a doença falciforme é um dos distúrbios genéticos mais frequentes no brasil e no mundo es tima que existam no brasil de 25_mil a 30_mil

portadores de df e que surjam anua lmente 3_500 novos casos em minas gerais os dados do programa de triagem neonatal implantado em 1998 most ram uma incidência de setenta_e_dois casos em cada cem_mil nascidos vivos e um por tador do traço falciforme para cada trinta nascimentos a df agrupa um conjunto de fenótipos onde predomina a presença do gene da hemoglobin a s hbs a hbs é originária prevalentemente da áfrica e foi introduzida no brasil pela imigração fo rçada de africanos através da miscigenação sua dispersão foi favorecida sendo o traço heterozigose e a doença e ncontrados tanto em não brancos como em brancos a hemoglobina_s é uma mutação no gene da globina beta na qual o sexto aminoácido da cade ia o ácido glutâmico é substituído pela valina alterando a estrutura da molécula das formas de df as mais frequentes são a anemia falciforme hbss a hemoglobinopati a sc heterozigose das hemoglobinopatias s e c e a hbs/ß_talassemia na qual há interação da hbs com a ß_talassemia no traço falciforme hbas existe produção de hemoglobina_a hba e de hbs caracterizando uma condição benigna as manifestações da df são consequência da presença da hbs cujas moléculas quando desoxigena das se organizam em feixes poliméricos dando à hemácia uma forma alongada e rígida conhe cida por hemácia em foice para que ocorra a falcização da hemácia é necessário que além de desoxigenada a hbs esteja e m concentração elevada no interior do eritrócito e ainda que haja um retardo na circul ação sanguínea já que se a hemoglobina voltar a se oxigenar em tempo hábil a falcização se de faz uma vez formada a falcização a hemácia passa a apresentar enrijecimento alteração de proteín as da membrana e aumento da expressão de moléculas de adesão consequentemente ocorre adesão das hemácias ao endotélio desencadeamento de fenômeno inf lamatório ativação da coagulação hipóxia isquemia e infarto local além de redução da sobrevid hemácia as repercussões dessas alterações constituem os principais sinais e sintomas da df dor anemia hemolítica e comprometimento progressivo de múltiplos órgãos a df é uma doença inflamatória crônica permeada de episódios agudos levando a elevadas mor bidade e mortalidade as manifestações clínicas alteram a qualidade de vida do portador acarretando dificuldades no trabalho estudo e lazer além de repercussões psicológicas como a baixa autoestima frente à gravidade da df o ministério da saúde ms tem dado importantes passos para a m elhoria da qualidade de vida e aumento da sobrevida dessa população em 2001 incluiu a pesquisa de hemoglobinopatias no programa nacional de triagem neonatal pntn por meio da portaria número 822/01 esse programa nacional foi precedido pelo programa de triagem neonatal da secret aria de saúde do estado de minas gerias implantado em 1998 a portaria número 1_391 de agosto de 2005 instituiu a política nacional de atenção integ ral às pessoas com df e outras hemoglobinopatias visando à organização da rede de assistên cia aos portadores tais medidas visam contribuir para redução da morbimortalidade da df contudo poucos estudos foram identificados em nosso meio especialmente em minas gerais onde a implantação do programa de diagnóstico neonatal se iniciou há mais de dez anos portanto o presente estudo se propôs a caracterizar epidemiologicamente os portado res de df atendidos no hemocentro regional e hospital de clínicas da universidade analisar as causas dos atendimentos e/ou internações e as causas dos óbitos no período d e 1998 a 2007 trata_se de estudo de campo retrospectivo e de delineamento transversal a amostra foi constituída pelos portadores de df atendidos no hr e hcu de 1998 a 2 007 a pesquisa foi iniciada após aprovação do projeto de pesquisa pelo comitêde ética em pesqu isa da universidade a coleta de dados foi realizada nos meses de junho a outubro de 2008 por meio de

