Temporada 03 Capítulo 44

Pelo Amor e Pela Morte
By We Love True Blood

Hell, at a certain point in life, you realize you know more dead people than living.

Jessica olhava para a televisão sem esconder a felicidade que sentia. Fazia tempo que não se divertia tanto. A foto de Eric pipocava na tela ao lado da foto de um sorridente Jason posando com o uniforme da polícia. O contraste entre os dois eram evidente. De um lado um vampiro mal encarado e do outro um rapaz como qualquer outro. A mídia repercutia sem parar a notícia de que Eric Colunga, dono da boate mais popular da cidade, havia matado um inocente policial. Apesar do motivo não ter sido divulgado pela polícia e pelos vampiros responsáveis pelo caso, fofocas davam conta de que Jason morreu porque descobriu negócios escusos envolvendo Eric. Ela sabia muito bem quais eram esses negócios escusos, só que da parte de Jason, mas não seria ela quem iria salvar a pele de Eric. E nem queria isso. Sentia um prazer indescritível em vê-lo se ferrando daquela maneira. Admitia que gostou do caso que tiveram, ainda mais na cama. Eles se deram muito bem nessa área. Ela achava difícil encontrar um tão bom quanto Eric. Não havia se apaixonado por ele, Jessica se considerava acima desse tipo de sentimento depois do que passou com Sam. Ainda odiava Sam por gostar de Sookita, e também odiava Eric por desejar a esposa de seu pai só para provocar. Usou Eric para machucar Sookita e que não tivesse ideias de largar Bill por ele. E havia tido sucesso nas duas empreitadas, quando ela focava, nada dava errado. E mesmo assim seu pai agiu de maneira ingrata, se desfez dela como um saco de roupas velhas. A doou para caridade, nesse caso, para Alcide. O tolo e idiota Alcide, que ela também odiava com todas as forças. Jessica só teve amor por Sam e Bill, o resto ela odiava. Odiar era o verbo que mais gostava, mesmo sendo meio contraditório. Gostar de odiar, não era algo muito comum. Deu uma risada alta quando viu clientes que frequentavam a boate falando do comportamento agressivo e estranho de Eric. Não havia ninguém para

defendê-lo, não tinha amigos e era odiado pela maioria que trabalhou e conviveu com ele. Ela queria ver Pam sair esbravejando da boate para defender seu amado patrão, mas não viu nada disso. Até ela tinha largado Eric, Jessica pensou com prazer. Apesar de que não podia rir muito, pois sua situação não era das melhores. Estava uma semana presa na cidade dos lobisomens parentes de Alcide. E não sabia quando sairia dali. Nem queria pensar na possibilidade real de se casar com o lobo e ainda transar com o velho acabado. Eram duas coisas que não faziam sentido para ela. Coisas que ela tinha que se livrar logo. Mas, a curiosidade de descobrir sobre os tais seres que esses lobisomens inúteis se relacionavam, a mantinha presa ali. Não tinha se esquecido do gosto de Sookita e muito menos das palavras de Eric, pelo menos para isso ele tinha sido útil. Havia algo que os vampiros mais antigos temiam, algo que ficou escondido do resto. Será que Bill sabia? E a Autoridade? E o que seria motivo de tanto temor? Ela tinha que descobrir, tinha que ter uma vantagem sobre Sookita e desmascará-la ou encontrar um jeito de se livrar dela de vez. Alguma vantagem tinha que tirar por viver entre esses lobisomens desprezíveis. Jessica não suportava a bondade dos avós de Alcide. Até o velho que comia todas a tratava bem. Ela balançou a cabeça irritada, até tinha se esquecido da felicidade pela notícia de Eric. “Jessica, querida!” Ela voltou-se num sobressalto quando ouviu a voz de Constance, vó de Alcide. “Nem ouvi você entrar.”, não escondeu o incomodo por não ter percebido a mulher. Seus sensos de vampiro pareciam não funcionar tão bem ali. “Está quase na hora.”, ela disse com um sorriso. “Esquentei sangue para você beber antes de ir.” Jessica não disse nada, apenas estendeu a mão e pegou a xícara quente. Eles a estavam alimentando com sangue humano, não entendia porque faziam isso. Talvez para pareceram hospitaleiros. Não fazia ideia de onde o sangue vinha e de quem. Duvidava que fosse dos dois velhos. Ela tinha nojo de sangue de idoso. Constante se sentou na poltrona perto do sofá onde Jessica estava. Ela sempre fazia isso, todos os dias, estava se tornando uma rotina incomoda para Jessica. Sempre antes do encontro diário que tinha com Emilio, o avô de Alcide. O velho que iria comê-la se ela continuasse entre eles. “Está gostando dos estudos?”

