade f¡sica do corpo não o permitia." Morrer. sem crispa‡ões. s"bre a mesinha que havia ao lado da cama. Talvez Walter estivesse procurando mat -la deliberadamente.Òle não far caso? Um n"vo pensamento lhe ocorreu dˆ s£bito. dorme.Walter sabia que ela nunca podia dormir antes do seu regresso.Walter sabe que estou doente . deitada de costas. num relaxamento de m£sculos. repousa o corpo" . como que sob o choque do terror. antes. de dormir.era in£til continuar na tentativa de recuperar a calma. "Talvez ˆle queira que eu morra. sussurrava para si mesma. Mas de s£bito uma mão maliciosa parecia dedilhar-lhe os nervos retesados. Os ponteiros luminosos do rel¢gio. com os bra‡os cruzados 154 s"bre o peito. Marjorie escondeu o rosto no travesseiro e . Trˆs menos um quarto. tona. O sangue martelava-lhe nos ouvidos. porque ela sofria muito e muito. Ela se deixou ficar completamente im¢vel. adormecida. de esquecer. Um tique violento lhe contra¡a os m£sculos dos membros. era precisamente porque ela estava doente. não ser. E ela tinha tanta certeza que era o t xi de Walter! Deitou-se de nâvo. Tinha a pele quente e sˆca. que ela morresse e o deixasse em paz com a outra mulher. "Por que querer ˆle fazerme tão infeliz?" Voltou a cabe‡a. . não ver nunca mais o rosto dˆle. ela sobressaltava-se. retirava-se. ˆle queria que ela morresse. avivando e intensificando a ansiedade dolorosa que não cessara de acompanhar-lhe os esfor‡os conscientes para atingir a tranqilidade. Do¡am-lhe os olhos. "Dorme. Não era a despeito de seu estado de sa£de que ˆle a tratava assim.. dorme". Vieram-lhe l grimas aos olhos. "Dorme. deix ~lo com a outra mulher.

. . Uma c‚lula se multiplicara e se fizera verme. . A pelve era estreita. . Groult. Marjorie sentiase nauseada e cheia de fadiga. Mas se eu tivesse o dinheiro necess rio.. Dali a quinze anos um rapaz haveria de 155 I # receber a confirma‡ão. Walter podia não conseguir mat -la agora. Chanel. nunca. Walter não era rico: e quem sofria as conseqˆncias dis so era ela --. numa rua que desembocava em Shaftesbury Avenue. como um po‡o enorme que se lhe abria aos p‚s. nunca mais.as p ginas do Vogue flutuavam-lhe diante dos olhos. Numa dessas casas onde a elegƒncia se vendia barato. Não tornar a vˆ-l¢. com uma convic‡ão apaixonada: "Sim". Pela mil‚sirria vez Marjorie lamentou a sua gravidez. na presen‡a de Deus e desta congrega‡ão. A morte reapareceu diante de Marjorie. para sempre. o bispo diria: "Renovais aqui. . E depois havia o bebˆ.Molyneux. ˆle j não a amava mais. as promessas solenes e os votos que foram em vosso nome feitos no vosso batismo?" E o ex-peixe responderia. Walter fazia-a tamb‚m sofrer por ˆle . ainda por cima. como um navio armado em galera. o verme se fizera peixe e o peixe se estava transformando no feto dum mam¡fero.Marjorie. havia um modˆlo de 16 guin‚tis. Tinha de sofrer porque ˆle não ganhava o bastante para lhe comprar bons vestidos. Era a maior de tâdas as injusti‡as. . porque ela estava sempre cansada e doente. . Para sempre e sempre. onde se vestiam as cocotes.era solu‡ou. Seria ela culpada por não ter recursos para se vestir bem? "Se eu tivesse dinheiro para comprar os vestidos que ela compra. E. morte. E Walter se entediava. solidão. Enorme em suas vestes. Mas isso havia de acontecer em qualquer caso quando o filho nascesse. Filho dfle. O doutor dissera que seria dificil para ela ter um bebˆ. aquilo tudo tão injusto . " Não era justo... Treva. .. Lanvin . "Òle gosta dela porque ela ‚ atraente.

fazia ao mesmo tempo crescer o seu pr¢prio remorso e a sua pr¢pria vergonha. chegara a sair. ru¡dos que vinham do outro compartimento e as batidas r pidas e terrificadas de seu pr¢prio cora‡ão.disse Lucy quando os trˆs se viram na rua. Walter sentou-se na cama para desatar os cordões dos sapatos. Detestava as multidões. ˆle ordenava. Òle queria.Vem comigo.Eis uma not¡cia f‚lic¡ssim a . o clique mal percept¡vel do trinco de mola que era cuidadosamente rep"sto no lugar. Walter tinha sofrido sem nenhum prop¢sito. Mais um pequeno ru¡do sˆco. Cada minuto de demora no restaurante de Sbisa.e por que. não podia suportar o lcool. .tornou Spandreil. a fuma‡a dos restaurantes agiam sâbre ˆle como um veneno deprimente. Tencionaria ˆle ir para a cama sem vir dar-lhe boa noite? Ela se deixou ficar im¢vel. e simultƒneamente a luz surgiu numa tira amarela debaixo da porta que separava o quarto de Marjorie do de Walter. As horas que passara com ela tinham sido horas de aborrecimento e impaciˆncia infind¡lvelmente longas. Eram mais de 3 horas quando ˆles deixaram finalmente o clube. Walter sacudiu a cabe‡a: 156 . Lucy tomou-lhe da mão. Outro guincho. Walter querido. Os gonzos guincharam. depois um n"vo ru¡do de passos. surdina.Teremos sandu¡ches e bebidas l em casa . minuto de tortura ap¢s minuto de tortura.. . . A porta de entrada do apartamento estava sendo aberta . fazendo crescer a infelicidade de Marjorie.Um ru¡do fˆ-la estremecer violentamente. desperta e palpitante. Walter. a conduzisse a casa? Olhou para ela: seus olhos eram eloqentes. Estava a perguntar a si mesmo por que não entrara trˆs horas mais cedo . com os olhos escancarados. escutando or. não conseguira ficar a s¢s com Lucy aquela noite. a não ser aquˆles dolorosos e exasperantes momentos no t xi. e o ar duas vˆzes respirado. os cheiros. E a tortura -do desejo e do ci£me tinha sido refor‡ada pela tortura da consciˆncia de sua pr¢pria culpabilidade. Ouviramse passos abafados. Iria Lucy mandar Spandrell embora e deixar que ˆle. apertou-a afetuosamente.. mesmo. cada minuto passado entre os revolucion rios era um minuto que retardava a consuma‡ão de seu desejo e que.

‚ indispens vel que v s at‚ o fim. Vamos.Mas não podes deixar-nos agora . O teu lugar ‚ ao p‚ do leito. Em Oxford Street achou um t xi. Mas o que ela dissera era verdade.J que vieste at‚ aqui. . Nenhum ru¡do vinha do quarto da amante.protestou Lucy. # puxou-o pela mão. pondo na voz um arremˆdo de surpresa: . como se estivesse efetuando uma opera‡ão perigosa.Walter! Foi com a sensa‡ão dum criminoso condenado .Tenho de ir para casa. Esperando -ˆle sabia que era em vão chegar a casa sem ser percebido. Foi inflex¡vel .um ab"rto.Tu me queres fazer morrer. As palavras eram terr¡veis. Apagou a luz e foi para a cama. estaria o homem a ler-lhe os pensamentos? . Estava salvo. Walter se da lavou-se. . Dificilmente Walter poderia fazer Marjork mais desgra‡ada do que j tinha realmente feito.Walter escutava com horror.Munie des cojlforts de notre sainte refigion*. envenenamento do sangue .. condenavamno. . assassino. ... como da c‚lula para o cadafalso. morte que se vˆ despertado pelos guardas na madrugada da execu‡ão que ˆle respondeu. Eu tenhQ de ir.. Tinha subido a escada de gatinhas abrira a porta com as precau‡ões dum despiu. o silˆncio absoluto. .Trˆs e meia. não. . Afastou-se a p‚. A agonia est quase a principiar. Não podes deixar que a noite morra s¢zinha. Spandrell olhou para o rel¢gio. .Est s acordada.. Walter. se acontecesse ela morrer .Não. Se a afli‡ão matasse ˆle teria morrido ali na rua. como um cão numa sarjeta.com um atraso de trˆs horas. Se ela não existisse mais. Como um cão numa sarjeta. fez parar o t xi na esta‡ão de Chalk Farni e percorreu a p‚ as £ltimas centenas de metros que o separavam porta da casa cujos dois andares superiores ˆle ocupava com Marjorie. Marjorie? Levantou-se e caminhou. para o quarto dela. A escuridão. Walter? . refletiu.

-.Não sejas ainda hip¢crita por cima de tudo . a despeito de sua vontade. Essa outra coisa ‚ uma esp‚cie de loucura.E tudo o que ˆle tinha sofrido de desejo contrariado. que gostarias de te veres livre de mim.perguntou Marjorie sarc. que j não era ˆle.Mas eu te amo. de remorso. Independente da minha vontade..Como um cão numa sarjeta. -. Marjorie. A sua ang£stia se transformara inomentƒneamente em c¢lera.disse ela. então. que ficarias contente se eu morresse? Por que não podes ser hOncsto e dizer-me tudo isso? * Munida dos confortos de nossa santa religião. sŠzinha. Walter.. de certo modo. e compadecia-se dos seus pr¢prios sofrimentos..Por que nio podes dizer francamente que me odeias. .$c soubesses.sticamente. de vergonha e ¢dio de si mesmo parecia cristalizar-se. .Vais. e o seu amor numa esp‚cie de ¢dio e de ressentimento. chegara quase a acreditar nelas. sacudiu-o dos p‚s . Se soubesses como me sinto desgra‡ado. Òle sofria. que brutalhão sem nome eu sou! . Òle fez men‡ão de torn -la nos bragos. eu te amo. .protestou .E de s£bito alguma coisa no seu corpo pareceu quebi ar-se. ao pronunciar as £ltimas palavras. . e uma for‡a interior. dizer que ainda me amas? .. numa agonia £nica. cabe‡a e lhe arrancou.. . por meio dessas palavras.Mas a tr"co de que hei de dizer o que não ‚ verdade? . (N. ali s era verdade. do E) i 11 157 # Ele. . Uma invis¡vel mão segurou-lhe a garganta. Não a posso evitar . seus olhos foram cegados pelas l grimas. . um grito abafado que mal chegava a ser humano. Marjorie repeliu-o..

das palavras amargas que proferira.São precisos dois para haver um assass¡nio. . ‚ claro.Atormentar quem? .Walter.Pobre Walter! . Ela agora sabia apenas que Walter era infeliz. E te garanto que não o atormento. a c¢lera de Marjorie desapareceu de rep‚nte. e que ela o amava. mas realmente quase ideal . Spandrell reteve a sua risada o tempo suficiente para assobiar. .perguntou Lucv. ao mesmo passo que os cortadores Car¢fidas nascem para serem enforcados. Walter ‚ evidentemente uma v¡tima. Òle ‚ que se atormenta. . convida os outros a que o maltratem. 158 . --.Do assassinado? .continuou Spandrell . ˆle.inquiriu Spandrell enquanto ambos caminhavam rumo da Charing Cross Road..E ‚ nosso dever . . chamando um t xi que ˆle tinha visto no fim da rua.disse Lucy. . -. O rapaz se deixou ficar assim como uma crian‡a.Mas por que hei de aceit -lo. Chegou mesmo a sentir remorso de sua c¢lera.Walter? Mas eu não o atormento.um companheiro tão bom! N"vo demais. por assim dizer. O chofer deu a volta e parou em frente dˆles.retrucou Spandrell.--.E ainda af-wmas que não o atormentas! Pobre desgra‡ado! .Mas não o deixas dormir contigo! . Isso se lhes pode ler nas caras. na consola‡ão daquele abra‡o. ˆle não faz senão receber o que merece . . H v¡timas natas.E o verdadeiro tipo do assassinado.continuou Spandrell do seu canto escuro.Sentes prazer em atorment -lo? -. H um tipo de v¡tima como h um tipo de criminoso.Enfim.Mas eu gosto dˆle -. nasde # cidas para terem a gorja cortada. Meu querido. Estendeu os bra‡os e puxou-O contra o seu corpo. se não tenho vontade? . . . Spandrell ainda ria silenciosamente quando subiram para o ve¡culo.Realmente: por quˆ? No entanto. deixar o rapaz assim na incerteza ‚ simplesmente tortur -lo.Ao som dˆsse solu‡o espantoso sa¡do da treva..

pensando ainda no rosto dela concentrado e ansioso. .Em outras palavras. com o mesmo movimento vivo. Spandrell a tinha visto inclinar-se daquela maneira. ..Tu j tinhas Come‡ado a te afastar muito antes que eu sonhasse com Tom. Lucy se inclinou para beber a chama. Outrora. a mascara tem somente uma meia d£zia de caretas para exprimir mil coisas. Com um cigarro prˆso aos l bios finos.Não havia nada de -vritima em Lucy.~ . de mulher COMUM. mas não existem senão uns poucos gestos. havia trˆs anos.fazer que ˆle receba os .Devemos estar sempre do lado do destino. Lucy empertigou. .Por que não fazer que ˆle não os receba? Pobre cordeirinho! . gracioso e vido . nosso dever cooperar com a sorte dŠle.Spandrell riscou o f¢sforo.Lembras-te daquela nossa curiosa temporada em Paris?---perguntou ˆle.Lembro-me de que foi uma aventura quase ideal. E o rosto que se aproximou dŠle agora estava concentrado e fixamente atento na chama. Mas tu eras horrivelmente vol£vel. ˆ¡e a tivera como amante por um mˆs. o que vejo com satisfa‡ão que est s fazendo. enquanto durou. não eras o gˆnero de v¡tima que meu gâsto exigia.disse Lucy com indigna‡ão. . sem permitir que seus pensa159 . sem remorso. ' . seja como quiseres .Pois bem. com t"da a For‡a de esp¡rito.. -.mentira! .se.inclinar-se sobre ˆle para lhe beber os beijos. Para falar a verdade. . Lucy sabia procurar o prazer como uni homem procura o seu.Mas eu te asseguro que não. do mesmo modo que ˆle o tinha visto concentrado e fixamente atento na ilumina‡ão interior do prazer pr ¢ximo. . eu não fiz a baderna que esperavas quando me deixaste por Tom Trivet. Spandrell jogou o f¢sforo para fora da janela. --. . pensara ˆle com freqˆncia. Walter nasceu manifestamente para apanhar.maus tratos a que faz jus . e muito pouco tamb‚m. . A ponta vermelha do cigarro se avivava e se sumia na escuridão. Os pensamentos e os sentimentos são numerosos e diversos. Tens foaO? -. . Lucy fez com a cabe‡a que sim.

. tateando com a chave para achar a fechadura. Spandrell não gostava de ser usado e explorado para prazer de outrem. durante mais de meia hora de cada vez. . . refletidas.E tu me chamaste anjo. .Vocˆs todos são assombrosamente insipidos. tu dizes besteiras aos montes. O Prof. . Estendeu ao condutor uma nota de 10 xelins. Olha.E que tinha um bracelete de diamantes e de platina. Queria ser o explorador. Bravos. em pagar o mais poss¡vel.Para um homem inteligente. .E sem muito ˆxito .Lucy sacudiu a cabe‡a num sinal afirmativo.Foi em Paris.ajuntou ela ao descer do carro -. frutas e sandu¡ches.protestou ela -.Como isso est bem! . um canto do prosc‚nio brilhante. podia agir como entendia. . Mas com Lucy não havia possibilidade de escravidão.Continua a fazer o teu dever como tens feito at‚ agora. ..Eu procuTo simplesmente divertir-me. Acreditas sinceramente que haja coisas direitas e coisas tortas? Spandrell tomou-lhe da mão e beijou-a.Eu sou como tu . . minha cara Lucy. Maurice. Nas curvas dos flancos polidos da garrafa t‚rmica as imagens de ambos. Dewar tinha liquefeito o hidrogˆnio a fim de que a sopa de Lucy pudesse conservar-se quente para ela at‚ as primeiras horas da madrugada. pondo a mão em pala .ajuntou ˆle. . ¢ bom e fiel s£cubo! . .precisou ˆle -. ou coisa que o valha. Havia um jovem que pintava os l bios na mesa pr¢xima.Subentende-se então que eu sou um dos criminosos? . e jamais hei de concordar.disse Spandrell.Beijou-lhe a mão de n"vo. .O t xi estacou diante da casinha de Lucy. em Bruton Street.Julguei que estiv‚ssemos h muito de ac"rdo a ˆsse respeito. Uma curva da galeria.Anjo mau . tudo quanto o c‚u exige de ti. quando se achava com homens. s¢ Deus sabe ..E ningu‚m me ajuda muito . tu ‚s esplˆndida. Pelo menos. Pagando. Por cima do bufete estava pendurada uma das pinturas de John Bidlake que representavam cenas de teatro. .Querida Lucy. Na sala de jantar esperava-os uma bela natureza morta de garrafas.sticamente num universo não-euclidiano.. . . sorrindo. E rião deves esconder nunca os teus talentos. anjo mau de nascen‡a. Lucy insistia. .Jamais concordei com coisa alguma na minha vida . uma fileira de rostos em declive. passeavam fant.# mentos e sentimentos ficassem minimamente atingidos.. . eu tenho dinheiro. . ela era independente. lembras-te? Na ChaumiŠre.Preciso de v¡timas.continuou.

Por falar em rãs . verdadeiramente muito estranho. Se soubesses. . Não existe a que se possa chamar "zoologia humana"? Eu me fatigaria muito algo # depressa das rãs .Acho que vou me dedicar . .. recordando-se do recado que Lucy lhe trouxera da mãe.por que não morrer? --sugeriu Spandrell com a b"ca cheia de pão e de f¡gado de ganso de Estrasburgo. como o Velho.Spandrell sacudiu a cabe‡a. . tu sabes.. Estava a mirar-se num velho espelho de vidro embaciado. o assass¡nio pol¡tico. . mais animal para com a vida por'meio de argumentos cient¡ficos obsoletos. "Esperemos que ela traga algum dinheiro quando vier amanhã".sâbre os olhos para ver o quadro mais claramente. Òle justifica a indiferen‡a mais primitiva. 160 . .. .comentou Spandrell num parˆntese .perguntou ela de s£bito.. uma esp‚cie ‚ tão inofensiva e o moralmente indiferente como outra. mas ˆle não faz muita distin‡ão entre os diferentes ramos da profissão. dˆ fel e de inveja.. Lucy não fˆz coment rio.. .. ciˆncia. Como ˆle nos detesta por sermos ricos! .. .. . mais selvagem.H uma leve diferen‡a entre a teoria e a pr tica.. A nossa vaidade faz-nos exagerar a importƒncia da vida humana. E estranho . .como as £ltimas manifesta‡ões de arte e de pol¡tica são geralmente ^fora de moda e at‚ primitivas! O jovem filidge fala como uma mistura de Tennyson no In Memoriam mais um ¡ndio do M‚xico ou um malaio que procura decidir-se a entrar em amoque*. E quando se ‚ comunista militante e materialista cient¡fico. filidge.Gosto das pessoas que sabem odiar .E então por que não faz? Por que tu não fazes? Não foi para isso que o teu clube foi criado? -. .. . Devias ouvir o nosso jovem amigo falar do homic¡dio! O que o interessa especialmente ‚. como e o nome dˆle? .continuou Lucy. ..Não me arroles no n£mero dos ricos.filidge sabe odiar. o indiv¡duo ‚ nada. Anseia por fazer saltar vocˆs todos a dinamite. Segundo filidge. E assim por diante . Natureza importa apenas a esp‚cie.Que hei de fazer quando ficar velha? . Est todo recheado de teorias.acrescentou aquˆle homenzinho de cabelos c"r de cenoura me agradou um pou co .prosseguiu ela. a teoria ‚ das mais esquisitas. Tinha-lhe escrito que o caso era urgente . est claro. pensava ˆle. e admirador da Revolu‡ão Russa.

Dizem-lhe que as leis da natureza são conven‡ões £teis. Pobre filidge! Einstein e Edington o enchem duma afli‡ão enorme. uma coisa deliciosamente c"mica. Sabe que.. custeia a educa‡ão do irmão mais nâvo e deu 50 libras .. . não h muito tempo. se preferes. de fabric ‡ão exclusivamente humana.velmente burguˆs! Em teoria filidge não vˆ distin‡ão entre sua mãe e qualquer outra mulher idosa. que Illidge tem o sentimento mais tocante de lealdade familiar. Mas. o pr¢prio filidge ‚ um cientista. . Uma esp‚cie de del¡rio homicida. 1 Henri Poincar‚! E como fica furioso com o velho Mach! T"da essa gente est solapando a sua f‚ simples. Esta id‚ia lhe ‚ tão indizivelmente chocante e dolorosa como seria para um cristão a id‚ia da não~existŠncia de Jesus. Ningu‚m pode ser comunista verdadeiro Sem Ser tamb‚m mecanista..Mas ‚ tamb‚m um comunista.Que ma] h nisso? . E necess rio acreditar que as £nicas realidades fundamentais são o espa‡o.. Òle sustenta a mãe.. e duma maneira completamente casual. irmã quando ela se casou . . (N~ do T. . E como ˆle detesta * Excita€ãO man¡aca que se observa nos pa¡ses nialaios e que conduz os pacientes afugas e bWlOes agressivas.Mas acontece comigo .inquiriu Lucy. . . .) 161 # 11. eu não te pe‡o desculpas.todo o universo de Newton e de selis sucessores . -Porque. Descobri. mas seus princ¡pios o levam a lutar contra tâda teoria cient¡fica que tenha menos de cinqenta anos de idade.Não resta d£vida. muito nossa..disse Lucy. no fint de contas.Mal? Mas ‚ desagrad. posso dar-te exemplos das inconseqˆncias pr ticas do homenzinho.. numa . Illidge ‚ homem de ci#^--ncia. ˆstes mesmos .Isto ‚: no caso de estarmos interessados em teorias. mera ilusão e. ainda por cima. o tempo e a massa. . . .Mas por que h de ser a ciˆncia obsoleta? .são apenas uma inven‡ão nossa. e que todo o resto ‚ disparate.assim. o que não acontece comigo.. bocejando. O que significa que Šle est saturado do materialismo do s‚culo XIX. ilusão burguesa.retorquiu Spandreli. . e que o espa‡o e o tempo e a massa. ..

faze que eu saiba. desprendida e cient¡fica dˆste mundo. . uma vez que. A gente devia experimentar tudo. tão exclusivamente bordeleira. com a ferocidade mais admir. o que queres dizer? 162 isso.. . Assim.. . i . "Num dˆstes dias".Havia violˆncia e ao mesmo tempo amor.. não h coisas certas nem coisas erradas.Sim . . .Òles sabiam quebrar tamb‚m o sexto mandamento.Mas de que serviria isso. As coisas assim ganhariam mais vida ..Muitos. talvez.." Eo mais importante ‚ que eu vou convid -lo mesmo! . Eu o increpei disso outro dia.Se um dia parares de tagarelar e fizeres algo de positivo. ..Lucy f_ez com a cabe‡a um sinal afirmativo.. filidge corou e ficou terrivelmente transtornado.Mas a vitalidade mortal ‚ realmente a mais viva de t"das.. teve de mudar de assun to e come‡ou a falar s¢bre o assass¡nio pol¡tico e as suas vantagens.. . . como pareces pensar. para restaurar o pr¢prio prest¡gio. .A vitalidade não era tão exclusivamente . A energia parece ter hoje em dia tão poucas maneiras de se manifestar .. Não permitem nem que pestanejemos. a menos que eu continue a conversar fiado.concordou Spandrell -. . Hoje em dia h # para De muitos policiais. . . . velha não quanto por semana a fim de lhe tornar poss¡vel arrastar uma existˆncia in£til. "eu te pegarei pela palavra e te convidarei para uma expedi‡ão de ca‡a ao homem.. . envia .Estou tão enfarada destas esp‚cies ordin rias e convencionais de vitalidade! A juventude na proa e o prazer ao leme. demais . A despeito disso.. ameacei-o.. .. usar um t‚rmo cru.Lucy franziu o sobrolho. como todos os outros .velmente calma. tolo. não existe nem o bem nem o mal? que serviria? ..sei sociedade racionalmente organizada. ‚ mon¢tono. Tu sabes. como se tivesse sido apanhado a fazer trapa‡a num jâgo de cartas. . ela seria levada para a cƒmara de asfixia por causa da sua artrite. Julgo que no passado era diferente . Eu me limitei a rir.. .A menos que continues a conversar fiado.Ou mais morte.

.Por curiosidade.De que serviria? Mas poderia haver experiˆncias divertidas. Não se sentia precisamente feliz.Mas. . se ‚s igualmente insens¡vel ao bem e ao pecado contra o bem.. queres praticar dˆsses atos que provocam a interferˆncia da pol¡cia9 Lucy deu de ombros.Vou parar. Sim. mas estava pelo menos calmo . .Mas essas experiˆncias nunca poderiam ser l muito excitantes se não sent¡ssemos que eram um mal.Spandreli tornou a rir.(aqui Spandrell imitou o tom da voz dela) -. A £nica solu‡ão parecia ser cometer pecados novos e progressivamente mais s‚rios. . 163 11 # O CAPITULO XIII Walter dirigia-se para a Fleet Street.continuou ˆle com um ar meditativo.E qual ‚ a minha chinela?. . se ‚ caso para dizer "meu bom Maurice" . .‚ neg -lo. guisa de conclusão . Mas quando os velhos pecados cessam de ser considerados como tais. . tudo . . experiˆncias excitantes. para que..Uma das maneiras de conhecer Deus .A mod‚stia . . Spandrell os realizava com tão pouco entusiasmo como teria realizado o ato de tomar o trem da manhã para a cidade.Ai! A gente se aborrece..disse ˆle lentamente. .calmo .. .. um ˆrro. id‚ia de que tudo agora estava arranjado. .protestou Lucy. Spandrell sorriu arreganhadamente: .come‡ou ˆle . tentando precisar o que havia de obscuro e vago nas suas pr¢prias sensa‡ões h pessoas que não podem conceber o bem senão pecando contra Šle. no curso da .H pessoas .. . então. . .porque..Riu. A gente se aborrece. que acontece? A discussão continuava dentro do c‚rebro de Spandreli. na verdade.Meu bom Maurice! . como dissera Lucy em seu jargão. . . tudo tinha sido arranjado.O tempo e o h bito tinham tirado a maldade de quase todos os atos que outrora ˆle julgara pecaminosos. para experimentar tudo.Apesar de tudo eu penso que o sapateiro não devia ir al‚m da chinela. ...me impede .

Gostei do teu artigo s"bre Rimbaud . ia passar t"das as noites com Marjorie. -. mas sem tocar. sentado em sua cadeira. ainda apertando o bra‡o de Walter.explosão emocional da £ltima noite. que eram apenas dois buracos metidos na escuridão interior do crƒnio. ergueu os olhos para o rapaz. Burlap estava em um de seus dias de maior cordialidade. apertou-lhe afetuosamente o bra‡o.. tão intrinsecamente calmo que todos os ru¡dos de Londres pareciam um contra-senso. pelo contr rio. tanto para o seu bem como para o de Marjorie.declarou Buriap. Tamb‚m se lembrava da noite passada e estava ansioso por que Walter a esquecesse. ainda sorrindo para ˆle. Era um dia de bruma branca tenaz. O tr fego rugia e se precipitava. Depois. Tudo estava ajustado. Para come‡ar. sentado na sua cadeira girat¢ria atirada para tr s. Chamou-lhe "meu velho". Tudo estava assentado. . Buriap sempre lhe produzia aquˆle efeito. Walter retribuiu-lhe o 11 meu velho" e o sorriso. isso estava definitivamente decidido e prometido. Lembrando-se do incidente da noite anterior. de certa maneira obscura. mesmo quando exprimia as suas convic‡ões mais ¡ritinias..talvez não duma maneira l muito triunfal. aquˆles olhos que não exprimiam nada. mas com resigna‡ão. O pr¢prio tempo parecia saber disso. entretanto. transformavase numa esp‚cie de falsidade. ˆle não tornaria a ver Lucy nunca mais. na presen‡a dˆle Walter nunca se sentia absolutamente honesto ou sincero. Mas. tudo quanto dizia. mentiroso e comediante. Era uma sensa‡ão desagrad vel em extremo. superf¡cie. a quietude e o silˆncio essenciais do dia. mas com uma consciˆncia dolorosa de insinceridade. o mundo recome‡ava outra vez . Com Burlap Šle era sempre.respondeu Walter. com uma calma absoluta que coisa alguma podia turbar. não de todo brilhante. Sua b"ca. E finalmente ia pedir um aumento a Burlap. sorriu encantadora e sutilmente. E ao mesmo tempo. sentindo com um certo mal- . entretanto. tudo tinha vindo .Isso me alegra . Walter esperava ser recebido friamente na reda‡ão.

segundo a descri‡ão que o pr¢prio Burlap fazia das impertinˆncias espirituais do velho ap¢stolo salvacionista. . não achas? Desde que Burlap exercia as fun‡ões de chefe da reda‡ão. quem não o conseguisse estaria condenado ao inferno.exclamou Burlap.Sim. que o diretor do Liferary World tinha modelado sua atitude de acârdo com a de Toist¢i . hesitou. Que significa‡ão encerrariam aquelas palavras? Walter nunca chegara a ter a mais leve id‚ia. . depois de um enorme e horr¡vel silˆncio."indo direito . .Que homem! . Walter supunha achar-se entre os malditos. Burlap jamais explicara. inquiriu. Foi s¢rnente mais tarde que descobriu. # Era pouco prov vel que viesse um dia a esquecer a sua primeira entre~ vista com o futuro chefe. "Ouvi dizer que o senhor precisa dum redatoradjunto". Rimbaud Šertamente acreditava na Vida . Houve outro deserto de silˆncio e depois Burlap tornou a erguer os olhos: "O senhor ‚ virgem?". os artigos editoriais do Literary World tinham quase t"das as semanas proclamado a necessidade de acreditar na Vida.Era uma criatura que acreditava na Vida.. principiara ˆle timidamente. mas sim a alguma parte do pr¢prio esp¡rito de Burlap. .. preciso"..aquiesceu Walter . A f‚ de Burlap na Vida era uma das coisas que mais inquietavam Walter. e por fim sacudiu a cabe‡a. que tinha sussurrado: "Tu I r1i devias dizer algo de agrad vel sâbre o artigo dˆle". Era preciso entender por intui‡ão. . Burlap fez com a cabe‡a um sinal afirmativo: "Sim. Walter corou ainda mais violentamente. por meio de um dos artigos do pr¢prio Burlap. e. Era a £nica resposta poss¡vel.estar que aquela observa‡ão não era realmente dirigida a ˆle.s grandes coisas simples e fundamentais". o homem s£bitamente olhou para Walter com os seus blhos vazios e perguntou: "O senhor acredita na Vida?" Walter corou at‚ a raiz dos cabelos e respondeu: "Sim". e que estava vendo a sua exigˆncia satisfeita por outra parte do esp¡rito do mesmo Burlap.

Dez quilos de ouro em târno dos rins. abandonar a poesia. E. Oli."Oh! Oh!" . ‚ perder a pr¢pria vida para salv -la. desculpando~se. se ao menos se soubesse o que ˆle fez e pensou na µfrica! Se ao menos se soubesse! Walter teve a coragem de replicar: . sentindo ao pronunciar as palavras a mesma impressão que sentia quando tinha de escrever uma carta de pˆsames.. . "preciso falar-lhe a respeito do meu ordenado. Falar a respeito da f‚ na Vida era uma falta de sinceridade da mesma ordem que falar em "sentidas condolˆncias" e em "vossa perda irrepar vel" ." Mas.um sacrificio consciente. baixando os olhos (com grande al¡vio da parte de Walter) e meneando a cabe‡a. Levava 40 O00 francos no cinturão. assim que eu interpreto o seu abandono da literatura . ."Por falar em ouro".com uma voz mole. de maneira tio profunda que estava pronto at‚ para renunciar a ela.. ao passo que pronunciava as palavras como se as ruminasse -. a julgar por suas cartas. .Sim.. corno se tivesse cometido uma grave inconveniˆncia. A sua f‚ era tão forte que ˆle estava disposto a perder a sua vida. "Òle u.respondeu ˆle. acreditar verdadeiramente na vida. .Rimbaud acreditava tanto na Vida .perguntou ˆle .O que quiser salvar a sua vida deve perdˆ-la.continuou Burlap.que o contrabando de armas e o dinheiro eram as coisas que ocupavam o esp¡rito dˆle no deserto? Dˆle? Do autor de Les I11umÖnations? Walter corou. pensou Walter.Contrabandeava armas de fogo para o Imperador Menelik. -.Uma vida de contempla‡ão # 165 m¡stica e de intui‡ão.São ˆsses os £nicos fatos que conhe‡o . ao ouvir falar nos fuzis de Menelik e nos 40 O00 francos.a com demasiada facilidade as grandes palavras% pensou Walter. Burlap sorriu com uma expressão de indulgˆncia cristã. com demasiada facilidade! Walter sentia~se cheio de embara‡o. .Mas tu realmente pensas . sabendo disso. Rimbaud parece ter pensado sobretudo em ganhar bastante dinheiro para se estabelecer. . na certeza de ganhar uma vida nova e melhor. . ..Ser o melhor poeta de sua gera‡ão e.

disse ˆle com um suspiro. E depois. .Foi prˆsa de uma exaspera‡ão humor¡stica.Uma certeza completa e absoluta .principiou.Completa e absoluta. "O pobre cr¡tico" .Para mim . cinta".Nada.Falava com muita ˆnfase. .Por que ser que os autores não param? uma doen‡a. -. hipnotizando-se com a reitera‡ão da frase ao ponto de entrar num estado ficticio de convic‡ão apaixonada. Burlap levantou-se e come‡ou a examinar os livros. apontande para uma dupla pilha de volumes que se achava a um canto da mesa. s£bitamente. .não seria a deixa esperada para come‡ar a sua conversa sâbre o ordenado? Walter criou ƒnimo.Metros e metros de literatura contemporƒnea. particularmente quando o p£blico era Beatrice.Viste os livros novos para a resenha? .disse Walter. . lembras-te? Aquilo de que Walter se lembrava principalmente era de que aquela compara‡ao era de Ph¡lip Qparies.uma hip¢tese .. apertando trˆs vˆzes na campainha.. 166 Mas Burlap. Burlap exorcizou o dem"nio.ˆle pr¢prio em Rimbaud. como aquˆle de que sofria aquela pobre senhora da B¡blia. Um Puxo de sangue. pen- Perdão. concentrou a sua vontade. Que dizias? . O pedido tinha de ser transferido. tinha come‡ado a falar por su vez: # Vou chamar Beatrice -. Uma certeza absoluta.. . mas interiormente continuou a se a‡oitar at‚ entrar num furor m¡stico.Silenciou. o seu diabinho meteu para fora a carantonha arreganhada e cochichou: "Dez quilos de ouro .-. sua pr ¢pria opinião. "Maldita Beatrice!". .‚ uma certeza. desejando que Burlap nunca tivesse lido o Nâvo Testamento. . contrafeito. Pensou em Rimbaud ao ponto de se trarsformar.disse. . quase ao mesmo tempo.Piedade para o pobre cr¡tico! . mudando de assunto. ..retorquiu Burlap .perguntou. . . Não podia ser feito em p£blico. estava ganhando o Reino do C‚u.Òle estava apanhando o sentido da vida nova. . "Intui‡ão profunda" era o nome que Burlap gostava de dar . -. .repetiu. . sacudindo a cabe‡a com violˆncia.Eu estava justamente a considerar. .Mas h uma intui‡ão que vˆ mais fundo do que os simples fatos.

E uma nova antologia de versos franceses. Como se tivesses andado de fari~a a noite passada. acho que eu ‚ que vou escrever sâbre isto. mas apenas uma nota r pida.Mas o World merece que fa‡amos sacrificios por ˆle . . Eram livros que não mereciam cr"nicas. A pilha maior tinha o nome de "Droga". e se deixou bicar. outra para o metafisico acreditado. Walter. Gilray num tom sˆco. de suas miser veis 6 libras semanais. dado com um martelo de marfim nos nos dos dedos.Tens o ar fatigado -. .resmungou ˆle. uma figura fornidarnente bem feita. pensando melhor. Uma pilha pequena para o entendido em ciˆncia. um monte enorme para o especialista em fic‡ão. Não. No entanto Walter não respondeu assim. o diabo que levasse aquela maldita mulher! Beatrice entrou. A Vida de São Francisco Reconiada para as Crian‡as por Bella Jukes: Teologia ou droga? . Cada uma de suas palavras era c~ mo um golpe curto e vigoroso.respondeu Walter. . olhando por cima do ombro dela.Al‚m do mais.Nio andaste? Walter corou: .Eis aqui um livro s"bre a Polin‚sia para ti.Droga .Pensando melhor. ‚ preciso que o ajudemos. .. ˆle geralmente guardava para si os livros mais interessantes. . muito ereta e com ares atarefadissimos. . . Classificaram os volumes para os diversos cr¡ticos. F"sse como fâsse. A r‚plica natural seria esta: os rendimentos particulares dˆle.Bom dia. devemos fazer algo por ˆles. . e absorveu-se no exame dum livro.Bicada vinha ap¢s bicada. Walter queixara-se a ela certa vez. .sou Walter. por brincadeira. Por que vinha ela fazer de gra‡a'a revisão de provas e a reda‡ão de not¡cias curtas? Simplesmente porque tinha rendimento pr¢prio e porque adorava Burlap.cumprimentou.O World faz alguma coisa. Walter . -. . os sentimentos cristãos de Burlap tinham um sabor particularmente estranho. .perguntou Beatrice..continuou ela. temos responsabilidades para com os outros. eram muito pequenos e ˆle não estava apaixonado por Burlap . .Dormi mal .disse Burlap generosamente.retrucara a Srta.Repetidos assim por aquela voz clara e martelada. . com um ¢dio injusto.Gasto.Mas eu gostaria de ter um pretexto para fazer um artiguinho a res- . Walter .

velmente cheio de simpatia. caracterizado de Bassƒnio. As id‚ias de Beatrice e . .E realmente chegava quase a acreditar que não era co-propriet rio e diretor da reda‡ão do World. entre as quais o £nico elo percept¡vel era Burlap.continuou Burlap. ' Eu sei o que ‚ andar mal de dinheiro. . e o detest vel Porter (o mais velho).Que integridade devastadora! . orgƒnica? . Parece droga mesmo .. que vivia com 2 libras por semana havia muitos anos. recuperou a calma suficiente para poder continuar o trabalho da manhã. ensaiava um gesto que traduzisse amizade. suspirando.Come‡ou a hipnotizar~se. . ˆle representava o papel de Ant"nio em O Mercador de Veneza. com que escrupulosa relutƒncia!) a respeito de seu ordenado.Mas que homem extraordin rio! Extraordin rio! . menino de escola.disse Burlap. meu velho . que não tinha um n¡quel empregado no jornal. .disse ˆle. aquelas bicadas de ganso pareciam pertencer a duas pessoas diferentes. descansando a mão no ombro do outro com um gesto que perturbadoramente recordou a Walter o tempo em que. com os olhos fitos em Burlap. numa auto-intoxica‡ão.martelou Beatrice. era um verdadeiro franciscano especialista em pobreza. Rurlap.Extraordin rio! . .admitiu. . Sacudiu a cabe‡a e. Walter teve ensejo de falar (com que timidez.. .167 i # peito de São Francisco .Burlap tomou o nho das mãos de Beatrice e fez desfilar as p ginas sob o seu polegar. por finn.A sua risadinha dava a entender que ˆle. tinha ˆle empreendido um estudo de f"lego que se livrideveria chamar Sio Francisco e a Psique Modefeia.Eu quisera que Walter olhou para ela com curiosidade. Quando. a flagelar-se para atingir o estado de esp¡rito franciscano. Burlap mostrouse admir. mas que era modesto demais para insistir no assunto.Eu sei. Haveria tamb‚m alguma liga‡ão interna.. meu velho.Eu sei. Nos intervalos que lhe deixavam as fun‡ões de redator.

O elogio era encantador. e quando ˆle tinha algum gesto simp tico era invari.. Se tu escrevesses menos bem. Burlap o refor‡ou com outra palinadinha 168 ~Vel e com um novo sorriso. meu velho.. Chivers era a mais .velmente ". que não que esta# ~ olhando para coisa nenhuma. Walter teve a estranha impressão de #quˆles olhos não estavam absolutamente olhando para ˆle. ˆle daria. Naturalmente ..estiv‚ssemos em condi‡ões de pagar-te trˆs vˆzes o que te estamos pagando.falou Burlap. mas sentiu de nâvo que as ~ palavras tinham vindo com demasiada facilidade..Vou falar ao Sr.. Òste resmungou algumas palavras vagas de mod‚stia. Chivers era o direlor comercial. mas sem alegria. Chivers . dentro da mesma panela de Walter -.. em beneficio da sua pr¢pria pol¡tica. O Sr. Aquela palinadinha. era a deixa para ˆle come‡ar: Eu sou a ovelha maculada do rebanho Que mais merece ser levada ao matadouro . . Burlap se sCrvia dˆle. O Sr.. eu so quisera que o jornal desse lucro maior. Eu quisera que isso fosse poss¡vel . metendo-se. Não se pode servir a Deus e a Mamona ao j~ tempo.gaude parte por culpa tua. para o teu bem e para o meu tamb‚m . .. com rela‡ão . risada. Tu o mereces. E isto em . .s finan‡as...concordou Walter. pensou. Chivers. como os homens de Estado se servem do& or culos e dos aug£rios. Walter aderiu . como um São Fravicisco brincalhão que fingia zombar de seus pr¢prios princ¡pios.acrescentou com um risinho tristonho. conta do Sr..continuou Burlap -.Deu uma palmadinha no ombro de Walter. As suas decisões mal acolhidas podiam sempre ser levadas . Preferia mil vˆzes que não tivesse mencionado a palavra "ordenado". revelia do desalmado despotismo do diretor comercial". Mas os olhos não exprimiam nada Encontrando-os por um instante.. ...Eu s¢ quisera .O jornal ‚ bom demais.disse Burlap.

agradeceu Walter.Não. pelo outro. "Era o que eu devia ter dito". A sua magnanimidade era infecciosa.disse ˆle quase numa s£plica -. pela boa razão de que era impessoal e não existia. . isto ‚. . .Realmente. firmemente resolvido.Vou falar a Chivers imediatamente. .Mas n¢s te estamos explorando. o que acontecia s¢rnente trˆs dias por "se" . e. . Sentiu-se humilhado e culpou Marjorie do que acontecera. . Porque lhe f"sse repugnante lutar. acho eu.Não penses que eu não percebo. Equivalia aquilo a 10 xelins por semana. a nada. pensou Walter. . Quando trabalhava na reda‡ão. . H muito que isso me vem preocupando. mais generoso ficava Burlap.Quanto mais Walter protestava. .. eu preferia antes que deixasses as coisas como elas estão. Mas Burlap afastava-lhe as obje‡ões. E por ter dito esta palavra desprezou-se a si -nesmo. Insistiu em ser generoso. eis o tˆrmo. Hei de falar-lhe esta manhã mesmo.Eu sei bem das dificuldades.conveniente das fic‡ões. Walter estava resolvido a não aceitar nenhum aumento. . Wal~ tu Pensou em Marjorie. Walter resmungou algo a respeito de "ficar grato". Burlap . de s£bito. # 169 i! i . aceitar favorM a pobre Marjorie teria de continuar sem novos vestidos e sem mais Umacriada. . .Não te incomodes disse Walter. Mas que ‚ que se vai fazer? "Se" manifestamente não podia fazer nada.E então..Walter chegava positivamente a suplicar que nio lhe aumentassem o ordenado. embora tivesse a COnvic‡ão de que o jornal estava em condi‡ões de pagar-lhe melhor. Porque ˆle achasse desagrad vel negociar. Creio que posso persuadi-lo a 481MAD mais 25 por ano. Não penses que eu quero . . Vinte c cinco. Ridiculamente.Sente-se at‚ vergonha de oferecer isso. . por um lado. eu te pe‡o.Obrigado .ridiculamente pouco.Se ror humanamente poss¡vel arrancar alguma coisa mais para ti. . M~ie tinha dito que ‚le devia exigir pelo menos mais 100 libras. . estamos-te positivamente pagando um sal rio de fome. . Walter. Como a estava tratando injustamente! SacrifiCRM O bem-estar dela ao seu.

semana. No papel Walter era tudo o que não conseguia ser na vida. Era dia de "Diversas". Burlap.. o discernimento r pido' e a facilidade de Walter eram completamente incapazes de reprimir o fluxo crescente. nessa expressão ser malbaratado. ficavam indignados ao lerem que os seus escritos eram pomposos. Viam-se sâbre a mesa as pilhas de "Drogas". A ind£stria e t"das as virtudes são de nenhum proveito.. Ambos puseram mão . Imerso na sua "Droga".foi particularmente mordaz. A perseveran‡a de Beatrice. Walter e Beatrice serviram-se. que tinham ousadarriente p"sto a descoberto os segredos de sua vida ¡ntima e sexual. ficava s¢zinho. num isolamento diretorial. obra "como abutres".. "nas Târres do Silˆncio". e sâbre as Belezas da Natureza. suas sinceridades serão. dizia Walter. Mas. µfrica perguntavam-se a si mesmos como a narrativa de uma aventura tão interessante podia ser qualificada de cacˆte. ficavam abismados. sua constru‡ão inexistente. Os jovens novelistas que tinham modelado os seus estilos e as suas concep‡ões ‚picas de acârdo com os melhores autores. sai com a mesma sinceridade da alma do autor. sendo a alma do mau autor. Walter come‡ou a escrever ferozmente s"bre a suas falta de talento. Suas cr¡ticas eram ricas de epigramas e implac veis. Conscientes de sua ind£stria. e a cada semana ia ficando ainda mais crescida. A natureza ‚ monstruosamente injusta. cheios de g"zo. sistemas imbecis de filosofia e moraliza‡ões chatas. biografias insignificantes e livros ma‡antes de viagem. Custa tanto escrever um mau livro como um bom. Era um festim liter rio . senão sempre intrinsecamente desinteressantes. pelo menos desinteressantemente exprimidas. O que ˆle escreveu naquela manhã. a pilha era alta. de sua sinceridade e de . que semelhava a das formigas. Walter ficava na mesma sala de Beatrice. M s novelas e versos sem valor. livros dum pietismo tão nauseante e hist¢rias infantis tão vulgares e t"las que lˆ-los era sentir vergonha por tâda a ra‡a humana. teatral e melodram tico. sua psicologia falsa e seu drama. ficavam feridos. de qualidade inferior. uma excursão . e o trabalho dispensado. As pobres solteironas conipe~ netradas. quando liam o que ˆle escrevia a respeito de seus poemas sentid¡ssimos s"bre Deus e a Paixão. pelo menos artisticamente..um festim de sobejos. Não h substituto para o talento. Os ca‡adores de ca‡a grossa que tinham feito. se sentiam picadas ao vivo pelo desd‚m brutal do cronista.

Imposs¡vel. Foi nesse momento que a campainha do telefone tilintou. Poderia discutir com ˆles os seus problemas.. sa¡ram para fazer O lanche. os autores das "Drogas" sentiam-se tratados de ela # maneira injusta e ultrajante. Walter e Beatrice trabalharam.o que devem sentir os abutres de Bombaim quando h epidemia entre os parses. ..Mas por quˆ? . o que acontecia era que ela elogiava todos os livros nos quais a Vida e os seus outros Baipesproblemas eram. Elinor e Philip deviam estar embarcando naquele dia.Não posso . . Que rosse.explicou ela. Bombaim e os parses lembraram-lhe a irmã.Bobagem! Est claro que podes. s£bitamente. E então. Os m‚todos de cr¡tica de Beatrice eram simples. levados a s‚rio.Era a voz de Lucy. então.boas inten‡ões art¡sticas. Walter levantou o receptor e disse: Al"! . Seria um conf"rto.s tu.disse Walter .. depois do ch . que Burlap ou alguma outra soa de autoridade lhe tivesse dito prŠviamente que era seu dever preferir Candide. a menos. de que não havia mais problemas. . O cora‡ão de Walter desfaleceu. Eram quase as £nicas pessoas com as quais ˆle podia falar com intimidade a respeito de seus assuntos. Onze livros novos haviam chegado no intervalo. .Eu sinto . . Como nunca lhe permitiam criticar nada a não ser o que era "Droga". Queria que ˆle rosse para o ch . um al¡vio de responsabilidade. . ‚ claro. Beatrice teria classificado o Festus de ley acima do Candide.Acabo de acordar . p tria. julgava ela. o jovem Bidlake lembrou se de que tudo estava ajustado. Walter querido? . ˆle sabia o que ia acontecer. a sua falta absoluta de senso cr¡tico era de pouca importƒncia.Estou completamente s¢. em todos os casos procurava dizer o que imaginava que Burlap diria.. . Na pr tica. voltaram e recome‡aram o trabalho. Nenhum mais . Walter recusou. Walter se alegrava por sabˆ-los de volta .persistiu ˆle. e condenava todos os em que isso não acontecesse.

. "Como ‚ desprez¡vel". Cobbett era uma mulherzinha de cabelos negros. que se achava do outro lado da mesa. .Est bem. .corrigiu~se. . .'. . . depois de relancear os olhos sâbre ˆles. Farei um esfor‡o.continuou por fim... Irei.. No fim de contas. como se a Srta.Descerrou as p lpebras para dar com o olhar escuro e brilhante da secret ria. . Fa‡o questão . Obrigado pela sua carta e pelos manuscritos anexos. numa reflexão breve. . . Tomou de outro ma‡o de pap‚is. Cobbett baixou de n"vo o olhar para o caderno de apontamentos.Não ‚ meu costume . A expressão dos olhos da Srta.Trabalho. Cobbett era sarc stica. fechou os olhos. talvez rosse melhor ir vŠ-la e explicar-lhe o que tinha resolvido. S. poucos minutos depois das 5. inclinando-se para tr s na cadeira.De V. mas escondeu os seus sentimentos e continuou a olhar direito para a frente.ca‡oou Beatrice quando Walter pendurou de RâVO o receptor.Eu nurca te hei de perdoar se não vieres. exclamou ela rio seu ¡ntimo. Cobbett não se achasse presente e como se ‚le estivesse a olhar distraidamente para qualquer pe‡a da mob¡lia.. London Library antes da hora de fechar. se for poss¡vel . etc.Não .. o mais p lido dos sorrisos encrespava-lhe qu*ase imperceptivelmente as comissuras dos l bios.Fˆz uma pausa e. Burlap ficou contrariado..terminou ˆle. Romola Saville.Cara Srta. Saville . . "Como ‚ indizivel mente vulgar!" A Srta.A dizer não s¢ pelo prazer de se sentir requestado. com uma voz macia e long¡nqua -. o rapaz deixou a reda‡ão sob O pretexto de que precisava ir . . A Srta. não ‚ meu costume escrever cartas particulares a colaboradores desconhecidos. Burlap estava ditando cartas para a sua secret ria: .Mas depois das 6. E as suas £ltimas palavras foram: -"Bon amusement* 11 ! JI No -abinete do diretor. 170 # Beatrice dirigiu-lhe votos ir"nicos de felicidade. pensou ˆle. etc.come‡ou.Cara Srta..Que dengoso ˆle ‚ . E quando. que tinha os cantos do l bio superior sombreados duma penugem escura: olhos casta- . .

estenografia e . o que era muito pior. Apaixonara-se muitas # ou vˆzes. Com muita dureza. do E) 172 "não ter senso de humor". (N. a morte do pai a deixara. Ethel Cobbett tinha pleno direito a usar aquela expressão de censura.. como naquele momento. .. datilografia pelo resto da existˆncia.. Ficou noiva de Harry Markham. Nascida e educada no meio duma prosperidade razo vel. Os outros homens achavam-na inquietadoramente violenta. mesmo. Os jovens sentiam-se mal e achavam-se rid¡culos na companhia dela. o £nico homem que quisera correr o risco de am -la. ser tratada com caridade. Os homens não percebiam isso ou. em esc rnio. Depois veio a guerra. E vingavam-se rindo da pobre criatura. de ter-se tomado uma solteirona que vivia a suspirar por um homem. Harry era o £nico homem que a tinha amado. Harry alistou-se e foi morto. . não obstante. se percebiam. Olhos sombrios e apaixonados.. Ethel levava tudo terrivelmente a s‚rio. como se estivessem tratando com uma pobre criatura desviada que. ardentemente. desesperada1 mente pobre.nhos desproporcionadamente grandes para o rosto fino e um tanto doentio.. ou. outras vˆzes zombavam dela ou. quando menina. nos dias de prosperidade. apaixonada e s‚ria. fugiam precipitadamente. dum dia para outro. embora f"sse aborr‚c¡vel. Ethel Cobbett tinha direito de lan‡ar para o mundo um olhar de acusa‡ão. com uma violˆncia sem esperan‡a. acusando-a de * Bom divertimento. devia. medida que o tempo passava. Diziam que a Srta. de ser pedante e. Conhecera Burlap porque.. mostravam-se duma bon~ dade condescendente. Esta morte condenou a Srta. A vida prometia come‡ar de n"vo. O destino a tinha tratado com dureza. com uma expressão quase permanente de censura que por vˆzes se iluminava em c¢lera s£bita. Cobbett parecia uma feiticeira. Cobbett .

que vivia entre o seu apartamento sombrio e o odioso escrithrio da companhia de seguros onde estava empregada. que flez acompanhar dum longo memorial a respeito da Susan dos tempos de menina. ou pelo menos proclamou ter sentido. tanto cronol¢gica como espiritualmente. a despeito da cronologia. tinham sido acontecimentos grandes e maravilhosos. Incorporou uma boa parte da substƒncia dessa carta em seu artigo da semana seguinte. Nas profundezas mais ¡ntimas de seu cora‡ão. ela nunca chegou a crer no seu eu adulto e cronol¢gico. a chegada da carta. crian‡a tamb‚m. para Ethel.era o t¡tulo. cuja vida era de amargura e de recrimina‡ão contra o destino. Pela volta do correio veio-lhe uma resposta comovida e comovente: "Obrigado pelas merriorias que me representam a verdadeira Susan tal como eu sempre a senti . ˆle pudesse mergulhar com . numa s‚rie mais do que habitualmente dolorosa daqueles artigos sempre dolorosamente pessoais que eram segrˆdo de seu ˆxito como jornalista (pois o grande p£blico tem um apetite cr"nico e canibalesco pelas indiscri‡ões pessoais). at‚ o derradeiro momento. Tratava-se dum escritor de verdade. um homem que tinha um c‚rebro e uma alma. ela não tinha cessado de ser.a menina que sobreviveu tão magnificamente e tão puramente na mulher.tinha freqentado o mesmo col‚gio de Susan Paley. primeiro. em que. so b a Susan f¡sica que vivia no tempo e paralelamente a ela. estou certo. E assim por diante . nunca p"de desfazer-se da id‚ia de que continuava a ser uma crian‡a que brincava de ser gkande". Quando Susan morreu e Burlap explorou a dor que sentiu. "Dˆsses Ser o Reino dos C‚us" . Burlap teria gostado de qualquer mulher que lhe pudesse falar da meninice de Susan e oferecer-lhe o calor de uma compaixio maternal. a encantadora crian‡a que. No estado mental que fabricara para si -mesmo. depois. e a do pr¢prio Burlap. Para Ethel. Um dia ou dois mais tarde ˆle foi a Birmingharn para ter uma entrevista pessoal com aquela mulher que havia conhecido a verdadeira Susan na ‚poca em que ela era crian‡a. que se tornara posteriormente esp"sa dˆle.p ginas de um lirismo um tanto hist‚rico s"bre a mulher-Šrian‡a defunta. Ethel lhe escreveu uma carta de condolˆncia. A impressão que cada um dˆles causou no outro feri favor vel.

de tâdas as palavras cru‚is que pronunciara. pensou em si mesmo. e sabia admirar. nunca. Para cada jesu¡ta novi‡o Loyola prescrevia um retiro de medita‡ão solit ria s"bre a paixão de Cristo. E confessou.. mas. nunca mais poderia pedir perdão a Susan de t"das as maldades que lhe fizera.173 # !i del¡cia. Burlap chorou.. como num leito de penas. Torturou~se a si mesmo com o pensamento de que nunca. pensou ela. nos seus pr¢prios remorsos. "Ningu‚m". que lhe rora uma vez infiel. ao cabo de alguns dias de masturba‡ão espiritual incessante. tinha conseguido fazer ferver dentro de si mesmo. uma cultura s‚ria.Ethel ficou comovida. Burlap empregou o mesmo processo. como o varão de dores. E. . alguns dias dˆste exerc¡cio. numa visão apocafiptica. ou então em Susan. Aquˆles paroxismos de dor que Burlap. Nunca. Contou as contendas dom‚sticas. não eram de maneira nenhuma proporcionais aos sentimentos que ˆle experimentara com rela‡ão ." Mas os testemunhos de amor e de interˆsse depois que morremos são coisas me~ nos satisfat¢rias do que os testemunhos de amor e de ¡nterˆsse quando estamos vivos. Ethel Cobbett não se limitava a testemunhar-lhe simpatia e a ter sido amiga de Susan. em lugar de pensar em Jesus. Susan viva. "h de mostrar ˆsse interˆsse por mim quando eu morrer. nas suas agonias. Via-se. na sua pr¢pria solidão. por um processo de concentra‡ão intensa sâbre a id‚ia da sua perda e da sua tristeza. abjetamente. m¡stica e pessoal da existˆncia e dos sofrimentos reais do Salvador. £nico e incompar vel. nunca lhe poderia pedir perdão. ˆle obteve em recompensa a realidade m¡stica de seu pr¢prio pesar. tinha tamb‚m inteligˆncia. com efeito. As primeiras impressões foram boas. E agora Susan estava morta. bastavam geralmente para produzir no esp¡rito do novi‡o a realidade viva. acompanhados de jejum. na agonia da contri‡ão.

..(A linguagem do N"vo Testamento vinha aos l bios de Burlap ebrotavalhe da pena constantemente. melhor maneira jesu¡tica. Mas a pobre Susan tinha. tão buscado.. uma eterna menor.." Burlap falava familiarmente de agonias no h"rto e em c lices. não Susan. o homem ficou inundado de piedade de si mesmo. adorava a sua concep‡ão lindamente cristã do matrim"nio. em troca.. seu amor era ao mesmo tempo infan# til e maternal. tão estu¡dadamente intensificado como rora a sua tristeza pela Susan morta. "‚ dado um Calv rio proporcional . haviam conquistado Susan.. escrevia ˆle. que ˆle conseguira extrair das profundezas mais remotas de sua consciˆncia. melindrosa. O que mais agradava a Susan naqueles sentimentos do marido era a sua qualidade de pureza. ‚ verdade. sua paixão era uma esp‚cie de nina-nana passiva..s possibilidades de auto-aperfei‡oamento.. a paixão pela paixão. Burlap havia amado. na verdade. adorava a sua maneira ador vel de ser esp"so. que imaginava que aquˆles sentimentos tivessem alguma rela‡ão com ela.capacidade individual de resistˆncia e .coisas sâbre as quais concentrara ffixamente o esp¡rito. Os ardores de Burlap eram os duma crian‡a para com sua mãe (duma crian‡a um pouco incestuosa. O seu amor pela Susan viva tinha sido por ˆle pr¢prio tão for‡ado. que nada tinha de masculina. at‚ que elas se tornassem alucinantemente reais. Seus artigos . Susav adorava o como a um amante superior e quase sagrado. Seus ardores para com aquˆle fantasma. para com o amor do amor. E Burlap. "A cada um de n¢s". mas como ˆle representava com tato e delicadeza o papel de pequeno Edipo!). não tendo atingido a plenitude da vida e continuando por isso marido a ser menos do que adulta. mas a imagem mental de Susan e a id‚ia do amor .) Aquela visão lhe espeda‡ou o cora‡ão. Fr gil. muito pouco que ver corri os sofrimentos daquele Burlap com ares de Cristo. adorava o seu fantasma particular.

Cobbett sentiu o seu cora‡ão sangrar por ˆle.. ˆle interrompia s£bitamente o fluxo de suas emo‡oes com um estranho risinho c¡nico. Seria mesmo o dem"nio de cada um" .era assim que ˆle descrevia impessoalmente tais estados de esp¡rito depois de ter reconquistado a espir¡tualidade emotiva.ou era. tamb‚m!" "O dem"nio de cada um" . Ethel ficou sensibilizada pela intensidade daqueles sentimentos. A Srta. Ou então insistia em suas. E muitas vˆzes. mas a dor prolongada e apaixonada que ˆle experimentou naquela ocasião poderia ter sido provocada quase com o mesmo ˆxito se Burlap resolvesse imaginar a esp"sa morta e a si mesmo abandonado e solit rio. em t"das as variedades da gama emocional. tão plat"nica de ir para a cairia com as outras mulheres que nem estas nem ˆle podiam jamais achar que aquilo fosse realmente "dormir juntos". o verdadeiro Burlap que concedia a si mesmo um curto feriado? Susan morreu. com grande inquietude de Susan. talvez. pelos seus pesares. Òle mastigava e remastigava sem cessar um agravo qualquer at‚ ficar envenenado num paroxismo de c¢lera ou de ci£me. Encorajado pela simpatia . mas tinha uma maneira tão pura. durante a vida dela. oli. de Coleridge. o Burlap fundamental. e citava as palavras do Velho Marinheiro. então. tão infantil. A vida de Burlap com Susan foi uma sucessão de cenas. e transformava-se por um instante num ser inteiramente diverso. pela violˆncia e pela insistˆncia que Burlap punha no exprimi-los.peri¢dicos em louvor do casamento eram l¡ricos. o verdadeiro Burlap. e com a qual lhe teria sido agrad vel identificar a Susan de carne e osso. -melhor. O homem parecia absolutamente aniquilado. Isso não o impedia de cometer freqentes infidelidades. fatigado enfim do esfor‡o de se fazer passar por um outro e de for‡ar a fermenta‡ão de emo‡ões que ˆle não sentia espontƒnearriente. ou. tanto de corpo como de esp¡rito. num ser que lembrava o Alegre Moleiro da can‡ão: "Não fa‡o caso de ningu‚m. a prop¢sito do cochicho do dem"nio que lhe havia deixado o cora‡ão sˆco como poeira. não! E ningu‚m faz caso de mim. pr¢prias fraquezas e mostrava-se servilmente arrependido ou se rolava aos p‚s de Susan no ˆxtase de sua adora‡ão incestuosa pela maniã-bebˆ imagin ria que era sua esp¢sa.

disse-lhe o quanto odiava o seu trabalho.oh! mas quão . a piedade de si mesmo lhe tornava f cil ter sentimentos cristãos para com as outras pessoas. . ficou desapontado. Quando um homem fica emocionalmente exaltado numa dire‡ão. suscet¡veis de ser estimuladas independentemente do resto do esp¡rito. Srta. . Burlap mergulhou numa orgia de lamenta‡ões cuja vaidade as crucian175 ~Ö # I tornava exasperadoramente acerbas.. contou-lhe a sua hist¢ria desgra‡ada. lembrando-se da violˆncia das lamenta‡ões do outro. o seu emprˆgo. E sentiu o seu ser todo aquecido de bondade. Ethel hesitou. Burlap falou da franco-ma‡onaria do sofrimento e depois. est sujeito A ficar tamb‚m em outras. Crian‡a abatida pela dor e necessitada de consola‡ão.disse ˆle a Ethel.. permanente e dava direito a uma aposentadoria.. companhia de seguros. .. Cobbett deixou-se persuadir. Numa outra explosão de sentimento generoso. ainda mais violenta do que a primeira. Cobbett um lugar de secret ria-ester¡~grafa no Literary World. Se Burlap esperava deslizar degrau ap¢s degrau e de modo quase impercept¡vel at‚ a cama de Ethel. As sensa‡ões não são entidades .A senhora tamb‚m ‚ infeliz . Burlap p"s em ebuli‡ão a sua simpatia.Mas que importam as minhas pequenas mis‚rias comparadas com as suas? . arrependimentos tanto mais tes quanto eram tardios.Eu bem o vejo.. Embora Londres e o Literary World lhe parecessem infinitamente prefer¡veis a Birrningharn e . O emprˆgo nesta £ltima era mon¢tono. confissões e humilha‡ões desnecess rias.. mas era s¢lido. ofuscado peta visão da bondade de seu pr¢prio eu. chegou a oferecer . o pessoal com quem trabalhava. Foi para Londres. ˆle gostaria de induzir a sua consoladora . A dor de Burlap tornava-o nobre e generoso. parte. Burlap garantiu-lhe t"da a permanˆncia que ela desejava. A Srta.protestou Ethel.da Mâ‡a. Ela concordou.

fundar uma esp‚cie de culto particular para a pobre Susan..perguntava Ethel a si mesma. Tinha tomado a de Burlap a s‚rio e literalmente.. hist¢ria? Era claro. Burlap se maldizia por causa da sua loucura de tˆ-la tirado da companhia de seguros. a coisa como estava simplesmente não podia continuar.. Quando ambos pactuaram. Era uma mulher de princ¡pios.. tratando-a com impessoalidade glacial. O comportamento ulterior dˆste a espantou e escandalizou. sua mem¢ria. ˆle não estava por lei obrigado a conserv -la indefinidamente. a fim elevar e guardar perpŠtuamente iluminado e adornado um altar interior . Uma tal id‚ia. era aquˆle homem que tinha feito o voto de conservar para sempre velas acesas na frente do altar da pobrezinha da Susan? Ela exprimia a sua desaprova‡ão por meio de olhares. como se rosse apenas uma m quina de apanhar cartas e de copiar artigos. Era então aquˆle homem .. Revelando um insens¡vel desd‚m pela expressão dos olhos de Ethel Cobbett e pelo seu quase impercept¡vel sorriso de ironia.a um suave e delicioso incesto... entre l grimas. ape- nas. . Mesmo assim. Mas Ethel Cobbett se aferrava ferozmente ao emprˆgo. prŠto no branco .espiritual e plat"nicamente! . F"sse como f"sse. as dela eram sinceras. Nunca lhe ocorreu que as de Denis não o fossem. havia então dezoito meses que se achava agarrada a ˆle e não dava sinais de se demitir. por causa da sua refinad¡ssinia imbecilidade de lhe prometer permanˆncia no emprˆgo. tão apaixonada e viodor de lenta nas suas lealdades morais como no seu amor. Burlap continuou com o ditado.. vendo Burlap viver a sua vida de promiscuidades disfar‡adas. Se ao menos ela se demitisse por sua livre vontade! Procurava tornar-lhe a existˆncia intoler vel. intoler vel.. porem. Não tinha escrito nada. platânicas e viscosamente espirituais---. Mas como havia ˆle de p"r um ela Era # das run . e de palavras. superior. era inconceb¡vel para Ethel Cobbett.s m quinas: us -las.. Na pior hip¢teses. Não se deve dar aten‡ão . aquilo não podia continuar. Ethel imaginou que as palavras de Bxkrlap deviam ser tomadas ao p‚ da letra. nunca haveria de entrar-lhe na cabe‡a.

. fica muitas vˆzes embargado pelas dificuldades materiais que o homem de letras profissional sabe como contornar. Esta ser a minha escusa por ter escrito tão longamente. se acontecer a senhorita passar nas proximidades de Fleet Street. não: de agradecer-lhe o grande prazer que seus poemas me deram.. -Mas não posso deixar de dizer-lhe . o seu esplendor livre e quase selvagem chegaram-me como uma surprˆsa e um refrig‚rio. "At‚ l . Wilts. mesmo quando tem talento. Obrigado tamb‚m pela sensibilidade .. Creia-me verdadeiramente muito seu .ditou. "talento verdadeiro.. eu me consideraria muito honrado em poder ouvir pessoalmente algumas indica‡ões sâbre seus projetos po‚ticos.velmente franca. pela.Buriap olhou de n"vo para os pap‚is . Sempre considerei como um dos meus maiores privil‚gios e deveres de cr¡tico e de jornalista aplainar o caminho para o talento liter rio. Pousou os pap‚is no cŠsto que tinha . . de "O Amor na Floresta Verdejante" e de "Passifloras". ardente espiritualidade que uma visão mais profunda descobre debaixo dessa superf¡cie.. que devia ter temperamento e que parecia ser # dona duma certa experiˆncia . .. Um diretor de jornal ‚ obrigado a absorver tão grande quantidade de m literatura que chega a ficar quase patŠticamente reconhecido para com os que . pela experiˆncia de sofrimento. .. Prezado senhor: Lamento vivamente estar impossibilitado de entre utilizar o seu longo e muito interessante artigo a respeito da rela‡ão . .Não ‚ meu costume escrever cartas particulares a colaboradores desconhecidos . Obrigado pelos seus poemas.Presbit‚rio Tuttleford. "Talento verdadeiro". Burlap tornou a olhar para os poemas datilografados e leu uma linha ou duas.. ." Mas o "dem"nio de cada um" achava que aquela rapariga era not. Vou mandar paginar imediatamente ambos os poemas para public -los no mˆs pr¢ximo. não.... A frescura l¡rica da sua obra. não: pela vibrante sensibilidade. Agrade‡o-lhe a remessa de. disse de si para si v rias vŠzes..Ao Reverendo James Hitcheock . a sua sinceridade apaixonada.. sua direita e apanhou outra carta do cˆsto da esquerda. O aspirante a literato.repetiu Burlap num tom de voz firme e resoluto. não. cujas palavras semelham a superf¡cie cintilante e turbulenta dum lago.. 1... escreva: para com os raros e preciosos esp¡ritos que lhe oferecem ouro em vez da esc¢ria habitual. .

Lucy cessaria de ser ela mesma. As car¡cias de Walter eram como uma droga que fosse ao mesmo tempo excitante e opiada.Para principiar: as coisas ficariam muit¡ssimo mais complicadas para ti. Um guincho s£bito e penetrante fˆ-los ambos despertar. I .Não d certo . uma tre~ va quente e abismal.Minha querida! Ela jazia completamente im¢vel. . a droga haveria de possu¡Ia completamente.Ter s de cobrir a gaiola com o pano .mas um assass¡nio cuja v¡tima achasse um pouco divertida. . E enquanto Lucy e Walter olhavam. Exigˆncias de espa‡o . . ..Lucy! .. com os olhos sempre fechados. Bastava relaxar a vontade. O bater de asas das maripâsas prenunciadoras do prazer voltaram palpitantemente .Mas por que não? . uma cortina de pele pergaminhosa passou como uma catarata momentƒnea s"bre o ¢lho brilhante e inexpressivo. . Lucy fechou os olhos. as suas mãos tocavam de leve.sugeriu Lucy. completamente acordados.Polly.. do esquecimento do tempo em que haviam mergulhado. Lucy desatou a rir. .. para logo depois se reerguer. Voltaram-se ambos para a gaiola. Não seria nada mais do que uma epidernie de prazer palpitante a envolver um v cuo.As p lpebras dela palpitaram e estremeceram sob os l bios do rapaz. Marjorie cessara de existir. Com a cabe‡a um pouco inclinada para um lado.. Mas os l bios dˆle eram macios. . Foi como se um assass¡nio tivesse sido cometido a poucos p‚s do lugar onde ambos se achavam . E eu não quero . a sensa‡ão de ser assassinada. vida sob aquˆles beijos e aquelas car¡cias.Qual! Não ficariam . tu pareces esquecer a minha pessoa.afirmou Walter. a ave os estava examinando com um âlho negro e circular. . Repetiu-se de n¢vo o grito de agonia do m rtir jocoso. As mãos dˆle tocavam-lhe o peito.as l¡nguas aglutinantes e as formas aglutinativas de quimeras na arte simb¢lica..Al‚m disso ..continuou Lucy -.. ao mesmo tempo que dolorosa.Porque não? . Não havia complica‡ões.

. o tapˆte era c"r-de-rosa. erguendo o p‚ nu alguns cent¡metros. Se soubesses de t"das as coisas que eu devia estar fazendo agora em vez de estar aqui! . Como o calor dum corpo transposto para uma outra gama sensorial. H perfumes quentes e frios.in£til.disse ela. o olor das gardˆnias de Lucy o envolvia.. as des estavam forradas de sˆda cinzenta. arquejante. sufocantes e frescos. . Lucy deitada.disse."Prometes?". E ˆle respondera: "Prometo". lendo. exasperado e consciente do seu rid¡culo. Sâbre a sˆda cinzenta do divã. fazendo lugar para Walter sentar-se. . querido! Enf im! . A porta se abriu. O divã era de c"r alegre. . As gardˆnias de Lucy pareciam encher-lhe a garganta e os pulmões duma do‡ura tropical e pesadamente opressiva. Na gaiola de ouro at‚ a pr¢pria cacatua era rosa e cinza. A risada de Lucy redobrou.Walter. A ave confirmou o que Lucy dissera com outro berro de agonia alegre.. Lucy afastou os p‚s para a parede.Enfim.Aquela aborrec¡vel manicura. abandonou Posi‡ão genuflexa e atravessou o compartimento. a plumagem da cabe‡a e a do pesco‡o eri‡ou-se como as escamas ma pinha madura. O divã era largo.Bom dia . furioso. Seu cora‡ão batia violentamente. . . apoiada nos cotovelos.. Mas aquela £ltima visita de explica‡ão não entrava em conta .Walter voltou-se para ela e p"s-se a beij -la com raiva.Quer por for‡a p"r essa horr¡vel coisa vermelha nas unhas dos meus p‚s. # a a crisdu- E Walter. A cacatua gritou outra vez. . Parecem at‚ chagas . aI‡ou-se-lhe a ta.dizia a cacatua numa voz gutural de estava paresua Rosada dentro do seu roupão como as tulipas nos vasos. .Lucy deixou cair o livro. . o p lido p‚ da rapariga parecia uma flor. de maneira a coloc -lo dentro de seu campo de visão. · aproxima‡ão dˆle ave come‡ou a dan‡ar animadamente no seu poleiro. Um de seus chinelos turcos vermelhos tombou. .. era como os botões p lidos e . . . Walter não falou. . perguntara Marjorie.Ela não parar senão depois que a cobrires.

Inclinando-se.ez-se silˆncio. titia.Não. . bom dia. Tinha acendido um cigarro. Walter não disse palavra.carnudos das fi"res de l¢tus. Dir-se-ia que ˆle era aspirado.Tu est s te tornando verdadeiramente oriental. Walter tornou a atravessar a pe‡a e. Walter desdobrou o brocado c¢r-de-rosa que se achava em cima da mesa perto da gaiola e apagou o animal. assim que o animal desapareceu. arrebatou o .Mas meu caro Walter! .. para dentro de algum reservat¢rio fechado de sensa‡ões experimentadas. a cada bombada do cora‡ão inquieto de Walter. a barragem ru¡ra. escudou o rosto com a mão. As mãos que tocavam o corpo dela tremiam. titia" saiu de baixo da coberta. Os p‚s das deusas hindus que passeiam por entre os seus I¢tus são tamb‚m como ffires. O rosto que se inclinou para beij -la estava fixo numa esp‚cie de loucura desesperada. bom dia.disse Lucy. 178 179 if # 11 # I ventr¡loquo. mas. ajoelhando-se no chão ao lado do divã.Ela gosta dessa brincadeira ... at‚ que por fim. alongado e estreito. Os dedos de Walter se fecharam em târno d‚le. . curvou-se sâbre Lucy.. E depois f. Era um p‚ alongado. que subiam atr s da reprˆsa. não. De repente Walter estendeu o bra‡o e tomou o p‚ nu em sua mão. o rapaz beijou o peito daquele p‚. Um £ltimo "bom dia. mas não in£tilmente como nos momentos ordin rios. de repente . titia. sem dizer palavra.Lucy p¢s-se a rir. titia . . Lucy sacudiu a cabe‡a. . O tempo se escoava em silˆncio. Sob a pressão de todos aquŠles minutos silenciosamente acumulados. .Bom dia.

E desejaria Lucy verdadeiramente que ‚le fosse eficaz? Por que não se abandonava? Simplesmente porque era um pouco humilhante ser levada daquele modo.Não! Que ‚ que tens? . Na escada encontrou filidge que subia.. precedido pela criada.disse a criada. O rapaz voltou o rosto e. Walter voltou-se logo que a porta se fechou atr s da criada.. Walter respondeu-lhe ..s palavras de sauda‡ão com um cumprimento 180 . ser for‡ada em vez de escolher. Mas.Manda-o subir .O desejo dˆle era mudo e selvagem.O Sr. Walter se achava . esta manhã. Bateram . . . .Tentou desvencilhar-se. . senhora . .Walter . sua vontade resistiam a Walter . .Pareces uma bˆsta-fera. .protestou Lucy.Walter! .ordenou Lucy. . cruzou o quarto. ao mesmo passo que se ouvia unia segunda batida. a noite passada.sussurrou. O rosto dˆle estava muito p lido.Pedi a Illidge que viesse.Mas Walter não voltou.Entre! A porta se abriu. Mas. Por que resistir? Lucy fechou os olhos. janela.resistiam ao seu pr¢prio desejo. os l bios lhe tremiam. . fingindo que estava profundamente interes~ sado num caminhão de entrega encostado .Walter! . porta. no fim de contas. mas ˆle estava surpreendentemente forte. um enorme closeup cheio de dentes arreganhados. . ..Lucy teve uma id‚ia absurda e come‡ou s¢bitamente a rir. Lucy tornou a abrir os olhos.in£til como os protestos.explicou Lucy.Walter! Eu insisto! . Mas o rid¡culo foi tão .gritou ela... enquanto hesitava.cigarro dos dedos dela e jogou-o dentro da lareira. abriu a porta e se foi. sem dizer palavra. Lucy al‡ou as sobrancelhas. . Ajoelhando-se outra vez ao p‚ dela. ou melhor. .Se soubesses como estavas cinematogr fico! Um grande.Eu tinha esquecido completamente .Vou dizer que entrem -. Walter p¢s-se precipitadamente de p‚. atr s dˆle. por que resistir? A droga era ativa e deliciosa. o acaso repentinamente tomou uma decisão por ela. mas Walter não lhe deu tempo para falar. filidge deseja vˆ-la... cal‡ada da casa fronteira. come‡ou a beij -la com f£ria. . Seu orgulho.

.. o sentimento do pecado. apontando para a gaiola coberta.um papagaio . vontade. a partida. . no entanto. sofrimentos de que nos podemos positivamente orgulhar. olhou em t"rno.respondeu Lucy. . Òle tinha a impressão de que a sua alma estava em agonia de morte. H dores confess veis. mais da masculinidade f tua da expressão dˆle do que pr¢priamente da brincadeira. Mas h tamb‚m angUtias vergonhosas. o mˆdo da morte ..explicou vagamente.Um curru-paco-papaco! corrigiu-se ela.. A ang£stia do desejo contrariado. E quando Lucy riu. . Era dor.Nosso amigo Bidlake parece que ia com grande pressa . depois dos cumprimentos preliminares.vago e passou por ˆle apressadanente. Illidge se sentiu inchado de satisfa‡ão e de confian‡a em si mesmo. simpatia do mundo. não menos cruciantes do que as outras e das quais. rompendo numa s£bita risada inquietarite e inexplic vel. no entanto. .Que ‚ que h debaixo daquele misterioso pano vermelho. "Parece um galinho de plumagem vermelha". primeiro pelos gritos dum papagaio e depois pela chegada duma visita. Suponhamos que um amigo então o encontrasse e lhe perguntasse por que ˆle tinha um ar tão infeliz. raiva. vergonha e desespˆro combinados.Espero que não tenha sido dˆle mesmo . A elegƒncia ricamente s¢bria do aposento impressionou-o desde logo como sendo de perfeito bom-tom.Eu estava em col¢quio amoroso com uma mulher quando fui interrompido. Sentia-se exultantemente # certo de que tinha pâsto o outro na rua.Walter tinha esquecido qualquer coisa. .de tudo isso os poetas j falaram com . o paciente não ousa nem pode falar. . E. . Não estava bastante calmo para arriscar-se a falar. Tais dores se impõem . estendeu as pernas. . Era essa a ang£stia que Walter carregava consigo pela rua. Sentindo-se inteiramente . O coment rio a essa confissão seria uma gargalhada enorme de . Aquela aventura mundana lhe ia saindo tão f cil como jogar boliche . baixa e mesmo rid¡cula. desapontamenp. . A perda dum ente que nos ‚ caro. .. ali? perguntou.eloq£ˆncia.disse Illidge.fez o homenzinho. trocista. Aspirou o ar perfumado com satisfa‡ão. Lucy observava-lhe o ar de triunfo.. por exemplo. a causa era inconfess vel. pensou ela.

Era uma questão de honra e de dever. Afastou-se bruscamente do companheiro. Walter sempre achara que ela tinha mau g"sto. . .. Vagou durante uma hora pelas ruas. a luz da lƒmpada brilhava-lhe no rosto magro e fatigado. Walter não estaria sofrendo mais se tivesse. Era c"r de inalva e horrendo. Olhou O re169io e. derramando'o conte£do pelo soalho. face do rapaz. um castigo: tinha quebrado a promessa.nunca mais. em Regent's Park.. E a sua confissão se converteria numa anedota de sala de fMair. uma vez mais! Que reconf"rto! Mas no pr¢prio instante em que o estreitava contra o corpo..Havia muita coisa a fazer .continuou ela. Para o seu pr¢prio bem e para o bem de Marjorie . Atravessou a pe‡a. . Aqui16 rora uma li‡ão. quando Walter fez men‡ão de segui-la. . .perdido a mie. voltou para casa.Não vale a pena mentir. pensava ˆle. Que felicidade. tiveste coragem? O sangue afluiu . O outro encolheu os ombros e obedeceu.Marjorie se ergueu com tal violˆncia que o cˆsto de costura virou. E. Walter detestava os cheiros de cozinha.. L porque preferisse gardˆnia a couve não era motivo para Marjorie sofrer. . mas assim mesmo continuou a fingir.E vim a p‚. Ela twnb‚m vestia um roupão.Vir para casa . -. . .Sabia que era in£til.disse ela. O apartamento estava invadido por um cheiro de cozinha. mas ˆle tentou continuar a com‚dia.explicou Walter.zombaria. A luz se sumia gradualmente da tarde brumosa e branca: Walter ficou mais calmo.Tiveste coragem! .Vai-te embora! .Vieste tarde . Marjorie estava costurando. pensava ela. no entanto. -. Chegou cansa181 I # do e decididamente arrependido. Marjorie percebeu que mais uma vez fora tra¡da. .Tornaste a procurar aquela mulher .gritou ela.. sem querer ouvir nada. vendo que j passava das 7. . mas nisso residia outra razão para ser fiel. .Walter. . tˆ-lo de n"vo! Possu¡-lo. Isto pelo menos era verdade. Marjorie lhe passou os bra‡os em t"rno do pesco‡o. Deixando a costura..Coragem de quˆ? .Como te sentes? -.Mas de que ‚ que est s falando? .pousou a mão no ombro dela e inclinou-se.

. com uma estranha expressão de triunfo divertido. .Não queria que Walter ficasse ali. vai. Como ela era aborrec¡vel com as suas cenas e os seus ci£mes. Como pudeste fazer isso? . F"ra um tolo por não haver previsto aquilo.Eram as gardˆnias. E. .escarneceu Marjorie. sorrindo.gritou Marjorie rio meio das l grimas .disse ˆle com uma polidez dura e perigosa.Vai -te embora! . Que cacˆte intoler vel.Depois de tudo o que disseste a noite passada.Explica por que mentiste . de poder invenc¡vel e obstinado . abalou. . voltando-lhe as costas. cobriu o rosto com as mãos e come‡ou a chorar.Mas se tu me deixasses explicar. Walter não ficou comovido. . . então . ..Pois bem .Queres que eu me v de verdade? . Lucy olhou para Walter com curiosidade. Outra vez Walter encolheu os ombros. vais.Vai-te embora! .disse a rapariga.em recendendo ao perfume dela.perguntou ˆle com a mesma polidez fria e exasperante. tocando a campainha para chamar a criada.Não passas dum mentiroso reles! o que tu ‚s. tua promessa.Sim. .disse ela com amargura. .Telefona a Lady Sturlett. .Queres simplesmente cqntinuar a mentir . .. Òle lhe retribuiu firmemente * olhar. . .Explica por que faltaste . Vais sair comigo .Quero simplesmente explicar . abrindo a porta. .Muito bem! .. Ia jantar fora. irritante.protestou ˆle num tom de v¡tima. . .vai-te embora! . e. ordenou: . Olhou para a mulher com uma c¢lera fria e cansada. Em Cainden Town tomou um t xi e chegou a Bruton Street exatamente * tempo de achar Lucy prestes a sair. vai. sim? Dize-lhe que .expressão que ela nunca lhe vira antes no rosto. . de v¡tima exasperada. triunfante. .Se preferes encarar a questão assim. A sua c¢lera cheia de desprezo evocou uma c¢lera correspondente Walter.. afinal.anunciou Walter muito calmamente. A vista daqueles ombros que arfavam na192 da mais fez senão exasper -lo e aborrecˆ-lo.E. . enquanto ela # chorava.disse Walter. . Ai! Ai! Sim. fŠz ˆle polidamente.