consulta aos prontuários de portadores da df no hr e hc_u em duas etapas a primeira nos prontuários do hr arquivados por diagnóstico e a segunda nos prontuário s do serviço de arquivo médico do hc_u cujos números de registro das duas instituições são o s mesmos no hr foram identificados cento_cinquenta_um portadores de df desses cento_e_três eram considerados ativos trinta inativos cinco anos ou mais se m atendimento no hr e dezoito constavam como óbitos dos dados dos 103 pacientes ativos foram selecionadas as variáveis relativas à idade em anos completos gênero masculino ou feminino cor da pele negra parda ou branca procedência diagnóstico anemia falciforme hemoglobinopatia sc e hemoglobina s/ß_talass emia data e causa do atendimento no hr devido a intercorrências crises dolorosas i nfecções febre aumento da palidez ou da icterícia entre outras não foram considerados os atendimentos de acompanhamento preparo pré_operatório hipert ransfusão e quelação de ferro os prontuários desses cento_e_três falcêmicos ativos no hr também foram consultados no h c_u e coletados dados referentes à data causa e número de dias de internação e causa de ób ito dentre os 30 pacientes considerados inativos identificamos dois óbitos ocorridos d urante internação no hc_u dentre os 18 casos de óbitos que constavam no hr a metade 9 ocorreu durante internação no hc_u os dados foram submetidos a uma análise descritiva simples média e frequências absolut a e percentual quanto ao perfil epidemiológico dos portadores de df observou_se que a média de idad e foi de 177 anos sendo que 60_2por_cento tinham entre 0 a 19 anos 52_4por_cento eram do gênero feminino 58_2por_cento procedentes da cidade 82_5por_cento eram hb ss e em 92_2por_cento dos prontuários não havia caracterização de cor da pele do pacient e dos cento_tres prontuários analisados no hr em trinta_cinco não havia relatos de in tercorrências nos demais foram levantadas novecentas_dez intercorrências média de 13_4 por doente falciforme no período do estudo variando de um a noventa_sete atendimentos a causa mais frequente foi crise dolorosa afebril o predomínio de pacientes na faixa etária de zero a vinte_nove anos e o pequeno cont ingente de maiores de quarenta anos apesar da inexistência de estudos sobre expect ativa de vida em nosso meio sugere que o doente falciforme no brasil falece prec ocemente por outro lado a maior prevalência de menores de dez anos e apenas um óbito nessa fa ixa etária pode ser reflexo do diagnóstico neonatal e subsequentes medidas preventiv as proporcionadas a essas crianças com reflexos positivos sobre a morbimortalidade e o aumento da expectativa de vida em estudo de coorte jamaicano a sobrevida mediana foi de 53 anos para os homens e 58_5 para as mulheres com anemia falciforme_af um estudo norte_americano comparou a sobrevida de pacientes diagnosticados após três meses de idade e acompanhados por 9_4 anos cuja taxa de mortalidade foi de oito _perceto e aqueles diagnosticados no período neonatal de apenas 1_8_porcento evide nciando a importância da triagem neonatal a maior prevalência do gênero feminino reflete o perfil da população brasileira com disc reto predomínio das mulheres dentro da faixa etária estudada o quase inexistente registro da cor dos pacientes do hr revela a despreocupação do c orpo clínico com um aspecto epidemiológico importantíssimo por se tratar de uma doença h erdada da população melanodérmica contudo em estudo desenvolvido em nosso meio cunha demonstrou que 45_9porcento d os portadores do traço falciforme se caracterizam como brancos 33_9porcento moreno s e apenas 21_porcento como negros apesar de 89_porcento referirem descendência ne groide tem sido demonstrado que o alto grau de miscigenação no brasil dificulta a ca racterização do perfil racial o registro de 41_7_porcento de doentes com anemia falciforme de outras cidades d entro do país reforça as características como cidade polo de no mínimo vinte_dois municípi os da região quanto ao tipo diagnosticado o predomínio da af está de acordo com estudos outros na .