“Adorando.”, Jessica mentiu com um sorriso cínico. “Alcide ficará tão contente. Ele sempre me pergunta se você está bem, se gosta de conviver com nós.”, Constance disse. “Eu falei para ele, você é uma garota de ouro.” Ouro de tolo, Jessica pensou mantendo o sorriso cínico. Ela fingia com os avós de Alcide para manter as aparências. Não podia mostrar quem realmente era, e sabia que era mantida ali como prisioneira de luxo. Por baixo de toda aquela cordialidade, se escondia a verdade, ela estava ali obrigada e eles fingiam que não. “Como ele está se saindo nos treinamentos?” “Muito bem, muito bem.”, Constance disse fingindo confiança. “Quanto tempo até o grande dia?”, Jessica iluminou o rosto com seu melhor sorriso. “Não se discutem esses assuntos com nós mulheres, querida.” “Por que não?” “Não somos, como posso dizer, não somos como eles.”, ela fez uma pausa como se procurasse a palavra certa. “A mesma raça.” “Vocês fodem com lobisomens, criam filhotes e não sabem nada além disso?” “Olhe esse tom, menina.”, Constante disse severamente. “Não permito palavrões nessa casa.” “Desculpe.”, Jessica disse sem perceber de onde veio essa vontade de se desculpar, ela não era acostumada a pedir desculpas. “Sei que é culpa da cidade grande. Com o tempo você irá se acostumar com nosso jeito.” “Mulheres da cidade grande não são submissas.” “Nem nós, querida. Apenas não nos envolvemos nessa confusão de hormônios de nossos lobisomens.”, ela sorriu. “Como pode aceitar o seu marido transando com qualquer mulher?” Jessica tentou controlar durante dias a vontade de questionar Constance, dessa vez não conseguiu. Não entendia uma mulher aceitar passivamente esse tipo de situação. Não que os vampiros fossem monogâmicos e tradicionalistas. Mas, os humanos ainda viviam num mundo de faz de conta, onde Príncipes se casavam com princesas em casamentos magníficos e

depois teriam vários filhos príncipes para perpetuar o reinado. E Constante era humana. “É a lei.” Antes que Jessica pudesse responder, Constante levantou da poltrona caminhando até o sofá. Pousou a mão no ombro de Jessica e disse: “Se quiser continuar vivendo bem entre nós, nunca questione.”, ela disse abandonando o tom calmo. “Agora vá até Emilio.” Ela retirou a xícara da mão de Jessica e saiu da sala. -------------------------------Bastian gritava no microfone enquanto movia o personagem de um lado para o outro na tela. Ultimamente passava as noites jogando o novo Call of Duty e dava o azar de só cair em mapas com pessoas que não entendiam nada de estratégia. A única vantagem desse ambiente é que ninguém sabia se ele era humano ou vampiro, podia agir sem se preocupar com as consequências. “Cara, você é muito imbecil. Era pra ficar em cima do prédio.”, ele gritou novamente no microfone. “A bandeira ficou desprotegida, puta merda, que inútil!” Maya estava sentada no chão tentando ler um livro que pegou na biblioteca de Santiago. Mas, os gritos histéricos de Bastian tiravam a sua concentração. Observou o seu criador sentado no sofá com as pernas cruzadas, os olhos vidrados na tela plana e o controle sem fio se movendo entre os dedos rápidos. Ela percebeu que não fazia muita diferença à velocidade dos vampiros nesse jogo, Bastian jogava tão mal quanto os outros jogadores. Ele não tinha senso de direção. “Para a esquerda.”, Maya disse voltando a atenção para o livro. “Falou comigo?”, ele tirou o fone do ouvido. “Eu disse para a esquerda, eles não estão cobrindo esse lugar.”, ela disse olhando para a televisão. “Ah tá! Claro que é não é pela esquerda.”, ele soltou uma gargalhada. “Puta merda, seu porra do caralho... vai se foder, eles pegaram de novo a bandeira.” Ela balançou a cabeça sentindo pena de seu criador. Se ela dizia que a noite teria Lua Cheia, ele diria que era Lua Nova. Ele a odiava com todas as forças, como se fosse um fardo difícil de carregar. Como queria lembrar de uma vez de seu passado, ela também não gostava de viver assim, dependendo quase integralmente de Bastian. Não podendo ficar longe dele porque era uma bomba

ambulante. Nem o que fez na Capital foi o suficiente para ele aceitá-la de maneira diferente. Não pediu para virar vampira, ele deixou claro tantas vezes que não queria uma cria. Ainda mais uma adolescente cheia de espinhas como ela, escutou ele dizer uma vez para Delilah. Teria que aceitar essa situação enquanto fosse uma vampira adolescente cheia de espinhas, não que fosse ficar adulta, pois ela nunca seria. Mas, desejava não depender tanto dele para sobreviver nesse mundo hostil dos vampiros. Mundo que ela nem imaginava que existia, que ficava em seu imaginário. “Só estou tentando ajudar.”, ela disse baixinho. “Não me olhe desse jeito...”, ele fez uma careta. “Você é muito criancinha.” Delilah surgiu na sala, sentou perto de Bastian no sofá. Maya sorriu para ela, ficou feliz por não ter que aturar o mau humor dele sozinha. “O que ela te fez?”, Delilah deu um cutucão em Bastian. “Eu estou jogando, não está vendo?”, ele disse tirando o fone mais uma vez. “Ela me mandou ir para a esquerda, não tem sentido.”, alguém falou no fone. “Não, ela não é minha namorada. Não é para a esquerda, ela não sabe merda nenhuma.” Os outros jogadores do grupo começaram a avançar pela esquerda do mapa atrás de um prédio abandonado. Bastian notou que o lugar estava sem sentinela, não tinha nem atirador cobrindo os jogadores do time adversário. “Merda!”, ele gritou, e Maya estava certa. Delilah piscou para ela, Maya respondeu com um sorriso e voltou a se concentrar no livro. Bastian tinha ficado estranhamente quieto depois que seu grupo recuperou a bandeira usando o atalho da esquerda. “Esse jogo perdeu a graça.”, ele tirou o fone colocando num canto do sofá junto do controle. “Preciso falar com você.”, Delilah disse preocupada. “Manda.” “Sozinhos.” “Não tem como. Eu não vivo mais sem Maya.”, ele disse irônico. “Bastian, depois que essa confusão passar, vou te ensinar como tratar uma mulher.” “Ela não é mulher.”, ele cruzou os braços ofendido.

