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Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social Universidade Federal de Santa Catarina

A VIOLÊNCIA NO CONTEXTO CONJUGAL: POLÍTICAS E INTERVENÇÕES NO QUEBEC (CANADÁ)

Professores responsáveis: Sonia Gauthier, professora, Escola de Serviço Social, Universidade de Montreal Lyse Montminy, professora, Diretora do Criviff - Centro de Pesquisa Interdisciplinar sobre a Violência Familiar e a Violência contra a Mulher, Escola de Serviço social, Universidade de Montreal Théophilos Rifiotis, professor, Departamento de Antropologia, Coordenador do Levis - Laboratório de Estudos das Violências .

Florianópolis - Brasil 11 a 22 de Agosto de 2008
Centro de Filosofia e Ciências Humanas - CFH Caixa Postal 476 - Campus Universitário - Trindade - CEP 88040-900 Florianópolis - SC - Brasil Fone/Fax: +55 (48) 331-9714 - Fax: +55 (48) 331-9751 E-mail: antropos@cfh.ufsc.br - Http://www.antropologia.ufsc.br

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INTRODUÇÃO A violência conjugal é um problema social importante, que tem mobilizado há vários anos a intervenção social em diversos níveis: comunitário, institucional e governamental. Um grande número de pesquisadores de diferentes disciplinas está envolvido no esforço para compreender este fenômeno e tentar reduzir a sua ocorrência. As teorias são muitas, assim como as soluções propostas e executadas. A intervenção neste campo recobre múltiplas visões: seja pela atuação junto às mulheres, homens e crianças; individual e em grupos; psicossocial e sócio-judicial; entre outras. Ela se adapta a grupos específicos tais como: os idosos, as mulheres; pessoas membros de comunidades culturais, etc. Os esforços não se limitam evidentemente à intervenção, eles também orientam a uma conscientização, prevenção e rastreamento. Em suma, estamos perante um fenômeno generalizado, envolvendo vários intervenientes em diferentes níveis com diferentes olhares, junto a diversos usuários. Os conhecimentos a esse respeito não para de crescer, e à medida que a compreensão e a expertise se desenvolvem, uma inegável realidade aparece: o problema é complexo e as soluções para reduzir o impacto devem levar em conta essa complexidade. Cada um de nossos respectivos países é confrontado com essa complexidade, realidades com semelhanças e diferenças. Neste contexto, a troca de experiências são essenciais para o desenvolvimento de novos conhecimentos, para consolidar os já existentes, e representam a possibilidade de um novo olhar para o futuro.

OBJETIVOS O objetivo do seminário é o intercâmbio em torno das múltiplas facetas do problema da violência conjugal, no que diz respeito ao fenômeno que se relaciona com a intervenção, no Canadá e no Brasil. Assim, objetivamos: • • • • • Compartilhar a nossa compreensão do fenômeno da violência conjugal; Alimentar as reflexões teóricas utilizadas no Brasil e no Canadá; Realizar trocas em torno das diferentes práticas de intervenção psicossociais e judiciais com homens, mulheres e crianças afetados pela violência conjugal; Identificar questões teóricas e práticas em torno do problema da violência conjugal; Trocar experiências sobre temas que atingem os nossos interesses respectivos e fomentar o intercâmbio entre os grupos nossos grupos de pesquisa.

No final do seminário, esperamos ter criado laços que nos permitam dar seguimento a reflexões conjuntas sobre a problemática da violência conjugal e dar continuidade à colaboração entre professores, pesquisadores e estudantes das nossas universidades.

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ESTRATÉGIA PEDAGÓGICA Para atingir os objetivos mencionados, utilizaremos diferentes estratégias pedagógicas. Inicialmente, em cada aula serão apresentados os conteúdos sob a forma de aulas expositivas, seguindo-se de debates sobre os conteúdos ministrados. Haverá também debates a partir de artigos científicos, de situações específicas de intervenção e visualização de vídeos. AVALIAÇÕES Ao final de cada unidade, os/as alunos/as deverão fazer comparações Brasil/Canadá sobre os temas abordados nos encontros de sala de aula. Estas atividades servirão de base para a composição de uma monografia no final da disciplina. Ao final da disciplina, será solicitada uma monografia sobre os temas desenvolvidos pelos/as alunos/as ao longo da disciplina, a qual será desenvolvida após o término das aulas. LEITURAS SUGERIDAS Para cada sessão, serão indicados textos que estão sob a forma de artigos científicos, livros ou capítulos de livros, documentos oficiais (leis, artigo da lei, políticas governamentais, estatísticas, etc.) e guia de intervenção.