Spandrell mal acabara de sair da cama. e com uma sˆde de ressaca. . rindo. A criada retirou-se. de representar o papel de anacoreta diab¢lico. com.Como o cervo que suspira pelos claros regatos . um Puerilmente. Era entre 3 e 4 da tarde. Sim. (A nota mon stica era dada.disse ˆle de si para consigo -. Mas com que insistˆncia aquˆle poste de ilumina‡ão se erguia na frente da casa cont¡gua. e tu te vais mostrar reconhecido agora? .. ˆle gostava de lembrar a si mesmo os ascetas. como No‚. .Gosto dessa tua infernal impertinˆncia. .. mas estou com uma tremenda dor de cabe‡a e não posso ir at‚ a casa dela esta noite. Parecia que aquilo estava levando um tempo exageradamente longo. E ela gostava mesmo. assim minh'alma anseia.sinto muito.Estou come‡ando.) Tinha enchido a chaleira e estava esperando que a gua fervesse sâbre a chama do g s. . Naquela noite Lucy se tornou amante de Walter. Al‚m de um raio de 50 metros. como um h bito de monge. Gostava. . . .Lucy fingiu indigna‡ão. . . tâdas as coisas tinham sido abolidas pelo nevoeiro branco. .. Se ao menos a Gra‡a pudesse ser engarrafada como a gua Perrier. 183 10 os # I Foi at‚ a janela.. direita. .. por cima do pijama vestira um roupão de pardo e grosseiro. O brandy produzia seus efeitos habituais.Bem. que importƒncia! O mundo tinha sido destru¡do e s¢rnente o poste.Eu sei que gostas ---retrucou ˆle. Nio pano estupouco se tinha barbeado ainda. respondeu ˆle..Come‡ando? . Spandrell sentia a b"ca sˆca e assediada por um gâsto que lembrava os vapâres de cobre aquecido.

nuvem branca em t"rno e no alto. agoniado e paciente... Maurice procurava lembrar-se. Não tinha ˆle. qual um homem que. mem¢ria aturdida o espa‡o necess rio para se espichar. Ou.. E de s£bito ela brotou. Spandrell se viu subindo o caminho coberto de neve batida e dura que levava de Cortina para a garganta de Falzarego. at‚ aquˆle momento ela simplesmente existira. existˆncia daquela coisa ali. misteriosa. mas como era sensacionalmente nova. Olhando fixamente para o poste.Olha s¢ para aquˆle chalŠzinho . e. . prodigiosos em seu isolamento e no seu car ter de coisa £nica.neve branca no chão. como era estranhamente bela! O passeio era uma aventura.. vivamente despertada.. contra a brancura. mantinha a distƒncia a sua consciˆncia. surgida da sua catalepsia. homem ou tren¢. Uma nuvem fria e branca descera s"bre o vale.fora preservado do cataclismo universal. sem respirar.gritou ˆle para a mãe. sentindo-se a ponto de espirrar. esperou que revivesse a recorda‡ƒo que havia muito tinha morrido. Juro que não estava. melhor. O mundo tinha apenas 50 passos de largura . E ˆle nunca tinha antes dado penão 1. de rvore.. Spandrell se sentia emocionado e uma esp‚cie de ansiedade intensificava a sua felicidade a ponto de ˆle mal a poder suportar. Não havia mais alturas nem profundezas.. Spandrell olhou para o poste com uma aten‡ão fixa. A sensa‡ão era sobrenatural.. vida. mantinha a distƒncia a sua vontade e os seus pensamentos conscientes. Não havia mais montanhas.. Spandreli. para voltar . . . E de quando em quando. Olhando firmemente para o poste. Spandrell esperpu.Quando subi a £ltima vez não estava ali. com um sentimento de enorme al¡vio. para respirar.. Aquˆle poste-solit rio em meio do nevoeiro . Os fant sticos pin culos de coral dos Dolomitos tinham sido suprimidos. a finn de dar . assim como um policial mant‚m afastada a multidão em tâmo duma mulher que desmaiou na rua. visto antes algo semelhante? Aquela sensa‡ão esquisita de se achar em companhia do £nico sobrevivente do Dil£vio parecia-lhe familiar. espera trˆmulamente o paroxismo previsto. aparecia um vulto escuro de casa ou de poste telegr fico. esquerda . cada um dˆles era como um sobrevivente solit rio da deitrui‡ão geral. fazia um esfor‡o esfalfante para não se lembrar.

Raiada de sombras de rvores. a neve sob os p‚s dˆies era como um imenso tigre .como tinha razão o teu pai.disse a mãe. apreciando a beleza . notese bem -. bastante simb¢licamente. os precip¡cios de coral dos Dolomitos brilhavam laranja.era mais barato. como um precoce Childe Harold.Sim. tinha-o subido e descido uma cenvago tena de vˆzes e nunca vira o chalŠzinho. a Inglaterra pareceu-lhe um pouco sem gra‡a. . em Proven‡a ou na Baviera. 'Vesconfiai M de todos os testemunhos". Daquela vez não havia bruma: era um dia brilhante. A sˆde. Invernos entre os Dolomitos. # Maurice afastou-se da janela. o sol ardia num c‚u sem nuvens. voz quando falava fio defunto marido . Derramou a em gua no bule.e sinceramente. pensativo. Rez ch . puxando os tren¢s. encheu uma x¡cara e bebeu. o verão .acima das florestas e dos declives cobertos de neve. Dos sete aos quinze anos ‚le se locomovera dum pqra outro ponto pitoresco da Europa. Depois disso. como a £nica coisa escura e definida dentro dum mundo de brancura. "mesmo dos vossos pr¢prios.O que mostra apenas ajuntou ela com uma nota de ternura que sempre lhe vinha .Conhecia o caminho perfeitamente. . Spandrell continuou a beber pequenos goles. Spandrell lembrou-se de outro dia de inverno. E agora a casinhola se erguia quase amea‡adora. recordando e analisando aquelas felicidades completamente incr¡veis da sua meninice.. primaveras na Toscana. costumava ˆle dizer.. ˆles tinham vivido quase continuamente no estrangeiro -. E quase t"das as suas f‚rias escolares era passadas fora da Inglaterra. Depois da morte do pai e antes de ir para r.. A chaleira estava fervendo. Òle e a mãe desciam de esqui atrav‚s dos bosques de lari‡os. rosa e branco . escola. eu nunca o vi antes ." Spandrell tomou-lhe da mão e ambos se puseram a caminhar juntos em silˆncio. permaneceu insatisfeita.. beira do Mediterrƒneo ou na Sab¢ia.

F"ra aquela a sua £ltima f‚lici~ 185 r:. . A neve pulverizada chiava sob os esquis.Então?---disse ela. mesmo que eu viva cem anos.Julguei que precisasses. Nem no presente. o ar estava ao mesmo tempo m"rno e vivo. . ao deter-se diante do rapaz. para os grandes rochedos nus e para o c‚u azul. Uma silhueta alta e forte. rindo. Depois . . Mas tinha-o esquecido completamente. Òle tinha vindo na frente. E de s£bito se sentiu invadido por uma felicidade intensa e inexplic vel. O toque de uma campainha sobressaltou-o.'~ Çquele tempo tinha apenas quinze anos. Spandrell desceu na dire‡ão do filho .Tu? . . Olhando para tr s. · beira do bosque fez alto para esperar a mãe. A luz do sol fulgia alaranjada entre os galhos sem fâlhas.. .Então lembrou-se s£bitamente de que Lucy lhe dissera alguma coisa . .quele respeito. E. Preferia não pensar no depois. os grandes declives se estendiam dian te dˆle. . Não.... . disse de si para consigo mesmo.principiou ela. Era a mãe.. . semelhantes aos contornos de um corpo maravilhoso. viu-a aproximar-se atrav‚s das rvores. era verde-mar entre as barbas pendentes de musgo. .Não recebeste o meu recado? . quando Spandrell emergiu dos bosques. Temia ser importuna: o rosto de Maurice tinha uma expressão nada acolhedora. "Nunca tornarei a ser tão feliz como agora".Òle olhou para a mãe e depois para a neve.. delicadamente granulada sob o sol baixo da tarde e tâda cintilante de diamantes e lantejoulas. # dade.Sim.perguntou a Sra. E as suas palavras foram prof‚ticas. mas fora aquilo justamente o que pensara e sentira. Encheu de n"vo a x¡cara de ch . aindajovem e gil. finalmente voltou os olhos de n"vo para a mãe.branco e azul. ansiosa. A Sra. Spandrell caminhou para a porta do apartamento e abriu-a. Knoyle. Era o mais lindo e ao mesmo tempo o mais simples. o mais reconfortante e familiar dos sˆres. para a sombra dE‡s rvores. quando ambos de n"vo se puseram a caminho. não. "Nurica mais. o rosto m"‡o pregueado num sorriso.Então? . e a neve virgem era lisa como uma epiderme.

perguntou ˆle. Passava as noites em claro. . Num relance a Sra. A sujeira ‚ o meu elemento natural. Knoyle nunca ousara repetir o oferecimento. quando não brilhava com todo o seu brilho. Knoyle notou que as janelas estavam embaciadas de sujeira. a Sra. ela não tinha cabe‡a para neg¢cios. Spandrell ficou um pouco desapontado por não ter conseguido o que pretendia. pensava ela. Mas ˆle respondera: "Nada dessas tuas visitas sanit rias! Prefiro chafurdar . Aquilo era para ela. Ela havia tentado conseguir que Maurice lhe permitisse mandar uma mulher para fazer a limpeza trˆs vˆzes por semana. Spandrell temera sempre tornat uma decisão. . Mas a responsabilidade de sua educa‡ão era um fardo pesadb para ela. Teias de aranha negras de fuligem pendiam do teto. Acabo de fazer a primeira refei‡ão da manhã .. Lembrou-se da tristeza que Maurice sentia quando ela não trajava como ˆle achava que devia trajar. De resto. Knoyle lan‡ava para o filho um olhar quase furtivo. sem arriscar nenhum coment rio sâbre a hora desusada da cola‡ão. . Maurice sentia pela mãe a mesma afei‡ão ciumenta que esta tinha por ˆle. Houve um longo silˆncio. O rapaz tinha o ar envelhecido. Como havia de conseguir recursos 186 para mandar o filho para a universidade.. . preciso. Mas o quarto necessitava verdadeiramente duma limpeza. nenhum talento para dirigir uma casa. não tinha confian‡a em suas faculdades. mostrando os grandes dentes fortes. O futuro a tinha sempre apavorado. por morte do marido não lhe ficaram senão recursos modestos. Al‚m disso eu não tenho nenhuma posi‡ão militar de destaque pela qual deva zelar.Sim.Queres ch ? . e um aspecto terr¡vel de doen‡a e abandono.. quando não estava elegante.cha- As comissuras de seus l bios se encresparam irânicamente. " Rira silenciosamente. De quando em quando a Sra. . o rapagão colegial que ˆle fora naqueles tempos long¡nquos. a perguntarse a .Est pronto.. A Sra. Tentou reconhecer nˆle a crian‡a. Em cima da prateleira e da min‚ havia uma grossa camada de p¢. Ela recusou.Vivia num estado cr"nico de falta de dinheiro. . quando ambos eram felizes juntos e s¢s . Spandrell estava olhando fixamente para a lareira vazia... como inici -lo na vida? Estas perguntas a atormentavam. Passaram para outro quarto.acrescentou. chamando propositadamente a aten‡ão da mãe para as irregularidades de seu modo de vida.

Que dissipa‡ão. ningu‚m a não ser o seu velho podengo. Fazes-me terrivelmente infeliz. mas continuou a chorar em silˆncio.. que insensatez ! Spandrell al‡ou as sobrancelhas.perguntou Maurice. . . A Sra. . ningu‚m podia ser mais arrebatadamente feliz do que ela. quebrando o longo silˆncio. A vida a aterrorizava. A mãe não lhe respondeu. Šsse poder. .Vieram-lhe l grimas aos olhos. E.Maurice . no passado . ficava quando havia projetos a fazer. . decisões a tomar. O rapaz ficava com a mãe oenas durante as f‚rias. fingindo não saber de que se tratava. . . não ‚s feliz. dos doze. sem ningu‚m a quem pudesse dar o seu amor. ‚ est£pido. Knoyle corou: . . Spandrell possu¡a uma capacidade infantil para a felicidade. Era seu dever admoest -lo e o ma‡o de c‚lulas lhe dava ˆsse direito.Sim. Spafidrel! ergueu-se de sua cadeira e come‡ou a caminhar no quarto dum lado para outro. a pobre criatura absolutamente perdida e cheia de mˆdo. Foi pouco depois da morte do velho Fritz que ela conheceu o então Major Knoyle. mas era tamb‚m medrosa e inepta como uma crian‡a. .suplicou ela . ela os passava s¢zinha. A Sra.. para c£mulo de males. que suic¡dio! Al‚m disso.Tu sabes o que eu quero dizer. est aqui. tu o consegues.Dizes que trouxeste o dinheiro? . a Sra. eu bem o vejo.Porque.perguntou ˆle ir"nicamente. Os nove meses. o pobre animal.Não tenho então nem mesmo o direito de ser infeliz. Maurice. mau.caiu doente. depois que Maurice foi para a escola ela se sentiu s¢. se isso me agrada? . Se queres. Ergueu os olhos e fitou-os no filho com um ar implorante.Que ‚ que ‚ loucura? . Procurou um len‡o na b"lsa.inquiriu ˆle. e foi preciso pâr-lhe fim aos tormentos.Mas queres tamb‚m fazer-me infeliz? . Chegara o momento de falar. Knoyle corou.si mesma que devia fazer. mas. Por fini at‚ mesmo ˆste veio a faltar-lhe . Embara‡ada por ser daquela maneira compelida a especificar as suas censuras vagas. .perguntou ela. . tu o consegues.Não pensaste muito na minha felicidade. Mas o dever era odioso e ela não tinha desejos de usar daquela for‡a.por que não podes ser razo vel? Que loucura. Òste teu modo de vida.Abriu a b"lsa. Quando a existˆncia se mostrava como um # feriado.

mas irresistivelmente fascinado.respondeu Maurice. Secretamente ela esperava que o rapaz protestasse. .. . dizendo que ia casar com o Major Knoyle . mamãe . que lhe pedisse para ficar. enxugou os olhos e tornou a pâr o len‡o na b"lsa. a sorrir. . . e agora dizes que me quiseste fazer feliz . .continuou ˆle . Spandrell tomou as c‚dulas dobradas e atufou-as no b"lso do roupão.. Enojado e cheio de vergonha. .Esperavas sinceramente que um menino de quinze anos dissesse . . não podia recome‡ar agora. noite.Foi uma tolice minha. . ..Quando casaste com aquˆle homem . com ar resoluto.Aqui est o dinheiro. ..Tu sabes que eu julguei que isso seria para o teu bem respondeu ela com voz entrecortada.Razões . J tinha explicado aquilornuitas vˆzes.repetiu. Knoyle. e de s£bito.. KnoYle respirou profundamente e.. .Tu sabes .. Mas Spandrell não disse palavra.in£til.Desculpa -..Eu s¢ sabia o que senti e disse naquele tempo ..disse. . .. Talvez seja melhor que eu me retire.Se me tivesses apresentado razões . .Eu estava num buraco . no col‚gio.Mas foste tão pouco razo vel! .protestou a Sra. . Chamava-se Um Internato de Meninas em Paris . .Lamento ter sido obrigado a pedir-lhe isto ... atrav‚s ...acrescentou ela. debaixo das cobertas. Olhou para a mãe durante um momento. mas o conte£do era pornografia pura. pela £ltima vez. sua mãe as razões pelas quais não queria que ela partilhasse a sua cama com um estranho? Spandrell pensou naquele livro que havia circulado subrepticiamente entre os rapazes de seu dormit¢rio.disse ela. Um pouco Mais tarde a mãe lhe escreve. ˆle o tinha lido .repetiu Spandrell vagarosamente.t¡tulo bastante inocente.Tu não me escutaste. .disse ˆle em voz alta.pensaste acaso na minha felicidade? # A . luz de uma lƒmpada el‚trica de bâlso.. Farei o poss¡vel para não tornar a cair nˆle.Não seria melhor que fal ssemos de outras coisas? A Sra. As proezas sexuais dos militares eram exaltadas em estilo pind rico. .

.Phil lembrava-se. numa retribui‡ão. a-explica‡ão lhe parecera insuficiente. .Por que ‚ que a india ‚ encarnada? ..Porque ‚ inglˆsa? . # pai pa- Eu j te disse. Bidiake caminhava entre as suas ffires. o que era precisamente um mapa. . A as ternura.Porque o encarnado ‚ a câr da Inglaterra. ela julgou vˆ~lo tal qual ˆle tinha sido na meninice. meu menino querido .. não ‚ encarnado. . Bombaim ‚ uma grande cidade da Ce dia .Tudo isto ‚ a India. não mora? . Knoyle inclinou-se para beijar Maurice.Adeus. Tu bem vˆs que te podes lembrar quando fazes empenho . pareciam olhar ra ˆle tamb‚m. como uma tepidez suave.A gente mora na Inglaterra.Fˆz girar o globo. Knoyle pousou mãos nos ombros do filho.disse. . os olmos podados.. . mas irresist¡vel. mas. estendeu-se por todo o corpo dela suave. .perguntou o pequeno Phil.Sim. .A¡ est . Olha. No jardim a Sra.disse ela. . como tinha feito muitas vˆzes.Aqui ‚ Bombaim ..Foi aqui e papai e mamae tomaram o navio. Vˆ se te lembras . anotando Šste pequeno triunfo. aqui est a pequena Inglaterra.. Esperava uma melhor daquela vez. Fulkes.Mas ‚ verde onde n¢s moramos. apontando com o l pis. Fulkes fluicou a ponta do l pis no ventre da ilha vermelha. A sua bengala tinha na extremidade um pequeno escardilho dentado. O relvado com a sua wellingtânia. Voltando o rosto. . A Srta.E a Srta.Encarnada tamb‚m. naturalmente.Phil olhou pela janela.prosseguiu did. Spandrell reconheceu na voz da mãe aquela nota que ela deixava transparecer quando lhe falava do morto. A Sra. . ele suportou passivamente que os l bios dela lhe tocassem a face.. . . arrancando as ervas daninhas e meditando. assim ela podia fazer o seu trabalho sem . Imposs¡vel de conter . moramos mais ou menos aqui.da m scara gasta. ..Mas por que ‚ que as coisas inglˆsas são encarnadas? . 188 CAPITULO XIV A Srta. Fulkes Rez girar o globo terrestre at‚ que o triƒngulo carmesim da India lhes ficasse bem na frente dos olhos.ticamente. A Sra.disse a Srta. . Fulkes tentou explicar.. .

Os olhos sentiam aquelas pulsa‡ões sob a forma de luz. A tanchagem. A "Duque van Thol" e a "Kaisers Kroon". criando câres pelo amor das quais os burgueses da Haarlem do s‚culo XVII se desfaziam prazerosamente de seus florins entesourados. F"ra por amar a arte que ela casara com John Bidlake. numa procissão confusa e pomposa. em Siena. a "Pros‚rpina" e a "Thomas Moore" achavam-se em posi‡ão de sentido em todos os canteiros. dos frescos de Pinturicchio.. Bidlake se pusera a vibrar pelos impressionistas. quando a Sra. As ra¡zes dos primeiros semelhavam longas serpentes brancas adelga‡adas. ali ficou recordando. pensando confusamente.. Ela se tinha alimentado de Ruskin. a enorme catedral solene. Siena. Era a-esta‡ão das tulipas. cediam sem luta sob a pressão do instrumento. pensou ela. Mas os dentes- leão e a tanchagem eram inimigos mais formid veis. quando o autor das Viradoras de Feno lhe . A Sra. cabe‡a um pouco atirada para tr s. brancas e mosqueadas. As ervas m s nos canteiros das fl"res eram jovens e defr geis. a Sra. terra. numa admira‡ão avivada. Como gostava das suas pinturas. Rebelando-se contra os pr‚-rafaelitas. a princ¡pio.precisar inclinar-se. Tâda a Toscana da Idade M‚dia desfilou diante dela. Deteve-se um instante para poder fechar os olhos e concentrar melhor o pensamento em Pinturicchio. por um sentimento de sacril‚gio. feliz. luz. Vibravam tomos no sol e o seu tremor enchia todo o espa‡o.. imaginara. as p lpebras duma brancura de cˆra fechadas . Bidiake olhava para elas. Pinturicchio. lustrosas sob a luz. Watts pintara-lhe o retrato ao tempo de menina. Tulipas vermelhas e amarelas. lisas 189 1 # A ou felpudas . os tomos de tulipa absorviam ou refletiam os movimentos harmoniosos. Bidlake tentava arranc -la. Eram como aquŠles jovens alegres e brilhantes. aferrava-se desesperadamente .. face para o c‚u...a Sra. Bidiake s¢ podia pensar duma maneira verdadeiramente s‚ria quando tinha os olhos fechados.

convalescente. era s‚ria quase em excesso-. €'Eis o que acontece a quem bebe gua". Decidiu casar-se.fizera a c"rte. O casamento lhe seria um al¡vio. sua reputa‡ão como marido era m . sua adora‡ão por Bidlake era lisonjeira. Sua fun‡ão era sagrada e. . E o antigo "eu" come‡ou a portar-se da maneira antiga. Em Janet Paston ˆle achou tudo quanto procurava. A jovem tinha um rosto de santa. -. Habituado a sentir-se bem. costumava ˆle dizer depois. Ela se achava ali no meio 190 . A Sra. magro e cambaleante. Mas a saude retornou.s portas da morte.resmungou John Bidlake. Mas s‚riatamb‚ne nada vol£vel: dedicada e caseira...Tenho a impressão de que trˆs quartos do meu ser estão mortos e enterrados..isto nem era preciso dizer .. levaram-no de n"vo . Aquilo durava havia um quarto de s‚culo. John Bidlake era a personifica‡ão da Arte. seguida de pneumonia. O pintor era vinte anos mais velho do que ela. Imaginouse a viver miserivelinente. As razões de John Bidlake para desejar casar-se mais uma vez eram prosaicas. Viajando pela Proven‡a.. o casamento teria podido ser feliz. Bidlake achou ref£gio contra a infelicidade numa intermin vel medita‡ão imaginativa. sua felicidade. A m"‡a devia ser bonita . Isso não lhe deu cuidado. O doutor o felicitou por ter sarado por completo. a fraqueza de Bidlake tˆ-la-ia tornado indispens vel ... ficou aterrorizado pela doen‡a. "Quem me dera ter ficado fiel ao borgonha e ao conhaque!") Depois de um mˆs de hospital em Avinhão. Bidlake se restabeleceu lentamente. Seis meses depois do casamento John Bidlake voltava a ser inteiramente o que era antes. a fam¡lia dela opunhase vigorosarnen¡Š`ao casamento. que adorava o homem. A devo‡ão de Janet haveria compensado a sua incompetˆncia como enfermeira. voltou para a Inglaterra. e.O senhor chama a isto sarar? .. gra‡as a essa fun‡ão. ˆle correspondia ao idealismo vago mas ardente da m"‡a. tinha contra¡do uma febre tifiSide. Casaram. a qual mesmo os seus filhos dificilmente conseguiam interromper. se John Bidiake tivesse ficado no estado de invalidez a que julgara estar condenado. Trˆs semanas mais tarde a influeriza. como um inv lido solit rio.

Bidlake continuou a sua taref*a de jardinagem e a sua vaga e inf ind vel medita‡ão por entre as fl"res. haviam acabado seus dias na cƒmara de asfixia. no tempo que sa e passa.T'ang! . Ou antes.ˆle ladrava histŠricam ente. o c‚u. seus olhos saltavam do focinho negro. eternidade. as nuvens. majestosamente. tinham tido nomes din sticos. . 'rang Primeiro havia florescido antes do nascimento de seus filhos. Nos intervalos. Par¢dia min£scula e sedosa dum monstro do Extremo Oriente. . ribanceira eterna. F ¢ra com T'ang Segundo que ela e Walter tinham visitado o moribundo Wetherington. o pˆlo alisouse-lhe no dorso e o bichano se foi.. Saltando dum lado para outro em t"nio da circunferˆncia dum c¡rculo. O gato cessou de bufar. Pinturicchio. e olhou em târno de si.. os fechados. T'ang! .T'ang! . O cachorrinho obedeceu afinal. mesmo ante a amea‡a de um sarilho. seguindo o caminho de todos os animaizinhos de estima‡ão.Mesmo naquela emergˆncia a Sra.. A sua cauda era como uma pluma ao vento. pronunciava-o por instinto de cultura porque. o seu pequeno pequinŠs ladrava para o gato da cozinha. Deus. t"da vesti# olhos pasa da de branco.uma dama alta e imponente de cinqenta anos.. e em Deus que est im¢vel . sendo o que a natureza e a educa‡ão tinham feito dela.gritou a Sra. Um latido agudo precipitou-a das alturas da sua eternidade. Bidlake. dentes-de-leão . Tornou abrir os olhos. com um v‚u tamb‚m branco a cair-lhe do chap‚u. durante os £ltimos trinta anos.das tulipas . pequenos Mings e Sungs tinham vivido e ca¡do em decrepitude e. não podia simplesmente deixar de pronunciar a palavra sem o ap¢strofo. dentes-de-leão. . com relutƒncia. O gato da cozinha bufava agora para T'ang Terceiro. . A Sra.Aqui. não punha nenhum cuidado ao pronunci -lo. Bidlake tinha o cuidado de pronunciar o ap ¢strofo. os primitivos venezianos. pensando em Pinturicchio e na Idade M‚dia. cujo raio era proporcional ao terror que lhe inspirava o gato mosqueado que bufava furioso e arqueado -.Todos os seus pequineses.

Manejando um l pis que parecia desproporcionadamente grande.velmente. porque ˆle agora estava fazendo aquilo que mais gostava no mundo: desenhar. no £ltimo fevereiro. Lorde Wonersh tinha acabado de sentar-se ao seu lado . Lorde Wonersh. Mas para o pequeno Phil aquilo era apenas um divertimento. que se parecia com Shelley. mas sem vŠ-lo conscientemente. As linhas da composi‡ão infantil.como era mesmo o nome dela? A Srta. foi o jovem.. s£bitamente. com a ponta da l¡ngua entre os dentes. num universo de fantasia. a Srta. A Srta. dan‡ando no Ciro's # 191 I . E depois. que possu¡a metade de Oxford Street e que viera at‚ Gattenden. Pelo menos terminara no que dizia respeito ao pequeno Phil. desenhando com uma esp‚cie de violˆncia inspirada.. 11 o rosto concentrado e s‚rio. E depois. Bidlake. Estava sentado. E dois segundos mais tarde se achava num iate. Ela se via a si mesma .. para o jardim cheio de sol.. a sua mãozinha morena trabalhava infatig.como Byron.o qual se parecia curiosamente (porque ela nunca visitara o Ciro's) com o Hammersmith Palais de Danse. na sala de estudos. das 12 . e dedicava-lhe meia hora t"das as manhãs.s 12 e meia. Fulkes. iamse tra‡ando s"bre o papel. O que ela via se achava atr s de seus olhos.se via a si mesma naquele encantador vestido de Lanvin que fâra reproduzido o mˆs passado no Vogue. ao mesmo tempo r¡gidas e ondulantes. dizia t"da a gente. Fulkes estava sentada ao p‚ da janela olhando para fora. que vivia. Fulkes se viu passeando a cavalo em Hyde Park. A Srta. num autom¢vel. ‚ verdade. desenhando. como aquela atriz que tinha visto no London Pavilion . Ela caminhava com um andar bamboleante. dava ao processo o nome de "Arte" ou de "Educa‡ão da Imagina‡ão". no Mediterrƒneo. e que lhe dirigira a palavra talvez em duas ocasiões. com o velho Sr. Lorde Wonersh quem a beijou.L em cima. Fulkes estendeu a mão branca. onde j estivera: "Como ela ‚ linda!". encurvado sâbre o seu papel. a li‡ão tinha terminado. com p‚rolas.

O velho Sr. quero dizer. Stokes e Albert. Desta vez ela percebeu conscientemente o que seus olhos viam. Srta. Fulkes sentiu-se criminosa. a Srta. as tosquiadoras de relva 192 # . cientificamente sol¡cita. Phil . . A Sra. das tulipas brilhantes. Phil estava absorvido num ponto particularmente dificil de seu desenho.Então. brisa.s avessas. Mas se respondesse "sim" ela ficaria tranqila.perguntou ela. as colinas cobertas de bosques na distƒncia eram sempre os mesmos.parecia uma esp‚cie de espectro pr‚-rafaclita. . porta~capel -.. Bidlake passeava por entre as tulipas. parece-me. era uma m"‡a muito conscienciosa. na limusina com Lorde Wonersh).insistiu.‚ uma esp‚cie de defeito mental. os campos. como o de escrever . O jardim. rara-paios.. Fulkcs.respondeu o pequeno.quando o ru¡do dos latidos agudos de T'ang a trouxeram num sobressalto a realidade consciente do relvado. Fulkes tinha feito um curso de psicologia educativa. Fulkes . tão desesperan‡adamente triste que poderia quase ter desandado a chorar. com um v‚u branco a pender-lhe do chap‚u . . Depois de um abandono tão longo e flagrante de seus deveres (no Ciro's. por outro lado. Fulkes sentia que lhe cumpria mostrar-se particularmente sol¡cita. de repente. Tu nunca consegues dizer direito as palavras compostas. puxando a relvadora de tosquiar.. .Tu deves. De quando em quando detinha-se e olhava para o c‚u. o jardineiro. Fulkes sentiu-se. .A Srta. vaporosamente vestida de branco. Relvadora de tosquiar.Vou. Não tinha a menor id‚ia do que a profess"ra lhe pedira que fizesse. A Srta. da sala de estudos. da wellingtânia e. deves mesmo tentar corrigi-lo.Tosquiadora de relva corrigiu a Srta. Phil .acrescentou ela com seriedade. . . tinha negligenciado o menino que estava sob seus cuidados. a cavalo. as rvores. A Srta. passou carregando um ancinho. voltando-se vivamente para o aluno que ‚ que est s desenhando? . Fulkes suspirou e de nâvo olhou para fora atrav‚s da janela.A Srta.Vais tentar9 . as falripas de sua barba branca flutuavam docemente . As relvadoras de tosquiar. O rel¢gio da aldeia bateu meia hora.Tosquiadora de relva repetiu Phil obedientemente. Stokes.. A Srta.

. Mil libras.explicou Phil.E olhe como Albert est puxando com fâr‡a! . pensou a Srta. . apontando para uma nuvem de pontos e de pequenos tra‡os que aparecia no meio de seu desenho.. Tˆm rolos. Albert e o Sr. . O seu orgulho f"ra ferido. . o velho Sr. Para uma crian‡a de sua idade. estavam violentamente vivos. . le odiava a cr¡tica.Que desenho bonito! . "Por que diabo" ." Phil arrebatou o papel da mão da Srta. . . . na outra extremidade da m quina. Fulkes ergu'eu-se e atravessou a sala. Estava particularmente ufano da sua relva. -. mesmo. com f£ria.disse ela. . Fulkes. . Sob pretexto nenhum.Aqui são os pedacinhos de relva que estão voando . não ‚? . reconhec¡vel pelos quatro tra‡os paralelos de l pis que lhe sa¡am do queixo.ela tinha ouvido chamarem-lhe . rumo da mesa. . Stokes. E o velho Sr. Bidlake.apressou~se a mŠ‡a a abrand -lo. o pequeno Phil tinha um "lho observador e um estranho talento para reproduzir s¢bre o papel o que via não realisticamente.Era verdade. Talvez eu me tenha enganado. .E atacou o desenho de p"vo. deixa ver. Sempre a mesma coisa. no sentido que se d .exclamou colŠricamente. Albert estava puxando frenŠticamente.. ." As palavras eram m gicas.Pronto! .Tˆm. erguendo os olhos com uma ruga de esfor‡o e perplexidade a vincar-lhe a testa. -.. pensou ela. "Sob pretexto nenhum se deve ensinar o pequeno a desenhar.Talvez não seja. a despeito da incerteza de suas silhuetas garatujadas. mas sim por meio de s¡mbolos expressivos.disse a Srta.disse a Srta.Venha ver! -. . recusava mesmo reconhecer-se em ˆrro.Não ‚ verdade! -. .Um tanto comprida. nenhum prospecto de liberdade. lembrando-se do que dissera o velho Sr. "Mil libras.Estendeu o papel.A Srta.isso mesmo! . A Srta. " Todavia. .tˆm rodas? .A perna esquerda de Albert est engra‡ada.Rolos! .Não." . . "Se eu tivesse mil libras"..Estou vendo.. fina e. . . "não se deve dizer a uma crian‡a que ela desenhou uma perna incrivelmente longa. . . palavra nas escolas de arte. fina e tremida? Não compreendo.Phil sorriu de n"vo. Fulkes. Bidlake devia saber.perguntou o pequeno Phil. Fulkes tamb‚m franziu a testa. Fulkes. . com aqUela reputa‡ão de grande pintor .Não me lembro . .exclamou Phil. Parecia não haver sa¡da. ‚ claro. Não .Conteve-se. puxava tio enŠrgicamente como Albert. Não quero que o estraguem. Fulkes.. -.gritou Phil. . Stokes. . Um homem da posi‡ão dŠle. "mil libras. .

Ela tinha feito mal em falar da perna esquerda. rende-se .Srta. não est completamente escuro.Mas eu tenho mˆdo. . mas baixinho. Fulkes calmamente.. não! . . Fulkes! . Fulkes com uma voz viva e decidida. vigiando-lhe os movimentos em meio do crep£sculo ricamente colorido.disse a Srta.Phil sacudiu a cabe‡a. . Milton.O tom de voz de Phil eraj muito mais calmo.J passa de meia hora depois do meio-dia .hora de deitar. Michelangelo .dizem .Ela não atendeu. devia saber o que dizia. fechando a porta atr s de si.Vou puxar as cortinas para ti . Caminharam juntos ao longo do corredor que levava ao quarto de Phil. Bidlake. . Sim. . talvez.Sabia por experiˆncia que o pequeno não estava realmente zangado.Tu descansas melhor quando est escuro. . estava apenas fazendo uma demonstra‡ão. Fulkes tinha um profundo respeito pelos Grandes.Qual! Tu não tens nem um pouquinho de mˆdo.Porque deves. . . Compreendes? . .Sim . . 193 # sua da na . Fulkes puxou as pregas de cretone c"r de laranja ao longo das janelas.Srta.Escuro demais.Não! .. . Al‚m disso. O pequeno levantou-se obedientemente.pediu Phil.Se continuares a gritar . Quando a m scara e os urros não conseguem produzir efeito. lera-o em artigos de jornais. para afirmar a personalidade e na vaga esperan‡a. . .continuou o menino a chamar.disse ela severamente -.muitas vˆzes o grande pintor. . A Srta. se ‚ homem sensato e se não tem nenhum desejo de sair ferido..O pequeno Phil sempre ficava deitado meia hora.continuou a Srta. Fulkes se voltou. . num . o Sr.. com os punhos cerrados. Shakespeare.E não fa‡as essas caretas tâlas. o soldado chinˆs.Deu meia volta e se foi. esperan‡a de inspirar-lhes terror. o Grande John Bidiake.A Srta. O pequeno tirou os sapatos e deitou-se. Fulkes! Na soleira da porta a Srta.Srta. exibiu uma carranca feroz e fez um gesto furioso. . mesma maneira que os soldados chineses . mesmo em livros. Fulkes! . A Srta. . antes do lanche. Fulkes. de intimidar o advers rio. Fulkes caminhou para a porta. .Mas por quˆ? .disse a Srta. eu vou ficar muito zangada.põem m scaras de dem"nio e emitem rugidos terr¡veis quando se aproximam do ininfigo.

" €'Eu podia tirar as mangas de meu vestido marrom". preciso que amemos o que h de mais alto.. .De que .") Fˆz uma terceira tentativa." A Srta. ... pela extensão do mercado" .. . Fulkes era pobre. ningu‚m encontra proveito em se decidir. . Sussurando o nome da goverrianta. . ningu‚m encontra proveito em se dedicar inteiramente a uma £nica ocupa‡ão. O livro era A Riqueza das Na‡ões. Continha o que se tinha pensado ou dito de melhor. mas sem correr perigo algum. Sentada no seu pr¢prio quarto. com um pul"ver. do produto de seu trabalho s"bre o pr¢prio consumo por tais e tais partes .então ‚ dificil. . Ao mesmo tempo Phil não queria obedecer mansamente. assim a extensão dessa divisão deve necess. era Grande. . . am -lo tão ardentemente # como devˆramos. por causa da falta de oportunidades para trocar todo o excesso do produto de seu trabalho. rebelava-se....murm£rio. por tais e tais partes de produto do trabalho de outros homens que lhe convenha adquirir. em outras palavras. afirmava a sua personalidade.") . Adam Smith. " . divisão do 194 l¡mitrabalho.. Fulkes! . Mas quando o que h de mais alto toma a forma de um cap¡tulo que come‡a: "Corno ‚ a faculdade da troca que d lugar . A fam¡lia da Srta. "Quando o mercado ‚ muito pequeno. Fulkes lia . Fulkes leu a frase integralmente.Uma visão do mercado de gado de Oxford flutuou-lhe diante dos olhos interiores. a Srta. sabia ela. O seu livro era um dos que se deviam ler. ("Talvez um pul"ver laranja. ou. mas antes de chegar~lhe ao fim j tinha esquecido de que tratava o princ¡pio. porque então ficaria zangada de verdade."Quando o mercado ‚ muito pequeno. . Come‡ou de n"vo: .. sâbre o pr¢prio consumo.riamente ser tada pela extensão daquela faculdade. mas cultivada.. na verdade. Fulkes! Srta. por causa da falta de oportunidades para trocar todo o excesso . era um mercado muito grande.Era claro que ela não o devia ouvir. "porque foi s¢ debaixo dos bra‡os que ˆle come‡ou a rasgar. pensou ela.Srta.para cultivar o esp¡rito. lendo as palavras em voz alta. sem protesto. quando ˆle se nos depara. posso us -lo s¢ como saia. -". ".

havia um talho vermelho no peito da camisa branca. Wordsworth. Browning. pelo Natal... numa dessas pequenas edi‡ões art¡sticas de couro flex¡vel que se oferecem. dirigiu-se apressadamente rumo do quarto de dormir do menino.. Marco Aur‚lio. Era uma fileira de livros muito "elevados".. Thomas . O atroar do gongo f‚195 # I Ia sair em sobressalto do mundo das esmeraldas e dos assass¡nios..se tratava? A Srta. A Srta. O rosto estava quase irreconhecivelmente mutilado. cGm um sentimento de culpabilidade. a Sra. Fulkes continuou a ler." Tornando a colocar O Mist‚rio das Esmeraldas dos Castlemaine no seu lugar. pareciam outras tantas B¡blias. Um grito de horrorpartiu de seus l bios. No meio do quartojazia o corpo de um homem vestido impec. . Longfellow e Tennyson.. P"s a mão atr s daqueles volumes que continham o que se tinha pensado ou dito de melhor e retirou de seu esconderijo um exemplar de O Mist‚rio das Esmeraldas dos Castlemaine. quando ‚ste se lhe deparava. A Hist¢ria de Macaulay. Erguendo-se. A Srta. "Vamos chegar tarde. ela lhes chamava "meus tesouros". Fulkes abriu o livro e leu: Lady Kitty acendeu a luz e entrou. Uma fita marcava o lugar em que terminara a £ltima leitura. Fulkes s¢bitamente revoltou-se contra o seu pr ¢prib excesso de consciˆncia. e em desespˆro de causa. Kempis. Odiava "o que havia de mais alto".velmente em traje de noite. com os cantos arredondados e com os seus t¡tulos em caracteres g¢ticos. O rico tapˆte oriental estava sombriamente empapado de sangue. Ergueu-se num pincho. ... uma fraqueza s£bita quase a dominou.s pessoas a quem não se acha nada mais apropriado para dar. rep"s na prateleira A Riqueza das Na‡ões. Era preciso ainda lavar e pentear o pequeno Phil. Sartor Resartus e tamb‚m os Ensaios de Emerson. encadernados em couro rolo. "Eu devia ter cuidado da hora". bem atr s Xo que se tinha pensado e dito de melhor. pensou. com sofreguidão. Fulkes não escolheu nenhum dˆles. A Srta.

dessecado . . falavam em voz muito alta. numa propor‡ão de quatro para cada mâ‡a. . os companheiros de viagem passavam e repassavam corri a regularidade previs¡vel dos cometas. como faziam os comparsas das pe‡as teatrais do tempo dA Tia de Carlitos.queixou-se Elinor num tom que tra¡a positivamente ressentimento. para reagir contra a atmosfera opressivamente imperial. se poss¡vel. Philip e Elinor observavam o decrescimento gradual. .. passeavam dum lado para outro. Estendidos em suas cadeiras.) . devia ter tido o bom senso de não come‡ar outra com Lucy. .um idiota -.disse o marido. Veteranos do Oriente.Est claro que devia . Queimados de sol a ponto de parecerem morenos ou escarlates. num silˆncio raras vˆzes interrompido... (N.s Reformas e ao custo da vida na ¡ndia.disse Elinor. o ar ficou. a g¡ria que falavam teria parecido fora de moda at‚ numa escola prim ria. tendo nos l bios palavras acrimoniosas referentes . Os globe-trotters franceses.A maneira como essa gente faz exerc¡cio! . ~. e ˆsse era como um bafo que sa¡a da sala das m quinas. que tinha estado a ruminar os conte£dos da £ltima remessa de cartas que recebera pouco antes de deixar Bombaim.disse Elinor com irrita‡ão.respondeu Philip. . exceto o vento produzido pela pr¢pria velocidade do navio. a ilha desapareceu. O tempo passava. contra o c‚u. Do conv‚s superior vinha o barulho das pessoas que jogavam shujfleboard*.Mas o caso * J"go no qual se empurram discos de madeira com uma p (a bordo de navio). de uma ilha denteada de rocha nua. .Ando aborrecida por causa de Walter .At‚ no mar Vermelho . do E. Caminhando por princ¡pio ou para ganhar apetite.. mais quente.. rapazes que gozavam f‚rias passavam rindo. olhar para aquˆle vaiv‚m dava-lhe calor. .Não havia brisa nenhuma. Duas mission rias passavam maciamente.Depois de cometer uma asneira com aquela fernea do Carling.s pelo sol e como que conservados em caril. Houve um silˆncio.Isso explica o Imp‚rio Britƒnico . Os estudantes indianos davam-se palmadas nas costas uns aos outros.

.. . Ela ‚ uma mulher ma‡ante. No fim de contas. Nem Lucy a £nica devoradora de homens.Pobre Marjorie! Mas por que ser que ela não traz o rosto mais bem empoado? E aquŠles tais colares e brincos art¡sticos que ela usa sempre.E que tomba como um pau de boliche . realmente.. simples vista de uma sereia. . Trata-se agora de pensar num rem‚dio.Ter s a inten‡ão de explorar o pobre rapaz como modˆlo? . Seria o mesmo que plantar rvores sâbre: a sua sepultura .Temo que ˆle se precipite e deixe a pobre Marjorie abandonada.Camisoles enflanelle .O de Walter.Mas est claro que não vou fazer isso! . eu não admitiria isso..Eu estive pensando . não vale a pena pensar nisso a 5 O00 milhas de distƒncia.gritava uma das francesas em voz tão alta que Philip teve de abandonar a tentativa de continuar . Não os indiv¡duos. minha querida.Maisje vous assure .Ora .aux Galeries Lafayette les camisoles enflanellepour enfant ne cot¡lent que. . . E com um filho a caminho. Houve uma pausa.protestou Philip. E Marjorie não ‚ a £nica criatura enfadonha. . .ou pelo menos sâbre o seu cora‡ão.Elinor estava indignada. .. O rapaz que tenta fazer a sua vida rimar com os seus livros idealistas.continuou Šle meditativamente .Mas falando s‚rio.continuou Philip .. . Phil. A procissão esparsa dos amantes do exerc¡cio continuava a passar.Pois ‚ .Bolas! .concordou Philip..repetiu Philip.196 ‚ que o rapaz não teve ˆsse bom senso. . # .Que caso? .que ˆsse caso daria assunto exce~ lente para uma novela. de. . se ‚ s¢rnente: a situa‡ão. . .Bem. . .Mas. ainda por cima . . Mas não se deve permitir que Walter a trate dessa maneira. h muitos outros rapazes encantadores al‚m de Walter. eu nunca pretendi utilizar nada mais al‚m da situa‡ão. . . a situa‡ão que me tenta. e que julga sentir um grande amor espiritual. .Não. .. para descobrir no ama final de contas que ficou amarrado a um ente aborrec¡vel que ˆle não absolutamente.. ..

les hommes sont comme ‡a.Al‚m disso . i . Phil.consentiu Elirior.Est bem. uma esp‚cie de pretexto ..) 197 # I # . .Mais.Não..disse Elinor com uma risada curta. Havia g¢lfe e dan‡as tâdas as noites. e... . . .Pois bem .Por favor! . o mesmo que tentar falar dentro da gaiola dos papagaios. Mas. .come‡ou de n¢vo Philip num tom meditativo a situa‡ão seria uma esp‚cie de .Eu quisera antes que come‡asses a olhar para mim duma nova maneira . encolhendo os ombros---.Ser humano não e serio. como eu estava dizendo. não. . -.Òle estava irritado e cheio de dignida- .tro‡ou ela.acrescentou.velmente nunca ser . . Não direi nada mais at‚ ver o livro. (N. no zool .disse Philip. . para uma nova maneira de olhar as coisas com a qual quero tentar uma experiˆncia. Por favor. . . Houve outra pausa. . * Mas eu vos asseguro que nas galerias Lqfayette as camisolas deflanela para crian‡a custwn apenas. . Não h portanto razão para alarma. a hist¢ria não foi escrita e prov.Elinor pousou as suas mãos nas do marido. S¢ ‚ s‚rio ser inteligente. . se não queres escutar. posso aSSCgurar-te. je lu i ai dit.Nova e mais humana... num parˆntese de irrita‡ão.Em qualquer caso ..Uma esp‚cie de ¢gico pretexto. . falando s‚rio. . ... Elinop .Falando s‚rio ..... do E. -. eu me calo.continuou ˆle -.disse Philip a plenos pulmões. de m vonta. uma temporada maravilhosa em Gulmerg o verão passado estava dizendo a jovem dama aos seus quatro cavalheiros sol¡citos. Une jeunefille bien ‚lev‚e doit .Não te quero cacetear. * ..

. . .. .. . Phil. ao passarem ambas por perto do casal .Aquela que comia picles com o caf‚ da manhã? . . Cada um vˆ..de.Olhos amantes tamb‚m .Estranho. não nos afastamos . Lembras-te daqueles camelos em Bikaner? Que expressão extraorditi..disse Philip ---. .. uma diferente camada da realidade. O que quero fazer ‚ olhar com todos ˆsses olhos ao mesmo tempo. profissionalmente. .Desculpa. em fun‡ão do pre‡o das camisolas de flanela.E a tua maneira nova de olhar as coisas? Pareceque j nos afastamos um bom peda‡o do assunto.o bispo de Kuala Lumpur ordenou seis di conos chineses e dois malaios. A multiplicidade de olhos me e a multiplicidade de aspectos vistos.O resultado.Sim. Umajovem de classe deve. .Bem. .dizia uma das mission rias .Hesitou. Mas tu ficas tão câmico quando est s mais triste do que zangado. Philip esqueceu a sua dignidade e desatou a rir.As vozes calmas se esva¡ram no impercept¡vel.precisou ela com um estremecimento.. -. olhos de homme moyen sensuel. o qu¡mico.. -. uma pessoa interpreta os acontecimentos em fun‡ão de bispos.E picles de cebolas... do E) 198 # maneira de olhar as coisas ‚ a multiplicidade. Por exemplo.Ôste ano . qual seria o resultado? . Porque a essˆncia da nova * Mas. . . olhos cient¡ficos.Mas não te lembras da mulher do bispo da ilha Thursday? perguntou Elinor. eu lhe disse. (N... .Decerto ordenou alguns orangotangos . o fisico. . ainda por cima .riamente superior! Mas . para falar a verdade ... outra. E o bispo do Born‚u Setentrional Britƒnico. como aquela jovem dama de Gulmerg neste ponto Ph¡lip indicou com a cabe‡a o grupo que desaparecia em fun‡ão de divertimentos. E depois h ainda o bi¢logo. olhos econâmicos.. . continua! . os homens são assim.. o historiador. Philip sorriu para a mulher e acariciou-lhe a mão. . outra. .. Com olhos religiosos. . um diferente aspecto do acontecimento. outra. T"das essas camisoles enflanelle e picles de cebolas e bispos de ilhas canibalescas vˆm at‚ muito a calhar.A mulher que encontramos naquele pavoroso navio australiano cheio de baratas. . Um quadro na verdade muito estranho.

Na verdade.quando pensamos em tudo isso e num milhão de outras coisas. Quando refletimos sâbre os processos de evolu‡ão. eu gostaria que um dia escrevesses uma hist¢ria simples e franca a respeito de um rapaz e de uma rapariga que se amaram. por mais singular que seja. s"bre a paciˆncia e s"bre o gˆnio humanos.. a singrar as guas do mar Vermelho.Apesar de tudo . e os raios luminosos que não contornam os obst culos. chegamos . encontraram dificuldades mas venceram-nas e finalmente passaram a viver tranqilos. mais estranhas elas ficam. e o mar que ‚ azul. sâbre a organiza‡ão social. casaram.disse Philip. s"bre tudo o que tornou poss¡vel para n¢s o estar aqui. . se não *Homem medianamente sensual.E por que não uma novela policial? . depois de um longo silˆncio -. qualquer situa‡ão servir . nada podia ser mais singular do que isto. . qualquer a‡ão. (N. Para falar a verdade. mas no momento em que come‡amos a pensar. O livro todo podia ser escrito a respeito de um passeio de Piccadilly Circus a Charing Cross. nunca conseguir ser tão singular coE ¢bPormo a realidade original. .disse Elinor.Um pouco estranho demais. elas se tornam estranhas. e os foguistas que se expõem a um ataque de apciplexia em nosso beneficio.Philip riu. e o sol que nos fornece todo o tempo energia para viver e pensar . I ~V . para que haja sombra.a qualidade surpreendente. quanto mais pensamos.) 199 . conclusão de que nada pode ser mais estranho e que nenhuma descri‡ão. num enorme navio.Por mais estranho que ˆsse quadro seja. do E... pasmante das coisas mais vias. que tudo est impl¡cito em tudo. na minha opinião .. Mas.Mas não pode ser estranho em demasia . e as turbinas de vapor que fazem 5 O00 revolu‡ões por minuto. o que eu quero p"r no meu livro . poder fazer justi‡a aos fatos. Aceitamos t"das as coisas como naturais. . Ou então tu e eu sentados aqui...

. Òle . .s simplicidades. "Corno cães". não menos do que do c‚rebro. o cora‡ão.. . era talvez porque pudesse. os resultados seriam não menos repulsivos. .. das simpatias.Burlap. uma terr¡vel namoradora . que aquela lisonjeira acusa‡ão a deleitava.s grandes simplicidades. Òle podia conduzir as complica‡ões tão bem como quer outro. Mas o cora‡ão. Se ˆle se dedicasse . O cora‡ão era a especialidade de Burlap. Melhor seria cultivar o se£'pr¢prio jardim particular em t"da a sua plenitude. O cora‡ão.. faltava-lhe o . o cora‡ão . .. cujos livros vinham tão do fundo do cora‡ão que pareciam ter sa¡do do est"mago. quando o grupo dobrou a esquina. das intui‡ões.. pensou Philip. "Porventura não percebeis nem entendeis? Tendes o cora‡ão ainda endurecido?" Sem cora‡ão não h entendimento. Era uma c"rte feita em c"ro e sob a forma de ca‡oadas para amofinar. na sua voz.aquŠle talento que ‚ do cora‡ão. "Vocˆ nunca h de escrever um bom livro`. ficando a distƒncia de ser ouvido.mentira! . dissera ˆle oracularmente. disse Šle de si para mesmo. depois dum vomit¢rio. Mas seria Burlap o homem indicado para dizer aquilo? ." Era verdade..gritaram todos juntos. sentimentos. Melhor seria permanecer r¡gida e lealmente ˆle mesmo. Philip o sabia.retorquiu ajovem COM indigna‡ão. Mas quando chegava . "a menos que ˆsse livro lhe brote do cora‡ão. não menos do que da compreensão anal¡tica.s sim! .Mas percebia-se muito bem. .gritou um dos quatro cavalheiros.Não sou! . Na arte h simplicidades mais dificeis do que as mais complica‡ões.pensou -..I # # 1: i não cerradas qualtalento dos consigo escrevia aquela esp‚cie de literatura .

para a qualquer momento voltar atr s. nos seus tempos de estudante. Em ocasiões diferentes de sua vida. das pessoas com quem mantinha rela‡ões. # ficando sempre pronto.. por exemplo. de se infiltrar em todos os orificios. Havia algo de arnebiano no esp¡rito de Philip Quaries. quando acha uma prˆsa. com a sua inteligˆncia. capaz de fluir em t"das as dire‡ões. Era como um mar de protoplasma espiritual. de encher . tinha procurado viver uma vida de razão desprendida e est¢ica. abarca-a com a sua incorpora-a e continua a deslizar. de engolfar todos os objetos que se lhe deparassem no caminho. mas cr"nicos de Philip. ausˆncia de razão duma existˆncia natural e não civilizada. e at‚ mesmo simultƒneamente. humanit rio e tamb‚m um misantropo cheio de desd‚m. Te¢ricamente. depois de engolfar. desde que as circunstƒncias parecessem exigi-lo. A arrieba. e em outra ocasião aspirara . qual ator. Philip tinha sido c¡nico e tamb‚m m¡stico. eraf cil ser quase qualquer um! Philip tinha tal poder de assimila‡ão corria muitas vˆzes o perigo de não mais distinguir o assimilador do milado.. Burlap. de encher todos os moldes e. Naquele instante voltava . deixando os primeiros vazios e secos. entre a multiplicidade de seus pap‚is. dos livros que lia. ˆle tinha enchido os mais variados moldes.mesmo? Mas esta questão de identidade era precisamente um dos problelhe tão que assiera o substƒncia. de não conhecer. A escolha dos moldes dependia do momento.continuar a fluir para outros obst culos. Depois Phil compreendera claramente Burlap e seu espirito se afastara. tornara a dirigir a 200 corrente de seu esp¡rito para aquˆles canais m¡sticos que ˆle não enchera desde que havia descoberto Boehme. todavia. outros recept culos.

de Burtt.pensou ‚le. Mas teria sido alguma vez realmente s‚ria tal rebelião? Pascal fizera dˆle um cat¢lico . fixado em nenhuma forma. Phil viu que ela estava lendo as Mil e Uma Noites. Philip Quarles se rebelara muitas vˆzes contra a suspensão pirr"nica do ju¡zo e contra a imperturb abil idade est¢ica. naquela capacidade de esposar todos os contornos e de não ficar.a todos aquˆles moldes Philip não devia nenhuma lealdade permanente. submergir. Olhou por cima da borda superior do livro. o fluxo frio e indiferente da curiosidade intelectual ˆsse persistia e a ˆle Philip devia lealdade. Onde estava o eu de de ú que ˆle podia ser leal? As mission rias passaram em silˆncio. estavam s"bre os seus joelhos. no entanto. aquilo contradizia a experiˆncia imediata.mas s¢rnente durante o tempo em que o volume dos Pensamentos permanecera aberto diante de seus olhos. não. A todos aquˆles moldes que seu esp¡rito podia ocupar de tempos em tempos. na tradu‡ão Mardrus.ú coar-se num molde que tinha a forma de um cora‡ão. todos aquˆles obst culos duros e ardentes que seu esp¡rito podia contornar. simples colegial curioso no meio de fil¢sofos. Phil tomou do livro e come‡ou a procurar a p gina onde tinha parado. Ou acaso não existia um eu? . ˆsse seria aquela mistura de pirronismo e de estoicismo. e dentro dˆsse molde de indiferen‡a c‚tica ˆle derramara a sua adolescˆncia sem paixão. ˆle . Havia momentos em que. aquilo era insustent vel. O car ter essencial do eu consistia precisamente naquela ubiqidade l¡quida e indeform vel. de Whitman ou do vigoroso Browning. os obst culos eram contornados. receber impressões e com a mesma facilidade apag -las. Olhando por cima do ombro Elinor. de ser o cume da sabedoria humana. que ˆles eram esvaziados com tanta facilidade como tinham sido enchidos. Mas o l¡quido essencial que escorria onde queria. Os Fundamentos Metafisicos da Ciˆncia Moderna. que lhe havia dado a impressão. na conipanhia de Carlyle. a ˆle. para o enorme clarão azul do mar. Se houvesse um modo simples de vida em que ‚le pudesse crer de maneira dur vel. Não. penetrando-lhes o cora‡ão fogoso e permanecendo no entanto frio .

O cora‡ão de nâvo! Burlap estava acertado. Não seria do meu gˆnero.disse ˆle em voz alta. . Depois de algumas horas passadas na companhia de Mark Rampion. embora não passasse dum charlatão. Na sua arte e na sua vida.Essa tua hist¢ria simples não serviria . Phil suspirou . com nostalgia. sentia-se sempre secretamente alegre por não ser nada disso e achar-se livre. nem partid da vida ardente. rosse qual f"sse o seu procedimento. . Ao passo que eu sou largo. Não ‚ como Burlap." Pensou com desg"sto nos artigos de fundo em‚ticos do Literary World.tinha acreditado no ardor pelo amor ao ardor. pensava Philip. . .sim. dos ossos.Ela não me daria a oportu . Na pr tica tamb‚m.Que hist¢ria simples? . nidade que procuro . da pele e dos m£sculos . ser uma ou outra coisa.Aquela que querias que eu escrevesse. e das entranhas. E uma dessas vidas sujas. viscosas. "Apesar disso". . E embora desejasse algumas vˆzes. O cora‡ão! # 201 Mas. ou t"das elas a tempo. "Mark Rampion tem razão. dos rins. o que torna a coisa muito mais impression ante. "Se eu pudesse capturar algo do seu segrˆdo!". de modo estranho e para~ doxal. .Estiveste meditando nela muito tempo.Elinor riu.a uma parte razo vel de vida. E voltou para Scheherazade. mesmo que essa liberdade fosse. rio um por nas profundezas secretas de seu ser. . que não era cat¢lico. . Pareciam uma travegsia espiritual do canal da Mancha. um obst culo e um limite ao seu esp¡rito.Ali! Aquela.explicou Phil.. Phil sabia perfeitamente bem.Eu te poderia ter dito isso no primeiro dia em que te encontrei disse Elinor. Elinor ergueu os olhos das Mil e Uma Noites. Philip acreditava realmente na selvageria nobre. nem m¡stico ou selvagem nobre. largo e l¡quido. convenc¡a~se de que o intelecto orgulhosamente consciente devia humilhar-se um pouco e admitir as reivindica‡ões do cora‡ão .. . Mas Rampion era a prova de suas pr¢prias teorias. Seria preciso que f"sse s¢lida e profunda. duma esp‚cie de escamoteador trapaceiro de emo‡ões. Então vinha Mark Ikampion. bem como nas suas teorias.

.. naquela mesma noite.interiormente. Mas antes tarde do que nunca. E . Havia uma acârdo t cito para fingir que nada tinha acontecido e que tudo andava da melhor maneira dentro do melhor de todos os mundos poss¡veis. "Irei vˆ-lo logo que chegar em casa. Tinha de pensar no seu amor-pr¢prio. mulher pobre cujo marido não aprovava a conduta de Marjorie. Walter parecia imaginar que ela estava abjetamente apaixonada por ˆle e que dependia tanto dˆle. A Srta. Vir para casa recendendo ao perfume daquela mulher! Era ign¢bil. Daquela vez seria definitivo. muito corteses. Fizera mal em se não ter afirmado antes. e cada vez que se encontravam a s¢s entabulavam longas conversa‡ões polidas e sem intimidade. Al‚m disso. No primeiro acesso de c¢lera Marjorie tinha verdadeiramente come‡ado a fazer as suas malas. Tirou as malas de # dep¢sito e come‡ou a enchˆ-las com as suas coisas. Partiria sem demora. Marjorie não aprendera oficio nenhum.velmente falsas. nem possu¡a dons especiais. Não devia ter-se deixado comover pela sua ang£stia na noite precedente. O nome de Lucy Tantamount nunca era pronunciado e não se fazia nenhuma referˆncia . Mas para onde iria? Que faria? De que iria viver? Estas perguntas se formulavam com uma insistˆncia que crescia de minuto para minuto. Devia mostrar-lhe que havia um limite para os ultrajes e insultos que ela sempre relevara.. Cole tinha tido uma desaven‡a com ela. Walter e Marjorie viveram num estado de rela‡ões singular e desagrad.. que se repetiam quase tâdas as noites. sob o ponto de vista material. que lhe seria poss¡vel continuar a insult -la sem nenhum mˆdo de lhe provocar uma franca revolta. estava para ter um bebˆ. O £nico parente que tinha era uma irmã casada. antes que ˆle voltasse." 202 CAPITULO XV Durante as semanas que seguiram a sua cena final. Não havia outras amigas que quisessem ou pudessem ajud -la. nunca acharia um emprˆgo. Mostravam-se muito cheios de aten‡ões um para com o outro.s ausˆncias de Walter.

porque lhe vinha do cora‡ão. Acabou esvaziando as malas outra vez e arrastando-as de volta Para o dep¢sito. A fadiga do corpo tinha um efeito calmante s"bre as fibras do esp¡rito. amaainpara va-0. No dia seguinte come‡ou a representar a sua com‚dia fingimento e de ignorƒncia deliberadamente falsa. A evapora‡ão de sua c¢lera. a despeito de tudo. Walter voltou da casa de Lucy sentindo-se criminoso.no fun de contas. E talvez aquela loucura se dissipasse por si mesma. sua condi‡ão normal de timidez branda e torturada de remorsos. retribuiu aquˆle silˆncio pressago com o silˆncio. agir como se nada de especial tivesse acontecido isso lhe convinha perfeitamente. Dormia. daquele estado momentƒneo de f"r‡a e brutalidade. porque era uma tentativa sincera (tão intranqila estava a sua consciˆncia) de lhe prestar um servi‡o. no dia seguinte. sentindo que tinha feito uma grande inj£ria a Marjorie e esperando com mˆdo a cena que esta certamente havia de fazer. não sabia como poderia viver sem ˆle. fingia dormir. tinha muita afei‡ão por Walter. E em qualquer caso era melhor não agir precipitadamente. gradualmente. ou. E. de implorar adiantadamente perdão para as ofensas que ˆle não tinha inten‡ão de deixar de cometer no futuro. era mais do que simplesmente formal. de # 203 Por sua vez. não foi senão pelas sauda‡ões dela. o apaziguamento do desejo o tinham reduzido. estava certa disso. E Walter a tinha amado. Walter folgava em representar o papel que lhe cabia na com‚dia. Mas Marjorie dormia quando ˆle se introduziu furtivamente no seu quarto. e aquela cortesia polidamente trivial com uma cortesia que. de fazer repara‡õ~s sol¡citas e afetuosas pelas ofensas passadas. . Nada dizer. que Walter desconfiou do seu aborrecimento. no seu caso.. mais do que habitualmente corteses e cheias de formalidades. pelo menos. não o chamou. da a amava um pouco. . Cheio de imenso al¡vio.. ou talvez ela conseguisse trazŠ-lo de volta si.

argumentava ˆle..Foi um grande al¡vio para ‚le o fato de não ter havido explosões. a posse e o g"zo o levavam s¢mente a ansiar por uma renova‡ão dessa posse e dˆsse gƒzo. solicitude verdadeira para com ela um ar de hipocrisia. as visitas que fazia cada noite a Lucy davam mesmo . embora desejasse sinceramente faz‚-la feliz. sua afei‡ão sincera por Marjorie o aspecto duma mentira e . "No fim de contas". apenas possu¡da.. o tinha levado pelo mau caminho. precisamente aquelas coisas que ˆle sabia haviam de torn -la infeliz. Com a mesma alma odiada. Afalfindo o g"zo. logo desprezada. at‚ para consigo mesmo isto enquanto persistisse em fazer. "Mas se ao menos". O seu rosto magro e macilento era por si s¢ suficiente para desmentir a indiferen‡a estudada da sua atitude. nos intervalos de sua bondade. dizia de si para consigo mesmo. o silˆncio era uma acusa‡ão. "se ao menos ela se contentasse com o que eu lhe posso dar e deixasse de se torturar com o que não posso". porque não era sua inten‡ão anular o compromisso sem importƒncia que tinha com Lucy aquela noite. embora gostasse sinceramente de Marjorie. A com‚dia lhe ataca. como de costume. Pelo menos para ela". reproches: s¢rnente o silˆncio polido de quem finge ignorar . "não h nada de imposs¡vel ou de antinatural . E o que não posso ‚ tão sem importƒncia.. Queria que losse justificada por alguma coisa mais alta . Porque era evidente.. Ficava cada vez mais polido. "O que lhe posso dar j ‚ tanto . Mas os dias passavam e Walter come‡ou a achar a falsidade dessas rela‡ões cada vez mais angustiante. com a sua c ¢lera impotente e cheia de queixa..pelo amor... que ela se estava atormentando. acrescentou. 22 _04 Lon# A literatura. verdade que ˆle ela sentia sempre um pouco de vergonha daquela ansiedade. mais sol¡cito. a despeito da com‚dia de silˆncio e de cortesia.. mais afetuoso.. ge de fazˆ-lo odiar e desprezar. Com alma buscada.a os nervos. mas.

Fˆz o que p"de para se iludir.mas sim como um ser sens¡vel e idealmente: gracioso que deve ser adorado ao mesmo tempo que desejado. como o antigo Walter tinha acreditado. em £ltima an lise. Em WaIter. antes de se tornar seu amante . sob a influˆncia de suas car¡cias. Cada um dos momentos de langor e de abandono era . O Walter que tinha tido Lucy nua nos bra‡os era diferente do Walter que apenas desejara fazer isso.por que não? . e ˆste n¢vo Walter tinha necessidade.faunescamente. Suas rela‡ões com Marjorie eram excessivamente assexuais e plat"nicas para serem plenamente ternas. e. Continuar a acreditar. uma vez posta em a‡ão. inversamente. F"ra como sensualista duro e ferozmente c¡nico que Walter conquistara Lucy. mãe e amante.isso teria matado a ternura macia do n"vo Walter. o desejo e a ternura são tão freqentemente amigos como inimigos. não se sentia menos penetrada de ternura do que ˆle. a ternura não se desenvolvia. A sensualidade e o sentimento. uma esp‚cie de combina‡ão de crian‡a. incapaz de um sentimento afetuoso .vidamente interpretado por ˆle como um . A ternura s¢ pode viver numa atmosfera de ternura. num simples instinto de conserva‡ão.. Mas. Era essencial para ˆle acredit -la terna.. Amar sinceramente. um ser que devemos proteger maternalmente e do qual devemos receber prote‡ão materrral. não como a dura e implac vel ca‡adora de prazer que tão claramente reconhecera nela. o desejo de justificar as suas ansiedades pelo amor. onde não havia sensualidade. a expressão estritamente moral de sua natural tendˆncia para associar o ato do g"zo sexual com o sentimento de ternura ao mesmo tempo cavalheirescamente protetor e infantilmente humilhado. que ela era dura. ego¡sta. mal acabam de gozar. Tratava Lucy. Nˆle a sensualidade produzia ternura.no fiato de arriar duas mulheres ao mesmo tempo. um ser que. era apenas.. desprezam o que gozaram. H algumas pessoas que. Mas h outras em que o g¢zo est associado com a bondade e a afei‡ão. ao mesmo tempo." Walter acompanhava os seus ardores com t"da a ternura delicada e encantadora da sua natureza um pouco fraca e ainda adolescente. tamb‚m devemos amar com virilidade e . a sua sensualidade o sentimental iz ava. de acreditar que Lucy.

Queria s¢rnente afirin r a sua vontade contra a de Walter. muito liberal nas expressões de arrebatamento ou de elogio . a seguir iria procurar talvez Cuthbert Arkwright. Cada palavra de amor . no £ltimo momento. Ela o tinha aceito como um amante porque estava aborrecida. O desejo de ser amado engendrava uma cren‡a prec ria e ansiosa de que ˆle era amado.. mas mostrando-se muito divertido.. . hora do jantar. e come‡ava de n"vo. Findo o jantar.era recebida e guardada como uma palavra que vinha direito das profundezas do cora‡ão. Queria apenas domi- . Não que ela tivesse algum desejo verdadeiro e ativo de ir ao music-ha11." . . com aquela expressão dura do rosto."Vamos voltar para a tua casa.sintoma de amolecimento ¡ntimo. Çqueles ind¡cios de amoleciInento imagin rio e de calor sentimental ˆle retribu¡a com um redobramento cheio de gratidão de sua pr¢pria ternura.Mas Lucy queria ir ver o n£mero de Nellie Wallace no Victoria Palace e depois entrar no Embassay para comer alguma coisa e dan‡ar um pouco.e Lucy. as cita‡ões mais surpreendentes de velhos livros . tocada e surpreendida. engendrando as informa‡ões hist¢ricas mais fant sticas e mais grotescas. E era assim que todo o processo circular se intensificava a si mesmo. como se estivesse terrivelmente encolerizado e tivesse vontade de moer os pr¢prios dentes. Lucy ficou tocada pela ternura adorativa de Walter. Walter falou: . de capitula‡ão.. sentira-se divertida e deliciada pela sua s£bita conversão da humildade . era pr¢diga com os seus "queridos" e "anjos" e "amados". de confian‡a. porque as mãos dˆle sabiam acariciar e porque.. A cren‡a de que era arriado fortalecia-lhe o amor. porque os l bios dˆle eram macios. seguindo a moda.. na esperan‡a de que. ou de escutar a conversa de Cuthbert. O amor gerava um desejo de ser amado. contando as hist¢rias mais maliciosas desta vida a respeito de tâda a gente.. impertinˆncia conquistadora. e esta ternura redobrada 205 # ficava duplamente desejosa de achar em Lucy uma ternura correspondente. ou de dan‡ar. Que estranha noitada haviam passado! Walter sentado na frente dela .

Meu querido Walter .gicamente no objeto terno. -. transforinavam~na m. acariciando-a at‚ lev -la a um sentimento de ternura.. Lucy provocou. Lucy ficou surpreendida. Mas os l bios macios dˆle. Mas vai ser. no salão cinzento e c"r-de-rosa. quase envergonhada daquela paixão t"da feita de ternura.Não.quelas primeiras violˆncias. as In idades de seus dedos que a tocavam de leve eram sedativos. como um apaziguamento da c¢lera. . não sou assim . Mas Walter não se deixou abalar. outras vˆzes palavras de conforto murmuradas a uma crian‡a doente. eu não sou assim.protestou ela. e. E quando o t xi parou . deu o eiiderˆ‡o de Bruton Str‚ct. # carregavam-na elŠtricamente com t"das aquelas qualidades que seus murm£rios lhe tinham atribu¡do e cuja posse ela tinha negado. passou os dedos entre os cabelos dˆle: . ser comandante e obrig -lo a fazer o que ela queria e não o que ˆle queria. na nudez fremente e vulner vel do amor e da adora‡ão. porta do restaurante. juitameiite por que aquela felicidade silenciosa fosse tão profunda.. tocada.sussurrou -. por conseqˆncia. Suas palavras eram . sorriu simplesmente. uma felicidade morna e quieta. deixando-o nu.Houve um longo silˆncio. Não podia aceitar tal amor 206 extrecom fingimentos. como propicia‡ões delicadas. As car¡cias dˆle eram como um calmante da dor ou do terror. A expressão dura de c¢lera apagou-se do rosto de Walter e foi como se uma coura‡a protetora lhe tivesse sido arrancada. querido Walter. para se submeter a elas . .Ainda não.Mas isto ‚ uma violˆncia! .t"das as violˆncias da sensualidade. tivesse qualquer coisa . Mas o que ela não tinha esperado provocar era a ternura apaixonada e cheia de adora‡ão que se seguiu .protestava ela em resposta ao murm£rio de adora‡ões de Walter. ro‡ando lhe a pele... E quase foi mesmo. . tão completa e. E então.s vˆzes como fragmentos de ora‡ões sussurrados a um deus. aos olhos de Lucy. Não disse palavra. de s£bito. Lucy puxou a cabe‡a do amante contra o seu peito.. amante e caloroso de sua adora‡ão..nar. Walter pâs-se a rir...

E aquela ternura dˆle . na luz fria da sensualidade conscientemente aguda e visivelmente deliberada.insistiu. um pouco amea‡adora para a sua vontade consciente -. Walter? . Lucy queria ser ela mesma. com as Mãos entrela‡adas atr s da cabe‡a. . Mas Lucy não lhe facilitava a tarefa. Nos dias que se seguiram Walter fez desesperadamente o poss¡vel para lhe atribuir as emo‡ões que Šle pr¢prio experimentava. Mas queria perversamente ter aquˆle conhecimento confirmado de maneira expl¡cita. apenas para depois esquivar-se de repente.de intrinsecamente absurdo e mesmo de perigoso na sua impessoalidade perfeita.disse Lucy. E Walter despertava de seu sonho de amor e ca¡a na realidade daquilo a que Lucy chamava "prazer".Tu me amas? . que se divertia conscientemente at‚ o limite extremo. Lucy Tantamount. lisonjeira e bastante encantadora em si mesma. Não queria sentir aquela ternura profunda que ‚ uma capitula‡ão da vontade. dominadora absoluta da situa‡ão. Sabia que ela não o amava. Lucy se deixava levar um pouco no caminho do abandono sob as car¡cias do rapaz. De deix -lo cair como o tinha tomado. . não s¢rnente financeira e legalmente. Apoiado nos cotovelos.ora! era tocante. Ela o deixava sem justifica‡ão.Dormiste. a qualquer momento. deixava-se impregnar um pouco da sua ternura. Mas os olhos de Walter continuaram sombrios e desesperados. quando melhor lhe parecesse. mas tamb‚m emotivamente -. mas um tanto absurda e. sem paliativo para o seu sentimento de culpabilidade. curvou-se sâbre ela quase amea‡adoramente. na sua exigˆrÖcia inquieta duma correspondˆncia de sua parte. o ruir das barreiras pessoais. Lucy estava deitada de costas. os seios chatos erguidos pela tra‡ão 207 # I .perguntou-lhe Walter uma noite. desfrutando o seu g"zo sem nenhuma contempla‡ão: livre. . verdadeiramente fastidiosa. Não tinha desejo de capitular.ela pergun tou: .Mas tu me amas? . num desprendimento arreliador e provocante.Acho que tu ‚s um querido .livre emotivamente de tomar Walter ou de não tom -lo.E torceu-lhe a orelha. Sorriu para ˆle. não havia d£vida.

repetiu ela. . Òle endureceu o pesco‡o e não se deixou levar mais perto. Não são motivos razo.Pareces um cão pastor com prisão de ventre. não sei. .Mas isso não ‚ uma resposta . agradecido pelo que conseguiste.Por que me aceitaste? . . . não achas? .. Lucy puxou-lhe mais fortemente os cabelos. . .insistiu Walter. Lucy a ergueu um pouco para bater na mecha de cabelos castanhos que tinha ca¡do sâbre: a testa de Walter. long¡nqua e inating¡vel. . . a tr"co de que hei de metˆlo no neg¢cio? E.Mas que foi que consegui? .perguntou ela.Tens os cabelos compridos demais. a gente não o mete .Tu me amas? ..repetiu Walter.. . A b"ca do rapaz estava a poucos cent¡metros da de Lucy. . eu te tenho a ti. Walter puxou para cima a mecha ca¡da. minha pergunta.uma palavra bastante solene. Por quˆ? . Porque eu quis.Nos intervalos.Sem me amar? . .Amar? .disse..dos m£sculos distendidos. al‚m do mais.O corpo dela curvava-se..Entre os seus c¡lios escuros brilhou qualquer coisa que parecia uma zombaria.velinente evidentes? . sob seus dedudos estava a tepidez el stica e curva do corpo que ˆle tinha possu¡do ma maneira tão absoluta e completa. Walter baixou o olhar s"bre ela.Para não falar nos outros. sedoso e quente. . Mas a dona daquele corpo lhe sorria atrav‚s das p lpebras sernicerradas.. Em todo ca~ so. Se soubesses como ficas rid¡culo com essa cara solene e ˆsse cabelo nos olhos! . . Quão raramente! Ou talvez nunca aconte‡a. Tu me arrias? Lucy encolheu os ombros e fez uma pequena careta..insinuou Walter. Walter querido. .Mas como podes deix -lo de lado? Mas se eu posso ter o que quero sem ˆle. que fazer nos intervalos? .Tu ‚s encantador. O amor nos acontece. Então. ..Libertando uma das mãos de tr s da cabe‡a. franzindo as sobrancelhas.Por que h s de vir sempre com o amor? . impaciente... sob a mão dˆle. . reconhecido. ..Lucy riu. por que me aceitaste? .Por quˆ? Porque a coisa ‚ divertida.Idiota! . mas Walter estava olhando para os olhos zomba- .continuou obstinadamente.Quero uma resposta .De n"vo segurou Walter pela mecha de cabelos e puxou o rosto dˆle contra o seu.

..dores da amante. Seu esp¡rito parecia flutuar na serenidade t‚pida entre o ser e a aniquila‡ão.. não h mais distƒncias nem profundezas. Walter inclinou-se ansiosamente para beij -la.Lucy empurrou-o. -.Que foi que consegui? Lucy continuava com a testa enrugada. dos objetos pr¢ximos e familiares da vida comum.. . de mãos e corpos. Ela fremia nos bra‡os dˆle. com uma das mãos sob a face dela. falava. . Convalescente. . A voz de Lucy se havia tornado dura na amea‡a. ˆle a possuiu . divertida e curiosa. .Pois muito bem. O universo fica reduzido a uma pequena caverna luminosa escavada no negrume s¢lido. pontilhada de estrˆlas. E quando.Eu não sabia que era proibido . . Lucy Fez um movimento brusco e feroz e mordeu-lhe a ponta do polegar. e aquela maravilhosa serenidade extraterrestre ondulava e se quebrava como a superf¡cie: lisa e espelhante duma gua s£bitamente turbada. não se moveu.Por que me olhas assim? .. Franziu a testa. . quase com dor. . Walter procurava voltar~lhe o rosto para os seus beijos. Mas ela não queria fazer as pazes. não . Naquela profunda noite de silˆncio Walter tinha sido feliz. dentro daquele profundo silˆncio. Perdoa.Eu não estou me preocupando com coisa nenhuma.Sou um idiota! s. . povoado de caras brilhantemente iluminadas.Walter abriu os olhos e viu que ela o observava. sim.Não. foi como a inflama‡ão dum f¢sforo na escuridão da noite. . Walter não respondeu. mas sim cheio de uma ternura sonolenta. A noite ‚ ilimitada. Cheio de ¢dio e de desejo. ˆle se debatia no terror de tˆla # perdido. Walter reuniu for‡as para responder. .perguntou Lucy afinal.. .Por que não me beijas? .Repelido. febre dos desejos satisfeitos. ˆle a tinha nos bra‡os. Com relutƒncia. Risca-se o f¢sforo e t"das as estrˆlas são instantƒneamente abolidas. j agora sem ¢dio. fâr‡a.perguntou ela.disse.Lucy voltou-lhe o rosto.Ainda preocupado com o amor? . quebrando o silˆncio daquela convalescen‡a lƒnguida que sucede .Se tu podes assumir essa atitude eu tamb‚m Posso. A pergunta de Lucy.. como se estivesse entreDevias estar gando um ultimato. depois da febre. . enorme.

Com admira‡ão.pidamente . E "por que as pessoas se tornam a si mesmas desgra‡adas. tinha algo de levemente rid¡culo e humilhante. com a satisfa‡ão dum entendedor.Tripudiar? Como se me tivesses matado..H horas. mas falava a verdade. bem desperta e conscientemente viva. Viva. deitado. Lucy contemplara aquela criatura esquisita e p lida que ela tinha usado para seu pr¢prio g"zo e que agora estava morta. tu estavas exultante. mas com um desprendimento divertido.. Mas com admira‡ão. Walter não se deixou abrandar pela lisonja. i # I Não me agrada que tu tripudies sâbre mim . .Viver modernamente ‚ viver r. . zombeteira. ela estivera realmente a admir ~lo enquanto ˆle ali se deixara ficar.Prefiro ser humano.insistiu Walter -.. como se estivesse morto.A id‚ia lhe era estranhamente desagrad vel.Lucv sorria.Romƒntico.Lucy riu. Mas. em lugarde aceitar o prazer que se lhes oferece?" Ela tinha exprimido seus pensamentos na pergunta zombeteira que despertara Walter do fundo de sua eternidade. p lido. A preocupar-se com o amor . Uma leg¡tima Bela Adormecida..Estiveste olhando para mim desta maneira todo ˆsse tempo? . era verdade. EstŠticamente. Òle dera a impressão dum morto. ainda de cenho cerrado.Não podes carregar contigo um vagão cheio de id‚ias e romantismos nestes .disse. Por que não andas logo de fraque e plastrão? . Que romƒntico incorrig¡vel! . Procura ser um pouco mais moderno. . ela havia estudado a magn¡fica atitude mortu ria de Walter. . rid¡culo.Tens uma maneira tão absurdamente antiquada de pensar nas coisas. naquelas circunstƒncias. . .Apesar de tudo .. de olhos fechados.. pensara ela.. no entanto. "Que b"bo!".escarneceu ela. Achei que estavas verdadeiramente encantador. . a seu lado. romƒntico! . e a morte. te garanto.continuou ela. . Matar e tripudiar sâbre cad veres e amar e o mais que segue.que idiota! .

A casa dˆles consistia num granna de est£dio com trˆs ou quatro quartinhos anexos. se queremos ganhar terreno. . Se te agrada viajar num caminhão de mudan‡as. refletiu Burlap. Eu sei exatamente o que quero. Não h lugar para ela no avião . Houve um longo silˆncio. Beliscou-o suavemente. Trata-se de saber o que queremos e de estarmos prontos a pagar o pre‡o devido.. . ¢ meu suav¡ssimo Walter. Quando viajamos de avião. E disse: . devemos deixar para tr s as bagagens pesadas. viaja. Quisera estar morto.Tens a mais deliciosa das bâcas . 210 CAPITULO XVI # Os Rampions moravam em Chelsea. Não esperes que eu leve o teu piano de cauda no meu monoplario de dois lugares.Nem mesmo para um cora‡ão? ... . ˆle estava um pouco menos interessado nela. assim.perguntou Walter. Se gostamos da velocidade. Um bonito recanto. exatamente antes da guerra. Mas não esperes que eu te acompanhe. . o cora‡ão ..ajuntou -.Não me preocupa muito a alma. . O contato da mão de Lucy no seu rosto fˆ-lo sobressaltar-se. sacrifico a bagagem.tempos. E Rampion o tinha comprado por pouco mais que nada.Talvez seja uma pena .Mas tudo tem o seu pre‡o. Não pagara mais alugu‚is .Mas o cora‡ão . Lucy sacudiu a cabe‡a. Mas ‚ pesada demais para os nossos dias.. Walter fechou os olhos. . A velha alma de antanho sentava muito bem quando se vivia vagarosamente.J uma vez se preocupara com ela. Mas agora que a sua vida não consistia mais em ler os fil¢sofos..concedeu ela. ao fazer soar a campainha da porta naquela tarde de s bado. não podemos levar bagagem. Sentiu que ela lhe tomava o l bio inferior entre o polegar e o indicador. sua maneira um pouco r£stica.

E tem faro para descobrir o que h de melhor.. Mary falava com um tom decidido.depois da guerra. E o sangue de t"das as outras pessoas de que ˆle se alimenta. a pr¢xima vez tinha chegado. i # 2 No entanto.continuara Rampion -. e sempre do que pode achar de melhor.Tem o teu sangue.uma esp‚cie de abutre . . não exageres. pensou Burlap. "por que bo continua ˆle a ter rela‡ões de amizade com ˆste indiv¡duo? coisa est al‚m de t"da compreensão.disse ela ap¢s a troca de sauda‡ões.Não.. "Mas por que diabo". . eis o que ˆle ‚. .. al‚m disso . Uma sanguessuga espiritual.Creio que ˆle lisonjeia a tua vaidade . . Um presente de 150 libras l¡quidas por ano. . . tudo o que posso dizer ‚ que não gosto de parasitas. A¡ est . ˆle tem algum merecimento.objetava Rampion a tâdas as hip‚rboles que não f"ssern as suas pr¢prias.E a pr¢xima vez em que Šle apare~ cer eu lhe vou jogar em cima um pouco de p¢ inseticida. estava Mary a se dizer interiormente. não sejas romƒntica .retorquira Mark. um elogio .dissera ao marido depois da £ltima visita do jornalista. qualidade do teu sangue.Est claro que tem .Mark o espera no est£dio .lisonjeiro ter parasitas. a abrir a porta .Vamos. um parasita se alimenta de seus h¢spedes vivos. . .disse Mary.E por que não? . s¢ para ver o que licontece. numa ceia com Molly d'Exergillod. e l estava ela. Mary Rampion abriu a porta. Por que deixas que diaque que ˆle te sugue o sangue? . não ‚ um abutre. "Diabo de vique sorte!". entre outras coisas.respondeu Mary.Pois bem." Detestava Burlap.E.Òle não me faz nenhum mal e me diverte. isso eu lhe reconhe‡o. . . . . porque os abutres s¢ comem carni‡a. esquecendo naquele momento que ˆle pr¢prio via sem pagar aluguel na casa de Beatrice e lembrando-se apenas de tinha acabado de gastar 24 xelins e 9 pence..

