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Universidade Positivo Leandro Franklin Gorsdorf

IV ENCONTRO ANUAL DA ANDHEP

GRUPO DE TRABALHO: Direitos Econômicos, Sociais e Culturais e Políticas de Públicas de Direitos Humanos TÍTULO DO TRABALHO: Direito à moradia adequada e planejamento urbano: em busca da construção de indicadores de direitos humanos

08 a 10 de outubro de 2008 Vitória (ES)

1. GLOBALIZAÇÃO,

PRODUÇÃO

DO

ESPAÇO

SOCIAL

E

A

DESIGUALDADE NO ACESSO A MORADIA ADEQUADA

A análise de nossas cidades não pode passar à margem dos processos existentes em escala global, principalmente econômicos que trazem desafios e agudizam as situações de desigualdades existentes, entre as cidades e dentro das cidades, de caráter intraurbano. O efeito da mundialização da economia, isto é, da globalização econômica no

processo de estruturação e de acesso a direitos nas cidades, é que se encontra atualmente a necessidade de resposta, soluções globais porém associadas a

olhares locais para enfrentamento de um tipo de planejamento urbano, que permite e induz a crescente segregação de grandes parcelas da população. Entre dois caminhos visíveis que podem ser denotados das experiências das

cidades ao redor do mundo, uma das escolhas tem sido pela busca da cidade global.1 Há maior competição entre as cidades pela atração de investimentos e apropriação do espaço e dos recursos naturais no contexto das cidades. Uma cidade aliada as inovações tecnológicas que permitem a fluidez das relações econômicas transfronteiriças, avançando além dos limites dos Estados Nacionais. O capitalismo globalizado verticaliza as relações entre os diferentes espaços, cidades são integradas em redes e fluxos e isoladas dos seus espaços nacionais, ao mesmo tempo as exigências de articulações de recursos locais se torna fundamental para a produção2 de bens e serviços, se fragmento o espaço social urbano, refletindo em conflitos sociais, onde há predominância da economia nos destinos da população. O crescimento da pobreza social cada vez mais, se localiza nas áreas urbanas. O impacto mais visível nas cidades é a influencia decisiva do capitalismo financeiro, e ainda produtivo na produção social do espaço. Se em nossas cidades já se encontrava constituído um espaço urbano capitalista, “produto social, resultado de ações acumuladas através do tempo, e engendradas por agentes que produzem e

SCHEID,Cintia Maria . O impacto da globalização na elaboração de políticas públicas urbanas : uma possibilidade aproximar a cidade a cidadania. Disponivel em: conpedi.org/manaus/arquivos/anais/bh/cintia_maria_scheid.pdf . Acesso em 22 de junho de 2008. 2 BOCAYUVA, Pedro Cláudio Cunca. Direitos Humanos e ( des ) territorialização. In ORTIZ, Maria Elena. Justiça Social : uma questão de direito.Rio de Janeiro : DP&A Editora, 2002, pág. 83.

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Acessado em 17 de setembro de 2007. Vários estudos já mostraram. de tecnologia. melhor dizer a moradia adequada. porém optamos por falar em moradia adequada. Petrópolis: Vozes. encontram atualmente novos agentes nesse processo de desenvolvimento das cidades. Pátria. proprietários fundiários. de mercadoria. Segregação Residencial e políticas públicas: análise do espaço social da cidade na gestão do território. Cit. Roberto Lobato. o Estado e os grupos sociais excluídos4). pág. Ob. Algumas das conseqüências visíveis deste fenômeno no tocante as políticas públicas referentes ao planejamento urbano são reformas institucionais de liberalização de terras e da moradia e privatização dos serviços públicos. A cidade do pensamento único: desmanchando consensos. com CORREA. Os mecanismos da acumulação urbana. em razão da implementação do Sistema Financeiro de Habitação. Roberto Lobato. a mundialização da economia exigem “a competição entre territórios e especialmente entre seus pontos nodais ou centros. primeiro. Carlos. espaços onde impera a seletividade no que se refere ao acesso a direitos e a serviços produzidos socialmente. como os detentores do capital financeiro (Bancos). E.das empresas de comunicação. São Paulo: Editora Ática. terceiro que no conceito de moradia adequada trazida pela ONU. cujos fundamentos são as próprias desigualdades cristalizadas na ocupação do solo. In: ARANTES. holdings.87. a única saída é imbuir-se do ambiente de concorrência. 11. Luiz Cesar de Queiroz. passa a ser um dos parâmetros de marginalização. se firmou na época ditatorial. estes antigos agentes (proprietários do meio de produção. isto é. empreendimentos de turismo.scielo.consomem espaço”3. 2000. 6 RIBEIRO. 4 3 . capital especulativo (Bolsas de Ações). O.MARICATO. CORREA. Atualmente parece que para se fazer frente às novas condições impostas pela globalização às cidades e aos poderes locais.6 Cria-se desta forma em nossas cidades. Disponível: www. temos o critério de habitabilidade. C. A maioria da população somente tem tido acesso a terra urbana e moradia por meio de processos informais. pág.cl/pdf/eure/v29n88/art04. promotores imobiliários. O discurso empregado para defender a produtividade e a competitividade urbana prega que a flexibilização. O Espaço Urbano. p. como a redefinição do espaço urbano das cidades. segundo que o termo moradia adequada reforça a idéia de direito. 12... empresa e mercadoria. mas não menos atuantes. enquanto habitação esta correlacionada a idéia de mercado. sendo que a taxa de crescimento de informalidade tende a ser superior a taxa de crescimento da pobreza. 2003. as cidades”5 Nesta conjuntura se processa novos rearranjos territoriais. seja pela falta ou pela precariedade. em razão do que a normativa internacional e nacional positivou nas Convenções Internacionais de Direitos Humanos e na Constituição Federal. dentre a habitação7. 7 O termo habitação. VAINER.pdf . 5 VAINER.

