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Disciplina

Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS)
Coordenador da Disciplina

Prof.ª Margarida M. P. de Souza
Edição 2013.1

Copyright © 2010. Todos os direitos reservados desta edição ao Instituto UFC Virtual. Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, transmitida e gravada por qualquer meio eletrônico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, dos autores. Créditos desta disciplina Coordenação Coordenador UAB Prof. Mauro Pequeno Coordenador Adjunto UAB Prof. Henrique Pequeno Coordenador do Curso Profª. Eloneid Felipe Nobre Vice-Coordenador do Curso Prof. Francisco Herbert Vasconcelos Coordenador de Tutoria Prof. Dimas Vasconcelos Coordenador da Disciplina Prof.ª Margarida M. P. de Souza Conteúdo Autor da Disciplina Prof.ª Margarida M. P. de Souza Colaboradores Joelma Remigio de Araújo Natália Almeida Francisco Sérvulo Gomes Lima João Batista Filho Germana Maria Araújo de Lima Mariana Farias Lima Setor TecnologiasDigitais - STD Coordenador do Setor Prof. Henrique Sergio Lima Pequeno Centro de Produção I - (Material Didático) Gerente: Nídia Maria Barone Subgerente: Paulo André Lima / José André Loureiro Transição Didática Elen Cristina S. Bezerra Elicélia Lima Gomes Fátima Silva e Souza José Adriano de Oliveira Karla Colares Kamille de Oliveira Thiago Alencar Formatação Camilo Cavalcante Damis Iuri Garcia Elilia Rocha Emerson Oliveira Francisco Ribeiro Givanildo Pereira Sued de Deus Stephan Capistrano Publicação João Ciro Saraiva Design, Impressão e 3D Andrei Bosco Eduardo Ferreira Fred Lima Iranilson Pereira Luiz Fernando Soares Marllon Lima Onofre Paiva

Gerentes Audiovisual: Andrea Pinheiro Desenvolvimento: Wellington Wagner Sarmento Suporte: Paulo de Tarso Cavalcante

Sumário
Aula 01: A PESSOA... surda ou Surda? ................................................................................................. 01 Tópico 01: Os surdos desde a Antiguidade ............................................................................................ 01 Tópico 02: Da deficiência à diferença.................................................................................................... 06 Tópico 03: A Surdez no olhar dos surdos .............................................................................................. 09 Tópico 04: A Cultura e Identidade Surdas ............................................................................................. 12 Aula 02: Língua De Sinais – Um Idioma Visuoespacial ........................................................................ 26 Tópico 01: Considerando Alguns Conceitos de Linguagem e Língua................................................... 26 Tópico 02: Aspectos Gerais Sobre o Idioma Que se Vê ........................................................................ 29 Tópico 03: Os Parâmetros da Língua de Sinais ..................................................................................... 36 Tópico 04: Os Níveis Linguísticos ......................................................................................................... 44 Tópico 05: Os Tipos de Verbos.............................................................................................................. 48 Aula 03: O Profissional Tradutor E Intérprete Da Língua De Sinais (TILS) ..................................... 55 Tópico 01: Como ou quando surgiram os primeiros trabalhos de interpretação de língua de sinais ..... 55 Tópico 02: O que vem a ser esse profissional? ...................................................................................... 58 Tópico 03: O Profissional Intérprete da Língua de Sinais e sua atuação na escolarização .................... 61 Tópico 04: A Surdocegueira e o Profissional Guia-Intérprete: o brilho da descoberta do mundo ........ 66 Aula 04: Um olhar sobre o português como segunda língua para surdos ........................................... 72 Tópico 01: O processo de aquisição da língua(gem) pelos surdos ........................................................ 72 Tópico 02: Um olhar sobre o texto do surdo .......................................................................................... 76

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) Frequentemente as pessoas pensam que surdo quer dizer mudo. apenas em família..LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS) AULA 01: A PESSOA. Meus chamados nada queriam dizer para meus pais. fale. apesar de tudo.. porque queria me ouvir e os sons não me chegavam. sim... mas sabia bem que aquilo era válido.youtube...) Diferença.. gritos agudos de pássaros do mar. (. diziam eles..... era completamente diferente.) Em outras palavras: nunca vivi no silêncio completo.. Na escola primária. que compreendemos". muitos gritos.) Tenho minha imaginação.. e ela tem seus barulhos em imagens. Eram. pelo menos naquele momento... a garotada zombava de mim e ria de meus esforços para falar (. Mas era eu que me esforçava 1 .) Certamente. SURDA OU SURDA?: AS DIFERENTES CONCEPÇÕES E AS MUDANÇAS DE PARADIGMAS TÓPICO 01: OS SURDOS DESDE A ANTIGUIDADE Para assistir o vídeo http://www. Então apelidaram-me de gaivota. (. (. (.. Gaivota sim. (.) Quando tentava imitar a voz de minha mãe. não me compreendiam.youtube. Diziam -me: "Fale.com/embed/eEfTWLp0kqo acesse o VERSÃO TEXTUAL DO FLASH Dava gritos.com/embed/EehBglz_bF0 acesse o Para assistir o vídeo http://www. Não sou muda.

para imitá-los (. ocorreram na intenção de aproximá-los da vida social dos ouvintes (Parece que é o que se almeja ainda hoje... meus olhos são meus ouvidos.) Mas a ordem que se fez em minha cabeça. É a sociedade que me torna excepcional. o seu primeiro pensamento era verificar se os seus antepassados tinham sido enterrados devidamente. Essa noção supersticiosa é vivenciada por muitas comunidades leigas. já que eram tidos como seres animalescos ou providos de grandes pecados. Em muitas sociedades. (. Acreditava-se que tal “surdo-mudez” era algo a ser curado através da fé religiosa. a língua de sinais corresponde à minha voz..) Para mim. e por quê. sob influências renascentistas.) Eu (. como as africanas cujo “préconceito” é ressaltado por Lane (1992...) Os ouvintes têm tudo a aprender com aqueles que falam com o corpo. foram descortinando-se possibilidades de educação a pessoas surdas com o surgimento do “preceptorado”. As tentativas de educação de surdos. E me encontrei. de algum modo. já então. período da divinização do Verbo ( Divinização suscitada da referência bíblica: “No princípio era o Verbo) .) com treinamentos da fala. quem era eu. se apresentavam impedidas de fazer uso da palavra falada". então. que me torna dependente dos ouvintes. aproximá-los da vida social (dos ouvintes).o sujeito surdo era conhecido como “surdo-mudo”.) Que esforço faziam além de me ridicularizar? (. Naquele momento histórico. (. porém.) Queria saber onde estava neste mundo.. 27): Numa das nações da África Central. me fazia. 2 . a língua (gem) era tida como expressão do espírito e seu principal canal parece ser a via oral. p.... casar. recusar violentamente o rótulo de deficiente.. Leitão (2006. visando assim torná-los “humanos”. A riqueza de sua língua gestual é um dos tesouros da humanidade. p. (. (Laborit é surda francesa. considerado como um ser incapaz de adquirir conhecimentos ou herdar propriedades. Emannuelle Laborit (1994). atriz e escritora) Na Antiguidade. trabalhar etc. Chamava-me Emmanuelle Laborit. A esse respeito Sánchez (1990) nos conta que os professores-preceptores davam grande importância à escrita como meio de acesso à articulação das palavras. Sinceramente nada me falta. No transcurso do século XVI.. na época em que entrei na quinta série.. tomada. as mães afirmam que ao descobrirem que os seus filhos eram surdos. as mães acham que a causa da surdez dos seus filhos é devida a agressões dos espíritos. também. por seu valor e função social. 153) nos diz que VERSÃO TEXTUAL DO FLASH "Há evidências de que todo o contexto ideológico dessa época era desfavorável às pessoas que.

Bethlehem na Inglaterra e muitos outros no resto da Europa se abriram para acolher piedosa e cinicamente. ou seja. ainda mais. em 1778. 24) ressalta: Foi assim que grandes hospitais. no referido período. Estes eram os procedimentos mais brandos – usados ainda hoje em diversos lugares –. um total de 8.OLHANDO DE PERTO Por consequência de fantasias ou crenças como essas. delinqüentes. prostitutas. essas pessoas serviram de cobaias em experiências ditas científicas em consequência de pensamentos como o do Abade Sicard (Sicard foi reitor na escola de Paris. através dos monges e padres (professores-preceptores). idiotas. OBSERVAÇÃO Nesses procedimentos.000 pessoas. p. mutilados e “possessos” que só na Salpêtriètre perfaziam. sucessor de l’Epée e autor do primeiro 3 . a educação dos surdos – considerados deficientes da audição ou deficientes da comunicação – passou. ) era despendido com treinamentos intensos da fala e uso de recursos para aproveitamento dos resquícios auditivos. como mal decorrente de pecados hediondos ou obra do demônio. ) Tal atitude era prática rotineira do poder público e de familiares que buscavam se isentar da dispendiosa responsabilidade de educar essas pessoas. Essa visão sentenciava as pessoas que apresentassem alguma característica antissocial. ressalta o sentido depreciativo e de inferioridade com que a sociedade trata certos indivíduos de grupos sociais minoritários) . se priorizava o emprego de aparelhos auditivos e materiais concretos (objetos ou figuras usados para o ensino das palavras que lhes eram apresentadas). Decorre que. atribuía aos aprendizes o rótulo de “semluz”. loucos. Paralela a essa iniciativa encontrava-se. como solução para o problema das devastadoras epidemias de lepra na Europa. nesse contexto. pois em tempos idos. o tempo do professor com o “a-luno” (O referido destaque ocorre na intenção de reportar a origem do termo (Latim). os surdos. a preocupação em “extirpar” o pecado a partir da educação. Seguindo esse caminho. em 1800. como o de Bicêtre e a Salpêtrière em Paris. a viverem segregadas em asilos ou leprosários (hospícios) construídos com irônica suntuosidade ainda na Idade Média ( Pessoti (1984) escreve que os leprosários surgiram. A esse respeito Pessoti (1984. a se desenvolver no sentido de correção do “defeito” ou a compensação da “menos-valia” ( Esse termo aqui utilizado não se refere a nenhum conceito analisado por Karl Marx (mais-valia) e . que exaltando a figura do professor como detentor do saber. eram também mantidos em total isolamento. A surdez tida como deficiência é considerada. a medicina adentra intensamente na área pedagógica e. a igreja por muito tempo e após o Renascimento tornou-se a responsável por instruir os filhos da nobreza para garantia de seus direitos. sim. portanto. ainda. em total promiscuidade. “libertinos”. confundidos como loucos e idiotas.

Fonte [1] Na mesma perspectiva de Sicard. LANE. encontrou nas crianças surdas seu rico laboratório. frustrantes e dolorosas para as crianças. pensando que o ouvido poderia estar bloqueado e não paralisado. Itard insistiu por mais tempo. executando extravagantes procedimentos médicos. em outro grupo experimentou o uso de laxativos diariamente.. ) (apud LANE 1992.. após poucos dias. 77) que escreveu: “Estas crianças não são entidades na sociedade. uma infusão secreta nos ouvidos de outros discentes. como também a outros tentou cobrir-lhes o ouvido com uma ligadura embebida com um componente químico borbulhante.. principalmente depois que uma das crianças veio a falecer na sequência do tratamento.. a mesma contraia tal membro. fundador da otologia e autor do primeiro livro sobre as doenças do ouvido e deficiências da audição... 4 . Em alguns estudantes aplicou eletricidade nos ouvidos. Depois introduziu sanguessugas nos pescoços de outras crianças surdas. 1984. A outros seis aprendizes. As suas mentes são vazias. acreditando que a sangria local produziria algum resultado. (LANE. baseando-se no experimento de um cirurgião italiano que descobriu que ao tocar a perna de uma rã com um metal com carga elétrica. Os vícios e as virtudes são irreais”. por duas semanas. Percebendo que tal procedimento parecia doloroso e infrutífero desistiu. Não possuem sequer instintos animais. Nesta. Itard submeteu ainda 120 estudantes – quase todo o corpo discente de uma escola – à experiência de introduzir-lhes uma sonda da garganta ao ouvido na intenção de “extrair o excremento linfático”. 1992).manual para a educação de crianças surdas (PESSOTI. Jean-Marc Itard (1775-1838). furou-lhes os tímpanos. O ciclo continuou com a aplicação de soda cáustica na pele por detrás do ouvido. fez com que o referido médico passasse a administrar. 1992). p. para ele. Para elas o mundo moral não existe. são máquinas vivas e estátuas. Itard deduziu que havia alguma relação entre a paralisia do ouvido e a paralisia de membros. as crianças sentiam dores insuportáveis e seus ouvidos já sem pele expeliam pus. Com outros. Embora com tantas experiências infrutíferas. Este também com resultados nulos.

na intenção de fraturar-lhes o crânio para passagem do som.Instituto UFC Virtual 5 .batia com um martelo na área imediatamente atrás do ouvido.jpg Responsável: Profª Margarida M. http://1. provocando também uma ferida supurante. Itard (apud LANE 1992. concluiu: A medicina de nada vale naquilo que já está morto e.192).com/JapW9mor4hQ/Th4HUSGNqHI/AAAAAAAAAEU/UKXmiekJbTQ/s320/Je an_marc_gaspard_itari_1775_hi. Aplicou em outro grupo um botão metálico atrás dos ouvidos.bp. Quanto a isso. Suas tentativas de cura continuaram com a introdução de um fio no pescoço de um educando com a ajuda de uma agulha. após dias. dos quais. p. o implante coclear. repercussões e pontos de vista nas áreas clínica. P. saía pus de uma ferida em crosta. FONTES DAS IMAGENS 1. não há vida no ouvido de um surdo-mudo. encontra-se um procedimento cirúrgico extremamente polêmico.blogspot. não há nada que a ciência possa fazer OLHANDO DE PERTO Na atualidade. Somente após tantos e tantos procedimentos absurdos e fracassados. educacional e na comunidade surda americana ver Lane (1992). seguindo a perspectiva de cura da surdez. Mais detalhes a respeito dos procedimentos. enfim. por aquilo que me foi dado a observar. de Souza Universidade Federal do Ceará .

Psicologia. que os embates giram em torno de duas perspectivas principais: uma que segue a visão orgânico-funcional – a reabilitação da deficiência . entre outras – surge. em contrapartida da surdez como deficiência. visto que. conforme Woodward (2000. Pedagogia.LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS) AULA 01: A PESSOA. CONTRIBUIÇÃO A trajetória de representações mostra-nos. 13). 55). Antropologia. Esse novo olhar que trata o surdo como sujeito e não como objeto passa a reescrever os discursos (FAIRCLOUGH. Reynolds e Birch (1976). SURDA OU SURDA?: AS DIFERENTES CONCEPÇÕES E AS MUDANÇAS DE PARADIGMAS TÓPICO 02: DA DEFICIÊNCIA À DIFERENÇA: CONTRAPONTOS ENTRE OS OLHARES CLÍNICO.. p. como Myklebust (1971). 2001). “efeito de conflitos sociais. Lafon (1989). ancorada em práticas de significação e de representações compartilhadas entre os surdos. p. ANTROPOLÓGICO E CULTURAL DA SURDEZ VERSÃO TEXTUAL DO FLASH Com o passar dos anos e vários estudos no âmbito das Ciências Humanas e Sociais – Linguística.e outra. Assim. então. essa parcela da população. ela é tida como uma síndrome por apresentar um conjunto de sinais 6 . Vale ressaltar aqui como a surdez é concebida por pesquisadores de referência na área clínica. história e estrutura social específica é defendida também por Lane (1992. Para estes.. Nesse sentido. como aludi anteriormente. Skliar (2001. a visão sócioantropológica – que suscita o respeito à diferença etno-linguística proveniente da condição de ser surdo. 11) enfatiza que a surdez “constitui uma diferença a ser politicamente reconhecida”. p. algo construído histórico-socialmente. a surdez é mais que uma doença. observando seu modo de percepção/interação com o mundo.” (Ibid. os significados construídos pelos discursos "só podem ser eficazes se eles nos recrutam como sujeitos". Perelló e Tortosa (1972). detentora de uma cultura própria. a representação do surdo como um ser culturalmente visual. uma descrição cultural e não aquela baseada na enfermidade”. Os novos olhares à pessoa surda e às formas instrucionais de educação a ela dirigidas abriram portas para estudos que a encaram não como deficiente. As referidas áreas de estudo trouxeram o entendimento dessas pessoas como sendo uma comunidade linguística minoritária. detentora de uma cultura diversa. 32): “O que está intelectualmente em discussão é a utilização de um tipo de descrição e não de outro para esta minoria de linguagem. A respeito da cultura surda e seus aspectos trataremos mais adiante. mas como “diferente”. com formas de arte.

tudo foi adquirido pelo ouvido. 1972. para os “natissurdos”. mas indispensável. como eu compreendia. em intensidade normal. mesmo nessa perspectiva. Para se ter uma vida normal. pois considerando o que Sacks (Ibid. Moderada (de 41 a 70 dB): Poucos sons da fala. a perda auditiva encontra-se na cóclea e/ou nas fibras do nervo coclear. inflexão. O autor cita Wright – surdo pós-linguístico – para ilustrar a situação inimaginável [para quem ouve] da ausência da audição na infância. é sabido que os graus de surdez são medidos em decibéis. tipos e/ou período de ocorrência. como diz Sacks (1998). portanto. porém não nos aprofundaremos nesse assunto. KIRK e WINIFRED. expressões idiomáticas. Mista. Suponho que esses fatores implicam inadequações em determinadas metodologias. caracterizando a surdez (a) pré-linguística ou (b) pós-linguística. uma criança provavelmente já compreende os fundamentos da língua. pois. Aos sete anos de idade. Ter aprendido naturalmente a falar foi outra vantagem – pronúncia. Profunda (de 91 em diante): O indivíduo não ouve a voz humana e nenhum outro som. Quanto aos TIPOS. De acordo com o período. 21) diz. a surdez se classifica em: Condutiva. a lesão localiza-se no ouvido médio e/ou externo. o tema surdez parece ser bastante abrangente por apresentar grupos diversos devido aos diferentes graus. Eu possuía a base de um vocabulário que poderia ser ampliado sem dificuldade com a leitura. No entanto. Nesse sentido. (Cf. a surdez pode ocorrer antes ou depois da fase de aquisição da fala convencional. 1990). como o nome sugere. p. a audição não só é necessária. 7 . por não ser foco de nossos estudos nessa Disciplina. é a junção das duas anteriores. não apenas o grau ou tipo. Há os tipos intermediários. Ao nosso ver. fica difícil fazer associações (sonoras) sem memória auditiva. Severa (de 71 a 90 dB): Nenhum som da fala em intensidade normal e dificuldade de discriminar consoantes.e sintomas. o surdo prélinguístico encontra-se “numa categoria qualitativamente diferente de todas as demais [pessoas]”. conforme a captação dos sons e dividem-se basicamente em: VERSÃO TEXTUAL DO FLASH Leve (de 26 a 40 dB): O indivíduo tem dificuldade em ouvir a voz baixa e distante. Neurossensorial (ou sensório-neural). são percebidos. o que mais importa é o estágio em que ocorre a surdez. sintaxe. CICCONE. antes da língua ser adquirida: Tornar-me surdo na época em que me tornei – se a surdez tinha de ser meu destino – foi uma sorte extraordinária. utilizando a visão como primeiro canal de comunicação.

p. nessas passadas que estamos. Mas. sente a falta. A ausência de intercâmbios comunicativos vivenciados tanto no seio familiar quanto na escola pode ocasionar muitos prejuízos educacionais e linguísticos. através do olhar do ouvinte. mas em Língua de Sinais. Outro exprimiu:" Quero chegar até o 2o grau. Sobre esse aspecto esclarece Favorito (2006. caso persistir". 55) esclarece que: As práticas discursivas dominantes construídas nas representações hegemônicas do outro se sustentam. O surdo pré-linguístico. legitimadas como um regime de verdade Trecho traduzido por um intérprete. somente são levados a pensar na surdez. membro da Associação de Surdos do Ceará na época. p. Aliás. um surdo assim declarou: “Estudar é bom. pois são locais de extrema relevância para o desenvolvimento do ser humano. PARADA OBRIGATÓRIA Numa pesquisa que realizamos em 1998. desde a mais tenra idade.Tudo isso me teria sido impossível se eu tivesse nascido surdo ou perdido a audição mais cedo (SACKS. disse: Tenho uma língua. no entanto. não da audição ou da língua (oral) referida por Wright. em conversa na Associação dos Surdos do Ceará (ASCE).Instituto UFC Virtual 8 . As demais considerações dos surdos como também as sinalizações na pesquisa de campo foram interpretadas por mim. Outro. pelas quais assumo total responsabilidade. levando em conta o aprendizado. mas como os professores não sabem sinais se torna uma confusão”. os surdos de fato não têm o sentimento de perda (auditiva) e. Eu sou diferente! Note-se que os depoimentos citados trazem uma consciência que se opõe à visão orgânico-funcional. Ibid. aquela que pode adquirir espontaneamente. de Souza Universidade Federal do Ceará . ele sente falta de base linguística. 18). uma identidade surda. P. FONTES DAS IMAGENS Responsável: Profª Margarida M. pois são naturalizadas. poderemos chegar lá talvez na velhice. como tal.

que os surdos filhos de ouvinte. Conforme Sam Supalla eram os vizinhos que tinham uma perda. SURDA OU SURDA?: AS DIFERENTES CONCEPÇÕES E AS MUDANÇAS DE PARADIGMAS TÓPICO 03: A SURDEZ NO OLHAR DOS SURDOS Como vimos até aqui. uma situação inusitada vivenciada por Sam Supalla – um surdo pré-linguístico – é ilustrada por Lane (1992). arrastava a amiga para onde queria ir. principalmente se vive imersa num ambiente cultural e linguístico comum ao seu. Padden & Humphries (1999) e Salles et al (2004). Seu pensamento decorria do fato de não conseguir conversar com ela como o fazia com seus pais e irmãos mais velhos.LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS) AULA 01: A PESSOA. ele começou a apontar para fazer referências ou. era sua família que era incomum. havia uma garotinha com idade equivalente a sua. Sam foi para casa a fim de perguntar à sua mãe qual o tipo de problema da vizinha. Sobre esse aspecto Laborit (1994. por isso. a mesma pegou sua casa de boneca e moveu-a para outro lugar. a pessoa surda não possui a sensação de perda. a mãe da menina aproximou-se e moveu seus lábios e. fato que fez com que ele demorasse a sentir falta de (outros) amigos. quando brincavam. A partir do momento em que passou a perceber seu entorno. o que. no entanto. vivendo isolados de seus pares. explicou-lhe que a amiga e a mãe dela eram ouvintes. O fato acima demonstra que diferente do que pensam os ouvintes. deficiência uma deficiência a ser normalizada. Sam ainda perguntou se somente as duas eram assim. notou que. Nessa perspectiva. podera ser lida clicando na revista abaixo: VERSÃO TEXTUAL DO FLASH Sam pertencia a uma "Família Surda" com irmãos surdos mais velhos. Um dia. Elas "falavam". não usavam sinais. "como mágica". Nas Ciências Humanas. no caso dos surdos.. diante da sociedade. se os mesmos estiverem imersos num ambiente em que a língua compartilhada seja a sua. então.. Depois de tentativas frustradas de se comunicar. qualquer visão decorre da tomada de dois pontos que se contrapõem. não ocorre tal categorização. com a qual fez amizade após algumas tentativas de interação. moviam seus lábios para se comunicar com os outros. Para Sam "ela era legal. por fim. a surdez é tida como diferença (linguística). pois a maioria das (outras) pessoas era como sua amiga e a mãe. 32) escreve: 9 . Ocorre. Sua mãe. têm uma limitada ou equivocada visão de si e do mundo. explicoulhe que. p. Sam imaginava que a vida da amiga deveria ser triste por ela não conseguir se comunicar. mas era esquisita". ao lado de seu apartamento. Abismado. Sua mãe. simplesmente. No entanto. "diferentes". principalmente. uma falta de habilidade na comunicação. nas Ciências da “Saúde” a surdez é tida como uma patologia a ser curada.

