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Professor Ms.

Alex Mota dos Santos

Orogênese e Epirogênese Formação e classificação de Rochas Geomorfologia-Relevo
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Orogênese e Epirogênese
Orogenia no Brasil
O contexto geotectônico e a morfogênese da província serrana de Mato Grosso (Ross, 1991).
Laboratório de Geomorfologia do Departamento de Geografia da FFLCH - USP.

A área serrana que serve de divisor de águas entre as bacias dos rios Cuiabá e Paraguai, participantes da bacia hidrográfica do Paraná, e dos rios Arinos e Teles Pires, pertencentes à bacia hidrográfica do Amazonas, caracteriza-se por extenso terreno (aproximadamente 400km de extensão e 40km de largura) de relevos residuais, remanescentes de fases erosivas do PréCretáceo e do Cenozóico.

Rev. IG, São Paulo, 12(1/2), 21-37, jan.ldez.l1991

topos retilinizados em diferentes níveis altimétricos. sustentadas por arenitos e secundariamente por calcários. Os dobramentos. fazem parte deste extenso geossinclíneo. gargantas epigênicas. seguidos de fases erosivas diversas. dispostos em paralelo a vales sinclinais. Formas em cristas assimétricas de bordas de anticlinais interiormente erodidas. de sinclinais alçadas ou ainda vertentes abruptas de dorsos de anticlinais de topos aplainados. associados a falhamentos transcorrentes e inversos. a partir de bacia geossinclinal e da geração dos cinturões orogenéticos do Ciclo Brasiliano. portanto. A gênese. As serras residuais.Estes relevos serranos resultaram inicialmente da atividade orogenética que se processou no Pré-Cambriano Superior. são os responsáveis pela esculturação dos relevos em estruturas dobradas mais preservadas do Brasil. resultou o Geossinclíneo Paraguai-Araguaia de grande extensão. bem como ocorrência de amplas depressões circundantes são fatos de grande presença neste tipo de modelado. vales superimpostos. Deste processo. destes relevos encontra explicação não só na tectônica antiga que gerou o cinturão orogênico mas também na tectônica cenozóica que o colocou novamente em evidência com o soerguimento epirogenético da Plataforma Sul-americana e os processos erosivos que se sucederam principalmente ao longo do Cenozóico Superior. . depressões anticlinais fechadas.

Ao ponto que elas iam sendo levantadas. os climas mais secos que imperavam durante o período respondiam pela destruição das rochas. dando origem a então Serra do Mar. um fenômeno chamado de 'compensação isostática'. formando bacias sedimentares mais novas e expondo as rochas mais antigas.Epirogênese no Brasil Ab´Sáber. .O peso das rochas sedimentares da bacia do Paraná provocou o soerguimento de suas bordas. As rochas mais recentes foram todas removidas.

2) Dobras: Antiforma Sinforma Neutra. que é irreversível ou 3) fraturamento. onde o limite plástico é excercido e a rocha quebra-se em pedaços. Quando uma rocha é submetida à compressão. 2) uma deformação plástica (dobramento).O tipo de rocha determina quanto estresse (ou compressão que ela pode suportar. caso em que ela pode retornar à sua forma e tamanho original. ela pode sofrer 1) uma deformação elástica. .

o estilo das dobras holomórficas é marcadamente linear. Embora ambas as bacias geossinclinais tenham passado por processos orogenéticos. ao sofrer pressões de direção SE-NW na região da atual Província Serrana. de acordo com HENNIES (1966). exibem vergência para E e SE. permitiu o aparecimento da estrutura dobrada. juntamente com os planos axiais e de xistosidade. . com disposição paralela às bordas da Plataforma do Guaporé ou Sul Amazônica. a resposta estrutural. nas do Grupo Alto Paraguai os dobramentos são simétricos numa sucessão de anticlinais-sinc1inais. cit. isto é. com mais de 100km de extensão. para a plataforma contra a qual se processou o transporte tectônico de grandes placas de falhas de empurrão. foi diferenciada. algumas.). Enquanto as rochas do Grupo Cuiabá passaram por dobras isoclinais muito fechadas e sofreram baixo metamorfismo.A bacia geossinclinal. segundo ALMEIDA (op. com concavidade voltada para sudeste. segundo FIGUEIREDO & OLIVATTI (1974). A disposição em forma de arco. Conforme ALMEIDA (1968). entretanto sem apresentar metamorfismo. Os flancos das dobras são verticais ou inversos e. mostra diferenças marcantes no comportamento das dobras.

Quando a rocha se rompe ocorre as falhas. Juntas ou Falhas .

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Há três tipos principais de deslocamento em falhas: Falha Normal – deslize ocorre a partir de um paredão .