Luiz Cesar. isto é não compõem a agenda do poder governamental. 2001. Rio de Janeiro : IPPUR.em razão da exclusão de grande parte da população do mercado imobiliário formal. Belo Horizonte : Del Rey. grande parte da população. que a dinâmica urbana da cidade latino-americana tem como base a apropriação privada de várias formas da renda urbana. a “solução” do chamado déficit habitacional tem sido a inserção marginal na cidade. Prevalece a lógica perversa. inerentes ao modo urbano de vida. pág. centralização político institucional. de maior nível de bem-estar social e de riqueza acumulada. Segregação Residencial e políticas Públicas ( In ) Cadernos Metrópolis. Direito Urbanístico : estudos brasileiros.efeito. simultaneamente. produtora da maioria dos chamados problemas urbanos: quem está fora do mercado somente tem acesso à moradia à margem da cidade!8 Há uma conexão estreita entre as características do padrão internacional das desigualdades nas cidades apresentado com o padrão de desigualdades prevalecentes na sociedade brasileira Segundo Fernandes. são temas que parecem fazer parte do passado do debate a respeito da questão urbana. A carência habitacional está no centro do nosso problema urbano. constituída pelos trabalhadores. 5. crescimento desordenado. fazendo com que os segmentos já privilegiados desfrutem. 45. autoritarismo político social e burocratização político administrativa. Este 8 RIBEIRO. “complexo e multidimensional. racionalização do uso do solo.”9 Da mesma forma como tem ocorrido no âmbito internacional. número 28. Ao mesmo tempo. Diante desta conjuntura econômica social que se apresente aos governantes das cidades é fundamental pensar num modelo de gestão política. 9 FERNANDES. na medida em que. 2006. Edésio. pág. financeira. equipamentos de consumo coletivo. institucional e jurídica para essas realidades criadas no território das cidades. na forma de um patrimônio imobiliário de alto valor. reprodução da força de trabalho. O resultado é a urbanização sem cidades. é espoliada. esse processo de segregação sócio espacial deve-se a uma combinação histórica de diversos fatores como as dinâmicas formais e informais do mercado de terras. porque não foram reconhecidas socialmente suas necessidades de consumo habitacional (moradia e serviços coletivos). . temas como movimentos sociais urbanos.

prioritariamente ao direito humano a moradia adequada de forma a reverter a situação de desigualdade sócio espacial.cip&bool=exp&opc=decorado&exp=DECLARACAO%20UN IVERSAL%20DOS%20DIREITOS%20HUMANOS&code=&lang=por. v.gov. o direito humano a moradia adequada. . Direitos Humanos: Idéias. Belo Horizonte : Del Rey. aos benefícios da organização é o duplo desafio enfrentado internacionalmente. Direito Urbanístico : estudos brasileiros. 11. Para a construção de uma nova configuração da apropriação do território. estando associada ao processo democrático de discussão sobre o espaço local. Neide. Culturais e Ambientais. BAHIA ANÁLISE & DADOS Salvador. 2006. por serem valores oriundos de um consenso internacional. Sociais.br/cgibin/wxis. Indicadores. da terra urbana nas cidades. n.Disponível em: http://www.sei. p. democratização política e justiça social”.10 A condução das políticas públicas de planejamento urbano devem possibilitar a garantia de acesso a direitos a todos. podendo servir como a este patamar de resistência dos direitos humanos garantidos ou como motor de transformação. Edésio. Os direitos humanos assim entendidos.xis&cipar=phl8. pág. aos recursos naturais. Este direito humano se insere nos chamados Direitos Econômicos. Conceitos. garantem a efetivação do acesso da população as necessidades básicas11. Os direitos humanos se configuram como pressuposto importante. os direitos humanos apontam como contraponto processo. “eixo estratégico de 10 11 FERNANDES. 249-255.Acesso em 04 de agosto de 2008.Tendo em vista que esta discussão se insere num contexto de globalização econômica e que estamos nos referindo a escala internacional. entendidos como direitos humanos de segunda geração. 2004. 14. por ele ser concebido como “instrumento de racionalização econômica. que podem ou não estar positivados no ordenamento internacional ou nacional.. E esta analise deve levar em consideração que os direitos humanos se concretizam no espaço local. se torna um dos cernes na discussão por cidades mais igualitárias. indicamos os direitos humanos como ponto de partida desta mudança. jun. 1. PATARRA. A renovação da economia e a criação de condições para maior democratização do acesso à terra.ba. para a futura concretização de outros direitos.exe?IsisScript=phl8/003.novo modo de planejamento deve focalizar a possibilidade de políticas de inclusão social. E no tocante a produção social do espaço nas cidades.

cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis”13. os direitos humanos. iniciando a fase da internacionalização dos direitos humanos. os direitos humanos passaram a ser uam questão de preocupação internacional. Deve-se dar credito que a dimensão local garante melhores possibilidades de democratizar as relações de poder e. ratificada pelo Brasil no ano de 1950. ou “um grande agente de justiça social”. foi a Declaração Universal dos Direitos Humanos. sendo que estes devem ser instrumentalizados a partir de parâmetros que permitam uma avaliação por parte do governo e da sociedade civil sobre efetividade na implementação de tais políticas que devem visar a equidade sócio-espacial. 214. Fabio Konder. COMPARATO.transformação da forma como tomamos as decisões que concernem ao nosso desenvolvimento econômico e local”. promoção e reparação dos direitos humanos. que dispõe sobre um padrão de vida adequado: “Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e sua família saúde e bem estar. para a garantia do direito a moradia adequada. A afirmação histórica dos direitos humanos. 2007. que já apontava para a necessidade de se proteger a moradia adequada e que esta estava relacionada a qualidade de vida. São Paulo: Saraiva. Criou-se então a Organização das Nações Unidas (ONU)12 e um conjunto de convenções e tratados internacionais que constituem um arcabouço jurídico internacional de proteção. 2. vestuário. . DO SISTEMA GLOBAL DE PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS AO ESTATUTO DA CIDADE: A EFETIVIDADE DO DIREITO HUMANO A MORADIA ADEQUADA Após a Segunda Guerra Mundial. Dessa forma é orientadora da elaboração e decisão no tocante as políticas de planejamento urbano. conseqüentemente. O primeiro documento de referencia para dos direitos humanos. Por isso uma das fontes originária foi o artigo XXV Declaração Universal dos Direitos Humanos. 12 . pág. criar condições para a efetivação da gestão democrática do território. 13 Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU. pois “é em nível local que se pode realmente identificar com clareza as principais ações redistributivas”. alimentação. habitação.

os requisitos para o cumprimento dos direitos humanos que constam do pacto. A proteção jurídica da moradia nos assentamentos irregulares. o Estado Brasileiro deve propor um conjunto de medidas voltadas a proteção e promoção com base nas normas internacionais de direitos humanos do Sistema Global de Proteção de Direitos Humanos das Nações Unidas. o Comentário n° 4 do Comitê de Direi tos Econômicos. construindo uma ordem normativa. trata dos componentes do direito a moradia15 : PIOVESAN. inclusive à alimentação. Por essa razão. Sociais e Culturais. 5. de 1966. Nelson Saule. no tocante ao Direito Humano a Moradia Adequada. 2004. pág.O Brasil tem responsabilidade de adotar medidas no campo legislativo. com a finalidade precípua de monitoramento e controle da implementação pelos Estados do elenco de direitos e liberdades fundamentais. a obrigação legal de promover e proteger esse direito. No âmbito da ONU. Flávia. São Paulo: Saraiva.”14 Com isso vai se formando a partir de diversos instrumentos o Sistema Global de proteção de Direitos Humanos. 2007. O artigo 11 do Pacto Internacional sobre os Direitos Econômicos. Sociais e Culturais elaborou comentários a Pacto para interpretar os seus dispositivos. que compõem um código comum de ação. ao qual os Estados devem ser conformar. Com estes instrumentos houve um processo de juridicização dos direitos humanos. 98. indicando o conteúdo de determinados direito. Direitos Humanos e o Direito Constitucional Internacional. diz: “Os estados-partes no presente Pacto reconhecem o direito de toda pessoa a um nível de vida adequado para si próprio e para sua família. Porto Alegre : Sergio Antonio Fabris. Para nos referenciar neste debate é necessário localizarmos o fundamento legal desta obrigação. vestimenta e moradia adequadas. o Comitê Econômicos. 14 . Neste sentido. pág. Sociais e Culturais. 15 JUNIOR. administrativo e da justiça para assegurar o pleno respeito ao direito a moradia adequada.Dessa forma “são criados parâmetros globais de ação estatal. ao qual os Estados que ratificarem estes documentos se encontram obrigados ao seu cumprimento. assim como uma melhoria contínua de suas condições de vida” e gera para os Estados partes signatários.

materiais. adotada em 1993. indivisibilidade e interdependência.(e) acessibilidade. .( f) localização. pág.( g) adequação cultural. Há princípios importantes para a compreensão dos direitos humanos no contemporaneidade. e com a idéia da interdependência. Ainda neste sentido. Porto Alegre : Sergio Antonio Fabris Editora. como a Convenção sobre Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher. uma vez que: “as opções políticas deverão ser tomadas pela comunidade internacional e pelos governos nacionais. a realização de cada direito é indispensável para o pleno gozo dos demais direitos.(a) segurança jurídica da posse. são necessários para a garantia do direito humano a moradia adequada. Com a idéia de indivisibilidade que significa que os direitos humanos não podem exercer-se ou desfrutar-se de maneira segmentada. concomitantemente. pág. com a Declaração de Viena. ao saneamento básico e a um meio ambiente saudável18. a Criança entre outras. 151 18 JUNIOR.(c) gastos suportáveis .(d) habitabilidade. para a garantia do direito humano a moradia adequada. podemos citar outros tratados e convenções os quais trazem referencia importantes para a delimitação do direito humano a moradia adequada. de pessoas vivendo e áreas verificar oura situações: 16 17 SOUZA. inclusive do direito humano a moradia adequada.17 Estes princípios foram reconhecidos pela comunidade internacional de direitos humanos. o direito a alimentação.10 PIOVESAN. Ob. isto é. em face dos desafios da urbanização. deve a existência ou não. (b) disponibilidade dos serviços. 2006. Estes devem balizar as políticas publicas referentes ao desenvolvimento urbano pelo Estado Brasileiro. Isto é.1998. dentre eles podemos citar: universalidade. P. em conseqüência o direito a saúde. os Estados Parte do PIDESC devem garantir que simultaneamente estejam presentes estes aspecto para a real melhoria de vida da população nas cidades. benefícios e infraestrutura. Governo Urbano. Viés Jurídica das Políticas Urbanas.Cit. Maria Adélia de.”16 Além do PIDESC. Nelson Saule. todas as pessoas devem gozar do conjunto total de direitos e de cada um na sua totalidade. São Paulo : Nobel. para se analisar o cumprimento do direito humano a moradia adequada além de garantir a segurança legal da posse e custos sociais. 113.