MARCHESI... E. p. 17) que diz: Uma “Tentamos conceituar a surdez não como menos-valia.. E apenas os 5% das crianças surdas filhas de surdos se desenvolvem equivalente às crianças ouvintes em virtude do ambiente lingüístico favorável. como uma forma de existência caracterizada por possibilidades ou ‘valias’ diferentes das dos ouvintes”. sintetiza num quadro: 10 . 32). poderíamos todos da comunidade ouvinte. a autoperpetuação. e. Entretanto. CONTRIBUIÇÃO De acordo com pesquisas (LANE. p. mas como diferença.) Mas não eu. ou melhor dizendo. Senti-me mais incapacitado por causa do tratamento que recebi das pessoas ouvintes. Não me via tornando-me grande. como já o fazem pessoas engajadas nos estudos pelo reconhecimento dessa minoria linguística. 1998) 90% a 95% das crianças surdas têm pais ouvintes. contrário ao que pensa a sociedade ouvinte...Pensava que as pessoas adultas eram imortais. a estrutura de poder. o complexo de superioridade (paternalismo) e a autoridade que os membros da maioria exercem sobre o segmento minoritário. Os verdadeiros males dos surdos estão na dinâmica do grupo minoritário. 1995. Emannuelle é surda.. da deficiência. até iniciar meus próprios contatos pessoais com pessoas ouvintes ao entrar na escola..um surdo americano a respeito do sentimento que lhes causa o encontro com ouvintes “leigos” que os discrimina(va)m: Nunca percebi minha própria deficiência e nem encontrei qualquer discriminação ou tratamento injusto. OLHANDO DE PERTO Com base no exposto. sem igual no mundo. linguagem e cognição tratarei mais adiante. além das opiniões preconcebidas. p. Na intenção de tornar clara a distinção entre as representações da surdez pela sociedade majoritária e pela comunidade surda. principalmente educadores. quebrar o paradigma da ausência. 1992. Sei agora por quê: nunca tinha visto adultos surdos. Strobel (2007. que em sua própria surdez (. e substituílas pela curiosidade da etnografia. pesquisadora surda.. os preconceitos. acreditava-me única..) Tinha medo. Acreditava-me limitada ao presente. representante desse grupo é Loureiro (1997. questionando as regras e “certezas” da medicina.. (. 39). SACKS.) o total desprezo da maioria pelas reais necessidades do grupo minoritário.) . Sobre esse assunto. há apenas uma diferença linguística como também compartilha Jacob (Citado por Freeman et all (1999. ninguém mais é como ela (. do que por causa da minha própria surdez. os surdos querem mostrar suas potencialidades. para eles. pois. da falta. não há deficiência. sobretudo.

moderados. tecendo suas considerações pessoais. severos e profundos A língua de sinais é prejudicial aos surdos Representação do povo surdo "Ser surdo" [o Ser na diferença] Ser surdo é uma experiência visual A educação dos surdos deve ter respeito pela diferença linguística cultural As identidades surdas são múltiplas e multifacetadas A língua de sinais é a manifestação da diferença linguística relativa aos povos surdos VERSÃO TEXTUAL DO FLASH Deficiente. posiciona-se em pólos opostos representados pelas principais correntes: o Oralismo. bilinguismo e inclusão. SOUZA. FONTES DAS IMAGENS Responsável: Profª Margarida M. 1999)).VERSÃO TEXTUAL DO FLASH Representação social Deficiente A surdez é deficiência na audição e na fala A educação dos surdos deve ter um caráter clínico-terapêutico e de reabilitação Surdos são categorizados em graus de audição: leves. o fato é que a educação escolar de tais sujeitos vem. P. ATIVIDADE DE PORTFÓLIO Pesquisar sobre as abordagens educacionais – oralismo. ao longo de sua história. comunicação total. (Inicialmente. a Comunicação Total e o Bilinguismo. na maioria das vezes. Escreva as principais características de cada uma. M. de Souza Universidade Federal do Ceará . Diferente ou Ser "Culturalmente" Surdo. 1997. Um fazer pedagógico que.Instituto UFC Virtual 11 . norteada por diferentes abordagens e permeada por ações pedagógicas diversas que refletem a sua maneira de conceber e representar os surdos e suas especificidades. as abordagens educacionais para surdos eram classificadas em duas categorias: Gestualismo e Oralismo (NOGUEIRA.

A Cultura Surda. Enquanto que “uma comunidade é um sistema social geral.) um privilégio na cultura dos surdos”. SURDA OU SURDA?: AS DIFERENTES CONCEPÇÕES E AS MUDANÇAS DE PARADIGMAS TÓPICO 04: A CULTURA E IDENTIDADE SURDAS: UM ROMPIMENTO COM AS CONCEPÇÕES “NATURALIZADAS” VERSÃO TEXTUAL DO FLASH O primeiro linguista a falar a respeito de características sociais e culturais dos surdos foi William Stokoe na obra "A Dictionary of American Sign Language on Linguistic Principles". Existe.. compartilha as metas comuns de seus membros e. linguista surda e discípula de Stokoe. 5). relativa à surdez 12 . 1989. posso inferir. valores.35) define que: “ser-se surdo não é ser-se incapaz. a autora define que “uma Comunidade Surda é um grupo de pessoas que mora em uma localização particular. é perceberse como “Sujeito” em suas experiências visuais. entretanto.. muito pelo contrário. CONTRIBUIÇÃO Nessa perspectiva. Suas informações. Assim. no seio da comunidade surda uma convenção. valores.. escrevendo que "uma cultura é um conjunto de comportamentos aprendidos de um grupo de pessoas que possuem sua própria língua. uma distinção entre o sujeito surdo (com s minúsculo) e Surdo (com s maiúsculo). que numa Comunidade Surda. estabeleceu a distinção entre cultura e comunidade em termos gerais. diferentemente dos padrões clínicos que consideram os surdos pelo prisma da falta de algo – audição e/ou comunicação – Lane (1992. A partir do conceito de Padden. pois seus membros comportam-se como as pessoas surdas. p. Carol Padden. “é mais fechada do que a Comunidade Surda” (Idem). p.. de vários modos. portanto. Feito isso. aplicam-se a todas as línguas de sinais. Aos que se enquadram nos modelos “audistas” – os surdos que não são culturalmente surdos – são indicados com s minúsculo. ainda. no entanto. em 1965.) é considerado. regras de comportamento e tradições". conhecimentos e ser-se fluente na ASL (A obra publicada inicialmente nos Estados Unidos refere-se à Língua de Sinais Americana – ASL. no qual pessoas vivem juntas. ouvintes e surdos convivem e partilham ideias sem necessariamente serem “culturalmente surdos”. (. a fim de conceituar a comunidade e cultura surdas. ser culturalmente surdo é fazer parte da comunidade que se reconhece como minoria linguística e luta pelos direitos de cidadania e uso da língua e cultura a ela inerentes. compartilham metas comuns e partilham certas responsabilidades umas com as outras” (PADDEN. trabalha para alcançar estas metas”. compartilham crenças à luz de sua forma peculiar de apreender o mundo que os cerca.LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS) AULA 01: A PESSOA. ser-se surdo no comportamento.

tienen pautas y valores culturales propios. como colectividad. entretanto é inseparável daquilo que eles não são. como membros de uma comunidade linguística diferente.. 16) revela como descobriu esse aspecto: (.. Ademais. imersas no mesmo espaço físico com ouvintes.. sobre as quais há estudos baseados no conceito de T. portanto. tampouco a Comunidade Surda.T. são aqueles formadores de uma entidade linguística e cultural. no contexto de representações sobre a surdez emergem descrições de uma cultura. uma identidade múltipla e multifacetada. que ensina: “a identidade cultural ou social é o conjunto dessas características pelas quais os grupos sociais se definem como grupos: aquilo que eles são. diferentes y a veces en contradición con los que sustenta la macrocomunidad oyente. polêmico. 58). que perpassa por experiências especificamente visuais. em “Comunidade Surda” a referência é feita àqueles frequentadores de associações ou clubes de surdos.. p. o fato de as pessoas surdas. os torna seres multiculturais com identidades multifacetadas (PERLIN. especialmente quando avistava três ou quatro deles fazendo sinais. nos quais essa diferença é demarcada como resistência às imposições das ideologias 13 . trata-se de um grupo organizado politicamente. 2001). mas como Surdos. Pero el término comunidad pone de relieve el hecho de que sus miembros están unidos por importantes vínculos sociales y que los sordos como grupo. A esse respeito. Y se han agrupado en lo que hemos denominado comunidades lingüísticas. partilhando dos traços culturais destes. pois a surdez não é tida pela maioria como uma diferença linguística. p. daquelas características que os fazem diferentes de outros grupos". 2004.auditiva.. mas sem território próprio.. Na verdade. os “Surdos” com s maiúsculo. como um “povo”. p. Quando se fala. 1996) numa sociedade que tem visão de uma cultura monopolítica. Sacks (1998. Uma cidadania sem uma origem geográfica (WRIGLEY. OLHANDO DE PERTO Entretanto.) comecei a vê-los sob uma luz diferente. cheios de uma vivacidade. [grifos meus] Assim.) los sordos se han agrupado cada vez que han tenido oportunidad de hacerlo. 36) nos diz que (. Depois (.) eu encarava os poucos pacientes surdos sob meus cuidados em termos puramente médicos – como “ouvidos doentes” ou “otologicamente prejudicados”. no mínimo. portanto. uma animação que eu não conseguia perceber antes. porque en la base de las mismas está la utilización de una lengua común. falar de Cultura Surda é. Silva (1998. Só então comecei a pensar neles não como surdos. Sanchez (apud SALLES et all. la lengua de señas. de uma comunidade organizada. monolíngue.

apresentam características e costumes singulares. embora imersos no território da cultura do outro. 69) que denuncia processos sociais e educativos centrados na fala e na audição. Alguns são adaptações ou versões da cultura ouvinte para a surda. em detrimento do ritmo sonoro. os surdos brasileiros. Vale realçar por ora. Humor Surdo. LOPES. Ronice Quadros. Idem. são citados. O BRINDE O brinde. nomeando suas “manifestações culturais”. Regina Maria Souza. esses movimentos são os responsáveis diretos pela “gestação da política da identidade surda” (PERLIN. PARADA OBRIGATÓRIA Um fator central da/na cultura surda é a Língua de Sinais que diferentemente das línguas orais é articulada no espaço tridimensional e seus componentes (parâmetros) ocorrem simultaneamente. Nomes como Lucinda Ferreira Brito. entre outros. em que se tocam as mãos. Teatro Surdo. que a Língua de Sinais é a base da referida “Cultura”. substituindo o sinal sonoro de residências e sirenes de escolas em que se encontram surdos. Assim. Eulália Fernandes. p. OS APLAUSOS Os aplausos com as mãos acenando no alto das cabeças. VERSÃO TEXTUAL DO FLASH 14 . 2007). Além da Libras.oralistas nos movimentos políticos por eles organizados. Literatura Surda. Tais costumes são: CAMPAINHA LUMINOSA A campainha luminosa. reflexões sobre a surdez a partir de um enfoque culturalista. (M. como: Estudos Surdos Movimentos Surdos. pelo seu grau de importância (e complexidade) será abordado na Aula seguinte. Orgulho Surdo e assim por diante. ao invés do “tim-tim” do toque de taças. Carlos Sánchez. Folclore Surdo. Carlos Skliar. Jogos e brincadeiras como “escravos de Jó”. Denominação atribuída às produções de pesquisadores nacionais (e estrangeiros) que difundiram no Brasil. no qual se privilegia o movimento ritmado das pedrinhas que passam de mão em mão. Esse assunto.

No Brasil. para mudança de emissor/receptor num diálogo. ou ainda. o surdo é o personagem central. somente para citar alguns. lendas. Mas não os surdos. há regras bastante distintas para chamar atenção. Ladd (2003) denominou Deafhood – Raízes Surdas (QUADROS e SUTTON-SPENCE. cria e recria histórias que lhes são próprias. que compreende os contos.A Literatura Surda conta. Os ouvintes não gostam muito. p. 74) explica: O cochicho ocorre com as mãos abaixo de um móvel. anedotas. alguma particularidade física. a cada vez. Carmel (1996) criou o termo Deaflore para designar o Folclore Surdo. alguns são batizados por “nariz grande 15 . ou a história de Adão e Eva Surdos (2005). como A Cinderela Surda (2003). Rapunzel Surda (2003). damos às pessoas uma caracterização visual que evoca o seu comportamento. É mais divertido. na linguagem de sinais. portanto. é por vezes poético e sempre preciso. os interlocutores. para um discurso cuidadoso. entre as diversas atitudes que demandem o uso da língua(gem). ou ocorre disfarce na execução dos parâmetros. 2006). poesias. Carolina Silveira (surda) e Lodenir Karnopp (intérprete) passaram a compor o grupo de Estudos Surdos no sul do País. simplesmente. se retiram. por exemplo. Sobre a atribuição de “nomes” (ou apelidos) Laborit (1994.atribuição de nomes. como todo povo que busca legitimar sua cultura. narrativas pessoais. Nestas produções. tiques. É bem mais simples que soletrar. Alguns se sentem humilhados. um “cochicho”. cujos autores Fabiano Rosa (surdo). um nome em francês. Nessa mesma perspectiva de divulgação dos “costumes surdos”. A todo o processo criativo que gera e desenvolve essa cultura e identidade em particular. Quando Emmanuele Laborit diz que os ouvintes não gostam é porque nessas características particulares. OBSERVAÇÃO Nessa cultura. De fato. num ambiente que tem falantes da Língua de Sinais. uma mesa.. há a publicação de adaptações da literatura infantil tradicional.

Quando na ocorrência do nascimento de uma criança surda. cerimoniais religiosos e sociais. Foi (é) nestes ambientes que surgiu (surge) a maioria dos intérpretes da língua de sinais. como no filme “Dança com Lobos”. uma atitude comum à de indígenas. com movimentos que lembram “cabelos longos e ondulados”. é anunciada com exaltação.e/ou pontudo”. casos trabalhistas. judiciais etc. Vejamos outros fatores consideráveis na Cultura Surda: A religiosidade é outro fator considerável na Cultura Surda. A respeito desse profissional. conforme conta um surdo britânico: “A comunidade dos surdos vê o nascimento de cada criança surda como uma dádiva preciosa.” (apud LANE. Meu sinal é composto pela configuração de mão em “M” virado (parecendo “W”). p. trataremos logo mais na Aula 3. “dentes de vampiro” (os surdos daquele país descobriram que o presidente mandava limar os dentes). Suponho que essa característica vem desde os tempos dos professores-preceptores que se encarregavam de instruir os surdos e orientá-los espiritualmente para a remissão de seus pecados. 16 . 34). A autora informa o sinal atribuído pela comunidade surda francesa ao então presidente François Mitterrand. VERSÃO TEXTUAL DO FLASH Outra característica desta cultura são os casamentos endógamos: 90% das pessoas dessa comunidade se casam com membros pertencentes ao seu grupo cultural. A participação de surdos em movimentos ou cultos religiosos ainda hoje é notável. debates. anunciando a inicial do meu nome. 1992. O intérprete/tradutor – também elencado como componente dessa cultura – é aquele que possibilitará o contato da pessoa surda com o meio oral-auditivo desde simples situações às mais complexas como telefonemas. “orelha pontuda”. especialmente se o pai e/ou a mãe for(em) culturalmente surdo(s).

conseguiu despertar o interesse de dinamarqueses da Universidade de Copenhague. o sentimento de incapacidade gerado nos surdos que não conseguem escrever na língua do outro. ) se empenham para elaboração de um dicionário que servirá para consulta de pessoas surdas ou ouvintes. é Stumpf (Ibid. p. tem a finalidade de favorecer o acesso direto à Língua de Sinais através de sua escrita sem transitar pela escrita da língua oral. Cada língua de sinais vai adaptá-lo à sua ortografia”. o Dance Writing. Vale ressaltar. O próprio nome desse sistema de escrita encontra-se em fase de amadurecimento (ESTELITA. 63). doutora e professora da Universidade Federal de Santa Catarina. portanto. em sua pesquisa de Mestrado. É no sentido de abranger esses sinais regionais que grupos surdos de todo o País (Estudantes do curso de Letras Libras ou da Pós-Graduação da UFSC também fazem parte desse grande grupo de estudos. Exercitamos muito a aprendizagem de sinais quando procuramos pela melhor grafia de um sinal. evitando. Nessa perspectiva.Um elemento ainda em desenvolvimento no Brasil. é preciso saber bem uma língua de sinais. “Durante todos os séculos da civilização ocidental. surda. principalmente em âmbito escolar. assim. refere-se à escrita da língua de sinais – o Sign Writing. Stumpf (Ibid) conta que Sutton após criar um sistema para escrever os movimentos das danças. A ELiS foi criado por Mariângela Estelita. Valerie Sutton. A respeito disso. vivendo com isso uma grande limitação. 65) adverte: As escolas de surdos precisam colocar rapidamente a escrita de sinais no currículo. uma vez que parecia possível utilizá-lo para escrever os sinais. o qual vem passando por (re)formulações sugeridas por seus colegas surdos e ouvintes. que essas adaptações devem levar em consideração as variações regionais (os dialetos) que as Línguas de Sinais como qualquer outra língua possui. pois suas aulas proporcionam oportunidades importantes para os surdos de aprender também língua de sinais brasileira. a escola que venha a aplicar esse sistema de escrita estaria praticando uma Educação Bilíngue integralmente – uso da Língua de Sinais nas modalidades visual e escrita (L1). Stumpf (2003). que não podem compreender bem. Este criado por uma coreógrafa americana. sobre o qual Stumpf (Ibid. p. as quais. em 1997. Assim surgiram as notações gráficas da Língua de Sinais aplicáveis a qualquer língua visual. sempre dependentes de escrever e ler em outra língua. uma escrita própria fez falta para os surdos. 17 . escreve: Existe um outro sistema de escrita da Libras – a ELiS – ainda pouco conhecido. bastante novo. 62) quem aconselha: “Para usar o Sign Writing. além da língua oral na modalidade escrita (L2).” (p. 2007).

