UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E NATURAIS DEPARTAMENTO DE LETRAS E LÍNGUAS

RICARDO COSTA SALVALAIO

LÍRICAS IMBOLADAS NUM MUNDO CÃO. ANÁLISE SOCIOLÓGICA DE CANÇÕES DE ZECA BALEIRO

VITÓRIA 2010

RICARDO COSTA SALVALAIO

LÍRICAS IMBOLADAS NUM MUNDO CÃO. ANÁLISE SOCIOLÓGICA DE CANÇÕES DE ZECA BALEIRO

Trabalho

apresentado

à

disciplina

Trabalho

de

Conclusão de Curso, ministrada pelo Professor Paulo Roberto Carvalho, do curso de Licenciatura em Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa da Universidade Federal do Espírito Santo, como prérequisito para obtenção de grau.

VITÓRIA 2010
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Paulo Roberto Carvalho Departamento de Línguas e Letras Universidade Federal do Espírito Santo Orientador VITÓRIA 2010 3 . do curso de Licenciatura em Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa da Universidade Federal do Espírito Santo. EXAMINADOR ______________________________________ Prof. ministrada pelo Professor Paulo Roberto Carvalho. como pré-requisito para obtenção de grau. Aprovado em ___ de julho de 2010. ANÁLISE SOCIOLÓGICA DE CANÇÕES DE ZECA BALEIRO Trabalho apresentado à disciplina Trabalho de Conclusão de Curso.RICARDO COSTA SALVALAIO LÍRICAS IMBOLADAS NUM MUNDO CÃO.

Jocilane Rubert. Agradeço aos amigos Cleibson Freitas. por servir de inspiração e discutir em suas criações nosso tempo. 4 . também agradeço. Agradeço ao meu orientador Paulo Roberto Carvalho e ao professor Vitor Cei. Luiz Alberto Mantovani. Ao cantor e compositor Zeca Baleiro. Lorrany Martins e todos da Turma “A vida como ela é”. Thiago Felisbino. José Domingos. Marxwel Pantaleão. Jin Carlos.AGRADECIMENTOS Agradeço à minha família por estar presente em todos os momentos da minha vida. Carlos Alexandre.

“Mundo velho e decadente mundo Ainda não aprendeu a admirar a beleza A verdadeira beleza A beleza que põe mesa E que deita na cama A beleza de quem come A beleza de quem ama A beleza do erro puro do engano da imperfeição” (Zeca Baleiro in Salão de beleza) 5 .

RESUMO Este trabalho tem por objetivo a análise sociológica de letras de músicas do cantor e compositor Zeca Baleiro. A exegese tem como suporte algumas das temáticas mais recorrentes na referida obra. Crítica Literária. Palavras-chave: Música Popular Brasileira. a saber: o consumismo. o individualismo e o amor como produto. 6 . Análise Sociológica.

.............................. 16 2...SUMÁRIO 1..............................3 Você só pensa em grana: dinheiro pode comprar seu amor ...1 Fundamentação teórica . Análises das canções........................ 8 1.............................................................2 Piercing: tire o seu sorriso do caminho que eu quero passar com a minha dor..................................................................... 4............................................................................. 10 2........ 24 Referências ........................................................ 9 1.. 21 3............................ 12 2.2 Letra de música também é poesia? ........... 25 7 ...................... 12 2.......................................1 Babylon: minha religião é o consumo ............................... Introdução ................ Considerações finais ....................................

o também cantor e compositor Chico César. o reconhecimento só viria na década de 1990. do cordel. o cantor circula pelo meio cultural do Maranhão e participa de alguns festivais pelo Brasil. era constante em suas composições a fusão de sons. Fagner. recebe vários prêmios por seu CD. poemas. Recorrendo às ferramentas da análise sociológica. da cantora Gal Costa. Destarte. A obra em questão é múltipla. Nesse mesmo ano. adquirindo assim o reconhecimento da crítica e do público. a “Fazdocinhá”. assim. Bob Dylan. O cantor e compositor. desde muito cedo. do samba. A partir da década de 1980. o individualismo e o amor como produto. Pretendemos. As letras contêm. nesse estudo analisar sociologicamente letras de músicas do cantor e compositor. o Zeca Baleiro. Além da influência do rádio do pai. separamos três eixos temáticos em três canções de Baleiro. temas. Pop e Música Eletrônica). que teve produção de Marco Mazzola. Luiz Gonzaga. ritmos e temas. por esse motivo ganhou de amigos de faculdade o apelido de “Baleiro”. apresentaremos aspectos literários e sociais das canções. Para isso. participa do CD MTV Acústico. Em 1997. é notório em seu trabalho o universo do baião. músicas. fato que alavanca sua carreira. Misturas de ritmos. adorava doces e guloseimas. característica que permeia sua obra como um todo. No ano seguinte. imagens.MA. nasceu dia 11 de abril de 1966 em Arari . Tempos depois. sons. Frevo) com ritmos internacionais (Rock. Nela. Contudo. Sua música deriva da fusão de ritmos brasileiros (Samba. 8 . encontram-se inúmeros intertextos. temas. Talvez uma possível “definição” da obra do compositor seria “mistura”. culturas. entre outros.1 Introdução José Ribamar Coelho Santos. Zeca Baleiro dividia o aluguel de um apartamento com um amigo. lança seu primeiro CD Por onde andará Stephen Fry?. Zeca abriria uma loja de doces. apresentar os vários recursos utilizados e como as canções dialogam com a época em que estão inseridas. Já nessa época. Baião. a saber: o consumismo. onde conheceu Sérgio Sampaio. humor e poesia. de forma inteligente. em São Paulo.

