TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO PROCESSO TC nº 03.

753/08 RELATÓRIO
O presente relatório decorre do monitoramento da “Auditoria Piloto”, atividade esta estabelecida pelo Programa Nacional de Capacitação em Auditoria Operacional, aprovado no III Fórum do PROMOEX, a ser desenvolvido pelos Tribunais de Contas que disponibilizaram equipes de auditores, visando à capacitação em Auditoria Operacional, da qual fez parte o Tribunal de Contas do Estado da Paraíba, representada pelos técnicos que subscrevem este relatório. O Grupo Temático de Auditoria Operacional composto por vários técnicos deste Tribunal foi designado pela Portaria nº 05/2008 do TCE para a realização de Auditoria de natureza Operacional no Programa de Formação de Professores do Ensino Fundamental da Rede Pública de Ensino. Após compilarem os levantamentos realizados, o Grupo emitiu o relatório acostado aos autos às fls. 1168/1207. Em seguida o Secretário de Educação, à época, Sr. Neroaldo Pontes de Azevedo foi notificado a se pronunciar sobre o referido relatório, tendo este encaminhado resposta ao Relatório de Auditoria Operacional. Foram analisados os comentários pela Equipe da Auditoria Operacional, conforme relatório fls. 1250/3. Após a análise o processo foi submetido a este Tribunal, tendo sido baixada, na sessão do dia 18.03.2009, a Resolução RPL TC nº 19/2009, publicada no DOE em 25.03.2009, a qual concedia um prazo de 120 dias para adoção de algumas providências (doc fls. 1258/9). Considerando que houve a mudança de Governo, ocorrida em 2009, foi necessária a notificação do então Gestor da Secretaria de Educação, Sr. Francisco Sales Gaudêncio, o qual apresentou resposta conforme fls. 1279/1426. A Auditoria, por sua vez elaborou o Relatório de Monitoramento acostado aos autos às fls. 1427/43. Com base nos pontos levantados pela Equipe Técnica, esta Corte de Contas, por meio da Resolução RPL TC nº 032/2010, de 06 de outubro de 2010, fez diversas recomendações ao titular da pasta, tendo esse Gestor, mais uma vez, acostado nesta Corte os documentos de fls. 1.465/1.585, que após serem analisados foram considerados pela Auditoria insuficientes para alterar o entendimento exposto pelo órgão de Instrução no 1º Relatório de Monitoramento. Primando por uma solução mais incisiva das falhas detectadas na implantação das iniciativas de formação continuada dos professores do ensino fundamental da Rede Estadual, e tento em vista a mudança de governo oriunda do último pleito eleitoral para o Estado, acarretando mudança, novamente, no Secretariado, propôs a Unidade Técnica o encaminhamento das deliberações ao atual (novo) Secretário de Educação do Estado. Por meio da Resolução RPL TC nº 24/2011, os Conselheiros Membros desta Egrégia Corte de Contas decidiram: 1) Assinar ao Gestor Atual da Secretaria de Estado da Educação e Cultura – SEEC prazo de 60 (sessenta) dias para que seja encaminhado a este Tribunal novo plano de ação contendo ações, cronograma e indicação dos responsáveis para implementar as recomendações prolatadas no Relatório de Monitoramento; 2) Recomendar ao Gestor da Secretaria de Estado da Educação e Cultura:

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2.1) A elaboração de um processo sistemático de diagnóstico devidamente regulamentado, com critérios (por escola, por localidade, por curso, por disciplina, objetivos dos cursos e dos alunos, recursos necessários), parâmetros, mapeamentos e hierarquização das necessidades que evidencie as carências de formação de professores, registrando suas constatações em documento que demonstre a efetiva realização desse diagnóstico e que sirva de apoio ao planejamento das iniciativas de formação; 2.2) A observância e cumprimento do que determina o Plano Estadual de Educação quanto aos objetivos e metas fixados para a “Formação dos Professores e Valorização do Magistério” (título 11.3 do PEE), no que se refere ao item 18, que está relacionado com a identificação e mapeamento das necessidades de formação dos profissionais da educação de modo a elaborar e dar início à implementação de programas de formação;

