TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO Processo TC nº 03.

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RELATÓRIO
Sr. Presidente, Srs. Conselheiros, Douta Procuradora Geral, Srs. Conselheiros Substitutos Cuida-se nos presentes autos da Gestão Fiscal e Gestão Geral (PCA) do Sr. Isac Rodrigo Alves, Prefeito Constitucional do município de Algodão de Jandaíra, exercício financeiro 2011. Após o exame da documentação pertinente, a equipe técnica desta Corte de Contas emitiu o relatório de fls. 111/144, ressaltando os seguintes aspectos: A Lei nº 288, de 31 de dezembro de 2010, estimou a receita em R$ 9.375.088,00, fixando a despesa em igual valor, autorizando, ainda, a abertura de créditos adicionais suplementares até o limite de 70% do total orçado. Desses valores, a receita efetivamente arrecadada somou R$ 8.171.604,89, e a despesa realizada R$ 8.953.435,43. Os créditos adicionais suplementares abertos totalizaram R$ 1.790.982,89, tendo como fonte de abertura a anulação de dotação. As aplicações em Manutenção e Desenvolvimento do Ensino totalizaram R$ 1.698.702,07, correspondendo a 25,67% do total das receitas de impostos, mais transferências. Em relação ao FUNDEB, as aplicações na valorização e remuneração do magistério alcançaram 60,32% dos recursos da cota-parte do Fundo; Os gastos com Ações e Serviços Públicos de Saúde somaram R$ 1.243.844,92, correspondendo a 18,80% das receitas de impostos, inclusive transferências; No exercício em análise, as despesas com obras e serviços de engenharia totalizaram R$ 425.746,98, correspondendo a 4,76% da Despesa Orçamentária Total. O seu acompanhamento, para fins de avaliação, observará os critérios estabelecidos na RN TC nº 06/2003; Não foi verificado excesso no pagamento das remunerações dos agentes políticos do Poder Executivo; O Balanço Orçamentário apresenta déficit, no valor de R$ 781.830,54, equivalente a 9,57% da receita orçamentária arrecadada, descumprimento do artigo 1º, § 1º da LRF, no que diz respeito à prevenção de riscos e ao equilíbrio das contas públicas; O Balanço Financeiro apresenta um saldo para o exercício seguinte, no montante de R$ 1.294.792,67, distribuído entre Caixa, Bancos e Câmara, nas proporções de 0,23%, 99,77% e 0,00 %, respectivamentes; O Balanço Patrimonial apresenta déficit financeiro no valor de R$ 1.517.079,70; Os gastos com Pessoal do Município, considerando o Parecer PN TC 12/2007, atingiram R$ 4.148.665,73, correspondendo a 52,26% da Receita Corrente Líquida. Já os gastos com o Poder Executivo representaram 49,16% da RCL; Os RGF e REO enviados a esta Corte foram elaborados e publicados conforme as normas legalmente estabelecidas; O repasse ao Poder Legislativo obedeceu aos limites estabelecidos na Constituição Federal; Não foi realizada diligência in loco para análise da presente prestação de contas; Não há registro de denúncias sobre irregularidades ocorridas no exercício em análise:

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Além desses aspectos, o órgão de instrução constatou algumas irregularidades, o que ocasionou a citação do Prefeito, Sr. Isac Rodrigo Alves, que apresentou defesa nesta Corte às fls. 152/331 dos autos, a qual foi analisada pela Unidade Técnica, que emitiu novo relatório entendendo remanescerem as seguintes falhas: a) Déficit Orçamentário, no valor de R$ 781.830,54, equivalente a 9,57% da receita orçamentária arrecadada. b) Diferença a maior no valor de R$ 18.829,40, entre os saldos para o exercício seguinte registrados no Balanço Financeiro Consolidado (R$ 1.294.792,67), e a soma dos saldos para o exercício seguinte registrados no Balanço Financeiro da Prefeitura, do Instituto de Previdência Social do município, e da Câmara Municipal, totalizando de R$ 1.275.963,27;