Vende muito bem os seus quadros e desenhos. . Que ser que faz de todo ˆsse dinheiro?". detendo-se na frente duma tela que se achava no cavalete. Mesmo na atav¡stica Mary a for‡a do h bito de polidez era mais forte do que o seu desejo de jogar p¢ inseticida. "Ser que o guarda? Ou que far . "E entretanto Rampion deve fazer bom dinheiro.Como ‚ o t¡tulo dˆste? . E tem um mercado regular para tudo quanto lhe apraz escrever.perguntou Burlap. . verdade que tˆm dois filhos para educar. Enxugando as mãos enquanto se aproximava.Não te posso apertar a mão agora. suponho. Vivendo como ˆles vivem. -. "mas tamb‚m quase nem chega a ter despesas. Burlap comp"s o rosto num sorriso e abriu.Òste? Bem. mas que seus recursos não lhe permitiam tˆ-las.. Mas que vida. fazendo ˆles pr¢prios a maior parte dos trabalhos dom‚sticos e não tendo autom¢vel." Era o primeiro artigo do credo. Os pensamentos de Burlap." Mas Burlap conseguia. fazer que os dois filhos desaparecessem do campo de sua sensibilidade consciente. "Rampion não s¢mente não paga aluguel". "Eu acredito na vida. enquanto ˆle se dirigia para o est£dio. . .Entre! -. era o que importava. Rampion atravessou o quarto e parou ao lado de Burlap.para Burlap e a dizer-lhe que se dirigisse ao est£dio. estavam ainda voltados para as questões financeiras.P"s-se a rir. .disse Rampion. que energia. . porta do est£dio. A maior parte delas dificilmente teria merecido a aprova‡ão de São Francisco. . perguntava ˆle a si mesmo com uma ponta de ressentimento. enquanto batia . devem mesmo gastar ridiculamente pouco. Amor.Ali! ‚s tu . pensava ˆle. . como se se tratasse dum visitante bem-vindo.Como est s? Burlap sacudiu a cabe‡a e disse que eõtava precisando dumas f‚rias. olhando com ar reverente para as pinturas. A lembran‡a do pre‡o que havia pago pela ceia continuava a irrit -lo. ‚ o nome que lhe darias.gritou a voz de Rampion do outro lado da porta. então?" .. . apenas com uma criada. Caminhou em t"rno do est£dio. . no Fim de contas. por uma esp‚cie de passe de prestidigita‡ão mental em que era prof Öcient¡ssimo. que imagina‡ão! A vida. Estava limpando os pinc‚is. tinha trabalhado bem aquela tarde e estava com ¢tima disposi‡ão.

Òsses dois corpos eram a fonte de t"da a ilumina‡ão do quadro. . . com cavalos. atravessando diagonalmente todo o quadro. . com um vislumbre de mar entre as colinas.Porque ‚ verdade. Não sei se podes encontrar outros. . A coisa não ‚ suficientemente "suave-Jesus" pa- . . e o do homem dum moreno avermelhado. . a ¢leo. plano ap¢s plano. por cima. numa esp‚cie de nicho entre um primeiro plano de rochas escuras e troncos de rvores e um fundo de rochedos escarpados. Embaixo. Falavam de um quadro um tanto pequeno. branco o da mulher. Dois pos nus.. um homem e uma mulher. que tocava a face inferior da folhagem acima. abra‡adas.Mas estou vendo que tu o detestas. sacudindo a cabe‡a diante do quadro.Mark Rampion arreganhou os dentes numa esp‚cie de triunfo. menos refinadas.Mas por que dizes isso? . Na presen‡a de Burlap. O sorriso de Burlap era um tanto amarelo.sentia-se -. . no ƒngulo esquerdo da tela. leopardos e pequenos ant¡lopes que iam e vinham entre as ffires enormes. pela sua radiosidade. Os roche# dos e os troncos de rvores do primeiro plano se silhuetavam contra a luz que emanava das figuras. mais al‚m.Mas as pessoas menos espirituais. . . iluminado e criando . lan‡ando sombras sâbre uma massa espˆssa de verdura. uma flora surpreendente de rosas.. e.de z¡nias e de tulipas gigantescas. ao fundo.Sorrindo um sorriso arreganhado. estavam deitadas. uma paisagem verde que se ia aprofundando.protestou o outro com uma tristeza suave de m rtir. 212 tendo por cima uma ab¢bada formada por uma massa de folhagem. Mark achava divertido e ao mesmo tempo sentia que era positivamente um dever ser chocante. duas corfiguras.concluiu Rampion maliciosamente.disse Burlap vagarosamente. formas de nuvens enormes e her¢icas contra o c‚u azul. . podem preferir algo mais cru. O precip¡cio. at‚ o azul. Jorrava para fora do recesso no qual o homem e a mulher se achavam. era dourado pela mesma luz. . sugeriu algumas das variantes mais cruas.bonito .

Mas ser que me tornas pela palmat¢ria do mundo? ... . tu sabes. As crian‡as não lambem os leprosos. . todo reverente..Atirou a cabe‡a . Gostava de atormentar o outro.O bom humor de Rampion transbordou em zombaria.Com efeito! -protestou Burlap. com efeito . Burlap. Vinha para orar mas ficava para compartilhar a cama da madonnina. na dire‡ão das mulheres. . a fim de que desaparecessem os seus dod¢is. Dandando como um bebˆ. Era bem feito: quem o mandara entrar ali com aquela atitude de disc¡pulo 213 # amado. O amor. como se elas tâdas fossem madonas.Não pela palmat¢ria do mundo. metendo a sua mãozinha mimosa debaixo das saias delas .velmente franco . --. .Sim.. ‚ lament. . Um amorzinho de bebˆ que gosta de nanar no colinho de sua mamãezinha.ra ti. quem o mandara dar mostras de uma reverˆncia e uma admira‡ão tão repugnantes? . não. Rampion riu escancaradamente. . de fazer que ˆle parecesse um m rtir cristão que perdoava. Òle era uma crian‡a. Mas. e para ouvir a hist¢ria do pobre Jesus .Santo Hugo de olhos arregalados e caminhar indeciso.. apesar disso.Burlap fez um gesto de protesto. Arregalava os olhos e mostrava-sq reverente diante das mulheres. eis o que tu ‚s. como fonte da luz. Santo Hugo de Lincoln. caso houvesse algum. o pr¢prio São Francisco ‚ um pouco crescido para ti. . como vai a vida dˆle que est s escrevendo? Espero que ponhas nela uma descri‡ão bem suculenta daquele epis¢dio em que o santo lambe os leprosos. .ou mesmo para chuchar uns goles de leite. da vida e da beleza oh! não. não! por demais grosseiro e carnal. S¢ os adolescentes sexualmente pervertidos fazem isso..Rampion sabia um mundo de coisas a respeito dos casos amorosos de Burlap e tinha adivinhado outras tantas..parodiou Rampion. o amorfisico. Vinha para se deixar acariciar e beijar.Meu prezado Santo Huguinho! Como ˆle vai caminhando bonitinho para o quarto de dormir e que jeitinho gracioso de bebˆ Šle tem quando se aninha entre os len‡¢is! Estas coisas são demasiadamente grosseiras e pouco espir¡tuais para o nosso Huguinho.Para falar a verdade.. Por falar nisso. um puro e suave nenˆzinho.Digamos: por São Francisco. como e elas t"das fossem madonas. .

. sabes o que te ~spera.Estendeu o desenho para * Abrevia‡ão da expressão latina quod erat demonstrandum.motejou Rampion. # . uma grotesca procissão de monstros marchava diagonalmente. muito usada em matem tica.sta.perguntou Rampion noutro tom.Ora. . -. Um tanto livres. -.Por que imaginas que eu não gosto de teus trabalhos? . voltados para o lado. . . Abriu a pasta que estava s"bre a mesa.E tomou a arreganhar os dentes.Continua. . . Mas se queres vir olhar os meus trabalhos. E.evidente que as pessoas que olham a paisagem do mesmo ponto devem ser idˆnticas.. continua .São grotescos em sua maioria. Dinossauros. por que imaginas que eu desaprovo os teus desenhos? .Eis o que eu cha~ mo F¢sseis do Passado e F¢sseis do Futuro.riamente brilhante e v¡vido. . vista daquele sorriso espiritual de m rtir..No Fim de contas.Oh! Estou certo de que ‚ o mesmo. . -. ora! . Burlap meneou a cabe‡a afirmativamente.. não tinham visto o sorriso aberto no rosto do outro -. previno-te. Temos as nossas diferen‡as. .Por que mesmo. ‚s um crente da vida e eu tamb‚m o j sou. Isso h de te fazer verdadeiramente feliz.* .Nâvo arreganhar de dentes. . não ‚? .Q. D.Que eu não te sirva de est"rvo. pterod ctilos.disse Burlap. Caricaturas. sei que ‚. tocado com aquarela colorida. atravessando o papel de cima para baixo. extraordiri. Rampion ergueu os olhospara ˆle. mas a respeito da maioria das questões o nosso ponto de vista ‚ o mesmo..Bem. Queres ver alguns dos meus desenhos? . se sabes que ‚ o mesmo . ora..perguntou Burlap. .Uma vez que o ponto de vista ‚ o mesmo . .exclamou ˆle. Rampion riu ainda mais estridentemente. cujos olhos...E.para tr s e desatou a rir. Encurvada num S magnificamente vasto. do E) 214 Burlap. -. Signoca "o que devia ser demonstrado " (N. Era um trabalho a tinta.Tornou a virar-se para tirar um dos desenhos da p.. . . de Ary Scheffer. ofegante.disse Burlap..Na tua pr¢xima visita hei de ter para ti uma c¢pia de Santa M"nica e Santo Agostinho. . depois de se enunciar o resultado de uma demonstra‡ão.

. dip"cos e ictiossauros caminhavam. nos ossos e na carne. moralistas. cauda da procissão. .. e muitos outros. 1. -. Brr! Eu quisera mat -los todos. J. nadavam ou voavam .disse Rampion. Sir Alfred Mond e a cabe‡a de John D. espiritualistas. Burlap olhou. O tamanho f¡sico ‚ uma desvantagem. na pele. explicando. depois de certo ponto.¢timo! .com mil diabos! -. Rockefeller. Mas o que h de mau no caso ‚ que ˆles estão arrastando o resto do mundo consigo.Eis aqui dois Bosquejos de Hist¢ria. O homem não pode viver sem cora‡ão. Sacrificam a vida fisica e afetiva . A maior parte tinha os rostos de contemporƒneos eminentes. . o da direita segundo eu. o da esquerda segundo H. Òles estão simplesmente marchando rumo da extin‡ão.o que sempre perguntei. não como um monstro de cerebralidade ou de alma.‚ uma felicidade. E ... Mas e o tamanho mental? Òstes imbecis parecem esquecer que ˆles são exatamente tão desequilibrados. Que imaginam ˆles que vai acontecer? Burlap exprimiu o seu assentimento com um aceno de cabe‡a. Wells. informes e desproporcionais corno qualquer dipl¢doco. ˆsses literatos e pol¡ticos de tendˆncias enaltecedoras e todo o resto do bando não tˆm o bom senso de ver que o homem deve viver como homem. Sir Oliver Udge. a vanguarda era composta de monstros humanos. Thompson. Frank Crane e a Sra. Raios os partam! Devo confessar que não me agrada ser condenado . No meio da multidão Burlap reconheceu J. criaturas de cabe‡as enormes.Os lagartos morreram porque tinham corpo em excesso e a cabe‡a demasiadamente pequena . servido por um fantasma de cabe‡a de nabo enrolado num len‡ol e por um tubo cat¢dico ambulante. sem membros nem corpos. sorriu e acabou rindo francamente. carregada sâbre uma enorme travessa por um ministro batista. rastejando como lˆsmas s"bre prolongamentos vagamente viscosos dos seus queixos e pesco‡os. G.titanot‚rios. Bernard Shaw assistido por eumicos e solteironas. t‚cnicos.Para não falar nas tripas..orde Edward Tantarnount. . Eddy com aur‚olas.Rep"s o desenho na pasta e tirou outro.. vida mental.. extin‡ão s¢ porque ˆsses imbecis e cientistas.pelo menos o que os cientistas nunca se cansam de nos dizer. . o Dr. .

perfei‡ão contemporƒnea nas figuras do pr¢prio Sr.as figuras cresciam vagarosamente em tamanho. Seguia-se um certo n£mero de florentinos. e as caudas simiescas. G. maneira de um simples crescendo. O crescendo continuava ininterrupto atrav‚s de Watt e Stevenson. Um macaco min£sculo era seguido por um pitecantropo levissimamente maior. Os'seus sucessores do s‚culo XX eram abortos. rumo do infinito ut¢pico.. as silhuetas de Wells e Mond.. o eg¡pcio da Idade do Bronze e o homem babil"nico. O homem paleol¡tico. O desenho da direita tinha uma composi‡ão menos otimista de picos e decl¡nios. inglˆses e franceses de bom tamanho. o qual por sua vez era seguido por um homem de Neanderthal levissimamente maior do que ˆle. Os vitorianos tinham come‡ado a ficar anões e disformes. H. Faraday e Darwin. Os monges da Tebaida mal se distinguiam dos macaquinhos primitivos. Bessemer e Edison. Os romanos iam ficando de n"vo menores. Rockefeller e Wanamaker.O desenho da esquerda era composto . o qual dava lugar a um grego muito grande e a um etrusco escassamente menor.. A estatura dos homens representativos declinava. · ‚poca em que Galileu e Newton surgiram em cena.. Wells e de Sir Alfred Mond. para chegar . Baxter e Wesley. a se arranhar e a se estripar uns aos outros com essa energia met¢dica e sistem tica que ‚ . o grego da Idade do Ferro e o homem romano . O min£sculo macaco bem depressa florescia num homem da Idade do Bronze. se espichavam numa espiral triunfante para al‚m do papel. e os rostos de nossos contemporƒneos mais eminentes todos a se morder. a 215 # humanidade tinha atingido dimensões bem respeit veis. Vinham ap¢s ˆstes uns monstros revoltantes denominados Calvino e Knox. que iam ficando sempre maiores a cada repeti‡ão. E o futuro tamb‚m não fora descurado. o homem neol¡tico. Atrav‚s das brumas do futuro podia-se ver a companhia decrescente de pequenas g rgulas e de fetos cujas cabe‡as eram grandes demais para os seus corpos gelatinosos. Atrav‚s da bruma radiosa da profecia.

que te invejo ˆsse poder que tens de dizer as coisas de modo tão imediato e econ"mico. .não apan gio exclusivo dos sˆres mui altamente civilizados.oh! uma esp‚cie de prisão muito elegante e fant stica. ..disse Buriap.Eu quisera ter um ou dois dˆstes desenhos para o World . resguardava o pudor teu verde cora‡ão!" Ou. . quando acabaram de examinar o conte£do todo da pasta. rindo..Eis por que abandonei a pena por enquanto. Mas estas coisas tuas são par bolas ao mesmo tempo que pinturas. mas apenas com as malditas palavras que as representam. sta num busto acima dos portais". A pintura. . então: "Uma ave negra friamente po. Trˆs quartos do tempo a gente não est em contato com as coisas.Pobres diabos 1 . . nos põe em real contato com ela. cheia de frescos e de tape‡arias e o mais que segue. . Ou "E no seio nutriz da natureza bruta. Somos francamente mission rios e uma emprˆsa de arte pela arte. Mas a gente prefere a verdadeira campina ao ar livre.Mas eu acho que ˆles devem escutar. Rampion concordou com um meneio de cabe‡a. Devo dizer .exclamou Rampion. Tem-se uma grande responsa- .‚ fornecer um p£blico para escutar o que tens a dizer. num ensaio. palavras! Elas levantam um muro entre n¢s e o universo. como sair duma prisão .disse Burlap . Posso dizer o que quero. "Vibra em cada hemist¡quio um cƒntico nupcial". com essa infernal algaravia metaf¢rica dos poetas. # . por exemplo. .Em geral não reproduzimos desenhos.acrescentou . Eu gastaria centenas e milhares de palavras para dizer as mesmas coisas. com efeito! Oh.Olhou para Burlap com os dentes . tudo quanto posso fazer . E muitas vˆzes nem mesmo com elas e sim . "Friamente posta". mostra. menos vigorosamente. As palavras não são l muito adequadas para dizer o que eu acho que quepo dizer agora. acho eu. E que conforto fugir das palavras! Palavras. essas palavras! Como me sinto feliz 216 por ter fugido a elas.Mesmo a "ave negra" se transformou numa abstra‡ão metaf¢rica.Bem.

suavemente. Não acreditava na Vida a ponto de correr o risco de reduzir a circula‡ão do jornal . rindo de nâvo -..respondeu Rampion. Vocˆs. A seguran‡a antes de tudo. . a carne e o diabo. Burlap fez a sua escolha. Literatura sem dor. Vocˆs todos são um caso perdido.Um caso perdido .Pouco se me d que fa‡as isso ou não --. jornalistas. .disse por fim. erguendo trˆs dos desenhos menos polˆmicos e escandalosos.disse Burlap com aquela expressão de espiritualidade pensativa que sempre lhe vinha ao rosto quando ˆle come‡ava a falar a respeito de dinheiro -..Se esperasses mais unia semana . E. ai! ‚ preciso transigir um pouco com o mundo. . Burlap sacudiu a cabe‡a. com a respeitabilidade e com Jeov . Mas. Burlap ficou satisfeito por ver que o outro encarava a coisa daquela maneira. Estou acostumado a isso. -. .resmungou Šle . .Suavemente. com aquˆle seu modo de 217 ¥Zcontrap3. Quanto mais chocantes forem os desenhos que publicares mais prazer hei de sentir. eu sei. Leva o que quiseres.. refletiu ˆle.Ali! Ora .. Enfun. suponho que em tais circunstƒncias nada podes fazer .bilidade. são todos os mesmos.Eu temo . temo que não te possa pagar muito por ˆstes trabalhos . E depois. .Fica bem9 Rampion deitou-lhe os olhos. Nada de solavancos. . -.eu teria uma c¢pia de Ary Scheffer pronta para ti.repetiu o outro. .. Sinto que isso ‚ realmente um dever. no fim de contas... est claro então que deves fazˆ-lo.Levo ˆstes .txt## . Os leitores devem ser mantidos permanentemente num estado de sono crepuscular. Nada de preconceitos extra¡dos a frio ou de id‚ias pregadas a martelo: ‚ preciso um anest‚sico. .redargiu. num tom de mofa.Rampion encolheu os ombros. Leva o que te agradar.. Eis a razão por que eu gostaria de publicar alguns dos teus desenhos no L iteraiy World. .disse Rampion. .Ob! se ‚ uma questão de imperativo categ¢rico . O que me indigna ‚ a maneira repugnante por que vocˆs transigem com o c‚u. Rampion não estava habituado a ganhar muito.Devemos come‡ar suavemente . era verdade. num tom de penitˆncia -. .repetiu Burlap.

Absolutamente de princ¡pio --. Se eu tivesse algumas centenas ou alguns milhares de libras dispon¡veis. Continuou a falar e a cada uma de suas palavras os contornos daquele Burlap magnificamente pobre mas honesto se tornavam mais claros diante da sua visão interior. Mas.insistiu. essa f£ria t"da?"..disse em voz alta. contemplando com um fr‚mito de satisfa‡ão leg¡tima o ¡ntegro e altru¡stico Denis Burlap que pagava os colaboradores do seu pr¢prio b"lso e em cuja existˆncia ˆle. empregava-as no World. quase triunfalmente. não . .. a chicote. . Leva-os de gra‡a.. . coitado! mas paga sempre um pouco.. Pode-se conseguir 4 guin‚tis por desenho. se quiseres. Rampion o contemplava com curiosidade. "Pousam seus p‚s nas alvas estradas poeirentas que lembram. . uma questão de princ¡pio. perguntava ˆle a si mesmo. questão da pobreza franciscana. não tinha criados . . .Sacudiu a cabe‡a. "Por que diabo estar ˆle agora a meter no corpo. E a expressão de simpatia se transformou de repente num sorriso largo de dentes arreganhados. .não paga muito. .Aquilo de que precisas ‚ dum capitalista. Paga o que publica . Quando Burlap parou para respirar. uma questão de princ¡pio continuou ˆle.Não. tendia a transformar-se em versos brancos. . mesmo que eu tenha de tirar dinheiro do meu pr¢prio b"lso.. Rampion sacudiu a cabe‡a com simpatia: . Mas leva-os.Seria de desejar que se estivesse em condi‡ões. . a conta do jantar crescia de momento para momento e seus rendimentos particulares diminu¡am correl ativamente. Não tinha autom¢vel. . O World não vive de caridade.. e ao mesmo tempo o World arrastava-se. .concluiu Šle.Mas o jornal." Era assim que come‡ava o seu cap¡tulo. a quem as contempla dos mu- . Uma explica‡ão poss¡vel s£bitamente lhe ocorreu..Eu não faria isso. estava come‡ando a acreditar.Tentar persuadir o p£blico a arriar as coisas elevadas. Rampion riu-se.Não ‚ exatamente uma oferta principesca.. . sacudindo a cabe‡a -. em momentos de exalta‡ões.. quando ˆles vˆem que isso não compensa. ai de mim! não tenho. "De Naquela noite Burlap se atirou . p‚s descal‡os pelas colinas da £mbria ela caminha. enquanto falava.protestou Burlap. a Senhora Pobreza. refugiando-se no impessoal. . paga um pouco.. Nem 6 pence . Stia prosa. aproximando-se cada vez mais das bordas da insolvˆncia.vida não precisava mesmo de muito .

. verdureiro e vinhateiro. em fun‡ão das coisas.s guas cl ssicas de Clitumno e . Como ‚ diferente a situa‡ão de hoje!" Burlap caiu uma vez mais no verso branco. O ideal de pobreza de São Francisco era então pratic vel.. A maioria o dispensava quase por completo." Garatujou alguma coisa a respeito das "grandes m quinas que.s oliveiras nodosas. levado desta vez pela indigna‡ão e não pela ternura l¡rica.... numa larga medida. . 218 as aos burrinhos que carregavam pacientemente as suas cargas.os que viviam principalmente em fun‡ão do dinheiro . seu pr¢prio manufator. subindo estradas pedregosas.. aos campos terraplenados. "Eis a¡ uma terra".s montanhas azuis. "e uma ‚poca em que a pobreza era um ideal admiss¡vel.s inda mais cl ssicas guas de Trasimeno.s vinhas. .s cidades que repousam s"bre as colinas. Negociava diretamente com as coisas .. tendo si- . pratic vel. . .os objetos dom‚sticos de seu pr¢prio fabrico e os tenros frutos da terra -. padeiro.... cada camponˆs era. continuou Burlap. e não tinha assim nenhuma necessidade dos metais preciosos que compram as coisas. na distƒncia . havia pouca especializa‡ão profissional. do mesmo modo que era o seu pr¢prio a‡ougueiro." Seguiam-se referˆncias . e habitamos abstra‡ões remotas e não o mundo verdadeiro que produz e que fabrica.. brancas fitas estiradas l embaixo na planura.. Uma sociedade na qual o dinheiro era ainda relativamente sem importƒncia. "Somos todos especialistas que vivemos em fun‡ão s¢rnente do dinheiro e não das coisas reais. porque ˆle propunha .. A terra provia a t"das as necessidades dos que viviam dela.. admira‡ão geral um m‡)do de vida que não diferia enormemente do modo de vida efetivo dos seus mais humildes contemporƒneos.a viver como os seus inferiores estavam vivendo. aos "grandes bois brancos com os seus comos recurvos".ros das pequenas cidades. Òle convidava os membros ociosos da sociedade e aquˆles que tinham uma especializa‡ão profissional .cada uma delas como uma pequena Nova # Jerusal‚m num livro de gravuras -.

da vida industrial e comercial e de seu efeito esterilizante sâbre a alma humana (e para ˆste £ltimo ponto Burlap pediu emprestadas algumas das frases favoritas de Rampion). Dentro da nossa sociedade moderna o ideal franciscano ‚ impratic vel.Tu me tratas como ao filho pr¢digo . Òle ‚ o m‚dico no manic"mio..disse Burlap. . Idealizar uma Dulcin‚ia tão repulsiva seria mostrar-se mais louco do que o pr¢prio Dom Quixote. . radicalmefite.Dois.comandou ela. sorriu o seu sorriso . Pobreza. mas sim uma forma esplˆndida de luz. Tomamos a pobreza detest vel. Mas isto não significa que possamos simplesmente desdenhar São Francisco como se ˆle fosse um vision rio de sonhos loucos. Não. era a raiz de todo o mal.Elas tˆm subido com tanta violˆncia. Pobreza. são agora suas tiranas". a respeito da estandardiza‡ão. sob a qual o homem agora trabalha.. exprimindo a sua solicitude no tom vivo e cortante da voz. O dinheiro. .. supinamente insanos. . A moral disso ‚ que as condi‡ões devem ser alteradas. Sodoma e se serviu do segundo âvo.Dois ovos . a irisƒnia ‚ nossa e não d‚le. . a fatal necessidade. Para os lun ticos o m‚dico parece ser o £nico louco. . A Senhora Pobreza foi rebaixada pelas circunstƒncias modernas at‚ a semelhan‡a duma jornaleira de sapatos furados que usa avental de est"pa. Quando recobrarmos a razão. . Foram feitos especialmente para vocˆ.Ou como ao bezerro gordo quando estava sendo engordado. concluiu Burlap.Sacudiu a cabe‡a.do escravas do homem.disse Beatrice. . Oh. . . -. de gra‡a e de beleza. Nosso alvo deve ser criar uma nova sociedade na qual a Senhora Pobreza seja não a s¢rdida jornaleira. Beatrice entrou para dizer que a ceia estava na mesa. fa‡o questão. "Aos olhos modernos os ideais de São Francisco parecem fant sticos. linda Senhora Pobreza. de viver em fun‡ão do dinheiro e não das coisas reais..Quero pedir a sua opinião a respeito de algumas a‡ões duma companhia de gramof"nes que eu tenho . Pelo contr rio. Nenhum homem sensato sonharia com segui-la. Nas condi‡ões atuais o ideal franciscario ‚ inexeq¡vel. . haveremos de compreender que ˆle era o 219 # £nico homem são.

‚ humilhante que ˆles não tenham a coragem de ver que o mundo e ˆles mesmos são o que realmente são. E todos os seus amigos tinham dito o mesmo. esconderirio-nos de n¢s mesmos. . . Se parassem de trabalhar.. Trabalhar pode ser orar. .Mas se ao menos tu fizesses alguma coisa . E deu a sua opinião. imbecil.dissera ˆle um dia. 220 CANTULO XVII cogumelos e o m¡ldio estavam brotando at‚ em sua alma. sentindo a viscosidade crescer dentro dˆle.Gramofones! . Não admira que os Sainuel Smiles e os grandes homens de neg¢cios sejam tão entusiastas do trabalho. nada mais.a com seus olhos interiores. humilhante que os homens não possam viver sem drogas. Tˆm necessidade de se narcotizar com trabalho.. e observando... mas ‚ tamb‚m esconder a cabe‡a na areia. haveriam de perceber que a maioria dˆles simplesmente não existe.O trabalho não ‚ mais respeit vel do que o lcool. num assomo de pouco caso diante das censuras cordiais de Philip Quarles. Deixava-se ficar na cama ou sentado no seu quarto sombrio. O trabalho lhes d a ilusão confortadora de que ˆles existem e at‚ de que são importantes.tudo isso era tolice e conversa fiada.Ah . . Parecia a Spandrell que os . O trabalho não passa de uma droga como as outras. ou ainda encostado ao balcão dum caf‚. laborare est orare* . s¢briamente.. a santidade do trabalho. A mão# Estava a chover havia v rios dias.. ‚ tamb‚m fazer tanto ru¡do e tanta poeira que a gente não possa ouvir a pr¢pria voz nem ver a pr¢pria mão diante do rosto. tinham continuado a dizˆ-lo durante anos .Trabalho! .o evangelho do trabalho. Mas ‚le preferia ir para o inferno a ter de fazer alguma coisa. Trabalhar . faz que o homem se esque‡a de si mesmo.. e serve exatamente para o mesmo fim: distrai simplesmente o esp¡rito.implorara-lhe tantas vˆzes amãe. O evangelho do trabalho ‚ simplesment‡ o e~angelho daestupidez e da covardia. São apenas buracos no ar.Qualquericoisa . . Buracos talvez um tanto malcheirosos.disse Burlap.

era em virtude de uma pregui‡a habitual e tamb‚m por um princ¡pio moral sofistico e subversivo. do E. que podia tornar-se. em momentos comq aquˆle. Poderiam descobrir o realmente são.. ou antes. para quebr -lo... Mas o h bito da ociosidade estava nˆle tão profundamente inveterado que. Se eu não tivesse sido tão bravo. quase insuport.velmente agudo. morfina.) # 221 4 Spandrell arreganhou os dentes duma melodram tica. A preguiga tinha mesmo precedido o princ¡pio e era a raiz dˆste. dum admirador das grandes realiza‡ões que compreende que lhe falta talento para realizar uma obra original. porque ˆle era pregui‡oso a despeito das devasta‡ões de um t‚dio cr"nico. havia mister de mais coragem do que para suportar as agonias do t‚dio a que ela dava lugar. * Trabalhar ‚ rezar.o orgulho dum liornem capaz que não tficientemente capaz. (N. .Foi preciso alguma coragem para continuar a olhar o que eu tinha descoberto. Não admira que elas não ousem deixar de trabalhar. Mas era verdade que se fazia necess ria alguma coragem de sua parte para não fazer nada.. que não quer humi- . Spandrell nunca teria descoberto que o trabalho era um opiato pernicioso se não tivesse de achar uma razãoe uma justifica‡ão para a sua pregui‡a invenc¡vel. um risco que não a coragem de enfrentar. O orgulho tinha refor‡ado aque‚ SU Ia pregui‡a natural . havia muito que estaria entregue ao trabalho ou . Se não fazia nada. E que foi que a tua coragem te permitiu descobrir em ti mesmo? inquirira Philip Quarles. Spandrell se dramatizava um pouco.que tˆm ria das almas smileanas deve ter um certo mau cheiro. fazia a sua atitude parecer um pouco mais racional e romƒntica do que na realidade era. o que realmente não s~o.. acho eu ..

Enf im.pidamente feliz e bom. não? Ou um escritor dˆsses que escrevem teser. Não quero disfar‡arme de homem instru¡do. tâda a hist¢ria natural . algo tão absoluta e desesperadamente triste. cultivado deliberadamente as suas piores tendˆncias. ou que não quer rebaixar-se. . escolhido o caminho pior. tens todo o campo da erudi‡ão.E. Estava se vingando dela. . a um trabalho mais f cil. por ter sido tão es. eu não posso.dissera ˆle a Philip . Um bom velho tio Tobias com as suas manias. eu te digo. por despeito de si mesmo. Esperava que houvesse um inferno para onde ir e lamentava a sua incapacidade de acreditar na existˆncia dˆle. Agia assim por despeito dela. era satisfat ¢rio.respondeu Philip. maneira levemente -. houvesse ou não inferno.Mas tu podes fazer alguma coisa. s¢bre: o emprˆgo do sabão entre os angevinos. Mas h na devassidão alguma coisa tão intrinsecamente mon¢tona. Era com a devassidão que ˆle distra¡a os seus ¢cios sem f . Se na verdade não presto para nada.. Não quero ser representante de uma mania qualquer. prefiro continuar a ser simplesmente imprest vel. e de si mesmo tamb‚m. j que possuis algum dinheiro..um in£til. Mas. # 222 era mesmo excitante naqueles primeiros tempos saber que se estava fazen^ do algo de mau e de errado. Spandrell tinha sempre feito perversamente as piores coisas. não quero ser nenhum tio Tobias. Desde o segundo casamento de sua mãe. ainda que com ˆxito.Fica-te muito bem falar de trabalho -.lhar-se corn o que ˆle sabe que h de ser uma tentativa infrut¡fera de criar. .H outras profissões .. por despetio de Deus. Que queres que eu fa‡a? Que me empregue num banco? Que me torne caixeiro-viaj ante? ..Oli! Tu queres que eu seja um colecionador de formigas. Quero ser o que a natureza f-ez de mim -.

de seu gâzo ativo e tamb‚m de seu sentimento ativo de fazer o mal (sentimento que tinha sido sempre uma parte integrante de seu prazer). Privado gradualmente. O homem que adquiriu o h bito das mulheres ou da genebra. de fumar ¢pio ou de suportar a flagela‡ão. Um pouco desgostantes. podem continuar a gozar ativamente o v¡cio e a acreditar na sua maldade. dotados duma dose de inteligˆncia muito inferior . H muitas pessoas. A imagina‡ão pode esfor‡ar-se em conceber as mais improv veis varia‡ões s¢bre o tema sexual normal. acha tão dificil viver sem os seus v¡cios como viver sem pão e gua.. As a‡ões que a princ¡pio se afiguram emocionantes. quanto mais anormal e raro ‚ ˆle. dificil uma rotina dar a impressão de maldade. refinadas e sofisticadas). Passa-se o mesmo com o devasso habitual. O h bito transforma os gozos esquisitos em necessidades mon¢tonas e cotidianas. mas o produto emocional de t"das as variedades de orgia ‚ sempre o mesmo --. Spandrell voltara-se numa esp‚cie de desespˆro para os refinamentos do v¡cio. porque se fizeram costumeiras. quanto mais refinado ‚ o v¡cio na sua extravagƒncia e5~tudada. Mas os refinamentos do v¡cio não produzem refinamentos correspondentes das sensa‡ões. mas que j não são "m s". pelo h bito. que tˆm uma inclina‡ão irresistivel . O h bito ‚ tão fatal para o sentimento da pr tica do mal como para o g"zo ativo. D -se justamente o contr rio. talvez. tornam-se. Depois de alguns anos o judeu convertido ou c‚tico e o hindu ocidentalizado podem comer carne de porco e came de boi com uma serenidade que para os seus irmãos ainda crentes parece brutalmente c¡nica.que s¢ os sˆres raros. porque a pr tica da maioria dos v¡cios e seguida de rea‡ões fisiol¢gicas deprimentes. habitual e de muito mais apetite do que o vulgar..um sentimento sombrio de humilha‡ão e baixeza. A maioria dos devassos ‚ devassa não porque goste da devassidão. mesmo quando a pr tica do v¡cio se possa ter tornado em si mesma tão despida de sensa‡ão como comer uma c"dea de pão ou beber um copo de gua da pena. ‚ verdade (e são em geral as mais intelectualmente civilizadas. moralmente neutras. excitantes na sua maldade intr¡nseca. tanto mais mon¢tona e desesperadamente vazia de emo‡ão se torna a sua pr tica. depois de um certo n£mero de repeti‡ões. mas sim porque sente malestar quando se priva dela.

de sua parte. Os resultados emocionais de todos os refinamentos poss¡veis do v¡cio lhe pareciam mon¢toriamente uniformes.vidamente a sua pr¢pria baixeza no e meio de m£ltiplas orgias.Quanto mais alta ‚ uma mais baixa ‚ a outra.Spandrell podia ainda sentir uma satisfa‡ão particular em infligir o que ˆle tinha considerado como sendo a humilha‡ão do prazer sensual . . por aquˆle curioso ¢dio vingado ao sexo. com o seu amor da arte e o seu amor da crueldade. Divorciadas de t"da emo‡ão significativa. baixa animalidade" . num momento delicado de sua adolescˆncia. f"sse ela de aprova‡ão ou fosse cheia de remorsos. -não (como os ascetas e os .. choque que se tinha superposto.para o que ‚ baixo e que procuram .f"ra assim que Rampion uma vez resumira o caso aos ouvidos de Spandrell.. sob uma outra 123 # civili- forma. educa‡ão burguesa normal de refinamento e de conten‡ão cavalheiresca .s inocentes irmãs dessas mulheres muit¡ssimo amadas. não tinha nenhum g"sto pela humilha‡ão. pelas promiscuidades humilhantes e pelas violˆncias. prostitui‡ões masoquistas... . Inspirado. Odiando duma maneira medieval. rela‡ões sexuais com criaturas grosseiras e sem educa‡ão de uma classe inferior. que haviam sido para ˆle a personifica‡ão do detestado instinto. como Rampion adivinhara. O excessivo refinamento est‚tico e intelectual corre o risco de ser comprado um tanto caro... uniões acidentais quase bestiais com estranhos. as meras sensa‡ões de excitamento e de prazer fisicos eram-lhe ins¡pidas. sofre. e o chinˆs perfeitamente civilizado.. "Alta intelectualidade. da mesma mol‚stia que d ao esteta moderno perfeitamente zado o g"sto pelos soldados da guarda e pelos apaches.Spandrefl.. . custa de alguma estranha degenera‡ao emotiva. Spandrell se vingou. A corrup‡ão da juventude era a £nica forma de libertinagem que agora lhe dava algumas emo‡ões ativas. produto do choque causado pelo segundo casamento de sua mãe. e portanto detestadas. .

Spandrell conseguira executar integralmente o seu programa. E o est dio final de sua vingan‡a consistia insinuar gradualmente no esp¡rito da v¡tima o sentimento do ˆrro e da xeza fundamental das del¡cias. forneceu ao caso o tempˆro suplementar da perversidade. Harriet o tinha adorado e imaginara-se adorada. com o tato e a delicadeza e a compreensão do mais delicado.s avessas que havia dentro de Spandreil.. Mas isso não bastava. atraindo-as as suas car¡cias para uma rebelião cada vez mais completa e triunfante contra a alma consciente. porque Spandrell sentia sinceramente afei‡ão por ela. inexperiˆncia a aceita‡ão ingˆnua das mais fant sticas lubricidades. ˆle lhe acalmou os temores virginais e fundiu gradualmente a frieza de sua mocidade. Harriet. e Harriet não tivera sucessoras.. a encolher-se com um ar de ang£stia. fez cair as barreiras que a sua educa‡ão levantara . fugindo aos ardores dela. se os aceitava. mas ensinandolhes com em baiuma indulgˆncia que ˆle pr¢prio considerava como m .puritanos) mortificando a carne odiada das mulheres. bem como dos dela. sentiu vergonha. dos arroubos que ˆle mesmo lhe ensinara a sentir.tudo isso para impor . como se ˆle estivesse sendo ultrajado e violado. Harriet ficou subitamente ansiosa e angustiada.. Pacientemente. uma admir vel vingan‡a que ˆle tomava do fato de 224 ela ser mulher. para o asceta . era a £nica inocente com a qual. fingia fazˆ-los passivamente. do mais esquisitamente compreensivo dos amantes. Com as suas predecessoras nunca tinha ido tão longe. E quase chegara a ter razão. come‡ou a simular escr£pulos. Vˆ-las aceitas por Harriet como sinais ordin rios de afei‡ão era j . mesmo quando estava deliberadamente procurando transform -la em sua v¡tima.. at‚ então. Seduzida da maneira que Maurice descrevera aos Rampions. a pobre criaturinha. # . A viola‡ão de seus pr¢prios sentimentos.

e depois.. Mas ˆle não podia nem mesmo queria fazer ˆsse esf"r‡o... ao passo que na pr tica permanecia mergulhado ap. Seria que ˆle não a arriava inais9 Amava-a muito. tão profundamente vulgar que bastaria pâr-lhes os olhos em cima para odiar e desprezar tâda a ra‡a humana. algu‚m naquela mesma noite tivesse mandado a Spandrell um pacote misterioso .bilmente a saturou de horror. respondeu Spandreli. como se a alma. representadas em contornos frios e l£cidos e figuradas de maneira tão odiosa. a pr¢pria alma. E como se. Então. com uma sensa‡ão crescente de horror e repugnƒncia. nado e de s£bito percebe que est s¢ no palco sentiu-se grotesca e mesmo um pouco repugnante. A coisa não valia o esf"r‡o. odiando-se a si mesma.foi ˆle aberto e descobriu-se que continha uma pasta. Contentava-se com falar a respeito dos est¡mulos do diabolismo. Maurice c¡nica e violentamente renovou o seu agora obsceno ass‚dio amoroso. e repentinamente. por quˆ9 Precisamente por causa da profundeza de seu amor. tâdas as a‡ões que ela tão inocentemente e tão calorosamente aceitara como amor. Aquilo acontecera trˆs meses atr s. . perdesse pouco a pouco a consciˆncia de existir. anulava a consciˆncia. tão baixa. ‚ abando .. O corpo era como uma bˆsta feroz que devorava a aima. estando a representar com um grupo de companheiros. e Šle come‡ou a falar a respeito da alma. por casualidade. passada que foi. como um ator que. odiando-o. Aquela conversa‡ão o excitara inomentƒneamente.ticamente na rotina tristonha do brandy e do amor verial. mas. Spandrell tornou a cair ainda mais fundo no t‚dio e no abatimento. a rapariga se achou um pouco grotesca. Havia ocasiões em que Šle sentia uma esp‚cie de paralisia interior. Ela acabou por deix ~lo. quando elaj estava completamente impregnada do sentimento de culpabilidade e arrepiada de nojo de si mesma. cheia de gravuras francesas pornogr ficas nas quais a pobre Harriet viu. ao mesmo tempo. abolia o eu e o tu verdadeiros. Spandrell não fizera nenhuma tentativa para recuper -la ou para repetir a experiˆncia com outra v¡tima. Era uma paralisia suscet¡vel de ser curada por um esfâr‡o de vontade.como acontece sempre as pessoas sensiveis cujos ardores não encontram eco. Durante alguns dias Spandrell h.

os cogumelos brotavam dentro de seu cora‡ão e ˆle propositadamente os cultivava. Otelo. Mas j então Philip havia achado o caso dˆle muito enigm tico. A chuva ca¡a.. sua disposi‡ão. Spandrell encolheu os ombros. a vida ‚ isso mesmo . havia ¢pera em Covent Garden. por que diabo continuas nessa vida? . finalmente. .Havia então um ano que a pergunta tinha sido formulada. lia-os com muito cuidado e ficava em casa.Mas se tu te entedias. Porque de certo modo ‚ o meu destino. ca¡a. E j que o homem estava disposto a falar a respeito de si mesmo sem exigir nenhuma confidˆncia pessoal em # 225 i troca. devemos desgra‡ar-nos duplamente. não estava tão profundamente infiltrada na alma de Spandrefi. Spandrell não lia nada a não ser magazines.. 106 no Wigmore.insistiu... . Gostava daquilo. locando s"bre Spandrell a sua curiosidade viva e inteligente -. sim. uma vez que estamos desgra‡ados. Havia uma pilha de m£sicas em cima do piano. seman rios ilustrados e os jornais matuti- . eis o que são os sˆres humanos. .. Charlie Chaplin no Marbie Arch -. Porque..Não consigo descobrir por quˆ.detest vel e cacˆte.. no Old Vic. se tu detestas isso -. Philip tinha aproveitado a oportunidade para interrog de -lo. suas prateleiras estavam cheias de livros. Podia ter ido ver os amigos. a paralisia. . Porque . Schnabel tocando Op. mas preferia ficar s¢ e aborrecer-se. tâda a London Library se achava .Porque estou condenado a ela. Porque. mas Spandrell apenas lia os an£ncios . A temporada de concertos estava no auge.-.A Her¢ica no Queen's Hall.. Don Giovanni no Covent Garden. Little Tich no Alhambra. . j que ˆle não parecia p"r obje‡ões a ser alvo da cuiiosidade cient¡fica e se mostrava mais jactancioso do que reticente a respeito suas fraquezas. porque eu realmente gosto de odiar e de viver entediado . todos os teatros estavam abertos. .quela ‚poca.Philip Quarles tinha perguntado. quando ficam entregues a si mesmos -odiosos e aborrecidos tamb‚m.

"O governadorgeral da Melan‚sia do Sul e Lady Ethelberta Todhunter. atrav‚s do boletim meteorol¢gico. o governador-geral da Melan‚sia do Sul e Lady Ethelberta Todhunter". "O Duque de York" . atrav‚s das Cartas ao Diretor... As bochechas de querubim tinham come‡ado a cair e eram cinzentas. como o queixo. Atravessar a Am‚rica para visitar o seu cunhado e a sua irmã. rechonchudo. atrav‚s de Nascimentos. examinou o desconhecido. vestiu o seu imperme vel e saiu.mas de um menino de câro que de s£bito houvesse sido assoberbado pela idade madura. A chuva deslizava incessantemente pelos vidros sujos das janelas. Sua Alteza Real jantar com o presidente e os diretores da companhia ap¢s a cerim"nia". atrav‚s do Parlamento. havia apenas um outro freguˆs no bar. das Not¡cias do Imp‚rio e do Estrangeiro. atrav‚s dos cinco artigos editoriais. Mas "Lady Augusta Crippen deixou a Inglaterra no 'Berengaria'." Ainda sorrindo. era uma fonte de energia. An£ncios Pessoais.retorquiu a mâ‡a. . como a larva do escaravelho bosteiro em seu elemento nativo. Curvando-se sâbre o balcão. na prateleira. Ergueu-se.Brandy duplo . entrou no caf‚ da esquina. O freguˆs solit rio replicou: Porque o matrim"nio ‚ um sacramento. Maurice era um cliente habitual.A trâco de que duas pessoas devem ficar juntas para ser infelizes? estava perguntando a caixeira.pediu ˆle. Spandrell virava as enormes p ginas crepitantes do Times. desdenhosamente.leu ˆle. Pascal e Blake estavam ao alcance da mão. Fez um aceno de cabe‡a e sorriu. atrav‚s das Notas Forenses. mas mirrado.nos e vespertinos. atrav‚s de Precisa-se e Im¢veis. A bâca era horrivelmente pequena. . Tinha ˆste uma cara de menino de c"ro . "O Duque de York receber na pr¢xima segunda-feira o t¡tulo & S¢cio Honor rio da Companhia de Arames Gold and Silver. Mortes. 226 I . duma gordura bonitinha de boneca. Spandrell desatou a rir e a sua risada era uma liberta‡ão.A tr"co de quˆ? quando podem # conseguir um div¢rcio e viver felizes . depois de ter devorado o seu caminho. . como uma fenda min£scula num botão de rosa. Era cedo. Pois fique-se com o seu sacramento! . at‚ chegar ao pequeno ensaio clerical s"bre "A B¡blia em Dias de Mau Tempo" -. que trazia a barba da v‚spera. Dando pela presen‡a de Spandrefi.

Seu olhar encontrou o de Spandrell. e Spandrell percebeu que ˆle nunca ficava quieto. a atirar a cabe‡a para um lado ou para outro. Spandreli? . a franzir o cenho.O desconhecido enroscou-se todo.disse -.pidamente o seu copo. retorcendo o corpo num ˆxtase perp‚tuo de vaidade pessoal -.continuou Spandre11. muito positivista.. para salvar as aparˆncias. o bar come‡ou a encher-se de homens procuravam repouso espiritual. mas estava constantemente a sorrir.A respeito de quˆ? De ser uma s¢ carne? . .Talvez seja para isso mesmo que elas estão no mundo.. Sabes l se por acaso a terra não ‚ o inferno de algum outro planˆta? # 227 A rapariga.repetiu.. . desatou a rir.inquiriu Spandrell. fazendo acompanhar as palavras duma torcedura de corpo mais vigorosa que as outras e dum risinho espremido. .perguntou a empregada do bar ao voltar-se para apanhar a garrafa de brandy.Hum! Justamente eu estava h pouco invejando o governador-geral da Melan‚sia do Sul e Lady Ethelberta Todhunter por serem ambos duma maneira tão inequ¡voca duas carnes separadas. O desconhecido pediu outro u¡sque. a al‡ar as sobrancelhas.E por que não hão de ser infelizes? .O senhor me torna por um anglicano? O dia de trabalho terminara.Que pensa o senhor. parte .e a sua mulher f"sse Lady Ethelberta Todhunter.A m"‡a Fez com a cabe‡a um sinal afirmativo. . o lcool era medido que em . . o sacramento do matrim"nic.Mas.. Se vocˆ se chamasse governador-geral da Melan‚sia do Sul continuou ˆle. . . Jorrava a cerveja. Sr. sua mulher e tornar-se com ela uma s¢ carne..continuou o desconhecido. brincadeira .'Porque . Uma s¢ carne .. O homem corou e. supõe que ambos seriam uma s¢ carne? .insistiu a caixeira -. como um verme num anzol.Que asneira! I --. quando não ‚ necess rio? . Seria chocante se o f"ssem. . porque um homem deve unir-se ... .. Ci menino de c"ro torceu-se de indigna‡ão. dirigindo-se para o mirrado menino de c"ro . .evidente que não.Mas a tr"co de que duas pessoas hão de ser infelizes . esvaziou r.Mas os anglicanos não consideram o matrimânio um sacramento .

em bitter.Que idade. .copinhos.Parece-me um len‡o bem bonito. se abria e fechava.Extremamente caro. O menino de câro Šstremeceu e levantou os bra‡os: -.que horror! Spandrell afastou-o do rosto. desde que tenham ficado virgens durante muito tempo . de ca‡adas em grande escala e da m£sica. . . -.Mas a c"r. branco . . de fins de semana em companhia de Cle¢patra.Tirou para fora o seu len‡o. Que ignorƒncia abismal das mais rudimentares verdades religiosas! ..disse o menino de câro. . .Era uma bandana de sˆda vermelha.disse Spandrell.Mas não para esta ‚poca do ano.Pois eu diria que elas tâdas foram m rtires . E o branco ‚ a c"r para tâdas as virgens que não sejam tamb‚m m rtires..exclamou .disse ˆle. .Est prescrito.. para o examinar.. . .Eu estava perguntando a mim mesmo por que ‚ que vocˆ anda com ˆsse ar de quem vai jogar tˆnis . do E. * Cervejafone (N. Entre a P scoa e o Pentecostes? Imposs¡vel! A c"r lit£rgica ‚ o branco. de estarem em contato ¡ntimo. O menino de c¢ro come‡ou a falar do pequenino Santo Hugo de Lincoln e de São Piran de Perranzabuloe.Levantou um p‚. . o sucedƒneo da poesia. . . O menino de c¢ro pediu mais outro u¡sque. a felicidade de serem muitos.E minhas meias. Isto ‚. esta em que vivemos! . em u¡sque. Era alvo como a neve. .Mas que len‡o! . com desenhos vivos em negro e rosa.Estas roupas molhadas! E nem ao menos uma janela. meu caro senhor. A porta de vaiv‚m se abria e fechava. # . . devo acrescentar . a Virgem. ali dentro.Para não falar nas verdades higiˆnicas .. sacudindo a cabe‡a. ˆles compravam sucedƒneos de viagens ao estrangeiro e o ˆxtase m¡stico. . Entre a P scoa e o Pentecostes a casula deve ter o branco como c¢r predominante. . B rbara.Tirou o len‡o e levou-o ao nariz. L fora havia a solidão e o crep£sculo £mido. .Gosto. Em stout*. preciosamente.Branco.volveu Spandrell. . Sem levar em conta que hoje ‚ a festa de Santa Nat lia. Bebeu outro u¡sque e conflou a Spandrell que estava escrevendo em verso as vidas dos santos inglˆses. A c"r! .) 228 patrono dos mineiros da Cornualha..

. e as c"res lit£rgicas. "Das Cassit‚ridas em meio Por s"bre o mar o santo veio cantarolou ˆle. fa‡a o favor. Que viessem outros u¡sques. empurrando o copo sâbre o balcão. para o mâ‡o do Sacramento . .Absolutamente. e eram felizes por poderem profetizar assim em grupos. e não haveria mais um eu de que se pudesse ter consciˆncia. ."Mui leve. . .Òste ‚ apenas o quinto.Houve um santo irlandˆs que foi a p‚ para Gales. Sem falar em São Piran de Perranzabuloe . Mas não me pos~ so lembrar do nome dˆle. . O menino de c"ro sacudiu a cabe‡a enquanto pagava. .Por um triz que não bate o recorde mundial. o som das conversas e das risadas era ensurdecedor.. .explicou ˆle -. O mirrado menino de c"ro soprou na cara de Spandrell o seu h lito alco¢lico e os seus vsos. As roupas molhadas despediam um vapor mais sufocante do que nunca . então.Aqui! Outro u¡sque..disse Spandrell .F"r‡a ‚ reconhecer . hein? . Blasfˆmias por todos os lados.um vapor de felicidade. O outro sacudiu a cabe‡a.Cinco u¡sques.Uma chaga sangrenta e dolorosa a mais! 229 .que vocˆ sabe aproveitar ˆste mundo e o c‚u tamb‚m. .chamou.observou Spandrefi.protestou o menino de c"ro. O espectador consciente de si mesmo tinha ido dormir. M"‡a! .. " .S¢ cinco . " Foi o principal milagre de Piran ..Bebeu. ao balcão. com bom tempo dentro do ventre e um sol acervejado nas almas. Quatro u¡sques j o tinham quase curado das torceduras e das caretas. .disse a caixeira.continuou: "Mui leve s"bre as ondas andou São Piran de Perranzabuloe. caminhar do Land's End at‚ as ilhas Scilly..profetizou um grupo de pessimistas.Mais um Derby debaixo da gua . . Cada palavra ‚ mais uma chaga no Sagrado Cora‡ão. Seis u¡sques .Aqui est . . Vocˆ acredita mesmo naquela caminhada at‚ as ilhas Scilly? . . O homenzinho havia perdido o seu embara‡o.

. Não teria feito isso por si mesma..Continue a zombar.. Os sufis persas descobriram Al no vinho de Xiraz.Era fraco. a vida ideal.Eu lhe torceria o pesco‡o se ˆle . . para a rapariga do bar. . Soltou um suspiro.Tenho certeza disso . F"ra feliz.confessou.exclamou triunfalmente. Mas ela me abandonou.. se abria e fechava.Se ela tivesse continuado comigo.s margens do Clyde e qo Liffey. Acenou.A ajuda duma mulher pura. Tinha amado. . E. Foi seduzida.Òste foi sempre o meu grande pecado. Eu o invejo. . Siva. os homens chegavam como a um templo.# 230 Como vocˆ goza com ˆsse seu Sagrado Cora‡ão! Gozar? . . quase verteu l grimas s¢bre as suas desgra‡as.Mais outro u¡sque.. do Douro e do Trent.Se o senhor soubesse que trag‚dia tem sido a minha vida. . senhorita -. . insistia nisso. Fugiu.Que nobreza! .Eu tinha os meus defeitos . .Outro u¡sque para ˆste cavalheiro. Cheios da divina sˆde apanhada nos desertos espirituais das oficinas e dos escrit¢rios. Mas depois ficava sempre arrependido. Aquˆle. O menino de c"ro protestou. A porta se abria e fechava. exatamente isso.fez o outro.Exatamente . . Spandrell al‡ou as sobrancelhas. o seu nome era Indra. mas sem muito ardor. Nem sequer um iristante de monotonia. indignado..O outro falava com o tom de um m rtir agonizante. Ambos haviam sido felizes.Pronto! . .Ela gostava do cheiro de u¡sque9 O outro sacudiu a cabe‡a tristemente. do Umisa. Cambaleando do balcão para os degraus do a. . . eu me poderia ter curado . Nunca um instante de aborrecimento .sacramentalmente.Itar. .repetiu o menino de c¢ro. Sinceramente arrependido. Para os brƒmanes que espremiam e bebiam o soma. continue! . Ou antes. E do confession rio para o bordei.E num s£bito entusiasmo pela temperan‡a derramou o seu u¡sque no soalho. com um sinal afirmativo de cabe‡a. .. Os deuses do M‚xico moravam dentro do peiote. . .disse Spandreil. Foi aquela horr¡vel cobrinha que se escondia na relva.pediu o menino de c¢ro. não diria que me inveja. tinha casado . para os iogues comedores de haxixe.. voltando-se para Spandreil. não fugiu. A misteriosa divindade que se lhes revelava era engarrafada e posta em ton‚is .Neste ponto ˆle Fez uso do vocabul rio vigoroso do estivador. Esta maldita bebida! Maldita! . hein? . os xamãs dos samoiedos comiam cogumelos e ficavam cheios do esp¡rito de Num..

. Vocˆ ter eternamente na barriga um pudim de Natal. . por sorte.perguntou Maurice. . .fez o menino de c"ro. tiritando. . .Tanto tempo quanto a velha. Mas. Apoiando-se ao poste de iJumina‡ão. em Croydon. murcha. menino de c¢ro continuou a falar. .. tenho a impressão de que estou nascendo de n¢vo .Preciso trabalhar. Que espet culo revoltante! .E quanto tempo dura a nova vida? Lucy encolheu os ombros. A gente envelhece. . A criatura o tinha divertido. .Acho verdadeiramente imposs¡vel ficar num lugar mais de um par de meses de cada vez.. Vocˆs. h aviões em quantidade quase ilimitada. servira-lhe de distra‡ão.Deu um ssoco sâbre o balcão.Uf! .. Caminharam alguns metros rua abaixo.Vamos esperar um t xi.---0 senhor conhece o homem que pintou aquˆles quadros da Tate Gallery. # Spandrell ergueu as sobrancelhas.Aquˆle porco imundo! .Wal- estivesse aqui . de repente.. Esperaram..como ler Haeckel depois de F‚nelon. . Spandrell e seu companheiro sa¡ram pga a escuridão fria e chuvosa. Se vocˆ pudesse ver a si mesmo como est agora. Eu sou francamente pelo progresso. mas não fez coment rios.disse Spandrell -. cristãos. A chuva ca¡a. Agora.perguntou Lucy Walter sacudiu a cabe‡a.Olhe aqui -. durante o tempo em que ambos haviam permanecido no caf‚. O Walter jantava no Sbisa com Lucy Tantamount.como no Ex‚rcito da Salva‡ão. .o mesmo que mergulhar numa piscina. o menino de c"ro sacudiu a cabe‡a.L hão de fazˆ-lo beber u¡sque em chamas.Por que não vais tamb‚m a Paris? . fica indi71velmente aborrecida . O Senhor das Batalhas baixara no seu quinto u¡sque. Spandrell olhou para o outro homem com uma aversão fria. vivem num universozinho ador vel transformado em caf‚. . o Bidlake? Pois bem. acha que pode ir para casa a p‚? Porque vocˆ não d a impressão de ser capaz disso .continuou 'o menino de câro. As portas do-templo do deus desconhecido fecharam~se atr s dˆles. ter Bidlake. foi o filho dˆsse sujeito. . -. Assim que embarco no avião. o homenzinho se mostrava simplesmente repulsivo.Não tem mˆdo de ir para o inferno? . Levantou a gola do imperme vel.

Spandreli abriu a porta. Mas se vocˆ pensa que lhe vou dar o prazer de continuar a dizer-lhe estas coisas.disse para o condutor. .Como tenho orado.. .Eu sou repugnante. 231 # I I .L est Spandrell! .E. . Deus .Ergueu o bra‡o e acenou. seu borracho . Tenho lutado . O menino de c¢ro. ...Minha v¡tima? .O sexto u¡sque do menino de c¢ro tinha sido cheio de contri‡ão.Encontrei-o afogando as suas m goas em . mesa dˆles.disse ˆle. O senhor tem t"da a razão de me desprezar.. 4 1. que acabo de fazer o papel do bom samaritano para com a tua v¡tima. . se tinha arrastado para o banco. -. Deus. Deus. . não ‚ assim que ˆle se chama? .Spandrell tomou-lhe da mão e beijou-a. Mas a noite era um v ctio enorme.ordenou ao condutor. . Tâda a sua terrificante lassidão.repetia a voz lamurienta. . continue.Spandrell deu um grito. Sentou~se . . agoniado. .Deus. . . Walter. eu sei.H de te interessar saber.Eu sei. o menino de câro orava em voz alta. Spandrell voltou para o t xi. .disse ˆle interiormente -.Lucy! . O carro estacou na frente d‚les. .. Eu mere‡o . . como tenho me esfor‡ado e . Lembrou-se s£bitamente de que não tinhajantado. . . Ossian Gardens.Continue.Ossian Gardens. . dando um empurrão no outro. Bem da maneira tradicional.repetiu depois na escuridão.Lˆsma nojenta! .Eu sei.Inclinou-se para tr s no seu canto e cerrou os olhos. Spandrell explodiu numa gargalhada. . entrementes. 41 . Deus. Deixando o ‚brio junto ao portal de sua casa. .continuou o menino de c"ro. . .O teu c"rno. . Mas se o senhor soubesse como eu tenho lutado. Sou desprez¡vel.. tâda a sua repugnƒncia lhe tinham voltado de s£bito. . como um eco grotesco e escarninho de seus pensamentos. interrompendo o companheiro no meio duma frase.gritou Lucy. . .Para o Sbisa's Restaurant .Onde mora? . est muito enganado.Walter corou. Spandrell o seguiu.gemeu ˆle..Deus tenha piedade de mim . Carling..Olhou para o interlocutor e alegrou-se por ver sinais de ang£stia no rosto dˆle.Entre. .Ele usa os chifres como t"da a gente.Ali vem um t xi .Deus .

Muito est£pida. terra.Por que não me deixaste descer primeiro para te ajudar? perguntou ela..explicou telegr.ficamente.disse ˆle.comentou o outro.disse o escritor. Muito obrigado . Que coisa est£pida! ..Mutilado da guerra? Philip sacudiu a cabe‡a.. A seus p‚s a chalupa arfava s¢bre um mar sujo e suavemente agitado. O costado do navio era um precip¡cio de ferro. contente por achar uma desculpa para se livrar do interlocutor.acrescentou num murm£rio. percebendo a hesita‡ão de Philip e a sua causa.respondeu Philip sˆcamente e num tom de voz que a decidiu a não dizer mais palavra. . apoiando-se no marido para manter o equil¡brio. Foi salvo desta situa‡ão por # um senhor de ar militar que o precedera no salto. CAPiTULO XVIII Em Port Said desceram . Elinor saltou. . entre a sua amurada e a extremidade da escada do portal¢ um pequeno abismo se contra¡a e alargava. segure a minha mão . .u¡sque .. . haveria uma boa probabilidade de cair ridiculamente antes de atingir a chalupa.O grande rem‚dio romƒntico. dirigi~ ram-se ambos para os lugares que ficavam na outra extremidade da lancha.. O sangue subiu-lhe . .Não era preciso .continuou Spandrell maliciosamente. hein? .Principalmente quando se tem uma perna de menos. .Olhe.. Mas Philip hesitou. e se ˆle se fiasse naquela perna para lhe dar o impulso. .Acidente no tempo de rapaz . quando se viu a salvo na lancha. .s faces. Saltar com a perna aleijada na frente podia significar uma queda sob o choque da chegada.Aqui vem minha mulher . Elinor ficou a perguntar-se a si mesma que teria acontecido. Era um al¡vio poder vingar-se um pouco de suas pr¢prias mis‚rias. Para um par de pernas sãs o salto não seria nada. na pergunta do . Alguma coisa relacionada com o defeito fisico do marido? Por que se mostrava ˆle tão esquisito nesse particular? O pr¢prio Philip teria achado dif¡cil explicar o que.

Ele levantou uma barreira artificial entre Philip e o resto do mundo. As crian‡as são capazes de revelar uma crueldade tão horr¡vel . a pergunta o perturbara. A sua pobre perna esmagada come‡ou por conserv -lo fisicamente a distƒncia das meninas de sua idade. a mãe de Philip dissera uma vez: . quando as meninas come‡aram a tomar importƒncia a seus olhos. . como estranho . Gostava muito de se fechar no fundo de seu pr¢prio silˆncio. ·s vˆzes riam dˆle na escola. E. mais lazer para os livros.. Para principiar: o rapaz não podia mais pratica . e não praticar esportes significava menos contatos com os outros meninos.. e sem o querer admitir) que elas rissem dˆle. mais solidão...cavalheiro de aspecto militar. Mas podia ter aprendido a se exteriorizar mais.Philip era a £ltima pessoa. não queria ir como espectador. Porque eu acredito que ˆle sempre receou (em segrˆdo. Òle nasceu longe. Era sempre demasiado f cil para ˆle dispensar os outros. r esportes. Um sentimento de inferioridade. se ‚ que compreendes o que quero dizer com isto. E tamb‚m psicol¢gicamente. verdadeiramente a £ltima pessoa do mundo a quem tal coisa devesse acontecer. . muito distante. trazia novos motivos de timidez. No fim de contas. E entretanto..s partidas de tˆnis! Mas ˆle não podia dan‡ar nem jogar. Discutindo com Elinor. o incomodara. não havia ve¡cuabsolutamente nada de vergonhoso em ter sido atropelado por um lo. como acontecia com t"das as perguntas da mesma # 233 esp‚cie e com qualquer alusão demasiadamente clara que se fizesse ao seu defeito. E mais tarde. como . est claro. E o fato de ter sido rejeitado como totalmente incapaz para o servi‡o militar nada oferecia de impatri¢tico. como desejei que Phil estivesse em condi‡ões de ir aos bailes e . por sua vez (pobre Phil!). se não sobreviesse aquˆle horr¡vel acidente.. j se vˆ. E isso. contra tâda a razão.

velmente. e não queria correr o risco de ser rejeitado em alguSra... ˆsses soldados profissionais! Ora. 234 de parecia um dˆsses cartazes que anunciam cruzeiros tropicais na vitrina uma agˆncia de viagens de Cockspur Street. Habituou-se a ter mˆdo e a suspeitar quando se vˆ fora dˆsse mundo intelectual. mas Philip não se deixa tentar. . medida que ˆles se afastavam.E aquilo s¢ teve um resultado bom. . pensava Philip. Não que Phil ma vez tomasse muito interˆsse pelas meninas.não apenas com as m"‡as. . refiro~me ao acidente.faziam alguns dos rapazes. o paquˆte. prov.Dir-se-ia que não se sente seguro senão no meio de id‚ias. A lancha come‡ou a mover-se rumo da terra. . Salvou-o de ir para a guerra e de ser morto. Contatos intelectuais . visto agora na sua inteireza. E Elinor pusera-se a rir. Depois de ter apresentado como uma muralha amea‡adora de ferro negro. transformava-se num grande navio.. beneficio de algum outro mais favorecido do que ˆle. . Foi um ˆrro .Quanto a isso não tenho d£vidas . Como o irmão dˆle. dizendo: .acrescentara a Quarles. Tamb‚m não teria fugido de modo tão sistem tico a todos os contatos pessoais . E eu sempre tentei tranqiliz -lo. . encolhe-se dentro da sua concha.Mas Philip nunca chegaria a adquirir o h bito de evit -las propositadamente. eu posso considerar- . com os homens tamb‚m. Quarles ajuntou: ..Porque no meio delas ˆle pode oferecer resistˆncia. -. Amarrado.. fazer que ˆle sa¡sse do seu mundo.. porque pode ter certeza da sua superioridade. im¢vel entre o mar e o resplendor azul do c‚u.são os £nicos que ˆle admite.E depois dum silˆncio a Sra... "A pergunta foi uma impertinˆncia". . "Que lhe importa # que eu seja ou não um mutilado da guerra? Como continuam a se vangloriar da sua guerra.

Gra‡as aos c‚us! . Quarles depois de uma pausa num certo sentido.Não gastes energia .objetara Elinor. . Elinor deu mostras de querer afast -lo. c para o meu gâsto antiquado. Pobre Geoffre'y!" Pensou no irmão morto. Mas em parte ‚ um h bito.me feliz por ter ficado afastado dessa sangueira. em qualquer caso . neste ponto. Ou um pente de celul ¢ide. .. talvez. porque o seu intelecto ‚ j bastante livre.. Escaravelhos bonitos . ..bom... O calor era terr¡vel. E as circunstƒncias não permitiram. teria sido tão bom para ˆle .. Aquˆle sorriso insinuante estava come‡ando a dar a impressão dum ani- . Continuaram a caminhar como m rtires atrav‚s duma arena.velhos de verdade. Mas porque.Mas essa indiferen‡a não ‚ coisa natural nˆle? . guerra. Oh! não por motivos belicosos ou patri¢ticos. Se os outros o pudessem libertar .violentamente bom. . .E. Liberdade sob o ponto de vista emocional. Ou uma imita‡ão de ƒmbar. Se não queriam tapˆtes. talvez. podia tˆ-lo libertado de sua propria prisão. sorriu com uma pontinha de tristeza. . Resistˆncia passiva.Bem .. o ar estava cheio de poeira. finge que não compreendes. .Livre de ir e vir dentro do mundo humano.. A lancha tinha chegado. eu quisera que Philip tivesse ido . E julgo que ˆle sabe disso. . mas.E a mãe de Philip. que ela fosse aproveitada. Philip e a mulher saltaram para a terra.. no entanto .aconselhou Philip.Quente demais. Se ˆle conseguisse quebrar o h bito. em vez de ficar fechado naquela sua indiferen‡a. mas não se pode livrar o h bito por si mesmo. se me pudessem garantir que ˆle não morria nem ficava mutilado. Livre demais. ‚. comprassem pelo menos p‚rolas artificiais. .. seria muito mais feliz. . muita gesticula‡ão coreogr fica. um homem c"r de oliva com um fez . cabe‡a procurava vender-lhes tapˆtes. Philip continuava a sacudir a cabe‡a. Mas a guerra foi a £ltima oportunidade. dolorosamente bom.Corais bonitos. Podia ter-lhe quebrado a concha. talvez tenhas razão. Com muita exibi‡ão de dentes. Nem p‚rolas? Então charutos leg¡timos de Havana a 1 pˆni e meio cada um.Parcialmente.conclu¡ra a Sra. e como um leão fam‚lico o homem do fez os acossava. Ou braceletes de ouro quase leg¡timo. muito fulgor de olhos negros e l¡quidos. o cal‡amento lampejava.

E saiu a caminhar rua afora.insistiu. Elinor tinha dado com a loja de fazendas que estava procurando. mucho indecorosas. . muy agraciadas..disse. agarrou Philip pela manga. . Muy hermosas. .Skon brev-kort. .Hšbsch .velmente tediosas -.perguntou Elinor quando o marido voltou.Postais bonitos .Gˆnero livre. Moeurs arabes. .Enquanto ficas aqui .sussurou ˆle confidencialmente.Mollo artistiche . . Philip desatou a rir. . Cinquantafranchi. . .Trˆs amusantes.Salvos! Òle não ousar seguir-nos at‚ aqui.... . Zehn Mark.continuou o vendedor. O homem do tarbuche caminhava apressado a seu lado.. .Não inglˆs . vou sair para comprar cigarros. Seria eslavo? Spro~ny obraz * . . Naknajungfrun. .Nem um m£sculo se moveu..disse. . Saiu para a claridade ofuscante.. . . que se mantinha impass¡vel. prevendo que as compras da mulher iam ser intermin.Tu o mereces. .Fotografias desonestas. Pour passer le temps . Soirantefrancs seulement. ‚ um pobre-diabo! Acho que dev¡amos comprar-lhe alguma coisa. . .Proprio curiose. Desesperadamente. Philip fez que sim com a cabe‡a.principiou.Sehr geschlechtlich.disse o homem em tom persuasivo.Trˆs curleuses .insinuou em italiano. atravessaram a rua e entraram.Não viu nenhuma luz de compreensão. manquejando. O homem de tarbuche estava .# mal que arreganha os colmilhos. tirando um envelope do b"lso de dentro.Toma .O freguˆs não era evidentemente escandinavo . espera.Fˆz nova tentativa.disse Philip.. .. Deu um pincho. . . Liderligfotograj7 bild. Talvez o portuguˆs. S¢ 10 xelins. Elinor deu uma volta e dirigiu-se ao caixeiro que se achava atr s do balcão. Verklig smutsig. Philip olhava sem dar mostras de que compreendia.Descobriste o que querias? . . Eu estava com tanto U 1! 1 1 11 236 mˆdo de que o homem come‡asse de repente a morder . bord. No entanto. . . . dando ao vendedor meia coroa.Examinou com desespˆro o rosto de Philip. In£til. .. jogou o £ltimo trunfo.

mas haE agora a poetisa vinha com uma dama de companhia. Dez marcos".. a Romola Saville que tinha escrito: Conhe‡o o amor desde que o mundo ‚ mundo. * Enifrancˆs: 'Multo originais.E descobri tamb‚m a £nica base poss¡vel para a Liga das Na‡ões. # Fotografia sensual. Muito sexual.O cont¡nuo retirou-se. A corpulenta era talvez um pouco mais velha. quase tão alta como a companheira. fa‡a-as subir. coisa que se esperasse dela.Duas senhoras desejam vˆ-lo. A senhora magra dava a impressão de ter 43 ou 44 anos de virgindade fanada. O interˆsse comum. . em meus transportes milenares. Tomei nos bra‡os o divino cisne Efuipossu¡dapelo louro P ris. Ethel Cobbett apareceu a uma delas.Duas? O rapaz confirmou. Em sueco: "Lindo cartão-postal. Não era . Cinqtienta francos" Em alemão: "Bonitinho. Parada .inde- . Esperava Romola Saville. . soleira.Burlap levantou as sobrancelhas escuras. Pela outra entraram as duas senhoras. A outra. Realmente curiosas. patrão . muito indecorosas". . dåE. era corpulenta. Sessenta francos s¢mente " . Uma delas era alta e notilvelmente magra. Burlap sentiu-se contrariado. Muito divertidas. Costumes rabes. As duas portas de seu santu rio se abriram simultƒneamente. Òste homem est -se perdendo em Port Said. Em espanhoL 'Muito bonitas. E assim. Nenhuma das duas era jovem. muito engra‡adas.) Duas? .disse o cont¡nuo da reda‡ão do Literary World. Jovens nuas. Em polonˆs: Vigura obscena" (N. Duas senhoras. Ethel olhou as rec‚m-chegadas. Para passar o tempo a bordo. O nosso amigo da dentu‡a me ofereceu postais centes em dezessete l¡nguas. Realmente sujos". Em italiano: "MUito art¡sticas.. trazendo nas mãos um ma‡o de provas de gal‚. .Bem. Devia estar em Genebra.

Fica-se tão absorto. . Burlap fingiu estar profundamente imerso no seu trabalho de composi‡ão liter ria que não ouvira abrir~se a porta. Deus!". Falava agudamente. exclamava ˆle interiormente. . sorrindo o seu mais sutil e espiritual sorriso . cabelos dum castanho indefin¡vel e olhos cinzentos. Perdoem . e sorrindo de uma para outra -. . mas sim de acârdo com. A outra senhora era muito loura. Mas. no de da da que tão tinha fei‡ões ossudas e angulosas. . permitam a pergunta. E as duas senhoras romperam simultƒneamente a rir. "Oh. Burlap estava resfriado. com que expressão de embara‡o cheio de escusas! Ergueu-se dum salto.. "Que remeas pavorosas!" . ..berloques tilintavam levemente quando ela caminhava. se assim prefere. qual das duas senhoras.e com que sobressalto de surprˆsa. Eu não tinha percebido. O estilo de seu vestido era mais matronal e europeu que o companheira e apresentava grande n£mero de ornamentos de pouco pre‡o suspensos aqui e ali ao longo de t"da a sua pessoa . Sodorna. mas com ar brincalhão acompanhado dum sorriso.Nenhuma de n¢s .Tão edvolvido cob o beu trabalho. Buriap olhava escutava com o cora‡ão desfalecente.Ambas e nenhuma.em cinza-p lido e rosa.. estava vestida mais ou menos dentro da moda. longos brincos pendentes e um colar de l pis-laz£li mesma c"r. . Em que complica‡ão se metera .via conservado uma frescura desabrochada de vi£va. Contornou a mesa para se aproximar das duas mulheres. Foi somente quando as senhoras j se achavam a poucos passos de sua mesa que ˆle ergueu os olhos do papel em que estivera a escrever furiosamente . Saville? . e com uma dez extraordin ria e vertiginosa. não estilo de Paris.Sinto muit¡ssimo.Os nn e os mm mudavam-se em dil e lib.E qual .. a maneira mais jovial e vistosa Hollywood . . . A magra era p lida.disse a mulher corpulenta com uma voz um 237 # rapie ˆle? tanto profunda.continuou ˆle.Ou ambas. .. Sua voz era alta e met lica. ‚ a Srta. em pequenos esguichos. agora em voz alta. .disse a outra. tinha olhos azuis. As duas visitantes avan‡aram atrav‚s da sala. .

Ruth Goffer. Hignett? Ao passo que ambas juntas nos apresentamos como a Romola Saville a respeito de cujos pobres versos o senhor disse palavras tão bondosas.Ffim. Foi nesse momento que Burlap deu pela presen‡a da Srta. . E haveriam de atorment -lo para que ˆle continuasse a publicar-lhes os malditos versos. Elas faziam-no piorar do resfriado. Jekvll. "Uma conspira‡ão". ceceando por pura brincadeira.acrescentou a corpulenta. luz da idade daquelas mulheres.O fato ‚ que n¢s . ‚ que noff.porque era isto o que ˆles eram. . "São como m quinas a vapor". tanta exuberƒncia de f"r‡a e vontade! Desembara‡ar-se delas não seria brincadeira. concluiu. ali s. tossiu. Burlap estremeceu interiormente. O redator do Literary World assoou o nariz. luz de sua energia. justamente isso: obscenos. pensou Burlap. . uma cotifpirajão .Na qual eu sou o Dr. .. Ela ergueu o ma‡o de provas interrogadoramente. de suas aparˆncias f¡sicas sim. n¢s somos uma parceria. " . .disse a mulher corpulenta. Hyde. com a sensa‡ão de que elas lhe tinham impingido um conto do vig rio. . Ambas riram ainda uma vez mais. "Estas cadelas!". disse ˆle de si para consigo. uma combina‡ão. . que tinham tirado partido de sua inocˆncia para engan -lo. Jekyll .. "Nem resta a menor d£vida..Somos as duas partes da dupla personalidade de Romola Saville.disse a corpulenta.disse ela. perguntava ˆle a si mesmo. Permite que eu lhe apresente a Sra. . Buriap sacudiu a cabe‡a. 238 de . Buriap apertou as mãos das duas senhoras e disse algo a respeito do prazer edorbe que sedUa em conhecer as autoras do trabalho que ˆle tanto tinha atibirado. com um sentimento crescente horror. Tanta energia. Srta. E emitiu uma risada aguda e cortante. quase uma conspira‡ão. Mas a magra a interrompeu: . Cobbett. . "Mas como ser que me vou livrar delas?". atirando a cabe‡a para o lado com um pouco de traquinice e afetando uma ponta de ceceio -. Goffer? Ao passo que eu fa‡o o mesmo com o Sr.Dr.O fato ‚ que .As mulheres eram tremendas. .. Aquˆles versos obscenos . ali s. despejando as palavras tão r pidamente que causava assombro o simples fato de conseguir articul -las -.

Quem sabe se o Sr. . Mas não tinham perdido a cora~ gem. duma maneira distante e sem olhar para a m"‡a. Viviam juntas em Wimbiedon e conspiravam para ser Romola Saville havia j mais de seis anos. .Mais tarde . O Bastardo da Normandia. recompondo o rosto numa expressão impass¡vel de superioridade. falando com a rapidez de algu‚m que tentasse dizer no m¡nimo de tempo e com o menor n£mero poss¡vel de erros "Pia o pobre pinto pr‚to. de publicar uma seqˆncia de sonetos. E os t¡tulos eram Fredegunda.. Burlap suspirou e depois. . embora não se dignasse de olhar para o rosto dela. pelo tom da voz. tocou a campainha chamando a Srta.Fica-se contente quando se pode fazer algo pela literatura. que a secret ria estava sorrindo. Cobbett se afastou.disse. Houve um silˆncio. levando consigo a promessa de Burlap de ler as pe‡as. . A Srta. Buriap percebeu. Continuaram a escrever. . mas não sem que Burlap lhe tivesse notado no # rosto uma expressão de triunfo cheio de zombaria.Tem a¡ as provas? .perguntou.. e as suas queixas. Escreveram muito e muito.Ficamos tão comovidas e contentes com a sua am vel carta . . de ir jantar na casa delas em Wimbledon. ela despejou a hist¢ria da parceria. elas sabiam. Maldita mulher! Era intoler vel.Telefonei para dizer que fizessem subir depressa o resto. .repetiu a Srta.Bom. Burlap não estava interessado em ver as pe‡as que elas tinham escrito? E a Sr-ta. o pobre pinto pr‚to pia9'. . Cobbett quem o quebrou. E.disse a mais forte das senhoras. Semiramis e Gilles de Retz. Retiraram-se.Sim. Hignett abriu uma pasta e deitou sâbre a mesa quatro calhania‡os de originais datilografados.. Cobbett.São tão poucos os que tomam interˆsse por ela . . e. tão poucos. Burlap sorriu franciscanamente. Hignett num eco. Ethel passou-lhe os pap‚is. Eram pe‡as hist¢ricas em verso branco. com uma expressão editorial de dignidade. O seu dia. durante todo ˆsse tempo s¢ haviam conseguido publicar os seus trabalhos em nove ocasiões. Foi a Srta. havia de chegar. . por fim. .

não havia "nada feito". ao mesmo tempo que adorava o chefe da reda‡ão. em certo sentido. calculava ˆle. Bur~ 239 # lap.a sua passagem. Cobbett fazia o trabalho de trˆs secret rias e do cont¡nuo. conforme o linguajar chulo que mesmo o seu diabo dificilmente usava. amando. E. Cobbett para com a mem¢ria de Susan era tanto mais intensa quanto era for‡ada e propositada.. A sua lealdade para com Susan e para com aquela espiritualidade platânica que era a especialidade amorosa de Burlap (ela acreditava. que era experimentado nesses assuntos.disse ela . ela compreendia quão perigosamente f cil seria trair a causa de Susan e do esp¡rito puro e. havia de refor‡ar a admira‡ão dela pela sua espifitualidade. A retirada. ou. pela rea‡ão da m"‡a aos seus primeiros ass‚dios plat"nicos que. . a principio. ela nunca permitiria . resistia a ˆle). da espiritualidade para a carnalidade. tinha bem depressa percebido. A Srta. Elas trabalham com mais afinco e exigem muito menor remunera‡ão do que as que não estão apaixonadas. j que ˆle pr¢prio não a amava. Insistindo. Durante algum tempo. havia de fortificar-lhe o amor.A sua Romola Saville . A despeito do fato de a m"‡a estar apaixonada por ˆle. tudo marchara de ac"rdo com o plano. embora gradual.lhe deu um pequeno choque. Ela pr¢pria amara Burlap. não foi? A lealdade da Srta. Burlap tinha verificado que ‚ sempre £til ter empregadas que amem a gente. gra‡as a ˆsse exerc¡cio. percebendo o perigo.compreendeu Burlap . por mais refinada que esta rosse. custou-lhe pouco ser prudente e retroceder. por causa disso mesmo (porque. ˆle conseguiria apenas comprometer a sua pr¢pria reputa‡ão de alta espiritualidade. que Denis era sincero nas coisas que dizia com tanta constƒncia e duma maneira tão bonita) exercitava-se nuina luta cont¡nua contra o amor e ficava cada vez mais forte. Mas houve incidentes. j que ela tinha despertado nˆle apenas o vago prurido adolescente de desejo que de certo modo qualquer outra mulher podia satisfazer.

se inflamou de sentimentos pessoais. Sua indigna‡ão virtuosa diante daquilo que ela considerava uma trai‡ão de Burlap a Susan e a seus ideais. O c lice de amargura da Srta. era apenas porque tinha dinheiro. A g"ta que f-ez transbordar o copo foi Beatrice Gilray. Be trice não sabia escrever. bem como a pr¢pria Srta. Se permitiam que Beatrice escrevesse.e. providencialmente.j¢mal. Òle tamb‚m a tinha tra¡do. Agora. a ta‡a da Srt-a.as Diversas? Quando Burlap foi morar em casa de Beatrice Gilray.. Unia das mulheres com quem Denis efetivamente dormira tinha vindo fazer suas confidˆncias . era claro.. muito mais inteligente tamb‚m.. apesar disso. que. Cobbett se consolava um id‚ia de que a prosa de Beatrice se destinava apenas .na sala da reda‡ão. Gilray empregara 1000 libras no jornal.notas r pidas.Burlap se interessava demais pelas colaboradoras. que eram absolutamente sem importƒncia. Cobbett transbordou quando Beatrice se instalou no Literary World . diante da hipocrisia propositada daquele homem. . Tomou a seu cargo todo o trabalho menor da reda‡ão que a Srta. Ela s¢ podia exprimir ci£me em fun‡ão de sua lealdade para com Susan e para com o esp¡rito. Era muito mais instru¡da do que aquela t"la da Beatrice. por sinal. Co b# das a~ bett não tinha tempo para fazer. O ¢dio e o despeito intensificaram-lhe a lealdade ideal. A Srta. Ethel fazia o menos poss¡vel. Cobbett trabalhara no princ¡pio. Burlap ficou aborrecido. teria de sobrecarregar-se de servi‡o ou de contratar out-ra secret ria. mas não importava. Valia~se dos seus direitos. Quem ia ler . 1 .. Srta. Ethel estava cheia de ¢dio e de despeito. Cobbett. e ainda por cima a escrever efetivamente alguma coisa para o jornal.s Diversas pouco . Trabalhava de gra‡a .. A f‚ da m"‡a ficou abalada. Como compensa‡ão d‚sse trabalho e 1000 libras. Burlap permitiu~lhe escrever um pouco para o. nunca ficava um minuto al‚m do tempo regulamentar. Foi então. melindrado e cheio de 240 afli‡ão. nunca chegava um minuto mais cedo. trabalhava como doida. apareceu Beatrice. Mas.. estava cheia dum despeito amargurado. Não fazia mais do que aquilo que lhe pagavam para fazer. A Srta.