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PROGRAMAÇÃO

Bloco Preliminar (11 de agosto) — Distribuição do programa — Organização dos trabalhos — Visão geral sobre a questão da violência conjugal em contexto brasileiro e canadense BIBLIOGRAFIA Brucker, P. (1997). A Tentação da inocência. Rio de Janeiro : Rocco. Rifiotis, T. (1997) Nos campos da violência: diferença e positividade. Antropologia em Primeira Mão, PPAS/UFSC (19). Rifiotis, T. (2006). Alice do outro lado do espelho: revisitando as matrizes do campo das violências e dos conflitos sociais. Revista de Ciências Sociais, UFC, 37(2). Katz, J. (1988). The Seductions of Crime. New York : Basic Books.

Bloco 1 Introdução (12 de agosto) Apresentação e expectativas dos/as alunos/as Apresentação do CRI-VIFF Apresentação do plano de seminário Questões preliminares: • Marco teórico da "violência" e dos conflitos • Judiciarização dos problemas sociais: questão global-local — A violência conjugal, o que é? Definições e estatísticas. — — — — Temas e questões para discussão A violência conjugal, uma questão de gênero O grau de violência conjugal, a guerra de valores (análises estatísticas) BIBLIOGRAFIA Bélanger, S. (1998). Une approche multifactorielle de la violence conjugale. Intervention, (106), 73-78. Gravel, S., Beaulieu, M., & Lithwick, M. (1997). Quand vieillir ensemble fait mal: les mauvais traitements entre conjoints âgés. Criminologie, (2), 567-585

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Kilpatrick, D.J. (2004). What is Violence Against Women ? Defining and Measuring the Problem. Journal of Interpersonal Violence, 19(11), 1209-1234. Laroche, D. (2003). La violence conjugale envers les hommes et les femmes, au Québec et au Canada, 1999. Québec: Institut de la statistique du Québec. http://www.stat.gouv.qc.ca/publications/conditions/violence_h-f99.htm Montminy, L. (2005). Older Women’s Experiences of Psychological Violence in their Marital Relationships. Journal of Gerontological Social Work, 46(2), 3-22

Bloco 2 História, Política e Intervenção (13 de agosto) — — — — — Evolução das representações da violência contra as mulheres Alguns dados Conseqüências Reconhecimento da violência contra as mulheres como um problema social Implementação de políticas governamentais Temas e questões para discussão O rastreamento sistemático da violência doméstica: protocolo de rastreamento As campanhas de sensibilização contra a violência doméstica: Quem é o público destas? A população, as vítimas, seus autores, as agências governamentais, os interventores? Como se concretiza o reconhecimento de violência conjugal no Brasil? BIBLIOGRAFIA