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO Processo TC nº 03.192/12 a) Déficit Orçamentário, no valor de R$ 781.830,54, equivalente a 9,57% da receita orçamentária arrecadada. b) Diferença a maior no valor de R$ 18.829,40, entre os saldos para o exercício seguinte registrados no Balanço Financeiro Consolidado (R$ 1.294.792,67), e a soma dos saldos para o exercício seguinte registrados no Balanço Financeiro da Prefeitura, do Instituto de Previdência Social do município, e da Câmara Municipal, totalizando de R$ 1.275.963,27; c) Despesas sem licitação, no montante de R$ 1.972.207.43, equivalente a 22,03% da DTG, sendo: Aquisição de Gêneros Alimentícios R$ 68.779,52; Aquisição de Material de Expediente R$ 17.540,23; Aquisição de Material Médico Hospitalar R$ 17.695,90; Aquisição de Medicamentos R$ 23.010,85; Aquisição de Pneus R$ 17.540,00; Aquisição de Peças para Veículos R$ 14.368,00; Construção de uma escola da Educação Infantil R$ 206.353,62; Locação de máquina p/recuperação de Barragem R$ 69.520,00; Construção de uma unidade Escolar R$ 57.600,00; Aquisição de um equipamento para o FMS R$ 18.331,60; Locação de retro escavadeira R$ 50.940,00; Serviços de Transporte de Água R$ 569.919,00; Locação de Trator para corte de Terra R$ 115.760,00; Serviços de Assessoria Jurídica R$ 45.000,00; Locação de programa de folha de pagamento R$ 13.850,00; Transporte de materiais de construção R$ 55.580,00; Locação de transporte de estudantes R$ 57.372,00; Locação Veículos p/conduzir pacientes carentes R$ 299.091,00; Locação de veículos a disposição das Secretarias R$ 39.786,00; e Locação de Veículos a disposição Sec. Saúde R$ 214.350,00; d) A Prefeitura deixou de transferir ao Instituto de Previdência Social de Algodão de Jandaira – IPSAJ, contribuições previdenciárias, referentes às obrigações patronais, no montante de R$ 214.659,63; e) A Prefeitura deixou de transferir ao INSS, contribuições previdenciárias, referentes às obrigações patronais, no montante de R$ 201.955,69; f) Coleta e disposição de lixo urbano em desacordo com a legislação ambiental; g) Irregularidades verificadas nos Prédios e na Merenda das unidades escolares; h) Funcionamento precário do Conselho de Alimentação Escolar (CAE), e do Conselho de Acompanhamento e Controle Social do FUNDEB - CACS; j) Apropriação indébita de contribuições previdenciárias retidas dos funcionários e não repassadas ao Instituto de Previdência Social de Algodão de Jandaira, no montante de R$ 179.234,41; k) Descaso com o patrimônio público, causando prejuízo ao município; l) Despesas indevidas com aquisição de combustíveis, no valor de R$ 16.922,41, devendo o gestor devolver este valor aos cofres municipais; m) Não pagamento da retroatividade relativa à implantação do Piso Salarial do Magistério, no valor de R$ 28.516,20; n) Não publicação do REO em órgão oficial de imprensa; o) Insuficiência Financeira para honrar os compromissos a curto prazo. Vale registrar, ainda, o cumprimento parcial do Termo de Acordo de Parcelamento e Confissão de Débitos Previdenciários junto ao Instituto de Previdência do município – IPSAJ; Apropriação indébita de contribuições previdenciárias retidas dos funcionários e não repassadas ao Instituto de Previdência Social de Algodão de Jandaira, no montante de R$ 315.528,78, referentes aos exercícios de 2009, 2010 e 2012; e, Obrigações Patronais devidas e não transferidas ao IPSAJ - Exercícios de 2008/2009/2010 e 2012, no montante de R$ 573.667,79, devendo o gestor regularizar esses débitos sob pena de responsabilidade. Dentre as alegações apresentadas, o defendente informou que houve licitação para aquisição de medicamentos e material de expediente, para a construção da escola de educação infantil, para locação de máquinas p/recuperação de barragem, e para serviços de transporte de água e serviços de assessoria jurídica, totalizando R$ 931.000,00.

