DIÁRIO DISCENTE

Gestão Grupo Universidade Crítica 2013 Finalizado em 7 de Maio Segunda Edição

NESTA EDIÇÃO:
Uma Janela Para Novos Tempos - Comissão de Reforma do Regimento Interno. P. 2 Pesquisa na Faculdade e o Tripé Universitário. P. 4 A questão do IBDT e o posicionamento da RD na Congregação. P. 6 A reforma da Estrutura Curricular e a Construção de um PPP. P. 8 Informe Quarta Reunião Aberta Sobre Nomeação das Salas: Quarta, 08.05.2013 às 19h no Páteo

UMA JANELA PARA NOVOS TEMPOS: COMISSÃO DE REFORMA DO REGIMENTO INTERNO

Algum tempo depois dos conflitos ocorridos na gestão do diretor João Grandino Rodas e em decorrência deles, a Representação Discente propôs, à Congregação da Faculdade, a criação de uma comissão paritária para a revisão do Regimento Interno de nossa instituição de ensino. Sendo o conjunto de normas próprios da Faculdade, o regimento estrutura as entidades administrativas internas, seus funcionamentos, os princípios que a regem e pontos referentes à formação acadêmica. Identificamos, à época, que muitos dos atos autoritários praticados pelo então diretor eram decorrentes da própria estrutura verticalizada e centralizadora da Faculdade, que assim lhe permitia atuar. Perpassam, pelo regimento, questões de grande interesse do corpo discente, como sua representatividade nos órgãos colegiados, a publicidade e transparência da administração, as prerrogativas do diretor, a tutela do funcionamento das

Comissões de Graduação e PósGraduação, itens que devem ser modificados em favor das atuais demandas da comunidade acadêmica. O atual regimento da faculdade entrou em vigência em 2006 e está submetido a dois outros documentos hierarquicamente superiores: o Regimento Geral da USP e o Estatuto da USP, ambos criados antes de a Constituição de 1988 ser promulgada. Após a promulgação da Lei Máxima em 88, foi aprovada em 1996 a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que vinculam as unidades de ensino superior. O atual Regimento Interno, entretanto, não segue alguns pontos estabelecidos nessa lei, tal como a determinação de que a representatividade docente não ultrapasse 70% nos órgãos colegiados. Hoje essa porcentagem beira os 90% no órgão máximo deliberativo, a Congregação, o que muito prejudica a participação dos estudantes e funcionários na tomada de decisões.

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Dessa forma, com o objetivo de resolver tais problemas normativos e dar ensejo a uma Faculdade mais democrática e coerente com as demandas de suas três categorias, pleiteamos e aprovamos a criação da Comissão de Reforma do Regimento Interno. Para além das benesses da reforma regimental, tal comissão representa considerável ganho democrático por ser paritária (formada por 4 funcionários, 4 docentes - representando, cada um, uma comissão: Graduação, Pesquisa, Cultura e Extensão e PósGraduação - e 4 estudantes - 1 da pósgraduação e 3 da graduação). Acreditamos, ainda, que a reforma de nosso regimento possa trazer avanços consideráveis para o movimento de democratização da USP: propomos, nesse sentido, questionar pontos do Estatuto e promover estruturas inovadoras. Diante disso, por exemplo, discutimos uma nova dinâmica de eleições para diretor, que envolva uma consulta paritária à comunidade acadêmica, além da existência de um Conselho Consultivo, que promova a participação de relevantes representantes da sociedade civil, nas áreas do direito e da educação, na gestão de nossa Faculdade. 3

Atualmente, os trabalhos da comissão estão em fase consideravelmente avançada. O que se pretende é a elaboração de um anteprojeto de Regimento Interno, que deverá ser submetido à comunidade acadêmica, para posteriormente ser apresentado à Congregação da faculdade. A consulta à comunidade acadêmica será essencial para formação do novo regimento, uma vez que possibilitará a consideração de diferentes propostas para o novo documento e promoverá um Regimento Interno efetivamente democrático. Por isso, é extremamente importante a participação de todo o corpo discente nas futuras consultas, reuniões abertas e espaços de debates que se abrirão para a formação e discussão do Regimento Interno da faculdade. A mobilização em torno de tal assunto dará força política ao documento, quando ele for encaminhado para a congregação da faculdade. Assim, convidamos todas e todos a acompanharem os andamentos que divulgaremos e a participarem das discussões que serão, em breve, promovidas pela Comissão.