Arcand, S., Damant,D., Gravel, S., Harper, E. (2008) Violences faites aux femmes. Sainte-Foy: Presses de l'Université du Québec Chamberland, C. (2003). Violence parentale et violence conjugale. Des réalités plurielles, multidimensionnelles et interreliées. Sainte-Foy: Presses de l'Université du Québec Dauvergne, M., & Johnson, H. (2001). Les enfants témoins de violence familiale. Juristat, 21(6). Greaves, L., Hankivski, O., Kingston-Riechers, J. (1995) Selected estimates of the cost of Violence against Women, London (Ontario) : Centre for Research on Violence against Women and Children. Rodgers, K. (1994). Résultats d’une enquête nationale sur l’agression contre la conjointe. Juristat, Bulletin de service du centre canadien de la statistique juridique, Statistique Canada, 14(9), 1-22.
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Bloco 3 Abordagem da intervenção junto às mulheres (14 de agosto) — Teoria Feminista — Teoria Sistêmica — A intervenção na violência conjugal Temas e questões para discussão Que modelo de intervenção junto às mulheres é privilegiado no Brasil? Qual o modelo que deve ser privilegiado? O que você acha do conceito sistêmico de causalidade circular e, por conseguinte, da idéia de co-responsabilidade na interação violenta? Qual é seu ponto de vista sobre a utilização da técnica de intervenção dentro do casal e da intervenção familiar quando há violência conjugal no casal? BIBLIOGRAFIA Goldner, V. (1999). Morality and multiplicity: perspectives on the treatment of violence in intimate life. Journal of Marital and Family Therapy, 25(3), p.325-336. Greene, K., & Bogo, M. (2002). The different faces of intimate partner violence : implications for assessment and treatment. Journal of Marital and Family Therapy, 28(4), p.455-466. McPhail, B.A., Busch, N.B., Kulkarni, S., & Rice, G. (2007). An integrative feminist model. The evolving feminist perspective on intimate partner violence. Violence Against Women, 13(8), 817-841. Rivett, M. (2001). Comments- Working systemically with family violence : controversy, context and accountability. Journal of Family Therapy, 23, p.397-404. Rondeau, G., Brodeur, N., & Carrier, N. (2001). L'intervention systémique et familiale en violence conjugale : fondements, modalités, efficacité et controverses (Études et analyses No. 16). Montréal : CRI-VIFF. Vetere, A., & Cooper, J. (2001). Working systematically with family violence : risk, responsibility and collaboration. Journal of Family Therapy, 23, p.378-396. Bloco 4 Intervenção junto às mulheres vítimas (15 de agosto) — — — — — — — Casas abrigo Centros locais de serviços comunitários Centro de mulheres; Centros de assistência às vítimas de crime Tribunais laterais SOS Violência conjugal Mesa de discussão Protocolo de colaboração
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Temas e questões para discussão Quais são as questões relacionadas para a criação de casas abrigo no Brasil? Quais são os recursos disponíveis para as mulheres vítimas de violência? E para as crianças expostas a essa violência? A violência doméstica é um assunto para quem? As melhores estratégias para ajudar as mulheres e as crianças? Até onde a ajuda para as mulheres pode chegar? BIBLIOGRAFIA Beaudry, M. (1984). Les Maisons des femmes battues au Québec. Montréal : SaintMartin Locke, D., & Code, R. (2001). Les refuges pour femmes violentées au Canada, 19992000. Juristat, 21(1). Montminy, L., Drouin,C. (2005) La présence des aînées en maison d’hébergement pour femmes victimes de violence conjugale. Journal international de victimologie, 10 (3) Montminy, L., Drouin, C. (2004). Les maisons d’hébergement pour femmes victimes de violence conjugale : une ressource à découvrir... ou à développer pour les femmes âgées (Études et Analyses No. 30). Montréal : CRI-VIFF. Rondeau, G., Sirois, G., Jacques, N., Cantin, S. (2000) Les mécanismes de concertation intersectionnelle en matière de violence conjugale au Québec, (Études et analyses, No 15). Montréal : CRI-VIFF

Bloco 5 Intervenção com homens de comportamento violento (18 de agosto) — Os serviços e o cliente — Modelos de intervenção o Modelo pró-feminista o Modelo cognitivo-comportamental ou psico-educativo o Modelo psicodinâmico o Abordagens humanistas e masculinas — O modelo transitório e de mudança — Dilemas éticos Temas e questões para discussão Quais modelos de intervenção com homens são privilegiados no Brasil? Qual o modelo que deve ser privilegiado? O que pensa da ajuda psicossocial forçada? Quem deve ser o cliente da intervenção?

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BIBLIOGRAFIA Blais, M. & Dupuis-Déry, F. (2008). Le mouvement masculiniste au Québec : l’antiféminisme démasqué. Montréal : Les Éditions du remue-ménage. Dankwort, J., Rausch, R. (2000). Men at work to end wife abuse in Quebec. A case study in claims making. Violence Against Women, 6(9), 936-959. Prochaska, J.O., & Prochaska, J.M. (1999). Why don't continents move ? Why don't people change? Journal of Psychotherapy Integration, 9(1), p.83-102. Rondeau, G., Lindsay, J., Beaudoin, G., & Brodeur, N. (1997). Ethical dimensions of intervention with violent partners: Priorities in the values and beliefs of practitioners. In Kantor, G.K. & Jasinski, J.L. (Eds.) Out of darkness: Contemporary perspectives on family violence. (pp. 282-295). Thousand Oaks, CA, US: Sage Publications. Rondeau, G., Lindsay, J., Brochu, S. & Brodeur, N. (2006). Application du modèle transthéorique du changement à une population de conjoints aux comportements violents (Études et analyses No. 35). Montréal : CRI-VIFF. Rondeau, G., Lindsay, J., Brodeur, N., & Beaudoin, G. (1995). Exploration des principaux dilemmes éthiques associés à l'intervention auprès des conjoints violents et des stratégies pour les résoudre : recension des écrits professionnels et scientifiques (Études et Analyses No. 2). Montréal : CRI-VIFF.

