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DA FALSIDADE DE TÍTULOS E OUTROS PAPÉIS PÚBLICOS

Falsificação de papéis públicos ARTIGO 293 - Falsificar, fabricando-os ou alterando-os: I - selo destinado a controle tributário, papel selado ou qualquer papel de emissão legal destinado à arrecadação de tributo;
(Redação dada pela Lei nº 11.035, de 2004)

II - papel de crédito público que não seja moeda de curso legal; III - vale postal; IV - cautela de penhor, caderneta de depósito de caixa econômica ou de outro estabelecimento mantido por entidade de direito público; V - talão, recibo, guia, alvará ou qualquer outro documento relativo a arrecadação de rendas públicas ou a depósito ou caução por que o poder público seja responsável; VI - bilhete, passe ou conhecimento de empresa de transporte administrada pela União, por Estado ou por Município: Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa. § 1o Incorre na mesma pena quem: (Redação dada pela Lei nº 11.035, de 2004) I - usa, guarda, possui ou detém qualquer dos papéis falsificados a que se refere este artigo; (Incluído pela Lei nº 11.035, de 2004) II - importa, exporta, adquire, vende, troca, cede, empresta, guarda, fornece ou restitui à circulação selo falsificado destinado a controle tributário; (Incluído pela Lei nº 11.035, de 2004) III - importa, exporta, adquire, vende, expõe à venda, mantém em depósito, guarda, troca, cede, empresta, fornece, porta ou, de qualquer forma, utiliza em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, produto ou mercadoria:
(Incluído pela Lei nº 11.035, de 2004)

a) em que tenha sido aplicado selo que se destine a controle tributário, falsificado; (Incluído pela Lei nº 11.035, de 2004) b) sem selo oficial, nos casos em que a legislação tributária determina a obrigatoriedade de sua aplicação. (Incluído pela Lei nº 11.035,
de 2004)

§ 2º - Suprimir, em qualquer desses papéis, quando legítimos, com o fim de torná-los novamente utilizáveis, carimbo ou sinal indicativo de sua inutilização: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. § 3º - Incorre na mesma pena quem usa, depois de alterado, qualquer dos papéis a que se refere o parágrafo anterior. § 4º - Quem usa ou restitui à circulação, embora recibo de boa-fé, qualquer dos papéis falsificados ou alterados, a que se referem este artigo e o seu § 2º, depois de conhecer a falsidade ou alteração, incorre na pena de detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, ou multa. § 5o Equipara-se a atividade comercial, para os fins do inciso III do § 1o, qualquer forma de comércio irregular ou clandestino, inclusive o exercido em vias, praças ou outros logradouros públicos e em residências. (Incluído pela Lei nº 11.035,
de 2004)

Para configurar-se o crime de moeda falsa é necessária uma falsificação enganosa, uma “imitatio veri” (imitação verdadeira). A moeda falsa deve ser de dinheiro em circulação corrente, atual. O crime de moeda falsa pode ocorrer em relação a moeda nacional ou estrangeira. Uma única cédula falsa já caracteriza o delito. Para o crime ser configurado não é necessária a colocação da moeda em circulação Para constatar a falsidade faz-se necessário o exame pericial. Caso o falsificador colocar a moeda em circulação responderá apenas pelo crime de falso. O tipo penal em questão é misto alternativo, ou seja, a falsificação decorre da fabricação ou da alteração da moeda, sendo assim, o crime restará configurado se houver uma ou outra ação tipificada. Trata-se também de crime comum, pois pode ser praticado por qualquer pessoa. A competência para julgar os crimes de moeda falsa é da Justiça Federal. Somente o Banco Central do Brasil pode emitir papel-moeda e moeda metálica, através da Casa da Moeda. A autorização ao Banco Central deve partir do Conselho Monetário Nacional. A objetividade jurídica do crime de moeda falsa é a fé pública. Falsificar significa imitar com fraude, a imitação não deve ser grosseira, mas convincente. Não se admite o princípio da insignificância em matéria de falsificação de moeda. Ou seja, mesmo sendo a falsificação de uma nota de um real ou uma moeda de cinquenta centavos, o crime está constituído. Petrechos de falsificação ARTIGO 294- Fabricar, adquirir, fornecer, possuir ou guardar objeto especialmente destinado à falsificação de qualquer dos papéis referidos no artigo anterior:

Pena - reclusão, de um a três anos, e multa. ARTIGO 295 - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, aumenta-se a pena de sexta parte. Dispõe o artigo 294 do CP: “Fabricar, adquirir, fornecer, possuir ou guardar objeto especialmente destinado à falsificação de qualquer dos papéis referidos no artigo anterior”. A pena é de reclusão de um a três anos, e multa. Este crime é um ato preparatório do delito de falsificação de papéis públicos, que é tipificado como crime autônomo. Trata-se de crime comum, formal, de forma livre, instantâneo ou permanente. Caso o agente adquira o objeto destinado à falsificação, e em seguida falsifica um papel legítimo, responderá apenas pelo artigo 293 (falsificação de papéis públicos), que absorve o artigo 294 do CP. O artigo 295 estabelece que se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, aumenta-se a pena de sexta parte.

DA FALSIDADE DOCUMENTAL
Falsificação do selo ou sinal público ARTIGO 296 - Falsificar, fabricando-os ou alterando-os: I - selo público destinado a autenticar atos oficiais da União, de Estado ou de Município; II - selo ou sinal atribuído por lei a entidade de direito público, ou a autoridade, ou sinal público de tabelião: Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa. § 1º - Incorre nas mesmas penas: I - quem faz uso do selo ou sinal falsificado; II - quem utiliza indevidamente o selo ou sinal verdadeiro em prejuízo de outrem ou em proveito próprio ou alheio. III - quem altera, falsifica ou faz uso indevido de marcas, logotipos, siglas ou quaisquer outros símbolos utilizados ou identificadores de órgãos ou entidades da Administração Pública. § 2º - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, aumenta-se a pena de sexta parte. Analisemos as principais características desse delito: a) dolo: exige-se apenas o dolo genérico, que se vislumbra na vontade e na consciência do indivíduo em buscar a falsificação; b) sujeito ativo: crime comum - qualquer pessoa pode ser sujeito ativo desse crime. Uma observação se impõe: em se tratando de funcionário público, a pena é aumentada da sexta parte; c) sujeito passivo: o Estado; d) objeto material: selo ou sinal falsificado; e) objeto jurídico: fé pública No que concerne à classificação, tal crime é, conforme visto comum, já que não exige qualidade especial do sujeito ativo. Fala-se em crime formal, já que não exige resultado naturalístico (utilização do selo ou sinal faculdade), de forma livre (que pode ser praticado por qualquer meio), comissivo (excepcionalmente comissivo por omissão), instantâneo, unissubjetivo (que pode ser praticado por um só agente) e plurissubsistente (regra geral, vários atos integram a conduta). Falsificação de documento público ARTIGO 297 - Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro: Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa. § 1º - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, aumenta-se a pena de sexta parte. § 2º - Para os efeitos penais, equiparam-se a documento público o emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular. § 3o Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir: I - na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório; II - na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita; III - em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado. § 4o Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados no § 3 o, nome do segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços.

São duas as possibilidades de falsificação. A primeira delas se dá através da criação material de um documento, que deveria ser expedido por funcionário público. A segunda se configura pela alteração realizada em documento verdadeiro. Ex: falsificação de passaportes; preenchimento ilícito de cheque em branco; falsificação de diploma de curso médio ou superior. Pena: Reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa. Falsificação de documento particular ARTIGO 298 - Falsificar, no todo ou em parte, documento particular ou alterar documento particular verdadeiro: Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa. O delito aqui tratado refere-se a falsificação ou alteração de quaisquer documentos não emanados pelo poder público, pois se assim fosse o tipo penal seria outro, a do artigo 297 do CP. Por documento particular podemos citar, a título de exemplo, os contratos, acordos, histórico escolar, carteira de identificação escolar, de clubes, dentre vários outros. O tipo penal tem como objetivo proteger a fé pública, no sentido de evitar que pessoas sejam lesadas ao aceitar documento particular falsificado, pensando ser verdadeiro. Para que seja o delito tipificado, essencial que o documento seja hábil a enganar terceiros, a ponto de não permitir o reconhecimento de sua falsidade, ou seja, que seja aceito como se verdadeiro fosse. Nesse sentido é o entendimento jurisprudencial: Falsificação. Requisitos. “Para que se configure o crime de falsificação, a falsidade deve ser idônea para enganar a fé públi ca e não tão grosseira que permita o seu reconhecimento por qualquer pessoa.” (TJSP – Ap. 22.172 – Rel. Des. LIMA GUIMARÃES – 1ª C. – J. 6.9.48 – Um.) (RF 123/281). Corroborando esse entendimento a jurisprudência cita: “A falsificação grosseira impede a realização típica do crime de falso em razão da inexistência de imitação da verdade e potencialidade de dano.” (TRF 2ª R. – Ap. Crim. 10.736-6 – Rel. Des. Fed. SILVÉRIO CABRAL – 2ª T. – J. 10.10.90 – Um.) (DJU, 13.11.90, p. 26.973). Portanto, resta induvidoso que para que se caracterize o delito de falsificação de documento particular, os elementos do falso devem induzir sua vítima a acreditar tratar-se de um documento verdadeiro. Vale-nos consignar que se o agente utilizar-se dos meios de falsificação de documento particular para obtenção de vantagem ilícita, este crime será absorvido pelo tipo penal de estelionato (art. 171 do CP). O sujeito ativo do crime poderá ser qualquer pessoa, figurando no pólo passivo o Estado. O delito de falsificação de documento particular é doloso, onde o agente impõe sua vontade de forma livre e consciente em praticar a falsificação ou alteração. Nesse caso, é certo que para se constatar o dolo, desnecessário a apuração de eventual prejuízo a outrem, assim, basta que o agente pratique intencionalmente a falsificação do documento, vejamos: “O dolo no falsum decorre do próprio ato, pouco importando que não tenha havido prejuízo, porquanto o delito de falsidade documental é classificado como ofensivo da fé pública, e não do patrimônio.” (TJSP – Ap. Crim. 9.040-3 – Rel. Des. GOULART SOBRINHO – 2ª C. Crim. – J. 23.9.49 – Un.) (RT 566/308). O crime comporta tentativa e se consuma no momento em que o agente falsifica o documento, não sendo preciso, portanto, que se esse venha a ser utilizado. Vejamos o entendimento: “O crime de falsificação de documento particular se consuma com a efetiva contrafação, falsificação”. (TRF 1ª R. – Ap. Crim. 4.571-5-DF – Rel. Juiz ADHEMAR MACIEL – 3ª T. – J. 15.10.90 – Un.) (DJU, 29.10.90, p. 25.454). Em relação ao concurso de crime temos a consignar que não haverá concurso com o crime de uso, previsto no artigo 304 do código penal, segundo entendimento jurisprudencial dominante. A ação penal subordinada ao crime de falsificação de documento particular é pública incondicionada. . Falsidade ideológica ARTIGO 299 - Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa, ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante:

Três são as ações incriminadas pelo artigo 299. omissões ou acréscimos. Ação Penal . e reclusão de 1 (um) a 3 (três) anos e multa. pois na de inserir o agente pode declarar a verdade até o encerramento do documento.as sentenças que deferirem a legitimação adotiva. Inegável é a exigência do dolo específico. em utilizar-se o agente de terceiro para introduzir ou incluir por sua determinação a declaração falsa ou diversa da que devia constar. como por exemplo. parágrafo único .Se o agente é funcionário público. Objetividade Jurídica . Isto significa. em inserir de modo indireto. bem como todas as pessoas que sofrerem dano pela falsidade.as emancipações. aumenta-se a pena de sexta parte. Não é só ser funcionário público. é crime formal. se o documento é particular. A segunda ocorre quando a falsificação ou alteração diz respeito a assentamento de registro civil. e multa. O documento quanto ao seu aspecto material é verdadeiro.os nascimentos.. III . IV . Elementos Objetivos do Tipo .Pena: Reclusão. por funcionário público no desempenho de suas atribuições.Consuma-se o crime com a omissão e a inserção direta ou indireta da declaração falsa ou diversa da que devia constar. Documento Público . Na falsidade ideológica. II . criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante". VIII . A primeira delas refere-se à falsidade ideológica do funcionário. portanto. tem que se prevalecer do cargo. Na conduta de omitir não existe tentativa. etc.os óbitos. Elementos Subjetivos do Tipo . não apresentando rasuras. É crime comum. tanto pode ser o particular como o funcionário público. de 31-12-1973).015.É a fé pública no que se refere à veracidade do documento. fotocópias autenticadas. Não exige a produção de dano. e comete o crime prevalecendo-se do cargo. claramente imposto na cláusula "com o fim de prejudicar direito. VII . que o exercício da função lhe tenha proporcionado ocasião e facilidade de cometimento do delito. portanto. Documento Particular . se o documento é público. Sujeito Ativo . Em qualquer das modalidades é indispensável que a falsidade seja capaz de enganar. que comete o ilícito prevalecendo-se do cargo. A tentativa somente é possível na forma comissiva inserir ou de fazer inserir a declaração. que as declarações contidas no documento são falsas.os casamentos. . borrões. pode cometer esse crime qualquer pessoa.as interdições. o vício (imperfeição) incide sobre as declarações que o objeto material deveria possuir. tendo consciência da antijuridicidade. sobre o conteúdo das idéias.Pública incondicionada. São os assentamentos que constituem prova específica do estado civil das pessoas. escrituras. Por esta razão a falsidade ideológica é chamada de falso ideal. Consumação e Tentativa .É aquele que não está compreendido como documento público. Sujeito Passivo .. A segunda ação é a de inserir declaração falsa ou diversa da que devia o agente fazer. VI . tanto do documento público como do particular. Estão previstos na Lei civil os seguintes assentamentos: ".É o Estado. A falsificação ou alteração deles acarreta o aumento de pena previsto no parágrafo único do artigo em estudo. certidões. A primeira delas é a de omitir declaração a que estava o agente obrigado.É aquele elaborado de acordo com as formalidades legais.. de 1 (um) a 5 (cinco) anos. V .as opções de nacionalidade." (Lei nº 6.I .É o dolo consistente na vontade livre e consciente de praticar o fato descrito. No parágrafo único estão previstas duas formas qualificadas do crime em estudo.É quem pratica a falsidade ideológica. A terceira ação consiste em fazer inserir. ou seja. criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante". e tenha a finalidade de "prejudicar direito.as sentenças declaratórias de ausência.. ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil. emendas.