Quanto à análise sociológica. haja vista que além de cultivar a diversidade cultural nacional. Nelson Ascher e o livro Letras e letras da MPB. Assim sendo. Dito isto. artigos de Nelson Barros da Costa. 2000.1 Fundamentação teórica Uma obra sempre trará consigo características de determinada época. estudado no nível explicativo e não ilustrativo” (CANDIDO. as regras. da canção popular e dos fenômenos sociais impregnados nas formas artísticas estudadas. mister se faz o estudo da literatura. consideramos que a análise sociológica se caracteriza pela abordagem das condições que mostram a realidade social do fato literário sem cair num reducionismo sociologizante. Assim sendo. A produção de Zeca Baleiro está inserida entre o fim do século XX e o início do século XXI. 9 .1. o social aqui atua “como fator da própria construção artística. Sempre retratará. de Charles A. de Antonio Candido. recorremos ao livro Literatura e sociedade. discutirá o ethos. A música de Baleiro representa muito bem a pós-modernidade. a ordem social da época em que está implicada.7). a crise do individuo e as relações com o seu meio social. Essa argumentação tem como base. apresenta o homem do século XXI. Perrone. p. a interpretação social da lírica não pode ter em mira a posição social ou a inserção social dos interesses das obras ou até de seus autores. no que tange ao estudo de canções.

de outro. Por exemplo. em geral. usando um exemplo atual. Caetano Veloso. Waly Salomão. p.18) Desde a bossa nova. Gilberto Gil e que a relação entra música e poesia teve maior efervescência) vários escritores se aventuraram como letristas: Chacal. 1988. algo que as pessoas começaram a prestar mais atenção. A canção é a poesia em seu disfarce mais simples. tais como John Lennon. a canção popular se tornou algo mais literário. (ASCHER. No Brasil. uma letra de canção dificilmente será considerada como poesia. como EUA ou França. mais despido e direto. já na Inglaterra. Vide a sofisticação dos versos de Caymmi. Aldir Blanc. ainda não há um consenso: De um lado. É sabido que nem toda letra de música é poesia. a palavra: A perspectiva da canção não é a da literatura. como o poeta cantor Vinicius de Moraes. p.23-5) 10 . artista plástico e poeta com livros publicados. Torquato Neto. pois letra e poesia funcionam através de processos distintos. 2007. depende da produção. Nas décadas de 1960 e de 1970 (época de maior criatividade de Chico Buarque. muito da universidade e a esquerda. Cacaso. que tem letra de Orestes Barbosa. escritores e críticos literários e poeticamente conservadores acham essa idéia escandalosa. podemos citar Arnaldo Antunes.2 Letra de música também é poesia? Em certos países. 2002) A partir de Noel Rosa. Geraldo Carneiro. embora em certos casos ela possa até superá-la em termos formais. cantor. (BALEIRO apud SOUZA. vanguardistas. Paul McCartney e Morrissey.1. que dizem que aquilo que Caetano ou Chico fazem é poesia. da canção Chão de estrelas. (PERRONE. pra ficar em poucos exemplos. como um dos mais bonitos da Língua Portuguesa. apesar de lidarem com a mesma matéria prima. muitos poetas se adentraram no mundo da canção. compositor. Noel e Cartola. A contribuição de Orestes Barbosa para o desenvolvimento da música popular urbana é o mais importante exemplo de poetas que atravessaram fronteiras artísticas no inicio deste século. muitos letristas são considerados poetas. o poeta modernista Manuel Bandeira considerava o verso Tu pisavas nos astros distraída. Nessa tradição. entretanto.