No momento em que nossa constituição passou a regrar dos direitos sociais. 1998. 3. ou a existência de conflitos armados. com a Emenda Constitucional n° . 45. relacionada a idéia de direito a ser proprietário de uma casa19. é o marco jurídico de institucionalização dos direitos humanos. p. é se insere na mudança paradigmática do Estado Brasileiro. que o direito de morar sempre foi e o é. Para fortalecer este posicionamento adotado em âmbito internacional. Em 2001. tendo em vista o artigo 5º...consideradas de risco a saúde ou a vida. passando de uma postura abstencionista para “ enfoque prestacional. em determinadas cidades. a efetividade uma política pública voltada a acesso a habitação ou a regularização fundiária. Maria Paula Dallari. Políticas Públicas : reflexões sobre conceito jurídico. p. pág. a garantia a integridade física das pessoas afetadas nas ações de remoção. São Paulo: Saraiva. O espaço do cidadão. do direito humano a moradia adequada.. irradiando os valores e consensos extraídos dos documentos internacionais que dispõem sobre a proteção e promoção dos direitos. In: _____. conforme o artigo 6° da Constituição Brasileira. compondo o bloco de constitucionalidade”. São Paulo : Nobel.. condiciona-se a garantia e a promoção dos direitos humanos em especial . PIOVESAN. de realocação e de despejos forçados. 2007. 335. A Constituição Brasileira de 1988. entre eles o direito a moradia. 2006. o nosso legislador reconheceu que as normativas internacionais de direitos humanos estão estruturados e compõem o nosso ordenamento jurídico interno. me razão da recepção dos tratados e das convenções de direitos humanos. SANTOS.. o direito a moradia foi alçado a categoria de direitos sociais. característicos das obrigações de fazer que surgem com os direitos sociais.20 As normas internacionais de direitos humanos possuem então status constitucional.”21 Tendo em vista que se tratam de preceitos fundamentadores do Estado Brasileiro na sua atividade executiva. O conceito de política pública em direito. 21 BUCCI. convivência pacifica e segura nas vilas e bairros. Milton. Flávia.. São Paulo: Saraiva. § 2° e § 3° onde “os tratados de direitos humanos são materialmente constitucionais. Buscar o sentido do direito humano a moradia adequada é se opor a idéia que se cristalizou no ideário das pessoas. 20 19 . legislativa e jurisdicional. Direitos Humanos e o direito constitucional internacional.

estabelece diretrizes para implementação de políticas públicas nas cidades e os principais mecanismos de exigibilidade destes direitos. as normas internacionais adotadas pelo Estado Brasileiro trazem na sua concepção esta idéia de um patamar ético de dignidade. A lei regulamentadora da política social relacionada a reforma urbana. é expressão legal. das tensões existentes na sociedade. Estatuto da Cidade. refletindo em certa medida as diretrizes internacionais de direitos humanos. objetivos. Porém. Quando se fala na garantia de bens e serviços mínimos. Em 2001. e diretrizes. ter conhecimento das normas jurídicas (internacionais e nacionais) relativas aos direitos humanos. a constituição estipulou a necessidade de elaboração de lei específica para regulamentar a política urbana e suas diretrizes. sem os quais a existência não é digna. A espoliação urbana pode ser combatida pelo reconhecimento das necessidades de reprodução das camadas populares na forma de um direito à cidade. exigibilidade e desempenho das políticas públicas especificas que efetivam os direitos. dispõe no artigo 182. Além de nossa Constituição Federal expressar o direito a moradia . como está estipulado na nossa Constituição Federal. quando elenca o direito a moradia. oferece uma oportunidade aos governos locais de poderem retirar a dinâmica de organização urbana dos circuitos da acumulação privada de renda e riqueza geradas pela ação do poder público. é fundamental para programar e avaliar as ações de implementação. sobre a política urbana. Logo. visando a garantia de uma ordem urbana socialmente justa e includente pelos municípios. em que se estipula a política de desenvolvimento urbano e conseqüentemente sobre a função social da cidade. A lei reconhece a função social da cidade e da propriedade imobiliária.Se o espaço urbano é reflexo dos conflitos oriundos dos diversos agentes que estão relacionados a sua produção. dando respaldo constitucional a uma nova maneira de realizar o planejamento urbano. a Constituição Federal. . no seu artigo 6º . Dando conteúdo a forma ditada por nossas leis. a lei especifica foi aprovada e denominada. como direito social. para a concretização das políticas públicas voltadas as cidades e para a garantia do direito humano a moradia adequada. quanto a sua concepção.