.Falha de Deslizamento Deslocamento ocorreu paralelamente ao plano de falha.

Deslize Oblíquo. Deslocamentos para baixo e para cima ao longo da linha de falha. .

Ex. aluvial. Ígnea. a textura do solo e/ou os materiais rochosos. glacial) (Jensen et al (2009). ex. aspecto). a topografia (declividade. o tipo de geomorfologia presente (p. Eólica. . sedimentar. metamórfica). a permeabilidade do solo (que mostra quão a água percola através do solo).Morfometria e Padrão de Drenagem O padrão de drenagem desenvolvido ao longo do tempo numa paisagem fornece chaves sobre a litologia do leito rechoso (p.

Padrão Dentrítico. mais comum. rochas vulcânicas em planícies estuarinas. há poucas curvas abruptas. . Encontrada sobre xistos. ou em planícies sedimentares glaciais. são encontradas sobre rochas de resistência uniforme com pouco ou nenhum controle estrutural causado por dobramento ou por falhamento.

. com tributários curtos e tributários principais paralelos. é comum em rochas sedimentares dobradas de resistência diferente.Padrão Dentrítico desenvolvido. Os canais primários fluem pelas rochas mais resistentes.

os canais principais apresentam curvas mais abruptas. Os canais predominantemente se juntam em ângulos retos. menos espessa é a camada de solo. provavelmente rochas do tipo metamórficas (ardósia. também ocorre em arenitos de clima árido. xistos ou gnaisse). Padrão que se desenvolve onde há juntas e falhas no leito rochoso. . Quantos mais reto for este padrão.Padrão Retangular.

. sugere relevo suave e uniformes .Padrão com tributários paralelos . Segue sobre rochas pouco resistentes.

.Forma-se quando flui a partir de uma colina ou domo. frequentemente encontrada em vertentes de cones vulcânicos.

no entanto. .Semelhante a forma Radial. os tributários são interceptados por outro tributário em forma de anel formando ângulos retos.

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b) anastomosado. c) retilíneo.Os Tipos de Canais Fluviais a) meandrante. .

Rondônia .Rio Machado.

Rio Madeira. Rondônia (esq) e Rio Araguaia. Goiás (dir) .

Os processos geológicos envolidos na formação e destruição de rochas fazem parte de um CICLOS DAS ROCHAS. Este ciclo pode iniciar por qualquer rocha, seja sedimentar, ígnea ou metamórfica e são influenciadas pelo,

Tempo; Clima; Física; Química; Biológia; Outros.

As rochas “falam”?

Rocha? ... é um agregado natural formado de um ou mais minerais (podendo eventualmente tratar-se de um vidro vulcânico, que constitui parte essencialmente da crosta terrestre e é nitidamente individualizado.

Petrografia e Petrologia

Magma resfria no interior da Terra – Rochas intrusivas/plutônicas ou abissais - Magmáticas; Discussão:
O resfriamento ocorre de forma lenta, dando a possibilidade de os cristais desenvolveram-se sucessivamente e formando uma textura eqüigranular.

Resultado A rocha intrusiva é constituída de minerais cristalizados, como, por exemplo, as rochas graníticas (Leiz e Amaral, 1975)

Comumente ocorrem pequeníssimos cristais esparsos pela massa vítrea. predomina massa vítrea. basalto e a pedra-pomes. que representam o início da cristalização de alguns minerais que não tiveram o devido tempo para se desenvolver pela consolidação rápida da lava. . Resultado A rocha extrusiva é constituída por poucos cristais.Magmáticas. pelo fato de não haver tempo suficiente para dar-se a cristalização dos minerais.Magma resfria no exterior da Terra – Rochas extrusivas/Vulcânica ou efusivas . Discussão: O resfriamento ocorre de mais rápida. exemplo. forma-se a textura vítrea.

Basalto Pedra-pomes .

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. 2009..Como reconhecer uma Rocha? Segundo Carneiro et al.

Dica Rochas magmáticas (ígneas) tem grãos arredondados ou retangulares é só comparar gnaisse (metamórfico) com granito (igneo). .

Segundo este último. constituição mineralógica ou tamanho das partículas. passemos à descrição de algumas das principais rochas sedimentares. o tipo de sedimentação. como o ambiente. se argilosas ou siltosas) tem cheiro de filtro novo quando umedecidas e tendem apresentar acamamento! . O critério da classificação das rochas sedimentares segue vários princípios. material este que deverá ser transportado e posteriormente depositado ou precipitado em um dos muitos ambientes de sedimentação da superfície do globo terrestre forma-se as Rochas Sedimentares. Dica: Na identificação das rochas sedimentares observe que (sedimentares.Quando ocorre a destruição erosiva de qualquer tipo de rocha. normalmente combinados entre si.