outra vez. Reconhecimento indireto é o que o tabelião faz. Falso reconhecimento de firma ou letra ARTIGO 300 . aposta longe das vistas do tabelião. a quem o incumbe. que responderá pela falsificação do documento público. não a esteja exercendo. e. se o documento é particular. porque o reconhecimento. certifica que cumpriu a diligência. firma ou letra que o não seja. de fé pública. Consumação e tentativa Consuma-se no instante em que o agente declara.” A pena é reclusão. se o documento é público. O tabelião não é perito e pode. TIPICIDADE Conduta e elementos do tipo Firma é a assinatura de uma pessoa. impressa num documento. nesse sentido. como verdadeira. como verdadeira. Só incorre na incriminação o agente que tiver consciência de que a firma é falsa e reconhecer sua veracidade com vontade livre. O reconhecimento por semelhança é o que é feito. pelo fato de estar muito cansado. de que aquela assinatura foi aposta no documento pela pessoa identificada como seu autor. quando a assinatura é aposta no documento na presença do tabelião. e de um a três anos. O crime é doloso. mediante a aposição de um carimbo ou outra fórmula. por força de lei. o tabelião terá sido enganado pelo falsário. possível a suspensão condicional do processo penal. de certidão contrária ao que consta nos assentamentos oficiais. porquanto não há tipo culposo. portanto. O tabelião afirma que é verdadeira a firma que não foi lançada no documento pela pessoa cujo nome consta. Sujeito ativo é apenas o funcionário público que tem a atribuição de reconhecer firmas e letras.reclusão. Letra é seu manuscrito. e de um a três anos e multa. como verdadeira. as pessoas a quem o documento que a contém é apresentado acreditam que a assinatura é a verdadeira da pessoa cujo nome consta como signatário. estando prestes a concluir a declaração de veracidade da firma falsa. Também não responderá na hipótese do reconhecimento por autenticidade quando a pessoa. devolvendo o mandado ao cartório. nele. É o tabelião ou outro servidor a quem seja legalmente deferida essa atribuição. Nesse caso. no exercício de função pública. feita pelo tabelião. A tentativa é possível se o agente. por semelhança ou indireto. que atestam sua veracidade. de sua veracidade. podendo cometer o crime ainda quando. firma ou letra que o não seja: Pena . como signatária. no momento do reconhecimento. após comparar a assinatura contida no documento com outra arquivada no tabelionato. e multa. do tabelião goza. se o documento é particular. podendo. Diz-se semiautêntico. da própria tipicidade. Sujeito passivo é o Estado. ser realizado o tipo em qualquer das hipóteses. o próprio signatário apresenta o documento no qual foi lançada ao tabelião. A conduta incriminada é o reconhecimento. o Oficial de Justiça Marcos. O agente deve estar investido de função pública. O tipo penal está contido no art. ou seja. A norma não distingue entre o reconhecimento por autenticidade. 300 do Código Penal: “Reconhecer. pelo tabelião. porque o erro é excludente do dolo. e.Exemplos: 1) Inserção de falsa declaração de emprego em carteira profissional 2) O fornecimento pelo funcionário público. no próprio documento. AÇÃO PENAL A ação penal é de iniciativa pública incondicionada. munida de cédula de identidade falsa. ao reconhecê-la como verdadeira. a confiança que as pessoas depositam no reconhecimento de firma ou letra pelo funcionário público. não terá cometido o crime. diante de uma assinatura falsificada com maestria. Reconhecida a firma pelo tabelião. Certidão ou atestado ideologicamente falso . no exercício de função pública. da assinatura ou o do manuscrito que não o é. o titular do bem atingido também será sujeito passivo.Reconhecer. Se há lesão. apõe a própria assinatura falsa na presença do tabelião. de um a cinco anos. é impedido por ação de terceira pessoa. 3) Após receber um mandado para intimação de Paulo. o reconhecimento da firma como verdadeira. de um a cinco anos. Reconhecimento de firma é a declaração. no reconhecimento por semelhança. quando. se o documento é público. e multa. no caso em exame. semi-autenticidade. sem qualquer outra finalidade especial. por escrito. O bem jurídico protegido é. a fé pública. e multa. enganarse no momento da comparação. O reconhecimento da firma é autêntico. à vista da declaração escrita de duas pessoas.

2) Atestado de idoneidade para ingressar no funcionalismo público. É crime formal e a tentativa é admissível. Não caracteriza o crime. ou qualquer outra vantagem: Pena . Objetividade Jurídica .Atestar ou certificar falsamente. Pode acontecer também que o agente fraude totalmente a própria forma do documento.A fé pública especialmente no que diz respeito à autenticidade dos documentos emitidos por funcionário público. no todo ou em parte. fato ou circunstância que habilite alguém a obter cargo público. o funcionário público pode cometê-lo. Sujeito Ativo .É o Estado. Consumação e Tentativa .detenção. se a falsidade não é apta para causar prejuízo pela falta de relevância jurídica de seu conteúdo. não o podendo ser cometido por particular.O dolo do delito é a vontade de falsificar. Consumação e Tentativa . Sujeito Passivo . Trata-se de crime formal. palavras ou letras. falso. Exemplos: 1) Atestado de pobreza para obtenção de justiça gratuita ou internação em hospital. A tentativa é possível. Objetividade Jurídica . de dois meses a um ano. É necessário que se trate de atestado ou certidão originários do funcionário público. bastando o simples perigo de dano. ou seja. Elementos Subjetivos do Tipo . criando assim um documento novo. visto que o tipo penal declara "em razão de função pública". alguns doutrinadores acham que a consumação se dá quando o agente encerra o atestado ou certidão. borrões.ARTIGO 301 .É o Estado.A conduta típica é falsificar ou alterar. especialmente quando forem esses documentos emitidos pelo funcionário público. etc. substituições de números . Sujeito Passivo .É a fé pública referente a autenticidade de atestado ou certidão. Ação Penal . pois a reprodução fraudulenta de certificado ou atestado emitido por funcionário público configura crime de Falsidade de Documento Público. convencer da verdade ou da certeza de algo. Certificar é afirmar. não sendo necessária a sua entrega ao destinatário.Pública incondicionada.detenção. isenção de ônus ou de serviço de caráter público. forjando-o. Outros acham que a consumação somente é efetiva quando o atestado ou certidão é entregue a terceiro. consistente na vontade livre e consciente de atestar fato ou circunstância nas condições descritas no tipo penal. Neste tipo de falsidade o que se frauda é a própria forma do documento. por meio de rasuras.Falsificar. inclusive o funcionário público. Elementos Objetivos do Tipo . Falsidade material de atestado ou certidão § 1º .Qualquer pessoa. de três meses a dois anos. também com caráter público. Elementos Subjetivos do Tipo .A conduta típica é atestar ou certificar fato ou circunstância.Consuma-se o delito com a falsificação ou alteração.Como é crime próprio. ou alterar o teor de certidão ou de atestado verdadeiro. pois é um crime próprio do funcionário público. . que é alterada no todo ou em parte. porém. Não é necessária para a consumação a existência de prejuízo efetivo. isenção de ônus ou de serviço de caráter público. em razão de função pública. Sujeito Ativo . atestado ou certidão. Neste caso o sujeito modifica as características originais do objeto material. emendas. para prova de fato ou circunstância que habilite alguém a obter cargo público. Atestar é afirmar ou provar algo em caráter oficial. independentemente do uso ou qualquer outra conseqüência. contrafazendo ou alterando a certidão ou atestado que possa servir de prova de fato ou circunstância.É o dolo.Quanto à consumação. que não exige o prejuízo efetivo. Elementos Objetivos do Tipo . ou qualquer outra vantagem: Pena . É uma modalidade típica de falsidade ideológica.

O indivíduo. O objeto material é o documento público ou particular verdadeiro. ou para causar dano a outrem: . a certeza que deve haver nas relações jurídicas. e multa. de que não podia dispor: Pena . documento público ou particular verdadeiro. de um a três anos. burlando a confiança geral e individual que nele se deposita. em proveito próprio ou alheio. a objetividade jurídica considerada é a fé pública. Supressão de documento ARTIGO 305 . estaremos diante do crime previsto no "caput" ou no § 1º. Realce-se que a lei diz expressamente que o documento há de ser verdadeiro.Reproduzir ou alterar selo ou peça filatélica que tenha valor para coleção.Fazer uso de qualquer dos papéis falsificados ou alterados. aplica-se também multa. Qualquer pessoa pode cometer o crime. Estatui o art. utiliza-o como se fosse autêntico. caracteriza o delito de falsidade material de atestado ou certidão. para matricula em escola ou curso superior. suprimir ou ocultar. Parágrafo único .Na mesma pena incorre quem. atestado falso: Pena .Pública incondicionada. Uso de documento falso ARTIGO 304 . pois aqui somente o funcionário público pode ser agente ativo. Se. além da pena privativa de liberdade. Observar a letra da lei "com o fim de lucro". ou em prejuízo alheio. e reclusão. um documento apócrifo (fato sem autenticidade). aplica-se. uma vez que se apresente o elemento condicionante do crime: documento de que não podia dispor. O bem-interesse. Falsa identidade ARTIGO 307 . documento público ou particular verdadeiro. É ainda um caso de falsidade material. 314.Se o crime é praticado com o fim de lucro. destruído. Reprodução ou adulteração de selo ou peça filatélica ARTIGO 303 . Exemplo: a falsidade de atestado ou certidão de aprovação ou conclusão escolar. faz uso do selo ou peça filatélica.Atribuir-se ou atribuir a terceiro falsa identidade para obter vantagem. 305 do Código Penal: “Destruir. se diferenciando do peculato-desvioart. 297 a 302: Pena . A supressão de documento.Ação Penal . ou em prejuízo alheio. como não subsiste.detenção. a que se referem os arts. no exercício da sua profissão. A destruição. Falsidade de atestado médico ARTIGO 302 . exibição de Carteira de Habilitação falsa em blitz. Como é falso material a criação do documento falso ou a supressão parcial de um documento verdadeiro.Se o crime é cometido com o fim de lucro. portanto. salvo quando a reprodução ou a alteração está visivelmente anotada na face ou no verso do selo ou peça: Pena . de um a cinco anos. § 2º . Não é necessário que se obtenha o lucro. deve apresentar-se o de falsidade em documento.a cominada à falsificação ou à alteração.Dar o médico. assim o é a supressão total. em benefício próprio ou de outrem. lesa a segurança. E de fato assim é. conseqüentemente. Parágrafo único . Por todos esses modos o agente atenta contra a veracidade do fato e viola a fé pública. Em todas essas formas deve-se reconhecer a falsidade material e não haverá razão por que se possa duvidar de que preferentemente a qualquer outro título de crime. o crime não subsiste. a de multa. de que não poderia dispor”.Destruir. de um mês a um ano. a supressão ou a ocultação de um documento produz o mesmo efeito que sua contrafação ou alteração. por ser crime próprio. com sua falsificação. e multa.reclusão. Basta agir com esse fim. se o documento é particular.detenção. Não se exclui o proprietário. sabendo que o documento que porta é falso. para fins de comércio. É apenas uma qualificadora do crime estudado. em benefício próprio ou de outrem. e multa. impedindo que a verdade surja e. de dois a seis anos. Ex: uso de certidão falsa para eximir-se do pagamento de uma dívida. Se não houver esse fim. Pena: a pena cominada ao uso de documento falso é a mesma referente à falsificação em si. suprimir ou ocultar. se o documento é público. se no documento autêntico é suprimida somente a parte que sofreu uma alteração.

