DO QUE TRATA Segundo a obra, a realidade deixou de existir, e passamos a viver a representação da realidade, difundida, na sociedade pós-moderna

, pela mídia. Radicalmente irônico, mas com fundamentos, Baudrillard defende a teoria de que vivemos em uma era cujos símbolos têm mais peso e mais força do que a própria realidade. Desse fenômeno surgem os "simulacros", simulações malfeitas do real que, contraditoriamente, são mais atraentes ao espectador do que o próprio objeto reproduzido. QUEM ESCREVEU Jean Baudrillard (1929) começou sua carreira como professor de sociologia na Universidade de Nanterre, em Paris. Em 1977, ganhou projeção com a publicação do livro Esquecer Foucault e, mais tarde, ganhou fama e popularidade ao decretar "o fim dos tempos", em suas teorias sobre o poder da mídia na sociedade pós-moderna. POR QUE MUDOU A HUMANIDADE Porque expõe uma nova ótica sobre as mudanças impingidas pela mídia navida contemporânea. O livro direcionou e ainda direcionará estudiosos sobre a era em que vivemos, pós-internet. Baudrillard utilizou uma linguagem irônica que o tornou popular a ponto de inspirar filmes americanos, como os recentes Truman Show (1998) e a série Matrix (1999). O autor, inclusive, deu entrevistas a meios de comunicação brasileiros recentemente, após o lançamento de Matrix (o filósofo, inclusive, assumiu não ter gostado).

Simulacro e Simulação
:: Acid ::

No livro "Symbolic Exchange and Death" Jean Baudrillard argumenta que as sociedades ocidentais foram submetidas a uma "precessão dos simulacros", onde temos o original e as três ordens de simulacros: A imitação; A produção, a cópia mecânica; E, por fim, a terceira fase do simulacro: a simulação, onde interagimos com representações/símbolos/imagens/ícones, achando que é o original. Esses pensadores franceses são um saco. Deixam qualquer um deprimido. Às vezes fico pensando se as mulheres francesas são frígidas, pois os homens franceses geralmente aparecem pro mundo amargurados, mal-humorados e pessimistas, fazendo protesto por qualquer coisa. Mas, no fim do dia, tenho de dar razão à gente como Baudrillard ou Foucault: eles têm uma visão de mundo que é válida, não sendo a única, mas tristemente válida. Aí me dá vontade de cortar os pulsos com meu prestobarba, como fazem os emos. Aliás, esse post só começou por causa dos Emos. Me explico: estava a contemplar o mega-confronto entre emos e punks no México, que só não chegaram às vias de fato, pois os Hare Krishnas estragaram tudo com sua alegria e música festiva, botando as duas facções pra correr. A vida às vezes consegue ser mais bizarra que o final de Banzé no Oeste. Vejamos os Emos: Eles são desajustados, ninguém os entende por serem tão sensíveis; "esse mundo não é pra mim, por isso vou viver à margem da sociedade, isolado. Mas ei, aqueles caras que cantam são legais! Pensam como eu! E no shopping, há dezenas como eu! O mesmo cabelo com chapinha, o mesmo olhar de tristeza! Puxa, não estou sozinho! Na internet há

