Engenharia Civil

10 de Abril de 2012

Eugénio Pereira Lucas

Coordenador da Licenciatura em Administração Pública

eugenio.lucas@ipleiria.pt

A escola “mata” a imaginação  Exploradores  Ambiciosos  Obsessão

Livros

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BECK, Ulrich, Wold Risck Society GIDDENS, Anthony, O mundo na era da

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Globalização FRIEDMAN, Thomas, O mundo é plano

Beck entende que o risco é uma condição inerente à sociedade actual e, ao contrário dos inícios da industrialização, onde os riscos eram sensorialmente evidentes, actualmente apresentam-se como globais, impessoais e escapam à percepção humana. Na sociedade do risco há uma ausência de conhecimento científico sobre os fundamentos que subjazem à proliferação de múltiplos riscos, desde os ambientais aos sociais e estes riscos só ganham dimensão pública após a sua concretização. v. BECK, Ulrich, World Risk Society, pp. 1-5, 20-23

Boaventura Sousa Santos escreve, a propósito da sociedade do risco: “a modernidade substituiu o conceito de fortuna pelo conceito de risco, o contexto de confiança expandiu-se, enormemente: abrange todos os riscos e perigos da acção humana agora liberta da imposição divina e dotada de uma capacidade transformadora amplíssima”, v. SANTOS, Boaventura de Sousa, A crítica da razão indolente: Contra o desperdício da experiência, p. 165.

É necessário entender que, na sociedade do risco, a distância entre os decisores e os possíveis perigos para terceiros resultantes dessas decisões é cada vez maior, aumentando também a dificuldade em responsabilizar os decisores. As estruturas globais de criação de normas técnicas, de produção, de comercialização, a ausência de fronteiras, reduzem os poderes de fiscalização e de sanção do Estado, e afastam os decisores da concretização dos riscos.

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CASTELLS, Manuel, A Era da Informação:

Economia, Sociedade e Cultura
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SANTOS, Boaventura de Sousa (org.),

Globalização, Fatalidade ou Utopia

A globalização é um processo gradual que se caracteriza por uma intensificação das relações económicas, políticas, tecnológicas, sociais e culturais entre os Estados, empresas e as pessoas, tendo na sua origem uma base económica, a que corresponde a eliminação de restrições aduaneiras e a ampliação dos mercados, cedo ganhando, para além da vertente económica, uma vertente política, social, tecnológica e cultura

Na década de oitenta a administração dos EUA e os países mais desenvolvidos acordam quanto à necessidade de promover uma liberalização comercial e financeira, sobre o futuro da economia mundial, as políticas de desenvolvimento e o papel do Estado na economia. O criador da expressão Consenso de Washington, John Williamson, no artigo onde utilizou essa expressão pela primeira vez, apresenta em dez tópicos as ideais essenciais defendidas pela administração dos EUA nos anos oitenta, para solucionar a crise económica da América Latina (WILLIAMSON, John, What Washington Means by Policy Reform, April, 1990, in www.iie.com/publications/papers/williamson1102-2.htm, acedido a 11.03.2003, (disciplina fiscal, orientação das despesas públicas, reforma fiscal, liberalização das taxas de juros, liberalização do comércio, privatizações, abolição de barreiras alfandegárias, defesa dos direitos de propriedade, liberalização do investimento directo estrangeiro, taxa de câmbio competitiva)). Esse autor dez anos mais tarde vem esclarecer que não pretendia que a expressão o Consenso de Washington fosse entendida como um sinónimo de neo-liberalismo e que perdeu o controlo dessa expressão que é utilizada para outros fins que não os inicialmente imaginados (WILLIAMSON, John, What Should the Bank Think About the Washington Consensus, July, 1999, in www.iie.com/publications/papers/williamson0799.htm, acedido a 11.03.2003).

Nas palavras de Boaventura Sousa Santos o Consenso de Washington foi um mecanismo “através do qual os países mais desenvolvidos impuseram a todos os demais um novo modelo económico, social e político, o modelo neoliberal, gradualmente difundido no discurso político e mediático com o nome de globalização”. V. SANTOS, Boaventura de Sousa(org.), Globalização, Fatalidade ou Utopia, op. cit., p. 12.