de 2 (dois) a 6 (seis) anos.processo seletivo para ingresso no ensino superior. preservação do erário público. o elemento subjetivo contido na expressão "em proveito próprio ou alheio".550.Usar. e multa.Pena . de 2 (dois) a 12 (doze) anos.). de 2011) Crimes Contra a Administração Pública Peculato ARTIGO 312 .exame ou processo seletivo previstos em lei: (Incluído pela Lei 12. na modalidade peculato-apropriação. ou multa. (Incluído pela Lei 12. de quem tem a posse em razão do cargo.É o dolo. sujeito passivo será o Estado ou outra entidade de direito público.reclusão.Consuma-se o delito. o acesso de pessoas não autorizadas às informações mencionadas no caput. o peculato somente pode ser cometido por funcionário público. conteúdo sigiloso de: (Incluído pela Lei 12. para que dele se utilize. No desvio. Sujeito Passivo .550.550. caderneta de reservista ou qualquer documento de identidade alheia ou ceder a outrem. Além do dolo.A .Pública incondicionada. Peculato é um tipo especial de apropriação indébita em razão do cargo. emprega o objeto material em fim diverso de sua destinação específica.concurso público. Se o objeto material for de natureza pública.avaliação ou exame públicos. de 2011) Pena . documento dessa natureza. É o delito perpetrado. quando o funcionário se apropria ou desvia em proveito próprio ou de terceiro. Delito material. o proprietário ou possuidor será o sujeito passivo. de 2011) II . ou (Incluído pela Lei 12. de quatro meses a dois anos. o bem que está em seu poder em razão do cargo. em proveito próprio ou alheio: Pena: reclusão. Consumação e Tentativa . no momento em que o sujeito age como se fosse dono do objeto material. e 2º) desvio. (Incluído pela Lei 12. por qualquer meio. de 2011) IV . sem ânimo de apossamento definitivo. de 2011) I . de 2011) ARTIGO 311. títulos de dívida pública. o tipo requer um fim especial de agir. (Incluído pela Lei 12. (Incluído pela Lei 12. de 2011) Pena .Utilizar ou divulgar. (Incluído pela Lei 12. ou outro bem móvel. Elementos Subjetivos do Tipo . etc. admite a figura da tentativa. o momento consumativo ocorre com o ato desvio. de 2011) § 1o Nas mesmas penas incorre quem permite ou facilita. vontade livre e consciente de concretizar os elementos objetivos do tipo.550.Apropriar-se o funcionário público de dinheiro. Sujeito Ativo .550.reclusão. fidelidade e probidade dos agentes do poder. como próprio. Ação Penal . ou desviá-lo. dispondo o sujeito da coisa como se fosse dono.550. se o fato não constitui elemento de crime mais grave. No peculato-desvio. . valor (apólices. Na apropriação há inversão do título da posse.550. com o fim de beneficiar a si ou a outrem. em proveito próprio ou alheio. dinheiro. de 2011) § 3o Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se o fato é cometido por funcionário público.Protege a Administração Pública no que diz respeito ao interesse patrimonial. Objetividade Jurídica . e multa. passaporte.550. título de eleitor. ou de comprometer a credibilidade do certame. valor ou qualquer outro bem móvel.A conduta pode realizar-se de duas formas: 1º) apropriação. de 2011)§ 2o Se da ação ou omissão resulta dano à administração pública: (Incluído pela Lei 12. (Incluído pela Lei 12.550.550. e multa.550.detenção.550. o funcionário. de 1 (um) a 4 (quatro) anos. Elementos Objetivos do Tipo . próprio ou de terceiro: Pena . indevidamente. Cuidando-se de bem particular. e multa. se o fato não constitui elemento de crime mais grave.Crime próprio.detenção. público ou particular. de 2011) Fraudes em certames de interesse público (Incluído pela Lei 12. sendo irrelevante se consegue ou não o proveito próprio ou alheio. de três meses a um ano.É o Estado. ARTIGO 308 . DAS FRAUDES EM CERTAMES DE INTERESSE PÚBLICO (Incluído pela Lei 12. de 2011) III .

3) Comete crime de peculato o policial que se apropria de valores do preso. valor.Exemplos de Peculato: 1) Funcionário público que aos transmitir o cargo do qual fora afastado. a reparação do dano. imprudência ou imperícia concorre para a prática do crime de outrem seja funcionário ou simples particular. Objetividade Jurídica . admite a tentativa. o subtrai. se lhe é posterior. Nos dois casos. ocorre crime de peculato. . outro elemento subjetivo do tipo. extingue a punibilidade. embora não tendo a posse do dinheiro. em proveito próprio ou alheio. Exemplo: policial que subtrai. concorre (facilita) para a prática de condutas delituosas.É o mesmo do caput. ou bem. Se a reparação do dano é anterior à sentença irrecorrível (sentença para a qual não cabe mais nenhum recurso). viola-a apropriando-se dos respectivos valores registrados. Sujeito Ativo . O funcionário por não observância do dever de cuidado a que estava obrigado. que subtrai o objeto material. concorre para que outro subtraia o objeto material. cuja guarda lhe foi confiada. extingue a punibilidade. valendo-se de sua condição perante a Administração Pública. Se o ressarcimento à sentença irrecorrível.É o dolo.No caso do parágrafo anterior. retém em seu poder o saldo de caixa acusado no balancete de contabilidade e pertencente aos cofres públicos. O peculato. § 3º . Elementos Objetivos do Tipo .Furto § 1º . ou 2º) voluntária e conscientemente. Peculato Culposo § 2º . ou concorre para que seja subtraído. se o funcionário público. Duas são as hipóteses previstas no tipo: 1º) o sujeito realiza a subtração. responderia pelo delito definido no caput da disposição.É a mesma do caput. aplicando-se os mesmos princípios apreciados no delito de furto. Este tipo de peculado. Elementos Subjetivos do Tipo . valendo-se de facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário. O ressarcimento do dano causando a extinção da punibilidade ou a redução de metade da pena imposta. não intencional. reduz a metade da pena imposta. ocorre quando o funcionário por negligência. 2) Se o carteiro ao invés de entregar a correspondência. nos mesmos moldes do furto. de 3 (três) meses a 1 (um) ano.Aplica-se a mesma pena.Se o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem: Pena: detenção.Atinge a consumação.Pública incondicionada.O núcleo do tipo é o verbo subtrair. Ação Penal .É o mesmo do caput. Além do dolo. o funcionário não tem a posse ou a detenção do bem. reduz de metade a pena imposta. Se tivesse. aqui. vontade livre e consciente dirigida à subtração ou a concorrer com a conduta do terceiro. concernente à intenção de obtenção de proveito próprio ou alheio. peças de uma motocicleta furtada e que apreendera em razão de suas funções. Nada mais é do que o furto cometido pelo funcionário público. Sujeito Passivo . se precede à sentença irrecorrível. está descrito na forma do furto. Consumação e Tentativa . Crime material. quer cometido pelo funcionário quer por terceiro. somente é possível no peculato culposo como forma de abrandar o delito em decorrência da falta de dolo do agente. Peculato .

Consumação e Tentativa .o autor deste crime. ou alteração. Portanto. que não cumpre com o seu dever de fiscalizar. 327º. cometera peculato mediante erro de outrem Peculato Via Informática A reforma penal introduzida pela Lei 9983/2000 descreve duas novas condutas penais contra a Administração Pública. que consiste na vontade livre e consciente de apropriar-se de objeto material. Exemplo: um particular. só pode ser cometido por funcionário público.A conduta consiste em o funcionário público apropriar-se de dinheiro ou qualquer outra utilidade mediante aproveitamento ou manutenção do erro de outrem. podendo ambos. a ele entregue por erro de outrem. bem como a liberação de débitos. Sociedade de economia mista ou fundação instituída pelo poder público (art. Sujeito Passivo .Pública incondicionada. O lesado. 2. Objetividade Jurídica . Circunstância Qualificada . ou desoneração de qualquer tipo de ordem patrimonial.Funcionário público municipal que tinha sob sua guarda bens da municipalidade acaba esquecendo. § 2º) Ação Penal . o funcionário público incumbido de fiscalizar o serviço. Durante a noite aqueles objetos foram subtraídos. Peculato mediante erro de outrem ARTIGO 313 . o funcionário autorizado. e multa. Exemplo: funcionário é surpreendido no momento em que está abrindo uma carta contendo valor. Sujeito Ativo . terá sua pena aumentada da terça parte se o seu ocupante for ocupante do cargo em comissão ou de função ou assessoramento de órgão da administração direta. respondendo pelo crime. para que exista delito. alterar ou excluir indevidamente dados corretos nos sistemas informatizados ou bancos de dados da Administração Pública com o fim de obter vantagem indevida para si ou para outrem ou para causar dano: Pena . ou a extinção da punibilidade não impedirão sanções administrativas cabíveis. abertas as portas do local onde estavam os bens. o ressarcimento do dano provocado ao Estado.Inserir ou facilitar. O tipo penal refere-se apenas a previsão por funcionário autorizado. Exemplos: 1 . ser praticados por meio da informática.Pratica peculato culposo. Elementos Objetivos do Tipo . .Apropriar-se de dinheiro ou qualquer utilidade que. Entretanto. Por vantagem indevida. por ter se enganado quanto a quantia a ser paga. a vítima da fraude. a inserção de dados falsos. por negligência. De forma secundária. Nada impede. dois tipos penais foram acrescidos aos tipos de peculato. ou exclusão indevida de dados corretos no sistema informatizado da Administração Pública.Há dois sujeitos passivos. A tentativa é admissível.tutela-se a Administração Pública. O artigo 313.Delito próprio. agindo como se fosse dono. que um particular participe do fato. Elementos Subjetivos do Tipo . além de manter o texto original foi desdobrado em artigo 313-A e artigo 313-B. surge com prejudicado. devemos entender tanto a vantagem indevida obtida ou o extravio de créditos. Em primeiro lugar. o Estado.o dolo. não sendo também vítima da fraude.o delito atinge o momento consumativo quando o funcionário público se apropria do objeto material. de 1 (um) a 4 (quatro) anos. Inserção de Dados Falsos em Sistema de Informações ARTIGO 313-A . mas. de 2 (dois) a 12 (doze) anos. Imprescindível. entretanto. paga a administração pública um valor superior ao devido. a inserção de dados falsos.O ressarcimento pode ser efetuado pelo próprio réu. propiciando que seu subordinado aumente o número de horas extras a que tem direito e se aproprie da diferença. no exercício do cargo. recebeu por erro de outrem: Pena: reclusão. Caso o funcionário que recebeu o valor apropriar-se da diferença. que a entrega do bem tenha sido feita ao sujeito em razão do cargo que desempenha junto à Administração Pública e que o erro tenha relação com o seu exercício. ou por terceiro em seu nome. não intencionalmente. e multa.reclusão.

2 . Nada impede. Este delito tem dois aspectos distintos: 1) Qualquer funcionário público pode acionar o sistema informatizado da Administração Pública desde que tenha autorização para tal.detenção. for ocupante do cargo em comissão ou de função ou assessoramento de órgão da administração direta.É o dolo. objetiva a proteger a organização da administração pública.crime próprio. ou em leis especiais / extravagantes se não há uma circunstância mais grave para esta conduta. regularidade e segurança de livros oficiais e documentação de natureza pública. § único . Sujeito Ativo . sistema de informações ou programa de informática sem autorização ou solicitação de autoridade competente: Pena . de ficarem livres de seus pagamentos.É o estado.Modificar ou alterar. Elementos Subjetivos do Tipo . Pena: reclusão. porém. de 3 (três) meses a 2 (dois) anos. Extravio. receberá o infrator a pena deste artigo. Objetividade Jurídica . total ou parcialmente. 2) Para a caracterização do delito previsto no artigo 312 . a participação de terceiro não qualificado. Circunstância Qualificada . terá sua pena aumentada da terça parte se o seu ocupante. tais como expedir certidões as pessoas que dela necessitem. §2º ).B. que também apareça o particular como segundo sujeito passivo. e multa. sonegá-lo ou inutilizá-lo. que para alcançar seus fins necessita tê-los à disposição para suas necessidades.Inutilizar é tornar imprestável par ao fim específico. Sujeito Passivo . pois o crime em questão não está associado à pretensão material. A integridade de livros fiscais e documentos confiados ao funcionário público. o funcionário. esconder etc. A inutilização pode ser total (destruição) ou parcial (inutilização propriamente dita). se o fato não constitui crime mais grave. desviar.Extraviar que quer dizer descaminhar. por ocasião de seu licenciamento.As penas são aumentadas de um Terço até a metade se da modificação ou alteração resulta dano para a Administração Pública ou para o administrado. Sociedade de economia mista ou fundação instituída pelo poder público (art.Extraviar livro oficial ou qualquer documento. alterar sua destinação. tendo o sujeito consciência de que exerce a guarda do objeto material em face do exercício do cargo. de 1 (um) a 4 (quatro) anos.Visa a incriminação a proteger a Administração Pública.o autor deste crime. Admite-se. no que diz respeito à ordem.Consuma-se o delito com a realização das condutas descritas no tipo (extravio. entretanto. não é preciso que o agente queira obter vantagem material indevida.Um exemplo conhecido por muitos são os fatos ocorridos no Detran de São Paulo. Modificação ou Alteração Não Autorizada de Sistema de Informações ARTIGO 313-B . 327º. sonegação ou . Se não houver punições mais grave. Por exemplo: O delito descrito no artigo 313. que devem manter-se íntegros.é crime subsidiário percebido facilmente pela frase: se o fato não constitui crime mais grave. bem como para provar que seus atos são praticados em conformidade com a lei. Elementos Objetivos do Tipo 1 . a que se destina o livro ou o documento.B será configurado se um funcionário acessar o sistema informatizado da Administração Pública para excluir o registro de uma condenação penal sua ou de terceiro. Consumação e Tentativa . Crime Subsidiário . permitindo aos proprietários de veículos. uma vez que é a ele que são confiados os objetos materiais em razão de sua atividade pública. Sonegação ou Inutilização de Livro ou Documento ARTIGO 314 .Sonegar é deixar de mencionar. ocorrendo a hipótese quando lhe pertence o objeto material (ex: um documento que esteja na posse da Administração Pública). ou privada. Deve-se procurar no Código Penal. nem para si nem para outrem. onde as multas aplicadas aos motoristas infratores eram excluídas do banco de dados. praticado apenas pelo funcionário público no exercício do cargo. deixar de apresentar quando é devido ou exigido por quem de direito. 3 . de quem tem a guarda em razão do cargo.