BLOCO 6 Intervenção com os homens de comportamento violento (19 de agosto) — — — — — — — Os diferentes tipos de intervenção O GAPI, organismo comunitário para os cônjuges de comportamento violento A intervenção em grupo, o que é? Os grupos de terapia A perseverança nos programas Um estudo sobre os fatores de auxílio em grupos A co-animação em grupos Temas e questões para discussão Intervir com os homens, um desafio, uma necessidade. De que natureza são as intervenções junto aos homens com comportamento violento no Brasil? Quais são as questões relevantes na intervenção com os homens com esse comportamento no Brasil?

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BIBLIOGRAFIA Austin, J., & Dankwort, J. (1999). Standards for batterer programs. A review and analysis. Journal of Interpersonal Violence, 14(2), 152-168. Blacklock, N. (2003). Gender awareness and the role of the groupworker in programmes for domestic violence perpetrators. In M. B. Cohen & A. Mullender (Eds.), Gender and groupwork (pp. 66-79). London: Routledge. Roy, V., Turcotte, D., Montminy, L., & Lindsay, J. (2005). Therapeutic factors at the beginning of the intervention process in groups for men who batter. Small Group Research, 36(1), 106-133. Wright, M. M. (2002). Co-facilitation: Fashion or function. Social Work with Groups, 25(3), 77-92.

Bloco 7 Políticas e práticas sócio-judiciais no Canadá (20 de agosto) — — — — Histórico da judiciarização A violência conjugal e o código criminal Processos judiciais Reflexões sobre a judiciarização Temas e questões para discussão Como você concebe a intervenção sócio-judicial com os acusados e qual a importância desse tipo de intervenção aos seus olhos? O que você pensa sobre a judicialização sistemática? Será que é possível estabelecer alternativas ao processo de judicialização sistemática do evento de violência conjugal? BIBLIOGRAFIA Buzawa, E.S. and C.G. Buzawa (2003) Domestic Violence: The Criminal Justice Response [3rd Edition]. Thousand Oaks: Sage. Damant, D., Paquet, J., Bélanger, J.-A., & Dubé, M. (2001). Le processus d'empowerment des femmes victimes de violence conjugale à travers le système judiciaire (Études et analyses No. 14). Montréal : CRI-VIFF. Dawson, M., & Dinovitzer, R. (2001). Victim cooperation and the prosecution of domestic violence in a specialized court. Justice Quarterly, 18(3), 593-622. Gauthier, S., Landreville, P. (2003). Le point de vue des policiers sur la remise en liberté sous conditions des suspects dans les affaires de violence conjugale. Revue internationale de criminologie et de police technique et scientifique, LVI(4), 467-482.

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Gauthier, S., Laberge, D. (2000) Entre les attentes face à la judiciarisation et l’issue des procédures; réflexion à partir d’une étude sur le traitement judiciaire des causes de violence conjugale. Criminologie, 33(2), 31-53. Hester, M. (2005). Making it through the criminal justice system: Attrition and domestic violence. Social Policy & Society, 5(1), 79-90.

Bloco 8 Políticas e práticas sócio-judiciais (21 de agosto) — Judiciarização da violência conjugal no Brasil — Problemas, dilemas e alternativas teóricas e de intervenção Debate e Avaliação geral da disciplina BIBLIOGRAFIA Rifiotis, T. (2007). Direitos Humanos: sujeitos de direitos e direitos do sujeito. In Silveira, R.M.G. et al. Educação em Direitos Humanos: Fundamentos teóricometodológicos (pp. 231-244). João Pessoa : Editora Universitária.

Rifiotis, T. (2004). As delegacias especiais de proteção à mulher no Brasil e a judicialização dos conflitos conjugais. Revista Sociedade e Estado, Brasília, 19(1).

Rifiotis, T. (2006). Violência, Judiciarização das Relações Sociais e Estratégias de reconhecimento. Anais VII Reunião de Antropologia do MERCOSUL, Porto Alegre (CD-ROM).

Rifiotis, T. (2007). Derechos Humanos y otros derechos: aporias sobre el proceso de judicirisación y la institucionalisación de los movimientos sociales. In Isla, A. En los márgenes de la ley. Buenos Aires : Paidós.

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