cionais quanto às intercorrências observadas neste estudo deve_se ressaltar que o hr é a prime ira instituição à qual os pacientes com anemia falciforme recorrem e apenas as mais gr aves demandam encaminhamento para internação no hc_u nossos achados de que respectivamente 80_porcento e 60_ porcento daqueles sem re lato de intercorrências no hr ou internação no hc_u estavam na faixa etária até 10 anos de idade pode ser reflexo do diagnóstico precoce e medidas preventivas do serviço tais como educação continuada ao paciente e família vacinas adicionais às habitualmente util izadas no programa nacional de imunização antibioticoterapia profilática e acompanhame nto ambulatorial regular a crise dolorosa é considerada uma das manifestações mais características da df no presente estudo a crise dolorosa febril ou afebril foi uma das causas mais fr equentes de atendimento no hr e de internação a dor é resultado da obstrução da microcirculação causada pelo afoiçamento das hemácias e a f bre pode ser uma manifestação secundária ao episódio doloroso provavelmente como resulta do da isquemia tecidual e liberação de pirógenos endógenos nem sempre traduzindo presença de infecção segundo serjeant a severidade da dor é bastante variada desde episódios moderados e transitórios até aqueles que duram horas ou dias necessitando de internação hospitalar o tempo de internação por crise dolorosa variou de um a dezesseis dias média de 3_7 e 6_1 dias para crises afebris e febris respectivamente em crianças menores de cinco anos a dactilite _ crise dolorosa em mãos e pés decorrent e de processo inflamatório iniciado por necrose da medula óssea nas porções distais dos membros _ pode ser a primeira manifestação da doença6819 no presente estudo a dactilit e foi causa de seis internações com média de 5_8 dias de permanência hospitalar a maior suscetibilidade a infecções dos portadores de df tem como principais causas a disfunção esplênica _ resultado da autoesplenectomia decorrente dos infartos esplênico s recorrentes propiciados pela circulação peculiar do órgão que favorece o processo de f alcização local _ e a hipóxia tecidual facilitando o desenvolvimento do foco infeccios o consequentemente as complicações infecciosas são frequentes graves e constituem causa importante de mortalidade principalmente em crianças no nosso estudo 31por_cento das internações foram por infecções com média de dez dias de p ermanência hospitalar meningite foi a causa de internação com a maior média de permanência hospitalar no hr pelo menos noventa dos atendimentos estiveram relacionados a infecções em nosso estudo choque séptico foi causa de dois entre os onze óbitos e outros dois estiveram relacionados a sepse perfazendo um total de 36_4 porcento de óbitos rela cionados a infecção similares ao estudo sobre o óbito de 52 crianças infecção foi a causa mortis em dezenove casos e sequestro esplênico em dezessete em outro de setenta_oito crianças com df que faleceram infecção foi a causa de óbito de trinta e o sequestro esplênico de treze o sequestro esplênico é complicação grave da df com queda rápida e progressiva da hemoglob ina e não raramente evoluindo ao choque hipovolêmico fatal se não tratado rapidamente a esplenectomia é indicada após duas crises de sequestro e/ou após um primeiro episódio grave identificamos dezenvoe internações por sequestro em treze pacientes com média de seis dias de internação dos quais dez foram submetidos a esplenectomia entre os 8 meses e 27 anos de idade apesar da gravidade e alta mortalidade referidas não identificamos nenhum óbito por sequestro e/ou esplenectomia o paciente esplenectomizado aos vinte_sete anos era portador de hemoglobinopatia sc e os outros nove de af os portadores de df são propensos ao desenvolvimento de cálculos biliares em uma ampla revisão da literatura sobre colelitíase na df quatro dos sete autores r eferidos indicaram a colecistectomia no paciente com colelitíase assintomática para prevenir possíveis complicações como coledocolitíase pancreatite perfuração da vesícula perit nite biliar e sepse os outros três indicaram o procedimento apenas nos sintomáticos .