“Uma vampira, ficou melhor para você?”, Delilah retrucou. “Entendi, entendi...”, ele revirou os olhos. “Teria como rastrear um celular?”, ela perguntou se aproximando dele no sofá. “Achei que iria pedir algo realmente complicado.” “Quero saber com quem a pessoa está falando. Tem como?” “Depende. Você está com o celular?” “Não. Precisa dele?” “Duh! Claro, só com o Sim Card eu terei acesso a tudo.”, ele balançou a cabeça. “Agora sim ficou complicado.”, ela franziu o cenho. “Rastrear é uma coisa, acessar as ligações é outra.”, Bastian a encarou. “Pra que você quer isso?” “Tenho que tirar uma dúvida da minha cabeça.” “Sobre...”, ele fez um gesto com as mãos para que ela continuasse. “Quero ter certeza que Eric é realmente culpado.” “Ele confessou. Não tem segredo.”, ele se levantou e andou pela sala. “Pra que mexer nesse vespeiro?” “Eu ouvi Leroy falando algo estranho. Não quero imaginar...”, ela engoliu em seco. “Que Santiago saiba de alguma coisa.” “Leroy é um troll.”, ele se ajoelhou ao lado dela. “Eu não queria Eric sendo morto, aprendi a aturar aquele filho da puta. Só que ele se entregou, é o suficiente para todo mundo.” “Eu sei que ele esteve envolvido de alguma maneira. Assim como você, Senhor Reyes. Ajudou a esconder provas sobre Jason ser irmão de Sookita.” “Como sabe disso?” “Eu vi os e-mails que trocaram. Não é só você que sabe invadir computadores alheios.”, ela deu um tapinha no ombro dele. “Sei que tem medo de Eric, eu também tenho, todo mundo tem. Mas, nem por isso é justo deixarmos uma possível pista sem investigação.” “Ele se entregou, Delilah. Quantas vezes terei que repetir.”, ele se levantou exasperado.

“Eu cuido das investigações para a Autoridade. Faço isso tanto tempo que perdi as contas. Eu nunca deixei alguém ser pego injustamente. Não será com Eric que irei falhar, mesmo ele não sendo santo.”, ela disse com firmeza. “Ele é assim porque é bonito. Pessoas bonitas são cruéis.”, Maya disse fechando o livro e prestando atenção na conversa. “Obrigado pela contribuição.”, Bastian disse irritado. “Pode ser, Maya. Mesmo assim ele não precisa pagar por causa disso. Tem que pagar porque fez e ter provas apoiando o caso.” “Delilah pensa que trabalha no Law&Order.”, ele deu uma risada. “Nem todo mundo tem seu senso de justiça.” “Se fosse você sendo acusado, iria agradecer o meu esforço.” “Droga...”, ele parou no meio da sala com as mãos na cintura fina. “Como irá pegar o celular daquele babaca?” -----------------------------Pam olhava desolada para a entrada do Martillo, havia pichações de assassino, vampiro fede, morte ao vampiro, entre outras palavras de ordem. A boate continuava fechada desde que Eric se declarou culpado. Ela ficou sabendo da notícia pelo jornal noturno na televisão. Seu patrão nem tinha se dignado em avisá-la de nada, muito menos contado o que iria fazer. Eles tinham tido uma briga feia, houve gritos e acusações, Pam chegou a bater nele algumas vezes. Eric não reagiu, mas a ofendeu cruelmente com palavras. Ela sabia que os dois não estavam bem desde que ele voltou do problema com o senador. Na verdade, a relação deles não era mais a mesma desde o surgimento da dançarina, da maldita Sookita. Era complicado entender esse envolvimento estranho de Eric com ela, não era apenas por causa de Bill. Tinha algo mais, alguma coisa profunda que Pam não compreendia. Ela foi a relação profunda de Eric durante os séculos que ficaram juntos, não que fosse sexual, só tinha sido no inicio. Ela era a mulher mais importante para ele, e a parceria perfeita deles nunca teve abalos. Ela chegou a ameaçar que iria embora, o deixaria para sempre. Não tinha forças para isso, não conseguia ver um futuro sem Eric ao seu lado. O amava com todas as forças, sabia que ele a amava, mas não fisicamente. Ela até tinha aceitado essa situação, mas não queria que ele a trocasse por uma outra mulher. O que ela faria sem ele? As poucas vezes que ameaçou de deixá-lo, Eric a fazia mudar de ideia, também dizia que não vivia sem ela. Os dois dependiam um do outro, e para ela era confortável a ideia de que ele jamais a deixaria por outra pessoa.