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO Processo TC nº 03.192/12 Além disso, cita o interessado que as despesas com locação de veículos para transporte de pacientes carentes, despesas com locação de veículos à disposição da Secretaria de Saúde, despesas com locação de trator para corte de terra, e despesas com locação de retro-escavadeira, no total de R$ 680.141,00, respectivamente, estariam amparadas pelo Decreto nº 31.534, de 23 de agosto de 2010, onde o governo estadual homologou o Decreto Municipal nº 399/2010, de 15 de julho de 2010, em que foi decretada Situação de Emergência nas áreas do município de Algodão de Jandaira afetadas pela estiagem, em virtude do mesmo está prorrogado automaticamente, pelo mesmo período de vigência. - Quanto aos processos licitatórios a Auditoria verificou irregularidade em todos eles, entre elas: Ausência de portaria de nomeação dos membros da comissão permanente de licitação, do registro de preços, precedido de ampla pesquisa de mercado, do parecer do setor contábil/financeiro, informando a existência ou não de dotações orçamentárias. Como falhas foram detectadas, ainda: Não consta edital ou convite e respectivos anexos, quando for o caso; não consta minuta do contrato; não consta comprovação da entrega dos convites; não constam os documentos de habilitação dos participantes. - Já em relação à segunda alegação, a Auditoria não acata os argumentos apresentados, visto não existir prorrogação automática de um Decreto de Situação de Emergência. Quanto às contribuições previdenciárias não recolhidas, fará um novo parcelamento para regularizar. No que diz respeito ao excesso de combustíveis informou que o Município de Algodão de Jandaira fica muito distante dos grandes centros do Estado da Paraíba, a exemplo de Campina Grande e João Pessoa, o que acarreta um elevado consumo de combustível, ressaltando que as viagens são de cunho administrativo, bem como com o transporte de pessoas enfermas. Desta feita, requer que a suposta irregularidade acima seja considerada elidida. - Ao demonstrar no relatório inicial o excesso de despesas com combustível no montante de R$ 16.922,41, o corpo técnico tomou como base a diferença entre à aquisição, no montante de R$ 238.171,46, e o consumo, feito a partir do controle mensal de combustíveis de cada veículo, pelo funcionário público Sr. José Alexandre Rafael dos Santos, Matricula 0103, que totalizou o valor de R$ 221.249,05. Relativamente à insuficiência financeira, esclarece o interessado que o Município de Algodão de Jandaíra, como todos os pequenos municípios brasileiros, enfrenta grave crise financeira, o que acarretou em uma insuficiência financeira para honrar seus compromissos. Porém, a Edilidade está tomando as medidas administrativas para sanar tal problema. A Auditoria não acatou os argumentos apresentados, permanecendo com seu entendimento inicial. Este Relator lembra que a Auditoria apontou como falha, também, os gastos com pessoal do Ente, que atingiram 60,43% da Receita Corrente Líquida, estando incluídos nesse percentual os valores relativos às contribuições previdenciárias. Todavia, como já foi informado anteriormente, não foi considerado o Parecer TC PN 12/2007. Ao se pronunciar sobre a matéria, o Ministério Público Especial, por meio da Douta Procuradora Sheyla Barreto Braga de Queiroz, emitiu o Parecer nº 327/2013, com algumas considerações, dentre elas: A Unidade Técnica inaugura seu exame das contas apontando irregularidades com gastos de pessoal. Expõe a irregularidade em três itens, afirmando que houve gastos com pessoal total da entidade de 60,43%, da RCL e gastos com pessoal do Poder Executivo de 56,27% da RCL, em descumprimento dos arts. 19 e 20 da LRF. Indica, também, que não foram tomadas medidas por força da ultrapassagem (art. 23 da LRF). Quanto às falhas na publicação do REO, a irregularidade, embora parcialmente sanada mediante a comprovação de publicações parciais dos REO, deve ainda ser classificada como grave. Malgrado tenha o gestor demonstrado a publicação, ela está incompleta e carece de diversos documentos integrantes, o que termina por esvaziar o conteúdo e descaracterizar os Relatórios. O fato, portanto, não é relevável e demonstra irregularidade que afeta as contas de gestão, devendo o gestor ser responsabilizado com a reprovação das contas e aplicação de multa.