No plano secundário. sendo irrelevante que. praticado apenas pelo funcionário público que tem poder de disposição de verbas e rendas públicas. ou multa. dinheiros recebidos pela Fazenda Pública. que se vale para a prática do delito. Atenção: em casos de calamidade pública. Emprego irregular de verbas ou rendas públicas Ação Penal . para o atendimento em caráter de emergência. e multa. titular de interesse protegido e violado pela lesão do dever de integridade que norteia a atividade funcional. para si ou para outrem. justifica-se o emprego irregular das verbas e rendas públicas. mas desde que aja em virtude dele. por isso.Em face de a concussão ser delito próprio. ARTIGO 315 . A tentativa é admissível nas modalidades de extravio e inutilização. Protege-se também o patrimônio do particular contra a forma especial de extorsão cometida pelo funcionário. direta ou indiretamente. mas em razão dela. vontade livre e consciente de aplicar diferentemente de sua destinação específica as tendas ou verbas de natureza pública. . vantagem indevida: Pena . Concussão é uma forma especial de extorsão. Circunstância Qualificada . 327º.Dar às verbas ou rendas públicas aplicação diversa da estabelecida em lei: Pena: detenção.reclusão.Exigir.inutilização do objeto material). Na sonegação. empregando-a como meio de coação para a obtenção de seus fins.Visa a proteger o normal desenvolvimento dos encargos funcionais. Rendas Públicas – São. Sociedade de economia mista ou fundação instituída pelo poder público (art. terá sua pena aumentada da terça parte se o seu ocupante for ocupante do cargo em comissão ou de função ou assessoramento de órgão da administração direta. contrariando a Lei Orçamentária aprovada pela Câmara do Vereadores Concussão ARTIGO 316 . A tentativa é admissível.O autor deste crime. contudo. Sujeito Ativo . Sujeito Passivo – São. ainda que fora da função ou antes de assumi-la. Sujeito Ativo . mesmo que ainda não tenha assumido o cargo. o intuito de lucro. Exemplo: prefeito municipal que desvia verba destinada a saúde para construção de escola em sua base eleitoral. seja qual for a sua origem legal. os Estados. Elementos Objetivos do Tipo .É o estado. o poder público ou terceiro venha a sofrer dano concreto. não é possível. não sendo necessário. Elementos Subjetivos do Tipo .Pública incondicionada. da função que desempenha.São importâncias em dinheiro.a figura típica apresenta dois tipos: 1º) emprego irregular de verbas públicas ou 2º) emprego irregular de rendas públicas Verbas Públicas . §2º ). aparece a vítima como sujeito passivo. à satisfação de um serviço público ou de uma utilidade pública. de 1 (um) a 3 (três) meses. Não se exige nenhum fim específico.O tipo protege a regularidade da atividade administrativa no que diz respeito à aplicação de verbas e rendas públicas. cometida pelo funcionário público que se vale da função por meio da coação para atingir seus fins. destinadas por lei orçamentária. a União. de 2 (dois) a 8 (oito) anos. por parte da Administração Pública e na conservação e tutela do decoro desta. Não basta a simples indicação ou destinação sem execução. Objetividade Jurídica .crime próprio. Objetividade Jurídica . Sujeito Passivo . Consumação e Tentativa . só pode ser o funcionário público.Pública incondicionada.É o dolo. os Municípios etc. ou a esta pertencente.Consuma-se o delito com a aplicação indevida das rendas ou verbas. diante de uma situação imprevista Acäo Penal .

face a face.Exigir tributo ou contribuição social que sabe ou deveria saber indevido. se utiliza da interposta pessoa. com a exigência. ou formula exigência de maneira capciosa ou disfarçada. Sujeito Passivo . manifesta sua intenção explicitamente. entretanto. terá sua pena aumentada da terça parte se o seu ocupante do cargo em comissão ou de função ou assessoramento de órgão da administração direta. ou 2º ) indireta Exigência Direta: quando o funcionário. em razão do exercício da função. elementos subjetivo do tipo. implicitamente Elementos Subjetivos do Tipo . devendo abarcar os outros dados típicos. no momento em que esta chega ao conhecimento do sujeito passivo. de outra pessoa que age como intermediária "testa de ferro: . há simples exaurimento. exige-se outro. A conduta incriminada consiste em o funcionário público exigir do sujeito passivo uma vantagem indevida. emprega na cobrança.Está presente na expressão indevida que qualifica a vantagem Circunstância Qualificada . ordenar. direta ou indiretamente. quando. Ação Penal . Exemplo: carta extraviada contendo a exigência que chega ao conhecimento da autoridade policial. Não se exige. A exigência pode ser: 1º ) direta. contra o particular. Ou o sujeito exigiu. a consecução do fim visado pelo agente. Quanto à tentativa: 1º) é inadmissível. 2º) tratando-se. 327º.O bem jurídico penalmente protegido é a Administração Pública. Se esta ocorre. sociedade de economia mista ou fundação instituída pelo poder público (art. de forma clara a vítima. Exigência Indireta: quando o agente (funcionário público). Excesso de Exação § 1º . previsto na expressão "para si ou para outrem". a tentativa é admissível. . com abuso de autoridade. Objetividade Jurídica . Em segundo lugar. Elemento Subjetivo do Tipo: Há. para a consumação do delito. elencados pelas expressões para si ou para outrem e em proveito próprio ou alheio.É o dolo.Em primeiro lugar é o estado. intimar. Elementos Objetivos do Tipo . Sujeito Ativo .O autor deste crime. que é formal. Tipo Normativo .empregar meio vexatório ou gravoso na cobrança . o particular. ou.Pública incondicionada. de 3 (três) a 8 (oito) anos.Se o funcionário exige tributo ou contribuição social que sabe ou deveria saber indevido. ou seja.Reclusão. §2º) Exemplos: 1) Ameaça de imposição de determinada multa pelo funcionário público. meio vexatório ou gravoso. admitindo-se. ou seja. Consumação e Tentativa . vontade livre e consciente dirigida à exigência. vítima da conduta (como também outro funcionário). a participação de particular. que cede ou virá a ceder por medo do poder público. Além dele. ou não. praticado apenas pelo funcionário público.Consuma-se o delito. 2) Policial que exige dinheiro de preso para libertá-lo após detê-lo. que significa impor como obrigação. (a obtenção da indevida vantagem). e multa. que a lei não autoriza: Pena .Elementos Objetivos do Tipo . isto é.Crime próprio. A palavra "Exação" significa cobrança. para fazer chegar a vitima sua pretensão.O núcleo do tipo é o verbo exigir.

O tipo apresenta dois elementos subjetivos: 1º) O dolo. A tentativa é admissível no tocante ao verbo "exigir". nos moldes descritos no tipo.Trata-se de um desdobramento da primeira modalidade típica descrita no 1º do dispositivo. Elementos Objetivos do Tipo . vontade livre e consciente de realizar a conduta objetiva descrita na norma. emprega meio vexatório ou gravoso. o particular. taxa. vítima da conduta (como também outro funcionário). § 2º ) Forma Qualificada de Excesso de Exação § 2º . 2º) é necessário que o sujeito tenha pleno conhecimento da ilegitimidade do tributo. Na segunda. A conduta consiste em exigir e não receber. vontade livre e consciente de exigir ou cobrar tributos. Formal o crime. Quanto ao verbo "cobrar". Na segunda as contribuições são devidas. 327º. E se o apoderamento ocorre depois do recolhimento do tributo aos cofres público? Há delito de peculato. tormento. Sociedade de economia mista ou fundação instituída pelo poder público (art. indevidos pelo contribuinte.reclusão. Consumação e Tentativa . e multa. dele se apoderando. a participação de particular. cometido o fato por ocupante de cargo em omissão ou função de direção ou assessoramento. O desvio (descaminho) deve ser em proveito próprio ou de outrem. Significa que. Elementos Subjetivos do Tipo . de aplicar-se a causa de aumento de pena. em proveito próprio ou de outrem. da mesma maneira. O autor.Tutela-se a administração pública. ao conhecimento do contribuinte). Circunstância Qualificada . entretanto. 2º) A intenção de locupletação. imposto ou emolumento para recolher aos cofres públicos. apresentando dois momentos: 1º ) o funcionário recebe. por circunstância alheias à vontade do funcionário. que não chega.Se o funcionário desvia. for ocupante do cargo em comissão ou de função ou assessoramento de órgão da administração direta. de 2 (dois) a 12 (doze) anos. Elementos Subjetivos do Tipo . da mesma forma. quando o funcionário após praticar o delito. desvia-o. indevidamente. ao invés de recolher aos cofres públicos o tributo ou contribuição social que recebeu indevidamente do contribuinte. Consumação e Tentativa . em determinadas entidades. não o faz. praticado apenas pelo funcionário público. 2º ) após o recebimento. do efetivo recebimento do tributo. Sujeito Ativo . terá sua pena aumentada da terça parte se o seu ocupante. admitindo-se. Sujeito Passivo . vergonha ou indignidade ao sujeito passivo. Ação Penal .Uma das condutas típicas alternativas consiste em o funcionário público exigir tributos.Na primeira modalidade típica o delito se consuma no momento em que a vítima toma conhecimento da exigência. a consumação independe do efetivo pagamento do tributo. Ocorre forma qualificada de "excesso de exação".Pública incondicionada. Tratando-se de crime material. não há crime por ausência de tipicidade. o que recebeu indevidamente para recolher aos cofres públicos: Pena . entretanto. o crime atinge a consumação com o emprego do meio vexatório ou gravoso. ao invés de recolher aos cofres públicos o que indevidamente recebeu. . Se há dúvida sobre a ilegitimidade. contida na expressão "em proveito próprio ou alheio". é possível a tentativa quando fracionável o fato. Em segundo lugar.Consuma-se o crime com o efetivo desvio do objeto. Meio vexatório é o que causa humilhação. Objetividade Jurídica . em sua cobrança.O autor deste crime.Crime próprio. desvia o objeto material em proveito próprio ou alheio.São dois: 1º) o dolo. Meio gravoso é o que acarreta maiores despesas para o contribuinte.Em primeiro lugar é o estado. Independe a consumação. Exemplo: cobrança vexatória por escrito. admite a figura da tentativa.

manifestar o desejo de alguma coisa.Tutela-se a administração pública em relação ao interesse patrimonial e moral. concordando o sujeito com a proposta feita pelo terceiro. Cuidando-se. seja o meio verbal ou por escrito. Ou ele aceita ou não aceita. Ação Penal . Consumação e Tentativa . é possível a tentativa. 2º) Em relação ao recebimento da vantagem: não é também admissível a tentativa. Elementos Objetivos do Tipo . direta ou indiretamente. Objetividade Jurídica . não é admissível. omita ou retarde qualquer ato de ofício. vantagem indevida. 2) Deixar de praticar qualquer ato de Ofício (omissão) Exemplo: oficial de justiça que não encontra bens para penhorar. ou em que o funcionário recebe a vantagem ou aceita a promessa de sua entrega. praticado apenas pelo funcionário público. Sujeito Ativo .O primeiro é o dolo. pois é corrupção prevista como infração separada e independente da Passiva.reclusão. Não se exige que o sujeito tenha a intenção de realizar ou deixar de realizar o ato de ofício objeto da corrupção. Nesse caso o crime é agravado.Solicitar ou receber. se. para si. ou aceitar promessa de tal vantagem: Pena: Pena . 1) Retardar a prática de ato de ofício (atraso) Exemplo: oficial de justiça que segura mandado beneficiando o réu. A solicitação pode ser direta ou indireta. a corrupção passiva atinge o momento consumativo no instante em que a solicitação chega ao conhecimento do terceiro. mas em razão dela.Pública incondicionada. ou para outrem. O segundo se encontra na expressão "para si ou para outrem". A corrupção Passiva é aquela em que qualquer pessoa oferece ou promete vantagem indevida a funcionário público.Pública incondicionada. receber quer dizer aceitar. e multa. porque o funcionário público além da corrupção caracterizada pela solicitação ou aceitação de vantagens recebidas ou oferecidas. em conseqüência da vantagem ou promessa.É o Estado. Ocorre a forma direta quando o funcionário se manifesta de maneira explícita.Ação Penal .2003) Há dois tipos de corrupção: Ativa e Passiva. e será estudada no artigo 323º do CP. viola seu dever funcional.11. Elementos Subjetivos do Tipo .A pena é aumentada de um terço. o funcionário retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o pratica infringindo dever funcional. Corrupção Passiva ARTIGO 317 . Sujeito Passivo . ao sujeito corruptor. Quanto à tentativa: 1º ) No tocante à solicitação: tratando-se de forma verbal. (Redação dada pela Lei nº 10. frente a frente ou por escrito. incorrendo em três tipos de atitudes que prejudicam a administração pública. A corrupção é Ativa quando se tem por objeto a figura do corruptor.763. Solicitar significa pedir. entretanto. ainda que fora da função ou antes de assumi-la. 3) Prática de ato que infringe dever funcional .Crime formal. Indireta quando age por interposta pessoa.Crime próprio. de meio escrito. de 12. vontade livre e consciente de realizar as elementares de natureza objetiva. Pode também ocorrer o delito mediante a aceitação do recebimento da promessa. de 2 (dois) a 12 (doze) anos. Corrupção Passiva Qualificada § 1º .A conduta proibida consiste em o funcionário público solicitar ou receber a vantagem ou aceitar a promessa de recebê-la. para que este pratique.