no nosso estudo três dos óbitos foram relacionados a complicações de colecistites e ocor reram nove internações por colelitíase número que pode estar subestimado pela sua sintom atologia variável dores abdominais podem ser imputadas a vaso_oclusão colecistite ou outras manifest ações e sintomas como náuseas e vômitos podem ser relacionados a outros distúrbios gastroi ntestinais nos dez anos foram identificadas dez colecistectomias nos falcêmicos do hc_uf com média de 8_4 dias de internação e nenhum óbito relacionado ao procedimento dois outros estudos observaram até 25_porcento de óbitos em pacientes após colecistectomias o acidente vascular cerebral_avc é uma das mais graves complicações da df em estudo de revisão sobre complicações do sistema nervoso central a af é apontada como a causa mais comum de avc na infância com incidência de 5_porcento a 10_porcento até o s dezessete anos de idade um estudo brasileiro encontrou causas cerebrais em 9_porcento dos óbitos no nosso estudo encontramos sete internações por avc com tempo de permanência hospital ar variando de dois a quarenta_dois dias com o registro de dois óbitos necrose de cabeça de fêmur artrite séptica osteomielite e infarto ósseo foram as complic ações osteoarticulares encontradas em nossos pacientes essas complicações são resultantes da vaso_oclusão e progressiva degeneração dos vasos sanguí eos ósseos sendo que a osteonecrose da cabeça femoral incide em 10_porcento a 30_ po rcento da população falcêmica o priapismo é uma ereção peniana prolongada e dolorosa não acompanhada de estímulo sexual acomete de 20_ porcento a 38_ porcento dos falcêmicos e é responsável por alto índice de impotência mesmo quando tratados episódios de priapismo foram responsáveis por vinte_um atendimentos no hr e sete int ernações no hc_u com permanência média de cinco dias úlceras de membros inferiores são frequentes em adultos com df incidência média de 25_ p orcento e podem ser espontâneas ou resultado de traumatismo a recorrência é de 25_porcento a 50_porcento após tratamento clínico e frequentemente cr onificam7 dor ou infecção na úlcera foi a segunda causa de intercorrência no hr vale ressaltar que 81_1_porcento desses atendimentos foram referentes a apenas u ma paciente infecção na úlcera foi causa de seis internações com média de nove dias de permanência hospit lar em estudo sobre duração de internações por df a mediana de tempo de permanência hospitalar foi de cinco dias na bahia e no rio de janeiro e quatro dias em são paulo encontramos uma média de seis_dois dias fato este justificado por um eficiente ser viço de pronto atendimento no hr no qual o paciente é medicado e observado por até doz e horas sendo que as internações ocorrem apenas nas intercorrências graves em estudo sobre a mortalidade por af no brasil 75_porcento dos óbitos ocorreram até 27_8 anos em outro estudo brasileiro a mediana da idade dos casos que evoluíram para o óbito f oi de 26_5 anos na bahia 31_5 anos no rio de janeiro e trinta anos em são paulo no presente estudo a média de idade ao óbito foi de 33_5 anos se considerarmos apena s adultos no gênero feminino foi superior e a maioria em decorrência de eventos agud os achados similares aos descritos na literatura que mostram uma tendência de sobr evida maior no gênero feminino em síntese a crise dolorosa foi causa mais frequente de atendimento no hru e de in ternação no hc_u o perfil epidemiológico mostra predomínio de crianças e adultos jovens do sexo feminin o e genótipo ss as altas taxas de atendimento no hr e de internação do hc_u índice de 11_82_porcento d e óbitos em dez anos além da baixa média de idade ao óbito confirmam a alta morbidade e mortalidade da df entretanto o grande número de crianças de até dez anos de idade sem relatos de interco rrências ou internações e a ocorrência de apenas um óbito nessa faixa etária refletem a eficá ia das medidas preventivas propiciadas pelo diagnóstico precoce da doença falciforme estudiosos referem_se ao fato de a característica intermitência das crises dolorosas falciformes além da ausência de marcadores objetivos de sua presença ou fator causal _ como um tumor ou uma incisão cirúrgica_ poder levar a equipe de atendimento a não ac .

