A DIFÍCIL TAREFA DA MULHER NA DIREÇÃO Cecilia Lodi Uma mínima parcela de empresas no mundo são comandadas por mulheres

e as que se sobressaem são heroínas que as vezes pagam um preço alto demais por seu sucesso. Nos Estados Unidos, apenas 11,9% das empresas são encabeçadas por mulheres sendo que muitas das vezes, estas chegaram a uma posição de comando por sucessão acidentada. Este número é baixo mas, comparativamente a 20 anos atrás é um bom sinal. Apenas 5% das empresas americanas tinham mulheres no comando em 1972, segundo pesquisas da época. Mas uma coisa é interessante notar. A empresa familiar é a que mais abriga mulheres no comando, ganhando da empresa profissional. Não falamos da estatal, pois neste campo a conquista da mulher ainda é tímida. Na empresa familiar a mulher raramente precisa abdicar de quem ela é para seguir sua vida profissional. Atualmente a ascensão da mulher é facilitada pelas batalhas de suas antepassadas. Mas o mundo empresarial masculino ainda segrega a maioria de suas profissionais a duas escolhas dentro da organização. Recursos Humanos ou Marketing. Em pesquisa realizada pela Arthur Andersen em empresas americanas constatou-se que 20,5% das mulheres não tem cargo definido dentro da empresa familiar. 9,1% ocupam cargos de direção e 6,7% de presidentes ou executivos principais. O restante ocupa funções de apoio. A mulher tem sido duramente criticada por sua posição agressiva e implacável nos negócios, mas aqueles que a julgam esquecem que firmar-se nesta posição tem exigido da mulher uma objetividade e sabedoria nas decisões superior aos dos homens. Uma decisão errada pode lhe custar o respeito de sua equipe, que, preconceituosamente não vê este erro com surpresa. Apesar disto, uma vez conquistada a confiança e o respeito, os homens perceberão qualidades no trabalho da mulher que são construtivas e complementares as deles. Pouco a pouco as mulheres se dão conta das oportunidades conquistadas nos últimos 20 anos e procuram ocupar estes espaços emergentes. Apesar disto, sua criação atávica, principalmente nos países latino americanos, embuti culpa no sucesso que alcança. Freqüentemente é acusada de abandono do lar e de seus deveres domésticos, ou sente-se dolorosamente omissa na criação dos filhos. Algumas ainda acreditam que para ser bem sucedida é necessária abandonar a figura sensível que é, tornando-se mais dura que um homem seria em sua posição. Alguns cuidados devem ser tomados. A mulher deve ter um alto nível de comprometimento com o que se propõe a fazer profissionalmente. Deve promover a mudança sempre que necessário, sem temer repercussões quanto à sua imagem no ambiente organizacional. Qualquer mudança ou meta pretendida deve

ter resultados mensurados, para que a mulher não caia na tentação de avaliar subjetivamente seu empreendimento. Além disto, ela deve constantemente buscar conhecer a história e experiência dos grandes empresários, de forma que as práticas adotadas por eles sejam um norte em seu negócio. A mulher deve entender o mundo masculino que existe dentro da organização. Entender não significa aceitar. Entender significa levantar suas variáveis favoráveis e não favoráveis, utilizando este conhecimento em benefício de suas metas empresariais. A ingenuidade é uma característica que pertenceu ao século passado. A mulher não pode se dar ao luxo de alegar ignorância do ambiente ou necessidade de proteção. Ela não mais será protegida por ser mulher. Se adquirimos aos poucos nossos direitos iguais, adquirimos também o dever de sobreviver por nós mesmas.

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