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PESQUISA NA UNIVERSIDADE E O TRIPÉ UNIVERSITÁRIO
A Representação Discente defende a construção de uma universidade que se apoie no tripé universitário (pesquisa, ensino e extensão). Nesse sentido, tem alcançado resultados inovadores a partir de sua atuação, que se esforça para programar a construção desse princípio na Faculdade de Direito. Nos últimos tempos e após diversos debates com os membros da Comissão de Pesquisa, a RD passou a organizar eventos que promovessem as oportunidades de pesquisa já existentes no âmbito da Universidade, mas que ainda ficavam distantes dos estudantes. Para isso, realizou, no ano passado, o I Simpósio de Iniciação Científica com o objetivo de dar publicidade às Iniciações Científicas em curso e debater a produção científica realizada na graduação. Em dois dias, foram seis mesas que contaram com 12 participantes apresentando e mais 100 pessoas que circularam pela Sala da Congregação para ver o que fora produzido e debater os resultados apresentados. Para esse ano, já começam os preparativos para o II Simpósio e a continuidade desse evento de grande

importância na valorização da pesquisa em nossa faculdade. Neste ano, a RD já organizou dois Seminários de Iniciação Científica a fim de apresentar os primeiros caminhos da pesquisa bem como responder e esclarecer dúvidas básicas sobre os trâmites burocráticos tanto para o financiamento como para a orientação de projetos. Os dois eventos encheram a Sala dos Estudantes tanto pela manhã quanto pela noite, numa oportunidade de debate que só mostra o quanto a Faculdade, após intensos debates sobre a formulação do Diário Discente - Segunda Edição

Projeto Político Pedagógico e da Nova grade, deixa ter o foco apenas no ensino e passa a se preocupar também com a Pesquisa e a Extensão, ensejando a efetivação da formação baseada no tripé universitário. Um dado significativo desse processo é que, após o aumento da divulgação das informações sobre iniciação científica e sobre o edital do PIBIC-CNPq (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica – Comissão Nacional de Pesquisa), o número de

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inscritos interessados nessa possibilidade de bolsa de financiamento dobrou. O PIBIC teve suas inscrições encerradas no último dia 30 de abril, contudo muitos projetos ainda surgem. Certamente isso se reverterá em um número ainda mais expressivo de pedidos de bolsas para a FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), já que a fundação permite que o estudante apresente projeto em qualquer momento do ano para ser avaliado. O prazo de avaliação da FAPESP é de 75 dias e a bolsa atualmente é de R$ 557, 10 (informações obtidas no site da instituição, no dia 07/05/2013). Para mais informações, consulte o site da FAPESP (www.fapesp.br) e procure pelo setor referente às bolsas de Iniciação Científica. Por mais que a faculdade tenha avançado no âmbito da pesquisa acadêmica e esteja cada vez mais fortalecendo o princípio do tripé universitário, ainda há muito que se fazer, tanto em relação à pesquisa, quanto em relação à extensão universitária. Atualmente, a luta central da RD dentro da Comissão de Pesquisa é para uma melhor regulação da concessão dos créditos pelas atividades de pesquisa. Dentro do debate

do Projeto Político Pedagógico, já começamos a ter resultados positivos como a reformulação normativa de concessão de créditos no ano passado e o início das discussões da ampliação dessa concessão de modo a tornar o processo de inscrição dos créditos concedidos mais rápido ao currículo do estudante. Outro avanço importante é o início da separação da parte administrativa das Comissões de Pesquisa e de Cultura e Extensão, de modo que ambas possam ganhar ainda mais funcionários para o gerenciamento das atividades burocráticas, o que melhora as condições para a consecução dos projetos de pesquisa na faculdade. Ainda há muito que se fazer para o avanço da pesquisa na graduação, bem como debates acerca de questões relativas, mas os exemplos acima mostram como a atuação e o debate estudantil, muito por meio da Representação Discente, produzem resultados significativos e podem produzir muito mais visando à equiparação entre ensino, pesquisa e extensão e de uma universidade cada vez mais pública, democrática, participativa e de qualidade.

