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APOSTILA BÁSICA DE PSICOLOGIA PARA CONCURSOS

- REPRODUÇÃO PROIBIDA -

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ÍNDICE

1. Psicologia da Personalidade -------------------------------------------------------- Página 03 Teoria de Sigmund Freud Teoria de Jung Teoria de Carl Rogers 2. Psicodiagnóstico e Testes ---------------------------------------------------------- Página 34 Definição e caracterização Objetivos Etapas do processo Técnicas de entrevista Plano de Avaliação e Bateria de Testes 3. Psicologia Hospitalar/Saúde -------------------------------------------------------- Página 51 O que é saúde Promoção; Prevenção e Reabilitação Saúde Mental Psicologia da Saúde X Psicologia Hospitalar Intervenções Terapêuticas em Instituição Hospitalar SUS – Princípios, CAPS/NAPS e outros equipamentos 4. Teorias e Técnicas Psicoterápicas ------------------------------------------------ Página 90 Psicoterapia Dinâmica Breve Psicoterapia de Apoio Aconselhamento Terapia Cognitivo-Comportamental Terapia de base fenomenológica-existencial Terapia Comportamental

5. Código de Ética ------------------------------------------------------------------------ Página 120 6. Testes-------------------------------------------------------------------------------------- Página 128 7. Referências Bibliográficas --------------------------------------------------------- Página 134

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UNIDADE I: PSICOLOGIA DA PERSONALIDADE

A OBRA DE SIGMUND FREUD1

"Se é verdade que a causação das enfermidades histéricas se encontra nas intimidades da vida psicossexual dos pacientes, e que os sintomas histéricos são a expressão de seus mais secretos desejos recalcados, a elucidação completa de um caso de histeria estará fadada a revelar essas intimidades e denunciar esses segredos." Trecho de "Fragmento da Análise de Um Caso de Histeria" (Freud, 1977).

Introdução

Sigmund Freud nasceu em Viena, na Áustria em 1856. Forma-se em medicina, interessa-se por neurologia. Vai estudar em Paris, onde conhece o médico Charcot que já pesquisava o tratamento da histeria através de técnicas com o uso de hipnose e sugestão através da palavra. Retorna à Viena em 1886 com suas observações e é ironizado no círculo médico, a respeito de suas idéias. Conhece Breuer, renomado médico vienense e junto a este passa observar e estudar atendimentos clínicos com o uso de hipnose. O denominado método catártico se refere à técnica em que a paciente, sob hipnose, fala sobre lembranças traumáticas retidas num suposto núcleo isolado da consciência. Freud passa então a aprofundar os seus estudos sobre a histeria e descobre o método da livre associação que consiste em convidar os pacientes a relatarem continuamente qualquer coisa que lhes vier à mente, sem levar em consideração quão sem importância ou possivelmente embaraçadora esta situação possa parecer. Abandona assim o método da hipnose e da sugestão. Ele percebe que a partir do
1 Elaborado por: Ana Carolina Naves Magalhães (Psicóloga formada pela UNESP/Bauru. Mestranda pelo Programa de Pós Graduação em Psiquiatria: Hospital das Clínicas – Faculdade de Medicina da USP- São Paulo); Daniela Ré Franguelli (Psicóloga formada pela UNESP/Assis. Aprimoranda em Psicologia Clinica Hospitalar em AIDS do Hospital das Clínicas – Faculdade de Medicina da USP- São Paulo); Fernanda Gonçalves (Psicóloga formada pela UNESP. Possui especialização pelo Centro Reichiano Cochicho das Águas -SP); e Paulo Keish Kohara (Psicólogo e mestrando em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela USP. Psicólogo do CREAS de Osasco e supervisor clínico do Plantão Psicológico do Curso Pré-Vestibular Psico-USP).

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ocupando certo lugar na mente. ou instâncias psíquicas. isto é. que ficam registradas qualitativamente de acordo com o prazer e/ou. com funções específicas para cada uma delas. A esse pressuposto foi denominado o termo Determinismo Psíquico.educapsico. “topos” quer dizer “lugar”. E afirmou que não há descontinuidade nos eventos mentais.com. Freud denomina o consciente de sistema percepção-consciência. daí que o modelo tópico designa um “modelo de lugares”.br momento em que ele se cala as pacientes começavam a associar livremente e elas começam a contar-lhe os sonhos. Primeira Tópica Nesse modelo tópico.www.motoras do ego – como as de percepção. Freud escreve então “Interpretação dos Sonhos” e em 1905 publica os seus “Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade”. Freud empregou a palavra “aparelho” para caracterizar uma organização psíquica dividida em sistemas. porém ele não retém esses registros e representações como depósito ou arquivo deles. sendo que Freud descreveu dois deles: a “Primeira Tópica” conhecida como Topográfica e a “Segunda Tópica”. conscientes ou não. estes. juízo crítico. Inclui sensações e experiências das quais há a percepção a cada momento. É a partir da análise do conteúdo desses relatos que ele percebe o papel da sexualidade na formação da personalidade. Assim. processam-se no sistema consciente. Toda a teoria de Freud está baseada no pressuposto de que o corpo é a fonte básica de toda a experiência mental. antecipação. Consciente É através dele que se dá o contato com o mundo exterior. desprazer que elas causam. O sistema consciente tem a função de receber informações provenientes das excitações oriundas do exterior e do interior. são influenciados por fatos que os precedem no passado. Algumas vezes. que estão interligadas entre si. evocação. como Estrutural. o pré-consciente (Pcs) e o consciente (Cs). atividade motora. Em grego. pensamento.. são ligados uns aos outros. a maior parte das funções perceptivo – cognitivas . o aparelho psíquico é composto por três sistemas: o inconsciente (Ics). etc. 4 . Em 1900.

ao longo da vida do sujeito. mas podem ser interpretados por métodos especiais e técnicas como a livre-associação. com o qual quase sempre está em oposição. entre outros. Pensamentos inconscientes não são diretamente acessíveis por uma ordinária introspecção.educapsico. endereços. Pré-consciente O sistema pré-consciente foi concebido articulado com o consciente e funciona como uma espécie de peneira que seleciona aquilo que pode. Parte do inconsciente que pode se tornar consciente com facilidade. que se desenrola segundo uma seqüência temporal pouco suscetível de alterações e que parece corresponder a uma finalidade. examinados e conduzidos durante o processo analítico. cabendo-lhe sediar a fundamental função de conter as representações de palavras. próprio de uma espécie animal. Para Freud. 5 . memórias traumáticas e emoções dolorosas. É uma parte situada entre o consciente e o inconsciente. Instinto (Instinkt) Esquema de comportamento herdado. que pouco varia de um indivíduo para outro. conforme foi conceituado por Freud. 1915. Freud não considerava este aspecto da vida mental o mais importante uma vez que há uma pequena parte de nossos pensamentos. passar para o consciente. o inconsciente torna-se um depósito para idéias sociais inaceitáveis. nome de pessoas. Na visão psicanalítica. Funciona também como um pequeno arquivo de registros. datas importantes. o inconsciente se expressa através do sintoma. sensações e lembranças perceptíveis todo o tempo. colocadas fora da mente pelo mecanismo da repressão psicológica.br embora esse funcione intimamente conjugado com o sistema Inconsciente. na medida em que a consciência precisa de lembranças para desempenhar suas funções. ou não.www. análise de sonhos e atos falhos presentes na fala. ex. Inconsciente Parte do funcionamento mental que deposita os desejos instintivos e necessidades e ações fisiológicas.com.

www. é dar ao organismo a satisfação que ele deseja no momento. representadas pelas pulsões de vida (responsáveis pela sobrevivência do indivíduo e da espécie) e pelas pulsões de morte (agressivos e destrutivos). ação ou expressão que permite a satisfação da finalidade original. fator de motricidade) que faz o organismo tender para um objetivo. gerando então esta confusão entre os termos. o seu objetivo ou meta é suprimir o estado de tensão que reina na fonte pulsional. por exemplo. uma finalidade. um comportamento hereditariamente fixado e que aparece sob uma forma quase idêntica em todos os indivíduos de uma espécie. Toda pulsão tem quatro componentes: uma fonte. outros parecem fazer uma distinção implícita reservando Instinkt para designar. O termo pulsão tem como mérito por em evidencia o sentido de impulsão.br O termo instinto tem implicações nitidamente definidas. uma pressão e um objeto. Certos autores parecem empregar indiferentemente os termos Instinkt ou Trieb. Fato que traz diferenças nas traduções. Segundo Freud. em zoologia. uma energia pode fluir. A fonte é quando emerge uma necessidade. fazendo com que uma satisfação pulsional possa ser substituída por outra e se submeter a adiamentos. podendo ser uma parte ou todo corpo. característico da espécie. As pulsões básicas foram divididas por Freud (1940) em duas forças antagônicas. uma pulsão tem a sua fonte numa excitação corporal (estado de tensão). é no objeto ou graças a ele que a pulsão pode atingir a sua meta. Pulsão (Trieb) Processo dinâmico que consiste numa pressão ou força (carga energética. muito distantes da noção freudiana de pulsão. qualifica um comportamento animal fixado por hereditariedade. O objeto de uma pulsão é qualquer coisa.educapsico. pré-formado no seu desenvolvimento e adaptado ao seu objeto. A pressão é a quantidade de energia ou força que é usada para satisfazer a pulsão e é determinada pela intensidade ou urgência da necessidade subjacente. Por estas pulsões. O mecanismo 6 . Quando Freud fala de Instinkt.com. A finalidade é reduzir essa necessidade até que nenhuma ação seja mais necessária. Em Freud encontramos os dois termos em acepções nitidamente distintas.

que determinam o Ser do Psiquismo. além de ser caracterizada pela agressividade traz a marca da compulsão à repetição.” (Freud. determinando a forma como esse descarregamento inconscientemente. o autor aprofundou as concepções relativas às pulsões. foram importantes para que os conceitos de Pulsão de Vida e Pulsão de Morte fossem formulados. com as outras pessoas e com nós mesmos. Todos esses processos se desenvolvem Pulsões básicas postuladas por Freud (1933) As descobertas de Freud referentes ao descentramento do sujeito. A partir da elaboração das teorias ligadas ao Inconsciente Humano. As pulsões seriam então. 1933). 7 . canais através dos quais a energia pudesse fluir.br pulsional é complexo. O objetivo do indivíduo seria. Para Freud (1933). e do movimento de retorno à inércia. atingir um baixo nível de tensão interna.com. assim. Nesse processo de descarregamento de tensões psíquicas. A pulsão de vida (Eros) seria representada pelas ligações amorosas que estabelecemos com o mundo. enquanto a pulsão de morte (Thânatos) seria manifestada pela agressividade que poderá estar voltada para si mesmo e para o outro.educapsico.. Segundo Freud: “As pulsões sexuais fazem-se notar por sua plasticidade.www. ego e super ego) desempenham um papel primordial. gerando uma tensão que exige ser descarregada. se manifestará. importantes para o surgimento da perspectiva do deslocamento da soberania do consciente e do eu para os registros do inconsciente e das pulsões. sua capacidade de se substituírem. e por sua possibilidade de se submeterem a adiamentos. as três estruturas da mente (id. sua capacidade de alterar suas finalidades. O princípio do prazer e as pulsões eróticas são outras características da pulsão de vida. As pulsões são a origem da energia psíquica que se acumula no interior do ser humano. e teriam como fonte o Id (será descrito na segunda tópica). as pulsões não estariam localizadas no corpo e nem no psiquismo. que permite uma satisfação pulsional ser substituída por outra. Já a pulsão de morte.. mas na fronteira entre os dois.

br Embora pareçam concepções opostas.com. situada entre o corpo (somático). como uma retirada de libido dos relacionamentos habituais e cotidianos e uma extrema catexia na pessoa perdida. em idéias. objetos. • Princípio do Prazer / Processo primário: Explicado pelo mecanismo psíquico em que as pulsões agem no sentido de busca de prazer e evita o desprazer (prazer causado pela redução da tensão. como lembranças de guerra. dormir. encontramos também a pulsão de morte. destruição. A mobilidade original da libido é perdida quando há a catexia voltada para um determinado objeto. que podem ser relacionados aos objetos. isto é. entre outras. • Catexia do objeto: processo de investimento da energia libidinal. beber. Freud irá então reformular sua teoria das pulsões. masoquismo. Explica que repetições em sonhos ou mesmo em atos. e onde há pulsão de vida. raiva. já os segundos são os responsáveis pela manutenção da vida do indivíduo (comer. etc). desprazer causado pelo acúmulo de 8 . em uma região deste corpo onde nasce uma excitação e o psíquico. antes dividida em pulsões de auto-conservação e pulsões sexuais. fundidas. pessoas. A conexão só seria acabada com a morte física do sujeito. A Pulsão de Morte (compulsão à repetição) descrita por Freud (1899) ao analisar sonhos. No luto. a pulsão de vida e a pulsão de morte estão conectadas. poderiam ser constantemente repetidos. podendo ser projetado para o mundo externo sob a forma de agressividade. sadismo.). Os primeiros são os responsáveis pela manutenção da vida da espécie e estão relacionados à reprodução.educapsico.www. A catexia está relacionada aos sentimentos de amor. etc. pudesse ser fruto do que ele chamou de pulsão de morte e estas estariam em contradição com o princípio do prazer que rege as pulsões de vida. • Libido: impulsos sexuais e impulsos de auto-conservação. ódio. A pulsão de morte estaria presente no interior da vida psíquica dos indivíduos (sob a forma de autodestruição. percebeu que eventos desagradáveis. Alguns conceitos que Freud desenvolveu ao longo de seus estudos relativos à primeira tópica: • Impulso: Energia que possui uma origem interna. no qual pode haver um desinteresse por parte do indivíduo pelas ocupações normais e a preocupação com o recente finado podem ser interpretado neste sentido.

não leva em conta a realidade. o EGO e o SUPEREGO. Nesta. 9 . Segunda Tópica: Freud (1975) Freud a fim de apreender a complexidade do dinamismo do aparelho psíquico reelaborou a sua concepção sobre a estrutura da personalidade. produto de uma longa elaboração. Id (“es” em alemão. Este mecanismo foi denominado processo secundário e co-existe ao lado dos processos primários. um processo não substitui o outro. Freud nominou este funcionamento de processos mentais primários. • Princípio de Realidade / Processo secundário: As experiências pelas quais o bebê vai passando.www. é a forma latina do pronome neutro “isto”).com. a primeira concepção (aparelho dividido em cs. ics e pré-cs) não foi abandonada. A satisfação passa a considerar adiamentos e atrasos. sonhos. Está presente nas brincadeiras infantis.educapsico. isto é. Este princípio rege as primeiras experiências da vida de um bebê recém-nascido. Tal concepção foi denominada 2ª tópica. Entretanto.br tensão produzida no interior do aparelho psíquico). sintomas neuróticos. em que o bebê na ausência do objeto de satisfação tem uma revivescência (reaparecimento de estados de consciência esquecidos ou bloqueados) perceptiva de algo que proporcionou prazer no passado. a personalidade é dividida em três partes que mantém relações mútuas entre si. porém desta maneira se mostra mais segura e provoca menor risco para a integridade do indivíduo. iniciada em 1914 no artigo “Sobre o narcisismo: uma introdução”. faz com que esse sujeito passe a considerar a realidade para que suas satisfações sejam obtidas sem que a alucinação seja o meio de alcançá-las. É regida pelo processo primário. • Fantasia: Modo de pensar inconsciente que não leva em conta a realidade. Há satisfações alucinatórias neste período. os dois formam um complexo mecanismo de funcionamento psíquico. São elas o ID. ela foi integrada à nova concepção. tendo como característica central a ausência de contradição.

sem que um anule ou diminua o outro. adiamentos e o outro. b) Atemporal: Fatos que ocorreram no passado convivem paralelamente e sem desvantagem recentemente. porém de forma racional. Os 10 . com relação a fatos que ocorreram Ego Segundo Freud. seu objetivo é reduzir a tensão sem levar em consideração os atrasos. objetos e momentos socialmente aceitos. Parte do ID que passa a ser influenciada pelo mundo externo. o Id tem o poder de agir na vida mental de um indivíduo.educapsico.com. planejada. e que passa a funcionar como uma defesa protetora contra o que ameaça a vida psíquica. Embora muitas características do Ego coincidam com o consciente. onde predominam a realidade e a razão. investimentos libidinais.www. escolhendo lugares. Tem por objetivo ajudar o Id a satisfazer suas pulsões. o ID é o reservatório das pulsões (tanto de vida quanto de morte) e da energia libidinal e é ele que fornece e satisfaz as exigências do Ego e do Superego. portanto exerce função de síntese. É o caso dos mecanismos de defesa. de intensidade. É receptivo tanto às excitações internas quanto externas ao indivíduo. O ego. Apesar de seus conteúdos serem quase todos inconscientes. embora oriundos do Id passam necessariamente pelo Ego. É regido segundo o processo secundário. Características do Id a) Caótico e Desorganizado: As leis lógicas do pensamento não se aplicam a ele. apesar de também o ego e o superego possuírem aspectos inconscientes. o Ego é desenvolvido com o passar da vida do indivíduo. instrumentos do Ego para lidar com a tensão emanada pelo Id. c) É orientado pelo princípio do prazer: isto é. fornecendo toda a energia para eles. Impulsos contraditórios coexistem lado a lado. Corresponde ao conceito inicial de inconsciente.br Refere-se à parte inacessível da personalidade. Não leva em conta a realidade. muitos conteúdos inconscientes também o compõe. contato e defesa. Além disso. em que as satisfações são obtidas por meio de atos reflexos e fantasias. Assim é regido pelo processo primário.

Restrições inconscientes são indiretas podendo aparecer sob a forma de compulsões e proibições. todos os autores estão de acordo quanto à afirmação da formação inconsciente do ego ideal. Em O ego e o id. Ideal do ego ou Ideal do eu Instancia da personalidade resultante da convergência do narcisismo (idealização do ego) e das identificações com os pais. o ideal do ego constitui um modelo a que o sujeito procura conformar-se. a partir da interiorização das imagens idealizadas dos pais. Exerce função crítica e normativa e também de formação de ideais. Em relação ao Ego pode-se dizer que o superego age como modelo e obstáculo. porém outros autores o designam como formações diferentes. consciência moral e sentimentos de culpa. ou pelo menos a uma subestrutura especial no seio do superego. É o responsável pela auto-estima. Freud (1923). coloca-se o ideal de ego e o superego como sinônimos. Modelo com relação ao ideal e obstáculo com relação ao proibido. Nas obras de Freud. Freud (1914).educapsico. colocando em primeiro plano o caráter narcísico desta formação.www. que aparece a expressão “ideal do ego” para designar uma formação intrapsíquica relativamente autônoma que serve de referência ao ego para apreciar as suas realizações efetivas. Forma-se a partir do declínio do Complexo de Édipo. 11 . não se encontram qualquer distinção conceitual entre ego ideal e ideal do ego. com os seus substitutos e com os ideais coletivos. Age conscientemente e também inconscientemente.com. Ego Ideal ou Eu Ideal Formação intrapsíquica que define Ego Ideal como um ideal narcísico de onipotência forjado a partir do modelo do narcisismo infantil. É em Sobre o narcisismo: uma introdução. Enquanto instância diferenciada. Além das divergências.br Superego Forma-se a partir do Ego. enquanto em outros textos a função do ideal é atribuída a uma instância diferenciada.

descritos por LAPLANCHE (1991) Sublimação Defesa bem sucedida contra a ansiedade.www. Mecanismos de defesa patogênicos Defesas que não eliminam a tensão apenas a encobrem. Vejamos agora alguns mecanismos de defesa. medos e necessidades.educapsico. Exemplo de estressores que podem levar à ansiedade: perda de um objeto desejado. alguns mecanismos de defesa aparecem. 1991). perda de identidade (prestígio). O recalque produz-se nos casos em que a satisfação de uma pulsão – suscetível de proporcionar prazer por si mesma – ameaçaria provocar desprazer relativamente a outras exigências” (Lapanche. provocando ansiedade. recordações) ligadas a uma pulsão. através de distorções da realidade. perda de amor (rejeição). Freud utilizou a expressão pela primeira vez no seu livro "As neuroses e psicoses de defesa". O aumento de tensão ou desprazer é desviado para outros canais de expressão socialmente aceitáveis como por exemplo. imagens. São eles: Recalcamento/Recalque Operação pela qual o sujeito procura repelir ou manter no inconsciente representações (pensamentos. Mecanismos de defesa O ego muitas vezes não consegue lidar com as demandas do Id e com as cobranças do superego.com. de 1894. A psicanálise supõe a existência de forças mentais que se opõem umas às outras e que batalham entre si. Por outro lado não possibilitam um conhecimento real sobre os desejos. pois ela diminui a tensão. Quando isto acontece. Traz uma ameaça para o Ego. O ego protege o indivíduo inconscientemente. perda da auto-estima (desaprovação do superego que resultam em culpa ou ódio em relação a si mesmo). 12 . a criação artística.br Ansiedade Provocada por um aumento de tensão ou desprazer desencadeado por um evento real ou imaginário.

Mecanismo consciente.www. atribuir repugnância e nojo ao sexo. quando os impulsos sexuais não podem ser satisfeitos. esquecimento de fatos traumáticos acontecidos na infância (ato de violência. O sujeito nega a existência de alguma ameaça ou evento traumático ocorrido. não percebendo algo da realidade: no caso da morte de alguém pelo qual um sujeito tinha sentimentos de amor e ódio. Por exemplo: negação de um diagnóstico grave. Processo de colocar motivos aceitáveis para atos ou idéias inaceitáveis. um ato psíquico ou uma idéia são excluídos da consciência e jogados para o inconsciente. negação de algo que aconteceu no passado.br Por força de um contra-investimento. Formação Reativa Inversão da realidade. Racionalização Redefinição da realidade. Envolve a não-percepção. Impulsos agressivos podem dar lugar a comportamentos solícitos e amigáveis. A moral do sujeito está ligada a este mecanismo. Um sentimento contrário é colocado no lugar de outro para disfarçá-lo. que atua como censura. Negação Está relacionado à repressão. afeto. Por exemplo: dar explicações racionais para a perda de um emprego ou relacionamento convencendo-se de que estes objetos perdidos possuíam defeitos. fantasia de que alguns fatos não ocorreram ou não “foi bem assim”.: Uma mulher pode reprimir tanto um desejo sexual que pode chegar a tornar-se frígida). O impulso é cada vez mais ocultado.educapsico. Pode atuar nas lembranças. negação da iminência de morte de um ente querido. Culpar um objeto por falhas pessoais ao invés de culpar-se a si mesmo. fatos que só se tornam acessáveis através de análise e/ou interpretações de sonhos. etc. na percepção do presente (ex. Por exemplo.com. Por exemplo. entre outros). Na ocasião de seu falecimento os sentimentos tanto de hostilidade quanto de perda podem não ser percebidos e este sujeito pode mostrar-se indiferente) e até mesmo no funcionamento do corpo (ex. 13 . acidente. Repressão Operação psíquica que tende a fazer desaparecer da consciência um conteúdo desagradável ou inoportuno: idéia. Os conteúdos tornam-se pré-conscientes (Laplanche. 1991). a consciência de algo que traz constrangimento ou sofrimento.

um sujeito fala sobre traição conjugal. transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). A pessoa então desloca este impulso para outro objeto. entre outros. quando a tensão foi provocada por outro estressor. Desejos.www. ou bater numa criança quando uma agressividade não pode ser desencadeante. Deslocamento Acontece quando o objeto que satisfazia um impulso do Id não está presente.com. O fato isolado passa a receber pouca ou nenhuma reação emocional. um pai pode dizer ao seu filho que este não cumpre suas tarefas. como se eles tivessem relacionados a outro sujeito. enquanto no passado este sujeito já passou por uma situação de traição conjugal. que foram mais agradáveis.educapsico. objetos ou animais. Por exemplo. Fatos podem ser relatados sem sentimento quando um sujeito fala de conteúdos que foram isolados de sua personalidade. Por exemplo. roer unhas. que este não tem aprovação dos outros. Por exemplo: gritar com um cachorro. em que houve sofrimento. Neurose Os mecanismos de defesa contra a ansiedade podem ser encontrados em indivíduos saudáveis. demonstrando compreensão e indiferença ao assunto. entre outros. quando na verdade este sentimento é para com ele mesmo. dirigir rápida e imprudentemente. Por exemplo. Retorno do sujeito a etapas de desenvolvimento anterior. Exemplo: falar como criança. intenções e sentimentos que são ignorados em si mesmo são atribuídos a outras pessoas. porém quando estão fortemente associados e trazem dificuldades sociais caracterizam-se enquanto neuroses. que este não será bem-sucedido. histeria. Projeção Colocar algo do mundo interno no mundo externo. Regressão Escapar da realidade. fobias. com menos frustração e ansiedade.br Isolamento Uma idéia ou ato sofre o rompimento de suas conexões com outras idéias e pensamentos. vestir-se como criança. por o dedo no nariz. destruir propriedades. expressa em direção ao fator 14 .

porém. período de latência e fase genital. ao ser amamentada. como por exemplo.br Desenvolvimento Psicossexual Freud (1933) revelou a presença de uma sexualidade infantil. A boca neste momento é a única parte do corpo que a criança pode controlar. as crianças vão percebendo que este controle pode ser alvo de elogios e atenção por parte dos pais. língua e mais tarde dentes.com. fase anal. O pai e a mãe passam a ser objetos de curiosidade e interesse também. a criança é também confortada. fase fálica. Ao nascer o bebê vai descobrindo tais áreas através da estimulação. é comum 15 . A obtenção deste controle fisiológico provoca sensações de prazer. A fase oral desenvolvida tardiamente pode incluir a gratificação de instintos agressivos com o uso dos dentes para morder o seio. As meninas se dão conta da falta de um pênis. Dúvidas e fantasias aparecem. por que as meninas não tem pênis.www. Acontece. se elas conseguem urinar. São elas: fase oral. Fase Fálica: Acontece quando as crianças se dão conta da diferença sexual. Além disso. O termo fixação foi designado para descrever um estado em que parte da libido permanece investida em uma das fases psicossexuais. Freud associou a satisfação através desta estimulação às fases de desenvolvimento infantil. que a criança pode perceber que ir ao banheiro é algo “sujo” e traz repugnância. devido a uma frustração na fase atual ou satisfação excessiva na fase anterior. Podem manifestar ciúmes da atenção dada um pelo outro no casal. estimulada através da amamentação e do seio materno. Fase Oral: A primeira zona erógena é a boca. uma vez que hábitos de higiene são treinados cercando esta zona erógena de tabus e proibições. etc.educapsico. Através de suas observações ele categorizou o desenvolvimento infantil em fases psicossexuais do desenvolvimento. O corpo é cercado de regiões (zonas) erógenas que sob estimulação provocam sensações prazerosas. As crianças demonstram interesse em explorar e manipular esses genitais. enquanto os meninos se dão conta da presença de um. Além disso. acalentada e acariciada. Seria esta a responsável pela compreensão de toda a vida psíquica posterior na fase adulta. O foco do prazer deixa de ser o ânus e passa a ser o genital. Fase Anal: Por volta dos dois anos de idade a criança aprende a controlar os esfíncteres anais e a bexiga.

parece haver uma menor repressão e o que foi observado é que elas permanecem nesta situação edipiana por mais tempo e até mesmo a resolução pode ser incompleta. No conflito das meninas. O jovem Édipo. inspirado no mito grego do Édipo Rei. ele próprio arranca seus dois olhos. É tarefa do superego (que está em desenvolvimento) impedí-lo de aparecer ou até mesmo que haja uma reflexão sobre ele. Mas ela perceberá que a mãe não pode lhe dar aquilo que lhe falta: um pênis. frente aos desejos incestuosos e à masturbação.www. mata o pai e se casa com a mãe. uma vez que ela é a fonte de alimento. V antes de Cristo. àquele que pode lhe dar um pênis ou um substituto deste. quando é instaurada a lei da proibição gerando a interdição paterna. Este conflito foi denominado por Freud de Complexo de Édipo. permanece inconsciente. a Castração O Complexo de Édipo acontece diferentemente para as meninas e meninos.br que brinquem ou perguntem se podem se casar com os pais.com. Esse complexo acaba sendo reprimido. de forma parecida com o que acontece no mito do Édipo rei. Para as meninas o complexo foi chamado de Complexo de Electra. 16 . que é nesta época o órgão de sua satisfação de prazer. sem saber de quem era filho realmente. Ele interpreta este anseio como um temor de que seu pênis seja cortado. Para as meninas é justamente a castração que faz iniciar Complexo de Édipo. Assim como para os meninos. Para o menino. para as meninas o primeiro objeto de amor é a mãe. mais tarde quando descobre a verdade. a realidade e a moral colocada pelos pais entram em conflito com os impulsos do Id. Surge aí uma hostilidade frente à mãe e seu interesse será destinado ao pai. de Sófocles no séc.educapsico. Neste momento. Freud explicou o Complexo de Édipo masculino mais detalhadamente. afeto e segurança. o pai aparece como um rival. Complexo de Édipo – A Lei. Ao mesmo tempo ele também deseja o amor e afeição de seu pai e desta forma ele vive um conflito de desejar o amor dos pais e ao mesmo tempo temê-los. Este é o chamado temor de castração. Para os meninos é a castração que os faz superar o complexo de Édipo. que deseja estar próximo de sua mãe. Nesta fase aparece o conflito de substituir os pais e a rivalidade contra aquele que “está tomando o seu lugar”. Junto com o desejo de tomar o lugar do pai está o medo de ser machucado.

Neste amor objetal. Fase Genital Nesta fase final do desenvolvimento psicossexual. meninos e meninas. a maioria das crianças por volta dos 5 anos de idade passam a demonstrar interesse em outros relacionamentos. morder o pé) vem como uma forma de satisfação libidinal.www.com. e o auto-erotismo (satisfação pelo e no próprio corpo: chupar o dedo. A repressão feita pelo superego neste momento é bem sucedida e os desejos não resolvidos da fase fálica não perturbam mais. esportes. Narcisismo Narcisismo primário: Foi explicado por Freud (1914) como auto-erotismo. A sexualidade não avança mais e os anseios sexuais até diminuem. Depois. O narcisismo primário termina quando o desenvolvimento psicossexual se completa. transformados em atividades socialmente produtivas. na impossibilidade de manter-se como seu próprio objeto de amor. Período de latência Independentemente de como se dará a resolução deste conflito com os pais. isto é. entre outros. Passam a buscar nos homens similaridades do pai. Durante as primeiras experiências do bebê o ego ainda não está formado.br A resolução do Complexo: a ansiedade de castração nos meninos fará com que eles abandonem seus desejos incestuosos pela mãe e superem o complexo identificando-se ao pai.educapsico. Os impulsos sexuais prégenitais que acabem não tendo êxito na sexualidade genital podem então ser recalcados ou sublimados. como nas amizades. o sujeito deve fazer escolhas e para que isto ocorra o indivíduo deve ter percorrido os estágios psicossexuais do desenvolvimento e até mesmo elaborado o complexo de Édipo. 17 . este indivíduo volta-se finalmente para um objeto externo. As meninas também passam a identificar-se com a mãe e assumem uma identidade feminina. desenvolvendo o que Freud chamou de amor objetal. conscientes de suas identidades sexuais distintas começam a buscar formas de satisfazer suas necessidades eróticas e interpessoais.

com. Existe a escolha analítica e a escolha narcisista. Na escolha analítica. o indivíduo busca no objeto de amor. Essas repetições podem ajudar o indivíduo de alguma forma a elaborar suas angústias. foram interpretados por Freud como uma necessidade de elaboração da situação traumática. temores e ódio. por exemplo. os conteúdos do sonho são conteúdos manifestos. distorcidos pelos mecanismos de deslocamento e da condensação. ele ama alguém que apresenta características bem semelhantes às que ele próprio possui ou possuiu. durante o sonho há uma satisfação adicional ou uma redução da tensão. mesmo que não tenha havido uma realização na realidade físicosensorial dos desejos. Assim. De acordo com Freud (1900). Muitos sonhos traumáticos de guerra que aconteciam repetidamente durante o sono de alguns indivíduos que viveram situações de guerra. O inconsciente aparece então nos sonhos. Já na escolha narcisista. Manifestações do Inconsciente Freud percebeu. através do método da associação-livre e a partir dos relatos de sonhos de seus pacientes que o inconsciente não se revela diretamente. são manifestados. ou gostaria de possuir.educapsico.www. proporcionar um momento de satisfação para que o indivíduo não desperte. também há redução de tensão e produção de prazer. embora apareçam de maneira não clara. pois energias acumuladas são descarregadas. Nos sonhos. Nos sonhos traumáticos. os conteúdos aparecem disfarçados. através da consciência e sim de forma encoberta. aparentemente sem nexo e sentido. que não conseguem aparecer. Esta distorção permite que o desejo seja aceitável ao ego. nos pesadelos. o indivíduo busca no amor objetal a sua própria imagem. há portanto uma renúncia ao próprio narcisismo que ele já viveu. 18 . Fisiologicamente a função do sonho é manter o sono.br Narcisismo secundário: A escolha objetal pode dar-se de duas maneiras. a mulher ou o homem que uma vez o protegeu. nos chistes e atos-falhos. isto é. não temendo punições. uma vez que no estado de vigília muitas ações são inaceitáveis devido à repressão e moral. diferentemente de conteúdos latentes. Sonhos e elaboração onírica Forma de satisfação de desejos que não foram ou não puderam ser realizados.

na medida em que permite a atualização dos conteúdos inconscientes que permeiam as relações interpessoais do paciente. A partir daí. Foi primeiramente descrita por Freud. dependendo de como fossem manejados. entre outros). Esta aparição do inconsciente é dada através dos mecanismos de condensação e deslocamento. um dos livros mais importantes.br A interpretação de um sonho para Freud só terá sentido no próprio discurso do indivíduo. No decorrer de seus atendimentos e a partir de alguns casos de abandono de tratamento. o que pode dificultar a relação terapêutica. permite a construção de um relacionamento inédito para o paciente. 19 . A transferência que surge nesta relação tornase então. ajudar o paciente a interpretar o sonho.tanto negativos quanto positivos . com o processo contrário em que afetos do analista são transferidos para o paciente.com.www.educapsico. O livro de Freud publicado em 1900. que reconheceu sua importância para a psicanálise para uma melhor compreensão dos sentimentos dos pacientes. Chistes. sem risco de juízos alheios. A relação paciente-terapeuta sob o contexto da livre-associação.do paciente para com seu analista e do analista para com seu paciente. Freud percebeu a importância de analisar e perceber a expectativa projetada e os sentimentos . “A interpretação dos Sonhos” é considerado dentro de sua obra. o instrumento terapêutico principal. ato falhos Assim como nos sonhos o inconsciente se manifesta nos chistes (brincadeiras. Tais sentimentos estariam contribuindo para o sucesso do tratamento ou fracasso. isto é. erro de endereço. piadas) e atos falhos (troca de nome aparentemente acidental. Contratransferência O analista deve tomar cuidado com a contra-transferência. caracterizado pelo direcionamento inconsciente de sentimentos de uma pessoa para outra. ele criou o conceito de transferência e contratransferência: Transferência Transferência é um fenômeno na psicologia. Regras gerais podem não ser válidas. É trabalho do analista.

ou ainda áreas de bloqueio afetivo de que os sujeito não tinham consciência. a cada palavra indutora. tanto biológica como espiritualmente. que dizia palavras isoladas. Então.br TEORIA DE JUNG2 Somente nela poderiam confluir os dois rios do meu interesse. Depois teve interesse pelas idéias de Schopenhauer e Nietzsche. que tem como base experiências de associação verbal. cavando seu leito num único percurso. Jung se interessava pelos estudos feitos por Freud.104) Integrando o Biológico e o Espiritual Carl Gustav Jung nasceu em 1875 na Suíça. e Paulo Keish Kohara (Psicólogo e mestrando em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela USP. Este pedia que o sujeito do experimento respondesse com a primeira palavra que viesse a sua mente. 2 Elaborado por: Ana Carolina Naves Magalhães (Psicóloga formada pela UNESP/Bauru.www. que utilizava a teoria do associacionismo. Mestranda pelo Programa de Pós Graduação em Psiquiatria: Hospital das Clínicas – Faculdade de Medicina da USP. O hospital era dirigido por Eugen Bleuler. com tal interesse pelo homem. Ingressou nas Universidades de Basiléia e Zurique para estudar medicina.São Paulo). Dessa maneira. Neste modelo havia uma pessoa. Psicólogo do CREAS de Osasco e supervisor clínico do Plantão Psicológico do Curso Pré-Vestibular Psico-USP). chamadas palavras indutoras. Em 1900. Os estudos de Bleuler e seus colaboradores. Bleuler também trazia à Psiquiatria uma base psicológica. p. o experimentador. 1981. Jung conclui a faculdade de medicina e saiu da Basiléia para ser o segundo assistente no Hospital Psiquiátrico Burgholzli em Zurique. a chamada palavra induzida. a Psicologia entra na sua vida.educapsico. Com sua experiência. já tinha noções de Kant e Goethe.com. notando uma proximidade entre seus estudos e os dele. como Jung. e com isso veio a hipótese de que essas palavras deveriam atingir conteúdos emocionais das pessoas. Era medido o tempo de resposta entre dizer a palavra indutora e responder a palavra induzida. aproxima-se da Psicanálise. idéias que influenciaram a construção de sua Psicologia Analítica. 20 . Jung observou as diferentes reações nos sujeitos. voltam-se à esquizofrenia. Fernanda Gonçalves (Psicóloga formada pela UNESP. Possui especialização pelo Centro Reichiano Cochicho das Águas -SP). cursou Medicina e especializouse em Psiquiatria. Lá estava o campo comum da experiência dos dados biológicos e dos dados espirituais (JUNG.