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São rochas que resultam da alteração de outras rochas. Ardósia Dica: No geral as rochas metamórficas tem grãos alongados e achatados (ex. As transformações. O metamorfismo resulta na transformação de rochas preexistentes. Estes são fundamentalmente: a pressão e a temperatura. quartzito) . associadas ao factor tempo. quando submetidas a pressões e temperatura elevadas. passam pela existência de agentes de metamorfismo. Ex. físicas e químicas sofridas.

Mármore. Provém do calcário ou do dolomito .

simplificadamente. formação rochosa de uma estrutura basicamente vertical .Rocha que sutenta o Cristo Redentor no Rio Gnaisse.

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.. porque já estudamos os principais processos que contribuiram para sua formação.. Agora já podemos estudar as formas.toda esta dinâmica Geológica percebida nas rochas condicionam o relevo da Terra. Geomorfologia é a ciência que estuda as formasde relevo. .

Estratificação Cruzada = Antigas Dunas . o pesquisador procura retraçar as diversas mudanças nas condições ambientais...ao estudas e interpretar essas seqüências deposicionais..

. -O sistema geológico: que. que são os mais importantes para a compreensão da formas de relevo: . da umidade e dos movimentos atmosféricos. sobre o qual atuam os processos.De acordo com Christofoletti (1980). é o principal fornecedor de material. sustenta e mantém o dinamismo dos procesos. . constituindo fator passiva. produz modificações sensíveis nos processos e na forma (que depende da escala). -Os sistemas biogeográficos: representado pela cobertura vegetal e pela vida animal atua como fator de diferenciação na modalidade e intensidade dos processos. pode-se distinguir dentro do universo geomorfológico os seguintes sistemas antecedentes.O sistema antrópico: ação humana -> modifica o equilíbrio dos sistemas. assim como fornecendo e retirando matéria. considerando que as formas e processos representam o âmago da Geomorfologia. através da disposição e variação litológica.Os sistema climático: através do calor.

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.Áreas Geomorfológicas • Geomorfologia Estrutural • Geomorfologia Fluvial • Geomorfologia Eólica • Geomorfologia Glacial • Geomorfologia Cárstica • Geomorfologia Costeira • Geomorfologia Oceânica • Geomorfologia Climática.. .

água. • Forma: resultado dos processos. • Processos: atuação de agentes externos (vento. . clima) e internos (à crosta) sobre o modelado. • Tudo na natureza é explicado através de um Processo.• Processos e Formas: um interfere no outro.

São extensões de terrenos antigos. . Brasil: cratons pré-brasilianos-Amazônico e do São Francisco. caracteriza-se pela presença de rochas metamórficas de alto grau (gnaisses) e granitos diversos de idades muito antigas. bastante desgastados e geralmente associados à ocorrência de minerais metálicos.. Os escudos servem de embasamento e/ou de área-fonte para bacias sedimentares bem mais jovens que ocorram na região. Escudo . consequentemente.é um craton aflorando e.. geralemente de idade pré-cambriana. estáveis. resistentes.Escudo .

.O Brasil está totalmente contido na Plataforma Sul-Americana. com o encerramento no ciclo Brasiliano. remontando à era Arqueano. Teve a sua consolidação completada entre o período Proterozóico Superior e o início do período Paleozóico. cujo embasamento de evolução geológica é muito complexo.

Aroldo de Azevedo foi um dos primeiros professores de geografia da Universidade São Paulo (USP). .

Seu mapa foi publicado pela primeira vez em 1958. Ab’Saber acrescentou duas unidades de relevo às oito de Azevedo.Aluno de Aroldo de Azevedo. . o paulista Aziz Ab’Saber seguiu o mestre.

é formada por terrenos do Terciário e por terrenos atuais do Quartenário.014 m. é formada por terrenos do Quartenário. subdividido em Central. Nordestino. localizada na porção oeste do estado do Mato Grosso do Sul e sudoeste de Mato Grosso.Pico da Neblina. Maranhão-Piauí. teços ou terraços fluviais. Localizado no extremo norte do país. acompanhando a costa brasileira do Maranhão ao sul do país. a saber: •Planalto das Guianas. É nessa área que se situa o pico culminante do Brasil . Localizadas na Região Norte do país. •Planícies e terras baixas amazônicas. apresentando rochas cristalinas do período Pré-Cambriano. abrangendo a região serrana e o Planalto Norte Amazônico. é formado por terrenos cristalinos bastante desgastados e por bolsões sedimentares. e baixos-planaltos ou platôs. . logo abaixo do Planalto das Guianas.Aziz Ab'Saber classifica assim o relevo do Brasil Em síntese são duas grandes áreas de planalto e três de planície. •Planícies e terras baixas costeiras. serras e planalto do Leste e Sudeste. •Planalto Brasileiro. com altitude de 3.várzeas. Localiza-se na parte central do país. estendendo-se por grandes áreas do território nacional. •Planície do Pantanal. constituídas por terrenos de formação recente situadas próximo às margens dos rios. Meridional e Uruguaio-Riograndense. com altitudes máximas de 30 m e periodicamente inundados. apresenta três níveis altimétricos distintos . é parte integrante do escudo das Guianas. formados por terrenos de Terciário.