A globalização é também um fenómeno antigo, atravessa a história do homem a um ritmo irregular e com desigual intensidade, não é estática e verificámos inclusive que em alguns aspectos no passado existiram situações mais favoráveis a um processo de globalização[1]. O Império romano, os descobrimentos iniciados pelos portugueses são exemplos de fases mais activas da globalização. Podemos identificar ao longo da história uma globalização cultural com a civilização helénica, uma globalização política com o império romano, uma globalização económica em consequência dos descobrimentos iniciados pelos portugueses, uma globalização religiosa com a fé cristã ou a fé islâmica. [1]Para uma classificação das diferentes fases da globalização, v. SANTOS, Boaventura de Sousa (org.), Globalização, Fatalidade ou Utopia, op. cit., pp. 42-50.

- Cameron e Stein defendem que a imigração já foi mais fácil e a mão-deobra circulava mais facilmente no século XIX; o comércio internacional já esteve mais liberalizado, quase sem impostos alfandegários no século XIX; por outro lado a moeda dominante na mesma época, não era controlada pelo Estado, mas sim pelos bancos comerciais privados; só recentemente os movimentos de capitais, proporcionalmente à produção económica atingiram os níveis alcançados em 1880; e que hoje a grande diferença consiste sobretudo na velocidade das operações. Para análise mais detalhada destes e outros argumentos, v. CAMERON, David e STEIN, Janice Gross,

Mondialisation, culture et société : La place de l’État au sein d’espaces changeants, in Canadian Public Policy – Analyse de Politiques, Vol. XXVI,

supplément/numéro spécial, 2, 2000, pp. 17-18. - Castells alerta para as especificidades da globalização actual, que a diferencia das anteriores, v. CASTELLS, Manuel, A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura – O Poder da Identidade, Vol. II, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2003, pp. 294-295.

O ritmo a que a globalização vai evoluir pode apenas ser adivinhado. Encontramos autores que entendem que a globalização é um processo irreversível, outros que o entendem como uma realidade que não é obrigatória[1]. [1] Boaventura de Sousa Santos analisa esta questão e critica os defensores de uma globalização irreversível que, afirma, partem de uma falácia que consiste em transformar as causas da globalização em efeitos da globalização e defende que a globalização é um processo, não está concluída e não é obrigatória, v. SANTOS, Boaventura de Sousa (org.), Globalização, Fatalidade ou Utopia, op. cit., pp. 56-77. José de Oliveira Ascensão discute esta questão e afirma “A globalização não é um movimento de sentido único e pré-determinado”, in ASCENSÃO, Oliveira, Direito Intelectual, Exclusivo e Liberdade, in Revista da Ordem dos Advogados, ano 61, Vol. III, Dezembro 2001, pp. 1215. Cameron e Stein apresentam e analisam dois cenários, o da globalização triunfante e o da retirada da globalização, concluindo que a globalização não é um processo irreversível nem linear, v. CAMERON, David e STEIN, Janice Gross, op. cit., pp. 17, 2434.

É esclarecedora a metáfora utilizada por Cameron e Stein que comparam a globalização a um fontanário que é alimentado por várias fontes que trazem vários tipos de água, que vão criar o aspecto do fontanário. O aspecto da globalização depende da fonte que está a ter mais débito, a cultura, a economia, a finança, o ambiente, etc…[1]. No mesmo sentido Boaventura de Sousa Santos afirma que “… ao contrário do que o termo globalização superficialmente conota, estamos perante processos de mudança altamente contraditórios e desiguais, variáveis na intensidade e até na sua direcção” e refere que existem vários discursos da globalização[2]. [1] Relativamente à globalização cultural, Boaventura de Sousa Santos questiona se esta não se deveria designar por ocidentalização ou americanização, v. SANTOS, Boaventura de Sousa (org.), Globalização, Fatalidade ou Utopia, op. cit., p. 51. [2] SANTOS, Boaventura de Sousa (org.), Globalização, Fatalidade ou Utopia, op. cit., p. 19 e 59.