reditar na dor relatada – e a demanda de analgesia mais potente solicitada pelo pa ciente ser erroneamente interpretada como dependência de opiáceos segundo diversos pesquisadores inclusive do a maior parte dos pacientes com doença falciforme e crises dolorosas não são viciados em drogas embora o estudo experimental original não tenha demonstrado eficácia do piracetam na prevenção das crises dolorosas da doença– pelo contrário o placebo mostrou melhores resul tados _ dos pacientes e dos familiares declararam_se convencidos de melhor evolução durante todo o estudo em relação à sua situação anterior tendo sido essa também a impressão d s membros da equipe da pesquisa o que sugere a presença de um efeito placebo atuan do através de múltiplos mecanismos foram seguramente criadas condições de envolvimento em um programa no qual a equipe disponibilizou – mas também exigiu dos pacientes e familiares – maior atenção e conseqüentem ente maior compreensão sobre aspectos variados da doença tais como evolução complicações e f atores desencadeantes tendo_se estabelecido uma relação médico_paciente_familiares mai s constante mais próxima e provavelmente mais segura apesar de não programadas e não sistematizadas esteve presente uma terapêutica cogniti vo_ comportamental entre outros autores referiu_se às condutas não_farmacológicas como sendo sub_utilizad as mais estudos sendo necessários para determinação de seu papel no tratamento da dor da doença falciforme segundo os extraordinários cuidados de suporte proporcionados aos pacientes durant e estudos de novas drogas podem mudar o padrão das crises para o autor esta é uma vulnerabilidade característica na avaliação dos regimes terapêutic os voltados para eventos com ocorrência esporádica e altamente relacionados com o es tresse emocional como é o caso da dor da doença falciforme foi demonstrado através do presente estudo um contingente de iniciativas tomadas n os domicílios para alívio da dor alguns relatos da literatura citaram dados semelhantes revelando uma “disposição” para a busca de formas de convivência com a dor e com a doença relataram em estudo hospitalar e domiciliar realizado com crianças e adolescentes uma evolução cronológica da dor – semelhante ao “crescente” e “decrescente” da lua _ e dos cu dos adotados pelos pacientes e familiares para embora o impacto psicológico da doença não deva ser minimizado as evidências sugere m níveis satisfatórios de convivência e adaptação com o estresse contínuo relacionado com el a segundo os fatores genéticos e fisiológicos podem ser considerados as forças primárias n a determinação da crise dolorosa enquanto os fatores psicossociais influenciam na pe rcepção da dor e na capacidade de resposta dos pacientes para em estudo que acompanhou pacientes apesar dos avanços no conhecimento e na ab ordagem da doença a frequência das crises dolorosas não mudou durante os anos do estud o diante da prevalência e gravidade da doença os conhecimentos existentes são insuficien tes a grande maioria das autoridades governamentais empenha_se pouco ou nada e a população desconhece a doença para a abordagem adequada dos pacientes com doença falciforme precisa incluir aspe ctos como avaliação de crescimento e desenvolvimento imunização plena e educação familiar para os especialistas da academia americana de pediatria a atitude clínica o ambie nte familiar o apoio ao doente e familiares e a informação influenciam significativa mente na evolução clinica de crianças e adolescentes com a doença facilitando a transição pa ra a idade adulta avaliação e medição criteriosas da dor falciforme – e de qualquer dor _ são passos fundament ais para a programação das ações necessárias para seu alívio ou abolição e para julgamento da etividade das mesmas para os métodos usados para a avaliação devem ser os mesmos utilizados para qualquer sín drome dolorosa a autora e outros estudiosos consideraram adequado o uso de auto_relatos durante as crises e nos seus intervalos e enfatizaram a importância dos diários domésticos qu e segundo ela superam as distorções próprias dos relatos retrospectivos são úteis na colet a de dados para intervenções clinicas e favorecem estratégias de auto_controle e recon hecimento de possíveis fatores desencadeantes propiciando sentimentos de controle .

