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PUC-Rio – História das Cidades – Prof.

ª Ana Luiza Nobre
Fichamento 1 de 3 – 2012.2 - Beatriz Rodrigues F. Pereira

1. TEXTO ANALISADO Rolnik, Raquel. O que é Cidade? – p.11 a 29, S. Paulo: Editora Brasiliense, 1988.

2. PALAVRAS-CHAVE definição – cidade – imã – escrita – mercado – política

3. PERFIL BIOGRAFICO DO AUTOR Raquel Rolnik, nascida em São Paulo em 1956, se graduou em Arquitetura e Urbanismo (1979) e fez pós-graduação em Filosofia, com foco em Sociologia Urbana, na FAU-USP. Concluindo também um doutorado em Historia Urbana na NYU em 1995. Foi diretora de planejamento da Secretaria de Planejamento do município de São Paulo e coordenadora de Plano Diretor da cidade. Desde então tem combinado o trabalho como urbanista com a escrita, ensino e pesquisa. Atualmente é professora da FAU-SP e relatora especial da Organização das Nações Unidas para o direito à moradia adequada.

4. RESUMO “Nunca se está diante da cidade, mas quase sempre dentro dela.” “O espaço urbano deixa de se restringir a um conjunto denso e definido de edificações para significar, de maneira mais ampla, a predominância da cidade sobre o campo.” O movimento incessante da urbanização transforma em urbana a sociedade como um todo. Cidade como imã – um campo magnético que atrai, reúne e concentra as pessoas. “A cidade é antes de mais nada um imã, antes mesmo de se tornar local permanente de trabalho e moradia.” “A garantia de domínio sobre este espaço está na apropriação material e ritual do território. E assim, os templos se somam a canteiros de obras de irrigação para construir as primeiras marcas do desejo humano de modelar a natureza.” “embaralhar as línguas era impossibilitar a comunicação entre os homens, fundamental para a existência de um trabalho organizado, e com isso inviabilizar a realização da obra coletiva." “O mito de Babel expressa a luta do homem por seu espaço vital, no momento de sedentarizarão. O final da alegoria – a divisão irremediável dos homens em nações – aponta para a constituições da cidade propriamente dita.” Construir cidade significa construir escrita. “Na medida em que seus moradores são consumidores e não produtores agrícolas [...] é na cidade que se registra acumulação de riquezas, de conhecimentos.” “Na cidade-escrita, habitar ganha uma nova dimensão completamente nova, uma vez que se fixa em uma memória que, ao contrário da lembrança, não se dissipa com a morte. [...] a própria arquitetura urbana cumpre esse papel.”

“É por isso que as formas e tipologias arquitetônicas, desde quando se definiram enquanto habitat permanente, podem ser lidas e decifras, como se lê um texto.” “A arquitetura da cidade é ao mesmo tempo continente e registro da vida social: quando os cortiçados transformam o palacete em maloca estão, ao mesmo tempo, ocupando e conferindo um novo significado para um território; estão escrevendo um novo texto.” O que não é algo ruim, é importante conferir a cidade como vida, para que haja memoria e não lembrança. A cidade como política – ordem e poder “São regulamentos e organizações que estabelecem certa ordem na cidade definindo movimentos permitidos”. Não importa qual no tempo ou espaço, toda cidade possui um espaço público, como pelo menos uma calçada ou praça que é de todos e não é de ninguém. “há sempre na cidade uma dimensão pública de vida coletiva, a ser organizada” “a divisão do trabalho produz e repõe uma hierarquia que se expressa claramente em termos espaciais.” “A origem da cidade se confunde com a origem do binômio diferenciação social/centralização do poder. Este se coloca tanto internamente [...] quanto externamente, na conquista e ordenação dos territórios sob seu poder” “A relação morador da cidade/poder urbano [...] desde a sua origem significa, ao mesmo tempo, uma maneira de organizar o território e uma relação política. Assim, ser habitante de cidade significa participar de algumas formas de vida pública, mesmo que em muitos casos esta participação seja apenas a submissão a regras e regulamentos.” “Se no caso da polis ou da civitas o conceito não se referia à dimensão espacial da cidade e sim à sua dimensão política, o conceito de cidadão não se refere ao morador da cidade, mas ao indivíduo que, por direito, pode participar da vida política.” A cidade como mercado – troca e especialização “Ao concentrar e aglomerar as pessoas, intensifica as possiblidades de troca e colaboração entre os homens, potencializando sua capacidade produtiva. [...] quando há a possibilidade de obter parte dos produtos necessários à sobrevivência através da troca, configura-se a especialização do trabalho e instaura-se um mercado” “o atendimento aos mercados urbanos possibilitou a especialização dos ofícios e, consequentemente, o desenvolvimento das técnicas”.