E agora ele a deixaria porque era um idiota, acabou se enfiando numa enrascada. Ele sempre foi tão cuidadoso, jamais escaparia evidencias do que fez. Claro que antigamente era mais fácil escapar de um crime, ainda mais de humanos. Contra vampiros era mais complicado, sempre tinha alguém espreitando, o criador sentia a morte da cria e a Autoridade passou a ser implacável sobre vampiros matando vampiros. Eles não eram muitos, viviam nas sombras e não deviam matar entre si. Pam entrou no carro barulhento de Eric e dirigiu velozmente para a sede da Autoridade. Pelo menos agora sabia onde ficava, não era apenas uma lenda para botar medo nos vampiros. Mesmo a amizade que tinha com Santiago, mesmo ele sendo um Magistrado, nem isso foi o suficiente para ela saber um pouco mais sobre a localização da Autoridade. Ela estacionou o carro em frente ao prédio que parecia abandonado. Não gostava da sensação de despedida dessa visita. Como se tudo estivesse acabando. Como seria acordar num mundo sem Eric? A pergunta ficou martelando em sua cabeça quando parou na recepção. A atendente respondeu nervosamente que ela poderia subir até o andar onde Eric estava preso. Pam arqueou a sobrancelha diante da atitude da mocinha, ela não se considerava tão grosseira, talvez um pouco e talvez com funcionários lerdos e incompetentes. Os corredores da Autoridade estavam vazios naquela noite bem diferente da outra vez que esteve lá. Quando tinha alarmes tocando, guardas correndo preocupados e Bastian aprontando mais uma. Preparou vários cenários na mente e mesmo assim não imaginava quais condições iria encontrar Eric. Ainda estava em negação com essa história toda. Gostaria de acordar e descobrisse que foi tudo um enorme pesadelo. Um guarda estava sentado no fim do corredor atrás de uma mesa com um olhar entediado, como se quisesse sumir dali. Pam parou em frente a ele com as mãos na cintura e batendo o salto no chão. “Onde está Eric Colunga?” “Tem autorização para vê-lo?”, o guarda perguntou numa voz pastosa. “Não tenho nenhuma.”, ela respondeu irritada. “Sem autorização não pode entrar.” “Está vendo isso aqui?”, ela levou uma das mãos na altura do rosto. “É a minha autorização para amassar a sua cara.” “Só estou cumprindo as ordens.”, ele encostou a cadeira na parede.

“Ligue para a porcaria do seu chefe, que nem sei quem é.”, ela deu de ombros. “Estou indo ver Eric, se quiser me impedir, quero vê-lo tentar.” O guarda soltou um suspiro, se colocou em pé e fez um aceno para quem Pam o seguisse. Ele abriu a cela de prata com a chave e seguiram por mais um corredor. No fim havia mais uma pesada porta revestida de prata, o guarda abriu e indicou a última cela na direita. Foi o caminho mais longo que ela percorreu, nem pelo lugar ser grande, mas pelo pavor que carregava em cada passo. Ela queria adiar o que iria encontrar o máximo que podia. Olhava para as celas dispostas em cada lado do corredor, estavam vazias, não havia mais ninguém ali. Somente Eric preso naquele complexo de celas com as paredes pintadas de branco e as barras de prata brilhando de limpas. A Autoridade fingindo ser moderna, fingindo ser como qualquer presidio dos humanos. Ela já tinha visto esse lugar, filmando por exclusividade pela maior rede de televisão do México, para mostrar em primeira mão onde o perigoso assassino estava sendo mantido. Ela parou em frente da última cela, o lugar onde menos desejava ver Eric. Havia apenas uma cama de solteiro com lençóis brancos, para manter o ambiente claro o suficiente, a sensação de que os vampiros não são tão diferentes dos humanos, que respeitam seus presos. Que monte de merda, ela pensou sentindo vontade de gritar. Eric mal cabia naquele cubículo, não foi projetado para um vampiro de quase dois metros de altura. Ele estava sentado na cama, encostado na parede, a cabeça baixa. “Eric, estou aqui.”, Pam disse depois de um tempo o observando. “Eles te deixaram se despedir.”, ele disse balançando a cabeça. “Não quero saber de despedidas.”, ela refreou a vontade de colocar as mãos nas barras de prata da cela para se aproximar dele. “Você tem que sair desse lugar.” “Já está feito. Não tem mais volta.” “Olhe pra mim.”, ela implorou. “Olhe e diga que é isso que quer?” “Implorar não combina com você.”, ele respondeu mantendo a cabeça baixa. “Eric, não estou brincando. Dessa vez estamos ferrados.” “Eu estou ferrado. Você continuará cuidando da boate, e não cometerá nenhuma besteira como morrer por minha causa. Isso é uma ordem.”, ele disse severamente.