do paciente sobre a doença a forma da dor ser tratada tem implicações futuras na maneira como os pacientes conv iverão com ela e com a vida há necessidade de se acreditar nos pacientes quando dizem estar sentindo dor e de se instalar imediatamente analgesia adequada as palavras de são simples e significativas “no tratamento da crise dolorosa falcifo rme as queixas dos pacientes precisam ser levadas a sério e a terapia analgésica ini ciada prontamente com intensidade proporcional à gravidade da queixa dolorosa como esclarecimento a receios quanto ao uso de analgesia potente nos episódios gra ves de pesquisadores do declararam administrar narcóticos parenterais nos episódios graves de dor segundo como quase todos os episódios são manejados em casa a avaliação da dor e das med idas de convivência com ela precisa focalizar seu manejo satisfatório em ambiente do miciliar essa avaliação criteriosa deve ser parte essencial de serviços de cuidados comunitários centrados na dor que efetivamente garantem a recuperação e melhoram a qualidade de v ida para desde a mais tenra idade a criança e seus familiares devem aprender a lidar c om a dor e tratá_la com o intuito de se alcançar menor interferência nas atividades diár ias para os pesquisadores da fundação hemominas a educação da família e do paciente em relação ao manuseio da dor é essencial para para que se conheça e reduza o impacto real da dor sobre a função psicológica e a q ualidade de vida os episódios tratados parcial ou totalmente nos domicílios _ assim como as estratégias adotadas para controle – devem ser considerados e incluídos nos es tudos cujos resultados serão inadequados se não se levar em conta essa realidade no processo educativo é preciso conferir poder ao paciente e aos familiares no sen tido de deterem o conhecimento sobre a doença o aconselhamento educacional e genético tem efeito positivo no prognósticojá que os pa cientes saberão identificar e evitar fatores desencadeantes e procurar atendimento médico quando necessário segundo a criança com dor falciforme deve ser estimulada e treinada a identificar e desenvolver suas habilidades e acreditar em suas potencialidades sem deixar de reconhecer suas limitações e dominar as estratégias para lidar com elas nas palavras dos autores “a criança deve ser incentivada a acreditar que há mais nela do que sua doença falciforme” apesar de variada gravidade clínica um contingente significativo de pacientes sofr e as conseqüências de uma doença crônica e grave exacerbada por crises que lhes acrescen tam sofrimento dor intensa e hospitalizações agravando suas dificuldades escolares e /ou no trabalho e trazendo_lhes marcantes limitações no lazer e no prazer sabem_se possíveis portadores de disfunções orgânicas e candidatos à morte prematura por c omplicações previsíveis ou não como septicemias e tromboembolismos é freqüente a insatisfação e a insegurança com o próprio corpo com freqüente deficiência no c cimento e atraso no desenvolvimento sexual a possibilidade de procriação pode lhes trazer mais receios do que alegria já que faz perpetuar o “traço” e o estigma da doença no estado de minas gerais o programa estadual de triagem neonatal de minas gerai s petn_mg detectou a proporção de uma criança com anemia falciforme a cada nascidos vi vos em determinadas situações como hipóxia desidratação e acidose as moléculas de hb s formam po límeros alongados que modificam o citoesqueleto das hemácias dando origem à forma cara cterística de foice falcização a polimerização da hb s causa diversas modificações físico_químicas nas hemácias e é o evento imário indispensável para a patogênese molecular da anemia falciforme esse processo leva à hemólise crônica das hemácias causando um quadro de anemia persiste nte além disso as hemácias falcizadas se tornam mais aderentes e ligam_se umas às outras a hemácias não falcizadas a células nucleadas e ao endotélio vascular causando vaso_oclusão os fenômenos vaso_oclusivos e a hemólise acentuada são os principais determinantes das manifestações clínicas da anemia falciforme .