. o Sign Writing começou a ser adaptado para a Libras no período de 1996 a 2001. Marianne Stumpf pesquisa e divulga esse sistema gráfico desde então. Antônio Carlos da R. orkut etc). usavam o TDD. o surdo se comunica mais livremente usando tais aparelhos. visto que tais efeitos podem ser encarados como reflexos da Globalização que. devido aos custos inerentes ao uso desse aparelho. Agora com os [equipamentos] são 18 . os bips de mensagens. VERSÃO TEXTUAL DO FLASH No que se refere à “cultura material”.A propósito de ilustrar o referido sistema gráfico apresento a seguir alguns sinais da Libras: No Brasil. Inicialmente. 2003). Porém. Sobre esse fato Sacks (1998. a babá eletrônica. Essa dissipação é comum a outros países e uma preocupação aos líderes surdos e pessoas ligadas a essa “Comunidade”. esse fenômeno não é exclusivo das comunidades surdas. Este. (STUMPF. facilitando os contatos entre si e com o “mundo ouvinte”. afeta-os direta ou indiretamente. Dessa forma. pontos de encontros tradicionais das cidades urbanas. um telefone com visor e teclado acoplado para os diálogos escritos. usado mais em regiões ou países de maior poder aquisitivo. a internet (messeger. embora não beneficie a todos os indivíduos do Globo. ■ ■ ■ ■ ■ A campainha luminosa (já mencionada). 166) relata o caso dos surdos americanos: Vale ressaltar que. Dr. essa comodidade tem gerado um movimento considerado negativo: a rarefação de frequentadores nos “Movimentos Surdos” – associações. aqui no Brasil]. O uso destes últimos estimula a escrita dos surdos.) quinze anos atrás. essas constantes visitas ou encontros em clubes formavam laços vitais que uniam a comunidade surda num todo físico compacto. no entanto. (. igrejas. Essas eram as únicas chances de conversar com os outros surdos. a tecnologia vem favorecendo aos surdos que passam a “incorporar” o uso de equipamentos à sua cultura. p.. sob a orientação do Prof. telefones celulares. Costa da Universidade Católica de Pelotas – RS. os surdos faziam um esforço enorme para se encontrar uns com os outros – visitavam-se em casa constantemente e frequentavam com assiduidade o clube local de surdos [Associações ou igrejas.

Strobel (2007). alvo de preocupação do autor e de seus pares.omelete. Esta última não foi consultada por nós. adverte que a identidade surda é constantemente ameaçada pelo “outro”. Esse outro. chegando a afirmar que não ouvia o canto dos pássaros desde que tinha treze anos de idade.wikipedia. mais eles ficam nas próprias sombras. os clubes para surdos começam a esvaziar-se e uma nova e preocupante rarefação começa a imperar. é difícil conceber que um sujeito surdo possa ser um gênio a ponto de inventar [por exemplo] a luz elétrica?” Desse modo. quanto mais insistem em colocar ‘máscaras’ na suas identidades e quanto mais manifestações de que para os surdos é importante falar para serem aceitos na sociedade.org/wiki/Conde_d’Eu [3] http://www. no entanto. A surdez do Conde D’Eu é mencionada em um livro biográfico da vida de Princesa Isabel. Pedro II.org/wiki/Thomas_Edison [2] http://pt. teve uma série de infecções de ouvido que não foram propriamente tratadas.wikipedia. Miranda (2001). uma grave infecção foi a causa de perda de 85% da audição e descoberto somente aos três anos de idade. outra preocupação entre os próprios surdos no que se refere à manutenção dessa cultura e identidade. A REDENTORA DOS ESCRAVOS. ■ Gastão de Orleans – o Conde D’Eu – genro de D. ■ Lou Ferrigno. ISABEL. além de artrite e escarlatina. conhecido por “O incrível Hulk”. com medos. DAIBERT JR.htm [1] http://pt. EDUSC: 2004. OBSERVAÇÃO Thomas Edison. em muitos casos ou atributos. Strobel (Idem) questiona ainda a ausência de menção na maioria das fontes bibliográficas: “Será que. Há.com/dfi/785por. é essencial para a vida 19 .bem menos frequentes as verdadeiras visitas entre os surdos.. A autora cita alguns exemplos de “identidades mascaradas” adotadas por pessoas ilustres e famosas: ■ Thomas Edison. As fontes citadas pela autora são: http://www. Todos estes eram surdos. e o caso de Lou Ferrigno. um pesquisador surdo. o inventor da luz elétrica. entre tantas características culturais específicas marcadas pelo aspecto visual próprio da comunidade de surdos. porém tal identidade fora “mascarada. Robert. é principalmente. angústias e ansiedades” (p. denomina essa postura de alguns surdos de “representações mascaradas” e refuta: “De fato. para a sociedade. também pesquisadora surda. Para ele.asp? artigo=107. o surdo ou surda que optou pelo modelo da identidade ouvinte. fisiculturista e ator. essa política de representação geralmente incidirá negativamente. marido da Princesa Isabel. 27). não meramente inventados como defende o senso comum. mas que fazem parte do “Ser Surdo”.workersforjesus. durante a infância.br [4]/tv/artgos/base_para_artigos.com.

em seus relatos.. analisava isso. enfim. VERSÃO TEXTUAL DO FLASH Destarte. p. já que antes não tinham ainda construído aquele conceito em minha cabeça. e que eu tinha o meu. que a comunidade surda espera da maioria ouvinte o reconhecimento e respeito pela sua dignidade. Pertencia a uma comunidade. a esperança. seus costumes. PRÁTICA I – QUEM EU SOU?: O ALFABETO MANUAL.youtube. porque me haviam dado uma língua que me permitia fazê-lo. 67-68) reconhece..com/embed/AUOt0jkZWt4 20 . anunciamos a próxima Aula que tratará mais especificamente do profissional responsável por fazer as transposições entre a(s) língua (s) orais e de sinais e vice versa. a partir dessa visão geral a respeito da cultura visual dos surdos. Uma identidade que Laborit (op. a revelação. como positiva. Era uma frase positiva e determinante. sua organização social. (.) Estava ali. as potencialidades. as possibilidades. Quer dizer: “Compreendi que sou surda”. Compreendia que meus pais tinham sua língua. cit. sua língua(gem).) As cartas do jogo subitamente foram reveladas. (. o tradutor e intérprete da língua de sinais (TILS). seu meio de comunicação. Tinha compatriotas. determinante e extremamente reveladora: Eu sou surda não quer dizer o mesmo que “eu não escuto”.e desenvolvimento dos referidos sujeitos.. compreendia isso. sua história. OS NUMERAIS E SINALIZAÇÃO DA LIBRAS NUM CONTEXTO DE AUTOAPRESENTAÇÃO AUTOAPRESENTAÇÃO Para assistir o vídeo acesse o http://www... Admitia em minha cabeça o fato de ser surda. É também nesse sentido. o seu modo de ser. tinha uma verdadeira identidade.

DIÁLOGO 1 – “O ENCONTRO” Para assistir o vídeo acesse o http://www. 21 .. abordando questões relacionadas à Língua de Sinais. saudações. no segundo dia da primeira aula presencial.. MORAR BAIRRO/LUGAR BOA NOITE! COM-LICENÇA POR-NADA! TUDO-BEM! IDADE TCHAU CONTRIBUIÇÃO Para saber mais faça uma pesquisa sobre os itens: (a)ALFABETO DATILOLÓGICO/MANUAL. à Cultura Surda e propostas educacionais oferecidas aos escolares surdos. treine o diálogo apresentado.youtube. aplicando os SINAIS de cumprimentos. Aproveite para tirar dúvidas com seu/sua tutor(a). "palavras mágicas" BOM DIA ! OLÁ! POR FAVOR! DESCULPE! SEU-NOME? NÚMERO TELEFONE BOA TARDE! OI! OBRIGAD@! TUDO-BEM? MEU NOME.com/embed/O1hboo4ugc ATIVIDADE PRÁTICA: Baseado(a) no vídeo à disposição no ambiente virtual. treine sua autoapresentação e socialize com a turma no dia 18. (b)NUMERAIS E DO (c)GLOSSÁRIO – na internet e no site [5]: FÓRUM Discuta com seus colegas sobre as diferentes concepções sobre a Surdez e os Surdos.ATIVIDADE PRÁTICA: Baseado(a) no vídeo de autoapresentação dos atores Germana de Araújo e João Filho à disposição no ambiente virtual.

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. o dicionário. o termo “articulada” é geralmente empregado para fazer alusão à fala oral. “forma de expressão pela linguagem (1) própria dum indivíduo.”[grifos nossos].LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS) AULA 02: LÍNGUA DE SINAIS – UM IDIOMA VISUOESPACIAL TÓPICO 01: CONSIDERANDO ALGUNS CONCEITOS DE LINGUAGEM E LÍNGUA VERSÃO TEXTUAL DO FLASH Os sinais. meu eu íntimo. Estas são concebidas no máximo como uma forma de linguagem. FALA ORAL Tomo como referência o conceito de fala por Saussure com sua aplicação nos dias atuais. meu verdadeiro estilo (. meu sol. ou ainda. o termo “fala” e suas variações referem-se também a essa modalidade. Não conseguia mais parar de falar com as pessoas. de H. aquilo saía. Ferreira (2000). visto que como dizem os postulados saussureanos a fala é a língua em uso por um indivíduo ou seu grupo. faladas ou escritas.) A linguagem de sinais era minha luz. grupo. são minha sensibilidade. como uma grande abertura em direção à luz. usadas por um povo. como o caso das línguas de sinais que se concretizam pelo meio visual-motor. a língua é definida a partir do parâmetro da oralidade. não era reconhecido o status linguístico das Línguas de Sinais. toma tal palavra no sentido tradicional. pois no período do surgimento das considerações do autor a definição era aplicada às línguas orais. do qual extraí as definições citadas. Tornei-me “o sol que vem do coração”. saía. Isso direciona o olhar da sociedade (ouvinte) para as línguas orais -auditivas em detrimento daquelas que utilizam-se de um canal diferente de percepção-emissão. para os seguintes termos linguísticos: A LÍNGUA A língua é conceituada como “o conjunto das palavras e expressões. Entretanto.. Esse aspecto é claramente observado em conceituados dicionários. minha poesia. não pararia mais de me exprimir. 26 . como também. A LINGUAGEM A linguagem é definida como “o uso da palavra articulada ou escrita como meio de expressão e de comunicação entre pessoas”. por uma nação e o conjunto de regras da sua gramática”. essa dança das palavras no espaço. Veja a seguir o que diz o Dicionário Aurélio B. Era um belo sinal. classe etc. Emannuelle Laborit (1994) Tradicionalmente. Com os estudos linguísticos (como os dos autores há pouco citados) acerca das línguas de sinais.

Noam Chomsky. a fim de. Já a língua é um produto social da faculdade da linguagem. especificamente. gestuais.. a faculdade da linguagem é inata. Chomsky defende que existe um módulo linguístico na mente humana. destacar a língua como sua principal face na constituição dos diálogos. pelos processos dialógicos. O autor mantém sua atenção no aspecto mental da mesma. desde expressões afetivas. à língua. como cinema. é compreendida sob dois diferentes prismas. portanto. ao contrário de Saussure. desse modo. ou seja. interessam-se pelosaspectos funcionais da língua(gem)e não em regras gramaticais. contrariando os dois anteriores. Assim. ou ainda. Chomsky não se interessa por nenhuma outra manifestação simbólica além da língua. em sua teoria da Gramática Gerativa. Ao fenômeno inicial inato. teatro. apresentaremos tal termo conforme está exposto – “LÍNGUA(GEM)”. se interessa pela gênese e desenvolvimento da linguagem relacionando-a com o pensamento e. ou seja. dedicado à língua. o input linguístico faz gerar uma gramática mais evoluída. A língua(gem). desenvolver. as versões em português trazem grafado o termo “linguagem”. Vygotsky e Bakhtin. esse linguista americano denominou gramática universal. a Fonte [2] criança exposta a um ambiente linguístico pode desenvolver uma gramática estável. (B) 27 . Para eles. embora parecendo referir-se. a consciência. ASPECTOS FUNCIONAIS DA LÍNGUA(GEM) Entendendo que a linguagem compreende faces diversas. a partir da qual. corporais. Para o autor. São esses intercâmbios (diálogos) mediados por signos. com a qual toda criança parte de um estado inicial no processo de aquisição da primeira língua. no qual giram as discussões a respeito da aquisição da linguagem. o segundo. teatrais etc. instituída por convenção tácita pelo grupo que a utiliza. dentre outras. compreender a língua e outras manifestações simbólicas. por outro lado. especificamente. encontram-se na obra de Laborit e nas que respaldam o nosso estudo. não se interessa pelo aspecto social nem sintático-estrutural da língua como o fez Saussure. conforme demonstra a tabela abaixo: (A) O nível biológico como parte da faculdade humana.Veja a seguir o que diz Ferdinand Saussure (1971) sobre a linguagem : Linguagem é uma faculdade humana responsável por produzir. quando trata da faculdade da linguagem. portanto. importa observar os processos: o primeiro. que propiciam o desenvolvimento. Exemplos disso. ao mesmo tempo que citá-la. que. artes. em alguns momentos. por considerar as diferenças nas traduções de determinadas obras.

consideradas pela linguística como línguas naturais ou como um sistema linguístico legítimo. do qual se discutem suas características relacionadas às representações discursivas. por sua vez. 15-16). jpg Responsável: Prof. FONTES DAS IMAGENS 1.files. Magnani (2007).ª Margarida M. http://www.adobe. Nesse sentido.) são.com/2011/04/noam_chomsky.com/go/getflashplayer 2..Instituto UFC Virtual 28 . e não como um problema do surdo ou como uma patologia da linguagem (p. compartilham uma série de características que lhes atribui caráter específico e as distingue dos demais sistemas de comunicação (. sociais e culturais. justificam a concepção das Línguas de Sinais como línguas naturais: As línguas de sinais são consideradas línguas naturais e consequentemente. P.. 15).wordpress. de Souza Universidade Federal do Ceará . esclarece que um dos pressupostos linguísticos da própria definição de qualquer língua natural é que esta surge e se desenvolve espontaneamente no seio de uma comunidade de falantes.O nível social por interferir nas expressões humanas. portanto. Quadros e Schmiedt (2006) extrapolando os conceitos essencialmente linguísticos e atentando para “a riqueza das interações sociais que transformam e determinam a expressão linguística” (p. http://ativandoneuronios.

LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS) AULA 02: LÍNGUA DE SINAIS – UM IDIOMA VISUOESPACIAL TÓPICO 02: ASPECTOS GERAIS SOBRE O IDIOMA QUE SE VÊ VERSÃO TEXTUAL DO FLASH Tomando as considerações dos autores citados no Tópico 1. Os autores supracitados tomaram como referência as declarações de Hughlings-Jackson na década de 1870 relacionadas às tarefas dos hemisférios cerebrais e concluíram. a sinalização permanece fluente. Este local tem se dedicado. CONTRIBUIÇÃO Em surdos lesionados foi detectado que as Línguas de Sinais. embora sua modalidade 29 . mas que rompem linhas de componentes linguisticamente relevantes. BELLUGI e HICKOK. 1998. isto é. 1993. a respeito das línguas naturais. enquanto faculdade do ser humano existe uma predisposição no indivíduo que o possibilita adquirir naturalmente uma e não outra língua. virtualmente livre de erros gramaticais e com boa gama de complexidade (KLIMA. HEMISFÉRIO ESQUERDO Os referidos estudos foram realizados nos Estados Unidos. e que a ocorrência da lesão no hemisfério direito não produz afasia de sinais. 1998) comprovam como são processadas as informações espaço visuais no hemisfério direito e linguísticas no hemisfério esquerdo. em nível neurológico. Neste último. Por isso. no estudo de pessoas surdas sinalizadoras atingidas por acidente vascular cerebral (AVC) na região esquerda. BELLUGI e HICKOK. KLIMA. SACKS. que exibem afasia de sinais e fornecem indícios adicionais sobre a organização cerebral para a Língua de Sinais. Sacks (1998) destaca em sua obra que os surdos sinalizadores apresentam a mesma lateralidade cerebral dos falantes das línguas orais. desde a segunda metade do século passado. as Línguas de Sinais são processadas de fato como uma língua. para os quais o laboratório Boston Diagnostic Aphasia Exam foi adaptado para a ASL. são processadas no hemisfério esquerdo. pois entendemos que enquanto entidade ela se constrói socialmente e. que. 1998). os resultados de estudos norteamericanos com surdos sinalizadores mostraram que um dano diferencial no hemisfério esquerdo produz prejuízo na produção da Língua de Sinais que não são uniformes. Ademais. o bilinguismo busca a aquisição da L1 e aprendizagem da L2. como as línguas orais nos ouvintes. os estudos a respeito do processamento da Língua de Sinais no cérebro (RODRIGUES. portanto. e a Língua de Sinais em seu uso que compartilhamos a expressão “língua natural dos surdos”.

) Assim. Nenhuma delas tem a mínima semelhança com o inglês em sinais ou com a fala em sinais. É como se nos usuários da língua de sinais o hemisfério esquerdo “assumisse” a esfera da percepção visual-espacial. O autor conclui então que: O fato de a língua de sinais ter por base o hemisfério esquerdo. como aqueles que ora são mudos. (p. (. a cabeça e outras partes do corpo?” SUPALLA.C. como também das limitações fisiológicas da memória de curto prazo e do processamento cognitivo. Essa atitude de “sobrevivência linguística” serve para vencer as limitações da linguagem num meio visual. Felipe e Monteiro (2004). p. DISPOSITIVOS GRAMATICAIS DA LÍNGUA ORAL Os estudos citados referem-se ao inglês. modificando-a. 1998) apontam hipóteses de que a Língua de Sinais surgiu da capacidade dos surdos de substituirdispositivos gramaticais da língua oralpor outros puramente espaciais. em 530 d. não deveríamos. 126) reitera: (.) . As primeiras referências. (Cf.. adequando-se às diversas línguas orais.linguística se realize numa dimensão visuoespacial que.. “se poderia pensar que fosse processada no hemisfério direito” (p. quanto à maneira de se expressar dos surdos. todas as línguas de sinais nativas possuem uma estrutura espacial muito semelhante [parâmetros]. no mundo todo.. altamente analítico e abstrato. 107-108) CONTRIBUIÇÃO Em se tratando da origem das línguas de sinais. aproximadamente. 106). Supalla apud Sacks... conferindo-lhe um caráter novo. quando o filósofo grego Sócrates comenta no Crátilo de Platão: “Se não tivéssemos voz nem língua e ainda assim quiséssemos expressar coisas uns aos outros. (. aguçando-a de um modo sem precedentes.C. “topográfico”. Samuel J. outras investigações (Klima e Bellugi. entretanto. Outro fato é abordado por Felipe e Monteiro (2004) que mencionam a comunicação em sinais realizada pelos monges beneditinos. que evoluíram separada e independentemente onde quer que haja grupos de pessoas surdas –. indica que existe uma representação do espaço “linguístico” no cérebro completamente diferente da do espaço ordinário. desenvolve-se nos usuários da língua de sinais um modo novo e extraordinariamente refinado de representar o espaço.. como tal. Sacks (Ibid. 1979.) isso encontra sólidas confirmações circunstanciais no fato de que todas as línguas de sinais nativas – e existem várias centenas. 30 . remonta. esforçar-nos para transmitir o que desejássemos dizer com as mãos. na intenção de manterem o voto de silêncio. apesar de sua organização espacial.) Isso reflete um desenvolvimento neurológico totalmente inusitado. Nesse sentido.. possibilitando uma língua e uma concepção visuais. do ano 368 a.

mas variáveis. o tempo todo. como forma de interagir das pessoas surdas. usado em substituição ao termo “fonema”.) cada usuário da língua de sinais situa-se de um modo muito parecido com o de uma câmera: o campo e o ângulo de visão são dirigidos. três. os modelos. como por exemplo: VERSÃO TEXTUAL DO FLASH MITO 01: • A forma de concebê-la apenas como linguagem. lembrando “mão”. (Stokoe.Embora os fatos citados sejam bem antigos. mas a aquisição de seu status linguístico só ocorreu em meados do século XX. na intenção de evitar subestimação da língua de sinais. satisfazendo todos os critérios linguísticos de uma língua genuína e capaz de gerar proposições infinitas em “quatro dimensões”. que. quando William Stokoe publicou a primeira descrição estrutural da Língua de Sinais Americana – ASL. 1979 apud SACKS. a escrita possui duas dimensões. CONTRIBUIÇÃO É importante considerar que era notória a maneira diferente do surdo “se comunicar” desde os tempos antes de Cristo. no caso do Brasil. Não só quem faz os sinais. propôs uma análise em unidades mínimas (queremas/quiremas). 31 . código ou conglomerado de gestos são um deles. Apesar da comprovação do seu status linguístico. Dessa forma. Termo derivado do grego. da orientação visual de quem está se comunicando com relação ao que ele está comunicando. no entanto.além de comprovar sua formação morfossintática.. E a língua de sinais explora plenamente as possibilidades sintáticas de seu canal de expressão tetradimensional. MITO 02: • Outro mito é que ela representa uma maneira de expressar a língua oral através das mãos – “português sinalizado”. provou que a Língua de Sinais tem léxico e sintaxe.. cujas informações encontram-se esboçadas na Aula 5. se relaciona com o desenvolvimento das propostas educacionais. mas também seu interlocutor têm consciência. (. p. 1998. alguns mitos a respeito da Língua de Sinais que povoam as mentes humanas. fazendo analogia com as línguas orais. Assim escreveu o autor: A fala tem apenas uma dimensão – sua extensão no tempo. Seus dados históricos no decorrer de sua organização. existem. precisamente na década de 1960. mas só as línguas de sinais têm à disposição quatro dimensões – as três dimensões espaciais acessíveis ao corpo da pessoa que faz os sinais e mais a dimensão temporal. a historiografia traz poucos registros quanto ao desenvolvimento das Línguas de Sinais. 100-101). (QUEREMAS/QUIREMAS).

a Língua de Sinais pode preencher todas as necessidades de interação entre indivíduos e ser utilizada na aquisição de conhecimentos. na qual os seus usuários podem discutir política. vívida. no Tópico 3. apenas para fazer analogia. ATIVIDADE DE PORTFÓLIO Pesquise acerca dos mitos que permeiam essa área de estudo e discuta no fórum com seu(sua) tutor(a) e colegas. o aspecto visual analítico dos surdos usuários da Língua de Sinais – os natissurdos. especialmente nas proposições poéticas: A língua de sinais ainda preserva. à Cultura Surda e propostas educacionais oferecidas aos escolares surdos. Assim. também pode simultaneamente evocar a qualidade concreta. extraordinariamente evocativo das Línguas de Sinais. emprego. como chama Sacks (Ibid) – é de fato bastante aguçado em comparação a nós. expressar poesias. LÍNGUAS Considerando que a Língua de Sinais não é universal. há muito tempo abandonaram (p. e enfatiza. no geral.que explicava às crianças – sujeitos de uma pesquisa empírica que fizemos no ano de 2006 – 32 . Nesse sentido. envia suas considerações para o(a) tutor(a). No entanto. músicas. se alguma vez tiveram. Os natissurdos narram fatos detalhadamente em sua língua. Ferreira-Brito (1998). utilizando-se das demais. A esse respeito. Sacks (1998) reitera destacando o caráter. real. sem a capacidade de exprimir as abstratas. 135). humor etc. usuários do canal oral auditivo. filosofias. à mais generalizada reflexão sobre a realidade. segundo ele. animada de que as línguas faladas. FÓRUM Discuta com seus colegas sobre as diferentes concepções sobre a Surdez e os Surdos. pesquisadores como Stokoe (1960). Quadros e Karnopp (2004) comprovam a legitimidade dessaslínguasdescrevendo sua estrutura gramatical. semântica. suas duas faces e assim.Dentre os que dizem acreditar na Língua de Sinais como uma língua. embora seja capaz de elevar-se às proposições mais abstratas. orais ou de sinais. muitas vezes imperceptíveis aos nossos olhos. esportes. em seguida. Esse aspecto pode ser confirmado na narrativa (empolgada)Saulo. tanto concretos quanto abstratos. há pessoas que pensam ser um modo de exprimir somente ideias concretas. pedagogo surdo doCAS. abordando questões relacionadas à Língua de Sinais. os linguistas se ocupam essencialmente com a língua de sinais de seu país. morfológica e pragmática – aspectos que serão resumidamente abordados logo adiante.