“Besteira. Você já me liberou, sabe que não funciona mais.”, ela disse se aproximando da cela. “Então será meu desejo. Você não deixará um viking morrer sem obedecer à última vontade dele. Negará minha entrada no Valhala.” ele levantou a cabeça para encará-la. “Não adianta me enganar. Vocês só entram no Valhala se morrerem em combate. O que não é o seu caso.” Ela não conseguiu desviar os olhos dele. O rosto de Eric estava tão cansado, mais pálido do que o normal, com algumas cicatrizes que estavam demorando a curar. Os olhos estavam fundos, sem o brilho azul que ela estava acostumada a ver. “Você realmente leu aquele livro da mitologia nórdica.”, ele deu uma risada. “Achei que tinha usado como peso para papéis.” “Foi um presente seu. Jamais faria isso.”, ela disse com suavidade, coisa que pouca fazia. “Eric, por favor, faça alguma coisa pra sair dessa.” “Eu não sou mágico, não posso desaparecer no ar. É inevitável.”, ele voltou a ficar sério. “Você tem que aceitar.” “Está me pedindo o impossível. Como aceitar você morrendo por algo que não fez?”, ela gritou, a voz dela ecoou pelo corredor vazio. “Como não fiz? Você acredita em tudo que eu digo?” “Você jamais faria algo contra Sookita, sua amada Sookita.”, ela disse com uma careta. “Foi a amada Sookita quem me colocou aqui.”, Eric disse desviando o olhar. “Ela queria o monstro, eu dei o que ela desejava.” “Eu vou matar aquela maldita. Ela quem acabou com nossas vidas.” “Você não fará nada, nada. Está me ouvindo?”, ele se colocou em pé. “Sookita fez o que achou certo. Ela queria pegar o assassino do irmão e conseguiu.” “Mentira, mentira... como pode aceitar dessa maneira? Você a ama tanto assim? Mais do que a mim?”, ela colocou uma mão entre as barras, tentava tocar no rosto dele. “O que eu entendo por amor é diferente do que ela pensa.”, ele se afastou do toque dela. “O que é? Me diga...”, ela não queria implorar novamente.

“Amor é um grande teste que os humanos usam para se diferenciarem de nós.”, ele engoliu em seco. “Só sendo vivo para saber o que é isso. Eu só tenho lembranças de quando amei. Você também.” “Você não é a merda de Platão, não venha com filosofia barata.”, ela retirou a mão de perto dele. “Você está fazendo isso para passar no teste de Sookita?” “Ela não passou no meu, Pam. Eu sou o que ela quis ver, o que quis acreditar.” “Vai morrer por que teve o coração partido?”, ela gritou novamente. “Eu queria entrar nessa cela, te encher de porrada e trazer meu criador de volta de onde ele se escondeu.” “Vou morrer porque é o que todos esperam. Eu sou o vilão dessa história. E não destruirei mais a vida de Sookita ou de qualquer outra mocinha inocente.”, ele disse com um sorriso de canto. “Pare de brincar, por favor.” “Estou sendo realista.” “Odeio seu realismo, odeio tudo isso que está acontecendo. Odeio despedidas.” “Pois não se despeça. Vá embora!” Ela o encarou com lágrimas nos olhos, não queria perdê-lo. Ela se lembrou de quando o viu na casa dele logo após a tortura na Autoridade. Quando disse que estava cansado, e ela sentiu que algo iria acontecer. Mas, na época ela não prestou atenção, escondeu no fundo da mente e não consultou mais. “Eu te disse uma vez que um dia iria entender. Naquele momento eu sabia que começaria a te perder. Pensei que fosse para Sookita. Mas, não imaginava que seria para a morte.”, ela enxugou as primeiras lágrimas que escorreram. “Você irá sobreviver, como sempre fez antes de me conhecer.” “Não... não me fale essas coisas.” “Vá embora, Pam.” “Deixe-me tocá-lo... uma última vez.” Ela não escondia mais as lágrimas que escorriam. Ele se aproximou das barras de prata. Pam passou os braços entre as barras e o acariciou no rosto. Ela sentiu uma lágrima dele no dedo. “Não machucarei Sookita, sei que é um idiota apaixonado. Eu não sei se passaria no teste de amor dos humanos ou no seu, seja lá qual for o seu teste. Eu te amo, isso que me importa.”

Ela retirou as mãos de perto dele, se afastou da cela sem olhar para ele. Começou a caminhar para a saída, olhando para a única lágrima dele que ficou em seu dedo. Ela lambeu o dedo como se quisesse manter a última gota de sangue em seu corpo, para senti-lo mesmo depois que fosse embora. ------------------------Jessica abriu a porta do escritório de Emilio. O cheiro do charuto foi a primeira coisa que ela sentiu. Estava acostumada com o cheiro, os encontros diários deles eram permeados com ensinamentos entediantes dos lobisomens misturados com o cheiro adocicado dos charutos que ele fumava. “Sente-se.”, ele indicou a cadeira para ela. A sala tinha uma fumaça espessa, mesmo não respirando, o olfato dela era sensível, captava cada partícula de cheiro no ambiente. Ela se sentou na cadeira torcendo para que a aula do dia fosse curta. “De onde os lobisomens surgiram?”, ele perguntou jogando uma baforada de fumaça no ar. “Zeus transformou um fulano em lobo como punição.”, ela disse revirando os olhos. “Fulano?” “Não lembro.” “Licaão, não se esqueça.” Ela balançou a cabeça concordando. Ela queria saber sobre os tais seres de luz, mas não queria perguntar e deixar evidente o interesse que tinha. Teria que ter paciência para escutar histórias sem sentido até chegar ao que desejava. “As dores de nossa transformação foram tiradas por um acordo de Licaão e os moradores de Atlântida.” “Edificante.” “Você sabe de onde os seus vieram, Jessica?”, ele perguntou cerrando os olhos para encará-la. “Alguma história da bíblia. Eu dormi na aula aquele dia.” “Agora terá que se interessar pela história de sua futura família. Todas passaram por isso, não importa se é vampira ou humana.” “Eu não tive escolha.”, ela cruzou os braços emburrada.