apesar da alteração principal estar restrita às hemácias trata_se de doença sistêmica cujos efeitos podem incidir sobre qualquer órgão as manifestações clínicas variam desde morte precoce na infância a ausência de sintomas co m expectativa de vida quase normal por ser uma anomalia da globina beta os sintomas comumente só surgem após o sexto mês de vida quando a produção da cadeia já é claramente predominante em relação à da cadeia gama da hbf alguns exemplos de manifestações clínicas da anemia falciforme são litíase biliar crise a plástica crises de dor síndrome torácica aguda acidente vascular cerebral priapismo se questro esplênico úlceras nas pernas e necrose óssea avascular o diagnóstico laboratorial da anemia falciforme é baseado na mobilidade eletroforética mais lenta da hb s em relação à hb a normal as principais técnicas utilizadas são a eletr oforese de hemoglobina focalização isoelétrica ou cromatografia líquida de alta performa nce hplc técnicas de diagnóstico molecular para detecção da substituição do nucleotídeo que dá origem também estão disponíveis fatores ambientais como o local onde vive o paciente prevalência de doenças infecto_ contagiosas condições socioeconômicas e acesso e qualidade da assistência médica podem inf luenciar no fenótipo da doença no brasil a maioria dos indivíduos acometidos possui baixa renda e necessita dos cuidados médicos fornecidos pelo sistema único de saúde apesar de ser causada pela substituição de um único nucleotídeo o fenótipo da anemia falci forme é o produto de vários genes a redução do nível da hbs e/ou o aumento do nível da hbf p odem influenciar no processo de falcização e modificar o fenótipo da doença além disso vários processos na vasculatura e órgãos influenciam no fenômeno de vaso_oclusão e também levam à diversidade de gravidade da doença sabe_se que as manifestações clínicas dos pacientes acometidos pela anemia falciforme são influenciadas por três tipos de genes a o gene que abriga a mutação primária ou seja o alelo ?s da globina b genes pleiotrópicos que estão envolvidos na fisiopatologia se cundária sendo indispensável a presença da primeira mutação cada um com o potencial de mod ificar a extensão e a característica das manifestações clínicas do paciente ex hemólise hiperplasia eritroide na medula óssea necrose óssea e o utros e c genes epistáticos polimorfismos dos genes pleiotrópicos que modulam signif icativamente a fisiopatologia da doença em um paciente em particular esses eventos secundários contribuem de forma significativa para o fenótipo e explic am as diferenças interindividuais marcantes na gravidade da doença foi feita busca de artigos científicos indexados no pubmed com os descritores “sickl e cell anemia” and “alpha thalassemia” e na bireme com os descritores “anemia falciforme” e “talassemia alfa” ambas sem restrição de data de publicação e idiomas a partir dessa busca os artigos foram selecionados de acordo com a relevância para o tema proposto também foram incluídos artigos listados nas referências bibliográficas dos artigos encon trados pela estratégia descrita autores avaliaram os efeitos da a_tal nas características clínicas e hematológicas de 85 pacientes com anemia falciforme provenientes do hospital universitário da unica mp e do hospital universitário da escola paulista de medicina analisaram 41 crianças com anemia falciforme pareadas por sexo e idade com crianças saudáveis para estudar o grau de comprometimento do crescimento e desenvolvimento a prevalência de a_tal em indivíduos com anemia falciforme no nosso meio é comum algumas manifestações graves como a doença cérebro_vascular ocorrem de forma significati vamente menos frequente nos pacientes com a coexistência de ambas as alterações gênicas o que torna desejável a genotipagem para a a_tal em todos os pacientes com anemia falciforme entretanto apesar da importância da a_tal na modulação da anemia falciforme sua simple s presença ou ausência não permite prever isoladamente as características clínicas da doença daí surge a necessidade de estudar outros fatores moduladores que possam ser utili zados em conjunto para definir subfenótipos da doença e assim poderem ser utilizados como ferramenta clínica no acompanhamento dos pacientes a identificação de determinan tes da gravidade do quadro clínico da anemia falciforme pode contribuir para o man ejo adequado e diferenciado para cada paciente e consequentemente para melhorar .

a qualidade de vida e aumentar a sobrevida dos pacientes acometidos por essa doe nça .