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A QUESTÃO DO IBDT E O POSICIONAMENTO DA REPRESENTAÇÃO DISCENTE NA CONGREGAÇÃO
Na sessão ordinária do mês de março da Congregação da Faculdade, foi apresentada uma proposta do Instituto B r a s i l e i r o d e D i r e i t o Tr i b u t á r i o (IBDT) visando a reformar uma sala cujo projeto arquitetônico, pronto, estava já anexado, devendo-se, para realizá-la, nomear a sala de Ruy Barbosa Nogueira, nome do ex-diretor e professor da faculdade, além de fundador do IBDT. A Representação Discente, junto à representação dos funcionários, considerou a questão de extrema relevância para o debate com a comunidade acadêmica e pediu vista do item, postergando a votação para a sessão subsequente da Congregação. Durante o mês de abril, foram convocadas três reuniões abertas com o corpo discente, com objetivo de debater o tema de forma horizontal e com profundidade. Na última sessão da congregação, no dia 25 de abril, a Representação Discente apresentou seu voto-vista, posicionando-se contra o Diante disso, foi proposta, preliminarmente, a designação de um relator para analisar o caso - como é de (i) Ser a infraestrutura um item relativo ao Projeto Político Pedagógico, e que, portanto, uma determinada escolha de estrutura arquitetônica das salas deve ser feita atendendo a critérios pedagógicos, debatidos pela comunidade acadêmica (para mais detalhes, verificar o texto na íntegra do voto-vista). (ii) Identificarmos a questão do investimento privado como de muita relevância e passível de críticas das mais diversas, e que, por isso, deve ser debatida democraticamente com a comunidade acadêmica, não podendo se restringir ao âmbito da Congregação em deliberação incidental (para mais detalhes, verificar o texto na íntegra do voto-vista). projeto pelas razões abaixo, em síntese, expostas:

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praxe para as discussões que envolvem competências regimentais do órgão, a fim de analisar minuciosamente o item, identificando possíveis ilegalidades e outras questões pertinentes - e, no mérito: (i) A criação de uma comissão paritária a fim de indicar uma solução à quantia que pretende ser doada pelo IBDT, sem que se aceite os referidos encargos, conjuntamente com (ii) O apoio à iniciativa dos estudantes de discutir a nomeação das salas, a fim de indicar os possíveis nomes a serem atribuídos às salas não nomeadas, momento em que defendemos ser muito bem vinda a sugestão do nome do professor Ruy Barbosa Nogueira. Tal decisão deveria ser submetida a uma deliberação paritária. O voto completo encontra-se disponível para consulta virtual e na sala da Representação Discente ( http://
goo.gl/DZIxu)

de um relator para tratar do caso e trazer seu parecer à próxima reunião da Congregação. Neste momento da reunião, contudo, o diretor se indispôs diante da atuação dos estudantes em manifestação, determinando o encerramento da reunião, sem deliberações concretas sobre o assunto. Ta l a t i t u d e r e v e l o u - s e extremamente antidemocrática. A Congregação deve prezar pela publicidade e transparência de seus atos, haja vista seu papel de órgão máximo deliberativo de um ente da administração pública, e, mais que isso, de uma Universidade pública, sendo parte da democracia que ela se confronte, também, com a comunidade que é por ela representada e ouça dela críticas. Ressalte-se que as discussões envolvidas neste caso são muito mais profundas que a discutida doação com encargo. Estão em debate questões referentes às próprias estruturas de poder da Universidade, além da temática do investimento privado na Universidade pública e a questão da transparência da

Durante a reunião da congregação, tivemos o consenso em favor da nomeação

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Administração pública. A USP, nesse sentido, não cumpre em seus órgãos colegiados, ao menos o mínimo de representatividade das categorias previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, a qual restringe o máximo de 70% de representação docente. Assim, é importantíssimo que todas e todos os estudantes se sensibilizem

com os últimos acontecimentos e participem dos próximos debates. Só assim fortaleceremos a voz do corpo discente para conseguir um diálogo real entre toda a comunidade acadêmica, a fim de que as decisões que regem nossa Faculdade sejam tomadas de forma democrática, transparente e aberta.