É a deferência do sujeito ativo que dá origem ao delito. indevidamente.detenção. Neste caso. para permitir que uma pessoa passe à frente das outras Corrupção Passiva Privilegiada § 2º Se o funcionário pratica. Exige-se que haja pedido ou influência. ou deixa de praticar ou retarda ato de ofício com infração do dever funcional.O estado e subsidiariamente. Na verdade ele transige com seu dever funcional perante a administração para atender pedido de terceiros. que consiste na vontade do funcionário público de ceder a pedido de outro conscientemente.Diz respeito ao afeto dos funcionários para com as pessoas. ou multa.É a vantagem pretendida pelo funcionário seja moral ou material. com infração de dever funcional. Na verdade. Elementos Subjetivos do Tipo . 2) Recebimento de propina pelo policial rodoviário para não lavrar multas diante de irregularidades encontradas. ato de ofício. Diferencia-se de outras formas de corrupção passiva pelo motivo que determina a conduta do funcionário. sem dele participar diretamente. O funcionário não vende o ato funcional visando receber alguma vantagem. e multa. ódio. piedade.Crime próprio. como amor. que mesmo fora de horário de serviço recebem vantagem ilícita para fazer segurança de contrabando. pois. a quem interessa bajular. etc. transige com seu dever funcional perante a administração pública para atender pedido de terceiro influente ou não. Sentimento Pessoal . ou pratica-o de maneira contrária a disposição expressa em lei. Interesse Pessoal. Ocorre a prevaricação. Neste delito a conduta é chamada de privilegiada. Prevaricação ARTIGO 319 .Circunstância privilegiada. praticam o crime de corrupção passiva. de 3 (três) meses a 1 (um) ano. Sujeito Passivo .Pública incondicionada. Mas.Retardar ou deixar de praticar. o funcionário pratica. ato de ofício. vingança. 3) Policiais. Nesse caso. Elementos Objetivos do Tipo . É uma forma privilegiada de crime que ocorre. para satisfazer interesse ou sentimento pessoal: Pena: detenção. simpatia. Exemplos: 1) Oficial de justiça aprovado em concurso público. o particular lesado. cedendo a pedido de outrem: Pena .Exemplo: funcionário que se deixa corromper. adular ou até mesmo por medo. Ação Penal . praticado apenas pelo funcionário público. ou praticá-lo contra disposição expressa de lei. retarda ou deixa de praticar indevidamente. de 3 (três) meses a 1 (um) ano. . a pena é abstratamente reduzida. assim procede a pedido ou influência de outrem. deixa de praticar ou retarda ato de ofício. antipatia. movido por interesse ou sentimento pessoal. trata-se de conduta de menor gravidade. Prevaricação é a infidelidade ao dever de ofício. pretendendo receber uma vantagem. Sujeito Ativo .O dolo. antes de entrar no exercício de suas funções solicita a um advogado a quantia de mil reais para atrasar um processo movido contra o seu cliente. Ele não vende o ato funcional em face de interesse próprio ou alheio. quando o funcionário público.

sendo omissivo próprio o delito. mas de ato que transgride o mandamento legal (lei e não regulamento).Pública incondicionada..É um delito que ofende a administração pública. 2º ) deixando de realizá-lo. ele o realiza. firma na qual tinha interesse (prevaricação por interesse pessoal). Elemento Normativo do Tipo . de 3 (três) meses a 1 (um) ano. suas atividades fora dos presídios. pode também surgir como sujeito passivo secundário o particular que vem a sofrer dano ou perigo de dano em face da realização. Elementos Objetivos do Tipo . só pode ser cometido por funcionário público. não se cuida de ato de ofício. Pena: detenção.O delito atinge o momento consumativo com a omissão.Deixar o Diretor de Penitenciária e/ou agente público. de cumprir seu dever de vedar ao preso o acesso a aparelho telefônico. Nesse último caso. Objetividade Jurídica . foi introduzido recentemente pela Lei nº 11. a tentativa é admissível.Crime próprio. não realiza o ato. Na segunda forma de cometimento do delito o sujeito. e 3º ) realizando-o. Elemento Subjetivo do Tipo Consubstancia-se na expressão para satisfazer interesse ou sentimento pessoal.466. penhoras. 319-A. Ação Penal .É aquele que se encontra dentro da competência do funcionário. Na prática do ato. embora de forma contrária à estabelecida na lei. sendo comissivo o crime. comissivo. tendo como objetividade jurídica a proteção da Administração Pública. definitivamente. onde facção criminosa organizada controlava. retardamento ou realização do ato. não se admite a forma tentada. omissão ou retardamento da prática do ato de ofício. O crime de omissão no dever de vedar ao preso o acesso a aparelho telefônico. do Código Penal. omissão ou realização do ato. Exemplos: 1) Oficial de justiça. de 2007). Sem a finalidade alternativa a conduta é absolutamente atípica. Nas duas primeiras formas o delito é omissivo. de rádio ou similar. ARTIGO 319-A . não realizar o ato de ofício dentro de um prazo estabelecido pela lei. pouco importando. Tratou-se de providência imperativa. Elementos Subjetivos do Tipo . de rádio ou similar. fruto de inúmeros fatos gravíssimos ocorridos recentemente. Eventualmente. etc. mas a degrada ao violar dever de ofício para satisfazer objetivos pessoais.É o estado. o que ocorre na corrupção passiva. Sujeito Passivo . Sujeito Ativo . intimações. Consumação e Tentativa . previsto no art.Percebe-se pela expressão contra expressa disposição de lei e também que o retardamento e a omissão da realização do ato de ofício devem ser indevidos.O primeiro é o dolo. Na omissão e no retardamento. favorecendo abertamente. são Atos de Ofício do oficial de justiça. que a demora venha a tornar sem validade o ato posteriormente praticado. Retardar significa protelar. que permita a comunicação com outros presos ou com o ambiente externo: (Incluído pela Lei nº 11. trazendo sérios transtornos às autoridades . Na terceira.O crime pode ser realizado de três maneiras: 1º ) retardando ato de ofício. vontade livre e consciente dirigida ao retardamento.466. de 28 de março de 2007. na terceira.Ato de Ofício . O funcionário não mercadeja sua função. pois é inimigo pessoal deste (prevaricação por sentimento pessoal) 2) Prefeito que ordenou construção de obra pública sem a prévia concorrência . Exemplo: realizar citações. nos moldes das atribuições por ele exercida. causando dano ou perturbando o normal desenvolvimento de sua atividade. O segundo elemento subjetivo do tipo se encontra na expressão "para satisfazer interesse ou sentimento pessoal". via telefone celular. retarda no cumprimento de mandado de busca e apreensão em favor do credor.

nos termos do que dispõe o art. sujeito ativo desse crime somente pode ser o Diretor de Penitenciária ou o agente público que tenha o dever de vedar ao preso o acesso a aparelho telefônico. utilização ou fornecimento de aparelho telefônico. permitindo aos detentos continuar a agir ou gerir suas atividades criminosas do interior do cárcere. III (suspensão ou restrição de direitos) e IV (isolamento). Nada impede que ocorra co-autoria ou participação entre o Diretor da Penitenciária e outro agente público que tenha o dever de vedar ao preso o acesso aos aparelhos mencionados. XV. por omissão. Dentre os deveres do Diretor da Penitenciária e do agente público responsável pela custódia do preso está o de vedar-lhe o acesso a aparelho telefônico. de rádio ou similar. Somente o tempo dirá se essa providência legislativa irá coibir o ingresso de aparelhos telefônicos celulares. de rádio ou similar. do art. já que tipificou tão somente a conduta do Diretor de Penitenciária ou agente público que se omite no dever de vedar ao preso o acesso a aparelhos telefônico. que tratam com mais prudência e seriedade a questão da criminalidade organizada dentro e fora dos presídios. ou multa. de 28 de março de 2007. equiparando legislativamente o Brasil a outros países desenvolvidos do mundo. aparelhos telefônicos celulares. Condescendência Criminosa ARTIGO 320 . da leitura e de outros meios de informação que não comprometam a moral e os bons costumes. Nesse caso. não levar o fato ao conhecimento da autoridade competente : Pena: detenção. Portanto.210/84. A conduta vem representada pelo verbo “deixar”. ao invés de criminalizar a conduta. a posse. no sistema prisional. falta grave. II (repreensão). 30 do Código Penal. silenciando a respeito de crime praticado pelo detento que faz uso de tais instrumentos.210/84). que permita a comunicação com outros presos ou com o ambiente externo. nos presídios de todo o país. da Lei nº 7. possibilitar ao preso o acesso a aparelho de telefonia fixa. caracterizado pela vontade livre e consciente de omitir-se o agente no dever de vedar ao preso o acesso a aparelho telefônico. no futuro. entretanto. por ser elementar do crime. Trata-se de crime próprio. que permite a ele o “contato com o mundo exterior por meio de correspondência escrita. rádios ou similares. Um passo nesse sentido já foi dado. O dever de agir incumbe ao Diretor da Penitenciária e/ou ao agente público. quando lhe falte competência. O preso que possuir.” A recente Lei nº 11. 53 da Lei nº 7. por se tratar de crime omissivo próprio. reside justamente no fato de ingressarem livremente. É bem de ver. 41. estará sujeito às sanções disciplinares previstas nos incisos I (advertência verbal). indicando omissão própria. por indulgência. Assim é que. Trata-se de crime doloso. o preso que utilizar aparelho de telefonia fixa.466. a qualidade de agente público do sujeito ativo. Sujeito passivo é o Estado. podendo o legislador. Não se admite tentativa. É necessário ressaltar que o crime em comento não distingue telefonia fixa de celular. ousar e criminalizar essa conduta também em relação ao preso que fizer uso de tais instrumentos. de rádio ou similar. que permita a comunicação com outros presos ou com o ambiente externo. que significa omitir-se na realização de ato que deveria praticar. entretanto. A indignação da sociedade. Pratica.210/84 – Lei de Execução Penal.constituídas e aos cidadãos em geral. É bem verdade que a comunicação do preso com o mundo exterior é direito previsto no art. de rádio ou similar. de rádio ou similar. comunica-se ao particular. que a iniciativa do legislador em criminalizar tal conduta veio tardiamente e bastante acanhada. . de responsabilizar subordinado que cometeu infração no exercício do cargo ou. de 15 (quinze) dias a 1 (um) mês.Deixar o funcionário. ou entre qualquer um desses e um particular. 50 da Lei nº 7. em conseqüência. acrescentou ao rol de faltas graves que podem ser cometidas pelo preso (art. pratica esse delito o Diretor de Penitenciária ou agente público que. A consumação ocorre com a mera omissão do Diretor da Penitenciária ou do agente público. utilizar ou fornecer aparelho telefônico. rádio ou similar. neste mister.

auxiliar e dar amparo. pretende obter vantagem indevida. não dá notícia à autoridade competente. não sendo competente para efetuar a responsabilidade do subordinado pela falta cometida (infração). A tentativa não é admissível .A incriminação protege a dignidade e a eficiência da máquina administrativa. e por indulgência. Objetividade Jurídica . Elementos Objetivos do Tipo . ou multa. devendo.Esse crime atinge a consumação com a simples conduta negativa.Condescendência significa indulgência. a ação do agente deve ser de indulgência Elementos Subjetivos do Tipo . aproveitando-se de sua condição de funcionário público.Crime próprio. Embora o título seja advocacia administrativa. é defender. como o atendimento de sentimento ou interesse pessoal.Crime próprio. Se. só pode ser cometido por funcionário público. Sujeito Passivo .Protege-se.Patrocinar. vontade livre e consciente dirigida às condutas omissivas. deve ser considerado o crime de corrupção passiva. Deixar de responsabilizar significa não apurar o fato cometido pelo subordinado que cometeu a infração ou não lhe aplicar a sanção adequada. Advocacia Administrativa ARTIGO 321 . o fato constitui prevaricação. não comunica o fato ao juiz. e por tolerância não instaura a sindicância administrativa correspondente. valendo-se da qualidade de funcionário: Patrocinar é advogar em favor de alguém. proteger. O funcionário deixa de agir por clemência. Se a razão da conduta é outra. Sujeito Ativo . é pressuposto que o funcionário tenha cometido a infração penal (por exemplo: corrupção passiva ou administrativa que se caracteriza por: exercer comércio entre colegas de trabalho). não responsabilizando e nem adotando medidas para sanar as irregularidades. prejudicando os trabalhos . A condescendência criminosa ocorre quando determinados funcionários públicos em cargos de chefia. só pode ser cometido por funcionário público. No crime de condescendência criminosa.É o dolo. a administração pública. 2) Delegado de polícia constata que determinado escrivão está sempre chegando atrasado ao serviço. o funcionário. brandura etc. Exemplos de Condescendência Criminosa: 1) O chefe de cartório verifica que o escrevente constantemente se apresenta embriagado no serviço. Pena: detenção. Em ambas as modalidades deste delito. Sujeito Ativo .Há duas condutas típicas: 1º) deixar de responsabilizar subordinado que cometeu infração no exercício do cargo. a conhecimento da autoridade competente. direta ou indiretamente. tolerância. O segundo está na expressão "por indulgência". no entanto. complacência. Objetividade Jurídica . ser necessariamente funcionário público. tolerância. Parágrafo único . . além da multa.É o Estado. e 2º) não levar o fato cometido pelo subordinado. dentro da esfera de sua competência. advocacia administrativa significa intervir em favor de alguém junto a administração pública. de 1 (um) a 3 (três) meses. interesse privado perante a administração pública. o sujeito ativo não precisa ser advogado. Ação Penal . que tomando conhecimento de infrações cometidas por funcionários subalternos. Consumação e Tentativa . Na Segunda hipótese. Conforme o sentido dado ao texto do artigo 321º. de 3 (três) meses a 1 (um) ano.Se o interesse é ilegítimo: Pena: detenção. agem de forma indulgente. quando a iniciativa da apuração de sua responsabilidade não é de sua competência.Pública incondicionada. no que diz respeito ao seu normal desenvolvimento.