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO Processo TC nº 03.192/12 Seguindo adiante na análise das irregularidades, a Instrução assenta déficit orçamentário no valor de R$ 781.830,54, equivalente a 9,57% da receita orçamentária arrecadada, em franco descumprimento do artigo 1º, § 1º da LRF, no respeitante à prevenção de riscos e ao equilíbrio das contas públicas. Ademais, a DIAFI ainda constatou que o Município inscreveu em Restos a pagar R$ 1.137.587,41, sendo R$ 911.805,07 relativos a despesas com pessoal e encargos sociais e R$ 225.782,34, referentes a outras despesas, respectivamente. As disponibilidades financeiras, por sua vez, somaram em 31/12/2011 o equivalente a R$ 83.299,17, sendo R$ 36.623,80 referentes à conta-movimento; R$ 42.298,03, relativos às contas de programas; R$ 1.591,39, referentes a convênios e R$ 2.785,95 disponíveis em caixa, respectivamente. Logo, a rigor, o ente não teve disponibilidade para honrar compromissos de curto prazo. O déficit orçamentário verificado foi astronômico. Por esta irregularidade, deve-se dar pela emissão de parecer contrário à aprovação das contas, pela irregularidade das contas de gestão e pela aplicação de multa pessoal. Houve, outrossim, erro material na confecção do Balanço Financeiro. A esse respeito, é relevante trazer à baila a constante preocupação que deve ter o gestor com a Contabilidade do Município, no intuito de melhor exercer o controle das finanças públicas e evitar distorções orçamentárias e financeiras. Com efeito, a Contabilidade, em sede de Administração Pública, também é basilar à concretização da publicidade e moralidade administrativas, já que é instrumento de racionalização, controle e transparência das atividades públicas. Tais fatos ensejam a irregularidade das contas de gestão e a emissão de parecer contrário à aprovação das contas de governo, além de aplicação de multa pessoal Quanto às despesas não licitadas, tem-se que a Auditoria não considerou como licitada a despesa com a construção de uma escola de educação infantil por meio da Tomada de Preços 01/2010 por não haver aditivo, e com a aquisição de medicamentos, no valor de R$ 39.040,34, por meio do Convite 05/2011, cujo proponente vencedor foi a firma Farias Comércio Varejista de Medicamentos Ltda. sob a alegação de que o procedimento inclui-se no relatório inicial. Vale mencionar, todavia, que a licitação de obra tem regra própria e, conquanto prevista no PPL, não está circunscrita aos créditos orçamentários. A Auditoria não demonstra não ser este o caso, portanto, não pode ser tida como não licitada a despesa. Por sua vez, o Convite 05/2011 não fazia parte dos procedimentos já analisados quando do relatório inicial. Por conseguinte, estas despesas são licitadas. Destarte, a licitação só pode deixar de ser realizada exclusivamente nas hipóteses de dispensa e de inexigibilidade estabelecidas na Lei n.º 8.666 de 1993, hipóteses essas cuja ocorrência não restou demonstrada no que tange às despesas ora em questão, exsurgindo, pois, compulsória a realização de procedimento licitatório para efetivação das mesmas. Por outro norte, não compete ao Administrador Público, na qualidade de fiel aplicador da lei, em sede de ato vinculado como a realização de despesa pública, usar de discricionariedade, dispensando indevidamente procedimento licitatório prescrito no Estatuto Licitatório sob o argumento de que, tomada singularmente, aquela despesa não alcança o mínimo previsto em lei para a realização de determinada modalidade de licitação ou traduz hipótese líquida de inexigibilidade. Indica, ainda, a DIAGM que o Município/a Prefeitura deixou de transferir contribuições previdenciárias – no caso, obrigações patronais – tanto ao Instituto de Previdência Social de Algodão de Jandaíra – IPSAJ, o montante de R$ 214.659,63, quanto ao INSS, o valor de R$ 201.955,69. Quanto ao não pagamento de contribuições previdenciárias devidas ao Instituto de Previdência Social de Algodão de Jandaíra – IPSAJ – no montante de R$ 214.659,63, há duplo interesse desta Corte em desvalorar a conduta. Primeiramente, o não pagamento das contribuições previdenciárias aumenta a dívida consolidada municipal agravando a situação financeira e patrimonial do ente. Em segundo lugar, sem a receita prevista, o Instituto de Previdência tem sua condição operacional prejudicada em virtude de ato do Prefeito. Neste sentido, o fato deve ser encarado como grave irregularidade. Quanto ao não pagamento de contribuições patronais ao INSS, a princípio, pode-se acreditar que o interesse é unicamente da alçada da Receita Federal do Brasil. No entanto, não se deve desconsiderar o impacto financeiro negativo que o não pagamento do montante devido ao INSS implicará nas contas presentes e futuras do Município.