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leva em conta a estrutura Geológica. Morfoescultura.Jurandir Ross vem e analisa o relevo segundo critérios. Morfoclimática. . Morfoestrutural. leva em conta a ção de agentes externos. leva em conta o Clima e o Relevo.

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recebe a letra A. 3 – O terceiro táxon representa as unidades morfológicas ou padrões de formas semelhantes contidos nas unidades morfoestruturais. recebe a letra D. . b – Formas denucionais (Erosão). a – Formas agradacionais (acumulação). Falar das grandes unidades estruturais do globo (escudos antigos. representa vasta área e corresponde às estruturas morfoestruturais (Utilizase imagens de Radar e de satélite e cartas geológicas). 1 – Primeiro Táxon.Sistema de Relevos Metodologia de Análise (Ross (1990 e 1992). 2 – O segundo táxon refere-se às unidades morfoestruturais contidas em cada morfoestrutura (Planalto do Distrito Federal e Planalto do Alto Tocantins-Paranaíba). estruturas sedimentares e dobramentos modernos.

. Apf – Formas de Planície Fluvial. Da – Formas com topos aguçados. Ad – Formas de campos e dunas. A – Acumulação (deposição). De – Formas de escarpas. Dv – Formas de vertentes. Dc – Formas com topos convexos. Apl – Formas de planície lacustre.Clarendo com um exemplo D – Denudação (Erosão). Apm – Formas de planície Marinha.

000. 1:10. voçorocas.4 – O quartor táxon é representado pela forma individualizada indicadas no conjunto. características e tamanho de morro. Só totalmente representado na escala de detalhe (1:25.. inclinação.000). geralmente por interferência humana (Ravinas. corridas de lama. 5 – O quinto táxon refere-se às partes que compõem as formas de relevo. pisoteio do gado... utiliza-se normalmente fotografias aéreas. . 6 – O sexto táxon corresponde às pequenas formas de relevo que se desenvolvem ao longo das vertentes. as vertentes.

os topos alongados e os vales encaixados e retilíneos. Relevo: Montanhoso. Encostas: Retítlienas. vale de algum rio. .Vegetação: Exuberante de Mata Atlântica.

os declives são bastante acentuados e os topos muito estreitos.Relevo: Tipo montanhoso. morros alongados e com os vales de drenagens encaixados e retilíneos. As vertentes dos morros são retilíneas e côncavas. Substrato rochoso constituído por seqüência de metassedimentos pelíticos (filitos) com contribuição de rochas metacalcárias. .

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Paisagem-Relevo Cárstico. .

sendo motivado pelo meio físico. . A diversidade de elementos da paisagem cárstica a coloca como uma das mais propícias para o desenvolvimento do geoturismo.O geoturismo é um segmento emergente do turismo de natureza. considerando seus aspectos geológicos. Este potencial é evidenciado no Brasil. Desta forma. geomorfológicos. o presente artigo investigou as possibilidades do geoturismo em áreas cársticas. arqueológicos e paleontológicos. país com grande expressividade territorial de rochas carstificáveis.

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a exigência protetora fosse apenas 7 metros. em ordem crescente: igarapés. compara o geógrafo em artigo encaminhado ao relator Aldo Rebelo. ali existem.Aziz Ab’Sáber faz duras críticas ao Novo Código Florestal. valoriza interesses ruralistas. o código ignora ciência. lamenta. rios e paranás-mirins". enquanto para a grande maioria dos ribeirões e córregos também fosse aplicada a mesma exigência". para o rio Amazonas. "Na linguagem amazônica tradicional. . "Trata-se de desconhecimento entristecedor sobre a ordem de grandeza das redes hidrográficas do território intertropical brasileiro". o próprio povo já reconheceu fatos referentes à tipologia dos rios regionais. “Para o ambientalista. riozinhos. "Imagine-se que. Para eles. e parece escrito por quem nunca esteve na Amazônia”.

Obrigado Boa Semana. .