Buscava com palavras indutoras descobrir os conteúdos inconscientes que estavam sendo alcançados e denominou-os “complexo psíquico”. A afinidade entre as idéias de Freud e Jung deteriorou-se com a publicação da Psicologia do Inconsciente.com. A noção de arquétipo. então. pois. na Alquimia. Este passa a estabelecer associações com outros elementos. 1971). 21 . Em sua obra constam as questões espirituais. formando assim a chamada “psique parcelada”. Jung utilizou conhecimentos de mitologia (trabalhos em colaboração com Kerensky). Jung adoeceu e faleceu em 06 de junho de 1961. Para o desenvolvimento de suas teorias. de História e culturas de países como México. em Kusnacht. Inconsciente Coletivo O inconsciente coletivo se expressa através de sensações. idéias ou representações afetivamente carregadas e autônomas da psique consciente. ou seja. de raça e cultura. tais como: enfrentar a morte de um ente e cuja manifestação simbólica encontra-se nos mitos. há um núcleo que possui alta carga afetiva. O arquétipo se traduz. nas artes. na filosofia. A origem do complexo é uma situação psíquica considerada incompatível tanto com a atitude como com a atmosfera consciente de costume. experiências comuns a toda humanidade. em imagens formadas a partir da interação com ambiente. nas fantasias. Índia e Quênia. preenchidas por materiais da realidade. sejam em delírios dos loucos (SILVEIRA. em que Jung apresenta noções parecidas entre as fantasias psicóticas e os mitos antigos. enquanto fenômenos psíquicos. Deixa contribuições científicas importantes para o estudo e compreensão da alma humana. permite compreender por que em lugares e épocas distantes aparecem temas idênticos. independente das diferenças individuais. cria sua Escola. amigos e pacientes. nas grandes religiões. O inconsciente coletivo se compõe do que Jung chamou de arquétipos ou imagens primordiais. nos mitos nos dogmas e ritos das religiões. pensamentos e memórias compartilhadas por todos os seres humanos. essas experiências tornaram-se uma forma de explorar o inconsciente. nos contos de fadas. Nisso. incentivado por colegas. sendo assim. em 1912 (revista em 1916). nos contos de fadas e outros. postulando a existência de uma base psíquica comum a todos os humanos.educapsico.www.seja nos sonhos de pessoas normais.br Desde então. ou seja. nas produções do inconsciente de modo geral. Criou a Psicologia Analítica e é visto como um dos grandes expoentes do século XX.

então. Os principais arquétipos descritos no processo de individuação são: a Persona. O termo Persona é derivado da palavra latina equivalente à máscara. É o nosso caráter. aquilo que descuidamos e nunca desenvolvemos em nós mesmos.com.br Para Jung os arquétipos são elementos necessários para a auto-regulação da psique. isto se torna. Este outro lado foi chamado de Sombra.educapsico.www. ninguém vive inteiramente dentro dos moldes que são determinados pela consciência coletiva. ou seja. ou seja. a Sombra. feminino e masculino. A Persona inclui nossos papéis familiares. Processo de Individuação e os Arquétipos Através do processo de individuação o homem realiza sua potencialidade ou auto-desenvolvimento. ou seja. para se adaptar ao ambiente em que vive. Anima e Animus São os arquétipos. Sombra É o centro do inconsciente pessoal. à medida que a consciência do homem é masculina. tentando preenchê-los e corresponder às expectativas. tornar-se um ser único. o Animus e o Self. pois. uma fonte de neuroses. Persona É a forma que nos apresentamos ao mundo. profissionais e nossa expressão pessoal. O Ego identifica-se com a Persona em maior ou menor grau. 22 . o núcleo do material que foi reprimido da consciência. Então. dos seus defeitos e impulsos contrários aos padrões e ideais sociais. haverá outra parte feminina em seu inconsciente e vice-versa para a mulher. o indivíduo passa a se defrontar com outro lado. Abaixo descrevemos cada um desses arquétipos. São componentes contra-sexuais inconscientes. o indivíduo assume os papéis que lhe cabem nas diferentes situações em que se encontra. a Anima. À medida que o Ego rejeita a imagem ideal que tem de si. a Sombra é aquilo que consideramos inferior em nossa personalidade. através dela nos relacionamos com as outras pessoas.

sensibilidade e outros. Estes são arquétipos que determinam o encontro do eu com o outro. Introversão e Extroversão Para Jung cada indivíduo se caracteriza de acordo com como é voltado para seu interior ou para o exterior. Já o Animus é representado como príncipe. Uma exclui a outra. sereia etc. Self É chamado por Jung de arquétipo central. Como o processo de individuação é uma aproximação entre consciente e inconsciente.com. o arquétipo da ordem. muda de acordo com a ocasião em que algumas vezes a introversão é mais apropriada e. ou de forma pessoal como um velho ou uma velha sábia. em outras situações a extroversão é mais adequada. como pensamentos rígidos. da totalidade da personalidade.www. ou seja. ou seja. a Anima é a personificação das tendências psicológicas femininas na psique do homem. nenhum indivíduo é apenas introvertido ou extrovertido. fada. representam os objetivos do processo de individuação. é organizador e determina o desenvolvimento psíquico. O processo de individuação tem como meta o Self. ou equilíbrio dinâmico. unificação. A energia daqueles que são introvertidos se direciona para seu mundo interno. uma criança divina. Mas. 23 . estados de humor.educapsico.br A Anima geralmente é representada por princesa. Este centro se constituirá num ponto de equilíbrio que garante uma base sólida para a personalidade. enquanto a energia do extrovertido se direciona mais para seu mundo externo. eles se complementam. portanto não se pode manter ambas ao mesmo tempo e uma não é melhor do que a outra. tais como: sentimentos. o Ego não será mais o centro. Todos estes são símbolos da totalidade. Para Jung. ou na forma de outro símbolo de divindade. O Self é simbolizado em sonhos ou imagens de forma impessoal como um círculo ou quadrado. feiticeiro etc. herói. Já na mulher o Animus personifica as características masculinas.

intuição. o ideal é que cada indivíduo seja flexível e possa adotar uma das duas de acordo com o que for necessário. pensamento. Intuição. tornando raro seu contato com o ambiente externo. As pessoas em que predomina o pensamento são consideradas reflexivas e. a) Introvertidos Os introvertidos estão mais ligados em seus próprios pensamentos e sentimentos. b) Extrovertidos Já os extrovertidos estão mais ligados ao mundo externo das pessoas e dos objetos. Têm que se proteger para que não sejam englobados pelo mundo externo. objetivos futuros e processos inconscientes. Pensamento É uma maneira diferente de preparar julgamentos e tomar decisões. Sensação e Sentimento Para Jung. através da reconciliação dos diversos estados da personalidade. representado no arquétipo da sombra coletiva. São pessoas sociáveis e conscientes do que acontece à sua volta.com. e acabam não desenvolvendo suas próprias idéias e opiniões. Os intuitivos dão mais importância ao que poderia 24 . um paciente pode alcançar um estado de individuação. O pensamento está relacionado com a verdade e com julgamentos. ou a integridade.educapsico.br Os dois tipos de pessoas são necessários no mundo. com tendência à introspecção. em seu mundo interior. que é dividido também nas sub-variáveis. têm como característica fazer grandes planos. Intuição É uma forma de acionar informações das experiências passadas. tais como. sensação e sentimento. tem que se tomar cuidado para que estas pessoas não mergulhem de forma excessiva em seu mundo interior. Mas. Pensamento.www. confrontando-se o inconsciente pessoal e integrando-o com o inconsciente coletivo. São pessoas que têm como base as idéias de outros. mas. e que haja um equilíbrio.

A Sensação está ligada à experiência direta.www. Os símbolos coletivos também são importantes e geralmente são imagens religiosas. Os sensitivos respondem ao presente. o que se pode ver e tocar. 25 . Dão valor à consistência e princípios abstratos. Símbolos Para Jung.br vir a acontecer. que às vivências. Trabalham como pontes entre consciente e inconsciente. Sonhos Os sonhos possuem mais emoções intensas e imagens simbólicas que nosso pensamento consciente.com. são formas de adquirir informações e não formas de tomar decisões. de preferência emoções fortes. Os sentimentais são voltados para o lado emocional da experiência. Sensação É classificada junto com a intuição. Eles relacionam prontamente as experiências passadas complacentes e as experiências relevantes atuais. Ele se interessa por símbolos naturais.educapsico. Pode ser um termo. pois. ou que seria possível. têm facilidade de lidar com crises e emergências cotidianas. Para ele um símbolo é alguma coisa em si mesma. Sentimento Uma maneira alternativa de preparar julgamentos e tomar decisões. Para Jung. ou seja. a priori o inconsciente se expressa através de símbolos. Suas decisões são tomadas de acordo com seus valores. algo dinâmico. um nome ou uma imagem familiar na vida diária. mas possui significados além do convencional e óbvio. a função dos sonhos é tentar equilibrar o nosso psiquismo através da produção de um material do sonho que refaz o equilíbrio psíquico total. que representa uma dada situação psíquica do indivíduo. na percepção de detalhes. que são produções espontâneas da psique individual. de fatos concretos.

26 . Mestranda pelo Programa de Pós Graduação em Psiquiatria: Hospital das Clínicas – Faculdade de Medicina da USP. ou quanto à solução de pequenos desajustamentos de conduta” (Houaiss apud Schmidt). O ponto inicial da afirmação do campo do Aconselhamento Psicológico como área de atuação e conhecimento de Psicologia. identificada em meados do século XX com a chamada Terceira Força (abordagens influenciadas pela filosofia fenomenológica existencial). classifica-se como uma teoria e prática humanista.. Contexto Histórico Para que possamos compreender o sentido da obra de Rogers é importante conhecer em que contexto ele desenvolve sua teoria. se dá pela teoria Traço e Fator. que experimentada na conduta e nos modos de ser. Possui especialização pelo Centro Reichiano Cochicho das Águas -SP). Na esfera da Psicologia Rogers inicia sua prática no campo do Aconselhamento Psicológico. 3 Elaborado por: Ana Carolina Naves Magalhães (Psicóloga formada pela UNESP/Bauru. sensações e valores. cursos etc. mensuráveis objetivamente.] presta ao paciente nas decisões que este deve tomar quanto à escolha de profissão. Fernanda Gonçalves (Psicóloga formada pela UNESP. Relativizam dessa forma o lugar da psicoterapia. formulada por Carl Rogers.educapsico. Suas concepções centrais são: • Cada indivíduo é portador de um conjunto de capacidades e potencialidades. As abordagens humanistas enfatizam a psicoterapia como processo de autoconhecimento.com. que podem ser correlacionadas com habilidades e características exigidas por cada profissão.www. Denomina-se aconselhamento “o auxílio ou orientação que um profissional [.. implica em uma reorganização de percepções. tradicionalmente relacionada ao tratamento e à doença.São Paulo). e Paulo Keish Kohara (Psicólogo e mestrando em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela USP. Psicólogo do CREAS de Osasco e supervisor clínico do Plantão Psicológico do Curso Pré-Vestibular Psico-USP). A principal aspiração das teorias humanistas é a mudança.br CARL ROGERS E A ABORDAGEM CENTRADA NA PESSOA3 A Abordagem Centrada na Pessoa. Esta teoria nasce estreitamente vinculada à orientação vocacional e a psicometria.

no Departamento de Prevenção de Violência contra a Criança (SCHIMDT. Porém. Carl Rogers Carl Rogers. Somente em 1942. abandonando-os. Afastou-se assim do domínio médico e criou um espaço onde o psicólogo pôde se instalar. A prioridade conferida pela abordagem psicométrica ao problema.br • Há uma unidade entre organismo e ambiente. 2005. em Nova Iorque.educapsico. Sua proposta mudava substancialmente o foco dos atendimentos psicológicos e do aconselhamento. atribuindo-lhe uma aura de cientificidade. A insatisfação com os procedimentos e resultados obtidos pelo aconselhamento. 2005. Este período é marcado por dois movimentos: 27 . 51) O primeiro período de elaboração de suas idéias é o da “psicoterapia não diretiva”. Como aponta Schimdt. da relação cliente-conselheiro e do processo (Schimdt. p. Além de direcionar o aconselhamento no sentido das “boas” condutas.50). fundador da Abordagem Centrada na Pessoa. trabalhou como psicólogo no Rochester Guidance Center. A teoria do Traço e Fator articulou o experimentalismo das vertentes psicométricas com a prática enraizada no senso comum do conselho. Rogers deu visibilidade aos primeiros passos da teoria centrada no cliente. formou-se em agronomia e iniciou estudos teológicos para se tornar pastor evangélico. Uma etapa muito importante do Aconselhamento Psicológico é o diagnóstico. o mesmo servia para diferenciar aqueles que se beneficiariam do aconselhamento (os casos mais leves) e os que deveriam ser encaminhados a psicoterapia psicanalítica (distúrbios mais graves). O início de sua atuação profissional foi segundo o modelo da teoria Traço e Fator. devido à discordância com as ortodoxias. ao instrumental de avaliação e aos resultados foi substituída pela focalização da pessoa do cliente. No caso americano. associado aos efeitos positivos de uma presença mais acolhedora e respeitosa em relação à demanda. dos pais de crianças atendidas de falar. fizeram com que Rogers mudasse o foco de sua atuação. doutorou-se em Psicologia em 1931 pela Universidade de Columbia. com a publicação do livro Counseling and psychoterapy. antes de aproximar-se da Psicologia.com. com o reconhecimento da influência do ambiente e do social no indivíduo. os psicanalistas eram predominantemente médicos. p. sendo a função do aconselhamento. o ajustamento. Entre 1928 e 1940.www.

procura deixar o aconselhando o mais próximo possível de suas percepções atuais e conscientes. Rogers iniciou um novo período em seus estudos.www. A crítica que Rogers desenvolvera sobre a técnica que ele próprio criara se pautava em seu esvaziamento de sentido enquanto relação. favorecendo assim cada vez mais sua riqueza e complexidade. pelo terapeuta. Discutindo a presença pessoal do psicoterapeuta por meio da noção de autenticidade ou congruência. favorecendo com que ele percebesse que estava sendo compreendido e continuasse a desenvolver sua fala. Ainda a partir de uma tradição positivista. que tinha como foco permitir que o cliente se sentisse escutado e. Afirmativo: o psicoterapeuta ou conselheiro visto como um ouvinte interessado e compreensivo que por meio da técnica da reflexão. e não fenomenológica. Origina-se então a psicoterapia centrada no cliente e uma teoria da personalidade. não opondo a ele nenhuma interpretação ou conselho. procurou identificar que ações do psicólogo favoreciam um melhor atendimento. Rogers chegou então à elaboração da técnica da reflexão. Rogers neste período. Rogers passa a elaborar um dos pilares de sua formulação teórica: as atitudes básicas e sua relação com a criação de um clima ou atmosfera facilitadores do crescimento e do desenvolvimento humano. fez com que Rogers se afastasse dela.com. O antídoto da objetivação do uso da reflexão estaria nas condições subjetivas do conselheiro. que era o que ele procurara superar em relação ao aconselhamento baseado na teoria do traço. das palavras do paciente e aos acenos de cabeça acompanhados do “humhum” 4 28 . conseqüentemente.4 iniciando um segundo período de seus trabalhos teóricos.br • • Reativo: que vem de encontro ao modelo hegemônico de uma postura bastante autoritária do psicólogo. Esta técnica consistia na disposição do psicólogo em se centrar apenas no discurso de seu cliente. Um dos principais expedientes dessa técnica consistia no psicólogo devolver ao cliente a maneira como compreendia sua fala. As sessões eram registradas em áudio e analisadas quanto à melhora na qualidade de verbalizações do cliente. A partir de 1957. com a crítica da técnica e da tematização da congruência. A “behaviorização” da técnica da reflexão. A técnica rogeriana era alvo de anedotas por parte de críticos que associavam sua não diretividade à mera repetição.educapsico. possibilitasse a sensação de estar cada vez mais à vontade no ambiente criado pelo psicólogo. no entanto.

Elencamos aqui os principais tópicos de sua proposta.www. que reage ao que percebe. Se a experiência do outro tem o estatuto de uma realidade o psicólogo não pode simplesmente corrigila a partir de sua própria realidade nem considerar que seja esta mudança tarefa meramente racionalizável. Rogers nesta concepção expressa um pouco da influência da filosofia fenomenológica. que consistiria nas percepções que são comuns a vários indivíduos num alto grau). experiencial ou perceptivo. Ao dar o estatuto de realidade para a experiência psicológica o autor destaca importância da experiência subjetiva em jogo nas relações humanas. porém não 29 .br Teoria da personalidade e da conduta Em “Uma Teoria da personalidade e da conduta” (1951.com. • A percepção refere-se ao organismo. mundo este que poderíamos denominar como campo fenomenal. Trata-se de uma diferença importante: o campo fenomenal a que se refere Rogers está vinculado às percepções do organismo em relação ao seu meio e não a consciência destas percepções. O campo fenomenal é fruto da interação entre organismo e meio. • O campo perceptivo tal como apreendido pelo indivíduo é para ele realidade (subjaz ainda nesta proposição um conceito de verdadeira realidade para além da psicologia. A realidade própria a que cada indivíduo está submetido portanto. e não da consciência com seu meio. A consciência por sua vez refere-se à simbolização das experiências viscerais e sensoriais do organismo. • O indivíduo é centro de um mundo de experiência em permanente mudança. Trata-se da tradução na teoria rogeriana de uma pressuposição que encontrávamos na teoria Traço e Fator sobre as potencialidades naturais do homem. extrapola o que a pessoa pensa e nomeia de si. • Os seres-vivos têm a tendência para realização ou atualização de suas potencialidades em níveis cada vez maiores de integração e complexidade. que podemos nomear de tendência atualizante ou tendência de auto-atualização. e ainda uma realidade social.educapsico. em Terapia Centrada no Paciente) Rogers organiza as bases de sua concepção sobre a personalidade humana e sobre as motivações da conduta.

pela interação com o ambiente e com os outros. para a ampliação de suas capacidades. algo que é da esfera de sua consciência. Durante todo nosso desenvolvimento recebemos estímulos discrepantes do organismo e do meio. p. experiências diretas com o meio e 2. São essas diferenças que produzem o self como algo singular dentro do campo fenomenal do indivíduo. que nasce o self 5. O fato de uma pessoa escolher realizar atos contrários a saúde de seu corpo ou a integridade de sua sociedade está vinculada a sua consciência e não se refere a essa tendência. diferenciação que é responsável por essa instância de controle em relação aos estímulos discrepantes. Sendo vinculada ao organismo a tendência atualizante está relacionada apenas à disposição humana em se associar em níveis cada vez mais complexos de organização e em sua disposição para o crescimento. • A parte do campo perceptual que se diferencia. e neste. As experiências podem ser integradas ao self. 2005.www. Isto significa que esse conceito não implica em nenhuma tendência do homem ao moralmente correto.br vinculada a uma idéia de “boa socialização”. estímulos diferentes entre ambiente e pessoas importantes. esta só ocorre se este evento passado estiver presente como tensão e necessidade do organismo. 5 30 .com. Esta tendência pode ser favorecida ou não pelo meio e/ou pela consciência. valores introjetados de pessoas a que estamos vinculados. Um estímulo do organismo pode ser vivido como não sendo nós mesmos se estiver fora de nosso controle. Os valores que constituem o self são de duas fontes: 1. O self significa a consciência de ser e de agir que não se confunde com o organismo (Schmidt. • A motivação da conduta é sempre atual e emana da percepção de tensões e necessidades do organismo. O self tem mais a ver com o controle das percepções do que com interno ou externo. em modelo conceitual e valorativo do eu ou do “mim mesmo” denomina-se self. passarem desapercebidas. É na incompatibilidade entre estas duas fontes que repousa o divórcio entre self e organismo. Mesmo quando uma conduta refere-se a um evento do passado. na diferença que podemos perceber entre o julgamento das pessoas a que estamos vinculados e as percepções de nosso organismo. É importante ressaltar mais uma vez a diferença entre consciência e organismo: esta tendência refere-se ao organismo.educapsico.112) – trata-se justamente da consciência que diferenciamos da idéia de organismo nos tópicos anteriores.

31 . • Aprendizagem significativa: aprendizagem que integra dimensões afetivas e cognitivas. sem os juízos de nossa própria história. O saber pré-simbólico que impede a simbolização de estímulos ameaçadores é chamado de subcepção. de estar coerente com as reações de seu organismo. trata-se das atitudes que são esperadas do psicólogo: • Empatia: possibilidade de sentir como se fosse o outro. • Aceitação positiva e incondicional: possibilidade de aceitar incondicionalmente a manifestação do outro evitando julgamentos de qualquer espécie. Trata-se da disposição em compreender a experiência do outro dentro de seu próprio quadro de referência. Nos atendimentos. o organismo identifica uma ameaça na qual o self pode reagir sem que exista uma simbolização. para que a tendência atualizante ocorra. refere-se à possibilidade do terapeuta estar ciente das reações que o cliente lhe causa. Equação Básica e a Aprendizagem Significativa Na teoria da personalidade e da conduta de Rogers destaca-se a idéia de um ambiente facilitador para o pleno desenvolvimento da personalidade. promovendo experiências profundas e não cumulativas que ensejam mudanças. de modo a fazer uso dessa percepção para potencializar sua comunicação com esta outra pessoa. • Equação Básica: é como Rogers nomeou a relação necessária entre um meio onde se contemplem as atitudes básicas e o sujeito que se desenvolve segundo sua tendência atualizante. A caracterização e conceituação desse ambiente facilitador passam pelos seguintes conceitos rogerianos: Atitudes básicas: são as condições necessárias e suficientes presentes no meio psicossocial. • Congruência: possibilidade de ser o que se é. uma consciência6.educapsico. percebendo-se sem máscaras. Atitudes Básicas. No caso dos atendimentos psicológicos.br ou serem • rejeitadas. Através dela. compreendendo sua realidade e suas emoções.www. É o que poderíamos definir como olhar o mundo pelos olhos do outro.com. Este conceito reconfigura o campo da psicoterapia como 6 As fobias podem ser consideradas como uma reação exagerada a uma subcepção que ameaça ao self. A desadaptação psicológica consiste na discrepância entre organismo (fonte de experiências novas) e self.

Rogers elabora nesse contexto. É intercambiável e questiona as relações de poder. nem curar. Rogers interessa-se cada vez mais pelos fenômenos coletivos reconhecendo os limites da psicoterapia individual como depositária da transformação social. extrapola a prática psicoterápica.educapsico. das comunidades de aprendizagem. p. que levou Rogers a seus próximos passos.br lugar de aprendizagem e rompe também com os limites disciplinares. focalizando as dimensões comunicacionais e os processos de mudança. construída no contexto dos atendimentos individuais.www. Evidencia a abrangência da aprendizagem significativa. Sua produção aponta para a valorização da qualidade nas relações interpessoais e para a relativização do conhecimento dos especialistas. Sua função está na capacidade de viver e traduzir em palavras e gestos (pela sua presença pessoal) as atitudes básicas. A proposta rogeriana “não busca nem ensinar.56-7). Esse facilitador define-se. propiciando um ambiente acolhedor e facilitando as relações humanas entre seus componentes e suas tendências atualizantes.” (Schimdt. O principal desdobramento dessa crítica é consolidação de sua visão sobre o papel do psicólogo. A Abordagem Centrada na Pessoa A partir dos anos 70. a equação básica. Considerações Finais Os principais conceitos da obra de Rogers foram explorados nesse texto introdutório. e. dos pequenos grupos. é transposta por Rogers para esferas educacionais. Uma compreensão mais profunda de sua obra e teoria exigem um estudo direto de seus 32 . politicamente. mas propiciar uma experiência de aprendizagem auto-reveladora e produtora de mudanças na consciência e na conduta. que deixa de ser um especialista para se tornar um facilitador. Um de seus principais instrumentos passa a ser os grupos de encontro. sendo a psicoterapia apenas uma delas. da intervenção institucional e das experiências com grandes grupos transculturais. Passa então para a fase da abordagem centrada na pessoa. pela busca em compartilhar ou abandonar o poder de controle e tomada de decisão. O foco de Rogers centra-se de vez nas relações interpessoais. nos quais Rogers extrapola os conceitos da terapia centrada no cliente para a condição grupal.com. seu pensamento político a partir da crítica ao poder do especialista.

com. 33 .br textos. bem como uma experiência prática inspirada em suas idéias.www.educapsico. Estão indicados nas referências bibliográficas textos para o início desse estudo.

Avaliação refere-se à: “sf. 2. 3. análise.educapsico. de acordo com cada área do conhecimento. que utiliza técnicas e testes psicológicos. para o Conselho Federal de Psicologia a Avaliação Psicológica. desta forma. seja para entender problemas à luz de pressupostos teóricos. Trata-se de um estudo que requer um planejamento prévio e cuidadoso. englobando em si o psicodiagnóstico. é um processo técnico e científico realizado com pessoas ou grupos de pessoas que. Apreciação. A avaliação deve fornecer informações cientificamente fundamentadas tais que orientem.www. identificar e avaliar aspectos específicos. 2000). 44). 34 . 2000).com. identificar forças e fraquezas no funcionamento psicológico (CUNHA. Visa. Este seria um tipo de avaliação psicológica de finalidade clínica. seja para classificar o caso e prever seu curso possível. comunicando os resultados. e não abarcaria todos os modelos possíveis que se enquadram na definição de avaliação psicológica. se for o caso. requer metodologias específicas. Ela é dinâmica e constitui-se em fonte de informações de caráter explicativo sobre os fenômenos psicológicos. limitado no tempo. em nível individual ou não. processo científico. o psicodiagnóstico é definido como um. na base dos quais são propostas soluções. (Cunha. 2000). assim. de acordo com a demanda e os fins aos quais a avaliação destina-se. 1. com a finalidade de subsidiar os trabalhos nos diferentes campos de atuação do psicólogo. Para a autora. O termo avaliação é abrangente e nos remete a diferentes conceitos. Avaliação Psicológica para Alchieri e Noronha (2004) é: um exame de caráter compreensivo efetuado para responder questões específicas quanto ao funcionamento psíquico adaptado ou não de uma pessoa durante um período específico de tempo ou para predizer o funcionamento psicológico da pessoa no futuro. Suas estratégias aplicam-se a diversas abordagens e recursos disponíveis para o processo de avaliação (CUNHA. o conceito de avaliação psicológica é muito amplo.br UNIDADE II: PSICODIAGNÓSTICO E TESTES Definição e Caracterização De acordo com o Dicionário Aurélio (1999). Valor determinado pelos avaliadores”. sugiram. Ato ou efeito de avaliar (-se). sustentem o processo de tomada de decisão em algum contexto específico no qual a decisão precisa levar em consideração informações sobre o funcionamento psicológico (p. Segundo Cunha (2000).

). descrever e compreender. 2000). com papéis bastante definidos e com um contrato. presentes e futuros desta personalidade (OCAMPO & ARZENO. etc. faz-se uma inter-relação destes com as informações obtidas a partir das hipóteses iniciais. advogados. Com os dados obtidos. esclarecer e determinar. para conhecer melhor suas necessidades e. 2000). de forma mais completa possível a personalidade total do paciente ou grupo familiar. em conjunto. principalmente quando recomendado por amigo ou outro membro da família (CUNHA. a quem de direito. 2000). pediatras. determinando-se quais dados devem ser apresentados para que seja possível a oferta de subsídios para recomendações e/ou decisões (CUNHA. assim.br A fim de caracterizar este processo. através de técnicas investigar. atentar-se para a finalidade da investigação.educapsico. para que as necessidades da fonte de solicitação sejam atendidas e seu trabalho tenha o impacto e crédito merecidos. Para tanto. Este. neurologistas. casos de procura espontânea do paciente ou familiar. juízes e pela comunidade escolar. Há também. 200). os resultados são comunicados. por fim. que encaminham seus clientes. o mais importante. como um processo científico. ao se observar a dificuldade que o solicitante do encaminhamento pode apresentar ao requerer uma avaliação psicológica. 35 . é de sua responsabilidade encontrar meios de manter contato e uma boa comunicação com os diferentes profissionais com quem trabalha. O profissional psicólogo deve. havendo uma pessoa que pede ajuda (paciente) e uma que recebe o pedido e se compromete em solucioná-lo na medida do possível. Mostra-se assim. o psicólogo. Sua duração é limitada e seu objetivo é conseguir. É importante ainda salientar a qual público o psicólogo que realiza psicodiagnóstico atende. geralmente. e uma seleção e integração com os objetivos do psicodiagnóstico. abrangendo aspectos passados. uma vez que parte do levantamento prévio de hipóteses que serão confirmadas ou refutadas por meio de um plano de avaliação com passos e técnicas predeterminadas e objetivos específicos (CUNHA. o que se espera dele (CUNHA. tem-se que o mesmo se dá em uma situação bipessoal. é formado por profissionais médicos (psiquiatras. mas com menor freqüência.www. 2001).com.