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO Processo TC nº 03.192/12 O Parecer Normativo PN-TC 52/2004, impõe que este fato será motivo de emissão de parecer contrário à aprovação de contas dos Prefeitos Municipais. Ainda aponta que há apropriação indébita de contribuições previdenciárias retidas dos funcionários e não repassadas ao Instituto de Previdência Social de Algodão de Jandaíra, no montante de R$ 179.234,41, referentes ao exercício de 2011. Este fato, além de ter as mesmas conseqüências gravosas referidas acima, ainda é tipificado como crime de apropriação indébita previdenciária. Adiante, afirma que há diferença não paga referente à implantação retroativa do Piso Salarial do Magistério. O fato de o gestor não haver pago denota irregularidade, pois a omissão faz incrementar a dívida consolidada do Município. Todavia, por se tratar de direitos inerentes a cada professor, eles devem, individualmente, por meio de litisconsórcio, ou o sindicato, por meio de processo coletivo, pleitear os respectivos valores. Foram identificadas, também, irregularidades das quais decorrem prejuízo ao erário. Tais irregularidades são as que seguem: despesas indevidas com aquisição de combustíveis, R$ 16.922,41; e descaso com o patrimônio público, causando prejuízo ao município. O valor referente à primeira irregularidade foi liquidado e cientificado por meio de documento conforme explica a Auditoria. Todavia, o montante referente à segunda irregularidade não foi devidamente liquidado e, por tal motivo, não pode ser objeto de imputação. As irregularidades dizem respeito a veículos que, devido ao mal estado de conservação, encontram-se em desuso e até casos de veículos não encontrados – estes com prejuízo manifesto – bem como o descaso para com bens imóveis públicos como se pode ver no tocante às quadras esportivas. Há, também, precariedade quanto às más condições sanitárias no município expondo esgoto sem a devida canalização subterrânea. Por mais que se diga haver discricionariedade do gestor quanto à aplicação de recursos públicos – é ato político da autoridade decidir quais são as prioridades da gestão – o administrador público deve sempre manter condições operacionais mínimas de funcionamento das instituições. Sem estas condições mínimas, não cumprem as instituições seus respectivos papeis e sequer garantem o direito à dignidade daqueles que trabalham no local ou utilizam dos serviços prestados. Prosseguindo no exame das contas, a Unidade Técnica indica a coleta e disposição de lixo urbano em desacordo com a legislação ambiental. O lixão é situação de ilegalidade literalmente fotografada em diversas comunas brasileiras no pertinente à disposição de resíduos sólidos. Como não houve indicação de necessidade de indenização do dano causado ao meio ambiente, a matéria deverá ser remetida ao Ministério Público para, caso entenda cabível, proponha a ACP e AP com as finalidades institucionais. Na seara do TCE, cumpre emitir parecer contrário à aprovação das contas e aplicar multa pelo fato. ANTE O EXPOSTO, esta representante do Ministério Publico junto ao Tribunal de Contas alvitra ao Relator e ao Tribunal Pleno desta Corte a: a) Emissão de PARECER CONTRÁRIO à aprovação da presente Prestação de Contas quanto ao alcance dos objetivos de Governo – incluindo a observância à lei –, assim como a IRREGULARIDADE da Prestação de Contas no tocante aos atos de gestão referentes ao exercício financeiro de 2011, do Sr. Isac Rodrigo Alves, Prefeito Constitucional do Município de Algodão de Jandaíra, c/c a DECLARAÇÃO DE NÃO ATENDIMENTO INTEGRAL às disposições da Lei de Responsabilidade Fiscal, na conformidade do pronunciamento do Órgão Técnico; b) Aplicação de MULTA PESSOAL, prevista no art. 56, II da LOTC/PB, ao Sr. Isac Rodrigo Alves, Prefeito, por força da natureza das irregularidades cometidas; c) IMPUTAÇÃO DE DÉBITO no valor global calculado na forma deste Parecer, cumulado com a aplicação da multa prevista no art. 55 da LOTC/PB ao Sr. Isac Rodrigo Alves; d) RECOMENDAÇÃO ao atual Chefe do Poder Executivo de Algodão de Jandaíra no sentido de não incorrer nas falhas, eivas e omissões aqui esquadrinhadas;