) Para os detalhes. ocioso. mãe. Pai. conversam falando.. como a voz e entonação são próprias a cada situação ou pessoa ouvinte. pai. Há quem acrescente sempre 33 . Como vozes diferentes. riam pela ênfase que o pedagogo dava a certos eventos ou características particulares de pessoas. Vale aqui realçar. [estudantes ansiosos] vou explicar. por isso enriquecia sua narrativa com sinais. surdo só olhando. Por que as pessoas vão para ASCE? Por exemplo: a pessoa [surda] está ociosa. posso fazer sinais aos quilômetros (. Exemplificar. Informações a respeito dessa instituição logo mais na Aula 4... cada um tem sua maneira de fazer os sinais.. [um estudante pergunta: Por que?] Por quê?... em volta do surdo ninguém sabe. 120) também ilustra: Na língua de sinais. anedotas devido à riqueza de expressões que utiliza. Bate-papo somente. EXCERTO Nº 01 Todos os sábados.. Conversam livremente!!!. preocupados com as coisas... contar histórias. Mas. A maneira de Saulo sinalizar. naquele ambiente. Não!!! A conversa é dentro da ASCE. Não tem problema! Saulo expressava-se com empolgação ao partilhar com seus pares os aspectos relacionados à sua comunidade. p.. Os discentes... Souza (2008). sua língua. A esse respeito Laborit (1994. em casa. em muitos momentos. não querem [não liberam]. exprimimos primeiro a ideia principal (. complementando os dados para as análises sobre interações. ansioso. seu estilo. primo (familiares) sabe sinais? Não sabem. exemplo: [se] pais não sabem como é a ASCE. ASCE sempre aos sábados.o porquê dos surdos irem à Associação dos Surdos do Ceará (ASCE) aos sábados: SAULO Nome fictício por razões éticas para proteção da identidade do pedagogo surdo. mãe. mantinham-se atentos as suas narrativas e. Então.. CAS......) Além do mais. o seu estilo é – para os “Surdos” e ouvintes da “Comunidade Surda” – muito apropriada para expressar poesias. que participou de uma pesquisa realizada por M. que a maneira de se expressar em sinais é particular.. Surdo aproveita e vai lá. expressões corporais e faciais que ilustravam vivências comuns entre eles para enfatizar a importância social da entidade em questão para a inte(g)ração dos surdos cearenses. ASCE tem surdo interagindo com sinais. espera.. Centro de Formação dos Profissionais da Educação e de Atendimento às Pessoas com Surdez...

Oficialmente. Os que se exprimem com gíria. oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil. Assim. a Lei da Acessibilidade nº 10. a Libras tida como uma língua espacial – “tetradimensional” no dizer de Stokoe (1979) e Sacks (1998) – é diferente de qualquer língua falada oralmente ou escrita e. como educadores e familiares. em que o sistema linguístico de natureza visual-motora.436 de 24 de abril de 2002 e regulamentada com o Decreto nº 5. reza que: O Poder Público promoverá a eliminação de barreiras na comunicação e estabelecerá mecanismos e alternativas técnicas que tornem acessíveis os sistemas de comunicação e sinalização às pessoas portadoras de deficiência sensorial e com dificuldade de comunicação. Após vários estudos e reivindicações da comunidade surda e de pessoas ligadas a ela. CONTRIBUIÇÃO No seio da comunidade surda. portanto.. E há aqueles que fazem resumos. ao esporte e ao lazer. à comunicação. mas como uma língua legítima a “Língua Brasileira de Sinais” ficou reconhecida da seguinte maneira: (. encontra-se uma convenção. por isso não é possível executar a sua transliteração 34 . no ano de 2000. com estrutura gramatical própria. à educação. o acesso aos surdos nos diversos espaços e informações que todo cidadão tem direito. ao transporte. a Libras foi oficializada em nível federal a partir da Lei nº 10. Aqui. Os “Surdos” com s maiúsculo são aqueles formadores de uma entidade linguística e cultural. à cultura.. conforme reportamos na Aula 5. Em se tratando do reconhecimento da Língua de Sinais no Brasil como meio de interação de seus usuários. dentre as quais encontra-se a obrigatoriedade da inclusão da disciplina de Libras no currículo dos cursos de formação de professores em níveis médio e superior de instituições públicas e/ou particulares e nos cursos de fonoaudiologia. em seu Artigo 17.098 surgiu na busca de garantir. não somente como modo de interação. destacamos Surdos e Comunidade Surda com S maiúsculo para diferenciar esse grupo do estigma de cidadãos de segunda classe mesmo nos dias atuais. ao trabalho.436] Assim. no que diz respeito à graduação em Letras-Libras. Esse Decreto traz implicações.) forma de comunicação e expressão. constitui um sistema linguístico de transmissão de idéias e fatos.durante horas. para garantir-lhes o direito de acesso à informação. conforme menção na Aula 4. uma distinção entre o sujeito surdo (com s minúsculo) e Surdo (com S maiúsculo). ou classicamente. [Lei nº 10.626 em 22 de dezembro de 2005.

principalmente no sul do País sobre a escrita da Libras – o Sign Writin – trata-se de um sistema ainda restrito a um pequeno número de usuários. a Libras.adobe. a estrutura gramatical e linguística da língua natural dos surdos brasileiros. http://www.palavra por palavra ou frase por frase. http://www. Embora já se encontrem estudos bastante avançados. P. resumidamente. pois suas estruturas e canais de percepção/emissão são essencialmente diferentes.adobe. além de não ser plenamente (re)conhecido como um sistema gráfico no âmbito educacional.adobe. de Souza Universidade Federal do Ceará .com/go/getflashplayer 3.Instituto UFC Virtual 35 .com/go/getflashplayer Responsável: Prof. após um esboço das informações gerais sobre a(s) Língua (s) de Sinais. VERSÃO TEXTUAL DO FLASH Assim.ª Margarida M. http://www. apresentamos o tópico 3.com/go/getflashplayer 2. seguindo os padrões destas últimas. FONTES DAS IMAGENS 1. no qual delineamos.

LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS) AULA 02: LÍNGUA DE SINAIS – UM IDIOMA VISUOESPACIAL TÓPICO 03: OS PARÂMETROS DA LÍNGUA DE SINAIS VERSÃO TEXTUAL DO FLASH Conforme vimos no Tópico anterior. Ferreira-Brito (1998) classificou 46 CMs usadas na Libras que são semelhantes ao sistema da ASL. passou a ser alvo de pesquisas em diversos ramos da Linguística a partir da década de 1960.). 1978. o esquema linguístico estrutural da referida língua. proposto por Stokoe compreende três parâmetros – configuração de mãos (CM). conforme referimos anteriormente. Estudos posteriores (BATTISON. Sua estrutura gramatical. ainda. pois têm léxico (palavras) e uma gramática. De acordo com Quadros e Karnopp (2004). 1990. Entretanto. as autoras afirmam. tocando ou não no corpo ou face do enunciador. As Configurações de Mãos (CM) são as variadas formas em que uma ou as duas mãos se apresentam no momento da sinalização. as Línguas de Sinais são consideradas línguas de modalidade espaço visual em virtude da informação linguística ser recebida pelos olhos e produzida pelas mãos. 36 . as Línguas de Sinais contêm os mesmos princípios linguísticos que as línguas orais. se isolados. Baseadas nos estudos de Stokoe (op. FERREIRABRITO. 1974. Sua articulação se dá espacialmente. e demonstram que na constituição dos sinais existem fonemas que compõem morfemas e palavras. 1995) incluíram outros aspectos imprescindíveis que são a orientação de mão (Or) e as expressões não-manuais (ENM). locação (L) e movimento (M) – que. são desprovidos de significado. cit. que a diferença refere-se à estrutura simultânea de organização dos elementos das primeiras (Línguas de Sinais).

pois as mãos são os articuladores primários das Línguas de Sinais e. na articulação do sinal.Tal classificação fora descrita através de dados coletados nas comunidades surdas de capitais brasileiras que compreendem grandes centros urbanos. ficar desprovida de sentido. Esse parâmetro é fundamental. a mensagem ou palavra também mudará ou. o quadro de configurações de mão baseados na lista de Ferreira-Brito (Ibid) e extraídas do Dicionário Digital da Libras (2007): 37 . ainda. Abaixo. conforme muda a CM.

O vídeo seguinte. na qual os sinais são articulados. p. Espanha etc. Pesquise no site da Editora Arara Azul: http://editora-arara-azul. baseada em Quadros e Karnopp 2004) apresenta a delimitação do espaço de enunciação. em que ou perto do qual o sinal é articulado". Idem. França. O Ponto de Articulação (PA) ou Locação (L) refere-se ao espaço adiante do corpo ou "ponto" no próprio corpo.Algumas Configurações de Mãos constituem o alfabeto manual (datilológico). onde o Sinal é articulado. 57) define o PA como a "área do corpo. ou no espaço de articulação definido pelo corpo. destacando os três parâmetros básicos: VERSÃO TEXTUAL DO VÍDEO 38 . e compará-los com o alfabeto do Brasil. Japão. como Estados Unidos. As autoras salientam que na Libras o espaço de enunciação é a área que contém todos os pontos dentro do raio de alcance das mãos.com. que você pode pesquisar como se apresentam em diversos países. Friedman (1977 apud QUADROS e KARNOPP.br/novoeaa/ [2].

AJOELHAR. o objeto e o espaço propiciam a formação do movimento de um sinal. SILENCIAR dentre outros. sinais como SENTAR. FERREIRA-BRITO E LANGEVIN. onde o movimento se realiza. Na execução dos sinais. no vídeo a seguir. não tocam o corpo. Nessa perspectiva. conforme demonstra o vídeo abaixo: VERSÃO TEXTUAL DO VÍDEO Um parâmetro bem complexo são os Movimentos (M). outros são efetuados no espaço neutro. observa-se que a grande maioria possui esse parâmetro. 1995). enquanto lugares. são estáticos. enquanto o espaço (de enunciação). apresentando pequena diferença apenas na expressão facial. dos quais há pontos que tocam no corpo. Quanto aos Sinais dos times são completamente diferentes. 39 . ou são bem próximos. Entretanto. Os pontos de articulação (ou locações) são realizados em tal espaço.OBSERVAÇÃO Os Sinais CEARÁ e FORTALEZA. no qual a(s) mão(s) do enunciador representa(m) o objeto. movimentos direcionais no espaço e até um conjunto de movimentos no mesmo sinal. movimentos de pulso. pode envolver um gama de formas e direções. apresentam-se como pares mínimos. a seguir demonstram essa diferença. desde movimentos internos de mão. pois. é a área em torno do enunciador (cf. EM PÉ. conforme Klima e Bellugi (1979). Os exemplos.

Conforme demonstra o vídeo abaixo: VERSÃO TEXTUAL DO VÍDEO 40 . interrogativas. expressão corporal e facial. Podem também ocorrer simultaneamente. conforme suas variações dão significados diferentes frente à articulação de determinadas expressões "manuais". negativas. relativas. Conforme Felipe e Monteiro (2004) as expressões apresentam-se da seguinte forma: Na frase afirmativa a expressão facial se mantém neutra.VERSÃO TEXTUAL DO VÍDEO As Expressões Não-Manuais (ENM) compreendidas pelas expressões corporais e/ou faciais são elementos muito importantes que. Sua execução na produção do sinal tem função sintática. marcando orações exclamativas. como no caso das orações interrogativas e negativas. topicalizações e sinais específicos.

Na frase interrogativa as sobrancelhas ficam franzidas e há um ligeiro movimento da cabeça que se inclina para frente. demonstrado no vídeo a seguir: VERSÃO TEXTUAL DO VÍDEO Na frase exclamativa levantam-se as sobrancelhas com um ligeiro movimento da cabeça para cima e para baixo. Pode-se ainda intensificar a expressão. fechando a boca com movimento para baixo como mostra no vídeo a seguir: 41 .

ou com a incorporação de um movimento contrário à ação negada (c). no sentido de dar ênfase ao Ponto de Articulação e Movimento. quais sejam: 42 . 85) classifica o aspecto da orientação da (s) mão(s) como "parâmetros secundários".VERSÃO TEXTUAL DO VÍDEO As frases negativas apresentam-se de três formas. um fator de grande importância é a direção do olhar. ou ainda. Ferreira-Brito (1995 apud BERNARDINO. conforme mencionei. VERSÃO TEXTUAL DO VÍDEO Vale ressaltar que. Ibid. outros ainda. com um aceno de cabeça simultâneo à ação negativa (b). Bernardino (2000) apresenta como um dos cinco parâmetros. Outros autores. p. como Stokoe. o aspecto relacionado à direcionalidade que marca a direção horizontal ou vertical. consideram apenas os três básicos (apresentados há pouco). com acréscimo do sinal NÃO (a). conforme explica o vídeo abaixo. além da relação de feedback entre emissor e receptor. Para evitar polêmicas. circular do movimento de um sinal. como Quadros e Karnopp (2004) consideram a orientação da(s) palma(s) da(s) mão(s).

adobe. http://editora-arara-azul. servindo a outra como P. podendo haver mudança dessa orientação durante o movimento. sendo que nesta última a combinação de ambas determina o sinal ou apenas a mão dominante.A. (C) REGIÃO DE CONTATO: seria a parte da mão que entra em contato com o corpo. (B) ORIENTAÇÃO DAS MÃOS: é a direção da palma da mão durante a realização do sinal. de Souza Universidade Federal do Ceará .Instituto UFC Virtual 43 . http://www. um deslizamento. ou outros.com.com/go/getflashplayer 2.ª Margarida M. P.(A) DISPOSIÇÃO DAS MÃOS: o sinal pode ser feito apenas pela mão dominante ou pelas duas.br/novoeaa/ Responsável: Prof. da primeira. podendo ser através de um toque. um risco. FONTES DAS IMAGENS 1.

os quais podem ser alterados. Em outras palavras. conferidos nos exemplos a seguir: EXEMPLO (1) VERSÃO TEXTUAL DO VÍDEO EXEMPLO (2) 44 . os quais podem variar conforme articulação dos parâmetros (M. não têm significado.LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS) AULA 02: LÍNGUA DE SINAIS – UM IDIOMA VISUOESPACIAL TÓPICO 04: OS NÍVEIS LINGUÍSTICOS No Nível Fonológico encontram-se as unidades mínimas que. Nessa perspectiva. quantificação. L. ou no dizer de Stokoe. negação e tempo. relacionando-se às mãos. por ser a Língua de Sinais uma língua multidimensional. trata dos fonemas. CM ou ENM). tais parâmetros (apresentados no Tópico anterior) constituem o Nível Fonológico da Língua de Sinais. para a obtenção de modulações aspectuais. isoladamente. incorporação de informações gramaticais e lexicais. Exemplos disso podem ser vistos nas frases há pouco representadas e nos níveis gramaticais. os queremas/quiremas. No NÍVEL MORFOLÓGICO encontram-se os morfemas.

um verbo que utiliza a direção do movimento para marcar o sujeito (ponto inicial do movimento) e o objeto (ponto final do movimento). 127). Também ilustram um tipo de verbo da Libras que apresenta concordância. 1995). No exemplo (2) a expressão facial é associada. p.VERSÃO TEXTUAL DO VÍDEO OBSERVAÇÃO O exemplo (1) representa o processo de incorporação do numeral. ou seja. O Nível Sintático refere-se à organização dos constituintes da frase. 2004. curto e mais rápido. e a CM inalterada. que as Línguas de Sinais têm suas variações que são os diferentes modos de usá-las – as 45 . No caso das Línguas de Sinais. número e aspecto.” (QUADROS & KARNOPP. qualquer que seja a “referência usada no discurso requer o estabelecimento de um local no espaço de sinalização. pois se flexionam em pessoa. ou seja. Outros exemplos dessa categoria são: RESPONDER. aumentando-se o número dos dedos estendidos para demonstrar uma quantidade maior. ESTIMULAR etc. no qual a CM foi alterada. superposição da informação lexical somada à informação de ordem sintática (FERREIRA-BRITO. Observe o vídeo a seguir: VERSÃO TEXTUAL DO VÍDEO Esses três últimos exemplos demonstram a incorporação de informação léxico-sintática. como já mencionado há pouco. muito comum na Libras. É importante realçar. o movimento fica intenso. PERGUNTAR.

é o modo peculiar que cada indivíduo tem de falar/sinalizar (KARNOPP. OLHANDO DE PERTO Quadros e Karnopp (2004) dão exemplos também de “dialetos” de surdos de São Paulo e de Porto Alegre. Dialetos . “T” para tio ou tia. raciais ou religiosos.variedades linguísticas – como qualquer língua. Segundo as autoras. de homossexuais. escolaridade. se utiliza muito o alfabeto manual e toda a palavra é datilologizada. dentre outros. classe social. políticos. somente para citar alguns. ou seja. dependem da localização ou características de grupos (dialetos). (Essa característica também é comum a surdos oralizados de outras regiões. Os exemplos abaixo ilustram um “dialeto”da Libras: VERSÃO TEXTUAL DO VÍDEO CONTRIBUIÇÃO Idioletos . sociais. como “P” para pessoa. grupos de jovens. Essas diferenças devem-se a fatores diversos como: a idade. há muitos sinais que utilizam como CM a primeira letra da palavra do português. conferindo 46 .Diferenças individuais de uso de uma língua. geográficos. Essas variações vão ocorrendo gradativamente conforme os aspectos físicos.) Já em Porto Alegre. 2007). necessitando que o outro surdo faça leitura labial.Diferenças sistemáticas usadas por grupos ou por sujeitos de regiões geográficas específicas (Idem). como grupos de surdos de centros urbanos ou de áreas rurais. Em São Paulo grupos de surdos oralizados digitalizam somente a primeira letra e oralizam toda a palavra. Pode-se ainda conferir outros exemplos com os sinais utilizados em nosso estado (Ceará) com os de outros. maior ou menor contato com a Comunidade Surda. sexo. ou ainda. personalidade – são os idioletos.

com as ilustrações no Dicionário Trilíngue publicado por Capovilla (2001) e em suas diversas edições. de Souza Universidade Federal do Ceará . P. FONTES DAS IMAGENS Responsável: Prof.ª Margarida M.Instituto UFC Virtual 47 .

justamente por esses terem a locação junto ao corpo na Libras. A direção do sinal é realizada do sujeito para o objeto da sentença. Com isso a direção do movimento destes verbos sempre irá variar com a posição das pessoas que estão envolvidas. Eles também não incorporam instrumentos e nem argumentos. podemos distinguir os seguintes grupos de verbos: a) Verbos Sem Concordância: esse grupo de verbos é caracterizado por não apresentar flexão quanto à pessoa. Assim. São os verbos mais simples em Libras. A direcionalidade está associada às relações semânticas (source/goal) e a orientação da mão voltada para o objeto da sentença está associada à sintaxe. mas não incorporam afixos locativos. Vale ressaltar que eles geralmente estão associados à apontação.LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS) AULA 02: LÍNGUA DE SINAIS – UM IDIOMA VISUOESPACIAL TÓPICO 05: OS TIPOS DE VERBOS Os tipos de verbos na língua de sinais brasileira estão divididos em classes. os quais. muitos deles apresentam a locação do sinal junto ao corpo. marcando Caso. Em nosso estudo. PIZZIO. Estes verbos apresentam a direcionalidade e a orientação. abordaremos a classificação abordada no geral por Quadros e Karnopp (2004) e Felipe e Monteiro (2004). 2007) 48 . (QUADROS. PINTO. b) Verbos Com Concordância: também conhecidos por verbos direcionais são verbos que concordam com as pessoas da sentença. as quais se diferenciam entre os pesquisadores da área. VERSÃO TEXTUAL DA ANIMAÇÃO Um fato curioso é que muitos deles são verbos ligados às emoções ou à capacidade intelectual.

geralmente utilizando as seguintes CM: e segurando algo. VIR. pois aí representam ações onde uma pessoa está 49 . • 1.VERSÃO TEXTUAL DA ANIMAÇÃO VERSÃO TEXTUAL DA ANIMAÇÃO c) Verbos Espaciais: são verbos que têm afixos locativos. pois sempre estão relacionados à existência de um lugar no discurso. • 2. Exemplos de verbos espaciais são COLOCAR. FORA SALA? • Verbos Manuais: também conhecidos por “Verbos Classificadores”. São verbos que incorporam classificadores e a ação. estes são um grupo restrito de verbos e o seu significado só é definido dentro do contexto discursivo. IR. [Objeto presente]: VOCÊCOPO-COLOCAR-ESTANTE. representando espacialmente o objeto na direção de sua locação]: VOCÊCOPO-COLOCAR ESTANTE. [Objeto ausente: usa-se a imaginação.