Dirce. 2006. criando modos de institucionalização das relações sociais que neutralizem a força desagregadora e excludente da economia capitalista e possam promover o desenvolvimento da pessoa”25. 52. 2006. SANTOS. pág. JABINE... negados ou transgredidos. de direitos. em razão das características da indivisibilidade. Nesta perspectiva. 16 25 BUCCI. Políticas Públicas : reflexões sobre conceito jurídico. Ob. por si só. Cit. em especial nesta caso para o direito humano a moradia adequada. 65. 26 CLAUDE. São Paulo : Cortez.. tendo em vista que são enormes os desafios postos para a ampla democratização do Estado e a universalização de direitos. Richard. Medidas de cidades : entre territórios de vida e territórios vividos. Assistência Social e Cidade.Para isso é necessário reconhecer a estreita correlação entre o plano jurídico e ação política. no lugar da idéia do consumidor. desta forma é imprescindível o processo de monitoramento e avaliação continua do poder governamental e da sociedade civil. a “fruição dos direitos humanos é uma questão complexa. “a definição formal de direitos humanos não garante. Maria Paula Dallari. Belo Horizonte : PUC Minas. que vem demandando um aparato de garantias e medidas protetivas do Estado que se alarga cada vez mais. 2003. Políticas Sociais : instrumentos para exigibilidade de direitos ( in ) GODINHO. pág. 23 KOGA.pág. Cit. In: _____. Os direitos humanos trazem a tona a questão da intersetorialidade23 não simplesmente como uma soma de programas e projetos. pág. de forma a disciplinar o processo social. Porém. P. isto é. Mauro Rego. que eles jamais vão ser alterados. especialmente do direito humano a moradia adequada a análise do Estado na construção de instrumentos que possibilitem contribuir no processo de planejamento urbano com efeitos imediatos sobre o processo de produção e apropriação do espaço. interdependência e da universalidade. O conceito de política pública em direito. que surgiu no Brasil na medida do processo de economização da vida social24. de acesso aos direitos humanos de forma interdependente e indivisível. Trata-se de recuperar a idéia da cidadania. 24 SANTOS.”26. 4. A justificativa deste trabalho é entender qual a contribuição dos patamares internacionais de direitos humanos. mas fundamentalmente como um instrumento de mobilização de recursos e potencias locais considerados na sua totalidade do espaço urbano. Pág. 266. Maria Helena. 22 .Milton Ob. São Paulo: Saraiva. A lei deve constituir também um instrumento de ação política voltada para a ampliação e a exigibilidade de direitos22.

isto é. porque consiste num conjunto de medidas articuladas.3. cujo escopo é dar impulso. Judiciário).DIREITOS HUMANOS. não podemos nos ater tão somente a esta perspectiva segmentada dos direitos humanos. movimentar a maquina do governo no sentido de . nas políticas públicas. Esta novo dimensão proposta são os direitos humanos. E neste campo. estadual e municipal) e em todas as esferas do estado (Executivo. garantindo os princípios internacionais da interdependência e indivisibilidade. devendo avançar para a construção de um enfoque integrado de monitoramento e conseqüentemente de exigibilidade de implementações de políticas públicas referentes ao planejamento urbano. transporte são alguns deste rola de direitos que compõem a finalidade do planejamento urbano. Legislativo. Porém. sendo este a proposta os elementos constitutivos do conceito de moradia adequada pela normativa internacional. Em matéria de política urbana em todos os níveis do Executivo(federal. saneamento ambiental. é preciso identificar quais os temas em que o Estado Brasileiro não pode fazer concessões na elaboração e execução de uma política habitacional ou de regularização fundiária. de referenciais de controle social para a sociedade civil e de tomada de decisões por parte do Estado Brasileiro. Em busca de instrumentos para o planejamento urbano. em regra estão articuladas com a idéia de desenvolvimento urbano das cidades. Por política pública. “é um programa ou quadro de ação governamental. devese pensar em um novo paradigma de planejamento e gestão urbana. PLANEJAMENTO URBANO E INDICADORES DE DIREITOS HUMANOS Os direitos humanos podem servir para fortalecer o regime de proteção de direitos humanos no tocante ao mecanismo de prestação de contas perante a comunidade internacional e a sociedade civil brasileira acional e local. mas também para a verificação da violação dos direitos humanos. As políticas públicas de planejamento urbano. por isso os temas como habitação. moradia. Para tanto é importante a possibilidade de incidência dos direitos humanos. A desigualdade social brasileira exige a introdução de novas dimensões as políticas públicas para que seus efeitos sejam de fato redistributivos e inclusivos. em especial por estes temas afetarem a produção social do espaço social. segundo BUCCI.