2.3) A elaboração e implementação de um calendário permanente de formação, contendo a programação anual das iniciativas a serem oferecidas, informando, no mínimo, a natureza da formação, o público-alvo, número de vagas, o conteúdo a ser ministrado e os locais onde as formações serão realizadas;
2.4) A elaboração de um banco de dados contendo informações necessárias referentes às formações ofertadas, o perfil dos professores, contendo a escolaridade e os cursos dos quais participaram; 2.5) O uso de indicadores financeiros e de desempenho ao planejar as iniciativas de formação, objetivando mensurar os resultados alcançados quando da realização dessas iniciativas e que sirvam de base na elaboração de novas formações; 2.6) A participação mais efetiva de professores durante o processo de planejamento das iniciativas de formação desses profissionais; 2.7) Os ajustes ao Plano Estadual de Educação, nele fazendo-se inserir metas devidamente quantificadas de formação de professores. A partir de então, recomenda-se o devido acompanhamento por parte da SEEC das realizações em face das metas previstas e quantificadas; 2.8) A articulação junto à SEPLAN, quando da elaboração dos instrumentos de orçamento, o registro de iniciativas de formação em ações de governo de acordo com critérios que se permitam observar a continuidade dessas ações ao longo dos exercícios, bem como proceder aos ajustes necessários no Plano Plurianual em vigor (2008/2011) para se adequar aos fins ora propostos; 2.9) Que seja proporcionada a elevação no número de iniciativas de formação com substancial incremento na aplicação de recursos próprios do Governo do Estado, de modo a não ficar na dependência dos recursos provenientes do FNDE; 2.10) A preferência, ao planejar novas iniciativas de formação, da realização de cursos dentro da própria regional de ensino e, dentro do possível, que as formações ocorram no próprio município de que fazem parte os professores cursistas; 2.11) A elaboração de um cronograma de reposição de aulas dispensadas e conscientizar diretores e inspetores para que seja realizado um maior acompanhamento das aulas que carecem de reposições a fim de contornar as falhas existentes nesse processo de reposição de aulas;

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2.12) Que se observe para fins de escrituração dos gastos com formações de professores e em atenção à classificação funcional introduzida pela Portaria MOG nº 42/99, aquelas ações de governo que de fato guardam coerência com os propósitos das iniciativas ministradas, registrando tais gastos de forma uniforme ao longo dos exercícios. Por oportuno, deve-se enfatizar como forma de implementar a presente recomendação o que já se evidenciou como indispensável no item “h” quanto à necessidade de se proceder aos ajustes necessários no PPA em vigor; 2.13) A instituição de indicadores de desempenho, como suporte ao monitoramento e avaliação de iniciativas de formação continuada de professores; 2.14) A elaboração de normas, rotinas e instrumentos de controle das iniciativas de formação a serem utilizados pelas gerencias para o acompanhamento e avaliação das iniciativas de formação de professores implementadas; 2.15) A articulação junto ao FNDE, com vistas à inclusão de cláusulas, nos termos de convênios firmados, a previsão de recursos financeiros e prazos para a supervisão e o monitoramento das formações de professores; 2.16) O estabelecimento de critérios e normas para acompanhamento operacional, orçamentário e financeiro das iniciativas de formação de professores, para que haja maior transparência quanto aos valores gastos por formação, por escola e Gerencia Regional e quanto aos gastos com instrutores, locação de espaços, materiais didáticos, deslocamentos e hospedagens de professores, entre outros. Atendendo a determinação constante da Resolução RPL TC 24/2011, o titular da pasta anexou aos autos os documentos de fls. 1611/1715, contendo o plano de ação e documentação complementar solicitada mediante diligência efetuada na Secretaria de Estado da Educação – SEE. Considerando que o prazo de execução de parte das ações propostas pelo gestor compreendeu o período de 12 meses, a Auditoria procedeu diligência in loco para a apuração da implementação das recomendações após o transcurso do mencionado período. Por ocasião da referida diligência in loco, foram contactadas as gerências responsáveis pelas áreas envolvidas com as formações de professores do ensino fundamental, em especial, a Gerência de Recursos Humanos (RH) e a Gerência Executiva de Educação Infantil e Ensino Fundamental (GEEIEF), todas da já referida Secretaria de Educação, a fim de coletar informações e documentos necessários à apuração. Do exame dessa documentação, a Unidade Técnica constatou uma melhoria no atendimento às recomendações oriundas da Auditoria Operacional. Conforme observou, muito embora, de um modo geral, não tenha havido incremento na concretização da implementação, que se situou em torno de 5,56% do total das recomendações, não variando em relação ao primeiro monitoramento, constata-se que, para 61,11% das recomendações, houve iniciativas da Secretaria de Estado da Educação para sua implementação, incluindo situações em que a sua implantação, na atual conjuntura, não mais é aplicável, ou seja, não mais impacta na melhoria do resultado das ações de formação de professores. Verificou-se, ainda, que houve elevados avanços no que se refere à gestão dos docentes quanto à elaboração de um banco de informações sobre a identificação e qualificação dos professores e demais servidores da Secretaria de Educação, muito embora essas informações não se possam ser conhecidas de forma sistemática e pontual quanto à necessidade de formação e os cursos realizados.