A outra situação é quando o paciente é passível de teste. avaliações de déficit neurológico. que depende do motivo do encaminhamento. 1995. CUNHA. uma vez que interpreta diferenças de escores. b) Descrição: vai além da anterior. escolaridade. O primeiro. e. e que os mais comuns seriam os seguintes: a) Classificação simples: quando há a comparação da amostra do comportamento do examinado com os resultados obtidos por outros sujeitos de uma população com condições semelhantes à dele (idade. Isto confere ao profissional maiores condições de fazer escolhas mais acertadas quanto às técnicas e materiais a serem utilizados (ARZENO. identifica potencialidades e fracassos. inconsciente. ou finalidades. integrando-o. o último. sem esquecer-se de incluir tanto aspectos patológicos quanto adaptativos (OCAMPO & ARZENO.com.www.br Objetivos O principal objetivo do processo psicodiagnóstico é conseguir uma descrição e compreensão da personalidade do paciente. a possibilidade da realização de um 36 .educapsico. em uma avaliação intelectual. para verificar através da comparação com outros pacientes da mesma categoria diagnóstica o que este tem em comum com ela. de forma a explicar a dinâmica do caso como aparece no material. Dentre os motivos que levam a este tipo de consulta tem que se distinguir basicamente dois tipos: o motivo latente e o motivo manifesto. caracterizado por ser o mais oculto. que às vezes nem o cliente tem muita certeza. como p. 2001). Cunha (2000) aponta que existem um ou vários objetivos em um processo psicodiagnóstico. sendo assim. 1995). c) Classificação nosológica: as hipóteses iniciais são testadas tendo como referência critérios diagnósticos. o profissional deverá fazer um julgamento clínico acerca da presença ou não de sintomas significativos. além de descrever o desempenho do paciente. posteriormente. p.ex.ex. geralmente o motivo que aparece num primeiro momento. quando o cliente é perguntado sobre o porquê da consulta (ARZENO. Uma refere-se ao paciente não testável. e são classificados de maneira resumida e simplificada. o mais consciente. os dados são fornecidos de modo quantitativo. assim. É de suma importância que o psicólogo tenha ciência sobre qual a finalidade. 2000). Uma avaliação com este objetivo pode ser realizada em diferentes situações. num quadro global. do psicodiagnóstico a ser realizado. sexo).

ansiogênicas ou difíceis. d) Diagnóstico diferencial: são investigadas irregularidades e inconsistências dos resultados dos testes e/ou do quadro sintomático para diferenciar categorias nosológicas. estes permitem evidências mais precisas e objetivas. mas também é de grande utilidade numa avaliação individual.www. mais aprofundada. examinam-se funções do ego (insight) e condições do sistema de defesas para que a indicação terapêutica e/ou a previsão das possíveis respostas aos mesmos possam ser facilitadas. h) Prognóstico: pode avaliar condições que possam influenciar. de algum modo. o psicólogo de ter um vasto conhecimento em psicopatologia e sobre técnicas sofisticadas de diagnóstico. através da bateria de testes – nesta situação não caberia somente conferir quais critérios diagnósticos são preenchidos pelo paciente. Tentase determinar o nível de funcionamento da personalidade.educapsico. para atingir uma maior população em um menor número de tempo. Não há uma necessidade explícita do uso de testes. conflitivas. uma vez que enfoca a personalidade de modo global. avaliar riscos. utilizando uma dimensão mais aprofundada. mas a ultrapassa por pressupor um nível mais elevado de inferência clínica. avaliação de incapacidade ou de comprometimentos psicopatológicos que possam se associar com 37 . e as hipóteses iniciais podem ser testadas cientificamente. Requer uma condução diferenciada das entrevistas e dos materiais de testagem. i) Perícia forense: contribui na resolução de questões relacionadas com “insanidade”. g) Prevenção: propõe identificar problemas precocemente. psicodinamismos e chegando a uma compreensão do caso com base num referencial teórico. competência para o exercício de funções de cidadão. f) Entendimento dinâmico: similar à avaliação compreensiva. A classificação nosológica auxilia na comunicação entre profissionais e contribui para o levantamento de dados epidemiológicos de uma comunidade. Para tanto. Geralmente são utilizados recursos de triagem. por um reteste futuro. investigando conflitos. alternativas diagnósticas ou natureza da patologia. estimar forças e fraquezas do ego. e) Avaliação compreensiva: considera o caso num sentido mais global.br psicodiagnóstico se faz possível. como sua coleta de dados estatísticos. que podem contribuir na avaliação dos resultados terapêuticos. porém. na direção histórica do desenvolvimento. de sua capacidade para enfrentar situações novas. níveis de funcionamento. Ressalta-se que esta área ainda exige maior estudo para aprimorar tanto a adequação da testagem utilizada.com. no curso de um caso.

Em alguns casos se mostra de suma importância as entrevistas incluindo os membros mais implicados na patologia do paciente e/ou grupo familiar..www. sendo estas sanadas com instrumentos próprios para elas. • 3º momento: realização da estratégia diagnóstica planejada. Ocorre o levantamento quantitativo e qualitativo dos dados. correlacionar os instrumentos entre si e com as histórias obtidas no primeiro momento. portanto. as ansiedades. É relevante salientar que não deve haver um modelo rígido de psicodiagnóstico. • 4º momento: estudo do material coletado. defesas. geralmente o psicólogo deve responder uma série de quesitos pra instruir em decisões importantíssimas do processo. precisa e objetiva. Nela ocorre a comunicação dos resultados obtidos. demonstrando necessidades únicas. Nesta etapa faz-se a integração dos dados e informações. sendo esta referente ao momento em que o consultante faz a solicitação de avaliação até o encontro com o profissional. isto deve ser feito de forma clara. fantasias. sendo que a única diferença entre estes está no fato de que Arzeno considera uma etapa anterior às apresentadas a seguir. Etapas do processo Os passos do psicodiagnóstico não apresentam muitas diferenças de autor para autor. As etapas são as seguintes: • 1º momento: realização da(s) primeira(s) entrevista(s) para levantamento e esclarecimento dos motivos (manifesto e latente) da consulta. uma vez que cada caso é único. etc. as orientações a respeito do caso e o encerramento do 38 . • 5º momento: entrevista de devolução.br infrações de leis.com. e a construção da história do indivíduo e da família em questão. Nesta etapa ocorre a definição das hipóteses iniciais e dos objetivos do exame. encontrar o significado de pontos obscuros.educapsico. buscando recorrências e convergências dentro do material. • 2º momento: reflexão sobre material coletado na etapa anterior e sobre as hipóteses iniciais a fim de planejar e selecionar os instrumentos a serem utilizados na avaliação. formulando inferências por estas relações tendo como ponto de partida as hipóteses iniciais e os objetivos da avaliação. aqui será utilizado um modelo baseado em Cunha (2000) e Arzeno (1995).

e sim.educapsico. Ao final do processo psicodiagnóstico. Seu objetivo é apresentar materialmente um resultado conclusivo de acordo com a finalidade proposta de consulta. 39 . O psicólogo deve se lembrar de que o processo psicodiagnóstico não é agradável para o paciente. Quando o paciente é um grupo familiar. portanto. uma vez que. ou diversas vezes. ocorra um espaço para que uma conversa se instaure.www. estudo ou prova e deve restringir as informações fornecidas às estritamente necessárias à solicitação (objetivo da avaliação). evita que a(s) entrevista(s) inicial(is) se torne(m) um inquérito sem fim. o chamado laudo psicológico. geralmente. explicita em linguagem acessível e compreensível o que é esperado do paciente em cada etapa do processo (principalmente quando são utilizados testes). a devolutiva e as conclusões são transmitidas a todos.com. 2008). para que possíveis dúvidas possam ser sanadas e encaminhamentos realizados com maior esclarecimento. com a intenção de preservar a privacidade do paciente (SILVA. é necessário que o psicólogo forneça um documento contendo as observações e conclusões a que chegou. que neste momento.br processo. dependendo da fonte solicitante. faz-se uma devolutiva de forma separada para o paciente (em primeiro lugar) e outra para os pais e o restante da família. Isto é possível quando o profissional explica como se dá o processo já num primeiro encontro. causando muita ansiedade. é importante ter bastante cuidado para não tornálo persecutório. sem que haja a oportunidade do paciente ou familiares expressarem suas reações. NOTA: cada etapa do processo psicodiagnóstico está descrita de maneira mais detalhada no capítulo 11 de Cunha (2000). Ela pode ocorrer somente uma vez. Trata-se de um parecer técnico que visa subsidiar o profissional a tomar decisões e é um dos principais recursos para comunicar resultados de uma avaliação psicológica. procura evitar que a entrevista de devolução seja uma mera transmissão de conclusões.

Entrevistas estruturadas: Tem pouca utilidade na área clinica. diferente da entrevista estruturada. o entrevistado. Ela é mais utilizada em pesquisas onde se destinam basicamente no levantamento de informações. a entrevista tem seus próprios procedimentos empíricos através dos quais não somente se amplia e se verifica. o entrevistador. mas que consiga dar mais detalhes sobre os acontecimentos relatados. s/d). as entrevistas podem ser classificadas em relação ao aspecto formal em: estruturada. Enquanto técnica. entre duas ou mais pessoas com o propósito previamente fixado no qual uma delas. absorve os conhecimentos científicos disponíveis (Gonçalves da Silva. Neste tipo de entrevista o profissional tem claro o seu objetivo e utiliza procedimentos e técnicas para que o sujeito não fuja do foco.br ENTREVISTA PSICOLÓGICA7 Tipos de entrevista A entrevista psicológica.www.educapsico. semi-estruturada e livre de estruturação. procura saber o que acontece com a outra. praticamente. mas. a entrevista psicológica é “um campo de trabalho no qual se investiga a conduta e a personalidade de seres humanos” (p. também. Entrevistas livres de estruturação: Não tem o roteiro pré-estabelecido. como nas clínicas sociais. simultaneamente.21). segundo Cunha (2000) é um processo bidirecional de interação. 40 . É utilizada. De acordo com TAVARES (2000). de que tipo de informação é necessária para atingi-los.com. São assim denominadas porque o entrevistador tem clareza de seus objetivos. Entrevistas semi-estruturadas: Tem um roteiro com tópicos pré-estabelecidos. Para Bleger (1980). em que condições devem ser investigadas e como devem ser consideradas. na saúde pública e na psicologia hospitalar. como um questionário. quando ou em que seqüência. de como essa informação deve ser obtida. no entanto tem certa estruturação. procurando agir conforme esse conhecimento. São de grande utilidade em settings onde é necessário ou desejável a padronização de procedimentos e registro de dados.

Idade em anos redondos (ex. por exemplo. Cor. Número do prontuário. 41 . Profissão. em não mais de duas linhas. Nacionalidade. Estado civil – não necessariamente a situação legal. mas se o paciente se considera ou não casado. apresentaremos um roteiro com as etapas da anamnese apresentado por JOBIM LOPES (S/D.www. conforme veremos a seguir. Sexo. É fundamental para avaliar a gravidade da crise. pois nesses casos. O objetivo principal é o levantamento detalhado da história de desenvolvimento da pessoa. principalmente na infância. como qualquer outro tipo de entrevista.br Segundo TAVARES (2000) todas as entrevistas requerem uma etapa de apresentação da demanda. Anamnese É um tipo de entrevista que tem a intenção de ser um ponto inicial para obtenção de um diagnóstico. Caso o paciente traga várias queixas. possui formas ou técnicas corretas de serem aplicadas. torna-se necessário ou imprescindível o encaminhamento para um apoio medicamentoso. registra-se aquela que mais o incomoda e. de reconhecimento da natureza do problema e da formulação de alternativas de solução e de encaminhamento. Entrevista de triagem O objetivo principal é avaliar a demanda do sujeito e fazer encaminhamento. Considerada um processo de triagem.pro. Uma anamnese. Grau de instrução.br).QUEIXA PRINCIPAL (QP): Explicita-se o motivo pelo qual o paciente recorre ao Serviço em busca de atendimento. Ao seguir as técnicas pode-se aproveitar ao máximo o tempo disponível para o atendimento.educapsico. numa situação de coabitação. onde se procura obter informações suficientes para se fazer o encaminhamento do entrevistado para profissional e/ou tratamento adequado.anchyses. texto adaptado de http://www. preferencialmente. Religião. “35 anos”). é uma entrevista que busca relembrar todos os fatos relevantes da vida do paciente e que se relacionam direta ou indiretamente à queixa do mesmo. . Elas podem ser classificadas em relação aos seus objetivos.com. -IDENTIFICAÇÃO: Nome do paciente. Abaixo. Em outras palavras.

relacionamento social.Escolaridade: anotar começo e evolução. se algum fato desencadeou a doença ou episódios semelhantes que pudessem ser correlacionados aos sintomas atuais. traumatismos emocionais ou físicos.Sintomas neuróticos da infância: medos. Aqui também são anotados. cesariana). dados sobre a infância. chupar o dedo ou chupeta (até que idade). Averigua-se se já esteve em tratamento.com. terror noturno. a época em que começou o distúrbio. etc. relações com professores e colegas. especiais aptidões e dificuldades de aprendizagem. roer unhas. escolha da profissão. registra-se: “Não faz uso de medicamentos”. os medicamentos tomados pelo paciente (suas doses. Se o paciente foi uma criança precoce ou lenta. de forma sucinta. Apreciam-se as condições: De nascimento e desenvolvimento: gestação (quadros infecciosos. Indaga-se se houve instalação súbita ou progressiva. deambulação (ato de andar ou caminhar). o que sente. jogos mais comuns ou preferidos. uso de fórceps. Caso não tome remédios. -HISTÓRIA PESSOAL (HP): Coloca-se. como foi o desenvolvimento da linguagem e a excreta (urina e fezes). amizades. como vem se apresentando. separando-se cada tópico em parágrafos.br . sonilóquio (falar dormindo). tiques. duração e uso). além do auxílio à compreensão da ligação passado-presente.educapsico. Pede-se ao paciente que explique. tartamudez (gagueira). ser uma criança modelo.HISTÓRIA DA DOENÇA ATUAL (HDA): Aqui se trata apenas da doença psíquica do paciente. formação de grupos. dentição. como foi realizado e quais os resultados obtidos. divertimentos. . aprendizado sobre sexo. condutas impulsivas (agressão ou fuga). bem como o que sente atualmente. popularidade. . interesse por esportes. relacionamento com os pais. educação. prematuridade ou nascimento a termo). sob que condições melhora ou piora. se houver. parto (normal. escolaridade. O objetivo é observar a capacidade de estabelecer vínculos. . o mais claro e detalhado possível. sonambulismo. se houve internações e suas causas. condições ao nascer. enurese noturna. Registram-se o sintomas mais significativos. crises de nervosismo.Lembrança significativa: perguntar ao paciente qual sua lembrança antiga mais significativa que consegue recordar. rendimento escolar. 42 .www.

doenças. Caso não faça uso. namoros. 43 . jogos sexuais. alterações psíquicas. ocupação. emotividade. .Lar: neste quesito. saúde. ambições e circunstâncias econômicas atuais. saúde. fumo ou quaisquer outras drogas”. as relações dos parentes entre si e destes com o paciente.Cônjuge: idade. . condições maritais. . estão mobilizando toda a família. convulsões e sua freqüência.Hábitos: uso do álcool. . causa e data do falecimento. no momento. a história menstrual (menarca: regularidade.com. acidentes. traumatismos (sintomas. em poucas palavras. nas mulheres. desmaios. desvios sexuais. frigidez ou impotência.educapsico. personalidade. descreve-se.Filhos: número. cólicas e cefaléias. . datas. como nervosismo. vida sexual. . experiências sexuais extraconjugais. depressão. Viroses comuns da infância. ocupação e personalidade. personalidade. atitude ante o sexo oposto. fumo ou quaisquer outras drogas. internações e tratamentos. Indagar se há caso de doença mental. operações. aposentadoria.Pais: idade. Devem constar somente as doenças físicas.www.Irmãos: idade. se mortos. separações e recasamentos. . compatibilidade. se houver. personalidade. última menstruação). medidas anticoncepcionais.História sexual: aqui se registram as primeiras informações que o paciente obteve e de quem. -HISTÓRIA PATOLÓGICA PREGRESSA (HPP): Nesta etapa.br . a atmosfera familiar. satisfação no trabalho. início da atividade sexual.Puberdade: época de aparição dos primeiros sinais. Verificar se há caso de doença mental em um deles ou ambos. duração e quantidade dos catamênios. idades. ocupação. investigam-se os antecedentes mórbidos do paciente. assinalar: “Não faz uso de álcool. as primeiras experiências masturbatórias.Trabalho: registrar quando o paciente começou a trabalhar. regularidade nos empregos e motivos que levaram o paciente a sair de algum deles. menopausa. os acontecimentos mais importantes durante os primeiros anos e aqueles que. intimidades. diferentes empregos e funções desempenhadas (sempre em ordem cronológica). recasamentos.HISTÓRIA FAMILIAR (HF): O item deve abrigar as relações familiares: . homossexualismo. de cada um deles. irritabilidade. . duração).

coerência e pertinência das respostas dadas ao entrevistador. o primeiro sentido de orientação que se perde é o do tempo. observando se o paciente faz esforço para manter o diálogo e levar a entrevista a termo. precisão e cronologia das informações que o próprio paciente dá. ou se o paciente chega mesmo a cochilar. o que se espera que seja registrado aqui são aspectos objetivos que justifiquem os termos técnicos que serão empregados posteriormente na súmula. depois o do espaço. Os diversos aspectos que integram o exame psíquico são: . Com relação à memória recente (anterógrada). assim como a observação da capacidade de fixação. . O exame da memória passada (retrógrada) faz-se com perguntas sobre o passado do paciente. a desorientação do próprio eu (identidade e corpo). se a confusão mental interfere na exatidão das respostas. por exemplo. . no momento da(s) entrevista(s). com atenção em tudo ao redor) e a tenacidade (capacidade de se concentrar num foco). porém. difusa.com. cessa o relato do paciente e passa-se a ter o registro da observação do entrevistador ou terapeuta. . Consciência.br -EXAME PSÍQUICO (EP): Neste ponto da anamnese. a consciência se revela na sustentação. como no caso do sujeito autista. que se fazem com lentidão. que envolve deslocamento e localização e. No exame psíquico.Consciência: a capacidade do indivíduo de dar conta do que está ocorrendo dentro e fora de si mesmo. Contradições nas informações podem indicar dificuldades. atividades psicomotora e comportamento. Em geral. podem ser feitas perguntas rápidas e objetivas.educapsico. Cabe ao entrevistador avaliar o grau de alteração da consciência. adormecer no curso da entrevista. como “O que 44 . não se usam termos técnicos. aqui. será a indicação do processo psíquico complexo. num estado mais grave. Na prática. que é capaz de integrar acontecimentos de um determinado momento numa atividade de coordenação e síntese. O paciente não pode ter essas duas funções concomitantemente exaltadas (o paciente maníaco. atitude para com o entrevistador e atividade verbal. esclerosado ou esquizofrênico catatônico.Orientação: A orientação pode ser inferida da avaliação do estado de consciência e encontra-se intimamente ligada às noções de tempo e de espaço.Atenção: Destaca-se a vigilância (consciência sem foco. data de acontecimentos importantes. pode tê-las rebaixadas.Apresentação: Refere-se à impressão geral que o paciente causa no entrevistador. . é hipervigil e hipotenaz).Memória: A função mnésica pode ser avaliada pela rapidez.www. Compreende aspectos como aparência.

incontinência emocional. angustiado. eufórico.www. ansioso. irritabilidade. apavorado. . se pode transformar-se em pedra ou algo estático. estereotipias posturais. se o paciente apresenta maneirismos.Linguagem: Neste tópico. etc. 45 . agitada ou exaltada. se existe eletricidade ou outra força que o influencie. . Observa-se. expansivo. atônito. zangado. tristeza. É o que se pode observar com mais facilidade numa entrevista. irritável. flexibilidade cérea. fútil.Humor: O humor é mais superficial e variável do que a afetividade. É como o paciente diz sentir-se: deprimido.Pensamento: Este item da anamnese é destinado à investigação do curso. . se alguém lhe rouba os pensamentos. .Afetividade: Pesquisa-se estados de euforia. inibida. se houver necessidade. no qual o indivíduo reflete subjetivamente a realidade objetiva.Inteligência: É mais para se constatar se o paciente está dentro do chamado “padrão de normalidade”. . autodepreciativo. . diminuída. se sente que não existe ou se é capaz de adivinhar e influenciar os pensamentos dos outros. angústia. o comportamento do paciente. Interessa a autonomia que o paciente tenha.Consciência do Eu: O terapeuta orientará sua entrevista no sentido de saber se o paciente acha que seus pensamentos ou atos são controlados por alguém ou forças exteriores.Psicomotricidade: A psicomotricidade é observada no decorrer da entrevista e se evidencia geralmente de forma espontânea. ainda. Fundamenta-se na capacidade de perceber e sentir. Averigua-se se está normal. automatismos. é uma emoção difusa e prolongada que matiza a percepção que a pessoa tem do mundo. . a sua capacidade laborativa. Sua normalidade e alterações estão intimamente relacionadas ao estudo do pensamento.Sensopercepção: É o atributo psíquico. ambivalência e labilidade afetivas.br você fez hoje?” ou dizer um número de 4 ou 5 algarismos ou uma série de objetos e pedir para que o paciente repita após alguns minutos.educapsico. culpado. de maneira geral. Aqui se faz uma análise do discurso do paciente. o que irá nos interessar é o exame da linguagem falada e escrita. se sente hipnotizado ou enfeitiçado. forma e conteúdo do pensamento. .com. pois é pela linguagem que ele passa ao exterior. ecopraxia ou qualquer outra alteração. Para o exame da memória de retenção pode-se pedir ao paciente que repita algarismos na ordem direta e depois inversa.

-HIPÓTESE PSICODINÂMICA: A hipótese psicodinâmica e a atuação terapêutica deverão constar em outra folha à parte. mesmo que sejam juízos contraditórios (sugestionabilidade patológica). Há que se ter uma escuta que vá além do que possa parecer à primeira vista. etc. reforçada ou contestada por outro profissional ou exames complementares. Uma avaliação psicodinâmica não prescinde da avaliação realizada na anamnese. analisa-se se o paciente exerce atividades práticas como comer. propõe-se uma hipótese de diagnóstico.SÚMULA PSICOPATOLÓGICA: Uma vez realizado e redigido o exame psíquico.Consciência da doença atual: Verifica-se o grau de consciência e compreensão que o paciente tem de estar enfermo. 46 . Pode ser considerada. trabalhar. . deverão constar na súmula os termos técnicos que expressam a normalidade ou as patologias observadas no paciente. ter auto-preservação. conseguir realizar o que se propõe e adequar-se à vida. opor-se de forma passiva ou ativa. A compreensão da vida intrapsíquica do paciente é de fundamental importância no recolhimento de dados sobre ele.br . como uma extensão valiosa e significativa dela. que poderá ser esclarecida. cuidar de sua aparência.Vontade: O indivíduo pode se apresentar normobúlico (vontade normal) ter a vontade rebaixada (hipobúlico). se houver necessidade. às solicitações (negativismo). uma exaltação patológica (hiperbúlico). duvidar exageradamente do que quer (dúvida patológica). . inclusive. pode responder a solicitações repetidas e exageradas (obediência automática). assim como a sua percepção de que precisa ou não de um tratamento. Um entendimento psicodinâmico do paciente auxilia o terapeuta em seu esforço para evitar erros técnicos. realizar atos contra a sua vontade (compulsão).Pragmatismo: Aqui. pode concordar com tudo o que é dito. . . dormir.HIPÓTESE DIAGNÓSTICA: De acordo com o que pode ser observado durante a entrevista. Trata-se de um resumo técnico de tudo o que foi observado na entrevista.www.educapsico.com.

Implica descrever. ideação suicida) para a classificação de um quadro ou síndrome (Transtorno Depressivo Maior). bem como as indicações terapêuticas adequadas. 47 . O primeiro visa á descrição de sinais (como por exemplo: baixa autoestima. tendo em vista uma abordagem teórica.com. De certo modo. explicá-la e possivelmente modificá-la. Podem ser sindrômicas ou dinâmicas. relaciona e inferir. de um processo amplo de avaliação que inclui testagem psicológica. toda entrevista clínica comporta elementos diagnósticos. sentimentos de culpa) e sintomas (humor deprimido. O diagnóstico psicodinâmico visa á descrição e à compreensão da experiência ou do modo particular de funcionamento do sujeito. empregamos o termo diagnóstico de modo mais específico.www. Visa estabelecer o diagnóstico e o prognóstico do paciente. É importante.br Entrevista Diagnóstica É parte. na maioria das vezes. pois permite ao sujeito expressar pensamentos e sentimentos em relação às conclusões e recomendações do entrevistador. definindo-o como o exame e a análise explícitos ou cuidadosos de uma condição na tentativa de compreendê-la. avaliar. Entrevistas sistêmicas Geralmente são utilizadas para avaliar casais e famílias e podem focalizar a avaliação da estrutura ou da estória familiar. Essas técnicas são muito variadas e fortemente influenciadas pela orientação teórica do entrevistador. Entrevistas de devolutiva Tem por finalidade comunicar ao sujeito o resultado da avaliação.educapsico. tendo em vista a modificação daquela condição. A entrevista diagnóstica pode priorizar aspectos sindrômicos ou psicodinâmicos. Em outro sentido.

relacionais ou sistêmicos (indivíduo. no sentido de estar inteiramente disponível para o outro naquele momento sem a interferência de outras pessoas. está facilitando ou dificultando o processo. é importante explorarmos um pouco o que seriam este plano de avaliação e as técnicas subjacentes a este. com passos e técnicas predeterminadas e objetivos específicos. dirigido por um entrevistador treinado. ou seja. de forma a otimizar o encontro entre a demanda do sujeito e os objetivos da tarefa. com o objetivo de descrever e avaliar aspectos pessoais. Estar presente. rede social). em uma relação profissional.educapsico.com. Todos os tipos de entrevista têm alguma forma de estruturação na medida em que a atividade do entrevistador direciona a entrevista no sentido de alcançar seus objetivos (TAVARES. Segundo TAVARES (2000) para realizar uma entrevista de modo adequado o entrevistador deve ser capaz de: 1. Quando o entrevistador confronta uma defesa. casal. Papel do entrevistador É necessário habilidades do entrevistador para que ele esteja preparado para lidar com o direcionamento que o sujeito parece querer dar a entrevista. família. A entrevista clínica é dirigida. tem objetivos definidos e é através dela que o entrevistador estrutura sua intervenção. que utiliza conhecimentos psicológicos. de tempo delimitado. em um processo que visa a fazer recomendações. ele empaticamente reconhece ou pede esclarecimentos. Portando é necessário que o entrevistador domine as especificações da técnica.www. Plano de Avaliação e Bateria de Testes Relembrando que o processo psicodiagnóstico parte do levantamento prévio de hipóteses que serão confirmadas ou refutadas por meio de um plano de avaliação. encaminhamentos ou propor algum tipo de intervenção em benefício das pessoas entrevistadas. 48 . 2000).br Entrevista Clínica De acordo com TAVARES (2000) A entrevista clínica é um conjunto de processos de técnicas de investigação.

O plano de avaliação consiste então em traduzir as perguntas sugeridas inicialmente em testes e técnicas. 2000). O que irá confirmar ou refutar as hipóteses de modo mais seguro (CUNHA. 2. diminuindo assim a margem de erro e provendo um fundamento mais embasado para se chegar a inferências clínicas (Exner. na maioria das vezes. que são incluídos no processo psicodiagnóstico para fornecer subsídios que permitam confirmar ou infirmar as hipóteses iniciais. 2000). procura-se identificar quais recursos auxiliariam o investigador (neste caso o psicólogo) a estabelecer uma relação entre suas hipóteses iniciais e suas possíveis respostas (CUNHA. Como pode ser observado então. etc. 1980 apud CUNHA. que podem variar entre dois e cinco ou mais instrumentos. este plano só é estabelecido após entrevistas com o sujeito e/ou responsável (CUNHA.) (ARZENO. 2000). Por isto. programando a administração de alguns instrumentos que sejam adequados e especialmente selecionados para fornecer subsídios para se chegar às respostas das perguntas iniciais. internação. fatores situacionais (ex: medicação. Um dos fatores que podem colaborar com a escolha do material mais adequado para a investigação é o encaminhamento feito por outro profissional.com. Por se considerar que nenhum teste sozinho conseguiria fazer uma avaliação abrangente da pessoa como um todo. 2000). Segundo Cunha (2000). esta informação não é suficiente. e que a opção por um específico deve levar em consideração os seguintes itens: características demográficas do sujeito (idade.). o qual se caracteriza por ser um processo. uma vez que este sugere um objetivo para o exame psicológico. atendendo o objetivo da avaliação”. nível sociocultural.br Através do plano de avaliação. sexo. o plano de avaliação envolve a organização de uma “bateria de testes”. É importante ressaltar que a testagem de uma hipótese pode ser feita por diferentes instrumentos. 2000). esta é uma expressão usada para designar “um conjunto de testes ou de técnicas. 1995. CUNHA.educapsico. A bateria de testes é utilizada principalmente por duas razões: 1. motores. suas condições específicas (comprometimentos sensoriais. cognitivos – permanentes ou temporários). o psicólogo deve complementá-la e confrontá-la com os dados objetivos e subjetivos do caso. etc.www. Por se acreditar que o uso de diferentes testes envolve a tentativa de uma validação intertestes dos dados obtidos. Porém. 49 .

Cunha (2000) apresenta dois tipos de principais de baterias de testes: . e qualidade ansiogênica. e as características individuais do paciente (ARZENO.www. grau de dificuldade. ao se organizar a bateria de testes. o quanto de ansiedade pode gerar. 50 .nestas a organização da bateria provém de vários estudos. mas o psicólogo pode incluir alguns testes. tempo de administração. 1995. iniciando e terminando o processo com testes pouco ou não-ansiogênicos para o paciente. Complementando. . baseando-se nisto. tipo. Quanto a isto.e as não-padronizadas: mais comuns na prática clínica . Sendo assim. coloca-se que o conveniente seria que houvesse uma alternância entre técnicas projetivas e psicométricas. propriedades psicométricas. maior a mobilização de ansiedade.br Porém. e. que auxiliam a realização de exames bastante específicos. Devido à grande variedade de questões iniciais e aos objetivos do psicodiagnóstico. para o segundo ponto. desnecessariamente. e quais as características e particularidades tanto do teste em si como de sua aplicação. conseqüentemente. CUNHA. é o sujeito e não o teste.educapsico. de acordo com sua natureza. E sua distribuição e seqüência devem ser consideradas levando-se em conta o tempo de aplicação. determina-se o número e tipos de testes. durante o plano de avaliação. Lembrando-se que o mais importante. grau de dificuldade. é importante ressaltar. Cunha (2000) propõe que à medida que são apresentadas as técnicas projetivas.com.a bateria de testes é selecionada de acordo com o objetivo da consulta e características do paciente. para não aumentar.as padronizadas: para avaliações mais específicas . deve-se revisar quem é o cliente. constantemente a bateria de testes é composta por testes psicométricos e técnicas projetivas. o foco da investigação. por oferecer estímulos pouco estruturados e o paciente ter que se responsabilizar pela situação e respostas dadas (uma vez que não há certo e errado). que embora isto garanta maior segurança nas conclusões. seu valor persecutório. o número de sessões do psicodiagnóstico e. não se deve utilizar um número extensivo de testes. se necessário. como alguns exames neuropsicológicos. 2000).

uma pessoa saudável por exemplo. englobando o bem estar físico. para outros nas variáveis econômicas.www. 51 . tal pobreza conceitual pode ter sido resultado da influência da indústria farmacêutica e da cultura. Esta seria a dimensão psicológica da saúde. porém com características individuais. Por outro lado. Do ponto de vista epistemológico. a dificuldade de conceituar saúde é reconhecida desde a Grécia antiga. em que a experiência da doença relatada pelo doente se transforma em queixas que são traduzidas. ALMEIDA-FILHO. vêm propiciando um movimento que busca ressuscitá-la como objeto científico (COELHO. a divisão do corpo humano. desde a década de 1970. criando.educapsico. Para alguns autores a definição está sob o foco do indivíduo. juntamente com os sintomas. Entretanto. que têm restringido o interesse e os investimentos de pesquisa a um tratamento teórico e empírico da questão da saúde como mera ausência de doença. não é somente aquela que está com ausência de dor. A carência de estudos sobre o conceito de saúde propriamente definido parece indicar uma dificuldade da ciência em abordar o termo de maneira ampla. mas tratar a saúde. psíquico e social. condições adequadas para que ela ocorra. culturais e sociais.com. Czeresnia (2003) coloca que tanto a saúde como o adoecer são manifestações subjetivas e singulares. 2002). a prevenção. têm gerado reações contra a expropriação da saúde e. composta por duas dimensões: 1) social. Para Épinay (1988) a saúde seria responsabilidade de cada um e ao médico competiria. tratamento e reabilitação. que corresponde a ausência da doença. em colaboração com o paciente.br UNIDADE III: PSICOLOGIA HOSPITALAR/SAÚDE O que é Saúde? O termo saúde gera controvérsias na literatura. Neste caso. compreendida como bem estar do indivíduo e 2) biológica. com o surgimento das várias especialidades médicas. implicam na participação do comportamento do indivíduo. não curar. Miyazaki e Amaral (1995) conceituam saúde dentro de uma perspectiva integradora. a tecnologização das práticas e a fragmentação do saber. Avançado para além da díade médicopaciente. pois saúde pode ser mais do que isso. para uma linguagem técnica e objetiva pertinente a área médica.

como a sabedoria popular de algumas culturas. bem como da perspectiva negativa. contra o HIV ou a dengue podem ser consideradas como exemplo. estratégias que culminam no controle social da doença. Exemplo destas práticas seria. cultural. passível de transformação a partir da experiência de enfermidade ou pela exposição a ambientes que oferecem riscos. da psicanálise. Neste caso a saúde teria relação com tratamentos. significados. psicológicos e sociais a qual significaria: . bem como as ações em torno deste. O termo saúde secundária refere-se aos critérios do estado de saúde ou doença de grupo social. social e política. Para Sarriera et al (2003) esta definição traz a idéia de saúde como um conceito integral. perspectivas de melhoras. apresentamos a definição adotada pela Organização Mundial de Saúde (OMS). a circuncisão entre os judeus ou o uso de chás para alguns povos indígenas. O modelo biomédico poderia ser incluso nesta categoria. que passara a ser questionado por sua limitação. devido ao paradigma organicista. 52 . A saúde terciária seria a manifestação da expressão singular de normas instituídas pelo sujeito. No plano coletivo. como uma alternativa ao modelo biomédico. experiências já realizadas. saneamento básico.Filho (2002) apontam que o conceito de saúde pode ser visto de maneira positiva. deve-se considerar a noção de saúde primária como abrangendo também as vertentes universais de um conceito de saúde enriquecido pelas contribuições da epistemologia. Coelho e Almeida. da sociologia e da antropologia. Para OMS a definição de saúde é o estado completo de bem estar físico. etc.com. No nível primário a noção de saúde seria correspondente a indicadores tidos como universais.br De maneira contrária. ações como campanhas de vacinação. Neste caso o grupo partilha de práticas. visto que a saúde é também uma questão pessoal (psicológica). a qual foi elaborada no ano de 1948. como a ausência da doença e colocam que estas premissas não seriam suficientes para defini-lo propondo então. Enfim.que saúde não é o oposto de doença. mental e social e não a ausência de doença. secundário e terciário. que o termo saúde seja dividido em três níveis conceituais: primário.www.educapsico. resultante de aspectos físicos. fundamentado filosoficamente na dissociação cartesiana. ou seja. retomando a sensação de bem estar.