.Apesar de tudo .Se eu f"sse vocˆ . A Srta. sem. sacudindo a cabe‡a. eu não posso fazer isso . como se t"da a discussão se estivesse realizando dentro dˆle mesmo.. não a conservaria rio emprˆgo. Mas a sua solicitude desinteressada para com reputa‡ão e a virgindade da outra estava.respondeu Burlap. Gilray sentiu-se invadida por um sentimento misto de admira‡ão e piedade . . Sodorria. No primeiro momento de c¢lera Eth . esmiu‡ar as razões t"das que tinha para achar a colega insuport vel.queixou-se Beatrice mais tarde a Burlap. falando lentamente. como quem rumina. espiritual e suave. entretanto.As circunstƒncias são um tanto especiais. . .Mas ‚ preciso mostrar-se tolerante . .concordou. . . . . 241 # . havia de mand -la embora.replicou a Srta. . . O £nico efeito de sua admoni‡ão foi exasperar Beatrice a ponto de provocar~lhe uma resposta desabrida. Cabia a Beatrice compreender que Burlap dera o emprˆgo .Não.Continuou a falar duma maneira vaga. imbu¡da de despeito para com Burlap. sutil.. eu não me deixaria levar assim .disse ela. . Burlap tomou o seu ar de Jesus Cristo. . duma maneira dernasiadanien te manifesta e incontrol vel. Srta.Mas ‚ de se lamentar..Ela ‚ verdadeiramente insuport vel . Gilray com rudeza. uma vez mais sacudiu a sua cabe‡a escura e romƒntica. Cobbett por caridade.admira‡ão pela bondade de Burlap. . e ao dizer isto tinha um ar feroz.Sorriu uim sorriso .disse Buriap. Teve uma vida trabalhosa.Não vejo em que uma vida trabalhosa possa ser desculpa para uma pessoa portar-se mal .. como se relutasse em cantar os seus pr¢prios louvores.Cobbett transbordou de n¢vo. .Ela ‚ complicada .disse Beatrice -. não. e piedade por vˆlo assim indefeso dentro dum mundo ingrato.Nestas circunstƒncias. sem nunca explicar com precisão quais Fossem as tais circunstƒncias especiais. e corn uma esp‚cie de mod‚stia. não vejo por que vocˆ h de se deixar intimidar. suas palavras eram como pequenos golpes rijos de malho -.. Pois eu.. . e] Foi a bastante imprudente para fazer a Beatrice uma advertˆncia solene com rela‡ao ao seu inquilino.

meu Deus! Quando eu vi o diretor nas garras delas.. cada vez mais dura e hostil para com a Srta. Que pretenderia aquela mulher? .Pâs-se a rir. Burlap falou de n"vo nas circunstƒncias esoeciais do caso.Achas? . Vagamente. . A sua ternura. por assim .Romola Saville.. Burlap pairava como um mediador por s"bre a batalha. A mulher não era s¢rnente enfadonha e impertinente .. mais maternalmente protetora para com Burlap. Cobbett uma oportunidade para p"r em exerc¡cio a sua mal¡cia. Não ‚ poss¡vel fazer-se um neg¢cio sâbre bases de sentimentalismo..Aquelas duas formid veis senhoras maduras que o diretor convidou para vir vˆ-lo. 1. foi ˆle o culpado.. tão tristemente franciscano que Beatrice sentiu-se derreter por dentro em ternura.Que poetisas? -perguntou com desconfian‡a. . tamb‚m ralhava.onginquamente. sob a impressão de que elas f"ssern uma s¢ .perguntou ela a Beatrice na manhã seguinte... de se mostrar rude para com ela. .E o que acontece a quem se mostra bom demais . . .O sorriso de Burlap era tão lindamente.. Srta. Mas. E os poemas eram tamb‚m tão romƒnticos . Houve um debate. A Srta.afirmou ela. Na reda‡ão do Literary World a guerra estava aberta. Se teima em escrever . martelando.. com um ar falso de camaradagem. semelhante a um deus que tivesse um preju¡zo em favor da virtude . mas era tamb‚m uma pregui‡osa. e jovem. O epis¢dio de Rornola Saville forneceu . Naquela noite Beatrice renovou as suas queixas a respeito da Srta.Viste aquelas duas terr¡veis poetisas? .s colaboradoras . no fim de contas. acho .concluiu Beatrice. medida que se sentia mais molernente. .que era representada. Mas as duas autoras! Oh. mostrando-se igualmente rude e sarc stica. . Era assim que os poemas estavam assinados. Beatrice varou-a com um olhar penetrante. mas não com imparcialidade absoluta.. O nome tinha um ar tão romƒntico . cheio de mod‚stia. Cobbett..tudo se poderia suportar se ela fizesse o seu trabalho convenientemente.apos- A partir daquele momento Beatrice não perdeu oportunidade de trofar a Srta. por Beatrice -. Cobbett.Sim. Cobbett .. no caso. Publicar um jornal era um negocio como qualquer outro.. Beatrice replicou. em retribui‡ão. Cobbett. senti realmente pena d‚le.. r¡spida.

Gilray entrou. pareciam mais de uma mulher de 25 do que uma de 35.. Que pena. O diabo de Burlap arreganhou os dentes .de dizer. que suavidade fremente! Burlap sentiu-se f‚lic¡ssimo em deixar que ela executasse a terna # amea‡a.E o seu sorriso estava cheio de ternura brincalhona. Burlap perguntava a si mesmo como haveria Beatrice de se portar quando ˆle conseguisse. O rosto. porta e a Srta.. Tinha bebido um copo de leite quente com mel e agora estava chupando uma pastilha peitoral. . estava forrada de indigna‡ão. pensou ela por baixo da sua indigna‡ão. Mesmo assim.continuou ela no mesmo tom r¡spido de comando . .O que precisas . Entre os mamilos. o corpo. rindo. . .as id‚ias tinham uma conexao l¢gica.Aqui est o carrasco . que Beatrice não fosse mais m"‡a. . pensava ˆle. o cont"rno das costelas mostrava-se mal e mal atrav‚s da carne. trazendo o ¢leo canforado e o term¢gerio. uma listra de cabelos negros e crespos seguia a linha do esterno. "Pobre Denis!".‚ de uma boa fric‡ão com ¢leo canfo~ 242 rado e um chuma‡o de terin¢geno.continuou ˆle a grace~ jar. como se estivesse a atemoriz -lo com uma boa sova e com um mˆs a pão e gua. Seu peito era branco e bem fornido. bom demais..Apanhaste uma tosse espantosa! .Desabotoou o casaco do pijama.Ao menos quero morrer como um homem! .Estou pronto. por fim. precisa de algu‚m que tome conta dˆle.Seja bem m . debaixo daquela superficie spera. era na verdade surpreendentemente jovem para a idade que tinha. ·s 10 e meia estava ˆle estendido na cama com uma garrafa suplementar de gua quente. . "Realmente. . mas. numa inconseqˆncia que era apenas aparente. Quando não queria mostrar a sua brandura. que seus terr"res se dissipassem.Pronunciou estas palavras quase amea‡adoramente. lembran‡a da narrativa que Beatrice fizera do incidente. . Uma metade de seu ser tinha parado na idade em que tio Ben fizera aquela experiˆncia prematura. Ouviu-se uma batida .disse Burlap. Havia algo de muito estranho naqueles terr¢res infantis duma mulher adulta. Beatrice virava os seus sentimentos ao avˆsso e enchia-se c¢lera.disse em tom de reproche. não ter ningu‚m que cuidasse dˆle. Ser bom demais. apanhar uma tosse .. A sua solicitude se exprimia assim." Pâs~ se a falar em voz alta: .

Beatrice desarrolhou a garrafa e despejou um pouco do ¢leo arom tico na palma da mão direita. - Pegue a garrafa - ordenou ela - e bote-a ali. - Burlap obedeceu. - Pronto! - fez Beatrice quando Burlap de nâvo ficou estendido, im¢vel; e come‡ou a esfregar. Sua mão deslizava sâbre o peito dˆle, para diante e para tr s, vigorosamente, eficazmente. E, quando a direita cansou, ela recome‡ou a fric‡ão com a esquerda, para diante e para tr s, para diante e para tr s. - Pareces uma m quinazinha a vapor - disse Burlap com o seu terno sorriso travˆsso. - a impressão que tenho - respondeu ela. Mas não era verdade. Beatrice tinha a impressão de ser tudo menos uma m quina a vapor. Tivera que vencer uma esp‚cie de terror antes de conseguir tocar aquŠle peito branco e polpudo. Não que ˆle fosse feio ou repulsivo. Pelo contr rio, era at‚ bonito na sua brancura lisa e na sua fâr‡a carnuda. Bonito como o torso duma est tua. Sim, duma est tua. Acontecia apenas que a est tua tinha negros an‚is de cabelo ao longo do esterno e, em cima do cora‡ão, uma verruguinha morena que subia e descia com a pele ao ritmo da 243 #

O

pulsa‡ão. A est tua tinha vida; e nisso residia o elemento inquietador.

alvo peito nu era lindo; mas, vivo, tomava-se quase repulsivo. Toc lo ... Ela estremeceu interiormente com um pequeno espasmo de horror, e sentiu-se encolerizada contra si mesma por ter sentimentos tão est£pidos. R...pidamente estendeu a mão e come‡ou a esfregar. A sua palma deslizava com facilidade s"bre a pele lubrificada. O calor do corpo de Burlap comunicava-se ... mão de Beatrice. Atrav‚s da pele ela podia sentir a dureza dos ossos. Houve um eri‡amento spero contra os seus dedos, quando ˆles tocaram os cabelos ao longo do estemo; e os mamilos pequenos eram firmes e el sticos. Ela estremeceu de nâvo, mas havia algo de agrad vel no sentimento de horror e no fato de triunfar s"bre ˆle; havia um estranho prazer naquele arrepio de alarma e de repulsão q?e lhe viajava pelo corpo. Beatrice continuou a esfregar. Da m quina a vapor

possu¡a apenas o vigor e a regularidade dos movimentos; no ¡ntimo, por‚m, como se sentia cheia de vida palpitante e em luta consigo mesma! Burlap estava deitado, com os olhos fechados, sorrindo um pouco com o prazer do abandono e da capitula‡ão volunt ria. Òle se sentia, voluptuosamente, como uma crian‡a: abandonado, impotente; estava nas mãos de Beatrice como uma crian‡a que j não ‚ senhora de si - uma propriedade, um joguˆte de sua mamãe. As mãos dela eram frias contra o seu peito. A sua carne estava passiva e entregue, como mera argila, ...quelas mãos fortes e frias. - Cansada? -- perguntou Burlap, quando ela se deteve para mudar de mão pela terceira vez. Abriu os olhos para olhar a amiga. Beatrice sacudiu a cabe‡a. - Eu te dou tanto inc"modo como um bebˆ doente ... - Vocˆ não d inc"modo nenhum. Mas Burlap insistiu em lamentar-lhe a sorte e em desculpar-se. - Pobre Beatrice! Quando penso em tudo quanto fizeste por mim! Fico at‚ envergonhado! Beatrice limitou-se a sorrir. Os seus primeiros arrepios de imotivada repulsa tinham passado. Ela se sentia extraordin...riamente feliz. - Pronto! - disse por fim. - Vamos agora ao term¢geno. - Abriu a caixa de papelão e desdobrou a lã c"r de laranja. - O problema agora ‚ fazer isto parar no seu peito. Eu tinha pensado em mantˆ-lo no lugar com uma atadura. Duas ou trˆs voltas ao redor do corpo. Que acha? - Não acho nada - respondeu Burlap, que continuava gozando a vol£pia da infƒntilidade. - Estou inteiramente nas tuas mãos. - Pois bem. Sente-se - ordenou ela. Burlap sentou-se na cama. Segure a lã contra o seu peito enquanto eu passo a atadura. Para fazer a atadura dar volta em tˆrno do corpo de Burlap, Beatrice teve de inclinar-se muito sâbre Šle, chegando quase a abra‡ -lo; suas inaos se encontraram por um momento atr s das costas do homem, enquanto ela desenrolava a atadura. Burlap deixou cair a cabe‡a para diante e sua testa descansou contra o seio da enfermeira. A testa duma crian‡a fatigada contra o seio de sua mamãe. 244 - Segure a ponta um momento enquanto vou buscar uma joaninha. Burlap levantou a testa e endireitou-se. Um pouco corada, mas ainda com um ar muito s‚rio e muito preocupado, Beatrice estava tirando uma #

joaninha dum pequeno cartão de alfinˆtes sortidos. - Agora vem o momento dificil de verdade - disse ela, rindo. Vocˆ não faz caso se eu fincar o alfinˆte na sua carne? - Não, não fa‡o caso - disse Burlap, e era verdade; não faria caso mesmo. Ficaria at‚ muito contente se ela o magoasse. Mas tal não aconteceu. A atadura foi pregada na sua posi‡ão com uma habilidade perfeitamente profissional. - Pronto! - Que queres que eu fa‡a agora? obedecer. - Deite-se. Burlap deitou-se. Beatrice abotoou-lhe o casaco do pijama. - Agora vocˆ deve dormir o mais depressa poss¡vel. - Puxou as cobertas at‚ o queixo de Burlap e prendeu~as sob o colchão. Depois p"sse a rir. - Vocˆ parece um menino. - Não vais me dar o beijo de boa noite? As faces de Beatrice se coloriram. Curvou-se e beijou Burlap na testa. - Boa noite! - disse. E s£bitamente veio-lhe um desejo de torn -lo nos bra‡os, de estreitar a cabe‡a dˆle contra o seu seio e acariciar-lhe o cabelo. Mas contentouse com pousar a mão por um instante cofitra a face de Burlap e depois saiu apressadamente do quarto. # - perguntou Burlap, vido por

CAPITULO XIX O pequeno Phil estava estendido na sua cama. O quarto se achava mergulhado num crep£sculo c"r de laranja. Uma agulha fina de sol se insinuava por entre as cortinas corridas. Phil estava mais desinquieto que de costume. - Que horas são? - gritou por fim, embora j tivesse gritado antes e recebido em resposta a ordem de ficar quieto. - Não ‚ hora ainda de levantar - respondeu a Srta. Fulkes do outro lado do corredor. Sua voz saiu abafada, porque ela estava metida a corpo no seu vestido azul, com a cabe‡a envolvida numa obscuridade

meio de

sˆda, os bra‡os lutando cegamente para achar a entrada das respectivas mangas. Os pais de Phil chegavam naquele dia; estariam em Gattenden

para o lanche. O Vestido azul da Srta. Fulkes - o melhor que ela tinha -- era de absoluta necessidade. - Mas que horas são? - insistiu o pequeno, enfurecido. -- Quero dizer: no teu rel¢gio. A cabe‡a da Srta. Fulkes emergiu para a luz. - Vinte para 1. Deves ficar quieto. - Porque não ‚ 1 ? - Porque não ‚. Agora não vou te responder mais. E se gritas de n"vo vou contar ... tua mãe como tens sido travˆsso. - Malvada! - disse Phil, pondo uma f£ria cheia de l grimas na sua voz, mas falando tão baixo que a Srta. Fulkes mal ouviu. - Tenho raiva de ti! Estava claro que Phil não odiava. Mas fizera o seu protesto; a honra estava salva. A Srta. Fulkes continuou a vestir-se. Sentia-se nervosa, cheia de mˆdo, dolorosamente agitada. Que pensariam ˆles de Phil - do seu Phil, do Phil que ela tinha feito? "Espero que ˆle se porte bem. Espero que ˆle seja bonzinho." O menino sabia ser um anjo, era encantador ... quando isso lhe aprazia. E quando não era anjo, havia sempre uma razão; mas era preciso conhecˆ-lo, compreendˆ-lo a fim de descobrir essa razão. Prov...velmente os pais não seriam capazes de descobri-la. Tinham estado fora durante tanto tempo. Podiam ter at‚ esquecido como era o pequeno. E, em qualquer caso, não podiam saber como ˆle estava agora, em que se tinha transformado depois do crescimento dos £ltimos meses. S¢ ela conhecia aquˆle Phil. Conhecia e amava - tanto, tanto ... S¢ ela. E um 246 dia teria de deix -lo. Não tinha direitos -s¢bre Šle, não tinha nada que reclamar; amava-o apenas. Podiam arrebatar-lhe Phil a qualquer momento que quisessem. A Srta. Fulkes se olhou no espelho. A sua pr¢pria imagem refletida no vidro tremeu e se perdeu numa bruma irisada, e de s£bito as l grimas inundaram-lhe as faces. O trem chegou no hor rio e o auto esperava os viajantes. Philip e Elinor entraram nˆle. - Não ‚ mesmo maravilhoso estar de n"vo aqui? - Elinor tomou da mão do marido. Seus olhos fulgiram. -- Mas, bom Deus! - ajuntou ela, num tom de horror e sem esperar pela resposta. - Constru¡ram um mun#

do de casas novas ali em cima da colina. Como se atreveram a tal? Philip olhou. - Um pouco cidade-jardim, não ‚? pena que os inglˆses amem tanto o campo. Estão a mat -lo ... for‡a de carinho. - Mas, apesar de tudo, como o campo ainda ‚ lindo! Não est s tremendamente comovido? - Comovido? - perguntou ˆle com precau‡ão. - Ora... - Não est s mesmo contente por podˆres ver o teu filho de n"vo? - Naturalmente. - Naturalmente! - Elinor repetiu as palavras num tom de esc rnio. - E falas com ˆsse tom de voz! Nunca pensei que coubesse um"naturalmente" no caso; mas, agora que chegou a hora, nunca me senti tão agitada em tâda a minha vida... Houve um silˆncio; o carro continuou acorrer sinuosamente, ao longo dos caminhos tortuosos. A estrada era em aclive; o auto subiu por entre um bosque de faias e entrou num altiplano arborizado. Bem na extremidade de uma longa perspectiva verde, o monumento mais colossal da grandeza dos Tantamourit, o pal cio do Marquˆs de Gattenden, se aquecia ao sol, l embaixo. A bandeira ondulava; milorde estava nos seus dom¡nios. - preciso que fa‡amos uma visita ao velho maluco uni dˆstes dias - disse Philip. Os gamos pastavam no parque. - Por que ser que se viaja? - perguntou Elinor, olhando para os animais. A Srta. Fulkes e o pequeno Ph¡l estavam esperando na escada. - Creio que ouvi o barulho do autom¢vel - disse a Srta. Fulkes. O seu rosto um tanto maci‡o estava muito p lido; o cora‡ão batia-lhe com uma for‡a maior que a ordin ria. - Não - acrescentou, depois de ter ficado a escutar por um momento, com aten‡ão intensa. O que tinha ouvido era o sonido de sua pr¢pria ansiedade. O pequeno Phil se movia dum lado para outro, num mal-estar, consciente apenas do desejo violento de "ir a certa parte". A espera lhe tinha alojado um ouri‡o nas entranhas. 247 # ,J

- Não te sentes feliz? - perguntou a Srta. Fulkes com um entusiasmo fingido, e com a determina‡ão (em que ela pr¢pria se sacrificava volunt...riamente) de que o menino devia sentir-se louco de alegria ... id‚ia de tornar a ver os pais. - Não est s tremendamente emocionado? Mas ˆles podiam arrebatar-lhe o pequeno, se quisessem, podiam lev -lo embora e nunca mais deixar que ela o tornasse a ver. - Estou. . . - respondeu Phil num tom um pouco vago. Estava preocupado exclusivarrente com a aproxima‡ao dos acontecimentos viscerais. A Srta. Fulkes sentia-se desapontada diante da falta de entusiasmo que havia na voz do menino. Olhou para ˆle inquiridoramente. - Phil? Tinha observado a sua dan‡a inquieta. O pequeno fŠz que sim com a cabe‡a. A m"‡a tomou-lhe da mão e levou-o ...s pressas para o interior da casa. Um minuto mais tarde Philip e Elinor paravam diante do alpendre deserto. Elinor não p"de deixar de sentir um desapontamento. Tinha pre~ visto a cena com tanta nitidez. . . - Phil, na escada, acenando num fre~ nesi -- tinha ouvi4o tão distintamente, por antecipa‡ão, os gritos do filho ... e os degraus estavam vazios. - Ningu‚m para nos receber - disse ela. E o tom de sua voz era melanc¢lico. - Tamb‚m não se podia exigir que ˆles ficassem por a¡ ... nossa espera replicou Philip. Abominava tudo o que tivesse a natureza de rebuli‡o, de alvor"to ... Para ˆle a perfeita chegada ao lar seria dentro dum manto de invisibilidade. E a maneira como chegavam agora estava em segundo lugar entre as que Philip reputava boas. Desceram do carro. A porta da frente se achava aberta. Entraram. No vest¡bulo silencioso e deserto trˆs s‚culos e meio de vida estavam adormecidos. A luz do sol jorrava atrav‚s das janelas. Os pain‚is tinham sido pintados de verde-p lido no s‚culo XVIII. A escada, tâda de carvalho velho, subia, a perder de vista, at‚ os andares mais altos. Uma miscelƒnea de perfumes de fl"res flutuava tˆnuamente no ar; era como se a gente percebesse o velho silˆncio sereno por meio de outro sentido. Elinor olhou em t"rno, respirou profundamente, passou a ponta dos dedos ao longo da madeira polida duma mesa de nogueira e com o ¡ndex

dobrado bateu num vaso bojudo de vidro veneziano que se achava sâbre o m¢vel; o l¡mpido som de sino ressoou longa e docemente dentro do silˆncio perfumado. - como a Bela Adormecida - disse Elinor. Mas, no pr¢prio ins~ tante em que ela pronunciou estas palavras, o encantamento se quebrou. De s£bito, como se o tinir do vidro tivesse chamado a casa ... vida, o som e o movimento ressuscitaram. L em cima, em alguma parte, uma porta se abriu; atrav‚s do ru¡do sanit rio da gua que se despenca, veio o som 248 longo carvaabria para # da voz jovem e estridente de Phil, p‚s pequeninos caminharam ao do tapˆte do corredor, estrepitararti como pequenos cascos s"bre o lho nu dos degraus. Ao mesmo tempo uma porta do andar t‚rreo se bruscamente e o vulto enorme de Dobbs, a camareira, se precipitou

deu

o vest¡bulo. - Oh! Sra. Elinor, eu não ouvi chegarem. . . O pequeno Phil dobrou a £ltima volta da escada. A vista dos pais um grito e apressou o passo; deslizou quase de degrau em degrau. - Não venha tão ligeiro! Não venha tão ligeiro! - gritou-lhe a mãe, ansiosamente. Correu para ˆle. - Não v tão ligeiro! - repetiu a Srta. Fulkes num eco, descendo apressadamente os degraus. E de repente, saindo dum pequeno quarto dava para o jardim, a Sra. Bidlake apareceu, branca e silenciosa, entre v‚us esvoa€antes, como um fantasma imponente. Num cestinho trazia

que um du-

ramilhete de tulipas cortadas; a sua tesoura de podar pendia da ponta

ma fita amarela. T'ang III a seguia, latindo. Houve uma confusão de abra‡os e apertos de mão. As sauda‡ões da Sra. Bidlake tinham a majestade dum ritual, a gra‡a solene de uma dan‡a antiga e sagrada. A Srta. Fulkes se torcia t"da, t¡mida e comovida, mantendo-se s"bre uma perna, depois sâbre a outra, assumindo atitudes de figurinos e de manequins; de quando em quando ria agudamente. Quando apertou a mão de Philip,

encolheu-se com tanta violˆncia que quase perdeu o equil¡brio. "Pobre criatura!", Elinor tinha tempo para pensar entre as perguntas que formulava e as respostas que recebia. "Que necessidade urgente ela tem de casar! Est muito pior do que quando a deixamos." - Mas como ˆle est crescido! - disse em voz alta. - E como est mudado! - Segurou o filho com os bra‡os estendidos, afastando-o um pouco com o gesto do connaisseur* que recua para examinar um quadro. - Òle antes era o retrato de Philip. Mas agora. . . - Sacudiu a cabe‡a. Agora a cara larga tinha encompridado, o nariz curto e reto (o c"mico "nariz de gato" que no rosto de Philip f¢ra para ela ao mesmo tempo objeto de riso e de amor) tinha crescido, ficando mais fino e levemente aquilino; o cabelo ganhara um tom escuro. - Agora ˆle est exatamente como Walter. Não acham? - A Sra. Bidlake sacudiu a cabe‡a, num assentimento remoto ... - Exceto quando ˆle ri - acrescentou Elinor. - O riso dˆle ‚ puro Phil. - Que foi que me trouxeste? - perguntou o pequeno Phil quase com ansiedade. Quando as pessoas sa¡am e voltavam depois para casa, sempre traziam alguma coisa para ˆle. - Onde est o meu presente? - Que pergunta! - protestou a Srta. Fulkes, corando de vergonha e torcendo-se de n"vo. Mas Elinor e Philip desataram a rir. # * Conhecedor, perito (N. do E)

o Walter, quando est s‚rio - disse Elinor. Ou tu. . . - Philip olhava de um para a outra. Não faz nem um minuto que teu pai e tua mãe chegaram A Srta. Fulkes continuava com as suas repreensões. - Malvada! - retorquiu o pequeno, jogando a cabe‡a para tr s num pequeno movimento de c¢lera e orgulho. Elinor, que o estava observando, quase riu alto. Aquˆle s£bito erguer de queixo - ora! - era a par¢dia do gesto de superioridade do velho Sr. Quarles. Por um momento o pequeno transformou-se no sogro de Elinor, no seu absurdo e deplor vel sogro: uma caricatura miniatural. Era câmico, mas ao mesmo tempo e de certo modo não era uma brincadeira. Ela quis rir, mas sentiu-se oprimida por uma consciˆncia s£bita dos mist‚rios e complexidades da vida, pelas inescrutabilidades do futuro. Ali estava o seu filho - mas ˆle era igualmente Philip, era tamb‚m ela pr¢pria, era

tamb‚m Walter, era o av" e`... av¢ maternos, e agora, com aquˆle al‡ar de queixo, se tinha repentinamente revelado como sendo tamb‚m o deplor vel Sr. Quarles. E podia ser centenas de outras pessoas tamb‚m. Podia ser? Certamente era. Era tios e primos que Elinor mal conhecia; av¢s e tios-av¢s que ela s¢ vira quando crian‡a e que esquecera completamente; antepassados que tinham morrido havia muito. - Que remontavam ... origem das coisas. T"da uma popula‡ão de desconhecidos habitava aquˆle corpinho e lhe dava forma, morava naquele esp¡rito e cont rolava os seus desejos, ditava-lhe os pensamentos e havia de continuar a ditar e a controlar ... Phil, o pequeno Phil - ˆsse nome era uma abstra‡ão, um t¡tulo dado arbitr...riam ente, como "Fran‡a" ou "Iriglaterra", a uma coletividade, nunca por muito tempo a mesma, de muitos indiv¡duos que nasciam, viviam e morriam em seu ser, como os habitantes de um pa¡s aparecem e desaparecem, deixando, por‚m, viva em sua passagem,a identidade da na‡ão a que pertencem. Elinor olhava para o filho com uma esp‚cie de terror. Quanta responsabilidade! - Isso ‚ o que chamo amor interesseiro - continuava ainda a Srta. Fulkes. - E tu não deves dizer "malvada" para mim dˆsse modo. Elinor soltou um pequeno suspiro, sacudiu-se para despertar do devaneio e, tomando o filho nos bra‡os, estreitou-o contra o peito. - Não faz mal. . . - disse ela, em parte para a reprovadora Srta. f ulkes e em parte para o seu eu cheio de apreensão. - Não faz mal ... Beijou-o. Philip estava consultando o rel¢gio. - Seria bom, talvez, que-rossernos lavar as mãos e nos arranjar um pouco antes do lanche. Tinha o sentimento da pontualidade. - Mas primeiro - disse Elinor, que achava que as refei‡ões foram feitas para o homem não o homem para as refei‡ões -, primeiro o que 250 devemos fazer ‚ simplesmente ir at‚ a cozinha para cumprimentar a Sra. Ininan. Seria imperdo vel se não o fiz‚ssemos. Vem. Ainda segurando o pequeno, Elinor precedeu-os atrav‚s da sala dejantar. O cheiro de pato assado ia cada vez ficando mais forte ... medida que ˆles avan‡avam. #

Um pouco aborrecido pela consciˆncia que tinha daquela falta de pontualidade, e um pouco inquieto por se ter de arriscar, embora tendo Elinor como dragornaria, a entrar na cozinha e meter-se entre os criados - Philip seguiu-a com relutƒncia. · hora do lanche o pequeno Phil celebrou o acontecimento portandose de maneira atroz. - A como‡ão foi forte demais para ˆle - repetia continuamente a pobre Srta. Fulkes, tentando desculpar o menino e indiretamente justifi~ car-se a si mesma. Tinha ¡mpetos de chorar. - A senhora h de ver, Sra. Quarles, quando ˆle se habituar com a sua presen‡a aqui - ajuntou, voltando-se para Elinor. - A senhora vai ver; ˆle sabe ser um anjo ... a agita‡ão. . . A Srta. Fulkes tinha chegado a amar aquela crian‡a a tal ponto que os triunfos e as humilha‡ões de Phil, as suas virtudes e os seus crimes faziam que ela se sentisse exultante ou acabrunhada, satisfeita consigo mesma ou envergonhada, como se se tratasse da sua pr¢pria pessoa. Al‚m disso, lia~ via o amor-pr¢prio profissional. Durante todos aquˆles meses ela f"ra a £nica respons vel por Phil, ensinando-o a portar-se em sociedade, explicando-lhe por que o triƒngulo da ¡ndia est pintado de carmesim no mapa; tinha-o feito, tinha-o modelado. E agora, quando ˆsse objeto de seu mais temo amor, ˆsse produto de sua habilidade e de sua paciˆncia gritava ... mesa, cuspia fora bocados de alimentos sernimastigados, derramava gua, a Srta. Fulkes não s¢rnente corava, cheia duma vergonha agoniada, como se f"sse ela quem tinha gritado e cuspido e derramado gua, mas tamb‚m experimentava ao mesmo tempo a humilha‡ão do prestidigitador cujo truque Iongamente preparado falhou diante do p£blico; era como o inventor da m quina ideal de voar que vˆ a sua engenhoca recusar terminantemente erguer-se do chão. - No fim de contas - disse Elinor, num tom consolador -, era de prever ... A pobre mâ‡a lhe inspirava sincera piedade. Elinor olhou para o filho. Phil estava gritando - e ela esperara (sem razão nenhuma) que agora seria bem diferente, que iria encontr -lo inteiramente ajuizado e crescido. Teve um instante de desespˆro. Amava-o, mas as crian‡as eram tão terr¡veis ... E Phil era ainda uma crian‡a. - Agora, Phil - fez ela com severidade -, deves comer. Nada de tolices!

O pequeno uivou mais forte. Gostaria de portar-se bem, mas não sabia 251 #

como fazer para deixar de portar-se mal. Tinha-se metido volunt...riamente naquele estado de triste revolta, e agora a emo‡ão se assenhoreara dela, era mais forte que a sua vontade. Era-lhe imposs¡vel, mesmo que Šle o desejasse, voltar atr s. Al‚m disso, a criaturinha sempre sentira certa aversão por pato assado; e, como acabasse de pensar durante cinco minutos no pato assado, com um desgâsto e um horror concentrados, chegara ao ponto de abomin -lo. A vista, o cheiro, o gâsto daquele prato deixavam-no verdadeiramente e sinceramente mareado. A Sra. Bidlake, no entanto, conservava a sua calma metafisica. Sua alma navegava serenamente, como um grande navio sâbre um mar bravio; ou talvez ~e parecesse mais com um balão que se ergue muito alto pcima das guas, e flutua no mundo sereno e sem ventos da fantasia. Ela estivera falando a Philip a respeito do budismo. (A Sra. BidIake tinha um fraco especial pelo budismo.) Aos primeiros gritos não chegara nem mesmo a voltar a cabe‡a para ver o que se passava, contentando-se com elevar a voz para que a pudessem ouvir por s¢bre o tumulto. Os uivos se renovaram, continuaram. A Sra. Bidlake fez silˆncio e fechou os olhos. Um buda de pernas cruzadas, dourado e tranqilo, apareceu contra o fundo vermelho de suas p lpebras fechadas; viu os sacerdotes de vestes amarelas em t"rno dˆle, cada qual na atitude do deus e mergulhado numa medita‡ão ext tica. - Maya - disse a Sra. Bidlake com um suspiro, como se falasse para si mesma. - Maya: a eterna ilusão. - Abriu os olhos de n"vo. Sim, parece que o pato est um pouco duro - acrescentou, dirigindo~se a Elinor e ... Srta. Fulkes, que tentavam desesperadamente fazer o pequeho, comer. Phil apanhou no ar a desculpa que a av¢ lhe tinha dado assim gratuitamente.

Um esb"‡o da cozinha tanto no tempo como no espa‡o. cochilando no seu balaio ao p‚ do arm rio. A Sra.Est duro! . a autora de ningu‚m sabe quantas mil refei‡ões! Burilemos um pouco e havemos de ter o quadro. Fulkes. A mesa da cozinha. O gato. e o fogo que espia para fora atrav‚s da portinhola superior semicerrada. As vigas do teto baixo. um enorme eunuco c"r de gengibre. Naquela noite Philip escreveu bastante longamente no seu livro de notas. Bidiake cerrou os olhos outra vez. lhe estava oferecendo um naco de pato assado e a metade de uma batata nova. por um momento. fr gil. O resed nasjardineiras dajanela.. A massafresca que se est rolando. ("Não nasceste pra morrer. ¢ p ssaro imortal". O cheiro de cozinha. conversa‡ões. Asjanelas Tudor refletidas nosfundos das panelas de cobre.foi o t¡tulo que pos na pagina. indom vel. A coluna inclinada de sol amarelo. E finalmente a velha Sra. desde o tempo. etc) Uma frase. "A Cozinha da Casa Velha" . O enonnefogão negro com suas guarni‡ões de 252 polido. com a mão trˆmula pelo excesso de emo‡ões doloTosas. em que Shakespeare era rapaz at‚ agora. Mas quero algo mais. . no qual registrava de mistura pensamentos e fatos. As cadeiras defaia castanha. tão usada pelo tempo e pelas es/regadelas constantes que os veios da madeira se destacam em relˆvo s"bre as partes mais moles como se um gravador tivesse preparado a prancha xilogr fica de alguma # a‡o isto gigantesca impressão digital.gritou por entre l grimas. pequena. depois voltou-se para Philip e continuou a discutir sâbre a Via das Oito Veredas. coisas ouvidas e vistas. uma indica‡ão do que ela significa no cosmo humano em geral. dez gera‡ões de cozinheiros empregaram radia‡ões infravermelhas para quebrar as mol‚culas das Prote¡nas dos patos postos no espˆlo. Inman. e eu j estou em cheio dentro da . afastando de si o garfo no qual a Srta. a cozinheira. cheia de part¡culas brilhantes. Escrevo umafrase: Verão ap¢s verão.bastantef cil de reproduzir.

O "lho da medita‡ão pode ver atrav‚s de todo e qualquer objeto e enxergar. Dobbs esta na casa desde um pouco antes da guerra. E como ela ‚ serena.. que risof cil e enorme! A risada de Dobbs ‚ quase apavorante... O problema art¡stico ‚ produzir diqfƒneidade por partes.ticamente imperiosa! Quando uma pessoa foi monarca trinta anos de tudo quanto a cerca. umfrasco verde. E depois h uma Dobbs. Basta tornar di fano o odor de pato assado numa velha cozinhapara tˆrnios. Que indigestões . que apetite de viver. a camareira. T"da a hist¢ria do universo se acha contida implicitamente em qualquer de suas partes.velmente a hist¢ria? Isso exige muit¡ssima reflexão. desde as nebulosas espiraladas at‚ a m£sica de Mozart e os estigmas de São Francisco de Assis.. Pergunta: pode-se chegar a ˆsse resultado sem pedantismo e sem prolongarfastidiosa e intermin.. Numa prateleira do arm rio da copa eu notei. mesmo quando o que a cerca ‚ apenas a cozinha.. "Mas como ‚ encantadora a cozinha! Como são simp ticos os seus habitantes! A Sra. Seis p‚s de altura e proporcionalmente gorda. ela toma um ar de rei. a visão de t"das as coisas.. Um milagre de beleza que envelheceu. que anedotas. casa h tanto tempo quanto Elinor. E o corpo enorme abriga o esp¡rito de Gargƒntua. Uma inven‡ão de Rabelais. num vislumbre. como ‚ aristocr. Que alegria larga. como atrav‚s dumajanela.. selecionando essas partes de maneira que não revelem senão as mais humanamente significativas entre as perspectivas distantes queficam atr s do objeto pr¢ximo efamiliar. Mas em todos os casos as coisas vistas ao fundo da perspectiva devem ser bastante estranhas parafazer que ofamiliar pare‡afant. o cosmo inteiro. quandofomos apresentar nossos cumprimentos.mas 253 t # para p ulas que eram bolas de bom tamanho. dentro da arte e de t"das as ciˆncias. cheio at‚ a metade depiMas .hist¢ria. como essas que se sopram a goela dos cavalos por meio de um tubo de borracha.sticamente misterioso. Inman pertence .

e de maneira desconcertante. senti o que Fabre sentia entre os cole¢pteros. mas não ‚ menos essa coisa a que as pessoas da classe m‚dia superior que lˆem o Punch chamariam 'uma alma sinceramente alegre. fascinado. Arte Estabelecida. O velho Stokes. sem pelas. não serpossu¡do por nenhuma das coisas que possu¡mos ..porque o Sr.isso seria bom. De quando em quando alguma palavra da conversa‡ão atravessava os abismos espirituais que separavam a mãe de Elinor das coisas e pessoas que a cercavam. elafalava. sempre pronta a divertir-se inocentemente. etc.a Religião Estabelecida . a Sra. enquanto Elinor lhes arrancava reflexões s"bre a par¢quia e a Academia. produzindo uma curiosa rea‡ão. Não poderia ser melhor? Para ganhar a liberdade sacrificamos alguma coisa -.fazendo humor orde o humor ‚ admitido . Livre. Por que não ficar? Criar raizes? Mas as raizes são cadeias. . Òste lugar ‚ bom. Ambos examinam todos os cantos e recanios de Burlinglon House. "A fornida e bela Sra. ‚ barbudo e se parece com Pai Tempo. Truby ‚ menos ruidosamente divertida do que seu marido. E para descobrir que ˆle ‚ bom foi preciso navegar primeiro em t¢rno do mundo. suas palavras eram como que vindas de um outro mundo. a despeito do redingote prˆto e do colarinho virado. Porquefoi primeira visita que nosfizeram depois queforam ver a Academia. Dobbs. 'bons camaradas. e cheia de observa‡ões curiosas. enquanto andam a girar. Tenho pavor de perder minha liberdade. " um acontecimento anual. no dia seguinte ao da Ascensão. Mas ˆste lugar tamb‚m o ‚. de partir sem o menor aviso pr‚vio para onde quer que a fantasia possa sugerir . Arte . Sim. Todos os anos. O c‚u ‚ azulp lido. Inman.livre defazer o que queremos. e penetrava-lhe o devaneio. mas boa tamb‚m ‚ a sala de visitas.a casa. H um ru¡do de p ssaros. ˆles tomam o trem da 8h52 para a cidade e pagam o tributo que mesmo a Religião deve . ˆles são 'humanos. Truby (que se parece um tanto com o No‚ duma arca infantil) ‚ um dˆsses homens de igrejajoviais que -fazem brincadeiras afim de mostrar que. o jardim ‚ verde e florido. l fora. o jardineiro.a hom‚ricas essas p¡lulas sugerem! "A cozinha ‚ boa.. Oracularmente. E no entanto. Eu continuava a olhar e a escutar. com uma seriedade que era quase assustadora no meio das brincadeiras dos Truby.. Arte. Chegamos de volta de nosso passeio da tarde para encontrar o pastor e sua mulher conversando s"bre Arte ao redor de ta‡as de ch .. anotando o cat logo.

Uma milha frente dˆles. " 254 Lorde Edward e seu irmão estavam tomando'ar no parque de Gattenden. erguia-se uma reprodu‡ão da coluna de Trajano em pedra de Portland. "O que. estava pensando no que tinha lido. denomina‡ão que ˆle platâni- . Ao fim da grande alam‚da. erguiam-se as fant sticas t¢rres e os pin culos do Castelo de Gattenden.. e tudo o que estas por coisas e esta gente significam. Quando não estava lendo. Não que gostasse de modo particular da casa ou da paisagem que a cercava. . suportando em seu cimo uma est tua de bronze do primeiro marquˆs. Na frente e . O marquˆs residia permanentemente em Gattenden.s costas dos dois na Tantamourits. proclamando os seus t¡tulos de gl¢ria.. uma milha atr s dos marqueses. vice-rei da Irlanda e Pai da Agricultura Cient¡fica.Truby. No entanto o burro cinzento # contentava-se com caminhar mui devagar. Mal dava pela existˆncia de ambas . Òsse marquˆs havia sido. se estendia a grande alamˆda de Gattenden. . o mundo das aparˆncias.mas ser um lucro maior em sabedoria. gostava de dizer Lorde Gattenden. não impede o meu esp¡rito de correr". Lorde Edward tornava-o caminhando. o solar tinha um aspecto mais medieval do que tudo com que podia ter sonhado a verdadeira Idade M‚dia. tinha uma inscri‡ão em grandes letras em tˆrno do pedestal. daqui para ali. as tulipas do jardim. em vida intensificada? o que muitas vˆzesfico a perguntar a mim mesmo. em compreensão. O quinto marquˆs tornavao numa cadeira de rodas puxada por um grande burro cinzento. entre outras coisas.. Sacrificamos alguma coisa . n@ fim da perspectiva reta. edificado para o segundo marquˆs por James Wyatt no mais extravagante estilo g¢tico de Strawberry Hill. por felicidade. E seu esp¡rito tinha corrido confusamente t"da a sua vida.. o pƒndego do presbit‚rio. Era inv lido. confusamente.

realidade vis¡vel e tang¡vel. O quinto marquˆs e o irmão estavam trocando id‚ias a respeito de Deus.camente gostava de dar .. Philip e Elinor.. meia hora mais tarde. que tinham estado a fazer o seu giro da tarde pelo parque. emergiram do bosque de faias e inesperadamente deram com a cadeira de rodas do marquˆs. pois. .A respeito de que poderiam ˆles estar conversando? São velhos demais para falar de amor . Doara Tantamount House a Lorde Edward e continuara a fazer-se puxar pelo seu asno por entre as faias do parque de Gattenden. . tu estar s CANTULO XX .a não ser Deus. Morava em Gattenden porque era s¢mente em Gattenden que ˆle podia dar passeios sem perigo em sua cadeira de rodas.. a distƒncia de não serem ouvidos. demasiado inexperientes para falar da vida ou mesmo # 255 da literatura. . Que resta. Demasiadamente intelectuais para falar das outras pessoas e demasiadamente eremitas para conhecer pessoas de quem possam falar. do modo como as coisas vão exatamente como ˆles daqui a dez anos . ˆle e a mulher. O tempo passava. margem da estrada. Demasiadamente ricos para falar de dinheiro. aos pobres velhos como assunto de palestra? Nada .. 256 disse Elinor -.comentou Philip quando se viram.E. T¡midos demais para falar de si mesmos. Ambos se achavam ainda falando s"bre Deus quando..velhos e bons demais.Pobres velhos! .. Pall Mall não ‚ lugar para burros cinzentos e para velhos cavalheiros paral¡ticos que lˆem e meditam enquanto passeiam. não o interessavaEsta falta de interˆsse era a sua vingan‡a contra o universo que o fizera inv lido. O burro fizera alto para pastar .

Como ‚ . Aos 23 anos. muito corada e carnuda. como ‚ que as mulheres sempre acabam se apaixonando fatalmente pela coisa mais baixa que lhes aparece. a sujeiro do soalho. proporcionadamente alto. algaraviando a sua missa. eri‡ada de ordens cl ssicas. A cara grande. Atr s da enorme e complicada fachada se acocora um miser vel templinho de tijolo. esquecendo-se de que estava comentando duma maneira pouco lisonjeira os seus pr¢prios sucessos -. impressionante. tinham igualmente ficado a refletir sâbre o caso. ou melhor. O Sidney Quarles que tinha pedido a mão de Rachei era um jovem pelo qual qualquer mulher poderia ter-se apaixonado. Particularmente neste caso. o idiota que mendiga . aquˆle grande corpo fora atl‚tico. Sidney Quarles tinha ainda uma figura imponente. corpulento a ponto de ser quase gordo. Outras pessoas tamb‚m pensavam assim. um jovem em quem t¢da a gente podia ter acreditado . o pequeno ac¢lito ranhento de sobrepeliz suja. casa~se com um ser humano individual. Ôle tamb‚m era m"‡o (a mocidade ‚ em si mesma uma virtude).. pelo homem mais baixo? curioso. a congrega‡ão de componesas papudas com os seus fedelhos. E. a fachada tem o aspecto de pertencer a uma grande catedral. Ombros largos. de frontões quebrados e de estatu ria.dizia ˆle para concluir. de pedra bruta e argamassa leprosa.. que agora cercava uma tonsura r¢sea e polida. Rachei Quarles parecia incompar¡lvelmente superior ao marido que tinha. John Bidlake punha~se a descrever o padre mal barbeado. porta. o cheiro ran‡oso de gera‡ões inteiras de humanidade piedosa. Alta. as coroas de lata das imagens. desenvolvendo o s¡mile. O cabelo grisalho.O velho John Bidiake dizia do pai de Philip Quarles que ˆle se parecia a uma dessas igrejas italianas de estilo barroco que tˆm frontarias falsas. m"‡o e de boa aparˆncia.tâda a gente. Mas ningu‚m se casa com uma cole‡ão de virtudes e de talentos. e Rachei tinha apenas dezoito anos e era uma criatura das mais inexperientes. . era então dum castanho dourado e cobria todo o crƒnio com a sua abundƒncia ondulante. Mas olhai-a mais de perto e descobrireis que ‚ s¢mente um frontisp¡cio. . Era de se julgar que Rachei Quarles fosse bastante inteligente para não se deixar iludir por ˆsse v cuo.

Sidney herdara uma bonita fortuna. embora fosse obstinado quando se tratava de ninharias. no fim de contas.nada mais. não passava duma fachada. duma voz. O neg¢cio (o velho Sr. tinha um aspecto intelectual na sua amplidão lisa. Casaram-se quando a m"‡a tinha apenas dezenove anos. Aquela habilidade mesma. como dizia o velho Bidlake. Falava bem. Quarles negociava com a‡£car) ia muito bem. Sidney podia esperar (pelo menos f"ra o que lhe parecera 35 anos atr s) a realiza‡ão das ambi‡ões mais extravagantes. Al‚m do mais Sidney Quarles tinha .. fraco. pela primeira vez.quela ‚poca uma reputa‡ão. E a conversa‡ão de Sidney Quarles não 257 # fronte desmentia de maneira nenhuma a prova circunstancial que a sua oferecia. mais firme e menos semelhante a uma lua cheia. Quarles. A propriedade de Essex produzia o suficiente para se manter. duma habilidade superficial . entraria para o Parlamento. f cilmente inflam vel pelo entusiasmo. Depois dum aprendizado na administra‡ão dos neg¢cios locais. ela o amava. Mas o Sr. duma aparˆncia impressionante. Ao tempo em que Rachel. o viu.. acabara de sair da universidade. a casa de campo em Chaniford era c"moda e de estilo georgiano. mas ainda mais f cilmente levado ao t‚dio.tinha sido mais fresca. E na larga tela virgem do futuro os seus amigos mais entusiastas pintavam as visões mais f lgidas. essas profecias tinham um ar verdadeiramente razo vel. seus discursos ao mesmo tempo s‚rios e brilhantes o marcariam como um homem de futuro. embora mostrasse sempre um pouco de arrogƒncia e de vaidade excessivas. não passava dessa esp‚cie de . aureoNdo de um certo resplendor de gl¢ria acadˆmica e orat¢ria. A testa. seria promovido r pidamente. Sua diligˆncia incans vel. Atr s daquele magn¡fico frontisp¡cio vivia o verdadeiro Sidney. com ou sem razão. mesmo antes de a calv¡cie haver aparecido. falho de t"da persevtran‡a nos assuntos importantes. Sidney tinha ambi‡ões pol¡ticas. Do pai. E em todo caso. Haviam de oferecer-lhe o lugar de adjunto a uma subsecretaria. A casa da cidade ficava em Portman Square.

... o velho Quar- .. Quarles tinha estado ocupado . Havia j mais de sete anos que Sidney trabalhava e nem sequer tinha ainda . mais volumoso e mais importante. o Sr. ˆle viu a emprˆsa do pai levada a meio caminho da ru¡na (Rachel o obrigou a vender t"da a sua parte no neg¢cio antes que rosse demasiado tarde). cheio de lugares-comuns cuja inferioridade era acentuada pela pretensão dum estilo trabalhado que coruscava de epigramas puramente verbais. prova. No primeiro ¡mpeto desta convic‡ão nova. Superficial e vago.um trabalho de H‚rcules . com ar de m rtir e ao mesmo tempo com uma arrogƒncia f tua.ou pelo menos se supunha que assim f"sse . 258 Desde a long¡nqua publica‡ão do primeiro livro. s"bre a democra~ cia. maneira de Ovidio ou par¢dias humor¡sticas de Her¢doto. O autor confiava na posteridade para lhe fazer justi‡a.s maquina‡ões de inimigos pol¡ticos. Ao falar. ao cabo dum per¡odo de negligˆncia agravado por especula‡ões febris e por uma orienta‡ão m . quando suas esperan‡as pol¡ticas se viram completamente arruinadas por v rios anos de alternativas entre a indolˆncia e a atividade sem disciplina .com escrever um outro.habilidade que permite aos alunos brilhantes escrever versos latinos . Quando. nem sequer tinha ainda acabado de colhˆr o material.. . o livro foi acolhido com uma indiferen‡a merecida.costumava ˆle dizer. P"sto ..Sidney Quarles concluiu que sua voca‡ão verdadeira era o publicismo.Òsse tamanho e essa importƒnciajustificavam um retardamento qua# que se indefinido no acabamento da obra. com a expressão dum homem que carrega um fardo quase intoler vel) -.dizia ˆle a quem quer o interrogasse s¢bre a marcha do livro (e sacudindo a cabe‡a. que Sidney Quarles atribuiu . ˆsse talento de classe de ret¢rica se revelava tão impotente no dom¡nio puramente intelectual como no dom¡nio da pr tica. chegou efetivamente a terminar um livro sâbre os princ¡pios do govˆrno.

fixada a um tambor girat¢rio. ao mesmo tempo que olhava para o interlocutor (quando se dignava de fazˆ-lo) com um olhar que sa¡a debaixo das p lpebras semicerradas e deslizava ao longo do nariz. " realmente de atemorizar. Era como se um rebanho de carneiros se tivesse p"sto . durante as viagens. segundo as necessidades do momento...tipos de que. vontade. o Sr. Quarles tinha uma bela cole‡ão dessas cintas com tipos diferentes .s s"ltas no seu vocabul rio. Sidney Quarles o levava a seu gabinete de trabalho e lhe mostrava (sobretudo quando se tratava duma mulher) todo o aparelhamento complicado de fich rios e classificadores de a‡o que ˆle tinha acumulado em târno de sua escrivaninha americana de aspecto ultraprofissional. havia a terceira e a mais recente das m quinas de escrever. De tempos em tempos. quando sentia a necessidade de impressionar mais que de costume. ˆle não se servia nunca. mas dos quais sentia um grande orgulho. em s¡mbolos matem ticos ou em russo. Quarles ia fazendo a aquisi‡ão de mais e mais outros daqueles objetos im pression antes." Estas palavras eram acompanhadas dum suspiro. embora o livro não desse sinais de estar sendo escrito." Se o interlocutor rosse suficientemente simp tico.. Enfim. como se cada um dˆles representasse um talento ou um dom especial.les tinha o vˆzo de levantar o rosto e lan‡ar as palavras no ar como se rosse um obuseiro. todo seu. simbolizavam a terr¡vel dificuldade da tarefa. est claro. um utens¡lio de escrit¢rio muito grande e muito caro. mas sim sâbre uma cinta desmont vel de metal. o Sr. A Corona port til o acompanhava aonde quer que ˆle fosse. para o caso em que lhe viesse a inspira‡ão num momento qualquer. Eram ‚les as provas vis¡veis de seu trabalho. "Um trabalho de H‚rcules. Sidney levava a Hammond. . não em bra‡os separados. · medida que o tempo passava. m quina um pouco maior em que os caracteres eram fundidos. Tinha a voz bem timbrada e cheia dˆsses balidos com que os oxfordianos mais afetados costumam enriquecer a l¡ngua inglˆsa. O escritor não possu¡a menos de trˆs m quinas de escrever. de maneira que permitia a mudan‡a dos alfabetos. e escrever em grego ou em rabe.. que era não s¢rnente m quina de escrever mas tamb‚m m quina de 259 .

P iI IA i # I calcular. para compilar as estat¡sticas de seu grosso volume e para fazer as contas da administra‡ão de seus bens.. pelo menos nos dedos.. e como Sidney cada vez se . Quarles dava a entender que era coisa comum para ˆle ficar dezoito horas .. explicava o Sr. E apontava com um orgulho todo particular o pequeno motor el‚trico ffixado . Não que ˆle a dirigisse melhor de que o neg¢cio que ela o tinha persua~ dido a abandonar em'boa hora. E valia a pena gastar alguma coisa nesse prop¢sito. Mas o pre‡o que foi mister pagar---nos anos de depressão que seguiram a guerra.e o Sr. Muito engenhosa.absolutamente todo -. quando as havia realmente. Todo esfâr‡o muscular era eliminado.ticamente. O Sr. Podia-se continuar a escrever assim durante dezoito horas a fio . sem experimentar a mais leve fadiga. Quarles. assim (e o Sr. Quarles tinha comprado a sua m quina de escrever calculadora no momento em que.. Uma inven‡ão americana. Mas a ausˆncia de lucros não importava. cessara de se ocupar com a gestão de seus bens.. podia-se continuar. em suma. ou Sir Isaac Newton) -. Porque Rachei lhe tinha deixado a dire‡ão da propriedade. m quina. Quarles fazia uma demonstra‡ão). eram pouco consider veis. Muito c"moda.. Rachei Quarles esperava que a gestão dos bens do casal constitu¡sse ocupa‡ão sã para o marido. Não era preciso fazer nada mais do que tocar na tecias. e as perdas. a eletr`icidade fornecia a f"r‡a necess ria para p"r os caracteres em contato com o papel. estabelecia-se o contato com o tomador de corrente da parede e o motor fazia todo o trabalho . quase indefinidamente. pr. menos. est claro. a composi‡ão efetiva do livro. se tornou muito elevado. mesa de trabalho (como Balzac.

ˆle comprou uma grande quantidade de m quinas caras. · for‡a de trabalho rduo e de aten‡ão constante não seria imposs¡vel que Šles se tornassem lucrativos com o tempo. Certa ocasião. e um tributo . ·s vˆzes.não era atingido. ao passo que o alvo que justificaria tal sacrificio .ocupasse menos com a dire‡ão dos seus bens particulares. a propriedade lhe tinha ferido o amor-pr¢prio insistindo tão maiŠvolamente em seus resultados deplor veis.. depois da leitura dum livro s"bre os rendimentos america~ nos. ‚ verdade.o fato de achar uma ocupa‡ão saud vel para Sidney . simplesmente para descobrir que no fim de contas a propriedade não era bastante grande para comport -las.mais um . Sidney não podia dar trabalho suficiente ...porque ao cabo de mais de trinta anos de casamento ela conhecia o marido com perfei‡ão -. o pre‡o cresceu de maneira alarmante. negligˆncia de Sidney.pa- . Rachei o convenceu de que ˆle teria mais tempo para consagrar ao seu grande livro se deixasse 260 I # a outros a aborrec¡vel tarefa da gestão da propriedade.. Sidney tinha alguma id‚ia e s£bitarriente mergulhava numa orgia do que ˆle denominava "melhoramentos imobili rios". todavia. o estabelecimento nunca lhe rendeu um n¡quel. Era absurdo desperdi‡ar num trabalho tão mecƒnico talentos que podiam ser utilizados melhor e mais convenientemente. Com seu tato habitual .. o pre‡o era excessivo.. Mais tarde construiu uma f brica de gel‚ias em conserva.pidamente o interˆsse nos "melhoramentoõ". e estava'sendo pago a tr"co de nada. A falta de ˆxito f-e-lo perder r. A administra‡ão de seus bens o entediava. o melhoramento resultara em preju¡zo total. Ela e o intendente bastariam para isso. por enquanto. Sidney deixou-se convencer com facilidade.s suas m quinas. Ao mesmo tempo ˆle percebia bem que um abandono completo seria a confissão de seu pr¢prio fracasso. a despeito dos melhoramentos. gra‡as . Decididamente.

continuar a zelar pela propriedade. Sidney Quarles teria sem d£vida abandonado a vida pol¡tica . sua malograda carreira pol¡tica..Era coisa que o Sr... Entregue a si mesmo.. Porque a m quina de calcular devia encarregar-se não s¢rnente das estat¡sticas (de que maneira? . Aceitou a proposta de consagrar menos tempo . porque nˆle a indolˆncia era mais forte do que a ambi‡ão. que mergulhava nas . sob as quais. maneira dum deus. ou. ˆle valia tanto quanto a espâsa. mas não menos eficazmente.condicionava t¢da a sua vida. mas prometeu. Quarles tinha a prudˆncia de nunca especificar). e o despeito que sentia por isso. o desejo de provar que. est claro. Tendo perp‚tuamente diante dos olhos o espet culo exasperante da serena capacidade de Rachei. Mas a relutƒncia em reconhecer o fracasso e a inferioridade pessoal que ˆle implicaria o impediram (enchendo~o duma confian‡a transbordante no seu futuro) de abandonar a cadeira no Parlamento.. para se justificar. Era ˆsse despeito. nos intervalos de seus trabalhos liter rios. talvez mais do que ela . ˆsse desejo de afirmar sua superioridade dom‚stica que o tinha feito apegar-se . ou amea‡ou. apesar de tudo.. Sidney. a pobre Rachei e o intendente haveriam de sucumbir por f"r‡a sem o aux¡lio superior dŠle. aos olhos do mundo e aos seus pr ¢prios olhos. superioridade inata de sua mulher. pol¡tica. Quarles não reconhecia... primeira revela‡ão das dificuldades e da aridez daquela. fazia bem. segui-la de longe. Era para rivalizar com ela.go . O que Rachei fazia. . e Sidney provava ao mesmo tempo que não tinha cessado completamente de se interessar pelos neg¢cios materiais. Mas a consciˆncia que dessa superioridade ˆle tinha duma maneira obscura.s min£cias da gestão. ficava subentendido.. que Sidney Quarles se aferrava .. ˆle não podia confessar-se vencido. comprou a m quina de escrever e de calcular. t"da a gente a amava e admirava. O Sr. no fundo. a superioridade da mulher.. mas tamb‚m das contas. para aumentar a sua importƒncia. para fazer as coisas melhor do que ela. Ela era o s¡mbolo da enorme complexidade do trabalho liter rio ao qual ˆle se ia agora consagrar acima de tudo. Foi então que..

as opera‡ões cir£rgicas em cães e em batr quios. com a sua simples presen‡a. e Sidney Quarles não era homem de empreender ass‚dios laboriosos. ambi‡ão que Rachei fornecera. Os enforcamentos. simplesmente para depois fugir delas com desg"sto. continuava a ser amada e admirada.eram casos que tinham solicitado. a reforma das prisões.. Poucos anos bastaram para transformar em piedosa esperan‡a a f‚ no seu sucesso final. Porque a maneira como Sidney dirigia seu negocio era uma . a sua eloqˆncia mais inflamada e um breve assomo de energia. perdeu todo o encanto a seus olhos.porque o fracasso na pol¡tica custava menos caro do que o fracasso no com‚rcio. a qualquer causa que lhe aprouvesse defender. Òle se via a si mesmo sob o aspecto dum reformista triunfante que trazia a vit¢ria. os condenados solit rios. o antivivisseccionismo. um ap¢s outro. o # 261 I melhoramento das condi‡ões de trabalho na µfrica Ocidental . Entrementes.caprichosas atividades que tinham marcado a sua carreira parlamentar.cada um dˆsses assuntos. No in¡cio. Desdenhando ser um simples escravo de seu partido e vido de conseguir uma distin‡ão pessoal. A aboli‡ão da pena capital. Quando a esperan‡a se foi. os negros maltratados .. pelo simples fato de ser quem era e de ser a mulher de Sidney. E Rachei continuava a ser uma criatura capaz. Sidney Quarles se fizera o campeão entusiasta du~ ma s‚rie de causas. Rachei encorajou o marido por motivos diplom ticos . cada um por sua vez. os encorajamentos diretos da parte dela tinham sempre refor‡ado aquˆle estimular)te indireto . duma maneira completamente involunt ria. encorajara o seu her¢i. Mas as muralhas de Jeric¢ não ca¡ram jamais ao som de sua trombeta. Rachei Quarles acreditara sinceramente no marido.

que nobre trabalho ˆle estava fazendo! E que pena que os cuidados dos neg¢cios ocupassem uma tão grande parte do tempo e da energia que poderiam ser mais bem empregadas! Sidney mostrou-se logo sens¡vel a tais argumentos.amea‡a de desastre. que por si mesmos cuidavam dos dividendos. Lan‡ando d£vida s"bre a capacidade dˆle. Quarles não fez nenhuma obje‡ão. naquela ‚poca de prosperidade agr¡cola . evitou o perigo encorajando-lhe com ardor redobrado as ambi‡ões pol¡ticas. e furioso por # causa do que ˆle considerava como a injusti‡a de seus chefes de partido. (Mais tarde foram os pobres negros. com uma gratidão secreta e nova. Vendeu a sua parte no neg¢cio antes que fosse tarde demais e tornou a empregar o d¡nheiro ern't¡tulos garantidos. que seu marido pudesse fazer periclitar. cr¡tica hostil duma maneira violenta e por uma birra obstinada. come‡ava a se inquietar com suas especula‡ões onerosas. Dessa maneira sua renda foi reduzida a mais ou menos um tˆr‡o. e a propriedade. Sidney andou a vangloriar-se dos grandes sacrif¡cios financeiros que tinha feito a fim de poder consagrar todo o seu tempo aos 262 pobres condenados. fazˆ-lo seria incitar o marido a aferrar-se ao negocio com mais tenacidade do que nunca. Que bom.. Rachei Quarles.) Quando.ticamente. agora.. Recebeu com alegria aquela desculpa para se desfazer de suas responsabilidades. a Sra.. não ousava aconselhar-lhe que c‚desse a sua parte. Amplificou a importƒncia de sua atividade parlamentar. mas os sacrif¡cios continuaram a ser os mesmos. em qualquer caso. mas. agora havia seguran‡a . Ela não ousava dizer-lhe isso. Porque Sidney reagia . cansado f inalmente de ser uma nulidade pol¡tica..e isso era o que preocupava Rachei antes de mais nada. A rotina mon¢tona dos neg¢cios o aborrecia. Não havia neg¢cio. que a experiˆncia tornara prudent‡. Rachei conseguiria apenas acicat -lo para novas e mais perigosas especula‡ões. aquela escusa que Rachei lhe oferecia diplom. Sidney abandonou sua cadeira no Parlamento.

Sidney anunciou a inten‡ão de publicar a obra mais importante e mais completa que j se escreveu sâbre a democracia. Philip e Elinor passaram dois dias com a Sra. mas. podia fazer. ela era. Mas a Sidney parecia bastante boa. era ainda lucrativa. a alguma coisa que rosse mais digna de seus talentos. que era isso comparado .Algo que te interessar na tua qualidade de escritor. Conseguiu terminar e publicar uma primeira parte da sua filosofia pol¡tica. Conduziu o filho at‚ seu gabinete de trabalho. tinha amigos e pessoas que lhe escreviam em abundƒncia. .boas obras. .e querida. Decidira (porque a consciˆncia que tinha da superioridade de Rachei não lhe permitia repousar) devotar-se a alguma coisa mais importante do que a "desleal" pol¡tica. a pol¡tica degradava os homens de valor. o Sr.Acabo de fazer uma aquisi‡ão . A fim de salvaguardar sua reputa‡ão. ou uma caneta-tinteiro com um reservat¢rio particularmente importante um estil¢grafo. salpicando-os com o seu Iâdo. Mas Rachei era sempre uma mulher capaz. A r‚plica era talvez inadequada.. lan‡ando as palavras por cima da cabe‡a de Philip. no fim de contas. Rachei podia ser muito ativa rios comitˆs. O ditafone era a sua maior fa‡anha depois da m quina de escrever calculadora. que podia escrever 6 O00 palavras sem ter a necessidade de ser reabastecido de tinta. amada pelos aldeães. Ser o fil¢sofo da pol¡tica era melhor do que ser pol¡tico. Sidney não permitiu que o filho ficasse muito tempo ria ignorƒncia de seu triunfo. Bidlake em Gattenden. publica‡ão do livro mais importante s¢bre a democracia? O £nico aborrecimento era que o livro não se escrevia . Quarles comprava outro fich rio. O casal chegou a Chainford e logo soube que o Sr.. O esf¢r‡o prolongado que teve de fazer para escrever embotou-lhe o entusiasmo de autor filos¢fico. Quarles havia comprado um ditafone. Quando Rachei se mostrava eficiente demais. -. ou um modˆlo n"vo e mais engenhoso de livro de notas de f"lhas s"ltas. explicava ˆle. Sidney explicou que ˆle não servia para a pol¡tica pr tica..disse ˆle com sua voz cheia.que seguiu imediatamente o armist¡cio.. sem d£vida alguma. o sucesso mag‚rrimo do livro o desgostou profundamente. quando as demonstra‡ões de estima que lhe dispensavam eram excessivas. Depois foi a vez dos pais de Philip.

em t"da a sua refulgˆncia.s vˆzes! Mas o ditafone . a sua viagem.Maravilhosa inven‡ão! ... aaa . sacudiu a cabe‡a de m rtir. Em vez disso o pai se contentou com perguntar Šle tinha feito boa viagem.. erguendo o rosto para o alto...E que ‚ que fazes quando chegas ao fim dum dˆsses rolos do f¢ri¢grafo? Mando-o . meu caro rapaz ..muito £til.continuou o velho Quarles.. A viagem. . Quando estamos na cama nos vˆm id‚ias mui preciosas.Não fazes a menor id‚ia de tudo quanto tenho a fazer. as cartas. Mas a lua . sei l quanta coisa mais.. minha secret ria. aaa . Philip pâs-se a rir: . era para ˆle uma lua e para seu pai a menor das estrˆlas de d‚cima grandeza.Sim. e continuou a falar de seus neg¢cios.Não tens distra‡ões..concluiu ˆle de maneira um tanto insatisfat¢ria. . Tens agora uma secret ria? O Sr.Òle falava com profundo contentamento de si mesmo. Depois.. Explicou o funcionamento da m quina.pensou ˆle parece maior do que S¡rio porque est mais perto. aaa.disse o Sr. Quarles sacudiu a cabe‡a com ar importante... Suspirou.. -s feliz.... .. A gente fala consigo mesmo: depois a m quina recorda. . não achas? Sem um ditafone elas ficariam . Esperava ser assediado com perguntas a respeito do se # Oriente e dos tr¢picos.. Quarles. . Era o despontar s£bito da "lua dˆle". Tudo isto ‚ trivial. Philip cou surprˆso. dirigindo.se . a propriedade.Philip o seguiu. O ditafone se revelou aos olhares de ambos. Eu quisera fazer o mesmo com tâdas as minhas horas. ajuntou: . eu mesmo quase chego a me invejar. quando nos ocorre uma id‚ia. . Philip al‡ou as sobrancelhas. t¢das as noites.... mas ‚ preciso ser feito. quase anfites que Philip tivesse tempo de responder. O livro.. e mesmo um pouco picado.Suspirou de n"vo. . No primeiro instante. cornija da parede fronteira.Invejo a tua liberdade. . Mandoa para meu quarto de dormir . para datilografar. A gente a transforma em palavras imediatamente. aaa.Aqui est . .. perdidas. Podes empregar todo o teu tempo na literatura.. -. e . Por enquanto ela não me consagra senão a metade de seus dias -disse ˆle. ... as contas . erguendo a tampa. Mas tenho a propriedade e o mais que segue .

. s"bre a tampa da Corona que nunca se abrira. uma coisa que se apanha e que depois se joga fora descuidosamente.Oh! como não! Indubitilvelmente.ser um grande aux¡lio para ti.Apanhou alguns recortes de jornal que se achavam debaixo do pˆso de papel.. .perguntou. .Coisas pueris .. eis tudo. era preciso um fich rio.disse o Sr.s voltas. que era uma novela? Uma hora de entretenimento. aaa. aaa . O Sr. romance. Quarles num tom protetor -. Os de Philip podiam obter sucesso. Acho que j colhi .Devagar. e que em breve f"sse obrigada a nos consagrar os dias inteiros. Ao passo que o livro mais impor# tante sâbre a democracia . Ficou contrariado por Philip tˆ-los visto. Mas.. era preciso um ditafone e uma secret ria que nos consagrasse a metade de seus dias. . coligir materiais em fontes inumer veis. qualquer um podia escrever um fato.Nada disto . ..disse ˆle com uma risadinha.Apontou para os arquivos e os fich rios. . ..Como vaio livro? . Nenhum trabalho preliminar ‚ necess rio.Nada disto... que se tinha p"sto a passear pela pe‡a e a examinar o aparelhamento liter rio. comprar m¢veis classificadores e m quinas de escrever port teis. novelistas .j ‚ alguma coisa. são afortunados. . Vocˆs.Palavras cruzadas? . . no fim de contas. que sentar e escrever. Al‚m disso. As palavras cruzadas desmanchavam o efeito produzido pelo ditafone.. Bem. Quaries pai. 264 livros bem como das dificuldades enormes com que andava .OM Não . . Tratava-se apenas de viver e de p"r-se depois a registrar o Mas para compor o livro mais importante s"bre a democracia era preciso tomar notas. .Não sabia que te havias tornado um amador de palavras cruzadas . Quarles arrebatou os recortes das mãos do filho e os fechou numa gaveta. Eram a prova de sua superioridade. a maior parte do material. livros de notas com f"lhas s"ltas. um estil¢grafo capaz de escrever 6 O00 palavras sem necessidade de ser reabastecido. erguendo os desenhos irregularmente quadriculados.disse Philip..Mas constituem .insistiu o Sr.. Nada disto. poliglotas e calculadoras. ... Não precisam fazer nada mais . mas firme..

Não acredito que a natureza me tenha destinado a ter filhos.O tom em que ela fez esta pergunta era quase de inquieta‡ão. . Quarles palestrava com a nora. . A expressão do rosto da Sra. na sala de visitas. aaa . quando o esp¡rito est cansado. O pequeno Phil ‚ encantador. Quarles dava # 265 mais plenitude . pedindo not¡cias do neto. mas eu sei que uma fam¡lia numerosa me teria deixado louca. . dum cinzento azulado. Uma energia delicada.s sensa‡ões quase com a mesma rapidez e constƒncia que os olhos. sua voz e transparecia em luz nos seus olhos. Fulkes e mamãe ˆle seria mais bem cuidado do que comigo.Transbordante de sa£de. e que brilhava em incessantes varia‡ões de esplendor e de nuan‡as de c"r nos seus olhos expressivos. Na realidade o Sr. Ou sou impaciente com ˆles ou então encho-os de mimos. Era um dos decifradores mais ex¡mios de seu tempo. eram graves ou firmes. . A expressão do rosto era ao mesmo tempo viva e cheia de sensibilidade.. de cabelos grisalhos. ... Entrementes. Quaries mudou.. a Sra. est claro. uma vida intensa...E o pequeno Phil? -.Ora.perguntou ela. Gosto de me divertir com elas uma vez que outra. mas que conservava intato e mal e mal deformado o cont"mo dos tra‡os regulares e bem modelados.P"s-se a rir e sacudiu a cabe‡a. Elas se adaptavam exatamente ao seu tipo de inteligˆncia. seguindo t"da uma escala por assim dizer inf initesimalmente crom tica de expressão emotiva. Quarles passava quase t"das as suas manhãs a decifrar palavras cruzadas. Elinor teve um encolher de ombros quase impercept¡vel: . eu sabia que entre a Srta. Mas ao mesmo tempo se via acossada por um mˆdo de que aquela estranha criatura lhe respondesse . Era uma mulherzinha ativa. . Os l bios respondiam aos pensamentos e . menor sensa‡ão. Devias ter ficado muito triste por ter de abandon -lo durante tanto tempo. ao cabo de tantos meses? ..Aquˆle homenzinho! ..uma distra‡ão . sorriam ou ficavam melanc¢licos.Mas não sentiste uma alegria transbordante ao revˆ-lo.O calor da afei‡ão da Sra.. Esperava que Elinor respondesse pela afirma‡ão entusiasta que teria sido natural em circunstƒncias an logas.. mas vibr til .

Elinor possu¡a muitas qualidades excelentes. Mas foi verdadeiramente uma emo‡ão forte. "Criatura estranha". or sua vez Elinor admirava. Sra. Ter-lheia parecido algo de vergonhoso ..Sim. Mas parecia faltar-lhe alguma coisa. Elinor a admirava. Mas em seguida roubou . Ela.. A Sra. mas achava que aquilo era um pouco absurdo e sup‚rfluo. mesmo. ‚ que tornavam imposs¡veis . respeitava e amava sinceramente a mãe de seu marido. As primeiras palavras de Elinor lhe trouxeram um al¡vio. uma qualidade admir vel mas ao mesmo tempo perturbadora. Dir-se-ia que a mulher de Philip tinha nascido privada de certos instintos naturais. Seu rosto tra¡a qualquer coisa do espanto que ela sentia sempre na presen‡a de Elinor. frase todo o efeito.Eu não imaginava que pudesse ficar tão contente ao revˆ-lo. que as coisas sagradas eram efetivamente sagradas..estabelecer um contato efe266 tivo com uma pessoa cujas id‚ias e motivos determinantes lhe pareciam tão estranhamente incompreens¡veis. Quaries ter pela nora t"da a afei‡ão que desejava. teria corado ao fazer uma tal confissão. a dificuldade cr"nica era.isso j era bastante esquisito. Em Rachel. nela. e mesmo tão absurdos. alguma coisa sem a qual-nenhum ser humano podia ser inteiramente simp tico a Rachel Quarles. acrescentando: . porque revelava estados de alma pouco familiares e mesmo incompreens¡veis para Rachel) que não tinha sentido nenhum prazer'ein rever o filho. Mas o que Rachel achava quase mais estranho ainda era a maneira tranqila e simples com que Elinor reconhecia-o fato. Não esperar sentir-se feliz pelo fato de rever o filho .uma esp‚cie de blasfˆmia. Nela.. pensou a Sra. Tinha recebido uma . mesmo que representasse a verdade. Quarles era religiosa. Houve um silˆncio.(com a franqueza que era. foi uma coisa maravilhosa. e a sua incapacidade para perceber. e o tinha conseguido at‚ certo ponto. sem ostenta‡ão. a nega‡ão duma coisa sagrada. Quaries. . Essa falta de venera‡ão em Elinor. Fazia o poss¡vel para amar a nora. a venera‡ão pelas coisas sagradas era natural. Rachel. e vivia tanto quanto poss¡vel de ac"rdo com as suas cren‡as. mas ardentemente.

at‚. não p"de fazer outra coisa senão perder~ se em cogita‡ões mudas. Sua adolescˆncia transcorrera sem um tra‡o de crise religiosa. quisera poder fazer algu~ ma coisa.dizia ela quando discutiam tais assuntos em sua presen‡a. t¢da a moral transcendente. Aconteceu. Que acontecera. Decidiu nunca mais arriscar opiniões pessoais: limitar-se-ia a concordar com o que lhe dissessem. e. dessa vez? Elinor. Quarles assumiu por um instante. de feri-la como coisas estranhas e chocantes. Muitas vˆzes.# educa‡ão ortodoxa. na presen‡a dela. hesitava. ela podia falar livremente sem risco de ofensa . em exprimir suas sensa‡ões ou em dizer o que pensava. A religião. elas não eram ditas como provoca‡ão. Não havia nada a fazer contra aquela experiˆncia direta. A confirma‡ão não tinha despertado nela mais entusiasmo do que uma representa‡ão teatral consider¡lvelmente menos. Porque tinha observado muito repetidamente que a franca enuncia‡ão do que lhe parecia serem sentimentos perfeitamente naturais e opiniões razo veis era suscet¡vel de entristecer a mãe de seu marido. era mat‚ria s"bre a qual.. Elinor s¢ se interessava por ˆste. Mas o fato ‚ que experimentava uma certa inquietude quando se achava com a sogra. em que tivesse acreditado sŠriamente no que contavam sâbre o outro mando e sâbre os seus habitantes.. em casos como o presente. Quarles. que o assunto logo a seguir atacado era um dˆsses em que Elinor estava demasiadamente interessada para poder manterse fiel . O outro do a aborrecia. que não tinha consciˆncia de nenhuma culpa.. segundo viu pela expressão que o rosto m¢vel e sens¡vel da Sra. Elinor enunciava simplesmente. pois. . Al‚m do mais.Isso tudo me parece simplesmente absurdo . Era o que acabava agora de acontecer. entretanto. mesmo da infƒncia. resolu‡ão recente. E não havia n‚hhuma afeta‡ão em suas palavras. lhe pareciam absurdas. do mesin¡ssimo modo que o cheiro de Gorgonzola lhe parecia repugnante. Mas não conservava nenhuma lembran‡a duma ‚polhe munca. com a religião. Gostaria de atravessar o abismo que a separava da Sra. tâda especula‡ão metafisica.um fato de sua hist¢ria pessoal. Elinor o sabia por experiˆncia.

respondeu Elinor. Quarles.. a Sra.involunt ria. em sua origem.E o Philip grande? . sim. Geoffrey. muito embora soubesse que a interroga‡ão não se referia ao bem-estar corr)oral. mesmo dos que o amavam. a ˆle tamb‚m faltava alguma coisa o desejo e a faculdade de se dar. Mas Philip fâra sempre relutante e parcimonioso.barreiras que ˆle pr¢prio erguera. Quarles teria protestado. Quarles nunca chegara a saber o que ˆle sentia e pensava verdadeiramente.Sempre foi assim. era tão diferente! · recorda‡ão do filho morto. isso eu j vi . a Sra. . Se ao menos Philip tivesse permitido que ela o arriasse mais! Mas tinha havido sempre barreiras entre ambos . Ao mesmo tempo. . Mas Geoffrey se deixara amar mais plenamente. .disse por flun. mais intimamente do que o irmão.Sim. Quarles sentiu todo o seu ser invadido duma tristeza acerba.fez Elinor depois dum silˆncio. Geoffrev.Mesmo quando era menino . . A Sra. ˆle tem o trabalho .. Elinor enrugou levemente a testa e olhou para o chão. A Sra. sa£de do marido. Quarles suspirou.acrescentou Rachei em voz alta. .disse a Sra. . . Se alguem sugerisse a id‚ia de que ela o amara mais do que a Philip. ela estava certa.Long¡nquo. todavia. Quarles inteiramente apropriados. A Philip tamb‚m . Porque. Seus sentimentos. Sempre long¡nquo. ˆsse. Foi com certo temor que ela # 16 7 previu a conversa‡ão que estava por vir.. . referindo-se .E agora. tinham sido os mesmos.parecia-lhe -. Sra. no que dizia respeito a Philip. sentiu-se contente por ter ocasião de discutir o assunto que lhe ocupava os pensamentos duma maneira tão constante e tão penosa. tinha ido ao seu encontro. fechara sempre a cadeado o seu esp¡rito. . de mˆdo que ela pudesse lan‡ar um olhar furtivo sâbre os seus segredos. .. tinha dado o que podia receber. mesmo dos que ˆle amava. os sentimentos e as opiniões de Elinor pareciam .perguntou ela logo em seguida. de se exteriorizar e de ir ao encontro de seus semelhantes. ˆsse sim.Mas o que eu queria perguntar era: como vai ˆle em si mesmo? Como vai contigo? Houve um silˆncio.A senhora vˆ como ˆle est com boa aparˆncia . . . Fechara sempre as portas quando ela se aproximava.

quando consigo deixar de ser ego¡sta . ˆsse trabalho. a quem quer que seja para o seu pr¢prio bem. # A Sra.Deus tinha sido sempre o seu reconf"rto. ..come‡ou ela. vida sem ˆle. -. . as revela‡ões submersoras de Sidney tinham vindo de fontes tão humildes! A criadinha da cozinha. a filha do couteiro .não com esp¡rito de censura. ..s . com solicitude. Quarles para o marido . . Quarles sorriu com tristeza. Naqueles £ltimos anos. não ‚ mesmo? E no entanto. não pode de maneira nenhuma transformar-se bruscamente numa revela‡ão que submerge tudo. . quase num murm£rio -. esperar a capitula‡ão dˆle.Inexpugn vel.Não posso. talvez. . Quarles sacudiu a cabe‡a. . Como pudera ˆle fazer aquilo? perguntou Rachei a si mesma pela mil‚sima vez. Mesmo quando menino Philip fl ra sempre inexpugnavel.perguntou Elinor. Como pudera? Era incompreens¡vel. A Sra. . Deus e o cumprimento da vontade de Deus.Seria talvez mais simples. se ao menos tu tivesses Deus como companheiro! . Observa‡ões daquele gˆnero a aborreciam por serem tão ridiculamente fora de prop¢sito.Era o tˆmio exato.acrescentou -.Ou a uma outra? Não seria grande cons¢lo para mim se fosse a uma outra. .disse ela. Quando a gente j se transformou num h bito.Se ao menos . mas deteve-se . mas com piedade. embora a tivesse ferido.. .A mim? . Porque ela não podia chegar a convencer-se de que aquilo era inteiramente culpa de Sidney. Philip se fecha dentro dˆle e fica inexpugn vel.Talvez no fim ˆle se entregue por vontade pr¢pria. como um castelo bem no alto duma montanha. embora ˆle tivesse procedido mal. Ela não podia nunca conceber como as pessoas pudessem atravessar a. na verdade. chego a desejar que ˆle se entregue a quem quer que seja.. 268 Elinor suspirou: . As palavras de Elinor levaram os pensamentos da Sra. Se ao menos tu pudesses achar Deus! O sorriso de Elinor foi sarc stico.De sorte que ‚ ainda pior. Era apenas infelicidade dˆle. .

primeiras palavras..para dissimular seus movimentos.Que era que ias dizer? Elinor sacudiu a cabe‡a. e.pelo menos duma maneira tão prolongada e com tanta insistˆncia. mas eram suas pr¢prias especula‡ões com o a‡£car as principais respons veis). se ˆle tivesse realmente compulsado documentos s"bre os antigos hindus. . No decorrer das £ltimas semanas. Ela conhecia Sidney o bastante para estar certa de que. talvez.Não podes conseguir que te mandem livros da London Library? - . Quarles o Br¡tish Museum não tinha sucursal em Essex. Era em Londres s¢mente que ˆle podia fazer pesquisas e recolher os documentos necess rios ao seu livro. essas necessidades tinham sido mais perempt¢rias que de costume.Nada. A casa de Portinari Square estava alugada (o Sr. achar um homem. E não disse nada. Quarles ficara a perguntar se a si mesma se o marido tinha achado uma outra mulher. alguns dias depois. E quando. Rachei ficou convencida de que havia ali outra mulher. . Felizmente para a Sra... ao regressar da terceira viagem. Por tr s da nuvem de tinta dos antigos hindus esperava ir refestelar-se em Londres sem ser observado. . Sidney falava pela mesma razão que leva a s‚pia perseguida a esguichar tinta . mesa -. Depois da segunda dessas visitas a Sra. falando da enorme complexidade da hist¢ria da democracia entre os antigos hindus. Quarles maldizia o impâsto sâbre a renda. Pobre Sidney! Ele sejulgava tão maquiavelico! Mas sua tinta era transparente. e era num modesto apartamento de Bloomsbury ("convenientemente perto do Museu") que ˆle agora acampava quando as necessidades da erudi‡ão o chamavam . Mas lembrou-se da resolu‡ão que tomara de não ofender a sogra. Queria dizer que seria mais simples. nas v‚speras duma quarta. Suas visitas a Londres tomavam-se freqentes e prolongadas. cidade.. o seu ardil era digno de uma crian‡a. não se teria # 269 nunca dado o trabalho de falar dˆles . ˆle se p"s a lamentar-se com ostenta‡ão.

... Gladys tinha um corpo perfeito. Terminada a refei‡ão matinal.Acho que vou . Caminhando at‚ a prateleira de livros.. libidinosidade o nome impr¢prio de "paixão".. S¡dney Quarles apanhou a sua B¡blia. Visões antecipadas do amanhã o distra¡am. . seu dorso liso e branco . ‚ sabido. Quarles..perguntou a Sra. profissional. Ser "cebolinho"? Não servia.. Acho que vou descobri-la no livro de. Sidney sacudiu a cabe‡a." Salornão falava por ˆle. Quarles vislumbrava uma figura de mulher. Sidney se retirou para seu gabinete de trabalho e atirou-se as suas palavras cruzadas da manhã. Muito democr tico. Por exemplo . Uma esp‚cie de cebola. "O teu ventre ‚ como um monte de trigo cercado de 270 I . aaa. mas não tanto que quisesse prevalecer-se da situa‡ão. Pronunciou ˆsses nomes de maneira impressionante. O teu ventre ‚ como um monte de trigo cercado de a‡ucenas. Trata-se do govˆrno local na ‚poca dos M tirias." Sidney leu estas palavras em voz alta. . quatro letras. a despeito do despotismo central..que se encontram s¢rnente no Museu. e com que rica eloqˆncia ribombante! "As juntas das tuas coxas são como colares feitos por mão de mestre. ...São dessa esp‚cie de livros . .anunciou ˆle na manhã anterior ao dia da partida de Philip e Elinor. Prainathanatba Banerjea.. filhos da cabra-montˆs." Aquˆles orientais sabiam o que era a paixão. Os seios da rapariga. "Como uma ta‡a redonda a que não falta o vinlio. não podia fixar a aten‡ão no passatempo. dˆsses malditos hindus explicou ˆle. Ou talvez ela tenha sido tratada por Radakhumud Mookerji. . tinha nove letras. Rachel suspirou e lim itou-se a esperar que a tal mulher f"sse sul Öcientemente esperta para evitar t"da a complica‡ão s‚ria. Quarles se considerava um homem muito apaixonado. Atrav‚s da nuvem de tinta a Sra. as p ginas finas rugiram sob seus dedos. "O teu umbigo ‚ uma ta‡a redonda a que não falta o vinho.perguntou a Sra. . Os teus dois peitos são como dois cabritinhos gˆmeos. aaa.. Dando . ..disse ˆle com importƒncia ..uma coisa que realmente preciso elucidar. pensava ˆle. cidade com voces amanhã . .. Quarles duma maneira um pouco contundente. o Sr...Outra vez? .Uma d£vida a respeito.