Se ilegítimo. Sujeito Ativo . Só pode ser cometido por funcionário público. elaborando requerimentos. independentemente de o funcionário obter algum resultado pretendido.Sujeito passivo é o Estado.A lei penal tutela a administração pública. Elementos Objetivos do Tipo . advogar. petições etc. tomando conhecimento de despachos sigilosos etc. vale-se de um terceiro que faz as vezes do funcionário. Admite-se a tentativa. formulando pedidos a encarregados dos mesmos para agilizá-los. É indispensável que o comportamento abusivo seja realizado no desempenho da função ou sob a desculpa de exercê-la.Sujeito Passivo . Elementos Subjetivos do Tipo .Patrocinar interesse de outrem.Consuma-se o delito com a realização do primeiro ato de patrocínio.O funcionário age por interposta pessoa. lesão corporal ou homicídio. Ação Penal . Patrocinar significa pleitear. recusando-se agora a receber a contra fé. facilitar. há o crime previsto no parágrafo único. agride no edifício do Fórum pessoa a quem citara por engano e que reclamava contra isso.Praticar violência. esse crime foi revogado pela lei que define os delitos de abuso de autoridade.Pública incondicionada. Violência Arbitrária ARTIGO 322 .Trata-se de crime próprio. ou seja. O delito pode ser cometido de duas formas: direta e indireta. no exercício de função ou a pretexto de exercê-la: Pena: detenção. Exemplos : 1) Indignado com o comportamento do citando. junto a delegado de polícia do terceiro distrito policial com a intenção de fazer com que aquela autoridade não indicie parente que atropelou transeunte. Abandono de Função . que se materializa em. Consumação e Tentativa . e a consciência da ilegitimidade da conduta.Consuma-se o delito com a prática da violência. etc. no exercício da função ou a pretexto de exercê-la.O comportamento proibido consiste em praticar violência. vontade livre e consciente de patrocinar interesse privado junto à administração pública. A expressão "violência" significa emprego de força bruta. de 6 (seis) meses a 3 (três) anos. Consumação e Tentativa . defesas. Forma Direta . usando um cacetete. O funcionário também pode agir de modo dissimulado. Exemplo: escrivão do segundo distrito policial. Ficam excluídas a violência moral e a usada contra a coisa. contra o próprio filho.O sujeito passivo é o Estado. sem intermediários. etc. petições. o oficial de justiça perdeu o controle dos nervos e espancou o citando. vontade livre e consciente de praticar o ato violento. intervém. o indivíduo sujeito ao abuso do funcionário. que é acusado de violência sexual. A tentativa é admissível. que se mantém oculto. Este intermediário atua como se fosse o funcionário advogando interesse de particulares. Elementos Subjetivos do Tipo . Para alguns. O interesse privado pode ser legítimo ou ilegítimo. Forma Indireta .É o dolo. Ação Penal . Além dele. 2) Oficial de justiça.O primeiro é o dolo. assinando requerimentos. Sujeito Passivo . além da pena correspondente à violência. Elementos Objetivos do Tipo . contra a vítima. sendo crime formal. realizando acompanhamento pessoal de processos.Neste caso o funcionário age pessoalmente em defesa dos interesses particulares. vias de fato. errando o algo. que no exercício de sua função.Pública incondicionada. Exemplo: o soldado desfere um golpe. Objetividade Jurídica .

foi demitido. Elementos Subjetivos do Tipo . Se. mas não crime. podendo afastar-se definitivamente do exercício do cargo. só pode ser sujeito ativo o funcionário público regularmente investido no cargo público. Delito omissivo próprio. Se ele pede demissão e desde logo se afasta. Sujeito Ativo .Crime próprio. pode afetar os altos interesses nacionais junto às nossas fronteiras. ausentar-se de maneira arbitrária do local onde se exerce o cargo público. A proteção penal é de relevância uma vez que o abandono realizado pelo funcionário.Pública incondicionada. porém sem causar probabilidade de dano ao poder público.Entrar no exercício da função pública antes de satisfeitas as exigências legais. Se há abandono. por um substituto. Se este ocorrem a pena é agravada. Conforme o Estatuto dos Funcionários Públicos Civis. no que concerne à regularidade da prestação de serviços públicos. Quando o abandono causa prejuízo público. Esse abandono deve acarretar probabilidade de dano ao setor público. ausentando-se este de maneira arbitrária do local onde exerce suas funções. Não é punível a conduta negligente. dada à natureza do local.ARTIGO 323 .Se do fato resulta prejuízo público: Pena: detenção. "considerar-se-á abandono do cargo. não esperando o deferimento de seu pedido. vontade livre e consciente de abandonar o efetivo exercício do cargo público. de 1 (um) a 3 (três) anos. imediatamente satisfeitos. deve ser por um tempo razoável. de 3 (três) meses a 1 (um) ano. ou multa. Exercício Funcional Ilegalmente Antecipado ou Prolongado ARTIGO 324 . tendo consciência da irregularidade de sua conduta e da possibilidade de causar dano a administração com sua ausência Objetividade Jurídica . não admite a forma tentada Ação Penal . não existe o delito. Elementos Objetivos do Tipo . Se o funcionário pedir demissão. Além disso. sem alguém que possas substituir o desertor. § 2º . e multa. ou continuar a exercê-la.Consuma-se o delito com o afastamento do exercício do cargo público por tempo juridicamente relevante.A lei penal protege a administração pública. deixando ao desamparo.Abandonar cargo público. o sujeito deve afastar-se de maneira global de seus deveres para a administração pública. Considera-se faixa de fronteira a situada a 150 km da nossa divida com nossos países. juridicamente relevante. pode haver o delito em exame. ou por tempo insignificante. Trata-se de uma hipótese e de delito exaurido em que o resultado da conduta qualifica o tipo. . e multa.Se o fato ocorre em lugar compreendido na faixa de fronteira: Pena: detenção. no afastamento intencional e proposital do cargo por parte do funcionário público. não tem mais deveres com o poder público. só haverá o abandono de função se o funcionário interromper o exercício de suas atividades por mais de 30 (trinta) dias consecutivos. Exemplo: abandonar o cargo. o não comparecimento do funcionário por mais de 30 (trinta) dias consecutivos".O núcleo do tipo é o verbo abandonar (cargo público) que significa afastar-se com propósito. abrangendo o conhecimento da irregularidade da conduta e da probabilidade de dano à administração pública. Consiste. Sujeito Passivo . os seus deveres. de 15 (quinze) dias a 1 (um) mês.Sujeito passivo é o Estado. Pode haver falta disciplinar. Consumação e Tentativa . fora dos casos permitidos em lei : Pena: detenção. Exemplo: o funcionário abandona o cargo. § 1º .É o dolo. O abandono deve ser total. deverá aguardar deferimento do pedido a fim de afastar-se de suas obrigações.

2) Delegado de polícia que resolve lavrar auto de prisão em flagrante depois de devidamente exonerado.Revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo. Elementos Objetivos do Tipo .se utiliza.A norma incriminadora descreve duas condutas: entrar no exercício de função pública antes de satisfeitas as exigências legais. por isso só pode ser cometido por funcionário público. Consumação e Tentativa . contido na expressão "Depois de saber oficialmente". que continuam trabalhando.O objeto jurídico é a regularidade da administração pública. suspenso ou removido. de 15 (quinze) dias a 1 (um) mês. Exige-se um segundo elemento subjetivo.reclusão. de 2000) II . mediante atribuição. é necessário que o segredo seja guardado apenas temporariamente. Objetividade Jurídica . substituído ou suspenso : Pena: detenção. (Incluído pela Lei nº 9. vontade livre e consciente de antecipar o início da atividade funcional. ou facilitar-lhe a revelação: Pena: detenção. que abrange conhecimento da insatisfação das exigências legais. o acesso de pessoas não autorizadas a sistemas de informações ou banco de dados da Administração Pública. Entretanto. (exame de saúde. depois de saber oficialmente que foi exonerado.). etc. Funcionários. Não é necessário que o funcionário realize indevidamente uma série de atos funcionais. de 2 (dois) a 6 (seis) anos. O crime ocorre. substituído. Sujeito Ativo . de 2000) Segredo é fato cujo conhecimento é restrito a limitado número de pessoas e em que há interesse de que seja mantido em sigilo.O Estado.sem autorização. ou multa. exonerado ou suspenso poderão afetar negativamente o serviço público. Na segunda forma típica o primeiro elemento subjetivo é o dolo. Exemplos: 1) O oficial de justiça que foi removido para outra comarca e resolve deixar em dia os mandados que não cumpriu quando estava na comarca de origem.983. indevidamente. uma vez que o que se tem em vista é o início irregular da atividade funcional.permite ou facilita.É o dolo. de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos.Trata-se de crime próprio. do acesso restrito. falta de determinado documento pessoal. sem autorização. de 2000) I . A tentativa é admissível. de 2000) Pena . A ausência de qualquer elemento subjetivo do tipo conduz à atipicidade do fato.983. Violação de Sigilo Funcional ARTIGO 325 . ou multa. (Incluído pela Lei nº 9. Na primeira modalidade típica é indispensável que o sujeito já tenha sido nomeado para o cargo público. fornecimento e empréstimo de senha ou qualquer outra forma. vontade de prosseguir no exercício da função pública.983. Elementos Subjetivos do Tipo . quando o segredo é revelado dentro do período de temporalidade. removido. Mais uma vez o Direito Penal procura proteger a regularidade administrativa. (Incluído pela Lei nº 9. Basta a prática de um. § 1o Nas mesmas penas deste artigo incorre quem: (Incluído pela Lei nº 9.Pública incondicionada. Sujeito Passivo . ou seja. etc. de 2000) § 2o Se da ação ou omissão resulta dano à Administração Pública ou a outrem: (Incluído pela Lei nº 9. e multa. que poderá ser afetada negativamente por exercício inadequado das funções por aqueles que estão impedidos de exercê-las por decorrência da não satisfação das exigências legais para a investidura no cargo.983. pois a revelação de tais fatos poderia comprometer a normalidade de seu funcionamento.O momento consumativo do delito ocorre com a realização do primeiro ato de ofício indevido. dentro do espaço de tempo provisório . que foi exonerado. Ação Penal . Determinados fatos são mantidos em segredo pela administração pública.983. se o fato não constitui crime mais grave. continuar exercendo depois de exonerado.

Revelar. por qualquer circunstância. permanecer em sigilo. em face da facilitação. Trata-se de segredo de interesse público. Facilitar-lhe a revelação. guardá-las e permitir o seu conhecimento a quem de direito no momento próprio. Objetividade Jurídica . pode haver tentativa do crime quando realizada por escrito. a figura tentada é inadmissível. consiste em comunicar o fato ou circunstância a terceiro. concedendo plano de igualdade aos concorrentes e permitindo a justa escolha daquele que oferece melhores condições. Na facilitação a tentativa também é possível. que têm a finalidade de imprimir moralidade nos negócios efetuados pelo poder público. não há delito. Elementos Objetivos do Tipo . no instante em que o terceiro toma conhecimento do conteúdo do segredo. são geralmente efetuadas por meio de concorrências públicas. Sujeito Passivo . vontade livre e consciente dirigida à revelação indevida do segredo ou sua facilitação.O Estado. Elementos Subjetivos do Tipo . sendo praticado apenas pelo funcionário público.Pública incondicionada. antecipadamente fornece a alguns alunos cópias de questões que iam ser formuladas na prova ou lhes antecipa os "gabaritos" com as respostas de exame vestibular. Nas concorrências públicas. No segundo (facilitação) consuma-se a infração no momento em que o terceiro. Crime formal. abrangendo conhecimento de que o fato deve.Estão expostos dois núcleos típicos.É o Estado. Violação de Sigilo de Proposta de Concorrência ARTIGO 326 . Consumação e Tentativa .Dois são os núcleos do tipo: Devassar (significa tomar conhecimento indevido da proposta de concorrência) é proporcionar a terceiro o ensejo do . e multa.O legislador visa a proteger a administração pública no que concerne ao interesse de manter em segredo certos fatos da vida funcional. Elementos Objetivos do Tipo . Cuida-se de conduta positiva. Sujeito Ativo . realizada pelo funcionário. independe da produção de dano. desde que. E a chamada revelação indireta. de 3 (três) meses a 1 (um) ano.Procura-se proteger a Administração Pública no que tange à lisura que deve nortear as concorrências públicas. toma ciência do fato sigiloso. ou proporcionar a terceiro o ensejo de devassá-lo: Pena: detenção. não venha a tomar conhecimento do conteúdo do segredo. que quer dizer concorrer com comportamento próprio a fim de se tornar fácil o conhecimento do fato ou da circunstância pelo terceiro. O tipo exige uma qualidade específica do autor: deve ser funcionário que tem a função especial de receber as propostas.Consuma-se o delito com o ato da revelação do segredo ou de sua facilitação. e os concorrentes eventualmente prejudicados pela devassa do conteúdo sigiloso das propostas. Se o sujeito não teve conhecimento do segredo em razão do cargo. Quando é empregado o meio oral.O primeiro é o dolo.Devassar o sigilo de proposta de concorrência pública. contudo. que pode ser realizada mediante conduta positiva ou negativa. Objetividade Jurídica .Só pode ser o funcionário público. Exemplo: professor integrante de banca examinadora que. Sujeito Ativo . Mas não qualquer funcionário. É a chamada revelação direta.em que o segredo deva ser mantido. realizado o ato infiel pelo funcionário. em envelopes lacrados. as propostas são entregues pelas empresas interessadas. executada pessoalmente pelo funcionário. A abertura dos envelopes é realizada perante uma comissão de compras e interessados. Sujeito Passivo . No primeiro caso (revelação) o delito atinge o seu momento consumativo no instante da revelação. que são depositados em urnas. Na revelação. O segundo elemento subjetivo do tipo está na expressão "de que tem ciência em razão do cargo". por escrito ou verbalmente. pela sua natureza. A conduta culposa não é típica. Ação Penal . Ao final dos procedimentos é lavrada uma Ata que é assinada por todos.Crime próprio. o terceiro. As compras de materiais utilizados pelo serviço público. e eventualmente o particular prejudicado pela revelação.