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO Processo TC nº 03.192/12 e) REPRESENTAÇÃO ao Ministério Público Comum Federal e Estadual e à Receita Federal do Brasil por força da natureza das irregularidades cometidas pelo Sr. Isac Rodrigo Alves, por se cuidar de obrigação de ofício, para a tomada das providências de estilo no âmbito da respectiva atribuição e alçada de competência.

É o relatório! PROPOSTA DE DECISÃO

Sr Presidente, Srs Conselheiros, Douta Procuradora Geral, Srs Auditores, Considerando o relatório da equipe técnica desta Corte, bem como o parecer oferecido pelo Ministério Público Especial, proponho que os Exmos. Srs. Conselheiros membros do E. Tribunal de Contas do Estado da Paraíba; Emitam PARECER CONTRÁRIO à aprovação da presente Prestação de Contas enviando quanto ao alcance dos objetivos de Governo e JULGUEM IRREGULAR a Prestação de Contas no tocante aos atos de gestão, referentes ao exercício financeiro de 2011, do Sr. Isac Rodrigo Alves, Prefeito Constitucional do Município de Algodão de Jandaíra, c/c a DECLARAÇÃO DE NÃO ATENDIMENTO INTEGRAL às disposições da Lei de Responsabilidade Fiscal; Apliquem ao Sr. Isac Rodrigo Alves, Ex-Prefeito Municipal de Algodão de Jandaíra, multa no valor de R$ 7.882,17, conforme dispõe o art. 56, inciso II, da LOTCE; Representem o Ministério Público Comum Federal e Estadual e à Receita Federal do Brasil por força da natureza das irregularidades cometidas pelo Sr. Isac Rodrigo Alves, por se cuidar de obrigação de ofício, para a tomada das providências de estilo no âmbito da respectiva atribuição e alçada de competência; Recomendem à Prefeitura Municipal de Algodão de Jandaíra no sentido de guardar estrita observância aos termos da Constituição Federal, das normas infraconstitucionais, especialmente às normas da Lei nº 8.666/93, da LCN 101/2000 e ao que determina esta Egrégia Corte de Contas em suas decisões, evitando a reincidência das falhas constatadas no exercício em análise.