Em Liverpool Street se separaram. Os teus renovos são um pomar de romãs com frutos preciosos. pelo contr rio. . Mas. "Mirra e alo‚s. fora a sua "figura". .mão. a cana arom tica e o cinamomo. um manancial fechado. Foi uma carinha impudente. compondo a fisionomia. com t"das as rvores do incenso. . quando a campainha retiniu. Era Gladys. não f"ra Gladys Helmsley como indiv¡duo. a‡ucenas. Sidney podia considerar-se como serdo uma figura her¢ica e nobre." A paixão ‚ respeit vel. Para os poetas ela ‚ at‚ sagrada. com tâdas as principais especiarias. Mas não tinha sido aquela cara que trouxera o Sr.mas sorrindo do alto para a m"‡a (Gladys se chamava a si mesma '~petite).Que escƒndalo! .disse Philip.Est s com muita pressa de encontrar os teus hindus . Uma esp‚cie de cebola. Estava ainda ocupado em lavar as grandes mãos carnudas. f"ra o simples aspecto gen‚rico da mulher. como diria Sidney num eufˆmis- . e firmemente el stica. "Um jardim fechado ‚ minha irmã. Quarles a Londres. O velho franziu o sobrolho e desviou a conversa. A heria com o nardo. o peito puxado para tr s. os olhos a cintilarem benŠvolamente atrav‚s das p lpebras sernicerradas. " Mas. olhando o rel¢gio. minha noiva. . o colˆte em relˆvo bojudo . O Sr. o queixo estendido. comum. dirigiu-se para o hali e abriu a porta." O trem que os Quarles tomaram na manhã seguinte estava ‡om um atraso de quase vinte minutos.repetia o Sr. sujas da viagem. que lhe retribuiu o sorriso. Quarles concordava com os poetas. a palavra era "alho"! Quatro letras. "como dois cabritinhos gˆmeos" era um s¡mbolo estranho e inadequado. . Os cabritinhos monteses. a mirra. uma fonte selada. est claro. o nardo e o a‡afrão. Sidney a recebeu com uma esp‚cie de majestade condescendente. ‚ efetivamente respeitada pela lei em # alguns pa¡ses. sorrindo do seu canto. Gladys era nutrida sem ser gorda. uma vergonha! . Como um homem de grandes paixões. Apressou-se em enxugar as mãos e depois.Quarles. de nariz arrebitado. Sidney tomou um t xi e Philip e Elinor tomaram outro. Sidney chegou ao seu apartamento exatamente na hora.

segurando-lhe a Gladys ficou um pouco surpreendida diante da frieza da recep‡ão.. .. embora na realidade ela mais se sentisse senão cheia de surprˆsa e embara‡o. . Vou escrever ao superintendente do Tr fego de Liverpool Street. ca¡a. ela esperava algo de terno. uma vez de a não # 271 que os sˆres humanos s¢ dispõem de um n£mero limitado de ru¡dos e caretas para exprimir a multiplicidade de suas emo‡ões. s muito pontual. e pobres. . . ainda com mais importƒncia -.Os trens não tˆm o direito de andar fora do hor rio. O refinamento que envolvia suas palavras. .MO.disse ˆle. . Sentir-se superior sem nenhum equivoco.Sou mesmo? . e. por que não a beijava.flez ela. Gladys estava impressionada. Quarles. deixando certas palavras e certas frases na nudez de seu acento londrino. era para Sidney um luxo quase tão grande como um abra‡o carnal.disse Gladys. Sidney gostava que elas f"ssem não s¢rnente jovens. a m"‡a se p¢s rir como se alguma coisa a tivesse divertido. duma maneira provocante e petulante. mas tamb‚m de classe inferior. Realmente escandaloso! Sidney Quarles irradiava indigna‡ão.continuou Sidney.acrescentou. mas ‚ poss¡vel que escreva tamb‚m ao bmes. Gladys tinha na ponta da l¡ngua as palavras para perguntar ao amigo. Òsse era. minha pequena . como um disfarce demasiadamente distinto. de tempos em tempos. Depois do que se tinha passado a £ltima vez. ver-se sinceramente admirado. Fora de tâdas as satisfa‡ões simplesmente sensuais. certeza . o maior encanto de suas f‚rias amorosas residia no fato de reparti-las com companheiras f ceis de impressionar.Meu trem teve um atraso realmente escandaloso.Quase pontual em demasia .disse Sidney.. e se j estava enfarado dela. Mas decidiu esperar. Suas .. ali s. o efeito visado pelo Sr. Não tenho . aaa. na falta de melhor coisa a dizer.Veja s¢! .realmente escandaloso! .

ela compreendia muito bem as causas econ"micas e sociais da conduta de Sidney . representada no palco dum musichall. Na presen‡a de mulheres jovens de condi‡ão inferior. recalcitrantes aos desejos humanos e incontrol veis pela humana a‡ão. sempre amiga e obsequiosa. i O Sr. Sâbre a nuca. em casa.escapadas eram feriados não s¢rnente para a castidade. Impressionada porque pertencia ao mundo dos escravos do sal rio. Havia tantos requebros. ficava impressionada pelos seus trovões. usam da sua influˆncia. ao mesmo tempo que um "apaixo~ 11 nado . Sidney a seguiu. com insistˆncia crescente. mas tamb‚m muito engra‡ado. no escr it¢rio.e f"ra mesmo essa compreensão intuitiva que tão prontamente tinha feito dela sua amante.Bigada! . ˆle se tornava um grande homem. Gladys. fazem queixas . que aceitam as sensaborias da vida social como outros tantos fen"menos naturais. ..disse Gladys. Ela admirava. Mas não achava menos gra‡a. mas tamb‚m para aquela sensa‡ão de inferioridade que. pol¡cia. Mas Gladys ria do caso ao mesmo tempo. # rente. os seus cabelos negros. Para Gladys tudo aquilo era maravilhoso . criaturas pobres e pacientes. cortados . Faltava-lhe o sentimento de reverˆncia.maravilhoso. escrevem ao Times a ˆsse respeito. Quarles abriu a porta do pequeno salão e afastou~se para deix -la passar. Mas Sidney era um dos ricos do Olimpo: os ricos recusam aceitar as sensaborias. o tinha sempre assombrado como um fantasma. E entrou.. passam telegramas. por sua vez. no Parlamento. tanta afeta‡ão naquela hist¢ria! Dava a impressão de uma par¢dia de si mesma.

Talvez seja melhor come‡armos imediatamente. Mas o que mais o fascinava.. erguendo o olhar para ela.terminavam num pequeno triƒngulo cuja ponta descia ao longo da espida nha dorsal. eram remunerados. porque desej‡Lvam ser suas amantes . Gladys tinha um cinto de couro negro brilhante.. pele nua.. e muito baixo.Talvez . A rapariga estava metida num fino vestido verde. que pertencia a uma ‚poca em que as damas pareciam deslizar s"bre rodas. bem abaixo das esp duas.Tenho aqui a Corona. era o cinto de couro negro que se erguia e baixava s"bre a anca esquerda. t"da a esp‚cie individualizada. o sexo inteiro. mas não via por que devesse perder uma datil¢grafa cujos servi‡os. . . pâsto obliquamente s"bre as ancas. Quarles não fez gesto que correspondesse . As meias eram câr de carne queimada de sol. de prop¢sito deliberado. Tinha arranjado uma amante.. no fim de contas.. talvez seja melhor come‡ar essas cartas ao superintendente do Tr fego e ao Times. regalava-se com a moda atual e não conseguia desembara‡ar-se completamente da id‚ia de que as jovens que a adotavam se tinham tornado indecentes em proveito dˆle. lhe faziam um sinal semaf¢rico de chamada. com uma regularidade r¡tmica. Naquelas subidas e descidas. Pela segunda vez Gladys sentiu-se surpreendida. A cada um de seus passos o cinto subia e descia s"bre a anca esquerda. com a regularidade duma pe‡a de mecanismo. faceira. Quarles p¢s o pince-nez de aros de tartaruga e abriu a sua b"lsa.. era particularmente sens¡vel ao encanto das barrigas de perna. esperando alguma coisa. agora. por cima das bordas do pince-nez -. Gladys deteve-se e voltou-se para ˆle com um sorriso. contentando-se com sentar-se em silˆncio diante da m quina de escrever. O Sr. cada vez que a m"‡a avan‡ava uma perna. Mas o Sr. -. mas tamb‚m dessa vez não disse nada. Atrav‚s fazenda tˆnue ‚le via. O Sr.disse ˆle. sua expectativa. pensou em fazer um coment rio. a linha em que as roupas de baixo davam lugar . O velho seguia com os olhos as curvas daquela segunda c£tis queimada e lustrosa. Quarles.

Tu não tens id‚ia . tu não tens id‚ia de como . . era excelente. ultima das cartas. são exasperantes estas coisinhas triviais.ordenou o Sr. # Lor- . quando terminou a resposta . .era a primeira coisa que havia de pedir ao velho.. . . acho que devem ser.. Quarles pigarreou e come‡ou a ditar. e não ficou inteiramente satisfeito com o sorriso que viu no rosto impertinente da rapariga.. E Gladys continuava a mostrar-se mais divertida do que admirada.disse o Sr. Olhou para o rel¢gio de pulso.Olhou para Gladys. Um rel¢gio n"vo . como secret ria. e tamb‚m para que ˆle pudesse tirar do servi‡o de Gladys.. Gladys esperava.Nota para o volume de Reflexões . .uma li‡ão para ˆsses patifes! . .Isto vai moˆ-los. felizes em cartas. . .disse ˆle. Meio-dia e dez.Deus seja louvado . Quarles ditou ainda uma d£zia de cartas. as respostas a uma correspondˆncia que tinha deixado acumular-se durante v rios dias antes de vir a Londres. Dentre em breve seria hora do lanche. O Sr.. "Os pin culos de marfim . aaa. .Uma pena que o velho de Hagworni não esteja vivo . . com os dedos suspensos por cima do teclado. .esta. Quarles'a quem uma pens‚e* tinha s£bitamente ocorrido. quando se tem algo realmente mais importante em que pensar. . . O que ela tinha era barato e feio. Inclinou-se para tr s na sua cadeira e. constatou ˆle com vaidade. de maneira que o total parecesse mais importailte. um proveito que cor-respondesse plenamente aos honor rios que pagava.volveu Gladys. que o estava achando impag vel.continuou (e o grande pensador tinha vindo refor‡ar o propriet rio de terras) -.acrescentou.Mas o £ltimo dos Hagworin havia morrido em 1912. Quarles.Eu teria escrito a ˆle. por exemplo. chamando a si aliados fortes. e nunca andava certo .suas Gladys ajustou o papel na m quina e escreveu a data.disse o velho Quarles com satisfa‡ão ao reler suas cartas. pâs-se a perseguir a expressão fugitiva. procura dum aplauso. .Tome nota! .. cerrando os olhos. Era administrador da companhia. "Negligˆncia inescus vel que acarreta a perda dum tempo bem mais precioso que o dos burocratas sonolentos das estradas de ferro" . O Sr. .. As teclas fizeram o seu t -t -t r pido. sem abrir os olhos. Havia algumas frases boas.. E assim (desta vez para o Times) a passagem: "Os amimados parasitas sociais de uma ind£stria protegida". .Sim.

poeira comum.do pensarnento" -.. aaa. # Comprimir uma nesga de carne el stica. acariciando. v¡rgula. . . .perguntou o Sr.. Quarles. (N. e de retornar então com o esp¡rito sereno as coisas mais elevadas..para ser lan‡ado . lendo na rolha que tinha diante dos olhos. da trivialidade do mundo.recitou a frase com del¡cia . ao notar de s£bito a dire‡ão dos olhares do homem. v¡rgula. em fio de algodão câr de carne queimada. com os olhos fitos no canhão da meia .macia. fico exasperado.riamente essas interrup‡ões. e. ponto.Hum! .respondeu Gladys."Com o esp¡rito sereno . de dar-lhes uma aten‡ão passageira mas suficiente. .. v¡rgula. ponha "importu~ nas" . e reabriu os olhos .T"da a minha vida .. Arrastado dos pin culos de marfim do pensamento . . e a uma distƒncia consider vel acima do joelho. havia a pele . mesmo. Elas provocaram ecos satisfat¢rios nos corredores de seu esp¡rito.. puxou saia. estava vis¡vel.ditou ˆle. Gladys.. .Sidney repetia as palavras interiormente. num movimento brusco. Acarici -la. Acima da malha de algodão.s coisas mais elevada*s" . Como uma ta‡a a redonda.. sentir sedosamente acariciadas as pontas dos dedos. que são . do E. aaa. . pensava o Sr.. do lugar em que ˆle se achava. ponto e v¡rgula. distendida sâbre a carne firme e curva. uma tal serenidade foi sempre imposs¡vel. A expressão estava apanhada. Houve um silˆncio. * Pensamento. v¡rgula.. Quarles. Sidney Quarles empertigou-se na cadeira. H pensadores..) 274 v¡rgula. v¡rgula. ai! v¡rgula. capazes de ignorar volunt. eu sei.. ponto. demasiadamente forte.para perceber que o canhão de uma das meias de Gladys. não.. ponto final. .Para mim... tenho uma sensibilidade nervosa.Sidney esfregou o nariz. Morder..Onde estava eu9 .sofri interrup‡ões inconseqentes . como um monte de trigo.

E aquˆle maravilhoso branco e negro da pedra.. Chego a duvidar de que estive fora. Duplamente uma obra de arte. Deteve-se atr s da cadeira de Gladys. . Sidney pousou a mão nos ombros da secret ria e inclinou-se sâbre ela.prosseguiu. a carne el stica e firme . . no quarto.Achas? Suponho que j me acostumei a isso. pensava ˆle.. . uma sensa‡ão um tanto aflitiva.porque nunca pensas nela. A m"‡a tou uma risadinha espremida. voltando .. . . Não apenas arquitetura..volveu Philip. Olha ali o cais. -.. enquanto o t xi sa¡a da esta‡ão de Liverpool Street -. perco t"da a paz de esp¡rito e sinto~me incapaz de guindarme lado novamente .Alongou o pesco‡o atrav‚s da portinhola. .disse Elinor.Então? .Travˆsso! . H um mundo de coisas de minha . concordando com a id‚ia que a observa‡ão da mulher trazia impl¡cita. .est vamos em Udaipur.v¡rgula.Ôsse foi sempre o meu mal . apertando-lhe o corpo . Levantou-se e come‡ou a passear desassossegado. fingindo que afastava as mãos do velho.o corpo da esp‚cie. .perguntou. .Como sinto c¢cegas! Os dedos de Sidney a exploravam. descendo ao longo dos bra‡os. .Para que perder tempo com o Taj Malial quando temos a Catedral de São Paulo para olhar? Que maravilha! . Não tem o direito de ser apaixonado. . . A Gladys individualizada continuou a emitir as suas risadinhas. dum para outro... O Sr. minha t"rre.Sim. Um pensador não deveria ter temperamento. sorrindo duma maneira impertinente e triunfal.Traquinas! # 275 sol~ CAPITULOXXI . nem nervos.Eu pergunto a mim mesmo com freqˆncia se alguma vez cheguei a ter uma infƒncia . . realmente não devia. - Inclinou-se para tr s. Quarles inclinou-se ainda mais e beijou-lhe a nuca. A pele.H um mˆs . mas uma arquitetura representada em gua-forte.co-mentou ˆle. O pequeno triƒngulo dos cabelos rentes descia em ponta ao longo da espinha dorsal.exclamou ela.. Gladys ergueu os olhos. conversa‡ão precedente. do sexo inteiro.Sensibilidade em demasia.Suspirou. . .Não h d£vida de que parece inveross¡mil . . dir-se-ia uma gravura. Parece-me sempre que o passado não existe.Esses dez meses de viagem passaram como uma hora no cinema...

-.Escrevinhando. como São Simeão Estilita.verdade . .. os cartazes anunciavam a quatrocent‚sima representa‡ão de A Menina de Biarritz.escrevinhando desde a manhã at‚ a noite a fim de que possamos viver com liberdade e conf"rto. mas em vão. Que bem-estar sentimos em viver num mundo em que # podemos delegar a outrem tudo o que ‚ aborrec¡vel. observou Philip. · entrada da plat‚ia do Gaiety havia j algumas pessoas enfileiradas. . Para falar a verdade.disse Philip. Escrevinhando.. . dentro dum mundo m.infƒncia que para mim são mais verdadeiras que ˆste nosso Ludgate Hili. escrevinhando. escrevinhando. desde a necessidade de governar at‚ a fabrica‡ão de salsichas! · porta dos Horse Guards. Parece-me que sempre tenho sas demais a fazer. o amante de Lady Hamilton estava empoleirado l austera no alto. VŠnus se mira276 c"ro. Perto do Cenot fio achava-se uma senhora de idade . os cavaleiros de Uccello combatiam coi- os esquecidos do tempo que fugia. podia-se ainda comprar um par de botinas por 12 xelins e meio. no meio dos anjos de Piero que cantavam em Jesus nascia. O resultado ‚ o Imp‚rio Britƒnico. formando um comˆ‡o d‡ cauda. O ve¡culo obliquou para descer em Whiteliali. . va em seu espelho e. Rolaram ao longo do Strand. Rubens raptava as suas sabinas. .Não procuro recordar com freqˆncia. entre as nuveng.Pois eu não . continuou Philip .gicamente encantador. Em Trafalgar Square repuxos jorravam. . Ao lado do Savoy. .Não tens piedade natural. E eu quisera que tivesses . os leões de Sir Edwin Landseer dardejavam suavemente seu olhar feroz. As duas igrejinhas velhas protestavam contra a massa tâda nova da Australia House.disse Elinor... coisas demais em que pensar. quase nunca. No p tio do King's College um grupo de rapazes e de mâ‡as estava sentado ao sol. atr s da colunata da National Galiery..Gosto de-pensar em todos ˆsses burocratas. E. esperando o professor de teologia pastoral. as sentinelas a cavalo tinham o ar de figuras empalhadas. Mas acontece que eu penso nisso constantemente.

Gostava da expressão. Rabelais não evocava senão a id‚ia de pornografia. em vez de s"bre-liu*Membro de uma seita religiosa hindu. . pensou ˆle.O velho Bidlake. Não h nada como o bowdlerismo para inflamar a imagina‡ão.Tu te lembras daquela can‡ão rid¡cula que teu pai citava semp."Vamos todos a Pimlico" . sua estatura. para o uso p£blico. . . ˆle preferia "gargantuesca" a "rabelaisiana". com vista para o rio. Mas o John Bidlake que ˆles encontraram sentado perto da estufa. no seu est£dio. Haveiia algum marquˆs a dormitar na biblioteca da Cƒmara dos Pares? Um "nibus despejou os seus americanos . parecia antes um tanto minguada. ao se aproximarem da casa. Um Olimpo gargantuesco. Olhando para tr s.Pimlico .Pirrilico . febrilmente. os olhos erguidos. pela janelinha traseira da capota..disse Philip meditativamente. Durante muitos anos fiquei a pensar nisso. Philip e Elinor puderam ver que o hospital estava ainda em necessidade urgente de fundos. Um sikh* de barba negra e turbante c"r de malva p lida saiu da casa Grindley no momento em que Philip e Elinor passavam. (N. Riu. . .cantarolou Elinor. .." preciso não esquecer isto! .Riram ambos. tinha feito de Pinilico uma esp‚cie de Olimpo rabelaisiano. porta da Abadia de Westminster. eram 11 horas e 27 minutos. então.re? . Nunca pude descobrir o que se passou quando ˆles chegaram a Pinilico."Uma estrofe falta aqui.) # 277 mana. . Pelo Big Ben. murmurando uma ora‡ão por cima da Kodak com a qual se propunha tirar um instantƒneo das almas dos 900 O00 mortos."Uma estrofe falta aqui. Tinha-se pelo menos not¡cias de que Gargantua era grande. " Falta em t"das as antologias.madura. não tinha nada de ol¡mpico. Aos que não o tinham lido nunca. Deixou. Mas. A casa de John Bidlake ficava na Grosvenor Road. do E.repetiu Philip. . lembrando-se dos coment rios de John Bidlake. .se beijar pela filha e apertou molemente a mão do genro.

perguntou Elinor. .Mas tu devias chamar. . . O velho Bidlake tinha uma aparˆncia de magreza. .mal . quando o pai termiElinor ficou surprˆsa e cheia de pena. A verdade era que ˆle tinha um terror supersticioso dos m‚dicos.Bom . falando s‚rio! Elinor tentou convencˆ-lo.Estou inquieta com ˆle .Como vais. O velho sacudiu a cabe‡a. Mas ‚ qualquer coisa de muito desagrad vel. Mas não havia nenhuma ressonƒncia na sua voz. . O feiticeiro de mau agouro podia vir agora . mas de Elinor. ..A queixa degenerou quase em lam£ria. Nunca fazem bem nenhum . A responsabilidade não era sua. .O rugido se fez queixa. papai? vira o pai num tal estado.disse Elinor no t xi que a levou em companhia do marido..Não acredito nos m‚dicos. estava cinzento. Nunca nou.. John Bidla-ke descreveu minuciosamente os sintomas de seu mal. Òle falava sem nenhum entusiasmo. portanto. Ter 73 anos não ‚ brincadeira. Havia j algum tempo que desejava consultar um m‚dico.Consultaste um m‚dico? .. Agora que sabia poder consultar um m‚dico em seguran‡a. John Bidlake se sentia melhor e mais animado. H *qualquer coisa que não funciona bem aqui dentro.. .declarou ˆle. . Come‡aram a falar de outras coisas.Folgo em ver voc‚s de n"vo . gente. A religião particular do velho Bidlake era obscurainente compli~ cada.respondeu Šle. Fazer a gente andar vida em fora carregando um montão de tripas! Eu sempre quis mal a Deus porcausa dessas brincadeiras de mau gˆsto .Não sei o que est acontecendo . O velho leão s£bitamente se p¢s a rugir.. -. aquˆle eco tonitruante de risos joviais . sacudindo a cabe‡a . -.Mostrou o ventre. . Philip concordou com um meneio de cabe‡a.Eu me sinto desgra‡ado.Mas secretamente sentia um certo al¡vio. Detes tava vˆ-tos em casa: eram aves agourentas.Que venham os charlatães. Òle come‡a a aparentar a idade que . conforme a sua maneira habitual. Seus olhos estavam sem lustro e estriados de sangue.s minhas v¡sceras agora. ..consentiu por fim o velho Bidlake.estava ausente dela. . -. mas at‚ então a supersti‡ão tinha sido mais forte que ˆsse desejo.Mal.. resmungando. . irão seria.não a chamado seu. --. s"bre ˆle que a desgra‡a havia de cair.

.Eu s¢ queria saber ‚ como vou encontrar Everard. . podiam ir para o diabo! "Apesar de tudo". nem lido nada s"bre Aquiles num livro de capa de couro de carneiro enrugado? Pois ˆsses . " Sim. Nada de descri‡ões de longo f"lego." Elinor rompeu o silˆncio. .tem.Em todo caso não passa duma questão de tempo. .Pois queria s¢ saber se ˆle j se p"s a puxar as orelhas do povo. Mas. pensava Philip. . "Uma est tua em pergarninho" . naturalmente." Esta. rindo.Gostava daquele homem? Ou detestava.Eu tamb‚m gosto dˆle. . encolhida.A zombaria de Philip lhe tinha fornecido uma resposta .. por exemplo. aquˆle corpo enorme mas gil.disse Philip. sua pr¢pria pergunta.. . ao p‚ da estufa. As descri‡ões # de são coisa lenta. Poder-se-ia descrever. "‚ demasiadamente liter rio. não bastava. a menor 278 Mas a que resultado se chegaria dessa maneira? A nenhum. gosto dˆle. porque gostas de mim? . Que cabe‡a! pensava Philip. . o? . -. para quem quer que alguma vez tivesse visto um molde em gˆsso do DisciSbolo. E ela?. naquela £nica frase. agora que ˆle se tornou um grande homem.John Bidlake tornava-se vis¡vel. Mas e os que nunca haviam visto a est tua grega. Rapidez e violˆncia .Tu ris tamb‚m de mim..Via em imagina‡ao aquˆle rosto ardente. . E Webley estava apaixonado por ela.Apesar de tudo. para quem quer que tivesse manejado um livro encadernado em pergaminho e ouvido falar de Aquiles . uma simples frase . As cita‡ões tˆm em si alguma coisa chistosamente pedante. "A gl¢ria que foi a Gr‚cia. como Napoleão. ¡mporuga. Mas ser que não posso rir quando tenho vontade? .seria melhor esta.. agora decr‚pita. aproximava-se do objetivo. um rosto ‚ instantƒneamente percebido.era do que se precisava. A literatura era tente para reproduzir aquilo. "A est tua em pergaminho daquele que outrora fora Aquiles estava sentada.. . -. Uma palavra. Quisera ser pintor. ‚ claro. diria j alguma coisa do homem.. Mas. Cultura em excesso. . .

Pois tenho vontade de fazer a experiˆncia .E quem seria o teu companheiro de experiˆncia? . .Eu me sentiria verdadeiramente desgra‡ado. As fi"res estavam abominµvelmente mal-arranjadas. . de punhais. E tu sabes.. .Que elogio! . . E o pior ‚ que eu te amo. Sim.acrescentou ela. . Um dˆstes dias eu me ponho .. Saltou para a cal‡ada. 279 # . seguindo-a com os olhos pela portinhola do ve¡culo. .. Desde o . enrugando a testa. Elinor explorou curiosamente a sala. . . e tu exploras essa circunstƒncia.H momentos em que me deixas desesperada..Eu te adoro e nunca rio de ti. Não quero continuar t"da a minha vida a dar muito a tr"co de nada.Elinor fitou os olhos nˆle. procurado "outro". Everard fe-la esperar quase dez minutos. E aquela vitrina cheia de velhos sabres.Mas toma cuidado . Que farias se eu f"sse embora com um outro homem? Isso te importaria.me Philip tomou a mão da esp"sa e beijou-a. Philip pâs-se a rir e atirou-lhe um beijo com a ponta dos dedos.era horrenda.Dize ao chofer que me leve ao clube. . . .continuou ela.Eu não te deixarei abusar de mim indefinidamente. -. Elinor estendeu a mão para tomar o seu guarda-chuva.Talvez experimente. O carro parou .Mas tu tamb‚m ‚s insuport vel. como um mostru rio de museu. beira da cal‡ada. para falar a verdade. levantando-se. embora f"sse ao mesmo tempo e de certo modo tocantemente absurda. um bocadinho que f"sse? .. era uma monstruosidade. estava 1000 quil"metros afastado.verdade? .Mas ser que te sentirias mesmo desgra‡ado? Eu quisera ter certeza disso antes de come‡ar . A maioria dos outros homens são tão insuport veis . . Philip sorria.. Quando acabou de p"r um pouco de p¢ no rosto. de pistolas guarnecidas de incrusta‡ões . Elinor olhou para ˆle sem sorrir. . apesar de tudo.Por que não experimentas Everard? .ca‡oou ˆle..Ali! Eis a dificuldade. . Levo-te perfeitamente a s‚rio. Phil! Tu ‚s o mais insuport vel de todo~. Sei que Everard não deseja outra coisa..

E l estava ainda. Palavras. "Devo ser uma t"la". Elinor abriu o piano e tocou um par de acordes: o instrumento estava desafinado. na atitude de H‚rcules. ao lado dˆle.. a vitrina o denunciava. Webley era sempre. como de costume." Aquilo soava bem. vivia . o sest‚rcio do ano 44 antes da nossa era. era que com ˆle a gente sempre sabia a quantas estava. se ˆle tivesse escrito: "democracia pol¡tica sem socialismo. Absolutamente vazias.. 280 "A pol¡tica dos lnglŠses Livres". Elinor sorriu afetuosamente para aquelas figuras. "pode-se resumir assim: Socialismo sem Democracia pol¡tica e Nacionalismo sem Insularidade.. altura de sua reputa‡ão. e insularidade sem nacionalismo" . Mas aquelas abstra‡ões eram efetivamente destitu¡das de sentido para ela.lhe com col‚gio Everard conservava a ambi‡ão de correr mundo a cavalo e de decepar cabe‡as aqui e ali. Sigismundo Malatesta. Voltou a p gina: "O sistema dos partidos funciona bastante bem quando os partidos são simplesffiente dois grupos de oligarcas rivais.ela o teria admirado # prov. o mais belo dos rufiões. a cabe‡a de Alexandre. e mais a Rainha Elizabeth com sua golilha alta. e o Duque de Wellington. um Napoleão com louros na cabe‡a.. com o perfil formid vel de C‚sar. folheou-o. pensava Elinor. Sâbre a mesinha perto da chamin‚ havia um volume dos £ltimos Discursos e Procla~es de Everard.. mesma classe. nada mais que palavras. ˆle mesmo. O que havia de agrad vel em Everard. sob uma coberta de cristal. estampado com a efigie do navio que simbolizava o in¡cio do poderio mar¡timo da Inglaterra.. o real de Eduardo 111. Ali.velmente com a mesma sinceridade. com seu tabuleiro cheio de medalhas e moedas. e de maneira perfeitamente definida. O mesmo acontecia com aquela mesa de plancha de vidro. aquelas abstra‡ões! Elinor sacudiu a cabe‡a e suspirou. eram velhos amigos. o Grande. leu ela. Com que orgulho ˆle tinha mostrado seus tesouros! Havia l a tetradracma macedoniana. que pertencem . que . pensou. sâbre a medalha do Pisanello. Mas. e. Elinor tomou do livro.

Durante a Reforma n¢s nos desembara‡amos da infalibilidade papal. vocˆ ‚ levado a aceitar a ditadura dos pobres (igualmente com exclusão dos inteligentes). por que motivo as pessoas se atormentavam com coisas daquele gˆnero. mais ou menos no meio. não obstante. Em nossos Parlamentos. e que lutam um conse tra o outro pelo poder. simplesmente viver. Os Inglˆses Livres juraram fazer triunfar uma nova reforma e uma nova revolu‡ão pol¡tica. E o alvo dos Inglˆses Livres ‚ abolir ˆsse sistema. Uma infalibilidade nova. sou for‡ado a admitir a ditadura dos ricos (com a exclusão dos inteligentes).tˆm no fundo os mesmos interˆsses e o mesmo ideal. os direitos da topografia são mais fortes do que os do bom-senso. quando se ‚ homem. pensou Elinor." Tudo isso parecia certo. e vocˆ ‚ constrangido a admitir a interferˆncia do Estado com exclusão de todo individualismo. Cromwell esmagou o direito divino dos reis. de eu ser da Direita e vocˆ da Esquerda. mas sim a da maioria. mas nos curvamos ao pˆso do direito divino dos reis. sou compelido a admitir o individualismo com exclusão de t"da interferˆncia do Estado. A destrui‡ão do feudalismo fortificou a Coroa. A tirania dos propriet rios de terra e das classes m‚dias est em via de destrui‡ão r pida. mas imp"s a tirania dos propriet rios de terras e das classes m‚dias. Em lugar de viver. Elinor reabriu o livro. mas ficou a perguntar a si mesma. N¢s nos desembara‡aremos da ditadura do proleta# 281 . acha-se aborrecido simplesmente viver. Pelo fato de eu sentar de um lado na Cƒmara e vocˆ do outro. Tudo isso pela razão simpl¡ssima. foi proclamada . e politicamente inconseqente. Mas quando os partidos se identificam com as classes e aplicam de modo rigoroso os princ¡pios partid rios. Eis os beneficios do moderno sistema de partidos. vocˆ ‚ compelido a admitir o internacional ismo. "Cada uma das liberdades inglˆsas foi adquirida ao pre‡o duma nova escravidão. sou obrigado a admitir o nacionalismo. mesmo o internacionalismo pol¡tico (que não ‚ um absurdo menor). bem como o parlamentarismo corrompido e impotente que lhe serve de corol rio.uma infalibilidade na qual somos obrigados a acreditar pela lei. a fim de que tenhamos a ditadura do proletariado. mesmo o nacionalismo econ"mico (que ‚ um absurdo). Mas segundo parece. o sistema torna um absurdo. não mais a do papa.

Ela mergulhou por um segundo o olhar nˆles.gritou ˆle. numa palavra. que se abriram enfun.. . .. . uma voz forte ressoou no vest¡bulo. pareciam inteiramente tomados pelas pupilas. tomando as mãos de Elinor. Everard p"s-se a rir. Everard tinha os olhos dum castanho muito escuro. mas um pouco inquietadores. a casa tremeu..Como me posso descul~ar? . . brilhante. Bonitos olhos. vigilante. " Elinor sentiu alguma dificuldade no voltar a p gina. . como se uma bomba tivesse explodido do outro lado.disse -.. . sempre o mesmo. Everard Webley entrou. Eis a liberdade. devem ser largamente abertas aos talentos. E est s com uma aparˆncia maravilhosa! Elinor correspondeu-lhe ao sorriso. " . . Os Inglˆses Livres se batem.Mas se soubesses em que turbilhão eu vivo! Como ‚ maravilhoso tornar a ver-te! E não mudaste nada... pela justi‡a e pela liberdade.Òles exigem que cada problema seja tratado objetivamente. Negaremos a infalibilidade da maioria como ˆles negaram a infalibilidade papal. ..riado como nossos pais se desembara‡aram do direito divino dos reis. Tâdas as carreiras. opinião sem valor das maiorias est£pidas. depois desviou-o.Tu tamb‚m .Os mesmos olhos p lidos e serenos. Sua pol¡tica ‚ que os homens de mais valor devem governar. numa torrente de ruidosas desculpas e boasvindas. . Por que se batiam ˆles? perguntou ela a si mesma. Houve um ru¡do de passos precipitados na escada. A porta do salão foi aberta violentamente. Encantadora como sempre. Pousou no rosto dela um olhar profundo e intenso.Tornou a encarar Webley e viu que ˆle a olhava sempre com intensidade. Eis a justi‡a. . os mesmos l bios cheios e melanc¢licos. vistos de uma certa distƒncia.Dez meses em viagem pelos tr¢picos não ‚ o bastante para nos transformar em outra pessoa. " Uma porta bateu.. qualquer que seja a sua origem. por causa de sua fixidez intensa. Pela ditadura de Everard e a infalibilidade de Webley? Soprou as p ginas recalcitrantes. Os que imaginam que a liberdade ‚ sin"nimo de sufr gio universal. pensava ela. verdade que não vejo por que devˆramos ter mudado. . sem referˆncia aos preju¡zos tradicionais de partidos nem .

Milton diz que "nada ‚ mais proveitoso do que a estima de si mesmo fundada s"bre a justi‡a e o direito". mas s‚rio .Olharam um para o outro. se isso ‚ poss¡vel. do # .. Sei que a minha repousa s"bre a justi‡a e o direito. não? O homem fez com a cabe‡a um sinal afirmativo. .Que al¡vio ouvir de ti estas palavras! . des‡amos para o lanche.Achas que eu tenho muita pros pia.E que efeito produz em ti o fato de ver tantos inglˆses passeando de uniforme verde-ervilha? Everard desandou a rir. . num certo sentido.que me vais enraivecer chamando-me de presun‡oso.Um pouco mais o mesmo.que . compreendo .s verdades eternas. Tamb‚m ‚ o mesmo de sempre? . de n"vo. talvez. afastou primeiro o olhar. 782 .E Philip? . naturalmente. O fato de ver negros passeando sem cal‡as deve tˆ-lo feito ainda mais c‚tico que era quanto . .Outros poderiam conseguir isso. . Houve um pequeno silˆncio. . Foi Elinor que. mas sentiam-se nˆle errormes reservas em potˆncia..Felizmente! Demos gra‡as aos c‚us! E agora. quando falsa.Obrigada pela informa‡ão. est claro. . .riu Elinor. .Eu podia não ter adivinhado por mim mesma. . .sei por experiˆncia.perguntou ˆle.Das quais sou uma. . Com sˆres humanos. .Isso fortifica a minha cren‡a nas verdades eternas. Sei .Um pouco mais.. mas ao mesmo tempo ficou um pouco ofendida pela zombaria. A mod‚stia ‚ prejudicial.. Elinor sorriu. . Era de se esperar. Sim.Everard falava docemente.. Mas ‚ que não gostamos de ser incomodados pelos animais inferiores.estou absolutamente convencido disso .Verdades das quais tu ‚s uma.Ela mantinha o tom de ironia. sorrindo. nossos iguais. quando o peixe foi servido. . Esmagamo-l~s. Everard meneou a cabe‡a. E isso deve ser verdade.Não imagines . Mas o que h de grave ‚ que sei muito bem que meu orgulho ‚ justificado . com um tom que não era mais trocista. ‚ diferente: com ˆles discutimos as coisas racionalmente.disse ˆle por fim. .

não pensou . quando ˆle as pronunciara.tão macio. Mas o que estava feito era imposs¡vel de se desfazer de maneira completa.Inclinou-se para tr s na cadeira. Talvez pudesse frustr -lo. por que haveria de fingir que ignoro? . vou impor a minha vontade.. tentando punir os traidores que moravam dentro de sua pr¢pria alma e que tinham capitulado tão f cilmente. deixando adivinhar entretanto. Porque seus sentimentos tinham sido estranhamente tocados. As palavras podiam ser rid¡culas. Ou melhor. "‚ rid¡culo falar dessa maneira." Era o protesto de sua inteligˆncia cr¡tica contra seus sentimentos. Para que negar esta convic‡ão? Vou tornarme senhor. tantas reservas latentes e vibrantes de for‡a e paixão .pidarnente. O criado trocou os pratos. dum desejo estranho de exultar e de rir forte. Assumirei. pensava Elinor. Houve um longo silˆncio.. tentando tirar de Webley uma desforra da conquista f cil. Falaram de coisas indiferentes . de arni~ gos oormins. de emo‡ão. Elinor tinha 283 # vibrado de admira‡ão s£bita. mas o fato era que. Quando ˆle dissera: "Vou tomar-me senhor".a tinham conquistado. Mas lhe pareceu de s£bito que não havia . tal fora o calor que s£bitamente lhe formigara no corpo todo. ambos acenderam os seus cigarros. Eu sei. houve um silˆncio. " absurdo". foi como se ela houvesse tomado um trago de vinho quente e capitoso. então. o tom da sua voz . dos acontecimentos de Londres durante sua ausˆncia. conseguisse manter a conversa‡ão num plano neutro at‚ que chegasse a hora de ela partir.da viagem de Elinor. Veio o caf‚. Tenho resolu‡ão e coragem.posso fazer o que quero. Era poss¡vel que. rompendo ela mesma o silˆncio. " rid¡culo".pois j sabia e foi ˆsse conhecimento prof‚tico que lhe deu tanta apreensão. De que modo seria ˆle quebrado? Elinor ficou a pensar nisso com apreensão. As palavras de Webley. o contr"le. repe~ tia ela interiormente. sob sua suavidade. continuando a palestrar r. E em muito pouco tempo terei a for‡a organizada.

murmurou. como no momento em que partiste. Não sa# tiveste a menor oportunidade de despertar plenamente para a vida.Pois te enganaste. . seus olhos vivos e escrutadores. Elinor se sentiu como que paralisada pela aproxima‡ão do acontecimento inevit vel. Nada mais podia fazer senão ficar sentada e esperar. pensava Elinor. apaixonadamente. . E por fim o inevit vel aconteceu. Mas foi implac vel. E bes que eu ta posso dar.. Ficou o mesmo. como devia acontecer.Que tolice! ." Mas elas comoviam. Ela sacudiu a cabe‡a sem olhar para o amigo.. Pois bem. F‚z um esf"r‡o para manter o olhar firme ao passo que observava o rosto dˆle. O amor que ‚ desesperado e louco.Porque ‚ imposs¡vel.Tudo o que sei . . . Porque tu viveste meio morta. . Tentou um sorriso.Tu me disseste que não mudei.Por favor. tens mˆdo. . sem erguer os olhos . . um apˆlo . . Everard . f¡sionomia. como uma esperan‡a derradeira..disse ˆle lentamente . sua clemˆncia. como a lisonja dˆle a tinha comovido. .. . E ao mesmo tempo temo.perguntou ˆle lentamente. sacudiu a cabe‡a. cala-te. Everard jogou a cabe‡a para tr s.mais nada a dizer. O amor que ‚ violento e suave.Elinor.disse em voz alta -.Julguei que tiv‚ssemos combinado não tornar a falar nisso . . Elinor.Lembras-te . Não. violento como um crime e uma sua- ve como o sono. ˆle falou. todos Šstes anos. Tens mˆdo. Tu não sabes o que eu te posso dar. e tu bem sabes. Eu te amo tanto quanto te amei sempre.‚ que tens mˆdo. ˆle continuou a falar: . "Palavras". Com sua voz macia cheia de reservas latentes de violˆncia.. . Elinor sempre o mesmo.. como o de uma mãe para com o filho doente .do que eu te disse antes de tua partida? . . Docemente. pousando-a na mesa. Fincou os cotovelos na mesa e se inclinou para ela. Webley estendeu tamb‚m das suas e tomou a de Elinor.Ela estendera a mão para a frente.Tu não sabes o que pode ser o amor. no que diz respeito .. com uma pequena risada. melodram ticas. . meu cora‡ão tamb‚m não mudou.Olhou-a e leu nos olhos dela uma expressão de ang£stia e de inquietude. Elinor baixou os olhos. "palavras absurdas. Mˆdo IRA de vir para a vida.Não queria ser comovida.. eu te amo mais.

. melodram tico.E talvez tenhas razão.. queria-lhes mal porque elas desperdi‡avam o tempo e a energia dum homem. . Mas não f"ra apenas susto o que ela sentira.disse ela. " rid¡culo". Estar vivo. Seus nervos e a sua propria carne palpitavam ainda . perigoso. Mas. . sarc stico. E.como as propostas que se fazem a uma mulher da rua. que era aquˆle amor de que'ˆle falava duma maneira tão vibrante? Apenas um breve interl£dio de violˆncia. . repetiu ela . pensava Elinor. nos intervalos dos neg¢cios. com um ar de amea‡a pensativa.Muito bem.Ela se sentiu profundamente aliviada. .. Suas investidas eram quase um insulto . Everard desprezava as mulheres. com uma risada. perseguido pelas palavras de agradecimentos. verdadeira mente vivo não ‚ brincadeira.Devemos falar s"bre Shakespeare? . numa realidade sonora .e t"da a violˆncia latente de sua voz doce vibrou de s£bito..Aquilo tudo era bomb stico.Sˆ razo vel. . . Por hoje.De resto acrescentou.. "Rid¡culo".. depois. Ou s"bre o copofone? O pre‡o da corrida foi 3 xelins e 6 pence. Philip deu ao condutor 2 meias coroas e subiu os degraus do p¢rtico de seu clube. jogouse para tr s na cadeira.s sensa‡ões obscuras e violentas de exulta‡ão que a voz de Webley tinha despertado nela. Estava zangado consigo mesmo por desej -la tão violentamente. citando uma frase de Webley com um leve sorriso irânico tu não ‚s um membro da classe ociosa. . Everard retirou sua mão da de Elinor e depois. . Elinor muitas vˆZes lhe ouvira dizer que não tinha tempo para se ocupar com o amor. Tinha por h bito dar gorjetas largas.‚ sensacional.perguntou ˆle. sem d£vida. . . Os ecos pareciam ressoar no seu pr ¢prio diafragma. E zangado tamb‚m com Elinor por deix -lo assim insatisfeito. Everard . s"lta. Tens coisas mais importantes a fazer do que te ocupares com o amor. nem porque tivesse pedido ou tencionasse pedir ser285 # .. Everard olhou-a por alguns instantes em silˆncio. para se tranqilizar. Mas era como se ela tivesse ouvido aquela voz diretamente com todo o seu corpo. Coisas mais importantes a fazer? Era verdade. e seu rosto se fez grave.Se soubesses que susto me deste! Gritando dessa maneira. por Deus! . Não era por ostenta‡ão.Para sempre. . em certo sentido.

muito poucos poderiam suportar com mais paciˆncia um servi‡o malfeito e mostrar-se mais dispostos a desculpar negligˆncias. As portas estavam abertas. Spandreli foi o primeiro a aparecer. pela boa razão de que queria ter o menor n£mero poss¡ vel de rela‡ões com ˆles. as intui‡ões . aversão que lhe inspi rava todo contato humano não absolutamente necess rio. Òle o evitava na medida do poss¡vel. uma compensa‡ão . logo depois que as primeiras sauda‡ões foram trocadas e pedido o vermute -. "Meu pobre diabo!". Era..vi‡os especiais. isso se devia tanto ao pavor e . a estabelecer um contato direto . e. Daqueles que o serviam Philip exigia pouco. Philip fazia o poss¡vel para desumanizar as rela‡ões. o escritor entrou. Philip pendurou o chap‚u e foi passar os olhos pelos jornais na sala de fumar. parecia querer dizer a gratifica‡ão pr¢diga.Dize-me . Porque. que representava a Ciˆncia e a Virtude subjugando as Paixões. Ser obrigado a falar-lhes. sombrio e fresco. 9amento muito ser teu superior. uma penitˆncia paga ‡rn dinheiro. (Realmente. de certa maneira. esperando a chegada de seus convidados. se ˆle era pouco exigente.) Nˆle a gorjeta larga era a expressão material duma esp‚cie de desd‚m carregado de remorsos e de desculpas. O vest¡bulo de colunas era vasto. como aos senti mentos de considera‡ão e polidez.não entre as inteligˆncias. poucos homens conseguiriam ser menos exigentes do que Philip para com os criados. em parte. dize-me depressa." E talvez Philip desse tamb‚m 1 xelim em repara‡ão da sua pr¢pria indulgˆncia para com os criados. O grupo aleg¢rico de m rmore.com aquˆles violadores era-lhe sempre desagrad vel. sua bondade inumana para com os que eram objeto dela. os sentimentos.pediu Philip. antes que ˆle apare‡a: que e que h com o meu jovem e rid¡culo cunhado? Que ‚ que se . . A sua generosidade era assim.. quando o contato se tornava necess rio.. de Sir Francis Chantrey. se encolhia com todo o decâro cl ssico num nicho. em cima da escada.. Òle não gostava de que sua intimidade rosse violada por pessoas estranhas. A presen‡a de servi‡ais o perturbava. mas entre as vontades.

que tinha deixado o olhar passear em t"rno. um tapŠte tamb‚m c"r de clarete amortecia o ru¡do dos passos.Vamos comer em seguida. . Os rec‚m-chegados recusaram o aperitivo. mesa que lhes estava reservada. atualmente defuntos. no que diz respeito a Waiter. Mudando de assunto.. Philip se p"s a rir. então . quando se sentaram todos . . . prˆsa dum leve mal-estar.Era Walter.muito s‚ria.exclamou Illidge. de cada lado das seis janelas. . S"bre as paredes # dum marrom de chocolate.Deus seja louvado! Ah! l est ˆle! .Que ‚ que se passa geralmente em tais casos? E. .Os que trajavam de outras c"res devem ter sido assassinados pelos s¢cios do clube enfureci- . mostrou os criados no mimetismo de suas libr‚s dum vermelho protetor.Parece uma montagem para um festim de Baltasar.passa entre ˆle e Lucy Tantamount? Spandrell deu de ombros. . Quanto .São coisas dˆste gˆnero que me dão verdadeiramente a sensa‡ão de ser da plebe. Òles confirmavam a hip¢tese darwiniana.disse Philip. A sala de jantar do clube de Philip era imensa. os retratos dos membros ilustres. . olhavam a sala com um ar feroz. Uma dupla fila de colunas cor¡ntias de estuque suportava um teto dourado. dura‡ão quem sabe? Mas Lucy deve-partir para o estrangeiro dentro de muito pouco tempo. .. . e.E Illidge 286 tamb‚m. serão ˆstes o lugar e a hora para entrar em detalhes? Apontou os outros ocupantes da sala de fumar. . As cortinas de veludo c"r de clarete achavam-se arrepanhadas por cordões.disse Spandrell ao entrar nela com os outros.disse o novelista. e quanto tempo parece que vai durar. Um ministro.Philip lhes fez um sinal com a mão. dois magistrados e um bispo estavam ao alcance da voz dˆles. como insetos numa floresta.. os gar‡ons se moyirnentavam dum lado para outro.Safa! .. de qualquer modo. em suas libr‚s c"r de clarete.a sobrevivˆncia dos mais aptos .Mas eu apenas quero saber se a coisa ‚ mesmo s‚ria..precisou Walter. -. ..Mas dum Baltasar bem anglicano . . Philip pâs-se a rir. .Sempre gostei desta sala -. quase invis¡veis.

. .. pobre mulher! Veio a ‚poca de exames e fui eu quem ganhou a b"lsa.Miser vel f‚tinho escrofuloso! Mas eu lhe serei eternamente grato. E são de coisas como essa que depende tâda uma existˆncia . Eu era um bom aluno. (Que ratinho repugnante era Šle!) . Enquanto dava repeti‡ões a Reggie. e Reggie foi para a escola do lugar. Mas felizmente Reggie tinha bacilos de Koch no seu sistema linf tico. na eu qualidade de convidado.observou filidge entre parˆnteses. E tudo isso se deve ao fato de um lojista de Manchester ter tido um filho com tendˆncias para a escr¢fula. o que ‚ mais importante. Sem ˆles eu teria ido para a oficina de sapateiro de meu tio.Um dos sobreviventes c"r de clarete trouxe o peixe.disse filidge.. .velmente remendando sapatos em Lancashire. numa aldeia de Lancashire.de alguma probabilidade absurda. Não permitiu que minha mãe pagasse um n¡quel.curioso . Pelo menos. . assim. sentado com voc‚s. dˆste modo . Porque não teria sido coisa de surpreender se estivesse aqui com uma dessas libr‚s c"r de vinho. Os m‚dicos lhe prescreveram a vida do campo. uma contra 1 milhão. .Emitiu um riso breve de despeito.Mas estar sentado aqui com vocˆs. Não que ela pudesse pagar muito f. O pai alugou uma casinha na minha aldeia.dos. . para a mulher e o filho. em suma. Come‡aram a comer. -.Queria que o rapaz entrasse mais tarde para o col‚gio de Manchester. que eu esteja aqui. Com uma b"l sa de estudos.Illidge riu. ‚ verdadeiramente extraordin rio. Pagou o nosso professor para lhe dar li‡ões particulares. achou que podia tamb‚m incluir~me nas aulas. Mas o pai era ambicioso no que dizia respeito ao filho. o professor gostava muito de mim.‚ mesmo quase incr¡vel. seguindo o fio dos pensamentos sugeridos pelas primeiras impressões da sala -. assim como aos bacilos ativos das suas glƒndulas. eu a esta hora estaria prov. . Se Reggie Wright f"sse uma criatura normalmente sã. 287 # Gr tis.cilmente. Isso pelo menos estaria em harmonia com aquilo a que os past"res chamariam "minha condi‡ão social". -.. Reggie foi reprovado.

não estarias agora aqui.Mas.embora eu nunca tenha encontrado em t"da a minha vida uma justifica‡ão.. Mas.acrescentou Illidge. como fazem os homens de ciˆncia.Mas admitindo.s pessoas a quem acontecem. .fez Walter. 288 em companhia do professor de poesia da Universidade de Cambridge.Absurdo.s suas mesas. . e o secret rio perp‚tuo da Academia Britƒnica. Spandrell encolheu os ombros. . ‚ assim que as coisas acontecem.No entanto . não foi uma insignificƒncia .disse Spandrell. E um grande mist‚rio e um paradoxo.Mas pessoas diferentes podem ser influenciadas pelo mesmo acontecimento de maneiras inteiramente diferentes e caracter¡sticas. . num eco. . Mas eu creio que os acontecimentos se apresentam j feitos para se adaptarem . que a hip¢tese mais simples seja a melhor . Nem mais indigesto do que tudo isto. Não acham isto um pouco duro de digerir? . mesmo .exclamou Illidge.objetou Philip. seja.Isso ‚ um tanto oracular.Não. .interveio Philip -. Philip discordou duma maneira mais polida. ..Pode ser que essa esp‚cie de deforma‡ão exista. apesar de tudo. na minha opinião. o acontecimento ‚ modificado. Por que haviam elas de ser l¢gicamente explic veis? . por quˆ? . para tal # . completamente em harmonia contigo.. .concordou Spandrell. com desg"sto. . ela estava completamente de acârdo.e t"da a nossa vida fica alterada. Mas Philip insistiu nos seus argumentos. Impossibilidade. . . essa providˆncia de vocˆs faz. al‚m da in‚pcia humana.Para não dizer um absurdo e uma impossibilidade . Duvido que haja acontecimentos de ao fato insignificantes.Percebendo os acontecimentos. modificado qualitativamente. de maneira que se adapte ao car ter de cada pessoa nˆle envolvida. Tudo que acontece ‚ intrinsecamente semelhante homem a quem acontece. . que casualmente ia entrando na sala.. os convivas .A tua matr¡cula gratuita não foi um acidente. por algum processo imposs¡vel de descrever. .Uma insignificƒncia . dum mesmo acontecimentp. De outro modo tu não a terias obtido.Que asneira! .expressemo-nos as- sim -.Apontou a sala de jantar baltasaresca. de sorte que o que acontece parece-se com ˆles.Não ‚ mais indigesto do que o fato de estarmos aqui. os criados câr de ameixa. os homens os deformam . .Com efeito.Eu sei .objetou Spandrell. coisas qualitativamente diferentes para indiv¡duos diferentes. . . não achas? .

.Pode muito bem acontecer que sejamos incapazes de compreender ou de medir as f"r‡as sobrenaturais que estão atr s das for‡as superficialmente naturais (seja qual f"r a diferan‡a entre o natural e o sobrenatural). que deforma o acontecimento para fazˆ-lo . com a sua hist¢ria e o seu car ter. não pode ao mesmo tempo ter uma explica‡ão complicada. O que tu fazes ‚ simplesmente promover a tua tolice a categoria de lei geral. Não ser melhor. apesar de tudo . . sua pr ¢pria . ou uma corrente de infelicidade..atalhou ˆle. . .Ou então .. . . Philip aproveitou o ensejo para prosseguir na sua argumenta‡ão. somos obrigados a pressupo-la.A justifica‡ão da experiˆncia.. deixar de parte ˆsse postulado sup‚rfluo? . então. o car ter estar formado..perguntou Spandreli. Depois que a corrente persistiu o tempo suficiente (e ‚ espantoso como tais correntes persistem!). Que dizes dessa esp‚cie male vel de gente?---e somos todos mais ou menos inale veis.. . antes que Illidge pudesse replicar -.Mas ser realmente sup‚rfluo? . ou uma corrente de oportunidades ign¢beis e tristes.disse Spandrell -.velmente. .inquiriu Spandreli. se te agrada dar-lhe ˆste nome. Que dizes das pessoas cujos caracteres não são inatos mas sim formados. poder s dizer que ‚ o indiv¡duo que deforma . se te agrada explicar a coisa dessa maneira. ser que os fatos não se explicam mais simplesmente se dissermos que ‚ o indiv¡duo. sobrenatural.. sua pr¢pria semelhan‡a? N¢s vemos os indiv¡duos. Na pr tica não seria poss¡vel distinguir entre essas duas alternativas. Mas isso não prova que elas não estejam agindo. somos todos mais ou menos modelados.Por que não? . natural. uma corrente de belas oportunidades her¢icas. as coisas da maneira mais simples. efeito.. .com atitude.Apoiado! apoiado! .Mas se uma coisa tem explica‡ão simples.possivel explicar os fatos sem ela? Duvido. que os sˆres humanos não compreendem senão as explica‡ões mais simples.repetiu filidge. ora essa! Est experimentalmente verificado que a natureza faz.Mas admitindo. por uma s‚rie de acontecimentos todos do mesmo tipo? Uma corrente de felicidade.Que justifica‡ão? .. se pudermos dispens -la. uma corrente de pureza ou uma corrente de impureza. . que a explica‡ão mais simples possa ser a mais verdadeira. mas não vemos a providˆncia. inexor.

fico convencido de que tudo quanto me aconteceu foi. Especialmente quando ˆles se produzem em s‚ries. Os sentimentos nada tˆm que ver com os fatos objetivos. .que me dizes. Como se a moeda ca¡sse de cara cem vˆzes seguidas. A ciˆncia ‚ a racionaliza‡ão das percep‡ões dos nossos sentidos. . heiti? .retorquiu Spandrell... tˆm. Sentimos que os acontecimentos tˆm a sua significa‡ão.disse Philip rindo. E quando as coisas nos acontecem não temos a sensa‡ão de ser uma moeda.. aquela frivolidade fora de prop¢sito o chocava. Spandrell franziu o sob .Quando penso em mim mesmo .. Mas antes que ˆle tenha um car ter # 289 bem definido. . semelhan‡a do qual possa deformar os acontecimentos . que foram arranjados. . . .Mas as sensa‡ões.perguntou Illidge com desd‚m. hein? Quem decidiu essa esp‚cie de coisas que lhe aconteceram antes9 . digamos. de alguma maneira.disse ˆle -. se os acontecimentos não houvessem intervindo . Era um assunto que ˆle levava a s‚rio. quando estamos falando de sŠres humanos? Considera o teu caso.semelhan‡a tudo quanto lhe acontece.Pouco importa o sentimento que eu possa ter.Mas por que introduzir moedas na discussão? . Algo completamente diverso dˆste "eu" real.Concede~nos ao menos o m‚rito de cair de coroa .Um anjinho. .Quem decide se uma moeda cai com a cara ou com a coroa voltada para o alto? . . tive um pren£ncio do que eu poderia ter vindo a ser. quando a recusamos a t"d as as outras? A intui‡ão direta duma a‡ão providencial tem tantas probabilidades de ser um meio de conhecimento dos fatos objetivos quanto a intui‡ão direta da c"r azul ou da dureza.Por que vens com as moedas. essas sim. . não te esque‡as. rolho. Por que haver¡amos de atribuir valor cient¡fico a uma certa classe de intui‡ões psicol¢gicas.N¢s somos os intelectuais. arranjado pr‚viamente. Ser que tens o sentimento de ser uma moeda quando te acontece alguma coisa? . Quando gar"to.tro‡ou Illidge.

luz duma lƒmpada de algibeira.Mas a partir dos meus quinze anos. aquelas leituras er¢ticas sob as cobertas.Um homem de 70 quilos. que tudo estava enraizado e implicitamente contido naqueles sentimentos. pensava naqueles arrebatamentos no meio das tudo montanhas.o arrependimento das m s a‡ões não menos que o w. retorcidos e duros de cosm‚tico. . E grandes m£sculos de v"o significariam um esterno em propor‡ão. sensibilidades e remorsos da sua mocidade. Calou-se. que ‚s perito em mat‚ria de arte. naqueles escr£pulos. . se lhe crescessem asas. e quando "beijar um homem sem bigode era comer um âvo sem sal". . pelo menos. como o das aves. .feriu são Spandrell não tomou conhecimento da interrup‡ão.ebatamento extasiado diante do espet culo duma flor ou duma paisagem -.. se quisesse voar tão bem como um marreco.continuou filidge.. O livro datava da ‚poca em que as longas meias pretas e as longas luvas da mesma câr constitu¡am o maior requinte da moda pornogiafica. Spandrell.Walter Rez "não" com a cabe‡a.nunca te a aten‡ão o fato de que tâdas as reprodu‡ões de anjos em quadros absolutamente incorretas e anticient¡ficas? . Nunca te feriu a aten‡ão . entrementes..O major sedutor e pri pico tinha bigodes longos. ˆle dizia a si mesmo que aquilo . voltando-se para Walter -. Todos os Anjos Gabri‚is que existem são escandalosamente # inverossimeis. Uma hist¢ria triste. come‡aram a acontecer-me coisas . deveria ter um esterno que passasse de 4 ou 5 p‚s. na proxinia vez em que ˆle tiver vontade de pintar uma Anuncia‡ão. em vez dum balo e dum par de asas. a ti. 290 Um anjo dŠsse pˆso. Lembrou-se de Um Internato de Meninas em Paris. que tudo estava ligado dum certo modo a seus sentimentos para com a mãe. . deveria receber ao mesmo tempo m£sculos colossais para as mover.De maneira que te cresceram um rabo e uns cascos fendidos.. . Dize isso ao teu pai. naquelas delicadezas de sentimento. semelhan‡a prof‚tica do que sou atualmente. ou que pelo menos devias ser .

com um vinco ir"nico nas comissuras da b¢ca largamente rasgada: . Resistir .perguntou Illidge.zombou Illidge. ˆle o poderia fazer (a) se existisse. interrompendo a discussão a respeito de estemos e serafins. devo confessar .A velha Alma Mater.Quando penso na guerra . com que ardor tinha orado para ter for‡a moral! E o deus a quem era a imagem de sua mãe.Sim.. interrompendo-o no que ela poderia ter sido para mim. que não podia ouvir pronunciar o nome dum dos centros de instru‡ão antigos e caros sem fazer algum coment rio sarc stico. . . Havia j um ano que eu estava em Oxford. .Santo Agostinho e os calvinistas tinham razão . hein? . inopinadamente.Bem.Deus deseja salvar uns e danar outros. chegara a not¡cia de que ela ia casar com o Major Knoyle.. (b) se existisse uma coisa chamada salva‡ão. .. e no que ela foi efetivamente . .continuou Spandrefi. ou para com quem quer que tenha sido o respons vel por me ter dado uma perna defeituosa. renegaria Deus. Spandrell olhou para ˆle.. no que me diz respeito. e (c). o acontecimento assemelhou-se a ti. in¡cio.disse Philip .que sempre fui reconhecido para com Santo Agostinho. mas me impediu igualmente de me tornar um cad ver.Trˆs semestres cheios de vida e dois per¡odos de f‚rias ainda mais . .. quando ela come‡ou. Deu de ombros. Tinha triunfado de Mas uma manhã.. ˆle a atrai‡oaria.Voltas a repisar o assunto? . Em outras palavras.Ou antes. . sentira.disse Spandrell em voz alta.. e que remorso! Como tinha lutado. foi exatamente .Que vergonha ˆle. orara dela. O Major Knoyle tinha tamb‚m bigodes retorcidos.. 291 # I I i . Da mesma maneira que a guerra. .O teu acidente te garantiu uma vida tranqila e desprendida. minha semelhan‡a. tenta‡ão era mostrar-se digno Sucumbindo. Spandrefi. Santo Agostinho tinha razão. Isso impediu que eu me tornasse um her¢i.

cheios de vida - o descobrimento do lcool e do p"quer e da diferen‡a que h entre as mulheres em carne e osso e as da imagina‡ão adolescente.. Que apocalipse, a primeira mulher real! - acrescentou ˆle entre parˆnteses. - E, ao mesmo tempo, que desilusão revoltante! uma coisa chata, em certo sentido, que sucede ... imagina‡ão superaquecida e ao livro pornogr fico. - O que ‚ um tributo ... arte - disse Philip -, como muitas vˆzes apontei. -- Sorriu para Walter, que corou, recordando-se do que lhe tinha dito o cunhado a respeito dos perigos que havia em imitar, em amor, os modelos po‚ticos elevados. - Nossa educa‡ão ‚ feita ...s avessas continuou Philip. - Põe-se a arte diante da vida; Romeu e Julieta e hist¢rias imundas antes do casamento ou de seus equivalentes. Da¡ resulta que t"da a jovem literatura moderna seja desiludida. Inevit...velmente. No bom tempo antigo, os poetas come‡avam por perder a sua virgindade; depois, de posse dum conhecimento completo da coisa real, e sabendo exatamente onde e como ela cessava de ser po‚tica, aplicavam-se deliberadamente a idealiz -la e embelecˆ-la. N¢s come‡amos pelo po‚tico e partimos da¡, rumo do não-po‚tico. Se os rapazes e as raparigas perdes~ sem sua virgindade tão cedo como na ‚poca de Shakespeare, ter¡amos um renovamento da l¡rica amorosa elizabetaria. - Talvez tenhas razão - disse Spandrell. -- Tudo o que sei ‚ que, uma vez que descobri a realidade, achei-a decepcionante - mas atraente, apesar de tudo! Talvez tão atraente pelo motivo mesmo de ter sido tão decepcioriante. O cora‡ão ‚ uma esp‚cie curiosa de monturo; a imund¡cia atrai a imund.cia,_e o grande encanto do v¡cio reside em sua estupidez e em sua baixeza. Ele atrai porque ‚ assim repelente. Mas continua a ser sempre repelente. Eu me recordo.. quando chegou a guerra, de como exulte¡ por ter uma oportunidade de fugir ... esterqueira e fazer alguma coisa decente, para variar ... Pelo Rei e pela P tria - zombou Illidge. Pobre Rupert Brooke*! A gente sorri agora do que ˆle escreveu, a respeito do ret"rno da honra ao mundo. Os acontecimentos fizeram que isso parecesse um pouco c"mico. - Foi uma brincadeira sinistra, mesmo na ‚poca em que foi escrita disse Illidge.

* Rupert Brooke, poeta inglˆs. NascidoernRugby, a3 de agâsto de 1887. Morreu durante a Grande Guerra, como soldado do Ex‚rcito Britƒnico, a bordo dum navio que conduzia fi r‡as no Mar Egeu (23 de abril de 1915). Seus poemas alcan‡aram ˆxito not vel, especialmente a s‚rie de sonetos escritos nas trincheiras. (A~ do T,) #

292 tia. Não, não. ·quela ‚poca, ela era exatamente o que eu pr¢prio senEst claro que era o que tu sentias. Porque eras como Brooke: um membro corrompido e blas‚* da classe ociosa. Tinhas necessidade

duma emo‡ão nova, eis tudo ... A guerra e essa famosa "honra" de vocˆs forneceram-lhes essa emo‡ão. Spandrell deu de ombros. - Explica a coisa assim, se queres. Tudo o que posso dizer ‚ que em ag"sto de 1914 eu queria fazer alguma coisa de nobre. Ter-me-ia sido perfeitamente agrad vel ser morto. - "Antes a morte que a desonra", hein? - Sim, exatamente ao p‚ da letra. Porque posso te assegurar que todos os melodramas estão perfeitamente de acârdo corri a realidade. H certas ocasiões em . que as pessoas dizem efetivamente coisas como essa. O £nico defeito do melodrama ‚ que ˆle tende a nos fazer crer que as pessoas fazem dessas frases sempre e sempre. Mas infelizmente não ‚ assim. "Antes a morte que a desonra" era exatamente o que eu pensava em agâsto de 1914. Sim, se a £nica possibilidade existente fora da morte rosseo modo de vida est£pido por mim levado, eu preferia morrer ... - Ainda est falando o cavalheiro desocupado. . . - observou Illidge. - Foi então que, simplesmente por ter sido educado em grande parte no estrangeiro, por conhecer duas ou trˆs l¡nguas, por ter uma mãe que me amava demais e um padrasto influente nos meios militares -, fui transferido, de bom ou de mau grado, para a Intelligence. Deus tinha na verdade inten‡ão de me danar.

- Òle estava misericordiosamente procurando salvar-te a vida - opinou Philip. - Mas eu não queria que me salvassem a vida. A menos que pudesse empreg -la em qualquer coisa de decente, em qualquer coisa de her ¢ico, de preferˆncia, ou pelo menos de dificil e de arriscado. E, em lugar disso, me deram um trabalho de liga‡ão e depois me mandaram dar ca‡a aos espiões. Meteram-me em todos os neg¢cios s¢rdidos e ign¢beis. - Mas, no fim de contas, as trincheiras não tinham l nada de muito romƒntico ... - Não, mas eram perigosas. Para ficar sentado numa trincheira, era preciso coragem e paciˆncia est¢ica. Um ca‡ador de espiões estava em perfeita seguran‡a, e não tinha de p"r ... prova nenhuma de suas nobres virtudes; e, quanto ...s ocasiões de praticar o v¡cio ... Ah! Aquelas cidades da retaguarda da frente de batalha, Paris, os portos - as prostitutas e o lcool eram os seus produtos principais. - Mas, no fim de contas - disse Philip -, eram males que se * Embotado, desiludido, entediado. (N. do E.) # 293

podiam evitar. - Sendo frio de natureza, ˆle achava f cil ser razo vel. - Evit veis, mas não para mim - respondeu Spandrell. - Sobretudo naquelas circunstƒncias. Eu quisera fazer alguma coisa decente e tinha sido impedido nesse prop¢sito. De sorte que se tornou uma esp‚cie de questão de honra fazer o contr rio do que tinha desejado. Uma questão de honra, compreendes? Philip sacudiu a cabe‡a: - um pouco sutil demais para mim ... - Mas imagina que te encontras na presen‡a dum homem que respeitas, e amas, e admiras como nunca amaste, respeitaste e admiraste ningu‚m antes. Philip fez com a cabe‡a um sinal afirmativo. Mas a verdade era, refletiu ˆle, que nunca tinha admirado ningu‚m profundamente, de todo o cora‡ão. Te¢ricamente, sim; mas nunca na pr tica, nunca a ponto de querer constituir-se disc¡pulo da pessoa admirada, nunca a ponto de segui-la.

Tinha adotado as opiniões de outras pessoas, mesmo os seus modos de vida - mas sempre com a convic‡ão subjacente de que não os tinha feito realmente seus, com a certeza de que podia abandon -los, e de que na certa os abandonaria, tão f cilinente como os adotara. E sempre que lhe parecera correr algum perigo de se deixar arrebatar, ˆle tinha resistido deliberadamente, tinha lutado ou fugido, a rim de conservar a sua liberdade. - Ficas subjugado pelo que sentes por essa pessoa - continuou Spandrell. - E caminhas para ela de mãos estendidas, oferecendo a tua amizade e o teu devotamento. Por £nica resposta, essa criatura a que te entregas enfurna as mãos nos bolsos e volta-te as costas ... Que farias nesse caso? Philip riu. - Eu teria de consultar o Livro de Etiquˆta do Vogue. - Tu o deitarias por terra com um sâco. Pelo menos era o que eu faria. Uma questão de honra. E quanto mais forte tivesse sido a minha admira‡ão, mais violento seria o s"co, e mais tempo eu dan‡aria depois s¢bre a carca‡a do homem que me desprezou. Eis por que as prostitutas e o lcool não podiam ser evitados. Pelo contr rio, tomou-se uma questão de honra para mim o não evit -los nunca. Aquela vida, na Fran‡a, parecia-se com a que eu tinha levado antes da guerra - apenas era muito mais ign¢bil e est£pida, e supinamente falha de qualquer elemento que a pudesse aliviar ou redimir. E depois de um ano de guerra eu lutava desesperadamente para me apegar ... minha desonra e evitar a morte. Santo Agostinho tinha razão, garanto-lhes; somos condenados ou salvos de antemão. As coisas que acontecem são uma conspira‡ão da providˆncia. - Disparates! - disse filidge. Mas, no fundo do silˆncio que se seguiu, o homenzinho ficou a pensar de n"vo em como era extraordin rio e infinitamente pouco prov vel que ˆle estivesse ali sentado a beber clare294 te, com o secret rio perp‚tuo da Academia Britƒnica sentado duas mesas al‚m, e o vice-presidente da C¢rte Suprema colocado exatamente atr s dˆle. Vinte anos antes, as probabilidades que havia contra a sua presen‡a

ali, sob aquˆle teto dourado, tinham sido numa propor‡ão de v rias cente#

nas ou milhares de milhões contra uma. Não obstante, l estava ˆle... filidge bebeu um outro trago de clarete. E Philip, entrementes, se estava lembrando daquele imenso cavalo negro, que escoiceava e pinoteava, os dentes arreganhados e as orelhas deitadas para tr s; e de como o animal se arremessara de s£bito para a frente, arrastando consigo o condutor; e do estrondo das rodas; e "Ai!", dos gritos que ˆle, Philip, soltara; e de como recuara para o talude escarpado, como tentara escal -lo, escorregando por‚m e rolando para o chão; e do pinote espantoso e das patadas do gigante; e "Ai! AW', daquela massa enorme que se interpusera entre ˆle e o sol; e dos grandes cascos; e, de repente, aquela dor aniquiladora... E, dentro daquele mesmo silˆncio, Walter pensou na tarde em que pela primeira vez entrara no salão de Lucy Tantamotint. "Tâda coisa que acontece ‚ intrinsecamente semelhante ao homem a quem ela acontece." I - Mas, enfim, qual ser o segrˆdo dela? - perguntou Marjorie. -Por que ser que Walter anda louco por ela? Sim, porque ˆle est louco. Literalmente. - Não te parece que ‚ um segrˆdo muito evidente? - sugeriu Elinor O que ela achava esquisito não era que Walter tivesse perdido a cabe‡a por Lucy, mas sim que ˆle tivesse achado alguma coisa de atraente na pobre Marjorie. - No fim de contas -continuou-, Lucy ‚ muito divertida, muito cheia de vivacidade. E, al‚m disso - acrescentou ainda, recordando-se das observa‡ões exasperantes de Philip a prop¢sito do cão que ˆles tinham atropelado em Bombaim -, ela tem m reputa‡ão ... - Mas ser isso um atrativo? Uma reputa‡ão m ? -0 bule de ch ficou suspenso por s"bre a ta‡a enquanto Marjorie fazia a pergunta. - Est claro que ‚. Significa que a mulher que a possui ‚ acess¡vel ... A‡£car? Não, obrigada. - Mas ‚ natural - disse Marjorie, passando a ta‡a ... outra - que um homem não queira dividir suas amantes com outros homens.

- Talvez não. Mas o fato de uma mulher ter outros amantes d ao homem esperan‡a. . . "Onde outros foram bem sucedidos eu tamb‚m posso ser." Eis o argumento do homem. E, ao mesmo tempo, uma reputa‡ão m f -lo imediatamente pensar na mulher sob o ponto de vista da aventura amorosa. Quando vemos Lola Montes, a sua reputa‡ão faz que pensemos autom...ticamente na alcova. Não nos vem ao pensamento a alcova quando vemos Florence Nightingale. Lembramo-nos apenas de 295 #

quartos de doente. O que não ‚ a mesma coisa - ajuntou Elinor para terminar. Houve um silˆncio. Elinor estava pensando que era abomin vel de sua parte não sentir mais simpatia por Marjorie. Mas não sentia: era essa a verdade... Procurou fazer-se lembrada da vida lament vel que aquela pobre mulher levara - com o marido, primeiro, e agora com Walter. Abomin vel, na verdade, mas aquˆles pavorosos brincos pendentes, imitando jade! E aquela voz, aquela maneira importante ... Marjorie ergueu os olhos: - Mas ser poss¡vel que os homens possam ser tão f...cilmente enganados? Por uma isca tão grosseira? Homens como Walter. Como Walter! insistiu ela. - Ser que homens como ˆle podem ser tão, tão ... - Porcos? - sugeriu Elinor. - Aparentemente, podem. Isso parece estranho, ‚ verdade. - "Seria talvez melhor", pensava ela, "que Philip fosse um pouco mais porco e um pouco menos bernardo-eremita. Os porcos são humanos - talvez demasiadamente humanos, mas de qualquer modo sempre são humanos. Ao passo que os bernardos-eremitas fazem o poss¡vel para ser moluscos." Marjorie sacudiu a cabe‡a e suspirou: - extraordin rio - disse ela, com uma convic‡ão que p4receu a Elinor um tanto ris¡vel. "Que esp‚cie de opinião poder ter ela de si mesma?" perguntou Elinor interiormente. Mas a boa opinião de Marjorie se aplicava, menos a ela mesma do que ... sua virtude. A companheira de Walter tinha sido educada na cren‡a da fealdade do v¡cio e da parte animal da natureza humana, na beleza da virtude e do esp¡rito. E, fria por natureza, tinha, da mulher fria, a total incompreensão da sensualidade. Que Walter cessasse de

repente de ser o Walter que ela conhecia e se portasse "como um porco", segundo a expressão um pouco crua de Elinor - era coisa que lhe parecia verdadeiramente extraordin ria, ... parte t¢das as considera‡ões s"bre seus atrativos pessoais. - E depois, ‚ preciso que te lembres - disse Elinor em voz alta - de que Lucy tem uma outra vantagem no que diz respeito aos homens como Walter. uma dessas mulheres que tˆm um tempe‡amento de homem. Os homens podem achar prazer num encontro fortuito. Em sua maior parte, as mulheres'não podem: ‚ preciso que sintam amor - mais ou menos. preciso que suas emo‡ões estejam envolvidas no caso. T"das - com raras exce‡ões. Lucy ‚ uma dessas exce‡ões. Ela tem a faculdade masculina do desprendimento. Tem o poder de separar os apetites do resto de sua alma. 296 - Que horror! Marjorie estremeceu. Elinor observou Šsse estremecimento e ficou tão aborrecida com ˆle # que foi ao ponto de contradizer a outra. - Achas? Isso me parece, ...s vˆzes, um talento bastante invej vel. Desatou a rir e Marjorie ficou escandalizada diante do cinismo dela. -

mui-

Para um rapaz tão t¡mido e embara‡ado como Walter - continuou Elinor -, h alguma coisa de muito excitante num temperamento afoito dessa esp‚cie. justamente o contr rio do seu. Temer ria, sem escr£pulos, voluntariosa, sem um tomo de consciˆncia. Oh, eu compreendo

to bem por que o rapaz perdeu a cabe‡a. - Pensou em Everard Webley. - A for‡a ‚ sempre uma atra‡ão - acrescentou. - E sobretudo quando a gente mesma falta essa for‡a, como no caso de Walter. Pode-se não amar essa esp‚cie de f"r‡a. - Ela pr¢pria não gostava muito da ambi‡ão en‚rgica de Webley. - Mas não se pode deixar de admirar a fâr‡a em si. como o Ni gara. magn¡fico, embora possamos não ter desejos de nos colocar debaixo dˆle. Posso tirar mais uma fatia de pão com manteiga? - Serviu-se. Por delicadeza, Marjorie tamb‚m tirou uma. - Que delicioso pão prˆto! - exclamou Elinor. E ficou a perguntar a si mesma co-

pão com

mo Walter pudera viver com uma pessoa que recurvava no ar o dedo m¡nimo da mão que segurava a ta‡a de ch e que mordia a fatia de em bocados tão terrivelmente pequenos, mastigando em seguida s¢ os dentes da frente, como uma cobaia - como se o fato de comer f"sse uma coisa indelicada e um tanto repugnante ... Mas que achas que devo fazer? - decidiu perguntar Marjorie por f im. Elinor encolheu os ombros. - Que outra coisa podes fazer senão desejar que ˆle obtenha o que deseja e que logo f ique enjoado? Era evidente; mas Marjorie achou que Elinorf¢ra um tanto insens¡vel, dura e cruel por ter dito aquilo. Os Quarles haviam improvisado em Londres, de maneira simplista, uma residˆncia na £ltima duma s‚rie de antigas cocheiras de Belgr via. Para entrar passava-se sob um arco. Um penhasco de estuque creme

se por-

erguia a pique, ... esquerda do observador -- sem uma £nica janela,

que os habitantes daquele bairro aristocr tico, outrora, nem sequer tomavam conhecimento da miser vel vida privada de seus dependentes. · direita se estendia a linha baixa dos est bulos, com o £nico andar de salas de estar em cima, ocupados agora por enormes Daiinlers e pela fam¡lia de seus choferes. As cavalari‡as terminavam por um muro, por cima do qual se podiam ver os pl tanos dos jardins de Belgr via balan‡ando-se ao vento. A entrada da casa dos Quarles ficava ... sombra dˆsse paredão. Metida 297 #

entre os jardins e as cavalari‡as pouco habitadas, a casinha era muito quieta. O silˆncio não era quebrado senão pelo ir e vir das limusines e pelo grito casual duma crian‡a. - Mas, felizmente - tinha observado Philip -, os ricos se podem oferecer ve¡culos silenciosos. E h alguma coisa no motor de combustão interna que leva ... limita‡ão dos nascimentos. Quem j viu um chofer com oito filhos?

O abrigo dos carros e as baias dos cavalos tinham sido amalgamados, na reconstru‡ao do est bulo, num simples e espa‡oso salão. Dois biombos constitu¡am uma imita‡ão de parede divis¢ria. Atr s dos biombos, ... direita de quem entra, ficava o lado "sala de visitas" do apartamento cadeiras e um sof , agrupados ao redor da lareira. O biombo da esquerda escondia a mesa da sala de jantar e a entrada duma cozinha min£scula. Uma pequena escada subia obliquamente ao longo de uma das paredes, e conduzia aos quartos de dormir. Cortinas de cretone amarelo davam a ilusão da luz do sol que não entrava nunca pelas janelas, voltadas para o norte. Havia muitos livros. O retrato de Elinor, quando mocinha, feito pelo velho Bidlake, estava pendurado por cima da lareira. Philip se achava deitado no sof , livro na mão. ',Muito not vel", lia ˆle, "‚ a nota do Sr. Tate Regan s"bre os machos pigmeus parasitos em trˆs esp‚cies de diabos-marinhos cerativideos. Nos Ceratias holbolli, do µrtico, umaje-mea de mais ou menos 20 cent¡metros de comprimento carregava s"bre a superfi-cie do ventre dois machos de perto de 6 cent¡metros. A região dofocinho e do queixo, no macho pigmeu, estavafixada de maneira permanente a umapopila da pele dajemea, e os vasos sangu¡neos dos dois indiv¡duos eram confluentes. O macho não tem dentes; sua b"ca ‚ in£til; o canal alimentar est atrofiado. Nos Photocarynus spiniceps, umaflemea de perto de 6 cent¡metros de comprimento levava um macho de 1 cent¡metro no alto da cabe‡a, diante do "lho direito. Nos Edriolychnus schmidti as dimensões eram pouco mais ou menos as mesmas que no caso precedente, mas a fe-mea levava o macho pigmeu de cabe‡a para baixo, s"bre a superfilcie interna da branquOstega. " Philip abandonou o livro e tirou do b¢lso interno o caderno de notas e a caneta-tinteiro: "Os diabos-marinhosfimeas ", escreveu, "carregam, presos a seus corcepos, machos pigmeus parasitos... Fazer a compara‡ão que se impõe quando o meu Walter anda atr s da sua Lucy. E se eu escrevesse uma na diante dum aqu rio? Òles entram com um amigo cientista que lhes

mostra os diabos-marinhos flemeas e seus maridos. O crep£sculo, os peixes - unifundo perfeito ". 298 Philip ia pâr de lado o caderno quando outro pensamento lhe ocorreu. Tornou a abri-le. # "P"r o aqu rio em M"naco e descrever Monte Carlo e t"da a R ivie

sob o aspecto de monstros dofundo do mar. " nhos. Falou-lhe. Philip Acendeu um cigarro e continuou com o livro. Bateram. ... porta. ergueu-se e foi abrir; era Elinor. - Que tarde! - exclamou ela, atirando-se s¢bre uma cadeira. - Então, que novidades me contas de Marjorie? - Novidades? Nada que se pare‡a com isso. . . - disse Elinor num suspiro, enquanto tirava o chap‚u. - A pobre criatura est ins¡pida como sempre. Mas lamento-a sinceramente. - Que lhe aconselhaste fazer? Nada. Que queres que ela fa‡a? E Walter? - perguntou Elinor por - De pai semi-severo, digamos ... Obtive que ˆle se f"sse instalar em 1 sua vez. - Achaste ocasião de fazer o papel de pai severo? Chainford com Marjorie. Obtiveste? Foi um verdadeiro triunfo. Não tanto como julgas. Não tive inimigo contra quem combater. Lucy parte para Paris no pr¢ximo s bado. - Esperemos que ela fique por l . . . Pobre Walter! - Sim, pobre Walter... Mas eu tenho que te falar dos diabos-mari-

Um dˆstes dias - concluiu -- preciso escrever uni Besti rio moderno. Que li‡ões de moral! Mas, dize-me, como achaste Everard? Ti nha esquecido completamente que o havias visto. - Não podias deixar de esquecer. . . - retrucou ela desdenhosamente. - Achas9 Não sei por quˆ. . - Não, não sabes. - Estou esmagado sob o pˆso do teu desd‚m - disse Philip com

uma humildade fingida. Houve um silˆncio. -- Everard est apaixonado por mim - falou por fim Elinor, sem olhar para o marido, e com uma voz perfeitamente calma e fria. - Mas isso ‚ novidade? Julguei que ˆle fosse um velho admirador. - Mas ‚ s‚rio - prosseguiu Elinor. - Muito s‚rio. - Ela esperava ansiosamente os coment rios do marido. Òstes vieram depois dum curto silˆncio. - Isso deve ser menos divertido ... Menos divertido! Pois então ˆle não compreendia? No fim de contas Philip não era um tolo. Ou talvez compreendesse 299 #

muito bem e estivesse apenas fingindo o contr rio; talvez estivesse mesmo secretamente contente com a paixão de Everard. Ou era então simplesmente a indiferen‡a que o tornava cego? Ningu‚m pode compreender aquilo que não sente. Philip não podia compreendˆ-la, porque não sentia as coisas do mesmo modo. Estava confiante na cren‡a de que as outras pessoas eram tão razo...velmente mornas como ‚le. - Mas eu gosto dˆle - afirmou Elinor em voz alta, fazendo uma derradeira tentativa desesperada para arrancar do marido pelo menos um simulacro de demonstra‡ão de amor. Se ao menos ˆle se mostrasse ciumento, ou triste, ou zangado, como ela seria feliz, como lhe ficaria reconhecida por isso! - Gosto muito de Webley - continuou Elinor. - H alguma coisa de muito atraente nˆle. Aquˆle seu car ter apaixonado, aquela violˆncia ... Philip pâs-se a rir: - O irresist¡vel homem das cavernas, hein? Elinor ergueu-se com um pequeno suspiro, apanhou o chap‚u e a b"lsa inclinando-se sâbre o marido, beijou-lhe a testa, como para lhe dizer adeus; depois se afastou e, sempre sem dizer palavra, subiu para o quarto. Philip tornou a apanhar o livro que tinha abandonado. Leu: "Bonellia viridis ‚ um verme verde, não muito raro no Mediterrƒneo. A je-mea tem o corpo do tamanho aproximado duma ameixa, munida dum apˆndice proboscidiano em., ilamento, bfd" na extremidade, fortemente

Ela riu. como se elas estivessem forradas de pele de c"r creme ligeiramente lustrosa. decidiu não subir.e de como ficaria furioso . e as bˆstas tinham o interior das goelas quase branco. i Mais uma vez Philip largou o livro. 300 CAKTULO XXII DO CADERNO DE NOTAS DE PHILIP QUARLES.. Mas o macho e microsc¢pico e vive no que pode ser denominado o conduto reprodutor (nefr¡dio modificado) titifimea.riamente atrav‚s de suas superf¡cies ciliadas. Ia esperar para ver . em casa de Lucy Tantamount. pelo contraste. Mas que . trari*sf‚ria para outra ocasião. . abrindo a b"ca . não devesse ter a coisa como muito certa." contr til. brincadeira qualquer. Mas talvez ˆle. bem.se ela deixasse de quer‚-lo. Eu disse uma # bios.. Não tem b"ca e se alimenta £nicamente do que absorve parasit. E então. era uma bandeirafrancesa. sem nenhuma transi‡ão. olhos redondos e azuis. como de costume. Talvez esperasse que Šle lhe falasse. E temos ainda pretensdes intelectuais! Bem.. Philip. me achei diante dos crocodilos sagrados nosjard¡ns do Pal cio de Jaipur. Ao cabo.. "Hoje. que lhe dissesse de seu amor. fui v¡tima duma associa‡ão de id‚ias muito curiosa. e que pode atingir 2 p‚s de comprimento. o guia hindu lhes atirava peda‡os de carne. Continuou a leitura sâbre a Bonellia viridis. E ‚ assim que o esp¡ritofunciona naturalmente. de quanto seria infeliz .. Ficou a pensar sâbre se devia ou não subir e falar a Elinor. A mulher lhe parecera um pouco transtornada.e sua l¡ngua e suas gengivas estavam de tal maneira mais p lidas do que o vermelho dos l que pareciam (senti um pequeno calq/rio estranho de horror admirado) inteiramente exangues e brancas. b"ca escarlate e o resto dum branco de morte contra um fundo de cabelos negros e reflexos met licos. Lucy. Estava convencido de que ela nunca chegaria a amar realmente Everard. Mas eram estas precisamente as coisas mais imposs¡veis de dizer.

mas de um modo para outro modo. tudo se parece ao mesmo tempo com v rios milhões de outras coisas. at‚ que. não obstante o qual ˆle continua a desej -la com toque de perversidade. Mera E) # *Literalmente: "Chovem os beijos azuis dos astros taciturnos-. (N. Não .) Mas em grande escala. (A majestade alternando com a brincadeira. subordinando o sentido ao som. na constru‡ão. apesar de tudo. e mesmo com mais ardor ainda) ˆle revˆ os ign¢beis crocodilos que tinha visto na ¡ndia.achado para o meu romance! assim que vou come‡ar o meu livro.firo logo de in¡cio a nota do estranho e tiofant stico. a desejada. as transi‡ões abruptas. depois desenvolvido.aquelas gengivas e aquˆle palato horrivelmente exangues de crocodilo. todo acontecimento cont‚m em si uma infinidade de profundezas dentro de outras profundezas. por exemplo. T"da a 1w dia passa pela cabe‡a do meu homem como umffime de cinema enquanto ela ri. Todo objeto. (Pleuvent les bleus baisers des astres taciturnes*. " "A musicaliza‡ão da _fic‡ão. Meu (com um her¢i "walteresco "faz rir a sua sereia "lucyesca " e imediatamente horror de sua parte.ou antes. a adorada. Tudo ser incr¡vel. as modula‡ões. Nada se parece. A com‚dia sugerindo s£bitamente solenidades prodigiosas e tr gicas no scherzo do Quarteto em D¢ Sustenido Menor. maneira simbolista. As mudan‡as de modos.) Ainda mais interessantes. a amada. do 301 Beethoven. ˆle se tenha tornado de todo em todo glossolalia. por mŠnos que seja. a bela . Um tema ‚ exposto. mostrando . . imperceptivelmente deformado. Meditar s"bre . se bem que reconhecivelmente o mesmo. se pudermos tirar a crosta de banalidade evidente que os nossos h bitos põem nas coisas.. não s¢rnente dum tom para um outro. Dessa maneira. . no primeiro movimento do Quarteto em Si Bemol Maior. mudado. com sua aparencia . um mˆs atr s.ela..