e multa. para os efeitos penais. Exemplo: funcionário que exerce funções ligadas à concorrência. Elementos Subjetivos do Tipo . e multa.Se o ato. embora transitoriamente ou sem remuneração.A pena será aumentada da terça parte quando os autores dos crimes previstos neste Capítulo forem ocupantes de cargos em comissão ou de função de direção ou assessoramento de órgão da administração direta. Tráfico de Influência (Redação dada pela Lei nº 9. ou multa.Se do fato o agente aufere vantagem: Pena . de um a três anos.detenção.detenção.127. em razão da resistência. sociedade de economia mista.É o dolo. Funcionário Público ARTIGO 327 . Desacato Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela: Pena . quem. Nesse caso. de dois a cinco anos. emprego ou função pública.detenção. de dois meses a dois anos. (Incluído pela Lei nº 9. Parágrafo único . de quinze dias a seis meses. (Incluído pela Lei nº 6. não se executa: Pena . por ação ou omissão. e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública. de 1980) Este artigo simplesmente diz quem é considerado funcionário público para a lei penal. tomando ciência do seu conteúdo e informando um terceiro interessado na concorrência. viola envelope que contém proposta de concorrência.799. § 2º .Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo. Ação Penal . Consumação e Tentativa . de 2000) § 2º . de 1995) . § 1º . por isso.As penas deste artigo são aplicáveis sem prejuízo das correspondentes à violência. DOS CRIMES PRATICADOS POR PARTICULAR CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL Usurpação de função pública Usurpar o exercício de função pública: Pena . § 1º . Desobediência Desobedecer a ordem legal de funcionário público: Pena .Considera-se funcionário público. empresa pública ou fundação instituída pelo poder público. exerce cargo. Não é típica a modalidade culposa.Pública incondicionada. e multa. de três meses a dois anos. não conseguindo.983. Resistência Opor-se à execução de ato legal. o funcionário dá oportunidade a que um terceiro tome conhecimento do conteúdo da proposta de concorrência. de seis meses a dois anos. mediante violência ou ameaça a funcionário competente para executá-lo ou a quem lhe esteja prestando auxílio: Pena .Consuma-se o delito no momento em que o funcionário (na devassa) ou o terceiro (na hipótese do verbo proporcionar) toma conhecimento do conteúdo da proposta.reclusão. Exemplo: o funcionário é surpreendido abrindo o envelope da proposta. A tentativa é admissível.reclusão.detenção. vontade livre e consciente dirigida ao devassamento do conteúdo da proposta de concorrência pública. emprego ou função em entidade paraestatal.devassamento. conhecer-lhe o conteúdo.

e multa. pratica o delito qualquer pessoa que imputa a prática do crime a alguém. (Redação dada pela Lei nº 9. ou multa. a pretexto de influir em ato praticado por funcionário público no exercício da função: (Redação dada pela Lei nº 9. por meio de violência. inutilizar ou conspurcar edital afixado por ordem de funcionário público. livro oficial. processo ou documento confiado à custódia de funcionário. Subtração ou inutilização de livro ou documento Subtrair. de 2 (dois) a 12 (doze) anos. FALSO TESTEMUNHO OU FALSA PERÍCIA DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇ A Tratam-se crimes praticados contra quem administra a justiça. Também denominada calúnia qualificada. perturbação ou fraude de concorrência Impedir.11. também leva o fato ao conhecimento da autoridade. ao sujeito passivo.Tutelar a administração da justiça. de 12. ou por entidade paraestatal. de 1995) Parágrafo único . ou multa. primeiramente e secundariamente. se a imputação é de prática de contravenção. a prática de um delito. por determinação legal ou por ordem de funcionário público. o do artigo 342 do Código Penal e alguns crimes comuns. em razão de ofício. Sujeito Ativo . de um mês a um ano.Dar causa a instauração de investigação policial ou de processo judicial contra alguém.reclusão. além de atribuir à vitima falsamente. sabendo-o inocente. ou inutilizar. e multa. ou o pratica infringindo dever funcional. e multa.Solicitar. para determiná-lo a praticar.2003) Parágrafo único . (Redação dada pela Lei nº 10. para identificar ou cerrar qualquer objeto: Pena . de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. omitir ou retardar ato de ofício: Pena . grave ameaça.127. em razão da vantagem ou promessa. (Redação dada pela Lei nº 9.127.reclusão. fraude ou oferecimento de vantagem: Pena . promovida pela administração federal. Impedimento. perturbar ou fraudar concorrência pública ou venda em hasta pública.A pena é aumentada de sexta parte. violar ou inutilizar selo ou sinal empregado. a honra da pessoa acusada. se.127.Crime comum.detenção. cobrar ou obter.reclusão.A pena é diminuída de metade. Na denunciação caluniosa o sujeito. como o do artigo 357 do Código Penal.A pena é aumentada de um terço. de 2 (dois) a 8 (oito) anos. como por exemplo. falsamente. levando a instauração de inquérito policial ou ação penal contra ela. a prática de um fato descrito como delito. vantagem ou promessa de vantagem. imputando-lhe crime de que o sabe inocente: Pena . artigo 138º). de 1995) Corrupção ativa Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público. § 1º . Neste capítulo existem alguns crimes próprios. § 2º . Inutilização de edital ou de sinal Rasgar ou.763. afastar ou procurar afastar concorrente ou licitante. de seis meses a dois anos.A pena é aumentada da metade. de dois a cinco anos. se o agente se serve de anonimato ou de nome suposto. se o fato não constitui crime mais grave.reclusão. Denunciação Caluniosa ARTIGO 339 . ou de particular em serviço público: Pena .detenção. de 1995) Pena . Objetividade Jurídica . Parágrafo único . exigir.Incorre na mesma pena quem se abstém de concorrer ou licitar. em razão da vantagem oferecida. de qualquer forma. Na calúnia. atribui. se o agente alega ou insinua que a vantagem é também destinada ao funcionário. além da pena correspondente à violência. estadual ou municipal. Não se confunde com a calúnia (CP. o sujeito somente. O . total ou parcialmente. o funcionário retarda ou omite ato de ofício. para si ou para outrem.

não se aponta o indivíduo determinado como autor do crime ou da contravenção que sabe não ter acontecido. É possível que o sujeito comunique um furto. não há delito. Exemplo : réu que pretendendo ser absolvido. uma vez que. ao contrário. provocando investigações ou diligências inúteis e embaraçando seu normal desenvolvimento.Crime comum. protegendo-se a normal atividade da máquina judiciária. Na prática.Acusar-se. de crimes inexistentes ou praticado por outrem: Pena . comunicando-lhe a ocorrência de crime ou contravenção que sabe não ter ocorrido. de 1 (um) a 6 (seis) meses. inquérito e ação penal. atribuir a si próprio) de crime inexistente . O modo como a comunicação é feita é irrelevante. a pessoa atingida em sua honra pela denunciação caluniosa. Entretanto. nesta. Sujeito Passivo . Existe delito. iniciando diligências (colhendo dados. Também a auto-acusação falsa não se confunde com a denunciação caluniosa. pode ser cometido por qualquer pessoa. Auto-Acusação Falsa ARTIGO 341 . inclusive pelo funcionário público. para provocar a ação da autoridade. ouvindo pessoas.Objeto jurídico é a regularidade da administração da justiça.Crime comum. A tentativa é admissível.Principal é o Estado.O dispositivo pune a conduta de acusar-se (imputar-se.delito pode ser cometido por Delegado de polícia. Na auto-acusação falsa.O Estado Elementos Objetivos do Tipo .Provocar a ação de autoridade. Sujeito Ativo . Ação Penal .Pública incondicionada. A comunicação falsa de infração penal é distinta da denunciação caluniosa. enquanto na comunicação falsa. o sujeito acusa um terceiro da prática do delito.É o Estado. Nesse caso. ou multa.É o dolo. Comunicação Falsa de Crime ou Contravenção ARTIGO 340 .detenção. Sujeito Passivo . O artigo 340º. perante a autoridade. dão causa à instauração de investigação. podendo ser ela. entretanto.É a regular administração da justiça. entretanto. e multa. Elementos Subjetivos do Tipo . o agente acusa a si próprio. que tem o sentido de ocasionar. Ação Penal . motivar. Elementos Objetivos do Tipo . vontade livre e consciente de comunicar a infração que não ocorreu. a possibilidade de que o delito venha ser cometido por alguém que sofra das faculdades mentais. Exige-se também um segundo elemento. como por exemplo.detenção. contido na expressão "de que sabe inocente". efetua as diligências . estupro ao invés de furto.Ocorre com a instauração da investigação policial ou processo penal pela autoridade. pois é indispensável que a autoridade pública aja. comunicando-lhe a ocorrência de crime ou de contravenção que sabe não se ter verificado: Pena . Elementos Subjetivos do Tipo . Exige também o elemento subjetivo do tipo referente ao especial fim de agir. Consumação e Tentativa . mesmo assim. Sem este elemento. que um terceiro colabore no fato por instigação. realiza coleta de informações. quando esta elabora o boletim de ocorrência. sabendo-o inocente.O primeiro é o dolo. vontade livre e consciente de denunciar caluniosamente a vítima.O núcleo empregado é o verbo provocar. tendo conhecimento de que está dando causa a investigação policial ou processo penal. quando o fato apresentado é essencialmente diferente daquele que foi cometido. A tentativa é admissível. quando na realidade ocorreu um roubo. A falsa comunicação da infração afeta o prestígio e a eficácia da atividade judiciária. incrimina o comportamento de quem provoca a ação de autoridade (policial ou judiciária). Objetividade Jurídica . geralmente a auto-acusação falsa é realizada com a finalidade de encobrir um outro crime. a simples comunicação é insuficiente para configurar o delito. acusa terceiro como mandante de um crime. que tendo conhecimento da inocência do imputado. ao contrário. anônima ou com nome imaginário. por Juiz de Direito ou por Promotor de Justiça. o sujeito indica uma pessoa determinada como sendo a autora da infração. etc. Não se exclui. de 3 (três) meses a 2 (dois) anos. Consumação e Tentativa . Nesta. Sujeito Ativo .Pública incondicionada. Não é necessário contudo. secundariamente. que seja instaurado inquérito policial. Objetividade Jurídica . pode ser praticado por qualquer pessoa. Nada impede porém. etc). escrita. oral. Sujeito Passivo . o crime inexiste.Ocorre com a ação da autoridade. Pode haver co-autoria quando o agente completa e confirma a auto-acusação de outrem.

vontade livre e consciente de falsear a verdade ou de negá-la.Dar. que consiste na vontade livre e consciente de acusar-se com a consciência de que o crime inexistiu. tradutor ou . Ação Penal . perito. Ex: Dizer que o réu agiu em legítima defesa. Trata-se de auto-acusação falsa. antes da sentença no processo em que ocorreu o ilícito. Deve ser feita perante a autoridade policial. ARTIGO 343 .Pública incondicionada. Precisa ser completa e deve ser feita antes da sentença. A auto-acusação falsa pode referir-se também a um crime praticado por uma terceira pessoa e sem autoria ou participação do agente. Ex: Nega que o indiciado tenha reagido a uma agressão injusta. ou administrativo.O objeto da tutela penal é a administração da justiça. Sujeito Passivo . Não há conduta culposa. tradutor e intérprete. ou em juízo arbitral: Pena . oferecer ou prometer dinheiro ou qualquer outra vantagem a testemunha. estará consumado.É o dolo. A retratação extra-judicial só tem valor quando trazida para os autos. no instante em que a testemunha mente. Consumação e Tentativa . O tipo. a proteção a tais meios de prova é de capital importância para se evitar a conduta dolosa que interfere de modo negativo na apuração dos fatos para que a justiça alcance seus objetivos. Portanto. que a auto-acusação seja perante uma autoridade policial ou judicial e não a qualquer pessoa (particular ou funcionário público). sem a qualidade de autoridade. pois se encerrou-se. bastando a voluntariedade. perito.O falso testemunho se consuma com o encerramento do depoimento. inquérito policial. efetivamente toma conhecimento da auto-acusação. contador. As testemunhas e a perícia são incontestavelmente os meios de prova mais significativos para a justiça. ou negar ou calar a verdade como testemunha.É o dolo. Delito formal. mediato é a pessoa que vem a ser prejudicada pela falsidade. na qual o agente se atribui a prática de um crime doloso ou culposo. como nas civis. Elementos Subjetivos do Tipo . judicial ou administrativa. de um a três anos. além do dolo. Ação Penal . negar a verdade e calar a verdade: No primeiro caso. A tentativa é admissível desde que a colheita de seu depoimento não tenha sido encerrada. Falso testemunho ou falsa perícia ARTIGO 342 . Sujeito Ativo . É indispensável porém. Na auto-acusação verbal é impossível a tentativa. ou foi cometido por terceiro. Basta a potencialidade do dano. Tecnicamente o fato está consumado. não é necessário que o depoimento falso venha a produzir efeito. contador. tradutor ou intérprete em processo judicial. exige mais um elemento subjetivo. Inexiste modalidade culposa. § 1o As penas aumentam-se de um sexto a um terço. a testemunha esconde o que é de seu conhecimento.reclusão. Entretanto. e multa. ela pode ratificar seu depoimento. É apenas uma qualificadora do caput do artigo.Pública Incondicionada. A expressão processo penal abrange a ação penal e o inquérito policial. só pode ser cometido pelas pessoas taxativamente indicadas no tipo: testemunha.Crime de mão própria.Quando a autoridade.Fazer afirmação falsa. no que diz respeito ao prestígio e seriedade da coleta de provas. Não comete crime a testemunha não compromissada. tanto nas ações penais. Elementos Objetivos do Tipo . contido na expressão "com o fim de". aumentando a pena se for prova destinada a produzir efeito em processo penal.ou praticado por outrem. Exemplo: comete o delito de auto-acusação falsa o filho que assume responsabilidade de crime praticado pelo pai. Elementos Subjetivos do Tipo . Em terceiro lugar. § 2o O fato deixa de ser punível se. o agente se retrata ou declara a verdade. Objetividade Jurídica . inexistente. Consumação e Tentativa . a testemunha afirma uma inverdade a respeito de um fato. se o crime é praticado mediante suborno ou se cometido com o fim de obter prova destinada a produzir efeito em processo penal. Na segunda hipótese.Sujeito passivo imediato é o Estado.São três os verbos típicos: Fazer afirmação falsa. A tentativa é admissível na forma realizada por escrito. o sujeito nega um fato real. Não se requer que a retratação seja espontânea. perito. ou em processo civil em que for parte entidade da administração pública direta ou indireta.