“Nem sempre escolhemos o futuro. Seu pai confiou em Alcide, eu confio na escolha de meu neto.” Jessica sufocou o riso, o velho não imaginava o quanto estaria errado. Ela destruiria a vida de Alcide, nunca seria a escolha certa. E nem queria ser a escolha de ninguém, somente queria continuar vivendo ao lado de seu pai. Nem isso teve a chance de decidir. Mas, iria encontrar uma saída de qualquer maneira, preferia a morte a Alcide. “Quem são esses moradores de Atlântida?”, ela se lembrava da lenda da mitologia grega, existiam pesquisadores que realmente acreditavam e procuravam pela tal ilha. “Os que devemos proteger.” “Os... os seres de luz?”, ela se sentou na ponta da cadeira, finalmente chegava à parte boa. “Povo Iluminado, é assim que os chamamos.” “Não são uma lenda?” “Para todo o resto sim, mas não para nós.” “Como podem ter tanta certeza? Não estão fumando muito como os índios?”, Jessica perguntou não querendo encerrar o assunto tão cedo, pela primeira vez ficou excitada durante uma aula. “Não acha estranho uma cidade de lobisomens perto de uma de seu povo?”, ele perguntou com um brilho estranho nos olhos castanhos. “Eu nem sabia que vocês tinham essa cidade, muito menos esses seres.” “Seu povo os temem e os desejam ao mesmo tempo. Estamos aqui para proteger o Povo Iluminado .” “Como irei protegê-los sendo uma vampira?” “Nós lobisomens fazemos isso, não nossas companheiras humanas.” “Eu sou uma vampira.”, ela falou alto. “Não tenha receio, sem suas presas nada acontecerá.” Ela colocou a mão nos dentes de maneira instintiva. Suas presas ainda cresciam, lentamente, ela se sentia como Sansão sem o cabelo. Precisava das presas para se sentir uma vampira, sem elas, não era nada. “O que eles tem de especial?”

“Vida.” Ela o encarou boquiaberta. O gosto do sangue de Sookita voltou a sua boca como se tivesse acabado de tomar. A sensação de sentir o corpo pulsar, como se fosse viva. Foi a única vez que sentiu isso desde que virou vampira, jamais tinha esquecido o que o sangue dela fez. Não seria coincidência. “Só que a vida não se mistura com a morte. Igual água e óleo. Existem consequências quando se força a mistura.”, ele disse tragando o charuto. “Quais?” “A vida nunca irá vencer a morte. É uma lei definitiva. Beba de um deles, vida e morte em conflito. A morte vencerá duas vezes.” Jessica se levantou de uma vez. E se Sookita tivesse esse sangue que dá vida? Ela bebeu dela, quase por inteiro, estaria correndo algum risco? Algo que deu tanto prazer, e que era tão nefasto. E sem ela saber, escondido, se infiltrando em seu corpo. Como seriam a raça perfeita se tinham um inimigo invisível? A cabeça dela começou a rodar. “E se... e se beber um pouco deles?” “Não posso te responder. Os protegemos para isso não acontecer.” “Não entendo por que essa proteção se são tão poderosos.” “Quando estão em nosso plano, são vulneráveis.” “Por quê?” “Eles quebram algumas leis para virem até aqui. É uma passagem perigosa e só podem ficar um curto espaço de tempo.” “Se é tão perigoso por que se arriscam?” “Não sabemos.” “Como não sabem?”, ela quase gritou de ódio. “Eles falam em nossa mente só o necessário.” Jessica se apoiou na mesa de Emilio. Se fosse humana teria caído desmaiada no chão. “Você não parece bem, Jessica.”, ele se levantou com o charuto na boca e a segurou pelo braço. “Não deveria ter falado tudo de uma vez. É assustador para todos nós quando descobrimos.”

“Eu sou uma vampira, e você me contou tudo isso.”, ela engoliu em seco. “Quando eu sair daqui...”, ela não terminou a frase. “Não poderá sair. Acredito que isso tenha ficado claro.”, ele arqueou uma sobrancelha. “Eu sou uma prisioneira.” “Não, você será família. É diferente, muito diferente.” “Alcide foi expulso, ele sabe de tudo.” “Alcide é um lobisomem, lealdade é o que nos move.” “As mulheres... entendi.”, ela sentiu vontade de chorar. “É uma escolha sem volta.”, ele indicou a saída para ela. Jessica subiu a escada para o quarto onde dormia. Jogou-se na cama sem vontade de pensar em nada, não queria mais saber de seres de luz, nem de Atlântida ou outra porcaria de mitologia estúpida, ela pensou desconsolada. Ouviu uma batida na janela, mas ignorou. A noite ainda seria longa, ela se forçaria a dormir. A batida foi mais forte dessa vez. Ela se virou pronta para atacar quem estivesse fazendo isso. Ela se deparou com Alcide do lado de fora com um sorriso tonto no rosto. Ele pedia com a mão para entrar. “O que você quer, cachorro?”, ela levantou a janela com força quase o derrubando do telhado. “Conversar.”, ele disse passando uma perna no parapeito. “Está um lixo, não vou aguentar esse cheiro fétido de animal sujo.”, ela tapou o nariz. Ele usava roupas sujas e rasgadas, ela podia sentir o cheiro do sangue dele nelas. O rosto estava cheio de hematomas roxos, havia sangue pisado nas bochechas. “É rápido, não posso estar aqui.”, ele disse animado. “Fale de uma vez, fique aí na janela, não se aproxime.”, ela fez uma careta. “Daqui uns dias será o meu ritual. Queria me despedir.” “Só se você morrer... poderia me dar essa felicidade?”, ela gargalhou, só Alcide a deixava de bom humor com tanta imbecilidade que falava. “Isso pode acontecer.”, ele disse baixando a cabeça.