2002).que não se limita ao corpo e . as quais possuem informações importantes do estado de saúde de uma população ou sobre o sistema de saúde (RIPSA.Nutrição . natalidade.Mortalidade .que envolve outros setores sociais e econômicos. confiabilidade. representatividade.educapsico. etc. quanto maior. para além do indivíduo. Prevenção. Um índice é uma medida que proporciona indicadores de saúde e sua contribuição é efetiva se ele apresentar: validade. 53 . 2004). aspectos éticos.Serviço de Saúde Ações básicas de saúde: Promoção. malefícios às pessoas envolvidas. relacionado ao número da amostra.www. Barreiras e comportamentos de saúde.br .Crescimento e Desenvolvimento . Reabilitação. mais representativa.Gravidade . 2008) São exemplos de indicadores de saúde os seguintes: . que se refere a adequação para se medir o fenômeno estudado. prevenção e tratamento (CASTRO.Morbidade . Níveis de atenção à saúde.com.Incapacidade . Quando nos referimos ao hospital.Condições socioeconômicas . mas existem maneiras de prevenir ou de promover intervenções mesmo antes que a doença instale e decorra em prejuízos ao indivíduo. (MINISTÉRIO DA SAÚDE. Eles representam aspectos da saúde tais como mortalidade. Níveis de prevenção: promoção. capacidade de obter os mesmos resultados quando o procedimento é replicado. os dados não podem incorrer em prejuízos. BONRHOLDT.Sobrevivência . Indicadores de Saúde Podemos definir indicadores de saúde como medidas sínteses. automaticamente pensamos em algum tipo de doença já instalada.

secundário e terciário . por isso os indivíduos aprendem a se comportar assim.aplicada ao âmbito sanitário. limitando-se. sua atuação poderia ser incluída nos preceitos da Psicologia da Saúde. por exemplo) e comportamentos prejudiciais à saúde (por exemplo fumar). que podem ser primário. No que diz respeito à Psicologia Hospitalar. é necessário olhar para o contexto em que ele vive. secundário ou terciário. A Psicologia da Saúde propõem um trabalho amplo de saúde mental nos três níveis de atuação – primário. Assim. enfatizando as implicações psicológicas. 54 . para que o indivíduo tenha qualidade de vida. a grande maioria concorda que este fato não é explicado por um único fator. Barreiras e comportamentos de saúde Atualmente muito já se pesquisou e já se sabe sobre os comportamentos que contribuem para promoção de saúde. etc. por exemplo) e extrínsecos (aprendizagem familiar. Prevenção terciária: diz respeito ao trabalho com pessoas com problemas de saúde instalados. entretanto. Prevenção secundária: já existe uma demanda e o profissional atua prevenindo seus possíveis efeitos adversos.br Quando trabalhamos esta questão estamos falando em níveis de prevenção.www. Além disso. Um primeiro ponto é que vivemos em uma sociedade imediatista. a instituição-hospital e. por exemplo) são apontados por diferentes autores como explicação para as barreiras em se ter comportamentos voltados para promoção de saúde.educapsico. de apoio.) com pessoas infectadas pelo vírus HIV. muitos também concordam que não adianta buscar explicações apenas no indivíduo. Ex: trabalho com a população em geral na comunidade sobre os riscos do contágio do vírus da AIDS. ao trabalho de prevenção secundária e terciária. Ex: trabalho com pessoas que recorrem ao exame do HIV durante o período da espera pelo resultado. apesar desse conhecimento acumulado. sociais e físicas da saúde e da doença. Prevenção primária: relativo à promoção e educação para a saúde quando não existem problemas de saúde instalados. Contudo. nota-se que as pessoas continuam tendo comportamentos de risco (ter relações sexuais sem camisinha. Contudo. Dessa forma promover saúde pensando na sua vida daqui há alguns anos fica difícil para a grande maioria das pessoas. Ex: trabalho (de grupo. Como explicar esse fato? Há muitas explicações e não há um consenso de idéias.com. atuando para minimizar seu sofrimento. fatores intrínsecos ao sujeito (crenças e personalidade. psicoterápico. em conseqüência.

período marcado pela Revolução Francesa. era permitido ao louco vagar pelas ruas.com. No Brasil a loucura manteve-se silenciada por muito mais tempo.www. introduzindo exigências que não puderam ser feitas por muitos deles – dentre eles os loucos – e que deixados à deriva. diferentemente da Europa. em plena vigência da sociedade pré-capitalista. velhos. prevenção de deformidades mediante posturas adequadas e estimulação da fala para portadores de distúrbios de comunicação. não deixando que a insanidade viesse a público. Resgatando o histórico da Doença Mental O final do século XVIII e o início do século XIX.br Reabilitação As ações básicas de reabilitação visam favorecer a inclusão social. Enquanto na Europa a ruptura da ordem feudal e a emergência do capitalismo mercantil trouxeram consigo a necessidade de um novo homem. entre elas: pessoas com deficiência (física.). venéreos. No caso de exibirem comportamento violento eram recolhidos às cadeias. doentes. vieram a abarrotar as cidades e perturbar a ordem. moribundos. Nesse período.educapsico. 1987). o doente mental faz sua aparição na cena das cidades. os loucos se disseminavam entre os Hospitais Gerais. O louco era um indivíduo que não se adaptava aos padrões sociais vigentes. foi a época da ascensão da loucura como categoria de doença mental. 1997). tínhamos: mendigos. com suas manifestações diluídas na vastidão do território brasileiro (COSTA e TUNDIS. idosos. A função social da loucura era a exclusão do âmbito social de indivíduos “improdutivos que infestavam as cidades” (FOUCAULT. até mesmo os presos políticos. As técnicas de reabilitação podem ser usadas com diferentes populações. ou seja. sendo exemplos destas orientações para a mobilidade de portadores de deficiência visual. aqui. Casas de Detenção. Depósitos de mendigos e prisões familiares. No Brasil. entre outros. criminosos e. auditiva. indigentes. 55 . os loucos de “boa família”. etc. dependendo de caridade). Casas de Caridade. A função social da loucura variava de acordo com as classes sociais: enquanto os menos favorecidos eram submetidos à exclusão pública (vagavam pelos campos e mercados da cidade. aquelas que tinham recursos suficientes eram enclausurados em domicílio.

Para o seu tempo. cabe então a ela. Philippe Pinel Philippe Pinel (1745-1826). Tuke (1732-1822) foi um comerciante de café e chá. e em seu livro “La philosophie de la folie” (A filosofia da Loucura). contemporâneos de Pinel. considerou as doenças mentais como resultado de tensões sociais e psicológicas excessivas. Com o crescente aumento do número de loucos surge a necessidade de apropriação da loucura dentro de um paradigma científico. na Itália. Chiarugi e Daquin. e Joseph Daquin (17331815) médico francês. É importante salientar que a classificação da doença mental não decorre da teoria. como Tuke. e um filantropo. de Chambéry.educapsico. 1978).com. de causa hereditária. foi o primeiro a distinguir vários tipos de psicose e a descrever as alucinações. quando este se constituía um estorvo para o ambiente familiar imediato e para a comunidade (ALBUQUERQUE. desprezando a crendice entre o povo e mesmo entre os médicos de que fossem resultado de possessão demoníaca. O conceito de doença mental era muito mais restrito do que é atualmente e limitava-se aos aspectos eminentemente exteriores da loucura. estudou em Turin. a medicalização e tratamento dos doentes mentais. onde em 1788 aboliu o tratamento desumano dos pacientes. mas da questão prática da inclusão social ou do indivíduo não adaptado. Vale citar alguns estudiosos das doenças mentais. que fundou em 1792 um hospício em York na Inglaterra para dar tratamento humanitário aos doentes mentais. médico francês. no entanto. ao comportamento diretamente observável. Chiarugi foi o médico diretor do Asilo Bonifácio. em Florença.br Surgimento da Psiquiatria A psiquiatria nasce como produto das reformas operadas nas instituições sociais da França revolucionária. Pinel. ou ainda originadas de acidentes físicos. nem da prática experimental da psiquiatria. Com o nascimento da psiquiatria. e uma série de outros sintomas. o absentismo. A loucura passa a categoria de doença mental.www. em 1787 propôs um "tratamento moral" para os doentes mentais. sua obra “Nosographie Philosophique ou Méthode de lanalyse appliquée à la médecine” ("Classificação Filosófica das Doenças ou Método de Análise aplicado à 56 .

de 1798. o sexo. e vesicatórios. as condições de aparecimento da doença. a sintomatologia. (WIKIPÉDIA). com denúncias de maus tratos e violências aos doentes. um conjunto regular de sintomas característicos". que junto com a institucionalização. etc. contribuem para o estereótipo 57 . Pinel aboliu tratamentos como sangria. com o conceito novo de que a cada doença era "um todo indivisível do começo ao fim. continha descrições precisas e simples de várias doenças mentais. especificamente o DSM IV da Associação Americana de Psiquiatria e o CID 10 da Organização Mundial de Saúde (WIKIPÉDIA). em favor de uma terapia que incluía contato próximo e amigável com o paciente.www. Tem caráter autenticamente democrático e social. O que é a Reforma Psiquiátrica? O Movimento da Reforma Psiquiátrica no Brasil inicia-se na década de 70. pois busca os direitos do doente enquanto ser humano. a idade. purgações.br Medicina"). hoje esquizofrenia (WIKIPÉDIA). por tecnologias e por uma nova ética na assistência ao doente mental. pois classificou em duas formas distintas de psicoses o que antes era considerado um conceito unitário: Psicose maníacodepressiva e Demência precoce. Psiquiatria Moderna – Emil Kraepelin A psiquiatria moderna tem como principal representante Emil Kraepelin (18561926). discussão de dificuldades pessoais e um programa de atividades dirigidas. lutando por um gerenciamento competente e com treinamento adequado. a perspectiva prognóstica. o curso da moléstia. que englobava vários aspectos relativos à doença como: a etiologia. falta de recursos e más condições de trabalho. defende sua cidadania e novas formas de tratamento. Foi fundador de uma sistemática nosológica. As teorias de Kraeplin sobre a etiologia e diagnóstico de perturbações psiquiátricas são base dos maiores sistemas diagnósticos utilizados hoje. Luta por mudanças de hábitos.educapsico. a tendência à predisposição. hábitos. O Movimento muda a concepção da doença mental. psiquiatra alemão que é comumente citado como o criador da moderna psiquiatria. Preocupava-se também com a qualidade da administração das instituições. por mudanças culturais.com. O trabalho de Kraeplin é importante. psicofarmacologia e genética psiquiátrica.

produzse a tendência de psiquiatrização do social. a reforma coloca um novo olhar à psiquiatria. pelo movimento conhecido como Psiquiatria Democrática Italiana. a exclusão e a idéia de periculosidade do louco. nas propostas há uma preocupação em reduzir o número de pacientes internados e o tempo de internação dos mesmos. como vizinhos. 1995). De acordo com Teixeira (1993. teve como objetivo a desconstrução do paradigma psiquiátrico que legitimava a tutela. Tratava-se não apenas de detectar precocemente as situações críticas. para reinventar o 58 . agentes religiosos e etc.br do doente mental. Porém. A desinstitucionalização define-se por uma estratégia do novo paradigma que o movimento de luta social.www. da tentativa de construção a partir da psicanálise. São elas: o modelo das comunidades terapêuticas e o movimento da psiquiatria comunitária e preventiva. "de um novo modelo discursivo/organizacional que comanda e remodela as ações do cotidiano hospitalar". dentre outras experiências. a experiência das comunidades terapêuticas (1960/70) foi "uma reação às estruturas tradicionais do aparato asilar psiquiátrico". o de saúde mental. mas de organizar o espaço social de modo a prevenir o adoecimento mental. inclusive com intenção preventiva. propunha-se que a psiquiatria devia se organizar segundo um programa mais amplo de intervenção na comunidade. em que o psiquiatra deve controlar os agentes não-profissionais.educapsico. mantêm relação com o que aconteceria depois. Essa intenção preventivista traduzia-se na bandeira de promoção da saúde mental. assim. que institui as idéias de saúde mental (por oposição à doença mental) e de intervenção na comunidade. Duas referências anteriores. embora superadas pela reforma. As transformações na assistência psiquiátrica brasileira foram influenciadas. líderes comunitários. visando evitar o adoecimento mental. O segundo antecedente a ser mencionado é o movimento da psiquiatria comunitária e preventiva. Franco Basaglia (1924-1980). Tratava-se a grosso modo. Finalmente. ao se definir que o locus da intervenção deixa de ser a instituição psiquiátrica e passa a ser a comunidade. colocou em cena para modificar as relações de poder existentes na psiquiatria clássica. psiquiatra italiano e o principal representante desse movimento. fazse também referência à participação da família e da comunidade no tratamento em saúde mental (AMARANTE 1995). Como suposta alternativa à prevalência do asilo. de modo a resolvê-las sem que chegassem à internação.com. apud AMARANTE. tido como segregador.

que passa a protagonizar e a construir a partir deste período a denúncia da violência dentro dos manicômios.br modelo de assistência. passam a surgir às primeiras propostas e ações para a reorientação da assistência. em 1987. mas é a própria loucura como instituição social que precisa ser transformada. Já o termo desinstitucionalização requer. SP). na tradição basagliana. associações de familiares. adota o lema “Por uma sociedade sem manicômios”. antes de tudo. É sobretudo este Movimento. A experiência italiana de desinstitucionalização em psiquiatria e sua crítica radical ao manicômio são inspiradoras. O Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM). da hegemonia de uma rede privada de assistência. na cidade de São Paulo. com repercussão nacional. Desospitalizar significa atuar apenas no sentido da extinção de organizações hospitalares ou manicomiais. Não é o doente mental que deve ser desinstitucionalizado. em 1989. O ano de 1978 costuma ser identificado como o de início efetivo do movimento social pelos direitos dos pacientes psiquiátricos em nosso país. de se entender e de se relacionar com fenômenos sociais e históricos. na Colônia Juliano Moreira. membros de associações de profissionais e pessoas com longo histórico de internações psiquiátricas.a Casa de Saúde Anchieta. e a construir coletivamente uma crítica ao chamado saber psiquiátrico e ao modelo hospitalocêntrico na assistência às pessoas com transtornos mentais. e revela a possibilidade de ruptura com os antigos paradigmas. É esta intervenção. no Rio de Janeiro. levando às estratégias e ações transformadoras ao campo sócio-cultural. O II Congresso Nacional do MTSM (Bauru. como por exemplo. Neste mesmo ano. é realizada a I Conferência Nacional de Saúde Mental (Rio de Janeiro).000 internos no início dos anos 80. enorme asilo com mais de 2. Não se restringe e nem pode ser reduzida à desospitalização do louco. Desinstitucionalizar. e o início de um processo de intervenção. através de variados campos de luta. que 59 . Mas a crítica do autor à instituição psiquiátrica buscava ultrapassar a estrutura manicomial. movimento plural formado por trabalhadores integrantes do movimento sanitário. Nesse período. da mercantilização da loucura.com. em 1987. da Secretaria Municipal de Saúde de Santos (SP) em um hospital psiquiátrico .www. diz respeito à promoção de transformações que devem ultrapassar o aparato físico do manicômio. local de maustratos e mortes de pacientes. são de especial importância o surgimento do primeiro Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) no Brasil.educapsico. sindicalistas. o entendimento do termo instituição no sentido da complexidade das práticas e saberes que produzem formas de se perceber.

Ainda assim. dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas com transtornos mentais. de que a Reforma Psiquiátrica era possível e exeqüível. O processo saúde/doença.educapsico. demonstrando a necessidade da interdisciplinaridade. remete-nos a uma atuação integrada com vistas à saúde. 60 . A Reforma Psiquiátrica depois da Lei Nacional (2001-2005) É somente no ano de 2001. Estadual e Municipal. que a Lei Paulo Delgado é sancionada no país. é de um substitutivo do Projeto de Lei original. São criadas também cooperativas. entendido como um fenômeno coletivo. após 12 anos de tramitação no Congresso Nacional.br demonstrou de forma inequívoca a possibilidade de construção de uma rede de cuidados efetivamente substitutiva ao hospital psiquiátrico. A experiência do município de Santos. A aprovação. 1995). num processo histórico e multideterminado. Nesse contexto. que traz modificações importantes no texto normativo. residências para os egressos do hospital e associações. é criado o SUS – Sistema Único de Saúde. formado pela articulação entre as gestões Federal. a promulgação da lei 10. Núcleos de Atenção Psicossocial (NAPS) que funcionam 24 horas. Assim.216 impõe novo impulso e ritmo para o processo da Reforma Psiquiátrica no Brasil. surgido da necessidade de entender o homem de forma holística.216 redireciona a assistência em saúde mental. Neste período. exercido através dos “Conselhos Comunitários de Saúde”. integrado aos sistemas biopsicossociais em detrimento ao pensamento cartesiano (CAPRA. sob o poder de controle social. são implantados no município de Santos. no entanto. Trata-se da primeira demonstração com grande repercussão. privilegiando o oferecimento de tratamento em serviços de base comunitária. Novo paradigma de atuação do psicólogo na saúde Para entendermos a atuação do psicólogo na área da saúde é importante salientar que estamos sob um novo paradigma.www.com. a Lei Federal 10. Com a Constituição de 1988. mas não institui mecanismos claros para a progressiva extinção dos manicômios. passa a ser um marco no processo de Reforma Psiquiátrica brasileira.

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a atuação do psicólogo vai além da atuação clínica, do psicodiagnóstico e da terapia individual. Esse perfil de atuação já não satisfaz as necessidades do contexto atual, vale parafrasear Bleger que, já em 1984, definiu o psicólogo institucional como um agente de mudanças. Assim, as diretrizes que correspondem a uma ação de mudança são: • atuação interdisciplinar, orientação das ações profissionais na direção da saúde coletiva e o caráter educativo da assistência; • inserção dos indivíduos, grupos e comunidades na promoção da saúde; • a natureza da intervenção deixaria de ter uma perspectiva disciplinar para evoluir para uma perspectiva multidisciplinar, com ênfase em equipes multiprofissionais e interdisciplinares; • o enfoque pode ser de natureza curativa ou preventiva numa perspectiva primária, secundária e terciária; O Psicólogo na rede básica de saúde pode atuar na organização dos serviços de saúde preconizada pelo SUS, cujos níveis de atendimento vão desde as ações preventivas ou remediativas de baixa complexidade (na atenção primária) às ações especializadas, que requerem seguimento (atenção secundária) até as ações especializadas específicas das situações hospitalares (atenção terciária). A atenção primária à saúde requer um engajamento diferente do psicólogo, diferente do lidar com distúrbios já instalados. É a porta de entrada de um sistema unificado e hierarquizado de saúde e volta-se para prevenir a necessidade de atendimentos ambulatoriais e hospitalares. Em centros de saúde, o tipo de intervenção pode ser: psicoterapia de adulto, triagem, orientação de mães, psicoterapia de adolescentes, psicodiagnóstico, ludoterapia, grupos de alcoolistas, usuários de drogas, portadores do vírus HIV, tuberculosos, hansenianos, dentre outros. Em termos de prevenção pode-se atuar em orientação a puérperas; planejamento familiar; orientação à terceira idade e a sexualidade dos adolescentes; lazer, acompanhamento ao desenvolvimento infantil, visando à detecção precoce e intervenção em problemas e ou atrasos, acompanhamento a grupos de gestantes, acompanhamento a clientela de programas e subprogramas de saúde de adulto em problemas específicos de saúde tais como: hipertensos, hansenianos, diabéticos, desnutridos etc.

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Intervenções Terapêuticas em Instituição Hospitalar

A estratégia terapêutica da psicologia hospitalar é levar o paciente rumo à palavra. Estratégia é a arte de organizar os meios disponíveis para alcançar objetivos desejados, é um jeito de pensar que orienta o fazer terapêutico, que aponta a direção do tratamento, mostrando para que lado encaminhar o atendimento psicológico. Estratégia é um plano de ação e a técnica diz respeito à própria ação, refere-se a situações concretas e às coisas práticas (SIMONETTI, 2004). As estratégias e técnicas não são entendidas como ferramentas, como instrumentos aplicados de fora sobre um objeto. Elas brotam no interior da relação entre o psicólogo e o paciente. Não são receitas rígidas e devem ser adequadas a cada situação específica (SIMONETTI, 2004). Simonetti (2004) apresenta como estratégias básicas, inicialmente, o escutar e o fazer falar. O psicólogo incentiva que o paciente fale porque acredita que falando ele simboliza seu sofrimento e dissolve sua angústia. Falar faz bem não apenas porque dá ao paciente a chance de desabafar. O que acontece é que:
as idéias que pairam mudas no ar são tremendamente ameaçadoras porque não conhecem limites. Colocadas em palavras podem ser examinadas como um objeto, no qual equipe e paciente podem enxergar seu perigo, que assim fica bastante neutralizado (SEBASTIANI, 2001 apud SIMONETTI, 2004).

É a palavra que faz a passagem da doença para o adoecimento, se o paciente não fala, existe apenas a realidade biológica da doença, mas se ele fala surge a subjetividade, e com ela o adoecimento. É o que afirma Perestrelo (1989, apud SIMONETTI, 2004) não existem doenças, existem doentes, as doenças não falam e doentes sim. Simonetti (2004) aponta também três técnicas que o psicólogo pode utilizar para fazer falar: a associação livre, a entrevista e o silêncio. Na associação livre o paciente é orientado a falar sobre o que lhe vier a mente. A esse convite à uma fala livre deve corresponder, por parte do psicólogo, uma escuta livre, isso significa que o psicólogo deve escutar livremente, sem valorizar temas relacionados à doença. Simontetti (2004) enfatiza esse ponto, pois o psicólogo pode pensar, por estar em um hospital, que deve direcionar a conversa para o tema do adoecimento. Isso seria repetir o discurso médico, que limita a fala do doente aos seus sintomas.

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No momento da entrevista, o psicólogo faz perguntas objetivas sobre assuntos acessíveis, como o motivo da internação, a doença, onde mora, profissão, estado civil, com objetivo de colocar em andamento a fala do paciente. Tanto na técnica da associação livre quanto na entrevista o objetivo é estabelecer o vinculo paciente-psicólogo e estimular a elaboração psíquica por meio da fala. A técnica do fazer silêncio é um instrumento poderoso, ele é como um vácuo que puxa as palavras. Costa Pereira (1999, apud SIMONETTI, 2004) recomenda que o psicólogo precisa encontrar sua função de silêncio, não só o silencio da boca, capaz de reengendrar o trabalho de linguagem existente no próprio paciente. O psicólogo não é, a priori, um modificador de comportamentos desadaptativos, como supõe a medicina, ele é um facilitador do trabalho de elaboração psíquica, trabalho esse que pode levar a uma mudança ou não. Na psicologia hospitalar a mudança vem como resultado, não como objetivo, o compromisso do psicólogo hospitalar é com a verdade do sujeito, e não com a mudança de comportamento (SIMONETTI, 2004).

Negação Na maioria dos casos, a negação é uma posição inicial. Neste caso, se o paciente nega a doença, mas aceita bem o tratamento, o psicólogo não deve fazer nada, porque provavelmente logo surgirão os sinais de que ele pode reconhecê-la (SIMONETTI, 2004). A negação é uma defesa psicológica, e estas têm sempre uma razão de ser do ponto de vista do psiquismo do paciente e trabalhar com defesas implica em ajudar o paciente a transcendê-las, e não rompê-las de maneira forçada, expondo o paciente a angústias com as quais não conseguirá lidar naquele momento. Mas, se o paciente nega a existência da doença e se recusa também ao tratamento, e isso coloca em risco a sua condição clínica, cabe então dizer a ele que existe um problema de saúde a ser tratado, e cabe escutar sua resposta sem entrar em disputa, pois o psicólogo deve se interessar pelos motivos do paciente para recusar o tratamento. Com o paciente na posição de negação, o trabalho de atendimento psicológico abordará outros temas que não a doença. É importante permitir que o próprio paciente escolha os temas das conversas, até que outras questões possam ser abordadas.

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apud SIMONETTI. Neste caso. mas pode reconhecer a autenticidade dos sentimentos do paciente. tais como perda de autonomia ou perdas narcísicas. com a família ou com a equipe médica. a atuação do psicólogo deve ser dar no sentido de proporcionar suporte. deve-se considerar a necessidade de interconsulta psiquiátrica e o uso de medicamentos. vol. A depressão reativa é uma reação às perdas provocadas pela doença. O psicólogo não precisa concordar com o comportamento. se a depressão tornar-se muito profunda ou prolongada. e constitui-se em real preparação para a morte por 64 . Neste caso. É importante que o psicólogo considere a possibilidade da depressão ser provocada ou potencializada por medicações em uso.educapsico. Freud em “Luto e Melancolia” (1980. há sempre uma intenção positiva embutida em um comportamento negativo. especialmente se a depressão for do tipo melancólica. O paciente na posição de revolta encontra-se. Outra questão que o psicólogo deve estar atento é ao risco de suicídio. Depressão Diante da doença. 2004). Principalmente porque não é papel do psicólogo julgar. Ao mediar essas situações o psicólogo deve escutar as queixas mais como uma testemunha do que como juiz (SIMONETTI. Existe sempre uma verdade no sentimento do paciente que o leva a um ato errado. No caso de depressão em pacientes terminais. como no caso da perda do seio em mulheres mastectomizadas (SIMONETTI. deixando de ser fase e transformando-se em estado.br Revolta Diante de um paciente na posição de revolta o psicólogo deve focalizar a verdade da pessoa e não apenas o errado da situação. envolvido em conflitos com a enfermagem. reais e imaginárias. 2004) demonstrou que na depressão a energia psíquica abandona os objetos externos e volta-se para o interior.com. na tentativa de realizar um trabalho psíquico: o trabalho da elaboração das perdas. Porém. XIV.www. 2004). há a coexistência de dois tipos de depressão: a depressão reativa e a depressão preparatória (ver Kubler-Ross). é importante discutir a questão com a equipe médica. A depressão preparatória leva em conta as perdas que estão por vir. a depressão é uma reação esperada. freqüentemente. incluindo a perda da própria vida.

auxiliando o paciente a resolver problemas específicos. e a verdade muda de instante para instante: o que o paciente disse e sentia ontem pode ser diferente hoje. Enfrentamento O enfrentamento da doença é.br meio do desinvestimento dos objetos pulsionais e de uma tentativa progressiva de desligamento do mundo (SIMONETTI. 65 . ele ainda precisa de muita ajuda.educapsico. há que ser verdadeiro em relação à sua doença. Simonetti (2004) apresenta um quadro dos comportamentos de luta e luto nas reações diante do adoecimento. em contraposição ao primeiro. Quando o paciente encontra-se na posição de enfrentamento.www. cabe ao psicólogo. além do trabalho interpretativo e dos questionamentos sobre as crenças diante das perdas. tanto de emoções quanto de idéias. que requer muita conversa (SIMONETTI. e não coerente. Já no caso da depressão preparatória não cabe esse tipo de intervenção otimista. freqüentemente.com. 2004). é mais fácil para o paciente fazer essa elaboração quando tem um ouvinte que agüenta escutar coisas alegres e coisas tristes. Segundo Simonetti (2004) o enfrentamento é uma posição de fluidez. e não há problema nisso. do que quando está sozinho com seus pensamentos e fantasias. No caso da depressão reativa. o trabalho psicológico neste segundo tipo de depressão geralmente é silencioso. certo manejo de situações concretas. o ponto final de uma dura caminhada. A posição de enfrentamento se caracteriza pela alternância entre as posturas de luta e luto em relação à doença e as intervenções do psicólogo hospitalar devem se dar no sentido de facilitar esse movimento entre a luta e o luto. 2004). Deixar que o paciente exteriorize seu pesar auxilia na aceitação da situação. Para o paciente.

Na prática da psicologia hospitalar. este não deve assumir como seu esse veredicto. a fé raramente se opõe à ciência. familiares e equipe médica.com.br LUTA Reações diante do limite Fazer Produzir Mudar Força Garra Disciplina Revolução Ação Trabalho no real Adaptado de Simonetti (2004. apontando em que direção o tratamento deve ser conduzido. 124). Estes tópicos podem ser utilizados como metas terapêuticas no atendimento psicológico desses pacientes. p. LUTO Reações diante da perda Falar Elaborar Adaptar Flexibilidade Profundidade Sabedoria Aceitação Meditação Trabalho psíquico Exemplos de Situações Clínicas Um dos casos encontrados no hospital é o do “paciente desenganado”. O paciente desenganado é aquele considerado fora das possibilidades terapêuticas oferecidas pela medicina. Quando o psicólogo é chamado para atender um paciente que se recusa a receber o tratamento médico indicado (por exemplo. transfusão) por motivos religiosos. O que orienta o trabalho do psicólogo é o desejo de vida do paciente e não sua possibilidade de vida. constituindo-se em uma força de superação a ser incentivada pelo psicólogo. pois. 2004). por mais absurda que essa recusa 66 .www. a melhor estratégia é começar ouvindo o paciente. uma vez que a psicologia não trabalha com a cura e sim com o desejo (SIMONETTI. No caso do psicólogo. Este é um momento de intensa angústia para o paciente.educapsico.

135). mantendo sempre a porta aberta. 2004). pois. se o paciente aceita esse oferecimento. 2004). uma boa estratégia é discutir com o paciente os supostos motivos que levaram as pessoas a pensar que um atendimento psicológico seria benéfico (SIMONETTI. caso mude de posição e aceite o tratamento (SIMONETTI. questionando seu desejo quanto ao atendimento. o psicólogo apropria-se da palavra e passa a falar para o paciente. fraqueza extrema. Geralmente a solicitação de atendimento parte da equipe de saúde ou da família.com. Nestes casos o psicólogo deve buscar formas alternativas de comunicação. tais como gestos e comunicação escrita (SIMONETTI. A partir daí. a estratégia básica que orienta o trabalho é falar. É importante ressaltar a diferença entre psicólogos e religiosos. 2001 apud SIMONETTI. o psicólogo ajuda o paciente a resolver o impasse. As condições clínicas que mais impedem o paciente de falar são o coma. Na seqüência. o atendimento flui.br pareça. livros para ele. 2004). incentivando-o a continuar enfrentando a doença. o psicólogo tem a oportunidade de explicar o que é o atendimento psicológico. Há também o caso do paciente que não pediu para ser atendido. Segundo Simonetti (2004). 2004). seja no sentido de lidar com as conseqüências psicológicas. 2004). seja este um mutismo voluntário ou devido a uma condição física. ela comporta uma verdade significativa no universo psicológico e cultural do paciente (SIMONETTI. dizendo-lhe que sabe que não consegue falar. 2004). pois “quem não fala é falado” (p. entubação e seqüelas de AVC. entre outras. 2004). como disse Lacan com a oferta se cria a demanda (MORETTO. Os religiosos impulsionam o paciente em direção a uma verdade transcendental – Deus – enquanto o psicólogo favorece o encontro com o paciente com uma verdade particular e individual: seus desejos diante da experiência e do adoecimento (SIMONETTI.www. dando notícias do andamento do tratamento. se o paciente não aceita o atendimento. na cena hospitalar.educapsico. desfazendo fantasias do paciente sobre psicologia (psicólogo é para louco). Quanto ao paciente silencioso (SIMONETTI. seja no sentido de suportar as conseqüências médicas de sua recusa. Ao reconhecer essa verdade. considerando que o paciente não fala. lesão na região oral. o psicólogo restitui ao paciente o poder de decidir sobre o atendimento. sedação. revistas. lendo jornais. Porém. falando-lhe do carinho e preocupação dos familiares e amigos. 67 . mas escuta.

e por isso requer tratamento imediato” (SIMONETTI. 68 . 2004). 144). No pronto-socorro a situação que mais demanda a atenção do psicólogo hospitalar é a histeria. Histeria é o termo mais utilizado para designar todos os transtornos neuróticos.www. Emergência pode ser definida como “situações clínicas em que a vida do paciente encontra-se em risco imediato. Uma boa estratégia é aceitar a recusa do paciente. Simonetti (2004) refere que ainda não existe um consenso sobre as palavras usadas nessa área da medicina. esse mutismo deve ser tomado como sintoma e deve-se avaliá-lo em termos de saúde mental. O objetivo do psicólogo hospitalar é restaurar a simbolização. onde o sujeito mergulhado nessas sensações intensas não encontra meios de fazer valer a simbolização como forma de enfrentamento. onde o trabalho exige flexibilidade e criatividade do psicólogo para possibilitar a verbalização dos conteúdos emocionais do doente e de seu acompanhante. Essa caracterização do atendimento emergencial no pronto-socorro situa o atendimento psicológico em um segundo momento. como o distúrbio neurovegetativo (DNV). Este é um local de imprevisibilidades. Pronto-socorro: a atuação do psicólogo O pronto-socorro é o local das emergências médicas. buscando a palavra como forma de enfrentamento da situação emergencial (SIMONETTI. p. Sterian (2000. 2004) propõe que nas situações de emergência se distinga o sujeito na urgência do sujeito da urgência. Inicialmente é preciso recapitular a histeria como entidade clínica específica. demonstrando respeito pelo desejo do paciente e deixando a possibilidade caso ele mude de idéia (SIMONETTI.com. as situações de emergência se caracterizam por uma inundação do real no simbólico.educapsico. O sujeito na urgência é aquele que se torna o foco das atenções terapêuticas e o sujeito da urgência é aquele que solicita atendimento em caráter de urgência. mas o caráter discriminatório que ela foi assumindo ao longo do tempo fez nascer uma tendência que procura evitar o seu uso em função de termos mais descritivos. 2004).br Quando o silencio é voluntário. é o sujeito da demanda. ficar pouco tempo com ele e dizer que voltará outro dia. 2004. Do ponto de vista psicológico. apud SIMONETTI. sendo freqüente encontrar a mesma palavra sendo usada com vários sentidos diferentes.

antes de se afirmar que se trata de um quadro histérico é preciso descartar a ocorrência de doença orgânica. ansiedade e conflitos emocionais. 2004). Em resposta a demanda apresentada destaca-se o papel preventivo do psicólogo ao atuar em UTI. O diagnóstico da histeria é um diagnóstico de exclusão. intervenções preventivas em situações de crise estão além da contribuição apenas para a dinâmica intrapsíquica (DI BIAGGI. somatização.br distúrbio conversivo ou dissociativo. concretiza o anseio dos homens. Ao atuar. como internações de alto risco. Nas UTIs são internados pacientes graves que apresentam um prognóstico favorável para viver. neurose conversiva. O tratamento emergencial da histeria no pronto-socorro tem duplo objetivo: resolver a crise atual e facilitar a aderência do paciente a um tratamento ambulatorial subseqüente que possa evitar novas crises (SIMONETTI. 69 . fazendo parte do processo de internação. Vida e morte estão em constante luta (SECCHIN. agir e atuar dos psicólogos. 2002). entre outros (SIMONETTI.educapsico. e por outro lado evidencia a impossibilidade de controle. no sentido dos avanços científicos. As reações psicológicas frente a acontecimentos de alto impacto emocional. e não somente como “pronto socorro”. remetendo à possibilidade de perdas importantes. por um lado. 2002). a dor e a iminência da morte são situações que geram tensão. Além disso. 2002).www. psicossomática. As ações frente a experiências traumáticas possuem fundamental relevância na prática psicológica e.com. este é um setor que. 2006). 2004). São atendidos casos de pessoas que se encontram em uma situação limite (vida e morte) e necessitam de recursos técnicos e humanos especializados para sua recuperação (OLIVEIRA. vêm modificando as formas de pensar. assim como da construção dos elos da cadeia de signos da história pessoal de cada um dos envolvidos (OLIVEIRA. O Psicólogo na UTI O sofrimento. o psicólogo fica diante da concretude de uma experiência importante que está sendo vivenciada e participa dos fatos que se transformarão em acontecimentos na vida do paciente e de seus familiares.

www. 2002). apud SOUZA. por vezes. os pacientes e seus familiares podem apresentar reações emocionais que vão desde a negação até a aceitação dos próprios limites. MOHALLEM.br A internação em uma Unidade de Terapia Intensiva mobiliza o medo fundamental do ser humano. Os familiares estão tomados pela incerteza e pelo sentimento de perda iminente e os profissionais estão assolados por sentimentos ambivalentes de onipotência. O paciente vê os papéis. 1994). porém não pode ser representada psiquicamente porque nunca foi vivida pelo sujeito. 1992).educapsico. A morte é um problema real. Muitas vezes precisa (re)significar sua vida. Estas reações emocionais dependem do diagnóstico e prognóstico médico. os objetivos da atenção do psicólogo na UTI são constituídos por uma tríade. Ficará afastado de sua família. 1988). o medo da morte. Esse medo já experimentado é o medo da dependência para própria sobrevivência. da própria finitude. ao leito. Fica frágil. É o medo de reviver o sentimento de ter a vida colocada nas mãos de outros (MOURA. A possibilidade da vivência humana de extremo desamparo. composta pelo paciente. O homem nunca viveu a morte. estrutura psíquica. O paciente. sendo reduzidos às vozes que escutam. MOHALLEM. dinâmica familiar e do contexto no qual estão inseridos. é atualizada quando se dá a hospitalização. FARIA. desamparado e se encontra em um período difícil. O isolamento familiar e social ao qual este paciente é submetido é uma fonte intensa de insegurança. a incerteza do diagnóstico e a imprevisibilidade do futuro aliados a estrutura psíquica do paciente e seus familiares são os causadores deste sentimento (MOURA. Sua rotina é alterada e passará por privações (OLIVEIRA. 1972. Neste contexto. A gravidade do quadro clínico. amigos. FARIA. tanto fisicamente quanto ao nível de sua singularidade e subjetividade. Vivencia a experiência de renunciar aos seus investimentos. que é a sensação de incontrolabilidade. da experiência da morte do próximo surja a consciência da própria morte. anteriormente definidos. 1994). 70 . invertidos ou alterados (KAMIYAMA. sua família e a própria equipe (SEBASTIANI. Na UTI os pacientes estão isolados e despidos de seus pertences. como já foi um dia enquanto bebê. trabalho e lazer. mas durante a vida viveu perdas sentidas como mortes. sofre perdas violentas neste momento.com. A partir da possibilidade de óbito. Cuidar de alguém e aproximar-se dessa pessoa faz com que. à doença que possuem.