11 .13) No entanto. A canção exige uma tripla competência. p. assim como o inverso também ocorre. (COSTA. 2001. a partir do começo do século XX vários compositores usavam em suas letras muitos recursos literários. como a intertextualidade. Numa boa canção. Por fim. p. e em parte porque as palavras precisam deixar espaço para a música respirar.] freqüentemente há diferença entre um poema e uma letra de música. sendo esta última a capacidade de articular as duas linguagens. letra e música dançam juntas. (MITCHELL. As letras tendem a ser menos concentradas. 1988.. Apesar da obra de Zeca Baleiro ser rica tanto em letra quanto em melodia. nem exclusivamente peça melódica. tendo em vista que consideramos suas criações verdadeiras obras poéticas. a metáfora. nossos sentidos dão destaque às letras das canções. em parte porque uma canção tem que funcionar instantaneamente. revela: Os esnobismos ainda persistem. a musical e a líteromusical.. deixar tempo para o trabalho musical. por isso precisam de espaço para dançar. mas um conjugado das duas materialidades. há recursos pertinentes à poesia que não podem ser utilizados na canção. [. 107-8).] pode-se arriscar que certamente a canção não é exclusivamente texto verbal. basta estudar as mais respeitáveis antologias e alguém poderia pensar que poesia é apenas para intelectuais e acadêmicos. de Paul McCartney. a verbal. As letras de canção são mais diretamente comparáveis com a lírica não musical através dos recursos retóricos e das figuras de linguagem (PERRONE. [. 2003. na introdução do livro de poemas e letras O canto do pássaro-preto. p.. fica implícito que a questão de letra ser ou não poesia é de ordem de estilo.O poeta inglês Adrian Mitchell.18-19) Como já elencado..

vamos nos ater em analisar a canção Babylon. Baby! I'm alive like A Rolling Stone Vamos pra Babylon Vida é um souvenir Made in Hong Kong Vamos pra Babylon! Vamos pra Babylon!... assim como muitos teóricos da pós-modernidade. Com isso. neste subcapítulo. vai acentuar que nossa sociedade vive a “cultura de consumo”..2 Análises das canções 2. 12 ..1 Babylon: minha religião é o consumo Zygmunt Bauman. por versar acerca das relações do consumo com a vida contemporânea. que é um mecanismo global que forma as relações dos indivíduos na pós-modernidade. Gozar! Sem se preocupar com amanhã Vamos pra Babylon Baby! Baby! Babylon!.. onde o homem tem como uma das atribuições do capitalismo o consumo de bens materiais e simbólicos. que pertence ao álbum Líricas. Ademais... tudo se relacionará ao consumo. Fixemos nosso olhar na canção Babylon: Baby! I'm so alone Vamos pra Babylon! Viver a pão-de-ló E möet chandon Vamos pra Babylon! Vamos pra Babylon!. de 2000. Comprar o que houver Au revoir ralé Finesse s'il vous plait Mon dieu je t'aime glamour Manhattan by night Passear de iate Nos mares do pacífico sul..

.Vem ser feliz Ao lado deste bon vivant Vamos pra Babylon Baby! Baby! Babylon!. Interessante notar... símbolo do poder econômico globalizado. O título em inglês. caviar Scotch. Na primeira estrofe do texto. escargot.. Eu não tenho grana Pra sair com o meu broto Eu não compro roupa Por isso que eu ando roto Nada vem de graça Nem o pão. ao invés de português. a grande 13 .. nem a cachaça Quero ser o caçador Ando cansado de ser caça. mostrando um possível modo de vida que não se preocupa com o amanhã. O convite é argumentado pelas comidas privilegiadas da elite (pão-de-ló e möet chandon) a fim de provar que Babylon é um locus ideal para se viver feliz. É inevitável não reconhecer na canção a figura da Babilônia. rayban Bye. quanto ao título...] símbolo de entidade plausível.. bye miserê Kaya now to me O céu seja aqui Minha religião é o prazer. Babylon seria um [.. Ai.. ou seja. o eu lírico evoca a amada (baby) a irem para Babylon (Babilônia). que só visa o momento presente (carpe diem). Não tenho dinheiro Pra pagar a minha yoga Não tenho dinheiro Pra bancar a minha droga Eu não tenho renda Pra descolar a merenda Cansei de ser duro Vou botar minh'alma à venda. O poeta retoma o convite na segunda estrofe. e as outras expressões em francês já apontam para a mundialização dos produtos culturais. De tudo provar Champanhe.. que o termo baby (amada) é radical da palavra inglesa Babylon (Babilônia). já que ele está muito só (i’m so alone) no lugar em que está. morena! Viver é bom Esquece as penas Vem morar comigo Em Babylon..