um estereótipo. E as pessoas preferiram o símbolo ao original. nesse terreno. o que os faz . Esse é o "Segredo" de quem controla a Matrix: distorcer o original até ele perder as origens. Pensei no quão difícil deve ter sido para o ator fazer todos aqueles movimentos nas pontas dos pés. incentivo às drogas. Mas aí surge o furacão Sex Pistols. e o que aconteceu? A próxima geração foi de Yuppies. Vejamos agora os punks: Eram pessoas que se vestiam como queriam. Foi isso que John Lennon percebeu antes de qualquer um e criticou na sua própria geração (vide a letra de Revolution). Atores.do que no Ratos de Porão. um símbolo. O João Gordo é praticamente a Ana Maria Braga da MTV. Eles não estão à margem da sociedade: são entretenimento da sociedade. a "mão que balança o berço". até mesmo potencializar as características que eles pretendem. quando o Punk (original) em si morreu. ele usou todo um gestual que. ou desapareceu. com um Sid Vicious que JÁ se vestia daquele jeito normalmente (não foi produção). e as pessoas pensaram: Ei. mas ficou representando todo o movimento até hoje). de sentimentos. de tão estranho e inumano. exige um equilíbrio ímpar. que viria (em uma geração) a demolir o poder estabelecido de forma natural. ex-hippies que se tornaram cínicos para com seus ideais porque se renderam ao sistema em troca de dinheiro e prestígio. apenas serem eles mesmos. esse é meu ideal! E a partir daí o "movimento punk" (símbolo) nasceu. com a idéia "essa é a liberdade que queríamos".. afinal gosto de diversidade. mas o fato é que ele foi o instrumento principal nas mãos da mídia (ou Matrix) pra assimilar (e diluir) o "movimento rapper". para fingir um desequilíbrio que. o "algo a mais". que dirá fazer). como um balé. e aí entra a incongruência. gostosas rebolando na frente de caras com "atitude". e está sendo mais punk agora . no futuro.centenas. Pra isso vale tudo. relações sociais. e o exemplo mais grotesco de todos de distorção do original: Vanilla Ice). Estereotiparam o hippie com aquelas roupas e imagens de gente suja e drogada (isso era só uma faceta dos hippies de San Francisco. São o chantilly do bolo. lá por Londres.. O que ele faz agora é PUNK. ou. Vejamos os Rappers: Não duvido que Eminem seja um autêntico motherfucker que tenha tido uma vida difícil e quebre minha cara só por eu olhar atravessado pra ele. em movimento. o reforço do simulacro. Eu não vejo nenhum problema nisso. e aí. Eles não pretendiam criar moda. que só quer saber de música e arte (afastando-os da imagem política.se vendendo desbragadamente em programas ridículos . mas esses movimentos insistem em se dizer "outsiders". O Dado Dolabella falou que o João Gordo "traiu o movimento". que era o começo de tudo). gente que finge ser outra pessoa. O que mais me chamou a atenção foram os movimento do ator principal. Punks e Emos são aberrações da Matrix que foram rapidamente assimiladas pelo sistema. no caso de Pinóquio. O sistema fez isso com os Hippies: os caras estavam criando uma revolução de idéias. gíria. mas que continuaram presos às drogas. como o nome diz. Ao menos ELES estão cientes disso. Não existia um padrão punk. combater. O que fizeram? Incentivo ao ódio. no sentido mais grotesco da palavra (eu mesmo não tenho estômago nem pra assistir aquilo. etc) como qualquer outra cultura de massa. mas o movimento não pára. para sua execução. ele está. e o perpetuaram através de rituais (moda. o poder estabelecido sabe como lidar com você. Para representar os movimentos do boneco. O resultado (símbolo) vemos todo dia nas rádios e MTV (pimp my ride. era gracioso. milhares! Gente que me entende!!! Então por que raios continuo alimentando a idéia de que estou triste e só? Assisti nesse fim-de-semana à peça teatral de Pinóquio.