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Desta forma, a despeito da melhoria identificada na gestão das capacitações do corpo docente do ensino fundamental do Estado, em virtude da redução drástica observada nos investimentos nas referidas formações, recomenda-se que a SEE envide mais a atenção ao tema objeto desta Auditoria Operacional, qual seja a melhoria na administração, oferta e qualidade das iniciativas de formação de professores do ensino fundamental da rede estadual de ensino. Nesse sentido, considerando que a presente análise se tratou do último monitoramento da Auditoria Operacional, sugeriu a Unidade Técnica que as ações de formação de professores sejam ponderadas por ocasião das análises de rotina efetuadas pelo Órgão de Instrução na Secretaria de Estado da Educação, arquivando-se, por conseqüência, o presente processo. Não foram os autos enviados para pronunciamento do MPjTCE. É o relatório. Aud. Antônio Gomes Vieira Filho
RELATOR

PROPOSTA DE DECISÃO
Considerando o relatório da Unidade Técnica bem como o parecer oral da representante do Ministério Público Especial, proponho que os Conselheiros Membros do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba: I - DECLAREM implementadas, parcialmente, as recomendações emanadas deste Tribunal, por meio das Resoluções RPL TC nº 024/2011, RPL TC nº 032/2010, e RPL RC nº 19/2009; II - DETERMINEM o envio de cópia do Relatório do órgão técnico para o atual Secretário da Educação do Estado da Paraíba; III - DETERMINEM o envio de cópia do presente relatório ao DICOG para subsidiar a análise da prestação de contas do Governo Estadual (Processo TC nº 17785/12), incorporando as recomendações da Exma. Sra. Procuradora Geral do MPjTCE, para que os indicadores analisados venham a compor o IDGPB; IV - DETERMINEM o arquivamento dos autos do presente processo. É a proposta.

Aud. Antônio Gomes Vieira Filho RELATOR

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PROCESSO TC nº 03.753/08
Objeto: AUDITORIA OPERACIONAL Programa Formação de Professores do Ensino Fundamental da Rede Pública de Ensino Entidade/unidade: SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO E CULTURA
AUDITORIA OPERACIONAL realizada no Programa Formação de Professores do Ensino Fundamental da Rede Pública de Ensino. Recomendações e assinação de prazo.

RESOLUÇÃO RPL - TC – nº 008/2013
Os MEMBROS do TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DA PARAÍBA, no uso de suas atribuições constitucionais e legais, e tendo em vista o que consta dos autos do Processo TC nº 03.753/08, que trata de auditoria operacional realizada no Programa “Formação de Professores do Ensino Fundamental da Rede Pública de Ensino”, cuja implementação é de responsabilidade da Secretaria de Estado da Educação e Cultura, Considerando a relevância dos trabalhos, os levantamentos procedidos, os exames, as avaliações, os resultados obtidos à luz de procedimentos técnicos as conclusões a que chegou a comissão especialmente designada para esse fim,

RESOLVEM:
1) DECLARAR implementadas, parcialmente, as recomendações emanadas deste Tribunal, por meio da Resoluções RPL TC nº 024/2011, RPL TC nº 032/2010, e RPL RC nº 19/2009; 2) DETERMINAR o envio de cópia do relatório do órgão técnico para o atual Secretário da Educação do Estado da Paraíba; 3) DETERMINAR o envio de cópia do presente relatório à DICOG para subsidiar a análise da prestação de contas do Governo Estadual, (Processo TC nº 17785/12), incorporando as recomendações da Exma. Sra. Procuradora Geral do MPjTCE, para que os indicadores analisados venham a compor o IDGPB; 4) DETERMINAR o arquivamento dos autos do presente processo. Presente ao Julgamento a representante do Ministério Público Especial. TC – Plenário Ministro João Agripino João Pessoa, 24 de abril de 2013.
FÁBIO TÚLIO FILGUEIRAS NOGUEIRA Conselheiro Presidente

Cons. ARNÓBIO ALVES VIANA Cons. FERNANDO RODRIGUES CATÃO Cons. ANDRÉ CARLO TORRES PONTES

Cons. ANTÔNIO NOMINANDO DINIZ FILHO Cons. ARTHUR PAREDES CUNHA LIMA ANTÔNIO GOMES VIEIRA FILHO Auditor Relator

Fui presente : ISABELLA BARBOSA MARINHO FALCÃO Procuradora Geral do Ministério Público

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