Nos momentos limite da vida. mas não é regra geral. Na instituição hospitalar. 2002). Alguns realizam questionamentos sobre si mesmos. dotado de inconsciente. 2006). que constitui o ser social (OLIVEIRA. Mas. Muitas vezes. 71 . a hospitalização tem sentidos diferentes para cada ser humano e faz emergir uma angústia que não é tratada por grandes avanços da medicina (SECCHIN. 2002). ao “viverem de novo” podem descobrir que são responsáveis tanto por sua história passada como pela futura (OLIVEIRA. 2002).educapsico. a equipe acredita que as emoções interferem negativamente no tratamento. 2002). principalmente se não for favorável. Para abordar os mecanismos saudáveis de enfrentamento que permitem ao paciente a permanência em uma UTI. levando em consideração a interação do paciente com o espaço e a assistência a saúde. como estar entre a vida e a morte em uma UTI. parte-se do pressuposto que o paciente não tem o desejo ou mesmo o direito de saber seu prognóstico. Em alguns casos pode acontecer. A forma como cada um dos atores envolvidos no processo de adoecimento vai agir. Pois. A UTI passa por um ambiente semelhante ao útero materno onde. sua história.www. E esta não tem como “desaparecer”. é importante dar atenção ao sujeito biológico. Espera-se a negação. principalmente diante da possibilidade de morte. seu vazio e. o meio provê as necessidades. 2002). Causa menos angústia lidar com a doença de forma abstrata (OLIVEIRA. Esta vivência remete a imagem de um útero onde a pessoa pode viver de novo. seja o próprio paciente.br A forma como cada paciente vai lidar com a renúncia e privação está relacionada à sua história de vida. É inevitável que o paciente traga consigo uma história. 2002). os familiares ou profissionais está relacionada com a maneira como estes têm enfrentado suas perdas e dificuldades até o momento da internação. construções de subjetividade podem afetar os processos de adoecimento e recuperação.com. Diante de tantas angústias e sentimentos permanentemente presentes. inicialmente. Pode-se afirmar que o que há é a tentativa de fugir de um confronto com a morte. o “renascimento” exige que a pessoa ou bebê respire sozinho e que reviva por meio do desejo (OLIVEIRA. que corresponde a própria relutância da equipe em aceitar (OLIVEIRA. amenizar o impacto é substancialmente importante para o restabelecimento da saúde do paciente crítico e para o fortalecimento de familiares e profissionais. Do paciente é esperado o silêncio. a partir de sua história já construída (OLIVEIRA.

referido anteriormente. compreendendo amplamente toda agressão ao organismo. 2006). Aqui é importante afirmar que o conceito estresse é derivado da psicologia experimental e da patologia experimental. 72 . estas crises produzem demandas urgentes e de intervenção rápida. pode levar os sujeitos ao desenvolvimento de transtornos do humor e do afeto. Neste caso. sendo a motivação destruída e a capacidade de enfrentamento reduzida (DI BIAGGI. 1998).www. os métodos habituais. como a ansiedade. 2002). como os estímulos nociceptivos ou agentes traumáticos. visto que. principalmente em pacientes cirúrgicos (ZIMMERMANN et al.educapsico. 2002). a psicoterapia breve é eficaz para um ambiente como a Unidade de Terapia Intensiva. quando a alteração afeta a relação do homem com o seu meio (JEAMMET..br O cuidado psicológico está intimamente relacionado à eficiência de tratamentos biológicos e ambos devem caminhar lado a lado. 1998). aumentando a suscetibilidade a infecções e levando a complicações. Um exemplo importante é o que se está tratando neste momento. que pode contribuir para a ativação do sistema de estresse. Durante a crise é importante que a pessoa consiga redimensionar sua psicodinâmica interior e de relacionamento com as pessoas de seu contexto. é a base para reações emocionais depressivas. e ou também se relacionar a níveis de integração sensorial e cognitiva. 1982). não suprem o problema (AGUIAR. isto é. O sentimento constante de medo da morte. a internação hospitalar. já conhecidos pelo indivíduo. Esta indicação pode ser afirmada diante da necessidade de alívio mais breve possível. ocorrem diversos acontecimentos percebidos como ameaçadores. alguns sintomas psíquicos podem levar a piora do quadro clínico (DI BIAGGI. seja de origem interna ou externa. em algumas situações.com. provocando mudanças na imunocompetência do organismo. Durante o desenvolvimento do ser humano. CONSOLI. configurando algumas crises vitais. 2002). sem a presença do enfrentamento adequado. Porém. Neste caso. este é um momento considerado de crescimento emocional e não apenas desencadeante de desequilíbrio (AGUIAR. Um exemplo importante está relacionado a ansiedade. A ocorrência de crises está relacionada ao desequilíbrio entre a dificuldade e a importância do problema e os recursos disponíveis para resolvê-los. O sentimento de desamparo. Esta agressão pode ser física. REYNAUD. a angústia e a depressão (DI BIAGGI. que altere o equilíbrio homeostático do indivíduo. para a resolução da mesma.

a iluminação constante. estados de abstinência e outros fatores reversíveis. onde predominam ilusões e alucinações. é de extrema importância que seja realizado o psicodiagnóstico do paciente e/ou familiar. dos seus sintomas e da sua história é possível estabelecer um diagnóstico dinâmico.www. possibilitando melhora dos mecanismos de defesa e enfrentamento. 2006). ou seja. onde estejam presentes seus conflitos mais importantes. um psicodiagnóstico deve ser muito bem realizado para que não sejam confundidos estes sintomas (ZIMMERMANN et al. 2006).educapsico. uma série de condições podem afetar a integridade do paciente. Aqui cabe uma ressalva. A ausência de referências externas. 2002). a estimulação sonora.. mas sim a dinâmica global do indivíduo: estrutura. Os sintomas de delirium. depressão e ansiedade em UTI podem ser tratados por meio de intervenções psiquiátricas. Em relação aos fatores ambientais. algumas delas são a depressão.. O início de confusão mental em um paciente de UTI pode significar uma mudança importante em sua condição clínica. o que requer avaliação de anormalidades sistêmicas e metabólicas. composto pela avaliação psicológica e o exame psíquico. a ansiedade e o delirium (ZIMMERMANN et al.com. que pode provocar ou exacerbar quadros semelhantes aos provocados por experiências de privação sensorial. mecanismos de defesa mais utilizados e a capacidade de enfrentamento das situações de conflito. O diagnóstico psicodinâmico leva em conta não só os conflitos focais. sem a necessidade de alterar as estruturas psíquicas básicas.br Um tratamento de emergência tem o objetivo de alterar a psicopatologia incapacitante presente no momento. 2006). É uma técnica que não reformula o indivíduo. A partir do estado emocional do paciente.. a qualidade da rigidez e a compreensão das situações que exijam adaptação (DI BIAGGI. Inicialmente. Este diagnóstico permite ao psicólogo prever algumas reações frente aos procedimentos e situações e a provável tolerância da qual o indivíduo é capaz. Procura promover uma readaptação ampla. mas o ampara do exterior para o interior (DI BIAGGI. 2002). 2006). Com freqüência o paciente permanece em estado de sedação e durante a recuperação da consciência depara-se com o ambiente da UTI. a movimentação contínua da equipe e o campo visual restrito 73 . toxicidade a drogas. principalmente visuais (ZIMMERMANN et al.. na tentativa de auxiliar as crises (ZIMMERMANN et al. e algumas medidas psicossociais podem ser realizadas.

fantasias e crenças em relação a doença e a UTI. quedas de pressão. A depressão não tratada reduz a sobrevida em geral e aumenta a morbidade e mortalidade em doenças cardiovasculares. agir e sentir. surtos psicóticos.. a orientação durante o processo de internação. Pode-se afirmar que o processo de despersonalização ao qual o paciente internado é submetido pode ser transformado pelo resgate da subjetividade deste. oferecendo condições para a expressão de dúvidas. comas. possibilitando efeitos no corpo e no psíquico que colaboram para a melhora do mesmo.com. a facilitação da expressão não verbal do paciente impossibilitado de verbalizar e o favorecimento da expressão de sentimentos dos pacientes sobre o tratamento e sua vivência na UTI (DI BIAGGI.www. 74 . No caso da depressão. visando o fortalecimento do profissional (DI BIAGGI. o psicólogo ainda pode estimular a equipe a perceber suas dificuldades em lidar com determinadas situações. em períodos longos de evolução. aliviando intercorrências emocionais. próprias da situação. Na UTI a depressão pode ocorrer como uma reação psicológica à doença orgânica aguda. prevenindo a saúde mental de familiares que apresentem reações como desmaios. atuando em momentos de grande angústia. Feita esta ressalva. 2002). visto ser necessária a permanência para o tratamento. uma manifestação de transtorno afetivo primário. reações histéricas. morte súbita. A doença e a cura são processos dialéticos inseparáveis. 2006). 2006).br fazem com que o paciente passe por uma experiência de privação sensorial (ZIMMERMANN et al. frente à emoção de ver um familiar internado na UTI (DI BIAGGI.educapsico. 2002). é preciso tratá-la energicamente. por exemplo. um transtorno de humor associado a uma patologia orgânica específica e/ou ao tratamento da mesma ou ao somatório de sintomas depressivos com sintomas da doença orgânica (ZIMMERMANN et al. 2002).. tornando viável o restabelecimento da saúde. como pré-óbitos. os seguintes objetivos terapêuticos a serem alcançados em uma Unidade de Terapia Intensiva são a facilitação da relação emocional do paciente com a sua enfermidade. O atendimento àqueles que se encontram em situações de risco iminente não deve visar somente à doença e sim a busca do indivíduo como um todo para que este integre o seu pensar. Além destes objetivos. Pode também acompanhar familiares de pacientes em situações críticas.

emocional e espiritual durante a fase terminal e de agonia do paciente. neutralizar odores desagradáveis. onde o esperado passa a ser óbito. Pois. 2004). 75 .www. 2004).br O psicólogo diante do comportamento de pacientes terminais Inicialmente. religião e espiritualidade provavelmente são aspectos importantes para o paciente e familiares. independentemente da terapêutica utilizada. bem como melhorar a maneira de sua família e amigos lidarem com essa questão. Na medicina paliativa é de extrema importância o trabalho psicológico familiar e espiritual. A medicina paliativa é a medicina capaz de cuidar de pacientes nos quais a cura não é mais possível. 139). e o apoio nesse setor é essencial para a assistência paliativa (p. Eles somente tentam estar presentes e oferecer conhecimentos médicos e psicológicos suficientes para o suporte físico.educapsico. Os Cuidados Paliativos não prolongam a vida. permitindo que ele molde as maneiras pelas quais acontecerá o atendimento psicológico (SIMONETTI. 2004) afirma que: Manter o paciente asseado apesar da quase contínua incontinência esfincteriana. e com ele a participação do psicólogo hospitalar. e geralmente levam ao desgaste até os profissionais de saúde mais hábeis. entendendo suas necessidades e interesses. que ele tenha as funções corporais funcionando o melhor possível. nem tampouco aceleram a morte. Para que o paciente enfrente a morte de forma digna é importante que ele esteja livre de dor.com. conter um delírio e lutar contra as forças psicossociais que podem levar a fragmentação da família são as ações concretas mais necessárias. controlar os edemas periféricos e pulmonar. sendo esta neste momento mais paliativa e não tendo a expectativa de cura. aspirar freqüentemente secreções brônquicas. Ned Cassem (2001 apud SIMONETTI. que ele possa reconhecer e resolver os conflitos interpessoais passíveis de serem manejados. Do ponto de vista psicológico o conjunto peculiar de mecanismos de enfrentamento que os pacientes utilizaram no passado para manter a auto-estima e a estabilidade é o ponto central do processo. Ademais. Isso só pode ser feito quando ele conhece o paciente. O paciente terminal é aquele paciente que está em fase terminal de uma doença. prevenir escaras. Para o profissional de saúde é de extrema importância tornar o tratamento individualizado ao paciente terminal. ainda há muito que fazer pelo paciente quando não há mais nada a fazer pela cura. pensamos ser necessário definir paciente terminal. que ele possa realizar desejos restantes que sejam compatíveis com seu ideal de ego e que ele possa passar o controle das coisas práticas para outros em que tenha confiança (SIMONETTI.

por considerarem o assunto mórbido. e começa a fantasia do fracasso terapêutico. porém a capacidade de ouvir é mais importante que a capacidade de falar. f) Evitar tratamento excessivamente zeloso e. a família se torna o foco para o atendimento psicológico. no entanto. numa tentativa de afastar a morte. b) Permitir que o paciente verbalize seus temores e lhe garantir que não será abandonado. ser empático com alguém que está morrendo inclui o encontro com a idéia da morte própria. evitar a tendência ao afastamento. 2004) propõem sete diretrizes: a) Oferecer informações corretas e apropriadas ao paciente. 2004). Quando o paciente entra na fase terminal. família. ser empático é de grande valia para o paciente. trabalho.www.com. apud SIMONETTI. Quanto ao manejo. não existem assuntos proibidos e nem obrigatórios (SIMONETTI. quando não há mais nada a fazer do ponto de vista técnico.educapsico. Kaplan e Sadock (1995. 2004). e isso explica porque é tão angustiante trabalhar com pacientes terminais (SIMONETTI. Quem escolhe o assunto é o paciente e não o terapeuta. fazer a transição do objetivo primário de curar para o objetivo secundário de cuidar. em sua forma de luto. Porém. e) Em algum momento. Freqüentemente as pessoas não conseguem permitir que o paciente terminal fale francamente o que passa em sua mente sobre a morte e o morrer.br A depressão. g) Enquanto a morte se aproxima. mesmo ela estando ali (SIMONETTI. é bastante compreensível em pacientes terminais e deve ser respeitada. d) Ajudar o paciente a manter a esperança. Cuidar de uma pessoa em fase terminal é uma oportunidade de crescimento tanto para a família como para o paciente (SIMONETTI. Assim. esta empatia precisa ser genuína. pois é da família que surgirão as forças necessárias à superação da situação. 76 . preferindo assuntos ligados aos seus interesses. etc. c) Determinar as prioridades do paciente e acatar suas definições de qualidade de vida. 2004). Em situações limite como a do paciente terminal. 2004). Conversar com alguém que está morrendo é um trabalho angustiante e paradoxal. convém afirmar que se a depressão assumir um caráter melancólico o paciente deve ser reavaliado. Pode acontecer também do paciente jamais querer falar sobre sua morte.

apatia. É importante. São eles: a negação e o isolamento. Estes estágios foram brilhantemente descritos por E. Raiva: nessa fase a dor psíquica se manifesta por meio de perguntas como: "Por que eu?". que persiste em todos estes estágios e que é o que conduz o paciente a suportar sua dor. Kübler Ross. reclama. as barganhas assumem mais as características de súplicas. não há mais a possibilidade de esconder a doença. além de sua vida. "Por que comigo?". Aqui a depressão assume um quadro clínico mais típico e característico: desânimo. Neste momento é a família que mais precisa de ajuda. a raiva (revolta). etc. haver compreensão dos demais sobre a angústia transformada em raiva na pessoa que sente interrompidas suas atividades de vida pela doença ou pela morte. nesse estágio. É um mecanismo de defesa temporário do Ego contra a dor psíquica diante da morte. Seu alheamento. sua revolta e raiva. ou seja. e como Este parece estar tomando-a. Recusa-se a falar da doença e tende ao isolamento. desinteresse. Negação: a negação é mais freqüente no início da doença. 77 . Depressão: a depressão aparece quando o paciente não consegue mais negar sua doença e é forçado a submeter-se a mais uma cirurgia ou hospitalização. quer a pessoa queira ou não. cederão lugar a um sentimento de perda. critica o seu atendimento e solicita atenção contínua. É quando o paciente nega a sua doença e a gravidade do seu estado. em seu livro Sobre a Morte e o Morrer (1998) e permitem uma visão ampla da complexidade vivida pelo paciente diante da sua terminalidade. Os momentos de silêncio são maiores e seus interesses diminuem. Todo o ambiente é hostilizado.com. É o momento em que encontra paz e aceita o que está acontecendo. a barganha. quando começa a apresentar novos sintomas e tornar-se mais debilitado e mais magro. que podem se intercalar e repetir durante todo o processo da doença. Durante este estágio a pessoa faz exigências.www. choro.educapsico. complementando-se com a esperança. tristeza. Barganha: na barganha. Como dificilmente a pessoa tem alguma coisa a oferecer a Deus. a depressão e a aceitação. Nessa fase o paciente se mantém sereno e reflexivo. geralmente. Aceitação: a aceitação é quando não mais sente depressão e nem raiva.br Quando atendemos ao paciente terminal é de fundamental importância que toda a equipe esteja familiarizada com os estágios pelos quais ele passa. o paciente tenta negociar com Deus.

tem por obrigação lidar com seus próprios conteúdos internos. trazendo não só limitações físicas. quanto no ambiente familiar. baseados em Gonçalves. O paciente cirúrgico Culturalmente a doença pode ser percebida como uma “punição aos pecados”.com. conseqüência de uma introdução no corpo da pessoa doente de um elemento estranho e que causa males ou até mesmo a perda de um elemento bom (SEBASTIANI e MAIA. para não fugir ao confronto com situações que são extremamente difíceis e que podem surgir na relação com um paciente terminal. devido a essa "parada" do seu ritmo cotidiano. uma reorganização e a readaptação ao seu meio psicossocial.educapsico. substituí-lo na relação com o paciente ou servir como intermediário dessa relação. Soares e Vasques (2007) que o Psicólogo juntamente a equipe médica em geral. Sendo assim. mas também sociais e psíquicas. atuará no processo de adoecimento que traz à vida do indivíduo profundas mudanças ligadas tanto à sua capacidade produtiva. 2010). orientar o paciente e seus familiares. para que ele se torne mais dócil. 78 . O médico tem seu lugar legitimado no contato com o paciente e. também abrange na sua atuação. pois a simples visita ao médico faz o doente melhorar. porém é este lado mágico que leva o paciente a enxergar o médico com reserva. e ao identificar a doença pelo profissional. É importante observar que o processo psicoterápico com pacientes terminais não tem como meta à cura de processos somáticos e não entra no lugar dos tratamentos médicos. sendo este um pedido freqüente aos psicólogos hospitalares. O Psicólogo Hospitalar tem um papel fundamental no trabalho com pacientes terminais. Também não tem como objetivo acalmar o paciente. ou seja.www. não atrapalhe o médico com suas exigências. Portanto. então. a função de esclarecer.br Podemos concluir. sendo importante entender que este paciente irá vivenciar sua doença de forma única. individual. o paciente acredita que o médico irá encarregar-se dela e vencê-la. prudência e desconfiança. De acordo com Sebastiani e Maia (2010) é comum que os pacientes utilizem esta simbologia em seu imaginário. o médico tem por objetivo extinguir o mau elemento do paciente e reintroduzir o elemento bom. o psicólogo não deve entrar no vácuo deixado pelo médico. pois além dar o suporte ao indivíduo no contexto de crise em que se encontra. sobre as conseqüências geradas pelo adoecimento e proporcionar a estes.

2010). pois a identificação dos medos. Sebastiani e Maia (2010) afirmam que a presença de outros profissionais na equipe. Sabe-se que esta especialidade é utilizada desde o inicio da civilização sendo aperfeiçoada através da tecnologia. a partir de ações interdisciplinares que contemplem a compreensão da pessoa enferma como um todo (SEBASTIANI e MAIA. A cirurgia é uma especialidade da medicina voltada para a cura de doenças. Da mesma forma. Atualmente. sendo esta leitura aparentemente paradoxal presente.com. com a atuação do profissional diretamente no local atingido. a psicologia da saúde vêm se dedicando a estudar e desenvolver estratégias de cuidados com o cuidador. vêm ganhando expressivo espaço. dúvidas. espaço. somam importante ajuda ao cirurgião. recursos para questões relacionadas a interação médicopaciente. transplantes (nestes casos tanto no trabalho direto 79 . sobrecarregados por horas de cirurgias ininterruptas.br Segundo os autores. identificando situações profissionais potencialmente patogênicas. 2010). procurando assim contribuir na otimização dos recursos humanos em saúde. “o temor e o respeito perante o médico estão conseqüentemente associados ao homem mau e ao salvador. caracterizadas pelo dinamismo e rapidez. As rotinas hospitalares. e não raro determinante. fazem parte da formação técnica deste profissional. criando programas e estratégias preventivas e terapêuticas que auxiliem no resgate da qualidade de vida. unindo. particularmente o psicólogo. sempre na busca da consolidação do modelo biopsicossocial em saúde. cortando ou retirando o que está prejudicado. vários procedimentos cirúrgicos têm em seus protocolos a previsão de avaliação e acompanhamento psicológico ao enfermo. cirurgias plásticas cosméticas e algumas modalidades de reconstrutivas. Destaca-se nesse campo protocolos de cirurgias bariátricas e outras técnicas cirúrgicas para obesidade mórbida. as intervenções psicológicas em Clínica Cirúrgica. de muitas relações entre o cirurgião e o paciente. com pouco tempo e energia para seus estudos e atualizações ou mesmo para sua vida pessoal (SEBASTIANI e MAIA. Sendo assim.educapsico. Geralmente os profissionais trabalham exaustivamente. desde a indicação da cirurgia. assim como a facilitação de uma interlocução mais eficiente entre equipe de saúde e paciente. até os programas de reabilitação e reintegração sócio-familiar. expectativas do paciente. dificilmente contemplam tempo. Há importante influência da relação humana cirurgiãopaciente em todas as fases do processo cirúrgico – do diagnóstico e indicação da cirurgia até o pós-operatório tardio. mas não descuidando do "humano" destes recursos.www.

na década de 1980. diante da necessidade de realizar uma cirurgia. isolamento. pois este procedimento tende a gerar intenso desconforto emocional. 2010). das mudanças na sua imagem corporal. assinala que "o SUS prevê que as ações de saúde devem ser desenvolvidas por uma rede regionalizada e hierarquizada de atenção à saúde. cada indivíduo. onde o indivíduo tem o seu futuro incerto. 2010). visando ao atendimento integral da população" (CARTILHA ABC DO SUS. da dor. ou seja. entende-se que nenhum paciente está efetivamente preparado para realizar uma cirurgia. Assim. seu novo esquema corporal que foi modificado pela intervenção cirúrgica. e facilitando a verbalização das fantasias advindas do processo cirúrgico.www. medo da morte. o paciente sente ameaçada a sua integridade física e psicológica (SEBASTIANI e MAIA. É necessário também atuar no sentido de reorganizar o esquema da consciência do paciente no mundo. um clima de confiança entre o paciente e equipe de saúde. com tecnologias adequadas a cada nível de atenção. proporcionando também. pois. Em decorrência desse processo foi instituído pela Constituição Federal de 1988 um sistema de saúde único. por um amplo movimento nacional para uma reforma sanitária no país. Apesar do avanço tecnológico das cirurgias e anestesias. da mutilação. O psicólogo deve atuar com o objetivo de minimizar a angústia e ansiedade do paciente. em seus documentos oficiais. Sistema Único de Saúde – SUS O direito de todos os cidadãos brasileiros à saúde foi impulsionado.educapsico. de ficar incapacitado. O Ministério da Saúde. universal e equânime: o Sistema Único de Saúde (SUS). 1999). 80 . vivencia de acordo com sua estrutura. sendo necessária a atuação psicológica neste momento.com. o paciente cirúrgico nunca se sente totalmente seguro. favorecendo a expressão dos sentimentos e auxiliando na compreensão da situação vivenciada. De acordo com os autores.br com o transplantado como na atividade conjunta com as equipes de captação) (SEBASTIANI e MAIA. manifestando sentimentos de impotência.

sem privilégios e sem barreiras. O SUS não é o sucessor do INAMPS e nem tampouco do SUDS. proteção e recuperação da saúde formam também um todo indivisível e não podem ser compartimentalizadas. Esses elementos integrantes do sistema referem-se ao mesmo tempo. O SUS é o novo sistema de saúde que está em construção. Doutrinas do SUS Universalidade:É a garantia de atenção à saúde por parte do sistema. sob a responsabilidade das três esferas autônomas de governo federal.com. o indivíduo passa a ter direito de acesso a todosos serviços públicos de saúde. a atenção de média complexidade e a atenção de alta complexidade. Postos de Saúde). consultas médicas e de outras especialidades (Ambulatórios). Assim. com seus diversos graus de complexidade. o SUS não é um serviço ou uma instituição. que é a atenção básica. proteção e recuperação da saúde. Todo cidadão é igual perante o SUS e será atendido conforme suas necessidades até o limite do que o sistema puder oferecer para todos.www. mas um Sistema que significa um conjunto de unidades. Saúde é direito de cidadania e dever do Governo: municipal. O nível secundário é responsável pela realização de exames. estadual e federal. Integralidade:É o reconhecimento na prática dos serviços de que: • • • Cada pessoa é um todo indivisível e integrante de uma comunidade.educapsico. que são a atenção básica. o cuidado com a saúde está ordenado em níveis de atenção. o nível quaternário pelos Hospitais de Especialidades (Maternidades). As unidades prestadoras de serviço. 81 . Equidade: É assegurar ações e serviços de todos os níveis de acordo com a complexidade que cada caso requeira. ESF. assim como àqueles contratados pelo poder público. As ações de promoção. O nível terciário é representado pelos Hospitais Generalistas e. Ele é chamado de Sistema Único porque segue a mesma doutrina e os mesmos princípios organizativos em todo o território nacional. às atividades de promoção. Com a universalidade. O nível primário. é responsável pela prevenção e promoção da saúde (Unidades Básicas. estadual e municipal.br O SUS é uma nova formulação política e organizacional para o reordenamento dos serviços e ações de saúde. de serviços e ações que interagem para um fim comum. No SUS. formam também um todo indivisível configurando um sistema capaz de prestar assistência integral. a todo e qualquer cidadão.

Assim. favorecendo ações de vigilância epidemiológica. Os demais deverão ser referenciados para os serviços de maior complexidade tecnológica. Isto implica na capacidade dos serviços em oferecer a uma determinada população todas as modalidades de assistência. controle de vetores. educação em saúde. Descentralização:É entendida como uma redistribuição das responsabilidades quanto às ações e serviços de saúde entre os vários níveis de governo.www.educapsico. sanitária. desde o federal até o local. e. Deverá haver uma profunda redefinição das atribuições dos vários níveis de governo com um nítido reforço do poder municipal sobre a saúde – é o que se chama municipalização da saúde. organizada de forma hierarquizada e regionalizada. bem como o acesso a todo tipo de tecnologia disponível.com. a maior responsabilidade na promoção das ações de saúde diretamente voltadas aos seus cidadãos. quando um indivíduo busca o atendimento ou quando surge um problema de impacto coletivo sobre a saúde. além das ações de atenção ambulatorial e hospitalar em todos os níveis de complexidade. O acesso da população à rede deve se dar através dos serviços de nível primário de atenção que devem estar qualificados para atender e resolver os principais problemas que demandam os serviços de saúde. participará do processo de formulação das políticas de saúde e do controle da sua execução. a partir da idéia de que quanto mais perto do fato a decisão for tomada. 82 . mais chance haverá de acerto. portanto. o que for de abrangência nacional será de responsabilidade federal. o que é abrangência de um município deve ser de responsabilidade do governo municipal. Aos municípios cabe. Resolubilidade:É a exigência de que. o que abrange um estado ou uma região estadual deve estar sob responsabilidade do governo estadual. permite um conhecimento maior dos problemas de saúde da população da área delimitada. possibilitando um ótimo grau de resolubilidade (solução de seus problemas). em todos os níveis. dispostos numa área geográfica delimitada e com a definição da população a ser atendida. o serviço correspondente esteja capacitado para enfrentá-lo e resolvê-lo até o nível da sua competência. A rede de serviços. através de suas entidades representativas.br Princípios do SUS Regionalização e Hierarquização: Os serviços devem ser organizados em níveis de complexidade tecnológica crescente. Participação dos Cidadãos:É a garantia constitucional de que a população.

bons padrões de alimentação e nutrição. Deve ser também considerado como elemento do processo participativo o dever das instituições oferecerem as informações e conhecimentos necessários para que a população se posicione sobre as questões que dizem respeito à sua saúde. Tais ações visam à redução de fatores de risco. profissionais de saúde e prestadores de serviço. ao lado daquelas propriamente ditas de recuperação. não só em termos de doenças mais freqüentes. Para melhor identificar quais os principais grupos de ações de promoção. passando de um modelo assistencial centrado na doença e baseado no atendimento a quem procura para um modelo de atenção integral à saúde. de proteção e de recuperação da saúde. Ações de promoção e proteção de saúde:esses grupos de ações podem ser desenvolvidos por instituições governamentais. uso adequado e desenvolvimento de aptidões e capacidades. em seu conjunto. com representação paritária de usuários. onde haja a incorporação progressiva de ações de promoção e de proteção. podendo provocar-lhes incapacidades e doenças. para definir prioridades e linhas de ação sobre a saúde. por extensão. dos seus hábitos e estilos de vida. a partir da procura espontânea aos serviços. Esses grupos compreendem um elenco bastante vasto e diversificado de ações. são exemplos de ações: educação em saúde. definido na nova Constituição deverá nortear a mudança progressiva dos serviços. O conceito abrangente de saúde. Outra forma de participação são as conferências de saúde.br Essa participação deve se dar nos Conselhos de Saúde. Ações Desenvolvidas pelo SUS A atenção à saúde no Brasil vem sendo desenvolvida com ênfase na prestação de serviços médicos individuais. adoção de estilos de vida saudáveis. de enfoque curativo. associações comunitárias e indivíduos. ou seja: o diagnóstico e tratamento científico da comunidade. No campo da promoção. governo. sentidas ou não-sentidas.www.educapsico. aconselhamentos 83 .com. constituem um campo de aplicação do que se convencionou chamar de Saúde Pública. aí incluídas. de natureza eminentemente preventiva. a serem desenvolvidas prioritariamente é necessário conhecer as principais características do perfil epidemiológico da população. que constituem ameaça à saúde das pessoas. periódicas. como também em termos das condições sócio-econômicas da comunidade. que. a infra-estrutura de serviços disponíveis. e de suas necessidades de saúde. empresas.