Aqui. 40) O primeiro verso da terceira estrofe traz consigo a tônica da canção (prazer em consumir). Na pós-modernidade. do design e das ferramentas de comunicação do marketing. O eu poético pode comprar o quiser. 14 . Na sexta estrofe. notamos que Babylon é o locus do prazer imediato. dá adeus a ralé e elenca outros prazeres de Babylon.prostituta. Outra parte. Também enumera outros argumentos de que sua vida é ruim. Inferimos. p. Scotch. Entretanto. hábitat de mercadores enriquecidos e de reis devassos. objetos da elite.95) Nas três estrofes seguintes. (BAUMAN. p. vontades. de novo se esquiva da ralé (“bye. é que a compulsão-transformada-em-vício de comprar é uma luta morro acima contra a incerteza aguda e enervante e contra um sentimento de insegurança incômodo e estupidificante. o poeta a encara como locus do prazer e da estabilidade. descrita por São João no livro de Apocalipse como ‘cidade forte’ e ‘grande’. razões mais que suficientes para ‘ir às compras’. está ligada à complexidade humana. Qualquer explicação da obsessão de comprar que se reduza a uma causa única está arriscada a ser um erro. a tendência a representar o vício das compras como manifestação aberta a instintos materialistas e hedonistas adormecidos. De acordo com Zygmunt Bauman em Modernidade Líquida. em suma. 2009. (SANTOS. capturam na melhor das hipóteses apenas parte da verdade. Kaya é como os jamaicanos se referem à maconha. o poeta revela que vive como uma pedra a rolar (“I’m alive like a Rolling Stone”) e que a vida é uma lembrança feita em Hong Kong. a estetização da vida e o triunfo do signo mostram a subordinação da produção ao consumo sob a égide de marketing. As interpretações comuns do comprar compulsivo como manifestação da revolução pós-moderna dos valores. envolve seus valores. Caviar. e necessário complemento de todas essas explicações. este centrado no consumismo exacerbado. 2001. há também uma alusão à maconha (“Kaya now to me”). o individuo pós-moderno utiliza-se do ato de comprar para se livrar do mal e assim sentir-se bem: Há. comidas. que sua vida não tem valor algum. bye miserê”). que nossa sociedade (consumista ao extremo). Ele reúne um número de costumes. Rayban). que ele pode usufruir (Champanhe. Desse modo. ou como produto de uma ‘conspiração comercial’ que é uma incitação artificial (e cheia de arte) a busca do prazer como propósito máximo da vida. com uma ascensão muito grande da concepção de produto. onde necessidades são supridas dentro da lógica do mercado. ao contrário da Babilônia que se tornou nas culturas judaicocristãs um inimigo arquetípico do povo de Deus. por esse trecho. ethos e necessidades numa escala muito grande.

resumem as duas referidas estrofes. Por fim. O sujeito cansa da vida sem poder aquisitivo e revela que vai por a alma à venda. as duas estrofes versam sobre a falta de dinheiro do eu poético. scotch. notamos claramente que o discurso religioso. a ética do eu poético é moldada somente pelo sistema capitalista. Para descrever Babylon.O eu lírico sugere que o paraíso pode ser em Babylon e que sua religião é o prazer. champagne. Babylon seria uma espécie de Pasárgada para o poeta. caviar. ele cita pão-de-ló. o poeta apresenta o seu mundo. pois o cristianismo e outras religiões já se incumbiram disso” (SANTOS. möet chandon. Nas duas estrofes seguintes. outrora muito poderoso. nessas seis estrofes. p. os costumes.43). Para tal. não tem droga. 15 . Os versos “Vou botar minh’alma à venda” e “Quero ser o caçador/ Ando cansado de ser caça. e que. sobretudo. rayban. Essa estrofe reafirma as seis primeiras. tentou convencer sua amada (baby) de que Babylon é o melhor locus para se viver. Um lugar em que ele pode tudo: “[. isso tudo depois de negar sua realidade nas estrofes anteriores. já para descrever seu hábitat (caótico.] a grande fissura no pensamento do poeta não está em reconhecer a possibilidade de entrar num ‘mundo de prazer’. Ele o faz de forma altamente negativa. consegue vender um discurso mais atrativo que a religião e/ ou a ciência. não tem força alguma na pós-modernidade. Todos esses elementos do seu dramático mundo negam Babylon. Essa também é uma forma de argumentar a favor de Babylon. O convite novamente é feito e o eu lírico também solicita que a amada esqueça as penas.. nestas o poeta positivamente descreveu Babylon.. O poeta tenta convencer a amada (baby. 2009. comida e vestes. O poeta. morena) que viver é bom. merenda nem boas roupas. por sinal).”. que é um si negação do outro. que por não ter grana. cachaça. que conseqüentemente é o da amada (baby) também. aponta para pão. falta de grana.. O primeiro reforça a ineficiência do discurso religioso na pós-modernidade. kaya. A nona e última estrofe retoma à problemática da primeira estrofe. droga. locus do prazer estabilizado.. Basicamente. apresentou inúmeros bens materiais e vantagens do referido lugar. Por seu turno. Por essa estrofe. escargot. Com isso. que dita modas. o sujeito reafirma a vida chamando a amada para morar no paraíso do consumo. mostrando cruelmente suas mazelas. o segundo afirma a força do sistema capitalista nos nossos dias.