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Maquiavel, O Príncipe, 1513 Tocqueville, Da Democracia na América,

1848
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Montesquieu, O Espírito das Leis, 1748

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Maquiavel, O Príncipe Os homens mudam de bom grado de senhor, convencidos que vão encontrar melhor. Por isso, um príncipe sensato e prudente deve achar maneira de os seus súbditos terem necessidade dele e do Estado em todas as circunstâncias de fortuna ou infortúnio. Assim, ser-lhe-ão sempre fiéis.

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- Portanto, não deve preocupar o príncipe o facto de, para conservar o todos os seus súbditos em união e obediência, ganhar fama de cruel, pois será muito mais compassivo do que os príncipes que por excesso de clemência, deixam alastrar as desordens, das quais se geram assassínios e rapinas. Estas prejudicam, quase sempre, a generalidade, ao passo que as execuções ordenadas pelo príncipe só prejudicam um particular.

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Daqui nasce um dilema: é melhor ser amado que temido, ou o inverso? Respondo que seria preferível ser ambas as coisas, mas, como é muito difícil conciliálas, parece-me muito mais seguro ser temido do que amado, se só puder ser uma delas.

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Tocqueville, Da Democracia na América ….o próximo advir, irresistível e universalista, da democracia no mundo,… é nos primeiros anos de uma nação que se formam as suas características essenciais.

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A descentralização foi levada a um grau que penso que nenhuma nação europeia poderia alcançar sem um profundo mal-estar e que chegou a ter efeitos desagradáveis até na América. (…) Na América, a descentralização administrativa cria efeitos muito diversos. Vimos que os americanos tinham dissociado quase inteiramente a administração do governo; nesse aspecto, parece-me que ultrapassaram os limites da sensatez, pois a ordem, mesmo nas coisas secundárias, também é do interesse nacional.

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O sistema federal tem por finalidade reunir as vantagens que os povos retiram da grandeza e da pequenez do seu território.
TOCQUEVILE, Alexis de, op. cit., p. 198. Pensamos que a tradução não corresponde correctamente ao espírito do texto original que refere: "C'est pour unir les avantages divers qui résultent de la grandeur et de la petitesse des nations, que le système fédératif a été créé" (TOCQUEVILLE, A. de, Démocratie en Amérique, Robert Laffont, Paris, 1986, I, 1, 8). A versão inglesa consultada apresenta a seguinte tradução que pensamos mais consentânea com o original do que a tradução portuguesa: “The federal system was created with the intention of combining the different advantages which result from the magnitude and the littleness of nations” (TOCQUEVILE, Alexis de, Democracy in America, Vintage Books of Random House, New York, 1980, Vol. I, p. 163).

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A velha europa pode aprender com a nova américa.

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Montesquieu, O Espírito das Leis, 1748

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Esboçado por Aristóteles na sua “Politica”, foi com o pensamento de Locke e de Montesquieu que foi elaborada a teoria da separação dos poderes que influenciou a generalidade dos sistemas políticos, que está presente em muitas Constituições desde a dos EUA, em 1787, e da francesa, de 1791.

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Esta teoria tem como corolário a proibição da delegação indiscriminada de poderes e a divisão da essência do poder estadual em três poderes: o executivo, o legislativo e o judicial, com o objectivo de evitar o arbítrio cuja ocorrência é inevitável quando o poder se encontra concentrado numa só pessoa. Este é o entendimento orgânico da separação de poderes, que foi consagrado na Constituição dos EUA, onde nos primeiros três artigos são designados os órgãos a que são atribuídos os três poderes. A teoria da separação de poderes reconhece que o Estado tem de cumprir determinadas funções e que os cidadãos podem ser beneficiados se essas funções forem realizadas por diferentes órgãos.