A REFORMA DA ESTRUTURA CURRICULAR E A CONSTRUÇÃO DE UM PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO
A subcomissão para Reforma da Matriz Curricular e Projeto PolíticoPedagógico (PPP) encontra-se na fase final de seu trabalho. Desde sua constituição em 2011, a Representação Discente e a subcomissão vem debatendo a questão com toda a Faculdade, tanto em relação à estrutura curricular, quanto ao próprio PPP, no âmbito das reuniões departamentais e também em debates abertos ao longo de 2012. A consolidação deste debate irá significar o primeiro PPP realmente democrático constituído na Faculdade, o amplo debate possibilitou o enfrentamento de questões diversas Diário Discente - Segunda Edição 8 muitas vezes renegadas, como a maior flexibilização do curso e estímulo às atividades de pesquisa e extensão, aumentando as possibilidades de atividades que valham crédito para o aluno além das tradicionais atividades realizadas em sala de aula, inserção dos créditos trabalhos, reconhecendo institucionalmente, pela primeira vez, as horas de leitura exigidas como uma atividade realizada pelo corpo discente, o bloco de horários, que tem como objetivo racionalizar a distribuição das matérias e facilitar a elaboração do horário em todos os semestres, e outros pontos.

O último ponto polêmico pelo qual a subcomissão se deitou, desde o Diário Discente anterior, foi a divisão de salas de aulas, tema que divide de forma extrema tanto estudantes quanto professores. Após muito debater a questão, buscar o maior número de dados quanto aos espaços da Faculdade e a disponibilidade de professores, a subcomissão chegou a conclusão de que se pretendíamos aumentar o número de matérias optativas não era mais possível manter o sistema com 4 salas, e que o ideal seria um sistema com um menor número de salas, mas que não comprometesse a vantagem pedagógica de uma sala menor. Por isso a subcomissão propõe um sistema com 3 salas de aula com 80 alunos em cada, o

que significa uma redução de 25% da carga dos docentes com matérias obrigatórias, e uma pequena ampliação no número de alunos em sala de aula. Tal escolha da subcomissão não significa a ausência de um espaço democrático, muito pelo contrário, é um compromisso da Universidade Crítica que o projeto, mesmo estando diante de momentos finais, continue sendo debatido pela comunidade acadêmica amplamente e, por isso, planejamos mais algumas reuniões abertas antes da apresentação do projeto à Comissão de Graduação, onde será possível debater as propostas de forma ampla e com a maior participação dos estudantes.

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REPRESENTAÇÃO DISCENTE DA FACULDADE DE DIREITO DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO - GESTÃO GRUPO UNIVERSIDADE CRÍTICA 2013
LARGO SÃO FRANCISCO, 95, SÉ, SÃO PAULO-SP contatord@gmail.com

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A REPRESENTAÇÃO DISCENTE DE 2013 GRUPO UNIVERSIDADE CRÍTICA
Congregação Fernando Shecaira Manuel Lira Neto Mariana Teresa Galvão Taís Chartouni Rodrigues Conselho Técnico Administrativo Pedro Martinez Comissão de Graduação Felipe Dias Gonçalves Pollyana Pacheco Comissão de Pesquisa Kemil Raje Jarude Comissão de Cultura e Extensão Ana Cortês Comissão de Cooperação Internacional e Nacional Giovanna Ventre Comissão USP Recicla André Jorgetto de Almeida Lucca Magrini Rett Departamento de Direito Civil (DCV) Matheus Falcão Kawe Vasconcelos Departamento de Direito Comercial (DCO) Luiza Rivas Renan Fernandes Departamento de Direito Econômico, Financeiro e Tributário (DEF) Guilherme Amici Carolina Amaral Departamento de Direito do Estado (DES) Carolina Tomishigue Lima  Naira Teixeira Departamento de Direito Processual (DPC) Camila Sátolo do Canto Laiz Alves Departamento de Direito Internacional e Comparado (DIN) Heloísa Lima Luana L.ima Teixeira Departamento de Direito Penal, Medicina Forense e Criminologia (DPM) Tatiana Gasparini Aline Duarte Martins Departamento de Direito do Trabalho e da Seguridade Social (DTB) Luccas Cartocci Leila Izidoro Departamento de Filosofia e Teoria Geral do Direito (DFD) Caio Rigon Ortega Gabriela Paiva Bussab

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