“Não precisa morrer no ritual. Eu te jogo daqui de cima, você morre e eu estou livre.”, ela segurou no colarinho dele. “Você faria isso por mim, não cachorrinho?” “Eles arranjarão outro para você.” “Como?”, ela gritou. “Eu vivendo ou morrendo, você já foi prometida. Se não sou eu, será outro.” “Isso não pode ser verdade.”, ela o puxou para dentro do quarto. “É a lei.” “Estou cansada dessas leis idiotas de vocês. Maldito Zeus!” “Vejo que está aprendendo nossa história.”, ele disse com orgulho. “Você não pode morrer nessa coisa de ritual.”, ela disse como se falasse para si mesma. Alcide era fácil de manipular, ela o conhecia com a palma da mão, mas outro lobisomem não seria a mesma coisa. “Eu estou treinando duro.” Ela o obrigou a se sentar na cama, se posicionou em pé entre os joelhos dele, colocou a ponta do dedo no queixo e levantou a cabeça de Alcide. “Como será esse ritual?” “Vou ter que caçar coiotes.”, ele disse. “Pelo menos foi assim da primeira vez.” “Tem certeza?” “Eu não perguntei.”, ele encolheu os ombros. “Não entendo vocês lobisomens, nunca questionam nada.”, ela balançou a cabeça. “Vou te dar meu sangue.” “Não posso aceitar, seria trapacear.” “Você está todo quebrado, vai tomar meu sangue, não me obrigue a enfiar goela abaixo.” “Tenho que passar por meus méritos.” “É só para te curar, não vai te dar forças.”, ela mentiu. “Meni... Jessica, se descobrirem...” “Mande virem tirar satisfação comigo.”, ela tentava soar corajosa, mas ficou apavorada com aqueles lobisomens monstruosos que viu na Assembleia.

Ela fez um corte no pulso com a unha, forçou a boca de Alcide com as mãos, ele não queria deixar de jeito nenhum. Jessica apoiou a coxa entre as pernas dele, atingiu o membro dele com violência. Alcide abriu a boca para gritar de dor, Jessica colocou o pulso na boca dele e o obrigou a tomar. Lá fora um vulto se movia entre as árvores, observava a movimentação no quarto de Jessica com interesse. ------------------------Tara estava sentada no banquinho em frente ao balcão no Martillo. A boate não abriria mais uma noite nessa semana, não teriam clientes visitando o local onde um assassino era o dono. Fora as pichações do lado de fora, e funcionários sendo atacados por motoqueiros que jogavam pedras na fachada. Ela não deixou de ir até a boate, por mais que Eric fosse o culpado. Havia feito muitos amigos ali, não iria abandoná-los nesse momento. Procurou Sookita para ajudá-la sabendo de tudo o que tinha acontecido entre ela e Eric. Mas, encontrou a amiga diferente, feliz, dizendo sentir um alivio, que agora Jason poderia descansar em paz. Não tocava no nome de Eric, comentou que havia se acertado com Bill. Acreditava que os dois seriam felizes daqui pra frente, palavras de Sookita, e Tara não iria contestar. Cada um lidava de uma maneira com decepções. Olhou para Mariano que devolveu o olhar com tristeza. Havia poucos funcionários indo até a boate, a maioria dos humanos desistiram. Ficaram ela e outros quatro de humanos, o resto era de vampiros. “Obrigada pelo que está fazendo.”, ela disse para ele. “Seu primo não aceita dormir no sofá. Toda noite o encontro dormindo do meu lado.”, ele disse forçando um sorriso. “Não tinha outro lugar para escondê-lo. Vou te pagar em dobro o que está fazendo.” “Só uns dez encontros e estamos de boa.”, Mariano abriu um sorriso no rosto másculo. “Não falei nesse sentido.”, ela disse sentindo o rosto quente. “Achei que estava implícito. Você me deve quando te cobri aquela semana.” “Sem beijo, sem toque na mão, só amizade.”, ela disse franzindo a testa. “As pessoas estão meio sensíveis com vampiros ultimamente.” “Nem todos são como Eric.”, ele disse nervoso. “Sim, nem todos.”, ela concordou sobriamente.