PRÁTICA II PEQUENO DIÁLOGO NO CONTEXTO ESCOLAR Diálogo 2 . mas com todas as pessoas. Assim. Quando me ensinaram “ontem” e “amanhã” na língua de sinais. p. Relatando sua própria experiência Laborit (Idem. doutora pela Universidade Federal de Santa Catarina. 8) recomenda o uso de sinais desde cedo."NA ESCOLA" 50 . escrever essas palavras com mais facilidade. Strobel (1995. Portanto. uma integração de fato. antes de finalizar esta Aula. inclusive. quando consegui entender seu significado. pelo contrário. Karin Strobel. p. apontando que esta possibilita. o quanto é necessário e é aspirado pela pessoa surda a sua integração na sociedade. a aquisição da fala oral: Uma palavra é uma imagem. bem como termos um olhar sobre pequenos textos produzidos pelos nativos dessa língua. a Língua de Sinais. desde que lhe seja garantido o direito de usar sinais. na comunicação com os surdos e surdas.Desse modo. da fala e terá força. usando Libras desde cedo ela assimila o conteúdo e se desenvolve intelectual e emocionalmente. os Surdos. mais eficiente que qualquer outra língua oral é interagir com esses sujeitos na língua que lhes é natural. com uma visão geral a respeito desse idioma espaço visual. um símbolo. auto-confiança e base mais sólida para se integrar à sociedade sem complexo de inferioridade. pude falar oralmente com mais facilidade. o que facilita a aprendizagem da leitura. orientando que isso não é negar à criança surda o direito de se integrar à sociedade ouvinte. 163) também segue o mesmo raciocínio de que a Língua de Sinais é o mediador mais eficiente. aquela que pode promover uma compreensão mais ampla. gostaríamos de ilustrar com as palavras da professora surda. na qual possam “inter-agir” não só com seus equivalentes. poderemos conhecer nas próximas Aulas sobre o profissional que trabalha diretamente com essa língua na transposição desta para a língua da maioria ouvinte e vice versa.

DF. e dá outras providências. ______. São Paulo: Hucitec.org. MONTE SEU GLOSSÁRIO: clique aqui (Visite a aula online para realizar download deste arquivo. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. Belo Horizonte: Profetizando Vida. 5. Mikhail (Volochinov). LEI Nº 10. PHONOLOGICAL DELETION IN AMERICAN SIGN LANGUAGE: sign language studies. p. aplicando os SINAIS em contexto. Estabelece normas gerais e critérios para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência. faça uma pesquisa sobre os sinais do contexto apresentado na internet e no site: http://www. treine o diálogo apresentado. MARXISMO E FILOSOFIA DA LINGUAGEM. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. de 24 de abril de 2002. 25 abr 2002. Elidéa Lúcia. BRASIL. Brasília. R.098.).Para assistir o vídeo http://www. REFERÊNCIAS BAKHTIN. ABSURDO OU LÓGICA?: Os surdos e sua produção lingüística. 2000.br/libras/ [1] e monte o próprio glossário.youtube. AMERICAN SIGN BERNARDINO. 1974. Poder Executivo. e dá outras providências. Brasília. LEI Nº 10. DF. Silver Spring. 51 .acessobrasil. 2.com/embed/mV8smynKSWs acesse o Atividade Prática: Baseado(a) no vídeo à disposição no ambiente virtual. 1-19. CONTRIBUIÇÃO Para aprender mais. Dispõe sobre a Libras. 1997. Poder Executivo. Tradução de Michel Lahud e Yara Frateschi Vieira. ______. 20 dez 2000. 1978. v.436. MD: Linstok. LEXICAL BORROWING IN LANGUAGE. de 19 de dezembro de 2000. BATTISON.

2005.. FELIPE. e dispõe sobre a Librass. G. WINIFRED. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. CAPOVILLA. Variação Lingüística. HITCHCOK. 20-43 SINAIS DA ______. Regulamenta a Lei nº 10. ______.planalto. INABILIDADES DA diagnóstico e remediação. 2007. II: Sinais de M a Z. McTeer. W. CONSULTA PÚBLICA PARA O DECRETO DE REGULAMENTAÇÃO DA “LEI DE LIBRAS”. Fundação Vitae. 1. DF. FERREIRA-BRITO. C. Acesso em 15/01/2005.br/ccivil03/consultapublica/consulta. UMA ABORDAGEM FONOLÓGICA DOS LSCB. K. F. 23 dez 2005. Florianópolis: UFSC. FERREIRA-BRITO. v. LIBRAS EM CONTEXTO: curso básico (Livro do Professor). ISBN: 978-85-60522-05 -7. 1972. S. Sistema Ferreira-Brito – Langevin de Transcrição de Sinais. 1989. R. 1993. 2001. POR UMA GRAMÁTICA DAS LÍNGUAS DE SINAIS. Espaço: Informativo Técnico-Científico do INES. LANGEVIN. 1995. Fapesp. D. A. III). RAPHAEL. Casa Civil da Presidência da República. Rio de Janeiro: Babel. DECRETO Nº 5. p.626..Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro. 2004. Disponível até janeiro de 2005 em http://www. Brasília. & MONTEIRO. ______. C...htm [2]. In: POR UMA GRAMÁTICA DAS LÍNGUAS DE SINAIS.______. LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS. INTEGRAÇÃO SOCIAL E EDUCAÇÃO DE SURDOS. ______. Tânya A. Brasília: MEC/SEESP. Londres: Routledge.Brasília: MEC/SEESP. (Série Atualidades Pedagógicas nº 04 – vol. nº 1. L. 1990. Brasília: MEC. e desta ao bilingüismo. KIRK. L. 1995. Poder Executivo. de 22 de dezembro de 2005. D. Myrna S.gov. São Paulo: Edusp. junho/2007. R. Virginia: T. F. DICIONÁRIO DIGITAL DA LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS. Vol. DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO ILUSTRADO TRILÍNGÜE DA LÍNGUA DE SINAIS BRASILEIRA. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro. L. RESEARCH AND THE TEACHER. A Evolução nas abordagens à educação de surdos: do oralismo à comunicação total. 1998. D. In: CAPOVILLA.436/2002. Brasília: MEC/SEESP. CD-ROM. HUGHES. Brasil Telecom. FENEIS. Rio de Janeiro. APRENDIZAGEM: 52 . ______. In: CURSO DE LICENCIATURA EM LETRAS LIBRAS: Disciplina de Fonética e Fonologia. KARNOPP.

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htm Responsável: Prof. Tradução Jefferson L.acessobrasil.______. 5.gov.br/ccivil_03/consulta_publica/consulta.ª Margarida M. ______.ed. Luis S. P. São Paulo: Martins Fontes. São Paulo: Martins Fontes.Instituto UFC Virtual 54 . http://www. A FORMAÇÃO SOCIAL DA MENTE: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. PENSAMENTO E LINGUAGEM.org. Camargo. M.planalto. FONTES DAS IMAGENS 1. Barreto & Solange C. de Souza Universidade Federal do Ceará . 1993. Afeche. http://www. Tradução José C. Neto. 1994.br/libras/ 2.

p. logo que iniciou a leitura da lista dos vencedores.... aquela de sempre.. 33) esclarece: 55 . a atuação do ILS tem sido uma prática há décadas mais exatamente desde o início dos anos 80..) Não me convenci completamente de que acabaram de me dar o Molière de revelação 1993..) Volto-me para a intérprete.... e as exprimo bem melhor por meio dos sinais. Estão confiantes de seu brilho. (. a alegria que senti.. Tenho minha intérprete... e finalmente o público inteiro! Braços levantados..LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS) AULA 03: O PROFISSIONAL TRADUTOR E INTÉRPRETE DA LÍNGUA DE SINAIS (TILS) TÓPICO 01: COMO OU QUANDO SURGIRAM OS PRIMEIROS TRABALHOS DE INTERPRETAÇÃO DE LÍNGUA DE SINAIS VERSÃO TEXTUAL DO FLASH Será difícil exprimir com as simples palavras deste capítulo a emoção.. Se sou eu.. (. aquela que me conhece de cor e salteado. como podemos confirmar nas palavras de Rosa (2005. Sou a única surda na sala.) Muitas pessoas de talento estão reunidas. que me explica rapidamente o intervalo da tradução. nesses lugares. 92): No Brasil a atividade de interpretação ocorre com maior frequência nas instituições religiosas. conforme Souza (2008. a atividade dos intérpretes da Língua Brasileira de Sinais surgiu a partir de trabalhos voluntários no interior de movimentos religiosos. Dominique Hof. Se a avisaram.. depois algumas outras. Foi o mais belo presente do mundo! (. os quais tinham a “missão” de ensiná-los a língua pátria – seja na modalidade escrita ou oral –.) Todas essas bocas que se falam em torno de mim sabem coisas que ignoro.. a intérprete vai me avisar. Para ele? Para a intérprete? Para o palco?(.) Rasgam o envelope. mãos em formato de borboleta. parece que essa herança ocorre devido às primeiras iniciativas de escolarização dos surdos na Idade Média com os chamados professores preceptores. p. do que dizem e de suas opiniões..) Recomeço a fazer os sinais. Atores profissionais. de repente. era talvez. e. (.. Nesse caso. (. havia me prometido. bem como aproximálos da vida cristã e de Deus.. Analisando a história..) Não sei para quem olhar. (. para que se preparasse para subir ao palco.. Nada de recuar. vejo uma pessoa. Foram procurá-la.) Dizer aquilo que tinha a dizer. Emannuelle Laborit (1994) VERSÃO TEXTUAL DO FLASH De acordo com os fatos históricos.. aliás. o que explica que os melhores ILS – salvo os filhos de pais surdos – são oriundos das instituições religiosas. São emoções que vivenciei em meu corpo.) A intérprete não teve tempo de terminar seu gesto [Sinal] (. que adivinha pelo primeiro sinal o que vou dizer. dedos fazendo o sinal de união. (.

no sentido da obtenção do respeito de seus aspectos linguísticos – estrutura gramatical. de alguma forma. . . um abade francês interessou em educar as crianças desprovidas de qualquer riqueza material. os cultos nos movimentos evangélicos). através dos monges e padres (professores-preceptores).098/2000 – Lei de Acessibilidade.Portaria 1679/1999 – Acessibilidade à Educação Superior. ainda..Lei nº 10. Esse aspecto é comprovado na prática e em pesquisa realizadas até na Europa. em Paris. sintaxe. p. o que possibilitou a abertura de novas oportunidades no mercado de trabalho. a homologação da Lei federal nº 10. semântica e pragmática. respaldam o trabalho do referido profissional são: . passando a educar crianças de rua e. mesmo que seja através de leis.436 de 24 de abril de 2002 (Lei de Libras) vem representando a primeira grande conquista para os movimentos sociais da Comunidade Surda e marcou um salto fundamental no processo de formação e reconhecimento do intérprete.. (QUADROS. No geral. morfologia. . Desse modo. para saber mais leia a revista abaixo: VERSÃO TEXTUAL DO FLASH Nesse tempo em que havia a preocupação com os surdos de famílias abastadas que passaram a ter direitos a heranças e. procurando exercer uma cidadania legítima. seja em movimentos religiosos.a igreja por muito tempo e após o Renascimento tornou-se a responsável por instruir os filhos da nobreza para garantia de seus direitos. 2002. Paralela a essa iniciativa encontrava-se. parece ter influenciado na ocorrência dos primeiros serviços de interpretação. concluindo que “à medida que os surdos ampliam suas atividades e participam das atividades políticas e culturais da sociedade. 17). principalmente com ensinos das áreas de Língua(gem) e Matemática.Resolução MEC/CNE: 02/2001 – Diretrizes Nacionais Para a Educação Especial na Educação Básica. 56 .172/2001 – Lei do Plano Nacional de Educação. Outros documentos que. sociais ou escolares. o intérprete de Língua de Sinais é qualificado e reconhecido profissionalmente”.Lei nº 10. por isso a preocupação com sua educação. Conforme conta a História. junto com estas criou os Sinais Metódicos – o Abade Michael de l’Epée. as pessoas surdas passaram a conquistar espaços. Assim. o reconhecimento de tal profissão de Intérprete/Tradutor se dá com o reconhecimento da língua. Este que foi o responsável pela criação do “Gestualismo” e da primeira escola para surdos no mundo – o Instituto dos Surdos Mudos. no Brasil. cuja preocupação era possibilitar aos surdos a participação em missas (posteriormente. a preocupação em “extirpar” o pecado a partir da educação.

P. . http://www. de Souza Universidade Federal do Ceará .adobe.Lei federal nº 12.Lei estadual nº 13.100/2001 – reconhece a Libras como língua natural das Comunidades Surdos em esfera estadual – Fortaleza/Ceará.com/go/getflashplayer 2.adobe.Decreto nº 5. FONTES DAS IMAGENS 1.ª Margarida M. na busca pelo reconhecimento de seu trabalho como profissão com a abertura de vagas em concursos públicos. http://www. Aliado a isso.626/2005 – regulamenta a Lei de Libras e dá outras providências.Instituto UFC Virtual 57 . Essas conquistas vêm reforçando a luta da Comunidade Surda por sua dignidade e respeito..com/go/getflashplayer 3.319/2010 que reconhece o profissional Intérprete que atua diretamente com as pessoas surdas.com/go/getflashplayer Responsável: Prof. encontra-se o Intérprete/Tradutor da Libras. . http://www.adobe.

Trata-se de um profissional que torna possível a efetiva participação do surdo em encontros sociais. apreendendo os sentidos.) Com foco na manutenção dos sentidos originais. as expressões faciais e corporais. p. debates. conforme ensina Lacerda (2010. (QUADROS. Tal profissional não deve ser apenas proficiente nas línguas em foco. Na realidade. o intérprete da Língua de Sinais é aquele que converte esta língua para a oral e vice-versa. em muitos casos.. isso 58 .. educacionais e também políticos. casos trabalhistas. portanto. Obviamente os modos de realizar essa tarefa são diferentes para tradutores e intérpretes já que envolvem modalidades diferentes de línguas. Em alguns momentos confunde-se o tradutor com o intérprete. ainda na língua de origem. 2002).. o profissional Intérprete da Língua de Sinais é. facilitando seu desenvolvimento social e cognitivo. No caso do tradutor. cada profissional exerce funções distintas. sendo que escrita. há a necessidade do profissional que tenha domínio de ambas as línguas – a oral e a de sinais. tem-se um profissional que faz a conversão das línguas orais ou de sinais para outra. transforma a língua escrita para a forma oral ou de sinais. (. judiciais etc. mas também ter uma formação apropriada. ou ainda. religiosos. por exemplo. Tecnicamente falando. ou seja. aquele que possibilitará o contato da pessoa surda com o meio oral-auditivo desde simples situações às mais complexas como.) a formação deve contribuir para que os alunos (futuros tradutores e intérpretes) percebam e analisem um texto para além das palavras. Sendo assim. fazer uso da Língua de Sinais. articulada através do canal viso-espacial. utilizando-se as mãos. a interpretação está inclusa na tradução por esta ser um termo mais amplo. em cada lugar ou instituição onde se encontre uma pessoa surda. na qual o mesmo obterá os conhecimentos técnicos e científicos da área. Entretanto. apesar do professor de surdos. casamentos. 20): (. Fonte [2] Fonte [3] Fonte [4] Há ainda quem confunda o professor de surdos com o intérprete da Língua de Sinais.. ele deve ser levado a depreender sentidos.LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS) AULA 03: O PROFISSIONAL TRADUTOR E INTÉRPRETE DA LÍNGUA DE SINAIS (TILS) TÓPICO 02: O QUE VEM A SER ESSE PROFISSIONAL? VERSÃO TEXTUAL DO FLASH Considerando que a Língua de Sinais é a língua natural das comunidades surdas. telefonemas.

não implica que o mesmo possa ser de fato um intérprete. O professor tem a responsabilidade de exercer um papel fundamental no processo de ensino e de aprendizagem do surdo, enquanto que o intérprete apresenta-se como mediador entre pessoas que não dominam a mesma língua. Ocorre que no âmbito da educação escolar/acadêmica encontra-se o intérprete educacional. Esse é o caso de maior demanda em todo o mundo, sobre o qual podemos encontrar discussões e pesquisas realizadas nos variados países, principalmente nos Estados Unidos, que sistematizaram atividades/situações consideradas antiéticas: - Tutorar os alunos (em qualquer circunstância); - Apresentar informações a respeito do desenvolvimento dos alunos; - Acompanhar os alunos; - Disciplinar os alunos; - Realizar atividades extraclasse. Vale ressaltar que o ato de interpretar envolve pessoas com “intenções comunicativas” específicas entre usuários de línguas distintas e, por isso, exige um trabalho cognitivo linguístico do profissional e que essa habilidade/competência é desenvolvida numa formação. Em outras palavras, o tradutor e intérprete precisa ser qualificado, ter domínio dos processos, dos modelos, das estratégias e técnicas de tradução e interpretação. (...) também deve ter formação específica na área de sua atuação (por exemplo, a área da educação (QUADROS, 2002). Ademais, a formação profissional como um todo vai fornecer a vivência prática de modos de versar de uma língua para outra(s), com a qual deverão ser apreendidos os aspectos linguísticos e culturais dos sujeitos das línguas envolvidas.

Há também aspectos diferenciados da formação, já que o tradutor precisaser capacitado para o trabalho com aspectos próprios da expressão da língua escrita como coesão e coerência textual, e o intérprete, por exemplo, ser introduzido a princípios de oratória e impostação vocal. (LACERDA, 2010, p. 20 apud PAGURA, 2003)

O tradutor e intérprete da Língua de Sinais (TILS) precisam, portanto, ter conhecimento técnico das duas línguas (oral-auditiva e visual-espacial) utilizadas no País, a fim de fazer a melhor escolha estrutural tecnicamente adequada para favorecer uma tradução/interpretação o mais fiel possível. A compreensão destes aspectos desmitifica as ideias equivocadas difundidas pelo senso comum, quais sejam: Professores de surdos são intérpretes de línguas de sinais; As pessoas ouvintes que dominam a língua de sinais são intérpretes; Os filhos de pais surdos são intérpretes de língua de sinais. Mais esclarecimentos sobre esses equívocos entre mais considerações podem ser conferidos nos estudos de Quadros (2004).
59

Dessa forma, ainda de acordo com Quadros (Ibid) destacam-se alguns pontos também muito importantes que são:
VERSÃO TEXTUAL DO FLASH

- Confiabilidade: sigilo profissional; - Imparcialidade: o intérprete deve ser neutro e não interferir com opiniões próprias; - Discrição: o intérprete deve estabelecer limites no seu envolvimento durante a atuação; - Distância profissional: o profissional intérprete e sua vida pessoal são separados; - Fidelidade: a interpretação deve ser fiel, o intérprete não pode alterar a informação por querer ajudar ou ter opiniões a respeito de algum assunto, o objetivo da interpretação é passar o que realmente foi dito.

Apesar de estar registrada como “código”, espera-se que a ética seja parte integrante da essência do Intérprete como pessoa e como profissional. Nesse contexto, apresentamos o próximo tópico que traz mais informações a respeito do profissional em foco. Tais considerações fazem parte das elaborações de Joelma Remígio, professora da Universidade Federal do Amazonas.