e toda roda amou o feio" Tire o seu piercing do caminho Que eu quero passar Quero passar com a minha dor pra elevar minhas idéias não preciso de incenso eu existo porque penso tenso por isso insisto são sete as chagas de cristo são muitos os meus pecados satanás condecorado na tv tem um programa nunca mais a velha chama nunca mais o céu do lado disneylândia eldorado vamos nós dançar na lama bye bye adeus gene kelly como santo me revele como sinto como passo carne viva atrás da pele aqui vive-se à mingua não tenho papas na língua não trago padres na alma minha pátria é minha íngua me conheço como a palma da platéia calorosa eu vi o calo na rosa eu vi a ferida aberta eu tenho a palavra certa pra doutor não reclamar mas a minha mente boquiaberta precisa mesmo deserta aprender aprender a soletrar 16 . Baleiro compõe sobre o homem que vive num “momento histórico marcado pela superação de limites através do conhecimento e. uma das temáticas mais abordadas é o individualismo exagerado da sociedade pós-moderna. leremos e estudaremos a composição Piercing. que se encontra no álbum Vô Imbolá. p. contraditoriamente. a comunicação escassa e as relações interpessoais superficiais ao extremo.2 Piercing: tire o seu sorriso do caminho que eu quero passar com a minha dor Na produção de Zeca Baleiro. como a solidão. de 1999: "Quando o homem inventou a roda logo Deus inventou o freio. Aqui. um dia.45). O cantor revela em muitos de seus textos a efemeridade e o esvaziamento das relações sociais e as conseqüências disso.2. Fixemos nosso olhar na canção Piercing. 2007. que tem o individualismo exacerbado como tônica. um feio inventou a moda. pelo conseqüente retrocesso no que diz respeito às relações humanas” (SOUZA.

. felicidade. propriedade privada Não se prive não se prove Dont't tell me peace and love Tome logo um engov pra curar sua ressaca Da modernidade essa armadilha Matilha de cães raivosos e assustados O presente não devolve o troco do passado Sofrimento não é amargura Tristeza não é pecado Lugar de ser feliz não é supermercado O inferno é escuro não tem água encanada Não tem porta não tem muro Não tem porteiro na entrada E o céu será divino confortável condomínio Com anjos cantando hosanas nas alturas nas alturas Onde tudo é nobre e tudo tem nome Onde os cães só latem Pra enxotar a fome Todo mundo quer quer Quer subir na vida Se subir ladeira espere a descida Se na hora "h"o elevador parar No vigésimo quinto andar der aquele enguiço Sempre vai haver uma escada de serviço Todo mundo sabe tudo todo mundo fala Mas a língua do mudo ninguém quer estudá-la Quem não quer suar camisa não carrega mala Revólver que ninguém usa não dispara bala Casa grande faz fuxico quem leva fama é a senzala Pra chegar na minha cama tem que passar pela sala Quem não sabe dá bandeira quem sabe que sabia cala Liga aí porta-bandeira não é mestre-sala E não se fala mais nisso Mas nisso não se fala. 17 ..Não me diga que me ama Não me queira não me afague Sentimento pegue e pague emoção compre em tablete Mastigue como chiclete jogue fora na sarjeta Compre um lote do futuro cheque para trinta dias Nosso plano de seguro cobre a sua carência Eu perdi o paraíso mas ganhei inteligência Demência.