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É a proposta!

Antônio Gomes Vieira Filho Auditor Relator

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO
Processo TC nº 03.192/12
Objeto: Prestação de Contas Anuais Município: Algodão de Jandaíra – PB Prefeito Responsável: Isac Rodrigo Alves
MUNICÍPIO DE ALGODÃO DE JANDAÍRA – Prestação Anual de Contas do Prefeito – Exercício 2011. Parecer Contrário à aprovação das contas. Aplicação de Multa. Assinação de prazo. Recomendações.

ACÓRDÃO APL TC nº 0180/2013
Vistos, relatados e discutidos os autos do Processo TC n.º 03.192/12, referente à Gestão Geral (Prestação Anual de Contas) e Gestão Fiscal do Prefeito Municipal de Algodão de Jandaíra/PB, Sr. Isac Rodrigo Alves, relativas ao exercício financeiro de 2011, ACORDAM os Conselheiros integrantes do TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DA PARAÍBA, à unanimidade, em sessão plenária realizada nesta data, na conformidade do relatório e da proposta de decisão do Relator, partes integrantes do presente ato formalizador, em: 1) Com fundamento no art. 71, inciso II, da Constituição do Estado da Paraíba, bem como no art. 1º, inciso I, da Lei Complementar Estadual n.º 18/93, JULGAR IRREGULARES as referidas contas; 2) DECLARAR atendimento PARCIAL em relação às disposições da Lei de Responsabilidade Fiscal, por parte daquele gestor; 3) APLICAR ao Sr. Isac Rodrigo Alves, Ex-Prefeito Municipal de Algodão de Jandaíra, multa no valor de R$ 7.882,17 (sete mil, oitocentos e oitenta e dois reais e dezessete centavos), conforme dispõe o art. 56, inciso II, da Lei Complementar Estadual nº 18/93; concedendo-lhe o prazo de 30 (trinta) dias para recolhimento voluntário ao Fundo de Fiscalização Orçamentária e Financeira Municipal, conforme previsto no art. 3º da Resolução RN TC nº 04/2001, sob pena de cobrança executiva a ser ajuizada até o trigésimo dia após o vencimento daquele prazo, na forma da Constituição Estadual; 4) REPRESENTAR o Ministério Público Comum Federal e Estadual e à Receita Federal do Brasil por

força da natureza das irregularidades cometidas pelo Sr. Isac Rodrigo Alves, por se cuidar de obrigação de ofício, para a tomada das providências de estilo no âmbito da respectiva atribuição e alçada de competência;
5) RECOMENDAR à Prefeitura Municipal de Algodão de Jandaíra no sentido de guardar estrita observância aos termos da Constituição Federal, das normas infraconstitucionais, especialmente às normas da Lei nº 8.666/93, da LCN 101/2000 e ao que determina esta Egrégia Corte de Contas em suas decisões, evitando a reincidência das falhas constatadas no exercício em análise.

Presente ao julgamento a Exma. Srª. Procuradora Geral. Publique-se, registre-se e cumpra-se. TC- Plenário Ministro João Agripino, João Pessoa, 10 de abril de 2013.

Em 10 de Abril de 2013

Cons. Fábio Túlio Filgueiras Nogueira PRESIDENTE

Auditor Antônio Gomes Vieira Filho RELATOR

Marcílio Toscano Franca Filho PROCURADOR(A) GERAL EM EXERCÍCIO

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