OUTRA VIDA ALÉM DESTA?

À medida que o tempo passa e eu me vejo aproximar cada vez mais do limite da vida que me foi concedida viver, qual ele seja, não consigo evitar que o pensamento caminhe determinado pelo passado, anotando minuciosamente situações que nele vivi e que muito me marcaram. Inevitavelmente, eu volto ao tempo da minha juventude, onde vivi situações inesquecíveis. Naquele tempo e como a maioria dos jovens, eu vivia apenas para o presente, nada aprendendo com o passado, nem me preocupando com o futuro. Nessa altura, para mim, o tempo de vida chamava-se eternidade pois meu limite era infinito. O passado era a minha vitória; o presente o meu alvo e o futuro inexistente ou simplesmente ignorado. Meu objetivo chamava-se prazer e era em face deste que eu vivia tudo fazendo para o sentir satisfazendo assim o meu ego. Mesmo tendo-me interessado bastante pela astrologia e de certo modo consciente que existiam outros planetas além da terra; alguns deles a muitos milhões de kms de distância e alguns talvez, milhares de vezes maiores em diâmetro, para mim, o mundo era somente esta terra onde eu vivia e vivo ainda. Mesmo tendo sido ensinado sobre a existência de um Deus Criador dos céus e da terra, nessa fase da minha vida chamada juventude, ao “suposto” criador do mundo, eu chamava natureza e então afirmava que, a vida não nos foi dada por alguém mas po r algo. Algumas vezes eu estava de acordo com a teoria dos chamados ateus pois, nada me podia provar que alguém tinha criado o mundo. O nascimento das árvores e das plantas pareciam dar-me a explicação para as minhas dúvidas pois, também elas nasciam e morriam e não tinham salvador. Ninguém conseguia provar-me que havia outra vida além desta. Para mim, como para qualquer ateu, era um absurdo pensar que fora desta esfera chamada terra, havia uma outra vida melhor do que esta. Ao terrível sofrimento que vivi na juventude, eu chamava heroísmo para conquistar o prazer que o orgulho de vencer as dificuldades exigia. Eu recusavame aceitar um criador sob o pretexto que ninguém me podia garantir que outra vida existia para além desta. Todavia, inconscientemente, eu negava um criador para obedecer a um destruidor que apesar de me vitimar, eu também não podia provar que exista. Até que, a vida terrível que eu então levava se tornou insuportável e impossível de ser vivida. Então, sem conseguir acreditar num Criador e Salvador, eu acabei por ceder à influência do tal destruidor que me apontava a morte como única solução, pois que, a vida que eu levava já não podia nem merecia ser vivida. Pois, aquele prazer que eu pensei amealhar, estava agora totalmente transformado em sofrimento, desgosto remorsos angústia e grande aflição. Até que, na hora do suicídio o meu brado de prazer, se tornou num grito de desespero, que foi ouvido não pelo destruidor que eu servia, mas pelo Salvador que eu negava por pensar não existir mas que no momento de eu desesperadamente dizer adeus à vida, Ele, carinhosamente me estendeu a mão envolvendo todo o meu ser. Não O vi com os meus olhos mas, uma forte luz surgiu em meu coração e eu a reconheci como o meu Salvador, o Criador do mundo e desta felicidade que tenho agora, razão deste forte desejo que tenho que chegue o tempo de o ver cara a cara e com as minhas mãos sentir nas d´’Ele as marcas do preço da minha salvação. Mesmo com uma total transformação desde que nasci de novo quando aceitei receber Jesus, eu sempre me interroguei, sobre o porquê de nunca ninguém ter conseguido provar a existência de um mundo para além deste. Mesmo tendo a certeza da vida eterna e que outro lugar chamado paraíso existe além da terra, meu desejo de poder provar essa realidade de forma visível, sempre se manteve; até que, inesperadamente, através dos meios tecnológicos da era atual, eu recebi a seguinte mensagem: “No ventre de uma grávida, estavam dois bebés e o primeiro, pergunta ao outro: – Tu acreditas na vida após o nascimento? – Certamente que sim. Algo tem que haver depois de nascermos. Talvez nós estejamos aqui porque precisamos de nos preparar para a vida que levaremos mais tarde. – Isso é tolice, não há vida após o nascimento. E se houvesse como seria ela? – Eu não sei mas certamente, haverá mais luz lá do que aqui! Talvez caminhemos com os nossos próprios pés e comamos com a boca. – Isso é um absurdo. Caminhar é impossível e comer com a boca é totalmente ridículo. O cordão umbilical alimenta-nos. Estou convencido que a vida após o nascimento não existe pois, o cordão umbilical é muito curto. – Olha, eu penso de outro modo, e acredito que depois do nascimento há algo talvez um pouco diferente do que estamos habituados a ter aqui. – Mas nunca ninguém voltou de lá para nos falar sobre isso!? O parto é o fim da vida. E a vida afinal, nada mais é do que, angústia prolongada nesta escuridão. – Bem, eu não sei exatamente como será a vida depois do nascimento mas, certamente que veremos a mamã e ela cuidará de nós com amor e carinho. – Mamã? Mas tu ainda acreditas em tal mamã? Onde está ela? – Ela? Onde está? Em tudo à nossa volta. É nela e através dela que nós vivemos. Sem ela nem nós nem nada disto aqui existia. – Eu não acredito, nunca vi nenhuma mamã nem tu me consegues provar que existe uma mamã; por isso, não existe nenhuma – Olha, eu acredito. Sabes porquê? Porque às vezes, quando estamos em silêncio, ouço-a cantar e sinto como ela com ternura afaga o este nosso mundo. E, também penso que a nossa vida só será “real” depois de a mamã nos fazer nascer. Nesse momento tomará nova dimensão. Aqui onde nós estamos agora, apenas estamos a preparar-nos para essa outra vida mais real do que esta e então sentiremos o amor da mamã”. Depois de ler e meditar nesta mensagem, eu me senti como uma criança e, sem conseguir evitar as lágrimas, não pude deixar de agradecer a Deus por esta mensagem, como se esta fosse a resposta à minha interrogação durante todos estes anos. Então, me senti levado a meditar de novo no verdadeiro significado da afirmação bíblica que diz: “ Ora a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não vêm” (Hebreus 11: 1) Face à maravilhosa comparação desta mensagem e porque me considero uma criança do meu Senhor e Salvador, emocionado e como impelido pela fé, eu me permiti comparar simbolicamente, esta terra onde vivemos com: O ventre de Deus.

Hernâni Viana

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