Maria Paula Dallari. Parte-se de parâmetro universal para garantir a abertura para o diálogo com “as necessidades reais . sem esquecer nosso referencial teórico conceitual geral. 37. os direitos humanos estipulados pela normativa internacional. De forma isso se torna crível. Segundo Koga.donde a partir de normas jurídicas. 43. Dirce. Mudar a Cidade: uma introdução critica ao planejamento e à gestão urbana. In: _____. A cidade do pensamento único : desmanchando consensos. indicando de forma mais clara os resultados pretendidos ao final. 169. através das políticas públicas. Otilia. Maria Paula Dallari. para que possa ser reconhecido pelo direito a fim de gerar efeitos jurídicos31. Erminia. Pág.In: ARANTES.2000. No marco dos direitos humanos. Cit. pois os direcionamentos das políticas públicas está intrinsicamente vinculado a qualidade de vida dos cidadãos28 e o acesso aos direitos humanos. 2006. 2006.mas também como critérios de sua avaliação32. São Paulo : Cortez. pág. 14.realizar algum objetivo de ordem pública ou. pág. está a busca de uma melhora na qualidade de vida e uma busca de justiça social. através de uma abordagem como a mesma diz “holística. Petrópolis: Vozes. Cit. isto é buscar a “dimensão universal no particular”29. a justiça social está além da ótica da economia. pág. 32 BUCCI. O conceito de política pública em direito. 30 SOUZA. Por essa razão . Medidas das Cidades : entre territórios de vida e territórios vividos. pág. 28 KOGA. BUCCI. Maria Paula Dallari. As idéias fora do lugar e o lugar fora das idéias : Planejamento urbano no Brasil. Ob. Marcelo Lopes de. a cultura e o sentimento dos beneficiários”30 ano nosso ver dos sujeitos de direito. A atuação governamental deve estar conformada pela legalidade e constitucionalidade. os termos do programa no qual se baseia a política pública. São Paulo: Saraiva. na ótica dos juristas concretizar um direito”27. pág. possa construir uma modelagem jurídica. neste nosso caso.. 25. 2003. 31 BUCCI. o acesso a direitos. Rio de Janeiro : Bertrand Brasil.. Políticas Públicas : reflexões sobre conceito jurídico. Ob. conferindo aos municípios poder para implantar políticas necessárias as suas demandas concretas. nos traz é que o direito.68. a partir do marco descrito devemos “eliminar a distância entre planejamento urbano e gestão”. que não se esgota o espaço dos planos locais ou das decisões participativas descentralizadas”. 29 Maricato. A proposta da professora BUCCI. 27 . A Constituição Federal consagrou a descentralização na gestão e elaboração das políticas públicas.

Ob Cit. Pag. Quer dizer apesar de termos que a questão da habitabilidade. Somente garantindo a participação da sociedade neste processo. (ONU). estaremos permitindo a construção legitima e democrática destes direitos humano. Renato. e consequentemente de indicadores de direitos humanos. BUCCI.serem partes integrantes do direito a moradia adequada. deve ter eficácia jurídica.”33 Ainda neste sentido. em certo espaço de tempo.deve estar atrelado ao novo modo de planejamento. inclusive das normas internacionais. em determinado tempo. os custos sociais.2006. pois deve sempre haver espaço para a discussão destes parâmetros indicados pelos direitos humanos. obter resultados determinados . sua amplitude conceitual. Dallari. 43. Maria Paula Dallari. devem ser reinterpretados. Mas não se pode entender que basta a mera conformidade com o texto jurídico. apesar de ser indicada pelos Organismos Internacionais de Direitos Humanos. São Paulo: Saraiva. deve-se ficar atento para recairmos num processo acrítico das leis. estes conceitos devem dialogar com a realidade local. Por essa razão o direito humano a moradia adequada. CYMBALISTA. A validação dos requisitos aos quais podem subsidiar a construção de indicadores de direitos para a decisão. 286 34 33 . sobre o que eles podem versar.Politicas Públicas: Reflexões sobre o conceito jurídico.Os direitos humanos positivados nas normas jurídicas internacionais. execução e monitoramento das políticas públicas. O apego a esta perspectiva pode incorrer num processo tecnocrático de planejamento urbano. Política Urbana e regulação urbanística no Brasil –conquistas e desafios de um modelo em construção. tratando de dar o sentido necessário para a sociedade de determinado lugar. ao basear-se tão somente nestes “padrões e mecanismos técnicos e especializados como referenciais únicos desta prática”34 política pelo poder governamental. expressos na normativa internacional e nacional. não pode o poder governamental se eximir de por em discussão perante a sociedade destes pressupostos. a gestão democrática. In: BUCCI. Pág. Maria Paula. porque a dimensão da efetividade desta política pública de garantia ao direito humano a moradia adequada. “resultar no atingimento dos objetivos sociais (mensuráveis) a que se propôs. podem então ser o critério de modelagem jurídica para as políticas públicas a fins ao planejamento urbano. segurança legal da posse. isto é. estipulado no marco legal internacional e seus requisitos.

xis&cipar=phl8. Este pode ser um instrumento importante para a sociedade civil organizada.gov.”apesar de seu caráter eminentemente universalista.cip&bool=exp&opc=decorado&exp=DECLARACAO%20UNI VERSAL%20DOS%20DIREITOS%20HUMANOS&code=&lang=por. Angelica de Faria. Pág. Ob.GUEDES. políticos.36 Em razão da presença da participação da população. não seria necessário postulá-las já que todos as teriam igualmente. Cit. v. que corresponde à demanda por uma gestão deliberativa das políticas públicas. nas deliberações sobre as políticas públicas de desenvolvimento urbano .exe?IsisScript=phl8/003. vem a colaborar no sentido de determinação das responsabilidades. consiste numa violação de direitos humanos tendo em vista a sua obrigação. conforme PATARRA. Ob. Disponível em : Acesso em : 38 SOUZA. no qual o monitoramento do direito humano a moradia adequada pode rastrear as as mudanças em política e apresentar dados para análise da implementação e garantia do acesso a direitos. 14. e até que ponto houve o cumprimento e /ou respeito aos requisitos que conformam o direito humano a moradia adequada.”35 A sociedade civil nas cidades segundo Marcelo de Souza. 249-255. 1.ba. ressaltam sua contradição fundamental: uma vez sendo óbvias as necessidades básicas de todos os humanos. Democracia com Exclusão e Desigualdade: a difícil equação. Marcelo Lopes de. Cit. Indicadores. Para uma análise das políticas públicas referentes a planejamento urbano . os indicadores de direitos humanos.: 36 SOUZA. SILVA. “nossa tese é que a construção da democracia na região introduz a reivindicação cidadã de um direito de quinta geração (para além dos direitos civis. 74. Conceitos. BAHIA ANÁLISE & DADOS Salvador. n.Disponível em: http://www. Neide. Sonia. sociais e difusos). em especial temos que dispor de informações para avaliação do planejamento do espaço social. humano e geográfico. p.38 Também sendo necessário para intervenções ditadas pelo Estado. Marcelo Lopes de. pág. em especial. jun.das políticas sociais. Direitos Humanos: Idéias.. 35 . a idéia de direitos humanos é permeada por uma constante tensão frente às particularidades culturais que.”37 A não garantia pelo poder público do direito humano a moradia adequada. freqüentemente. Moema de Castro. PATARRA. Neste ponto.sei. seu dever de prestar estas políticas públicas de acesso. devem ser os agentes controladores do próprio processo no caso de intervenções urbanas.A tensão entre o global e o local também se reflete nos direitos humanos.. 69 37 FLEURY.Acesso em 04 de agosto de 2008.br/cgiin/wxis. 2004.

