Agronegócio

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Pesquisas em transgênicos avançam no Brasil
Café geneticamente modificado terá características mais acentuadas

A

por Jorge Salhani

s últimas pesquisas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) tornaram o Brasil pioneiro em uma nova técnica para o desenvolvimento de café geneticamente modificado. Um novo gene a ser inserido na planta permitirá a alteração de características específicas como o sabor, a textura e o aroma. Por as pesquisas ainda estarem em fase inicial, o café transgênico ainda não é comercializado. Pesquisadores da Embrapa, entretanto, prosseguem com bastante avanço: a técnica para a produção de café transgênico foi patenteada aqui no Brasil. Para o Diretor Executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), Nathan Herszkowicz, mais do que alterações genéticas resistentes a intempéries, pragas ou excesso de chuva, a transgenia no café precisa destacar

as características sensoriais. “Hoje interessa ao consumidor e à indústria o café que tenha aromas mais pronunciados, já que esta é uma das principais características do produto”, explica Herszkowicz. Não somente o café, mas o mercado agronômico em geral demanda de insumos geneticamente modificados, ou transgênicos, a fim de as empresas conseguirem enfrentar um mercado de trabalho cada vez mais competitivo, de acordo com o Diretor Geral do IAC – Instituto Agronômico de Campinas, Sérgio Carbonell. Selo de pureza Desde 1989, a ABIC mantém o Selo de Pureza para marcas de cafés produzidos no Brasil. O produto que recebe essa certificação é considerado livre de impurezas como cascas, milho, centeio ou cevada, que possam vir a adulterar

seu real aroma, sabor ou textura. so biotecnológico não é novo, mas Pureza poderá ser atribuído a pro- somente agora está sendo utilizado dutos geneticamente alterados. em certos alimentos, como o café. A transgenia visa o aumento O que são transgênicos? da produtividade. “O limite genéti Sérgio Carbonell explica co dos insumos está no topo do poque a transgenia ocorre quando ge- tencial produtivo”, diz Carbonell, nes exógenos de uma espécie pas- que adverte aos produtores para tosam a integrá-la, atribuindo a ela marem cuidados, como não deixánovas características. Esse proces- -los causar malefícios à saúde.
João Pedro Ferreira

A modificação genética em milho se encontra em fase avançada. Dos 479 tipos cultivados no Brasil, 216 são transgênicos, segundo a Embrapa

Governo aumenta o preço mínimo do café
A saca de 60 kg passou a valer 17% a mais. A medida é uma tentativa de conter a crise do setor
por Heloísa Santos

O

preço mínimo da saca de café do tipo arábica subiu para R$ 307 depois de três anos sem reajuste. A medida decepcionou os cafeicultores, que esperavam aumento para R$ 340. O Ministério da Fazen-

da argumentou que uma elevação como a esperada, de 30%, iria ter impacto negativo na inflação, segundo informações do jornal Valor Econômico. O preço anterior da saca era R$261,69. O setor se encontra em crise, já que a receita gerada pelas exportações foi 21,69% menor do que em relação ao mesmo período no ano passado. Ainda assim, a quantidade exportada aumentou 10,25%, segundo dados da Organização Internacional do Café (OIC). Em outras palavras, o preço do café caiu, prejudicando os produtores, que ainda precisam vender a safra de 2012. Para o consultor de investimentos Marcus Magalhães, o reajuste do preço mínimo do café é a “cereja do bolo” da virada do

mercado cafeeiro. “Se o mercado não subir, não der condição para esses países produtores de café sofrerem uma capitalização e, com essa capitalização, combater a queda, realmente o mercado entra numa situação muito complexa, que com certeza inflacionará os preços no mercado internacional”, analisa Magalhães. O consultor também comenta que a qualidade do produto é o mais importante na hora de definir preços: “temos que lembrar o seguinte: o que faz a bolsa de Nova Iorque subir não é o volume de café produzido, mas sim o volume de café de qualidade produzido. Se não tivermos qualidade, o mercado ficará refém no que se refere a preço. E para se ter qualidade, é preciso ter preços remuneradores

ao setor produtivo, não só no Brasil, mas no mundo inteiro”. Ricardo de Lima Andrade, diretor da Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuarista (COCAPEC), explica melhor essa relação de preço e qualidade do produto, dizendo que “se ele [o produtor] conseguir destacar, ele pode cobrar algo a mais pelo produto. De modo geral, isso é quase igual a todos os produtos agrícolas. Geralmente, agricultor não consegue por um valor. O produtor não põe preço na mercadoria, ele toma preço do mercado.” Algumas estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) mostram que a safra de café para 2013 terá uma redução de 7,6% para o tipo arábica e de 1,3% para o tipo robusta.

Heloisa Santos

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