5. INTERLUCUÇÃO Em seu livro a autora aponta alguns outros autores que estão relacionados a outras formas de ler a cidade: “Para uma visita geral da história das cidades, o livro de Lewis Mumford, A Cidade na História, [...] Uma visão um pouco mais focalizada no desenho e arquitetura urbanos propriamente ditos está na obra de Leonardo Benevolo, Historia da Cidade.” “Para uma analise do desenvolvimento e transformação das cidades do ponto de vista econômico, o livro de Paul Singer, Economia Política de Urbanização. [...] Também a obra de Milton Santos, Espaço e Sociedade.”. Ela sugere também a leitura de romances do século XIX, onde a cidade que passa por sua explosão urbana e industrial, vira o grande tema de muitos autores como Edgard Allan Poe, Charles Dickens, Victor Hugo, Georg Simmel, Friedrich Engels e Karl Marx. E ainda os escritos da Escola de Chicago, a partir dos anos 30 com Louis Wirth, Robert Park, Redfield e posteriormente Herbert Gans.

6. CONTEXTUALIZAÇÃO Publicado pela primeira vez em 1988, época de renovação de pensamento sobre sociedade e cidade no Brasil, pois o regime militar tinha acabado (1885). É na década de 80 também que começa a surgir a corrente (por mais que internacional) pós-modernista com, por exemplo, Aldo Rossi na Itália e Robert Venturi nos Estados Unidos. Esta pode ter sido influente no texto por suas novas visões sobre o fenômeno que constitui a cidade, sobre ela mesma e como deve se projetar nela.

7. TRECHOS ESPECIALMENTE SIGNIFICATIVOS “O espaço urbano deixa de se restringir a um conjunto denso e definido de edificações para significar, de maneira mais ampla, a predominância da cidade sobre o campo. Periferias, subúrbios, distritos industriais, estradas e vias expressas recobrem e absorvem zonas agrícolas num movimento incessante de urbanização. No limite, este movimento tende a devorar todo o espaço, transformando em urbana a sociedade como um todo.” – p. 12 “A garantia de domínio sobre este espaço está na apropriação material e ritual do território. E assim, os templos se somam a canteiros de obras de irrigação para construir as primeiras marcas do desejo humano de modelar a natureza.” – p. 13 “Na cidade-escrita, habitar ganha uma nova dimensão completamente nova, uma vez que se fixa em uma memória que, ao contrário da lembrança, não se dissipa com a morte.” – p.16 “É por isso que as formas e tipologias arquitetônicas, desde quando se definiram enquanto habitat permanente, podem ser lidas e decifras, como se lê um texto.” – p. 17 “Se no caso da polis ou da civitas o conceito não se referia à dimensão espacial da cidade e sim à sua dimensão política, o conceito de cidadão não se refere ao morador da cidade, mas ao indivíduo que, por direito, pode participar da vida política.” – p. 22

8. QUESTÕES A autora estabelece tais principais conceitos:    A cidade como um imã – um polo de atração do homem; seja nas cidades primitivas pela religião e a subsistência, e mais modernamente pelo trabalho e moradia. Mas mais importante, ela é a vontade humana de dominar a natureza e território. A cidade como escrita – a partir das construções e essa dominação de espaço, construir cidades significa também uma forma de escrita. Na cidade-escrita, habitar se fixa como uma memória que dura para sempre. A cidade como política – em favor da ordem e organização da grande massa que vem a viver nas cidades que surge a centralização do poder, e por seguinte, a diferenciação social. Viver na cidade significa participar de alguma forma política, por mais que em casos essa signifique apenas submissão a regulamentos. A cidade como mercado – Ao concentrar pessoas, a cidade intensifica as possibilidades de troca e colaboração entre os homens, potencializando suas capacidade produtiva. Isso se dá porque havendo a possibilidade de obtenção de produtos por troca,

configura-se o trabalho especializado e consequentemente o desenvolvimento da técnica. De certa forma, pela necessidade de artigos que não podem ser produzidos na cidade, o campo tem de existir porque a cidade precisa. Pode parecer uma questão apenas burocrática definir o conceito de cidade, mas entende-la na sua essência desenvolve uma série de reflexões sobre como devemos, como arquitetos, estarmos de acordo com ela. A meu ver, aquele que a melhor entende virá a projetar com mais qualidade e riqueza. A partir da visão de Raquel Rolnik, vejo com mais clareza a cidade como um espaço essencialmente coletivo onde a civilização deixa suas marcas mais nítidas sem deixar se estagnar sempre como um organismo vivo, criando seus contrates.

9. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA    http://raquelrolnik.wordpress.com/ Acesso em 01/10/2012 Benevolo, Leonardo. História da Cidade, S. Paulo: Perspectiva, 2005 Rossi, Aldo. A Arquitetura da Cidade, Martins Fontes