FONTES DAS IMAGENS
1. http://www.adobe.com/go/getflashplayer 2. http://diariodonordeste.globo.com/imagem.asp?Imagem=456304 3. http://www.abq.org.br/simpequi/2009/trabalhos/imagens/-664338147f61.jpg 4. http://4.bp.blogspot.com/_W9jYHT6LOmM/TLd4XPh7qqI/AAAAAAAA AW4/NSdV2Yv3HJk/s1600/na+empresa.jpg 5. http://www.adobe.com/go/getflashplayer
Responsável: Prof.ª Margarida M. P. de Souza Universidade Federal do Ceará - Instituto UFC Virtual

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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS)
AULA 03: O PROFISSIONAL TRADUTOR E INTÉRPRETE DA LÍNGUA DE SINAIS (TILS)
TÓPICO 03: O PROFISSIONAL INTÉRPRETE DA LÍNGUA DE SINAIS (ILS) E SUA ATUAÇÃO NA ESCOLARIZAÇÃO DE SURDOS

Com todo esse movimento de inclusão e a presença dos surdos em espaços cada vez mais diferenciados, tornou-se mais visível a presença do ILS e o aumento significativo de ações e políticas linguísticas em torno da Língua de Sinais e das implicações que essa prática ocasiona. Portanto, a profissão dos ILS está num momento histórico de estruturação e, certamente, a Lei nº. 12.319, de 1º de Setembro de 2010, embora com todas as discussões surgidas a partir dos vetos dos artigos que tratavam da formação em nível superior, representa uma vitória em termos de reconhecimento dos profissionais ILS e da importância deste cargo, para consolidar uma categoria que por décadas atuou de maneira informal e que agora tem o reconhecimento de sua profissão, para qual existe uma demanda significativa no mercado de trabalho, que engloba desde os espaços públicos, a área específica da educação e a comunidade de um modo geral.

OBSERVAÇÃO
Dos espaços de atuação dos intérpretes de Língua de Sinais, como apresentado anteriormente nesta pesquisa, existe um que tem suscitado grandes discussões e polêmicas: o espaço educacional. De acordo com Quadros (2004), é o espaço onde a interpretação é mais requisitada atualmente. A partir do desenvolvimento e enfoque que as escolas deram ao processo de colocação de estudantes surdos em suas salas de aula, o sucesso e resultados sonhados não seriam possíveis sem a presença desse profissional na escola que se intitula “inclusiva”. Segundo a mesma autora, o intérprete, especialista para atuar na área de educação, deverá ter um perfil para intermediar as relações entre os professores e os alunos, bem como entre alunos surdos e ouvintes. Concordamos categoricamente que, ao se pensar nas competências e responsabilidades deste profissional, existem muitas dificuldades em determinar quais suas reais responsabilidades e até onde sua atuação pode ser considerada adequada e pertinente, de modo a causar problemas de ordem ética quando realizar as intermediações em sala de aula, nem sua responsabilidade e função ser confundida com a do professor, por exemplo. Uma questão fundamental a ser problematizada, diz respeito ao nível educacional do intérprete. Quadros (2004, p. 62) afirma:

Outro aspecto a ser considerado na atuação do intérprete em sala de aula é o nível educacional. O intérprete de Língua de Sinais poderá estar atuando na educação infantil, na educação fundamental, no ensino médio, no nível universitário e no nível de pós-graduação. Obviamente que em cada nível devese considerar diferentes fatores. Nos níveis mais iniciais, o intérprete estará diante de crianças. Há uma série de implicações geradas a partir disso. Crianças têm dificuldades em compreender a função do intérprete puramente
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Um dos motivos da ausência de alguns ILS era o atraso de três meses do pagamento de seus salários. o Estado providenciou o pagamento e logo a situação foi regularizada. Esse fato levou o Ministério Publico a realizar visitas em todas as escolas que tinham alunos surdos para verificar se faltava mesmo esse profissional. reconhecendo a Língua de Sinais. Lacerda (2009. Existe esse profissional que está inserido nas escolas. com a comunidade surda. Além disso. de 1º de setembro de 2010. acreditamos ser fundamental a organização da categoria e a articulação com as associações que tem surgido em vários estados do Brasil. para que possa efetivamente desenvolver suas funções adequadamente. houve uma denúncia ao Ministério Publico de João Pessoa. principalmente no espaço da educação. urge uma maior mobilização em termos de lutas e reivindicações para que o que está assegurado na lei seja realmente realizado na prática. o adolescente e o adulto lidam melhor com a presença do intérprete. fato que impossibilitava sua ida ao trabalho. quando a Lei 10. com o reconhecimento da profissão do Intérprete de Língua de Sinais. a questão de sua formação vem sendo apresentada como urgente e necessária. entre outros segmentos sociais. bem como com as associações dos surdos. dentre estes. que agora tem sua profissão reconhecida. que almeja aprofundar sua prática e conhecimentos e o nível desta formação.436 foi sancionada. 120) afirma que: 62 . A criança surda tende a estabelecer o vínculo com quem lhe dirige o olhar. No caso.319. mas que não oferecia intérprete. Nos níveis posteriores. em nível médio não dá conta de embasar sua pratica e ações. no ano de 2009. Assim. o intérprete deve ter afinidade para trabalhar com crianças. As escolas estaduais também precisaram contratar ILS para os alunos surdos que a elas chegavam. Recentemente. O problema é que só especifica a formação em nível médio e esse aspecto pode dificultar ainda mais o processo de formação desse profissional. como língua utilizada pela comunidade surda. Depois das visitas do Ministério Publico e da exigência de se resolver esse problema. porém. através da Lei nº 12. o aumento na contratação de intérpretes para atuar no ambiente educacional é visível. sobre uma escola estadual que tinha alunos surdos em sala. Um fato interessante é que. o da presença deste profissional intermediando a comunicação entre professores e alunos surdos e entre alunos ouvintes e surdos nas escolas. p. o intérprete passa a necessitar de conhecimentos cada vez mais específicos e mais aprofundados para poder realizar a interpretação compatíveis com o grau de exigência dos níveis cada vez mais adiantados da escolarização. OLHANDO DE PERTO Desde 2002. Por outro lado. Percebemos que atualmente tem ocorrido uma maior cobrança dos surdos por seus direitos. o intérprete é aquele que estabelece essa relação.como uma pessoa mediadora da relação entre o professor e o aluno. para suscitar e promover as mudanças necessárias e urgentes nesse momento histórico.

portanto. para complementar o atendimento que os surdos têm nas escolas regulares. atentas à sua condição bilíngue e às suas necessidades específicas. Certamente. Realmente. 121). pois. precisa acontecer com cuidados específicos e reflexões. No entanto. onde os fracassos são bem mais presentes do que os sucessos. ocorreu que. compreendidos e refletidos. Há vários problemas de ordem ética que acabam surgindo em 63 . aponta para evidência de desconhecimento da realidade das comunidades surdas. entre os colegas surdos e os colegas ouvintes. porém.a questão da educação dos surdos no Brasil ainda é um problema longe de ter uma solução satisfatória. que veem com bons olhos toda essa integração e o respeito aos diferentes. muitas foram forçadas a mudarem seu foco de atuação e se tornarem instituições de apoio especializado. Concordamos com ela. a partir de pesquisas realizadas especialmente em São Paulo. “a prática observada até o momento. bem como. p. em que pudemos constatar uma realidade similar à percebida em São Paulo. Com o advento da implantação da inclusão e os discursos em torno de atendimento igualitário no mesmo espaço educacional. e que as escolas próprias para surdos. em relação às pessoas surdas. a partir de nossas experiências com pesquisa em inclusão de surdos nas escolas regulares na cidade de João Pessoa. por isso mesmo suas atitudes merecem atenção especial. Sua atuação em muitos momentos é confusa e complexa. Dentre muitas questões levantadas por Quadros (2004) estão: O intérprete especialista para atuar na área da educação deverá ter um perfil para intermediar as relações entre os professores e os alunos. provocou mudanças sérias e complexas. Lacerda acrescenta que a expansão da política educacional de inclusão. de falta de preparo e de oportunidades para discussões sobre essas possibilidades”. todo esse movimento de implementação de políticas voltadas para o atendimento de todos os alunos nas escolas regulares provocou mudanças na educação de nosso país e. a partir principalmente da Declaração de Salamanca. desta quantidade ínfima de escolas específicas. afirmando que o que se constata na prática é apenas uma inserção sem nenhum cuidado especial. acessíveis a uma minoria de surdos nesse país. A atuação do intérprete educacional requer grandes responsabilidades. que advogam tratamento igual para todos. as competências e responsabilidades destes profissionais não são tão fáceis de serem determinadas. e em algumas famílias de sujeitos surdos surgem opiniões de respeito e atenção dos sujeitos com necessidades especiais e na sociedade de modo geral. a presença desse profissional no espaço inclusivo é fundamental. ganha adeptos entre políticos. Apenas a inserção do profissional no espaço que se diz inclusivo não resolve as questões que o processo educacional produz. Os complexos conflitos que ocorrem e as formas de relações que se estabelecem no ambiente escolar inclusivo precisam ser percebidos. são ainda pouquíssimas e. Lacerda contrapõe todo esse discurso e realidade apresentada. como observa Lacerda (2009.

o papel do intérprete em sala de aula acaba sendo confundido com o papel do professor. comentam e travam discussões em relação aos tópicos abordados com o intérprete e não com o professor. sem ser especificamente a sala de aula. Lacerda (2009) acrescenta que no ambiente bilíngue. quando se afirma que o intérprete resolve a questão da acessibilidade e que assim os alunos surdos estão sendo incluídos.função do tipo de intermediação que acaba acontecendo em sala de aula. Muitas vezes. lingüísticas e comunicacionais 64 . mas existem outras formas de desenvolver suas atividades e outros momentos em que ele é necessário. por sua vez. como sendo muito bem sucedida. PARADA OBRIGATÓRIA O profissional intérprete é necessário no ambiente escolar sim. os sujeitos surdos são considerados em suas especificidades linguísticas e cultural. que pode acentuar a exclusão e negar as diferenças e peculiaridades dos alunos surdos. até isenção ou transmissão de responsabilidades por parte dos professores para os intérpretes. se assumir todos os papéis delegados por parte dos professores e alunos. Com a comprovação de que essa é uma realidade refletida na maioria dos espaços escolares que os intérpretes atuam. especificamente. acaba por confundir o seu papel dentro do processo educacional. acaba sendo sobrecarregado e. no cotidiano. Vale ressaltar que se o intérprete está atuando na educação infantil ou fundamental. um papel que está sendo constituído. também. As crianças mais novas têm mais dificuldades em entender que aquele que está passando a informação é apenas um intérprete. Fato que não ocorre no interior das escolas que se intitulam inclusivas e que contam com o intérprete intermediando as relações existentes nesse espaço tão complexo e repleto de contradições. Em relação aos surdos. por possibilitar o acesso no/ao espaço escolar. não podemos reproduzir os discursos de muitos adeptos desse movimento de inclusão que manifestam total apoio e reprodução das falas daqueles que não querem rever essa forma de “inclusão” que tem se estabelecido nas escolas brasileiras e advogam todo mérito aos espaços que desenvolvem a “inclusão”. Os alunos dirigem questões diretamente ao intérprete. essa acessibilidade não dá conta das necessidades educacionais. além de confusão dos alunos surdos em perceber qual a atribuição de cada profissional que divide o mesmo espaço. mais difícil torna-se a sua tarefa. O próprio professor delega ao intérprete a responsabilidade de assumir o ensino dos conteúdos desenvolvidos em aula ao intérprete. as barreiras não são sanadas. Muitas vezes. essa é uma forma de análise simplista. o professor consulta o intérprete a respeito do desenvolvimento do aluno surdo. Inúmeros aspectos podem ser problematizados a partir dessa afirmação. envolvendo desde questões éticas que ocorrem neste espaço. como sendo ele a pessoa mais indicada a dar um parecer a respeito. é apenas aquele que está intermediando a relação entre o professor e ela. embora a presença do intérprete tenha trazido benefícios para os surdos. O intérprete. A atuação do intérprete é benéfica quando.

o Guia -Intérprete.ª Margarida M. Tais considerações são fruto das reflexões de Natália Almeida que vem atuando nessa área. de Souza Universidade Federal do Ceará .blogspot. P.jpg Responsável: Prof. http://2.Instituto UFC Virtual 65 .que os surdos precisam e que estão presentes nas legislações e políticas inclusivas. com esses conhecimentos a respeito da atuação do TILS no contexto escolar. Fonte [1] OLHANDO DE PERTO Nessa perspectiva. FONTES DAS IMAGENS 1. apresentamos o próximo tópico que traz considerações a respeito de um outro profissional existente no interior dessas atividades de interpretação e tradução das línguas de sinais.com/jTvOIszAvBM/TZRWRL_tsuI/AAAAAAAAEBA/dD-Ln9mmwY/s1600/sala+de+aula.bp.

aceitou-a como sua educanda e. (1700 a 1860) . Surdocego é o individuo que apresenta perda visual e auditiva combinadas. Howe. temos uma outra realidade. Não tenha medo. 2009) a história da surdocegueira no Brasil se inicia com Victoria Morriseau (1789-1832) como a primeira surdacega de quem se tem dados de ter uma atenção educativa em uma instituição voltada para surdos na França no final dos anos 1700. A criação da primeira escola para cegos em 1830. ele mesmo.LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS) AULA 03: O PROFISSIONAL TRADUTOR E INTÉRPRETE DA LÍNGUA DE SINAIS (TILS) TÓPICO 04: A SURDOCEGUEIRA E O PROFISSIONAL GUIA-INTÉRPRETE: O BRILHO DA DESCOBERTA DO MUNDO Não se desencoraje. na qual muitas iniciativas têm sido tomadas no sentido de promover o desenvolvimento dos sujeitos surdocegos. A perda destes sentidos leva a pessoa a ter necessidades específicas para ter acesso à comunicação. Helen Keller BREVE HISTÓRICO VERSÃO TEXTUAL DO FLASH Breve histórico . a ensinou. quais sejam: (a) os avanços alcançados em saúde e educação.Nos dias atuais. A partir daí. Tenha animo. Não se desespere. (b) O envolvimento da família e da sociedade colaborando com os profissionais. (c) A reflexão constante em busca dos objetivos que ainda faltam ser atingidos. Esta professora. a França aceita nas escolas de meninas surdas. nos Estados Unidos.De acordo com Camacho (2002 apud PLAZAS. desde que persista jamais desistindo. às informações e orientações. Hellen Keller vivia com a família no campo e somente aos sete anos de idade começa a ser educada formalmente por uma professora especialista. estudantes com surdocegueira. em tempo 66 . uma que conseguiu conquistar o mundo com sua biografia. quando o então fundador interessado por uma estudante surdocega. temos estudos que apontam para a inclusão de uma jovem surdacega em um asilo nos Estados Unidos em 1825.você pode realizar. Anne Sullivan. Entidades) Não poderíamos abordar a surdocegueira e não citar dentre tantas personalidades. por isso é tratada como deficiência única. não importando o quanto se sinta em posição desfavorável.Antes de falar sobre essa especificidade. Dr. bem como à mobilidade. Mais adiante. pois aquilo que eu mesma realizei. Dias atuais . Nascida em 1880. (Cf. faz-se necessário esclarecer quem é a pessoa surda cega. Seja capaz de ajudá-lo a ajudar-se a si mesmo. Há ainda uma oportunidade para que você aproveite a vida. em 1860.

No Brasil. 67 . seja oral ou sinalizada. professora de uma escola de surdos – por meio do tato. ou seja. A priori é fundamental conhecer os tipos de surdocegueira. bochecha e pescoço do interlocutor. Tais entidades têm como objetivo promover a integração das pessoas surdocegas na sociedade. mediante uso de uma das mãos do receptor surdocego. com a visita de Helen Keller ao País.Tempos depois. principalmente em São Paulo. No próximo item temos mais informações sobre o acesso à comunicação/interação que pode ser proporcionada aos sujeitos em questão. ensinou-a a se comunicar por meio do alfabeto manual. Esses são casos sui generes. O posicionamento do polegar da pessoa surdocega sobre os lábios do interlocutor. o que resultou na criação de escolas para atendimento às crianças surdocegas. Hellen Keller formou-se em Filosofia em 1904. quais sejam: pré-linguística ou pós-linguística. Anne Sullivan passaria a ser sua guia-intérprete. Mais tarde. O primeiro é aquele individuo que nasceu ou perdeu a visão e audição antes da aquisição da linguagem. existem várias entidades. educação e profissionalização de surdocegos e guias-intérpretes. É comum encontrar o surdocego pós-linguístico. bem como tornar possível a elas o exercício de seu papel como cidadãs. um método hoje conhecido porTADOMA. atendendo a todo Brasil com a formação. TADOMA Método de comunicação que consiste da percepção tátil da língua oral do emissor. CONTRIBUIÇÃO Vale ressaltar um fator importante no sentido de buscar estabelecer a comunicação com os referidos sujeitos. aquela pessoa cuja surdocegueira ocorreu após a aquisição de uma língua. o trabalho com surdocego teve início em 1960. Hellen Keller aprendeu a fala – com Sara Fuller. despertando o interesse de educadores no estado de São Paulo. Atualmente. Os demais dedos se mantêm na mandíbula. conquistando o mundo com sua inteligência e sensibilidade.integral.

A primeira situação (Interpretação) ocorre quando o guia-intérprete recebe a mensagem em uma língua e deve transmiti-la em outra língua. “. Plazas (2009) esclarece que El guía-interprete además de ser um facilitador linguístico y cultural entre usuários de diferentes lenguas o sistemas comunicativos. variam conforme o conhecimento que os mesmos têm do sistema Braille – aquele que inicialmente cego. O mundo começa na ponta dos dedos” Daniel Alvarez O guia-intérprete é o profissional que domina diversas formas de comunicação utilizadas pelas pessoas com surdocegueira. ayuda a conectar a la persona com surdoceguera com su entorno. ou da Libras e do Português – aquele sujeito com surdez e tornou-se também cego. Nesse contexto. no caso Brasil – e a transmite em Libras tátil. actuando como sus ojos e sus oidos. Um exemplo disso se dá quando o guia-intérprete recebe a mensagem em língua portuguesa e a transmite em Braille.. porém usa uma forma de língua(gem) diferente. as quais variam de acordo com a língua ou especificidade adquiridas. Já a transliteração ocorre quando o guia-intérprete recebe a mensagem em uma determinada língua e transmite à pessoa surdocega na mesma língua. adquiriu a surdez –. A esse respeito. o surdocego anseia por participar da vida social. há diferentes formas de interação/comunicação. acessível ao surdocego.. ou seja. o que torna o guia-intérprete um profissional de suma importância. nos momentos em que recebe (ouve) a mensagem em língua oral – Português. como por exemplo. 68 .A COMUNICAÇÃO COM O SURDOCEGO: O PROFISSIONAL GUIA-INTÉRPRETE Fonte (arquivo pessoal de Natália Almeida) Como qualquer pessoa. podendo fazer interpretação ou transliteração.

deixando-a sozinha por um tempo. deve ser avisado à pessoa surdocega o sinal e o nome do guia-intérprete que está com ela. Destarte.De esta manera él promueve la integración y participación independente de la persona sordociega em su entorno. dizer o que tem para comer e em seguida servi-la. como uma mesa ou coluna e avisar que está saindo. Nesse sentido. Neste caso. a importância e a finalidade a que isto será empregada. Tal profissão foi recentemente reconhecida pela Lei federal nº 12. idas ao banheiro. as pessoas presentes. a carne as 9 horas e a verdura às 12 horas.319 de 1° de setembro de 2010. Nesse contexto. então. ao guia-intérprete responder às perguntas da pessoa surdocega. deve-se informar inicialmente o geral e depois o mais específico. além das refeições. é a contextualização das situações. 69 . pois isso denota seu interesse e quais informações ela está necessitando. deve-se ter o cuidado de não comentar opiniões próprias. como também favorece que a mesma tome suas decisões de maneira autônoma. o que deve ocorrer também na apresentação das demais pessoas que se dirijam à mesma. depois descrevê-lo se ela necessitar. PARADA OBRIGATÓRIA Uma função também muito importante na atuação do guia-intérprete. educação. por exemplo. porém. pois. primeiro explicar o ambiente e localização que deverá ocupar e só depois descrever quem está presente. No caso da descrição de objetos. e distribuir a comida no prato – mostrando com o garfo – onde esta o alimento. o arroz esta às 3 horas . Vale ressaltar que a contextualização deve respeitar o tempo. deve-se colocar primeiramente o objeto na mão da pessoa surdocega e. a qual informa à pessoa surdocega as condições do ambiente. O trabalho do guia-intérprete possibilita junto à pessoa surdocega a interação. comparando com um relógio. Se necessário sair. efetivando seu direito de cidadão pleno. É indispensável. na descrição das pessoas e situações. entre outros. Nesse momento é importante perguntar se a pessoa quer ajuda para cortar um bife. O guia-intérprete pode acompanhar ainda o surdocego durante os intervalos. vale ressaltar que para que o trabalho do guia-intérprete seja plenamente reconhecido e eficiente é necessário que seja encarado com respeito. Por exemplo. pessoas. descrição de objetos. deve acomodá -lo primeiro. o feijão às 6 horas. O guia-intérprete também informa as expressões e reações das pessoas. conhecimento de objetos. ainda. ética e valor profissional. a priori. para que a comunicação seja também confortável/confiável. sem com isto fazer juízo de valor. buscando ser o mais fiel e discreto possível. se for preciso. descrever um auditório. trabalho. por exemplo. deve-se aproximá-la de um ponto fixo. acesso ao lazer. Isto é.

acessobrasil... SURDOCEGO PÓSLINGUISTICO. O(A) GUIA-INTÉRPRETE É AQUELE (A) QUE. DIÁLOGO 3 – “A FAMÍLIA E PROFISSÕES” Para assistir o vídeo acesse o http://www. São Paulo: Grupo Brasil de Apoio ao Surdocego.com/embed/AtmIc4DGpU Atividade Prática: Baseado(a) no vídeo à disposição no ambiente virtual.. PRÁTICA III – PEQUENOS DIÁLOGOS NO CONTEXTO FAMILIAR 1. 70 ..... 2.) CONTRIBUIÇÃO Para aprender mais.org.. aplicando os SINAIS em contextos. 2005. MAIA. Shirley R.youtube. O MITO 1 AQUI APRESENTADO É UM EQUÍVOCO PORQUE.br/libras [2] e monte o próprio glossário. O(A) INTÉRPRETE DE LÍNGUA DE SINAIS É AQUELE(A) QUE. O(A) TRADUTOR(A) DE LÍNGUA DE SINAIS É AQUELE(A) QUE.. REFERÊNCIAS GIACOMINI.. MONTE SEU GLOSSÁRIO: CLIQUE AQUI (VISITE A AULA ONLINE PARA REALIZAR DOWNLOAD DESTE ARQUIVO. O MITO 2 AQUI APRESENTADO É UM EQUÍVOCO PORQUE.... treine o diálogo apresentado... faça uma pesquisa sobre os sinais do contexto apresentado na internet e no site: www.ATIVIDADE DE PORTFÓLIO PREENCHA O QUADRO A SEGUIR: O(A) PROFESSOR(A) DE SURDO É AQUELE(A) QUE. Lilian. O MITO 3 AQUI APRESENTADO É UM EQUÍVOCO PORQUE.. O(A) PROFESSOR(A) DE LIBRAS É AQUELE(A) QUE.

