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Viva ao Desemprego... criativo :-)
Agora que vários de nós começam a ficar desempregados aqui vai um texto para inspirar todos (desempregados e empregados, estudantes ou 'desestudantes') O Prof essor Agostinho da Silva f oi um def ensor do direito à preguiça. O saudoso f ilósof o acreditava numa sociedade sem economia, na qual as pessoas pudessem expressar livremente os seus talentos em vez de serem apanhadas numa estrutura organizada que acaba sempre por ser repressiva: «Que o homem possa passar à sua verdadeira vida, que é a de contemplar o mundo, ser poeta do mundo e o mundo poeta para ele, de tal modo que nunca mais ninguém se preocupe por f azer tal ou tal obra». Mais uma vez: «Que o homem possa passar à sua verdadeira vida, que é a de contemplar o mundo». Estas ideias podem parecer um pouco estranhas, sobretudo hoje, que tanto se f ala na necessidade dos portugueses serem mais produtivos. Porém, elas estão mais pertinentes do que nunca e demonstram que a f ilosof ia de Agostinho da Silva continua lúcida e actual. O Prof essor Agostinho não está só, pois as suas ideias sobre o ócio surgem a jusante de uma longa tradição de f ilósof os da preguiça. Platão, Marivaux, Rousseau, Cícero, Xenof onte, Aristóteles, Lao-tseu f oram enérgicos def ensores das virtudes da malandrice. Mas o maior teórico da preguiça continua a ser o f rancês Paul Laf argue, discípulo e genro de Marx, que denuncia «o amor ao trabalho» como «uma estranha loucura» responsável por «misérias individuais e sociais que, há dois séculos, atormentam a triste humanidade». Todos estes pensadores concordam que nem toda a inactividade é verdadeiro ócio. Só é def ensável a preguiça que se traduza em inacção criativa, uma ideia que o Prof essor Agostinho também af irmou expressamente: «O tempo livre, quando não se enche com coisa nenhuma, torna-se absolutamente insuportável, destruindo o indivíduo por completo. É a razão por que morre tanto ref ormado já que, deixando de ter o seu emprego, se não encontrar novos objectivos na vida, a morte seguir-se-á rapidamente». A ligação da preguiça ao pensamento criativo f az dela uma questão política e muito problemática. A industrialização engenhocou toda uma nova cultura do tempo, que repartiu o quotidiano em três partes desiguais: o trabalho, o sono e, residualmente, o lazer. O movimento sindical tem encetado uma luta de décadas no sentido da igualização destes três tempos, mas o trabalho permaneceu no imaginário colectivo como o grande objectivo da existência humana. Daí o cariz subversivo da preguiça: se os novos princípios do progresso transf ormam os homens em escravos da prof issão e maníacos do lucro, então a preguiça converte-se em verdadeiro princípio revolucionário. E a luta dos ociosos começa lentamente a ganhar um carácter organizado e transnacional, graças à constituição de autênticos sindicatos da preguiça nos mais diversos países: Bélgica, Alemanha, Estados Unidos e até o diligente Japão. Em França, organizações como os Chômeurs heureux ou o Parti Oisif preconizam a «erradicação do trabalho para suprimir o desemprego». Travesseiros ao alto! Para mim que sou um preguiçoso criativo isto é mesmo uma lufada de ar fresco. E em plena "crise mundial" (só se for de orientação e identidade ) isto constitui um óptimo convite para fazermos tudo aquilo que nos faz sentir bem. Perdoem o meu desatino!

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