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específicos, como os de cunho genético e sexual. Através dessas ações, são estimuladas as práticas da ginástica e outros exercícios físicos, os hábitos de higiene pessoal, domiciliar e ambiental e, em contrapartida, desestimulados o sedentarismo, o tabagismo, o alcoolismo, o consumo de drogas, a promiscuidade sexual. No desenvolvimento dessas ações devem ser utilizados, de forma programática e sistemática, com emprego de linguagem adequada ao público-alvo, os diferentes meios e veículos disponíveis de comunicação ao alcance da comunidade: cartazes, rádio, jornal, televisão, alto-falantes, palestras e debates em escolas, associações de bairro, igrejas, empresas, clubes de serviço e lazer, dentre outros. No campo da proteção, são exemplos de ações: vigilância epidemiológica, vacinações, saneamento básico, vigilância sanitária, exames médicos e odontológicos periódicos, entre outros. Através da vigilância epidemiológica, são obtidas as informações para conhecer e acompanhar, a todo o momento, o estado de saúde da comunidade e para desencadear, oportunamente, as medidas dirigidas à prevenção e ao controle das doenças e agravos à saúde. A vigilância sanitária busca garantir a qualidade de serviços, meio ambiente de trabalho e produtos (alimentos, medicamentos cosméticos, saneantes domissanitários, agrotóxicos e outros), mediante a identificação, o controle ou a eliminação de fatores de risco à saúde, neles eventualmente presentes. São exemplos de serviços sujeitos à vigilância sanitária: unidades de saúde, restaurantes, academias de ginástica, institutos de beleza, piscinas públicas, etc. No meio ambiente, a vigilância sanitária procura evitar ou controlar a poluição do ar, do solo, da água, a contaminação por agrotóxicos, o uso do mercúrio nos garimpos, etc. Nos locais de trabalho, a vigilância sanitária preocupa-se, por exemplo em assegurar condições ambientais satisfatórias (iluminação, temperatura, umidade, ventilação, nível sonoro), adequação ergométrica de máquinas, equipamentos e móveis e eliminação de substâncias e produtos que podem provocar doenças ocupacionais. Em relação aos produtos, a vigilância sanitária não se limita apenas à fiscalização dos artigos já expostos ao consumo, mas efetua a inspeção sanitária e técnica das respectivas linhas de fabricação, de modo a evitar a sua comercialização em condições insatisfatórias de segurança e qualidade. Todas as ações de promoção e proteção da saúde, acima descritas, podem e devem ser exercidas (ou desencadeadas), também, durante o atendimento nas unidades de saúde, ambulatoriais e hospitalares, com objetivos e técnicas adequados a estes locais.

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Ações de recuperação:esse grupo de ações envolve o diagnóstico e o tratamento de doenças, acidentes e danos de toda natureza, a limitação da invalidez e a reabilitação. Essas ações são exercidas pelos serviços públicos de saúde (ambulatoriais e hospitalares) e, de forma complementar, pelos serviços particulares, contratados ou conveniados, que integram a rede do SUS, nos níveis federal, estadual e municipal, particularmente nos dois últimos, onde deve estar concentrada a maior parte dessas atividades. De todo modo, nesses serviços as ações típicas são: consultas médicas e odontológicas, a vacinação, o atendimento de enfermagem, exames diagnósticos e o tratamento, inclusive em regime de internação, e em todos os níveis de complexidade. O diagnóstico deve ser feito o mais precocemente possível, assim como o tratamento deve ser instituído de imediato, de modo a deter a progressão da doença. Por isso, os serviços de saúde, especialmente os de nível primário de assistência, devem buscar o adequado desempenho dessas duas ações fundamentais de recuperação da saúde - o diagnóstico e o tratamento - visto que tais serviços representam a porta de entrada do sistema de saúde, onde a população toma os seus primeiros contatos com a rede assistencial A reabilitação consiste na recuperação parcial ou total das capacidades no processo de doença e na reintegração do indivíduo ao seu ambiente social e a sua atividade profissional. Com essa finalidade, são utilizados não só os serviços hospitalares como os comunitários, visando a reeducação e treinamento, ao reemprego do reabilitado ou à sua colocação seletiva, através de programas específicos junto ás indústrias e ao comércio, para a absorção dessa mão-de-obra.

Programas de Saúde Desenvolvidos pelo SUS Existem grupos populacionais que estão mais expostos a riscos na sua saúde. Isto é evidenciado pelos registros disponíveis de morbi-mortalidade, como por exemplo, menores de 01 ano, gestantes, idosos, trabalhadores urbanos e rurais sob certas condições de trabalho etc. A intensidade e a peculiaridade dessa exposição variam bastante com os níveis sociais e características epidemiológicas de cada região, e muitas vezes, da micro-região. A exposição a riscos pode também ser vista e entendida em função de cada doença, como no caso da Tuberculose, Câncer, Hanseníase, Doenças

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cardiovasculares, AIDS e outras. Portanto, no planejamento da produção das ações de educação em saúde e de vigilância epidemiológica, vigilância sanitária, controle de vetores e atendimento ambulatorial e hospitalar devem ser normalizados alguns procedimentos a serem dirigidos especialmente a situações de risco, com a finalidade de intensificar a promoção, proteção e recuperação da saúde. Daí vem o conceito e prática dos programas de saúde, que são parte da produção geral das ações de saúde pelas instituições, unidades e profissionais da área. Como tal, os programas de Saúde são eficientes para a população-alvo, somente quando as normas nacionais e estaduais respeitam as condições sociais, epidemiológicas, institucionais e culturais existentes ao nível regional ou microregional, passando por adaptações e até recriações nestes níveis. NAPS e CAPS A reorganização dos serviços e das ações de saúde mental fez surgir dois novos dispositivos de atenção representados pelos Núcleos de Atenção Psicossocial (NAPS) e pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). A criação de

Núcleos/Centros de Atendimento de Atenção Psicossocial (NAPS/CAPS) através da Portaria Nº 224, de 29 de janeiro de 1992, tem contribuído significativamente para a melhoria da assistência aos indivíduos em sofrimento psíquico. Os NAPS e CAPS são definidos como "unidades de saúde locais/regionais que contam com população adscrita
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pelo nível local e que oferecem atendimento de

cuidados intermediários entre o regime ambulatorial e a internação hospitalar em um ou dois turnos de quatro horas, por equipe multiprofissional". Pela regulamentação legal, devem oferecer os seguintes atendimentos: 1) individual; 2) grupos (psicoterapia, grupo operativo, oficina terapêutica, atividades socioterápicas, entre outras); 3) visitas domiciliares; 4) atendimento à família e 5) "atividades comunitárias enfocando a integração do doente mental na comunidade e sua inserção social" (Ministério da Saúde/Brasil, 1994). Da regulamentação ministerial, importa chamar a atenção para o seguinte: embora pertençam ao grupo do atendimento ambulatorial, os CAPS e NAPS são estruturas específicas, diferentes do ambulatório stricto sensu9; embora os hospitaisdia tenham sido os precursores históricos dos CAPS, a expressão hospital-dia passa a
Adscrever a clientela significa responsabilizar a equipe da Unidade de Saúde (US) pelos sujeitos que vivem na área geográfica definida para essa US, no processo de territorialização, permitindo o efetivo acesso e vínculo dessa população ao serviço.
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É uma expressão em latim que significa literalmente em sentido estrito.

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articulação com outros dispositivos e atendimento à emergência. virtualmente a todas as demandas em saúde mental do território de referência. das 8h às 18 h.br designar uma estrutura propriamente hospitalar. das 8h às 18h. Existem seis tipos de CAPS. funcionando até 21 h. Pode ter um terceiro período.com. Assim. Funciona 24 horas. também nos feriados e fins de semana. Por isso. É um CAPS para atendimento diário de adultos com transtornos mentais severos e persistentes. hoje incluindo pessoas com problemas com álcool e outras drogas. Já os CAPS tendem a ser regionalizados em termos da adscrição da clientela. com funcionamento diurno e restrito aos dias úteis e sem leitos de internação ou acolhimento-noite. os NAPS têm inclusive funcionamento de emergência durante 24 horas e uma estrutura mínima de leitos. É um CAPS para atendimento diário de adultos com transtornos mentais severos e persistentes. São eles: CAPS I – Para municípios com população entre 20 mil e 70 mil habitantes. CAPS II – Para municípios com população entre 70 mil e 200 mil habitantes. podendo-se deduzir que ela visa a oferecer atendimento intensivo em períodos mais agudos. É um CAPS para atendimento diário de adultos com transtornos mentais severos e persistentes. 87 . não se trabalha com uma limitação numérica de clientela. de semi-internação com duração máxima de 45 dias. CAPS i – Para municípios com população acima de 200 mil habitantes. já que se devem atender. de sua estrutura e funcionamento foi exigida uma alta capacidade de resolução em termos de atendimentos externos. diariamente. Além disso.educapsico. como estrutura de passagem. para evitar internação ou em saídas de internação. Pode ter um terceiro período. Funciona de segunda a sexta-feira. ou ao menos dar algum encaminhamento. Funciona de segunda a sexta-feira. Funciona de segunda a sexta-feira. das 8 h às 18 h.www. CAPS III – Para municípios acima de 200 mil habitantes. Os NAPS são encarregados de responder de forma plena pela demanda de saúde mental da região de referência. embora eles sejam desobrigados a apresentar a mesma capacidade de resolução para as emergências e a dar conta da totalidade da demanda de saúde mental – em geral limitando o atendimento à clientela inscrita no serviço e às triagens.

Pode ter um terceiro período. das 8 h às 18 h. substituindo. sendo que para cada morador que deixa o hospital para morar em Residência Terapêutica. são candidatos a fazerem parte desta modalidade de cuidados.educapsico. será imediatamente fechado o leito hospitalar e a alocação do recurso da SRT.br funcionando até 21 h. o modelo asilar. A capacidade máxima de lotação de uma residência será de oito pessoas. Para o funcionamento das residências terapêuticas deve existir uma unidade assistencial de referência: CAPS ou ambulatórios de Saúde Mental. tendo como característica principal a casa como lugar de moradia e de relações interpessoais.www. funcionando até 21 h. Os SRT/MA estão dentro da Política Nacional de Redução de Leitos em hospitais psiquiátricos. Os Serviços Residenciais Terapêuticos ou Moradias Assistidas Os Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT). CAPS ad – Para municípios com população acima de 100 mil habitantes. ou Moradias Assistidas (MA). Vale salientar que a partir desse modelo das STR/MA começaram também a se expandir pelos EUA e Inglaterra moradias para tratar pessoas com problemas com álcool. egressos de internações psiquiátricas de longa permanência que não possuem suporte social e laços familiares que viabilizem a sua inserção social” (Portaria SAS/MS nº 106. maior o nível de cuidados e vice-versa. É um CAPS para usuários de álcool e drogas. assim. Possui leitos de repouso com a finalidade exclusiva de tratamento de desintoxicação. A diferenciação dos cuidados em residências terapêuticas será dada pelo nível de autonomia dos seus moradores: para moradores mais dependentes. ou seja. Funciona de segunda a sexta-feira.com. destinadas a portadores de transtornos mentais. toda pessoa que hoje se encontra internada em hospitais psiquiátricos em regime de longa internação e que não possuem condições ou laços familiares que permitam a sua reinserção social neste momento. de 11 de fevereiro de 2000 A SRT/MA é inclusiva. são “moradias ou casas inseridas na comunidade. É um CAPS para atendimento de crianças e adolescentes com transtornos mentais. 88 .

de lazer e físicas. tendo no máximo 30 leitos. A internação visa. no menor tempo possível. com atividades que incluam atendimentos individuais e grupais. 89 .www. Segundo a legislação. principalmente. Os serviços devem oferecer durante o período de internação assistência de uma equipe multiprofissional. para que ele possa dar continuidade ao acompanhamento nos demais dispositivos comunitários. os cuidados ao paciente até sua estabilização. abordagem à família. atividades socioterápicas.br Leitos Psiquiátricos em Hospital Geral Serviço de retaguarda hospitalar para os casos em que a internação se faça necessária depois de esgotadas todas às possibilidades de atendimento em unidades extra-hospitalares e de urgência.com. o número de leitos em hospital geral não deve ultrapassar 10% da capacidade instalada do hospital.educapsico.

doente de câncer. tempo que durou o caso do Homem dos Ratos. 90 . conforme seus conhecimentos foram se ampliando. que variaram de uma sessão. recém saído da Primeira Guerra Mundial. como aconteceu no atendimento a Catarina em 1895. buscando sua remissão.www. Sifneos (1984). O conflito se dava então entre a pulsão de vida e de morte. como alguns outros encontrados na biografia de Freud. ou seja. Marmor (1979). até onze meses. Mas. podem ser considerados hoje como intervenções de caráter breve. Freud. Braier (1984). em decorrência disso. sobretudo. via-se compelido a defender a psicanálise diante das inúmeras críticas que vinha sofrendo. o maior interesse de Freud era de compreender a natureza do inconsciente e da personalidade. em 1920. Ele queria que seu arcabouço teórico fosse reconhecido como cientifico. nessa época a questão mais preocupante era a reação terapêutica negativa. Eram tratamentos com fins específicos. seus objetivos foram se modificando. Freud cunha seu conceito de pulsão de morte e introduz a noção de compulsão a repetição. Eles afirmam isto baseado nos primeiros casos atendidos por ele. A autora diz ainda que estes exemplos. Gilliéron (1983a) consideram Freud como o principal precursor das Psicoterapias Psicodinâmicas Breves. e uma vez alcançados estes objetivos decidia-se pela interrupção do processo. é que Freud visava. Para Hegenberg (2004).br UNIDADE IV: TEORIAS E TÉCNICAS PSICOTERÁPICAS Antecedentes Históricos da Psicoterapia Psicodinâmica Breve. Então. com 64 anos. final do sec. No entanto. O que se observa. levando a processos terapêuticos cada vez mais longos. sendo esta responsável pelo prolongamento dos tratamentos. a análise e compreensão da etiologia do sintoma. de 1909. o agravamento dos sintomas ao invés da melhora esperada. XIX até 1950 Sigmund Freud Segundo Yoshida (1990) vários autores como Malan (1963).educapsico. para ambas as partes.com.

ao enfrentar dificuldades com os pacientes. O analista. ditos populares e parodias. Ferenczi. no decorrer de sua obra.br Sandor Ferenczi Enquanto Freud. consistiam em induzir maior atividade no paciente. Ferenczi preocupava-se com a práxis clínica.www. Mas. que o problema atual do indivíduo está integrado com sua história pessoal. agressividade. através da observação atenta. palavras de baixo calão. Otto Rank O psicanalista e psicólogo austríaco Otto Rank. ora proibindo-o de certas atividades que lhe garantem algum tipo de gratificação e que por isso funcionam como obstáculo ao trabalho. Além disto. já em sua juventude conheceu Freud. Ele procurou observar como o sujeito se comporta no presente em função de seu passado. atuando com mais iniciativa no processo terapêutico. no intuito de produzir uma tensão ótima. que o sucesso destas injunções dependeria de um bom vínculo terapêutico. sarcasmo. capaz de remover as barreiras e retomar o processo terapêutico. de acordo com Yoshida (1990). importância do analista na terapia. que o levou a freqüentar seu círculo de discussão e em 1906. transferência. começa a fazer algumas modificações na técnica. injunções feitas ao paciente no intuito de acelerar o processo terapêutico e vencer a reação terapêutica negativa. deveria identificar para onde se deslocara a libido. ou seja. Para ele a presença do analista no processo de análise é indispensável. intervir. anedotas. Então. ironia. destaca que dentre as principais contribuições de Rank. ora levando-o a enfrentar situações ansiógenas. talvez a que mais se destaque é a noção de 91 . humor. se tornou secretário da Sociedade Psicanalítica de Viena.educapsico. De acordo com Hegenberg (2004). as resistências. ele mesmo reconheceu mais tarde. Ferenczi afirmou que o terapeuta em psicoterapia breve pode fazer uso de analogias. em 1916. Yoshida (1990) continua e diz que estas injunções. o papel do mundo real e o enquadre. dramatização. propunha um aprofundamento da metapsicologia[2]. Vale à pena destacar que o sentido que se dá à ação do analista é a interpretação e o estabelecimento ocasional de “tarefas” ao paciente. ele discorre sobre: introjeção. contratransferência. Segundo Lemgruber (1984). Ferenczi considerou que no processo terapêutico dois elementos são de essencial importância: o paciente e o terapeuta. e então.com. Entendia também. que anteriormente estava investida na relação transferencial. Yoshida (1990). o que ele mesmo chamou de técnica ativa.

Yoshida (1990) coloca que eles propunham o princípio da flexibilidade. e a noção de que um número reduzido de sessões necessariamente implica resultados superficiais e temporários. Ainda de acordo com este autor. French: Logo depois de se formar em medicina. juntamente com French. buscou desenvolver os princípios básicos que tornariam possível técnicas específicas de tratamentos psicoterápicos mais breves e mais eficazes. E ali. Porém. A “perda do paraíso” marcaria todas as ações humanas motivadas pelo desejo de recuperá-lo. Alexander e French entendiam como finalidade do processo terapêutico a readaptação emocional. Em 92 . que limitando o tempo de análise. Rank. os estudos desenvolvidos em Chicago entre 1938 e 1945 resultaram no livro “Terapêutica Psicanalítica” (1946). o próprio Rank abandona esta idéia e se dedica a questão da separação-individuação. constituindo-se no protótipo de todas as outras situações traumáticas. Franz Alexander e Thomas M. pretendia favorecer a elaboração dos conflitos e ansiedades relativos a situações de separação. Entendida como a situação em que o feto perde a condição “paradisíaca” vivida no útero materno e que acarretaria uma primeira e determinante situação de ansiedade.com. tais como: a questão da profundidade da terapia. relacionada à duração e à freqüência das sessões semanais. ou seja. segundo Marmor (1979). o terapeuta deve encontrar o procedimento terapêutico mais adequado para cada caso.br trauma de nascimento. foi para os Estados Unidos fundar. a pressuposição de que o prolongamento da análise se justifica pela necessidade de superar as resistências. eles consideravam a doença mental como conseqüência do fracasso do ego em sua tarefa de assegurar a gratificação das necessidades do indivíduo. citado por Yoshida (1990). Ainda segundo esta autora. fala sobre o conceito de will-therapy ou terapia da vontade. na qual o terapeuta deveria mobilizar a vontade do paciente no processo terapêutico. pois. em 1931. em 1947. considerado um marco na história das psicoterapias psicodinâmicas breves. Alexander inicia sua formação psicanalítica que de acordo com Yoshida (1990). com o objetivo de acelerá-lo. foi bastante ortodoxa.educapsico.www. Anos depois. Com relação à postura do analista dentro do processo terapêutico. Eles realizaram vários experimentos que buscavam por à prova certos pressupostos da técnica psicanalítica tradicional. Esta experiência foi designada de “ansiedade primordial”. o Instituto de Psicanálise de Chicago.

É uma experiência completa.br relação à técnica psicanalítica tradicional. E isso só irá ocorrer num contexto relacional de segurança. Lemgruber (1984) afirma que para eles o terapeuta deve tentar aumentar o número de “estalos” de forma ativa. Porém. destacam-se dois grupos que trabalhavam independentemente: um na 93 . pois Alexander e French indicavam alterações na freqüência das sessões.educapsico. talvez a mais conhecida seja a noção de Experiência Emocional Corretiva (EEC). levando a um prolongamento desnecessário do tratamento. Malan De acordo com Yoshida (1990). a EEC acontece na relação terapêutica. outra grande diferença proposta é a atitude mais ativa do analista. Conceito pensado especificamente por Alexander em 1946. Neste contexto. e assim por diante. relacionadas às necessidades específicas de cada etapa do tratamento. mas pode ocorrer em qualquer outra relação cotidiana.www. Para Yoshida (1990). porém com certa diferença do que Ferenczi disse. pois sendo assim eles ganham um efeito potencializador. pois compreende aspectos emocionais. o terapeuta deve procurar dar condições para que eles aconteçam também na vida cotidiana. Além de tentar produzir EEC dentro da clínica. buscando dar condições para que o maior número possível de insights aconteça. Psicoterapia Psicodinâmica Breve após 1950 David H. que consiste em expor o paciente a situações emocionais que não pôde resolver no passado. Ou seja. Lemgruber (1984) diz que dentre as inúmeras contribuições que estes autores produziram às teorias e técnicas psicoterápicas. que desencadeia um processo de mudança. assim também como o controle das relações transferenciais. o movimento de psicoterapia breve ganha força com vários grupos de pesquisadores que buscavam definir critérios de seleção. alterações de técnicas e os efeitos que poderia se esperar a partir delas. para daí decidir qual tipo de tratamento será empregado. aceitação e ausência de censura. a partir de 1950.com. volitivos. com o objetivo de se evitar regressões excessivas. é um insight cognitivo. Alexander propõe um planejamento do tratamento baseado na avaliação diagnóstica e psicodinâmica da personalidade do paciente e nos problemas reais que este tem que enfrentar em sua vida. já que podem ser comentados dentro da sessão gerando outros. motores e cognitivos. um “estalo interno”.

Peter E. no qual sua problemática atual constitui uma reedição. o grupo da Tavistock. com o objetivo de resgatar o método original de Freud. Com base nesta hipótese. indicada para casos em que os sintomas neuróticos são claramente identificáveis e onde a problemática edipiana está em 94 . O procedimento adotado por eles consistia em fazer uma avaliação psicodiagnóstica.educapsico. e o outro no Hospital Geral de Massachusetts. Para esta autora. interpretação transferencial. utilizando-se de interpretações seletivas. dirigido por Peter E. composta de entrevistas clínicas e utilização de testes. para daí estabelecer uma hipótese psicodinâmica básica. dirigido por David Malan. na qual se baseia o processo terapêutico. atenção seletiva e negligência seletiva. em Londres.www. Sifneos. Ele deve procurar manter a focalização sobre os elementos da hipótese psicodinâmica básica. Lemgruber (1984) diz que para Malan o objetivo ou o foco deve ser formulado idealmente em termos de uma interpretação essencial. se define o procedimento terapêutico mais eficaz a ser adotado. Esta técnica é conhecida com o nome de Psicoterapia Focal. Yoshida (1990) ressalta que a atitude do terapeuta para Malan é ativa.com. • Negligência seletiva: leva o terapeuta a evitar qualquer material que possa desviá-lo do foco. Lemgruber (1984) destaca que segundo Malan os três recursos técnicos que o terapeuta pode usar para buscar o foco são: • • Interpretação seletiva: onde se busca interpretar sempre o material do paciente em relação ao conflito focal. interpretação de sonhos e fantasias.br Clínica Tavistock. De forma mais especifica. Atenção seletiva: através da qual se busca todas as relações possíveis do material que o paciente traz com o conflito focal (é diferente da atenção flutuante da psicanálise clássica). desenvolveu uma técnica de psicoterapia que inclui vários tipos de recursos técnicos disponíveis na psicanálise: análise da resistência. Sifneos propôs uma técnica de psicoterapia denominada Psicoterapia Breve Provocadora de Ansiedade (Short-Term AnxietyProvoking Psychotherapy (STAPP). Com isso em mãos. que consiste no foco ou tema especifico para interpretação. se estabelece um objetivo específico e limitado. Esta hipótese busca identificar o conflito primário do paciente. Sifneos Segundo Yoshida (1990). em Boston.

o terapeuta realiza o manejo das sessões. para Fiorini o papel do terapeuta é semelhante ao de um “docente”. é que este é potencialmente plástico e tem bastante mobilidade. Desempenhando o papel de “avaliador” e “professor”. O ego é uma dimensão de especial interesse para todo o enfoque diagnóstico. a indicação de livros e filmes.com. na fobia e nas formas brandas de neuroses obsessivas.br primeiro plano. se comparado com a inércia atribuída ao superego e ao id. Este estudo também se faz importante para a eficácia terapêutica. Na Psicoterapia Breve de Fiorini. já que o êxito ou o fracasso de uma psicoterapia dependem da evolução adequada ou do descaso dos recursos egóicos do paciente. com o objetivo de se formular uma hipótese psicodinâmica que dê conta de explicar os conflitos emocionais subjacentes às dificuldades vividas por ele. De acordo com Hegenberg (2004). como por exemplo. 95 . propor viagens. Em seguida o terapeuta faz um levantamento detalhado da história de vida do paciente. colocando-se no lugar do saber. Uma das principais razões que faz Fiorini priorizar o ego. a sugestão de condutas. além do descaso teórico que se deu a ele até então. O terapeuta busca dar condições para a criação de um contexto de discriminação e esclarecimento.www. que estimulem o paciente a enfrentar e examinar áreas do conflito emocional que numa outra situação evitaria. que consiste em um trabalho egóico com base teórica psicanalista. As sessões ocorrem na posição de face a face e desde o início é dito para o paciente que o tratamento terá uma duração de doze a dezoito sessões. como por exemplo. O que permite uma base para a compreensão da ação terapêutica e de uma diversidade de recursos corretivos. em que o insight abre espaço para a experiência emocional corretiva. falar com alguém sobre algum assunto fundamental para o problema do paciente. Hector Fiorini Fiorini (1995) propõe a “Psicoterapia de Esclarecimento”. prognóstico e terapêutico. ou seja. O procedimento proposto consiste em pedir para o paciente escolher qual dificuldade emocional considera prioritária. Para ele o estudo das funções egóicas é importante para a compreensão da dinâmica do comportamento e também para entender os mecanismos de ação das influências sobre este comportamento.educapsico. ele assume uma postura pedagógica. o terapeuta formula questões provocadoras de ansiedade.

postura corporal e olhares) e intervenções paracorporais (tom de voz. Psicoterapia de Apoio Existe pouca literatura específica publicada na área de Psicoterapia de Apoio (PA). mudanças a titulo de experiência. intervenções de cunho diretivo. Aristides Cordioli (1993). variações ocasionais de horários. particularmente em pacientes graves ou psicóticos. solicitando dados precisos.br O trabalho proposto por Fiorini (1995) é predominantemente cognitivo. Ele também aponta a necessidade de diferentes tipos de intervenções. etc. comentar ou avaliar o porquê de ter usado determinada intervenção. Fiorini (1995). Indicar especificamente a adoção de certos comportamentos com caráter de prescrição. com o objetivo de ampliar e esclarecer o relato. Interpretar o significado de comportamentos do paciente. com o objetivo de fortalecer áreas livres de conflitos. destacou alguns tipos de intervenções verbais de um terapeuta em psicoterapia breve. as razões para este certo menosprezo. tais como: intervenções corporais (gestos. afirma que ela é uma modalidade terapêutica bastante utilizada.com.educapsico. Confirmar ou retificar os conceitos do paciente sobre sua situação. ou seja. § § § Propiciar informação. com atenção voltada para o foco. é que ela 96 . usando interpretações transferenciais apenas para diluir os obstáculos. Porém. são elas: § Interrogar o paciente. com duração de 3 a 6 meses. Assinalar relações entre dados. voltado para o futuro e para a realidade factual (social) do cliente. objetivos e intervenções para esta prática clínica. Ainda segundo este autor. O terapeuta é mais ativo. § § § § § Recapitular. reformular o relato do paciente para que certos conteúdos adquiram mais relevo. § § Dar enquadramento à tarefa.www. o que leva a uma ausência de definições de técnicas. ou seja. Meta-intervenção. anunciar interrupções. § Outras intervenções: cumprimentar. Clarificar. resumir o processo de cada sessão e do conjunto do tratamento. Sugerir atitudes determinadas. intensidade e ritmo da fala).

o aconselhamento. portadores de transtornos caracteriológicos graves. a clarificação e a confrontação. a consolidação de uma identidade própria através o estabelecimento de uma auto-imagem estável e integrada do self. ante a incapacidade do ego em integrar ou resolver tais conflitos. sem dar ênfase a modificação da personalidade nem a resolução de conflitos inconscientes.com. e a melhorar a capacidade de julgamento da realidade. e que não apresentam condições para um tratamento dirigido ao insight.www. tais como. Dewald propõem ainda o exame das diferentes defesas utilizadas pelo paciente. ao invés de questioná-las e desfazê-las. por tanto. suas intervenções visam predominantemente o fortalecimento do ego. o controle ativo. reforçando-as ou encorajando-as. quando inadequadamente utilizadas podem provocar efeitos iatrogênicos[2] ao estimularem a dependência e a regressão.educapsico. Cordioli (1993) a classifica de acordo com seu tempo de duração em: Psicoterapias de apoio de longa duração: destinadas a pacientes com importantes incapacidades do ego. Com isso procura-se promover o crescimento emocional. valem-se de técnicas psicológicas como a sugestão. ao invés de provocar o crescimento emocional e autonomia. pois isso levaria a um aumento da ansiedade. Este autor menciona ainda que as práticas específicas possíveis para PA são: sugestão. o afastamento de pressões ambientais demasiado intensas e a adoção de medidas que visam o alívio dos sintomas. Em PA não se trata de trazer à consciência conflitos inconscientes. Cordioli (1993) citando Dewald (1981). conforto moral. diz que o objetivo da PA é o alívio dos sintomas e a mudança do comportamento manifesto.br vem sendo considerada menos eficaz. Cordioli (1993) salienta. Ou seja. Cordioli (1993) define a PA como uma forma de terapia que tem como principal objetivo manter ou restabelecer o nível de funcionamento prévio do paciente. Um tratamento de PA pode durar dias. estimulando ativamente a ultrapassagem das etapas evolutivas. Esta meta será buscada mediante o reforço de mecanismos de defesas adaptativos. meses ou até anos. além de visar a aquisição de maturidade emocional mediante a promoção da autonomia. que muitas das intervenções típicas em PA como o aconselhamento. ou com atrasos ou déficits evolutivos acentuados. mais superficial e de menor valor se comparada com as práticas terapêuticas que são voltadas para o insight. semanas. a educação. a sugestão e o controle ativo. psicóticos. De maneira mais específica. entre outras. explicações intelectuais. 97 .

Para o planejamento das intervenções a serem utilizadas no processo terapêutico é essencial entender suas motivações inconscientes. Por tanto. dos sucessos e dos fracassos nos diferentes períodos críticos e dos aspectos sadios e das vulnerabilidades do indivíduo. as Psicoterapias de Apoio são usadas isoladamente ou associadas a outras terapias em pacientes com diferentes graus de comprometimento das funções do ego. que inclua a identificação dos sintomas. o conflito psíquico. de intimidade e de trocas. inabilidade para separar fatos de fantasias. dificuldade em comunicar seus sentimentos ao terapeuta. Cordioli (1993) apresenta a avaliação do paciente nos seguintes termos: 98 . ter uma visão das etapas evolutivas. nível intelectual baixo. no qual se inclui um nível razoável de confiança.com. mais especificamente. Cordioli (1993) destaca que é importante que seja feita uma cuidadosa avaliação clínica do paciente. o uso de mecanismos de defesas preferenciais.www. necessidade freqüente de exteriorizar os afetos de uma maneira destrutiva para si e para os outros. pouca capacidade de sublimação. Mais especificamente. a relação pacienteterapeuta. pouca capacidade de introspecção. os afetos são experimentados de forma exagerada ou inibida em relação à situação que os provoca.educapsico. relações interpessoais pobres ou incapacidade de estabelecer e manter um relacionamento estável. ou seja. dificuldade de ter emoções adequadas. apresentando dificuldade para canalizar energia para atividades criativas. controle de impulsos deficiente. os candidatos mais típicos para a PA são os que têm: teste de realidade comprometido. implicando no risco de desenvolver um quadro psicótico se fosse submetido a uma psicoterapia voltada ao insight.br Psicoterapias de apoio de curta duração: destinadas a controlar crises agudas de ocorrência isolada ou no curso das terapias prolongadas. Para que seja realizada uma psicoterapia de apoio com qualidade. pouco interesse ou curiosidade em compreender-se. implicando em dificuldade de conter e examinar sentimentos. ou melhor. com o propósito de restabelecer o nível de funcionamento prévio do paciente. diagnóstico nosográfico[3] e aspectos de personalidade como a compreensão profunda da psicodinâmica do paciente. fatores desencadeantes. e para reconhecer os limites entre si mesmo e o outro. Avaliação do Paciente Ainda segundo Cordioli (1993).

assinando as conseqüências e deixando ao paciente a responsabilidade pela escolha. a utilização deste recurso deve ser provisória. não consegue perceber as alternativas. sentimento ou alterar a vontade do paciente. emprestando-a temporariamente ao paciente. por limitações pessoais. 99 . que a utiliza para tomar as suas decisões. propõe alternativas sobre como conduzir-se em diferentes situações. dos aspectos sadios do ego e rigidez do superego.www. determinado pela incapacidade do paciente para exercer tal função. a partir disso descreve alguns tipos: Sugestão Intervenção que tem por objetivo induzir uma idéia. examiná-las criticamente. Tipos e descrição das Intervenções Cordioli (1993) afirma que as intervenções em PA têm o objetivo de fortalecimento das funções egóicas. O autor propõe também que após a avaliação é importante que o terapeuta elabore uma explicação provisória para a origem dos déficits identificados. o terapeuta introduz idéias novas. e selecionar a mais conveniente. das defesas predominantes. É o recurso utilizado nas situações em que o paciente. Neste caso. Diagnóstico da Personalidade: com o objetivo de identificar os déficits no funcionamento do ego.com. Diagnóstico Dinâmico: identificação de lacunas em processos evolutivos básicos. mecanismos de defesas patológicos predominantes e o nível de organização da estrutura da personalidade. Porém.educapsico. Ou seja. da capacidade de avaliar a realidade.br Diagnóstico Clínico: obtido através da história clínica do paciente e de um exame psiquiátrico. E o planejamento geral das intervenções de apoio deve ser orientado por esta explicação. o terapeuta vale-se de sua própria capacidade de examinar a realidade. pois o risco de sua perpetuação pode favorecer a dependência e retardo da autonomia. em função da realidade. por período de tempo limitado.