Não puderam continuar conversando, Pam entrou na boate com o rosto coberto de lágrimas de sangue. “Saiam daqui, todos vocês.”, ela gritou apontando para os funcionários. Ela passou por Tara velozmente, fechou a porta do escritório de Eric com um estrondo. “Pam não é como ele.”, Mariano disse. “Achei que gostava de Eric.”, ela disse surpresa para ele. “Ele foi imprudente. Colocou em risco todos nós vampiros. E perdi meu emprego.” “Eu também perdi. Logo teremos que sair procurando.”, ela disse com pesar, tinha gostado de trabalhar na boate. Os dois interromperam a conversa, ouviam os lamentos altos de Pam saindo do escritório. “Ela quem está sofrendo com tudo isso.”, Mariano disse caminhando na direção do escritório. “Deixe, deixe... irei até ela.”, Tara disse sentindo uma sensação estranha. Mariano concordou e se afastou. Tara caminhou lentamente até o escritório. Abriu a porta devagar para não assustar Pam. Foi recebida com algo quebrando no alto da porta. Pam havia arremessado um copo. “Pam, está tudo bem. Sou eu, Tara.” “Saia daqui, não quero ver ninguém, muito menos humanos.”, Pam estava com a cabeça apoiada nos braços em cima da mesa. “Você foi vê-lo?”, Tara perguntou com cuidado fechando a porta atrás de si. “De que adianta, ele é um idiota.” “Eu me sentia dessa maneira com minha mãe.” “Sua mãe morreu por algo que não fez?”, Pam levantou a cabeça com as lágrimas de sangue escorrendo. “Você acha que Eric é inocente?” “Ele me disse uma vez que não fez, eu tirei sarro da cara dele. Eu sei que me disse a verdade.” “Ele confessou.”, Tara disse baixinho com medo de sofrer algum ataque revoltado de Pam.

“Por causa de Sookita, sempre ela.” “Sookita? O que ela tem com isso?” “Eric disse que ela o colocou lá. Eu não sei como, não me pergunte e não vou procurar a vaca para descobrir, senão a matarei.”, ela enxugava com as mãos as lágrimas. “Não sei... é loucura isso que vou dizer. Meu primo viu o assassinato.”, ela disse se arrependendo em seguida. “O que?”, Pam ficou de pé num salto. “Ele estava com a polícia, ele fugiu, está sendo procurado.” “Você só diz isso hoje?”, Pam se aproximou de Tara. “Não sabia que faria diferença.” “E o que ele diz?” “Que foi Eric... mas, acho que parece meio confuso.”, Tara não tinha certeza do que estava fazendo, não sabia se tentava levar um alento para Pam ou acabaria se colocando numa enrascada junto de Lafa. “Me leve até ele.”, Pam disse pegando as chaves em cima da mesa. “Tem certeza?”, Tara disse se encolhendo perto da porta. “Não quero que fique mais triste ainda.” “Se ele viu, eu quero saber.” Pam puxou Tara pelo braço. Antes que saíssem da boate, Tara correu até o balcão e pediu a chave da casa de Mariano. O vampiro entregou com um ar de preocupação. Vinte minutos depois Pam parou o carro em frente à casa de Mariano. Não era uma casa grande, mas ficava num bairro bom da cidade. Tara não queria pensar no quanto Mariano era um bom partido, apesar de ser vampiro. Tara abriu o portão de ferro, em seguida caminhou até a entrada. Sentia as mãos tremendo, não sabia o que iria acontecer e muito menos a reação de Pam. O queixo de Tara caiu quando abriu a porta e viu Lafa, usando apenas uma gravata e com as pernas cruzadas em cima da mesa de jantar. Ela já tinha visto aquela cena em algum filme, não se lembrava qual. “O que pensa que está fazendo?”, ela disse constrangida.

“Pensei que fosse o gostosão, eu fiz um jantar especial.”, ele ficou em pé nu, sem se importar com ela e Pam. A mesa estava cheia de comida. “Lafa, ele não come comida.” “Eu sei, a comida é pra mim. O jantar era eu, amada.” “Vá vestir uma roupa.”, Pam disse incomodada. Lafa deu de ombros e foi para um dos quartos. Voltou minutos depois usando um robe dourado. Tara balançou a cabeça, teria que triplicar os encontros com Mariano depois dessa. “Sua amiga vampira está toda suja de sangue.”, Lafa apontou se sentando no sofá. “Cale a boca.”, Pam disse se aproximando de Lafa. “Diga o que viu no dia que Jason foi morto.”, ela o encarou. “Um vampiro alto... loiro... de preto.”, ele disse lentamente. “O que mais?” “Um vampiro alto, loiro, de preto... Eric matando Jason.” “Como ele fez?” “Não sei, ele matou Jason.” “O que você viu antes de Jason morrer?” “Não sei.” “Quem matou Jason?” “Um vampiro alto, loiro, de preto...”, Lafayette repetiu. “Ele foi hipnotizado. Parece um papagaio ambulante.”, Pam disse com raiva. “Não foi Eric?” “Eric não seria idiota de hipnotizar alguém e se culpar.”, ela disse pensativa. “Não dá para deshipnotizar? Nem sei se essa palavra existe.” “Uma vez feito, está feito. Só se...”, Pam levantou agarrando Lafa pelo braço. Tara encolheu os ombros sem entender o que Pam estava pensando, não iria perguntar nada. Mas, a vampira parecia bem mais animada. “Precisamos de alguém que lê mentes.”

“Sookita...”, Tara disse num grito. “Boa menina, Grifinória ganhou dez ponto com sua astúcia.”, Pam disse saindo com Lafa da casa. “Ela não vai ajudar.” “Veremos.”, Pam disse com um sorriso de canto.