Assim. O refrão aparece logo no principio: “Tire o seu piercing do caminho que eu quero passar/ Quero passar com a minha dor”. 2007.O rap Piercing se inicia com uma citação cheia de trocadilhos recitada pelo próprio Zeca Baleiro. exclusividade. (SOUZA. Nota-se aí o caráter individualista do eu lírico. além de serem estes os locais do amor e/ ou do ato sexual. e que por isso mesmo insiste. que religião e ciência não são mais verdades absolutas ao ser pós-moderno. que impõe um ato de prazer próprio. não preenchem o vazio deixado pelos discursos que antes garantiam ao homem a sensação de bem-estar. da canção A flor e o espinho. há referências negativas ao inferno (“Nunca mais a velha chama”) e ao céu (“Nunca 18 . Todos os feitos. como sua época. como já elencado. O objeto piercing pode metaforizar tanto umbigo quanto boca.46) O sujeito inicia a estrofe criticando a religião (“Pra elevar minhas idéias não preciso de incenso”). O refrão é afirmativo. p. Nela. e a ciência não corresponde mais às suas expectativas. O ritmo da canção é acelerado como o próprio ritmo da vida. há críticas à moda e ao conceito de belo e de feio. impositivo. Na primeira estrofe. Devido a isso. destaque. da hipermodernização. Sempre com espírito de competição e com o ímpeto desejo de vencer/subir na vida a qualquer preço. citando a frase penso. vários pecados. Os versos iniciais vão evocar incessantemente à religião. assim como o fato de Satanás ter um programa de TV. Assim. É um ser que também não tem referências: Herdeiro do homem moderno que suportava sua condição humana de restrições e privações apoiando-se (primeiro) na religião e (depois) na ciência. só existe o prazer individual e suas as ordens. Dessa maneira. É um ser tenso. É exposto que Cristo tem sete chagas e o poeta. pelo consumismo exacerbado e pela necessidade desenfreada de notoriedade. uma ordem de fato. A comunicação entre os indivíduos é precária. Também. logo existo do filósofo e matemático francês René Descartes. o individuo da contemporaneidade vive num contexto em que a religião já não é mais uma verdade nem um conforto absoluto. Neste refrão há um intertexto com o verso Tire o seu sorriso do caminho que eu quero passar com a minha dor. sobra um espaço que será preenchido pelo discurso da mídia. desprovido de seus grandes pilares de sustentação resta a este homem tentar transformar a realidade na qual vive através do conhecimento. percebemos a angústia de um ser solitário no hábitat em que se encontra. haja vista que são nestes locais onde o piercing geralmente se encontra. Guilherme de Brito e Alcides Caminha. de Nelson Cavaquinho. portanto. não há alteridade por parte do eu poético. comprovando.

Ao parafrasear o verso Minha pátria é minha língua. possui o instinto de competitividade. entretanto.mais o céu do lado”). o eu poético aponta que não quer ser amado. O poeta critica o catolicismo ao revelar que não tem papas na língua e não traz padres na alma. Aqui. é um homem que pouco sabe em se tratando de relações afetivas ou de si mesmo. reforça a idéia do caos no mundo em que está inserido. é confrontar e contestar qualquer rejeição ou recuperação modernista do 19 . O poeta considera o homem pós-moderno estressado e de pouco raciocínio. querido. ideológicos. propriedade privada”). são refutados. mas ganhei inteligência/ Demência. ao chamar a modernidade da “Matilha de cães raivosos e assustados”. Desse modo. Essa relação entre presente e passado (pós-modernidade e modernidade) é vista no verso “O presente não devolve o troco do passado”. afagado. Os três versos finais revelam que a mente desse sujeito precisa aprender a soletrar (aprendizado básico). tudo gira em torno do dinheiro. versa sobre a fragilidade das relações afetivas. seu próprio nome sugere. O mundo seria um circo de feras. que é o mediador de todas as relações na vida contemporânea. é um produto a ser consumido e que pode tranquilamente ser jogado fora como chiclete. Velhos discursos. não há espaço em sua vida para outro ser. Mais adiante. o eu lírico prefere dançar na lama e dá adeus ao diretor dos filmes Singin’ in the rain (Cantando na chuva) e It's Always Fair Weather (Dançando nas nuvens). é notório que ele conhece o mundo exterior e não se conhece (“Me conheço como a palma da platéia calorosa”). uma relação baseada em bens monetários. compreende-se que o eu poético é dotado de conhecimentos específicos. de Zé Ramalho. Desconsidera discursos religiosos. um sentimento pegue e pague. Hutcheon pondera: O que o pós-modernismo faz. Gene Kelly. felicidade. Nos versos seguintes. o poeta mostra toda sua falta de patriotismo e seu exacerbado modo de pensar em si próprio (“Minha pátria é minha íngua”). É um sujeito que nega “tudo” para se afirmar como “nada”. veremos que o consumismo é retomado (“Eu perdi o paraíso. científicos. dessa forma. A segunda estrofe. da canção Língua. entre outros. ou seja. O ser em questão afirma “não me diga paz e amor”. O amor. Ao invés de cantar/dançar na chuva. se aproximando assim dos animais. conforme. Contudo. Pela citação Eu tenho a palavra certa pra doutor não reclamar da canção Avôhai. então. por seu turno. Nos seis primeiros versos. a religião é retomada em forma de crítica. como “peace and love”. de Caetano Veloso. embora ele seja dotado de vários conhecimentos. Sugere.