de que participa a outra pessoa. tradução ou interpretação: Pena . podendo esta ser legítima ou ilegítima. todavia. no sentido de fazer diminuir a sua vontade. prioritariamente. a fim de que o agente da coação logre realizar o ato jurídico. além da pena correspondente à violência. promotor. interprete. sendo irrelevante o resultado alcançado. além da pena correspondente à violência. que o agente haja com o animus doloso. secundariamente a pessoa que sofre a coação. de quinze dias a um mês. Apenas a título elucidativo. consciente de que irá molestar física ou moralmente a vítima. Parágrafo único . negar ou calar a verdade em depoimento. policial ou administrativo.intérprete.reclusão. Ademais.detenção. de um a quatro anos. enquadrado nas penas do artigo em comento. importante assinalar. que o tipo penal tem como objetivo essencial. zelar pelo bom andamento do processo. e multa. que a violência física deve ser entendida como aquela em que o agente age com habilidade suficiente para tolher o deslocamento natural da vítima. . parte. Imprescindível. O crime de coação no curso do processo pode ser dar tanto no decorrer de inquérito policial. se o crime é cometido com o fim de obter prova destinada a produzir efeito em processo penal ou em processo civil em que for parte entidade da administração pública direta ou indireta. cálculos. ou multa. perito. Parágrafo único. A tentativa é plenamente possível. aqui. que o fato da testemunha ameaçada depor normalmente. e a que a consumação se dará no exato momento da efetivação da grave ameaça ou da violência. física ou moral. observando-se. ou em juízo arbitral: Pena . e embora seja legítima não desfigurará o crime. Exercício arbitrário das próprias razões ARTIGO 345 -Fazer justiça pelas próprias mãos.reclusão. embora legítima. perícia. que consiste no favorecimento ilegal de terceiros ou de si próprio. conta o réu. para si ou para outrem. Cumpre-nos assinalar que por pretensão entende-se o direito que o sujeito ativo tem ou crê ter. Impossível. para satisfazer pretensão. entendendo que esta não é capaz de punir o criminoso. e multa. no sentido de que se desdobre sem qualquer tipo de coação. escrivão. qualquer pessoa pode cometê-lo. quanto no curso de ação judicial. Vale esclarecer que o tipo penal tem como objetivo principal proteger a regular incumbência da administração pública em “fazer” justiça. Para que o agente seja.” Inicialmente. a vítima da situação e. ou qualquer outra pessoa que funciona ou é chamada a intervir em processo judicial.Se não há emprego de violência. a modalidade culposa. sendo o Estado. de fato. As penas aumentam-se de um sexto a um terço. não descaracteriza o crime de coação no curso do processo. com o fim de favorecer interesse próprio ou alheio. para a caracterização do delito. não admitindo que o particular se substitua ao poder público. para tal satisfação poderia o agente provocar o poder judiciário para dirimi-la. dessa maneira. capaz de dificultar a busca da verdade real. a ponto de fazê-la repensar na possibilidade de contar em juízo tudo aquilo de que tem conhecimento. exercendo arbitrariamente função que lhe cabe. no sentido mais propriamente de constrangimento. Já a coação moral deve se traduzir na intimidação ou ameaça hábeis a causar verdadeiro temor na vítima. deve empregar violência ou grave ameaça para alcançar seu objetivo final. somente se procede mediante queixa. para fazer afirmação falsa. A ação para apuração do crime em discussão é pública incondicionada. Por tratar-se de crime comum. para obter vantagem que sabe ser ilícita. observa-se que uma vez o agente pretendendo fazer justiça com as próprias mãos manifesta o descrédito da justiça. jurado. quer exprimir a ação conduzida por uma pessoa contra outra. e pode ser cometido contra o autor. preservando. consentindo esta com constrangimento ou pela violência. a administração da justiça. de violência ou ação de violentar. Deverá tratar-se de pretensão de direito. salvo quando a lei o permite: Pena . delegado de polícia. capaz de fazê-la calar-se. vale dizer. contra autoridade. de três a quatro anos. Coação no curso do processo ARTIGO 344 -Usar de violência ou grave ameaça. mas é mais comum que ocorra contra testemunhas. Coação. ou de obstar a que se manifeste livremente. diante da gravidade da violência. ainda. juiz.

portanto o crime é tido como doloso. mudar. com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito: Pena . O crime de fraude processual se apresenta de forma dolosa onde o agente exerce sua vontade livre e consciente em inovar. Nos casos em que houver violência física contra pessoa. de seis meses a dois anos. suprimir.037). mesmo intencionalmente.” (TJSP – Ap. de coisa ou de pessoa. ou seja. A ação penal pode ser de iniciativa privada ou pública. não será exigível a pendência. que se acha em poder de terceiro por determinação judicial ou convenção: Pena . de maneira inequívoca. É de ser revelado que. vale-nos transcrever o seguinte entendimento que versa sobre a inovação: “(. na pendência da lide. alterar o lugar.É de verificar-se que a pretensão poderá referir-se a direitos de família. ‘significa provocar em lugar. uma coisa (móvel ou imóvel) ou pessoa (fisicamente). direitos reais. portanto para as ações de iniciativa privada. Parágrafo único .25. constatável à primeira vista. sem transformar seu o estado original.) (Trecho do Ac.4. podendo o agente ter ou não interesse na lide.) inovar artificiosamente o estado de lugar. ou seja. incorrerá em crime inclusive pessoa estranha a relação processual. e multa.J. emprega no ato sua vontade livre e consciente de pretensão. se a inovação se fizer no âmbito do processo penal.detenção. a ação será pública. mesmo que o processo ainda não tenha sido instaurado. agressão etc. que em se tratando de processo civil ou administrativo somente incorrerá em crime o agente que venha a inovar. escreve Heleno Cláudio Fragoso. coisa ou pessoa tinha precedentemente.77 – Un.. coisa ou pessoa. extrai seu bigode. o estado de lugar. corta ou deixa crescer seus cabelos.742 – Rel. Crim. coisa ou pessoa no curso de um processo.036-1. 4/1. (‘Lições de Direito Penal’. não incorrerá no crime aqui tratado o agente que. ou seja. de forma arbitrária. obrigacionais ou sucessórios. incorrendo em crime o agente que inove. de forma artificiosa. subtração. Por iguais razões. ou seja. Neste sentido é a redação do parágrafo único do artigo aqui tratado: Desta forma. de três meses a dois anos. porém não atingindo o resultado final. Exercitando o agente. portando. se for a fraude tida como grosseira. de coisa ou de pessoa. suas próprias razões. não se inovando (alterando) um local (lugar). 131. destruir ou danificar coisa própria. a inovação artificiosa. responderá pelo crime na modalidade tentada.. extrínsecas ou intrínsecas.. agir . O sujeito ativo do crime poderá ser qualquer pessoa.) (RT 501/272).Inovar artificiosamente. Crim. de forma a alterar o aspecto ou outra propriedade probatória que o lugar. O parágrafo único determina que somente se procede mediante queixa. Importante também se faz consignar que não havendo modificação no mundo externo. as penas aplicam-se em dobro. passa a usar óculos ou pratica qualquer ato similar com o intuito de não ser reconhecido onde. a modalidade culposa. citando Manzini. e multa. não haverá crime. da coisa ou da pessoa. CUNHA BUENO – 1ª C. O referido dispositivo pressupõe que.Se a inovação se destina a produzir efeito em processo penal. pois. ainda que não iniciado.detenção. não se configurará o crime pois o artigo 347 do CP trás em sua redação a palavra “artificiosamente” o que integra seu tipo. processo em trâmite. ou seja. real. ARTIGO 346 -Tirar. ressalta-se que o mesmo se consumará quando o agente efetivar sua pretensão. inexistindo. podendo ser empregado qualquer meio de execução. o estado de lugar. coisa ou pessoa modificações materiais. com o fito de induzir em erro o juiz ou o perito. O sujeito passivo é o Estado e a pessoa prejudicada pela ação do agente. O sujeito passivo é o Estado e o particular. sendo que na esfera criminal o agente já estará incurso em crime de fraude processual quando praticar quaisquer daquelas condutas que possam induzir o juiz ou o perito mesmo antes de iniciada a ação penal. Quanto a consumação do crime. na pendência de processo civil ou administrativo. pois trata-se de crime comum. portanto. O código penal brasileiro prevê em seu artigo 347 o crime de fraude processual. Neste sentido. e idôneas para induzir o juiz ou perito’. Fraude Processual ARTIGO 347 . O sujeito ativo do crime poderá ser qualquer pessoa que venha tentar ou pratique a conduta descrita no artigo em tela. fica demonstrada. Cumpre-nos esclarecer que o pressuposto para a tipificação do delito é a pendência de processo cível ou administrativo. o agente inove artificiosamente o estado do lugar. fraude. tais condutas não configuram o tipo penal. Des. vol. vitimado este em razão da execução do agente.

dá a entender (insinuação). deixando de expedir em tempo oportuno ou de executar imediatamente a ordem de liberdade. órgão do Ministério Público. voltada a pessoas que vão influir ou decidir processo judicial civil ou penal. Se destina preparar o juiz para o julgamento. Crime Exaurido .Na mesma pena incorre o funcionário que: I . Consumação e Tentativa . a pretexto de influir em juiz. ainda que a pessoa não leve a sério a alegação ou a insinuação do sujeito. se o agente alega ou insinua que o dinheiro ou utilidade se destina a qualquer das pessoas referidas neste artigo. IV . neste caso. ainda que ocorra rejeição. Na solicitação por escrito.com finalidade de levar o juízo ou perito a cometerem erro. Há a qualificadora.As penas aumentam-se de um terço. é admissível a tentativa. parágrafo único .É o dolo. sem as formalidades legais ou com abuso de poder: Pena . pedir. nele o sujeito ativo alcança seu objetivo. Exercício arbitrário ou abuso de poder ARTIGO 350 . A exploração de prestígio é a venda de influência. de um mês a um ano. sendo natural que se inicie com o interrogatório do acusado. que quer dizer aceitar. tradutor. perito. NÃO SE ESQUEÇA QUE: Advocacia Administrativa . ele deixa claro que o dinheiro ou a utilidade se destinam àquelas pessoas (alegação).Protege-se o prestígio da administração da justiça. qualquer diligência. vale-nos consignar que há doutrinadores que entendem que esta se dá com a inovação artificiosa sendo que para outros no momento em o juiz ou perito toma conhecimento da ação. No primeiro caso.A conduta se expressa em dois verbos: solicitar. que significa requerer. aproveitando-se da condição de funcionário público. Objetividade Jurídica . de 1 (um) a 5 (cinco) anos.prolonga a execução de pena ou de medida de segurança. admite. Sujeito Passivo .Crime consistente de interesse particular perante a Administração Pública.submete pessoa que está sob sua guarda ou custódia a vexame ou a constrangimento não autorizado em lei. Elementos Objetivos do Tipo .Crime consumado.Significa instituir.detenção. preparar a instrução criminal. Na solicitação. III . Na forma de recebimento. intérprete ou testemunha: Pena . portanto pode ser praticado por qualquer pessoa. Por fim.Consuma-se o delito com a simples solicitação ou o recebimento.. com abuso de poder. especialmente no que tange a provas e perícias. etc. esclarece-se que o crime admite a tentativa e sua ação penal é pública incondicionada. e receber. ou a estabelecimento destinado a execução de pena privativa de liberdade ou de medida de segurança. Ação Penal . deixa entrever. e multa. construir. . Elementos Subjetivos do Tipo .Solicitar ou receber dinheiro ou qualquer outra utilidade. com a desculpa (a pretexto) de influenciar as pessoas indicadas.Ordenar ou executar medida privativa de liberdade individual.Reclusão. Parágrafo único . intérprete ou testemunha.É o Estado. no segundo. O crime não admite a figura da tentativa na solicitação verbal. promotor público.Pública incondicionada.ilegalmente recebe e recolhe alguém a prisão. funcionário de justiça.efetua.É crime comum. existe crime. quais sejam: juiz. A instrução é contraditória. Exploração de Prestígio ARTIGO 357 . jurado. vontade livre e consciente de solicitar a vantagem ou recebê-la. II . Instrução Criminal . A pena é agravada se o sujeito alega ou insinua que a vantagem obtida ou recebida se destina às pessoas enumeradas na definição. funcionário de justiça. Quanto a consumação do crime. Sujeito Ativo . perito.

Proteção. pessoas se entendem e se comunicam. mas não fazem prova. com exclusão dos demais juízes igualmente competentes.Do Latim "Locupletar-se" (Enriquecer).É o profissional. Emana da Lei. . Nem todas as pessoas são obrigadas a testemunhar. Juiz Prevento . Pode emanar de uma autoridade judiciária. que não chega a consumação por motivos alheios à vontade do agente. Existem aquelas que a lei protege por permitir sigilo profissional. É empregado na terminologia jurídica significando toda espécie de enriquecimento. O termo não abrange somente o aspecto material. quando em decreto expedito. vedar.Execução começada de um crime.Interdições . isto é. por meio do qual. quando por princípio expresso veda a prática de um ato ou exercício de um direito. aquele perante a quem se requereu em primeiro lugar. Testemunha .Do Latim "Interdicto" . Tradutor e intérprete são também peritos. proíba que se faça alguma coisa ou privam alguém de sua liberdade de ação. sendo simples intermediários.É a pessoa física chamada a depor em processo perante autoridade. Intérprete .(Juiz prevenido). Tentativa .proibir. Tutela . vetar. Locupletação . significa na verdade qualquer vantagem material ou imperial que modifique ou melhore a situação patrimonial da pessoa.