por isso devemos antes de empreender na construção de um índice de direitos humanos. Um segundo passo ao constatar os indicadores será construir uma análise do território da cidade. definir o que são direitos humanos suscita grande dificuldade. 26. Isto é.A construção de indicadores de direitos pode “ fazer diferenças de várias maneiras: pode induzir pessoas a compreender e apregoar a extensão e o tipo das violações de direitos humanos. P. Luiz Cesar de Queiroz. De forma que através das leitura deste dados possamos analisar a organização sócioterritorial das cidades. pág. como exemplo. Por isso como já dito antes os direitos humanos ditados nas normativas internacionais não se bastam por si mesmo. Segregação Residencial e políticas públicas: análise do espaço social da cidade na gestão do território. por isso as vezes é meais importante definir os tipos de violações de direitos humanos. Garantem de certa forma a possibilidade de um eficiente processo de monitoramento das intervenções territoriais das ações pública. 2007. Direitos Humanos e Estatística. Exame dos problemas dos Direitos Humanos por meio da Estatística.pdf . . Disponível: www. JABINE. “tanto quanto para os 39 CLAUDE. Sabemos ao certo que há dificuldades na compreensão. Richard.. sendo necessário a participação da população das cidades neste processo decisão do sentido que vem a ser direito a moradia adequada. pois não deve se ter a pretensão de enquadrar os direitos humanos num conceito imutável com o tempo. a espacialização garantindo uma análise do processo de segregação sócio-espacial. Thomas B. do direito humano a moradia adequada. identificar os grupos mais afetados e definir responsabilidades”39 Um ponto importante a ser garantido na construção dos indicadores de direitos humanos pela estipulação dos direitos humanos como parâmetro de realização de políticas públicas e dos indicadores de realização e promoção de direitos humanos é a possibilidade de se elencar uma ordem de prioridades no processo de execução de políticas públicas. e “blindado” com as mudanças na sociedade. São Paulo: Edusp. Para a construção destes indicadores de direitos humanos. principalmente quando falamos de moradia e sua relação intrínseca com o aspecto da mobilidade e da dinâmica intra urbana e da ordem simbólica deste processo40. In:_____.cl/pdf/eure/v29n88/art04. Acessado em 17 de setembro de 2007.scielo. 40 RIBEIRO. ou de um sistema de indicadores devemos ter a construção dos indicadores que serão componentes.

moradia. é propiciar a uniformização das análises a respeito da concretização através de políticas públicos dos direitos consagrados no marco legal. em sua maioria tem departamentos de estatísticas. Pág. vide Índice de Desenvolvimento Humano ( IDH ) e GINI. Ob. P. 43 CLAUDE. enquanto com relação aos indicadores sociais. precisam então ser desagregados. sociais e culturais existe um avanço de indicadores que permitem a mensuração. além de outros aspectos do bem estar de seus cidadãos. 41 42 CLAUDE. Os governos nacionais.. Richard.. os indicadores de direitos humanos partem dos direitos e por isso intrinsecamente se referiam a partir deles.sua fundamentação parte da idéia de indicadores sociais. local. regional. Richard. primeiramente quanto a sua abrangência espacial. definições e métodos que operacionais aptos a produzir estatísticas de renda. tópicos complexos tem que ser entendidos em termos das partes que o compõem. Censos. isto é. que “colaboram no desenvolvimento de conceitos. que cobrem inúmeros tópicos. Richard. 37. nacional. porém não partem da idéia de direitos humanos positivadas nas normativas internacionais e nacionais. JABINE. Porém seus parâmetros . CLAUDE. Analistas que entendem que quanto aos direitos humanos econômicos. e força de trabalho. ou se não houver o acesso a estes dados devemos construir processos e instrumentos de mensuração que permitam “ coletar e analisar a informação quantitativa a respeito de determinado direito humano”42. P. no âmbito internacional.Índice de Qualidade de Vida Média. Ob.advogados e cientistas sociais. 32. Cit.”41 Devemos identificar possíveis objetos de mensuração. os quais podem ser utilizados para a mensuração dos direitos humanos. 33. identificados. P.. Pág. Cit. JABINE. monitorar o avanço no proteção e acesso aos direitos humanos. este se identificam com os direitos humanos quanto ao seu fim. pág.a exemplo de Belo Horizonte. no âmbito municipal. nacional e internacional. saúde. Os direitos humanos. A diferença esta em que. temse desenvolvido diversos índices. JABINE. a sua possibilidade de desagregação.. e posteriormente quais os dados a serem coletados.”43 Um dos objetivos ao estipular estes indicadores de direitos humanos no campo do direito humano a moradia adequada. pesquisas por amostragem e dados programáticos fornecem bastante informação. . Ob. e o IQVM . gastos. cit.