Os elogios têm por objetivo aumentar a auto-estima do paciente. Este tipo de procedimento é mais indicado para psicóticos ou situações de grande descontrole emocional. 100 . Reasseguramento É a intervenção através da qual o terapeuta demonstra aprovação ou concordância sobre determinadas atitudes ou idéias do paciente. que exista um clima de confiança. ou para reduzir sintomas provocadores de stress.com. ou ainda para evitar crises. ou auxiliares por ele designados) funções que o paciente momentaneamente é incapaz de desempenhar. utilizado em pacientes muito regressivos. nas quais a capacidade de avaliar a realidade está comprometida. Porém. assume funções de ego-auxiliar. é fundamental que o paciente sinta-se seguro e acolhido pelo terapeuta. ou em situações de crise aguda. a repressão em que conflitos e situações traumáticas estavam submetidos.www.educapsico. estimulando-o a tomar decisões difíceis. O terapeuta deve se guiar pelas necessidades do paciente e não por seus próprios valores. Aconselhamento São sugestões e recomendações sobre atitudes e decisões que o terapeuta dá ao paciente de forma ativa. desejos e aspirações.br Controle ativo É o recurso técnico no qual o terapeuta. Para que isto ocorra. decidindo e executando (ele mesmo. com a finalidade de reforçar os aspectos sadios de sua personalidade. estes têm que ser sinceros e verdadeiros baseados em fatos concretos e reais. onde o paciente saiba que será ouvido e não vai haver rejeição do que vai falar. Esta técnica não deve ser confundida com o controle ativo. Ventilação (desabafo) É a comunicação por parte do paciente de emoções ou sentimentos reprimidos. Mas este também é um recurso de uso breve e excepcional. assim. superando. pois nesta ocorrem proibições e ordens ao paciente e no aconselhamento é oferecido uma explicação racional das vantagens ou desvantagens da atitude aconselhada. valendo-se de sua autoridade. mostrando acreditar em suas capacidades. os quais são revividos de uma forma emocionalmente carregada.

o foco é no aqui e agora. mais para aumentar do que para desfazer as defesas. nos quais se manifestem as forças e debilidades do ego. análise e superação das dificuldades. Usualmente não são feitas interpretações transferenciais.www. também. onipotência e seus vieses pessoais. suprimi-los ou evitá-los. É uma 101 . mas podem ser quinzenais ou mensais. O primeiro destes aspectos é o fato do terapeuta não manter uma posição neutra na relação terapêutica. é que em PA a associação livre é desaconselhada. Portanto. as sessões são normalmente semanais. Aconselhamento O Aconselhamento constitui. além ser simpático e ter uma atitude de apoio. no entanto. o estabelecimento de tarefas semanais ou quinzenais e suas revisões durante as sessões para reforço e apoio dos avanços. atualmente. Em PA. através do aumento de autoconhecimento.com. uma área específica da Psicologia.br Educação É intervenção na qual o terapeuta dá informações ao paciente sobre a gênese de seus sintomas. Podem. ou de mecanismos primitivos como a dissociação e a identificação projetiva.educapsico. Porém. estimulando-se os relatos dos eventos recentes mais significativos. sendo aconselhada a descrição detalhada dos fatos diários. Praticamente não é utilizada interpretação com objetivo de tornar manifesto o conteúdo latente. apenas quando a transferência constitui uma resistência ao tratamento. Mas os encontros devem ser previsíveis e regulares. pois ele deve se mostrar ativo e envolvido. É comum em PA. Aspectos Gerais da Técnica Cordioli (1993) destaca alguns aspectos gerais para a utilização das técnicas em psicoterapia de apoio e que se diferenciam das psicoterapias de orientação analítica. ser utilizadas para evidenciar relações simbióticas de dependência. Outro aspecto que deve ser levado em conta. é importante que o terapeuta tome cuidado e evite grandiosidade. abrangendo um importante setor de especialização da ciência psicológica. dependendo da necessidade do caso. e o ensina como controlá-los. são utilizadas intervenções com o intuito de diminuir a ansiedade.

Já em 1937. 2) A criação de Serviços de Higiene Mental para adultos. oportunidades de expressão e alívio de suas cargas emocionais constituíram outro campo de atuação para desenvolvimento do aconselhamento psicológico. 3) As instituições de Assistência Social que precisavam dar aos clientes. quando Parsons fundou seu Serviço de Orientação Profissional em Boston. o desenvolvimento histórico do Aconselhamento surge. inclusive de Centro de Aconselhamento Pré-Matrimonial e Matrimonial. Desenvolvimento Histórico Segundo Ruth Scheeffer (1964). que limitava-se a fornecer aos clientes informações relativas ao mundo profissional. de acordo com as suas características pessoais. orientação profissional. mais especificamente. com suas teorias de orientação não-diretiva no aconselhamento psicológico. nos E. iria se definir a orientação profissional como o fortalecimento de informações e conselhos sobre a escolha da profissão. Meyer a define como o processo no qual o indivíduo é assistido com o objetivo de este encontrar. ligado a alguns movimentos psicológicos renovadores. 102 . já se admitia que a orientação fosse um processo que visa ajudar o orientando a fazer algo para si. predominava a ênfase na aplicação de testes psicológicos. Neste momento. foi dada maior importância à relação orientador e orientando na situação de aconselhamento do processo de orientação profissional.. a profissão mais adequada. em 1909. higiene mental. em 1924. além de assistência médica e financeira. Sem dúvidas. porém. a orientação profissional adquire maior dinamismo. com uma atuação de caráter estático. Mais tarde. serviço social de caso e psicoterapia. de 1940 a 1950.A. psicometria. tais como: 1) O aparecimento da orientação profissional. Nesta época.br prática que se desenvolveu nos campos da: orientação educacional.U. pautado na experiência do orientador. sem se preocupar com as técnicas de relacionamento entre orientador e orientando.educapsico. Após o auge dos testes psicológicos.com. o maior influenciador desta mudança foi Carl Rogers. 4) Outra oportunidade de aplicação do aconselhamento foi o desenvolvimento dos serviços de assistência psicológica nas empresas. favorece a criação de campo de atuação para o aconselhamento.www.

define aconselhamento como uma relação face a face de duas pessoas. proporciona uma situação de aprendizagem na qual um indivíduo dito “normal”.14). apresentar sugestões e interpretar ao cliente o significado de seu comportamento. Considerando e sintetizando as definições apresentadas. e as suas possibilidades e potencialidades. a fim de fazer o uso adequado de suas características. no qual a principal meta é lhe oferecer assistência na modificação de suas atitudes e comportamentos. Mas. o termo aconselhamento já foi tradicionalmente associado a várias situações. é elaborada por Tolberg (1959).educapsico. encorajar. a de Mac Kinney (1958) que diz que o aconselhamento é uma relação interpessoal na qual o conselheiro deve perceber o indivíduo em sua totalidade psíquica.com. por exemplo. vital e utilizar melhor seus recursos pessoais”(p. Percebe-se nesta definição que o aconselhamento é visto como uma situação de aprendizagem e aplicável todas as pessoas. de definição dado pelo autor. criticar. com o objetivo de lhe ajudar a se ajustar mais efetivamente a si próprio e ao seu ambiente. é ajudado a conhecer a si próprio. nela o aconselhamento é delimitado enquanto uma relação entre duas pessoas na qual o aconselhador. 103 . suas definições sofreram mudanças no decorrer de sua história.br Definição Ainda segundo Scheeffer (1964). Como. tais como: fornecer informações. elogiar. profissional.www. nota-se que o planejamento do aconselhamento dá ênfase ao ajustamento do indivíduo ao ambiente em que está inserido. dar conselhos. mediante a situação estabelecida e a sua competência especial. Nesta concepção. Suas primeiras definições eram concisas e estáticas. Outro exemplo. na qual uma delas é ajudada a resolver dificuldades de ordem educacional. ele completa destacando a importância de se tomar o indivíduo em sua totalidade no processo de aconselhamento. Scheeffer (1964). Scheeffer (1964) atribui a Carl Rogers (1941) este tipo de conceituação quando o definiu como um processo de contatos diretos com o indivíduo. Scheeffer (1964) aponta outras definições que têm sido dadas ao aconselhamento. Mais tarde o aconselhamento passou a ser definido em termos mais dinâmicos e operacionais. Scheeffer (1964) cita Garrett (1942) que definia aconselhamento com uma conversa profissional.

etc. dividindo-os em: Método Autoritário Os primeiros métodos desenvolvidos para o aconselhamento se caracterizam pelo elevado nível de autoritarismo. por serem pouco duradouras e por conseguirem modificações muito superficiais. Até recentemente. 104 . “mais corajoso”. suas ações consistiam na repreensão e na ameaça dos orientados. o encorajamento: “você está mais calmo”. muitas vezes não pode ser por motivos internos atendida. por exemplo. Scheeffer (1964) faz um apanhado histórico dos principais métodos de aconselhamento. o trabalho caracteriza-se pela obtenção de um termo de compromisso ou uma promessa formal do orientando. Ou seja. e através do encorajamento e suporte.br Métodos de Aconselhamento Os métodos de aconselhamento vêm sofrendo alterações no decorrer de sua história. apesar de seus inconvenientes: o fato de ser baseado numa exigência externa e que.com. nas quais.educapsico. de acordo com o que o orientador acha ser melhor para ele. Basicamente. São ações que seguem mais no sentido de reprimir do que de modificar. modificando suas técnicas. o indivíduo se convence de que o problema não existe Tal método surgiu com mais ênfase com o hipnotismo. os princípios que o norteiam e sua dinâmica. Este método que ainda é bastante usado atualmente consiste na supressão do problema. etc. Este tipo de método está hoje praticamente abandonado pela falta de sentido humanitário. um sentimento de culpa pelo não cumprimento da promessa. este método vem sendo usado em vários contextos orientacionais. procura-se provocar uma modificação no comportamento e nas atitudes do sujeito através de sugestões sobre o progresso obtido. Método Exortativo O orientador trabalha com o objetivo de conseguir que o orientado faça uma promessa: deixar de beber. gera além do problema existente. de jogar. Método Sugestivo Caracteriza-se fundamentalmente pelo emprego de técnicas sugestivas. de bater na esposa.www.

Aplicada de maneira contínua pode mobilizar o inconsciente.br Catarse Foi utilizada pela Igreja Católica. etc. Não deixa de ser um aconselhamento do tipo autoritário. isto é. descobre as causas e sugere soluções ou propõe planos de ação. onde era baseada na confissão. 105 . angústias. Baseia-se na orientação médica. o que permite uma melhor compreensão do comportamento e a possível descoberta das causas que o motivam. seleciona os tópicos que serão discutidos. embora não em caráter rígido. não se dá grande importância ao conteúdo fatual e intelectual. define os problemas. visto que a responsabilidade das soluções está a cargo do orientador. Pode ser considerada uma tentativa de mudar o comportamento através de uma explicação e interpretação intelectual.educapsico. proporciona a oportunidade de um amadurecimento pessoal. Método Diretivo É o método que conta com o maior número de seguidores dentro da área do aconselhamento. também se utiliza as técnicas interpretativas. Este tipo de orientação pode gerar um efeito iatrogênico. Este método foi trazido para a terapêutica por Freud. pois dá bastante importância para o histórico do caso e procura realizar um diagnóstico e um prognóstico. Método Interpretativo Na orientação diretiva. além da persuasão e conselhos. que o utilizou na Psicanálise de maneira sistemática e profunda com o objetivo de liberar o indivíduo de recalques. a entrevista é centralizada na pessoa. É um método bastante utilizado por quem faz aconselhamento.com. É baseado no estudo da dinâmica da personalidade. mas ao emocional. O papel do orientador consiste em clarificar os conteúdos emocionais trazidos pelo orientando e não há a preocupação de se elaborar um diagnóstico. Consiste em expressar problemas para outra pessoa que irá proporcionar orientação. como na orientação diretiva. Nele o orientador age como dirigente. a dependência do orientando. Método Não-Diretivo Método iniciado por Carl Rogers apresenta as seguintes características: dá maior responsabilidade da direção da entrevista ao orientando. visa mais à pessoa do que o problema apresentado.www.

para qualificar o conjunto de sua concepção teórica e distingui-la da psicologia clássica. consideradas pelo orientador. tópico e econômico. mais satisfatórias e eficientes para a situação apresentada pelo cliente. ela se define pela consideração simultânea dos pontos de vista dinâmico.com.educapsico. 106 . Caracteriza-se pela utilização das técnicas. Mestrando pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo – USP) [2] Segundo Roudinesco & Plon (1998). manejar e aplicar a técnica mais adequada às exigências do cliente.br Método Eclético Consiste na aplicação de conceitos e técnicas dos diversos métodos apresentados acima. metapsicologia é o termo criado por Freud. 1896. A abordagem metapsicologica consiste na elaboração de modelos teóricos que não estão diretamente ligados a uma experiência prática ou a uma observação clínica. [1]Elaborado por Rodrigo Pucci (Psicólogo formado pela UNESP/Bauru. É dada grande ênfase a habilidade do orientador em selecionar.www.

com. entre outros (SILVA. das experiências sensíveis do homem (NIELSEN. 1986). Jean Paul Sartre (1905-1980). foi a tendência desta corrente.br O Método Fenomenológico Para falarmos sobre o método fenomenológico. portanto não compreenderia um método filosófico propriamente dito (NIELSEN.www. 1986). todo e qualquer conhecimento. a lógica enquanto sistema filosófico de construção do conhecimento era encarado como um subtema do psicologismo. O que ficou conhecido como psicologismo. Daí decorre que esta corrente filosófica. Se voltarmos na história. faremos uma recapitulação histórico-filosófica para compreendermos em que circunstâncias a Fenomenologia tornou-se um corpo filosófico. a partir de Aristóteles. não encarava as representações sensíveis e a construção de conceitos teóricos como atos diferentes em si. LOPES. que embasaria práticas futuras (NIELSEN.educapsico. a psicológica (NIELSEN. que as correntes filosóficas contemporâneas se estruturaram para compreender e/ou explicar. Por outro lado. que foi através do Dualismo Lógico ou do paradigma designado como Psicológico. Sua metodologia recebeu influências do pensamento de Platão. 107 . pois eram frutos de um mesmo ato cognitivo e este ato seria necessariamente psíquico (NIELSEN. 1986). Com a evolução desses dois paradigmas surgiram no meio filosófico. 1986). Ambas encaravam o conhecimento humano sob a perspectiva. ele exerceu grande influência na Filosofia Existencialista de: Martin Heidegger (18891976). DINIZ. 1986). Merleau-Ponty (1908-1962). a lógica nada mais seria do que uma forma de se pensar. estando dentro de um sistema maior que seria o psíquico. o mundo e o homem neste mundo (NIELSEN. Descartes e Bretano. que encarava a psicologia como mãe de todas as ciências. pautada nas experiências sensíveis. isto é. seria necessariamente um subtema. 1986). que foi o criador do método fenomenológico. duas vertentes filosóficas predominaram no campo do conhecimento: o Dualismo lógico e o Psicológico. Neste momento de discussões paradigmáticas. Dessa forma. Segundo esta visão filosófica. duas tendências antagônicas: o psicologismo e o logicismo. Isto quer dizer. 2008). percebemos que até o século XIX. um capítulo de uma única fonte. surge a Filosofia de Edmund Husserl (1859-1938).

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Esse método nasceu da crítica que Husserl faz ao psicologismo e ao empirismo lógico. Postulava constituir a fenomenologia, simultaneamente, uma

introdução lógica às ciências humanas, enquanto procura definir o objeto, anteriormente a qualquer experimentação, ao mesmo tempo, em que busca compreender o significado fundamental, especialmente quando frente a uma análise crítica voltada à ferramenta mental (SILVA; LOPES; DINIZ, 2008). Ele refuta a idéia de que a filosofia seria apenas esquematização das estruturas psíquicas do homem, ao mesmo tempo em que não exclui a existência de influências psicológicas na própria lógica, tais como juízo, verdade, necessidade, etc (NIELSEN, 1986). Da crítica ao psicologismo e ao logicismo, Husserl propõe uma ciência da essência do conhecimento ou doutrina universal das essências, ou seja, o estudo dos fenômenos (fato que se manifesta a si mesmo e que se aparece à consciência) o que ele batiza como uma fenomenologia pura (SILVA; LOPES; DINIZ, 2008). Segundo Husserl:
Existe apenas uma auto-reflexão radical, que é a Fenomenologia. A auto-reflexão radical e a plenamente universal são inseparáveis entre si, ao mesmo tempo, do método genuinamente fenomenológico que implica a auto-reflexão na forma da redução transcendental, a análise intencional reveladora do ego transcendental e a descrição sistemática no conteúdo lógico duma eidética intuitiva (Husserl apud NIELSEN, 1986).

Para Husserl o método fenomenológico percorrerá dois caminhos: o da Evidenciação e o da Descrição (NIELSEN, 1986). A evidenciação trata-se do processo no qual o filósofo como observador intencional, busca registrar os fenômenos na sua “pureza original”. Ela ocorre quando a consciência se dirige a um determinado objeto e este é compreendido em sua essência, isto é, a consciência intencionalmente capta a natureza do objeto, com suas características peculiares, sendo que, estas características são as que distinguem dos demais objetos (NIELSEN, 1986). Porém, para que esse objeto seja compreendido em sua essência, de forma pura, faz-se necessário o uso da reflexão radical, para que sejam eliminados juízos construídos ao longo do tempo, em torno deste objeto. É preciso que se eliminem influências, tradições e valores, que interferem na real compreensão do objeto, para que assim seja possível capturar o objeto em sua forma pura, em sua originalidade, e conseqüentemente compreender sua essência (NIELSEN, 1986).

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Para Husserl este ato consciente, feito pela redução eidética, se faz quando desconsideramos o conhecimento anterior dado pela dimensão ontológica, como sendo válido e assim se vai desvelando um novo domínio, uma nova realidade do objeto em si, sua essência propriamente dita (NIELSEN, 1986). Em síntese, Husserl diz em sua obra, Idéias Relativas a uma Fenomenologia Pura:
“Fazendo isso, como está em minha plena liberdade fazê-lo, não nego o “mundo”, como se fosse um sofista, nem duvido de sua existência, como se fosse um céptico, mas pratico a epoché “fenomenológica”, que me veta absolutamente todo o juízo sobre o espaço temporal existente” (Husserl apud NIELSEN, 1986).

O fundamental nesta corrente filosófica é a descrição, Husserl propõe ir às coisas mesmas, que se trata justamente da descrição do objeto a que se propõe compreender pela evidenciação anteriormente mencionada. Husserl propõe que seja feita uma descrição pura das características naturais do objeto, sem incorrer em inferências ou deduções que possam deturpar a real natureza do objeto (SILVA; LOPES; DINIZ, 2008).

Existencialismo

Temos como precursores da filosofia existencial, dois nomes: Pascal e Kierkegaard. O nome Existencialismo foi criado devido a uma preocupação filosófica, que prioriza a própria vivência (existência), e não o ser, o pensamento filosófico existencial busca a valorização da ação humana. O existencialismo questiona as filosofias de espírito objetivo, o positivismo e o materialismo dialético (NIELSEN, 1986). Além de Pascal e Kierkegaard, temos como contribuidores da Filosofia Existencialista Husserl e Martin Heidegger (NIELSEN, 1986). Husserl dá sua contribuição, quando valoriza a consciência, enquanto ato intencional e individual para compreender de maneira fenomenológica pura os objetos que permeiam a vida humana (NIELSEN, 1986). O existencialismo enfatiza o valor da pessoa, sua independência, liberdade e insiste na autonomia do indivíduo em face da sociedade. Buscando um indivíduo único, cada qual com características únicas contrapondo-se a uma suposta essência humana, comum a todos (NIELSEN, 1986). Para os existencialistas, o indivíduo foi lançado no mundo de maneira arbitrária, e através de sua vivência terá liberdade para constantemente realizar

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escolhas. São essas escolhas vivenciais que indicariam ao indivíduo o caminho para encontrar sua própria essência (NIELSEN, 1986). A filosofia existencial trabalha com temas comuns aos homens como: liberdade, escolhas, consciência, existência, essência, etc. Porém, não existe uma unidade na maneira como cada filósofo existencialista trabalhou cada uma destas questões. Em seguida, iremos citar dois filósofos existencialistas que se destacaram nesta corrente filosófica (NIELSEN, 1986).

Martin Heidegger (1889-1976)

Heidegger inicia sua filosofia, a partir da existência imediata do homem; para denominar essa existência a chama de Dasein (da=aí; sein=presença, existência). Para o autor Dasein é o “ser aí”, é um ser no mundo, preso a realidade concreta das coisas. O Dasein, então se torna um projeto no qual o homem se lança para realidade cotidiana, é a sua vivência (NIELSEN, 1986). Acima do dasein está a Existenz, que será a existência que o indivíduo idealiza para seu dasein. A partir do dasein é que o homem se projeta, cria e elabora um fim, um objetivo a atingir. O Existenz, é o projeto de vida que o homem perseguirá. Tratase de sua existência tomada numa dinâmica de vivência, impulsionada pela necessidade que o homem tem de realizar escolhas, repetidas vezes, ao longo de sua vida (NIELSEN, 1986). O Dasein, segundo Heidegger terá um fim com a morte, e isso leva o homem a desenvolver uma angústia, por ter consciência da finitude do seu dasein, de sua existência. Seria essa angústia que impulsiona o homem (dasein) a efetuar escolhas em sua vida, ao mesmo tempo em que essa necessidade constante de escolhas lhe traz a angústia de vir a ser alguém e da necessidade de construir um projeto de vida, sua Existenz. Portanto essa angústia é o que impulsiona o dasein a produzir sua vivência dando sentido à vida (NIELSEN, 1986). Jean-Paul Sartre (1905-1980) O pensamento de Sartre inicia-se com a relação consciência/mundo. Procura demonstrar a contradição entre a existência e a essência. Para a filosofia existencialista, a existência é o único fato real, concreto, passível de existir. Este é o

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para Sartre. mas. Sartre continua seu pensamento dizendo que a própria existência precede qualquer possibilidade de essência. o que para Heidegger seria o Existenz (NIELSEN. 1986). 111 . Para Heidegger. mas apenas um vir a ser. 1986). essa mesma angústia para Sartre dá ao homem uma natureza materialista e atéia. Para Sartre um ser existe antes de ser definido por qualquer conceito. mas como ele quer que seja. essa existência não possui algo inerente. seria o Dasein (NIELSEN. Sartre diz: “O homem é.educapsico. antes de construir uma essência e ser compelido a efetuar escolhas permanentemente. que permanece em todos os indivíduos. que fuja do dado concreto da própria existência (NIELSEN. 1986). a realidade humana não pode ser definida enquanto algo imutável.www. portanto. gera uma angústia. A filosofia. a angústia impulsiona o homem a criar sua existência dando sentido a sua vida. Isso quer dizer que.br ponto de partida de Sartre. como ele se concebe depois da existência. 1986). 1986). o homem será aquilo que ele fizer e não algo préestabelecido por uma entidade superior denominada Deus (NIELSEN. Essa liberdade não é tida valorativamente. para estes filósofos. de natureza humana. Enquanto que para Heidegger. como ele se deseja após este impulso para a existência. a existência. o fato do homem existir. como algo bom ou ruim. deve se ater ao ser que aí está. Neste pensamento. Para concluir. e não buscar atribuir-lhe uma natureza que simplesmente ainda que não existe. pois a realidade humana se traduz apenas em sua existência e dessa existência se vislumbra um projeto. Disso vemos que filosoficamente os existencialistas têm em comum a idéia de que a existência precede a essência. que existe. Como para os existencialistas a existência precede a essência o homem será livre para escolher. o homem não é mais que o que ela faz” (Sartre apud NIELSEN.com. não apenas como ele se concebe. isto é.

“Na aplicação da terapia comportamental. Aqueles que empregam os enfoques comportamentais. É importante ressaltar que a atividade psicológica não consiste. social e histórico que o cerca. em aprendizados estereotipados. normalmente se negocia um acordo contratual no qual se especificam procedimentos e objetivos mutuamente agradáveis. 2002). na aplicação dos princípios derivados da investigação da psicologia experimental e social. Os mesmos autores colocam que tal terapia apresenta objetivos educativos e as técnicas facilitam um maior autocontrole. 1975. a Terapia Comportamental busca a alteração ambiental e na interação social. guiam-se por princípios éticos amplamente aceitos” (p. p. de modo responsável.conseqüência (S-RC). Em outras palavras. 62). o qual enfatiza a determinação ambiental sobre o sujeito. pré-fixados mecanicamente. segundo Lettner e Rangé (1988). ou seja. A análise do Comportamento tem suas raízes teóricas no Behaviorismo Radical. cultural. 2002.educapsico. em 1975. 11). como pode parecer em um primeiro momento. Para esta corrente teórica. relações estas também conhecidas como tríplice contingência do comportamento: estímulo – resposta . Não cabe neste momento o 112 .www. A análise funcional especifica as condições ambientais das quais o comportamento é função. com o intuito de aliviar o sofrimento das pessoas e o trabalhar para o progresso do funcionamento humano. a fim de escolher procedimentos e objetivos adequados para a intervenção. Trata-se de classes de comportamento de acordo com as definições de estímulo propostas por Skinner. segundo (FRANKS E WILSON. APUD CABALLO. mais do que a alteração direta dos processos corporais por meio de procedimentos biológicos. e entre o comportamento e suas conseqüências. o sujeito é determinado pelo ambiente físico. permite a descrição detalhada das relações funcionais entre as variáveis antecedentes e o comportamento em questão. É com base na identificação destas relações que o terapeuta.com. Assim sendo. pode levantar hipóteses de aquisição e manutenção do comportamento. Caballo (2002) apresenta a análise funcional como o recurso utilizado para avaliar e propor mudanças comportamentais de modo a atingir os objetivos terapêuticos.br Terapia Comportamental A terapia comportamental se dá fundamentalmente. “o comportamento dos sujeitos ocorrem (desenvolvem-se e modificam-se) em função de certas condições ambientais especificáveis” (CABALLO.

O efeito do uso deste recurso é o aumento gradual da resposta que o precede. O relacionamento é direcionado pelo terapeuta e.educapsico. ou seja. o reforçamento positivo implica na apresentação de um estímulo positivo. aspectos de contato visual adequado. O terapeuta comportamental utiliza-se de muitos recursos durante o processo terapêutico. Reitera-se apenas. é sua primeira preocupação. para tanto é necessário que o terapeuta domine as técnicas de entrevista. tais formas de programar o reforço são chamadas de esquemas de reforçamento. quando a conseqüência depende da ocorrência da resposta. depende de diversos fatores.br aprofundamento sobre a teoria da aprendizagem que sustenta a terapia comportamental. Para o bom andamento da psicoterapia.com. vestuário e ambiente onde se desenvolve a relação. No esquema de reforço contínuo é apresentada uma conseqüência reforçadora a cada resposta apresentada pelo cliente. até sua ocorrência mais ou menos estável. Vale lembrar também a possibilidade de utilização do reforçamento negativo. O reforço negativo também aumenta a probabilidade de ocorrência da resposta.www. ou seja. uma vez que há uma relação de contingência entre uma resposta e sua conseqüência. e o relacionamento terapeuta-cliente. o que tende a produzir uma freqüência baixa e estável de ocorrência do comportamento e baixo nível de resistência à extinção. de acordo com tal autor. saiba controlar a própria ansiedade. a retirada de um estímulo aversivo. entre eles a história anterior de comportamentos de cada membro. Logo. que o importante nesta teoria é identificar a função do comportamento. saiba reforçar diferencialmente as verbalizações do cliente. o terapeuta pode utilizar o reforço diretamente em sua relação com o cliente. o terapeuta pode reforçar diferencialmente. este relacionamento é fundamental para que o cliente aceite as orientações psicoterápicas e confie no terapeuta. reforçador. Assim. segundo Lettner e Rangé (1988). postura que denote atenção e ao mesmo tempo descontração. linguagem ao nível de compreensão do cliente. a ocorrência de comportamentos assertivos em clientes com baixo repertório de assertividade. Por exemplo. assim como em outras abordagens teóricas. o qual tem sua base no grande princípio da teoria da aprendizagem. e seja capaz de proporcionar uma audiência não punitiva ao paciente. O reforçamento positivo é outro recurso disponível ao terapeuta comportamental. mas para maiores esclarecimentos pode-se consultar Caballo (2002). com elogios verbais. Há diversas maneiras de utilizar esses tipos de reforçamento. e não a sua topografia. uma recompensa. que afirma que os comportamentos são mantidos por suas conseqüências. 113 .

[2] Para maiores esclarecimentos destes erros indica-se a consulta à referência bibliográfica indicada. citado acima. Certamente. no sentido de modelar[1] o comportamento de acordo com o planejamento final. 1988). reforçar umas e extinguir outras.www. E a generalização acontece após um processo de discriminação. o que produz o efeito de reduzir gradual e definitivamente a freqüência do comportamento que deixou de ser reforçado. 114 . O reforçamento simbólico ocorre quando o estímulo reforçador apresentado após a ocorrência da resposta é um símbolo a ser trocado pelo paciente por reforçadores condicionados (LETTNER e RANGÉ. e extinguir a ocorrência deste comportamento na presença de outros estímulos” (LETTNER E RANGÉ. funcionando então como estímulo discriminativo para a ocorrência da resposta que o produz. consiste em reforçar diferentemente as respostas. O reforço condicionado diz respeito a um estímulo que anteriormente não tinha propriedades reforçadoras e passa a adquiri-las. 1988. 76). dentro de uma hierarquia de comportamentos pertencentes a uma mesma classe de respostas. no qual “aumenta a probabilidade de ocorrência da resposta reforçada na presença de estímulos que tenham características semelhantes ao estímulo discriminativo” (LETTNER E RANGÉ. O reforço diferencial. pois o sujeito precisa emitir mais respostas para receber o reforço. A discriminação consiste em “reforçar positivamente um comportamento na presença de um estímulo.com. p. quando é apresentado sistematicamente associado a um estímulo reforçador. 1988. A extinção do comportamento é a quebra da relação de contingência que existe entre uma resposta e sua conseqüência. 75). ou seja. ou permitir que o cliente tenha acesso aos estímulos reforçadores sem a ocorrência da resposta que antes o produzia. [1] A modelagem do comportamento baseia-se nos princípios de reforço diferencial e aproximação sucessiva. faz com que o comportamento antes mantido por esta relação de contingência perca sua força e diminua de freqüência (LETTNER E RANGÉ. 1988. A discriminação e a generalização também podem ser utilizadas pelo terapeuta. que consiste na escolha progressiva de novos comportamentos a reforçar. depende dos objetivos do terapeuta a escolha do melhor esquema de reforçamento para cada situação clínica.educapsico. p. p. 77). Deixar que uma resposta ocorra sem ser seguida por suas conseqüências usuais.br O esquema de reforço intermitente segue critérios de tempo ou de números de comportamentos para liberar o reforço. o qual gera uma freqüência de comportamentos mais alta e a resistência à extinção é maior. até atingir-se um critério preestabelecido de desempenho considerado desejável.