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É importante considerar que a doutrina de Montesquieu foi objecto de interpretações radicais e absolutas, que o próprio autor não previu e que nunca foi aplicada na sua totalidade. Tanto mais que é necessário considerar que não existe apenas um tipo de separação de poderes, mas muitos, variáveis de acordo com cada direito positivo e momento histórico que analisamos[1]. [1] ZIPPELIUS, Reinhold, op. cit., pp. 416-418; NETO, Diogo de Figueiredo Moreira, op. cit., pp. 149-153.
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O princípio da separação de poderes não é estático e foi evoluindo de acordo com as necessidades da sociedade e do Estado. A este propósito, escreve Zippelius: “A “clássica” divisão dos poderes assenta na distinção entre os âmbitos funcionais mais importantes do Estado e as respectivas competências. Os objectivos supremos da actividade do Estado devem ser permanentemente elaborados, revistos, harmonizados entre eles, e modificados na medida do necessário. (….) Tudo isto, que vai além da mera execução das leis, é tarefa do governo que, como suprema actividade directiva do Estado, não se encaixa, portanto, sem problemas no esquema “legislação, jurisdição e poder executivo””[1]. [1] ZIPPELIUS, Reinhold, op. cit., p. 412.

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Séneca, Cartas a Lucílio

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Queres saber qual a justa medida de riqueza? Primeiro aquilo que é necessário; segundo aquilo que é suficiente.

- Podes indicar-me alguém que dê o justo valor ao tempo, aproveite bem o seu dia e pense que diariamente morre um pouco? É um erro imaginar que a morte está à nossa frente: grande parte dela já pertence ao passado, toda a nossa vida pretérita é já do domínio da morte.

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Demasiada abundância de livros é fonte de dispersão; assim, como não poderás ler tudo o quanto possuis, contenta-te em possuir o que apenas possa ler.

A HISTÓRIA DA VIDA NUM ÚNICO ANO,
Attenborough, David, A Vida na Terra

Podemos imaginar que a vida surgiu no mar no início de Janeiro e manteve-se restrita às suas formas mais simples até Agosto, altura em que apareceram os primeiros vermes e outros seres multicelulares. Os fósseis só no início de Novembro surgem nas rochas em quantidade suficiente para permitir elaborar com algum pormenor um esquema do processo evolutivo. A partir daqui, este desenrola-se a um ritmo crescente.

2ª SEMANA NOVEMBRO 3ª SEMANA DE NOVEMBRO 4ª SEMANA DE NOVEMBRO 1ª SEMANA DE DEZEMBRO 8 DE DEZEMBRO 12 DE DEZEMBRO 17 DE DEZEMBRO 24 DE DEZEMBRO 25 DE DEZEMBRO 30 DE DEZEMBRO

DE

Moluscos de concha rudimentar começam a proliferar; surgem corais e alguns «peixes» primitivos desprovidos de mandíbulas Os “peixes” amandibulados tornam-se abundantes; as primeiras plantas colonizam a terra. Os peixes ósseos e os dipnóicos (peixes pulmonados) proliferam; os anfíbios arrastam-se para terra. Os tubarões aparecem no mar; altas florestas de fetos arbóreos e licopódios cobrem a terra, onde vivem insectos e répteis primitivos. Surgem dinossauros e enormes répteis marinhos. Aparecem pequenos mamíferos entre os dinossáurios; pterodáctilos e aves com dentes voam nos céus. Aves com bico adaptam-se à vida no ar; surgem as primeiras flores. Os dinossáurios e outros répteis gigantes extinguem-se. Os mamíferos diversificam-se, apresentando uma grande variedade de formas; surgem as serpentes. Os mamíferos proliferam, diferenciando-se em numerosas famílias actuais.

31 DE DEZEMBRO

A tardinha aparecem os pré-hominideos; o homem actual surge pouco antes da meia-noite.

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Utopia, Thomas More Cândido, Voltaire

http://www.smh.com.au/articles/2004/09/09/1094530769493.html

www.google.pt http://www.theregister.co.uk/2008/02/22/g oogle_xprize_lunar_teams/

Bom trabalho!

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