.xis&cipar=phl8.exe?IsisScript=phl8/003. P. 45 PATARRA. pág.”47 Como diz. 2004.. no plano macro. porém sabemos que quando entramos em conceitos como adequação cultural. Nesta relação dos direitos humanos.Acesso em 04 de agosto de 2008. Neide. 1. esses direitos sejam difundidos para as populações tradicionalmente alvo das violações de direitos GOLDSTEIN. Segundo PATARRA. fica difícil a definição e seu conteúdo e limites de entendimento.GUEDES. a decisão do poder governamental em adotar determinada política pública deve se orientar por bases que possam avaliar seus impactos e a continuidade da política pública a garantia do direito a moradia adequada. Richard. da melhoria e não do retrocesso na garantia dos direitos humanos.. SILVA. Robert Justin. 14. jun. Richard. da evolução. Cit. P.. 249-255.br/cgibin/wxis.. Cit. pág. ou a falta de avanço nos indicadores sociais. JABINE. Direitos Humanos e Estatística. BAHIA ANÁLISE & DADOS Salvador.Disponível em: http://www. 47 CLAUDE. Richard.sei. Ob.gov.”45 Por isso nesse caso também devemos nos atentar que quando tratamos de direitos econômicos . embora possa não ser o traço principal.Alguns autores entendem o direito a moradia adequada. A importância dos indicadores de direitos humanos para o planejamento urbano e implementação de políticas públicas de acesso a moradia adequada fica explicita quando “sustentamos a mensuração.. interpretação e mensuração44. 43. deve desempenhar seu papel no estudo. v. Por isso além da analise quantitativa.ba. Angelica de Faria. instaura um novo campo de estratégia de luta política sobre os direitos de cada população. em que traz exatamente os requisitos esta dificuldade em termos fica afastada. sociais e culturais. porém. devemos monitorá-los em termos de progresso. com dificuldades no processo de conceituação. os princípios assinados se transformem em metas a serem atingidas através de diversos indicadores sociais e. JABINE.69. Ob.cip&bool=exp&opc=decorado&exp=DECLARACAO%20UN IVERSAL%20DOS%20DIREITOS%20HUMANOS&code=&lang=por. Thomas B. Indicadores. 43. Sociais e Culturais. JABINE. P. 46 CLAUDE. 44 . democracia e indicadores “fazendo com que. Conceitos. p. Direitos Humanos: Idéias.. “a idéia de que a inexistência de políticas públicas em determinado setor. representa a falta de compromisso dos governos com os acordos firmados. a “natureza essencial dos direitos humanos é qualitativa”46. 2007. no plano micro. As limitações do Uso de Dados quantitativos no Estudo das Violações de Direitos Humanos In : CLAUDE. São Paulo: Edusp. se enquadra na categoria de direitos humanos. n. Moema de Castro. pois há a necessidade de se explicar as mudanças ao longo do tempo. avaliação e planejamento dos direitos. se tomarmos o que diz a Comentário n° 4 do Comitê Dos Direitos Econômicos.p.

sei. v. CLAUDE. Porto Alegre : Sergio Antonio Fabris. Edésio. Viés Jurídica das Políticas Urbanas.br/democracia/documentos/TC. Roberto Lobato. 2004.GUEDES. Disponível em: www. Maria Paula Dallari.pnud. 1. E. 113.. VAINER. Porto Alegre : Sergio Antonio Fabris Editora. 2002. O. Maria Elena. CADERNOS METROPOLIS. A afirmação histórica dos direitos humanos. 14. Belo Horizonte : PUC Minas.. 2007 COMPARATO.br/cgi- 48 PATARRA. p. Richard.. Rio de Janeiro : IPPUR.. KOGA. JUNIOR.. 2003. Direitos Humanos e Estatística. São Paulo: Saraiva.humanos. São Paulo: Edusp. 2006. Dirce. P. 2004. Justiça Social : uma questão de direito. SILVA. Políticas Públicas : reflexões sobre conceito jurídico. São Paulo: Saraiva. BUCCI. Neide.MARICATO. São Paulo : Cortez.GUEDES. Medidas das Cidades : entre territórios de vida e territórios vividos. ORTIZ.ba. Direito Urbanístico : estudos brasileiros.. Moema de Castro. Direitos Humanos: Idéias. C.pdf Acesso em: 18 de setembro 2008. PATARRA.. 2007. pág. A cidade do pensamento único: desmanchando consensos.fleury. 2006. 249-255.gov. Angelica de Faria. JABINE. Maria Helena. Indicadores. Neide. 2006. A proteção jurídica da moradia nos assentamentos irregulares. 2006.Disponível em: http://www. Ob. com o intuito de que possam cobrar melhor assistência das instâncias locais de poder.Rio de Janeiro : DP&A Editora. CORREA. Sonia. pág. 2006. São Paulo: Editora Ática. Thomas B. Democracia com Exclusão e Desigualdade: a difícil equação. Cit. Angelica de Faria.org. GODINHO. número 28. n. 254 . Belo Horizonte : Del Rey. SILVA.”48 BIBLIOGRAFIA ARANTES. Conceitos. FERNANDES. 2000. Fabio Konder. Nelson Saule. Petrópolis: Vozes. _____. Assistência Social e Cidade. BAHIA ANÁLISE & DADOS Salvador. FLEURY. jun. 2001. O Espaço Urbano. Moema de Castro.

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