P. http://www. INTÉRPRETE DE LIBRAS EM ATUAÇÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL E NO ENSINO FUNDAMENTAL.ª Margarida M. de. 2004. 7. Ronice M. O TRADUTOR E INTERPRETE DE LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS E LÍNGUA PORTUGUESA. Cristina B.Instituto UFC Virtual 71 .com/go/getflashplayer 2. M.9 y 10 de Julio de 2009Bogota-Colombia.adobe. M. FONTES DAS IMAGENS 1. ROSA. Brasilia: MEC/SEESP. Dissertação (Mestrado em Educação). A da S.org. Porto Alegre: Mediação/FAPESP. SOUZA. 2ª ed]. PLAZAS. Fortaleza: UFC. R. Universidade Estadual de Campinas. P. ENTRE A VISIBILIDADE DA TRADUÇÃO DA LÍNGUA DE SINAIS E A INVISIBILIDADE DA TAREFA DO INTÉRPRETE. Papel del guia-interprete In: VI CONGRESSO NACIONAL DE LA SITUACION DEL SORDO EM COLOMBIA. QUADROS. 2009 [2010. Campinas. Dissertação (Mestrado em Educação Brasileira).LACERDA.8. I ECUENTRO LATINO AMERICANO DE INTERPRETES E GUIASINTERPRETES DE LENGUA DE SENAS. http://www. Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação. Margarida M.acessobrasil. de Souza Universidade Federal do Ceará .br/libras Responsável: Prof. de. VOANDO COM GAIVOTAS: um estudo das interações na educação de surdos. 2005. 2000. 2008.

pois o input favorece o desenvolvimento de um dos modos de balbuciar.) utilizo a língua dos ouvintes.. minha segunda língua. (Quadros. Ao contrário. a língua à qual a criança está tendo acesso. desenvolvem a língua de sinais como primeira língua. Os dados apresentam um desenvolvimento paralelo do balbucio oral e do balbucio manual. Nesse sentido. 72 . as línguas de sinais apresentam as mesmas restrições que se aplicam às orais e as crianças surdas filhas de surdos apresentam desenvolvimento similar às crianças ouvintes filhas de pais ouvintes. Isso significa dizer que crianças ouvintes cujos pais são surdos. a gesticulação não apresenta organização interna. foram detectadas duas formas de balbucio manual: o balbucio silábico e a gesticulação. As vocalizações são interrompidas nos bebês surdos assim como as produções manuais são interrompidas nos bebês ouvintes. aquela que nos permite sermos seres humanos “comunicadores” Emannuelle Laborit (1994)) As pesquisas linguísticas sobre as Línguas de Sinais.LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS) AULA 04: UM OLHAR SOBRE O PORTUGUÊS COMO SEGUNDA LÍNGUA PARA SURDOS TÓPICO 01: O PROCESSO DE AQUISIÇÃO DA LÍNGUA(GEM) PELOS SURDOS VERSÃO TEXTUAL DO FLASH (. Fernandes (2003) e Quadros & Cruz (2010). apresentamos a seguir uma síntese do processo de aquisição e desenvolvimento da linguagem de crianças surdas. 1997. 70-71) INPUT Input significa entrada. Os bebês surdos e os bebês ouvintes apresentam os dois tipos de balbucio até um determinado estágio e desenvolvem o balbucio da sua modalidade.. O balbucio silábico apresenta combinações que fazem parte do sistema fonético das línguas de sinais. p. para expressar minha certeza absoluta de que a língua de sinais é nossa primeira língua. com base em Petitto e Maranhetette (1991). ESTÁGIO CARACTERÍSTICAS PERÍODO PRÉ-LINGUÍSTICO ESTÁGIO DE UM SINAL ESTÁGIO DAS PRIMEIRAS COMBINAÇÕES ESTÁGIO DAS MÚLTIPLAS COMBINAÇÕES PERÍODO PRÉ-LINGUÍSTICO Nos bebês surdos. filhas de pais também surdos. isto é. a nossa. bem como os estudos a respeito do processo de aquisição da linguagem por crianças surdas filhas de pais surdos apresentam evidências quanto às semelhanças em ambos os processos. vendo ou ouvindo. neste caso. ou ainda. Quadros (1997). desenvolvem as duas línguas de sinais e a oral no contato com os demais familiares ouvintes.

Também começa a usar frases curtas e sentenças. assim o utilizamos tal termo. “papai (alguém) saiu” ou ainda “eu quero sair”. a criança fala sobre as coisas do seu ambiente imediato. ESTÁGIO DAS MÚLTIPLAS COMBINAÇÕES Aproximadamente entre os dois anos e seis meses e os três anos de idade.. sobre o que está fazendo ou planeja fazer. fala no sentido de Saussure (1971) quando considera a fala como a língua posta em uso. Esse processo caracteriza a interiorização da língua de nofalantenativo (o surdo). ou seja. a criança começa a produzir muitas Palavras A criança fala sobre o que ela está fazendo e pode solicitar diferentes coisas. FALANTE Tomamos o termo falante. Por exemplo. pois. (2007) a criança surda ainda não usa os pronomes identificados espacialmente para se referir às pessoas e aos objetos ausentes. por exemplo. Ele simplesmente acontece. como. segurando. interiorizando suas regras sem ter consciência desse processo. Ela usa substantivos não associados com pontos no espaço. Algumas crianças empilham os referentes não presentes em um único ponto no espaço. Aqui a criança se refere aos objetos apontando. olhando e tocando-os. 73 .) Ela fala sobre onde estão as coisas. a criança está adquirindo a sua língua (ou línguas) de forma natural e espontânea.. Mesmo quando ocorrem algumas tentativas de identificação de pontos no espaço. (QUADROS e CRUZ. “fazi”. As crianças já sinalizam privilegiando a ordenação participante-verbo ou verbo-objeto. Dos três anos em diante. onde as pessoas estão indo e sobre quem vem a ela. Ela facilmente compreende os familiares e se faz compreender. ou seja. (. De acordo com Quadros. Nessa fase. Sobre essa fase Quadros (1997) cita Bellugi e Klima (1991) que identificam essa flexão como supergeneralizações. Isso significa que é fundamental a criança estar diante de sinalizantes da língua de sinais brasileira que sejam fluentes. estabelecendo uma analogia com generalizações verbais observadas nas línguas faladas. a criança usa uma palavra com um significado mais amplo. como por exemplo: < EU QUERER > ou < QUERER ÁGUA >. Sendo a língua de sinais reconhecidamente com seu status linguísticos. a criança comunica muito mais do que é capaz de produzir explicitamente. nessa fase. “gosti” e “sabo” na língua portuguesa. Suas primeiras produções incluem as formas chamadas congeladas da produção adulta. 2010). ela já está constituindo a sua língua observando as regras de forma implícita.ESTÁGIO DE UM SINAL Inicia por volta dos 12 meses e pode se estender até os dois anos. a criança apresenta falhas de correspondência entre pessoa e o ponto espacial. o sinal de PASSEAR é usado sistematicamente para significar “Eu quero passear”. (QUADROS 2010) ESTÁGIO DAS PRIMEIRAS COMBINAÇÕES Inicia-se por volta dos dois anos de idade.

Outro contexto possível é o clínico. 90 a 95% das crianças surdas são filhas de ouvintes. caso a abordagem seja exclusivamente oral. cujos pais são também ouvintes. Isso vem acontecer. os indivíduos surdos na aquisição da linguagem tem contato com a Língua de Sinais em diversos ambientes e diferentes períodos. em virtude da língua compartilhada em seus lares ser comum entre os sujeitos. ou seja. 33/34): A primeira língua não pode ser adquirida pela criança na puberdade com a mesma facilidade no período compreendido desde a infância até a senectude (velhice). muitas vezes. só entram em contato com sua língua natural – aquela que adquire espontaneamente – na escola após o período crítico de aquisição da língua (gem) ou ainda aqueles que não têm oportunidade de estudar em escolas específicas. PERÍODO CRÍTICO Esse período é chamado de crítico porque seria aquele mais sensível à aquisição da linguagem. caso encontrem surdos adultos que os apresentem as entidades de classe. considerando a língua de sinais como primeira língua e o português escrito e/ou oral como segunda língua. (SACKS. os sintomas da afasia adquirida tendem a ser irreversíveis depois de cerca de três anos e seis meses de seu início. Tal problemática é ressaltada por Quadros e Cruz (2010. p.. As crianças surdas filhas de surdos apresentam um processo de aquisição e desenvolvimento da linguagem semelhante a crianças ouvintes. Por outro lado. o ideal que se favoreça um ambiente linguístico adequado à criança surda que é através da Língua de Sinais. p. no qual a criança pode ter atendimento especializado antes de ingressar ou paralelamente à escola. Entretanto. caso não lhe seja propiciado um ambiente linguístico favorável.. haverá implicações em seu desenvolvimento como alerta Lenneberg (1967) citado por Quadros e Cruz (Idem. Os prognósticos de recuperação completa rapidamente se 74 . se houver. p.PALAVRAS Palavra tomada no sentido de Sinal produção linguística dos surdos. na adolescência em Associações e Federações de/para Surdos. os surdos filhos de pais ouvintes. Há também atendimentos clínicos que apresentam uma abordagem. (Pesquisas mostram que esses são a maioria. (QUADROS & CRUZ. somente terão contato. diferentemente dos ouvintes. 27) lembrando dos casos em que a criança pode estar.27) Conforme o contexto em que o surdo está inserido. Estar em uma escola em que o único modelo de língua de sinais seja o intérprete. Caso a criança não adquira a linguagem nesse período. quando há uma na cidade em que residem. No mesmo momento em que a lateralidade cerebral se estabelece solidamente (por volta da puberdade). 2010. Observando o quadro apresentado. seu desenvolvimento linguístico será prejudicado. 1998)) no geral.

Isso implica dizer que a Língua Portuguesa será aprendida pelo sujeito surdo numa perspectiva de segunda língua. período em que status de sua fala e linguagem tornam-se permanentemente consolidados. então. FONTES DAS IMAGENS 1. de Souza Universidade Federal do Ceará . os limites de aquisição da primeira língua por volta da puberdade são demonstrados em pessoas com retardo mental. a produções textuais de surdos. passaremos o nosso olhar.adobe. Em acréscimo. comunicativa. Diante dessas considerações.ª Margarida M.deterioram com o avanço da idade depois da adolescência. http://www. Quanto à abordagem – funcionalista. mesmo nos casos em que a criança pertença à família de ouvintes. e por isso a mesma deve ser exposta o mais cedo possível a situações e contextos de uso fluente dessa língua. P. que frequentemente conseguem fazer progressos lentos e modestos na aquisição da linguagem até o início da adolescência. no próximo tópico. extraído de Salles et all (2004) na íntegra. que a primeira língua da criança surda deve ser a Língua de Sinais.com/go/getflashplayer Responsável: Prof. cultural –. Sabendo. cabe ao professor possibilitar aquela que será mais eficiente/eficaz.Instituto UFC Virtual 75 . sociointeracionista.

custa-lhe crer que a língua portuguesa seja tão opaca para o surdo ou que anos de escolarização não tenham o efeito esperado sobre essas pessoas. com a leitura labial. por que deveríamos esperar que uma criança surda aprendesse uma língua desse modo. acesso restrito. quando tipos diferentes de sistemas inventados de fala e sinais são utilizados? (Svartholm. as informações visuais e outras estratégias que possam auxiliá-lo na aquisição da língua oral. na aquisição de segunda língua isso se torna muitas vezes necessário. Enquanto na aquisição da língua materna não é necessário explicitar certas propriedades que permitem dominar o uso da língua em toda sua complexidade. a modalidade oral do português. lida com a língua de sinais de falantes não-nativos. o ouvinte ainda se surpreende com o fato de que o surdo escolarizado demonstre domínio tão restrito da língua portuguesa. 76 . os gestos. SALLES ET ALL (2004) 2. especialmente quando se trata da aquisição de uma língua que utiliza um canal perceptual diferente daquele utilizado na língua materna do aprendiz. 1998:38). desconcertante. usando algumas palavras de uma língua em estruturas frasais pinçadas de outra língua. as especificidades do canal perceptual levam a dificuldades semelhantes. De fato. ainda assim. com o português sinalizado. O fato é que a situação de imersão do surdo na cultura ouvinte não é trivial.1. seja a aquisição de língua de sinais por ouvintes. na escola e nas situações de interação. que desconhece a realidade do surdo. Ninguém esperaria que uma criança ouvinte adquirisse uma língua com base apenas em fragmentos indefinidos dessa língua. Então. INTRODUÇÃO VERSÃO TEXTUAL DO FLASH O primeiro contato com um texto escrito por um surdo é. supõe que o escritor surdo tenha como língua única e/ou materna a língua portuguesa. tendo ele.LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS) AULA 04: UM OLHAR SOBRE O PORTUGUÊS COMO SEGUNDA LÍNGUA PARA SURDOS TÓPICO 02: UM OLHAR SOBRE O TEXTO DO SURDO TÓPICO CF. Isso decorre do fato de que o ouvinte. para o ouvinte. ou nenhum acesso. de qualquer ponto de vista: seja a aquisição da língua oral por surdos. por que deveríamos esperar que uma criança surda o fizesse quando a fala é considerada obrigatória para o aprendizado de uma língua \oral\? E ninguém esperaria que uma criança ouvinte aprendesse uma língua com alguém que mistura fragmentos de duas línguas totalmente diferentes. Informado de que o aluno surdo tem a língua de sinais a sua disposição. e que. portanto. Uma vez lembrado que a percepção sensorial do surdo é essencialmente visual. Então.

2. E isto só pode ser atingido adequadamente através do uso da língua de sinais ao trabalhar textos e suas formas/significados. Instituto UFC Virtual EXEMPLO 3 FALANTE HOLANDÊS COM SEGUNDA LÍNGUA EM FRANCÊS E INGLÊS: (. Eles são pessoas boa. conforme exemplos abaixo: Instituto UFC Virtual EXEMPLO 1 FALANTE TAILANDÊS COM SEGUNDA LÍNGUA EM INGLÊS: TEXTO A Eu tomo banho e coloco roupa. o professor de surdos tem um maior grau de responsabilidade em tornar a língua. Dos brasilienses estão pessoas feliz. Eu dormo às 22:00.. TEXTO B Português é muito difícil para mim. Eu estudo todos os dias.. assim.Em comparação com outros professores de segunda língua. TEXTO C Eu moro em Brasília. disponível e compreensível para as crianças. De gramática de português confunde me. Ela exige explicações de modo a ser compreendida pela criança e. Eles ajudam para mim.. Eles comem muito feijoas e churrasco é muito bem. o input linguístico. Instituto UFC Virtual EXEMPLO 2 FALANTE HOLANDÊS COM SEGUNDA LÍNGUA EM INGLÊS: TEXTO A Entender um texto escrito em português é não fácil. Eu como café da manhã. Eu escrevo mais. 1998: 43). Eu como almoço. Eu gosto morar aqui. até hoje é 2 mêses.2. Tchau. Falar português é difícil.) TEXTO B Eu vou à loja da Internet para receber passar e-mail mensagens. Si eu estou na minha casa de novo.. mas não demais para mim. Eu tenho os amigos brasilienses. mas tenho problema com falando. eu vou trabalhar muito e depois eu tenho dinheiro para comprar um ticket para Alexandre e ele pode visitar mim a janeiro au próximo ano.) minha português é mais pobre (. ASPECTOS DA AQUISIÇÃO DE PORTUGUÊS POR OUVINTES Não é difícil identificar as características dos textos de ouvintes que adquirem o português como segunda língua. (Svartholm. (. Você acha que uma boa idea? 77 .) eu tenho muitas saudades para ele. Isto se deve às características da língua escrita e à sua falta de conexão com o contexto imediato. Eu ligo máquina de lavar. Eu gosto da comida aqui... ser usada como uma fonte de aprendizagem de uma língua. Eu faço lanche por meus filhos.

verbos de ligação (ser. não-contáveis. Em (3). a articulação das propriedades da língua nativa e da língua-alvo dá origem à chamada interlíngua. ausência de conectivos. em (la-c). Na aquisição da segunda língua. evidencia-se. para cada aprendiz. omissão do verbo ser. coletivos). tais como conjunções. preposições. os processos gramaticais antes ausentes passam a ocorrer com mais frequência. os aprendizes de segunda língua se utilizam de várias estratégias para 'descobrir' a gramática da língua-alvo. concordância nominal e verbal. Como os estudos de L2 têm constatado. A expectativa é que o aprendiz faça generalizações e 'crie' regras. (2) e (3) foi produzido por um indivíduo que possui uma língua materna diferente. inadequação lexical. tem-se o uso de enunciados curtos. na concordância nominal. Em vista de suas experiências linguísticas anteriores. além de uma colocação aparente-mente aleatória de elementos na oração. ausência de artigos.OBSERVAÇÃO Entre os aspectos divergentes do português. 78 . plurais. falta de elementos formadores de palavras (afixos). Como é de se esperar. uso de frases curtas. que costumam apresentar vocabulário reduzido. como o uso do artigo. Essa característica é evidente nos textos escritos por surdos. Essas estratégias permitem a produção de frases convergentes da língua portuguesa e ge-ram também sequências divergentes. os enunciados se tornam mais complexos. À medida que o conhecimento da língua se desenvolve. Nos exemplos em (2a-b). da preposição. ficar etc. Além disso. além de experiências com outras línguas não-maternas. 'excesso' de itens lexicais. Cada conjunto de dados em (1). ocorre uso inadequado de preposição. um maior número de comportamentos não-convergentes tende a ocorrer nos estágios intermediários do processo de aquisição. DICA Como se pode observar nos exemplos citados.. além de propriedades como o gênero das palavras. omissão de artigos. nota-se falha na colocação do advérbio de negação. os textos de ouvintes que adquirem português como segunda língua apresentam níveis diversos. Por exemplo. recorrendo a sua capacidade inata e criativa para a aquisição da linguagem. estar. uso reduzido de diferentes tempos verbais. da oposição ser/estar. sua produção textual apresenta características próprias. certos aspectos da língua portuguesa são objeto de dificuldades recorrentes. inadequação no uso de preposição. Cabe então indagar se há semelhanças no texto escrito por ouvintes e por surdos na aquisição de segunda língua.). a codificação gramatical de propriedades semânticas dos nomes (contáveis. de pronome. ocorre uso adequado e inadequado da preposição. pronomes relativos etc. no primeiro caso. Por exemplo. do pretérito perfeito e imperfeito.

semânticas e fonológicas. com base no próprio enunciado e naqueles adjacentes ou. não há elementos suficientes para compor uma interpretação. aspectos como o tempo de exposição à língua. No entanto. Segundo Góes (1996:7) as construções desviantes podem ou não permitir pistas para ajustamentos na tentativa de construção de sentido. que são específicos em função de seu caráter vísuoespacial. outras vezes. por um lado. bem como das possíveis combinações entre eles. é possível inferir a mudança necessária à compreensão. para eles. Isto se reflete na sua estrutura e nas suas necessidades de explicitação. alguns estudos apontam que pode faltar motivação e aceitação da língua-alvo nos ouvintes também. Casos de referencialidade ambígua. porém. existe semelhança entre os textos escritos por surdos e por ouvintes estrangeiros. aprender a nova língua coincide com aprender a ler e escrever. Isto deve ser profundamente compreendido pela criança [surda]. não surpreende que a produção escrita por surdos tenha características que dificultem sua interpretação. 1999: 41). além de estarem motivados para o aprendizado de línguas. sabemos ainda que os surdos devem lidar com aspectos da língua de sinais. em informações do contexto de produção (derivadas da observação da atividade). EM QUE CONSISTE A TAREFA DE ADQUIRIR UMA (SEGUNDA) LÍNGUA A tarefa de adquirir uma língua impõe o domínio dos elementos do léxico. Caso contrário a língua escrita poderá ser inicialmente considerada pela criança como um outro modo de comportamento estranho e confuso em situações comunicativas. é decisivo o fato de que utilizam o mesmo canal perceptual. a imersão cultural são fatores decisivos.Evidentemente. (Svartholm. A língua escrita não decorre da interação face a face em contextos comunicativos. e da língua portuguesa. Em algumas dessas ocorrências. faltam-lhes as 'pistas' que o conhecimento de outra língua oral geralmente fornece aos aprendizes de segunda língua. onde ambos os interlocutores estão presentes. 3. Além de lidar com aspectos que são específicos da língua portuguesa. No caso dos ouvintes cujos textos foram mostrados acima. e por outro. a existência de instrução formal. em particular. os quais trazem consigo informações sintáticas. escolha lexical indevida. em geral. ordenação inadequada e sentido incompleto variam quanto às demandas de interpretação postas ao leitor. o que resulta no conhecimento da boa ou má-formação (sintática. As condições que cercam os surdos são claramente diferentes. o que tem sido apontado como uma possível causa do insucesso. fonológica e semântica) 79 . ainda. A língua escrita vai além disso: ela permite a comunicação sem depender de tempo e lugar. Em meio a tantas circunstâncias adversas. No entanto.