Outro processo: o novelista podese arrogar o privil‚gio divino do criador. Desta maneira. econ"mico. Òle modular de um para outro . essas incr¡veis varia‡ões s"bre um tema de Diabelli. o processo ‚ levado um passo mais lonO ge.. O que precisamos ‚ de um n£mero sujiciente de personage s. Mas por que h de ficar o autor sempre no £ltimo plano? Acho que. ƒmbito inteiro do pensamento e da emo‡ão. podemos modular de modo a apresentar todos os aspectos do tema. as modula‡ões e as varia‡ões são tamb‚m mais d¡yi'ceis. somos um pouco melindrosos com rela‡ão a essas apari‡ões pessoais. poderemosfazer assim uma varia‡ão s"bre o tema. vice-versa. e intrigas paralelas. Mas talvez seja uma imposi‡ão demasiadamente tirƒnica da vontade do autor..d~ferente. do aspecto est‚tico para o aspecto fisico-quimico das coisas. Nas s‚ries de varia‡ões. OU. ou que oram. E se o pomos a contar partes da mesma hist¢ria. at‚ o infinito.por exemplo. nos nossos dias. Enquanto Jones assassina sua mulher. P"r isto num romance. O novelista modula repudiando situa‡ões e caracteres. Como? As transi‡ões abruptas não apresentam nenhuma dificuldade. do religioso para o fisiol¢gico ou para o financeiro. cient¡fico. etc. personagens semelhantes confrontadas com problemas dessernelhantes. Smith empurra o carrinho do filho no parque. Alternam-se os temas. contrapontisticas. de maneiras diferentes . Òle mostra v rias personagens que se apaixonam. Òlejustificar igualmente a experimenta‡ão. e tudo isso em rela‡ão orgƒnica com uma pequena ria de valsa rid¡cula.dissimilitudes que resolvem o mesmo problema.s generaliza‡ões est‚ticas que poderão ser interessantes -pelo menos para mim. " -P¢r na novela um novelista. H pessoas que pensarão assim. Mas Por que limitarmo~nos a um s¢ novelista na novela? Por que não um segundo na novela do primeiro? E um terceiro 302 na novela do segundo? E assim por diante. e simplesmente considerar os acontecimentos da narra‡ão sob seus diversos aspectos . metafisico. ou que morrem. religioso. podemos escrever modula‡ões s"bre um n£mero qualquer de modos diferentes. Òle servir de pretexto . Por exemplo. Mais interessantes. Esp‚cimes do seu trabalho poderão ilustrar outras maneiras poss¡veis de contar uma hist¢ria.emotivo. como ˆsses . como n¢s.

tamb‚m.01 por cento. arranjada. sobretudo nos ricos! Que extravagƒncias fant sticas. Aqui a razão pela qual os romancistas verdadeiros. Pelo menos as pessoas me parecem mais estranhas em questões de dinheiro do que mesmo em questões de amor... porque as pessoas capazes de desenvolver tesesformuladas de maneira adequada não são bem reais. parte apenas O.. Necess.riamente. E depois. s"bre a qual se vˆ um desenho dum outro quacre segurando lata de aveia. Que parcimonias espantosas não se encontram constantemente. Torna-se um tanto cansativo. os romancistas natos não escrevem tais livros. isto ‚ pratic vel. indicado nas id‚ias das quais ela ‚ portavoz.. de estados de alma. " "O grande defeito do romance de id‚ias ‚ que ˆle ‚ uma coisa artfcial. Na medida em que as teorias são a racionaliza‡ão de sentimentos. o que exclui mais ou menos a totalidade da ra‡a humana .. e na mesma pessoa. Muitas vˆzes as duas qualidades. s"bre a qual etc. " "O instinto aquisitivo comporia mais perversões. são levemente monstruosas. ao mesmo tempo.. " "O romance de id‚ias. da secre‡ão das glƒndulas internas # e dos tempos de rea‡ão. etc. tanto quanto poss¡vel.reclames de Aveia Quaker em que h um quacre segurando uma lata de outra um da aveia. O car ter de cada uma das personagens deve-se achar. as pessoas que vivem inteira e quase incessante- . Mas. de instintos. do pulso. na minha opinião. os entesouradores e enterradores. Na d‚cima imagem poder-se-ia ter novelista contando a hist¢ria em s¡mbolos alg‚bricos ou em nota‡ões varia‡ão da tensão arterial. viver com monstros. com o andar do tempo. O defeito capital do romance de id‚ias ‚ que somos obrigados a p"r em cena pessoas que tˆm id‚ias a exprimir. do que o instinto sexual. ora! eu nuncapretendi ser um romancista nato.

no que diz respeito ao instinto de aquisi‡ão. em parte. Illidge diria que isto se deve inteiramente ao fato de eu ter sido educado numa atmosfera de largas facilidades pecun i rias. preciso que as perversões sej . a verdadeira norma estat¡stica? Quanto a mim. ao passo que ela não existe quando se de dinheiro. não tenho muito interˆsse pela posse e não sinto senão pouca simpatia pelos que se interessam por ela. am muito violentas para que possam dominar as tendˆncias fisiol¢gicas normais. Mas o apetite do dinheiro. não os compreendo tamb‚m. o instinto sexual a se conduzir normalmente. imagino que sou antes um "subaquisitivo ". mas estar a¡. um defeito. Mas talvez a palavra '~perversão "não tenha sentido neste contexto. A menor tendˆncia .. a necessidade de possuir. porque os aqui- . Não h nenhuma satisfa‡ão filsica poss¡vel. Não.perversão se torna imediatamente manifesta. Mas. Qual ‚ a norma do instinto de aquisi‡ão? Pode-se entrever vagamente algum justo meio-tˆrmo. minha "subaquisitividade "‚ heredit ria não menos que adquirida. defato. Nenhumapersonagem cuja dominante seja o instinto de adquirir figura em qualquer dos meus romances. o que explicar os excessos e as 303 # perversões do instinto de aquisi‡ão. Porque perversão implica a existˆncia duma norma que lhe sirva de ponto de partida.. Seja comof"r. Consideremos o grande n£mero de pessoas que nasceram ricas e que vivem £nicamente preocupadas com ganhar dinheiro. Isso pode ser verdade. não h corpo regulador. por assim dizer.sem d£vida porque a satisfa‡ão fisiol¢gica ‚ poss¡vel em assuntos sexuais.. na minha opinião. ‚ de ordem mais ou menos exclusivamente mental.mente preocupadas com o dinheiro! Ningu‚m sepreocupa com o sexo astrata o sim com essa constƒncia . Nosso corpo obriga.. Quando o corpo est saciado o esp¡rito cessa de pensar em alimentos ou em mulheres. nem uma massa de carne s¢lida que sejapreciso desviar da trilha do h bito fisioi¢gico. Mas não inteiramente.* menos interessado que o comum dos mortais no dinheiro e nas posses em geral.

. Baizacpodia. quando achamos um assunto aborrecivel. ci<ios gestos efeitos não criticamos. um raio de sol amarelo e de aparˆncia viscosa iluminava uma quina da mesa e um ƒngulo do tapˆte vermelho estampado de fl"res. Os cortes dos ti eram firmes e denotavam inflexibilidade. eu grito por ti.sitivos são manti‚stamente muito comuns na vida real.muito bem. Para quefazer um contrato com algu‚m que o poder violar . decerto. E não nos ‚permitido obrig -las a cumprir o seu deverpara com os seus adora- . Winha muito querida Elinor ". das profundezas dˆste quarto de hotel repulsivo. cumpra o seu dever.. " (Òle escrevia os II mai£sculos do pronome da primeira pessoa como grandes colunas: um tra‡o direito e forte e duas lhilias transversais decisivas. me parece muito poucosatWat¢ria. neste dia. a nossa tendˆncia ‚ tornarmo-nos tamb‚m aborreciveis tratando d‚le. Tudo o que ˆle fazia era feito com rapidez e com decisão. e das profundezas ainda mais profundas dˆste giro pol¡tico do Norte. tanto pior para # ˆles. hão de tomar o g"sto do rebenque.. ' 304 CAPITULO XX1I1 A escrivaninha f 'cava diante da janela. escreveu Šle..) "Mas tu não escutas. Tˆm todos os direitos. A Inglaterra espera que cada um de seus deuses. as circunstƒncias e a hereditariedade o tinham feiti apaixonadamente interessado pelo dinheiro. Embaciado pelo ar enfuma‡ado de Sheffield. j que eu mesmo não me interesso pela paixão aquisitiva. vontade e contra quem não temos nenhum recurso? As mulheres seguiram o mesmo caminho que os deuses.s suas ora‡ões ou não atendem aos seus sacrricios. Mas. Sua pena corria sâbre o papel. . A adora‡ão moderna dum Inef vel remoto. Se não cumprirem -. Everard Webley estava escrevendo uma carta. . "De profundis clamavi. uma no alto. Sempre senti muita simpatia pelos selvagens que dão uma boa sova em seus deuses quando ˆstes não respondem . outra na base. Mas ‚ duvidoso que eu possa tornar uma tal personagem interessante.

E não se tem o Isso direito de exercer repres lias: ‚ de mau tom bater no deus negligente.dores ou de representar seu papel no contrato natural entre os sexos. Mas doutra vez não haver comunistas contra quem descarregar a minha raiva. que eu lutei. por vias indiretas. tão long¡nqua. não se faz. Elinor. assobios. Tive uma batalha terr¡vel a noite passada. com tanta insistˆncia! A tua imagem me est sempre presente no pensamento. mas no calor do momento. como um deus de n"vo estilo das filosofias modernas e das teologias de id‚ias largas. ao comando de qualquer associa‡ão de id‚iasfortuita. Assim. Foi o teu bode expiat¢rio. Mas eu os subjuguei. pronta. latente.receber de mim tanta paixão e desejo e não me dar nada em troca! E não estares aqui para receber o castigo que mereces! Tenho de me vingar nos pat~/Šs que perturbam os meus com¡cios. a gente nunca sabe. sŠriamente: por que ‚s tãofria. tu não escutas. tem cautela. Farei o meu pequeno Rapto das Sabinas e quero ver então ondeficar essa tua superioridade inef vel e remota.. Porquefoi contigo. Pela qual te sou devidamente grato. E sem ¡vida não teria vencido. Escrevo. imploro.. Se nãof"sse por ti eu não teria sido tão violento. De sorte que. num dado momento.contra ti. Jaz escondida. ‚ a li que devo a minha vit¢ria. a saltar do recanto em que se mant‚m de emboscada. Mas. Elinor. Apesar de tudo. Mas sŠriamente. Procurarei evitar os tapa-olhos.. minha querida. Literalmente. cantaram em c"ro a Internacional. Pobre diabo! Òlepagou apenas pelas tuasfaltas.. . 305 # Fui obrigado a deixarprˆto o "lho dum dos cabe‡as. Ela me persegue. Urros. nas coisas e nos lugares mais inverossimeis. tão morta? Por que te proteges contra mim? Penso em ti tão constantemente. na verdade. eu te previno: um dˆstes dias vou exper¡mentar os bons m‚todos antigos. Como eu te detesto de verdade por me obrigares a te amar tanto! E uma injusti‡a tão atroz . A pr¢xima batalha ser contra o inimigo verdadeiro . como uma consciˆncia criminosa.. Se eu ..

s 5 horas e j são 6 e um quarto! Enquanto vocˆ estiver comigo. # anunciar que o jantar estava pronto. porta. . Pobre Hugo! Webley sorriu pensando no rapaz. .. ..perguntou. ao longo do rio. A reunião fora marcada para as tinham de jantar muito cedo.. Tâda a c¢lera desapareceu imediatamente do rosto de Everard. A c¢lera. .Como! Eu lhe digo que volte .. Polly. Tinha jantado com os Upwich.Não dei pela hora. Depois do jantar o velho Upwich e os outros tinham sa¡do para uma partida de g¢ife no campo particular que ˆle tinha arranjado no parque. .. timidamente. Como poderia ˆle ter tido consciˆncia da hora? . a servi‡o dos Inglˆses Livres. Bateram . e continuou com a carta. E tome nota: que isto não aconte‡a de n"vo! Na pr¢xima vez vocˆ não se livrar tão f. desde que não nos deixemos dominar por ela. . . Hugo tornou a fechar a porta atr s de si.Por que vem tão atrasado? ..Sirr. sabia-o por experiˆnc¡a. . Òle tinha por m‚todo fazer mˆdo aos seus subordinados de quando em quando. Hugo a tinha levado a passear pelo bosque. Hugo Brockie entrou. com uma voz cuja calma mesma era formid.E dizia a pura verdade..Sinto muito. . A expressão de seu rosto era amea‡adora.. Dez minutos mais tarde Hugo tornou a aparecer para 8.disse Everard. -. Compreendeu? Flugo.acrescentou Hugo. Everard olhou para o rel I . Hugo corou.. a. a 30 quil"metros dali. 306 Era o seu caso..E agora v ver se todos os preparativos para o com¡cio desta noite foram convenientemente feitos. ‚ uma arma excelente. Minhas ordens devem ser executadas. e a violˆncia latente irrompeu de sob a caim . .¢gio e depois para Hugo. . . não jogava g"lfe.cilmente . Polly Logan estava passando alguns dias em casa dˆles.. por um acaso providencial.velmente inquietadora. estar debaixo de disciplina militar.Espero que sinta. . meneou a cabe‡a: .

- Mas isso ‚ tão tolo, tâdas estas disputas pol¡ticas - disse Rampion, com a voz esgani‡ada pela exaspera‡ão -, tão supinamente tolo! Bolcheviques e fascistas, radicais e conservadores, comunistas e InglŠses Livres - por que diabos estão-se batendo ˆles? Eu lhes digo. Estão lutando para decidir se n¢s vamos para o inferno pelo trem expresso comunista, ou pelo auto de corrida dos capitalistas, ou pelo ânibus dos individualistas ou pelo bonde coletivista que rola s"bre os trilhos do contr"le do Estado. O destino ‚ o mesmo em qualquer dos casos. Todos ˆles vão direito ao inferno, precipitam-se todos no mesmo impasse psicol¢gico e no colapso social que resulta do colapso psicol¢gico. O £nico ponto em que ˆles diferem ‚ ˆste: "Como chegarmos at‚ l ?" simplesmente imposs¡vel a um homem de bom senso interessar-se por semelhantes disputas. Para o homem sensato a coisa importante ‚ o inferno, e não o meio de transporte que deve ser empregado para chegar at‚ l . A questão que se depara ao homem sensato ‚: "Queremos ou não queremos ir para o inferno?" E a resposta ‚: "Não, não queremos." E se a resposta ‚ esta, .então ˆsse homem não dar ouvidos a pol¡ticos de esp‚cie alguma. Porque ˆles, no fim de contas, nos querem levar para o abismo. Todos, sem exce‡ão. Lˆnin e Mussolini, MacDonald e Baldwin. Estão todos igualmente ansiosos por nos levarem para o abismo, e discutem apenas a respeito dos meios de nos carregarem ... - Alguns dˆles nos poderão levar um pouco mais devagar do que os outros - sugeriu Philip. Rampion deu de ombros. - Mas tão pouco mais devagar que não faria nenhuma diferen‡a apreci vel. Òles acreditam todos no industrialismo sob uma forma ou outra, acreditam todos na americaniza‡ão. Pense no ideal bolchevista. a Am‚rica fortemente exagerada. A Am‚rica com servi‡os governamentais em lugar de trustes, e funcion rios em lugar de ricos. E depois o ideal do resto da Europa! a mesma coisa, apenas ali os ricos são conservados. Dum lado, o maquinismo e os funcion rios. Do outro, o maquinismo e Alfred Mond ou Henry Ford. O maquinismo para nos levar ... perdi‡ão; os ricos ou os funcion rios, para dirigi-lo. Pensas que algum dŠsses grupos poder dirigir mais prudentemente do que os outros? Talvez tenhas razão. Mas não vejo nada a escolher entre ˆles. Estão todos igualmente apressados. Em nome da ciˆncia, do progresso e da felicidade humana! Am‚m - e p‚ no acelerador!

307 #

vˆm no p‚,

Philip Fez um sinal de assentimento com a cabe‡a. - E aceleram mesmo! - disse. - A coisa marcha. o progresso. Mas, como dizes, marcha prov...velmente na dire‡ão do abismo ... - E o £nico assunto que os reformadores acham para comentar ‚ a forma, a c"r e o mecanismo de dire‡ão do ve¡culo. Òsses imbecis não então que ‚ o rumo tomado o que importa, que estamos absolutamente caminho errado e que seria preciso fazer meia volta, de preferˆncia a sem essa maquina fedorenta? - Talvez tenhas razão - disse Philip. - Mas o mal ‚ que, dado o nosso mundo tal como existe, não se pode fazer meia volta, não se parar a m quina. Não ‚ poss¡vel isso, a menos que estejamos dispostos

pode a

exterminar mais ou menos a metade da ra‡a humana. O industrialismo perrpitiu duplicar a popula‡ão mundial em cem anos. Se quisermos desembara‡ar-nos do industrialismo, ‚ preciso voltar ao ponto de partida. Quer isto dizer que ‚ necess rio matar a metade do n£mero existente de homens e de mulheres. O que, sub specie aeternitatis, ou simplesmente historiae~, seria talvez uma excelente coisa. Mas dificilmente seria uma questão de pol¡tica pr tica. - Por enquanto não ‚ -- concordou Rampion. - Mas a pr¢xima guerra e a pr¢xima revolu‡ão hão de fazer que a questão se torne bastante pr tica. - poss¡vel. Mas não devemos contar com as guerras e as revolu‡ões. Porque, se contamos com elas, elas hão de vir na certa. -- Virão, contemos ou não com elas. O progresso industrial significa superprodu‡ão, significa a necessidade de conseguir novos mercados, significa a rivalidade internacional, significa a guerra. E o progresso mecƒnico significa mais especializa‡ão e padroniza‡ão do trabalho, significa divertimentos despersonalizados, feitos para todo mundo, significa uma queda da iniciativa e das faculdades criadoras, significa mais intelectual ismo, e uma atrofia progressiva de todos os elementos vitais e fundamentais da natureza humana, significa mais t‚dio e agita‡ão, significa enfim uma esp‚cie de loucura individual que não pode ter outro resul-

tado senão a revolu‡ão social. Contemos ou não com elas, as revolu‡ões e as guerras são inevit veis, se permitirmos que as coisas continuem o seu curso atual. De sorte que o problema se resolver por si mesmo ... Mas somente por sua pr¢pria destrui‡ão. Quando a humanidade f"r destru¡da, est claro que não haver mais problema. Mas isso me parece uma triste solu‡ão ... Acredito que possa existir outra, mesmo no quadro do sistema atual. Uma solu‡ão provis¢ria, enquanto o sistema f¢sse sendo modificado na dire‡ão duma solu‡ão permanente. A raiz do mal est na psicologia individual; de maneira que ‚ por a¡, pela psicologia 308 * ---Sobo aspecto da eternidade ", ou simplesmente Va hist¢ria " (N. do E) I i #

as co-

individual, que seria preciso come‡ar. O primeiro passo seria fazer que pessoas vivessem duma maneira dupla, em dois compartimentos. Num dos compartimentos, como trabalhadores industrializados, no outro,

mo sˆres humanos. Como idiotas, como m quinas, durante oito horas dentro das 24; e como verdadeiros sˆres humanos o resto do tempo. - Elas j não fazem isso? - Est claro que não. Os homens vivem como idiotas, como m quinas, todo o tempo, tanto nas horas de trabalho como nas horas de folga. Corno idiotas e como m quinas, mas imaginando que vivem como sˆres humanos civilizados, mesmo como deuses. O primeiro passo a dar ‚ fazˆlos reconhecer que ˆles são idiotas e m quinas durante as horas de trabalho. "Sendo a nossa civiliza‡ão o que ‚", eis o que ser preciso dizerlhes, "iocˆs devem passar oito horas das 24 como uma esp‚cie de intermedi rio entre um imbecil e uma m quina de coser. muito desagrad vel, eu sei. humilhante, ‚ repugnante. Mas a¡ est ... Vocˆs tˆm de fazer is-

so; de outra maneira, t"da a estrutura do mundo se far em peda‡os e n¢s morreremos de fome. Eis por que ‚ preciso que vocˆs fa‡am ˆsse trabalho bˆstamente e mecƒnicamente; e que passem as horas de lazer como homens ou como mulheres verdadeiros e completos. Não misturem as duas vidas; mantenham os compartimentos bem estanques entre elas. O que importa acima de tudo ‚ a vida autˆnticamente humana das horas de folga. O resto não passa de uma necessidade s¢rdida que ‚ preciso satisfazer. E não esque‡am nunca que ela ‚ efetivamente s¢rdida e - a não ser por permitir que vocˆs se alimentem e conservem intata a sociedade absolutamente sem importƒncia, sem a menor rela‡ão com a verdadeira vida humana. Não se deixem enganar pelos patifes cheios de un‡ão que falam da santidade do trabalho e do servi‡o cristão que os homens de neg¢cios prestam aos seus semelhantes. Tudo isso são mentiras. O trabalho de vocˆs não passa duma tarefa repugnante e desagrad vel, mas que infelizmente ‚ necess ria por causa da loucura de nossos antepassados. Òles acumularam uma montanha de lixo, e ‚ preciso que vocˆs fiquem a trabalhar dia e noite com suas p s procurando remover o monturo, de mˆdo que o fedor dˆle os envenene e mate; ‚ preciso que vocˆs trabalhem para respirar, maldizendo a mem¢ria daque * les insensatos que lhes deixaram todo ˆsse trabalho ign¢bil por fazer. Mas não procurem entregar-se-lhe de cora‡ão, fingindo que ˆsse sujo trabalho mecƒnico ‚ uma necessidade nobre. Não ‚ verdade; e o £nico resultado que vocˆs obterão dizendo isso e crendo nisso ser abaixar a nossa humanidade ao n¡vel dessa necessidade infecta. Se vocˆs acreditam nos neg¢cios, como no servi‡o e na santidade do trabalho, vocˆs se transformarão simplesmente em idiotas mecanizados durante 24 horas, das 24 que tem um dia. Reconhe‡am que ‚ um trabalho infecto, tapem o nariz, dediquem-se a ˆle durante oito horas e depois concentrem-se em si mesmos para ser, nas horas de folga, entes humanos verdadeiros. Sˆres humanos verdadeiros e 309 #

completos. Não leitores de jornais, nem amadores dejazz, nem man¡acos da radiof"nia. Os industriais que fornecem ...s massas divertimentos padronizados e fabricados em s‚rie fazem o poss¡vel para torn -los, nas horas de lazer, os mesmo imbecis mecƒnicos que vocˆs são durante as horas de trabalho. Mas não permitam isso. preciso fazerem o esfor‡o necess rio para serem humanos." Aqui est o que se deve dizer ...s gentes; eis a li‡ão que devemos ensinar aos mo‡os. necess rio convencer t"da a gente de que t"da essa magn¡fica civiliza‡ão industrial não passa dum mau cheiro, e de que a vida verdadeira, a que significa alguma coisa, não pode ser vivida senão fora dela. Ser preciso muito, muito tempo para que uma vida decente e o cheiro industrial se possam conciliar. Talvez sejam mesmo inconcili veis. o que ainda est para se ver... Seja como ror, por ora ‚ necess rio atacar as imund¡cias de rijo, suportar o cheiro est ¢icamente, e, nos intervalos, tratar de levar uma vida verdadeiramente humana. - um bom programa. Mas não te vejo ganhando muitos votos com ˆle nas pr¢ximas elei‡ões. - Eis a dificuldade. - Rampion franziu a testa. - Ter¡amos todos contra n¢s. Porque a £nica coisa a cujo respeito todos estão de ac"rdo conservadores, liberais, socialistas, bolcheviques - ‚ a excelˆncia intr¡nseca do fedor industrial e a necessidade de suprimir, pela padroniza‡ão e pela especializa‡ão, todo tra‡o de virilidade ou de feminilidade na ra‡a humana. E querem que a gente se interesse pela pol¡tica! Ora, ora. . . - Sacudiu a cabe‡a. - Vamos pensar em coisas mais agrad veis. Olha, quero mostrar-te ˆste quadro. - Atravessou o est£dio e tirou uma tela duma pilha que estava apoiada contra a parede. Pronto - disse, depois que acabou de instalar o quadro num cavalete. Sentada no alto dum talude coberto de relva, onde formava o pice da composi‡ão piramidal, uma mulher nua dava o seio a um bebˆ. Embaixo, diante dela, estava acocorado um homem, as costas nuas voltadas para o espectador; e, ao lado direito, numa posi‡ão correspondente, achava-se um menino. O homem acocorado brincava com um par de cachorrinhos de

leopardo, que ocupavam o centro do quadro, um pouco mais abaixo dos perto p‚s da mãe sentada. O menino olhava a cena. Atr s da mulher, bem dela, ocupando quase tâda a parte superior do quadro, via-se uma

vaca, com a cabe‡a levemente voltada para um lado, ruminando. A cabe‡a e os ombros da mulher se destacavam, p lidos, contra o flanco escuro do animal. - um quadro de que gosto dum modo todo particular - disse Rampion depois dum pequeno silˆncio. - As carnes estão bem, não achas? Tˆm vi‡o, tˆm vida. Meu Deus, como o teu sogro sabia pintar maravilhosamente os nus ao ar livre! Espantoso! Ningu‚m os fez melhor - nem mesmo Renoir. Ah! Se eu tivesse os dons que ˆle tinha! Mas ˆste não est mal - continuou Rampion, voltando ao quadro. - Não est 310 pr¢priamente mal. E depois, tem outras qualidades. Sinto que consegui .1 por ai as rela‡ões vivas das personagens entre si e o resto do mundo ... #

A vaca, por exemplo. Ela não tem consciˆncia da cena humana. Mas sente-se, entretanto, que o animal est em contato feliz com os humanos, duma maneira leitosa, ruminante, bovina. E os humanos estão em contato com a vaca. E tamb‚m com os leopardos, mas não do mesmo modo duma maneira que corresponde ...quela maneira f‚lina e viva pela qual os cachorrinhos estão em contato com ˆles. Não h d£vida: gosto dˆste quadro. Eu tamb‚m - disse Philip. - algo a opor ao fedor industrial. Riu. - Devias fazer, para companheira desta, uma pintura da vida no mundo civilizado. A mulher de imperme vel, apoiada contra uma gigantesca garrafa de Bovril, e alimentando seu bebˆ com Glaxo. O talude coberto de asfalto. O homem, vestindo um traje de 5 guin‚us, agachado diante dum pâsto radior"nico, com o qual brinca. E o rapazinho, raqu¡tico e cheio de espinhas, observando a coisa com interˆsse. - E o todo executado ao modo cubista - disse Rampion -, para

dar certeza absoluta de que não havia nˆle nada de vivo. Nada como a arte moderna para esterilizar as coisas e extirpar-lhes a vida. O cido fenico não pode competir com ela... #

CAPiTULO XXIV tiO govˆrno local dos hindus sob os imperadores da dinastia dos M rias continuou, semana ap¢s semana, a exigir a presen‡a do Sr.

Quarles no Britisli Museum, pelo menos dois dias inteiros em cada sete. - Eu não tinha a menor id‚ia - explicava ˆle - de que houvesse tanto material dispon¡vel. Enquanto isso, Gladys descobria que se tinha enganado. Os bons momentos que esperara gozar sob a prote‡ão do Sr. Quarles dão eram melhores do que os bons momentos que podia desfrutar com "boys" quase tão pobres quanto ela pr¢pria. O Sr. Quarles, parecia, não estava disposto a pagar o luxo de sentir-se superior. Queria ser um grande homem, mas com pouca despesa. A desculpa que alegava para ir ao restaurante de segunda ordem e aos lugares baratos no teatro era sempre a necessidade de segrˆdo. Seria desastroso que algum conhecido o encontrasse em companhia de Gladys; e como as pessoas de seu conhecimento pertenciam ao mundo que se faz passear, repleto, de Berkeley at‚ as poltronas do Gaiety Theatre, o Sr. Quarles e Gladys comiam numa Corner House* e assistiam aos espet culos do alto da segunda galeria. Tal a explica‡ão oficial da qualidade pouqu¡ssimo principesca das festas que proporcionava ... rapariga. A explica‡ão real não era a necessidade de guardar segrˆdo, mas a aversão inata de Sidney a se desfazer do seu dinheiro. Porque, embora as grandes somas significassem pouco para ˆle, as pequenas significavam muito. Quando se tratava de "melhoramentos imobili rios" ˆle de bom grado desembolsava dezenas ou mesmo centenas de milhares de libras. Mas quando se tratava de pagar 2 ou 3 meias coroas para dar ... sua amante um lugar melhor no teatro ou uma refei‡ão mais saborosa,

um ramilhete de f16res ou uma caixa de bombons, Sidney Quarles se tortinha nava repentinamente o mais econâmico dos homens. Essa avareza

raizes num certo puritanismo curioso, que coloria suas opiniões a respeito de quase todos os prazeres e divertimentos (fora os estritamente sexuais). Jantando com uma empregadinha se‡luzida na barata obscuridade de uma bai£ca de Solio, ˆle (com tâda a paixão dum Milton reprovando os filhos de Belial, com t"da a seriedade dum Wordsworth defendendo a causa duma vida material mais humilde e dum pensamento mais elevado) denunciava os grosseiros gozadores do Carlton, os glutões do Ritz, que, no *Cadeia de restaurantes normalmentefrequentados pela pequena burguesia. (N. do E) 312 I meio das mis‚rias amontoadas de Londres, gastam descuido samente o sal rio mensal dum oper rio agr¡cola num jantar tˆte-...-tˆte*. Dessa maneira S¡dney dava, ...s suas preferˆncias parcimoniosas em mat‚ria

de

restaurantes e de lugares de teatro, um car ter de alta moral não menos que de simples medida diplom tica. Seduzidas por um libertino j velliusco, as amantes do Sr. Quaries ficavam surpreendidas de se verem jantando com um profeta liebreu e d¡vertindo-se na companhia de um disc¡pulo de Catão ou dˆ Calvino. #

de

- Quem o ouve falar julgar que vocˆ ‚ um santo! - disse Gladys com sarcasmo, quando Sidney fez uma pausa para respirar, no meio

uma de suas diatribes de Comer House contra os pr¢digos e os glutões. - Vocˆ! * risada da rapariga era ferozmente sarc stica. * Sr. Quarles ficou desconcertado. Estava habituado a ver-se escutado respeitosamente, como um deus do Olimpo. O tom de voz de Gladys era

grosseiro e revoltado; ˆle não gostava daquilo; o caso o inquietava, mesmo. Sidney al‡ou o queixo com dignidade e disparou um tiro de censura s"bre a cabe‡a dela: - Não ‚ uma simples questão de personalidades. Realmente ‚ uma questão de princ¡pios gerais. - Não consigo ver nenhuma diferen‡a - replicou Gladys. abolindo de golpe tâdas as pretensões solenes de todos os fil¢sofos e moralistas, de todos os chefes religiosos, reformadores e fabricantes de Utopias, desde o comˆ‡o dos tempos humanos. O que, sobretudo, exasperava Gladys era que mesmo no mundo dos "freges" e dos lugares baratos de teatro o Sr. Quarles não abandonava as suas pretensões nem as suas maneiras ol¡mpicas. A indigna‡ão dˆle, uma noite em que havia uma multidão compacta na escada das segundas gale rias, foi clamorosa e cheia de sentimento de justi‡a. - Realmente, isto ‚ um escƒndalo! - classificou Sidney. - Quem vˆ pensa que vocˆ tomou o camarote real. . . -- observou Gladys sarciÖsticamente. E quando, numa casa de ch , o velho Quarles se queixou de que a fatia de salmão de 1 xelim e 4 pence, a julgar pelo g¢sto, tinha vindo da Col£mbia Britƒnica e não da Esc¢cia, Gladys lhe aconselhou que escrevesse ao Times a respeito. Òsse achado fez as suas del¡cias, e da¡ por diante ela não cessou de recomendar irânicamente a Sidney que escrevesse ao Times. Òle se queixava, fil¢sofo nobre e desiludido, da vacuidade dos pol¡ticos e da trivialidade s¢rdida da vida pol¡tica? Gladys lhe sugeria que escrevesse ao Times. Se o velho discorria com eloqˆncia sâbre a hipocrisia da Senhora Opinião P£blica e s"bre a intolerƒncia dos inglˆses, a rapariga lhe dizia que escrevesse ao Times. Era realmente um escƒndalo Para duas pessoas s¢mente. (N. do E.) # 313

que nem Sir Edward Grey nem Lloyd George soubessem falar francˆs; outra vez vinha ... baila o Times ... O Sr. Quaries sentiu-se ferido e ultrajado. Nunca lhe acontecera coisa semelhante. Na companhia de suas

outras amantes a consciˆncia de sua superioridade tinha sido uma felicidade serena. Elas o haviam venerado e admirado; ˆle se sentira um verdadeiro deus. F,, durante os primeiros dias, Gladys dera a impressão de ser tamb‚m uma adoradora. Mas, tendo vindo para orar, ficara para zombar ... A felicidade espiritual do Sr. Quaries estava aniquilada. Não f"sse a satisfa‡ão material que lhe davam as qualidades biol¢gicas de Gladys, ˆle teria r...pidamente esgotado o assunto do govˆrno local entre os M urias e passaria a ficar em casa. Infelizmente a jovem secret ria tinha sido dotada duma dose incomum dos caracteres gerais da esp‚cie. Como indiv¡duo, Gladys, com o seu sarcasmo, magoava e repelia Sidney Quarles; mas essa repulsa individual era anulada pela atra‡ão que exercia no velho o que nela havia de especificamente feminino, o que ela tinha de comum com tâda a sua esp‚cie, todo o seu sexo. A despeito das zombarias da amante, o Sr. Quarles voltava a Londres. Os reclamos dos hindus tornavam-se cada vez mais imperiosos. Percebendo o seu poder, Gladys come‡ou a recusar o que ˆle desejava. Talvez fosse poss¡vel, por meio de um pouco de chantagem, for‡ -lo a essa generosidade que não estava na sua natureza revelar espontƒneamente. Ao regressar duma noitada muito pouco onerosa, numa Corner House e num cinema, ela repeliu Sidney com c¢lera quando, no t xi, ˆle tentou as car¡cias habituais. - Não me pode deixar em paz? - perguntou Gladys sˆcamente. E, ao cabo dum momento: - Diga ao chofer que v primeiro ... minha casa, que eu quero descer. - Mas, minha pequena! - protestou o Sr. Quaries. Não tinha ela prometido entrar com ˆle? - Mudei de id‚ia. Diga ao chofer. O pensamento de que, ao cabo de trˆs dias de antecipa‡ões ardentes, ˆle seria obrigado a passar uma noite solit ria, foi-lhe uma tortura. - Mas Gladys, minha querida... - Diga ao chofer. . . - Mas, realmente, isto ‚ cruel demais; ‚s tão, tão m ... - Pois então escreva uma carta ao Times - foi a £nica resposta da rapariga. - Eu mesma falo ao chofer. Depois duma noite de ins"nia e de sofrimento, o Sr. Quarles saiu, logo

que as lojas se abriram, e comprou um rel¢gio de pulso de 14 guin‚us. Era um reclame de dentifr¡cio. Mas como a gravura representava um sorri314 so amoroso e nacarado, e como a palavra come‡asse com um d, o pequeno Phil, sem a menor hesita‡ão, leu: - Dan‡a. O pai desatou a rir: - Grande embusteiro! E eu que pensei que sabias ler! - Mas ˆles estão dan‡ando - protestou o menino. - Sim, mas não ‚ isso que est escrito. Lˆ de n"vo. # par que dan‡ava o fox-trote, exibindo-se m£tuamente os dentes num

Mostrou-lhe a palavra com o dedo estendido. O pequeno Phil relanceou de n"vo a palavra imposs¡vel e olhou longamente para a imagem. Mas o par de dan‡adores não lhe deu a menor indica‡ão. - D¡namo - disse ˆle por fim, em desespˆro de causa. Foi a £nica outra palavra come‡ada por d que lhe veio ao esp¡rito naquele momento. - Por que não "dinossauro", duma vez? Ou "dolicoc‚falo"? Ou "dicotiled"neo"? - O pequeno Phil ficou profundamente ofendido; não podia suportar que zombassem dˆle. - Vamos, lˆ de n"vo. E desta vez procura ler de verdade. Não adivinhes. O menino virou a cabe‡a: - Isso ‚ enjoado. . . - Sua vaidade o impedia de tentar o que não podia realizar com ˆxito pleno. A Srta. Fulkes, que tinha por princ¡pio ensinar por persuasão racional e com o consentimento raciocinado do aluno (ela era ainda muito jovem), lhe havia feito prele‡ões s¢bre a sua pr¢pria psicologia, na esperan‡a de que, uma vez tendo consciˆncia de seus defeitos, Phil pudesse corrigi-los. "Tens um orgulho da pior esp‚cie", dissera-lhe ela. "Não tens vergonha de ser um burro e de não saber as coisas. Mas tens vergonha de te enganares. Preferes não fazer uma coisa a fazˆ-la ...s avessas. Isso ‚ um ˆrro muito grande." O pequeno Phil sacudira a cabe‡a num sinal de assentimento e dissera: "Sim, Srta. Fulkes", da maneira mais racional e compreensiva que se podia imaginar. Mas conti-

Elinor riu sarc. um amargor que achava agora uma ocasião para se exprimir. .Se achas que essa ‚ a maneira de educar uma crian‡a.repetiu ˆle. para que o rapaz tenha uma oportunidade de ser educado racionalmente.. .s um caso perdido.o e de censuras in£teis a si mesmo. seria necess rio mesmo fazer um esfor‡o para não mim -lo tanto .disse Elinor com uma voz fria e dura. voltando s¢ depois de seis meses! . .prop"s. . . desenhava bem. . . . de introspec‡.Mas eu não quero experimentar. J ‚ tempo de criarmos ju¡zo.Ao cabo de oito dias estarias tão enfarado que te haverias de suicidar ou de tomar o primeiro avião para Paris.Faz-lhe tanto mal . .sticamerite. O pequeno desatou a chorar.Mas tu queres que eu fa‡a um desenho? . . elas demonstraram uma vez mais o seu poder. eram uma arma irresist¡vel. um amargor . .. A mãe chamou-o e sentou-o s"bre seus joelhos. Elinor. voltando-se de n"vo para o pai com um sorriso cativante.. . não vejo por que não possa ser tratado como tal. As l grimas. .Mas.Não. . . .Não o fa‡as chorar . . . embora fora de prop¢sito.retrucou com um amargor que a ocasião não justificava. Sei apenas que não quero que ˆle chore.J que ˆle ‚ filho £nico. Quero que leias.Isso ‚ enjoado..E quem se ocupar com a sua educa‡ão racional? Tu? .Papai malvado! . . ˆle o sabia. .fez o pequeno Phil.exclamou ela. ergueu os olhos.Mas eu ‚ que quero. .. que se achava sentada. Estava sempre pronto a desenhar. Philip deu de ombros: # 315 acurriu lado pouco a pouco no curso das £ltimas semanas de silˆncio e de hostilidade remota.O pequeno Phil redobrou o chƒro. na outra extremidade do compartimento.Mas isso ‚ enjoado.nuava preferindo não fazer as coisas a fazˆ-las com dificuldade e errado. . obrigado. Elinor comprimiu a face contra os cabelos do filho: . Experimenta. . com um livro entre as mãos.Não importa.. preciso que experimentes.Não acho coisa alguma . j que ˆle tem a infelicidade de ser filho £nico. ... E efetivamente.

.s raias do absurdo.Agora chega... fez um esfâr‡o de vontade e se fechou 316 em si mesmo mais estreitamente do que nunca.Papai malvado!---repetia o pequeno Phil duma maneira exasperante. chegavam . Em lugar de abandonar-se a uma sã explosão. Com ˆle aconteceria o mesmo. tomar-lhe da mão e fazer as pazes. . Philip sabia que a pr tica seria intoler¡lvelmente aborrecida. e depois voltar-se violentamente para Elinor e "ajustar contas" com cIa. cheio de pequenos deveres e de contatos humanos banais. Elinor sacud¡u-o um pouco. era dˆsses que.Não sou tão infantilmente. Phil . . Relembrou as tentativas espasm¢dicas de educa‡ão que seu pai empreendera.. E era precisamente por essa razão que Elinor não devia ter-lhe dito aquilo.s "cenas" fizeram que ˆle conservasse a calma. Serias incapaz de te ocupares com uma crian‡a.. com dignidade e com uma c¢lera contida. Mas o h bito de autodom¡nio que tem todo homem bem-educado e seu horror . para ˆle. Seu primeiro impulso # foi de correr atr s dˆle. como um papagaio cujo repert¢rio se limitasse a uma £nica frase. O ideal de um interior r£stico. . e sumiu-se. porque não ‚s bastante crian‡a. tu ‚s adulto e s‚rio demais. p"-lo para fora da sala. no ¡ntimo. Mas conteve se tamb‚m.disse ela quase com raiva. O primeiro impulso de Philip foi de arrebatar o filho dos bra‡os da mãe. Philip se foi. Philip ergueu-se e saiu para o jardim pela porta envidra‡ada. P ra j e . Elinor viu-o partir. O menino continuava a choramingar. Conservapdo a sua dignidade e seu ressentimento inexprimido. . Tu te pareces com uma dessas personagens tão terrivelmente adultas do Matusal‚m de Bernard Shaw.P ra.Ao contr rio.Philip se sentiu ofendido. Embora a id‚ia de zelar pela educa‡ão do menino fâsse interessante. manquejando.retrucou Philip. sabia que a mulher tinha dito a verdade. dar~lhe umas palmadas pela impertinˆncia. tão absolutamente leviano como pareces imaginar . tanto mais que.

Não houve ainda v"mitos. "J.disse Sir Herbert..Perfeitamente ." Consultou o . . radiografia.Mostrou com o dedo a nuvem de fuma‡a.Bem.repetiu ˆle. depois.Òle ‚ mais velho do que parece. . Sir Herbert sacudiu a cabe‡a num sinal de aprova‡ão. . com satisfa‡ão.Lan‡ou ao seu eminente colega um olhar cheio duma esp‚cie de deferˆncia interrogativa. no piloro. . Neoplasma no 317 # piloro. Sir Herbert fez uma careta leve e sacudiu a cabe‡a com um ar de d£vida: .disse o jovem radi¢grafo.. Esq. vâmitos? . o que ˆle dizia. .Isso explica a pequenez .Vejam. ou simplesmente duma mancha de tinta. pequeno mas muito claro. certo que ˆle não mostra a idade que tem. preciso retirar-me . sua mesa. Voltando ..Seria sem d£vida interessante abrir o abd"men para permitir a explora‡ão . voltando . de nˆvo correu os olhos pela radiografia manchada de -negro e nublada de cinza. uma neoforma‡ão perfeitamente vis¡vel. sim. Radiografado. . para o "lho inexperiente.Temos de pensar na idade do paciente.Sim.Não houve. .. dando mostras de espanto e dum interˆsse talvez excessivo.j! Os dois m‚dicos examinavam algo que. . disse ˆle de si para si. .Bem vis¡vel . era sempre e inevit. .. sentia-se.A obstru‡ão ‚ apenas leve. duma explosão de fuma‡a negra em meio de nuvens...Não podia mesmo ser muito grande."teria podido passar pela fotografia dum tufão no g"lfo de Sião.. Est muito claro . depois da ingestão de b rio. . "Um clichˆ verdadeiramente not vel e feliz". Bidlake.H . Pelo menos com os sintomas registrados at‚ agora. .apressou-se em concordar com o radi¢grafo. Est"mago. escoltou-o pessoalmente at‚ o Daimier que o esperava. .exclamou o radi¢grafo. escreveu nas costas algumas palavras a l pis... . O jovem radi¢grafo se precipitou para a porta. . . Seu tom era o dum or culo.velmente verdadeiro. apresentou-lhe o chap‚u e as luvas.

na Calif¢rnia? Òle sabia.Mas. meu pobre John! .calend rio.. sabendo-a a par de tudo. amiga.. sentando-se ao lado dˆle.não procuraste um m‚dico? . escreveu a data na radiografia e arqu¡vou-aO velho criado anunciou a visita e se retirou. Das profundezas da poltrona na qual tinha passado o dia a meditar com terror sâbie temas de mol‚stias e de morte. um padrão de ac¢rdo com o qual poder dar forma aos acontecimentos. mas não queria dar voz ao seu conhecimento.Est claro que procurei . .Tomas-me por um imbecil? Mas ˆles são todos uns charlatães.Tens um ar de cansa‡o e abandono. a mais terr¡vel das coisas se torna mais espantosa ainda. . no seu jargão de curandeiro. avan‡ando atrav‚s do compartimento.. Mas pensas que ˆle sabe alguma coisa mais do que os outros? Limitou-se a me dizer. . De resto. estendeu uma das mãos .perguntou Lady Edward. John Bidlake não se ergueu nem mesmo para recebˆ~la. .. John? .S¢ Deus sabe! .Seu ¢dio contra Sir Herbert e contra todos os m‚dicos o havia mornentƒneamente reanimado. ela conhecia o estranho preconceito de seu amigo contra os m‚dicos.Então. .Òle tinha adivinhado.respondeu ˆle com irrita‡ão. Espero que não seja nada de s‚rio . . mais irrevog vel. Seu filho Maur¡cio não tinha morrido da mesma doen‡a.exclamou Lady Edward. Os mist‚rios da religião pessoal de John Bidlake eram tão supinamente obscuros e paradoxais como qualquer dos que se podem encontrar nas ortodoxias "te¢latras" que ˆle gostava de ridicularizar. Que ‚ que h ? John Bidlake sacudiu a cabe‡a: .Como vais? Disseram-me que estavas adoentado. Procurei um que tem um t¡tulo de Sir. o que eu lhe tinha dito em palavras claras: que eu tenho qualquer coisa estragada c dentro.. partindo das palavras vagamente profissionais de Sir Herbert a respeito duma "ligeira obstru‡ão nas vizinhan‡as do piloro".. Uma vez exprimida. porque então o destino ter . de certo modo. fechando atr s de si a porta do est£dio. . ˆle sabia de que se tratava.O tom da voz de Lady Edward era acusad or. havia cinco anos.Mas. estava claro. não devemos nunca formular nosso conhecimento dum mal que est por vir. . Patifão imbecil! . H sempre uma esp‚cie de probabilidade long¡nqua de não acontecer a desgra‡a. quando não damos expressão aos nossos maus press gios.

em t"das as paredes do est£dio. Que o tratassem com uma comisera‡ão grave. sob a forma duma vida nova. de chap‚us altos e de saias arrepanhadas. em Londres. Uma cena de rua. nuvens brancas ao longe.sugeriu Lady Edward para reconf"rt -lo. nos dias em que Roma tinha cessado recentemente de pertencer ao papa . era a morte. # . voltando o rosto. deitada nua sâbre uma pregui‡osa. Duas pequenas paisagens executadas nos jardins do P¡ncio. duma maneira exuberante e crescente. estavam penduradas notas fragment rias da vida de John Bidiake. Então talvez não seja nada de verdadeiramente s‚rio . Òle não queria entregar-se ao destino formulando a se a horr¡vel verdade. cheia de hansom-cabs*. não! . chata e barbada . Pensou na morte.uma vista de campan rios e de c£pulas percebidas atrav‚s da chanfradura de* carvalhos verdes. a mol‚stia. no seu velho terror. O pintor recaiu no seu antigo acabrunhamento. na morte. Mas ao mesmo tempo queria que o tratassem como verdade estivesse expl¡cita.insistiu Lady Edward.o retrato de Verlaine. Em târno.Aquˆle otimismo despreocupado fez s¢bre o velho o efeito duma inj£ria. um vaso de rosas no . muito s‚rio . Nada de importante . como um embrião num £tero.insistiu. E Jenny. um par de est tuas silhuetadas contra o c‚u.__ Mas ˆle deve ter -te dito alguma coisa . uma cara de s tiro. A £nica coisa fresca e ativa no seu velho corpo. com umajanela atr s de si. o mais magn¡fico dos modelos. a £nica coisa viva. s‚rio.Não.murmurou ˆle. Trˆs esbo‡os da Mary Betterton f¢rnida e alegremente colorida de havia trinta anos. a dor e a f£nebre aproxima‡ão da 318 morte. que crescia e crescia em seu ventre. Estas palavras lhe trouxeram ao pensamento aquela "ligeira obstru‡ão nas vizinhan‡as do piloro". Ao lado.

. apesar de tudo.s cortinas de Dufy e a todo o resto . terr¡vel. e estas sombras veludosas . o c‚u dum verde de cristal. minha mão enquanto escrevo. Lady Edward mudou vivamente de assunto: . o rio. Intervalo de cinco minutos. o que ‚ mais.. de avião -. Mas eu preferia quef"sses tu. e. a meus ombros. todo. Eu tinha esquecido os Quies para os ouvidos me vi no meio dum verdadeiro inferno de ru¡do durante duas horas e meia. meu agoros- .. não hei de suportar. Sinto-me muilofatigada e. Meus bra‡os nas mangas de roupão. mesmo as coisas opacas efeias -...sim. at‚ os dedos nus de meus p‚s. a luz do sol. (N. em que a bol‚iafica atr s da capota. demais. E quanto a meu to no espelho.come‡ou ela.tudo isto me d desejos de explodir em l grimas. s"bre o ventre branco da rapariga. 1 * Pequena carruagem de duas rodas. porque telefonei a Renˆ Tallemant para ˆle vir tomar um coquetel e me levar a alguma parte onde a gente se divirta.. E não ‚ s¢mente a paisagem.s rosas alaranjadas. aos peixinhos da mesma c"r. ra que deixo cair meus chinelos . cochilando. e "O ar estava agitado. as patas entre os seios redondos e rasos. do E) 319 # CAPITULO XXV "Quai Voltaire. um pouco sentimental e sola sola*. tudo isso ‚ demais para se suportar. hora de eu ir p"r alguma roupa. Recuso simplesmente me deixar levar pelo mundo exterior.eni conseqˆncia disto. · toi*** 11LUCY.. porque tudo ‚ igualmente belo e extraordin rio.‚ terrivel.peitoril da janela e um grande gato persa azul estendido.. Por que não est s aqui para me consolar da insuport vel tristeza desta magn¡fica noite quefaz l fora de minhajanela? O Louvre. Conheces Renˆ? Realmente--‚ um homenzinho surpreendente. 11 "Quai Voltaire. .Lucy acaba de partir para Paris. meu suave Walter. malgr‚** minha dor de cabe‡a. Não posso. como um leão her ldico.

Não loucamente. parafalar a verdade. como se nos chamassem 'dor de est"mago'. maus. · noite.. Pas follement****. então. je m'amuse. do E) mente me adorei nos espelhos de Lanvin. sef"sse.. (N. Eu quisera tamb‚m encontrar um pouco # mais de heterossexuais. Se não podes escrever duma maneira mais sensata. do E. definlandeses.) **Apesar de. que todos (Deus nos acuda!) são artistas. sou ainda bastante pueril para me sentir envolvida nos enredos imbecis..) Tua. não se vˆ outra coisa nesta cidade cansativa. Teatros. por outro lado. do E. Haveria algum sentido na da. eu me divirto. a gente não teria talvez desejo mais vivo que o caminhar. etc.. (N. Mas não ‚. se ela f"sse sempre semelhante a uma dan‡a com um profissional. vide ‚ um esporte muito caro. "Tua L. E. de polacos. mas gosto d‚les. Olhar quadros. atrav‚s das hordas de americanos.. E. . em sua maioria. " "Quai Voltaire. de vˆnedos. que arrebatamentos 1 Eu simples* Expressão italiana que signffica "extremamente s¢ ". Mas a dan‡a não. E compro vestidos. Tâda a minha respeitabilidade inglˆsa irrompe!. desde que Proust e Gide os puseram em moda. do E. de estonianos.) Quanto a mim. Não me agradam. ni les tapettes ni les gousses*. Mas suficientemente. Quant . não escrevas. de romenos. para variar."Twa carta estava cansativa. de letões. Que choramingas 1 E não ‚ lisonjeiro verse a gente comparada a UM veneno que se injUtra no sangue. de lapões. moi. (N. suficientemente. Ser preciso fundar uma liga para a supressão da arte? Parisfaz que eu deseje isso ardentemente. (N. arrasto-me pelos caf‚s de Moniparnasse.

Mas espero que agora estejas convertido. coeur rima com douleur**. não h fugir.velmente cheio de Triebe. Gosto de ti.) Se ao nos t"da a gente quisesse convencer-se de que ser infeliz ou feliz a prop¢sito do amor ‚ sobretudo uma questão de moda! Ser poŠticamente desgra‡ado ‚ uma moda velha . Não h dor associada aos loves inglˆses.. E as £nicas coisas que. meu pobre Walter. Mas. 1 . as rimas não ajusti)licam em inglˆs. Liebe: amor. amorous arts: artes amorosas. dolore: dor. Não importa: não são maus. tarts: mundanas. não. (Os £nicos versos que me desmete. "L.e. 11 "Quai Voltaire. e assim mesmo Por acidente.. aliviado apenas . "nem os pederastas nem as l‚sbicas " (N. pelas leis da po‚tica. do E. ciumento. E. gloves: luvas. cocur: cora‡ão. um homem est muito mais bem ocupado quando pensa nessas coisas do que quandofica a dizer o quanto se sente desamparado. ncompreendido e mais as asneiras restantes. Schmerz: dor. Triebe: impulsos. de resto. s ¢ gloves e turtle-doves. Herz: cora‡ão. doulcur: dor. Eu quisera que ˆsse idiota do Renˆ pudesse compreender isto. (N. podem ir direito aos hearts dos inglˆses são as tarts e as amorous arts. turfic-doves: pombasr"las. amore: amor.. do E. asseguro-te. infelizmente. O rapaz se est tornando quase tão aborrecido como tu.) Cuore: cora‡ão. Mas em inglˆs. hearts: cora‡ões. e ˆle ‚francˆs."Desta vez a tua cartafoi muito melhor. Em giriafrancesa. Nem em alemão: o Herz deve sentir Schmerz e o Liebe est inevit.) # 321 I "Estou resfriada e cheia dum intenso aborrecimento.. loves: am"res. Cuore-dolore-amore: em italiano.

Esquisito e grotesco. Eileen veio ver-me hoje. e. Mas ---Desorte que Philip Quarles pretende instalar-se no campo e . E ‚ brincadeira mesmo. divãs. FicouJériosa comigo porque eu ri e não demonstrei nenhuma simpatiapor ela. passando-se numa grande promiscuidade. mas não sei onde. E tu? Lembras-te? "L. Tim e Eileen queriam ficar. Eu lhes disse que preferia ir visitar o necrot‚rio e deixei-os l . Em todo caso. sim mas terrivelmente aborrecido e depois tudo tão . a um dˆsses lugares em que a gente paga 100francos para ter o privil‚gio de assistir.... Uma brincadeira muito leve. e muito disso a que osfranceses chamam "amour". Gaskell e de Knut Hamsun. de tua b"ca. pequenos cub¡culos. Mas ‚ bom que ainda haja gente capaz de ter ilusões.velmente ausente. Uma ilumina‡ão reduzida .na sua aldeia do que eu aqui. Pobre Tim! Não me parece gentil priv -lo de seus pequenos prazeres inocentes! Mas Eileen anda nervosa .. tornar-se mistura da Sra. como espectador.religiosa. ˆle não poder 1 aborrecer-se mais. a orgias (põe-se uma m scara . A quanta coisa mesquinha a gente est sujeita! A noitepassadafui com Tim e Eileen. Paris ‚ terrivelmente mon¢tono. Tenho vontade de tomar um avião e de me ir embora para alguma parte. enquanto ˆle prende fogo nos jornais por cima dela e deixa-lhe cair as cinzas quentes s"bre o corpo. que parece reconciliada com as demonstra‡ões pirot‚cnicas. bem. participar delas.‚ a £nica coisa divertida). Bem. id‚ia de poderficar tisnada. Espero que se tenham divertido. Parafalar a verdade. porque ˆste faz questão de que ela se deite nua na cama.. não achamos gra‡a. adeus 1 Eu tenho envie* de ti esta noite. menos a ausˆncia..momentƒneamente pela tua carta. Tomei a coisa como brincadeira.... A h 1 Como eu te detesto por não estares aqui para me distrair! Pode-se perdoar tudo. querendo. como a rainha. Porque. tão "m‚dico"! Um misto de n£mero representado por clowns** muito est£pidos e de anfiteatro de disseca‡ão.. Quer deixar Tim. de tuas mãos. 11 "Quai Voltaire.. ¢ Walter imperdo..

) # CAPITULO XXVI . L h defazer um calor formid vel. . Assassina Burlap e vemfiizer uma excursão .. agora que vi o que o divertia. Du sang. por uma vez quef"sse. fazer o imposs¡vel para vi .. Por enquanto. Tenho vaga* Desejo. Ia Maurice BarrŠs. (N... compreendo que ˆle devia ter o esp¡rito dum bebˆ . Tenho a infelicidade de ser demasiado adulta no que diz respeito a certas coisas. minha sˆde de sangue não vai at‚ o desejo de ver estripar matungos. ‚ claro. Insisto.) **Arrepios.. (Talvez aqui esteja uma indica‡ão signJicativa do que me reserva a imortalida- # de . Mas. Sinto-me um pouco sanguin ria neste momento.. Realmente not vel! preciso que venhas. de Ia volupt‚ et de Ia mort*. Dize sim. Escrevo-te . * Sangue. vou fazer um inqu‚rito a respeito da temporada das corridas de touros... Eu quisera. do E) 322 mente a id‚ia de ir a Madri na semana pr¢xima. Se.IT. Vinte mil frissons**s dicos simultƒneos. vol£pia e morte. meu suave Walter.que coisa cacˆte.. Desabrocho nosfornos. ---Foiuma gentileza tua. que tu não tomasses tão a s‚rio a minha envie momentƒnea. Paris. 11 "Quai Voltaire.a id‚ia me vier de n"vo eu te comunicarei em seguida. ) Por que não vens comigo? Falo s‚rio.Enquanto isso. que coisa desesperadamente.. "LUCY. (N. r . Madri est esquecida.. meu Walter querido. (N. Mas adoro o calor. irremedi. (N. do E. A Espanha me serviria. Mas os espectadores são maravilhosos.velmenie cacˆte! Sempre pensei que Heliog balo tivesse sido um jovem muito pervertido.absolutamente pueril. do E) **Palha‡os. A arena nos mareia. Espanha.s pressas.. do E.. pelo menos por ora.

o veneno da civiliza‡ão moderna contaminou os homens muito mais lentamente. Mas ˆles hão de crescer simplesmeme para verem o Juizo Final! ".A procria‡ão diminuiria duma maneira muito mais completa se as pessoas tivessem compreendido .l¡rica e violentamente pessimista. os e momento come‡amos a galopar rumo da morte.sugeri eu . . o estra‡alhamento catastr¢fico de nossa sociedadej terrivelmente inst vel.N¢s.O veneno. H muito tempo que a coisa dura: mas apenas agora come‡amos a perceber que somos v¡timas de um envenenamento.disse-lhe eu por‚m mais lentamente. e conseqentemente pessimista . j não ‚ lento. entre n¢s. e que simplesmente recusaram-se a continuar tendofilhos depois que os brancos lhes extirparam a religião e a civiliza‡ão tradicionais. ora! Os nossos pimpolhos terão de abrir o "lho para se cuidarj que estão aqui. ". pelo menos.s condi‡ões atuais ... Não o brusco suic¡dio da ra‡a. "Citei-lhe o caso dˆsses melan‚sios de quefala Rivers.Depois disso vir o caos mais espantoso e mais sangrento quej se viu. Eis por que mal come‡amos a cessar de procriar.. Os melan‚sios tiveram a sua alma assassinada bruscamente. não sei a prop¢sito de quˆ. . de sorte que não puderam deixar de perceber o que lhes acontecia. ". Foi essa a razão por que decidiram.A mesma coisa se passa no mundo ocidental .DO CADERNO DE NOTAS DE PHILIP QUARLES "Encontrei Rampion taciturno e exasperado. Gradualporque.E enquanto isso . -. ".disse-me ˆle...j tivemos os nossos trinta anos de vida. por assim dizer dum dia para outro. A partir dum certo Como o arsˆnico. mas a diminui‡ão gradual da natalidade. depois de ter catalogado os horrores do mundo moderno. mais ou menos .‚ necess rio a gente continuar a . Ora. -. não se dar mais o trabalho de manter a ra‡a viva. agora.Dou dez anos .Não dev¡amos tˆ-los pâsto no mundo. Òle opera cada vez mais r pidamente. "E profetizou guerras de classes. guerras de continentes.. 11 .Não ‚ uma perspectiva l muito agrad vel para nossos filhos disse-lhe eu. feitos são cumulativos.

violentamente galvanizada. e ela foi bela outrora. Eu os poria em liberdade no campo. numafazenda. havia de darlhes veneno de matar rato. Agora se transformou numa loucura. Sim. e lhes diria que se divertissem. A vida poderia ser bela. deix -los fazer. Mas nos nossos dias classes oper rias estão tão apodrecidas como as outras. Que idiotice! "Rampion queixou-se a mim de que ambos osfilhos tinham a paixão das m quinas . Não são mais que p‚ssimas imita‡ões da burguesia . Tento persuadi-los a amar outra coisa. ‚ terrivelmente humilhante que os sˆres humanos tenham dessa maneira semeado a desorganiza‡ão por t"da parte. mas sim a mais exuberante esp‚cie de .e. se ˆlesf"ssem incapazes de se divertir. j que o querem. A mecƒnica ‚ a £nica coisa que os seduz. avOes.a mecaniz -lo primeiro at‚ a loucura e depois at‚ o assass¡nio puro e simples. E como pessoas instru¡das. Mas ˆles não querem ouvir nada. creio. trens.o diabo os leve! H vinte anos eu teria protestado contra esta educa‡ão burguesa. r dios.conduzir-se como se nosso mundo f"sse durar para sempre . bastava apenas que ˆles quisessem. Estão contaminados pelo amor da morte. Pois bem. -~. Dir-se-ia que os mo‡os estão absolutamente determinados a levar o mundo para um fim .Se eu pudesse empregar o meu m‚todo. sob certos aspectos. Tˆ-los-ia educado como camponeses. não achas? Eu sei. ˆsses diabinhos imbecis! Mas ‚ humilhante. como a varicela. Quej ensinar zes com os teus? '~. O amor da morte anda no ar. E. Òles tˆm de ser pessoas instru¡das e bem educadas . apesar de tudo. não lhes ensinaria coisa alguma.flicam contaminados.fazendo contor‡ões aqui e ali. e produzindo uma algazarra infernal para se convencer a si mesma de que ela não ‚ realmente a morte. # as do Isso ‚ um pouco ut¢pico como programa de educa‡ão. De sorte que meus garotos são educados como cavalheiros.devemos 324 -lhes boas maneiras e gram tica latina e o mais que segue.contagioso. piores que o original. não ‚ mais do que a morte.autos. les o respiram.

Ou.. que negligenciam a sua progˆnie pelo amor do licor inebriante exsudado pelos parasitos que lhes # 325 ---Desdeque li Alverdes e Wheeler. E assim por diante. Seu her¢i e sua hero¡na passarão a lua-de-mel . a galinha B bicando a galinha C e assim por diante . em que os mergulhões e os marrecos demonstrarão os aspectos do galanteio e do casamento.o pol¡tico meditar s"bre a hierarquia cat¢lica e s"bre o fascismo. Observando a "ordem das das " habitual e quase sagrada que reina entre as galinhas de seu terreiro . Ilustrar os v¡cios humanos com os dasfiormigas.vida. Pensemos em Nova York. Um novˆlo de cobras em suas c¢pulas entrela‡adas lembrar ao libertino as suas orgias. para uma inocentejovem idealista. sa preocupa mesmo Rampion. melhor ainda. ' "Mas o diabo ‚ que a coi . no qual uma esp‚cie de Svandrell tirar a moralidade. deixemos que vão para o inferno. estou absolutamente invadem os ninhos. Passar constantemente do termiteiro para o salão e para af brica. convencido de que meu romancista deve ser um zo¢logo amador. um zo¢logo profissional que escreve um romance nas suas horas de lazer. da promiscuidade amorosa dum grupo de serpentes) O nacionalismo e o amor religioso da propriedade nas classes m‚dias serão ilustrados pela defesa apaixonada eferoz que a toutinegra macho faz de seu territ¢rio escolhido. Bom Deus! Enfim.s martodos bicagens dum lago. " ho"Uma das coisas mais dfficeis de ter em mente ‚ que o valor dum . (J vejo a¡ um epis¢dio interessante. Òle h de ver as coisas estritamente sob o ƒngulo da biologia. A mim ‚ que isso não preocupa. Pode-se tirar disso tudo alguma coisa de estranho e de muito divertido. se assim querem. pensemos em Berfim.a galinha A bicando a galinha B. e viceversa.. mas sem ser bicadapor ela.

o * Pontos cegos. A matem tica de Newton não prova nada em favor da sua teologia. Mas ter razão em suas id‚ias sibre o mundo? Ah! isso não se pode deduzir da # . ou para que sintamos outra coisa que não seja desd‚m pela sua est‚tica. menos desenvolvimento unilateral. o artista deveria ter mais bom senso geral do que o mal-equilibrado homem de ciˆncia. Porque ‚ evidente que o desenvolvimento excessivo das fun‡ões purãmente mentais leva a uma atrofia de t"das as outras. Faraday tinha razão a respeito da eletricidade. ou como Newton. depois. a sua puerilidade. o te¢logo! Isso nos põe de sobreaviso mesmo contra os quejulgamos estarem proviivelmente com a verdade. Ela ‚. Da¡ a infan tilidade not¢ria dos profess"res e a simplicidade vis¡vel das solu‡ões que ˆles oferecem para os problemas da vida. conseqentemente. mais ou menos inevit vel. ToIst¢ifoi um excelente romancista. at‚. ou como Kant. (N. Platão escreveu maravilhosamente bem. uma tal in‚pciafoia de sua especialidade não tem nada de surpreendente. Um artista extraordin rio. Instintivamente. por exemplo. No caso dos homens de ciˆncia e dosfil ¢sofos. E ˆle d em perverter todos os seus instintos mais profundos e a mostrar-se exatamente tão est£pido e pernicioso como São Francisco de Assis. tem-se mais confian‡a nˆle do que num intelectual ou num especialista do esp¡rito. do E) 3 26 moralista (ah! ˆsses imperativos categ¢ricos! E. mas não a respeito do sandemanismo. Como Rampion. pela sua sociologia e pela sua religião. Mas no artista h menos especializa‡ão. Eis por que um homem como Tolst¢i ‚ tão imperdo vel. não devia apresentar os puncta caeca* e as imbecilidades dos fil¢sofos e dos santos. O mesmo acontece com os especialistas em espiritualidade. mas não constitui isto razão para que deixemos de considerar detest veis suas id‚ias s"bre a moral. A profunda toleima das pessoas santas. e esta e a razão pela qual muita gente acredita ainda na sua pemiciosafilosofia.mem numa esfera determinada não constitui uma garantia de seu valor em outra esfera. ofato de serem as frutas cristalizadas a £nica coisa que podia apaixonar um pouco aqu‚le Velho cavalheiro!).

a despeito de Burlap. ‚ que suas opiniões são vividas. de nenhum princ¡pio moral abstrato . não passam de pensadas. o que. da qual os não-intelectuais nunca se desviaram. eu desconfio do intelectualismo. postas . como Burlap. ao passo que as minhas. duas coisas me dão confian‡a nas suas opiniões s"bre os problemas da vida. dos moralistas e dos homens de neg¢cios pr¢speros). (Aqui estamos outra vez de volta . com fundamentos cientifeos. ‚ um bom sinal..excelˆncia de suas pinturas e de seus escritos. Òste temafoi desenvolvido por Burlap. em suma. por‚m. primeira categoria . A primeira ‚ que ˆle vive duma maneira mais satisfat¢ria do que qualquerpessoa das que conhe‡o. que perten‡o . num dˆsses artigos viscosos e em‚ticos em que ˆle ‚ especialista. Rarripion. A diferen‡a principal entre n¢s. ‚ transformar um ceticismo intelectual e desprendido num modo de vidapleno e harmonioso. entre parˆnteses. para mim.se bem que não tão completamente. termina na evidˆncia.s personalidades. ou fingem que os que ˆles acham desagrad veis não existem. mas desconfio intelectualmente.de dois p¢los. ao inv‚s de procurar obrigar os fatos a se adaptarem a uma id‚ia preconcebida da verdadeira maneira de viver (como ˆsses imbecis dos cristãos.. ali s.pode ter opiniões detest veis. ou não deveriam existir). As opiniões s"bre as quais dois advers rios estão de ac"rdo (porque ‚ isto o que somos essencialmente.isto.. e desde a origem: advers rios) tˆm fortes probabilidades de serjustas.. Oproblema. filos¢ficos e de moral abstrata. e duma maneira diversa) Muitos . no conjunto. Vive duma maneira mais satisfat¢ria porque vive duma maneira mais realista do que os outros. visto como partimos de pontos iniciais muito afastados . bem como o homem admir vel . dos intelectuais. Como ˆle. espero.a certos respeitos . "O caminho de todo intelectual. E suponho. não creio na efic cia de nenhuma teoria cient¡fica ou filos¢fica.. leva em conta todos osfatos (ao passo que os outros se escondem dˆssesfatos.. na minha opinião. quando ˆle prossegue a sua jornada por bastante tempo e sem desfalec£nento. O homem profundamente desprez¡vel pode ter opiniões preciosas. Entretanto. parte t"das as questões de vaidade. e se põe então a adaptar seu modo de vida aos fqtos. A segunda coisa que me d confian‡a nojulgamento de Rampion ‚ que muitas de suas opiniões concordam com as minhas. E h nisso um bom fundo de verdade.

Poder¡amos achar ainda alguns dˆles na It lia (embora o fascismo j os tenha provilvelmente transformado todos em m s imita‡ões de americanos e de prussianos).de que a vida mental. na Espanha. Òles se aferram a uma cren‡a pat‚tica no racionalismo e na supremacia absoluta das faculdades mentais e da vontade inteiramente consciente. dan‡a o jazz e tem por preocupa‡ão exclusiva ganhar dinheiro e levar a pavorosa "boa vida " moderna. O homem vulgar da nossa sociedade moderna industrializada tem todos os defeitos do intelectual e não tem nenhuma das qualidades que redimem ˆste £ltimo. de suafalta de g"sto. não são ˆles os não-intelectuais de quefalo. est claro. emotiva. Em nenhuma parte mais da Europa .. consciente. Os não-intelectuais em que estou pensando são sˆres muito diferentes. evidˆncia.. O todo da civiliza‡ão moderna est fundado s"bre a id‚ia de que a fun‡ão especializada que d ao homem seu lugar na sociedade ‚ mais importante do que o homem inteiro. instintiva. emotiva do homem não contribui de maneira apreci vel parafazˆ-lo enriquecer e progredir num mundo industrializado) positivamente prejudicial e detest vel. instintiva. 327 ¥Zcontrap4. escuta r dio. por exemplo. melhor. trata gozade sua vulgaridade. na Proven‡a. ou. volunt ria tem qualquer coisa de intrinsecamente superior . não vão bastante longe para voltarem . de que ela "‚" o homem inteiro. antes de voltarmos a essa evidˆncia em que permaneceram sempre os nãointelectuais.. alguns. por causa de todos ˆstes defeitos). intuitiva. Não. na Gr‚cia.txt## Devemos ir mais longe do que ˆsses cavalheiros do s‚culo XIX.. não. pelo menos tão longe quanto Prot goras e Pirrão. de sua infantilidade (ou melhor. vida fisica. talvez. Òles consideram como evidente o principal axioma intelectualista .intelectuais. sendo todo o resto sem importƒncia ou mesmo (visto como a parte fisica. não se de fazer o elogio do homem de neg¢cios de cabe‡a s¢lida. Porque. E devemos apressar~nos a deixar bem claro que ˆsses nãointelectuais não são a canalha moderna que lˆ os jornais ilustrados. a despeito de sua estupidez. nem do dor vulgar. intuitiva.

.. qual chega de volta o intelectual. como demonstra com clareza a hist¢ria pol¡tica e industrial dˆstes £ltimos s‚culos. intuitivamente os seus semelhantes e ter rela‡ões satisfat¢rias com seus amigos e suas amantes. Havia talvez um bom n£mero d‚les h coisa de 3 O00 anos.. est claro. e a que o 1 . A h! Que dificuldades h para transpor ˆsse abismo! Percebo agora que o verdadeiro encanto da vida intelectual .. Asfun‡ões reprimidas não morrem. pesquisa cient¡ffica. Porque a evidˆncia dˆstes ‚ a pr¢pria Vida.. incompar.... . s"bre a hist¢ria da arte. infƒncia. não tˆm necessidade de voltar ... ectual ‚ um brinquedo de crian‡a. são ainda mais raros. A evidˆncia . não ‚ a mesma. para cair em seguida na imbecilidade. . eis que os intelectuais tˆm uma tendˆncia para voltar . Mas os esfor‡os combinados de Arist¢teles. levando ao mesmo tempo a vida do esp¡rito.. A vida intel .. digamos.‚ a ~facilidade. evidˆncia. erudi‡ão.velmente mais µcil saber muitas coisas. deterioram . de Jesus. sua mulher e seus a por filhos. Viver ‚ muito mais dif¡cil que o sƒnscrito.. de Newton e dos grandes neg¢cios transformaram seus descendentes na burguesia e no proletariado modernos. como Rampion. .moderna. a substitui‡ão de simples esque328 nias intelectuais em lugar das complica‡ões da realidade. Não são muitos os capazes de vestir essa id‚ia de carne e de sangue... do que conhecer pessoalmente. a tornarem-se homici~ das loucos e selvagens.. quando vai bastante longe.. e ter id‚ias profundas s"bre metafisica e sociologia. fmalmente. . mas sempre creram nela. cr¡tica . e a viveram.. e de fazer dela uma realidade. que a evidˆncia dos não-¡ntelectuais. "A companhia de Rampion me deprime um pouco.. que a qu¡mica ou que economia pol¡tica.ffiosofia. e. Os intelectuais que. da morte silen# ciosa e r¡gida em lugar dos movimentos desconcertantes da vida. ntelectual encontra nojim de seu caminho não passa da id‚ia dessa vida.da vida consagrada . porque ˆle mefaz ver quão grande ‚ o abismo cavado entre o conhecimento da evidˆncia e o simples fato de vivˆ-la realmente. est‚tica.

sua maneira. as complexi dades vivas da realidade.. Mas procurar a Verdade ‚ muito maisf cil do que aprender a arte de viver integralmente (arte em que. a ciˆncia . At‚ h bem pouco. o fato de que eu continue a me entregar de maneira desordenada aos # 329 . sem ojustificar. tão infantis e tão corrompidos. revertem ao estado primitivo. decompõem-se. uma distra‡ão como t"das as outras. Mas enquanto isso ‚ muito mais f cil ser crian‡a. . ainda mais numerosos. .t"das as atividades que amontoamos com grandiloqˆncia sob o t¡tulo de "Procura da Verdade " . mas outros..se. as afogam nos livros e no diletantismo art¡stico. eu levava muito a s‚rio o saber. que consiste em substituir por abstra‡ões simples. maneira d‚les. e por conseguinte falsas.. como os beberrões. tais como o boliche e o alpinismo). A corrida para os livros e para as universidades lembra a corrida para as tavernas. Percebi igualmente que a Busca da Verdade não passa dum nome polido para designar o passatempo favorito dos intelectuais. os adeptos da Boa Vida. Considerava a Procura da Verdade como a mais alta das tarefas humanas e os Procuradores como os mais nobres dos homens. Essa gente necessita afogar a consciˆncia das dificuldades que h em viver decentemente neste grotesco mundo contemporƒneo. uns procuram achar o esquecimento de si mes mos na libertinagem. louco ou bˆsta do que homem adulto harmonioso. na dan‡a. os estetas puros. no cinema. os homens de neg¢cios. Isto explica.. e que os Procuradores da Verdade tornam-se tão tolos. outros. não deixam dor de cabe‡a nem essa sensa‡ão desesperante do post coitum triste. ˆles tˆm necessidade de esquecer a sua deplor vel insuficiˆncia como cultivadores da arte de viver. Uns afogam suas triste zas no lcool. Os livros e as conferˆncias são melhores para qfogar as m goas do que a bebida e afornica‡ão. nas conferˆn cias e nas ocupa‡ões cient¡ficas. por isto que (entre outras razões) h tanta procura de instru‡ão superior. Mas de um ano para c come‡o a ver que essafamosa Pro cura da Verdade ‚ simplesmente um divertimento. no r dio. a Pro~ cura da Verdade tomar seu lugarjusto e razo vel entre os outros diverti mentos. confesso-o. um sucedƒneo bastante refinado e complicado da vida verdadeira. afilosofia. est claro.

Terei algum dia bastante f"r‡a de esp¡rito para me livrar dˆsses h bitos indolentes de 1 . ao inves de procurar dar-lhes uma forma arbitr ria? O ideal era viver. Qualquer arranjo que o amarrasse. na agrad vel companhia que a gente mesma esco~ lhesse: cada dia.. ou de terminar um trabalho numa data prefixada! Creio que ficaria louco e teria virado fera no fim de alguns meses. A id‚ia do div¢rcio ou de uma separa‡ão oficial lhe era apenas pouco me~ nos desagrad vel que a do casamento.. sem estatutos. Mas infelizmente não podia possuir sem casamento t"das as mulheres que desejava.. "pactos inoportunos e obscenos". le detestava tudo quanto tivesse ares de "cena" e era inimigo de todo cempromisso definitivo e irrevog vel. mesmo que eu me esfor‡asse por abandonar ˆsses h bitos. elas nos ligam. Por que não deixar . Limitavam-se apenas a não se verem com muita freqˆncia. costumava ˆle dizer. que lhe impusesse responsabilidades e lhe lembrasse deveres. O arranjo convinha muito bem a John. "se tivesse de ir a um escrit¢rio todos os dias. não seria para descobrir que a hereditariedadejaz no fundo dˆles e que eu sou congˆnitamente incapaz de viver de maneira integral e harmoniosa 2 " 330 CAPITULO XXVII John Bidlake e sua terceira mulher nunca se tinham "separado" definitiva e oficialmente. em linguagem cicerânica. Tinha sido constrangido a comprometer-se trˆs vˆzes por aquilo a que ˆle chamava. melectualismo e para consagrar minha energia . sem pensar no futuro . tarefa mais s‚ria e mais diffi-cil de viver integralmente? E." Quanto ao casamento. tais coisas são definitivas. "S¢ Deus sabe o que eu teria feito". ou por um "eu" defunto . era-lhe intoler vel. e não na escolhida pelos outros..v¡cios da leitura informativa e da generaliza‡ão abstrata.s situa‡ões a tarefa de se resolverem por si mesmas. jamais f"ra partid rio dˆle. emotiva e socialmente falando.sem planos. com tal regime.

e isso havia j muitos anos .. mas não tinham nunca brigado. mas sim definitivamente aqui ou ali. Escreviam~se raramente. Mas a Sra. ˆles se viam como bons amigos. dia ap¢s dia. . Não moravam juntos. não ". o marido reconhecia agradecido. teria querido saber a quantas estava.f"ra assim que ˆle ouvira uma rapaem o tiriga americana descrever o lado amoroso da vida ideal que se levava Hollywood. gandaia"..qualquer. sua chegada a Gattenden era aceita sem nenhuma observa‡ão. ou mesmo seriam capazes de manter tão constantemente inviolado o car ter indeterminado daquela. mas não estavam separados. A vida não-ideal. sua mulher por tˆ-lo tornado poss¡vel. gandaia". Todavia. Havia mais de vinte anos que John dormia e andava por a¡ ". " . Poucas mulheres. e qualquer coment rio teria trazido uma ponta de defini‡ão com efeitos destrutivos para uma situa‡ão cuja fr gil excelˆncia consistia precisamente nessa vagidade virgem e lindamente intata. de ac"rdo com um programa fixado e previs¡vel. ou pelo menos uma interven‡ão da Providˆncia ou dos inimigos do Reino podiam alterar. era a que consistia em dormir e andar. "Dormir . gandaia.. As rela‡ões de John Bidlake com sua terceira mulher tinham . Os outros aspectos dessa vida podiam ser classificados sob t¡tulo de "andar . para fazer-lhe justi‡a. entretanto . E ela aceitava com mui poucos coment rios as suas reentradas breves e .. abstinha-se de exprimir gratidão.. a vida que John Bidlake nha sempre recusado levar. porque seria comentar o arranjo. ˆle Ficava reconhecido . e se o pintor desejava refrescar suas lembran‡as da paisagem dos Chilterris setentrionais. Qualquer outra esp"sa teria exigido explica‡ões. gandaia"..quando o acaso os reunia -.um car ter de indetermina‡ão muito satisfat¢rio. e. Esse ajuste convinha perfeitamente a John Bidlake. a vida em comum ou a separa‡ão. como se f"sse # essa a coisa mais natural do mundo... teria oferecido a escolha irrevog vel entre a paz ou a guerra. teriam como Janet aceito a situa‡ão. quase sem uma palavra. BidIake permitira que o marido se evaporasse da vida conjugal sem uma disputa.. e. .. que s¢ a morte.

apaixonou-se por Šle com uma paixão art¡stica. Janet Bidlake sentiuse. Não tinha nenhum desejo de proporcionar a seus parentes o prazer de comentarem: "Eu bem dizia!" John dormia e andava ". Desde a infƒncia Janet se sentira mais . Quando menina.ssicarnente art¡stica... Quando descobriu. Entre dez e treze anos. sua carreira de marido do que .. . liter ria e especulativa. dadas as circunstƒncias. tivera uma irmã imagin ria que morava na guarita do sinaleiro. A partir dos dezesseis anos Janet habitara quase que exclusivamente o pa¡s da arte e das letras. não passando de uma estrangeira retida.espasm¢dicas. que se tornou menos pessoal e mais cl. po‚tica . junto a um cruzamento de estradas. Acabou por fazer o que queria. Janet silenciou e refugiou-se.. Recursos pessoais.. E porque ela tivesse imaginado que John B¡dlake era um seu compatriota espiritual. vontade no mundo fict¡cio que criava para si mesma do que no mundo real. na prosaica Inglaterra. inalgrado seu. vontade. Os pais de Janet.. Os quadros e os livros haviam aberto uma nova estrada . buscando cons"lo nas regiões da imagina‡ao art¡stica e liter ria de onde era natural e onde se sentia mais ...e consentiu em tornar-se sua mulher.... impedida de queixar-se. que consideravam Bidlake simplesmente como um s£dito de Sua Majestade igual a ˆles e ligavam mais importƒncia. deixando o advers rio desperdi‡ar sua energia contra um simples corpo sem alma. fizeram o poss¡vel para dissuadi-la da id‚ia. por um amor-pr¢prio muito natural. acrescidos por contribui‡ões . Mas janet era maior e tinha t"da a obstina‡ão dos que sabem simplesmente retirar-se do plano em que se trava a discussão. de artista... e isto s¢ aconteceu tarde demais. sua incapacidade para distinguir entre os testemunhos de seus sentidos e os de sua imagina‡ão tinha dado muitas vŠzes em resultado o ser ela punida como mentirosa. sua fantasia. gandaia" e cada vez se sumia mais da vida conjugal. que havia muito pouco em comum entre o artista admir vel que ela tinha amado e o marido que desposara..