A critica é direcionada aos homens que só se sentem felizes ao consumir. p. 1991. não tem nada. a quarta estrofe vai lidar com a mesma questão do refrão. com anjos. já o céu é descrito com o verbo no futuro. Nesse discurso. Num tom esperançoso.39) Fechando a estrofe. Mais uma vez. O consumismo como cura para as dores a as mazelas é altamente refutado pelo sujeito (“Lugar de ser feliz não é supermercado”). o eu lírico descreve o céu e o inferno. mas sim uma reavaliação e um diálogo em relação ao passado à luz do presente. Interessante notar que o inferno é descrito com o verbo no presente. O inferno é escuro. no céu os cães só latem quando precisam se alimentar. enquanto o céu será divino. já que são sentimentos naturais ao homem.48). Se na segunda estrofe. Por fim. a verdadeira comunicação entre os indivíduos é nula” (SOUZA. a falta de comunicação. O eu poético critica o fato de certos sentimentos como “sofrimento” ou “tristeza” serem vistos como coisas ruins. a referida estrofe trata da contradição que é uma “sociedade em que a comunicação em grande escala é uma realidade. A tônica da terceira estrofe é o discurso cristão. daríamos a isso o nome de ‘presença do passado’. p. 2007. os três últimos versos retomam ao consumismo. 20 . “Onde tudo é nobre e tem nome”.passado em nome do futuro. ir para o céu (Divino). Ele não sugere nenhuma busca para encontrar um sentido atemporal transcendente. o ser vive num inferno (Terra) e pretende ser salvo. mas a comunicação nas micro-esferas sociais. Fechando o texto. ou seja. os cães da Terra (inferno) eram raivosos e assustados. (HUTCHEON. Há uma referência a segunda estrofe no trecho “Onde os cães só latem pra enxotar a fome”.

neste subcapitulo.96) Assim sendo. que pertence ao disco Líricas. de 2000: Você só pensa em grana Meu amor! Você só quer saber Quanto custou a minha roupa Custou a minha roupa. Quando eu nasci Um anjo só baixou Falou que eu seria Um executivo E desde então eu vivo Com meu banjo Executando os rocks Do meu livro Pisando em falso Com meus panos quentes Enquanto você rir No seu conforto Enquanto você Me fala entre dentes Poeta bom meu bem Poeta morto.3 Você só pensa em grana: dinheiro pode comprar seu amor Encerrando as análises das canções. 2004. segundo o padrão desses objetos. a tratar os outros seres humanos como objetos de consumo e a julgá-los.2.. Você só quer saber Quando que eu vou Trocar meu carro novo Por um novo carro novo Um novo carro novo Meu amor!.. consideremos a letra da canção Você só pensa em grana. a música Você só pensa em grana. Você rasga os poemas Que eu te dou Mas nunca vi você Rasgar dinheiro Você vai me jurar Eterno amor Se eu comprar um dia O mundo inteiro. Nessa peça. inspirada no estilo de vida consumista dominante. 21 . como alerta Zygmunt Bauman: O desvanecimento das habilidades de sociabilidade é reforçado e acelerado pela tendência. o amor é tão somente um produto a ser consumido. p.. vamos ter como foco. pelo volume de prazer que provavelmente oferecem e em termos de seu ‘valor monetário’.... (BAUMAN.

busca moda e consumo. Mas esses cálculos são apenas impaciências: não há pensamento de um lucro final: o Gasto está aberto. ao infinito. A amada destrói os poemas que ganha do eu poético. O eu poético faz uma comparação entre sua vida e a da amada ao dizer 22 . Carlos! Ser gauche na vida”. 117) O “amor” da “deusa da grana” é relacionado ao lucro.96). Logo depois. Dando seqüencia. parceiros nas alegrias do consumo. Na quarta estrofe. etc. O primeiro verso é um intertexto com Drummond: “Quando eu nasci. o eu poético vai apresentar algumas características de sua vida. o poeta já apresenta a principal característica da sua amada: o fato dela apenas se importar com o dinheiro. esconder. O poeta também alerta para o fato de que se ele comprar tudo terá todo amor da sua musa consumista. A amada. não um objeto fim). as lógicas do mundo capitalista. Ou seja. Assim. porém nunca destruiu dinheiro. aos interesses materiais. divertir. O “discurso amoroso” da musa é o inverso do que propõe Roland Barthes: O discurso amoroso não é desprovido de cálculos: eu raciocino. a amada tem o poeta como unicamente um parceiro de consumo. um anjo torto/ desses que vivem na sombra/ disse: Vai. faço contas às vezes. o tesouro de engenhosidades que esbanjo a troco de nada em seu favor (ceder. (BARTHES. A musa consumista é altamente influenciada pelo status social. num movimento de humor. já notamos que a amada não se preocupa com eu lírico e sim com o que ele representa monetariamente. 2004. p. desse modo. tendo em vista que desconsidera o oficio de poeta. Isso fica claro ao notarmos que a amada não considera a função social do sujeito (Poeta) e até despreza-o ao rasgar os poemas que ganha. convencer. a força deriva. ou seja. na terceira estrofe. sem finalidade (o objeto amado não é uma finalidade: é um objeto coisa. Zygmunt Bauman em Amor Líquido revela: “Os outros são avaliados como companheiros na atividade essencialmente solitária do consumo. de inicio.Na primeira estrofe da canção. as características da amada são reforçadas pelo sujeito. O eu lírico assume uma posição de gauche (torto) no mundo. pois um anjo lhe revelou que o sujeito seria um executivo (profissão de alto prestigio) e isso não aconteceu na realidade. p. cujas presença e participação ativa podem intensificar esses prazeres” (BAUMAN. seja para representar interiormente ao outro. não magoar. 1988.). seja para obter determinada mágoa. vai revelar que a amada somente é preocupada com o valor de suas vestes e com o seu carro.