Terapia Racional Emotiva (Ellis). Feedback auditivo atrasado (DAF). Condicionamento Clássico. Supressão de resposta (ansiedade). E. Dessensibilização Sistemática. na qual. Dessensibilização masturbatória. como linha de base para avaliar. que são facilmente encontradas nas referências bibliográficas indicadas: Esvanecimento (fading in)– desvanecimento (fading out). Resistência à Frustração. técnica que consiste no acompanhamento e avaliação da problemática do paciente após algum tempo de alta. ao final do processo. no espaço deste texto. Prática negativa. Treinamento do controle da bexiga. Inundação (flooding) – ou terapia implosiva. Biofeedback. possui como critério o número de respostas ou tempo que o organismo demora para atingir as freqüências não condicionadas de ocorrência do comportamento. Time out. Recondicionamento orgásmico (treinamento de masturbação). Terapia cognitiva (Meichemnaum) ou treino auto-instrucional. Terapia Cognitiva (Beck). Economia de Fichas. Desempenho de Papéis – ou Treino de papéis (role-play). Habituação (ou adaptação). mas não é possível. Inoculação de estresse. segundo Lettner e Rangé (1988). A medida que indica a força do condicionamento é chamada de resistência à extinção. Pais como agentes de mudança – pais como terapeutas.educapsico. Tarefas Comportamentais. Parada no 115 . Punição. Tratamento de projeção do futuro. Sensibilização Encoberta. abordá-las com profundidade. Modelação. apenas citaremos as mais importantes. muitos terapeutas utilizam-se do seguimento. Princípio de Premack. Assim.com. Relaxamento Muscular. Intenção Paradoxal. as mudanças adquiridas com a intervenção. Reforçamento Negativo. Terapia sexual conjunta. Treinamento assertivo. Prevenção de resposta. Técnica de compressão (squeeze). Registro de comportamentos. Sensibilização (terapia aversiva). Dilatadores hegar. Inversão de hábito.br Há comportamentos que são extintos com mais facilidade que outros. Treinamento de habilidades sociais. Para uma intervenção comportamental mais efetiva. Terapia da enurese por despertador. A psicoterapia comportamental dispõe ainda de inúmeras técnicas que podem ser utilizadas na intervenção psicoterápica. para avaliar a duração de um efeito terapêutico. Frustração. sugere-se que o terapeuta tenha formas de mensurar a freqüência e mesmo a topografia do comportamento antes de iniciar o processo terapêutico em si. Ensaio comportamental. Contrato de Contingências. Foco Sensorial e foco genital.www. Técnicas de Dessensibilização Auto-administrada. Autocontrole.

as intervenções do psicoterapeuta cognitivo-comportamental tomam por base os pensamentos dos clientes. ou mais apropriadamente utilizáveis para cada distúrbio de comportamento. (thought-stopping). como os comportamentos dos clientes e os processos por que passam. Se o terapeuta tem formação adequada nenhuma escolha de técnicas se fará. É o processamento cognitivo que faz a mediação dos processos psicológicos. Dentre estas técnicas citadas. Desta forma dá-se mais relevância para o indivíduo e construção pessoal deste processamento. 2003.www. p. Lettner e Rangé (1988) julgaram preferível descrever as técnicas sem esta separação formal. o que também é uma característica da terapia comportamental. Por fim. Caberá a cada terapeuta a escolha da técnica que julgar mais adequada a cada caso. sem antes efetuar-se uma análise funcional que identifique e descreva claramente os comportamentos do cliente e suas relações com variáveis do meio ambiente. e os autores Lettner e Rangé (1988) ressaltam que apesar das inúmeras restrições. em alguns casos utiliza-se o controle aversivo especialmente quando está em risco a segurança ou integridade física do cliente. ou quando a severidade do distúrbio é muito grande e outros recursos para a redução na freqüência de respostas não podem ser usados ou são ineficientes (p. utiliza-se a classificação dos pensamentos quanto ao grau de ajustamento psicossocial e cultural para com o seu meio (disfuncionais ou primitivos e funcionais ou maduros). Terapia Cognitivo-Comportamental A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) tem o seu foco voltado para os processos cognitivos. Imaginação Há autores que distinguem técnicas operantes e técnicas respondentes mas.educapsico. os autores esclarecem que é praticamente impossível fazer uma prescrição de técnicas exclusivas. Assim. tais como a expressão de emoções e a execução de comportamentos.br pensamento emotiva. Para tal. “uma distorção das cognições diante das possíveis interpretações da realidade” (NEVES NETO. O que produz a queixa do paciente “não são diretamente os estímulos ambientais. Família instrutora. mas sim o processamento cognitivo seletivo falho (atribuição de significados) da realidade pessoal do indivíduo”. 80). há algumas de controle aversivo. podem ocorrer ao mesmo tempo. 18). sejam operantes ou respondentes. os quais estão envolvidos na origem e desenvolvimento das psicopatologias. ou seja. bem como a 116 .com.

p.br identificação de como o próprio cliente se ajusta aos seus valores e o quanto este conjunto de dispositivos aproxima ou distancia o indivíduo de seus mais diversos objetivos (NEVES NETO. Os mesmos podem ser: inferência arbitrária. Ao terapeuta cognitivo-comportamental também é possível utilizar inúmeras técnicas como recurso terapêutico. A TCC é diretiva. compreensão empática e interesse genuíno. 2000.. 2003. p. A terapia cognitiva fornece uma estrutura teórica unificadora dentro da qual as técnicas clínicas de outras abordagens psicoterapêuticas estabelecidas e validadas podem ser apropriadamente incorporadas (. Novamente a aliança terapêutica é o passo inicial e fundamental para o bom andamento do processo terapêutico. 2003). 2003. gestalt. psicoterapia interpessoal. reúnem-se sistematicamente técnicas cientificamente embasadas das diversas abordagens teóricas existentes em psicologia clínica. tais como psicoterapia comportamental. Os erros sistemáticos ou distorções cognitivas podem ocorrer durante o processamento de informações sobre si mesmo.www. etc. Outra técnica é o empirismo colaborativo. personalização. ou seja.) fornece um paradigma coerente e ao mesmo tempo evolutivo para a prática clínica (BECK E ALFORD. segundo Neves Neto (2003). psicodinâmica. O objetivo da TCC. 15). magnificação e minimização. apud NEVES NETO.. mas criar condições para que este as encontre e teste suas cognições. o processo psicoterapêutico e visando prepará-lo e preveni-lo caso haja recaídas. abstração seletiva. que corresponde a não oferecer primeiramente as respostas para o paciente. citaremos apenas as mais relevantes: A postura ativa se pauta no estabelecimento de uma relação terapêutica entre cliente e psicoterapeuta embasada na tríade: calor humano. E é também educativa. A TCC conforme o mesmo autor. uma vez esta ação geralmente garante um aumento de adesão do cliente às intervenções futuras e mais amplas. o mundo e o futuro. 20). atualmente defende uma postura integrativa de psicoterapia. e pensamento dicotômico[2]. 117 . hipergeneralização. é um processo orientado para os problemas do presente.com. pois se discute com o paciente sobre o modelo cognitivo-comportamental de psicoterapia. é a “substituição de cognições disfuncionais por pensamentos mais flexíveis e pautados na interação entre indivíduo e seu ambiente” (p. logoterapia. 17). “Esses erros reforçam as cognições que podem ser adaptativas ou desadaptativas” (BECK.educapsico. sobre a natureza de seu problema. ou seja. 1997. apud NEVES NETO.

novos objetivos podem ser ou não estipulados. automonitoração. as técnicas não substituem o papel da relação terapêutica. agenda diária. treino de contato. Uma vez tratados. modificação de resposta. reforçamento. e requer habilidade do terapeuta ao empregar este poderoso recurso. Novamente não será possível dentro deste texto a abordagem detalhada das principais técnicas utilizadas na TCC. terapia cognitiva (Beck). no entanto. Apresento aqui apenas as mais utilizadas de cada abordagem teórica: Comportamentais: relaxamento muscular progressivo. autocontrole. Neves Neto (2003) ressalta que uma boa técnica em geral flui naturalmente dentro das sessões. Uma técnica bastante utilizada consiste nas tarefas de casa. Esta estrutura e planejamento da TCC possibilitam que este processo terapêutico seja de prazo limitado. explicação alternativa. ensaio cognitivo. agendamento de atividades (semanal/diária). que são atividades complementares à consulta e que visam aumentar a efetividade e a generalização dos efeitos da psicoterapia. mas não de modo rígido a ponto de ignorar mudanças nas queixas ou problemas emergenciais da vida. A respeito da utilização das técnicas. os objetivos são priorizados no acordo entre paciente-terapeuta. relaxamento autógeno. análise do comportamento. o que caracteriza a TCC como estruturada. agenda de atividades. que se baseia nos achados de pesquisas que demonstram tratamentos eficazes para as queixas do paciente. dessensibilização sistemática (imaginação). Cognitivas: terapia cognitiva geral. terapia racional emotiva (Ellis). exposição. auto-reforçamento. linha do tempo. ou seja. treino do manejo da ansiedade.www. treino de discriminação.com. inoculação de stress. Para maior aprofundamento da temática indicase a consulta às referências sugeridas (Manual de técnicas cognitivo- comportamentais. Dobson). resolução de problemas. observação do comportamento. prevenção de resposta. eliciação de cognições. Com este recurso a psicoterapia permanece mais tempo na vida do paciente e este se sente também mais envolvido com a resolução de seus problemas. Há também o planejamento terapêutico personalizado. contrato. parada de pensamento.br A seqüência de sessões é previamente estabelecida pelo terapeuta. de Keith S. 118 . autoverbalização.educapsico. registro de pensamentos disfuncionais. controle de estímulos.

terapia sexual. terapia de família.www. empatia.educapsico. modelação. treino de habilidades sociais.com.br Teoria da aprendizagem social: treino de assertividade. Outras técnicas: terapia de casais. aconselhamento. 119 .

sentida pela categoria e suas entidades representativas. Códigos de Ética expressam sempre uma concepção de homem e de sociedade que determina a direção das relações entre os indivíduos. o presente Código foi construído a partir de múltiplos espaços de discussão sobre a ética da profissão. sim. suas responsabilidades e compromissos com a promoção da cidadania. Para tanto. Este Código de Ética dos Psicólogos é reflexo da necessidade. em 1988. procura fomentar a auto-reflexão exigida de cada indivíduo acerca da sua práxis.br UNIDADE V: CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DO PSICÓLOGO Apresentação Toda profissão define-se a partir de um corpo de práticas que busca atender demandas sociais. uma reflexão contínua sobre o próprio código de ética que nos orienta. também. tais como os constantes na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Um Código de Ética profissional. e de valores que estruturam uma profissão. A formulação deste Código de Ética. Por constituir a expressão de valores universais.www. um código de ética não pode ser visto como um conjunto fixo de normas e imutável no tempo. a de assegurar. de modo a responsabilizá-lo. responde ao contexto organizativo dos psicólogos. de atender à evolução do contexto institucional legal do país. A missão primordial de um código de ética profissional não é de normatizar a natureza técnica do trabalho. as entidades profissionais e a ciência. Traduzem-se em princípios e normas que devem se pautar pelo respeito ao sujeito humano e seus direitos fundamentais. na sua construção buscou-se: a. Valorizar os princípios fundamentais como grandes eixos que devem orientar a relação do psicólogo com a sociedade. a profissão. sócio-culturais. Este Código de Ética pautou-se pelo princípio geral de aproximar-se mais de um instrumento de reflexão do que de um conjunto de normas a serem seguidas pelo psicólogo. que refletem a realidade do país. O processo ocorreu ao longo de três anos. e das legislações dela decorrentes. marcadamente a partir da promulgação da denominada Constituição Cidadã. ao estabelecer padrões esperados quanto às práticas referendadas pela respectiva categoria profissional e pela sociedade. 120 .educapsico. um padrão de conduta que fortaleça o reconhecimento social daquela categoria. As sociedades mudam. as profissões transformam-se e isso exige. com a participação direta dos psicólogos e aberto à sociedade. dentro de valores relevantes para a sociedade e para as práticas desenvolvidas. em todo o país. o terceiro da profissão de psicólogo no Brasil. e.com. Consoante com a conjuntura democrática vigente. norteado por elevados padrões técnicos e pela existência de normas éticas que garantam a adequada relação de cada profissional com seus pares e com a sociedade como um todo. pessoal e coletivamente. ao momento do país e ao estágio de desenvolvimento da Psicologia enquanto campo científico e profissional. pois esses eixos atravessam todas as práticas e estas demandam uma contínua reflexão sobre o contexto social e institucional. por ações e suas conseqüências no exercício profissional.

crueldade e opressão. O psicólogo contribuirá para promover a universalização do acesso da população às informações. oferecer diretrizes para a sua formação e balizar os julgamentos das suas ações. O psicólogo baseará o seu trabalho no respeito e na promoção da liberdade. violência. pelo psicólogo.São deveres fundamentais dos psicólogos: 121 . O psicólogo zelará para que o exercício profissional seja efetuado com dignidade. 2. da igualdade e da integridade do ser humano. Abrir espaço para a discussão. 5. os colegas de profissão e os usuários ou beneficiários dos seus serviços. a expectativa é de que ele seja um instrumento capaz de delinear para a sociedade as responsabilidades e deveres do psicólogo. Estimular reflexões que considerem a profissão como um todo e não em suas práticas particulares. questão crucial para as relações que estabelece com a sociedade. aos serviços e aos padrões éticos da profissão. 1º . contribuindo para o fortalecimento e ampliação do significado social da profissão. O psicólogo atuará com responsabilidade social. discriminação. O psicólogo considerará as relações de poder nos contextos em que atua e os impactos dessas relações sobre as suas atividades profissionais. 4. analisando crítica e historicamente a realidade política. dos limites e interseções relativos aos direitos individuais e coletivos. c. econômica. 6. rejeitando situações em que a Psicologia esteja sendo aviltada. O psicólogo atuará com responsabilidade. contribuindo para o desenvolvimento da Psicologia como campo científico de conhecimento e de prática. Das Responsabilidades do Psicólogo Art. exploração. Princípios Fundamentais 1. O psicólogo trabalhará visando promover a saúde e a qualidade de vida das pessoas e das coletividades e contribuirá para a eliminação de quaisquer formas de negligência.www. d. da dignidade.com.br b. apoiado nos valores que embasam a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Contemplar a diversidade que configura o exercício da profissão e a crescente inserção do psicólogo em contextos institucionais e em equipes multiprofissionais. 3. uma vez que os principais dilemas éticos não se restringem a práticas específicas e surgem em quaisquer contextos de atuação.educapsico. 7. social e cultural. ao conhecimento da ciência psicológica. Ao aprovar e divulgar o Código de Ética Profissional do Psicólogo. por meio do contínuo aprimoramento profissional. posicionando-se de forma crítica e em consonância com os demais princípios deste Código.

teórica e tecnicamente. Prestar serviços psicológicos de qualidade. sempre que solicitado. 5. Informar. 9. transmitindo somente o que for necessário para a tomada de decisões que afetem o usuário ou beneficiário. aquisição. 6. quando do exercício de suas funções profissionais. 8. salvo impedimento por motivo relevante. transgressões a princípios e diretrizes deste Código ou da legislação profissional. crueldade ou opressão. Fornecer. discriminação. 11.www. Conhecer. informações concernentes ao trabalho a ser realizado e ao seu objetivo profissional. exploração. na ética e na legislação profissional. a quem de direito. 2.br 1. Ter. 4. os resultados decorrentes da prestação de serviços psicológicos.Ao psicólogo é vedado: 1. sempre que. respeito. por motivos justificáveis. Estabelecer acordos de prestação de serviços que respeitem os direitos do usuário ou beneficiário de serviços de Psicologia. conhecimentos e técnicas reconhecidamente fundamentados na ciência psicológica. a partir da prestação de serviços psicológicos. Assumir responsabilidades profissionais somente por atividades para as quais esteja capacitado pessoal. morais. filosóficas. a quem de direito. Zelar para que a comercialização. divulgar. 122 . Induzir a convicções políticas. consideração e solidariedade. utilizando princípios.com. de orientação sexual ou a qualquer tipo de preconceito. 3. colaborar com estes. religiosas. quando solicitado. cumprir e fazer cumprir este Código. Prestar serviços profissionais em situações de calamidade pública ou de emergência. 2º . doação. empréstimo. 12. não puderem ser continuados pelo profissional que os assumiu inicialmente.educapsico. guarda e forma de divulgação do material privativo do psicólogo sejam feitas conforme os princípios deste Código. Praticar ou ser conivente com quaisquer atos que caracterizem negligência. violência. e. em condições de trabalho dignas e apropriadas à natureza desses serviços. 10. 2. ideológicas. Orientar a quem de direito sobre os encaminhamentos apropriados. Sugerir serviços de outros psicólogos. 7. e fornecer. Levar ao conhecimento das instâncias competentes o exercício ilegal ou irregular da profissão. para com o trabalho dos psicólogos e de outros profissionais. fornecendo ao seu substituto as informações necessárias à continuidade do trabalho. Art. na prestação de serviços psicológicos. os documentos pertinentes ao bom termo do trabalho. sem visar benefício pessoal.

Emitir documentos sem fundamentação e qualidade técnico-científica. decorrentes de informações privilegiadas. Acumpliciar-se com pessoas ou organizações que exerçam ou favoreçam o exercício ilegal da profissão de psicólogo ou de qualquer outra atividade profissional. 6. Interferir na validade e fidedignidade de instrumentos e técnicas psicológicas. 14. Estabelecer com a pessoa atendida. relação que possa interferir negativamente nos objetivos do serviço prestado.com. crimes ou contravenções penais praticados por psicólogos na prestação de serviços profissionais. além dos honorários contratados. 15. 12. Ser perito. doações ou vantagens outras de qualquer espécie. 7. Prestar serviços profissionais a organizações concorrentes de modo que possam resultar em prejuízo para as partes envolvidas. 8. 123 . Receber. desnecessariamente. divulgar procedimentos ou apresentar resultados de serviços psicológicos em meios de comunicação. empréstimos. adulterar seus resultados ou fazer declarações falsas.br 3. 17. Realizar diagnósticos. a prestação de serviços profissionais. 13. 10. violação de direitos. Desviar para serviço particular ou de outra instituição.educapsico. grupos ou organizações. técnicas e meios não estejam regulamentados ou reconhecidos pela profissão. 4. 11. pessoas ou organizações atendidas por instituição com a qual mantenha qualquer tipo de vínculo profissional. faltas éticas. pagar remuneração ou porcentagem por encaminhamento de serviços. tortura ou qualquer forma de violência. Prestar serviços ou vincular o título de psicólogo a serviços de atendimento psicológico cujos procedimentos. 5. visando benefício próprio. possam afetar a qualidade do trabalho a ser realizado ou a fidelidade aos resultados da avaliação. familiar ou terceiro. Prolongar. assim como intermediar transações financeiras. avaliador ou parecerista em situações nas quais seus vínculos pessoais ou profissionais.www. que tenha vínculo com o atendido. Utilizar ou favorecer o uso de conhecimento e a utilização de práticas psicológicas como instrumentos de castigo. Pleitear ou receber comissões. atuais ou anteriores. Ser conivente com erros. Induzir qualquer pessoa ou organização a recorrer a seus serviços. 9. 16. de forma a expor pessoas.

3. as normas e as práticas nela vigentes e sua compatibilidade com os princípios e regras deste Código. Quando informado expressamente. quando participar de greves ou paralisações. apresentar denúncia ao órgão competente.O psicólogo.www. cabe ao psicólogo recusar-se a prestar serviços e. 3. observadas as determinações da legislação vigente. para ingressar. Art. 3º .educapsico. Haja prévia comunicação da paralisação aos usuários ou beneficiários dos serviços atingidos pela mesma. Encaminhará a profissionais ou entidades habilitados e qualificados demandas que extrapolem seu campo de atuação. associar-se ou permanecer em uma organização. 4º . adolescente ou interdito. quando dará imediata ciência ao profissional. Art. 4. Art.com. o psicólogo: 1. Art. 124 . considerará a missão. Estipulará o valor de acordo com as características da atividade e o comunicará ao usuário ou beneficiário antes do início do trabalho a ser realizado. nas seguintes situações: 1. as políticas. 2. A pedido do profissional responsável pelo serviço. se pertinente. de preservar o sigilo.O psicólogo poderá intervir na prestação de serviços psicológicos que estejam sendo efetuados por outro profissional. 5º . Quando se tratar de trabalho multiprofissional e a intervenção fizer parte da metodologia adotada.br Art.O psicólogo. 7º . 2. Art.Para realizar atendimento não eventual de criança.Ao fixar a remuneração pelo seu trabalho. 6º . Em caso de emergência ou risco ao beneficiário ou usuário do serviço. As atividades de emergência não sejam interrompidas. 8º . a filosofia. 2. Assegurará a qualidade dos serviços oferecidos independentemente do valor acordado. por qualquer uma das partes. Levará em conta a justa retribuição aos serviços prestados e as condições do usuário ou beneficiário. Parágrafo único: Existindo incompatibilidade. de quem as receber. 2.O psicólogo. Compartilhará somente informações relevantes para qualificar o serviço prestado. no relacionamento com profissionais não psicólogos: 1. o psicólogo deverá obter autorização de ao menos um de seus responsáveis. resguardando o caráter confidencial das comunicações. garantirá que: 1. assinalando a responsabilidade. da interrupção voluntária e definitiva do serviço.

O psicólogo.Em caso de quebra do sigilo previsto no caput deste artigo. Avaliará os riscos envolvidos. com o objetivo de proteger as pessoas. 125 . 11 . §1° .Em caso de demissão ou exoneração. como pela divulgação dos resultados. Art. 9º .No caso de não se apresentar um responsáve l legal. Art.Nas situações em que se configure conflito entre as exigências decorrentes do disposto no Art.A utilização de quaisquer meios de registro e observação da prática psicológica obedecerá às normas deste Código e a legislação profissional vigente.O psicólogo responsabilizar-se-á pelos enc aminhamentos que se fizerem necessários para garantir a proteção integral do atendido. Art. o psicólogo poderá prestar informações. o psic ólogo deverá repassar todo o material ao psicólogo que vier a substituí-lo. organizações e comunidades envolvidas. excetuando-se os casos previstos em lei.br 1. o psicólogo poderá decidir pela quebra de sigilo. 14 . grupos.Quando requisitado a depor em juízo.No atendimento à criança. pesquisas e atividades voltadas para a produção de conhecimento e desenvolvimento de tecnologias: 1.educapsico. 10 . que providenciará a destinação dos arquivos confidenciais. Art. o atendimento deverá ser efetuado e comunicado às autoridades competentes. 13 . grupos ou organizações. 12 . ou lacrá-lo para posterior utilização pelo psicólogo substituto. § 1° .Em caso de interrupção do trabalho do psicólogo.com. o psicólogo responsável informará ao Conselho Regional de Psicologia. ele deverá zelar pelo destino dos seus arquivos confidenciais. 1. por meio da confidencialidade.www. Art.Nos documentos que embasam as atividades em equipe multiprofissional. Parágrafo Único . 2.Em caso de extinção do serviço de Psicolo gia. Art. ser informado. desde o início. a intimidade das pessoas. na realização de estudos. baseando sua decisão na busca do menor prejuízo. a que tenha acesso no exercício profissional. § 2° . 16 . 2. o psicólogo deverá restringir-se a prestar as informações estritamente necessárias. devendo o usuário ou beneficiário. ao adolescente ou ao interdito. Art. 9º e as afirmações dos princípios fundamentais deste Código. tanto pelos procedimentos. o psicólogo registrará apenas as informações necessárias para o cumprimento dos objetivos do trabalho. Art. 15 .É dever do psicólogo respeitar o sigilo profissional a fim de proteger. §2° . deve ser comunicado aos responsáveis o estritamente essencial para se promoverem medidas em seu benefício. considerando o previsto neste Código. por quaisquer motivos.

18 . 2. orientar e exigir dos estudantes a observância dos princípios e normas contidas neste Código. após seu encerramento. 20 . cederá. informar. Art. Não fará divulgação sensacionalista das atividades profissionais. Garantirá o anonimato das pessoas. da base científica e do papel social da profissão. 8. Art. 5. 6. salvo interesse manifesto destes. salvo nas situações previstas em legislação específica e respeitando os princípios deste Código. Informará o seu nome completo. 4.br 2. Art. Não utilizará o preço do serviço como forma de propaganda. o CRP e seu número de registro. Garantirá o caráter voluntário da participação dos envolvidos.com. Das Disposições Gerais Art. individual ou coletivamente: 1. emprestará ou venderá a leigos instrumentos e técnicas psicológicas que permitam ou facilitem o exercício ilegal da profissão. ensinará. Art. grupos ou organizações aos resultados das pesquisas ou estudos. Não proporá atividades que sejam atribuições privativas de outras categorias profissionais. 4.educapsico.Caberá aos psicólogos docentes ou supervisores esclarecer. ao promover publicamente seus serviços. Não fará previsão taxativa de resultados. 3. Garantirá o acesso das pessoas. na forma dos dispositivos legais ou regimentais: 1.O psicólogo. por quaisquer meios. 7. Divulgará somente qualificações. Advertência.www. 17 . ao participar de atividade em veículos de comunicação. Fará referência apenas a títulos ou qualificações profissionais que possua. 3.O psicólogo. zelará para que as informações prestadas disseminem o conhecimento a respeito das atribuições.O psicólogo não divulgará. mediante consentimento livre e esclarecido.As transgressões dos preceitos deste Código constituem infração disciplinar com a aplicação das seguintes penalidades. Não fará auto-promoção em detrimento de outros profissionais. grupos ou organizações. 19 . sempre que assim o desejarem. 126 . 21 . atividades e recursos relativos a técnicas e práticas que estejam reconhecidas ou regulamentadas pela profissão.

com. 22 . Art. ad referendum do Conselho Federal de Psicologia. 3.educapsico. 24 . 25 .Competirá ao Conselho Federal de Psicologia firmar jurisprudência quanto aos casos omissos e fazê-la incorporar a este Código. 5. Art.www. Art. 23 . Suspensão do exercício profissional.Este Código entra em vigor em 27 de agosto de 2005 127 . 4. Art.As dúvidas na observância deste Código e os casos omissos serão resolvidos pelos Conselhos Regionais de Psicologia. Censura pública. por iniciativa própria ou da categoria.O presente Código poderá ser alterado pelo Conselho Federal de Psicologia. ouvidos os Conselhos Regionais de Psicologia. ad referendum do Conselho Federal de Psicologia. cassação do exercício profissional. por até 30 (trinta) dias. ad referendum do Conselho Federal de Psicologia.br 2. Multa.

de valores sociais admitidos como verdades absolutas. sendo o resultado de uma atividade mental inconsciente durante este processo fisiológico.www.Segundo Carl Gustav Jung.educapsico. as defesas bem-sucedidas podem ser agrupadas sob o nome de: a) projeção b) introjeção c) negação d) sublimação e) formação reativa 4.existe na medida em que cumpre essa essência .br UNIDADE VI: TESTES 1.O sonho é uma experiência subjetiva que. aparece na consciência durante o sono. o processo de individuação caracteriza-se por (A) um fortalecimento do ego individual contra a invasão de conteúdos inconscientes. segundo a Psicanálise.com. o eu se defende. é: a) complexo de castração b) narcisismo secundário c) narcisismo primário d) falo imaginário e) amor objetal 3. (C) uma rejeição.A idéia de que cada homem é o artesão de sua própria essência e que.O eu é uma instância do aparelho psíquico que objetiva a manutenção do estado de satisfação para o indivíduo. é característica do seguinte pensamento: a) empirista b) behaviorista c) psicanalítico d) existencialista 5 .O conceito que se define como o investimento libidinal da imagem do eu. que determina a identidade do indivíduo frente ao grupo social. sendo esta imagem constituída pelas identificações do eu com as imagens do objeto. por parte do indivíduo. Segundo Otto Fenichel. 128 . (B) um desenvolvimento da persona. Diante de situações que possam causar desprazer. portanto. possuindo conteúdos conscientes e inconscientes que podem ser denominados respectivamente de: a) compreensível / incompreensível b) primário / secundário c) corrente / recorrente d) normal / patológico e) manifesto / latente 2.

d) as comunicações podem ser assistemáticas ou sistemáticas variando conforme as circunstancias.Ao tratar da comunicação dos resultados do psicodiagnóstico. seja para clarificar o caso e prever seu curso possível.Os testes psicológicos são instrumentos de medida de algum aspecto do comportamento. 9. (E) uma superação de conflitos inconscientes através da catarse 6. EXCETO: a) teoricamente e regularmentarmente. limitado no tempo. b) O plano de avaliação será estabelecido com base em modelos já estabelecidos que têm se mostrado eficientes para realizar o processo. podese afirmar com a autora que. na base dos quais. de fidedignidade e padronização. identificar e avaliar aspectos específicos.Cunha (2000) cita Ocampo (1981) lembrando a ansiedade despertada por alguns testes em função de seu conteúdo e objetivos. c) coeficientes de fidedignidade e padronização. Sobre essas questões. o psicólogo não está obrigado a fornecer ao examinando as informações que foram encaminhadas ao solicitante. e) coeficientes de concordância e de significância. a saber: a) coeficientes de validade e de concordância.br (D) uma ampliação da consciência. o direito à devolução é obrigatório. é exatamente esse direito que facilita o rapport e a confiança no profissional. Cunha tece algumas considerações que estão corretamente expressas nas opções abaixo. d) coeficientes de validade e padronização. deve ser utilizado visando a mobilização de menor ansiedade um teste: a) inteligência b) maturidade c) gráfico d)projetivo 8. podendo fornecer subsídios para decisões ou recomendações. d) Pressupõe-se que o psicólogo saiba que instrumentos são eficazes quanto a requisitos metodológicos. Ao organizar uma bateria. c) parece mais recomendável dar um feedback ao cliente ou a pessoas da sua família sempre através de uma entrevista de devolução. b) coeficientes de validade. 7. no sentido de restabelecer a integração entre o ego e o self. Eles podem ser utilizados quando apresentam certos parâmetros. se for o caso”. é um “processo científico. A partir dessa definição. porque parte de um levantamento prévio de hipóteses que serão confirmadas ou infirmadas através de passos prédeterminados e com objetivos precisos. EXCETO: a) Trata-se de um processo científico. 129 . são propostas soluções. seja para atender problemas à luz de pressupostos teóricos.educapsico. comunicando os resultados. na prática.com. e. em nível individual ou não.O Psicodiagnóstico. Cunha entende ser importante examinar a questão do receptor em potencial. b) conforme o Código de Ética. que utiliza técnicas e testes psicológicos.www. c) Os resultados serão comunicados a quem de direito. de acordo com Cunha (2000:26).

2. a subjetividade do paciente. 5. Discordância entre a capacidade individual de realização e as expectativas do indivíduo ou do seu grupo social. d) dispositivos institucionais típicos do modelo psicossocial de atenção em saúde mental. técnicas projetivas e entrevista de devolução para alcançar seus objetivos. c) Realizar encaminhamentos para avaliações psiquiátricas. embora inovadores. ( ) Aspecto positivo que tem no seu pólo oposto a incapacidade. d) Abranger aspectos do passado.br 10. Neste contexto. e) equipamentos e propostas de intervenção que. b) Enfatiza a investigação de aspectos em particular. não prescindem da necessidade de hospitalização. os hospitaisdia.educapsico. presente e futuro da personalidade.O psicólogo nas equipes multiprofissionais de saúde deve contribuir em quais aspectos: a) Trazer para os membros da equipe. numere a coluna da direita de acordo com a coluna da esquerda. segundo a sintomatologia e as características da indicação (se houver). NÃO se constitui característica do psicodiagnóstico: a) Utilização de técnicas de entrevistas. incapacidade e desvantagem têm buscado superar generalizações implícitas. os ambulatórios de saúde mental e a inserção de equipes multiprofissionais de saúde mental nas Unidades Básicas de Saúde são: a) representantes de uma ideologia para atenção especializada e centralizada em saúde mental.Institucionalmente. 130 . Funcionalidade. Tomando como ponto de referência documentos da Organização Mundial de Saúde. bem como psicodiagnóstico infantil. 11. 1. o processo de psicodiagnóstico configura uma situação com papéis bem definidos e com um contrato no qual uma pessoa (paciente) pede que a ajudem. 12 . e outra (psicólogo) aceita o pedido e se compromete a satisfazê-lo na medida de suas possibilidades. bem como facilitar a comunicação entre a equipe e os pacientes e/ou familiares. (Ocampo e colaboradores 2003). e) Conseguir uma descrição e compreensão. embora eficientes. possibilitar a aplicação e utilização de conhecimentos produzidos em diferentes contextos e marcar diferentes modelos. da personalidade total do paciente ou do grupo familiar. b) formas de manejo social e terapêutico da loucura que. d) Pontuar a necessidade de diagnóstico diferencial.www. Incapacidade.Os Centros de Atenção Social. Prejuízo para o indivíduo que limita ou impede o desempenho de papéis de acordo com a idade. c) Tempo de duração ilimitado. b) Realizar atendimento psicoterápico individual ou familiar. Deficiência e incapacidade. 13 . do seu cuidador e da família. sexo. ( ) Representa a socialização da deficiência. fatores sociais e culturais. Deficiência. os Núcleos de Atenção Psicossocial. Desvantagem.As discussões sobre os conceitos de deficiência. c) redes de suporte para o diagnóstico e atendimento da loucura característicos de uma atenção em saúde no nível primário. 4.com. 3. o mais completa possível. não reposicionam socialmente o fenômeno da loucura.

São níveis de assistência na saúde: a) Atenção primária e quaternária. b) 1 – 3 – 2 – 4 – 5. c) Atenção básica e média complexidade. a) 5 – 2 – 3 – 1 – 4. a) apenas I está correta. Assinale a alternativa que apresenta a numeração correta da coluna da direita. É tratada na CIDID como perda ou anormalidade de estrutura psicológica. com o objetivo de que possam dar início à reorganização de suas vidas. III) egressos. de cima para baixo.com. e) 5 – 2 – 4 – 3 – 1. ( ) Conseqüência das condições de saúde/doença e também do contexto do meio ambiente físico e social. 16 .www.educapsico. Conseqüências ou resposta do indivíduo a uma restrição nas atividades e comportamentos essenciais na vida diária (ponto de vista do rendimento funcional). e) apenas II e III estão corretas. 14. fisiológica ou anatômica. desde que a internação tenha sido por período igual ou superior a três anos. b) Atenção média e primária. Restrição da habilidade para desempenhar uma atividade considerada normal para o ser humano. decorrentes de diferentes percepções culturais e atitudes e da disponibilidade de serviços e legislação (conceito da CIF). O projeto se configura por ser um benefício pago a pacientes: I) internados em unidades psiquiátricas até três meses antes da previsão de alta. 15 . c) 4 – 5 – 1 – 2 – 3.Limite do tempo da cura e determinação do foco da ação terapêutica são dois postulados típicos da: a) psicoterapia behaviorista b) psicanálise infantil c) análise existencial d) psicoterapia breve 131 . d) apenas IV está correta.br ( ) Representa a exteriorização da deficiência. ao fim dos quais será reavaliada sua manutenção. d) 5 – 3 – 1 – 2 – 4.O projeto “De volta para casa” é um auxílio-reabilitação psicossocial para pacientes com transtornos mentais. d) Atenção preventiva e curativa. b) apenas II está correta. desde que assumam o compromisso de dar continuidade a seu atendimento na rede de serviços de saúde mental. IV) egressos de internação psiquiátrica. ( ) Representa a objetivação da deficiência. II) egressos por um período inicial de três anos. c) apenas III está correta.

Nas psicoterapias breves. é incorreto afirmar que o paciente: a) deva trazer ao terapeuta apenas uma queixa na entrevista inicial b) deva ter tido ao menos um relacionamento significativo na infância e ser capaz de interagir de modo flexível com o avaliador/terapeuta. c) deva ser inteligente e sofisticado psicologicamente.Considere a modalidade terapêutica que possui as seguintes características: é necessário realizar modificações do ambiente externo. Fiorini. de modo a compreender as intervenções terapêuticas. fora de fases agudas. sem benefício para o tratamento pré-analítico d) distúrbios psiquiátricos crônicos. como clarificação. tais como remoção do fator estressante ou afastamento do paciente da situação conflitiva. em seu livro “Teoria e Técnica de Psicoterapias”. ideação suicida. estresse póstraumático. b) Dificuldades relacionais de ordem familiar de longa duração c) Psicoses que impedem a sensibilidade ao enquadre.www. Em geral o paciente apresenta-se com sintomatologia intensa.educapsico. A respeito desses critérios.br 17 .A seleção de pacientes indicados para psicoterapia breve provocadora de ansiedade se dá com base em critérios específicos e definidos. obtendo-se bons resultados b) distúrbios de natureza reativa. e) deve ter motivação para a mudança. sugestão.com. os pacientes a serem indicados são aqueles que apresentam: a) quadros agudos. levando em consideração as idéias de Heitor J. psicose. obtendo-se bons resultados. o terapeuta é ativo podendo utilizar técnicas diversas. 18 . Essa modalidade terapêutica é denominada: 132 . busca-se o alívio dos sintomas agudos a restauração do nível prévio de equilíbrio e a prevenção de outros episódios. depressão. obtendo-se menor benefício c) quadros de psicose e limítrofes. etc.As terapias Breves são contra indicadas nos casos de: a) indivíduos que fazem uso de mecanismos de adaptação obsessivo. 20. d) não deva esperar do tratamento apenas o alívio para seus sintomas. luto. o suporte familiar é fundamental em quadros agudos de mania. d) Grau de narcisismo reduzido com baixo nível de auto-estima Motivação de ordem puramente progressiva 19 .

www.br a) psicoterapia de apoio de curta duração (apoio em crise) b) psicoterapia dinâmica breve c) terapia cognitiva d) psicoterapia interpessoal e) terapia familiar sistêmica Gabarito 1-E 2-B 3-D 4-D 5-D 6-B 7-C 8-B 9-B 10-C 11-D 12-A 13-D 14-A 15-B 16-D 17-A 18-C 19-A 20-A 133 .educapsico.com.

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