Mas os regressos dessas viagens da Sra. Um dia. Elinor nascera um ano ap¢s o casamento. Dempster foi despedida. o estârnago ulcerado trouxe John BidIake # de volta ao lar. atravessando a fronteira que separava seu pa¡s privado do mundo dos fatos ordin rios. A Sra. Ao saber da verdade. Coisas incalcul veis estavam sujeitas a acontecer quando por acaso ela descia como um ser vindo dum outro plano. ou sempre que achava que seus meios lho permitiam . como ˆle. na qualidade de marido provis¢riamente regenerado para curar-se.tornavam-lhe Poss¡vel aquela fuga para o pa¡s long¡nquo da fantasia.. O g"sto musical de Elinor corria o risco de ser irremedi.s necessidades da esp"sa e dos filhos. e o fato de ela ter muita afei‡ão . Dempster agravava ainda o perigo da contamina‡ão. Era uma boa rapariga. por exemplo.velmente corrompido (diga-se de passagem que Elinor se parecia com o pai: detestava. A Srta. Bidlake pelo mundo da . mas vagamente.. A Sra. o velho pai da rapariga teve um nâvo ataque. ainda dome tica.para o meio da rotina da educa‡ão dos filhos.irregulares e vari veis que John Bidlake fornecia quando se lembrava de 332 que tinha de prover . a m£sica). Srta. As £lceras se curaram e John Bidiake desapareceu outra vez do horizonte familiar. como que de muito longe.. Bidlake foi inabal vel. e que julgava os acontecimentos de ac"rdo com outras normas que não as do mundo comum . a Sra. e sustentava o pai paral¡tico. Não se podia tolerar A Vespa e o õvo Cozido.. Walter foi o resultado dessa convalescen‡a. De quando em quando fazia uma incursão r pida.. Quatro anos mais tarde. Mas grandes princ¡pios art¡sticos estavam em j ¢go. que ensinava muito bem. do qual saiu cego dum âlho e privado da palavra. e suas interven‡ões na ordem cotidiana das coisas tinham sempre uma certa qualidade desconcertante e quase sobrenatural. Bidlake despediu uma governanta porque a tinha ouvido tocar no piano da sala de estudos a can‡ão de Dan Leno que conta a hist¢ria s"bre A Vespa e o ¢vo Cozido. Bidlake zelou pela educa‡ão delas. Amas e governantas tomaram conta das crian‡as..

qual uma dessas hero¡nas shakespeariarias cujo falar cient¡fico e rabelaisiano acompanha a‡ões do refinamento mais delicadamente virtuoso. idade de nove anos. Ôstes. Quando ela intervinha na pr tica da educa‡ão dos filhos. que lhe eram naturais. em geral. Elinor tinha suportado a leitura de Ham/et na idade de trˆs anos.. considerados habitualmente como incompreens¡veis ou pouco convenientes para os pequenos. que tinha acabado por caracteriz -la tão plenamente. mas. sua maneira. sse conhecimento tinha refor‡ado. na idade de sete anos. Bidlake sofria diante da atitude irreverente de Elinor para com as fantasias que ela tanto acariciava. a frieza e a falta de curiosidade pr tica a respeito de t"das as coisas de ordem amorosa. não tentou reform Ia. a tica de Spinoza. não deviam ser educados senão dentro do que h de melhor na filosofia e nas artes. da mesma maneira como não quisera ver os defeitos do marido e como se retirara do . simplesmente fez por ignorar aquilo e tratou de se retirar. ela adquirira desde a infƒncia um conhecimento te¢rico completo de todos os assuntos que se consideram como os menos indicados para se fazerem conhecidos dos jovens. tal era a sua teoria. senão para fazˆ-los ler . f"r‡a autores cl ssicos.. do Bispo Berkeley. e Elinor crescera num estado de inocˆncia bem informada e superficialmente c¡nica. não era.imagina‡ão eram geralmente menos graves em seus resultados. . como manual de alemão. A Iso sprach Zaralhus~ tra. as guas-fortes de Goya e.. O resultado dˆsse contato prematuro com a melhor filosofia foi produzir em Elinor aquˆle desd‚m um pouco divertido pelas grandes abstra‡ões e pelos idealismos bomb sticos.. s bia . Educada ao mesmo tempo na 333 # atmosfera dos cl ssicos não expurgados. seus livros de figuras eram reprodu‡ões de Giotto e de Rubens... deram-lhe Tristram Shandy e a Teoria da Visão. ao inv‚s de diminu¡~las. não disse nada. A Sra. Tinham-lhe ensinado francˆs em Candide.

. Aquˆle acontecimento futuro foi o sol em t"rno do qual as almas da casa se puseram então a gravitar. Não mencionadas.conhecimento dˆles para os reinos mais felizes da arte e da imagina‡ão. A doen‡a e os seus sintomas eram objeto de conversas feitas em voz baixa. ao passo que a Sra. Bidlake tratava a mulher. o terror e a absorvente comisera‡ão de si mesmo tornavam mais doente ainda. E ao mesmo tempo ˆles sentiam todos para com o velho uma esp‚cie de piedade cheia de regozijo. a Sra. 334 CAPITULO XXVIII Com Moily d'Exergillod tudo tinha que ser articulado. Em voz alta podiam resmungar e exprimir sua desaprova‡ão. Bidlake passou em silˆncio s"bre o fato que ela teria podido comentar tão f. as coisas que são podem passar como se não f"ssem. mas. Mas em segrˆdo estavam mais contentes do que outra coisa. formulado.um doente que o abatimento. exprimido. Na intimidade secreta da cozinha. religiosamente.. A chegada de John B¡dlake quebrava a monotonia cotidiana. Prepararam-lhe um quarto. imposs¡vel anular fatos consumados. Podiam resmungar e dar mostras de descontentamento. e o fato de que ˆle ia morrer lhes dava. a conspira‡ão do silˆncio ‚ quase tão eficaz como a anula‡ão. Morrendo. Foi como se nunca tivesse sa¡do dali.cilmente: que o marido s¢ voltava a casa quando tinha necessidade de algu‚m que cuidasse dˆle. a todos. sua indigna‡ão maci‡a e anglican a diante da maneira como o velho Sr. o velho instalou-se. O min‚rio de ferro não . para as necessidades da pr tica. De certa maneira obscura. Quando John Bidlake chegou a Gattenden . O pessoal dom‚s~ tico de Gattenden ganhava como que um valor n"vo . aproxima‡ão da morte do velho... Inirian suspirava e Dobbs se entregava . os criados resmungaram um pouco por e aumento de servi‡o. John Bidlake acelerava-lhes a vida.. cheias de significa‡ão e quase que furtivamente. um sentimento de importƒncia.. eram-lhe reconhecidos. Tudo o que se sente era para ela apenas a mat‚ria-prima com a qual um esp¡rito ativo podia fabricar palavras. mas cuidavam do doente com solicitude.

Fico tão preocupada. Não acham?" E. de fuligem e de morangos com creme".dizia ela .Eu ‚ que ficaria muito aborrecido se tu estivesses com os p‚s molhados -.que o que h de mais apaixonante no amor são os descobrimentos que ˆle nos permite fazer s"bre n¢s mesmos? Philip aquiesceu obedientemente.. os pensamentos e as lembran‡as eram tão pouco interessantes em si mesmos como outros tan# tos blocos de rocha. palavras elegantes e em frases bem modeladas. Não era perito em galanterias. insistia na pergunta ret¢rica: "Não acham?" O que lhe agradava numa vista de montanhas long¡nquas sob uma tempestade era que isso se parecia muito com as paisagens de Toledo pintadas por El Greco.xar transformar em frases. interrogando-o s"bre seu passado e s"bre os seus sentimentos. quando ˆle tem os p‚s molhados! . antes de casar com Jean. pensou ˆle. aos olhos de Molly. Se ela f"sse feia .. E ela estava agora falando do amor a Philip Quarles . "Que idiotice!". Podia-se falar dˆle eternamente. Preferia não se sentir muito atra¡do pela beleza um tanto cremosa e florida de Molly.foi de utilidade para o homem senão depois que ˆle aprendeu a fundilo e a forjar o metal puro em utens¡lios e espadas. os sentimentos. Não ganhavam valor senão depois de terem sido transformados pela arte e pela ind£stria da conversa‡ão ern.disse Philip. agora. ou eirtão as fi"res da primavera: "Elas nos dão a sensa‡ão que expe‡imentamos quando estamos convalescentes dum ataque de gripe. residia em sua aptidão quase ilimitada para se d. Para Molly. as sensa‡ões. ensaiando uma galanteria. . Relutantemente e com dificuldade (porque ˆle detestava falar de si mesmo. ah! todo o encanto do amor.falava j havia uma hora.Tu não achas . os fatos brutos da existˆncia. contando suas sensa‡ões.Eu não tinha id‚ia do fundo maternal de meu car ter. Quanto ao amor. Ela amava um crep£sculo vespertino porque podia dizer dˆle: "Parece uma mistura de fogos de Bengala. de Mendelssohn. analisando-se a si mesma. e o fazia muito mal). . Philip lhe respondia. inclinando~se com um ar de intimidade.

Temo que ˆle tenha razão! . . Nu? "Lafemme afaini et elle veut manger. achando que Molly era realmente soberba no seu tipo de Juno.dire abominable. Philip interrompeu-a. Lafemme est naturefle. et elle veut boire.agradeceu Molly. pensou Philip. .Aussiest-eflˆ. Molly não estava habituada a que as pessoas com quem falava fâssem versadas em literatura francesa no mesmo grau que Philip-. segundo ˆle. . Lembraste daquela passagem de Mon Coeur Mis .Não tem? Philip arqueou as sobrancelhas.ajuntou .. um pouco atrapalhada por causa da interrup‡ão. . .Não . Jean diz que eu sou a £nica mulher dƒndi.. .ˆle não estaria ali.continuou Molly---.Porque ˆsse "temo"? . .---** A palavra não figura.disse Molly. Mas exasperante na vida privada.Saltaste uma frase. rindo: . se quiseres. eis uma personagem interessante".s muito gentil .E o que pergunto a mim mesmo .Prefiro-as ao natural . .Não sei se gosto muito dos dƒndis. "cesuii-dire le contraire du dandy"***. que era um obst culo ao desdobramento f cil dum gambito de conversa‡ão bem ensaiado. " E depois: 'Elle est en rut.ajuntou ela inclinando-se sâbre ˆle. soif. com tâdas as letras.. na edi‡ão Cr‚pet. c'est-. et elle veut ˆtre. A palavra não tem nenhuma importƒncia.. pra l de exasperante. . o rosto e o peito num oferecimento . . ."Urna mulher que faz uso da forma deliciosa dos seus seios para nos constranger a admirar-lhe o esp¡rito.respondeu Philip.a razão por que gostas de mim.. "para o meu romance. mas eu ta posso fornecer. et elle veui boire.Dize-me . sou a £nica mulher que não ‚ aquilo a que Baudelaire chama le contrairedu dandy.Não. "Soif. obrigada .. Particularmente dos dƒndis femininos."A ussi est-elle toujours vulgaire continuou Moily apressandose para chegar ao ponto em que tinha sido interrompida -." . fazendo aquˆle papel rid¡culo.Mas a razão não est bem clara? Molly sorriu: . # .Porque . Que achas disso? . .Sabes por que Jean me diz que sou a £nica mulher pela qual ˆle se poderia apaixonar? .

. . deslizando s£bitamente s"bre o sof .Não e preciso sermos botƒnicos ou pintores de naturezas mortas para apreciar as flˆres. .Sou simplesmente civilizada. A mulher ‚ natural. a menos que se saiba exatamente o que se sente e que se possa exprimir a coisa sentida. abomin vel.) est no cio.. ela ficaria epigram¡lticamente perfeita. Ela ‚ tamb‚m.Vejo nisso. . a menos que não sejamos basmes* Meu Cora‡ão P"sto a Nu: ---Amulher tem fome e ela quer comer.respondeu o escritor. sˆde. "(N. Dando-lhe um pouco de polimento.Mas que ‚ que est s pensando? .exclamou ela cheia dum espanto doloroso.protestou ela.Molly sentiusatisfeita com a sua pergunta. . um pouco raivoso. -(N.) _ ‚ tamb‚m sempre vulgar. da outra extremidade do bra‡o dela que o mantinha a distƒncia. do E. . não h necessidade de ser Sigmund Freud nem Shakespeare para te apreciar.Mas que interˆsse h em ser natural. do E) 336 se # mos para saber at‚ que ponto estamos sendo naturais? . pelo contr rio.E. . mais para perto da mulher. .disse Philip. .Não sou nada que se pare‡a com isso . muito interˆsse .Não estou pensando coisa alguma . e ela quer beber.Não penso. isto ‚. E do mesmo modo. tornarase rid¡culo. . do E. o contr rio do dƒndi. . .Sentia-se humilhado. s¢ desejo.ˆle. mais a vida do esp¡rito consciente seria intensa nˆles.. ou seja. Philip tornou-a nos bra‡os e deu-lhe um beijo.Mas eu tinha esquecido que eras uma freira. -. .Não h interˆsse em estar apaixotante artistas para fazer a coisa bem e bastante conscientes de n¢s nada por algu‚m. . Quanto mais plat"nicas f"ssem as rela‡ões entre um homem e uma mulher amorosos. . . minha querida Molly. e ela quer ser. Todos ˆsses pinchos e ˆsses agarramentos são verdadeiramente selvagens demais. "(N.Molly reajustou uma mecha do seu cabelo ondulado e come‡ou a falar das rela‡ões plat"nicas como auxiliares do desenvolvimento do esp¡rito. .

Não comeces a fingir que ‚s o homem paleol¡tico das cavernas..mas um bom ensa¡sta. erguendo os olhos para o novelista.um insulto? .A energia que se quer gastar em paixão f¡sica ‚ desviada de seu curso e faz girar os moinhos da alma. muito menos interessante e menos belo. E permite-me acrescentar.perguntou Philip.ajuntou ela. não haveria nada a explicar. Òle desejava beijos e não obtinha senão anedotas anal¡ticas e epigramas filos¢ficos. Philip continuou: .disse Philip. .. . deve ter sido Paul Bourget . muito . se f"sses verdadeira e l¢gicamente civilizada. ..O corpo ‚ condenado e canalizado . . demasiadamente vitoriano.corrigiu Molly -. mas o £nico contato que ela queria permitir-lhe era o do esp¡rito. esta ‚ boa! Logo quem! Pois olha.Por que te fatiguei de ti mesmo? Philip sacudiu a cabe‡a: . Molly. Isso não te fica bem. . Meredith.. na minh a opinião. constrangido a p"r em marcha os d¡namos do esp¡rito. Ou melhor. Deixei de explicar as coisas .respondeu Philip com lassidão.. então ‚ que est s cansado de ti mes~ mo ..Não te posso explicar .Para falar a verdade. deixando pousado nˆle o mesmo olhar interrogador. Cansado do consciente.O que o corpo perde a alma ganha. . Não foi Paul Bourget? . Não foi Paul Bourget que demonstrou isto na sua Psychologie Contemporaine? Um mau novelista . . Absolutamente cansado. .."Faz girar os moinhos da alma" era talvez levemente romƒntico demais.inquiriu ela. .O que ‚ exatamente o que acontece . compreenderias sem ter necessidade que te explicassem. . . contemplando com raiva o corpo delicioso que estava na outra extremidade do sof ..Inteiramente cansado ..repetiu ‚le. . Estendeu a mão. .Sempre irritado. achando necess rio desculpar-se por ter citado um autor tão fora de moda e tão pouco reputado .Ôle admirava o corpo de MoIly. Molly limitou-se a rir. ˆle se ergueu para partir. Porque não me terias cansado de mim mesmo . .Mas quem deseja ter o seu consciente intensificado? .Sim. . que. estou ficando um pouco cansado do consciente.Tu me tornaste cansado de mim mesmo. se est s cansado do consciente.repetiu.. pensou ela no momento mesmo em que pronunciou estas palavras. # Não era para admirar. O inconsciente contrariado se desafoga intensificando o consciente. Molly tornou-a na sua.Se não f"sses uma das vestais da civiliza‡ão..

Mas falar de quˆ? Aquˆle epis¢dio rid¡culo com Molly lhe fornecia uma entrada no assunto.tomarias precau‡ões para te tornares menos desej vel. porque e sempre mais f cil exprimir-se por gracejos . Tu devias ser parecida com George Eliot. Fˆz-se um silˆncio. sua natureza . Devia ter falado antes. Consciente e civilizado. no parque. Um exemplo de justi‡a po‚tica. Selvagem como os pinchos e agarramentos. 338 Vi Molly d'Exergillod esta tarde . . Philip vislumbrou em Molly uma esp‚cie de versão de si mesmo. Mas que advertˆncia! As par¢dias e caricaturas são as mais penetrantes das cr¡ticas. feita por Max Beerbohm.Devo ser medonho . duma maneira tão contr ria . O fato lhe causava inquietude. ˆle f"ra vencido por algu‚m ainda mais civilizado do que ˆle. O espet culo era alarmante.. Havia algum tempo que Elinor andava tão estranhamente silenciosa.come‡ou ˆle quando viu Elinor. A desejabilidade ‚ uma coisa b rbara. O rosto p lido de Elinor tinha uma expressão . Sentado numa cadeira. era o que ia fazer. Sabia de antemão que ainda daquela vez não faria nada.e p"r-se em seguida a falar de ambos. ficou pensativo. Na rua recuperou um pouco a calma. Sim. O marido lan‡ou um olhar furtivo por cima da borda superior do livro calque segurava nas mãos.E. Mas nada fizera ainda com rela‡ão a ˆles. J os tinha examinado muitas vˆzes. mesmo quando o ca‡ador acontece ser a gente mesmo.. Adeus! . sentia que devia falar-lhe. Pobre Elinor! A algaravia de Molly s"bre as rela‡ões plat"nicas e sâbre Paul Bourget lhe deu uma id‚ia do que ela tinha de suportar. . meditou sâbre seus defeitos.refletiu. Depois de sorrir. saiu da pe‡a a manquejar. Elinor continuou a sua leitura. apertando-lhe a mão pela £ltima vez. . Pâs-se at‚ a sorrir de si mesmo.tão remota. Porque aquilo tinha gra‡a. Philip queria falar-lhe.duma maneira comica. O espet culo do ca‡ador ca‡ado sempre ‚ comico. Philip resolveu contar-lhe sua aventura com Molly . indi# Mas o tom do "Viste?" que a mulher emitiu pareceu-lhe tão frio e ferente que Philip não foi adiante.

Apesar de tudo Elinor se sentia um pouco culpada...ma e long¡nqua.. E no entanto a culpa era dˆle. . Fizera-o demasiadas vˆzes. duma maneira articu- . Seus olhos pareciam implorar. Philip reconheceu nestas palavras uma das respostas que ˆle tinha o h bito de dar . ˆle não tinha efetivamente nada de interessante a dizer. Parecia passar-se muito pouca coisa na parte não-intelectual do seu espirito .Assim mesmo .Eu não falo mais? . . reunindo t¢da a coragem que tinha. que sa¡am s¢zinhas das profundezas de seu ser. Mas ela não queria deixar-se comover.. Elinor encarou o marido. sistem.conseguiu dizer .Sem d£vida ‚ porque não h a dizer nada que apresente um interˆsse especial. Porque no seu caso a resposta encerrava uma verdade.disse ela sorrindo ir"nicamente. Philip tornou a sentir aquela inquietude cheia de cuidados que experimentara tão repetidamente durante as £ltimas semanas. antigamente tu falavas mais. a¡ est . Ao passo que Elinor tinha sempre um mundo de coisas a dizer. em todo caso. Ele podia tomar os ares s£plices e desamparados que quisesse .ticamente.Mas por que havias de estar cansada? .. acabara por abolir quase completamente suas sensa‡ões ¡ntimas. mas era dificil.. cada vez que ela amea‡ava revoltar~se. que não fosse ou trivial ou então desabonat¢ria.Tu pareces sofrer de canseira cr"nica . Coisas que se diziam por si mesmas. na sua fraqueza.. não podia .. apelava para os bons sentimentos da espâsa. erguendo os olhos do livro: .muito pouca coisa.. Philip olhou para ela com uma esp‚cie de ansiedade. . .. E no entanto era uma injusti‡a da parte dela retrucar-lhe daquele modo. Por que não podia Philip ain -la ativamente. e.Por que não falas mais agora? . . custa de esf"r‡o.Não se tem o direito de cansar de quando em quando? Elinor soltou uma risadinha um tanto vingativa. ao cabo dum momento -. Foi s¢ nestes £ltimos dias .perguntou aquela noite depois do jantar. retribu¡ra-o mal.. Daquela vez saberia ser dura.s censuras de Elinor..não lhe daria aten‡ão. e ficou de tal maneira intimidado que se calou. E acrescentou: . Era bem feito..Suponho que ‚ porque estou um pouco cansada de falar. Philip quisera explicar-lhe isto. Philip tinha explorado o seu amor.. ˆle se tornava de s£bi~ to melanc¢lico e. · f"r‡a de mantˆ-las secretas.

E enfim. no interˆsse do romancista zo¢logo de seu romance. um assunto que não apresentaria grandes dificuldades. Quanto a Everard . Elinor tentou encolher os ombros e fazer-se truculenta. Muito bem. "Se duas pessoas desejam dormir juntas". Elinor esperava. Não ia dizer nada. clara? Quando ela lhe oferecia o seu amor. Condenada a ser amante de Everard. arn -lo de vontade plena. porque seria preciso que essa alguma coisa f"sse pessoal). e se ao menos Philip se desse o trabalho de am Ia. Era ela e não ˆle que estava condenada. ˆle tamb‚m. ˆle aceitava-o passivamente como uma coisa que lhe coubesse por direito. E quando ela cessava # 339 de oferecer. Philip tornou a pegar do livro e. ˆle não teria mais importƒncia para a parte consciente dela.ah! Everard nem mesmo existia.. "por que não o fazem .. mais do que contra Philip. que a amea‡a era dirigida contra ela mesma. no seu ¡ntimo. fazer alguma coisa. a culpa era dˆle. Lia de nâvo. se ao menos se movesse! Esperava ansiosamente uma desculpa para am -io de n¢vo.arri -lo por princ¡pio. Nas profundezas instintivas de seu ser. Tomar um amante tinha parecido a Elinor. te¢ricamente e de antemão. Ela não o considerava como moralmente mau. com um pequeno suspiro (porque ˆle quisera. fingindo que lia. Mas sen~ tia bem. por assim dizer.. Mas os segundos se passaram em silˆncio.. a fazer alguma coisa .. Mas quanto a dizer alguma coisa. se ˆle queria absolutamente que ela se tornasse amante de Everard. no fim de contas. de prop¢sito deliberado . Šle não tinha na verda de nenhuma importƒncia. Ah! todo ˆsse alvor"‡o que fazem a respeito disso os cristãos e as hero¡nas de romances! Era incompreens¡vel. mas era imposs¡vel. continuou a leitura sâbre o instinto de posse nas aves . dizer alguma coisa. Os segundos passaram. um pouco que f¢sse. que procurava am -lo .lada.. Phil tomava um ar silenciosamente inquieto e implorativo. Se ao menos ˆle falasse. dizia ela.

Philip não compreendia? Ou simplesmente aquilo lhe era indiferente? Talvez ˆle não sentisse a menor m goa. essas pessoas lhe dispensariam um favor. absurdo... independente. Tivera em seu poder a possibilidade de impedir que o fato se consumasse. sem se atormentarem a si mesmas nem aos outros que se acham por perto?" Ela não temia as conseqˆncias mundanas do fato de tomar um amante. Mas Elinor era obrigada a repetir constantemente os lembretes de seu direito. Um pouco de calor. a puni‡ão não conseguiria o seu objetivo. Não era exigir muito . um pouco de simples humanidade. dar-lhe um pouco mais de si mesmo? Elinor tinha-lhe mendigado o amor. de sua inten‡ão de ser feliz por conta pr¢pria. para punir Philip. Por que não pudera aproximar-se dela. fizera tamb‚m as suas obje‡ões. que ela ia tomar # mesmo principalmente... mas o que o mafido lhe dera era uma benevolˆncia remota e impessoal. Elirior. sabendo disso. mediante a dor e o ci£me. (Ela se esfor‡aria para esquecer como a tornava desgra‡ada a busca da pr¢pria felicidade.. Seria humilhante.. não era com a finalidade um amante. Elinor se acostumara a pensar e a agir exclusivamente em rela‡ão a Philip.quele ponto da sua discussão interior -. era tudo o que ela desejava. Era no interˆsse da sua felicidade. Mas no fim de contas .bcm simplesmente. francamente.) De sua felicidade pr¢pria. seria bem feito. Mesmo quando projetava tomar um amante. era ainda nˆle que Elinor pensava. As pessoas que. era . no fim de contas não era apenas. fariam obje‡ões eram precisamente aquelas a quem ela. Quanto a Phil.continuava ela a fazer-se lembrada cada vez que chegava (ainda uma vez mais) . nem 340 I essencial de ensin -lo a ser humapo. Sua maneira de pensar natural e habitual. mesmo a respeito de um poss¡vel amante. E ela o tinha prevenido tantas vˆzes do que aconteceria se ˆle não lho desse . Recusando procur -la. E aquilo era absurdo.

a mesma frieza que sentira. no segundo encontro depois do regresso .tudo se relacionava com a conversão ou a puni‡ão dˆste. quando Everard tentara beij -la pela primeira vez. id‚ia de ter aquˆle homem como amante.. quando se tratava de contato f¡sico com ˆle.Não . Os sentimentos. .... E entretanto. Everard.. havia quase um ano atr s. mas a carne e suas afei‡ões eram castas. Mas quando. O esp¡rito era libertino. tomar um amante lhe tinha parecido.. eu te dou apenas arrepios. Everard a tomara nos bra‡os e lhe dera um beijo. Porque ela gostava de Everard . . Mas. aquŠle homem tinha prazer em abrir a propria ferida. podia imaginar. Sobretudo se o amante devesse ser Everard Webley..embora no intervalo ela se tivesse preparado para pensar de outra maneira..pedira ela -.~rtas. Everard . sentindo que adquiria uma frieza de pedra nos bra‡os dˆle. embora tivesse acostumado o esp¡rito consciente . A mesma . de qualquer forma. Elinor fIcara prˆsa duma esp‚cie de horror.Mas eu não te odeio.disse ˆle num tom feroz de zombaria.Por que me odeias? . que ela podia lembrar-se de esquecˆ-lo.. Era o mesmo horror. 341 # . o corpo. gostava de suas cz. uma coisa que não apresentava grande dificuldade do ponto de vista psicol¢gico. aquˆle calafrio eram as rea‡oes espontƒneas da parte instintiva e habitual de seu ser.gostava muito. eis tudo! .O que acontece ‚ simplesmente isto: eu te repugno . e dum modo deliberado. . Webley largou-a. custa de esfor‡os..influenciada ainda pelo marido . Inglaterra. Aquˆle horror. por antecipa‡ão. O que o intelecto achava inofensivo o corpo retesado e arisco condenava apaixonadamente. admirava-o. que dificuldades extraordin rias surgiam de imediato! Gostava de acharse a sos com Šle.. que estava apaixonada por ˆle. por favor . Fâra s¢ o esp¡rito que decidira aceit -lo.Por favor. e f"ssern quais f"ssem seus motivos para o fazer. mesmo. Era s¢rnente . Ferido. quando Webley não a tocava. todos os h bitos de seu eu instintivo estavam em revolta.. . sentia-se estranhamente comovida e palpitante pelo efeito da f"r‡a que parecia emanar dˆle.

. ao longo de Oxford Street. mas evitando por ora. Vestido de verde. atravessando Trafalgar Square e Cambridge Circus. em Blackfriars.suplicou.. Com uma precisão militar que faria honra .. Era f cil prometer. .A estas palavras Everard estendeu de n"vo as mãos." Mas quando? Quando? Não importa quando. amea‡a do contato material. respondia a sua vontade.Mas não deves me tocar . at‚ a Tottenham Court Road. não fazia nada . Se ao menos Philip consentisse em se deixar amar por ela . Aliviada por se ter subtra¡do .. mas a sensa‡ão de repulsa persistia ainda. Guarda. um s bado de junho. Com o seu silˆncio Philip a condenava .Elinor se sentia infeliz.continuava simplesmente a ler. não deixava entanto de querer mal a si mesma por causa da recusa que opusera a Everard... sei por quˆ. Elinor sacudiu a cabe‡a. Seu corpo e seus instintos se tinham rebelado contra a sua vontade. e seguindo da¡.ajuntou ela.. . Buc‚falo. "Ainda não. Elinor arrependeu-se um pouco de ter pronunciado aquelas palavras. Não posso explicar-te por quˆ. e tinham marchado com m£sica e com estandartes simb¢licos para Charing Cross. . A promessa impl¡cita constitu¡a uma repres lia dessa vontade contra os traidores que moravam dentro dela. era seu dever dar~lhe. Agora não! Isso estragaria tudo. do alto de seu cavalo branco.Como podes dizer coisa semelhante? . o dia.quando quiseres.. . Elinor dava a Everard a compensa‡ão que.. envergonhada da recusa de seu corpo. . Aquela promessa impl¡cita reavivou a insistˆncia de Everard. sentia. Mas ˆle não dizia nada. ah! como era dificil cumprir! Elinor suspirou . mas ao mesmo tempo sentia-se contente por se ter comprometido at‚ aquˆle Não pon- to.Porque ‚ essa a verdade.. com uma espada .. rumo do Marble Arch. · entrada de Hyde Park tinham .. Mas agora não. infidelidade. cinta. subindo a Northumberland Avenue. prometendo implicitamente. CAPITULO XXIX A cena era em Hyde Park. Everard Webley se dirigia a um milhar de Inglˆses Livres...Não. mas. Ainda não . não importa . não ‚.. .. os Inglˆses Livres se haviam reunido na esplanada . margem do rio.

a tarefa de libertar nosso pa¡s # 343 dos escravos que o reduziram . Os espartanos disciplinados e livres contiveram as hordas persas. em meio do silˆncio atento que elas haviam criado. do qual Everard ocupava. um emaranhamento de bandeiras: "PROTEJAMOS OS NOSSOS CACHORRINHOS" com "OS INGLÒSES JAMAIS SERÇO ESCRAVOS!"SOCIALISMO TIRANIA "com "DOUTâRFS OU DEMâNIOS?" Mas a admir vel disciplina dos Inglˆses Livres tinha impedido que a confusão se tornasse s‚ria. As trombetas tocaram uma farifarra e os mil homens entoaram as estrofes do hino um pouco kiplinguesco de Everard. com um breve atraso.Inglˆses Livres! .. desfilando diante de seu chefe.riamente aceita ‚ a primeira condi‡ão da liberdade.algumas filas misturadas. a disciplina volunt. com seu estado-maior. a -virtude primordial dos Inglˆses Livres. duma for‡a que pertencia ao orador e não ao que ˆle dizia aquelas palavras ca¡ram uma a uma. Carregadas duma for‡a que não pertencia intrinsecamente a elas. ao som daquela voz forte e desembara‡ada. Os macedânios livres e disciplinados -conquistaram metade do mundo. os mil homens tinham entrado no parque.A discipiina . escravidão. disciplina dos Inglˆses Livres.. e formando finalmente em trˆs lados de um espa‡o vazio quadrangular.gritou ˆle .camaradas! E. Trezentos homens combate . a Can‡ão dos Inglˆses Livres. Cabe a n¢s. Quando o hino cessou. quando as duas m£sicas se chocaram . Webley come‡ou por fazer um elogio .disse ˆle---. Eyerard come‡ou seu discurso..encontrado uma procissão antivivissecc¡onista. o centro do quarto lado.os Brilish Grenadiers com Minha F‚ Ergue os Olhos para Ti. ¢ Cordeiro do Calv rio -. # . e do encontro resultara leve confusão . fez-se um silˆncio mesmo entre os espectadores ociosos que se tinham reunido para ver o que se passava. algumas dissonƒncias musicais. . eletrizantemente audiveis. Inglˆses Livres e disciplinados.. e...

Fora do p lio da lei feita pelo populacho.riamente. porque acreditamos que. a fim de que os melhores possam elevar-se . Vosso batalhão ‚ apenas um entre mais de sessenta -. cremos na diversidade. A lei do mundo democr tico ‚ a estandardiza‡ão humana.. E veneramos não o homem ordin rio. investir o Estado de podˆres tirƒnicos como ˆle jamais possuiu. que n¢s estamos fora da lei neste est£pido mundo democr tico . n¢s cremos na justi‡a. coordenada e controlada no interˆsse da sociedade em geral. na hierarquia natural. mas o homem extraordin rio! Eu poderia estirar at‚ o infinito esta lista de pontos em que n¢s. N¢s. sua lei ‚a lei que agrada ao populacho. os fora-da-lei.. Mais est£pidos do que seus av¢s liberais.. Òles vestem a farda Robin Hood e de Littie John.rarri nas Term¢pilas contra dezenas de milhares. Para os pol¡ticos democratas a voz do maior n£mero ‚ a voz de Deus. cinqenta . Inglˆses Livres da Inglaterra. o verde ex‚rcito dos Inglˆses Livres. no tempo dos mong¢is. ‚ a edu‡ão de tâda a humanidade . Nosso ex‚rcito engrossa. os fora-da-lei. e não o dos mais numerosos. queremos n¢s o govˆrno dos melhores..fora de porda lei e orgulhosos por isso mesmo! A lei do mundo democr tico ‚ a quantidade. os democratas de hoje querem desanimar a iniciativa individual e.. a iniciativa individual produz os melhores resultados econâmicos e morais.. os Inglˆses Livres.. "Os Inglˆses Livres trazem um uniforme verde. situa‡ão para a qual a natureza os destinou. nacionalizando a ind£stria e o solo. O n£mero dos nossos cresce de dia para Vinte recrutas novos. que estamos fora dessa lei. cremos na qualidade. Queremos encorajar a iniciativa individual.um simples milhar entre os 60 O00 dia. a farda dos que estão fora da lei! Sim. Desejamos suprimir todos os obst culos suprim¡veis e dar a cada homem sua plena possibilidade. N¢s.s vˆzes cem se incorporam a n¢s di. Numa palavra. somos livres.. Sua religião ‚ a adora‡ão do homem mediano. menor medida comum. na aristocracia.. Na luta que temos de sustentar. Cremos no valor da liberdade individual. N¢s. as propor‡ões não são tão desesperadoras. salvo talvez na ¡ndia. estamos .

dos que as infringem. Quando ela se apaziguou. seu ideal pol¡tico ‚ a nossa abomina‡ão. uma meia d£zia de Inglˆses Livres mais pr ¢ximos se havia lan‡ado s"bre o aparteante.Quando eu der o sinal. Colocando-nos volunt. vestimos o costume verde da floresta. e ela ser o ex‚rcito dos que fazem as leis. uma voz gritou: Abaixo Webley! Abaixo a mil¡cia dos ricos! Abaixo os Bloodi. Porque a nossa hora h de vir. Inglˆses Livres. Porque. preessa # ciso que tenhamos a coragem de nosso estado de fora-da-lei. .Seguiremos! Seguiremos! -. . e não mais o dos que as infringem. O branco dˆles ‚ o nosso prˆto. B . antes que a voz tivesse podido enunciar na ¡ntegra a detestada par¢dia do nome dˆles. . Tempo vir em que as leis serão as que tivermos feito.. repudiamos * regra Mes. ser-nos-ii necess rio infringir as m s. Hoje ‚ um ex‚rcito . esperamos a nossa hora. e não temos a inten‡ão de ficar para sempre fora da lei.Mesmo se fâr preciso infringir certas leis? Houve uma nova explosão de entusiasmo afirmativo.em desacârdo radical com os governantes democr ticos do que foi outrora a livre e alegre Inglaterra.um ex‚rcito de homens fora da lei.repetiram a uma voz os mil homens k.riamente fora da lei. Ainda um pouco de tempo. e no momento em que Everard Webley abria a b"ca para continuar o seu discurso. Mas.crdes. H dois anos. Mas j vos disse o bastante para mostrarvos que não pode haver nenhuma paz entre ˆles e n¢s. companheiros fora da lei. Sim. em que a floresta ser o ref£gio dos que detˆm atualmente o poder. tereis coragem?Das Fileiras de t£nicas verdes se elevou um grito enorme... quando chegar o momento. E esperamos a nossa hora. antes 344 que possamos fazer boas leis.. ¢ meus camaradas. seu paraiso terrestre ‚ * nosso inferno. nossa tropa era insignificante. haveis de me seguir? .

Houve gargalhadas partidas dos espectadores. . vista dos estragos.. Estava no # seu terceiro e sentia~se j muito melhor e mais alegre quando a porta do belirestaurante se abriu. a aten‡ão dissipada se concentrou e se fixou de n"vo. mas medida e musical. apaixonada. . não mais forte.Bebedeira e desordem? . Everard não f-ez caso da interrup‡ão e.a insubordina‡ão ‚ a pior . bazofiando e . tendo terminado a sua reprimenda.Para as fileiras! . num momento o silˆncio quebrado se refez em t¢rno de suas palavras.. Segurando contra o nariz um len‡o manchado de sangue. . Tinha perdido o chap‚u.Como ousais abandonar as fileiras? Houve oficiais que se precipitaram s"bre o lugar do tumulto. ˆle conquistara mais unia vit¢ria.Everard Webley ergueu-se s"bre os estribos.come‡ou ‚le.Ah! mocinhos malvados .. Illidge retirou o len‡o do nariz e gritou numa voz de falsete: .gritou em tom perempt¢rio.Ou ser que encontraste algum marido furioso? Ou tiveste então uma explica‡ão com uma dama? Illidge sentou-se e contou com detalhes a sua aventura. Everard Webley virou-se para o oficial comandante da companhia cu jos homens tinham rompido as fileiras. e tado por dois agentes de pol¡cia. Sua voz. O atraso de Illidge lhe dava oportunidade para beber um ou dois coquet‚is suplementares. Era Illidge. Houvera uma rebelião. . ordens gritadas com c¢lera. . o inimigo dos homens de verde afastouse.A insubordina‡ão. Seus cabelos em desalinho brilhavam como uma chama vermelha ao sol. retomou o fio do discurso. mas perigosamente incisiva . .interrogou Spandreli. e sua voz se flez fria e dura. . que vinha com ares cosos de desafio. -... Spandrell esperava sem impaciˆncia. Os Inglˆses Livres ultrazelosos tornaram a entrar em escolforma. dando passagem a filidge. imperiosa e no entanto persuasiva. dando a impressão de que trazia ferozmente em triunfo o âlho enegrecido.. . sua voz f‚ez vibrar o audit¢rio.

.disse ˆle com ferocidade. isso não pega... . Por que não agir um pouco. Um partido pol¡tico ‚ um amontoado de pessoas . . ela se achar em face duma organiza‡ão absolutamente perfeita.. um perigo p£blico . Illidge se sentiu picado pelo tom de zombaria com que foram ditas estas palavras. Não. e o que Illidge acabava de contar era um desastre particularmente divertido. o que ‚ verdade ‚ que vocˆs não são suficientemente corajosos . .Que patifes! . . na pr¢xima vez. tu ‚s muito engra‡ado. sabes? isso não pega.. fechando a carranca. meu caro Illidge.Esbravejar ‚ f cil. . O grande deus Organiza‡ão! Brevemente a arte e o amor estarão tamb‚m dobrando a espinha.ˆle e o seu bando de malfeitores! . e assegurar . dama indignada que.Não me parece que haja tanta necessidade de organiza‡ão para dar uma cacetada na cabe‡a dum homem. para variar? . . no mesmo tom satisfeito.. Não.Estragar-lhe a cara não seria suficiente .. Spandrell limitou-se a rir...continuou Illidge. . havia-se portado como um misto de Hor cio Cocles na defesa da ponte e de Santo Estˆvão sob a avalancha de pedras.Isso ‚ uma mentira! . . no gˆnero do pr¢prio Webley? O outro deu de ombros como para se desculpar. como tudo mais .Não estamos suficientemente bem organizados.disse Illid ge.Seria um pouquinho mais satisfat¢rio se lhe tivesses estragado a cara.Pelo menos eu estraguei o melhor efeito daquele discurso nojento de Webley .Spandrell repetiu com desprˆzo. Oh. .Aquˆle homem devia ser exterminado. Um pouco de a‡ão direta. E o amante impotente se desculpar da mesma maneira. não h d£vida nenhuma . Por que os versos de fulano são tão maus? Porque a ind£stria da poesia não est suficientemente bem organizada ..... Não se pode comparar a poesia com a pol¡tica. Mas seus olhos brilhavam dum riso cheio de mal¡cia. filidge corou: . ainda vermelho de c¢lera.E desandou a blasfernar..Mas dizes tolices.fazendo floreios. As desgra‡as dos seus amigos constitu¡am para ˆle uma fonte de divertimento infal¡vel. A crer nˆle.Não estão suficientemente bem organizados! .Ao menos ‚s moderno nas tuas desculpas.disse Spandrell com simpatia. não. .. .

como Webley.O tom da voz de Spandrell e o seu sorriso eram sempre sarc sticos..Enfim. ferocidade. . ˆsses coelhos ordin rios não se mostram particularmente desejosos de cometˆ-lo.. Houve um silencio. o saque. ˆle difere um pouco do coelho ordin rio. filidge sentiu o sangue refluirao rosto. Spandrell acabava de transformar aquela satisfa‡ão de si mesmo num furor de vergonha.. ferocidade. Um poeta ‚ um homem sso. em algumas palavras pronunciadas lentamente e com uma zombaria perversa.Ou covardia... mesmo pelo mˆdo.que ‚ necess rio disciplinar e manter unidas. o massacre.. . atividade cuja responsabilidade lhe deve caber. Quando se trata de assass¡nio.Webley ‚ o coelhinho burguˆs que o terror arrasta . de lhe dar a consciˆncia da sua tolice e da sua vergonha. O coelho ordin rio não se deixa arrastar . .. Mas. de fazer-lhe sentir tâda a sua pequenez.Com tâda a responsabilidade dum homem . porque sua responsabilidade não est comprometida. Òle detestava Spandrell por causa daquela faculdade que ˆle tinha de humilh -lo. Seu partido pode decretar a guerra civil. Illidge tinha chegado com uma sensa‡ão de importƒncia e de heroismo.. ‚ evidente que ningu‚m deseja ir para a f"rca. a do chefe que est . ˆle faz o que lhe dizem. O membro de um partido pol¡tico se sente tão seguro como o freqentador duma igreja. Òle se deixa aterrorizar at‚ a mais abjeta inatividade .Um s¢ homem . .disse filidge.Achas? . O homem que tem coragem. hein? Òles esperam ser organizados. Mil homens não tˆm responsabilidade. . todo vermelho de satisfa‡ão... talvez tenhas razão.. A responsabilidade ‚ demasiada para o pequeno indiv¡duo.s ordens de outrem.. . atirando-se para tr s na sua cadeira. abjeta atividade que consiste em obedecer . E eis que. . como o calor dum braseiro interior que tivesse s£bitamente rebentado em chamas. lhe # . Mas jamais . por exemplo. seja como f"r. Eis por que a organiza‡ão ‚ uma coisa tão reconfortante. .perguntou Spandreli. no caso dŠle .disse Spandrell meditativamente.Mas um assassino tamb‚m não ‚? .. arqueando as sobrancelhas ir"nicamente. prazenteiramente.Meu Deus. .ou .. atividade por conta pr¢pria. ambos iam engolindo a sopa sem dizer palavra. E o chefe ‚ o homem raro. Ôle fica amedrontado.

era pueril ficar como- . eu suponho..Ôje aparece em cena por si mesmo . a comandar e a receber as aclama‡ões de uma multidão entusiasta.. repetia Elinor para si mesma. Everard não tinha mudado s¢ porque estivera montado num cavalo branco. Illidge se calou de repente. . Spandreli sacudiu a cabe‡a com lentidão. zombaria tranqila e exasperante de Spandreil. p lpebras entrecerradas. enquanto durou a resposta um pouco sobrecarregada de ret¢rica em filidge falava em lanhar cobras. tu não ousarias nunca fazer nada a Webley.Òle ficaria amedrontado mesmo se não existisse a f"rca. At‚ no teu caso pessoal.. a menos que dispusesses duma organiza‡ão que te livrasse de tâda responsabilidade..repetiu Spandrell numa esp‚cie de desafio cheio de esc rnio. não ousarias . Era absurdo. Ônfase e mais ˆnfase .por mais falsa que pudesse parecer a sua ret¢rica. ˆle ficou a estudar o rosto congestionado e furioso de sua v¡tima... Não. medida que o sorriso do outro se tornava mais desdenhoso. abater tigres e esmagar percevejos. Mas a ˆnfase. que Encarou Illidge com um olhar penetrante.vel mente consciˆncia do excesso de amplitude e do som "co de suas frases. ..Est bem. e sempre a ˆnfase. . frente de um de seus batalhões. Como era c"mico quando se esfor‡ava por fazer o papel de her¢i! Elidge continuava seu discurso incendi rio.. . -.disse ˆle misteriosamente. Não se tornava melhor s¢ porque ela o tinha visto . Como um homem que p ra de gritar porque teme que sua voz degenere em solu‡os.Não vais agora p"r em cena mais uma vez o imperativo categ ¢rico. Quando se tratasse de chegar a vias de fato. " absurdo". tendo desagrad .Est bem . " pueril.. Pueril e absurdo!" Era uma inconseqˆncia. 347 # i e.. .Chegara a vez de Illidge mostrar-se sarc stico.. lhe parecia ser a £nica r‚plica poss¡vel .

que sentimento de orgulho! Mas quando aquˆle homem fizera a interrup‡ão. penetrante. pueril se tinha produzido. de seu terror de ver Everard falhar ou ser humilhado e envergonhado p£blicamente. parecera aumentar .. e depois. quando sua voz se fez ouvir. Mas ˆle ficara em cima de seu cavalo. A inquietude de Elinor tinha dado lugar a uma felicidade extraordin ria ... houve uma explosão de gritos entusiastas.vida daquela maneira.velmente orgulhosa e exaltada. sem ousar erguer os olhos para Mas Everard.. como se os vivas tivessem sido em parte para ela.. ao mesmo tempo que uma onda de indigna‡ão contra o aparteante. e o sangue lhe subira . mas breves e incisivas então. retomara o discurso. externara a sua reprimenda severa. e tinha rido alto. Que estremecimento. quando seu discurso come‡ou a se desenrolar em palavras apaixonadas e palpitantes. com a b"ca . -Absurdo. sem motivo. ia talvez dizer alguma coisa est£pida ou vulgar.. em frases ricas. impass¡vel. durante os poucos segundos de silˆncio.s faces. a fim de se tranqilizar.. mas vibrante. frente de seus homens! O cora‡ão lhe batera mais forte. a cavalo.. repetia para si mesma. # DO CADERNO DE NOTAS DE PHILIP QUARLES "No Sunday Pictorial. ao mesmo tempo que embara‡ada. mas nunca teatrais. E depois. Mas o fato ‚ que ela ficara comovida mesmo.. e não podia mais ser desfeita. um instantƒneo de Everard Webley. antes que ˆle come‡asse a falar! Tinha sido um verdadeiro terror: Webley ia talvez gaguejar.. O discurso terminou.. um renovamento de sua inquietude. e Elinor se sentiu f¢rmid. enfim. pueril". e ela se voltara cheia de confusão. Elinor sentira. que triunfo. depois. tornara a criar um silˆncio fremente de respira‡ões suspensas. hesitar. pusera-se a chorar. sem saber por quˆ. quando Webley aparecera. como se nada se tivesse passado. ia revelar-se talvez um charlatão . e ‚sse fato permanecia. sem esfor‡o. E aquela inquietude. .. ali estava: a coisa absurda.

o que equivale . Como se explica a atra‡ão que exerce o espet culo mililar? Nega-se melhor do que se explica.. o corpo e o c‚rebro são radicalmente diferentes dos el‚trons que os constituem. e seus Inglˆses Livres. Òles me impressionam. Uma b"ca aberta para zurrar.. o conjunto impressionante devia ser composto de instantes tão pavorosos como o que afotografia registrou. E..tudo aberta . B. fi5 aberta para berrar. O cora‡ão s¢ come‡a a bater .. Considerados como um todo. "Não que eu tivesse qualquer d£vida s"bre essa magnoicˆncia. F. Pode um todo ser algo completamente diverso das suas partes? No mundo f¡sico. Como sempre.como sabemos pelo 'Cƒntico dos Cƒnticos'.. Mas minha resistˆnciafoi mais her¢ica ainda.um buraco negro no meio dum rosto contra¡do pelo es or‡o -. sim. para principiar. falou s bado £ltimo a um batalhão de Inglˆses Livres em Hyde Park'. A parada. "Uma esquadra se compõe apenas de dez homens e ‚ neutra sob o ponto de vista emotivo. Mas no mundo moral? Pode uma cole‡ão de coisas sem valor constituir uma coisa de alto valor? A fotogralia de Everard apresenta um problema.. Escolhendo um instante iso~ lado entre o que tinha sido um conjunto. Le"nidas tinha trezentos companheiros.'0 Sr. Injusti‡a? Ou ‚ verdadeira a visão da Kodak e falsa a minha? Porque. E o homem tinha um ar monumental em cima do seu cavalo branco. Que horror! E no entanto o acontecimento foi deveras impressionante. a Kodak o transformou num espantalho da advertˆncia. Eis a¡ milhões de instantes monstruosos queformwn uma meia hora magn¡fica. A emo‡ão ‚ proporcional ao n£me349 # . E os berros de Webley ressoavam mui nobremente. W. eis quantoficou do acontecimento . uma continuidade. E. E uma brigada ‚j um ex‚rcito com bandeiras. no momento preciso.aflicar apaixonado. Eu a olhava. Eu defendo as minhas Term¢pilas espirituais s¢zinho contra E. foi magn¡fica.. Fiquei a pensar nisso durante todo o tempo em que estive olhando. o fundador e o chefe da B. no momento em que foram emitidos. mas eu lhes oponho resistˆncia..essa g rgula simb¢lica da demagogia. no fim de contas. vista duma companhia. As evolu‡ões dum batalhão são inebriantes. falou muito das Term¢pilas e dos espartanos. encantado.

(Por que os sons harm"nicos nos sacodem tanto a alma?) Depois.e as palavras eram uma declama‡ão rid¡cula.como a ouverture do Juizo Final. Nem mesmo Reinhardt em pessoa teria conseguido isso de modo mais brilhante.velmente. O exerc¡cio e o uniforme impõem uma arquitetura . turba. Um ex‚rcito ‚ bonito. a gente se imagina um amo. E. Foi o que eu senti quando admirava as evolu‡ões dos Inglˆses Livres de Everard. Olhando escravos mecanizados. pe‡a por pe‡a. Tomei afazer o papel de Le"n¡das. Formid vel. as mil vozes romperam nesse acorde quase sobrenatural que tˆm sempre os coros. uma esp‚cie deformigueiro inquieto me percorreu a pele. ˆle satisfaz instintos mais baixos que o instinto est‚tico.. dizendo a mim mesmo que a m£sica estava abaixo da cr¡tica. s imponente do que uma d£zia de vagabundos numa esquina. e de sermos solit rios. ---Quemagn¡j?'¡co diretor de cena o teatro perdeu em Everard! Nada podia ser mais impressionante (rompendo o silˆncio estudadamente prolongado) que aquelafanfarra de trombetas. O espet culo de sˆres humanos reduzidos ao automatismo satisfaz o desejo de f"r‡a. solenes. Mas não ‚ tudo. evitei que ela me dominasse. O ex‚rcito com bandeiras equivale ao amor apenas quando manobra impec. como a voz de Jeov . Dividir para reinar. e l em cima. as l grimas quase me vieram aos olhos.. uma catedral ‚ por f"r‡a mais impressionante do que uma cabana e 1 quil"metro de homens em marcha e mai .. As pedras que constituem um edifi‚io são mais belas do que umas pedras amontoadas . Fiz o mesmo com a m£sica e em seguida com o discurso de Everard.. Eu experimentava a sensa‡ão de ter um buraco no lugar onde se devia achar o meu diafragma. as harmonias ma‡i‡as de mil vozes entoando a Can‡ão dos Inglˆses Livres. As trombetas eram prodigiosas . Um regimento ‚ mais impressionante do que uma multidão. .por ro. Admitindo-se ofato de não tˆrmos mais de 1 metro e 75 de altura 2 p‚s de largura.. desmontando assim minha admira‡ão. quando a ouverture das trombetas terminou. toa.. Mas não ‚ ainda tudo.

.velmente tem razão. `Liberdade. "P. no fim contas... etc. talvez. Melhor. nem c¢digo de boas maneiras. S. Mas em outras circunstƒncias? Rampion prov. Mas. an lise sem paixão do que ser submergido pela encena‡ão e pela eloqˆncia de Everard ao ponto de converter . em nome da inteligˆncia. de vender e de possuir a propriedade com um m¡nimo de interferˆncia do govˆrno. por exemplo. proviivelmente melhor abandonar-se . uma parte de mim mesmo venceu. Eu venci. E talvez não seja Meiramente uma questão de segunda natureza. ser ela a melhor parte? Neste caso particular.. Dividir para vencer.. O espectador se vˆ logo sentado em mangas de camisa.: OU. Era comovente e convincente. sim. Analisei os truques. Mas eu não me deixei ainda abater.. sem que haja leis. nem padres para defender seja o que f"r. mas prossigamos .. (Um m¡nimo bastante elevado. como aquˆles sons harm"nicos das trombetas.depois foi a vez de Everard falar. Aquiri o h de me aliar a essa parte e de aplaudir quando ela triunfa. E como ˆlefalou Sua voz nos atingia em pleno plexo solar. Mas quando adquirimos o h bito de dividir para reinar. 'vamos LIBERTAR o pa¡s. com a sua voz que esmurrava o plexo solar: 'Combatemos pela LIBERDADE.bem! ---A£ltima Trombeta. ) Everard nos berra essapalavra a plenos pulmões. nem esp"sa. A liberdade! Naturalmente: ela lhe desperta o entusiasmo 1 S¢ depois que os Inglˆses Livres estiverem no poder ‚ que o espectador perceber o # bito de sentido inteiramente outro que tinha sido dado a essapalavra. ao lado duma garrafa e duma 350 rapariga complacente. Eram os habituais.. ‚ diticil parar.. O mais eficaz foi o empr‚go de palavras in piradoras que tˆm dois ou trˆs sentidos diferentes. quem se sabe . embora se soubesse que o que ˆle estava dizendo era vago e mais ou menos vazio de sentido.s doutrinas dos Inglˆses Livres. a voz de Deus . dominar.. A do t¡tulo e a do programa dos Inglˆses Livres ‚ a liberdade de comprar. nem agentes de pol¡cia. digase entre parˆnteses.

mas na realidade .na realidade?. ao impulso.. ‚ sempre espectador preferivelmente a ator.. Òle percebe seus defeitos psicol¢gicos e deseja.. um lugar.s ru¡nas e assim por diante.a liberdade com rela‡ão . por exemplo.. como descobre pouco a pouco. Mas... viver uma vida vegetativa e intuitiva ser verdadeiramente poss¡vel? Imagino-o. a vida simplesmente intelectual ‚ maisf cil. quepoderia ser quase imposs¡vel vencer. de não fazer peregrina‡ões ..s cidades natais dos grandes homens. Por enquanto podia ser interessante engendrar uma personagem assim: um homem que sempre se deu o trabalho defavorecer suas tendˆncias intelectu alistas a custa de t"das as outras. Evita o mais poss¡vel as rela‡ões pessoais. e talvez os h bitos não sejam senão a expressão duma indiferen‡a e dumafrieza inatas. na realidade. sempre teve o cuidado de nunca distinguir um dia. parece-lhe ter atingido a liberdade . . de não passar em revista o passado nem defazer projetos defuturo no Ano N"vo. aos campos de batalha. ‚ a linha de menor resistˆncia. em todo o caso. E para ˆle. paixão. al‚m do mais..se a natureza pura não tem interferˆncia no caso? f cil acreditar que precisamos modificar nosso modo de vida. de um outro dia e de um outro lugar. te¢ricamente. emancip -lo. não gosta de se abandonar. emotividade. A dificuldade ‚ agir de ac"rdo com essa cren‡a. paternal e bom vizinho.mas para se ocupar s¢rnente com uma pequena fra‡ão dos fatos da experiˆncia.. Por outro lado. Por esta supressão das rela‡ões emotivas e da piedade natural. julgava ˆle. e haveria elementos de drama nas rela‡ões entre essa . Mas ‚ dif¡cil vencer h bitos de t"da a vida.. ao irracional. ˆle não fiz senão estreitar e dessecar sua existˆncia. Entre ˆstes. sentinientalidade. O fato de eu me instalar no campo. embotou o seu intelecto gra‡as ao pr¢prio processo que deveria. Porque ˆle teria 351 # uma mulher. ser r£stica. observa sem participar. e. sua mulher. Sua razão permaneceu livre . de não rever as paisagens de sua infƒncia. porque ‚ a linha que evita os outros sˆres humanos.. de não celebrar nem o Natal nem os anivers rios de nascimento. . . moditicar-se..

. . Elinor e Everard Webley fizeram um seio de autom¢vel pelo campo.Infelizmente não h muita coisa mais em pol¡tica al‚m disso. Everard segurava-lhe o bra‡o. mas sente dificuldade em se modjicar. .. Lan‡ou um olhar para a companheira. magfi¡f ico! Mas não achava meio de recapturar ˆsse sentimento de vit¢ria. Era magn¡fico. mas acontece que ela não est .Quarenta e trˆs milhas em uma hora e sete minutos . relembrou o seu sentimento de triunfo. O que significa que ˆle est satisfeito.Andamos depressa. ˆle quisera dar mais. segundo a concep‡ão dela.exclamou ˆle. Òle a ama.Gostaste do com¡cio? . Os terrâres que ela sentira lhe davam uma sensa‡ão agrad vel de for‡a e de superioridade. . que viveria principalmente com suas emo‡oes e suas intui‡ões. rumo do bosque. Tomou-a pelo bra‡o num gesto de prote‡ão e ambos partiram a p‚ ao longo da estrada verdejante. tal como ˆle o concebe. preferindo um amante mais humano. Nada mau.No entanto deve ser maravilhoso ficar em cima dum cavalo e conseguir que um milhar de pessoas fa‡a o que a gente quer. Se soubesses quantas vˆzes eu fechei os olhos esperando não reabri-los senão no dia do Ju¡zo . e ela o ama. apertando-lhe o bra‡oi ... . feliz. pensava Elinor. se levarmos em conta que sa¡mos de Londres e nos atrasamos por causa daquele miser vel charabã. Everard riu. sua maneira. "Ser que ˆle me vai beijar?".‚ que estamos ainda vivos. perguntava Elinor a si mesma. comporta o m¡nimo des~ sas rela‡ões humanas quentes e confiantes que constituem a essˆncia mesma do amor.Fiquei eletrizada. sua enorme presen‡a planava sâbre ela. nervosamente. . Tentou .disse Everard. .E o principal .Ela o reviu sâbre o cavalo branco. por vˆ-la assim apavorada ante a violˆncia de sua maneira de conduzir o auto. Ela amea‡a mesmo deix -lo. porque o amor. em Guildf"rd. olhando para o rel¢gio. mas ama-o demais para p"r a amea‡a em execu‡ão. o homem cuja existˆncia se mant‚m sobretudo no plano intelectual abstrato. Everard respirou profundamente. quase amea‡adora. Òle se p¢s a rir. as l grimas subitas.Ali! Isto ‚ melhor do que fazer discursos pol¡ticos! . " pasNaquele domingo de tarde. ouviu-lhe a bela voz vibrante. tamb‚m de um modo todo particular.. Ela se queixa disso.mulher. . e ˆle. em suma.disse Elinor . ao descer do carro.

cheia duma esp‚cie de mal-estar. liricamente.espantar aquˆle terror indiscreto e substitu¡~lo pela exalta‡ão da v‚spera.. mas não de sua significa‡ão . por que se vivia nas cidades. procura do dinheiro e do poder.disse em voz alta..Que beleza. e lhe apanhou umas duas fl"res: # . . Recordava-se do som e do timbre das palavras de Everard. entre as rvores.disse poŠticamente Everard. . como uma luz el‚trica . Numa clareira. Indagou. que encanto! . sem unia ponta de humor? Ela o preferia no seu papel de cultor da f"r‡a...eza. por ser como era tão not vel como cultor da f"r‡a.. pesado. Mas por que não havia de fazˆ-lo. por que se desperdi‡ava tempo .s¢ que. talvez? Intermitente demais? Demasiadamente "artigo de f‚rias"? Demasiadamente convencional. Elinor o escutava.Que madressilvas encantadoras! Everard se ergueu nas pontas dos p‚s. a efic cia e as preocupa‡ões pol¡ticas para acender o amor da beleza. perguntando 352 a si mesma. espera de que a viessem conhecer e amar. entre parˆnteses. Era uma compensa‡ão. Inferior. talvez. o amor de Everard pela beleza não era bem o que devia ser. as dedaleiras estavam se abrindo em dor.apagando o amor da f"r‡a. a respeito de que falara ˆle . enorme. Era magn¡fico! Mas o terror não se deixava exorcismar. imposs¡vel de descrever. Tudo tem o seu pre‡o. reverente. Deliberado demais. Como cultor da f"r‡a ˆle parecia ser de melhor qualidade que como amante da b.. . ao mesmo tempo que pronunciava estas palavras. Continuaram o passeio..Dir-se-ia pequenas tochas ardendo de baixo para cima . por algum motivo obscuro. remexeu na mem¢ria para achar um verso do Sonho duma Noite de Verão.Citou Keats. -. Nada .. no fim de contas? Não havia nada de mal em amar as coisas bonitas. como amante da beleza. quando havia tâda aquela beleza . Everard parecia que estava ligando uma corrente que alimentava aquˆle amor da beleza.Achei esplˆndido o teu discurso .. Era in£til..

. ˆle ia querer beij -la. tinha chegado o momento. cujas primeiras fi"res campanuladas ficavam ao n¡vel de seus olhos.. depois da ‚poca de Parnel). quando o acesso passou e os amantes se põem a indagar se.respondeu Elinor. um pouco melanc¢licamente.Não ser bom que algu‚m seja são de esp¡rito? . rindo. . Mas o homem não fez um gesto. rumo do bosque. Elinor. . os dois! .São prŠviamente.Baixou o olhar. Isso para não falar nos besourinhos . beira da estrada. . eu não sou Parnell.perguntou ˆle de repente. Foi Everard quem falou primeiro.respondeu Everard. como o calor quase sufocante dum vinho quente. no fim de contas. e mais o mundo! Que eu terei os dois. . Sob o rosa e branco berrantes de seus cosm‚ticos. Afastaram-se em silˆncio entre as rvores.Algum dia me amar s? .Ali! Se ao menos pudesses ser um pouco menos razo vel. . em pleno diafragma. valeu realmente a pena ter renunciado ao mundo . o rosto da mulher era velho. Era de nˆvo o cultor da for‡a triunfante. . .Elinor parou diante duma ptanta alta.Gostas muito de mim -. Espiou para dentro da bâca aberta da campƒnula: .repetiu.Nunca! . Everard .s gul"so.. At‚ mesmo sãos demais.Òles não mo podem arrebatar. . Porque todos o podem ser depois. Everard. um outro par passeava pela senda verdejante. sorrindo para ela. Que tentem. Reflete. limitou-se a rir. Outro carro havia parado ... insaci vel.O amor. quero dizer.. . arrebatar-me o mundo! .Elinor sentiu o cora‡ão parar. não com os ouvidos.Tu sabes como gosto de ti. pois.Imagina como seria desagrad vel ter sardas na garganta .Desatou a rir. um pouco mais louca! Se ao menos soubesses o que ‚ amar! 353 # I . Os tempos mudaram. mas com todo o seu corpo. e sua voz tinha aquela vibra‡ão estranha e palpitante que ela parecia ouvir. Queres perder o mundo? . Al‚m disso. reflete primeiro. A carne vermelha das p‚talas era fresca e el stica entre seus dedos. a carne fatigada tinha desca¡do e perdido as formas outrora encantadoras. Elinor não recuou. .perguntou Elinor.Est s pedindo demais .A sensa‡ão de triunfo lhe formigou de n"vo pelo corpo todo.disse. Everard inclinou-se e beijou-a. .

as pequenas m"scas dan‡avam e ziguezagueavam saltos bruscos.repetia ela sem cessar enquanto caminhava. Repugnante mesmo..suplicou ela. o cheiro das fl"res chegava. Continuaram a caminhar. . ao sol. . Spandrell sacudiu a cabe‡a num sinal aprovativo: .Como ‚ bonito 1 Como ‚ bonito! . Spandrell lhe arrancou um ramo florido com o cabo recurvo da bengala. .Oh ! Como ‚ bonito . a sua meninice no campo.não respondeu. .porque era ˆle . Ali. o perfume das fl"res ‚ bom. as rolhas pendiam. luz do dia e bem de perto. Não havia vento. por ter os ossos recobertos de tanta carne fl cida e ca¡da.Oh! Que perfume divino! ... Olhou para ela. fresco e delicioso. pesadas de verdura. Nos corredores 354 I # som com obl¡quos de sol que se abriam como t£neis entre o verde e o roxo das bras da floresta..Era o refrão de Connie. Pobre Connie! Era como que a apari‡ão de um esqueleto numa festa . disse ela. F"ra por isso que ˆle se decidira a fazer a despesa do aluguel do Daimler e a sair com ela . Suspirou. inspirando-o com del¡cia.simplesmente porque a pobre prostituta velha era tão repugnante. . Connie parecia uma pe‡a de cen rio de teatro vista . As rvores pareciam empanturradas de seiva e de sol. . Não havia outra palavra. Aquˆle recanto.disse Spandre11 .Divin¡ssimo! As comissuras dos l bios de Spandreli se encresparam num sorriso. movendo com dificuldade o corpo pesado sâbre sapatos de saltos muito altos que pisavam o solo desigual. -. um cuco lan‡ou os seus chamados. mas eu prefiro o teu .Apanha-me um pouco daquelas madressilvas .exclamou ela.. aquˆle dia lembravam-lhe.E desejarias ter sido sempre uma boa menina ..um esqueleto mais espantosamente repugnante ainda.. Atrav‚s das emana‡ões de perfumes qu¡micos e de roupas de baixo não muito limpas. . Divertia-o ouvir locu‡ões assim sa¡das da b"ca daquela prostituta envelhecida. . J incerto da diferen‡a entre uma segunda e uma t‚r‡a menor.Como ‚ lindo! Spandreli .Sim.s narinas de Spandrell.

Agrad. O solo dentro em pouco ficou juncado de fi"res assassinadas.‚ a sua brutal complacˆncia gorda. atirando a cabe‡a para tr s."As rosas em târno . . Vamos voltar para o carro. escondida entre as nogueiras novas. . com profusão de detalhes. Connie chorava.sticamente. rumo do lugar em que se erguia ainda uma £ltima dedaleira alta. ..Abaixo com e4as! .. 355 # . . não! .exclamou Connic. Spandrell se afastou dela bruscamente.outra sob seus golpes. A planta quebrada tombou quase sem ru¡do.Maldita insolˆncia! bem feito para elas.P ra! Por favor! Não. .velmente f licas .continuou depois . Aqui? -. . Um golpe foi o bastante.No campo do bom Deus .. eu sei. . .As fl"res ca¡am uma ap¢s. .. grotesca e sem firmeza sâbre os saltos altos.Abaixo com elas! .A mulher se precipitou de n"vo sâbre ˆle.Bem feito para elas! . .exclamou ˆle..Atravessou a clareira. .zombou ˆle. Correu para as ffires. E se pâs a desenvolver o assunto.sarc.P ra! P ra! . Sempre rindo.gritava. porta me lembram a irirƒncia morta.Tu pensas que eu vou ficar quieto e deixar que me insultem? Ah! Que insolˆncia des tas est£pidas 1 Ah 1 Ali est mais outra! . silenciosamente. Spandrell a seguiu. Rindo silenciosamente." Eu ci.Como tens coragem de dizer coisas como essas? . de uma insolˆncia passiva.exclamou Connie... ferida. que nem mesmo o tinha escutado. fica quieto! . sempre fendendo o ar com a bengala.Oli ! Como pudeste fazer isso? Como pudeste? Spandrell riu de nƒvo.comentou ˆle tocando com o dedo um dos estames dum botão ainda fechado. .Cormie segurou os bra‡os de Spandrell.. . quebrando uma das altas plantas orgulhosas a cada golpe. Incham de insolˆncia. dir-se-ia tubarões obesos.eis o que elas são.Como tenho coragem? E.O que detesto nas arvores no verão . se p"s de s£bito a fender o ar da direita para a esquerda -. . erguendo a bengala.. Como tens coragem . -. Balofas .disse ˆle por fim.Ela estava ofendida. .Oh! Fica quieto. ˆste se desembara‡ou da companheira e continuou a derribar as plantas.Calou-se por um momento.Oh! As dedaleiras! .Pronto! .. .lepte! lepte! -.

E mesmo que. Rachei achava mais f cil amar uma pessoa que tinha procedido mal continuando por‚m a ter pensamentos virtuosos. como sua nora Elinor. Havia desculpas.CAPITULO XXX Rachei Quarles não tinha nenhuma simpatia por ‚sses filantropos sentimentais que apagam a distin‡ão entre o bem e o mal. procedia mal. A Sra. A seus olhos eram os criminosos ‡ não a sociedade na qual viviam os responsaveis por seus crimes. Não que ela simpatizasse com a hipocrisia. Ela desaprovava o ato mas não se atrevia a julgar a pessoa . estava claro. e lamentam em seguida a falta que cometeram. mercˆ de seus maus pensamentos. Havia circunstƒncias em que era muito dificil escolher o bem. sob o ponto de vista cristão da Sra.dissera John Bidlake. não era o meio ambiente que o fazia por ˆles. do que uma outra que. A pessoa que pensava e falava bem. numa palavra. pensava de maneira errada. ˆle pode. Mas o bem era sempre o bem. Mas aquˆle cujos pensamentos são maus não admite o car ter pecaminoso das m s a‡ões. se porte virtuosamente. circunstƒncias atenuantes. arrastar outros homens a m s a‡ões. consciente e constantemente. Quarles. Não vˆ por que não os haja de cometer e por que. "no bom caminho". em que a a‡ão m lhe parecia quase menos repreens¡vel do que o pensamento mau. de modo absolutamente irrepreens¡vel. Havia circunstƒncias. era cristã e não humanit ria. era respons vel por ela. mas era sempre o indiv¡duo que fazia a escolha e. entre justos e ˆles culpados. entretanto. tamb‚m. tenha de se arrepender e corrigir. . Os pecadores cometiam efetivamente os seus pecados. uma vez feita. apesar do que ela tinha feito.uma mulher admir vel . e o mal continuava sendo o mal. embora sempre se tivesse conduzido. palia‡ões. Como cristã achava que Marjorie tinha feito mal em deixar o marido . ao passo que. depois de fazˆ-lo. Quarles. era-lhe odiosa. pronunciando .por um outro homem. ao que ela sabia.tanto mais que. de fato. Tais pessoas são raras. o cora‡ão e a cabe‡a de Marjorie haviam sempre persistido. A maior parte dos que fazem mal a despeito de suas cren‡as sãs o fazem num momento de fraqueza.muito embora se tratasse dum marido como Carling .

pobre criatura. a humilha‡ão! No entanto . ningu‚m julgaria que ˆle pudesse conscientemente tornar algu‚m infeliz.Mas sˆ boa para com ela. As coisas acontecem. queixava-se ela um dia a uma velha amiga.Nesses assuntos nao convem esperar coisa alguma de ningu‚m. Rachei Quarles suspirou. depois que esta se instalou na nova residˆncia. simplesmente. . Foi fazer uma visita a Marjorie. Não podia conceber como certas pessoas podiam viver sem 356 cristãs.o conseguia perfeitamente.Ainda menos que ˆle se tivesse tornado a si mesmo infeliz conscientemente. . . Quarles não respondeu nada. Talvez seja esta a sua principal justifica‡ao.Tu a achar s um pouco cacˆte. Pensou na ‚poca em que. Quase tâdas as pessoas jovens seu conhecimento.. mas gosta demais das f"lhas de parreira. sobretudo na ser serem b"ca. A Sra.Eu não esperava que Walter Bidlake fâsse assim ..riamente desnecess rio . mãe todos os pormenores duma hist¢ria que ela escutou com suspiros..era obrigada a admitir com tristeza .seu julgamento---. E no entanto eu creio que Walter se tornou a si mesmo tão desgra‡ado quanto Marjorie.. .Tudo isso me parece tão extraordiri.avisara-lhe Philip. não tinha consciˆncia senão do fato de cristã.comentou ela. Quarles achou em Marjorie Carling algu‚m que falava e entendia a sua propria linguagem espiritual. . ao anunciar a inten‡ão que tinha de emprestar a sua casinha de Chamf"rd a Walter e Marjorie. Apesar de tudo Marjorie o merece.. # E contou . A Sra. O espanto. E no entanto um grande n£mero . pela primeira vez.1 . temo-o . Quanto a Rachei Quarles. Ningu‚m asfaz. .. .disse em voz alta -. ela descobrira uma das infidelidades de Sidney. a dor. Tem tido uma vida muito triste. "Dir-se-ia que nossos pr¢prios filhos falam uma de l¡ngua diferente".

a paciˆncia. ao ponto de sua gratidão chegar a qualquer coisa de pat‚tico. Rachei Quarles havia falado com t"da a sinceridade. Marjorie lhe confiou tâda a sua hist¢ria. Não lhe acontecia muito ami£de agradar aos outros. Quarles foram sensatos e cristãos. gostava dela precisamente por causa dos defeitos mes~ mos que faziam que os outros a achassem tão aborrec¡vel. pondo-se s£bitamente a sorrir.Não h cura milagrosa para coisas dessa esp‚cie .E espero que eu te agrade tamb‚m acrescentou a Sra. e as outras. nada de menos mon¢tono do que Deus. . não h especialidade farmacˆutica contra a infelicidade. se bem que ˆles morrem de aborrecimento com o seujazz e as suas dan‡as.Porque tu me agradas . motivo pelo qual a bre Marjorie lhe ficou reconhecida.. Gostava efetivamente de Marjorie.Vem me ver muitas vˆzes .poter . do verdadeiro e do belo. tão cheia de puras inten‡ões. Quarles. Mas j estava adorando . O primeiro movimento de adora‡ão de Marjorie se confirmou e cresceu .coisa que denotava uma tal seriedade... por causa de sua estupidez . Mas a maior parte das pessoas mâ‡as não querem crer em mim quando lhes digo. mas não mon¢tona: não. Marjorie apenas pâde corar e gaguejar. e a velha consola‡ão. O fato de ela estar perdidamente apaixonada por Walter se devia antes de tudo a ter sido ˆste uma das raras pessoas que se mostraram interessadas por ela. Por ocasião do terceiro encontro. dum desejo sincero de progresso e de cultura.disse ela.velha. não desagradavam . Quarles. por causa de sua falta de senso de humor .disse-lhe ao sair. aquelas obser~ va‡ões profundas ou did ticas que ela deixava cair como uma coisa # 357 portentosa do fundo dum silˆncio meditativo. . um tal ardor! Mesmo aquelas pretensões intelectuais. sim. a antiga fonte de t"da for‡a ..ajuntou. Ela descobria nisso os sintomas um tanto absurdos dum amor autˆntico do bem. Existem apenas velhas virtudes um pouco mon¢tonas. a resigna‡ão. .uma estupidez tão boa. Os coment rios da Sra. Sra.

ou então se queixam: "Por que minha vida não ‚ divertida?" Mas n¢s estamos num mundo em que "os bons momentos". Carling tinha dado a Marjorie o horror de tudo quanto era pitoresco ou formal no cristianismo. Piran de Perarizabuloe. "Que farei para me divertir?" Eis a pergunta que ‚les se fazem a si mesmos.Qual! . Sob a influˆncia de Rachei Quarles. não podem durar continuamente nem pertencer a t"da a gente. por que cessaste de pensar nas coisas sob o ponto d‡ vista da felicidade e da infelicidade. as emo‡ões habituais se robusteceram. a tolice enorm¡ssima dos jovens desta gera‡ão .respondeu ela quase com c¢lera. . . mas a mulher mais velha não permitia que a louvassem ou que lhe dirigissem agradecimentos. a uma tradi‡ão lhe era odioso. mesmo que a moci358 . .A senhora me tem sido dum tal aux¡lio. . mesmo. na acep‡ão vulgar desta palavra. essa f‚ se tornou mais precisa. as vestes religiosas. como se tivesse roubado alguma coisa. mesmo de longe. dizia respeito a um santo. que a Sra.declarou -lhe Marjorie. a um rito.E porque tu não te esfor‡as por ser feliz. tinha guardado de sua infƒncia um certo h bito de pensamentos e de sentimentos cristãos. Marjorie protestou.tudo o que. .A verdade ‚ que tu estavas sŠzinha. te sentias infeliz e eu me encontrei a teu lado no devido momento. as cerimânias .contin'uou a Sra. e porque não perguntas a ti mesma por que te tomaste infeliz. -ˆles não pensam nunca na vida senão relacionando tudo com a felicidade. Quarles ficou t"da envergonhada. desde que estou aqui com a senhora t . apenas oito dias depois de sua chegada.anunciou ela. .uma a tal ponto. E. como se tivesse representado com‚dia fraudulenta. Mas havia conservado uma f‚ vaga e rudimentar no que considerava como sendo as coisas essenciais. . ou talvez em tâdas as suas acep‡ões. Quaries. Falaram muito em religião. dum tal conf"rto! .Eu me sinto de tal maneira feliz.

uma coisa que se obt‚m como subproduto da fabrica‡ão de outra coisa. A pergunta que deviam fazer a si mesmos não ‚: "Por que não somos felizes?".. os dias se sucediam. Marjorie. ‚ procurando a salva‡ão. Mas o pai não se queria deixar convencer. precisamente porque isso lhe teria sido muito desagrad vel. E.propâs a Sra.Por que não fazes um pouco de pintura? . ela havia de ficar inevit. ‚ porque cessaste de pensar em ser feliz. E quando as criaturas forem s bias. ˆles se tornam aborrecidos. hão de pensar na vida relacionando-a com a salva‡ão e a perdi‡ão .velmente # decepcionada porque a sua imagina‡ão ‚ sempre mais bela do que a realidade. Se tu te sentes feliz agora. . depois que gozamos um pouco ˆsses momentos. em Gattenden. porque ˆles estão no caminho errado.dade tivesse ˆsses "bons momentos". . sua f"r‡a gargantuesca. Porque não ‚ procurando a felicidade que a encontramos. em vez de serem inteligentes.. Dir-se-ia que uma parte dˆle desejava obscurarriente aceitar a derrota e o abatimento. . Mas agora que não era mais poss¡vel "ignorar". ou "Coino nos iremos divertir?". Entrementes. Não tinha vontade de pintar. O velho John sacudiu a cabe‡a. na pr tica. Cada um se esfor‡a para obter a felicidade e o resultado ‚ que ningu‚m ‚ feliz. adulou Elinor. estava vida por tornar a sua capitula‡ão ainda mais total. e: "Por que não somos melhores?" Se as pessoas fizessem interiormente estas perguntas e respondessem a elas. e porque est s tentando ser melhor. agora que o inimigo estava instalado no seu . .Havias de tomar gâsto por ela. mas sim: "Como podemos agradar a DeusT'. na manhã que seguiu o dia da chegada dˆste. seu bom humor descuidoso eram os frutos duma ignorƒncia volunt ria que durara tâda a sua vida. Bidlake ao marido. haveriam de atingir a felicidade sem nunca pensarem nela. da doen‡a e da morte fazia perversamente que ˆle recusasse deixar distrair o esp¡rito de sua contempla‡ão abomin vel. uma vez que come‡asses. Sua coragem.não com os "bons" ou "rnaus momentos". A felicidade ‚ como o coque . da melhor maneira que pudessem. O terror mesmo da dor. sombrios.

E ficou mesmo. "ver um ol¡mpico reduzido por um pequeno tumor no estâmago a um estado de # 359 sub-humanidade. E freqentemente. Brincando com o menino. Bidlake tinha m‚do. vov" . esquecia . desenhava um trem.Mas por que elas não tˆm roupa? . ou de Tompy.. talvez ofato de ser ol¡mpicof"ssejustamente um sintoma de sub-humanidade. pensando melhor.s vˆzes para explodir numa c¢lera cheia de queixumes.Desenha-me alguma coisa .deplor vel-. o pequeno Phil. uma dan‡arina. t"da a virtude o havia abandonado. num acesso de mal¡cia. dois lutadores. mesmo quando dava a impressão de ser a mais ol¡mpica das criaturas. Fulkes a estorcer-se tâda. e nao podia dissimular os seus terr res. . ou os cervos que se batiam no parque de Gattenden. Bidlake e Elinor fizeram o poss¡vel para o tirar da tristeza ap tica dentro da qual ˆle passava a maior parte de seus dias em Gattenden. esquecendo-se por completo de que o pequeno estava perto. por um instante. rabiscava uma caricatura da pobre Srta.. Mas talvez".s vˆzes. A Sra.perguntava Phil. a sua desgra‡a. . desenhava para seu pr¢prio prazer .Porque ficam mais bonitas assim. E o velho tomava o l pis e fazia cinco ou seis pequenos esbo‡os maravilhosos de T'ang. Mas o velho pintor não se deixava despertar senão para se lamentar e . . corri a l¡ngua entre os dentes. . Desejava de certo modo ficar acabrunhado. ou o velho marquˆs na sua cadeira de rodas puxada pelo burrico. escreveu Philip em seu caderno de notas. Ou então.pedia. ..dizia o pequeno. um barco. algumas vˆzes.Agora tu vais desenhar alguma coisa para mim. o cão pequinˆs. . o gato da cozinha. "ˆle tenha sido sempre um sub-humano. " Era s¢mente com o pequeno Phil que John Bidlake despertava em cerˆle tas ocasiões de seu estado de abatimento.pr¢prio corpo. quando cansava.um grupo de banhistas.. acrescentou alguns dias mais tarde.

hora das refei‡ões. "Esta lavagem repugnante!". Era intoler vel.Não me deixarão nunca em paz? . e metendo-se na vida dos outros. a pobre Srta. uma especie de zombaria. E punha-se enião a queixar-se. perdendo o interˆsse pelos desenhos que tinham tão pouca coisa para lhe contar.. que não comia nunca de boa vontade. Mas ˆle andava por ali. # Chorava quase sempre .. para ˆle. As refei‡ões eram os 360 momentos mais tempestuosos e mais selvagens do dia de John Bidlake. alimenta‡ão. A casa estava cheia de mulheres cuja fun‡ão era cuidar daquele maldito pirralho. com blasf-emias.. fazendo uma baderna dos infernos.s horas de refei‡ão.gritava Šle. para a nursery. Absolutamente intoler vel! Ningu‚m tinha a menor considera‡ão para com ˆle. Sobretudo quando não se estava passando bem. quando se sentia particularmente abatido. ·s vˆzes. As cenas mais penosas se produziam . a estorcer~se.. leite e farinha l ctea) que John Bidlake era mais desagradilvelmente lembrado de seu estado de sa£de. durante t"da aquela primavera at‚ o comˆ‡o do estio. vituperava contra o gar to porque ˆste fazia barulho. Porque era durante as refei‡ões (reduzidas agora. como se quisesse fazer o mundo vir abaixo. O pequeno Phil. . Mas não era sempre que John Bidlake acolhia com tanta alegria o neto. Òle descarregava a sua raiva s"bre o neto. que uivava. porque o incomodava. . da incapacidade geral de t¢da a gente. o menino exigia de n"vo o l pis. Mas se comia alguma coisa s¢lida os resultados eram deplor veis..Ah! Mas eu não acho. foi.E. particularmente obstinado no que dizia respeito . . Corada. a caldo.. Fulkes levava o seu aluno. Ficava encolerizado. resmungava ˆle. encarava a simples presen‡a do menino como uma ofensa. correndo dum lado para outro..