a musa desconsidera não só o oficio do poeta como também sua pessoa e que sua imagem representa pra sociedade em geral. no ganho financeiro. infere-se a dicotomia existente na canção. e por essa singularidade) estão quase desaparecendo da vista. Zygmunt Bauman conclui: Os valores intrínsecos dos outros como seres humanos singulares (e assim também a preocupação com eles por si mesmos.96) Desse modo.que pisa em falso com seus panos quentes enquanto a musa ri confortavelmente. De outro. entre dentes: “Poeta bom meu bem poeta morto”. (BAUMAN. A musa capitalista diz. Sendo assim. por mostrar o amor unicamente como produto a ser consumido e por revelar um ser individualista que é problemático em se tratando de relações interpessoais. temos o poeta. p. De um lado. 2004. a qual visa o status social a qualquer preço e cujas ações são baseadas no interesse. Suas ações são baseadas nas relações pessoais. A solidariedade humana é a primeira baixa causada pelo triunfo do mercado consumidor. a amada. que não se preocupa tanto com bens materiais e busca ser amado pelo que é e não pelo que possui monetariamente. No final da estrofe. 23 . na coletividade. temos novamente uma refutação da amada em relação à posição social do sujeito (Poeta). Por esse trecho. a canção Você só pensa em grana retoma a canção Piercing.

A amada. métricos. podemos inferir através das analises que Zeca Baleiro expõe. Para tal. na música Você só pensa em grana. o amor como produto. a falta de amor. um registro lírico da triste realidade. temos um homem individualista que só age em prol do seu bel prazer. a saber: Babylon (em que vimos a questão do consumismo).4. Já na canção Piercing. Nesta argumentação. Nesse sentido. o eu lírico sofre as duras penas de não ser reconhecido poeta pela musa e pelo fato dela somente visar o consumo. mede o valor das pessoas por aquilo que elas possuem monetariamente. que idealiza um paraíso do consumo e tenta de todas as formas convencer a amada a fugir para lá. Considerações finais No cancioneiro de Zeca Baleiro. o que confirma assim sua importância artística. Trata-se de um homem sem referências da terra em que vive. 24 . o consumismo exacerbado. Por fim. Estamos diante de um ser cujas ações estão voltadas unicamente para si e para a ascensão social a qualquer custo. Este artigo. a Internet. Misturando o presente. descontraída e sarcástica. discute e critica a época que vive. entre outras. como se sua obra fosse uma “crônica retrato” da pósmodernidade. em Babylon. as coisas materiais. analisamos as três referidas canções sociologicamente à luz da obra Literatura e sociedade. Mesmo reconhecendo sua importância na Música Popular Brasileira. Baleiro usa e abusa dos recursos sonoros. devo admitir que a referida produção ainda é pouco estudada na Academia (foram feitos apenas duas dissertações e alguns artigos). tais como a solidão. Destarte. nos é apresentado um homem a mercê do consumismo. o individualismo. a perda de identidade. o passado. nesse caso. foram selecionadas três canções de Baleiro. É um artista que dialoga com os problemas de sua época (pós-modernidade) de forma irônica. Piercing (questão do individualismo) e Você só pensa em grana (questão do amor como produto). Assim sendo. inúmeras temáticas são abordadas. de certa forma. também teve o objetivo de sanar essa assertiva. lingüísticos e literários numa salada musical neotropicalista. Em todas as análises pudemos perceber o perfil do homem pós-moderno e o perfil da época como um todo. de Antonio Candido e das ideias de Zygmust Bauman. o consumo.

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