Um "case" de sucesso. Este é o projeto mais conhecido de Baudrillard e que lhe projetou como uma das grandes celebridades intelectuais de nosso tempo. Quanto a Jesus. não há previsão de ser lançada no Brasil. 26 de maio de 2008 Depois de introduzir diversos conceitos. Baudrillard: A Precessão dos Simulacros Em Baudrillard. portanto é necessário importar o livro (facilmente encontrado em livrarias como a Cultura).O Orbital e O Nuclear. . Só pra não perder o gancho.O Encantamento Político.A Irreferência Divina das Imagens.A Estratégia do Real. bem. Sistema 1 x 0 Liberdade. a grande nação islâmica que quero crer . o budismo está sendo caricaturizado. . Tivemos algumas belas imitações (1ª fase do simulacro). . sendo . . Em filosofia. publicado originalmente em 1981.Hiper-real e Imaginário. e ganhamos um símbolo dele na cruz. que de tão detalhado acaba por cobrir toda a extensão do território. e agora já tomamos o símbolo/ícone pelo original (3ª fase do simulacro).A Negatividade em Espiral . nós perdemos há muito o Jesus original. "In hoc signo vinces" (sob este símbolo vencerás). e os islâmicos mais radicais estão caindo como um patinho (pela falta de um líder espiritual..O Fim do Panóptico. Em hiper-realidade segunda-feira.Ramsés ou A Ressurreição Cor-De-Rosa. .. .Moebius. ao menos por enquanto. mas o Dalai Lama habilmente está conseguindo se desvencilhar. o mesmo sistema de controle foi e está sendo aplicado nas religiões: O Islamismo está sendo caricaturizado através dos ícones. Baudrillard introduz este capítulo com uma fábula de Borges. que conta que uma vez os cartógrafos do Império desenham um mapa. . Ou seja: domados. A edição é de Portugal e. vamos iniciar a leitura da obra Simulacres et Simulation ("Simulacros e Simulações"). como diria Constantino. acabamos por consumir a reprodução em massa (e indiscriminada) desse símbolo (2ª fase). O início da leitura se dá com o capítulo A Precessão dos Simulacros que irá abordar os seguintes tópicos: .é pacifista faz um silêncio vergonhoso perante a mídia). além de traduzir algumas partes do wikipedia relevantes ao nosso estudo. E. A edição que tenho em mãos foi publicada pela editora Relógio D'Água e foi traduzida por Maria João da Costa Pereira.ter a falsa sensação de poder (e não perceber quem de fato segura os fios do "boneco").

cubrindo. Os signos. É o fim da coexistência imaginária. A partir daí. o mapa se fragmenta de tal modo que restam apenas alguns vestígios. não é que a coisa seja falsa. não coexistência simulada. são utilizados em modelos combinatórios para substituir e dissuadir o seu sentido real pelo seu duplo equivalente. já não existe. Esta fábula. aos poucos. . o mapa. Porém com a queda do Império. Observe que aquilo que precede o mapa não é mais o território. Segundo Baudrillard.ou seja. podemos chegar ao solo. pode ser reproduzido infinitamente. que antes permitia a abstração das coisas. Isto porque a simulação perdeu a sua referência . Porém. mas o nosso deserto. o que há é o que Baudrillard chama de hiper-real . mas sim o simulacro. o território precede. que não é mais o deserto do Império. O real é produzido a partir de memórias. aquilo o signo também poderia representar.ela não simula alguma coisa a partir de outra. mas é o que o real nunca mais poderá ser produzido novamente. hoje é o mapa que precede o território. da forma que está. além da volta do sistema de signos. Se formos abstrair ainda mais. porém é possível distinguirmos um do outro. além do próprio real. há uma substituição do significado real do signo para um outro significado e isto acontece de forma programática. matrizes e de modelos de comando. são características do início da era da simulação. em nosso tempo a coisa acontece de maneira diferente. A simulação agora acontece em modelos de geração de um real sem origem. Veja que. O deserto do próprio real². não há exatamente uma realidade. . É o simulacro que "cria" o território que satisfaça ao mapa. necessariamente. e visto que este real simulado não tem origem. Perceba que os simuladores coincidem o real com os seus modelos de simulação de tal maneira que não conseguimos mais perceber as diferenças. que podem ser encontrados nos desertos. neste caso. não há real.que ele mesmo não pode mais ser reconhecido. sendo impossível que o mapa exista sem ele. Estes modelos combinatórios são o próprio hiper-real. ou seja. Há uma inversão dos papéis. Enfim. que é a substância do território. é possível abstrair o conceito de "território" a partir do conceito de "mapa". pode ser discretamente inserida como um simulacro de segunda categoria¹. inseridos em sistemas binários e modelos de álgebras. de tal maneira que sabemos o que é um e o que é outro. De certo. os ultimos fragmentos do real. Os vestigíos do real ainda subsistem no deserto. nem uma única verdade. A diferença. Desta forma a fábula não pode ser mais utilizada. Se antes o território precedia o mapa. Todos os seres referenciais são exterminados. que podem ser medidos e calculados.ou seja. a simulação é indivisível. há um relacionamento entre os dois. Ou seja.

e quando isto acontece o real é destruído para nunca mais ser recuperado. A Irreferência Divina das Imagens. . onde o real de um signo vai sendo substituido pelo seu equivalente.como se fosses modelos gerados através de máquinas e computadores. A seguir.