(5) Quem João viu? • o conhecimento da estrutura semântica das sentenças permite relacionar (6a) e (6b). ELEMENTO INTERROGATIVO Perguntas envolvendo pronomes interrogativos são determinados pela estrutura sintática e pela entonação. como sistematizado em Lobato (1986): • o conhecimento da estrutura sintática das sentenças permite identificar o sujeito de (4a) e dizer que meu é um determinante (ou modificador) de dicionário. o uso adequado das sentenças exige que se levem em conta informações como as condições apropriadas para o uso de uma sentença. em termos de uma relação em que (a) implica (b): (6) a. adquirir uma língua não é somente conhecer esse tipo de informação. Esse dicionário é seu? Sim/Não). Permite também julgar a boa ou má-formação sintática e dizer que (a) é bem-formada sintaticamente e (b) é mal-formada sintaticamente. b. João conseguiu ler Vendo Vozes até o fim. (4) a. isto é. • o conhecimento da estrutura fonológica das sentenças permite atribuir entoação ascendente ou descendente a uma pergunta com elemento interrogativo. João tentou ler Vendo Vozes • o conhecimento da estrutura semântica das sentenças permite ainda atribuir ambiguidade a (7) {banco = assento ou instituição financeira) e dizer que (8) é semanticamente mal-formada (contraditória): (7) Ainda estou longe do banco. Eu perdi meu dicionário b * Mim perder minha dicionário. as regras socioculturais do falar. Segundo Hymes (1979). Assim. Além da competência gramatical. (8) Nenhum carro veloz é veloz. perguntas com resposta sim/não são determinadas apenas pela entoação (ex.de sequências. Esses dois tipos de conhecimentos representam o conhecimento mental do sistema de regras (ou gramática) da língua. denominadas: • a competência comunicativa ou pragmática 80 .

motorista disse . frustrando o plano do motorista. não uma ordem] 3. O motorista volta à direção e resolve acelerar. PIADA Eu caminha sozinha na estrada. Você pode me trazer o livro amanhã? [pedido. mas logo percebe que ele não entende. LIBRAS Os textos reproduzidos foram escritos por alunos da Escola Normal de Taguatinga. DF. A polícia vem e manda parar o carro. O motorista imita o surdo.(9) a. o motorista fica com sono e pede para o surdo substituí-lo na direção. LÍNGUA-ALVO Resumo da piada: Um surdo consegue carona com um motorista ouvinte. Ele anda de novo ver caminhão. Na viagem. Novamente a polícia vem e manda parar o carro. motorista dirigir demora longe. e deixa-o ir embora. . embora haja vários aspectos divergentes em relação à língua-alvo. após assistirem a um vídeo. nunca a um superior] b. no qual um surdo conta uma piada em LIBRAS. . começa etá sono e cansado.surdo falou: eu não ouvinte.motorista pergunta: Você tem carteira de motorista. Feche a porta! [dirigindo-se a um igual ou subordinado. acreditando que pode imitar o surdo e se livrar da multa. Faria.Eu tenho carteira. As redações foram produzidas após atividade conduzida pela professora Sandra Patrícia de Faria e fazem parte de sua pesquisa. . mas dessa vez o policial sabe língua de sinais e aplica a multa. porque é surdo. ele esta de novo carona motorista parou.Os textos demonstram que eles entenderam a piada.motorista o entender. Ele ver carro carona passar. . O surdo acelera e ultrapassa o limite de velocidade. O policial repreende o surdo. Motorista ideia pergunta. 2002). Surdo entre caminhão ir dirigir.1 SOLUÇÕES PROPOSTAS PELO SURDO ANTE A TAREFA DE PRODUZIR UM TEXTO ESCRITO EM PORTUGUÊS Os textos a seguir são redações escritas por dois jovens surdos (A e B). você quer motorista surdo aceita troca homem 81 . realizada no Programa de Pós-Graduação em Linguística UnB (cf.

dormir. Surdo vai faz motorista, ele vontade caminhão rápido e ve-locidade. O homem surpresa não pode rápido tempo polícia vai preso. Surdo não acredito. Polícia [?] caminhão rápido, ele (?) vai parar caminhão. Polícia falou, ele não ouvinte. Polícia falou gesto, você não rápido caminhão. Surdo ta bom! Surdo dirigir começa sono esta cansado, troca motorista ele dormir. Motorista pensa como surdo. Motorista faz rápido caminhão. Polícia viu moto ir com caminhão. Motorista viu com polícia esta caminhão parar. Polícia falar, motorista não ouvinte. Polícia saber sinais, motorista não saber sinais. Motorista chamar surdo. Motorista perdeu (A)

O homem surdo andando na rua de pista, ele está carona que carro foi embora aí ele fica zangado e droga! ele viu carona outro caminhão homem está parar p/ surdo, ele disse que ele pode entrar na senta de seu caminhão Posso! eles dirigir passeam na pista e alegres mesmo! homem falando com surdo, mas desculpe eu sou surdo sabia. Começar homem ouvinte dirigir continua mais longe, ele está sono, chamar o surdo, quer trocar comigo, ele quer, surdo dirigir continuar mais longe, mas ideia velocidade, ouvinte disse Calma! não precisar velocidade na pista, você é doido! polícia viu fazer anotar p/ ele, polícia está falando mas ele sou surdo mesmo! Polícia compreende, você não fazer mais velocidade ok! Continuar dirigir aí ouvinte queria trocar dirigir ideia fazer igual surdo fingir, dirigir mais velocidade, polícia viu anotar caminhão está parar na pista, ele está falando. Com ele, mas ele sou surdo fingir, polícia deduzir fazer intérprete aí ele está espantado! vinha surdo. (B) Observe-se que os textos são construídos por meio de uma sucessão de sentenças completas, porém curtas, como se verifica no trecho de A, em que é feita a segmentação das mesmas: (12) Motorista idéia / pergunta,/ você quer motorista / surdo aceita / troca / homem dormir./ Surdo vai faz motorista/ O recurso a sentenças curtas é uma boa estratégia quando as propriedades de encaixamento e o domínio de conjunções e preposições ainda estão ausentes, pois permite que a estrutura semântica seja coerente. No texto de B, o recurso à pontuação demarca as sentenças. Em ambos os trechos, evita-se o uso de estruturas de subordinação na passagem do discurso direto para o discurso indireto, havendo clara
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preferência pelo discurso direto. Nos trechos de A e de B, o discurso direto é inserido no meio da narrativa, sendo marcado pelo uso da vírgula: (...) motorista ideia pergunta, você quer (...); (...) chamar o surdo, quer trocar comigo. Em outro trecho de A, tem-se uma tentativa de organizar o diálogo, como ilustrado em (13): (13)- motorista disse - surdo falou: eu não ouvinte. - motorista o entender. - motorista pergunta: Você tem carteira de motorista. - Eu tenho carteira. Embora o procedimento de evitar a ligação entre orações simples seja predominante, identifica-se uma estrutura de subordinação no texto de B: (...) ele disse que ele pode entrar na senta de seu caminhão, além de tentativas de encadear enunciados e idéias contrastantes, como ilustrado a seguir: (14) O homem surdo andando na rua de pista, ele está carona que carro foi embora aí ele fica zangado e droga! (B) Os elementos aí e e são apropriadamente aplicados para marcar a sucessão dos pensamentos. O conectivo que ocorre como elemento de ligação. É possível que o sentido seja o da conjunção adversativa. A conjunção mas reaparece no mesmo texto, com semântica adversativa: (15) ...homem falando com surdo, mas desculpe eu sou surdo sabia. (B) (16) ...surdo dirigir continuar mais longe, mas idéia velocidade, ouvinte disse Calma! não precisar velocidade na pista... (B) (17) ...polícia está falando mas ele sou surdo mesmo! (B) Segundo Fernandes (2002), no que concerne à coordenação, as estruturas encontradas no corpus analisado por ela são predominantemente assindéticas ou aditivas e adversativas, enquanto, em relação à subordinação, há considerável frequência de orações adverbiais causais e finais. Se, por um lado, a linguagem telegráfica, o uso do discurso direto (em detrimento do discurso indireto), a inadequação no uso de conectivos, entre outros, são recursos utilizados no início da aquisição por muitos aprendizes de segunda língua (ouvintes ou surdos), por outro lado, a língua de sinais parece contribuir para que isso ocorra no texto de aprendizes surdos, pelas
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características de sua estruturação sintática. Esses fatos são discutidos por Lemle (2002):
PRIMEIRO FATO

[Na] língua de sinais, as narrativas e diálogos são basicamente constituídos de coordenações de sentenças cuja estrutura interna é predominantemente segmentável como ([tópico] [tópico] [argumento predicado]].
SEGUNDO FATO

Com o expediente do discurso direto, muito usado nas narrativas, o enunciador do discurso prescinde da subordinação que seria necessária para estruturar o discurso indireto.
TERCEIRO FATO

Com as perguntas retóricas, utilizadas em alta frequência, se efetua a extração de uma unidade que seria um complemento ou adjunto na tradução em língua falada.
QUARTO FATO

|O|s papéis do emissor, receptor e outro são expressos por mecanismo da dêixis, isto é, por meio de apontar com o dedo para o ator envolvido. (...) A interpretação da dêixis na modalidade gestual (...) |é] pragmática, como é pragmática a dêixis que frequentemente é usada por falantes-ouvintes no gesto de apontar que frequentemente acompanha o uso de pronomes na língua falada. Além desses aspectos, identifica-se nos textos examinados, como na maioria dos textos escritos por surdos, a predominância de verbos no infinitivo e, havendo formas flexionadas, o uso das mesmas no presente e no pretérito perfeito. Assim, apesar de, na língua de sinais, o tempo ser codificado por marcadores não-verbais, diferentemente da língua portuguesa, que utiliza afixos anexados à raiz, marcas de tempo no verbo podem ocorrer, ainda que de forma incipiente. Marcas flexionais de concordância são encontradas, embora sua ocorrência seja frequentemente não convergente com a língua portuguesa. Cabe lembrar que os aprendizes de línguas orais, no início da aquisição, também adotam o uso do infinitivo na falta de domínio da flexão. Com relação ao uso de pronomes, nota-se a predominância de pronomes de primeira e de terceira pessoa, que frequentemente não combinam com o referente e/ou com a forma flexionada do verbo. De fato, no texto de A, não ocorrem outros pronomes, enquanto no texto de B, que apresenta mais recursos, surge um pronome de segunda pessoa, você.

OLHANDO DE PERTO
Conforme Fernandes (2002), a posposição da partícula negativa à forma verbal é uma característica da língua de sinais, e esta ordenação é encontrada em muitos exemplos de textos escritos por surdos. Entretanto, os autores dos textos examinados, utilizaram o advérbio de negação sempre em posição anterior ao verbo.
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nos textos em língua portuguesa produzidos por surdos. A manifestação dessas propriedades pode variar de língua para língua.) ele está carona.. ou não. a codificação do tempo na forma verbal e na sentença etc.) ele viu carona outro caminhão.. além de formas do artigo no masculino para todo nome cujo gênero é desconhecido. (.) ele esta de novo carona motorista parou. ou para todo nome terminado em -o. modificadores e orações relativas. cabe lembrar que. como em muitas línguas orais. suas propriedades semânticas e sintáticas. requerem a aquisição de várias propriedades.No percurso em direção à nova língua. (A) c.. Quando um item lexical novo é adotado. Os textos apresentados ilustram situação semelhante no nível do sintagma nominal.. já que os substantivos tendem a ocorrer isolados. Nesse caso. Essas categorias atribuem propriedades às sentenças como a concordância do verbo com o sujeito.. desacompanhados. com a justaposição de orações curtas. (. Se isso for verdade. (. Categorias lexicais Possuem informações sobre a categoria sintática à qual pertencem (nome. pessoa). (B) Quanto à estrutura do sintagma nominal. suas propriedades inerentes (gênero. 'carona'.. embora não tenham ainda o domínio de suas propriedades morfossintáticas. Como ressalta Viana (2001). número.. em particular na aquisição de segunda língua. pode-se dizer que A e B optaram por utilizar uma palavra nova.. Ele ver carro carona passar. ser expressos por uma palavra. semelhantes aos da sentença quando se acrescentam elementos como determinantes. Categorias funcionais São os demais elementos do léxico e. Como se comentou anteriormente. na língua portuguesa. pode-se ainda encontrar artigos no início de sentenças ou parágrafos. verbo. que resultam na estruturação da sentença.. podem. adjetivo). há duas possibilidades: não utilizá-lo ou utilizá-lo precariamente. (B) d. (18) a. Esses aspectos nos levam a refletir sobre como um item lexical passa a integrar o conhecimento linguístico do falante. Nas estruturas possessivas é também frequente a não-concordância do pronome possessivo com o gênero e o número do 85 . as combinações possíveis entre os itens lexicais... (A) b. enquanto no restante do texto estão ausentes.. pode ser que ele não tenha sido percebido ainda com todas as suas propriedades. verifica-se a preferência por estruturas menos encaixadas.. o sintagma nominal se caracteriza por um sistema de encaixes..

a produção textual dos surdos em língua portuguesa é desconcertante.. por exemplo..... (A) b. Se.. mas nos textos examinados a única ocorrência do pronome possessivo é convergente com a gramática-alvo (o português).. (19) (.ele fica zangado. . preferencialmente.. . a fim de orientar suas ações. Os adjetivos ocorrem.você é doido. gestos de intensidade e expressão corporal vistos no vídeo. Ao mesmo tempo.. (B) b..) ele vontade caminhão e velocidade (20) (. por um lado.. é interessante notar que. é limitado. um procedimento essencial é que a escola faça o diagnóstico das necessidades educacionais do aluno surdo...4. na busca do entendimento de sua complexa situação linguística e (multi)cultural. o que desmistifica visões alarmistas. é necessário desenvolver um amplo intercâmbio de informações e experiências entre profissionais e interessados nessa questão. incluindo-se primordialmente a própria comunidade surda e sua família.. ... O contraste nos tipos frasais e o uso de adjetivos e de advérbios. uma característica encontrada em aprendizes de segunda língua (surdos ou ouvintes). .. por outro lado. Embora a omissão dos verbos predicativos seja bastante recorrente. (B) 2. Se por um lado. têm-se os fenômenos típicos da aquisição de segunda língua. são inegáveis as especificidades da situação de aquisição da (modalidade escrita da) língua oral pelo surdo. são escassos os correspondentes para expressões faciais. que codificam a atitude do emissor em relação ao que está sendo descrito. em estrutura predicativa. o uso desses verbos não passa despercebido nos textos examinados.. (B) (22) a. o que torna imprescindível o oferecimento de condições adequadas ao seu desenvolvimento acadêmico e intelectual. a fim de ampliar o conhecimento da realidade do surdo. por outro.. CONSIDERAÇÕES FINAIS As questões apontadas na aquisição de português escrito por surdos vêm expor uma situação que requer ações específicas e especializadas.aí ele está espantado.possuído.) ele disse que ele pode entrar na senta de seu caminhão Finalmente. (21) a.. com ou sem o verbo de ligação... nos textos de A e B.começa etá sono e cansado. .ele não ouvinte. é fascinante reconhecer a manifestação da 86 .. Nesse sentido. (A) c..

all). além de conhecer a obra de Quadros e Schmiedt (2006) que apresentam “Ideias para ensinar português para alunos surdos” FORUM Recolha um pequeno texto de uma pessoa surda (pode ser de alguém de sua comunidade) e analise-o enquanto um profissional que.acessobrasil.org. Nesse processo. destaca-se o fato de que cada indivíduo percebe e agrega elementos linguísticos a seu modo particular e em seu tempo. (b) De posse da análise do texto de uma pessoa surda que você fez. CONTRIBUIÇÃO Que tal vocês estudantes treinarem com o tutor a distância o sinal de seu pólo e montarem um glossário com citados na tabela.faculdade de linguagem. discuta com seu tutor e colegas as seguintes questões: (a) Qual sua opinião sobre as aulas gramatiqueiras. a despeito das dificuldades encontradas. o que remete à observação de que a motivação e a aceitação da língua -alvo são fatores cruciais. bem como pesquisando outras publicações na internet. Em seguida.br/libras [5] PRÁTICA IV .com/embed/UWMM31aWZz0 acesse o 87 . que podem acelerar o processo de aquisição. provavelmente. CURIOSIDADE Você pode saber mais sobre o ensino de português para surdos lendo a obra de Salles (et. seja para surdos seja para ouvintes?.PEQUENOS DIÁLOGOS NO CONTEXTO ESCOLAR DIÁLOGO 4 – “SOCIAL – LOCALIDADES PÚBLICAS” Para assistir o vídeo http://www.youtube. que aponta para a possibilidade de êxito na aquisição. como você pensa ser uma aula de português como segunda língua para os aprendizes surdos? (Você pode pensar em um tema de aula). pesquisando na internet e no site: www. bem como estados e capitais brasileiras. encontrará tal educando em sua sala de aula. ao lado dos aspectos biológicos da aquisição.

CRUZ. 1996. M. Vigília. QUADROS. 2002. I. SACKS. M. HYMES.. KLIMA. E. (no prelo) FERNANDES. Brasília: MEC/SEESP. Edward S. Oliver. In: BRUMFIT. 1986. Tradução Alfredo B. IDÉIAS PARA ENSINAR PORTUGUÊS PARA ALUNOS SURDOS. 2002. THE COMMUNICATIVE APPROACH TO LANGUAGE TEACHING. Porto Alegre: Artmed. LÍNGUA DE SINAIS: instrumentos de avaliação. Cambridge. BELLUGI. University Press. 1979. de. de. SINTAXE GERATIVA DO PORTUGUÊS: da teoria padrão à regência e ligação. PANORAMA DO ENSINO DE LP PARA SURDOS AO LONGO DOS ANOS. LOBATO. LINGUAGEM E SURDEZ. Ronice M. LINGUAGEM: surdez e educação. C. Belo Horizonte. M. On communicative competence. 88 . Mass. L. S. M. (Orgs. lugares. VENDO VOZES: uma jornada pelo mundo dos surdos.: Harvard University Press. LEMLE. Ursula. GÓES. D. treine o diálogo apresentado. 1997. de. Porto Alegre: Artmed. SCHIMIEDT. P. Campinas: Autores Associados. Ronice. Carina R. 1979. aplicando os SINAIS utilizados em conversas informais com assuntos como: lanche. EDUCAÇÃO DE SURDOS: a aquisição da linguagem. QUADROS. 2. passeios etc.Atividade Prática: Baseado(a) no vídeo à disposição no ambiente virtual. Ronice M. & JOHNSON K. de Lemos. Porto Alegre: Artmed. Rio de Janeiro: Imago. 2006. Gramado. Oxford.P.). QUADROS. 1998. 2011. THE SIGNS OF LANGUAGE. L. XVII Encontro Nacional da ANPOLL. GLOSSÁRIO ARACATI CAUCAIA RUSSAS ARACOIABA MERUOCA SÃO GONÇALO DO AMARANTE SHOPPING BANCO HOSPITAL SUPERMERCADO BARBALHA QUIXERAMOBIM UBAJARA LANCHONETE CINEMA FARMÁCIA RESTAURANTE PRAÇA CORREIOS PRAIA IGREJA REFERÊNCIAS FARIA. O LINGUISTA DE MARTE NA TERRA. 2002.

br/libras Responsável: Prof. A. VOANDO COM GAIVOTAS: um estudo das interações na educação de surdos. 5.ª Margarida M. VIANNA. São Paulo: Editora Cultrix. 4.adobe. SEESP.com/go/getflashplayer http://www.adobe. Fortaleza: UFC.Instituto UFC Virtual 89 . SOUZA. Tradução de Antônio Cheline.com/go/getflashplayer http://www. 2001. [sd]. ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA PARA SURDOS: caminhos para a prática pedagógica. José Paulo Paes e Izidoro Blikstein. P. M. 2.com/go/getflashplayer http://www. Brasília: MEC. ESTRUTURAS DE POSSE NA AQUISIÇÃO DE (comunicação no I Encontro do Grupo de Estudos da Linguagem do Centro-Oeste. FONTES DAS IMAGENS 1.com/go/getflashplayer http://www.acessobrasil. 2008. Heloysa. SAUSSURE. Margarida M. P.org. de.adobe. http://www. 2004. L. C. de Souza Universidade Federal do Ceará .adobe. [et al]. Ferdinand de. 3. CURSO DE LINGÜÍSTICA GERAL. (no prelo) PORTUGUÊS POR SURDOS. M.SALLES. Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação. Dissertação (Mestrado em Educação Brasileira). 9ª ed.