Não quer comer e pronto! . tinha tamb‚m feito a escalada laboriosamete. .Conhece a Terra Negra*? . (N.. fazia um esfor‡o desesperado para engolir o detest vel produto de cinco minutos de mastiga‡ão nauseada. petiz. gar"to! Não continues a ruminar assim! Não ‚s nenhuma vaca.disse ela . mastigando e remastigando interm in . exasperava o velho. não aumentava de p‚so. O velho vociferava: .E.velm ente alguma coisa de que não gostava. ouviam-se os ru¡dos sinistros de uma ƒnsia de v"mito. nada mais.Engole.insistia a Srta.T¢das essas expressões me pareciam tão convencionais e tão insipidamente piedosas .Òle ‚ simplesmente desobediente. tinha crises de nervos. . as l grimas brotando-lhe nos olhos.. Fulkes para o desculpar. podemos compreender a inten‡ão dos s¡mbolos.Sinto a . Os m£sculos de sua garganta se intumesciam e se enrugavam.. e de s£bito ficara consolada pela vista da Terra Prometida. Mas John Bidlake não queria ouvir nada. e havia emergido dˆle. luz.explicava a Srta.. engole! Não sabes engolir? .) . .O espet culo do pequeno Phil.E o menino. Os fardos tomaram-se leves. porque os fatos não se podem descrever. Marjorie teve apocalipticarriene a revela‡ão de todos os s¡mbolos da literatura religiosa. vermelho. Sra. Mas. . . ligado de bacalhau e um t"nico. Porque ela pr¢pria se tinha debatido no 1.Vamos. O Dr. E era verdade.Òle não vai bem . dormia mal.Mas agora percebo que elas são simples descri‡ões de fatos reais. do T.perguntou Marjorie. Crowther tinha prescrito malte. Fulkes. Engole isso! . sem s e peran‡a.. O pequeno estava um pouco amarelo e magro.Mas isto ‚ simplesmente revoltante! Engole! E seus gritos eram uma receita quase infal¡vel para fazer a crian‡a vomitar. quando os sentimos pessoalmente. . gritava: . Quarles. voltando-se para o pequeno.. as trevas deram lugar . fatigava-se depressa.porque realmente ˆle não vai muito bem . sofria de dores de cabe‡a. . A Sra. engole.oda‡al do Desespˆro.M s descri‡ões. . uma expressão de nojo invencivel destorcia-lhe o rosto pequenino.Região hulheira do centro da Inglaterra. Quarles concordou com um meneio de cabe‡a..

. Ainda continuava a am -lo. com uma inconseqˆncia que era apenas aparente.De nƒvo franziu a testa. descontente consigo mesma dessa vez. porque no fim de contas a pobre mulher não era respons vel pela voz que tinha. não pode deixar de pensar a Sra.") . no fim de contas. o pr¢prio Walter tinha come‡ado a parecer-lhe pequeno e um pouco remoto.Ela não ‚ tão insignificante assim. sempre a posi‡ão errada. havia al. remotas e sem importƒncia as cidades e as pessoas que elas contˆm.Da mesma.Como vai Walter? . Mas elas não o são. com o bin ¢culo ... Mas Marjorie não devia imaginar que se tinha tornado superior e se achava acima do mundo. .Uma tal confissão. detestava tudo quanto cheirasse a sermão. -. de certo modo. Quarles franziu levemente a fronte: . Marjorie. E a posi‡ão errada do bin¢culo ‚. vindo para o ar livre. mas. naturalmente.aos largos espa‡os abertos . E a tarefa dos infelizes que puderam evadir-se. Quarles. Porque. ‚ ajudar os outros a fugir tamb‚m. ("Esta voz". lhe teria custado horrivelmente. por mais negra que ela possa parecer.-umas semanas. Não se pretende levar-nos a olhar as coisas de maneira que elas nos pare‡am pequenas e insignificantes. h pessoas que moram nessa cidade.s avessas.perguntou ela. "esta voz faz parecer abafados e fechados os largos espa‡os abertos. .acrescentou ela.361 # sensa‡ão de ter sa¡do duma dessas cidades de mineiros para chegar . que se arrependeu em seguida do pensamento. Mas agora. Eis a¡ uni dos perigos que h em sair para o c‚u aberto. maneira de sempre.E quando eu olho para tr s a cidade negra aparece tão pequenina. tão insignificante em compara‡ão com o espa‡o e com o ceu enorme! como se a olh ssemos por um bin¢culo p"sto . A Sra..Como vão vivendo vocˆs agora? . com a sua voz ardente e um pouco infantil na sua entona‡ao arrastada.s plan¡cies .. temos uma tendˆncia excessiva para considerar como pequenas.

Fisher 362 gostava de que seus clientes tomassem um interÖsse inteligente em sua propria fisiologia. Tive casos de mulheres neurastˆnicas que desejavam ter filhos e mais filhos.p"s-se ˆle a explicar. o corpo que se adapta ao n"vo estado de coisas. numa sucessão tão r pida quão poss¡vel. O Dr.. Mas havia coisas que ˆle compreendia ainda menos do que as rela‡ões entre o corpo e o esp¡rito. por exemplo? Que compreendia Šle da alma e de sua comunhão m¡stica com as f"r‡as espirituais? Pobre Dr.s avessas. procur -lo para trazˆ-lo ao corrente de tudo a cada duas ou trˆs semanas..Sim. .. O cora‡ão do feto come‡a a bater mais # ou menos neste tempo. Que compreendia ˆle de Deus.velmente melhor do que a £ltima vez. e uma expressão de tristeza passou-lhe r.. . Fisher.. A Sra.A sa£de melhora. um dos homens melhores e mais bondosos do mundo inteiro. Com ˆste na posi‡ão certa ela apenas via Deus e Jesus. dominando-lhe avassaladoramente o campo de visão.. O moral tamb‚m. Quarles olhou para a interlocutora. Fisher lhe havia dito que fˆsse. e Marjorie aproveitava o pre‡o reduzido dos bilhetes de excursão de quarta-feira para ir . incompar.o que revela a sua aparˆncia . O Dr.Pobre Walter! -. cidade. Fisher! S¢ sabia falar do quarto mˆs de gravidez e do cora‡ão do feto. A gravidez era a £nica coisa que lhes podia curar a melancolia e as obsessões.disse o Dr.. ..pidamente pelo rosto m¢vel: . eu tamb‚m o lamento . As modifica‡ões na circula‡ão tˆm sem d£vida algo que ver com isso. Fisher era um anjo. examinando-a primeiro atrav‚s dos ¢culos e depois por cima dˆstes. . fazer algumas compras indispens veis e dizer ao doutor como se sentia bem. Quão mal compreendemos ainda as rela‡ões entre o corpo e o esp¡rito! Marjorie sorriu e não disse palavra. Isso se passa muitas vˆzes no decorrer do quarto mˆs . O velho Dr.confessou Marjorie.. ˆles cresciam. Fˆz-se um silˆncio.Sim.

. Pouco importava o que se podia fazer ou o que não se devia fazer.exclamou. procurando simular uma afei‡ão correspondente ." Ôle havia imaginado de antemão as noites da Espanha. arranjara no banco um meio de sacar a descoberto contra a sua conta. sua humilha‡ão haviam desbordado em seis p nas de censuras e de furor.Era uma mentira. sombrio . Tudo sombrio.. Olhou o rel ¢gio. inventado uma s‚rie de mentiras complicadas. mostrou-se cheio de afei‡ão: . tornara informa‡ões s"bre o pre‡o das passagens. chovia. queria ver se havia alguma carta de Lucy esperando por ˆle no clube. naquela manhã. E # 363 Lon- então viera a carta de Lucy. e o amor tão paciente. .disse ˆle.. sentindo um pouco de piedade pelo velho. pousando uma das mãos sâbre o ombro de Walter -.pena! . Os guarda-chuvas pareciam cogumelos negros brotados s£bitamente da lama. tão implac vel como o ¢dio. . O ci£me de Walter.C‚us! -. Burlap. outro para Marjorie. t"das as baixezas conceb¡veis. um monte para Burlap. "Desabrocho nos fornos.disse Walter.. negras e quentes.um fantasma. mas não podia suportar a id‚ia de passar uma hora com Burlap num restaurante de Fleet Street. Aquelas vol£pias imaginadas tinham justificado t"das as mentiras. vamos sair e comer juntos uma costeleta em alguma parte? Deu uma palinadinha no ombro do jovem Bidlake e sorriu-lhe o sorriso cheio da ternura triste e enigm tica dum santo de Sodorna. "Mas adoro o calor".Meu velho . Ia gificar em Paris. . sem desejo de prolongar a conversa‡ão com Burlap . De resto. contanto que suas visões se realizassem. . comunicando que tinha mudado de id‚ia.tenho de jantar com um amigo na outra extremidade de dres. sua decep‡ão. Por quˆ? S¢ havia uma explica‡ão poss¡vel. ela dissera. e o corpo p lido de Lucy .preciso ir. . Fora. Ele tinha preparado o terreno. mas tang¡vel e m"rno. e as posses que semelhavam um assass¡nio lento.Marjorie sorriu interiormente. . Em Madri devia estar fazendo um sol feroz. luz das estrˆlas .

Gostei dos ares dˆle. Fa‡o o que me apraz e não reconhe‡o em ningu‚m odireito de discutiros meus atos. não mais alto do que eu. maravilhoso! E adivinha onde o encontrei. O tom de sua voz dava a entender que ˆle não esperava nada de mais inter . sinto muito.‚ uma id‚ia excitante. bâca. e. aspecto um tanto romano. "Pois eu havia de fazer que a tinta desaparecesse a beijos". O porteiro lhe estendeu o conhecido envelope amarelo. Mas nãoformulo a menor desculpa pelofato de ter mudado de opinião. replicara ˆle.. Entre bocados de comida que levava .. "Insuport vel a tua carta. Por . "Quai Voltaire. 'ParIa italiano?*`E sepâs a despejar a sua admira‡ão no maispuro toscano.. decifrou a carta de Lucy.' Era. "Olhei para ˆle. Na quarta vitrina ˆle se p"s a mefalar numfrancˆs extraordin rio com acentos em todos os ee mudos. "Quai Voltaire. nesta semana mudei de opinião. Na rua. por que não? Algu‚m que nunca encontramos antes e de quem nada sabemos . De uma vez por t"das recuso receber inj£rias ou lan&rias. est s muito enganado.. Que est£pido! Walter penetrou na sala de refei‡ões e pediu o seu jantar.'Maravilhoso.Cartas? . não quero em absoluto ouvir censuras nem condena‡ões.. 'Ma lei ‚ italiano*. Muito moreno. meu caro Sherlock Holmes. Se essa mudan‡a te prejudicou materialmente. Segunda-feira.perguntou ˆle ao porteiro num tom despreocupado. "Por que me escreves sempre a l pis?" Walter se lembrou da pergunta de Cuthbert Arkwrigth e da resposta que Lucy lhe havia dado.vidamente e desdobrou trˆs p ginas escritas a l pis. Percebi que estava sendo seguida de vitrina em vitrina por um jovem. olhando as livrarias. No fim de contas. 'Sem d£vida encontraste um outro homem de quem gostas mais do que de mim.. Desejas realmente saber por que não deim Paris? Muito bem. ao penetrar no clube.. A semana passada pensei que seria divertido ir a Madri contigo. Walter o rasgou . pele c"r de oliva. ou do que a oferta filantr ¢pica de um empr‚stimo de 5 O00 libras sem garantias. se imaginas que as tuasjeremiadas e as tuas ciumeiras me enchem de piedade por ti. Passeando ao longo do Boulevard Saint-Germain. enorme contentamento." Fatigou os olhos na decifra‡ão da carta: era quase tão dif¡cil de ler como um manuscrito antigo. essante do que uma circular de editor.

Não me mandes nunca mai . disse-lhe eu. vem de Siena.não conhecia senão Puccini. no Mediterrƒneo. Quartos a hora.. Que estranha incongruˆncia nofato de um selvagem trigueirofazer projetos de motores de avião e ter um paiprofessor defaculdade !Devo revˆ-lo amanhã. por que mudei de opinião a respeito da tal viagem a Madri.) Fala italiano? (N..'Tomamos um t xi que nos levou a um pequeno hotel perto do Jardin des Plantes. um porta-toalhas. disse-lhe eu. Òle saltou s"bre mim como. um lavat¢rio com uma bacia def"lha e umjarro.era como um pele-vermelha. um bidˆ. beira do mar. do E) 364 um momento. dois sˆres perfeitamente estranhos. humilhar. `Muito bem.masfazia parte da brincadeira. Depois perguntei-lhe o nome. Deixar-seferir. complicado. no lugar em que ˆle me mordeu. uma cadeira. Uma cama. Al‚m do mais. Onde terei visto aquela est tua de M rsias esfolado? O rosto dˆle'era assim. De resto. usar como um capacho esquisito! Gosto disso. (N. Ainda te-nho marcas no pesco‡o. um arm rio. Tenho de usar uma ‚charpe durante alguns dias. do E. os dentes cerrados. de sorte que pus # ponto na tagarelice. " "L. como uma m rtir cristã em face dum leão. le se chama Francesco A llegri e ‚ engenheiro aeron utico. j tão ¡ntimos quanto o podem ser dois entes humanos. era uma linda criatura. S¢rdido . O homem acabava de voltar de umasf‚rias passadas . s uma carta como a £ltima. O mart¡rio ‚ uma coisa excitante. Tinha um ar magnificamente feroz .. Então agorpj sabes. 'Dunque **'. se mef"sse matar. 1 . Não lhe tinha permitido que me tocasse no t xi. Fechei os olhos. Walter.Mas o senhor ‚ italiano. no momento seguinte. o capacho tamb‚m faz uso de quem o usa. Worrei e rion vorrei `. onde o pai ‚ professor de medicina na universidade. e seu corpo estava todo queimado e polido pelo sol. Mas ˆle nunca tinha ouvidofalar de Mozart .. E tãoferoz como o seu aspectofazia esperar. Eu lhe meti as unhas nos bra‡os at‚ fazer sangue.

Quando Marjorie passava sob os ramos pendentes do grande carvalho. no tempo em que ˆles moravam na casinha de Berkshire. comeu um biscoito. Lembrou-se dum dia an logo. muito mais feliz. Walter estava sentado com ela. (N. Fˆz para si mesma uma ta‡a de ch . O gâsto daquilo que ela comia e bebia. como se temesse acordar uma crian‡a adormecida.. Era como se os descobrisse pela primeira vez. Marjorie caminhou na ponta dos p‚s. Achou a casinhola vazia. acendeu um cigarro. uma terra brilhante e transfigurada. alongando o olhar por sâbre o vale.Chamford. Òle a amava naquele tempo. Não lamentava nada do que se passara no intervalo. Voltou a poltrona de maneira que ela ficasse de f ce para a janela e deixou-se ficar sentada. o aroma do tabaco lhe pareciam particularmente deliciosos e de certo modo novos. perto da janela aberta. Gâtas ainda pendiam suspensas dos ramos. Marjorie riu de prazer. do E) Pois bem.. O sol. e t"das as ta‡as "cas das p‚talas e das f"lhas estavam cheias. As colinas do outro lado do vale. ouvia-se um ru¡do de p ssaros. que bebeu. na metade do caminho. pareciam brilhar com uma radia‡ão pr¢pria contra o fumo e o ¡ndigo das nuvens. hora de deitar. mais luminoso por ser tão prec rio naquele fundo sombrio. at‚ as monta nhas brilhantes com o seu fundo de tempestade. Movendo-se pela casa. E. a solidão lhe pareceu amiga e doce. ela era mais feliz agora. . A chuva havia cessado quando ela chegou. O silˆncio das pe‡as vazias tinha uma qualidade Quereria e não quereria. (N. no entanto. do E) 365 # Marjorie tomou o trem das 3 horas e 12 minutos para voltar a i de transparˆncia cristalina e musical. um golpe de vento lhe jogou contra o rosto um aguaceiro frio e s£bito. A criada tinha sa¡do e não estaria de volta senão . tocadas pela luz do sol.

parte para se unir .era tamb‚m min£scula. Era verdade. O licor da existˆncia. Teve a impressão de que se fundia naquela calma verde e dourada. o silˆncio de fora se identificava como seu silˆncio interior. a beleza. antes da vinda da nuvem . A felicidade ‚ um subproduto. tâdas as inquietudes. paz. progressiva. "Paz.mas como estava long¡nqua agora. O licor que fora turvo estava perfeitamente l¡mpido. " Marjorie repetia interiormente a palavra. e as £ltimas ondula‡ões morreram na superf¡cie da vida. sentiu-se mergulhar nela e absorver por ela.. mais 366 di fano do que o ar." Marjorie não tinha mais desejos. Nuvem sombria . murmurava Marjorie para si mesma. estava Deus. . todos os sentimentos pessoais . e. apiedou-se dˆle. A felicidade. a cair lentamente. O nada . 11 paz . assentou pouco a pouco. as colinas eram como esmeraldas e ouro verde. duma maneira remota. . cada vez mais transl£cido. "A felicidade. Walter se tinha tornado infeliz. como um sedimento.O sofrimento tinha sido necess rio. . aniquiladas na calma extrema.a £nica perfei‡ão. "A paz de Deus". paz universal. Pobre Walter! pensou ela. e curiosamente separada dela! E aquela outra claridade feliz. a felicidade. "a paz de Deus. estava a realidade. o £nico . Contra os vap"res negros. Quarles o dissera. Foi uma revela‡ão lenta. murmurou ela. paz. mais l¡mpido do que o cristal. Era a nuvem que acentuava a luz de sua felicidade presente. todos os desejos. as opacidades causadas pela agita‡ão da vida acabaram de cair. que vai al‚ m de todo o entendimento..come‡ou a se depositar. . lentamente e sem ru¡do. a Sra. mais preocupa‡ões. agora...todo o ru¡do e o tumulto do mundo. o bem. Atr s daquela bruma que se dissipava gradualmente. "Paz. a bruYna se dissipara e a realidade sem v‚us era um # vazio maravilhoso . O licor turvo se tornou cada vez mais claro... paz". dentro do invis¡vel.era o nada. Correndo atr s da felicidade. e tudo o que o tinha tornado opaco . Paz. agitado e turvo. dissolver como se deixasse de viver . e long¡nqua. A quietude flu¡a para a quietude. como uma imagem num espelho curvo.

Não est s com boa aparˆncia.absoluto. Era melhor assim. quase a contragosto. durante o trajeto. seu rosto que parecia o rosto dum M rsias torturado.perguntou ela...s palavras. Marjorie sentia os membros hirtos.Walter? . No trem. ao ouv¡-lo. o eterno nada. Conhecia aquˆIe quartinho s¢rdido de h"tel meubl‚*. como o da gua.disse em voz alta. sua alma remontou . O sol s"bre as montanhas havia tomado um tom mais profundo. Quanto mais se aproximava de Walter. Era j quase noite. Prov. tona.Pobre Walter! . nada mais.velmente ficara ali sentada durante horas e horas. . com aquela expressão que ˆle bem conhecia. mais se afastava do nada maravilhoso.Não ‚ nada.ressentia-se da pr¢pria existˆncia de Walter. "Por que ser que ˆle ‚ tão infeliz?".. E lhe dirigiu um sorriso de pie- .. que se não pode apanhar senão por meio de intensa concentra‡ão . . Walter respondeu com uma voz que lhe pareceu morta. at‚ o ponto de sabˆ-la quase de cor. A revela‡ão progressiva estava completa agora. ˆle dissera que não era nada. estava pensando Marjorie. Um pouco de cansa‡o. ˆle tinha lido e relido a carta de Lucy. Sua imagina‡ão tinha fornecido um suplemento . a brancura de Lucy.. . ela não precisava de se preocupar mais corri aquilo. Ressentia-se daquela presen‡a que a perturbava e que lhe interrompia o ˆxtase .. aquˆle ar de sofrimento grave e atento. perguntou ela consigo. Relutantemente e com uma esp‚cie de dor. O infinito. Bom.. superficie da consciˆncia das coisas. os dentes cerrados do homem. O rapaz entrou no compartimento e Marjorie notou que ˆle tinha o rosto muito p lido.. . como se o prazer lancinante f"sse uma verdade profunda e rdua.Que ‚ que h ? . tinha visto o corpo requeimado do italiano. mais se afastava de Deus.. os olhos debruados de negro. mas perguntou de muito longe e com uma esp‚cie de ressentimento muito remoto. ela se al‡ou das profundezas da divina vacuidade.gritou ela na dire‡ão do corredor. . de onde vinham os ru¡dos. e tamb‚m o rosto de Lucy.. Marjorie foi despertada do seu devaneio pelo clique do trinco da porta da entrada e por um ru¡do de passos no corredor. as nuvens se tinham erguido e o c‚u era dum azul p lido e esverdeado.

(N..dade terna. "Apesar de tudo".perguntou ela. Daisy. depois se afastou. . por hora. o crep£sculo se espessou lentamente em trevas. Òle não ia fazer nenhum apˆlo .s 10 horas. patroa? . . Bidlake? . . .." Mas não subiu. lan‡ando um olhar para dentro da pe‡a. Nunca mais! Walter se foi. im¢vel. voltou . dente lhe deu calafrios de vergonha.. o coitado! Precipitou-se para a cozinha. Marjorie estremeceu.Nem mesmo pensei em cear. seu esp¡rito mergulhou de nâvo em Deus.continuou Daisy em tom de censura.Então ainda não ceou?'. Oh ! Òle deve estar morto de fome. O tempo passou. sua simpatia. Atrav‚s do vazio inanimado do ˆxtase. Algo h que o torna particularmente desgra‡ado. procura de carne fria e de picles. Daisy viu. . a criada. sentindo com relutƒncia alguma solicitude. o ressentimento dela desapareceu.Nem o Sr.exclamou com horror. O pequeno sedimento que a chegada de Walter havia agitado dentro dela tornou a cair bem depressa para o fundo. o fl ri da tarde se mudou em crep£sculo de verão. A recorda‡ão dˆsse.. Marjorie ouviu seus passos na escada e a batida duma porta. * Expressão francesa para designar hot‚is de baixa calegoria. Talvez seja melhor eu subir e ver o que ˆle est fazendo.Pobre Walter! Walter olhou-a um momento. esquecendo-o deliberadamente. . . "algo não vai bem. e ainda menos da parte incide Marjorie.. . pensou ela. . Não queria piedade.. no nada eterno e sem limite. como uma bâlha que se fura. .Sentada no escuro.disse Marjorie. Deus se tinha dissipado. a mesa vazia. no absoluto perfeito.. O clarão lhe trouxe aos olhos ofuscados todos os detalhes imediatos e pr¢ximos do mundo material. não. Urna vez aceitara a piedade dela. do E) 367 # I i Não aquela esp‚cie de piedade de anjo superior.Ora.. sua aten‡ão ou . Ôicou sentada no mesmo lugar. . Acendeu a luz. que alug£m quartos para casais.

Vendo-a. Pinchback foi governador republicano da Louisiana em 1873. plantando-se na cadeira com f"r‡a e determina‡ão. .. Numa das ravinas do norte da Madeira existem. E o magnetismo terrestre tem uma longa hist¢ria.. Sidney Quarles mal havia come‡ado a leitura do artigo s"bre Sir John Blundell Maple. "e . avan‡ando at‚ o meio da pe‡a. "Aqui estou". tinha uma pequena casa de m¢veis em Tottenharri Court Road. cujo pai. A emo‡ão fazia sempre ressuscitar nela a garâta londrina. Quarles ao d‚cimo s‚timo volume da Enciclop‚dia Britƒnica. A curiosidade ociosa ali o detivera. vis¡veis a "lho nu.disse com dignidade para a criada. parecia dizer aquela maneira volunt ria de sentar. quando uma camareira apareceu . Para definir a lira ‚ necess rio distingui-la claramente da harpa e da guitarra. . 368 CAPITULO XXXI Um problema de palavras-cruzadas havia trazido o Sr... tirando o pincenez. sou eu .um bilhete por um vaso de ouro.repetiu ˆle com alguma surprˆsa.Tomou a mão de Gladys.. porta para anunciar que uma m"‡a desejava vˆ-lo.Uma m"‡a? . o Sr. aprendeu ˆle. Quarles sentiu um espasmo s£bito de apreensão. Gladys sentou-se. # . um outro por seis mâscas.respondeu ela sarc. . Ergueu-se.Oh ! uma agrad vel surprˆsa . no seu quarto.Minha pequena! . S. . mas Nero distribu¡a prˆmios como uma casa ou UM escravo. instrumentos afins. Esta se retirou. Walter estava deitado na cama. que o repeliu.disse uma voz familiar. traz um bastão branco e usa uma chave de ouro ou uma chave engastada de pedras preciosas.Sim. ao passo que Heliog balo introduziu um elemento de absurdidade . Baronet (1845-1903).Pode retirar-se .L em cima. a cara enterrada nos travesseiros. E Gladys surgiu de tr s da criada.sticamente. John Maple (morto em 1900). O Lorde Chamberlain. Mas que surprˆsa! .. massas dum essexito grosseiramente cristalino. Mas h igualmente um lado negativo da magia. A palavra "loteria" não tem significa‡ão muito definida. Pinckney B.

Muito. Para falar a verdade. Para não dizer que a visita era. poderia sempre dizer que a chamara para 369 I # datilografar um trabalho particularmente urgente. . s¢ para dizer alguma coisa. talvez mesmo quisesse dizer: "Daqui não saio nem que o mundo venha abaixo". realmente.Òle acha que foi uma pequena imprudˆncia! .... em caso de necessidade. . aaa. e com os l bios apertados num sorriso que parecia encer- .Mas.aqui f¡co".. . Tamb‚m. aaa..acrescentou em voz alta. Quarles com voz mel¡flua. O Sr.. . .Mas muito inespeA m"‡a cerrou a b"ca firmemente e olhou para o velho como quem espera --.Realmente agrad vel esta... ..Sim. aaa.disse o Sr... aaa .. Quarles fitou os olhos nela e teve mˆdo. Come‡ou a perguntar interiormente por que diabos chegara um dia a desej -la. Que quereria a rapariga? Que fazer para afast -la da casa? ... desnecess ria. tu sabes muito bem que se tivesses necessidade de .Muito prazer . pequena imprudˆncia vir at‚ c .. Mas que esperava ela? . . como se repetisse as palavras do velho a unia terceira pessoa invis¡vel.com olhos cuja expressão não agradava nem um pouco ao Sr. . Quarles.. quem deve julgar isso sou eu .Sidney esperou.disse Gladys. Era terr¡vel... O importante era manter uma atitude digna. Ora.. penso que foi uma ... odiava a rapariga.Naturalmente. pensava ˆle.. tenho . para que arriscar-se a vir aqui? . com uma ˆnfase cheia de dignidade. me ver.. mostrar com firmeza a sua superioridade. continuou ˆle. fez ela num eco. aaa .. Enfun. .Olt! Sim? Gladys emitiu um riso perigoso. .. No fim de contas. Mas Gladys não respondeu. ...repetia ˆle. Mas . limitou-se a olhar para ˆle com os seus olhos verdes e duros. surprŠsa! . rada . bastava que me escrevesses e eu teria ido logo em seguida..

. Tu sabias . aaa . . ora bolas! Eu sei que esp‚cie de amor e ˆsse! Pois sim .repetiu Gladys.. com mˆdo de que os outros saibam o que vocˆ realmente ‚. O Sr. . Mas o ataque de Gladys foi apenas verbal. um porco velho.E. aborrecido.Assumindo ares importantes..Porque eu sabia que vocˆ estava assustado ... estou aborrecido contigo. aaa. E depois leva uma mâ‡a para jantar num Corner House.. Não! Seu animal repugnante! E depois .Realmente.. aqui em minha pr¢pria casa. quando vocˆ não passa de um porco velho sujo! Sim.. ..sempre cheia de bondade.. Mas eu estou . eu sabia ... Não tinhas nenhum direito de vir aqui.A maneira como o Sr.. desconfie de nada. Mas conservou a dignidade muito prazer em ver-te. . Sobretudo aqui . mas cheia de bondade . . Quarles com um ar tão amea‡ador que o velho recuou um passo. . Quarles exprimia aquela repreensão era digna e impressionante.Realmente. como se f"sse o Pr¡ncipe de Gales.. Mas a pressão de seus sentimentos lhe tornou imposs¡vel manter o silˆncio.continuou ela -.. Uma m¢‡a não est segura dentro de um t xi com vocˆ. realmente.. agu- da e breve.Sim. E vive a censurar todo o mundo pior do que um pastor. estou .Calou-se por um momento..Podes rir.rar eniginitticamente Deus sabia l que pensamentos e sentimentos perigosos. sacudindo a cabe‡a com truculˆncia. . ergueu-se num pincho e avan‡ou contra o Sr.Realmente. aaa . falajado sŠriamente. . perdendo de repente todo o contr"le s"bre a sua f£ria. -. Quarles ficou desconcertado.E foi exatamente por isso que vim..o Sr. . Velho indecente e porcalhão! . .. .. # 370 I I assustado.. . Quarles se havia refeito suf icientemente do primeiro choque de surprˆsa cheia de horror: agora podia . Gladys atirou a cabe‡a para tr s e soltou uma risadinha de hiena.. . sujo: ‚ o 9 ue vocˆ ‚! Dizendo que me amava.. Sabias muito bem o quão importante ‚ que ningu‚m .

oh. .Oh.Realmente. Acabara de palestrar com Marjorie na sua casinha e entrava para dizer a Sidney que havia convidado o jovem casal para jantar naquela noite.. .. Quando o gongo anunciou o jantar.. batendo com o p‚. não ‚ poss¡vel! ....repetiu o Sr. Houve um instante de silˆncio. Jesus! Seu porco gordo e asqueroso! E tomando ares de Rodolfo Valentino. inaudito.Que inconveniˆncia! . Parece um "vo vermelho. . Quarles. le se sentia literalmente devastado. fazendo alto no portal. Cinco minutos mais tarde ela estava a solu‡ar não menos incontroliivelmente.Um bebˆ... velho idiota? Um filho. achatado. Gladys recome‡ou a falar com uma f£ria incontrol vel. Quarles entrou pela porta envidra‡ada. numa m¡mica derris¢ria.. Quaries. sem tirar nem p"r . Sidney aproveitou a ocasião para safar-se.. incr‚dulo. Depois. Foi nesse momento que a Sra. E não vou embora sem primeiro . .continuou Gladys numa voz ainda mais aguda.gritou Gladys. porque eu perguntei a um joalheiro e ˆle me contou .. mandou dizer que se # # 371 I . Era terr¡vel aquilo. ainda vou ter um bebˆ .E depois nem mesmo leva a gente para um lugar decente no teatro! Mas quando se tratava dos seus prazeres . Quarles se esfor‡ava por consol . Foi por isso que vim aqui. E agora. vinda do jardim. Sra.Sim.Falar de amor com uma cara dessas! . conversando fiado.. dirigindo-se desta vez . dizendo que t¢das as mulheres estão loucas por vocˆ . . um filho! . imitando a maneira de falar do velho. por cima de tudo. Por vocˆ! Olhe-se s¢ no espelho .Ia.protestar.. realmente . e a Sra.Um bebˆ? .repetiu Gladys. .disse ela.Não entende o que eu digo. . mas com uma sensa‡ão de v cuo e de apreensão mais profunda e mais horr¡vel. desculpem.Um velho porcalhão como vocˆ! E depois d para a gente um rel¢gio vagabundo e velho e um par de brincos com pedras que não valem nada. .. . . aniquilado. .

Procure ter coragem.. como a m£sica dum barco que se afasta. 372 CAPITULO XXXII s¢. Entrementes.sticamente .. Não h de ser nada. O rel¢gio de carrilhão que havia em cima da chamin‚ flez um s£bito coment rio inesperado de oito notas e deixou que as vibra‡ões harmoniosas se dissipassem melanc¢licamente no nada.Pobre menina! Não chore. O rosto que defrontou o da Sra. Esperava-o para tomarem um coquetel .. Trˆs e meia. como foi que Sidney teve a coragem?" Depois.. algumas torradas com manteiga e um pouco de compota.sentia muito doente e que fizessem o favor de mandar dois ovos cozidos bem moles. enormes rosas brancas de p‚talas de porcelana male vel. Est muit¡ssimo enganada.Não ‚ nada . ganhou o jardim e desapareceu. A voz calma da Sra.. A outra escutava.Oh! Cale a b"ca! . Quarles continuou a falar. que sua mãe lhe tinha dado. Ser que pensa que com isso me vai fazer ficar quieta? Que eu esque‡a os meus direitos? "Bilu-bilu .. . E .disse ela sarc.. no est£dio. De s£bito. de n"vo: . E com estas palavras.repetia ela. o que lhe digo. a Sra.cale a b"ca! Que pensa que eu sou? Um nenˆ? A falar dˆsse jeito . rosas alaranjadas que pareciam turbilhões de chamas congeladas e perfumadas.. Quarles estava carregado de zombaria selvagem.. ergueu-se. saltou para fora do gabinete. E muito breve vai ter a certeza disso . pensava.antes que ˆle a levasse ao restaurante e . . povoava para o ar de inumer veis recorda‡ões virtuais de sua infƒncia. Elinor estava arranjando as rosas dum vaso. Um vaso de flâres variegadas. "Pobre criatura". o nenˆ vai ser bonzinho. o nenˆ não vai?" Mas a senhora est enganada. Os solu‡os de Gladys decresceram pouco a pouco.. ela Na casinha do fundo das cocheiras Elinor se achava completamente O fraco ribombar do tr fego long¡nquo acariciava o silˆncio mˆrno.dava-se ela o trabalho de explicar a si mesma . consoladora. batendo no ombro da rapariga.s 6 horas ela esperava Everard. o que lhe digo. Quarles estava inclinada com solicitude s¢bre a cadeira de Gladys. atr s das manchas das l grimas. "E que perfume abomin vel! Ali.

um inimigo. mesmo depois que ela se refez do meiro choque da surprˆsa. algu‚m que esperava. apesar dos l¡rios que o dissimulavam. Simplesmente uma diversão noturna. im¢vel. Elinor continuava a repetir a si ma a explica‡ão. era por isso que tentava convencer-se de que a noite seria simplesmente trivial e divertida. Uma batida na porta. faltava-lhe coragem mesmo para fazer aquilo. Mas não queria escolher. Era o mesmo que cobrir um cad ver com fl"res. E a decisão tinha de ser tomada. com mãos amea‡adoras. Com um suspiro Elinor apanhou com as duas mãos o pesado vaso e. porque ela sabia. a despeito do jantar no Kettner e a despeito do teatro. talvez (porque a imagina‡ão de Elinor estava tâda povoada de horrendas faces cabeludas que espreitavam dos cantos. quando ela se achava s¢zinha na casa solit ria. mas sim capital. ouviu-se uma forte batida na porta. estava profŠticainente certa de que aquela noite não seria de maneira nenhuma como as outras. Bateram de # 373 nâvo. esperando que ela abrisse a porta .depois ao teatro. Com uma montanha de ffires. que escutava . ela via o que se achava escondido aquela desculpa superficial. no momento em que o erguia para o # colocar em cima da chamin‚. Elinor sentiu um sobressalto tão violento que quase deixou cair o objeto que tiprinha nas mãos. Mas o cad ver ali estava sempre. com infinitas precau‡ões.um estranho. Nos dias em que ela se sentia particularmente nervosa. ou então um louco que escutasse atentamente os ind¡cios de vida no interior da casa. deixava-se ficar sentada. Elinor caminhou na ponta dos p‚s. como uma aranha. facas e clavas e pistolas). fazendo .essa id‚ia lhe era um pesadelo. esperando. E o terror persistiu. A id‚ia de que havia algu‚m do lado de fora. Pousando o vaso. a escolher. um pavor. fazia-lhe sempre bater o cora‡ão de maneira desagrad vel. decisiva. at‚ a janela e arriscou uma olhadela por entre as cortinas. Seria obrigada a decidir. semelhante a não messob importa que outra diversão noturna.

para o teu pesco‡o.. De p‚ . antes ser assassinada por uma pessoa conhecida do que por um estranho. espiando de vi‚s atrav‚s do vidro...exclamou ela. Ou. hei de voar para o teu lado. na dire‡ão da porta. Spandrell fez meia volta. ..Bateu os calcanhares um ..disse -. sentindo-se agora mais contente do que nunca por estar ." E Elinor ficava cheia de vergonha.Achas? .Desculpa .Apesar de tudo .preciso ser mulher para pensar nesses refinamentos. .explicou ela.era tudo o que se continha em seu campo visual. .ticamente de ac¢rdo com as representa‡ões imagin rias que ela tinha do tipo autˆnticamente homicida. sentia-se rid¡cula. Spandrell soltou uma risada breve e sem ru¡do. o que podia ver dˆle.. . Mas.Spandrell ! .. porta e abriu-a. melhor.. depois. madame. o chap‚u prˆto. numa brincadeira que pareceu tão drarn. at‚ que o desconhecido que batera .Spandrell olhou para a interlocutora. Encobriu a sua emo‡ão com uma risada.pousou a mão s"bre o cora‡ão -. que Elinor sentiu um grande mal-estar.. se tiveres vontade que te cortem a car¢tida duma maneira camarada.. . Não importa o inc"modo que isso me possa dar . havia de portar-se exatamente do mesmo modo . .. Julgava que era no m¡nimo um assassino. No dia seguinte o entregador da casa Selfridge lhe causava remorsos atro~ zes quando vinha desculpar-se da entrega tardia. soleira da porta. Mas.votos para que as batidas de seu cora€ão não fossem ouvidas da rua. Naquela tarde encheu-se de coragem. . tirando o chap‚u. soleira da porta e não no interior da casa. sentia-se em maior seguran‡a. não hesites: manda-me chamar.Mas podia ser ainda um assassino. as comissuras de sua larga bâca se crisparam num sorriso esquisito.protestou ela. pelo menos.Eu estava s¢zinha.E brandiu a bengala de castão pesado diante dela. . ousou olhar o inimigo olhar.. Elinor correu . mesmo em se tratando daminha pessoa. na pr¢xima vez em que se achasse de n"vo em casa s¢zinha e nervosa. Depois a perna de cal‡a recuou e todo o casaco ficou vis¡vel.. mas decidiu não convid -lo para entrar. "Ontern bati na porta. .. . porta perdia a paciˆncia e abalava.. Depois dei uma espiadela pela janela e vi que eras tu. .. .. porque o rapaz j se tinha voltado para partir.Meu caro Spandreli! . mas não estava ningu‚m em casa. Apertaram-se as mãos. Uma perna de cal‡a cinzenta e um cotovˆlo . Bateram ainda mais uma vez. . a cabe‡a do homem voltou-se: era o rosto de Spandreli.

Um telegrafista numa bicicleta vermelha se precipitava para ˆles. --. para falar a verdade.. no que diz respeito aos amigos.Mas.Quaries? .aqui Spandrell emitiu uma de suas risadas afonicas -. mais vale tarde do que nunca.continuou em outro tom 374 .Enfim. Ou. Elinor pegou o telegrama e o rasgou. Riam ambos ainda. saltando da viatura. depois tornou a fitar os olhos na fina rolha de papel.contra o outro e inclinou-se. Mais tarde. voltando-se para Spandreli. E Philip foi para o campo ver a mãe. como se Šste estivesse redigido numa l¡ngua pouco conhecida e dif¡cil de decifrar. O garâto tornou a montar na bicicleta e partiu. .Queres prestar-me um servi‡o? . Elinor continuava com os olhos fitos no telegrama. Vai voltar justamente a tempo para o concˆrto de Tolley no Queen's Hall.. . Assim ‚ que h s de lo hoje. quando os convido .Não tem resposta. eu os obrigo geralmente a pagar.Fâr‡a de h bito. o prov‚rbio precisa ser modificado: mais vale nunca do que cedo.Eu não podia ir de qualquer modo. Eu te convidaria tamb‚m de boa vontade . .Então. pelo menos . # vˆ- . Mas sei que ˆle disse que passaria pelo Sbisa. O riso se lhe desvaneceu do rosto ao passo que ela lia. dize-me . assim se espera piedosamente. . Esperan‡as piedosas! Mas. . De resto. No Sbisa. quando uma campainhada violenta fˆ-los voltar a cabe‡a. depois do concˆrto.. Elinor agradeceu. . por que te d s o trabalho de convidar as pessoas para janI tar ? Spandrell deu de ombros.perguntou o rapaz.. Mas ‚ um assunto puramente masculino.perguntou etifim. na vaga esperan‡a de encontrar algu‚m.Philip não anda por a¡? Eu queria que ˆle viesse jantar comigo esta noite. Olhou o rel¢gio de pulso. .

repetia Elinor para si mesma. custa do pobre do pequeno Phil. em suma. continuava ela a refletir. enquanto pões o chap‚u. continuava ela a repetir para si mesma..No escrit¢rio dŠle . Mas eu vou te chamar um t xi. "Eu devia ter sido mais cuidadosa". O telegrama de sua mãe . Elinor ficou a perguntar a si mesma que teria ˆle. recordando-lhe os tˆrnios . Censurou-se por não ter compreendido que ˆle estava incubando alguma doen‡a.Mas naturalmente 1 . ao chegar. Spandrell afastou-se a passo r pido. preciso que eu me avie -. . Era ao mesmo tempo um al¡vio e uma decep‡ão. Escreveu um bilhete ao marido. em cima da chamin‚? Mas seria que. "O telegrama incluso explica minha partida repentina. Elinor agradeceu. talvez. estendendo-lhe a mão. Não. uma proibi‡ão.não dizia nada. "Philip um pouco enfermo e embora nada de alarmante aconselharia voltar.. ˆle ia necess ria~ mente olhar a hora? Ou então em cima da mesa. Mas imposta.consultou de n"vo o rel¢gio -. Encontra-me em Gattenden amanhã de manhã.Pedem-me para voltar.Meu filho est doente . .tão caracter¡stico que ela não podia deixar de sorrir. Mas não haver mais tempo para outra coisa. Muito bem. .disse ela." Onde havia de colocar o papel..Antes das 6. No escrit¢rio dˆle. Queres telefonar de minha parte a Everard Webley. uma proibi‡ão. Mamãe. pensava ela. 375 # escolha pondo o chap‚u diante do espelho veneziano da sala de estar. atravessando o p tio das cavalari‡as.explicou ela. e explicar-lhe por que não posso ir cear com ˆle esta noite? . para que Philip o visse ao chegar? Contra o rel¢gio. poderei ainda tomar o trem das 4 e 17 em Euston. de como se fatigava depressa. A lhe tinha sido imposta.. . Se andar depressa . . Agora esta se declarara.Era um aviso. "Elinor se lembrou de como o menino andava nervoso e dif¡cil havia j algum tempo. Uma gripe.repetiu Spandrell lentamente. Sim.Antes das 6 . preg -lo com um ..

ousaria supor? .Spandrell tomou o molho sem dizer palavra. .de alfin‚te no biombo.disse ela. i .asseverou-lhe Spandrell num tom enf tico. . .Sim. Apanhou-as e examinou-as. sou sob o arco.. .Aqui? . não poderia entrar. ou deitado numa . Elinor subiu depressa para buscar um alfinˆte.perguntou Spandrell.Elinor subiu para o t xi. telefonou a Illidge. S"bre a mesa do quarto Philip viu um molho de chaves. com lembran‡as minhas. .. fez uma volta e partiu. que ˆle ‚ um imbecil. .E agora ‚ preciso que eu voe . s"bre o biombo que separava da porta a parte "sala de visitas" do salão geral e ganhou o p tio. . 376 Spandrell foi a p‚.o especial atr s daquelas palavras tão naturais? . . .E não esque‡as de telefonar a Webley. franzindo a testa.. ..Ergueu o molho de chaves. r‚..s 6. Sem as chaves.disse Elinor. Era~ lhe imposs¡vel entregar-se a qualquer trabalho de composi‡ão quando sentado. Estaria ˆle imaginando alguma coisa. O t xi subiu o p tio em marcha ...Quando vires Philip esta noite..aqui .F"ste muito amãvel.. .Conta-lhe por que fui embora e dize-lhe que o espero amanhã. ditando. e isso do princ¡pio ao flim do ano?" Achava incompreens¡vel. "Quando estou sentado numa cadeira. prendeu com um alfinˆte o bilhete e o telegrama. sem cordialidade.fez ela com um breve sinal de cabe‡a.Mas não acabei de te explorar ainda... Desceu correndo. lentamente..Obrigada . "Como ser . . Porque ˆle devia vir buscar-me aqui . Spandrell esperava . .que conseguem escrever os que passam todo o dia entalados em cadeiras. e a expressão do seu rosto tinha ainda qualquer coisa que dava para suspeitar: não se ocultaria uma significa‡.. Não esquecerei . Antes das 6 horas. # pas- Everard Webley caminhava dum lado para outro na sala. Da cabina p£blica da esta‡ão. bem . com uma expressão s£bita de interˆsse e de curiosidade que Elinor achou um pouco ofensiva e embara‡ante. porta do t xi. at‚ Hyde Park Corner. "Que idiota! Esqueceu as chaves! Como ‚ que vai entrar esta noite?" O ru¡do dum t xi sob a janela lhe sugeriu uma solu‡ão. a¡ estava! Assim Philip não poderia deixar de vˆ-lo.. vista. Deu o enderˆ‡o ao condutor. d -lhe isto e dize-lhe.

. o carro era aberto. achou o chofer. deixando apenas os dois assentos dianteiros dispon¡veis para os viajantes. Andar de autom¢vel na # cidade com Everard era uma aventura demasiadamente f‚rtil em emo‡ões.B. bem estirada. A t¢da a velocidade. o leão inquieto. Everard "bancava" o leão naquele momento. .cama.Lembrem-se . nada mais que madeira e estofamento. discursos a preparar. e.disse Everard ao chofer.Boa noite! .F. tal era o seu m‚todo. como ˆle tamb‚m adorava a sensa‡ão de lutar com as intemp‚ries e com o vento produzido pela sua pr¢pria velocidade. recobria t"da a parte traseira da carro‡aria de turismo.Calou-se e. Que essas cartas estejam prontas amanhã de manhã .. Šle gostava de fazˆ-los dar o m ximo. Era uma m quina possante (porque Everard era um amante das correrias furiosas).caminhando duma parede para outra em seu grande escrit¢rio nu. fico como a mob¡lia a que me juntei. ..depois.. . quando havia artigos a ditar. .continuou ˆle a fim de que eu possa assin -las.Tomou o chap‚u do cabide . a 1 metro do obst culo amea‡ador. Uma coberta imperme vel.. V rias d£zias de cavalos estavam encerrados nos 3 litros dos cilindros de Everard. . Seu. sentando-se ao volante. era assim que as secret rias descreviam os seus m‚todos de ditado. e que enquanto eu estiver .." Quando a correspondˆncia era volumosa.Isto parece que ‚ tudo. enquanto falava. franzindo as wbrancelhas para o tapete. etc. sob o l pis da secret ria os caracteres estenogr ficos corriam s"bre a p gina branca -. o dia de trabalho de Everard era uma excursão pedestre de oito horas. um pouco antes da hora do repas~ to ... . batendo a porta.dizia ˆle. como um t"ldo. primeiro . Meu esp¡rito não se mover se os m£sculos não se moverem tamb‚m. voltando . do ponto at‚ onde fora em sua marcha leonina e fecunda. consultando o rel¢gio.. . sua mesa.E. "Bancando o leão". desceu os degraus de dois em dois. . . p‚ nas travas. lembrem-se de que em recurso final a autoridade ‚ minha em todos os casos.velmente reprimida. cabe‡a da B. Elinor tinha protestado na £ltima vez em que ˆle a levara a pas- .disse. que o esperava com o carro. Eram justamente seis menos um quarto. engrenou o carro e arrancou com uma impetuosidade violenta. t"da tentativa de insubordina‡ão ser imediata e implac.Podes ir. passou em revista os pap‚is esparsos.Não preciso de ti esta noite . . Apertou o botão de partida. Fora.

desviando o carro para a direita e depois para a esquerda. "Se queres te exprimir assim . na mais feliz das incertezas." Seria um ultimato. "Ou bem sou teu amante". "Imbecil!". " Os freios fo- ram apertados com tal violˆncia que Elinor se vira for‡ada a segurar fortemente os bra‡os do banco para não ser projetada contra o p rabrisa. Eram 6 horas menos sete. . Mas Everard detestava as situa‡ões amb¡guas. Sou eu que fabrico a minha pr¢pria sorte. " Apresentou-se um ensejo para contornar o carro‡ão. Era vigoroso e dram tico. Everard teve um sorriso interior. gritou Webley ao velho senhor atarantado cujas indecisões de galin ceo s"bre o cal‡amento quase o haviam jogado sob os Dutilops de. Não se deviam tolerar cavalos nas ruas de 1..(porque tencionava ser inteiramente franco com ela. · entrada de Oxford Circus um guarda ergueu a mão. Mas o fato ‚ que não me acontecem acidentes.sear. era grande. "mas o que não me agrada ‚ passar o resto da vida com duas pernas de pau e um nariz quebrado. Um carro‡ão de*inercadorias impediu-o de avan‡ar. era caro. Everard fez pressão no ac‚lerador e arrancou. "Comigo não corres perigo algum. Um ultimato brutal. enquanto rodava ao longo de Oxford Street." Recordando-se dˆsse incidente. era o que ia dizer a Elinor. . dissera ela. . então. "Elinor ‚ exigente demais". por mais desagrad vel que fâsse. num arranco. "Bem. Preferia saber a verdade definida. que deixes Philip e venhas para a minha casa" . indo passar rente ao focinho do velho cavalo que trotava pacientemente. 11 Everard. em tom de zombaria. hein?". simbolizava . e o carro saltou para a frente. empurrando Elinor contra o respaldo do assento. retrucara ela. "pois sej a. "Morrer não me d muito cuidado". a ficar. "ou bem." Everard não achava nada de desagrad vel no estilo maci‡amente florido e barroco do corn‚rcio moderno. se queres te exprimir assim. E no caso presente a incerteza nada tinha de feliz. "Do contr rio não nos tomaremos a ver." Everard rira.ondres. pensava Webley. "‚ melindrosa demais no sentir ˆsses edificios novos. Nunca me acontecem acidentes. olhando em t"mo. ." "s superior a essas coisas. mesmo esperan‡osamente.. não devia haver hipocrisia de nenhuma esp‚cie) -. "e no fim de contas isto significa que ‚ preciso que a coisa se torne p£blica.

rindo tamb‚m. e não sob o 378 matiaspecto da utilidade. Elinor saberia dizer tudo s"bre aquelas raparigas .. o divertido. # facaiu. f"r‡a de rastejar. realmente. Um esp¡rito de luxo . diante dˆle. Como Elinor se teria divertido com aquˆle incidente. mas num ¡mpeto crescente. respondera ˆle." Elinor tinha o ponto de vista caracter¡stico do consumidor e não do produtor. O guarda do tr fego abaixou a mão. onde se vestiam. Plaf! Da imperial dum "nibus que passava uma casca de banana em cima da capota do motor. e o teria feito (Everard sorriu interiormente ao zer esta reflexão) se não estivesse apaixonado por ela. Um esp¡rito que considerava o mundo sob o aspecto da beleza e do g"zo. Everard lhes mostrou o punho. Protestas contra o fato de essa gente trabalhar. Everard percebeu duas mocinhas que o espiavam por cima da balaustrada da imperial. at‚ aquˆle dia. não percebia senão uma massa humana uniforme. E aquˆie talento que tinha para inventar tâda uma biografia para as raridades vistas de relance uma s¢ vez . protestara Elinor. os . Uma explosão de riso ressoou atrav‚s do ru¡do do trƒnsito. ... "não ser vulgar. quando não se est to. suja Ele devia desaprov -la. rindo. "Mas ‚ dificil". Erguendo os olhos. Everard.sua classe social. a esp‚cie de casa em que moravam.era o que Elinor tinha. a coisa significativa! Onde ˆle. rindo como se o mundo. ela. um esp¡rito preocupado com sensa‡ões e com zes de sentimento..aquˆle talento não era menos not vel que o seu olhar tão penetrante. E estou de ac"rdo: trabalhar ‚ coisa muito vulgar. por que pre‡o. se tinham ainda virtude. a onda parada da circula‡ão tornou a avan‡ar ruidosamente. Teria. não tivesse visto ainda uma brincadeira. que gostava tanto das ruas e das suas com‚dias! Como Elinor sabia ver o esquisito. Devagar a princ¡pio. como uma estrˆla-do-mar e gasta .mor- o progresso. ela distinguia indiv¡duos. Mas ‚ tão revoltantemente vulgar!". a b"ca aberta. como um par de pequeninas g rgulas bonitas. e preocupado com essas coisas por amor delas mesmas e não porque olhos vivos e intui‡ão fossem necess rios na luta pela vida. pensou. não um esp¡rito utilit rio.

onde quer que sua luz r¢seamente dourada tocasse a terra. e ao mesmo tempo mais serena quando o carro dobrou a esquina de Marble Arch para entrar em Hyde Park. E sua felicidade se tornou mais intensa. embora por poucos instantes mais.. transformou-se numa esp‚cie de certeza relembrada. inexplic. e.. bem como sâbre as suas probabilidades de ser feliz no outro mundo. como se o futuro fosse j hist¢ria. mas não antes que o condutor do t xi tivesse tido tempo de lan‡ar d£vidas s"bre a paternidade e s"bre a heterossexual idade de Everard Webley. Sua convic‡ão prof‚tica se tornou mais profunda. Sentia-se transbordante de vida. um vapor de azul e de ¡ndigo que . Imaginando o que Elidos ter~ que nor teria dito.. Everard. que ela o amava. devolveu as inj£rias. da expressão de seus olhos e seus h bitos de linguagem. mal podia suportar aquela separa‡ão..livros que liam. porque ˆle sabia (e com que tranqila convic‡ão!) que ela lhe diria "sim". era como se um outono prematuro e mais luminoso tives379 # i se pegado fogo nas f"lhas e na relva. para prevenir o t xi que se achava diante dˆle. perfeitamente feliz. lembrando-se do riso dela. Sim.. duma saudade tão violenta. O sol estava baixo no horizonte. Buzinou. seus artistas de cinema favoritos. com grande deleite e com uma originalidade incompar. sentiu-se s£bitamente'penetrado de tanta nura.velmente maior. e tentou contom -lo pela direita.. mais aguda. Grandes setas de claridade pulverizada desciam obliquamente do poente entre as rvores. e nas sombras o crep£sculo era uma n‚voa de lavanda. Um ref£gio que havia no meio da rua obrigou-o a recuar.riamente forte e vigoroso. ainda que delicadamente afetuosa. extraordiri.velmente e (exclu¡da a id‚ia de que aquela espera ia prolongar por mais cinco minutVs a sua separa‡ão de Elinor) perfeitamerte feliz.

embora desejasse ardentemente . Oferecido . porque ela teria gozado de maneira intensa aquˆle encantamento. Que passassem todos! Everard pensou nas expressões que ia empregar para descrever a Elinor aquelas maravilhas. E porque tudo estava assim radiosamente belo. o som de um outro sino se lhes misturou. melodioso. de ac"rdo com uma l¢gica particular e com uma necessidade pessoal.pelas Damas da Inglaterra ao Vencedor de Waterloo.ia escurecendo. o d¡namo mal estava carregando. brandindo a espada. Fracamente. como se o carro de Webley estivesse parado. defendendo-se contra o c‚u p lido e vazio. O motor dava apenas 1500 rota‡ões por minuto. mas Everard mal ultrapassou a velocidade permitida . em certo sentido.a despeito da nudez e do desenvolvimento ultra-sueco de seus m£sculos abdominais . dirigisse sâbre elas um olhar cheio por vˆzes de indiferen‡a aniquiladora e por vˆzes de um amor que lhes conferia um pouco de sua pr¢pria divindade. antes que estas cessassem. outras vezes milagrosamente v¡vidos. um rel¢gio bateu seis badaladas. e onde se achava a beleza. a¡ devia estar Elinor. plano ap¢s plano. o Aquiles fundido com o bronze dos canhões de Napoleão se erguia amea‡ador. E os pares que passeavam sâbre a relva.a voz mesma daquela tarde luminosa. com uma ponta de melancolia . pareciam umas vˆzes insignificantes. as portas de m rmore de Hyde Park Corner se abriram diante dˆle. porque certamente Elinor teria querido prolongar o prazer. escarlates. Era como se um deus caprichoso. Atrav‚s dos gradis. e isto. Ela estava a seu lado naquele instante. e. escudo al‡ado. as crian‡as que brincavam eram alternadamente eclipsados e transfigurados ao passarem da sombra para o sol. da felicidade de Everard. at‚ as distƒncias nevoentas de Londres. pensava Everard. Um pequeno Austin tomou-lhe a dianteira. ora aborrecido ora encantado com as suas criaturas. brilhando como carros triunfais num cortejo hist¢rico.a despeito de seu desejo. porque ˆle amava muit¡ssimo a Elinor. Everard fazia o carro deslizar devagarinho. apesar de t"da a lentidão da marcha do auto. livre e liso. O caminho se estendia diante do auto. E eis que. Foi quase com pesar. os "nibus em Park Lane reluziam. de sua saudade. suave. atrav‚s de todo o ru¡do do trƒnsito.

chegar ao flun de sua viagem. Belgrave Square era um o sis .. e. em marcha .. um grito suplementar de "Amigo!" De repente percebeu que a porta não estava fechada com o trinco. frente e . r‚. como em resposta ao silencioso terror dela. por 380 fim. Ao lado esquerdo. mas apenas entreaberta. Empurrou-a. passou n"vo debaixo dˆle e foi recuando. Contornando o arquip‚lago de ilhotas. Webley fez a promessa de mandar no dia seguinte 5 libras ao Hospital de São Jorge. Era como se o dinheiro estivesse pago adiantadamente. achando que a amiga devia estar no andar superior.... Webley sorriu a ˆsse . Tinha a mesma sensa‡ão que experimentara ao pronunciar o seu primeiro discurso. duas.. recuando at‚ o fundo do beco das cavalari‡as. Estava certo de que ela lhe responderia . parou e. metade triunfo. os estorninhos garruleavam no meio dum silˆncio agreste. lembrando-se do que Elinor lhe contara s"bre os seus terr"res.. bateu e esperou durante vinte batidas de cora‡ão. Everard virou o carro uma vez.Elinor! Nem assim obteve resposta. metade mˆdo. a trovoada se apagou atr s dˆle. Rez acompanhar a batida dum assobio. que Everard deixou Hyde Park. Everard transp"s a soleira. Como eram encantadoras as cortinas amarelas! Parou o carro e saltou.gritou. De n"vo os ânibus monumentais rugiram-lhe . de rvores.. do interior da casa não veio nenhum som de resposta.. entre duas casas. de # Webley o ultrapassou 1 metro ou 2. Estaria ela a pregar-lhe uma pe‡a? E se de repente saltasse de tr s de um dos biombos. Everard saiu de Grosvenor Place.. Webley bateu de nâvo e. . retaguarda. . ela escancarou-se.Elinor! . se Elinor lhe respondesse "sim". O cora‡ão lhe batia muito forte. havia um arco. outra vez mais. e. Subindo os degraus da porta.

depois de um momento de silˆncio. . " quando um ru¡do . bem . partindo de cima do ombro direito.. conservou os olhos fixos no chão. Est muito excitado. a hist¢ria veio .Um pouco fatigada.Mas qual ‚ a causa? 381 # i A Sra. vista. A Sra. palavra por palavra. os cotovelos fincados nos lhos. quando seu olhar foi atra¡do pelas f"lhas de papel prˆsas com alfinˆte. .Aconteceu algo que o transtornou. Quarles ficou silenciosa. . Mas os nervos .Fisicamente. Muito inst vel. Quarles beijou o filho... Ph¡lip escutava.Òle desejava ver-te particularmente.disse ela. .Não est s com muito boa aparˆncia.. Foi por isto que eu te telegrafei.continuou Rachel. Seu rosto. Sentia que olhar para joe~ ao ela. e com um suspiro. não. com as mãos erguidas: a ma‡a que elas seguravam tinha j come‡ado a oscilar para o lado e para a frente.acrescentou. . Depois de um primeiro olhar r pido lan‡ado rosto da mãe. .. . falando em voz baixa e como se relutasse.Obrigada por teres vindo depressa.E... Foi como se uma luz se tivesse apagado de repente. . tenso. nada mais . E aborrecida . O golpe o atingiu na tˆmpora esquerda.. estava r¡gido. .A respeito de teu pai. Teve um choque violento. . Aproximou-se e mal havia come‡ado a ler: "O telegrama incluso te explica.Phil querido . . .. E quando por fim falou foi com um esfor‡o vis¡vel. lentamente.pensamento e avan‡ou para explorar a pe‡a silenciosa. curvado para a frente. Uma esp‚cie de colapso. Òle não vai bem . . mamãe .s suas costas f‚lo voltar-se. num dos pain‚is do biombo da direita. Ele não teve nem mesmo consciˆncia da queda.. como se cada uma de suas palavras tivesse de for‡ar uma passagem atrav‚s duma barreira interior.Aborrecida? . Um homem se achava a 1 metro dˆle. por‚m tarde demais. tona... Everard levantou um bra‡o. de ordin rio tão m¢vel.Papai est gravemente doente? . o queixo nas mãos.

A Sra.. saiu a caminhar. Phi'. e num tom pessimista. Tenho a impressão de que o esquece propositalmente. . Palavra por palavra. claudicando. Deves tentar a-inim -lo. Quarles falou.aconselhou a Sra. Quarles aprovou com um meneio de cabe‡a: Ele estava muito ansioso por te ver. pensou. com uma voz macia e incolor. e das disputas e dos regateios s¢rdidos. . O fato de falar j lhe era uma dor e uma humilha‡ão. Quarles. 382 11 ou duma crian‡a desobediente. Os olhos desviados de Philip deixavam a. eu imagino .cilmente. para o relvado. Philip se voltou.Então seria melhor eu não tocar no assunto. que humilha‡ão para a sua mãe! # . .Talvez seja melhor que eu v ver papai -sugeriu.. E ˆle fala neste . depois se afastou de n¢vo. de sua sa£de. . e. A paisagem era pl cida a ponto de se tornar quase exasperante. pelo menos. "Como se se tratasse dum animal perigoso". a menos que ˆle comece --. . não podia permitir que a mãe continuasse. parando um momento atr s da cadeira da mãe. para as espˆssas muralhas de rochedos. Nunca se refere a ˆle.." Que mis‚ria. Não lhe faz bem excitar-se..ip escutava. Por quˆ? Não sei. p"s-lhe a mão no ombro. E.Philip fez um gesto afirmativo.Sim. manco. para as colinas c"r de colheita que ficavam longe. Quarles -. . e não o contradigas. Mas tem estado a insistir . . do outro lado do vale. Era demasiadamente humilhante para ela. que ang£stia. at‚ a janela. falar sem que a vissem.disse ˆle. cortando-lhe a palavra. Philip não p"de suportar por mais tempo a narrativa. Foi desfiando os incidentes s¢rdidos um por um. bem.Sim. mãe numa esp‚cie de penumbra espiritual. Do passado.encar -la seria infligir-lhe um embara‡o in£til. Vou fazer o que f"r preciso. em passos r pidos e nervosos. neste neg¢cio? Não. Quando ela se p"s a contar a visita que Gladys fizera na antev‚spera. erguendo-se num pincho..Alegra-o . . com um enorme desgâsto.. como se não existisse testemunha de sua desgra‡a.. Ele se encoleriza f. a visão das cenas indignas. . sim. que ela pudesse. tornou a vir..A maioria das vˆzes ‚ de si mesmo que Sidney fala.continuou a Sra.Ficou ali um momento. Teve.preciso não pensar mais nisso. pela pe‡a. olhando para fora.Não continues. a Sra.

o Sr. muito menos aos rapazes do que a uma teoria de educa‡ão ou de higiene. Como pai. Porque o interˆsse assim testemunhado se dirigia. "Que refinado imbecil!" Aquˆle acesso s£bito de c e de desprˆzo que sentia pensando no pai não era temperado por nenhuma afei‡ão pr‚via. com uma ponta de resigna‡ão divertida. seus fi. Philip e o irmão o tinham preferido nas epocas de negligˆncia. "Que imbecil". a enterrar estacas na relva. At‚ então Philip não sentira pelo pai nem amor nem falta de afei‡ão. se se não tomasse com urgˆncia alguma medida en‚rgica. Philip deixou-a. depois. ou. durante algumas semanas. Breves per¡odos de interˆsse entusiasta pelos seus filhos tinham-se alternado com longos per¡odos no decorrer dos quais ˆle quase que completamente ignorara a existˆncia dos rapazes. ao ¢lera atravessar o hal]. Não gostavam tanto quando ˆle se interessava pela sorte -dos dois. ou então (se acontecia serem as faculdades racionais) mandavam-nos sair para o jardim. depois de ter lido o £ltimo livro s"bre os m‚todos pedag¢gicos. . geralmente. porque o pai os ignorava de uma maneira benevolente.acrescentou ela. Depois. o Sr.E não demores l muito tempo . obrigavam-nos a fazer gin stica ou então a aprender dan‡as populares e a eurritmia. disse ˆle de si para consigo mesmo.. quando muito.lhos teriam grandes probabilidades de se tornar idiotas e doentes. ˆle tinha-lhe aceitado a existˆncia. medindo a sombra a diferentes horas do dia.. Irrefletidamente tolerante. com os corpos envenenados por uma alimenta‡ão viciosa e deformados por exerc¡cios impr¢prios. Depois de ter palestrado com um m‚dico eminente. faziam~nos aprender de cor poesias (se acontecia ser a memoria a coisa importante no momento). os dois garotos eram atochados de cenouras ou de carne bem cozida (isso dependia do m‚dico com quem o Sr. e. fracos de esp¡rito. Quarles acontecera falar). Quarles despertava . descoberta de que.. Não era tampouco exacerbado pelo menor ¢dio pr‚vio. Quarles se tinha revelado não menos fantasista e não menos incapaz do que como pol¡tico e como homem de neg¢cios. Não havia nada em suas recorda‡ões de irirancia que justificasse emo‡ões mais positivas.

Quarles fatigava naturalmente de trabalhos que não produziam resultados r e manifestos. a vida se tornava quase intoler para os dois rapazes. E se a Sra. Seu rosto tomou uma expressão de grande inquietude.evaporando-se para as esferas mais elevadas e mais agrad veis. E os dois rapazes podiam tornar de n"vo . Aquela voz? E o pai. "Neg¢cios de maior momentosidade" absorviam então mais e mais a aten‡ão de Sidney Quarles. Sua higiene não tinha feito crescer nem deixado mais seu se pidos fortes os garotos de maneira percept¡vel. O que ambos eram. para a qual o verdadeiro bem dos filhos não tinha importƒncia. era um aborrecimento de cada dia. ao cabo de algumas semanas o Sr. estava sŠzinho..quele ponto? Dominando-se. ao lado da cama. porque sabia que Sidney. Quarles falava diante da embocadura do tubo ac£stico flex¡vel.vel383 # mente mais inteligentes pela sua pedagogia. . meio deitado. . como o gato de sala Cheshire.. . A Sra. Quarles não insistia muito vigorosamente. com efeito. Philip.‚ inversamente proporcional. Quarles se achava na cama. se tornava ainda mais obstinado. tolerado. de forma que pouco a pouco. . Sidney ficava col‚rico e lhe dizia que ela era uma mãe piegas e ego¡sta.. Philip abriu ~ porta e ficou imediatamente tranqilo ao descobrir que o que ˆle tinha tomado como um sintoma de insƒnia era apenas um ditado para o ditafane. de alarma mesmo. Tinha o rosto e at‚ o pr¢prio crƒnio congestionados e brilhantes. o Sr. de cada hora. ˆle acabava por não ter mais existˆncia real no mundo da de estudos e da nursery . ficou a escutar por alguns instantes.vel tinham de descobrir por si mesmos os princ¡pios da trigonometria. incontestÖvelmente. Escorado por travesseiros...dizia em voz sonora . Falando consigo mesmo? Teria chegado . E. felicidade. ˆles não se haviam tornado apreci. esqueceria o entusiasmo.A verdadeira grandeza . e seu pijama de sˆda c"r-de-rosa parecia ser uma continua‡ão intensificada da mesma febre. O ditafone estava s"bre a mesa. meio sentado. Enquanto durava um dŠsses acessos. que os sons sa¡dos do quarto do pai tinham feito parar diante da porta. Quarles protestava. no caso de o contrariarem. o Sr. tinham-lhe dito..

.Mas ‚ uma tolice. # vesses na outra extremidade do mundo. sacudindo a cabe‡a com obstina‡ão .Apertou outra vez a mão de Philip.Sim. Philip ficou mais embara‡ado do que nunca vendo que o pai tinha l grimas nos olhos. a serenidade. procurando falar num tom tranqilizador.. aaa. . quando tu estimim. . quando a porta se abriu. com tâda a serenidade. Como lhe teria sido poss¡vel continuar a detest -lo e a sentir c¢lera? . Tão contente.Mas isso não ‚ nada .. Gestos banais ..Puxou do len‡o. . Os olhos que ˆle voltou para Philip luziam dum brilho desacostumado. se sentiu embara‡ado. Estava convencido de que tinha sido sempre um pai devotado que s¢ vivia para os filhos.. julgava que ia morrer. Dir-se-ia que o velho estava no palco..Mas como te sentes? . . porque havia uma parte pelo menos . . com umajovialidade fingida.. Mas contigo aqui perto de sinto que posso desaparecer . Eu teria me sentido tão infeliz se morresse . pouco habituado a semelhantes demonstra‡ões..repetiu o Sr. sua voz forte se p"s de s£bito a tremer. e aproveitou para enxugar os olhos furtivamente.sua voz tremeu de n"vo ...Não digas . .. . Quarles -.Como estou contente por teres vindo. . Quarles.. meu caro! Bateu na mão de Philip.com t"da.Sim..Ali! s tu! .. aaa. tornou a pendurar o tubo ac£stico e estendeu uma mão acolhedora. papai.Òle o sentia sinceramente. Fˆz parar o maquinismo do aparelho.. est pr¢ximo. assoou o nariz.. O Sr. tua mãe.. .caso apenas de um pequeno repouso.exclamou ˆle.aaa.Est pr¢ximo .muito pr¢ximo. O Sr. Mas Philip teve a impressão de que todos os seus movimentos tinham qualquer coisa de extravagante. aaa. . ao simples sucesso imediato.continuou ˆle. Mas eu sinto que o fim . sim . voltando-se. . Quarles sacudiu a cabe‡a e apertou-lhe a mão sem dizer palavra. por isso que estou tão contente por te 384 1 francˆs ver. Quarles acentuou a pressão da mão: . eu o sinto. .insistiu o Sr..perguntou. Não deves falar assim.Mas tu não vais morrer. Philip.

Não.insistiu Philip com monotonia. .. Quarles num outro tom. .O Destino .. acreditava.Mas não vais morrer .Queres te referir ao Velho Marinheiro? . .. não . A sorte te tratou bem. se tal fâsse poss¡vel. T"das aquelas complica‡ões das £ltimas semanas tinham sido demasiadas para ˆle.. . Quarles com impaciˆncia -. e o futuro se anunciava como mais negro ainda. . parte essas simples nega‡ões. havia um ar de despeito no seu olhar. contender com o Destino . não sabendo que consola‡ão oferecer.de seu esp¡rito que desejava morrer. mas ergueu a mão e a deixou cair s¢bre a coberta. Como o albatroz de . .Philip tinha compreendido de que se tratava . com um suspiro. tu descobriste . Um fil¢sofo desperdi‡a o seu valor quando se ocupa com neg¢cios pr ticos.. Sidney desejava.Tu tiveste sorte. . antes que fosse tarde demais.Não falemos mais nisso. Desaparecer sem dor seria a melhor solu‡ão para todos os seus problemas.. . Quarles respondeu acremente. . e. Philip se recordou do que a mãe dissera.continuou o Sr. Tinha uma cren‡a obscura em Nˆmesis.. Era uma coisa que ˆle havia dito freqentes vˆzes a si mesmo. aquˆle # 385 . não..O Sr.Ia dizer: "Não ‚ nada o que tens". . Tu te referes a Baudelaire. -"LepoŠte estsemblable auprincedes nu‚es"*.. acreditando na sua morte iminente. . recomendando-lhe que não o contrariasse.. aaa . mesmo um absurdo.. Philip ficou intrigado: . com certa apreensão. .disse o Sr. Não tinha nenhum talento para enfrentar assim de improviso as situa‡ões emocionais da vida pr tica. Mas se conteve..Não ‚ nada. Philip Rez com a cabe‡a um sinal de aquiescˆncia. falsas pistas. ... .Não podemos .repetiu ˆle. meu rapaz.. calculando.Eu desperdicei anos de minha vida a seguir. Quarles não terminou a frase.. . que seu pai podia ficar ofendido. . . Anos e anos.Oh! sim. aaa. e ao mesmo tempo se sentia cheio de admira‡ão diante da nobreza resignada com que ˆle pr¢prio suportava a sua sorte.O Sr. aaa. . antes de descobrir o meu caminho verdadeiro. . Calou-se.Ao passo que eu. tua voca‡ão desde o inicio. como ‚ mesmo o nome dˆle? Tu sabes. ˆle se compadecia de si mesmo como de uma v¡tima. .

O Sr.. não f"sse a malignidade da providˆncia. suas asas de gigante o impedem de andar. Minha obra inacabada. O destino foi duro para comigo. . .repetiu ˆle. cheio de ansiedade. . os olhos mais brilhantes. de alguma maneira não f. T"da a sua pessoa exprimia uma tal excita‡ão. feliz por poder desviar a conversa‡ão.cilmente explic vel. lan‡ou as palavras para o ar. nos trabalhos da granja.. erguendo o bra‡o. ela justificava mesmo. Meus sonhos .Eu tinha asas e. . Na lama.. sacudindo a cabe‡a. .Acontece o mesmo com os fil¢sofos.Asas... . a frieza com que fora acolhido o seu primeiro livro. Òle queria ser um dos m rtires da sorte. poderia ter sido Arist¢teles".. de datil¢grafas. na pol¡tica. Durante trinta anos tentei caminhar na pol¡tica.. A crueldade do destino justificava tudo .Mas tu ter s o tempo de que precisas para acabar a tua obra. queria poder apontar para si mesmo. Ser um sedutor de criadas.prop"s. aaa. no com‚rcio. .Eu tinha asas! .insistiu o Sr. aaa. "(N.Suspirou e. .Agitou a mão num trˆmulo r pido.. No ar! . Suas asas os impedem de . encostando-se nos travesseiros..Tinha asas e não sabia! .Exatamente . aaa.Baudelaire. caminhar. do E) "Exilado s"bre a terra no meio das vaias. asas! . Quarles não tomou conhecimento da interrup‡ão. uma tal exalta‡ão que Philip ficou sŠriamente inquieto.citou Philip. de raparigas do campo fazia parte de seu destino "O poeta ‚ semelhante ao pr¡ncoe das nuvens negras.Não seria bom que repousasses um pouco? .Não. . o atraso indefinido no aparecimento do segundo. não realizados. "(N.Exili sur le sol au milieu des hu&s. o rosto mais vermelho e mais lustroso. embora Fosse nas por um momento.. foi que descobri que tinha nascido para voar. . E agora devo renunciar. S¢ depois de trinta anos . quase verticalmente. se tivesse percebido isso na minha mocidade... O velho Quarles estava deliciado.A voz se lhe fizera mais forte. não .gritou com ar de triunfo.. Quarles..exclamou. est claro! . . Ses ailes de g6ant 1emp6chent de marcher" ape. dizendo: "Eis ai quem. a que altitudes não me teria podido elevar! Mas tentei caminhar. dos assuntos pessoais para a literatura. Não percebi que o meu verdadeiro lugar era no ar e não s"bre a terra.seu fracasso no a‡£car.. quando mal comecei. o fato de ˆle ter deixado Gladys gr vida. Durante trinta anos.

. Ela seria talvez o fim de seus tormentos. E essa ‚ uma das razõ-s pelas quais .velmente insignificante! E mo todos os clamores pareciam inoportunos diante daquele filos¢fico to de morte! Mas s¢ podia desdenh -los sob a condi‡ão de que aquˆle se verdadeiramente o seu leito de agonia.. .. como o mais de todos os romanos). e de que a crueldade do destino fâsse coisa universalmente admitida.do E) 386 I infeliz. ... aaa . mas nem por isso era menos apavorante. perfeitamente bem.. guisa de consola‡ão. Mas no teu caso. Eis porque (embora a razão f"sse s¢mente sentida e não formulada) o Sr. aaa. .Tu compreendes ˆste sentimento? .. com uma voz que o recrudescimento da autocomisera‡ão tornava rouca.Não devemos desaparecer sem . ˆle estanobre # va a ponto de motrer (prematura mas est¢icamente. Houve um instante de silˆncio. . e mesmo com despeito. meu caro rapaz . -. com mais fatuidade ainda que de costume. Diante dos olhos de seu esp¡rito se estendia o v cuo abismal e sem luz.Perfeitamente bem.. Eis porque ‚le acusava a providˆncia maligna e ampliava.Não. Que viria agora? perguntou ˆle interiormente. Um fil¢sofo m rtir em artigo de morte estaria justificado se recusasse deixar-se importunar por Gladys e pelo seu beb‚. Philip o encarou com certa apreensão... deixar nenhum tra‡o disse o Sr.perguntou ‚le. eu te desejava falar.. para coroar todo o edificio de seu infort£nio.Nunca hei de acabar. Quarles.repetiu ˆle. Quaries repudiava com tanto vigor. ..A extin‡ão total ‚ dificil de encarar friamente. A morte . E agora que. as garantias de longa vida que seu filho lhe dava . . como aquŠle assunto de virgindades perdidas e de coleirosbeb‚s amea‡adores parecia trivial e miser. papai . os talentos que a providˆncia o impedira de usar..... não.

. -.O que eu queria conflar-te. era um papel quadriculado: palavras cruzadas. não est lan‡ado no papel. em grande parte. .Empurrou o aparelho s"bre a mesa e.respondeu vivamente o Sr.Sim.perguntou Philip. Sem que ningu‚m as olhe.Não. Quarles. nos meus cadernos de notas. aaa . . . narra‡ões .. . ser destruido. pensa-se muitissimo. .Teu livro s"bre a democracia? . .aqui que se escuta. Quarles não desejava de modo nenhum que Fosse # 387 descoberta p¢sturriamente. e comentada... -. A resposta do pai aliviou-o dum pˆso enorme.. meu caro rapaz . que se assoara novamente.. Philip flez que sim com a cabe‡a. . Quarles. .. . Meu caro rapaz..Mas tu compreendes ˆsse sentimento. aaa .. tu sabes.. O Sr. Eu me poderia ir .O Sr.. H muitas coisas .Tudo isso deve .Não. em paz. Olha. Pensamentos e recorda‡ões. Quarles -. E sem nenhuma significa‡ão..aqui est um bom t¡tulo.. Suspirou. dizer-te que desejo que t"das as minhas notas para ‚sse grande livro sejam destru¡das. . aaa.. . aaa.continuou o Sr. de experiˆncias pessoais .. .Est claro.. atirou ao chão uma f"lha de papel. não ‚ ˆsse .Philip não protestou..Isto te dar uma id‚ia. eis o que importa.SŠriamente.. nestes £ltimos dias. .O Sr. . .prosseguiu ˆle -. E. Esta ficou ca¡da sobre o tapˆte. Reflexões sâbre a vida. . H fragmentos de meus escritos . ao fazer isto. São meros apontamentos sem forma. era in£til que quem quer que f¢sse tentasse dissuadi-lo da id‚ia. compreendo. Quarles preparou o aparelho.Bateu no ditaforie. ... . Mem¢rias e Reflexões de Cinqenta Anos . . . ‚ uma cole‡ão de fragmentos mais ¡ntimos. tu ser s o meu executor liter rio.Estava convencido de que ia morrer. aaa ....Se te agrada escutar. . .. de que se trata. eu registrei meus pensamentos aqui.Dˆsse fivro s¢ existe material bruto. . compreendes? . senão para mim mesmo. Coisas dˆsse gˆnero . que se via j encarregado de terminar a obra mais importante que jamais se concebera sâbre a mat‚ria. não.. eu ia precisamente . . com a consciˆncia de que tu não permitir s que se apague completamente t"da lembran‡a de mim. . E mesmo .... a vacuidade dos seus cartões que se achavam no arquivo. aaa. Apenas no meu esp¡rito. ergueu a mão num protesto. E.Quando se est doente.H muito tempo que me pus a escrevˆ-las. Philip fez um gesto afirmativo: . Apontou para o ditafone.

aaa. Quarles. Achando-me uma noite num jantar com Asquith.. a par ¢dia a h paguinholesca da voz de seu pai disse: "A chave do problema dos sexos: paixão ‚ sagrada. . sem parada ou transi‡ão.. Mas ˆle se limitou a propor. Ah.Vem-me tantos . uma manifesta‡ão . uma partida de bridge. não sabia ao certo. alvejando o ar com as palavras. nem podem permanecer por muito tempo .disse Philip. j sei.. Mas Paxton s¢ respondeu coisas vagas.. achava que tudo aquilo . Jamais compartilhei a alta opinião . simplesmente..Sim.Que riqueza! Eu jamais conseguiria registr -los todos se não fosse a m quina. admir vel. na pol¡tica ou no com‚rcio. aaa .Como ‚ que se faz parar ˆste neg¢cio? Ah.. .... erguendo os olhos. .. Unidade de medida. ... não sei onde. aaa . aproveitei a ocasião ra convencˆ-lo da necessidade de suprimir a pena capital.Philip escutou.. .. As pessoas delicadas não vivem em chiqueiros de porcos. da divindade". aaa. .perguntou ao chofer. H esp¡ritos esclarecidos e esp¡ritos tacanhos por natureza. . uma das questões . "O ronco rascante rez-se ouvir de n"vo. como se as dirigisse contra aviões.. mas que repressão feroz quando cada um tenta reclamar o seu direito! Cegonha do Brasil. . seis letras: jabiru. sete letras: Verchok.. . . do populacho s"bre Lloyd George. Realmente # admir vel! # 389 CAPiTULO XXXIII Elinor tivera tempo de telegrafar de Euston. .. Ao cabo de alguns roncos e alguns chiados. · sua chegada achou o carro a esper -la na esta‡ão. Depois.disse o Sr.... felicidade.Como vai ˆle? . aaa. .. intimamente. a frivolidade dos pol¡ticos. isso me d uma id‚ia do que se trata . 388 pensamentos quando estou aqui deitado. Todo homem nasce com um direito natural . aaa. mais s‚rias da vida moderna. mas num tom ligeiramente diferente: "O que de pior na pol¡tica ‚ .. ‚s tu .. . A verdadeira grandeza ‚ inversamente proporcional ao simples sucesso imediato..Fˆz parar o aparelho. .

Elinor saltou do autom¢vel e correu escadaria acima... ergueu-se e caminhou para ela.. Phil estava deitado. e o marquˆs estava tão fundamente absorvido num grosso in-quarto* de marroquim que não podia pensar em conduzir.. Era imposs¡vel que ali se passasse alguma coisa muito grave. e a paisagem dos Chilterns sob a luz madura da tardinha era duma beleza tão serena que Elinor come‡ou a se sentir menos ansiosa e chegou quase a lamentar não ter ficado para o £ltimo trem da noite. no ar sem um sˆpro de brisa. Elinor vislumbrou atrav‚s das grades a cadeira de rodas de Lorde Gattenden. completamente im¢vel. como os primeiros planos verde e ouro e as distƒncias c"r de violeta.velmente.era uma tempestade em copo de gua. aquela breve revela‡ão da vida vivida regularmente. como fazem sempre os ricos. invari. Um olhar lan‡ado ao rosto do filho bastou para convencer Elinor de que a calma azul e dourada da paisa* Livro noformaio daqueles impressos emf"lhas dobradas duas vˆzes. Mas não havia ela chegado . as r‚deas pendiam-lhe frouxas. conclusão de que estava contente por não vˆ-lo? Pode-se sentir ao mesmo tempo satisfa‡ão e contrariedade. Nesse caso teria podido ver Webley. depois duma refei‡ão fart¡ssima. O auto continuou a correr. se voltou . que se achava sentada ao lado dˆle. mas aquela visão r pida do velho sentado atr s do burro cinzento bem como Elinor o tinha visto tantas vˆzes sentado. Fulkes. A Srta.. (N. E eis que por fim aparece o hafi! A velha casa parecia dormir sob o sol poente. sobretudo quando se trata dos filhos. Subiram para Gattenden. a enorme wellingt¢nia tinha t&qu